1
Visão e desafios da Indústria de Semicondutores para teste
de Circuitos Integrados
Hildebrando de Oliveira
Instituto de Tecnologia José Rocha Sergio Cardoso
São Paulo, 13 de maio de 2010
Abstract
Some issues about semiconductor and testing trends are discussed, as well as historical and financial constraints
regarding the test process in their multiple scopes, from the bare wafer cell to the finished assembled component, and its
relation to the process of fabrication of very large scale integrated semiconductor circuits. © 2010 Instituto JC. All rights
reserved.
Keywords: Testes de semicondutores, wafer, projeto para testes DFT, encapsulamento, die, nanotecnologia.
[email protected]
1.
A importância dos testes em CIs
Os testes nos Circuitos integrados são
importantes
para
garantir
o
seu
funcionamento básico, pois um circuito
integrado com funcionalidades complexas
exige um instrumental extremamente
robusto e intrincado para assegurar que o
circuito integrado sob teste atinja um grau
mínimo de desempenho e funcionalidades
aceitáveis.
Como em qualquer outro processo
produtivo, os testes em circuitos integrados
permitem a detecção de problemas de
produção e projeto, bem como um fator de
ponderação para cálculos de viabilidade e
custo do processo fabril em si.
Via de regra, os testes são um dos
processos mais custosos durante a
fabricação dos circuitos integrados [1], e
muitas vezes os chips (que possuem
tamanho
muito
pequeno
para
operacionalizar o processo de teste) são
projetados de forma a permitirem que
pequenas
pontas
de
prova
sejam
monitoradas em um ambiente conveniente.
Conforme as geometrias dos projetos
diminuem em tamanho, novas estratégias
iTJRSC – Rua Tambaqui N. 180B – Distrito Industrial – CEP 69095-050
Manaus – Amazonas - Brazil
precisam ser desenvolvidas, principalmente
porque os chips possuem uma escalabilidade
muito grande, e a demora na detecção de
falhas em quaisquer uns dos processos pode
levar a uma verdadeira tragédia financeira
para uma empresa que projete ou fabrique
tais dispositivos.
2. O papel dos testes em CIs no fluxo
de fabricação
Os testes nos circuitos integrados
possuem uma importância muito alta pois
permitem ao fabricante prevenir grandes
prejuízos ao longo do processo, e,
eventualmente que estes componentes
defeituosos cheguem ao mercado.
Um aspecto importante é o fato de que
dependendo da taxa de rejeição do wafer o
processo pode ser interrompido, pois não é
mais viável financeiramente a continuidade
no processo da peça que apresentou um
determinado nível de falha.
Conforme [4], a detecção do problema
antes do encapsulamento pode significar um
ganho de 1 a 5% em erros devido à não
compliância com o teste, após o
encapsulamento, sendo que até 12% pode
2
ser retido, contando-se que já não existam
erros crassos de projeto. Os testes, em
ASICs (Application-Specific Integration
Circuit) de sinal misto (mixed signal) com
tecnologia até 250nm podem representar
33% do tempo e até 37% em homens-hora
por peça, se considerado o processo até
antes de se efetuar a embalagem dos
produtos, logo após o encapsulamento.
Quando os circuitos desceram às escalas
nanométricas, até o próprio ambiente onde
estes são fabricados e testados representam
um desafio operacional que só foi totalmente
solucionado com a aplicação massiva de
dispositivos
de
posicionamento
computadorizado, ou, como são meramente
chamados, os robôs.
A automação e a robótica deram um
grande impulso neste desenvolvimento pois
permitiram à fábrica aperfeiçoar os
processos nos quais a repetibilidade pode ser
mensurada
de
maneira
confiável,
praticamente não dependendo do fator
humano na fase de execução da montagem,
manuseio e teste dos dispositivos.
2. Test on Chip (wafer probe)
Quando se trata de testes, sejam em
protótipos ou em produtos finais, de
microcircuitos
integrados,
a
grande
miniaturização dos circuitos permite
somente que dispositivos de micrométrica
(ou nanométrica) precisão tenham acesso ao
“universo” na qual o circuito ou sistema irá
operar. As interfaces de ToC (test on chip)
são dispositivos de altíssima tecnologia, que
podem acessar pontos específicos do
circuito e efetuar uma determinada
quantidade de testes e simulações, para
assegurar a confiabilidade do circuito
integrado sendo produzido ou projetado.
Na Figura 2.1 abaixo se pode verificar o
aspecto de uma destas pontas, testando um
determinado circuito integrado, e sendo
iTJRSC – Rua Tambaqui N. 180B – Distrito Industrial – CEP 69095-050
Manaus – Amazonas - Brazil
posicionada
por
um
comando
computadorizado ortogonal conveniente.
(CNC
–
comando
numérico
computadorizado).
Figura
2.1
Wafer
(www.intellitech.com)
probe
em
ação.
O teste no nível do wafer é uma
ferramenta poderosa para detectar problemas
de projeto [2] e problemas de processo,
porém pouco eficiente se for considerada a
perda no processo de corte do wafer, que
pode representar uma falha na eficiência do
processo1 e modificar por definitivo o seu
quadro de efetividade. O custo envolvido
neste processo acaba sendo então dissolvido
na própria economia futura que se podem
obter, principalmente quando o processo em
questão ainda apresenta algum nível
considerável de perda no processo de corte
ou encapsulamento.
3. Dificuldades atuais
Apesar de ser muito eficiente, a prova do
circuito no nível do wafer pode representar,
em alguns casos um desafio tecnológico,
quanto menor a tecnologia dispositivo ou
maior sua velocidade pior pode ser
considerado este quadro [3].
1
isto quer dizer que uma peça já testada e
presumidamente boa será segregada se posteriormente
durante o processo de corte ela for danificada.
3
Novamente pode ser considerado o
dispêndio de tempo no teste um dos fatores
decisivos para saber se determinado teste é
viável ou não, pois o custo do equipamento
não tem total relação com o tipo do teste, e
sim a tecnologia do circuito integrado a ser
testada, e a velocidade necessária para se
atingir a meta produtiva.
Uma das alternativas [4] para otimizar
este processo consiste em desenvolver os
circuitos de forma a apresentarem certas
peculiaridades que permitam o acesso a
pontos específicos do circuito que, através
da pontas de prova seja possível observar
uma determinada característica que é
importante na performance do circuito
integrado. Assim criaram-se métodos para
contornar estes obstáculos operacionais.
Salas com temperatura extremamente baixa,
bombardeamento com íons para eliminação
de impurezas e também pontos de testes nos
circuito, pois a demanda por alta densidade
de espaço acarretou um acréscimo do
produto da potência por área que o circuito
ocupa, em alguns casos (como chips que
operam com radiofreqüência), o teste é
limitado pela própria interferência que a
ponta de prova oferece ao comportamento
natural do circuito “aberto” quando em
comparação com o seu comportamento real
operação após o encapsulamento. Este
oferece um ambiente mais seguro para que o
circuito integrado seja testado sem o risco de
contaminação por impurezas ou mesmo
sobreaquecimento [4]. Mas ainda assim a
perda por um teste ineficiente pode
significar um desgaste muito grande por
parte dos profissionais envolvidos, e
significar a inviabilidade de um projeto, se
não
executado
dentro
de
critério
viabilizando um futuro teste.
4. Técnicas existentes (vantagens e
problemas)
Um dos métodos aplicados para
contornar os problemas no teste é conhecido
iTJRSC – Rua Tambaqui N. 180B – Distrito Industrial – CEP 69095-050
Manaus – Amazonas - Brazil
como DFT, ou design for testing, em que,
durante a fase de projeto, estudam-se
arquiteturas que permitam que na realidade a
função do circuito não seja testada da forma
real como ela opera (em sua função como
produto acabado), e sim em uma condição
possível de ser realizada em fábrica (com o
produto em seu estágio intermediário) que
cujo resultado positivo deste teste signifique
que o circuito sob teste atingiu um
determinado parâmetro esperado. As cadeias
de varredura (scan-chains ) [1] podem ser
utilizadas quando se deseja realizar diversos
testes em demanda muito grande. Elas
consistem em permitir um acesso a
determinados pontos que podem ser varridos
pelo sistema de teste, mesmo considerando
um método do tipo GO/no-go e após a
varredura de determinados parâmetros
(resposta a impulso, multiplexação de um
dado, cruzamento de borda, etc.) um
resultado mensurável foi obtido.
Outra técnica muito utilizada em
memórias [2] é a BISR (Built-In-SelfRepair), muito aplicada em elementos de
memórias quando os seus blocos apresentam
um certo padrão de repetitividade de blocos
funcionais. A simplicidade deste método
consiste em se criar blocos “reserva” dentro
do circuito que, no caso de uma falha
pontual, podem ser substituídos por outros,
existentes. Muitas vezes esta substituição é
feita por meio de software, durante a
operação do circuito (após encapsulamento)
Alguns padrões como o IEEE1149.9
surgiram na tentativa de criar uma norma
para ser seguida tanto pelos fabricantes de
dispositivos semicondutores integrados,
como para os provedores de soluções de
teste embarcada, de forma que o DFT seja
feito de maneira homogênea e viabilize a
produção e o projeto (mesmo em escala
reduzida ou restrita) de sistemas de teste
utilizando pontas de prova padronizadas, de
acordo com a tecnologia em pauta.
4
Os testes estruturais (que visam as
microestruturas funcionais) tendem [2] a ser
formados por pequenos segmentos de
paletas de silício, obtidos sob o mesmo
processo para evitar incompatibilidades de
aplicação. Mas a tendência realmente é a
aplicação não estruturada [3] do teste,
devido algumas vezes por falta de largura de
banda, dissipação térmica ou ambas. Em
alguns sistemas um arrefecimento forçado
com argônio ou outro gás inerte é usado para
manter o ambiente e o corpo de prova (wafer
ou segmento) dentro de condições aceitáveis
de operação.
Fig. 5.1 esquema de testes em wafer com cartão
de prova (ou matriz de prova) www.jemnet.co.jp
5. Tecnologias, ferramentas e softwares
utilizados.
As Gigas de teste utilizadas, tanto para
produção em massa quanto para testes em
protótipos, diferem nos seguintes aspectos [5]:
•
•
Para wafers-protótipo, são usados
equipamentos como na figura 2.1, em
que de dois até 6 nós do circuito são
testados. Normalmente são testes
estáticos para verificar consumo de
corrente,
polarizações,
e
outras
pequenas funções, quase sempre sem a
aplicação de impulsos de curta duração
ou medição de resposta.
Para produção em massa são usados
equipamentos como os das figuras 5.1 e
5.2 abaixo, onde em uma “cavidade” são
colocados (com alinhamento a laser ou
micro óptico) o wafer e o “cartão de
prova”, fabricado com nanotecnologia, e
que pode acessar alguns milhares de
pontos no circuito integrado mediante
um perfeito alinhamento com o wafer
em teste, sendo que o cartão de prova é
casado com o wafer. Este processo testa
todos os chips existentes no wafer.
Obviamente em casos extremos ou chips
de alta performance (aplicações
militares,
médicas,
aeroespaciais),
podem existir vários cartões de prova,
executando uma infinidade de outros
testes.
iTJRSC – Rua Tambaqui N. 180B – Distrito Industrial – CEP 69095-050
Manaus – Amazonas - Brazil
Figura 5.2 Aparência real de um equipamento de
teste de wafer. www.solidustech.com
Após o encapsulamento, os testes dos chips
passam a ter uma maior elasticidade, tanto em
questão da potência que pode ser aplicada
quanto da robustez mecânica do sistema pois
agora os terminais dos chips estão já disponíveis
e a dissipação de potência já pode ser efetuada
como deveria (em tese) ser feita na aplicação
final. Os testes agora visam mais a performance
que obter uma estimativa da confiabilidade do
processo, mesmo porque depende dos testes de
performance a publicação ou determinação final
da classe de operação de um determinado
semicondutor. Na figura 5.3 se observa um
destes equipamentos para efetuar estes testes, em
massa, de fabricação alemã. E na figura 5.4, um
soquete para testes em encapsulamento QFP-64,
de fabricação japonesa.
5
Fig. 5.3 Linha de testes da empresa Arrow
na Inglaterra. www.arrow.co.uk
6. Performance, custos, estatísticas
Na prática, o que difere, ao menos em princípio,
um wafer de um chip simples como o LM1458
(amplificador operacional de aplicação geral) do
LM1558 (aplicação militar), são os testes
executados em ambos,sendo que o último custa
20 vezes mais que o primeiro (www.nsc.com). O
wafer e o processo produtivo dos dois, até o
momento do teste, é o mesmo.O importante na
realidade é otimizar o processo produtivo de
forma a minimizar as perdas, pois as simulações
realizadas durante o projeto, são tão exaustivas
Fig. 5.5 Sistema de testes de protótipos de
circuitos integrados encapsulados. INFNBolonha, Itália. www.bo.infn.it
que dificilmente após a execução de um
projeto bem feito é necessária uma nova
prototipagem, isso se deve principalmente ao
fato que o IEEE normalizou alguns dos
modelos de testes, o que propiciou a
comunidade desenvolvedora trabalhar em
conjunto. De certa forma, isso foi um dos
principais fatores que propiciaram ao mercado
semicondutor este crescimento exponencial,
que somente agora, após quase 40 anos da
produção em massa do primeiro circuito
integrado semicondutor, ela demonstra uma
tendência de crescimento mais linear, que
exponencial [3]1
Algumas pesquisas [5] indicam que a
tendência da redução de custo nos testes
implica mais na concepção do semicondutor e
do processo em suas características
microscópicas ou moleculares, do que em seus
aspectos macroscópicos ou funcionais. Assim
é possível incluir em um mesmo wafer muitos
dispositivos e obter ainda assim uma relação
custo-benefício maior que o approach anterior,
e assim sucessivamente. Não deve deixar de se
considerar que o teste apresente por si só uma
imensa área de pesquisa [6] que apesar de não
ser a coqueluche tecnológica representada pela
área de projetos em microeletrônica.
1
Fig. 5.4 – soquete para testes de baixa escala e
prototipagem
em
circuito
integrado.
www.yamaichi.co.jp
iTJRSC – Rua Tambaqui N. 180B – Distrito Industrial – CEP 69095-050
Manaus – Amazonas - Brazil
Nesta consideração, leva-se em conta os casos de
semicondutores “monolíticos”, o que exclui os sistemas
de processamento paralelo, etc., que criaram um novo
vetor de crescimento de performance, diferente da
miniaturização em si.
6
É importante lembrar que esta última não
teria avançado sem um comprometimento com o
avanço da primeira, sendo difícil delimitar a
separação entre elas, quanto mais profundo se
estuda este campo.
O teste nada mais é que uma segurança sobre
muitos poucos dos aspectos considerados
durante um projeto, pois a própria viabilidade do
sistema é comprometida se, durante um teste
complexo, algum parâmetro for considerado de
maneira incorreta.
7. Tecnologias emergentes
Tanto quanto os sistemas semicondutores
em si como certamente a área de testes de
dispositivos semicondutores integrados em larga
escala serão afetados pelo surgimento (e
eventual crescimento em escala exponencial) da
nanotecnologia e os nanorrobôs. Obviamente
sem o escopo dado na ficção científica, esta
tecnologia pode representar um divisor de águas
no âmbito do teste dos dispositivos, onde, dentro
de certas limitações físicas (como por exemplo
densidade de corrente, dissipação de potência)
podem existir microestruturas programáveis que,
em um determinado ponto, atingirão uma escala
de automação e individualização tão alta a ponto
de representar o início de uma infinidade de
aplicações que podem, ao mesmo tempo efetuar
auto-teste, como em casos extremos (de difícil
predição) de auto solução de problemas. Sem
dúvida que o lixo tecnológico gerado nos
últimos anos é uma barreira a ser transposta
talvez por estes elementos, dotados de algum
tipo de inteligência artificial, possam alterar
dispositivos obsoletos e lhes conferir novas
funções. Isto sem dúvida representa um impacto
ambiental imenso e ao mesmo tempo um
paradoxo filosófico-tecnológico importante, pois
está sendo tratado de tecnologia que evolui de
maneira autônoma. Isto fere algumas premissas
admitidas como fundamentais para o ser
humano, como aquela em que a criação não
supera o criador [7].
Deixando a ficção científica de lado, os
aspectos mais modernos condizentes ao teste de
semicondutores em seu estágio de fabricação
estão mais próximos das camadas de software
que das camadas de hardware, em uma filosofia
tecnológica não-ambígua. Em poucas palavras,
isto significa que o ambiente utilizado para o
teste deve seguir a mesma linha de pensamento
do projeto do dispositivo, partindo do princípio
que a aplicação não pode justificar o teste em si,
e devem ser consideradas como coisas distintas.
iTJRSC – Rua Tambaqui N. 180B – Distrito Industrial – CEP 69095-050
Manaus – Amazonas - Brazil
Referências
[1] CLARK, CJ RICCHETTI, Mike. Scalable Tester
Architecture for Structural Test of Wafers and
Packaged ICs. Intellitech Application Note.
www.intellitech.com
[2] Ray Yarema, William Wester. Wafer level Testing of
ASICs for Silicon Strip Detectors. 4th International
Meeting on Front End Electronics for Tracking
Detectors at Future High Luminosity Colliders –
Perugia, May 2000
[3] Laung-Terng Wang, Charles Stoud, Nur Touba,
(ed.). System On Chip Test Architectures.
Morgan-Kaufmann, Burlington. 2008.
[4] Glenn R. Blackwell (ed.). The electronic
Packaging Handbook. IEEE Press. 2000.
[5] Jungram Lee, D.M.H.Walker, Linda Milor, Yeng
Peng, Gene HillI. Performance Prediction for Test
Cost Reduction.
http://faculty.cs.tamu.edu/walker/pubs/lee99.pdf
[6] Magno Fernandes – Trident NXP Semiconductor,
conversa particular. Dezembro, 2009.
[7] S.K.Prasad. Modern Concepts in
Nanotechnology. Discovery Publishing. Nova
Delhi, India, 2008.
Download

Ler Mais - Instituto JC