Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008
IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Landoaldo Cordeiro Almeida Junior. Nasci em 28 de novembro de 1965,
no bairro de Cambuci, São Paulo, Capital.
INGRESSO NA PETROBRAS
Ingressei na empresa através de concurso, na parte de perfuração, em meados de
1985.
FORMAÇÃO
Tenho curso em técnico em eletrônica e técnico em eletrotécnica. Também fiz cursos
na área de tecnologia em processamento de dados. Na Escola Politécnica, cursei
Engenharia de Eletricidade, mas infelizmente aqui não houve condições de prosseguir
[os estudos] em Macaé. Tenho ainda um curso de Aperfeiçoamento em Automação.
Meu desejo é terminar o Curso Superior.
ATIVIDADE ATUAL
Atualmente, trabalho na área de contratação de serviços, como fiscal de contrato.
Minha função é exercer a fiscalização de contrato e fazer diversas correções no
sistema que a gente tem no SAP, junto a gerencia de contratos. Que é o SAP aqui,
dentro da empresa. Que houve uma evolução: eram vários sistemas e foi unificado pra
esse sistema. Evolução de material e mão de obra de pessoal e fechamento de
medições que ocorrem normalmente na final do mês. Temos medições parciais no
mês, algumas vezes por semana, de diversos tipos de contratos.
MUDANÇAS
Existia um processo no ambiente DOS chamado BDMBDC, que era um processo que
era utilizado pra você fazer esse controle de pessoas, de mão de obra e de material.
Era no ambiente DOS. Então, a empresa comprou o SAP e todos os sistemas que
administravam percurso, treinamento, pagamento, contratos, entraram no sistema
SAP. E SAP tem vários módulos: tem módulo de manutenção, tem módulo de
materiais e equipamentos, módulo de financeiro, módulo de investimento.e todos os
outros sistemas que existiam antigamente e que não eram integrados, foram
integrados e passaram a ser subsistemas no SAP.
DESAFIOS
A readaptação à condição de planejador, que eu tinha, para a condição mais
burocrática, que é em relação à fiscalização e gerenciamento de contratos.
Completar os meus estudos de Ensino Superior e resolver problema de obesidade,
que no momento está me atrapalhando. Esses também são desafios.Porque eu desejo
futuramente retornar a plataforma e exercer embarque. Uma vez que eu não consegui
aplicar a minha formação. Eu tinha uma formação quando ingressei na empresa,
eletrotécnica, mas aí, eu melhorei essa formação pra me adequar a essas melhorias,
ao avanço tecnológico das plataformas. Tive o cuidado de fazer um curso de
eletrônica e um complemento aí, aperfeiçoamento em automação. Exatamente pra
adaptação à automação de processos na evolução tecnológica nas plataformas.
VIDA DE EMBARCADO
Já vivi essa jornada, nas plataformas, de 14 por 14. E também cheguei a pegar um
pouco da jornada de 14 por 21 também.
[O primeiro dia foi] Conhecer uma ilha de metal com diversos equipamentos e
unidades. Muito ruído, muito barulho de máquinas. É conhecer as pessoas que
estavam trabalhando. Verificar o óleo, o petróleo que está sendo produzido. O gás. Me
inteirando dos processos. Antigamente muitos jargões em inglês, que o pessoal estava
acostumado, eu não tinha o costume. Então eu tratei de fazer os aperfeiçoamentos
que a empresa me possibilitava. Ainda tava no desenvolvimento de internet, de CDs,
áudio visual. Mal tinha entrado na época de CD, então...essa transição aí. Hoje em dia
você tem cursos online. Naquela época não tinha nada disso. Estava muito cru, de
escola técnica mesmo.
Havia a dificuldade de entendimento, principalmente porque a literatura era toda em
inglês, Frances, alemão. E você não tinha as traduções necessárias quando Havia
necessidade nos processos de você ter um maior entendimento. O que gerava
dificuldade na hora de fazer tanto a manutenção quanto a operação. Porque as
unidades dependem de grupos geradores, que podem ser a Diesel ou a gás. Gerador
e compressor.
MOMENTO MARCANTE
Foi o Collor. Eu fui um dos demitidos do Plano Collor. A empresa, em 1994, reintegrou
a gente. Mas em 1989, se não me engano foi isso, 1989, 1990, teve esse período do
Collor que ele colocou em disponibilidade, demitiu diversas pessoas, funcionários
públicos com estabilidade. Muita gente não agüentou esse período fora e veio a
falecer. Teve algumas pessoas que faleceram. Houve reintegração na época do Itamar
e foi readaptando as condições. Na época tava embaçado. Eu fui desembarcado,
desimplantado, quer dizer, você tem uma diferença relativamente grande, do pessoal
que trabalha na área administrativa, num regime especial 14 por 14 da época. Ainda
não havia sido implantado 14 por 21. E depois eu fui, a partir de 1994, eu fui me
readaptando e testando as possibilidades de retornar a embarcar. Eu entrei na
empresa como eletricista, sendo que a empresa cobrou da gente a formação técnica
em escola técnica. Mas depois de 20 anos que eu consegui ira à técnico de
manutenção dentro da empresa.
Outro fato marcante é que eu presenciei uma morte na plataforma. A pessoa caiu e o
corpo não foi resgatado. Isso aí foi em Enchova. E presenciei também um dos últimos
incêndios perto de Enchova. Uma plataforma submersível, P-7, Campo de Bicudo.
Também presenciei, me marcou. Aquelas labaredas e os rebocadores fazendo a
neblina. Foram vários e vários dias direto queimando.
[Foram momentos de]
Apreensão porque nós tínhamos condições parecidas. Se você tem todos os
elementos pra ocorrer incêndio e as plataformas, a manutenção era precária. A
prioridade na época era produção a todo custo. Não havia responsabilidade social,
nem ambiental, nem segurança, nada disso. A segurança era muito pífia, precária.
Isso foi na época Collor, Itamar, Fernando Henrique. Toda a época do Fernando
Henrique. Depois houve uma boa melhoria, valorização. No segundo mandato já
começou a conscientização pra certificação em segurança, meio ambiente e saúde. Aí
houve uma mudança de visão gerencial dentro da empresa.
MUDANÇAS
Ela mudou um pouquinho o foco da produção a todo custo pra segurança, você pode
produzir desde que seja com segurança. Então, se preocupar com o trabalhador.
Agora
financeiramente,
monetariamente,
não.
Não
houve
valorização.
Só
recentemente, no governo Lula, é que estamos recuperando a desvalorização, a
depreciação desde a época do Figueiredo, desde a época militar, que está havendo
depreciação, em relação ao mercado de trabalho. Em relação às grandes companhias
de petróleo internacionais: Exxom, Mobil, Texaco, Shell, e aí vai.
FUTURO
O foco da empresa é energia. Algum tempo atrás era óleo petróleo e derivados. Não
era óleo e gás, gás fazia parte desses derivados. Anos 1950 até meados de 1970 a
1980 essa era a visão. A partir dos anos 1980 a visão de energia foi sendo
incorporada à empresa. Eu penso que para a sobrevivência da Empresa não é o
suficiente. Se a Empresa deseja sobreviver, os combustíveis alternativos e a escassez
progressiva do óleo, do produto, pois ele não é renovável. Ainda não existe uma
tecnologia que faça ser possível haver uma renovação. Então, nessa hipótese, pra
esse século ainda de 2000 a 2100, tem que estabelecer um parâmetro. Eu creio que
você vai ter a condição do petróleo subindo cada vez mais e o esforço das energias
alternativas crescendo, como o caso dos bicombustíveis agora, e o etanol, como
combustível. Enfim, como se tirar de algumas coisas que são alimentícias outras não.
Então acredito que isso aí deve haver um bom desenvolvimento como alternativa à
esse preço exorbitante do petróleo num determinado momento. Como a gente atingiu
a auto suficiência, a gente conseguiu, o governo também, nesse sentido, nesse
cenário aqui, bloquear esse aumento absurdo do petróleo. Se fosse o governo anterior
provavelmente não iria bloquear. Nós estaríamos com uma inflação violenta agora,
nesse cenário aí. E não sei quando seria debelada. Talvez tivesse que fazer um
negócio violento como um congelamento, assim. Não seria essa inflaçãozinha que o
pessoal está gritando aí. Se não fosse essa segurada que o governo está dando
agora. Estou falando do cenário recente, para falar do cenário futuro. Se não fosse
isso aí provavelmente a gente estaria um caos de inflação de novo. Então, a autosuficiência em óleo tem segurado o preço da gasolina, do gás de cozinha, e aí vai.
Mas infelizmente não no setor de alimento e nem aço. Porque aí a empresa não tem
como interferir. Por enquanto. Aí, como eu desejo que ela sobreviva, essa é a minha
intenção para o futuro, eu gostaria que ela não ficasse restrita a visão de energia. A
energia que move a nossa gente, alguma coisa assim. Não ficar nisso não. Partir
também para a água, através de parcerias público-privadas. Ver se consegue vingar
nesse governo, que não sei se no outro governo vai continuar isso. Aí já é um cenário
mais pra frente um pouquinho. E pegar todas as concessionárias de água, porque a
Eletrobras, as concessionárias de energia. É mais difícil. Mas as de água, não. Nós
temos um aqüífero imenso, que é o aquífero guarani, muito utilizado. A empresa tem
condições de gerenciar isso com as concessionárias estaduais e as municipais. A
água é um em muito importante. Povos, nações vão se matar por causa de água.
Então, a empresa além de gerenciar o óleo ela tem condições de gerenciar a água.
É uma visão de futuro que eu gostaria que a alta administração tivesse. Eu tenho
entrado em contato em alguns de diretores informalmente. Eu não fui formalmente pra
responsáveis da área. Pelo que eu entendi os responsáveis da área são diretores
relativos a segurança, meio ambiente e saúde. Mas isso aí seria o plano estratégico da
empresa. Ela não ficar limitada à visão de energia. Tudo bem que ela pode até
abandonar a visão de óleo, porque pé um produto não renovável, haverá escassez.
Mas a água tem que haver gerencialmente principalmente por causa da poluição. É
uma coisa que a empresa tem que dar o exemplo contrário. Em vez de ser classificada
como poluidora ela pode exercer o papel contrário. Controlar essa poluição e reverter
pra população. E até exportar essa água, desde que saiba gerenciar. Eu acredito que
ela tem capacidade pra isso.
PROJETO MEMÓRIA
Eu penso que a memória da Petrobras deve ser resgatada pra você aplicar no futuro.
Você pega tanto os erros quanto os acertos do passado pra você aplicar no futuro. E
que sempre tem que se conservar a idéia da melhoria contínua. Mas você não pode
ignorar o passado, apesar de ter uma cultura de GQT (Gestão de Qualidade Total),
pra quebra de paradigmas que dê a idéia que você deve ignorar o passado. Ele não
deve ser ignorado. Você deve aprender com ele.
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Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2011