Manual Didático sobre técnicas de
purificação de água
Proyecto: Apoio a Promoção da Soberanía alimentar e a
Medicina tradicional com Equidade de Genero nas Regiões de
Oio, Cacheu e Bafatá (Guinea Bissau)
(PR803D 17 /2012)
A maquetación deste manual realizouse integramente con
software libre.
Imagens:
Confederaçao
camponesa Kafo
KAFODjalicunda - Rexión de Oio
SODePAZ
Guinea Bissau
245-660-71-41
Ilustrador: Francis Macard / FICR
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©
os autores
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
3
Índice
1.NOTA INTRODUCTORIA: ....................................3
2.CONTEUDOS:
.................................................9
4.- HIGIENE PESSOAL E LAVAGEM DAS MÃOS........30
5.- HIGIENE ALIMENTAR ......................................33
6.-HIGIENE DOMÉSTICA E DO MEIO, GESTÃO DO LIXO
E CONTROLO DE VECTORES.................................37
7.-PERFIL DO ANIMADOR OU ANIMADORA/ PLANO
DE TRABALHO ....................................................38
8.- COMITÊS DE GESTÃO .....................................41
9.- Ilustrações para actividades participativas .....57
4
Manuais
para o desenvolvemento7.
1.NOTA INTRODUCTORIA:
Na Guiné-Bissau o acesso generalizado a fontes adequadas de
água e saneamento melhorado é ainda um desafio (vide Caixa
1).
Caixa 1: Situação do acesso a água e saneamento na GuinéBissau
Apenas 3 em cada 4 pessoas possuem acesso a uma fonte de água
melhorada.
Apenas 1 em cada 5 pessoas possuem acesso a instalações
sanitárias adequadas.
1 em cada 4 pessoas ainda pratica a defecação a céu aberto.
Estas estatísticas são ainda mais significativas se atestarmos às
diferenças encontradas em os meios rurais e as zonas urbanas.
Níveis de cobertura de água e saneamento na Guiné-Bissau
(OMS/UNICEF, 2011)
Actualmente, na Guiné Bissau há dois instrumentos essenciais
na política estrategica de água ambos aprovados pelo Conselho
de Ministros.
Estes documentos são:
“Código de Águas” – Decreto Lei nº 5-A/92 de 17 de Setembro.
Código de Águas é o quadro legal que regula as actividades dos
diferentes intervenientes no sector. Consagra o princípio da
propriedade pública da água, mas várias medidas previstas não
entraram em vigor por falta de regulamento.
Actualmente, na Guiné Bissau há dois instrumentos essenciais
na política estrategica de água ambos aprovados pelo Conselho
de Ministros.
Estes documentos são:
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
5
“Código de Águas” – Decreto Lei nº 5-A/92 de 17 de Setembro.
Código de Águas é o quadro legal que regula as actividades dos
diferentes intervenientes no sector. Consagra o princípio da
propriedade pública da água, mas várias medidas previstas não
entraram em vigor por falta de regulamento.
“Actualização do Plano Director da Água e do Saneamento da
Guiné-Bissau (2010-2020)”
O « Plano Diretor de Abastecimento de Água e Saneamento »
(PDAAS, 1991) identificava as prioridades e criava um quadro
coerente planificacao a longo prazo para a execução das acções
e investimentos previstos para o desenvolvimento do sector.
Logo da revisão deste documento no ano 1997, está a ser feita
uma segunda “Actualização do Plano Director da Água e do
Saneamento da Guiné-Bissau (2010-2020)”, publicado em
Janeiro de 2010. Nesta actualização inclui-se a vontade do país
por atingir o Objectivo do Milenio para o Desenvolvimento nº 7
(OMD nº 7), relativa ao acesso à água potável e a meta da
Cimeira Mundial do Desenvolvimento Sustentável sobre o
acesso aos servicos adequados de saneamento.
A Declaração do Milênio (DM, Setembro de 2000) estabeleceu
para os países que a subscreveram (incluindo à Guiné-Bissau), a
meta de reduzir, pelo menos a metade, ate 2015, o número de
pessoas que não podem aceder ou pagar o seu acesso à água
potável de qualidade, em quantidade suficiente (OMD nº 7).
Por outra parte, a Declaração da Cimeira sobre o
Desenvolvimento Sustentável (CMDS, Setembro de 2002)
aprovou o mesmo objectivo da DM, mas desta vez para os
servicos adequados de saneamento. Ou seja dividir por 2, ate
2015, o número de pessoas sem acesso a esses serviços.
Para o caso da Guiné Bissau, isto quer dizer:
A) Aumentar a taxa de acesso à água potável de 40% para 65%.
B) Aumentar a taxa de acesso ao saneamento melhorado de
22% para 61%. Os principais elementos do sector de água e
saneamento responsaveis de atingir estes objetivos são:
Manuais
6
Instituição
para o desenvolvemento7.
Responsavilidade
Direcção-Geral
dos
Recursos Responsável pela gestão dos recursos
Hídricos (DGRH) do Ministério da hídricos e do abastecimento de água
Indústria,
Energia
e
Recursos potável e do saneamento urbano
Naturais (MEIRN)
Secretaria de Estado do Ambiente e Ligada ao Gabinete do Primeiro-Ministro,
Desenvolvimento Durável (SEADD) cuja intervenção se destina à protecção
do Ambiente
Empresa Pública
Electricidade
da
(EAGB)
de Água e No domínio da água, gere a rede de
Guiné-Bissau produção e distribuição de água potável
em Bissau
Autoridades
locais
(Câmaras Envolvidas na gestão do abastecimento
Municipais ou Comités de Estado)
de água aos outros centros urbanos
A Direcção-Geral de Saúde Pública Intervém sobre as orientações da política
(DGSP)
de água potável e saneamento (ligação
água-higene-saúde) e é responsável pela
informação
e
educação
sobre
a
higieneIntervém sobre as orientações da
política de água potável e saneamento
(ligação
água-higene-saúde)
e
é
responsável pela informação e educação
sobre a higiene do meio; com as
autoridades locais é responsável pelo
saneamento
Ministério
Rural
do
Desenvolvimento Com a sua Divisão de Engenharia
Agrícola, que se ocupa das modalidades
ligadas à utilização e gestão da água
para fins agrícolas
As ONG activas no sector, as Como os Comitês de Gestão de Água,
Associações de Utentes e as suas que asseguram através de modelos de
plataformas de trabalho
concessão
ou
parceria
públicocomunitária (formalizada ou não) a
gestão dos pontos de água e a promoção
do saneamento básico
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
7
DEREITOS HUMANOS À ÁGUA POTÁVEL E SANEAMENTO:Estes
dereitos foram reconhecidos internacionalmente apartir da
Resolução da Asambleia Geral das Nações Unidas de 2010, onde
reconhece-se explícitamente o dereito humano à água e ao
saneamento. Depois e no mesmo ano, a Resolução do Conselho
de Dereitos Humanos esclareçe que este dereito deriva-se do
dereito a um nível de vida adecuado.
Posteriormente, a Resolução do Conselho de Dereitos Humanos
de 2011 modifica a sua denominação: dereito à água potável e
ao saneamento (DHAPS).
Os usos que ficam dentro do DHAPS são os usos pessoales e
domésticos, ou seja:
Consumo humano (água para beber).
Água para cocinhar.
Água para o Saneamento.
Higiene personal.
Água para fins agrícolas para ter ruma bõa alimentação.
Água para limpeça doméstica.
Em resumo, há uma responsabilidade moral para que o Estado
forneça de água potável para consumo humano e saneamento à
população, para que estes sejam acessiveis sem discriminações.
Mas há tambén uma obrigação legal reconhecida nacional e
internacionalmente. É por isto que a colaboração de todos os
actores e todas as instituições do sector deve-se orientar para a
consecução do acesso à água potável e saneamento.
8
Manuais
para o desenvolvemento7.
2.CONTEUDOS:
1.-DEFINIÇÃO DE PROMOÇÃO DE HIGIENE:
A promoção DE HIGIENE é acção sistemática e planificada
para promover a CAPACIDADE das pessoas para
PREVENIR as doenças relacionadas com água, higiene e
saneamento. Quer dizer, vamos ajudar às comunidades
para a mejora e utilização das suas infraestructuras de
água, saneamento e higiene.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
9
2.-NOÇÕES BÁSICAS SOBRE AGUA:
2.1.
Principais
Doenças
Água,saneamento E Higiene:
Relacionadas
Com
Objectivo: Transmitir as pessoas da tabanca:
Importância das boas práticas de água, saneamento e
higiene para evitar doenças.
As principais doenças relacionadas com a água, saneamento
e higiene.
Rotas de transmissão das doenças relacionadas com a água,
saneamento e higiene.
Estima-se que o 80% de todas as patologias e mais de um terço
(1/3) dos óbitos dos paíese em desenvolvimento sejam
causados pelo consumo de água contaminada.
Os esgotos e excrementos humanos são causas importantes
dessa deterioração da qualidade da água em países em
desenvolvimento.
Os despejos urbanos são evidentemente,muito variados.Estimase que as águas residuais urbanas contenham quantidades
consideravéis de materia em suspensão,e,em determinadas
épocas,cloro procedente da dispersão de saias nas ruas.
A seguinte tabela mostra-nos os dois tipos de doenças
provocadas pela água:
1- Doenças provocadas pelo uso ou contacto com água
directamente.
2- Doenças provocadas pela água indirectamente.
Manuais
10
DOENÇA
CAUSA
Doenças provocadas pelo uso e
consumo de água e alimentos
contaminados e a falta de
saneamento e higiene:
A água ou alimentos contaminados e
as mãos sujas contêm agentes
infecciosos (bichos) que não se vêem
a olho e produzem doenças.
Diarreia,
febre tifóide,
Coceira,
cortamento/
disenteria,
cólera* (forma
mas grave de
diarreia)
Doenças relacionadas com
águas paradas:
As águas estagnadas favorecem a Paludismo.
aparição de mosquitos que
transmitem doenças.
para o desenvolvemento7.
SÍNTOMAS
Aumento do número de vezes que
se faz cocó, vómitos, dor de barriga,
falta de vontade de comer, perda
de peso, sangue nas fezes.
Febre, dor de corpo e cabeça, dor
de barriga e diarreia.
Há Uma Serie De Doenças Causadas Pela Transmissão De
Água Contaminada Ou Água Ou Água Estancada:
Cólera
malaria
disenteria (cortamento)
doença de pele
A mais grave pelo consumo de água contaminada é a cólera.
CÓLERA:
Desidratação grave por diarreia e vómitos.
Pode levar à morte se não é tratada.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
1º Levar imediatamente ao centro de
saúde mais perto.
11
O que fazer no
caso de cólera?
+
2º Alimentar e hidratar a pessoa doente com soro
Soro caseiro:
(1 litro de água tratada + 6 colheres de açúcar + meia colher de sal)
+
3º Evitar curandeiros
+
4º Reforçar as medidas de higiene para evitar propagação.
Trabalhando com as rotas de transmissão das doenças
relacionadas com a água, saneamento e higiene.
Voltando às doenças transmitidas pela água, o animador/a
deve conheçer as seguintes mensagens:
O lixo e as águas paradas atraem e criam vectores
(animais, mosquitos,…) que transmitem doenças.
As mãos sujas transmitem doenças pelo contacto com os
alimentos ou com a boca.
A defecação ao ar livre (e também as fezes dos animais) produze
a contaminação dos pontos de água e os alimentos que
depois bebemos e comemos transmitindo doenças.
As moscas que pousam no cocó (pela defecação ao ar livre ou
pelas latrinas sem tampa) são as mesmas que depois pousam
na comida transmitindo doenças.
12
Manuais
para o desenvolvemento7.
Um grama de fezes (cocó) pode conter:
10 milhões de vírus,
1 milhão de bactérias,
1.000 ovos de vermes e outras parasitas
Mas, como é que conseguem apanhar às pessoas? Como é que
às pessoas apanhan as doenças?
O seguinte desenho faz um resumo das rotas, ou caminhos, que
as doenças relacionadas com a água seguem até apanhar uma
pessoa. Na parte superior, fala do caminho desde o lixo e as
águas estagnadas ou paradas. Na parte inferior fala do caminho
desde o cocó e chama-se rota fecal-oral (ou caminho cocóboca).
GRÁFICO: ROTA FECAL-ORAL DE PROPAGAGAÇÃO DAS DOENÇAS
+ GESTÃO DE LIXO
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
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Se conheçemos os caminhos das doenças, também conheçemos
como talhar ou cortar aqueles caminhos. Desta maneira
podemos evitar apanhá-las, o que mostra-se no seguinte
desenho.
GRÁFICO: ROTA FECAL-ORAL DE PROPAGAGAÇÃO DAS DOENÇAS
COM SUAS BARREIRAS.
2.2.- Proteção Dos Pontos De Água
Objectivo: Transmitir á população da tabanca:
Como evitar a contaminação de um ponto de água.
PRÁCTICAS DE RISCO, aquilo que contamina um ponto de
água:
•
Apanhar água com um balde e/ou corda sujas e
colocadas no chão
•
Transprotar a água em recipientes sujos e sem tampa
Manuais
14
para o desenvolvemento7.
•
Guardar a água em um recipiente sujo.
•
Guardar a água em casa em um recipiente sem tampa,
próximo de lixo e animais.
•
Não lavar as mãos antes de mexer na água
•
Animais com acesso à área do ponto de água (vedação)
•
Lavagem de roupa e de outros utensílios perto do ponto
de água.
•
Situar as latrinas a menos de 30 metros de distância do
ponto de água e numa posição mais alto de que este.
•
A defecação ao ar livre.
Muitos pontos de água estão contaminados ou se
contamina a água na colecta, transporte e
armazenamento. Por isso
DEVEMOS TRATAR SEMPRE A ÁGUA PARA CONSUMO
HUMANO.
Prácticas a promover:
•
Baldes e cordas de apanhar água devem estar limpos e
sempre pendurados, guardados num lugar limpo
•
Garantir a limpeza diária do ponto de água e evitar água
estagnada. Limpeza do canal de drenagem e da fossa
rota para evacuação da água estagnada). A água
estagnada atraem animais que defecam e sujam o redor
do ponto de água e favorecem a criação de moscas e
mosquitos que transmitem doenças.
•
Garantir o bom uso das bombas para evitar as avarias e
a água ficar sempre disponível.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
15
•
Garantir a manutenção do ponto de água: Recolher
contribuições (mensais / semanais / diárias) para o fundo
de manutenção (limpeza, substituição de peças, etc.).
•
Situar as latrinas a mais de 30 metros de distância do
ponto de água e numa posição mais baixo de que este.
•
Evitar a defecação ao ar livre.
•
Transportar a água em recipientes limpos e com tampa.
•
Guardar a água em casa em recipientes limpos, com
tampa e longe de lixo e animais.
•
Lavar frequentemente e tapar
transportam e guardam a água.
•
Lavar as mãos antes de mexer na água.
•
Colocar as canecas num sítio limpo e seguro, cobertas
com um pano limpo.
•
Usar sempre 2 canecas inox (uma para beber e outra
para pegar a água).
•
Nunca retornar água que já bebemos no recipiente (ex.:
Balde e Potes).
•
Usar recipientes pequenos (máximo 15 litros) para
conservação da água para o consumo.
os
recipientes
que
2.3- Apanhar,transportar E Armanzear Água De Forma
Segura
Objectivo: Transmitir aos participantes:
A importância de apanhar, transportar e armazenar água de
forma segura para evitar a sua contaminação
Como apanhar, transportar e armazenar água de forma
segura
16
Manuais
para o desenvolvemento7.
A importância de apanhar, transportar e armazenar água de
forma segura para evitar a sua contaminação
Como apanhar, transportar e armazenar água de forma segura
Prácticas de risco:
Apanhar água com um balde e/ou corda sujas e colocadas no
chão
Transportar a água em recipientes sujos e sem tampa
Guardar a água em um recipiente sujo.
Guardar a água em casa em um recipiente sem tampa, próximo
de lixo e animais.
Não lavar as mãos antes de mexer na água
Prácticas a promover:
Baldes e cordas de apanhar água devem estar limpos e sempre
pendurados, guardados num lugar limpo
Transportar a água em recipientes limpos e com tampa
Guardar a água em casa em recipientes limpos, com tampa e
longe de lixo e animais
Lavar frequentemente e tapar os recipientes que transportam e
guardam a água.
Lavar as mãos antes de mexer na água
Colocar as canecas num sítio limpo e seguro, cobertas com um
pano limpo
Usar sempre 2 canecas inox, por eixemplo de alumínio (uma
para beber e outra para pegar a água)
Nunca retornar água que já bebemos no recipiente (ex.: Balde e
Potes)
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
17
Usar recipientes pequenos (máximo 15 litros) para conservação
da água para o consumo.
Não ficar água no recipente mais de 5 dias.
2.4.- Água potável e tratamento de água
Objectivo: Transmitir aos participantes:
A importância de apanhar, transportar e armazenar água
de forma segura para evitar a sua contaminação
-
Como apanhar, transportar e armazenar água de forma
segura.
Definição de água contaminada: Água com bichos e sujidade
que pode provocar doenças.
- Definição de água potável: Água bõa para beber, que não faz
mal à saúde, que não tem bichos nem sujidade. (A
contaminação não é visível: Água pode parecer limpa, fresca e
transparente, sem ser potável porque os pequenos organismos
que provocam doenças não se vêem).
PRÁCTICAS DE RISCO, aquilo que contamina um ponto de
água:
•
Apanhar água com um balde e/ou corda sujas e
colocadas no chão.
•
Transprotar a água em recipientes sujos e sem tampa.
•
Guardar a água em um recipiente sujo.
•
Guardar a água em casa em um recipiente sem tampa,
próximo de lixo e animais Não lavar as mãos antes de
mexer na água.
•
Não lavar as mãos antes de mexer na água.
Muitos pontos de água estão contaminados ou se contamina
a água em três momentos:
1.- No momento da colecta,
2.-No momento do transporte,
3.-No momento do armazenamento.
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Manuais
para o desenvolvemento7.
Por isso, devemos
TRATAR SEMPRE A ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO.
O tratamento deve ser feito nas casas para evitar a
contaminação
no
transporte.O
tratamento
de
áuga
possivelmente contaminada pode ser feito:
1.-Sol- em garrafas de plástico transparente (4 horas)
2.- imão
3.- Filtração com um pano limpo
4.- Fervura-10 minutos
5.- Lixivia (4,5%)-3 gotas por cada litro de água
- Fervura da água durante 10 minutos.
- 3 Gotas de lixivia de 4.5% por cada litro da água.
Esperar ao menos 30 minutos
em um recipiente tapado e seguro longe do lixo e dos animais.
TRATAMENTO DE AGUA PARA BEBER:
- 10 Gotas de lixivia de 4.5% por cada litro da água.
Esperar ao menos 30 minutos
em um recipiente tapado e seguro longe do lixo e dos animais
TRATAMENTO D E AGUA PARA LAVAR ALIMENTOS QUE SE
CONSUMEN CRUS:
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
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3- LATRINAS
Objectivo: Transmitir aos participantes:
Importância do uso correcto das latrinas e suas vantagens:
Evita as doenças contraídas através do cocó
Evita a contaminação dos pontos de água
Reduz a propagação dos vectores (que as moscas pousem no
coco e depois pousem na comida, água, e corpo transmitindo
doenças)
Protege a dignidade, sobretudo das mulheres
Evita o mau cheiro
Garante um ambiente limpo, saudável e digno onde as
pessoas vivem.
GRÁFICO: BARREIRA, NESTE CASO LATRINA, PARA TALHAR O
CAMINHO DAS DOENÇAS.
Manuais
20
para o desenvolvemento7.
PRÁCTICAS DE RISCO, aquilo que contamina um ponto de
água:
•
Não usar as latrinas, fazer coco ao ar livre
•
Construir latrinas próximas dos pontos de água
•
Deixar as latrinas sem tampa
•
Latrinas sem vedação
•
Deixar latrinas sujas e com água estagnada ao redor
•
Não esvaziar o mudar as latrinas quando estão cheias
•
Não ter água e sabão ou cinza disponível para a lavagem das
mãos
PRÁCTICAS A PROMOVER:
•
Usar sempre as latrinas (as latrinas não terão impacto na saúde
se alguns dos membros da família não usarem a latrina).
•
As latrinas devem ser construídas longe dos pontos de água
(pelo menos 30 metros de distancia e numa posição mais baixo
de que este).
•
Esvaziadas ou selar as latrinas cheias ou mudá-las de local.
•
As latrinas devem ser lavadas/limpas todos os dias (manhã e
tarde)
•
As latrinas devem estar sempre tapadas após cada uso, para
não deixar entrar as moscas, barata e impedi-las de espalhar
os micróbios e as doenças.
•
As latrinas devem estar sempre bem vedadas.
•
As latrinas devem ter água e sabão ou cinza disponível para a
lavagem das mãos.
•
Meter as fezes (o cocó) das crianças dentro da latrina
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
21
GRÁFICO: ESCADA DE SANEAMENTO
4.- HIGIENE PESSOAL E
LAVAGEM DAS MÃOS
Objectivo: Transmitir aos participantes:
Importância da higiene pessoal para evitar doenças.
Promover a higiene pessoal e especialmente a lavagem de
mãos. O simples gesto de lavar as mãos com água corrente e
sabão evita doenças diarreicas, respiratórias, da pele entre
outras).
Manuais
22
para o desenvolvemento7.
PRÁCTICAS DE RISCO:
•
Não lavar o corpo todos os dias com água limpa e sabão.
•
Não lavar e pentear
cabelo regularmente.
•
Não lavar a boca todos os
dias depois das refeições.
•
Não trocar o vestuário
todos os dias e lavar roupa
regularmente.
•
Não
secar-se
bem
e
partilhar roupa com outras
pessoas (Pano branco).
•
Andar descalço.
•
Não manter as unhas dos pés e das mãos curtas e limpas
e ter as orelhas sujas.
•
Lavar as mãos conjuntas no mesmo recipiente ou com
água suja.
•
NÃO LAVAR AS MÃOS COM
SABÃO OU CINZAS.
o
ÁGUA CORRENTE E LIMPA,
•
Antes e depois de comer.
•
Antes de preparar a comida.
•
Depois de limpar as crianças.
•
Depois de fazer coco.
•
Depois de ter contacto com terra ou
animais.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
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GRÁFICO: BARREIRA, NESTE CASO LAVAGEM DAS MÃOS, PARA
TALHAR O CAMINHO DAS DOENÇAS.
PRÁCTICAS A PROMOVER:
•
Lavar o corpo todos os dias com água limpa e sabão.
•
Lavar e pentear o cabelo regularmente
•
Lavar a boca todos os dias depois das refeições.
•
Trocar o vestuário
regularmente.
•
Usar sempre chinelos ou sapatos para que os parasitas
(Gigán) não entrem no corpo através dos pés.
•
Manter limpas as unhas dos pés e das mãos e limpar
orelhas
•
Evitar a lavagem das mãos conjuntas no mesmo
recipiente ou com água suja
•
Promover instalação das bancadas de lavagem das mãos
nas escolas, latrinas, nas cerimónias e lumos.
todos
os
dias
e
lavar
roupa
Manuais
24
para o desenvolvemento7.
5.- HIGIENE ALIMENTAR
Objectivo: Transmitir aos participantes:
Importância da higiene alimentar para evitar doenças. Quando
não se têm cuidados de higiene com os alimentos, estes
podem transmitir doenças.
Promover as boas práticas de higiene alimentar.
PRÁCTICAS DE RISCO
•
Ter a área de cozinhar suja.
•
Usar pratos e utensílios sujos.
•
Usar para cozinhar água não segura.
•
Ter os alimentos em locais sujos.
•
Ter os alimentos não tapados e não protegidos dos
animais e insectos.
•
Não aquecer os alimentos antes de comer (sobretudo
sita).
•
Não desinfectar os alimentos que se consomem crus.
•
Comer comida que pode estar estragada.
•
Não lavar as mãos com água corrente e limpa e sabão ou
cinzas antes de preparar a comida e antes e depois de
comer. Mesmo quando as mãos parecem limpas.
•
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
25
PRÁCTICAS A PROMOVER
•
Manter limpa a área de cozinhar.
•
Usar pratos e utensílios limpos e guardar devidamente.
•
Usar para cozinhar
armazenada
•
Guardar os alimentos num sítio limpo e fresco dentro de
casa longe de animais e insectos.
•
Tapar os alimentos por causa dos insectos e dos animais
•
Aquecer os alimentos antes de comer
•
Desinfectar os alimentos que se consomem crus: deixar
os alimentos crus mergulhados na água com lixívia (10
gotas de lixívia por cada litro de água durante 30
minutos).
•
Descascar
os
desinfectados.
•
Nunca comer comida estragada (mudam de cor e cheiro)
•
Lavar as mãos com água corrente e limpa e sabão ou
cinzas antes de preparar a comida e antes e depois de
comer. Mesmo quando as mãos parecem limpas.
água
alimentos
segura
que
e
não
correctamente
podem
ser
26
Manuais
para o desenvolvemento7.
GRÁFICO: BARREIRA, NESTE CASO HIGIENE DOS ALIMENTOS, PARA
TALHAR O CAMINHO DAS DOENÇAS.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
27
6.-HIGIENE DOMÉSTICA E DO
MEIO, GESTÃO DO LIXO E
CONTROLO DE VECTORES
Objectivo: Transmitir aos participantes:
Importância da higiene domestica e do meio: Se habitarmos num
espaço sujo, tudo á nossa volta fica contaminado e favorece a
presença de vectores que transmitem doenças.
O que é um vector: Aqueles animais e insectos que intervêm na
transmissão de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos,…).
Como gerir o lixo correctamente.
Como reduzir os vectores e a transmissão de doenças.
PRÁCTICAS A PROMOVER PARA A BÕA GESTÃO DO LIXO:
•
Não ter água estagnada ao redor da casa.
•
Não ter lixo ao redor da casa
•
Ter o lixo que produzimos num cesto de lixo com tampa
bem protegido de animais e insectos e longe da cozinha.
•
Enterrar ou queimar o lixo regularmente e fazê-lo longe
das casas ou pessoas
28
Manuais
para o desenvolvemento7.
7.-PERFIL DO ANIMADOR OU
ANIMADORA/ PLANO DE
TRABALHO
O animador/a procura influenciar as outras pessoas, orientá-las,
dar-lhes guias de comportamento.
Contudo, é dever do animador/a respeitar as diferenças de cada
um e cada uma, proporcionando-lhes o desenvolvimento
pessoal, a capacidade de iniciativa e de decisão. O animador
deve trabalhar sempre de acordo com as características
individuais de cada pessoa.
A seguer, comportamentos que o animador ou animadora
podem/devem e não podem/Devem ter.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
O animador/a não pode/Deve:
O animador/a pode/deve:
29
Manuais
30
para o desenvolvemento7.
Dirigir ao grupo.
Aconselhar ou sugerir aquilo que o
grupo deve facer, nem corregir-lhes.
Orientar e acompanhar ao grupo
no razoamento
Dar informação directamente.
Permitir ao grupo obter a
informação pelos seus meios,
bocado em bocado.
Quando prepara uma actividade,
pensar numa resposta o resultado
certo.
Preparar outra actividade, no
caso de não obter o resultado
satisfactório.
A actitude do animador/a deve animar a participação e a troca
de experienças com a comunidade. Para isto, o animador/a vai
saber emitir (falar), vai saber escutar e vai saber ser
empático/a.
Saber Emitir:
As mensagens devem seguir a teoria das 3 C´s (Curta,
Clara, Concisa)
Formuladas em linguagem que o público-alvo entenda
Conciliar a comunicação verbal e não verbal
Terá humildade para não ter postura de professor. O
animador/a vai ter uma actitude de intercâmbio de
percepções onde as pessoas vão tomar consciência da
necessidade de mudar sem se sentir estigmatizado.
Saber Escutar:
A escuta activa implica um esforço de audição atenta,
centrada na detecção e compreensão dos aspectos
globais e parcelares da mensagem das pessoas.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
31
Observar a linguagem corporal do formando.
Parar de falar, não interromper ao interlocutor e evitar
preconceitos (ideias que temos da maneira de ser de
uma pessoa ou grupo de pessoas antes de conheçer-as,
pelas conversas acerca delas).
Saber ser Empático/a:
Capacidade de empatia, ser capaz de se colocar no lugar
do outro
Reflectir uma atitude de compreensão
Um exemplo de elaboração de um plano de trabalho conjunto
em a tabanca pode ser feito a través da metodologia PHAST. A
metodologia PHAST é feita através duma aproximação
participativa que consiste em identificar com as populações
locais, os problemas de higiene e de saneamento por elas
confrontadas.
O processo é feito com competências e faculdades da população
local e assenta-se em duas técnicas especificas à metodologia
PHAST :
• Duma parte, o comportamento dos animadores está sempre
patente mas põem a comunidade no centro da acção e das
discussões (o animador é um facilitador “instruído”).
• Doutra parte, a elaboração de kits de materiais tomando em
conta as características culturais das comunidades está
actualizada e dinamizada pelos animadores.
32
Manuais
para o desenvolvemento7.
8.- COMITÊS DE GESTÃO
A seguer, uma ferramenta que visa facilitar a criação e o
funcionamento dos Comitês de Gestão de maneira transparente
e eficaz. Deste modo, podem-se evitar os conflitos e as tensões
resultantes dos déficit de comunicação e de informação logo ter
construído uma infraestructura de água ou saneamento.
8.1- A Comunidade E As Suas Organizações
No âmbito da Cooperação para o Desenvolvimento, o Estado e
os seus parceiros têm frequentemente apoiado a realização de
actividades sócio-comunitárias com a intenção de contribuir
para a melhoria das condições de vida nas comunidades.
O sucesso das intervenções em vários sítios tem sido associado
ao nível da participação e apropriação das comunidades destas.
Sendo essas intervenções limitadas no tempo e pelos recursos
disponíveis, é importante que cada um dos actores se organize
para assumir plenamente as suas responsabilidades.
Tradicionalmente cada comunidade tem a sua forma própria de
organização para a realização das suas actividades, mas a
prática tem nos assinado que a concentração excessiva do
poder engendra sempre conflitos e desconfiança. Para evitar
esses conflitos e desconfianças, é importante responsabilizar
um grupo de pessoas fiscalizáveis para cada tipo actividade da
comunidade. Ou seja, escolher um Comitê de Gestão para cada
tipo de actividade.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
33
8.2- Objetivos Das Organizações Comunitarias
Antes de se criar uma Organização Comunitária, os promotores
devem ter idéias bem claras sobre os problemas que querem
resolver em conjunto, e a partir das quais estabelecer os
objectivos da organização. Uma organização de base deve
adoptar objectivos claros e realizáveis e que para a sua
materialização dependem em grande medida dos recursos
locais. Isso para se evitar das dependências de fora.
Pois, quando a realização dos objectivos duma organização,
depender mais dos recursos de fora dos que os internos, ela não
pode ser autônoma e torna-se altamente vulnerável.
Os objectivos duma organização comunitária podem ser ligados
a melhoria do rendimento agrícola, melhoria do circuito de
comercialização, o alívio da sobrecarga feminina, a melhoria das
infra-estruturas de educação e da saúde, a gestão da floresta
comunitária, da gestão das infra-estruturas de água e
saneamento, da melhoria da higiene, etc.
Uma organização comunitária deve escolher actividades que
podem ser realizadas com os recursos e o saber local.
Não é durável ter actividades que ninguém domina na
comunidade e que para o seu funcionamento e/ou manutenção
dependemos sempre de apoios externos. Isso torna as nossas
iniciativas muito custosas e pouco rentáveis.
8.3- O Porquê Dos Comités De Gestão
Os Comitês de Gestão são criados pelas comunidades como sua
contra parte para a gestão quotidiana duma actividade
concreta. Esta é realizada em parceria com outros actores que
apóiam o desenvolvimento da comunidade.
34
Manuais
para o desenvolvemento7.
Ele serve de elo de ligação entre a comunidade e os seus
parceiros numa determinada actividade, assumindo as funções
da gestão e organização dos diferentes recursos mobilizados
e/ou postos a disposição da comunidade para a realização da
acção.
Em termos de gestão ele gere todos os recursos mobilizados
pela comunidade e/ou postos a sua disposição para a realização
da acção. Ainda ele organiza e controla a participação da
comunidade nas actividades. Ao mesmo tempo tem o papel de
garantir a circulação da informação e de participação de outros
ao nível da comunidade como dos seus parceiros.
Outra função do Comitê de Gestão é o seguimento e controle
das actividades e utilizo diário dos recursos, numa perspectiva
de gestão racional e transparente dos mesmos.
8.4- A Forma De Escolha Dos Membros De
Comité De Gestão
O Comitê de Gestão é vital para eleito o sucesso das actividades
comunitárias por isso para o seu seio devem ser pessoas
idóneas, sérias, honestas, com integridade e transparência
comprovada. Enfim, pessoas que merecem a confiança e estima
da comunidade e não apenas dum líder comunitário.
Isso é importante, porque muitas vezes a participação
comunitária pode fracassar a partir da forma como os membros
do Comitê de Gestão foram escolhidos.
Se eles foram simplesmente escolhidos pelos líderes
comunitários e não por todos os elementos da comunidade, a
hipótese de participação da comunidade é fraca, porque muitas
das vezes essa forma de escolha esconde conflitos ou tenta
forçar a presença de pessoas no comitê de gestão que não
merecem a confiança da maioria da população.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
35
Portanto a escolha dos membros do Comitê de Gestão deve ser
feito na base do princípio de sufrágio universal ou seja uma
escolha livre sem pressão e onde cada eleitos corresponde
apenas a um voto e sem poder de influenciar os outros.
Outro aspecto a ter em conta durante a escolha de candidato é
a representatividade das tabancas que fazem parte da
comunidade como também do número de mulheres no Comitê
de Gestão.
Em relação ao número de mulheres no Comitê de Gestão é
necessário estabelecer quotas desde o início, e assegurar que
certas funções sensíveis sejam exercidas por elas.
Durante a escolha dos candidatos assegurar que a opinião dos
dominados seja tida em conta, porque só assim no Comitê de
Gestão os seus interesses estarão representados.
8.5.-A Organização
Comité De Gestão
E
O
Funcionamento
Do
Antes de tudo, para se criar um Comitê de Gestão é necessário
que os promotores tenham problemas comuns a resolver e cuja
solução não esteja ao alcance duma só pessoa. Por exemplo, a
construção ou o equipamento de infra-estruturas sociais de
interesse comunitária (centros de saúde, escola, pontos de
água, etc.) ou a recuperação de áreas de produção agrícolas
(recuperação de bolanhas, vedação de áreas para a horticultura,
etc.).
O engajamento da comunidade na criação dum Comitê de
Gestão deve ser sério, o que significa que antes de se decidir
sobre o mesmo deve-se fazer uma reflexão madura. Pois um
Comitê de Gestão só pode ter sucessos se os promotores:
•
Tiverem um objectivo comum o que puxa os
membros da comunidade a se unirem, o que os puxa a
se organizarem e participarem nas actividades. De
Manuais
36
para o desenvolvemento7.
acordo com os objectivos prosseguidos, serão definidos a
dimensão da organização, os critérios da participação, o
domínio de actividades e as regras de funcionamento,
etc.
•
Aprendem a prever e a gerirem em conjunto, mas
não devemos fazer tudo o que nos viver a cabeça (a
calhar), pois é necessário reflectir sempre sobre os
recursos que nos permitem atingir os objectivos fixados,
tanto ao nível humano como financeiro.
•
Participar na criação e gestão da riqueza- se
quisermos
tirar
proveito
dos
rendimentos
da
comunidade, antes de tudo devemos participar na sua
criação e manutenção. Pois como se trata duma
organização colectiva, todos devem participar na criação
e conservação de bens e reservas colectivas.
•
Estar engajado- uma vez engajada na criação do
Comitê de Gestão é preciso ir até ao fim. O que significa
que devemos participar tanto na geração de bens
comuns como na sua utilização e manutenção.
•
Privilegiar o interesse da comunidade- o Comitê de
Gestão foi criado pela comunidade, por isso ela deve
prioresa o respeito e a satisfação dos interesses da
comunidade.
•
Valorizar os talentos de cada um- ser membro duma
organização comunitária não significa simplesmente por
em conjunto os recursos materiais, mas é também a
valorização e a complementaridade das competências.
•
Assegurar o acesso à informação e a participação de
todos por se tratar duma organização livre criada para o
benefício de todos, cada membro deve estar ao corrente
do que se passa na organização e participar na tomada
de decisões.
Participar nas sessões de informação e capacitações
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
37
Para se participar de maneira consciente (e não manipulada) no
processo de tomada de decisão, é preciso compreender os
problemas e compreender a implicação das nossas decisões. Por
isso devemo-nos informar e se formar, para melhor podermos
fazer face aos problemas que a comunidade encontra.
Organização interna do Comitê de Gestão
Uma vez criado o Comitê de Gestão é preciso reflectir como
organizar a sua vida e como as diferentes partes devem
articular-se para garantir o seu funcionamento.
O dever dos membros duma comunidade
•
Conhecer os problemas as soluções e os objectivos da
comunidade;
•
Respeitar rigorosamente as nossas obrigações;
•
Participar nas reuniões;
•
Executar as actividades implantadas;
•
Não ser um concorrente da comunidade;
•
Participar na criação e gestão dos bens;
•
Depender de maneira activa e consciente os interesses
da comunidade;
•
Exercer o seu direito de voto e de expressão;
•
Assistir as reuniões da assembleia-geral;
•
Pedir informações e dar a sua opinião;
•
Participar nas
capacitação.
sessões
de
sensibilização
Os direitos dos membros duma comunidade
•
Ter acesso aos documentos da gestão;
e
de
Manuais
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para o desenvolvemento7.
•
Ser informado e formado;
•
Beneficiar das vantagens e dos serviços oferecidos ao
nível comunitário;
•
Eleger e ser eleito;
•
Ser respeitado;
•
Emitir o seu parecer (opinião) sobre as grandes questões
da vida da comunidade;
•
Assistir na qualidade de observador as reuniões do
Comitê de Gestão;
•
Assistir as reuniões comunitárias e emitir a sua opinião
sobre os assuntos em debate.
8.6.- O PAPEL DOS MEMBROS DO COMITÉ DE
GESTÃO
O Comitê de Gestão é um órgão colectivo encarregue da
organização e gestão da participação da comunidade numa
determinada
actividade
com
os
seus
parceiros
de
desenvolvimento.
Portanto é uma direcção executiva eleita pela comunidade e
que serve de interlocutor entre a comunidade e os seus
parceiros de desenvolvimento, quer estatais como não estatais.
O seu papel e mandato podem ser resumido como segue:
•
Organizar e gerir a participação da comunidade nas
actividades;
•
Servir de elo de ligação entre a comunidade e os seus
parceiros;
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
39
•
Gerir os recursos postos a disposição da comunidade
pelos parceiros;
•
Prestar contas periodicamente a comunidade e aos seus
parceiros;
•
Seguir e realizar periodicamente os serviços prestados à
comunidade.
•
Organizar e planificar a participação dos membros da
comunidade nas actividades;
•
Criar e apoiar a resolução dos conflitos ligados a
participação dos membros da comunidade nas
actividades;
•
Velar pela qualidade
comunidade;
•
Velar pela manutenção periódica e durabilidade dos
empreendimentos;
•
Fornecer informações claras e exactas à comunidade;
•
Mobilizar a participação e o engajamento dos membros
da comunidade;
•
Reunir-se periodicamente para analisar o estado de
avanço das actividades e propor medidas correctivas
(uma vez por semana).
dos
serviços
prestados
à
Manuais
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para o desenvolvemento7.
Membros do Comité de
Membros do Comité de
Gestão do punto do água
Gestão do punto do água
São responsaveis de:
São responsaveis de:
O bom decorrer das questões relativas ao
O bom decorrer das questões relativas ao
punto de água para que
punto de água para que
da sua gestão resulte um
da sua gestão resulte um
serviço satisfactório e durável
serviço satisfactório e durável
a) Presidente/presidenta
•
Vela pelo bom funcionamento do comitê;
•
Representa o comitê com os parceiros da comunidade;
•
Controla e defende os interesses materiais e morais da
comunidade;
•
Controla e avalia o engajamento transparente dos
recursos mobilizados para a acção;
•
Segue e avalia o engajamento e a participação dos
restantes membros do comitê de gestão;
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
41
•
Organiza a cotização para reparações.
•
Contacta com o mecânico em caso de avaria da bomba.
•
Convoca e preside as reuniões do Comitê de Gestão;
•
Executa ou faz executar a gestão corrente assim como as
decisões da comunidade;
•
Serve de interlocutor nos membros entre a comunidade
e o comitê (quinzenalmente).
b) Secretário/Secretaria
•
O Secretário ou secretaria ajuda à organização a
memória colectiva do Comitê e na organização da vida
quotidiana do mesmo. Ele regista as decisões e a sua
aplicação, apoia na redacção de relatórios, bem como da
organização e gestão das correspondências.
•
Redige as actas das reuniões do Comitê de Gestão;
•
Prepara e gere as correspondências que são assinadas
pelo presidente;
•
Envia as convocatórias das reuniões do Comitê de
Gestão da comunidade, bem como com outros parceiros;
•
Actualiza a lista dos membros (participantes) e de todos
os documentos administrativos;
•
Recenseia as necessidades e prepara as solicitações (ou
a encomenda);
•
Actualiza os documentos de actividades;
•
Redige as actas de todas as reuniões do Comitê de
Gestão com os seus parceiros e com a comunidade.
c) Responsável de Limpeza
•
Planifica as actividades de limpeza semanalmente.
Manuais
42
para o desenvolvemento7.
•
Planifica as actividades
quinzenalmente.
de
limpeza
dos
paineis
•
Organiza a participação da comunidade e mobiliza os
recursos materiais necessários para a realização das
actividades de limpeza das instalações e infra-estruturas
comunitárias.
•
Registra a través do secretario as actividades de limpeza
realizadas e os participantes nas mesmas.
•
Informa-se
sobre
as
eventuais
dificuldades
de
participação de alguns membros da comunidade nas
equipas de trabalho de limpeza.
•
Está em contacto com os promotores de higiene da
comunidade.
•
Participa nas actividades de sensibilização.
d) Responsável de Manutenção
•
Realiza as revisões periódicas do estado das equipas,
bombas, própria infra-estrutura, paineis, assim como
elementos da mesma, (portas, redes mosquiteiros, etc.)
•
Realiza uma manutenção básica preventiva das equipas.
Para isso, recebe uma formação técnica especifica para a
realização desta tarefa.
•
Junto com o Presidente, mobiliza na comunidade os
recursos econômicos necessários para a reparação em
caso de avaria.
•
Organiza e mobiliza os recursos materiais e humanos
necessários para a realização das reparações e correções
necessárias.
•
Registra as actividades de manutenção preventiva e
reparação correctiva realizadas para seguimento do
funcionamento do equipo ou da infra-estrutura.
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
•
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Controla e custodia o armazenamento dos materiais ou
equipos necessários tanto para as construções como
para as tarefas de manutenção.
e) Tesoureiro/a : Responsável
contabilidade do comité de gestão.
pelas
finanças
e
•
Organizar a quotização dos usuarios/as;
•
Proceder cobrança
usuarios/as;
•
Guardar receitas e realizar despesas de acordo com as
instruções emanadas e arquivar justificativos dos
mesmos;
•
Revelar com sinceridade e honestidade os gastos feitos
durante cada actividade se necessário for;
•
Vela pela
usuários;
•
Recebe a recaudação diáriamente / semanalmente /
mensalmente da mão do Cobrador ou Cobradora do
ponto de água;
•
Administra os fundos das recaudações e contribuições
para o fornecimento dos serviços. Por exemplo,
pagamentos aos técnicos que trabalhen nas possiveis
avarias, etc.
•
Junto ao Presidente ou Presidenta, vão firmar
documentos contáveis de ingresos e despesas;
•
Fazer e apresentar à Asambleia os seguines documentos:
•
Estado da conta;
•
Balance
económico
de
ingresos
mensalmente/semestral/anual;
e
recaudação
recolha
dos
da
serviços
quotização
prestados
e
dos
aos
os
despesas
Manuais
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para o desenvolvemento7.
•
Manter a custódia do inventário de bens e serviços
pertenecentes à Junta Administradora;
•
Receber e entregar prévio inventário, libros contaveis,
fundos e tudo ao seu cargo se fora precisso;
f) Conselheiro/a: Aconselhar a equipa de comité de
gestão na execução eficiente e eficaz das suas funções.
•
Solicitar encontro de concertação junto do presidente
para avaliar o desempenho do comité de gestão;
•
Não veicular junto da equipa de comité de gestão e a
comuniadade as informações que tenha conhecimento
das veracidades dos facto;
•
Zelar sempre para uma coesão sã e legitima dentre os
elementos da comité de gestão;
•
Mediar nos conflitos para uma resolução eficiente;
•
g) Animador/A: Informar as datas da realização das
actividades, dinamizar e sensibilizar o cumprimento das
actividades;
•
Sensibilizar e dinamizar os membros da comité de gestão
para participação nas actividades do projecto;
•
Veicular as técnicas e os conhecimentos adquiridos em
cada actividade;
•
Informar as datas de reuniões, horas e local da sua
realização;
•
Informar e difundir das actividades do projecto;
8.7.- AS REUNIÕES DO COMITÉ DE GESTÃO
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
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Um Comitê de Gestão que quer desenvolver-se tem que apostar
em reuniões regulares dos seus membros, sobretudo no início
do seu funcionamento. Essas reuniões são extremamente
importantes para a vida do comitê e permite aumentar a
comunicação no seio dos seus membros, para se evitar
possíveis equívocos e mal entendidos.
Além das reuniões internas do Comitê de Gestão, ele deve
reunir-se regularmente com a comunidade em geral, com o
objectivo de
informar sobre o estado de avanço das actividades e
eventualmente procurar soluções consensuais para os
problemas.
Algumas reuniões são de carácter meramente operacionais e
técnicas, por isso não devem ser extensivas a todos os
membros da comunidade. Pois, a falta de informação não é boa
porque cria desconfiança no seio dos membros, mas o excesso
da informação também é prejudicial para ela.
8.8- O PROCESSO DA TOMADA DE DECISÃO
Um Comité de Gestão que quer evoluir tem que respeitar os
princípios democráticos e as regras de partilha dos poderes.
Um Comité de Gestão democrático é aquele que procura
implicar maior número de membros possíveis no processo de
tomada de decisão e que respeita a vontade da maioria. Pois,
quanto maior for o envolvimento dos membros na procura de
solução, mais hipótese de sucessos quanto a aplicação das
decisões tomadas haverá.
Um Comité de Gestão durável é aquele que respeita as regras
de partilha do poder. Ou seja, cada membro deve respeitar as
Manuais
46
para o desenvolvemento7.
suas contribuições, saber onde é que elas começam e onde é de
acabam e quais as contribuições dos outros membros.
Em geral para que as coisas funcionam, a separação dos
poderes deve ser rigorosamente respeitada, sem manipulações,
nem ambiguidade. Ou seja, podemos apoiar os nossos colegas
em caso de dificuldades, mas nunca tentar substituí-los. Se isso
vier a acontecer é porque nós estamos a contribuir para destruir
o nosso Comité de Gestão que tanto sacrifico nos custou.
8.9- A NECESSIDADE DA COMUNICAÇÃO
Para que o trabalho comunitário avança, temos que fazer ênfase
na comunicação, na responsabilização e na prestação de contas.
Esta é uma das funções do Comitê de Gestão e dos parceiros de
desenvolvimento que trabalham com a comunidade.
Neste sentido, os parceiros e o Comitê de Gestão de têm a
tarefa de animar e sensibilizar a comunidade com vista a
mudança ou reforço de comportamentos, atitudes e práticas
sobre um determinados assunto.
Assim, os membros do Comitê de Gestão dos parceiros de
enquadramento
que
trabalham
na
comunidade
são
considerados no bom sentido da palavra como animadores
comunitários. Por isso é fundamental que eles estejam
familiarizados com algumas técnicas de animação
Sugere-se, no entanto, a seguir algumas etapas de animação
nas comunidades, sem, sermos exaustivos:
a) Preparação
•
Marcar encontro com o grupo-alvo;
•
Informar as autoridades locais;
Manual Didático sobre técnicas de purificação de água
47
•
Prever um tema simples e único e evitar de tratar vários
assuntos ao mesmo tempo;
•
Definir os objectivos do tema;
•
Preparar previamente o material necessário (cartazes e
desdobráveis, etc.);
•
Planificar o horário mais conveniente para a comunidade;
•
Escolher e organizar um espaço calmo e suficiente;
•
Prever uma apresentação de 15 ou 20 minutos;
•
Prever alguns minutos para uma pequena discussão.
b) No momento da sessão
•
Chegar muito cedo e concertar-se com os responsáveis
que irão dirigir a reunião;
•
Acolher e instalar os convidados;
•
Cumprimentar o auditório;
•
Estabelecer um clima apropriado;
•
Apresentar-se e apresentar os outros se necessário;
•
Introduzir o tema/assunto;
•
Pedir a opinião do auditório sobre o tema;
•
Desenvolver o tema segundo o método escolhido e com
mensagens claras;
•
Recolher a experiência e as opiniões do auditório;
•
Dissipar os rumores;
•
Reforçar os conhecimentos;
Manuais
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para o desenvolvemento7.
•
Sustentar
as
audiovisuais;
informações
através
de
•
Fazer a síntese;
•
Agradecer os presentes por terem participado;
•
Encerrar a sessão;
•
Fixar um novo encontro.
suportes
c) Depois da sessão
•
Sessão de avaliação com reflexão e feed-back pelos
colegas;
•
Guardar os materiais de apoio;
•
Preencher a ficha técnica de animação;
•
Rever o plano de trabalho se necessário;
•
Redigir o relatório da sessão.
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