UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE BIBLIOTECONOMIA CURSO DE BIBLIOTECONOMIA José Gláucio Brito Tavares de Oliveira MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste NATAL-RN 2004.2 JOSÉ GLÁUCIO BRITO TAVARES DE OLIVEIRA MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Monografia apresentada à disciplina Monografia, ministrada pela professora Maria do Socorro de Azevedo Borba para fins de avaliação da disciplina e como requisito parcial para a conclusão do curso de Biblioteconomia. Orientadora: Profª MSc. Andréa Vasconcelos Carvalho de Aguiar NATAL-RN 2004.2 Catalogação da Publicação na Ponte 048e Oliveira, José Gláucio Brito Tavares de. Marketing em Unidades de Informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste/ José Gláucio Brito Tavares de Oliveira. – Natal, 2004. 52 f. Orientador: Andréa Vasconcelos Carvalho de Aguiar. Monografia (Graduação em Biblioteconomia). – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 1. Marketing-Formação Acadêmica - Monografia. 2. Marketing em unidade de informação. - Monografia. 3. Funções do Marketing. - Monografia. I. Aguiar, Andréa Vasconcelos Carvalho de. II. Título. RN/UF/DEBIB CDU: 023:658.8 JOSÉ GLÁUCIO BRITO TAVARES DE OLIVEIRA MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Monografia apresentada à disciplina Monografia, ministrada pela professora Maria do Socorro de Azevedo Borba para fins de avaliação da disciplina e como requisito parcial para a conclusão do curso de Biblioteconomia. MONOGRAFIA APROVADA EM 13 de janeiro de 2005 BANCA EXAMINADORA Profª. MSc Andréa Vasconcelos Carvalho de Aguiar (Orientadora) ProP. MSc Maria do Socorro de Azevedo Borba (Profª da Disciplina) Profª MSc. Luciana Moreira Carvalho (Membro) A meus pais José e Graça e a irmã Gracielle que sempre me apoiaram em todas as minhas escolhas. AGRADEÇO Primeiramente a Deus, que desenhou meus caminhos com fé, luz, paz e disciplina. A meus pais queridos, José e Graça, que sempre me apoiaram em todas as decisões de minha vida. Estando os dois sempre presentes nas minhas alegrias e tristezas, me dando forças para que pudesse continuar minha caminhada. A minha irmã, que amo, que sempre me ajudou e me entendeu. A minha segunda mãe, tia Vilma, pela paciência em me aturar na sua casa nesses quatro anos de luta. As minhas tias, Nativa e Lucinha pelo carinho especial. As minhas primas Sinelle, Maria Antônia, Maylene e a Simone me emprestando o computador sempre que eu precisava. Agradeço a todas pelo incentivo e compreensão. Aos meus amigos Fernanda, Joumara, Cybelle, Andreza, Ericka, Kátia, Rebeka, Débora, Vanessa, Flaviana, Cirlene, Kaline, Letícia, Petrônio Jr. e Eduardo pela amizade, força e dedicação que foi depositada em mim. As bibliotecárias Albanita Lins, Roseane Mendonça, Cristiane Bulhões e Socorro Félix que foram fundamentais no ensinamento das técnicas biblioteconômicas durante meus estágios, muitíssimo obrigado. As todas as professoras do Departamento em especial a Mónica Carvalho, Luciana Moreira e a queridíssima Socorro Borba, pela atenção particular, para que pudesse concluir esse trabalho. E a minha querida professora Andréa Aguiar por ter aceitado me orientar nesse trabalho, pelo estímulo e pela paciência que teve comigo. Muito obrigado de coração. "Um indivíduo sem informação não pode assumir responsabilidades; um indivíduo que recebeu informações não pode deixar de assumir responsabilidades". Jan Carlzon RESUMO Analisa a estrutura curricular dos cursos de graduação em Biblioteconomia existentes nas Instituições Federais de Ensino Superior do Nordeste, identificando a existência de disciplinas voltadas ao marketing. Caracteriza o marketing em relação ao seu conceito, evolução e funções. Descreve a evolução da abordagem do marketing na literatura biblioteconômica brasileira. Analisa a aplicação do marketing em unidades de informação, destacando os obstáculos encontrados para sua aplicabilidade. Fala também das vantagens da sua aplicação, onde problemas são identificados, soluções podem ser tomadas, atendendo os desejos e anseios de seus clientes, promovendo um perfeito processo de troca de valores entre biblioteca e usuário. Discorre sobre o papel do bibliotecário no processo, salientando a necessidade de que tenha em sua formação académica, conhecimento sobre marketing em unidades de informação. Em termos de procedimentos metodológicos, recorreu-se à pesquisa bibliográfica e a pesquisa em websites dos Cursos de Graduação em Biblioteconomia do Nordeste. Palavras-chave: Graduação do Bibliotecário. Marketing em Unidades de Informação. Funções do Marketing. ABSTRACT This research analyzes the curricular structure of graduation courses in library science in Higher Federal Institutions of the Northeast. It also identifies the existence of disciplines that lead with marketing. Marketing is characterized related to its concept, evolution and functions. The evolution of the marketing approach in Brazilian library science is also dealt with. The application of marketing in information units and the obstacles for its aplicability is taken into consideration by the research. The advantages of the marketing application, identification of problems and the solutions that can be taken that attend the desires and expectations of the client is seen this promotes the perfect process related to values between libraries and users. The role of the librarian in this process is seen. It calls attention upon the need for this professional to have academic graduation and Knowledge about marketing in information units. The methodological procedures were bibliographic and website researches of the Northeastern courses in Libraryscience. Key Words: Librarian Graduation. Marketing in Information Units. Marketing Functions. LISTA DE SIGLAS ABEBD Associação Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Documentação ABECIM Associação Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Ciência da Informação AMA Associação América do Marketing IBICT Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IFES Instituição Federal de Ensino Superior MEC Ministério da Educação OEA Organização dos Estados Americanos SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SNBU Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias UFAL Universidade Federal de Alagoas UFBA Universidade Federal da Bahia UFC Universidade Federal do Ceará UFMA Universidade Federal do Maranhão UFPB Universidade Federal da Paraíba UFPE Universidade Federal de Pernambuco UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 10 2 CARACTERIZAÇÃO DO MARKETING ........................................ 14 2.1 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DO MARKETING.................................. 16 2.2 FUNÇÕES DO MARKETING ................................................................ 18 3 MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO....................... 24 3.1 MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO NA LITERATURA BRASILEIRA ......................................................................................... 3.2 OBSTÁCULOS NA APLICAÇÃO DO MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO....................................................................................... 3.3 26 29 VANTAGENS DA APLICAÇÃO DO MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO....................................................................................... 32 3.4 MARKETING E O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO .................. 35 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS......................................... 38 5 PRESENÇA DO MARKETING NAS GRADES CURRICULARES DOS CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA DE IFES DO NORDESTE: análise e 6 interpretação dos resultados .................................................................. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................ 46 REFERÊNCIAS..................................................................................... 48 APÊNDICE............................................................................................. 51 ■ José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 1 INTRODUÇÃO Atualmente, produtos e serviços que satisfaçam o cliente são os principais responsáveis pelo sucesso e expansão das organizações. Por isso, elas procuram aperfeiçoar continuamente seus produtos e serviços se adequando às necessidades e requisitos dos clientes e as frequentes transformações do mercado, utilizando-se para tanto de métodos e técnicas que lhes permitam estar sempre atualizadas quanto às expectativas de seus públicos, garantindo assim sua sobrevivência e seu desenvolvimento. Para se chegar ao ideal de mercado se faz necessário elaborar diagnóstico da área em que se vai trabalhar, desenvolvendo atividades de caráter exploratório para conhecer o mercado e o público que será atendido. Acentua-se a necessidade de oferecer serviços adequados, utilizando algumas ferramentas que sirvam para atrair e satisfazer pessoas. Pois o cliente estando satisfeito com o que lhe está sendo oferecido, certamente fará com que a organização receba em troca benefícios, promovendo seu crescimento no ambiente que está inserida. Por isso as organizações adotam o marketing tendo em vista otimizar seus produtos e serviços, visando a eficiência na oferta e à satisfação do cliente. Pode se entender o marketing como uma combinação de técnicas, cuja aplicação visa o perfeito processo de troca, beneficiando todos os elementos que nela se integram. A utilização do marketing em unidades de informação possibilita uma gestão administrativa, onde todos os esforços visam à concretização de trocas entre biblioteca, usuários internos e externos e 10 11 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste os demais públicos que a unidade de informação atende, tais como sua instituição mantenedora, seus fornecedores, entre outros. A aplicação do marketing em unidade de informação requer que o bibliotecário, visto como gestor, identifique e estude quais as melhores estratégias, para satisfazer seus usuários, no que diz respeito a disponibilização de produtos, à prestação de serviços informacionais, como meio para consolidar e aprimorar a presença da unidade de informação no mercado. Para tanto, faz-se necessário que o profissional da informação tenha formação académica que o habilite a adotar estratégias de marketing. Neste sentido, coloca-se como problema de pesquisa: "como se compõem as estruturas curriculares dos cursos de graduação em Biblioteconomia existentes nas instituições federais de ensino superior (IFES) do Nordeste, no que concerne à existência de disciplinas voltadas para o marketing?" Portanto pode-se definir como objetivo geral analisar a estrutura curricular dos cursos de graduação em Biblioteconomia existentes nas IFES do Nordeste, tendo em vista identificar a existência de disciplinas voltadas para o marketing. Os objetivos específicos são: • Caracterizar o marketing em relação ao seu conceito, evolução e funções; • Descrever a evolução da abordagem do marketing na literatura biblioteconômica brasileira; • Analisar a aplicação do marketing em unidades de informação, destacando os obstáculos, as vantagens e o papel do bibliotecário. 12 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Para se atingir os objetivos delineados, foram realizadas pesquisas bibliográficas sobre marketing, principalmente no que diz respeito ao marketing em unidade de informação. Além disso, foram pesquisados os websites dos Cursos de Biblioteconomia das IFES da região Nordeste, tendo em vista caracterizar a presença do marketing. O interesse por esse tema teve origem em observar durante um estágio extracurricular em uma biblioteca universitária a utilização de procedimentos de marketing na execução de eventos, feiras e na divulgação de seus produtos e serviços para os clientes. Pode-se citar também a disciplina Organização e Administração de Bibliotecas e Serviços de Informação, ministrada pela professora Luciana Moreira Carvalho, do Departamento de Biblioteconomia desta Universidade, que teve como uma das atividades de avaliação a elaboração de um plano de marketing para uma unidade de informação. Esta monografia é composta de cinco capítulos. Após a introdução, no capítulo intitulado Caracterização do Marketing, são abordados aspectos relativos à evolução, origem do termo, o composto de marketing, como também são apresentadas as funções e os elementos do marketing. O terceiro capítulo: Marketing em Unidades de Informação tratará das ações de marketing que são desenvolvidas em unidades de informação, caracterizando os públicos, analisando a presença do marketing na literatura biblioteconômica brasileira. Neste mesmo capítulo são descritos alguns obstáculos na aplicação do marketing em unidades de informação, como também das vantagens de aplicar marketing como benefício de todas as partes da organização. Também será analisado o papel do profissional da informação frente às ações do marketing em unidades de informação. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste No quarto capítulo 13 Procedimentos Metodológicos são apresentados as técnicas metodológicas utilizadas para realizar a pesquisa deste trabalho. E no quinto e último capítulo intitulado Presença do marketing nas grades curriculares dos cursos de biblioteconomia de IFES do Nordeste: análise e interpretação dos resultados faz-se uma análise em grades curriculares, onde serão verificados a existência de disciplinas de marketing, para a formação do profissional da informação. Por fim são apresentadas as Considerações finais acompanhados de recomendações descritas ao tema. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 2 CARACTERIZAÇÃO DO MARKETING Os conceitos que se tem na literatura sobre marketing são abrangentes e variados, devido às diferentes abordagens dos autores e também da época em que foram formulados. Porém, percebe-se que eles se complementam entre si. Kotler (1978, p. 61) define Marketing como sendo "um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outras pessoas". Percebe-se, então, que o marketing funciona como uma ferramenta gerencial, beneficiando, através de suas ações, a organização, sua clientela e a sociedade. Confirmando esta percepção, Cobra (2001) afirma que o papel do marketing é Identificar necessidades não satisfeitas, de forma a colocar no mercado produtos e serviços que, ao mesmo tempo proporcionem satisfação do consumidor, gerem resultados auspiciosos aos acionistas e ajudem a melhorar a qualidade de vida das pessoas e da comunidade em geral. Deve-se, pois, conhecer o cliente para saber quais são as suas necessidades e requisitos. A partir disso, pode-se desenvolver e promover produtos e serviços satisfatórios. Neste sentido, convém mencionar a afirmação da Associação Americana de Marketing (AMA) quando ressalta que: 14 15 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Marketing é o processo de planejamento e execução desde a concepção, agregamento, promoção e distribuição de idéias, mercadorias e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos individuais e organizacionais (AMA citada por COBRA, 2001, p. 34). Sendo assim, a prática do marketing pode ser entendida como um processo que leva à construção de uma estratégia administrativa que possibilite a oferta de produtos e serviços, desde sua formulação até sua distribuição ao mercado, satisfazendo o produtor e seus públicos. É a partir dos princípios de marketing, que se planeja, define, executa e põe as idéias em prática por meio de canais de comunicação, que possam oferecer de forma adequada o produto. Caracterizando mais amplamente o marketing, Kotler e FOX (1994, p.24) afirmam que trata-se de: Análise, planejamento, implementação e controle de programas cuidadosamente formulados para causar trocas voluntárias de valores com mercados-alvo e alcançar os objetivos institucionais. Marketing envolve programar as ofertas da instituição para atender às necessidades e aos desejos de mercados-alvo, usando preço, comunicação e distribuição eficazes para informar, motivar e atender a esses mercados. Tendo em vista as várias definições apresentadas, pode-se compreender o marketing como sendo um processo gerencial, que visa a troca de valores de modo a garantir a sobrevivência da organização, através da identificação e compreensão das necessidades e expectativas dos clientes e do oferecimento dos serviços e produtos compatíveis, beneficiando assim a organização e todos os seus públicos. 16 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 2.1 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DO MARKETING A estrutura da palavra marketing é composta da seguinte maneira: "MARKET" quer dizer mercado e o sufixo "ING" traduz ação. Exprimindo então o sentido de desenvolver ações no mercado. Marketing é uma expressão estrangeira, de origem inglesa que não possui tradução literal para a língua portuguesa. Mas esse termo é muito usado no Brasil, sendo, de certa forma, sinônimo para processo mercadológico ou mercadologia. Segundo Richers (1994, p.78), o marketing se difundiu no Brasil em meados da década de 1950 como resultado de três aspectos principais: a industrialização do país; a inclusão do tema nos emergentes cursos superiores e especiais de administração, mais precisamente na Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas; e a adoção de ações mercadológicas pelo sistema de comunicações e das agências de publicidade. Tendo em vista apresentar a evolução do marketing numa perspectiva mais ampla, Las Casas (1997, p. 21) estabelece três fases fundamentais: a era da produção, a era de vendas e era do Marketing: Era da produção: etapa em que a demanda era maior que a oferta. Os consumidores estavam ávidos por produtos e serviços. A produção era quase artesanal. Com a chegada da Revolução Industrial apareceram indústrias organizadas, utilizando a administração científica de Taylor, aumentando a produtividade. Era de vendas (1930): nessa época começava a surgir os primeiros sinais de excesso de oferta. Os fabricantes desenvolveram-se produzindo em série. Portanto, a oferta passou a superar a demanda e os produtos acumulavam-se em estoques. Algumas empresas começaram a utilizar técnicas de vendas bem mais agressivas e a darem ênfase na comercialização de seus produtos através das vendas. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 17 Era do marketing (1950): onde os empresários começaram a perceber que as vendas a qualquer custo não era uma forma de comercializar muito correta. O mais importante era a conquista e a manutenção dos negócios a longo prazo, mantendo relações permanentes com a clientela. Foi a partir dessa época que os produtos passam a ser oferecidos de acordo com as necessidades dos clientes. Assim pode-se afirmar que o primeiro período foi marcado pela transição da produção artesanal para a produção em massa, sendo uma consequência da Revolução Industrial. Decorrente disso, as vendas passaram a ser incrementadas. Desta forma, recorreu-se ao marketing como uma agressiva estratégia de venda. Posteriormente, o constante contato com o mercado conduziu ao entendimento de que era preciso adequar os produtos aos seus consumidores. Foi assim que se deu à passagem da era de vendas para a era do marketing. Na sequência da evolução do marketing, em fins 1969, Kotler e Levy sugeriram a ampliação do conceito de marketing, para que abrangesse também as instituições sem fins lucrativos, tais como escolas, hospitais e bibliotecas, entre outros. Para Kotler (1978, p. 24) A razão básica de uma organização que não visa lucro interessar-se pelo marketing, é que eles permitem que a organização se torne mais eficaz na obtenção de seus objetivos. A aplicação de procedimentos de marketing em organizações que, por vezes, não dispõem dos recursos financeiros necessários, justifica-se pela possibilidade de a organização alcançar seus objetivos e com isso, se tornar mais eficaz na obtenção de recursos. 18 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste O marketing evolui de acordo com as novas tendências do mercado, voltando-se sempre para estudá-lo e entendê-lo, tendo corno base os desejos e necessidades dos consumidores com o objetivo de satisfazê-los. 2.2 FUNÇÕES DO MARKETING A implementação do marketing se dá através do desempenho de quatros funções: análise, adaptação, ativação e avaliação. Na primeira função do marketing, a análise, são realizadas observações em micro e macroambientes. A análise microambiental estuda as condições internas da organização, tais como: • Recursos humanos: são abordados fatores com relação à motivação, quantidade, formação, programas de educação continuada, etc. • Recursos financeiros: são verificações quanto à quantia empregada, se é suficiente ou se existe restrições. • Mercado-alvo: estudos para o conhecimento da comunidade segundo suas características. Para tanto a comunidade pode ser dividida em quatro grandes grupos, podendo ser: segmentação demográfica, geográfica, psicológica e behaviorista, sendo esta última voltada para o estudo do comportamento do usuário. A análise dos fatores externos ou macroambientais envolve os aspectos referentes ao ambiente em que a organização está inserida, são eles: • Políticos: análise de governo, de estratégias e de possíveis repercussões; 19 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste • Econômicos: referem-se ao nível de renda da população, taxas de juros, etc; • Culturais: referem-se a língua, produção científica e artística, etc; • Tecnológicos: são analisadas as frequentes mudanças tecnológicas, como também seus custos de tais recursos. A segunda função do marketing é a adaptação. Através dela se empreende todos os esforços necessários à adequação da organização em função da análise anteriormente realizada. Assim, formula os devidos ajustes na oferta de produtos e serviços. É nessa função, que todos os setores da organização se integram, para estruturar um processo de marketing, reunindo esforços, visando a satisfação do cliente e a segurança quanto à presença da organização no mercado. Esse processo chama-se de marketing integrado, onde deve existir uma sincronia quanto aos procedimentos de marketing, em todos os níveis da instituição. A terceira função do marketing é a ativação, onde as atividades estão relacionadas com a administração do marketing visando as aplicações de tempo, local, produtos e serviços. É a disposição do produto na hora, local e modo certo, conforme as necessidades e preferências dos usuários. A ativação do marketing nas organizações se dá através de ura conjunto de elementos denominado de composto de marketing. O composto de marketing é determinado mediante a definição dos mercados e seus segmentos a serem atendidos, seguindo uma análise dos clientes/consumidores. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Campomar (1981, citado por Amaral, 1998, p. 126) diz que composto de marketing "é o conjunto de variáveis sobre as quais a administração de marketing deve tomar decisões". Pode ser entendido também como um conjunto de variáveis e ferramentas que a instituição utiliza num processo decisório, desde a criação de seu produto até sua disposição no mercado, com o objetivo de satisfazer sua clientela. Também conhecido como marketing mix ou os 4Ps, o composto de marketing é um conjunto de ferramentas que a organização usa para atingir seus objetivos de marketing no mercado-alvo. Neste sentido, o Quadro 1 é bastante ilustrativo por caracterizar cada um dos Ps: produto, preço, praça e promoção. QUADRO 1 COMPOSTO DE MARKETING 20 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 21 O produto é qualquer coisa que é produzido e oferecido ao mercado. No âmbito das unidades de informação isso se aplica à oferta da informação, onde serão avaliados a qualidade, confiabilidade, clareza, entre outros pré-requisitos. Com relação ao preço, deve inicialmente verificar as condições econômicas dos usuários que a unidade de informação atende. Conhecendo seu perfil, pode-se definir não só o valor financeiro na prestação de produtos e serviços, como também deve-se medir variáveis de tempo, qualidade e atendimento, devendo ser analisado se a instituição visa ou não o lucro. Sendo tomada essa decisão pelos chefes da organização, por ser uma atitude política e complexa. É na praça que serão disponibilizados os produtos e serviços, por meio de canais de distribuição, ocasionando a oferta direta ao consumidor. Na promoção são utilizadas ferramentas para a divulgação do produto no mercado. Neste ponto o "ofertante" deve ser claro e conciso, para que possa atingir as reais necessidades e anseios dos clientes. Segundo Stepanenko (198?, p. 14), como meios para a promoção, o marketing se utiliza de vários elementos, dentre os quais se destacam: • Mala direta: são informações que são dirigidas por correspondência, visando informar o público alvo a tomar decisões com relação a utilização de produtos e serviços; • Telemarketing: utiliza ferramentas e planejamento de meios de telecomunicações e informática, para disseminar como também colher informações relevantes para a organização, visando uma melhoria na apresentação de produtos e serviços; José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste • Propaganda: é utilizada para promover os serviços, produtos, idéias, etc, segundo a filosofia da organização. É o elemento mais utilizado dos procedimentos de marketing; • Publicidade: trata da atividade que utiliza meios de comunicação para a propaganda, onde a mensagem é passada diretamente para o cliente, através de notícia, entrevista, noticiário, etc. Tendo em vista deslocar o foco de atenção do produto para o cliente, houve uma inovação no composto do marketing através da substituição dos 4Ps pelos 4Cs, constituídos por clientes, custos, conveniência e comunicação. • Cliente: é o principal beneficiário e todos os esforços da organização estão votados para atender suas necessidades e expectativas; • Custo: definição de quanto custará o produto, mediante sua aceitação no mercado. Refere-se tanto ao aspecto financeiro como também às variáveis tempo, qualidade e atendimento; • Conveniência: as frequentes inovações tecnológicas permitem a transferência de informação de forma cada vez mais rápida e interativa. Com o advento das novas tecnologias de informação e da telemática, os produtos e serviços podem ser disponibilizados a qualquer hora e em qualquer local que o cliente necessite, tendo como pré-requisito apenas o acesso aos meios de conexão necessários; • Comunicação: é pela maneira de comunicar-se que a organização consegue atrair e manter sua clientela. Enfoca a emissão de mensagens para a clientela e oferece meios para que os clientes também dirijam comunicados para a 22 23 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste organização. A comunicação pressupõe uma relação de mão dupla, um diálogo em que todos os envolvidos têm possibilidade de expressão. Retomando a caracterização das funções do marketing, após a ativação, tem-se a avaliação, que se define pela comparação dos resultados obtidos com os planejados, tendo por finalidade promover o ajuste de possíveis falhas no processo de administração da organização, visando à contínua otimização do que é oferecido. Neste sentido, é oportuna a afirmação de Kotler (1994, p. 69): Administradores precisam de informações apropriadas e acessíveis para tomar decisões sobre programas atuais e futuros, bem como para antecipar problemas relacionados a marketing. Assim, entende-se que o gerente da unidade da informação estando sempre atento às políticas de marketing estará apto a decidir e antecipar possíveis problemas e/ou falhas quanto sua aplicação. É importante mencionar que a informação é o principal insumo na utilização dos procedimentos de marketing em organizações, pois todas as suas funções implicam-se em coleta, geração, tratamento, análise e uso da informação. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 3 MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO A aplicação do marketing em unidades de informação amplia as relações de troca com seus públicos e otimiza o processo de transferência da informação no âmbito de toda a organização. Por isso, as unidades de informação devem adotar princípios de marketing visando a melhoria nos produtos e serviços oferecidos, e, consequentemente, a satisfação dos clientes e a expansão no mercado. Para que as estratégias de marketing sejam eficientes na unidade de informação, faz-se necessário inicialmente conhecer o que é marketing, suas aplicabilidades e benefícios como também os possíveis obstáculos a serem superados. Além disso, é necessário analisar o mercado, a instituição mantenedora e a própria unidade de informação em que o marketing será empregado. Dentro desse contexto, podemos citar Amaral quando afirma que Quando se trata de marketing de informação, são consideradas neste escopo de atuação as organizações que se ocupam da coleta, tratamento, disseminação e uso da informação, incluindo-se nessa categoria aquelas que tratam a informação estratégica para tomada de decisão para seu uso pelos interessados. (AMARAL, 2004, p. 59) Como foi visto, marketing então, exprime um conjunto de atividades que visam orientar o fluxo de bens e serviços do local onde são gerados para os consumidores ou usuários. Trata-se de um conjunto de técnicas coordenadas que permitem a uma organização conhecer o mercado presente e potencial com a finalidade de otimizar a oferta de seus produtos ou serviços. 24 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Em relação ao uso do marketing em unidades de informação, Amaral (1998, p. 49) afirma: É interessante refletir sobre as vantagens do marketing como ferramenta gerencial para melhorar o desempenho das unidades de informação. Essa reflexão poderá contribuir no sentido que as unidades de informação cumpram satisfatoriamente o seu papel como organizações essenciais para o desenvolvimento social, econômico, político e cultural da sociedade. Complementando essa idéia, Silveira (1992, p.51) diz que: É função do marketing realizar trocas produtivas com seus mercados a fim de que haja continuidade voltada para resultados esperados. Suas relações de troca, implícitas na função de marketing devem proporcionar benefícios para todas as partes envolvidas no processo: cliente, biblioteca e mantenedor. De acordo com o que foi citado, o marketing em unidades de informação deve ser entendido como uma combinação de técnicas, visando o aperfeiçoamento do processo de troca, com o propósito de se alcançar objetivos almejados pela organização e seus públicos. Neste sentido é oportuno esclarecer que os públicos são grupos distintos de pessoas ou organizações que possuem ura interesse real ou potencial e/ou um impacto sobre a unidade de informação. Eles se dividem em: a) Provedores: constituídos pela instituição mantenedora e pelos fornecedores; 25 26 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste b) Público interno: estão integrados ao sistema, mas esperam melhores salários, melhores condições de trabalho e maiores benefícios; c) Consumidores: são os Clientes onde a organização deve satisfazer suas necessidades informacionais; e pela Comunidade onde se espera que a unidade de informação contribua para o bem-estar da região, através da prestação de serviços informacionais de qualidade. Retomando a discussão anterior, os objetivos organizacionais só são alcançados se a unidade de informação adotar técnicas eficientes para a identificação das verdadeiras necessidades e expectativas de seus usuários. Para tanto, é imprescindível que o profissional da informação tenha conhecimento do marketing, o que deve ser possibilitado tanto por sua formação académica como pela educação continuada, seja através de cursos ou leitura sobre o tema. 3.1 MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO NA LITERATURA BRASILEIRA No Brasil, alguns autores têm se dedicado a produzir trabalhos sobre a aplicabilidade do marketing em unidades de informação, contribuindo, desta forma, para a difusão do tema e para a conscientização dos profissionais sobre os benefícios advindos de sua utilização. Segundo Amaral (1998, p. 86), as primeiras abordagens teóricas sobre o assunto datam da década de 1970, tratando-se de artigos publicados em anais de congressos e em periódicos científicos. Porém, é a partir de meados da década de 1980 que a literatura se torna mais consistente com a produção de livros. Neste sentido, é interessante observar o levantamento realizado pela referida autora: José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste • 1984 - o primeiro livro editado no Brasil com um capítulo dedicado ao marketing foi o de Murilo Bastos da Cunha, intitulado "Bases de dados e bibliotecas brasileiras". • 1985 - foi publicado o primeiro livro sobre "Marketing em bibliotecas e centros de documentação", de Cortez, onde o texto valorizava a utilização do marketing para organizações. • 1989 - o IBICT editou o livro "Organização e operação de centros e serviços de informação tecnológica" no qual a Organização dos Estados Americanos (OEA) produziu um capítulo dedicado ao marketing. • 1990 - Nice Figueiredo, no livro intitulado "Metodologias para a promoção de centros de informação", também dedicou um capítulo ao marketing de sistemas de informação. • 1992 - foram publicados dois livros de Amélia Silveira. O primeiro em espanhol "Marketing Directo", e o segundo intitulado "Marketing em bibliotecas universitárias", que tratou em profundidade do marketing propriamente dito. • 1993 - o IBICT em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), publicou "Marketing em Unidade de Informação: estudos brasileiros", oferecendo aos interessados no assunto, uma reunião dos estudos brasileiros significativos da literatura biblioteconômica. • 1995 - Biblioteconomia e Marketing foi o tema do XVIII Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia e Documentação. • 1996 - Suely Angélica do Amaral analisou a representatividade da produção brasileira sobre o tema na coletânea "Marketing em Unidades de Informação: estudos brasileiros", considerando os trabalhos publicados no Brasil até então. 27 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 28 Dando continuidade ao levantamento da produção brasileira sobre a aplicabilidade do marketing em unidades de informação, porém sem pretensões de exaustividade, destaca-se mais algumas contribuições: • 1998 - Sueli Angélica do Amaral lança o livro "Marketing: abordagens em unidades de informação" no qual apresenta, de modo consistente, os vários aspectos da implantação do marketing em unidades de informação; • 2004 - o livro "Marketing da Informação na Internet: ações de promoção", de autoria de Sueli Angélica do Amaral, em colaboração com Simone Santos e Wagner Araújo, destaca a aplicação do marketing para produtos e serviços de informação na era da Internet. Além dos livros, vale mencionar que nos congressos da área, notadamente nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBUs) frequentemente são apresentados resultados de pesquisa ou relatos de experiência da implementação do marketing em unidades de informação. Como exemplo, temos os trabalhos "Ações de marketing em unidades de informação: em busca da melhoria da qualidade na prestação de serviços" de Cíntia Almeida da Silva Santos.e Teresinha das Graças Coletta. E "O papel da biblioteca no marketing institucional: clipping digital UNERJ" de autoria de Hadra Mônica Kuester, Márcio João Oliari e Terezinha da Graça Moreira. Publicados no XIII SNBU realizado em 2004 em Natal, RN. Como se pode observar há literatura brasileira na área. Contudo, ainda se trata de uma produção escassa haja vista que são pouco frequentes e concentradas em poucos autores, com destaque para Amaral. Isso gera impacto negativo na formação e atualização dos profissionais da informação e, consequentemente em suas ações. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 3.2 OBSTÁCULOS NA APLICAÇÃO DO MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO Tendo em vista que a adoção do marketing implica em mudanças profundas na atuação de profissionais e organizações e que o termo, por vezes, é utilizado inapropriadamente, existem várias barreiras à sua utilização, notadamente em organizações sem fins lucrativos. Assim, considera-se relevante fazer uma análise de tais obstáculos. Partindo de uma análise histórica, Kotler e Fox (1994, p. 31) situam a origem da rejeição ao marketing nos escritos de filósofos como Platão, Aristóteles e Tomas de Aquino, que diziam que os comerciantes eram improdutivos e gananciosos, que tiravam vantagens de clientes ao comprarem "barato" e venderem "caro", visando apenas o lucro. Nos dias atuais, algumas pessoas e organizações que dizem fazer uso do marketing são vistas como "charlatões", pessoas de má índole que oferecem produtos de baixa qualidade, fazendo uso da propaganda enganosa e levando as pessoas a adquirir ou fazer uso de coisas que não precisam. Com isso, a ideia que se tem do marketing acaba ficando comprometida devido à utilização inadequada do termo. Entretanto, acredita-se que a aplicação adequada do marketing e um melhor conhecimento de sua filosofia conduzirão a uma percepção mais correta do que seja. Existem ainda obstáculos inerentes à adoção do marketing em organizações sem fins lucrativos, pois ainda há a percepção de que se trata de uma atividade antiética porque desperdiça dinheiro público; é uma atividade intrusa; e é manipulador. Neste sentido, é oportuno recorrermos a Kotler (1978, p. 228) quando defende a aplicação do marketing social que "é realizado em defesa das causas e idéias sociais, serviços de saúde, serviços públicos educacionais ou em campanhas políticas". 29 30 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Quanto aos obstáculos específicos à aplicação do marketing em unidades de informação, pode-se citar estudo realizado em 1988 pela Professora Amélia Silveira, com os bibliotecários do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo, no qual identificou os principais fatores que dificultavam a aplicação de marketing nas bibliotecas universitárias brasileiras, os quais estão relacionados por ordem de indicação a seguir: 1. Ausência de plano de marketing nas bibliotecas universitárias; 2. Desconhecimento de marketing; 3. Ausência da disciplina, tópico ou enfoque sobre o tema nos cursos de graduação em biblioteconomia; 4. Ausência de cursos de atualização sobre o tema; 5. Problemas de infra-estrutura nas bibliotecas universitárias; 6. Carência de pessoas qualificadas nas unidades de informação; 7. Falta de contato com especialistas no tema; 8. Bibliografia escassa sobre o tema em português; 9. Ausência de disciplina, tópico ou enfoque sobre o tema nos cursos de pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. (SILVEIRA, 1992, p. 130) A autora verificou então, que a ausência do plano de marketing, foi a principal dificuldade citada por todos os bibliotecários entrevistados. Em seguida, destaca-se o desconhecimento de marketing e da ausência de disciplina, tópico, ou enfoque sobre o tema nos cursos de graduação e pós-graduação em Biblioteconomia. Assim, percebe-se que a falta de conhecimento do gestor da unidade de informação é um dos principais problemas quanto à aplicação do marketing, tendo, de um modo ou de outro, sido indicado nos tópicos 2,3,4 e 9. Saracevic e Wood (1981, citados por Amaral, 1998, p. 81) listam três barreiras na adoção do marketing em bibliotecas: José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 31 • A não inclusão do marketing como parte integral da formação profissional do bibliotecário; • A atitude de desconforto do bibliotecário em relação ao marketing, por considera-lo antiético; • A resistência em introduzir a comercialização dos trabalhos de informação. Existem ainda outros obstáculos referentes à atitude do profissional da informação frente ao marketing, tais como: resistência às mudanças; descrença nas vantagens da adoção do marketing em unidades de informação; e a pressuposição de que os produtos e serviços de informação têm um valor intrínseco. As barreiras citadas representam, de uma forma geral, a real necessidade de conhecimento do marketing pelo gestor da unidade de informação, o que se deve, em parte à escassez de literatura sobre esse tema no país, como discutido anteriormente. Além disso, os serviços de informação ainda não estão conscientes da necessidade e, portanto, ainda não estão voltados para a priorização dos interesses, desejos e expectativas dos clientes. A falta de interesse ou resistência das organizações em usar as ferramentas de marketing em suas operações, pode causar dificuldades, no que diz respeito a sua permanência no mercado. Pode-se citar exemplos das instituições que utilizam procedimentos de marketing apenas para sua instalação no mercado, e não fazem uso frequente de suas técnicas, ou seja, se não há um processo contínuo de atividades relacionadas com o marketing, a organização corre o risco de desaparecer, por pensar que sua presença no mercado já está garantida, não sendo necessário fazer mais nenhum esforço no sentido da melhoria contínua mediante a constante avaliação das reais necessidades e expectativas de seus usuários. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Com isso, no caso das unidades de informação, bons produtos e serviços correm o risco de não serem utilizados, ocasionando em grande perda por parte da instituição que adquire material informacional de alto custo, havendo também perda por parte do usuário que deixará de ter acesso a obras relevantes em suas áreas de interesse. 3.3 VANTAGENS DA APLICAÇÃO DO MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO Torna-se relevante refletir sobre as vantagens da aplicação do marketing como ferramenta gerencial no intuito de melhorar o desempenho em unidades de informação. Mas, para que o marketing seja implantado no corpo da organização e gere resultados, é de extrema importância desenvolver estratégias, com procedimentos bem formulados para um planejamento de marketing. Esse plano possivelmente permitirá a organização atingir seus objetivos. Para Kotler (1978, p. 79) o planejamento, Significa que a organização se define no sentido de transformar estratégia em um conjunto de metas e ações programadas que serão realizados por elementos da organização. Então é partir de um planejamento estratégico e bem formulado que o marketing pode ser implementado na organização, gerando benefícios em longo prazo. 32 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 33 Escolar Sobrino (1970, citado por Amaral, 1998, p.92), vê "o marketing como um auxiliar no planejamento bibliotecário capaz de determinar e satisfazer os desejos dos usuários". A adoção das técnicas mercadológicas deve merecer atenção dos profissionais da informação, por ser uma alternativa importante para o aprimoramento da prestação dos serviços, sendo necessário, para tanto, um frequente aperfeiçoamento da aplicação dessas técnicas. A adoção do marketing em unidades de informação serve de certa forma para valorizar o profissional da informação, que poderá melhorar a sua imagem mediante o uso aprimorado de técnicas para fazer trocas de valores adequadas, quebrando as barreiras na comunicação entre as unidades de informação e seus públicos. Kotler e Fox (1994, p. 30) citam quatro benefícios principais na aplicação do marketing em unidades de informação: • Maior sucesso no atendimento da missão da instituição; • Melhorar a satisfação dos públicos da instituição; • Melhorar a atração de recursos de marketing; • Melhorar a eficiência das atividades de marketing. O marketing ajudará a satisfazer as necessidades dos consumidores, oferecendo produtos e serviços compatíveis, identificando problemas e planejando respostas que ajudarão a organização a alcançar sua missão. O marketing também favorece a eficiência e a eficácia máximas em suas atividades. A adoção do marketing implicará em assumir grandes compromissos, pois significa a necessidade de mudança na filosofia de trabalho, abordagens e um maior esforço de exigindo novas José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 34 planejamento. Certamente serão reveladas as deficiências no desempenho, as falhas de rotina, as políticas obsoletas, surgindo conflitos inesperados. Neste sentido, o Quadro 2, apresentado abaixo, pontua bem as necessárias e profundas transformações na gestão de unidades de informação a partir da aplicação do marketing. QUADRO 2 - MUDANÇAS NA ADMINISTRAÇÃO DA UNIDADE DE INFORMAÇÃO A PARTIR DA ADOÇÃO DO MARKETING José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste A aplicação do marketing deve permitir a manutenção e melhor alocação de recursos financeiros, alcançando a satisfação dos usuários internos e externos. Assim, a perspectiva do marketing propiciará uma oportunidade de inovação onde os recursos serão melhor aproveitados, incluindo o emprego de novas tecnologias de informação e comunicação, permitindo que o profissional da informação trabalhe com mais rapidez e eficiência na obtenção de dados que são indispensáveis para identificar as possíveis falhas no andamento de atividades administrativas da unidade, como também na busca de informações adequadas para atender a demanda de seus usuários. Significa também uma mudança do comportamento profissional e empenho da equipe para que o usuário adquira a confiança na prestação de um serviço de qualidade que repercuta favoravelmente na reputação e na imagem do setor de informação. O marketing poderá ser aplicado na unidade de informação como meio de valorizar o ambiente de trabalho, melhorando o atendimento da demanda sempre crescente por informação, tendo em vista a apropriada troca de valores, quebrando barreiras na comunicação entre biblioteca e usuários. 3.4 MARKETING E O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO O profissional frente às atividades de gerenciamento de uma unidade de informação deverá adotar procedimentos de marketing, para reconhecer seu ambiente e seus públicos, o que propiciará um perfeito processo no desenvolvimento de suas ações. 35 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Para que as estratégias de marketing funcionem, como já foi mencionado, o bibliotecário deve ter conhecimento de seu local de trabalho, entendendo os segmentos que o envolvem, suas inter-relações e a organização como um todo. Conroy (1983, citado por Amaral, 1998, p. 82) assevera que [...] que os gerentes de bibliotecas atentos as habilidades com os instrumentos e conceitos de marketing, teoricamente pelo menos, estão melhor capacitados a antecipar e responder às megatedências futuras. Entende-se, então, que o profissional da informação, que estiver sempre atualizado com as frequentes mudanças no cenário atual, principalmente no que diz respeito às novas tecnologias, estará apto a desenvolver suas tarefas eficazmente, no uso e disseminação da informação. Desta forma, poderá promover a satisfação de seus usuários, visto que esses precisam de informações adequadas às suas necessidades. Para Pimentel (1982, p. 201) "o bibliotecário deverá possuir um conjunto de conhecimentos e reunir capacidade gerencial que o habilitem para as reformas a que se propõe". Assim, o bibliotecário tendo conhecimento na área de marketing poderá otimizar o desempenho de suas tarefas. É de competência do profissional da informação ser um especialista em marketing sob o ponto de vista estratégico, motivado a atuar no processo decisório e na resolução de problemas pertinentes à unidade, devendo estar sempre envolvido num processo de inovação e dinamismo na execução de tarefas. Shapiro (1980, citado por Amaral, 1998, p. 138) resume as obrigações do gerente da unidade de informação, em: 36 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste • Ter pré-disposição para aceitar as exigências de mercado; • Comprometer-se em tornar a unidade de informação uma organização receptiva; • Reconhecer a obsolescência dos produtos e serviços e consequentemente a necessidade de reformulá-los ou substituílos por outros mais atualizados. Entende-se, pois, que o profissional da informação deve estar apto a implementar mudanças, engajando-se com as atribuições da unidade, e saber a real necessidade dos usuários, desenvolvendo o equilíbrio entre demanda e oferta. Para tanto, deverá dispor de conhecimentos sólidos sobre o marketing e se dispor à constante atualização de tais conhecimentos. 37 38 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para se atingir os objetivos delineados, foram adotados basicamente dois procedimentos metodológicos: a pesquisa bibliográfica e a pesquisa em websites dos Cursos de Graduação em Biblioteconomia da Região Nordeste. A pesquisa bibliográfica foi realizada em obras impressas e eletrônicas sobre marketing, principalmente no que diz respeito a marketing em unidade de informação. Assim foram coletadas informações em livros, periódicos impressos e eletrônicos, monografias, relatórios e websites. Segundo Cervo (1996, p.48) a pesquisa bibliográfica "procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos". Podese entender, então que se trata de uma técnica que oferece material necessário para a formação do corpo de qualquer trabalho, pois dispõe de dados para fundamentação, permitindo que o pesquisador tenha em suas mãos uma série de informações pertinentes para realizar suas tarefas. A pesquisa realizada nos websites dos Cursos de Graduação em Biblioteconomia oferecidos pelas IFES da Região Nordeste visou coletar informações referentes ao oferecimento de disciplinas voltadas ao marketing na estrutura curricular de tais cursos. Neste sentido, foram coletados os seguintes dados: nome da universidade, departamento que oferece a disciplina, disponibilidade ou não de disciplina específica, título da disciplina, caráter obrigatório ou eletivo da disciplina, carga horária e nível em que é oferecida à disciplina, entre outros, conforme Apêndice A. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Convém esclarecer que a formação acadêmica em nível de graduação na área de Biblioteconomia e Ciências da Informação no Nordeste se faz presente em sete universidades federais, salientando que os estados do Piauí e Sergipe não oferecem formação na área. As universidades federais que possuem o curso de Biblioteconomia na região Nordeste estão relacionadas a seguir, com seus respectivos departamentos: • Universidade Federal da Bahia (UFBA) ¾ • Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ¾ • Departamento de Ciência da Informação (DCI) Universidade Federal do Maranhão (UFMA) ¾ • Departamento de Ciência da Informação (DCI) Universidade Federal do Ceará (UFC) ¾ • Departamento de Comunicação Social (DCS) Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ¾ • Departamento de Biblioteconomia e Documentação (DBD) Universidade Federal de Alagoas (UFAL) ¾ • Escola de Biblioteconomia (EBI) Departamento de Biblioteconomia (DEBIBLI) Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) ¾ Departamento de Biblioteconomia (DEBIB) Tendo em vista que o website do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas não apresentava informações sobre sua grade curricular e outras informações imprescindíveis a sua caracterização, os dados referentes a este curso foram obtidos mediante contato por e-mail com a Coordenação do Curso. 39 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 40 5 A PRESENÇA DO MARKETING NAS GRADES CURRICULARES DOS CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA DE IFES DO NORDESTE: análise e interpretação dos resultados A utilização de marketing em unidades de informação, como já foi mencionado é, certamente, indispensável para a sobrevivência da organização e para a satisfação de sua clientela. Porém, para uma adequada aplicação e para que as metas propostas sejam atingidas, é necessário que o profissional da informação tenha sólido conhecimento de marketing, construído a partir de sua formação acadêmica e desenvolvido mediante a busca constante de aperfeiçoamento na área. Neste sentido, segundo Silveira (1987, p. 05 citada por Amaral, 1998, p.82), em 1982 a Associação Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Documentação (ABEBD) atual Associação Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Ciência da Informação (ABECIN), recomendou a inclusão de assuntos relacionados a técnicas de marketing em bibliotecas, na graduação em Biblioteconomia. Entretanto, na época, isso não aconteceu integralmente, muitas escolas incluíram o estudo do marketing apenas como parte constituinte do programa relativo à disciplina Organização e Administração de Bibliotecas. Atualmente, reforçando a recomendação da ABEBD, o Ministério da Educação (MEC) propõe que a grade curricular de Biblioteconomia no que concerne à área de gestão de unidades e serviços de informação contemple os seguintes assuntos José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Princípios e evolução da administração e da teoria organizacional. Funções da administração: planejamento, organização, execução, controle, mensuração e avaliação. Gestão de marketing, de recursos humanos, de recursos financeiros, de recursos físicos, de produção e de materiais. Qualidade aplicada ao contexto das unidades e serviços de informação. Percebe-se, pois, que há concordância quanto à necessidade de inclusão do marketing na formação acadêmica do bibliotecário, havendo respaldo do próprio MEC e ABECIN. Assim, considerando que o alicerce do conhecimento sobre o marketing deve estar na formação do bacharel em Biblioteconomia, buscou-se analisar a estrutura curricular dos cursos de graduação na área oferecidos por IFES do Nordeste, tendo em vista identificar a existência de disciplinas voltadas para o marketing. Os dados obtidos encontram-se estruturados abaixo no (Quadro 3): 41 42 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste QUADRO 3 - PRESENÇA DE DISCIPLINA DE MARKETING NA ESTRUTURA CURRICULAR DE CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA NO NORDESTE Como se pode observar, todos os cursos analisados oferecem uma disciplina com enfoque no marketing. Das sete IFES pesquisadas, seis possuem disciplinas específicas, acarretando em um maior aprofundamento sobre o tema. Já o curso da UFRN é o único que aborda o tema apenas como parte do conteúdo programático da cadeira Organização e Administração de Bibliotecas e Serviços de Informação, de modo que o José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste marketing não pode ser visualizado de forma ampla, pois divide a atenção com outros aspectos relacionados com a gestão de unidades de informação. Apesar disso, considera-se muito válida a inclusão do marketing na disciplina em detrimento de sua completa ausência na grade curricular do curso. Em sua maioria, os títulos das disciplinas expressam claramente a intenção de trabalhar o marketing aplicado a unidades de informação. As ressalvas são: a disciplina da UFRN "Organização e Administração de Bibliotecas e Serviços de Informação", por não ser especificamente voltada para o marketing; a disciplina do curso da Paraíba "Marketing Bibliotecário" aparenta ter seu conteúdo voltado para o marketing profissional do bibliotecário; e a disciplina da UFAL "Marketing Aplicado à Ciência da Informação", que expressa uma abordagem mais ampla. Contudo não se pode ter certeza sobre o conteúdo das disciplinas, visto que não foram analisadas as ementas. Conforme apresentado no Quadro 3, as disciplinas voltadas ao marketing são oferecidas pelo próprio departamento ao qual o Curso de Biblioteconomia está vinculado, o que é muito interessante uma vez que o tema é abordado com enfoque específico para a área. Como se vê, os departamentos são denominados de diferentes formas, tais como: Departamento de Biblioteconomia, Departamento de Biblioteconomia e Documentação, Escola de Biblioteconomia e Departamento de Ciência da Informação, revelando o momento de transição pelo qual a área passa. No caso da UFAL, vale frisar que o Curso de Biblioteconomia integra o Departamento de Comunicação Social. No que concerne ao caráter da disciplina voltada ao marketing, observa-se que não há predominância significativa em relação à obrigatoriedade. Dos sete cursos analisados, quatro oferecem a disciplina de modo obrigatório e três em caráter eletivo, também chamada de complementar ou opcional. 43 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste É indispensável, como já foi dito, a presença do marketing na formação acadêmica de Biblioteconomia, visto que fornece ao profissional conhecimentos imprescindíveis para o exercício da gestão das unidades de informação. Mas, como se pode observar, nos cursos da UFAL, UFC e UFPE, a decisão de estudar o marketing fica a critério do aluno, o que, por ura lado, revela a consciência do Colegiado do Curso da necessária flexibilização da grade curricular, porém, por outro lado, nem sempre os discentes têm o conhecimento necessário para tomar a decisão de modo consciente. Neste sentido, é oportuno destacar o caso do Curso de Biblioteconomia da UFAL no qual a disciplina "Marketing aplicado à Ciência da Informação" jamais foi ministrada. De qualquer modo, considera-se válido a disponibilidade de disciplina voltada ao marketing de unidades de informação, mesmo de forma eletiva. Com relação à carga horária pode se constatar que há grandes diferenças entre os cursos, tendo em vista que as disciplinas têm o mínimo de 30H/A na UFPE e o máximo de 80 H/A na UFAL. Os Cursos de Biblioteconomia da UFMA e da UFC oferecem uma carga horária de 60 H/A ou 04 créditos, disponibilizando tempo adequado para a discussão e aprendizado do marketing, sem "atropelamentos" e restrições. O nível em que as disciplinas de marketing são oferecidas, pelo menos as de caráter obrigatório, é próximo ao término do curso, oferecendo uma melhor oportunidade de aproveitamento do conteúdo tendo em vista que os discentes já possuem um conhecimento relativamente sólido da área, estão mais amadurecidos e voltados para o iminente exercício de sua profissão. Tendo em vista as análises realizadas observa-se que o Curso de Biblioteconomia que oferece melhores condições para o ensino do marketing é o da UFMA pois disponibiliza a disciplina "Marketing em Unidades de Informação" em caráter obrigatório, com carga horária de 44 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 60 H/A, no sexto nível do curso. Também merecem destaque os cursos da UFBA e da UFPB. Finalizando, pode-se perceber que a formação académica do bibliotecário na região Nordeste, de um modo geral, contempla adequadamente o conteúdo marketing em unidades de informação. 45 46 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O marketing constitui-se em ferramenta indispensável para a gestão eficaz de unidades de informação, pois possibilita o conhecimento e, consequentemente, o atendimento das necessidades e exigências da clientela, promovendo o fortalecimento das relações da organização com seus públicos. Contudo, sua aplicabilidade requer conhecimento e procedimentos adequados por parte dos profissionais da informação. Neste sentido, entende-se que disciplinas voltadas ao marketing na formação acadêmica do bibliotecário propiciam a fundamentação necessária. Na região Nordeste, percebe-se que, de modo geral, os cursos de graduação em Biblioteconomia oferecem formação adequada em relação ao marketing em unidades de informação, pois em todos eles o tema é contemplado e em apenas um não há disciplina específica, sendo o tema abordado em disciplina da área de gestão de bibliotecas. Embora a formação acadêmica em nível de graduação seja a base para o conhecimento do tema, é através da atualização frequente quanto à utilização do marketing em unidades de informação, que possibilitará o desenvolvimento de adequados processos de trocas de valores entre a biblioteca e seus públicos. Tendo em vista a pesquisa realizada e objetivando oferecer maiores contribuições, apresenta-se as seguintes recomendações: • É interessante que para uma melhor formação académica do profissional da informação, todos os cursos de Biblioteconomia, incluam a disciplina de marketing voltado a unidades de informação, em caráter obrigatório e com uma carga horária suficiente. José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste Neste sentido, salienta-se a necessidade de que o Curso de Biblioteconomia da UFRN ofereça uma disciplina específica para o marketing em unidade de informação. Tendo em vista dar continuidade ao estudo ora apresentado sugere-se seu aprofundamento através da análise das ementas das disciplinas de marketing e a ampliação de sua abrangência geográfica, englobando os cursos de todo o país. É importante que os Cursos de Biblioteconomia procurem dispor e manter atualizado um website contendo as várias informações que caracterizam o curso, uma vez que pode se constituir em importante fonte de informação para futuras pesquisas, 47 48 José Gláucio Brito Tavares de Oliveira Marketing em unidades de informação: análise da estrutura curricular dos Cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste REFERÊNCIAS AGUIAR, Andréa Vasconcelos Carvalho de. Marketing em unidades de informação: características, barreiras e tendências. Apostila da Disciplina Marketing Bibliotecário do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2000. ALECRIM, Frederico. Marketing é atitude, não um departamento. Diário de Natal, Natal, dez, 2003. Guia do empreendedor do Rio Grande do Norte, v.8, p. 9. ALEXANDRE, Mauro Lemuel. Empreededorismo é marketing. Diário de Natal, Natal, dez, 2003. Guia do empreendedor do Rio Grande do Norte. Natal, v.9, p. 3-4. AMARAL, Sueli Angélica do. 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