Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica Dissertação de Mestrado “ESTUDO DO CICLO TÉRMICO DA SOLDAGEM DE TOPO DO AÇO INOXIDÁVEL FERRÍTICO AISI 409” Renata Umbelino Rêgo Dissertação a ser apresentada ao Departamento de Engenharia Mecânica da PUC Minas como parte dos requisitos para obtenção do título de MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA MECÂNICA. ORIENTADOR: Prof. José Rubens Gonçalves Carneiro, Dr. Banca Examinadora: Prof. José Rubens Gonçalves Carneiro, Dr. – PUC Minas – Orientador Prof. Paulo José Modenesi, Dr. - UFMG – Examinador Externo Prof. Denílson Laudares Rodrigues, Dr. – PUC Minas – Examinador Interno Prof. Rudolf Huebner, Dr. – PUC Minas – Examinador Interno Belo Horizonte, 09 de novembro de 2005 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. Ao Carlo, Thaís, Dea, Tarcisio, Flavinho e Cibelle pela compreensão e paciência pela ausência nos momentos de dedicação aos estudos. AGRADECIMENTOS Ao amigo Pedro Paiva Brito pela inestimável dedicação e comprometimento. Ao amigo e orientador José Rubens, pelo incentivo, dedicação e espírito acadêmico. Ao meu pai Attenister e ao meu irmão Tarcisio Flávio pelo o apoio e colaboração no desenvolvimento deste trabalho. À minha mãe Dea e minha irmã Cibelle, pelo apoio e dedicação nos momentos difíceis. Ao Carlo, meu esposo, pela paciência e incentivo nas horas difíceis. Aos amigos Ulisses, Flávio Mauricio, Márcio José e Eudes Weber pelo comprometimento e boa vontade em ajudar. A Rose e a Áurea pelo incentivo e apoio. Ao Marcio Rangel e Ronaldo Café pela dedicação e boa vontade em ajudar. Aos funcionários da oficina, ao Paulinho e ao Wilson, Tarcisio José, René Daré, Anderson e Donato Vitelli, pessoas que de várias formas participaram da elaboração deste trabalho. RESUMO Este trabalho objetiva a modelagem do ciclo térmico durante o processo de soldagem de topo do aço AISI 409. Na automação, foi utilizado um software de aquisição, controle e supervisão, termopares, fontes de alimentação, transformador para controle de pré-aquecimento e uma válvula reguladora para controle da pressão. Foi estudada a influência da temperatura de préaquecimento e a aplicação de nitrogênio na junta soldada de um aço AISI 409 na evolução da temperatura versus tempo do processo de soldagem. Alguns modelos existentes na literatura foram testados para verificar o ajuste na modelagem do ciclo térmico. III ABSTRACT The objective of this work is the mathematical modeling of the temperature distribution during butt welding of AISI 409 stainless steel sheets. The automation involved the following items: acquisition, control and supervision software, thermocouples, power sources, transformer for pre-heating control and a pressure regulating valve for pressure control. The influence of pre-heating temperature and application of nitrogen to the welded joint of AISI 409 steel on the temperature evolution was studied. Some models were tested in order to verify the temperature cycles. IV Sumário Lista de Figuras.................................................................................................. VII Lista de Tabelas ................................................................................................ XIII Nomenclatura .................................................................................................... XVI Capítulo 1 - Introdução .........................................................................................1 1.1 - Motivação .............................................................................................1 1.2 - Objetivos ..............................................................................................4 1.3 - Estado da Arte......................................................................................4 1.4 - Escopo da Proposta .............................................................................5 Capitulo 2 - Revisão Bibliográfica .......................................................................7 2.1 - Aços Inoxidáveis...................................................................................7 2.1.1 - Aço Inoxidável Ferrítico .................................................................9 2.1.2 - Soldabilidade do Aço Inoxidável Ferrítico ...................................10 2.2 - O Processo de Soldagem...................................................................12 2.2.1 - Soldagem por Resistência ......................................................13 2.2.2 - Soldagem por Indução de Alta Frequência .............................15 2.3 - Máquina de Soldagem por Pontos .....................................................18 2.3.1 O Transformador da Máquina de Solda a Pontos .....................19 2.3.1.1 - Teste a vazio..................................................................21 2.3.1.2 - Teste em curto-circuito ..................................................24 2.4 - Resistência de Contato ......................................................................26 2.5 - O Calor na Soldagem .........................................................................31 Capitulo 3 - Metodologia Experimental .............................................................43 3.1 - Materiais e Métodos Experimentais .................................................43 3.2 - Mensuração da Temperatura ...........................................................49 V 3.3 - O Sistema de injeção de gás............................................................53 3.4 - Sistema para Controle de pré-aquecimento .....................................57 3.5 - O software de Supervisão ................................................................59 3.6 - Características da Placa de Aquisição de Dados .............................65 3.7 - Diagrama de Ligações......................................................................66 3.8 - Montagem Final................................................................................66 3.9 - Ensaio Metalográfico dos Corpos-de-Prova ......................................69 Capitulo 4 - Discussão e Análise dos Resultados............................................71 4.1 - Calibração dos Termopares e do Manômetro ....................................71 4.2 - Características Elétricas da Máquina de Solda por pontos ................71 4.3 - Experimentos......................................................................................80 Capítulo 5 - Conclusões....................................................................................122 5.1 - Sugestões para Trabalhos Futuros ..................................................123 Apêndice A - Curvas Teóricas/Experimentais ................................................124 Apêndice B - Planilha de Ligações ..................................................................131 Apêndice C - Fonte Tiristorizada .....................................................................133 Apêndice D - Sensores de Temperatura..........................................................138 Apêndice E - Amplificadores de Sinal .............................................................142 Referências Bibliográficas ...............................................................................144 VI LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 Produção brasileira de aços inoxidáveis longos e planos, em toneladas (Núcleo Inox, 2005).............................................................................03 Figura 1.2 Consumo aparente de aços inoxidáveis longos e planos no Brasil, em toneladas (Núcleo Inox, 2005)............................................................03 Figura 2.1 Camada passiva nos aços inoxidáveis (Núcleo Inox, 2005)................08 Figura 2.2 Crescimento de grão em aço inoxidável ferrítico, de acordo com a temperatura de tratamento: (a) sem nióbio e (b) com 0,6% de Nb e 0,08% de (C+N) (Modenesi, 2001).....................................................11 Figura 2.3 Soldagem por indução de alta freqüência de tubos indicando os principais componentes do processo (Santana, 2003).......................17 Figura 2.4 Representação dos principais componentes de um transformador monofásico (Martignoni, 1973)...........................................................20 Figura 2.5 Circuito equivalente referido ao lado primário obtido no teste a vazio.22 Figura 2.6 Circuito equivalente referido ao lado primário obtido no teste em curtocircuito.................................................................................................25 Figura 2.7 Diagrama vetorial entre a resistência equivalente, reatância equivalente e impedância equivalente................................................25 Figura 2.8 Esquema das resistências elétricas na soldagem por resistência a ponto (Wainer et al, 1992)..................................................................27 Figura 2.9 Resistência dinâmica medida durante a soldagem por pontos e modelada por elementos finitos (Na e Park, 1996)............................30 Figura 2.10 Ciclo térmico esquemático de soldagem (Marques, 1991)................30 VII Figura 2.11 Diagrama esquemático mostrando diferentes alterações que ocorrem em um ponto na zona fundida da solda de um aço baixo carbono (Marques, 1991)....................................................................33 Figura 2.12 Distribuição da temperatura na soldagem por pontos (Wainer et al, 1992)...................................................................................................35 Figura 2.13 Modelo para o estudo da condução de calor unidirecional (Grong, 1994)...................................................................................................39 Figura 3.1 Dimensões dos corpos-de-prova de aço inoxidável AISI 409, utilizados nos experimentos................................................................44 Figura 3.2 Máquina de solda a ponto utilizada nos experimentos, evidenciando o sistema de garras de fixação..............................................................44 Figura 3.3 Circuito elétrico utilizado para realização dos testes a vazio da máquina de soldagem e obtenção dos oscilogramas da tensão e corrente primária nas derivações 1 e 2...............................................46 Figura 3.4 Circuito elétrico utilizado no teste curto circuito da máquina de soldagem e obtenção dos oscilogramas da tensão e corrente primária para as derivações 1 e 2.....................................................................48 Figura 3.5 Esquema do posicionamento dos termopares no corpo-de-prova e garras de fixação das chapas.............................................................50 Figura 3.6 Esquema do posicionamento dos termopares no corpo-de-prova e garras de fixação das chapas, durante os experimentos....................50 Figura 3.7 Ligação dos termopares à placa condicionadora e à placa de aquisição de dados..............................................................................................52 Figura 3.8 Esquema de ligação do sistema de injeção de gás na junta...............54 Figura 3.9 Vista lateral da peça para adaptação da válvula reguladora de pressão no cilindro de gás..................................................................54 VIII Figura 3.10 Diagrama esquemático das ligações para obtenção do sinal de pressão na interface............................................................................56 Figura 3.11 Montagem do transformador do sistema de pré-aquecimento...........58 Figura 3.12 Curva de indução típica de um transformador..................................58 Figura 3.13 Sistema de controle e gerenciamento da máquina de solda..............61 Figura 3.14 Fluxograma do Processo....................................................................62 Figura 3.15 Esquema geral do circuito de alimentação da máquina de solda......67 Figura 3.16 Vista do sistema de adição de gás no processo de soldagem...........67 Figura 3.17 Vista interna do painel de alimentação e controle do processo..........68 Figura 3.18 Vista do sistema de adição de gás no processo de soldagem...........68 Figura 4.1 Curva de calibração obtida para conversão do sinal de tensão, obtido pelo sistema de aquisição de dados, em temperatura (°C)................72 Figura 4.2 Curva de calibração obtida para conversão do sinal de tensão, obtido pelo sistema de aquisição de dados, em pressão (Bar).....................72 Figura 4.3 (a) Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio a vazio, para a derivação 1.....................................................74 Figura 4.3 (b) Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio a vazio, para a derivação 2......................................................74 Figura 4.4 Curva da tensão versus corrente para o tap4.......................................77 Figura 4.5 (a) Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio a vazio, para a derivação 1......................................................79 Figura 4.5 (b) Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio a vazio, para a derivação 2......................................................79 Figura 4.6 Diagrama de Equilíbrio F-C-12%Cr (Santos Pereira, 2001).................82 IX Figura 4.7 Deslocamento da linha de separação dos campos de austenita.......82 Figura 4.8 Evolução da tensão eficaz, para um tempo de 8,18 s.......................84 Figura 4.9 Evolução da corrente eficaz, para um tempo de 8,18s .....................84 Figura 4.10 Evolução da resistência dinâmica, para um tempo de 8,18s...........85 Figura 4.11 Vista da junta soldada, evidenciando a presença de óxido................85 Figura 4.12 Evolução da resistência dinâmica com o tempo, para um tempo de máquina ligada de 6s, temperatura de pré-aquecimento de 300°C e freqüência de amostragem de 1kHz para o aquecimento...................87 Figura 4.13 Evolução da temperatura versus tempo de soldagem, sem adição de gás e tempos de soldagem de: (a) 3,59, (b) 4,28 e (c) 5,08s.............88 Figura 4.14 Evolução da temperatura versus tempo de soldagem, sem adição de gás e tempos de soldagem de: (d) 6,48, (e) 7,59 e (f) 8,18................89 Figura 4.15 Evolução das temperaturas de pico x tempo, sem adição de gás......90 Figura 4.16 Curva teórica e experimental, para um tempo de soldagem de 8 segundos, rendimento de 100% e distância de 7mm para as condições (a) sem adição de gás e (b) com vazão de 15l/min...........93 Figura 4.17 Curva teórica e experimental, para um tempo de soldagem de 8s, rendimento de 33% e distância de 7mm para as condições (a) sem adição de gás e (b) com vazão de 15l/min..........................................95 Figura 4.18 Evolução de P1 versus tempo, para as distâncias da linha de solda de 3, 5 e 7mm..........................................................................................97 Figura 4.19 Evolução de P2, em função das distâncias, para cada tempo de soldagem.............................................................................................97 . X Figura 4.20 Curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem com o tempo de soldagem de 3,5s, sem adição de gás................................................99 Figura 4.21 Curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem com o tempo de soldagem de 3,5s, com vazão de gás de 15l/min...............................99 Figura 4.22 Curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem com o tempo de soldagem de 3,5s, com vazão de gás de 30l/min.............................100 Figura 4.23 Evolução de P1, com o calor gerado durante a soldagem................102 Figura 4.24 Evolução do rendimento com distância a partir da linha de soldagem, tempos de soldagem de 3,59, 4,28, 5,08, 6,48, 7,28 e 8,18.............104 Figura 4.25 Evolução de P2 versus (y2/4)............................................................104 Figura 4.26 Evolução de A1 em função do tempo de solda para cada distância, sem adição de gás............................................................................107 Figura 4.27 Evolução de A1 em função do tempo de solda para cada distância, com vazão de 15l/min.......................................................................107 Figura 4.28 Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 3 mm para um tempo de soldagem de 4,28.....................................108 Figura 4.29 Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 5mm para um tempo de soldagem de 4,28......................................108 Figura 4.30 Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 7mm para um tempo de soldagem de 4,28......................................109 Figura 4.31 Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 3 mm para um tempo de soldagem de 4,5 e adição de gás com vazão de 15l/min..........................................................................................111 XI Figura 4.32 Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 5 mm para um tempo de soldagem de 4,5 e adição de gás com vazão de 15l/min..........................................................................................111 Figura 4.33 Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 7 mm para um tempo de soldagem de 4,5 e adição de gás com vazão de 15l/min..........................................................................................112 Figura 4.34 Curva do ciclo térmico, com pré-aquecimento de 100ºC, tempo de 8s, distância de 3mm da linha de soldagem...........................................116 Figura 4.35 Curva do ciclo térmico, com pré-aquecimento de 100ºC, tempo de 8s, distância de 5mm da linha de soldagem...........................................116 Figura 4.36 Curva do ciclo térmico, com pré-aquecimento de 100ºC, tempo de 8s, distância de 7mm da linha de soldagem...........................................117 Figura 4.37 Microestrutura do aço inoxidável ferrítico AISI 409 mostrando a presença de ferrita e “pits” de corrosão. Aumento: 100X Ataque: acido oxálico 10%.......................................................................................119 Figura 4.38 Macroestrutura após ciclo térmico, segundo a direção do aquecimento mostrando a linha de soldagem (a), região intermediaria (b) e (c) e final do aquecimento (d). Aumento:12,5X.........................................120 Figura 4.39 Microestrutura do Material AISI 409 nas regiões distantes de 5 e 7mm da linha de soldagem. Ataque: Vilela – Aumento:50X......................120 XII LISTA DE TABELAS Tabela 1.1 Produção bruta de aço inoxidável no mundo, em milhões de toneladas..........................................................................................02 Tabela 2.1 Perdas estimadas por convecção e radiação, para diferentes valores de área de troca de calor e temperatura superficial (Yeung e Thornton, 1999)................................................................................37 Tabela 3.1 Corrente nominal para quatro derivações da máquina de soldagem..43 Tabela 3.2 Características dos instrumentos utilizados no teste a vazio..............45 Tabela 3.3 Características dos termopares...........................................................49 Tabela 3.4 Características técnicas do medidor de pressão.................................53 Tabela 3.5 Características da placa de aquisição de dados utilizada para a aquisição de dados e controle da máquina de solda por pontos....65 Tabela 4.1 Valores experimentais obtidos para o teste à vazio, para as derivações 1 e 2...............................................................................73 Tabela 4.2 Valores da resistência (rm), reatância (Xm), indutância (Lm) e impedância (Zm) de magnetização, ângulo φ0(o), cosφ0, senφ0 para as derivações 1 e 2..........................................................................75 Tabela 4.3 Valores da relação de transformação para as derivações 1 e 2..........75 Tabela 4.4 Valores experimentais obtidos para o teste a vazio, para as derivações 1 ,2,3 e 4........................................................................76 Tabela 4.5 Valores experimentais obtidos para o teste curto circuito, para as derivações 1 e 2...............................................................................76 XIII Tabela 4.6 Valores da resistência equivalente (Req), reatância equivalente (Xeq), impedância equivalente (Zeq), ângulo φ0(o), cosφ0 e senφ0 para as derivações 1 e 2...............................................................................78 Tabela 4.7 Valores experimentais obtidos para o teste curto circuito, para as derivações 1,2,3 e 4.........................................................................78 Tabela 4.8 Análise química do aço inoxidável ferrítico AISI 409 em percentagem em peso............................................................................................81 Tabela 4.9 Parâmetros utilizados na aplicação da solução de Grong (Grong, 1994) para o modelo de Rosenthal (Rosenthal, 1935)...............................92 Tabela 4.10 Velocidade de resfriamento em °C/s para os tempos de máquina ligada de 6,48, 7,59 e 8,18s para às distâncias de 3, 5 e 7mm, sem adição de gás.................................................................................105 Tabela 4.11 Velocidade de resfriamento em °C/s para os tempos de máquina ligada de 8s para às distâncias de 3, 5 e 7mm, com vazão de 15l/min............................................................................................105 Tabela 4.12 Velocidade de resfriamento em °C/s para os tempos de máquina ligada de 8s para às distâncias de 3, 5 e 7mm, com vazão de 30l/min............................................................................................106 Tabela 4.13 Valores de A2 enontrados................................................................110 Tabela 4.13 Erro encontrado para os ensaios se adição de gás, para os diversos tempos de soldagem e distâncias de 3, 5 e 7mm..........................113 Tabela 4.14 Erro encontrado para os ensaios com vazão de 15l/min, para os diversos tempos de soldagem e distâncias de 3, 5 e 7mm............114 Tabela 4.15 Erro encontrado para os ensaios com vazão de 30l/min, para os diversos tempos de soldagem e distâncias de 3, 5 e 7mm............114 XIV Tabela 4.16 Taxa de resfriamento, sem adição de gás, para um tempo de soldagem de 8s, distância de 3, 5 e 7mm e temperaturas de préaquecimento de 0, 100, 200 e 300ºC.............................................115 Tabela 4.17 Taxa de resfriamento, com vazão de 15l/min, para um tempo de soldagem de 8s, distância de 3, 5 e 7mm e temperaturas de préaquecimento de 0, 100, 200 e 300ºC.............................................118 Tabela 4.18 Taxa de resfriamento, com vazão de 30l/min, para um tempo de soldagem de 8s, distância de 3, 5 e 7mm e temperaturas de préaquecimento de 0, 100, 200 e 300ºC.............................................118 XV NOMENCLATURA A1 = Parâmetro de ajuste do resfriamento A2 = Parâmetro de ajuste do resfriamento Ac = Área da secção reta do condutor (m2) b = Parâmetro de dissipação de calor B = indução (Gauss); c = Calor específico (J/(Kg.K) Ca = Fração da área de contato cosφ = Fator de potência (º) cosφ0 = Fator de potência à vazio (º) E = Calor gerado na junta (J) e = Espessura de penetração da corrente (m) Es = Energia de soldagem (J) f = Freqüência de corrente (Hz) G = Condutância elétrica (m-1. Ω−1) g = Dobro da espessura das chapas soldadas (m) h = Coeficiente de transferência de calor por convecção (W/(m2.K)) XVI I = Corrente eficaz de Soldagem (A) I0 = Corrente a vazio (A) I1 = Corrente do primário (A) I2 = Corrente do secundário (A) Ic = Corrente sobre corpo de prova (A) Icc = Corrente curto-circuito (A) Im = Corrente de Magnetização (A) Ip = Corrente de Magnetização (A) k = Condutividade térmica (W/(m.K)) k1 = Constante k2 = Constante k3 = Constante K3 = Constante Lc = Comprimento do condutor (m) Lm = Impedãncia de magnetização m = posição do nodo na direção x (m) mm = posição do nodo na direção y (m) n = Número de pontos de contato N = Relação de transformação. N1 = Número de espiras do enrolamento primário. N2 = Número de espiras do enrolamento secundário. p = intervalo de tempo (s) XVII P1 = Parâmetro de ajuste do aquecimento P2 = Parâmetro de ajuste do aquecimento Pe = Potência elétrica (W) Q = Calor transferido às chapas na soldagem (J) q0 = Calor fornecido pela fonte de soldagem (J) q0 = fonte ou sorvedouro de calor (W/m3) q1 = fonte de calor constante (W/m) q1(t’) = calor fornecido pela fonte (W/m) Qc = taxa de transferência de calor por convecção (W) Qr = taxa de transferência de calor por radiação (W) R = Resistência elétrica (Ω) R1 = resistência de contato entre o eletrodo superior e a peça superior (Ω) R2 = resistência da peça superior (Ω) R3 = resistência de contato entre a peça superior e inferior (Ω) R4 = resistência da peça inferior (Ω) R5 = resistência de contato entre o eletrodo inferior e a peça inferior (Ω) Req = Resistência equivalente (Ω) RG = resistor de ganho (Ω). rm = Resistência de magnetização (Ω) Rt = Resistência elétrica total (Ω) s = Número de pontos de um intervalo senφ = Seno do ângulo de defasamento entre a resistência e impedância (º) XVIII senφ0 = Seno do ângulo de defasamento entre a resistência de magnetização (º) T = Temperatura (ºC) T' = Período (ms) t = Tempo (s) T0 = Temperatura inicial (ºC) Ta = temperatura ambiente (ºC) Tc = temperatura crítica (ºC); TP = temperatura de pico (ºC); Tp = temperatura indicada/calculada do padrão (ºC); Ts = temperatura superficial da chapa (oC) V = Tensão elétrica (V) v0 = Velocidade da fonte (m/s) V0 = Tensão a vazio (V) V1 = Tensão primária (V) V2 = Tensão secundária (V) Vc = Tensão sobre corpo de prova (V) Vcc = Tensão de curto-circuito (V) Wcc = Perdas no teste de curto-circuito (w) Wo = Perdas no ferro (W) XC = Reatância capacitiva (Ω) Xeq = Reatância equivalente (Ω) XIX XL = Reatância indutiva (Ω) Xm = Reatância de magnetização (Ω) y = Espessura das chapas (m) Y = Tensão de escoamento (Pa) Z = Impedância (Ω) Zeq = Impedância equivalente (Ω) Zm = Impedância de magnetização (Ω) α = Difusividade Térmica (m2/s) λ = Constante de integração, aproximadamente 4/π; η = Rendimento térmico (%) φ = Ângulo de defasamento (º) µ = Permeabilidade magnética (H/m) ρ = Resistividade elétrica (m. Ω) σ = constante de Stefan-Boltzmann (5,67*10-8W/m2k4) ε = emissividade γ = constante de Euler ∆Dp = instabilidade temporal do padrão (“drift”); ∆Vp = correção do voltímetro na medição do padrão (V); ∆Rp = correção do ponto de referência na medição do padrão; ∆Vm = correção do voltímetro na correção do mensurando (V); XX ∆Rm = correção do ponto de referência do mensurando; ∆Cm = correção devida ao cabo de compensação (V); ∆F = não uniformidade da temperatura do forno. ∆P = correção do padrão; ρ1 = massa específica do material (kg/m3) XXI Capítulo 1 INTRODUÇÃO 1.1 – Motivação Os aços inoxidáveis são bastante utilizados pela indústria automobilística em sistemas de exaustão. Isso se explica pelo fato destes aços possuírem maior resistência à corrosão em altas temperaturas. O aumento do uso de aços inoxidáveis na indústria automobilística deve-se às mudanças na legislação de diversos países, que impõem o uso de catalisadores (Barteri et al, 1999). Estes aços são utilizados com mais freqüência nas peças que estão entre o motor e o catalisador, uma vez que qualquer processo de corrosão que se inicie antes do catalisador pode gerar resíduos que ficarão aderidos à superfície do corpo catalítico e diminuir a eficiência da catálise (Baptista, 2002). As características mais importantes para os aços que compõem o sistema de exaustão são soldabilidade, conformabilidade, resistência à corrosão e mecânica à altas temperaturas. Além disso, devido à acirrada competição entre fabricantes de veículos, o baixo custo se tornou um dos principais requerimentos para a utilização de materiais. Assim, o uso de aços inoxidáveis de baixo custo (como o ferrítico) vem aumentando, incentivando o desenvolvimento em sua performance (Barteri et al, 1999). Os aços inoxidáveis ferríticos com baixos teores de cromo são de boa resistência à corrosão, boa tenacidade e possuem bom desempenho à altas temperaturas. 1 Capítulo 1 – Introdução 2 A produção mundial bruta de aço inoxidável cresceu 6,7% em 2004 alcançando 24,350 milhões de toneladas métricas no ano (Núcleo Inox, 2005). A Tabela 1.1 mostra a produção bruta de aço inoxidável no mundo. Tabela 1.1 – Produção bruta de aço inoxidável no mundo, em milhões de toneladas. Região Ano 2001 2002 2003 2004 Europa Ocidental/Africa 8,210 8,628 9,055 9,650 Américas 2,306 2,750 2,851 3,000 Ásia 8,404 9,049 10,645 11,400 Europa/Leste e Central 0,265 0,252 0,277 Total Mundo 0,300 19,185 20,679 22,828 24,350 As Figuras 1.1 e 1.2 mostram, respectivamente, a evolução da produção e o consumo de aços inoxidáveis no Brasil, nos últimos anos. A produção brasileira representa aproximadamente 13,7% do total produzido nas Américas. Os aços inoxidáveis ferríticos são utilizados para fabricação de tubos para o sistema de exaustão, através do processo de soldagem por indução de alta freqüência. Os equipamentos de soldagem por indução de alta freqüência são automatizados, compactos e de alto valor agregado (American Welding Society, 1991). A alta produtividade do equipamento, entretanto, torna-o inadequado para realização de testes de simulação, uma vez que acarreta em desperdício elevado de matéria-prima, aumentando o custo. Santana et al (Santana, 2003) e Rego (Rego, 2004) fizeram adaptações em uma máquina de soldagem por pontos, para simular o processo de soldagem por indução de alta freqüência. No entanto, foram observadas algumas discrepâncias, especialmente com relação ao tempo de soldagem que é muito elevado em comparação com o tempo do processo real. Capítulo 1 – Introdução 3 Figura 1.1 – Produção brasileira de aços inoxidáveis longos e planos, em toneladas (Núcleo Inox, 2005). Figura 1.2 – Consumo aparente de aços inoxidáveis longos e planos no Brasil, em toneladas (Núcleo Inox, 2005). Capítulo 1 – Introdução 4 Assim, identificou-se a necessidade de realizar novas implementações na máquina de soldagem, com vistas a se obter uma maior aproximação com o processo industrial. 1.2 – Objetivos Os objetivos deste trabalho foram: - Controle do processo de liberação de gás e desenvolvimento de um sistema para controle da temperatura de pré-aquecimento; - Obtenção das curvas de temperatura versus tempo para diferentes valores de vazão (15 e 30 l/min) e temperaturas de pré-aquecimento (25, 100, 200 e 300°C) em distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem; - Verificar a validade dos modelos matemáticos existentes na literatura na quantificação dos ciclos térmicos obtidos experimentalmente. 1.3 – Estado da Arte Os processos de soldagem vêem sendo cada vez mais automatizados, para tal faz-se necessário o conhecimento de sensores, sistemas de aquisição de dados e supervisão além de técnicas de modelagem matemática. Capítulo 1 – Introdução 5 Para que as variáveis sejam bem controladas, faz-se necessário o conhecimento do processo e estudo da viabilidade da automação. Para assegurar uma boa soldagem, o controle e conhecimento do ciclo térmico são fundamentais. Considerando a inexistência na literatura de um modelo que represente bem o ciclo térmico do processo de soldagem, observa-se a necessidade de desenvolver um modelo a partir de dados experimentais. 1.4 – Escopo da Dissertação O conteúdo deste trabalho envolve, a modelagem matemática do ciclo térmico de soldagem de topo do aço inoxidável ferrítico 409. Para a realização deste trabalho foram feitas adaptações ao processo de liberação de gás com medida de pressão e vazão e levantamento da distribuição de temperatura em função do tempo na soldagem, por meio de termopares soldados à chapa, nas distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem, com e sem adição de gás. Com isso, foram obtidos dados experimentais para a modelagem matemática do ciclo térmico do processo de soldagem. O Capítulo 2 se refere a estudos aprofundados realizados em livros e artigos sobre o aço utilizado, o processo de soldagem, o ciclo térmico e modelos matemáticos já existentes na literatura. O Capítulo 3 se refere a toda a metodologia e aparato experimental utilizado para a realização dos ensaios. Capítulo 1 – Introdução 6 O Capítulo 4 se refere a todos os resultados obtidos, incluindo gráficos, análises e modelagem proposta. O Capítulo 5 se refere às conclusões e proposição de trabalhos futuros. Capítulo 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 – Aços Inoxidáveis A corrosão é geralmente entendida como uma destruição parcial ou total de um material, inclusive um metal ou liga metálica, por via química ou eletroquímica. Geralmente, a proteção contra a corrosão é feita criando-se sobre a superfície do metal uma fina película de óxido protetora que separa o metal-base do meio corrosivo denominada camada passiva. Essa camada aparece espontaneamente, quando há presença de cromo e oxigênio (Núcleo Inox, 2005). A Figura 2.1 mostra a existência desta película. Os aços inoxidáveis possuem em sua composição química o cromo, que é utilizado para conferir propriedades de resistência à corrosão às ligas de ferro. A velocidade e a extensão do ataque dependem da capacidade oxidante do meio circundante. Esses meios corrosivos podem ser classificados em oxidantes, se tendem a tornar passiva uma determinada liga e redutores, se tendem a destruir sua passividade. Assim sendo o aço inoxidável, que é adequadamente empregado em um meio oxidante, perde sua utilidade quando empregado em meios redutores. 7 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.1 –Camada passiva nos aços inoxidáveis (Núcleo Inox, 2003) 8 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Os aços inoxidáveis podem ser divididos, de acordo com a microestrutura e a possibilidade de endurecimento por tratamento térmico em martensíticos, austeníticos, ferríticos e duplex. Os aços martensíticos e ferríticos são ligas básicas de ferro e cromo, já os austeníticos são formados por uma liga de ferro-cromo-níquel, mas todos eles constituem um grupo de ligas especiais desenvolvidas especialmente para resistir à corrosão. 2.1.1 – Aço Inoxidável Ferrítico Os aços inoxidáveis ferríticos são aços de resistência mecânica mais baixa, principalmente em altas temperaturas e podem conter até 27% de cromo. Os aços inoxidáveis ferríticos são ferro-magnéticos, soldáveis, possuem elevada resistência à corrosão sob tensão, facilmente conformados e mais econômicos, quando comparados com os aços austeníticos (Núcleo Inox, 2005). O teor de carbono é baixo, reduzindo a formação de austenita no aquecimento, tornandose dessa forma, aços não endurecíveis por têmpera. São utilizados na condição de recozido, onde apresentam melhor resistência à corrosão (Tebecherani, 2003), ou deformados a frio (Chiaverini, 1990). Os aços inoxidáveis ferríticos podem ter sua tenacidade reduzida associada à formação da fase σ, entre cerca de 820 e 510ºC, e de fase α’ entre cerca de 550 e 320ºC (Modenesi, 2001). 9 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 2.1.2 – Soldabilidade do Aço Inoxidável Ferrítico Os principais problemas de soldabildade nos aços inoxidáveis ferríticos são: perda de ductilidade e tenacidade, sensibilidade à corrosão intergranular e formação de trincas de solidificação. A perda de tenacidade é associada ao aumento do tamanho de grão que ocorre durante a soldagem. A Figura 2.2 mostra o efeito da temperatura no tamanho de grão de dois tipos de aços inoxidáveis ferríticos (Modenesi, 2001). Para reduzir o crescimento de grão, pode-se utilizar, na composição química, Ti, Nb e V, ou menores energias de soldagem, obtendo-se, também, uma diminuição na largura da ZTA (Zona Termicamente Afetada). Os aços inoxidáveis ferríticos com baixa quantidade de cromo podem apresentar formação de martensita nos contornos de grão na ZTA, acarretando em aumento de dureza e diminuição de ductilidade e da tenacidade. A sensibilização à corrosão intergranular é causada pela precipitação de carbonetos de cromo nos contornos de grão, causando o empobrecimento de cromo nas regiões imediatamente adjacentes que apresentam uma diminuição na resistência à corrosão e geração de martensita (Nishimoto e Ogawa, 1999). Essa formação de martensita pode ser suprimida através da adição de 0,5% de titânio e até 1% de nióbio (Castro e Cadenet, 1974). Os problemas de sensibilização nos aços inoxidáveis ferríticos ocorrem durante o resfriamento após aquecimento acima de cerca de 925oC, pois são necessárias maiores temperaturas para solubilizar os elementos intersticiais (Modenesi, 2001). Um método efetivo de melhorar a resistência à corrosão intergranular da junta soldada consiste na redução do conteúdo de carbono e 10 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.2 – Crescimento de grão em aço inoxidável ferrítico, de acordo com a temperatura de tratamento: (a) sem nióbio e (b) com 0,6% de Nb e 0,08% de (C+N) (Modenesi, 2001). 11 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica nitrogênio do aço, na fixação do carbono e nitrogênio pela adição de Ti e Nb, além de aquecimento pós-soldagem (Nishimoto e Ogawa, 1999). 2.2 – O Processo de Soldagem Segundo Houldcroft (Houldcroft, 1979), todo processo de soldagem deve preencher os seguintes requisitos: - Gerar uma quantidade de energia capaz de unir dois materiais, similares ou não; - Remover as contaminações das superfícies a serem unidas; - Evitar que o ar atmosférico contamine a região durante a soldagem; - Proporcionar algum grau de controle da microestrutura, para que a solda alcance as propriedades desejadas, sejam elas físicas, químicas ou mecânicas. A maioria dos processos de soldagem consiste em aquecer a superfície de contato de metais de modo a levá-los a um estado de fusão ou plasticidade. A região onde ocorre a fusão do metal é denominada junta, que se caracteriza por sua resistência e coesão depois que o metal resfria. A soldagem se divide basicamente em: - Processos por pressão: as peças de metais são forçadas uma contra a outra pela aplicação de pressão e, ao mesmo tempo, com o aquecimento ocorre deformação plástica. 12 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica - Processo por fusão, a área a ser soldada é aquecida por uma fonte concentrada de calor, levando à fusão localizada do metal, podendo-se adicionar metal de enchimento na junta. O processo por fusão se subdivide em soldagem a gás, a arco, soldagem alumino-térmica, entre outros. 2.2.1 – A soldagem por resistência A soldagem por resistência compreende um grupo de processos de soldagem nos quais a união de peças metálicas é produzida em superfícies sobrepostas ou em contato topo a topo. Na soldagem por resistência, uma corrente elétrica passa através das faces das peças, que são pressionadas em sua interface de contato, provocando o aquecimento (efeito Joule) e, em alguns casos, fusão das peças a serem unidas. A aplicação de pressão entre as peças garante a continuidade do circuito elétrico e permite a obtenção de soldas com baixo nível de contaminação, seja pela proteção física da solda, ou pela expulsão da região contaminada para fora da junta. A soldagem de topo por resistência é utilizada para unir arames, tubos, anéis, e tiras de mesma seção transversal. Um bom contato superficial entre as peças é imprescindível para a obtenção de uma solda isenta de descontinuidade e, devido a isso, o processo não é utilizado para peças de seção grande ou com formato complicado e irregular, como, por exemplo, tubos para oleodutos, gasodutos e trilhos. 13 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 14 A soldagem a ponto por resistência elétrica é um processo de alta velocidade, fácil operação e grande adaptabilidade à automação (Fonseca e Bracarense, 1999). O processo de soldagem por pontos é largamente empregado na união de chapas de metal, particularmente na indústria automobilística que prefere o processo por pontos, devido ao fato de ser de operação simples e de baixo custo (Cho e Rhee, 2003). Recentemente, têm sido feitas tentativas para reduzir o número de pontos de solda para aumentar a produtividade (Cho e Rhee, 2002). A quantidade de calor gerada (E) por efeito Joule na área de contato dos elementos é determinada pela Eq. 2.1: t E = η∫ RcI2dt (2.1) 0 onde I = corrente (A); Rc = resistência do circuito na área de contato (Ω); t = tempo durante a qual a corrente flui (s); η = constante, cujo valor é menor ou igual a um, função das perdas de calor e que varia com as diferentes condições de soldagem e de acordo com os diversos metais. As principais variáveis da soldagem por resistência são a corrente, a resistência elétrica do circuito, o tempo, a força, a forma e o acabamento superficial nos eletrodos. O valor da corrente depende da área de contato entre os eletrodos e as peças, ou entre as peças, do material a ser soldado e da espessura deste. Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Aumentando-se a intensidade da corrente, pode-se diminuir o tempo de fluxo desta corrente. No processo de soldagem por pontos, pode ocorrer expulsão de material com a formação de rebarba na interface entre os metais soldados. Este efeito prejudica a qualidade da solda, pois envolve a perda de metal da zona fundida durante a soldagem, podendo acarretar na formação de descontinuidades na solda em alguns casos. A formação da rebarba envolve uma interação entre fatores mecânicos, térmicos e metalúrgicos, além de outros fatores como morfologia das superfícies, resistência da junta e condutividade térmica (Senkara et al, 2004). 2.2.2 – Soldagem por Indução de Alta Freqüência A soldagem por indução de alta freqüência é um processo de soldagem por deformação pertencente ao segmento de soldagem por resistência elétrica que utiliza o calor gerado na interface dos materiais obtido através de um fluxo magnético, de alta freqüência, produzindo circulação de corrente, através do material, simultaneamente com a aplicação de pressão. A potência necessária para aquecer o metal de base neste processo é função de diversas variáveis, tais como espessura da tira, velocidade da tira, ângulo formado pelas bordas da tira, comprimento das bordas e alinhamento das extremidades da tira (Choi et al, 2004). No processo de soldagem por indução de alta freqüência, não há contato direto entre o indutor e a peça soldada. A corrente é induzida na junta por meio de 15 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 16 uma bobina, e a freqüência da corrente varia usualmente entre 100 e 500kHz (Rudd, 1957). A Eq. 2.2 mostra a relação entre a espessura (e) ou profundidade de penetração da corrente induzida e sua freqüência (Scott, 1996). e= 1 πfµG (2.2) onde f = freqüência (Hz); µ = permeabilidade magnética do metal base; G = condutividade elétrica do metal base (Ω-1). Percebe-se que, para freqüências elevadas, tem-se uma pequena penetração da corrente na peça. Isto constitui uma vantagem do processo, na medida em que o calor gerado concentra-se em regiões menores e a zona termicamente afetada obtida é menor. Além disso, o aquecimento localizado do metal base se traduz em uma grade eficiência do processo (Choi et al, 2004). A soldagem por alta freqüência é utilizada industrialmente para a fabricação de tubos. A Figura 2.3 mostra um esquema do arranjo utilizado para esta finalidade. O tubo se desloca entre os rolos de conformação, que são responsáveis por aplicar pressão na junta, e a corrente elétrica é induzida através da bobina. Outro elemento mostrado na Fig. 2.3 é o “impider”. Ao soldar pelo processo de indução de alta freqüência, é possível que haja circulação de corrente nas paredes internas do tubo, além das paredes externas. Esta corrente circula em paralelo com a corrente de soldagem e pode acarretar em substanciais perdas de energia nas extremidades da junta. Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.3 – Soldagem por indução de alta freqüência de tubos indicando os principais componentes do processo (Santana, 2003). 17 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 18 Uma vez que a energia perdida não aquece efetivamente a junta, é necessário que haja redução da velocidade de soldagem ou aumento da potência, de modo que a temperatura de soldagem seja alcançada. Para minimizar a perda, o “impider” é colocado no interior do tubo, próximo à região da solda. O “impider” aumenta a reatância indutiva do percurso da corrente no interior do tubo, reduzindo a circulação indesejável da corrente, e possibilitando o aumento da velocidade de soldagem ou a diminuição da potência. Os “impiders” são usualmente ferríticos em sua constituição e são geralmente resfriados de modo a se manterem abaixo do ponto Curie (temperatura em que ocorre perda de propriedades magnéticas). 2.3 – Máquina de Soldagem por Pontos O equipamento para soldagem por resistência deve apresentar três sistemas básicos: elétrico, mecânico e de controle. O sistema elétrico consiste em uma fonte de energia, conexões e eletrodos. As máquinas de corrente alternada são do tipo energia direta, sendo que a corrente de soldagem é fornecida diretamente por um transformador monofásico. A máquina de soldagem por pontos possui partes móveis tais como os eletrodos e os braços. Os eletrodos são feitos de ligas que têm elevada condutividade térmica e elétrica, geralmente à base de cobre, além de serem resistentes à deformação e ao desgaste, mesmo em temperaturas relativamente elevadas. A geometria dos eletrodos tem influência na qualidade Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 19 da solda produzida e deve ser otimizada para cada aplicação. O papel dos eletrodos na soldagem é conduzir a corrente elétrica, aplicar força no local a ser soldado e dissipar parte do calor gerado durante a soldagem. São projetados para densidades de corrente entre 800 a 10000A/cm2 e pressões entre 70 e 400MPa sem se deformar. Não podem formar liga com o metal a ser soldado. O sistema mecânico consiste de um chassi, que suporta o transformador e outros componentes dos sistemas elétricos e de controle, e de um dispositivo para a fixação das peças e aplicação de pressão. O sistema de controle pode atuar sobre o tempo de soldagem e sobre a ação mecânica da aplicação da força do eletrodo. 2.3.1 – O Transformador da Máquina de Soldagem a Pontos A máquina de soldagem a ponto é, em geral, basicamente um transformador monofásico (Fig. 2.4). Como pode ser observado, este é composto de dois enrolamentos: o primário e o secundário. Uma aplicação de tensão no primário gera, através do campo magnético φ, uma tensão e uma corrente no secundário, que são, respectivamente, a tensão e a corrente de soldagem. Existe uma relação de transformação entre o primário e o secundário dada pela Eq. 2.3 (Martignoni, 1973): I 2 V1 N1 = = I1 V2 N 2 (2.3) onde V1 e V2= tensão primária e secundária, respectivamente (V); N1 e N2 = número de espiras do primário e secundário, respectivamente; Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.4 – Representação dos principais componentes de um transformador monofásico (Martignoni, 1973). 20 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 21 Para se obter as características elétricas da máquina são realizados o teste a vazio e o teste em curto-circuito. 2.3.1.1 – Teste a Vazio Na operação a vazio é verificado que o enrolamento do primário do transformador é percorrido por uma corrente de magnetização. Essa corrente deve figurar no cálculo da corrente do primário da seguinte forma (Eq. 2.4): I1 = I 2 N2 + Im N1 (2.4) onde I2 = corrente secundária (A); N1 = número de espiras do primário; N2 = número de espiras do secundário; Im = corrente de magnetização (A). O teste a vazio possibilita determinar a corrente a vazio (I0), as perdas magnéticas (W0) e o fator de potência a vazio (cos φ0). Os parâmetros elétricos necessários à elaboração do circuito equivalente a vazio, tais como resistência de magnetização (rm) e indutância de magnetização (xm), podem então ser determinados. A Figura 2.5 mostra o circuito equivalente a vazio. A partir da medição da tensão (V0), da corrente (I0), da potência absorvida (Wo) e das Eqs. 2.5, 2.6, 2.7, 2.8 e 2.9 determinam-se os parâmetros necessários a elaboração do circuito equivalente a vazio. Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.5 – Circuito equivalente referido ao lado primário obtido no teste a vazio. 22 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 23 Fazem parte do circuito equivalente, a reatância de magnetização (Xm), a resistência de magnetização (rm). 2 V rm = 1 W0 V1 rm I 0 ( 2.6) V1 I 0 sen φ ( 2.7) Xm 2πf ( 2.8) cos φ = Xm = ( 2.5) Lm = Z m = X m + rm 2 2 ( 2.9) onde V0 = tensão a vazio (V); rm = resistência de magnetização (Ω). I0 = corrente a vazio (A); cosφ0 = fator de potência a vazio; senφ0 = seno do ângulo de defasamento entre a resistência de magnetização e a reatância de magnetização; Xm = reatância de magnetização (Ω); f = freqüencia (Hz); rm = resistência de magnetização (Ω). Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 24 2.3.1.2 – Teste em curto-circuito O teste em curto-circuito possibilita a determinação dos parâmetros, resistência (Req) e reatância (Xeq) equivalentes, necessários à construção do seu circuito equivalente. As Figuras 2.6 e 2.7 mostram o circuito equivalente em curtocircuito e o diagrama vetorial entre a resistência (Req) e a reatância (Xeq), impedância (Zeq) equivalentes e o ângulo de defasamento φ. A partir da obtenção, no teste em curto-circuito, da tensão (Vcc), da corrente primária (Icc), e das perdas (Wcc), pode-se calcular, através das Eqs. 2.10, 2.11, 2.12 e 2.13, a impedância equivalente (Zeq), o fator de potência (cosφ), a resistência (Req) e a reatância (Xeq) equivalentes. Vcc I cc ( 2.10) Wcc Vcc I cc ( 2.11) Req = Z eq cos φ ( 2.12) X eq = Z eq sen φ ( 2.13) Z eq = cos φ = onde Vcc = tensão (V); Icc = corrente (A); senφ = seno do ângulo de defasamento entre a resistência equivalente e a impedância equivalente; Wcc = perdas no teste de curto-circuito (W). Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.6 – Circuito equivalente referido ao lado primário obtido no teste em curto-circuito Figura 2.7 – Diagrama vetorial entre a resistência equivalente, reatância equivalente e impedância equivalente. 25 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 26 2.4 – Resistência de Contato A resistência elétrica de todo circuito secundário é importante devido às elevadas correntes de soldagem. Quando as peças a serem soldadas já estão unidas mecanicamente através da pressão exercida pelos eletrodos, pode-se dizer que a resistência entre eletrodos é um conjunto de cinco resistências elétricas, sendo a resistência total dada pela soma das parciais (Fig. 2.8). R T = R1 + R 2 + R 3 + R 4 + R 5 (2.14) onde R1 = resistência de contato entre o eletrodo e a peça superior (Ω); R2 = resistência da peça superior (Ω); R3 = resistência de contato entre a peça superior e inferior (Ω); R4 = resistência da peça inferior (Ω); R5 = resistência de contato entre o eletrodo inferior e a peça inferior (Ω). De todas as resistências, R3 é a mais importante, porque é neste local que se formará o ponto e, conseqüentemente, a geração de calor para ocorrer a fusão localizada. As resistências R1 e R5 tornam-se importantes nos casos de metais com pouca resistividade elétrica. Os valores de R1 e R5 devem ser mantidos o mais baixo possível para evitar excessiva geração de calor na região de contato eletrodo-peça, bem como aumentar a vida útil do eletrodo. As resistências R2 e R4 não têm praticamente influência nos estágios iniciais da soldagem, porém, são importantes nos estágios finais (Wainer et al, 1992). Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.8 – Esquema das resistências elétricas na soldagem por resistência a ponto (Wainer et al, 1992) 27 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 28 A resistência elétrica de um determinado condutor é dada pela Eq. 2.15: R=ρ Lc Ac (2.15) onde ρ = resistividade do material (Ω.m); L c = comprimento do condutor (m); A c = área da seção reta do condutor (m2). A variação da resistência elétrica na soldagem, devido à geração de calor pelo efeito Joule pela passagem da corrente de soldagem, é um dos fatores mais importantes na formação da zona fundida. Muitos problemas podem ocorrer na medida da resistência devido aos elementos de reatância indutiva do circuito elétrico. Uma maneira de adquirir a resistência de contato sem a influência de ruídos indutivos é usar o valor eficaz de tensão e de corrente (Cho e Rhee, 2002). A resistência de contato constitui o ponto de maior resistência elétrica do circuito secundário no início do processo. Isso é causado pela existência de filmes de óxidos não condutores e outras partículas na superfície da peça. Estudos teóricos, complementados com fatores de correção experimentais, indicam para a resistência de contato, o valor dado pela Eq. 2.16 (Wainer et al, 1992), válida no intervalo de pressão: R= 0,8Y > P ≥ 0,3Y : 0,85 ρ Y πnC p onde ρ= resistividade elétrica dos materiais em contato ( Ω m); n = número de pontos por unidade de área; (2.16) Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 29 Cp= fração de área metálica condutora em contato; característica do estado superficial das peças em contato; Y = limite de escoamento (kgf/cm2). Para valores próximos do limite de escoamento, ou mesmo acima dele, a Eq. 2.16 é válida, pois a condutividade aumenta de forma aproximadamente linear com a pressão. Essa equação não é válida para o alumínio, possivelmente devido ao óxido que se forma na superfície das chapas (Wainer et al, 1992). Outro aspecto a ser ressaltado é a variação da resistência com a temperatura, dada por (Wainer et al, 1992): R = k 1 exp −k 2 ( T − 30 ) + k 3 (2.17) onde T = temperatura (oC) e k1 ,k2 e k3 = constantes para cada material; Na e Park (Na e Park, 1996) discutem a variação da resistência dinâmica (resistência total) durante o processo de soldagem por pontos. A Figura 2.9 mostra a evolução da resistência dinâmica com o tempo. No começo do processo, observa-se que há um decréscimo no valor da resistência até que seja atingido um valor mínimo. Este fenômeno é atribuído à presença de filmes entre as peças, assim como entre o material e os eletrodos, que são eliminados nos instantes iniciais da solda. O fato da resistência dinâmica aumentar gradativamente com o tempo de soldagem é devido ao aumento na resistividade elétrica dos materiais envolvidos que aumenta com a temperatura. Por outro lado, à medida que a temperatura cresce, observa-se uma diminuição na resistência mecânica dos materiais. A partir da Fig. 2.9, pode-se inferir que o aumento da resistividade elétrica dos materiais configura um efeito dominante em relação à Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.9 – Resistência dinâmica medida durante a soldagem por pontos e modelada por elementos finitos (Na e Park, 1996).de óxidos e outras impurezas existentes na interface dos materiais soldados. Figura 2.10– Ciclo térmico esquemático de soldagem (Marques, 1991). 30 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica queda na resistência de contato, explicando o aumento observado na resistência dinâmica. 2.5 – O Calor na Soldagem O ciclo térmico na soldagem influencia diretamente na estrutura e, portanto, nas propriedades finais da junta. Ele consiste da etapa de aquecimento do material, obtenção da máxima temperatura no ciclo e a etapa de resfriamento gradual. A microestrutura formada na ZTA depende dos seguintes fatores (Lomozik, 2000): - Temperatura máxima do ciclo térmico; - Taxa e tempo de resfriamento; - Composição química do material soldado. O ciclo térmico produz na zona termicamente afetada (ZTA) para aços, tanto durante o aquecimento como durante o resfriamento, várias alterações estruturais que afetam significativamente as propriedades mecânicas do material, tais como austenitização, formação e dissolução de carbonetos, crescimento de grão, etc. A Figura 2.10 mostra aspectos importantes relativos ao ciclo térmico. A temperatura de pico (TP), que é a temperatura máxima atingida em um ponto, diminui com a distância ao centro da solda, e indica a extensão das regiões afetadas pelo calor de soldagem. O tempo de permanência (tP) refere-se ao tempo em que um ponto fica submetido a temperaturas superiores a uma 31 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica temperatura mínima para ocorrer uma alteração de interesse, chamada temperatura crítica (TC). A velocidade de resfriamento é caracterizada pelo tempo necessário (∆t) para o ponto resfriar de uma temperatura T1 à outra T2. Usualmente, T1 e T2 são, respectivamente, 800 e 500oC. A Figura 2.11 mostra as principais transformações estruturais ocorridas durante um ciclo térmico na zona fundida de um aço baixo carbono, devido ao processo de soldagem. Na ZTA, o aquecimento é realizado a uma temperatura acima da temperatura crítica, com isso ocorre austenitização do aço, sendo este o ponto de partida para as transformações posteriores, as quais serão definidas pela velocidade do resfriamento da junta, levando o material a adquirir diferentes propriedades. Na fase do aquecimento devem ser consideradas a velocidade de aquecimento e a temperatura máxima atingida. Do ponto de vista metalúrgico, é muito importante conhecer os picos de temperatura e as velocidades de resfriamento a que são submetidos os materiais em processamento, uma vez que, dessas variáveis, dependerão as propriedades finais da região processada. O cômputo desses valores poderá ser efetuado a partir da curva temperatura versus tempo, uma vez que nela pode-se determinar a máxima temperatura alcançada e as velocidades de resfriamento em cada instante, no ramo descendente da curva representativa do ciclo térmico (Figs. 2.10 e 2.11). 32 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.11 – Diagrama esquemático mostrando diferentes alterações que ocorrem em um ponto na zona fundida da solda de um aço baixo carbono (Marques, 1991). 33 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Conforme pode ser observado na Fig. 2.12 (a), cada uma das regiões numeradas representa um tipo de transformação metalúrgica. Na Figura 2.12 (b) é mostrado um esquema da distribuição de temperatura na soldagem por pontos. As regiões mostradas nesta figura são: - Região 1: região não afetada; - Região 2: zona onde se forma ferrita e austenita no aquecimento, podendo dar, no resfriamento, perlita e martensita, dependendo da velocidade de resfriamento; - Região 3: região de austenitização completa e abaixo da temperatura de fusão; - Região 4: região onde ocorrem as reações no estado sólido, difusão de carbono e outros elementos; - Região 5: zona fundida. Além dos problemas metalúrgicos causados pelos ciclos térmicos durante a soldagem, outros fenômenos podem provocar efeitos danosos como a ocorrência de deformações plásticas e, conseqüentemente, o aparecimento de tensões residuais na junta soldada e suas adjacências. Informações sobre o ciclo térmico são necessárias para se quantificar a forma da solda, largura da ZTA, as propriedades do metal de solda e da ZTA, difusão e processos termomecânicos, entre outros (Karkhin e Pilipenko, 1996). 34 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica (a) 35 (b) Figura 2.12 – Distribuição da temperatura na soldagem por pontos (Wainer et al, 1992). Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Na maioria dos processos de soldagem o calor é um elemento essencial à execução de uniões soldadas, mas pode, por outro lado, representar fonte potencial de problemas devido à sua influência direta nas transformações metalúrgicas e nos fenômenos mecânicos que ocorrem na zona de solda. Esses efeitos são conseqüências dos ciclos térmicos e das temperaturas a que a zona de solda é submetida. Os fatores mais importantes que devem ser considerados no estudo da transferência de calor em juntas soldadas são (Wainer et al, 1992): - Aporte de energia ou de calor à junta soldada; - Rendimento térmico; - Distribuição e picos de temperatura (ciclo térmico) durante a soldagem; - Tempo de permanência acima dessas temperaturas críticas; - Velocidade de resfriamento da zona soldada. Há uma relação de causa e efeito entre o aporte de energia à junta soldada e o rendimento térmico e a distribuição de temperatura e tempo de permanência. Yeung e Thornton (Yeung e Thornton, 1999) mostraram que as perdas de calor por convecção e radiação não são significativas no caso da soldagem por pontos, onde a potência empregada para o aquecimento da junta é geralmente da ordem de kW. A Tabela 2.1 mostra uma estimativa das perdas por convecção e radiação para diferentes valores de área de troca de calor e temperatura superficial. 36 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 37 Tabela 2.1 – Perdas estimadas por convecção e radiação, para diferentes valores de área de troca de calor e temperatura superficial (Yeung e Thornton, 1999). Temperatura Área Perda por Convecção Perda por Radiação (K) (mm2) (W) (W) 1018 6,86 0,12 0,41 957 15,04 0,25 0,71 855 22,74 0,32 0,68 651 190,15 1,70 1,86 549 94,24 0,60 0,45 446 127,42 0,49 0,23 Estes valores foram calculados através de uma análise em regime permanente, usando as Eqs. 2.18 e 2.19 para a convecção e radiação, respectivamente. Qc = hA(Ts − Ta ) (2.18) Qr = σεA(Ts 4 − Ta4 ) (2.19) onde Qc = taxa de transferência de calor por convecção (W); Qr = taxa de transferência de calor por radiação (W); h = coeficiente de transferência de calor por convecção (W/m2 oC); σ = 5,67 x 10-8 W/m2K4(constante de Stefan-Boltzmann); ε = emissividade; Ts = temperatura superficial da chapa (oC); Ta = temperatura ambiente (ºC). Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 38 Estes resultados apontam para um modelo de soldagem que leve em conta apenas a condução de calor através do sólido, desprezando as perdas de calor para o ambiente (Yeung e Thornton, 1999). A condução de calor através de um sólido, no domínio do tempo t, referido a um sistema cartesiano (x,y,z) pode ser expresso pela equação: ∂T ∂ ∂T ∂ ∂T ∂ ∂T + k + q0 = ρ1c + k k ∂t ∂x ∂x ∂y ∂y ∂z ∂z (2.20) onde T = variável representado a temperatura (oC); t = tempo (s); k = condutividade térmica (W/(moC)); ρ1 = massa específica (kg/m3); q0 = fonte ou sorvedouro de calor (Wm3); c = calor específico do material no estado sólido (J/(kgoC)). Grong (Grong, 1994) propôs uma solução para este modelo considerando fluxo unidirecional na direção y (Fig. 2.13). Assim, a Eq. 2.22 se transforma em: ∂ 2T ∂T = α 2 ∂t ∂y onde T = temperatura (oC) t = tempo (s) α = difusividade térmica (m2/s); (2.23) Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 2.13 – Modelo para o estudo da condução de calor unidirecional (Grong, 1994). 39 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 40 cuja solução genérica é dada por: − y T − T0 = 1 / 2 exp t 4 α t B 2 (2.24) onde T = temperatura (oC); T0 = temperatura inicial (oC); t = tempo (s). O parâmetro B se relaciona com a quantidade total de energia entregue à junta a partir de um instante inicial sendo calculado através da Eq.2.25. B= Q 1 2 2 Aρ1cα π 1 2 (2.25) onde α = difusividade térmica (m2/s); A=área (m2); c = calor específico do material (J/(Kg.K); ρ1 = massa específica do material (kg/m3); Entretanto, tem-se que esta energia é igual à potência elétrica dissipada. Então: t Q = η ∫ I 2 Rdt 0 onde η = rendimento térmico; I = corrente de soldagem (A); t = tempo de soldagem (s); (2.26) Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 41 R = resistência elétrica total (Ω); A difusividade térmica pode ser calculada pela Eq.2.27. α= k ρ1c (2.27) onde: k = condutividade térmica (W/(m.K)); ρ1 = massa específica do material (kg/m3); c = calor específico do material (J/(Kg.K); Machado (Machado, 2000), define o estado permanente como aquele no qual o campo de temperaturas, associado à fonte de energia, não varia com o tempo. Estando a posição da fonte de energia fixa em relação ao sólido, este estado é denominado estacionário. Este estado estacionário é alcançado apenas quando tÆ ∞. Nas condições de estado estacionário, se o corpo perde calor uniformemente, o resfriamento é dado por (Machado, 2000): T = T0 ⋅ exp( −bt ) (ºC) (2.29) onde T = temperatura (ºC); T0 é a temperatura inicial do corpo (de pré-aquecimento) (ºC); t = tempo (s); b = parâmetro de dissipação de calor através da superfície (1/s) b é dado por: b= 2h (1/s) gρ1c (2.30) Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica onde h = coeficiente de dissipação de calor através da superfície; g = espessura da chapa (m); ρ1 = massa específica do material (kg/m3); c = calor específico (J/(kgoC)). As taxas de resfriamento provocadas pela soldagem são elevadas em certas regiões do metal base e, na maioria dos aços, as transformações de fase mais importantes ocorrem em intervalos de temperatura entre 800 e 500oC. 42 Capítulo 3 METODOLOGIA EXPERIMENTAL 3.1- Materiais e Métodos Experimentais Os corpos-de-prova utilizados nos experimentos foram feitos de aço inoxidável ferrítico AISI 409, na forma de chapa com dimensões 50x20x1,6mm (Figura 3.1). A preparação dos corpos-de-prova foi feita através de corte, seguido do fresamento da superfície. A Figura 3.2 mostra a máquina utilizada nos experimentos, isto é, um transformador monofásico, cujo funcionamento é baseado em fenômenos de mútua indução, presentes entre dois circuitos isolados eletricamente, porém conectados magneticamente. A máquina de soldagem por pontos possui em seu enrolamento primário quatro derivações, cujas correntes nominais, conforme especificação do fabricante, estão mostradas na Tab. 3.1. Tabela 3.1 – Corrente nominal para as quatro derivações da máquina de soldagem. Derivação Corrente Nominal (A) 1 30 2 40 3 50 4 60 43 Capítulo 3 – Metodologia Experimental 44 Figura 3.1 – Dimensões dos corpos-de-prova de aço inoxidável AISI 409, utilizados nos experimentos. Figura 3.2 – Máquina de soldagem a ponto utilizada nos experimentos, evidenciando o sistema de garras de fixação. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 45 Santana e Modenesi (Santana, 2002) desenvolveu a parte mecânica desse equipamento, modificando-o através da inserção de garras, instalação de célula de carga e temporizador. Foi feita a medição da zona termicamente afetada pela medida da largura da região oxidada na superfície dos corpos-deprova, sem o conhecimento do ciclo térmico. Rêgo (Rêgo, 2004) desenvolveu a parte elétrica e eletrônica do equipamento e o projeto do circuito de alimentação para o controle da corrente e tensão de alimentação da máquina de soldagem. Foi elaborado, também, um software para obtenção dos dados de controle do processo de soldagem. A máquina funcionou sem refrigeração o que provocou um curto no primário, sendo necessário reenrolar a bobina do transformador. Como resultado, algumas de suas características elétricas foram alteradas, o que levou a realização de testes a vazio e curto-circuito para levantar essas novas características. A Figura 3.3 mostra o circuito montado para a realização do ensaio a vazio, para obtenção dos valores de corrente total a vazio (I0), tensão no primário (V0), tensão no secundário (V2), e perdas (W0). As características dos instrumentos usados estão mostradas na Tab. 3.2. Tabela 3.2 – Características dos instrumentos utilizados nos testes à vazio e curto circuito . Instrumento Quant Fabricante Modelo Tipo Escala Digital ------------ Precisão Osciloscópio 01 Tektronik TDS220 ±0,1% Voltímetro 01 GOERZ 444322 Analógico 0 a 300V ±0,2% Amperímetro 01 GOERZ 444352 Analógico 0a5A ±0,2% Voltímetro 01 Tektronic PMM914 Digital Watímetro 01 GOERZ 444383 Analógico 0 a 750W ±0.2% Varivolt 01 SPT ------- VME381 --------- ------------ Capítulo 3 – Metodologia Experimental 46 Figura 3.3 – Circuito elétrico utilizado para realização dos testes a vazio da máquina de soldagem e obtenção dos oscilogramas da tensão e corrente primária nas derivações 1 e 2. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 47 O teste em curto circuito foi realizado para obter os valores de corrente no primário (Icc), tensão no primário em curto circuito (Vcc), corrente no secundário (I) e perdas em curto circuito. A Figura 3.4 mostra a montagem do circuito para realizar o teste em curto circuito. Rêgo (Rêgo, 2004) obteve o perfil térmico da junta e desenvolveu a modelagem matemática correspondente ao ciclo de aquecimento. As propriedades mecânicas da junta soldada e a própria qualidade da solda do aço inoxidável AISI 409 podem depender da taxa de resfriamento durante e após soldagem. Como mencionado, os objetivos deste trabalho foram a modelagem matemática do ciclo térmico durante o processo de soldagem de topo do aço AISI 409, a automação do processo de liberação de gás de proteção e desenvolvimento de um sistema de controle da temperatura de préaquecimento nas chapas. As etapas envolvidas para a se alcançar esses objetivos foram: • Projeto e execução de um sistema de pré-aquecimento, composto de um varivolt e um transformador para controle da temperatura; • Adaptações mecânicas de uma válvula reguladora de pressão, uma válvula solenóide, um medidor de pressão e um medidor de vazão, para desenvolvimento de um sistema automatizado para controle da vazão e pressão do gás de proteção durante o processo de soldagem; • Elaboração do software para controlar o pré-aquecimento e a abertura da válvula de liberação do gás no processo de soldagem; Capítulo 3 – Metodologia Experimental 48 Figura 3.4 – Circuito elétrico utilizado no teste curto circuito da máquina de soldagem e obtenção dos oscilogramas da tensão e corrente primária para as derivações 1 e 2. Capítulo 3 – Metodologia Experimental • 49 Obtenção das curvas de temperatura, tensão, corrente, pressão do gás em função do tempo durante o processo de soldagem; • Análise metalográfica da junta soldada; • Desenvolvimento de um modelo matemático que represente o ciclo térmico do processo. 3.2 - Mensuração da Temperatura Após o seu fresamento, as chapas foram fixadas através de parafusos nas garras de cobre. Os termopares foram soldados às distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem, através de descarga capacitiva (Figuras 3.5 e 3.6). A Tabela 3.3 mostra os dados das características dos termopares tipo K utilizados. Tabela 3.3 – Características dos termopares Tipo Faixa de Temperatura Limites de Erro K 0 a 1260ºC ±2,2ºC ou ±0,75% Este termopar possibilita a medição de temperatura em um intervalo adequado ao processo de soldagem, no qual se observa temperaturas de pico superiores a 1000ºC. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 50 Figura 3.5 – Esquema do posicionamento dos termopares no corpo-de-prova e garras de fixação das chapas. Figura 3.6 – Esquema do posicionamento dos termopares no corpo-de-prova e garras de fixação das chapas, durante os experimentos. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 51 Inicialmente, foi necessário calibrar o sistema de medição de temperatura composto de um termopar (calibrado), um amplificador e uma placa de aquisição de dados. Utilizou-se para essa calibração um forno tipo mufla, marca Lavoisier, dotado de um termostato com controle de temperatura e um termopar. Para a calibração do sistema, valores de temperatura entre 200 e 1000ºC foram colocados no visor do termostato. O termopar calibrado foi colocado ao lado do termopar do forno. Após se atingir o equilíbrio térmico nessas diferentes temperaturas foi lida a indicação da tensão no termopar calibrado, que chegou à placa de aquisição através de um amplificador de sinal. Como o sinal gerado pelos termopares é da ordem de 50mV, foi necessária a utilização de amplificadores para adequar as medidas dos termopares à escala da placa de aquisição de dados que é de 0 a 5V. Foram utilizados amplificadores diferenciais INA 118, montados segundo o circuito mostrado na Fig. 3.7. O sinal adquirido, assíncrono com freqüência de 100Hz foi, então, armazenado em um banco de dados no computador para futuras análises. A curva de calibração foi construída a partir dos valores de tensão recebidos pela placa de aquisição versus os valores de temperatura indicados no visor do termostato. Para a mensuração de temperatura na chapa soldada, utilizou-se o sistema descrito acima com os termopares fixados às distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem e freqüências de amostragem de 10Hz para o resfriamento, 100 e 1000Hz para o aquecimento. Os tempos de soldagem, de máquina ligada, foram 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 segundos. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 52 Figura 3.7 – Ligação dos termopares à placa condicionadora e à placa de aquisição de dados Capítulo 3 – Metodologia Experimental 53 3.3 – O sistema de injeção de gás de proteção A Figura 3.8 mostra o sistema de injeção de nitrogênio para a proteção da junta soldada. O sistema é composto por um cilindro de nitrogênio, válvula reguladora de pressão (White Martins), válvula solenóide (Festo), manômetro digital (GULpress 1000-S), medidor de vazão para a medida da vazão (White Martins). A Tabela 3.4 mostra as características técnicas do medidor de pressão utilizado no processo. Tabela 3.4 – Características técnicas do medidor de pressão CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS Sinais de saída 4 a 20 mA Resistência de carga 0 a 1200 ohms p/ 24Vdc Alimentação 12 a 36 Vdc típica: 24 Vdc Conexão elétrica 2 fios e terra Pino 1 +V Pino 2 -V Temperatura da operação 0 a 60°C Temperatura Compensada 0 70°C Precisão 0,25% do fundo de escala Sobre pressão admissível 2 X fundo de escala Conexão de pressão ¼ “ NPT ou BSP: ½ :NPT ou BSP Peso 0,2 Kg Invólucro industrial robusto de aço inoxidável AISI 304 Para adaptar a válvula reguladora de pressão no cilindro de gás, foi construída uma peça em latão, conforme mostrado na Fig. 3.9. A válvula reguladora fixada ao cilindro foi necessária devido ao fato da pressão no cilindro ser em torno de 130 Kgf/cm2. Com isso, fez-se necessário regular a válvula para uma pressão de 3 a 8 Bar, faixa de pressão necessária para a atuação da solenóide. A válvula solenóide, controlada via supervisório, foi utilizada para abertura e fechamento do gás. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 54 Válvula Reguladora de Pressão Rotâmetro Mangueira de gás Válvula Solenóide Medidor de Pressão Corpo-de-prova Cilindro de Nitrogênio Figura 3.8 –Esquema de ligação do sistema de injeção de gás na junta. Figura 3.9 – Vista lateral da peça para adaptação da válvula reguladora de pressão no cilindro de gás. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 55 Para a aquisição da pressão durante o processo de soldagem, foi instalado um manômetro digital entre o medidor de vazão e a válvula solenóide. A Figura 3.10 mostra o diagrama esquemático das ligações do manômetro digital. Esse medidor trabalha com um sinal de corrente de 4 a 20 mA. Para adquirir a informação de pressão na interface, foi necessário transformar esse sinal de corrente em tensão. Colocou-se um resistor em série com a alimentação (+V), cujo valor foi calculado através da Eq. 3.1. V=RIP (3.1) onde V = tensão (V); R = resistência (Ω); Ip = corrente (A); Para a tensão máxima de 5 volts na placa e uma corrente de 20 mA, o valor calculado para a resistência foi de 250Ω. Foi utilizado , então, um resistor de 220Ω. Para transformar o sinal de tensão em unidade de pressão (bar), foi feita a calibração do medidor de pressão. Abriu-se o registro do gás e a válvula solenóide, leu-se o valor de tensão na placa de aquisição e no manômetro digital, o valor da pressão correspondente em bar. A regulagem de vazão foi feita no medidor de vazão instalado na linha entre o medidor de pressão e o corpo-de-prova. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 56 Sinal de tensão de 0 a 5 volts 220 Ω Terra Pino 1 Pino 2 + - Figura 3.10 - Diagrama esquemático das ligações para obtenção do sinal de pressão na interface. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 57 3.4 – Sistema para controle de pré-aquecimento Para controle de pré-aquecimento no processo de soldagem, foi desenvolvido um sistema composto por um transformador e um varivolt. O transformador foi adaptado de acordo com a Figura 3.11 e calculado a partir das Equações (3.2), (3.3), (3.4), (3.5) e das condições iniciais; V1 = 220V V2 = 4V I1 = ? I2 = 300A Espiras do secundário = 1 Para cálculo da potência do transformador foi utilizada a Eq. (3.2) e encontrouse uma potência de 1200 VA. P = V2 I 2 ⇒ P = 4.300 ⇒ P = 1200VA (3.2) Cálculo da corrente no primário: I1 = P 1200 = = 5, 46 A V1 220 (3.3) Cálculo do número de espiras do primário: V1 N1 220 N1 = ⇒ = ⇒ N1 = 55espiras V2 N 2 4 1 (3.4) Para o cálculo da secção transversal do núcleo, utilizou-se a curva típica do transformador para verificar a indução máxima permitida (Figura 3.12) e verificou-se que deve ser menor que 17.000 Gauss. Cálculo da área da secção transversal do núcleo (Qs): Qs > V .108 220.108 ⇒ Qs > ⇒ Qs > 88,32cm 2 4, 44. f .N1.B 4, 44.60.55.17000 (3.5) Capítulo 3 – Metodologia Experimental Figura 3.11 – Montagem do transformador do sistema de pré-aquecimento. Figura 3.12 – Curva de indução típica de um transformador. 58 Capítulo 3 – Metodologia Experimental 59 onde, f= freqüência (Hz); N1 = número de espiras do primário; B= indução (Gauss); Cálculo da secção do fio do primário: Densidade< 3,5A/mm 2 Corrente no primário Densidade = Secção do fio I 5, 46 Secção do fio > 1 ⇒ Secção do fio > 3,5 3,5 Secção do fio > 1,56mm 2 Ao ligar a máquina de soldagem, ocorreu no transformador do sistema de préaquecimento uma indução, que fez com que fosse necessário curto circuitar seus terminais, para que a solda fosse efetivada. A corrente de magnetização, devido a indução magnética em seu núcleo, foi causado pelo fato da indução ser maior que 17.000 Gauss. Para pré-aquecimento das chapas, foram utilizadas temperaturas de 100, 200 e 300ºC. 3.5 – O software de supervisão No sistema de supervisão, desenvolvido em Delphi, foram adquiridos os dados de pressão do gás, tensão e corrente no corpo-de-prova e temperatura durante o processo de soldagem. Além da aquisição dos dados, o sistema permite o controle da temperatura de pré-aquecimento e da solenóide da válvula de abertura e fechamento do gás de proteção. Capítulo 3 – Metodologia Experimental 60 O software possui as seguintes opções: − Escolha do desligamento do gás: por tempo (determinado pelo usuário) ou por temperatura (determinado por um termopar escolhido, anexado à junta soldada); − Definição do tempo de soldagem (duração do período em que a máquina permanecerá ligada); − Definição do tempo de aquisição dos dados de temperatura após desligamento da máquina; − Opção de aplicar ou não pré-aquecimento (caso aplique pré- aquecimento, o usuário poderá determinar a temperatura de préaquecimento); − Escolha do canal do termopar que desliga o gás por temperatura e identifica a temperatura de pré-aquecimento; − Armazenamento dos dados referentes ao ciclo térmico (os dados são exportados para o Excel para futuras análises). A tela do sistema de supervisão e o fluxograma do processo estão nas Figuras 3.13 e 3.14, respectivamente. Capítulo 3 – Metodologia Experimental Figura 3.13 – Sistema de controle e gerenciamento da máquina de soldagem 61 Capítulo 3 – Metodologia Experimental 62 Inicio Setar endereço da porta (300) Definir tempo de soldagem (T1) Definir freqüência de amostragem para o aquecimento e para o resfriamento Definir tempo de aquisição de dados de temperatura após Desligamento do Gás por tempo? N S Setar temperatura para desligar o gás (T9) Setar tempo para desligamento do gás(T4) Pré aquecimento? Pré aquecimento? N C S S Setar temperatura de pré-aquecimento (T7) Setar temperatura de pré-aquecimento (T7) Escolher o canal do termopar para medir a temperatura de pré-aquecimento Escolher o canal do termopar para medir a temperatura de pré-aquecimento B A N D Capítulo 3 – Metodologia Experimental 63 A B Escolha da tensão de pré aquecimento (T10) Escolha da tensão de pré aquecimento (T10) Aciona saída analógica 0 com tensão de pré-aquecimento (T10) Aciona saída analógica 0 com tensão de pré-aquecimento (T10) Ligar Transformador Saída digital 7 Ligar Transformador Saída digital 7 Temperatura medida==T7? Temperatura medida==T7? N S S Desliga Transformador Saída Digital 7 Desliga Transformador Saída Digital 7 C N D Liga Gás Saída Digital 6 Liga Gás Saída Digital 6 Liga Máquina Saída Digital 8 Liga Máquina Saída Digital 8 Tempo após ligar a máquina==T1 S N Tempo após ligar a máquina==T1 S Desligar Contator da Máquina Saída digital 8 Desligar Contator da Máquina Saída digital 8 E F N Capítulo 3 – Metodologia Experimental 64 F E Tempo após desligamento da máquina==T4 Temperatura após desl. da máquina==T9 N S S Desliga Gás Inicia Captura T2 == Tempo de captura S N Exportar para o Excel Figura 3.14 – Fluxograma do Sistema de Aquisição de Dados. N Capítulo 3 – Metodologia Experimental 65 3.6 – Características da Placa de Aquisição de Dados A interface entre o computador e o processo, o controle da máquina de soldagem e a aquisição dos dados experimentais foi feita através de uma placa de aquisição de dados, modelo PCL-718B Advantech, cujas características estão mostradas na Tabela 3.5. Tabela 3.5 – Características da placa de aquisição de dados utilizada para a aquisição de dados e controle da máquina de solda por pontos Fabricante Advantech Modelo PCL 718B Resolução 12 Bits Entradas analógicas 16 Tensão de entrada ±5V; ±2,5V; ±1,25V; ±0,625V; ±0,3125V Saídas analógicas 2 Tensão das saídas analógicas 0 a 5V ou 0 a 10V E/S digitais 32 (16 entradas e 16 saídas) Conversor AD AD574 Precisão 0,015% ±1LSB Não-Linearidade 1 bit Ganhos 1,2,4,6 e 8 (pelo software) Trigger Software ou trigger externo Tranferência de dados Software ou interrupção Sobretensão ±30V IRQ nível IRQ2 a IRQ7 Capítulo 3 – Metodologia Experimental 66 3.7 – Diagrama de ligações A Figura 3.15 apresenta o esquema de alimentação e controle do processo de soldagem. A obtenção da corrente de soldagem foi feita através de um shunt, de 750A e resistência de 0,0004Ω. A tensão no corpo-de-prova, foi diretamente ligada em um transformador, cuja relação é 1/1, para isolar magneticamente o sinal. Os valores de temperatura, gerados pelos termopares, foram amplificados e adquiridos pela placa de aquisição de dados. Para préaquecimento das chapas, aplicou-se uma tensão de 120V ao transformador do sistema de pré-aquecimento e a temperatura foi medida pelo termopar à distância de 3mm. 3.8 – Montagem Final A montagem final do sistema (Fig.3.16) é composta por um computador com placa de aquisição de dados, um painel de controle onde estão alocados os equipamentos necessários à automação (Fig. 3.17), um manômetro, um medidor de vazão e uma válvula reguladora de pressão fixada ao cilindro de nitrogênio (Fig. 3.18). Capítulo 3 – Metodologia Experimental Figura 3.15 – Esquema geral do circuito de alimentação da máquina de solda Figura 3.16 – Vista da montagem final. 67 Capítulo 3 – Metodologia Experimental Figura 3.17– Vista interna do painel de alimentação e controle do processo. Figura 3.18 – Vista do sistema de injeção de gás no processo de soldagem. 68 Capítulo 3 – Metodologia Experimental 69 3.9 – Análise química e Metalográfica dos Corpos-de-Prova As amostras para análise química têm secção 42x42mm2 e foram lixadas com oxido de alumínio. A análise química foi feita em espectrômetro de emissão ótica, marca SRS3000. Para avaliação das modificações introduzidas na microestrutura em decorrência da soldagem, foram realizadas análises metalográficas na junta soldada. Primeiramente, foi realizado o corte dos corpos-de-prova seguido do embutimento em resina. Em seguida, as amostras foram lixadas até a lixa de granulometria 1000 mesh e, em seguida, acabadas em pasta de diamante de 1µm. Foram realizados ensaios de polarização potenciodinâmica no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) com o objetivo de verificar os valores de potencial e densidade de corrente para polimento e ataque químico do material. Os ensaios eletroquímicos foram realizados à temperatura ambiente (aproximadamente 26oC), baseados na norma ASTM G5-94 (ASTM, 1996). O aparelho utilizado foi um potenciostato AUTOLAB, modelo PGSTAT 20, sendo utilizados um eletrodo auxiliar de platina, o eletrodo de trabalho (amostra de aço inoxidável AISI 409) e eletrodo de referência Ag/AgCl. O ácido utilizado para ataque da superfície das amostras foi o ácido oxálico (C2H2O4.2H2O) 10%. O procedimento para o ataque químico das amostras é descrito abaixo: - A amostra foi desengordurada e lavada com água destilada; Capítulo 3 – Metodologia Experimental - 70 Registrou-se o potencial em circuito aberto após 55 min de imersão na solução; - Em seguida, iniciou-se a varredura de potencial em uma faixa a partir de 150mV abaixo do potencial de circuito aberto até +2,0V acima do potencial de circuito aberto. A taxa de varredura foi de 1mV/s. - O software GPES versão 4.4 foi utilizado para a obtenção da curva de potencial em função do logaritmo da densidade da corrente; O ataque por imersão foi feito utilizando-se reativo de Vilela (5ml HCl, 1g acido pícrico, 100ml de etanol) para obtenção da macro e microestrutura da junta. As amostras foram observadas e fotografadas em microscópio óptico, marca Leitz. As chapas após soldagem, foram testadas em máquina de tração, marca Wolpert, e a superfície de fratura, fotografada com a ampliação de 4X. Capítulo 4 DISCUSSÃO DE RESULTADOS 4.1– Calibração dos Termopares e do Manômetro As Figuras 4.1 e 4.2 mostram as curvas de calibração, a partir dos valores de tensão, temperatura e pressão no manômetro adquiridas por meio do sistema de aquisição de dados, do termostato do forno e do visor do manômetro. Mostramse, também, as respectivas equações de regressão envolvendo tensão versus temperatura e tensão versus pressão. As curvas foram utilizadas para transformar, os valores de tensão obtidos pelo manômetro em pressão e os valores de tensão obtidos por meio do termopar em temperatura. 4.2 – Características Elétricas da Máquina de Soldagem por pontos Foram realizados, após a reforma da bobina do transformador, testes a vazio e curto circuito, para levantar as características elétricas do transformador da máquina de soldagem, utilizada nos experimentos. Esses ensaios foram realizados em bancada de teste e de acordo com o circuito descrito na metodologia experimental. 71 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 1000 72 Calibração do Termopar 900 o Temperatura, C 800 700 600 500 400 300 T = 489,32*V + 38,74 2 R = 0,99 200 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 Tensão, V Figura 4.1 – Curva de calibração obtida para conversão do sinal de tensão, obtido pelo sistema de aquisição de dados, em temperatura (°C). Calibração do Medidor de Pressão 10 Pressão, bar 8 6 4 2 0 P = 2,85*V -2,38 2 R = 0,99 0 1 2 Tensão, V 3 4 Figura 4.2 – Curva de calibração obtida para conversão do sinal de tensão, obtido pelo sistema de aquisição de dados, em pressão. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 73 As Figuras 4.3 (a) e (b) mostram os oscilogramas de tensão e corrente no primário para as derivações 1 e 2. Através dos oscilogramas foi possível obter o ângulo de defasamento entre tensão e corrente. A Tabela 4.1 mostra os resultados obtidos para as derivações 1 e 2. Tabela 4.1 – Valores experimentais obtidos para o teste a vazio, para as derivações 1 e 2. Derivação I0 (A) V1 (V) V2 (V) W0 (W) Defasagem (ms) 1 2,97 220 2,54 240 3,1 2 4,32 220 2,78 300 2,5 A Eq. 4.1. relaciona a freqüência do sinal com seu período. f= 1 T´ (4.1) onde f = frequência (Hz); T’= período (s). Utilizando-se a Eq. 4.1 e sendo a freqüência da tensão de alimentação igual a 60Hz, encontrou-se, o período de 16,67ms, correspondente a um ângulo de 360o. Com os valores de defasamento mostrados nos oscilogramas, foi possível calcular o fator de potência a vazio (cosφ0), através da expressão Eq. 4.2: leitura φ0 = 360 16,67 onde φ0 = ângulo de defasamento (o); (4.2) Capítulo 4 – Discussão de Resultados 74 Figura 4.3 (a) – Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio a vazio, para a derivação 1. Figura 4.3 (b) – Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio a vazio, para a derivação 2. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 75 A partir das Equações 2.5, 2.6, 2.7, 2.8, 2.9 foi possível calcular a resistência de magnetização (rm), o fator de potência a vazio (cosφ0), a reatância (Xm), a indutância (Lm) e a impedância (Zm) de magnetização (Tab. 4.2). Tabela 4.2 – Valores da resistência (rm), reatância (Xm), indutância (Lm) e impedância (Zm) de magnetização, ângulo φ0(o), cosφ0, senφ0 para as derivações 1 e 2. Derivação rm (Ω) Xm (Ω) Lm (H) Zm (Ω) φ0 (o) Calculado cosφ0 senφ0 1 201,67 80,52 0,214 217,15 66,95 0,367 0,930 2 161,33 53,67 0,142 170,03 71,60 0,316 0,945 Com o conhecimento da tensão primária e secundária e utilizando-se a Eq.2.3, foi possível obter a relação de transformação da máquina de soldagem. A Tabela 4.3 mostra a relação de transformação. Tabela 4.3 – Valores da relação de transformação para as derivações 1 e 2. Derivação Corrente (A) V1 (V) V2 (V) N 1 30 220 2,54 86,61 2 40 220 2,78 79,14 Os ensaios foram realizados em bancada de teste apenas no transformador e segundo o circuito montado de acordo com a metodologia experimental na máquina (transformador + garras de fixação). Os resultados obtidos para o teste a vazio em bancada de teste estão na Tabela 4.4. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 76 Tabela 4.4 – Valores experimentais obtidos para o teste a vazio, para as derivações 1, 2, 3 e 4. Derivação I0 (A) V1 (V) V2 (V) W0 (W) φ0 (o) Experimental Calculado cosφ0 senφ0 cosφ0 senφ0 1 2,63 220,55 ----- 245,48 64,72 0,427 0,904 0,423 ----- 2 3,68 219,55 ----- 293,26 68,35 0,369 0,929 0,363 ----- 3 13,13 220,61 ----- 578,89 77,88 0,210 0,978 0,200 ----- 4 18,5 208,76 ----- 704,48 78,64 0,197 0,980 0,182 ----- O valor experimental foi obtido em bancada de teste e o valor calculado, através da Eq. 2.6. A variação da tensão primária do transformador em função da corrente, ocorreu conforme mostrado na Fig. 4.4. A partir de valores de tensão superiores a 208 volts, ocorreu a saturação do transformador, verificou-se, portanto que pequenos acréscimos de tensão proporcionaram grandes aumentos na corrente de excitação. A saturação do transformador gera um aumento excessivo nas perdas. A Tabela 4.5 mostra os resultados dos testes em curto-circuito, obtidos para as derivações 1 e 2, conforme circuito mostrado na Fig. 3.4. Tabela 4.5 – Valores experimentais obtidos para o teste curto circuito, para as derivações 1 e 2. Derivação Icc (A) Vcc (V) I2 (A) Wcc (W) Defasagem (ms) 1 4,5 86 662 300 2 2 4,5 74 602 247,5 2 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 77 Tensão X Corrente 220 Tensão, V 210 200 190 180 V = 6,876*I +120,76 170 160 6 9 12 Corrente, A 15 Figura 4.4 – Curva da tensão versus corrente para o tap4. 18 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 78 As Figuras 4.5 (a) e (b) mostram os oscilogramas de tensão e corrente no primário para as derivações 1 e 2. Através dos oscilogramas foi possível obter o ângulo de defasamento entre tensão e corrente. A partir das Equações 2.10, 2.11 e 2.12, foi possível calcular a resistência equivalente (Req), a reatância equivalente (Xeq) e a impedância equivalente (Zeq) para o circuito equivalente em curto-circuito (Tab. 4.6). Tabela 4.6 – Valores da resistência equivalente (Req), reatância equivalente (Xeq), impedância equivalente (Zeq), ângulo φ0(o), cosφ0 e senφ0 para as derivações 1 e 2. Derivação Req (Ω) Leq (mΗ) Xeq (Ω) Zeq (Ω) φ0 (o) Oscilograma Calculado cosφ0 senφ0 cosφ0 senφ0 1 13,93 34,67 13,07 19,11 43,19 0,729 0,684 0,775 0,684 2 11,99 29,82 11,24 16,44 43,19 0,729 0,684 0,743 0,684 Os testes curto circuito foram feitos também em bancada de teste, curtocircuitando-se diretamente o enrolamento secundário do transformador. A diferença deste teste em curto-circuito para o anterior foi a não utilização das garras da máquina de soldagem como secundário, isto é, no teste em bancada, a resistência do secundário é praticamente nula (Tab. 4.7). Devido à essa resistência os valores obtidos apresentaram divergências. Tabela 4.7 – Valores experimentais obtidos para o teste curto circuito, para as derivações 1,2,3 e 4. Derivação Icc (A) Vcc (V) I2 (A) Wcc (W) φ0 (o) Experimental cosφ0 senφ0 1 8,14 34,599 ----- 156,13 32,01 0,848 0,530 2 8,05 30,72 ----- 129,57 31,13 0,856 0,517 3 8,23 24,34 ----- 85,83 28,60 0,878 0,479 4 8,18 21,74 ----- 68,02 26,23 0,897 0,442 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 79 Figura 4.5 (a) – Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio em curto-circuito, para a derivação 1. Figura 4.5 (b) – Oscilograma de tensão e corrente do primário obtido através de ensaio em curto-circuito, para a derivação 2. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 80 Com a reforma da bobina do transformador da máquina de soldagem, as perdas foram de 247,5W e a impedância equivalente foi igual a 16,44Ω, para o tap2. Anteriormente, esses valores de perdas e impedância equivalente, foram respectivamente, de 562,5W e 9,73Ω (Rego, 2004). A constante de tempo pode ser calculada pela Eq.4.3. τ= Leq Req (4.3) Verificou-se que a constante de tempo do transformador foi de 2,5ms e anteriormente foi de 1,4ms.Johnson et al (Johnson, 1994) mostraram que o tempo necessário para que a corrente atinja o estado estacionário é de 5τ , logo, nos experimentos, 12,5ms. Como a freqüência do sinal de corrente é igual a 60Hz o período é de 16,67ms. Para uma freqüência de amostragem de 100Hz, na média, obtém-se 1,67 pontos a cada ciclo, o que não foi suficiente para recompor a senóide. Para a freqüência de amostragem igual a 1KHz, obtém-se na média, 16,67 pontos. Esse fato foi muito importante para a determinação da resistência dinâmica, visto que ela foi calculada a partir dos valores de corrente e tensão eficaz adquiridos pela placa de aquisição. 4.3 – Experimentos Conforme citado anteriormente, é objetivo do trabalho fazer a modelagem matemática do ciclo térmico da soldagem de topo do aço inoxidável ferrítico AISI Capítulo 4 – Discussão de Resultados 81 409. A análise química do aço AISI 409 é mostrada na Tab. 4.8 em percentagem em peso. Tabela 4.8 – Análise química do aço inoxidável ferrítico AISI 409 em percentagem em peso. C Mn Si P S Cr Ni Mo Ti Nb V Al N 0,08 0,15 0,49 0,026 0,008 11,93 0,23 0,06 0,157 0,020 0,040 0,015 0,0110 Observa-se que os teores dos elementos intersticiais e gamagênios, C e N, são baixos. O teor de Cr é de 11,93% e este elemento tem o papel de ampliar a região de ferrita. Os elementos Ti, Nb, V e Al formam carboneto/carbonitreto/nitreto, reduzem o tamanho de grão e o efeito austenitizante dos elementos intersticiais carbono e nitrogênio. Como a soma do carbono e nitrogênio é 0,0910%, recomenda-se um teor máximo de 0,50% de Ti (Modenesi, 2001). Em condições estequiométricas, tem-se um percentual de Nb maior ou igual a 0,74% e Ti maior ou igual a 0,43%. Os elementos intersticiais podem estar em solução sólida na austenita e contribuírem para a formação de martensita no resfriamento. A Figura 4.6, mostra o diagrama de fase pseudo-binário Fe-C com 12% de Cr, evidenciando que o Cr restringe o campo austenítico, diminui a solubilidade do C na austenita e diminui a composição do eutetóide para 0,35%C (Santos, 2001). A Figura 4.7, mostra, o deslocamento da linha de separação dos campos de austenita e ferrita no diagrama Fe-Cr, através de adições de carbono e nitrogênio. A presença do carbono e nitrogênio, expande o campo da existência da austenita. Para a composição química do aço inoxidável ferrítico AISI 409, utilizado nos experimentos, verificou-se que em condições de equilíbrio, há possibilidade de austenitização parcial entre 850 e 1200ºC. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 82 Figura 4.6 – Diagrama de Equilíbrio F-C-12%Cr (Santos, 2001). Figura 4.7 – Deslocamento da linha de separação dos campos de austenita e ferrita no diagrama Fe-Cr, através de adições de carbono e nitrogênio (Modenesi, 2001). Capítulo 4 – Discussão de Resultados 83 As temperaturas obtidas nos ensaios dependem da tensão, corrente e tempo de máquina ligada. As Figuras 4.8, 4.9 e 4.10 mostram a evolução da tensão, corrente eficaz e resistência dinâmica sobre o corpo-de-prova obtidas para o tempo de soldagem de 8,18s e freqüência de amostragem de 100Hz e 1kHz. A resistência dinâmica cresce rapidamente no intervalo de 0 a 10ms após o ligamento da máquina e decresce, posteriormente, no intervalo de 10 a 20ms. Em seguida, cresce monotonicamente até o desligamento da máquina. Para a soldagem por pontos, Fonseca e Bracarense (Fonseca, 1999) descreveram, a partir do trabalho de Dickinson et al, que a queda na resistência dinâmica, ocorre em razão da quebra dos contaminantes existentes entre eletrodo e peça. Com o intuito de verificar o mecanismo de evolução da resistência dinâmica com o tempo na soldagem de topo, foram feitos experimentos em tempo de 2 e 4s de máquina ligada. Observou-se na superfície da chapa que inicialmente o contato entre as chapas ficou limitado à região central, com formação de uma fina película de óxido, apenas nessa região. Com o aumento do tempo de soldagem para 4s, aumentou-se também essa região de contato ao longo da largura e a película de óxido. Após a fratura, em máquina de tração, das chapas soldadas para um tempo de máquina ligada de 8s, verificou-se, no entanto, a presença de óxidos não expulsos na superfície das chapas (Fig.4.11). Essa presença de óxido correspondeu à aproximadamente 1/3 da largura da chapa. Durante os ensaios, não foi aplicada pressão, isso pode ter acarretado a formação de óxido na superfície de contato. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 84 Tensão Eficaz Tensão, V 1,6 1,2 0,8 0,4 0,0 Frequencia de Amostragem 100Hz 1kHz 0 2 4 6 tempo, s 8 10 Figura 4.8 – Evolução da tensão eficaz, para um tempo de 8,18s. Corrente Eficaz 1200 Corrente, A 1000 800 600 400 Frequência de Amostragem 100Hz 1kHz 200 0 0 2 4 6 tempo, s 8 10 Figura 4.9 – Evolução da corrente eficaz, para um tempo de 8,18s. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 85 Resistência Dinâmica Resistência Dinâmica (Ω) 0,0016 0,0012 0,0008 Frequência de Amostragem 100Hz 1kHz 0,0004 0,0000 0 2 4 6 tempo, s 8 10 Figura 4.10 – Evolução da resistência dinâmica, para um tempo de 8,18s. Figura 4.11 – Vista da junta soldada, evidenciando a presença de óxido. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 86 Constatou-se, então, a necessidade da atuação de um agente externo para auxiliar na expulsão desse óxidos contribuindo para o acréscimo na resistência dinâmica. Não houve ruptura de filme de óxidos e sim formação de óxidos ao longo do processo de soldagem. A Figura 4.12, mostra a evolução da resistência dinâmica com um tempo de soldagem de 6s e temperatura de pré-aquecimento de 300°C para freqüência de amostragem de 1kHz. Observa-se que, com a temperatura de pré-aquecimento de 300ºC, o valor da resistência dinâmica inicial, aumentou para 0,0016Ω e se manteve constante até o desligamento da máquina de soldagem. A temperatura de pico obtida para a distância de 3mm foi de 670°C. As Figuras 4.13 (a), (b), (c) e 4.14 (a), (b), (c) mostram as curvas temperatura em função do tempo, sem adição de nitrogênio para os tempos de máquina ligada 3,59s, 4,28s, 5,08s, 6,48s, 7,59 e 8,18s para as distância de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem. Verifica-se que, para os tempos de 3,59s, 4,28s e 5,08s, as temperaturas de pico foram, respectivamente, de 556°C, 564°C e 677°C para a distância de 3mm. Essas temperaturas são insuficientes para austenitizar esse aço, conforme mostrado no diagrama Fe-C-Cr. Nota-se, também, que, para os tempos de 6,48s, 7,59s e 8,18s, as temperaturas de pico, para a distância de 3mm, foram, respectivamente, 996°C, 1051°C e 1033°C. A Figura 4.15 mostra a evolução das temperaturas de pico encontradas como função dos tempos de soldagem utilizados (3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9s) nas distâncias de 3, 5 e 7 mm, sem adição de gás. As temperaturas máximas encontradas correlacionaram-se com o tempo de soldagem. O coeficiente de determinação foi maior ou igual a 0,92. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 87 Resistência Dinâmica Resitência Dinâmica, (Ω) 0,0018 0,0016 0,0014 0,0012 Pré-Aquecimento de 300°C 0,0010 0 1 2 3 4 tempo,s 5 6 Figura 4.12 –Evolução da resistência dinâmica com o tempo, para um tempo de máquina ligada de 6s, temperatura de pré-aquecimento de 300°C e freqüência de amostragem de 1kHz para o aquecimento. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 88 600 Distância, mm 3 5 7 o Temperatura, C 500 400 300 200 100 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 tempo, s (a) 600 Distância, mm 3mm 5mm 7mm o Temperatura, C 500 400 300 200 100 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 tempo, s (b) Distância, mm 3mm 5mm 7mm 600 o Temperatura, C 800 400 200 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 tempo, s (c) Figura 4.13 – Evolução da temperatura versus tempo de soldagem, sem adição de nitrogênio e tempos de soldagem de: (a) 3,59, (b) 4,28 e (c) 5,08s. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 89 1200 Distância, mm 3mm 5mm 7mm o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 tempo, s (a) 1200 Distância, mm 3mm 5mm 7mm o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 tempo, s (b) 1200 Distância, mm 3mm 5mm 7mm o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 tempo, s (c) Figura 4.14 – Evolução da temperatura versus tempo de soldagem, sem adição de nitrogênio e tempos de soldagem de: (a) 6,48, (b) 7,59 e (c) 8,18s. o Temperatura de Pico, C Capítulo 4 – Discussão de Resultados 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 2 90 2 TPICO = 124,43*t + 82,76, R = 0,93 2 TPICO = 127,31*t - 44,74, R = 0,97 2 TPICO = 121,44*t - 47,41, R = 0,92 4 6 tempo, s 8 10 Figura 4.15 – Evolução das temperaturas de pico versus tempo, sem adição de nitrogênio. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 91 No tempo de 8,18s, as temperaturas de pico correspondentes às distâncias de 3, 5 e 7mm, assumem valores bem próximos. Essa diferença entre as temperaturas de pico, para as distâncias de 3, 5 e 7mm diminuiu com o aumento do tempo de soldagem, com tendência à obtenção de um mesmo valor final, isto é, estado estacionário. Os tempos correspondentes às temperaturas de pico foram sempre superiores aos respectivos tempos de aquecimento. Houve transferência de calor entre pontos mais próximos à linha de soldagem para os pontos distantes de 3, 5 e 7mm dessa mesma linha de soldagem após o desligamento da máquina. Os modelos existentes na literatura necessitam do conhecimento do tempo de soldagem, corrente e tensão no corpo-de-prova. Para a modelagem das curvas, utilizando-se o modelo de Rosenthal com a solução proposta por Grong (Grong, 1994), utilizou-se a Eq. 4.4, que fornece a quantidade de calor cedida durante a soldagem. t Q = η ∫ VIdt (4.4) 0 onde: η = rendimento V = tensão sobre o corpo-de-prova (V) I = corrente de soldagem (A) Com a utilização da Eq. 4.4, foi possível calcular a quantidade de calor entregue à junta no intervalo de tempo de soldagem, para uma tensão eficaz de 1,4V e uma corrente eficaz de 1110A, admitindo-se rendimento de 100%. Logo Q foi igual a tensão eficaz vezes a corrente eficaz vezes o tempo de soldagem. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 92 A Tabela 4.9 mostra os parâmetros elétricos e os valores das propriedades do material, utilizados na aplicação da solução de Grong para o modelo de Rosenthal. Tabela 4.9 – Parâmetros utilizados na aplicação da solução de Grong (Grong, 1994) para o modelo de Rosenthal (Rosenthal, 1935). Descrição Valor utilizado Tensão (V) 1,4 Corrente (A) 1110 Densidade (kg/m3) 7,58 x 103 Calor específico J/(kg x oC) 600 Difusividade térmica (m2/s) 5,34 x 10-6 Área (m2) 32 x 10-6 Tempo de soldagem (s) 8s Para a modelagem da curva de temperatura versus tempo através da solução de Grong (Grong, 1994) para o modelo de Rosenthal (Rosenthal, 1935) utilizou-se a Eq. 2.25, para cálculo de B. A partir do valor de B calculado, através da Eq. 2.24, foi possível calcular a temperatura teórica para diferentes distâncias, ao longo do tempo de soldagem. Para um rendimento considerado de 100%, observou-se que a temperatura de pico modelada atingiu uma temperatura da ordem de 3100oC. A Figura 4.16 (a) e (b) mostra, respectivamente, a curva experimental e modelada da temperatura versus tempo sem e com adição de gás, utilizando-se o modelo de Grong com rendimento de 100%. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 93 (a) (b) Figura 4.16 – Curva teórica e experimental, para um tempo de soldagem de 8s, rendimento de 100% e distância de 7mm para as condições (a) sem adição de gás e (b) com vazão de 15l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 94 Foram confirmados os resultados apresentados por Rego (Rego, 2004), em que para ajuste da temperatura de pico, necessitou-se calcular o rendimento e corrigir a equação proposta por Grong. A Figura 4.17 (a) e (b) mostra, respectivamente, a curva experimental e modelada da temperatura versus tempo sem e com adição de gás, utilizando-se o modelo de Grong com rendimento de 33%. Nos experimentos, com a adição de gás após o desligamento da máquina, foi possível obter diferentes taxas de resfriamento durante o ensaio. O modelo de Grong não foi aplicável nessas condições. Após o insucesso da aplicação da solução proposta por Grong (Grong, 1994), para o modelo de Rosenthal (Rosenthal, 1935), encontrou-se, através de um, ajuste não linear baseado no método de Levenberg-Marquadt (Jorge Júnior, 1997), os valores das variáveis P1 e P2 na Eq. 4.5 e A1 e A2 na Eq. 4.6 que ajustavam as curvas experimentais. P −P ∆T = 1 exp 2 t t (4.5) −t T = A 1 exp A2 (4.6) onde T = temperatura (oC) t = tempo (s) P1, P2, A1 e A2 = parâmetros de ajuste Para a obtenção dos parâmetros P1, P2, A1 e A2 foi feita uma planilha em Excel para processamento dos dados experimentais, que foram filtrados utilizando-se média móvel. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 95 (a) (b) Figura 4.17 – Curva teórica e experimental, para um tempo de soldagem de 8s, rendimento de 33% e distância de 7mm para as condições (a) sem adição de gás e (b) com vazão de 15l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 96 Em seguida, os dados foram exportados para o software Origin 6.1, onde, utilizando-se o ajuste não linear segundo o método numérico de LevenbergMarquadt e a Eq. 4.5, foram obtidos os parâmetros P1, P2, para o aquecimento. Para o resfriamento, foi utilizado o método numérico de Levenberg-Marquadt e a Eq. 4.6 para obter os valores dos parâmetros de A1 e A2. Os valores de P1 foram relacionados com o tempo de soldagem, encontrando-se, então, as curvas de ajuste para as distâncias de 3, 5 e 7mm (Figura 4.18). P2 relacionou-se com as distâncias, para os diversos tempos de soldagem (Figura 4.19). Os valores de P1 e P2, foram ajustados utilizando-se as curvas experimentais com injeção de nitrogênio à uma vazão de 15l/min, após o desligamento da máquina. Substituindo-se, para os diferentes tempos, as expressões equivalentes de P2 (Eq. 4.7, 4.8, 4.9, 4.10, 4.11, 4.12 e 4.13) e para cada distância, as equações encontradas na Fig. 4.18 envolvendo P1 versus t, obtêm-se as curvas modeladas para o aquecimento sem adição de gás, com vazão de 15 e 30 l/min. t=3,5 Æ P2 = 0,07*y + 3,93 (4.7) t=4,5 Æ P2 = 0,24*y + 4,39 (4.8) t=5,5 Æ P2 = -0,37*y + 7,24 (4.9) t=6,5 Æ P2 = 0,19*y + 4,27 (4.10) t=7,5 Æ P2 = 0,048*y + 4,83 (4.11) t=8,5 Æ P2 = -0,10*y + 6,05 (4.12) t =9,5 Æ P2 = -0,26*y + 7,03 (4.13) Capítulo 4 – Discussão de Resultados 97 Evolução de P1 X t 8000 2 P1 = 437,82*t + 2321,11; R = 0,998 2 P1 = 435,50*t + 1800,56; R = 0,996 7000 2 P1 = 439,05*t + 1270,35; R = 0,997 P1 6000 5000 4000 3000 2 4 6 tempo, s 8 10 Figura 4.18 – Evolução de P1 versus tempo, para as distâncias da linha de soldagem de 3, 5 e 7mm. Evolução da P2 X Distância 7,0 6,5 t, s 3,5 4,5 5,5 6,54 7,55 8,49 9,49 6,0 P2 5,5 5,0 4,5 4,0 3 4 5 6 7 8 Distância, mm 9 10 Figura 4.19 – Evolução de P2, em função das distâncias, para cada tempo de soldagem. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 98 A partir das relações envolvendo P1 e P2, respectivamente, com tempo e distância da linha de soldagem, foi possível proceder a modelagem do aquecimento. As Figuras 4.20, 4.21 e 4.22, mostram as curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm, para um tempo de soldagem de 3,5s. O modelo proposto por Rosenthal (Rosenthal, 1935), com a solução de Grong (Grong, 1994), leva em consideração as seguintes hipóteses: - As propriedades do material são consideradas constantes; - As perdas térmicas para o ambiente são desprezadas; - A fonte de calor é pontual; - A fonte de calor se move a uma velocidade constante; - O fluxo de calor é unidirecional; Para o modelo proposto neste trabalho, as seguintes hipóteses são consideradas: - O fluxo de calor é unidirecional; - A fonte de calor é estacionária; - O rendimento varia com a distância da linha de soldagem No modelo proposto os parâmetros P1 e P2 foram relacionados, respectivamente, com a constante B (Eq. 4.14) e com a distância (Eq. 4.15): P1 = B = Q 2 Aρ1cα 1 / 2π 1 / 2 2 y P2 = 4α (4.14) (4.15) Capítulo 4 – Discussão de Resultados 99 Tempo de soldagem 3,5s o Temperatura, C 800 Distância, mm 3 5 7 ___ Modelo 600 400 200 0 0 1 2 tempo, s 3 Figura 4.20 – Curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem com o tempo de soldagem de 3,5s, sem adição de gás. Tempo de soldagem de 3,5s o Temperatura, C 800 Distância, mm 3 600 5 7 400 ____ Modelo 200 0 0 1 2 tempo, s 3 Figura 4.21 – Curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem com o tempo de soldagem de 3,5s, com vazão de gás de 15l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 100 Tempo de soldagem de 3,51s 800 o Temperatura, C Distância, mm 3 5 7 ____ Modelo 600 400 200 0 0 1 tempo, s 2 3 Figura 4.22 – Curvas de aquecimento experimentais e modeladas para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem com o tempo de soldagem de 3,5s, com vazão de gás de 30l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 101 onde Q = Calor transferido na soldagem (J); A= área (m2); ρ1 = massa específica do material (kg/m3); c = calor específico do material (J/(Kg.K); α = difusividade térmica (m2/s); y = distância (mm). Considerando constantes as propriedades do material e a área de contato entre os corpos-de-prova, pode-se escrever: P1 = Q K3 (4.16) onde Q = Calor transferido na soldagem (J); K3 = constante. A Figura 4.23 mostra os gráficos de P1 versus Q. Uma vez que o calor gerado é da forma da Eq. 4.3, e a tensão e corrente eficazes durante o processo de soldagem foram consideradas como constantes, tem-se: P1 = ηVCIt K3 onde η = rendimento; Vc = tensão sobre os corpos-de-prova (V); I = corrente eficaz de soldagem (A); t = tempo de soldagem (s); K3 = constante; (4.17) Capítulo 4 – Discussão de Resultados 12000 102 Evolução de P1 X Q 2 10000 P1 8000 P1 = 0,71*Q - 1910,32, R = 0,99 2 P1 = 0,70*Q - 2096,50, R = 0,99 2 P1 = 0,68*Q - 2163,92, R = 0,99 3mm 5mm 7mm 6000 4000 2000 0 5000 7500 10000 12500 Calor gerado, J 15000 Figura 4.23 – Evolução de P1, com o calor gerado durante a soldagem. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 103 A partir da Eq. 4.17, com os valores de P1 calculados, foi possível calcular o rendimento térmico para cada situação. A Figura 4.24 mostra os valores de rendimento para as distâncias de 3, 5 e 7mm para os tempos de soldagem de 3,59, 4,28, 5,08, 6,48, 7,28 e 8,18s. Pode-se perceber que, à medida que a distância da linha de soldagem aumenta, tem-se uma queda no rendimento, o que indica que o fluxo de calor nestes pontos é menor. Para um aumento nos tempos de soldagem, também ocorre uma queda no rendimento. A Figura 4.25 mostra a evolução de P2 versus (y2/4). A evolução de P2 versus y2/4, mostrou que a difusividade térmica não é constante com a distância e seu valor médio foi de 0,46, 1,21, 2,28 mm2/s, respectivamente, para as distâncias de 3, 5 e 7mm, ou seja, o valor da difusividade aumenta com a distância, o que contraria o modelo de Grong. Para aprimorar o modelo, pode-se adotar que a difusividade térmica não é constante e a solução da equação diferencial passa a ser obtida através de métodos numéricos. Para a modelagem do perfil do resfriamento, foram calculadas as taxas de resfriamento para cada ensaio. Mediu-se a taxa de resfriamento no intervalo de temperatura situado entre 800°C e 500°C. As Tabela 4.10, 4.11 e 4.12, mostram, respectivamente, os valores das velocidades de resfriamento para os tempos de soldagem, sem adição de gás, com vazão de 15l/min e 30l/min. Observa-se que essas taxas de resfriamento foram praticamente constantes para o processo sem adição de gás e com vazão de 15l/min. A velocidade de resfriamento, cresceu com o aumento da vazão para as distâncias 3, 5 e 7mm. A faixa de variação dessas velocidades de resfriamento, oscilou entre 27 e 110ºC/s. Capítulo 4 – Discussão de Resultados Rendimento X Distância 0,8 Rendimento 104 tempo, s 3,59 4,28 5,08 6,48 7,28 8,18 0,7 0,6 0,5 0,4 2 4 6 8 Distância, mm 10 Figura 4.24 (a) – Evolução do rendimento com a distância a partir da linha de soldagem para os tempos de soldagem de 3,59, 4,28, 5,08, 6,48, 7,28 e 8,18. 2 P2 versus y /4 7 3,50 4,50 5,50 6,54 7,55 8,49 9,49 5 P 2 6 4 3 0 4 8 12 2 y /4, mm 2 Figura 4.25 - Evolução de P2 versus (y2/4). 16 20 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 105 Verificou-se que as velocidades de resfriamento são praticamente constantes para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem. Tabela 4.10 – Velocidade de resfriamento, entre 800 e 500°C, em °C/s para os tempos de máquina ligada de 6,48, 7,59 e 8,18s para às distâncias de 3, 5 e 7mm, sem adição de gás. Tempo (s) 6,48 7,59 8,18 25,60 25,68 27,97 27,14 27,43 26,20 30,49 26,60 26,50 Distância (mm) 3 5 7 Tabela 4.11 – Velocidade de resfriamento, entre 800 e 500°C, em °C/s para os tempos de máquina ligada de 6,54, 7,55 e 8,49s para às distâncias de 3, 5 e 7mm, com vazão de 15l/min. Tempo (s) 6,54 7,55 8,49 63,43 52,84 39,89 52,12 59,83 42,33 39,05 54,22 57,85 Distância (mm) 3 5 7 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 106 Tabela 4.12 – Velocidade de resfriamento, entre 800 e 500°C, em °C/s para os tempos de máquina ligada de 6,57, 7,55 e 8,33s para às distâncias de 3, 5 e 7mm, com vazão de 30l/min. Tempo (s) 6,57 7,55 8,33 101,38 64,59 111,11 104,04 87,64 117,88 95,42 77,13 119,3 Distância (mm) 3 5 7 A Equação 4.6 foi utilizada para ajustar a curva de resfriamento. Foram calculados os parâmetros A1 e A2 para cada um dos ensaios sem gás, com vazão de 15 e 30l/min. Como os valores de A2 foram próximos, para as situações sem vazão de gás, com 15 e 30l/min, foi calculada a média desses valores, para cada caso e feito um novo ajuste, encontrando-se novos valores de A1 que se relacionaram com o tempo de soldagem. As Figura 4.26 e 4.27 mostram, respectivamente, as curvas de A1 versus tempo para as situações sem gás e com vazão de 15l/min. As Figuras 4.28, 4.29 e 4.30 mostram a modelagem matemática do ciclo térmico, sem adição de gás, para um tempo de soldagem de 4,28s, nas distâncias de 3, 5 e 7mm em que observa-se a intercessão das curvas de aquecimento e resfriamento. Como a curva de aquecimento foi modelada até o desligamento do máquina e após esse desligamento, ocorreu uma elevação da temperatura até a temperatura de pico, este fato, contribuiu para que a intercessão entre as curvas da modelagem do aquecimento e do resfriamento, não interceptassem no pico. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 107 Figura 4.26 – Evolução de A1 em função do tempo de solda para cada distância, sem adição de gás. Figura 4.27 – Evolução de A1 em função do tempo de solda para cada distância, com vazão de 15l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 108 Tempo de 4,28 - 3mm Experimental Modelado 600 o Temperatura, C 800 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura 4.28 – Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 3 mm para um tempo de soldagem de 4,28. Tempo de 4,28 - 5mm o Temperatura, C 600 Experimental Modelado 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura 4.29 – Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 5mm para um tempo de soldagem de 4,28. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 109 Tempo de 4,28 - 7mm Experimental Modelado 500 o Temperatura, C 600 400 300 200 100 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura 4.30 – Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 7mm para um tempo de soldagem de 4,28. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 110 Verifica-se, também, que para o A2 constante, igual ao valor médio escolhido, a curva modelada ajustou-se bem aos valores experimentais (Tab. 4.13). Tabela 4.13 – Valores de A2 encontrados para os casos sem adição de gás, com vazão de 15 e 30 l/min. Vazão (l/min) Sem Gás 15 30 A2 30 15 7,5 Não se constatou até a mínima temperatura adquirida, em torno de 200ºC, alterações na temperatura em razão de transformações de fase. As Figuras 4.31, 4.32 e 4.33 mostram a modelagem matemática do ciclo térmico, com vazão de gás de 15l/min, para tempo de soldagem de 4,5s, em que observase a intercessão das curvas de aquecimento e resfriamento. Verifica-se, também, que para o A2 constante, igual ao valor médio escolhido, a curva modelada ajustou-se bem aos valores experimentais. Após o desligamento do gás, verificouse que a curva modelada não segue a curva experimental, e, também, notou-se uma elevação da temperatura imediatamente após o desligamento do gás. Posteriormente, verificou-se que a evolução da temperatura com o tempo voltou a ser regida pelo resfriamento ao ar. O resfriamento que ocorreu ao ar, posteriormente ao desligamento do gás, foi modelado utilizando-se as equações de A1 e A2 para resfriamento ao ar. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 111 Tempo de 4,5s - 3mm Experimental Modelado o Temperatura, C 800 600 400 200 0 0 10 20 30 tempo, s 40 50 Figura 4.31 – Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 3 mm para um tempo de soldagem de 4,5 e adição de gás com vazão de 15l/min. Tempo de 4,5 - 5mm 700 Experimental Modelado 500 o Temperatura, C 600 400 300 200 100 0 0 10 20 30 tempo, s 40 50 Figura 4.32 – Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 5 mm para um tempo de soldagem de 4,5 e adição de gás com vazão de 15l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 112 Tempo de 4,5 - 7mm 600 Experimental Modelado o Temperatura, C 500 400 300 200 100 0 0 10 20 30 tempo, s 40 50 Figura 4.33 – Curva do ciclo térmico, experimental e modelada para a distância de 7 mm para um tempo de soldagem de 4,5 e adição de gás com vazão de 15l/min. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 113 Para cálculo do erro médio, referente à modelagem matemática, foi levado em conta, os dados referentes ao aquecimento e resfriamento, sendo que para as vazões de 15 e 30l/min, o erro do modelo foi calculado até o desligamento do gás. O erro na modelagem pode ser calculado através da expressão: Erro(%) = 1 Tmod elado − Texp erimental × 100 ∑ s Texp erimental ( 4.18) onde s = número de pontos experimentais. As Tabelas 4.14, 4.15 e 4.16, mostram os erros calculados de acordo com a Eq. 4.18. O erro médio e o desvio-padrão da distribuição dos erros foram, respectivamente, de17% e 5,12. Tabela 4.14 – Erro encontrado para os ensaios sem adição de gás, para os diversos tempos de soldagem e distâncias de 3, 5 e 7mm. Tempo 3,59 4,28 5,08 6,48 7,59 8,18 Média Desvio 3 6,69 8,24 10,71 7,98 14,15 12,31 10,01 2,87 Sem Gás Erro (%) para as distância (mm) 5 26,91 14,79 14,09 33,65 34,43 7,129 21,83 11,40 7 11,08 16,18 24,58 11,93 54,59 16,25 22,44 16,46 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 114 Tabela 4.15 – Erro encontrado para os ensaios com vazão de 15l/min, para os diversos tempos de soldagem e distâncias de 3, 5 e 7mm. Tempo 3,5 4,5 5,5 6,54 7,55 8,49 9,49 Média Desvio 3 11,97 12,93 30,18 32,46 9,93 9,86 9,11 16,63 10,14 Com vazão de 15l/min Erro (%) para as distância (mm) 5 10,30 25,92 11,82 22,88 8,35 6,38 5,25 12,99 8,15 7 15,61 17,44 4,53 22,01 14,54 7,92 5,40 12,49 6,63 Tabela 4.16 – Erro encontrado para os ensaios com vazão de 30l/min, para os diversos tempos de soldagem e distâncias de 3, 5 e 7mm. Tempo 3,51 4,55 5,49 6,57 7,55 8,33 9,47 Média Desvio 3 8,86 29,80 34,15 16,19 17,02 21,48 23,47 21,57 8,57 Com vazão de 30l/min Erro (%) para as distância (mm) 5 7,56 25,96 23,30 14,40 19,25 14,43 10,24 16,45 6,72 7 11,97 43,10 11,13 28,06 17,44 12,40 46,29 24,34 15,09 O erro e desvio padrão da modelagem matemática pode ter ocorrido em razão da modelagem ter considerado a difusividade térmica constante, variação de contato entre as chapas e deformação próxima a linha de soldagem. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 115 Para verificar o impacto do pré-aquecimento no resfriamento, foram realizados testes utilizando-se o sistema de pré-aquecimento descrito na metodologia experimental. O tempo para a obtenção da temperatura de pré-aquecimento, 100, 200 e 300ºC, foi elevado e não adquirido, em razão da inexistência de memória do hardware. As Figuras 4.34, 4.35 4.36, mostram as curvas de temperatura versus tempo para vazões de 0, 15 e 30l/min, respectivamente, para as distâncias de 3, 5 e 7mm da linha de soldagem e temperatura de pré-aquecimento de 100°C. Foram calculada as taxas de resfriamento entre 500 e 800°C, para préaquecimento de 100, 200, 300ºC. As Tabelas 4.17, 4.18 e 4.19, mostram, respectivamente, as taxas sem pré-aquecimento, com pré-aquecimento de 100, 200 e 300ºC, para as vazões 0, 15 e 30l/min. Tabela 4.17 – Taxa de resfriamento, sem adição de gás, para um tempo de soldagem de 8s, distância de 3, 5 e 7mm e temperaturas de pré-aquecimento de 0, 100, 200 e 300ºC. Temperatura (°C) 25 100 200 300 30,49°C/s 26,61°C/s 26,50°C/s 29,34°C/s 26,51°C/s 25,07°C/s 26,26°C/s 29,33°C/s 29,33°C/s 33,85°C/s 31,95°C/s 29,01°C/s Distância (mm) 3 5 7 Capítulo 4 – Discussão de Resultados 116 Figura 4.34 – Curva do ciclo térmico, com pré-aquecimento de 100ºC, tempo de 8s, distância de 3mm da linha de soldagem. Figura 4.35 – Curva do ciclo térmico, com pré-aquecimento de 100ºC, tempo de 8s, distância de 5mm da linha de soldagem. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 117 Figura 4.36 – Curva do ciclo térmico, com pré-aquecimento de 100ºC, tempo de 8s, distância de 7mm da linha de soldagem. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 118 Tabela 4.18 – Taxa de resfriamento, com vazão de 15l/min, para um tempo de soldagem de 8s, distância de 3, 5 e 7mm e temperaturas de pré-aquecimento de 25, 100, 200 e 300ºC. Temperatura (°C) 25 100 200 300 38,81°C/s 53,89°C/s 57,38°C/s 73,23°C/s 60,57°C/s 51,89°C/s 58,82°C/s 52,55°C/s 52,55°C/s 56,38°C/s 48,08°C/s 45,23°C/s Distância (mm) 3 5 7 Tabela 4.19 – Taxa de resfriamento, com vazão de 30l/min, para um tempo de soldagem de 8s, distância de 3, 5 e 7mm e temperaturas de pré-aquecimento de 25, 100, 200 e 300ºC. (* A taxa de resfriamento foi medida de 800 a 600°C.) Temperatura (°C) 25 100 200 300 Distância (mm) 3 5 7 91,61°C/s 77,13°C/s 117,83°C/s X 137,00°C/s 92,33°C/s 120,33°C/s 126,63°C/s* 112,66°C/s X X 85,88°C/s Comparando as taxas de resfriamento com e sem pré-aquecimento, observa-se que essas taxas não foram afetadas no intervalo de temperatura entre 800 e 500ºC. A Figura 4.37 mostra a estrutura do aço inoxidável ferrítico evidenciando a presença de ferrita e pontos de corrosão. O tamanho de grão foi de 18,1 ± 8µ. Após a soldagem, com tempo de 9s de máquina ligada, foi atingido a temperatura Capítulo 4 – Discussão de Resultados 119 de 1200°C, nas distâncias de 3, 5 e 7mm. A Figura 4.38 mostra a macroestrutura obtida para esse tempo de soldagem, com aumento de 12,5X e ataque de Vilela. Observa-se a linha de fratura irregular e o tamanho de grão uniforme até distâncias de 8mm da linha de soldagem. Foi medido o tamanho de grão nas distâncias de 3 a 7mm da linha de soldagem através do software Quantikov. A Figura 4.39 mostra as microestruturas obtidas nas distâncias de 5 e 7mm em que o tamanho de grão ferrítico foi de 98,8 ± 23,5µ. Não se confirmou formação de martensita, após resfriamento com nitrogênio, o que mostra que esse aço não sofreu austenitização no aquecimento e, simultaneamente, os elementos estabilizadores Ti, V e Nb, fixaram o C e N e evitaram crescimento de grão excessivo. Capítulo 4 – Discussão de Resultados 120 Figura 4.37 – Microestrutura do aço inoxidável ferrítico AISI 409 mostrando a presença de ferrita e “pits” de corrosão. Aumento: 100X Ataque: acido oxálico 10%. (a) (b) (c) (d) Figura 4.38 – Macroestrutura após ciclo térmico, segundo a direção do aquecimento mostrando a linha de soldagem (a), região intermediaria (b) e (c) e final do aquecimento (d). Aumento:12,5X Capítulo 4 – Discussão de Resultados 121 Figura 4.39 – Microestrutura do Material AISI 409 nas regiões distantes de 5 e 7mm da linha de soldagem. Ataque: Vilela – Aumento:50X. Capítulo 5 CONCLUSÕES - A instalação de um sistema para controle de pré-aquecimento, com um transformador e um varivolt, possibilitou a variação da tensão de entrada e conseqüentemente, a potência elétrica do sistema de pré-aquecimento. - A atualização do sistema de supervisão permitiu o controle do sistema de gás e pré-aquecimento. - O sistema proposto para medição da resistência dinâmica através da medição da tensão e corrente sobre os corpos-de-prova permitiu avaliar a resistência dinâmica com auxílio da interface com a placa de aquisição de dados e o sistema supervisório. - A inaplicabilidade da solução de Grong (Grong, 1994) para o modelo de Rosenthal (Rosenthal, 1935) se justifica , pela consideração do rendimento Térmico decrescente em função da distância e da velocidade de resfriamento utilizada . - A temperatura de pré-aquecimento até 300°C, no sistema utilizado, não provocou alteração da velocidade de resfriamento para um índice de confiança de 95%. 122 Capítulo 5 – Conclusões - 123 Foi possível a modelagem matemática do ciclo térmico para as situações sem e com adição de gás e o erro obtido foi 17% com desvio de 5,12., 5.1 – Sugestões para Trabalhos Futuros - Desenvolver o modelo bidimensional da transferência de calor nas chapas, utilizando uma solução numérica. - Estabelecer, através do sistema de automação pela aplicação de pré-carga, entre os corpos-de-prova, valores de resistência de contato inicial, testando, em seguida, a qualidade das soldas obtidas. - Controlar através da fonte tiristorizada o crescimento da corrente através do corpo-de-prova para simular pré-aquecimento da junta e um sistema para controle de vazão, utilizando-se motor de passo. - Instalação de um controlador PID no sistema de aplicação de força para permitir um controle eficiente a partir de um valor de referência fornecido pelo operador. - Desenvolver um sistema para aquisição de dados, para a máquina de solda, utilizando microcontrolador. 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ZARO, Milton A., 2004, Medição de Temperatura com Termopares, UFRGS, Porto Alegre. http://www.ufrgs.br/lmm/mec017/termopar2.htm Apêndice A CURVAS TEÓRICAS / EXPERIMENTAIS Curva Teórica/Experimental 1000 Distância, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 800 600 400 200 0 0 4 tempo, s 8 12 Figura A.1 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 3,5s, com vazão de 15l/min. 124 Apêndice A 125 Curva Teórica/Experimental 1000 Distância, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 800 600 400 200 0 0 2 4 6 8 10 tempo, s 12 14 Figura A.2 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 4,5s, com vazão de 15l/min. Curva Teórica/Experimental 1200 Distância, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 5 10 tempo, s 15 20 Figura A.3 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 5,5s, com vazão de 15l/min. Apêndice A 126 Curva Teórica/Experimental 1200 Distância, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 5 10 tempo, s 15 20 Figura A.4 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 6,54s, com vazão de 15l/min. Curva Teórica/Experimental 1200 Distância, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 6 12 tempo, s 18 24 Figura A.5 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 7,55s, com vazão de 15l/min. Apêndice A 127 Curva Teórica/Experimental 1400 Distância, mm 3 5 7 Modelo 1000 o Temperatura, C 1200 800 600 400 200 0 0 5 10 15 20 tempo, s 25 30 Figura A.6 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 8,49s, com vazão de 15l/min. Curva Teórica/Experimental 1400 Distânica, mm 3 5 7 Modelo 1000 o Temperatura, C 1200 800 600 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 Figura A.7 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 9,49s, com vazão de 15l/min. Apêndice A 128 Curva Modelada/Experimental Distância, mm 3 5 7 Modelado 600 o Temperatura, C 800 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura A.8 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 3,59s, sem adição de gás. Curva Teorica/Experimental Distância, mm 3 5 7 Modelado 600 o Temperatura, C 800 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura A.9 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 4,28s, sem adição de gás. Apêndice A 129 Curva Teórica/Experimental Distânica, mm 3 5 7 Modelo 600 o Temperatura, C 800 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura A.10 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 5,08s, sem adição de gás. Curva Teórica/Experimental 1200 Distânica, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura A.11 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 6,48s, sem adição de gás. Apêndice A 130 Curva Teórica/Experimental 1200 Distânica, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura A.12 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 7,59s, sem adição de gás. Curva Teórica/Experimental 1200 Distânica, mm 3 5 7 Modelo o Temperatura, C 1000 800 600 400 200 0 0 10 20 tempo, s 30 40 Figura A.13 – Comparação entre as curvas teóricas e experimentais, para tempo de soldagem de 8,18s, sem adição de gás. Apêndice B Planilha de Ligações Tabela B.1 – Planilha de ligação do sistema. De Disjuntor quadro de força Disjuntor quadro de força Fonte Tiristor Fonte Tiristor Borneira Para Borneira Observações R Fonte Tiristor A1 Alimentação fonte tiristor S A3 A4 Fonte Tiristor Máquina Máquina Contator Máquina Contator Máquina Placa de transformadores Placa de transformadores Placa de transformadores Placa de transformadores Placa de relés A2 M1 M2 Alimentação fonte tiristor Alimentação máquina Alimentação máquina Fonte Tiristor A1 C1 C2 Alimentação contator Acionamento pela saída do computador Placa de relés V3 Shunt B1 S1 Saída do sinal de corrente do shunt Shunt secundário B2 S2 P5 Saída do sinal de corrente do shunt Tensão secundária da máquina de solda Tensão secundária da máquina de solda Alimentação da válvula solenóide Ligação do terra solenóide e terra da fonte de 24 V Corpo de prova CP1 corpo de prova Válvula de gás CP2 X1 Válvula de gás X2 Placa de relés V2 D1 Alimentação placa de relés (15 V) Placa de relés Placa de relés Placa de relés Placa amplificadora Placa amplificadora Placa amplificadora AC 127 V AC 127 V V1 V4 V6 D1 D2 D3 D3 A2 P4 P1 P2 P3 Alimentação placa de relés (Terra) Alimentação contator da máquina Alimentação da válvula de gás (24 v) Alimentação +15 V Alimentação Terra Alimentação -15 V 1 Alimentação 127 V 2 Alimentação 127 V Fonte 24 V Placa amplificadora Placa amplificadora Fonte tiristor Fonte de 24 V Fonte 15 V Fonte 15 V Fonte 15 V Placa fontes Placa fontes 131 T1 T2 V5 Apêndice B 132 Placa de relés U1 Placa de relés U2 Placa de relés U4 Placa amplificadora F1 Placa amplificadora F2 Placa amplificadora F3 Placa amplificadora F4 Placa amplificadora F5 Placa amplificadora F6 De Placa amplificadora Placa amplificadora Placa amplificadora Placa amplificadora Placa amplificadora Placa amplificadora Borneira E1 E2 E3 E4 E5 E6 Fonte tiristor B1 Fonte tiristor B2 Fonte tiristor Placa de Transformadores Placa de Transformadores Placa de Transformadores Placa de Transformadores B3 T3 T4 S3 S4 Placa de aquisição Placa de aquisição Placa de aquisição Placa de aquisição (13) Placa de aquisição (13) Placa de aquisição (14) Placa de aquisição (14) Placa de aquisição (15) Placa de aquisição (15) Para Termopar 1 (13) Termopar 1 (13) Termopar 2 (14) Termopar 2 (14) Termopar 3 (15) Termopar 3 (15) Placa de Aquisição Placa de Aquisição Placa de Aquisição Placa de Aquisição (12) Placa de Aquisição (12) Placa de Aquisição (11) Placa de Aquisição (11) CN3 (B9) Saída digital 8 (contator da máquina) CN3 (B7) CN3 (B17) CN2 (A17) Saída digital 6 (Válvula solenóide) Ligação com terra da placa de aquisição Termopar 1 CN2 (A8) Termopar 1 CN2 (A9) CN2 (A10) CN2 (A11) CN2 (A12) Termopar 2 Termopar 2 Termopar 3 Termopar 3 Borneira Z1 Z2 Z3 Z4 Z5 Z6 Observações Temperatura ponto 1 Temperatura ponto 1 Temperatura ponto 2 Temperatura ponto 2 Temperatura ponto 3 Temperatura ponto 3 CN3 (B8) CN2 (A14) CN2 (A13) Gatilho fonte tiristor Comum Saída analógica 0 (Controle da tensaõ da fonte tiristor) Sinal de tensão secundáira sobre o CN2 (A5) corpo de prova Sinal de tensão secundáira sobre o CN2 (A6) corpo de prova CN2 (A3) Sinal de corrente shunt secundário CN2 (A4) Sinal de corrente shunt secundário Apêndice C FONTE TIRISTORIZADA Tiristor é o nome de uma família de componentes eletrônicos que possuem características especiais de operação. A maioria destes componentes se distingue por possuir um terminal extra (gatilho) cuja função é controlar o dispositivo, permitindo ou não a sua condução. Alguns dos componentes pertencentes à família dos tiristores, são: SCR, TRIAC, GTO. Ao contrário dos transistores bipolares e dos FET’s, que podem funcionar como amplificadores lineares ou como chaves, os tiristores funcionam apenas como chave. Para controle de pré-aquecimento durante o processo de soldagem, será desenvolvido uma fonte tiristorizada, cujo layout está na Fig.C1 e Fig.C2 As temperaturas aplicadas serão de 100°C e 200°C. Essa fonte consiste de dois SCR’s em antiparalelo, controlados por uma placa desenvolvida especialmente para gerar pulsos para disparo dos gatilhos. Esta placa é baseada no circuito integrado TCA 785, cuja finalidade é a de facilitar e tornar os projetos de sistemas desse tipo mais compactos e confiáveis. Inicialmente, é interessante analisar algumas partes de seu circuito interno. Sua pinagem é mostrada na Fig. C3. 133 Apêndice C 134 Figura C1 – Layout do circuito impresso desenvolvido para a fonte tiristor Figura C2 – Layout da placa desenvolvida para a fonte tiristor Apêndice C Figura C3 – Pinagem do circuito integrado TCA 785 Figura C4 – Tensão de rampa, tensão de referência e geração de pulsos 135 Apêndice C 136 Todo circuito de disparo deve ser sincronizado ou ocorrerá o disparo aleatório dos SCR’s. Um ponto de referência para sincronismo é a passagem da rede por zero. Isto ocorre a cada 8,33 ms, aproximadamente, em redes de 60 Hz. No TCA 785, existe um detector de passagem por zero, que gera um pulso de sincronismo toda vez que a tensão da rede passa por zero. A entrada de tensão de referência de sincronismo é no pino 5. A base de sincronismo é um gerador de rampa, cuja característica é ajustada por R10 e C7, nos pinos 9 e 10, respectivamente. O gerador de rampa fornece uma tensão que varia linearmente com o tempo. A tensão da rampa V10 é comparada com a tensão de controle V11, no pino 11 do TCA 785, essa tensão de controle é um sinal gerado através da saída analógica 0 da placa de aquisição de dados, que corresponde à tensão de pré-aquecimento. Quando a tensão de controle corta a tensão de rampa, é gerado um pulso e o SCR é disparado, definindo-se assim o ângulo de disparo. Quanto maior for a tensão de referência, ou seja, a tensão de controle, menor será a tensão na saída da fonte e vice versa. Uma tensão de 0 volts na saída analógica 0, indica uma tensão correspondente na máquina de 220/volts e uma tensão de 10 volts na saída analógica 0, corresponde a uma tensão na máquina de 0 volts. O TCA 785 possui uma saída Q1 (pino 14) e outra Q2 (pino 15) defasadas em 180º. Enquanto Q1 serve para disparar um SCR no semiciclo negativo, Q2 é usada para disparar um segundo SCR no semiciclo positivo. Para garantir o disparo do SCR em aplicações com carga indutiva, o pino 12 deve esta curtocircuitado à terra, sendo assim, a largura dos pulsos será fixa estendendo-se do instante do disparo até o início do próximo semiciclo. Apêndice C 137 Para iniciar a soldagem, aplica-se 0 na saída analógica gerando uma tensão de 220 volts para a máquina com o sistema de supervisão ativando o contator. . Apêndice D SENSORES DE TEMPERATURA A aquisição de temperatura durante o ciclo de soldagem pode ser feita por meio de termopares, que são transdutores básicos e compreendem dois fios dissimilares, unidos em uma das extremidades. A Figura D1 mostra o desenho esquemático de um termopar. Unindo as extremidades de dois metais diferentes “x” e “y” e submetendo as junções “a” e “b” a temperaturas diferentes T1 e T2, surge uma força eletromotriz (normalmente da ordem de mV) entre os pontos “a” e “b”, denominada tensão termoelétrica. A Figura D2 mostra um termopar utilizado para medir a temperatura T1. O instrumento indicará uma tensão proporcional à diferença (T1 - T2), em que T2 é geralmente a temperatura ambiente. A tensão gerada pelo termopar (que é medida) pode ser convertida em um valor de temperatura por meio de uma curva de calibração que relaciona as duas grandezas. A princípio, um termopar pode ser confeccionado com dois metais diferentes quaisquer, entretanto, devido a uma série de fatores (contaminações, custos, 138 Apêndice D 139 repetibilidade, ponto de fusão, homogeneidade, etc), são oferecidas poucas combinações comerciais. Alguns termopares comerciais são citados na Tab. DT1. Tabela DT1– Termopares comerciais e principais características (Zaro, 2004). Termopar Aplicações Vantagens Desvantagens J (ferro- constantã): Têmpera, Baixo custo Usados em tubos de -190oC a 870oC recozimento, fornos proteção para elétricos T>480oC Tratamento Adequado para atmosferas Vulnerável a térmico, fornos, oxidantes, boa resistência atmosferas redutoras fundição e banhos mecânica T (cobre-constantã): Estufas, banhos, Resiste a atmosferas Oxidação do cobre -190oC a 370oC fornos elétricos corrosivas, redutoras e acima de 315oC para baixa oxidantes. K (cromel-alumel): o o -18 C a 1370 C temperatura Apêndice D 140 Figura D1 – Dois metais diferentes, “x” e “y”, com as extremidades unidas e mantidos a temperaturas diferentes. Figura D2 – Medição de temperatura com termopar. Apêndice D 141 A imprecisão da medida de um termopar decorre de quatro fatores: - Imprecisão do termopar , fios de compensação e do instrumento; - Eventual erro na temperatura ambiente; A Tabela DD2 mostra a precisão de acordo com os diferentes tipos de termopar. Tabela DD2 – Precisão para diferentes termopares (Zaro, 2004). Tipo Faixa (ºC) Precisão K 0 a 277oC 2,2oC 277 a 1260oC 0,75% -18 a 540oC 1,4oC 540 a 1540oC 0,25% ReS J T o 0 a 277 C 2,2oC 277 a 760oC 0,75% -101 a –59oC 2% -59 a 93oC 0,8oC 93 a 371oC 0,75% Apêndice E AMPLIFICADORES DE SINAL O INA118 é um amplificador de instrumentação de baixa potência, para vários propósitos e que possui alta precisão. O seu projeto envolve um circuito composto de três amplificadores operacionais, o que possibilita diferentes tipos de aplicações. O ganho é ajustado através de um único resistor externo, que possibilita uma variação de 1 a 10000. A proteção do sinal de entrada permite tensões de até +/40V sem danificar o circuito. O INA118 é ajustado por laser para uma tensão muito baixa de offset (50µV), drift (0,5 µV/ºC) e uma elevada rejeição de modo comum (110dB para ganho 1000). O circuito pode ser alimentado com fontes de até +/1,35V. A faixa de temperatura de operação é de –40oC a 85oC. As Figuras E1 e E2 mostram, respectivamente, o circuito interno do amplificador e o seu circuito integrado. O ganho é ajustado através do resistor RG (Fig. 2.18), e pode ser calculado através da Eq.1: Ganho = 1 + 142 50kΩ RG (1) Apêndice E 143 onde RG = resistor de ganho (Ω). A Tabela EE1 mostra o erro para os ganhos de 1,10,100 e 1000. Tabela EE1 – Erro para os ganhos de 1,10,100 e 1000. Ganho 1 10 100 1000 Erro (%) +/-0,024 +/-0,4 +/-0,5 +/-1 Figura E1 – Circuito interno do amplificador INA118. Top R 1 VI 2 VI 3 V 4 5 R 6 V 7 V 8 R Figura E2 – Circuito integrado do amplificador INA118. Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo