Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo
Manaus - Edição 03/2007
ISSN 1980-6930
TURISMO ÉTNICO INDÍGENA - MEIO DE
SUSTENTABILIDADE PARA OS ÍNDIOS URBANOS
DA CIDADE DE MANAUS
Shirley Cintra Portela de Sá Peixoto1
Carlossandro Carvalho de Albuquerque2
RESUMO
Desponta como tendência para o mercado turístico, a crescente busca em se conhecer a
cultura dos povos primitivos, apesar de ainda continuar forte o segmento do turismo de massa,
que se caracteriza pela procura por locais de praia e sol. O turismo de base etnológica surge
como possibilidade de resgate cultural e alternativa econômica para os grupos indígenas que
tem interesse em se inserir na cadeia produtiva do turismo. Já existe no Brasil oferta de
produtos turísticos em que oferecem a cultura indígena como produto. Citamos o exemplo dos
índios Pataxó na Bahia, onde o turismo resgatou a cultura e está servindo de desenvolvimento
econômico para tribo. Em Manaus existe um grande número de índios urbanos que,
timidamente, exploram uma pequena fatia dos turistas que circulam pela cidade. Para eles o
turismo étnico pode ser um meio para melhorar as condições de vida e ajudar a manter as
características culturais.
Palavra-chave: índios, urbanos, turismo e sustentabilidade.
ETHNIC TOURISM MAY SUSTAINABLE FOR
URBAN INDIANS TO MANAUS CITY
ABSTRACT
It's an inclination in the touristic market the rise in seeking clients who want to absorb other
cultures, besides it does continue such strong multi-touristic element that characterize this
pursuit for places sometimes explored and well propagated. This portait is changing and there
are indications that the thinking of the market is moving on. There are offers in Brazil seeking
ethnicity as is Pataxo's paragon from Bahia (Brazil), where tourism retrieved culture and is
attending the tribe sustainable development. In Manaus, there are several urban indians that,
shameless, explore a touristic parcel. They perceived that the ethnic tourism may enlighten
their life condition as well as preserve their cultural characteristics.
1
Turismóloga, especialista Gestão de Eventos e Pós-Graduanda em Turismo e Desenvolvimento Local.
Geógrafo, Mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Professor da Universidade do
Estado do Amazonas- UEA, Coordenador da Especialização em Turismo e Desenvolvimento Local. E-mail:
[email protected]
2
Key-words: urban, tourism and suntainability
1. INTRODUÇÃO
Na área urbana da cidade de Manaus estão vivendo aproximadamente trinta mil índios,
em situação de risco cultural, social e econômica. Na sua maioria, esses indígenas sobrevivem
em situação de miséria nos bairros da periferia, desenvolvendo suas atividades laborais no
subemprego como é o caso dos homens que capinam os quintais e outros serviços, e as
mulheres trabalham como empregadas domésticas, somente uma pequena parcela está
inserida na cadeia produtiva do turismo.
Além dessa situação de subemprego e de moradores das periferias, ainda sofrem com
o preconceito por serem índios. Tal assertiva pode ser exemplificada em duas situações: a
primeira e talvez a mais clássica ocorra na escola quando os alunos identificam um colega de
origem indígena, passam a discriminá-lo com o uso de alcunhas ou simplesmente o desprezo.
A segunda e mais inusitada acontece quando os indígenas procuram os postos de saúde da
capital e são questionados se são índios ou não, diante da resposta afirmativa os pacientes são
orientados a procurar a FUNASA e não recebem qualquer tipo de assistência.
É certo que tais problemas não são localizados e acontecem em todo país, como
decorrentes de uma forma de exclusão social em relação ao índio. Prática enraizada desde o
início da colonização do Brasil pela cultura do não-índio.
Contudo o que atrai os indígenas para os centros urbanos é a busca por melhores
condições de vida, de saúde, de trabalho e educação, o que não difere da própria essência do
êxodo rural. Conforme Stephen (2005):
Desde situações em que índios foram expulsos das suas terras até outras
situações em que índios optaram pela vida na cidade em decorrência da falta de
oportunidades de educação e atendimento adequado de saúde nas suas aldeias. A
migração indígena para os centros urbanos ocorre de maneiras muito diversas, desde
o traslado de grupos familiares para bairros onde já há um contingente grande de
índios organizados politicamente até casos de migração de indivíduos para a cidade
em busca de empregos, tratamento de saúde, educação ou um novo estilo de vida.
Quando os indígenas chegam a Manaus deparam com uma realidade muito amarga e
dura, com a dificuldade em conseguir um trabalho digno por apresentar baixa escolaridade; a
maioria não tem moradia própria indo residir com familiares moradores da cidade, outro
agravante é quando os indígenas formam suas comunidades étnicas, pois acabam se
estabelecendo nas periferias, onde faltam escolas, rede de água, esgoto, transporte e sobram
omissões das entidades governamentais. Na imensa maioria das vezes, quando existem
escolas, estas não estão aptas ou preparadas para trabalhar com o legado cultural da população
indígena.
Trazer os elementos culturais indígenas para patamares condizentes de respeito parece
ser o diferencial de que eles precisam para manter acessa a chama da dignidade, do resgate de
seus inúmeros valores culturais e das inquestionáveis influências tatuadas na cultura do nãoíndio brasileiro.
Para sobreviver na área urbana, os índios passam a vender artesanatos em praças
públicas, muitas vezes a mercê da sorte e nas piores situações, buscando angariar algum valor
para sua sobrevivência. Realizam apresentações de rituais sem as devidas motivações para
fazê-los, trazendo desgaste e certa vulgaridade cultural ainda que as motivações sejam
compreensíveis. Essa situação parece passar despercebida diante dos olhos das autoridades
constituídas, mas na verdade desnuda, a triste realidade do indígena brasileiro.
Existem promessas de assistência e melhoria de infra-estrutura aos nativos por parte
de algumas entidades públicas, que não passam do discurso. Que segundo Leme e Neves
(2001) afirmam:
As minorias étnicas muitas vezes não possuem força política efetiva
devido às estruturas de poder centralizadas, ficando a promessa de melhoria
socioeconômica desses grupos no discurso e na chamada ideologia política.
Como alternativa de melhores condições de vida e de desenvolvimento para os índios
urbanos, o turismo pode surgir como opção de valorização e resgate cultural, além de gerar
emprego e renda a esta população.
2. TURISMO ÉTNICO INDÍGENA COMO RESGATE CULTURAL
Nos anos setenta essa modalidade de turismo foi reforçada e promovida por certas
populações indígenas que começaram a comercializar as tradições culturais, tornando como
atrativo turístico, a cultura e o espaço que habitavam. Com base na venda desse exotismo, os
habitantes dessas aldeias foram capazes de perceber a sua própria cultura como atrativo
turístico, mais exigia o comprometimento entre os próprios indígenas em manter suas
tradições e costumes transmitidos às futuras gerações.
O turismo étnico indígena não é uma nova forma de turismo, conforme esclarece
Grunewald (2001) ao mostrar que o primeiro relato sobre o turismo indígena ocorreu nos anos
sessenta numa aldeia mexicana.
Isso permitiu fazer um novo uso do turismo ao utilizá-lo como resgate cultural dos
povos indígenas e, também, como instrumento para o desenvolvimento local. As populações
indígenas observaram que manter viva a sua cultura poderia servir como um meio de
sustentabilidade do grupo étnico.
No Brasil existem relatos de turismo indígena que resultaram no resgate cultural e na
sustentabilidade da etnia como exemplo do grupo da etnia Pataxós na Bahia, apesar de no
inicio servir de pressão contra os próprios indígenas. Vários relatos mostram que eles foram
perdendo o lugar onde viviam para o turismo. Ano após ano, as belas praias de Porto Seguro
foram sendo ocupadas por grandes hotéis e por importantes empreendimentos comerciais e os
habitantes da região litorânea foram se afastando, tornando difícil à sobrevivência pela falta
de caça, de pesca e do acesso ao próprio local.
A solução por melhores condições de vida das aldeias Pataxós partiu de um projeto de
turismo indígena, planejado passo-a-passo conforme relata Brasil3:
Ao contrário do que se pode imaginar, o que primeiro despertou as
aldeias para o novo projeto não foram os dólares ou os reais dos turistas.
Resgatar a cultura tradicional, divulgando-a entre os próprios pataxós, foi o
passo inicial. Só depois começamos a abrir para as pessoas de fora , revela
Jaoti4. De fato, tempos atrás a herança dos antepassados, traduzida nas
danças, crenças e conhecimentos sobre a floresta, quase se apagou entre
esses índios. Hoje os mais jovens começam a entender que, preservando as
tradições culturais, podem tirar bom proveito do turismo e transformá-lo em
fonte de renda para a sobrevivência das aldeias.
É importante destacar que o turismo quando planejado pode contribuir para o resgate
cultural indígena, pois estimula a divulgação de suas danças, artesanatos, artefatos e
3
Sergio A. Brasil
Artigo: Aldeias do Monte Pascoal, no sul da Bahia, abrem-se ao turismo para
resgatar as tradições e preservar o que restou de mata atlântica na região.
4
Índio Joati Pataxó
gastronomia dentro da cadeia produtiva local e os turistas tornam-se consumidores de todos
os produtos e serviços oferecidos na cidade, que contribuirá para que os índios citadinos não
percam sua cultura.
3. O TURISMO E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Vamos trabalhar o princípio do desenvolvimento a partir do conceito utilizado na
ciência econômica, que se referi diretamente ao crescimento econômico, contudo sem
esquecer de considerar o principio da sustentabilidade, baseado na essência da ciência
biológica, que aplica a sustentabilidade ao equilíbrio dos ecossistemas na natureza. A junção
das duas palavras forma o binômio desenvolvimento sustentável que sustenta a harmonia das
atividades do homem e meio natural, indicador que caracterizará a sustentabilidade humana
sem degradação do meio ambiente.
O turismo também faz intenso uso dos conceitos de desenvolvimento sustentável.
Conforme Ferreira, (2003, p.4)
Para a concepção de desenvolvimento sustentável, o desenvolvimento
sustentável do turismo passou a ser considerado como aquele que atende as
necessidades dos turistas atuais, sem comprometer a possibilidade do
usufruto dos recursos pelas as gerações futuras . Este conceito esta
intimamente ligado à sustentabilidade dos meios natural e cultural,
considerados como atrativos básicos do turismo.
O crescimento vertiginoso do turismo nos últimos anos tem mostrado benefícios
mensuráveis na economia, como aumento de empregos diretos e indiretos e com o
desenvolvimento econômico dos locais receptores.
Segundo Silva (1998,105):
O turismo teve e tem o mérito de atuar como um importante fator de
indução interna ao crescimento em muitos lugares e regiões, sobretudo
periféricos. Muito provavelmente, essas áreas não teriam e não tem ainda
alternativas importantes de crescimento. Isto é historicamente comprovado,
procurando-se tirar vantagens da especialização setorial do turismo, dando
início ao processo de crescimento.
Mas o turismo também tem os seus impactos negativos, e para tanto procura
estabelecer, claramente, as características para a implantação de projetos politicamente
corretos, para usar um termo em voga. Um bom exemplo seria a busca pela harmonia entre a
cultura e os espaços sociais da comunidade indígena em relação aos desejos dos turistas e dos
interesses comerciais que lhes cercam.
De acordo com CARLOS5:
A indústria do turismo transforma tudo o que toca em artificial, cria
um mundo fictício e mistificado de lazer, ilusório, onde o espaço se
transforma em cenário para o espetáculo para uma multidão amorfa
mediante a criação de uma série de atividades que conduzem a passividade,
produzindo apenas a ilusão da evasão, e, desse modo, o real é
metamorfoseado, transfigurado, para seduzir e fascinar. Aqui o sujeito se
entrega às manipulações desfrutando a própria alienação e a dos outros.
Eis um desafio para os envolvidos com o turismo em ter o cuidado para não criar um
mundo irreal que foi elaborado apenas para servir ao interesse dos turistas, esquecendo que o
local tem vida e cultura própria e a atividade turística sirva de estímulo a manutenção das
culturais, em especial da indígena.
Para, enfim, assimilar melhor sobre o desenvolvimento sustentável que se quer atingir
nas comunidades indígenas, citamos o conceito de desenvolvimento local, de SÉRGIO
BUARQUE(1995) que diz:
É um processo endógeno registrado em pequenas unidades
territoriais e agrupamentos humanos capaz de promover o dinamismo
econômico e a melhoria da qualidade de vida da população.
Representa uma singular transformação nas bases econômicas e na
organização social em nível local, resultante da mobilização das
energias
da
sociedade,
explorando
as
suas
potencialidades específicas.
4. OS INDÍGENAS NA CIDADE DE MANAUS
5
Ana Fani Alessandri Carlos
Artigo: O turismo e a reprodução do não-lugar.
capacidades
e
Para melhor contextualização da situação dos indígenas que vivem nos centros
urbanos é necessário conhecermos alguns dos termos usados pela sociedade não-indígena para
identificá-los.
Segundo BASTOS (2007) esclarece:
O termo desaldeado foi criado pela Fundação Nacional do
Índio (FUNAI) para descrever os índios que saíram de suas aldeias de
origem, porém, desaldeado remete à idéia de desenraizamento , de
perda de identidade indígena. Índios urbanos .
OLIVEIRA (2000) define o conceito de índios citadinos como:
Índios urbanos no Brasil e política lingüística, vivem fixados nas
cidades e formam pequenas aldeias urbanas , já que pequenos grupos
passam a morar em lugares mais próximos, como mesmo bairro, vivendo em
meio a grande maioria não-índio. índios citadinos são índios que não se
fixam de forma permanente nas cidades, apesar de passarem períodos longos
na urbanização.
Para o escopo deste artigo, o termo índio urbano é mais adequado pois denomina a
situação dos indígenas moradores da cidade de Manaus, onde vivem em grupos localizados na
periferia, trabalhando em subemprego e vendem a sua cultura de forma descaracterizada para
sobreviver.
De acordo com o presidente da União dos Povos Indígenas de Manaus
UPIM, o
número de índios morando em Manaus chega a quantia dos trinta mil, vivendo em famílias
isoladas ou em grupos de famílias na periferia da cidade, enfrentando a cultura do mundo dos
não-índios.
Quando os indígenas chegam a Manaus, costumam a unir-se a outro parente que não
necessariamente diz respeito a laços ou relações familiares e assim laços com membros da sua
aldeia de origem. A união de várias famílias indígenas forma a chamada aldeia urbana nos
bairros, pequenas comunidades formada por índios e que reproduz a estrutura da aldeia da
zona rural. Esta forma de organização faz com que eles não percam os laços familiares e as
relações de amizade, fatores importantes para a superação das dificuldades em condições tão
adversas dentro da cidade. Esta união também tem contribuído para manter sua identidade
cultural enquanto índio.
Para se fortalecerem diante das dificuldades e do preconceito, fundam associações
indígenas que hoje somam 18 organizações indígenas de acordo com sua etnia ou formadas
por membros da mesma etnia ou variadas, formando um espaço de multiétnias.
Várias organizações governamentais e não-governamentais foram criadas para
proteger os indígenas e ao mesmo tempo reivindicar melhores condições de vida para os que
habitam a cidade de Manaus.
Segundo Leme e Neves (2000):
Quando o movimento trata de reivindicações de uma minoria
étnica, esse tem seu início intrinsecamente ligado ao resgate e
afirmação cultural do grupo, onde a identidade em comum é o que une
os membros e que os faz ter o desejo de ser entendido como
portadores de especificidades.
Destacamos os avanços alcançados na educação municipal com o projeto diferenciado,
que inclui o uso de professores bilíngües e indígenas nas séries iniciais. Mantendo a
identidade da língua nativa e preservando os elementos culturais transmitidos aos alunos
indígenas.
Para sobreviver, muitas famílias produzem e comercializam artesanatos, os homens
fazem pequenos trabalhos, sem garantias trabalhistas e as mulheres são empregadas
domésticas igualmente desprovidas de direitos ou a prostituição.
Hoje a quantidade de indígenas que tem deixado suas terras para vir em busca de
melhores condições de vida na capital está aumentando e com isso gerando impactos sociais e
culturais diretos nas etnias de origem, o que passa a correr o risco de perder seu legado
cultural.
A quem diga que os índios que chegam a cidade, perdem essa característica, mas o
antropólogo Stephen Baines, contra-argumenta dizendo tentativas populares de argumentar
que o índio na cidade deixa de ser índio são fruto de um preconceito altamente pejorativo
quanto ao índio, que o congela no tempo e no espaço, colocando-o em oposição à vida urbana
e relegando-o ao atraso, à pobreza e à ignorância. Preconceito que muitos índios têm
internalizado em relação a si mesmos, como revela, por exemplo, o fenômeno do caboclismo
na Amazônia.
Este problema tem tanta gravidade que envolve os órgãos governamentais
responsáveis pela causa indígena. Segundo o presidente da Federação Estadual dos Povos
Indígenas - FEPI, cita que a Fundação Nacional do Índio
FUNAI, pretende manter o
indígena na aldeia, evitando que eles venham para a cidade. Os que rompem essa proposta são
relegados ao plano do esquecimento e não recebem ajuda devida do órgão nacional.
Para tentar unir esta problemática que envolve o índio urbano, o turismo étnico
indígena se reveste de uma oportuna alternativa. Não se quer com isso transformar a cidade
no paraíso dos indígenas, porque, talvez, nunca seja devido aos próprios mecanismos que
possui. Mais utilizar o turismo com um viés de valorização cultural e desenvolvimento
humano para os índios que habitam as áreas urbanas.
5. A ALTERNATIVA DO TURISMO ÉTNICO INDÍGENA EM MANAUS
A construção de uma alternativa voltada ao turismo étnico para os índios urbanos que
habitam a cidade de Manaus seria de fundamental importância, pois os produtos culturais
desses povos exercem forte apelo junto aos turistas que vêem a oportunidade de conhecer os
elementos da identidade de cada povo nativo, representados nas suas danças, gastronomias,
vestimentas, músicas, rituais e lendas.
Como o estado do Amazonas é o estado do brasileiro onde temos a maior
concentração de grupos indígenas do Brasil e o município de Manaus concentra um grande
número de índios urbanos, existe a real possibilidade de trabalhar a valorização cultural
desses grupos como atrativos para produto turístico de Manaus.
Contudo é necessária a construção de infra-estrutura para exposição e comercialização
de seus produtos, daí a necessidade da ação do gestor público em contribuir neste processo.
Esses espaços também teriam o papel de funcionar como locais de produção e confecção seus
artesanatos e artefatos.
O trade e o governo caberiam em estimular a visitação de turistas nesses espaços, com
o objetivo de conhecer a cultura dos povos indígenas e propiciar a compra dos produtos e
serviços gerados pelas comunidades indígenas. Como resultado teria a valorização desses
grupos humanos e sua inclusão social.
Outro fator que precisa ser estimulado junto aos índios urbanos é o fortalecimento de
sua organização comunitária, como forma de se criar um instrumento de representação
perante a sociedade dos não-índios, trabalhando na sua estruturação e manutenção de sua
tradição.
O turismo étnico indígena tem despertado o interesse de grupos de turistas, o que
refletido no aumenta de sua demanda a cada ano. Isto gerado uma oportunidade no mercado
turístico mundial e nacional. O turista étnico vem em busca de interagir com outras culturas o
que tem potencializado Manaus como um futuro destino para este segmento turístico. Para
tanto se faz necessário investir em infra-estrutura e no resgate cultural das populações
indígenas que habitam a Amazônia, e em especial a cidade de Manaus.
6. CONCLUSÃO
O turismo destaca-se como importante elemento de resgate cultural e valorização do
desenvolvimento sustentável para as comunidades indígenas que vivem em Manaus. Contudo
não podemos esquecer o turismo tem a sua origem dentro da própria lógica de construção do
capitalismo, e partindo deste princípio não podemos reduzir o indígena e a sua cultura um
simples produto da região amazônica.
A melhoria nos índices de desenvolvimento humano e da qualidade de vida das
populações indígenas que habitam a área urbana da cidade de Manaus devem ser resultado de
ações de geração de emprego e renda, resgate cultural e manutenção da tradição indígena por
intermédio das atividades turísticas feitas na cidade.
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Entrevista com o Presidente da Fundação Estadual dos Povos Indígenas - FEPI
Bonifácio
José
Manaus 15/03/2007
Entrevista com o Presidente da UPIM
Aldenor Moçanbite da Silva
União dos Povos Indígenas de Manaus -
Manaus 25/04/2007
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