The Experience of creation of innovation habitats in the defense sector in Brazil and their potential urban impacts – The Brazilian Army’s Technology-based Business Incubator Lucia Feijó Barroso Summary The defense sector has an enormous potential of innovations and this potential may interfere in a highly positive way, especially if guided and structured nationally, in promoting transformation in urban spaces. The experience of the Brazilian Army’s Technology-based Business Incubator can help us in this analysis. The creation of the Brazilian Army’s Technology-based Business Incubator – IETEX in 2006 anticipated what would be displayed in the National Defense Strategy, which aims at the reorganization of the domestic industry equipment defense, based on autonomous technological training in Brazil. In this context, as pointed out in END, "the coordinated development of scientific and technological institutions (STIs) civilian and military, industry and the university, to define priority areas and their respective technologies of interest ..." has special importance. Among the principles described in END stand out: (a) reorganize the domestic industry of defense material based on expanding and improving the scientific, technological and business capacities in Brazil; (b) promote synergy between the units of S & T Forces armed with the other actors of innovation in the country, such as companies, universities, funding agencies, technology development, technology transfer institutions, etc.." The deployment of IETEX, fostering activities in science, technology and innovation in the defense sector and the latest proposals and initiatives for creating parks / centers linked to technological defense sector walk together. The capacity to innovate and commercialize new high-technology products is increasingly a part of the international competition. It is important to assess the double potential impact of strengthening science and technology in the defense sector, both in the potential emergence of habitats of innovation that may impact the Brazilian urban environment, and the recognition of the need to have a vigorous national defense industry to consolidate Brazil as an emerging nation on the world scenario. The concept of duality is one of the main ideas that has moved the defense sector in Brazil in recent years, particularly its discourse. Make it an increasingly important part of the reality is fundamental to strength the capacity of science, technology and innovation to promote economic, business, urban, scientific-technological, social and cultural changes in urban environment in Brazil. Despite a more intense movement in recent years, the experiences of Innovation Habitats in the defense sector are relatively recent and few in Brazil. From the analysis of the experience of deploying the IETEX, the difficulties encountered in this process and the results achieved will be outlined as proposals for the development of an habitat for innovation in the defense sector that follow the international tendencies of innovation hubs that enjoy the capillarity of the Brazilian Army, which may impact in a positive technological way the urban space of areas that are farther from the dynamic centers of the country. Keywords: Innovation, defense industry, urban impacts, Science and Technology System, competitiveness Lucia Feijó Barroso – economist, FEA - UFRJ, postgraduated latu sensu Management of Innovation Habitats - FIA – USP, manager of the Brazilian Army’s Technology-based Business Incubator – IETEx – 2006/2011, IFIEX, address: Paissandu, 406/601, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, CEP 22.210-080, (21) 95155599 e (21)96456455 A experiência da criação de Habitats de Inovação no Setor de Defesa brasileiro e seus potencias impactos urbanos – a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército Lucia Feijó Barroso Resumo O setor de defesa apresenta um enorme potencial inovador que pode interferir de uma maneira altamente positiva - especialmente se estruturado e dirigido nacionalmente - na transformação dos espaços urbanos. A experiência da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército pode nos ajudar nesta análise. A criação da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército – IETEx em 2006 antecipava o que seria apresentado posteriormente na Estratégia Nacional de Defesa, que aponta como estratégica para o País a reorganização da indústria nacional de material de defesa, baseada na capacitação tecnológica autônoma do Brasil. Nesse contexto, conforme apontado na END, o “desenvolvimento coordenado das instituições científicas e tecnológicas ( ICTs) civis e militares, da indústria e da universidade, com definição de áreas prioritárias e suas respectivas tecnologias de interesse ...” tem especial destaque. Dentre os princípios descritos na END destaquem-se: (a) reorganizar a indústria nacional de material de defesa com base na ampliação e aperfeiçoamento da capacidade científica, tecnológica e empresarial do Brasil; (b) promover a sinergia entre as unidades de C&T das Forças Armadas com os demais atores de inovação no País, tais como empresas, universidades, agências de fomento ao desenvolvimento tecnológico, instituições de transferência de tecnologia, etc.” A implantação da IETEx, o fomento às atividades de ciência, tecnologia e inovação no setor de defesa e as mais recentes propostas e iniciativas de criação de parques/polos tecnológicos ligados ao setor de defesa caminham juntas. A capacidade de inovar e comercializar produtos de alta tecnologia inovadores é cada vez mais parte da competição internacional. É importante avaliar o duplo impacto potencial do fortalecimento científico e tecnológico do setor de defesa, tanto no potencial surgimento de habitats de inovação que poderão impactar o ambiente urbano brasileiro, como pelo reconhecimento da necessidade de se dispor de uma pujante indústria nacional de defesa para a consolidação do Brasil como nação emergente no cenário mundial. O conceito de dualidade é uma das ideias força que tem movido nos últimos anos o setor de defesa no Brasil, particularmente o seu discurso. Torná-lo cada vez mais uma realidade é parte importante da capacidade de este fortalecimento do a ciência, tecnologia e inovação possam vir a ter no sentido de promover transformações econômicas, empresariais, urbanas, científico-tecnológicas, sociais e culturais no ambiente urbano brasileiro. Apesar de uma intensa movimentação nos últimos anos, as experiências de habitats de inovação no setor de defesa são relativamente recentes e em pequeno número no Brasil. A partir da análise da experiência de implantação da IETEx, as dificuldades encontradas neste processo e os resultados obtidos serão delineados em propostas para o desenvolvimento de um habitat de inovação no setor de defesa que siga as tendências internacionais de innovation hubs que aproveitem a capilaridade do Exército Brasileiro, o que poderá impactar de uma maneira tecnologicamente positiva o espaço urbano de áreas que estão longe dos centros dinâmicos do país. Palavras-chave: inovação, indústria de defesa, impactos urbanos, Sistema de Ciência e Tecnologia, competitividade Lucia Feijó Barroso – economista, formada pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pós-graduação latu sensu em Gestão de Habitats de Inovação pela FIA – USP, gerente da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército –IETEx, de 2006 a 2011, diretora do Instituto de Fomento e Inovação Exército Brasileiro – IFIEX, endereço: rua Paissandu, 406, apt. 601, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, CEP 22.210-080, telefones: (21) 95155599 e (21)96456455 A experiência da criação de Innovation Habitats no Setor de Defesa brasileiro – a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército Um Habitat de Inovação no Exército Brasileiro INTRODUÇÃO A inovação tecnológica é uma variável cada vez mais estratégica para a competitividade de países e organizações. O Brasil tem buscado adaptar suas políticas de ciência, tecnologia e inovação ao novo ambiente mundial e aos desafios da sociedade do conhecimento. O Exército Brasileiro, num reconhecimento deste novo paradigma mundial, juntou-se a este esforço nacional, preparando-se para este desafio através da reestruturação do seu Sistema de Ciência e Tecnologia - SCTEx , com a criação do Departamento de Ciência e Tecnologia – DCT no início de 2005. Um dos frutos desta reestruturação foi a criação da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército, inaugurada em março de 2006, situada na Fortaleza de São João – Urca, Rio de Janeiro. Mecanismo sofisticado de transferência de tecnologias, permitiu ao Exército Brasileiro cumprir parte da sua missão constitucional, ao disponibilizar para a sociedade as tecnologias desenvolvidas em suas organizações militares. Tendo como principal estratégia para a defesa da soberania nacional a estratégia da dissuasão, que consiste em ter um conjunto integrado de possibilidades que ampliasse a sua capacidade para garantir a segurança do seu território sem precisar apelar para o emprego militar direto. A existência da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica dava ao Exército uma maior capacitação em ciência, tecnologia e inovação. A sua visão era ser reconhecida pela relevância de seu papel no processo de crescimento das empresas incubadas, que passaram a contribuir com aporte de tecnologias atuais para a modernização do Parque Industrial de Defesa brasileiro, aumentando assim o poder dissuasório nacional. A criação da Incubadora teve um impacto interno no Exército bastante positivo pois atuou no sentido de inserir uma percepção até então inexistente no Exército sobre o papel da empresa Exército, o conceito de inovação era confundido com o conceito de alta tecnologia. Na sua primeira Chamada Pública, em 2006, duas empresas tiveram a sua solicitação de incubação aprovada: a TEC C2 – Tecnologia em Sistemas de Comando e Controle, na área de comando e controle e desenvolvimento de sistemas, e a Inspetronics - Comércio de Materiais de Inspeção e Serviços, na área de robótica. Além disso, foram incubados 2 projetos: um de engenharia inercial e outro de robótica, ambos estratégicos para o Exército. Em 2007, através de um novo processo de seleção pública, 4 empresas foram incubadas, todas em áreas de interesse do Exército, como novos materiais, robótica, sistemas de comando e controle e uma de produtos biotecnológicos na área de saúde, setor considerado estratégico nacionalmente. Em 2008, foram incubadas 3 novas empresas Subsea Integrity Engenharia e Projetos Ltda. - robótica e engenharia de petróleo; Innovox Telecomunicações e Informática Ltda. processamento de voz e áudio; e Pollux Tecnologia e Inovação Consultoria e Serviços Ltda. - sistemas de antenas, sistemas eletrônicos de defesa e dissuasão e sistemas de navegação inercial. Em 2008 também foi incubada a EBTS - Empresa Brasileira de Treinamento e Simulação, desenvolvedora de simuladores estratégicos para as Forças Armadas, que assinou contratos com o Exército. A IETEX participou com outras incubadoras: a da COPPE-UFRJ, a do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, a do Instituto Nacional de Metrologia – INMETRO e a incubadora do LNCC de um projeto de prospecção e apoio ao desenvolvimento de novas empresas, patrocinado pela FINEP. Considerando fundamental a divulgação do que é realizado pelo Exército Brasileiro em termos de inovação tecnológica, a IETEx participou de eventos nacionais e internacionais. Com o Parque Tecnológico de Itaipu - PTI, a IETEx assinou um termo de cooperação na área de desenvolvimento de inovações, tornando-se incubadora irmã desta importante instituição. Desde o início de 2009 a IETEx participou do projeto que se iniciava no Exército de implantação de um Parque Tecnológico do Exército. Em 2011, em uma mudança radical ocorrida nas diretrizes do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército – IETEx – teve suas atividades encerradas, com a suspensão dos projetos nos quais a Incubadora participava e o rompimento dos contratos com as empresas incubadas. Desde 2012 o DCT trabalha com o projeto de estabelecimento de um Pólo de Ciência e Tecnologia do Exército – PCTEG - em Guaratiba, nos moldes do que foi implantado pela Aeronáutica em São José dos Campos nos anos 60 do século XX, pelo Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho. O potencial inovador do setor de defesa é amplamente reconhecido. A partir da sua iniciativa inovadora de criar uma Incubadora de Empresas de Base Tecnológica, o Exército Brasileiro investiu no desenvolvimento de inovações para o setor de defesa e para o Brasil, confirmando assim a sua história de ator participante do processo de desenvolvimento nacional. A inovação no Brasil e no mundo O avanço tecnológico tem sido a principal força motora dos países industrializados, podendo ser apontado como o principal responsável por uma considerável parte do aumento da produtividade mundial. A ciência e a tecnologia podem levar a descobertas que geram novos produtos e serviços, com grande valor comercial. Essas inovações agregam valor à produção do país, que, por sua vez, ganha competitividade internacional na chamada economia do conhecimento. A crise internacional só confirma que a inovação aparece como prioridade absoluta dos países desenvolvidos, como eixo dinâmico do processo de concorrência das suas economias, que aumentam os investimentos nessa área apesar e por causa da crise. Sexta economia do mundo, o Brasil aparece apenas entre os 50 em competitividade no mundo. O governo brasileiro vem há alguns anos empenhando-se fortemente em aumentar o nível de inovação na economia brasileira. Diversas iniciativas têm sido colocadas em andamento, como, por exemplo, o lançamento da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti) 2012–2015, cercado de muita expectativa e com a promessa de investimento no setor de quase R$ 75 bilhões no quadriênio, que logo foi reduzida. Este documento aponta as cadeias de destaque na economia do país: tecnologias da informação e comunicação; fármacos e complexo industrial de saúde; petróleo e gás; complexo industrial da defesa; aeroespacial; nuclear; economia verde e desenvolvimento social, e aí é possível ver o peso do setor de defesa e o papel que este setor pode desempenhar na retomada do desenvolvimento nacional. Outras iniciativas vêm ocorrendo, mas há críticas quanto ao fato de que alguns programas são criados e logo interrompidos, como aconteceu com o Prime – Primeira Empresa Inovadora e o próprio programa de subvenção econômica, que vinha oferecendo desde 2006 de R$400 a R$500 milhões de recursos reembolsáveis diretamente para as empresas, mas foi descontinuado em 2012. Um elo importante na cadeia de inovação tecnológica é considerado muito fraco no Brasil: a indústria. Responsável por grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos mundo afora, no Brasil a participação da indústria é modesta, não chegando à metade dos gastos nacionais, já considerados baixos. A indústria é fundamental no processo de desenvolvimento de tecnologia e inovação. Um estudo feito na Universidade da Pensilvânia (EUA), sobre as fontes de ideias para inovação em tecnologia, verificou que nove em cada dez inovações nascem na empresa. A empresa, por dominar detalhes de mercado - local onde a inovação se concretiza - e técnicas de produção e ter habilidade para reconhecer e pesar riscos técnicos e comerciais, é fundamental no processo de desenvolvimento de tecnologia e inovação. A avaliação feita é que, sem atenção para a incorporação de novos processos, com produtos de inovação tecnológica, a indústria brasileira deve continuar a perder peso relativo na composição do produto interno bruto do Brasil e, pior, diminuir a sua participação no cenário internacional. Os economistas alertam para a crescente participação de produtos primários na matriz de exportação brasileira, a chamada reprimarização da pauta de exportação brasileira. Quase metade (48%) dela é composta por produtos in natura (principalmente produtos agropecuários, minérios, petróleo, gás e madeira), ou seja, produtos de baixa intensidade tecnológica. A avaliação é de que se trata de uma pauta de exportação muito vulnerável a variações nos preços internacionais e ao padrão de consumo de outros países. Um esforço concentrado governamental em estimular o investimento privado em pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores nas empresas do setor de defesa brasileiro, inclusive com estímulos para as empresas que desenvolverem soluções nacionais para os problemas que devem ser enfrentados, sem serem meras compradoras de produtos do mercado internacional, pelo alto potencial inovador do setor de defesa, pode reverter de forma favorável este quadro. As incubadoras de empresas desempenham um papel importante na relação entre inovação e mercado. Elas estão entre os principais instrumentos disponíveis para ajudar na formação de micro e pequenas novas empresas e no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, com alta intensidade tecnológica. A sua implantação no setor de defesa mostra-se, desta forma, estratégica para o país. A evolução do setor de defesa no mundo A indústria de defesa é uma das mais importantes dentro da estrutura produtiva das economias avançadas e de algumas das mais importantes economias emergentes: Rússia, China e Índia Essa importância é devida tanto ao seu caráter estratégico – decorrente da produção dos equipamentos de defesa do país e, consequentemente, do domínio de tecnologias sensíveis – como dos seus aspectos econômicos, que estão relacionados à geração de exportações, ao elevado valor adicionado e a empregos de alta qualificação. O setor de defesa é um setor altamente dependente de desenvolvimento tecnológico, e este se dá de uma forma cada vez mais rápida. A estreita relação entre ciência e inovações tecnológicas já estava delineada no século XIX e já na 1ª Guerra Mundial os cientistas foram envolvidos no esforço bélico em ambos os lados em luta. Alemanha e Rússia foram os países que mantiveram essa ligação de forma mais efetiva entre as duas grandes guerras e quando iniciou-se a 2ª Guerra Mundial, a Alemanha apresentava a sua comunidade científica e tecnológica já mobilizada e engajada em programas de desenvolvimento de inovações para o setor de defesa. A mobilização do potencial científico e tecnológico nos países aliados deu-se durante a Guerra e o resultado dessa mobilização e do envolvimento do Estado nesse esforço foi decisivo para o resultado do conflito. Os resultados das pesquisas militares tornaram-se fonte de importantes tecnologias e inovações de uso civil: computadores, Internet, aparelhos de comunicação, energia nuclear, novos materiais, etc. Ciência, tecnologia e inovação passaram a ser preocupação central dos países desenvolvidos. Por ocasião da 2ª Guerra Mundial, lideranças políticas e militares brasileiras quedaram-se chocadas ao constatarem a enorme distância que separava o Brasil das nações avançadas. Através de um esforço concentrado, no início da década de 80 o país havia conseguido recuperar seu atraso na produção de equipamentos de defesa,incorporando os avanços científicos e tecnológicos que se acumulavam exponencialmente desde o começo do século XX. A partir da década de 90, uma série de fatores fez com que durante esta década até o início do século XXI, o Brasil perdesse novamente o ritmo. A partir da Segunda Guerra Mundial, os países desenvolvidos têm se empenhado em manter o cerceamento às tecnologias que são ditas sensíveis, ou seja, aquelas que por razão de segurança dos países detentores destas tecnologias, não devem cair nas mãos de países não confiáveis para eles. Essas práticas, na verdade, têm sido mantidas com objetivos de manutenção de vantagens estratégicas, não somente militares, mas também comerciais, e valorizam ainda mais a corrida pela obtenção de um nível de desenvolvimento tecnológico autônomo da parte dos demais países do mundo. Esses dados mostram a importância estratégica a cada dia maior do estímulo ao desenvolvimento de inovações no setor de defesa no Brasil, visando à diminuição do chamado hiato tecnológico. A evolução do setor de defesa no Brasil No que tange ao reconhecimento do papel da inovação para o estabelecimento de uma capacidade produtiva autônoma no setor de defesa, o Brasil só começou a se preocupar realmente e a apoiar este esforço nacional no final do século XX e no início do atual século as iniciativas neste sentido se intensificaram. A retomada pública e ampla da discussão do papel do setor de defesa na política nacional e na segurança do país só ocorreu a partir dos últimos anos do século XX, e pode ser acompanhada e analisada através de documentos estruturantes fundamentais lançados neste período e os últimos mais recentemente, como as duas edições da Política de Defesa Nacional – PDN, a Estratégia Nacional de Defesa – END e o Livro Branco de Defesa Nacional – LDBN, documento que visa refletir um consenso de base ampla com respeito à Defesa do país. A discussão sobre formas de estimular a inovação nacional neste setor ainda é muito mais recente. A própria criação da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica se deu num contexto no qual a discussão sobre o papel da inovação no setor de defesa ainda era muito inicial, o que impactou negativamente na sua consolidação enquanto instrumento estratégico do Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército. A estrutura do setor de defesa mundial hoje As indústrias de defesa, de forma geral, conservam algumas características muito específicas, por serem os Estados seus únicos clientes e, ao mesmo tempo, os responsáveis por desenvolver sua promoção, regulação e, em maior ou menor grau, seu controle e supervisão. A indústria internacional de defesa sofreu uma profunda transformação desde o final da Guerra Fria. Atualmente, o mercado internacional está dominado por um número reduzido de grandes indústrias que surgiram de um processo de consolidação causado pela diminuição dos gastos de defesa em escala quase global. Este reduzido grupo de companhias com capacidade de gerar e integrar tecnologia militar e desenvolver sistemas de armas complexos de alta tecnologia para as Forças Armadas de seus países de origem competem duramente pelo mercado de exportação. Em 19933, o governo norte-americano publicou um documento estimulando a transição de várias empresas da área de defesa para o campo civil.. O documento incentiva a busca por sistemas militares mais avançados e produtos comerciais mais competitivos. Em 6 anos, basicamente através de mecanismos de fusão, o número de empresas de defesa passou de 22 para 4. A indústria européia de defesa, que desempenha um importante papel na economia da Europa como um todo, não tanto quantitativamente mas qualitativamente, ao ser catalisadora do crescimento, do desenvolvimento tecnológico e da inovação, também passou por um notável esforço de reestruturação e de consolidação nas duas últimas décadas Estas iniciativas foram provocadas pelo corte nos orçamentos de defesa ao término da Guerra Fria. A demanda crescente por equipamentos militares cada vez mais avançados tem levado à crescente incorporação de inovações tecnológicas, muitas das quais no “estado da arte”. Esse movimento tem radicalizado ainda mais o movimento de concentração acima apontado. O setor de defesa no Brasil Neste momento de extrema concentração do mercado de defesa internacional, o setor de defesa no Brasil está passando também por um intenso processo de reestruturação. Além da consolidação de estruturas do Estado brasileiro que são muito recentes, como o próprio Ministério da Defesa, que tem muito pouco tempo de existência no Brasil, várias organizações têm surgido no setor como resultado da importância que vem sendo dada aos assuntos da defesa no Brasil. Um exemplo é a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança – ABIMDE. Os esforços para o desenvolvimento de uma indústria de defesa autônoma têm sido grandes, com o envolvimento de vários setores nesta discussão, como o Congresso Nacional, por exemplo. Setor altamente estratégico, ao mesmo tempo se observa que setor de defesa no Brasil está sendo alvo de um forte interesse das multinacionais, interessadas no amplo mercado que se apresenta aqui e sem competidoras nacionais à altura, com raras exceções. Este movimento de entrada no mercado brasileiro preocupa várias autoridades, inclusive militares, dado o medo da desnacionalização da indústria estratégica. O perfil da Inovação no setor de Defesa Uma pergunta frequente no debate que se trava sobre as formas de promoção do desenvolvimento tecnoeconômico do Brasil é sobre o papel das micro e pequeno empresas neste esforço nacional. Em publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA sobre esta temática, os autores analisam o perfil inovador das empresas industriais brasileiras segundo seu porte. O estudo constata que, apesar de as médias e grandes empresas (MGEs) apresentarem taxas de inovação superiores às das MPEs, os esforços inovativos destas são, proporcionalmente, mais elevados, especialmente na aquisição de máquinas e equipamentos. Empresas de micro e pequeno porte (entre dez e 99 empregados) representam 90,8% das firmas industriais brasileiras, 88,0% das empresas inovadoras e 71,8% das firmas que realizam atividades internas de P&D . Ou seja, ainda que estas não sejam responsáveis pelo principal montante agregado de dispêndios em inovação, representam o maior contingente de firmas que se envolvem nestes processos. Mais importante, admitindo-se a hipótese de que a difusão tecnológica pressupõe a existência de “ecossistema” capaz de absorver estas novas tecnologias, o estímulo à integração das empresas de menor porte às cadeias de inovação torna-se imprescindível, o que é realizado através do trabalho de incubadoras e parques tecnológicos. Adicionalmente, os autores enfatizam a importância da influência setorial nas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), uma vez que as evidências preliminares da PINTEC apontam que, nos setores de maior intensidade tecnológica, como é o setor de defesa, os dispêndios proporcionais das micro e pequenas empresas superaram os das empresas de maior porte. em setores de maior intensidade tecnológica – o desempenho inovador das empresas de diferentes portes assemelha-se, de maneira diversa do que ocorreria em segmentos de baixa tecnologia. Esta suposição se origina do fato de que nos setores de alta tecnologia as MPEs objetivam, por meio de diferenciação, nichos e oportunidades tecnológicas para obterem acesso ao mercado, ao passo que nos segmentos de menor intensidade tecnológica há menor possibilidade de diversificação de produtos e os processos inovativos das MPEs tendem a limitarem-se à melhoria técnica de seu parque fabril. Logo, se em montante absoluto, as grandes empresas são responsáveis pela maior parte dos dispêndios em inovação, proporcionalmente, o esforço tecnológico realizado pelas empresas de pequeno porte é, segundo diversos critérios, mais significativo. Como destacado, nos setores de alta tecnologia, as oportunidades de ingresso para as MPEs tendem a concentrarem-se em sua capacidade de ofertar produtos inovadores, induzindo-as a um maior esforço inovativo. PERSPECTIVAS – O Impacto no Ambiente Urbano As FFAA brasileiras possuem uma extraordinária capilaridade, estando presentes no país como um todo. Algumas iniciativas desenvolvidas pelas Forças Armadas já demonstraram um alto impacto tecnológico e inovador em termos locais, dado a utilização e demanda destas instituições por alta tecnologia. Vale lembrar que o fenômeno da dualidade, tão característico dos produtos de defesa, também tem um alto potencial de impacto no ambiente urbano. Na continuidade deste trabalho, e acompanhando a tendência mundial de desenvolvimento de inovações - fonte principal para o aumento da competitividade - que são as equipes ou redes de inovação conhecidas como innovation hubs nos EUA, ou KICs Knowledge and innovation communities na Europa, ou innovation ateliers (*), uma proposta para o Exército, seria a de, na continuidade do que ele realizou em termos de valorização da inovação com a criação da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e valorizando as suas potencialidades institucionais, desenvolver projetos seguindo esta tendência mundial. O objetivo de um innovation hub é resolver um problema tecnológico dentro de um predeterminado período de tempo através de uma equipe montada com aquele objetivo, na qual trabalhem - em rede - experts, a comunidade universitária, os cientistas e a comunidade empresarial local, com o objetivo de resolver um determinado problema tecnológico, transformando idéias em projetos. Projetos estratégicos foram desenvolvidos desse modo. O próprio presidente norte-americano, Barack Obama recentemente, em maio de 2013, anunciou uma competição nacional para equipes que desenvolvam idéias inovadoras para a indústria manufatureira norte-americana. Os recursos virão de cinco agências: o Ministério da Defesa, o Ministério da Energia, o Ministério do Comércio, a NASA e a National Science Foundation. O valor do prêmio será de U$ 200 milhões. A expectativa é de que estes inovations hubs tornem-se financeiramente independentes. Os 3 innovation hubs anunciados pelo presidente norte-americano, por exemplo, serão desenvolvidos em torno das seguintes categorias tecnológicas: produção industrial digital e inovação em design, para a adoção de sensores e robôs na produção manufatureira; produção de materiais metálicos mais leves que sejam aplicados na indústria de equipamentos médicos e também em carros de combate, com o objetivo de poupar energia; e o desenvolvimento de tecnologias de semicondutores para permitir o surgimento, por exemplo, de carros elétricos menores e mais eficientes, entre outras aplicações. Ou seja, desafios tecnológicos colocados para os EUA. Na Europa trabalha-se com os Knowledge and innovation communities, os KICs. Uma equipe que, altamente integrada, pretende ter tanto uma dimensão sócio-econômica como uma dimensão científica e tecnológica das questões a serem enfrentadas. Dois elementos são considerados fundamentais dentre os objetivos de um KIC: enfrentar um desafio da sociedade e aumentar a competitividade da Europa. Um exemplo do que poderia ser feito no Brasil no âmbito das Forças Armadas, enquanto continuidade ao trabalho que foi iniciado pelo Exército com a implantação da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica em 2006 seria o aproveitamento deste momento de implantação do SISFRON, que vai viabilizar a instalação de uma série de equipamentos tecnológicos na extensa região de fronteiras da Amazônia, o elemento tangível necessário para a existência de uma cidade criativa, para implantar um projeto piloto na linha de um Innovation Hub que seja coerente com a realidade loco regional e, que possa efetivamente contribuir para o seu desenvolvimento científico, tecnológico e sua capacidade de gerar inovação, o que impactaria fortemente, de forma direta e positiva, o desenvolvimento socioeconômico regional e nacional. A Amazônia, o Sisfron e os Pelotões Especiais de Fronteira A Região Amazônica representa para o futuro do País e daquele região um enorme potencial de desenvolvimento . Muito do que ali se faz no presente ainda está vinculado às Forças Armadas, em particular ao Exército, ator indispensável nas ações de desenvolvimento e integração da região ao Brasil. Uma das questões que o Brasil ainda não resolveu é a da integração do seu imenso território e do conjunto da sua população aos benefícios do desenvolvimento. O Exército, com a sua capilaridade, pode desempenhar um papel estratégico neste esforço nacional, e as tecnologias disponíveis na atualidade, principalmente as TICS,, podem ter papel decisivo neste sentido. O SISFRON – Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, parte do Sistema de Comando e Controle da Força Terrestre é um programa estratégico da Força Terrestre que proverá meios e sistemas tecnológicos que permitirão coletar, armazenar, organizar, processar e distribuir dados necessários à gestão das atividades governamentais na área de fronteira, por meio do monitoramento e controle contínuo e permanente de áreas de interesse do Brasil, particularmente das áreas de fronteira, ainda muito distantes da integração ao restante do território nacional, sem os benefícios até então da conectividade, acessibilidade, mobilidade e sustentabilidade. A implantação do SISFRON terá certamente várias consequências positivas para a integração daquelas regiões ao conjunto do país, particularmente quando se trabalha com a concepção de que as cidades são hoje o principal espaço de enfrentamento dos desafios do desenvolvimento. A tecnologia tem um papel cada vez mais preponderante na transformação das condições de vida das populações e a garantia do acesso da maior parte da população às novas tecnologias, criando condições estruturais para a expansão da criatividade e da inovação pode ser estratégica em termos do desenvolvimento do País. Enquanto um vetor de melhoria na qualidade de vida das populações que moram em rincões tão distantes do centro do País, permitindo o acesso dessas aos avanços tecnológicos, o SISFRON pode desempenhar um papel importante neste processo. Os Pelotões Especiais de Fronteira – os PEFs, em número de vinte e sete, mantém uma vigilância constante de uma extensa fronteira de mais de 11.000 km. Com um efetivo médio de 50 militares, muitos acompanhados pelos familiares, os Pelotões obedecem a padrões arquitetônicos assemelhados e se distribuem em pontos estratégicos da fronteira, quase sempre localizados às margens dos grandes rios amazônicos. Eles têm como missão exercer a permanente vigilância da fronteira e cooperar com a vivificação da área. Constituem-se, pois, em importantes pólos de dinamismo sócio-econômico nas localidades onde estão instalados e de estruturação do espaço urbano em seu entorno. Representam, senão a única, com certeza a principal presença do Estado nas áreas mais remotas da Amazônia e cumprem um papel fundamental no cotidiano dessas comunidades. As missões realizadas pelos PEFs não se limitam às operações militares nas áreas de Segurança e Defesa, tais como o combate aos crimes transfronteiriços e à proteção das fronteiras, estendendo-se também às atividades complementares de cultivo e produção em pequena escala de gêneros alimentícios de origem animal e vegetal, à prestação de serviços em atividades de manutenção da infra-estrutura existente no próprio PEF, por meio de marcenarias, olarias, e oficinas mecânicas, bem como em atendimentos à comunidade local lindeira ao aquartelamento e aos cuidados com a rica biota Amazônica e com as populações indígenas e ribeirinhas. Muitos dos Pelotões possuem uma pequena represa, dotada com uma microusina hidrelétrica, que fornece a energia vital para o Pelotão e comunidades vizinhas, sejam indígenas ou de pessoas residentes na área. É responsabilidade do PEF manter essas instalações, zelando pelo estado de conservação e pelo contínuo funcionamento. Nos Pelotões Especiais de Fronteiras, por mais remota que seja a área aonde se encontra instalado, existe uma estrutura primária de saúde, contando com médico, dentista e um laboratorista. Esses profissionais exercem um serviço essencial e imediato para as populações brasileiras e até mesmo para estrangeiros. Pelo que se pode notar, o cotidiano dessas pequenas comunidades, que poderiam ser entendidas como potenciais novas cidades, poderia ser transformado a partir da adoção de soluções tecnológicas para os inúmeros problemas que enfrentam. Esses mecanismos poderiam promover transformações econômicas, urbanas, científico-tecnológicas, sociais, culturais e até mesmo empresariais, a partir de empresas que nascessem neste processo, permitindo que fosse atingido o objetivo da sustentabilidade. A partir daí, a fronteira passaria a não ser mais vista como uma barreira problemática, mas sim como um espaço de integração que contribui para fortalecer a idéia da união sul-americana, na medida em que permite que várias ações, de variados matizes, possam se desenvolver ali, particularmente em termos de desenvolvimento científico e tecnológico, aumentando o potencial inovador do país e do continente. CONCLUSÕES O Brasil apresenta características que tornam o desejo de usufruir de um desenvolvimento tecnológico autônomo e de uma alta capacidade inovadora ainda longínquo. Enquanto a pesquisa universitária no Brasil apresenta, de maneira geral, um alto padrão, tendo reconhecimento internacional, há um gap entre a qualidade e a quantidade dessa pesquisa e o desenvolvimento tecnológico no setor privado. Há exceções, mas são isso, exceção e não regra. Há alguns anos observa-se um esforço nacional no sentido de superar este gap, mesmo que as causas para a existência do mesmo sejam de difícil resolução. O setor de defesa brasileiro, que durante estes anos passou por uma importante reestruturação, também apresenta esta distorção e tem buscado saídas para a solução desse problema que impõe limites importantes ao desenvolvimento nacional. No mundo inteiro os mecanismos de apoio a ambientes tecnológicos como incubadoras e parques tecnológicos, nos quais se desenvolve o empreendedorismo, são muito utilizados e atuam de forma bastante importante no sentido da diminuição desta distância. O Exército Brasileiro, instituição sempre ativa no desenvolvimento nacional, criou uma Incubadora de Empresas de Base Tecnológica no início do século XXI com o objetivo de estimular o surgimento de inovações no setor de defesa, estratégico em todos os países desenvolvidos. Há uma consciência cada vez maior de que o Brasil conseguirá aumentar a sua competitividade internacional na medida em que aumentar o valor do que é produzido no Brasil e de que este valor cresce de acordo com o conteúdo tecnológico do que é produzido, com o seu potencial inovativo. Há um esforço nacional dirigido neste sentido, e o setor de defesa brasileiro acompanha este esforço, não perdendo de vista a necessidade de maior autonomia tecnológica e de criação e manutenção de empresas nacionais inovadoras sólidas. Um ambiente produtivo com alta capacidade inovativa é o caminho para alcançar esta autonomia tecnológica. Aumentar esta capacidade num ambiente com tanto potencial como o setor de defesa é um estratégico neste sentido. Incubadoras e parques tecnológicos têm um papel a cumprir neste setor, juntamente com novos instrumentos de estímulo ao desenvolvimento de inovações.. O setor de defesa brasileiro, considerado de forma ampla, apresenta um enorme potencial inovador não somente em termos de desenvolvimento de produtos de defesa. As Forças Armadas no Brasil são um instrumento importante no desenvolvimento e disseminação de tecnologias que podem transformar a vida de pessoas que estão distanciadas dos principais polos de desenvolvimento do Brasil. A utilização pelo setor de defesa brasileiro de novos instrumentos de potencialização da capacidade de geração de inovações que já estão sendo utilizados nos países desenvolvidos pode ser um caminho bastante transformador do cenário da inovação no Brasil. É sumamente importante que o Brasil avalie o duplo impacto potencial do fortalecimento científico e tecnológico do setor de defesa, nele compreendido a indústria nacional de defesa, tanto no potencial surgimento de habitats de inovação que poderão impactar o ambiente urbano brasileiro, particularmente pela reutilização e consequente recuperação de áreas decadentes ou não desenvolvidas, como pelo reconhecimento da necessidade de se dispor de uma pujante indústria nacional de defesa para a consolidação do Brasil como nação emergente no cenário mundial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (...) Artigo submetido à IASP 2013 BRASIL. MINISTÉRIO DA DEFESA. Estratégia Nacional de Defesa: paz e segurança para o Brasil. Brasília, 2008. CARVALHO, Robson Santana de. O modelo administrativo do ciclo de vida dos materiais de emprego militar sob a ótica da engenharia de sistemas: conceitos e possíveis modificações. Rio de Janeiro, 2004. HASIK, James. Arms and Innovation – Entrepreneurship and Alliance in the Twenty-First Century Defense Industry. The University of Chicago Press. Chicago and London - 1992 IMD World Competitiveness Yearbook (WCY) 2012.World Economic Forum (WEF) Global Competitiveness Report 2012-2013. JOBIM, Nelson A., ETCHEGOYEN, Sérgio W., ALSINA, João Paulo ( Orgs). Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras. Rio de Janeiro. Editora FGV, 2010. Ministério da Defesa – Ministério da Ciência e Tecnologia. “Concepção Estratégica: Ciência, Tecnologia e Inovação em Áreas de Interesse da Defesa Nacional “, Brasília, 10 de dezembro de 2003. www.defesa.gov.br/eacademico/c&tdefesa ZUCOLOTO, Graziela Ferrero; NOGUEIRA, Mauro Oddo. Davi x Golias: uma análise do perfil inovador das empresas de pequeno porte. Revista Radar número 25, 2012 - IPEA