Trabalho 76 SANDRA TAVEIROS DE ARAÚJO DESCRIÇÃO DOS CASOS DE SÍFILIS EM MULHERES ADMITIDAS NUMA MATERNIDADE DE ALTO RISCO PARA ASSISTÊNCIA AO PARTO OU CURETAGEM. Recife, 2009. 784 Trabalho 76 2 DESCRIÇÃO DOS CASOS DE SÍFILIS EM MULHERES ADMITIDAS NUMA MATERNIDADE DE ALTO RISCO PARA ASSISTÊNCIA AO PARTO OU ABORTAMENTO. SANDRA TAVEIROS DE ARAÚJO. Trabalho de monografia submetido à banca examinadora do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP), como parte dos requisitos indispensáveis para conclusão do Programa de Residência em Enfermagem em Tocoginecologia. Orientadora: ________________________ Alessandra P. Viana. Mestre em epidemiologia. Co-orientadora:______________________ Mª Elisângela T. de L. Sanches. Recife/PE. Junho de 2009. 785 Trabalho 76 3 Folha de Aprovação: Especialização. Descrição dos Casos de Sífilis em Mulheres Admitidas em uma Maternidade de Alto Risco para Assistência ao Parto ou Abortamento. Sandra Taveiros de Araújo. BANCA EXAMINADORA: 1º Examinador 1º Examinador. 2º Examinador. Junho de 2009. 786 Trabalho 76 4 DEDICATÓRIA • Aos meus filhos, Yuri e Yago, pela importância de suas existências em minha vida. • Ao meu querido sobrinho Rafael pela falta que sentimos de sua presença entre nós. • Ao meu esposo Ernande pelo incentivo que tem sido ao longo dos anos de convivência. • Aos meus pais pela minha existência e por todo esforço desempenhado para minha formação profissional e humana. • A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização desse trabalho. 787 Trabalho 76 5 AGRADECIMENTOS • A Deus pelo dom da vida em toda sua essencialidade. • A minha orientadora e co-orientadora por sua paciência e contribuição. • A Maternidade Escola Santa Mônica (MESM) pela disponibilidade de seus serviços, essenciais para o desenvolvimento desse estudo. • Ao Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) pela oportunidade a mim concedida em participar do Programa de Residência em Enfermagem – Tocoginecologia contribuindo para a promoção profissional. • A enfermeira Karla Ramos por todo seu empenho e contribuição no processo de construção desse trabalho. 788 Trabalho 76 6 SUMÁRIO Introdução......................................................................................................................10 Hipótese..........................................................................................................................20 Objetivos.........................................................................................................................21 Aspectos metodológicos.................................................................................................22 Apresentação dos dados e discussões dos resultados..................................................30 Análise dos resultados...................................................................................................48 Considerações finais......................................................................................................55 Referências bibliográfica..............................................................................................56 Anexos............................................................................................................................58 1. Protocolo de pesquisa 2. Tabelas Ministério da Saúde: - Percentual de casos de sífilis congênita segundo idade materna, por ano de diagnóstico. Brasil, 1998-2005. - Percentual de casos de sífilis congênita segundo idade gestacional no nascimento da criança por ano de diagnóstico. Brasil, 1998 a 2005. 3. Portaria Nº 33/GM de 14 de julho de 2005. 4. Portaria Nº 156/GM de 19 de Janeiro de 2006. 5. Ficha de Notificação de sífilis congênita. 6. Ficha de notificação de sífilis na gestação. 789 Trabalho 76 7 QUADRO DE ABREVIATURAS AIDS Síndrome da Imunodeficiência Adquirida DST Doença Sexualmente Transmissível Et al. E colaboradores FTAaBS Absorção de anticorpo treponêmico fluorescente (do inglês. Absorption of antibody Treponemic). HIV Vírus da Imunodeficiência Humana IG Idade Gestacional LCR Líquido cefalorraquidiano MESM Maternidade Escola Santa Mônica MS Ministério da Saúde do Brasil. NHEP Núcleo Hospitalar de Epidemiologia. OMS Organização Mundial de Saúde. OPAS Organização Pan-americana de Saúde. PN- Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e DST/Aids Aids. RN Recém Nascido. RPR Teste Rápido de Reagina (do inglês, Rapid Plasm Reagin). SAR Síndrome da Angústia Respiratória. SAS Secretaria de Assistência à Saúde. SAT Sífilis Adquirida Tardia. SC Sífilis Congênita. SUS Sistema Único de Saúde. SINAN Sistema de Informações de Agravo de Notificação. T Treponema. TV Transmissão Vertical. UNCISAL Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas VDRL Laboratório de Investigação de Doenças Venéreas (do inglês, Venereal Disease Research Laboratory). www Rede Mundial de Computadores ( do inglês, world wide web) 790 Trabalho 76 8 RESUMO Esse estudo contempla a sífilis frente à assistência obstétrica em uma maternidade de alto risco do Estado de Alagoas e tem como objetivo geral descrever os casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, admitidas na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM) para assistência ao parto ou curetagem após abortamento. Trata-se de um estudo retrospectivo, de corte transversal (agosto de 2005 a julho de 2006), dos casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, identificadas através das notificações da forma congênita - obtidas no Sistema de Informações de Agravos de Notificações. A eles foram aplicados formulários de coleta de dados (anexo- 1) e procedido observação das informações contidas nos prontuários. A sífilis, doença infecto-contagiosa de notificação compulsória (formas congênita e gestacional), tem como principal meio de transmissão a via sexual, fácil diagnóstico, tratamento eficaz e de custo acessível. Na sua forma congênita ela está associada a seqüelas graves e permanentes, sendo considerado importante problema de saúde pública, pois sua alta incidência parece não responder as tentativas de controle sugeridas pelo Ministério da Saúde do Brasil (MS). A prevalência da sífilis encontrada na população/amostra desse estudo foi de 2.5%, acima das estimativas nacionais (BRSAL, 2006), acometendo mais a faixa etária entre 19 e 30 anos (56.4%), com menores graus instrucionais (44.9% até 07 anos de estudo completos), oriundas da capital (55.1% ) e de outras localidades (44.9%). Foram observadas perdas de oportunidades de diagnóstico e tratamento tanto no prénatal, quanto durante a assistência hospitalar indo de encontro às recomendações do MS para a prevenção da sífilis congênita e eliminação de casos na comunidade. (BRASIL, 2005). 791 Trabalho 76 9 ABSTRACT This study covers the front of syphilis in a maternity obstetric care of high risk of the State of Alagoas and aims to describe the general cases of syphilis in mothers and in women after abortion, admitted Parenting School in Santa Monica (it) to assist delivery after abortion or curettage. This is a retrospective study, a cross-sectional (August 2005 to July 2006), cases of syphilis in women after abortion and postpartum women, identified through notifications from the congenital form - obtained from the Information System of Diseases of Notifications. They were used for data collection forms (Annex-1) and observation made of the information contained in records. Syphilis, infectious diseases of compulsory notification (gestational and congenital forms), has as its main means of transmission to sexual route, easy diagnosis, effective treatment and affordable. In its congenital form it is associated with severe sequelae and permanent, was considered important public health problem, because its high incidence appears to respond to attempts to control suggested by the Brazilian Ministry of Health (MoH). The prevalence of syphilis found in the population / sample of this study was 2.5%, above the national estimates (BRSAL, 2006), affecting more the age range between 19 and 30 years (56.4%), with lower grades instructional (44.9% up to 07 years of schooling completed), from the capital (55.1%) and other locations (44.9%). There were missed opportunities for diagnosis and treatment both in pre-natal, as during the hospital going against the recommendations of MS for the prevention and elimination of congenital syphilis cases in the community. (BRAZIL, 2005). 792 Trabalho 76 10 1. INTRODUÇÃO A sífilis, ou Lues é uma doença infecciosa causada pelo Treponema pallidum (T. pallidum), caracterizada por apresentar diferentes formas clínicas desde a fase sub-aguda até a forma crônica da doença. (GOUVÊA, 1991). A etiologia da sífilis foi descoberta em 1905 quando Schandinn e Hoffman isolaram o microorganismo em lesões de infecções iniciais, sendo então descrito como uma bactéria em forma de espiral (espiroqueta). Tal forma lhe proporciona maior mobilidade, entretanto sua fragilidade em ambientes secos e pouca resistência a detergentes e anti-sépticos tornam-na facilmente destrutível no meio ambiente. Em material necrótico permanece infeccioso por 26 horas. (PASSOS, 1991). Tendo como único e obrigatório hospedeiro o homem, o modo de transmissão da sífilis está bem definido. Ela pode ser adquirida através do contato íntimo com lesões infectadas que surgem nas fases primárias e secundárias da doença, o que geralmente acontece através do ato sexual, soluções de continuidade em casos de acidentes com objetos pérfurocortantes, infusão de sangue e derivados contaminados e pela disseminação transplacentária das espiroquetas, esta última causando a sífilis congênita. (IMIP, 1998). De acordo com a definição do Ministério da Saúde (BRASIL, 2005) a sífilis, conforme sua evolução e modo de transmissão classificam-se em: Sífilis adquirida recente (SAR): até 01 ano de evolução. Sua transmissão se dá através de contato íntimo com lesões infectantes, principalmente nas relações sexuais; através da transfusão à fresco de sangue e derivados; e mais raramente por acidentes com objetos perfuro cortantes contaminados com as espiroquetas. Nesta fase da SAR podem ser identificadas as formas: Primária: caracterizada pelo surgimento do cancro duro, lesão única de bordas endurecidas e fundo limpo, indolor, que aparece entre 10 e 90, com média de 21 dias após o contato com as espiroquetas. No homem essa lesão comumente se localiza na glande ou sulco bálamo-prepucial sendo de fácil visualização, enquanto que na mulher dificulta sua identificação precoce por inoculação em pequenos lábios, parede vaginal 793 Trabalho 76 11 ou colo uterino. Tal lesão geralmente involui independentemente de tratamento causando a impressão de cura espontânea entre indivíduos leigos. Secundária: Há presença de lesões cutâneo-mucosas (roséolas, sifílides papulosas, alopecia, placas mucosas e condiloma plano), não ulceradas que acontece entre 6 a 8 semanas após o aparecimento da sífilis primária. Tais lesões geralmente se encontram associadas com micropoliadenopatia generalizada com ocasionais artralgias, febrícula, cefaléia e adinamia, sendo raros outros sintomas como uveíte, comprometimento hepático e/ou ocular. Esta fase condiz com a elevação de títulos de anticorpos circulantes. Latente recente: Nesta fase (como na latente tardia) não se observa sinais e sintomas clínicos. O diagnóstico depende de testes sorológicos e a titulação de anticorpos é menor que na fase secundária. Sífilis adquirida tardia (SAT): com mais de 01 ano de evolução. Segundo Passos (1991), também apresenta as fases de: Latente tardia: semelhante à fase latente recente – ausência de sintomas clínicos e titulações de anticorpos menor que na fase secundária. Terciária: seus sinais e sintomas ocorrem após 03 a 12 anos de infecção e são caracterizados pelo surgimento de lesões cutâneo-mucosa (tubérculos ou gomas), neurológicas (tabes-dorsalis, demência), cardiovasculares (aneurisma aórtico) e articulares (artropatias de Charcot). Nessas lesões não são observadas a presença de treponemas e as reações sorológicas têm titulações baixas - motivo pelo qual para efeitos práticos não há transmissão da doença nesta fase. Sífilis congênita (SC): de acordo com definição do MS, vigente desde julho de 2005, para fins de vigilância epidemiológica é considerado caso de sífilis na gestação todo aquele diagnosticado durante a gravidez, tendo importância epidemiológica e, portanto, sendo necessária sua notificação compulsória. (Paz et al, 2004). A sífilis quando presente na gestação expõe a mulher às complicações inerentes a doença adquirida na fase adulta e a outras próprias do ciclo gravídico: abortamentos espontâneos, natimortos, hidropsia fetal, parto prematuro, além da própria transmissão vertical. (IMIP, 1998). 794 Trabalho 76 12 Através da Portaria Ministerial Nº 33 de 14 de julho de 2005, o MS incluiu a sífilis na gestação na lista de doenças e agravos de notificação compulsória e a define como: gestante que durante o pré-natal apresente evidência clínica de sífilis e/ou sorologia não treponêmica reagente com teste treponêmico positivo ou não realizado. (BRASIL, 2006). Critérios para definição de sífilis congênita (BRASIL, 2005): • Primeiro critério Toda criança, aborto ou natimorto de mãe com evidência clínica de sífilis e/ou com sorologia não treponêmica reagente para sífilis com qualquer titulação, na ausência de teste confirmatório treponêmico, realizada no pré-natal, parto ou curetagem, que não tenha sido tratada ou tenha recebido tratamento inadequado. • Segundo critério Todo indivíduo menor de 13 anos de idade e com evidências sorológicas: titulações ascendentes (testes não treponêmicos); e ou testes não treponêmicos reagentes após 06 meses de idade (exceto em situação de seguimento terapêutico); e/ou testes treponêmicos reagentes após 18 meses de idade; e/ou títulos em teste não treponêmicos maiores do que o de suas mães. Em caso de evidência sorológica apenas, deve ser afastada a possibilidade de sífilis adquirida. • Terceiro critério Todo indivíduo menor de 13 anos com evidência clínica de sífilis, alterações liquórica e/ou radiológica. • Quarto critério Toda situação de evidência de infecção pelo T. pallidum na placenta ou no cordão umbilical e/ou amostras da lesão, biópsia ou necropsia de criança, produto de aborto ou natimorto, por meio de exames microbiológicos. A SC também se classifica em recente - casos diagnosticados até o 2º ano de vida e tardia - diagnóstico identificados após o 2º ano de vida. (PASSOS, 1991). O diagnóstico da sífilis em adulto pode ser realizado a partir da observação clínica durante a evolução da doença e confirmado pela realização de testes sorológicos específicos; detectam anticorpos contra o T. pallidum; ou inespecíficos, onde é observada a presença de reagina contra antígenos cardiolipina. (GEBER, 1998). 795 Trabalho 76 13 No Brasil 02 testes são amplamente conhecidos: o VDRL (Veneral Disease Research Laboratory) - inespecífico - e o FTA-Abs (Absorção de anticorpo treponêmicos fluorescente) - específico. (BRASIL, 2006). O VDRL é uma reação de floculação obtida quando o antígeno do T. pallidum entra em contato com reagente a base de lecitina, colesterol e cardiolipina. O resultado sendo emitido na fórmula de titulações (prova semi-quantitativa) que traduzem a presença desse tipo de reação em amostra de soro ou líquido cefalorraquidiano (LCR), cada vez mais diluído. Esse teste oferece como desvantagem sua não especificidade e altas taxas de efeito prozona¹ na sífilis secundária e tardia. Sua inespecificidade pode ocasionar resultado falso-positivo na presença de certas patologias tais como: tuberculose, mononucleose, hanseníase, doenças do colágeno, auto-imunes, malária e câncer. (FISCHBACH, 1998). VDRL e RPR (Rapid Plasm Reagin) são testes quantitativos importantes para o diagnóstico rápido e seguimento terapêutico, portanto indicados em casos de suspeita de sífilis, para todos pacientes com DST (Doença Sexualmente Transmissível) e na rotina prénatal. (BRASIL, 2006). O FTA-Abs, assim como outros testes treponêmicos, é importante na confirmação diagnóstica de sífilis, porém não se prestam para o segmento pós-tratamento desses casos, pois por serem específicos e qualitativos, não quantitativos, permanecem positivos por períodos prolongados de tempo. (OLIVEIRA, 2007). O FTA-Abs apresenta resultados mais fidedignos, porém seus custos elevados dificultam o acesso dos serviços de saúde a esse tipo de exame. Trata-se de uma reação imunofluorescente que possibilita a observação de anticorpos treponêmicos. (FISCHBACH, 1998). Testes laboratoriais para sífilis são disponibilizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) sendo o VDRL o de primeira escolha, para fins de triagens, frente às facilidades na sua técnica de realização e baixo custo. (BRASIL, 2006). Apesar da facilidade do diagnóstico e da terapêutica acessível da doença no adulto, não requerendo grandes insumos nas ações de prevenção e controle, atualmente a sífilis representa um grave problema de saúde pública, frente ao seu impacto na morbimortalidade infantil e altos custos na implementação do tratamento da forma congênita. (BRASIL, 2005). ¹ Efeito prozona: Ausência de reação imunológica detectável na presença de baixas diluições de anti-soro de alto título, devido à presença em larga escala de anticorpos, ou inibição da aglutinação pelo complemento ou ainda presença de anticorpos não aglutinantes. (FISCHBACCH, 1998). 796 Trabalho 76 14 Passados 61 anos, desde que Lentz e colaboradores publicaram o uso da penicilina no tratamento da sífilis em gestante e em recém-nascidos com sífilis, mesmo diante das modificações feitas nas doses indicadas para estas situações, à referida droga continua sendo a de primeira escolha no tratamento desta doença, não existindo até o momento nenhum relato de resistência à medicação. (INGALL et al, 1994). A penicilina benzatina possui uma composição a base de sais de penicilina resistente aos efeitos das penicilinases. Ela foi desenvolvida para favorecer uma absorção lenta e de efeito prolongado, cuja ação se dá através da lise bacteriana por ligação com peptidoglicanos próprios da parede celular do microorganismo. De formulação específica não possui nenhum efeito sobre outras células animais, estando a maior preocupação de sua administração centrada nas formas graves de reações de hiperssensibilidade frente ao uso desordenados de penicilinas. (KATZUNG, 1994). A droga de segunda escolha para o tratamento da sífilis na gestação é a eritromicina nas formas de estearato ou estolato, porém sua indicação deve ser secundária a tentativa de dessenssibilização, pois por não atravessar a barreira placentária não confere tratamento fetal, devendo ser o recém nascido notificado como caso de sífilis congênita. (BRASIL, 2005). A eritromicina requer doses diárias de 02 g através da administração oral de 500 mg a cada 06h por 15 dias na sífilis recente e 30 dias na forma tardia da infecção. Outras drogas como a doxiclina e a tetraciclina são efetivas no tratamento da sífilis em adulto, porém são contra-indicadas durante a gestação. Com a azitromicina tem sido relatado falhas terapêuticas no tratamento da sífilis. (BRASIL, 2005). O MS do Brasil, frente às dificuldades do tratamento da sífilis por receio do uso de penicilina benzatina em unidades ambulatorial do SUS, onde geralmente não existem recursos suficientes para situações emergenciais em casos de reações a droga, resolve através da portaria ministerial N.º 156 de 19 de janeiro de 2006 (anexo 4), determinar o uso dessa droga nas unidades de atendimento ambulatorial e hospitalar do SUS, aprovando norma referente aos esquemas terapêuticos, por considerar que a sífilis constitui um grave problema de saúde pública, sendo esperado pelo menos 13.000 casos novos de SC a cada ano, levando a ocorrência de abortos espontâneos, natimorto e morte perinatal em 40% das crianças infectadas a partir de mães não tratadas e diante da baixa ocorrência (0,5 a 797 Trabalho 76 15 1/100.000) dos riscos inerentes a processos alérgicos pelo uso de penicilina. (BRASIL, 2006 ). A sífilis na gestação está associada a problema na evolução da gravidez e no bem estar do binômio mãe e filho. Ela pode ser transmitida em qualquer idade gestacional estando, no parto e no aleitamento materno, condicionada a existência de contato direto do feto ou recém nascido (RN) com lesões primárias, ricas em espiroquetas. Assim não se contraindica a via de parto normal ou a amamentação a maioria das parturientes e puérperas com lues. (BRASIL, 2005). Segundo NEME (2005) a SC ocorre em praticamente 100% dos casos de sífilis em gestações não tratadas nas fases primárias e secundárias da doença. A metade dessas gestações evolui para trabalho de parto prematuro e morte perinatal e cerca de 10% das crianças, geradas na presença de sífilis tardia, trazem marcas da doença. Tais considerações reforçam a necessidade na implementação de políticas de saúde pública, cada vez mais efetivas e acessíveis à população, especialmente em idade reprodutiva. O segmento dos casos de sífilis em gestantes requer acompanhamento sorológico mensalmente com testes quantitativos (VDRL), devendo-se repetir o tratamento na presença do aumento de pelo menos 02 titulações, mesmo na ausência de sintomas. Em casos de sorologia negativa na primeira testagem durante o pré-natal, o VDRL deve ser repetido a cada trimestre na tentativa detectar precocemente casos positivos na gestação. (RODRIGUES E GUIMARÃES, 2004). Portadores de HIV (Vírus da Imunodeficiência Adquirida) podem apresentar a história natural da sífilis modificada evoluindo mais rapidamente para a neurossífilis podendo apresentar falhas na terapêutica indicada (OLIVEIRA, 2007). A definição de casos adotada pelo Programa Nacional de DST/Aids (Doença Sexualmente Transmissível e Aids) do Ministério da Saúde (2004) aumentou a especificidade e sensibilidade da notificação e entrada de casos no sistema, não depende de sofisticados instrumentos e exames diagnósticos, além disso, a legislação torna obrigatória a notificação dos casos de sífilis congênita e mais recentemente torna também compulsória a notificação dos casos de sífilis na gestação_ portaria ministerial nº. 33, de 14 de julho de 2005 (anexo 3), entretanto a sub-notificação ainda se comporta como regra e não exceção. (BRASIL, 2006). 798 Trabalho 76 16 A sífilis congênita (SC) para fins de vigilância epidemiológica se apresenta como um agravo prioritário na política do Ministério de Saúde do Brasil (MS). Na verdade tal preocupação extrapola o âmbito nacional quando se verifica que a SC fez parte do plano de saúde para todos no ano 2000 da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo este acolhido pelo Fórum de Ministros de Saúde das Américas tendo como produto a Resolução CE 116.R3 da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS): a meta definida foi de um coeficiente de prevalência de até 0,5 casos por 1.000 nascidos vivos; com o tratamento de 95% das gestantes com sífilis; redução do coeficiente de prevalência para menos de 0,1%. (OPAS, 1995). Vale ressaltar que desde 1993 o MS do Brasil havia elaborado projeto de ações de controle da SC, com proposta de redução da incidência para até 01 caso por 1.000 nascidovivos, no ano de 1995, contudo, ”parece que esses investimentos não tem sido eficazes no controle da doença no país, realidade traduzida pela alta incidência e grande quantidade de subnotificações ou subregistros”. (RODRIGUES E GUIMARÃES, 2004). Para fins de vigilância epidemiológica, o MS considera a sífilis diagnosticada em parturiente, ou em mulheres em processo de abortamento, que não foram adequadamente tratadas (utilizando outra droga que não a penicilina benzatina, dose inadequada a fase da doença, em tempo inferior a 30 dias, ausência de documentação de tratamento anterior, ausência de quedas nos títulos de testes não treponêmicos após tratamento adequado, parceiro não tratado ou inadequadamente tratado) como caso de SC, assim não devendo ser notificado como sífilis em gestante, evitando duplicidade no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN. (BRASIL, 2006). Entre as ações propostas para o controle da sífilis congênita, acima citada, destacam-se: normatização das condutas; capacitação de profissionais de saúde; produção e veiculação de campanhas de prevenção das DST; implementação de triagem sorológica para sífilis em mulheres admitidas para assistência hospitalar ao parto ou abortamento; e implementação da vigilância epidemiológica da SC e na gestação através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN. (BRASIL, 2006). Ações de prevenção e controle vêm sendo apontadas ao longo dos últimos anos, principalmente após o advento da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), e consistem em estratégias de prevenção primária (prática de sexo seguro) e secundária (diagnóstico e tratamento), culminando na quebra da cadeia epidemiológica. Apesar disso 799 Trabalho 76 17 deve-se considerar que as referidas ações não refletem a eficácia desejada, pois exigem uma melhor disseminação de recursos humanos capacitados, insumos e equiparação das realidades loco-regionais. (BRASIL, 2006). Os casos notificados de sífilis congênita e na gestação, devem ser utilizados como evento sentinela para o desencadeamento de uma investigação sobre os fatores que levaram a sua ocorrência. Assim sendo, se fazer conhecer os fatores e peculiaridades que dificultam a eliminação deste agravo, torna-se condição essencial a melhoria da qualidade de vida de portadores de sífilis, especialmente no contexto materno infantil. (BRASIL, 2003). Entendendo que para refletir a qualidade da assistência obstétrica brasileira se faz necessário emergir em um processo histórico da atenção a saúde da mulher alguns pontos serão abordados: Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), pensar à saúde da mulher transcende a limitação do conceito saúde entendido enquanto ausência de doença ou de fatores a ela relacionados, sendo necessário apoderar-se também de questões de biogênero frente seu convívio social, cultural e todo complexo que constitui o universo feminino. As primeiras nuancem de preocupações com a saúde da mulher, em realidade foi uma maneira de se garantir uma propagação da força de trabalho através da garantia de uma perpetuação saudável da espécie. Nesse contexto, onde as mulheres eram “culpadas” pelas imperfeições existentes na geração de seus filhos, surgia à preocupação de uma “puericultura intra-uterina” que se chamou pré-natal, fato facilmente percebido quando da realização do 1º Congresso Brasileiro de Proteção à Infância que, “indiretamente culpava as mulheres desnutridas, sifilíticas e alcoólatras pelas elevadas taxas de mortalidade infantil da época” (BRASIL, 2004). Ainda citando BRASIL (2004) foi a partir desse modelo, explicitamente equivocado, que no século XIX passou a existir intervenções do Estado no processo de expansão da assistência médica no Brasil, até então centrada na forma liberal e filantrópica, mais tarde vindo a ser, a assistência à saúde da mulher, ampliada com a disponibilidade de métodos e técnicas de contracepção. A política nacional de saúde para o controle e prevenção de DST e HIV/Aids entre mulheres está sendo norteada pela maior compreensão da vulnerabilidade a que a população feminina está exposta. Isso se partindo do princípio em que a iniciação sexual se 800 Trabalho 76 18 dá cada vez mais precoce, estando ou não presentes questões de desigualdade entre gêneros, traduzidas pelo menor acesso ao mercado de trabalho e educação, violência sexual, bem como a preservação cultural e religiosa que perpetua a crença no amor como sinônimo de fidelidade levando a prática de sexo inseguro. (BRASIL, 2006). A assistência obstétrica brasileira parece vir ao longo dos anos tomando outras conotações mais abrangentes, sem, contudo, deixar de considerar importante o desfecho da saúde fetal. É assim que no seminário de atenção humanizada a assistência obstétrica e neonatal são citadas várias situações de agravos à saúde do concépto, onde se destaca o controle da transmissão vertical da sífilis e HIV, que no período de 2000 a 2003 foi responsável por, apenas citando a SC, 13.309 internações hospitalares, gerando aos cofres públicos insumos da ordem de R$ 5.150.000,00. Tal informação é um convite à reflexão do quanto que poderia ser investidos em ações de saúde preventivas trazendo outros benefícios sociais. (BRASIL, 2005). Com a institucionalização de o Projeto Nascer, o Ministério da Saúde procurou recomendar ações de impacto para eliminação da sífilis em sua forma congênita, especificamente nas maternidades esse projeto tem como principal objetivo reduzir a morbi-mortalidade por SC através do diagnóstico e tratamento precoce da criança infectada. Ainda em curso, esse projeto, vale ressaltar, depende da forma como profissionais, gestores e outros atores do processo assumem e pactuam suas responsabilidades. (BRASIL, 2005). Pensando a qualidade da assistência pré-natal o MS do Brasil, recomenda o mínimo de 06 consultas e a observância de alguns critérios tais como a inserção precoce da gestante ao programa de pré-natal (preferencialmente no primeiro trimestre da gestação) e triagem de algumas patologias que interferem mais comumente direta ou indiretamente na saúde do binômio mãe e filho. (BRASIL, 2000). Dentre as preocupações com a saúde de mãe e concépto, recomendadas e descritas em manuais de assistência pré-natal do MS (BRASIL, 2000), encontra-se as recomendações na detecção e tratamento precoce da sífilis em gestantes. Esta tem como finalidade instituir medidas de vigilância epidemiológica capazes de prevenir a doença no concépto, tratamento materno e promoção da saúde coletiva, através da quebra da cadeia de transmissão da sífilis. 801 Trabalho 76 19 A prevalência da soropositividade para sífilis em gestante, demonstrada em estudo multicêntrico, realizado em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Fortaleza e Manaus, foi de 1,9%. Outro estudo sentinela realizado na população de parturientes, de abrangência nacional indicou-se uma prevalência de 1,6%, o que corresponde a cerca de 48.000 gestantes/ano. (BRASIL 2006). Apesar da existência de políticas de saúde voltadas a assistência pré-natal, relacionadas à detecção e tratamento de gestantes soropositivas para sífilis, existe fatores, ocultos ou não a esse processo, que são importantes e impossibilitam o bom desfecho para obtenção dos indicadores estimados e pactuados entre as nações que visam o controle da doença nessa população. (BRASIL, 2005). Segundo a Secretaria de Vigilância a Saúde (BRASIL, 2006) as ações de prevenção e controle das DST (incluindo a sífilis) no país acontecem de forma “pulverizada” com significativas diferenças regionais, dificuldades na aquisição de preservativos e medicamentos (pactuados entre o governo nacional e estadual). A ausência de uma política de saúde voltada para priorização desses casos atua como fator de restrição ao acesso aos serviços de saúde, estigmatiza a doença quando só existem serviços especializados, fazendo com que mulheres e principalmente homens acabem procurando consultar balcões de farmácia, curandeiros ou mesmo optarem pela automedicação. (BRASIL, 2006). Nesse enfoque se encontra a razão pela qual foi optado pela realização de um estudo na população de puérperas e mulheres após abortamento a partir de casos notificados de recém nascidos com SC, procurando discernir sobre a real incidência, fatores relacionados ao diagnóstico, tratamento e condução desses casos na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM). 802 Trabalho 76 2. 20 PERGUNTA DE PESQUISA A não realização adequada do pré-natal influi na presença de casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento? 2.1 HIPÓTESE O diagnóstico tardio e o tratamento inadequado dos casos de sífilis na gestação, puerpério e após abortamento dificultam a prevenção da sífilis congênita e contribui para a continuidade da cadeia epidemiológica. 803 Trabalho 76 21 3. OBJETIVOS: • Objetivo geral: Descrever os casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento. • Objetivos específicos: Identificar a prevalência de sífilis em puérperas e mulheres após aborto, admitidas na MESM para assistência ao parto ou curetagem. Conhecer o perfil epidemiológico das puérperas e mulheres após abortamento, portadoras de sífilis, assistidas na MESM. Descrever na amostra as ações de diagnóstico e tratamento da sífilis durante a atenção pré-natal e hospitalar. 804 Trabalho 76 22 4. ASPÉCTOS METODOLÓGICOS 4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO Trata-se de um estudo retrospectivo, observacional, de corte transversal e descritivo. 4.2 LOCAL DE ESTUDO Fundada em 24 de março de 1964, sob o nome de Maternidade Alba Mendez Muniz Falcão, a MESM pertence ao complexo hospitalar da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), estando destinada à assistência obstétrica e neonatal de média e alta complexidade, sendo como tal a única referência estadual, reconhecida através da Portaria SAS/MS Nº. 89. Atualmente a MESM, além de dispor de serviços multidisciplinares para assistência a saúde de seus usuários, destaca-se no ensino e pesquisa enquanto campo prático de atividades acadêmicas e formação latu-senso nas áreas de medicina e enfermagem com os programas de residência da UNCISAL. Pelo compromisso com as questões da saúde pública de usuários do sistema único de saúde (SUS), frente aos alarmantes indicadores de sífilis materna e, principalmente, neonatal optou-se pelo desenvolvimento desse estudo na MESM. 4.3 POPULAÇÃO/AMOSTRA Foi constituída por 78 prontuários de puérperas e mulheres após abortamento, incluindo a cópia das fichas de neonatologia quando neles contidas, que tiveram diagnóstico de sífilis e geraram casos notificados de sífilis congênita no período de agosto de 2005 a julho de 2006. 805 Trabalho 76 4.4 23 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Todas as puérperas e mulheres após abortamento, cujos conceptos atenderam a definição de casos de sífilis congênita, proposta pelo Ministério da Saúde do Brasil. 4.5 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Foram excluídos do estudo todos os casos descartados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação ou de clientes admitidas na MESM no período puerperal ou após abortamento. 4.6 CRITÉRIOS DE DEFINIÇÃO DO CASO Puérperas e mulheres após abortamento com evidência clínica de sífilis e/ou sorologia não treponêmica reagente, independente da titulação, com teste treponêmico positivo ou não realizado e/ou que tenham gerado notificação de caso de sífilis congênita no SINAN. 4.7 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS E DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO. Uma vez selecionado os prontuários (população/amostra) foram aplicados formulário de coletas de dados (anexo-1) contendo 24 questionamentos, subdivididos em 03 partes que abrangiam: Parte 01: dados de identificação do formulário (nome da instituição e código do formulário); identificação do caso (nome da cliente e número do registro do prontuário); dados pessoais e sócio-econômicos (idade, procedência, escolaridade, estado civil). Parte 02: dados referentes à gestação (realização de pré-natal, números de consultas de pré-natal, testes sorológicos para sífilis, conhecimento do diagnóstico e tratamento da gestante e seu parceiro no pré-natal). 806 Trabalho 76 24 Parte 03: dados da assistência ao parto e ao abortamento (idade gestacional em semanas no momento da admissão, evolução da gestação, realização e titulação de VDRL, tratamento instituído, convocação de parceiros e permanência hospitalar). 4.8 VARIÁVEIS PREDITÓRIAS 4.8.1 Variável primária: Sífilis: doença infecto-contagiosa de evolução crônica que no adulto tem como principal meio de transmissão a via sexual. Em sua forma crônica, nos indivíduos não tratados ou inadequadamente tratados, ela está relacionada a problemas de ordem cardiovascular, neurológicos e articulares. Quando presente na gestação expõe o concépto a graves problemas de saúde, podendo levar ao abortamento e a outros problemas perinatais. Ao término da gestação de uma mulher com sífilis, onde se verifica a inexistência de tratamento adequado - uso de penicilina benzatina, com dose adequada ao estadiamento da doença, com pelo menos 30 dias de antecedência do evento do parto ou abortamento - para fins de vigilância epidemiológica, considera-se um caso de sífilis congênita - do concepto e outro de sífilis em adulto - da puérpera ou mulher após abortamento. (BRASIL, 2005). Puérperas: condição da mulher após parto indo até 45 dias após esse evento. Abortamento: casos de mulheres que gestaram e tiveram o aborto como conseqüência de sua gravidez. 4.8.2 Variáveis secundárias: Realização de pré-natal adequado: toda cliente que, durante a gestação, foi submetida há pelo menos 06 consultas de atendimento especializado no acompanhamento da gravidez, por profissional médico ou enfermeiro. (BRASIL, 2007). Pré-natal iniciado: toda cliente que foi submetida a pelo menos 01 consulta de atendimento especializado no acompanhamento da gravidez. 807 Trabalho 76 25 Pré-natal não iniciado: toda cliente que não realizou nenhuma consulta especializada no acompanhamento da gestação. Pré-natal ignorado/branco: todos os casos em que não foi possível identificar em prontuário informações referentes a consultas especializadas no acompanhamento da gestação. Número de consultas de pré-natal: corresponde ao quantitativo de consultas realizadas na gestação com o objetivo de acompanhamento da evolução da gravidez, sendo considerado como ideal a realização de 06 ou mais consultas nesse período. (RODRIGUES E GUIMARÃES, 2004). Número de consultas de pré-natal - não realizado: casos onde as informações encontradas em prontuários mencionavam a não realização de pré-natal. Número de consultas de pré-natal - ignorado: casos onde nos prontuários não havia nenhuma informação sobre ter a cliente realizado ou não consultas de pré-natal. Teste para o diagnóstico de sífilis no pré-natal: foram considerados os testes laboratoriais treponêmicos ou não treponêmicos (FTA-Abs ou VDRL), realizados durante a gestação e que são recomendados pelo MS como de importância na rotina de pré-natal. (BRASIL, 2005). Realização de teste diagnóstico – ignorado/branco: corresponde aos casos onde não foi encontrado em prontuários nenhuma referência a realização de testes laboratoriais para sífilis durante o pré-natal. Diagnóstico: corresponde à detecção do agravo através da observação clínica e/ou da realização de teste laboratoriais (VDRL ou FTA-Abs). (OLIVEIRA, 2007). Realização de teste diagnóstico ignorado/branco: foram considerados todos os casos em que não foi encontrado em prontuários registros sobre a realização de testes laboratoriais para sífilis no pré-natal Teste diagnóstico não realizado: na amostra foram considerados todos os casos que não realizou pré-natal ou que em seus prontuários havia registros da não realização de testes laboratoriais para sífilis durante o pré-natal. 808 Trabalho 76 26 Diagnóstico de sífilis no pré-natal - ignorado/branco: foram considerados os casos em puérperas e mulheres após abortamento cujos prontuários não registravam nenhuma informação sobre a formulação diagnóstica de sífilis no pré-natal. Diagnóstico de sífilis no pré-natal - não realizado: todos os casos na amostra onde além da ausência de registros sobre evidências clínicas da doença durante o pré-natal, também não havia sido submetidas a testes laboratoriais. Diagnóstico de sífilis no pré-natal - conhecido: todos os casos em que havia em prontuário registros sobre a evidência sorológica positiva para sífilis conhecida pelas puérperas e mulheres após abortamento que compuseram a amostra, durante o período gestacional. Diagnóstico de sífilis no pré-natal – não conhecido: todos os casos em que havia em prontuário registros sobre o desconhecimento de sua condição sorológica positiva para sífilis na amostra, durante o período gestacional. Tratamento de sífilis na gestação - adequado: compreende a administração de penicilina benzatina, dose adequada à fase da doença, por via intramuscular, com pelo menos 30 dias de antecedência do evento do parto ou abortamento. (BRASIL, 2006). Tratamento de sífilis na gestação - inadequado: todos os casos na amostra onde os registros em prontuários mencionavam a utilização de outras drogas – que não a penicilina benzatina - para o tratamento de sífilis na gestação e/ou que houvesse sido administrado dose de penicilina benzatina inadequada a fase da doença. Tratamento de sífilis na gestação – não realizado: na amostra foram considerados os casos onde não houve diagnóstico formulado no pré-natal e/ou que não tenha a gestante recebido nenhuma dose de penicilina benzatina. Tratamento do parceiro – ignorado/branco: casos onde não havia em prontuários qualquer menção quanto a tratamento dos parceiros durante o pré-natal do caso índice. Tratamento do parceiro - adequado: é tido como parceiro tratado, todo indivíduo que se relacione de forma íntima e sexualmente ativa com o caso índice e que receba também tratamento adequado a fase da doença. (BRASIL, 2006). Tratamento do parceiro - inadequado: compreende os parceiros sexuais do caso índice que não tenha recebido dose de penicilina benzatina adequada ao estadiamento da doença. 809 Trabalho 76 27 Tratamento do parceiro – não realizado: foram considerados os casos em que os parceiros sexuais não receberam tratamento de sífilis durante a gestação do caso índice. Titulação de VDRL: corresponde ao resultado quantitativo do teste de sorologia não treponêmica para sífilis, indicativo do grau de infecção da cliente pelo T. pallidum. (OLIVEIRA, 2007). Convocação de parceiro: refere-se à formulação de contato com parceiro sexual da cliente, podendo se processar através de telefonemas, telegramas ou quaisquer outros meios de comunicação com o mesmo. (BRASIL, 2006). Realização de VDRL na internação – sim: compreende os casos na amostra onde foram identificados a testagem sorológica não treponêmica durante a hospitalização. Realização de VDRL na internação – não: compreende os casos na amostra onde os registros em prontuários permitiram observar que não foi realizado a testagem sorológica não treponêmica durante a hospitalização. Realização de VDRL na internação – ignorado: diz respeito à total ausência de registros nos prontuários de puérperas e mulheres após abortamento sobre realização de testagem não treponêmica durante a hospitalização. 4.8.3 Dados complementares: Município de residência: indica a procedência da cliente, identificando os casos oriundos da capital ou interior do Estado. Idade materna: identifica a faixa etária da cliente em intervalos de anos completos. Escolaridade: corresponde aos intervalos de anos completos de estudo das clientes. Estado civil: indica a situação jurídica ou informal da cliente em face de relação familiar com seu parceiro sexual, podendo ser identificada pelos estados de solteira, casada ou união consensual. Idade gestacional no momento do parto ou abortamento: corresponde à estimativa da duração da gravidez no momento da assistência ao parto ou curetagem. (NEME, 2005). 810 Trabalho 76 28 Evolução da gestação: refere-se ao produto conceptual no momento da assistência ao parto ou ao abortamento, podendo ser aborto, parto com feto vivo ou parto com natimorto. (NEME, 1998). Abortamento: segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é a interrupção da gestação antes de 20 a 22 semanas ou com peso fetal inferior a 500 g. É dito precoce quando ocorre até 12 semanas e tardio entre 13 e 20 a 22 semanas de idade gestacional. (OMS, 1977). Parto: procedimento pelo qual o feto e seus anexos são expulsos e que se dá após 22 semanas de gestação. (COSTA, 2004). Nascido vivo: produto conceptual nascido com vida e com idade gestacional superior a 22 semanas ou peso igual ou superior a 500g (NEME, 2005) Natimorto: produto conceptual nascido sem vida e com idade gestacional acima de 22 semanas de IG e/ou peso feto igual ou maior que 500g. (NEME, 2005) Dias de internação: indica a permanência da cliente na unidade hospitalar, excluída a condição de acompanhante. 4.9 PROCESSAMENTO E ANÁLISE DOS RESULTADOS A coleta de dados foi realizada a partir da busca e observação direta das informações contidas nos prontuários de puérperas e mulheres após abortamento, portadoras de Lues (doença luética ou sífilis), cujo seus conceptos geraram notificações de sífilis congênita. Para tanto foi necessário identificar todos os casos de SC notificados no SINAN e investigados pela vigilância epidemiológica do NHEP (Núcleo de Epidemiologia Hospitalar), bem como foram identificados todos os pacientes que realizaram VDRL no laboratório da MESM e tiveram resultados positivos. Depois de identificados e submetidos aos critérios de exclusão de casos, foi aplicado protocolo de pesquisa (descrito no item 4.4) tendo sido, a coleta de dados, realizada unicamente pelo pesquisador, em ambiente institucional, respeitando a integridade dos documentos, identidade das clientes e o sigilo das informações contidas nos prontuários. 811 Trabalho 76 29 Após coletados, os dados foram digitados e tabelados em planilhas do Microsoft office Excel, versão 2007, protegidos por senha, evitando acesso de outras pessoas as informações obtidas. Os dados foram analisados pelo pesquisador embasado na literatura e comparados a resultados encontrados em estudos semelhantes. 4.10 CRITÉRIOS ÉTICOS Por tratar-se de um estudo retrospectivo não foi possível adquirir o consentimento livre e esclarecido das clientes envolvidas na pesquisa, entretanto as informações foram processadas de forma sigilosa, observando os cuidados para a proteção da identidade recomendadas na resolução 156/GM de 19 de janeiro de 2006 (anexo-4) que trata de pesquisa que envolve seres humanos e, também com o conhecimento do comitê de ética da unidade hospitalar. O pesquisador ficou ciente da possibilidade de durante a realização desse trabalho, que se o participante tomar ciência de sua inclusão sem prévia comunicação na pesquisa e que se expresse contrário a sua participação, terá garantida sua exclusão do estudo. Os possíveis prejuízos de ordem jurídica decorrentes da realização desse trabalho, sob danos causais comprovados, correrão por conta do pesquisador. 812 Trabalho 76 30 5. APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DADOS GERAIS TABELA 1 – Número de casos notificados de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, segundo mês de notificação. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Mês de notificação Mulheres Puérperas após abortamento Total N % N % N % Agosto 07 9.0 00 0.0 07 9.0 Setembro 09 11.5 00 0.0 09 11.5 Outubro 05 6.4 00 0.0 05 6.4 Novembro 03 3.9 01 1.3 04 5.1 Dezembro 09 11.5 00 0.0 09 11.5 Janeiro 09 11.5 02 2.6 11 14.1 Fevereiro 05 6.4 01 1.3 06 7.7 Março 08 10.2 00 0.0 08 10.3 Abril 04 5.1 00 0.0 04 5.1 Maio 04 5.1 00 0.0 04 5.1 Junho 08 10.3 00 0.0 08 10.3 Julho 03 3.9 00 0.0 03 3.9 Total 74 94.8 04 5.2 78 100 Fonte: NHEP/MESM/UNCISAL. A sífilis, na amostra estudada, acometeu mais o grupo de puérperas (94.8%) em detrimento do grupo de mulheres após abortamento (5.2%). Pelo percentual de casos encontrados relacionados aos meses de notificações, destacam-se em ordem decrescente os meses com maior índice de casos: janeiro (14.1%), setembro (11.5%), dezembro (11.5%), março (10.3%) e junho (10.3). 813 Trabalho 76 31 Tabela 2 - Número de casos notificados de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, segundo estado civil materno. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Estado civil Mulheres Puérperas após abortamento Total N % N % N % Ignorado 10 12,8 00 00 10 12,8 Casada 06 7,7 00 00 06 7,7 Solteira 44 56,4 04 5,1 48 61,5 14 18,0 00 00 14 18,0 74 94,9 04 5,1 78 100 União consensual Total Fonte: MESM/UNCISAL. Quanto ao estado civil das usuárias da MESM com diagnóstico de sífilis obtido durante a internação para assistência ao parto ou abortamento, no período de abrangência desse estudo, foi percebido um maior acometimento da doença entre mulheres solteiras em ambos os grupos estudado: puérperas (56.4%) e em todos os casos de mulheres após abortamento (5.1%). A união consensual correspondeu ao segundo maior percentual de casos entre as puérperas (18%), e 12.8% destas mulheres teve seu estado civil ignorado. 814 Trabalho 76 32 TABELA 3 - Número de casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, segundo procedência. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Mulheres Procedência Puérperas Maceió Outras localidades Total após abortamento Total N % N % N % 40 51.3 03 3.8 43 55.1 34 43.6 01 1.3 35 44.9 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. Nesse estudo 51.3% das puérperas e 3.8% das mulheres após abortamento tiveram como procedência a capital, totalizando 55.1% da amostra estudada. 815 Trabalho 76 33 TABELA 4 - Número de casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, segundo idade por faixa etária e em anos completos. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Faixa etária Puérperas Mulheres após abortamento Total N % N % N % Menor que 15 00 00 00 00 00 00.0 15 a 18 13 16.7 00 00 13 16.7 19 a 30 41 52.6 03 3.8 44 56.4 Maior que 30 20 25.6 01 1.3 21 26.9 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL A faixa etária onde se identificou maior número de casos foi entre 19 e 30 anos (56.4 %) tanto no grupo de puérperas (52.6%) quanto entre as mulheres após abortamento (3.8%). Em ambos os grupos estudados, a segunda faixa etária que concentrou maior número de casos foi entre as mulheres maiores de 30 anos (26.9%) seguida pela correspondente a de 15 a 18 anos (16.7%), sendo que nessa última condição foram encontrados apenas casos entre as puérperas. Em menores de 15 anos não houve registros de casos na amostra estudada. 816 Trabalho 76 34 TABELA 5 – Número de casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, segundo escolaridade. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Escolaridade Mulheres Puérperas N após abortamento Total % N % N % Ignorado/branco 15 19.2 03 3.8 18 23.1 Nenhuma 12 15.4 00 00 12 15.4 1¬3 10 12.8 00 00 10 12.8 4¬7 25 32.0 00 00 25 32.0 De 8 ¬ 11 10 12.8 01 1.3 11 14.1 De 12 a mais 02 2.5 00 00 02 2.6 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: NHEP/MESM/UNCISAL. Em ordem decrescente, de anos de estudo completos, na população de puérperas, os seguintes percentuais foram encontrados: 32% (4 a 7); 19.2% (nenhuma escolaridade); 12.8% (8 a 11 e de 1 a 3) e 2.5% (12 a mais) anos de estudo. Entre as mulheres após abortamento 3.8% tiveram escolaridade ignorada devido à ausência de registro em seus respectivos prontuários e 1.3% corresponderam a faixa de escolaridade de 8 a 11 anos de estudo. Na amostra geral a população com grau de escolaridade ignorada foi encontrado um percentual de 23.1%, traduzido pela escassez de registros nos prontuários. 817 Trabalho 76 35 5.1 DADOS DO PRÉ-NATAL TABELA 6 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo a iniciação de pré-natal. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Iniciação Pré-Natal de Mulheres Puérperas após abortamento Total N % N % N % Ignorado/branco 06 7.7 02 2.6 08 10.3 Iniciado 53 68.0 01 1.3 54 69.2 Não iniciado 15 19.2 01 1.3 16 20.5 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: NHEP/MESM/UNCISAL. De acordo com os dados obtidos nesse estudo, em 69.2 % da amostra havia citações em prontuários que indicavam o início do acompanhamento pré-natal. Em 10.3% dos prontuários estudados não foram encontradas nenhuma informação referente à realização de pré-natal (correspondendo ao item ignorado/branco) e em 20.5% os relatos indicavam que essas mulheres não haviam realizado consulta de pré-natal. Na amostra de prontuários de puérperas 68.0% desses havia indicações de pré-natal iniciado, em 19.2% foi negada qualquer forma de acompanhamento da gestação (item “não iniciado” da tabela) e em 7.7% não foi possível obter essas informações por não haver registros documentados (correspondendo ao item “ignorado/branco”). O pré-natal foi iniciado em 1.3% da amostra composta por mulheres após abortamento, também em 1.3% dos casos nessa população os registros em seus respectivos prontuários informaram que essas não haviam iniciado pré-natal. Ainda se referindo ao grupo de mulheres após abortamento em 2.6% dos prontuários estudados não foram encontrados nenhuma informação sobre início de pré-natal. 818 Trabalho 76 36 TABELA 7 - Número de casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, segundo número de consultas pré-natais realizadas. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Nº de consultas de Puérperas pré-natal Mulheres após abortamento Total N % N % N % Ignorado/branco 05 6.4 00 00 05 6.4 Não realizado 21 26.9 03 3.8 24 30.8 1a3 15 19.2 01 1.3 16 20.5 4a6 24 30.8 00 00 24 30.8 7 ou mais 09 11.5 00 00 09 11.5 Total 74 94.8 04 1.3 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. Dentre as 53 puérperas que aderiram ao pré-natal 30.8% da amostra realizaram entre 4 a 6 consultas de acompanhamento da gestação, porém apenas 11.5% ultrapassaram o número de consultas recomendado pelo Ministério da Saúde (mínimo de 06 consultas). 20.5% realizaram entre 1 a 3 consultas e em 9.3% não foi possível quantificar os referidos atendimentos devido a ausência de registros em seus prontuários. Nas mulheres admitidas para assistência após aborto, apenas em 01 prontuário (1.3%) havia documentado a realização de 1 a 3 consultas de pré-natal, correspondendo ao mesmo número de casos com adesão ao programa de assistência ao pré-natal que Na amostra geral as informações de prontuários indicaram que 30.8% realizaram entre 4 e 6; 20.5% entre 1 e 3; e em 11.5% - 7 a mais consultas de pré-natal. O índice de casos ignorados quanto à realização de pré-natal correspondeu a 6.4% da amostra estudada. 819 Trabalho 76 37 TABELA 8 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo realização de teste diagnóstico no pré-natal. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Realização de teste diagnóstico Mulheres Puérperas após abortamento Total N % N % N % Ignorado/branco 35 44.9 00 00 35 44.9 Realizado 18 23.1 01 1.3 19 24.3 Não realizado 21 26.9 03 3.8 24 30.8 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. De acordo com a tabela acima, dentre os 78 casos de puérperas e mulheres após abortamento 24.3% foram submetidas a testes diagnósticos para sífilis com obtenção de resultados positivos durante o pré-natal; 30.8% não realizaram sorologias desse agravo na gestação e a maior parte (44.9%) não havia registros em prontuários capazes de revelar a condição de testagem para sífilis nesse período. No único caso entre mulheres após abortamento com adesão ao pré-natal, a documentação do internamento revela a realização de teste diagnóstico para sífilis durante esse acompanhamento à saúde na gestação (1.3%). Entre as puérperas 23.1% dos prontuários indicaram a realização de teste diagnóstico para sífilis no pré-natal. 820 Trabalho 76 38 TABELA 9 – Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo diagnóstico da doença no pré-natal. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Diagnóstico Mulheres de sífilis no Puérperas abortamento pré-natal N após Total % N % N % Ignorado/branco 35 44.9 00 00 35 44.9 Não realizado 21 26.9 03 3.8 24 30.8 Conhecido 16 20.5 01 1.3 17 21.8 Não conhecido 02 2.6 00 00 02 2.6 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. A tabela acima revela que em 44.9% dos prontuários das clientes, puérperas e mulheres após abortamento, com sífilis assistidas na MESM, não havia informações sobre o conhecimento do diagnóstico da doença no período do pré-natal pelas mesmas. Em 21.8% dessa amostra o diagnóstico foi conhecido durante a gestação e, em 2.6% havia citações em prontuários que indicavam a não revelação do diagnóstico de sífilis nesse mesmo período. O único caso de mulher após abortamento que realizou teste para sífilis, também obteve conhecimento do diagnóstico no período do pré-natal (1.3%), enquanto que, na amostra de puérperas, em apenas 20.5% dos prontuários dessas foi possível identificar o conhecimento prévio do diagnóstico de sífilis, durante a assistência ao pré-natal. Em 2.6% dos casos de puérperas com sífilis a documentação revelou o desconhecimento de sua condição sorológica positiva para o agravo estudado. 821 Trabalho 76 39 TABELA 10 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo o tratamento no pré-natal. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Tratamento no pré-natal Mulheres Puérperas N após abortamento Total % N % N % Ignorado/branco 36 46.1 00 00 36 46.1 Não realizado 21 26.9 03 3.8 24 30.8 inadequado 09 11.5 01 1.3 10 12.8 Adequado 08 10.3 00 00 08 10.3 Total 74 94.8 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. Segundo os dados obtidos na amostra, apresentados na tabela 10, dentre os 78 casos estudados de puérperas e mulheres após abortamento 23.1% iniciaram tratamento – 12.8% inadequado e 10.3% adequado ao estadiamento da doença – sendo esse último item observado apenas no grupo de puérperas. Todos os casos que iniciaram tratamento de sífilis durante o pré-natal os prontuários referiram ao uso de penicilina benzatina, porém na grande maioria (46.1%) as informações documentadas não mencionavam nenhuma forma de tratamento nesse período e se deveram aos casos entre as puérperas. 13% dos casos após abortamento foram submetidos a tratamento inicial, entretanto de forma incompleta. 822 Trabalho 76 40 TABELA 11 – Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo tratamento do parceiro durante o pré-natal. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Tratamento do Mulheres parceiro Puérperas abortamento no pré-natal N após Total % N % N % Ignorado/branco 46 59.0 00 00 46 59.0 Não realizado 24 30.8 04 5.1 28 35.9 Adequado 00 00 00 00 00 00 Inadequado 04 5.1 0.0 0.0 0.4 5.1 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL A tabela acima se refere aos casos de sífilis em puérperas e mulheres após abortamento que durante o pré-natal tiveram seus parceiros incluídos na abordagem terapêutica da sífilis. Em 5.1% dos prontuários foi possível identificar a inclusão dos parceiros sexuais no tratamento durante a gestação, sendo item observado apenas no grupo de puérperas. Em 59.0% dos casos estudados não havia em prontuário registros sobre nenhuma forma de tratamento de parceiros durante o pré-natal. Em nenhum caso foi encontrado referências em prontuários sobre a droga utilizada para o tratamento de parceiros. 823 Trabalho 76 41 DADOS DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR TABELA 12 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo idade gestacional em semanas no momento da admissão hospitalar. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Idade gestacional Mulheres Puérperas após abortamento em semanas Total N % N % N % < 22 00 0.0 02 2.6 02 2.6 22 ¬ 27 09 11.5 02 2.6 11 14.1 28 ¬31 08 10.3 00 0.0 08 10.2 32 ¬ 36 34 43.6 00 0.0 34 43.6 37 ¬ 41 22 28.2 00 0.0 22 28.2 > 41 01 1.3 00 0.0 01 1.3 Total 74 94.9 04 5.2 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. Conforme apresentado na tabela 12, nesse estudo foi verificado que dentre as puérperas atendidas na MESM, 29.5% foram admitidas para assistência ao parto no termo da gravidez: 28.2% no intervalo entre 37 a 41 semanas e 1.3 após 41 semanas de idade gestacional (IG). Ainda se referindo ao grupo de puérperas, o percentual de admissões para assistência ao parto prematuro foi da ordem de 53.9%, destas 21.8% geraram bebês de alto risco do ponto de vista da prematuridade extrema (22 a 31 semanas) e 43.6% de 32 a 36 semanas de IG. Dentre as mulheres após abortamento 2.6% dos casos foram admitidas para assistência ao abortamento tardio (no intervalo de 22¬27 semanas de IG). 824 Trabalho 76 42 TABELA 13 – Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo a evolução da gestação relacionada ao concépto. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Evolução da gestação Mulheres Puérperas após abortamento Total N % N % N % Aborto 00 0.0 04 5.1 04 5.1 Nascido vivo 62* 78.5 00 0.0 62 78.5 Natimorto 13 16.4 00 0.0 13 16.4 Total 74 94.9 04 5.1 79 100 Fonte: MESM/UNCISAL. *01 gestação gemelar. Considerando todos os partos e abortamentos (78 casos), em puérperas e mulheres após abortamento, portadoras de sífilis, assistidas na MESM, o estudo revelou que foram tidos como produtos dessas gestações 79 conceptos: 5.1% de abortos; 78.5% de nascidos vivos e 16.4% de natimortos. 825 Trabalho 76 43 TABELA 14 – Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo a realização de VDRL durante a internação hospitalar. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Realização de Mulheres VDRL durante a Puérperas após abortamento internação Total N % N % N % Ign/branco 01 1.3 00 0.0 01 1.3 Sim 70 89.7 04 5.1 74 94.9 Não 03 3.8 00 0.0 03 3.8 Total 74 94.9 04 5.1 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. Segundo informações colhidas nos prontuários, na amostra do estudo foram encontradas testagem de VDRL durante a internação em 94.9% da amostra, sendo 89.7% das puérperas e em 5.1% das mulheres após abortamento, com diagnóstico de sífilis. Em 3.8% das puérperas com sífilis não foi realizado sorologia não treponêmica para esse agravo. O item ignorado/branco na tabela que corresponde a 1.3% da amostra e se refere aos casos onde não foi encontrada nenhuma referência quanto à realização de VDRL documentada em prontuário. 826 Trabalho 76 44 TABELA 15 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo as titulações de VDRL durante a internação hospitalar. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Titulações de Número de casos notificados de sífilis VDRL durante a Mulheres Puérperas após abortamento Total internação N % N % N % Ignorado 07 9.0 00 0.0 07 9.0 1:1 15 19.2 00 0.0 15 19.2 1:2 15 19.2 01 1.3 16 20.5 1:4 12 15.4 01 1.3 13 16.6 1:8 12 15.4 01 1.3 13 16.6 1:16 01 1.3 00 0.0 01 1.3 1:32 02 2.6 01 1.3 03 3.8 1:128 06 7.7 00 0.0 06 7.7 1:256 02 2.6 00 0.0 02 2.6 1:512 02 2.6 00 0.0 02 2.6 Total 74 95 04 3.9 78 100 Fonte: MESM/UNCISAL. Foram encontrados titulações de VDRL durante a internação mínima de 1:1 (19.2%) e máxima de 1:512 (2.6%). Em 72.9% da amostra de puérperas e mulheres após abortamento foram obtidas titulações de VDRL até 1:8. Os casos entre mulheres após abortamento, segundo informações de seus respectivos prontuários, apresentaram baixas titulações de VDRL em 3.9% (títulos até 1:8) e em 1.3% foi encontrado referência de títulos da ordem de 1:32. Entre as puérperas títulos de VDRL até 1:8 foram encontrados em 69.2% desse grupo. 16.8% das titulações restantes variaram da ordem de 1:16 até 1: 512, sendo mais encontrado, em maior porcentagem, casos com títulos de 1:128 (7.7%). 827 Trabalho 76 45 TABELA 16 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo tratamento com penicilina benzatina, durante a internação hospitalar. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Tratamento com Número de casos notificados de sífilis penicilina benzatina/dose durante Mulheres Puérperas após abortamento Total a N internação Ignorado/branco 00 Nenhum 19 01 % 0.0 24.4 N 00 01 % 0.0 1.3 N 00 20 % 0.0 25.6 ciclo 26 33.3 03 3.8 29 37.2 22 28.2 00 0.0 22 28.2 (7200000 UI) 07 9.0 00 0.0 07 9.0 Total 74 5.1 78 100 (2400000UI) 02 ciclos (4800000 UI) 03 ciclos 94.9 04 Fonte: MESM/UNCISAL. O estudo demonstrou que 25.6% da amostra (puérperas e mulheres após abortamento) não receberam nenhuma forma de tratamento durante o período de internação. 9.0% das puérperas que compuseram a amostra desse estudo foi submetida a tratamento completo e adequado durante a internação hospitalar. 33.3% e 28.2% receberam respectivamente as doses de 2.400.000 UI e 1.800.000 UI de penicilina benzatina durante a hospitalização. . 828 Trabalho 76 46 TABELA 17 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo a convocação dos parceiros, durante a internação hospitalar. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Convocação dos parceiros durante internação a Mulheres Puérperas N Ignorado/branco 74 Convocados 00 Total 74 após abortamento % 94.9 0.0 94.9 N 04 00 04 % 5.1 0.0 5.1 Total N 78 00 78 % 100.0 0.0 100 Fonte: NHEP/MESM/UNCISAL. A tabela acima mostra que em 100% dos casos estudados, não houve parceiros comprovadamente convocados – levando em consideração a ausência de registros em prontuários que evidenciassem que os mesmos haviam tomados ciência da convocação ou tivesse recebido qualquer forma de tratamento na unidade hospitalar, correspondendo a 5.1% dos casos de sífilis em mulheres após abortamento e 94.9% desses no grupo de puérperas. 829 Trabalho 76 47 TABELA 18 - Número de casos de sífilis em puérperas e em mulheres após abortamento, segundo permanência em dias de internação hospitalar. MESM, agosto de 2005 a julho de 2006. Número de casos notificados de sífilis Permanência em dias internação Mulheres de Puérperas após abortamento Total N % N % N % Até 07 43 55.1 03 3.8 46 59.0 08 a 14 20 25.6 01 1.3 21 26.9 15 a 21 09 11.5 00 0.0 09 11.5 Mais que 21 02 2.6 00 0.0 02 2.6 Total 74 94.8 04 5.1 78 100 Fonte: NHEP/MESM/UNCISAL. De acordo com os dados da tabela 18 a permanência de internação hospitalar observadas entre as puérperas e mulheres após abortamento com sífilis foi de até 7 dias em 59.0%, 26.9% entre 08 a 14 dias e 11.5% de 15 a 21 dias, sendo ainda encontrada permanência superior a 21 dias de internação em 2.6% da amostra. Observando a distribuição dessa permanência nos dois grupos estudados, separadamente e segundo informações encontradas nos prontuários o estudo revelou nas mulheres após abortamento uma permanência hospitalar de até 7 dias em 3.8% e de 07 a 14 dias em 1.3%. Entre as puérperas 55.1% tiveram permanência hospitalar de até 07 dias e em 39.7% desse grupo o internamento durou de 08 a 21 dias. 830 Trabalho 76 48 6. ANÁLISE DOS RESULTADOS Considerando-se todos os casos de sífilis na amostra e o total de abortos, nascidos vivos e natimortos ocorridos no local e período desse estudo foi possível encontrar uma prevalência de 2.5% dessa doença no grupo de puérperas e mulheres após abortamento. Essa prevalência está acima da encontrada em estudo sentinela, de abrangência nacional, que revelou percentual de 1,6% na população de puérperas (Brasil, 2006). Tal índice de prevalência se apresenta, ainda maior, que o encontrado em estudo multicêntrico sobre a sífilis, na população de puérperas e em mulheres submetidas à curetagem em rede de maternidades de referência para o atendimento a gestantes portadoras da doença – cadastradas pelo Programa Nacional de DST e Aids (PN – DST/Aids) - prevalência de 1.7 %. (RODRIGUES e GUIMARÂES, 2004). A diferença da prevalência de sífilis entre puérperas e mulheres após abortamento na amostra, pode estar relacionada ao fato da MESM ser referência para o alto risco, dessa forma, tendo como rotina a admissão para assistência a curetagem, apenas, de mulheres sobre risco de vida. SÁ et al (2001), referindo-se aos fatores de risco da sífilis na gestação, encontrou na população de mulheres admitidas para assistência ao parto em uma maternidade do Rio de Janeiro um alto percentual de casos (70%). 6.1 Resultados sobre dados gerais Na amostra estudada (tabelas 2, 3, 4 e 5), os maiores percentuais de casos foram encontrados entre as mulheres solteiras (61.5%), com idade entre 19 e 30 anos (56.4%), procedente da capital do estado (55.1%) e com os menores graus de escolaridade - até 07 anos de estudos completos (44.8%), denotando uma relação onde os menores graus de escolaridade estão associados ao maior aparecimento de casos da doença. Para Rodrigues e Guimarães (2004), a escolaridade menor ou igual a 08 anos de estudo implica num risco 03 vezes maior em se obter sorologia positiva para sífilis entre puérperas e mulheres após curetagem. Tal resultado aproxima-se ao encontrado nesse estudo e sugere que questões relacionadas à educação são necessárias, inclusive, para o controle da sífilis no Brasil. 831 Trabalho 76 49 Referindo-se ao estado civil na amostra estudada, a doença também acometeu mulheres com parcerias sexuais fixas - 25.7% - sendo que a união consensual foi encontrada em um percentual de 18% e o estado civil casado foi verificado em 7.7%. A porcentagem de mulheres com estado civil ignorado foi de 12.8% de casos. Os resultados sobre estado civil na amostra foi diferente do encontrado em estudo sobre a prevalência e fatores de risco para sífilis entre puérperas que tiveram seus partos assistidos em uma maternidade do Rio de Janeiro, tendo encontrado como resultado que 60.4 % da doença estavam entre as casadas e 39,6% acometeu mulheres solteiras. (SÁ et al, 2001). Rodrigues e Guimarães (2004), estudando fatores associados à positividade para sífilis em puérperas e em mulheres submetidas à curetagem, em 24 centros de referência cadastrados pelo Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS (PNDST/AIDS) encontrou como resultados, que a doença acometia mais mulheres com idade até 23 anos, solteiras e com menos de 08 anos de escolaridade, mantendo semelhança com os resultados encontrados nesse estudo. A faixa etária onde foi encontrado maior número de casos de sífilis na amostra estudada condiz, ainda, com dados indicados pelo MS do Brasil onde, no período de 1998 a 2005, é observado o comportamento semelhante desse agravo frente à idade materna. (Tabela 1 anexo 2). Apesar da não identificação de casos de sífilis em menores de 15 anos na população estudada, é importante considerar que tal fato não elimina a possibilidade dessas mulheres ter adquirido sífilis em idade inferior aos 15 anos, uma vez que esse estudo não contemplou dados referentes aos primeiros sinais e sintomas da doença. Vale ressaltar que estudos têm revelado uma crescente tendência da disseminação de DST/HIV entre grupos que mantém práticas sexuais desprotegidas baseadas nas relações de confiança mútuas entre parceiros, dessa forma a transmissão da doença parece estar mais relacionado ao uso ou não de preservativos nas relações sexuais, independendo do estado civil aos quais pertençam os parceiros. (BRASIL, 2005). Quanto a procedência, Revollo et al (2007) em estudo de prevalência sobre sífilis materna e congênita na Bolívia, encontrou maior proporção na amostra proveniente de outras localidades que não a capital, diferentemente do resultado dessa pesquisa. 832 Trabalho 76 50 6.2 Resultados sobre dados do pré-natal As tabelas 06 e 07 dizem respeito à realização de pré-natal, elas estão indicando que 69.2% das puérperas e das mulheres após abortamento, que tinham sífilis, ingressaram nesse tipo de assistência em algum momento da gravidez. Diante dos resultados obtidos, onde apenas 16.7% ultrapassaram o número mínimo de consultas de pré-natal recomendados pelo Ministério da Saúde (MS), mas que 44.4% haviam realizado entre 4 e 6 consultas, sugere-se que a dificuldade no controle da sífilis na gestação e, conseqüentemente, a prevenção da forma congênita da doença, não se resume a captação dessa população no pré-natal, existindo outros fatores relacionados ao diagnóstico e tratamento que dificultam a interrupção da cadeia de transmissão. (BRASIL, 2007). No Brasil, SÁ et al (2001) encontrou um percentual de 70.0% de adesão ao pré-natal entre puérperas que tiveram seus partos assistidos numa maternidade da rede pública de saúde do Rio de Janeiro. A adesão ao pré-natal (tabela 7) foi verificada em 62.8% da amostra, entretanto apenas 11.5% ultrapassaram 06 consultas de assistência especializada no acompanhamento da gestação recomendadas pelo Ministério da Saúde do Brasil (MS). Questões relacionadas à identificação, acesso e adesão aos serviços de pré-natal, de forma a garantir a realização de um número mínimo de 06 consultas produzem efeitos favoráveis na redução da prevalência da sífilis materna e, conseqüentemente, da forma congênita da doença. (RODRIGUES E GUIMARÃES, 2004). Nesse estudo, nos prontuários de 24.3% das puérperas e das mulheres após abortamento, foram encontrados registros que permitiram considerar como realizados testes diagnósticos para sífilis no período pré-natal (tabela 8). Contudo o diagnóstico nesse período (tabela 9) foi conhecido por apenas 21.8% dessas mulheres. Revollo (2007) estudando a prevalência da sífilis materna e congênita, numa amostra de puérperas na Bolívia, encontrou um percentual de 87.0% de adesão ao controle pré-natal, onde em 49.0% dessas não havia sido solicitado testagem sorológica para sífilis e, ainda, que dentre as que tiveram exames de RPR ou VDRL solicitados na rotina pré-natal, 37.0% não realizaram e em 63.0% das que se submeteram a esses exames, nenhuma procurou obter o resultado. 833 Trabalho 76 51 Rodrigues e Guimarães (2004) encontraram um percentual de 49.0% de sorologias positivas para sífilis realizadas no período de pré-natal numa amostra de puérperas e mulheres após abortamento em centros de referência para assistência as portadoras de DST, confirmando a dificuldade na garantia desses exames em tempo oportuno para a prevenção da sífilis congênita através do tratamento adequado na gestação. Quanto ao tratamento das gestantes e seus parceiros no pré-natal (tabela 10 e 11), apenas uma mulher após abortamento iniciou tratamento para sífilis no pré-natal e nesse caso não foi extensivo ao seu parceiro. Na amostra foram obtidos registros de tratamento adequado de gestantes em apenas 10.3% - dessa, cerca da metade dos parceiros sexuais (5.1%) recebeu tratamento incompleto, assim não foi verificado nenhum caso de tratamento adequado da sífilis (penicilina benzantina como droga de escolha, dose adequada ao estadiamento da doença, com antecedência mínima de 30 dias do momento do parto ou abortamento e inclusão do parceiro na terapia), indo de encontro à meta da Organização Panamericana de Saúde, da qual o Brasil é signatário, em tratar adequadamente 95.0% das gestantes com diagnóstico de sífilis. (OPAS, 1995). Sabe-se que o tratamento de parceiros sexuais é uma medida eficiente de prevenção da sífilis, mas, não se pode deixar de considerar a prática sexual desprotegida como o principal fator de risco para a aquisição dessa e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), tornando todos que fazem sexo inseguro, vulneráveis a essas infecções, incluindo ao vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), independentemente do estado civil ao que pertença o indivíduo. (BRASIL, 2006). O desafio para o controle da sífilis durante a gestação consiste em se garantir resultados no plano da cura, promoção e proteção a saúde, somente possível se houver envolvimento de cuidadores e serviços eficientes. (RODRIGUES E GUIMARÃES, 2004). 834 Trabalho 76 52 6.3 Resultados sobre dados da assistência hospitalar Nessa pesquisa, dos 78 casos de sífilis congênita notificados no Sistema de informações de agravos de notificação (SINAN), 94.9% dos eventos que configuraram motivo da internação da amostra estudada corresponderam à assistência ao parto e 5.1% ao atendimento a mulheres que se encontravam em processo de abortamento. A tabela 12, descrita no item 05, diz respeito à idade gestacional (IG) estimada no momento da admissão para assistência ao parto ou a curetagem após aborto, das puérperas e mulheres após abortamento que compuseram a amostra desse estudo. Nela pode ser observado que 67.9% das puérperas evoluíram para parto prematuro, tendo gerado 24.3% de recém nascidos de alto risco do ponto de vista da prematuridade extrema (até 31 semanas de IG). Nos demais itens dessa tabela, os dados encontrados mantiveram semelhanças com os informes do Ministério da Saúde do Brasil, sobre o agravo sífilis, no período de 1998 a 2005. (anexo-2). Como conseqüências da sífilis congênita nos conceptos da amostra estudada foram obtidos os seguintes resultados: 78.5% de nascidos vivos e 16.4% de natimortos, além dos abortos já citados anteriormente – 5.1%, (tabela 13). Revollo (2007) encontrou, em estudo semelhante, um percentual de 33.0% de prematuridade e 8.0% de crianças com baixo peso ao nascer como produto final de gestações de portadoras de sífilis, resultado semelhante ao percentual de abortos e inferior aos encontrados nessa pesquisa no que diz respeito a recém nascidos prematuros. A característica da MESM em ser instituição destinada ao alto risco pode ser responsável pelos achados elevados de freqüência de prematuridade quando comparados ao estudo acima citado, dessa forma não traduz o número de casos esperado da doença na comunidade quando estudado sua relação com o abortamento. Saraceni et al (2007) encontrou numa série histórica (1999 a 2004) o percentual médio de 51.4% de nascidos vivos com sífilis congênita, apesar de uma tendência decrescente na incidência de casos de SC. Nesse mesmo estudo foi verificado no ano de 2004, a ocorrência da transmissão vertical (TV) em 45.8% dos nascidos vivos, 13.2% de abortos e 6.7% de natimortos relacionados a essa doença no momento do parto e/ou abortamento. 835 Trabalho 76 53 A realização de VDRL no momento da internação, descrita na tabela 14, mostrou um percentual de 1.3% correspondente ao item ignorado/branco que se refere aos casos em puérperas e mulheres após abortamento onde não foi encontrada nenhuma referência sobre a realização desse exame, apesar da política de saúde vigente no país tornar obrigatória a realização do VDRL no momento do parto através da Portaria MS Nº. 766/04 de 21 de dezembro de 2004. (BRASIL, 2005). Na amostra estudada, a realização de VDRL durante a assistência hospitalar foi verificada em 94.9% (tabela 14), porém não foram instituídos tratamentos adequados a maior parte dessas mulheres e nenhum de seus parceiros foi comprovadamente convocado. ( Tabelas 16 e 17). Dentre as titulações VDRL encontradas na amostra de puérperas (tabela 15), houve um maior percentual de baixos títulos (até 1:8) nessas sorologias – 72.9% - indicando tratar-se da fase latente da doença, uma vez que geraram casos de sífilis congênita e que nos relatos em prontuários não havia referências sobre sinais clínicos nessas mulheres. Baixos títulos de VDRL podem estar associados a resultados falso-positivos, cicatriz imunológica ou, mais raramente a outras doenças, levando alguns profissionais de saúde, considerar prudente a realização de teste confirmatório (qualitativo) na vigência de dúvida não esclarecida pela clínica e quando o mesmo estiver acessível ao serviço de saúde, condição que não se aplica à instituição. (OLIVEIRA, 2007). Ainda citando Oliveira (2007), a cicatriz sorológica é uma condição oriunda da obtenção de títulos baixos de VDRL associada à clínica que evidencia, através da anamnese, a inexistência de tratamento anterior ou - quando presente - na forma inadequada e, ainda, sendo necessário submeter o caso suspeito a exame treponêmico para descartar reações falso-positivas. Além disso, é importante repetir exames de VDRL pensando na possibilidade de re-infecção, especialmente em casos de gestantes pela sua relação com a forma congênita da doença, sendo esperado para essa situação o aumento de pelo menos dois títulos nesse exame. Conforme portaria da inclusão da sífilis em gestante na relação de agravos de notificação compulsória diante da não comprovação de tratamento anterior adequado, segundo avaliação de risco e beneficio, tais casos devem ser incluídos e tratados como doença vigente no momento da assistência ao parto ou abortamento. (BRASIL, 2006). 836 Trabalho 76 54 A Tabela 16 apresenta dados sobre a realização de tratamento na amostra desse estudo. Ela revela que em 25.6% dos prontuários estudados, foram encontrados registros que indicavam não ter sido instituído nenhuma forma de tratamento nesses casos, esses ficaram condicionados a testagem sorológica treponêmica - FTA-Abs - na intenção de comprovar a infecção por sífilis, sendo que os resultados desses últimos testes não puderam ser comprovados pela ausência de registro desses nos prontuários. 65.4% da amostra estudada receberam tratamento incompleto, visto ter sido administrado penicilina benzatina em doses inadequadas ao estadiamento da doença 2.400.000UI (37.2%) e 4800.000UI (28.2%). Nenhum caso de convocação de parceiros foi comprovadamente encontrado, uma vez que os poucos registros em prontuários não mencionavam a ciência dos mesmos e/ou comparecimento desses parceiros sexuais na instituição, cenário desse estudo - (tabela 17). Pao e Bingham (2002) fazem referência em seu estudo sobre a importância de se incluir a notificação compulsória dos parceiros sexuais de puérperas com sífilis enquanto estratégia para o controle dessa doença. Não obstante, a média esperada de 01 a 03 dias de internação hospitalar ser suficientes para assistência ao evento do parto e da curetagem após abortamento, a pesquisa revelou uma permanência hospitalar elevada na amostra (tabela 18), tendo sido encontrado um percentual de 2.6% para internações de puérperas com mais de 21 dias de permanência e de 1.3% de 8 a 14 dias entre as mulheres após abortamento. Do ponto de vista do controle da sífilis nessa população/amostra e da prevenção de novos casos na comunidade, a permanência prolongada trouxe o benefício de ofertar mais de uma dose de penicilina benzatina para essas clientes. Revollo et al (2007), em seu estudo, também faz referência a tratamento de puérperas com apenas uma dose de penicilina benzatina durante a hospitalização, porém menciona a importância do segmento sorológico desses casos e da inclusão do parceiro no contexto, chamando atenção para questões relacionadas a prevenção de re-infecções. 837 Trabalho 76 55 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse estudo permitiu descrever ações de diagnóstico e tratamento da sífilis que foram dispensadas as puérperas e mulheres após abortamento durante a realização do pré-natal e na assistência hospitalar. Nele foi possível identificar uma prevalência de sífilis de 2.5% na amostra, revelando-se acima das estimativas para a região do nordeste, acometendo mais as mulheres com baixa escolaridade, estado civil solteiro e que procediam da capital. Os resultados encontrados nessa pesquisa denotam que apesar de todo investimento do Ministério da Saúde do Brasil (MS) em ações de capacitação profissional, pactuações e recomendações no combate da sífilis, a doença ainda é um problema de saúde pública de grandes proporções, difícil de ser equacionado devido a perdas de oportunidades de prevenção e controle de novos casos (seja da forma congênita ou de adulto) na gestação, parto, puerpério e em mulheres após aborto, permitindo a continuidade da cadeia epidemiológica da doença. Para que ocorra o controle da sífilis em puérperas e mulheres após abortamento, conseqüentemente, da forma congênita, apenas quantificar casos não é suficiente. Faz-se necessário e urgente, um repensar as ações de saúde, na atenção básica e hospitalar, que contribuam com a prevenção e o controle desse agravo, assim, sugere-se a melhoria da comunicação no sistema de referência e contra-referência, investimentos na rede de assistência pré-natal e hospitalar e educação permanente nos serviços de saúde, gerando ações eficazes e compromisso profissional no combate à sífilis no ciclo gravídicopuerperal e suas intercorrências. 838 Trabalho 76 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações programáticas estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: plano de ação 2004-2007. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de ações Programáticas Estratégicas – Brasília, Ministério da Saúde, 2004. 48p. 2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Curso Básico de Vigilância Epidemiológica: sífilis em gestante, sífilis congênita, infecção pelo HIV em gestante e crianças expostas. Brasília, 2006. 221p. 3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de políticas de saúde. Assistência Prénatal: manual técnico. 3ª ed. Brasília, 2000. 66p. 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde Programa Nacional de DST e Aids. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis: DST. 4. ed. Brasília, 2006. 138 p. Coleção DST .aids. (Série manuais, nº 68). 5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Diretrizes para o controle da sífilis congênita. Brasília, 2005. 51 p. Coleção DST.aids. (Série manuais, nº 62). 6. BRASIL.Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Relatório: realização de exames VDRL em maternidades da rede SUS na admissão para o parto, curetagem e outros procedimentos obstétricos. (online), 2006, (citado 09 março de de 2009), p 1. Disponível na world wide web: http://www.aids.gov.br/services/documentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp ?DocumentID=%7BB1FOEC98-7902-41E0. 7. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Coordenação Nacional de DST/aids. Políticas e Diretrizes de Prevenção das DST/aids entre mulheres. Brasília: Ministério da Saúde, 2003. 104 p. (Série manuais nº 57). 8. FISCHBACH, Frances. Manual de Enfermagem: Exames Laboratoriais e Diagnósticos. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1998. p. 234-235. Título original: A manual of laboratory e diagnostic test. 839 Trabalho 76 57 9. GOUVÊA, T.V.D.; CALDAS, M.P.; FONSECA, C.G., M.R.L.; Sífilis Congênita. In: J.bras. Doenças sex Transm., 3(1):4-9, 1991. 10. GEBER, Selmo; MARTINS, Madalena. Ginecologia. Rio de Janeiro: Medsi, 1998. p. 244-253. 11. GIRALDO, Paulo César; SIMÕES, José Antônio. In: NEME, Bussâmera. Doenças Sexualmente Transmissíveis. 1. ed. São Paulo: Sarvier, 1998. p. 329-350. 12. INSTITUTO MATERNO INFANTIL DE PERNAMBUCO. In: Obstetrícia Diagnóstico e Tratamento. Doenças Infecciosas no ciclo grávido puerperal. Recife: Medsi, 1998. p. 433-439. 13. INGALL, D.; S.R.M.; MUSHER, D. Syphilis. In: REMINGTON, J.S. & KLEIN, J.O. Infectuous diseases of the fetus and newborn infant. 4. ed. WB Saunders Company; 1995: cap. 12, 529-564. 14. JAWETZ, Ernest. Penicilinas e cefalosporinas. IN: KATZUNG, Bertran G. Farmacologia Básica e Clínica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1994. p. 470-479. 15. NEME, B. Obstetrícia Básica. 2ª Ed. São Paulo: Sarvier, 2005. 996p. 16. RODRIGUES, C, GUIMARÃES, M, Sífilis congênita G. Positvidade para sífilis em puérperas: ainda é um desafio para o Brasil. Ver. Panam Salud. 2004; 16(3): 168 – 75. SARACENI, Valéria, DOMINGUES, Rosa Maria Soares Madeira, VELLOSO, Vitória et AL. Vigilância da sífilis na gravidez. Epidemiol. Serv. 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RG 4 ESTADO CIVIL[ ] [1] CASADO 5 RESIDENTE: [ ] [2] SOLTEIRO [3] UNIÃO CONSENSUAL [1]CAPITAL [4] IGN [2] OUTRO ------------------------------------------- 6. ESCOLARIDADE EM ANOS DE ESTUDO: [ ] [0] NENHUMA. [1] 1 A 3 [2] 4 A 7 8. IDADE MATERNA (ANOS): [ ] [3] 8 A 11 [1] < 15 [4] >11 [5] IGN. [2] 15 A 18 [3] 19 A 30 [4] 30 OU + DADOS DA GESTAÇÃO 9. REALIZAÇÃO DE PRÉ-NATAL [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] IGN.( SEM REG.EM PRONTUÁRIO) 10.SE ANTERIOR FOR SIM - Nº DE CONSULTAS: [ ] [1] 1 A 3 [2] 4 A 6 [3] 7 OU MAIS 11. TESTE PARA DIAGNÓSTICO DE SÍFILIS NO PRÉ-NATAL: [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] IGN 12 .DIAGNÓSTICO DE SÍFILIS NO PRÉ-NATAL: [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] IGN 13. SE ANTERIOR FOR SIM-TRATAMENTO PARA SÍFILIS NO PRÉ-NATAL: [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] INCOMPLETO [4] IGN/SEM REGISTRO 14. SE ANTERIOR FOR SIM – TRATAMENTO DO PARCEIRO NO PRÉ-NATAL: [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] INCOMPLETO [4] IGN/SEM REGISTRO 15. SE ANTERIOR FOR SIM OU INCOMPLETO-DROGA UTILIZADA: -------------------- 842 Trabalho 76 60 DADOS DA ASSISTÊNCIA AO PARTO OU ABORTAMENTO 16. IDADE GESTACIONAL (SEMANAS) : [ ] [1] < 22 [2] 22 A 27 [3] 28 A 31 [4] 32 A 36 [5] 37 A 41 [6] > 41 17. EVOLUÇÃO DA GESTAÇÃO: [ ] [1] ABORTO [2] PARTO/ NASCIDO VIVO [3] PARTO/NATIMORTO 19. REALIZOU VDRL NA OCASIÃO DA INTERNAÇÃO: [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] IGNO/SEM REGISTRO EM PRONTUÁRIO 20. SE ANTERIO FOR SIM-TITULAÇÃO: -------/---------. 21. REALIZOU TRATAMENTO: [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] INCOMPLETO. 22. SE ANTERIOR FOR SIM-DROGA UTILIZADA E POSOLOGIA: --------------------------------23. CONVOCAÇÃO DE PARCEIRO (S): [ ] [1] SIM [2] NÃO [3] IGN./SEM REGISTRO EM PRONTUÁRIO. 24.DIAS DE INTERNAÇÃO:------------------------------------- DATA: -------/--------/--------- RESPONSÁVEL PELO PREENCHIMENTO: ------------------------------------------------------------------ 843 Trabalho 76 61 Anexo 2 – Tabelas do Ministério da Saúde do Brasil TABELA 1 – PERCENTUAL DE CASOS DE SÍFILIS CONGÊNITA SEGUNDO IDADE MATERNA, POR ANO DE DIAGNÓSTICO. BRASIL 1998-2005. Faixa etária materna 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 total (anos) 10 a 14 0.3 1.0 0.7 0.7 0.8 0.3 0.4 0.3 0.6 15 a 19 19.9 17.6 18.9 17.7 17.5 17.8 15.7 14.5 17.6 20 a 29 53.8 53.2 51.2 51.8 53.1 54.8 56.1 56.1 53.7 30 a 39 21.0 22.2 20.5 19.7 22.0 22.1 23.4 24.5 21.8 40 ou mais 1.7 2.1 2.2 2.1 2.2 2.8 3.4 3.6 2.5 ignorado 3.3 4.0 6.6 8.0 4.3 2.2 1.0 1.0 3.9 Total Fonte: MS/SVS/PN/DST/AIDS. Dados notificados até 30/06/2005 TABELA - 2 - PERCENTUAL DE CASOS DE SÍFILIS CONGÊNITA SEGUNDO IDADE GESTACIONAL NO NASCIMENTO DA CRIANÇA POR ANO DE DIAGNÓSTICO. BRASIL, 1998 A 2005*. Brasil/ IG em semanas < 22 25 a 35 36 e mais Ignorado 1998 0,6 13,3 77,0 9,0 1999 0,7 12,3 76,9 10,2 2000 0,2 12,2 76,3 11,3 2001 0,1 12,7 75,0 12,2 2002 0,4 11,6 80,2 7,8 2003 1,6 11,0 80,1 7,3 2004 2,3 11,3 85,5 1,0 2005 2,4 10,1 86,4 1,0 Total 1,0 11,8 79,5 7,6 Adaptação: Fonte MS/SVS/PN DST/AIDS. Dados investigados e notificados até 30/06/2005. 844 Trabalho 76 62 Anexo - 3 – Portaria Ministério da Saúde do Brasil. PORTARIA No- 33, DE 14 DE JULHO DE 2005 Inclui doenças à relação de notificação compulsória, define agravos de notificação imediata e a relação dos resultados laboratoriais que devem ser notificados pelos Laboratórios de Referência Nacional ou Regional. O SECRETÁRIO DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, no uso das atribuições que lhe confere o Art. 36 do Decreto no- . 4.726, de 9 de junho de 2003 e, considerando o disposto no Art. 4º- da Portaria no- . 2.325, de 8 de dezembro de 2003, resolve: Art. 1º- Incluir à Lista Nacional de Agravos de Notificação Compulsória, os casos suspeitos ou confirmados de Doença de Creutzfeldt - Jacob; Sífilis em Gestante; Síndrome Febril Íctero-hemorrágica Aguda; e Eventos Adversos Pós-Vacinação, conforme disposto no Anexo I desta Portaria. Parágrafo único. A ocorrência de agravo inusitado à saúde, independentemente de constar da Lista Nacional de Agravos de Notificação Compulsória, deverá também ser notificado imediatamente ás autoridades sanitárias mencionadas no caput deste artigo. Art. 2º- As doenças e agravos relacionados no Anexo II desta Portaria, para todo território nacional, devem ser notificados de forma imediata às Secretarias Estaduais de Saúde, e estas deverão informar imediatamente à SVS/MS, por meio de: I. correio eletrônico [email protected]; ou II. por telefone: 061 33153659 ou fax: 061 33153658, da Gerência Técnica de Doenças Emergentes e Reemergentes - GTDER/CGDT/DEVEP/MS, sem prejuízo do registro das notificações pelos procedimentos rotineiros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN. Art. 3º- Os profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como os responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e ensino, em conformidade com a Lei no- . 6259 de 30 de outubro de 1975, são obrigados a comunicar aos gestores do Sistema Único de Saúde - SUS a ocorrência de casos suspeitos ou confirmados das doenças relacionadas no Anexo I desta Portaria. 845 Trabalho 76 63 Parágrafo único. O não cumprimento desta obrigatoriedade será comunicado aos conselhos de entidades de Classe e ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas punitivas cabíveis. Art. 4º- . Os resultados dos exames laboratoriais das doenças relacionadas no Anexo III desta Portaria, devem ser notificados pelos laboratórios de referência nacional, regional e laboratórios centrais de saúde pública de cada Unidade Federada, concomitantemente às Secretarias Estaduais de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde e a SVS/MS, por meio da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Publica - CGLAB/DEVEP/SVS. Art. 5.o- A definição de caso para cada doença relacionada no Anexo I desta Portaria, deve obedecer à padronização definida pela SVS/MS. Art. 6º- Aos gestores municipais e estaduais do SUS é vedada a exclusão de doenças e agravos componentes do elenco nacional de doenças de notificação compulsória. Art. 7º- Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. JARBAS BARBOSA DA SILVA JÚNIOR ANEXO I ANEXO II ANEXO III Lista Nacional de Agravos de Notificação Agravos de notificação imediata via fax, Resultados laboratoriais que devem Compulsória telefone ou e-mail, além da digitação e ser notificados pelos Laboratórios I. Botulismo transferência de Referência Nacional ou Regional II. Carbúnculo ou “Antraz” magnético, através do SINAN III. Cólera I. Caso suspeito de: I. Resultado de amostra individual IV. Coqueluche imediata, por meio a) Botulismo por: V. Dengue b) Carbúnculo ou Antraz a) Botulismo VI. Difteria c) Cólera b) Carbúnculo ou “Antraz” VII. Doença de Creutzfeldt-Jacob d) Febre Amarela c) Cólera VIII. Doenças de Chagas (casos agudos) e) Febre do Nilo Ocidental d) Febre Amarela IX. f) Hantavirose e) Febre do Nilo Ocidental g) Peste f) Hantavirose h) Raiva Humana g) Influenza Humana Doenças Meningocócica e outras Meningites X.Esquistossomose (em área não 846 Trabalho 76 64 endêmica) i) Síndrome Febril Íctero-hemorrágica h) Poliomielite XI. Eventos Adversos Pós-Vacinação Aguda i) Peste XII.Febre Amarela j) Síndrome Respiratória Aguda Grave j) Raiva Humana XIII. Febre do Nilo Ocidental k) Varíola k) Síndrome Respiratória Aguda XIV. Febre Maculosa l) Tularemia Grave XV. Febre Tifóide l) Varíola XVI. Hanseníase II. Caso confirmado de: m) Tularemia XVII. Hantaviroses a) Poliomielite n) Sarampo XVIII. Hepatites Virais b) Sarampo XIX. Infecção imunodeficiência pelo vírus humana – da HIV c) Tétano Neonatal em II. Resultado de amostras procedentes de investigação de gestantes e crianças expostas ao risco de III. Surto ou agregação de casos ou surtos: transmissão vertical agregação de óbitos a) Agravos Inusitados XX. Leishmaniose Tegumentar Americana por: b) Doença de Chagas Aguda XXI. Leishmaniose Visceral a) Agravos Inusitados c) Difteria XXII.Leptospirose b) Difteria d) Doença Meningocócica XXIII. Malária c) Doença de Chagas Aguda e) Influenza Humana XXIV. Meningite por Haemophilus influenzae d) Doença Meningocócica e) Influenza Humana XXV. Peste XXVI.Poliomielite XXVII.Paralisia Flácida Aguda XXVIII.Raiva Humana XXIX.Rubéola XXX.Síndrome da Rubéola Congênita XXXI. Sarampo XXXII. Sífilis Congênita XXXIII. Sífilis em gestante XXXIV. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS XXXV. Síndrome Febril Íctero-hemorrágica Aguda XXXVI. Síndrome Respiratória Aguda Grave XXXVII. Tétano XXXVIII. Tularemia XXXIX. Tuberculose XL. Varíola 847 Trabalho 76 65 Anexo-4 ficha de notificação –sífilis congênita. 848 Trabalho 76 66 Anexo-5 - Ficha de Notificação da Sífilis em Gestante. 849