Geral/Opinião
Boa prosa
De saudosa memória, o advogado
Ayrton de Pina Azeredo era uma das
pessoas mais populares em Anápolis nas décadas de 60 a 80. Vozeirão
inconfundível era, sempre, saudado
pelas pessoas por onde passava. Por
ser amigo de muitos políticos, durante a Ditadura Militar, certa feita, ele
foi intimado a depor em um daqueles incontáveis interrogatórios que
os integrantes do governo de então
faziam. Ayrton se apresentou e seu
inquiridor foi logo dizendo: “Olha,
doutor... tenho um relato aqui e nele
consta que o senhor é comunista”.
Ao que Ayrton de Pina respondeu:
“Excelência, data vênia, isso não
corresponde à verdade. Eu não sou
comunista”. Mas, o policial insistiu:
“Então, como é que se explica uma
doação em dinheiro que o senhor fez
para o Partido Comunista?”. Sem
perder a calma, Ayrton de Pina respondeu: “O negócio é o seguinte...
Todo mês, também, eu dou uma colaboração em dinheiro para o Leprosário de Anápolis. E, não consta que eu
seja leproso. Ou consta?”. Dizem que
foi o maior constrangimento. Uns
riam, outros se disfarçavam. E, sem
ter o que fazer, o policial dispensou
o advogado. (História contada pelo,
também, advogado João Asmar).
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O parque
Justiça seja feita, as obras
de reforma do Central Parque da Juventude “Onofre
Quinan”, entre o Conjunto
“Nações Unidas” e a Vila
Góis, estão em andamento.
Atualmente, máquinas trabalham no desassoreamento da represa que existia
naquele local. De acordo
com o projeto, o espelho
d’água vai ser restabelecido, assim como outras
atrações daquele próprio
municipal, implantado no
final da década de 90, na
Administração Adhemar
Santillo. A população, por
certo, está agradecida.
Inadimplência
Pela sétima vez seguida,
o Indicador Serasa Experian
de Inadimplência do Consumidor apresentou alta,
ao atingir 2,4% no mês de
maio, em relação a abril.
Comparado a igual mês de
2013, houve ligeira elevação
de 0,3%, no primeiro crescimento interanual. Mas, de
janeiro a maio, o quadro ainda é de queda, com variação
de 1,9%. A inadimplência
média foi puxada, principalmente, pelas dívidas não
bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em
geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica,
água etc.) com crescimento
nos atrasos acima de 90 dias
de 2%, e pelas dívidas com
os bancos, cujos atrasos aumentaram 1,9%.
O bicho pegou
Na sexta-feira passada
(13) moradores do Jardim
Primavera II interditaram
a rodovia que demanda ao
Distrito de Joanápolis, protestando contra a falta de
asfalto no setor, obra prometida pela Prefeitura há alguns anos. Sabedor do caso,
o Prefeito João Gomes saiu
do Gabinete e foi ao local,
inicialmente, para dialogar
com os manifestantes. Mas,
os ânimos se acirraram de
ambas as partes e, não fosse
a “turma do deixa disso”, as
consequências seriam imprevisíveis, muito embora
a Polícia Militar estivesse
presente. Depois de muito
bate-boca, as partes se acertaram e a rodovia foi liberada para centenas de carros
que se achavam retidos há
várias horas. Detalhe: no
mesmo dia, as máquinas
da Prefeitura foram para o
local e reativaram o projeto
de pavimentação.
Armadilhas
O Aeroporto
O Aeroporto Civil JK,
de Anápolis, tem sido base
para pousos (e decolagens)
de aviões particulares conduzindo os presidenciáveis. No mês passado (22),
o candidato do PSDB, Aécio Neves, fez uma parada
técnica naquela pista e se
reuniu, por alguns minutos,
com o Governador Marconi
Perillo. No último domingo,
15, foi a vez do presidenciável Eduardo Campos (PSB)
pousar naquele aeródromo,
ele que se dirigia para Goiânia, onde participaria de
uma convenção de seu partido. O Aeroporto Santa Genoveva, na Capital do Estado, em virtude de obras de
ampliações por que passa,
se encontra com a operacionalidade restrita.
A cada dia que passa, aumenta o
volume de compras feitas pela internet. Os consumidores preferem o conforto do sofá, a facilidade de escolha e
a fuga dos problemas de trânsito. Mas,
aumentam, também, as queixas e reclamações nos procons de todo o Brasil, quanto à contrariedade por que
passam milhares de clientes que fazem este tipo de operação. Assim sendo, é recomendável a quem pretende
continuar nesse sistema, que opte por
sites confiáveis, por marcas conhecidas e por sites seguros, para não passar por grandes aborrecimentos.
Gente importante que lê esta
coluna
Médico José Joaquim Fortes; advogado Carlos Alberto Lima; Procurador
do Estado e jornalista Luiz Carlos Duarte Mendes, empresário José Miguel
Hajjar e secretário municipal do Meio
Ambiente, Francisco Carlos Costa.
Samuel Vieira
[email protected]
Temos que cuidar
dos pobres!
Pobreza e injustiça são, em última instância, fruto de uma sociedade que perdeu a
capacidade de cuidar dos seus pobres
A
pobreza custa caro
para uma nação,
por isto, cuidar dos
pobres e diminuir os bolsões de pobreza e geografias da miséria é um grande desafio, não apenas por
uma questão humanitária,
teológica e cristã, mas também por uma questão social, política e econômica.
A pobreza fere a dignidade, oprime as pessoas,
desonra, deprime, maltrata, despotencializa o ser
humano. Estudos demonstram ainda que o custo da
pobreza é alto para a nação,
traz peso aos erários públicos porque a pobreza gera
dependência de estruturas
sociais e idosos e crianças
pobres, desprovidos de mínimas condições para sustentar saúde e educação,
e até mesmo para serem
enterrados com dignidade,
carecem do Estado.
Um povo pobre é caro:
Depende muito, produz
pouco; adoece mais facilmente porque a profilaxia
e a alimentação são escassas; não tem acesso à educação e tecnologia e sofre
um atraso no aprendizado,
não gera impostos, enfraquece a alta estima, causa
dor e impotência, destitui
a dignidade.
Na utopia judaico-cristã, berço da cultura ocidental (e uso intencionalmente o termo utopia não
como idéia de fantasia,
mas como um não (u)+
lugar (topos), realidade
ainda não conhecida, mas
possível), havia sempre
a concepção de numa sociedade de justiça seria
possível uma comunidade
sem pobreza. “Para que
entre ti não haja haverá
pobre; pois o Senhor, teu
Deus, te abençoará abundantemente na terra que
te dá por herança para a
possuíres, se apenas ouvires, atentamente, a voz do
Senhor teu Deus”.
As palavras de Jesus,
“Porque os pobres sempre
os tendes convosco”(Mc
14.7), foram citadas de
um livro da Lei, e leitores
desatentos eventualmente distorcem a idéia original. Muitos acham que
por causa da afirmação de
Cristo não devemos preocupar com a pobreza e
miséria do mundo, mas
se observarmos o princípio desta declaração, veremos que a idéia era de
que numa sociedade organizada de acordo com os
mandamentos, a pobreza
tenderia a desaparecer. A
frase de Jesus conclui com
os seguintes dizeres: “e,
quando quiseres, podeis
fazer-lhes bem” (Mc 14.7).
Pobreza e injustiça são,
em última instância, fruto de uma sociedade que
perdeu a capacidade de
cuidar dos seus pobres.
Cuidar dos pobres não significa apenas dar comida
ao que tem necessidade,
casa ao sem teto, hospital
para o doente, roupa para
o nu; mas acima de tudo,
“empoderar” aquele que
perdeu a capacidade de
sonhar e acreditar que é
possível crer em melhores condições de vida. É
de Luiz Gonzaga a frase:
“Uma esmola, para o homem que é são, ou lhe
mata de vergonha ou vicia
o cidadão”.
Temos que cuidar do
pobre, não por oportunismo político, ou por ser “politicamente correto”, mas
porque pobreza retira do
homem sua capacidade de
ser pleno, de sonhar e realizar aquilo que Deus planejou para sua história e vida.
3
E, depois que terminar a Copa?
Anos de chumbo
NILTON PEREIRA
Aná­po­lis, de 20 a 26 de junho de 2014
O Brasil inteiro está em “lua de mel” com a Copa do Mundo.
De repente, não se falou, mais, em crises econômicas e financeiras; nem na falta de segurança; mortes nas rodovias; roubos, assaltos e tráfico de drogas. Muito menos, em mensalão, escândalo
da Petrobras e outros temas que, nos últimos meses, ocuparam,
praticamente, todo o espaço na mídia em geral. Todo mundo
está preocupado em saber quem vai levar a Taça de Campeão do
Mundo, de preferência que seja, claro, a Seleção Brasileira.
Mas, a Copa vai acabar. Os estrangeiros, incluindo jogadores,
torcedores turistas, jornalistas e outros que vieram ao Brasil curtir o evento, vão retornar aos seus países de origem. Certamente estarão deixando muitos milhões de dólares; euros; ienes, e
outras moedas importantes. Vão levar na bagagem, muitas lembranças agradáveis e outras nem tanto assim, do País do Futebol.
As emoções embarcam com eles e seguem seus destinos. Mas,
nós, os brasileiros, vamos ficar por aqui. Ficaremos com o rescaldo da festa, com toda a certeza.
Muitos vão descobrir que passaram um mês envolvidos com a
Copa do Mundo e nem perceberam que o custo de vida aumentou, que o desemprego subiu de índice e que a violência campeou no Brasil, com Copa, sem Copa e apesar da Copa. Verão que
os problemas sociais evoluíram para uma situação bem pior. O
brasileiro vai continuar na mesma, já que a ressaca de uma copa
do mundo demora anos para ser curada.
Nada contra o evento, é bom que se diga. É uma promoção
que todo e qualquer país gostaria de sediar. Afinal de contas, a
exposição na mídia internacional é importante, desde que, claro,
seja uma exposição positiva. Mas, a julgar pela sucessão de erros
e equívocos, aliada à incompetência de quem teve sete anos para
preparar uma competição e não preparou, com certeza, a decepção será muito grande.
Fim de Copa do Mundo é como fim de festa. Os convidados
vão embora, deixando a sujeira; a casa desarrumada; a comida
extinta, o anfitrião cansado e as contas para pagar. No caso do
Brasil, muitas contas para pagar, por sinal contas para a preparação das cidades-sede, preparação esta que ficou pelas metades,
talvez nem isso. Quem será que vai pagar esta despesa? Lembrando também que, daqui a dois anos, o País sediará uma Olimpíada. Vai dar tempo de preparar a casa, ou vamos no improviso,
no jeitinho brasileiro, como está sendo a Copa de 2014?
Campeão das cesáreas
O Brasil realiza, pelo menos, três vezes mais que o necessário,
intervenções cirúrgicas nas operações de parto. Estas cirurgias, que
deveriam ser consideradas exceção à regra, e feitas em situações
emergenciais, viraram corriqueiras e são o método utilizado em 44%
dos nascimentos no País, segundo o relatório “Situação Mundial
da Infância”, da Unicef, entre 2005 e 2009. No entanto, o número
recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de 15%. Pelas
estatísticas nacionais, os números são ainda mais altos. Segundo a
recém-divulgada pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”, elaborada pelo Ministério da Saúde e pela
Fundação Oswaldo Cruz, as cesáreas representam 52% dos partos
no SUS e 88% do setor privado. Pelo mundo, o Brasil é superado
por poucos países, como China e Chipre, com índices de cesarianas
na ordem de 50%. Nos Estados Unidos, as taxas atingem 33% e, na
Inglaterra, ficam em torno de 24%. Nos países nórdicos, estão abaixo
de 15%. Na América Latina, também, há desequilíbrio: no México,
o percentual é de 45%; no Paraguai e Uruguai, 33%; no Chile, 30%;
e em Cuba, 28%; enquanto na Guatemala e no Haiti as taxas são de
16% e 6%, respectivamente.
Antônio de Deus
Corpo e cérebro
O
fracasso dos regimes de partido único e, recentemente,
dos movimentos que se
nutrem da liberdade política, sem identificação com
a democracia, deve-se à
manipulação da capacidade de alguns talentos e da
insatisfação dos excluídos
tão somente para impedir a
alternância no exercício do
poder. Ora, as nações devem constituir instituições
compatíveis com o anseio
de prosperidade e a consecução do progresso para
que os indivíduos se sintam
livres com seu poder criador a fim de implementar o
desenvolvimento em todos
os setores. Convém que a
mobilização política limite-se à participação e escolha
dos governantes e da representação parlamentar, pois
cabe aos chefes de governo
e aos líderes dos partidos
verificar, através das pesquisas de opinião, o grau
de satisfação do povo com
o governo e com o desempenho dos parlamentares.
Estudos comparativos
demonstram que a redução da pobreza só ocorre de
modo consistente nos países que promovem o crescimento econômico com a
qualificação da população
através da educação, estímulo às atividades produtivas, valorização da pesquisa científica com ênfase
nas inovações tecnológicas
Professor Universitário
e premiação do mérito. Sabe-se também que a determinação de impulsionar o
desenvolvimento de modo
sustentável deve sobrepor-se aos partidos políticos.
Ou seja, a responsabilidade
de promover o crescimento
e melhorar as condições de
vida do povo identifica-se
como atributo da própria
elite. Lula no governo cometeu erros de gestão fiscal
e na condução da política
econômica porque foi voluntarista, preocupou-se
demasiado em preservar a
imagem de operário-presidente e confundiu classe
dirigente com classe dominante, evitando ser tomado
como representante dos interesses desta última.
A razão dialética identifica a classe dominante
com os detentores do poder
econômico, sempre interessados em incrementar suas
atividades e maximizar a
rentabilidade dos negócios.
A classe dominante requer
das autoridades à manutenção da estabilidade política
e monetária, encoraja a investigação científica, apoia
as inovações tecnológicas,
aprimora o gerenciamento com a intensificação da
concorrência e reivindica a
superação dos entraves que
impedem a expansão do comércio. Por sua vez, a classe
dirigente é responsável pelo
funcionamento do sistema
econômico em sua plenitu-
de, criando e aprimorando
as condições de realização
de todas as atividades para
favorecer a integração dos
indivíduos e potencializar a
evolução do sistema.
À propósito, os oficiais
militares, os juízes e os integrantes dos conselhos de
medicina são membros da
elite, mas não necessariamente da classe dominante. A elite atua através das
instituições políticas, militares, jurídicas, religiosas,
educacionais, científicas,
culturais, filantrópicas, das
associações profissionais e
empresariais e dos meios
de comunicação. É ela que
conduz a nação do mesmo
modo como o cérebro ativa
e coordena os movimentos
do corpo. No regime democrático, a elite empenha-se
em preservar a liberdade
sem estimular a luta de
classes, porque considera
esta como um componente
natural do sistema que impulsiona sua evolução.
Na condição de líder
político e operador da classe dirigente, o governador
Marconi Perillo tornou-se
eficiente gestor público, exibindo sem arrogância uma
capacidade inédita de articular os interesses de todas
as classes sociais e de todas
as regiões num projeto coerente de governo que impulsiona Goiás de modo sustentável para a superação
do subdesenvolvimento.
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Temos que cuidar dos pobres! Corpo e cérebro