A RELAÇÃO PRINCIPAL-AGENTE
NOTAS DE AULA
Prof. Giácomo Balbinotto Neto
ECONOMIA DOS RECURSOS HUMANOS
UFRGS
Bibiografia Recomendada
Holmstrom (1979)
*MS & PC (2001, caps. 2 e 3)
Bolton & Dewatripont (2005, cap.1 & 4)
Salanié (2005, cap. 5)
*Ricketts (1986)
*Molho (1997, parte 3)
*MWG (1995)
2
A teoria econômica dos
teoria dos contratos
Over the course of the past thirty years, the “contract”
has become a central notion in the economic analysis,
giving rise to three principal fields of study:
“incentives”, “incomplete contracts” and “transaction
costs”. This opened the door to a revitalizatioon of our
understanding of the operation of market economies ...
and of the practioners’s “toolboox”.
Brousseau & Glachant (2002, p.2)
3
A teoria econômica dos
teoria dos contratos
Para um economista, um contrato é um acordo
sob o qual duas partes fazem comprometimentos
recíprocos em termos de seu comportamento –
um arranjo bilateral de coordenação.
Brousseau & Glachant (2002, p.3)
4
A origem da teoria dos contratos
Salanié (2005, cap.1)]
[cf.
Segundo Salanié (2005, cap.1) a moderna teoria dos
contratos surge no início da década de 1970 como uma
crítica a teoria do equilíbrio geral.
5
A origem da teoria dos contratos
[cf. Salanié (2005, cap.1)]
Críticas:
- restrições ao comportamento estratégico dos indivíduos;
- a interação entre os agentes se dá somente através do
sistema de preços;
- ausência de instituições e organizações que governam as
relações econômicas;
- as firmas são modeladas como sendo apenas um conjunto de
produção – é difícil explicar as firmas dentro de um modelo de
equilíbrio geral, pois todas as interações têm lugar através do
sistema de preços nestes modelos.
6
A origem da teoria dos contratos
[cf. Salanié (2005, cap.1)]
- os modelos de equilíbrio geral desconsideravam os
problemas de assimetria informacional.
Contudo, segundo Salanié (2005), as assimetrias de
informação são penetrantes nas relações econômicas:
os consumidores sabem mais sobre seus gostos do que
as firmas; as firmas sabem mais sobre os seus custos
do que o governo e todos os agentes tomam ações que
são, em parte, não observáveis.
7
Quando uma situação pode ser
caracterizada como sendo de moral hazard?
[cf. Salanié (2005, p.119)]
-
-
-
Quando o agente toma uma decisão (uma ação) que
afeta a sua utilidade e a do principal;
Quando o principal somente observa o resultado, um
sinal imperfeito da ação tomada;
A ação que o agente iria escolher espontaneamente
não é Pareto-ótima.
Visto que a ação não é observável, o principal não pode
forçar o agente a uma ação que é Pareto-ótima. Ele
somente pode influenciar a escolha da ação pelo agente
condicionado a utilidade do agente a única variável que
é observável: o produto.
8
A teoria dos contratos sob
informação assimétrica
A teoria dos contratos e, de um modo mais
geral, o que é chamado de economia da
informação, são instrumentos e ferramentas
analíticas usados para analisar e explorar as
implicações referentes a economia das
informações assimétricas.
9
A teoria dos contratos sob
informação assimétrica
A teoria dos contratos sob informação
assimétrica é uma teoria que analisa as
características de contratos ótimos e das
variáveis que influenciam estas características,
de acordo com o comportamento e as
informações das partes no contrato.
10
A teoria dos contratos sob
informação assimétrica
O objetivo da teoria dos contratos sob informação
assimétrica é identificar as características da relação
contratual, especialmente aquelas relevantes para a
distribuição da informação que pode ser relevantes para
analisar o formato do contrato que correspondem a cada
situação em particular.
Um dos mais importantes objetivos da economia da
informação é a de caracterizar os contratos ótimos entre
o principal e o agente.
11
A teoria dos contratos sob
informação assimétrica
Segundo MS & PC (2001, p.20), um contrato é um
documento que especifica as obrigações dos
participantes e as transferências que devem ser feitas
sob diferentes contingências.
Um contrato é uma promessa confiável feita por ambas
as partes na qual as obrigações de cada uma, para todas
as possíveis contingências são especificadas.
Os contratos incluem os mecanismos de pagamento sob
as quais o agente será compensado.
12
A teoria dos contratos sob informação
assimétrica – a verificabilidade das variáveis
A fim de que um contrato seja válido, ambas as
contingências e os termos do contrato devem ser
verificáveis.
Uma variável é verificável quando o seu valor é
observável e pode ser provado ante uma corte
de justiça.
13
A teoria dos contratos sob informação
assimétrica – a verificabilidade das variáveis
É muito importante que um contrato seja baseado
somente sobre variáveis observáveis (que possam ser
medidas, verificadas por uma terceira parte).
Em outras palavras, os termos de um contrato somente
podem depender de variáveis que podem ser checadas
por um árbitro independente, visto que isto garante o
pleno cumprimento do contrato.
14
A teoria dos contratos sob informação
assimétrica – a verificabilidade das variáveis
O uso de variáveis verificáveis no contrato
permite que ambas as partes apresentem um
caso as cortes com uma prova da quebra ou do
não cumprimento do contrato a fim de que a
ordem de demanda seja plenamente cumprida.
15
Economia da Informação
[cf. Milgrom (1985)]
contrato
Pré-contratual
Pós-contratual
Seleção adversa
Moral Hazard
Sinalização
Contratos
Screening
Incentivos
16
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
- nós assumimos existir uma relação bilateral na
qual uma parte contrata uma outra para realizar
algum tipo de ação ou tomar algum tipo de
decisão;
- nós nos referimos ao contratante como sendo
o principal e o contratado como sendo o agente;
17
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
- o objetivo de um contrato é que o agente execute as
ações de interesse do principal;
- o contrato firmado por ambas as partes irá especificar
os pagamentos que os principais irão passar aos
agentes;
18
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
- aqui é assumido que será sempre o principal que
estrutura o contrato e, então o oferece ao agente, que
após ter estudado os termos do mesmo, deve decidir
se o assina ou não;
- o agente irá aceitar o contrato proposto pelo principal
sempre que a utilidade obtida for maior do que a
utilidade que o agente iria obter se não assumisse o
contrato. Nós nos referimos a este nível de utilidade
como utilidade reserva;
19
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
Nós excluímos, aqui, a situação na qual o agente faz
uma contra-proposta ao principal, pois caso contrário,
teríamos uma barganha bilateral.
Portanto, assumimos existir uma situação na qual o
principal tem todo o poder de barganha e é este que
decide sobre os termos de contrato e da relação
contratual, enquanto o agente limita-se a aceitar ou não
os termos oferecidos no contrato;
20
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
- se o agente não assina o contrato, a relação não
ocorre e o problema acaba;
- se o agente aceita a oferta contratual, ele deve tomar
ações para a qual ele for contratado.
21
Situações Típicas de uma
Relação Agente-Principal
Principal
Agente
Litigante
Advogado
Acionista (Shareholder)
CEO
Administrador
Subordinado
22
Problemas de Agência
Principal fica com o valor criado pelo agente
menos o pagamento feito ao agente.
O agente considera o seu pagamento menos o
esforço feito para gerar o benefício para o
principal.
O conflito surge se não há um mecanismo para
alinhar os interesses das duas partes.
23
Mecanismos para resolver
os conflitos de agência

Há vários mecanismos usados para alinhar os interesses
dos empregados com os do empregador:






Bônus;
Aumentos salariais;
Profit sharing
Stock options;
Promoções futuras;
Demissão.
24
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
P estrutura um
contrato
A aceita
(ou
rejeita)
A oferta um esforço
não verificável
Resultado e payoffs
N determina o
estado do mundo
25
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
alto
aceita
A2
P
N
baixo
A1
Esforço não observado
rejeita
contrato
26
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
Principal
Bom
Agente
Alto
Processo
Esforço
Resultado
Baixo
Ruim
Eventos aleatórios
27
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
Dos elementos acima, podemos ver que o objetivo do
agente está em conflito com o do principal.
O custo para um é a receita do outro: o salário pago é
uma renda para o agente e um custo para o principal,
enquanto o esforço do agente favorece o principal, mas
é caro para o agente.
28
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC (2001, cap.2)]
os pressupostos da análise
O problema de principal-agente é um tipo de problema
que envolve um esforço que não pode ser monitorado e
medido pelo principal e, portanto, não pode ser
diretamente recompensado.
A solução para este tipo de problema, como veremos,
está em se requerer algum tipo de alinhamento de
interesses de ambas as partes [principal e o agente].
29
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
Os proprietários de uma firma são os acionistas que
adquiriram ações como um investimento ou
simplesmente investidores que adquiriram participações
em fundos mútuos ou pensionistas que investiram em
firmas.
A maioria dos investidores está interessada na
maximização do valor se seus investimentos, o qual se
traduz na maximização de suas renda [valor da ação e
dividendos].
30
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
É razoável assumirmos os administradores estão
interessados no desempenho da firma visto que sua
reputação será influenciada pelos altos lucros da firma e
por um aumento no preço das ações.
Assim, se tanto os administradores quanto os acionistas
preferissem o mesmo resultado, eles iriam partilhar dos
mesmos interesses. Se este fosse o caso, o problema de
agente principal iria desaparecer e nós iríamos concluir
que os incentivos estavam alinhados e que eles iriam agir
no melhor interesse dos acionistas, pois o que seria bom
para um seria bom para o outro, também.
31
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
O problema é que os administradores podem
ter outros objetivos em mente que não somente
maximizar o valor da empresa.
Que outros objetivos seriam estes?
32
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
a) minimização do esforço;
b) maximização da segurança do emprego;
c) evitar a falência;
d) aumentar a sua reputação enquanto administrador;
e) aumentar suas oportunidades de emprego;
f) consumo de mordomias [perquisites] e o uso e ativos;
g) pagamentos;
h) horizonte.
33
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998, p. 15-16)]
a) esforço – os administradores podem exercer um
esforço muito menor do que as expectativas dos
stockholders, uma vez que os administradores não
possuem a propriedade da companhia.
Maiores lucros geralmente dependem de um maior
esforço, mas como obter maior esforço se os lucros
resultantes do maior esforço vão para os acionistas e
não para os administradores?
34
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
b) maximização da segurança do emprego – muitas
decisões envolvem riscos, mas que, também estão
acompanhados por elevados retornos. Os executivos
podem estar desincentivados da fazer escolhas
arriscadas que podem colocar em risco seus empregos
e cargo.
Os executivos tem sua riqueza concentrada no sucesso
e sobrevivência da empresa e, deste modo, seriam
muito mais avessos ao risco do que os acionistas que
podem diversificar com maior facilidades e menores
custos sua riqueza.
35
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
c) evitar a falência – os executivos podem ser
remunerados pelo bom desempenho e penalizados por
maus resultado. Se projetos arriscados são
implementados, eles serão recompensados se os
resultados forem favoráveis e penalizados e sua reputação
“arranhada” se eles forem desfavoráveis.
Assim, geralmente os executivos acreditam que os maus
resultados são muito mais noticiados e têm maiores
repercussões do que os bons resultados, o que os faz
excessivamente cautelosos e não inclinados a correr
riscos.
36
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
d) melhorar a reputação enquanto executivo - Fama
(1980) argumentou que o mercado de trabalho gerencial
pode ajudar a controlar os problemas de agência através
de um processo no qual é avaliado o seu desempenho
passado.
A idéia aqui é que se o desempenho corrente afeta as
oportunidades de emprego futuro, o administrador
(agente) têm um incentivo para refrear a busca do autointeresse as custas dos acionistas (stockholders).
37
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
e) aumentar as oportunidades de emprego – Fama e
Jensen (1983) aplicaram a noção de mercado de
trabalho externo para os diretores e argumentaram que
quanto maiores forem as considerações sobre sua
reputação no mercado de trabalho, mais vigilantes eles
irão ser nas atividades de monitoramento, reduzindo os
problemas de agência.
38
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998, p. 17-18)]
f) consumo de mordomias – [cf. como exemplo
Barbarians at the Gate] – os executivos podem alocar os
bens e recursos da empresa de forma indevida e que
não geram aumento de valor para a firma (jatinhos,
escritórios luxuosos, staff numeroso, obras de arte,
doações de caridade, emprego de parentes ou pessoas
favorecidas etc.)
As mordomias podem gerar utilidade para o
administrador, mas aumentam os custos e reduzem o
payoff líquido dos acionistas.
39
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
g) pagamentos – os administradores trabalham por
pagamentos e, com nós veremos, tanto o nível como a
estrutura dos pacotes de compensação tornam-se uma
parte importante da teoria do agente-principal.
40
Exemplo de problema principal-agente: acionistas e
administradores [cf. Byrd et al (1998, p. 16)]
h) horizontes temporal - os executivos tendem a ter
um horizonte de prazo muito menor para realizar os
resultados de seus investimentos do que os acionistas,
visto que para eles a firma teria uma vida infinita,
enquanto que para os executivos a permanência na
firma é finita. Em outras palavras os executivos e os
acionistas possuem diferentes taxas de preferência
intertemporal.
Um exemplo deste problema são as decisões sobre
quanto a firma deveria investir em pesquisa e
desenvolvimento.
41
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998, p. 17-18)]
Os custos de agência podem resultar do mau uso ou do
consumo pessoal dos ativos da firma pelos
administradores. Visto que um administrador típico faz
face somente a uma parte dos custos de tais gastos,
mas recebe todos ou a maior parte dos benefícios, os
administradores tem fortes incentivos para alocar
recursos em mais mordomias do que os acionistas iriam
desejar.
42
Exemplo de problema principal-agente:
acionistas e administradores
[cf. Byrd et al (1998)]
Isto os levaria a adotar ações que visassem os lucros e as
medidas de desempenho de curto prazo que afetassem
sua remuneração e não os interesses de longo prazo dos
acionistas. Em outras palavras os executivos e os
acionistas possuem diferentes taxas de preferência
intertemporal.
Indústrias na qual os ciclos de desenvolvimento do
produto são longo ou envolvem algum tipo de segredo
são muito vulneráveis a este tipo de problema.
43
O conflito principal-agente
e sua resolução
PRINCIPAL
AGENTE
MECANISMOS DE
GOVERNANÇA
DESEMPENHO
CONTROLES
EXTERNOS
44
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal-agente
a) externos
Mecanismos
que reduzem os
problemas de
principal agente
b) internos
1)
Mercado de aquisição
hostil
2)
Mercado de trabalho
competitivo para
executivos
3)
Relatórios contábeis
fiscalizados externamente
1)
Conselho de
administração
2)
Sistema de remuneração
3)
Estrutura de propriedade
45
Mecanismos que reduzem
os problemas de principal agente
1) mercado de aquisição hostil - (takeover treats) –
segundo Molho (1997, p.126), este mecanismo está
relacionado com o conceito de mercado de controle
corporativo no qual equipes de administradores
competem pelo direito de controlar a firma.
Equipes de executivos eficientes são aquelas que
maximizam o valor dos acionistas e substituem as
ineficientes.
46
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
Assim o valor de mercado da empresa atrai a atenção de
compradores potenciais que acreditam que podem
realizar lucros na aquisição da empresa, modificando sua
estratégia, melhorando a alocação dos recursos e
eficiência operacional e eliminando desperdícios – enfim
aumentando o valor da firma para os acionistas.
Se este mercado existir e funcionar, os administradores
irão trabalhar duro para não serem substituídos e
perderem seus empregos.
47
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
2) mercado de trabalho competitivo para executivos – o
desempenho dos executivos na companhia atual pode
afetar as oportunidades futuras de emprego em outras
firmas ou conselhos. Isto cria um incentivo para que os
administradores aumentem o valor da firma para os
acioniostas e limitem o comportamento oportunista
(self-serving). Este argumento foi desenvolvido
originalmente por Eugene Fama (1980).
48
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
Fama e Jensen (1983) aplicaram a noção acima ao
mercado de trabalho para os diretores externos e
argumetaram que quanto mais os diretores externos
estejam preocupados com suas reputações no mercado
de trabalho (porque eles desejam mais prestigio e poder
numa outra instituição), mais vigilantes eles irão exercer
suas posições e atividades de monitoração.
[Para evidêcias empíricas, confira Gilson (1989), Canella,
Fraser & Lee (1995), Kaplan & Reishus (1990)]
49
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal-agente
3) relatórios contábeis fiscalizados e transparentes
(disclousure)
Transparency and disclosure are integral to corporate governance.
Higher transparency and better disclorure reduce the information
asymmetry, between a firm’s management and financial
stakeholders – equity and bond holders, mitigating the agency
problems in corporate governance.
Patel, Balic & Bwakira (2002, p.326)
50
Por que a Transparência
Contábil é Importante?
Escândalos
Corporativos
51
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal-agente
Disclosure laws are part of the fundamental legal foundation of financial
markets. The purpose of a disclorure law is to make issuers of securities
criminally liable for commiting fraud by withholding fact that are material
to the pricing of their securities. In absence of credible penalties for failing
to disclore material facts, investitors will be wary od issuing firms and will,
therefore pay less for securities issues. This is an unecessary component of
the normal adverse selection discount (or lemon discount) on securities
issues discussed ... Obviously, them, discloruse rules do not mainly benefit
investitors (who, on average, receive an expected return commensurate
with risk, including risk of fraud), but rather help good firms to credibly
signal that they are good. When the law fails to provide penalties for
fraudulent disclosure, it makes the cost of capital for good firms
unnecessarilly high.
Bein & Calomiris (2001, p. 218)
52
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal-agente
A regulamentação do governo para aumentar a
informação – o governo tem um incentivo para tentar
reduzir o problema de moral hazard criado pela
informação assimétrica.
Todos os governos têm leis para forçar as firmas a
aderirem a princípios de contabilidade padrões que
facilitam a verificação de lucros.
- princípios contábeis para verificação dos lucros;
- leis contra fraudes;
53
O controle dos problemas de moral
hazard – mercado financeiro
A regulamentação do governo para aumentar a
informação – o governo tem um incentivo para tentar
reduzir o problema de moral hazard criado pela
informação assimétrica.
Todos os governos têm leis para forçar as firmas a
aderirem a princípios de contabilidade padrões que
facilitam a verificação de lucros.
- princípios contábeis para verificação dos lucros;
- leis contra fraudes;
54
A Hierarquia das Fontes de Financiamento e os
Problemas de Assimetria de Informação
Venture Capital
Firmas jovens, pouco conhecidas no
mercado, com poucos ativos tangíveis
e projetos arriscados.
Bancos
Firmas já estabelecidas no mercado,
relativamente conhecidas, com ativos
tangíveis e projetos indivisíveis.
Mercados de Capitais
Firmas maduras, com grandes ativos,
histórico de crédito estabelecido.
55
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
4) Conselho de administração - têm a função de
representar os interesses dos acionistas e cuja
responsabilidade primeira seria a de ratificar ou aprovar
as decisões gerenciais tomadas pelos pelos executivos e
monitorar a implementação de suas decisões
[cf. Fama & Jensen (1983)].
56
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
5) estrutura de propriedade (posse de ações pelos
gestores e conselheiros) - quando o agente (executivo)
possuir uma fração significativa de sua riqueza como
ações da firma, ele estaria mais comprometido em
trabalhar duro e alinhado com os interesses dos
acionistas, bem como tendo um horizonte muito maior
de investimentos e na tomada de decisões quanto aos
investimentos arriscados;
57
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
Vários estudos empíricos, principalmente para os EUA,
idicaram existir uma relação positiva entre a propriedade
de ações pela alta administração e o desempenho da
firma. Entretanto, tal relação náo e monotônica.
[cf. Morck, Schleifer & Vishny (1988), Hermalin e
Weisbach (1991), e McConnell e Servaes (1990); Kaplan
(1989) e Smith (1990]
58
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
6) sistema de remuneração e compensação - os
contratos de incentivo e remuneração são mecanismo
que buscam alinhar os interesses dos executivos e dos
acionistas, especialmente quando os executivos tomam
muitas decisões cujo custo de monitoração, medição e
desempenho são de difícil execução por parte dos
acionistas e do conselho de administração.
59
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
[cf.Byrd et. al(1995,p. 19)]
Compensations contracts are a crucial mechanism for aligning the
interests of managers and stockholders. An effective compensation
contract will provide managers with incentives, at the lowest possible
costs to stockholders, to make the decisions that stockholders would
prefer them to make. Effective contracts are specially important in
firms where managers make a lot of decisions that cannot be easily
monitored by the board or investors. For example, monitoring the
identifications and development of new products or markets is
inherently more difficult than monitoring the management of projects
that are already in place. Managers of rapidly growing firms tend to
have more opportunities to make poor decisions or to take self-serving
actions than do managers of mature firms. A lack of timely reliable
information makes evaluating the quality of managerial decisions in
growing firms difficult.
60
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal agente
Componentes
básicos de um
sistema de
Remuneração
Por incentivos
1) Salário base;
2) Bônus atrelado ao desempenho;
contábil;
3) Stock options;
4) Planos de incentivos de longo prazo
baseados na contabilidade em vários
anos
61
Mecanismos que reduzem os
problemas de principal-agente
Hall e Liebman (1998) encontraram fortes evidências
entre a compensação de executivos [CEO – Chief
Executive Officer] e o desempenho das firmas.
Segundo Jensen & Murphy (1990), para cada $1.000 de
mudança na riqueza dos acionistas, o salário dos CEOs
se altera em torno de 2 centavos.
62
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
o problema do principal
O problema principal-agente refere-se a uma classe
especial de problemas onde o bem-estar de um (o
principal) depende das ações de outro (agente) no qual
o esforço (realizado pelo agente) não pode ser
monitorado e medido pelo principal, e portanto, não
pode ser diretamente compensado.
63
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] –
os pressupostos da análise do problema do principal
As soluções deste problema, como veremos, irão requerer
algum alinhamento de interesses das duas partes.
Deste modo, mesmo se o principal não puder ver, medir
ou monitorar o que o agente estiver fazendo, o principal
ainda pode se assegurar do que é bom e desejável para o
agente e para o principal.
64
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- no problema de agente principal, assumimos aqui que
há apenas dois indivíduos na economia: (i) o acionista
que é o proprietário legal da firma e (ii) o
administrador, que tomas as decisões que fazem a
firma funcionar no “dia a dia”.
O acionista é o principal e o administrador é o agente.
65
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
O problema de moral hazard surge no contesto de
principal-agente porque o principal não pode observar as
ações tomadas pelo agente – neste caso, ele não pode
observar o esforço que o agente coloca no trabalho.
O acionista (o principal) somente observa os lucros
brutos da firma. O acionista fornece ao administrador
um pacote de remuneração em retorno ao esforço de
ele tocar a firma para ele e fica com o que é deixado dos
lucros brutos.
66
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- a relação bilateral entre os agentes: aqui, nós iremos
considerar uma relação bilateral na qual os participantes
(o agente e o principal) estabelecem uma relação
através de um contrato.
- a relação entre o principal e o agente permite que
seja obtido um resultado cujo valor monetário será
referido como sendo igual a x.
- X é o conjunto de todos os resultados possíveis, isto é,
X = { x1, x2,..., xn}.
67
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- o resultado final obtido depende do esforço que o
agente dedica a tarefa, a qual iremos denotar por (e),
além de uma variável aleatória(va) para os quais ambos
os participantes tem a mesma distribuição a priori.
Yi = f (ei,va)
68
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- visto que os resultados (Yi) dependem não somente do
esforço do agente mas também de um componente
aleatório, o resultado (Xi) é também uma variável
aleatória.
69
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- se o conjunto de resultados é finito, então nós podemos escrever
que a probabilidade dos resultados xi como sendo condicionados
ao esforço realizado pelo agente, isto é:
P [x = xi/e] = pi (e) para todo o i  {1, 2 , ... , n}
n
Se X = {x1,x2,...,xn} temos que

pi (e) = 1
i= 1
É assumido que pi(e) > 0 para todo ei.
70
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- É assumido, no modelo básico, que tanto o agente
como o principal tem a mesma informação referente ao
componente aleatório que afeta os resultados.
Isto significa que ambos tem a mesma distribuição a
priori sobre o conjunto de possíveis resultados ou
estados da natureza. Portanto, a informação que ambos
possuem é estabelecida é a mesma para cada um
deles.
71
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- visto que existe incerteza no modelo, nós devemos
considerar como os participantes reagem ao risco.
As preferências com relação ao risco são expressas por
suas funções de utilidade.
Aqui, nós usamos o conceito de utilidade esperada, ou
em outras palavras, nós assumimos que a função de
utilidade é do tipo VNM.
72
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- o principal é o contratante. Ele recebe toda a
produção e deve pagar ao agente pelo esforço que este
aloca na produção e na tomada de decisão.
B () – é a função utilidade do principal, a qual
representa as suas preferências.
73
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- o objetivo do principal é a de maximizar os lucros de
sua firma;
- o comportamento do principal depende de sua função
utilidade, B (x - w), onde:
x = é o produto observável;
w = é o pay-off do agente.
B’ > 0 e B’’ < 0 – estas hipóteses implicam que a
função utilidade do principal é crescente e côncava.
74
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- A função de lucros B () não depende diretamente do
esforço do agente (ou do estado da natureza), mas
somente do resultado da tarefa que o agente que foi
contratado.
75
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
- o agente recebe um resultado monetário líquido por
sua participação na relação e ele oferta um esforço o
qual implica algum custo para ele. Assumimos que a
função utilidade do agente é aditiva e separável. Um
grande esforço significa um grande desutilidade. É
assumido também que a desutilidade não é decrescente,
portanto, temos que:
U (w, e) = u(w) – v(e)
u’ (w) > 0 v’(e) > 0 ; u’’ (w) > 0
v’’(e)  0
76
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
O conflito de interesses entre o principal e o agente
Dadas as funções objetivo do principal e
do agente, vemos que há um conflito de
interesses entre o principal e o agente.
77
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
O conflito de interesses entre o principal e o agente
O conflito entre o agente e o principal é devido a três
elementos básicos:
1) enquanto o principal está interessado no resultado, o
agente não está diretamente preocupado com este
aspecto;
2) o principal não está diretamente interessado no
esforço, mas o agente está, pois ele é caro [(v(e)];
3) existe a idéia de que quanto maior for o esforço.
78
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
O conflito de interesses entre o principal e o agente
O contrato é um meio pelo qual o principal e o agente
podem conciliar os seus objetivos divergentes e tornalos compatíveis.
Assim, o salário [w] que o principal paga ao agente, o
compensa pelo esforço que o principal demanda. Deste
modo, parte do que o principal ganha “acaba no bolso
do agente”;
79
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
a utilidade reserva (p.20)
Aqui assumimos que o principal oferece ao agente um
contrato e que os termos do mesmo não estão sujeitos
a uma barganha. A única alternativa aberta ao agente é
aceitar ou rejeitar o contrato pelo principal;
Se ele rejeitar o contrato oferecido pelo principal, ele
terá que considerar as outras oportunidades que o
mercado lhe oferece. Estas outras oportunidades por
comparação, determinam o limite para a participação
no contrato.
80
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
a utilidade reserva (p.20)
A utilidade esperada que as oportunidades externas
oferecem ao agente é o que nós denominamos de
utilidade reserva e é denotada por Ur;
Se o contrato permitir ao agente ganhar ou obter uma
utilidade esperada que não seja menor do que a sua
utilidade reserva, ele aceita o contrato e oferta um
determinado esforço (e). Neste caso, o principal e o
agente estarão ligados por uma união legal que é o
contrato (que nada mais é do que uma lei entre as
partes contratantes);
81
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
contratos com informação simétrica – modelo básico
Nos contratos com informação simétrica é assumido
que toda a informação relevante é verificável tanto
pelo agente como pelo principal e que ambos possuem
o mesmo conjunto de informações relevantes antes e
depois do contrato.
82
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
o problema do principal
O problema do principal é o de estruturar um
contrato no qual o agente irá aceitar uma
situação na qual ambos tem a mesma
informação.
83
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
o problema do principal
O resultado da relação entre o principal e o agente é
uma variável aleatória e que o contrato pode depender
de todas as variáveis observáveis.
Neste contexto, o principal deve decidir tanto o esforço
(e) requerido do agente como os salários que ele deverá
pagar ao agente {w(xi)}i=1,...,n de acordo com os
resultados alcançados.
84
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
o problema do principal
O principal deve ofertar ao agente um contrato que seja
aceitável pelo agente, dado o esforço demandado, e
então, escolher, entre os contratos que obtenha o
esforço desejado, aquele que seja o de menor custo.
85
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Probabilidade de ocorrer
 pi (e) B [xi – w(xi)]
Max
[e, {w(xi)}i=1,..., n]
Esforço
desejado
s.a
Condição de
participação
o esforço
n
Contrato
i=1
n
 pi (e) U [w(xi)] – v (e)  Ur
i=1
Utilidade reserva
86
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
o problema do principal
O problema estabelece que o principal maximiza o
excedente que ele obtém da relação, sob a restrição
de que o agente está disposto a aceitar o contrato.
Esta condição é conhecida como condição de
participação.
Aqui, visto que assumimos que há informação
simétrica, temos que o principal pode medir e
verificar o esforço do agente, dado que (e), o
esforço, é verificável.
87
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
a solução do problema
O cálculo do contrato ótimo é obtido através do uso do teorema
de Kuhn-Tucker, obtendo-se as condições de 1° ordem para o
problema com respeito aos salários em diferentes
contingências.
O problema acima corresponde a um ótimo de Pareto no
sentido usual do termo.
Aqui nós estamos maximizando a utilidade de um participante
[o principal], sob a restrição de que o outro participante
[o agente] recebe, no mínimo, um dado nível de utilizada, Ur.
88
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
a solução do problema
L/w(xi) [w(xi), e,] = - pi(e) B’[xi - w(xi)] +
 pi(e) u’ [w(xi)] = 0
 = B’ [xi - w(xi)] / u’ [w(xi)]
 > 0
89
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – os pressupostos da análise
a solução do problema
 = B’ [xi - w(xi)] / u’ [w(xi)] = constante
A razão das utilidades marginais do principal [B’] e do agente [U’]
deve ser constante, qualquer que seja o resultado final.
Esta é a familiar condição de equalização das taxas marginais de
substituição que caracteriza as situações Pareto-eficientes.
Esta condição é conhecida como condição de Arrow-Borch [cf.
Lafont (1989)]
90
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
- nós podemos representar o problema graficamente
quando existem apenas dois resultados possíveis, x1 e x2,
onde x1 < x2 utilizando o diagrama da caixa de
Edgeworth.
As dimensões da caixa são os resultados das duas
contingências, isto é x1 e x2 (isto é dos eventos que
podem ocorrer, por exemplo, roubo e não roubo do seu
automóvel).
91
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
Espaço
Contratual
x2
Ua
Op
c
Ub
b
d1
c’
Oa
x1
a
f1
f
d
x1
x2
92
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
Qualquer ponto na caixa representa um contrato, isto é,
a divisão do payoff total entre o agente [A] e o principal
[P] para cada possível resultado.
A convexidade da curva de indiferença A implica que A é
avesso ao risco. Já P é assumido ser, aqui, neutro ao
risco.
Dadas as diferentes avaliações marginais ao risco,eles
iriam firmar um contrato ao longo de CC’.
93
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
Como o principal é neutro ao risco e o agente avesso, o
primeiro deveria arcar com todo o risco e segurar o
segundo contra qualquer variação no resultado.
O ponto [a] é refere do como a situação inicial.
Um movimento do ponto [a] para o ponto [b] iria
representar uma melhoria no sentido de Pareto.
94
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
Op
x2
E
Oa
x1
x1
x2
95
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
Op
x2
E
Oa
x1
x1
x2
96
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000)
A condição de participação do agente pode pode ser
explicada pelo fato de que somente os contratos que
são aceitáveis para ele são aqueles que estão localizados
sobre ou acima da curva de indiferença Ur.
97
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000) - implicações
(i) a principal conclusão obtida no modelo básico é que o
pay-off do agente é determinado por uma distribição
ótima dos riscos entre os participantes;
(ii) se o principal é neutro ao risco e o agente avesso ao
risco, a eficiência requer que o agente deveria receber um
salário fixo por participar numa relação contratual.
Este salário seria independente das características do
trabalho a ser feito e do esforço demandado;
98
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000) - implicações
(iii) quando o agente é neutro ao risco e o principal é
avesso ao risco, então o contrato ótimo é um contrato
de franchising, no qual o agente paga um montante fixo
ao principal e em retorno recebe o resultado da relação.
99
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.2] – a representação gráfica do problema
Ricketts (1986) & MS & PC (2000) - implicações
(iv) no caso de ambos os participantes serem
avessos ao risco, o contrato irá estabelecer que
a distribuição dos riscos entre eles será de
acordo com seus graus relativos de aversão ao
risco.
100
Exemplo – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
Exemplo – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
- A receita ( R ) de curto prazo de uma firma é dada
por:
2
R = 10e – e
e = nível de esforço de um trabalhador típico. Todos os
trabalhadores são assumidos serem idênticos.
102
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
- A receita ( R ) de curto prazo de uma firma é dada
por:
2
R = 10e – e
e = nível de esforço de um trabalhador típico. Todos os
trabalhadores são assumidos serem idênticos.
103
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
Um trabalhador escolhe o seu nível de esforço a fim de
maximizar seu salário líquido.
Max [wb – e*]
e*
O custo unitário do esforço é assumido ser igual a 1.
104
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
Caso #1 – salário fixo
w=2 para e  1
w = 0 caso contrário
Aqui não há incentivo para o trabalhador prover um nível de esforço
que exceda a 1, pois o salário recebido pelo trabalhador sempre será
igual a 2.
O lucro do principal será igual a:
2
 = R – w = [10(1) –1 ] – 2 = 7
105
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
caso #2 – [w=R/2] – participação nos resultados
2
w-e = {[10e – e ]/2} – e
2
= 4e – 0,5 e
(w-e)/e = 4-e = 0
e*= 4
106
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
com e*=4, temos que:
2
w= (R/2) = [10(4) – 4 ]/2 = 12
w* = 12
O lucro do principal será igual a:
2
* = R – w = [10(4) – 4 ] – 12 = 12
* = 12
107
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
Caso #3 [R-12,5] – franchise contract
2
w-e = {[10e – e ] – 12,5} - e
2
= 9e – e - 12,5
(w-e)/e = 9 – 2e = 0
e*= 4,5
108
Exemplo # 1 – P & R (cap.17, ex. 10)
Incentivos importam (Lazear)
com e*=4,5 temos que:
2
w= (R-12,5) = [10(4,5) – 4,5 ] – 12,5 = 12,25
w* = 12,25
O lucro do principal será igual a:
2
* = R – w = [10(4,5) – (4,5) ] – 12,25 = 12,50
* = 12,50
109
Incentivos importam ! (Lazear)
110
Exemplo #2 - Kreps (p.580-585)
Exemplo #2 - Kreps (p.580-585)
Ur= 9 [utilidade reserva do agente]
U (w,e) [função utilidade do agente]
ei [eh = 5 ; el = 0] – níveis de esforço exercidos pelo
agente
U (w,e) = w - e [função utilidade de um indivíduo
avesso ao risco;
Possíveis resultados obtidos pelo
(y1/eH =5) = 270
principal sob alternativos níveis de
(y2/el=0) = 70
esforço do agente
112
Exemplo #2 - Kreps (p.580-585)
– o agente não se esforça
Se o agente se esforçar, o principal deve lhe oferecer
um salário suficiente para compensa-lo e que seja maior
ou igual a sua utilidade reserva, isto é:
U (w,e)  Ur
w - e  9
w  9
w  81
113
Exemplo #2 - Kreps (p.580-585)
O agente não se esforça
Se o agente ofertar el= 0 temos que o produto que o
principal irá obter é igual a $ 70 e o seu lucro líquido
será igual a $ - 11.
B [y (y1/el)-w] = 70 – 81 = -11
114
Exemplo #2 - Kreps (p.580-585)
Se o agente pode ser persuadido a alocar um
alto esforço, então o principal deve oferecer ao
agente um salário suficientemente alto, que
satisfaça a seguinte condição de participação:
w - 5  9
w  14
w  196
115
Exemplo #2 - Kreps (p.580-585)
Visto que o principal valoriza o emprego ou o trabalho
feito com um elevado nível de esforço pois obtêm $270,
temos que o seu lucro líquido será igual a:
B(y1-w) = 270-196
B(y1-w) = 74
Implicação: o principal irá demandar um alto esforço
do agente, pois o seu lucro líquido neste caso será igual
a 74 > - 11.
116
O modelo de agente-principal e o
problema de moral hazard [MS & PC, cap.3]
O esforço despendido pelo agente [e], num contexto de
informação assimétrica (hidden action), não é uma
variável verificável pelo principal e que não pode ser
incluída nos termos do contrato.
A idéia básica é resolver o jogo mostrado na figura
abaixo. O conceito natural para a solução deste
problema é um equilíbrio perfeito de subjogo.
117
O modelo de agente-principal e o
problema de moral hazard [MS & PC, cap.3]
alto
aceita
A2
P
N
baixo
A1
Esforço não observado
rejeita
contrato
118
O modelo de agente-principal e o
problema de moral hazard [(MS & PC, cap.3)]
O estágio final do jogo implica que o agente irá
escolher o esforço que:
n
e*  arg Max {

pi(ê) u [w(xi)] – v(ê)}
i=1
Esta condição é o que nós chamamos de restrição de
incentivos ou restrição de compatibilização de
incentivos.
119
O modelo de agente-principal e o problema de moral
hazard [MS & PC, cap.3] – a restrição de
compatibilidade de incentivos
n
e*  arg Max { pi(ê) u [w(xi)] – v(ê)}
i=1
A restrição de incentivos reflete o problema de moral
hazard uma vez que o contrato tenha sido aceito e
visto que o esforço não é verificável (ele não é incluído
nos termos do contrato), o agente irá escolher que o
nível de esforço que maximiza sua função objetivo.
120
O modelo de agente-principal e o problema de moral
hazard [MS & PC, cap.3] – a restrição de
compatibilidade de incentivos
A notação argmax denota o conjunto de argumentos
que maximiza a função objetivo.
A restrição de compatibilidade de incentivos reflete a
restrição de que o principal pode observar o resultado
mas não a ação.
121
O modelo de agente-principal e o problema de moral
hazard [MS & PC, cap.3) – a restrição de
compatibilidade de incentivos
Incentive compatibility captures the fundamental positivist notion of
self-interested behaviour that underlies almost all economic theory
and application. It has proven to be an organizing principle of great
scope and power. Combined with modern theory of mechanism
design, it provides a framework in which to analyse such diverse
topics as auctions, central planing, regulation of monopoly, transfer
pricing, capital budgeting and public enterprise managemet. Incentive
compatibility analysis provides a basic constraint on the possibilities
for normative analysis. As such it serves as the fundamental interface
between what is desiderable and what is possible in a theory of
organization.
Ledyard (1988, p.150)
122
O modelo de agente-principal e
o problema de moral hazard [MS & PC, cap.3]
No segundo estágio do jogo, dado o esforço que ele irá
exercer e os termos do contrato, o agente decide se
aceita ou não o contrato que o principal propõe.
Formalmente temos que a restrição de participação é
dada por:
n
s.a
 p (e) U [w(x )] – v(e)  Ur
i
i
i=1
123
O modelo de agente-principal e o
problema de moral hazard [MS & PC, cap.3]
n
s.a
 p (e) U [w(x )] – v(e)  Ur
i
i
i=1
Esta é a equação de restrição de participação ou
também chamada de condição de racionalidade.
Esta equação reflete o fato de que o agente sempre
pode rejeitar o contrato se o que ele obtém assinando-o
não é, ao menos, igual ao que ele poderia obter de
outras alternativas de mercado.
124
O modelo de agente-principal e o
problema de moral hazard [MS & PC, cap.3]
Assim, temos que, no primeiro estágio do jogo,
o principal estrutura um contrato que antecipa o
comportamento do agente.
125
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Função objetivo
n
 pi(e) B [xi – w(xi)]
Max
[e, {w(xi)}i=1,..., n]
i=1
Restrição de participação
n
s.a
 pi(e) U [w(x )] – v(e)  Ur
i
i=1
n

e*  arg Max {
pi(ê) u [w(xi)] – v(ê)}
i=1
Restrição de compatibilidade de incentivos
126
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
A função objetivo do principal – nos problemas
de moral hazard é assumido que o principal é o
proprietário do projeto e estrutura um contrato,
buscando maximizar uma determinada função
objetivo.
127
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
A restrição de participação [ou restrição da racionalidade
individual] – a utilidade reserva representa o valor que o
agente pode obter trabalhando e se esforçando fora da
firma. Esta restrição representa a idéia de que a relação
principal – agente não existe num vácuo, visto que o
agente possui alternativas sobre o que ele pode fazer,
sendo que ele somente irá firmar o contrato com o
principal se o mesmo for melhor ou igual ao que ele pode
obter em outras firmas.
Quanto maior for a utilidade reserva do agente, menor será
a utilidade do lucro líquido do principal.
128
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
A restrição de incentivos - é a maneira
formal de levar em contra a informação
privada e compatibilizar os incentivos
através de um contrato.
129
O modelo de agente-principal e o problema de moral
hazard [MS & PC, cap.3]– os pressupostos da análise
o problema do principal
- aqui iremos assumir que o agente pode escolher
somente dois níveis de esforço: alto (eh) e baixo (el);
e  {eh, el}
- a desutilidade do esforço é grande quando o agente
trabalha duro ao invés de quando ele faz corpo mole
(shirk), isto é:
v(eh) > v(el);
130
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
- nós ordenamos o conjunto de resultados X do pior
para o melhor, isto é:
x1 < x2 <x3 < …< xn (conjunto de resultados possíveis)
- X é o conjunto de todos os resultados possíveis, isto é,
X = { x1, x2,..., xn}
131
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
pih = pi (eh) – é a probabilidade de que o
resultado irá ser xi quando o agente oferece um
alto esforço para todo o i  {1, 2, 3,…, n};
pil = pi (el) é a probablidade de que o resultado
irá ser xi quando o agente oferce um baixo
esforço;
pih > 0
e
pil > 0
132
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
- nós assumimos também que o principal é neutro ao
risco e que o agente é avesso ao risco – este
pressuposto simplifica a análise e nos permite
determinar o efeito da informação assimétrica sobre a
forma dos contratos ótimos, visto que, sob informação
simétrica os contratos ótimos são um pagamento fixo ao
agente.
Portanto, qualquer desvio desta forma contratual
[salário fixo] é devida a existência do problema de moral
hazard ;
133
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
- nós assumimos que o principal prefere um alto
esforço ao um abaixo esforço, pois isto irá afetar
seus lucros.
134
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
- é óbvio que se o principal demanda um baixo esforço,
então não existe um problema de moral hazard. Neste
caso seria necessário apenas pagar ao agente um
montante fixo, o mesmo que seria pago sob informação
simétrica a fim de garantir para ele o seu nível de
utilidade reserva, e o agente irá escolher el.
O contrato ótimo sob informação simétrica para el,
temos que ofercer ao agente um salário fixo.
135
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Se o principal demanda eh (um alto esforço), temos
que qualquer pagamento fixo irá gerar por parte do
agente um comportamento el.
A fim de que o agente escolha eh (alto esforço), nós
precisamos encontrar e estabelecer um contrato sob
o qual seu pay off dependa do resultado final
alcançado.
136
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Interpretação: o agente irá escolher o
nível de esforço eh se o ganho de
utilidade esperada com seu esforço for
maior do que o implícito no aumento de
custos (desutilidade).
137
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
n
 pih B [xi – w(xi)]
Max
[e, {w(xi)}i=1,..., n]
i=1
n
s.a
p
ih
U [w(xi)] – v (eh)  Ur
i=1
n

[pih – pil] u [w(xi)]  v(eh) – v(el)
i=1
138
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
n

i=1
Ganho de utilidade
esperada.
[pih – pil] u [w(xi)]  v(eh) – v(el)
Diferença nas utilidades
dos esforços alto e baixo.
O agente irá escolher o nível de esforço eh se o ganho de utilidade
esperada de seu esforço for maior do que o implícito no aumento de
custos.
139
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Os contratos que são candidatos para a solução
do problema são aqueles que satisfazem as
condições de Kuhn-Tucker do problema.
[cf. Chiang (1982, p. 20.2)]
140
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
L [w(xi), , ] =
n
 pih [xi – w(xi)] +
i= 1
n
 { pih U [w(xi)] - v(eh)  Ur} +
i= 1
n
 { [pih – pil] u [w(xi)]  v(eh) – v(el)}
i= 1
141
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Derivando o Lagrangeano com respeito ao salário w (xi)
para todo o i=1, 2, …, n, temos que as condições para
um máximo são dadas por:
- pih + pih u’ [w(xi)] +  [pih – pil] u’ [w(xi)] = 0 (5)
para todo i= 1, …n.
142
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Somando-se as equações (5) de i=1 a i=n e levando
em conta o fato de que:
n
 pih = pil =1
i= 1
nós obtemos que:
n
= 
i= 1
[pih / u’ [w(xi)] > 0
143
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
Portanto, a condição de Kuhn-Tucker com
respeito ao multiplicador da restrição de
participação requer que   0 e nós mostramos
que a restrição de participação é satisfeita.
144
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
As propriedades de um contrato ótimo podem ser
mais facilmente dedutíveis se nós reescrevermos as
condições de primeira ordem da seguinte maneira:
1/u’ [w(xi)] =  +  [1 – (pil/pih)]
para todo o i= 1,…, n
 > 0;  > 0;
145
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
 >0
As condições de Kuhn-Tucker impõe que o
multiplicador  associado com o incentivo de
compatibilidade deva ser não negativo.
Portanto  é estritamente positivo.
146
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal
O fato de que  > 0 significa que a existência do
problema de moral hazard implica num custo
estritamente positivo para o principal.
Os lucros do principal são estritamente maiores quando
a informação sobre o esforço é simétrico do que
quando ele faz face a uma situação de moral hazard.
147
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal – likelihood ratios
[pil/pih] = razão de probabilidades
A razão de probabilidades indica a precisão com
a qual o resultado xi sinaliza que o nível de
esforço foi eh.
148
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal – likelihood ratios
Quanto menor for a razão, ou seja, quanto maior pih,
com respeito a pil, temos que o sinal do esforço usado foi
eh é forte.
Em outras palavras, temos que uma redução na razão de
probabilidades implica num aumento na probabilidade de
que o esforço foi eh quando o resultado xi é observado.
Portanto, temos que a taxa de salário (xi) deve ser
maior se nós desejamos que o agente exerça um esforço
elevado.
149
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal – likelihood ratios
Fixando-se a ação ótima, visto que todos os
multiplicadores  > 0 e a função [1/u’(•)] é crescente, o
salário wj irá tender a ser mais elevado quando menor
fora a razão [pil/pih].
Intuitivamente temos que o principal irá dar ao agente um
alto salário quando ele observa um resultado que o leva a
inferir que a ação tomada é ótima; por outro lado ele irá
dar ao agente um baixo salário se o resultado o torna
muito improvável que o agente escolha uma ação ótima.
150
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal – likelihood ratios
w(xi) = (1/u’) (1/) +  [1 – (pil/ pih)]
decrescente
> 0 ;  > 0
O salário será maior quanto menor for a razão (pil/pih).
Quanto menor for a razão do quociente, ou seja,
quanto maior pih com respeito a pil, maior a certeza de
que o sinal do esforço usado foi eh é forte.
151
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal – likelihood ratios
O significado de que  > 0 significa que um contrato
ótimo depende da medida de desempenho somente se o
esforço afetar o resultado.
Holmstrom (1979) mostra que esta condição têm uma
analogia estatística, isto é, se nós vemos o resultado x
como uma variável randômica de um parâmetro que
nós tentamos estimar, o termo [(pil/pih)] reflete o
certeza de que um resultado seja plausível.
152
O modelo básico de agente-principal
[MS & PC, cap.3] – os pressupostos da análise
o problema do principal – likelihood ratios
- se pil = pih  w(xi) = (1/u’)(1/ ) = wm
- se [pil/pih] > 1  w (xi) < wm
- se (pil/pih) <1  temos que é mais provável que o
esforço [e] seja e = eh, de modo que w(xi) > wm
153
Fatores que favorecem os pagamentos por incentivo
[cf. BSZ(2000, cap. 15)]
1 - quando o valor do produto é sensível ao esforço do empregado
ou ao esforço adicional;
2 - quando o agente não é muito avesso ao risco;
3 - quando o risco que está fora do controle do agente é alto;
4 - quando as respostas dos agentes ao aumento dos incentivos é
elevada;
5 - o produto do agente pode ser medido a um baixo custo.
154
Fatores que favorecem os pagamentos por
incentivo [cf. BSZ (2000, cap. 15)]
1 - quando o valor do produto é sensível ao esforço do
empregado ou ao esforço adicional;
Quando o produto for sensível ao esforço, temos que os
pagamentos por incentivo são efetivos porque os
benefícios do esforço motivador do agente são
elevados.
155
Fatores que favorecem os pagamentos por
incentivo [cf. BSZ (2000, cap. 15)]
2 - quando o agente não é muito avesso ao risco;
Uma elevada aversão ao risco por parte do
agente implica num elevado custo com relação
a divisão dos riscos e reduz, portanto o uso de
pagamentos por incentivos.
156
Fatores que favorecem os pagamentos por
incentivo [cf. BSZ (2000, cap. 15)]
3 - quando o risco que está fora do controle do agente é
alto;
Quando o nível de risco é baixo, o produto é
determinado principalmente pelo esforço dos
empregados e faz sentido, então, pagar elevados níveis
de salário em termos de compensação por incentivos.
Contudo, quando o risco é elevado, a compensação por
incentivos impõe elevados custos para a divisão
ineficiente dos riscos.
157
Fatores que favorecem os pagamentos por
incentivo [cf. BSZ (2000, cap. 15)]
4 - quando as respostas dos agentes ao aumento dos incentivos é
elevada;
se o agente não responde ao aumento dos incentivos,
altos incentivos impõe maiores riscos sobre o agente e
ao mesmo tempo induzem a um baixo esforço adicional.
Portanto, haveria pouca razão para prover elevados
incentivos ao agente.
A resposta aos pagamentos por incentivos dependem
dos custos pessoais para os agentes exercerem um
esforço adicional.
158
Fatores que favorecem os pagamentos por
incentivo [cf. BSZ (2000, cap. 15)]
5 - o produto do agente pode ser medido a um
baixo custo.
Quanto mais caro for medir o produto, menor
será a probabilidade de que será oferecido um
pagamento por incentivos.
159
As formas de pagamento
por incentivos
Pagamentos por incentivo referem-se a quaisquer
mecanismos que busquem relacionar qualquer contrato
compensatório (explicito ou implícito) e que
recompense os agentes por um bom desempenho e os
puna por uma pobre performance.
160
As formas de pagamento por
incentivos - exemplos
-
pagamento por peça (piece rate);
comissões;
prêmio por vencer competições
revisões salariais baseadas no desempenho;
promoções por bom desempenho;
stock options;
- profit sharing;
- compensação defasada;
- demissão.
161
A solução do problema de um contrato ótimo num
contexto de moral hazard
a abordagem de primeira ordem
A abordagem de primeira ordem para resolver
problemas do tipo agente principal foi justificada entre
outros por:
Mirless (1974, 1979);
Rogerson (1985)
Jewitt (1988)
Holmstron (1979)
162
A solução do problema de um contrato ótimo num
contexto de moral hazard
a abordagem de primeira ordem
O problema do principal num contexto de moral hazard
implica numa dupla maximização, a qual causa muitas
dificuldades técnicas, visto que uma das restrições da
equação (restrição de incentivo) é um segundo
problema de maximização, aparecendo numa forma não
manejável.
163
A solução do problema de um contrato
ótimo num contexto de moral hazard a
abordagem de primeira ordem
Nos primeiros modelos de moral hazard, este problema
foi superado substituindo-se o problema de maximização
do agente por sua condição de primeira ordem
[Holmstrom (1979)].
Este procedimento passou a ser chamado de - firstorder approach.
164
A solução do problema de um contrato ótimo num
contexto de moral hazard
a abordagem de primeira ordem
A idéia fundamental é a de substituir a restrição de
participação no problema pela condição de maximização
de primeira ordem da restrição, isto é:
n

i=1
pi’ (e) U [w(xi)] – v’ (e) = 0
165
Solução usando a abordagem
de primeira ordem
Quando a abordagem de primeira ordem é correta, o
problema de maximização do principal é dado pelas
seguintes equações:
166
Solução usando a
abordagem de primeira ordem
Fazendo com que os multiplicadores das restrições de
participação e incentivo sejam positivos, a condição de
primeira ordem do Lagrangeano com relação aos salários
w(xi) nos mostram que:
- Pi (e) +  pi (e) u’ [w(xi)] +  p’i (e) u’[w(xi)] = 0
Esta é a condição necessária que um contrato ótimo deve
satisfazer, sendo ela suficiente para um máximo local.
167
Solução usando a abordagem
de primeira ordem
Reescrevendo a condição de primeira ordem,
nós otbemos a seguinte igualdade:
1/u’ [w(xi)] =  +  [p’i (e)/ pi (e)]
(9)
Se  > 0, isto implica que existem
um problema de moral hazard.
168
Solução usando a abordagem de
primeira ordem – implicações quando  > 0
Quando  > 0, isto é. Quando há o problema de moral
hazard, a condição de ótimo para a divisão de riscos
associados com a informação simétrica não é satisfeita.
Isto é, os salários irão depender dos resultados obtidos .
Além disso, os salários dependem da forma da função
pi’(e) / pi(e).
169
Solução usando a abordagem de primeira ordem –
implicações quando  > 0
Assumindo que pi’ (e)/ pi(e) é crescente em i, temos que
o lados direito da eq. (9) também cresce com i. Portanto,
o mesmo deve deve ocorrer com o lado esquerdo.
Dada a característica da função utilidade do agente, isto
implica que w(xi) e crescente em i.
170
Solução usando a abordagem de
primeira ordem – implicações quando  > 0
A condição de que a razão de probabilidades seja
crescente significa que um bom resultado é um sinal de
que, com uma elevada probabilidade, foi exercido um
esforço elevado, ou em outras palavras, é mais provável
que quando o esforço é alto, o resultado obtido seja
também bom.
171
O esforço demandado
sob um contrato ótimo
(10)
A eq. (10) mostra o trade off entre lucros e salários
[custos].
172
O valor de 
caso #1 [ = 0]
Se  = 0, o problema do agente-principal se
reduz a um problema simples de divisão ótima
de riscos na solução first best.
173
O valor de 
Se o principal é neutro ao risco e  = 0, a compensação
do agente será um salário fixo, o qual torna sua
compensação independente do resultado e do seu
esforço.
Neste tipo de contrato (com salário fixo) o agente não
têm incentivos para trabalhar duro e se esforçar e assim,
prove o mínimo de esforço. Portanto, ela não pode ser
uma solução ótima.
174
O valor de 
caso #2 -  > 0
Neste caso temos que o contrato ótimo se desvia dos
contratos ótimos de divisão de riscos e passa a
depender da magnitude de (pil’ / pih).
Milgrom (1991) mostrou que o termo [pi’(e)/p(e)], pode
ser interpretado em termos da inferência estatística
clássica.
175
Concluindo
[cf. Holmstrom (1979)]
Principal-agent relationships are prevalent in economic
organizations. The analysis presented here improves our
understanding of the funtioning of this basic organizational
form. In view ou our result that essentially any imperfect
information about actions or states of nature can be uses to
improve contracts, we have na explanation of the observed
complexity of real contracts (as evidenced for instance in
insurance arrangements). ... Our analysis also provides a basis
for studying the design of contracts and information systems in
more specific contexts.
176
A TEORIA ECONÔMICA DOS CONTRATOS
E O PROBLEMA DE MORAL HAZARD
NOTAS DE AULA
Prof. Giácomo Balbinotto Neto
Economia dos Recursos Humanos
UFRGS
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moral hazard - Programa de Pós-Graduação em Economia