UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial DISSERTAÇÃO apresentada à UTFPR para obtenção do título de MESTRE EM CIÊNCIAS por SYLVIO ABRÃO CALIXTO CLASSIFICAÇÃO DE VEÍCULOS ATRAVÉS DE SISTEMAS FUZZY Banca Examinadora: Presidente e Orientador: PROF. DR FLÁVIO NEVES JÚNIOR UTFPR Examinadores: PROF. DR WERNER KRAUS JUNIOR PROF. DRA. LÚCIA VALÉRIA R. DE ARRUDA Curitiba, Março de 2006. UFSC UTFPR SYLVIO ABRÃO CALIXTO CLASSIFICAÇÃO DE VEÍCULOS ATRAVÉS DE SISTEMAS FUZZY Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, como requisito parcial para a obtenção do título de “Mestre em Ciências” – Área de Concentração: Informática Industrial. Orientador: Prof. Dr Flávio Neves Júnior Curitiba 2006 AGRADECIMENTOS A Deus por iluminar os meus caminhos e permitir a finalização desse trabalho. A minha amada Adrielle pelo amor e carinho em todos os momentos. Aos meus pais Sidney e Silviane, pela dedicação e apoio espiritual fornecido. Aos amigos que muito contribuíram nesse trabalho, direta e indiretamente. Especialmente aos amigos Leonardo Simoni, Marcus Andreotti, Régis Nishimoto, Daniel Pipa, Ronaldo Tristante, Dênis Mancheske, Giovana Labegalini, Antônio Ramos, Roberto Miguel, Ricardo Anselmo e Guilherme Destefani, contribuindo com idéias e participando diretamente da execução desse trabalho. A diretoria da empresa Perkons S/A pelo financiamento e apoio irrestrito ao andamento desse projeto. Ao amigo e dedicado orientador Flávio Neves Júnior. A todos que apoiaram e acreditaram na finalização desse trabalho. ii SUMÁRIO SUMÁRIO..................................................................................................................................I LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................VI LISTA DE TABELAS.........................................................................................................VIII RESUMO ................................................................................................................................. X ABSTRACT .............................................................................................................................XI CAPÍTULO 1............................................................................................................................ 1 1.1 MOTIVAÇÕES ............................................................................................................ 1 1.2 OBJETIVOS ................................................................................................................. 3 1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO.................................................................................. 4 CAPÍTULO 2............................................................................................................................ 5 2.1 SISTEMAS APLICADOS AO GERENCIAMENTO DE TRÁFEGO ............................. 5 2.1.1 Sistemas de Identificação de Veículos........................................................................ 5 2.1.2 Sistemas de Classificação de Veículos ....................................................................... 8 2.2 REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................................... 9 2.2.1 Sistemas de Classificação de Veículos Baseados em Sensores Indutivos .................. 9 2.2.2 Sistemas de Classificação de Veículos Baseados em Processamento de Imagem ... 14 2.2.3 Sistemas de Classificação de Veículos Baseados em Análise Sonora...................... 16 2.3 SISTEMA PROPOSTO .................................................................................................. 17 CAPÍTULO 3.......................................................................................................................... 19 3.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 19 3.2 SISTEMA DE AQUISIÇÃO........................................................................................... 24 3.2.1 Infra-Estrutura.......................................................................................................... 24 3.2.2 Placa de Aquisição e Sistemas de Coleta................................................................. 25 3.2.3 Características Físicas ............................................................................................. 26 3.2.4 Sistema de Coleta do Perfil Magnético .................................................................... 28 3.2.5 Banco de Dados de Perfis Magnéticos..................................................................... 28 iii 3.2.6 As Categorias ........................................................................................................... 30 3.2.7 Locais de Coleta ....................................................................................................... 33 CAPÍTULO 4.......................................................................................................................... 34 4.1 ESTRATÉGIA ................................................................................................................ 34 4.2 SISTEMA LÓGICO FUZZY .......................................................................................... 36 4.2.1 Definição .................................................................................................................. 36 4.2.2 Sistemas Lógicos Fuzzy (SLF).................................................................................. 37 4.2.3 Fuzzificação.............................................................................................................. 38 4.2.4 Base de Regras ......................................................................................................... 38 4.2.5 Máquina de Inferência.............................................................................................. 38 4.2.6 Defuzzificador........................................................................................................... 38 4.3 SISTEMA PARA CLASSIFICAÇÃO DE VEÍCULOS EM 4 CATEGORIAS.............. 39 4.3.1 Coeficientes utilizados na classificação em quatro categorias................................ 40 4.3.1.1 Comprimento Magnético.................................................................................... 40 4.3.1.2 Valor Médio ....................................................................................................... 42 4.3.1.3 Número de Inversões para 4 Categorias............................................................. 43 4.3.2 Conjuntos Fuzzy ....................................................................................................... 44 4.3.2.1 Atributos Fuzzy para o Comprimento Magnético.............................................. 44 4.3.2.2 Atributos Fuzzy para o Valor Médio ................................................................ 45 4.3.2.3 Atributos Fuzzy para o Número de Picos ......................................................... 45 4.3.3 Base de Regras ......................................................................................................... 45 4.3.3 Resultados ............................................................................................................ 46 4.3.3.1 Interpretação....................................................................................................... 47 4.3.3.2 Campo de Provas da Perkons ............................................................................. 48 4.3.3.3 Rodovia SP – 310 km 199.................................................................................. 49 4.3.3.4 Rodovia BR 476 km 134.................................................................................... 50 4.3.3.5 Resultado Total .................................................................................................. 51 4.4 SISTEMA PARA CLASSIFICAÇÃO DE VEÍCULOS EM 6 CATEGORIAS.............. 52 4.4.1 Coeficientes Utilizados na Classificação em 6 Categorias...................................... 52 4.4.1.1 Comprimento Magnético para 6 Categorias....................................................... 52 4.4.1.2 Valor Médio para 6 Categorias .......................................................................... 53 4.4.1.3 Número de Inversões para 6 Categorias............................................................. 54 4.4.1.4 Valor Médio das Inversões ............................................................................... 54 iv 4.4.1.5 Variância Normalizada....................................................................................... 55 4.4.2 Conjuntos Fuzzy ....................................................................................................... 57 4.4.2.1 Comprimento Magnético Fuzzy......................................................................... 57 4.4.2.2 Valor Médio Fuzzy ........................................................................................... 57 4.4.2.3 Número de Inversões Fuzzy.............................................................................. 57 4.4.3 Base de Regras ......................................................................................................... 59 4.4.4 Resultados ............................................................................................................ 60 4.4.4.1 Campo de Provas da Perkons ............................................................................. 60 4.4.4.2 SP – 310 KM 199 ............................................................................................... 61 4.4.4.3 Av. Anita Garibaldi ............................................................................................ 62 4.4.4.4 Av. Erasto Gaertner............................................................................................ 63 4.4.4.5 Rodovia BR 116 km 125.................................................................................... 64 4.4.4.6 Discussão dos Resultados................................................................................... 64 CAPÍTULO 5.......................................................................................................................... 67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 69 v LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Sistema de leitura de placas automotivas .................................................................. 6 Figura 2 – Sistema de identificação por selo eletrônico - TAG ................................................. 7 Figura 3 – Perfil magnético de um veículo de passeio............................................................. 10 Figura 4 – Perfil magnético de um ônibus bi-articulado.......................................................... 10 Figura 5 – Fixação da câmera para coleta da perspectiva superior do veículo ........................ 15 Figura 6 – Modelo de imagem coletada para análise ............................................................... 15 Figura 7 – Medição de velocidade utilizando sensores indutivos ............................................ 19 Figura 8 – Padrão de resposta elétrica gerada por um veículo nos sensores indutivos............ 20 Figura 9 – Padrão gerado por um caminhão baú e por uma carreta......................................... 21 Figura 10 – Perfis magnéticos normalizados em amplitude e velocidade ............................... 22 Figura 11 – Processo de cálculo de velocidade........................................................................ 23 Figura 12 - Blocos do Sistema “Lombada Eletrônica” ............................................................ 24 Figura 13 - Sensores indutivos com largura de 10cm e 4m ..................................................... 27 Figura 14 - Dimensões dos sensores indutivos utilizados........................................................ 28 Figura 15 – Foto e perfil magnético de: a) veículo de passeio; b) utilitário; c) caminhão; d) carreta; e) ônibus; f) motocicleta. ...................................................................................... 29 Figura 16 – Etapas de desenvolvimento do sistema classificador ........................................... 35 Figura 17 – Sistema lógico Fuzzy com Fuzzificador e Defuzzificador ................................... 37 Figura 18 - Variáveis envolvidas para cálculo do comprimento magnético ............................ 40 Figura 19 - Comprimento magnético de uma carreta e de um veículo de passeio................... 40 Figura 20 - Distribuição do comprimento magnético dos veículos entre as 4 categorias ........ 41 Figura 21 – Valor médio de um veículo de passeio 1050 e de uma carreta 550...................... 42 Figura 22 - Valor médio distribuído entre as 4 categorias ....................................................... 43 Figura 23 - Localização das inversões para um veículo de passeio 1 e um micro-ônibus 5.... 43 Figura 24 - Distribuição das inversões entre as quatro categorias ........................................... 44 Figura 25 - Conjuntos fuzzy de comprimento magnético ........................................................ 44 Figura 26 - Conjuntos fuzzy de valor médio............................................................................ 45 Figura 27 – Conjuntos fuzzy de número de picos .................................................................... 45 Figura 28 – Distribuição do comprimento magnético dos veículos para as seis categorias .... 45 Figura 29 – Valor médio distribuido entre as categorias ......................................................... 45 Figura 30 – Distribuição do número de inversões nas seis categorias ..................................... 54 Figura 31 – Valor médio de picos para um veículo de passeio e um caminhão ...................... 55 vi Figura 32 - Distribuição do valor médio de picos entre as seis categorias .............................. 55 Figura 33 – Valores de variância para uma carreta, um caminhão e um carro ........................ 56 Figura 34 – Distribuição estatística da variância normalizada para as seis categorias ............ 56 Figura 35 – Conjuntos Fuzzy de comprimento magnético ...................................................... 57 Figura 36 – Conjuntos Fuzzy de valor médio .......................................................................... 57 Figura 37 - Conjuntos Fuzzy de número de picos.................................................................... 58 Figura 38 - Conjunto Fuzzy de Valor Médio dos Picos........................................................... 58 Figura 39 - Conjunto Fuzzy de Variância Normalizada .......................................................... 58 vii LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Categorias propostas por Pursula e Pikkarein, 1994 .............................................. 11 Tabela 2 - Categorias propostas por Gajda e Sroka, 2000 ....................................................... 11 Tabela 3 - Categorias propostas por Gajda e Stencel, 1997..................................................... 11 Tabela 4 - Categorias propostas por Andreotti......................................................................... 12 Tabela 5 – Resultado da classificação do sistema proposto por Pursula e Kosonen, 1989 ..... 12 Tabela 6 - Categorias propostas por Sun et al .......................................................................... 13 Tabela 7 - Categorias propostas por Mohottala, Kagesawa e Ikeuchi ..................................... 14 Tabela 8 – Aplicações propostas por Reijmers (2003) para larguras de sensores ................... 27 Tabela 9 – Classificação de veículos segundo o CTB ............................................................. 30 Tabela 10 – Subclassificação quanto à espécie do CTB .......................................................... 31 Tabela 11 – Classificação de veículos segundo FHWA .......................................................... 31 Tabela 12 – Quantidade de veículos no em Curitiba segundo o IBGE.................................... 32 Tabela 13 – Quantidade de veículos agregados nas principais categorias ............................... 32 Tabela 14 – Locais de coleta dos dados ................................................................................... 33 Tabela 15 – Base de regras do sistema de quatro categorias ................................................... 46 Tabela 16 – Resultado absoluto da classificação no campo de provas em 4 categorias .......... 48 Tabela 17 - Resultado percentual da classificação no campo de provas em 4 categorias........ 49 Tabela 18 – Resultado da classificação no equipamento da SP-310 em 4 categorias.............. 49 Tabela 19– Percentuais de classificação no equipamento da SP-310 ...................................... 50 Tabela 20 - Resultado da classificação no equipamento da BR-476 km 134 em 4 categorias 50 Tabela 21 - Percentuais da classificação do equipamento da BR-476 km 134........................ 51 Tabela 22 - Resultado total absoluto da classificação em 4 categorias.................................... 51 Tabela 23 - Resultado total percentual da classificação em 4 categorias................................. 51 Tabela 24 – Base de regras do sistema de 6 categorias............................................................ 59 Tabela 25 - Resultado absoluto da classificação no campo de provas em 6 categorias........... 60 Tabela 26 - Resultado percentual da classificação no campo de provas em 6 categorias........ 61 Tabela 27 - Resultado da classificação no equipamento SP-310 em 6 categorias ................... 61 Tabela 28 - Resultado percentual da classificação no equipamento da SP-310....................... 62 Tabela 29 - Resultado da classificação no equipamento Av. Anita Garibaldi em 6 categorias62 Tabela 30 – Percentuais da classificação do equipamento da Av. Anita Garibaldi ................. 63 Tabela 31 – Resultado da classificação da Av. Erasto Gaertner em 6 categorias.................... 63 Tabela 32 - Percentuais da classificação no equipamento da Av. Erasto Gaertner ................. 63 viii Tabela 33 – Resultado da classificação no equipamento BR 116 km 125 em 6 categorias..... 64 Tabela 34 – Percentuais da classificação no equipamento da BR-116 km 125 ....................... 64 Tabela 35 – Resultado absoluto total da classificação em 6 categorias ................................... 65 Tabela 36 - Resultado percentual total da classificação em 6 categorias................................. 65 Tabela 37 - Resultado absoluto da classificação desse sistema para 4 categorias ................... 65 Tabela 38 - Resultado percentual da classificação desse sistema para 4 categorias ................ 65 ix RESUMO O planejamento e o gerenciamento de sistemas viários necessitam de parâmetros e variáveis para o controle de tráfego e para outras diversas análises. A identificação da categoria de um veículo que trafega numa via é um parâmetro importante para o dimensionamento de sistemas, a caracterização do fluxo terrestre, o controle de acesso a locais específicos entre outras aplicações. Várias técnicas são empregadas para essa necessidade. Entre estas, destacam-se os sistemas de processamento de som, de imagem e de sinais gerados por sensores específicos para tal aplicação. O objetivo desse trabalho é propor ferramentas matemáticas e computacionais para classificação de veículos através da análise de sinais coletados de sensores indutivos, os quais são largamente aplicados em análise de condições de tráfego como velocidade e taxa de ocupação da via. Para tanto, foi desenvolvida em uma plataforma específica, baseada em processadores digitais de sinais, que realiza a aquisição dos sinais provenientes dos sensores, além de efetuar os cálculos referidos. O sistema foi desenvolvido em duas etapas – pré-classificação de veículos em quatro categorias: carros, motos, ônibus e caminhões; e em seis categorias: carros, utilitários, motos, ônibus, caminhões e carretas. Para a validação do sistema, este foi aplicado a equipamentos de fiscalização eletrônica, que utilizam sensoriamento indutivo para medições de velocidade e comprimento de veículos. Os resultados obtidos com tal sistema serão discutidos através da comparação da imagem capturada do veículo com a categoria definida pelo sistema. x ABSTRACT Road systems need specific planning and management based on parameters and variables for traffic control and other analysis. An important parameter to be considered into a road control systems is the identification of the vehicle category. This parameter is applied in the analysis of different conditions such as traffic volume, access control to specific areas, among others. A number of techniques may be applied to this need, such as sound pattern recognition, image pattern and signal identification provide by appropriate sensors. This dissertation aims at presenting mathematical and computing tools to classify vehicles by means of digital analysis gathered from inductive loops, which are widely applied to speed and volume indicators report. This system have been developed an unique restricted board based an digital signals processors that capture the signals from the loops, besides making the above mentioned calculations. The system has been developed in two steps: first, classifying vehicles into four categories – cars, motorcycles, buses and trucks; second, those vehicles classified into six categories – the one from step ones, plus vans and truck with trailers. In order to validate the system, it has been applied to speed control equipments that makes use of inductive loops to measure speed and vehicle length. Results are discussed through the comparison of vehicle received image and the category defined by the system. xi CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 1.1 MOTIVAÇÕES Várias são as ramificações da ciência aplicadas ao estudo do deslocamento de pessoas - o trânsito em questão. Algumas delas estão voltadas às soluções inovadoras que buscam tecnologias e alternativas, estudadas pelos sistemas inteligentes de transporte (ou tráfego) – ITS (Intelligent Transportation / Traffic Systems). Os ITS contribuem com várias ferramentas para a gestão do trânsito (PROPER, MACCUBBIN, GOODWIN, 2001) em diversas aplicações: comunicação, sinalização, organização, gerenciamento, controle e proteção das variáveis (pedestres, veículos, estradas, etc.) envolvidas – sobretudo os agentes humanos. O aperfeiçoamento destes sistemas visa uma otimização dos itens relacionados ao tema, com objetivo de assegurar tranqüilidade, conforto e segurança para as atividades relacionadas ao fluxo de pessoas e veículos. A busca do conhecimento e entendimento das variáveis envolvidas num sistema ITS ajuda na melhoria dos processos relacionados ao tráfego, independente de ser um fator passível de alteração ou não. Nestes processos, relacionam-se variáveis controladas e não controladas. Por exemplo, considera-se o fator condição climática como variável não controlada e a velocidade máxima regulamentada numa via como controlada. No planejamento de uma via de deslocamento, o conhecimento dessas variáveis fornece subsídios para a modelagem de um sistema funcional e otimizado para determinada necessidade. Uma variável importante para o projeto de uma nova via é a quantização do fluxo de veículos (pelo menos uma boa estimativa) que irão transitar por ela. Assim como a ampliação de uma via pode ser evidenciada pela análise desta informação. Porém, a simples informação de fluxo não é suficiente para evidenciar todas as necessidades de projeto. Uma via por onde circula em seu total de fluxo, 95% de veículos de passeio, por exemplo, será menos desgastada e exigida do que uma outra que possua 50% de tráfego de veículos de carga (considerando que ambos foram feitas com as mesmas características de pavimento). 1 Para classificação da frota que trafega em vias, os ITS utilizam os sistemas de classificação de veículos. Tais sistemas realizam a contagem do número de veículos e os classificam em categorias pré-estabelecidas. Estas categorias são definidas de acordo com aplicação. As seguintes tarefas em um ITS pode ser subsidiadas por um sistema de classificação de veículos (FHWA-PL-01-021, 2001): • planejar o sistema viário, conhecer o tráfego local e estabelecer uma classificação do sistema rodoviário; • avaliar o programa de ocupação e uso do solo de acordo com o volume de veículos; • estimar a emissão de poluentes nas vias; • identificar necessidades e prioridades de melhorias na malha viária; • verificar mudanças de perfil do tráfego em épocas distintas (sazonalidade); • obter a série histórica de volume de trânsito de vias urbanas e rodovias para estabelecer projeções de tráfego futuro; • estimativas do tempo de deteriorização do pavimento; • estudos de localização de postos de policiamento, de pesagem, socorro médico emergencial, etc; • localizar e projetar pontos de instalações para as operações de monitoramento e fiscalização; • estimar arrecadação em rodovias tarifadas, que possuem taxas variáveis para as diversas categorias de frotas; • fiscalizar vias que permitam o tráfego de categorias exclusivas; • fiscalizar categorias de veículos distintas em faixas de velocidades distintas. O trabalho proposto nessa dissertação surgiu da necessidade de qualificar a informação do tráfego para os padrões verificados no Brasil. O objetivo é caracterizar e qualificar o fluxo dos veículos que transitam em vias urbanas, de maneira eficiente e precisa, através de ferramentas operacionais e confiáveis. Para a coleta de dados foram utilizados sensores indutivos, os quais são difundidos e aplicados nos sistemas tecnológicos para tráfego. Estes sensores normalmente são responsáveis pela verificação de presença e pelo cálculo da velocidade dos veículos que trafegam na via, para fins de fiscalização de velocidade ou levantamento de estatísticas de tráfego. Porém, outras informações podem ser 2 obtidas. Cita-se nesse contexto, a análise da distribuição metálica de um veículo que transita sobre esses sensores através da sucessiva leitura da resposta magnética gerada na passagem que é objeto principal deste trabalho. Tal resposta tende a ser semelhante para veículos de características semelhantes, variando de acordo com as categorias existentes, a velocidade de deslocamento, e outros fatores que serão abordados. Através de um sistema eletrônico micro controlado, baseado em uma plataforma de processamento de sinais – DSP (cujo desenvolvimento não é escopo desse trabalho) são coletados e aplicados algoritmos baseados nos princípios Fuzzy de identificação e reconhecimento de padrões. Tal sistema possibilita a captação da informação de duas faixas de rodagem (quatro sensores), cujas funções principais são: • cálculo da velocidade de deslocamento dos veículos (com precisão superior aos critérios exigidos pelos órgãos governamentais); • cálculo do comprimento dos veículos; • categorização do veículo em classes pré-especificadas, de acordo com técnicas aqui demonstradas e aplicadas. 1.2 OBJETIVOS O objetivo principal desta dissertação é propor ferramentas para caracterização e identificação de categorias de veículos que transitam em vias urbanas. Tais ferramentas estão baseadas nos princípios Fuzzy, largamente aplicados em problemas de inteligência artificial. Essa informação será registrada de maneira instantânea pela passagem do veículo no local, através do processamento dos sinais provenientes dos sensores indutivos. A aplicabilidade deste sistema não se reduz apenas a fins estatísticos, mas estende-se para fins de fiscalização. Uma aplicação imediata é na diferenciação dos veículos que possuem velocidades máximas regulamentadas, visto que o código de trânsito brasileiro regulamenta diferentes velocidades em vias expressas para caminhões (80 km/h), ônibus (90 km/h) e veículos de passeio ou motos (110 km/h) (Código de Trânsito Brasileiro, 1997). Outra aplicação é no controle do acesso a determinadas vias, que é restrito apenas a algumas categorias. Casos mais comuns de restrição de acesso são as vias exclusivas para ônibus urbanos onde nenhum outro veículo pode ter acesso, e as zonas centrais de tráfego, onde não é permitida a circulação de caminhões pesados. 3 1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO O trabalho apresentado a seguir propõe um sistema para classificação automática de veículos em categorias. Para tanto, utilizou-se o parque de equipamentos de fiscalização eletrônica da empresa Perkons S.A. Nesse capítulo o sistema foi contextualizado e os benefícios potenciais dos ITS foram abordados. Ainda, iniciou-se o âmbito proposto do trabalho. No capítulo 2 discorre-se sobre algumas tecnologias possíveis de utilização para a classificação de veículos. Além do contexto aqui empregado (através da análise da resposta magnética gerada pelos veículos), outros podem ser aplicados, como reconhecimento do padrão da placa (LPR) ou através do emprego de um selo eletrônico (TAG) que identifica individualmente os veículos, relacionando-os com um cadastro onde constam os dados de todos os veículos. Ainda nesse capítulo são apresentados os principais estudos que utilizam o sensoriamento magnético para classificação de veículos. Outras técnicas que não necessitam de um conhecimento do cadastro do veículo também são abordadas: técnicas baseadas em reconhecimento do padrão de imagem do veículo e no padrão sonoro gerado pelo veículo. Percebe-se que são estudos específicos, porém pertinentes para viabilidade dos propósitos mencionados. Alguns são restritos a duas ou três categorias e outros propõem classificação em até 10 categorias. No capítulo 3 discute-se os conceitos físicos envolvidos nos métodos empregados para detecção de veículos através de sensores indutivos. É discutido o sistema de aquisição propriamente dito e o cenário utilizado para desenvolvimento do sistema classificador. A construção do sistema, os conceitos fuzzy aplicados e a extração de parâmetros de perfil magnético são apresentados no capítulo 4. O modelamento do sistema fuzzy propriamente ditos são explicitados, assim como as etapas de desenvolvimento do sistema. Este é testado em diversas condições e nesse mesmo capítulo os resultados gerados são discutidos. Finalmente, no capítulo 5, apresentam-se as conclusões. Sugerem-se melhorias e novas linhas de pesquisas para otimização do sistema. 4 CAPÍTULO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 SISTEMAS APLICADOS AO GERENCIAMENTO DE TRÁFEGO Existem diversas formas de identificar veículos em vias (PROPER, MACCUBBIN, GOODWIN - 2001). Muitos sistemas propõem-se a classificar o tráfego de maneira individual, caracterizando unitariamente cada veículo. Outros classificam em categorias definidas previamente usando detectores de tráfego. Na seqüência apresenta-se a aplicabilidade dos principais sistemas destinados a essas funções. Uma breve explanação das vantagens de cada tecnologia é descrita para situação do sistema proposto neste trabalho. 2.1.1 Sistemas de Identificação de Veículos As principais tecnologias (GOEDDEL, 2000) para construção de sistemas de identificação de veículos (conhecidos por AVI – Automatic Vehicle Identification) são: • Leitura do padrão de placas automotivas (conhecidos como LPR – License Plated Recognize); • Coleta dos dados de um selo eletrônico instalado nos veículos (conhecido como TAG); • Sistemas de Posicionamento Global (GPS – Global Positioning System) Os sistemas leitores de placas automotivas utilizam algoritmos de processamento de imagens para análise do padrão (coletado por câmeras de monitoramento) e sistemas de reconhecimento de padrões para identificação dos caracteres. A figura 1 mostra os principais itens utilizados em um sistema de reconhecimento de placas automotivas. 5 Figura 1 - Sistema de leitura de placas automotivas A imagem do veículo que trafega na via é capturada e processada pelo sistema de reconhecimento e identificação da placa. Em seguida, algoritmos de processamento de sinais são aplicados para localização da posição espacial da placa na imagem. Posteriormente os caracteres são separados para tratamento individual. Cada um deles é colocado em um procedimento de reconhecimento de padrões, através de técnicas de inteligência artificial (CHANG et al, 2004). Finalizando o processo de reconhecimento, o sistema busca os dados do veículo em um cadastro. Este cadastro (local ou remoto) contém os dados individuais daquele veículo, como espécie, cor, situação e outros. Após esta verificação, pode-se verificar ainda as pendências do veículo ou gerar estatísticas diversas de tráfego. Esse sistema possui alguns inconvenientes, sendo o principal deles o baixo aproveitamento na leitura dos padrões, causado em geral por: • Erros de reconhecimento do sistema ou da captura do veículo; • Placa em mau estado para legibilidade; • Condições climáticas diversas, tais como incidência elevada de sol ou nevoeiro acentuado; • Placas de veículos que não constam no banco de dados (no caso brasileiro existem cadastros estaduais e nenhum unificado nacionalmente). O sistema de coleta de dados através de um selo eletrônico (TAG) é um sistema tecnicamente eficiente. A figura 2 ilustra o funcionamento deste sistema. 6 Figura 2 – Sistema de identificação por selo eletrônico - TAG A operação desse sistema exige a utilização de um selo eletrônico que possui os dados e registros do veículo. Quando determinado veículo adentra a área de abrangência da antena coletora de informações, os dados são enviados para uma central de controle, onde podem ser feitas análises gerais de trânsito, tal qual o sistema leitor de placas. Os inconvenientes principais desse sistema são baseados na viabilidade financeira. Todos os veículos devem possuir o TAG para serem identificados, implicando em custos para o usuário. Outra dificuldade é que o veículo deverá estar presente dentro da região de abrangência para ser identificado. O sistema de posicionamento global (GPS – Global Position Systems) é basicamente um conjunto de satélites que pode determinar, em 3 dimensões (longitude, latitude e altitude) a posição do veículo na via. Entretanto, como o GPS depende de comunicação com satélites, sistemas adicionais de informação são necessários para que o sistema continue funcionando quando o veículo transita sob pontes, sob densas folhagens de árvores ou próximo de grandes elevações (prédios, montanhas). Este sistema possui alto custo em relação às outras tecnologias, e é normalmente aplicado para monitoramento de veículos de cargas. Dentre os aspectos abordados para utilização de sistemas de identificação de veículos questiona-se a invasão de privacidade, que é quebrada com o gerenciamento unitário dos veículos. Várias são as discussões questionando essa filosofia de monitoramento. 7 2.1.2 Sistemas de Classificação de Veículos Diversas tecnologias de detectores de tráfego podem servir de base para os sistemas de classificação de veículos (conhecidos por AVC – Automatic Vehicle Classification) (PATEN, 2003; KLEIN e KELLEY, 1996 ; MIMBELA e KLEIN, 2000). Os sensores utilizados para construção destes detectores são: • sensores infravermelhos (passivos ou ativos); • sensores de microondas (efeito Doppler); • sensores piezoelétricos; • sensores capacitivos; • sensores laser; • sensores magnéticos; • sensores indutivos; • sensores de imagem; • sensores ultra sônicos; • sensores sonoros. Muito desses sistemas são utilizados para obtenção de diversas condições de tráfego, como velocidade, peso e classificação de veículos. Radares estáticos, aqueles que normalmente são montados em tripés na lateral das vias, e radares portáteis utilizados para o registro de velocidade instantânea, utilizam tecnologia Doppler ou Laser, na maioria dos produtos comerciais. Sistemas de pesagem utilizam sensores piezoelétricos e capacitivos. Para classificação de veículos, são agregadas funcionalidades aos detectores, dotando os sistemas da capacidade de processamento de sinais e inteligência artificial. O estado da arte de três dos principais sensores aplicados ao reconhecimento de categorias de veículos serão apresentados: através de processamento de sinais coletados dos sensores indutivos, de processamento de imagem dos padrões de veículos e processamento dos padrões sonoros gerados pelos veículos. O trabalho em questão é baseado na classificação de veículos através da coleta dos sinais provenientes dos sensores indutivos. Estes são amplamente difundidos como elemento sensor nos sistemas de controle de tráfego. Além da classificação, permite-se registro de velocidade e tamanho dos veículos através desta tecnologia. 8 2.2 REVISÃO DA LITERATURA 2.2.1 Sistemas de Classificação de Veículos Baseados em Sensores Indutivos Os sistemas de sensores indutivos se caracterizam por apresentarem longa vida útil e boa resistência a alterações climáticas. POTTER (2004) descreve a evolução e disseminação desse sistema ao longo das décadas. Nessa evolução, eles passaram de simples detectores de presença para importante ferramenta dos sistemas de tráfego inteligente. A aplicação de detecção digital, ou seja, se existe ou não veículo sobre o sensor, é substituída pela detecção analógica de uma forma de onda completa. Desta forma é possível extrair outras informações, que implicam nas mais variadas aplicações. Uma destas aplicações é a classificação de veículos em categorias pré-definidas. Tal classificação é realizada a partir da análise analógica do sinal proveniente dos laços sensores, denominado de perfil magnético. Através da análise do perfil magnético, alguns estudos foram e continuam sendo feito por instituições de pesquisas e empresas da área de controle de tráfego (SUN et al., 2000). As figuras 3 e 4, respectivamente, mostram o perfil magnético gerado pela passagem de um veículo de passeio (figura 3) e um ônibus bi-articulado (figura 4) sobre os sensores indutivos. A cor vermelha do gráfico representa o perfil magnético gerado pelo primeiro sensor, e a cor azul representa o perfil magnético gerado pelo segundo sensor. O eixo das ordenadas representa a variação da indutância do conjunto sensor-veículo e o eixo das abscissas representa o tempo em milésimos de segundos. 9 Figura 3 – Perfil magnético de um veículo de passeio Figura 4 – Perfil magnético de um ônibus bi-articulado O uso do perfil magnético dos veículos foi inicialmente discutido por BÖHNKE e PFANNERSTILL (1986) na re-identificação de seqüências de veículos. PURSULA e PIKKARAINEN (1994) aplicam um sistema de identificação de sete classes de veículos usando duplos sensores indutivos (de dimensões 3x2 metros) e uma rede neural do tipo mapa de Kohonen. As categorias propostas pelos autores são apresentadas na tabela 1. O mapa de Kohonen é uma técnica de agrupamento de dados em classes vizinhas, com treinamento não supervisionado resultante da competição entre neurônios. A organização dos neurônios em clusters reflete a similaridade dos vetores de entrada do treinamento. Pela 10 interpretação desses agrupamentos são retiradas as classes distintas de veículos, quando devidamente treinados com dados relativos aos perfis magnéticos. Tabela 1 – Categorias propostas por PURSULA e PIKKAREIN (1994) CATEGORIA DESCRIÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 Carro ou Utilitário Caminhão Ônibus Caminhão com semi-trailer Caminhão com trailer Carro com trailer Carro com casa móvel Neste trabalho foi utilizado um mapa auto-organizável com dimensões 12x12. As entradas eram alimentadas pelos perfis magnéticos dos veículos e as saídas correspondiam às categorias. O percentual reportado de acerto médio foi de 80%, verificado nos veículos de treinamento da rede (737 ao todo). Através de análises das características do perfil magnético dos veículos baseados na variação ao longo do tempo, GAJDA e SROKA (2000) obtêm resultados de 77% a 95% para quatro categorias pré-definidas. As categorias são apresentadas na tabela 2. Em outro trabalho, utilizando um algoritmo baseado no método dos mínimos quadrados e um banco de dados padrão de cinco categorias pré-selecionadas, GAJDA e STENCEL (1997) obtiveram resultados variando entre 71% e 95% classificações corretas. Nesse sistema os autores utilizaram informações relativas à amplitude de variação do sinal normalizada, que são comparadas com o banco de dados padrões das categorias pré-selecionadas. Tabela 2 - Categorias propostas por GAJDA e SROKA (2000) CATEGORIA 1 2 3 4 DESCRIÇÃO Carro Trailer Ônibus urbano Ônibus articulado Tabela 3 - Categorias propostas por GAJDA e STENCEL (1997) CATEGORIA DESCRIÇÃO 1 Carro 2 Trailer 3 Caminhão 4 Ônibus urbano 5 Ônibus articulado 11 ANDREOTTI (2001) utiliza um total de 248 perfis magnéticos de veículos para testar um sistema de classificação utilizando técnicas de clusterização. Estes foram divididos em 166 veículos para treinamento e 82 veículos de validação, e distribuídos em um total de sete categorias, conforme tabela 4. Nos dados de treinamento foram aplicadas medidas de variância, assimetria, desvio padrão, média e número de máximos nos perfis. Através das medidas estatísticas são geradas regiões de valores, dentre as diversas variáveis citadas, criando-se agrupamentos de categorias. Em seguida, o veículo é classificado através do cruzamento dos valores do perfil a ser julgado com os padrões gerados, enquadrando na categoria com maior similaridade. O sistema chegou a uma precisão de 97,5%. Tabela 4 - Categorias propostas por ANDREOTTI (2001) CATEGORIA 1 2 3 4 5 6 7 DESCRIÇÃO Carro de Passeio Carreta Caminhão furgão Camionete Furgão Ônibus Moto PURSULA e KOSONEN (1989) apresentam um sistema, baseado na plataforma PC, capaz de identificar até 10 categorias (tabela 5), analisando incidências estatísticas do perfil magnético. A configuração dos duplos sensores utilizada foi de 2x2 metros (unitariamente) e espaçamento de 5 metros entre eles. Os resultados da análise de 733 veículos apresentam índices que chegam a 31% de erro. Tabela 5 – Resultado do sistema proposto por PURSULA e KOSONEN (1989) CATEGORIA DESCRIÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Motocicleta Carro Van Land Cruiser Categorias 2, 3 e 4 com trailer Ônibus Ônibus Articulado Caminhão Caminhão com semi-trailer Caminhão com trailer 12 SUN et al. (2000) apresentam dois métodos de classificação de veículos usando sete classes, conforme tabela 6. O sinal era provido de sensores indutivos com dimensões quadráticas de 1,86 metros. Os dados foram coletados em fluxo moderado (aproximadamente 1000 veículos por hora) e eram compostos de aproximadamente 2000 veículos, na grande maioria veículos de passeio. Para equalização do número de veículos nas categorias, apenas 300 veículos e respectivos perfis magnéticos foram utilizados. Desses foram tiradas características peculiares a cada categoria, tais quais: transformada do perfil, comprimento magnético do veículo, amplitude do sinal, área da curva gerada pelo perfil magnético, a variância do perfil em relação a sua forma e outros. Para extração de alguns desses parâmetros, os perfis magnéticos foram normalizados em amplitude e ao longo do tempo. Posteriormente, após extração das características, os dois métodos de classificação foram aplicados, um baseado em decisão heurística, e outro em uma rede neural não supervisionada do tipo mapa de Kohonen. Tabela 6 - Categorias propostas por SUN et al. (2000) CATEGORIA 1 2 3 4 5 6 7 DESCRIÇÃO Carro de Passeio Utilitário Camionete Limusine Ônibus Caminhão 2 eixos Caminhão mais de 2 eixos O método heurístico foi avaliado em três configurações. Cada configuração tinha sua árvore de decisão baseada nos parâmetros extraídos. A primeira configuração distinguia as classes através do comprimento magnético do veículo, a amplitude do perfil magnético e o achatamento do perfil. A segunda configuração foi montada com os mesmos parâmetros anteriores, mas com uma árvore de distribuição arranjada de outra forma. O terceiro algoritmo utilizava além desses parâmetros, a curtose (medida de dispersão que caracteriza o “achatamento” da curva). Os resultados coletados no mesmo ponto da aquisição dos dados obtiveram resultados médios de 84% de acerto para o primeiro, 91% para o segundo e 88% para o terceiro. Na mesma rodovia, dois quilômetros depois, esses algoritmos foram aplicados na re-categorização. As taxas de acerto médio foram de 81%, 82% e 85% para os algoritmos na seqüência mencionada. O mapa de Kohonen proposto por SUN et al. (2000) foi testado em duas configurações. A primeira configuração apresentou índices de acerto de 81% para as classes 13 da tabela seis. Na segunda configuração avaliaram-se os resultados nas sete classes e também em nove, seccionando as categorias de utilitários em utilitários esportivos e vans e separando camionetes pequenas de camionetes grandes. A taxa de classificação foi de 71% para a configuração de nove classes e 87% para a configuração de sete classes. Esta segunda foi testada com um novo conjunto de dados (veículos) e obteve taxa de acerto médio de 82%. GAJDA et al. (2001) apresentam um estudo da influência das dimensões físicas do sensor indutivo na resposta da variação da passagem do veículo refletido em seu perfil magnético. Os autores chegam à conclusão que quanto menor a dimensão do laço indutivo, maior o detalhamento do perfil magnético. Os autores sugerem a possibilidade da contagem do número de eixos dos veículos, utilizando sensores mais estreitos. 2.2.2 Sistemas de Classificação de Veículos Baseados em Processamento de Imagem Os sistemas de processamento de imagem vêm se difundindo no meio científico e tecnológico como uma importante ferramenta para automatização de processos [MOHOTTALA, KAGESAWA, IKEUCHI – 2003; GUPTE, PAPANIKOLOPOULOS – 2000; MACCARLEY - 1999]. Esta tecnologia viabiliza sistemas de reconhecimento de padrões faciais, padrões de assinaturas e outras aplicações. No próprio controle de tráfego, são aplicados os sistemas de reconhecimento de caracteres já citado em 2.1.1. Alguns sistemas para classificação de veículos propõem-se a distinguir categorias pelos padrões coletados por câmeras de vídeo. São efetuadas análises das características das imagens coletadas. MOHOTTALA, KAGESAWA e IKEUCHI (2003) propoem a classificação de categorias de veículos através da análise de imagens geradas por um sistema tridimensional. O sistema faz distinção de quatro classes de veículos, conforme a tabela 7. A câmera é fixada de maneira a registrar a imagem superior dos veículos, conforme figura 5. Modelos das imagens coletadas são mostrados na figura 6. Tabela 7 - Categorias propostas por MOHOTTALA, KAGESAWA e IKEUCHI (2003) CATEGORIA 1 2 3 4 DESCRIÇÃO Sedan Wagon Mini-Van Hatchback 14 Figura 5 – Fixação da câmera para coleta da perspectiva superior do veículo Figura 6 – Modelo de imagem coletada para análise O algoritmo de reconhecimento de imagens é baseado no método eigen-window. As imagens obtidas são comparadas com imagens de um banco de dados gerado para o treinamento. A categoria é escolhida analisando as características dos padrões e de matrizes geradas a partir de operações de covariâncias. Em seqüência as imagens são colocadas em um processo de votação. O padrão com maior similaridade é eleito. Inicialmente foram utilizadas 16 imagens treinadas, 4 de cada classe, para classificação de 49 veículos. O aproveitamento nessa etapa foi de 51%. Com algumas modificações de algoritmo, o aproveitamento subiu para 83%. A maior dificuldade relatada foi na classificação de mini-vans, que normalmente eram confundidas com hatchback. Os pesquisadores sugerem um aumento no número de imagens de treinamento para melhoria da classificação. GUPTE e PAPANIKOLOPOULUS (2000) desenvolveram um algoritmo para detecção e classificação de veículos através de seqüências de imagens de tráfego gravadas por uma câmera estacionária. O sistema proposto classifica veículos em duas categorias, caminhões e não caminhões. O sistema é composto de seis estágios, os quais: segmentação de movimento, (para identificação de algumas regiões de movimento), agrupamento das regiões, 15 identificação de parâmetros (para coleta de características como altura e comprimento das regiões), identificação do veículo em uma das regiões de movimentação, julgamento da região para verificação se é um veículo ou um simples ruído (utilizando filtro de Kalman) e classificação dos veículos identificados nas categorias. Os resultados relatados foram de 90% na identificação da presença dos veículos na imagem e 70% de classificação correta para as duas categorias. ZHANG e SIYAL (2000) utilizam a técnica da análise do contorno dos veículos para classificação em quatro categorias as quais jeep, carro de passeio, caminhões e mini-vans. No experimento, 17 dos 20 veículos foram classificados corretamente. 2.2.3 Sistemas de Classificação de Veículos Baseados em Análise Sonora Várias são as tecnologias que utilizam sistemas baseados em reconhecimento de padrões sonoros. Atualmente existem telefones comandados pela voz humana ou cadeiras de rodas especiais comandadas desta maneira. Em aplicações automotivas, alguns veículos disponibilizam sistemas que respondem a comandos através do padrão de voz do proprietário. Para a classificação de veículos, este é um método que possui algumas restrições, apesar de existirem alguns estudos defendendo a aplicação de técnicas de reconhecimento de padrões sonoros para esta finalidade [WU, SIEGEL, KHOSLA – 1998; KODOGIANNIS, 2001; NOORALAHIYAN et al., 1997]. Obviamente, todos os veículos apresentam padrões de ruídos sonoros. Esses ruídos acontecem devido a vibrações do motor, contato dos pneus com o solo, efeitos do veículo com o meio ambiente e outros. Para classificação em categorias, espera-se que veículos de categorias semelhantes gerem ruídos semelhantes, ou ao menos algum dos componentes do sinal gerado pela perturbação sonora destes sejam semelhantes. WU, SIEGEL e KHOSLA (1998) utilizam em seu estudo seqüências de aproximadamente 0,2 segundos para a análise do espectro do sinal sonoro. Esses sinais são processados e digitalizados em uma taxa de amostragem de 22,025 kHz, além de normalizado em média e amplitude. Acontecendo a variação do padrão sonoro ao longo do tempo, gera-se uma resposta correspondente ao perfil sonoro de determinado veículo. Algumas dessas amostras são estatisticamente escolhidas para análise do padrão do veículo correspondente a 16 determinado padrão. Nesse trabalho, os autores simularam as diferenças entre padrões de veículos de passeio e caminhões, e entre veículos de passeio e motocicletas. Em KODOGIANNIS (2001) é apresentado um sistema de detecção de veículos através da análise acústica das características. O ponto inicial e final de detecção de um veículo foi desenvolvido de acordo com uma predição através de um sistema lógico Fuzzy. Após a detecção do veículo diversas características foram extraídas do sinal sonoro gerado por determinado veículo. O sistema foi testado em 5 classes de veículos: carros de passeio; pickups, vans e mini-vans; caminhões de dois eixos; caminhões de três eixos; caminhões de cinco eixos. Os resultados foram entre 60 e 90 % de acerto, em um universo de 2440 veículos da classe 1, 1007 da classe 2, 587 da classe 3, 309 da classe 4 e 963 da classe 5. Em outra simulação as classes 1 e 2 foram combinadas observando-se melhoras na classificação para essas categorias. Os algoritmos testados para classificação utilizavam redes neurais e sistemas lógicos fuzzy adaptativos. NOORALAHIYAN et al. (1997) propuseram a classificação de 4 categorias: ônibus ou caminhões; vários tipos de motocicletas; veículos de cargas leves ou vans ; e veículos de passeio pequenos ou grandes. O sistema foi composto de três estágios, pré-processamento (onde ocorria a captação do padrão sonoro), extração de características e estágio neurocomputacional (para classificação dos veículos). Algumas técnicas de processamento digital de sinais foram utilizadas para a extração do padrão sonoro, tais quais: coeficientes LPC (Linear Predictive Coding) e transformadas de Fourier. As características extraídas pelo estágio de pré-processamento foram usadas para treinar uma rede neural não supervisionada de Kohonen e uma rede neural supervisionada do tipo TDNN (Time Delay Neural Network) para classificação de padrões individuais. Estas redes foram testadas em 3 etapas: uma em um campo de testes com ambiente controlado, e duas em rodovias, com médios e grandes índices de ruído sucessivamente. No pior caso, obteve-se 94% de acerto em testes efetuados em 1400 veículos que foram utilizados para a construção do sistema e coleta dos dados. Posteriormente 400 veículos aleatoriamente testados geraram resultados de 82,4% de acerto. 2.3 SISTEMA PROPOSTO O objetivo deste trabalho é o desenvolvimento de um sistema de classificação de veículos utilizando sensores indutivos, como nos trabalhos descritos no item 2.2.1. Nesse sistema, utilizaremos um sistema baseado em regras fuzzy como técnica para distinção das 17 categorias. Serão propostos dois sistemas. O primeiro fará a classificação dos veículos em quatro classes: carro, moto, ônibus e caminhão. O segundo incluirá estas quatro categorias além de veículos utilitários e carretas. Para execução desse trabalho foram utilizados dados de mais de vinte mil veículos, coletados em diversos locais e condições de fluxo, o que não foi observado nos trabalhos da literatura pesquisada. É um sistema que não almeja um grande número de classes, porém, por possuir fins comerciais buscou-se um alto desempenho. Procurou-se também verificar a necessidade mercadológica para elaboração do sistema, buscando os objetivos mencionados no item 1.1 – Motivações. O uso de sensores indutivos foi influenciado por ser a tecnologia mais utilizada (POTTER, 2000) para sistemas autônomos de contagem de tráfego. A lógica fuzzy foi utilizada por ser uma das tecnologias mais aplicadas (ZIMMERMANN, 1991 e SAMPAM, 1997) na distinção de padrões de sinais. 18 CAPÍTULO 3 AQUISIÇÃO DE DADOS DOS SENSORES INDUTIVOS 3.1 INTRODUÇÃO O capítulo em questão tem o objetivo de apresentar os modelos matemáticos e sistemas computacionais (baseados na análise e no processamento de sinais) desenvolvidos para classificação de veículos em categorias previamente especificadas. Tais sistemas serão destinados ao controle de tráfego. O desenvolvimento desse projeto contou com a estrutura dos equipamentos eletrônicos de fiscalização de velocidade da empresa Perkons S.A., financiadora desse projeto. Esses equipamentos foram utilizados para levantamento de dados, testes e simulações. Os equipamentos eletrônicos de medição de velocidade classificados como fixos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB, 1997) realizam, em sua grande maioria, a aquisição de dados através de sensores indutivos. Tais sensores, quando excitados eletricamente (Andreotti, 2001), são sensibilizados pela alteração do campo magnético do meio. Nos sistemas de medição referidos, dois sensores são instalados sob o pavimento a uma distância conhecida. A figura 7 mostra os parâmetros envolvidos nos cálculos. Como a distância é conhecida, o cálculo da velocidade de um veículo é realizado através da medição do tempo entre o acionamento (detecção de presença) do primeiro sensor (T1) e do segundo sensor (T2). Figura 7 – Medição de velocidade utilizando sensores indutivos A verificação de presença ou ausência de um veículo é realizada a partir da coleta e processamento do sinal elétrico gerado pelo sensor indutivo. Este sinal é função das 19 características metálicas do ambiente de abrangência do sensor. Quando um veículo adentra a região de influência do sensor ocorre uma interação que resulta na alteração das características do conjunto sensor-veículo. Esta verificação de presença pode ocorrer de forma binária ou analógica. Para a primeira, a detecção de um veículo ocorre quando a variação do campo eletromagnético ultrapassa determinado limiar. A figura 8 mostra o padrão de resposta elétrica gerada por um automóvel em um sensor indutivo. A linha de limiar representa a variação necessária do sinal para a detecção de um veículo. Este princípio é utilizado nos sistemas binários. Quando a variação ultrapassa o limiar, é informada a presença do veículo. Quando o sinal retorna abaixo do limiar, é informada a saída do veículo. Nos sistemas que verificam a presença de veículos de forma analógica, a variação do sinal é quantificada e armazenada ao longo do tempo. Assim, sabe-se a intensidade do sinal causada por diferentes veículos e diferentes partes de um mesmo veículo. As curvas da figura 8 representam a variação analógica gerada pelo veículo nos dois sensores indutivos, e são chamadas de perfil magnético ou assinatura magnética. Figura 8 – Padrão de resposta elétrica gerada por um veículo nos sensores indutivos No presente trabalho foi utilizado um sistema baseado no tratamento analógico das informações provenientes dos sensores (os perfis magnéticos), cedido pela empresa Perkons. Este sistema é responsável pelo cálculo de velocidade e comprimento dos veículos, e análise do sinal capturado. 20 Cada tipo de veículo (veículos de carga, ônibus, automóveis, motos, utilitários) possui diferente forma, dimensão, estrutura e distribuição das partes metálicas que o compõe. Quando um veículo transita sobre os sensores indutivos, será gerado um perfil magnético dependente da sua velocidade de deslocamento, dimensões e distribuição de massa metálica ao longo de seu comprimento. Tal padrão tende a ser semelhante para veículos de formas semelhantes. A figura 9 apresenta dois perfis de veículos semelhantes, mas de classes distintas, em velocidades distintas. Figura 9 – Padrão gerado por um caminhão baú e por uma carreta Nota-se que os padrões apresentados possuem peculiaridades relativas à sua forma. A taxa de crescimento do início do perfil magnético é uma das características a serem observadas. O caminhão baú, por exemplo, apresenta um crescimento mais abrupto comparado a uma carreta. Esta, por sua vez, apresenta uma queda de amplitude na região central não observado no primeiro. Como a velocidade do veículo é um fator conhecido (obtida pelo sistema de duplos sensores indutivos para medição de velocidade), pode-se eliminar a dependência deste parâmetro através de uma normalização ao longo do tempo. Diferenças construtivas ocorridas na instalação dos sensores também são minimizadas através da normalização da amplitude de variação magnética dos sinais. A figura 10 mostra perfis de tipos variados de veículos normalizados em velocidade e amplitude. 21 Figura 10 – Perfis magnéticos normalizados em amplitude e velocidade Para a realização desse trabalho, o processo de coleta dos perfis magnéticos foi automatizado e agregado ao sistema de medição de velocidade, possibilitando relacionar cada um destes perfis à imagem capturada do veículo. Desta forma, pôde-se gerar um banco de dados de perfis magnéticos com as respectivas fotografias dos veículos para análise. A geração do banco de dados foi realizada através da implantação desse sistema de aquisição em equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade. Esses locais foram escolhidos visando uma abrangência das mais diferentes condições de tráfego, tais quais velocidade máxima regulamentada da via, quantidade de veículos, características construtivas dos sensores e outros. Esse conjunto de informações também possibilita ao sistema de medição a comprovação da velocidade medida no instante da captura da imagem. O algoritmo utilizado para cálculo de velocidade consiste basicamente no “deslocamento” do perfil magnético do primeiro sensor sobre o segundo até o “casamento” destes. A figura 11 mostra este deslocamento, apresentando a aproximação das curvas até a máxima convergência (tempo que um veículo levou para percorrer a distância entre os sensores). Para o processo de deslocamento é utilizada a correlação como métrica da qualidade do casamento entre os perfis. Várias correlações são efetuadas, e o ponto de correlação máxima representa a medida mais precisa. 22 Figura 11 – Processo de cálculo de velocidade Observando a variação dos tipos de perfis magnéticos dos diversos veículos foram definidos alguns coeficientes para sintetizar a análise dos padrões. Nessa etapa, representou-se o perfil magnético em poucos parâmetros, reduzindo a quantidade de dados e facilitando a análise. A escolha dos coeficientes e a obtenção deles serão descritos adiante. Cada um destes parâmetros foi analisado estatisticamente. Isso possibilitou o agrupamento de veículos (e seus respectivos perfis) conforme a semelhança de valores. Através dessa análise foram estabelecidas categorias, onde estatisticamente os parâmetros dos perfis eram semelhantes. A classificação dos veículos nas categorias estabelecidas é realizada através da análise matemática dos parâmetros gerados. Está analise é realizada através de algoritmos de 23 agrupamento Fuzzy que são capazes de receber informações e características provenientes do perfil magnético e definir qual a categoria equivalente. 3.2 SISTEMA DE AQUISIÇÃO 3.2.1 Infra-Estrutura Foram utilizados os equipamentos REV (redutor eletrônico de velocidade) e DEV (detector eletrônico de velocidade), cedidos pela Perkons S.A., conhecidos como lombadas eletrônicas. O funcionamento do sistema de fiscalização consiste, basicamente, em detectar a passagem do veículo, fazer o cálculo e a conferência da velocidade e, se verificada a infração, capturá-lo através do sistema de vídeo. A figura 12 mostra os principais blocos do sistema. Figura 12 - Blocos do Sistema “Lombada Eletrônica” Os veículos que trafegam pelos sensores são detectados pelo sistema. Quando um veículo sobrepõe-se a dois sensores da mesma pista de maneira seqüencial, o sistema detector efetua o cálculo de velocidade e o sistema de processamento captura a imagem, através das câmeras que são posicionadas para perfeita visualização da placa de identificação. Essas informações são armazenadas para procedimentos posteriores. 24 3.2.2 Placa de Aquisição e Sistemas de Coleta Existem diversos sistemas comerciais destinados à detecção de veículos. Muitos desses sistemas informam a simples presença de um veículo sobre o sensor (RICHIE et al., 2002). Outros, além da avaliação de presença, efetuam os cálculos necessários para obtenção de velocidade e comprimento dos veículos. Um estudo (POTER, 2004) descreve a evolução tecnológica desses sistemas, desde a década de 60 até sistemas atuais, que são agora baseados em rotinas e técnicas executadas por software, não mais em evolução do seu hardware. Neste estudo ainda mencionam-se as características técnicas de um moderno sistema desenvolvido pela empresa Reno A&E. Neste trabalho foi utilizado um sistema de propriedade da Perkons S.A., que possui diversas funcionalidades agregadas, tais como cálculo de velocidade e comprimento através da análise do perfil magnético. Este é um sistema proprietário, capaz de monitorar até duas pistas (quatro sensores). Suas características destacadas são: • processador digital de sinais de alta velocidade, oferecendo capacidade de cálculo dinâmico para aplicações em tempo real. Sistema baseado nas arquiteturas de DSP (Digital Signal Processor), utilizando a série 5000 da Texas Instruments; • taxa de coleta das informações provenientes dos sensores de 1000 leituras por segundo, garantindo riqueza da informação para os cálculos de velocidade e comprimento e definição das formas do perfil magnético, para reconhecimento das características sutis; • filtros para rejeição de ruídos externos, garantindo a confiabilidade de medida e o funcionamento confiável do sistema em diferentes condições ambientais e eletromagnéticas; • cálculo de velocidade e comprimento baseado no perfil magnético dos veículos, não apenas em um limiar de detecção de variação de indutância, mas através de algoritmos de correlação matemática, oferecendo precisão superior a 99%; • ajuste automático do sistema com variações climáticas e ambientais, mantendo o sistema estável em qualquer condição, com longa durabilidade, suportando variações de temperatura e umidade; • possibilidade de armazenamento da informação do perfil magnético, para posterior análise e verificação de velocidade e comprimento; 25 A partir deste trabalho será incorporada a capacidade de identificação dos tipos de veículos em categorias pré-estabelecidas. 3.2.3 Características Físicas As características físicas dos sensores indutivos utilizados nesse trabalho foram levantadas por ANDREOTTI (2001). O autor demonstra matematicamente o perfil magnético gerado por um veículo que trafega sobre os laços indutivos a partir das análises do coeficiente de indutância e vetores potenciais magnéticos em superfícies não-homogêneas. No mesmo trabalho o autor utiliza o software FastHenry, comprovando através de simulações a validade de seu modelo matemático. Para que um campo magnético seja gerado, os indutores devem ser excitados por uma corrente elétrica alternada. Segundo GOODRIDGE (2003) essa freqüência deve ser gerada entre 10kHz e 200kHz, sendo que valores típicos estão entre 20kHz e 30kHz. REIJMERS (2003) sugere valores entre 40kHz e 120kHz. Ambos os autores descrevem os efeitos de um veículo entrando no campo magnético gerado: quando um objeto condutivo (plataforma do veículo) entra na área no qual o sensor abrange o campo magnético gerado pela fonte excitadora é induzida uma pequena corrente no objeto condutivo, chamada de corrente de Eddy (CALVERT, 2004). Essa corrente induzida gera um campo magnético próprio que se opõe ao campo magnético gerado pelo sensor, devido a efeitos descritos pela lei de Lenz (ANDREOTTI, 2001). Como conseqüência dessa oposição, o sensor perde sua indutância. A intensidade do campo oposto depende de alguns parâmetros: • o tamanho, a forma e condutividade do objeto; • a orientação tridimensional do objeto em relação ao sensor; • a posição tridimensional do objeto sobre o sensor; • o tamanho e a forma do sensor; • a freqüência nominal de operação do circuito. Além da ação da corrente de Eddy, outros dois efeitos podem influenciar fisicamente na indutância dos sensores, conforme descrito por REIJMERS (2003): veículos que possuem metais ferrosos em sua composição incrementam a densidade de fluxo do campo magnético 26 implicando em um aumento da indutância do sensor (porém as correntes de Eddy normalmente excedem esse feito); a presença do veículo aumenta a capacitância dos sensores, efeito normalmente negligenciado. GAJDA et al (2001) investigam a influência das dimensões longitudinais dos sensores indutivos. Foram testadas configurações variando a largura, desde 10 centímetros até quatro metros, conforme figura 13. A análise dos padrões gerados demonstra que quanto mais estreita a largura, maior será o detalhamento da forma de onda coletada (perfil magnético). REIJMERS (2003) propõe aplicações especificas para cada dimensionamento de sensor, sugerindo valores dimensionais conforme tabela 8. Figura 13 - Sensores indutivos com largura de 10cm e 4m Tabela 8 – Aplicações propostas por Reijmers (2003) para larguras de sensores FUNÇÃO Detecção de Bicicleta Contagem de Eixo Detecção de Carro de Passeio Detecção de Caminhões Separação entre Caminhões e Trailers Detecção de fluxo de veículos DIMENSÕES DO SENSOR Até 0,5 metros 0,5 - 0,8 metros 1,0 - 2,5 metros 2,0 – 4,0 metros 1,2 – 1,3 metros < 5 metros Nos estudos realizados nesse trabalho foram utilizados sensores de dimensões uniformes de 1 metro de largura longitudinal, com comprimento variando entre dois e três metros. Essa distância é padronizada nos equipamentos de fiscalização eletrônica da Perkons S.A. e não foram alteradas para as simulações. Desta forma, o produto desenvolvido para classificação de veículos pode ser agregado em qualquer equipamento já instalado da empresa. A figura 14 mostra as configurações dos sensores utilizados. 27 Figura 14 - Dimensões dos sensores indutivos utilizados 3.2.4 Sistema de Coleta do Perfil Magnético Para garantir uma grande quantidade de perfis magnéticos, a fim de agregar dados suficientes, permitindo uma boa análise estatística, o processo de coleta foi automatizado em conjunto com a imagem do veículo correspondente. Esta, captada pelas câmeras dos equipamentos, foi regulada para garantir a visualização completa do veículo, permitindo a compreensão correta da categoria equivalente. A coleta de diversos conjuntos de perfis magnéticos e imagens dos veículos propiciou a geração de um banco de dados. Este pôde ser usado para análise de características aqui descritas e posterior criação de categorias conforme semelhança percebida nos diversos padrões. 3.2.5 Banco de Dados de Perfis Magnéticos O banco de dados gerado foi distribuído em subclasses, conforme o julgamento dos operadores responsáveis pela análise. Está análise foi delegada a quatro operadores, que, com o julgamento da imagem, a atribuíam a uma subclasse equivalente. Estas subclasses foram distribuídas em veículos de passeio, utilitários e vans, caminhões, carretas, ônibus e motocicletas. A figura 15 apresenta a foto e o respectivo exemplo de perfil magnético para cada uma das categorias listadas: 28 a) Veículo de passeio; b) Utilitário; c) Caminhão; d) Carreta; e) Ônibus; f) Motocicleta. a) b) c) d) e) f) Figura 15 – Foto e perfil magnético de: a) veículo de passeio; b) utilitário; c) caminhão; d) carreta; e) ônibus; f) motocicleta. 29 3.2.6 As Categorias A escolha das categorias para implementação desse estudo foi influenciada por algumas observações e análises: • considerou-se a classificação do código de trânsito brasileiro e do FHWA (Federal Highway Admnistration) – órgão administrador de rodovias dos Estados Unidos (FHWA, 2001); • a quantidade de veículos presentes distribuídos em categoria em relação à frota circulante (tomou-se como base a cidade de Curitiba) através de números coletados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geometria e Estatística (IBGE, 2003); • a diferença das velocidades máximas regulamentadas para algumas espécies de categorias descritas no código de trânsito brasileiro (CTB, 1997); • a semelhança entre os padrões de perfis magnéticos, conforme já discutido. O Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 96, classifica os veículos de três formas (conforme tabela 9). Quanto à tração, à espécie e à categoria. Dentro da classificação “espécie” (tabela 10) existem as subclasses mais comuns: veículos de passageiros, cargas e mistos. A FHWA classifica os veículos em 13 categorias (tabela 11): motocicletas, veículos de passeio, utilitários, ônibus, três tipos de caminhões e seis de carretas (as duas últimas diferenciadas de acordo com o número de eixos). Tabela 9 – Classificação de veículos segundo o CTB I - Classificação quanto à Tração a) Automotor b) Elétrico c) Propulsão Humana d) Tração Animal e) Reboque ou Semi-Reboque II - Classificação quanto à Espécie a) Passageiros b) Carga c) Misto d) Competição e) Tração f) Especial g) Coleção 30 III - Classificação quanto à Categoria a) Oficial b) Representação Diplomática e afim c) Particular d) Aluguel e) Aprendizagem Tabela 10 – Subclassificação quanto à espécie do CTB II - Passageiros (a) 1 – Bicicleta 2 – Ciclomotor 3 – Motoneta 4 – Motocicleta 5 – Triciclo 6 – Quadriciclo 7 – Automóvel 8 – Microônibus 9 – Ônibus 10 – Bonde 11 – Reboque ou Semi – Reboque 12 – Charrete II - Carga (b) 1 – Motoneta 2 – Motocicleta 3 – Triciclo 4 – Quadriciclo 5 – Caminhonete 6 – Caminhão 7 – Reboque ou Semi – Reboque 8 – Carroça 9 – Carro-de-mão II - Misto (c) 1 – Camioneta 2 – Utilitário 3 – Outros II - Tração (e) 1 – Caminhão Trator 2 – Trator de Rodas 3 – Trator de Esteira 4 – Trator Misto Tabela 11 – Classificação de veículos segundo FHWA 1 – Motocicleta 2 – Carro de Passeio 3 – Outros Veículos de 2 eixos e 4 pneus 4 – Ônibus 5 – Caminhões de dois eixos e 6 pneus 6 – Caminhões de três eixos 7 – Caminhões de quatro ou mais eixos 8 – Carretas de até quatro eixos 9 – Carretas de cinco eixos 10 – Carretas de seis ou mais eixos 11 – Carretas de mais de um reboque com até cinco eixos 12 – Carretas de mais de um reboque com seis eixos 13 – Carretas de mais de um reboque com sete eixos ou mais Neste trabalho foram consideradas sete categorias: • 1 – Carro • 2 – Moto • 3 – Ônibus • 4 - Caminhões • 5 – Utilitários • 6 – Carretas • 7 – Outros veículos A tabela 12 mostra dados coletados do IBGE, que relata a frota quantitativa e percentual dos veículos da cidade de Curitiba – Paraná. Entre parênteses está mencionado o 31 número correspondente à categoria proposta para classificação nesse trabalho. A tabela 13 compila os dados nas categorias mencionadas. Tabela 12 – Quantidade de veículos em Curitiba segundo o IBGE TIPO DO VEÍCULO Automóveis (1) Bondes (7) Caminhões (4) Caminhões Tratores (4 e 6) Caminhonetes (5) Camionetas (1) Chassis (7) Ciclomotores (2) Micro-Ônibus (3) Motocicletas (2) Motonetas (2) Ônibus (3) Qaudriciclos (2) Reboques (6) Semi-reboques (6) Side-Cars (7) Outros (7) Trator de Esteira (7) Trator de Rodas (7) Triciclo (7) Utilitários (5) Total FROTA 604760 0 26786 5907 22900 53197 180 841 2560 53252 10032 4913 15 12782 9065 17 39 0 115 20 684 808065 FROTA (%) 74,84 0 3,31 0,73 2,83 6,58 0,02 0,1 0,32 6,59 1,24 0,61 0,002 1,58 1,12 0,002 0,005 0 0,01 0,002 0,08 100 Tabela 13 – Quantidade de veículos agregados nas principais categorias TIPO DO VEÍCULO 1 2 3 4 5 6 7 Total FROTA 657957 64160 7473 26786 23589 21847 351 808065 FROTA (%) 81,42 7,94 0,92 3,31 2,92 2,7 0,04 100 O CTB, artigo 61, menciona as velocidades máximas regulamentadas para as vias. No parágrafo II item a, existe as especificações diferenciadas para as categorias: - 110 km/h para automóveis, camionetes e motocicletas; - 90 km/h para ônibus e micro-ônibus - 80 km/h para os demais veículos 32 Os sistemas metrológicos, empregados para o controle automático de velocidade em vias, não possuem tecnologia para diferenciar as categorias para o cálculo variável, nas três faixas citadas. Com a classificação proposta neste trabalho, possibilita-se a elaboração de um sistema capaz de efetuar tal atividade. 3.2.7 Locais de Coleta As aquisições dos perfis magnéticos e fotografias foram coletadas em diversos equipamentos, em variadas condições de tráfego, velocidade máxima regulamentada e instalação do sistema de captura. A tabela 14 contém a lista dos equipamentos utilizados para geração do banco de dados das categorias. O número total de amostras superou 30.000 veículos. Além de Curitiba, foram coletadas amostras em outras regiões (SP, AL, CE e PE) para agregar possíveis veículos ao banco de dados que não circulam na região desta cidade. Tabela 14 – Locais de coleta dos dados Endereço CIDADE Campo de Provas da Perkons Curitiba/PR Avenida Anita Garibaldi, 1755 Curitiba/PR Avenida Erasto Gaertner, 2078 Curitiba/PR Avenida Presidente Keneddy, 3080 Curitiba/PR BR 476 km 125 Curitiba/PR BR 116 km 125 Fazenda Rio Grande / PR BR 116 km 126,6 Fazenda Rio Grande / PR BR 116 km 6,6 Quatro Barras / PR BR 376 km 596,67 Curitiba / PR BR 476 km 117,5 Colombo / PR BR 476 km 117,3 Colombo / PR BR 476 km 124,3 Curitiba / PR Rodovia SP 310 km 178 Rio Claro / SP Rodovia AL 220 Km 99 Maceió/ AL BR 222 km 1 Fortaleza / CE Av. Alfredo Lisboa Recife/PE 33 MÁXIMA VELOCIDADE PERMITIDA DA VIA 40 km/h 40 km/h 40 km/h 60 km/h 60 km/h 40 km/h 60 km/h 60 km/h 40 km/h 40 km/h 60 km/h 110 km/h 40 km/h 60 km/h 40 km/h CAPÍTULO 4 CATEGORIZAÇÃO FUZZY DE VEÍCULOS ATRAVÉS DE COEFICIENTES ESTATÍSTICOS E MATEMÁTICOS 4.1 ESTRATÉGIA Com o banco de dados (perfis magnéticos e imagens dos veículos) criado observou-se a variação dos tipos de perfis para caracterização de um determinado padrão. Foram utilizados coeficientes extraídos através de parâmetros estatísticos, os quais refletem características importantes para diferenciação. Dos diversos parâmetros testados selecionou-se aqueles apropriados, tanto em viabilidade de cálculo em tempo real quanto na separação dentro das categorias para essa aplicação. Os parâmetros são: • comprimento magnético; • valor médio; • número de inversões; • valor médio dos máximos; • variância normalizada em amplitude. Muitos outros foram verificados, porém descartados por motivos de relevância ou inviabilidade de cálculo pelo sistema microcontrolado. Dentre eles, citam-se as derivadas (primeira e segunda), a curtose e o skewness (essas duas são medidas do achatamento das curvas). Esses parâmetros foram utilizados em alguns trabalhos, como em SUN (2000) e OH, RITCHIE e OH (2002). Cada um desses parâmetros, extraídos individualmente de cada perfil, resulta em um coeficiente característico. Através de comparação, verificou-se a faixa de valores freqüentes e possíveis para cada classe previamente estabelecida. Isso possibilitou a representação do perfil magnético em poucos pontos, reduzindo a quantidade de dados e facilitando a análise. A partir desse mapeamento, pode-se gerar um histograma da incidência de valores dos coeficientes específicos para determinada categoria. Tal histograma, quando comparado entre as categorias, traz evidências das características diferenciadas para as classes. A análise dos histogramas gerados para cada coeficiente permitiu a análise da faixa de abrangência de valores. Assim propiciou-se a definição da importância da faixa de valores 34 possíveis que eles assumem na formação das funções de pertinência, usadas para decisão das categorias. Essas funções são aplicadas em um algoritmo Fuzzy para classificação. A ferramenta utilizada para aplicação desse algoritmo foi o software Matlab 6.1 da Mathworks. Foi utilizado o toolbox Fuzzy que propiciou simulações para verificação de desempenho do sistema nas diversas aplicações de coeficientes, classes, além de características do classificador (funções de pertinência de entrada, fuzzificador, base de regras e funções de pertinência de saída). Num passo posterior, o algoritmo foi portado ao sistema embarcado considerando as melhores configurações resultante da análise do sistema Fuzzy criado. A implementação foi realizada na linguagem própria do sistema, baseado em C. Desta forma o sistema de classificação passa a ser executado no sistema interno da placa de aquisição (controlado por um DSP) para execução em tempo real. Posteriormente, são analisados os desempenhos de cada sistema aplicado. A figura 16 apresenta as etapas de desenvolvimento para o sistema classificador de veículos. Está representada a seqüência de atividades, já contando com a existência de um banco de dados de classes pré-definidas. Figura 16 – Etapas de desenvolvimento do sistema classificador 35 4.2 SISTEMA LÓGICO FUZZY 4.2.1 Definição Um sistema fuzzy baseado em regras é caracterizado pela combinação de variáveis lingüísticas em regras estabelecidas por operadores (SE, ENTÃO) usando os princípios da lógica fuzzy (KOSKO - 1992, KAUFMANN - 1975, ZIMMERMANN – 1991, KAUFMANN e GUPTA - 1991). A lógica Fuzzy foi introduzida por ZADEH em 1965 como uma maneira matemática de representar a indecisão característica aos humanos (ZADEH 1965). Normalmente, os conjuntos clássicos trabalham com limites fixos bem estabelecidos, onde a transição dos valores membros para não-membros é abrupta. Em um conjunto Fuzzy, essas transições são graduais, sendo associado um grau de pertinência ao elemento entre “0” (totalmente não-membro) e “1” (totalmente membro). A cada variável é atribuída uma pertinência que é usada nos cálculos para a tomada de decisão. Os sistemas fuzzy baseados em regras mais comuns são constituídos em 4 etapas (SANPAM, 1997): • Fuzzificador; • Máquina de inferência; • Base de regras; • Defuzzificador. O Fuzzificador converte o dado real em número fuzzy. A máquina de inferência utiliza uma base de regras estabelecida para mapear variáveis fuzzy em outras variáveis fuzzy. As entradas da máquina de inferência são os valores de pertinência das variáveis de saída do fuzzificador. As saídas da máquina de inferência são os conjuntos fuzzy determinados pela execução das regras válidas para os valores de entrada. O defuzzificador converte esses conjuntos em valores reais. Métodos baseados em lógica fuzzy podem ser usados em vários estágios de sistemas de reconhecimento de padrões. Existem várias aplicações desses trabalhos em reconhecimento de padrões (KODOGIANNIS – 2001, SAMPAN - 1997). 36 4.2.2 Sistemas Lógicos Fuzzy (SLF) Um sistema lógico fuzzy (SLF) é um sistema que utiliza a teoria de conjuntos fuzzy e seus operadores para resolver determinado problema. Os SLF podem ser classificados em três tipos: sistema lógico fuzzy puro, sistema fuzzy de Takagi e Sugeno e sistema lógico fuzzy com fuzzificador e defuzzificador (WANG – 1994, DADONE - 2001). Este último é aplicado neste trabalho. As etapas principais são mostradas na figura 17, as quais representam as quatro etapas citadas anteriormente. Figura 17 – Sistema lógico Fuzzy com Fuzzificador e Defuzzificador A operação de um SLF baseia-se em uma coleção de regras do tipo SE-ENTÃO, expressas da seguinte forma R(1): Se a1 é A11 e a2 é A21 e ....... e an é An1 ENTÃO b é B1 (4.1) Os primeiros “n” termos são chamados de antecedentes das regras enquanto o último termo (conclusão do ENTÃO) é a conseqüência da regra. Os termos ai são variáveis lingüísticas fuzzy e os termos Ai1 são predicados destas variáveis lingüísticas. As entradas do SLF dependem dos antecedentes das regras (na base de regras). As entradas do SLF são externas e em gerais variáveis de decisão. Já os conseqüentes das regras fuzzy são sempre variáveis fuzzy, com pertinências relativas ao nível de associação. O papel do fuzzificador é converter variáveis externas de decisão para o conjunto fuzzy, deixando este pronto para ser processado pela máquina de inferência. Esta, por sua vez, utiliza as entradas fuzzificadas e as regras armazenadas e contidas na base para processar os dados recebidos e produzir as saídas. 37 Posteriormente as saídas necessitam serem convertidas de números fuzzy para valores crisp. Essa é a função do defuzzificador. 4.2.3 Fuzzificação A fuzzificação é o processo de mapeamento das entradas numéricas em representações lingüísticas através dos conjuntos fuzzy. Nessa etapa é realizada a formatação dos dados de entrada para que a máquina de inferência possa manipulá-los. 4.2.4 Base de Regras A base de regras consiste em uma coleção de regras do tipo SE-ENTÃO, que são implementadas através de comandos condicionais em lógicas fuzzy (NAGAY, 2002). As coleções de regras fuzzy são expressas como comandos condicionais que formam a base de regras de um conjunto fuzzy. Estas podem ser formadas basicamente a partir do conhecimento do especialista do problema em forma de sentenças lingüísticas, ou através da análise de dados históricos coletados. 4.2.5 Máquina de Inferência A máquina de inferência deduz a resposta do sistema a partir das entradas apresentadas. Nesse momento, será avaliado quando e como as regras e os dados serão utilizados. Nessa etapa são efetuadas combinação dos antecedentes das regras, implicação e modus ponens generalizado. Modus Ponens é o tipo de argumento em que as premissas hipotéticas A são testadas e implicam no resultado B (DADONE, 2001 – SANPAM - 1997). 4.2.6 Defuzzificador Nessa etapa, o valor da variável lingüística de saída inferida pelas regras fuzzy será traduzido num valor “crisp”. O objetivo é obter um único valor numérico que melhor represente os valores inferidos da variável lingüística de saída. A saída é calculada com base 38 na inferência obtida no motor de inferência. Sumariamente, a deffuzificação é uma transformação inversa que traduz a saída do domínio fuzzy para o domínio “crisp”. Existem vários métodos utilizados para defuzzificação. Os mais utilizados são (DADONE, 2001): • Defuzificador Máximo (utilizado nesse trabalho); • Média dos Máximos; • Centróide; • Altura. 4.3 SISTEMA PARA CLASSIFICAÇÃO DE VEÍCULOS EM 4 CATEGORIAS O primeiro sistema proposto classifica os veículos nas categorias: carro, moto, ônibus e caminhão. Na categoria “Carro”, são considerados os veículos de passeio e utilitários. Para a categoria “Moto”, são classificados além das motos outros veículos semelhantes, como triciclos, motonetas e similares. Na categoria “Ônibus”, classificam-se também os microônibus. Caminhões e carretas serão enquadrados na categoria “Caminhão”. Tal escolha foi influenciada pela análise da distribuição estatística dos coeficientes calculados. Tal diferenciação é possível através da análise de poucos parâmetros. A simplicidade para obtenção desses parâmetros é quesito importante, pois deverá ser implementado em sistema embarcado em tempo real, limitado em memórias de dados e programa. Também foi considerado que essas categorias representam a grande maioria dos veículos presentes nos território nacional. A diferenciação feita pelo CTB também contribuiu para essa escolha, pois sistemas de fiscalização de velocidade poderão utilizar essa diferenciação para as diferentes velocidades máximas permitidas em vias de trânsito rápido – 80 km/h para a categoria “caminhão”, 90 km/h para a categoria “ônibus” e 110 km/h para as categorias “carros” e “motos”. Veículos de outras categorias, como tratores (ou qualquer outro) serão classificados na categoria que apresente características semelhantes. Tais características foram obtidas de três coeficientes que analiticamente diferenciavam entre as categorias. Eles são: comprimento magnético, valor médio e número de inversões. A partir da análise dos três coeficientes extraídos do perfil magnético, foram definidos conjuntos fuzzy para representação lógica do sistema. Estes coeficientes servirão de entrada para uma máquina de inferência fuzzy, onde será verificada a pertinência de cada um aos 39 conjuntos fuzzy relacionados. Então, esses valores fuzzy serão avaliados em uma base de regras (que tem a responsabilidade de relacionar os valores possíveis às categorias equivalentes). Assim será decidida a categoria mais provável a que o veículo pertence. 4.3.1 Coeficientes utilizados na classificação em quatro categorias Os perfis magnéticos apresentam características similares referentes a cada categoria de veículos. Para sintetizar a análise e possibilitar o processamento em tempo real do perfil magnético, alguns coeficientes foram definidos, observando a variação estatística, segundo o banco de dados das categorias pré-estabelecidas (nessa etapa: caminhão, carro, moto e ônibus). Na seqüência são apresentados os coeficientes e o método para obtenção para cada um deles. 4.3.1.1 Comprimento Magnético O comprimento magnético é calculado através do tempo de ocupação do veículo sobre os sensores e a velocidade que o veículo cruza sobre eles. A figura 18 apresenta as variáveis envolvidas para cálculo do comprimento magnético. O comprimento magnético é obtido de acordo com a equação 4.3 Figura 18 - Variáveis envolvidas para cálculo do comprimento magnético (4.3) S = v×t − d 40 Onde S é o comprimento magnético do veículo, v a velocidade do veículo, d a largura do sensor indutivo e t o tempo que o sensor fica ativo por influência do veículo. A figura 19 apresenta o comprimento magnético para uma carreta e para um veículo de passeio. O primeiro apresenta comprimento de 13 metros e o segundo de 4 metros. Figura 19 – Comprimento magnético de uma carreta e de um veículo de passeio A variação do comprimento magnético pode ser observada estatisticamente para as categorias, conforme mostrado na figura 20. Esse gráfico é uma distribuição estatística do banco de dados de veículos pré-classificado para esse específico coeficiente. Interpreta-se da seguinte maneira: no ponto de tamanho 10 marcado no gráfico existe aproximadamente 250 ônibus. Nota-se uma distinção bastante aparente das categorias moto, carro e ônibuscaminhão. Porém, através desse parâmetro, fica aparente a dificuldade de diferenciar as categorias ônibus e caminhão. Figura 20 - Distribuição do comprimento magnético dos veículos entre as quatro categorias 41 4.3.1.2 Valor Médio O valor médio consiste no somatório dos pontos do perfil magnético dividido pelo seu número de pontos. A quantidade de pontos do perfil magnético é função da velocidade do veículo e do seu comprimento magnético. Conforme já citado no item 3.2.3 – Características Físicas – o valor médio que é a amplitude do sinal elétrico do perfil magnético, varia proporcionalmente às orientações dos veículos e da posição destes em relação aos sensores. Desta forma, são observados diferentes valores médios para as categorias. A expressão do cálculo para obtenção deste parâmetro é n __ X = ∑ Xi i =1 (4.4) n __ onde X é o valor médio do perfil magnético, Xi valor do perfil magnético no ponto “i” e n o número de pontos do perfil magnético. A figura 21 apresenta o valor médio para um veículo de passeio e uma carreta. O primeiro apresenta 1050 pontos de variação e o segundo 550 pontos. Essa medida é realizada após processo de conversão analógica do sinal elétrico para valor digital, podendo assim o sinal ser quantificado. A Figura 22 mostra a distribuição do valor médio entre as quatro categorias. Nota-se uma separação das categorias ônibus e caminhão. O gráfico é interpretado da mesma maneira que o relativo ao comprimento magnético. Figura 21 – Valor médio de um veículo de passeio - 1050 e de uma carreta - 550 42 Figura 22 - Valor médio distribuído entre as 4 categorias 4.3.1.3 Número de Inversões para 4 Categorias São todos os picos e vales do perfil magnético. Para obtenção do parâmetro, é analisado o comportamento da derivada primeira através da contagem de inversões apresentadas neste perfil. Considera-se uma inversão quando o perfil muda a sua taxa de crescimento de positivo para negativo, ou vice-versa. A figura 23 apresenta as inversões de um veículo de passeio e de um caminhão. A figura 24 mostra a distribuição do número de inversões para as quatro categorias. Figura 23 - Localização das inversões para um veículo de passeio (1) e um micro-ônibus (5). 43 Figura 24 - Distribuição das inversões entre as quatro categorias 4.3.2 Conjuntos Fuzzy Baseado nas distribuições estatísticas dos três coeficientes, formou-se conjuntos fuzzy que refletiam a faixa de valores esperados para cada categoria. Na seqüência são apresentados estes conjuntos. 4.3.2.1 Atributos Fuzzy para o Comprimento Magnético Para o comprimento magnético, foram definidos cinco conjuntos fuzzy, conforme Figura 25. O conjunto zero compreende valores entre zero e dois metros, o conjunto um entre um valor pouco superior a zero e seis metros, o conjunto dois entre quatro e dez metros, o conjunto três entre oito e dezenove metros e o conjunto quatro compreende valores superiores a dezessete metros. No gráfico está representado apenas até 30 metros, porém, valores superiores a 30 estarão contidos no conjunto quatro. Figura 25 - Conjuntos fuzzy de comprimento magnético 44 4.3.2.2 Atributos Fuzzy para o Valor Médio Para o valor médio, foram definidos três conjuntos fuzzy, conforme Figura 26. A interpretação dos conjuntos é semelhante ao descrito no item anterior. Figura 26 - Conjuntos fuzzy de valor médio 4.3.2.3 Atributos Fuzzy para o Número de Inversões Para o número de inversões, foram definidos apenas dois conjuntos fuzzy, conforme Figura 27. A interpretação do conjunto é como no item 4.3.2.1. Figura 27 – Conjuntos fuzzy de número de picos 4.3.3 Base de Regras Os valores da pertinência dos coeficientes (comprimento magnético, valor médio e número de inversões) do perfil magnético nos conjuntos fuzzy serão avaliados em uma base de regras. A base de regras consiste de uma série de expressões do tipo SE ENTÃO que verifica para qual categoria o veículo tem mais probabilidade de pertencer. 45 Ao todo foram utilizadas 15 regras, das quais seis têm como conseqüência a categoria de caminhões, seis a categoria de carros de passeio, duas a categoria de ônibus e três a categoria de motocicleta. Estas regras foram estabelecidas analisando a distribuição estatística dos coeficientes nos conjuntos fuzzy criados. As regras são estabelecidas conforme segue: “SE comprimento magnético é ZERO E o valor médio é ZERO, ENTÃO a categoria é MOTO”. Nessa regra o valor do número de inversões é irrelevante para a classificação. Essa regra é equivalente à regra da tabela 15 que apresenta todas as regras utilizadas para essa etapa de classificação. Tabela 15 – Base de regras do sistema de quatro categorias REGRAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 COMPRIMENTO MAGNÉTICO 0 0 1 0 1 1 2 2 2 3 1 2 3 3 4 VALOR MÉDIO 0 1 0 2 1 2 1 2 2 2 1 0 0 1 X NÚMERO DE INVERSÕES X X 0 X 0 X 0 0 1 X 1 X X X X CATEGORIA MOTO MOTO MOTO CARRO CARRO CARRO CARRO CARRO ÔNIBUS ÔNIBUS CAMINHÃO CAMINHÃO CAMINHÃO CAMINHÃO CAMINHÃO Nas regras, o operador lógico “E” representa o mínimo das pertinências dos conjuntos em questão. Logo, na regra 1, o peso da categoria MOTO para um determinado perfil magnético será o menor valor entre a pertinência de comprimento magnético do conjunto zero e a pertinência de valor médio do conjunto zero. Como existem três regras que tem como conseqüência a categoria MOTO, ao final da avaliação destas regras, o peso desta categoria será o maior valor entre o peso (pertinência) das regras que tem como conseqüência MOTO. A categoria definida pelo sistema fuzzy para um determinado veículo, será aquela, entre as 15 regras que tiver o maior peso em comparação com as outras após a avaliação. 4.3.3 Resultados Para levantamento quantitativo de classificação foram escolhidos alguns equipamentos. Nessa etapa de classificação, em quatro categorias, foram utilizados os equipamentos localizados nos seguintes pontos: 46 • campo de provas da Perkons; • Rodovia SP 310 Km 199; • Rodovia BR 476 km 134. Para análise da classificação, verificava-se a fotografia do veículo que era comparado à classificação atribuída pelo sistema. Nas situações em que a fotografia era avaliada e os veículos eram compatíveis com mais de uma categoria, a classificação era considerada correta se o sistema indicasse que aquele veículo pertence a uma daquelas categorias. Citando alguns casos: camionetes de grande porte podem, em alguns casos, ser consideradas como carros ou caminhões, utilitários grandes de transporte de passageiros podem ser considerados como carros ou ônibus. 4.3.3.1 Interpretação Os resultados são organizados em duas tabelas: a tabela de totais de veículos e a tabela de percentuais. A primeira apresenta os resultados totais e quantificados da classificação e a segunda as taxas de acerto, taxas de alarme falso e taxas de não detecção do sistema classificador. A primeira tabela é interpretada da seguinte maneira: nas linhas está registrada a quantidade de veículos referente à categoria (coluna) de acordo com a imagem observada. Nas colunas está registrada a classificação que o sistema atribuiu. Por exemplo: Na tabela 16 1388 carros foram classificados como carros, nenhum carro foi classificado como moto, 3 carros foram classificados como ônibus e 1 carro foi classificado como caminhão. Por outro lado, a tabela pode ser interpretada pela coluna. Lendo assim, a mesma tabela informa que 1388 carros foram classificados como carros, nenhuma moto foi classificada como carro, 7 ônibus foram classificados como carros e 2 caminhões foram classificados como carros. Adicionalmente colocam-se as categorias veículo entre pista e indefinido para situações não ideais de medida que o sistema pode não considerar correto. Veículos entre pistas normalmente podem ser confundidos com moto, pois possuem uma variação bastante semelhante. Na tabela de percentuais avaliou-se o desempenho do sistema através de três índices: taxa de acerto, taxa de alarme falso e taxa de não detecção. A taxa de acerto é a quantidade 47 total de veículos classificados corretamente em relação ao total de veículos daquela categoria. Na tabela 17 a taxa de acerto da categoria carro foi de 1388 veículos divididos por 1392 veículos, que resulta em 99,713%. A taxa de alarme falso são aqueles veículos que não deveriam ter sido classificados em determinada categoria mais o foram. Esse índice é medido em relação ao total de veículos de todas as categorias. No exemplo da tabela 17 a taxa de alarme falso para a categoria carro é de 9/1621, que resulta em 0,555%. A taxa de não detecção é a quantidade de veículos que deveriam ter sido classificados em determinada categoria e foram classificados em outra qualquer. Na mesma tabela 17 a taxa de não detecção para a categoria carro é de 4/1392, que resulta em 0,287%. Nos percentuais totais, a diferença entre a quantidade de não detecção e alarme falso é sutil. Na tabela 19 nota-se uma pequena diferença percentual. Isso se deve a veículos classificados como indefinidos. Eles são considerados para o cálculo de não detecção, pois deixou de contar veículos nas categorias para serem computados com esse status. Porém para o caso de alarme falso eles não são considerados, pois não agregam quantidade falsa a nenhuma categoria. 4.3.3.2 Campo de Provas da Perkons Nesse local não existe nenhuma caracterização do sistema de fiscalização eletrônica, fazendo que veículos trafeguem com velocidades bastante diferenciadas. Historicamente possui média de velocidade de 60 km/h para veículos de passeio e moto e 50 km/h para ônibus e caminhões. A tabela apresenta o resultado da classificação no Campo de Provas da Perkons. Tabela 16 – Resultado absoluto da classificação no campo de provas em 4 categorias Categoria / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Total Real Carro 1388 0 3 1 1392 Moto 0 94 0 0 94 Ônibus 7 0 32 1 40 Caminhão 2 0 0 93 95 Veículo Entre Pista 0 0 0 0 0 Indefinido 0 0 0 0 0 Total Classificação 1397 94 35 95 1621 48 Durante 6 horas do dia 09 de agosto de 2005, o sistema apresentou este desempenho. Passaram, nesse período, 1621 veículos. O número total de veículos, distribuído nas categorias está apresentado na tabela. Os percentuais de desempenho são apresentados na tabela 17. Alguns erros percebidos: • 7 ônibus classificados como carros: micro-ônibus possui característica muito semelhante a utilitários; • 3 carros classificados como ônibus: alguns carros com carretinhas apresentam variações acentuadas e dimensões grandes, confundindo o sistema; • 2 utilitários (camionetes) foram classificados como caminhões; • 1 caminhão pequeno foi classificado como carro; • 1 caminhão baú foi classificado como ônibus por possuir variação acentuada. Tabela 17 - Resultado percentual da classificação no campo de provas em 4 categorias Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 99,713% 0,555% 0,287% Moto 100,000% 0,000% 0,000% Ônibus 80,000% 0,185% 20,000% Caminhão 97,895% 0,123% 2,105% Total 99,136% 0,864% 0,864% Os percentuais obtidos mostram que o pior desempenho da classificação ocorreu para a categoria ônibus. O desempenho demonstra que 80% dos ônibus que passaram pelo sistema durante os testes foram classificados corretamente. 4.3.3.3 Rodovia SP – 310 km 199 Esse local é monitorado por um equipamento de fiscalização eletrônica tipo DEV da Perkons. A velocidade regulamentada na via é de 110 km/h para veículos de passeio, utilitários e motocicletas, 90km/h para ônibus e 80 km/h para caminhões. Tabela 18 – Resultado da classificação no equipamento da SP-310 em 4 categorias Categoria / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Veículo Entre Pista Indefinido Total Classificação Carro 1412 0 1 29 0 1 1442 Moto Ônibus Caminhão Total Real 0 1 1 1414 45 0 0 45 0 49 9 59 0 126 752 907 26 0 0 26 0 4 1 6 71 176 762 2457 49 Durante 5 horas do dia 12 de agosto foi observado o desempenho apresentado na tabela 18. Ao todo, 2457 veículos transitaram pelo equipamento. Nesse caso, percebe-se que os desempenhos individuais são aceitáveis (todos acima de 80%), porém muitos caminhões foram classificados como ônibus. Como o tráfego de ônibus nesse local é baixo (comparado ao total de caminhões), um percentual baixo de caminhões classificado como ônibus corresponde a um erro substancial, comparado ao número total de ônibus. Passaram 59 ônibus durante os testes, porém o sistema informou que foi 176 o número total. Outra situação percebida é a de classificação de alguns veículos trafegando entre pistas como motos. Isso se reflete no número final de veículos classificados. A tabela 19 apresenta os percentuais relativos à classificação. Fica evidente o baixo desempenho quando existe o desbalanceamento da quantidade de veículos entre as categorias ônibus e caminhão. Tabela 19– Percentuais de classificação no equipamento da SP-310 Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 99,859% 1,262% 0,141% Moto 100,000% 1,058% 0,000% Ônibus 83,051% 5,332% 16,949% Caminhão 82,911% 0,448% 3,197% Total 91,901% 7,874% 8,099% 4.3.3.4 Rodovia BR 476 km 134 Esse local é monitorado por um equipamento de fiscalização eletrônica tipo REV da Perkons. A velocidade regulamentada na via é de 60 km/h para qualquer categoria de veículos. A tabela 20 apresenta os resultados da classificação. Tabela 20 - Resultado da classificação no equipamento da BR-476 km 134 em 4 categorias Categoria / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Veículo Entre Pista Indefinido Total Classificação Carro 862 0 0 5 0 0 867 Moto Ônibus Caminhão Total Real 0 7 30 899 102 0 0 102 0 9 2 11 0 3 245 253 0 0 0 0 0 0 0 0 102 19 277 1265 50 Os resultados foram semelhantes para aqueles verificados no equipamento 299. A classificação individual apresentou bons índices, porém os caminhões considerados como ônibus influenciam significativamente nos índices finais. Tabela 21 - Percentuais da classificação do equipamento da BR-476 km 134 Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 95,884% 0,395% 4,116% Moto 100,000% 0,000% 0,000% Ônibus 81,818% 0,791% 18,182% Caminhão 96,838% 2,530% 1,976% Total 96,285% 3,715% 3,715% 4.3.3.5 Resultado Total A tabela 22 traz a soma dos resultados dos três locais testados. A tabela 23 o percentual e as taxas relativas à tabela 22. Os resultados mostram aproveitamentos altos para as categorias moto e carro, porém não tão eficiente para os ônibus e caminhões. Na categoria de ônibus, a cada cinco veículos, um é classificado errado, em média. Tabela 22 - Resultado total absoluto da classificação em 4 categorias Categoria / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Veículo Entre Pista Indefinido Total Classificação Carro 3662 0 8 36 0 1 3706 Moto Ônibus Caminhão Total Real 0 11 32 3705 241 0 0 241 0 90 12 110 0 129 1090 1255 26 0 0 26 0 4 1 6 267 230 1134 5343 Tabela 23 - Resultado total percentual da classificação em 4 categorias Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 98,839% 0,842% 1,161% Moto 100,000% 0,487% 0,000% Ônibus 81,818% 2,695% 18,182% Caminhão 86,853% 0,842% 2,869% Total 95,134% 4,759% 4,866% O desempenho deficitário nessas categorias deve-se a dificuldade de caracterizar esses veículos com apenas três coeficientes. Nota-se nas distribuições estatísticas levantadas para a criação da base de regras que existem veículos que possui características combinadas de comprimento magnético, valor médio e número de picos muito semelhantes, mesmo em categorias diferentes. 51 Não sendo possível a diferenciação de veículos das categorias ônibus e caminhões através do comprimento magnético e do número de inversões, o parâmetro decisivo é o valor médio de variação. Porém, uma quantidade razoável de caminhões apresentou variações semelhantes à categoria ônibus (sobretudo aqueles com carroceria tipo furgão) e alguns ônibus, da mesma forma, possuem variações semelhantes àquelas esperadas para caminhões neste sistema (ônibus urbano e micro-ônibus principalmente). Para melhorar o desempenho do sistema, procuraram-se novos coeficientes, que possibilitam aumentar a quantidade de informação. Esses novos coeficientes foram pesquisados para fornecer dados suficientes na melhoria da diferenciação das categorias propostas nesse item e para aumentar a quantidade destas. O item 4.4 – Sistema para classificação de veículos em 6 categorias traz uma nova proposta de classificação utilizando outros coeficientes além destes utilizados nessa primeira análise. 4.4 SISTEMA PARA CLASSIFICAÇÃO DE VEÍCULOS EM 6 CATEGORIAS Este sistema classifica os veículos nas categorias: carro, moto, ônibus, caminhão, utilitário e carreta. Tais características foram obtidas de cinco coeficientes. Os já utilizados para o primeiro sistema: comprimento magnético, valor médio e número de inversões e dois novos coeficientes: valor médio das inversões do perfil magnético e variância normalizada do perfil magnético. 4.4.1 Coeficientes Utilizados na Classificação em 6 Categorias 4.4.1.1 Comprimento Magnético para 6 Categorias A variação de comprimento pode ser observada estatisticamente para as 6 categorias, conforme mostrado na figura 28. Esse gráfico é uma distribuição estatística do banco de dados de veículos pré-classificado. Com as seis categorias propostas, percebe-se a possibilidade de utilizar esse parâmetro para diferenciação das categorias caminhão e carreta. Porém, a diferenciação de utilitários torna-se impossibilitada, tanto em relação a veículos de passeio quanto a caminhões. 52 Figura 28 - Distribuição do comprimento magnético dos veículos para as seis categorias 4.4.1.2 Valor Médio para 6 Categorias A figura 29 mostra a distribuição do valor médio entre as categorias. A diferenciação da categoria moto é evidente com esse parâmetro. As variações acentuadas ocorrem para as categorias carros e ônibus. Porém os utilitários apresentam tendência intermediária entre caminhões/carretas e ônibus/carros. A diferenciação é confusa para essa categoria. Figura 29 - Valor médio distribuído entre as seis categorias 53 4.4.1.3 Número de Inversões para 6 Categorias A figura 30 apresenta a distribuição do número de inversões para as seis categorias. Nota-se um número grande de inversões ocorrendo apenas nas categorias carretas e ônibus. Figura 30 – Distribuição do número de inversões nas seis categorias 4.4.1.4 Valor Médio das Inversões Essa medida é obtida através dos valores médios dos pontos de inversão. O cálculo para obtenção desse parâmetro é dado por: ni __ Xi = ∑ Xj j =1 (4.5) ni __ Onde Xi é o valor médio das inversões do perfil magnético, Xj o valor do perfil magnético na inversão j e ni é o número de inversões ocorridas no perfil magnético. A figura 31 apresenta o valor médio para um veículo de passeio e um micro-ônibus. O primeiro apresenta 2800 pontos e o segundo 2764 pontos. A figura 32 mostra a distribuição do valor médio das inversões entre as 6 categorias. Nota-se uma importante separação das categorias ônibus e caminhão/carreta. Os utilitários possuem, da mesma forma, valores médios inferiores aos carros. Para esses veículos, o parâmetro em questão torna-se o valor máximo do perfil, pois a única inversão acontece nesse valor. 54 Figura 31 – Valor médio de picos para um veículo de passeio e um caminhão Figura 32 - Distribuição do valor médio de picos entre as seis categorias 4.4.1.5 Variância Normalizada A variância é uma medida da variabilidade dos dados em torno da média. É definida como o desvio quadrático médio em relação ao valor médio. É calculada de acordo com: _ 2 n ∑ ( Xi − X ) Var = i =1 n −1 55 (4.6) __ A variância Var é obtida a partir de Xi (valor do perfil magnético normalizado em __ amplitude no ponto i), X (valor médio do perfil magnético normalizado em amplitude) e n (número de pontos do perfil magnético). A figura 33 mostra o perfil magnético de uma carreta (cuja variância normalizada é 71), de um micro-ônibus (variância igual a 168) e um veículo de passeio (variância igual a 574). A figura 34 mostra a distribuição da variância normalizada entre as 6 categorias. Notase a separação da categoria carro das demais categorias (com variação média de 800 pontos, aproximadamente). Os utilitários e ônibus possuem um valor mais baixo (tendência principal entre 300 e 400 pontos), e os demais veículos apresentam valores pequenos. Figura 33 – Valores de variância para uma carreta, um caminhão e um carro Figura 34 – Distribuição estatística da variância normalizada para as seis categorias 56 4.4.2 Conjuntos Fuzzy 4.4.2.1 Comprimento Magnético Fuzzy Para o comprimento magnético, foram definidos seis conjuntos fuzzy, conforme Figura 35. A interpretação dos conjuntos é semelhante ao item 4.3.2.1. Figura 35 – Conjuntos fuzzy de comprimento magnético 4.4.2.2 Valor Médio Fuzzy Para o valor médio, foram definidos quatro conjuntos fuzzy, conforme Figura 36. Figura 36 – Conjuntos Fuzzy de valor médio 4.4.2.3 Número de Inversões Fuzzy Para o número de inversões, foram definidos três conjuntos fuzzy, conforme Figura 37. 57 Figura 37 - Conjuntos Fuzzy de número de picos 4.4.2.4 Valor Médio de Picos Fuzzy Para o valor médio de picos fuzzy, foram definidos apenas dois conjuntos fuzzy, conforme Figura 38. Figura 38 - Conjunto Fuzzy de Valor Médio dos Picos 4.4.2.5 Variância Normalizada Fuzzy Para a variância normalizada fuzzy, foram definidos três conjuntos fuzzy, conforme Figura 39. Figura 39 - Conjunto Fuzzy de Variância Normalizada 58 4.4.3 Base de Regras Foram utilizadas 35 regras. Nove destas têm como conseqüência a categoria de carretas, 11 a categoria de ônibus, cinco a categoria carros de passeio, quatro a categoria de caminhões, uma a categoria de motocicleta e três a categorias de veículos utilitários. As regras são as apresentadas na tabela 24. A categoria “entrepista” foi criada devido a grande incidência dessa situação em sistemas que possuem mais de uma faixa de rodagem. Porém, algumas ocorrências de veículos entre pistas caracterizam outra categoria. Isso ocorre principalmente quando veículos de passeio e utilitários trafegam nessa condição, e são classificados como moto. Para evitar essa situação sugere-se a instalação de sistemas que inibam o tráfego de veículos entre pistas, com sinalizações de trânsito. Tabela 24 – Base de regras do sistema de 6 categorias REGRAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 COMPRIMENTO 0 0 1 0 0 1 1 1 1 1 2 2 2 1 1 1 2 2 2 2 2 3 3 3 3 4 4 3 3 3 4 4 4 4 4 5 VALOR 0 1 0 2 3 3 2 3 1 X 1 1 2 2 2 3 2 3 3 2 2 2 2 Não 0 3 2 3 1 3 2 0 1 2 3 3 X NÚMERO DE X X X X X 0 0 1 1 2 Não 2 Não 0 1 0 1 1 X X 1 X Não 0 X Não 0 0 X Não 2 Não 2 Não 0 2 1 X Não 0 X X 2 X 59 MÉDIA X X X X X X X X 0 X 0 0 0 X X X 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 X 0 0 0 1 X VARIÂNCIA X X X X X 2 2 2 X X 0 0 0 1 1 1 Não 0 Não 0 X 2 X X X X X X X Não 2 0 0 X 0 X X 2 X CATEGORIA MOTO ENTREPISTA ENTREPISTA CARRO CARRO CARRO CARRO CARRO CAMINHÃO CAMINHÃO CAMINHÃO CAMINHÃO CAMINHÃO UTILITÁRIO UTILITÁRIO UTILITÁRIO ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS ÔNIBUS CARRETA CARRETA CARRETA CARRETA CARRETA CARRETA CARRETA CARRETA CARRETA 4.4.4 Resultados O sistema foi testado em cinco locais. Os já testados no sistema de quatro categorias Campo de Provas da Perkons e equipamento 299, além dos equipamentos 003, 007 e 667. Nesse contexto classificam-se como utilitários veículos como camionetes médias e grandes, vans e similares. Como carros foram considerados os veículos de passeios, camionetes pequenas e mini-vans. Para diferenciação de caminhão e carreta, considera-se a presença do reboque ou semi-reboque. 4.4.4.1 Campo de Provas da Perkons Para evitar situações de entre pistas neste local foram colocados cones entre as duas faixas de rodagem. Dessa forma os veículos trafegavam na situação ideal (toda a quantidade magnética sobre os sensores). O resultado da classificação está apresentado na tabela 25. Tabela 25 - Resultado absoluto da classificação no campo de provas em 6 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Carreta Utilitário Entre Pista Indefinido Total Real Carro 902 0 0 1 0 15 0 0 918 Moto 0 72 0 0 0 0 0 0 72 Ônibus 0 0 18 0 0 1 0 0 19 Caminhão 0 0 0 75 0 1 0 0 76 Carreta 0 0 0 0 2 0 0 0 2 Utilitário 4 0 0 4 0 111 0 0 119 Entre Pista 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Indefinido 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total Classificação 906 72 18 80 2 128 0 0 1206 O sistema foi testado durante 4 horas do dia 19 de agosto de 2005. Passaram, nesse período, 1206 veículos. Observa-se o número total de veículos, distribuído nas categorias. Os percentuais de desempenho são apresentados na tabela 26. Alguns comentários: • 15 utilitários classificados como carros e 4 carros como utilitário. Existe uma pequena diferença nos padrões. Em algumas situações ocorrem erros pelos padrões serem bastante semelhantes. • todas as motos foram classificadas corretamente; • apenas um micro-ônibus foi classificado como utilitário; • poucos caminhões foram classificados como carros ou utilitários e vice-versa; 60 • todas as carretas foram classificadas corretamente. Tabela 26 - Resultado percentual da classificação no campo de provas em 6 categorias Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 98,257% 0,332% 1,743% Moto 100,000% 0,000% 0,000% Ônibus 94,737% 0,000% 5,263% Caminhão 98,684% 0,415% 1,316% Carreta 100,000% 0,000% 0,000% Utilitário 93,277% 1,410% 0,067226891 Total 97,844% 2,156% 2,156% Os percentuais obtidos mostram que desempenho da classificação foi bastante superior àquele verificado no sistema de quatro categorias. O desempenho demonstrado na categoria ônibus, que para o mesmo local era de 80%, aumentou para quase 95%. A pior situação foi o desempenho na categoria de utilitários, devido à semelhança do perfil desses veículos com os perfis de veículos de passeio. Porém, verificam-se índices superiores a 90%. 4.4.4.2 SP – 310 KM 199 Nesse local foi verificada uma situação interessante. Caminhões pequenos em alta velocidade geram padrão muito semelhante a utilitários e esses ainda mais semelhantes a veículos de passeio. Outra questão é que neste local aconteceu o pior desempenho do sistema para a categoria ônibus para a situação de 4 categorias. A tabela 27 apresenta os resultados. Tabela 27 - Resultado da classificação no equipamento SP-310 em 6 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Carreta Utilitário Entre Pista Indefinido Total Real Carro 1051 0 1 0 0 1 0 0 1053 Moto 0 40 0 0 0 0 1 0 41 Ônibus 1 0 68 0 1 0 0 0 70 Caminhão 0 0 1 469 0 23 0 1 494 Carreta 0 0 3 0 440 0 0 0 443 Utilitário 21 0 0 0 0 127 0 0 148 Entre Pista 0 1 0 0 0 0 8 4 13 Indefinido 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 1073 41 73 469 441 151 9 5 2262 O sistema foi avaliado durante 5 horas do dia 22 de agosto. Transitaram 2262 veículos pelo equipamento. Observa-se que a grande quantidade de erros verificados no sistema de 4 categorias foi bastante minimizada. Os erros percebidos, conforme supracitado, refletiram-se nos resultados: 23 caminhões classificados como utilitários e 21 utilitários classificados como carros. Algumas situações de entre pistas foram classificados como indefinidos. A classe de indefinidos contém padrões que não ativa nenhuma das regras. Isso aconteceu porque foram 61 gerados perfis fora dos padrões verificados no banco de dados. Para esses veículos poderiam ser criadas novas regras. Porém o sistema embarcado está no limite de memória de programa. Em uma situação específica um caminhão foi classificado como indefinido. Isso ocorreu porque o algoritmo de detecção de saída do veículo foi ativado entre a carroceria e o caminhão trator. Assim foi gerado um padrão não esperado de perfil magnético. Tabela 28 - Resultado percentual da classificação no equipamento da SP-310 Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 99,810% 0,973% 0,095% Moto 97,561% 0,044% 2,439% Ônibus 97,143% 0,221% 1,429% Caminhão 94,939% 0,000% 5,061% Carreta 0,044% - Utilitário 85,811% 1,061% 14,189% Total 97,392% 2,343% 2,608% A tabela 28 mostra que o desempenho do sistema ficou semelhante ao apresentado no Campo de Provas. As categorias ônibus, caminhões e carretas continuaram com bons índices de desempenho. Novamente o pior resultado foi aquele apresentado pelos utilitários. 4.4.4.3 Av. Anita Garibaldi Esse local é monitorado por um equipamento de fiscalização eletrônica tipo REV da Perkons S/A. A velocidade regulamentada na via é de 40 km/h para qualquer categoria de veículos. A tabela 29 apresenta os resultados da classificação. Tabela 29 - Resultado da classificação no equipamento Av. Anita Garibaldi em 6 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Carreta Utilitário Entre Pista Indefinido Total Real Carro 918 0 0 1 0 1 0 0 920 Moto 0 82 0 0 0 0 0 0 82 Ônibus 0 0 83 1 0 0 0 0 84 Caminhão 0 0 0 40 0 6 0 0 46 Carreta 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Utilitário 3 0 0 2 0 97 0 0 102 Entre Pista 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Indefinido 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 921 82 83 44 0 104 0 0 1234 O sistema foi avaliado durante 2 horas do dia 23 de agosto. 1234 veículos transitaram pelo equipamento. O erro mais freqüente foi para a categoria de caminhões. Foram classificados como utilitários seis caminhões pequenos. Nesse equipamento, o desempenho de utilitários pode ser considerado alto. Como é um equipamento em região central, não houve tráfego de carretas durante os testes. 62 Tabela 30 – Percentuais da classificação do equipamento da Av. Anita Garibaldi Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 99,783% 0,243% 0,217% Moto 100,000% 0,000% 0,000% Ônibus 98,810% 0,000% 1,190% Caminhão 86,957% 0,324% 13,043% Carreta 0,000% - Utilitário 95,098% 0,567% 4,902% Total 98,865% 1,135% 1,135% 4.4.4.4 Av. Erasto Gaertner Esse local é bastante semelhante ao local do equipamento da Avenida Anita Garibaldi. É monitorado por um equipamento de fiscalização eletrônica tipo REV da Perkons e a velocidade regulamentada na via também é de 40 km/h para qualquer categoria de veículos. A tabela 31 apresenta os resultados da classificação. Tabela 31 – Resultado da classificação da Av. Erasto Gaertner em 6 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Carreta Utilitário Entre Pista Indefinido Total Real Carro 2487 0 2 4 0 25 0 0 2518 Moto 0 216 0 0 0 0 0 0 216 Ônibus 0 0 194 5 2 0 0 0 201 Caminhão 1 0 2 98 0 5 0 0 106 Carreta 0 0 0 0 2 0 0 0 2 Utilitário 14 1 0 9 0 258 1 3 286 Entre Pista 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Indefinido 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 2502 217 198 116 4 288 1 3 3329 O sistema foi avaliado durante 3 horas do dia 23 de agosto. 3329 veículos transitaram pelo equipamento. O erro mais freqüente foi entre caminhões, utilitários e carros. Nota-se uma grande quantidade de ônibus, pois o equipamento está instalado em uma via de trânsito freqüente desses veículos. A tabela 32 mostra os desempenhos percentuais desse equipamento. Tabela 32 - Percentuais da classificação no equipamento da Av. Erasto Gaertner Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 98,769% 0,451% 1,231% Moto 100,000% 0,030% 0,000% Ônibus 96,517% 0,120% 3,483% 63 Caminhão 92,453% 0,541% 7,547% Carreta 100,000% 0,060% 0,000% Utilitário 90,210% 0,901% 9,790% Total 97,777% 2,133% 2,223% 4.4.4.5 Rodovia BR 116 km 125 Esse local é monitorado por um equipamento de fiscalização eletrônica tipo REV da Perkons. A velocidade regulamentada na via é de 60 km/h para qualquer categoria de veículos. A tabela 33 apresenta os resultados da classificação. Tabela 33 – Resultado da classificação no equipamento BR 116 km 125 em 6 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Carreta Utilitário Entre Pista Indefinido Total Real Carro 650 0 1 2 0 30 0 0 683 Moto 1 48 0 0 0 0 0 0 49 Ônibus 0 0 49 0 0 0 0 3 52 Caminhão 0 0 6 226 1 7 0 0 240 Carreta 0 0 5 0 117 0 0 1 123 Utilitário 4 0 0 5 0 139 0 0 148 Entre Pista 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Indefinido 0 0 0 0 0 0 0 1 1 Total 655 48 61 233 118 176 0 5 1296 O sistema foi avaliado durante 4 horas do dia 25 de agosto. 1296 veículos transitaram pelo equipamento. Os erros mantiveram-se dentro dos padrões já apresentados. A tabela 34 apresenta os índices percentuais. Tabela 34 – Percentuais da classificação no equipamento da BR-116 km 125 Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 95,168% 0,386% 4,832% Moto 97,959% 0,000% 2,041% Ônibus 94,231% 0,926% 5,769% Caminhão 94,167% 0,540% 5,833% Carreta 95,122% 0,077% 4,878% Utilitário 93,919% 2,855% 6,081% Total 94,907% 4,784% 4,244% 4.4.4.6 Discussão dos Resultados A tabela 35 apresenta o resultado final dos cinco pontos avaliados. O número total de veículos analisados foi de 9327. Os percentuais finais são apresentados na tabela 36. O desempenho observado foi considerado bom para os objetivos desse trabalho. 64 Tabela 35 – Resultado absoluto total da classificação em 6 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Carreta Utilitário Entre Pista Indefinido Total Real Carro 6008 0 4 8 0 72 0 0 6092 Moto 1 458 0 0 0 0 0 1 460 Ônibus 1 0 412 6 3 1 0 3 426 Caminhão 1 0 9 908 1 42 0 1 962 Carreta 0 0 8 0 561 0 0 1 570 Utilitário 46 1 0 20 0 732 1 3 803 Entre Pista 0 1 0 0 0 0 8 4 13 Indefinido 0 0 0 0 0 0 0 1 1 Total 6057 460 433 942 565 847 9 14 9327 Tabela 36 - Resultado percentual total da classificação em 6 categorias Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 98,621% 0,525% 1,379% Moto 99,565% 0,021% 0,435% Ônibus 96,714% 0,225% 3,286% Caminhão 94,387% 0,365% 5,613% Carreta 98,421% 0,043% 1,579% Utilitário 91,158% 1,233% 8,842% Total 97,438% 2,412% 2,562% Para finalizar, as tabelas 37 e 38 apresentam, respectivamente, o desempenho absoluto e percentual do sistema, considerando a junção das categorias de veículos utilitários e carros e das categorias de caminhões e carretas. O desempenho mínimo verificado foi de 95%. Para fins de fiscalização é um índice interessante para capacitação de um sistema automático de velocidades diferenciadas nas categorias mencionadas. Tabela 37 - Resultado absoluto da classificação desse sistema para 4 categorias Classificação / Real Carro Moto Ônibus Caminhão Entre Pista Indefinido Total Real Carro 6858 1 4 28 1 3 6895 Moto 1 458 0 0 0 1 460 Ônibus 2 0 412 9 0 3 426 Caminhão 43 0 17 1470 0 2 1532 Entre Pista 0 1 0 0 8 4 13 Total 6904 460 433 1507 9 13 9326 Tabela 38 - Resultado percentual da classificação desse sistema para 4 categorias Taxa de Acerto Taxa de Alarme Falso Taxa de Não Detecção Carro 99,463% 0,493% 0,537% Moto 99,565% 0,021% 0,435% Ônibus 96,714% 0,225% 3,286% Caminhão 95,953% 0,397% 4,047% Total 98,713% 1,147% 1,287% Através de ajustes do sistema, da inserção de regras e da formação das funções de pertinência o sistema pode ser ajustado para uma aplicação específica. Pode-se, por exemplo, em um projeto para controle de acesso de veículos para categorias específicas maximizar o percentual de acerto para determinadas categorias. Exemplificando: em uma via expressa de ônibus, onde se querem registrar veículos fora desta categoria, não é tão importante a diferenciação entre carros e utilitários. Nesse caso, o interesse é a diferenciação de todos os 65 outros tipos de veículos dos ônibus. Assim, deve-se primar pela separação de ônibus das demais categorias. Outro sistema, dedicado ao controle de fuga de balanças, poderia fazer a identificação de veículos das categorias ônibus, caminhões e carretas. Nesse sistema, não é tão importante a separação destas categorias, mas sim estas em relação às demais. Para fins estatísticos pode-se pensar em duas maneiras para configuração do sistema de maneira a melhorar os resultados esperados. 1) Equilibrando os erros entre as categorias, ou seja, fazer com que o sistema erre de uma categoria para a outra em quantidade parecida de que a outra categoria erre para a primeira. Por exemplo, um sistema que classifica oito caminhões em ônibus ficaria equilibrado se oito ônibus fossem classificados como caminhões. 2) Outra maneira interessante é a centralização dos erros para uma categoria específica, preferencialmente para a categoria de veículos de passeio, que possui uma quantidade absoluta bastante superior às outras categorias, na maioria dos casos. Porém, a qualidade do sistema aqui proposto oferece a possibilidade de diversas aplicações práticas. Desde sistemas contadores e classificadores de tráfego para fins estatísticos até sistemas aplicados a fiscalização, como os mencionados controle de “fuga” de balança, controle de acesso em vias e até o controle variável de velocidade para categorias diferentes. 66 CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS O sistema proposto foi desenvolvido em uma plataforma dedicada, que além da funcionalidade de classificação, permite outros cálculos dos veículos que atravessam os sensores indutivos: velocidade e comprimento. Tais funcionalidades tornam o sistema uma importante ferramenta para controle de tráfego. Várias aplicações podem ser implementadas como verificação de sazonalidade, fiscalização de vias dedicadas, fiscalização de veículos em velocidades diferenciadas de acordo com a categoria e muitas outras. Para implementação desse sistema dados históricos foram coletados e selecionados, foi criado um classificador Fuzzy, com entradas baseadas em coeficientes matemáticos, e com as respectivas funções de pertinências e bases de regra. Inicialmente foi desenvolvido um sistema de classificação em 4 categorias: carro, moto, ônibus e caminhão. Em etapa subseqüente acrescentaram-se as categorias carreta e utilitário. Esses dados foram constantemente aplicados a um programa de simulação em Matlab. Com resultados satisfatórios, os algoritmos eram portados ao sistema dedicado, que classifica o sistema em tempo-real, assim como os outros cálculos já mencionados (velocidade e comprimento). Para tanto existiu a preocupação constante com as restrições deste sistema dedicado, que apesar de possuir alta taxa de processamento, possui restrições de memórias de dados e programa. Para levantamento dos resultados o sistema foi utilizado em diversas localidades, procurando incluir situações diversas de tráfego e de partes relacionadas à instalação e do meio onde estão inseridos os equipamentos. Foi analisada uma grande quantidade de dados, superior a vinte mil veículos. Salienta-se também que o desempenho obtido para o sistema com seis categorias foi satisfatório para as aplicações estudadas. O índice de aproveitamento estiveram sempre superiores a 85%. O produto resultante desse trabalho é o único sistema comercial nacional com estas funcionalidades, sendo um importante diferencial competitivo e tecnológico para os sistemas de controle de tráfego. Tal sistema, além de classificar nas seis categorias mencionadas, pode ser estendido para outras categorias, através da distinção do comprimento referente a cada categoria. A categoria ônibus, por exemplo, pode ser classificada em: micro ônibus (comprimento pequeno), ônibus urbano (comprimento 67 médio), ônibus rodoviário (comprimento grande) e ônibus articulado e bi articulado (comprimento muito grande). Isso pode ser configurado para cada aplicação específica. Como trabalho futuro sugere-se o estudo da influência da geometria dos sensores para maior detalhamento do padrão magnético dos veículos. Como já mencionado no item 2.2.1, GAJDA et al. (2001) apresentam um estudo da influência das dimensões físicas do sensor indutivo de um veículo em seu perfil magnético. Em sistemas de dimensões menores o número de eixos pode ser observado. Sugere-se também a pesquisa de outros parâmetros matemáticos e estatísticos para caracterização do perfil magnético, além de aplicação de outras técnicas de inteligência artificial para identificação das categorias. A melhoria do hardware dedicado que comporta os algoritmos de classificação com aumento da capacidade de memória e da velocidade de processamento, o que já é viável comercialmente, aumenta as possibilidades de tecnologias possíveis para a aplicação. Por fim, propõe-se a conjunção dessa tecnologia com outras da área de ITS (TAG ou LPR) para treinamento adaptativo e automático da classificação do sistema. Assim, veículos não classificados corretamente pelo sistema de sensoriamento indutivo seriam registrados e o sistema seria readaptado através do cruzamento da informação gerada pelo outro sistema para melhoria dos índices de acerto dentro das categorias. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDREOTTI, M. Sensoriamento Indutivo para veículos automotores. Dissertação apresentada ao CEFET-PR, Abril, 2001. BÖHNKE, P., PFANNERSTILL, E. A system for the automatic detection of traffic situations. ITE JOURNAL, vol. 56, 1986. CALVERT, J. B. Eddy Currentes – Maio, 2004. 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O objetivo desse trabalho é propor ferramentas matemáticas e computacionais para classificação de veículos através da análise de sinais coletados de sensores indutivos, os quais são largamente aplicados em análise de condições de tráfego como velocidade e taxa de ocupação da via. Para tanto, foi desenvolvida em uma plataforma específica, baseada em processadores digitais de sinais, que realiza a aquisição dos sinais provenientes dos sensores, além de efetuar os cálculos referidos. O sistema foi desenvolvido em duas etapas – pré-classificação de veículos em quatro categorias: carros, motos, ônibus e caminhões; e em seis categorias: carros, utilitários, motos, ônibus, caminhões e carretas. Para a validação do sistema, este foi aplicado a equipamentos de fiscalização eletrônica, que utilizam sensoriamento indutivo para medições de velocidade e comprimento de veículos. Os resultados obtidos com tal sistema serão discutidos através da comparação da imagem capturada do veículo com a categoria definida pelo sistema. PALAVRAS-CHAVE 1. Processamento de Sinais. 2. Trânsito – Controle Eletrônico. 3. Engenharia de Tráfego. 4. Processamento de Sinais. 5. Fiscalização Eletrônica ÁREA/SUB-ÁREA DE CONHECIMENTO Colocar aqui a área e sub-área do conhecimento nas quais se encaixam a dissertação.Utilizar a classificação da CAPES. Exemplo: 3.10.00.00-2 – Engenharia de Transportes 3.10.03.01 – 0 Engenharia de Tráfego 2006 73 Nº: 392 74