UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA LARISSA SILVA PEREIRA PERFIL MOTOR DAS CRIANÇAS ENTRE 2 E 11 ANOS MATRICULADAS NA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS - APAE DE IMBITUBA-SC Tubarão 2010 2 LARISSA SILVA PEREIRA PERFIL MOTOR DE CRIANÇAS ENTRE 2 E 11 ANOS MATRICULADAS NA A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS - APAE DE IMBITUBA-SC Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no Curso de Fisioterapia da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito à obtenção de grau de Bacharel. Orientadora: Prof. M.Sc. Fabiana Durante de Medeiros Tubarão 2010 3 LARISSA SILVA PEREIRA PERFIL MOTOR DE CRIANÇAS ENTRE 2 E 11 ANOS MATRICULADAS NA A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS - APAE DE IMBITUBA-SC Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia e aprovado em sua forma final pelo Curso de Fisioterapia da Universidade do Sul de Santa Catarina. Tubarão, 18 de novembro de 2010. ______________________________________________ Prof. Orientadora M.Sc. Fabiana Durante de Medeiros Universidade do Sul de Santa Catarina _________________________________ Prof.M.Sc. Rodrigo da Rosa Iop Universidade do Sul de Santa Catarina ________________________________ Esp. Martha Goretti Maciel Flôr 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha família, em especial a minha mãe por todo sacrifício feito e apoio dado em todos os momentos. E todas as pessoas que acreditaram e me apoiaram para a realização deste estudo. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por estar sempre comigo me dando forças nos momentos mais difíceis e por mais esta conquista realizada. A minha mãe Nalú Silva de Oliveira por todo amor, dedicação, confiança, compressão, paciência, e pela educação dada, pois tudo o que sou devo a ela, que ajudou a concretizar meu sonho, que confiou plenamente em mim e que com certeza é merecedora desta vitória. Também a minha irmã Camila e meu sobrinho Gabriel por todos os momentos de carinho, companheirismo, confiança e apoio em todas as horas, foram essenciais para a realização deste estudo. Amo vocês. Agradeço ao meu namorado José Luiz pelo apoio, paciência, carinho, por ter me aturado nos momentos de loucuras, e que esteve sempre do meu lado, acreditando no meu potencial. Agradeço a toda minha família que, acreditou e torceu por mim, que entenderam minhas ausências, e que estiveram sempre do meu lado, em especial meu avô Pedro por ser um grande exemplo em minha vida. Agradeço a minha orientadora Professora Fabiana Durante de Medeiros por ter aceitado o convite de orientar este estudo, por sua competência, dedicação e por estar sempre disposta a esclarecer minhas dúvidas. Ao professor Rodrigo da Rosa Iop pela sua humildade, por sempre transmitir seus ensinamentos, na qual contribuiu para este estudo, além de ser um grande amigo. Agradeço a banca examinadora por terem aceitado o convite. Aos meus amigos de faculdade, por todo apoio, força e amizade, que fizeram parte da minha vida durante quatro anos, pelos momentos de desesperos e pelos momentos de festas, que com certeza foram momentos maravilhosos que nunca serão esquecidos. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Imbituba pelas “portas abertas” ao me receber, e pela colaboração neste estudo. A todos os meus amigos que me apoiaram durante esses anos e acreditaram que eu chegaria ao fim. 6 Enfim, agradeço a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram para a realização deste estudo, e que estiveram presente nesta história, a todos vocês de coração o meu MUITO OBRIGADO! 7 RESUMO O desenvolvimento motor é a contínua alteração no comportamento do ser humano ao longo do ciclo da vida, proporcionada pela integração entre as necessidades da tarefa biológica e as condições do ambiente em que se encontra o indivíduo. Assim o presente estudo teve por objetivo analisar o perfil motor das crianças entre 2 e 11 anos matriculadas na APAE de Imbituba – SC. Foram avaliadas 7 crianças, sendo 4 do gênero feminino e 3 do gênero masculino. Para a realização dos testes motores utilizou-se a Escala de Desenvolvimento Motor – EDM (ROSA NETO, 2002), sendo as áreas avaliadas motricidade fina e global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal, lateralidade. Para a análise dos dados foi utilizado o software da escala de desenvolvimento motor com o intuito de avaliar a variação dos padrões motores dos grupos pertencentes à amostra, sendo empregado à estatística descritiva, a qual analisa a frequência simples e percentual, analisa a variância, desvio padrão, valor mínimo, máximo e mediana. Os resultados desta pesquisa indicaram que as crianças da APAE de Imbituba – SC mostraram-se dentro de um perfil motor, considerado normal médio. A pesquisa ainda revela as habilidades e deficiências motoras encontradas, sendo que a área da “motricidade global” obteve melhores resultados, e a área “esquema corporal e organização temporal” percebeu-se maior dificuldade. Na “organização espacial” apresentaram dificuldades no entendimento das atividades. Esta pesquisa deixa claro que é importante a presença de um fisioterapeuta na APAE, pois o mesmo ira detectar possíveis problemas de ordem motora, intervindo de maneira benéfica ao aprimoramento de habilidades motoras, além de poder contribuir para o processo de desenvolvimento global das crianças. Palavras-Chave: Crianças. Perfil Motor. Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. 8 ABSTRACT Motor development is the continual change in human behavior throughout the life cycle, provided by integration between the biological needs of the task and environmental conditions in which it is the individual. Therefore this study aimed to examine the motor profile of children between 2 and 11 years enrolled in APAE Imbituba - SC. We evaluated 7 children, being composed of four females and three males. For the realization of motor tests used the Motor Development Scale - EDM (ROSA NETO, 2002), and areas assessed fine motor skills and overall balance, body scheme, spatial and temporal organization, handedness. For data analysis software was used RANGE OF ENGINE DEVELOPMENT order to evaluate the variation of the motor patterns of the groups belonging to the sample being used descriptive statistics, which analyzes the simple frequency and percentage, it analyzes the variance, deviation default, minimum, maximum and median. These results indicated that children APAE Imbituba - SC were within a profile engine, seen in normal medium. The research reveals the skills and motor deficiencies found, and the area global motricity that worked best, and the area “body structure and temporal organization perceived to be greater difficulty in performing activities. In the "spatial organization" only had difficulties in understanding the activities. This research makes clear that it is important the presence of a physiotherapist in APAE because in this way will detect potential problems in motor, operating in a manner beneficial to the improvement of motor skills and could contribute to the overall development of children. Keywords: Children. Profile Motor. Parents and Friends Association 9 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Classificação geral do perfil motor ...............................................................59 Gráfico 2 - Comparação dos índices de idades cronológicas e motoras..............................60 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Perfil dos participantes ................................................................................58 11 LISTA DE ABREVIATURAS APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais OMS – Organização Mundial de Saúde EDM - Escala de Desenvolvimento Motor IM: Idade motora IC: Idade cronológica IMG: Idade motora geral QMG: Quociente motor geral IN / IP: Idade negativa ou positiva IM1: Idade motora 1 IM2: Idade motora 2 IM3: Idade motora 3 IM4: Idade motora 4 IM5: Idade motora 5 IM6: Idade motora 6 QM1: Quociente motor 1 QM2: Quociente motor 2 QM3: Quociente motor 3 QM4: Quociente motor 4 QM5: Quociente motor 5 QM6: Quociente motor 6 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 15 2 DESENVOLVIMENTO MOTOR ................................................................................ 18 2.1 HISTÓRICO ................................................................................................................. 18 2.2 CONCEITO .................................................................................................................. 18 2.3 CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR .................................... 21 2.4 FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR .... ........................................................22 2.5 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR...........................................................24 2.5.1 Motricidade fina.........................................................................................................25 2.5.2 Motricidade global.....................................................................................................26 2.5.3 Equilíbrio....................................................................................................................26 2.5.4 Esquema corporal......................................................................................................27 2.5.5 Organização espacial.................................................................................................28 2.5.6 Organização temporal...............................................................................................29 2.5.7 Lateralidade................................................................................................................30 2.5.8 Linguagem..................................................................................................................31 2.6 ATRASO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR..........................................................32 2.7 EPIDEMIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO MOTOR..........................................33 2.8 ETIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO MOTOR.....................................................33 2.8.1 Fatores Intrínsecos que interferem no desenvolvimento motor.............................33 2.8.2 Fatores Ambientais que interferem no desenvolvimento motor............................34 2.8.3 Fatores da Tarefa Física que interferem no desenvolvimento motor....................34 2.9 HISTÓRICO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPICIONAIS (APAE) DE IMBITUBA.....................................................................................................................35 2.10 ESCALA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR.........................................................35 2.11 TESTE MOTOR...........................................................................................................35 2.12 PROVA MOTORA.......................................................................................................36 2.13 PERFIL MOTOR..........................................................................................................36 13 3 DELINEAMENTO DA PESQUISA...............................................................................37 3.1 TIPO DE PESQUISA......................................................................................................37 3.2 MATERIAL....................................................................................................................37 3.3 MÈTODO........................................................................................................................39 3.3.1 Motricidade fina.........................................................................................................39 3.3.2 Motricidade global.....................................................................................................42 3.3.3 Equilíbrio....................................................................................................................43 3.3.4 Esquema corporal......................................................................................................45 3.3.5 Organização espacial.................................................................................................47 3.3.6 Organização temporal...............................................................................................50 3.3.7 Lateralidade................................................................................................................52 3.3.8 Definição dos termos..................................................................................................53 3.4 PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE DADOS......................................................54 3.5 POPULAÇÃO/AMOSTRA............................................................................................55 3.6 PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DE DADOS....................................................55 3.7 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA...........................................................................56 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS......................................................................57 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA.........................................................................57 4.2 PERFIL MOTOR............................................................................................................58 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................................63 6 REFERÊNCIAS ..............................................................................................................64 ANEXOS..............................................................................................................................67 ANEXO A – Ficha de avaliação da EDM............................................................................68 ANEXO B –Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)....................................70 ANEXO C – Labirinto .........................................................................................................73 ANEXO D – Prova de imitação de gestos simples/mãos......................................................75 14 ANEXO E – Prova de imitação de gestos simples/braços....................................................77 ANEXO F – Prova de rapidez...............................................................................................79 ANEXO G – Prova de organização espacial/tabuleiro posição normal................................81 ANEXO H – Prova de organização espacial/tabuleiro posição invertida.............................83 ANEXO I – Prova dos palitos...............................................................................................85 ANEXO J – Jogo de paciência..............................................................................................87 ANEXO K – Direita e esquerda/conhecimento sobre si.......................................................89 ANEXO L – Execução de movimentos................................................................................91 ANEXO M – Direita e esquerda/reconhecimento sobre o outro..........................................93 ANEXO N– Lateralidade das mãos......................................................................................95 ANEXO O– Lateralidade dos olhos.....................................................................................97 ANEXO P– Lateralidade dos pés.........................................................................................99 15 1 INTRODUÇÃO A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) é considerada uma escola que atende as necessidades de pessoas portadoras de deficiência mental, tendo como objetivo principal à inclusão deste no meio social e escolar. A deficiência mental é um termo usado quando uma pessoa apresenta certas limitações no seu nível de funcionamento mental e físico, e com o desempenho de tarefas como as de comunicação, cuidado pessoal e também relacionamento social. Onde pode provocar maior lentidão na aprendizagem e no desenvolvimento dos indivíduos. Sobre a etiologia da deficiência mental deve-se ter em conta que diversos fatores às vezes, coexistem para seu aparecimento, estando entre estas, as causas biológicas, sociais, psicológicas e educativas que podem atuar individualmente ou em conjunto em um indivíduo que, dependendo de sua capacidade adaptativa, reage com maior ou menor grau de comprometimento. É de extrema importância que se estabeleça à etiologia da deficiência mental, visando prevenir eventuais distúrbios orgânicos que possam vir associados, instituindo precocemente, intervenções que possibilitem minimizar a deficiência mental. Esses eventuais distúrbios orgânicos podem levar a alterações no desenvolvimento motor. O desenvolvimento motor é considerado como um processo sequencial, contínuo e relacionado à idade cronológica, pelo qual o ser humano adquire uma enorme quantidade de habilidades motoras, as quais progridem de movimentos simples e desorganizados para a execução de habilidades motoras altamente organizadas e complexas1. Desenvolvimento motor é a contínua alteração no comportamento motor ao longo do ciclo da vida, proporcionada pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente2. É um processo de alterações no nível de funcionamento de um indivíduo, onde uma maior capacidade de controlar movimentos é adquirida ao longo do tempo. Esta contínua alteração no comportamento ocorre pela interação entre as exigências da tarefa (físicas e mecânicas), a biologia do indivíduo (hereditariedade, natureza e fatores intrínsecos, restrições 16 estruturais e funcionais do indivíduo) e o ambiente (físico e sócio-cultural, fatores de aprendizagem ou de experiência), caracterizando-se como um processo dinâmico no qual o comportamento motor surge das diversas restrições que rodeiam o comportamento³. O desenvolvimento motor acontece de forma individual onde cada criança possui suas próprias percepções através de uma relação com imagem do corpo, sendo muito associada com o desenvolvimento das percepções do mundo em que vivem4. O desenvolvimento motor inclui mudanças relacionadas à idade tanto na postura quanto no movimento, dois ingredientes básicos do comportamento motor. As causas do desenvolvimento motor são muitas, tanto um sistema do corpo quanto um sistema ambiental específico interage de um modo complexo e fascinante para realizar mudanças no comportamento motor5. O portador de deficiência motora é um indivíduo, cujas capacidades físicas tornam-se inferiores aquelas da média. A reeducação e a nova adaptação funcional têm como objetivo de permitir-lhe uma existência o máximo permissível e de chegar, no possível, a uma autonomia física, psicológica e sócio-econômica. Porém é necessário e importante analisar o perfil motor desses indivíduos. Por esse ser um método precursor do tratamento almejado, ou seja, é a partir dos resultados obtidos com a análise do perfil motor que se irá traçar qual tratamento é mais indicado ou eficiente para cada indivíduo portador de necessidades especiais, tem-se o seguinte questionamento: qual o perfil motor das crianças de 2 a 11 anos matriculadas na APAE de Imbituba – SC? O conhecimento sobre o desenvolvimento motor é tão importante para aqueles que trabalham com adultos jovens ou idosos quanto para aqueles que trabalham com crianças ou adolescentes. Entender como se consegue controlar a postura e os movimentos por meio da aquisição de habilidades que são parte de nossa vida diária é uma informação útil para terapeutas em todos os tipos de prática. O que sabemos sobre as mudanças do desenvolvimento em um período de vida pode ser usado para ajudar indivíduos em todas as idades. O fisioterapeuta precisa obter noções e conhecimentos claros sobre o desenvolvimento, para poder avaliar o lactente ou a criança, sabendo identificar as características individuais do desempenho para que possa avaliar as capacidades e respostas diante de certos estímulos que podem ser esperados em determinada idade5. 17 Portanto essa pesquisa irá contribuir para que pais e funcionários da APAE de Imbituba - SC saibam da importância do conhecimento do perfil motor de crianças portadoras de deficiência motora, possibilitando assim, um tratamento mais indicado ou eficiente para cada indivíduo. Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar o perfil motor das crianças entre 2 e 11 anos matriculadas na APAE de Imbituba – SC, e como objetivos específicos verificar as habilidades motoras das crianças de 2 a 11 anos, identificar a deficiência motora das crianças de 2 a 11 anos, e descrever a deficiência motora das crianças avaliadas. A pesquisa trata-se de um estudo descritivo, pois tem como objetivo primordial à descrição das características de determinada população6. Quanto à natureza está se classifica como pesquisa quantitativa, porque permitirá relação do pesquisador com o objeto de estudo e registrará as variáveis em questão6. O procedimento utilizado foi de levantamento de dados, que consiste na solicitação de informações a um grupo estatisticamente significativo de pessoas sobre um problema estudado7. No primeiro capítulo, descreve-se a introdução deste estudo. No segundo capítulo apresenta-se um referencial teórico dos assuntos trabalhados. O terceiro capítulo o delineamento da pesquisa. O quarto capítulo trata-se da análise e discussão dos dados obtidos na pesquisa, finalizando com o quinto capítulo as considerações finais deste trabalho assim como uma sugestão para próximas pesquisas. 18 2 DESENVOLVIMENTO MOTOR 2.1 HISTÓRICO O estudo do desenvolvimento motor data apenas do início do século XX. Certo número de métodos de estudo evoluiu e uma variedade de problemas influenciou tanto a quantidade quanto à qualidade das informações disponíveis8. As primeiras tentativas sérias de estudo do desenvolvimento motor foram feitas a partir de perspectiva maturacional, conduzida por Arnold Gesell (1928) e Myrtle Mcgraw (1935). Os aspectos dessa perspectiva argumentavam que o desenvolvimento é função de processos biológicos inatos que resulta, em sequência universal, na aquisição de habilidade motora infantil. Desses pioneiros, os nomes de Gesell e Mcgraw tornaram-se lendários na pesquisa de desenvolvimento motor. De fato, muito do que nós sabemos a respeito da sequência de aquisição de habilidades motoras infantis é baseado nos trabalhos descritivos de Gesell (1928) e Mcgragraw(1935), bem como no trabalho de Mar Shirley(1931) e Nancy Bailey (1935)9. 2.2 CONCEITO O desenvolvimento motor é a contínua alteração no comportamento do ser humano ao longo do ciclo da vida, proporcionada pela integração entre as necessidades da tarefa biológica e as condições do ambiente em que se encontra o indivíduo². O desenvolvimento motor é um processo de mudanças no nível de funcionamento de um indivíduo, onde uma maior capacidade de controlar movimentos é adquirida ao longo do tempo3. É um processo contínuo e demorado pelo fato das mudanças mais acentuadas ocorrerem nos primeiros anos de vida, existe a tendência em se considerar o estudo do 19 desenvolvimento motor como sendo apenas o estudo da criança. É necessário enfocar a criança, pois, enquanto são necessários cerca de vinte anos para que o organismo se torne maduro, autoridades em desenvolvimento da criança concordam que os primeiros anos de vida, do nascimento aos seis anos, são anos cruciais para o indivíduo. Mas não se pode deixar de lado o fato de que o desenvolvimento é um processo contínuo que ocorre ao longo de toda a vida do ser humano2,10. O termo desenvolvimento motor se refere ao estudo das mudanças que ocorrem no comportamento motor do indivíduo. As mudanças contínuas do comportamento ao logo do ciclo da vida, é proporcionada pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente2,10. Estudiosos do desenvolvimento motor reconhecem que as exigências físicas e motoras específicas de uma tarefa motora interagem com o indivíduo (fatores biológicos) e o ambiente (fatores de experiência ou aprendizagem). Os fatores relativos à tarefa, ao indivíduo e ao ambiente não são apenas influenciados, mas também podem ser modificados um pelo outro². O processo de desenvolvimento motor revela-se basicamente por alterações no comportamento motor. Todos nós bebês, crianças, adolescentes e adultos, estamos envolvidos no processo permanente de aprender a mover-se com controle e competência, em reação aos desafios que enfrentamos diariamente em um mundo em constante mudança. Podemos observar diferenças de desenvolvimento no comportamento motor provocados por fatores próprios do indivíduo, do ambiente e da tarefa em si. Podemos fazer isso pela observação das alterações no processo e no produto. Assim, um meio primário pelo qual o processo de desenvolvimento motor pode ser observado é o estudo das alterações no comportamento motor no decorrer do ciclo da vida. Em outras palavras, o comportamento motor observável de um indivíduo fornece uma “janela” para o processo de desenvolvimento motor, assim como indicações para os processos motores subjacentes¹¹. O desenvolvimento motor é adquirido e aperfeiçoado pela criança através de tentativas e erros, ou seja, ela usa, modifica e adapta suas experiências sensório-motoras presentes, sempre na dependência da direção e do input sensorial, fornecido pela visão, audição, tato, pressão e propriocepção11. A primeira etapa do desenvolvimento de um ser humano é o momento da concepção, e esta que cessa na morte inclui aspectos do comportamento humano e como resultado pode ser 20 separado em “áreas”, “fases” ou “faixas etárias”. Estas faixas etárias típicas de desenvolvimento são apenas isso: típicas e nada mais. As faixas etárias meramente representam, escalas de tempo aproximadas, nas quais certos comportamentos podem ser observados²,¹². O desenvolvimento é relacionado à idade, mas não depende dela, pois cada indivíduo tem um tempo peculiar para a aquisição e para o desenvolvimento de habilidades motoras, as quais progridem de movimentos simples e desorganizados para a execução de habilidades motoras altamente organizadas e complexas. Inicialmente, acreditava-se que as mudanças no comportamento motor refletiam diretamente as alterações maturacionais do sistema nervoso central. Hoje, porém, sabe-se que o processo de desenvolvimento ocorre de maneira dinâmica e é suscetível a ser moldado a partir de inúmeros estímulos externos. A interação entre aspectos relativos ao indivíduo, como suas características físicas e estruturais, ao ambiente em que está inserido e à tarefa a ser aprendida são determinantes na aquisição e refinamento das diferentes habilidades motoras². Embora o “relógio biológico” seja bastante específico quando se trata de sequência de aquisição de habilidades motoras, o nível e a extensão do desenvolvimento são determinados individual e dramaticamente pelas exigências da tarefa em si². O desenvolvimento motor pode ser visto pelo desenvolvimento progressivo das habilidades de movimento, ou seja, a abertura para o desenvolvimento motor é dada através do comportamento de movimento observável do sujeito, o desenvolvimento da transacionalidade, a interação indivíduo, ambiente e tarefa. Com os domínios, cognitivo, afetivo e motor. O processo de desenvolvimento motor é apresentado através das fases dos movimentos reflexos, rudimentares, fundamentais e especializados. Para cada fase do processo de desenvolvimento motor são indicados estágios com idades cronológicas correspondentes. Os movimentos podem ser caracterizados com estabilizadores, locomotores ou manipulativos, que se combinam na execução das habilidades motoras ao longo da vida². Nos movimentos estabilizadores, a criança é envolvida em constantes esforços contra a força de gravidade na tentativa de obter e manter a postura vertical. É através desta dimensão que as crianças ganham e mantém um ponto de origem na exploração que realizam no espaço. A categoria de movimentos locomotores refere-se aos movimentos que indiquem uma mudança na localização do corpo em relação a um ponto fixo na superfície. Envolve a projeção do corpo em um espaço externo pela mudança de posição do corpo em relação a um ponto fixo da superfície. 21 Caminhar, correr, saltar, pular ou saltitar são tarefas locomotoras. A categoria de movimentos manipulativos, referem-se à manipulações motoras, como tarefas de arremessos, recepção, chute e interceptação de objetos, que são movimentos manipulativos grossos. Costurar e cortar com tesoura são movimentos manipulativos finos. Os componentes manipulativos envolvem um relacionamento do indivíduo para os objetos e é caracterizado pela força cedida para os objetos e pela força recebida deles¹³. 2.3 CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR As características de desenvolvimento apresentadas a seguir representam uma síntese das descobertas catalogadas em ampla variedade de fontes e fornecem visão mais completa da criança, em seu aspecto total, nos primeiros anos da infância (2 a 11 anos)². Meninos e meninas varia de cerca de 111,8 – 152,4 cm de altura e 20,0 – 40, 8 kg de peso11. As habilidades perceptivo-motoras estão se desenvolvendo rápido, mas frequentemente existe confusão na consciência corporal, direcional, temporal e espacial² O crescimento é demorado, especialmente, na idade de 8 anos. Há um risco estável, porém lento, de aumento, diferentemente dos ganhos mais rápidos em altura e em peso nos anos pré-escolares11. O corpo começa a alongar-se, com aumento anual na altura de apenas 5,1 – 7,6 cm e ganho anual de peso de 1,4 – 2,7 kg11. O princípio céfalo-caudal (da cabeça para os pés) e o princípio próximo-distal (do centro para a periferia), em que os grandes músculos do corpo são, de forma considerável, mais desenvolvidos do que os músculos pequenos, ficam bastante aparentes11. As meninas estão, geralmente, um ano na frente dos meninos quanto ao desenvolvimento fisiológico.11. As crianças estão rapidamente desenvolvendo uma variedade de habilidades motoras fundamentais. Movimentos bilaterais, como pular, entretanto, frequentemente apresentam mais dificuldade do que movimentos unilaterais². 22 A preferência manual esta firmemente estabelecida, com cerca de 85% das crianças preferindo a mão direita e 15% preferindo a mão esquerda11. As crianças preferem correr e andar, mas ainda precisam de períodos curtos de descanso². Habilidades motoras são desenvolvidas até o ponto em que as crianças aprendem a vestir-se sozinhas, embora possam necessitar de ajuda para endireitar ou abotoar certas peças de roupas². O tempo de reação é lento, causando dificuldades com a coordenação visual-manual e a coordenação entre os olhos e os pés. No final da infância, essas coordenações estão geralmente bem estabelecidas11. Tanto os meninos quanto as meninas estão cheios de energia, mas frequentemente possuem baixo nível de resistência e facilmente cansam. A reação ao treinamento, entretanto, é ótima11. Os mecanismos perceptivos visuais estão totalmente estabelecidos11. As crianças frequentemente sofrem de hipermetropia e não estão aptas a extensos períodos de trabalho minucioso11. A maioria das habilidades motoras fundamentais tem potencial para estar bem definida. As habilidades para jogar com êxito tornam-se bem desenvolvidas. Atividades que envolvem os olhos e os membros desenvolvem-se lentamente. Atividades como rebater ou atingir bolas arremessar bolas requer considerável prática para seu domínio11. A transição do refinamento das habilidades motoras fundamentais para o estabelecimento de habilidades motoras em jogos de liderança e de habilidade atléticas11. 2.4 FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR As idades são somente aproximações convenientes e não devem ser consideradas como enquadramentos de tempo rígidos. Entretanto, um atraso significativo, além desses limites de idade, representaria fracasso em uma tarefa desenvolvimentista, tendo como consequência a infelicidade e grande dificuldade com tarefas futuras². 23 O desenvolvimento representa a aquisição de funções cada vez mais complexas. Ocupa-se de fenômenos que indicam a diferenciação progressiva dos órgãos e de suas especializações, no amadurecimento de sua função14. O objetivo básico do desenvolvimento motor e da educação motora de uma pessoa é aceitar o desafio de mudança no processo contínuo de obtenção e de manutenção do controle motor e da competência motora no decurso da vida toda. No decorrer da vida é necessário ajustar, compensar ou mudar, a fim de obter ou manter a habilidade². As habilidades motoras fundamentais de crianças são observadas e analisadas, tornam-se visíveis os vários estágios de desenvolvimento para cada padrão de movimento e também é óbvia a existência de diferenças de habilidades entre as crianças, entre os padrões “dentro” de cada padrão². Habilidades motoras exigem movimento voluntário do corpo e/ou dos membros para atingir suas metas. Cada indivíduo tem uma capacidade motora única, global, e afirma que o nível dessa capacidade no indivíduo influi no sucesso final que ele consegue obter no desempenho de qualquer habilidade motora15. A habilidade das crianças varia conforme sua herança genética e suas oportunidades para aprender e praticar habilidades motoras, segue descrito abaixo o desenvolvimento motor das crianças de dois a onze anos14: a) dois anos - a criança articula o pé ao caminhar: marcha calcanhar-dedos. Salta de objeto com impulso em um pé, sobe e desce degraus sozinho- passos seguidos, percebe a bola; não responde a bolas aéreas, chuta com uma perna estendida e discretos movimento corporais ( chuta na bola)16. b) três anos - não sabem virar ou parar repentina ou rapidamente, saltam uma distância de 38 a 61 cm, sobem escadas sem ajuda alternando os pés, sabem saltar usando basicamente uma série irregular de pulos com algumas variações16. c) quatro anos - tem melhor controle para parar, iniciar e virar, podem saltar um distância de 61 a 84 cm, podem descer uma longa escadaria alternando os pés caso tenham apoio, podem saltar sobre um dos pés de quatro a seis vezes16. 24 d) cinco anos - começam, viram e param com eficiência ao brincar, são capazes de dar um salto de 71 a 91 cm enquanto correm, descem uma longa escadaria sem auxílio, alternando os pés, saltam facilmente uma distância de 4, 87 cm16. e) seis anos - as meninas são superiores na precisão de movimento; os meninos são superiores em ações menos complexas que envolvam força. Pular (com os dois pés) é possível. As crianças sabem arremessar com transferência de peso e passo adequados16. f) sete anos - equilíbrio em um dos pés sem olhar torna-se possível. As crianças são capazes de caminhar sobre barra fixa de 5 cm de largura. As crianças são capazes de pular saltar com precisão em pequenos quadrados16. g) oito anos - dispõem o poder de preensão de 5,4 kg. Faixa etária com o maior número de jogos nos quais ambos os sexos participam. As crianças podem executar saltos rítmicos alternados num padrão de 2-2, 2-3 ou 3-3. As crianças podem arremessar uma bola pequena a aproximadamente 12 metros16. h) nove anos - os meninos são capazes de correr a uma velocidade de 5 metros por segundo. Os meninos são capazes de arremessar uma bola pequena à aproximadamente 21,3 m de distância16. i) dez anos - as crianças são capazes de avaliar e interceptar a trajetória de pequenas bolas arremessadas à distância. As meninas são capazes de correr a uma velocidade de 5,1 metros por segundo16. j) onze anos - salto à distância de 1,5 metros é possível para os meninos; 15,2 cm a menos para as meninas16. 2.5 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR Desde o momento da concepção, o organismo humano tem uma lógica biológica, uma organização, um calendário maturativo e evolutivo, uma porta aberta à interação e à estimulação. Entre o nascimento e a idade adulta se produzem no organismo humano, profundas modificações. As possibilidades motoras da criança evoluem amplamente de acordo com a sua idade e chegam a ser cada vez mais variadas, completas e complexas14. 25 2.5.1 Motricidade fina É a atividade mais frequente e mais comum no homem, a qual atua para pegar um objeto e lançá-lo, para escrever, desenhar, pintar, recortar, etc 17. A motricidade fina nada mais é que a coordenação viso - motora onde através de um processo de ação existe a associação entre o ato motor e a estimulação motora. Assim é ato afirmar que é através das mãos, que as crianças passam a conhecer tudo que está instigando sua curiosidade, notado pelo seu olhar17. O movimento de agarrar começa com predisposição dos dedos, a partir do início do movimento. Os dedos separam em função do tamanho do objeto a ser apanhado e começam a fechar-se quando o movimento de aproximação se faz lento tendo em vista a forma do objeto*. A motricidade fina refere-se à atividade manual, guiada por meio da visão, ou seja, coordenação viso-manual, com emprego de força mínima, a fim de atingir uma resposta precisa à tarefa, relacionamento em si com musculatura que ajudam no desempenho da motricidade fina4. A motricidade fina engloba todas as habilidades da criança e requer a participação de várias funções coordenativas para realização de um determinado movimento18. A atividade manual guiada por meio da visão, faz intervir, ao mesmo tempo, o conjunto dos músculos que asseguram a manutenção dos ombros e dos braços, dos antebraços e da mão, que é particularmente responsável pelo ato manual de agarrar ou pelo ato motor, assim como os músculos oculomotores regulam a fixação do olhar, as sacudidas oculares e os movimentos de perseguição14. Para a coordenação desses atos, é necessária a participação de diferentes centros nervosos motores e sensoriais que traduzem pela organização de programas motores e pela intervenção de diversas sensações oriundas dos receptores sensoriais, articulares e cutâneos do membro requerido14. O córtex pré-central corresponde à motricidade fina tem um papel fundamental no controle dos movimentos isolados das mãos e dos dedos para pegar o alimento. A importância ______________________________ * Macena GR. A Intervenção do Profissional de Educação Física para o Desenvolvimento das Habiliadades Motoras em Crianças de 06 a 07 Anos. [Dissertação]. Varzea Grande: Centro Universitário; 2007.apud (4). 26 das áreas córtico-sensomotoras das mãos e dos dedos faz ressaltar a firmeza extrema dos controles táteis e motores14. 2.5.2 Motricidade global É a capacidade que a criança tem em executar seus gestos suas atitudes, seus deslocamentos e saber de que forma irá fazer seus deveres de cada dia. A individualidade tem que ser respeitado, em primeiro lugar para que a maturação de cada um não se torne cada vez mais complexa. Assim é verdadeiro afirmar que uma pessoa que se desenvolve sem uma organização em seus segmentos corporais afinada, a cada movimento que lhe é exigido possui um gasto energético muito maior que outra pessoa que possui uma organização corporal mais afinada4. A capacidade da criança nos permite, às vezes conhecê-la e compreendê-la melhor dô que buscar informações para tal fim nas palavras por ela pronunciadas14. Naturalmente, a criança brinca imitando cenas da vida cotidiana: fala movimentandose, canta dançando, ou ao contrário, põe-se primeiro a dançar, e o canto nasce ao mesmo tempo. É através da brincadeira espontânea que ela descobre os ajustes diversos, complexos e progressivos da atividade motriz, resultado em um conjunto de movimentos ordenados em função de um fim a ser alcançado14. O movimento motor global seja ele mais simples, é um movimento sinestésico, tátil, labiríntico, visual, espacial, temporal, e assim por diante. Os movimentos dinâmicos corporais desempenham um importante papel na melhora dos comandos nervosos e no afinamento das sensações e das percepções14. 2.5.3 Equilíbrio 27 O equilíbrio é a base primordial de toda a ação diferenciada dos segmentos corporais. Quanto mais defeituoso é o movimento, mais energia consome, a luta contra o desequilíbrio pode resultar em fadiga, aumentando o nível de estresse, ansiedade e angústia do indivíduo17. O equilíbrio é o principal segmento da motricidade, tendo em vista que quando a criança não possui um bom equilíbrio, o movimento se torna mais lento, com maior consumo de energia que resulta em uma fadiga muscular, mental e espiritual, assim surgindo com maior rapidez o cansaço, aumentando o nível de estresse, ansiedade e angústia do indivíduo*. O equilíbrio abrange o controle tônico-postural frente à força gravitacional que atua sobre o indivíduo18. O organismo alcança o equilíbrio quando é capaz de manter e controlar posturas, posições e atitudes, e depende intimamente da função proprioceptiva, da função vestibular e da visão, sendo o cerebelo o principal coordenador destas informações11. O equilíbrio é o estado de um corpo quando forças distintas que atuam sobre ele compensam e anulam-se mutuamente. Do ponto de vista biológico, a possibilidade de manter posturas, posições e atitudes indica a existência de equilíbrio14. Equilíbrio é a capacidade de manter o corpo em uma mesma posição durante um tempo determinado. Entende-se por equilíbrio a capacidade de assumir e sustentar qualquer posição do corpo contra a lei da gravidade e que, um equilíbrio correto é à base de toda a coordenação dinâmica geral do corpo, bem como das ações diferentes de seus seguimentos14. O equilíbrio é fundamental para a coordenação motora. Um mau equilíbrio afeta a construção do esquema corporal, porque traz como consequência a perda da consciência de certas partes do corpo18. 2.5.4 Esquema corporal É um modelo postural, um esquema, uma imagem do nosso corpo, independente das informações cutâneas e profundas, os quais desempenham um papel importante, mesmo que não evidente, na consciência que cada um tem de si mesmo17. ______________________________ * Fiates MP. Estudo da relação entre o desenvolvimento psicomotor e as dificuldades na aprendizagem de um grupo de crianças de 4 a 7 anos. [Dissertação]. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina;2007 apud (11). 28 A construção do esquema corporal, isto é, a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com dados do mundo exterior exerce um papel fundamental no desenvolvimento da criança, sendo assim, esquema corporal é a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior17. É o principal elemento para desenvolver a personalidade das crianças. O movimento é ligado como forma de expressão que se encontra intimamente ligado á personalidade17. Os principais contatos corporais que a criança percebe, manipula e com os quais joga são de próprio corpo: satisfação e dor, choro e alegria, mobilização e deslocamento, sensações visuais e auditivas e esse corpo é o meio da ação do conhecimento e da relação. Sendo assim, esquema corporal é a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior14. Esquema corporal refere-se ao conhecimento que temos de nosso corpo em movimento ou posição estática quanto aos objetos e ao espaço. A construção do esquema corporal, isto é, a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior exerce um papel fundamental no desenvolvimento da criança, já que a organização é o ponto de partida de suas diversas possibilidades de ação. Sendo assim, esquema corporal é a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior14. O esquema corporal pode ser definido no plano educativo como a chave de toda a organização de personalidade. A elaboração do esquema corporal segue as leis da maturidade céfalo-caudal e próximo-distal14. 2.5.5 Organização espacial É a capacidade de se situar e orientar a si próprio, localizar o outro e os objetos dentro de um determinado espaço17. A estruturação espacial é a tomada de consciência da situação de seu próprio corpo em um meio ambiente, isto é, do lugar e da orientação que pode ter em relação às pessoas e coisas; é a tomada de consciência da situação das coisas entre si; e a possibilidade, para o sujeito, 29 de organizar-se perante o mundo que o cerca, de organizar as coisas entre si, de colocá-las em um lugar, de movimentá-las17. Através de uma Organização Espacial bem desenvolvida, a criança ira crescer de maneira independente, tendo em vista que pessoas que não possuem uma boa organização espacial, sempre estará se machucando, batendo seu corpo em outras pessoas, em paredes, não conseguem transcorrer corredores que são um tanto estreito. Esta evolução é dividida em duas partes, a primeira que está relacionada à percepção imediata do ambiente e a segunda, que está relacionada às operações mentais14. A noção de espaço é ambivalente, pois, ao mesmo tempo, é concreta e abstrata, finita e infinita. Ela envolve tanto o espaço do corpo, diretamente acessível, como o espaço que nos rodeia, finito enquanto nos é familiar, mais que se estende ao infinito, ao universo, e desvanecese no tempo14. A organização espacial depende, ao mesmo tempo, da estrutura de nosso próprio corpo (estrutura anatômica, biomecânica, fisiológica, etc.), da natureza do meio que nos rodeia e de suas características14. Todas as modalidades sensoriais participam em certa medida na percepção espacial: a visão, a audição, o tato, a propriocepção e o olfato. As informações recebidas não estão sempre em acordo e implicam, inclusive, percepções contraditórias, em particular na determinação da verticalidade. A orientação espacial designa nossa habilidade para avaliar com precisão a relação física entre nosso corpo e o ambiente, e para efetuar as modificações no curso de nossos deslocamentos14. 2.5.6 Organização temporal Organização temporal é a capacidade de perceber problemas da duração e da sucessão dos fenômenos17. A Organização Temporal assim como os demais elementos da motricidade é muito gradativa e muito morosa, onde as crianças começam a descobrir realmente que os acontecimentos da sua vida, como por exemplo: daquele passeio, daquele mergulho no rio, 30 aquela festa de aniversário, tudo isso está armazenado na memória da criança, mais somente depois, que irá sendo distribuído em ano, meses, dias, semana, horas, etc4. Podemos perceber o tempo a partir do momento em que classificamos algum acontecimento em antes ou depois, e através das mudanças ocorridas em um determinado tempo16. Os dois grandes componentes da organização temporal: a ordem e a duração que o ritmo reúne. A primeira define a sucessão que existe entre os acontecimentos que se produzem, uns sendo a continuação de outros, em uma ordem física irreversível; e a segunda permite a variação do intervalo que separa dois pontos, ou seja, o princípio e o fim de um acontecimento. Essa medida possui diferentes unidades cronométricas como o dia e suas divisões, as horas, os minutos e os segundos. A ordem ou a distribuição cronológica das mudanças ou dos acontecimentos sucessivos representa o aspecto qualitativo do tempo e a duração seu aspecto quantitativo14. A organização temporal inclui uma dimensão lógica (conhecimento da ordem e da duração, acontecimentos se sucedem com intervalos), uma dimensão convencional (sistema cultural de referências, horas dias, semanas, meses, anos) e um aspecto de vivência que surge antes dos outros dois (percepção e memória da sucessão e da duração dos acontecimentos na ausência de elementos lógicos ou convencionais)14. A consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas independentemente de ser sucessão ou duração, sua retenção está vinculada à memória e à codificação da informação contida nos acontecimentos. Os aspectos relacionados à percepção do tempo evoluem e amadurecem com a idade14. 2.5.7 Lateralidade Durante o dia-dia em que as crianças irão conhecendo seu corpo, sabendo que existe o porquê de ter seus membros posicionados de forma bi-lateral e que o braço direito está localizado do mesmo lado da perna direita, ou até mesmo que seu braço esquerdo é o braço que 31 possuem o relógio, a criança irá fazer associação e quando solicitado irá executar de maneira correta eficaz, sabendo sem ter dúvida para que lado irá andar e seguir seu desenvolvimento4. A lateralidade se indica como forma assimétrica em nosso corpo, sendo em partes do nosso corpo, mão, olho, ouvido, perna, assim nosso cérebro recebe informações do controle de certas funções que ele deve receber. Quando a lateralidade não está bem definida, a criança tem dificuldade de assimilar os conceitos de direita e esquerda, pois não distingue o lado dominante do outro lado, pode possuir, também, falta de direção gráfica14. A lateralidade corporal refere-se ao espaço interno do indivíduo, que o capacita a utilizar um lado do corpo com melhor desembaraço que o outro, em atividades que requeiram habilidade, caracterizando-se por uma assimetria funcional19. A lateralidade está em função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a iniciativa da organização do ato motor, o qual desembocará na aprendizagem e na consolidação das praxias. Essa atitude funcional, que é suporte da intencionalidade, se desenvolve de forma fundamental no momento da atividade de investigação, ao longo da qual a criança nas melhores condições para aceder a uma lateralidade definida, respeitando fatores genéticos e ambientais, é a que lhe permite organizar suas atividades motoras14. 2.5.8 Linguagem No desenvolvimento da linguagem intervêm fatores biológicos e ambientais. A execução de tarefas construtivas práticas é uma das formas manifestadas da atividade intelectual do homem. A segunda forma, muito mais elevada, é o pensamento discursivo ou lógico verbal, mediante o qual o homem, baseando-se nos códigos da linguagem, é capaz de ultrapassar os marcos da percepção sensorial, refletir sobre relações simples e complexas, formar conceitos, elaborar conclusões e resolver problemas teóricos complicados. Essa forma de pensamento é singularmente importante, já que serve como base à assimilação e ao emprego dos conhecimentos e como meio fundamental da atividade cognitiva complexa do homem14. 32 2.6 ATRASO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR Atraso no desenvolvimento motor é qualquer alteração no corpo humano, resultado de um problema ortopédico, neurológico ou de má formação, levando o indivíduo a uma limitação ou dificuldade no desenvolvimento de alguma tarefa motora20. Na criança com atraso motor ou mental, o domínio gradativo de seus movimentos depende em grande parte do ensino que recebe. Uma criança com deficiência seja do tipo motor que provoca lentidão, ou intelectual que inibi a compreensão, não poderá superar os inconvenientes que lhe oferecerá uma educação da forma como está organizada atualmente. Para essas crianças, o desenvolvimento da coordenação deverá ocorrer de forma ordenada durante as etapas de desenvolvimento que, por sua vez, integram a coordenação geral18. O Déficit Motor se caracteriza pela falta de mobilidade prática, ou seja, dificuldade em assimilar a prática de exercícios físicos durante o seu crescimento4. Diversos fatores, porém, podem colocar em risco o curso normal do desenvolvimento de uma criança. Definem-se como fatores de risco uma série de condições biológicas ou ambientais que aumentam a probabilidade de déficits no desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. Dentre as principais causas de atraso motor encontram-se: baixo peso ao nascer, distúrbios cardiovasculares, respiratórios e neurológicos, infecções neonatais, desnutrição, baixas condições sócio-econômicas, nível educacional precário dos pais e prematuridade. Quanto maior o número de fatores de risco atuantes, maior será a possibilidade do comprometimento do desenvolvimento11. O desenvolvimento e o refinamento de padrões motores e de habilidades motoras são influenciados de maneiras complexas. Tanto o processo como o produto do movimento de um indivíduo está enraizado em um ambiente experimental e genético peculiar, conectados as exigências específicas da tarefa motora todo e qualquer movimento, estímulo e a fala podem alterar nosso desenvolvimento motor, tornando-o mais lento, desorganizado e incapaz de progredir enquanto algum agente causal ou estímulo inadequado estiver presente provocando tais alterações14. 33 2.7 EPIDEMIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO MOTOR Segundo a Organização Mundial da Saúde, há cerca de 610 milhões de pessoas com deficiência no mundo, das quais 386 milhões fazem parte da população economicamente ativa. No Brasil, segundo o Censo realizado em 2000, existem 34.5 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Isto significa que aproximadamente 15% da população brasileira apresenta alguma deficiência visual, motora, auditiva, mental ou física. O censo indica um número maior de deficiências do que de deficientes, uma vez que “as pessoas incluídas em mais de um tipo de deficiência foram contadas apenas uma vez”, portanto o número de pessoas que apresentam mais de uma deficiência é de quase 10 milhões, sendo no total de casos: a) 8,3%possuem deficiência mental; b) 4,1% deficiência física; c) 22,9% deficiência motora; d) 48,1% visual (entre 16,5 milhões com deficiência visual, 159.824 são incapazes de enxergar) e) 16,7% auditiva (entre 5,7 milhões com deficiência auditiva, 176.067 não ouvem) Fonte: IBGE, Censo Demográfico 200021 . 2.8 ETIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO MOTOR 2.8.1 Fatores Intrínsecos que interferem no desenvolvimento motor A herança genética peculiar que é responsável pela individualidade também pode ser responsável pela similaridade de muitas maneiras. Uma similaridade é a tendência do desenvolvimento humano acontecer de maneira ordenada e previsível. Inúmeros fatores biológicos que afetam o desenvolvimento motor parecem surgir desse padrão previsível². 34 2.8.2 Fatores Ambientais que interferem no desenvolvimento motor A criança deve viver com seu corpo de maneira harmônica através da motricidade não condicionada, em que os grandes grupos musculares participem e preparem o desenvolvimento de grandes músculos que são responsáveis pela tarefa do dia – a - dia, em momentos muitos simples como retirar um lápis da mesa e até mesmo executar o movimento da cambalhota17. Fatores ambientais, inúmeras vivências motoras e as diversificações dos movimentos possuem o sentido de promover a formação de um rico vocabulário motor para a criança, contribuindo assim para facilitação da execução de movimentos mais complexos17. Ao longo de vários anos passados, consideráveis questionamentos e pesquisas têm se concentrado nos efeitos do comportamento dos pais no período pré-natal e no início da infância, na medida em que estes influenciam o funcionamento subsequente das crianças. Em função da extrema dependência dos bebês humanos de seus protetores e da extensão desse período de dependência, inúmeros cuidados paternos e maternos influenciam o desenvolvimento posterior. Em os mais cruciais estão os efeitos do estímulo e também da privação ambiental e os vínculos que ocorrem entre os pais e a criança nos primeiros meses após o nascimento. Condições extremas de privação ambiental podem romper tanto a sequência como o nível da aquisição de habilidades motoras2. 2.8.3 Fatores da Tarefa Física que interferem no desenvolvimento motor Alguns fatores adicionais afetam o desenvolvimento motor. A influencia da classe social, do gênero, e da bagagem cultural e étnica tem impacto no crescimento e no desenvolvimento motores. O desenvolvimento motor não é um processo estático, não é somente o produto de fatores biológicos, mas também é influenciado por condições ambientais e leis físicas A interação dos fatores ambientais com os biológicos modifica o curso do desenvolvimento 35 motor no período neonatal, na infância, na adolescência, e na idade adulta. Nascimento prematuro, desordens alimentares, níveis de aptidão e fatores biomecânicos, bem como as alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento e a escolha do estilo de vida, tudo isso influência o processo permanente de desenvolvimento motor de maneira importante2. 2.9 HISTÓRICO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS (APAE) DE IMBITUBA No dia 21 de setembro de 1974, foi fundada a APAE, de Imbituba, cujo nome escolhido pelos participantes, professores e diretoria foi Escola Especial “Girassol”, tendo, nos dias atuais, como presidente o Sr Amilton Gonçalves de Souza, e na direção Maria das Graças da Rosa Batista. A Escola Especial “Girassol” tem como objetivo geral proporcionar o desenvolvimento integral do educando, nas diferentes áreas do conhecimento, no intuito de atender as necessidades, físicas, intelectuais, psicologias e comportamentais22. È composta por 78 alunos, sendo distribuídos em classes por idade e deficiência22. O intuito maior da Escola Especial “Girassol” é de garantir a superação do indivíduo para que possa elaborar suas próprias estratégias de sobrevivência, podendo se surpreender com a capacidade de ser independente22. 2.10 ESCALA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR Compreende um conjunto de provas muito diversificadas e de dificuldade graduada, conduzindo a uma exploração minuciosa de diferentes setores do desenvolvimento. A aplicação em um sujeito permite avaliar seu nível de desenvolvimento motor, considerando êxitos e fracassos, levando em conta as normas estabelecidas pelo autor da escala14. 36 2.11 TESTE MOTOR É uma prova determinada que permite medir, em um indivíduo uma determinada característica. Os resultados poderão ser comparados com os de outros indivíduos14. 2.12 PROVA MOTORA Designa um conjunto de atividades marcadas por uma determinada idade. Permite determinar o avanço ou o atraso motor de uma criança, de acordo com os resultados alcançados nas provas14. 2.13 PERFIL MOTOR Consiste em uma reprodução gráfica de resultados obtidos em vários testes de eficiência motora, a qual permite uma comparação simples e rápida de diferentes aspectos do desenvolvimento motor, colocando em evidência os pontos fortes e fracos do indivíduo14. 37 3 DELINEAMENTO DA PESQUISA 3.1 TIPO DE PESQUISA Esta pesquisa classificou-se como um estudo descritivo, pois teve como objetivo primordial à descrição das características de determinada população. A abordagem da pesquisa foi quantitativa porque permitiu relação do pesquisador com o objeto de estudo e registrou as variáveis em questão e quanto ao procedimento tratou-se de um levantamento de dados, que consistiu na solicitação de informações de um grupo estatisticamente significativo de pessoas sobre o problema estudado24. 3.2 MATERIAL Os testes foram realizados em uma sala silenciosa e iluminada de maneira individual, onde a criança permaneceu com sua roupa normal tirando apenas aquelas vestimentas que dificultaram os movimentos. O tempo de aplicação dos testes foi de aproximadamente 30 a 45 minutos, alcançando às vezes 60 minutos devido às dificuldades individuais. O principal instrumento utilizado na pesquisa foi a Escala de Desenvolvimento Motor – EDM (ROSA NETO, 2002), uma escala brasileira de desenvolvimento motor desenvolvida por Francisco Rosa Neto, que prevê a realização de testes de motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal, lateralidade e linguagem, que vem com um Kit-EDM que segue um manual / folha de resposta, instrumentos para aplicação dos testes. Os testes foram aplicados de acordo com a folha de resposta (ANEXO A), ou seja, todos foram testados a partir da idade de 2 anos. O exame iniciou-se pela sequência de provas motoras citadas pelo autor da escala. Durante o exame o resultado negativo foi registrado 0. Se a prova exigiu habilidade com lado direito e esquerdo do corpo, foi registrado 1, quando houve êxito com 38 os dois membros. Se a prova teve resultado positivo apenas com um dos membros (direito ou esquerdo), o resultado foi registrado ½ na folha de resposta. A idade de desenvolvimento encontrada na folha de resposta de acordo com a idade foi dividida pela idade cronológica em meses, visto que o resultado foi multiplicado por cem14. Para aplicação da escala foram utilizados os seguintes materiais auxiliares: 1. Seis cubos de 2,5 cm; 2. Linha nº 60; 3. Agulha de costura (1cm x 1mm); 4. Um cordão de sapatos de 45 cm; 5. Cronômetro sexagesimal; 6. Papel de seda; 7. Bola de borracha ou bola de tênis de campo – 6 cm de diâmetro; 8. Cartolina branca; 9. Lápis nº 2; 10. Borracha e folhas de papel em branco. (Motricidade Fina) 11. Banco de 15 cm; 12. Corda de 2 m; 13. Elástico; 14. Suporte para saltar; 15. Uma caixa de fósforos; 16. Uma cadeira de 45 cm de altura. (Motricidade Global) 17. Banco de 15 cm; 18. Cronômetro sexagesimal. (Equilíbrio) 19. Lápis nº 2; 20. Cronômetro sexagesimal. (Esquema Corporal) 21. Tabuleiro com três formas geométricas; 22. Palitos de 5 e 6 cm de comprimento; 23. Um retângulo e dois triângulos de cartolina; 24. Três cubos de cores diferentes; 25. Figuras de bonecos esquematizados. (Organização Espacial) 26. Cronômetro sexagesimal; 39 27. Lápis nº 2. (Organização Temporal) 28. Bola; 29. Tesoura; 30. Cartão de 15 cm x 25 cm com um furo no centro de 0,5 cm de diâmetro; 31. Tubo de cartão. (Lateralidade) 32. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo B). 3.3 MÉTODO Os métodos descritos abaixo foram utilizados para avaliar: motricidade fina e global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal e lateralidade11. 3.3.1 Motricidade fina Motricidade fina é a atividade manual guiada por meio da visão14. a. Construção de uma torre Os 12 cubos estavam em desordem, sendo que se tomaram quatro cubos e, com eles, foi montada uma torre diante da criança. Depois de demonstrado como se faz à torre, a criança fez igual com quatro ou mais cubos quando lhe foi indicado11. b. Construção de uma ponte Os 12 cubos estavam em desordem, sendo que se tomaram três cubos e, com eles, foi construída uma ponte diante da criança. Depois de demonstrado como se faz esta ponte, a criança fez semelhante (igual). Foi ensinado várias vezes a forma de fazer a ponte, sendo que a ponte se manteve, mesmo que não estivesse equilibrada11. c. Enfiar a linha na agulha 40 Com uma linha número 60 e agulha de costura (1cm x 1cm), a criança fez com as mãos separadas numa distância de 10cm. A linha passou pelos dedos em 2cm, sendo que o comprimento total da linha foi de 15cm. A criança passou a linha por dentro da agulha, com uma duração de 9 segundos, repetindo somente duas vezes11. d. Fazer um nó Com um par de cordões de sapatos de 45cm e um lápis, a criança prestou atenção na realização de um nó simples em um lápis realizado pela fisioterapeuta. Então, a criança fez este nó simples no dedo da fisioterapeuta, qualquer tipo de nó foi aceito desde que não se desmanchou11. e. Labirinto A criança estava sentada em uma mesa diante de um lápis e uma folha contendo os labirintos. Então ela traçou com um lápis uma linha contínua da entrada até a saída do primeiro labirinto e, imediatamente, iniciou o próximo. Após 30 segundos de repouso, ela começou o mesmo exercício com a mão esquerda11. Foi considerado como erros: se a linha ultrapassasse o labirinto mais de duas vezes com a mão dominante e mais três vezes com a mão não dominante; se ultrapassasse o tempo máximo; se levantasse mais que uma vez o lápis do papel11. A duração foi de 1 minuto e 20 segundos para a mão dominante (direita ou esquerda) e 1 minuto e 25 segundos para a mão não dominante (direita ou esquerda). A criança teve somente duas tentativas em cada mão ( ANEXO C)11. f. Bolinhas de papel A criança fez uma bolinha compacta com um pedaço de papel de seda (5cm x 5cm) com uma só mão, a palma estava para baixo, e foi proibida a ajuda da outra mão. Após 15 segundos de repouso, o mesmo exercício foi realizado com a outra mão11. Foi considerado como erros: se o tempo máximo foi ultrapassado; se a bolinha foi pouco compacta. Teve como duração 15 segundos para a mão dominante e 20 segundos para a mão não dominante. Ela teve somente duas tentativas para cada mão11. Na realização 11 involuntários) . g. Ponta do polegar deste teste foi observado se há sincinesias (movimentos 41 Com a ponta do polegar, a criança tocou com a máxima velocidade possível os dedos da mão, um após o outro, sem repetir a seqüência. Ela iniciou do dedo menor para o polegar, retornando novamente para o dedo menor. O mesmo exercício foi realizado com a outra mão. Foi considerado como erros: se tocar várias vezes o mesmo dedo; se tocar dois dedos ao mesmo tempo; se esquecer de um dedo e se ultrapassasse o tempo máximo. Teve 5 segundos de duração para realizar este teste e duas tentativas para cada mão11. h. Lançamento com uma bola A criança arremessou uma bola (6cm de diâmetro), em um alvo de 25 X 25, situado na altura do peito, 1,50m de distância (lançamento a partir do braço flexionado, mão próxima do ombro, pés juntos). Foi considerado como erros se: deslocar de modo exagerado o braço; não fixar o cotovelo ao corpo durante o arremesso; acertar menos de duas vezes sobre três com a mão dominante e uma sobre três com a mão não dominante. Teve três tentativas para cada mão11. i. Círculo com o polegar A ponta do polegar esquerdo estava sobre a ponta do índice direito e, depois ao contrário. O índice direito deixou a ponta do polegar esquerdo e, a criança desenhou uma circunferência ao redor do índice esquerdo, que foi buscar a ponta do polegar esquerdo, entretanto, permaneceu o contato do índice esquerdo com o polegar direito11. Dez movimentos sucessivos regulares foram feitos com a maior velocidade possível em um espaço de tempo de 10 segundos. Em seguida, a criança fechou os olhos e continuou assim para realizar mais dez movimentos11. Foi considerado errado se: o movimento foi mal executado; haver menos de 10 círculos; executar a tarefa apenas com os olhos abertos. Teve apenas três tentativas11. j. Agarrar uma bola A criança agarrou uma bola (6cm de diâmetro) com uma mão, que foi lançada numa distancia de três metros. Ela manteve o braço relaxado ao longo do corpo até que foi dito “agarre”. Após 30 segundos de repouso, o mesmo exercício foi realizado, mas com a outra mão. Foi considerado como erro se: agarrou menos de três vezes sobre cinco com a mão dominante; menos de duas vezes sobre cinco com a mão não dominante. Ela teve cinco tentativas para cada mão11. 42 3.3.2 Motricidade global É um movimento sinestésico, tátil, labiríntico, visual, espacial, temporal14. a. Subir sobre um banco A criança subiu, com apoio, em um banco de 15cm de altura e desceu. (O banco estava situado ao lado de uma parede)11. b. Saltar sobre uma corda Com os pés juntos: saltou por cima de uma corda estendida sobre o solo (sem impulso, pernas flexionadas). Foi considerado errado se: os pés estivessem separados; a criança perder o equilíbrio e cair. A criança teve três tentativas11. c. Saltar sobre o mesmo lugar A criança deu saltos, de sete ou oito sucessivamente, sobre o mesmo lugar com as pernas ligeiramente flexionadas. Foi considerado errado: movimentos não simultâneos de ambas as pernas, cair sobre os calcanhares. Ela teve somente duas tentativas11. d. Saltar uma altura de 20 cm Com os pés juntos, a criança saltou sem impulso uma altura de 20cm. Teve como materiais dois suportes com uma fita elástica fixada nas extremidades dos mesmos, numa altura de 20 cm. Foi considerado errado se: tocou no elástico; caiu (apesar de não ter tocado no elástico); tocar no chão com as mãos. Ela teve três tentativas11. e. Caminhar em linha reta A criança estava com os olhos abertos e percorreu uma distância de 2 metros em linha reta, posicionando alternadamente o calcanhar de um pé contra a ponta do outro.Foi considerado errado se: afastar da linha; balancear; afastar um pé do outro; executar ruim o movimento. Teve somente três tentativas11. f. Pé manco Com os olhos abertos, a criança saltou ao longo de uma distância de 5 metros com a perna esquerda, a direita estava flexionada num angulo reto com o joelho, os braços relaxados ao longo do corpo. Após descansar por 30 segundos, realizou o mesmo exercício com a outra perna. 43 Foi considerado errado se: distanciar mais de 50cm da linha; tocar no chão com a outra perna; balançar os braços. Teve duas tentativas para cada perna, sendo que o tempo foi indeterminado11. g. Saltar uma altura de 40cm Com os pés juntos a criança saltou sem impulso uma altura de 40cm. Este teste teve como materiais dois suportes com uma linha elástica fixada nas extremidades dos mesmos, numa altura de 40cm. Ela teve três tentativas no total11. h. Saltar sobre o ar A criança saltou no ar, flexionando os joelhos para tocar os calcanhares com as mãos. Considerou-se errado se a criança não tocou nos calcanhares. Teve três tentativas11. i. Pé manco com uma caixa de fósforos A criança estava com o joelho flexionado num ângulo reto, braços relaxados ao longo do corpo. A 25cm do pé que repousa no solo foi colocado uma caixa de fósforos. Então, a criança levou-a, impulsionando-a com o pé até o ponto situado a 5 metros. Foi considerado errado se: tocou no chão (ainda que uma só vez) com o outro pé; movimentos exagerados com os braços; se a caixa ultrapassasse em mais de 50cm do ponto fixado; falhar no deslocamento da caixa. Teve três tentativas11. j. Saltar sobre uma cadeira A criança saltou sobre uma cadeira de 45cm à 50cm numa distância de 10cm da mesma. O encosto foi sustentado pelo examinador. Considerou-se errado: perder o equilíbrio e cair; agarrar-se no encosto da cadeira. Teve três tentativas11. 3.3.3 Equilíbrio É a capacidade de assumir e sustentar qualquer posição do corpo contra a lei da 14 gravidade . a. Equilíbrio estático sobre um banco 44 Sobre um banco de 15cm de altura, a criança manteve-se imóvel, pés juntos, braços ao longo do corpo. Considerou-se errado se: deslocar os pés, mover os braços. Tendo duração de 10 minutos11. b. Equilíbrio sobre um joelho Braços ao longo do corpo, pés juntos, apoiar um joelho no chão sem mover os braços ou o outro pé. A criança manteve esta posição, com o tronco ereto (sem sentar-se sobre o calcanhar). Após 20 segundos de descanso, o mesmo exercício com a outra perna11. Considerou-se errado: tempo inferior a 10 segundos; deslizamentos dos braços, do pé ou joelho; sentar-se sobre o calcanhar. Teve duas tentativas para cada perna11. c. Equilíbrio com o tronco flexionado Com os olhos abertos, pés juntos, mãos apoiadas nas costas: flexionou o tronco em ângulo reto e manteve esta posição. Considerou-se errado: mover os pés; flexionar as pernas; tempo inferior a 10 segundos. Teve somente duas tentativas11. d. Equilíbrio nas pontas dos pés Manteve-se sobre a ponta dos pés, olhos abertos, braços ao longo do corpo, pés e pernas juntos. Teve duração de 10 segundos e três tentativas11. e. Pé manco estático Com os olhos abertos, manteve-se sobre a perna direita, a outra permaneceu flexionada em ângulo reto, coxa paralela à direita e ligeiramente em abdução, braços ao longo do corpo. Fez um descanso de 30 segundos, e fez o mesmo exercício com a outra perna11. Considerou-se errado: baixar mais de três vezes a perna levantada; tocar com o outro pé no chão; saltar; elevar-se sobre a ponta do pé; balanceios. Teve duração de 10 segundos e três tentativas11. f. Equilíbrio de cócoras De cócoras, braços estendidos lateralmente, olhos fechados, calcanhares e pés 11 juntos . Considerou-se errado: cair; sentar-se sobre os calcanhares; tocar no chão com as mãos; deslizar-se; baixar os braços três vezes. Teve duração de 10 segundos e três tentativas11. g. Equilíbrio com o tronco flexionado Com os olhos abertos, mão nas costas, elevou-se sobre as pontas dos pés e flexionou o tronco em ângulo reto (pernas retas). Considerou-se errado: flexionar as pernas mais de duas 45 vezes; mover-se do lugar; tocar o chão com os calcanhares. Teve duração de 10 segundos e duas tentativas11. h. Fazer o quatro Manteve-se sobre o pé esquerdo, a planta do pé direito apoiada na face interna do joelho esquerdo, mãos fixadas nas coxas, olhos abertos. Após um descanso de 30 segundos, executou o mesmo movimento com a outra perna. Considerou-se errado: deixar cair uma perna; perder o equilíbrio; elevar-se sobre a ponta dos pés. Teve duração de 15 segundos e duas tentativas para cada perna11. i. Equilíbrio na ponta dos pés – olhos fechados Manteve-se sobre a ponta dos pés, olhos fechados, braços ao longo do corpo, pés e pernas juntas. Considerou-se errado: mover-se do lugar; tocar o chão com os calcanhares; balançar o corpo (permite-se ligeira oscilação). Teve duração de 15 segundos e três tentativas11. j. Pé manco estático – olhos fechados Com os olhos fechados, manteve-se sobre a perna direita, o joelho esquerdo flexionado em ângulo reto, coxa esquerda paralela à direita e em ligeira abdução, braços ao longo do corpo. Após de 30 segundos de descanso, repetiu o mesmo exercício com a outra perna11. Considerou-se errado: baixar mais de três vezes a perna; tocar o chão com a perna levantada; mover-se do lugar; saltar. Teve duração de 10 segundos e duas tentativas para cada perna11. 3.3.4 Esquema corporal A imagem do corpo representa uma forma de equilíbrio que, como núcleo central da personalidade, se organiza em um contexto de relações mútuas do organismo e do meio14. a. Prova de imitação dos gestos simples com os movimentos das mãos (nível 2-5) (ANEXO D). 46 A criança estava de pé diante da examinadora, imitando os movimentos de mãos e braços que a examinadora realizava; a examinadora ficou sentada próxima à criança, para poder pôr suas mãos em posição neutra entre cada um destes gestos11: b. Prova de imitação de gestos simples dos movimentos dos braços. O movimento dos braços que foi realizado com a criança está demonstrado no ANEXO E11. Pontuação: Nível 3: 7-12 acertos Nível 4: 13-16 acertos Nível 5: 17-20 acertos. c. Prova de rapidez (Nível 6-11) (ANEXO F). Material: folha de papel quadriculado com 25 X 18 quadrados (quadro de 1cm de lado), lápis preto nº 2 e cronômetro. A folha quadriculada apresentou-se em sentido longitudinal. A criança pegou o lápis, e fez um risco em cada quadrado, o mais rápido que pode. Ela fez o risco que quis, porém apenas um risco em cada quadrado11. A criança não pulou nenhum quadrado porque não poderia voltar atrás. A mesma pode pegar o lápis com a mão que preferiu11. Para a realização desta prova, a criança teve 1 minuto para realizá-la6. d. Critérios da prova: Casos os traços fossem lentos e precisos ou em forma de desenhos geométricos, repetia-se uma vez mais a prova, mostrando claramente os critérios11. Observou-se durante a prova se a criança apresentava dificuldades na coordenação motora, instabilidade, ansiedade, e sincinesias11. A pontuação foi feita através dos números de traços11. Nível Número de Traços: Nível 6: 57-73 Nível 7: 74-90 Nível 8: 91-99 Nível 9: 100-106 Nível 10: 107-114 Nível 11: 115 ou mais 47 3.3.5 Organização espacial Habilidade para avaliar com precisão a relação física entre o nosso corpo e o ambiente14 a. Tabuleiro/ Posição normal (ANEXO G). Apresento-se o tabuleiro para a criança, com a base do triângulo frente a ela11. Então, tirou as peças posicionando-as na frente de suas respectivas perfurações. A criança colocou as peças nos buracos. Teve somente duas tentativas11. b. Tabuleiro/ Posição invertida (ANEXO H). O mesmo material utilizado anteriormente, porém, retirou-se as peças e deixou-as alinhada com o vértice do triângulo posicionado para a criança. Dá uma volta no tabuleiro11. Não teve um limite de tempo. Somente, teve duas tentativas11. c. Prova dos palitos (ANEXO I). Dois palitos de diferentes comprimentos: cinco e seis centímetros. Os palitos foram colocados sobre uma mesa, que estavam paralelos e separados por 2,5cm. Então, a examinadora perguntou para a criança qual é o palito mais comprido, e ela colocou o dedo em cima do palito. Foram realizadas três provas trocando de posição os palitos. Se ela falhou em uma das três tentativas, foram feitos mais três vezes trocando as posições dos palitos. O resultado foi positivo quando a criança acertou três de três tentativas ou cinco de seis tentativas11. d. Jogo de paciência (ANEXO J) Foi colocado um retângulo de cartolina de 14cm X 10cm e em sentido longitudinal, diante da criança. Ao seu lado e um pouco mais próximo do sujeito, as duas metades do outro retângulo, cortado pela diagonal, com as hipotenusas para o exterior e separadas uns centímetros. Então, a criança pegou os retângulos e juntou - os de maneira que saísse algo parecido ao retângulo. Ela teve três tentativas em 1 minuto, sendo que o número de tentativas foi de duas, e para cada tentativa não foi ultrapassado 1 minuto11. e. Direita/Esquerda - conhecimento sobre si (ANEXO K). 48 A criança identificou em si mesma a noção de direita e esquerda. Ela11: 1. Levantou a mão direita. 2. Levantou a mão esquerda. 3. Indicou o olho direito. A examinadora não executou nenhum movimento, apenas a criança. Não houve tentativas11. f. Execução de movimentos (ANEXO L). A examinadora solicitou à criança que realizasse os movimentos, de acordo com esta seqüência a seguir: 1. Mão direita na orelha esquerda. 2. Mão esquerda no olho direito. 3. Mão direita no olho esquerdo. 4. Mão esquerda na orelha direita. 5. Mão direita no olho direito. 6. Mão esquerda na orelha esquerda. Destes seis movimentos a criança teve que acertar cinco11. g. Direita/Esquerda - reconhecimento sobre outro (anexo M). A examinadora se colocou de frente para a criança e pediu para que ela: a. Tocasse na minha mão direita. b. Tocasse na minha mão esquerda. c. Em qual mão esta a bola? h. Reprodução de movimentos - representação humana. De acordo com ANEXO F. Frente a frente, a examinadora executou alguns movimentos e a criança prestou muita atenção nos movimentos das mãos. A examinadora explicou todo o procedimento em relação as mãos, orelhas e olhos direito e esquerdo. Se a criança entendeu o teste, foi prosseguido11. Os movimentos são: 1. Mão esquerda no olho direito. 2. Mão direita na orelha direita. 3. Mão direita no olho esquerdo. 4. Mão esquerda na orelha esquerda. 5. Mão direita no olho direito. 49 6. Mão esquerda na orelha direita. 7. Mão direita na orelha esquerda. 8. Mão esquerda no olho esquerdo. A criança teve direito de acertar seis movimentos dos oito pedidos11. i. Reprodução de movimentos - figura esquematizada Frente a frente, a examinadora mostrou algumas figuras esquematizadas e a criança teve que prestar muita atenção nos desenhos e depois produzi-los. A criança realizou os mesmos movimentos executados anteriormente, mas com a mesma mão do boneco esquematizado11.Os movimentos são: 1. Mão esquerda no olho direito. 2. Mão direita na orelha direita. 3. Mão direita no olho esquerdo. 4. Mão esquerda na orelha esquerda. 5. Mão direita no olho direito. 6. Mão esquerda na orelha direita. 6. Mão direita na orelha esquerda. 8. Mão esquerda no olho esquerdo. j. Reconhecimento da posição relativa de três objetos Sentadas, frente a frente, a examinadora fez algumas perguntas para a criança que permaneceu com os braços cruzados. Foi utilizado como material: três cubos ligeiramente separados (15cm) colocados da esquerda para a direita sobre a mesa, como segue: azul, amarelo, vermelho. A examinadora perguntou: “você vê os três objetos (cubos) que estão a sua frente. Ela respondeu as perguntas que lhe fiz” 11. 1. O cubo azul está à direita ou à esquerda do vermelho? 3. O cubo azul está à direita ou à esquerda do amarelo? 3. O cubo amarelo está à direita ou à esquerda do azul? 4. O cubo amarelo está à direita ou à esquerda do vermelho? 5. O cubo vermelho está à direita ou à esquerda do amarelo? 6. O cubo vermelho está à direita ou à esquerda do azul? 50 3.3.6 Organização temporal A organização temporal inclui uma dimensão lógica duração, uma dimensão convencional e um aspecto de vivência que surge antes dos outros dois14. a. Parte I (Nível de 2-5) 1. Linguagem Estruturas temporais de linguagem expressiva e observação da linguagem espontânea11. Foi bem resolvida a prova em que à criança conseguiu repetir ao menos uma das frases sem erros11. Nível 2: Frase de duas palavras. Nível 3: A criança repetiu as seguintes frases: “Eu tenho um cachorro pequeno”. “Meu irmão é professor”. Nível 4: A criança repetiu as seguintes frases: “Vamos comprar pastéis para a Maria”. “O João gosta de caminhar”. Nível 5: A criança repetiu as seguintes frases: “Paulo vai construir um castelo de areia”. “Luiz se diverte jogando futebol com seu amigo” 11. b. Parte II (Nível 6-11) 1. Estrutura espaço-temporal Reprodução para meio de golpes – Estruturas corporais A examinadora e a criança estavam sentadas frente a frente, com um lápis na mão de cada uma. Então, a criança escutou com atenção os diferentes sons, e com o lápis repetiu-os. O tempo curto foi em torno de ¼ de segundo (00), dado como lápis sobre a mesa, e o tempo longo 51 em torno de 1 segundo (0 0 0), dado com o lápis sobre a mesa. A examinadora deu golpes da primeira estrutura da prova e a criança repetiu os mesmos. A examinadora golpeou outras estruturas e a criança continuou repetindo. Enquanto os tempos curtos e longos foram reproduzidos corretamente. Os movimentos (golpes com um lápis) não foram vistos pela criança. Foram realizados ensaios no caso de que se a criança falha-se, nova demonstração e novo ensaio. Foi parado definitivamente quando a criança cometeu três erros consecutivos. Estes períodos de tempo foram difíceis de apreciar, mas o que importou foi à sucessão foi correta11 2. Simbolização (desenho) de estruturas espaciais As estruturas espaciais foram representadas com círculos (diâmetro de três centímetros) colocados em um cartão. Então, a criança desenhou umas esferas em um papel com um lápis, de acordo com as figuras mostradas11. A prova foi parada se a criança falhasse duas estruturas sucessivas11. 3. Simbolização de estruturas temporais - Leitura – reprodução por meio de golpes As estruturas simbolizadas foram representadas exatamente da mesma maneira que as estruturas espaciais11. Parou-se quando houve falha em duas estruturas sucessivas11. 4. Transcrição de estruturas temporais – ditado A examinadora deu os golpes com o lápis e a criança desenhou-os11. Foram parados após dois erros sucessivos11. c. Resultados Em todos os testes de organização temporal foram observados a mão utilizada, o sentido das circunferências e compreensão do simbolismo (com ou sem explicação)11. Pontuação: Nível Pontos Nível 6: 6-13 acertos Nível 7: 14-18 acertos Nível 8: 19-23 acertos Nível 9: 24-26 acertos Nível 10: 27-31 acertos Nível 11: 32-40 acertos 52 3.3.7 Lateralidade É suporte da intencionalidade, se desenvolve de forma fundamental no momento da atividade de investigação14 a. Lateralidade das mãos (ANEXO N). A criança estava em pé, sem nenhum objeto ao alcance de sua mão. “Foi demonstrado como realizar tal movimento”, nos quais foram:. 1) Lançar uma bola com a mão direita 2) Utilizar um objeto (tesoura, pente, escova dental,...) 3) Escrever, pintar, desenhar, etc11. b. Lateralidade dos olhos (ANEXO O). Com um cartão furado – de dimensão 15 cm x 25 cm com um furo no centro de 0,5 cm (de diâmetro). – “fez-se com que a criança fixasse bem o seu olhar no cartão, onde havia um furo, e olhasse por ele, aproximando-o lentamente de seu rosto”. Realizou-se primeiro como demonstração e solicitou-se que a criança fizesse o mesmo depois (ANEXO H)11. Com um telescópio fez-se o mesmo procedimento, porém solicitando que a criança visualizasse um objeto11. c. Lateralidade dos pés (ANEXO P). A criança segurou com uma das mãos uma bola, soltando-a e procedendo com um chute sem deixá-la tocar no chão. A criança teve duas tentativas, após a demonstração (anexo I)11. 3.3.8 Definição dos termos • Prova motora: é a prova correspondente a uma idade motora específica (motricidade fina, equilíbrio, etc.)11. 53 • Idade motora (IM): é o procedimento aritmético para pontuar e avaliar os resultados 11 dos testes . • Idade cronológica (IC): obteve-se através da data de nascimento da criança dada em anos, meses e dias. Logo, transforma-se essa idade em meses11. • Idade motora geral (IMG): obteve-se através da soma dos resultados obtidos nas provas motoras, expresso em meses. Os resultados positivos obtidos nos testes são representados pelo símbolo (1); os valores negativos (0); os valores parcialmente positivos são representados pelo símbolo (1/2)11. IMG = IM1 + IM2 + IM3 + IM4 + IM5 + IM6 6 • Idade negativa ou positiva (IN / IP): é a diferença entre a idade motora geral e a idade cronológica. Os valores são positivos quando a idade motora geral apresentar valores numéricos superiores à idade cronológica, geralmente expressa em meses. Os valores são negativos quando a idade motora geral apresentar valores numéricos inferiores à idade cronológica, geralmente expressa em meses11. • Idade motora 1 (IM1): foi obtida através da soma dos valores positivos alcançados nos testes de motricidade fina - expressa em meses11. • Idade motora 2 (IM2): foi obtida através da soma dos valores positivos alcançados nos testes de coordenação global - expressa em meses11. • Idade motora 3 (IM3): foi obtida através da soma dos valores positivos alcançados nos testes de equilíbrio - expressa em meses11. • Idade motora 4 (IM4): foi obtida através da soma dos valores positivos alcançados nos testes de esquema corporal (controle do próprio corpo erapidez) - expressa em meses11. • Idade motora 5 (IM5): foi obtida através da soma dos valores positivos alcançados nas provas de organização espacial - expressa em meses11. • Idade motora 6 (IM6): foi obtida através da soma dos valores positivos alcançados nos testes de organização temporal (linguagem e estruturação espaço temporal) - expressa em meses11. • Quociente motor geral (QMG): foi obtida através da divisão entre a idade geral e idade cronológica multiplicado por 10011. 54 QMC = IMG . 100 IC • Quociente motor 1 (QM1): foi obtido através da divisão entre a idade motora 1 e idade cronológica. O resultado foi multiplicado por 10011. • Quociente motor 2 (QM2): foi obtido através da divisão entre a idade motora 2 e idade cronológica. O resultado foi multiplicado por 10011. • Quociente motor 3 (QM3): foi obtido através da divisão entre a idade motora 3 e idade cronológica. O resultado foi multiplicado por 10011. • Quociente motor 4 (QM4): foi obtido através da divisão entre a idade motora 4 e idade cronológica. O resultado foi multiplicado por 10011. • Quociente motor 5 (QM5): foi obtido através da divisão entre a idade motora 5 e idade cronológica. O resultado foi multiplicado por 10011. • Quociente motor 6 (QM6): foi obtido através da divisão entre a idade motora 6 e idade cronológica. O resultado foi multiplicado por 10011. 3.4 PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE DADOS Os procedimentos utilizados para coleta de dados foi primeiramente entrar em contato com a instituição citada na pesquisa, colocando de maneira clara e objetiva o trabalho que foi realizado com as crianças, desta forma pedindo autorização para realizá-la. O responsável da instituição assinou um termo de acordo, e os responsáveis pelas crianças assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO B). Foi utilizada a folha de resposta, que conforme Rosa Neto (2002) está formatada para facilitar o registro dos resultados e dos apontamentos sobre o sujeito durante as provas. Esta folha conta com os seguintes dados: a. Identificação da criança; b. Data do Exame; c. Resultados; d. Resumo de pontos; 55 e. Perfil Motor11. 3.5– POPULAÇÃO/AMOSTRA A amostra desta pesquisa foi de 14 crianças, mais devido aos critérios de inclusão foram permitidas somente crianças devidamente matriculadas na APAE de Imbituba-SC; ter idade cronológica entre 2 e 11 anos, de ambos os gêneros e como critérios de exclusão, não foram permitidas crianças que apresentaram deficiência física grave que limitassem a aplicação da escala de desenvolvimento motor, com isso, a amostra foi composta por 7 crianças. 3.6 PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DE DADOS Para a execução do trabalho estatístico, foi utilizado o software da ESCALA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR, com o intuito de avaliar a variação dos padrões motores dos grupos pertencentes à amostra, sendo empregado à estatística descritiva. A discussão dos dados foi feita através dos dados obtidos dos testes aplicados. Os resultados obtidos para uma melhor visualização, interpretação e entendimento do estudo foram dispostos em forma de tabela e gráficos utilizando o Microsoft Office Excel e Word 2002. 3.7 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA A Comissão de Ética em Pesquisa (CEP) da UNISUL aprovou esta pesquisa com o registro (código): 10.018.4.08. III. 56 Esta pesquisa foi realizada com seres humanos por isso foi preservado o princípio bioéticos fundamental do Respeito ao Indivíduo (Autonomia), da Beneficência (incluindo a Não Maleficência) e da Justiça. A criteriosa avaliação da relação risco/benefício teve como base o princípio da beneficência, sem nenhum risco aos indivíduos que foram pesquisados. Este estudo protegeu a privacidade das crianças, objetos da pesquisa, protegendo os seus direitos e bem estar; contou com o consentimento da instituição e dos responsáveis pelas crianças, após receber uma explicação clara e completa sobre o tema da pesquisa, de tal forma que pode compreender seus benefícios; teve a garantia de receber resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento a qualquer dúvida acerca dos procedimentos, e outros relacionados com a pesquisa. O termo de consentimento é um documento legal, assinado pelo participante da pesquisa ou pelo seu representante legal, cuja finalidade foi proteger o participante, assim como o pesquisador e a instituição. O participante assinou o termo de consentimento depois de ter entendimento do processo sem qualquer tipo de coerção. Como garantia de que os direitos e o bem estar dos participantes estavam assegurados, a resolução 196/ 96 do Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, exige que toda instituição em que se faz pesquisa em seres humanos, no Brasil, tenha um comitê em ética e pesquisa para examinar cada pesquisa desde a faze do planejamento6 57 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS Sabemos que o perfil motor pode ser definido a partir dos seguintes aspectos: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial, organização temporal e lateralidade. Mas, apesar da inquestionável relevância e importância dessa área de conhecimento e da extensa literatura a respeito de populações normais, existem poucos estudos relativos à população portadora de necessidades especiais. Esta pesquisa tratou de analisar o perfil motor das crianças da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Imbituba - SC, suas habilidades motoras, e as deficiências motoras existentes. Neste capitulo serão apresentados os resultados obtidos no estudo, através dos dados coletados e serão demonstrados em tabela e gráficos com respectiva discussão. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA A amostra estudada refere-se a grupos específicos de crianças com idade entre 2 e 11 anos matriculadas na APAE de Imbituba – SC. Os participantes do estudo foram compostos por 4 do gênero feminino e 3 do gênero masculino, em relação aos tipos de necessidades especiais apresentavam síndrome de down, atraso de desenvolvimento, autista, deficiência mental moderada e síndrome de bubinstein. Segundo um estudo que analisou o perfil motor dos praticantes de equoterapia matriculados na APAE de Tubarão - SC. o desenvolvimento motor não se deve apenas à maturação neurológica, mas também a um sistema auto-organizado e que para a abordagem desenvolvimentista, deve-se proporcionar a criança condições para que seu comportamento motor seja desenvolvido, oferecendo experiências de movimentos adequadas às faixas etárias25. Esta pesquisa, contudo, apresentou uma prevalência do gênero feminino. 58 Tabela 1 – Perfil dos participantes VARIÁVEIS SEXO Feminino Masculino IDADE EM ANOS De 4 a 5 De 6 a 7 De 8 a 9 De 10 a 11 TIPO DE PATOLOGIA Síndrome de Down Atraso de desenvolvimento Autista Deficiência mental moderada Síndrome de Bubinstein N 4 3 1 2 2 2 3 1 1 1 1 Fonte: Pesquisa realizada pelo autor, 2010. 4.2 PERFIL MOTOR Considerando os testes motores realizados com a EDM (Rosa Neto,2002), no qual foi utilizado para verificar o perfil motor das crianças entre 2 e 11 anos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Imbituba – SC, as habilidades motoras e a área em que apresentavam maior déficit. Sendo estas as áreas: motricidade Fina (IM1), motricidade global (IM2), equilíbrio (IM3), esquema corporal (IM4), organização espacial (IM5), organização temporal (IM6), dividida por 6 (número exato das variáveis), bem como o quociente motor geral (QMG), que é obtido pela divisão da idade motora geral (IMG) e pela idade cronológica (IC), multiplicado por 100. O QMG está subdividido exatamente 6 áreas (QM1, QM2, QM3, QM4, QM5, QM6); que correspondem as mesmas áreas da subdivisão da IMG. Sendo que os testes foram feitos na mesma sequência. A classificação geral do perfil motor apresentados pela amostra, segundo EDM, está apresentada no gráfico 1. 59 Gráfico 1 – Classificação geral do perfil motor Fonte: Pesquisa realizada pelo autor, 2010. A análise geral indicada no gráfico demonstra uma distribuição que classifica o perfil motor da amostra, segundo EDM, em normal médio(100%). Uma pesquisa demonstrou que crianças ao apresentarem deficiência cognitiva costumam ter problemas ou revelarem-se lentos com relação às etapas do desenvolvimento motor e destreza na realização dos movimentos26. Outro estudo comprovou que com o avanço da idade, as proporções corporais mudam, requerendo reorganização de todo o sistema, influenciando o desenvolvimento das habilidades motoras e do comportamento motor, além dos fatores de crescimento e maturação, a experiência também contribui no processo de desenvolvimento25. O mesmo estudo ainda revela que a exploração do ambiente e das próprias potencialidades da criança geram experiências, que podem afetar o índice de aparecimento de certos padrões de comportamento, privilegiando mais um componente da motricidade do que outro, como visto neste trabalho, pois as crianças apresentaram habilidades em certos componentes e deficiências em outros25. A aquisição de uma determinada habilidade motora e seu refinamento são específicos do contexto no qual esse processo ocorre. Para que essas habilidades sejam desenvolvidas, é necessário que se dê à criança oportunidades de desempenhálas3. 60 Porém achados literários comprovam que o crescimento e o desenvolvimento da criança são determinados por cinco fatores: genéticos, endócrinos, nervosos, ambienteis e nutricionais, os quais adequadamente relacionados entre si, permitem que ela realize funções cada vez mais complexas. O desequilíbrio entre esses fatores afeta o crescimento e o desenvolvimento da criança11. Comparando com um estudo fica claro que o conjunto de atividades desempenhadas diariamente pelas crianças, como o contato com outras crianças, estímulos oferecidos pelos pais ou familiares, tempo ocioso sem estimulação, entre outros, podem ter contribuído de forma positiva ou negativa na construção do desenvolvimento motor27. Pode-se, afirmar que os resultados do estudo quanto ao perfil motor são compatíveis com o que nos diz as bases literárias localizadas. No gráfico 2 apresenta-se uma comparação dos índices de idades cronológicas e motoras geral da amostra desta pesquisa, as crianças avaliadas para um melhor entendimento foram classificadas através de letras, seguindo uma sequência. Gráfico 2 Comparação dos índices de idades cronológicas e motoras. 140 Idade em Meses 120 100 80 Idade Cronológica Idade Motora 60 40 20 0 A B C D E F G Fonte: Pesquisa realizada pelo autor, 2010. Comparando-se os dados encontrados no gráfico 2 observa-se que a amostra apresenta idade motora normal média, em comparação à idade cronológica. A condição “normal média” não demonstra atraso, mas sim um sinal de alerta que indica que um segmento e estimulação deverá ser superado ou mantido. 61 Este resultado corrobora com a afirmação de que nos anos iniciais da infância ocorrem mudanças substanciais no comportamento motor a cada ano, sendo que o repertório motor torna-se cada vez mais diversificado à medida que a idade aumenta. Estes resultados demonstram como já citado no estudo a forma dinâmica como o desenvolvimento motor ocorre, esta dinâmica pode também explicar a não linearidade no desenvolvimento, que foi observada em todos os elementos da motricidade3. Porém, de acordo com um estudo que verificou o perfil do desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com idade entre zero e um ano matriculadas nas creches públicas da rede municipal de educação de Presidente Prudente, há que se refletir sobre a importância desses resultados, pois nenhum estágio ou aquisição é dispensável, já que o desenvolvimento ocorre numa seqüência de transformações. Assim, cada etapa adquirida em determinado momento é consequência de todas as anteriormente obtidas e será a preparação e a base para as etapas subsequente, pois a criança gradativamente vai deixando a passividade e tornando-se mais ativa nestes processos, por isso, muitas atividades têm importância para ela, tais como: comer, dormir, tomar banho, vestir, despir, mexer, engatinhar, correr, cair, levantar, pegar, chorar, gritar, chupar. É assim que a criança vai realizando seu aprendizado, construindo seu eu, desenvolvendo seu corpo e apropriando-se da sua cultura28. Como podemos perceber neste estudo os processos em relação ao desenvolvimento são influenciados pelo grau de ajuda, de treinamento e de orientação que são dispensados à criança a partir do seu nascimento. Agindo sobre o real, manipulando os objetos que a criança tem, a oportunidade de exercitar a sua cognição, sendo que, quanto mais se ampliam as possibilidades motoras, mais apta estará a explorar desafios e resolver os problemas, o que irá, certamente, favorecer o seu desenvolvimento.As experiências motoras que iniciam na infância são de fundamental importância, visto que os movimentos e ações fornecem o principal meio pelo qual a criança explora, relaciona e controla o seu ambiente26. Dessa forma, entender a relação entre a idade da criança com a fase e característica motora pelas quais passam, constitui-se para um melhor acompanhamento do desenvolvimento motor29. Esta pesquisa ainda revela as habilidades e deficiências motoras encontradas, sendo a variável “motricidade global” a que as crianças se saíram melhor, pois o movimento motor global, seja ele mais simples, é um movimento sinestésico, tátil, labiríntico, visual, espacial, 62 temporal, e assim por diante. Desempenham um importante papel na melhora dos comandos nervosos e no afinamento das sensações e das percepções11. As variáveis “esquema corporal e organização temporal” foram as quais as crianças tiveram maior dificuldade em realizar, certamente isso ocorreu, pois o processo que forma o esquema corporal desenvolve-se lentamente na criança e é completado normalmente nos 12 anos de idade11. A organização temporal inclui uma dimensão lógica de conhecimento da ordem e da duração, acontecimentos que se sucedem com intervalos, uma dimensão convencional (sistema convencional de referências, horas, dias, semanas, meses e anos), neste aspecto as crianças não foram capazes de expressar-se de forma espontânea, e algumas não tinham consciência das estruturas espaciais que eram a ser representadas11. Na “organização espacial” apresentaram apenas dificuldades no entendimento das atividades provavelmente porque nesse teste as crianças precisam de uma boa noção de lateralidade (“direita” e “esquerda”) e foi possível perceber que durante a avaliação houve confusão ao identificar o seu braço direito ou o esquerdo. 63 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através desta pesquisa foi possível observar que as crianças matriculadas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Imbituba – SC apresentam o perfil motor como normal médio em todas as áreas avaliadas, sendo motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização temporal e linguagem. A pesquisa ainda revela as habilidades e deficiências motoras encontradas, onde a “motricidade global” os pesquisados obtiveram melhores resultados e as áreas “esquema corporal e organização temporal” percebeu-se maior dificuldade em realizar as atividades, e algumas não foram capazes de expressar-se de forma espontânea e nem tinham consciência das estruturas espaciais que eram pra ser representada. Na “organização espacial” apresentaram apenas dificuldades no entendimento das atividades provavelmente porque nesse teste as crianças precisam de uma boa noção de lateralidade (“direita” e “esquerda”) e foi possível perceber que durante a avaliação houve confusão ao identificar o seu braço direito ou o esquerdo. Pode-se então afirmar que as habilidades motoras de uma criança estão diretamente ligadas com o refinamento de seu corpo, e com o meio em qual convivem, podendo trazer resultados favoráveis ou não. Por isso torna-se importante o conhecimento do desenvolvimento de uma criança, para saber seus limites e ajudar no seu crescimento individual, contribuindo então para o seu desenvolvimento. Esta pesquisa deixa claro que é importante a presença de um fisioterapeuta na APAE, pois desta forma irá detectar possíveis problemas de ordem motora, intervindo de maneira benéfica ao aprimoramento de habilidades motoras, além de poder contribuir para o processo de desenvolvimento global das crianças. Considerando a observação dos padrões motores das crianças com deficiência mental, contribuindo de forma preventiva e reabilitadora, otimizando as habilidades motoras e minimizando as deficiências. Acredito que através deste conhecimento, pode ser feito um planejamento para contribuir com o desenvolvimento motor destas crianças, bem como, deve-se realizar mais pesquisas na área. 64 REFERÊNCIAS 1 Willrich A, Azevedo CCF, Fernandes JO. Desenvolvimento motor na infância: influência dos fatores de risco e programas de intervenção. Rev. Neurocienc. [Internet] 2008. [citado 2010 Ago 16]; Disponível em: http://www.revistaneurociencia.com.br/edições/2009/RN%202009%/226% 20.pdf 2 Gallahue DL. Compreendendo o desenvolvimento. 3º ed. São Paulo: Phorte; 2005. 3 Caetano MJD, Silveira CRA, Teresa L, Gobbi B. Desenvolvimento motor de pré-escolares no intervalo de 13 meses. Rev. Bras. Cineantropom. Desempenho. Hum. [Internet] 2005;7(2):05-13. [citado 2009 Out 6]; Disponível em: http://www.journal.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view Article/3791 4 Arruda FMK, Silva EAA. Desenvolvimento Motor na Educação Infantil através da ludicidade. [Dissertação]. Varzea Grande: Centro Universitário – Univag.[Internet] 2010. [citado 2010 Ago 16]; Disponível em: //www.univag.com.br/adm_univag/Modulos/Connectionline/Downloads/04 ___Desenvolvimento_Motor_....pdf 5 Teckilin JS. Fisioterapia pediátrica. 3º ed. Porto Alegre: Artmed; 2002. 6 Gil AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 4º ed. São Paulo, Atlas: 2007. 7 Vieira S, Hossne, WS. Metodologia científica para a área da saúde. 2ª ed. Rio de Janeiro, Campus: 2002. 8 Papalia DE. Desenvolvimento humano. 7º ed. Porto Alegre: Artmed; 2000. 9 Gallahue DL. Compreendendo o desenvolvimento. 3º ed. São Paulo: Phorte; 2003. 10 Andrade VMA, Panta MASP, Santos WFS, Santos CFS, Coelho BTC, Marques IM. Comparação do desempenho de habilidades locomotoras e manipulativas em crianças de 7 e 8 anos de idade, de acordo com o gênero [III Congresso Brasileiro de Comportamento Motor]. Rio Claro. [Internet] 2004. [citado 2009 Out 6]; Disponível em: http://www2.uel.br/grupo-pesquisa/ gepedam/Documentos%20para%20download/Rio%20Claro%20-%20Comportamento%20Motor/ TGMD_Vanessa_RioClaro.pdf 65 11 Santos CFZ. Estudo comparativo do desenvolvimento neuropsicomotor e perfil psicossocial de crianças pré-escolares entre 03 e 05 anos de idade dos centros educacionais infantis Mickeylândia e Pirulito de Termas do Gravatal-SC. [Trabalho de conclusão de curso]. Tubarão: Universidade do Sul de Santa Catarina (SC); 2006. [citado 2009 Nov 10]; Disponível em: http:// www.fisio-tb.unisul.br/Tccs/06b/cristiane/tcccristiane.pdf. 12 Bee Hellen. A criança em desenvolvimento. 7º ed. Porto Alegre: Artmed: 1996. 13 Paim MCC. Desenvolvimento motor de crianças pré - escolares entre 5 e 6 anos. Rev. Dgital – Buenos Aires. [Internet] 2003.[ citado 2010 Ago 16]; Disponível em: http://www.aquabarra.com. br/artigos/adaptacao/desenvolvimento_motor_de_criancas.pdf 14 Rosa Neto, F. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed, 2002. 15 Magill RA. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. 5º ed. São Paulo: Edgard Blucher; 2000. 16 Papalia DE. Desenvolvimento humano. 7º ed. Porto Alegre: Artmed; 2000. 17 Sabbag S, Cardoso FL, Silveira RA, Costa TP.Percepção dos estereótipos de Gênero na Avaliação Desenvolvimento Motor de Meninos e Meninas. [tese]. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina (SC). [Internet] 2008. [citado 2010 Set 14]; Disponível em: http://www. tede.udesc.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1302 18 Gorla JI.Avaliação motora em educação física adaptada. São Paulo: Phorte; 2007. 19 Faria AM. Lateralidade: Implicações no desenvolvimento infantil. 2º ed. Rio de Janeiro: Sprint; 2004 20 Maia ABG, Santos CS. Educação física escolar e a inclusão dos alunos com deficiência motora na cidade de Itumbiara – GO [I Simpósio de Educação Física da universidade Federal de Goiás Campus Catalão]. [Internet] 2005. [citado 2009 Nov 20]; Disponível em: http://www. catalao.ufg.br/edfisica/cd/anais_gtts/gtt9/educa%c3%87%c3%83o%20f%c3%8dsica%20escolar %20e%20a%20inclus%c3%83o%20dos%20alunos%20com%20defici%c3%8ancia%20motora% 20na%20cidade%20de%20itumbiara.pdf 66 21 Projeto voluntários vale. Deficiência. [Internet] [citado 2009 Out 6 ]; Disponível em: http://voluntariosvale.org.br/blogs/62818/posts/3050 22 Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. Histórico da APAE. Imbituba. 2009. 23 Rauen FJ. Roteiros de investigação cientifica. Tubarão, Unisul:2002. 24 Vieira S, Hossne, WS. Metodologia cietífica para a área da saúde. 2º ed. Rio de Janeiro, Campus; 2002. 25 Lopes GB, Farjalla R. Desenvolvimento motor de crianças pré-escolares de escolas pública e privada de Petrópolis. Rev. Min. Educ. Fís. [Internet] 2009;17(1): 38-49. [citado 2010 Ago 28]; Disponível em: http://www.revistamineiraefi.ufv.br/artigos/arquivos/0d7dc74785e594a42bca1e6 2d32f100e.pdf 26 David R, Medeiros FD. Perfil motor dos praticantes de equoterapia matriculados na APAE de Tubarão - S.C. [Trabalho de conclusão de curso]. Tubarão: Universidade do Sul de Santa Catarina (SC). [Internet] 2004. [citado 2009 Out 6]; Disponível em http://www.fisio-tb.unisul.br /Tccs/04a/rodrigo/artigorodrigodavid.pdf 27 Tinti D, Treis EM, Souza FE, Denti G, Albiero JFG Influência da psicomotricidade no aprimoramento motor de crianças integrantes do SAEDE/APAE de Blumenau XIII Congresso Estadual das APAEs. 28 a 30/mar. Blumenau. [Internet] 2010. [citado 2010 Out 19]; Disponível em: http://www.tecnoevento.com.br/eve9/arq/influencia%20da%20psicomotricidade%20no%20 aprimoramento%20motor%20de%20criancas%20integrantes%20do%20saede%20apae%20de%2 0blumenau.pdf 28 Mastroianni ECQ, Bofi TC, Carvalho AC, Saita LS, Cruz MLS. Perfil do desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com idade entre zero e um ano matriculadas nas creches públicas da rede municipal de educação de Presidente Prudente. Rev. Ibero-Americana de Estudos em Educação. [Internet] 2007; 2 (1). [citado 2010 Fev 24]. Disponível em: http://www.unesp.br/ prograd/PDFNE2005/artigos/capitulo%201/perfildodesenvolvimentomotor.pdf. 29 Venzke PR, Assis AES. Educação Física infantil: conhecendo o desenvolvimento motor. [Trabalho de conclusão de curso]. Canoas: Universidade Luterana do Brasil – ULBRA. [Internet] 2009. [citado 2010 Ago 28]. Disponível em: http://guaiba.ulbra.tche.br/pesquisas/2009/artigos/ edfis/salao/574.pdf. 67 ANEXOS 68 ANEXO A – Ficha de avaliação da EDM 69 ESCALA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR (Rosa Neto, 1998). Nome Nascimento Outros Dados Sobrenome Exame Sexo Idade RESULTADOS TESTES/ANOS 1. 2. 3. 4. 5. 6. 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Motricidade fina Motricidade global Equilíbrio Esquema corporal / Rapidez Organização espacial Linguagem / Organização temporal RESUMO DE PONTOS Idade Motora Geral (IMG) Idade Cronológica (IC) Quociente Motor Geral (QMG) PERFIL MOTOR 11 anos · 10 anos · 09 anos · 08 anos · 07 anos · 06 anos · 05 anos · 04 anos · 03 anos · 02 anos · Idade Motricidade Cronológica Fina Idade Positiva (+) Idade Negativa (-) Escala de desenvolvimento · · · · · · · · · · Motricidade Global · · · · · · · · · · Equilíbrio · · · · · · · · · · Esquema Corporal · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · Organização Organização Espacial Temporal 70 ANEXO B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) 71 UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA – UNISUL COMISSÃO ÉTICA EM PESQUISA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE TÍTULO DO PROJETO: Perfil Motor das crianças entre 2 e 11 anos matriculadas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Imbituba-SC. OBJETIVOS E FINALIDADES DO PROJETO: O objetivo deste projeto é analisar e descrever as habilidades e as deficiências motoras nas crianças de 2 a 11 anos matriculadas na APAE de Imbituba - SC. RESPONSÁVEIS PELO PROJETO: Acadêmica: Larissa Silva Pereira– 0XX(48) 88545150/ e-mail: [email protected] Profª orientadora: Fabiana Durante de Medeiros – 0XX(48) 99065383/e-mail: [email protected] ESCLARECIMENTOS AO VOLUNTÁRIO: • Primeiramente o voluntário será submetido a uma avaliação, em seguida serão realizados testes em sala silenciosa e iluminada de maneira individual, onde a criança ficara com sua roupa normal tirando apenas aquelas vestimentas que podem dificultar os movimentos. O tempo estimado para a aplicação dos testes é, aproximadamente, de 30 a 40 minutos, podendo alcançar, às vezes 60 minutos, devido as dificuldade individuais; • O voluntário que participar deste estudo não será submetido a nenhum procedimento invasivo, doloroso ou que a exponha a qualquer tipo de risco biológico. Contudo, poderá contribuir com os avanços da pesquisa científica; • O período de participação será de maio a junho de 2010; • O voluntário ficará assegurado quanto ao direito de recusar a responder ou participar da avaliação fisioterapêutica, sem dar maiores explicações justificativas a pesquisadora; 72 • O voluntário ficará assegurado de que os dados coletados serão utilizados apenas para essa pesquisa, sendo que os nomes e as informações obtidas não serão divulgados, e apenas os pesquisadores terão acesso às informações colhidas; • O voluntário não deverá receber nenhum valor em direito e nem deverá ter qualquer despesa para participar do estudo, sendo este caráter totalmente gratuito. CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu, ________________________________________________________________________, abaixo assinado, responsável por________________________________________________________________, com número de RG:____________________ e CPF:______________________, concordo com de______________________________________________________________________. informado (a) e esclarecido (a) pelo (s) a Fui participação devidamente pesquisador (es) ______________________________________________________________ sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer penalidade ou interrupção de meu acompanhamento/ assistência/tratamento. Local e data: _______________________________________________________________. Nome e Assinatura do sujeito ou responsável:___________________________________________. IDENTIFICAÇÃO DOS PESQUISADORES Acadêmica: Larissa Silva Pereira– 0XX(48) 88545150/ e-mail: [email protected] Profª Orientadora: Fabiana Durante de Medeiros – 0XX(48) 99065383/e-mail: [email protected] Imbituba, ___ de ________________ de 2010. 73 ANEXO C – Labirinto 74 75 ANEXO D – Prova de imitação de gestos simples/Mãos 76 77 ANEXO E – Prova de imitação de gestos simples/braços 78 79 ANEXO F – Prova de rapidez 80 81 ANEXO G – Prova de organização espacial/Tabuleiro posição normal 82 83 ANEXO H – Prova de organização espacial/Tabuleiro posição invertida 84 85 ANEXO I – Prova dos palitos 86 87 ANEXO J – Jogo de paciência 88 89 ANEXO K – Direita e Esquerda/Conhecimento sobre si 90 91 ANEXO L – Execução de Movimentos 92 93 ANEXO M – Direita e esquerda/Reconhecimento sobre o outro 94 95 ANEXO N– Lateralidade das mãos 96 97 ANEXO O– Lateralidade dos olhos 98 99 ANEXO P– Lateralidade dos pés 100