UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DA TERRA E DO MAR CURSO DE OCEANOGRAFIA Incrustações de organismos marinhos em painéis artificiais com e sem tratamento de tinta anti-fouling, disponibilizados na Armação do Itapocoroy, Penha, SC. Thayná da Cruz Queiroz Itajaí 2011 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DA TERRA E DO MAR CURSO DE OCEANOGRAFIA Incrustações de organismos marinhos em painéis artificiais com e sem tratamento de tinta anti-fouling, disponibilizados na Armação do Itapocoroy, Penha, SC. Thayná da Cruz Queiroz Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Oceanografia, para a obtenção de grau em Oceanografia. Orientador: Gilberto Caetano Manzoni Itajaí 2011 i Dedicatória Este trabalho é dedicado a minha família, por todo o sacrifício feito para me ajudar a concluir este ciclo da minha vida. ii AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer primeiramente ao Prof. Dr. Gilberto Caetano Manzoni por ter me dado a oportunidade de desenvolver este trabalho, orientador e também por ter estado presente em todos os momentos de dúvidas e dificuldades. Ao Prof° Dr. Adriano Marenzi que colaborou com a confirmação da identificação de alguns espécimes. A Empresa Weg por ter permitido a realização deste trabalho e colaborado com o acesso a algumas informações. Ao Laboratório de Oceanografia Química por ter disponibilizado os dados físico químicos da área de estudo. Ao pessoal da Penha, sempre prestativos e gentis, a Zi, o Renatinho, Jeferson, Reges e Kadu. A minha família por ter sempre me apoiado nesta jornada. Á todos os meus colegas da faculdade por estar presente em todos esses anos, pela parceria e amizade. A todos os meus amigos, por terem me aturado, apoiado e ajudado durante todo esse ano, especialmente a Angelina, Marcos, Mauricio, Gabriel, Roberto Renata, Marina e Sara. iii SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ................................................................................................. III LISTA DE FIGURAS .................................................................................................. V LISTA DE TABELAS .............................................................................................. VIII RESUMO................................................................................................................... IX 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................... 4 3. OBJETIVOS......................................................................................................... 7 3.1 Objetivo Geral .................................................................................................... 7 3.2 Objetivos Específicos......................................................................................... 7 4. MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................... 8 4.1 Caracterização da Área de estudo .................................................................... 8 4.2 Descrição do experimento ................................................................................. 9 4.3 Composição e monitoramento ......................................................................... 10 4.4 Painéis com tratamento antifouling .................................................................. 12 4.5 Metodologia de Coleta ..................................................................................... 13 4.6 Processamento dos painéis ............................................................................. 14 5. RESULTADOS .................................................................................................. 16 5.1 Tratamento antifouling ..................................................................................... 16 5.2 Painéis controle (sem tratamento antifouling) .................................................. 25 5.3 Parâmetros físicos e químicos ......................................................................... 48 6. DISCUSSÕES.................................................................................................... 49 7. CONCLUSÃO .................................................................................................... 54 8. REFERENCIAS ................................................................................................. 55 APÊNDICES ............................................................................................................. 58 iv LISTA DE FIGURAS Figura 1: Localização da Enseada da Armação do Itapocoroy. .................................. 8 Figura 2: Localização da balsa (base amostral), na região interna da Enseada da Armação do Itapocoroy. .............................................................................................. 9 Figura 3: Plataforma flutuante (ponto amostral). ....................................................... 10 Figura 4: Painel com tratamento antifouling (A) e painel controle (B) respectivamente. .................................................................................................................................. 11 Figura 5: Canos de PVC usados para fixação dos painéis (A) e a estrutura de fixação dos painéis pronta (B). .............................................................................................. 11 Figura 6: Ancoragem dos painéis. ............................................................................. 11 Figura 7: Painéis submersos na plataforma flutuante. .............................................. 12 Figura 8: Painéis com tratamento antifouling (A) e painéis controle (B) respectivamente. ....................................................................................................... 13 Figura 9: Painel 1-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 17 Figura 10: Painel 1-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 17 Figura 11: Painel 2-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 18 Figura 12: Painel 2-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 19 Figura 13: Painel 3-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 19 Figura 14: Painel 3-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 20 Figura 15: Painel 4-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 20 Figura 16: Painel 4-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 21 Figura 17: Painel 5-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 21 v Figura 18: Painel 5-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 22 Figura 19: Painel 6-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 22 Figura 20: Painel 6-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (período de dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ....................... 23 Figura 21: Painel 7-A (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro de 2010 até janeiro de 2011) respectivamente. ........................................................ 25 Figura 22: Painel 7-A (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (janeiro a março de 2011) respectivamente. .......................................................................... 26 Figura 23: Painel 7-B (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro de 2010 a janeiro de 2011) respectivamente. ........................................................... 28 Figura 24: Painel 7-B (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ....................................... 29 Figura 25: Painel 8-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 30 Figura 26: Painel 8-A (branco), após respectivamente, 15, 18, 20, 23 e 26 dias de submersão (período de dezembro de 2010 até junho de 2011). ............................... 31 Figura 27: Painel 8-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas dias de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 33 Figura 28: Painel 8-B (branco), após, 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até junho de 2011) respectivamente. ...................... 33 Figura 29: Painel 9-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. .. 35 Figura 30: Painel 9-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. ............................ 35 Figura 31: Painel 9-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 37 Figura 32: Painel 9-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. ............................ 37 Figura 33: Painel 10-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 39 vi Figura 34: Painel 10-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas dias de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente........... 39 Figura 35: Painel 10-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 41 Figura 36: Painel 10-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. ............................ 41 Figura 37: Painel 11-A (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011). ....................................................... 43 Figura 38: Painel 11-B (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011). ....................................................... 44 Figura 39: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis antifouling ( 1 a 6 ) e controles ( 7 a 11) respectivamente. ......................................................................... 45 Figura 40: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis controle, submersos respectivamente por 12 (verão), 24, 36, 36 e 12 (inverno) semanas. ....................... 46 Figura 41: Gráfico comparando a biomassa final dos painéis antifouling (1 a 6 ) e do painel controle 8, submerso por mesmo período. ..................................................... 46 Figura 42: Balanus amphitrite.................................................................................... 58 Figura 43: Balanus improvisus .................................................................................. 58 Figura 44: Megabalanus coccopoma ........................................................................ 58 Figura 45: Perna perna ............................................................................................. 59 Figura 46: Ostrea. Sp ................................................................................................ 59 Figura 47: Estramonita haemastoma ........................................................................ 59 Figura 48: Trididemnum orbiculatum ......................................................................... 59 Figura 49: Botryllus Níger .......................................................................................... 59 Figura 50: Estyela plicata .......................................................................................... 60 Figura51: Phallusia nigra ........................................................................................... 60 Figura 52:Lissoclinum fragile ..................................................................................... 60 Figura 53:Didemnum perlucidum .............................................................................. 60 Figura 54:Botrylloides nigrum .................................................................................... 60 Figura 55: Bugula neritina ......................................................................................... 61 Figura 56: Schizoporella unicormis ........................................................................... 61 Figura 57: Pinauay ralphi........................................................................................... 61 vii LISTA DE TABELAS Tabela 1: Composição básica do composto antifouling avaliado. ............................. 12 Tabela 2: Dados de submersão e emersão de todas as replicas. ............................. 14 Tabela 3: Taxa de cobertura, peso total de material aderido, peso da camada de detritos, peso total dos organismos, número de organismos, número de espécies, altura dos balanideos, e espécies dos macroorganismos nos painéis com tratamento antifouling. ................................................................................................................. 24 Tabela 4: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 27 Tabela 5: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 29 Tabela 6: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 32 Tabela 7: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 34 Tabela 8: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 36 Tabela 9: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 38 Tabela 10:Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 40 Tabela 11: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 42 Tabela 12: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 43 Tabela 13: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 44 Tabela 14: Dados finais dos painéis controle ............................................................ 45 Tabela 15: Lista de espécies identificadas nos painéis metálicos. ............................ 47 Tabela 16: Relação da media dos parâmetros físicos do ponto amostral. ................ 48 viii RESUMO Substratos artificiais são considerados ambientes bentônicos e acabam colonizados por espécies incrustantes que vivem acima do substrato (epifauna). As incrustações de organismos marinhos em substratos causam diversos prejuízos econômicos, que promovem a necessidade de manutenção destes substratos, aumentando custos com mão de obra. Outro prejuízo é a possibilidade de introdução de espécies exóticas, podendo inclusive causar um desequilíbrio da cadeia trófica. A fim de resolver esses problemas, na década de 60 houve á introdução de um biocida, o tributil estanho (TBT) que possui alta eficiência em repelir os incrustantes marinhos. Porém sua composição é altamente tóxica podendo causar diversos problemas para os organismos marinhos e conseqüentemente, para o homem. Devido a estes fatores o uso da tinta a báse de TBT foi banido e estudos e pesquisas começaram a serem desenvolvidos a fim de substituir o TBT por compostos menos tóxicos e logo novas tintas antifouling vem sendo introduzidas no mercado. Este trabalho tem como finalidade avaliar a bioincrustação em substratos metálicos como também a eficiência de uma tinta anti-fouling, composta por óxido de cobre produzida pela empresa WEG - Indústrias de Tintas. Para atingir estes objetivos foram submersos no verão de 2010, painéis metálicos (15 x 40 cm) revestidos com tinta anti-fouling e painéis controle (sem composto antifouling) numa balsa fixada na Enseada da Armação do Itapocoroy-Penha. Após vinte quatro semanas (validade da tinta), os painéis foram retirados e posteriormente analisados em laboratório, onde os organismos incrustantes foram identificados e quantificados em comparação com painéis sem tratamento. Ao final das análises, foi possível verificar que o composto antifouling avaliado apresentava grande eficiência em repelir os incrustantes.Nos substratos controle os organismos apresentaram acréscimo em biomassa ao longo do tempo, com maior abundancia no verão, onde a biomassa incrustante chegou a atingir 3635,6 gramas após 36 semanas de submersão, em apenas uma face do painel. Os organismos mais freqüentes e abundantes foram espécies da família dos Balanideos(cracas). Palavras chave: Antiincrustante, Bioincrustação, Substratos artificiais ix 1. INTRODUÇÃO A comunidade bentônica ocorre desde a região costeira até águas profundas, possui uma enorme diversidade de espécies sendo estas de diferentes hábitos de vida. Alguns organismos vivem fixos (sésseis) outros se locomovem sobre o substrato, quando se fixam são definidos como organismos incrustantes. Segundo Wahl (1989) “incrustação de organismos bentônicos é um processo de colonização de uma superfície sólida, viva ou morta”. Os organismos marinhos sésseis na etapa inicial de sua vida apresentam uma fase larval ao qual fazem parte do plâncton, onde ficam à deriva no mar com a perspectiva de que coincida o momento em que precisam assentar com a disponibilidade de um substrato para se fixarem e crescerem, e enfim começarem o inicio da fase adulta. Este processo de fixação de organismos em um substrato (superfície) é conhecido como bioincrustação (RACCO, 2003). Precedendo a bioincrustação propriamente dita, ocorrem diferentes estágios sobre o substrato que viabilizam a fixação de organismos macrobêntonicos. Iniciam-se quando o substrato é submerso na água, nos primeiros minutos, ocorre uma acumulação inicial de orgânicos adsorvidos (moléculas orgânicas de proteínas, polissacarídeos, glicoproteínas e outras) na superfície do substrato. Após esta adsorção em um período de 24 horas, bactérias e algas unicelulares crescem criando um microfilme que subseqüentemente, provêm alimentos suficientes para permitir a fixação de microalgas criando um biofilme (microincrustação) deixando o substrato com condições favoráveis para a colonização de macroorganismos marinhos. Em torno de 2 semanas de imersão do substrato o biofilme formado permitirá o assentamento de larvas e o possível crescimento de organismos como as macroalgas e invertebrados marinhos.(BALDISSERA, 2003.; CHAMBERS et al , 2006). Dentre os principais organismos da comunidade macrobêntonica incrustante, que se fixam em substratos artificiais, estão às algas (verdes, pardas e vermelhas) e os invertebrados que possuem uma grande variedade em sua composição física, podem ser subdivididos em organismos com estrutura rígida (Balanos, Anatifes, Bivalves, Briozoarios e poliquetas tubicolas), organismos arbustivos (Hidroides e Briozoarios) e organismos de estrutura mole (Ascidias, Esponjas e Actinias) (ALMEIDA, 2007). As características, extensão e intensidade da bioincrustação variam sazonalmente e espacialmente. Dentre os principais fatores que condicionam a bioincrustação estão o tipo de substrato (natureza do material, rugosidade, forma, entre outros) além de fatores físicos da água e do ambiente de submersão como: salinidade, temperatura, incidência de luz, disponibilidade de nutrientes e circulação da água. (BATISTA, 2006). 1 Substratos artificiais como plataformas, estruturas de cultivos, pilastras, tanques redes de peixes, trapiches, embarcações entre outras estruturas flutuantes artificiais são considerados ambientes bentônicos e acabam colonizados por espécies incrustantes que vivem acima do substrato (epifauna). As incrustações de organismos marinhos nestes substratos causam diversos prejuízos econômicos. A exemplo disso ressalta-se a interferência de organismos incrustantes no desempenho de embarcações e no cultivo de organismos marinhos, dentre outras atividades antropogênicas. O crescimento das incrustações nos cascos das embarcações é tido como um sério e recalcitrante problema, devido ao fato de promover a diminuição da velocidade final da embarcação e sua manobrabilidade, obstruírem janelas de resfriamento, aumentar o gasto de combustível e obrigar as docagens ou imobilizações mais freqüentes. Estimativas apontam que a presença de 5% de incrustação no casco pode aumentar o gasto com combustível em 17%, e 1mm de espessura de lodo no casco pode causar a perda de 15% de velocidade final (LEWIS, 2001 apud BATISTA et al, 2006). Além dos problemas econômicos os substratos artificiais criam oportunidades para a colonização de espécies não nativas e funcionam como um reservatório de espécies exóticas, aumentando as chances de colonização do ambiente natural por essas espécies (GLASBY et al, 2007 apud KREMER, 2008). Segundo Carlton (1999) espécies invasoras são responsáveis não só por alterações nas comunidades nativas, com perdas na diversidade local, mas também por grandes perdas econômicas devido aos danos causados pelas incrustações biológicas em plataformas, usinas, pilares, piers e embarcações e pelos impactos sobre os recursos pesqueiros. A fim de resolver tais problemas diversas misturas letais foram formuladas para a aplicação em substratos submersos na forma de tintas chamadas antiincrustantes. Mas foi apenas no início dos anos 60, que houve a introdução de um biocida altamente eficiente em repelir a incrustação da macrofauna marinha, formado à base de Tri-butil estanho (TBT). De acordo com Castro (2011), esses compostos foram amplamente empregados na década de 80 e chegaram a revestir 90% dos cascos de navios em operação no mundo. A ampla utilização das tintas à base de TBT, provavelmente está atrelada a sua alta durabilidade e eficiência no processo antiincrustrante. Entretanto, estudos comprovaram que composições à base do TBT podem causar diversos impactos ambientais, prejudicando os organismos marinhos da coluna d‟água e conseqüentemente o homem. A preocupação dos problemas caudados por este composto na forma de tintas antiincrustantes surgiu no início dos anos 80 quando ficou claro através de pesquisas seu verdadeiro efeito negativo sobre o ambiente marinho (GODOI, 2003, p. 710). 2 Através de evidências de pesquisas realizadas sobre o efeito prejudicial de compostos Tri-butil estanho (TBT) sobre a reprodução e o crescimento de várias formas de vida marinha, foi iniciada a ação de muitos países em regular ou proibir o uso do TBT em tintas antifouling. Devido a tais problemas causados pelo TBT o Comitê de Proteção ao Meio Ambiente Marinho (MEPC), pertencente à Organização Marítima Internacional (IMO), de acordo com Batista (2006) adotaram uma resolução recomendando que os governos aplicassem medidas para restringir o uso de tintas antiincrustantes com base no TBT. Essa medida resultou em 1999 em uma assembléia com a IMO, onde foi estabelecido que a partir de janeiro de 2003 ações seriam aplicadas afim de assegurar que em 1º de janeiro 2003 se estabeleceria a proibição global de aplicação destes compostos como tintas antiincrustante, estipulando um prazo limite para até 1º de janeiro de 2008 (BATISTA, 2006). No entanto sabe-se que alguns países em desenvolvimento ainda utilizam estes compostos. No Brasil não há registros de estudos feitos sobre impactos provocados pelos compostos organoestânicos em tintas anti-incrustrantes, no entanto pela RESOLUÇÃO do CONAMA Nº 357 de 09/05/2005, os valores para qualidade de água, de concentrações máximas de TBT permitidas são de 0,01 μg/L (águas salinas de classe I) e de 0,37 μg/L ( águas salinas de classe II). Alem disso segundo as normas da autoridade marítima brasileira, que dizem respeito ao controle de sistemas antiincrustantes danosos em embarcações (portaria 076/2007, NORMAN-23/DPC) „‟ Todas as embarcações sujeitas a vistorias e inspeções conforme esta NORMAM devem possuir um Certificado da tinta aplicada, emitido pelo fabricante, atestando que a tinta antiincrustante não possui compostos de estanho como biocida „‟. Como alternativa para substituição de compostos oriundos do tributil estanho, (TBT), atualmente estão sendo utilizados compostos baseados em óxido de cobre como o biocida base em tratamentos antifouling. Vários outros compostos juntamente combinados com o oxido cuproso reforçam a ação antifouling visando uma melhor eficiência. São diversos os compostos acessórios utilizados, tanto por outros biocidas como também por fungicidas. (VOULVOULIS, 1999) O presente trabalho tem como objetivo avaliar a eficiência de uma tinta antiincrustante, á base de oxido cuproso, na incrustação de organismos marinhos como também o processo de bioincrustação em substratos metálicos imersos na enseada do Itapocoroy. É importante ressaltar que, por motivos estritamente comerciais, a formulação especifica da tinta antiincrustrate não foi divulgada, pois este projeto faz parte de um contrato de prestação de serviços entre o CTTMar (UNIVALI) com a empresa de tintas WEG e qualquer informação específica sobre a composição destes compostos deve ter aprovação 3 desta empresa. Entretanto, foram informados os compostos que fazem parte da tinta, permitindo assim identificar a influência destes compostos na presença ou ausência de organismos incrustantes. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A necessidade de proteger os cascos de embarcações das incrustações marinhas foi sentida logo que o Homem começou a usar as mesmas como meio de locomoção (ALMEIDA, 2007). Há dois mil anos atrás, os cascos dos navios na época, feitos de madeira, eram revestidos com chumbo e “untados” com misturas de óleo de baleia, enxofre e arsênio com a finalidade de repelir os organismos marinhos incrustantes e perfuradores (GODOI, 2003). Em 1625, uma receita letal combinando arsênio, cobre e goma em pó foi patenteada como agente antiincrustante por Wilian Beale, na Inglaterra. A utilização de sistemas antiincrustantes incorporados às tintas passou a ser comum (CASTRO, 2011). As primeiras tintas anti-incrustrantes organoestânicas continham óxido de bis tributilestanho ou haletos de tributilestanho, e suas formulações apresentavam os compostos TBT simplesmente misturados na tinta, por isso eram chamadas de tintas de livre-associação, onde o biocida era incorporado em uma matriz solúvel, onde as taxas de difusão do TBT para o meio marinho ocorriam de forma incontrolada (BENVENUTTI, 2004; TROVATI, 2011). Este tipo de tinta previne o crescimento de organismos incrustantes apenas pela simples liberação do biocida na superfície da tinta, que depois é varrida pelo atrito da água. A taxa de liberação diminui exponencialmente em período de meses, até que não exista mais biocida disponível para atingir a superfície da tinta (GODOI, 2003). No inicio dos anos 70, recobrimentos mais efetivos foram desenvolvidos, onde monômeros de TBT eram incorporados com outros monômeros para formar copolímeros, desta forma ocorre a liberação do biocida a uma taxa sempre constante. O organoestanho é quimicamente ligado na matriz da tinta, como o copolímero metacrilato de tributilestanho/metil metacrilato (GODOI, 2003). Como a ligação carboxilo-TBT é hidroliticamente instável sob condições ligeiramente alcalinas, como as que ocorrem em água do mar, verifica-se uma lenta e controlada hidrolise do revestimento, a qual corresponde a um “desgaste” do polímero (ALMEIDA, 2007). A ação continua da água do mar sobre a superfície da tinta, lixívia esta superfície que por sua vez acaba por tornar a película de copolimero quebradiça e facilmente erodivel, assim conforme o polímero é quebrado a superfície da matriz da tinta vai se desgastando, o que acaba por expor constantemente a novas superfícies e liberando mais biocida. 4 Causando um efeito de autopolimento, onde novas superfícies são expostas constantemente (GODOI, 2003; ALMEIDA, 2007). Desta forma a liberação do biocida de acordo com Godoi (2003), é governada pela decomposição química do grupo TBT, ao invés da dissolução da partícula da tinta, a taxa de liberação da tinta copolímera é mais lenta que no caso das tintas de livre-associação, e a proteção contra a incrustração pode durar de 5 a 7 anos. Há ainda antiincrustantes do tipo matriz insolúvel, onde são usados ligantes de alta massa molecular (acrilicos, vinilicos ou de borracha clorada ) insolúveis em água do mar, possuem boas características de resistência mecânica e permitem integrar altas cargas de tóxicos, cujas partículas podem ficar em contacto direto umas com as outras (ALMEIDA, 2007). Em compostos insolúveis, acontece a lixiviação gradual das partículas, pois como o ligante não é solúvel, conforme ocorre a lixiviação dos agentes tóxicos, a água do mar difunde através dos poros deixados vagos por estes últimos, continuando a dissolver as partículas dos tóxicos seguintes (ALMEIDA, 2007). Porém conforme se distanciam da superfície do revestimento, a velocidade de lixiviação dos tóxicos vai decrescendo no tempo, tornando-se a proteção cada vez menos eficaz (F.MARSON, 1969 apud ALMEIDA, 2007). Apesar da grande eficiência das tintas anti-incrustantes a base de TBT, diversos problemas relacionados à sua elevada toxicidade ambiental começaram a surgir já na década de 1980, conseqüentemente levando a sua proibição global (CASTRO, 2011). O TBT vem sendo substituído principalmente por produtos baseados em óxidos de cobre com biocidas orgânicos (reforço) para melhorar a eficiência da formulação, inibindo o crescimento de organismos resistentes ao cobre. Pesquisas indicam que varias espécies de algas mostram tolerância fisiológica marcada ao cobre, assim atualmente diversos biocidas denominados como reforço estão sendo utilizados juntamente ao cobre para o controle de organismos incrustantes (VOULVOLIS et al., 1999). Dentre os biocidas incorporados nos anti-incrustantes de terceira geração encontram-se compostos orgânicos não metálicos como: Diuron, Irgarol 1051, Sea-Nine, Clorotalonil, Diclofluanida, Tiram, Busan (TCMTB), TCMS Piridina e Trifenilbornano Piridina. Já os compostos metálicos (orgânicos e inorgânicos) homologados para utilização são: Zinco Piritiona, Cobre Piritiona, Ziram, Maneb, Óxido Cuproso, Tiocianato de Cobre e Naftenato de Cobre (CASTRO 2011). As tintas antiincrustantes a base do óxido cuproso passaram a ser utilizadas a partir da metade do século XIX (GODOI, 2003). No entanto, as tintas à base de cobre se tornavam ineficientes em menos de um ano e, portanto, biocidas mais efetivos foram necessários (CASTRO 2011). 5 A toxicidade do cobre para organismos aquáticos está vinculada a fatores físicoquímicos como pH, salinidade, teor de carbono orgânico dissolvido e concentração do metal. Isso ocorre em virtude da tendência desse elemento em sofrer especiação, originando diferentes formas químicas de acordo com as características físico-químicas do ambiente, podendo estar na forma livre, ionizada ou até mesmo formar complexos com ligantes orgânicos e inorgânicos. Dessa forma, as diferentes espécies de cobre apresentaram biodisponibilidades e, consequentemente, toxicidades diferentes (BROOKS apud CASTRO 2011). Estudos de especiação realizado em águas costeiras indicam que mais de 99% do cobre total é fortemente ligado ou quelado com ligantes orgânicos, deixando a concentração de Cu 2 livre em níveis que não são tóxicos para a maioria dos organismos (VOULVOLIS et al., 1999). A taxa de degradação nem sempre é a mesma para os compostos tóxicos porque eles podem não estar biodisponiveis. Estudos de laboratório sugerem que existem diferenças consideráveis na degradação de biocidas. (BENVENUTTI, 2004) O Sea-Nine 211 é uma mistura comercial que possui 30% do ingrediente ativo (4,5Dicloro-2-n-octil-4-isotiazolin-3-ona ou DCOIT) em xileno. Esse biocida é um isotiazol que foi homologado para utilização como agente anti-incrustante pela Organização Marítima Internacional - IMO (JACOBSON, 2000) A biodegradação do composto é o principal responsável por sua meia-vida curta em água (geralmente <24 h) e sedimentos aquáticos (<1 h), em condições aeróbicas e anaeróbicas. (JACOBSON, 2000). A degradação ocorre normalmente pela abertura da porção cíclica da molécula, o que reduz a toxicidade de seus subprodutos numa ordem de magnitude de 4 a 5 vezes Uma vez liberado no meio aquático, o Sea-Nine forma complexos extremamente estáveis com os sedimentos, tornando-se pouco biodisponível e o rápido metabolismo efetivamente impede a bioacumulação do composto original em organismos aquáticos, resultando em um baixa bioacumulação( CASTRO, 2011.; JACOBSON,2000). O agente anti-incrustante Sea-Nine, diferentemente da maioria dos outros biocidas não-metálicos, quando devidamente formulado, pode proporcionar eficácia adicional contra cracas (JACOBSON,2000). Os constituintes básicos de uma tinta são compostos por: veículo fixo (resina), solventes (veículo volátil), aditivos e pigmentos. O veículo fixo ou não-volátil (resina) é o componente das tintas responsável por ligar ou aglomerar as partículas de pigmento, sendo o responsável direto pela continuidade e formação da película de tinta, e também pela maior parte das propriedades físico-químicas das mesmas (GENTIL, 2007). 6 Os solventes são substâncias usadas para solubilizar a resina, diminuir a viscosidade e facilitar a aplicação das tintas, os aditivos possuem a finalidade de melhorar certas características ou propriedades das tintas e os pigmentos são partículas sólidas, finamente divididas, insolúveis no veículo fixo, usados com a finalidade de obter proteção anticorrosiva, cor, opacidade, impermeabilidade e melhoria das características físicas da película (SANTOS, 2005). Ressalta-se que existem os pigmentos especiais que são utilizados com objetivos específicos, como por exemplo: os impermeabilizantes, os perolados, os fluorescentes e fosforescentes e os antiincrustantes “antifouling”(SANTOS, 2005 ). Diferenciando-se das tintas convencionais, as tintas antiincrustantes. De acordo com Almeida (2007), “são produtos de pintura, sistematicamente baseados na dispersão de tóxicos em ligantes poliméricos de natureza diversa, diferenciaram-se, ao longo das ultimas décadas em função dos diferentes mecanismos de lixiviação dos referidos tóxicos na água do mar“. Esses mecanismos são os responsáveis por características particulares de aplicação, comportamento e duração dos revestimentos antiincrustantes (ALMEIDA, 2007). 3. OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral Avaliar qualitativa e quantitativamente as incrustações de organismos marinhos em painéis artificiais com e sem tratamento antifouling na Enseada de Itapocoroy, município de Penha-SC. 3.2 Objetivos Específicos Avaliar e comparar a bioincrustação em painéis metálicos com e sem tratamento antifouling. Identificar e quantificar os organismos incrustantes nos painéis com e sem tratamento. 7 4. MATERIAIS E MÉTODOS 4.1 Caracterização da Área de estudo A área de estudo localiza-se no litoral norte do estado de Santa Catarina, na Enseada da Armação do Itapocoroy, Municipio de Penha. A enseada compoe uma extenção de aproximandamente 5.7 km e está situada entre as coordenadas 26º58‟ S e 48º35‟ W (Fig.1). Segundo MARENZI (1992) É uma região formada por diversas baias e enseadas, devido à intercalação de praias e costões rochosos originados de projeções menores da Serra do Mar em direção ao mar. Esta enseada está abrigada dos ventos fortes vindos do quadrante sul por um promotorio, pórem encontra-se exposta aos ventos provenientes do leste e nordeste, sendo este último o mais frequente na região, podendo atingir alto grau de intensidade (MARENZI 2002). A água predominante na enseada é a Água Costeira, formada pela diluição parcial das águas oceânicas pelo aporte continental proveniente principalmente do rio Itajaí-açu, com salinidade inferior a 33, e temperatura variando sazonalmente por efeitos de trocas térmicas locais, entre 18 e 28º entre inverno e verão. ( Resgalla Jr. & Schettini, 2006 ). Figura 1: Localização da Enseada da Armação do Itapocoroy. 8 4.2 Descrição do experimento Na Enseada de Itapocoroy, localizado entre as coordenadas 26º47‟ S e 48º36‟ W (Fig. 2), na região interna da enseada do Itapocoroy, a uma distancia de 300 m da costa, foi fundeada uma plataforma flutuante (balsa) de madeira de 2,5m X 3,0m, que foi considerada como ponto amostral neste trabalho (Fig.3). Esta região apresenta uma quantidade significativa de estruturas de cultivo de moluscos, esta alta densidade contribui conseqüentemente para abrigar e disponibilizar uma grande diversidade e biomassa de organismos incrustantes, conferindo ao local boas condições para o estudo realizado, pois quanto maior for a disponibilidade de larvas e probabilidade de haver incrustações nos painéis, melhor será a estimativa de análise, comportamento e eficiência do tratamento anti-fouling avaliado por este trabalho. Figura 2: Localização da balsa (base amostral), na região interna da Enseada da Armação do Itapocoroy. 9 Figura 3: Plataforma flutuante (ponto amostral). 4.3 Composição e monitoramento O experimento foi composto por painéis constituído por material metálico, com a finalidade de simular um substrato artificial estático submerso na água (ex: casco de embarcações). Foram utilizados 6 painéis revestidos com tratamento antifouling e 5 painéis sem tratamento, sendo estes usados como controle para avaliar a incrustação de organismos marinhos em substratos artificiais.Os dois lados dos painéis foram utilizados no estudo, denominados como A e B de cada painel, totalizando 12 replicas com tratamento e 10 replicas sem tratamento. Os painéis possuem 2,6 milímetros de espessura, peso unitário aproximado de 350 gramas e uma área de 15 cm x 45 cm (Fig.4), possuem uma abertura circular na porção superior de sua estrutura constituída de área circular de 19,63 cm ², esta área posteriormente para a analise do calculo da taxa de cobertura foi desconsiderada da área total do painel, salientando que esta abertura circular (área) foi objetivada apenas para a fixação dos painéis. Os painéis metálicos foram identificados através de etiquetas plásticas numeradas e posteriormente foram fixados em um cano de PVC de 50 milímetros, posicionados de maneira seqüencial e eqüidistantes (4 painéis/cano) com o espaçamento de 10cm entre eles ( Fig. 5) e com o auxilio de um cabo estes canos foram amarrados na plataforma flutuante (Fig.6), de maneira que os painéis ficassem constantemente submersos a profundidade media de aproximadamente 1 metro abaixo d‟água (Fig. 7). Tanto os painéis metálicos com e sem a tinta (tratamento antifouling) foram fornecidas pela WEG Industria S.A-Tintas, bem como as informações referentes a composição da tinta antifouling. 10 A B Figura 4: Painel com tratamento antifouling (A) e painel controle (B) respectivamente. A B Figura 5: Canos de PVC usados para fixação dos painéis (A) e a estrutura de fixação dos painéis pronta (B). Figura 6: Ancoragem dos painéis. 11 Figura 7: Painéis submersos na plataforma flutuante. 4.4 Painéis com tratamento antifouling Para avaliar a eficiência de um tratamento antifouling, foi usado um composto constituído por um biocida base e outro biocida acessório em painéis metálicos. A validade do tratamento foi de 6 meses (24 semanas). Está apresentada na tabela 1, informações referentes à composição do tratamento antifouling avaliado, como também imagens fotográficas dos painéis utilizados neste trabalho (Fig. 8). Tabela 1: Composição básica do composto antifouling avaliado. INFORMAÇÕES TRATAMENTO Nº PAINÉIS 6 VALIDADE 180 DIAS ESPESSURA DA TINTA 100-150 micrometros COMPOSTO PRINCIPAL Oxide cuproso % COMPOSTO PRINCIPAL 35% COMPOSTO ACESSORIO Sea Nine 211 % COMPOSTO ACESSORIO 2% RESINA Solúvel – breu % RESINA 20% SOLVENTE Xileno % SOLVENTE 30% PIGMENTOS (COR) Preto 12 Figura 8: Painéis com tratamento antifouling (A) e painéis controle (B) respectivamente. 4.5 Metodologia de Coleta O procedimento da retirada dos painéis com tratamento antifouling foi previsto para a data de sua validade (26 semanas ) e para os paineis controle foi estipulado em 13, 26 e 39 semanas, sendo um painel submerso em data posterior ao periodo de todos paineis, com a finalidade de avaliar uma diferença sazonal das bioincrustações.Segue abaixo a Tabela 2 contendo as datas de submersão e emersão dos paineis. 13 Tabela 2: Dados de submersão e emersão de todas as replicas. TRATAMENTO PAINEL (Nº) SUBMERSÃO (DATA) EMERSÃO (DATA) DIAS DE SUBMERÃO antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling antifouling controle controle controle controle controle controle controle controle controle 1-A 1-B 2-A 2-B 3-A 3-B 4-A 4-B 5-A 5-B 6-A 6-B 7-A 7-B 8-A 8-B 9-A 9-B 10-A 10-B 11-A 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 7/12/2010 23/5/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/2/2011 7/2/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 7/6/2011 23/8/2011 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 90 DIAS 90 DIAS 180 DIAS 180 DIAS 270 DIAS 270 DIAS 270 DIAS 270 DIAS 90 DIAS controle 11-B 23/5/2011 23/8/2011 90 DIAS 4.6 Processamento dos painéis Para verificar a eficiência do tratamento antifouling sobre os painéis com tratamento antifouling e supervisionar o processo de colonização dos organismos incrustantes em substratos artificiais (painéis controle), foi realizado semanalmente um monitoramento visual através de observações “in loco” e de registro fotográfico, dados mensais dos parâmetros físicos e químicos da água foram disponibilizados pelo laboratório de Oceanografia química. Após a emersão dos painéis com a finalidade de posteriormente calcular a taxa de cobertura por macroorganismos marinhos, foi feito um registro fotográfico final, onde foi padronizada uma distancia focal, altura e posição de uma câmera fotográfica a frente dos painéis. O programa utilizado para tal calculo, foi o arcGIS (Sistema de informação geográfica), onde todas as imagens foram georreferenciadas, conforme o tamanho real das placas, sendo feito manualmente a delimitação das áreas incrustadas, e posteriormente realizado o calculo de área pelo programa, finalmente chegando a porcentagem de área recoberta por organismos macrobêntonicos em cada painel. 14 Pós registros fotográficos finais de cada painel, em laboratório toda camada de organismos incrustantes aderidos aos painéis foi removida. Posteriormente a triagem foi realizada para cada painel, onde os organismos foram separados, segundo cada grupo zoológico em seguida estes organismos foram identificados, avaliados, contados, pesados e medidos. A camada incrustante de matéria orgânica, inorgânica e de detritos quando existente também foi coletada e pesada em balança analítica. Após este processo, foram tiradas fotos dos espécimes individualmente. A fauna coletada foi colocada dentro de recipientes de plástico onde foram fixados com formol 4%, etiquetada com informação referente à data, nome do projeto e o numero do painel para possíveis consultas posteriores referentes ao projeto. 4.7 Análise dos resultados Os resultados de biomassa, densidade, espécies, taxa de cobertura e altura máxima dos cirripedios obtidos em cada painel foram dispostos em planilhas e avaliados nas discussões. 15 5. RESULTADOS O desenvolvimento do experimento foi acompanhado em campo através de registros fotográficos e observações in situ, portanto todas as considerações feitas ao decorrer do experimento são baseadas (nestes registros) em tais restrições. Este fato impossibilitou qualquer afirmação de total exatidão. Os resultados estão subdivididos em painéis antifouling (painéis revestidos com uma tinta antifouling) sendo compostos por 6 painéis com lado A e B (numeração de 1 a 6) e painéis controle (sem tratamento de tinta antifouling), compostos por 5 painéis (numeração de 7 a 11). 5.1 Tratamento antifouling Foi observado na balsa que todos os painéis (1, 2, 3, 4, 5 e 6; lados A e B) com o tratamento antifouling após duas semanas de submersão apresentavam uma fina camada de sedimentos e detritos. Na quarta semana, a camada possuía coloração marrom, evidenciando aumento na espessura e às oito semanas ela recobria todo o painel. Esta camada posteriormente era formada por sedimentos, matéria orgânica e microorganismos (bactérias, protozoários, algas unicelulares) e detritos. Entretanto, a identificação macroscópica destes organismos nos painéis não foi realizada. Pois conforme comentado o objetivo do trabalho foi de verificar o desenvolvimento das incrustações dos organismos macrobêntonicos sobre os painéis. Apesar de ter sido observado o comportamento semelhante, para todos os painéis, com tratamento antifouling, independente dos lados, os resultados serão apresentados individualmente e analisados por lado A e lado B, após ter sido identificado a presença de macroorganismos. PAINEL 1-A (tratamento antifouling) No painel 1-A, após a nona semana de submersão do painel notou-se o assentamento de três organismos da família Balanidae, sendo que dois deles permaneceram por quatro semanas sobre o painel. (Fig. 9). 16 Figura 9: Painel 1-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. Além disso, foi verificado que na oitava semana de colonização do organismo, havia sobre este outro organismo assentando, caracterizando comportamento epibionte. Ao final do experimento, havia apenas dois organismos marinhos incrustantes colonizando o painel, estes organismos foram pesados juntos e apresentaram biomassa de 2,14 gramas, altura de 6,05 milímetros e 14 milímetros de diâmetro. Além dos organismos, o painel apresentava cobertura de sedimentos e detritos, que após a raspagem obteve o peso de 6,65 gramas. PAINEL 1-B (tratamento antifouling) No lado B do painel 1, após a décima segunda semana de submersão do painel, foi observado o assentamento de cinco organismos da família Balanidae. Entretanto, passadas duas semanas de fixação, um organismo havia desprendido e em quatro semanas, todos eles. Ao final deste período, havia apenas restos da carapaça de um individuo e marcas da aderência dos outros, indicando que o primeiro pode ter sido predado ou como os outros mortos em conseqüência da toxicidade do antiincrustante (biocida) aplicado (Fig.10). Figura 10: Painel 1-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. 17 Notou-se que em doze semanas de submersão a camada que recobria o painel já não era uniforme, voltando a apresentar homogeneidade na vigésima segunda semana. Ao final do experimento, havia sobre o painel apenas uma cobertura de sedimentos e detritos, com peso de 7,71 gramas. PAINEL 2-A (tratamento antifouling) No lado A do painel 2, observou-se na décima terceira semana de submersão, a colonização de três organismos da família Balanidae, sendo que, na décima sexta semana um deles não foi mais observado. O organismo localizado na parte superior do painel, na vigésima semana de submersão, foi recoberto pelo hidrozoário Pinauay ralphique (comportamento epibionte). Ambos permaneceram até o final do experimento, etapa em que o hidrozoário já recobria grande parte do corpo do balanideo. O organismo que havia colonizado na parte inferior do painel, na vigésima quarta semana não foi observado (Fig. 11). Figura 11: Painel 2-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. Ao final do experimento havia sobre o painel um organismo marinho incrustante da espécie Balanus arphitrite, localizado na parte superior do painel, com diâmetro de 23,1 milímetros, altura de 9,7 milímetros e biomassa de 6,21 gramas, o hidrozoário apresentava peso de 1,2 gramas. Havia também sobre o painel uma cobertura sedimentos e detritos pesando 12,39 gramas. PAINEL 2-B (tratamento antifouling) No lado B do painel 2, foi observado na vigésima segunda semana o assentamento de um organismo marinho incrustante. O organismo, da espécie Megabalanus coccopoma, permaneceu aderido sobre o painel até o final do experimento e seu diâmetro era de 8,4 18 milímetros, altura de 6,4 milímetros e biomassa de 1,89 gramas. Além do organismo, assim como nos outros painéis havia uma cobertura de sedimentos e detritos, pesando 8,98 gramas (Fig.12). Figura 12: Painel 2-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. PAINEL 3-A (tratamento antifouling) O painel 3-A durante todo o período de monitoramento do experimento não apresentou fixação de organismos incrustantes, havendo somente deposição de uma camada de sedimentos e detritos de peso igual a 3,6 gramas (Fig. 13). Figura 13: Painel 3-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. PAINEL 3-B (tratamento antifouling) No lado B do painel 3 , após a décima primeira semana de submersão observou-se a colonização de três organismos marinhos da família Balanidae. Passadas seis semanas foi constatado, que não havia mais organismos sobre o substrato. Porém neste mesmo período foi observado que dois organismos também da família Balanidae haviam colonizado o painel, ambos com tamanhos diferentes localizados um ao lado do outro. Estes permaneceram seis semanas colonizando o substrato (Fig.14) e ao final do experimento 19 estava aderido ao painel somente uma camada de sedimentos e detritos, de peso igual 3, 6 gramas. Figura 14: Painel 3-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. PAINEL 4-A (tratamento antifouling) Assim como o painel 3-A, durante todo o período de monitoramento, no painel 4-A não ocorreu incrustações de organismos marinhos, havendo apenas deposição de uma camada de sedimentos e detritos, onde esta ao final do experimento foi pesada obtendo 3,9 gramas (Fig.15). Figura 15: Painel 4-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. PAINEL 4-B (tratamento antifouling) O painel 4-B apresentou comportamento semelhante ao painel 3-A e 4-A, não ocorrendo fixação de organismos incrustantes, havendo apenas uma camada de sedimentos e detritos, que ao final do experimento foi pesada apresentando peso de 5,47 gramas (Fig. 16). 20 Figura 16: Painel 4-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. PAINEL 5-A No lado A do painel 5, após a décima primeira semana de submersão foi observada a presença de um organismo da família balanidae. Na décima terceira semana notou-se a presença de outros dois organismos de mesma família, localizados juntos na porção inferior do painel (Fig.17). Figura 17: Painel 5-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. Entretanto na vigésima terceira semana, verificou-se que o primeiro organismo a colonizar o painel já não estava mais presente. Ao final do experimento o painel possuía aderido a ele dois organismos identificados como da espécie Megabalanus coccopoma, uma vez que se encontravam aderidos um ao outro, foram pesados e medidos juntos, os organismos obtinham diâmetro de 2,9 milímetros, altura de 8,8 milímetros e biomassa de 3,76 gramas. A camada de sedimentos e detritos obteve peso igual a 4,77 gramas. PAINEL 5-B (tratamento antifouling) No lado B do painel 5, após treze semanas de submersão foi observada a colonização de um organismo da família balanidae, passadas dez semanas este organismo 21 não era observado. Ao final do experimento o painel apresentava apenas uma camada de sedimentos e detritos, após ser pesada foi constatado que seu peso era de 5,23 gramas (Fig. 18). Figura 18: Painel 5-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. PAINEL 6-A (tratamento antifouling) O lado A do painel 6, na décima terceira semana de submersão apresentava a colonização de quatro organismos da família balanidae. Passadas seis semanas observouse que apenas dois organismos permaneciam assentados sobre o painel, após este período notou-se o assentamento de mais organismos sobre eles, (comportamento epibionte) e ao redor, resultando em dois pequenos blocos de balanideos sobre o painel (Fig.19). Figura 19: Painel 6-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. Ao final do experimento, os dois blocos de balanideos já não se encontravam colonizando a placa, contendo aderida ao painel apenas uma camada de sedimentos e detritos de peso igual a 3,7 gramas. 22 PAINEL 6-B (tratamento antifouling) No lado B do painel 6, após a décima terceira semana de submersão foi observada a presença de dois organismos da família balanidae, que permaneceram três semanas sobre o painel (Fig. 20). Figura 20: Painel 6-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água (período de dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. Na décima sétima semana, observou-se a colonização de um novo organismo da mesma família sobre o painel. Após este período notou-se que outros dois organismos assentaram próximos um ao outro, formando um pequeno bloco de balanideos da espécie Megabalanus coccopoma. Ao final do experimento permaneciam aderidos ao substrato apenas os dois últimos organismos a colonizar o painel. Estes obtinham juntos, o diâmetro de 16,55 milímetros, altura de 1,2 milímetros e biomassa de 1,68 gramas. Além deste pequeno bloco de Megabalanus coccopoma, o painel apresentava uma camada de sedimentos e detritos de peso igual a 3,32 gramas. 23 Os resultados finais referentes aos painéis com tratamento antifouling estão apresentados na tabela abaixo (Tabela 3). Tabela 3: Taxa de cobertura, peso total de material aderido, peso da camada de detritos, peso total dos organismos, número de organismos, número de espécies, altura dos balanideos, e espécies dos macroorganismos nos painéis com tratamento antifouling. Resultados finais - tratamento antifouling PAINEL 1-A 1-B 2-A 2-B TAXA COBERTURA [%] 0.22 0.00 0.36 0.11 PESO TOTAL [g] PESO CAMADA DETRITOS [g] PESO ORGANISMOS INCRUSTANTES [g] Nº ORG 7,79 5,65 2,14 2 7,71 7,71 - 0 9,45 8,98 1,89 1 18,6 12,39 6,21 1 Nº ESPÉCIES *ALTURA BALANIDEOS [mm] 1 1 1 5,3 6,4 9,7 3-A 0.00 3-B 0.00 3,36 3,36 - 0 - 4-A 0.00 3,9 3,9 - 0 - - 4-B 0.00 5,47 5,47 - 0 - - 5-A 0.00 5,23 5,23 - 0 8,53 4,77 3,76 2 3,67 3,67 - 0 5-B 6-A 6-B 0.1 0.00 0.22 3,6 5,0 3,6 3,32 - 1,86 0 - - 3 1 1 8,8 ESPÉCIES Balanus arphitrite Balanus arphitrite Megabalanus coccopoma Megabalanus coccopoma 1,2 Megabalanus coccopoma * Altura do maior Balanideo encontrado Ao analisar a Tabela 3, verifica-se que em 7 dos 12 lados dos substratos disponíveis, não ocorreu fixação de organismos macrobêntonicos. A fixação de organismos marinhos ocorreu em 5 dos 12 lados dos painéis avaliados e, os únicos organismos que se desenvolveram foram cracas (cirripédios) da família Balanidae. Estas apresentaram biomassa mínima de 1,86 e máxima de 6,21 gramas. Alguns dos organismos que conseguiam se fixar no substrato, só apareceram após a oitava, nona ou décima semana de submersão, porem apesar da validade da tinta ser de 24 semanas, foram poucos os organismos que assentaram e muitos deles se ausentaram passados em media quatro semanas de colonização. Além disso, deve ser ressaltado que os painéis permaneceram estáticos, e se estivessem em movimento isso dificultaria o assentamento dos organismos. 24 5.2 Painéis controle (sem tratamento antifouling) PAINEL 7-A (3 meses de submersão) - verão Foi observada em campo na primeira semana de submersão, a presença de uma translucida película, recobrindo o painel. Esta película não foi analisada microscopicamente, no entanto, segundo diversos autores, ela é composta de matéria orgânica adsorvida, material inorgânico e microorganismos marinhos formando uma microincrustação. Notou-se na segunda semana de submersão (Fig.21) que esta película foi recoberta pela colonização de um organismo incrustante macrobêntonico. Este foi identificado como um hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi (apêndices Fig 57), sendo este, portanto, o pioneiro na colonização do substrato, apresentando discreto recobrimento sobre a superfície do painel. Figura 21: Painel 7-A (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro de 2010 até janeiro de 2011) respectivamente. Passadas duas semanas da colonização do hidrozoário colonial Pinauay ralphi, notou-se sua ausência sobre o painel e ao mesmo tempo a presença de diversas espécies das classes cirripedia e ascidiacea recobrindo o substrato. Ao final da sexta semana de submersão os organismos que apresentaram maior destaque pertenciam a classe ascideacea recobrindo quase todo o substrato, assumindo que as espécies predominantes eram coloniais (Trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile),(apêndices Fig. 48 e 52). Alem das ascideas havia sete colônias do hidrozoário Schizoporella unicornis (Apêndices Fig. 56). Ao acompanhar o desenvolvimento destes organismos sobre o painel foi possível notar que na sétima semana de submersão estes organismos apresentaram acréscimo em biomassa, pois já recobriam todo o painel. 25 Na nona semana de submersão (Fig.22), verificou-se que a ascidia predominante era da espécie colonial Trididemnum orbiculatum, pois esta recobria quase todo o painel, observou-se também a presença de outras espécies de ascideas, dentre estas apenas uma era solitária podendo-se notar visivelmente um grande numero desta (Styela plicata) (apêndices Fig. 50), que pôde ser identificada facilmente devido a sua vasta abundancia na área de estudo. Na décima semana, além do acréscimo em biomassa das ascideas foi observado que os cirripédios apresentavam alta densidade porem se encontravam recobertos por diversas ascidias coloniais. Figura 22: Painel 7-A (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (janeiro a março de 2011) respectivamente. A cobertura de organismos da ascidia Styela plicata aumentou gradativamente em relação ao tempo, observando na décima segunda semana seu pico de dominância sobre o painel (substrato). Neste mesmo período pôde-se notar um aumento no assentamento e na densidade de cirripedios da família balanidae (apêndices Fig.42, 43 e 44) sobre este painel. Na décima terceira semana de experimento foi verificado um decréscimo de alguns organismos da espécie Styela plicata recobrindo o painel, possibilitando o assentamento de novos indivíduos da família balanidae. No entanto algumas espécies de ascidias coloniais, ainda recobriam parte do substrato e dos balanideos. Ao final do experimento foi possível visualizar melhor os organismos incrustantes que recobriam o painel. Os organismos que obtinham maior biomassa foram respectivamente da família balanidae, classe das ascideas e bivalves (apêndices Fig.45 e 46). Os balanideos apresentaram alturas significativas, obtendo em media valores entre 24 e 27 milímetros, as maiores espessuras chegaram a 41,8 milímetros. A biomassa incrustante que recobria todo painel ao final de treze semanas foi de 699,68 gramas, onde esta foi distribuída entre as espécies dos balanideos, (392,01), 26 Ascideas (307,70 gramas) e bivalvia (0,22 gramas). As ascideas coloniais devido a fragilidade e por estarem muito misturadas foram pesadas todas juntas. Os dados finais do painel, referente a espécies, biomassa e densidade dos organismos estão apresentados na tabela 4. Tabela 4: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Classe Bivalvia Ascidiacea Ascidiacea Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Descrição de espécies (Painel 7-A) Biomassa Espécie (gramas) Perna perna 0.22 Botrylloides nigrum Trididemnum orbiculatum 85.27 Styela plicata 222 Megabalanus coccopoma 310.8 Balanus amphitrite 74.19 Cirripedia Balanus improvisus Total 7 Nº organismos 1 colonial 23 380 107 7.2 5 699,68 516 PAINEL 7-B (3 meses de submersão) - verão De acordo com o que pôde se observar na figuras 16 e 17, o painel 7-B, mesmo estando do lado oposto do substrato (painel 7-A), apresentou comportamento semelhante ao painel 7-A. A colonização ocorreu de forma e velocidade similar em ambos os lados do painel 7. Na primeira semana de submersão foi observada a formação de uma fina película translucida, possivelmente formada pela deposição de matéria orgânica, inorgânica e colonização de microrganismos marinhos (microincrustação), esta logo foi recoberta pelo hidrozoário Pinauay ralphi que colonizou todo o painel na segunda semana (Fig.23). 27 Figura 23: Painel 7-B (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro de 2010 a janeiro de 2011) respectivamente. Na quinta semana foi possível observar a ausência do Hidrozoário pioneiro e a presença de diversas espécies de ascideas que começavam a apresentar ampla cobertura sobre o substrato na sexta semana de submersão. Notou-se também que a maior cobertura era representada pela espécie colonial Trididemnum orbiculatum, seguida da espécie Lissoclinum fragile e do hidrozoario colonial Schizoporella unicornis. Logo na oitava semana, além das ascideas coloniais a ascidia solitária Styela plicata apresentava grande número de indivíduos notando-se também a presença de organismos da família Balanidae. Após nove semanas de experimento notava-se que indivíduos da espécie Styela plicata apresentavam maior cobertura sobre o substrato, observando o seu acréscimo em biomassa até a décima segunda semana de submersão (Fig. 24), período em que a espécie Trididemnum orbiculatum já não recobria grande parte do painel, o que provavelmente possibilitou neste período o maior assentamento de balanideos sobre o substrato. Na semana seguinte observou-se em campo a ausência da maioria dos organismos da espécie Styela plicata. 28 Figura 24: Painel 7-B (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Ao final do experimento grande parte do substrato se encontrava recoberto por balanideos, ascideas e bivalves, seguindo tal ordem em abundancia. A cobertura incrustante final apresentava peso de 408,11 gramas, sendo esta composta por balanideos (303,60 gramas), ascideas (93,00 gramas) e bivalvia (11,63 gramas). Os balanideos apresentavam altura significativa com valores que variavam entre 24 e 32 milímetros. Tabela 5: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Classe Bivalvia Bivalvia Bivalvia Hidrozoa Ascidiacea Ascidiacea Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Descrição de espécies (Painel 7-B) Biomassa Espécie (gramas) Stramonita haemastoma 9,3 Ostrea.sp 1 Perna perna 1,2 Schizoporella unicornis 9,5 Botrylloides nigrum 2,8 Trididemnum orbiculatum 7,7 Styela plicata 73,0 Megabalanus coccopoma 223,0 Balanus amphitrite 76,5 Cirripedia Balanus improvisus Total 10 Nº organismos 1 2 1 colonial colonial colonial 7 350 90 4,11 4 408,11 454 29 PAINEL 8-A (6 meses de submersão) As primeiras treze semanas de submersão do painel 8-A foram compostas por um comportamento de sucessão ecológica de organismos sésseis, sendo muitos destes semelhantes aos observados no painel 7-A e 7-B. Na primeira semana de submersão pôde ser observada em campo assim como nos dois lados do painel 7 a presença de uma fina e transparente película formada pela adsorção de matéria orgânica, inorgânica e a colonização de microrganismos marinhos. (microincrustação), sequencialmente uma semana depois esta já estava recoberta pelo hidrozoário Pinauay ralphi. Após cinco semanas submerso, o painel apresentava ampla área recoberta por diferentes espécies de ascideas e balanideos que recobriram o hidrozoário, obtendo maior destaque a ascidea colonial didemnum orbiculatum, que na sexta semana recobria quase todo o painel (Fig. 25). Figura 25: Painel 8-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Foi possível observar após nove semanas de experimento um acréscimo em biomassa dos organismos que já recobriam o substrato. Dentre as ascideas mais representativas estavam às espécies Trididemnum orbiculatum e Styela plicata. Apesar de grande parte dos balanideos neste período obterem sua carapaça calcaria recoberta por ascideas coloniais, foi possível notar uma alta densidade destes sobre o painel. Após treze semanas, foi observada a ausência de grande parte da colônia de Trididemnum orbiculatum e de organismos de Styela plicata recobrindo o substrato. Também foi notado visualmente neste período, que os balanideos apresentavam maior biomassa e densidade, porem a maioria ainda possuía diversas colônias de ascideas recobrindo parte de suas carapaças. Observou-se também a presença de um organismo da espécie Phallusia nigra (apêndices Fig.51), uma colônia da espécie Didemnum perlucidum 30 (apêndices Fig.46),(ascideas) e uma colônia do briozoário Bugula neritina (apêndices Fig.48) (Fig. 26). Figura 26: Painel 8-A (branco), após respectivamente, 15, 18, 20, 23 e 26 dias de submersão (período de dezembro de 2010 até junho de 2011). Conforme o espaço foi se tornando um fator limitante no substrato, os Balanideos tiveram comportamento epibionte e começaram a assentar sobre outros organismos de mesma classe formando grandes blocos que ocasionaram em significativas espessuras da camada incrustante sobre o substrato. Ao final do experimento foi possível medir mais precisamente a altura desses blocos, os valores variaram entre 24 e 54 milímetros. Ao final do experimento a camada total de organismos incrustantes apresentava peso de 1311,05 gramas, os organismos mais representantes foram da família Balanidae (1193,19 gramas). Na tabela 6, estão representados os organismos incrustantes encontrados sobre o painel 8-A. Deve-se ressaltar que não foi possível separar os Balanideos em nível de espécie, pois estes se encontravam aglomerados de maneira complexa, no entanto foi observado que a espécie que obteve maior representatividade foi a Megabalanus coccopoma. 31 Tabela 6: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Classe Hidrozoa Hidrozoa Bivalvia Bivalvia Gastrophoda Ascidiacea Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Cirripedia Descrição de espécies (Painel 8-A) Biomassa total Espécie (gramas) Schizoporella unicormis 13,94 Pinauay ralphi 20,54 Bugula neritina 23,11 Perna perna 5,78 Ostrea. Sp 3,10 Estramonita haemastoma 1,37 Didemnum perlucidum 22,75 Styela plicata 27,27 Megabalanus coccopoma Balanus amphitrite Balanus improvisus 1193,19 Total 11 1311,05 Nº organismos colonial colonial colonial 4 2 2 colonial 11 880 899 PAINEL 8-B (6 meses de submersão) No lado B do painel 8, foi possível observar na primeira semana de submersão assim como nos painéis anteriores a presença de uma fina e transparente película provavelmente formada pela adsorção de matéria orgânica, inorgânica e microrganismos marinhos sobre o painel. Após uma semana notou-se que esta película havia sido recoberta pelo hidrozoário Pinauay ralphi. Passados duas semanas da colonização do hidrozoário pioneiro, notou-se que este havia sido recoberta por diversas espécies de ascideas, balanideos e 3 colônias do hidrozoário Schizoporella unicormis. A espécie que apresentou maior representatividade neste período foi a ascidea colonial trididemnum orbiculatum seguida da espécie Lissoclinum fragile e Styela plicata, onde estas recobriam quase todo painel na sexta semana de submersão (Fig. 27). 32 Figura 27: Painel 8-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas dias de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Na nona semana de experimento a ascidea de Trididemnum orbiculatum recobria todo o painel, alem desta ascidea foi possível visualizar melhor a presença de outras como a espécie Styela plicata e Botryllus niger (apêndices Fig. 49). Foi observado tambem que muitas ascideas colonizavam sobre outras ascideas e sobre a carapaça dos balanideos (comportamento epibionte). Notou-se em campo que até a decima terceira semana de submersão os organismos tendenciaram a um acrescimo em biomassa, porem após este periodo observou-se a ausencia de uma grande area recoberta pelas ascideas Trididemnum orbiculatum e Styela plicata (Fig. 28). Figura 28: Painel 8-B (branco), após, 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até junho de 2011) respectivamente. Na décima quinta semana de submersão observou-se a predominância dos balanideos sobre o painel e a presença de novos espaços vazios, que logo foram colonizados. Foi notado assim como no painel 8-A que os organismos tiveram comportamento epibionte e começaram a assentar sobre outros organismos mesmo estes 33 sendo de mesma classe. O que no caso dos balanideos resultou na formação de grandes blocos que formaram espessuras significantes com o decorrer do tempo. Ao final do experimento a espessura incrustante foi medida e os maiores valores chegaram a 58,9 milímetros, a camada incrustante que recobria o painel obteve peso total de 1135,31 gramas, os balanideos representavam 1026,32 gramas, deste peso. A tabela 5 demonstra dados dos organismos incrustantes encontrados sobre o painel 8-B. Tabela 7: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies (Painel 8-B) Classe Hidrozoa Hidrozoa Bryozoa Bivalvia Bivalvia Ascidiacea Ascidiacea Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Cirripedia Total Espécie Schizoporella unicormis Bugula neritina Pinauay ralphi Ostrea sp. Perna perna Didemnum perlucidum Botrylloides nigrum Styela plicata Megabalanus coccopoma Balanus amphitrite Balanus improvisus Biomassa total (gramas) 8,58 2,12 14,06 5,13 34,93 6,25 1,68 36,24 N º organismos colonial colonial colonial 20 9 colonial colonial 14 1026,32 823 11 1135,31 866 PAINEL 9-A (9 meses de submersão) No painel 9-A foi observado visualmente assim como nos outros painéis descritos anteriormente a presença inicial de uma translucida película, recobrindo o painel, após a primeira semana de submersão. A película foi recoberta seqüencialmente pelo hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi, que na sexta semana se encontrava totalmente recoberto pelas ascideas coloniais Trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile,(Fig. 29). 34 Figura 29: Painel 9-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Após nove semanas de submersão notou-se uma alta diversidade de espécies de ascideas e balanideos colonizando o painel. As ascideas mais representativas foram trididemnum orbiculatum, Styela plicata, Botrylloides nigrum (apêndices Fig.54) e Lissoclinum fragile que obtiveram grande cobertura sobre o substrato até a décima segunda semana de experimento. Foi observado também que os Balanideos apresentavam colonização significativa, porem a maioria dos organismos se encontrava recoberto por ascideas coloniais (comportamento epibionte). Notou-se temporalmente pelas observações que até a décima segunda semana os organismos tendenciaram a um acrescimo em biomassa e densidade, porem na decima terceira semana foi verificado a ausencia de uma grande área recoberta pelas ascideas trididemnum orbiculatum e Styela plicata que dominavam o substrato. Com quinze semanas de submersão, foi possível observar a ausência da maioria das ascideas recobrindo o substrato, como também a presença de espaços vazios deixados por estas, resultando na predominância dos balanideos sobre o painel (Fig.30). Figura 30: Painel 9-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. Após a décima oitava semana de submersão foi observado um grande recrutamento de organismos da família Balanidae, assim como a colonização de ascideas das espécies 35 Trididemnum orbiculatum, Styela plicata e Didemnum perlucidum sobre os Balanideos. Foi constatado que conforme aumentou o tempo de submersão, a camada incrustante destes organismos cresceu gradativamente em espessura, pois os Balanideos acabavam por ser colonizados por novos recrutas de mesma família, resultando em grandes aglomerações que acentuavam em altura. Na vigésima sexta semana foi observado a presença da ascidea de espécie Botryllus Níger e do Porífera Mycale microsigmatosa. Na vigésima nona semana de submersão o substrato se encontrava incrustado de tal maneira que era muito difícil o acesso ao painel tanto para registrar imagens fotográficas, como também para uma visualização mais detalhada. Ao final do experimento na medida do possível os organismos foram separados, identificados, contados e pesados. Alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as maiores alturas chegaram a 61,4 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos organismos incrustantes foi de 3040,59 gramas. Tabela 8: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies ( Painel 9-A) Classe Bivalvia Bivalvia Briozoa Hidrozoa Espécie Ostrea.sp Perna perna Bugula neritina Pinauay ralphi Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Cirripedia Styela plicata Megabalanus coccopoma Balanus amphitrite Balanus improvisus 11 Total Biomassa total (gramas) 29,31 75,35 270,16 10,79 N ºorganismos 20 32 colonial colonial 331,19 71 2314,54 863 3040,59 1180 PAINEL 9-B (9 meses de submersão) O lado B do painel 9, assim como nos painéis anteriores apresentou na primeira semana de submersão uma translucida película, recobrindo o painel. Esta película foi recoberta pelo hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi na segunda semana. Observou-se na sexta semana a presença de outras espécies que recobriam todo hidrozoário, haviam as ascideas coloniais Trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile, e três colônias do hidrozoário Schizoporella unicornis (Fig. 31). 36 Figura 31: Painel 9-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Após nove semanas de submersão notou-se que as ascideas recobriam grande parte do painel, alguns indivíduos da família balanidae também foram observados porem em baixo número. As ascideas coloniais que recobriam o painel foram trididemnum orbiculatum, Botrylloides nigrum e Lissoclinum fragile e a ascidea solitária Styela plicata. Na décima segunda semana notava-se um grande aumento de cobertura e biomassa das ascideas sobre o painel, os balanideos apresentavam grande densidade, porém muitos se encontravam recobertos por ascideas coloniais (comportamento epibionte). Foi observada na décima terceira semana de submersão, a ausência de muitas das espécies de ascideas, deixando alguns espaços vazios no painel. Na décima sexta semana, já era possível notar a ausência da quase todas as ascideas, a dominância de organismos da família balanidae colonizando o substrato e vários espaços vazios no painel (Fig. 32). Figura 32: Painel 9-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. Após a décima oitava semana de submersão notou-se grande numero de organismos da família Balanidae, assim como a colonização das espécies Didemnum perlucidum e Trididemnum orbiculatum da classe ascidiacea que recobriam os balanideos. 37 Na vigésima semana os balanideos dominavam o painel, mas se encontravam recobertos por ascideas coloniais. Observou-se também a presença de um organismo de coloração alaranjada da classe demospongiae, espécie Mycale microsigmatosa. Na vigésima sexta semana de submersão os organismos que colonizavam o painel apresentavam um grande aumento de biomassa, e os balanideos como descrito anteriormente no painel 9-A, apresentavam grandes aglomerações que acentuavam em altura até o final. Na vigésima nona semana de submersão o substrato se encontrava muito incrustado dificultando o acesso ao painel para observações e imagens fotográficas. Com trinta e seis semanas de submersão o painel foi retirado da água, e pôde-se notar a presença de balanideos, colônias de Briozoarios, ascideas e demospongiae. Alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as maiores alturas chegaram a 55,3 milímetros e o peso total da camada recoberta pelos organismos incrustante foi de 2293,91 gramas, na tabela 9 estão apresentados os dados finais dos organismos. Tabela 9: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies ( Painel 9-B) Classe Bivalvia Bivalvia Briozoa Ascidiacea Ascidiacea Demospongiae Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Cirripedia Total Espécie Perna perna Ostrea.sp Bugula neritina Botryllus niger Didemnum perlucidum Mycale microsigmatosa Styela plicata Megabalanus coccopoma Balanus amphitrite Balanus improvisus Biomassa total (gramas) 28,61 7,17 200,78 3,35 6,16 7,8 262,39 N ºorganismos 10 13 colonial colonial colonial colonial 65 1959,54 891 11 2293,91 1257 PAINEL 10-A (9 meses de submersão) Foi observado no painel 10-A assim como nos outros painéis a presença de uma translucida película, recobrindo o painel na primeira semana de submersão. Na segunda semana o hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi, recobria todo o painel, porem notou-se que na sexta semana o painel se encontrava recoberto pelas ascideas coloniais 38 trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile e uma colônia do hidrozoário Schizoporella unicornis (Fig. 33). Figura 33: Painel 10-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Na nona semana de submersão foi possível notar que alem das ascideas, observadas na sexta semana, haviam as espécies Lissoclinum fragile e Styela plicata recobrindo o painel, como também uma grande densidade de organismos da classe dos cirripedios, família Balanidae, no entanto a maioria dos indivíduos desta família se encontravam recobertos por ascideas colônias ( comportamento epibionte). Até a décima segunda semana observou-se um grande acréscimo na biomassa dos organismos que colonizavam o substrato. Na décima terceira semana notou-se a ausência de uma grande area recoberta pelas ascideas.Na decima quinta semana foi possivel verifivar varios espaços sem a cobertura de organismos e que praticamente todas as espécias de ascideas haviam se ausentado do painel permanecendo apenas os organismos da familia Balanidae e uma ascidea solitária da espécie Phallusia nigra (Fig. 34). Figura 34: Painel 10-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas dias de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. 39 Após dezoito semanas de submersão, foi possível observar que além dos balanideos havia a presença da ascidea colonial da espécie Trididemnum orbiculatum, indivíduos da espécie Styela plicata e uma colônia do hidrozoario Pinauay ralphi recobrindo o painel. Notou-se na vigésima terceira semana, o aumento da colonização de balanideos tanto sobre o painel como também sobre outros balanideos adultos. Após este período foi possível notar o aumento da camada incrustante, resultando em uma grande espessura incrustante, o que dificultou o acesso ao painel após 24 semanas de submersão. Ao final do experimento, alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as maiores alturas chegaram a 58,2 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos organismos incrustante foi de 3635,6 gramas. Tabela 10:Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies ( Painel 10-A) Biomassa total (gramas) N ºorganismos Ostrea.sp 18,88 23 Bivalvia Perna perna 56,83 49 Briozoa Bugula neritina 214,8 colonial Hidrozoa Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Cirripedia Pinauay ralphi Styela plicata Megabalanus coccopoma Balanus amphitrite Balanus improvisus 11,28 482,88 colonial 123 2850,93 1320 8 3635,6 1515 Classe Espécie Bivalvia Total PAINEL 10-B (9 meses de submersão) O painel 10-B na primeira semana de submersão, assim como no lado A, apresentava uma translucida película, recobrindo o painel, sendo recoberta na segunda semana pelo hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi. Observou-se que na sexta semana o hidrozoário se encontrava recoberto por organismos da classe ascideacea. As ascideas que recobriam o painel eram coloniais das espécies Trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile, além das ascideas notou-se a presença de uma pequena colônia do hidrozoário Schizoporella unicornis (Fig. 35). 40 Figura 35: Painel 10-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. Após nove semanas de submersão observou-se que além das ascideas, haviam organismos da classe dos cirripedios colonizando o painel, notava-se que as ascideas coloniais recobriam os indivíduos da família Balanidae (comportamento epibionte). Contatou-se também a presença de organismos da ascidea solitária da espécie Styela plicata como também da ascidea colonial Botrylloides nigrum. Na décima terceira semana de submersão notou-se a ausência de alguns organismos, porem os Balanideos ainda apresentavam grande colonização no painel. Após dezesseis semanas de submersão, foi possível observar a ausência das ascideas recobrindo o substrato, como também os espaços vazios deixados. Notou-se também a predominância dos balanideos sobre o painel e a presença de uma colônia do hidrozoário Pinauay ralphi (Fig.36). Figura 36: Painel 10-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. Na décima oitava semana de submersão, foi observada a presença das ascideas Botrylloides nigrum e Trididemnum orbiculatum recobrindo novamente o painel. Na vigésima terceira semana o painel estava totalmente recoberto por balanideos, observou-se também 41 a presença de alguns organismos da ascidea Styela plicata e uma colônia da ascidea Botryllus Níger. Após vinte seis semanas de submersão o painel apresentava uma grande camada de espessura causada pelo grande assentamento de balanideos, sobre outros (comportamento epibionte). Ao final do experimento alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as maiores alturas chegaram 82,3 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos organismos incrustante foi de 3297,5 gramas. Tabela 11: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies ( Painel 10-B) Classe Espécie Biomassa total (gramas) N ºorganismos Bivalvia Bivalvia Briozoa Hidrozoa Ostrea.sp 10,02 26 Perna perna Bugula neritina Pinauay ralphi 33,37 89,96 4,08 30 colonial colonial Ascidiacea Styela plicata 427,71 84 Cirripedia Megabalanus coccopoma Cirripedia Balanus amphitrite Cirripedia Balanus improvisus 2732,36 1303 3297,5 1443 Total 8 PAINEL 11-A (3 meses de submersão) - inverno O painel 11 foi submerso em período diferente aos outros painéis, em data posterior, ocasionalmente no inicio do inverno, o que resultou em um comportamento de bioincrustação diferente dos outros painéis controle. Na segunda semana de submersão foi observada visualmente a presença de uma translucida película, recobrindo o painel, provavelmente esta seja composta por microorganismos marinhos, que formaram uma película compacta de microalgas ( microincrustação),(Fig. 37). 42 Figura 37: Painel 11-A (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011). Notou-se na quarta semana de submersão que esta película foi recoberta pela colonização de um organismo incrustante macrobêntonico, sendo este identificado como um hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi. Na quinta semana de submersão observouse a presença de algumas colônias do hidrozoário Schizoporella unicormis, das ascideas trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile e alguns organismos das espécies de balanideos Balanus improvisus e Balanus amphitrite. Após treze semanas de experimento estas recobriam grande parte do painel. Ao final do experimento as maiores alturas dos balanideos chegaram 5,6 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos organismos incrustante foi de 58,58 gramas. Tabela 12: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-A, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies ( Painel 11-A) Classe Bivalvia Briozoa Hidrozoa Ascidiacea Ascidiacea Espécie Perna perna Bugula neritina Pinauay ralphi Trididemnum orbiculatum Didemnum perlucidum Balanus improvisus Cirripedia Balanus amphitrite Total 6 Biomassa total (gramas) 3,05 3,24 40,47 3,61 2,70 N ºorganismos 66 colonial colonial colonial colonial 5,51 30 58,58 66 PAINEL 11-B (3 meses de submersão) - inverno No lado B do painel 11, foi observada visualmente na segunda semana de submersão a presença de uma translucida película, recobrindo o painel, provavelmente esta seja composta por matéria orgânica, inorgânica e microorganismos marinhos (Fig. 38). 43 Figura 38: Painel 11-B (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão (período de março de 2011 até junho de 2011). Notou-se na quarta semana de submersão que esta película foi recoberta pela colonização do hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi. Na oitava semana de submersão observou-se a presença de algumas pequenas colônias do hidrozoário Schizoporella unicormis, das ascideas trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile e alguns organismos das espécies de balanideos. Após treze semanas de experimento o hidrozoário Pinauay ralphi recobria grande parte do substrato. Ao final do experimento as alturas dos balanideos foram medidas e chegaram 8,7 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos organismos incrustante foi de 96,89 gramas. Tabela 13: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-B, representados seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. Descrição de espécies ( Painel 11-B) Classe Bivalvia Briozoa Hidrozoa Ascidiacea Ascidiacea Cirripedia Cirripedia Total Espécie Perna perna Bugula neritina Pinauay ralphi Styela plicata Didemnum perlucidum Megabalanus coccopoma Balanus improvisus Biomassa total (gramas) 1,93 1,35 82,98 0,83 1,57 2,3 5,93 N ºorganismos 26 colonial colonial 4 colonial 2 25 7 96,89 57 Com relação aos painéis controles, conforme é possível observar na tabela 14, foi verificado um aumento na biomassa incrustada, numero de organismos e espessura dos Balanideos ao longo do período de imersão. 44 Tabela 14: Dados finais dos painéis controle Resultados Finais - painéis controle PAINEL TAXA DE COBERTURA [%] BIOMASSA FINAL [g] Nº DE ORGANISMOS Nº DE ESPECIES ENCONTRADAS ALTURA MAXIMA* [mm] 7-A 99,37 699 616 7 41.80 7-B 92.60 408.11 454 10 32.05 8-A 100.00 1311.05 899 11 82.90 8-B 100.00 1135.31 866 11 58.90 9-A 100.00 3040.59 1180 11 61.40 9-B 100.00 2293.91 1257 11 59.00 10-A 100.00 3635.6 1515 8 58.00 10-B 100.00 3297.5 1443 8 82.30 11-A 100.00 58.58 66 6 5.60 11-B 100.00 96.89 57 7 8.70 * altura do maior ballanideo encontrado A baixo o gráfico 39 representa a biomassa final encontrada sobre cada painel experimental demonstrando claramente, grande diferença entre os valores encontrados nos painéis antifouling e controles. Figura 39: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis antifouling ( 1 a 6 ) e controles ( 7 a 11) respectivamente. A figura 40 apresenta gradativamente a biomassa incrustada nos painéis controle ao longo do período de submersão, com a biomassa total de cada painel, evidenciando claramente o aumento da biomassa ao longo do tempo. Além da grande diferença da 45 biomassa final dos painéis 7 (submerso no verão) e 11 (submerso no inverno), que permaneceram tempo igual submersos. Figura 40: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis controle, submersos respectivamente por 12 (verão), 24, 36, 36 e 12 (inverno) semanas. A figura 41 compara a biomassa final dos painéis antifouling com o painel controle que ficou submerso por 180 dias, mesmo periodo dos antifouling, representando nitidamente a grande diferença entre o painel controle e os painéis antifouling. Figura 41: Gráfico comparando a biomassa final dos painéis antifouling (1 a 6 ) e do painel controle 8, submerso por mesmo período. 46 Os organismos foram identificados com o auxilio do Professor Doutor Adriano Marenzi, como também por guias de identificação e trabalhos relacionados a área de estudo (Tabela 15). . Tabela 15: Lista de espécies identificadas nos painéis metálicos. LISTA DE ESPÉCIES BIOINCRUSTANTES FILO CLASSE Cnidária Hidrozoa ESPÉCIE Schizoporella unicornis Pinauay ralphi Bryozoa Gymnolaemata Bugula neritina Urochordata Asciadiacea Didemnum perlucidum Lissoclinum fragile Botryllus niger Trididemnum orbiculatum Styela plicata Phallusia nigra Botrylloides nigrum Porifera Demospongiae Mycale microsigmatosa Molusca Bivalvia Perna perna Ostrea sp. Gatropoda Stramonita haemastoma Arthropoda Cirripédia Balanus amphitrite Balanus improvisus Megabalanus coccopoma 47 5.3 Parâmetros físicos e químicos Com relação aos parâmetros físicos químicos observados durante o período amostral (Tabela 16), foi possível observar que não houve muitas variações ambientais durante o período amostral, as maiores temperaturas foram observadas em fevereiro com media de 27.7°C e as menores foram no mês de julho com 18 °C. Notou-se que com o aumento da temperatura houve maiores incrustações, principalmente de organismos da classe dos cirripedios. Os parâmetros ambientais não foram limitantes para o desenvolvimento das incrustações, pois durante todo período de submersão dos painéis ocorreram incrustações de organismos marinhos, variando apenas em biomassa e espécies entre o inverno e o verão. Tabela 16: Relação da media dos parâmetros físicos do ponto amostral. Mês Temperatura Salinidade Unidade 09/2010 10/2010 11/2010 12/2010 01/2011 02/2011 03/2011 04/2011 05/2011 06/2011 07/2011 08/2011 °C 19 22.5 23 23 25.5 27.7 24.5 24.3 21.5 18.7 18 18.9 ppm 30 31 31 32 30 29.8 31.3 32.5 32 34 32 31 pH OD% OD Turbidez Condutividade 8.12 7.71 7.21 7.46 7.4 8.29 8.13 6.04 8 8 7.7 7.7 % 94.8 104.3 76.2 74.5 75.5 86.69 85.49 74.5 93.7 94.6 92.5 93.1 mg/L 7.24 7.64 5.32 5.32 5.32 5.765 5.96 5.28 6.85 7.17 6.6 7.17 NTU 11.7 2.9 11.3 12.8 13.2 12.86 14.8 16.97 5.1 5 6 3.6 mS/cm 46.82 47.7 48.3 50.28 49.3 48.47 47.69 49.38 46.22 46.33 45.7 42.8 48 6. DISCUSSÕES A colonização de um substrato por organismos é conhecida como recrutamento, resultando no processo de colonização de habitats por organismos marinhos com vida planctônica, este envolve três fases: o desenvolvimento do organismo; a exploração do habitat e o seu estabelecimento (SILVA, 2003). A colonização dos organismos foi verificada no presente trabalho em todos os painéis controle, iniciando na primeira semana com a formação de uma película de microrganismos marinhos (microincrustação). Segundo MACHADO (2006) esta fase começa com a formação de uma camada de material orgânico dissolvido, em seguida, ocorre a colonização por bactérias e algas unicelulares. Estes colonizadores formam um biofilme, também conhecido como microbioincrustação. As diatomáceas predominam em biofilmes e sua adesão ao substrato se dá através de substâncias poliméricas extracelulares pegajosas. Após a divisão das células há a formação de colônias que podem ficar juntas, originando um biofilme compacto. Este processo de sucessão ecológica foi observado em todos os painéis controles, sendo que da estruturação especifica deste processo esteve diretamente relacionada aos fatores abióticos e bióticos da área de estudo, como o ciclo de vida dos organismos, fatores físicos, disponibilidade de larvas, interações biológicas como competição interespecífica por espaço e comportamento epibionte, influenciando diretamente na ordem, desenvolvimento, formação e rapidez da colonização nos painéis. Os painéis controle na segunda semana estavam recobertos por um hidrozoário colonial de aspecto gramíneo (Pinauay ralphi). De acordo com CABRAL (2010) hidrozoários são conhecidos por sua característica oportunista e pioneira e são os organismos mais favorecidos na disponibilidade de substratos limpos. Estas espécies pioneiras podem ser classificadas como r estrategistas, pois apresentam rápida colonização, crescimento e baixa longevidade. Este autor observou o desenvolvimento inicial de hidrozoários sobre substratos artificiais resultou em rápido crescimento e desaparecimento das colônias (14 dias), ou por serem fracos competidores, ou por apresentarem crescimento exponencial acabando por inibir o desenvolvimento de novas colônias tanto pela competição por alimento como também por espaço. No presente estudo o hidrozoário permaneceu duas semanas recobrindo os painéis, entretanto se observou que não houve um desenvolvimento deste organismo, este foi recoberto por duas ascideas coloniais das espécies Trididemnum orbiculatum, e Lissoclinum 49 fragile. As espécies pioneiras podem preparar o substrato para que outras espécies o colonizem, dividir o espaço com elas ou inibir seu estabelecimento (MACHADO, 2006). Sugere-se duas possibilidades para tal comportamento, ou as espécies de ascideas após assentarem e se desenvolverem acabaram inibindo o crescimento do hidrozoário (competição por espaço) ou até mesmo o hidrozoário não conseguiu se desenvolver por possuir curto ciclo de vida. As ascideas colonizaram grande parte do substrato, sendo em sua maioria espécies coloniais, no entanto houve grande ocorrência e biomassa de uma espécie solitária, a Styela plicata. Os cirripedios também colonizavam o substrato e começaram a apresentar um maior destaque na décima semana de imersão, período de altas temperaturas. Após a décima quinta semana foi observado que algumas espécies de ascideas haviam sumido e deixado espaços vazios, o que proporcionou em um grande assentamento dos cirripedios. Após o substrato ser totalmente colonizado notou-se o recrutamento de novos indivíduos sobre os cirripedios adultos, este comportamento se refere à epibiose. Segundo CORDEIRO (2002) A interação do tipo epibiose é definida como a associação de organismos a substratos animados (organismos vivos) e, esta interação pode trazer uma série de benefícios ou não ao epibionte, os cirripedios constituem uma parcela representativa dos organismos que praticam a colonização de superfícies animadas. Os cirripedios dominaram o substrato ao final do experimento tanto nos painéis emersos após 12 semanas como também após 24 e 36 semanas. O comportamento epibionte resultou em altas espessuras sobre os painéis, atingindo até 8,3 centímetros. Os dois painéis controles que permaneceram submersos doze semanas, em períodos diferentes, foram comparados em relação à ocorrência de espécies, biomassa e desenvolvimento dos organismos incrustantes. O painel 7 foi imerso no inicio do verão enquanto que o painel 11 foi imerso no inicio do inverno. Apesar de ambos apresentarem padrões diferentes na sucessão ecológica do substrato é importante ressaltar que, os dois apresentaram rápida colonização e obtiveram biomassa final consideravelmente alta, enquanto que o painel 7 apresentou 1107,1 gramas o painel 11 obteve 115,4 gramas. Segundo NERY, (2008) as regiões tropicais, nas quais a temperatura da água é mais elevada e com pouca variação sazonal, quando comparada com águas de regiões temperadas, observa-se um contínuo processo de colonização por parte dos organismos incrustantes, o que proporciona uma rápida sucessão ecológica e, conseqüentemente, uma elevada biomassa. Notou-se claramente grande diferença entre a colonização sobre os painéis. A colonização no painel imerso no verão foi composta por diversas espécies de cirripedios da 50 família balanidae, obtiveram maior biomassa e maior abundancia. As espécies verificadas mais abundantes foram Megabalanus coccopoma, Balanus amphitrite e Balanus improvisus respectivamente, alem de ascideas, hidrozoarios e bivalves. O painel imerso no inverno apresentou maior colonização por hidrozoários e ascideas seguidos de poucos indivíduos da família balanidae apenas das espécies Balanus amphitrite e Balanus improvisus, que obtiveram alturas baixas em relação às alturas dos balanideos que colonizaram no verão, enquanto no painel 7 as maiores alturas chegaram a 41.8 milímetros. No painel 11 estas foram até 8.7 milímetros. Além disso após 12 semanas de imersão a biomassa final do painel 11 chegou ao maximo de 100 gramas em cada lado. De acordo com Silva et al. (1980) a temperatura é o elemento determinante no tipo de incrustação, afirmando que regiões mais quentes apresentam maior riqueza de fauna e flora incrustantes. Outros estudos confirmam que existe um padrão diferente nas incrustações biológicas entre o verão e o inverno. SEVERINO (2000) estudou a variação sazonal dos cirripedios na Armação do Itapocoroy, concluindo que as maiores ocorrências dos estágios mais avançados de desenvolvimento das larvas de cirripédias, foram concentradas nos meses mais quentes, indicando períodos de intenso assentamento de Balanideos no fim da primavera e inicio do verão. Fato este que pode ser confirmado pela intensa colonização dos balanideos nos painéis submersos no verão. Isto pode estar relacionado a maior disponibilidade de fictoplâncton nos períodos mais quentes, já que estes servem de alimento e são essênciais para desenvolvimento larval dos balanideos. O estudo realizado por MACHADO (2007) com a finalidade de conhecer a taxa de recrutamento de organismos incrustantes em Porto belo, Santa Catarina, também mostrou que os cirripédios recrutaram preferencialmente no verão. Essa tendência pôde ser observada em todos os painéis controle que foram submersos no verão, com exceção do painel submerso no inverno, que obteve baixa colonização por balanideos. Os resultados obtidos em grande parte dos painéis controle, assim como no estudo feito por SEVERINO (2000), apontam que os Balanideos que apresentaram maior ocorrência e abundancia foram da espécie Megabalanus coccopoma, seguida por Balanus amphitrite e Balanus improvisus. Em todos os painéis metálicos com tratamento antifouling submersos pelo experimento foi possível observar visualmente em campo a presença de uma primeira fase de recobrimento do substrato, pela formação de uma camada de matéria orgânica, inorgânica e detritos aderidos a quase toda superfície do substrato. Esta camada apresentava uma fraca aderência sobre os painéis com tratamento antifouling, de maneira que qualquer movimento e/ou atrito sobre o substrato acabava por ser removida. Esta camada faz parte do inicio da primeira fase da microincrustação, nas 51 primeiras horas de imersão de substratos rígidos na água, ocorre um acumulo inicial de orgânicos adsorvidos (moléculas orgânicas de proteínas, polissacarídeos, glicoproteínas e outras) seguido da aderência de bactérias e algas unicelulares que crescem criando um microfilme que subseqüentemente, provê alimento suficiente para permitir a fixação de microalgas (BALDISSERA, 2003 .; CHAMBERS et al , 2006). Apesar da não ter sido possível realizar a analise detalhada do conteúdo da camada em microscópio, observou-se macroscopicamente a provável ocorrência dos dois estágios da primeira fase da microincrustação sobre todos os painéis com tratamento antifouling, havendo um acréscimo temporal deste acumulo sobre o substrato. No entanto o ultimo estagio para a que ocorra a microincrustação, não foi visualizado igualmente nos painéis controle e tratamento, ocorrendo em um curto período de tempo sobre o controle que logo formou um biofilme de microalgas na primeira semana de submersão (microincrustação) seqüencialmente dando lugar aos macroorganismos marinhos (incrustação). Nos painéis com tratamento antifouling o último estagio da microincrustação não foi observado, pois não foi possível notar a presença de uma película compacta formada por microalgas, somente um acumulo de matéria orgânica e inorgânica que acumulou conforme o tempo de submersão. A ação dos compostos usados no tratamento antifouling empregado sobre os painéis com tratamento, provavelmente apresentou influencia sobre as microalgas que normalmente teriam aderido e formado um biofilme sobre os painéis. Durante o experimento foi observado que alguns organismos que conseguiam assentar sobre os painéis com tratamento antifouling, permaneciam curto período de tempo, variando entre 30 a 70 dias. Fato este que pôde ser visivelmente observado pela fraca aderência destes sobre o substrato revestido com antifouling, isso ficou claro quando pelo simples toque sobre o organismo resultava em sua remoção, fato que foi difícil de ocorrer nos substratos controle. Os cirripedios exploram a superfície do substrato através de um par de órgãos sensoriais e secretam uma substância adesiva a partir de glândulas unicelulares. Esta fase é chamada de exploratória, já que as larvas têm a capacidade de se soltarem do substrato, caso detectem algum tipo de problema. A substância adesiva temporária que é deixada para trás neste caso, é resistente à biodegradação e pode agir como um sinalizador para outras larvas (MACHADO 2007). As porcentagens de cobertura de organismos incrustantes sobre os painéis controle representaram em praticamente todos os painéis 100%, com exceção apenas nos painéis 7-A e 7-B (submersos por 12 semanas), estas foram de 92,6% e 99.3% respectivamente. Este padrão foi completamente inverso para os painéis com tratamento antifouling, que em sua maioria obteve 0% e quando ocorreram os valores obtiveram um máximo de 0,36%. Através 52 destes dados pode-se afirmar que o tratamento antifouling foi eficiente em repelir organismos incrustantes. Diferenças na densidade, riqueza e composição das espécies incrustantes foram observadas entre os painéis controle e antifouling, com maiores valores registrados nos controles, onde os maiores valores de perda da comunidade foram observados nos painéis com tratamento antifouling. Através de observações em campo durante todo o experimento tanto nos painéis controle como também nos painéis com tratamento, foi possível visualizar os organismos mais freqüentes em substratos metálicos com e sem cobertura antifouling, como também ao final do experimento foi possível identificar tais espécies. A única classe de organismos incrustantes que conseguiu aderir ao substrato revestido pelo composto antifouling avaliado foi os Cirripedios da família balanidae, espécies Megabalanus coccopoma e Balanus amphitrite. Entretanto as biomassas dos organismos incrustantes não passaram de 6,2 gramas. Quando houve incrustações, estas ocorreram após 12 semanas de submersão, pois como relatado na metodologia os painéis permaneciam estáticos, facilitando o assentamento de larvas de organismos marinhos. Nos painéis controle as espécies mais abundantes seguiram a seguinte ordem: - Balanideos das espécies Megabalanus coccopoma, Balanus amphitrite e Balanus improvisus. - Ascideas das espécies Styela plicata, trididemnum orbiculatum, Botrylloides nigrum, Didemnum perlucidum e Botryllus Níger. - Bivalves das espécies Perna perna e Ostrea.sp.. - Hidrozoários das espécies Pinauay ralphi e Schizoporella unicornis. - Gymnolaemata da espécie Bugula neritina. Outras espécies associadas ao substrato foram encontradas freqüentemente sobre os painéis. No entanto estas não foram classificadas no trabalho, pois estas não fazem parte dos organismos incrustantes. Dentre estas estão organismos das classes: melacostraca, polychaeta e osteichthyes. 53 7. CONCLUSÃO De acordo com o que foi proposto no objetivo geral, em fazer uma avaliação qualitativa e quantitativa de incrustações de organismos marinhos em painéis artificiais com tratamento antifouling, Verificou-se que os poucos organismos que chegavam a assentar sobre o painel permaneciam pouco tempo aderidos. Foi constatado ao final do experimento que todos os painéis com tratamento antifouling obtiveram baixa ou nenhuma incrustação de organismos incrustantes. Os únicos organismos que conseguiram aderir aos painéis com tratamento antifouling foram crustáceos da classe dos cirripédios, família balanidae. As espécies encontradas foram Megabalanus coccopoma e Balanus arphitrite, obtendo maior destaque a primeira. Os organismos que foram efetivamente repelidos pelo antifoulig em comparativo as espécies freqüentes nos painéis controle pertencem as classes: ascideacea, bivalvia, hydrozoa e Gymnolaemata. Os resultados obtidos por este estudo confirmam a tendência de que revestimentos antiincrustantes à base de cobre dificultam a colonização de organismos incrustantes, reduzindo consideravelmente a colonização, densidade e riqueza de espécies incrustantes. Existe uma tendência de que um novo substrato lançado no ambiente marinho seja colonizado mais rapidamente e que possua maior biomassa no verão do que se a mesma superfície se encontrasse no inverno ou ainda se a superfície do substrato estiver revestida por um sistema de defesa ( antifouling). 54 8. REFERENCIAS ALMEIDA, E.; DIAMANTINO, T.; SOUSA, O. 2006. Breve história das tintas antivegetativas . Corros. Prot. Mater, Vol. 26, N.1 , p. 6-12, 2007. BATISTA, William Romão et al. Avaliação da atividade antiincrustante . Revista Pesquisa Naval, Brasilia, n. 19, p.140-145, 2006. BALDISSERA, F. Desenvolvimento de tinta antifouling não – convencional para proteção de embarcações e estruturas metálicas. 2008. 147 p. 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