Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Proyecto: Apoio a Promoção da Soberanía alimentar e a Medicina tradicional com Equidade de Genero nas Regiões de Oio, Cacheu e Bafatá (Guinea Bissau) (PR803D 17 /2012) A maquetación deste manual realizouse integramente con software libre. Imagens: Confederaçao camponesa Kafo KAFODjalicunda - Rexión de Oio SODePAZ Guinea Bissau 245-660-71-41 Ilustrador: Francis Macard / FICR WEB : http://kafobissau.org/ [email protected] SODePAZ Galicia Rúa da Rosa, 36 Baixo 15701 Santiago de Compostela 981937238 E-mail: [email protected] www.sodepaz.org a obra e facer obras derivadas. Atribución 2.0 Vostede é libre de: copiar, distribuír e comunicar publicamente Baixo as condicións seguintes: Recoñecemento - Debe recoñecer os créditos da obra do xeito especificado polo autor ou o licenciador (pero non dun xeito que suxira que ten o seu apoio ou apoian o uso que fai da súa obra) Non comercial - Non pode utilizar esta obra para fins comerciais. 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Algunha destas condicións pode non aplicarse se se obtén o permiso do titular dos dereitos de autor Os dereitos derivados de usos lexítimos ou outras limitacións non se ven afectados polo anterior. © os autores Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 3 Índice 1.NOTA INTRODUCTORIA: ....................................3 2.CONTEUDOS: .................................................9 4.- HIGIENE PESSOAL E LAVAGEM DAS MÃOS........30 5.- HIGIENE ALIMENTAR ......................................33 6.-HIGIENE DOMÉSTICA E DO MEIO, GESTÃO DO LIXO E CONTROLO DE VECTORES.................................37 7.-PERFIL DO ANIMADOR OU ANIMADORA/ PLANO DE TRABALHO ....................................................38 8.- COMITÊS DE GESTÃO .....................................41 9.- Ilustrações para actividades participativas .....57 4 Manuais para o desenvolvemento7. 1.NOTA INTRODUCTORIA: Na Guiné-Bissau o acesso generalizado a fontes adequadas de água e saneamento melhorado é ainda um desafio (vide Caixa 1). Caixa 1: Situação do acesso a água e saneamento na GuinéBissau Apenas 3 em cada 4 pessoas possuem acesso a uma fonte de água melhorada. Apenas 1 em cada 5 pessoas possuem acesso a instalações sanitárias adequadas. 1 em cada 4 pessoas ainda pratica a defecação a céu aberto. Estas estatísticas são ainda mais significativas se atestarmos às diferenças encontradas em os meios rurais e as zonas urbanas. Níveis de cobertura de água e saneamento na Guiné-Bissau (OMS/UNICEF, 2011) Actualmente, na Guiné Bissau há dois instrumentos essenciais na política estrategica de água ambos aprovados pelo Conselho de Ministros. Estes documentos são: “Código de Águas” – Decreto Lei nº 5-A/92 de 17 de Setembro. Código de Águas é o quadro legal que regula as actividades dos diferentes intervenientes no sector. Consagra o princípio da propriedade pública da água, mas várias medidas previstas não entraram em vigor por falta de regulamento. Actualmente, na Guiné Bissau há dois instrumentos essenciais na política estrategica de água ambos aprovados pelo Conselho de Ministros. Estes documentos são: Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 5 “Código de Águas” – Decreto Lei nº 5-A/92 de 17 de Setembro. Código de Águas é o quadro legal que regula as actividades dos diferentes intervenientes no sector. Consagra o princípio da propriedade pública da água, mas várias medidas previstas não entraram em vigor por falta de regulamento. “Actualização do Plano Director da Água e do Saneamento da Guiné-Bissau (2010-2020)” O « Plano Diretor de Abastecimento de Água e Saneamento » (PDAAS, 1991) identificava as prioridades e criava um quadro coerente planificacao a longo prazo para a execução das acções e investimentos previstos para o desenvolvimento do sector. Logo da revisão deste documento no ano 1997, está a ser feita uma segunda “Actualização do Plano Director da Água e do Saneamento da Guiné-Bissau (2010-2020)”, publicado em Janeiro de 2010. Nesta actualização inclui-se a vontade do país por atingir o Objectivo do Milenio para o Desenvolvimento nº 7 (OMD nº 7), relativa ao acesso à água potável e a meta da Cimeira Mundial do Desenvolvimento Sustentável sobre o acesso aos servicos adequados de saneamento. A Declaração do Milênio (DM, Setembro de 2000) estabeleceu para os países que a subscreveram (incluindo à Guiné-Bissau), a meta de reduzir, pelo menos a metade, ate 2015, o número de pessoas que não podem aceder ou pagar o seu acesso à água potável de qualidade, em quantidade suficiente (OMD nº 7). Por outra parte, a Declaração da Cimeira sobre o Desenvolvimento Sustentável (CMDS, Setembro de 2002) aprovou o mesmo objectivo da DM, mas desta vez para os servicos adequados de saneamento. Ou seja dividir por 2, ate 2015, o número de pessoas sem acesso a esses serviços. Para o caso da Guiné Bissau, isto quer dizer: A) Aumentar a taxa de acesso à água potável de 40% para 65%. B) Aumentar a taxa de acesso ao saneamento melhorado de 22% para 61%. Os principais elementos do sector de água e saneamento responsaveis de atingir estes objetivos são: Manuais 6 Instituição para o desenvolvemento7. Responsavilidade Direcção-Geral dos Recursos Responsável pela gestão dos recursos Hídricos (DGRH) do Ministério da hídricos e do abastecimento de água Indústria, Energia e Recursos potável e do saneamento urbano Naturais (MEIRN) Secretaria de Estado do Ambiente e Ligada ao Gabinete do Primeiro-Ministro, Desenvolvimento Durável (SEADD) cuja intervenção se destina à protecção do Ambiente Empresa Pública Electricidade da (EAGB) de Água e No domínio da água, gere a rede de Guiné-Bissau produção e distribuição de água potável em Bissau Autoridades locais (Câmaras Envolvidas na gestão do abastecimento Municipais ou Comités de Estado) de água aos outros centros urbanos A Direcção-Geral de Saúde Pública Intervém sobre as orientações da política (DGSP) de água potável e saneamento (ligação água-higene-saúde) e é responsável pela informação e educação sobre a higieneIntervém sobre as orientações da política de água potável e saneamento (ligação água-higene-saúde) e é responsável pela informação e educação sobre a higiene do meio; com as autoridades locais é responsável pelo saneamento Ministério Rural do Desenvolvimento Com a sua Divisão de Engenharia Agrícola, que se ocupa das modalidades ligadas à utilização e gestão da água para fins agrícolas As ONG activas no sector, as Como os Comitês de Gestão de Água, Associações de Utentes e as suas que asseguram através de modelos de plataformas de trabalho concessão ou parceria públicocomunitária (formalizada ou não) a gestão dos pontos de água e a promoção do saneamento básico Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 7 DEREITOS HUMANOS À ÁGUA POTÁVEL E SANEAMENTO:Estes dereitos foram reconhecidos internacionalmente apartir da Resolução da Asambleia Geral das Nações Unidas de 2010, onde reconhece-se explícitamente o dereito humano à água e ao saneamento. Depois e no mesmo ano, a Resolução do Conselho de Dereitos Humanos esclareçe que este dereito deriva-se do dereito a um nível de vida adecuado. Posteriormente, a Resolução do Conselho de Dereitos Humanos de 2011 modifica a sua denominação: dereito à água potável e ao saneamento (DHAPS). Os usos que ficam dentro do DHAPS são os usos pessoales e domésticos, ou seja: Consumo humano (água para beber). Água para cocinhar. Água para o Saneamento. Higiene personal. Água para fins agrícolas para ter ruma bõa alimentação. Água para limpeça doméstica. Em resumo, há uma responsabilidade moral para que o Estado forneça de água potável para consumo humano e saneamento à população, para que estes sejam acessiveis sem discriminações. Mas há tambén uma obrigação legal reconhecida nacional e internacionalmente. É por isto que a colaboração de todos os actores e todas as instituições do sector deve-se orientar para a consecução do acesso à água potável e saneamento. 8 Manuais para o desenvolvemento7. 2.CONTEUDOS: 1.-DEFINIÇÃO DE PROMOÇÃO DE HIGIENE: A promoção DE HIGIENE é acção sistemática e planificada para promover a CAPACIDADE das pessoas para PREVENIR as doenças relacionadas com água, higiene e saneamento. Quer dizer, vamos ajudar às comunidades para a mejora e utilização das suas infraestructuras de água, saneamento e higiene. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 9 2.-NOÇÕES BÁSICAS SOBRE AGUA: 2.1. Principais Doenças Água,saneamento E Higiene: Relacionadas Com Objectivo: Transmitir as pessoas da tabanca: Importância das boas práticas de água, saneamento e higiene para evitar doenças. As principais doenças relacionadas com a água, saneamento e higiene. Rotas de transmissão das doenças relacionadas com a água, saneamento e higiene. Estima-se que o 80% de todas as patologias e mais de um terço (1/3) dos óbitos dos paíese em desenvolvimento sejam causados pelo consumo de água contaminada. Os esgotos e excrementos humanos são causas importantes dessa deterioração da qualidade da água em países em desenvolvimento. Os despejos urbanos são evidentemente,muito variados.Estimase que as águas residuais urbanas contenham quantidades consideravéis de materia em suspensão,e,em determinadas épocas,cloro procedente da dispersão de saias nas ruas. A seguinte tabela mostra-nos os dois tipos de doenças provocadas pela água: 1- Doenças provocadas pelo uso ou contacto com água directamente. 2- Doenças provocadas pela água indirectamente. Manuais 10 DOENÇA CAUSA Doenças provocadas pelo uso e consumo de água e alimentos contaminados e a falta de saneamento e higiene: A água ou alimentos contaminados e as mãos sujas contêm agentes infecciosos (bichos) que não se vêem a olho e produzem doenças. Diarreia, febre tifóide, Coceira, cortamento/ disenteria, cólera* (forma mas grave de diarreia) Doenças relacionadas com águas paradas: As águas estagnadas favorecem a Paludismo. aparição de mosquitos que transmitem doenças. para o desenvolvemento7. SÍNTOMAS Aumento do número de vezes que se faz cocó, vómitos, dor de barriga, falta de vontade de comer, perda de peso, sangue nas fezes. Febre, dor de corpo e cabeça, dor de barriga e diarreia. Há Uma Serie De Doenças Causadas Pela Transmissão De Água Contaminada Ou Água Ou Água Estancada: Cólera malaria disenteria (cortamento) doença de pele A mais grave pelo consumo de água contaminada é a cólera. CÓLERA: Desidratação grave por diarreia e vómitos. Pode levar à morte se não é tratada. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 1º Levar imediatamente ao centro de saúde mais perto. 11 O que fazer no caso de cólera? + 2º Alimentar e hidratar a pessoa doente com soro Soro caseiro: (1 litro de água tratada + 6 colheres de açúcar + meia colher de sal) + 3º Evitar curandeiros + 4º Reforçar as medidas de higiene para evitar propagação. Trabalhando com as rotas de transmissão das doenças relacionadas com a água, saneamento e higiene. Voltando às doenças transmitidas pela água, o animador/a deve conheçer as seguintes mensagens: O lixo e as águas paradas atraem e criam vectores (animais, mosquitos,…) que transmitem doenças. As mãos sujas transmitem doenças pelo contacto com os alimentos ou com a boca. A defecação ao ar livre (e também as fezes dos animais) produze a contaminação dos pontos de água e os alimentos que depois bebemos e comemos transmitindo doenças. As moscas que pousam no cocó (pela defecação ao ar livre ou pelas latrinas sem tampa) são as mesmas que depois pousam na comida transmitindo doenças. 12 Manuais para o desenvolvemento7. Um grama de fezes (cocó) pode conter: 10 milhões de vírus, 1 milhão de bactérias, 1.000 ovos de vermes e outras parasitas Mas, como é que conseguem apanhar às pessoas? Como é que às pessoas apanhan as doenças? O seguinte desenho faz um resumo das rotas, ou caminhos, que as doenças relacionadas com a água seguem até apanhar uma pessoa. Na parte superior, fala do caminho desde o lixo e as águas estagnadas ou paradas. Na parte inferior fala do caminho desde o cocó e chama-se rota fecal-oral (ou caminho cocóboca). GRÁFICO: ROTA FECAL-ORAL DE PROPAGAGAÇÃO DAS DOENÇAS + GESTÃO DE LIXO Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 13 Se conheçemos os caminhos das doenças, também conheçemos como talhar ou cortar aqueles caminhos. Desta maneira podemos evitar apanhá-las, o que mostra-se no seguinte desenho. GRÁFICO: ROTA FECAL-ORAL DE PROPAGAGAÇÃO DAS DOENÇAS COM SUAS BARREIRAS. 2.2.- Proteção Dos Pontos De Água Objectivo: Transmitir á população da tabanca: Como evitar a contaminação de um ponto de água. PRÁCTICAS DE RISCO, aquilo que contamina um ponto de água: • Apanhar água com um balde e/ou corda sujas e colocadas no chão • Transprotar a água em recipientes sujos e sem tampa Manuais 14 para o desenvolvemento7. • Guardar a água em um recipiente sujo. • Guardar a água em casa em um recipiente sem tampa, próximo de lixo e animais. • Não lavar as mãos antes de mexer na água • Animais com acesso à área do ponto de água (vedação) • Lavagem de roupa e de outros utensílios perto do ponto de água. • Situar as latrinas a menos de 30 metros de distância do ponto de água e numa posição mais alto de que este. • A defecação ao ar livre. Muitos pontos de água estão contaminados ou se contamina a água na colecta, transporte e armazenamento. Por isso DEVEMOS TRATAR SEMPRE A ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO. Prácticas a promover: • Baldes e cordas de apanhar água devem estar limpos e sempre pendurados, guardados num lugar limpo • Garantir a limpeza diária do ponto de água e evitar água estagnada. Limpeza do canal de drenagem e da fossa rota para evacuação da água estagnada). A água estagnada atraem animais que defecam e sujam o redor do ponto de água e favorecem a criação de moscas e mosquitos que transmitem doenças. • Garantir o bom uso das bombas para evitar as avarias e a água ficar sempre disponível. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 15 • Garantir a manutenção do ponto de água: Recolher contribuições (mensais / semanais / diárias) para o fundo de manutenção (limpeza, substituição de peças, etc.). • Situar as latrinas a mais de 30 metros de distância do ponto de água e numa posição mais baixo de que este. • Evitar a defecação ao ar livre. • Transportar a água em recipientes limpos e com tampa. • Guardar a água em casa em recipientes limpos, com tampa e longe de lixo e animais. • Lavar frequentemente e tapar transportam e guardam a água. • Lavar as mãos antes de mexer na água. • Colocar as canecas num sítio limpo e seguro, cobertas com um pano limpo. • Usar sempre 2 canecas inox (uma para beber e outra para pegar a água). • Nunca retornar água que já bebemos no recipiente (ex.: Balde e Potes). • Usar recipientes pequenos (máximo 15 litros) para conservação da água para o consumo. os recipientes que 2.3- Apanhar,transportar E Armanzear Água De Forma Segura Objectivo: Transmitir aos participantes: A importância de apanhar, transportar e armazenar água de forma segura para evitar a sua contaminação Como apanhar, transportar e armazenar água de forma segura 16 Manuais para o desenvolvemento7. A importância de apanhar, transportar e armazenar água de forma segura para evitar a sua contaminação Como apanhar, transportar e armazenar água de forma segura Prácticas de risco: Apanhar água com um balde e/ou corda sujas e colocadas no chão Transportar a água em recipientes sujos e sem tampa Guardar a água em um recipiente sujo. Guardar a água em casa em um recipiente sem tampa, próximo de lixo e animais. Não lavar as mãos antes de mexer na água Prácticas a promover: Baldes e cordas de apanhar água devem estar limpos e sempre pendurados, guardados num lugar limpo Transportar a água em recipientes limpos e com tampa Guardar a água em casa em recipientes limpos, com tampa e longe de lixo e animais Lavar frequentemente e tapar os recipientes que transportam e guardam a água. Lavar as mãos antes de mexer na água Colocar as canecas num sítio limpo e seguro, cobertas com um pano limpo Usar sempre 2 canecas inox, por eixemplo de alumínio (uma para beber e outra para pegar a água) Nunca retornar água que já bebemos no recipiente (ex.: Balde e Potes) Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 17 Usar recipientes pequenos (máximo 15 litros) para conservação da água para o consumo. Não ficar água no recipente mais de 5 dias. 2.4.- Água potável e tratamento de água Objectivo: Transmitir aos participantes: A importância de apanhar, transportar e armazenar água de forma segura para evitar a sua contaminação - Como apanhar, transportar e armazenar água de forma segura. Definição de água contaminada: Água com bichos e sujidade que pode provocar doenças. - Definição de água potável: Água bõa para beber, que não faz mal à saúde, que não tem bichos nem sujidade. (A contaminação não é visível: Água pode parecer limpa, fresca e transparente, sem ser potável porque os pequenos organismos que provocam doenças não se vêem). PRÁCTICAS DE RISCO, aquilo que contamina um ponto de água: • Apanhar água com um balde e/ou corda sujas e colocadas no chão. • Transprotar a água em recipientes sujos e sem tampa. • Guardar a água em um recipiente sujo. • Guardar a água em casa em um recipiente sem tampa, próximo de lixo e animais Não lavar as mãos antes de mexer na água. • Não lavar as mãos antes de mexer na água. Muitos pontos de água estão contaminados ou se contamina a água em três momentos: 1.- No momento da colecta, 2.-No momento do transporte, 3.-No momento do armazenamento. 18 Manuais para o desenvolvemento7. Por isso, devemos TRATAR SEMPRE A ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO. O tratamento deve ser feito nas casas para evitar a contaminação no transporte.O tratamento de áuga possivelmente contaminada pode ser feito: 1.-Sol- em garrafas de plástico transparente (4 horas) 2.- imão 3.- Filtração com um pano limpo 4.- Fervura-10 minutos 5.- Lixivia (4,5%)-3 gotas por cada litro de água - Fervura da água durante 10 minutos. - 3 Gotas de lixivia de 4.5% por cada litro da água. Esperar ao menos 30 minutos em um recipiente tapado e seguro longe do lixo e dos animais. TRATAMENTO DE AGUA PARA BEBER: - 10 Gotas de lixivia de 4.5% por cada litro da água. Esperar ao menos 30 minutos em um recipiente tapado e seguro longe do lixo e dos animais TRATAMENTO D E AGUA PARA LAVAR ALIMENTOS QUE SE CONSUMEN CRUS: Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 19 3- LATRINAS Objectivo: Transmitir aos participantes: Importância do uso correcto das latrinas e suas vantagens: Evita as doenças contraídas através do cocó Evita a contaminação dos pontos de água Reduz a propagação dos vectores (que as moscas pousem no coco e depois pousem na comida, água, e corpo transmitindo doenças) Protege a dignidade, sobretudo das mulheres Evita o mau cheiro Garante um ambiente limpo, saudável e digno onde as pessoas vivem. GRÁFICO: BARREIRA, NESTE CASO LATRINA, PARA TALHAR O CAMINHO DAS DOENÇAS. Manuais 20 para o desenvolvemento7. PRÁCTICAS DE RISCO, aquilo que contamina um ponto de água: • Não usar as latrinas, fazer coco ao ar livre • Construir latrinas próximas dos pontos de água • Deixar as latrinas sem tampa • Latrinas sem vedação • Deixar latrinas sujas e com água estagnada ao redor • Não esvaziar o mudar as latrinas quando estão cheias • Não ter água e sabão ou cinza disponível para a lavagem das mãos PRÁCTICAS A PROMOVER: • Usar sempre as latrinas (as latrinas não terão impacto na saúde se alguns dos membros da família não usarem a latrina). • As latrinas devem ser construídas longe dos pontos de água (pelo menos 30 metros de distancia e numa posição mais baixo de que este). • Esvaziadas ou selar as latrinas cheias ou mudá-las de local. • As latrinas devem ser lavadas/limpas todos os dias (manhã e tarde) • As latrinas devem estar sempre tapadas após cada uso, para não deixar entrar as moscas, barata e impedi-las de espalhar os micróbios e as doenças. • As latrinas devem estar sempre bem vedadas. • As latrinas devem ter água e sabão ou cinza disponível para a lavagem das mãos. • Meter as fezes (o cocó) das crianças dentro da latrina Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 21 GRÁFICO: ESCADA DE SANEAMENTO 4.- HIGIENE PESSOAL E LAVAGEM DAS MÃOS Objectivo: Transmitir aos participantes: Importância da higiene pessoal para evitar doenças. Promover a higiene pessoal e especialmente a lavagem de mãos. O simples gesto de lavar as mãos com água corrente e sabão evita doenças diarreicas, respiratórias, da pele entre outras). Manuais 22 para o desenvolvemento7. PRÁCTICAS DE RISCO: • Não lavar o corpo todos os dias com água limpa e sabão. • Não lavar e pentear cabelo regularmente. • Não lavar a boca todos os dias depois das refeições. • Não trocar o vestuário todos os dias e lavar roupa regularmente. • Não secar-se bem e partilhar roupa com outras pessoas (Pano branco). • Andar descalço. • Não manter as unhas dos pés e das mãos curtas e limpas e ter as orelhas sujas. • Lavar as mãos conjuntas no mesmo recipiente ou com água suja. • NÃO LAVAR AS MÃOS COM SABÃO OU CINZAS. o ÁGUA CORRENTE E LIMPA, • Antes e depois de comer. • Antes de preparar a comida. • Depois de limpar as crianças. • Depois de fazer coco. • Depois de ter contacto com terra ou animais. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 23 GRÁFICO: BARREIRA, NESTE CASO LAVAGEM DAS MÃOS, PARA TALHAR O CAMINHO DAS DOENÇAS. PRÁCTICAS A PROMOVER: • Lavar o corpo todos os dias com água limpa e sabão. • Lavar e pentear o cabelo regularmente • Lavar a boca todos os dias depois das refeições. • Trocar o vestuário regularmente. • Usar sempre chinelos ou sapatos para que os parasitas (Gigán) não entrem no corpo através dos pés. • Manter limpas as unhas dos pés e das mãos e limpar orelhas • Evitar a lavagem das mãos conjuntas no mesmo recipiente ou com água suja • Promover instalação das bancadas de lavagem das mãos nas escolas, latrinas, nas cerimónias e lumos. todos os dias e lavar roupa Manuais 24 para o desenvolvemento7. 5.- HIGIENE ALIMENTAR Objectivo: Transmitir aos participantes: Importância da higiene alimentar para evitar doenças. Quando não se têm cuidados de higiene com os alimentos, estes podem transmitir doenças. Promover as boas práticas de higiene alimentar. PRÁCTICAS DE RISCO • Ter a área de cozinhar suja. • Usar pratos e utensílios sujos. • Usar para cozinhar água não segura. • Ter os alimentos em locais sujos. • Ter os alimentos não tapados e não protegidos dos animais e insectos. • Não aquecer os alimentos antes de comer (sobretudo sita). • Não desinfectar os alimentos que se consomem crus. • Comer comida que pode estar estragada. • Não lavar as mãos com água corrente e limpa e sabão ou cinzas antes de preparar a comida e antes e depois de comer. Mesmo quando as mãos parecem limpas. • Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 25 PRÁCTICAS A PROMOVER • Manter limpa a área de cozinhar. • Usar pratos e utensílios limpos e guardar devidamente. • Usar para cozinhar armazenada • Guardar os alimentos num sítio limpo e fresco dentro de casa longe de animais e insectos. • Tapar os alimentos por causa dos insectos e dos animais • Aquecer os alimentos antes de comer • Desinfectar os alimentos que se consomem crus: deixar os alimentos crus mergulhados na água com lixívia (10 gotas de lixívia por cada litro de água durante 30 minutos). • Descascar os desinfectados. • Nunca comer comida estragada (mudam de cor e cheiro) • Lavar as mãos com água corrente e limpa e sabão ou cinzas antes de preparar a comida e antes e depois de comer. Mesmo quando as mãos parecem limpas. água alimentos segura que e não correctamente podem ser 26 Manuais para o desenvolvemento7. GRÁFICO: BARREIRA, NESTE CASO HIGIENE DOS ALIMENTOS, PARA TALHAR O CAMINHO DAS DOENÇAS. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 27 6.-HIGIENE DOMÉSTICA E DO MEIO, GESTÃO DO LIXO E CONTROLO DE VECTORES Objectivo: Transmitir aos participantes: Importância da higiene domestica e do meio: Se habitarmos num espaço sujo, tudo á nossa volta fica contaminado e favorece a presença de vectores que transmitem doenças. O que é um vector: Aqueles animais e insectos que intervêm na transmissão de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos,…). Como gerir o lixo correctamente. Como reduzir os vectores e a transmissão de doenças. PRÁCTICAS A PROMOVER PARA A BÕA GESTÃO DO LIXO: • Não ter água estagnada ao redor da casa. • Não ter lixo ao redor da casa • Ter o lixo que produzimos num cesto de lixo com tampa bem protegido de animais e insectos e longe da cozinha. • Enterrar ou queimar o lixo regularmente e fazê-lo longe das casas ou pessoas 28 Manuais para o desenvolvemento7. 7.-PERFIL DO ANIMADOR OU ANIMADORA/ PLANO DE TRABALHO O animador/a procura influenciar as outras pessoas, orientá-las, dar-lhes guias de comportamento. Contudo, é dever do animador/a respeitar as diferenças de cada um e cada uma, proporcionando-lhes o desenvolvimento pessoal, a capacidade de iniciativa e de decisão. O animador deve trabalhar sempre de acordo com as características individuais de cada pessoa. A seguer, comportamentos que o animador ou animadora podem/devem e não podem/Devem ter. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água O animador/a não pode/Deve: O animador/a pode/deve: 29 Manuais 30 para o desenvolvemento7. Dirigir ao grupo. Aconselhar ou sugerir aquilo que o grupo deve facer, nem corregir-lhes. Orientar e acompanhar ao grupo no razoamento Dar informação directamente. Permitir ao grupo obter a informação pelos seus meios, bocado em bocado. Quando prepara uma actividade, pensar numa resposta o resultado certo. Preparar outra actividade, no caso de não obter o resultado satisfactório. A actitude do animador/a deve animar a participação e a troca de experienças com a comunidade. Para isto, o animador/a vai saber emitir (falar), vai saber escutar e vai saber ser empático/a. Saber Emitir: As mensagens devem seguir a teoria das 3 C´s (Curta, Clara, Concisa) Formuladas em linguagem que o público-alvo entenda Conciliar a comunicação verbal e não verbal Terá humildade para não ter postura de professor. O animador/a vai ter uma actitude de intercâmbio de percepções onde as pessoas vão tomar consciência da necessidade de mudar sem se sentir estigmatizado. Saber Escutar: A escuta activa implica um esforço de audição atenta, centrada na detecção e compreensão dos aspectos globais e parcelares da mensagem das pessoas. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 31 Observar a linguagem corporal do formando. Parar de falar, não interromper ao interlocutor e evitar preconceitos (ideias que temos da maneira de ser de uma pessoa ou grupo de pessoas antes de conheçer-as, pelas conversas acerca delas). Saber ser Empático/a: Capacidade de empatia, ser capaz de se colocar no lugar do outro Reflectir uma atitude de compreensão Um exemplo de elaboração de um plano de trabalho conjunto em a tabanca pode ser feito a través da metodologia PHAST. A metodologia PHAST é feita através duma aproximação participativa que consiste em identificar com as populações locais, os problemas de higiene e de saneamento por elas confrontadas. O processo é feito com competências e faculdades da população local e assenta-se em duas técnicas especificas à metodologia PHAST : • Duma parte, o comportamento dos animadores está sempre patente mas põem a comunidade no centro da acção e das discussões (o animador é um facilitador “instruído”). • Doutra parte, a elaboração de kits de materiais tomando em conta as características culturais das comunidades está actualizada e dinamizada pelos animadores. 32 Manuais para o desenvolvemento7. 8.- COMITÊS DE GESTÃO A seguer, uma ferramenta que visa facilitar a criação e o funcionamento dos Comitês de Gestão de maneira transparente e eficaz. Deste modo, podem-se evitar os conflitos e as tensões resultantes dos déficit de comunicação e de informação logo ter construído uma infraestructura de água ou saneamento. 8.1- A Comunidade E As Suas Organizações No âmbito da Cooperação para o Desenvolvimento, o Estado e os seus parceiros têm frequentemente apoiado a realização de actividades sócio-comunitárias com a intenção de contribuir para a melhoria das condições de vida nas comunidades. O sucesso das intervenções em vários sítios tem sido associado ao nível da participação e apropriação das comunidades destas. Sendo essas intervenções limitadas no tempo e pelos recursos disponíveis, é importante que cada um dos actores se organize para assumir plenamente as suas responsabilidades. Tradicionalmente cada comunidade tem a sua forma própria de organização para a realização das suas actividades, mas a prática tem nos assinado que a concentração excessiva do poder engendra sempre conflitos e desconfiança. Para evitar esses conflitos e desconfianças, é importante responsabilizar um grupo de pessoas fiscalizáveis para cada tipo actividade da comunidade. Ou seja, escolher um Comitê de Gestão para cada tipo de actividade. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 33 8.2- Objetivos Das Organizações Comunitarias Antes de se criar uma Organização Comunitária, os promotores devem ter idéias bem claras sobre os problemas que querem resolver em conjunto, e a partir das quais estabelecer os objectivos da organização. Uma organização de base deve adoptar objectivos claros e realizáveis e que para a sua materialização dependem em grande medida dos recursos locais. Isso para se evitar das dependências de fora. Pois, quando a realização dos objectivos duma organização, depender mais dos recursos de fora dos que os internos, ela não pode ser autônoma e torna-se altamente vulnerável. Os objectivos duma organização comunitária podem ser ligados a melhoria do rendimento agrícola, melhoria do circuito de comercialização, o alívio da sobrecarga feminina, a melhoria das infra-estruturas de educação e da saúde, a gestão da floresta comunitária, da gestão das infra-estruturas de água e saneamento, da melhoria da higiene, etc. Uma organização comunitária deve escolher actividades que podem ser realizadas com os recursos e o saber local. Não é durável ter actividades que ninguém domina na comunidade e que para o seu funcionamento e/ou manutenção dependemos sempre de apoios externos. Isso torna as nossas iniciativas muito custosas e pouco rentáveis. 8.3- O Porquê Dos Comités De Gestão Os Comitês de Gestão são criados pelas comunidades como sua contra parte para a gestão quotidiana duma actividade concreta. Esta é realizada em parceria com outros actores que apóiam o desenvolvimento da comunidade. 34 Manuais para o desenvolvemento7. Ele serve de elo de ligação entre a comunidade e os seus parceiros numa determinada actividade, assumindo as funções da gestão e organização dos diferentes recursos mobilizados e/ou postos a disposição da comunidade para a realização da acção. Em termos de gestão ele gere todos os recursos mobilizados pela comunidade e/ou postos a sua disposição para a realização da acção. Ainda ele organiza e controla a participação da comunidade nas actividades. Ao mesmo tempo tem o papel de garantir a circulação da informação e de participação de outros ao nível da comunidade como dos seus parceiros. Outra função do Comitê de Gestão é o seguimento e controle das actividades e utilizo diário dos recursos, numa perspectiva de gestão racional e transparente dos mesmos. 8.4- A Forma De Escolha Dos Membros De Comité De Gestão O Comitê de Gestão é vital para eleito o sucesso das actividades comunitárias por isso para o seu seio devem ser pessoas idóneas, sérias, honestas, com integridade e transparência comprovada. Enfim, pessoas que merecem a confiança e estima da comunidade e não apenas dum líder comunitário. Isso é importante, porque muitas vezes a participação comunitária pode fracassar a partir da forma como os membros do Comitê de Gestão foram escolhidos. Se eles foram simplesmente escolhidos pelos líderes comunitários e não por todos os elementos da comunidade, a hipótese de participação da comunidade é fraca, porque muitas das vezes essa forma de escolha esconde conflitos ou tenta forçar a presença de pessoas no comitê de gestão que não merecem a confiança da maioria da população. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 35 Portanto a escolha dos membros do Comitê de Gestão deve ser feito na base do princípio de sufrágio universal ou seja uma escolha livre sem pressão e onde cada eleitos corresponde apenas a um voto e sem poder de influenciar os outros. Outro aspecto a ter em conta durante a escolha de candidato é a representatividade das tabancas que fazem parte da comunidade como também do número de mulheres no Comitê de Gestão. Em relação ao número de mulheres no Comitê de Gestão é necessário estabelecer quotas desde o início, e assegurar que certas funções sensíveis sejam exercidas por elas. Durante a escolha dos candidatos assegurar que a opinião dos dominados seja tida em conta, porque só assim no Comitê de Gestão os seus interesses estarão representados. 8.5.-A Organização Comité De Gestão E O Funcionamento Do Antes de tudo, para se criar um Comitê de Gestão é necessário que os promotores tenham problemas comuns a resolver e cuja solução não esteja ao alcance duma só pessoa. Por exemplo, a construção ou o equipamento de infra-estruturas sociais de interesse comunitária (centros de saúde, escola, pontos de água, etc.) ou a recuperação de áreas de produção agrícolas (recuperação de bolanhas, vedação de áreas para a horticultura, etc.). O engajamento da comunidade na criação dum Comitê de Gestão deve ser sério, o que significa que antes de se decidir sobre o mesmo deve-se fazer uma reflexão madura. Pois um Comitê de Gestão só pode ter sucessos se os promotores: • Tiverem um objectivo comum o que puxa os membros da comunidade a se unirem, o que os puxa a se organizarem e participarem nas actividades. De Manuais 36 para o desenvolvemento7. acordo com os objectivos prosseguidos, serão definidos a dimensão da organização, os critérios da participação, o domínio de actividades e as regras de funcionamento, etc. • Aprendem a prever e a gerirem em conjunto, mas não devemos fazer tudo o que nos viver a cabeça (a calhar), pois é necessário reflectir sempre sobre os recursos que nos permitem atingir os objectivos fixados, tanto ao nível humano como financeiro. • Participar na criação e gestão da riqueza- se quisermos tirar proveito dos rendimentos da comunidade, antes de tudo devemos participar na sua criação e manutenção. Pois como se trata duma organização colectiva, todos devem participar na criação e conservação de bens e reservas colectivas. • Estar engajado- uma vez engajada na criação do Comitê de Gestão é preciso ir até ao fim. O que significa que devemos participar tanto na geração de bens comuns como na sua utilização e manutenção. • Privilegiar o interesse da comunidade- o Comitê de Gestão foi criado pela comunidade, por isso ela deve prioresa o respeito e a satisfação dos interesses da comunidade. • Valorizar os talentos de cada um- ser membro duma organização comunitária não significa simplesmente por em conjunto os recursos materiais, mas é também a valorização e a complementaridade das competências. • Assegurar o acesso à informação e a participação de todos por se tratar duma organização livre criada para o benefício de todos, cada membro deve estar ao corrente do que se passa na organização e participar na tomada de decisões. Participar nas sessões de informação e capacitações Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 37 Para se participar de maneira consciente (e não manipulada) no processo de tomada de decisão, é preciso compreender os problemas e compreender a implicação das nossas decisões. Por isso devemo-nos informar e se formar, para melhor podermos fazer face aos problemas que a comunidade encontra. Organização interna do Comitê de Gestão Uma vez criado o Comitê de Gestão é preciso reflectir como organizar a sua vida e como as diferentes partes devem articular-se para garantir o seu funcionamento. O dever dos membros duma comunidade • Conhecer os problemas as soluções e os objectivos da comunidade; • Respeitar rigorosamente as nossas obrigações; • Participar nas reuniões; • Executar as actividades implantadas; • Não ser um concorrente da comunidade; • Participar na criação e gestão dos bens; • Depender de maneira activa e consciente os interesses da comunidade; • Exercer o seu direito de voto e de expressão; • Assistir as reuniões da assembleia-geral; • Pedir informações e dar a sua opinião; • Participar nas capacitação. sessões de sensibilização Os direitos dos membros duma comunidade • Ter acesso aos documentos da gestão; e de Manuais 38 para o desenvolvemento7. • Ser informado e formado; • Beneficiar das vantagens e dos serviços oferecidos ao nível comunitário; • Eleger e ser eleito; • Ser respeitado; • Emitir o seu parecer (opinião) sobre as grandes questões da vida da comunidade; • Assistir na qualidade de observador as reuniões do Comitê de Gestão; • Assistir as reuniões comunitárias e emitir a sua opinião sobre os assuntos em debate. 8.6.- O PAPEL DOS MEMBROS DO COMITÉ DE GESTÃO O Comitê de Gestão é um órgão colectivo encarregue da organização e gestão da participação da comunidade numa determinada actividade com os seus parceiros de desenvolvimento. Portanto é uma direcção executiva eleita pela comunidade e que serve de interlocutor entre a comunidade e os seus parceiros de desenvolvimento, quer estatais como não estatais. O seu papel e mandato podem ser resumido como segue: • Organizar e gerir a participação da comunidade nas actividades; • Servir de elo de ligação entre a comunidade e os seus parceiros; Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 39 • Gerir os recursos postos a disposição da comunidade pelos parceiros; • Prestar contas periodicamente a comunidade e aos seus parceiros; • Seguir e realizar periodicamente os serviços prestados à comunidade. • Organizar e planificar a participação dos membros da comunidade nas actividades; • Criar e apoiar a resolução dos conflitos ligados a participação dos membros da comunidade nas actividades; • Velar pela qualidade comunidade; • Velar pela manutenção periódica e durabilidade dos empreendimentos; • Fornecer informações claras e exactas à comunidade; • Mobilizar a participação e o engajamento dos membros da comunidade; • Reunir-se periodicamente para analisar o estado de avanço das actividades e propor medidas correctivas (uma vez por semana). dos serviços prestados à Manuais 40 para o desenvolvemento7. Membros do Comité de Membros do Comité de Gestão do punto do água Gestão do punto do água São responsaveis de: São responsaveis de: O bom decorrer das questões relativas ao O bom decorrer das questões relativas ao punto de água para que punto de água para que da sua gestão resulte um da sua gestão resulte um serviço satisfactório e durável serviço satisfactório e durável a) Presidente/presidenta • Vela pelo bom funcionamento do comitê; • Representa o comitê com os parceiros da comunidade; • Controla e defende os interesses materiais e morais da comunidade; • Controla e avalia o engajamento transparente dos recursos mobilizados para a acção; • Segue e avalia o engajamento e a participação dos restantes membros do comitê de gestão; Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 41 • Organiza a cotização para reparações. • Contacta com o mecânico em caso de avaria da bomba. • Convoca e preside as reuniões do Comitê de Gestão; • Executa ou faz executar a gestão corrente assim como as decisões da comunidade; • Serve de interlocutor nos membros entre a comunidade e o comitê (quinzenalmente). b) Secretário/Secretaria • O Secretário ou secretaria ajuda à organização a memória colectiva do Comitê e na organização da vida quotidiana do mesmo. Ele regista as decisões e a sua aplicação, apoia na redacção de relatórios, bem como da organização e gestão das correspondências. • Redige as actas das reuniões do Comitê de Gestão; • Prepara e gere as correspondências que são assinadas pelo presidente; • Envia as convocatórias das reuniões do Comitê de Gestão da comunidade, bem como com outros parceiros; • Actualiza a lista dos membros (participantes) e de todos os documentos administrativos; • Recenseia as necessidades e prepara as solicitações (ou a encomenda); • Actualiza os documentos de actividades; • Redige as actas de todas as reuniões do Comitê de Gestão com os seus parceiros e com a comunidade. c) Responsável de Limpeza • Planifica as actividades de limpeza semanalmente. Manuais 42 para o desenvolvemento7. • Planifica as actividades quinzenalmente. de limpeza dos paineis • Organiza a participação da comunidade e mobiliza os recursos materiais necessários para a realização das actividades de limpeza das instalações e infra-estruturas comunitárias. • Registra a través do secretario as actividades de limpeza realizadas e os participantes nas mesmas. • Informa-se sobre as eventuais dificuldades de participação de alguns membros da comunidade nas equipas de trabalho de limpeza. • Está em contacto com os promotores de higiene da comunidade. • Participa nas actividades de sensibilização. d) Responsável de Manutenção • Realiza as revisões periódicas do estado das equipas, bombas, própria infra-estrutura, paineis, assim como elementos da mesma, (portas, redes mosquiteiros, etc.) • Realiza uma manutenção básica preventiva das equipas. Para isso, recebe uma formação técnica especifica para a realização desta tarefa. • Junto com o Presidente, mobiliza na comunidade os recursos econômicos necessários para a reparação em caso de avaria. • Organiza e mobiliza os recursos materiais e humanos necessários para a realização das reparações e correções necessárias. • Registra as actividades de manutenção preventiva e reparação correctiva realizadas para seguimento do funcionamento do equipo ou da infra-estrutura. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água • 43 Controla e custodia o armazenamento dos materiais ou equipos necessários tanto para as construções como para as tarefas de manutenção. e) Tesoureiro/a : Responsável contabilidade do comité de gestão. pelas finanças e • Organizar a quotização dos usuarios/as; • Proceder cobrança usuarios/as; • Guardar receitas e realizar despesas de acordo com as instruções emanadas e arquivar justificativos dos mesmos; • Revelar com sinceridade e honestidade os gastos feitos durante cada actividade se necessário for; • Vela pela usuários; • Recebe a recaudação diáriamente / semanalmente / mensalmente da mão do Cobrador ou Cobradora do ponto de água; • Administra os fundos das recaudações e contribuições para o fornecimento dos serviços. Por exemplo, pagamentos aos técnicos que trabalhen nas possiveis avarias, etc. • Junto ao Presidente ou Presidenta, vão firmar documentos contáveis de ingresos e despesas; • Fazer e apresentar à Asambleia os seguines documentos: • Estado da conta; • Balance económico de ingresos mensalmente/semestral/anual; e recaudação recolha dos da serviços quotização prestados e dos aos os despesas Manuais 44 para o desenvolvemento7. • Manter a custódia do inventário de bens e serviços pertenecentes à Junta Administradora; • Receber e entregar prévio inventário, libros contaveis, fundos e tudo ao seu cargo se fora precisso; f) Conselheiro/a: Aconselhar a equipa de comité de gestão na execução eficiente e eficaz das suas funções. • Solicitar encontro de concertação junto do presidente para avaliar o desempenho do comité de gestão; • Não veicular junto da equipa de comité de gestão e a comuniadade as informações que tenha conhecimento das veracidades dos facto; • Zelar sempre para uma coesão sã e legitima dentre os elementos da comité de gestão; • Mediar nos conflitos para uma resolução eficiente; • g) Animador/A: Informar as datas da realização das actividades, dinamizar e sensibilizar o cumprimento das actividades; • Sensibilizar e dinamizar os membros da comité de gestão para participação nas actividades do projecto; • Veicular as técnicas e os conhecimentos adquiridos em cada actividade; • Informar as datas de reuniões, horas e local da sua realização; • Informar e difundir das actividades do projecto; 8.7.- AS REUNIÕES DO COMITÉ DE GESTÃO Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 45 Um Comitê de Gestão que quer desenvolver-se tem que apostar em reuniões regulares dos seus membros, sobretudo no início do seu funcionamento. Essas reuniões são extremamente importantes para a vida do comitê e permite aumentar a comunicação no seio dos seus membros, para se evitar possíveis equívocos e mal entendidos. Além das reuniões internas do Comitê de Gestão, ele deve reunir-se regularmente com a comunidade em geral, com o objectivo de informar sobre o estado de avanço das actividades e eventualmente procurar soluções consensuais para os problemas. Algumas reuniões são de carácter meramente operacionais e técnicas, por isso não devem ser extensivas a todos os membros da comunidade. Pois, a falta de informação não é boa porque cria desconfiança no seio dos membros, mas o excesso da informação também é prejudicial para ela. 8.8- O PROCESSO DA TOMADA DE DECISÃO Um Comité de Gestão que quer evoluir tem que respeitar os princípios democráticos e as regras de partilha dos poderes. Um Comité de Gestão democrático é aquele que procura implicar maior número de membros possíveis no processo de tomada de decisão e que respeita a vontade da maioria. Pois, quanto maior for o envolvimento dos membros na procura de solução, mais hipótese de sucessos quanto a aplicação das decisões tomadas haverá. Um Comité de Gestão durável é aquele que respeita as regras de partilha do poder. Ou seja, cada membro deve respeitar as Manuais 46 para o desenvolvemento7. suas contribuições, saber onde é que elas começam e onde é de acabam e quais as contribuições dos outros membros. Em geral para que as coisas funcionam, a separação dos poderes deve ser rigorosamente respeitada, sem manipulações, nem ambiguidade. Ou seja, podemos apoiar os nossos colegas em caso de dificuldades, mas nunca tentar substituí-los. Se isso vier a acontecer é porque nós estamos a contribuir para destruir o nosso Comité de Gestão que tanto sacrifico nos custou. 8.9- A NECESSIDADE DA COMUNICAÇÃO Para que o trabalho comunitário avança, temos que fazer ênfase na comunicação, na responsabilização e na prestação de contas. Esta é uma das funções do Comitê de Gestão e dos parceiros de desenvolvimento que trabalham com a comunidade. Neste sentido, os parceiros e o Comitê de Gestão de têm a tarefa de animar e sensibilizar a comunidade com vista a mudança ou reforço de comportamentos, atitudes e práticas sobre um determinados assunto. Assim, os membros do Comitê de Gestão dos parceiros de enquadramento que trabalham na comunidade são considerados no bom sentido da palavra como animadores comunitários. Por isso é fundamental que eles estejam familiarizados com algumas técnicas de animação Sugere-se, no entanto, a seguir algumas etapas de animação nas comunidades, sem, sermos exaustivos: a) Preparação • Marcar encontro com o grupo-alvo; • Informar as autoridades locais; Manual Didático sobre técnicas de purificação de água 47 • Prever um tema simples e único e evitar de tratar vários assuntos ao mesmo tempo; • Definir os objectivos do tema; • Preparar previamente o material necessário (cartazes e desdobráveis, etc.); • Planificar o horário mais conveniente para a comunidade; • Escolher e organizar um espaço calmo e suficiente; • Prever uma apresentação de 15 ou 20 minutos; • Prever alguns minutos para uma pequena discussão. b) No momento da sessão • Chegar muito cedo e concertar-se com os responsáveis que irão dirigir a reunião; • Acolher e instalar os convidados; • Cumprimentar o auditório; • Estabelecer um clima apropriado; • Apresentar-se e apresentar os outros se necessário; • Introduzir o tema/assunto; • Pedir a opinião do auditório sobre o tema; • Desenvolver o tema segundo o método escolhido e com mensagens claras; • Recolher a experiência e as opiniões do auditório; • Dissipar os rumores; • Reforçar os conhecimentos; Manuais 48 para o desenvolvemento7. • Sustentar as audiovisuais; informações através de • Fazer a síntese; • Agradecer os presentes por terem participado; • Encerrar a sessão; • Fixar um novo encontro. suportes c) Depois da sessão • Sessão de avaliação com reflexão e feed-back pelos colegas; • Guardar os materiais de apoio; • Preencher a ficha técnica de animação; • Rever o plano de trabalho se necessário; • Redigir o relatório da sessão. Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR ancis Macard / FICR 49 50 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 51 52 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 53 54 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 55 56 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 57 58 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 59 60 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 61 62 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 63 64 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 65 66 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 67 68 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 69 70 Manuais para o desenvolvemento7. Ilusrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 71 72 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 73 74 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 75 76 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 77 78 Manuais para o desenvolvemento7. I lustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 79 80 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR 81 82 Manuais para o desenvolvemento7. Ilustrador: Francis Macard / FICR Manual Didático sobre técnicas de purificação de água Ilustrador: Francis Macard / FICR Ilustrador: Francis Macard / FICR 83