Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Professor Esp. Diogo Bochnia Zuliani
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ
E DE PRODUTOS ORGÂNICOS
GRADUAÇÃO
AGRONEGÓCIO
MARINGÁ-PR
2012
Reitor: Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho
Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenação de Polos: Diego Figueiredo Dias
Coordenação Comercial: Helder Machado
Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha
Coordenação de Curso: Silvio Silvestre Barczsz
Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura
Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Luiz Fernando Rokubuiti e Renata Sguissardi
Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Toledo
Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina Kutsunugi e Maria Fernanda Canova
Vasconcelos
Av. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br
NEAD - Núcleo de Educação a Distância - bl. 4 sl. 1 e 2 - (44) 3027-6363 - [email protected] - www.ead.cesumar.br
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação
a distância:
C397 Cadeias produtivas do café e de produtos orgânicos / Edison
Schmidt Filho, Diogo Bochnia Zuliani – Maringá, Pr, 2012.
203 p.
“Graduação em Agronegócio – EaD”.
1.Agronegócio. 2. Café. 3. Produtos orgânicos. 4. EaD. I. Título.
CDD – 22. ed . 338.1
“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site PHOTOS.COM”.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E
DE PRODUTOS ORGÂNICOS
Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Professor Esp. Diogo Bochnia Zuliani
APRESENTAÇÃO
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos
os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e solução de problemas com
eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que
fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso
de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos
brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisaextensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que
contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.
Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão
universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação
da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; compromisso social
de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também
pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educação
continuada.
Professor Wilson de Matos Silva
Reitor
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
5
Caro aluno, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua
produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de
Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se
fazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento da
realidade social em que está inserido.
Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o
seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação,
determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas
necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que,
independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se
presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento.
Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico interativo, possibilitamos que, efetivamente,
você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada
especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos, além do
material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades de
estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para
a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu
processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências
necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa.
Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os
textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos
fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados,
pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os
desafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe
estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie
a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma
comunidade mais universal e igualitária.
Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem!
Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
APRESENTAÇÃO
Livro: CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS
Professor Esp. Diogo Bochnia Zuliani
Olá! Caro aluno, é com muita satisfação que produzi este livro para você.
Eu sou o Professor Diogo Bochnia Zuliani, o organizador deste material, que consiste ou
foi subdividido em cinco unidades, sendo duas unidades sobre as culturas orgânicas e três
unidades sobre cafeicultura.
No decorrer da elaboração desta obra procurei ser o mais sensato, ou seja, ser o mais
específico na linguagem para que você desfrute melhor do nosso material e entenda-o mais
facilmente.
Procurei em cada unidade elaborar uma breve introdução sobre cada assunto que estarei
abordando no contexto geral, concluindo com algumas informações importantes relacionado a
sites, que é interessante você acessar para aprimorar ainda mais seu conhecimento.
Você, gestor de agronegócios, deve estar atento e se dedicar a este estudo, pois o mercado
profissional lhe espera e exige um profissional qualificado para suprir sua necessidade,
lembrando que um gestor deve manter-se atualizado sobre toda a cadeia de produção das
mais diversas culturas e manter o pensamento de empreendedor, que sempre busca novas
ideias.
Com este intuito, vamos começar nosso estudo de forma agradável, por isso vou explicar a
melhor maneira para estudá-lo.
Na INTRODUÇÃO da unidade I conto um pensamento que é uma realidade, sendo a
preocupação com os alimentos que nós consumimos. Conhecendo o sistema de cultivo
de orgânicos, observamos que seu sistema de produção gera produtos de alta qualidade
nutricional, é isento de resíduos agroquímicos e outras características próprias do cultivo de
orgânicos que você estudará.
A princípio você consome algum produto orgânico?
Na unidade I, chamada CULTURA ORGÂNICA - COMERCIALIZAÇÃO, DEMANDA E OFERTA,
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
7
eu identifico no título inicial a diferença entre a cultura orgânica e a agricultura convencional.
Proponho que leia e expresse sua opinião sobre os temas. Ainda busquei de uma forma fácil
identificar a definição específica de agricultura orgânica, pois é nosso objetivo.
Eu posso dizer para você que existem quatro afirmações que, se forem entendidas, significa
que você captou a ideia central da unidade. São elas:
• Oferecer produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isentos de qualquer tipo de
contaminantes que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente.
• A preservação e a ampliação da biodiversidade dos ecossistemas, natural ou transformado, em que se insere o sistema produtivo.
• A conservação das condições físicas, químicas e biológicas do solo, da água e do ar.
• O fomento da integração efetiva entre agricultor e consumidor final de produtos orgânicos
e o incentivo à regionalização da produção desses produtos orgânicos para os mercados
locais.
Você sabe em qual década que o mercado de produtos orgânicos apresentou um crescimento
significativo?
Você concorda com estes parâmetros que abordamos? Mãos a obra! Este é apenas o início do
nosso estudo. Sugiro que leia atentamente quando me refiro aos princípios da cultura orgânica
referente à saúde, ecologia, equidade e precaução sobre o assunto.
Quer saber mais sobre o assunto, manter-se informado? Vou te indicar um site:
Acesse: <http://www.agrosoft.com.br>.
Na unidade II, denominada CADEIA E MERCADO DE PRODUTOS ORGÂNICOS, SUAS
NORMAS E REGULAMENTAÇÕES, me refiro na nossa introdução que você estudará a
cadeia de produção, os mercados e quais os produtos comercializados nacionalmente e
internacionalmente, e ainda os desafios que devem ser superados para a inserção dos
produtos orgânicos. Vamos trabalhar juntos?
8
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Citei um item que trata sobre certificação dos produtos orgânicos, você concorda que um
produto certificado tem maior valor agregado do que os produtos ainda não certificados?
Cabe aqui eu contar uma história para você.
Eu costumo ir com frequência em feiras livres. Você conhece, né? Pois bem, um dia desses,
em uma dessas bancas de verduras, frutas etc., observei uma diferença entre o preço da
alface. O feirante me informou que a diferença se dá devido uma alface ser convencional e a
outra ser de origem orgânica. Questionei o feirante da seguinte forma:
-Quem me garante que este produto é realmente orgânico? O senhor poderia muito bem
vender o produto de origem convencional dizendo que é orgânico. O senhor não tem interesse
em certificar seus produtos orgânicos para até mesmo inseri-los em grandes redes de
supermercados?
Observem a resposta que o feirante me deu:
-Eu não tenho tempo de fazer isso e tem outra coisa, eu não sei como proceder para fazer isso.
Se meu cliente quiser ele acredita em mim.
Resumo: eu concordo com o feirante que ele tem todo o direito de afirmar se tal produto é
orgânico ou não, mas se o feirante agir de má fé pode “enganar” seu consumidor, concorda?
Pois bem, o que mais nos interessa é o seguinte: o gestor pode estar atuando na informação
desses comerciantes, até como forma de consultoria para essas certificações, ou seja, servir
como elo para as certificadoras? Veja quantos clientes em apenas umas das feiras livres o
gestor pode atuar. Concorda?
Na sua opinião, o consumidor ao adquirir ou ao comprar um produto orgânico observa se o mesmo
possui alguma certificação?
Bom, caro aluno, tratando-se de orgânicos minha intenção é despertá-los para o futuro, sendo
uma oportunidade para investirmos neste seguimento. Ainda temos muito o que tratar sobre
orgânicos, portanto sugiro uma boa leitura do nosso material disponível para você, pois ainda
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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tem muitos assuntos interessantes e importantes para sua carreira profissional, ok?
Espero que tenha gostado deste nosso início, agora vamos dar continuidade a este material?
Conto com você!!!
Continuando nosso trabalho, vamos iniciar nossa unidade III que aborda a cafeicultura, esta
unidade tem o título de AGRONEGÓCIO CAFEEIRO.
Trato, em nossa introdução desta unidade, Sobre como o café foi e continua sendo um dos
mais importantes produtos agrícolas, gerando riquezas para os estados e para o nosso país.
De que forma observamos e afirmamos? Você sabe?
Bom, sabemos que o produto café tem uma grande função social, pois apresenta grandes
fatores com seu papel no mercado, sendo visto como uma fonte geradora de emprego e mão
de obra nas propriedades rurais e nas torrefações.
Vou lhe explicar resumidamente a história da qualidade do café no Brasil. Tempos atrás o
Brasil não se preocupava em obter um produto de qualidade e com maior valor agregado, mas
os países competidores já se preocupavam em obter esta qualidade diferenciada.S sendo
este o principal fator para ganhar mercado, é que automaticamente tornou-se um produto
com qualidade mais exigente. Assim, perdendo mercado o Brasil teve que tomar algumas
providências, tais como:
• Aumento da produtividade do cafezal.
• Redução dos custos gerais, principalmente da mão de obra na colheita sem comprometer
a qualidade final do produto.
• Busca incansável pela qualidade.
• Produção com sustentabilidade (certificação de propriedades).
• Identificar novos nichos de mercado.
Conseguiu observar como é necessário estarmos atentos com o mercado? Muitas vezes
perdemos credibilidade e até adaptarmos com o mercado pode levar meses, anos ou até
décadas. Esses são apenas alguns exemplos, ok?
Sugiro que leia atentamente os assuntos sobre a história do café no Brasil, a era dos gigantes
cafeeiros e produção cafeeira por espécies.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Eu procurei observar a produção de café por estado. observe como está a situação em seu
estado e o que poderá ser feito para alavancar esta produção, lembre-se que você é um gestor
e deve ter visão do segmento, ok?
Fique atento às formas de colheita de café, e à época de colheita, tudo isso está em nosso material!!!
Continuando nosso trabalho, vamos iniciar nossa unidade IV, está preparado? Não desanime,
vamos aprender juntos, certo?
Com o intuito de aprimorar ainda mais seu conhecimento em nossa unidade IV com o título
CAFEICULTURA: MERCADOS E INDÚSTRIAS, nesta unidade apresentarei a você toda a
cadeia pós-colheita do café, ou seja, noção de exportação do produto, algumas formas de
industrialização desde o grão natural conhecido como “verde”, até o processo torrado e moído,
ok?
Sabemos que hoje em dia o custo do produção de café é alto, mesmo assim no Brasil a
produção de café Arábica de menor custo de produção, aliado à produtividade, garante a
estabilidade e crescimento da participação no mercado internacional. Além do custo de
produção, tem-se a diferenciação por qualidade, outro elemento de competitividade. O Brasil
é reconhecido como fornecedor de quantidade, enquanto que Colômbia, Guatemala, Costa
Rica e Quênia reconhecidos por cafés de qualidade. Podemos mudar isso? De que forma?
Qual sua ideia?
Vou ressaltar que trataremos sobre o mercado de café orgânico, ok? Só para complementar,
a agricultura orgânica ganha cada vez mais espaço na economia mundial. O aumento do
consumo de orgânicos por países desenvolvidos ocorre devido aos alertas quanto ao consumo
de alimentos sadios e sem uso de agrotóxicos.
Mas ainda enfrentamos problemas, como a comercialização de café orgânico é voltada para
exportação, já que a população ainda precisa de maior conscientização sobre o produto, mais
caro e com pouca divulgação, é onde você gestor também deve estar atuando.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
11
Eu também busquei colocar um fluxograma da cadeia produtiva do café para que você conheça
todo este processo.
Sei que despertou uma certa curiosidade, certo? Portanto, vou indicar mais alguns sites
interessantes para estudarmos. Acesse:
<http://www.sindicafesp.com.br/noticia_cafe.html>.
<http://www.abics.com.br/>.
<http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=5223>.
<http://www.safras.com.br/>.
<http://www.agnocafe.com.br/>.
<http://www.coffeebreak.com.br/>.
<http://www.coffeebusiness.com.br/>.
<http://www.nybot.com/>.
<http://www.ncausa.org>.
<http://www.greencoffeeassociation.org/>.
Assim, meu caro aluno, vamos indo para nossa última unidade para darmos conclusão ao
nosso estudo.
Unidade V, com o título de NORMAS E PADRÕES DE QUALIDADE NA INDÚSTRIA DO CAFÉ.
Em nossa introdução, observe que o principal fator relacionado à qualidade do café está em
sabermos o que significa qualidade do café, você conhece ou já ouviu falar a respeito?
Bom, vou ajudá-lo. Inicialmente devo informar que a produção mundial de café está concentrada
em duas espécies: Coffea arábica (café Arábica) e Coffea canephora (café Robusta ou
Conillon). Já experimentou algum deles?
O café Arábica é o café que você consome normalmente, sendo que existe uma certa diferença
entre as qualidades, sendo por exemplo: cafés gourmets, geralmente são compostos de 100%
de grão Arábica, pois a qualidade da bebida em termos de sabor e aroma é mais apreciado.
Mas por que esta diferença? Vamos lá, o café “Robusta” é mais utilizado na produção de cafés
solúveis e na composição de blends de cafés.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Você aceita passearmos um pouco sobre classificação e degustação de café? Quem sabe não
cria aptidão para se profissionalizar na área?
Começaremos então, da seguinte forma: com uma curiosidade sobre o surgimento de norma
para classificação de café, as tabelas de “Equivalência dos Defeitos” e de “Classificação por
Tipos”, atualmente adotadas, foram criadas pelo Decreto n° 24.541, de 3/7/1934.
Posteriormente, o Decreto n° 27.173 de 14/9/49, revogou o Decreto 24.541/34 e aprovou as
especificações e tabelas para classificação e fiscalização do café, visando sua padronização,
(adotadas pela Bolsa Oficial de Café de Santos).
Você sabia da existência dessa legislação? Interessante, né?
O que é qualidade de bebida segundo os degustadores?
Vou dizer esta resposta. A classificação pela qualidade de bebida é o fator preponderante na
classificação geral do produto. Por meio da degustação do café, os classificadores avaliam
as características da bebida, assim como acidez, corpo e sabor entre outras características.
Cada mercado tem preferências específicas, que podem ser supridas graças à grande
variedade dos cafés brasileiros.
Ainda existem outras formas, sendo:
• Classificação por tipos ou defeitos.
• Classificação pela característica de qualidade.
• Classificação pela qualidade (bebida).
Uma curiosidade, você sabe quais são os tipos de bebidas de café?
Mole, estritamente mole, apenas mole, dura, riada e rio.
Estranhos estes nomes, né? Mas veremos o que cada um deles significam em nossas aulas,
ok? Mas, se já estiver com curiosidade, em nossa matéria está especificada cada um deles.
Bom, espero ter formalizado este guia com a maior praticidade para um bom entendimento
do que iremos abordar em nossa disciplina. Espero ter colaborado desde já para um breve
conhecimento.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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Desejo um bom planejamento e um bom comprometimento seu durante nossas aulas para
entendermos e aprendermos juntos esta nossa atividade que elaborei a você. Para finalizar
desejo sucesso e um futuro promissor a você gestor de agronegócios, e parabéns pela escolha
deste curso.
Saudações!!
Professor Diogo Bochnia Zuliani.
Respostas
• Você sabe em qual década que o mercado de produtos orgânicos apresentou um crescimento significativo? Década de 1990.
• Você sabe o que significa blends de café?
É a mistura proporcional de uma espécie e outra, formando uma qualidade de café.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
SUMÁRIO
UNIDADE I
CULTURA ORGÂNICA – COMERCIALIZAÇÃO, DEMANDA E OFERTA
AGRICULTURA ORGÂNICA X AGRICULTURA CONVENCIONAL���������������������������������������22
DEFINIÇÃO DE AGRICULTURA ORGÂNICA������������������������������������������������������������������������23
HISTÓRICO DA AGRICULTURA ORGÂNICA������������������������������������������������������������������������26
PANORAMA GERAL DOS PRODUTOS ORGÂNICOS���������������������������������������������������������28
COMPETITIVIDADE DE ORGÂNICOS����������������������������������������������������������������������������������30
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE ORGÂNICOS������������������������������36
DEMANDA E OFERTA DE ORGÂNICOS�������������������������������������������������������������������������������37
CONCEITO DE “CONVERSÃO” E O PROCESSO DE CONVERSÃO PARA A AGRICULTURA
ORGÂNICA�����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������39
SITUAÇÕES INICIAIS NO PROCESSO DE CONVERSÃO PARA A AGRICULTURA
ORGÂNICA����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 41
UNIDADE II
CADEIA
E
MERCADO
DE
PRODUTOS
ORGÂNICOS,
SUAS
NORMAS
E
REGULAMENTAÇÕES
CADEIA PRODUTIVA DE ORGÂNICOS��������������������������������������������������������������������������������55
MERCADO MUNDIAL DE PRODUTOS ORGÂNICOS����������������������������������������������������������60
MERCADO DE PRODUTOS ORGÂNICOS NO BRASIL�������������������������������������������������������63
REGULAMENTAÇÃO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA NO BRASIL�����������������������������������������69
ACESSO AO MERCADO INTERNO���������������������������������������������������������������������������������������69
IMPORTÂNCIA, LIMITES E DESAFIOS���������������������������������������������������������������������������������73
DESAFIOS DA AGRICULTURA ORGÂNICA�������������������������������������������������������������������������� 74
COMPOSTO ORGÂNICO�������������������������������������������������������������������������������������������������������75
UNIDADE III
AGRONEGÓCIO CAFEEIRO
LENDAS SOBRE O CAF������������������������������������������������������������������������������������������������������90
OS GIGANTES CAFEEIROS��������������������������������������������������������������������������������������������������91
PRODUÇÃO CAFEEIRA POR ESPÉCIES�����������������������������������������������������������������������������92
EXPANSÃO E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA����������������������������������������������������������������������95
ESPÉCIES E VARIEDADES���������������������������������������������������������������������������������������������������96
VARIEDADES ATUAIS DE CAFÉS ARÁBICA OU HÍBRIDOS�����������������������������������������������99
CADEIA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO DE CAFÉ������������������������������������������������������� 113
CULTURA DO CAFEEIRO���������������������������������������������������������������������������������������������������� 115
CLIMA E SOLO��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 116
SISTEMA DE PLANTIO�������������������������������������������������������������������������������������������������������� 117
FORMAÇÃO DE MUDAS������������������������������������������������������������������������������������������������������ 118
VIVEIROS������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������ 118
SEMEADURA����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 119
PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS������������������������������������������������������������������������������������� 119
TRATOS CULTURAIS E ADUBAÇÃO���������������������������������������������������������������������������������� 121
PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS������������������������������������������������������������������������������������122
COLHEITA����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 124
OFERTA E DEMANDA CAFEEIRA���������������������������������������������������������������������������������������133
UNIDADE IV
CAFEICULTURA: MERCADOS E INDÚSTRIAS
PREPARO PÓS-COLHEITA������������������������������������������������������������������������������������������������� 141
EXPORTAÇÃO DO CAFÉ BRASILEIRO������������������������������������������������������������������������������143
A INDÚSTRIA DE CAFÉ SOLÚVEL��������������������������������������������������������������������������������������150
A INDÚSTRIA DE CAFÉ TORRADO E MOÍDO������������������������������������������������������������������� 151
A INDÚSTRIA DE GRÃO VERDE�����������������������������������������������������������������������������������������153
MERCADO DE CAFÉ ORGÂNICO���������������������������������������������������������������������������������������155
MERCADOS INTERNACIONAIS������������������������������������������������������������������������������������������158
MERCADO CONSUMIDOR��������������������������������������������������������������������������������������������������160
UNIDADE V
NORMAS E PADRÕES DE QUALIDADE NA INDÚSTRIA DO CAFÉ
QUALIDADE DA PRODUÇÃO CAFEEIRA���������������������������������������������������������������������������168
COMPETITIVIDADE�������������������������������������������������������������������������������������������������������������169
REGULAMENTAÇÃO CAFEEIRA����������������������������������������������������������������������������������������� 171
BARREIRAS TARIFÁRIAS E ABERTURA���������������������������������������������������������������������������� 174
NOÇÕES DE CLASSIFICAÇÃO E DEGUSTAÇÃO DE CAFÉ���������������������������������������������� 175
CONCLUSÃO.........................................................................................................................190
REFERÊNCIAS......................................................................................................................192
UNIDADE I
CULTURA ORGÂNICA - COMERCIALIZAÇÃO,
DEMANDA E OFERTA
Professor. Esp. Diogo Bochnia Zuliani
Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Objetivos de Aprendizagem
• Analisar o panorama geral dos produtos orgânicos.
• Contextualizar o histórico de culturas orgânicas.
• Identificar critérios de competitividade, oferta e demanda de orgânicos.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• A diferença entre cultura orgânica e convencional
• Definição dos produtos orgânicos
• As cadeias de distribuição e comércio de orgânicos
• Competitividade de produtos orgânicos
INTRODUÇÃO
Olá, caro aluno! Seja bem-vindo à nossa unidade I.
Nas últimas décadas, percebe-se que é crescente a preocupação com a qualidade dos
alimentos consumidos. Cada vez mais, a segurança alimentar deixa de ser apenas relacionada
à garantia de disponibilidade de comida para a população mundial, passando a incluir também
uma preocupação com a qualidade dos alimentos, produzidos de forma sustentável. Um
indicador deste movimento é o crescimento do mercado de produtos apontados como de
melhor qualidade, como os alimentos orgânicos.
A Agricultura Orgânica constitui-se em uma atividade de produção agropecuária que gera
alimentos de alta qualidade nutricional e durabilidade, isentos de quaisquer resíduos de
agroquímicos prejudiciais à saúde humana e animal, sendo originados em um sistema de
produção onde se utilizam práticas e insumos não agressivos ao meio ambiente, com respeito
às leis ambientais, e princípios de justiça social.
Todas estas qualidades, aliadas à conscientização dos consumidores sobre os cuidados com
a saúde e a responsabilidade sobre o meio ambiente, fazem com que os alimentos orgânicos
tenham ampliado, a cada ano, sua demanda no mercado. Esse fato reflete na contínua
expansão das áreas com cultivo orgânico em todos os países do mundo, para atender a um
mercado crescente, o que resulta na atividade ser considerada um excelente agronegócio.
Além disso, a competitividade gera produtos diferenciados com alto valor agregado. Existem,
portanto, diversos fatores de competitividade que irão influenciar sobre o futuro do mercado de
culturas orgânicas, tanto interno quanto externo.
Logo, a competitividade da cadeia está baseada principalmente na diferenciação dos produtos,
criando produtos diferentes de alto valor agregado que atendam nichos de mercados cada vez
mais segmentados e específicos. Para isso, é fundamental a certificação dos produtos dentre
outros fatores.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
21
AGRICULTURA ORGÂNICA X AGRICULTURA CONVENCIONAL
Fonte: PHOTOS.COM
Desde a década de 1970, a preocupação mundial
com o meio ambiente passou a ser uma realidade, a
partir daí Estados, Organizações Internacionais
Governamentais ou não, passaram a ter consciência
dos problemas ambientais que o mundo todo estava
a enfrentar. A partir da década de 1980, aos poucos
a população foi se atentando quanto aos riscos que o modo de produção irracional e não
sustentado apresentava e, finalmente, essa preocupação na década de 1990 amadureceu e a
sociedade civil passou a exigir mais do setor produtivo que se inseriu parcialmente neste
contexto de reflexão dos problemas ambientais (SCHIMAICHEL et al., 2007).
Esta preocupação se baseia principalmente pelo fato da atual prática industrializada da
agricultura buscar a maximização produtiva baseando-se na utilização de alta tecnologia, o que
explica os altos custos de produção. Essa agricultura, hoje chamada de “convencional”, utiliza
variedades de alta resposta, e a produtividade é condicionada ao uso de fertilizantes. A pouca
diversidade genética é praticamente regra geral, e a mecanização agrícola é uma constante,
transformando o solo em substrato morto. A dependência deste pacote tecnológico tornou-se
pré-requisito para financiamentos bancários, que obrigavam os agricultores a adquirir insumos
e equipamentos, muitas vezes desnecessários. Somente na década de 1990 a sociedade,
de maneira geral, tomou consciência do real problema ambiental causado por este tipo de
produção desenfreada, das suas causas e perigosas consequências (ROEL, 2002).
A produção orgânica vem como uma alternativa para que esses problemas ambientais sejam
minimizados, ela se difere da agricultura convencional por adotar um modelo de produção
alternativo de alimentos e insumos. Dentre os princípios da agricultura orgânica listados pela
IFOAM (INTERNATIONAL FEDERATION OF ORGANIC AGRICULTURE MOVEMENTS),
está a seguinte afirmação – “o manejo orgânico deve ser conduzido com responsabilidade
22
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
e precaução, visando proteger a saúde e o bem-estar da geração presente e futura e do
meio ambiente, o que enquadra a agricultura orgânica no conceito de ‘Desenvolvimento
Sustentável’”. Diferentemente da agricultura convencional que utiliza a maneira mais popular
de manejo da terra e implica em grande impacto ambiental. Hoje, o sistema convencional se
encontra altamente mecanizado, o que lhe confere alto custo de execução, tornando-o pouco
rentável e inacessível à grande parte da população (SCHIMAICHEL et al., 2007).
A América Latina é uma das grandes reservas de biodiversidade do mundo e está começando
a reconhecer o enorme potencial da agricultura orgânica. Esta aptidão agrícola é comprovada
pela existência de fazendas tradicionais, com zonas climáticas variadas e terras férteis, o que
possibilita produzir quase todos os alimentos de modo ecológico, ajudando na preservação do
Fonte: PHOTOS.COM
ambiente do planeta (WILLER e YUSSEFI, 2004).
DEFINIÇÃO DE AGRICULTURA ORGÂNICA
Convencionou-se chamar de agricultura orgânica todos
os modelos de agricultura alternativa em que a produção
de alimentos bane o uso de produtos químicos sintéticos.
O fato de não adicionar produtos químicos durante o
processo de produção confere aos produtos a denominação de ecológico ou orgânico. Assim,
define-se como agricultura orgânica um sistema de manejo sustentável da unidade de produção,
com enfoque holístico que privilegia a preservação ambiental, a agrobiodiversidade, os ciclos
biológicos e a qualidade de vida do homem, visando a sustentabilidade social, ambiental e
econômica no tempo e no espaço. Baseia-se na conservação dos recursos naturais e não
utiliza fertilizantes de alta solubilidade, agrotóxicos, antibióticos, aditivos químico-sintéticos,
hormônios, organismos transgênicos e radiações ionizantes (NEVES et al.,2004).
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA por meio da Instrução Normativa
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
23
007/99, em seu item 1.1, considera:
o sistema orgânico de produção agropecuária e industrial todo aquele em que se adotam
tecnologias que otimizem o uso dos recursos naturais e socioeconômicos, respeitando
a integridade cultural e tendo por objetivo a autossustentação no tempo e no espaço, a
maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energias não
renováveis e a eliminação do emprego de agrotóxicos e outros insumos artificiais tóxicos,
organismos geneticamente modificados (OGM) /transgênicos ou radiações ionizantes
em qualquer fase do processo de produção, armazenamento e de consumo, e entre os
mesmos privilegiando a preservação da saúde ambiental e humana, assegurando a
transparência em todos os estágios da produção e da transformação.
Este tipo de agricultura tem por objetivo:
• oferecer produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isentos de qualquer tipo de contaminantes que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente;
• a preservação e a ampliação da biodiversidade dos ecossistemas, natural ou transformado,
em que se insere o sistema produtivo;
• a conservação das condições físicas, químicas e biológicas do solo, da água e do ar;
• o fomento da integração efetiva entre agricultor e consumidor final de produtos orgânicos
e o incentivo à regionalização da produção desses produtos orgânicos para os mercados
locais.
Para produzir alimentos orgânicos é necessário conhecer várias ciências, de forma a
desenvolver um sistema de manejo equilibrado dos recursos naturais. No Brasil, as hortaliças e verduras orgânicas produzidas são vendidas no mercado interno, as
demais categorias de produtos são para exportação.
O desenvolvimento de orgânicos no exterior é maior pelo fato de seus consumidores possuírem
maior consciência em relação aos benefícios para saúde destes produtos (INSTITUTO
BIODINÂMICO, 2003).
A tendência de mudanças no perfil alimentar é resultante de fatores comportamentais, éticos,
ambientais, nutricionais e médicos (ALTAMNN, 2003; INSTITUTO BIODINÂMICO, 2003).
24
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Princípios da agricultura orgânica
Os princípios da agricultura orgânica foram discutidos pela IFOAM, no início do século XXI,
sendo aprovados e publicados em 2005. O documento enfatiza que os princípios são as raízes
pelas quais a agricultura orgânica deve crescer e se desenvolver (FONSECA et al., 2009).
• Saúde
A agricultura orgânica desempenha o papel de sustentar e aumentar a saúde do solo,
das plantas, dos animais, do homem e do planeta, seja por meio do manejo do solo, do
processamento dos alimentos, da distribuição ou do consumo. Entende-se que somente em
solo saudável é possível produzir alimentos que vão sustentar animais e pessoas de forma
saudável, influenciando a saúde das comunidades que, por sua vez, não pode ser separada
da saúde do ecossistema no qual se inserem. Assim, quaisquer substâncias, sejam adubos
químicos, agrotóxicos, drogas veterinárias e aditivos para o processamento dos alimentos, que
possam de alguma forma ter efeito adverso à saúde das pessoas, dos animais, das plantas ou
do ecossistema devem ser evitadas (FONSECA et al., 2009).
• Ecologia
O manejo orgânico deve ser adaptado às condições locais, à ecologia da região, às tradições e
culturas locais. Os insumos externos devem ser reduzidos por meio da reutilização, reciclagem
e manejo eficiente dos recursos naturais, inclusive da energia, para que seja possível conservar
esses recursos. A caça e a coleta devem observar um plano de manejo que não prejudique a
sobrevivência da espécie (FONSECA et al., 2009).
• Equidade
A equidade é caracterizada pela igualdade, respeito, justiça e gestão responsável, tanto entre os
seres humanos como nas relações com os outros seres vivos. Assim, todos os envolvidos com
a agricultura orgânica, sejam produtores, trabalhadores rurais, processadores, distribuidores,
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
25
comerciantes e consumidores, devem conduzir as relações humanas sociais de modo a
assegurar qualidade de vida e justiça a todos os envolvidos. A agricultura orgânica deve ter
como objetivo produzir alimentos de qualidade em quantidade suficiente para contribuir para a
redução da pobreza e para fortalecer a segurança alimentar (FONSECA et al., 2009).
• Precaução
A agricultura orgânica deve ser planejada e desenvolvida de forma responsável e cuidadosa,
de modo a proteger a saúde e o bem-estar das pessoas e das gerações futuras, bem como
a qualidade do ambiente. Deve procurar aumentar a eficiência e a produtividade, mas sem
colocar em risco a sustentabilidade dos agroecossistemas (FONSECA et al., 2009).
Fonte: PHOTOS.COM
HISTÓRICO DA AGRICULTURA ORGÂNICA
No mundo
A história da agricultura orgânica remonta ao início da década de 1920 com o trabalho do
pesquisador inglês Albert Howard, que em viagem à Índia, observou as práticas agrícolas de
compostagem e adubação orgânica utilizadas pelos camponeses, relatando-as posteriormente
26
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
em seu livro “Um testamento agrícola”, de 1940. Na mesma época, na França, Claude Aubert
difundiu o conceito e as práticas da agricultura biológica, na qual os produtos são obtidos pela
utilização de rotação de culturas, adubos verdes, estercos, restos de culturas, palhas e outros
resíduos vegetais ou animais, bem como controle natural de pragas e doenças (ORMOND et
al., 2002).
Na Alemanha, em 1924, Rudolf Steiner lançou as bases da agricultura biodinâmica, que busca
a harmonia e o equilíbrio da unidade produtiva (terra, plantas, animais e o homem) utilizando
as influências do sol e da lua. No Japão, em 1935, Mokiti Okada definiu a filosofia do que seria
uma “agricultura natural”, segundo a qual existem espírito e sentimento em todos os seres
vivos (vegetal e animal). A agricultura natural valoriza o solo como fonte primordial de vida e,
para fertilizá-lo, procura fortalecer sua energia natural utilizando os insumos disponíveis no
mesmo local de produção, sendo seu objetivo máximo obter produtos por sistemas agrícolas
que se assemelhem às condições originais do ecossistema (ORMOND et al., 2002).
Na Austrália, em 1971, Bill Mollison difundiu o conceito de permacultura, que também é um
modelo de agricultura integrada com o ambiente. O uso de informações sobre direção do sol e
dos ventos para determinar a disposição espacial das plantas é o que diferencia essa corrente
das demais (ORMOND et al., 2002).
Na década de 1970, começaram a surgir no comércio da Europa os primeiros produtos
orgânicos. Nessa época a institucionalização da agricultura orgânica ao mundo teve início,
com a criação da IFOAM – Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica e
a publicação de suas primeiras normas, em 1978. A França foi o primeiro país a regulamentar.
As normas privadas da IFOAM serviram de referência para a comercialização dos produtos
orgânicos no mundo até a década de 1990 e para o estabelecimento de outras normas locais
e regulamentos técnicos em diferentes países (ORMOND et al., 2002).
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
27
Fonte: PHOTOS.COM
No Brasil
No Brasil, ainda na década de 1970, a produção orgânica
estava
diretamente
relacionada
com
movimentos
filosóficos que buscavam o retorno do contato com a
terra como forma alternativa de vida em contraposição
aos preceitos consumistas da sociedade moderna. A recusa de uso do pacote tecnológico
da chamada agricultura moderna, intensivo em insumos sintéticos e agroquímicos e vigorosa
movimentação de solo, acrescenta a vertente ecológica ao movimento.
A comercialização dos produtos obtidos era feita de forma direta, do produtor ao consumidor, e
tinha como clientes aqueles que acreditavam em filosofias análogas, assemelhando-se a uma
“ação entre amigos”.
Com o crescimento da consciência de preservação ecológica e a busca por alimentação cada
vez mais saudável, houve expansão da clientela dos produtos orgânicos e, na década de 1980,
organizaram-se muitas das cooperativas de produção e consumo de produtos naturais hoje
em atividade, bem como os restaurantes dedicados a esse tipo de alimentação. Na década
de 1990, alavancados pela ECO 92, proliferaram os pontos comerciais de venda de produtos
naturais e, no final da década, os produtos orgânicos entraram com força nos supermercados
(ORMOND et al., 2002).
PANORAMA GERAL DOS PRODUTOS ORGÂNICOS
Como dito anteriormente, foi na década de 1990 que os mercados de produtos orgânicos
apresentaram crescimentos significativos. Os produtos certificados apresentaram taxas de
crescimento principalmente na Europa, Estados Unidos, Japão e alguns países de baixa renda.
Na União Europeia, a taxa média anual de crescimento é de 25% (BUAINAIN; BATALHA,
2007).
28
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Fonte: PHOTOS.COM
O comércio mundial de orgânicos é caracterizado pela
exportação de produtos certificados por países do Sul e
produtos de maior valor agregado pelo Norte. Dentre os
produtos orgânicos certificados presentes no comércio
mundial estão: frutas e legumes frescos, nozes e frutas
secas, especiarias, ervas, frutas e vegetais processados,
cacau, óleos vegetais, doces, alimentos processados e bebidas a base de frutas, algodão,
óleos essenciais para cosméticos e flores (BUAINAIN; BATALHA, 2007).
Os excedentes da produção para exportação são comercializados nos mercados internos,
tais como: frutas, legumes e verduras in natura e produtos de origem animal (SAHOTA, 2005).
- Como foi observado, somente o excedente produzido é comercializado no mercado interno. Qual
a qualidade deste produto comercializado?
- E ainda, será que por intermédio governamental assim como, por exemplo, incentivos ao consumo, a cadeia poderá crescer ainda mais?
O Mercosul vem se destacando pelo aumento da área certificada. Entretanto, tais países
participam do comércio internacional como exportadores de matérias-primas orgânicas.
As primeiras normas privadas internacionais na agricultura orgânica foram estabelecidas pela
IFOAM (IFOAM, 2004). Essas normas são baseadas em políticas e realidades climáticas,
tecnológicas, sociais, econômicas e culturais (BUAINAIN; BATALHA, 2007).
A principal preocupação dos produtores orgânicos é o processo de certificação (obtenção
do selo), que lhe dará credibilidade de venda e proporcionará aos consumidores garantia de
produto produzido dentro das normas (RUNDGREN, 1998).
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
29
O mercado varejista mundial de alimentos e bebidas orgânicas aumentou de US$ 10 bilhões
de dólares em 1997 (ITC, 2002) para 17,5 bilhões em 2000. Os mercados que mais cresceram
nos dois últimos anos foram os do Reino Unido e dos Estados Unidos (BUAINAIN; BATALHA,
2007).
COMPETITIVIDADE DE ORGÂNICOS
A competitividade dos orgânicos tem como objetivo a geração de produtos diferenciados com
alto valor agregado. Essa competitividade é o produto da interação entre Estado, empresas,
instituições e sociedade. Existem aspectos que interferem na competitividade da produção
orgânica no país, tais como:
Ambiente institucional
O governo desenvolve estratégias de promoção com governos locais e regionais, ONGs e
associações de classe. Em alguns estados, agências oficiais de extensão realizam esse papel.
Certificação de produtos orgânicos
O produto orgânico não apresenta diferenças aparentes relativamente ao produto convencional,
seja forma, cor ou sabor. Assim, o que leva um consumidor a preferi-lo é a informação sobre
suas vantagens nutricionais, a ausência de toxicidade e a confiança de que foi produzido
conforme os preceitos que preservam estes fatores. É, portanto, um bem que tem na confiança
seu principal valor.
No Brasil, a certificação teve origem informal, por meio do trabalho desenvolvido por
organizações não governamentais (associações e cooperativas de produtores e consumidores),
que estabeleceram padrões e normas internas para produção e comercialização e criaram
selos de garantia para seus produtos (selos de certificação), direcionados principalmente ao
mercado interno. À medida que os produtores passaram a ter interesse no mercado exportador,
30
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
surgiu a necessidade de certificação dos produtos por instituições de reconhecimento
internacional. Para que isso fosse possível, a produção, o armazenamento e o transporte
teriam que obedecer aos padrões internacionais e, preferencialmente formais (ORMOND et
al., 2002).
A fim de regulamentar o setor, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
estabeleceu, pela Instrução Normativa 007/99, de 17 de maio de 1999, as normas disciplinares
para produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da
qualidade de produtos orgânicos, sejam eles de origem animal ou vegetal. Os procedimentos
constantes da referida Instrução estão de acordo com os praticados na maioria dos países da
Europa, nos Estados Unidos e no Japão (ORMOND et al., 2002).
a- Credenciamento de instituições certificadoras
O primeiro passo para a concessão do credenciamento é o encaminhamento da documentação
da instituição interessada, para análise do colegiado estadual, que elabora um relatório e o
submete à consulta pública. Após a incorporação das sugestões propostas na consulta pública,
o relatório é encaminhado ao colegiado nacional, que após análise o encaminha ao MAPA
para realização de uma auditoria de pré-certificação. O resultado da auditoria é encaminhado
ao colegiado nacional para análise e aprovação. Se positivo, a Secretaria Nacional de Defesa
Agropecuária oficializa o credenciamento da instituição por meio de publicação no Diário
Oficial da União (ORMOND et al., 2002).
As principais certificadoras atuantes no Brasil são: Associação de Agricultura Natural de
Campinas – ANC; Associação de Agricultores Biológicos – Abio; Associação dos Produtores
de Agricultura Natural – Apan; Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores Rurais
(Cepagri); Chão Vivo - Associação de Certificação de Produtos Orgânicos do Espírito Santo;
FSC – Brasil; Farmers Verified Organic – FVO (Estados Unidos); Fundação Mokiti Okada
(MOA); Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural – IBD; Instituto Holístico de Agricultura
Orgânica (Ihao), Instituto de Mercado Ecológico – IMO Control; Organización Internacional
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
31
Agropecuária (OIA); MINAS ORGANICA; Rede Ecovida de Agroecologia (Ecovida), Terra e
Saúde, BCS - Öko-Garantie GmbH; Ecocert – Brasil; Skal – SkalBrasil e AB (França).
Segue alguns exemplos da identificação de algumas certificadoras:
ANC
CHÃO VIVO
IMO
BSC
32
ABIO
FVO
OIA
APAN
IBD
MINAS ORGANICA
ECOCERT
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
b- Etapas do processo de certificação
O passo inicial para se obter a certificação de produtos, sejam eles de origem vegetal ou
animal, é sua solicitação à uma entidade certificadora. Após o recebimento do pedido, no qual
deverá constar o plano de manejo orgânico ou plano de conversão da área, a instituição envia
um técnico à propriedade com o objetivo de verificar as condições existentes e as medidas
necessárias para que a produção possa ser certificada. O técnico elabora um relatório sobre
a situação da propriedade e o encaminha ao Conselho de Certificação da própria entidade,
que decide sobre sua concessão. O custo desse processo varia de acordo com os critérios de
análise adotados em cada certificadora (ORMOND et al., 2002).
c-Tecnologia
Atualmente, há necessidade de aperfeiçoamento das tecnologias e desenvolvimento ou
adaptação de máquinas para tal. Além disso, existem desafios técnicos referentes às
embalagens. Como a produção orgânica é predominante em pequenas propriedades, são
necessários esforços para incorporar essas inovações.
d- Custos na produção
O fator que mais influencia na formação do custo é o valor pago pela certificação, que constitui
mais uma importante barreira à entrada de produtores na cadeia produtiva. Além disso, os
custos na transição da agricultura convencional para orgânica são elevados e o período para
tal é extenso.
e-Crédito
O financiamento para a produção sob manejo orgânico encontra dificuldade de se adaptar ao
modelo de crédito agrícola brasileiro, baseado no financiamento da compra de insumos e de
despesas de custeio típicas do pacote tecnológico dos anos 1970.
Assim, os primeiros instrumentos de crédito que apoiaram a agricultura orgânica não foram
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
33
específicos, mas utilizaram linhas de crédito destinadas à agricultura, admitindo pequenas
adaptações. Outra alternativa é a utilização de linhas de crédito destinadas à proteção
ambiental (ORMOND et al., 2002).
f-Gestão
No Brasil, há necessidade de pesquisas na gestão de orgânicos para solos tropicais, variedades
apropriadas e treinamento de produtores (FAO, 2001). Aspectos como planejamento da
produção, gestão da qualidade dos produtos, gestão de relacionamentos e coordenação da
cadeia necessitam ser difundidos entre produtores e empresas.
A escassez de técnicos e a falta de pesquisas também são fatores limitantes. A capacitação
de fornecedores é estratégia básica de atuação nos canais de distribuição (SOUZA, 2002).
g-Embalagens
Os produtos orgânicos, na sua grande maioria, são comercializados em embalagens,
geralmente bandejas de isopor, sacos e filmes plásticos, e não a granel como a maioria dos
convencionais. A embalagem tem por objetivo diminuir a exposição do produto à contaminação
pelo manuseio e/ou contato com outros produtos não orgânicos, além, é claro, de diferenciar
o produto (ORMOND et al., 2002).
h- Transporte, logística e armazenamento
A falta de sistemas adequados de transporte e armazenamento ocasiona elevada percentagem
de perdas (entre 5% e 20%), sobretudo de folhosas (DAROLT, 2003). Além disso, é preciso
melhorar a eficiência de colheita e manuseio pós-colheita, diminuir custos de transporte e mão
de obra, negociar a diminuição dos preços em supermercados e aumentar a eficiência nas
vendas.
A logística é fundamental no sucesso do agronegócio, pois a cada transformação que o produto
passa, agrega-se valor, dando-lhe condições de melhor consumo (ALVES, 1997).
34
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
i- Estrutura de mercado
O mercado de orgânicos é caracterizado por pequenos (10%) e médios produtores (90%) na
etapa produtiva. Os grandes produtores se encarregam da produção voltada à exportação
e os pequenos abastecem o mercado interno. Essa situação pode ser alterada segundo
características do produto comercializado ou o nível de organização dos pequenos produtores.
O Pequeno Produtor e o Cultivo Orgânico
Os pequenos produtores, por necessitarem de diversificação da produção, têm maior
facilidade de adaptação aos princípios da agricultura orgânica, que segundo Harkaly (1999),
são: diversificação, integração da propriedade, indução do equilíbrio ecológico, reciclagem
de nutrientes, insumos caseiros, conservação do solo e o controle de pragas e doenças na
maneira ecológica. A agricultura orgânica evidencia o uso de adubos orgânicos produzidos na
própria fazenda (Banco do Nordeste, 2002), sendo não agressiva ao meio ambiente (Ribeiro
e Soares, 2002), sendo na atualidade mais lucrativa para o produtor (Navarro Filho, 2001a e
b), e às vezes com níveis de produtividade até maior do que a agricultura comercial (Navarro
Filho, 2002), com o uso de produtos naturais (Hoffman, 1999, Hollanda, 1997, Dantas, 2001)
e controladores biológicos de pragas e doenças (Santiago, 1990, ICAC Recorder, 1994,
Gravena, 2000 e Silva, 2000), e uso de água de boa qualidade (Garcia, 2001).
Para Campanhola e Valarini (2001), a agricultura orgânica para o pequeno produtor, oferece
diversas vantagens, destacando-se: viabilidade em pequenas áreas, favorece a diversificação
produtiva no estabelecimento, gera mais empregos do que a convencional, tem menor
dependência dos insumos externos, elimina o uso de agrotóxicos, os produtos são mais
valorizados e a adoção é mais fácil. Como problemas desse tipo de exploração agrícola temse: produção em pequena escala, escassez de pesquisas, deficiência ou falta de assistência
técnica, dificuldades acesso ao crédito, elevados custos da certificação e a possibilidade de
alguns impactos negativos ao ambiente, devido ao uso inadequado de alguns insumos, em
especial o esterco.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
35
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE ORGÂNICOS
Fonte: PHOTOS.COM
Para produzir orgânico, é necessário informar-se sobre os
canais de comercialização. O produtor escolhe o melhor tipo
de venda para seu negócio. Basicamente, os canais de
comercialização são divididos em três tipos:
- Venda direta ao consumidor: no local de produção, feiras e exposições, domicílio, empresas ou repartições públicas, restaurantes e cantinas, loja própria na cidade.
-Varejo: pequenos comércios e supermercados.
-Atacado: grandes atacadistas, hipermercados e Ceasas.
As características desses canais diferem entre si. Em alguns casos não há presença de
intermediários, o próprio produtor distribui seus produtos.
Segundo Darolt (2003), a diversificação deve ser considerada na venda da produção, pois a
comercialização é um dos principais entraves no sucesso do agronegócio orgânico.
Ultimamente, tem se observado no Brasil queda na participação do varejo supermercadista
na venda de orgânicos e fortalecimento em feiras e associações. Entretanto, os super e
hipermercados são preferidos para compras de produtos alimentícios em geral, dada a
diversidade de produtos (ALCÂNTARA; SOUZA, 2005).
O processo de comercialização é complexo devido à falta de conhecimento administrativofinanceiro, treinamento gerencial, dificuldade de organização em associações ou cooperativas
e falta de planejamento adequado para oferecer produtos de acordo com a necessidade do
mercado.
O agricultor ainda é o mais prejudicado em termos de retorno econômico. Do valor total pago
pelo consumidor (100%), em média 30% são para o agricultor, 33% para cobrir intermediários
36
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
e 37% aos supermercados (DAROLT, 2003).
Como o mercado de orgânicos está em formação, a tendência de crescimento é favorável
desde que haja conscientização dos consumidores sobre a qualidade dos produtos, entrega
regular, maior escala e preço adequado.
Dentre as alternativas para tornar um modelo competitivo de comercialização, o mercado de
orgânicos deve incluir intermediários que possibilitem redução de custo logístico e agilização
de entregas, promovendo a junção de vários produtos numa mesma central, garantindo frescor
e menor perda dos produtos no processo de comercialização.
Além disso, a certificação é elemento fundamental na transação (REZENDE; FARINA, 2005),
trazendo mecanismos de padronização e classificação que permitem o pagamento de prêmios
Fonte: PHOTOS.COM
ou descontos.
DEMANDA E OFERTA DE ORGÂNICOS
Para a demanda, é importante acompanhar as mudanças
de comportamento e hábitos dos consumidores sem
esquecer dos fatores: custo, oferta de produtos inovação
tecnológica dentre outros.
Os maiores desafios das empresas comercializadoras quanto à demanda são: problemas com
a falta de determinados produtos ou excesso do mesmo produto e produtos fora do padrão. Para
os supermercados, o problema é a falta de quantidade, qualidade, diversidade e regularidade
de orgânicos. Para os consumidores, a falta de regularidade é o principal problema relativo à
demanda (DAROLT, 2003; INSTITUTO BIODINÂMICO, 2003).
É cada vez maior o número de pessoas que procuram uma alimentação mais sadia, alimentos
frescos, de boa qualidade e livre de agrotóxicos (DAROLT, 2003). O conhecimento do perfil
dos consumidores permite atuar sobre a produção, marketing e comercialização de orgânicos,
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
37
além de dar ideia da importância do segmento no mercado regional.
Em razão das mudanças de hábitos do consumidor, os hortigranjeiros tornaram-se forte
atrativo para o varejo. Sua participação no faturamento de hipermercados é de 6 a 9% e em
grandes supermercados, entre 8 e 13% (ALCÂNTARA e SOUZA, 2005; BALERINI, 2005).
Pesquisas indicam aumento de preços dos produtos orgânicos nas redes de varejo (FONSECA
et al., 2003). Entretanto, apesar do aumento, não há retorno desse para o produtor (RICHTER
et al., 2000; VOSSENAR e WYNEN, 2004). Os preços para pequenos produtores que vendem
em supermercados não é semelhante aos que vendem diretamente a consumidores, em
domicílio ou feiras.
Segundo Darolt (2003), existem basicamente dois tipos de consumidores orgânicos: os mais
antigos, que são motivados, bem informados e exigentes em termos de qualidade, geralmente
frequentadores de feiras de produtos orgânicos; e os mais recentes, geralmente consumidores
de grandes redes de supermercados.
Em termos de escolaridade e renda, o público de feiras e lojas especializadas são mais
intelectualizados e de classe econômica mais elevada. Ou seja, é um público disposto a pagar
pelos benefícios do orgânico (INSTITUTO BIODINÂMICO, 2003). A diferença entre preços
pagos por consumidores e os recebidos pelos produtores podem chegar a 760% em alguns
supermercados, sendo em média 250% (FONSECA e RIBEIRO, 2003; FONSECA e CAMPOS,
1999; DAROLT, 2002).
Entretanto, este produto é susceptível às variações de rendas dos consumidores e sujeito à
mudanças macroeconômicas. Portanto, o aumento da demanda esbarra nas restrições de
renda, além de estar aliado a hábitos alimentares.
Há restrições de oferta no mercado de orgânicos. Alguns produtos apresentam oscilações no
abastecimento devido suas características de ciclo e sensibilidade a fatores climáticos. Com
38
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
isso, os produtores estão criando mercados para atender nichos específicos de consumidores,
evitando assim competição no mercado convencional.
Com o aumento das vendas de orgânicos nos mercados desenvolvidos, há previsão de queda
na diferença de preço entre orgânicos e convencionais. Porém, essa diminuição irá depender
das taxas de crescimento de demanda e oferta de orgânicos.
CONCEITO DE “CONVERSÃO” E O PROCESSO DE CONVERSÃO PARA A
AGRICULTURA ORGÂNICA
Tal como o termo orgânico, o termo “conversão” também não possui unanimidade quanto
ao seu significado. Na realidade, os dois termos “conversão” e “transição” são utilizados, às
vezes, como sinônimos, às vezes indicando coisas diferentes: podem significar indistintamente
o processo de mudança de sistemas de produção convencional para orgânico, como o período
de “quarentena” exigido pela legislação após o final da utilização de insumos não permitidos
pelas normas até o produto poder ser vendido como orgânico. Esse período, segundo a IN 007
de 17 de maio de 1999, é de doze meses para produção vegetal anual e de pastagem perene,
e de dezoito meses para produção vegetal perene (BRASIL, 1999).
Para Vitoi (2000), conversão é o termo usualmente utilizado para denominar o processo de
mudança do sistema convencional para o sistema de produção orgânico e envolve vários
aspectos, sejam eles culturais, técnicos, educacionais, normativos, ou mesmo de mercado, de
forma que se considera que a conversão para agricultura orgânica é o processo de mudar, a
cada dia, a forma de pensar e trabalhar na agricultura.
As questões técnicas, segundo Khatounian (1999), envolvem aspectos biológicos que
constituem a parte mais agronômica da conversão e incluem o reequilíbrio das populações de
pragas e doenças e das condições do solo, enquanto as questões educativas dizem respeito
ao aprendizado, por parte dos agricultores, dos conceitos e técnicas de manejo que viabilizam
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
39
a agricultura orgânica.
Para Carmo e Magalhães (1999), a passagem da agricultura convencional para sistemas não
convencionais de produção implica o aprendizado e a experimentação com sistemas agrícolas
nada usuais, em que se privilegia a capacidade reprodutiva dos recursos biológicos além de
se procurar garantir lucros ao agricultor.
Assim, o período de conversão não deve ser entendido apenas como uma “quarentena” para
eliminação de resíduos de agrotóxicos, mas como um período necessário para a reorganização,
sedimentação e maturação dos novos conhecimentos, aliado a uma ativa ressituação dos
agricultores e do ambiente (KHATOUNIAN, 1999). É necessário estabelecer limites de tempo
para que sejam efetuados alguns ajustes na rotina e no aprendizado de técnicas utilizadas na
agricultura orgânica. É recomendável um planejamento adequado para cada realidade, dentro
de um tempo estabelecido, de tal forma que a conversão ocorra de fato e não passe, apenas,
como uma proposta sem resultados concretos.
O tempo necessário para conversão, no entanto, bem como as dificuldades a serem observadas
nesse processo, dependerá ainda do grau de adoção anterior por parte do agricultor, de práticas
convencionais, do período em que isso ocorreu e da intensidade de como tudo isso afetou
as bases de produção até o início do processo de conversão. O atendimento das questões
normativas, as quais permitem que o produto esteja habilitado a receber o selo orgânico de
qualidade, em rigor não encerra o processo de conversão para os agricultores que trabalham
com a lógica do “orgânico” como sinônimo de organismo, pois as normas se baseiam em
padrões que, embora apontem para a necessidade de alcançar a sustentabilidade, são
padrões mínimos e, apesar de necessários, não são suficientes.
A questão da sustentabilidade representa um ponto subjetivo que contrasta com a necessária
objetividade dos padrões orgânicos para atender às demandas de mercado. Isso determina
riscos de simplificação dos sistemas orgânicos de produção, a partir de uma visão restrita
das normas de produção, considerando-se somente o que é ou não permitido, conforme
40
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
mencionado por Khatounian (1999), quando afirma que a finalização da conversão significa
que a área cumpriu os prazos e as prescrições de produtos e manejo previstos pelas normas,
não significando que o sistema e seus produtos estejam perfeitos, mas apenas que estão
qualificados para o uso do selo orgânico.
Acrescenta-se, ainda, que da mesma forma como há sistemas convencionais com vários níveis
de eficiência e rendimento, assim também ocorre com os sistemas orgânicos certificados, com
a ressalva de que estes já deram um primeiro e grande salto, e preparam-se agora para a
longa caminhada em busca da sustentabilidade Assim, neste trabalho o termo “conversão”
tem como significado todo o processo de partir de sistemas de produção convencionais para
atingir sistemas agrícolas que funcionem como um agroecossistema harmônico e integrado,
com os diversos subsistemas funcionando de maneira complementar, sendo a qualificação do
sistema para a obtenção do certificado de “produto orgânico” apenas uma etapa do processo.
SITUAÇÕES INICIAIS NO PROCESSO DE CONVERSÃO PARA A
AGRICULTURA ORGÂNICA
Para definir o tempo necessário para a conversão, deve-se fazer uma análise dos pontos fortes
e fracos da propriedade, definir aptidões, considerar a experiência do agricultor, mão de obra
e mercado. Não há receitas, nem pacotes, nem hierarquia de ações a serem desenvolvidas.
Os procedimentos vão depender, em especial, do extrato socioeconômico do agricultor e do
padrão tecnológico inicial da unidade produtiva, que, de maneira geral, irão condicionar o tipo
de conversão a ser realizado e a estratégia de conversão para a agricultura orgânica utilizada.
Silva (1999) coloca que na produção agrícola, a variável tecnológica encontra-se estreitamente
associada com a disponibilidade de recursos físicos e financeiros, e com o processo de
produção e de trabalho, considerando-se, nesse caso, a divisão interna do trabalho entre os
membros da família ou a mão de obra contratada.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
41
A esse respeito, particularmente em relação à agricultura orgânica, Lampkin (1990) fala
sobre a importância da condição econômica do agricultor na conversão para esse sistema
de produção, relacionando-a junto com o acesso a informação técnica, como condicionante à
implementação desse processo. Relacionando então a condição socioeconômica com o padrão
técnico inicial, podemos estabelecer as seguintes situações para as diferentes categorias:
a) Unidades produtivas altamente “modernizadas”: constituídas geralmente por unidades
de gerência empresarial; empresas de gerência familiar e empresas familiares, que se
caracterizam por usar mais capital que trabalho em seu sistema produtivo. Estão fortemente
inseridas no mercado, com predomínio da força de trabalho assalariada, de monocultura, com
alto índice de mecanização e são altamente dependentes de insumos químicos externos.
Em geral, as duas primeiras categorias têm como principal motivação para a conversão o
sobrepreço dos produtos orgânicos ou a garantia de nicho de mercado.
Tendem a chegar apenas ao nível de substituição de insumos, mantendo a lógica da
agricultura convencional. Fracassos nos resultados esperados podem facilmente desestimular
a continuidade do processo. Já em relação à categoria dos empresários familiares, podese observar como motivação adicional o alto custo dos insumos externos e acidentes com
intoxicação do produtor ou familiares por agrotóxicos, determinando um índice de desistência
menor, especialmente quando a motivação da conversão se deve à intoxicação, conforme
Lampkin (1990).
b) Unidades produtivas parcialmente “modernizadas”: categoria formada basicamente por
produtores simples de mercadoria e semiassalariados, geralmente com uma única cultura
comercial para o mercado, na qual utilizam algum tipo de insumo moderno, onde nos últimos
anos está se popularizando o herbicida, devido à comodidade da tecnologia.
Também se encontram nesse grupo produtores integrados a alguma agroindústria ou a
um canal de comercialização, sendo que nessa cultura utilizam o pacote tecnológico da
integradora ou do sistema de produção comum na região, muitas vezes sem dominarem a
42
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
lógica do processo. Em geral, sua motivação para a conversão é a ameaça de exclusão do
sistema de mercado, alto custo dos insumos ou casos de intoxicação do produtor ou familiares.
Para essa categoria, muitas vezes a motivação para a conversão é consequência da ação de
algum agente externo (movimento social, Organização Não governamental – ONG –, igreja,
ação municipal etc.), de acordo com Lampkin (1990).
c) Agricultores tradicionais: em geral, são produtores simples de mercadorias e semiassalariados,
com frágil inserção no mercado ou então produtores de subsistência. Vivem em comunidades
isoladas ou possuem áreas com baixa aptidão agrícola e com sérias limitações à produção.
Em muitos casos enfrentam sérios problemas de degradação ambiental, o que acaba gerando
um verdadeiro ciclo vicioso: degradação, baixa produtividade, falta de recursos, pobreza, mais
degradação e assim sucessivamente. A produção, embora não certificada, atende às normas
de produção orgânica em relação ao não uso de insumos proibidos, porém não atende à
necessidade de evitar a degradação ambiental, conforme assevera Lampkin (1990).
Assim, o processo de conversão, para essa categoria, parte do princípio de introdução de
técnicas de recuperação ambiental e de melhoria da produtividade, visando a quebra do ciclo
vicioso da miséria. Apresenta como dificuldades a falta de recursos dos produtores, a falta de
acesso a canais de comercialização e ainda o baixo nível de motivação e organização dos
produtores. A conversão nesse caso só se dará pela ação de alguma organização externa,
com ação continuada, e que além das questões técnicas trabalhe as questões de motivação,
autoestima e organização dos agricultores, segundo Buckles (1995) e Bunch (1995).
d) Produtores neorurais: essa categoria é constituída por pessoas do meio urbano, com ou sem
antecedentes rurais, que adquirem propriedade rural, a ser explorada em tempo integral ou
parcial. Essa categoria foi majoritária durante o período inicial dos movimentos de agricultura
alternativa, e esses produtores praticamente foram os responsáveis pela implantação desse
sistema de produção (ASSIS et al., 1996).
Esse grupo, em geral, possui outra fonte de renda ou dispõe de um pequeno estoque de
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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capital para permitir a sobrevivência por algum tempo, mesmo em condições precárias. Além
disso, possui fortíssima motivação filosófica, capaz de suportar sérias dificuldades e fracassos
iniciais para atingir seus objetivos. Como esse grupo não possuía limitações financeiras, no
período inicial da agricultura orgânica, essa categoria partiu para a conversão radical das
unidades produtivas ao sistema orgânico, mesmo à custa de sucessivos fracassos. Esse
histórico marcou profundamente as propostas de conversão de algumas das entidades ligadas
aos movimentos de agricultura alternativa. A forte motivação ideológica desses agricultores
facilita o processo de conversão, embora, às vezes, o desconhecimento do processo agrícola
possa ser responsável por insucessos.
e) Assentamentos de Reforma Agrária: os assentamentos de reforma agrária tendem para
sistemas orgânicos, se não totalmente, pelo menos para sistemas com base agroecológica,
pela absoluta falta de recursos para a aquisição de insumos modernos. Além disso, observase atualmente em muitos assentamentos uma forte decisão política de trabalhar com princípios
agroecológicos, embora haja forte questionamento do sistema oficial de certificação.
Embora a falta de recursos para investimentos possa ser maior do que para os agricultores
tradicionais, os assentamentos em geral possuem um maior nível de organização e motivação
que as comunidades tradicionais. Muitas vezes, há divisões e disputas internas, que podem
prejudicar a ação conjunta, mas mesmo assim as possibilidades de ação costumam ser
maiores que em comunidades tradicionais não organizadas, segundo Lampkin (1990).
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Agora vamos a um exemplo prático e sustentável de Produção Orgânica de Alface e
Atributos de Solo pela Aplicação de Composto de Dejetos de Suínos
Os dos dejetos ou compostos orgânicos são muito utilizados como adubos na agroecologia ou
produção de bases ecológicas. Os dejetos animais têm sido utilizados como fonte de nutrientes
às plantas, com boas respostas em termo de produção vegetal (CHOUDHARY et al., 1996).
No entanto, o dejeto de suínos tem apresentado algumas limitações no seu uso como fonte de
nutrientes, entre elas o custo elevado para transporte a longa distância e a aplicação de altas
doses no solo o que pode trazer prejuízos ao ambiente.
O uso de dejetos de suínos como fonte de nutrientes ainda necessita de mais estudos,
buscando-se ao mesmo tempo um retorno financeiro pelo uso destes materiais e a não
degradação ambiental. Para a utilização destes dejetos na produção de hortaliças orgânicas,
eles devem necessariamente passar por um processo de compostagem e bioestablilização
(BRASIL, 2008). A compostagem é uma forma segura e eficaz da utilização de resíduos,
pois além de eliminar micro-organismos patogênicos da matéria orgânica, possibilita obter
um produto parcialmente mineralizado e de maior eficácia na nutrição de plantas em sistemas
orgânicos de produção de hortaliças (SOUZA, 2003). Na agroecologia, os adubos orgânicos
são utilizados em altas quantidades como fonte de nutrientes às plantas, o que, em muitos
casos, leva ao acúmulo de nutrientes, incluindo os metais pesados, como cobre e zinco
disponíveis, especialmente no caso de dejetos de suínos (GIROTTO, 2007).
Metodologia
O experimento foi conduzido na área da Estação Experimental da Epagri, no município de
Campos Novos, SC, em solo Nitossolo Vermelho. O experimento foi conduzido utilizando-se
composto produzido com dejetos líquidos de suínos cujo substrato foi a cama de aves. O
composto foi produzido no Centro de Treinamento da Epagri de Concórdia e o processo de
produção foi com a utilização de uma plataforma de compostagem preparada para fazer os
revolvimentos da leira e receber adições de biofertilizante de suínos, proveniente de biodigestor,
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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de maneira controlada. O tempo de elaboração do composto foi de aproximadamente 6 meses.
O composto utilizado apresentou a seguinte composição média: pH 8,6, MS 72,5%, N 23,5 g/
kg, P 14,3 g/kg, K 36,6 g/kg, Ca 28,5 g/kg, Mg 8,8 g/kg.
Por ocasião da instalação do experimento, o solo apresentou os seguintes resultados: argila
62,0%; pH-água 6,7; pH SMP 6,5, P 8,2 mg/m3; K 339,3 mg/m3, MO 5,7%; Al 0,0 cmolc/
dm3; Ca 14,5 cmolc/dm3; Mg 10,6 cmolc/dm3. Os tratamentos consistiram na aplicação das
doses zero, 10, 20 e 40 t/ha. A definição das doses do composto teve como base aquelas
frequentemente utilizadas pelos agricultores. As doses do composto foram corrigidas em
função do teor de umidade no composto utilizado e foram aplicadas por ocasião do transplante
das mudas.
O delineamento experimental consistiu em blocos ao acaso com quatro repetições. As parcelas
mediram 10,8 m² e a área útil 5,02 m². A alface foi cultivada no sistema orgânico, sendo
utilizada ao cultivar Rafaela (tipo americana) com plantio em 05/05/08 e colheita em 20/08/08.
A alface foi plantada em espaçamento de 0,3 x 0,3m. Foram avaliadas a produção de massa
verde e massa seca da alface. Para a determinação da massa seca, as plantas de alface
colhidas dentro da área útil foram pesadas e levadas para estufa a 60ºC, até peso constante.
A coleta do solo foi efetuada na camada de 0-20 cm, com trado holandês, e foram avaliados
os teores de pH, MO, P e K extraíveis, determinados segundo Tedesco et al., (1995). Os dados
foram submetidos à análise de variância e, quando significativos, procedeu se a análise de
regressão entre as doses aplicadas e as variáveis estudadas.
Resultados
Dentro das doses testadas do composto a base de dejetos de suínos, a alface cultivada em
base agroecológica respondeu de forma linear em termos de massa verde e quadrática para a
massa seca, sendo a resposta crescente em relação às doses aplicadas.
Os teores de matéria orgânica, fósforo e potássio no solo aumentaram linearmente com as
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
doses de composto aplicadas, mas não houve efeito significativo das mesmas sobre o pH do
solo.
Com base nestas informações os gestores de agronegócio podem indicar algo concreto, sustentável
e ecologicamente correto. Expresse sua opinião quanto a este modelo apresentado e cite em qual
produto pode ser utilizado em sua cidade.
Bons negócios para Exportadores de Orgânicos Brasileiros
Em duas feiras internacionais no segundo semestre, empresas associadas ao Projeto Organics Brasil
conseguiram realizar mais de US$ 5 milhões 380 mil em negócios de exportação para os próximos
12 meses.
A Biofach Japão recebeu compradores de orgânicos da Coreia, China, Hong Kong e Japão com
realização de U$ 1milhão 750 mil em negócios das três empresas participantes - Surya (cosméticos),
Jalles Machado (Açúcar) e Canaspirit (cachaça). “O mercado asiático é menor comparado com a
Europa e Estados Unidos, porém é interessante para produtos como a cachaça e os cosméticos, que
começam a ter boa aceitação nesses mercados”, explica Ming Liu, coordenador do Organics Brasil.
A Biofach América, que aconteceu em Boston, apresentou interesse muito conservador. O Brasil participou com seis empresas do Projeto Organics Brasil, que já mantêm seus negócios com os tradicionais distribuidores americanos.
O que podemos dizer é que o mercado norte-americano sentiu o baque da economia, que teve crescimento de 5,3% ante o crescimento de dois dígitos nos anos anteriores, mas, de qualquer forma, as
empresas estão mais cautelosas. No varejo, observou-se a consolidação das marcas de private label
como forma econômica dos consumidores aumentarem o consumo de produtos orgânicos. Whole
Foods, Trader’s Joe e Safeway são as maiores marcas de private label anualmente.
Observa Ming Liu, coordenador executivo do Projeto Organics Brasil.
As empresas brasileiras que participaram da Biofach USA são - Native (açúcar e sucos), MN Própolis
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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(mel), Beraca (ingredientes amazônicos para cosméticos), Triunfo (chá mate), Natural Fashion (roupas
de algodão) e Art da Terra (bijouterias de capim dourado) que resultaram em negócios fechados na ordem de US$ 4,5 milhões em exportação. O grande destaque foi a colocação dos produtos da Native e
Surya Brasil em rede nacional na principal cadeia do mercado de naturais e orgânicos, o Whole Foods.
No primeiro semestre de 2010, a Organics Brasil fechou US$ 12 milhões em negócios com participação nas feiras - Biofach Nuremberg, ExpoWest (Estados Unidos ) e SIAL (Canadá).
Sobre o Projeto Organics Brasil - O Organics Brasil surgiu para promover os produtos orgânicos
brasileiros no mercado internacional, reunindo empresas e produtores em torno de uma marca única,
atendendo aos mais exigentes padrões de adequação socioambiental. O Projeto Organics Brasil é
resultado de uma ação conjunta da iniciativa privada com o IPD (Instituto de Promoção do Desenvolvimento) e da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), compondo uma sólida base institucional criada para fortalecer o setor brasileiro de orgânicos e viabilizar sua
expansão no mercado internacional.
Números do Projeto Organics Brasil - desde da criação, em 2005, o Projeto Organics Brasil trabalha a
imagem dos produtos orgânicos brasileiros, nos mercados internacionais e promove seus associados
em missões comerciais, rodadas de negócios e feiras internacionais, com amplo material impresso
e virtual. Os resultados são efetivos tanto em negócios estabelecidos como na prospecção com as
maiores redes varejistas do mundo. Os números são expressivos:
FONTE: Agrolink
Data de Publicação: 25/10/2010
Disponível em: <http://www.abhorticultura.com.br/News/Default.asp?id=7721>. Acesso em: 08 nov.
2010.
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Aqui seguem algumas terminologias importantes a você como profissional.
AO - Agricultura Orgânica.
CPOrg - Comissão Nacional para a Produção Orgânica.
COAGRE - Coordenação de Agroecologia do MAPA.
CPOrg–UF - Comissões da Produção Orgânica nas Unidades da Federação.
CTAO - Câmara Técnica de Agricultura Orgânica.
IN - Instrução Normativa.
MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
OAC - Organismo de Avaliação da Conformidade.
OC - Organismos de Certificação.
OCS - Organização de Controle Social.
OPAC - Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade.
PMO - Plano de Manejo Orgânico.
SISORG - Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica.
SPG - Sistemas Participativos de Garantia.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O produto orgânico é um produto natural, livre de agrotóxicos. No Brasil, as culturas orgânicas
são produzidas e comercializadas tanto no mercado interno, quanto externo. As exigências de
mercado variam conforme o tipo de mercado consumidor.
O comércio mundial de orgânicos é caracterizado pela exportação de produtos certificados e
produtos de maior valor agregado. Existem diferentes tipos de produtos orgânicos certificados
exportados. Os excedentes da produção para exportação são comercializados nos mercados
internos.
A competitividade é um fator inerente à produção e comercialização de orgânicos mundialmente,
pois tem como objetivo a geração de produtos diferenciados com alto valor agregado. Dentre
os diferentes aspectos que interferem na competitividade da produção orgânica no país, estão:
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o ambiente institucional, a tecnologia empregada, os custos de produção, a gestão empregada,
o transporte, logística e armazenamento, e por fim, a estrutura de mercado existente.
Além disso, o agronegócio apresenta oportunidades de crescimento pelos incentivos
oferecidos, lucratividade e demanda de produtos. Para tornar-se um empreendimento vantajoso
e lucrativo, há a necessidade de estruturação da cadeia produtiva. Essa estruturação requer
conhecimentos, estratégias diferenciadas e afinidade entre os integrantes para torná-la
competitiva.
De forma geral, os consumidores de produtos orgânicos apresentam preocupação com a
qualidade do produto, aliada à situação financeira para aquisição dos mesmos. A partir deste
perfil, pode-se adotar estratégias para melhor comercialização desses produtos. O sucesso
da cadeia produtiva irá depender principalmente das características propostas pelos seus
formadores. Assim, o comprometimento, profissionalismo, capacidade de análise, melhoria
dos processos produtivos, de distribuição e comercialização e mudanças dos consumidores
são pontos fundamentais.
Por fim, há a necessidade de um sistema de distribuição eficiente e estruturado, que permita
identificar os canais e meios necessários para garantir sua eficiência.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Quais os objetivos principais da competitividade em culturas orgânicas?
2. Destaque os fatores que afetam a competitividade na cadeia produtiva de orgânicos.
3. Visite sites relacionados ao assunto, escolha o tema abordando canais de distribuição e
explique em quais canais ainda podemos inserir o produto orgânico.
DICA: transfira estes pensamentos para sua cidade, pois pode lhe auxiliar.
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Acesse os links:
<http://www.jcam.com.br/noticiasLivre.asp?IdNot=1532>.
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2000_E0041.PDF>.
<http://www.rimisp.org/ifsa/php/simposio/documentos/251.pdf>.
<http://www.jornaldacidade.net/noticia.php?id=82666&PHPSESSID=bd8d6f5ae3bb6c6b184077fc>.
<http://www.agenciadanoticia.com.br/materia.asp?iArt=616&iType=5>.
<http://www.organogood.com.br/calha/11_informes_00.asp>.
<http://www.todafruta.com.br/todafruta/mostra_conteudo.asp?conteudo=6438>.
<http://www.agrosoft.com.br/>.
Acesso em: 10 nov. 2010.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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UNIDADE II
CADEIA E MERCADO DE PRODUTOS ORGÂNICOS,
SUAS NORMAS E REGULAMENTAÇÕES
Professor. Esp. Diogo Bochnia Zuliani
Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Objetivos de Aprendizagem
• Definir a posição de produtos orgânicos no mercado interno e externo.
• Analisar a inserção do Brasil no mercado mundial de produtos orgânicos.
• Conhecer as normas legais que regem a produção orgânica no país.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• As características dos mercados associados a produtos orgânicos
• Realização de um diagnóstico da posição brasileira de culturas orgânicas no
mercado mundial
• As normas que regulamentam a produção orgânica nacional
INTRODUÇÃO
Olá, caro aluno! Seja bem-vindo à nossa unidade II.
Nesta unidade, você estudará toda a cadeia de produção de orgânicos, quais são os mercados
em expansão e quais os produtos comercializados tanto no comércio internacional e nacional
de produtos orgânicos e os principais desafios a serem superados para a inserção em outros
canais de distribuição do produto, incluindo as regulamentações necessárias.
CADEIA PRODUTIVA DE ORGÂNICOS
É de grande importância conhecer os elos que compõem a cadeia produtiva de orgânicos e
verificar como são estabelecidos os relacionamentos entre os agentes envolvidos.
A seguir, serão mostradas as principais funções dos agentes que compõem a cadeia produtiva
de produtos orgânicos, identificando seus agentes e mostrando as formas de relacionamentos
entre eles.
• Produção de Insumos – Caracteriza-se pela produção de mudas, sementes, adubos, fertilizantes, controladores de pragas e doenças, defensivos, embalagens e outros itens necessários ao manejo orgânico. A maior parte destes agentes é formada por produtores ou
pequenas empresas dedicadas exclusivamente a esse nicho de mercado. Recentemente,
com o crescimento do setor, houve o interesse de grandes empresas produtoras de agroquímicos e sementes, que começaram a lançar produtos apropriados à utilização em áreas
sob manejo orgânico (ORMOND et al., 2002).
• Produção Agropecuária – Proprietários rurais e empresas agropecuárias compõem esse
segmento. As empresas, em geral, dedicam-se à produção de commodities, atuando também no processamento secundário. Os pequenos proprietários em sua maioria dedicam-se
ao cultivo dos produtos e são ligados a associações de produtores, cooperativas ou empresas de processamento, responsáveis pela comercialização (ORMOND et al., 2002).
• Processamento Primário – Trata-se de empresas, cooperativas ou associações de pro-
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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dutores que atuam na coleta de produção regional e fazem seleção, higienização, padronização e envase de produtos a serem consumidos in natura e são responsáveis pelo transporte e comercialização da produção. Muitas empresas fornecem insumos e assistência
técnica e possuem marca própria, e algumas administram stands em lojas de supermercados. Podem atuar tanto no mercado interno quanto em exportação (ORMOND et al., 2002).
• Processamento Secundário – Este segmento é composto por tradicionais indústrias de
alimentos a pequenas indústrias, algumas quase artesanais. Podem ser dedicadas integralmente a esta atividade, ter linhas de produção específicas ou utilizar linhas de produção
convencionais para processar orgânicos. Para entrar neste segmento, os produtos e aditivos utilizados têm necessariamente que ser orgânicos e as linhas de produção têm que
passar por criteriosa limpeza, de forma a eliminar os vestígios de produtos não orgânicos,
para evitar a contaminação (ORMOND et al., 2002).
• Distribuição – O agente é responsável pela comercialização dos produtos que foram submetidos a processamento primário e/ou secundário, envolvendo lojas de produtos naturais,
lojas especializadas em hortifruti e supermercados. Ele detém boa parte do conhecimento
das preferências do consumidor e da quantidade demandada pelo mercado (ORMOND et
al., 2002).
• Consumo – Aqui também estão incluídos os consumidores institucionais (restaurantes,
lanchonetes, empresas etc.), que, embora não determinem a preferência do consumidor
final, exercem importante influência (ORMOND et al., 2002).
• Certificação – As instituições certificadoras têm importante papel nessa cadeia produtiva,
uma vez que a sua credibilidade é determinante da confiança que distribuidores e consumidores têm ao produto oferecido (ORMOND et al., 2002).
Dimensões da sustentabilidade
Costabeber e Caporal (2003, apud BARBOSA, 2007) apresentam elementos que podem ser
considerados como multidimensões da sustentabilidade baseada na agroecologia:
• Dimensão ecológica: manutenção e recuperação da base de recursos naturais. Constitui o
aspecto central para se atingirem patamares crescentes de sustentabilidade em qualquer
agroecossistema. Há necessidade de abordagem holística e de enfoque sistêmico, dando
tratamento integral a todos os elementos do agroecossistema que venham a ser impactados pela ação humana. Enfim, uma noção de preservação e conservação da base dos
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
recursos naturais como condição essencial para a continuidade dos processos de reprodução socioeconômica e cultural da sociedade em geral e da produção agropecuária em
particular, numa perspectiva que considere tanto as atuais como as futuras gerações.
• Dimensão social: representa, precisamente, um dos pilares básicos da sustentabilidade. A
busca por melhores níveis de qualidade de vida mediante a produção e o consumo de alimentos com qualidade biológica superior, eliminando o uso de insumos tóxicos no processo produtivo agrícola por meio de novas combinações tecnológicas, sociais e éticas, dessa
forma, originando novas formas de relacionamento da sociedade com o meio ambiente,
estabelecendo conexão entre a dimensão social e a ecológica, sem prejuízo da dimensão
econômica.
• Dimensão econômica: a sustentabilidade de um agroecosssistema também supõe a necessidade de se obterem balanços agroenergéticos positivos, compatibilizando a relação
entre produção agropecuária e consumo de energias não renováveis.
De acordo com a Economia Ecológica, a sustentabilidade pode ser expressada pela
preservação da base de recursos naturais que são fundamentais para as gerações futuras.
Assim, coloca em evidência a estreita relação entre a dimensão econômica e a dimensão
ecológica.
• Dimensão cultural: deve-se considerar a necessidade de que as intervenções respeitem a
cultura local. Os saberes, os conhecimentos e os valores locais das populações rurais precisam ser analisados, compreendidos e utilizados como ponto de partida dos processos de
desenvolvimento rural que, por sua vez, devem espelhar a “identidade cultural” das pessoas que vivem e trabalham em dado agroecossistema. Nesse sentido, a agricultura precisa
ser entendida como atividade econômica e sociocultural, como prática social realizada por
sujeitos que se caracterizam pela forma particular de relacionamento com o meio ambiente.
• Dimensão política: o desenvolvimento rural sustentável deve ser concebido a partir das
concepções culturais e políticas próprias dos grupos sociais. Deve considerar o diálogo e a
integração com a sociedade maior, por intermédio de representação em espaços comunitários ou em conselhos políticos e profissionais, numa lógica que considere aquelas dimensões de primeiro nível como integradoras das formas de exploração e manejo sustentável
dos agroecossistemas.
Assim, deve-se privilegiar o estabelecimento de plataformas de negociação nas quais os
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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atores locais possam expressar seus interesses e necessidades em igualdade com outros
atores envolvidos, assegurando o resgate da autoestima e o pleno exercício da cidadania.
• Dimensão ética: relaciona-se diretamente com a solidariedade intra e intergeracional e com
novas responsabilidades dos indivíduos em relação à preservação do meio ambiente. Dessa forma, exige pensar e tornar viável a adoção de novos valores, não necessariamente
homogêneos. A dimensão ética da sustentabilidade requer o fortalecimento de princípios e
valores que expressem a solidariedade sincrônica (entre as gerações atuais) e a solidariedade diacrônica (entre as atuais e futuras gerações).
Costabeber e Caporal (2003) concluem que essas dimensões básicas da sustentabilidade
são elementos importantes para a identificação dos passos que venham a auxiliar o processo
de construção de estilos de agricultura sustentável sob o enfoque agroecológico. Esse
enfoque se torna mais abrangente pelo fato de a agroecologia nutrir-se de outros campos
de conhecimento, assim como de saberes e experiências dos próprios agricultores, o que
proporciona o estabelecimento de marcos conceituais, metodológicos e estratégicos com maior
capacidade para orientar não apenas o desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis,
mas também processos de desenvolvimento rural sustentável (COSTABEBER; CAPORAL,
2003, p. 08, apud BARBOSA, 2007) .
Alguns princípios da agroecologia, segundo Costabeber e Caporal (2003, apud
BARBOSA, 2007)
• Procura reunir e organizar contribuições de diversas ciências naturais e sociais, sem descartar os conhecimentos anteriormente gerados, procurando incorporar a eles lógica integradora e mais abrangente do que a das disciplinas isoladas.
• Reconhece e valoriza o conhecimento popular e tradicional como fonte de informação para
modelos que possam ter validade nas condições atuais.
• Reconhece a importância da agricultura familiar, tradicional, indígena, quilombola ou da reforma agrária como espaço destacado para o desenvolvimento da racionalidade ecológica.
• Reconhece na agrobiodiversidade - processo de relações e interações entre plantas
cultivadas, animais criados e seus manejos e os conhecimentos tradicionais a eles
associados - papel importante no enfoque agroecológico.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
• Reconhece que as unidades de estudo são os agroecossistemas, sendo resultado da
coevolução da natureza e dos grupos sociais que nela intervêm, com suas distintas formas
de conhecimento, organização, tecnologias e valores.
• Serve à sociedade como um todo, às gerações futuras e atuais, aos atores do mundo rural
e urbano. Produzir, comercializar e consumir alimentos são atividades com conteúdo ético
e político que dizem respeito a todos, não só aos agricultores.
• Está baseada no local como espaço social; é no local que se conformam as comunidades
e se constroem identidades territoriais e de projetos.
Fontes de conhecimento que amparam os processos de transição agroecológica
• Pesquisa científica, realizada isoladamente e de forma participativa.
• Conhecimentos relacionados à agroecologia, formulados por diversos autores, incluindo os
fundadores das correntes clássicas e contemporâneas na área agrícola.
• Conhecimentos tradicionais de agricultores familiares, povos indígenas, comunidades tradicionais, ribeirinhos, quilombolas e da reforma agrária.
• Aprendizado acumulado na prática recente de construção de uma grande variedade de sistemas sustentáveis em diversas condições locais do mundo Costabeber e Caporal (2003,
apud BARBOSA, 2007).
Para um bom entendimento sobre agricultura orgânica, sustentabilidade e agroecologia é importante
compreender suas dimensões, pois ambas seguem o mesmo raciocínio lógico. Explique, como gestor
de agronegócio, sobre as seguintes dimensões da sustentabilidade: Ecológica, social-econômica e
cultural.
Passos da transição agroecológica internos ao sistema de produção produtivo
• Redução e racionalização do uso de insumos químicos e de práticas nocivas ao ambiente
e ao homem.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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• Substituição de insumos químicos pelos biológicos.
• Manejo da biodiversidade e redesenho dos sistemas produtivos, quando os agroecossistemas ganham complexidade.
• Planejamento da produção de acordo com o canal de comercialização a ser acessado,
priorizando os circuitos curtos de comercialização.
Externos ao sistema de produção produtivo
• Expansão da consciência pública.
• Construção social - Organização dos mercados (novos canais de comercialização e novas
relações comerciais), buscando a organização dos atores em grupos, redes, a parceria
entre núcleos.
• Mudanças institucionais na pesquisa, ensino e extensão.
• Formulação de políticas públicas que favoreçam a elaboração de marco legal que considere as dimensões da sustentabilidade Costabeber e Caporal (2003, apud BARBOSA, 2007).
MERCADO MUNDIAL DE PRODUTOS ORGÂNICOS
Fonte: PHOTOS.COM
A boa aceitação dos produtos orgânicos deve-se, de um modo geral,
à preocupação com a degradação ambiental; à conscientização e
ao aumento da exigência dos consumidores por produtos “limpos”
ou SAT (sem agrotóxicos) e ao aumento nos custos da agricultura
convencional (DAROLT, 2002).
Atualmente, a Austrália é o principal produtor de produtos orgânicos, cultivando uma área de
10 milhões de hectares. Com aproximadamente 841 mil hectares cultivados com produtos
orgânicos, o Brasil ocupa a 5ª colocação na produção desses produtos. No Quadro 1, é
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
possível verificar a área cultivada nos principais países produtores de produtos orgânicos.
Quadro 1. Ranking mundial quanto às áreas de terra cultivada com produtos orgânicos
PAÍS
ÁREA CULTIVADA COM
ORGÂNICOS (ha)
Austrália
10.000.000
Argentina
2.960.000
Itália
1.168.212
Estados Unidos
950.000
Brasil
841.769
Uruguai
760.000
Reino Unido
724.523
Alemanha
696.978
Espanha
665.055
França
509.000
Fonte: Adaptado de Willer e Yussefi (2004).
A Alemanha é um grande país importador de produtos orgânicos, pois importa 80% para
cnsumo interno, ou seja, produz apenas 20%. A Holanda também se destaca como importador
e como porta de entrada de orgânicos na Europa. A Espanha é um fornecedor intrarregional
importante, exportando 75% de sua produção, seguido da Itália e Dinamarca, Áustria e
Portugal. O Canadá exporta 80% de sua produção, a maior parte para os Estados Unidos.
Os Estados Unidos possuem um dos maiores mercados de produtos orgânicos e as maiores
taxas de crescimento (20% anuais), representando 2% do mercado de alimentos (HAUMANN,
2003). Em 2000, esse mercado era de US$ 6,6 bilhões (SAHOTA, 2005). Este crescimento
acelerado atraiu investimentos de grandes corporações de alimentos como Kraft Foods, PepsiCola, Dean Foods e Danone.
O Japão complementa o abastecimento de seu mercado com produtos de outros mercados
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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(ORMOND et al., 2003). Nos últimos anos, as vendas no varejo foram menores devido à
introdução da norma japonesa JAS (em 2000 e 2001), rotulando orgânicos como “verde”.
Apesar disso, é o maior mercado da Ásia e seus consumidores têm pleno conhecimento dos
produtos e seus métodos de produção. É o maior importador na região, com prêmios nos
preços entre 20% e 50% a mais que os produtos convencionais.
No Oriente Médio, destacam-se Turquia e Israel. No Leste da Ásia, China, Índia, República da
Coreia e Sri Lanka. A China, com a maior área orgânica na Ásia, tem mostrado crescimento
na venda de orgânicos, devido ao aumento da área de produção. A maioria dos orgânicos
certificados é para exportação.
A Oceania compreende quase metade da área orgânica certificada. Em 2003, as vendas de
produtos orgânicos foram aproximadamente US$ 240 milhões, concentradas principalmente
na Austrália. A indústria também é voltada para exportação.
Na África, os mercados para orgânicos certificados estão crescendo. A venda ocorre em
lojas especializadas e supermercados. Há produção de diversos produtos e o crescimento da
exportação de citros, vinhos, azeite de oliva e plantas medicinais (WILLER; YUSSEFI, 2004).
Os produtos de maior demanda nos países desenvolvidos são: café, cacau, chá, frutas e
vegetais tropicais in natura e processados, especiarias e ervas, produtos fora da estação,
vinhos orgânicos de alta qualidade e certos produtos alimentares de apelo “ético”.
As vendas de produtos orgânicos em alguns países de baixa renda, principalmente na América
Latina e Caribe, representam hoje 60% de unidades orgânicas certificadas no mundo e 29%
de área orgânica certificada.
Acredita-se que o mercado de orgânicos tende a crescer nos próximos anos, destacando-se o
Reino Unido e Finlândia (SYLVANDER et al., 2003). Vários fatores estimulam esse crescimento.
Dentre eles: receio dos consumidores quanto à segurança alimentar, preocupações ambientais
e quanto ao sabor dos alimentos, razões religiosas, maior aproximação agricultor/consumidor,
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
políticas públicas de estímulo de orgânicos, maior participação de grandes indústrias e
varejistas e financiamento de entidades privadas para produtores orgânicos (FONSECA;
NOBRE, 2002; TATE, 1996).
Em países pobres, há diversos fatores que interferem sobre o crescimento do mercado de
orgânicos: maior demanda que oferta, baixa oferta em grandes redes, pouca diversidade
disponível, prêmio alto, pouca campanha de esclarecimento, existência de diferentes selos
de certificação, restrição da expansão dos sistemas de produção, oferta excedente de certo
produto, menor prêmio no preço e menor lucro, competição com outras formas de agricultura
(PARROT; MARSDEN, 2002).
MERCADO DE PRODUTOS ORGÂNICOS NO BRASIL
As informações sobre produção de orgânicos no Brasil são ainda imprecisas, encontrando-se
dispersas em Organizações Certificadoras (OCs), associações de agricultores e ONGs.
A agricultura orgânica brasileira é classificada como atividade de pequenos produtores e o
crescimento é limitado por problemas de oferta, organização de mercado, políticas de estímulo
à conversão e produção insuficientes (DAROLT, 2002).
Estudamos que a agricultura orgânica, a princípio, está sendo implementada por pequenos produtores,
os quais são apenas uma fatia do mercado. Seria interessante formar mais cooperativas neste
segmento? Explique.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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Na Região Sudeste do país há predomínio de: horticultura, ervas e temperos, café, cana-de-açúcar, frutas, pecuária, cosméticos, derivados de soja e bebidas. Na Região Sul, horticultura,
grãos, ervas e temperos, café, frutas, pães, doces e compotas, erva-mate, pecuária, óleos
essenciais. Na Região Nordeste, frutas, grãos, café, cacau, guaraná e pecuária, pouca horticultura. Na região Centro-oeste, pecuária, grãos e horticultura. E na Região Norte, borracha,
guaraná, ervas e temperos, grãos, frutas, óleo de palma e de babaçu.
A quantidade de processadores ainda é relativamente pequena. O país, nesse segmento,
parece manter sua tendência à produção primária, posto que a relação entre produtores e
processadores é de 1,8 para cada 100, enquanto na França é de 7%, na Suécia 13%, no Reino
Unido 21% e na Holanda 36%. Os produtos processados de maior destaque são: café, açúcar,
suco de laranja, castanha-de-caju e óleos vegetais (ORMOND et al., 2002).
Acesso ao mercado interno
O fluxograma a seguir demonstra as possibilidades de acesso dos produtos da agricultura
orgânica ao mercado interno.
Fonte: Fonseca e Carrano (2006)
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Vamos até um processo de venda. Escolhi este modelo o que acha?
Venda direta com certificação facultativa
A venda direta está prevista na Lei n°10.831/03 (art. 3º § 1º), bem como no Decreto nº 6.323/07
(cap. II art. 28º) e no texto da instrução normativa relativa aos mecanismos de garantia e
informação da qualidade orgânica (art.5º). Segundo o glossário do Decreto, entende-se que o
agricultor familiar, na venda direta, deve vender apenas para a pessoa física ou jurídica que vai
consumir o produto, ou seja, o consumidor final. Se, por exemplo, o agricultor familiar vende
laranjas em uma feira para uma pessoa física que vai se alimentar daquele produto, trata-se
de venda direta porque quem comprou o produto vai consumi-lo.
Por outro lado, se o agricultor familiar vende laranjas para o governo, que doará o produto
a hospitais e creches ou vai utilizá-lo na merenda escolar, sem vendê-lo, essa modalidade
também pode ser classificada como venda direta.
Analisando o artigo mencionado, Fonseca e Carrano (2006) identificaram outra figura jurídica,
o preposto que pode, direta ou indiretamente, auxiliar o agricultor familiar na comercialização.
Essa figura idealizada pela lei da agricultura orgânica não pode ser comparada ao preposto,
em sentido mais amplo, adotado pelo direito civil, nem àquele idealizado pelo Código de
Defesa do Consumidor que, em seu artigo 34, dispõe que “o fornecedor do produto ou serviço
é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos”.
Na visão da Lei da Agricultura Orgânica, esse preposto não pode ser um empregado, mas,
tão somente, um membro da família do próprio agricultor familiar, outro agricultor familiar ou
membro da comunidade envolvido na estrutura organizacional. Quanto à responsabilidade civil
sobre a qualidade do produto, esta recairá sobre o agricultor e nunca sobre o preposto, salvo
as previsões legais, que não cabe aqui comentar.
Como hipótese, cita-se o caso de um grupo de agricultores familiares pertencentes a uma
associação informal em que um deles possui meio de transporte e, por isso, fica incumbido de
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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transportar as mercadorias produzidas pelos outros agricultores para a feira local, bem como
de vendê-las. É o caso típico idealizado pela lei em análise, ou seja, os agricultores familiares
organizados se ajudam mutuamente e, mesmo que o agricultor não possa acompanhar seu
produto, alguém do grupo poderá fazê-lo, sem obter remuneração.
Desta forma, a venda direta pode ser feita pelo próprio agricultor familiar, por familiar ou por
membro da estrutura organizacional (preposto) em que está inserido, pois a garantia perante o
consumidor continuará sendo o controle social. Os possíveis canais de comercialização para
utilização na venda direta são apresentados no quadro a seguir.
É importante destacar que a garantia da conformidade perante os regulamentos técnicos da
agricultura orgânica se dá pela atuação do agricultor familiar frente ao consumidor, não sendo
necessária uma terceira parte para garantir a qualidade orgânica, como ocorre na certificação.
A Declaração do Fornecedor com controle social e o registro no MAPA ou em órgão fiscalizador
conveniado (estadual ou DF) é a ferramenta usada, no caso da venda direta, para garantir a
conformidade dos produtos orgânicos.
Fonte: Fonseca e Carrano (2006).
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Achou interessante? Pois é, eu também, portanto expresse sua ideia sobre o assunto. Bom
estudo.
Curiosidade!!!
O GAO – Grupo de Agricultura Orgânica integra pessoas e organizações que discutem o marco legal
da agricultura orgânica. Criado em outubro de 2002, dinamiza as discussões sobre normalização
da agricultura orgânica desde então. O quadro é produto das discussões do Grupo de Trabalho da
Comercialização.
O Brasil no mercado mundial
De 1999 a 2004, 8% da produção brasileira de orgânicos foi destinada ao mercado interno
(1.453 toneladas) e 92% para o externo (15.820 toneladas). Os maiores mercados de
exportação de orgânicos brasileiros são Estados Unidos e Europa (46%).
No Brasil, a produção de orgânicos certificados e exportáveis é bastante diversificada
(FONSECA, 2004), concentrando-se em produtos in natura e processados. Os principais
exportados são: soja, café, açúcar, castanha-de-caju, suco concentrado de laranja e tangerina,
óleo de palma e de babaçu. Em volumes menores, manga, melão, uva, derivados da banana,
fécula de mandioca, feijão azuki, gergelim, especiarias, óleos essenciais e cogumelo agaricus
(SEBRAE, 2004). Dentre os produtos processados, tem-se: o mel, compotas de frutas, café
solúvel; torrado e moído, castanha-de-caju, hortaliças processadas, arroz, óleos essenciais,
suco de laranja concentrado, extratos vegetais secos, barra de cereais, açúcar mascavo, óleo
de babaçu, urucum, óleo andiroba e guaraná em pó (DAROLT, 2002).
Um destaque com potencial no mercado internacional é o algodão orgânico colorido,
desenvolvido por produtores, ONGS e pesquisadores. Outro destaque é a manga orgânica
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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grande no mercado alemão (FAO, 2001).
O Brasil também é o maior produtor e exportador de açúcar orgânico. A marca Native, do
Grupo Balbo de Sertãozinho (SP), tem mais de 50% da produção mundial. O açúcar tem
certificação internacional para os Estados Unidos e União Europeia. A empresa comercializa
ainda café e suco de laranja orgânicos (JHA, 2004).
A melhoria nos processos de regularidade de produtos, comunicação, acondicionamento e
logística, além do acesso regular aos portos e existência de taxas de importação são aspectos
importantes para maior inserção do Brasil no mercado mundial de frutas orgânicas.
O potencial exportador de algumas frutas ainda não se desenvolveu plenamente. A maioria
é pequenos produtores, com pouca ou nenhuma cultura exportadora. Entretanto, o aumento
da escala de produção no Nordeste brasileiro tende a melhorar a venda destes produtos no
mercado internacional.
As importações brasileiras de orgânicos certificados são reduzidas e de mercadorias não
produzidas no país, como: chá, azeitona e produtos transformados como geleia/doce, cereais,
suco de fruta e vinho.
Os principais concorrentes do Brasil são: México (café e frutas tropicais); Argentina (cereais e
carne); Chile (frutas); Costa Rica (frutas); República Dominicana (frutas tropicais, cacau, café
e banana); Colômbia e Peru (açúcar e café); Turquia (uva e abricot); Egito (algodão e ervas
medicinais); Índia (algodão, chá e condimentos) e Austrália (algodão e cereais).
Mesmo com a falta de normas universais e regulamentação, não se tem observado impedimentos
para a exportação brasileira de orgânicos. Geralmente, os produtores brasileiros seguem
normas do mercado importador, buscando certificação reconhecida no país importador.
Para que haja sucesso de orgânicos brasileiros no mercado internacional, deve-se: ter produtor
mais competitivo, preço menor, respeito às normas orgânicas e fitossanitárias, qualidade
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
organoléptica e visual dos produtos e marketing.
O futuro da Agricultura Orgânica é determinado pela estrutura da cadeia de suprimentos
(SYLVANDER et al., 2004). Fatores internos são determinantes para o sucesso da produção.
REGULAMENTAÇÃO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA NO BRASIL
No Brasil, desde a década de 1970, organizações de produtores e consumidores além de
técnicos, desenvolvem práticas seguindo os princípios da agricultura orgânica. Em 1994, iniciouse a discussão para a regulamentação da agricultura orgânica no país, que foi oficialmente
reconhecida em maio de 1999 (fruto da discussão entre a sociedade civil organizada e o poder
executivo), com a publicação da Instrução Normativa 007/99 do MAPA (FONSECA et al.,2009).
Em dezembro de 2003, foi publicada a Lei 10.831, definindo e estabelecendo condições
obrigatórias para a produção e a comercialização de produtos da agricultura orgânica. Em
dezembro de 2007, foi publicado o Decreto 6.323, que regulamenta a atividade, faltando, no
entanto, a publicação das Instruções Normativas específicas, que foram submetidas à consulta
pública em maio de 2008 e se encontram em tramitação na assessoria jurídica do MAPA.
Enquanto a Lei 10.831 e o Decreto 6.323 não são regulamentados, documentos normativos
organizam a atividade. Além da IN 007/99, o amparo legal é dado pela IN 016/04 do MAPA, de
junho de 2004 (FONSECA et al., 2009).
ACESSO AO MERCADO INTERNO
A seguir, serão descritas as possibilidades de acesso dos produtos derivados da agricultura
orgânica ao mercado interno brasileiro.
• Venda direta com certificação facultativa
A venda direta de produtos orgânicos está prevista na Lei n°10.831/03, bem como no Decreto
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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nº 6.323/07. Entende-se, nesse caso, que o agricultor familiar deve vender apenas para a
pessoa física ou jurídica que vai consumir o produto, ou seja, o consumidor final. Desta forma,
a venda direta pode ser feita pelo próprio agricultor familiar, por familiar ou por membro da
estrutura organizacional (preposto) em que está inserido, pois a garantia perante o consumidor
continuará sendo o controle social. Os possíveis canais de comercialização para utilização
na venda direta são: feiras, entrega aos consumidores, venda na propriedade, mercados
institucionais privados (sem revendas), compras governamentais, lojas e restaurantes
orgânicos de agricultores (FONSECA et al., 2009).
• Sistema de Avaliação da Conformidade Orgânica - SISORG
O produtor que não se encaixar na modalidade de venda direta por agricultores familiares
com certificação facultativa e quiser fazer uso da denominação produto orgânico ou outro
similar no Brasil, terá de se cadastrar no SISORG - Sistema de Avaliação da Conformidade
Orgânica. Os mecanismos de avaliação da conformidade reconhecidos no SISORG para
darem garantias aos clientes e consumidores sobre as qualidades orgânicas e de que
seguem os regulamentos técnicos da agricultura orgânica são dois: a certificação e os
Sistemas Participativos de Garantia (FONSECA et al., 2009).
A certificação é o procedimento de verificação e confirmação da conformidade do processo
de produção orgânica. Assegura às indústrias, comércio e consumidores o cumprimento de
determinadas normas e padrões. As normas e regulamentos técnicos de agricultura orgânica
exigem, no mínimo, uma inspeção anual em cada unidade produtora. Para desonerar o custo
da certificação de pequenos produtores, foi criada a certificação em grupo, o que facilita o
trabalho dos inspetores, além de favorecer o desenvolvimento da agricultura orgânica.
• Sistema Participativo de Garantia (SPG) Esta terminologia foi criada em 2004/2005 pelo grupo de trabalho dos Sistemas Participativos
de Garantia IFOAM/MAELA. Os SPG são baseados na busca da maior participação possível
de todos os atores interessados em procedimentos de avaliação participativa da conformidade,
70
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
adaptados a diferentes realidades sociais, culturais, políticas, ambientais, territoriais,
organizacionais e econômicas.
De acordo com Lenourd et al. (2004), os elementos-chave básicos dos SPG são:
Visão compartilhada: de produtores e consumidores quanto aos princípios centrais que
guiam o programa.
Participação: utiliza metodologia que pressupõe intenso envolvimento dos interessados
diretamente na produção e no consumo desses produtos.
Transparência: todos os atores das redes devem estar cientes de como o mecanismo de
garantia geralmente funciona, do processo e de como as decisões são tomadas.
Confiança: “enfoque baseado na integridade”.
Processo de aprendizagem: o efetivo envolvimento de produtores, consultores e consumidores
na elaboração e verificação dos princípios e regras leva à geração de credibilidade e também
ao permanente processo de aprendizagem nas comunidades envolvidas.
Horizontalidade: todos os envolvidos no processo do SPG têm o mesmo nível de
responsabilidade e capacidade para estabelecer a qualidade do produto ou processo.
Um SPG é formado, basicamente, por dois componentes: os Membros do Sistema
(pessoas físicas e jurídicas – produtores e colaboradores) e o Organismo Participativo de
Avaliação da Conformidade – OPAC.
• Acreditação INMETRO (ISO65)
A norma ISO65, que trata da acreditação de organismos de certificação de produtos, processos
e serviços, é internacionalmente aplicada e usada na agricultura orgânica, referenciada
textualmente pelos regulamentos, com ou sem adaptações. No âmbito dos blocos comerciais
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
71
ou nos países, podem existir normas de acreditação de certificadoras adaptadas às realidades
locais. Dos organismos de certificação que trabalham para a agricultura orgânica, cerca
de 1/3 é acreditado pela norma ISO65. No Brasil, o SISORG adota a acreditação feita pelo
INMETRO, de acordo com a Norma ISO65 e a Instrução Normativa dos Mecanismos de
Garantia e Informação da Qualidade, nas certificadoras que operam em território brasileiro
(FONSECA et al., 2009).
• Monitoramento do SPG – MAPA (Manual SPG)
O Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade - OPAC que se interessar em ter o
SPG credenciado no MAPA para que os produtores e outros atores a eles vinculados possam
comercializar os produtos como orgânicos controlados e usar o selo do SISORG, deverá pedir
o monitoramento e registro do SPG e de seus membros no MAPA (FONSECA et al., 2009).
• Rotulagem e identificação
A rotulagem de produtos em conversão (“em transição para orgânico”) é permitida depois
de 12 meses de produção com métodos orgânicos, de acordo com critério adicional, para
evitar a confusão dos consumidores. Na proposta brasileira, só poderá ser rotulado o produto
orgânico, não sendo permitida a denominação produto em transição, nem será possível
colocar as outras denominações (biodinâmico, por exemplo) em letras maiores que as da
palavra “orgânico” (FONSECA et al., 2009).
A rotulagem de produtos deverá conter:
- Nome, endereço e CNPJ ou CPF do produtor.
- Selo de Identificação do SISORG.
- Selo do OAC (certificadora ou SPG).
- Denominação “Orgânico”, “Produto Orgânico” e seus sinônimos.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
IMPORTÂNCIA, LIMITES E DESAFIOS
Venda direta nas feiras e mercados institucionais
Segundo Darolt (2001), nos mercados locais, cresce a experiência com as feiras orgânicas
nos países da América Latina e Caribe como estímulo ao desenvolvimento dos mercados
locais, com apoio de ONGs e de Fundos de Desenvolvimento Internacional. A importância da
escolha por feiras específicas e não a oferta de produtos orgânicos em feiras convencionais
tem alguns motivos:
• impacto visual – espaço alternativo para que se tenha segurança de que só produtos da
agricultura orgânica são vendidos;
• espaço além do comercial que promove o encontro entre produtores e consumidores para
troca de experiências e saberes; valorização cultural;
• como nem todos os produtores são controlados, há necessidade de apoio institucional e de
espaço diferenciado que funcione como mecanismo de garantia.
Como limitações desse canal de comercialização, são apontadas, principalmente, a variedade
e disponibilidade dos produtos oferecidos e a afluência irregular de clientes. A ausência de
condições higiênicas para os comerciantes (uso de sanitários) é uma realidade a ser mudada.
Como pontos positivos das feiras, destacam-se a autoestima e o crescimento pessoal dos
agricultores; os encontros para organizar a logística, que favorecem as relações sociais; as
“rodas” de consumidores nas quais ocorrem as trocas de experiências; mesas de discussões
e degustações nas feiras, que favorecem a identidade e identificação das produtoras com o
processo, possibilitando a autogestão; e a venda de um conceito, não só de uma mercadoria,
conforme Darolt (2001).
Importância das compras governamentais de produtos orgânicos
• permite a conscientização do produtor na aplicação correta dos insumos ao saber o destino
dos seus produtos e favorece a transição agroecológica;
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
73
• adquire a produção orgânica com prêmio sobre o preço do produto convencional;
• fortalece a organização dos produtores e, consequentemente, o fornecimento aos mercados locais (pequeno e grande varejo);
• viabiliza a pequena produção orgânica que não tem condições de acessar mercados voltados para outras exigências específicas;
• em nível local, favorece políticas redistribuidoras de renda (doação a creches, escolas,
merenda escolar etc.);
• representa importante papel na convergência de atores locais (prefeituras, associações e
cooperativas) com as camadas da população mais necessitadas (baixa renda);
• favorece hábitos alimentares relacionados à cultura local que estimulam o consumo consciente e a economia de energia não renovável (frete), segundo Darolt (2001).
DESAFIOS DA AGRICULTURA ORGÂNICA
• apesar da expansão dessa agricultura, ainda é um setor muito pequeno.
• enfrenta pontos de estrangulamento na produção, comercialização e institucionalização
que precisam ser superados.
• procedimentos complexos de importação e questões envolvendo os procedimentos de avaliação da conformidade, como a certificação e a acreditação, precisam ser atendidos.
• A competitividade entre países de altas rendas (recebem subsídios) e de baixas rendas
(não recebem subsídios).
• A preferência dos consumidores dos países de alta renda pelos produtos locais.
• A impossibilidade da certificação fornecer assistência técnica e de contribuir para a correção das não conformidades em países de baixa renda não favorece a construção do
conhecimento agroecológico, não favorece o empoderamento por meio do controle social
e não estimula o mercado local.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
COMPOSTO ORGÂNICO
Segundo Coelho (2008), nossos pais e avós cultivavam a terra sem a utilização de adubos e,
em alguns casos, o esterco era utilizado. A terra era mais fértil e eram obtidas boas produções
de feijão, milho etc. Basta conversar com os mais antigos para confirmar essa informação.
Algumas roças recém-formadas produzem muito bem quando são implantadas em terreno
que antes possuía uma mata ou que ficou “descansando” por alguns anos. No entanto, com
o passar dos anos, a produção diminui bastante, principalmente quando não são utilizadas
adubações. Isso ocorre porque os nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio
etc.) são retirados do solo pelas plantas. Na época da colheita, são levados juntamente com
as partes colhidas, ficando o solo cada vez mais pobre. Além disso, a matéria orgânica do solo
vai sendo decomposta sem que haja reposição adequada (essa reposição geralmente ocorre
em matas e florestas onde há equilíbrio entre decomposição e deposição de material orgânico
no solo).
As terras “cansadas” necessitam de adubação bem feita para que se recuperem mais
rapidamente. Os adubos utilizados nas plantações podem ser químicos ou orgânicos, estes
geralmente produzidos na propriedade agrícola (esterco, restos de cultura, composto orgânico
etc.) (COELHO, 2008).
A adubação orgânica é muito importante, principalmente em hortas e pomares, podendo
ser utilizada, também, em roças de milho, feijão e outras. É importante porque, além de
fornecer nutrientes para as plantas, melhora as condições físicas do solo, possibilitando maior
penetração das raízes, e aumenta a retenção de água e minerais na camada superficial do
solo, diminuindo a lixiviação (perda de nutrientes para camadas mais profundas).
Muitos agricultores utilizam o esterco da criação para adubação, sendo esta uma boa alternativa
para alguma melhoria das condições do solo, porém não resolvendo por si só os problemas
de fertilidade. Além do esterco, pode-se utilizar o composto orgânico, que tem esse nome
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
75
porque é composto de muitos materiais orgânicos, que são misturados de forma a se obter
no final grande quantidade de adubo.
A compostagem é um processo que pode ser utilizado para transformar diferentes tipos de
resíduos orgânicos em adubo que, quando adicionado ao solo, melhora as suas características
físicas, físico-químicas e biológicas. Proporciona mais vida ao solo, que apresenta produção
por mais tempo e com mais qualidade. A técnica da compostagem foi desenvolvida com a
finalidade de acelerar com qualidade a estabilização (também conhecida como humificação)
da matéria orgânica. Na natureza, a humificação ocorre sem prazo definido, dependendo
das condições ambientais e da qualidade dos resíduos orgânicos. No composto, podem ser
utilizados os restos de cultura, como as palhas de feijão, milho, arroz, bagaços de cana, capim,
serragem, esterco etc. A utilização de materiais originários da própria fazenda barateia os
custos com adubação, sendo esta uma das vantagens da utilização do composto orgânico
(COELHO, 2007).
Existem várias formas de se preparar o composto orgânico. Uma delas será apresentada de
forma que, seguindo os passos propostos, o produtor tenha um composto pronto para ser
utilizado como adubo orgânico de excelente qualidade.
Você sabe como fazer o composto orgânico? Fique atento!
De acordo com Kiehl (1998), a primeira coisa a ser feita é um levantamento da disponibilidade
de material para a confecção do composto. O esterco não pode faltar, no entanto, não é
necessário que esteja curtido. Palhadas, bagaços, restos de comida, serragem e cascas
também podem ser utilizados.
• Escolha a área onde será feito o composto. De preferência, deve ser plana e de fácil acesso, com possibilidade de irrigação.
• Após escolhida a área, limpe o local com uma capina.
• No terreno já capinado, faça uma camada com material vegetal (capim, serragem, bagaço
etc.) de aproximadamente 20cm de altura por 2,0m de largura; o comprimento dependerá
76
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
da disponibilidade de material (em grandes produções, o composto pode ter até mais de
20m de comprimento)
• É bom que seja feita uma leve compactação dessa primeira camada, pisoteando-se a palhada.
• Terminada a compactação, a palhada deve ser molhada com um regador ou mangueira de
forma bem homogênea, interrompendo-se a irrigação antes que a água comece a escorrer.
• Terminada a primeira camada, faz-se uma segunda logo acima. Utiliza-se o esterco, que é
distribuído com uma pá ou lata sobre a palhada até uma altura de aproximadamente 5 cm.
• Com um regador ou mangueira, molhe o esterco de forma bem homogênea, interrompendo-se a irrigação logo que a água começar a escorrer.
• Sobre a camada de esterco, faz-se novamente uma camada de 20 cm de material palhoso
ou restos de culturas.
• Assim como foi feito na primeira camada inicial, compacte a palha pisoteando-a (suba no
composto e ande sobre o mesmo, forçando um pouco com as botas para baixo para que a
compactação fique bem feita).
• Após compactado, molhe novamente com um regador ou mangueira, parando de molhar
logo que a água começar a escorrer. A compactação é feita para que o material vegetal
fique o máximo possível sem espaços vazios em seu interior, de modo que os microrganismos tenham acesso mais fácil ao material que será degradado. Essa degradação ou
decomposição da matéria orgânica ocorre pela ação de microrganismos (bactérias, fungos
etc.) que liberam enzimas para o seu exterior, tendo essas enzimas o papel de quebrar
grandes moléculas (proteínas, lipídeos, polissacarídeos etc.) em moléculas menores (aminoácidos, ácidos graxos, monossacarídeos etc.). Nessa “quebra” de grandes moléculas,
muitos elementos que são nutrientes para as plantas são liberados (fósforo-P, potássio-K,
cálcio-Ca, magnésio-Mg etc.), tornando-os disponíveis para as plantas.
• Feita a terceira camada de material palhoso, faz-se a quarta camada, que será de esterco,
com altura de 5 cm, aproximadamente, fazendo-se posteriormente a irrigação como já
mencionado para as outras camadas.
• Assim, sucessivamente, vai-se fazendo uma camada de 20 cm de material palhoso e uma
de esterco de 5 cm. Essa sequência deve ser repetida até que o composto atinja altura de
aproximadamente 1,5m, sendo importante que a última camada seja de material palhoso
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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para que se evitem perdas de nitrogênio por volatilização (perdido para a atmosfera), de
acordo com Kiehl (1998).
• Completadas as camadas até a altura de 1,5m, o próximo passo é cobrir o composto totalmente (acima e lateralmente) com capim seco, para que se evitem grandes perdas de
água por evaporação (alguns agricultores preferem construir seus compostos em local já
sombreado, como, por exemplo, sob a copa de grandes árvores).
É interessante questionar porque o composto é feito dessa forma, fazendo-se camadas
sucessivas de 20 cm de material palhoso, serragem ou restos de cultura e camadas de 5
cm de esterco. Serragem ou palhadas de capim demoram bem mais a decompor que o
esterco, por exemplo. Isso se deve, principalmente, à baixa concentração de nitrogênio que
as palhadas e serragens possuem, dificultando a sobrevivência dos microrganismos (fungos,
bactérias etc.) que decompõem a matéria orgânica. No esterco, há maior concentração de
nitrogênio, que possibilita rápido crescimento da população de microrganismos, ocorrendo,
assim, decomposição mais rápida pela ação das enzimas (proteínas que aceleram as reações
químicas) (KIEHL, 1998).
Algumas situações normais
O composto está muito quente. O que fazer?
Existem duas opções:
• Irrigar o composto.
• A segunda alternativa é fazer uma compactação, subindo-se sobre o composto e socandose com os pés (que devem estar sempre calçados, de preferência com botas de borracha
para que se evitem ferimentos e a possibilidade de se contrair o tétano - é aconselhável
ainda que as pessoas que lidam com a fabricação do composto tomem antes a vacina
antitetânica).
Essas duas soluções diminuem a quantidade de ar no interior do composto, diminuindo, assim,
a população de microrganismos por falta de oxigênio para a respiração, segundo Kiehl (1998).
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Como fazer o revolvimento?
Segundo Kiehl, (1998):
• Retire o capim que recobre o composto.
• Com uma enxada, vá cortando o composto de cima para baixo, a partir de uma das extremidades, como se fosse retirar fatias na vertical.
• Jogue para trás o material orgânico que vai caindo no chão, formando um monte atrás de
você.
• Dessa forma, vai-se caminhando para a frente, cortando-se o composto e, atrás, vai sendo
formado um novo composto de material semidecomposto e bem misturado (essa prática
economiza esforço e espaço, pois o composto revolvido vai sendo colocado no mesmo local em que já estava anteriormente).
• Terminada a mistura, recobre-se novamente o composto com o capim seco e enfia-se o
vergalhão na vertical.
A temperatura do composto subirá novamente, pois, com o material revolvido, haverá maior
contato entre os microrganismos e a matéria orgânica que ainda não havia sido decomposta,
possibilitando grande aumento da população de bactérias e fungos e a continuidade da
decomposição.
Até que o composto fique pronto para a utilização, decorrem, aproximadamente, três meses,
sendo necessários dois ou três revolvimentos nesse período e irrigações semanais.
Como saber se o composto está pronto?
• O composto fica com coloração escura.
• Observa-se que o material está bem decomposto, não sendo possível a distinção entre
palhas, serragens ou o esterco.
• Quando se pega o composto com as mãos e esfrega-se com os dedos, tem-se a impressão
de estar um pouco escorregadio (como se tivesse um pouco de sabão).
• Caso se faça o revolvimento, o composto não esquentará mais.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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• O composto estará com relação C/N entre 10 e 15.
Alguns agricultores desanimam devido à demora até que o composto fique em condições
de uso; no entanto, aqueles que já utilizaram o composto na adubação continuam utilizando,
devido as suas inúmeras vantagens (alta qualidade como adubo orgânico, economicidade
etc.). Em locais onde há grande consumo de adubos orgânicos, é aconselhável a confecção
de composto orgânico mensalmente, de forma que todo mês se tenha composto pronto para
o uso.
Quanto menor o tamanho dos resíduos orgânicos e mais variada a sua composição, mais
rápida é a compostagem. Portanto, picar os materiais antes de formar as leiras e usar diferentes
materiais, acelera a decomposição. Pode-se também fazer uma pasta aguada, contendo
esterco fresco de curral, farinha de trigo e açúcar e molhar partes da leira, fazendo assim um
concentrado (inóculo) de microrganismos capazes de iniciar o processo de decomposição.
Geralmente, para cada 1kg de esterco fresco, usar 100g de farinha de trigo, 50g de açúcar e 5
litros de água. Misturar bem os ingredientes e umedecer bastante o material a ser decomposto,
conforme assevera Oliveira (1995).
Resumo dos principais passos
• Veja a disponibilidade de material.
• Escolha a área (plana, com disponibilidade de irrigação).
• Faça uma camada de 20 cm de material palhoso, serragem ou restos de cultura.
• Irrigue a primeira camada.
• Faça uma camada de 5 cm de esterco.
• Irrigue.
• Faça uma camada de material palhoso, serragem ou restos de cultura.
• Irrigue.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
• Faça uma camada de 5 cm de esterco e irrigue.
• Sucessivamente, faça camadas de palha, serragem ou restos de cultura de 20 cm de altura
e camadas de esterco de 5 cm de altura (não esquecendo de irrigar), até que o composto
fique com aproximadamente 1,5m.
• Cubra o composto com capim seco.
• Finque um vergalhão de ferro.
• Se após alguns dias o vergalhão estiver quente, tudo bem.
• Se o vergalhão estiver muito quente, irrigue ou compacte o composto.
• Se o vergalhão estiver frio, faça o revolvimento.
• O composto estará pronto quando estiver com coloração escura, quando não se distinguirem os materiais originários, quando estiver escorregadio e quando não aquecer ao ser
revolvido.
E para você é fácil fazer um composto orgânico? Podemos afirmar que não é difícil, concorda? Expresse sua opinião.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O comércio de produtos orgânicos é caracterizado pela exportação de produtos certificados
e de maior valor. São diversos orgânicos certificados presentes mundialmente, dentre frutas,
verduras e outros tipos de alimentos.
Os excedentes da produção para exportação são comercializados nos mercados internos. Os
varejistas têm influência na cadeia produtiva de orgânicos ditando especificações.
Em países de alta renda, o setor orgânico tem apoio do setor privado por meio de marketing de
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conscientização dos benefícios, além do financiamento do sistema inicial de produção. Enquanto
que, em países de menor renda, o apoio governamental ocorre por meio do financiamento para
participações em feiras internacionais e estabelecimento do marco regulatório.
Os polos de exportação de orgânicos são: Estados Unidos, Alemanha, Japão e Reino Unido.
Há crescimento notável nos mercados internos dos Estados Unidos e Canadá. Além destes,
deve-se destacar ainda a presença de países do Oriente Médio, Leste da Ásia, Oceania e
África.
Portanto, o futuro da Agricultura Orgânica é determinado pela estrutura da cadeia de
suprimentos.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Compare e diferencie o mercado nacional e internacional de orgânicos. Ao fazer essa comparação, dê exemplos do que poderia ser feito para promover o aumento do consumo de
produtos orgânicos como um todo.
2. Diante do exposto e de acordo com sua opinião, qual região brasileira tem maiores chances
de expansão no mercado de orgânicos? Justifique sua resposta.
3. Com a conclusão de nosso estudo sobre a cadeia de produtos orgânicos observamos o
crescimento. Faça uma pesquisa com consumidores em mercados, feiras livres etc., e
questione o consumidor o porquê dele estar consumindo este produto e se ele tem alguma
opinião para ajudar a alavancar ainda mais o consumo.
Boa pesquisa!
Acesse os links:
<http://www.planetaorganico.com.br/relat01-4.htm>.
<http://sna.agr.br/artigos/652/AGRONEGOCIOS.pdf>.
<http://www.arscientia.com.br/materia/ver_materia.php?id_materia=268>.
<http://www.terra.com.br/istoedinheiro/rural/capa07.htm>.
<http://www.ipardes.gov.br/noticias/mercadosorganicos.htm>.
<http://www.todafruta.com.br/>.
<http://www.agrosoft.com.br/>.
<www.agricultura.gov.br>.
<www.prefiraorganico.com.br>.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
<www.desenvolvimentoagrario.gov.br>.
<www.embrapa.cnpab.br>.
<www.ifoam.de>.
<www.inmetro.gov.br>.
<www.meioambiente.gov.br>.
<www.planetaorganico.com.br>.
<www.redeecovida.org.br>.
<www.agroecologia.org.br>.
<www.organicsnet.com>.
<www.associacaobiodinamica.org.br>.
<www.abio.org.br>.
<www.planetaorganico.com.br>.
<www.ecocert.com.br>
<www.ibd.com.br>.
Acesso em: 14 dez. 2011.
As mudanças climáticas e as especulações afetam os agronegócios nas práticas de cultivo e mercado. Surge um consumidor preocupado com saúde, qualidade de vida e impacto ambiental na hora
de escolher seus produtos, levando em conta as consequências diretas e indiretas do seu consumo.
Uma das saídas para parcela da população tem sido trocar a agricultura convencional pelo sistema
orgânico, que se diferencia por não usar insumos químicos e um plantio de baixo impacto ecológico
por princípio. Esse público exige cada vez mais orgânicos em supermercados, feiras e restaurantes,
impulsionando o mercado em crescimento.
Mundialmente, os orgânicos movimentam mais de US$ 26 bilhões ao ano. Os europeus ainda são os
maiores consumidores, mas o Brasil segue a mesma tendência. O Ministério da Agricultura indica que
o segmento de produtos orgânicos vem crescendo cerca de 50% ao ano no país. Além do consumo
interno, o Brasil é candidato a grande exportador de orgânicos.
Atentos, produtores orgânicos criam iniciativas que fomentam este ciclo de consumo. Apesar dos dados positivos, o produto orgânico é cerca de 30% mais caro que o convencional, o que ainda restringe
a faixa de compradores.
(Partes do artigo original “O avanço dos orgânicos”, da Revista Empreendedor, sob autoria de Fernanda Albertoni. Leia-o na íntegra na página: <http://www.empreendedor.com.br/?pid=20&cid=5288>.
Acesso em: 10 nov. 2010
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UNIDADE III
AGRONEGÓCIO CAFEEIRO
Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Professor Esp. Diogo Bochnia Zuliani
Objetivos de Aprendizagem
• Contextualizar o aluno sobre o panorama atual da cultura do café.
• Obter conhecimento sobre a variedade e espécies de café.
• Analisar a produção de café nacionalmente e estadualmente, incluindo as principais
espécies “arábica” e “conilon”.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• História da cafeicultura
• Produção cafeeira
• Variedades e espécies
• Pragas e doenças
• Sistema de colheita
INTRODUÇÃO
Olá, caro aluno! Seja-bem vindo à nossa unidade III.
O café foi e continua sendo um dos mais importantes produtos agrícolas, gerando riquezas e
divisas para os estados e para o nosso país. Sabemos que o produto café tem uma grande
função social, pois apresenta grandes fatores com seu papel no mercado, sendo visto como
grande fonte geradora de emprego e caracterização de mão de obra nas propriedades rurais.
No passado, o Brasil não se preocupava em obter um produto de qualidade, ou seja, um produto
mais competitivo e com maior valor agregado. Contudo, os grandes países competidores já se
preocupavam em obter um produto com uma qualidade diferenciada, sendo este o principal
fator para ganhar mercado que automaticamente tornou-se um produto com qualidade mais
exigente.
Portanto, um dos fatores primordiais da perda de mercado do café brasileiro em relação ao
mercado exterior foi a falta de um padrão determinado de qualidade.
Além disso, os competidores do Brasil começaram a adotar estratégias de marketing de seus
produtos. Sendo um grande fator positivo para alcançaram os melhores preços e os melhores
mercados internacionais.
Para produzir um café com qualidade diferenciada, torna-se necessária a adoção de novas
tecnologias desde as primeiras fases da cultura, sendo desde a escolha do local para
plantio, variedades e tratos culturais até a fase de colheita, pós-colheita, beneficiamento e
armazenamento do produto.
A prosperidade e o sucesso na cafeicultura brasileira virão da observância de alguns pontos,
tais como: aumento da produtividade do cafezal, redução dos custos gerais, principalmente da
mão de obra na colheita sem comprometer a qualidade final do produto, busca incansável pela
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qualidade, produção com sustentabilidade (certificação de propriedades) e identificar novos
nichos de mercado.
O produtor de café que quiser alcançar a sustentabilidade de sua lavoura ou cafezal deve
observar atentamente estes requisitos citados, para que possa inserir seu produto nos mais
distintos mercados competidores e consequentemente enfrentar o processo de estratégias de
mercado mundial.
Fonte: arquivo pessoal
HISTÓRIA DA CAFEICULTURA BRASILEIRA “O CAFÉ NO BRASIL”
O café chegou ao norte do Brasil, mais precisamente em Belém, em 1727, trazido da Guiana Francesa
para o Brasil pelo Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta a pedido do governador do Maranhão e
Grão Pará, que o enviara às Guianas com essa missão. Já naquela época o café possuía grande valor
comercial. Palheta aproximou-se da esposa do governador de Caiena, capital da Guiana Francesa,
conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.
Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção
voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia,
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Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Num espaço de tempo relativamente curto, o café
passou de uma posição relativamente secundária para a de produto base da economia brasileira.
Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a
primeira realização exclusivamente brasileira que visou à produção de riquezas. Em condições favoráveis a cultura se estabeleceu inicialmente no Vale do Rio Paraíba, iniciando em 1825 um novo
ciclo econômico no país. No final do século XVIII, a produção cafeeira do Haiti, até então o principal
exportador mundial do produto, entrou em crise devido à longa guerra de independência que o país
manteve contra a França.
Aproveitando-se deste quadro, o Brasil aumentou significativamente a sua produção e, embora ainda
em pequena escala, passou a exportar o produto com maior regularidade. Os embarques foram realizados pela primeira vez em 1779, com a insignificante quantia de 79 arrobas. Somente em 1806 as
exportações atingiram um volume mais significativo, de 80 mil arrobas.
Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. A
cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades e dinamização de
importantes centros urbanos por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte
do Paraná.
Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal
e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. O café trouxe grandes
contingentes de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos
e até mesmo intensificou movimentos culturais. A partir de então o café e o povo brasileiro passam
a ser indissociáveis. A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura europeia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista.
Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de
meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial,
dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão.
Além de ter sido fonte de muitas das nossas riquezas, o café permitiu alguns feitos extraordinários.
Durante muito tempo, o café brasileiro mais conhecido em todo o mundo era o tipo Santos. A qualidade do café santista e o fato de ser um dos principais portos exportadores do produto, determinou a
criação do Café Tipo Santos
Fonte: <http://www.abic.com.br/scafe_historia.html#cafe_brasil>. Acesso em: 25 nov. 2010.
Implantado com o mínimo de conhecimento da cultura, em regiões que mais tarde se tornaram
inadequadas para seu cultivo, a cafeicultura no centro-sul do Brasil começou a ter problemas
em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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prejuízos incalculáveis.
Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais
e exportadores voltaram a alimentar esperanças de um futuro melhor. A busca pela região
ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do
estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. O café continua
hoje a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de
todos. Hoje, o país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial do produto.
LENDAS SOBRE O CAFÉ
Não existe nenhuma evidência oficial sobre a verdadeira origem do café. Porém, várias lendas
foram criadas a respeito, e uma das mais divulgadas atribui a descoberta da planta ao pastor
Kaldi, habitante da antiga Absínia, atualmente Etiópia, há cerca de mil anos atrás. O nome café
é originário da palavra árabe qahwa, cujo significado é vinho. Por esse motivo, era conhecido
como o “vinho da Arábia”, quando surgiu na Europa no século XIV. No Brasil, o café chegou
em 1722, na cidade de Belém. Pelas mãos dos colonizadores, o café chegou ao Suriname,
São Domingos, Cuba, Porto Rico e as Guianas. Nesta época, o produto já possuía um grande
valor comercial.
Com as condições geográficas e climáticas ideais, em pouco tempo o café estabeleceu
um novo ciclo econômico no País. Aproveitando-se da crise gerada no Haiti pela guerra de
independência contra a França, e principal produtor de café na época, o Brasil passou a ocupar
um novo posicionamento na exportação mundial do produto.
Por mais de um século, o café foi a grande riqueza brasileira, com suas divisas gerando
benefícios para todo o País. A cultura do produto ocupou vales e montanhas, possibilitando o
surgimento de cidades e a dinamização de importantes centros. Ferrovias foram construídas
para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e impulsionando o
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. O café trouxe grandes contingentes
de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos e, até
mesmo, intensificou movimentos culturais (BOA, 2008).
Em 1870, uma grande geada atingiu em cheio as plantações do oeste paulista, causando
prejuízos incalculáveis à produção do café. A crise demorou a ser contornada e, em 1929 a
quebra da Bolsa de Nova Iorque deu mais um forte golpe para a estabilidade da economia
cafeeira. Mesmo assim, após alguns anos de dura recuperação, o café retomou seu importante
papel na economia brasileira. Apesar de perder mercado para outros países produtores, o
Brasil é atualmente o maior produtor do mundo, sendo responsável por cerca de 32% do
mercado internacional (BOA, 2008).
OS GIGANTES CAFEEIROS
Como já mencionado anteriormente, o café é originário da Etiópia, país localizado na parte
central do continente africano. Porém, os maiores propagadores da cultura do produto pelo
mundo foram os árabes. Graças a eles o café chegou à Europa no século XIV, mas foi somente
por volta de 1615 que ele começou a ser amplamente consumido pelos europeus. Até então,
apenas os árabes dominavam as técnicas de cultivo. Alemães, franceses e italianos buscavam
a todo custo o conhecimento dos segredos da planta, porém foram os holandeses que os
descobriram, cultivando suas mudas nas estufas do Jardim Botânico de Amsterdã. Após isso,
o café finalmente tornou-se um hábito na cultura europeia. O crescente mercado consumidor
europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao
Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores, o café chegou ao Suriname, São Domingos,
Cuba, Porto Rico e as Guianas. Foi por meio das Guianas que chegou ao norte do Brasil.
Desta maneira, o segredo dos árabes se espalhou por todos os cantos do mundo.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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Os maiores produtores mundiais de café são Brasil, Colômbia, México, Guatemala, Indonésia,
Vietnã, Costa do Marfim, Índia, Uganda e Etiópia. O Brasil é líder mundial nas exportações
do produto com cerca de 32% do mercado internacional. Em relação ao mercado consumidor,
somos o 2° país do mundo, atrás apenas dos EUA.
Fonte: arquivo pessoal
PRODUÇÃO CAFEEIRA POR ESPÉCIES
Regiões de produção
Onde é produzido o café Brasileiro?
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
No Brasil, seis estados se destacam na produção nacional de café: Minas Gerais, São Paulo,
Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia.
Minas Gerais (98% arábica e 2% robusta)
Principais regiões produtoras:
• Sul de Minas (com dois centros de comercialização e produção):
Varginha - com um raio de 100 km.
Guaxupé/São Sebastião do Paraíso - também com um raio de mais ou menos 100 km.
• Zona da Mata:
Manhumirim, Manhuaçú, Caratinga e municípios circunvizinhos.
• Cerrado:
Araguari, Patrocínio, Monte Carmelo e Carmo do Paranaíba abrangendo um raio de mais ou
menos 100 km.
Espírito Santo (80% robusta e 20% arábica)
Principais regiões produtoras:
• Região Norte do Estado:
Pela topografia e altitude inferior a 450 m, é produtora de Conilon.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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• Região Sudoeste (Zona da Mata) do Estado:
Com altitude superior a 450m. É produtora de Arábica.
São Paulo (100% arábica)
Principais regiões produtoras:
• Mogiana: Franca, Altinópolis, Pedregulho, Espírito Santo do Pinhal.
• Alta Paulista: Garça, Marília, Vera Cruz.
• Sorocabana: Avaré, Piraju, Fartura, Santa Cruz do Rio Pardo.
Paraná (100% arábica)
Principais regiões produtoras:
• Norte Velho: Ribeirão do Pinhal, Santo Antonio da Platina, Ibaiti, Jacarezinho.
• Norte Novo: Rolândia, Astorga, Cornélio Procópio, Londrina.
• Vale do Ivaí: Ivaiporã, Mandaguari, Apucarana, Campo Mourão.
• Arenito: Nova Londrina, Cianorte, Maringá, Paranavaí, Umuarama.
Bahia (80% arábica e 20% robusta)
Principais regiões produtoras:
• Regiões produtoras de Arábica: Planalto Conquistense, Chapada Diamantina, Brejões,
Barreiras, Luiz Eduardo Magalhães.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
• Região produtora de Conilon: Atlântico Sul.
Rondônia (99% robusta)
Principais regiões produtoras:
• Regiões produtoras de Conilon: Cacoal, Rolim de Moura, Alta Floresta, Ministro Andreazza,
Ouro Preto do Oeste, Jarú, Theobroma, Machadinho do Oeste e Buritis (BOA, 2008).
Fonte: PHOTOS.COM
EXPANSÃO E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
Do Oriente Médio às Américas
As primeiras culturas familiares de café, ao que tudo indica, foram
estabelecidas na própria Etiópia ou no vizinho Yemen, que fica ao
sul da Península Arábica, conhecido anteriormente por Arábia Félix.
A partir do século XVII, o café começa a ganhar o mundo. Levado da Arábia para o Ceilão,
logo chega à Índia. Os primeiros plantios foram feitos na província de Mysore por volta de
1600. Entretanto, somente dois séculos depois, a partir de 1840, em pleno colonialismo, é que
os ingleses se interessaram em desenvolver o cultivo do café na Índia. Em 1696, seguindo
uma rota previsível, começa a ser cultivado na Ilha de Java. Depois de uma primeira tentativa
sem sucesso, a cultura firma-se no ano de 1699. Daí se origina todas as futuras plantações
da região.
São as primeiras lavouras extensivas de café registradas pela história. Em 1706, foram
ofertados ao Jardim Botânico de Amsterdã alguns exemplares procedentes de Java. O café
conquistou rapidamente a Europa. O sucesso expandiu a cultura para as colônias dos países
europeus nas Américas. Em 1714, são levadas mudas de Amsterdã para a Guiana Holandesa
(Suriname), é depois cultivado na Ilha de Martinica e em outros países da América Central,
chegando a Caiena, Guiana Francesa - na América do Sul, em 1718.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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ESPÉCIES E VARIEDADES
Coffea arabica
A espécie C. arabica é de grande significação econômica para as Américas e demais regiões
que a cultivam. Seu produto é de qualidade superior (aroma e sabor mais apreciados no
mundo inteiro), e de maior aceitação em todos os mercados. Aproximadamente 75% da
produção mundial exportável de café são dessa espécie – Coffea arabica – e apenas 25% de
C. canephora. Ao que tudo indica, a espécie é originária das regiões montanhosas do sudeste
da Etiópia, entre 1.000 e 2.000 metros de altitude. É uma espécie tetraploide com 2n = 44
cromossomos autofértil apresentando de 2 a 3% de fecundação cruzada, devido a insetos,
ventos e outros agentes.
No Brasil, as grande lavouras formaram-se, a princípio, com sementes do café “Nacional” ou
“Comum” (C. arabica, L. var. arabica), derivadas em grande parte da primeira leva de sementes
introduzida no país. Foi adotada como padrão para o estudo da espécie C. arabica. Assim é
que Cramer em 1913, ao descrever esta variedade propôs o nome Typica por representar o
“typus” da espécie, daí o fato dessa variedade ter sido conhecida, por muito tempo, como
Typica, mas é hoje em dia, chamada genericamente de “Arabica”.
Depois foram introduzidos o “Bourbon Vermelho” em 1859, originário da Ilha de Reunião,
antigamente denominada Bourbon. O “Maragogipe” surgiu na Bahia, em 1870.
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Fonte: arquivo pessoal
Coffea canephora A espécie C. canephora, vulgarmente conhecida por Robusta, é diploide (2n = 22 cromossomos)
e autoestéril. Produz o café robusto, hoje mundialmente conhecido. Devido a uma ampla
distribuição geográfica na África, é capaz de adaptar-se a variadas condições climáticas.
Apresenta um desenvolvimento inicial mais lento que o C. arabica, mas pode atingir até 5
metros de altura nas regiões quentes e úmidas. É um arbusto multicaule, com folhas grandes
de bordas bem onduladas, possui frutos vermelhos de superfície lisa, exocarpo fino, mesocarpo
pouco aquoso e endocarpo delgado. Atualmente, vem sendo cultivada principalmente na
Costa do Marfim, Angola, Indonésia e na Índia. Nas Américas, é cultivado em menor escala
no Brasil, Equador e Guatemala. O Robusta faz concorrência aos cafés de maior qualidade (C.
arabica) pois, embora de qualidade inferior, vem tendo aceitação no mercado norte-americano
e europeu, em virtude de seu preço mais reduzido e emprego na indústria de café solúvel.
Não se pode precisar, com segurança, quando chegaram os primeiros exemplares ao Brasil.
Diversos Robusta foram trazidos para o Horto Florestal de Rio Claro por Navarro de Andrade.
Entretanto, acredita-se que as lavouras de Conilon do Espírito Santo são de outra procedência
(BOA, 2008).
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97
O Cultivar do Conilon
É um cultivar largamente difundido nas regiões quentes do Espírito Santo e, em menor escala,
no estado do Rio de Janeiro e zona do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. É aí conhecido
pelos nomes de Conilon ou Canelão. O Parque Cafeeiro deste cultivar, no Brasil atualmente, é
de cerca de 1,6 milhões de covas produtivas, com um volume de produção atual estimado em
11 milhões de sacas beneficiadas. Além daquelas áreas tradicionais (RJ, ES e MG), o Conilon
também vem sendo introduzido na Bahia, Mato Grosso e Rondônia.
As lavouras deste cultivar, instaladas nos últimos anos, são bastante produtivas, apresentam
razoável homogeneidade, graças à seleção massal que utiliza as plantas mais produtivas
para a obtenção de sementes para a formação de novas lavouras. Entretanto, observa-se que
ainda apresentam muitas variações de tamanho (pequenos, médios e grandes) e formato dos
frutos (arredondados ou compridos - acanoados), com ou sem disco saliente (protuberância
do exocarpo da região da coroa do fruto). Quanto à maturação, observa-se com frequência a
existência de plantas de maturação tardia, média e precoce.
A coloração dos frutos, quando maduros, vão do vermelho claro ao intenso, com ou sem
estrias longitudinais. Com certa frequência, são encontradas plantas de frutos amarelos (fator
xanthocarpa) que, de modo geral, parecem ser menos produtivos que as de frutos vermelhos.
Graças ao volumoso sistema radicular, é raro observar deficiências minerais, embora seja
plantado em terras consideradas fracas. Como os demais cultivares de C. canephora, o
Conilon é multicaule e requer desbrota de formação e produção. A capacidade genética de
perfilhar ramos plagiotrópicos secundários e terciários é pequena e, após alguns anos de
colheita, há perda da “saia”, com produção somente nos ponteiros, havendo necessidade de
podas de renovação para assegurar boas cargas (BOA, 2008).
98
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Fonte: <http://www.es.gov.br/.../show.aspx?noticiaId=99687941>. Acesso em: 25 nov. 2010.
VARIEDADES ATUAIS DE CAFÉS ARÁBICA OU HÍBRIDOS
Os cultivares do Mundo Novo e do Acaiá
O cafeeiro Mundo Novo tem origem provável na seleção de plantas, efetuada a partir de 1943,
em uma plantação de café Sumatra no município de Mundo Novo (hoje Urupês), estado de
São Paulo. Na fazenda onde foi feita a seleção, havia também cafezais da variedade Bourbon
Vermelho. Do cruzamento natural entre essas duas variedades, provavelmente resultou o café
Mundo Novo. O processo de seleção foi a cargo do Instituto Agronômico de Campinas, sendo
obtidas várias linhagens de Mundo Novo, com destaque para: LCMP-376-4, LCP-379-19, LP386-6, LCP-382-14, LMP-388 e LCP-515.
Decodifique os nomes das variedades:
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99
Curiosidade!!
L =Linhagem + C =Campinas, M =Mococa, P =Pindorama
(nomes dos locais das Fazendas Experimentais onde os trabalhos foram efetuados).
No prosseguimento da seleção, plantas de destaque dentro da linhagem receberam traços
adicionais, ou seja, foram colocados os números daquelas plantas nos ensaios, em sequência,
originando novas linhagens como, por exemplo: LCP-3 88-17-1, LCP-3 76-4-3, LCMP-515-3,
LCMP-515-11 e outras.
Plantas de Mundo Novo apresentando frutos maiores passaram ser selecionadas e agrupadas
com o nome de Acaiá, o que significa fruto grande, sendo que as principais linhagens
distribuídas são: LCP-474-4; LCP-474-19 e LCP-474-7. Ensaios com as linhagens originais
e com novas seleções foram realizados nas regiões cafeeiras do país, dando base para a
recomendação das linhagens mais adaptadas à cada região. As plantas do cultivar Mundo
Novo (incluindo o Acaiá) apresentam as seguintes características: porte alto; bom vigor;
folhagem abundante e bem equilibrada com produção de frutos; brotação variando de acordo
com a linhagem, com broto roxo ou verde; folhas menores e mais afiladas; arquitetura da
planta cilíndrica em algumas linhagens e mais cônica para o Acaiá, com diâmetro da copa
também variando com a linhagem, algumas com diâmetro bastante grande (LCP-376-4 e 38817); boa produtividade, com a produção de frutos e grãos de tamanho médio a grande; plantas
mais abertas, com floração e maturação mais uniformes e medianamente precoces; frutos
de cor vermelha alongados, com qualidade normal em relação à bebida, sólidos solúveis e
cafeína. A resistência a ventos frios e à ferrugem é menor, provocando desfolhas mais rápidas
e acarretando maior perda de produção. O Mundo Novo é mais exigente em correção do solo,
apresentando maior nível de deficiência principalmente em Magnésio sendo, também, mais
exigente em Zinco (BOA, 2008).
100
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CAFÉ
A previsão atual para a produção nacional de café beneficiado indica 47,2 milhões de sacas de 60
quilos. O resultado representa um acréscimo de 19,6% ou 7,73 milhões de sacas, quando comparado
com a produção de 39,47 milhões de sacas obtidas na safra 2009. Tal crescimento é justificado pelo
ano de bienalidade positiva, aliado às condições climáticas favoráveis durante o ciclo da cultura.
O maior acréscimo se dará na produção de café Arábica, estimada em 36,04 milhões de sacas, o que
representa um ganho sobre a safra anterior de 24,9%, (7.175,9 mil sacas). Para a produção do robusta
(conilon) a previsão indica produção de 11,16 milhões de sacas, ou seja, crescimento de 5,2% (552,6
mil sacas). Comparativamente à segunda estimativa divulgada no mês de maio, que estimava uma
produção de 47,04 milhões de sacas, observa-se um acréscimo de 0,3% ou de 157,2 mil sacas de 60
quilos. As reduções verificadas nos Estados do Espírito Santo (- 958,0 mil sacas) e na Bahia (-25,2 mil
sacas) em função da falta de chuva, foram compensadas pelos ganhos observados nos Estados de
Minas Gerais e de São Paulo.
A produção dos Estados do Acre, Ceará, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal,
denominada de “outros” nas tabelas confeccionadas, representa 1,05% (459,5 mil sacas), com destaque para o Estado de Goiás, que no grupo produz 67,5% (310,3 mil sacas).
Fonte:<http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/90a470414b206e2314513e20522278aa..pdf>.
Acesso em: 25 nov. 2010.
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Quadro 2. Previsão nacional de produção de café beneficiado safra 2010.
UNIDADE DA FEDERAÇÃO
REGIÃO
Minas Gerais
PRODUÇÃO
(em mil sacas beneficiadas)
Arábica Robusta
252
24.448
Total
24.700
12.415
-
12.415
Cerrado-Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste
5.332
-
5.332
Zona da Mata-Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce,
Central e Norte
6.701
252
6.953
Espirito Santo
2.743
7.330
10.073
São Paulo
4.560
-
4.560
Paraná
2.100
-
2.100
Bahia
1.751
Sul e Centro-Oeste
545
2.296
- Cerrado
500
-
500
- Planalto
1.251
-
1.251
- Atlântico
-
545
545
-
2.338
2.338
178
194
229
229
Rondônia
Mato Grosso
Pará
16
-
Rio de Janeiro
238
13
250
Outros
187
273
460
36.042
11.157
47.199
BRASIL
CONVÊNIO: MAPA - SPAE / CONAB
102
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ÁREA CULTIVADA
A área cultivada com a cultura de café no País totaliza 2.292,7 mil hectares, redução de 22,8 mil
hectares em comparação à safra anterior que foi de 2.315,5. Essa área que deixou de ser cultivada
foi ocupada pelas lavouras de cana-de-açúcar, sobretudo nos Estados de São Paulo e Minas Gerais.
Área de café em produção, comparativamente à safra anterior, observa-se uma redução de 0,5% ou
de 10.479 hectares, passando de 2.092,9 mil hectares para 2.082,43 mil hectares.
Área de café em formação, redução de 5,5% ou de 12.297 hectares, passando de 222.612 para
210.315 hectares.
INFLUÊNCIAS CLIMÁTICAS
As poucas chuvas ocorridas nas principais regiões produtoras, desde maio/2010, favoreceram a maturação, a colheita e a secagem dos grãos. No entanto, essa condição chegou a prejudicar a granação
em alguns cafezais, principalmente nas regiões onde a umidade do solo estava baixa na fase final de
formação dos frutos.
No Espírito Santo, a falta de chuva do início do ano prejudicou boa parte dos cafezais, principalmente
as lavouras de café arábica cultivadas no norte do Estado. Nos cafés da espécie robusta as perdas
foram menores, uma vez que quase a totalidade das lavouras é irrigada.
A má qualidade, decorrente das sucessivas floradas e do alto percentual de grãos verdes, foi melhorando no decorrer da colheita e teve o clima como um grande aliado. As baixas temperaturas, registradas em algumas regiões, ainda colaboraram para uma maturação mais lenta e uniforme dos frutos
e agregaram melhor qualidade ao produto final.
Para a próxima safra, espera-se que essa falta de chuva também favoreça a florada, pois um estresse
hídrico é importante na fase de indução floral. Entretanto, as altas temperaturas têm propiciado a
queima das folhas em algumas lavouras e a consequente redução da área foliar.
PRODUÇÃO POR ESTADO
MINAS GERAIS
De forma geral, as condições climáticas ocorridas durante esta safra foram consideradas favoráveis.
No entanto a irregularidade na distribuição das chuvas, com maior ênfase para as regiões Sul e Zona
da Mata, induziu à formação de diversas floradas o que acabou gerando maior desuniformidade na
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103
formação e maturação dos frutos, refletindo na produtividade das lavouras e na qualidade dos grãos
colhidos para aqueles produtores de baixa tecnologia. Por outro lado, as condições climáticas durante
a colheita, caracterizadas pela ausência de chuvas e baixa umidade relativa do ar, favoreceram os
trabalhos de colheita e secagem dos grãos, propiciando a obtenção de cafés de boa qualidade. Vale
ressaltar que existe uma certa apreensão por parte dos produtores com relação ao prolongamento
do atual período de estiagem sobre a situação das lavouras que, em algumas regiões, já começam a
sentir os efeitos da escassez de chuvas.
Até o momento, as lavouras ainda apresentam bom aspecto vegetativo, estando bem vestidas, com
níveis de desfolhamento compatíveis com o pós-colheita. Estima-se que cerca de 85% da safra já foi
colhida e a parcela restante se refere basicamente a café de varrição. A colheita deverá ser finalizada
até o final de setembro, remanescendo pequeno percentual relativo a áreas de altitude elevada. Não
existe relato de problemas fitossanitários de maior relevância.
A produção de Minas Gerais está estimada em 24.700.308 sacas de café na safra 2010, com margem de erro de 3,34%. A produtividade média do estado atingiu 24,46 sacas de café por hectare. Em
comparação com a safra 2009, esta estimativa sinaliza um crescimento da produção cafeeira em
19,95%, com destaque para a região do Cerrado Mineiro. Este incremento se deve basicamente à
bienalidade positiva da cultura e das boas condições climáticas observadas na maior parte do Estado.
No entanto, as regiões Sul de Minas e Zona da Mata não atingiram o seu potencial produtivo, em razão da ocorrência localizada de veranicos nos meses de janeiro e fevereiro, comprometendo o pleno
desenvolvimento dos grãos.
ESPÍRITO SANTO
A terceira pesquisa de campo para a safra 2010/11 realizada no Estado do Espírito Santo, indica uma
produção de 10,07 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiadas. Desse quantitativo, 2.743
mil sacas (27,23%), são café arábica e 7.330 mil (72,77%) de café conilon (robusta). A produtividade
média envolvendo os dois cafés está estimada em 21,74 sacas por hectares, sendo 15,22 sacas para
o café arábica e 25,26 sacas para o café conilon.
A primeira estimativa foi realizada em novembro e dezembro de 2009, fase que os frutos estavam
na forma de “chumbinho”. Naquela época as lavouras estavam bem enfolhadas, com altos vigores
vegetativos, cargas elevadas de frutos em formação, com potencial para uma elevada produção muito
superior à safra de 2009/10. No período compreendido entre a segunda quinzena de dezembro de
2009 e segunda quinzena de março de 2010, ocorreu seca prolongada e altas temperaturas na maioria dos municípios Capixaba. Esse problema climático provocou má formação, chochamento e queima
dos grãos, ocasionando assim, decréscimo na produção tanto para o café arábica como para o café
conilon, quando são comparadas as produções estimadas da primeira para a terceira estimativa.
O citado problema climático interferiu de forma negativa na produção, e na qualidade final do produto.
104
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Isso, aliado aos altos custos de produção e aos preços baixos, ocasionou a redução da safra. Caso
os produtores não tivessem seguindo as recomendações técnicas, contempladas nos programas de
renovação e revigoramento de lavouras desenvolvido no Estado do Espírito Santo, as reduções poderiam ser maiores. Fazendo paralelo entre a produção de 2009/2010 e a prevista para a safra de
2010/2011, verifica-se nessa terceira estimativa, redução geral de 1,32% no Estado.
Para o café arábica houve acréscimo de 5,4% e para o Conilon, decréscimo de 3,6%. Salienta-se
que 2010/2011 é um ano de safra alta para todos os estados produtores de café do Brasil. Em função
dessa estimativa, está inserida em um ano de bienalidada de carga elevada, o acréscimo geral da
produção em relação à safra passada, poderia ser de maior magnitude, se não tivesse ocorrido a
seca por mais de três meses, numa fase de grande demanda de água dos cafezais, que é o período
de enchimento de grãos. Salienta-se e reforça-se a informação já explicitada, que até janeiro de 2010
as lavouras dos cafés no Estado, apresentavam vigorosas com grande potencial para uma produção
muito elevada no Espírito Santo. Nessa terceira estimativa, com mais de 90% do café do Estado já
colhido e beneficiado, verifica-se redução significativa na produção, mesmo em um ano de safra alta e,
grãos de pequeno tamanho e mal formados, interferindo negativamente na qualidade final do produto.
CAFÉ CONILON (ROBUSTA)
A produção de café Conilon na atual safra, está estimada em 7.330 mil sacas, é 3,6% inferior a de
2009/2010, que foi de 7.602 mil sacas, com produtividade média de 25,26 sacas beneficiadas por
hectare.
A elevada produção dessa safra, mesmo com as interferências negativas da seca e as altas temperaturas, deve-se aos tratos culturais envolvendo as adubações, poda, desbrota e controle adequado de
ervas daninhas; lavouras novas renovadas com materiais genéticos com maior potencial de produção;
uso mais acentuado de outras tecnologias, inclusive a irrigação. Verifica-se decréscimo na produção
quando se faz comparação da primeira com a segunda e terceira estimativa, respectivamente em
8.758, 8.144 e 7.330 mil sacas. Esse decréscimo é atribuído aos problemas climáticos já mencionados
que ocorreram nas fases de enchimento de grãos (dezembro 2009 a março de 2010), que atingiu a
maioria das lavouras de conilon capixaba, principalmente as não irrigadas, as do sul do estado e as
localizadas em terrenos mais arenosos.
Os resultados dessa estimativa mostram baixo rendimento de beneficiamento do café conilon. No
geral, houve má formação e grande chochamento de grãos, interferindo no peso e na qualidade final
do produto.
CAFÉ ARÁBICA
Para o café arábica, espera-se uma produção de 2.743 mil sacas beneficiadas, 5,4% superior ao
volume produzido na safra anterior, que foi de 2.603 milhões de sacas. A produtividade média está
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
105
prevista em 15,22 sacas beneficiadas por hectare Comparativamente à primeira estimativa divulgada
em janeiro deste ano, observa-se uma redução de 8,8%.
Na oportunidade era esperada uma produção de 3.008 mil sacas.Tal decréscimo é atribuído às condições climáticas desfavoráveis nas fases de enchimento de grãos (dezembro de 2009 a março de
2010), com prolongada seca e altas temperaturas na maioria dos municípios que cultivam o café
arábica. Em função desse ano ser um ano de carga alta, associado adequada floração, polinização e
bom aspecto vegetativo da maioria das lavouras do café arábica do Estado, existia expectativa de uma
produção superior, àquela publicada na primeira estimativa, cujo levantamento de dados foi realizado
na fase de café “chumbinho”. A não total confirmação dessa expectativa, se deve às condições climáticas desfavoráveis citadas acima. Houve má formação de grãos, surgimento de grãos mais leves e
queimados e elevada percentagem de chochamento.
Registra-se que o parque cafeeiro de arábica, apresenta potencial para incremento significativo da
produção, necessitando principalmente de ser renovado, uma vez que em média encontra-se envelhecido. O programa Renovar Café Arábica que está sendo implantado no Estado, auxiliará no aumento
da produtividade e da produção do café arábica no Espírito Santo.
A descapitalização dos cafeicultores, em função dos preços baixos, que são inferiores aos custos de
produção, tem levado muitos cafeicultores a não realizarem as adubações, o controle de pragas e de
doenças, entre outras práticas de forma satisfatória e terem dificuldade em participar do Programa Renovar Café Arábica. Isso tem contribuído para que a produtividade média estadual esteja ainda baixa.
Tradicionalmente, a maior concentração da colheita verifica-se nos meses de maio e junho.
Na presente safra, a colheita está distribuída da seguinte forma: março 0,1%,abril 9,1%, maio 48,2%,
junho 28,4%, julho: 8,7%, agosto 3,6% e o restante nos meses de setembro e outubro. A colheita do
café conilon foi encerrada no final do mês de agosto.
SÃO PAULO
Para a safra de 2010, espera-se produção de 4.560,1 sacas de café beneficiado para o Estado de
São Paulo, com incremento de 33,2% frente às 3.423 sacas obtidas na safra 2009. Esse resultado se
alinha com a perspectiva de safra para o País que tende a ser de ciclo de alta. A área em produção
somou 165.195 hectares, enquanto a área em formação sem produção atingiu os 8.601 hectares.
Considerando apenas a área em produção, a produtividade das lavouras paulistas alcançou a surpreendente média de 27,44 sc/ha.
BAHIA
A ocorrência de período sem chuvas durante os meses de dezembro/2009 a fevereiro/2010, causado
pelo fenômeno El Niño, provocou danos significativos na produção do café Conillon no extremo Sul da
Bahia, região denominada de Atlântico, fronteiriça com o Estado do Espírito Santo, assim como perdas
de arábica na região do Planalto de Conquista, ligeiramente compensadas pelo aumento da produção
106
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
das áreas irrigadas, principalmente na região Oeste da Bahia (Cerrado).
Esta região também sentiu o efeito da estiagem, porém como a granação se dá mais tardiamente, foi
menos afetada e seus efeitos só estão sendo mais visíveis agora na etapa do beneficiamento, que de
modo geral vem apresentando somente 1% de quebra em relação ao levantamento anterior, porém,
bem mais significativo que a 1ª previsão realizada em dezembro 2009.
Considerando os fatores climáticos citados, o terceiro levantamento para a safra de café no Estado
da Bahia, indica para a safra 2009/10, uma produção de café beneficiado em 2.295,9 mil sacas de 60
quilos, em uma área produtiva de 139.550 hectares, equivalendo a uma produtividade de 16,45 sacas
de 60 quilos por hectare.
A espécie mais cultivada é a arábica, que ocupa uma área de 115.617 hectares situada em duas regiões principais – Cerrado (Oeste do Estado) e Planalto – com produção prevista de 1.251,3 mil sacas.
Em nível de Estado, a colheita apresenta o seguinte comportamento: 5% em abril, 10% em maio, 25%
em junho, 35% em julho, 20% em agosto e 5% em setembro.
PARANÁ
A previsão de produção para esta safra é de 2,1 milhões de sacas, com produtividade média esperada de 25,42 sacas por hectare, mantendo o potencial obtido e registrado no ultimo levantamento
realizado em abril/10. Quanto à área cultivada, ocorreram apenas ajustes de estimativa em algumas
regiões do Estado.
Os trabalhos de colheita iniciaram na segunda quinzena de março e deverão se estender até fins
de setembro e início de outubro, até agora favorecidos pelas condições climáticas registradas neste
inverno. As condições climáticas registradas neste inverno, caracterizadas por tempo mais seco, favorecem a fase de “dormência” das lavouras que se preparam para as primeiras floradas a partir das
chuvas de setembro.
Apesar da recuperação dos preços do café no mercado físico, ainda permanece o quadro de desânimo junto aos cafeicultores, que não vêem boas perspectivas financeiras nesta safra uma vez que os
custos são elevados e necessitam vender boa parte da produção para custear a colheita. Estima-se
que 25% da produção atual foi vendida pelos produtores. O preço médio recebido pelos cafeicultores
em junho foi de R$ 234,69/sc, em julho de R$ 249,93/sc, e em agosto deverá fechar com média em
torno de R$ 260,00. Em algumas semanas os preços situam-se entre R$ 260,00 e R$ 280,00 / sc.
A próxima safra deverá ter menor potencial de produção a devido produtividade média mais baixa em
função do ciclo de bienalidade, situação que contribui para aumentar o desânimo do setor produtivo
diante dos atuais níveis de preço, uma vez que o custo médio de produção deverá ser maior.
RONDÔNIA
A terceira previsão para a safra de café no Estado de Rondônia, indica uma produção de 2.338 mil
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
107
sacas de 60 quilos. Este resultado é 51,1% superior à produção obtida na safra de 2009, devido
basicamente ao ano de bienalidade positiva, a ocorrência de chuvas nos estágios de floração, com
maior intensidade na safra atual do que a que ocorreu no mesmo período da safra anterior, além de
incorporação de novas áreas à produção a colher no ano em curso. Devido à baixa tecnologia utilizada, a produtividade média do Estado é uma das mais baixas do País, situando-se em 15,11 sacas de
60 quilos de café beneficiadas.
Fonte: <http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/90a470414b206e2314513e20522278aa..pdf>.
Acesso em: 25 nov. 2010.
Quadro 3. Atualização de previsão nacional de produção de café beneficiado safra
2010. Terceiro levantamento Conab.
CAFÉ BENEFICIADO - SAFRA 2010 - TERCEIRO LEVANTAMENTO
PARQUE CAFEEIRO
UNIDADE DA FEDERAÇÃO
REGIÃO
Minas Gerais
EM FORMAÇÃO
ÁREA
(ha)
132.483
EM PRODUÇÃO
CAFEEIROS
(mil covas)
ÁREA
(ha)
CAFEEIROS
(mil covas)
PRODUÇÃO
(em mil sacas beneficiadas)
Arábica
TOTAL
Conilon
PRODUTIVIDADE
(Sacas/ha)
473.685 1.009.669
3.110.115
24.448,0
252,0 24.700,0
24,46
Sul e Centro-Oeste
73.087
255.803
512.343
1.537.029
12.415,0
12.415,0
24,23
Cerrado-Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste
19.988
79.953
162.217
567.759
5.332,0
5.332,0
32,87
Zona da Mata-Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce,
Central e Norte
39.408
137.920
335.109
1.005.327
6.701,0
6.953,0
20,75
35.990
118.974
463.307
1.006.157
2.701,0
7,330,0 10.073,0
21,74
8.601
31.806
166.195
446.231
4.560,1
-
4.560,1
27,44
Paraná
11.400
56.100
82.613
292.250
2.100,0
-
2.100,0
25,42
Bahia
10.464
38.220
139.550
320.191
1.751,1
544,8
2.295,0
16,45
- Cerrado
3.041
16.421
12.273
67.502
499,8
499,8
40,72
- Planalto
4.246
14.542
103.344
201.521
1.251,3
1.251,3
12,11
- Atlântico
3.177
7.257
23.933
51.168
-
544,8
544,8
22,76
Rondônia
6.923
11.354
154.783
256.321
-
2.338,0
2.338,0
15,11
Mato Grosso
2.438
5.656
15.236
33.976
15,5
178,2
193,7
12,71
Pará
150
335
13.500
30.105
-
228,6
228,6
16,93
Rio de Janeiro
150
405
13.100
27.437
237,6
12,5
250,1
19,09
1.716
4.920
24.477
58.500
186,6
272,9
459,5
18,77
741.455 2.082.430
5.641.283
36.041,9
11.157,0 47.198,9
22,67
Espirito Santo
São Paulo
Outros
BRASIL
210.315
CONVÊNIO: MAPA - SPAE / CONAB
108
252,0
setembro/2010
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Quadro 4. Previsão nacional de produção de café beneficiado safra 2009.
CAFÉ BENEFICIADO - SAFRA 2009 - PRODUTO FINAL
PARQUE CAFEEIRO
UNIDADE DA FEDERAÇÃO
REGIÃO
Minas Gerais
EM FORMAÇÃO
ÁREA
(ha)
149.053
EM PRODUÇÃO
CAFEEIROS
(mil covas)
ÁREA
(ha)
CAFEEIROS
(mil covas)
PRODUÇÃO
(em mil sacas beneficiadas)
Arábica
Robusta
TOTAL
233.558 1.000.731
3.081.714
19.598
19.880
19,87
311.993
506.468
1.519.404
9.750
9.750
19,25
23.750
95.000
159.042
556.647
3.859
3.859
24,26
36.162
126.565
335.221
1.005.663
5.989
282
6.271
18,71
Espirito Santo
33.892
113.569
479.798
1.086.832
2.603
7.602
10.205
21,27
São Paulo
10.410
40.099
182.020
404.995
3.423
-
3.423
18,81
Paraná
12.240
62.400
85.180
290.100
1.467
-
1.467
17,22
Bahia
7.754
29.611
126.170
288.642
1.332
542
1.874
14,85
- Cerrado
3.214
17.356
12.088
66.481
436
-
438
36,07
- Planalto
1.652
5.659
91.373
173.609
896
-
896
9,81
- Atlântico
2.888
6.598
22.709
48.552
-
542
542
23,87
Rondônia
6.152
10.465
154.335
261.907
-
1.547
1.547
10,02
Mato Grosso
1.438
3.840
15.272
37.035
11
130
141
9,23
150
335
12.407
27.940
-
228
228
18,38
200
540
13.923
29.238
252
13
265
19,06
1.323
3.308
23.073
55.306
180
260
440
19,07
797.365 2.092.909
5.563.709
28.866
10.604
39.470
18,86
Sul e Centro-Oeste
89.141
Cerrado-Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste
Zona da Mata-Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce,
Central e Norte
Pará
Rio de Janeiro
Outros
BRASIL
222.612
CONVÊNIO: MAPA - SPAE / CONAB
282
PRODUTIVIDADE
(Sacas/ha)
setembro/2010
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
109
Quadro 5. Comparativo de produção de café beneficiado safra 2009 e 2010 por estados.
CAFÉ - BENEFICIADO - COMPARATIVO DE PRODUÇÃO
PRODUÇÃO (mil sacas beneficiadas)
UNIDADE DA FEDERAÇÃO
REGIÃO
ARÁBICA
Safra 2009
Safra 2010
Variação
%
CONILON
Safra 2009
Safra 2010
TOTAL
Variação
%
Safra 2009
Safra 2010
Variação
%
19.598,0
24.448,0
24,7
282,0
252,0
19.880,0
24.700,0
24,2
Sul e Centro-Oeste
9.750,0
12.415,0
27,3
0,0
0,0
-
9.750,0
12.415,0
27,3
Cerrado-Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste
3.859,0
5.332,0
38,2
0,0
0,0
-
3.750,0
5.332,0
38,2
Zona da Mata-Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce,
Central e Norte
5.859,0
6.701,0
11,9
282,0
252,0
6.271,0
6.953,0
10,9
Espirito Santo
2.603,0
2.743,0
5,4
7.602,0
7.330,0
-3,6
10.250,0
10.073,0
(1,3)
São Paulo
3.423,0
4.560,1
33,2
0,0
0,0
-
3.423,0
4.560,1
33,2
Paraná
Bahia
1.467,0
1.332,0
2100,0
1.751,1
43,1
31,5
0,0
542,0
0,0
544,8
0,5
1.467,0
1.874,0
2.100,0
2.295,9
43,1
22,5
Minas Gerais
- Cerrado
436,0
499,8
14,6
0,0
0,0
-
436,0
499,8
14,6
- Planalto
896,0
1.251,3
39,7
0,0
0,0
-
896,0
1.251,3
39,7
- Atlântico
Rondônia
Mato Grosso
Pará
Rio de Janeiro
Outros
BRASIL
0,0
0,0
-
542,0
544.8
0,5
542,0
544,8
0,5
0,0
0,0
-
1.547,0
2.338,0
51,1
1.547,0
2.338,0
51,1
11,0
15,5
40,9
130,0
178,2
37,1
141,0
193,7
37,4
0,0
15,5
-
228,0
228,6
0,3
228,0
228,6
0,3
252,0
237,6
(5,7)
13,4
12,5
-6,8
265,4
250,1
(5,8)
180,0
186,6
3,6
260,0
279,9
5,0
440,0
459,5
4,4
28.866,0
36.041,9
24,9
10.604,4
11.157,0
5,2
39.470,4
47.198,9
19,6
CONVÊNIO: MAPA - SPAE / CONAB
110
setembro/2010
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Quadro 6. Comparativo de produção de café beneficiado Arábica safra 2010.
CAFÉ BENEFICIADO - ARABICA - SAFRA 2010 - TERCEIRO LEVANTAMENTO
PARQUE CAFEEIRO
UNIDADE DA FEDERAÇÃO
REGIÃO
Minas Gerais
EM FORMAÇÃO
ÁREA
(ha)
EM PRODUÇÃO
CAFEEIROS
(Mil covas)
ÁREA
(ha)
CAFEEIROS
(Mil covas)
PRODUÇÃO PRODUTIVIDADE
(Mil sacas)
(Sacas/ha)
130.560
466.954
994.973
3.066.027
24.448,0
24,57
Sul e Centro-Oeste
73.087
255.803
512.343
1.539.029
12.415,0
24,23
Cerrado-Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste
19.988
79.953
162.217
567.759
5.332,0
32,87
Zona da Mata-Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce,
Cemtral e Norte
37.485
131.198
320.413
961.239
6.701,0
20,91
15.045
59.021
181.367
448.235
2.701,0
15,12
Espirito Santo
São Paulo
8.601
31.806
166.195
446.231
4.560,1
27,44
Paraná
11.400
56.100
82.613
292.250
2.100,0
25,42
Bahia
7.287
30.963
115.617
269.023
1.751,1
15,15
40,72
- Cerrado
3.041
16.421
12.273
67.499
499,8
- Planalto
4.246
14.542
103.344
201.524
1.251,3
12,11
Mato Grosso
115
278
1.216
2.711
15,5
12,75
Rio de Janeiro
143
385
12.445
26.065
237,6
19,09
Outros
704
2.018
9.791
23.400
186,6
19,06
647.252 1.564.217
4.573.942
36.041,9
23,04
BRASIL
173.855
CONVÊNIO: MAPA - SPAE / CONAB
setembro/2010
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
111
Quadro 7. Comparativo de produção de café beneficiado Conilon safra 2010.
CAFÉ BENEFICIADO - CONILON - SAFRA 2010 - TERCEIRO LEVANTAMENTO
PARQUE CAFEEIRO
EM FORMAÇÃO
UNIDADE DA FEDERAÇÃO
REGIÃO
ÁREA
(ha)
Minas Gerais
EM PRODUÇÃO
CAFEEIROS
(Mil covas)
ÁREA
(ha)
CAFEEIROS
(Mil covas)
PRODUÇÃO
PRODUTIVIDADE
(Mil sacas)
1.923
6.731
14.696
44.088
252,0
17,15
1.923
6.731
14.696
44.088
252,0
17,15
20.945
59.953
281.940
617.922
7.330,0
26,00
3.177
7.257
23.933
51.168
544,8
22,76
3.177
7.257
23.933
51.168
544,8
22,76
Rondônia
6.923
11.354
154.783
256.321
2.338,0
15,11
Mato Grosso
2.323
3.202
14.020
31.265
178,2
12,71
150
335
13.500
30.105
228,6
16,93
7
20
655
1.372
12,5
19,08
Outros
1.012
2.902
14.686
35.100
272,9
18,59
BRASIL
36.460
91.754
518.213
1.067.341
11.157,0
21,53
Zona da Mata-Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce,
Central e Norte
Espirito Santo
Bahia
Atlântico
Pará
Rio de Janeiro
CONVÊNIO: MAPA - SPAE / CONAB
setembro/2010
Gráfico 1- Representação por estado de produção de café beneficiado safra 2010.
PR
4,4%
BA
4,8%
GRÁFICO - 1
PRODUÇÃO DE CAFÉ - SAFRA 2010
PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL POR U.F.
RJ
PA
0,5%
MT
0,6%
0,4%
RO
Outros
5,0%
1,0%
SP
8,7%
MG
62,3%
ES
21,3%
ELABORAÇÃO: CONAB
Fonte: <http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/90a470414b206e2314513e20522278aa..pdf>.
Acesso em: 25 nov. 2010.
112
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
CADEIA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO DE CAFÉ
Fonte: arquivo pessoal
Os segmentos do sistema cafeeiro brasileiro são: fornecedores de insumos, máquinas e
equipamentos; produção primária; primeiro processamento (maquinistas e cooperativas);
segundo processamento (empresas de torrefação e moagem, empresas de solúvel e
cooperativas); vendedores nacionais (exportadores, cooperativas e atacadistas); compradores
internacionais (empresas de solúvel, empresas de torrefação e dealers) e varejo nacional e
internacional (supermercados, pequeno varejo, mercado institucional, lojas de café, bares e
restaurantes).
A matéria-prima do café dá origem a três produtos: café torrado, café torrado e moído e café
solúvel, os quais podem gerar subprodutos como: os 3x1 (café, leite e açúcar), cappuccinos,
soft-drinks, balas e outros.
Apesar da simplicidade na transformação do produto, as relações de produção são complexas.
Há diversos equipamentos utilizados na produção do café e parte dos insumos é adquirida por
meio de cooperativas. Nesse caso, a intermediação das cooperativas é vantajosa, pois resulta
em menores preços para os produtores e, em alguns casos, ainda facilitam o pagamento.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
113
O café beneficiado pode ser vendido para vendedores nacionais (exportadores e cooperativas)
e/ou compradores internacionais (indústria de solúvel e de torrefação e moagem). Grande
parte da produção de torrefação e moagem é escoada para o varejo nacional, enquanto que
na indústria de solúvel ocorre o inverso.
Os exportadores, cooperativas e centrais de cooperativas vendem para compradores
internacionais. Em alguns casos, a indústria nacional vende matéria-prima para exportadores
e, por fim, os compradores internacionais vendem para o varejo internacional.
De acordo com Saes e Nakazone (2002), conforme a estratégia adotada pelos agentes do
agronegócio, a complexidade de relações torna-se maior. Por isso, a partir da desregulamentação
do mercado cafeeiro, cria-se grupos estratégicos (agrupamento de empresas dentro de um
segmento) ou subsistemas coordenados (estruturas de governanças específicas adotadas
com a concorrência, exemplo, produtores de café orgânicos).
Dentre os fatores para o bom desenvolvimento da cadeia do agronegócio do café, estão: criação
de um Centro de Informação do Café; fomento à pesquisa de uso de cafés de baixa qualidade;
adoção de política de eliminação de distorções tributárias; incentivo a utilização da BM&F;
negociação da inclusão do café descascado brasileiro na Bolsa de Nova York; incentivo do uso
de mercado futuro, CPR e Contratos de Opção; fomento à pesquisa para desenvolvimento de
processos físico-químicos na análise sensorial; negociação de regulamentação técnica, normas
técnicas e regras de origem; defesa da harmonização de regras de autossustentabilidade e
divulgação de boas práticas adotadas nas lavouras brasileiras; incentivo da adoção de práticas
de irrigação poupadoras de água; continuidade às parcerias entre governo/setor privado/
instituições, para realização de pesquisas; incentivo da diversificação da produção rural e
boa gestão administrativa da propriedade; negociação da inclusão do Brasil no SGP (Sistema
Geral de Preferências); divulgação de linhas de financiamento para exportação de café torrado
e moído e para importação de máquinas de empacotamento e embalagem e melhoria da
isenção tarifária; aquisição de marcas de empresas já estabelecidas no mercado internacional;
possibilidade de importação de café verde para a indústria de torrado para a composição de
114
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
blends para exportação; continuidade do programa Sebrae de capacitação técnica e gerencial
para as empresas torrefadoras e remoção de barreiras tarifárias.
O café é um dos setores de maior geração de empregos no país, empregando aproximadamente
3,5 milhões de pessoas (SAES; NAKAZONE, 2002). A cafeicultura contribui na necessidade de
mão de obra não qualificada e qualificada, tornando-se bom distribuidor de renda e resultando
em melhor índice de desenvolvimento.
Segundo Najberg e Ikeda (2001), a demanda de empregos pelo agronegócio é resultado do
aumento da indústria do café. Pesquisas mostram que populações de municípios produtores
estão inseridas nos grupos de médio e alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
A importância do agronegócio pode ser verificada pela participação da agricultura familiar,
responsável por 25% da produção de café brasileiro (SAES; NAKAZONE, 2002).
CULTURA DO CAFEEIRO
As lavouras cafeeiras no Brasil de início não obedeciam, praticamente, a nenhum critério
técnico. Eram instaladas em terras virgens, depois da derrubada da mata e posteriores
queimadas. Com isso, em poucos anos, a fertilidade das terras era reduzida, o cafeeiro entrava
em decrepitude, produzindo cada vez menos, até tomar-se antieconômico. Essas terras eram,
então, abandonadas em troca de novos solos virgens, até que os limites de clima e distância
não permitissem mais a implantação de novos cafezais. Portanto, a principal determinante
da localização das lavouras antigas era a fertilidade do solo. Não havia preocupação com a
topografia, nem com o clima, e tampouco se aplicavam práticas conservacionistas.
Os plantios eram alinhados em quadrados e em triângulos. Os espaçamentos, em geral, eram
largos. Foram plantadas, dessa forma, quase todas as lavouras brasileiras. A sua duração e
resultados financeiros dependiam da fertilidade natural do solo, das condições topográficas e
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
115
do clima. A aplicação da técnica agronômica para melhorar a cafeicultura foi praticamente nula
neste período de caminhada do café de norte a sul do país (BOA, 2008).
CLIMA E SOLO
A produção econômica do café exige áreas com características ecológicas favoráveis ao
cultivo.
Clima
-Temperatura.
-Chuva.
-Altitude.
Temperatura
As temperaturas médias anuais entre 18°C e 22°C parecem mais favoráveis ao cafeeiro
da espécie Arábica. Entretanto, as temperaturas mínimas e máximas também devem ser
levadas em consideração. O cafeeiro é pouco tolerante às temperaturas baixas e não deve
ser plantado em regiões sujeitas às geadas. Por outro lado, em temperaturas acima de 30°C,
durante longos períodos, os prejuízos na produção do Arábica são grandes. Os botões florais
abortam, sem produzir frutos.
Chuva
O mais importante para o cafeeiro não é a precipitação anual, e sim a sua distribuição pelos
diferentes meses do ano. Um longo período de estiagem prejudica o bom desenvolvimento do
cafeeiro. Por outro lado, chuva em excesso na época da colheita e secagem dos frutos, pode
criar condições desfavoráveis à produção de cafés de boa qualidade.
116
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Altitude
As plantações brasileiras, em geral, situam-se na altitude de 400 a 900 metros. Altitudes
inferiores a essas estão contraindicadas à cultura dos Arábicas. As superiores podem favorecer
as propriedades organolépticas do café.
Solo
O cafeeiro requer solos férteis profundos e com boa porosidade. Entretanto, mesmo um solo
pobre, porém de boa topografia e com boas propriedades físicas, pode ser mais indicado à
cafeicultura que um solo rico, de péssima topografia e sem boas propriedades. A pobreza dos
solos é um problema que pode ser corrigido com adubação adequada.
Escolha do local
O cafezal a ser formado exige sempre as melhores terras destinadas aos cultivos.
Devem ser evitadas
- Terras voltadas para a face sul, sujeitas aos ventos frios, bastante prejudiciais ao cafeeiro.
- Terras infestadas por nematoides, principalmente em áreas de cafeeiros antigos.
- Baixadas úmidas.
- Proximidade de rios e represas.
- Má topografia do terreno.
SISTEMA DE PLANTIO
Em geral, recomenda-se o livre crescimento para o plantio do café. As distâncias entre linhas
e entre ruas variam bastante. Devem-se levar em consideração as condições locais, os tratos
a serem dispensados ao cafezal, a variedade de café a ser cultivada, a fertilidade do solo etc.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
117
Recomenda-se uma muda por cova. As mudas devem ser dispostas no sentido das linhas.
FORMAÇÃO DE MUDAS
Sementes
Para formar uma boa muda é necessária uma boa semente. São utilizadas, de preferência,
as sementes despolpadas, secas, de variedade ou linhagens selecionadas e colhidas há
menos de seis meses, para evitar a perda do poder germinativo. A quantidade de sementes
necessária à instalação de cafezal é calculada levando-se em conta seu poder germinativo e
o número de sementes, em média, 6.000/kg.
VIVEIROS
O atual sistema de cultivo em terras velhas é feito com mudas cultivadas em viveiros. O local
para o viveiro deve possuir boa topografia, ficar próximo à sede da fazenda, em lugar onde não
haja umidade excessiva e com facilidade para irrigação. Para a construção de viveiros deve-se
utilizar material de menor custo, como esteios de eucalipto ou bambu grosso e cobertura de
bambu ou mesmo colmos de capim napier ou colonião. Estes materiais de cobertura devem
estar dispostos no sentido norte-sul, portanto, transversalmente ao caminho do sol, de forma
a fornecer 40% de sombra e 60% de sol (BOA, 2008).
118
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Fonte: PHOTOS.COM
SEMEADURA
Direita
É aquela em que colocamos uma ou duas sementes
nos recipientes já preparados. Em ambos os casos, as
sementes devem ser cobertas com uma camada de
areia grossa, de espessura entre 1 e 2 cm. A época da
semeadura deve ser abril/maio, quando se espera mudas
de meio ano. As regas devem ser frequentes, evitando-se,
contudo, o encharcamento.
A partir de 40 dias da semeadura, dependendo da
temperatura, tem início a germinação. Começam a surgir as mudas, em cujo estágio é
conhecido como “palito de fósforo”. Quando as duas folhas cotiledonares se abrem, a muda
passa a se chamar “orelha de onça”.
PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS
Plantio em curvas de nível e outras práticas simples para prevenir a erosão. A erosão é o maior
fator de desgaste nos nossos solos, sem dúvida alguma. Os prejuízos causados pela erosão
podem afetar o sucesso na instalação de um cafezal. Devemos escolher áreas menos sujeitas
aos fenômenos da erosão. Devem ser excluídos os terrenos com declividade excessiva.
Hoje, para a formação de um cafezal, recomenda-se o plantio em curvas de nível, conjugado
com a realização de certas práticas de execução simples como, por exemplo, a redução de
capinas durante o período chuvoso, a alternância de épocas de capina em ruas adjacentes,
culturas intercalares etc.
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Preparo do terreno
• Aração – em locais de pastagem ou em solos bastante compactados são necessárias mais
de uma aração.
• Preparo do solo – deverá ser iniciada a partir de julho/agosto.
• Locação – é feita a seguir, marcando-se as covas que deverão ser alinhadas em nível. Os
carregadores também precisam ser locados.
• Abertura das covas ou sulcos - é feita em geral com o auxílio de enxadões. Entretanto,
pode ser feita abertura de sulcos por meio de sulcadores; o que aumenta muito o rendimento, tornando a operação mais econômica. Em condições normais as covas deverão ter
60 cm de comprimento, 40 cm de profundidade e 40 cm de largura.
Plantio no campo
Para o plantio no campo, devem ser escolhidas mudinhas de tamanho uniforme e bem
conformadas. Outro cuidado é o de se retirar gradativamente a cobertura do viveiro, de modo
que, 30 dias antes do plantio definitivo, as mudas já fiquem em pleno sol. O plantio das mudas
no campo deve ser iniciado de preferência nos meses de chuva.
O sistema de plantio do café, de modo geral, é o livre crescimento. O espaçamento básico
neste sistema é: variedades Mundo Novo e Bourbon Amarelo – 4 x 2,5m. Entretanto, condições
locais, tratos a serem dispensados e outros fatores podem alterar o espaçamento. Exemplo: 4
x 1.0m, 4 x 1.5m, 3 x 1.5m, 3 x 1.0m e os cafés adensados para as variedades Catuaí, Caturra
etc.
Preparadas e adubadas as covas, procede-se à operação de plantio. Se as mudas forem
convenientemente preparadas e submetidas a um estágio gradativo de insolação, antes de
irem para o campo, a porcentagem de pega é de quase 100% (SANTINATO, 2001).
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TRATOS CULTURAIS E ADUBAÇÃO
Formado o cafezal, o cultivo implica em operações importantes, tais como:
• Capinas.
• Combate às pragas e doenças.
• Replantio.
• Adubação.
• Limpeza e desbrota das plantas etc.
O cafeeiro, como todas as outras plantas cultivadas economicamente, é extremamente sensível
à concorrência de ervas daninhas, quando essas ultrapassam determinado desenvolvimento.
De modo geral, a eliminação das ervas daninhas deve ser feita antes que essas iniciem o seu
florescimento.
Entretanto, como cada uma delas tem um cicio vegetativo específico, não deve ser somente
este o fator indicado para eliminação. O principal é que durante o período de seca, que entre
nós varia de maio a setembro, o cafezal seja mantido livre de vegetação concorrente. O
controle das ervas daninhas é feito por meio de capinas e por meio de herbicidas.
Capinas
As capinas devem ser pouco profundas para não danificar as raízes dos cafeeiros que, em sua
maioria, estão a menos de 20 cm de profundidade. As capinas podem ser manuais, (em geral
são feitas com o emprego da enxada), mecânicas e por meio de herbicidas.
Replantio
O replantio consiste na substituição, nas covas, das plantas que não vingaram. Para tanto, é
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preciso que no viveiro haja mudas sobressalentes para atender estas eventualidades.
Limpeza e desbrota das plantas
A limpeza consiste na eliminação dos galhos secos e a desbrota na eliminação dos galhos
ladrões.
Adubação
Hoje, não se pode mais formar um cafezal sem fertilizar o solo. Para ter uma indicação correta
da adubação adequada é necessário, em primeiro lugar, fazer uma análise do solo, para se
conhecer as reais necessidades de cada área.
As lavouras cafeeiras no Brasil estão, em sua maioria, instaladas sobre solos pobres (como nos
cerrados) ou já desgastadas pelo uso anterior. A adubação é calculada a partir das análises
do solo e das folhas do cafezal. A aplicação correta de matéria orgânica e adubos químicos
na medida certa, sem carência ou desperdício, promove o equilíbrio nutricional da cultura
beneficiando-a como um todo.
A aplicação dos adubos químicos deve ser feita parceladamente e em cobertura, isto é, em
cima do solo, sob a saia do cafeeiro. Além da adubação química que inclui os macronutrientes
como o Nitrogênio, o Fósforo e o Potássio (NPK), deve-se estar atento para as deficiências de
micronutrientes. Dessas, as mais comuns são as de Zinco, Boro e Cobre.
PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS
- A broca-do-café e o bicho-mineiro exigem combate sistemático.
Broca-do-café
A principal praga do cafeeiro no Brasil é a broca Stephanoderes hampei. A broca dos frutos
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do cafeeiro foi constatada pela primeira vez em cafezais do estado de São Paulo, no ano de
1924. A broca-do-café, no seu estado adulto, é um pequeno besouro de coloração escura, de
comprimento não superior a 1,66mm. As fêmeas adultas penetram na coroa do fruto e fazem
galerias na polpa, ganhando o interior das sementes. Aí, alargam as galerias e fazem postura.
Cada fêmea vive em média 157 dias, pondo de 31 a 119 ovos.
A medida preventiva mais eficaz contra a broca-do-café é, sem dúvida, a boa colheita. A falta
do fruto na entressafra diminui, consideravelmente, a infestação.
Bicho-Mineiro
O bicho mineiro, Perileucoptera coffeella, apareceu no Brasil de forma alarmante, em 1869, no
estado do Rio de Janeiro. Os adultos são pequenas mariposas que medem de 5 a 6 mm de
ponta a ponta das asas. O comprimento do corpo mede somente 2mm.
Principal doença e seu controle
- A ferrugem é, sem dúvida, a mais grave doença do cafeeiro Arábica no Brasil.
- Em países como o Ceilão, Índia e Java o seu aparecimento foi desastroso.
Ferrugem do Cafeeriro
A ferrugem do cafeeiro constatada no Brasil em 17/1/1970, na Bahia, é causada pelo fungo
Hemileia vastatrix. É conhecida, também, por ferrugem alaranjada do cafeeiro. Algumas
espécies de Cofeea, embora suscetíveis à ferrugem, apresentam fatores de resistência. A
ferrugem, no início, apresenta-se com pequenas manchas amarelas ou alaranjadas, com 1 a 2
mm de diâmetro, sendo visível na parte inferior das folhas. Os esporos do fungo conferem um
aspecto pulverulento de coloração alaranjada e se situam nas manchas ou na sua periferia.
A disseminação da ferrugem é rápida e os esporos, chamados uredosporos, se disseminam
pelo ar, pela chuva e mecanicamente, por insetos, pelo homem e por outros veículos
transmissores. O esporo, atingindo a parte inferior da folha, necessita de condições favoráveis
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de temperatura e umidade para germinar e infectar a planta. Sabe-se que a falta e o excesso
de água são prejudiciais à germinação dos esporos.
COLHEITA
A colheita é uma operação muito importante. Influi grandemente no custo de produção e na
qualidade do café, destacando que:
1. A operação envolve a utilização de cerca de 50% de toda a mão de obra empregada anualmente na lavoura. Representa 25% a 30% do custo direto de produção do café.
2. Sendo uma operação leve, podem utilizar todos os tipos de trabalhadores disponíveis, fixos
ou volantes – homens ou mulheres - distribuindo renda, num período de 3 a 4 meses.
3. A colheita, por meio da época e do modo em sua execução, constitui a base para obtenção
de uma boa matéria-prima (frutos de café), a qual, recebendo um preparo adequado, vai
influir sobre a qualidade final do café.
Época de colheita
Temperatura, variedade, sistema de plantio,
insolação, chuva e florada do ano são os fatores
que definem a época.
Os frutos de café no estágio cereja (maduros)
encontram-se no ponto ideal de colheita, pois
já acumularam a maior quantidade de matéria
Fonte:<ht tp://commondatastorage.googleapis.
com/.../9861494.jpg>. Acesso em: 25 nov. 2010.
seca, chegando ao seu máximo desenvolvimento
e não sofreram, ainda, influências negativas por
fermentações indesejáveis, que ocorrem na fase pós-maturação, quando os frutos-cereja
evoluem para passas ou secos; nesses estágios, também os frutos-cereja caem com maior
facilidade, aumentando a parcela de cafés de chão ou cafés de varrição (BOA,2008).
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Desse modo, a época de colheita deve coincidir quando a lavoura ou determinado talhão
possuir os frutos, em sua maioria maduros, com pequena percentagem de verdes (menos de
20%) e quando ainda pouca quantidade deles estiver como passas ou secos.
A época de maturação dos frutos de café depende da região (mais quente ou fria), da variedade
do café (mais precoce ou tardia), do sistema de plantio (aberto ou adensado), da face de
exposição do terreno (mais ou menos ensolarada), da condição de chuva (especialmente o
início) e da florada no ano agrícola. Em função desses fatores, a colheita pode ser realizada
no período entre março/abril até setembro, em alguns casos prolongando-se até novembro/
dezembro, sendo os meses de junho a agosto onde se processa a maior parte da colheita nos
cafezais em nosso país.
Em função destas diferenças é indicado que antes de iniciar a colheita o produtor observe os
talhões e escolha, para começar a operação, as áreas onde a maturação estiver mais adiantada.
Enquanto isto os demais talhões acabam de chegar ao ponto ideal, sendo importante verificar
que uma colheita com elevado número de frutos verdes provocará sensíveis prejuízos à renda
e à qualidade. Por outro lado, uma colheita atrasada, com grande número de grãos secos, na
árvore e/ou no chão, aumentará o número de defeitos pretos e ardidos, piorando o tipo, a renda
e a bebida do café.
As lavouras mais novas (com melhor insolação), e as das variedades Icatu 3282, Bourbon
Amarelo e Mundo Novo Acaiá amadurecem mais cedo, e as de Catuaí, principalmente em
plantios mais densos e regiões mais frias, apresentam maturação tardia e desigualada.
Assim, o plantio de variedades de maturação precoce, média e tardia pode ser programado,
principalmente em grandes propriedades, para racionalizar o uso de mão de obra nas colheitas
com economia de custos. O uso de substâncias como o Ethrel (ácido 2 - cloroetil fosfônico)
para acelerar a maturação dos frutos não é indicado, pois só funciona tornando a casca
madura (vermelha ou amarela) e a semente, o que interessa, permanece verde.
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Modo de colheita
- Clima no inverno, mão de obra, equipamentos, tipo de solo, manejo, processamento pós-colheita e condições gerais da lavoura definem o procedimento.
A colheita de café pode ser feita por meio de três modos:
1. Por derriça (no pano, cesto, chão ou peneira).
2. A dedo.
3.Mecanicamente.
A escolha do tipo de colheita a ser usado em cada propriedade ou talhão depende das
seguintes condições:
1. Do clima no inverno, se seco ou úmido.
2. Da disponibilidade de mão de obra e de equipamentos.
3. Do tipo de solo, se arenoso ou argiloso.
4. Do tipo e manejo da lavoura, sua idade, variedade, espaçamento, altura das plantas etc.
5. E do processo de preparo pós-colheita a ser adotado.
As condições de uso e os cuidados necessários em cada modo de colheita são detalhados nos
itens seguintes. Em qualquer um deles devem ser observados dois cuidados básicos:
1. Colher e preparar separadamente os cafés “de árvore” daqueles do chão (“cafés de varrição”).
2. Levantar o mais rápido possível o café derriçado e levar para o lavador ou terreiro, no
mesmo dia, o café colhido, que, assim, não deve permanecer amontoado na roça.
Derriça no pano, em peneiras ou cestos
É o modo mais indicado para as regiões de inverno úmido e áreas com solo argiloso, onde o
café não deve entrar em contato com o chão.
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O café é derriçado sobre panos ou plásticos (ráfia de plástico), colocados sobre o chão,
debaixo e em cada lado da planta ou linha (no renque), para aparar os frutos derriçados da
planta, evitando que entrem em contato com a terra e com o café caído antes da colheita (os
“cafés de varrição” fermentados).
O café colhido no pano facilita a abanação para a separação de folhas e ramos, e simplifica o
transporte e a lavagem, pois evita a terra, as pedras, os torrões e outras impurezas.
A colheita compreende três operações:
- Derriça - 65%.
- Rastelação/varrição -15%.
- Levantamento do café do chão e a abanação - 20%.
O rendimento operacional da colheita por derriça manual no pano foi avaliado em um trabalho
realizado por técnicos do ex-IBC no Sul de Minas, onde foram colhidas várias lavouras
das duas variedades, de porte alto e baixo, Mundo Novo e Catuaí, e em diversos níveis de
produtividade. Verificou-se a necessidade variável de 15 a 60 homens/dia para a colheita de
mil cafeeiros (espaço 4 x 1,5m), sendo essa necessidade crescente à medida do aumento da
carga pendente (produtividade), embora este acréscimo de mão de obra não seja proporcional,
uma vez que o rendimento do trabalhador, em sacas colhidas por dia, é maior nas lavouras
mais produtivas.
No caso da variedade Catuaí, de porte baixo, não exigindo escadas, o rendimento foi em
média 38% maior em relação ao Mundo Novo com a mesma idade e produtividade. A derriça
em cestos ou peneiras é pouco usada, sendo indicada em cafeeiros jovens, de menor porte.
A derriça em peneiras é tradicional em cafeeiros Conilon, já que os seus ramos vergam com
facilidade. Mesmo assim, o trabalho com a peneira sempre exige mais esforço e deixa mais
frutos caírem no chão (MAPA, 2010).
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Derriça no chão
O café pode ser derriçado no chão, sem prejuízos, em regiões de inverno seco e em áreas de
solo arenoso, onde as condições de baixa umidade, na planta e no solo, favorecem a rápida
passagem dos frutos do estágio de maduros para secos, sem as fermentações que prejudicam
a qualidade do café.
Esse tipo de derriça também é a melhor solução para cafezais superadensados, mantidos sob
condição de fechamento, onde é impossível colocar panos e, neste caso, o café é derriçado
já bem seco, podendo ser usada a derriça com auxílio de pequenas varas ou pedaços de
mangueira, batendo levemente sobre os ramos. Deste modo, aumenta-se bastante o
rendimento da derriça, principalmente na parte alta (ponteiro) das plantas, que pela derriça
normal somente seria atingida com o uso de escadas, ou então pelo envergamento dos ramos,
causando muitas quebras de hastes. Para minimizar possíveis prejuízos na qualidade do café
em regiões e em anos mais úmidos, devem-se adotar os seguintes cuidados:
1. Realizar um bom serviço prévio de arruação, mantendo o chão bem limpo.
2. Juntar e levantar o “café de varrição”, antes da derriça do “café da árvore”.
3. Recolher no mesmo dia o café derriçado.
4. Levar o café rapidamente e obrigatoriamente para o lavador/separador e, daí, para o terreiro ou secador.
Cuidados na derriça
A derriça é um processo de colheita usado apenas na cafeicultura brasileira, onde a maturação
do café é mais igualada e, assim, os frutos podem ser retirados dos ramos de uma só vez.
Como o nome indica, a derriça é feita com a mão semifechada que percorre o ramo, da sua
base para a ponta, arrancando todos os frutos, inclusive parte das folhas presentes no ramo.
Para evitar prejuízos sobre a planta e facilitar e acelerar o trabalho de derriça recomendam-se
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os seguintes cuidados:
1. Correr a mão derriçando só até onde houver frutos, não continuando até a ponta do ramo,
pois em sua parte terminal (verde), correspondente ao crescimento do ano, encontra-se
a folhagem, importante para a florada e produção do ano seguinte, que pela derriça sem
cuidado poderia ficar bastante desfolhado.
2. Para evitar quebra de ramos produtivos, não puxar os ramos de um lado da planta para
outro e usar escadas sempre que necessário.
3. Usar panos em dimensões adequadas que cubram com sobra toda a projeção da copa e
transpassá-Ios sem deixar frestas junto ao tronco, evitando assim queda de frutos no chão.
4. Aproveitar para derriçar nos períodos onde os frutos se soltam com mais facilidade, sempre
que houver umidade no solo ou na planta, pelo orvalho.
Colheita a dedo
A colheita a dedo, tirando somente os frutos maduros, usada em regiões onde a derriça é
contraindicada, agrega maior valor ao produto, amortizando parcialmente seu custo mais alto.
É um sistema pouco usado no Brasil, embora seja predominante no resto do mundo,
principalmente onde se utiliza o despolpamento, em função da maturação desigual dos frutos.
Produtores importantes como a Colômbia e países da América Central praticam este tipo de
colheita. Neste sistema, apenas os frutos maduros são coletados a dedo, sendo a colheita
completada de 10 a 16 passadas ao ano.
No Brasil, a região Nordeste (BA, CE, PE) apresenta, na maioria dos anos, uma condição de
maturação desigual e chove no período de colheita, sendo tradicional a colheita “a dedo” ali
comumente chamada de catação, feita em dois e três passadas, colhendo os maduros, sendo
a passada final por derriça, também chamada de “rapa”, pois essa tira todos os frutos ainda
remanescentes na planta (maduros ou verdes).
A colheita a dedo, tirando somente os frutos maduros, é usada nas regiões onde a derriça é
contraindicada, e o preparo de cafés despolpados ou descascados é quase uma consequência,
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
129
pois agrega maior valor ao produto, amortizando, parcialmente, o custo mais oneroso deste
tipo de colheita, além de facilitar a secagem.
Os frutos colhidos são depositados em cestos ou em pequenos recipientes, como latas e
sacolas, presos ou não ao corpo do colhedor treinado para retirar apenas os maduros, com a
mínima presença de verdes, visando a boa uniformidade e o melhor aproveitamento dos frutos
por ele colhidos. Um sistema de desconto ou prêmio no pagamento do colhedor estimula a
colheita com maior porcentagem de maduros.
O custo da colheita a dedo é elevado, sendo maior a necessidade de mão de obra, porém a
qualidade do café colhido pode ser muito boa, dependendo do preparo, já que os frutos são
mais uniformes, sem grãos imperfeitos ou impurezas.
Colheita mecânica
Foi introduzida no Brasil a partir de meados da década de 1970 e sua expansão se deu
gradativamente, sendo que nos três últimos anos, com as dificuldades e o custo elevado da
mão de obra (operacional e social), tem sido observada nova expansão no uso da colheita
mecanizada nas lavouras de café.
Nas fazendas médias e grandes, em regiões planas/onduladas, onde a cafeicultura empresarial
se desenvolve, principalmente nas regiões do cerrado, a colheita mecanizada é um instrumento
muito útil na viabilização do empreendimento e na racionalização do trabalho.
Implementos usados na colheita
Nos trabalhos de colheita são utilizados diversos utensílios ou equipamentos auxiliares para
facilitação da colheita, recolhimento e limpeza do café e transporte.
Panos de colheita: de tecido rústico ou de ráfia de plástico são comuns nas dimensões de 3,5m
x 2,5m ou 6m x 3m, dando para cobrir um lado da linha de café numa extensão correspondente
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
de 2 a 8 plantas, conforme o espaçamento. Devem ser usado aos pares, um de cada lado da
linha.
Para plantios adensados os panos devem ter menor largura (mais ou menos 2 m), nesse caso
cobrindo toda a rua, entre 2 linhas. Em áreas declivosas, a fixação do pano e o levantamento
da aba, na parte inferior do declive, podem ser feitos amarrando em pequenas estacas ou
ganchos.
Rastelos, rodos e vassouras: os rodos e rastelos podem ser de ferro ou madeira. Os rastelos
com dentes mais abertos são usados para juntar e separar as folhas e resíduos grandes. O
café, em seguida, é juntado em leiras ou em pequenos montes com rastelos de dentes mais
próximos ou rodos. Esses são usados também para juntar e mexer o café no terreiro.
As vassouras (de vários tipos, inclusive aquelas feitas com vegetais como Muchinga (Sida sp)
ou ramos de bambu), são usadas, também, para juntar o café de chão.
Peneiras, balaios, caixas e latas: as peneiras são usadas tanto na colheita, recebendo o café
derriçado sobre elas, para abanar o café. Elas podem ser de arame ou de taquara, sendo
que para o café Conilon elas devem ter crivos menores. Os balaios são usados para juntar,
carregar e medir o café colhido, a mesma finalidade das caixas (40 litros) ou latas (20 litros),
estas últimas são mais usadas para medição na Bahia. Atualmente, existe no mercado uma
medida tipo um latão de folhas de flandre ou plástico, de 60 litros de café da roça, mais usada
no Centro-Sul; no Espírito Santo usam-se sacas/medidas de 80 litros.
Sacaria: são usados sacos de ráfia de plástico, de lona ou de estopa (velhos) para receber o
café colhido. Em certas fazendas o próprio saco colhedor, devidamente marcado e numerado,
é também usado como medida (60 I) para facilitar seu recebimento e controle pelo capataz.
Em grandes fazendas está sendo usado também o “big-bag”, que é distribuído na plantação.
Este saco recebe o café durante o dia e depois é recolhido em veículo munido de munck.
Plataformas e carretas: algumas fazendas, com instalações de preparo do café centralizadas
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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e distantes das mesmas, recolhem o café com trator, sendo em seguida depositado em
plataformas carregadoras, feitas com madeira em barrancos, onde depois, encostam o
caminhão para, com facilidade, receber o café e então levá-Io até a usina de preparo. É muito
útil também o uso de carreta basculante, que recebe o café a granel dentro dela e, após o
transporte despeja a carga com facilidade junto à plataforma de recebimento, antes do lavador.
Escada: pode ser de madeira, bambu ou de cano de ferro, com ou sem uma haste de
sustentação (32 pontos), sendo usada pelo colhedor para alcançar, durante a colheita, a parte
alta das plantas.
Abanador mecânico: é um equipamento que substitui ou complementa o trabalho da peneira
na separação de impurezas do café colhido. Apresenta bom rendimento, podendo abanar
mais de 50 sacas/hora. Os melhores são os modelos projetados para acoplamento a um
trator podendo assim, operar na própria lavoura ou ficando fixo antes do lavador separador, aí
efetuando uma pré-limpeza (BOA, 2008).
Fonte: <http://www.trekearth.com/gallery/photo947580.htm>. Acesso em: 25 nov. 2010.
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OFERTA E DEMANDA CAFEEIRA
Fonte: <http://samambaiando.zip.net/arch2009-06-01_2009-06-3>. Acesso em: 25 nov. 2010.
A lei de oferta e demanda na cafeicultura é explicada pelo rápido aumento da oferta gerada
pelo grande número de produtores e cultura sem barreiras de entrada, gerando um excesso.
Com isso, há queda do preço, desistência da cultura por parte dos produtores, diminuição da
produção e elevação do preço.
Algumas vezes, o governo realiza a política de preço mínimo de mercado para intervir na
livre concorrência, evitar a escassez, a oscilação e evitar súbito aumento do preço do produto
(NASCIMENTO, 2008).
A oferta excessiva do café, resultante do aumento da produção mundial, elevou os estoques
mundiais e resultou na queda das cotações (SAES; NAKAZONE, 2002).
As torrefadoras internacionais passaram a substituir o café Arábica pelo Robusta devido ao
aumento de oferta de Robusta e aumento do deságio entre eles (CAFÉ, 1998). Além disso,
o excesso de Robusta no blend leva o consumidor a reduzir a quantidade no consumo da
bebida (ILLY, 2002).
O aumento da demanda depende da implementação de uma política de marketing adequada
para impulsionar a cultura, aumentando as exportações do produto (NASCIMENTO, 2008).
Além disso, a demanda está relacionada às mudanças nos hábitos de consumo (SAES; FARINA,
1999). O consumo de café nos mercados americano e europeu apresenta estabilidade e queda
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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em alguns casos, devido à dificuldade de transmitir uma imagem benéfica especialmente aos
jovens (THE ECONOMIST, 1996).
Conforme estudo, ao analisamos o processo de colheita de café, sabemos da importância social em
contratar mão de obra humana, que representa de 25 a 30% do custo direto de produção. É mais
satisfatório economizar em mão de obra humana baixando automaticamente o custo de produção ou
implementar o sistema de colheita mecânica que é muito mais viável economicamente?
No Brasil, a preocupação é quanto à demanda de consumidores por cafés de alta qualidade.
Pesquisas indicam aumento de 15 a 20% do consumo interno de cafés especiais. Portanto, a
demanda é resultante da valorização de cafés de alta qualidade e sua competitividade.
Alguns anos atrás, praticamente não havia blends de cafés puros brasileiros no exterior.
Atualmente, passam de 70 marcas. Este diferencial cria uma demanda de volume para cafés
finos, com prêmios de US$ 3 a 5 por saca (LEITE, 2008).
No mercado interno observam-se cafés de altíssima qualidade, oferecidos nas diversas lojas
de cafés espalhadas no país, oferecendo os mais variados tipos de blends, cappuccinos e
bebidas feitas por baristas.
Quanto maior a capacidade de reconhecimento de atributos pelos consumidores, maior o
ganho pelos produtores. Entretanto, quanto maior a importância dada à marca e blends pelos
consumidores, maiores os ganhos de torradores. Já que há redução da importância de cafés
específicos, diminuindo o custo da matéria-prima, o Brasil deve trabalhar no sentido de fazer o
consumidor valorizar seus cafés (SAES; NAKAZONE, 2002).
Caso haja demanda por cafés de baixa qualidade, o mercado deve encontrar uma forma de
supri-la por meio de ações, ao invés de controlar a oferta. Uma alternativa seria dar um destino
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CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
mais nobre a esse café de baixa qualidade. O ITAL (Instituto Tecnológico de Campinas), por
exemplo, realiza estudos para a utilização deste tipo de café na fabricação de óleo para a
indústria cosmética.
Dentre os países produtores, o Brasil possui maior mercado interno consumidor e por sua
representação no mercado externo, há boas perspectivas de demanda.
A demanda mundial vem crescendo 1% ao ano. O consumo per capita mundial de café é de
1 kg/ano. Os Estados Unidos são os maiores consumidores do mundo, seguido do Brasil,
Alemanha e Japão.
Nos próximos anos, a demanda mundial deve superar 120 milhões de sacas/ano. Com isso, o
Brasil precisa aumentar sua produção atual de 40 milhões de sacas/ano. Apesar da tendência
de redução do espaço de plantio, não há problemas no volume de produção nacional
(BARROS, 2008).
Portanto, para atender a crescente demanda mundial de café, o Brasil precisa aumentar
sua produtividade e investir em tecnologia e capitalização do produtor, visto que há boas
perspectivas de preços para as próximas safras.
Para isso, o país vem acompanhando as novas demandas e se preparando para atender todos
os tipos de mercado com qualidade e quantidade (LEITE, 2008).
Nesse caso, uma solução seria aumentar o mercado consumidor interno e externo, já que
por falta de marketing, alguns países desconhecem o produto. A Ásia, por exemplo, possui
grande potencial de mercado, mas não tem costume de consumir café ou ignora sua existência
(NASCIMENTO, 2008). No Japão, observa-se aumento na demanda de café, apesar do grande
consumo de chá. Na Índia, há crescimento notável do consumo doméstico, principalmente de
café solúvel (SAES; MIRANDA, 2008).
Apesar de índices baixos comparados a países europeus, os dados mostram a adaptação
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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do oriente aos hábitos ocidentais. Com isso, as multinacionais direcionam esforços para
conquistar estes mercados. Ressalta-se ainda, a importância dada pelo mercado japonês aos
cafés diferenciados, havendo neste caso oportunidade na demanda por cafés orgânicos.
Acesse os links:
<http://www.conab.com.br>.
<http://www.abic.com.br>.
<http://www.abics.com.br/>.
<http://www.revistacafeicultura.com.br>.
<http://www.safras.com.br/>.
<http://www.agnocafe.com.br/>.
<http://www.coffeebreak.com.br/>.
<http://www.coffeebusiness.com.br/>.
<http://www.sindicafesp.com.br/>.
<http://sindicafe-mg.com.br/plus/>.
<http://www.cecafe.com.br/>.
<http://www.canaldoprodutor.com.br/>.
Acesso: em 10 nov. 2010.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como podemos observar a cultura do café é fundamental para nosso país. Em termos de
história colaborou para aberturas de fazendas, colonização, economia local etc.
O café não se difere de outras culturas quanto a região de implantação da cultura no qual
devemos observar vários fatores, ou seja, primeiramente qual cultivar que desejo implantar
Coffea arabica – CAFÉ ARÁBICA ou Coffea canephora - CAFÉ ROBUSTA, afinal cada
variedade ou espécie se adapta melhor a cada região do país.
Ainda observamos fatores “não controlados” podemos dizer como clima, solo, temperatura,
altitude ou seja o que o homem não pode transformar por enquanto.
Devemos ficar atentos às pragas e doenças. Fator muito importante no processo da cultura,
afinal assim como o clima desfavorável que pode acabar com a cultura cafeeira as pragas e
136
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
doenças também podem levar a essa situação.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1- Observamos em nosso estudo a diferença de produção por estado do café Arábica e do
café Conilon, pois cada estado tem o clima ideal para cada tipo de espécie. Em seu
ponto de vista, o governo brasileiro poderia investir em pesquisas mesclando variedades
ou pesquisando novas variedades para que o estado que produz Arábica produza também
o Conilon? Explique.
2- Com base no assunto tratos culturais e adubação, podemos analisar que os produtores
devem seguir algumas operações básicas como capinas, combate à pragas etc. Com este
intuito, você acredita que em fase de preços baixos do café o produtor segue esta operação
básica? Comente.
3- Analisamos a respeito de oferta e demanda do produto café, sendo que quanto maior a
oferta de produto, menor o preço do mesmo. Os produtores têm a garantia do preço mínimo
estipulado pelo governo. Em sua opinião, este preço realmente é utilizado? Ou fica apenas
em documentos? Comente.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
137
138
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
UNIDADE IV
CAFEICULTURA: MERCADOS E INDÚSTRIAS
Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Professor Esp. Diogo Bochnia Zuliani
Objetivos de Aprendizagem
• Contextualizar o aluno sobre pós-colheita do café.
• Analisar os mercados cafeeiros.
• Analisar o sistema industrial do café.
• Obter conhecimento sobre o consumo de café.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Preparo no setor de pós-colheita do café
• Análise do setor mercadológico do café
• Contextualização do setor industrial de café
INTRODUÇÃO
Olá, caro aluno! Seja bem-vindo à nossa unidade IV.
Há três tipos de indústrias de café, que são voltadas para os diferentes segmentos de mercado.
Um mercado que vem apresentando crescimento tanto no mercado interno quanto externo é
o da cafeicultura orgânica.
Fonte: PHOTOS.COM
Nesta unidade, será apresentada toda a cadeia no setor de pós-colheita do produto café, noções sobre a exportação do produto
formas de industrialização do café, ou seja, desde o grão natural
(verde) até o processo torrado e moído, obtendo um conhecimento
amplo da cultura fora da porteira. Lembrando que um café de qualidade necessita de vários cuidados primários.
PREPARO PÓS-COLHEITA
Processos de Preparo do Café e a Influência sobre a Qualidade
O preparo ou o processamento dos frutos de café, após a colheita, pode ser feito de 2 modos:
por via seca, resultando nos "cafés de terreiro", ou por via úmida, resultando nos "cafés
despolpados" ou os "cafés descascados".
Na cafeicultura brasileira, predomina em mais de 90% a preparação do café por "via seca"
e, neste processo, a qualidade do produto depende das condições climáticas da zona de
produção (umidade, temperatura, chuvas etc.), especialmente durante o período de colheita
e dos cuidados adotados nas colheitas e durante o preparo dos cafés colhidos, para evitar
fermentações indesejáveis, que ocorrem na mucilagem açucarada dos frutos. Estas
fermentações podem ser de natureza lática, acética, butírica e propiônica, influindo a flora de
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
141
micro-organismos presente, as condições climáticas e o tempo decorrido da maturação até a
secagem dos frutos (BOA, 2008).
Em regiões como as do Cerrado em Minas, com inverno frio e seco, a florada, a frutificação
e a maturação são mais uniformes e o tempo de secagem do café é menor. Estes fatores
determinam maior facilidade na obtenção de cafés de terreiro de boa qualidade, com bom
corpo e aroma, mesmo com poucos cuidados no preparo.
No processo por via úmida, pouco usado no Brasil e que leva à preparação dos cafés
despolpados, parte-se somente dos frutos maduros, seguindo-se a rápida eliminação da
casca e da mucilagem, fontes de fermentação e que retardam a secagem, com isso sendo
fácil obter cafés de boa bebida, independentemente da zona de produção.
O preparo por "via seca" não dispensa, totalmente, o uso de água no processo, pois é indicado
usar o lavador/separador antes do processo de secagem, armazenamento e beneficiamento.
Já o preparo "por via úmida" utiliza bastante água, partindo de frutos maduros colhidos
especialmente ou, então, esses frutos são separados a partir de uma colheita normal, por
derriça, tendo os frutos secos separados no lavador/separador e os frutos verdes separados
no cilindro separador de verdes que é localizado junto ao equipamento despolpador. O café
despolpado é degomado para a retirada da mucilagem, seguindo a secagem, o armazenamento
e o beneficiamento. O preparo dos cafés chamados "cerejas descascados" é uma variável no
processo "via úmida", onde só os frutos maduros entram num equipamento semelhante ao
despolpador, com o cilindro na vertical, que tira a casca e o café em pergaminho. Não passa
pelo processo de degomagem, indo direto para a secagem.
Assim, obtém-se um café com características de cor e corpo semelhantes ao café de terreiro,
porém com maiores possibilidades de obtenção de melhores padrões de bebida, especialmente
nas zonas climaticamente não propícias aos cafés de bebida fina. Pode-se, ainda, acoplar um
desmucilador vertical para facilitar o processo seguinte, de secagem (BOA, 2008).
142
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Fonte: PHOTOS.COM
EXPORTAÇÃO DO CAFÉ BRASILEIRO
Atualmente, o café responde por 2,5% da
exportação brasileira. Entre 1830 e 1840, o café
assumiu a liderança das exportações do país com
mais de 40% do total. Em 1840, o Brasil se tornou
o maior produtor mundial de café.
Nos anos 1950, o Brasil enfrentou concorrência com outros países produtores, diminuindo
sua participação para 25% da produção mundial. Atualmente, o país é responsável por 30%
da produção mundial. Para manter sua fatia no mercado mundial, além de vender café para
os mercados tradicionais como Alemanha, Estados Unidos, Itália e França, o país conquistou
novos mercados como o Japão e a China, conhecidos por não serem grandes consumidores
de café. Hoje, o Japão já é o quinto maior consumidor do mundo (ABREU et al., 2006).
Os países árabes são vistos como novos mercados potenciais. Alguns países já importam café
brasileiro. Em 2005, o Líbano passou a ser o maior mercado no Oriente Médio, importando
292,4 mil sacas de café.
As exportações para árabes ainda são pequenas, porém a região é considerada como bom
mercado, já que os árabes consomem mais café brasileiro do que mostram os números.
Nos anos 1970, quando o valor da exportação de manufaturados ultrapassou o do café, a
participação nas exportações diminuiu. Nos anos 1980, o café respondeu por aproximadamente
10% do valor total das exportações. Na década de 1990, esse percentual diminuiu ainda mais e
o café passou a responder por cerca de 3% das exportações brasileiras (ABREU et al., 2006).
O Brasil possui 220 firmas exportadoras com estrutura logística que interliga fazendas a portos.
Atualmente, o país é o maior produtor e exportador de café. Em 2002, as exportações
brasileiras bateram o recorde de 27,9 milhões de sacas, representando market-share de 32%.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
143
Apesar do crescimento significativo nas exportações, o café deixou de ser o principal produto
da pauta brasileira de exportação agrícola, ficando atrás do complexo soja, açúcar e carne de
frango. Em 2003, as exportações recuaram para 25,5 milhões de sacas.
De 2002 a 2006, o Brasil exportou aproximadamente 134,10 milhões de sacas. Em 2006, o
café foi o quinto produto agrícola mais exportado. Das 44 milhões de sacas de café produzidas,
27,2 milhões foram exportadas para setenta e três países, gerando US$ 3,3 bilhões.
As exportações mundiais de café Robusta cresceram a uma taxa média de 7%, enquanto as
de Arábica aumentaram 2%, entre os anos de 1997 e 2001. O crescimento das exportações
brasileiras de café Robusta nesses anos foi de 8,9% ao ano (SAES e NAKAZONE, 2002).
O país se destaca ainda como exportador de café solúvel, com nove indústrias equipadas e com
tecnologias de ponta para atender mercados interno e externo. Em 2006, foram exportadas 3
milhões de sacas, somando US$385 milhões.
Apesar do prestígio do solúvel e a conquista de espaço do café torrado e moído, o grande filão
tem sido a exportação de café em grão verde. Entretanto, o café torrado e moído tem valor
agregado. Consegue-se até US$ 4,5 o quilo, enquanto o grão fica em US$ 1,7 o quilo (ABREU
et al., 2006).
Com relação aos cafés especiais, conhecidos por gourmets, estima-se que o Brasil tenha
condições de dominar 20% do mercado mundial. Entretanto, das 16 milhões de sacas de café
verde embarcadas pelo Brasil em 2000, apenas 300 mil foram destinadas a esse mercado
(SAES; NAKAZONE, 2002).
Os principais importadores de café brasileiro são: Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e
Bélgica.
144
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Quadro 8. Exportações brasileiras em quantidade e valores R$ de café 2010.
Fonte: MIDIC/SECEX
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
145
Quadro 9. Países importadores de café verde Arábica 2010
Exportações Brasileiras de Café Verde - não torrado, não descafeínado, Principais Países
Importadores
Fonte:MIDIC/SECEX
Elaboração: MAPA/SPAE/DCAF
146
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Quadro 10. Principais países importadores de café solúvel 2010
NCM: 2101.11.10
Fonte: MDIC/SECEX
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
147
Quadro 11.Principais países importadores de extratos e concentrados da café 2010
NCM: 2101.11.90/2101.12.00
Fonte: MDIC/SECEX
148
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
A exportação de café torrado e moído com marca brasileira é uma iniciativa muito recente, que assumiu uma característica de negócios consistentes a partir de 2002. Com apoio da Apex Brasil, que
mantém convênio com a ABIC, na forma de um Projeto Setorial Integrado de Apoio às Exportações
de Cafés Industrializados, as vendas para o exterior totalizaram US$29,6 milhões em 2009, contra
US$35,6 milhões em 2008. Em volume, as exportações reduziram 18,6%, e em valor, houve decréscimo de 16,8%. As razões dessa redução estão ligadas ao menor volume de compras do mercado
americano, principal comprador do café industrializado brasileiro, na esteira da crise econômica que
afetou os negócios e a economia daquele país no ano passado.
O consumo doméstico, predominantemente de cafés do tipo Tradicional, tanto quanto o consumo fora
do lar, onde predominam os cafés Superiores e Gourmet, apresentaram taxas de crescimento positivas. Maiores investimentos em produtos e no marketing interno do café impulsionaram as vendas das
marcas mais conhecidas. O mercado recebe, mensalmente, novas marcas de cafés especiais, fazendo com que o mercado brasileiro apresente uma oferta muito significativa de cafés de alta qualidade
para os consumidores brasileiros. A ABIC estima que este segmento de cafés diferenciados, embora
represente a menor parte do consumo continue apresentando taxas de crescimento de 15% ao ano.
Já o consumo per capita foi de 5,81 kg de café em grão cru ou 4,65 kg de café torrado, quase 78 litros
para cada brasileiro por ano, registrando uma evolução de 3,0% em relação ao período anterior. Os
consumidores estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida
durante o dia, adicionando ao café filtrado consumido nos lares, os cafés expressos, cappuccinos e
outras combinações com leite.
Este resultado aproxima o consumo per capita brasileiro ao da Alemanha (5,86 kg/hab.ano) e já supera os índices da Itália e da França, que são grandes consumidores de café. Os campeões de
consumo, entretanto, ainda são os países nórdicos - Finlândia, Noruega, Dinamarca - com um volume
próximo dos 13 kg/por habitante/ano.
Por outro lado, considerando o café já torrado e moído, o consumo per capita de 4,65 kg/hab.ano
aproxima-se do consumo histórico de 1965, que foi de 4,72 kg/hab.ano.
Fonte: <http://www.abic.com.br/scafe_historia.html#cafe_brasil>. Acesso em: 25 nov. 2010.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
149
A INDÚSTRIA DE CAFÉ SOLÚVEL
A indústria brasileira de solúvel é voltada para o mercado externo. Foi implantada nos anos
1960, por meio de incentivos do governo, com o objetivo de escoar o excesso de estoques que
o Instituto Brasileiro do Café dispunha de café verde (SAES; NAKAZONE, 2002).
Fonte: PHOTOS.COM
Portanto, a industrialização destes cafés era tida como
oportunidade de conquistar novos mercados no exterior,
além de reduzir os estoques governamentais (SAES, 1997).
O café solúvel exige uma planta sofisticada determinando
assim, a concentração da sua indústria. As empresas deste
segmento são: Cacique (Brasil), Realcafé (Brasil), Mogi (Brasil) e Brasília (Brasil). Entretanto,
algumas empresas, como a Três Marias, sexta no ranking de maiores exportadoras, não
industrializam solúvel, adquirindo café das indústrias citadas (Brasília e Mogi). Isso mostra
que, mais do que tecnologia, a competitividade do solúvel está relacionada aos canais de
distribuição e a adequação do blend do produto à demanda.
Na década de 1990, a União Soviética, o principal importador do Brasil, praticamente
interrompeu as compras de café por problemas econômicos internos. A diminuição da
produção brasileira de Robusta e a dificuldade de exportação desse produto reduziram a
competitividade brasileira.
Em 1992, o café solúvel brasileiro passou a sofrer barreiras tarifárias na União Europeia (UE),
enquanto o das indústrias dos países concorrentes estava isento das taxas de importação ou
era taxado em menor alíquota.
De 1991 a 2000, as exportações europeias de solúvel aumentaram 59%, as do países não
taxados cresceram 54%, mas as exportações brasileiras para a UE despencaram 45%.
A desvalorização cambial em 1999 e o estreitamento de preços dos cafés no mercado interno
150
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
e externo, devido ao crescimento da produção brasileira de Robusta, significaram a retomada
das exportações brasileiras.
Em 2001, o Brasil conseguiu obter da UE cota livre de taxa, após ter recorrido à Organização
Mundial do Comércio (OMC). Entretanto, mesmo fora desta cota, há tarifa de 9% para o
produto brasileiro.
A expansão da indústria enfrenta quatro tipos de dificuldades: I) aumento da distância entre
os preços do café robusta no mercado interno e externo; II) barreiras tarifárias; III) questões
tributárias; e IV) tecnologia (SAES; NAKAZONE, 2002).
A INDÚSTRIA DE CAFÉ TORRADO E MOÍDO
Fonte: PHOTOS.COM
A indústria de café torrado e moído é voltada para o mercado
interno com grande participação de multinacionais. Entretanto,
a entrada no mercado externo possibilitaria menores barreiras
e forte incentivo para as empresas brasileiras (SAES;
NAKAZONE, 2002).
Desde o fim do tabelamento de preços, as torrefadoras
enfrentam forte competição de preços. A instabilidade
decorrente da competição explica a baixa motivação das
empresas para qualificação gerencial e tecnológica.
Para atrair empresas internacionais, as novas empresas do setor facilitam a obtenção de
matéria-prima. Essas empresas entram no mercado por meio de aquisições de empresas
nacionais com reputação entre consumidores, fornecedores e compradores. Dentre algumas
empresas adquiridas recentemente estão: Café do Ponto, Seleto e União pela Sara Lee
(norte-americana); 3 Corações pela Strass-Elite (israelense) e da torrefadora Nova Suíça pela
Segafredo (italiana).
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
151
O mercado de torrado e moído ainda em crescimento pode lançar de estratégias de market-share. Um exemplo é a marca Café no Bule, que disputa posição de destaque no ranking de
mais vendidas, com apenas dois anos de mercado. A marca de propriedade de Carlos Massa,
apresentador de TV, é licenciada para indústrias torrefadoras, que produzem e comercializam
o café com a marca, pagando 6,5% sobre as vendas líquidas. Com isso, a empresa consegue
enfrentar problemas de distribuição, maior dificuldade do mercado nacional, além de contar
com propaganda feita pelo próprio apresentador em seu programa (INÁCIO, 2002).
Há empresas que investem em qualidade, ao invés de quantidade, na tentativa de fugir da
concorrência de preços. A margem de lucro é maior por agregar mais valor que o produto
tradicional. A diferença de preço em relação ao café tradicional é em média 2,5 vezes.
A inserção no mercado internacional ainda é bem restrita. Com a embalagem a vácuo, o
problema de pericibilidade foi resolvido. Entretanto, as exportações são inconstantes e
representam menos que 1% do total exportado em grãos. Como alternativa, as torrefadoras
internacionais com altas margens de lucro podem viabilizar a exportação do café torrado e
moído brasileiro. O ingresso poderia ser feito por meio de marcas de redes multinacionais
de supermercados instaladas no Brasil, como: Carrefour, Ahold, Cassino e Wal Mart (SAES;
NAKAZONE, 2002).
As torrefadoras brasileiras devem, portanto, adquirir marcas já estabelecidas, facilitando a
entrada nos canais de distribuição e eliminando a necessidade de investimentos em uma nova
marca.
A entrada do café torrado e moído brasileiro no mercado internacional pode ser uma
oportunidade. As altas margens de lucro de empresas estrangeiras possibilitam menores
barreiras à entrada e um forte incentivo para as empresas brasileiras (SAES; NAKAZONE,
2002).
Como no caso de parceria feito pela Coopinhal (Cooperativa dos Cafeicultores de Espírito
152
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Santo do Pinhal) de instalação de torrefadoras na Rússia. Neste caso, a Coopinhal entra com
parte do capital e fornecimento de tecnologia. O produto final é um blend comercializado com
o logotipo da cooperativa. Essa estratégia reduz as dificuldades do café brasileiro na Rússia,
além de eliminar o exportador intermediário (SERRANO, 2002).
Há três barreiras à entrada do café torrado e moído brasileiro no mercado internacional: 1) alta
concentração da indústria de café e do varejo nos países desenvolvidos; 2) tarifas de importação
sobre as exportações brasileiras de café torrado e moído; e 3) falta de conhecimento de regras
do mercado internacional.
FONTE: arquivo pessoal
A INDÚSTRIA DE GRÃO VERDE
Nos últimos dez anos, o Brasil conquistou espaço significativo por apresentar parque cafeeiro
complexo e diverso, que produz grande variedade de bebidas. Além da liderança do processo
de desenvolvimento tecnológico, destacando a fertirrigação e mecanização.
O custo de produção, elemento de competitividade do café verde, determina as vantagens do
país em relação aos demais. No Brasil, a produção de arábica de menor custo de produção,
aliada à produtividade, garante a manutenção e crescimento da participação no mercado
internacional.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
153
Além do custo de produção, tem-se a diferenciação por qualidade, outro elemento de
competitividade. O Brasil é reconhecido como fornecedor de quantidade, enquanto que
Colômbia, Guatemala, Costa Rica e Quênia reconhecidos por cafés de qualidade.
Atualmente, o Brasil produz grande variedade de um único tipo de café (“Santos”), criando a
imagem única, enquanto a Colômbia investe em imagem e qualidade de cafés suaves. Com
isso, o mercado considera o café Arábica um substituto do Robusta (de menos valor) na
composição de blends (misturas). Isso no momento de maior crescimento de vendas de cafés
de qualidade (LEMOS, 2002).
Apesar da visão negativa do Brasil no mercado internacional, há grande busca por qualidade e
capacitação tecnológica nas regiões produtoras. O café “cereja descascado” tem possibilitado
melhora na qualidade de produção, além de vantagens de capital e gerenciais.
As empresas estrangeiras entram no país adquirindo empresas nacionais em expansão.
A americana Sara Lee que adquiriu a Café do Ponto, a Seleto e a União, é considerada
atualmente empresa líder do mercado, com 24% de participação (RIBEIRO, 2001).
Outro fator de atratividade para empresas estrangeiras é a facilidade de contato com
fornecedores de matéria-prima, já que as concorrentes brasileiras são grandes compradoras
de café verde brasileiro.
Para maior eficiência de relações comerciais do café verde, dois problemas devem ser
enfrentados: o crescimento da produção de Robusta no Vietnã, com custos inferiores ao
do café brasileiro, e a valorização de qualidade dos cafés suaves. Os dois entraves estão
diretamente relacionados, uma vez que o café Arábica brasileiro acaba competindo com o
Robusta mais barato (SAES; NAKAZONE, 2002).
O café verde não sofre barreiras tarifárias. Isso possibilita o ingresso desse tipo de café dos
países produtores no Brasil. A tarifa de importação adotada no Mercosul, para países não
participantes do bloco, é 11,5%.
154
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
As ameaças da liberação do café verde no agronegócio são: I) o mercado brasileiro deixa de
ser cativo da produção nacional e o consumidor passa a valorizar mais o café importado; II) a
importação de café de baixa qualidade reduzindo preços no mercado interno.
Dentre as oportunidades resultantes da liberação, estaria o ingresso de cafés de países
produtores, possibilitando a composição de diversos blends pelas torrefadoras brasileiras,
aumentando as chances de entrada no mercado internacional.
A Alemanha é o principal mercado do café verde brasileiro, líder nas reexportações
(reclassificação do café exportado).
Nos últimos cinco anos, foram comercializados 17,8 milhões de sacas de café verde no
mercado internacional. O Porto de Santos, em São Paulo, é o principal canal de escoamento
do café brasileiro (SAES; NAKAZONE, 2002).
Os principais importadores de café verde pagam US$ 100 por saca, que depois de processado
e industrializado vale US$ 10 mil. Com isso, observa-se a diferença de preço recebido pelo
produtor e o gasto pelo consumidor. Dentre os principais países importadores estão: Filipinas,
México e Equador, respondendo por 60% das importações (SAES; MIRANDA, 2008).
MERCADO DE CAFÉ ORGÂNICO
A agricultura orgânica ganha cada vez mais espaço na economia mundial. O aumento do
consumo de orgânicos por países desenvolvidos ocorre devido aos alertas quanto ao consumo
de alimentos sadios e sem uso de agrotóxicos.
O mercado mundial de produtos orgânicos cresceu de 1997 para 2003, de US$ 10 bilhões para
US$ 23-25 bilhões (YUSSEFI; WILLER, 2004), devendo alcançar US$ 29-31 bilhões em 2005.
A produção brasileira de café orgânico tem apresentado aumentos anuais de 20%, sendo
considerado o segmento de maior crescimento no setor de alimentos (UNCTAD, 2003). Segundo
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
155
Caixeta (2000), esse crescimento é resultante da disposição de um produto diferenciado, que
ganha mercado aos poucos entre os consumidores conscientes, ligados às questões de saúde
e ambientais.
Em 2002, o mercado brasileiro estava na faixa de US$ 220 milhões a US$ 300 milhões
(ORMOND et al., 2002). Em 2003, houve aumento para US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão,
considerando mercado interno e exportação.
No Brasil, a comercialização de café orgânico é voltada para exportação, já que a população
ainda precisa de maior conscientização sobre o produto, mais caro e com pouca divulgação
(PEDINI, 2000).
Entretanto, observa-se um deslocamento do mercado para consumidores mais preocupados
e exigentes com saúde, ambiente e aspectos sociais (CAIXETA; PEDINI, 2002), além de
qualidade. Qualidade não só da bebida, como no sistema de produção ao todo, surgindo os
cafés orgânicos certificados. Muitos consumidores inclusive pagam mais por produtos com
características desejadas (MOREIRA, 2005).
A cafeicultura orgânica no Brasil apresenta taxas de crescimento próximas a 100% ao ano
(CAIXETA e PEDINI, 2002), ocupando 13.000 ha de área, com mais de 419 produtores
(ORMOND et al., 2002). Porém, são necessários investimentos na produção, aliado à qualidade
e sustentabilidade, garantindo assim competitividade nas exportações (MOREIRA et al., 2002).
Já o mercado internacional é dominado pelo México, comercializando mais de 30 mil toneladas
ao ano, além de ser maior produtor, com uma área estimada em 70.838 ha. (YUSSEFI e
WILLER, 2002; LERNOUD e PIOVANO, 2004). Outros países produtores são: Peru, Bolívia,
Colômbia, Nicarágua, Guatemala e Costa Rica.
Para a lavoura de café ser considerada orgânica, deve estar sem uso de defensivos e adubos
químicos durante pelo menos três anos. No Brasil existem organismos que orientam os
156
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
produtores, avaliam e certificam o café orgânico, elemento fundamental de diferenciação do
produto. O preço pago pelo café orgânico chega a ser duas vezes maior que o tradicional
devido ao crescimento da demanda e da pouca oferta (ORMOND, 1999).
FLUXOGRAMA DA CADEIA PRODUTIVA DO CAFÉ
Fonte: CODEAGRO
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
157
Fonte: PHOTOS.COM
MERCADOS INTERNACIONAIS
O café é considerado o segundo maior gerador
de riquezas mundial, perdendo apenas para o
petróleo. A cultura gera anualmente em torno
de US$ 91 bilhões ao mundo. Entretanto, essa
riqueza não beneficia os 60 países produtores,
onde a maioria das pessoas sobrevive da atividade (SAES; MIRANDA, 2008).
Em Uganda, o café é a principal fonte de sobrevivência de 25% da população. Na Etiópia,
contribui com parte das receitas de exportações. E Ruanda, assegura 31% das divisas. A
Índia emprega três milhões de trabalhadores e o México, congrega 280 mil famílias pobres
(CAMPOS, 2008).
Entretanto, os preços ditados pelas multinacionais fazem com que fiquem com parte da receita
gerada anualmente pelo café. Ou seja, de US$ 91 bilhões anuais, os países produtores ficam
apenas com US$ 9 bilhões.
Em 2001, a produção mundial de café alcançou o recorde de 120 milhões enquanto o consumo
foi de 107 milhões de sacas. Desde a metade da década de 1990 que a produção mundial
tem apresentado incrementos expressivos. A elevação dos preços, em decorrência de geadas
e seca nas regiões produtoras do Brasil, impulsionou este movimento. Houve crescimento da
produção de café na maioria dos países produtores, especialmente no Vietnã e Brasil.
Dentre os países exportadores, pode-se citar: Alemanha, Itália, Bélgica, Estados Unidos,
França, Espanha, Holanda, Canadá, Inglaterra, Suíça (CAMPOS, 2008).
O Brasil, o Vietnã e a Indonésia estão entre os maiores exportadores para países produtores,
com a comercialização de café Robusta, representando 75% das exportações de café (SAES
e MIRANDA, 2008).
158
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Quanto à exportação mundial de café, em 2007 foram embarcadas 56,94 milhões de sacas,
19% a mais que em 2006. Desse total, 36,12 milhões de sacas eram de café Arábica e
20,82 milhões de sacas de Robusta. Em 2006, os embarques do Brasil, Colômbia e Vietnã,
representaram juntos cerca de 60% do café exportado no mundo.
Deve-se destacar a exportação de café solúvel para países produtores, que possuem matériaprima, porém não possuem estrutura adequada de produção para atender a demanda interna.
Seja a venda de café Robusta ou solúvel, 90% da demanda encontra-se ligada a esta atividade
(SAES; MIRANDA, 2008).
O mercado internacional começa a notar a qualidade do café brasileiro, principalmente de
cereja descascado. Porém, ainda é pouco diante da capacidade do agronegócio café brasileiro.
O maior desafio para romper a imagem negativa do café brasileiro é a forma de comercialização,
no qual as relações de compra e venda ocorrem com agentes buscando maximizar o ganho
em curto prazo. Como alternativa, a reordenação do mercado traria estabilidade a longo prazo.
Ou seja, tentar eliminar a ideia de menor ganho para produtores e maior para processadoras.
Além disso, tem-se o fato de que o café brasileiro é usado apenas para compor blends ou dar
volume. Os cafés de qualidade são comercializados de outras formas cuja identificação dos
agentes envolvidos e formatação de contratos de longo prazo fazem parte das negociações.
O segmento torrefador passa por um processo de consolidação com o ingresso de
multinacionais. A disputa por espaço no mercado induz a adoção de novas estratégias, como
a busca de nichos de mercado.
Atualmente, as cinco maiores indústrias de torrefação (Nestlé, Kraft Foods, Procter & Gamble,
Sara Lee e Tchibo) possuem 70% da oferta mundial de café verde. São investidos milhões de
dólares anualmente para promover a imagem dessas marcas. Neste caso, a diferenciação por
imagens e sabores específicos evita a concorrência em preços.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
159
Fonte: PHOTOS.COM
MERCADO CONSUMIDOR
O setor cafeeiro é composto de 1.500 torrefadoras, a maioria de
pequeno porte, respondendo por mais de 3 mil marcas. O mercado
é concentrado; as trinta maiores empresas respondem por 50,6% do
mercado. O mercado brasileiro representa 14% da demanda mundial
e 50% do consumo interno dos países produtores.
Nos países em desenvolvimento, o consumo de café possui espaço
para expansão. Os Estados Unidos são maiores consumidores mundiais de café, com consumo
médio de 18-20 milhões de sacas.
Em 2006, os brasileiros consumiram 16,33 milhões de sacas de café enquanto que, em 2007,
o consumo foi de aproximadamente 17,4 milhões de sacas. A meta brasileira é chegar a 2010
com maior consumidor mundial, com 21 milhões de sacas consumidas.
O consumo interno de café no país é um dos que mais crescem no mundo. Enquanto o
mercado consumidor mundial cresce em média 1,5% ao ano, o brasileiro evoluiu de 5,1% em
2003 para 19,2% em 2006.
Em 2006, o consumo per capita brasileiro foi de 4,27 kg de café torrado (70 litros para cada
brasileiro). O café coado/filtrado é consumido por 93% da população, mas o consumo de
café expresso é que vem crescendo. Sua demanda aumentou 63% de 2005 a 2006. Outros
segmentos em crescimento são: café instantâneo, cappuccinos, descafeínados e orgânicos.
Dentre as razões para o aumento do consumo de café no país estão: melhoria na qualidade
do café, consolidação do mercado de cafés tipo Gourmet ou especiais (diferenciados e de
alta qualidade), melhoria na percepção dos benefícios para saúde e ações/investimentos em
marketing e publicidade.
Atualmente, as grandes indústrias estão investindo em produtos de maior valor agregado.
160
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Com isso, há um aumento na oferta de cafés especiais. Esta nova realidade faz com que
as empresas adotem estratégias diferenciadas. Além disso, consumidores com maior
conhecimento e consequentemente mais exigentes obrigam a cadeia cafeeira ao constante
aperfeiçoamento de serviços e manutenção da excelência dos produtos (NETO, 2008b).
De 1997 a 2002, o número de consumidores diários de cafés especiais aumentou de 7 milhões
para 27 milhões nos EUA. Ou seja, 14% dos americanos são consumidores diários desse tipo
de café (LEMOS, 2002).
As estratégias de marketing adotadas por certos lugares, como lojas de conveniência ou coffee
shops, aumentam as vendas do produto e atraem consumidores jovens para este mercado
(SAES; NAKAZONE, 2002).
Um exemplo disso é a Starbucks Coffee Co. com mais de 5,6 mil pontos de venda, em diversos
países e cujo crescimento induziu a entrada de outras redes, como a Second Cup, McDonald’s
(McCafé), dentre outros (ELAM, 2002).
Se analisarmos o preço que é vendido um cafezinho pelo preço pago ao produtor por uma saca de
60 kg, independente da qualidade do produto, você acha mais viável produzir o café na lavoura ou
trabalhar na pós-colheita de café, ou seja, vendendo o cafezinho pronto?
As vendas de cafés especiais nas cafeterias refletiram no mercado de torrado e moído das
grandes multinacionais. Um exemplo é a Procter & Gamble, que lançou uma linha de cafés
gourmet com sessenta variedades, adaptadas ao gosto do consumidor atual (ROTTA, 2001).
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
161
Brasil busca aumentar exportações de cafés finos
De olho em um consumidor cada vez mais exigente e na proliferação das máquinas de café expresso
domésticas, entre a classe média, o Brasil pretende marcar presença no segmento de cafés finos. A
verba que o Ministério da Agricultura destina para divulgação do café “made in Brazil” vem crescendo
ano a ano. Foi de R$ 800 mil no ano passado e de R$ 1,5 milhão em 2010. Para 2011, a Agricultura orçou R$ 10 milhões e, mesmo após o corte da Fazenda, conseguiu assegurar R$ 5 milhões. “Queremos
uma presença maior no exterior”, disse o diretor do Departamento de café do Ministério da Agricultura,
Robério Silva. A estratégia, de acordo com ele, não é apenas salientar que o Brasil é o maior produtor
e exportador de café mundial, mas mostrar que há uma gama diversificada do produto, com ênfase
nos cafés de alta qualidade.
O diretor acabou de voltar de Genebra, onde participou de evento sobre café, e se prepara para viajar
novamente, desta vez para Houston, no Texas, Estados Unidos, com o mesmo propósito. Para o
presidente do Conselho dos Exportadores de café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, mesmo crescente a verba pública para difundir o café do Brasil ainda é pequena. “Esses números são ridículos. É
importante que estejam crescendo, mas não se pode dizer que vão alavancar o volume de vendas”,
considerou. A receita cambial com exportação de café (verde, solúvel, torrado e moído) aumentou
20% de janeiro a setembro em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo US$ 3,693
bilhões. O volume exportado no período foi de 22,8 milhões de sacas de 60 quilos, o que representou
um crescimento de 2% sobre 2009 - grande parte cafés do tipo robusta, de menor qualidade.
Não há dúvidas, de acordo com Braga, de que a tendência é de crescimento das vendas, principalmente dos cafés chamados “especiais”, que possuem maior valor agregado. “O consumidor está mais
exigente, e também disposto a pagar um pouco mais pelo produto de boa qualidade.” O diretor do
Cecafé estimou que as vendas dos cafés finos ou de melhor qualidade representem de 15% a 20%
das exportações totais. Apesar da fatia ainda ser pequena, salientou, é considerável tendo em vista
que há 10 anos o Brasil praticamente não vendia esse tipo de produto no exterior.
Além do Ministério da Agricultura e do setor privado, que se empenham no marketing internacional do
produto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) também tem
ampliado a atuação no exterior. Uma das mais recentes campanhas foi a da fórmula Indy, nos Estados
Unidos, totalmente voltada para o tema “cafés do Brasil”. “Em 20 anos, nunca tivemos isso”, comemorou o coordenador de Projetos Setoriais da Apex, Juarez Leal. “Os Estados Unidos são o mercado
prioritário para nós”, acrescentou. Mas países como Japão e os do Norte da Europa mostram cada vez
162
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
mais interesse e aceitação do produto brasileiro, conforme o coordenador.
Como a agência não trabalha com commodities, o foco da atuação no caso dos cafés é o produto de
maior qualidade, premium e especiais. O lado bom de trabalhar com o café, segundo Leal, é a aceitação do produto no exterior. “Os importadores brigam a tapa pelo café brasileiro”, exagera. Mesmo
assim, de acordo com ele, ações de marketing são necessárias porque a maior parte das vendas
nacionais ainda é do café tipo Robusta, o que apresenta menor qualidade. Por isso, não há segredo,
explica o coordenador da Apex: “Quem quer vender tem de estar lá fora. É preciso mostrar a qualidade
do produto”, considerou. Até porque muitas vezes, disse Leal, o importador tem mais interesse na
“história do produto” do que necessariamente no produto em si. E alguém precisa contá-la.
28/10/2010 - Revista Cafeicultura
Disponível em: <http://www.abic.com.br/asp/noticias_noticia.asp?cod=1846>. Acesso em: 10 nov.
2010.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na exportação do café verde, o Brasil possui vantagens em relação aos demais países
produtores. Entretanto, há necessidade de explorar mais o mercado de cafés especiais.
Na indústria de solúvel, apesar da competitividade no mercado internacional, a discriminação
tarifária e a dificuldade de importação são fatores de inibição.
A indústria de café torrado e moído é voltada ao mercado interno, com isso sua participação
no mercado internacional é pequena. Dentre os fatores de importância para inserção neste
mercado, estão: baixa capacidade de gerenciamento das empresas nacionais e ambiente
competitivo externo. A maior inserção do país no mercado internacional de torrado, além de
agregar valor ao produto, identificaria a qualidade do café brasileiro e traria melhor remuneração
ao produtor. Sendo assim, é necessário obter um produto de maior qualidade de bebida
objetivando o mercado internacional.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Estudamos que o Brasil é reconhecido como fornecedor de quantidade de produto, enquanto que Colômbia, Guatemala, Costa Rica e Quênia são reconhecidos por cafés de
qualidade. Explique como poderíamos acabar com este pensamento?
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
163
2. Analisamos que o consumo de café orgânico está crescendo juntamente com o mercado
competitivo, pois alguns consumidores têm a preferência de consumir produtos de origem
orgânica. Em sua opinião, o que poderia ser feito tratando-se de marketing para alavancar
o consumo deste tipo de café?
3. Abordamos em nosso estudo que algumas empresas do setor cafeeiro estão investindo
mais em qualidade do que em quantidade. Em sua opinião como gestor, essa ideia pode
ter sucesso? Explique.
Bom trabalho!
Acesse os links:
<http://www.abic.com.br>.
<http://www.sindicafesp.com.br/noticia_cafe.html>.
<http://www.abics.com.br/>.
<http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=5223>.
<http://www.safras.com.br/>.
<http://www.agnocafe.com.br/>.
<http://www.coffeebreak.com.br/>.
<http://www.coffeebusiness.com.br/>.
<http://www.nybot.com/>.
<http://www.ncausa.org>.
<http://www.greencoffeeassociation.org/>.
<http://scae.com/>.
<http://www.bmfbovespa.com.br>.
Acesso em: 10 nov. 2010.
164
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
UNIDADE V
NORMAS E PADRÕES DE QUALIDADE NA INDÚSTRIA
DO CAFÉ
Professor Dr. Edison Schmidt Filho
Professor Esp. Diogo Bochnia Zuliani
Objetivos de Aprendizagem
• Analisar os critérios para se obter um produto de qualidade na indústria cafeeira.
• Contextualizar sobre métodos de classificação e degustação de cafés.
• Obter conhecimentos sobre aspectos relacionados à regulamentação e de barreiras ta-rifárias no setor.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Identificação dos métodos para adoção de qualidade na produção de café
• Observação dos processos de regulamentação no setor cafeeiro
• Análise de qualidade na classificação e degustação de café
INTRODUÇÃO
Olá, caro aluno! Seja bem-vindo à nossa unidade V.
Um dos principais fatores relacionados à qualidade de café é sabermos o que significa
qualidade de café, e de onde surge este termo, para inserir um bom produto no mercado
nacional e internacional.
O elemento de competitividade que determina as vantagens do país em relação aos demais
é o custo de produção. Para o café Arábica, o Brasil possui menor custo de produção aliado
à produtividade, o que garante manutenção e crescimento no mercado internacional. Com o
café Robusta é diferente; o Vietnã, segundo maior produtor mundial, supera o Brasil com custo
de produção mais competitivo, embora o Brasil esteja caminhando para abertura de novas
variedades do café Robusta para determinados estados.
A principal barreira de ingresso no mercado de especiais é a coordenação entre os segmentos
do agronegócio. O comércio brasileiro não valoriza o produto de qualidade. Entretanto, nos
últimos anos tem-se buscado qualidade e capacitação tecnológica nas regiões produtoras.
Com isso, o país tem perspectivas de aumento da participação no mercado internacional.
Nesta unidade, você irá observar aspectos relacionados à gestão de qualidade e
competitividade na cafeicultura, além das regulamentações e barreiras existentes no setor,
e poderemos observar também que cafés finos
estão sendo inseridos no mercado interno, pois
os consumidores estão conhecendo e sendo
informados sobre o que é qualidade de café e o
bem à saúde que um bom café proporciona.
Fonte: arquivo pessoal
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
167
QUALIDADE DA PRODUÇÃO CAFEEIRA
A produção mundial de café é concentrada no cultivo de duas espécies: Coffea arabica L. (café
Arábica, representando 3/4 da produção mundial) e Coffea canephora Pierre (café Robusta).
No Brasil, as principais cultivares de café Arábica são: Mundo Novo, Acaiá, Catuaí, Icatu,
Bourbon, Catuaí e Rubi; enquanto que as principais cultivares de café Robusta são o Conillon
e o Apoatã (THOMAZIELO et al., 2000).
O café Arábica apresenta melhor qualidade de bebida, em termos de sabor e aroma, e é mais
utilizado para consumo in natura. O café Robusta é mais utilizado na produção de café solúvel
e na composição de blends com o café Arábica.
Gestão de qualidade
O café Robusta brasileiro apresenta desvantagem por possuir maior custo de produção entre
os países produtores, devido ao alto preço da matéria-prima e dificuldade de desempenho
no mercado de café solúvel. Já o café Arábica brasileiro prioriza a quantidade ao invés da
qualidade, causando perda nas exportações.
Atualmente, a gestão da qualidade é uma das maiores preocupações das empresas
preocupadas com a qualidade de produtos ou de serviços. A certificação aumenta a satisfação
e confiança dos clientes, reduz custos internos, aumenta a produtividade, melhora a imagem
e processos e possibilita acesso a novos mercados. Um exemplo de sistema de gestão da
qualidade é o da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), que utiliza
sistema próprio de classificação de qualidade.
A criação de mecanismos de gestão internos é a chave do aperfeiçoamento competitivo
(ZILBERSZTAJN et al., 1993). Com isso, espera-se que o café brasileiro ofereça conceitos e
qualidades para o consumidor (SAES; NAKAZONE, 2002).
Em 1998, estima-se que apenas 2% do consumo interno brasileiro tenha sido de cafés de
168
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
qualidade diferenciada, especificamente o café expresso, enquanto que nos Estados Unidos,
esse percentual foi cerca de 20% no mesmo ano.
Um exemplo de conquista de mercado é a Alemanha, que trocou recentemente o fornecimento
de cafés colombianos pelos brasileiros, devido aos menores preços e qualidade do produto.
COMPETITIVIDADE
No Brasil, a competitividade só é completa se o produtor tiver sucesso na comercialização. Ou
seja, se tiver produtividade aliada à boa qualidade global.
A qualidade é um aspecto fundamental na formação de preços do café. É importante que o
produtor maneje adequadamente sua produção para obter o melhor retorno financeiro (NETO,
2008a).
Na década de 1970, surgiram inovações como cafés embalados a vácuo, auxiliando no
posicionamento das marcas. Entretanto, essas inovações ficaram no campo industrial e não
nos aspectos da bebida (NETO, 2008c).
No Brasil, há necessidade de coordenação entre os segmentos do agronegócio do café, para
que o país perca a imagem de produtor de um único tipo de café, enquanto os demais países
investem em imagem e qualidade.
A pequena inserção do Brasil no mercado de cafés especiais ocorre a partir de novas
estruturas de governança, mais coordenadas, com identificação de todos os segmentos da
cadeia (SAES; NAKAZONE, 2002).
Outro fator importante quanto à competitividade é a distinção dos mercados de café Robusta
e Arábica. No caso do café Robusta, o preço é um fator limitante, já que se trata de um
café menos valorizado e destinado à confecção de solúvel. A produção brasileira encontra
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
169
dificuldade de inserção no mercado internacional. O Vietnã supera a produtividade média
brasileira, além de possuir custo de produção mais competitivo. Como resultado, observa-se o
deslocamento da participação brasileira em alguns mercados. Em termos de volume, o Vietnã
já ultrapassou o Brasil no fornecimento de café para os Estados Unidos.
Na produção de café Arábica, o Brasil possui menor custo de produção e produtividade média,
semelhante ao da Colômbia, o que garante a manutenção e crescimento da participação no
mercado internacional (SAES; NAKAZONE, 2002).
Outros fatores de melhoria no processo de competitividade são: remoção de barreiras
tarifárias contra o café brasileiro e negociação da inclusão do Brasil no SGP (Sistema Geral
de Preferências).
As políticas do setor devem estar ligadas aos interesses competitivos do agronegócio. Os
grupos de cafés especiais, por exemplo, têm interesses e demandas diferentes dos demais
mercados (SAES; NAKAZONE, 2002).
Atualmente, a introdução de novas formas de consumo, reconfiguração do setor de varejo e
serviços, estabilidade econômica, interatividade global e facilidade de acesso à informação
provocaram mudanças no mercado brasileiro de café. Para se manterem, as empresas devem
trabalhar com alta escala num setor muito competitivo ou ter um posicionamento que permita
desfrutar do descolamento de mercado (NETO, 2008c).
Ainda existem grandes indústrias, brigando num segmento de preços competitivos e
com margens estreitas, sobrevivendo do ganho obtido por meio de fusões ou aquisições.
Entretanto, quando ocorre escassez de cafés de baixa qualidade (“riado/rio”) essa situação
muda radicalmente.
A competitividade na exportação brasileira tende a ser maior com o aumento da eficiência
logística e privatização de portos, ferrovias e rodovias (SAES; NAKAZONE, 2002). Fato
confirmado pelo volume de exportações brasileiras em 1999 e 2001, atingindo 23 milhões de
170
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
sacas, auxiliado pela desvalorização do Real e aumento da disponibilidade interna de café.
A indústria Café Minas Rio, segunda maior torrefadora de Minas Gerais, combinou sistema
logístico bem estruturado e aquisição de matéria-prima de baixo valor para continuar atuando
nos mercados mais competitivos. Com isso, há menor risco na matéria-prima (NETO, 2008c).
Com isso, as pequenas e médias indústrias brasileiras procuram oferecer cafés de altíssima
qualidade. Neste setor, o consumo da bebida permite o descolamento de seus preços.
REGULAMENTAÇÃO CAFEEIRA
A regulamentação do mercado cafeeiro iniciou-se no século XIX, quando o Brasil detinha ¾
da produção mundial e dependia do produto em termos de receitas cambiais, iniciando assim
uma política de sustentação de preços.
O objetivo da regulamentação era valorizar as receitas de exportação. Vários órgãos foram
criados, tais como: Conselho Nacional do Café (CNC), substituído pelo Departamento Nacional
do Café (DNC); Instituto Brasileiro do Café (IBC) criado por cafeicultores, definindo diretrizes
da política cafeeira e o Conselho Deliberativo da Política do Café existente até hoje.
Em 1962, foi criado o primeiro Acordo Internacional do Café (AIC), com países exportadores e
consumidores. O mercado mundial tornou-se objeto de uma política de sustentação de preços
que foram mantidas até 1989.
Como líder do mercado produtor de café, o Brasil teve um papel central no sucesso da política
de sustentação dos preços no mercado internacional. Em certos momentos, o país reduziu
sua participação e reteve estoques, enquanto os concorrentes expandiam suas produções.
Desta maneira, a exportação brasileira era definida pela diferença entre a demanda mundial e
produção dos países exportadores.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
171
Logo, o país foi reduzindo sua participação no mercado internacional. No início, era responsável
por 80% das exportações mundiais, na década de 1950 essa participação havia se reduzido
para 40% e, na década de 1980 para 25%.
O IBC então coordenou os segmentos, determinando a dinâmica e o desempenho do café
brasileiro no mercado externo (SAES; NAKAZONE, 2002). Criou a “Campanha para aumento
do Consumo Interno de Café”, na qual as torrefadoras recebiam o café verde a preço subsidiado
e o repasse do subsídio aos consumidores era controlado por tabela de preços de torrado e
moído. Houve aumento expressivo do consumo de café no mercado interno brasileiro, em
torno de 153%, tornando o país o segundo maior consumidor mundial. A indústria apresentou
aumento significativo da produção, pois a cota era limitada pela capacidade de processamento
de cada empresa.
Outras duas medidas adotadas pelo IBC condicionaram o desempenho das torrefadoras,
dentre elas: o controle da abertura de novas empresas e a proibição da entrada de empresas
estrangeiras no mercado nacional.
Entretanto, a política de preços adotada pelo IBC provocou desestímulo à qualidade, impedindo
novas estratégias de comercialização. O preço refletia na preocupação com a quantidade ao
invés da qualidade. Sem qualidade global, o café brasileiro exportado recebeu uma imagem
negativa (SAES; NAKAZONE, 2002).
No início da década 1970, o IBC, por meio de uma estratégia comercial agressiva, extinguiu a
classificação de qualidade das bebidas, nivelando-as por baixo (NETO, 2008c).
Em 1993, com o excesso de oferta mundial, foi criado um novo organismo de regulamentação,
a APPC (Associação dos Países Produtores de Café) com o objetivo de reordenar a oferta, por
meio da reinstalação do sistema de cotas. Porém, esse sistema fracassou. Houve o ingresso de
novos produtores, diminuindo o monopólio brasileiro. Além disso, Vietnã e México, importantes
172
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
produtores, não participaram da organização e a APPC não reunia os países consumidores,
com papel importante na fiscalização do sistema de cotas.
Em 1996, criou-se o CDPC (Conselho Deliberativo da Política Cafeeira) com o objetivo de reunir
todas as entidades representativas no agronegócio café, representados por: Confederação
Nacional da Agricultura (CNA) e Conselho Nacional do Café (CNC), representando a produção;
Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), representando a indústria de torrefação
e moagem, Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), representando
a indústria de solúvel e o Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil (CECAFÉ),
representando os exportadores.
Entre as principais ações estratégicas adotadas pelo CDPC, destacam-se o Consórcio
Nacional de Pesquisa e a criação do programa de marketing Cafés do Brasil.
A regulamentação do mercado de café brasileiro resultou na perda de participação de mercado e
queda de consumo nos países desenvolvidos, além de não proporcionar incentivos, dificultando
controles de estratégias competitivas adequadas a mudanças (SAES; NAKAZONE, 2002).
Atualmente, os produtores brasileiros estão cada vez mais preocupados com certificações
de qualidade, que garantem a rastreabilidade do sistema operacional, trazendo confiança no
produto produzido dentro das normas. Para isso, há uma certificação brasileira que atinge
rastreabilidade, e qualidade dos lotes produzidos. Vários produtos estão disponíveis no
mercado brasileiro, com certificação de origem e de qualidade mencionados na embalagem.
Concursos regionais também são extremamente importantes para o aumento da qualidade
e consolidação de regiões de cafés inferiores, como produtores de cafés especiais. Lotes
do Espírito Santo vencedores no concurso, por exemplo, são vendidos em mais de 200 lojas
no Japão, por meio de uma promoção entre exportadores brasileiros e a Ueshima Coffee
Company-UCC (LEITE, 2008).
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
173
Esses concursos de qualidade se proliferaram no país e tiveram um importante papel de
estimular práticas indutoras de qualidade, além de sinalizar para o mercado comprador a
qualidade do café brasileiro (SAES; NAKAZONE, 2002).
BARREIRAS TARIFÁRIAS E ABERTURA
O café verde não sofre barreiras tarifárias. Enquanto que, o café industrializado e os produtos
preparados à base de solúvel e que contenham café, possuem tarifas elevadas nos EUA e na
UE.
O problema é que o Brasil não recebe as mesmas tarifas que os demais países, aumentando
a competitividade desse tipo de café.
O consumidor de café, sabendo o que significa qualidade de bebida ou qualidade de cafés finos,
poderá ajudar a alavancar o consumo de um melhor produto? Qual forma de incentivo governamental
poderia ser utilizada para repassar aos consumidores as várias qualidades de cafés?
Embora o país seja competitivo, a liberação das tarifas possibilitaria a entrada do café verde
de países produtores, permitindo compor diversos blends pelas torrefadoras e aumentando as
chances de entrada no mercado internacional (SAES; NAKAZONE, 2002).
Para se posicionar como grande fabricante de café industrializado, o país precisa reduzir
os impostos, diluir as barreiras tarifárias externas e criar uma política na área de comércio
bilateral e de investimentos em marketing. Alguns produtores locais que exportam o produto
industrializado estão se movimentando nesse sentido.
174
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
Entretanto, o produto industrializado continua sendo o Conillon - com o café solúvel. A indústria
apresenta uma margem melhor já que o grão é bem menos valorizado na exportação (US$ 60
FOB/sc) do que o solúvel US$ 126/sc.
Fonte: arquivo pessoal
NOÇÕES DE CLASSIFICAÇÃO E DEGUSTAÇÃO DE CAFÉ
Legislação
As tabelas de “Equivalência dos Defeitos” e de “Classificação por Tipos”, atualmente adotadas,
foram criadas pelo Decreto n° 24.541, de 3/7/1934.
Posteriormente, o Decreto n° 27.173, de 14/9/49, revogou o Decreto 24.541/34 e aprovou as
especificações e tabelas para classificação e fiscalização do café, visando sua padronização,
sendo assim adotadas pela Bolsa Oficial de Café de Santos.
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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TABELA DE CLASSIFICAÇÃO OFICIAL BRASILEIRA - COB
Fonte: BOA, 2008
176
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
CLASSIFICAÇÃO OFICIAL BRASILEIRA (dec. Lei nº 27.173 de 14/09/49)
BASE-AMOSTRA de 300 GRAMAS
Equivalência de defeitos
Base Amostras de 300 gramas
Equivalências de Defeitos
Nº GRÃOS - «INTRÍSECOS»
Nrs. De Defeitos
1 - GRÃO PRETO
=1
2 - GRÃOS ARDIDOS
=1
2 - GRÃOS PRETO VERDE ‘STINKER’
=1
3 - CONCHAS
=1
5 - VERDES
=1
5 - QUEBRADOS
=1
5 - BROCADOS(LIMPA)
=1
5 - BROCADOS (SUJA)
=1
2 - BROCADOS (RENDADAS)
=1
5 - MAL GRANADOS OU CHOCHOS
=1
‘EXTRÍNSECOS’ - IMPUREZAS
1 - COCO
=1
2 - MARINHEIRO
=1
1 - PEDRA OU PAU GRANDE
=5
1 - PEDRA OU PAU MÉDIO
=2
1 - PEDRA OU PAU PEQUENO
=1
1 - CASCA GRANDE
=1
3 - CASCAS MÉDIAS
=1
5 - CASCAS PEQUENAS
=1
Fonte: BOA, 2008
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
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Classificação pela qualidade de bebida
A classificação pela qualidade de bebida é o fator preponderante na classificação geral do
produto. Por meio da degustação do café os classificadores avaliam as características da
bebida, assim como acidez, corpo e sabor entre outras características.
Um quesito que define e valoriza o tipo de café é a uniformidade. Os classificadores usam uma
terminologia específica para avaliar o tipo de bebida: “Estritamente Mole” (Strictly Soft), “Mole”
(Soft), “Dura” (Hard), “Riada” (Rioy), “Rio” (Rio) e “Rio Zona” (Rio Zona).
Cada mercado tem preferências específicas, que podem ser supridas graças à grande
variedade dos cafés brasileiros (BOA, 2008).
Classificação do café no Brasil
Na classificação do café brasileiro, a determinação da qualidade compreende três fases
distintas:
- Classificação por tipos ou defeitos.
- Classificação pela característica de qualidade.
- Classificação pela qualidade (bebida).
Na classificação comercial, o produto é ainda caracterizado pelo porto de exportação: Santos,
Paranaguá, Rio, Vitória etc.(TOLEDO,1987).
Classificação por tipo
A cada tipo corresponde um maior ou menor número de defeitos (grãos imperfeitos ou
impurezas).
178
CADEIAS PRODUTIVAS DO CAFÉ E DE PRODUTOS ORGÂNICOS | Educação a Distância
A classificação por tipos, adotada entre nós, admite sete tipos de valores decrescentes de dois
a oito, resultantes da apreciação de uma amostra de trezentos gramas de café beneficiado,
segundo normas estabelecidas na “Tabela de Classificação Oficial Brasileira (COB)”, em todo
o território nacional.
• Defeitos
Os defeitos podem ser de natureza intrínseca e extrínseca.
Fonte: BOA, 2008
Classificação pelas características de qualidade
Para determinar a qualidade de um produto, devemos analisar os diversos fatores que indicam
o seu grau de aceitação estabelecido pelo mercado consumidor, dentro de uma escala de
comparação.
O Decreto n° 27.173, de 14.9.1949, aprova as especificações e tabelas para a classificação
e fiscalização do café, além da determinação do tipo e da norma para a classificação por
descrição, nas quais são apreciadas as seguintes qualificações:
-Café
-Fava
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-Peneira
-Aspecto
-Cor
-Seca
-Preparo
-Torração
-Bebida.
CAFÉ – Estirpe ou variedade de origem
Neste item, classifica-se o café pela estirpe ou variedade de origem. Temos, por exemplo:
-Comum
-Bourbon
-Abourbonado
-Maragogipe
-Icatu
-Catuaí
-Catucaí
-Gema
-Murta
- Mundo novo
- Kouillou (Conilon) etc.
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Fava – a forma do grão
Favas são os grãos destacados dos frutos e classificados, segundo a forma e tamanho, como:
(fava) graúda, boa, média e miúda. Quanto à forma de seus grãos, os cafés recebem as
denominações de chatos, mocas e triangulares.
O café chato é constituído pelos grãos provenientes de frutos desenvolvidos normalmente,
tendo as suas dimensões proporcionais, segundo as variedades de onde provêm. O seu
comprimento é sempre maior do que a largura; a parte dorsal (acima) dos grãos é convexa e
a sua parte ventral (abaixo) é plana ou levemente côncava, com uma ranhura central disposta
no sentido longitudinal.
O grão denominado moca é arredondado, também mais comprido do que largo e afinado nas
pontas. Há também a ranhura central no sentido longitudinal.
O café moca é proveniente da não fecundação de um dos óvulos do fruto que normalmente
apresenta duas lojas. Assim, apenas um grão se desenvolve; preenchendo o vazio deixado
pelo outro e tomando a forma conhecida como moca.
O grão denominado triangular, formando um triângulo, é proveniente da fecundação de três
óvulos. Na prática, sua separação por tamanho é efetuada por peneiras dos mocas crivos
alongados (TOLEDO,1987).
Peneira – o tamanho
Há peneiras de crivos redondos para a medição dos cafés chatos e as de crivos alongados
para os mocas e triangulares. Sob o ponto de vista técnico, é de suma importância a separação
por peneiras, pois permite a seleção das favas por tamanho. Esta separação em grupos torna
possível uma torração mais uniforme. Na torração de uma “bica corrida”, enquanto as favas
graúdas ficam apenas tostadas, as miúdas podem estar sendo já carbonizadas.
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A classificação dos cafés por peneiras é a seguinte:
Fonte: BOA, 2008
A ordem de colocação (montagem) das peneiras para a separação de um café “bica corrida”
normalmente é a seguinte:
Fonte: BOA, 2008
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Aspecto
O aspecto do café é fundamental, pois permite prever sua boa ou má torração. Pela simples
inspeção podemos classificá-Io quanto ao aspecto, em bom, regular ou mau. O café é
considerado de bom aspecto quando a maioria dos grãos são perfeitos, uniformes no tamanho,
na cor e na seca. O aspecto é considerado mal quando algumas ou todas as características
mencionadas acima não são uniformes e o lote classificado apresenta, ainda, grãos defeituosos.
O aspecto regular é aquele que reúne condições intermediárias (BOA, 2008).
Cor
De acordo com a aparência, conservação ou envelhecimento, a cor do grão poderá ser
classificada da seguinte maneira:
• Verde: (café novo)
• Esverdeado
• Esverdeado – claro
• Chumbado
• Barrento
• Claro (café velho)
• Amarelado
• Amarelo (café muito velho).
Fonte: <http://www.megaagro.com.br/cafe/art_class_cafe.asp>. Acesso em: 25 nov. 2010.
Seca
No que diz respeito à boa qualidade do produto, a seca é um fator essencialmente importante,
influindo de maneira decisiva no aspecto, na torração e até na bebida do café.
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Seca boa é aquela que confere ao café uniformidade na cor e na consistência dos grãos,
indicando ter sido bem conduzida desde a colheita. Seca má é aquela em decorrência da
qual os grãos se apresentam manchados ou úmidos. A seca regular é intermediária, hoje
com a existência de aparelhos eletrônicos, o estado da seca do produto é determinado pela
porcentagem de umidade encontrada nos grãos. Um café tecnicamente preparado deve
apresentar, após o beneficiamento, uniformidade na cor e na consistência dos grãos e possuir
um teor de umidade até 12%, uma vez tratado por “via seca”, e até 11% se obtido por “via
úmida” (Despolpado e Cereja descascado) e (Conilon). A seca pode ser classificada, então,
em: boa, regular e má (BOA, 2008).
Preparo
Quanto ao preparo, classifica-se em café de terreiro, despolpado e cereja descascado. Pode-se conhecer o sistema de sua preparação pela cor dos grãos e pelo aspecto da “película
prateada”.
Os cafés despolpados possuem uma cor brilhante, translúcida e verde azulada que os
caracteriza e uma “película de cor prateada”. Os cafés de terreiro têm cor semifosca e sua
película apresenta-se amarelada ou mesmo marrom. Já nos cafés cereja descascados, suas
características são muito semelhantes às do café despolpado, a diferença aparece um pouco
na cor e na película ventral do grão, que após a meia torra apresenta-se mais escura que o
despolpado.
Nas classificações de café, as torrações podem se apresentar da seguinte maneira:
• Fina: a cor é uniforme para todos os grãos, não há defeitos.
• Boa: a cor é mais ou menos uniforme, há alguns defeitos.
• Regular: a torração não é uniforme e há um golpe de vista, constata-se bom número de
defeitos.
• Má: há grande quantidade de defeitos, tais como grãos verdes, ardidos e pretos, que dão
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péssimo aspecto à torração.
A torração do café despolpado é denominada “característica” ou “ não característica”,
referindo –se à existência, ou não, da película prateada na ranhura do grão, principal forma
de identificação de um café despolpado. Os grãos verdes e ardidos, depois de torrados,
apresentam-se com a coloração amarelo – clara, enquanto os grãos pretos carbonizam-se.
Fonte: <http://www.megaagro.com.br/cafe/art_class_cafe.asp>. Acesso em: 25 nov. 2010.
Bebida
Para conhecer sua qualidade, realiza-se a prova da xícara, pela qual o provador avalia
as características de gosto e aroma do café. A classificação da bebida tem dois objetivos
fundamentais: conhecer a qualidade do café a ser comercializado e definir as ligas ou blends
que valorizem determinados lotes de café.
Segundo a classificação oficial, o café brasileiro apresenta sete escalas de bebidas, sendo o
mole referência para todas:
• Mole: tem sabor agradável, suave e adocicado.
• Estritamente mole: apresenta todos os requisitos de aroma e sabor da bebida mole, mas
de forma mais acentuada.
• Apenas mole: tem sabor suave, mas sua qualidade é inferior à dos anteriores, com leve
adstringência ou aspereza no paladar.
• Dura: apresenta gosto acre, adstringente e áspero.
• Riada : tem leve sabor de iodofórmio .
• Rio: tem cheiro e gosto acentuados de iodofórmio.
Rio zona, macaco: são denominações regionais para qualificar bebidas com características
desagradáveis, bem mais acentuadas que as da bebida rio.
Fonte: <http://www.megaagro.com.br/cafe/art_class_cafe.asp>. Acesso em 25 nov. 2010.
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Fonte: arquivo pessoal
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para se obter um café de qualidade é necessário muitas situações que influenciam diretamente no produto e ainda torna-se necessário se adequar aos padrões de qualidade exigidos.
A cultura do café exige cuidados desde a implantação da lavoura, tratos culturais, colheita e
pós-colheita do produto; portanto não é fácil obter qualidade em café. Não é “à toa” que os
cafés chamados GOURMETS ou ESPECIAIS possuem alto valor agregado.
O Brasil é referência em cafés de qualidade superior e torna-se muito competitivo neste
mercado, além do mercado mais conhecido chamado cafés intermediários.
As torrefadoras de cafés no país obedecem a regulamentação cafeeira em todos os aspectos,
sendo fator fundamental para o comercio pós-indústria.
Como podemos observar, não é fácil classificar e degustar café; conforme já mencionado, falta
profissionais aptos para a função.
Café é e sempre vai ser um produto que merece um carinho especial, pois realmente é um
produto com extrema seleção de qualidade e ainda em termos de valores de compra e venda
o comércio é muito forte no setor.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Sabendo da existência de 7 tipos ou padrões de bebidas de café, como são denominadas
as mesmas?
2. Estudamos, tratando de classificação de café, a existência de classificação por tipo ”defeitos”. Sabemos que defeitos extrínsecos são defeitos que não caracterizam o grãos de café.
Cite três desses defeitos?
3. Abordamos que o café “Robusta” é utilizado na fabricação de café solúvel, o qual é muito
utilizado em cafeterias belos baristas para desenvolvimento de “drinks” à base de café.
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Expresse sua opinião de como poderíamos alavancar ainda mais o consumo deste tipo de
café.
Bom trabalho!
Coador de pano ainda é o preferido entre concorrentes de concurso do melhor café
Irresistível no aroma, incomparável no sabor - o tradicional cafezinho está entre as bebidas mais consumidas no mundo. “Não existe nada comparável ao café”, diz um fã da bebida.
Só o que muda é o jeito de “fazer” café. Na era do expresso, tem máquina que entrega pronto. Mas
para muita gente, o melhor cafezinho continua sendo o da moda antiga, com jeito e sabor de roça.
Em Mandaguari, onde se produz um dos melhores grãos do Brasil, tem até concurso, feito pela cooperativa da cidade, para escolher “cafezinho” do ano.
No concurso, todas as participantes usam o mesmo pó de café, produzido no município. O que vai
definir o cafezinho campeão é o jeito de fazer. O ponto de fervura da água, a hora de colocar o açúcar
e o tipo de filtro usado. A maioria prefere passar o café como nos velhos tempos, com coador de pano.
“Porque coa mais devagar, o outro é mais rápido. O sabor fica mais, dá mais aroma ao café”, explica
a concorrente Maria Rosa Rosseto.
A comissão julgadora prova, degusta, para só então decidir. E quando o assunto é sabor, a diferença
entre o caseiro e o expresso é uma questão de gosto. O da máquina é mais encorpado. O do coador,
mais suave.
E pelo jeito, o antigo cafezinho passado na hora, vai continuar fazendo sucesso por muito tempo ainda. Até entre os especialistas. “Eu gosto do café do pano, adoro. Porque o café gostoso quando você
coloca na boca, passa pouco tempo e você já está com vontade porque fica gravado no cérebro o café
gostoso”, revela outro amante da bebida.
27/102010 - A Tribuna - Baixada Santista
Disponível em: <http://www.abic.com.br/asp/noticias_noticia.asp?cod=1843>. Acesso em: 10 nov.
2010.
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Acesse os links:
<http://www.abic.com.br/gar_qualidade.html>.
<http://www.acob.org.br>.
<http://www22.sede.embrapa.br/cafe/consorcio/index_2.htm>.
Acesso em: 07 fev. 2008.
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CONCLUSÃO
Bom, caro aluno, como o velho ditado diz: “tudo que é bom dura pouco”. Chegamos ao final
neste assunto, mas ainda temos muito o que discutirmos em nossa aula para que o aprendizado
seja ainda melhor. Para nossa consideração final, deixei um espaço para comentarmos sobre
todo o nosso assunto resumidamente. Este material necessita deste guia para uma melhor
compreensão, para você não cansar de ficar somente lendo, pois muitas vezes só lemos o
que nos interessa, concorda?
Tratando dos produtos orgânicos, posso afirmar que está bem completo o material. Conforme
já mencionei, procurei ser o mais sensato para que você possa entender o que estou querendo
repassar e para que você obtenha um conhecimento agradável. Estas informações têm uma
importância muito grande para você em seu futuro profissional. Vou citar um parágrafo que
refiro diretamente a você:
De forma geral, os consumidores de produtos orgânicos apresentam preocupação com
a qualidade do produto, aliada à situação financeira para aquisição dos mesmos. A partir
deste perfil, pode-se adotar estratégias para melhor comercialização destes produtos. O
sucesso da cadeia produtiva irá depender principalmente das características propostas
pelos seus formadores. Assim, o comprometimento, profissionalismo, capacidade
de análise, melhoria dos processos produtivos, de distribuição e comercialização e
mudanças dos consumidores são pontos fundamentais.
Aqui está, isto serve de auxílio para você refletir e formar uma posição para seu crescimento,
pois um gestor pensa como empreendedor e deve ficar atento às deixas do mercado e do
consumo para aprimorar a sua função de gestão. Pense e reflita neste exemplo que passei a
vocês, pois o mercado vai exigir de um bom profissional esta visão, ok?
Para finalizarmos sobre a cultura do café, você pode observar que elaborei três das cinco
unidades do nosso material, pois a cultura do café exige muito estudo sendo um assunto
amplo, e para ser profissional na área temos que saber todos os passos desta cultura. É
um material bem completo, com algumas partes técnicas para aprofundar seu conhecimento.
Este seu professor atua também profissionalmente como classificador e degustador de cafés,
portanto abordei todos os assuntos referentes à cultura, obviamente da mesma forma como
orgânicos, de forma que você, que será um profissional, aprimore seu o conhecimento e em
nossas aulas passamos trocas experiências sobre o assunto.
Uma garantia posso lhe dar: o mercado no setor café está necessitando muito de profissionais
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capacitados, principalmente por ser uma cultura muito antiga, os profissionais também estão
“antigos”, se aposentando, e a gama de técnicos na área para suprir esta necessidade está
muito decaída. É uma área para você pensar e tomar uma decisão importante para ajudar a
continuar esta caminhada pelo mundo dos cafés. Toda a cadeia necessita de você, desde o
produtor até a etapa final do processo do café torrado e moído. Ainda vamos trocar muitos
conhecimentos sobre o tema, quero que você seja realmente um profissional qualificado para
saber argumentar e responder com certeza qualquer questionamento sobre nosso assunto.
Novamente quero parabenizar pela escolha deste curso e quero poder colaborar muito para
seu crescimento profissional. Minha intenção é lhe fornecer a ferramenta, mas a execução
será sua, portanto muita garra, comprometimento, dedicação e muito estudo.
Professor Diogo Bochnia Zuliani
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