ATUALIZAÇÃO Tipos de Diabete Types of Diabetes Mariana Takaku Marisa Akemi Takeno Marilza Viera Cunha Rudge Débora Cristina Damasceno Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP) Resumo As formas mais freqüentes de Diabetes mellitus são o diabete tipo 1 e o diabete tipo 2. Respectivamente, os termos “dependente de insulina” e “não dependente de insulina”, anteriormente atribuídos aos dois tipos de diabete, foram descartados. À medida que os processos de patogênese do diabete têm sido elucidados, tanto em relação a marcadores genéticos quanto aos mecanismos da doença, crescem o número de tipos de diabete, permitindo uma classificação mais específica e definitiva. Além do diabete tipo 1, tipo 2 e do diabete gestacional, tem-se dado ênfase a outros dois tipos específicos: diabete do adulto de início no jovem (Maturity Onset Diabetes of the Young – MODY) e diabete de origem mitocondrial. PALAVRAS-CHAVE: Diabete. Gravidez. Complicações. Insulina. Introdução Diabetes mellitus é uma síndrome caracterizada por altos níveis de glicemia, resultante de defeitos na secreção e/ou ação de insulina. A hiperglicemia provoca complicações em longo prazo em muitos órgãos e sistemas pelo aparecimento de macro e microangiopatias, representadas, respectivamente, por doenças cardiovasculares e retinopatia, neuropatia e nefropatias. O diabete é uma situação clínica freqüente, acometendo cerca de 7% da população. Cerca de 50% dos portadores de diabetes desconhecem o diagnóstico. Dos Femina - Novembro 2006 vol. 34 nº 11 portadores de diabete, 0,22% possui idade inferior a 20 anos; 9,6% estão entre 20 e 59 anos e 20,9%, acima de 60 anos (ADA, 2005). Estima-se que o número de casos de diabete cresça aproximadamente 50% entre 2000 e 2010 (Bosi, 2003). As formas mais freqüentes de Diabetes mellitus são o diabete tipo 1 e o diabete tipo 2. Respectivamente, os termos “dependente de insulina” e “não dependente de insulina”, anteriormente atribuídos aos dois tipos de diabete, foram descartados. À medida que os processos de patogênese do diabete têm sido elucidados, tanto com relação aos marcadores genéticos quanto aos mecanismos da doença, cresce o número de tipos de diabete, permitindo uma classificação mais específica e definitiva. Portanto, novas categorias foram acrescidas à lista de tipos específicos de diabete, incluindo defeitos genéticos da célula beta (B) e da ação da insulina, processos de doenças que danificam o pâncreas, diabete relacionado a outras endocrinopatias e os casos decorrentes do uso de medicamentos (Gross et al., 2002). Para a classificação dos diferentes tipos de Diabetes mellitus, deve-se considerar a etiologia e os mecanismos fisiopatológicos desta síndrome (Kuzuya et al., 2002). Além do diabete tipo 1, tipo 2 e do diabete gestacional, tem-se enfatizado outros dois tipos específicos: diabete do adulto de início no jovem (Maturity Onset Diabetes of the Young – MODY) e diabete de origem mitocondrial (Gross et al., 2002). Estudos demonstram que é possível diminuir significativamente a incidência de novos casos de diabete através de medidas de intervenção como a realização de exercício físico e redução de peso em pacientes com alterações da homeostase da glicose ainda não classificadas como diabete. 763 Tipos de Diabete Diabetes mellitus tipo 1 (DM1) O diabete tipo 1 é causado por uma destruição auto-imune das células B do pâncreas, que geralmente progride para um estágio de deficiência na secreção de insulina. Ocorre em indivíduos jovens (10 a 14 anos de idade), mas pode ocorrer em qualquer idade, havendo uma diminuição progressiva da incidência até os 35 anos, de tal maneira que a ocorrência do DM1, após esta idade, é pouco freqüente (Kuzuya et al., 2002). Indivíduos com DM1 podem desenvolver episódios de cetoacidose como expressão máxima da deficiência de insulina, por qualquer etiologia ou devido ao uso inadequado de insulina (ADA, 2005). Em geral, os diabéticos tipo 1 apresentam índice de massa corporal (IMC) normal, mas a presença de obesidade não exclui o diagnóstico (Gross et al., 2002). Diabetes mellitus tipo 2 A patogênese do DM2 resulta da interação entre os fatores genéticos e fatores ambientais (Tuomilehto, 2001). A idade de início do DM2 é variável, embora seja mais freqüente após os 40 anos de idade, com pico de incidência ao redor dos 60 anos. A idade de forma isolada parece não definir a classificação, mas se aliada a outras variáveis como obesidade e ausência de cetoacidose, pode sugerir o tipo de diabete (Gross et al., 2002). A ocorrência de agregação familiar do diabete é mais comum no diabete tipo 2 do que no tipo 1. No entanto, estudos recentes descrevem uma prevalência duas vezes maior de DM1 em famílias com DM2, sugerindo uma possível interação genética entre os dois tipos de diabete (Li et al., 2001). Os poligenes do DM2 estão presentes em diferentes tecidos como fígado, adipócitos, células B-pancreáticas, musculatura esquelética, entre outros. Estes genes, transmitidos de forma não-Mendeliana, atuam em fenótipos intermediários do diabete que irão influenciar na homeostase glicídica como massa gordurosa, sensibilidade à insulina e padrão secretório de insulina. Quando transmitidos simultaneamente a um mesmo indivíduo, estes defeitos genéticos potencialmente deletérios serão expressos clinicamente se houver a presença dos fatores ambientais desfavoráveis (Reis & Velho, 2002). Estes alelos de risco podem ser muito raros (Reis et al., 2000) ou estar presentes na maior parte da população (Altshuler et al., 2000). Desta forma, grande parte dos indivíduos pode ser susceptível a DM2 se houver alterações nos hábitos de vida. Isto tem grande importância epidemiológica e pode justificar o aumento dos casos 764 de diabete em algumas populações que alteraram seu estilo de vida nas últimas décadas. O estilo de vida sedentário associado à obesidade são fatores que propiciam o desenvolvimento das formas mais comuns de DM2. Além das formas poligênicas, existem as formas monogênicas, nas quais é observado efeito quase exclusivamente genético com pouca interferência dos fatores ambientais. Dentre as formas monogênicas, que representam cerca de 10% dos casos de diabete, destacam-se o diabete do tipo MODY (Maturity Onset Diabetes of the Young - diabete do adulto de início no jovem) (Oliveira et al., 2002) e o diabete de origem mitocondrial (Reis & Velho, 2002). Diabetes mellitus do tipo MODY O diabete tipo MODY resulta de um defeito primário da secreção de insulina, desenvolve-se em crianças, adolescentes ou no adulto jovem. Engloba um grupo heterogêneo de diabete com hiperglicemia leve, sem predisposição para a cetoacidose e sem obesidade. Difere do diabete tipo 1 pela constatação genética do modo de transmissão autossômico-dominante, sugerindo a doença monogênica (Timsit et al., 2005). Desta forma, uma mutação em um só gene transmitido de forma autossômica dominante é suficiente para promover a hiperglicemia. Geralmente, estes pacientes apresentam defeito na secreção de insulina relacionado a mutações em genes específicos (Reis & Velho, 2002), sendo freqüentemente necessário um tratamento com tal hormônio (Aguilera et al., 2004). Estima-se que 3-5% de todos os casos diagnosticados como DM2 (Reis & Velho, 2002) e 10% daqueles considerados como DM1 (anteriormente classificado como juvenil) sejam, na verdade, portadores de mutações MODY (Moller et al., 1998). Análises epidemiológicas realizadas em inúmeras populações sugerem que estas formas monogênicas possam representar perto de 10% de todos os casos de Diabetes mellitus. Como as mutações nos genes MODY têm forte impacto no fenótipo (alta penetrância), 95% dos indivíduos nascidos com uma mutação MODY serão diabéticos ou apresentarão alterações glicêmicas até os 55 anos de idade (Olivera et al., 2002). Nas formas mais graves, os pacientes MODY desenvolvem complicações crônico-degenerativas da mesma forma que no DM2 clássico de início mais tardio (Reis & Velho, 2002). Com os avanços de estratégias genéticas, foi confirmada uma heterogeneidade genética no MODY quando várias famílias com MODY foram diagnosticadas. Atualmente, há seis subtipos de MODY (MODY 1, 2, 3, 4, 5, 6) secundários a seis genes diferentes. Femina - Novembro 2006 vol. 34 nº 11 Tipos de Diabete Estes genes codificam os fatores de transcrição e a enzima glicoquinase (responsável em catalisar a fosforilação da glicose à posição 6, tem papel na regulação e integração do metabolismo da glicose nas células B-pancreáticas) (Oliveira et al., 2002; Timsit et al., 2005). MODY 2 é causado por mutações no gene codificador para a enzima glicoquinase (Froguel et al., 1993), enquanto que as demais formas de MODY são secundárias a mutações em fatores de transcrição expressos nas células B-pancreáticas (Ryffel, 2001). Estes fatores de transcrição são: Fator Hepatocítico Nuclear 4A (HNF-4A/MODY1), Fator Hepatocítico Nuclear 1A (HNF-1A/MODY3), Fator Promotor da Insulina (IPF-1/ MODY4), Fator Hepatocítico Nuclear 1B (HNF-1B/MODY5) e NeuroD1/Beta2 (MODY 6) (Oliveira et al., 2002; Moisés et al., 2001). Estes fatores de transcrição, que têm expressão nas células B-pancreáticas, são reguladores da expressão de alguns genes-chave na produção da insulina (provavelmente também nos seus mecanismos de secreção), no transporte da glicose (GLUT2) e também na embriogênese pancreática (Ryffel, 2001). Cada subtipo de MODY possui características particulares no que se refere ao diagnóstico, tendência às complicações crônicas, déficit secretório de insulina, fisiopatologia e magnitude da hiperglicemia. Do ponto de vista clínico, os subtipos de MODY podem ser divididos em dois grupos principais: aquele secundário a mutações nos fatores de transcrição com hiperglicemia mais grave, início pós-puberal, e piora progressiva da secreção da insulina e o MODY 2 com hiperglicemia leve ou intolerância à glicose, início desde os primeiros anos de vida, sem piora da secreção de insulina (Velho & Robert, 2002). Quanto à prevalência, há um predomínio do MODY 3, que representa de 25 a 70% dos casos, seguido do MODY 2 (Reis & Velho, 2002). Através de inúmeras casuísticas realizadas em diversas populações fica claro que o MODY 2 e MODY 3 representam mais de 80% dos casos diagnosticados. Os outros subtipos são raros (Oliveira et al., 2002). Diabetes mellitus de Origem Mitocondrial O diabete mitocondrial é uma subforma rara de Diabetes mellitus. É uma conseqüência da disfunção das células B-pancreáticas causada por mutações no DNA mitocondrial, que é distinto do genoma nuclear (Maechler & Wollheim, 2001). Várias síndromes causadas por mutações pontuais, deleções ou duplicações no DNA mitocondrial (mtDNA) são conhecidas. Nestas patologias, ocorre redução da fosforilação oxidativa celular, in- Femina - Novembro 2006 vol. 34 nº 11 terferindo na produção de energia, sendo freqüente a presença de Diabetes mellitus nos indivíduos afetados (Reis & Velho, 2002). O diabete de origem mitocondrial ou diabete de herança materna caracteriza-se por ocorrer em indivíduos jovens e sem obesidade. Inicialmente, a hiperglicemia é leve e pode progredir lentamente para graus mais avançados que necessitam emprego de insulina (Guillausseau et al., 2001). Os defeitos incluem redução da produção de insulina, glicotoxicidade e, até mesmo, resistência à insulina. No entanto, um defeito na secreção de insulina estimulada pela glicose parece ser a anormalidade primária nestes casos (Reis & Velho, 2002). É estimado que mutações no DNA mitocondrial (mtDNA) causem aproximadamente 0,5-1% de todos os tipos de Diabetes mellitus (Silva et al., 2000). Diabetes mellitus Gestacional Diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como o surgimento de intolerância à glicose, diagnosticado pela primeira vez durante a gestação (Kuzuya et al., 2002). A gestante apresenta hiperinsulinemia caracterizada por diminuição de sensibilidade a este hormônio (Evans & Patry, 2004), parcialmente explicada pela presença de hormônios diabetogênicos, tais como progesterona, cortisol, prolactina e hormônio placentário, além da secreção diminuída de insulina. Entretanto, a fisiopatologia do DMG não está totalmente elucidada (Maganha et al., 2003). Sua incidência é variável, sendo estimada em 3 a 8% das gestantes (Maganha et al., 2003; Schmidt et al., 2000). Os fatores de risco para o diabete gestacional assemelham-se aos descritos para o DM2, incluindo, ainda, idade superior a 25 anos, ganho excessivo de peso durante a gestação atual, deposição central excessiva de gordura corporal, baixa estatura, crescimento fetal excessivo, polidrâmnio, hipertensão ou pré-eclampsia na gravidez atual, antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal (Gross et al., 2002). O comprometimento fetal decorre primordialmente da hiperglicemia materna, que por difusão facilitada chega ao feto. A hiperglicemia fetal, por sua vez, estimula a produção exagerada de insulina que interfere na homeostase fetal, desencadeando macrossomia, fetos grandes para idade gestacional (GIG), aumento das taxas de cesárea, traumas de canal de parto e distocia de ombro, hipoglicemia e policitemia fetais, distúrbios respiratórios neonatais e óbito fetal intra-uterino (Maganha et al., 2003). As principais complicações maternas deste tipo de diabete incluem o desenvolvimento de DM2 e hipertensão arterial (Evans & Patry, 2004). 765 Tipos de Diabete Abstract The most frequent forms of Diabetes mellitus are Type 1 and 2 diabetes. Respectively, the terms “dependent of insulin” and “no dependent of insulin” previously attributed to the two types of diabetes were discarded. As the pathogenesis processes of the diabetes have been elucidated in relation to genetic markers and to mechanisms of the disease, there is an increased number of different types of diabetes, allowing a more specific and definitive classification. Besides the Type 1 and Type 2 diabetes and of the gestational diabetes, it has been emphasis other two specific types: Maturity Onset Diabetes of the Young - MODY and mitochondrial diabetes. KEYWORDS: Diabetes. Pregnancy. Complications. Insulin. Leituras Suplementares 1. Aguilera E, Casamitjana R, Ercilia G et al. AdultOnset Atypical (type 1) Diabetes: additional insights and differences with type 1A diabetes in a European Mediterranean population. Diabetes Care 2004; 27: 1108-14. 2. Altshuler D, Hirschhorn JN, Klannemark M et al. The common PPARgama Pro 12Ala polymorphism is associated with decreased risk of type 2 diabetes. Nat Genet 2000; 26: 76-80. 3. American Diabetes Association (ADA). 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