UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DA TERRA E DO MAR
CURSO DE OCEANOGRAFIA
Incrustações de organismos marinhos em
painéis artificiais com e sem tratamento de
tinta anti-fouling, disponibilizados na Armação
do Itapocoroy, Penha, SC.
Thayná da Cruz Queiroz
Itajaí
2011
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DA TERRA E DO MAR
CURSO DE OCEANOGRAFIA
Incrustações de organismos marinhos em
painéis artificiais com e sem tratamento de
tinta anti-fouling, disponibilizados na Armação
do Itapocoroy, Penha, SC.
Thayná da Cruz Queiroz
Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso
de Oceanografia, para a obtenção de grau em
Oceanografia.
Orientador: Gilberto Caetano Manzoni
Itajaí
2011
i
Dedicatória
Este trabalho é dedicado a minha família, por todo o sacrifício feito para me ajudar a concluir
este ciclo da minha vida.
ii
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer primeiramente ao Prof. Dr. Gilberto Caetano Manzoni
por ter me dado a oportunidade de desenvolver este trabalho, orientador e também
por ter estado presente em todos os momentos de dúvidas e dificuldades.
Ao Prof° Dr. Adriano Marenzi que colaborou com a confirmação da
identificação de alguns espécimes.
A Empresa Weg por ter permitido a realização deste trabalho e colaborado
com o acesso a algumas informações.
Ao Laboratório de Oceanografia Química por ter disponibilizado os dados
físico químicos da área de estudo.
Ao pessoal da Penha, sempre prestativos e gentis, a Zi, o Renatinho,
Jeferson, Reges e Kadu.
A minha família por ter sempre me apoiado nesta jornada.
Á todos os meus colegas da faculdade por estar presente em todos esses
anos, pela parceria e amizade.
A todos os meus amigos, por terem me aturado, apoiado e ajudado durante
todo esse ano, especialmente a Angelina, Marcos, Mauricio, Gabriel, Roberto
Renata, Marina e Sara.
iii
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS ................................................................................................. III
LISTA DE FIGURAS .................................................................................................. V
LISTA DE TABELAS .............................................................................................. VIII
RESUMO................................................................................................................... IX
1.
INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1
2.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................... 4
3.
OBJETIVOS......................................................................................................... 7
3.1 Objetivo Geral .................................................................................................... 7
3.2 Objetivos Específicos......................................................................................... 7
4.
MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................... 8
4.1 Caracterização da Área de estudo .................................................................... 8
4.2 Descrição do experimento ................................................................................. 9
4.3 Composição e monitoramento ......................................................................... 10
4.4 Painéis com tratamento antifouling .................................................................. 12
4.5 Metodologia de Coleta ..................................................................................... 13
4.6 Processamento dos painéis ............................................................................. 14
5.
RESULTADOS .................................................................................................. 16
5.1 Tratamento antifouling ..................................................................................... 16
5.2 Painéis controle (sem tratamento antifouling) .................................................. 25
5.3 Parâmetros físicos e químicos ......................................................................... 48
6.
DISCUSSÕES.................................................................................................... 49
7.
CONCLUSÃO .................................................................................................... 54
8.
REFERENCIAS ................................................................................................. 55
APÊNDICES ............................................................................................................. 58
iv
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Localização da Enseada da Armação do Itapocoroy. .................................. 8
Figura 2: Localização da balsa (base amostral), na região interna da Enseada da
Armação do Itapocoroy. .............................................................................................. 9
Figura 3: Plataforma flutuante (ponto amostral). ....................................................... 10
Figura 4: Painel com tratamento antifouling (A) e painel controle (B) respectivamente.
.................................................................................................................................. 11
Figura 5: Canos de PVC usados para fixação dos painéis (A) e a estrutura de fixação
dos painéis pronta (B). .............................................................................................. 11
Figura 6: Ancoragem dos painéis. ............................................................................. 11
Figura 7: Painéis submersos na plataforma flutuante. .............................................. 12
Figura 8: Painéis com tratamento antifouling (A) e painéis controle (B)
respectivamente. ....................................................................................................... 13
Figura 9: Painel 1-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 17
Figura 10: Painel 1-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 17
Figura 11: Painel 2-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 18
Figura 12: Painel 2-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 19
Figura 13: Painel 3-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 19
Figura 14: Painel 3-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 20
Figura 15: Painel 4-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 20
Figura 16: Painel 4-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 21
Figura 17: Painel 5-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 21
v
Figura 18: Painel 5-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente. ............................................ 22
Figura 19: Painel 6-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ......................................... 22
Figura 20: Painel 6-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(período de dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente. ....................... 23
Figura 21: Painel 7-A (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro
de 2010 até janeiro de 2011) respectivamente. ........................................................ 25
Figura 22: Painel 7-A (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (janeiro
a março de 2011) respectivamente. .......................................................................... 26
Figura 23: Painel 7-B (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro
de 2010 a janeiro de 2011) respectivamente. ........................................................... 28
Figura 24: Painel 7-B (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão
(dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ....................................... 29
Figura 25: Painel 8-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão
(período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 30
Figura 26: Painel 8-A (branco), após respectivamente, 15, 18, 20, 23 e 26 dias de
submersão (período de dezembro de 2010 até junho de 2011). ............................... 31
Figura 27: Painel 8-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas dias de submersão
(período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 33
Figura 28: Painel 8-B (branco), após, 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão
(período de dezembro de 2010 até junho de 2011) respectivamente. ...................... 33
Figura 29: Painel 9-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão de
submersão (período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. .. 35
Figura 30: Painel 9-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão
(período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. ............................ 35
Figura 31: Painel 9-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão
(período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 37
Figura 32: Painel 9-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão
(período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. ............................ 37
Figura 33: Painel 10-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão
(período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 39
vi
Figura 34: Painel 10-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas dias de
submersão (período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente........... 39
Figura 35: Painel 10-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão
(período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente. ..................... 41
Figura 36: Painel 10-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão
(período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente. ............................ 41
Figura 37: Painel 11-A (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão
(período de março de 2011 até junho de 2011). ....................................................... 43
Figura 38: Painel 11-B (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão
(período de março de 2011 até junho de 2011). ....................................................... 44
Figura 39: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis antifouling ( 1 a 6 ) e
controles ( 7 a 11) respectivamente. ......................................................................... 45
Figura 40: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis controle, submersos
respectivamente por 12 (verão), 24, 36, 36 e 12 (inverno) semanas. ....................... 46
Figura 41: Gráfico comparando a biomassa final dos painéis antifouling (1 a 6 ) e do
painel controle 8, submerso por mesmo período. ..................................................... 46
Figura 42: Balanus amphitrite.................................................................................... 58
Figura 43: Balanus improvisus .................................................................................. 58
Figura 44: Megabalanus coccopoma ........................................................................ 58
Figura 45: Perna perna ............................................................................................. 59
Figura 46: Ostrea. Sp ................................................................................................ 59
Figura 47: Estramonita haemastoma ........................................................................ 59
Figura 48: Trididemnum orbiculatum ......................................................................... 59
Figura 49: Botryllus Níger .......................................................................................... 59
Figura 50: Estyela plicata .......................................................................................... 60
Figura51: Phallusia nigra ........................................................................................... 60
Figura 52:Lissoclinum fragile ..................................................................................... 60
Figura 53:Didemnum perlucidum .............................................................................. 60
Figura 54:Botrylloides nigrum .................................................................................... 60
Figura 55: Bugula neritina ......................................................................................... 61
Figura 56: Schizoporella unicormis ........................................................................... 61
Figura 57: Pinauay ralphi........................................................................................... 61
vii
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Composição básica do composto antifouling avaliado. ............................. 12
Tabela 2: Dados de submersão e emersão de todas as replicas. ............................. 14
Tabela 3: Taxa de cobertura, peso total de material aderido, peso da camada de
detritos, peso total dos organismos, número de organismos, número de espécies,
altura dos balanideos, e espécies dos macroorganismos nos painéis com tratamento
antifouling. ................................................................................................................. 24
Tabela 4: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 27
Tabela 5: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 29
Tabela 6: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 32
Tabela 7: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 34
Tabela 8: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 36
Tabela 9: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 38
Tabela 10:Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 40
Tabela 11: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 42
Tabela 12: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 43
Tabela 13: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade. .................................... 44
Tabela 14: Dados finais dos painéis controle ............................................................ 45
Tabela 15: Lista de espécies identificadas nos painéis metálicos. ............................ 47
Tabela 16: Relação da media dos parâmetros físicos do ponto amostral. ................ 48
viii
RESUMO
Substratos artificiais são considerados ambientes bentônicos e acabam colonizados
por espécies incrustantes que vivem acima do substrato (epifauna). As incrustações
de organismos marinhos em substratos causam diversos prejuízos econômicos, que
promovem a necessidade de manutenção destes substratos, aumentando custos
com mão de obra. Outro prejuízo é a possibilidade de introdução de espécies
exóticas, podendo inclusive causar um desequilíbrio da cadeia trófica. A fim de
resolver esses problemas, na década de 60 houve á introdução de um biocida, o
tributil estanho (TBT) que possui alta eficiência em repelir os incrustantes marinhos.
Porém sua composição é altamente tóxica podendo causar diversos problemas para
os organismos marinhos e conseqüentemente, para o homem. Devido a estes
fatores o uso da tinta a báse de TBT foi banido e estudos e pesquisas começaram a
serem desenvolvidos a fim de substituir o TBT por compostos menos tóxicos e logo
novas tintas antifouling vem sendo introduzidas no mercado. Este trabalho tem como
finalidade avaliar a bioincrustação em substratos metálicos como também a
eficiência de uma tinta anti-fouling, composta por óxido de cobre produzida pela
empresa WEG - Indústrias de Tintas. Para atingir estes objetivos foram submersos
no verão de 2010, painéis metálicos (15 x 40 cm) revestidos com tinta anti-fouling e
painéis controle (sem composto antifouling) numa balsa fixada na Enseada da
Armação do Itapocoroy-Penha. Após vinte quatro semanas (validade da tinta), os
painéis foram retirados e posteriormente analisados em laboratório, onde os
organismos incrustantes foram identificados e quantificados em comparação com
painéis sem tratamento. Ao final das análises, foi possível verificar que o composto
antifouling avaliado apresentava grande eficiência em repelir os incrustantes.Nos
substratos controle os organismos apresentaram acréscimo em biomassa ao longo
do tempo, com maior abundancia no verão, onde a biomassa incrustante chegou a
atingir 3635,6 gramas após 36 semanas de submersão, em apenas uma face do
painel. Os organismos mais freqüentes e abundantes foram espécies da família dos
Balanideos(cracas).
Palavras chave: Antiincrustante, Bioincrustação, Substratos artificiais
ix
1. INTRODUÇÃO
A comunidade bentônica ocorre desde a região costeira até águas profundas, possui
uma enorme diversidade de espécies sendo estas de diferentes hábitos de vida. Alguns
organismos vivem fixos (sésseis) outros se locomovem sobre o substrato, quando se fixam
são definidos como organismos incrustantes. Segundo Wahl (1989) “incrustação de
organismos bentônicos é um processo de colonização de uma superfície sólida, viva ou
morta”.
Os organismos marinhos sésseis na etapa inicial de sua vida apresentam uma fase
larval ao qual fazem parte do plâncton, onde ficam à deriva no mar com a perspectiva de
que coincida o momento em que precisam assentar com a disponibilidade de um substrato
para se fixarem e crescerem, e enfim começarem o inicio da fase adulta. Este processo de
fixação de organismos em um substrato (superfície) é conhecido como bioincrustação
(RACCO, 2003).
Precedendo a bioincrustação propriamente dita, ocorrem diferentes estágios sobre o
substrato que viabilizam a fixação de organismos macrobêntonicos. Iniciam-se quando o
substrato é submerso na água, nos primeiros minutos, ocorre uma acumulação inicial de
orgânicos adsorvidos (moléculas orgânicas de proteínas, polissacarídeos, glicoproteínas e
outras) na superfície do substrato. Após esta adsorção em um período de 24 horas,
bactérias e algas unicelulares crescem criando um microfilme que subseqüentemente,
provêm alimentos suficientes para permitir a fixação de microalgas criando um biofilme
(microincrustação) deixando o substrato com condições favoráveis para a colonização de
macroorganismos marinhos. Em torno de 2 semanas de imersão do substrato o biofilme
formado permitirá o assentamento de larvas e o possível crescimento de organismos como
as macroalgas e invertebrados marinhos.(BALDISSERA, 2003.; CHAMBERS et al , 2006).
Dentre os principais organismos da comunidade macrobêntonica incrustante, que se
fixam em substratos artificiais, estão às algas (verdes, pardas e vermelhas) e os
invertebrados que possuem uma grande variedade em sua composição física, podem ser
subdivididos em organismos com estrutura rígida (Balanos, Anatifes, Bivalves, Briozoarios e
poliquetas tubicolas), organismos arbustivos (Hidroides e Briozoarios) e organismos de
estrutura mole (Ascidias, Esponjas e Actinias) (ALMEIDA, 2007).
As características, extensão e intensidade da bioincrustação variam sazonalmente e
espacialmente. Dentre os principais fatores que condicionam a bioincrustação estão o tipo
de substrato (natureza do material, rugosidade, forma, entre outros) além de fatores físicos
da água e do ambiente de submersão como: salinidade, temperatura, incidência de luz,
disponibilidade de nutrientes e circulação da água. (BATISTA, 2006).
1
Substratos artificiais como plataformas, estruturas de cultivos, pilastras, tanques
redes de peixes, trapiches, embarcações entre outras estruturas flutuantes artificiais são
considerados ambientes bentônicos e acabam colonizados por espécies incrustantes que
vivem acima do substrato (epifauna). As incrustações de organismos marinhos nestes
substratos causam diversos prejuízos econômicos. A exemplo disso ressalta-se a
interferência de organismos incrustantes no desempenho de embarcações e no cultivo de
organismos marinhos, dentre outras atividades antropogênicas.
O crescimento das incrustações nos cascos das embarcações é tido como um sério
e recalcitrante problema, devido ao fato de promover a diminuição da velocidade final da
embarcação e sua manobrabilidade, obstruírem janelas de resfriamento, aumentar o gasto
de combustível e obrigar as docagens ou imobilizações mais freqüentes. Estimativas
apontam que a presença de 5% de incrustação no casco pode aumentar o gasto com
combustível em 17%, e 1mm de espessura de lodo no casco pode causar a perda de 15%
de velocidade final (LEWIS, 2001 apud BATISTA et al, 2006).
Além dos problemas econômicos os substratos artificiais criam oportunidades para a
colonização de espécies não nativas e funcionam como um reservatório de espécies
exóticas, aumentando as chances de colonização do ambiente natural por essas espécies
(GLASBY et al, 2007 apud KREMER, 2008). Segundo Carlton (1999) espécies invasoras
são responsáveis não só por alterações nas comunidades nativas, com perdas na
diversidade local, mas também por grandes perdas econômicas devido aos danos causados
pelas incrustações biológicas em plataformas, usinas, pilares, piers e embarcações e pelos
impactos sobre os recursos pesqueiros.
A fim de resolver tais problemas diversas misturas letais foram formuladas para a
aplicação em substratos submersos na forma de tintas chamadas antiincrustantes. Mas foi
apenas no início dos anos 60, que houve a introdução de um biocida altamente eficiente em
repelir a incrustação da macrofauna marinha, formado à base de Tri-butil estanho (TBT).
De acordo com Castro (2011), esses compostos foram amplamente empregados na
década de 80 e chegaram a revestir 90% dos cascos de navios em operação no mundo. A
ampla utilização das tintas à base de TBT, provavelmente está atrelada a sua alta
durabilidade e eficiência no processo antiincrustrante.
Entretanto, estudos comprovaram que composições à base do TBT podem causar
diversos impactos ambientais, prejudicando os organismos marinhos da coluna d‟água e
conseqüentemente o homem. A preocupação dos problemas caudados por este composto
na forma de tintas antiincrustantes surgiu no início dos anos 80 quando ficou claro através
de pesquisas seu verdadeiro efeito negativo sobre o ambiente marinho (GODOI, 2003, p.
710).
2
Através de evidências de pesquisas realizadas sobre o efeito prejudicial de
compostos Tri-butil estanho (TBT) sobre a reprodução e o crescimento de várias formas de
vida marinha, foi iniciada a ação de muitos países em regular ou proibir o uso do TBT em
tintas antifouling. Devido a tais problemas causados pelo TBT o Comitê de Proteção ao Meio
Ambiente Marinho (MEPC), pertencente à Organização Marítima Internacional (IMO), de
acordo com Batista (2006) adotaram uma resolução recomendando que os governos
aplicassem medidas para restringir o uso de tintas antiincrustantes com base no TBT.
Essa medida resultou em 1999 em uma assembléia com a IMO, onde foi
estabelecido que a partir de janeiro de 2003 ações seriam aplicadas afim de assegurar que
em 1º de janeiro 2003 se estabeleceria a proibição global de aplicação destes compostos
como tintas antiincrustante, estipulando um prazo limite para até 1º de janeiro de 2008
(BATISTA, 2006). No entanto sabe-se que alguns países em desenvolvimento ainda utilizam
estes compostos. No Brasil não há registros de estudos feitos sobre impactos provocados
pelos
compostos
organoestânicos
em
tintas
anti-incrustrantes,
no
entanto
pela
RESOLUÇÃO do CONAMA Nº 357 de 09/05/2005, os valores para qualidade de água, de
concentrações máximas de TBT permitidas são de 0,01 μg/L (águas salinas de classe I) e
de 0,37 μg/L ( águas salinas de classe II). Alem disso segundo as normas da autoridade
marítima brasileira, que dizem respeito ao controle de sistemas antiincrustantes danosos em
embarcações (portaria 076/2007, NORMAN-23/DPC) „‟ Todas as embarcações sujeitas a
vistorias e inspeções conforme esta NORMAM devem possuir um Certificado da tinta
aplicada, emitido pelo fabricante, atestando que a tinta antiincrustante não possui
compostos de estanho como biocida „‟.
Como alternativa para substituição de compostos oriundos do tributil estanho, (TBT),
atualmente estão sendo utilizados compostos baseados em óxido de cobre como o biocida
base em tratamentos antifouling. Vários outros compostos juntamente combinados com o
oxido cuproso reforçam a ação antifouling visando uma melhor eficiência. São diversos os
compostos acessórios utilizados, tanto por outros biocidas como também por fungicidas.
(VOULVOULIS, 1999)
O presente trabalho tem como objetivo avaliar a eficiência de uma tinta
antiincrustante, á base de oxido cuproso, na incrustação de organismos marinhos como
também o processo de bioincrustação em substratos metálicos imersos na enseada do
Itapocoroy.
É importante ressaltar que, por motivos estritamente comerciais, a formulação
especifica da tinta antiincrustrate não foi divulgada, pois este projeto faz parte de um
contrato de prestação de serviços entre o CTTMar (UNIVALI) com a empresa de tintas WEG
e qualquer informação específica sobre a composição destes compostos deve ter aprovação
3
desta empresa. Entretanto, foram informados os compostos que fazem parte da tinta,
permitindo assim identificar a influência destes compostos na presença ou ausência de
organismos incrustantes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A necessidade de proteger os cascos de embarcações das incrustações marinhas foi
sentida logo que o Homem começou a usar as mesmas como meio de locomoção
(ALMEIDA, 2007). Há dois mil anos atrás, os cascos dos navios na época, feitos de
madeira, eram revestidos com chumbo e “untados” com misturas de óleo de baleia, enxofre
e arsênio com a finalidade de repelir os organismos marinhos incrustantes e perfuradores
(GODOI, 2003). Em 1625, uma receita letal combinando arsênio, cobre e goma em pó foi
patenteada como agente antiincrustante por Wilian Beale, na Inglaterra. A utilização de
sistemas antiincrustantes incorporados às tintas passou a ser comum (CASTRO, 2011).
As primeiras tintas anti-incrustrantes organoestânicas continham óxido de bis
tributilestanho ou haletos de tributilestanho, e suas formulações apresentavam os
compostos TBT simplesmente misturados na tinta, por isso eram chamadas de tintas de
livre-associação, onde o biocida era incorporado em uma matriz solúvel, onde as taxas de
difusão do TBT para o meio marinho ocorriam de forma incontrolada (BENVENUTTI, 2004;
TROVATI, 2011).
Este tipo de tinta previne o crescimento de organismos incrustantes apenas pela
simples liberação do biocida na superfície da tinta, que depois é varrida pelo atrito da água.
A taxa de liberação diminui exponencialmente em período de meses, até que não exista
mais biocida disponível para atingir a superfície da tinta (GODOI, 2003).
No inicio dos anos 70, recobrimentos mais efetivos foram desenvolvidos, onde
monômeros de TBT eram incorporados com outros monômeros para formar copolímeros,
desta forma ocorre a liberação do biocida a uma taxa sempre constante. O organoestanho é
quimicamente
ligado
na
matriz
da
tinta,
como
o
copolímero
metacrilato
de
tributilestanho/metil metacrilato (GODOI, 2003). Como a ligação carboxilo-TBT é
hidroliticamente instável sob condições ligeiramente alcalinas, como as que ocorrem em
água do mar, verifica-se uma lenta e controlada hidrolise do revestimento, a qual
corresponde a um “desgaste” do polímero (ALMEIDA, 2007).
A ação continua da água do mar sobre a superfície da tinta, lixívia esta superfície
que por sua vez acaba por tornar a película de copolimero quebradiça e facilmente erodivel,
assim conforme o polímero é quebrado a superfície da matriz da tinta vai se desgastando, o
que acaba por expor constantemente a novas superfícies e liberando mais biocida.
4
Causando
um
efeito
de
autopolimento,
onde
novas
superfícies
são
expostas
constantemente (GODOI, 2003; ALMEIDA, 2007).
Desta forma a liberação do biocida de acordo com Godoi (2003), é governada pela
decomposição química do grupo TBT, ao invés da dissolução da partícula da tinta, a taxa de
liberação da tinta copolímera é mais lenta que no caso das tintas de livre-associação, e a
proteção contra a incrustração pode durar de 5 a 7 anos.
Há ainda antiincrustantes do tipo matriz insolúvel, onde são usados ligantes de alta
massa molecular (acrilicos, vinilicos ou de borracha clorada ) insolúveis em água do mar,
possuem boas características de resistência mecânica e permitem integrar altas cargas de
tóxicos, cujas partículas podem ficar em contacto direto umas com as outras (ALMEIDA,
2007).
Em compostos insolúveis, acontece a lixiviação gradual das partículas, pois como o
ligante não é solúvel, conforme ocorre a lixiviação dos agentes tóxicos, a água do mar
difunde através dos poros deixados vagos por estes últimos, continuando a dissolver as
partículas dos tóxicos seguintes (ALMEIDA, 2007). Porém conforme se distanciam da
superfície do revestimento, a velocidade de lixiviação dos tóxicos vai decrescendo no tempo,
tornando-se a proteção cada vez menos eficaz (F.MARSON, 1969 apud ALMEIDA, 2007).
Apesar da grande eficiência das tintas anti-incrustantes a base de TBT, diversos
problemas relacionados à sua elevada toxicidade ambiental começaram a surgir já na
década de 1980, conseqüentemente levando a sua proibição global (CASTRO, 2011). O
TBT vem sendo substituído principalmente por produtos baseados em óxidos de cobre com
biocidas orgânicos (reforço) para melhorar a eficiência da formulação, inibindo o
crescimento de organismos resistentes ao cobre. Pesquisas indicam que varias espécies de
algas mostram tolerância fisiológica marcada ao cobre, assim atualmente diversos biocidas
denominados como reforço estão sendo utilizados juntamente ao cobre para o controle de
organismos incrustantes (VOULVOLIS et al., 1999).
Dentre os biocidas incorporados nos anti-incrustantes de terceira geração
encontram-se compostos orgânicos não metálicos como: Diuron, Irgarol 1051, Sea-Nine,
Clorotalonil, Diclofluanida, Tiram, Busan (TCMTB), TCMS Piridina e Trifenilbornano Piridina.
Já os compostos metálicos (orgânicos e inorgânicos) homologados para utilização são:
Zinco Piritiona, Cobre Piritiona, Ziram, Maneb, Óxido Cuproso, Tiocianato de Cobre e
Naftenato de Cobre (CASTRO 2011).
As tintas antiincrustantes a base do óxido cuproso passaram a ser utilizadas a partir
da metade do século XIX (GODOI, 2003). No entanto, as tintas à base de cobre se tornavam
ineficientes em menos de um ano e, portanto, biocidas mais efetivos foram necessários
(CASTRO 2011).
5
A toxicidade do cobre para organismos aquáticos está vinculada a fatores físicoquímicos como pH, salinidade, teor de carbono orgânico dissolvido e concentração do metal.
Isso ocorre em virtude da tendência desse elemento em sofrer especiação, originando
diferentes formas químicas de acordo com as características físico-químicas do ambiente,
podendo estar na forma livre, ionizada ou até mesmo formar complexos com ligantes
orgânicos e inorgânicos. Dessa forma, as diferentes espécies de cobre apresentaram
biodisponibilidades e, consequentemente, toxicidades diferentes (BROOKS apud CASTRO
2011).
Estudos de especiação realizado em águas costeiras indicam que mais de 99% do
cobre total é fortemente ligado ou quelado com ligantes orgânicos, deixando a concentração
de Cu 2 livre em níveis que não são tóxicos para a maioria dos organismos (VOULVOLIS et
al., 1999).
A taxa de degradação nem sempre é a mesma para os compostos tóxicos porque
eles podem não estar biodisponiveis. Estudos de laboratório sugerem que existem
diferenças consideráveis na degradação de biocidas. (BENVENUTTI, 2004)
O Sea-Nine 211 é uma mistura comercial que possui 30% do ingrediente ativo (4,5Dicloro-2-n-octil-4-isotiazolin-3-ona ou DCOIT) em xileno. Esse biocida é um isotiazol que foi
homologado para utilização como agente anti-incrustante pela Organização Marítima
Internacional - IMO (JACOBSON, 2000)
A biodegradação do composto é o principal responsável por sua meia-vida curta em
água (geralmente <24 h) e sedimentos aquáticos (<1 h), em condições aeróbicas e
anaeróbicas. (JACOBSON, 2000). A degradação ocorre normalmente pela abertura da
porção cíclica da molécula, o que reduz a toxicidade de seus subprodutos numa ordem de
magnitude de 4 a 5 vezes Uma vez liberado no meio aquático, o Sea-Nine forma complexos
extremamente estáveis com os sedimentos, tornando-se pouco biodisponível e o rápido
metabolismo efetivamente impede a bioacumulação do composto original em organismos
aquáticos, resultando em um baixa bioacumulação( CASTRO, 2011.; JACOBSON,2000).
O agente anti-incrustante Sea-Nine, diferentemente da maioria dos outros biocidas
não-metálicos, quando devidamente formulado, pode proporcionar eficácia adicional contra
cracas (JACOBSON,2000).
Os constituintes básicos de uma tinta são compostos por: veículo fixo (resina),
solventes (veículo volátil), aditivos e pigmentos. O veículo fixo ou não-volátil (resina) é o
componente das tintas responsável por ligar ou aglomerar as partículas de pigmento, sendo
o responsável direto pela continuidade e formação da película de tinta, e também pela maior
parte das propriedades físico-químicas das mesmas (GENTIL, 2007).
6
Os solventes são substâncias usadas para solubilizar a resina, diminuir a viscosidade
e facilitar a aplicação das tintas, os aditivos possuem a finalidade de melhorar certas
características ou propriedades das tintas e os pigmentos são partículas sólidas, finamente
divididas, insolúveis no veículo fixo, usados com a finalidade de obter proteção anticorrosiva,
cor, opacidade, impermeabilidade e melhoria das características físicas da película
(SANTOS, 2005).
Ressalta-se que existem os pigmentos especiais que são utilizados com objetivos
específicos, como por exemplo: os impermeabilizantes, os perolados, os fluorescentes e
fosforescentes e os antiincrustantes “antifouling”(SANTOS, 2005 ).
Diferenciando-se das tintas convencionais, as tintas antiincrustantes. De acordo com
Almeida (2007), “são produtos de pintura, sistematicamente baseados na dispersão de
tóxicos em ligantes poliméricos de natureza diversa, diferenciaram-se, ao longo das ultimas
décadas em função dos diferentes mecanismos de lixiviação dos referidos tóxicos na água
do mar“. Esses mecanismos são os responsáveis por características particulares de
aplicação, comportamento e duração dos revestimentos antiincrustantes (ALMEIDA, 2007).
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Avaliar qualitativa e quantitativamente as incrustações de organismos marinhos em
painéis artificiais com e sem tratamento antifouling na Enseada de Itapocoroy, município de
Penha-SC.
3.2 Objetivos Específicos
 Avaliar e comparar a bioincrustação em painéis metálicos com e sem tratamento
antifouling.
 Identificar e quantificar os organismos incrustantes nos painéis com e sem
tratamento.
7
4. MATERIAIS E MÉTODOS
4.1 Caracterização da Área de estudo
A área de estudo localiza-se no litoral norte do estado de Santa Catarina, na
Enseada da Armação do Itapocoroy, Municipio de Penha. A enseada compoe uma extenção
de aproximandamente 5.7 km e está situada entre as coordenadas 26º58‟ S e 48º35‟ W
(Fig.1). Segundo MARENZI (1992) É uma região formada por diversas baias e enseadas,
devido à intercalação de praias e costões rochosos originados de projeções menores da
Serra do Mar em direção ao mar.
Esta enseada está abrigada dos ventos fortes vindos do quadrante sul por um
promotorio, pórem encontra-se exposta aos ventos provenientes do leste e nordeste, sendo
este último o mais frequente na região, podendo atingir alto grau de intensidade (MARENZI
2002). A água predominante na enseada é a Água Costeira, formada pela diluição parcial
das águas oceânicas pelo aporte continental proveniente principalmente do rio Itajaí-açu,
com salinidade inferior a 33, e temperatura variando sazonalmente por efeitos de trocas
térmicas locais, entre 18 e 28º entre inverno e verão. ( Resgalla Jr. & Schettini, 2006 ).
Figura 1: Localização da Enseada da Armação do Itapocoroy.
8
4.2 Descrição do experimento
Na Enseada de Itapocoroy, localizado entre as coordenadas 26º47‟ S e 48º36‟ W
(Fig. 2), na região interna da enseada do Itapocoroy, a uma distancia de 300 m da costa, foi
fundeada uma plataforma flutuante (balsa) de madeira de 2,5m X 3,0m, que foi considerada
como ponto amostral neste trabalho (Fig.3).
Esta região apresenta uma quantidade significativa de estruturas de cultivo de
moluscos, esta alta densidade contribui conseqüentemente para abrigar e disponibilizar uma
grande diversidade e biomassa de organismos incrustantes, conferindo ao local boas
condições para o estudo realizado, pois quanto maior for a disponibilidade de larvas e
probabilidade de haver incrustações nos painéis, melhor será a estimativa de análise,
comportamento e eficiência do tratamento anti-fouling avaliado por este trabalho.
Figura 2: Localização da balsa (base amostral), na região interna da Enseada da
Armação do Itapocoroy.
9
Figura 3: Plataforma flutuante (ponto amostral).
4.3 Composição e monitoramento
O experimento foi composto por painéis constituído por material metálico, com a
finalidade de simular um substrato artificial estático submerso na água (ex: casco de
embarcações). Foram utilizados 6 painéis revestidos com tratamento antifouling e 5 painéis
sem tratamento, sendo estes usados como controle para avaliar a incrustação de
organismos marinhos em substratos artificiais.Os dois lados dos painéis foram utilizados no
estudo, denominados como A e B de cada painel, totalizando 12 replicas com tratamento e
10 replicas sem tratamento.
Os painéis possuem 2,6 milímetros de espessura, peso unitário aproximado de 350
gramas e uma área de 15 cm x 45 cm (Fig.4), possuem uma abertura circular na porção
superior de sua estrutura constituída de área circular de 19,63 cm ², esta área
posteriormente para a analise do calculo da taxa de cobertura foi desconsiderada da área
total do painel, salientando que esta abertura circular (área) foi objetivada apenas para a
fixação dos painéis.
Os painéis metálicos foram identificados através de etiquetas plásticas numeradas e
posteriormente foram fixados em um cano de PVC de 50 milímetros, posicionados de
maneira seqüencial e eqüidistantes (4 painéis/cano) com o espaçamento de 10cm entre eles
( Fig. 5) e com o auxilio de um cabo estes canos foram amarrados na plataforma flutuante
(Fig.6), de maneira que os painéis ficassem constantemente submersos a profundidade
media de aproximadamente 1 metro abaixo d‟água (Fig. 7). Tanto os painéis metálicos com
e sem a tinta (tratamento antifouling) foram fornecidas pela WEG Industria S.A-Tintas, bem
como as informações referentes a composição da tinta antifouling.
10
A
B
Figura 4: Painel com tratamento antifouling (A) e painel controle (B) respectivamente.
A
B
Figura 5: Canos de PVC usados para fixação dos painéis (A) e a estrutura de fixação dos
painéis pronta (B).
Figura 6: Ancoragem dos painéis.
11
Figura 7: Painéis submersos na plataforma flutuante.
4.4 Painéis com tratamento antifouling
Para avaliar a eficiência de um tratamento antifouling, foi usado um composto
constituído por um biocida base e outro biocida acessório em painéis metálicos. A validade
do tratamento foi de 6 meses (24 semanas). Está apresentada na tabela 1, informações
referentes à composição do tratamento antifouling avaliado, como também imagens
fotográficas dos painéis utilizados neste trabalho (Fig. 8).
Tabela 1: Composição básica do composto antifouling avaliado.
INFORMAÇÕES
TRATAMENTO
Nº PAINÉIS
6
VALIDADE
180 DIAS
ESPESSURA DA TINTA
100-150 micrometros
COMPOSTO PRINCIPAL
Oxide cuproso
% COMPOSTO PRINCIPAL
35%
COMPOSTO ACESSORIO
Sea Nine 211
% COMPOSTO ACESSORIO
2%
RESINA
Solúvel – breu
% RESINA
20%
SOLVENTE
Xileno
% SOLVENTE
30%
PIGMENTOS (COR)
Preto
12
Figura 8: Painéis com tratamento antifouling (A) e painéis controle (B) respectivamente.
4.5 Metodologia de Coleta
O procedimento da retirada dos painéis com tratamento antifouling foi previsto para a
data de sua validade (26 semanas ) e para os paineis controle foi estipulado em 13, 26 e 39
semanas, sendo um painel submerso em data posterior ao periodo de todos paineis, com a
finalidade de avaliar uma diferença sazonal das bioincrustações.Segue abaixo a Tabela 2
contendo as datas de submersão e emersão dos paineis.
13
Tabela 2: Dados de submersão e emersão de todas as replicas.
TRATAMENTO
PAINEL
(Nº)
SUBMERSÃO
(DATA)
EMERSÃO
(DATA)
DIAS DE
SUBMERÃO
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
antifouling
controle
controle
controle
controle
controle
controle
controle
controle
controle
1-A
1-B
2-A
2-B
3-A
3-B
4-A
4-B
5-A
5-B
6-A
6-B
7-A
7-B
8-A
8-B
9-A
9-B
10-A
10-B
11-A
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
7/12/2010
23/5/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/2/2011
7/2/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
7/6/2011
23/8/2011
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
90 DIAS
90 DIAS
180 DIAS
180 DIAS
270 DIAS
270 DIAS
270 DIAS
270 DIAS
90 DIAS
controle
11-B
23/5/2011
23/8/2011
90 DIAS
4.6 Processamento dos painéis
Para verificar a eficiência do tratamento antifouling sobre os painéis com tratamento
antifouling e supervisionar o processo de colonização dos organismos incrustantes em
substratos artificiais (painéis controle), foi realizado semanalmente um monitoramento visual
através de observações “in loco” e de registro fotográfico, dados mensais dos parâmetros
físicos e químicos da água foram disponibilizados pelo laboratório de Oceanografia química.
Após a emersão dos painéis com a finalidade de posteriormente calcular a taxa de
cobertura por macroorganismos marinhos, foi feito um registro fotográfico final, onde foi
padronizada uma distancia focal, altura e posição de uma câmera fotográfica a frente dos
painéis. O programa utilizado para tal calculo, foi o arcGIS (Sistema de informação
geográfica), onde todas as imagens foram georreferenciadas, conforme o tamanho real das
placas, sendo feito manualmente a delimitação das áreas incrustadas, e posteriormente
realizado o calculo de área pelo programa, finalmente chegando a porcentagem de área
recoberta por organismos macrobêntonicos em cada painel.
14
Pós registros fotográficos finais de cada painel, em laboratório toda camada de
organismos incrustantes aderidos aos painéis foi removida. Posteriormente a triagem foi
realizada para cada painel, onde os organismos foram separados, segundo cada grupo
zoológico em seguida estes organismos foram identificados, avaliados, contados, pesados e
medidos. A camada incrustante de matéria orgânica, inorgânica e de detritos quando
existente também foi coletada e pesada em balança analítica. Após este processo, foram
tiradas fotos dos espécimes individualmente. A fauna coletada foi colocada dentro de
recipientes de plástico onde foram fixados com formol 4%, etiquetada com informação
referente à data, nome do projeto e o numero do painel para possíveis consultas posteriores
referentes ao projeto.
4.7 Análise dos resultados
Os resultados de biomassa, densidade, espécies, taxa de cobertura e altura máxima
dos cirripedios obtidos em cada painel foram dispostos em planilhas e avaliados nas
discussões.
15
5. RESULTADOS
O desenvolvimento do experimento foi acompanhado em campo através de registros
fotográficos e observações in situ, portanto todas as considerações feitas ao decorrer do
experimento são baseadas (nestes registros) em tais restrições. Este fato impossibilitou
qualquer afirmação de total exatidão.
Os resultados estão subdivididos em painéis antifouling (painéis revestidos com uma
tinta antifouling) sendo compostos por 6 painéis com lado A e B (numeração de 1 a 6) e
painéis controle (sem tratamento de tinta antifouling), compostos por 5 painéis (numeração
de 7 a 11).
5.1 Tratamento antifouling
Foi observado na balsa que todos os painéis (1, 2, 3, 4, 5 e 6; lados A e B) com o
tratamento antifouling após duas semanas de submersão apresentavam uma fina camada
de sedimentos e detritos. Na quarta semana, a camada possuía coloração marrom,
evidenciando aumento na espessura e às oito semanas ela recobria todo o painel. Esta
camada posteriormente era formada por sedimentos, matéria orgânica e microorganismos
(bactérias, protozoários, algas unicelulares) e detritos. Entretanto, a identificação
macroscópica destes organismos nos painéis não foi realizada. Pois conforme comentado o
objetivo do trabalho foi de verificar o desenvolvimento das incrustações dos organismos
macrobêntonicos sobre os painéis.
Apesar de ter sido observado o comportamento semelhante, para todos os painéis,
com tratamento antifouling, independente dos lados, os resultados serão apresentados
individualmente e analisados por lado A e lado B, após ter sido identificado a presença de
macroorganismos.
PAINEL 1-A (tratamento antifouling)
No painel 1-A, após a nona semana de submersão do painel notou-se o
assentamento de três organismos da família Balanidae, sendo que dois deles
permaneceram por quatro semanas sobre o painel. (Fig. 9).
16
Figura 9: Painel 1-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
Além disso, foi verificado que na oitava semana de colonização do organismo, havia
sobre este outro organismo assentando, caracterizando comportamento epibionte.
Ao final do experimento, havia apenas dois organismos marinhos incrustantes
colonizando o painel, estes organismos foram pesados juntos e apresentaram biomassa de
2,14 gramas, altura de 6,05 milímetros e 14 milímetros de diâmetro. Além dos organismos, o
painel apresentava cobertura de sedimentos e detritos, que após a raspagem obteve o peso
de 6,65 gramas.
PAINEL 1-B (tratamento antifouling)
No lado B do painel 1, após a décima segunda semana de submersão do painel, foi
observado o assentamento de cinco organismos da família Balanidae. Entretanto, passadas
duas semanas de fixação, um organismo havia desprendido e em quatro semanas, todos
eles. Ao final deste período, havia apenas restos da carapaça de um individuo e marcas da
aderência dos outros, indicando que o primeiro pode ter sido predado ou como os outros
mortos em conseqüência da toxicidade do antiincrustante (biocida) aplicado (Fig.10).
Figura 10: Painel 1-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
17
Notou-se que em doze semanas de submersão a camada que recobria o painel já
não era uniforme, voltando a apresentar homogeneidade na vigésima segunda semana. Ao
final do experimento, havia sobre o painel apenas uma cobertura de sedimentos e detritos,
com peso de 7,71 gramas.
PAINEL 2-A (tratamento antifouling)
No lado A do painel 2, observou-se na décima terceira semana de submersão, a
colonização de três organismos da família Balanidae, sendo que, na décima sexta semana
um deles não foi mais observado.
O organismo localizado na parte superior do painel, na vigésima semana de
submersão, foi recoberto pelo hidrozoário Pinauay ralphique (comportamento epibionte).
Ambos permaneceram até o final do experimento, etapa em que o hidrozoário já recobria
grande parte do corpo do balanideo. O organismo que havia colonizado na parte inferior do
painel, na vigésima quarta semana não foi observado (Fig. 11).
Figura 11: Painel 2-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
Ao final do experimento havia sobre o painel um organismo marinho incrustante da
espécie Balanus arphitrite, localizado na parte superior do painel, com diâmetro de 23,1
milímetros, altura de 9,7 milímetros e biomassa de 6,21 gramas, o hidrozoário apresentava
peso de 1,2 gramas. Havia também sobre o painel uma cobertura sedimentos e detritos
pesando 12,39 gramas.
PAINEL 2-B (tratamento antifouling)
No lado B do painel 2, foi observado na vigésima segunda semana o assentamento
de um organismo marinho incrustante. O organismo, da espécie Megabalanus coccopoma,
permaneceu aderido sobre o painel até o final do experimento e seu diâmetro era de 8,4
18
milímetros, altura de 6,4 milímetros e biomassa de 1,89 gramas. Além do organismo, assim
como nos outros painéis havia uma cobertura de sedimentos e detritos, pesando 8,98
gramas (Fig.12).
Figura 12: Painel 2-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
PAINEL 3-A (tratamento antifouling)
O painel 3-A durante todo o período de monitoramento do experimento não
apresentou fixação de organismos incrustantes, havendo somente deposição de uma
camada de sedimentos e detritos de peso igual a 3,6 gramas (Fig. 13).
Figura 13: Painel 3-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
PAINEL 3-B (tratamento antifouling)
No lado B do painel 3 , após a décima primeira semana de submersão observou-se a
colonização de três organismos marinhos da família Balanidae. Passadas seis semanas foi
constatado, que não havia mais organismos sobre o substrato. Porém neste mesmo período
foi observado que dois organismos também da família Balanidae haviam colonizado o
painel, ambos com tamanhos diferentes localizados um ao lado do outro. Estes
permaneceram seis semanas colonizando o substrato (Fig.14) e ao final do experimento
19
estava aderido ao painel somente uma camada de sedimentos e detritos, de peso igual 3, 6
gramas.
Figura 14: Painel 3-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente.
PAINEL 4-A (tratamento antifouling)
Assim como o painel 3-A, durante todo o período de monitoramento, no painel 4-A
não ocorreu incrustações de organismos marinhos, havendo apenas deposição de uma
camada de sedimentos e detritos, onde esta ao final do experimento foi pesada obtendo 3,9
gramas (Fig.15).
Figura 15: Painel 4-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
PAINEL 4-B (tratamento antifouling)
O painel 4-B apresentou comportamento semelhante ao painel 3-A e 4-A, não
ocorrendo fixação de organismos incrustantes, havendo apenas uma camada de
sedimentos e detritos, que ao final do experimento foi pesada apresentando peso de 5,47
gramas (Fig. 16).
20
Figura 16: Painel 4-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente.
PAINEL 5-A
No lado A do painel 5, após a décima primeira semana de submersão foi observada
a presença de um organismo da família balanidae. Na décima terceira semana notou-se a
presença de outros dois organismos de mesma família, localizados juntos na porção inferior
do painel (Fig.17).
Figura 17: Painel 5-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente.
Entretanto na vigésima terceira semana, verificou-se que o primeiro organismo a
colonizar o painel já não estava mais presente. Ao final do experimento o painel possuía
aderido a ele dois organismos identificados como da espécie Megabalanus coccopoma, uma
vez que se encontravam aderidos um ao outro, foram pesados e medidos juntos, os
organismos obtinham diâmetro de 2,9 milímetros, altura de 8,8 milímetros e biomassa de
3,76 gramas. A camada de sedimentos e detritos obteve peso igual a 4,77 gramas.
PAINEL 5-B (tratamento antifouling)
No lado B do painel 5, após treze semanas de submersão foi observada a
colonização de um organismo da família balanidae, passadas dez semanas este organismo
21
não era observado. Ao final do experimento o painel apresentava apenas uma camada de
sedimentos e detritos, após ser pesada foi constatado que seu peso era de 5,23 gramas
(Fig. 18).
Figura 18: Painel 5-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 a julho de 2011) respectivamente.
PAINEL 6-A (tratamento antifouling)
O lado A do painel 6, na décima terceira semana de submersão apresentava a
colonização de quatro organismos da família balanidae. Passadas seis semanas observouse que apenas dois organismos permaneciam assentados sobre o painel, após este período
notou-se o assentamento de mais organismos sobre eles, (comportamento epibionte) e ao
redor, resultando em dois pequenos blocos de balanideos sobre o painel (Fig.19).
Figura 19: Painel 6-A, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente.
Ao final do experimento, os dois blocos de balanideos já não se encontravam
colonizando a placa, contendo aderida ao painel apenas uma camada de sedimentos e
detritos de peso igual a 3,7 gramas.
22
PAINEL 6-B (tratamento antifouling)
No lado B do painel 6, após a décima terceira semana de submersão foi observada a
presença de dois organismos da família balanidae, que permaneceram três semanas sobre
o painel (Fig. 20).
Figura 20: Painel 6-B, após 0, 4, 8, 12, 18, 22 e 26 semanas de submersão na água
(período de dezembro de 2010 até julho de 2011) respectivamente.
Na décima sétima semana, observou-se a colonização de um novo organismo da
mesma família sobre o painel. Após este período notou-se que outros dois organismos
assentaram próximos um ao outro, formando um pequeno bloco de balanideos da espécie
Megabalanus coccopoma.
Ao final do experimento permaneciam aderidos ao substrato apenas os dois últimos
organismos a colonizar o painel. Estes obtinham juntos, o diâmetro de 16,55 milímetros,
altura de 1,2 milímetros e biomassa de 1,68 gramas. Além deste pequeno bloco de
Megabalanus coccopoma, o painel apresentava uma camada de sedimentos e detritos de
peso igual a 3,32 gramas.
23
Os resultados finais referentes aos painéis com tratamento antifouling estão
apresentados na tabela abaixo (Tabela 3).
Tabela 3: Taxa de cobertura, peso total de material aderido, peso da camada de detritos,
peso total dos organismos, número de organismos, número de espécies, altura dos
balanideos, e espécies dos macroorganismos nos painéis com tratamento antifouling.
Resultados finais - tratamento antifouling
PAINEL
1-A
1-B
2-A
2-B
TAXA
COBERTURA
[%]
0.22
0.00
0.36
0.11
PESO
TOTAL
[g]
PESO
CAMADA
DETRITOS
[g]
PESO
ORGANISMOS
INCRUSTANTES
[g]
Nº
ORG
7,79
5,65
2,14
2
7,71
7,71
-
0
9,45
8,98
1,89
1
18,6
12,39
6,21
1
Nº
ESPÉCIES
*ALTURA
BALANIDEOS
[mm]
1
1
1
5,3
6,4
9,7
3-A
0.00
3-B
0.00
3,36
3,36
-
0
-
4-A
0.00
3,9
3,9
-
0
-
-
4-B
0.00
5,47
5,47
-
0
-
-
5-A
0.00
5,23
5,23
-
0
8,53
4,77
3,76
2
3,67
3,67
-
0
5-B
6-A
6-B
0.1
0.00
0.22
3,6
5,0
3,6
3,32
-
1,86
0
-
-
3
1
1
8,8
ESPÉCIES
Balanus
arphitrite
Balanus
arphitrite
Megabalanus
coccopoma
Megabalanus
coccopoma
1,2
Megabalanus
coccopoma
* Altura do maior Balanideo encontrado
Ao analisar a Tabela 3, verifica-se que em 7 dos 12 lados dos substratos disponíveis,
não ocorreu fixação de organismos macrobêntonicos. A fixação de organismos marinhos
ocorreu em 5 dos 12 lados dos painéis avaliados e, os únicos organismos que se
desenvolveram foram cracas (cirripédios) da família Balanidae. Estas apresentaram
biomassa mínima de 1,86 e máxima de 6,21 gramas.
Alguns dos organismos que conseguiam se fixar no substrato, só apareceram após a
oitava, nona ou décima semana de submersão, porem apesar da validade da tinta ser de 24
semanas, foram poucos os organismos que assentaram e muitos deles se ausentaram
passados em media quatro semanas de colonização.
Além disso, deve ser ressaltado que os painéis permaneceram estáticos, e se
estivessem em movimento isso dificultaria o assentamento dos organismos.
24
5.2 Painéis controle (sem tratamento antifouling)
PAINEL 7-A (3 meses de submersão) - verão
Foi observada em campo na primeira semana de submersão, a presença de uma
translucida película, recobrindo o painel. Esta película não foi analisada microscopicamente,
no entanto, segundo diversos autores, ela é composta de matéria orgânica adsorvida,
material inorgânico e microorganismos marinhos formando uma microincrustação.
Notou-se na segunda semana de submersão (Fig.21) que esta película foi recoberta
pela colonização de um organismo incrustante macrobêntonico. Este foi identificado como
um hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi (apêndices Fig 57), sendo este, portanto,
o pioneiro na colonização do substrato, apresentando discreto recobrimento sobre a
superfície do painel.
Figura 21: Painel 7-A (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro de 2010
até janeiro de 2011) respectivamente.
Passadas duas semanas da colonização do hidrozoário colonial Pinauay ralphi,
notou-se sua ausência sobre o painel e ao mesmo tempo a presença de diversas espécies
das classes cirripedia e ascidiacea recobrindo o substrato.
Ao final da sexta semana de submersão os organismos que apresentaram maior
destaque pertenciam a classe ascideacea recobrindo quase todo o substrato, assumindo
que as espécies predominantes eram coloniais (Trididemnum orbiculatum e Lissoclinum
fragile),(apêndices Fig. 48 e 52). Alem das ascideas havia sete colônias do hidrozoário
Schizoporella unicornis (Apêndices Fig. 56). Ao acompanhar o desenvolvimento destes
organismos sobre o painel foi possível notar que na sétima semana de submersão estes
organismos apresentaram acréscimo em biomassa, pois já recobriam todo o painel.
25
Na nona semana de submersão (Fig.22), verificou-se que a ascidia predominante era
da espécie colonial Trididemnum orbiculatum, pois esta recobria quase todo o painel,
observou-se também a presença de outras espécies de ascideas, dentre estas apenas uma
era solitária podendo-se notar visivelmente um grande numero desta (Styela plicata)
(apêndices Fig. 50), que pôde ser identificada facilmente devido a sua vasta abundancia na
área de estudo.
Na décima semana, além do acréscimo em biomassa das ascideas foi observado
que os cirripédios apresentavam alta densidade porem se encontravam recobertos por
diversas ascidias coloniais.
Figura 22: Painel 7-A (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (janeiro a março
de 2011) respectivamente.
A cobertura de organismos da ascidia Styela plicata aumentou gradativamente em
relação ao tempo, observando na décima segunda semana seu pico de dominância sobre o
painel (substrato). Neste mesmo período pôde-se notar um aumento no assentamento e na
densidade de cirripedios da família balanidae (apêndices Fig.42, 43 e 44) sobre este painel.
Na décima terceira semana de experimento foi verificado um decréscimo de alguns
organismos da espécie Styela plicata recobrindo o painel, possibilitando o assentamento de
novos indivíduos da família balanidae. No entanto algumas espécies de ascidias coloniais,
ainda recobriam parte do substrato e dos balanideos. Ao final do experimento foi possível
visualizar melhor os organismos incrustantes que recobriam o painel.
Os organismos que obtinham maior biomassa foram respectivamente da família
balanidae, classe das ascideas e bivalves (apêndices Fig.45 e 46). Os balanideos
apresentaram alturas significativas, obtendo em media valores entre 24 e 27 milímetros, as
maiores espessuras chegaram a 41,8 milímetros.
A biomassa incrustante que recobria todo painel ao final de treze semanas foi de
699,68 gramas, onde esta foi distribuída entre as espécies dos balanideos, (392,01),
26
Ascideas (307,70 gramas) e bivalvia (0,22 gramas). As ascideas coloniais devido a
fragilidade e por estarem muito misturadas foram pesadas todas juntas.
Os dados finais do painel, referente a espécies, biomassa e densidade dos
organismos estão apresentados na tabela 4.
Tabela 4: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Classe
Bivalvia
Ascidiacea
Ascidiacea
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Descrição de espécies (Painel 7-A)
Biomassa
Espécie
(gramas)
Perna perna
0.22
Botrylloides nigrum
Trididemnum orbiculatum
85.27
Styela plicata
222
Megabalanus coccopoma
310.8
Balanus amphitrite
74.19
Cirripedia
Balanus improvisus
Total
7
Nº
organismos
1
colonial
23
380
107
7.2
5
699,68
516
PAINEL 7-B (3 meses de submersão) - verão
De acordo com o que pôde se observar na figuras 16 e 17, o painel 7-B, mesmo
estando do lado oposto do substrato (painel 7-A), apresentou comportamento semelhante
ao painel 7-A. A colonização ocorreu de forma e velocidade similar em ambos os lados do
painel 7.
Na primeira semana de submersão foi observada a formação de uma fina película
translucida, possivelmente formada pela deposição de matéria orgânica, inorgânica e
colonização de microrganismos marinhos (microincrustação), esta logo foi recoberta pelo
hidrozoário Pinauay ralphi que colonizou todo o painel na segunda semana (Fig.23).
27
Figura 23: Painel 7-B (branco), após 0, 2, 6 e 8 semanas de submersão (dezembro de 2010
a janeiro de 2011) respectivamente.
Na quinta semana foi possível observar a ausência do Hidrozoário pioneiro e a
presença de diversas espécies de ascideas que começavam a apresentar ampla cobertura
sobre o substrato na sexta semana de submersão. Notou-se também que a maior cobertura
era representada pela espécie colonial Trididemnum orbiculatum, seguida da espécie
Lissoclinum fragile e do hidrozoario colonial Schizoporella unicornis.
Logo na oitava semana, além das ascideas coloniais a ascidia solitária Styela plicata
apresentava grande número de indivíduos notando-se também a presença de organismos
da família Balanidae.
Após nove semanas de experimento notava-se que indivíduos da espécie Styela
plicata apresentavam maior cobertura sobre o substrato, observando o seu acréscimo em
biomassa até a décima segunda semana de submersão (Fig. 24), período em que a espécie
Trididemnum orbiculatum já não recobria grande parte do painel, o que provavelmente
possibilitou neste período o maior assentamento de balanideos sobre o substrato. Na
semana seguinte observou-se em campo a ausência da maioria dos organismos da espécie
Styela plicata.
28
Figura 24: Painel 7-B (branco), após 9, 10, 12 e 13 semanas de submersão (dezembro de
2010 até março de 2011) respectivamente.
Ao final do experimento grande parte do substrato se encontrava recoberto por
balanideos, ascideas e bivalves, seguindo tal ordem em abundancia. A cobertura incrustante
final apresentava peso de 408,11 gramas, sendo esta composta por balanideos (303,60
gramas), ascideas (93,00 gramas) e bivalvia (11,63 gramas). Os balanideos apresentavam
altura significativa com valores que variavam entre 24 e 32 milímetros.
Tabela 5: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 7-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Classe
Bivalvia
Bivalvia
Bivalvia
Hidrozoa
Ascidiacea
Ascidiacea
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Descrição de espécies (Painel 7-B)
Biomassa
Espécie
(gramas)
Stramonita haemastoma
9,3
Ostrea.sp
1
Perna perna
1,2
Schizoporella unicornis
9,5
Botrylloides nigrum
2,8
Trididemnum orbiculatum
7,7
Styela plicata
73,0
Megabalanus coccopoma
223,0
Balanus amphitrite
76,5
Cirripedia
Balanus improvisus
Total
10
Nº
organismos
1
2
1
colonial
colonial
colonial
7
350
90
4,11
4
408,11
454
29
PAINEL 8-A (6 meses de submersão)
As primeiras treze semanas de submersão do painel 8-A foram compostas por um
comportamento de sucessão ecológica de organismos sésseis, sendo muitos destes
semelhantes aos observados no painel 7-A e 7-B.
Na primeira semana de submersão pôde ser observada em campo assim como nos
dois lados do painel 7 a presença de uma fina e transparente película formada pela
adsorção de matéria orgânica, inorgânica e a colonização de microrganismos marinhos.
(microincrustação), sequencialmente uma semana depois esta já estava recoberta pelo
hidrozoário Pinauay ralphi.
Após cinco semanas submerso, o painel apresentava ampla área recoberta por
diferentes espécies de ascideas e balanideos que recobriram o hidrozoário, obtendo maior
destaque a ascidea colonial didemnum orbiculatum, que na sexta semana recobria quase
todo o painel (Fig. 25).
Figura 25: Painel 8-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de
dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente.
Foi possível observar após nove semanas de experimento um acréscimo em
biomassa dos organismos que já recobriam o substrato. Dentre as ascideas mais
representativas estavam às espécies Trididemnum orbiculatum e Styela plicata. Apesar de
grande parte dos balanideos neste período obterem sua carapaça calcaria recoberta por
ascideas coloniais, foi possível notar uma alta densidade destes sobre o painel.
Após treze semanas, foi observada a ausência de grande parte da colônia de
Trididemnum orbiculatum e de organismos de Styela plicata recobrindo o substrato.
Também foi notado visualmente neste período, que os balanideos apresentavam maior
biomassa e densidade, porem a maioria ainda possuía diversas colônias de ascideas
recobrindo parte de suas carapaças. Observou-se também a presença de um organismo da
espécie Phallusia nigra (apêndices Fig.51), uma colônia da espécie Didemnum perlucidum
30
(apêndices Fig.46),(ascideas) e uma colônia do briozoário Bugula neritina (apêndices
Fig.48) (Fig. 26).
Figura 26: Painel 8-A (branco), após respectivamente, 15, 18, 20, 23 e 26 dias de
submersão (período de dezembro de 2010 até junho de 2011).
Conforme o espaço foi se tornando um fator limitante no substrato, os Balanideos
tiveram comportamento epibionte e começaram a assentar sobre outros organismos de
mesma classe formando grandes blocos que ocasionaram em significativas espessuras da
camada incrustante sobre o substrato. Ao final do experimento foi possível medir mais
precisamente a altura desses blocos, os valores variaram entre 24 e 54 milímetros.
Ao final do experimento a camada total de organismos incrustantes apresentava
peso de 1311,05 gramas, os organismos mais representantes foram da família Balanidae
(1193,19 gramas). Na tabela 6, estão representados os organismos incrustantes
encontrados sobre o painel 8-A. Deve-se ressaltar que não foi possível separar os
Balanideos em nível de espécie, pois estes se encontravam aglomerados de maneira
complexa, no entanto foi observado que a espécie que obteve maior representatividade foi a
Megabalanus coccopoma.
31
Tabela 6: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Classe
Hidrozoa
Hidrozoa
Bivalvia
Bivalvia
Gastrophoda
Ascidiacea
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Cirripedia
Descrição de espécies (Painel 8-A)
Biomassa total
Espécie
(gramas)
Schizoporella unicormis
13,94
Pinauay ralphi
20,54
Bugula neritina
23,11
Perna perna
5,78
Ostrea. Sp
3,10
Estramonita haemastoma
1,37
Didemnum perlucidum
22,75
Styela plicata
27,27
Megabalanus coccopoma
Balanus amphitrite
Balanus improvisus
1193,19
Total
11
1311,05
Nº
organismos
colonial
colonial
colonial
4
2
2
colonial
11
880
899
PAINEL 8-B (6 meses de submersão)
No lado B do painel 8, foi possível observar na primeira semana de submersão assim
como nos painéis anteriores a presença de uma fina e transparente película provavelmente
formada pela adsorção de matéria orgânica, inorgânica e microrganismos marinhos sobre o
painel. Após uma semana notou-se que esta película havia sido recoberta pelo hidrozoário
Pinauay ralphi.
Passados duas semanas da colonização do hidrozoário pioneiro, notou-se que este
havia sido recoberta por diversas espécies de ascideas, balanideos e 3 colônias do
hidrozoário Schizoporella unicormis. A espécie que apresentou maior representatividade
neste período foi a ascidea colonial trididemnum orbiculatum seguida da espécie
Lissoclinum fragile e Styela plicata, onde estas recobriam quase todo painel na sexta
semana de submersão (Fig. 27).
32
Figura 27: Painel 8-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas dias de submersão (período
de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente.
Na nona semana de experimento a ascidea de Trididemnum orbiculatum recobria
todo o painel, alem desta ascidea foi possível visualizar melhor a presença de outras como a
espécie Styela plicata e Botryllus niger (apêndices Fig. 49). Foi observado tambem que
muitas ascideas colonizavam sobre outras ascideas e sobre a carapaça dos balanideos
(comportamento epibionte).
Notou-se em campo que até a decima terceira semana de submersão os organismos
tendenciaram a um acrescimo em biomassa, porem após este periodo observou-se a
ausencia de uma grande area recoberta pelas ascideas Trididemnum orbiculatum e Styela
plicata (Fig. 28).
Figura 28: Painel 8-B (branco), após, 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período
de dezembro de 2010 até junho de 2011) respectivamente.
Na décima quinta semana de submersão observou-se a predominância dos
balanideos sobre o painel e a presença de novos espaços vazios, que logo foram
colonizados. Foi notado assim como no painel 8-A que os organismos tiveram
comportamento epibionte e começaram a assentar sobre outros organismos mesmo estes
33
sendo de mesma classe. O que no caso dos balanideos resultou na formação de grandes
blocos que formaram espessuras significantes com o decorrer do tempo.
Ao final do experimento a espessura incrustante foi medida e os maiores valores
chegaram a 58,9 milímetros, a camada incrustante que recobria o painel obteve peso total
de 1135,31 gramas, os balanideos representavam 1026,32 gramas, deste peso. A tabela 5
demonstra dados dos organismos incrustantes encontrados sobre o painel 8-B.
Tabela 7: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 8-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies (Painel 8-B)
Classe
Hidrozoa
Hidrozoa
Bryozoa
Bivalvia
Bivalvia
Ascidiacea
Ascidiacea
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Cirripedia
Total
Espécie
Schizoporella unicormis
Bugula neritina
Pinauay ralphi
Ostrea sp.
Perna perna
Didemnum perlucidum
Botrylloides nigrum
Styela plicata
Megabalanus coccopoma
Balanus amphitrite
Balanus improvisus
Biomassa total (gramas)
8,58
2,12
14,06
5,13
34,93
6,25
1,68
36,24
N º organismos
colonial
colonial
colonial
20
9
colonial
colonial
14
1026,32
823
11
1135,31
866
PAINEL 9-A (9 meses de submersão)
No painel 9-A foi observado visualmente assim como nos outros painéis descritos
anteriormente a presença inicial de uma translucida película, recobrindo o painel, após a
primeira semana de submersão. A película foi recoberta seqüencialmente pelo hidrozoário
colonial da espécie Pinauay ralphi, que na sexta semana se encontrava totalmente
recoberto pelas ascideas coloniais Trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile,(Fig. 29).
34
Figura 29: Painel 9-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão de submersão
(período de dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente.
Após nove semanas de submersão notou-se uma alta diversidade de espécies de
ascideas e balanideos colonizando o painel. As ascideas mais representativas foram
trididemnum orbiculatum, Styela plicata, Botrylloides nigrum (apêndices Fig.54) e
Lissoclinum fragile que obtiveram grande cobertura sobre o substrato até a décima segunda
semana de experimento. Foi observado também que os Balanideos apresentavam
colonização significativa, porem a maioria dos organismos se encontrava recoberto por
ascideas coloniais (comportamento epibionte).
Notou-se temporalmente pelas observações que até a décima segunda semana os
organismos tendenciaram a um acrescimo em biomassa e densidade, porem na decima
terceira semana foi verificado a ausencia de uma grande área recoberta pelas ascideas
trididemnum orbiculatum e Styela plicata que dominavam o substrato.
Com quinze semanas de submersão, foi possível observar a ausência da maioria das
ascideas recobrindo o substrato, como também a presença de espaços vazios deixados por
estas, resultando na predominância dos balanideos sobre o painel (Fig.30).
Figura 30: Painel 9-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de
março de 2011 até junho de 2011) respectivamente.
Após a décima oitava semana de submersão foi observado um grande recrutamento
de organismos da família Balanidae, assim como a colonização de ascideas das espécies
35
Trididemnum orbiculatum, Styela plicata e Didemnum perlucidum sobre os Balanideos. Foi
constatado que conforme aumentou o tempo de submersão, a camada incrustante destes
organismos cresceu gradativamente em espessura, pois os Balanideos acabavam por ser
colonizados por novos recrutas de mesma família, resultando em grandes aglomerações
que acentuavam em altura. Na vigésima sexta semana foi observado a presença da ascidea
de espécie Botryllus Níger e do Porífera Mycale microsigmatosa.
Na vigésima nona semana de submersão o substrato se encontrava incrustado de tal
maneira que era muito difícil o acesso ao painel tanto para registrar imagens fotográficas,
como também para uma visualização mais detalhada.
Ao final do experimento na medida do possível os organismos foram separados,
identificados, contados e pesados. Alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as
maiores alturas chegaram a 61,4 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos
organismos incrustantes foi de 3040,59 gramas.
Tabela 8: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies ( Painel 9-A)
Classe
Bivalvia
Bivalvia
Briozoa
Hidrozoa
Espécie
Ostrea.sp
Perna perna
Bugula neritina
Pinauay ralphi
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Cirripedia
Styela plicata
Megabalanus coccopoma
Balanus amphitrite
Balanus improvisus
11
Total
Biomassa total (gramas)
29,31
75,35
270,16
10,79
N ºorganismos
20
32
colonial
colonial
331,19
71
2314,54
863
3040,59
1180
PAINEL 9-B (9 meses de submersão)
O lado B do painel 9, assim como nos painéis anteriores apresentou na primeira
semana de submersão uma translucida película, recobrindo o painel.
Esta película foi recoberta pelo hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi na
segunda semana. Observou-se na sexta semana a presença de outras espécies que
recobriam todo hidrozoário, haviam as ascideas coloniais Trididemnum orbiculatum e
Lissoclinum fragile, e três colônias do hidrozoário Schizoporella unicornis (Fig. 31).
36
Figura 31: Painel 9-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de
dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente.
Após nove semanas de submersão notou-se que as ascideas recobriam grande
parte do painel, alguns indivíduos da família balanidae também foram observados porem em
baixo número. As ascideas coloniais que recobriam o painel foram trididemnum orbiculatum,
Botrylloides nigrum e Lissoclinum fragile e a ascidea solitária Styela plicata.
Na décima segunda semana notava-se um grande aumento de cobertura e biomassa
das ascideas sobre o painel, os balanideos apresentavam grande densidade, porém muitos
se encontravam recobertos por ascideas coloniais (comportamento epibionte).
Foi observada na décima terceira semana de submersão, a ausência de muitas das
espécies de ascideas, deixando alguns espaços vazios no painel. Na décima sexta semana,
já era possível notar a ausência da quase todas as ascideas, a dominância de organismos
da família balanidae colonizando o substrato e vários espaços vazios no painel (Fig. 32).
Figura 32: Painel 9-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período de
março de 2011 até junho de 2011) respectivamente.
Após a décima oitava semana de submersão notou-se grande numero de
organismos da família Balanidae, assim como a colonização das espécies Didemnum
perlucidum e Trididemnum orbiculatum da classe ascidiacea que recobriam os balanideos.
37
Na vigésima semana os balanideos dominavam o painel, mas se encontravam
recobertos por ascideas coloniais. Observou-se também a presença de um organismo de
coloração alaranjada da classe demospongiae, espécie Mycale microsigmatosa. Na
vigésima sexta semana de submersão os organismos que colonizavam o painel
apresentavam um grande aumento de biomassa, e os balanideos como descrito
anteriormente no painel 9-A, apresentavam grandes aglomerações que acentuavam em
altura até o final.
Na vigésima nona semana de submersão o substrato se encontrava muito incrustado
dificultando o acesso ao painel para observações e imagens fotográficas. Com trinta e seis
semanas de submersão o painel foi retirado da água, e pôde-se notar a presença de
balanideos, colônias de Briozoarios, ascideas e demospongiae. Alguns blocos da camada
incrustante foram medidos, as maiores alturas chegaram a 55,3 milímetros e o peso total da
camada recoberta pelos organismos incrustante foi de 2293,91 gramas, na tabela 9 estão
apresentados os dados finais dos organismos.
Tabela 9: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 9-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies ( Painel 9-B)
Classe
Bivalvia
Bivalvia
Briozoa
Ascidiacea
Ascidiacea
Demospongiae
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Cirripedia
Total
Espécie
Perna perna
Ostrea.sp
Bugula neritina
Botryllus niger
Didemnum perlucidum
Mycale microsigmatosa
Styela plicata
Megabalanus coccopoma
Balanus amphitrite
Balanus improvisus
Biomassa total (gramas)
28,61
7,17
200,78
3,35
6,16
7,8
262,39
N ºorganismos
10
13
colonial
colonial
colonial
colonial
65
1959,54
891
11
2293,91
1257
PAINEL 10-A (9 meses de submersão)
Foi observado no painel 10-A assim como nos outros painéis a presença de uma
translucida película, recobrindo o painel na primeira semana de submersão. Na segunda
semana o hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi, recobria todo o painel, porem
notou-se que na sexta semana o painel se encontrava recoberto pelas ascideas coloniais
38
trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile e uma colônia do hidrozoário Schizoporella
unicornis (Fig. 33).
Figura 33: Painel 10-A (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de
dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente.
Na nona semana de submersão foi possível notar que alem das ascideas,
observadas na sexta semana, haviam as espécies Lissoclinum fragile e Styela plicata
recobrindo o painel, como também uma grande densidade de organismos da classe dos
cirripedios, família Balanidae, no entanto a maioria dos indivíduos desta família se
encontravam recobertos por ascideas colônias ( comportamento epibionte).
Até a décima segunda semana observou-se um grande acréscimo na biomassa dos
organismos que colonizavam o substrato. Na décima terceira semana notou-se a ausência
de uma grande area recoberta pelas ascideas.Na decima quinta semana foi possivel
verifivar varios espaços sem a cobertura de organismos e que praticamente todas as
espécias de ascideas haviam se ausentado do painel permanecendo apenas os organismos
da familia Balanidae e uma ascidea solitária da espécie Phallusia nigra (Fig. 34).
Figura 34: Painel 10-A (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas dias de submersão
(período de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente.
39
Após dezoito semanas de submersão, foi possível observar que além dos balanideos
havia a presença da ascidea colonial da espécie Trididemnum orbiculatum, indivíduos da
espécie Styela plicata e uma colônia do hidrozoario Pinauay ralphi recobrindo o painel.
Notou-se na vigésima terceira semana, o aumento da colonização de balanideos
tanto sobre o painel como também sobre outros balanideos adultos. Após este período foi
possível notar o aumento da camada incrustante, resultando em uma grande espessura
incrustante, o que dificultou o acesso ao painel após 24 semanas de submersão.
Ao final do experimento, alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as
maiores alturas chegaram a 58,2 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos
organismos incrustante foi de 3635,6 gramas.
Tabela 10:Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies ( Painel 10-A)
Biomassa total (gramas)
N ºorganismos
Ostrea.sp
18,88
23
Bivalvia
Perna perna
56,83
49
Briozoa
Bugula neritina
214,8
colonial
Hidrozoa
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Cirripedia
Pinauay ralphi
Styela plicata
Megabalanus coccopoma
Balanus amphitrite
Balanus improvisus
11,28
482,88
colonial
123
2850,93
1320
8
3635,6
1515
Classe
Espécie
Bivalvia
Total
PAINEL 10-B (9 meses de submersão)
O painel 10-B na primeira semana de submersão, assim como no lado A,
apresentava uma translucida película, recobrindo o painel, sendo recoberta na segunda
semana pelo hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi. Observou-se que na sexta
semana o hidrozoário se encontrava recoberto por organismos da classe ascideacea.
As ascideas que recobriam o painel eram coloniais das espécies Trididemnum
orbiculatum e Lissoclinum fragile, além das ascideas notou-se a presença de uma pequena
colônia do hidrozoário Schizoporella unicornis (Fig. 35).
40
Figura 35: Painel 10-B (branco), após 0, 6, 9, 12 e 13 semanas de submersão (período de
dezembro de 2010 até março de 2011) respectivamente.
Após nove semanas de submersão observou-se que além das ascideas, haviam
organismos da classe dos cirripedios colonizando o painel, notava-se que as ascideas
coloniais recobriam os indivíduos da família Balanidae (comportamento epibionte).
Contatou-se também a presença de organismos da ascidea solitária da espécie Styela
plicata como também da ascidea colonial Botrylloides nigrum.
Na décima terceira semana de submersão notou-se a ausência de alguns
organismos, porem os Balanideos ainda apresentavam grande colonização no painel.
Após dezesseis semanas de submersão, foi possível observar a ausência das
ascideas recobrindo o substrato, como também os espaços vazios deixados. Notou-se
também a predominância dos balanideos sobre o painel e a presença de uma colônia do
hidrozoário Pinauay ralphi (Fig.36).
Figura 36: Painel 10-B (branco), após 15, 18, 20, 23 e 26 semanas de submersão (período
de março de 2011 até junho de 2011) respectivamente.
Na décima oitava semana de submersão, foi observada a presença das ascideas
Botrylloides nigrum e Trididemnum orbiculatum recobrindo novamente o painel. Na vigésima
terceira semana o painel estava totalmente recoberto por balanideos, observou-se também
41
a presença de alguns organismos da ascidea Styela plicata e uma colônia da ascidea
Botryllus Níger.
Após vinte seis semanas de submersão o painel apresentava uma grande camada
de espessura causada pelo grande assentamento de balanideos, sobre outros
(comportamento epibionte).
Ao final do experimento alguns blocos da camada incrustante foram medidos, as
maiores alturas chegaram 82,3 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos
organismos incrustante foi de 3297,5 gramas.
Tabela 11: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 10-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies ( Painel 10-B)
Classe
Espécie
Biomassa total (gramas)
N ºorganismos
Bivalvia
Bivalvia
Briozoa
Hidrozoa
Ostrea.sp
10,02
26
Perna perna
Bugula neritina
Pinauay ralphi
33,37
89,96
4,08
30
colonial
colonial
Ascidiacea
Styela plicata
427,71
84
Cirripedia
Megabalanus coccopoma
Cirripedia
Balanus amphitrite
Cirripedia
Balanus improvisus
2732,36
1303
3297,5
1443
Total
8
PAINEL 11-A (3 meses de submersão) - inverno
O painel 11 foi submerso em período diferente aos outros painéis, em data posterior,
ocasionalmente no inicio do inverno, o que resultou em um comportamento de
bioincrustação diferente dos outros painéis controle. Na segunda semana de submersão foi
observada visualmente a presença de uma translucida película, recobrindo o painel,
provavelmente esta seja composta por microorganismos marinhos, que formaram uma
película compacta de microalgas ( microincrustação),(Fig. 37).
42
Figura 37: Painel 11-A (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão (período de
março de 2011 até junho de 2011).
Notou-se na quarta semana de submersão que esta película foi recoberta pela
colonização de um organismo incrustante macrobêntonico, sendo este identificado como um
hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi. Na quinta semana de submersão observouse a presença de algumas colônias do hidrozoário Schizoporella unicormis, das ascideas
trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile e alguns organismos das espécies de
balanideos Balanus improvisus e Balanus amphitrite. Após treze semanas de experimento
estas recobriam grande parte do painel. Ao final do experimento as maiores alturas dos
balanideos chegaram 5,6 milímetros. O peso total da camada recoberta pelos organismos
incrustante foi de 58,58 gramas.
Tabela 12: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-A, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies ( Painel 11-A)
Classe
Bivalvia
Briozoa
Hidrozoa
Ascidiacea
Ascidiacea
Espécie
Perna perna
Bugula neritina
Pinauay ralphi
Trididemnum orbiculatum
Didemnum perlucidum
Balanus improvisus
Cirripedia
Balanus amphitrite
Total
6
Biomassa total (gramas)
3,05
3,24
40,47
3,61
2,70
N ºorganismos
66
colonial
colonial
colonial
colonial
5,51
30
58,58
66
PAINEL 11-B (3 meses de submersão) - inverno
No lado B do painel 11, foi observada visualmente na segunda semana de
submersão a presença de uma translucida película, recobrindo o painel, provavelmente esta
seja composta por matéria orgânica, inorgânica e microorganismos marinhos (Fig. 38).
43
Figura 38: Painel 11-B (branco), após 0, 2, 4, 5, 8 e 13 semanas de submersão (período de
março de 2011 até junho de 2011).
Notou-se na quarta semana de submersão que esta película foi recoberta pela
colonização do hidrozoário colonial da espécie Pinauay ralphi. Na oitava semana de
submersão observou-se a presença de algumas pequenas colônias do hidrozoário
Schizoporella unicormis, das ascideas trididemnum orbiculatum e Lissoclinum fragile e
alguns organismos das espécies de balanideos. Após treze semanas de experimento o
hidrozoário Pinauay ralphi recobria grande parte do substrato. Ao final do experimento as
alturas dos balanideos foram medidas e chegaram 8,7 milímetros. O peso total da camada
recoberta pelos organismos incrustante foi de 96,89 gramas.
Tabela 13: Dados finais dos organismos incrustantes do painel 11-B, representados
seqüencialmente pela identificação, biomassa e densidade.
Descrição de espécies ( Painel 11-B)
Classe
Bivalvia
Briozoa
Hidrozoa
Ascidiacea
Ascidiacea
Cirripedia
Cirripedia
Total
Espécie
Perna perna
Bugula neritina
Pinauay ralphi
Styela plicata
Didemnum perlucidum
Megabalanus coccopoma
Balanus improvisus
Biomassa total (gramas)
1,93
1,35
82,98
0,83
1,57
2,3
5,93
N ºorganismos
26
colonial
colonial
4
colonial
2
25
7
96,89
57
Com relação aos painéis controles, conforme é possível observar na tabela 14, foi
verificado um aumento na biomassa incrustada, numero de organismos e espessura dos
Balanideos ao longo do período de imersão.
44
Tabela 14: Dados finais dos painéis controle
Resultados Finais - painéis controle
PAINEL
TAXA DE
COBERTURA [%]
BIOMASSA
FINAL [g]
Nº DE
ORGANISMOS
Nº DE ESPECIES
ENCONTRADAS
ALTURA
MAXIMA* [mm]
7-A
99,37
699
616
7
41.80
7-B
92.60
408.11
454
10
32.05
8-A
100.00
1311.05
899
11
82.90
8-B
100.00
1135.31
866
11
58.90
9-A
100.00
3040.59
1180
11
61.40
9-B
100.00
2293.91
1257
11
59.00
10-A
100.00
3635.6
1515
8
58.00
10-B
100.00
3297.5
1443
8
82.30
11-A
100.00
58.58
66
6
5.60
11-B
100.00
96.89
57
7
8.70
* altura do maior ballanideo encontrado
A baixo o gráfico 39 representa a biomassa final encontrada sobre cada painel
experimental demonstrando claramente, grande diferença entre os valores encontrados nos
painéis antifouling e controles.
Figura 39: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis antifouling ( 1 a 6 ) e
controles ( 7 a 11) respectivamente.
A figura 40 apresenta gradativamente a biomassa incrustada nos painéis controle ao
longo do período de submersão, com a biomassa total de cada painel, evidenciando
claramente o aumento da biomassa ao longo do tempo. Além da grande diferença da
45
biomassa final dos painéis 7 (submerso no verão) e
11 (submerso no inverno), que
permaneceram tempo igual submersos.
Figura 40: Gráfico demonstrando a biomassa final dos painéis controle, submersos
respectivamente por 12 (verão), 24, 36, 36 e 12 (inverno) semanas.
A figura 41 compara a biomassa final dos painéis antifouling com o painel controle
que ficou submerso por 180 dias, mesmo periodo dos antifouling, representando nitidamente
a grande diferença entre o painel controle e os painéis antifouling.
Figura 41: Gráfico comparando a biomassa final dos painéis antifouling (1 a 6 ) e do painel
controle 8, submerso por mesmo período.
46
Os organismos foram identificados com o auxilio do Professor Doutor Adriano
Marenzi, como também por guias de identificação e trabalhos relacionados a área de estudo
(Tabela 15).
.
Tabela 15: Lista de espécies identificadas nos painéis metálicos.
LISTA DE ESPÉCIES BIOINCRUSTANTES
FILO
CLASSE
Cnidária
Hidrozoa
ESPÉCIE
Schizoporella unicornis
Pinauay ralphi
Bryozoa
Gymnolaemata
Bugula neritina
Urochordata
Asciadiacea
Didemnum perlucidum
Lissoclinum fragile
Botryllus niger
Trididemnum orbiculatum
Styela plicata
Phallusia nigra
Botrylloides nigrum
Porifera
Demospongiae
Mycale microsigmatosa
Molusca
Bivalvia
Perna perna
Ostrea sp.
Gatropoda
Stramonita haemastoma
Arthropoda
Cirripédia
Balanus amphitrite
Balanus improvisus
Megabalanus coccopoma
47
5.3 Parâmetros físicos e químicos
Com relação aos parâmetros físicos químicos observados durante o período
amostral (Tabela 16), foi possível observar que não houve muitas variações ambientais
durante o período amostral, as maiores temperaturas foram observadas em fevereiro com
media de 27.7°C e as menores foram no mês de julho com 18 °C. Notou-se que com o
aumento da temperatura houve maiores incrustações, principalmente de organismos da
classe dos cirripedios.
Os parâmetros ambientais não foram limitantes para o desenvolvimento das
incrustações, pois durante todo período de submersão dos painéis ocorreram incrustações
de organismos marinhos, variando apenas em biomassa e espécies entre o inverno e o
verão.
Tabela 16: Relação da media dos parâmetros físicos do ponto amostral.
Mês
Temperatura
Salinidade
Unidade
09/2010
10/2010
11/2010
12/2010
01/2011
02/2011
03/2011
04/2011
05/2011
06/2011
07/2011
08/2011
°C
19
22.5
23
23
25.5
27.7
24.5
24.3
21.5
18.7
18
18.9
ppm
30
31
31
32
30
29.8
31.3
32.5
32
34
32
31
pH
OD%
OD
Turbidez
Condutividade
8.12
7.71
7.21
7.46
7.4
8.29
8.13
6.04
8
8
7.7
7.7
%
94.8
104.3
76.2
74.5
75.5
86.69
85.49
74.5
93.7
94.6
92.5
93.1
mg/L
7.24
7.64
5.32
5.32
5.32
5.765
5.96
5.28
6.85
7.17
6.6
7.17
NTU
11.7
2.9
11.3
12.8
13.2
12.86
14.8
16.97
5.1
5
6
3.6
mS/cm
46.82
47.7
48.3
50.28
49.3
48.47
47.69
49.38
46.22
46.33
45.7
42.8
48
6. DISCUSSÕES
A colonização de um substrato por organismos é conhecida como recrutamento,
resultando no processo de colonização de habitats por organismos marinhos com vida
planctônica, este envolve três fases: o desenvolvimento do organismo; a exploração do
habitat e o seu estabelecimento (SILVA, 2003).
A colonização dos organismos foi verificada no presente trabalho em todos os
painéis controle, iniciando na primeira semana com a formação de uma película de
microrganismos marinhos (microincrustação). Segundo MACHADO (2006) esta fase começa
com a formação de uma camada de material orgânico dissolvido, em seguida, ocorre a
colonização por bactérias e algas unicelulares. Estes colonizadores formam um biofilme,
também conhecido como microbioincrustação. As diatomáceas predominam em biofilmes e
sua adesão ao substrato se dá através de substâncias poliméricas extracelulares pegajosas.
Após a divisão das células há a formação de colônias que podem ficar juntas, originando um
biofilme compacto.
Este processo de sucessão ecológica foi observado em todos os painéis controles,
sendo que da estruturação especifica deste processo esteve diretamente relacionada aos
fatores abióticos e bióticos da área de estudo, como o ciclo de vida dos organismos, fatores
físicos, disponibilidade de larvas, interações biológicas como competição interespecífica por
espaço e comportamento epibionte, influenciando diretamente na ordem, desenvolvimento,
formação e rapidez da colonização nos painéis.
Os painéis controle na segunda semana estavam recobertos por um hidrozoário
colonial de aspecto gramíneo (Pinauay ralphi). De acordo com CABRAL (2010) hidrozoários
são conhecidos por sua característica oportunista e pioneira e são os organismos mais
favorecidos na disponibilidade de substratos limpos. Estas espécies pioneiras podem ser
classificadas como r estrategistas, pois apresentam rápida colonização, crescimento e baixa
longevidade.
Este autor observou o desenvolvimento inicial de hidrozoários sobre substratos
artificiais resultou em rápido crescimento e desaparecimento das colônias (14 dias), ou por
serem fracos competidores, ou por apresentarem crescimento exponencial acabando por
inibir o desenvolvimento de novas colônias tanto pela competição por alimento como
também por espaço.
No presente estudo o hidrozoário permaneceu duas semanas recobrindo os painéis,
entretanto se observou que não houve um desenvolvimento deste organismo, este foi
recoberto por duas ascideas coloniais das espécies Trididemnum orbiculatum, e Lissoclinum
49
fragile. As espécies pioneiras podem preparar o substrato para que outras espécies o
colonizem, dividir o espaço com elas ou inibir seu estabelecimento (MACHADO, 2006).
Sugere-se duas possibilidades para tal comportamento, ou as espécies de ascideas
após assentarem e se desenvolverem acabaram inibindo o crescimento do hidrozoário
(competição por espaço) ou até mesmo o hidrozoário não conseguiu se desenvolver por
possuir curto ciclo de vida.
As ascideas colonizaram grande parte do substrato, sendo em sua maioria espécies
coloniais, no entanto houve grande ocorrência e biomassa de uma espécie solitária, a Styela
plicata.
Os cirripedios também colonizavam o substrato e começaram a apresentar um maior
destaque na décima semana de imersão, período de altas temperaturas. Após a décima
quinta semana foi observado que algumas espécies de ascideas haviam sumido e deixado
espaços vazios, o que proporcionou em um grande assentamento dos cirripedios. Após o
substrato ser totalmente colonizado notou-se o recrutamento de novos indivíduos sobre os
cirripedios adultos, este comportamento se refere à epibiose. Segundo CORDEIRO (2002) A
interação do tipo epibiose é definida como a associação de organismos a substratos
animados (organismos vivos) e, esta interação pode trazer uma série de benefícios ou não
ao epibionte, os cirripedios constituem uma parcela representativa dos organismos que
praticam a colonização de superfícies animadas.
Os cirripedios dominaram o substrato ao final do experimento tanto nos painéis
emersos após 12 semanas como também após 24 e 36 semanas. O comportamento
epibionte resultou em altas espessuras sobre os painéis, atingindo até 8,3 centímetros.
Os dois painéis controles que permaneceram submersos doze semanas, em
períodos diferentes, foram comparados em relação à ocorrência de espécies, biomassa e
desenvolvimento dos organismos incrustantes. O painel 7 foi imerso no inicio do verão
enquanto que o painel 11 foi imerso no inicio do inverno. Apesar de ambos apresentarem
padrões diferentes na sucessão ecológica do substrato é importante ressaltar que, os dois
apresentaram rápida colonização e obtiveram biomassa final consideravelmente alta,
enquanto que o painel 7 apresentou 1107,1 gramas o painel 11 obteve 115,4 gramas.
Segundo NERY, (2008) as regiões tropicais, nas quais a temperatura da água é mais
elevada e com pouca variação sazonal, quando comparada com águas de regiões
temperadas, observa-se um contínuo processo de colonização por parte dos organismos
incrustantes, o que proporciona uma rápida sucessão ecológica e, conseqüentemente, uma
elevada biomassa.
Notou-se claramente grande diferença entre a colonização sobre os painéis. A
colonização no painel imerso no verão foi composta por diversas espécies de cirripedios da
50
família balanidae, obtiveram maior biomassa e maior abundancia. As espécies verificadas
mais abundantes foram Megabalanus coccopoma, Balanus amphitrite e Balanus improvisus
respectivamente, alem de ascideas, hidrozoarios e bivalves.
O painel imerso no inverno apresentou maior colonização por hidrozoários e
ascideas seguidos de poucos indivíduos da família balanidae apenas das espécies Balanus
amphitrite e Balanus improvisus, que obtiveram alturas baixas em relação às alturas dos
balanideos que colonizaram no verão, enquanto no painel 7 as maiores alturas chegaram a
41.8 milímetros. No painel 11 estas foram até 8.7 milímetros. Além disso após 12 semanas
de imersão a biomassa final do painel 11 chegou ao maximo de 100 gramas em cada lado.
De acordo com Silva et al. (1980) a temperatura é o elemento determinante no tipo
de incrustação, afirmando que regiões mais quentes apresentam maior riqueza de fauna e
flora incrustantes. Outros estudos confirmam que existe um padrão diferente nas
incrustações biológicas entre o verão e o inverno. SEVERINO (2000) estudou a variação
sazonal dos cirripedios na Armação do Itapocoroy, concluindo que as maiores ocorrências
dos estágios mais avançados de desenvolvimento das larvas de cirripédias, foram
concentradas nos meses mais quentes, indicando períodos de intenso assentamento de
Balanideos no fim da primavera e inicio do verão. Fato este que pode ser confirmado pela
intensa colonização dos balanideos nos painéis submersos no verão. Isto pode estar
relacionado a maior disponibilidade de fictoplâncton nos períodos mais quentes, já que estes
servem de alimento e são essênciais para desenvolvimento larval dos balanideos.
O estudo realizado por MACHADO (2007) com a finalidade de conhecer a taxa de
recrutamento de organismos incrustantes em Porto belo, Santa Catarina, também mostrou
que os cirripédios recrutaram preferencialmente no verão. Essa tendência pôde ser
observada em todos os painéis controle que foram submersos no verão, com exceção do
painel submerso no inverno, que obteve baixa colonização por balanideos.
Os resultados obtidos em grande parte dos painéis controle, assim como no estudo
feito por SEVERINO (2000), apontam que os Balanideos que apresentaram maior
ocorrência e abundancia foram da espécie Megabalanus coccopoma, seguida por Balanus
amphitrite e Balanus improvisus.
Em todos os painéis metálicos com tratamento antifouling submersos pelo
experimento foi possível observar visualmente em campo a presença de uma primeira fase
de recobrimento do substrato, pela formação de uma camada de matéria orgânica,
inorgânica e detritos aderidos a quase toda superfície do substrato.
Esta camada apresentava uma fraca aderência sobre os painéis com tratamento
antifouling, de maneira que qualquer movimento e/ou atrito sobre o substrato acabava por
ser removida. Esta camada faz parte do inicio da primeira fase da microincrustação, nas
51
primeiras horas de imersão de substratos rígidos na água, ocorre um acumulo inicial de
orgânicos adsorvidos (moléculas orgânicas de proteínas, polissacarídeos, glicoproteínas e
outras) seguido da aderência de bactérias e algas unicelulares que crescem criando um
microfilme que subseqüentemente, provê alimento suficiente para permitir a fixação de
microalgas (BALDISSERA, 2003 .; CHAMBERS et al , 2006).
Apesar da não ter sido possível realizar a analise detalhada do conteúdo da camada
em microscópio, observou-se macroscopicamente a provável ocorrência dos dois estágios
da primeira fase da microincrustação sobre todos os painéis com tratamento antifouling,
havendo um acréscimo temporal deste acumulo sobre o substrato. No entanto o ultimo
estagio para a que ocorra a microincrustação, não foi visualizado igualmente nos painéis
controle e tratamento, ocorrendo em um curto período de tempo sobre o controle que logo
formou um biofilme de microalgas na primeira semana de submersão (microincrustação)
seqüencialmente dando lugar aos macroorganismos marinhos (incrustação). Nos painéis
com tratamento antifouling o último estagio da microincrustação não foi observado, pois não
foi possível notar a presença de uma película compacta formada por microalgas, somente
um acumulo de matéria orgânica e inorgânica que acumulou conforme o tempo de
submersão. A ação dos compostos usados no tratamento antifouling empregado sobre os
painéis com tratamento, provavelmente apresentou influencia sobre as microalgas que
normalmente teriam aderido e formado um biofilme sobre os painéis.
Durante o experimento foi observado que alguns organismos que conseguiam
assentar sobre os painéis com tratamento antifouling, permaneciam curto período de tempo,
variando entre 30 a 70 dias. Fato este que pôde ser visivelmente observado pela fraca
aderência destes sobre o substrato revestido com antifouling, isso ficou claro quando pelo
simples toque sobre o organismo resultava em sua remoção, fato que foi difícil de ocorrer
nos substratos controle.
Os cirripedios exploram a superfície do substrato através de um par de órgãos
sensoriais e secretam uma substância adesiva a partir de glândulas unicelulares. Esta fase
é chamada de exploratória, já que as larvas têm a capacidade de se soltarem do substrato,
caso detectem algum tipo de problema. A substância adesiva temporária que é deixada para
trás neste caso, é resistente à biodegradação e pode agir como um sinalizador para outras
larvas (MACHADO 2007).
As porcentagens de cobertura de organismos incrustantes sobre os painéis controle
representaram em praticamente todos os painéis 100%, com exceção apenas nos painéis 7-A
e 7-B (submersos por 12 semanas), estas foram de 92,6% e 99.3% respectivamente. Este
padrão foi completamente inverso para os painéis com tratamento antifouling, que em sua
maioria obteve 0% e quando ocorreram os valores obtiveram um máximo de 0,36%. Através
52
destes dados pode-se afirmar que o tratamento antifouling foi eficiente em repelir organismos
incrustantes.
Diferenças na densidade, riqueza e composição das espécies incrustantes foram
observadas entre os painéis controle e antifouling, com maiores valores registrados nos
controles, onde os maiores valores de perda da comunidade foram observados nos painéis
com tratamento antifouling.
Através de observações em campo durante todo o experimento tanto nos painéis
controle como também nos painéis com tratamento, foi possível visualizar os organismos
mais freqüentes em substratos metálicos com e sem cobertura antifouling, como também ao
final do experimento foi possível identificar tais espécies.
A única classe de organismos incrustantes que conseguiu aderir ao substrato
revestido pelo composto antifouling avaliado foi os Cirripedios da família balanidae, espécies
Megabalanus coccopoma e Balanus amphitrite. Entretanto as biomassas dos organismos
incrustantes não passaram de 6,2 gramas. Quando houve incrustações, estas ocorreram
após 12 semanas de submersão, pois como relatado na metodologia os painéis
permaneciam estáticos, facilitando o assentamento de larvas de organismos marinhos.
Nos painéis controle as espécies mais abundantes seguiram a seguinte ordem:
- Balanideos das espécies Megabalanus coccopoma, Balanus amphitrite e Balanus
improvisus.
- Ascideas das espécies Styela plicata, trididemnum orbiculatum, Botrylloides nigrum,
Didemnum perlucidum e Botryllus Níger.
- Bivalves das espécies Perna perna e Ostrea.sp..
- Hidrozoários das espécies Pinauay ralphi e Schizoporella unicornis.
- Gymnolaemata da espécie Bugula neritina.
Outras espécies associadas ao substrato foram encontradas freqüentemente sobre
os painéis. No entanto estas não foram classificadas no trabalho, pois estas não fazem parte
dos organismos incrustantes. Dentre estas estão organismos das classes: melacostraca,
polychaeta e osteichthyes.
53
7. CONCLUSÃO
De acordo com o que foi proposto no objetivo geral, em fazer uma avaliação
qualitativa e quantitativa de incrustações de organismos marinhos em painéis artificiais com
tratamento antifouling, Verificou-se que os poucos organismos que chegavam a assentar
sobre o painel permaneciam pouco tempo aderidos.
Foi constatado ao final do experimento que todos os painéis com tratamento
antifouling obtiveram baixa ou nenhuma incrustação de organismos incrustantes. Os únicos
organismos que conseguiram aderir aos painéis com tratamento antifouling foram
crustáceos da classe dos cirripédios, família balanidae. As espécies encontradas foram
Megabalanus coccopoma e Balanus arphitrite, obtendo maior destaque a primeira. Os
organismos que foram efetivamente repelidos pelo antifoulig em comparativo as espécies
freqüentes nos painéis controle pertencem as classes: ascideacea, bivalvia, hydrozoa e
Gymnolaemata.
Os resultados obtidos por este estudo confirmam a tendência de que revestimentos
antiincrustantes à base de cobre dificultam a colonização de organismos incrustantes,
reduzindo consideravelmente a colonização, densidade e riqueza de espécies incrustantes.
Existe uma tendência de que um novo substrato lançado no ambiente marinho seja
colonizado mais rapidamente e que possua maior biomassa no verão do que se a mesma
superfície se encontrasse no inverno ou ainda se a superfície do substrato estiver revestida
por um sistema de defesa ( antifouling).
54
8. REFERENCIAS
ALMEIDA, E.; DIAMANTINO, T.; SOUSA, O. 2006. Breve história das tintas
antivegetativas . Corros. Prot. Mater, Vol. 26, N.1 , p. 6-12, 2007.
BATISTA, William Romão et al. Avaliação da atividade antiincrustante . Revista Pesquisa
Naval, Brasilia, n. 19, p.140-145, 2006.
BALDISSERA, F. Desenvolvimento de tinta antifouling não – convencional para
proteção de embarcações e estruturas metálicas. 2008. 147 p. Tese (Doutorado em
engenharia de minas, Metalúrgica e de materiais) – Departamento de Materiais da escola de
engenharia da UFRGS, Porto Alegre , 2008.
BENVENUTTI, J. Avaliação da propriedade antiincrustante do extrato bruto da macroalga
laurencia flagellifera. Conclusao do curso de Ciencias Biologicas, Itajaí, 24 maio 2004. 2.
BROOKS, S. J.; Waldock, M. Em ref. 18, cap. 24.
CARLTON, J. T. The scale and ecological conseguences of biological invasions in the
world’s ocean. In Invasive Species and Biodiversity Management. O. T. Sandlund, P. J.
Schei, and A. Viken (eds). Kluewer Academic Publishers, Dordrecht, Netherlands. 195212,1999.
CASTRO, Ítalo B.; WESTPHAL, Eliete and FILLMANN, Gilberto. Tintas anti-incrustantes
de terceira geração: novos biocidas no ambiente aquático. Química Nova, vol.34, n.6,
pp. 1021-1031, 2011
CORDEIRO, C. A. M. M. & Costa, T. M. Relação entre categoria demográfica, tamanho
do hospedeiro Libinia spinosa (Brachyura: Majoidea) e infestação por Octolasmis
lowei (Cirripedia: Poecilasmatidae). São Paulo, 2002.
CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Nº 357, de 09 de março de
2005.
Disponível em: http://www.proamb.com.br/leis_decretos/conama_357.pdf. Acesso em 15 de
setembro de 2011.
F. MARSON, J. Appl. Chem., 19, 93 (1969).
GENTIL, V. Revestimentos não-metálicos orgânicos – Tintas e polímeros, Corrosão. 5. Ed.
Rio de Janeiro, 2007, p.253-280.
GLASBY, T.M.; et al. Nonindigenous biota on artificial structures : could habitat
creation facilitate biological invasions? Marine Biology, Australia, v. 151, n. 3, p.887-895,
2007.
GODOI, A. F. L.; FAVORETO, R.; SILVA ,M. S. 2003. Contaminação por compostos
organoestânicos. Quimica nova, São Paulo, Vol. 26, N. 5, p.708-716, 2003.
JACOBSON, A. H.; WILLINGHAM, G. L. 2000. Sea-nine antifoulant: an environmentally
acceptable alternative to organotin antifoulants. Science of The Total Environment, USA,
Vol. 258, p.103-110, 2000.
55
KREMER, Laura Pioli et al. Potencial invasor de Didemnum perlucidum (tunicata,
ascidiacea) em um ambiente de cultivo de mexilhões. 2008. 67 p. Dissertação (Mestrado
em Biologia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
L.D Chambers, K.R. Stokes, F.C . Walsh, R.J.K. Wood. Modern approaches to marine
antifouling coatings. Surface and coatings Technology , 201 (2006) 3642.
LEWIS, J.A. (2001). Ship anti-foulants – tributyltin and substitutes. National Shipping
Industry
Conference
Sydney
Australia.
pp
1
6.http://www.amsa.gov.au/about_amsa/Corporate_information/AMSA_speeches/Shipping_In
_The_AsiaPacific_Conference/PDFs/dsto.pdf. Acesso em 10 de janeiro de 2005
MARENZI, A. W. C. Influência do Cultivo de Mexilhões sobre o Habitat Bentônico na
Enseada da Armação do Itapocoroy, Penha, SC. São Carlos, 2002. 113 f. Tese (Doutor
na Área de Concentração em Ecologia e Recursos Naturais) – Centro de Ciências
Biológicas e da Saúde , Universidade Federal de São Carlos.
MACHADO, Kátia Regina Sgrott Sauer. Estudo sucessional das incrustações biológicas
em painéis artificiais na ilha de Porto Belo (Porto Belo,SC), através de matrizes de
probabilidade de transição e análise de sensibilidade.2006. 152 p. Tese (Doutorado) Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.
NERY, Patrícia Paula Coelho Felipe et al. Recrutamento e sucessão ecológica da
macrofauna.Revista Brasileira de Engenharia de Pesca, Recife, v. 3, n. 1, p.51-61, jan.
2008.
NORMAM – Normas da autoridade Marítima, portaria 076/2007, NORMAN-23/DPC, 09 de
março de 2005.
Disponível em: https://www.dpc.mar.mil.br/normam/tabela_normam.htm. Acesso em 15 de
setembro de 2011.
RACCO, Adriana. Modelos computacionais para dinâmica de populações reais. 2003.
77 f. Tese (Doutorado em fisíca) – Instituto de física, universidade federal fluminense,
Niterói, RJ . 2003.
SANTOS, S.-C. D. O. Formulação e ensaios de tintas com base na tecnologia de
ferrugem protetora para emprego em ambiente antártico.2005. 166 p. Dissertação (Pós
graduação de ciências em engenharia Metalurgica e de materiais)- Universidade Federal do
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
SCHETTINI, C. A.F.; CARVALHO, J. L. B. & Truccolo, E.C. 1999. Aspéctos
hidrodinâmicos daenseada da Armação do Itapocoroy, SC. Notas Téc. FACIMAR, 3:99109.
SEVERINO, A. Taxonomia e Variação Temporal de larvas de Cirripedia na Enseada de
Itapocoroy, Armação, Santa Catarina. 2000. 103. p. Conclusão do curso de Oceanográfia,
Itajaí.
SILVA, S. H. G.; NUNES, A. J. B.; ALVES, M. C. et al. Contribuição ao estudo das
comunidades incrustantes que ocorrem na Baía da Guanabara. Revista Brasileira de
Biologia. Rio de Janeiro. v. 40, n. 2, p. 367-382. 1980.
56
SILVA, A. K. P. D. Estudo Qualitativo da Sucessão Ecológica, Recrutamento e do
tratamento''Anti-fouling''convencional em organismos incrustantes, na Região
Portuária de Suape-Pernambuco,Brasil. 2003. 121 p. Tese (Doutorado em Oceanográfia)Universidade Federal de Pernambuco , Recife.
TROVATI, G. Revestimentos de Poliuretano como anti-incrustante para o controle do
mexilhão dourado (Limnoperna Fortunei). 2011. 131 p. Tese ( Doutorado em ciências)
Instituto de quimica de são Paulo, São Carlos.
VOULVOULIS, N.; SCRIMSHAW, M. D.; LESTER, J. N. Alternative antifouling biocides.
Applied Organometallic Chemistry, London, n. 13, p.135-146, 1999.
WAHL, Martin. Marine epibiosis. I Fouling and antifouling: some basic aspects. Marine
Ecology Progress Series, Alemanha, v. 28, p.175-189, 15 dez. 1989.
ZALMON, Iana Rosental; GOMES, Flavio Antonio da Costa. Comunidade incrustante em
diferentes materiais de um recife artificial no litoral Norte do estado do Rio de Janeiro.
Biotemas, Rio de Janeiro, v. 1, n. 16, p.57-80, 24 jan. 2003.
57
APÊNDICES
Aqui estão ilustradas as espécies incrustantes identificados sobre os painéis.
Filo Arthropoda : classe Cirripedia
Figura 42: Balanus amphitrite
Figura 43: Balanus improvisus
Figura 44: Megabalanus coccopoma
58
Filo Molusca : Classe Bivalvia
Figura 46: Ostrea. Sp
Figura 45: Perna perna
Classe Gastropoda
Figura 47: Estramonita haemastoma
Filo Urochordata : Classe Ascidiacea
Figura 49: Botryllus Níger
Figura 48: Trididemnum orbiculatum
59
Figura51: Phallusia nigra
Figura 50: Estyela plicata
Figura 52:Lissoclinum
fragile
Figura 53:Didemnum perlucidum
Figura 54:Botrylloides nigrum
60
Filo Briozoa: Classe Gimnolaemata
Figura 55: Bugula neritina
Filo Cnidaria: Classe Hidrozoa
Figura 56: Schizoporella unicormis
Figura 57: Pinauay ralphi
61
Download

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ