A inserção internacional do Brasil e o papel das associações de empresas exportadoras Christian Lohbauer This article analyses the growing importance of Brazilian exporters associations, highlighting the agribusiness entities, in view of the international demands that occupied the Brazilian agenda since the mid-nineties. The economic opening process that took place at the beginning of the nineties created, defined and redefined the profile and role of these associations. They had to deal with a new agenda that included the negotiation of free trade agreements, the need to face the “Brazil Cost” and the urgency to better understand external markets. The article demonstrates that in the last decade, the first of the 21st century, the overlapping of the external and commercial policies, the outdated behavior of state institutions and the diversification and sophistication of sectoral agendas empowered these associations as key institutions to deal with structural, technical and political challenges of the Brazilian international agenda. Liberalização comercial dos anos 1990 Há cerca de vinte anos era pequeno o número de entidades representativas dos setores exportadores brasileiros.1 Menores ainda eram sua importância e influência na política comercial brasileira. O Brasil havia crescido e se desenvolvido desde os anos 1930 sob o regime de substituição de importações e qualquer que fosse a atividade exportadora, reduzida a uma dezena de produtos, tinha sua política comercial coordenada exclusivamente por instituições do Estado brasileiro. A década de 1990 não foi apenas marcada pelo fim do conflito de concepções da Guerra Fria. Foi também, e essencialmente, a década que marcou a interdependência econômica internacional. Uma nova lógica de funcionamento nas cadeias produtivas exigiu forte aceleração na troca de mercadorias e serviços em busca de 69 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 69 VOL 19 N o 2 plataformas de produção com custos mais baixos. A falência do modelo econômico de controle estatal em boa parte do mundo provocou também o necessário afastamento das estruturas controladoras do comércio em países do bloco capitalista ocidental como no caso do Brasil. Ironicamente, em 1988, o Brasil acabara de concluir uma reforma constitucional que construíra um documento de formatação antiquada considerando que, um ano depois, desabou o Muro de Berlim e o mundo entrou em uma nova era de liberalização econômica e enriquecimento. O Brasil não tinha como se esquiChristian Lohbauer é doutor em Ciência Política pela USP e membro do Gacint/USP desde 1999. Foi gerente de Relações Internacionais da FIESP (2002-05) e diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos – ABEF (2006-09). O estudo contou com o auxílio de Letícia Caritá, graduanda em Relações Internacionais na USP, que contribuiu na pesquisa de dados. SET/OUT/NOV 2010 13/09/10 15:05 ARTIGOS var da mudança e das pressões interna e externa de liberalização comercial. No entanto, lidou com o tema da abertura comercial de forma desastrada. Fernando Collor de Mello foi eleito para a Presidência da República e teve de governar um país que enfrentava desafios muito além de sua capacidade pessoal, além da força de seu pequeno partido político e além da força avassaladora das transformações da época. Uma entre as várias ações de impacto de seu governo, realizadas sem reflexão e embasamento técnico e desprovidas de senso histórico, foi a controversa liberalização do comércio exterior brasileiro. Os impactos desta liberalização comercial instantânea não foram os únicos a marcar a transformação do ambiente econômico. Até o final do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, o Brasil continuou o processo de abertura de sua economia, realizou um plano de estabilização monetária com sucesso e concluiu significativo programa de privatizações. A necessária orientação para uma inserção internacional competitiva passou a fazer parte dos objetivos empresariais, das ações de agentes governamentais e entrou na pauta permanente dos órgãos formadores de opinião. A agenda empresarial foi obrigada a colocar o tema da liberalização comercial no topo de suas prioridades. A radical exposição à concorrência estrangeira em função da redução drástica de mecanismos de proteção provocou um irreversível e custoso ajuste estrutural. Uma série de temas de interesse coletivo se acumulou na agenda empresarial. Em um curto período entre 1991 e 1996, o empresariado precisou lidar com uma inflação de três dígitos por mês, surtos de importação, ausência de crédito, um plano ambicioso 70 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 70 de estabilização monetária, câmbio valorizado, a criação do Mercosul, o lançamento das negociações da Área de Livre Comércio das Américas, a conclusão da Rodada Uruguai da OMC e o início de outros processos de negociação comercial. Tornou-se necessário buscar entidades coletivas e fortalecê-las para tratar de temas de interesse coletivo. E se não as houvesse seria necessário criá-las. Por estarem distantes da tradição e do espírito brasileiro de agir, entidades associativas de representação privada e voluntária nunca foram fortes no Brasil. O espírito coletivo nunca foi uma característica, tampouco uma qualidade da sociedade brasileira em geral, e do empresário brasileiro em particular. Durante décadas a empresa brasileira pôde se desenvolver sob a proteção do Estado e, sem nenhum demérito, usufruir de um pujante mercado consumidor que, nos anos 1970, veio a ser um mercado de porte, que se sofisticou e se tornou cobiçado. Multinacionais que quisessem também usufruir de tal potencial de consumo tiveram de se estabelecer no país. No entanto, a agenda internacional atropelou o modelo tradicional e os setores que conseguiram se adaptar e enfrentar os desafios dos anos 1990 sem fechar suas portas ou tornarem-se propriedade do capital internacional, contribuíram para constituir entidades representativas de interesse coletivo. Os desafios da agenda comercial internacional e as formulações das políticas comerciais tornaram necessária uma aproximação e um acompanhamento permanente e cooperativo com as entidades governamentais, em particular junto aos Ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento Indústria e Comércio e da CAMEX, da Agricultura e, em menor intensidade, com o Ministério da Fazenda. POLÍTICA EXTERNA 13/09/10 15:05 A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES DE EMPRESAS EXPORTADORAS Fortalecimento de entidades de representação empresarial Se dos anos 1930 até 1964 o empresariado esteve sempre muito próximo das instâncias decisórias do governo federal, no período militar e na transição democrática suas ações se deram cada vez mais de forma setorial. O aumento da complexidade da produção e da exportação brasileiras obrigou a formação das primeiras entidades setoriais que ganharam importância e se posicionaram junto às instâncias oficiais para defender seus interesses. Ainda assim, a década de 1980 foi um tempo de mercado protegido para a indústria brasileira, e na agricultura, com exceção do café, todo o potencial agroexportador estava apenas começando a decolar. Tanto nas negociações da ALADI quanto na criação do Mercosul em 1991, ou durante quase todo o processo de negociação da Rodada Uruguai entre 1986 e 1994, o empresariado se mostrava pouco interessado nas questões externas.2 Empresários eram considerados quase que um animal exótico aos negociadores da diplomacia brasileira. Foi então em meados dos anos 1990 que se intensificaram as consultas entre setores governamentais e representantes de setores exportadores. Os efeitos da conclusão da Rodada Uruguai e a fundação da Organização Mundial do Comércio em 1995, combinada ao lançamento das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e do crescimento do comércio bilateral com a Argentina no âmbito do Mercosul, criaram as condições para a consolidação de uma entidade coordenadora de representação dos interesses coletivos dos mais importantes setores exportadores: a Coalizão Empresarial Brasileira. A Coalizão Empresarial Brasileira (CEB) foi institucionalizada sob a organi- 71 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 71 VOL 19 N o 2 zação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 1997, e foi consequência da percepção de que havia um alto risco de se deixar os processos de liberalização comercial nas mãos das autoridades governamentais sem um permanente posicionamento de todos os setores da economia, que sofreriam as consequências diretas de seus resultados. Até 2002 a CEB cumpriu seus objetivos de representante unificada e plurissetorial dos interesses comerciais dos mais importantes setores da economia diante do governo brasileiro. Mas à medida que as negociações na OMC, já na Rodada Doha, e as negociações da ALCA e do Mercosul, além de dezenas de negociações de acordos bilaterais apresentavam-se como oportunidade para alguns setores e desafio para outros, a CEB perdeu força e passou a ter cada vez mais uma postura “reativa, fruto da preponderância de interesses defensivos do setor industrial no interior da entidade. Esse fato contribuiu para a incapacidade da organização em alterar de modo fundamental a agenda do governo e, no limite, para sua instrumentalização para legitimar a ação diplomática brasileira”.3 A eleição do presidente Lula e sua posse em 2003 trouxeram mais um fator complicador nas relações dos representantes setoriais e as novas autoridades governamentais responsáveis pela política comercial. Setores presentes na CEB, mas também representados na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ou na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), passaram a fazer suas gestões diretas junto ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio Exterior e Relações Exteriores. Geralmente setores mais agressivos, com destaque para os exportadores de commodities agrícolas, proteína animal, celulose e papel e alimentos, partiram para ações diretas de representação. Outros, mesmo da indús- SET/OUT/NOV 2010 13/09/10 15:05 ARTIGOS tria manufatureira, também iniciaram atuação cada vez mais setorial por meio de suas entidades setoriais nacionais em busca de ações específicas relativas à agenda individual. Foi o caso da indústria de aeronaves preocupada com o futuro das regras de defesa comercial ou da indústria têxtil preocupada com o efeito China sobre a produção e a exportação. A razão deste aumento na interlocução setorial com o governo foi também resultado da mudança explícita das orientações da política comercial brasileira depois da posse do novo governo em janeiro de 2003. O caráter de orientação partidária na política comercial do novo governo calcou-se naquilo que se passou a conhecer como a priorização da agenda Sul-Sul, um afastamento dos Estados Unidos em baixo perfil, um discurso retumbante de relações estratégicas com a China e uma excessiva tolerância às ações protecionistas dos membros do Mercosul, com destaque para a Argentina. Para o empresariado de uma forma geral ficou claro que a política comercial do país estaria submetida à nova política externa e esta teria pouca ou nenhuma convergência com os interesses empresariais dos setores exportadores – como de fato ocorreu desde então. Não foi coincidência a criação do Instituto de Estudos de Comércio Internacional, o ICONE, idealizado e presidido pelo prof. Marcos Jank e atualmente dirigido pelo economista André Nassar. A necessidade latente de conhecimento técnico sobre o que se conheceu como a “tríplice negociação” – OMC, ALCA e União Europeia – exigiu investimento privado em pessoal para que os setores mais agressivos da exportação pudessem se posicionar com competência técnica e, ao mesmo tempo, pressionar as autoridades negociadoras brasileiras. Com apoio de lideranças que vieram a se tornar ministros do governo Lula, como Luiz Fernando Furlan e Rober72 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 72 to Rodrigues, o ICONE tornou-se a primeira organização privada especializada na análise e no posicionamento técnico de setores do agronegócio que vislumbravam as possibilidades de acessar mercados nas negociações internacionais comerciais que se apresentavam. Fundado pela ABAG, ABIOVE, ABIEC, ABEF, ABIPECS, UNICA e FIESP,4 o instituto tornou-se rapidamente referência mundial para estudos de liberalização de comércio. Mais do que isso, seus membros investiram pesado na compreensão dos obstáculos que se apresentavam no universo comercial, além das questões tarifárias, as não tarifárias, as barreiras técnicas e as regras de comércio para defesa comercial e outros temas sensíveis. Destaque deve ser dado à influência dos estudos do instituto no encontro de Cancún, México, durante o midterm-review da Rodada Doha, quando se formou o G-20. Evolução das entidades do agronegócio As principais entidades representativas do agronegócio brasileiro foram fundadas em diferentes momentos e respondem a histórias setoriais particulares. Produtos mais tradicionais da pauta exportadora brasileira como o café, açúcar, soja, suco de laranja, carne de frango, bovina e o milho tiveram suas organizações representativas fundadas ainda nos anos 1970 e 1980. Mas é dos anos 1990 em diante que elas serão modernizadas, recriadas e adaptadas às demandas e oportunidades que se abriram aos seus respectivos setores no mercado internacional. O aumento da demanda internacional de produtos do agronegócio e a crescente sofisticação, tanto dos produtos quanto das operações comerciais, tiveram de ser melhor compreendidos. O governo também POLÍTICA EXTERNA 13/09/10 15:05 A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES DE EMPRESAS EXPORTADORAS precisava ser informado dos novos desafios e interesses de cada setor para enfrentar o arsenal de medidas tarifárias e não tarifárias dos mercados externos. As associações ganharam importância. Apesar dos obstáculos externos e internos, os principais produtos da exportação brasileira do agronegócio foram ganhando espaço, com destaque para o complexo da soja (grãos, farelo e óleo), o complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol), as carnes (bovina, suína e de aves), o complexo papel e celulose, café, milho, algodão, fumo, suco de laranja, algodão e as frutas in natura. Em 2009, a exportação total desses produtos alcançou o valor de aproximadamente US$ 50 bilhões de dólares, isto é, cerca de um terço das exportações totais do país. Todos esses produtos contaram e contam com associações setoriais representativas. Em cerca de 15 anos, os setores Exportação 1997 Produto Associação exportadores mais importantes atingiram crescimentos notáveis e, em meados da primeira década do século XXI, vários deles já estavam entre os primeiros exportadores do mundo, confirme tabela a seguir. Todas as principais entidades representativas dos setores mais importantes da exportação brasileira, seja agrícola ou manufatureiro, acabaram desenvolvendo uma agenda de objetivos estatutários bastante semelhantes. Independente de sua estrutura organizacional e cumprindo suas características de entidades voltadas às políticas públicas, seus objetivos incluíram necessariamente a interlocução junto aos poderes públicos, com destaque para os estaduais e federais. Na qualidade de entidade técnica e consultiva, as associações colaboraram com organizações públicas e privadas na avaliação e solução de problemas que envolvem suas empresas Exportação 2009 Fundação Aumento entre 1997 e 2009 Participação no total de Exportação 09 Posição nas Exportações Mundiais x vezes % Ranking Em milhões de US$ FOB Complexo da soja Abag* 1993 Aprosoja (MT) 2005 5.564 17.240 2,1 x 11,2% 2º 1.827 9.176 4,3 x 6,3% 1º Abiove 1981 Complexo sucroalcooleiro Unica 1197 Carne frango Ubabef 1976** 884 5.307 5,0 x 3,47% 1º Carne bovina Abiec 1979 462 4.118 7,9 x 2,69% 1º Carne suína Abipecs 1998 166 1.225 6,4 x 0,80% Papel e celulose 4º 2º celulose Bracelpa 1997*** 1.991 5.001 1,5 x 3,27% 15º papel Café Abic 1973 3.134 4.279 0,4 x 2,80% 1º Milho Abimilho 1977 71 1.390 18,5 x 0,91% 3º 1.007 1.619 0,6 x 1,06% 1º 0,36 685 1.902 x 0,45% 4º Suco de laranja CitrusBR 2009**** Algodão Abrapa 1999 73 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 73 VOL 19 N o 2 SET/OUT/NOV 2010 13/09/10 15:05 ARTIGOS Exportação 1997 Exportação 2009 Fundação Aumento entre 1997 e 2009 Participação no total de Exportação 09 Posição nas Exportações Mundiais Produto Associação % Ranking Fumo Abifumo/ Sinditabaco 1979 1.665 3.046 0,8 x 1,99% 1º Frutas Ibraf 1990 129 626 3,9% 0,41% N/D Lácteos Leite Brasil 1997***** 11 167 14,2 x 0,11% 5º leite em pó Em milhões de US$ FOB x vezes 8º leite 9º manteiga 9º queijo Total dos produtos selecionados 16.909 54.420 Total da exportações brasileiras em 2009 (em milhões de US$ FOB) 2,2 x 36% 152.995 Fonte: Secex – AgroStat (Mapa), Aliceweb (Secex), FAOstat (ONU), PSD Online (UDA) esites das Associações. *A ABAG Associação Brasileira do Agronegócio – representa todo o agronegócio e é mantida por mais de sessenta empresas de diferentes setores da agricultura. ** A UBABEF é o resultado da fusão entre a União Brasileira de Avicultura (UBA) e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (ABEF), em 2010. ***A BRACELPA é resultante da fusão entre a Associação Nacional dos Fabricantes de Papel e Celulose (ANFPC) com a Associação Brasileira dos Exportadores de Celulose (ABECEL) em 1997. ****A CITRUSBR foi fundada em 2009, após o fechamento da Associação Brasileira dos Exportadores de Sucos Cítricos (ABECITRUS). *****A Leite Brasil é uma das entidades representativas da exportação de lácteos. O leite UHT e o leite em pó corresponderam a 31% do total de lácteos em 2009, enquanto o leite condensado e o creme de leite somaram 38%. associadas. Trabalham para que haja sempre uma adequação legislativa para questões sanitárias, tecnológicas e tributárias de interesse setorial coletivo. Entre os mais importantes objetivos dessas entidades está o trabalho de acesso a mercados que inclui o monitoramento das negociações multilaterais de livre comércio tanto na OMC quanto nas negociações regionais e bilaterais. Estas incluem as demandas de redução e eliminação de tarifas de importação, além de barreiras não tarifárias como barreiras técnicas e/ ou sanitárias. Todas as associações desenvolveram uma capacidade significativa de representar seus devidos setores em seminários e congressos internacionais, posicionando as 74 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 74 empresas, os produtos e os interesses de seus setores. Cada uma das entidades tem dentro de suas estruturas comitês temáticos que tratam de questões tributárias e jurídicas, e de temas relacionados ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Apesar de suas características estatutárias semelhantes, não se deveria esperar que as entidades representativas tivessem uma agenda comum. Com uma quantidade de temas muito complexos para lidar, a busca de consenso dentro das entidades se tornou cada vez mais difícil. Diferenças societárias, de competitividade e mesmo de visão de mundo constituem os conflitos entre empresas do mesmo setor. As mesmas causas se aplicam às diferenças entre setores manufatureiros ou agrícolas POLÍTICA EXTERNA 13/09/10 15:05 A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES DE EMPRESAS EXPORTADORAS entre si, e as mesmas causas se aplicam às diferenças entre manufatura e agricultura exportadora. Mas um falso dilema formou-se neste período dos últimos 15 anos, isto é, a ideia da indústria protecionista manufatureira e, por outro lado, um agronegócio liberal e agressivo. De fato, um país que produz quase tudo o que se produz no mundo, mas que não é competitivo na maioria destes produtos, haveria de encontrar dificuldades na formulação de uma política comercial, o que não dizer de uma política industrial. Enfrentar um mundo altamente competitivo, com um processo de liberalização comercial camuflado de tecnicalidades protecionistas exigiu mudança de postura. E ela veio. O que aconteceu no Brasil no período em que todo o desenvolvimento alcançado esteve relacionado a aspectos como: integração à economia moderna e interdependente, abertura comercial, incentivo financeiro, estabilidade monetária, inovação privada e capacidade empreendedora do brasileiro. A “liberação das forças produtivas”, para não se esquecer da formulação marxista, marcada pelo fim da inflação, pelas privatizações dos anos 1990 e pela expansão da capacidade de consumo das classes médias, deu um choque de capitalismo no país. Assim, muito mais do que uma eventual diferença entre empresas do mesmo setor, setores da mesma área da economia ou entre setores industrial e agrícola da economia, o que se verificou foi uma demanda por mais capitalismo ou menos capitalismo. Compreende-se aqui que as entidades representativas tiveram, cada uma dentro de suas características e limitações, que lidar com esta demanda por mais capitalismo e menos intervenção dentro e fora do Brasil. Daí suas intensas atividades junto às instâncias de governo na busca por um Estado parceiro do mercado, voltado à modernização dos sistemas tributário, trabalhista, da segurança 75 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 75 VOL 19 N o 2 jurídica, apoio a financiamentos públicos para suas empresas associadas, e da atuação firme e decidida em temas comerciais sem contaminação das novas linhas da política externa. Desde 2003, a tolerância com o “mecanismo de adaptação competitiva”, praticado por meio de acordos de restrição voluntária impostos sistematicamente pelas autoridades argentinas, além de outras ações como a aproximação política com regimes exóticos sul-americanos, ou os discursos retumbantes de aproximação com regimes autoritários no Oriente Médio e na África deixaram dúvidas sobre os reais compromissos dos formuladores da política externa e comercial com o desenvolvimento empresarial exportador. Apesar de pequenos avanços lá e cá, as mudanças não chegaram. E não restou outro caminho senão o fortalecimento das representações setoriais para, na ordem democrática, manter a pressão por critérios e por mudanças.5 Assim, depois de fundadas, as entidades foram se profissionalizando. Sofisticaram-se e se ampliaram no decorrer do tempo. Como se verificou, os desafios setoriais foram se acumulando a partir de meados dos anos 1990 e, em especial, a partir de 2003 tornaram-se múltiplos: havia negociações mundiais, regionais e bilaterais em andamento, oportunidades de acesso a mercado a serem aproveitadas e, ao mesmo tempo, um governo que mudara drasticamente a maneira de tratar a política comercial, submetendo-a a uma política externa confusa e longe dos principais mercados. Políticas públicas mudam; associações se fortalecem Foi em outubro de 2003, após a reunião de cúpula da ALCA em Miami, que fica- SET/OUT/NOV 2010 13/09/10 15:05 ARTIGOS ram evidentes os caminhos a serem traçados pelo Brasil e seu novo governo em relação à política comercial. Esta última estaria submetida aos princípios determinados pela política externa. As diferenças entre o então então ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o ministro Luiz Fernando Furlan, em relação aos caminhos a serem seguidos nas negociações da ALCA foram confrontadas com as posições do ministro Celso Amorim do MRE. O presidente Lula foi claro e explícito. A última palavra em política comercial seria dada a partir de então pelo MRE. A partir deste momento a Câmara de Comércio Exterior, a CAMEX, recebeu um duro golpe na eficiência de sua operacionalidade. Apesar da autoridade de órgão integrante do Conselho de Governo conforme o Decreto no 1.386 de fevereiro de 1995, que determina o objetivo de formular as políticas e coordenar as atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços, e apesar de seu caráter colegiado e do voto de comando pertencer ao MDIC, a CAMEX vivenciou sistemáticos impasses de decisão em função das orientações da política externa. A partir da ação brasileira e do Mercosul durante a reunião de negociações da Alca realizada em Puebla, México,6 em fevereiro de 2004, ficou claro que a política comercial brasileira já não responderia mais ao conselho formado pelos ministros do Desenvolvimento, da Casa Civil, da Fazenda, da Agricultura, do Planejamento e das Relações Exteriores. As decisões comerciais dependeriam antes de tudo do MRE. As entidades tiveram que atuar e fizeram o que puderam dentro de suas limitações. Ao contrário do que se pode imaginar e do que foi exposto na comunicação oficial, o bom desempenho exportador brasileiro não foi resultado da política exterior do governo. Pelo contrário, este desempenho só não foi mais espetacular porque enfrentou sistemáticas dificuldades dentro das políticas públicas estabelecidas a partir de 2003. Em outras palavras, foi o ajuste macroeconômico desencadeado pela crise cambial de 1999 junto da intensa atuação cada vez mais profissional das entidades representativas aliadas a uma conjuntura extremamente favorável ao consumo mundial de commodities que evitou um crescimento medíocre das exportações.7 A tabela seguinte demonstra que, entre 1997 e 2009, apesar de triplicar o valor das exportações brasileiras, caiu levemente a proporção de produtos exportados com alta, média-alta, média-bai- Exportação Brasileira dos Setores Industriais por Intensidade Tecnológica 1997 e 2009 – US$ milhões FOB 1997 2009 Total 52.994 152.995 Produtos industriais (*) 42.590 104.608 Indústria de alta e média-alta tecnologia (I+II) 15.743 36.254 2.628 9.048 Indústria de alta tecnologia (I) 76 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 76 POLÍTICA EXTERNA 13/09/10 15:05 A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES DE EMPRESAS EXPORTADORAS Aeronáutica e aeroespacial 881 4.536 Farmacêutica 392 1.550 Material de escritório e informática 343 203 Equipamentos de rádio, TV e comunicação 788 2.045 Instrumentos médicos de ótica e precisão 223 714 13.115 27.206 868 2.997 Veículos automotores, reboques e semirreboques 5.507 9.351 Produtos químicos, excl. farmacêuticos 3.234 7.536 58 346 Máquinas e equipamentos mecânicos n.e. 3.448 6.976 Indústria de média-baixa tecnologia (III) 9.756 24.715 Indústria de média-alta tecnologia (II) Máquinas e equipamentos elétricos n.e. Equipamentos para ferrovia e material de transporte n.e. Construção e reparação naval 193 119 Borracha e produtos plásticos 916 2.320 Produtos de petróleo refinado e outros combustíveis 971 5.791 Outros produtos minerais não metálicos 769 1.522 6.906 14.963 17.091 43.639 780 1.326 Produtos metálicos Indústria de baixa tecnologia (IV) Produtos manufaturados n.e. e bens reciclados Madeira e seus produtos, papel e celulose 3.194 6.722 Alimentos, bebidas e tabaco 9.568 31.737 Têxteis, couro e calçados 3.549 3.854 Produtos não industriais 10.404 48.387 (*) Classificação extraída de: OECD, Directorate for Science, Technology and Industry, STAN Indicators, 2003. Obs.: n.e = não espedificados nem compreendidos em outra categoria. Fonte: Secex/MDIC. xa e baixa intensidade tecnológica. Só cresceu a proporção de produtos não industriais, que saiu de 20% para 32% no período. Em uma década, o Brasil teve um aumento médio de 23% ao ano na exportação de produtos não industriais. A pressão exercida pelas entidades em diferentes temas dos interesses setoriais evitou que pelo menos algumas grandes oportunidades deixassem de ser aproveitadas, algumas injustiças comerciais fossem desfeitas e algumas atitudes públicas 77 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 77 VOL 19 N o 2 fossem tomadas em temas específicos para evitar o caos. No entanto, ficou evidente que foram os recursos naturais e o preço das commodities que sustentaram o superávit e não o aumento da competitividade. As entidades trabalharam e trabalham diante de um extremo improviso estatal: sem incremento significativo na estrutura portuária e aeroviária; com um sistema sanitário aos frangalhos; sem a conclusão de nenhum acordo comercial relevante; com um atraso de seis anos para a aprova- SET/OUT/NOV 2010 13/09/10 15:05 ARTIGOS ção de oito adidos agrícolas. Durante quase uma década os setores empresariais organizados enfrentaram uma agenda ad hoc permanente. É notável, como se observa na tabela anterior, que em 15 anos as exportações de soja tenham triplicado, as de açúcar e etanol quadruplicado, as de carne de frango aumentado cinco vezes, as de carne bovina oito vezes, entre outros produtos. Tudo isso aconteceu enquanto o investimento médio em infraestrutura não passou de 1% do PIB ao ano durante quase uma década. Não foi e continua não sendo difícil explicar a enorme apreensão dos setores exportadores em relação aos limites de sua capacidade de expansão, dadas as condições limitantes e explícitas de competitividade. Também não por acaso que lideranças públicas do governo anterior passaram a dirigir algumas das principais entidades exportadoras. O exministro da Agricultura Pratini de Moraes ficou na ABIEC entre 2005 e 2009, o ex-secretario do ministério da Agricultura Pedro Camargo Neto ocupa a ABIPECS desde 2006, o ex-assessor especial do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio e ex-presidente do ICONE Marcos Jank atua na UNICA desde 2007, e o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra permanece na UBABEF desde 2008. Alguns casos são emblemáticos desta atuação empresarial e setorial independente e servem como exemplo entre os muitos desafios coletivos setoriais enfrentados. O esforço da UBABEF em acessar o mercado chinês continental de carne de aves durou de 2006 até 2009. Apesar do retumbante anúncio de relações estratégicas com a China, formalizado no acordo binacional de outubro de 2004 e festejado em reuniões do conselho dos BRICS, os chineses alegaram razões sanitárias e protegeram seu mercado até 2009. Não fosse o trabalho intenso de aliança da UBABEF com interessados privados na importação de carne brasileira 78 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 78 na China continental, provavelmente o mercado ainda estaria fechado. O mesmo vale para o felizmente breve fechamento das importações de carne de aves da África do Sul em fevereiro de 2009, após um ano de tentativas frustradas das autoridades sul-africanas de conseguir explicações das autoridades brasileiras sobre o uso de dioxina na ração animal. Com os europeus, após a vitória de um contencioso na OMC que durou de 2002 a 2006, as empresas brasileiras foram surpreendidas com o mecanismo irregular de comércio de licenças de importação por importadores europeus que depreciavam os preços de exportação brasileira dentro de cotas acertadas no acordo. Foram dois anos de disputa entre a UBABEF de um lado, e as autoridades brasileiras e os europeus de outro, para que o regime fosse finalmente modificado.8 O caso da carne bovina também reflete as dificuldades da representação setorial em coordenar sua atuação com as autoridades governamentais e estrangeiras, em especial com os mercados europeu e norte-americano. Justiça seja feita, o compromisso brasileiro em 2002 de implantar um sofisticado regime de rastreabilidade da produção de carne bovina, muito além de suas possibilidades institucionais, gerou um desarranjo que fechou o mercado europeu de carne bovina em 2009. Ainda assim, entre 1997 e 2008, o Brasil aumentou em quase dez vezes a exportação de carne bovina em valor exportado. Em 2009, em função do problema europeu, a exportação caiu 40% em valor. A carne suína enfrenta desafio também complicado. Apesar de sua crescente posição no mercado internacional, ainda depende dos mercados russo e de Hong Kong para garantir sua expansão. Estados Unidos, União Europeia, Japão e China continental têm restrições à carne brasileira, e a ABIPECS trabalha para abrir estes mercados há quase uma década, sem antes POLÍTICA EXTERNA 13/09/10 15:05 A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES DE EMPRESAS EXPORTADORAS combater as limitações institucionais brasileiras, em especial a ineficiência sanitária e o compromisso diplomático para enfrentar as resistências externas. Os casos dos contenciosos do açúcar brasileiro contra os subsídios europeus à exportação e o do algodão brasileiro contra os subsídios norte-americanos são outros exemplos da persistência das entidades empresariais, a UNICA e a ABRAPA. Idealizadas em 2002 e 2004, respectivamente, as entidades partiram para um agressivo processo dentro das regras do jogo da OMC. Apesar da resistência inicial do MRE, no caso do açúcar a UNICA consultou os setores privados da Austrália e da Tailândia, também prejudicados, e preparou uma competente argumentação jurídica. As regras da OMC permitiam à UE a exportação de até 1,3 milhão de toneladas de açúcar subsidiado por ano, com gastos máximos anuais de 499 milhões de euros. O açúcar das ex-colônias era adquirido “em condições preferenciais”. Na prática, a Europa exportava todos os anos volumes que chegaram a 6 milhões de toneladas de açúcar aos preços do mercado internacional. A condenação dos europeus foi uma das razões da boa performance do setor que, em uma década, saiu de 1,2 para 5,5 bilhões em exportação. No caso do algodão, a ABRAPA trabalhou intensamente para eliminar os subsídios ilegais ao produtor norte-americano, embate ainda a ser concluído em 2012, na formulação da próxima Farm Bill. Ainda no caso do setor sucroalcooleiro, a nova dificuldade da UNICA tem sido explicar aos norte-americanos e japoneses a simpatia da política externa em relação ao regime iraniano, para não dificultar o acesso do etanol a esses mercados. No setor industrial manufatureiro o desafio tem sido, entre muitos, enfrentar o avanço dos países asiáticos no mercado brasileiro, com destaque para China. A 79 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 79 VOL 19 N o 2 permanente pressão chinesa de ofertar produtos mais competitivos no mercado interno, incluindo o problema criminal dos crescentes contrabandos, faz do setor têxtil um permanente demandante de ações governamentais de defesa comercial. A ABIT é quem trabalha para este fim, atenta para os impactos crescentes do déficit na balança têxtil que alcançaram um bilhão de dólares em 2009 e 1,5 bilhão de dólares no primeiro semestre de 2010. Além da ABIT, as entidades representantes dos maiores setores manufatureiros exportadores são a ABICALÇADOS, o Aço Brasil (ex-Instituto Brasileiro de Siderurgia – IBS), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (ANFAVEA) e a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Os desafios dos exportadores de calçados estão tanto no avanço chinês no mercado brasileiro quanto na crescente dificuldade de acessar mercados como o argentino e o norte-americano, prioridades colocadas em segundo plano desde 2003. Na mesma linha está a luta do setor siderúrgico brasileiro para acessar o mercado norte-americano. Outras entidades, mais importadoras que exportadoras, como a Associação Brasileira da Indústria e Máquinas (ABIMAQ), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) ou a Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (ELETROS), com enfoque em eletrodomésticos, possuem agenda mais restrita à abertura comercial, o que não as deixou menos atentas aos desafios inerentes do comércio internacional. Máquinas, eletroeletrônicos e eletrodomésticos têm dedicado suas energias à construção de mecanismos mais transparentes de acesso ao Mercosul, além do permanente esforço de adaptação competitiva para se manter no mercado norte-americano. O fato é que nos últimos 15 anos as associações representativas dos setores exportadores, sejam do agronegócio ou SET/OUT/NOV 2010 13/09/10 15:05 ARTIGOS da indústria da manufatura, tornaram-se instituições essenciais para o desenvolvimento. Conclusão Em duas décadas, entre 1990 e 2010, a abertura da economia brasileira e os processos de liberalização do comércio internacional fizeram necessária a adaptação dos setores produtivos do país a um novo mundo. A urgência em compreender as novas regras do comércio e participar tecnicamente da formulação de futuros acordos de comércio fez com que as entidades representativas do empresariado exportador se fortalecessem em meados da década de 1990. A partir de 2003, a contaminação das formulações de política externa do novo governo brasileiro sobre a política comercial gerou um engajamento ainda maior das entidades exportadoras, em especial as do agronegócio, a fim de evitar a perda de oportunidades de expansão. As entidades se fortaleceram, mas durante quase toda a primeira década do século tentaram fazer da política comercial uma política independente, que pudesse ser focada na redução do “custo Brasil’, e seguisse o interesse da comunidade produtiva e exportadora da sociedade. Notas 1. Cabe aqui distinguir que entidades podem representar um setor que é majoritariamente exportador, outras representam apenas empresas exportadoras, seja de um setor ou de vários. Evidentemente que há diferenças entre entidades cuja constituency é exclusivamente exportadora e outra em que há exportadores e empresas mais sensíveis. Em alguns casos o setor foi se tornando exportador com o tempo. 2. BONOMO, Diego. “A mobilização empresarial para a Tríplice Negociação Comercial: ALCA, Mercosul-União Europeia e OMC (1994-2004)”. Tese de mestrado PUC/ SP, 2006, p. 74. 3. Idem p. 77. 4. Interessante notar a presença da FIESP como fundadora e financiadora do Instituto, entidade que, no segundo mandato de Horacio Piva, iniciara a profissionalização do departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade introduzindo equipe e orientação em relações internacionais e enfocando justamente o interesse da indústria paulista nas negociações internacionais que se aprofundavam, tanto 80 07- Artigo 05 - Christian Lohbauer.indd 80 ALCA quanto Mercosul e UE. O autor representou a FIESP na fundação do Instituto ICONE em 2003. 5. Identificando a ausência de outras instituições favoráveis a uma política comercial independente no governo desde 2003, André Meloni Nassar afirma que “a culpa pelo esquecimento da política comercial, ao longo do tempo e no governo atual não é só do Itamaraty. Num país que ainda utiliza tarifas de importação como mecanismo démodé de política industrial, não se poderia esperar nada diferente. Sem pressão alguma das demais áreas do governo (...) a diplomacia encontrou o caldo de cultura ideal para privilegiar o componente político e negligenciar o componente comercial da política externa.”, in “Gêmeas siamesas”, OESP, 1/jul./2010. 6. O autor esteve presente em Puebla, México em fevereiro de 2004, como representante da FIESP junto à Coalizão Empresarial Brasileira. 7. “OMC diz que balança do país depende do Preço de itens básicos”, Jamil Chade, OESP, 24/jul/2010. 8. Experiência vivida pelo autor na Direção Executiva da UBABEF (ABEF), entre 2006 e 2009. POLÍTICA EXTERNA 13/09/10 15:05