Moda Documenta: Museu, Memória e Design – 2015
REFLEXÕES SOBRE O LÉXICO E A MODA DO SÉCULO XIX
Reflections on the lexicon and the fashion of the 19th century
Vivian ORSI1(UNESP/IBILCE)
[email protected]
Leonardo CARMO2(UNESP/IBILCE)
[email protected]
Resumo: A moda tem o poder de moldar a mentalidade de uma sociedade fazendo uso de uma
linguagem própria. E, por conseguinte, o léxico adotado dentro desse universo é representado de
acordo com as particularidades de uma cultura. Nesta pesquisa, amparando-nos na ciência da
Lexicologia, investigamos o léxico e a moda do século XIX, e recolhemos alguns neologismos
frequentes provindos da língua francesa para ilustrar a força social que tiveram dentro do cenário
brasileiro daquele período.
Palavras-chave: Léxico; Neologismo; Moda.
Abstract: Fashion has the power to shape the mentality of a society using its own language.
Therefore, the lexicon adopted within this universe is represented according to the particularities of
a culture. In this research, using as basis the Lexicology science, we have investigated the lexicon
and the fashion of the 19th century, and we have collected some frequent neologisms from French
to illustrate the social force that they had in the Brazilian scenario of that period.
Keywords: Lexicon; Neologism; Fashion.
Considerações iniciais
Sempre que falamos sobre moda é possível perceber ao longo dos séculos toda a
mudança, transformação e/ou revolução porque esta passou e ainda tem passado, e as influências
que ditou e também sofreu.
A moda tem sido apresentada cada vez mais como um grande acontecimento e por meio
disso passou a ter forte influência nas mais diversas áreas. Com a capacidade de se inventar e
reinventar-se em períodos cada vez mais curtos e o dom de trazer a história para os dias atuais
1Vivian
Orsi é pós-doutora pela UNITO (Università degli Studi di Torino, Itália) e é Professor Assistente Doutor no
Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE, Universidade Estadual Paulista – UNESP, Departamento
de Letras Modernas, câmpus de São José do Rio Preto, SP, Brasil. Atua nas áreas de Lexicologia, Lexicografia, Moda,
Blogs de Moda e Língua Italiana. Mais detalhes em: http://lattes.cnpq.br/5675353994285018.
2Leonardo Carmo é aluno-pesquisador (ISB/IBILCE/UNESP) do Curso de Licenciatura em Letras com habilitação
Português/Italiano, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE, Universidade Estadual Paulista –
UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, SP, Brasil. Desenvolve projetos na área de Lexicologia estrangeira
moderna e Letras, em especial no vocabulário de moda. Mais detalhes em: http://lattes.cnpq.br/2535356344069766.
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num piscar de olhos, seja na inspiração de estilistas ou até mesmo em peças hits de outras épocas
que retornam com uma “cara nova”, a moda é como um camaleão.
Sua evolução no decorrer dos séculos é algo presente em nossas vidas e ainda mais forte
nos dias de hoje, com a tecnologia. Graças a ela, criadores, grandes marcas, fashionista se todos
ligados de certa maneira à moda, criaram um “novo mundo”, o mundo fashion, o que fez com que
deixasse de ser restrita a pequenos grupos.
E assim difundida, acabamos sujeitos a novas lexias. Isso não quer dizer que a moda dos
séculos anteriores não tenha tido um léxico próprio, mas constantemente, somos surpreendidos e
influenciados por um léxico que até então era utilizado pelos realizadores e consumidores da
moda.
Ao analisarmos o léxico corrente no século XXI, nos deparamos com novas palavras,
sendo que, fashionista, übermodel, fashionblogger, make, stylist são só algumas delas.
E antigamente, quando não dispúnhamos de tecnologia, como a moda se difundia? Como
era formado o seu léxico? Como sofria influências?
No intuito de refletir sobreas questões acima, apresentaremos um panorama da moda no
do século XIX e a importância desse século tanto para a história da moda quanto para o seu léxico.
O processo de construção do vestuário ao longo do século XIX
A produção do vestuário ao fim do século XVIII mostra as dificuldades encontradas por
alfaiates e costureiras, o progresso dos maquinários e sua contribuição para o mercado têxtil.
Os franceses continuaram a ditar a moda na Europa até o início da Revolução Francesa,
no final do século XVIII, quando a Inglaterra assumiu a dianteira, até o final da Revolução, a partir
do qual a França retomou a liderança no cenário da moda europeia.
Durante o século XVIII os alfaiates europeus tentavam usar formas geométricas e ideias
de proporção e escalas, com a intenção de baratear o custo das peças. Já em meados do século
XIX, o sistema de produção do vestuário mudou do feito sob medida para o “pronto-para-vestir” e
estava disponível para a crescente massa da população urbana. O aumento da produção ocorreu
devido ao desenvolvimento de máquinas de costuras, ferramentas e outros maquinários da
indústria, mas outro fator teve uma grande participação nesse processo de desenvolvimento, a
padronização das medidas do vestuário (ALDRICH, 2007).
Ainda segundo Aldrich (2007, p.6), “durante 30 anos de 1841 a 1871, o número de
empregados no setor bancário, de seguros e administração pública subiu de 93.991 para 598.579”.
A crescente demanda por roupa pronta, consequentemente, aumentou o número de alfaiates
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nesse período. Além disso, a construção de padrões de medidas pelos alfaiates foi marcada pela
construção das primeiras tabelas de medidas do corpo.
Não podemos deixar de mencionar que a Revolução Industrial, que começara no Reino
Unido no século XIX, revolucionou totalmente os meios de fabricação de roupas. Até então, os
tecidos e as roupas eram produzidos manualmente, e por meios artesanais. A criação das
máquinas de fiar na década de 1760, por britânicos foi uma das bases da Revolução Industrial.
Com elas passou a ser possível fabricar tecido usando pouca mão de obra.
Na metade do século XIX, com a sociedade em mudança, a diferença entre as formas do
vestuário feminino e masculino afetava o ritmo de produção de roupas prontas para usar. Com o
avanço das tecnologias dos maquinários têxteis, foi possível uma grande redução nos preços dos
produtos, aumentando suas vendas e desenvolvendo o mercado. Porém todo esse crescimento
do processo foi facilmente aplicado para as roupas masculinas, assim se tornando industrializadas.
Ainda no século XIX a produção em massa de roupas masculinas foi acelerada. Esse crescimento
se deveu à exigência de uniformes militares pelo governo em função da Guerra da Criméia e a
Guerra Civil Americana. Já as roupas femininas, bem ajustadas ao corpo, dificultavam a produção
industrial e ficaram centradas no âmbito doméstico, pois apenas os alfaiates e costureiras pessoais
conseguiam fazer os ajustes.
Contudo, no final do século XIX, a produção em massa de roupa feminina na América,
ultrapassou a produção de costureiras caseiras. O avanço foi mais acelerado na América e mais
lento na conservadora Europa. A produção industrial cresceu neste período, houve a expansão de
lojas de roupa, alfaiatarias e lojas de departamento, cabendo ressaltar que assim deu às mulheres
acesso a inúmeras variedades de roupas (ALDRICH, 2007).
Dessa forma, os alfaiates começaram a dedicar seções ou livros inteiros para o corte de
roupas femininas, baseados nas medidas do peito e altura. Embora fossem obras desenvolvidas
para alfaiates, forneciam informações para a produção em massa de vestuário. As costureiras
pessoais começaram a publicar métodos de moldes, escalas de graduação e tabelas de medidas,
entretanto, sem muita padronização. Com tantas divergências de tamanhos, houve a ideia de
produzir um modelo básico de modelo para adaptação, que é a origem dos blocos de moldes
usados pela indústria do vestuário atualmente.
Ao longo do século XIX, a industrialização na produção de roupas e tecidos espalhou-se
para outros cantos do mundo. A indústria têxtil ficou firmemente estabelecida nos Estados Unidos,
França, e, posteriormente, na Alemanha e no Japão. No último, roupas ocidentais lentamente
substituíam roupas tradicionais. Porém, muitas pessoas ainda preferiam usar roupas feitas por um
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artesão, quando podiam pagar por ela. Outras pessoas, especialmente aquelas de lugares
isolados e com menos acesso ao comércio, continuaram a fabricar tecidos e roupas em casa.
A moda do século XIX
O século XIX (1801-1900) foi o primeiro século em que a moda teve grandes mudanças
em curtos espaços de tempo, e uma das mais ricas esteticamente.
Não podemos deixar de enfatizar que a França e a Inglaterra foram ícones da moda neste
período, devido às suas conquistas econômico-militares e ao poder que exerciam em muitas das
nações do mundo.
Dentre os vários estilos adotados pela moda do século XIX, podemos destacar alguns:
I.
Primeiro Império (1804) – A moda império ou neoclássica tem influência francesa e peças
confortáveis inspiradas na antiguidade clássica;
II.
Romântico (aprox. 1820) – Ainda com forte referência da França, traz as mangas bufantes
e mãos cobertas;
III.
Vitoriano (1850) – Inspirado na monarca da Inglaterra, a Rainha Vitória, era caracterizado
por volumes e excessos;
IV.
Belle Époque (1895) - Influenciado pela Art Nouveau e formas curvilíneas, era
caracterizado por saias em formato de sino;
O primeiro grande estilo, a Moda Império ou Neoclássica, foi inspirado na Grécia antiga e
teve seu ápice com a coroação de Napoleão Bonaparte.
Bonaparte promovia a economia francesa por meio da moda. Sua esposa, a Imperatriz
Josephine, era um ícone de estilo sempre copiado pelas mulheres.
As principais características do estilo Império eram os vestidos que iam até os tornozelos,
com a saia em formato “A”, cintura alta cortada sob o busto e mangas fofas e curtas. As roupas
diurnas não podiam ter nenhum enfeite, já as para o período da noite ganhavam enfeites de renda,
decote e um volume extra na parte de trás.
As jovens usavam tons pastéis e as senhoras cores mais sérias como o preto, roxo,
vermelho, amarelo e azul. A cor branca indicava certo status social. As mulheres usavam um tipo
de calça pantalona em tom nude para disfarçar a transparência dos vestidos. O corset já estava
presente nessa época para as que desejavam parecer mais magras, e também o “divórcio” uma
espécie de sutiã que servia para separar os seios.
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Estilo Império - Fonte: Google Imagens
O Romantismo foi o segundo período mais marcante do século XIX. O vestuário das
mulheres era composto de vestidos até as canelas, mais adornados, brilhantes e embelezados do
que os que no Império, a forma cilíndrica passou para uma forma mais cônica, os ombros e os
decotes eram mais altos e as mangas tornaram-se compridas e justas ao pulso. Ao contrário das
senhoras, a moda masculina evoluiu bastante, processo iniciado desde o Império, tendo sua maior
visibilidade na Inglaterra, que estabelecia as regras da moda masculina enquanto a França definia
a moda feminina.
Para os homens, a casimira – tecido que pode ser bem esticado e bem moldado –, tornouse febre entre os alfaiates ingleses. Esse tecido e as roupas ajustadas ao corpo tornaram essência
para a elegância, dando origem aos dândis3, em Paris e em Londres.
Considerado o precursor desse estilo, George Bryan Brummel foi o responsável pela
mudança de estilo do futuro Rei George IV da Inglaterra. Suas roupas eram compostas por camisa
com golas altas e uma espécie de lenço com nós sofisticados, casaco, colete, calça comprida ou
calção. Ademais, as vestes não podiam ter uma ruga, sendo seu usuário apresentado de forma
exemplar.
A favor de peças mais justas e sóbrias, os modismos como as perucas, pós e joias
extravagantes saíram de cena: não se usava nada que fosse excessivo, apenas um acessório se
tornou indispensável na moda masculina, a cartola. Esta tornou-se fundamental em todo o século
XIX marcando o pertencimento, daqueles que a usavam, a um status social elevado. Assim, o
dandismo que se tornou uma grande referência para a moda masculina, não era só uma forma de
vestir, mas também uma forma de ser e de agir.
3Homem
que se veste com muito requinte. Referência ao indivíduo que se apresentava elegantemente, dando origem
o dandismo (estilo de se vestir dos dândis).
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Estilo Romântico - Fonte: Google Imagens
Vestimenta inspirada no dandismo - Fonte: Google Imagens
A era Vitoriana foi marcada pelo grande prestígio da burguesia e devido a uma grande
prosperidade econômica e do comercio, a moda foi beneficiada.
Para a moda feminina, por volta dos anos 1850, era usado um tecido rijo e flexível ao
mesmo tempo, feito de crina de cavalo incorporado no algodão ou no linho que se chamava
crinolina, empregado em saias com uma grande armação de metal dando um aspecto cônico e
com volume (sinal de grande prestígio). As mulheres usavam várias camadas de corpetes, mais
de quatro camadas de anáguas, a crinolina e vestidos que chegavam a ter 20 metros de tecido,
reforçados com barbatanas. Ao sair de casa acrescentava-se um xale pesado e uma touca
adornada, chegando a carregar sobre si, ao todo, até 15 quilos de roupas.
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As cores das vestimentas eram claras. A silhueta tinha ombros mais estreitos, a cintura
baixou alguns centímetros e os espartilhos ficaram “pontudos” comparados à Era Romântica. O
corpete e a saia formavam uma só peça abotoada atrás, cobertos por uma jaqueta curta. As
mangas dos vestidos diurnos desceram até a mão e eram bufantes no antebraço e justas até o
pulso. Os vestidos de noite apresentavam grandes decotes até os ombros decorados com rendas,
laços e babados. Os tecidos utilizados eram a seda, cetim, fina lã, tafetá, brocado, crepe.
Já a moda masculina teve influência do Príncipe Albert, o consorte da Rainha Vitória da
Inglaterra, que era jovem e vaidoso. Estilo bastante parecido com a do período romântico: ombros
e peito cheios e cintura minúscula. A calça tornou-se levemente tubular e reta.
Na época da Revolução Industrial, os homens necessitavam de roupas que facilitassem
os movimentos, portanto, surgiram trajes sóbrios, sérios e impessoais. Tecidos de cores escuras,
listradas ou em xadrez grande ou pequeno. Os únicos enfeites eram a gravata ou um lenço de
seda branco em torno do pescoço, a cartola que cobria todo o cabelo e a corrente do relógio de
bolso que ficava aparente sobre o colete. Usavam bigode com ou sem cavanhaque. Para uso à
noite, ficou em voga o casaco trespassado com corte reto. O fraque com gravata branca também
era traje formal para os cavalheiros.
Estilo Vitoriano - Fonte: Google Imagens
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Estilo Vitoriano - Fonte: Google Imagens
Por fim, a Belle Époque, em que a moda sofreu grande influência do estilo e gosto pessoal
do Rei Eduardo VII da Inglaterra. A silhueta em forma de ampulheta ou “S” foi amplamente adotada
pelas mulheres da época, que usavam o espartilho tão apertado que a medida da cintura chegava
a 40 centímetros. As saias tinham menos volume e formato de sino, geralmente na parte traseira
e possuíam uma leve cauda. O volume da parte superior do corpo era exagerado, com uso de
decotes e babados. As mangas eram mais ajustadas ou curtas e o volume dos ombros exagerado.
Durante o dia não se usavam decotes. O corpo ficava escondido dos pés até as orelhas.
Usavam-se botas para cobrir as canelas, e as golas dos vestidos ou blusas eram muito altas, com
babados. Os cabelos ficavam presos no alto da cabeça e os chapéus eram quase sempre
adornados com plumas. À noite, nos sofisticados jantares ou nos grandes bailes, os decotes
apareciam e os vestidos eram extravagantes e extremamente glamorosos. Luvas compridas
podiam cobrir os braços e os cabelos eram presos em coques e adornados com pequenas joias.
Aos poucos as mulheres conquistavam seu espaço, as mais ousadas já dirigiam e
trabalhavam fora, o terno aos poucos foi introduzido ao vestuário feminino, sendo inicialmente
usado o paletó com uma saia drapeada.
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La Belle Époque - Fonte: Google Imagens
O estilo brasileiro
Como acenamos anteriormente, a Revolução Francesa e os conflitos napoleônicos
fizeram com que ocorressem transformações por toda a Europa. No Brasil não foi diferente, após
D. João transferir toda a corte portuguesa para cá, e decidir pela abertura dos portos para os
países amigos, houve um aumento substancial de nosso comércio internacional, o que era
somente restrito às trocas com Portugal. Apesar do lado positivo para o crescimento das
atividades, a abertura dos portos contribuiu também para a indústria da pirataria, ou seja, cópias
de originais trazidas por navios de diversas procedências.
Em todas as áreas – artística, cultural, científica, etc. –, começaram a surgir novos
projetos, inaugurações, construções e importações das últimas novidades da moda europeia.
Depois de alguns anos de aqui estabelecido, D. João muda o status de Brasil colônia para reino
unido a Portugal e Algarves. E partir daí, observamos que as transformações mais expressivas
que aqui ocorreram dizem respeito à moda (CHATAIGNIER, 2010).
Como Paris lançava as tendências, o estilo Império marcou presença, com sua cintura alta
cortada sob o busto, o decote profundo e mangas fofas e curtas. Derivado do Diretório, época que
antecedeu à Revolução Francesa, tornou-se logo o modelo para os habitantes do Rio de Janeiro
que utilizavam tanto para festas religiosas ou familiares como para saídas breves. Essa foi a
primeira manifestação legítima de moda no Brasil, logo copiada por mulheres brancas de todas as
idades e consequentemente mais tarde pelas escravas alforriadas ou aquelas que recebiam
roupas de suas amas para que vestissem o traje do momento.
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A influência francesa tornou-se tão forte na moda usada no Brasil que revistas de Paris
eram vendidas numa rua específica do Rio de Janeiro, além de encartes nas mesmas publicações,
que serviam de quadros nos ateliês de costura.
Ainda, segundo Chataignier (2010), as mulheres oriundas de outros estados também
tinham seu estilo próprio. As paulistas, por exemplo, elegeram o preto para a cor dos vestidos,
tanto para o dia quanto para a noite, em tecido de seda. Quando saíam à rua usavam véu rendado
e um longo manto sobre o vestido. No inverno preferiam casacos de lã ou pele e nos bailes o tafetá
mostrava seu brilho e poder. Durante o ciclo do café, as ricas fazendeiras adotaram um look chique
rural composto por saias e blusas nacionais ou europeias e a usavam chapéus de paglia d’Italia.
Com a falta de joalherias em São Paulo, muitas vezes, encomendava-se peças nas lojas cariocas.
Já as mineiras preferiam os tecidos ingleses e influenciadas pela Rainha Vitória (que
jamais deixou o luto após a morte do marido) na cor preta e o uso múltiplo de anéis em quase
todos os dedos. Os xales eram usados por todas, mas os chapéus eram somente usados pelas
idosas. As baianas por sua vez, usavam trajes brancos de tecido de algodão cheios de renda e
fitas, tanto no dia a dia como em festas religiosas. Foram elas as primeiras brasileiras a usarem
berloques e penduricalhos diversos, misturando imagens católicas e símbolos africanos, além de
muitas pulseiras e os brincos de argola.
As maranhenses, que tiveram parte do território colonizado pelos franceses, receberam
suas influências e também das culturas indígena e africana. A paixão por rendas e leques veio de
Paris, e os bordados do tipo richelieu provenientes do reino de Daomé. Outra figura maranhense
foi a chamada preta mina, que durante a noite usava saia de linho branco bordado, blusa justa e
decotada, lenço de cambraia bordada e muitas joias, como colares de várias voltas, argolas nas
orelhas, pulseiras em ambos os braços e anéis.
Sinhás e iaiás pernambucanas gostavam de cores muito vivas, era presente o roxo, rosa,
vermelho, bordados em formas de arabescos e ramos flores feitos com linhas de ouro ou prata.
Devido ao calor sempre intenso na região, os decotes eram profundos, mangas curtas e fofas,
chapéu de seda em cores neutras, xales em seda estampados, lenços de cambraia brancos e
bordados, e sempre muitas joias. E por fim, num estilo múltiplo, com a junção de várias peças e
adereços, as paraenses elegeram a saia comprida com babado, corpete e, por cima uma blusa
decotada com mangas curtas e fofas, xale estampado. No cabelo enfeites de flores (jasmins eram
os preferidos) e também muitas joias, principalmente ouro e coral.
O reflexo da industrialização no vestuário do século XIX
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Como vimos anteriormente, já no século XIX, o conceito de moda é subsidiado pela
produção de pequenas indústrias adjacentes que geram uma reformulação industrial e de
mercado. Empresas de extração de metal, de produção de tintas para tecidos, fábricas de
crinolinas, uma nova indústria de produção de mídia impressa especializada em revistas
femininas, entre outras, geram um complexo de pequenas indústrias específicas, especializadas
na produção de materiais para a confecção de vestes com expressão de moda.
Com a cintura e as mangas dos vestidos femininos que se estreitavam, ao passo que as
saias aumentavam ao máximo em diâmetro, a jovem consumidora de moda tornava-se oposta ao
modelo de mulher dos anos 1840. Até 1861, crinolinas ainda eram feitas manualmente. A partir de
1862, a produção de crinolina de metal já era responsável por mais de um sétimo de extração de
ferro na mina de Sheffield, na Inglaterra. Isso simbolizou a união entre aplicação de novas
tecnologias e organização sistemática do processo industrial na reforma da natureza e do caráter
da veste com expressão de moda e o design no século XIX.
Em 1856, o químico William Pekin inventou a anilina de coloração púrpura, o que serviu
ao aumento das extravagâncias na então emergente indústria da moda. Com os efeitos das novas
cores e a adoção da crinolina pelas mulheres da época, o exibicionismo tornou-se a decorrência
da relação modernidade/moda.
O aparecimento das lojas de departamentos e das revistas femininas de costura alterou a
rotina das mulheres, agora mais atuantes na esfera da vida pública. Se nos anos 1830 as mulheres
comunicavam publicamente o status social e moral de suas famílias, adotando trajes de
resignação em aparições públicas, a partir de 1850-60 elas foram disciplinadas pelo capitalismo
agressivo do mundo masculino, tornando-se representações vivas da condição social de seus
homens e daquilo que estes ofereciam a suas famílias. O exibicionismo público nos trajes da
mulher tornou-se o medidor de forças do poder econômico e influência social masculinos.
Já em 1864, ano em que as saias assumiram o máximo de circunferência e servia bem ao
propósito de exposição de novos enfeites, adereços ou cores cuja produção aumentava
vertiginosamente graças ao desenvolvimento tecnológico e industrial. Nos anos 1860-70, as saias
enviesadas com painéis pintados, em forma “S”, eram enaltecidas pela tecnologia. Enquanto, na
Inglaterra e França, a forma ‘S’ cedeu gradualmente lugar à versão feminina do terno de montaria,
com saia mais justa e casaco.
As últimas décadas do século XIX foram períodos de confusão estilística – quando as
imensas saias sustentadas pela crinolina de metal desfilavam pelas ruas ao lado de ‘tailleurs’ que
imitavam os sóbrios ternos masculinos.
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Para Brandini (2009), o século XIX foi um momento de ruptura, transformação e adoção
de novos valores e referências. A moda se uniu à industrialização, e esse avanço técnico fez com
que ela fosse disseminada rapidamente.
Segundo Breward (1995), as inovações tecnológicas, a reorganização do comércio e a
industrialização, ocorridas na modernidade, geraram mudanças profundas na concepção e
expressão de moda na segunda metade do século XIX. A ideia de modernidade – simbolizando o
futuro, o progresso, o novo – motivou a disseminação do gosto pela moda, códigos sociais
baseados na hierarquia do poder tradicional cederam lugar ao interesse de consumo da expressão
de moda.
O léxico
Diante do preâmbulo que apresentamos percorrendo a moda do século XIX, é perceptível
que houve um incremento do léxico.
Vale lembrar que léxico é constituído pela soma de todos os vocabulários, que formam a
massa das palavras existentes e atestadas nos textos e nos discursos realizados em uma língua.
Segundo Biderman (1996), o léxico é, em vista disso, o acervo de todo o saber vocabular
de um grupo sociolinguístico e cultural; é o lugar em que se deposita toda a informação sobre o
mundo condensada em unidades, pois nele se encontram nomenclatura e a interpretação da
realidade.
O estudo do léxico fica a cargo da Lexicologia que procura definir a forma, a história, o
significado e o uso dos lexemas que formam o sistema lexical de uma língua bem como o seu uso
na comunidade dos falantes.
Sendo construído socialmente, diversas áreas possuem seu próprio léxico e moda não
poderia se diferente. Seu léxico nos familiariza com as lexias criadas para designar o que a moda
nos proporciona, desde peças de vestuários e acessórios até modelos, idealizadores e estilos.
O século XIX contribuiu com uma gama de itens lexicais estrangeiros e nacionais para o
léxico da moda, como por exemplo:
I.
grelots- aviamento confeccionado com bolinhas presentes nas sombrinhas;
II.
châtelaines - espécie de cinto feito com correntes;
III.
manga presunto –manga justa desde o pulso até o cotovelo, avoluma-se do cotovelo ao
ombro, onde é franzida ou pregueadas e presa ao vestido ou blusa.
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Não podemos deixar de enfatizar que o francês tem destaque maior quando se fala em
influência no léxico da moda.
Como dito anteriormente, Paris, juntamente com Londres, foi uma capital copiada em
termos de vestimenta pelas mulheres brasileiras e por aquela que também vestia a corte trazida
para o Brasil por D. João. O que ocorreu também na passagem do século XIX para o XX com o
estilo da Belle Époque.
Além de estarem registrados em obras históricas e em revistas de moda da época, os
elementos lexicais em francês, os chamados galicismos, exercem grande influência na língua
portuguesa brasileira, e se estende por todo o século XIX, até o final da Segunda Guerra Mundial,
quando a França cede seu posto de expoente cultural, político e econômico para os Estados
Unidos da América.
Voltando nosso olhar à Lexicologia, dada a sua completude, o léxico é o elemento capaz
de traduzir, dentro das línguas, as relações de ordem econômica, social e política que existem
entre as diversas classes sociais.
Concordamos com Carvalho (1989, p. 22) em relação ao fato de que “(...) o léxico de uma
língua é como uma galáxia, vive em expansão permanente por incorporar as experiências
pessoais e sociais da comunidade que a fala”.
Assim, o léxico de um idioma, independente do momento histórico, não se amplia somente
por meio do acervo já existente: os contatos entre as comunidades linguísticas se refletem em
novas criações lexicais, os chamados neologismos, que resvalam no desenvolvimento do conjunto
lexical de uma língua.
Neologismo é uma nova unidade introduzida num idioma, podendo ser, para Carvalho
(1989), uma nova forma (neologismo formal) ou um significado novo (neologismo semântico), que
surge devido à necessidade de nomear novos conhecimentos e situações – o que propicia que a
língua se torne mais rica e expressiva. Dentre esses neologismos encontram-se os processos de
adoção ou empréstimo (CARVALHO, 1989).
Diante disso, concordamos com Fiorin (2001, p. 119) acerca do fato de que o léxico de
uma língua é “(...) um conglomerado de formas provindas de fontes diversas e não se pode evitar
o empréstimo linguístico, um dos meios de renovação lexical. O léxico é resultado da história de
um povo, de seus contatos, da divisão do trabalho num dado momento, da correlação de forças
entre os diferentes países numa dada época”. Para Fischer (2008, p. 4), o empréstimo lexical é
um processo natural que acontece desde que há contato entre línguas. O léxico espelha o
resultado da história de um povo, de seus contatos e da força de alguns países em uma
determinada época.
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O empréstimo acontece, então, quando novas formas são levadas a uma língua
estrangeira. O empréstimo é uma unidade de origem estrangeira adotada em um contexto
nacional. A isso dá-se o nome específico de estrangeirismo: a adoção, na língua de uma
comunidade, de elementos provindos de outras línguas.
Entre os empréstimos distinguem-se aqueles que não são adaptados e aqueles que são
adaptados. Segundo Farias (2001), os empréstimos mais frequentes são os lexicais, com
particular presença de substantivos e adjetivos.
Vemos que no século XIX o mais comum eram empréstimos não adaptados, já que
indicavam refinamento daquele que pronunciava o nome, por exemplo, da peça de vestuário em
francês, demonstrando que havia o conhecimento da língua estrangeira em questão.
O convívio com outras nações e línguas leva, então, ao empréstimo de novas unidades
que podem ser adotadas com frequência e ser incorporadas ao uso geral, firmando seu espaço
no sistema lexical da língua que as recebe. O simples empréstimo de um item, no entanto, não é
condição necessária para que integre o acervo lexical de uma língua. O que vale a dizer que, após
algum tempo, pode desaparecer. São os participantes da comunidade linguística que detêm o
direito, por meio do uso, de incluir ou não a nova forma ao seu idioma.
É possível notar que alguns dos galicismos adotados no período aqui sob análise ainda
fazem parte do léxico da moda atual.
Com o intuito de recolher e apresentar alguns dos galicismos mais usados na época em
solo brasileiro, oferecemos abaixo uma listagem, com a respectiva definição, conforme Chataignier
(2010, p. 98).
Lescouleurs: as cores
Lestissus: os tecidos
argenté: prateado;
coton: algodão;
blanc:branco;
dentelle: renda;
bleu: azul;
laine: lã;
doré:dourado;
lin:linho;
écru: cru;
satin: cetim;
gris: cinza;
soie: seda;
ivoire: marfim;
velours: veludo.
jaune: amarelo;
lilás: lilás;
marron ou brun:marron;
ISSN: 2358-5269 Ano II - Nº 1 - Maio de 2015
Moda Documenta: Museu, Memória e Design – 2015
noir: preto;
orange: laranja;
rose: rosa;
rouge: vermelho;
vert: verde;
violet: roxo.
Acessoires: acessórios
L’habillementféminin: a vestimenta feminina
bague: anel;
blouse: blusa;
bas: meia;
chemise: camisa;
bijou:joia;
chemise de nuit: camisola;
botte: bota;
corsage: qualquer roupa da cintura para cima,
boucle d’oreille: brinco;
como o top;
bracelet: pulseira;
corset: espartilho;
ceinture: cinto;
culotte, mutandine ou slip: calcinha;
chausurre: sapato;
jupe:saia;
chapeau: chapéu;
jupon: anágua;
collier:colar;
lingerie: roupa íntima;
escarpin: sapato clássico de salto alto;
pantalon: calça comprida;
éventail: leque;
peignoir: quimono;
fleur: flor;
robe: vestido;
gant: luva;
soutien-gorge: sutiã;
lunettes: óculos;
tablier: avental.
montre: relógio;
ombrelle: sombrinha;
parapluie: guarda-chuva;
sac: bolsa.
Lespetitsmotsimportants: palavrinhas importantes
aigulle: agulha;
bouton: botão;
broderie: bordado;
chace-col: echarpe;
ciseaux: tesoura;
col: gola;
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carré: quadriculado;
confecction: confecção;
coudre: costurar;
couper: cortar;
couturière: costureira;
décolleté: decote;
épingle: alfinete;
fil à coudre: linha para costurar;
frou-frou: babadinho;
griffe: assinatura de alguém importante;
imprimé: estampado;
manche: manga;
manequin: modelo;
ourlet: bainha;
patron: molde;
poche: bolso;
pois: bolinhas;
rayures: listras;
styliste: estilista.
Considerações finais
Após todas as reflexões anteriormente descritas, percebemos que o século XIX foi muito
importante para a indústria do vestuário. O desenvolvimento industrial, à ascensão do capitalismo
e o reflexo dos costumes que a moda incorporou são elementos essenciais para a construção da
história do vestuário do século XIX. A noção de progresso foi importante na constituição das
transformações materiais e sociais ocorridas na época.
O século XIX se incumbiu de inserir novas formas no processo de criação das roupas,
criadores e também na composição do estilo dessa época. A figura feminina não só pode se
espelhar no estilo das mulheres de outros países, como também pode “viver” como as outras,
reproduzindo as roupas. Podemos dizer que, os homens tiveram esse momento com o dandismo.
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Vemos, portanto, que a moda do século XIX acompanhou a inserção do indivíduo na vida
industrial e fez com que ele se adaptasse às novas tecnologias e à moda tecnológica como uma
extensão da sua própria vida.
As roupas são símbolos de processos históricos e de cultura de uma sociedade. As roupas
fazem parte da nossa identidade e refletem o momento em que vivemos. Por isso, conforme
lembra Braga (2011, apud GUERREIRO, 2012, p. 28), “as roupas têm a capacidade de decifrar
códigos e mensagens que, ainda não verbalizadas, estão sendo passadas adiante”.
A ideia não é exatamente nova. Barthes no seu livro Sistema da Moda, publicado
originalmente na França em 1967, faz análise semântica, a partir do estudo da imprensa da época,
sobre como as pessoas atribuem sentido, a partir das palavras, àquilo que vestem.
E mesmo com grandes referências, as fontes sobre a história da moda são escassas e
qualquer livro, artigo ou resenha que trate do assunto está sujeito a omissões e as repetições são
inevitáveis já que, a categorização e a classificação dos estilos é bastante complexa. Mas graças
a esses “poucos” historiadores e sociológicos da moda, pudemos elucidar alguns aspectos das
maneiras e influências do vestir no século XIX e relacioná-las como Brasil desta mesma época,
onde a moda foi instrumento de identificação num país “recém descolonizado”. E devido à moda
e sua história contamos com a criação de um léxico próprio, o léxico da moda.
O universo lexical do campo da moda, muito receptivo à neologia, também passou por
fases e formas de adaptação para integrar-se ao seu vocabulário. O léxico da moda não é somente
um aglomerado de palavras, sejam elas empréstimos ou não, que se referem à área da moda,
mas sim, um léxico que acompanha e compõe uma parcela considerável da história dessa
“indústria” que é a moda.
Por fim, podemos inferir que o léxico da moda é capítulo à parte nas relações entre
linguagem e moda, e que se cresce a cada dia em um universo carente de proteção de influências.
Referências bibliográficas:
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(Org.). Sizing in clothing. The Textile Institute, 2007. p. 1-56.
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1, p. 10-20, 2009.
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CALANCA, Daniela. História Social da Moda. Traduzido por Renato Ambrosio. Ed. Senac. São
Paulo, 2008.
CHATAIGNIER, Gilda. História da Moda no Brasil. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010.
CARDOSO, Carmen. Mensagens de um sutiã. In: Revista Língua Portuguesa, São Paulo, n. 83,
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FREYRE, Gilberto. Modos de Homem e Modas de Mulher. Rio de Janeiro, Editora Record, 1996.
GIDDENS, Antony. As Consequências da Modernidade. São Paulo, Editora da UNESP, 1992
HOLLANDER, Anne. O Sexo e as Roupas, A evolução do traje moderno. Rio de Janeiro, Rocco.
1996
KÖLER, Carl. História do Vestuário. Editado e atualizado por Emma Von Sichart; tradução
Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.
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LURIE, Alison. A Linguagem das Roupas. Rio de Janeiro, Rocco, 1997
SOUZA, Gilda de M. O Espírito das Roupas: a moda no século dezenove. São Paulo: Companhia
das Letras, 1987.
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2015.
http://modahistorica.blogspot.com.br/2013/05/seculo-xix-moda-na-era-romantica.html, acesso em
02 fev 2015.
http://modaxviii.blogspot.com.br/, acesso em 02 fev 2015.
http://www.entendademoda.com.br/2013/02/a-moda-no-seculo-xix.html, acesso em 02 fev 2015.
http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/signosdoconsumo/article/viewFil%09e/6596/598,
acesso em 02 fev 2015.
https://omundovestido.wordpress.com/tag/seculo-xix/, acesso em fevereiro de 2015.
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REFLEXÕES SOBRE O LÉXICO E A MODA DO SÉCULO XIX