CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação Programa de Pós-Graduação em Modelagem Matemática e Computacional Modelagem e Simulação Numérica da Radiação Sonora de um Cilindro Infinito Pulsante Aluno: Emerson de Sousa Costa Orientadora: Profª. Dra. Ester Naves Machado Borges Co-Orientador: Prof. Dr. Márcio Matias Afonso Belo Horizonte, 29 de agosto de 2008. CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação Programa de Pós-Graduação em Modelagem Matemática e Computacional Modelagem e Simulação Numérica da Radiação Sonora de um Cilindro Infinito Pulsante Dissertação de Mestrado, submetida ao Programa de Pós-Graduação em Modelagem Matemática e Computacional, como parte dos requisitos exigidos para a obtenção do título de Mestre em Modelagem Matemática e Computacional. Aluno: Emerson de Sousa Costa Orientadora: Profª. Dra. Ester Naves Machado Borges Co-Orientador: Prof. Dr. Márcio Matias Afonso Belo Horizonte, 29 de agosto de 2008. C837m Costa, Emerson de Sousa Modelagem e simulação numérica da radiação sonora de um cilindro infinito pulsante. – 2008. 72 f. Orientadora: Ester Naves Machado Borges Dissertação (mestrado) – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. 1. Método matemático – Teses. 2. Métodos de simulação I. Borges, Ester Naves Machado. II. Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. III. Título. CDD 519.6 Elaboração da ficha catalográfica por Biblioteca-Campus II / CEFET-MG Dedicatória Para meu pai (in memorian), todos meus familiares e amigos. i Agradecimentos Agradeço, primeiramente, a Deus, por ter me dado força, paciência, persistência, determinação, conforto e paz necessárias à conclusão de mais uma etapa da minha formação acadêmica. A professora Ester Naves Machado Borges pela orientação inestimável, pela amizade e confiança depositada em mim, além da paciência em todos os momentos de dúvidas. Ao professor Márcio Matias Afonso pela orientação sempre presente, críticas construtivas e valiosas contribuições ao meu trabalho. Aos demais professores pelo apoio na realização deste trabalho e aos colegas de mestrado pelo companheirismo e amizade. À minha mãe, minhas irmãs e irmão pelo carinho e pelas palavras de incentivo que não me deixaram desanimar nunca. A todos os colegas das escolas, que incentivaram e ajudaram no desenvolvimento deste trabalho. Em especial à Nedina, Marcílio e Donizete que tiveram tolerância e me apoiaram em todos os momentos. Por fim, aos não menos importantes, demais amigos e familiares pelo apoio. Agradeço de coração a todos vocês. ii “O conhecimento é o processo de acumular dados; a sabedoria reside na sua simplificação." Martin H. Fischer iii Resumo Neste trabalho é obtida a solução da equação diferencial de onda acústica radiada por um cilindro infinito pulsante em um meio livre e homogêneo. A solução analítica é encontrada utilizando-se o Método de Separação de Variáveis e os resultados obtidos são comparados com os da literatura. A formulação e implementação da equação de onda que é regida pelo operador diferencial de Helmholtz, são obtidas utilizando-se o Método dos Elementos de Contorno (MEC). A transformação da equação de Helmholtz em Equação Integral de Contorno, bem como sua solução, é apresentada de forma detalhada no texto. O Método de Elementos de Contorno apresenta grande aplicação na solução de determinados problemas acústicos em campo aberto, em relação aos métodos diferenciais. Este método reduz a dimensão do problema, simplificando com isso os dados de entrada a serem trabalhados e reduzindo o tempo computacional utilizado. Palavras-chave: Radiação; Acústica; Elementos de Contorno; Modelagem. iv Abstract This paper obtained the solution of differential equation of acoustic wave radiated by an infinite cylinder in a pulsating half free and homogeneous. The analytical solution is found using the method of separation of variables and results are compared with those of literature. The formulation and implementation of the wave equation that is governed by the spread of Helmholtz, are obtained using the Boundary Element method (BEM). The transformation of the Helmholtz equation in the Boundary Integral equation and its solution is presented in detail in the text. The Boundary Element Method has a great application in the solution of the problem of acoustic radiation in open fields, when compared with the differential methods. The BEM reduces the size of the problem because it simplifies the input data to be worked and reduces the computational time used. Keywords: Radiation; acoustics; Boundary Element; Modeling. v Conteúdo INTRODUÇÃO 1 1.1 − Considerações Gerais 1 1.2 − Objetivos 3 1.2.1 - Objetivo Geral 3 1.2.2 - Objetivos Específicos 3 1.3 − Organização do Trabalho 4 EQUAÇÃO DE HELMHOLTZ PARA MEIOS ACÚSTICOS 2.1 - Equação Linear da Onda Acústica 5 5 2.1.1 - Equação de Estado 6 2.1.2 - Equação de Continuidade 8 2.1.3 - Equação de Euler 8 2.1.4 - Equação Linear da Onda 9 2.2 – Equação de Helmholtz 11 2.3 – Solução Analítica da Equação de Helmholtz 12 2.4 – Sumário 22 TÉCNICAS NUMÉRICAS 23 3.1– Técnicas Numéricas Diferenciais 23 3.2 – Técnicas Numéricas Integrais 25 3.3 – Sumário 27 A EQUAÇÃO INTEGRAL DE CONTORNO 28 4.1– Introdução 28 4.2– Equação Integral de Contorno 28 4.3 – Equação Integral no Contorno 32 4.4 – O Coeficiente c, termo livre do sinal de integração 35 4.5 – Tipos de Elementos de Contorno 36 vi 4.6– Discretização e Colocação 40 v n 46 4.8 – Cálculo dos Elementos não Singulares das Matrizes G e H 48 4.9 – Cálculo dos Elementos Singulares das Matrizes G e H 49 4.10 – Sumário 51 4.7 – Derivada da solução fundamental em relação a normal RESULTADOS NUMÉRICOS E COMPARAÇÕES 52 5.1 – Resultado Analítico e Comparações 52 5.2 – Resultado Numérico e Comparações 54 5.3 – Sumário 61 CONCLUSÃO GERAL E PROPOSTA PARA TRABALHOS FUTUROS 62 6.1 − Conclusão Geral 62 6.2 − Propostas para trabalhos futuros 63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 64 ANEXO A 66 ANEXO B 69 ANEXO C 70 ANEXO D 71 Função Delta de Dirac e Solução Fundamental ANEXO E 71 72 vii Lista de Tabelas Tabela 5.1 – Comparação de resultados 53 Tabela 5.2 – Resultados para discretização com 8 elementos 55 Tabela 5.3 – Resultados para discretização com 16 elementos 56 Tabela 5.4 – Resultados para discretização com 32 elementos 57 Tabela 5.5 – Resultados para discretização com 64 elementos 58 Tabela 5.6 – Resultados para discretização com 128 elementos 59 Tabela 5.7 – Resultados para discretização com 256 elementos 60 Tabela B1 – Valores de xi e wi para integração gaussiana, utilizando-se 10 pontos de Gauss 69 Tabela E.1 – Nós e respectivos elementos 72 viii Lista de Figuras Figura 2.1 – Cilindro infinito de raio r = a 13 Figura 2.2 – As coordenadas cilíndricas (r, ψ, z) 14 Figura 4.1 – Representação do domínio e dos contornos 30 Figura 4.2 – Representação do domínio sobre um contorno 2D 33 Figura 4.3 – Malhas compostas de diferentes tipos de elementos 38 Figura 4.4 – Malhas com o mesmo número de elementos 38 Figura 4.5 – Aproximação realizada por elementos contínuos e descontínuos 39 Figura 4.6 (a) – Elementos de contorno: elementos constantes 39 Figura 4.6 (b) – Elementos de contorno: elementos lineares 39 Figura 4.6 (c) – Elementos de contorno: elementos quadráticos 40 Figura 4.7 – Contorno discretizado 41 Figura 4.8 – Elemento Linear 45 Figura 4.9 – Sistema de coordenadas no elemento 45 Figura 5.1 – Comparação de resultados implementados 53 Figura 5.2 – Ilustração bidimensional da discretização do cilindro em 12 elementos Figura 5.3 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 8 elementos Figura 5.4 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 16 elementos Figura 5.5 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 32 elementos Figura 5.6 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 64 elementos Figura 5.7 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 128 elementos Figura 5.8 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 256 elementos ix 54 55 56 57 58 59 60 Simbologia CARACTERES LATINOS Variável Descrição Unidade s adensamento em um ponto R constante dos gases F força β módulo adiabático (coeficiente de expansão volumétrica do fluido) r r posição de equilíbrio de uma partícula de fluido em (x, y, z) [m] p pressão acústica em um ponto [Pa] P0 pressão de equilíbrio no fluido [Pa] P pressão instantânea em um ponto [Pa] r raio do cilindro [m] representam vetores unitários nas direções x, y e z, respectivamente. [m] T temperatura em graus Celsius [°C] TK temperatura em Kelvin [K] t tempo [s] r u velocidade da partícula de fluido [m/s] c velocidade de fase da onda [m/s] xˆ, yˆ , e zˆ [J/kgK] [N] x - CARACTERES GREGOS Variável Descrição Dimensão ρ0 densidade de equilíbrio do fluido [kg/m3] ρ densidade instantânea em um ponto [kg/m3] r deslocamento da partícula de fluido em relação à ξ posição de equilíbrio [m] ω freqüência angular [rad/s] φ potencial de velocidade [m/s] OPERADORES Variável ∂ / ∂i Descrição derivada parcial ∇ ⋅ (*) = div(*) divergente ∇(*) = grad (*) gradiente ∇ 2 (*) * Laplaciano norma de um vetor ou matriz xi RELAÇÕES ENTRE CARACTERES Variável s= ρ − ρ0 ρ0 r ξ = ξ x xˆ + ξ y yˆ + ξ z zˆ r r = xxˆ + yyˆ + zzˆ Descrição adensamento em um ponto deslocamento da partícula de fluido em relação à posição de equilíbrio posição de equilíbrio de uma partícula de fluido em (x, y, z) p = P − P0 pressão acústica em um ponto T + 273.15 = Tk temperatura em graus Celsius r r ∂ξ r u= = u x xˆ + u y yˆ + u z z ∂t velocidade de partícula LISTA DE ABREVIATURAS Abreviação EI Descrição Equação Integral EIC Equações Integrais de Contorno MDF Método das Diferenças Finitas MEC Método dos Elementos de Contorno MEF Método dos Elementos Finitos xii Capítulo 1 Introdução _________________________ 1.1 − Considerações Gerais O som pode ser definido como uma variação da pressão ambiente detectável pelo sistema auditivo e o ruído como um som sem harmonia. Um mecanismo bastante comum para gerar sons consiste em fazer vibrar uma estrutura. Estruturas vibrantes movimentam ciclicamente as moléculas do ar ao seu redor, gerando localmente regiões de concentração e de rarefação destas, o que provoca variações de pressão. A propagação sonora ao ar livre é normalmente estudada em termos de três componentes: a fonte sonora, a trajetória de transmissão e o receptor. Primeiramente, a fonte emite uma certa potência sonora, gerando um nível sonoro que pode ser medido nas proximidades da fonte. A partir daí, o nível sonoro é atenuado à medida que o som se propaga, entre a fonte e o receptor, ao longo de determinada trajetória. A modelagem da radiação acústica é de fundamental importância para se compreender a propagação das ondas acústicas e, conseqüentemente, desenvolver mecanismos para atenuação de ruídos acústicos. Para estimativas de níveis de pressão sonora, em certas ocasiões, é preciso conhecer os níveis de potência sonora das fontes em questão. É este o caso, por exemplo, quando se deseja determinar o nível de pressão sonora gerado pelo maquinário de um ambiente industrial e o nível de pressão sonora devido ao tráfego de uma rodovia, entre outros. 1 Ondas acústicas em fluidos não viscosos, como ar e água, são ondas longitudinais, isto é, as moléculas do fluido se movem para frente e para trás na direção de propagação da onda, produzindo regiões adjacentes de compressão e de rarefação. Na análise que se segue, são feitas algumas suposições necessárias para o estudo da propagação do som em fluidos na sua forma mais simples. Dentre elas, tem-se que os efeitos das forças gravitacionais são considerados desprezíveis; o fluido é homogêneo, isotrópico e perfeitamente elástico e as ondas são de amplitude relativamente pequena, de modo que as variações na densidade do meio são pequenas quando comparadas com seu valor de equilíbrio. O termo partícula de fluido é utilizado para identificar um elemento de volume, grande o suficiente, para conter um número muito grande de moléculas, de forma que este possa ser considerado como um meio contínuo, contudo pequeno o bastante para que todas as variáveis acústicas possam ser consideradas constantes ao longo deste elemento de volume. Neste trabalho é mostrada a solução analítica da equação de onda para um cilindro infinito que está vibrando (expandindo e contraindo) uniformemente na direção radial com amplitude constante. Essa solução encontrada é então comparada com a literatura. Uma formulação numérica para este problema também é apresentada, utilizando-se a forma direta do Método dos Elementos de Contorno. Atualmente, o Método de Elementos de Contorno é um dos métodos mais avançados e é utilizado especialmente para o tratamento de problemas envolvendo meios infinitos e semiinfinitos. Uma das grandes vantagens desse método é que ele permite a redução da dimensão do problema, diminuindo o número de equações utilizadas, permitindo a solução apenas no contorno, sem necessidade de se analisar todo o domínio. 2 1.2 − Objetivos 1.2.1 - Objetivo Geral O objetivo deste trabalho é fazer uma modelagem analítica e numérica de um cilindro infinito pulsante que está vibrando uniformemente na direção radial com amplitude constante. A modelagem numérica deste problema é feita a partir da formulação direta do Método dos Elementos de Contorno. 1.2.2 - Objetivos Específicos ● Realizar um estudo teórico e numérico sobre a equação de onda radiada por um cilindro infinito pulsante. ● Comparar os resultados obtidos na implementação, utilizando-se o Método de Elementos de Contorno, aos resultados de Yoon, (1990) e Papini, (1999). 3 1.3 − Organização do Trabalho A estrutura do trabalho apresenta, inicialmente, no Capítulo 2, a formulação analítica da radiação acústica de um cilindro infinito pulsante. Logo após é descrita a implementação da formulação analítica. No Capítulo 3 é apresentada uma breve introdução dos métodos numéricos que são comumente utilizados. No Capítulo 4 são desenvolvidos os conceitos básicos de Equações Integrais e do Método de Elementos de Contorno, empregados neste trabalho. No Capítulo 5 são apresentados os resultados analíticos e numéricos e estes são comparados com os resultados obtidos na literatura. No Capítulo 6 são apresentadas a conclusão geral e perspectivas de futuros trabalhos. 4 Capítulo 2 Equação de Helmholtz para Meios Acústicos ______________________________ Neste capítulo é apresentada a dedução da Equação de Helmholtz para o fenômeno de radiação acústica. Esta equação será obtida a partir da Equação Linear da Onda. 2.1 - Equação Linear da Onda Acústica A equação que descreve o fenômeno da radiação acústica é obtida utilizando-se as equações de estado, de conservação da massa e da conservação da quantidade de movimento, na presença de um sinal acústico, segundo Ziomek, (1995). Para obter a formulação analítica da radiação acústica, devem ser feitas algumas suposições: • Os efeitos das forças gravitacionais são desprezíveis; • O fluido é homogêneo, isotrópico e perfeitamente elástico; • Efeitos dissipativos devido à viscosidade ou condução de calor não estão presentes; • A amplitude de onda sonora é relativamente pequena, de modo que as variações na densidade do meio são pequenas quando comparadas com seu valor de equilíbrio. Estas suposições são necessárias para se estudar a propagação de som em fluidos na sua forma mais simples. Experimentos mostram que uma análise deste tipo descreve adequadamente os fenômenos acústicos mais comuns. 5 2.1.1 - Equação de Estado Para meios fluidos, a equação de estado relaciona grandezas físicas que descrevem o comportamento termodinâmico de um fluido. Por exemplo, para um gás perfeito tem-se P = ρ r TK , (2.1) que relaciona a pressão instantânea P (em Pascal-Pa), a densidade instantânea ρ (kg/m3) e a temperatura absoluta TK (Kelvin). A grandeza r = R é a constante específica do gás e M depende da constante universal dos gases R e do seu peso molecular M. Para o ar, R ≈ 287 J/kg.K. Processos acústicos são aproximadamente isentrópicos (adiabáticos e reversíveis). A condutividade térmica do fluido e os gradientes de temperatura da perturbação (onda acústica) são pequenos de forma que a troca de energia térmica entre camadas adjacentes do fluido pode ser desprezada. Nessas condições, a entropia do fluido permanece aproximadamente constante. O comportamento acústico de um gás sob essas condições é descrito pela equação adiabática de estado descrita por γ P ρ = , P0 ρ 0 (2.2) onde γ é a razão entre os valores específicos à pressão e volume constantes. Para que as perturbações acústicas do fluido sejam consideradas adiabáticas, não pode haver troca de energia térmica entre elementos adjacentes do fluido. Isto significa que a condutividade térmica do fluido e que os gradientes de temperatura da perturbação devem ser pequenos o bastante para que não ocorra fluxo térmico significante durante o tempo da perturbação. Isso ocorre nas freqüências e amplitudes de interesse em acústica, Kinsler et al., (1982). Se o fluido não se comporta como um gás perfeito, a equação que descreve seu comportamento é mais complicada. Neste caso, a relação isentrópica entre pressão e 6 densidade de flutuação é determinada experimentalmente. Esta relação pode ser representada utilizando-se uma expansão em série de Taylor ∂P 1 ∂2P 2 P = P0 + (ρ − ρ 0 ) + 2 (ρ − ρ 0 ) + ... . 2 ∂ρ ρ ∂ρ ρ 0 0 (2.3) Na expressão acima, as derivadas parciais são constantes determinadas para compressão adiabática e para a expansão do fluido em torno de sua densidade de equilíbrio. Se tais flutuações são pequenas, somente o termo de ordem mais baixa em (ρ − ρ 0 ) é considerado. Assim, obtém-se uma relação linear entre a flutuação de pressão e variação de densidade P − P0 = β (ρ − ρ 0 ) ρ0 , (2.4) onde β é o módulo adiabático ou coeficiente de expansão volumétrica do fluido, dado por ∂P . ∂ρ ρ 0 β = ρ 0 (2.5) Pode-se definir o adensamento s em um ponto, como a razão entre a variação de densidade e seu valor de equilíbrio, s = ρ − ρ0 e a pressão acústica p como a variação da ρ0 pressão em relação a seu valor de equilíbrio, p = P − P0 . Dessa maneira pode-se reescrever a equação (2.4) em termos da pressão acústica p e do adensamento s, p≈β s. (2.6) A restrição essencial é que o adensamento s deve ser muito pequena, s << 1 , Kinsler et al., (1982). 7 2.1.2 - Equação de Continuidade Para relacionar o movimento do fluido com sua compressão ou expansão, precisa-se r de uma função que relacione a velocidade u da partícula do fluido com sua densidade instantânea ρ . Considera-se um fenômeno de transporte de massa através de um elemento de volume infinitesimal de fluido, fixo no espaço. A equação de continuidade relaciona a taxa de crescimento ou decrescimento de massa no interior desse elemento de volume com o fluxo de massa através da superfície fechada que o envolve e tem a seguinte expressão r ∂ρ + ∇.(ρ u ) = 0 . ∂t Como a densidade instantânea (2.7) ρ pode ser expressa em função do adensamento ρ = ρ 0 (1 + s) , pode-se usar o fato que ρ 0 é constante no espaço e no tempo, e que s é muito pequena, isto é, s << 1 , para expressar a equação acima da seguinte maneira: r ∂s + ∇⋅u = 0, ∂t (2.8) que é a equação da continuidade linearizada. 2.1.3 - Equação de Euler Para fluidos reais, a existência de viscosidade e o fato de que processos acústicos não são perfeitamente adiabáticos introduzem termos dissipativos. Entretanto, uma vez que os efeitos da condutividade térmica na equação de estado foram considerados desprezíveis, pode-se também ignorar os efeitos da viscosidade e considerar o fluido como sendo não viscoso. 8 A equação da conservação da taxa de variação de quantidade de movimento relaciona r a pressão acústica p com a velocidade u instantânea da partícula, para um fluido adiabático e não viscoso, isto é, os efeitos da viscosidade do fluido podem ser desprezados. Dessa maneira obtém-se a equação de Euler (equação de força) que é a equação de movimento para fluidos invíscidos: r ∂u = −∇p . ρ0 ∂t (2.9) 2.1.4 - Equação Linear da Onda Aplicando-se o operador divergente em ambos os lados da equação (2.9), obtém-se r ∂u 2 = −∇ p , ∂t ρ0 ∇ ⋅ (2.10) onde ∇2 é o operador Laplaciano. Derivando-se a equação (2.8) em relação ao tempo e usando o fato de que v v ∂(∇ ⋅ u ) ∂u = ∇ ⋅ , ∂t ∂t (2.10-a) obtém-se r ∂2s ∂u + ∇ ⋅ = 0. ∂t 2 ∂t (2.11) As equações (2.10) e (2.11) podem ser combinadas numa única equação: ∇2 p = ρ0 ∂2s . ∂t 2 (2.12) 9 Usando-se a equação de estado (2.6) para eliminar o adensamento s , obtém-se ∇2 p = 1 ∂2 p , c 2 ∂t 2 (2.13) onde a constante c , definida como c= β , ρ0 (2.14) é denominada velocidade de fase (propagação) da onda acústica no meio. A equação (2.13) é a equação linear de onda para a propagação sonora em meios homogêneos e sem perdas. r Para fluidos não viscosos, a velocidade da partícula é irrotacional, ∇ × u = 0 . Isto significa que ela pode ser expressa como o gradiente de uma função escalar φ , denominada potencial de velocidade, r u = ∇φ . (2.15) O significado físico deste importante resultado é que a excitação acústica de um fluido invíscido não envolve fluxo rotacional: efeitos como tensões cisalhamento ou turbulência não estão presentes. Em fluidos reais, para os quais a viscosidade é finita, a velocidade de partícula não é irrotacional em todos os pontos do fluido. Na maioria dos processos acústicos, a presença de pequenos efeitos rotacionais limita-se à vizinhança ao redor dos contornos e exerce pouca influência sobre a propagação do som. Substituindo-se a equação (2.15) na equação (2.9), obtém-se ∂φ ∇ ρ0 + p = 0 . ∂t (2.16) 10 Verifica-se que a expressão entre parênteses na equação (2.16) pode ser escolhida nula, caso não haja excitação acústica, Kinsler et al., (1982). Dessa forma, tem-se que p = −ρ 0 ∂φ . ∂t (2.17) Substituindo-se a equação (2.17) na equação (2.10), obtém-se a equação de onda linearizada, expressa em termos do potencial de velocidade de onda acústica: ∇ 2φ = 1 ∂ 2φ . c 2 ∂t 2 (2.18) 2.2 – Equação de Helmholtz Para se obter a solução da equação (2.18), supõe-se que o potencial de velocidade v φ (t , r ) tem dependência harmônica no tempo e pode ser escrito da seguinte forma r r φ (t , r ) = φ f (r ) eiωt . (2.19) Na equação (2.19), φ f representa a parte espacial do potencial de velocidade e ω representa a freqüência angular da perturbação. Substituindo-se a equação (2.19) na equação (2.18) obtém-se a Equação de Helmholtz linear, tridimensional, homogênea, em coordenadas cilíndricas, independente do tempo para um meio sem perdas, expressa em termos do potencial de velocidade da onda acústica () () ∇ 2φ f r + κ 2φ f r = 0 , (2.20) onde κ= 2πf 2π = , c λ (2.21) é o número de onda e 11 c = fλ . (2.22) Para meios homogêneos, o valor de c (velocidade de fase) é constante. 2.3 – Solução Analítica da Equação de Helmholtz Neste trabalho, considera-se um cilindro de raio r = a cuja superfície está vibrando uniformemente na direção radial com uma amplitude de Vo metros por segundo, numa freqüência de f Hertz, representado na Figura 2.1. Figura 2.1 – Cilindro infinito de raio r = a Considera-se ainda que o problema obedece a condição de contorno de Neumann ∂φ v = V0 = u (r ), em r = a . ∂r (2.23) Na Equação de Helmholtz (2.20), utiliza-se o operador Laplaciano ∇2 em coordenadas r cilíndricas (r, ψ, z), devido à simetria do problema e dessa forma, φ f (r ) é o potencial de velocidade no ponto (r ,ψ , z ) . 12 Fig. 4 – As coordenadas cilíndricas (r, ψ, z) Figura 2.2 – As coordenadas cilíndricas (r, ψ, z) A solução da equação (2.20) é obtida utilizando-se o método de separação de variáveis, isto é, supondo-se que a solução pode ser escrita da seguinte forma: v φ f (r ) = φ f (r ,ψ , z ) = R(r )Ψ (ψ )Z ( z ) . (2.24) Substituindo a equação (2.24) na equação (2.20) obtém-se 1 d2 1 d 1 d2 1 d2 2 R ( r ) + R ( r ) + Ψ ( ψ ) + k = − Z (z ) . R (r ) dr 2 rR (r ) dr r 2 Ψ (ψ ) dψ 2 Z ( z ) dz 2 (2.25) Como o lado esquerdo da equação (2.25) é função de r e ψ, e o lado direito é função de z, esta igualdade só se verifica se ambos os lados forem iguais a uma constante, isto é, − 1 d2 Z ( z ) = k z2 , Z ( z ) dz 2 (2.26) onde k z2 é chamada de constante de separação. A equação (2.26) pode ser reescrita como d2 Z ( z ) + k z2 Z (z ) = 0 , dz 2 (2.27) 13 que é uma equação diferencial ordinária de segunda ordem, homogênea, que tem como solução exata Z ( z ) = AZ e −ik z z + BZ e ik z z , (2.28) onde AZ e BZ são constantes em geral complexas, cujos valores são determinados a partir das condições de contorno. Se k z é positivo o primeiro termo na equação acima representa uma onda plana viajando no sentido positivo de z, enquanto o segundo termo representa uma onda plana viajando no sentido negativo de z. Retornando à equação (2.25), observamos que o lado esquerdo desta deve também ser igual a k z2 . Assim, 1 d2 1 d 1 d2 ( ) ( ) R r + R r + Ψ (ψ ) + k 2 = k z2 . R(r ) dr 2 rR(r ) dr r 2 Ψ (ψ ) dψ 2 (2.29) Multiplicando-se por r 2 ambos os lados da equação acima, obtém-se r2 d 2 r d 1 d2 ( ) ( ) R r + R r + Ψ (ψ ) + k 2 r 2 = r 2 k z2 , R(r ) dr 2 R (r ) dr Ψ (ψ ) dψ 2 (2.30) r2 d 2 r d 1 d2 2 2 2 R ( r ) + R ( r ) + k − k r = − Ψ (ψ ) . z Ψ (ψ ) dψ 2 R(r ) dr 2 R (r ) dr (2.31) ou ( ) Fazendo-se (k 2 − k z2 ) = k r2 encontra-se r2 d 2 r d 1 d2 2 2 R ( r ) + R ( r ) + k r = − Ψ (ψ ) . r R (r ) dr 2 R(r ) dr Ψ (ψ ) dψ 2 (2.32) 14 Como o lado esquerdo da equação acima é função somente de r e o lado direito é função de ψ, esta igualdade só se verifica se ambos os lados forem iguais a uma constante, isto é, se − d2 Ψ (ψ ) = n 2 . Ψ (ψ ) dψ 2 1 (2.33) Na equação acima n2 é chamada de constante de separação. Multiplicando-se ambos os lados da equação (2.33) por Ψ (ψ ) obtém-se d2 Ψ (ψ ) + n 2 Ψ (ψ ) = 0 , dψ 2 (2.34) que é uma equação diferencial ordinária de segunda ordem, homogênea, que tem como solução exata Ψ (ψ ) = Aψ e − inψ + Bψ e inψ , (2.35) ou, utilizando-se a fórmula de Euler, Ψ (ψ ) = Aψ cos (nψ ) + Bψ sen (nψ ) . Na equação (2.36) (2.36) Aψ e Bψ são constantes em geral complexas, cujos valores são determinados impondo-se as condições de contorno. Finalmente, o lado esquerdo da equação (2.32), deve ser igual a n2. Com isso, r2 d 2 r d R (r ) + R (r ) + kr2 r 2 = n 2 . 2 R (r ) dr R (r ) dr (2.37) Multiplicando ambos os lados da equação acima por R(2r ) obtém-se r 15 2 n2 d2 1 d ( ) ( ) R r + R r + kr − 2 R(r ) = 0 , dr 2 r dr r ( (2.38) ) onde k r2 = k 2 − k z2 . O próximo passo é transformar a equação (2.38) em uma equação diferencial de Bessel, que tem solução exata conhecida. Seja R(r) uma função g (k r r ) tal que R(r ) = g (k r r ) . (2.39) Desta forma, dg (k r r ) d . R(r ) = dr dr (2.40) Fazendo-se k r r = u tem-se que d = d du . Assim, dr du dr d dg (u ) du , R (r ) = dr du dr (2.41) dg (k r r ) d dg (k r r ) . d (k r r ) = k r R (r ) = ( ) dr d k r r dr d (k r r ) (2.42) dg (k r r ) d , R(r ) = k r dr d (k r r ) (2.43) ou Isto é, e também 16 2 d2 d d d dg (u ) d dg d dg 2 d g (k r r ) R ( r ) = R ( r ) = k = k = k k = k , r r r r r 2 dr dr dr du du dr du du dr 2 d 2 (k r r ) (2.44) 2 d2 2 d g (k r r ) . R r k ( ) = r 2 dr 2 d (k r r ) (2.45) ou Substituindo-se na equação (2.38) as equações (2.43), (2.44) e (2.45) na equação (2.38) obtém-se k r2 d 2g k r dg 2 n 2 + + k r − 2 g = 0 . r du 2 r du (2.46) Dividindo-se a equação acima por k r2 obtém-se d 2g 1 dg n2 g = 0 . + + 1 − du 2 k r r du k r2 r 2 (2.47) Como u = k r r verifica-se que a equação (2.47) é uma equação diferencial de Bessel d 2g 1 dg n2 + + 1− du 2 u du u 2 g = 0 . (2.48) A solução exata da equação (2.48), para valores arbitrários de n é dada por: g (u ) = Ar J n (u ) + Br Yn (u ) , (2.49) g (u ) = Ar H n(1) (u ) + B r H n( 2 ) (u ) , (2.50) ou 17 onde J n (u ) e Yn (u ) são as funções de Bessel da 1ª e 2ª espécies e de n-ésima ordem, e H n(1) (u ) e H n( 2 ) (u ) são as funções de Hankel da 1ª e 2ª espécies e de n-ésima ordem, respectivamente, também conhecidas como funções de Bessel da 3ª espécie, e são dadas por H n(1) (u ) = J n (u ) + iYn (u ) , (2.51) H n( 2) (u ) = J n (u ) − iYn (u ) . (2.52) Utilizando-se as equações (2.46) e (2.50), pode-se finalmente escrever a solução exata da equação (2.38) para valores arbitrários de n, R (r ) = Ar J n (k r r ) + B r Yn (k r r ) , (2.53) ou R (r ) = Ar H (1) n (kr r ) + Br H ( 2n) (kr r ) . (2.54) As constantes Ar e Br , em geral complexas, são determinadas pelas condições de contorno. Substituindo-se as equações (2.28), (2.36) e (2.54) na equação (2.24) obtém-se φ f (r ,ψ , z ) = [Ar H n(1) (k r r ) + B r H n( 2 ) (k r r )][Aψ cos(nψ ) + Bψ sen(nψ )] [AZ e −ik z + B Z e ik z ]. (2.55) z z r Na equação (2.55), k r e k z são as componentes do vetor de propagação k e satisfazem a relação kr2 + k z2 = k 2 . Substituindo-se a equação (2.55) na equação (2.19) obtém-se a solução harmônica no tempo da equação de onda (2.18). Se o fluido envolve todo o eixo z, isto é, se o fluido envolve todo o cilindro, então Ψ (ψ ) deve ser uma função periódica com período igual a 2π, e tem-se 18 φ f (r ,ψ , z ) = φ f (r ,ψ + 2π , z ) , (2.56) e os valores de n devem ser inteiros, isto é, n = 0 , ± 1, ± 2, .... Se n = 0, utilizando-se a equação (2.36) tem-se Ψ (ψ ) = Aψ , n = 0. (2.57) Como resultado, o potencial de velocidade φ f (r ,ψ , z ) dado pela equação (2.55) não é função do ângulo azimutal ψ . Este caso é chamado de axissimétrico. Para pontos no campo distante, ou seja, pontos que satisfazem a relação k r r >> n2 2 , (2.58) podemos escrever as seguintes aproximações para as funções de Hankel H n(1) (k r r ) ≈ 2 nπ π exp + i k r r − − , 2 4 π kr r (2.59) e H n( 2 ) (kr r ) ≈ 2 nπ π exp − i kr r − − , 2 4 π kr r (2.60) para valores arbitrários de n. Neste trabalho foi feita a suposição de que o potencial de velocidade é expresso na forma descrita pela equação (2.19) e dessa forma, as equações (2.59) e (2.60) representam ondas que se propagam no sentido de decrescimento e crescimento da coordenada cilíndrica r, respectivamente. 19 Como estamos buscando a solução para uma superfície cilíndrica que está irradiando no espaço livre, não existem ondas refletidas e portanto devemos escolher Ar = 0 na equação (2.55). Dessa maneira, para um cilindro pulsante, o potencial de velocidade é dado por φ f ,n (r,ψ , z ) = H n(2) (kr r ) [An cos(nψ ) + Bn sen(nψ )] [AZ e −ik z + BZ eik z ]. z (2.61) z O subscrito n foi adicionado a φ f (r ,ψ , z ) para enfatizar que o potencial de velocidade é função do número inteiro n. Como a soma das possíveis soluções também é uma solução, temos ∞ φ f (r ,ψ , z ) = ∑ φ f , n (r ,ψ , z ) , (2.62) n=0 isto é, ∞ [ ] φ f (r ,ψ , z ) = ∑ H ( 2n) (k r r )[An cos(nψ ) + Bn sen(nψ )] AZ e −ik z + BZ e ik z , z z (2.63) n =0 onde k r2 + k z2 = k 2 . A equação (2.63) representa a parte espacial do potencial de velocidade do campo acústico irradiado e os valores das constantes An , Bn , Az e Bz são determinados pela aplicação das condições de contorno, equação 2.23, na superfície do cilindro vibrante. Fazendo-se a suposição de que a parte espacial do vetor velocidade da superfície do cilindro pulsante tem apenas componente radial e que sua dependência no tempo é harmônica, pode-se escrever v r (t , a ,ψ , z ) = v f ,r (a,ψ , z ) exp (+ i 2π f t ) , (2.64) 20 onde v f ,r (a,ψ , z ) é uma função conhecida de ψ e z . Isto é equivalente a conhecer a componente radial da velocidade do fluido, u r , na superfície do cilindro, ou seja, em r = a. Assim, ur (t , a,ψ , z ) = vr (t , a,ψ , z ) = ∂ φ (t , r ,ψ , z ) . ∂r r =a (2.65) No presente trabalho, assume-se que o raio do cilindro é unitário e que a velocidade do cilindro vibrante pode ser escrita da seguinte forma vr (t , a,ψ , z ) = V0 exp(+ i 2π f t ) , (2.66) onde V0 = 1 . Dessa forma, a condição de contorno descrita na equação (2.23) pode ser reescrita: ∂φ = V0 = 1 , ∂r (2.67) em r = a = 1. É importante lembrar que a velocidade acústica do fluido pode ser expressa da seguinte forma r r r u (t , r ) = ∇φ (t , r ) , (2.68) e tem-se ainda que r r r r u r (t , r ) = rˆ . u (t , r ) = rˆ . ∇φ (t , r ) . (2.69) Portanto em r = a = 1, tem-se 21 u r (t ,1,ψ , z ) = vr (t ,1,ψ , z ) = ∂ φ (t , r ,ψ , z ) . ∂r r =1 (2.70) A equação (2.66) descreve o caso especial de radiação uniforme, isto é, a superfície do cilindro está vibrando uniformemente na direção radial com uma amplitude de V0 metros por segundo, numa freqüência de f Hertz. Este caso é também conhecido como modo monopolo de vibração. Substituindo-se as equações (2.19), (2.55) e (2.64) na equação (2.70), obtém-se φ (r ,ψ , z ) = − V0 H 0( 2) (kr ) , k H 1( 2 ) (ka ) r ≥ a, (2.71) que é a parte espacial da solução da equação de Helmholtz (2.20). É importante ressaltar que essa solução também pode ser aplicada com boa aproximação para o campo acústico gerado por um cilindro de comprimento finito, sempre que os efeitos da radiação de suas extremidades possam ser desprezados. Este é, por exemplo, o caso da radiação de um transdutor eletroacústico de forma cilíndrica e comprimento finito, Ziomek, (1994). 2.4 – Sumário Neste capítulo foi obtida a equação que governa o fenômeno da radiação acústica, utilizando-se as equações de estado, de conservação da massa, e da conservação da quantidade de movimento. Foram feitas algumas suposições necessárias para se estudar a propagação de ondas sonoras em fluidos na sua forma mais simples. A partir da equação de onda (2.18) foi obtida a equação de Helmholtz (2.20), independente do tempo para um meio sem perdas. Para a solução desta equação, utilizou-se o método de separação de variáveis. A seguir é apresentada uma breve descrição das principais técnicas numéricas que podem ser utilizadas a fim de determinar a solução numérica para essa equação de Helmholtz. 22 Capítulo 3 Técnicas Numéricas _________________________ Este capítulo descreve algumas técnicas numéricas utilizadas para solucionar problemas físicos. 3.1– Técnicas Numéricas Diferenciais As técnicas numéricas diferenciais, também conhecidas como métodos de domínio, são eficazes na solução de problemas de contorno em domínios fechados, preenchidos por materiais heterogêneos, não-lineares ou anisotrópicos. Os Métodos de Diferenças Finitas e Elementos Finitos constituem os maiores representantes desta classe, Afonso,( 2003). Método de Diferenças Finitas O Método de Diferenças Finitas - MDF - é uma técnica de solução aproximada para solucionar equações diferenciais parciais. O Método de Diferenças Finitas é, talvez a mais antiga técnica de solução numérica aplicada na resolução de equações diferenciais parciais, e devido à sua simplicidade, ainda é muito utilizado atualmente. Baseia-se na substituição da operação de diferenciação por uma simples operação de subtração de pontos considerados. Dessa forma, é possível substituir uma equação contínua, com infinitos graus de liberdade,1 por uma equação discretizada, com número finito e regular de nós. Utilizando-se este processo, a equação diferencial parcial original é transformada em um conjunto de equações algébricas, e a solução simultânea desse sistema de equações fornece a solução aproximada da equação original do problema de contorno, Afonso, (2003). 1 Incógnitas. 23 O Método de Diferenças Finitas é de simples implementação computacional. Além disso, é capaz de tratar problemas não lineares e anisotrópicos. Entretanto, este método possui duas limitações muito sérias: i. a obrigatoriedade de uma malha regular, o que não permite uma boa modelagem dos campos cujos gradientes são intensos ou a modelagem correta de problemas que possuem superfícies curvas; ii. dificuldade em representar os campos na interface entre meios diferentes. Devido a esses inconvenientes, o método das diferenças finitas não foi escolhido para solucionar os problemas abordados neste trabalho. Método de Elementos Finitos O Método de Elementos Finitos –MEF– é uma técnica numérica de solução aproximada para equações diferenciais. Este método começou a ser utilizado para solucionar problemas da mecânica de estruturas e expandiu-se rapidamente para outras áreas. O princípio do Método de Elementos Finitos consiste em dividir o domínio do problema em pequenos subdomínios, com forma e comprimentos arbitrários, designados por elementos. Esse procedimento permite que o MEF modele, precisamente, objetos cuja forma geométrica seja complexa. Além disso, a densidade de elementos pode ser ajustada de acordo com a necessidade de cada problema. No interior de cada elemento, a incógnita é aproximada por uma função de interpolação e, utilizando-se o método dos resíduos ponderados ou método variacional, a equação diferencial parcial é transformada em um sistema algébrico de equações, no qual a matriz dos coeficientes é esparsa e, em alguns casos também é simétrica. A grande vantagem do MEF reside na sua flexibilidade. Em particular, destacam-se sua capacidade em modelar problemas com geometrias complexas e cujo domínio esteja preenchido por diferentes materiais, Afonso, (2003). 24 3.2 – Técnicas Numéricas Integrais Método de Elementos de Contorno A redução das dimensões do problema analisado constitui uma das razões pela qual o Método de Elementos de Contorno é tão atrativo: em problemas bidimensionais, apenas o contorno unidimensional do domínio necessita ser discretizado em elementos; em problemas tridimensionais, apenas as superfícies do contorno necessitam ser discretizadas. As soluções nos pontos internos são calculadas após as incógnitas de contorno terem sido calculadas, de maneira semelhante a um pós-processamento. A densidade, distribuição e localização dos pontos internos não interferem na malha de contorno, tampouco nos valores das incógnitas de contorno. Como outra característica do Método de Elementos de Contorno tem-se que as condições de contorno para domínios infinitos e semi-infinitos são satisfeitas automaticamente, o que elimina a necessidade de discretização numérica em contornos remotos. As origens do método em discussão estão diretamente ligadas às equações integrais que durante os quinze primeiros anos da sua aplicação moderna, a partir de cerca de 1960 até 1975, utilizou-se a nomenclatura "Equação Integral" quase exclusivamente, não importando qual forma utilizada, direta ou indireta. No caso do método indireto, as grandezas matemáticas utilizadas para a formulação do problema não são as variáveis físicas do problema original. Por sua vez, no método direto, as variáveis originais presentes no contorno do problema físico são utilizadas na formulação das EIC, Ciskowski, (1991). Considerando ainda o período de 1960 a 1975, o Método de Equações Integrais de Contorno foi intensamente aplicado em duas grandes aplicações da mecânica, quais sejam, a teoria do potencial utilizada principalmente em pesquisas de fluidos perfeitos e pesquisas em acústica, especialmente em acústica submarina. É importante constatar que essas duas áreas apresentam dificuldades comuns, pois ambas desenvolvem análises em domínios infinitos, o 25 que para os padrões da época era incompatível com as técnicas numéricas de elementos finitos e diferenças finitas. Em várias áreas de pesquisa nos ramos das engenharias, existe a demanda de conhecimentos sobre o comportamento de propagação de ondas em diferentes meios. Fenômenos importantes de propagação de ondas ocorrem em domínio limitados e também em domínios ilimitados. As análises de problemas realistas, que incluem domínios com geometrias complexas e condições de contorno arbitrárias, não podem ser realizadas com uso do ferramental analítico que fornece repostas matematicamente exatas. Estes problemas mais complexos e realistas exigem a aplicação de ferramentas numéricas de aproximação de sua solução. As ferramentas numéricas ganharam grande impulso na segunda metade do século passado com o advento do computador digital. Segundo Ciskowski, (1991) os problemas que envolvem domínios ilimitados foram intensamente investigados no período de 1960 a 1975, tendo em vista duas grandes aplicações, quais sejam, a teoria potencial aplicada a fluidos perfeitos e os problemas acústicos lineares. O Método dos Elementos de Contorno teve sua origem em pesquisas de problemas de acústica, nos trabalhos de Chen e Schweikert, (1963), Chertok, (1964), Shaw e Fiedman, (1962), Banaugh e Goldsmith, (1963), e Shenck, (1968). Estes trabalhos tratavam de problemas de radiação e espalhamento de ondas acústicas fazendo uso de Equações Integrais de Contorno (EIC). Embora o Método de Equações Integrais de Contorno tenha sido parte integrante no desenvolvimento do Método dos Elementos de Contorno (MEC), como pode ser visto nos artigos já citados, no período de 1960 até 1975 usava-se quase que exclusivamente a nomenclatura Equação Integral (EI), sem distinguir a forma direta da indireta. Na verdade, a primeira conferência de inovação desses métodos, organizado, no Rensselaer Polytecnhic Institute em junho de 1975 por Tom Cruse e Frank Rizzo, (1975), sob o patrocínio da ASME, foi denominada “Boundary Integral Equation Method: Computational in Applied Mechanics”. Dois anos mais tarde foi publicado o texto de M.A. Jawson e G.T. Symm, (1977) denominado “Integral Equation Methods in Potential Theory and Elastostatics”. Nenhum desses trabalhos usava a frase “Métodos de Elementos de Contorno”. Nesse mesmo ano, outra conferência tratando de métodos de inovações numéricas, foi realizada em Paris. Nesta 26 conferência uma pequena parte dos trabalhos, tratavam dos Métodos de Equações Integrais de Contorno e a maior parte desses trabalhos, tratavam de análises numéricas baseadas no Método dos Elementos Finitos e no Método das Diferenças Finitas, Ciskowski, (1991). Passado um ano, o nome Método de Elementos de Contorno foi usado na segunda conferência dedicada a estes métodos, organizado por C.A. Brebbia, (1978) em Southamptom, U.K. O primeiro “texto introdutório”, como oposição à pesquisa monográfica, foi também publicado por C.A. Brebbia em 1978. Desde aquele tempo o método tornou-se conhecido quase que exclusivamente como Método de Elementos de Contorno (MEC). A síntese das Equações Integrais de Contorno para problemas de elastodinâmica teve o mérito de aproximar a comunidade que atuava em mecânica dos sólidos, daquela que trabalhava com mecânica dos fluidos e problemas potenciais. A partir desse ponto houve um rápido aumento nas aplicações em estruturas mecânicas e sólidos, baseados nestas formulações de contorno, mas agora com o título “Métodos de Elementos de Contorno”. As equações integrais de contorno (EICs), por sua vez foram utilizadas para solucionar uma série de problemas de radiação e espalhamento de ondas acústicas. Alguns dos trabalhos mais significativos estão citados a seguir. Chen e Schweikert, (1963) estudaram o problema de radiação harmônica no tempo, seguido por Chertock, (1964) ainda tratando de problemas de radiação do som. O problema de radiação e espalhamento de ondas acústicas com pequeno comprimento de onda foi tratado por Yoon, (1990), estudado e implementado por Papini, (1999). Também no trabalho de Debain, et al., (2004), é apresentada uma formulação para o espalhamento de ondas. 3.3 – Sumário Neste capítulo, foi visto que o Método de Elementos de Contorno destaca-se entre as diferentes técnicas numéricas para solução numérica de problemas de campo aberto na área de Acústica. Foram apresentadas de maneira sucinta as principais técnicas numéricas utilizadas para solução de diversos fenômenos físicos em geral. Uma breve história das Equações Integrais de Contorno aplicadas a problemas de Acústica também foi apresentada. A fim de solucionar a equação de onda (2.18), apresentada no capítulo 2, será desenvolvida, no próximo capítulo, a formulação bidimensional para o problema de radiação acústica. 27 Capítulo 4 A Equação Integral de Contorno _________________________ Este capítulo descreve a transformação da equação diferencial de Helmholtz, deduzida no capítulo 2, em uma equação integral de contorno. 4.1– Introdução Problemas de engenharia são freqüentemente descritos por leis físicas as quais são comumente expressas por equações diferenciais parciais. Em muitos casos, uma representação matemática alternativa e equivalente do problema é encontrada em termos de Equações Integrais de Contorno. Com o avanço nas técnicas de modelagem numérica e o incremento na capacidade de processamento dos computadores, métodos de modelagem baseados em equações integrais de contorno podem ser agora usados para a simulação de muitos problemas práticos de engenharia. 4.2– Equação Integral de Contorno A equação de Helmholtz (2.20), equação diferencial clássica que descreve o problema de radiação acústica de um cilindro infinito pulsante foi determinada no capítulo 2. Para que seja encontrada a solução numérica dessa equação, faz-se necessário encontrar a Equação Integral no Contorno para a mesma. Seja B um corpo bidimensional imerso em um domínio infinito Ω, como representado na figura 4.1 a seguir. 28 Figura 4.1 – Representação do domínio e dos contornos A equação de Helmholtz (2.20) é válida em todos os pontos do domínio Ω. Para transformá-la em uma equação integral, faz-se a suposição que ela seja satisfeita em um conjunto limitado de pontos do domínio. Em alguns desses conjuntos, a equação pode ser não nula, e para resolver essa questão, considera-se que a equação de Helmholtz não é mais nula em todo o domínio, gerando assim um resíduo r. Com isso ela pode ser escrita da seguinte forma: r r r ∇2φ (r ) + k 2φ (r ) = r, ∀r ∈ Ω . (4.1) O resíduo da equação (4.1) é avaliado em cada ponto do domínio. Para solução da mesma, utiliza-se o Método dos Resíduos Ponderados. Este método é baseado na inserção de uma de ponderação u * , que faz com que a soma dos resíduos em todo o domínio torne-se nula. Dessa maneira ∫r u * dΩ = 0 . (4.2) Ω Substituindo-se a equação (4.1) na equação (4.2) obtém-se: ∫ (∇ φ + k φ ) u 2 2 * dΩ = 0 . (4.3) Ω Para obter-se a solução da equação acima, tem-se que fazer uso de algumas identidades vetoriais, mostradas no anexo C. 29 Fazendo-se algumas manipulações algébricas e usando algumas propriedades do gradiente verifica-se que ( ) u* ∇2φ = ∇ ⋅ u* ∇ φ − ∇u* ⋅ ∇φ . (4.4) Retornando a equação (4.3) e aplicando a propriedade distributiva, obtém-se ∫ (u ∇ φ + uk φ ) dΩ = 0 . * 2 2 (4.5) Ω Separando a equação (4.5) como uma soma de integrais, tem-se ∫ u ∇ φ dΩ + ∫ uk * 2 Ω 2 φ dΩ = 0 . (4.6) Ω Aplicando novamente as identidades vetoriais na equação (4.6) chega-se à seguinte equação ∫ [∇ ⋅ (u * ] ) ∇ φ − ∇u* ⋅ ∇φ dΩ + ∫ u*k 2φ dΩ = 0 . Ω (4.7) Ω Aplicando algumas manipulações algébricas, temos ∫ ∇ ⋅ (u * ) ( ) ∇ φ dΩ + ∫ u*k 2φ − ∇u* ⋅ ∇φ dΩ = 0 . Ω (4.8) Ω Aplicando o teorema da divergência na equação (4.8) obtém-se: ∫u * Γ ∂φ dΓ + ∫ u * k 2φ − ∇u * ⋅ ∇φ dΩ = 0 . ∂n Ω ( ) (4.9) Fazendo uso da identidade vetorial C.5 na equação (4.9), tem-se ∫u Γ * ∂φ dΓ + ∫ u * k 2φ + φ ∇ 2 u * − ∇ ⋅ φ ∇u * dΩ = 0 . ∂n Ω [ ( )] (4.10) 30 Separando a segunda integral em duas partes obtém-se ∫u * Γ ∂φ dΓ + ∫ u * k 2 φ + φ ∇ 2 u * dΩ − ∫ ∇ ⋅ φ ∇ u * dΩ = 0 . ∂n Ω Ω ( ) ( ) (4.11) Aplicando-se o teorema da divergência na equação (4.11) encontra-se * ∫u Γ ∂φ ∂u * dΓ − ∫ φ dΓ + ∫ φ ∇ 2 u * + k 2 u * dΩ = 0 . ∂n ∂n Γ Ω ( ) (4.12) Utilizando-se a propriedade da função delta de Dirac (anexo D) na equação (4.12) obtém-se: * ∫u Γ r ∂φ ∂u * dΓ − ∫ φ dΓ − φ (r ) = 0 . ∂n ∂n Γ (4.13) r A equação acima foi obtida para pontos de colocação r pertencentes ao domínio. r v Considerando Y = r ' e X = r , a partir da equação (4.13) obtém-se * ∫ u ( X,Y ) Γ ∂φ ( X ) ∂u * ( X,Y ) dΓ ( X ) − ∫ φ ( X ) dΓ( X ) = φ (Y ) . ∂n( X ) ∂n( X ) Γ (4.14) A equação acima mostra que é possível solucionar a equação integral (4.13) em v qualquer ponto Y = r ' interior ao domínio, utilizando apenas integrais ao longo do contorno. Para isso, basta conhecer as funções φ e ∂φ ∂u * no contorno, pois u* e são funções ∂n ∂n analíticas conhecidas (funções de Green). Neste trabalho, tem-se que ∂φ = 1 e com isso, ∂n precisa-se determinar somente φ . A solução fundamental u* que representa a função de Green, para a Equação de Helmholtz é apresentada para o corpo bidimensional, Ciskowski et al., (1991), como 31 u* = i 1 r H 0 kR , 4 ( ) (4.15) e sua derivada por r ∂u * ik 1 r ∂R , q = = − H 1 kR ∂n 4 ∂n * ( ) (4.16) v onde R é a distância entre o ponto X e o ponto de aplicação Y no domínio Ω. Para resolver o problema, é necessário discretizar o contorno, dividindo em elementos que podem ser lineares, quadráticos, cúbicos, etc. 4.3 – Equação Integral no Contorno A equação (4.14) é válida para qualquer ponto Y pertencente ao domínio Ω. No Método dos Elementos de Contorno, esta equação é aplicada no contorno. Com isso, faz-se necessária a análise do que acontece com a equação, quando o ponto Y torna-se um ponto pertencente ao r contorno. Quando o ponto de aplicação Y coincidir com o ponto de colocação X, o valor de R será zero, causando um problema de singularidade nas equações (4.15) e (4.16). Para resolver esta singularidade, pode-se envolver o ponto Y por um pequeno círculo de raio ε, como mostrado na figura 4.2, e examinar a solução no limite quando o raio ε → 0. Figura 4.2 – Representação do domínio sobre um contorno 2D 32 O ponto Y é escolhido como o centro deste círculo, sendo que no limite, o raio ε → 0. Dessa maneira, o ponto Y torna-se um ponto de contorno Γ , o que resulta numa expressão que é uma particularização da equação (4.14). Como este processo limite depende apenas da ordem da singularidade do potencial de velocidade φ , que é a mesma para os operadores de Helmholtz e Laplace, segundo Papini, (1999), é realizado um estudo das integrais de contorno da equação (4.14) utilizando a solução fundamental para a equação de Laplace no domínio Ω. A Equação de Laplace é dada por ∇ 2φ = 0 . (4.17) A solução fundamental para o caso isotrópico bidimensional, segundo Brebbia et al, (1980), é u* = 1 1 ln r . 2π R (4.18) Suponha que o contorno é do tipo Γ2 e considere cada integral de contorno na equação (4.14) decomposta em duas partes, sendo a primeira uma integral ao longo de Γ2−ε e a segunda uma integral ao longo de Γε , isto é, ∫u * Γ ∂φ ∂φ ∂φ dΓ = ∫ u * dΓ + ∫ u * dΓ , ∂n ∂n ∂n Γ2 − ε Γε (4.19) ∂u * ∂u * ∂u * dΓ = ∫ φ dΓ + ∫ φ dΓ . ∂n ∂n ∂n Γ2 − ε Γε (4.20) e ∫ φ Γ Considerando a segunda parcela do segundo termo das equações (4.19) e (4.20) e substituindo * u * e ∂u pelo valor de suas soluções fundamentais, obtém-se ∂n ∫u Γε * ∂φ 1 1 ∂φ dΓ = ∫ ln dΓ , ∂n 2 ε ∂n Γε π (4.21) 33 e − ∫ Γε φ 1 ∂u * dΓ = − ∫ φ dΓ . 2πε ∂n Γε (4.22) Aplicando o limite nas equações (4.21) 3 (4.22) tem-se ∂φ ∂φ lim ∫ u * dΓ = lim ∫ ε →0 ∂n Γε ε → 0 Γε ∂n ∂φ πε 2 1 1 1 ln d Γ = lim ln = 0 , ε →0 2π ε ∂n 2π ε (4.23) e ∂u * 1 1 πε lim − ∫ φ dΓ = lim − ∫ φ dΓ = lim − φ = − φ (Y ) . ε →0 ε → 0 ε → 0 2πε 2 Γε ∂n Γε 2πε Note que como (4.24) ε vai pra zero no limite, o contorno Γ ε novamente pode ser 2− representado como Γ2 e quando se integra sobre a singularidade obtém-se − 1 φ (Y ) . Com 2 isso, quando o ponto Y está sobre o contorno, aplicam-se as equações (4.21) e (4.22) na equação (4.35), obtendo a seguinte expressão * ∫u Γ ∂φ ∂u * 1 dΓ − ∫ φ dΓ = φ (Y ) . ∂n ∂n 2 Γ (4.25) Esta equação é conhecida como Equação Integral no Contorno. Uma maneira mais geral de representá-la, na qual Y pode estar localizado no domínio, no contorno ou fora do domínio, pode ser formulada utilizando-se um termo livre c(Y ) relacionado à posição de Y, * ∫u Γ ∂φ ∂u * dΓ − ∫ φ dΓ = c(Y )φ (Y ) . ∂n ∂n Γ (4.26) 34 4.4 – O Coeficiente c, termo livre do sinal de integração O coeficiente c que aparece na equação (4.26), tem seu valor determinado quando é conhecida a posição do ponto fixo Y em relação à (Ω ∩ Γ). Assim o valor determinado pela relação θe c = 1 − 2π , (4.27) depende somente do ângulo com origem no ponto Y, Menoni, (2004). Se o ponto Y não pertencer a Ω ∩ Γ, sempre vai existir ε > 0, que determina um círculo de raio ε e centro Y, tal que nenhum dos pontos deste círculo pertencem a Ω ∩ Γ, isto é, a região angular é o ângulo externo θ e = 2π e que substituído na relação (4.27) determina c = 0. Por outro lado, se o ponto Y pertencer ao interior de Ω, sempre vai existir ε > 0, de modo que o círculo de centro Y e raio ε esteja contido em Ω, determinando um ângulo interno θ i = 2π , consequentemente θ e = 0 , da relação (4.27) resulta c = 1. Consideremos agora, o ponto Y sobre o contorno Γ: a) se é possível traçar uma reta tangente ao contorno Γ, passando pelo ponto Y, então o ângulo externo ao domínio Ω é θ e = π , e portanto c = 1 . Nesse caso dizemos que o 2 ponto Y pertence à parte suave do contorno Γ. b) O ponto Y está sobre a parte não suave do contorno Γ, isto é, o ponto Y está sobre um canto no contorno. Nesse caso, o ângulo externo deve ser determinado. Pode-se resumir essas possibilidades descritas acima da seguinte maneira: 35 0, se o ponto não pertence ao domínio ; 1 , se o ponto Y, pertence à parte suave do contorno; 2 c= 1, se o ponto Y é um ponto interno ao domínio; θe , se o ponto Y pertence a parte não suave do contorno. 1 2π 4.5 – Tipos de Elementos de Contorno O Método dos Elementos de Contorno pode ser formulado utilizando-se elementos contínuos ou descontínuos para discretizar o contorno de um objeto. Os elementos descontínuos têm nós que estão localizados entre as extremidades dos elementos. Logo, os elementos não dividem nós com elementos adjacentes. Os elementos contínuos, por outro lado, têm nós em suas extremidades e dividem estes nós com elementos adjacentes como na Figura 4.3. Parte da razão pela preferência de usuários e pesquisadores quanto ao uso de elementos contínuos justifica-se quando os dois tipos de elementos são comparados em problemas que usam o mesmo tipo de malha. Tais comparações mostram, como na Figura 4.4, que o modelo que utiliza elementos descontínuos contém 24 nós, já o modelo com elementos contínuos tem apenas 12 nós. Como era de se esperar, o modelo com elementos descontínuos requer mais tempo computacional no procedimento para a formação das matrizes. A partir da Figura 4.5 uma resposta hipotética (como temperatura) é comparada com o tipo de resposta que pode ser modelada ao utilizar-se os dois tipos de elemento. Esta figura justifica o uso do nome descontínuo. Existem saltos entre as respostas dadas pelos nós das extremidades desses elementos. Os elementos descontínuos são indicados para tratar hipersingularidades, segundo Papini, (1999). Desta forma, utilizando-se elementos contínuos o contorno do objeto pode ser discretizado por elementos isoparamétricos constantes, lineares ou de ordem superior, como os cúbicos e quadráticos, segundo a Figura 4.6. A definição de elementos isoparamétricos é dada para aqueles elementos cuja geometria é interpolada usando-se as mesmas funções que são usadas para interpolar as respostas destes elementos. 36 No caso particular de elementos constantes os valores de φ e ∂φ são considerados ∂n constantes ao longo de cada elemento e são iguais aos valores do ponto nodal, o qual tem posição convencionada no centro do elemento. Os pontos nas extremidades do elemento são usados apenas para definir a geometria do contorno de um objeto, que está inserido no domínio de interesse. Assim, para este tipo de elemento o contorno é sempre plano (ou liso), conseqüentemente o coeficiente de c(Y) é sempre 1 2 no contorno, segundo Ciskowski et al., (1991); Brebbia et al., (1998). Figura 4.3 – Malhas compostas de diferentes tipos de elementos, Papini (1999) 37 Figura 4.4 – Malhas com o mesmo número de elementos, Papini (1999) Figura 4.5 – Aproximação realizada por elementos contínuos e descontínuos, Papini (1999) 38 Figura 4.6 (a) – Elementos de contorno: elementos constantes, Ciskowski et al., (1991) Figura 4.6 (b)– Elementos de contorno: elementos lineares, Ciskowski et al., (1991) Figura 4.6 (c) – Elementos de contorno: elementos quadráticos, Ciskowski et al., (1991) 39 4.6– Discretização e Colocação A discretização do contorno Γ consiste na divisão do mesmo, em n partes. O segmento de reta que une os extremos consecutivos de cada uma destas partes, é denominado de elemento de contorno. Desse modo, se Γ é o contorno de um domínio Ω ⊂ ℜ 2 , e Γ é discretizado em n elementos, temos que: n Γ = UΓj , (4.28) j =1 em que cada Γ j , é um elemento de contorno Γ , conforme pode ser visto na figura 4.7. Figura 4.7 – Contorno discretizado A avaliação do contorno por meio da Equação Integral de Contorno, segundo a equação diferencial que governa o problema no meio, é determinada pela contribuição que cada elemento exerce sobre esse contorno. Assim, faz-se necessário a caracterização de cada um dos elementos no contorno discretizado. Seja Γ j um elemento de Γ , (x j , y j ) e (x j +1 , y j +1 ) as coordenadas de seus extremos e L se comprimento, definido por: 40 L= (x − x j ) + ( y j +1 − y j ) . 2 j +1 2 (4.29) v O vetor normal n , para o elemento Γ j , pode ser calculado considerando-se um vetor v v 2 , normalizado e unitário, construído utilizando-se as coordenadas das extremidades do v v elemento, e outro vetor v1 = (0,0,1) ortogonal a v 2 . Assim, o vetor normal ao elemento é v v calculado pelo produto vetorial entre v1 e v 2 . v v v n = v1 × v 2 = i (x j +1 − x j ) L 0 j k (y j +1 − y j ) 0, L 0 1 x j +1 − x j v y j +1 − y j n = i ,− j ,0k . L L (4.30) (4.31) Caracterizado cada um dos elementos Γ j , considere x j = ( x, y ) , um nó do elemento Γ j e y i = ( xi , y i ) um ponto de Ω ∪ Γ . É comum na literatura denominar xi como ponto de v colocação e y j como ponto de campo. A distância entre os pontos xi e y j , denotada por R é definida como sendo a distância Euclidiana dada por: v R = y j − xi = ( x − xi )i + ( y − y i ) j , (4.32) v R ( x, y ) = (4.33) e ( x − x i )2 + ( y − y i )2 . Para a discretização das variáveis físicas e geométricas do problema, assume-se uma distribuição constante das variáveis u * e ∂u * ao longo dos elementos em que o contorno foi ∂n discretizado. 41 Assim, da equação (4.25) pode-se escrever rr n n ∂φ r r r ∂u * (r ,r ') 1 j φ j (r ') + ∑ φ j (r ') ∫ dΓ(r ) = ∑ 2 ∂n j =1 j =1 ∂n Γj As integrais ∂u * ∫ ∂n dΓ e Γj ∫ u dΓ * rr r ∫ u (r ,r ') dΓ(r ) . * (4.34) Γj são chamadas de coeficientes de influência, pois relacionam a Γj influência da solução no ponto P, quando a solução fundamental é integrada sobre o elemento Q. Renomeando-se as integrais, tem-se Gij = ∫ u * dΓ , (4.35) Γj e ) ∂u * H ij = ∫ dΓ , ∂n Γj (4.36) onde i representa o ponto de colocação e j o elemento em consideração a ser integrado. Assim a equação (4.34) pode ser escrita da seguinte maneira n n ∂φ ) 1 v j φ j (r ') + ∑ φ j H ij = ∑ Gij . 2 ∂ n j =1 j =1 (4.37) Denominando Hij por ) H ij H ij = ) 1 H ij + 2 para i ≠ j para i = j (4.38) r pois φ (r ') é zero para os elementos que não contém a singularidade e um para os que contém. Assim, chega-se a seguinte equação 42 n ∑φ n j H ij = ∑ Gij q j , j =1 onde (4.39) j =1 ∂φ = 1 (condição de Neumann) conforme definido no capítulo 2. ∂n Uma vez conhecida a Equação Integral de Contorno para o operador de Helmholtz em sua forma discretizada, deve-se descrever sobre cada elemento a variação da geometria e das variáveis envolvidas no problema. Estas variações podem ser constantes, lineares, quadráticas, cúbicas ou de ordem superior. A forma mais conveniente de descrever o comportamento de um elemento Γ j é através da utilização das chamadas funções de forma, que utilizam um número de pontos (nós) sobre cada elemento onde o valor da variável é conhecido. Assim, uma função de forma quadrática exigirá a presença de três nós sobre cada elemento, ou seja, um no ponto médio e os outros nos extremos do elemento, Ciskowski (1991). A geometria do elemento Γ j , pode ser descrita pelas coordenadas dos nós e pela função de forma correspondente, isto é: m x(ξ ) = ∑ N s (ξ )x s , (4.40) s =1 e m y (ξ ) = ∑ N s (ξ ) y s , (4.41) s =1 em que ξ corresponde a um novo sistema de coordenadas que é local, para aquele elemento considerado, N s são as funções de forma satisfazendo as seguintes condições: s 1, no nó N s (ξ ) = , 0, nos demais nós (4.42) 43 e m corresponde ao número de nós sobre cada elemento e está relacionado com o tipo de função de forma a ser utilizada, Menoni, (2004). Considere um elemento Γ j , para o qual se deseja aproximar sua geometria, a partir de uma função de forma linear. Para isto define-se um novo sistema de coordenadas que é local a Γ j , utilizando a variável ξ com sua origem no ponto médio do elemento e assumindo valores no intervalo [-1, 1] (figura 4.8 e 4.9). Figura 4.8 – Elemento Linear Figura 4.9 – Sistema de coordenadas no elemento, Ciskowski et al., (1991). A geometria de Γ j pode ser aproximada pelas coordenadas dos dois nós e pela função de forma, como segue: 2 x(ξ ) = ∑ N i (ξ )xi = N 1 (ξ )x1 + N 2 (ξ )x 2 , i =1 44 e (4.43) 2 y (ξ ) = ∑ N i (ξ ) y i = N 1 (ξ ) y1 + N 2 (ξ ) y 2 , i =1 em que neste caso, N i (ξ ) assume a seguinte forma em cada nó: N1 (ξ ) = a1ξ + a 2 , e (4.44) N 2 (ξ ) = a3ξ + a 4 . Os coeficientes a1 , a 2 , a3 , a 4 , são constantes que podem ser determinadas utilizando as condições de contorno, como segue: N 1 (− 1) = 1, N 1 (1) = 0 , e (4.45) N 2 (− 1) = 0, N 2 (1) = 1 , e substituindo as equações (4.45) nas equações (4.44), tem-se: N1 (ξ ) = 1 (1 − ξ ) , 2 e (4.46) N 2 (ξ ) = 1 (ξ + 1) . 2 Este procedimento é aplicável, para qualquer que seja a ordem da função de forma utilizada. Estas funções de forma podem ser usadas para aproximar as variáveis do problema. r ∂φ Assim, se φ representa o potencial e q = o fluxo, elas podem ser descritas como: ∂n m φ (ξ ) = ∑ N s (ξ )φ s , s =1 e (4.47) 45 q (ξ ) = ∂u (ξ ) m ∂φ = ∑ N s (ξ ) . ∂n ∂n s s =1 Para o comprimento do elemento Γ j dado pela equação (4.29), pode-se considerar o seu infinitésimo dΓs , dado como: 2 dΓs = (dx ) 2 + (dy ) 2 2 dx dy = + dξ , dξ dξ (4.48) em que: m dN s dx , = ∑ xs dξ s =1 dξ e (4.49) m dN s dy . = ∑ ys dξ s =1 dξ Fazendo-se o jacobiano da transformação 2 2 dx dy J (ξ ) = + , dξ dξ (4.50) dΓs = J (ξ )dξ . (4.51) tem-se v 4.7 – Derivada da solução fundamental em relação a normal n Para calcular o termo ∂ u* , é necessário determinar o valor da derivada direcional de ∂n v R , pois: 46 ∂ u * ∂u * ∂ R . = ∂ n ∂R ∂ n (4.52) Pela definição de derivada direcional, tem-se: r ∂R =∇R⋅ n , ∂n (4.53) onde, r y − y1 x −x n = 2 i,− 2 1 j , 0k , L L (4.54) ∂R ∂R , ∇R = , ∂ x ∂ y (4.55) e v representam o vetor unitário normal ao elemento e o gradiente de R , respectivamente. Assim, tem-se que: ∂ R x-xc , = ∂x R (4.56) ∂ R y-yc . = ∂y R (4.57) e v Realizando o produto escalar entre o gradiente de R e o vetor unitário normal, tem-se: ( x − xc )( y 2 − y1 ) + ( y − yc )(x1 − x2 ) = . RL r Derivando a solução fundamental u * em relação a n ,tem-se: r ∂R =∇R⋅ n ∂n (4.58) 47 ∂u * ∂R ik = − H 11 (kR ) , ∂n 4 ∂n (4.59) ou ∂u * ik ( x − xc )( y 2 − y1 ) + ( y − yc )( x1 − x2 ) = − H 11 (kR ) . ∂n 4 RL (4.60) 4.8 – Cálculo dos Elementos não Singulares das Matrizes G e H Sendo X1 e X2 as coordenadas das extremidades do elemento, tem-se a partir das equações (4.15) e (4.35), que: X2 Gij = i ∫ 4 H (kR )dΓ . 1 0 (4.61) X1 Integrando essa equação pela regra da quadratura gaussiana (desenvolvida no Apêndice B), tem-se: nptg i 1 L i L H 0 (kR(ξ )) dξ = ∑ H 01 (kR(ξ m ))wm . −1 4 2 2 m =1 4 Gij = ∫ +1 (4.62) Expandindo a função de Hankel utilizando-se as funções de Bessel (mostradas no Apêndice A), pode-se rescrever a equação (4.62) como: nptg L 1 L i Gij = ∑ J 0 (kR(ξ m ))wm − Yo (kR(ξ m ))wm . 2 4 2 m =1 4 (4.63) Para calcular os elementos da matriz H, tem-se a partir das equações (4.16) e (4.36) que: 48 X2 H ij = ∫ − X1 ik 1 ∂R H 1 (kR ) r dΓ . 4 ∂n (4.64) Integrando essa equação pela regra da quadratura, tem-se: X2 H ij = ∫ − X1 nptg ik 1 ∂R L ik ∂R L H 1 (kR(ξ )) r dξ = ∑ − H 11 (kR(ξ )) r wm . 4 ∂n 2 4 ∂n 2 m =1 (4.65) Expandindo a função de Hankel a partir das funções de Bessel, tem-se: nptg H ij = ∑ − m =1 ik ∂R L k ∂R L J 1 (kR(ξ )) r wm + Y1 (kR(ξ )) r wm . 4 ∂n 2 4 ∂n 2 (4.66) 4.9 – Cálculo dos Elementos Singulares das Matrizes G e H Os elementos da diagonal das matrizes G e H referem-se aos elementos singulares, ou seja, é o caso onde i = j. Assim, a presença da singularidade nesses elementos, devido à r solução fundamental quando R → 0 , requer uma integração com fórmulas especiais para se obter uma maior acuidade. No caso dos elementos de contorno constantes as fórmulas são calculadas analiticamente. Para o calculo do elemento H ii , sabe-se que o vetor unitário normal à superfície de contorno e a coordenada desse elemento são perpendiculares, e que o raio de integração está sobre o próprio elemento. Desta forma, tem-se: r ∂R =∇R ⋅ n =0 . ∂n (4.67) ) Automaticamente, o integrando de H ii , de acordo com as equações (4.36) e (4.52), serão igual a zero, consequentemente H ii = 1 . Os elementos Gii da diagonal requerem 2 manuseio especial. Assim, expandindo a equação de Hankel presente na equação (4.61), temse: 49 Gij = ∫ X2 X1 X X i 1 1 2 i 2 H 0 (kR )dΓ = − ∫ Y0 (kR )dΓ + ∫ J 0 (kR )dΓ . 4 4 X1 4 X1 (4.68) A singularidade apresentada na equação (4.68) foi resolvida, neste trabalho, com o aumento do número de pontos de Gauss, para 10 pontos, na integração feita utilizando-se a quadratura gaussiana. Assim, retornando a equação (4.39), a solução fundamental é aplicada em cada nó, o que possibilita verificar a influência de todos os outros elementos no nó da singularidade e dele nele mesmo, obtendo-se um sistema de equações expresso na forma matricial, para cada ponto do contorno, como segue r r Hφ = Gq , (4.69) r r onde H e G são duas matrizes N x N, e φ e q são vetores de comprimento N. Inserindo-se todos os elementos das matrizes H e G correspondentes às condições de contorno desconhecidas do lado esquerdo e aqueles correspondentes às condições de contorno conhecidas do lado direito, e multiplicando as matrizes do lado direito, forma-se o seguinte sistema de equações: r r Ay = b , (4.70) r r r r onde y é o vetor dos valores de contorno desconhecidos de φ e q . O vetor b é encontrado r r multiplicando as colunas correspondentes de H ou de G pelos valores conhecidos de φ e q . É interessante notar que as variáveis podem ser uma mistura dos potenciais e suas derivadas. Após a resolução no contorno é possível calcular qualquer valor interno do potencial ou de sua derivada. 50 4.10 – Sumário Neste capítulo, foi desenvolvida a formulação direta do MEC para a Equação de Helmholtz (2.20). Após o desenvolvimento das integrais para obtenção dos elementos das matrizes G e H, seguiu-se a implementação computacional, utilizando-se o software Matlab. Foi verificada a existência de singularidades em algumas integrais e apresentado o método para solução das mesmas. O próximo capítulo apresenta os resultados obtidos e os compara com os resultados obtidos por Papini, (1999). 51 Capítulo 5 Resultados Numéricos e Comparações _________________________ Neste capítulo são apresentados os resultados analíticos e numéricos encontrados durante este trabalho sendo comparados com os resultados encontrados por Papini, (1999) e Yoon, (1990). 5.1 – Resultado Analítico e Comparações A solução analítica da equação diferencial de Helmholtz (eq 2.20) foi implementada no software MatLab e os resultados obtidos foram comparados com os obtidos por Papini, (1999), mostrados na Tabela 5.1 e exibidos na figura 5.1. Na análise dos dados, foram calculados o erro absoluto, e e o erro relativo, er calculados da seguinte forma e = val1 − val , (5.1) e er = e , val1 (5.2) 52 onde e é o erro absoluto, val1 é o valor do potencial de velocidade obtido por Papini, (1999), val é o valor do potencial de velocidade obtido neste trabalho e er é o erro relativo ao resultado obtido por Papini, (1999). Freqüência Analítico Analítico (Hz) Papini (Implementada) 2 (m /s) 2 (m /s) 62,5 0,770946776 125 Erro absoluto Erro relativo 0,770946769 -7,000000E-09 -9,079745E-09 0,419396006 0,419396013 7,000000E-09 1,669067E-08 250 0,215903228 0,215903243 1,500000E-08 6,947557E-08 500 0,108860012 0,108860013 1,000000E-09 9,186110E-09 Tabela 5.1 – Comparação de resultados Implementados Analítica Papini Analítica Implementada 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.1 – Comparação de resultados implementados Os resultados apresentados na Tabela 5.1 e mostrados na figura 5.1 são bastante satisfatórios quando comparados aos resultados analíticos. Para facilitar a visualização os pontos foram unidos por linhas contínuas. 53 5.2 – Resultado Numérico e Comparações Para a solução numérica do potencial de velocidade radiado (φ ) , cuja condição de contorno de Neumann ao longo de todo o seu contorno é ∂φ = 1 , foram utilizados 6 pontos de ∂n Gauss para a integração nos elementos que não singulares e 10 pontos de Gauss para os elementos singulares. Os resultados são comparados com os da literatura e apresentados por meio de figuras e tabelas. Na figura 5.2 a seguir está representado o cilindro (bidimensional) discretizado em 12 elementos. Os pontos, que representam o início e o fim dos elementos, estão indicados pelos asteriscos. A linha, localizada no centro do elemento, representa a reta normal a cada elemento. Figura 5.2 – Ilustração bidimensional da discretização do cilindro em 12 elementos As discretizações no contorno do cilindro foram consideradas para 8, 16, 32, 64, 128 e 256 elementos lineares (respectivamente 8, 16, 32, 64, 128, 256 nós), testando as freqüências centrais das bandas de uma oitava (de 62,5 Hz até 500 Hz) e analisando os valores 54 encontrados para o módulo do potencial de velocidade radiado. A seguir são apresentados os resultados encontrados e suas respectivas representações gráficas. 8 Elementos Freqüência Analítica Numérica (Hz) (m2/s) (m2/s) Erro absoluto Erro relativo 62,5 0,770946776 0,789957763 0,019010987 0,024659273 125 0,419396006 0,439270497 0,019874491 0,047388365 250 0,215903228 0,233108076 0,017204848 0,079687776 500 0,108860012 0,112451904 0,003591892 0,032995514 Tabela 5.2 – Resultados para discretização com 8 elementos Analítica Numérica 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.3 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 8 elementos Na implementação com 8 elementos verifica-se que a solução encontrada é satisfatória. Mesmo com um baixo número de elementos, observa-se o erro absoluto é de muito pequeno. 55 16 Elementos Freqüência Analítica Numérica (Hz) 2 (m2/s) (m /s) Erro absoluto Erro relativo 62,5 0,770946776 0,778077803 0,007131027 0,009249701 125 0,419396006 0,441867827 0,022471821 0,053581390 250 0,215903228 0,221561809 0,005658581 0,026208876 500 0,108860012 0,101519375 -0,007340637 -0,067431896 Tabela 5.3 – Resultados para discretização com 16 elementos Analítica Numérica 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.4 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 16 elementos Na implementação com 16 elementos, verifica-se uma melhor aproximação para as freqüências acima de 250 Hz. Mas no geral, a solução ainda pode ser melhorada. 56 32 Elementos Freqüência Analítica Numérica (Hz) 2 (m2/s) (m /s) Erro absoluto Erro relativo 62,5 0,770946776 0,774036535 0,003089759 0,004007746 125 0,419396006 0,437708957 0,018312951 0,043665058 250 0,215903228 0,218662812 0,002759584 0,012781578 500 0,108860012 0,104656653 -0,004203359 -0,038612516 Tabela 5.4 – Resultados para discretização com 32 elementos Analítica Numérica 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.5 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 32 elementos Com a implementação para 32 elementos, observa-se que a solução para freqüências abaixo de 125 Hz, e acima de 250 Hz aproximam-se mais rapidamente da solução procurada. 57 64 Elementos Freqüência Analítica Numérica (Hz) 2 (m2/s) (m /s) Erro absoluto Erro relativo 62,5 0,770946776 0,772387266 0,001440490 0,001868469 125 0,419396006 0,430581709 0,011185703 0,026670981 250 0,215903228 0,217315829 0,001412601 0,006542751 500 0,108860012 0,106478591 -0,002381421 -0,021875994 Tabela 5.5 – Resultados para discretização com 64 elementos Analítica Numérica 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.6 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 64 elementos Com 64 elementos, a solução implementada se aproxima, ainda mais da solução da literatura, mostrando que quanto maior o número de elementos, maior a precisão da solução encontrada. 58 128 Elementos Freqüência Analítica Numérica (Hz) 2 (m2/s) (m /s) Erro absoluto Erro relativo 62,5 0,770946776 0,771642618 0,000695842 0,000902581 125 0,419396006 0,425471932 0,006075926 0,014487324 250 0,215903228 0,216622257 0,000719029 0,003330330 500 0,108860012 0,107585143 -0,001274869 -0,011711086 Tabela 5.6 – Resultados para discretização com 128 elementos Analítica Numérica 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.7 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 128 elementos Com a implementação utilizando-se 128 elementos, tem-se uma boa aproximação da solução numérica. Faz-se ainda uma última implementação com 256 elementos, mostradas a seguir. 59 256 Elementos Freqüência Analítica Numérica (Hz) 2 (m2/s) (m /s) Erro absoluto Erro relativo 62,5 0,770946776 0,771288794 0,000342018 0,000443634 125 0,419396006 0,422547304 0,003151298 0,007513896 250 0,215903228 0,216266385 0,000363157 0,001682036 500 0,108860012 0,108199459 -0,000660553 -0,006067912 Tabela 5.7 – Resultados para discretização com 256 elementos Analítica Numérica 0,9 2 Módulo do Potencial de Velocidade (m /s) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 62,5 125 Freqüência (Hz) 250 500 Figura 5.8 – Representação gráfica dos resultados obtidos com a discretização com 256 elementos Verifica-se que para a implementação com 256 elementos, a aproximação da solução numérica está bem próxima da solução de referência. O erro está na terceira casa decimal, mostrando que essa é uma boa aproximação. Um melhor resultado deverá ser obtido se for feito o tratamento das singularidades apresentadas. 60 Pode-se concluir, pelas análises feitas anteriormente, que ao aumentar o número de elementos, o valor do módulo do potencial de velocidade aproxima-se do valor obtido por Papini, (1999) e Yoon, (1990). 5.3 – Sumário Neste capítulo foi solucionado o problema da radiação acústica de um cilindro infinito pulsante. Aplicou-se para a solução numérica, o Método dos Elementos de Contorno. Os resultados obtidos a partir deste método mostraram-se me bem próximos dos resultados previamente publicados na literatura. Os erros encontrados devem-se ao fato do não tratamento adequado das singularidades encontradas no cálculo da matriz G. O artifício utilizado para contornar o problema da singularidade, foi aumentar o número de pontos de Gauss, para 10 pontos na realização da integração Gaussiana, nos elementos da diagonal principal da matriz G. 61 Capítulo 6 Conclusão Geral e Proposta para Trabalhos Futuros ________________________ 6.1 − Conclusão Geral O presente trabalho dedicou-se a formulação analítica do problema de radiação acústica de um cilindro infinito pulsante, onde foi obtida a solução para o caso em que a superfície do cilindro está vibrando uniformemente na direção radial com uma amplitude de Vo metros por segundo, numa freqüência de f Hertz. Esta solução analítica foi implementada e comparada com os valores exatos, observando-se que os resultados foram bastante satisfatórios. Foi realizado o estudo da formulação numérica do mesmo problema, utilizando-se o Método dos Elementos de Contorno (MEC), a partir da forma direta. A discretização do cilindro foi escolhida como elementos de contorno constantes, para a solução da Equação de Helmholtz. Nessa formulação do MEC, foi obtida a equação integral de contorno para a equação que descreve o problema da radiação acústica de um cilindro infinito pulsante. O desenvolvimento matemático das integrais de contorno, a partir do MEC, às vezes, não é tão fácil. As dificuldades estão relacionadas com as soluções fundamentais requeridas nessa formulação que envolvem as Funções de Hankel e Bessel. Além disso, não se pode esquecer dos problemas de singularidades de algumas integrais e que a matriz do sistema final é cheia e não simétrica. 62 A solução numérica, utilizando-se o método direto do MEC, foi implementada e foram realizados testes, alterando-se o número de elementos na discretização do cilindro. Verificouse que mesmo para um número pequeno de elementos, a solução é bem próxima da solução exata. Isso mostra a robustez do Método de Elementos de Contorno para solução deste problema. A aproximação dos resultados apresentou-se satisfatória, mesmo sem o tratamento das singularidades apresentadas por algumas integrais. O devido tratamento destas singularidades deve melhorar ainda mais a precisão da solução encontrada, mesmo com poucos elementos 6.2 − Propostas para trabalhos futuros O presente trabalho apresenta uma pequena aplicação do Método de Elementos de Contorno a problemas de Acústica. Algumas sugestões de continuidade da análise são formuladas na seqüência: a) Implementação de elementos polinomiais de ordem mais alta, por exemplo, quadrática e cúbica, visando analisar ganhos de precisão e eficiência computacional associados a cada tipo de discretização. b) Investigação das singularidades apresentadas pelos elementos da diagonal da matriz G e analisar melhores soluções que melhor aproximem os resultados encontrados. c) Analisar o caso de espalhamento de ondas por um cilindro, utilizando-se o Método de Elementos de Contorno. d) Estudar o comportamento de barreiras acústicas, utilizando o Método de Elementos de Contorno. 63 Referências Bibliográficas ________________________ Afonso, M.M., Métodos Híbridos na solução de problemas de espalhamento eletromagnético. Tese de Doutorado, UFMG, Belo Horizonte, 2003. Bistafa, S.R., Acústica aplicada ao controle do Ruído, Ed. Edgard Blücher, 2006. Boyce, W.E. e Diprima, R.C., Equações diferenciais elementares e problemas de valor de contorno, Ed. Guanabara Koogan, 1990, Cap.6, pp 236 – 239. Brebbia, C. A., Dominguez J., Boundary Elements: An Introductory Course. WitPress, Boston, 1998. Brebbia, C. A., Walker, S., Boundary Element Techniques in Engineering. London, 1980. Chapman, S.J., Programação em Matlab para engenheiros, Editora Thompson Learning, 2006. Chen, L.H., and Schweikert, D.G, Sound radiation from an arbitrary body, The Journal of the Acoustical Society of America, Volume 35, pp. 1626-1632, 1963. Chertock, George, Sound Radiation from Vibrating Surfaces, The Journal of the Acoustical Society of America, Volume 36, Número 7, Julho 1964, Páginas 1305 – 1313. Ciskowski, R.D., Brebbia, C.A. Boundary Element Methods in Acoustics. SouthamptonBoston: Computational Mechanics Publications, 1991. Debain, E.P., Trevelyan, J., Bettess, P., Wave Boudary Elements: a theoretical overview presenting applications in scattering of short waves. Engineering Analysis with Boundary Elements, Volume 28, Issue 2, February 2004, Pages 131-141 64 Greco, M., Análise do problema harmônico de radiação e difusão acústica, usando o Método dos Elementos de Contorno. Dissertação de mestrado, USP, São Carlos, 2000. Juhl, P.M., The Boundary Element Method for sound field calculations. Tese de Doutorado, Technical University of Denmark, Lyngby, 1993. Kinsler, L.E., Frey, A.R., Coppens, A.B., Sanders, J.V. Fundamentals of Acoustics. New York: John Wiley & Sons, 1982. Menoni J.A., Formulação e implementação da versão direta do Método dos Elementos de Contorno para tratamento de problemas acústicos estacionários bidimensionais diretos e inversos. Tese de Doutorado, Unicamp, Campinas, 2004. Nepomuceno, L.X., Acústica. Editora Edigard Blücher Ltda, 1977. Papini, G. S., Estudo Numérico de Barreiras Acústicas. Dissertação de Mestrado, UFMG, Belo Horizonte, 1999. Schenk, Harry A., Improved Integral Formulation for acoustic radiation problems, J. Acous. Soc. Amer., vol. 44, 1968, pp 41 – 58. Yoon, W.S., Park, J.M., Eversman,W. Two- Dimensional radiation and scattering at short wave lenght, Journal of Vibration and Acoustics, V. 112, 1990. Ziomek, L.J. Fundamentals of Acoustic Field Theory and Space-Time Signal Processing. Boca Raton: CRC Press, 1995. 65 Anexo A ________________________ Funções de Bessel utilizadas Funções de Hankel de 1ª classe A solução fundamental apresentada para o caso bidimensional e sua derivada em relação à reta normal são constituídas de funções de Hankel de 1ª classe de ordem 0 e 1, respectivamente. H 0(1) = J 0 ( x) + i ⋅ Y0 ( x) , (a) e (A.1) H1(1) = J1 ( x) + i ⋅ Y1 ( x ) . (b) J n ( x) é uma função de Bessel de primeiro tipo, representada por: 2⋅ k + n x (−1) ⋅ ∞ 2 J n ( x) = ∑ , k = 0 k!⋅Γ (k + n + 1) k (A.2) onde: n = 0,1,2,... Função Gama: Γ(m + 1) = m! 66 Yn (x) é uma função de Bessel do segundo tipo representada por: Yn ( x) = 2 x 1 n −1 x ⋅ ln + γ ⋅ J n ( x) − ⋅ ∑ (n − k − 1)!⋅ π 2 π k =0 2 2⋅ k + n 2⋅ k + n x ∞ 1 2 k − ⋅ ∑ (− 1) ⋅ [Φ(k ) + Φ (n + k )] ⋅ π k =0 k!⋅(n + k )! (A.3) onde: n = 0, 1, 2, ... Constante de Euler: γ ≅ 05772156649015329 , Greco, (2000) p 1 Φ( p ) = ∑ , Φ (0 ) = 0 . m=1 m Das equações (A.2) e (A.3), são retiradas as seguintes funções de Bessel: (− 1)m (x )2m 2m (m!)2 m=1 2 ∞ J 0 ( x) = 1 + ∑ (A.4) e Y0 ( x) = ∞ (− 1)m+1 hm ( x) 2m 2 x γ + ln J ( x ) + 0 ∑ 2m π 2 (m!)2 m=1 2 (A.5) onde: m 1 hm = ∑ . h =1 h O comportamento assintótico das funções de Bessel é caracterizado conforme mostra as equações a seguir (Boyce, 1990): Lim J 0 ( x ) = 1 x →0 (a) 67 e (A.6) Lim Y0 ( x) = x →0 2 π ln( x) (b) E por outro lado se x cresce ilimitadamente, π cos x − 4 Lim J 0 ( x) = x →∞ πx (a) e (A.7) π sen x − 4 Lim Y0 ( x) = x →∞ πx (b) 68 Anexo B ________________________ Integração Numérica Quadratura Gaussiana Em problemas envolvendo o método de elementos de contorno, a integração Gaussiana é encontrada com maior freqüência, dentre as técnicas de integração conhecidas na literatura. Isso se deve ao fato talvez, de que esta técnica, avalia a função interpolante de modo otimizado, ou seja: a partir da escolha dos pontos x1, x2, x3, ..., xnpg, no intervalo de integração, seus respectivos pesos w1, w2, w3, ..., wnpg, (npg: número de pontos de Gauss) são determinados, de forma a minimizar o erro durante a aproximação da integral Menoni (2004). Assim temos: b ∫ a npg f ( x)dx ≈ ∑ wi f (xi ) (B.1) i em que f ( x ) é uma função qualquer , wi são conhecidos como os pesos e npg o número de pontos de Gauss. Os pesos wi são tabelados e assumem valores no intervalo [-1, 1]. ± xi wi 0,1488743389816312108 0,43339539412924719080 0,67940956829902440623 0,86506336668898451073 0,97390652851717172008 0,29552422471475287017 0,26926671930999635509 0,21908636251598204400 0,14945134915058059315 0,06667134430868813759 Tabela B1 – Valores de xi e wi para integração gaussiana, utilizando-se 10 pontos de Gauss 69 Anexo C ________________________ Identidades Vetoriais Sejam a, b e c campos vetoriais e f e g campos escalares, então as seguintes identidades vetoriais são válidas, Afonso, (2003): a ⋅ (b × c ) = b ⋅ (c × a ) = c ⋅ (a × b ); (C.1) a × b × c = (a ⋅ c )b − (a ⋅ b )c; (C.2) ∇ ⋅ (a × b ) = b ⋅ ∇ × a − a ⋅ ∇ × b; (C.3) ∇ ⋅ ( ga ) = ∇g ⋅ a + g∇ ⋅ a. (C.4) ∇ ⋅ (b ∇ a) = ∇b ⋅ ∇a + b∇2 a (C.5) 70 Anexo D ________________________ Função Delta de Dirac e Solução Fundamental r r A função delta de Dirac, δ (r , r ') representa a aplicação de quantidades (cargas, potenciais, etc.) unitárias concentradas em um ponto ponto fonte. O vetor r r' r r , chamado ponto de colocação ou é um ponto do domínio, onde se realiza a integração. Essa função pode ser definida como v r 0 para r ≠ r ' r r δ i (r , r ') = v r ∞ para r = r ' (D.1) Ela possui a possui a seguinte propriedade r r r r ∫ δ (r , r ') φ (r ) dΩ = φ (r ) . (D.2) Ω Dessa maneira, tem-se que se a função ponderadora escolhida u * utilizada na equação (4.2) satisfaz a equação de Helmholtz, que governa o problema, e representa a solução para o potencial de velocidade no ponto de colocação fonte unitária aplicada no ponto r r , no problema de domínio infinito com uma r r ' , então u* é chamada de solução fundamental. 71 Anexo E ________________________ Nós e Elementos A figura 5.2 apresenta a discretização do cilindro em 12 elementos. A tabela E.1 a seguir, mostra os 12 elementos e os respectivos nós que os formam. Nós Elemento 1e2 1 2e3 2 3e4 3 4e5 4 5e6 5 6e7 6 7e8 7 8e9 8 9 e 10 9 10 e 11 10 11 e 12 11 12 e 1 12 Tabela E.1 – Nós e respectivos elementos Para a implementação computacional, utilizou-se o número de elementos igual ao número de nós. 72