PRODUÇÃO DIRIGIDA “CIDADÃO COM OPINIÃO”
MUNIZ, Claudia Pereira – SME
[email protected]
OLIVEIRA, Terezinha das Graças Laguardia – SME
[email protected]
Eixo Temático: Comunicação e Tecnologia
Agência Financiadora: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
Resumo
Este artigo relata o trabalho com o encaminhamento de gêneros jornalísticos para os
professores participantes do projeto jornal eletrônico escolar Extra, Extra!, mediante o
propósito de direcionar o tema por meio de sugestão de roteiros que culminam em um
concurso denominado Cidadão com Opinião. Essa proposta surge mediante uma pesquisa
realizada com os professores sobre as dificuldades em se trabalhar com a diversidade de
gêneros textuais para um jornal. Dessa forma, o projeto tem como pretensão a formação de
professores e estudantes nessa produção, para a divulgação e diversificação de gêneros
jornalísticos no jornal eletrônico Extra, Extra! visando a capacidade de direcionar e
aprofundar a produção escrita, além de atender às necessidades de integração dos conteúdos
com o uso das tecnologias. Aliando teoria e prática, sistematizou-se o processo de
desenvolvimento do projeto, com a iniciativa de formação dos profissionais partindo de
pressupostos teóricos para organização de conteúdos, objetivos, metodologia e critérios de
avaliação. Esses primeiros passos da pesquisa têm como orientador a Gerência de
Tecnologias Digitais da Secretaria Municipal da Educação, que vem por sua vez, elencar
fundamentos sobre o uso do jornal eletrônico nas práticas pedagógicas do professor. Sob tal
paradigma pretende-se fornecer subsídios de atividades para o profissional que participa do
projeto Extra, Extra!, além de alertar para a importância dos gêneros textuais no
desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes. A proposta do Cidadão com Opinião
possibilita a busca de novos caminhos e a reavaliação constante de estratégias e objetivos,
enfim, envolvendo-se, cada vez mais, no processo de construção do jornal. Nesse contexto,
observamos os seguintes resultados: diversificação de produções textuais no jornal eletrônico,
acervo de propostas didáticas para o encaminhamento com gêneros, domínios sociais da
comunicação por professores e estudantes, representação pelo discurso de experiências
vividas e evolução do trabalho em situações reais de uso da língua.
Palavras-chave: Gêneros. Escrita. Formação profissional. Tecnologia e Conhecimento.
Introdução
4965
A proposição da atividade dirigida “Cidadão com Opinião” para o projeto jornal
eletrônico Extra, Extra!, um valioso instrumento mobilizador de produções na Rede
Municipal de Ensino de Curitiba, serve para que possamos continuar incentivando e
valorizando ainda mais as produções dos estudantes e, ainda, ofertando o conhecimento dos
diversos gêneros jornalísticos aos professores.
O Cidadão com Opinião propõe, através da oferta de roteiros de escrita, subsidiar o
encaminhamento das produções publicadas no jornal eletrônico Extra, Extra! e divulgar as
experiências mais significativas, como forma de orientar e enriquecer a estrutura dos textos
publicados.
Desde 2007, a cada bimestre são divulgados os temas elaborados pela equipe de
Tecnologias Digitais, com o apoio das áreas do ensino fundamental, através do Portal Cidade
do Conhecimento. Os estudantes devem, orientados pelo professor, redigir a proposta e
publicá-la no jornal eletrônico Extra, Extra!. Esse projeto
parte da constatação de que
escrever para um jornal escolar eletrônico é importante fator de estímulo e motivação para as
crianças. Suas opiniões e produções – sejam redações, pesquisas ou desenhos – são
valorizadas através da exposição em publicações na internet, que circulam por toda a escola e
na comunidade, principalmente entre os pais dos estudantes.
O jornal escolar é um instrumento importante de ligação entre os vários parceiros que
constituem a comunidade educativa, além de um excelente veículo de informação e
divulgação do que acontece no espaço escolar e na comunidade.
As demandas da sociedade atual exigem que a escola trabalhe no sentido da formação
de cidadãos críticos e reflexivos, que possam exercer sua cidadania, cooperação,
solidariedade e tolerância. Para que isso aconteça, a escola precisa integrar a cultura
tecnológica extraescolar dos estudantes e professores ao seu cotidiano.
Surge então, a necessidade de realizar produções que enfoquem a diversidade de
gêneros textuais e o interesse de escrita do estudante, motivando-o a relacionar os fatos
importantes que emergem na realidade a sua volta e divulgá-las com o auxílio dos recursos
da tecnologia na rede virtual.
Entre os meios de comunicação de mais fácil acesso está o jornal, por possuir
informação abundante e variada. Por meio dele, os estudantes podem entrar em contato com
diferentes assuntos: política, economia, religião, cultura, esporte, pesquisa, literatura,
4966
acontecimentos nacionais e internacionais, uma vez que pode ser fonte enriquecedora e
revitalizadora do conteúdo curricular.
Nessa perspectiva, para complementar o projeto jornal eletrônico Extra, Extra!,
apresentamos o Cidadão com Opinião, que envolve produções dirigidas, sob orientação da
Gerência de Tecnologias e com a participação das áreas do Departamento de Ensino
Fundamental, visando a elaboração de diferentes gêneros textuais, pois um jornal não vive só
dos episódios acontecidos no dia anterior, mas também da discussão, do debate e da análise
de fatos e/ou situações que estão acontecendo, já aconteceram ou que possam acontecer.
Essa atividade consiste em oferecer aos professores, através de um roteiro, subsídios
para encaminhar a produção de diferentes gêneros jornalísticos sob orientação da área de
Língua Portuguesa. Os roteiros, por sua vez, são divulgados no Portal Cidade do
Conhecimento a cada bimestre e, com o material em mãos, os professores podem encaminhar
em sala de aula a proposta sugerida e publicar no jornal eletrônico Extra, Extra!.
Assim, podemos acompanhar os trabalhos produzidos pelos estudantes, com base no
roteiro sugerido e encaminhados pelo professor. As produções são analisadas pela equipe de
coordenação do projeto e aquelas que desenvolverem da melhor forma o tema proposto aliado
à tipologia textual solicitada são divulgadas no Portal Cidade do Conhecimento e recebem
menção honrosa estudantes e professores que se destacarem a cada sugestão do Cidadão com
Opinião, com o objetivo de:
• Incentivar e valorizar a produção dos estudantes;
• Exemplificar com as produções, práticas pedagógicas significativas desenvolvidas
pelos professores no projeto jornal eletrônico escolar Extra, Extra!;
• Identificar o jornal como um portador de textos, percebendo a diferença entre eles;
• Reconhecer os diferentes tipos de textos de acordo com sua finalidade;
• Analisar, nos diferentes textos, as estruturas próprias do discurso escrito;
• Discutir sobre assuntos e temas atuais, relacionados aos interesses dos alunos;
• Identificar as diversas interpretações de um mesmo assunto ou fato;
• Produzir textos utilizando as estruturas do discurso escrito;
• Produzir textos com clareza e coerência, utilizando os recursos básicos de coesão.
Com isso, temos a oportunidade de proporcionar instrumentos que permitam aos
estudantes e professores um maior e melhor desenvolvimento das habilidades de uso da
4967
Língua Portuguesa sobre a possibilidade de desenvolver uma atitude mais participativa,
autônoma e consciente no processo ensino-aprendizagem.
Estrutura da proposta do Cidadão com Opinião
O Cidadão com Opinião se estrutura mediante a divulgação dos roteiros e publicação
das produções no jornal eletrônico Extra, Extra!. A organização do trabalho e indicação dos
participantes acontece de forma autônoma pelas escolas, estabelecendo a forma com que serão
propostos os roteiros de desenvolvimento do tema apresentados pela equipe de organização.
Nesse trabalho, o professor assume o papel de supervisor, podendo orientar as
produções e, depois de reescritas quando necessárias, publicá-las na web e inscrevê-las para a
seleção do Cidadão com Opinião. Esse projeto permite a interdisciplinaridade e o trabalho
colaborativo.
O aluno, que na maioria das escolas assume o papel de jornalista, deve trabalhar sobre o
tema, utilizando a pesquisa, a criatividade e a boa elaboração do texto, orientado pelo
professor. O “aluno jornalista” só precisa criar o conteúdo adequado para cada proposta e
publicar no jornal da escola.
Os trabalhos realizados pelos alunos comporão o acervo do Cidadão com Opinião.
Somente a equipe de organização tem disponibilidade para receber e selecionar os textos
publicados, permitindo selecionar produções das escolas e enviá-las para divulgação no Portal
Cidade do Conhecimento.
Abrangência
Todas as escolas da RME podem participar, uma vez que a página do Projeto no Portal
permite o cadastro da escola interessada e consequentemente a integração ao projeto. Para
determinar os participantes, serão adotados os seguintes critérios:
- Escolas que desenvolveram o projeto em anos anteriores que manifestarem interesse.
- Novas escolas que tenham interesse em participar do trabalho.
- Professores que atuem com alunos do ciclo II/5.ª a 8.ª série ou tenham condições de
acompanhá-los no projeto.
- A escola deverá ter conexão com a internet no laboratório de informática.
Desenvolvimento
4968
O projeto Cidadão com Opinião está incorporado ao Portal Cidade do Conhecimento.
Através da URL www.cidadedoconhecimento.org.br - Alunos - Extra, Extra! com a
publicação dos textos escritos pelos alunos das escolas da Rede Municipal de Ensino (RME).
Cabe a equipe de organização do projeto Cidadão com Opinião elaborar roteiros,
seguindo a temática proposta, com a indicação sobre gênero textual, acentuando a definição
de que o texto é uma unidade de linguagem, de extensão variável, produzido a partir de um
determinado contexto ou situação, que visa comunicar uma mensagem, através de um meio,
de um locutor ou sujeito a um interlocutor ou receptor.
Acompanhamento:
- Consultas periódicas no Portal pela equipe da gerência de Tecnologias Digitais, nos
sites das escolas participantes.
Esse trabalho envolve a identificação das características dos textos jornalísticos, a
pesquisa e o planejamento sobre o conteúdo dos textos que serão produzidos.
Referencial teórico
O relacionamento entre o sujeito e o mundo tem um caráter de ação, de construção e
não de recepção passiva. O homem é um ser social e tanto a língua falada como a escrita,
estão introduzidas no processo de socialização do indivíduo.
Os mecanismos da leitura e da escrita fazem parte da socialização, porém, a
linguagem oral, a expressão e a compreensão do próprio texto escrito participam igualmente
do processo de interação.
A construção do conhecimento se dá melhor quando o estudante constrói na realidade
algum objeto de seu interesse (tornando a aprendizagem mais significativa) ou constrói
conhecimento a partir de sua interação com o mundo. O construcionismo defende, então,
além da construção de objetos concretos, a utilização de objetos também concretos no
processo. (FREINET, 1998).
Nesse contexto, o projeto jornal eletrônico escolar Extra, Extra! proporciona a
interação da escrita dos estudantes como produto de socialização e utilização do texto, com a
função social da escrita, através da divulgação das produções no jornal eletrônico. Para
divulgar e motivar professores e estudantes nesse caminho da escrita, esse projeto propõe
atividades dirigidas, disponibilizadas pelo Cidadão com Opinião. Para isso, são abordadas as
4969
modalidades redacionais que aparecem combinadas entre si: descrição, narração e a
dissertação.
Viabilizando o Cidadão com Opinião como forma de orientação para que os
professores possam propiciar a diversidade textual, no projeto, a equipe organizadora
disponibiliza a oportunidade de acompanhamento das atividades com metodologias
diferenciadas, uma vez que, com a proposição dos temas bimestrais, reporta subsídios para
que os profissionais desencadeiem a proposta de escrita viabilizada pelo projeto, que inclui
fundamentalmente a abordagem dos gêneros utilizados pela mídias.
Nesse sentido, torna-se importante destacar que os roteiros apresentados, além do
tema sugerido, levam ao questionamento a organização dos gêneros textuais encontrados na
mídia, com enfoque ao hábito da leitura e da escrita, de forma prazerosa e coerente.
Com essa realidade, é fundamental que se sugira as abordagens
que envolvam
interpretação, reconhecimento da estrutura textual compreendendo seu objetivo.
Para essa abordagem, as produções são organizadas sob a estrutura de alguns gêneros
textuais encontrados na mídia impressa:
•
Notícia: descrição de fatos ou acontecimentos atuais, geralmente de importância
e interesse para a comunidade, sem comentários pessoais, opiniões ou interpretações por parte
de quem escreve. Os títulos são chamativos (manchetes) para atrair a atenção de quem lê. No
início do texto, frequentemente, aparece um pequeno resumo com as informações essenciais
do fato noticiado (lide).
•
Reportagem: texto baseado em pesquisa, de interesse do público, com propostas
de entrevistas e comentários para que se possa informar o leitor com uma visão ampla do
assunto tratado. Essas produções podem vir acompanhadas de interpretações e opiniões sobre
o tema abordado que se embasa em coleta de dados, depoimentos e comparações com
acontecimentos relacionados à proposta apresentada.
•
Entrevista: é o registro de um depoimento de uma pessoa de interesse público.
Sua função é sanar a curiosidade do público. Para tanto, é organizada na forma de perguntas e
respostas.
•
Editorial: texto que expressa a opinião de um grupo. Sua elaboração é feita de
maneira impessoal e publicada sem assinatura. Sua estrutura é semelhante a de um texto
dissertativo, de intenção persuasiva.
4970
•
Artigo de opinião: semelhante ao editorial também é um texto de caráter
opinativo. Porém, ao invés de representar a opinião do veículo em que está sendo divulgado,
tem caráter pessoal. Logo, deve vir assinado pelo autor, que se responsabiliza pelo conteúdo,
ou seja, pelas opiniões apresentadas.
•
Crônica jornalística: trata de assuntos e acontecimentos do dia a dia, apreendidos
pela sensibilidade do cronista e desenvolvidos de forma pessoal por ele. Geralmente, contém
ironia e humor, já que seu objetivo principal é fazer uma crítica social ou política. Luís
Fernando Veríssimo e João Ubaldo Ribeiro são exemplos atuais desse tipo de texto.
•
Resenha crítica: aborda o conteúdo de uma obra. Indica-se a forma de
abordagem do autor a respeito do tema e da teoria utilizada. É uma análise crítica, pois
encerra um conceito de valor emitido pelo resenhista sobre a obra em questão.
•
Carta do leitor: texto em que o leitor tem a possibilidade de manifestar seu ponto
de vista sobre um determinado assunto da atualidade, usando elementos argumentativos.
•
Divulgação científica: coletânea de produções informativas com vocabulário
preciso, frases curtas, ou seja, objetivo. Seu intuito é divulgar para o grande público as
descobertas mais recentes no campo das ciências em geral.
Para que o trabalho com esses elementos se efetive, é preciso que o professor
apresente gêneros textuais que façam parte do cotidiano, pois os estudantes precisam
compreender que texto não é somente uma composição formalizada que ocorre apenas na
escola, mas sim em todos os contextos da comunicação.
Sendo assim, uso do jornal eletrônico, além de permitir o estabelecimento de relações
com o mundo, através das informações veiculadas, das análises apresentadas etc., também
possibilita o desenvolvimento de atividades relacionadas a diferentes interpretações de um
mesmo assunto.
Desenvolvimento
Depois de muitos estudos realizados, é comum ouvirmos em nosso meio de
comunicação a expressão “gêneros de texto”, porém raramente fazemos uma reflexão sobre
seu conceito e sua influência nas produções orais e escritas.
4971
Segundo Bakhtin (1943), gênero significa "família, grupo" de textos, orais ou escritos,
que têm origens próximas e são ligados entre si por pertencerem a uma mesma área de
conhecimento e ocorrerem em situações de comunicação semelhantes.
Nesse contexto, encontramos o jornal, caracterizado como um portador de produção
de informações. Define-se os gêneros produzidos nele como “gêneros jornalísticos” (notícias,
editoriais, reportagens, por exemplo). Todas as produções veiculadas pelo jornal têm aspectos
em comum, integradas pela forma como o conhecimento jornalístico é produzido e
organizado.
Assim como o jornal, existem campos variados de conhecimento que produzem
formas de linguagem próprias e se unem numa mesma “família”, como exemplos temos
gêneros jurídicos e gêneros literários, produzidos cada um com uma finalidade específica, um
para abordagem de leis e outro para o entretenimento e a apreciação dos leitores por autores
que são verdadeiros artistas.
Muitos gêneros também se estruturam pela informalidade, uma vez que há
conhecimentos que são constituídos ao longo de séculos e transmitidos de boca em boca
através das gerações familiares, como canções de ninar, cantigas de roda, fábulas, lendas,
advinhas e muitos outros. As diferentes formas de utilização da linguagem podem se
conceituar como gêneros desde que abordem uma necessidade de comunicação e, assim,
podemos considerar também gêneros de texto as conversas familiares e as conversas de bar,
pois são de maneira espontânea situações de comunicação nascidos de uma necessidade
coletiva.
Segundo Bakhtin (2003, p. 279):
(...) cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de
enunciados, sendo isso que denominamos gêneros de discurso. O enunciado reflete
as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu
conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos
recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais – mas também, e
sobretudo, por sua construção composicional.
Com a citação do autor, podemos concluir que gêneros textuais são todas formas de
linguagem geradas em uma necessidade de comunicação. Suas características e formas de
4972
utilização definem-se, assim, pela espontaneidade de estrutura e as marcas reconhecidas pelas
pessoas que se comunicam, capazes de possibilitar o entendimento entre elas.
Resultados
A sociedade atual possui uma infinidade de gêneros textuais contextualizados pelo uso
formal e informal da língua. Cada pessoa pode conceber o uso de um gênero específico em
diferentes situações de comunicação (ou situações de produção de linguagem).
No uso das atribuições familiares, num dado momento, pode surgir instruções,
conselhos e recomendações aos filhos. A mesma pessoa em seu ambiente de trabalho pode
fazer uso de uma escrita formalizada para elaboração de ofícios, cartas e documentos oficiais,
solicitados pela função que desempenha nesse espaço. Para se distrair ou informar-se, a
mesma pessoa pode fazer uso de um jornal, de um rádio ou de uma TV e, assim, vamos
encontrar, como no exemplo, o homem envolvido nas
mais diversas situações de
comunicação que podem alterar-se constantemente.
Dessa forma, podemos concluir que nossa necessidade de comunicação é sempre
saciada pela ocorrência de gêneros textuais, quanto mais gêneros dominarmos maior é nossa
capacidade de comunicação, nosso desenvolvimento pessoal e nossa capacidade de exercer a
cidadania.
Muitos dos gêneros que utilizamos são aprendidos informalmente nas relações sociais
mais próximas. Outros, porém, exigem ensino sistematizado para serem aprendidos. A escola
é responsável pelo ensino sistematizado de gêneros mais formais. (Fonte: Kit Itaú de Criação
de Textos – Prêmio Escrevendo o Futuro – 3.ª edição 2006 – p. 2 e 3).
A escola, portanto, tem um papel fundamental no ensino desses gêneros mais formais.
Os autores Schneuwly e Dolz (2004, p. 57-61), da Escola de Genebra, levantam três das
formas como os gêneros são usados na escola atualmente, as quais sempre aparecem
mescladas:
- Gênero somente como objeto de estudo, fora de seu contexto de produção;
- Gênero estudado dentro de uma situação de produção ficcionalizada;
- Gênero estudado numa situação real de comunicação.
Para que professores e estudantes possam vivenciar essas três formas, é fundamental
que ambas sejam orientadas e que pratiquem as diversas formas de escrita para as futuras
produções.
4973
A RME conta hoje com cerca de 15.000 profissionais contratados que possuem as
mais variadas formações e nem sempre a academia aborda em seus cursos a formação
adequada para a abordagem de gêneros e tipologia textual, ou mesmo exercita com seus
acadêmicos o uso de ambos.
Neste contexto, observou-se junto aos professores que participam do projeto jornal
eletrônico Extra, Extra! a necessidade de contextualizar o uso de gêneros jornalísticos, sob
forma de diversificar a produção textual dos estudantes.
A formação continuada do professor na RME, por meio da educação à distância, tem
nos conduzido a um amplo processo de pesquisa e reflexão que nos permite a participação no
processo ensino-aprendizagem de gêneros para professores da educação básica. A elaboração
dos roteiros didáticos do Cidadão com Opinião caracteriza-se como ferramenta para a
formação, visando ao desenvolvimento de capacidades para a transposição didática de
gêneros textuais escritos e orais da mídia impressa e eletrônica.
A proposta busca desenvolver atividades didáticas proporcionadas aos professores em
um processo de formação crítico-reflexiva, discutindo o uso da linguagem nas práticas sociais
escolares e na vida externa à escola, bem como seus significados sociais, políticos e culturais
dentro do jornal eletrônico Extra, Extra!.
Que argum entos você usar ia par a justificar a inser ção do jor nal e m s ua pr ática
pe dagógica?
23
Auxilia no trabalho com gêneros
textuais
Metodologia que estimula o aluno e
prof essor
Divulgação do trabalho do prof essor e
do aluno
É uma prática f ormadora de sujeitos
cosncientes
Motiva a leitura e a escrita
10
Desenvolve a auto-estima
Envolvimento responsável dos alunos
É um trabalho interdisciplinar
5
4
4
3
4
3
Gráfico 1 - Fonte: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
Muitos dos professores envolvidos no projeto destacam a importância do trabalho com
o jornal em sala de aula e apontam argumentos que justificam os bons resultados conquistados
pela proposta.
4974
Mediante tal constatação, procuramos questionar os professores sobre os
conhecimentos que possuem em relação aos gêneros e quais as facilidades e dificuldades de
trabalho com as possibilidades de escrita de cada um.
Entre o gê ne r o jornalís tico qual o tipo de te xto s e u aluno m ais e s cre ve ?
35
Notícia
Entrevista
Texto de opinião
Poesia
Reportagem
16
16
Charge
Classif icados
13
7
4
2
Gráfico 2 - Fonte: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
Muitos professores envolvidos na pesquisa justificaram esse resultado, considerando a
facilidade do gênero e a total habilidade dos estudantes em seguir as propostas de atividades
embasadas nos modelos do jornal impresso. Veja a justificativa a seguir:
(...) eu trabalhei com bastante recorte do jornal impresso e fiz um roteiro com as
perguntas: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? As crianças fizeram
com muita facilidade e aproveitaram as informações do bairro para elaborar suas
próprias notícias. Esse é um gênero que eu particularmente gosto de trabalhar com
eles porque é muito fácil. (Professora A).
Diante da apresentação do gênero menos produzido, observamos que apontam a
charge como uma proposta que raras vezes está presente na sala de aula como recurso de
aprendizagem.
Entre os tipos de te xtos e ncontrados e m um jornal qual s e us e s tudante s m e nos
e s cr e ve m ?
19
Notícia
Entrevista
Texto de opinião
9
Poesia
Reportagem
Charge
7
7
Classificados
6
3
1
Gráfico 3 - Fonte: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
4975
Nesse contexto, os professores manifestaram seus sentimentos de angústia em relação
à preparação
que possuem para encaminharem propostas com este gênero de forma
motivadora e significativa.
(...) entre os que menos escrevem, com certeza é a charge! Devido à falta de tempo
para trabalhar adequadamente esse gênero. Nós, professores, acabamos focando
mais na escrita e deixamos de lado a charge, que envolve talvez mais raciocínio do
que a própria escrita. (Professora B).
Char ge
4
3
Falta de aperfeiçoamento do prof essor
O estudante não se interessa
Gráfico 4 - Fonte: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
O percentual de justificativas foram direcionadas à falta de aperfeiçoamento e ao
interesse dos estudantes, como podemos observar no gráfico acima.
Diante os dados apontados, evidenciou-se a necessidade de uma forma orientada para
que professor e estudantes compreendessem a propriedade de cada gênero e sua contribuição
na diversidade textual de um jornal eletrônico.
Assim, em 2007, o Cidadão com Opinião divulgou suas primeiras propostas de
trabalho que foram conquistando um público cada vez maior a cada proposta apresentada.
4976
2007
67
54
46
Depoimento
Notícia
35
Classificados
Entrevista
Gráfico 5 - Fonte: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
Com a continuidade no ano de 2008, verificamos que a proposta foi bem recebida por
professores e estudantes e, com base nas informações coletadas, os roteiros vieram a
contribuir para a produção dos gêneros de pesquisa e opinião.
2008
136
87
71
94
Reportagem
Editorial
Memórias
Resenha
Gráfico 6 - Fonte: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba
Baseados em tais observação, a pesquisa apontou para a importância do planejamento
participativo nas escolas como momento de reflexão e estudo para a melhoria das práticas dos
professores em relação ao ensino de Língua Portuguesa. O estudo revelou também a
importância de reformulação dos cursos de formação de professores em relação à
especificidade de estudos linguísticos e, ainda, atenta para a importância de programas de
formação continuada ofertados por órgãos responsáveis pela educação pública.
4977
Considerações finais
A partir do estudo e das leituras efetuadas para a realização deste trabalho, é possível
afirmar que o Cidadão com Opinião é uma prática de produção de gêneros que, com a
proposta de roteiros, incentiva professores e estudantes. Nos estudos analisados, a proposta
contemplou todas as séries do ensino fundamental, isto é, o projeto foi desenvolvido de forma
que todas as séries trabalharam com as atividades de gêneros jornalísticos em sala de aula e,
também, no laboratório de informática. Dessa forma, os conteúdos foram ampliados com o
estudos de gêneros, permeando todos os segmentos da produção escrita.
Nesse sentido, é possível levantar dois fatores importantes: 1) a continuidade da
aplicação do projeto é uma necessidade, pois é um dos fatores que interfere no resultado
esperado para a qualidade das postagens no jornal Extra, Extra!. 2) a proposta diminui
resistência, por parte do professores, pela dificuldade de se dedicar à atualização profissional
exigida e pela necessidade de planejamento constante das aulas, envolvendo uma relação
complexa e muito diferente da existente com os livros didáticos.
Outra observação interessante foi que a maioria dos trabalhos apresentados foi
desenvolvida não só pelo professor regente, mas também por profissionais de áreas
diversificadas. Isso nos leva a crer que nossos professores estão atualizados e buscam formas
de elevar o ensino, principalmente no que diz respeito à formação do leitor e à formação de
um cidadão crítico. Esse é um ponto positivo que essa pesquisa aponta, colaborando para
acabar com a teoria de que os professores da rede pública estão “acomodados” e têm
dificuldade de buscar novas formas de trabalhar em sala de aula.
Nesse sentido, se faz importante a presença do trabalho com gêneros na vida dos
professores para que estes, através de um hábito incorporado, possam acompanhar as
discussões e transformações do mundo, com análise crítica e reflexiva. O acesso ao jornal
eletrônico, com o consequente uso dos seus conteúdos e planejamentos com o Cidadão com
Opinião, é um componente imprescindível nos processos de formação básica e continuada de
todos os professores visando a melhoria das atividades encaminhadas.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
4978
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Cia. Editora
Nacional, s/d.
FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2.ª ed. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1986.
FREINET, C. A educação do trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
FREINET, C. A leitura pela imprensa na escola. Lisboa: Dinalivro, Portugal; s/d.
SCHENEUWLY, B; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução. e organização
Roxane Rojo e Gláis Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2004.
<http://www.cintiabarreto.com.br/didatica/generostextuais2.shtml>.Acesso em 20/07/09
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PRODUÇÃO DIRIGIDA “CIDADÃO COM OPINIÃO”