UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
A CONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO PARA A DISCIPLINA DE
SOCIOLOGIA
Por: Jésselyn Soares Brandão da Silva
Orientador (a)
Prof. Mary Sue Pereira
Rio de Janeiro
2011
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
A CONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO PARA A DISCIPLINA DE
SOCIOLOGIA
Apresentação de monografia à Universidade Candido
Mendes como requisito parcial para obtenção do grau
de especialista em Administração e Supervisão Escolar.
Por: Jésselyn Soares Brandão da Silva.
AGRADECIMENTOS
A todos os professores que contribuíram
para
a
minha
formação
pessoal
e
profissional, da Educação Infantil à PósGraduação.
DEDICATÓRIA
Dedica-se aos professores de Sociologia do
Ensino Médio.
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo demonstrar a importância que as teorias e
os conceitos desenvolvidos por Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx para a
realização de análises sociológicas. Sendo imprescindível estarem presentes na
construção do currículo para a disciplina de Sociologia no Ensino Médio.
METODOLOGIA
O presente trabalho monográfico será realizado através de análises e
investigações bibliográficas, o que possibilitará a compreensão de tema
apresentado. Através das bibliografias pesquisadas nos será fornecido um
instrumental teórico capaz de aprofundar o tema apresentado, a partir das
diversas visões, filosofias e conteúdos que estão contidas nas bibliografias.
7
SUMÁRIO:
INTRODUÇÃO:
CAPÍTULO I - O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA
CAPÍTULO II – O QUE ENSINAR EM SOCIOLOGIA?
CAPÍTULO III - COMO ENSINAR SOCIOLOGIA?
CONCLUSÃO:
BIBLIOGRAFIAS:
INDICE:
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INTRODUÇÃO
A sociologia é uma ciência que se caracteriza por analisar os fenômenos
sociais de forma crítica e reflexiva, se opondo radicalmente ao senso comum, ou a
qualquer tipo de ‘’naturalização’’ que possam atribuir a ordem social. É antes de
tudo uma ciência da sociedade e para sociedade, que a através das análises
sociológicas busca investigar e compreender a multiplicidade das relações e das
Instituições sociais se no nível micro-sociologico ou macro-sociológico, na busca
de manutenção do status quo ou de transformação social. Neste trabalho veremos
como a sociologia como ciência e como disciplina curricular no ensino médio tem
seu surgimento como ciência, seu desenvolvimento de conceitos e teorias e sua
função conforme o explicitado neste parágrafo.
O presente trabalho tem como objetivo investigar através de pesquisas
bibliográficas qual é a importância da disciplina de sociologia no ensino médio, e
assim, identificar quais são os conteúdos necessários para o seu respectivo
ensino.
Este trabalho se inicia com a análise do surgimento da sociologia no
primeiro capítulo, contextualizando o seu marco histórico – A Revolução Industrial
– momento no qual as reflexões mais sistemáticas sobre a sociedade começaram
ser elaboradas. Em seguida, chegaremos ao estudo da sociologia no Brasil, na
qual faremos uma breve análise do advento da burguesia, da geração de 30, até a
institucionalização do ensino da sociologia no Brasil.
No segundo capítulo, veremos o que devemos ensinar em sociologia no
ensino médio, tomando como base a lei n 11.684/2008 que inclui o ensino da
sociologia nos três anos do ensino médio.
Sendo assim, analisaremos os
conteúdos que são necessários ao estudo da sociologia no ensino médio.
Iniciaremos o estudo com as principais correntes de análise sociológica: Émile
Durkheim, Max Weber e Karl Marx. Clássicos, pois desenvolveram as três
9
principais teorias que acabaram se tornando as bases de interpretação da
sociedade capitalista: A sociologia funcionalista, a sociologia compreensiva e o
marxismo.
Observando o estudo dos clássicos da sociologia, não esgota a
profundidade da investigação sociológica dos conteúdos que podem ser
trabalhados no ensino médio. Porém, serve de base para o estudo da sociologia
no ensino médio.
Visto que, através dos pressupostos teóricos de Émile Durkheim, Max
Weber e Karl Marx são abordados conceitos de: Fato Social, Ação Social e
Classes Sociais. Tais conceitos permitem que os educandos construam uma
atitude reflexiva e crítica acerca de suas realidades sociais; Que é um dos
principais objetivos do ensino da sociologia no ensino médio em consonância com
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96). Que em seu artigo 35,
nos diz que a educação deve oferecer ao educando a formação à cidadania de
sua cidadania, o seu aperfeiçoamento enquanto pessoa humana e o
desenvolvimento de sua autonomia intelectual e do pensamento crítico. Já em seu
artigo 36 a LDB, especifica que os conhecimentos de Sociologia são necessários
para o exercício da cidadania.
Portanto, é necessário ressaltar que o estudo dos clássicos da sociologia
nos fornece o instrumental teórico para análise da sociedade contemporânea,
fomentando nos educandos a construção do pensamento crítico e ao exercício da
cidadania, e ainda, estando em consonância com a lei 9394/96, conforme
demonstra as citações acima.
Já no terceiro capítulo teremos como temática: como devemos ensinar
sociologia no ensino médio, para tanto faremos uma breve análise da escola e a
sociologia contemporânea e da disciplina de sociologia no ensino médio.
Abordando quais são os ‘’ modus operandi’’ para o ensino dos clássicos da
sociologia.
10
Ou seja, faremos uma breve análise da relação da sociologia com a escola
de hoje, e ainda, mostraremos no campo da análise curricular a sociologia no
ensino médio e seus pressupostos metodológicos.
Por fim, na conclusão veremos que a sociologia no ensino médio é
fundamental para preparar o educando para o pleno exercício da cidadania, e que
nesse contexto o estudo dos teóricos: Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx
constituem-se como base de seu currículo.
11
CAPÍTULO 1- O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA
‘’ As primeiras reflexões mais sistemáticas sobre o estudo da
sociedade só começaram a serem formuladas no momento
em que ela se diversificou como nunca anteriormente...’’
(OLIVEIRA, pág. 17, 2009).
Este momento no qual a sociedade se diversificou, é segundo Pérsio
Santos de Oliveira, a revolução industrial, iniciada na Inglaterra por volta de 1750.
Ainda segundo o autor, a revolução industrial deu origem a novos grupos sociais –
a burguesia e o proletariado – e a estruturação da formação política e econômica
da sociedade capitalista. Pérsio Santos também cita a revolução francesa ( 1.789)
como um fato histórico que concorreu com igual importância para a formação da
sociedade capitalista.
Portanto, nesse sentido a revolução industrial e a revolução francesa deram
passagem para implementação da economia capitalista, e conseqüentemente,
modificou o ‘’ modus vivendi’’ do povo, inserindo novas formas de viver, tais como:
o trabalho industrial e o crescimento das cidades.
Por fim, tais transformações sociais se tornaram objeto de estudo por
diversos pensadores dando origem a uma nova ciência: A Sociologia, citada pela
primeira vez por Augusto Comte (1798-1857) em seu curso de filosofia positiva.
1.1– O Estudo da Sociologia no Brasil
12
‘’ Na América Latina, e em particular no Brasil, o processo
de formação, organização e sistematização do pensamento
sociológico
obedeceram
também
às
condições
de
desenvolvimento do capitalismo e a dinâmica própria de
inserção do país na ordem capitalista mundial...’’ (COSTA,
pág. 300, 2005).
Observa-se que segundo Cristina Costa, a formação dos estudos
sociológicos no Brasil, obedeceu também ao desenvolvimento da economia
capitalista. Assim como ocorreu na Inglaterra e na França com os adventos da
Revolução Industrial e da Revolução Francesa, respectivamente.
O estudo da Sociologia no Brasil, desde que se iniciou preocupou-se
principalmente com os processos de formação histórica do nosso país, bem como
a posição do país em face de sua inserção no capitalismo e na ordem econômica
mundial.
A partir da segunda metade do século XX, temas como a urbanização, a
industrialização, as migrações e o desenvolvimento do país, tornaram-se objetos
de estudos sociológicos e revelaram uma preocupação importante com as
transformações sociais, econômicas, culturais e políticas que a sociedade
brasileira passava. Dentre os principais estudiosos da sociedade brasileira
destacam-se:
Gilberto Freire (1900-1987)
Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982)
Caio Prado Júnior (1907-1990)
Florestan Fernandes (1920-1995)
Darcy Ribeiro (1922-1997)
13
1.2– O Advento da Burguesia
‘’ A burguesia emergente necessitava de um saber mais
pragmático,
menos
universalista
e
independente
da
estrutura social colonial.’’ (COSTA, pág. 303, 2005).
A nova classe social emergente, conforme cita Cristina Costa – A Burguesia
– sentiu a necessidade de formular um saber que desse alicerce a nova ordem
social que o Brasil se inseria – a economia capitalista.
Sendo assim, os intelectuais das primeiras décadas do século XX,
procuraram estudar a realidade brasileira e formar um saber puramente nacional.
Dessa época, diversos acontecimentos de transformação cultural, social e de foco
nacionalista surgiram, tais como: a fundação do Partido Comunista do Brasil, o
Tenentismo e a Coluna Prestes. Que questionavam a realidade social brasileira e
defendia a modernização do sistema político, propondo o fim da política do cafécom-leite.
Também podemos citar com igual importância o movimento modernista,
ocorrido em São Paulo em fevereiro de 1922, que propiciou a inovação na
linguagem e na temática da arte nacional. Rompendo com o passado e a
influência européia.
‘’Além
dos
aspectos
econômicos,
o
nacionalismo
expressava o desejo de se conhecer realmente a nação e
de conclamar as diversas classes sociais a exercer seu
papel transformador da realidade.’’ (COSTA, pág. 304,
2005).
14
Portanto, conforme a autora explícita o nacionalismo procurou repudiar
qualquer traço com a cultura européia, provocando a ruptura com o colonialismo.
Ensejando desta forma, inserir o país em uma nova ordem econômica – a
capitalista.
Em suma, podemos concluir que assim como o desenvolvimento do
Capitalismo Industrial na Inglaterra provocou o surgimento da Sociologia assim
também ocorreu no Brasil. Conforme cita a autora abaixo:
... ‘’ No Brasil desde a segunda Revolução Industrial
sustentados pela própria crença absoluta do poder do
progresso caminho natural das sociedades. É no momento
que a crítica de desenvolve, sistematizando-se de maneira
cientifica a nascente sociologia.’’ (COSTA, 2005, pág. 304).
1.3– A Geração de 30
A década de trinta compõe o marco histórico transformador na história do
Brasil, nos aspectos político e na produção intelectual. Buscava-se descobrir o real
Brasil, opondo-se ao colonialismo. A geração de trinta valorizou o cientificismo,
como meio de conhecer a nação, procurou também unir os desiguais em torno do
desenvolvimento do Brasil.
Nessa época, surgem também notáveis intelectuais da Sociologia
Brasileira como Sérgio Buarque de Holanda, que em seu livro Raízes do Brasil faz
uma crítica a formação das elites brasileiras, o autor utilizou o instrumental
tipológico de Max Weber para análise histórica e cultural do país. Aparece também
no cenário da produção da intelectualidade brasileira Caio Prado Júnior, cuja suas
obras apresentam uma historiografia de caráter social do Brasil influenciado pela
teoria marxista.
15
Igualmente importante, foram os estudos de Gilberto Freyre, que em sua
obra Casa Grande e Senzala, publicada em 1933, apresenta uma obra detalhada
da formação da sociedade brasileira, investigando nas suas raízes agrárias e
escravocratas.
Também foi nesse período que a sociologia como disciplina aparece no
currículo do ensino médio, através da proposta apresentada pelo então ministro
Milton Campos na reforma do ensino.
Por fim, podemos constatar que a sociologia como conhecimento
sistemático e com campo de atuação específico só aparece no Brasil a partir da
década de trinta, através da estruturação de estudos voltados para os problemas
sociais, culturais, políticos e econômicos do país.
1.4 – A Institucionalização do Ensino da Sociologia:
‘’ O desenvolvimento da sociologia ocorre juntamente com a
industrialização e a centralização do poder pelo Estado
Novo.’’ (COSTA, pág 307, 2005).
No período compreendido entre 1931 a 1942, e especificamente após 1937,
a disciplina de sociologia está presente e é obrigatória no currículo do ensino
médio. Porém, esta é a fase de um governo autoritário com vocação ditatorial.
Nesse mesmo período é fundada a Escola Livre de Sociologia e Política
e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Também, são convidados no
exterior a vir lecionar no Brasil grandes mestres das Ciências Sociais, tais como:
16
- Radcliffe-Brown (Para a Escola Livre de Sociologia e Política)
- Lévi-Strauss, Georges e Roger Bastide (Para a Universidade de São
Paulo).
...’’O ensino da sociologia só chegou na década de 1930,
quando foram fundados os primeiros cursos de ciências
sociais em São Paulo. Foi apenas na década de 1980 que
ocorreu a profissionalização da sociologia no Brasil e a
profissão
de
sociólogo
tornou-se
regulamentada.’’
(JUREMA, pág. 25, 2008).
Portanto, a sociologia como ciência no Brasil percorreu um longo processo
de formação e de estruturação até chegarmos a sua institucionalização como
ciência. O período de sua formação trás como advento histórico o processo de
industrialização do país; a sua estruturação acontece com o movimento intelectual
da geração de trinta, e com relevância importante a semana de arte moderna
(1922). Já a sua institucionalização como ciência coincide com o período do
Estado Novo (1937).
A sociologia brasileira desde os seus primeiros estudos sempre esteve
voltada para o conhecimento da nossa realidade, mesmo que por muitas vezes os
estudiosos brasileiros tenham sido influenciados pelas reflexões sociológicas
americana (da escola de Chicago), francesa ( da escola de Sorbone) ou alemã (
da escola de Frankfurt). O quê sempre se tentou investigar foi a realidade do
Brasil, com estudos voltados para a formação do estado nacional brasileiro e para
a consolidação da nossa identidade nacional.
17
Por fim, para interpretação e compreensão da sociedade brasileira, nosso
intelectuais foram influenciados e/ou inspirados por alguns dos grandes mestres
das ciências sociais, conforme vimos neste capítulo. Por serem leituras
obrigatórias, pelas grandes contribuições que ainda permanecem para os estudos
de investigação e análise sociológica. Os autores aos quais me refiro são: Émile
Durkheim, Max Weber e Karl Marx. Que são objetos de estudo do nosso próximo
capítulo.
18
CAPÍTULO II – O QUE ENSINAR EM SOCIOLOGIA?
O significado da palavra sociologia vem da fusão dos termos: societas (do
latim), que significa sociedade, e logos (do grego), que significa estudo da ciência.
Sendo assim, podemos dizer que a sociologia tem como objetivo estudar a
sociedade. Porém de qual forma a sociedade pode ser estudada? A sociologia é a
ciência cujo seu objeto de estudo está na forma de funcionamento da sociedade
humana e nas leis que a regem.
Para realizar uma análise a respeito da introdução do estudo da sociologia,
faz-se necessário realizá-la à luz dos clássicos consagrados das Ciências Sociais,
são eles: Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx. Foram eles que
desenvolveram as principais correntes de análise sociológica.
Além de Augusto Comte (1798-1857), considerado o pai da sociologia, foi
ele quem primeiro citou o termo ‘’sociologia’’ em seu curso de Filosofia Positiva.
Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx são igualmente considerados fundadores
da sociologia.
Émile Durkheim foi o primeiro a delimitar um objeto de estudo para a
sociologia – os fatos sociais. Foi através de Durkheim que a sociologia passou a
ser considerada uma ciência. Já Max Weber definiu a sociologia como uma
ciência voltada para a compreensão da ação social. Por outro lado, Karl Marx
procurou analisar a sociedade a partir das classes sociais.
Em suma, como vimos, a sociologia é a ciência que tem por objeto de
estudo a sociedade, e para construção de seu currículo para o ensino médio é
indispensável o estudo dos clássicos sociológicos. Que instrumentalizará os
educandos para a investigação e compreensão a cerca de suas realidades
sociais, contribuindo assim para a formação de cidadãos críticos e reflexivos.
19
2.1 - Émile Durkheim e os Fatos Sociais
O sociólogo Émile Durkheim tem nacionalidade francesa, viveu entre os
anos de 1858 a 1917 e lecionou na Universidade de Sorbone em Paris. Foi com
Durkheim que a sociologia adquiriu status de ciência.
Para Durkheim o objeto de estudo da sociologia são os fatos sociais.
Segundo o autor são fatos sociais os modos de pensar, sentir e agir de um
determinado grupo social. Ainda segundo o autor, os fatos sociais devem ser
tratados pelo sociólogo como ‘’coisa’’, por serem externas e objetivas.
Durkheim desta forma, pretendia conferir a sociologia uma ciência
independente das demais ciências com métodos próprios. Devendo pois o
sociólogo analisar, compreender e explicar os fatos sociais racionalmente.
Ao estabelecer um objeto de estudo para a sociologia – os fatos sociais – e
ao afirmar que os fatos sociais devem ser tratados como ‘’coisas’’, e para que o
pesquisador mantenha distância com o objeto pesquisado, estabelecendo desta
forma a ‘’neutralidade científica’’. O objetivo de Durkheim é impedir que a
sociologia se apóie em conceitos e teorias de outros campos do saber.
...’’Os fatos sociais, dizia Durkheim, ‘’são as maneiras
coletivas de agir ou pensar’’ que podem ser reconhecidas
pelo simples fato de exercerem uma influência coercitiva
sobre as consciências particulares’’. (OLIVEIRA,2009, pág.
27)
20
Podemos observar que segundo o autor os fatos sociais são exteriores,
introjetados pelo indivíduo e exercem sobre ele um poder coercitivo, ou seja, são
capazes de obrigar as pessoas a se comportarem de determinada maneira. Émile
Durkheim atribuiu aos fatos sociais três características, são elas:
- Generalidade: O fato social se encontra generalizado na sociedade ou em
um grupo social específico. Sendo comum aos membros de uma coletividade.
- Exterioridade: O fato social existe independentemente da vontade
individual das pessoas, é a consciência coletiva da sociedade ou de um
determinado grupo social, permanecendo de geração a geração.
- Coercitividade: O fato social exerce uma força coercitiva sobre os
indivíduos, que se sentem obrigados a seguir o comportamento estabelecido pela
sociedade ou por um determinado grupo social.
Portanto, os fatos sociais assumem essas três características, que são
próprias de todo e qualquer fato social. Segundo o autor, a partir da investigação
dos fatos sociais, o sociólogo pode apreender a realidade dos fatos com
neutralidade cientifica, mantendo um distanciamento afetivo em relação ao objeto
pesquisado.
Em suma, para Émile Durkheim um dos fundadores da sociologia, esta
ciência deve estudar os fatos sociais. Devendo pois, os fatos sociais serem
analisados com objetividade e neutralidade pelo sociólogo. Conforme, a citação a
seguir.
...’’Durkheim o primeiro a considerar a sociologia como
ciência,
demonstrando
que
todo
fato
social
tem
características próprias. Para ele, ‘’A sociologia é o estudo
dos fatos sociais’’. (VASCONCELOS, 2009 pág. 69)
21
2.2 - Max Weber e a Ação Social
Max Weber é de nacionalidade alemã e viveu entre os anos de 1864 a
1920. É considerado um dos percussores da sociologia, criou o conceito de ação
social, conceito este que nunca mais deixou de integrar a disciplina de sociologia.
Para Max Weber, a sociologia é uma ciência interpretativa, destacava
também que a ação humana tem uma dimensão subjetiva que deveria ser
compreendida e interpretada pela sociologia.
‘’Weber definia a sociologia como uma ‘’ciência voltada para
a compreensão interpretativa da ação social e, por essa via,
para sua explicação causal no seu transcurso e nos seus
efeitos’’. (OLIVEIRA, 2009 pág. 28).
Sendo assim, segundo o autor para Max Weber o objeto de estudo da
sociologia é a ação social, que se caracteriza por ser uma conduta humana dotada
de sentido e voltada para a ação de outras pessoas. A tarefa do cientista segundo
Weber é investigar e compreender as possíveis causas da ação social,
descobrindo seus possíveis sentidos na realidade social presente. Ainda assim,
segundo o autor a análise realizada pelo cientista sempre resultará em uma
explicação parcial da realidade estudada. Visto que todo cientista tem seu trabalho
guiado por sua cultura e motivação. Max Weber desenvolveu quatro conceitos de
ação social, são elas:
- Ação Tradicional: É a ação social determinada por costumes ou hábitos
enraizados. Tais hábitos e costumes são transmitidos de geração a geração.
22
- Ação Afetiva: É a ação social determinada pelo estado sentimental do
indivíduo. Acontece de forma afetiva, voltada para a satisfação pessoal do
individuo.
- Racional com relação a valores: É a ação social determinada por uma
crença, em valores éticos, estéticos ou religiosos considerados importantes.
Independente do êxito desse valor na realidade.
- Racional com relação a fins: É a ação social determinada por uma
expectativa racional para alcançar a um fim determinado. É realizada com base
em cálculos racionais para o alcance do objetivo.
‘’Segundo Weber, essas características apresentadas não
representam uma ação específica, mas toda ação do ser
humano que atua em sociedade e que possui valores e
crenças que estão ligados a traços de tradição ou não, pois
cada indivíduo atua num mundo cheio de particularidades’’.
(VASCONCELOS, 2009, pág. 76).
Conforme, observamos para Max Weber os indivíduos produzem sentido à
ação social, por meio de seus valores e de suas crenças. Cabendo ao cientista
investigar as tendências gerais que levam aos indivíduos a agirem de determinada
maneira, e assim, identificar as conseqüências que as ações sociais produzem na
realidade.
Em suma, Max Weber desenvolveu o conceito de ação social que hoje é o
conceito básico da sociologia. Para ele a sociologia deve estudar o sentido da
ação humana individual, através da compreensão e da interpretação, e que até
hoje ainda é muito usado pelos sociólogos.
23
2.3 – Karl Marx e as Classes Sociais
Karl Marx nasceu na Alemanha e viveu entre os anos de 1818 a 1883, ele
foi filósofo, cientista social e economista, e principalmente, ele foi um
revolucionário. Seus ensinamentos e suas teorias são essenciais para a
compreensão da sociedade. Ele foi o fundador do materialismo histórico, teoria
que mais tarde seria conhecida como Marxismo.
Marx foi o primeiro a empregar o termo ‘’classe social’’, utilizado por ele
para denunciar as desigualdades sociais. De acordo com Marx existem na
sociedade capitalista duas classes sociais, conforme demonstra a citação a seguir:
‘’As classes sociais formadas no capitalismo – burgueses e
proletários – estabelecem intransponíveis desigualdades entre
os homens e relações que são, antes de tudo, de
antagonismo e exploração’’. (COSTA, 2005, pág 114).
Segundo o autor, as relações de antagonismo e exploração ocorrem porque
os donos do meio de produção procuram maximizar seus lucros, explorando ao
máximo a classe proletária. Esta classe, por sua vez, procura melhores condições
de trabalho lutando pela diminuição da carga horária de trabalho e por melhores
salários.
Para concepção marxista, a sociedade capitalista está dividida em classes
que lutam incessantemente entre si. Na divisão de classes encontram-se:
burgueses x proletários, proprietários x não proprietários, ou ainda, exploradores x
explorados.
24
O que determinaria a existência de classes sociais no capitalismo seria ‘’os
meios de produção’’ que são de propriedade privada. Ou seja, os detentores dos
meios de produção na busca cada vez maior de lucros, exploravam os operários
ocasionando em relações desiguais.
Sendo assim, os operários vendem sua força de trabalho em troca de
salário, e os burgueses que são donos dos meios de produção apropriam-se do
trabalho de seus operários. Mantendo sua posição como dono dos meios de
produção, preservando seus direitos, explorando ao máximo a classe trabalhadora
com baixos salários e aumento das horas trabalhadas.
...’’A oposição e o antagonismos derivam de interesses
inconciliáveis entre as classes – o capitalista - desejando
preservar seu direito a propriedade dos meios de produção e
dos produtos e a máxima exploração do trabalho operário
pagando baixos salários ou ampliando a jornada de trabalho’’.
(COSTA, 2005, pág. 105).
Por fim, segundo Karl Marx os interesses de classes são inconciliáveis.
Para ele ‘’a história da humanidade é a história da luta de classes’’. Cabendo a
classe operária realizar a verdadeira revolução social, por meio da derrubada da
classe burguesa e a destituição da propriedade privada. Assim foi idealizado por
Karl Marx que os meios de produção fossem entregues a coletividade, fundando
uma sociedade sem classes – a comunista. Conforme, demonstra a citação
abaixo:
25
‘’O socialismo cientifico é uma teoria política e social que
previa a vitória dos trabalhadores sobre a burguesia. Para
Marx, a sociedade e as estruturas que surgiram dessa
revolução seriam chamadas de comunismo, e o processo de
transição do capitalismo para o comunismo seria chamado
de socialismo. Nesse sentido o comunismo pode ser
entendido como sistema econômico, político e social que
tem por finalidade a criação de uma sociedade sem classes
dominantes, ou seja, tudo seria comum a todos, não
havendo propriedade privada’’. (VASCONCELOS, 2009, pág
61).
26
CAPÍTULO III – COMO ENSINAR SOCIOLOGIA?
‘’ A educação é um típico ‘’que fazer’’ humano, ou seja, um
tipo de atividade que se caracteriza fundamentalmente por
uma preocupação, por uma finalidade a ser atingida. A
educação dentro de uma sociedade não se manifesta como
um fim em si mesma, mas sim como um instrumento de
manutenção ou transformação social. Assim sendo, ela
necessita de pressupostos, de conceito que fundamentem e
orientem seus caminhos.’’ (LUCKESI, 1994, págs. 30 e 31).
O papel do professor constitui-se basicamente, em auxiliar o aluno a
aprender através do desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, hábitos,
atitudes e valores. O que analisaremos neste capítulo é o ‘’modus operandi’’ do
ensino da sociologia no ensino médio.
No campo da disciplina de sociologia não há no Estado do Rio de Janeiro,
uma definição de conteúdos para o seu ensino no ensino médio. Porém, conforme
vimos no capítulo anterior as principais teorias sociológicas foram desenvolvidas
por: Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx.
Sendo assim, faremos uma breve análise da sociologia como componente
curricular no ensino médio. Para tanto, será abordado o tema A escola e a
sociologia contemporânea, onde vamos expor o papel da escola como instância
mediadora, seus respectivos sujeitos do processo educativo – educador e
educando.
27
Abordaremos, também a sociologia no ensino médio através das principais
teorias do pensamento sociológico: A teoria funcionalista, a compreensiva e a
marxista. Onde veremos que para cada um dos clássicos da sociologia estudados
(Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx), a sociedade deveria ser investigada e
compreendida de uma forma. Por fim, concluiremos este capitulo com a exposição
de alguns pressupostos metodológicos para o ensino da sociologia no ensino
médio, apontando para alguns conceitos tais como: O conhecimento e seu
processo e o conteúdo a ser assimilado.
3.1- A escola e a Sociologia Contemporânea
Para compreender a educação de hoje, do ponto de vista da sociologia
demanda, portanto, que conheçamos a fase contemporânea do capitalismo. Pois
é, justamente no contexto de formação da sociedade industrial que surge uma
nova instituição responsável pela educação – A escola. Sendo assim, na
passagem da sociedade feudal onde o processo de educação ocorria
principalmente na família, e também, assistida pela igreja; na sociedade industrial
a principal instituição responsável pela educação será a escola. Cujo, os principais
objetivos serão o de preparar os educandos para a vida em sociedade e ao
mesmo tempo desenvolver suas aptidões pessoais e profissionais.
Com a nova ordem econômica capitalista nasceu uma estrutura de ensino
de ensino com o objetivo de educar um numero cada vez maior de indivíduos,
através da transmissão de valores dessa nova sociedade. E, assim a escola como
conhecemos hoje é produto de desenvolvimento do capitalismo iniciado nos
meados do século XVIII e XIX.
28
Portanto, a escola como conhecemos hoje representa a estrutura social,
econômica e política de nossa sociedade. Sendo uma instituição social de
integração, conflito e contradição; onde as técnicas e conhecimentos são
transmitidos através de métodos para influenciar o comportamento humano.
Conforme, explicita o autor Alberto Tosi Rodrigues, em sua citação abaixo:
‘’As idéias e valores, o mundo da cultura, enfim, o conteúdo
que ao fim e ao cabo é ensinado nas relações educacionais,
são frutos da luta cotidiana por interesses econômicos e por
poder político. O próprio método, a pedagogia com a qual se
ensinam esses conteúdos contem, à luz da análise
sociológica, um viés ideológico. Os grupos e classes
dominantes procuram sempre fazer com que as idéias e
valores aceitos por todos sejam os seus próprios valores e
idéias. As práticas pedagógicas, isto é, os princípios e
métodos que informam as técnicas educacionais estão
sujeitas
ao
conflito
ideológico
vigente
numa
sociedade’’. (RODRIGUES, 2004, págs.109 e 110).
3.2- A Sociologia no Ensino Médio
dada
29
‘’Como sabemos, a sociologia é uma ciência que nasceu
junto com o capitalismo. Seu interesse seminal foi o de
compreender a sociedade industrial moderna. Compreender
as ‘’afinidades eletivas’’ que nela se estabeleceram entre as
configurações da economia burguesa – que revolucionava
enormemente a produção e o consumo – e as leis e as
razões do Estado, as religiões e a administração pública e
privada. De lá pra cá o Capitalismo e o Estado que a ele
articulo-se,
expandiram-se
e
modificaram-se,
embora
diferenciadamente, em todas as partes do planeta. A
evolução da análise sociológica de certo modo se espelha a
tais mudanças’’.(RODRIGUES, 2004, pág.101).
A sociologia como ciência tem como marco histórico de sua sistematização
cientifica o surgimento do capitalismo, conforme, demonstra a citação do autor
acima. Sabemos, também que os autores clássicos da sociologia – Émile
Durkheim, Max Weber e Karl Marx – são os fundadores da sociologia, e definiram
suas principais correntes de análise sociológica, que são muito importantes para o
estudo da sociologia no ensino médio.
A teoria funcionalista pretende conhecer a sociedade a partir das funções
que cada grupo e instituição social desempenha para a manutenção da ordem
social vigente. Durkheim ao interpretar as Instituições sociais através de sua
função acreditava que apesar dos problemas sociais que a sociedade capitalista
qpresentava está seria perfeita. Para ele, as instituições sociais existem para
realizar uma atividade útil integradora que promove a coesão social.
30
Para a teoria compreensiva desenvolvida por Max Weber, entende que nos
fenômenos sociais há uma dimensão subjetiva. Segundo, a teoria compreensiva,
está deveria interpretar o sentido da ação social e seus efeitos na realidade
estudada. Essa interpretação deveria, também levar em consideração o sentido
produzido pelas consciências e as intenções dos sujeitos envolvidos na ação
social.
Já para teoria marxista a sociedade deveria ser entendida através da luta
de classes. Para ele, o motor que impulsiona e transforma a sociedade - é a luta
de classes – que vivem em constantes conflitos, e que são interdependentes e
antagônicas entre si. Ou seja, para Karl Marx fundador da teoria marxista, para
que existam os donos dos meios de produção (os empresários), é necessário que
haja os operários, que vendem sua força de trabalho aos empresários.
A teoria marxista tem uma visão critica da sociedade capitalista, para Marx
o capitalismo é um sistema econômico, cujo objetivo é a obtenção de lucro e na
exploração da classe operária.
Por fim, as teorias sociológicas apresentadas acima, são de suma
importância estarem presentes no currículo de sociologia no ensino médio. Elas
com certeza oferecem um instrumental teórico capaz de oferecer ao educando
diferentes formas de estudo da sociedade contemporânea. Estudando como cada
uma das teorias: a funcionalista, a compreensiva e a marxista, analisa a
sociedade, é possível reconhecer a multiplicidade de visões sociológicas que
podemos aplicar ao investigarmos determinado fenômeno sociológico, o que
possibilitará ao educando a formação de uma postura critica e reflexiva da
sociedade e do grupo social ao qual está inserido.
31
3.3- Pressupostos Metodológicos
A perspectiva metodológica que será apresentada é definida como uma
ação educativa que viabilizará ao educando a construção e assimilação de
conhecimentos sociológicos necessários para a análise da realidade social
contemporânea. Tomando-se como conteúdos que deverão ser trabalhados no
ensino médio, o estudo dos clássicos da sociologia – Émile Durkheim, Max Weber
e Karl Marx – apontando para as principais conceitos desenvolvidos pelos
respectivos autores – os de fato social, ação social e classes sociais, e ainda,
também as principais teorias desenvolvidas por eles – a funcionalista, a
compreensiva e a marxista, respectivamente.
Trabalhar com os referidos conceitos apresentados permitirá aos
educandos do ensino médio uma abstração necessária para o desenvolvimento de
sua análise critica da sociedade, oferecendo um instrumental teórico no
tratamento das questões sociais.
Com igual importância, é necessário que esteja presente no currículo de
sociologia no ensino médio. As teorias de análise sociológica, que se configuram
por serem “modelos explicativos” da sociedade, capazes de explicar a existência e
as formas de organização da sociedade. E assim sendo, tornam-se objetivos
específicos do ensino da sociologia no ensino médio:
- Identificar, analisar e comparar os diferentes discursos sobre a realidade
social.
- Identificar, analisar e comparar os diferentes conceitos da sociologia.
- Compreender, analisar e comparar as diferentes teorias sobre a realidade
social, amparados nos principais paradigmas sociológicos.
32
- Produzir novos discursos sobre as diferentes realidades sociais, a partir
das investigações e comparações realizadas.
Para que estes objetivos se efetivem é necessário que haja um
direcionamento no processo de ensino-aprendizagem de tal modo que os
conteúdos sejam assimilados ativamente e que sejam capazes de formar no
educando novas visões da sociedade, não mais amparadas no senso comum.
‘’O senso comum diz que ‘’o que está escrito é verdadeiro’’,
e nos acostumamos a isso de tal forma que perdemos a
capacidade de duvidar do que está escrito. O escrito passou
a ser ‘’sagrado’’, um ‘’fetiche’’, que não pode ser tocado pela
dúvida “. (LUCKESI, 1994, pág.104)”.
Sendo assim, a perspectiva metodológica do ensino da sociologia no
ensino médio se contrapõe radicalmente ao senso comum, conforme o exposto
acima. Na perspectiva de um currículo que dê conta da construção de
conhecimentos ‘’válidos’’, ou seja, utilizáveis na realidade social dos educandos.
‘’Existem professores que se recusam a transmitir valores da
sociedade capitalista como os únicos verdadeiros. São
professores que se empenham cada vez mais em
desenvolver o senso critico dos alunos, procuram denunciar
em suas aulas as relações de poder e dominação presentes
em nossa sociedade. Existem professores que descobrem
também que são classes trabalhadoras e por isso são
sensíveis aos problemas que essa classe enfrenta “,
(MEKSENAS, 2007, pág.82)”.
33
Enfim, conforme vimos na citação acima os professores através de prática
pedagógica, podem atuar como agentes de transformação social, com
direcionamento educativo que leve o educando a reflexão e a critica. É primordial
que os conteúdos ensinados pelo professor possibilite ao educando uma
‘’emancipação’’ enquanto cidadão e a sua abertura para um novo horizonte de
expectativas, sendo que a disciplina de sociologia no ensino médio, é um campo
de conhecimento que pelo próprio sentido da palavra quer dizer ‘’estudo da
sociedade’’, é sem dúvida uma disciplina que ao estudar a sociedade pode
fomentar nos educandos o desejo de transformá-la.
34
CONCLUSÃO
A sociologia emerge como ciência no bojo das Revoluções Industriais na
busca de tentar entender as transformações sociais que as sociedades que se
inseriam na economia capitalista vivenciavam, que foi nosso objeto de estudo do I
Capítulo. No qual ficou claro que a construção do pensamento sociológico se deu
a partir da constituição da economia capitalista. E no Brasil, não foi diferente,
podemos observar que a chegada da “sociologia no Brasil’’, também obedeceu a
inserção do país na ordem capitalista mundial”.
No II Capítulo, ao questionarmos – O que ensinar em Sociologia? Partimos
da premissa de que é fundamental que na construção do currículo de sociologia
no ensino médio, o estudo dos ‘’clássicos da sociologia’’ seja integrado. Já que os
conceitos de fato social ação social e classes sociais. Constituem-se em
conteúdos básicos para o ensino da sociologia no ensino médio e foram
desenvolvidos por: Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, considerados
igualmente fundadores da sociologia e os que mais contribuíram para a
socialização da ciência, a partir das suas diferentes análises da sociologia.
Já no III Capítulo analisamos – Como ensinar Sociologia? Abordamos
temas como: A escola e a sociologia contemporânea e a Sociologia no ensino
médio, e constatamos que a escola como conhecemos hoje é produto da ordem
social capitalista.
Observamos também, que os teóricos Émile Durkheim, Max Weber e Karl
Marx, desenvolveram as três principais correntes de analise sociológica: A
funcionalista, a compreensiva e a marxista, que são capazes de investigar ,
interpretar e compreender a sociedade a partir de diferente perspectivas
metodológicas.
35
Analisamos, ainda no III Capítulo os pressupostos metodológicos voltados
para o ensino da sociologia no ensino médio destacam a importância dos sujeitos
da práxis educativa – educador e educando - e que a prática pedagógica pode
estar voltada para a transformação da realidade social dos educandos.
O presente trabalho monográfico apresentou os conceitos básicos para o
ensino da sociologia no ensino médio, tendo como referencial o Estado do Rio de
Janeiro, e assim demonstramos os principais conceitos da sociologia e as
principais correntes de análise sociológica. Que devem estar presentes na
construção do currículo da disciplina de sociologia, pois se constituem em para o
conhecimento do estudo da sociedade, pois os autores (Émile Durkheim, Max
Weber e Karl Marx) nos forneceram um instrumental teórico rico e indispensável
para a análise da sociedade contemporânea. Sendo, importante salientar, que a
construção do currículo para a sociologia no ensino médio não se esgota com o
estudo dos ‘’clássicos da sociologia’’, porém reafirmo a importância destes autores
estarem presentes no ensino da sociologia, pois sem dúvida, oferecerá ao
educando a construção do pensamento critico e a formação de sua cidadania.
Contribuindo desta forma, para uma educação voltada para a transformação
social.
Com certeza o estudo dos clássicos da sociologia poderá contribuir
efetivamente para a formação cidadã do aluno. Para Émile Durkheim, a sociologia
tem como objeto de estudo os fatos sociais, e estes devem ser tratados como
coisas externas ao sujeito pesquisado. Durkheim recebeu muitas criticas, sendo
considerado seu método de estudo como superficial e ‘’focalista’’ por não permitir
e relação entre o sujeito e o objeto pesquisado não se chegaria a uma analise do
real, e sim a uma visão superficial e estática.
36
Durkheim considerado fundador da Sociologia defendeu o Capitalismo
como o melhor modelo de economia e sociedade, onde seria promovido melhor
nível de coesão social gerados pela solidariedade orgânica, que a solidariedade
gerada pela divisão social do trabalho. Assim podemos ver que os conceitos
desenvolvidos pelo respectivo autor no bojo da revolução industrial tinham uma
proposta voltada para a manutenção do status quo e da ordem instituída pelo
capitalismo industrial.
Porém
é
inegável
a
contribuição
de
Émile
Durkheim
para
a
institucionalização da sociologia como ciência, e seus conceitos e perspectiva
metodológica contribuem para a analise da sociedade. Não em sua totalidade pois
a sociologia como ciência não defende um conhecimento totalizante ao contrário
defendemos que através das diferentes teorias sociológicas podemos enriquecer a
analise da sociedade, já que está será vista sobre vários paradigmas sociais.
Para Max Weber a sociologia, conforme vimos deverá estudar ação social
e seus efeitos na realidade social estudada, diferentemente de Durkheim que tem
em sua proposta para a sociologia uma visão objetiva para a pesquisa e análise
sociológica, para Weber a pesquisa tem um viés subjetivo e resultará sempre de
uma visão parcial com validade provisória.
Weber estudou a sociedade também sob a luz da Revolução Industrial, e
viu nesta nova sociedade um impulso progressivo da racionalização do trabalho e
do crescimento do protestantismo, ele não se declarou contra o capitalismo. Em
suas análises sempre se voltou para conjuntura social, econômica e politica que
estava se formando com o capitalismo.
Já para Karl Marx, o capitalismo é um sistema injusto e cruel no qual os
homens são explorados pelos homens numa luta constante e sem trégua que só
seria superada pela revolução social ou comunista, onde os meios de produção
seriam de uso da coletividade e não mais propriedade privada do capitalista. E só
assim segundo ele estaria superado a luta de classes e a própria estrutura de
classes sociais gerados pelo capitalismo.
37
A obra de Marx podemos dizer que é uma ciência com um objetivo de
igualdade entre os homens,e talvez seja a ciência que mais provou um impulso
pratico para que essa igualdade se realizasse, que seria através do comunismo.
Um sistema segundo o autor perfeito, onde tudo o que ele e os outros socialistas
idealizaram: Uma sociedade de homens livres, onde todos seriam iguais.
Até hoje a obra de Karl Marx é muito ‘’viva’’ e influencia vários autores
sejam eles, para críticas ou sejam eles para defesa de sua teoria. O pensamento
Marxista influenciou as teorias chamadas de ‘’críticas’’ pelo seu viés de luta ao
sistema dominante, contribuiu também para a formação dos movimentos sociais.
Com certeza, a obra de Karl Marx levantou uma problemática constante nas
sociedades capitalista que é divisão social de classes. Que como sabemos gera
exclusão e antagonismo entre os indivíduos, já que uma parcela dos membros da
sociedade tem acesso aos bens materiais e culturais historicamente constituídos,
enquanto outra parcela da população, que é cada vez maior não tem acesso aos
bens materiais e culturais, ou ainda seu acesso é muito restrito.
Assim sendo, podemos observar as diferentes análises que Émile
Durkheim, Max Weber e Karl Marx tem em relação a sociedade, o que contribuiu
para a formação da sociologia cientifica, pois desenvolveram as principais
correntes de análise sociológica, e acima de tudo representam respectivas
sociológicas ricas para o estudo da sociologia.
Portanto, quando nos permutarmos o que estudar em sociologia? A
resposta seria além de outros conceitos que podemos estudar é imprescindível
que estudemos os clássicos da Sociologia eles servem de base para o estudo da
sociologia no ensino médio. Através dos estudos destes clássicos podemos
abordar, o surgimento da sociologia, como a sociologia se desenvolveu como
ciência, os autores que contribuíram para a formação da sociologia, os principais
conceitos e teorias desenvolvidos pelos clássicos da sociologias e sua
aplicabilidade na realidade da sociedade contemporânea.
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Ao nos perguntarmos como estudar sociologia? O que temos que ter em
mente é o entendimento da contribuição que a sociologia pode trazer para a
formação do educando, abordando temas da relação entre profesor-aluno que
sempre deverá ser voltada para a construção do conhecimento historicamente
elaborado, o conhecimento a que nos interessa sempre deverá ser aquele que
contribua para a reflexão e a análise crítica da sociedade.
Enfim, o presente trabalho monográfico tem como objetivo ser um apoio
metodológico para os professores de sociologia no ensino médio, resgatando a
importância que as análises sociológicas desenvolvidas por Émile Durkheim, Karl
Marx e Max Weber nos oferecem para o estudo da sociologia como ciência capaz
de investigar e interpretar a sociedade sob os diversos paradigmas teóricos.
Estando a favor ou contra a ordem social constituída a sociologia é uma ciência
que tem caráter de interferência na sociedade, já que está é estudada já com um
objetivo de intervenção social, seja este um viés transformador, revolucionário ou
conservador da sociedade.
39
BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS:
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1996.
BRASILIA. Ministério da Educação, Secretaria da Educação Básica. Ciências
Humanas e suas Tecnologias. 2006.
COSTA, Cristina. Sociologia: Introdução à ciência da sociedade. 3ª ed. São Paulo
Moderna, 2005.
FORACCHI, Marialice Mencarini; MARTINS, José de Souza. Sociologia e
Sociedade: Leituras de Introdução à Sociologia. 3ª ed. Rio de Janeiro, Livros
Técnicos e Científicos S. A, 1980.
JUREMA, Ana Cristina Loureiro; POGREBINSCHI, Tamy. Telecurso, Sociologia:
Ensino Médio. 1ª ed. Rio de Janeiro, Fundação Roberto Marinho, 2008.
LÜCK, Heloísa. Ação Integrada: Administração, Supervisão e Orientação
Educacional. 24 ª ed. Petrópolis: Vozes, 1981.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.
MEKSENAS, Paulo. Sociologia da Educação: Introdução ao estudo da escola no
processo de transformação social. 13ª ed. São Paulo, Edições Loyola, 2009.
OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução à Sociologia. 1ª ed. São Paulo, Ática, 2009.
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 5ª ed. Rio de Janeiro, DP&A,
2004.
VASCONCELOS, Ana. Coleção Bases do Saber: Sociologia. 1ª ed. São Paulo.
Rideel,2009.
40
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
AGRADECIMENTO
DEDICATÓRIA
RESUMO
METODOLOGIA
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I - O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA
11
1.1 – O estudo da Sociologia no Brasil
11
1.2 – O Advento da Burguesia
13
1.3 – A Geração de 30
14
1.4 – A Institucionalização do Ensino da Sociologia
15
CAPÍTULO II - O QUE ENSINAR EM SOCIOLOGIA?
18
2.1- Émile Durkheim e os Fatos Sociais
19
2.2- Max Weber e a Ação Social
21
2.3- Karl Marx e as Classes Sociais
23
CAPÍTULO III – COMO ENSINAR SOCIOLOGIA?
26
3.1- A Escola e a Sociologia Contemporânea
27
3.2 – A Sociologia no Ensino Médio
28
3.3- Pressupostos Metodológicos
31
CONCLUSÃO
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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
39
ÍNDICE
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universidade candido mendes pós-graduação “lato sensu” instituto