UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA GUILHERME MARQUES E SOUZA MODELAGEM AMBIENTAL PARA A DELIMITAÇÃO DE BREJOS DE ALTITUDE COM ESTUDO DE CASOS PARA OS MACIÇOS DA ARATANHA, MARANGUAPE, JUÁ E CONCEIÇÃO – ESTADO DO CEARÁ FORTALEZA - CEARÁ 2014 GUILHERME MARQUES E SOUZA MODELAGEM AMBIENTAL PARA A DELIMITAÇÃO DE BREJOS DE ALTITUDE COM ESTUDO DE CASOS PARA OS MACIÇOS DA ARATANHA, MARANGUAPE, JUÁ E CONCEIÇÃO – ESTADO DO CEARÁ Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Geografia. Área de Concentração: Análise Geoambiental e Ordenação do Território nas Regiões Semiáridas e Litorâneas. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia Brito da Cruz FORTALEZA - CEARÁ 2014 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Estadual do Ceará Sistema de Bibliotecas Souza, Guilherme Marques e. Modelagem ambiental para a delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará [recurso eletrônico] / Guilherme Marques e Souza. – 2014. 1 CD-ROM: il.; 4 ¾ pol. CD-ROM contendo o arquivo no formato PDF do trabalho acadêmico com 138 folhas, acondicionado em caixa de DVD Slim (19 x 14 cm x 7 mm). Dissertação (mestrado acadêmico) – Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Fortaleza, 2014. Orientação: Prof.ª Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz. 1. Biogeografia. 2. Brejos de altitude. 3. Condicionantes ambientais. 4. Modelagem espacial. 5. Geoprocessamento. I. Título. Guilherme Marques e Souza MODELAGEM AMBIENTAL PARA A DELIMITAÇÃO DE BREJOS DE ALTITUDE COM ESTUDO DE CASOS PARA OS MACIÇOS DA ARATANHA, MARANGUAPE, JUÁ E CONCEIÇÃO – ESTADO DO CEARÁ Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Geografia. Área de Concentração: Análise Geoambiental e Ordenação do Território nas Regiões Semiáridas e Litorâneas. Aprovada em: 17/09/2014. BANCA EXAMINADORA - UECE - UNICAMP - UECE À família, aos amigos e, em especial, à Itala, dedico. AGRADECIMENTOS A Deus, pela vida; Aos meus pais, pelo amor incondicional; À minha família, pelo convívio e união; Aos meus amigos, pelas palavras de incentivo; Ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, pela oportunidade do curso de mestrado; À Profa. Dra. Maria Lúcia Brito, pela orientação e dedicação à coordenação do Programa; A todo corpo de docentes do Programa, pelos ensinamentos; A todos os colegas da turma de 2012 do curso; Aos colaboradores da coordenação do Programa, sempre dispostos a ajudar; Ao assistente de produção da Divisão de Relações Institucionais da Companhia de Recursos Minerais, geólogo Francisco Edson Mendonça, pela liberação para realizar os estudos e pela confiança depositada; Ao grande amigo Marcus Vinícius, pelas inúmeras contribuições na vida acadêmica; À Lizabeth Silva, pelas contribuições para estruturar a dissertação; À Vanessa Silva, pelas correções da ABNT; A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram e colaboraram para a conclusão deste trabalho. “Eu sou de uma terra que o povo padece, mas não esmorece e procura vencer. Da terra querida, que a linda cabocla de riso na boca zomba do sofrer. Não nego meu sangue, não nego meu nome, olho para a fome, pergunto o que há? Eu sou brasileiro, filho do Nordeste, sou cabra da peste, sou do Ceará.” (Patativa do Assaré) RESUMO Historicamente a exploração dos recursos naturais do planeta se intensificou com a Revolução Industrial e com o processo de urbanização das cidades, aliado ao avanço tecnológico, cada vez mais globalizado. Os ambientes florestais são os mais prejudicados por este modelo de produção capitalista. No Brasil, dados da Fundação SOS Mata Atlântica mostram que dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados de seu território, aproximadamente 63% são áreas de florestas nativas. Desse total, estimase que restam apenas 8% de Mata Atlântica onde, atualmente, se encontra reduzida a pequenas áreas e fragmentos de floresta, mas que ainda possui grande importância ecológica nas áreas onde está presente: regula o fluxo hídrico dos mananciais, garante a fertilidade dos solos, contribui no equilíbrio do clima, protege as encostas das serras de erosões e abriga uma rica biodiversidade. Na Região Nordeste, principalmente no Ceará, a Mata Atlântica ocorre sob a forma de enclaves de matas úmidas, conhecidos popularmente como “brejos de altitude” e constituemse em ambientes de exceção nos sertões do semiárido. Suas melhores exposições estão em áreas de relevos de superfícies elevadas, condicionadas por fatores pedoclimáticos locais, como é o caso das serras da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição, objetos de estudo. Geralmente, são áreas que apresentam características bem específicas em relação ao seu entorno, registrando maiores valores de precipitação, alta nebulosidade e umidade, menor temperatura e ocorrência de solos férteis. Através do enfoque da biogeografia, buscando compreender o padrão de distribuição dos seres vivos em diferentes regiões do planeta, a presente pesquisa teve como principal objetivo verificar os condicionantes ambientais responsáveis para a existência desses enclaves, através de uma modelagem espacial, utilizando técnicas de geoprocessamento. Houve, também, a necessidade de classificar os diferentes tipos de vegetação que ocorrem da base ao topo dessas serras. Além disso, foi realizada uma validação da modelagem a fim de comparar os resultados com a vegetação classificada a partir de uma imagem de satélite. Dessa forma foi possível verificar a inter-relação da vegetação e de seus condicionantes ambientais, sobretudo o clima, sendo este o principal agente modelador e condicionador das paisagens locais. Palavras-chave: Brejos de altitude. Condicionantes ambientais. Modelagem espacial. Geoprocessamento. ABSTRACT Historically, the exploitation of the planet's natural resources has intensified with the Industrial Revolution and the urbanization of cities combined with a gradually globalized technological development. Forest environments are most impaired by this capitalist model of production. In Brazil, data from the SOS Mata Atlântica Foundation show that of 8.5 million square kilometers of its territory, about 63% are native forests. Of this total, it is estimated that there are only 8% of the Atlantic Forest, which is currently limited to small areas and forest fragments, but with a high ecological role in areas where it is present: regulates the water flow in the springs ensures soil fertility, contributes to thermal balance, protect the mountain slopes from erosion and houses a rich biodiversity. In the Northeast, especially in Ceará State, the Atlantic Forest occurs in the form of moist forests areas, popularly known as "upland forests" and is made up of exception in the backlands of semi-arid environments. Its best exposures are in areas of high altitudes surfaces, conditioned by local soil and climatic factors, such as the mountains of Aratanha, Maranguape, Juá and Conceição, objects of this study. Generally, these are areas have very specific characteristics in relation to its surroundings such as higher values of precipitation, cloud cover and high humidity, lower temperature and occurrence of fertile soils. Through the focus of biogeography, seeking to understand the distribution pattern of living beings in different regions of the planet, the present study aimed to verify the environmental conditions responsible for the existence of these through spatial modeling using geoprocessing techniques. There was also the need to classify the different types of vegetation occurring from the base to the top of these mountains. In addition, a validation of the model was performed to compare the results with classified vegetation from a satellite. Thus it was possible to verify the interrelation of vegetation and its environmental constraints, especially climate, wich is the main template agent and conditioner of local landscapes. Keywords: Upland Geoprocessing. forests. Environmental conditions. Spacial modeling. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Estrutura geral de um SIG ........................................................... 30 Figura 2 – Ilustração da paleogeografia dos continentes no período do Cretáceo ..................................................................................... 34 Figura 3 – Número de espécies próprias e compartilhadas das floras amazônica, ombrófila e semidecídua .......................................... 36 Figura 4 – Fluxograma metodológico proposto para a execução da modelagem ................................................................................. 41 Figura 5 – Processo de correção do deslocamento das imagens de satélite......................................................................................... 48 Figura 6 – Comparação entre a dimensão da cena do LandSat-5 (à esquerda) e a área de pesquisa (à direita) .................................. 49 Figura 7 – Efeito de sombreamento (à direita) na região de Caucaia, Maranguape e Aratanha, aplicando-se a direção de azimute 120º e altura 60º .......................................................................... 50 Figura 8 – Indicação do ponto de controle para inserir as coordenadas ....... 52 Figura 9 – Vetorização dos polígonos e preenchimento das classes na tabela de atributos ....................................................................... 53 Figura 10 – Comparação entre as bases de geomorfologia - à esquerda veem-se as delimitações bem generalizadas e, à direta, os contornos mais detalhados.......................................................... 54 Figura 11 – Transformação dos pixels do SRTM em pontos (à direita) .......... 58 Figura 12 – Detalhe da fórmula de temperatura montada no SIG ArcGIS ...... 59 Figura 13 – Detalhe da bananicultura praticada na vertente ocidental da Serra da Aratanha ....................................................................... 67 Figura 14 – Aspecto do plantio de milho (base do morro) e de feijão (vertente do morro), local Serra da Aratanha .............................. 68 Figura 15 – Vista parcial de uma pedreira localizada na Serra da Monguba em Pacatuba ............................................................... 75 Figura 16 – Vista parcial da produção de brita nas serras do Juá e Conceição em Caucaia ............................................................... 76 Figura 17 – Aspecto de um afloramento em corte de uma estrada nas serras do Juá e da Conceição, evidenciando avançado processo de alteração de rochas gnáissicas migmatíticas fraturadas .................................................................................... 79 Figura 18 – À esquerda, presença de blocos de rochas graníticas, resultado do processo de erosão por intemperismo químico, Serra da Aratanha. Á direita, outro processo erosivo, também por intemperismo químico, agindo sobre um conjunto de fraturas em um bloco de granito, Serra de Maranguape ................................................................................ 80 Figura 19 – Aspecto do relevo gerado a partir do modelo digital de elevação SRTM dos maciços, apresentando cristas, vales em "V" e colinas .......................................................................... 81 Figura 20 – Nebulosidade barrada pelo relevo, local Serra de Maranguape ................................................................................ 92 Figura 21 – Floresta do tipo úmida que ocorre no topo dos maciços, verificada na estação seca, novembro de 2012 .......................... 98 Figura 22 – Perfil de um Argissolo Vermelho-Amarelo com seus horizontes bem definidos, verificado na serras de Juá e Conceição ................................................................................. 106 Figura 23 – Aspecto dos perfis dos Argissolos nas serras úmidas, à direita, na Serra de Aratanha e, à esquerda, na Serra de Maranguape .............................................................................. 107 Figura 24 – Perfil de um Neossolo Litólico verificado nas serras do Juá e Conceição ................................................................................. 108 Figura 25 – Perfis dos Planossolos realizados nas serras de Aratanha (à esquerda) e de Maranguape (à direita) ..................................... 109 Figura 26 – Flora característica dos brejos de altitude, à esquerda verifica-se a ocorrência de briófitas, plantas que se reproduzem na presença de água e, à direita, verificam-se bromélias que ocorrem apenas em ambientes úmidos, local Serra de Aratanha ..................................................................... 111 Figura 27 – Na foto à esquerda vê-se a ocorrência da espécie babaçu, que de acordo com o IBGE, é oriunda da antiga conexão vegetacional com a flora amazônica e, na foto à direita, verifica-se a ocorrência de epífitas e trepadeiras ...................... 112 Figura 28 – Diferentes formações vegetais que ocorrem nos maciços. Na foto à esquerda, verifica-se ocorrência de mata seca (floresta estacional decidual) na base da Serra de Aratanha e, na foto à direita, em uma cota mais elevada, observa-se a ocorrência de uma mata de transição entre a seca e a úmida (floresta estacional semidecidual) ............................................. 113 Figura 29 – Mata úmida ou floresta ombrófila densa e/ou aberta, local Serra de Maranguape ............................................................... 113 Figura 30 – Comparação entre o resultado da modelagem ambiental dos brejos de altitude (cores do amarelo ao vermelho) à esquerda, comparado com resposta da vegetação na imagem de satélite à direita....................................................... 123 Figura 31 – Classes definidas para a modelagem (à esquerda) e para a imagem de satélite (à direita) .................................................... 124 LISTA DE MAPAS Mapa 1 – Mapa de localização dos maciços de estudo e do entorno imediato ...................................................................................... 23 Mapa 2 – Mapa do Nordeste indicando as principais ocorrências dos enclaves úmidos e subúmidos .................................................... 39 Mapa 3 – Distribuição das áreas urbanizadas da RMF nos anos 1980 e 2010 ............................................................................................ 61 Mapa 4 – Encarte tectônico da Província Borborema Setentrional.............. 78 Mapa 5 – Mapa de geologia ........................................................................ 83 Mapa 6 – Mapa de geomorfologia ............................................................... 84 Mapa 7 – Mapa de declividade ................................................................... 85 Mapa 8 – Mapa de hipsometria ................................................................... 86 Mapa 9 – Mapa de precipitação .................................................................. 99 Mapa 10 – Mapa de temperatura ................................................................ 100 Mapa 11 – Mapa de direção de ventos e vertente do relevo ....................... 101 Mapa 12 – Aspecto do mapa de hidrografia destacando também o padrão estrutural dos maciços .................................................. 104 Mapa 13 – Mapa de solos ........................................................................... 115 Mapa 14 – Mapa de vegetação ................................................................... 116 Mapa 15 – Mapa de potencial ambiental para ocorrência dos brejos de altitude ...................................................................................... 122 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Curvas espectrais dos alvos terrestres (energia refletida x comprimento de onda) ................................................................ 46 Gráfico 2 – PIB de agropecuária, indústria e serviços dos municípios organizados em ordem decrescente de valor (R$): Maracanaú, Caucaia, Maranguape, Pacatuba e Guaiuba ........... 63 Gráfico 3 – PIB de agropecuária organizado em ordem decrescente de valor (R$): Caucaia, Maranguape, Guaiuba, Pacatuba e Maracanaú .................................................................................. 63 Gráfico 4 – Produção de lavouras temporárias somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 .............................................................. 65 Gráfico 5 – Produção de lavouras temporárias por município, período de 1990 a 2012 ................................................................................ 65 Gráfico 6 – Produção de lavouras permanentes somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 .............................................................. 66 Gráfico 7 – Produção de lavouras permanentes por município, período de 1990 a 2012 ........................................................................... 67 Gráfico 8 – Produção de carvão vegetal somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 .............................................................. 69 Gráfico 9 – Produção de lenha somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 ................................................................................ 70 Gráfico 10 – Produção de carvão vegetal por município, período de 1990 a 2012 ......................................................................................... 70 Gráfico 11 – Produção de lenha por município, período de 1990 a 2012 ........ 71 Gráfico 12 – Produção de rebanhos efetivos somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 .............................................................. 72 Gráfico 13 – Produção de rebanhos efetivos por município, período de 1990 a 2012 ................................................................................ 72 Gráfico 14 – Curvas de produção de brita por municípios da RMF indicam crescimento no período de 2006 a 2010 ..................................... 74 Gráfico 15 – Média das precipitações mensais registradas nas estações de Pacatuba, Maranguape e Caucaia ......................................... 89 Gráfico 16 – Gráfico de temperatura na base e no topo da Serra de Aratanha ..................................................................................... 93 Gráfico 17 – Gráfico de temperatura na base e no topo da Serra de Maranguape ................................................................................ 94 Gráfico 18 – Gráfico de temperatura na base e no topo das serras do Juá e Conceição ................................................................................ 94 Gráfico 19 – Rosa dos ventos de Fortaleza, indicando os percentuais de direção incidente ......................................................................... 95 Gráfico 20 – Balanço hídrico referente ao topo da Serra de Aratanha ............. 96 Gráfico 21 – Balanço hídrico referente ao topo da Serra de Maranguape ....... 97 Gráfico 22 – Balanço hídrico referente ao topo das serras do Juá e Conceição ................................................................................... 97 Gráfico 23 – Percentual distribuído para cada variável .................................. 118 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Distribuição dos principais enclaves por estados do Nordeste .... 38 Quadro 2 – Composições coloridas das cenas 217/63 do LandSat-5 adquiridas ................................................................................... 46 Quadro 3 – Estações meteorológicas do INMET utilizadas para calcular os coeficientes ............................................................................ 57 Quadro 4 – Relação de empresas que produzem brita na RMF .................... 73 Quadro 5 – Reservas medidas para produção de pedra britada na RMF Ano base 2009 ............................................................................ 74 Quadro 6 – Relação das feições geológicas e geomorfológicas classificadas na área do entorno imediato................................... 82 Quadro 7 – Quadro esquemático contendo as imagens de satélite e gráficos correspondentes às diferentes quadras chuvosas da RMF ............................................................................................ 91 Quadro 8 – Lista de algumas espécies encontradas nos maciços úmidos e subúmidos .............................................................................. 114 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Cenas adquiridas em função da classificação da quadra chuvosa para a RMF ................................................................... 44 Tabela 2 – Distribuição de área e percentual das serras da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição sobre os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú ........... 60 Tabela 3 – Dados do total populacional de 1991, 2000 e 2010, área territorial e densidade demográfica dos municípios de Caucaia, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba e Guaiuba ........... 62 Tabela 4 – Total de população urbana e rural de 1991, 2000 e 2010 dos municípios de Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Pacatuba e Guaiuba ................................................................................... 64 Tabela 5 – Arranjo dos índices pluviométricos e a correspondente classificação da quadra chuvosa para a região do litoral de Fortaleza baseado na técnica estatística dos quantis ................. 90 Tabela 6 – Atribuição do peso e notas para as classes de precipitação ..... 119 Tabela 7 – Atribuição do peso e notas para as classes de temperatura ..... 119 Tabela 8 – Atribuição do peso e das notas para as classes hipsométricas ............................................................................ 120 Tabela 9 – Atribuição do peso e notas para as classes de solos ................ 120 Tabela 10 – Atribuição do peso e notas para as classes de direção da vertente ..................................................................................... 121 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente CPRM Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais DER-CE Departamento Estadual de Rodovias do Ceará DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FUNCEME Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDACE Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará INMET Instituto Nacional de Meteorologia INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais IPECE Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará LI Linhas de instabilidade MDE Modelo Digital de Elevação MMA Ministério do Meio Ambiente NASA National Aeronautics and Space Administration PDI Processamento Digital de Imagens PIB Produto Interno Bruto RGB Red, Green, Blue RMF Região Metropolitana de Fortaleza SiBCS Sistema Brasileiro de Classificação de Solos SIG Sistema de Informações Geográficas SRH-CE Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará SRTM Shuttle RADAR Topographic Mission TGS Teoria Geral dos Sistemas TM Thematic Mapper UECE Universidade Estadual do Ceará UFC Universidade Federal do Ceará VCAS Vórtices Ciclônicos de Ar Superior ZCIT Zona de Convergência Intertropical SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 20 2 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO ............................................ 25 2.1 A ABORDAGEM DA GEOGRAFIA FÍSICA PARA ESTUDOS AMBIENTAIS ............................................................................................... 25 2.2 MODELO AMBIENTAL ................................................................................ 28 2.2.1 A utilização de Sistema de Informações Geográficas .................................. 29 2.2.2 Modelo de média ponderada para análise ambiental integrada ................... 31 2.3 HISTÓRIA NATURAL DA MATA ATLÂNTICA E DOS BREJOS DE ALTITUDE ................................................................................................... 32 2.3.1 Características gerais .................................................................................. 38 3 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS ......................................................... 40 3.1 MATERIAL CARTOGRÁFICO ..................................................................... 42 3.2 ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS, PROGRAMAS UTILIZADOS E PROCESSAMENTO DIGITAL DAS IMAGENS DE SATÉLITE................. 43 3.2.1 Aquisição das imagens de satélite ............................................................... 43 3.2.2 Composição colorida RGB e contraste ........................................................ 45 3.2.3 Retificação................................................................................................... 47 3.2.4 Recorte ........................................................................................................ 48 3.2.5 Sombreamento do modelo SRTM ............................................................... 49 3.3 LEVANTAMENTO DOS DADOS TEMÁTICOS ........................................... 51 3.3.1 Dados básicos ............................................................................................. 51 3.3.2 Dados de hipsometria .................................................................................. 51 3.3.3 Dados litológicos ......................................................................................... 51 3.3.4 Dados de geomorfologia.............................................................................. 53 3.3.5 Dados de solos ............................................................................................ 54 3.3.6 Dados de vegetação .................................................................................... 55 3.3.7 Dados de orientação de vertentes ............................................................... 55 3.3.8 Dados de declividade .................................................................................. 55 3.3.9 Dados de precipitação ................................................................................. 56 3.3.10 Dados de temperatura ................................................................................. 56 4 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS ............................................................ 60 5 CONDICIONANTES AMBIENTAIS .............................................................. 77 5.1 GEOLOGIA E GEOMORFOLOGIA ............................................................. 77 5.2 CLIMA E HIDROGRAFIA ............................................................................ 87 5.3 SOLOS E VEGETAÇÃO............................................................................ 105 6 MODELAGEM AMBIENTAL DOS BREJOS DE ALTITUDE ...................... 117 6.1 CRITÉRIOS DEFINIDOS COM BASE NOS CONDICIONANTES AMBIENTAIS ............................................................................................. 117 6.2 VALIDAÇÃO .............................................................................................. 123 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 125 REFERÊNCIAS ......................................................................................... 128 ANEXOS ................................................................................................... 135 ANEXO - A ................................................................................................ 135 20 1 INTRODUÇÃO Na discussão da questão ambiental, o maior desafio da humanidade no século XXI é promover o desenvolvimento socioeconômico sem destruir a biodiversidade e sem esgotar os recursos naturais das mais diversas regiões do planeta. Historicamente, a exploração dos recursos naturais se intensificou com a Revolução Industrial e com o processo de urbanização das cidades. Criou-se um modelo de sociedade mercantil e capitalista que se apropriou da natureza para atender a seus interesses comerciais, onde cada vez mais pessoas buscavam uma quantidade maior de bens e serviços. Desde então, o avanço tecnológico aliado ao processo de globalização potencializou o consumo desses recursos, produzindo e aumentando novas relações de mercado até atingirem a exploração em escala mundial. O cuidado com a conservação ambiental não acompanhou a aceleração desse modelo de desenvolvimento capitalista. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas – ABRAF (2011), estima-se que aproximadamente 3,5 milhões de quilômetros quadrados de ecossistemas naturais já foram alterados para acomodar o crescimento da população e da economia. Dados da Fundação SOS Mata Atlântica (2011) mostram que dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, aproximadamente 63% são cobertos por florestas nativas. Desse total, estima-se que restam apenas 8% de Mata Atlântica o que no passado, originalmente, cobria uma área de 1,3 milhão de quilômetros quadrados. De acordo com Lima, Lewis e Bueno (2002), a devastação da Mata Atlântica é considerada a maior tragédia ecológica da história do país. Desde a colonização do Brasil (início do século XVI) até final do século XIX, grandes quantidades de paubrasil foram abatidas, “cerca de 20 mil por ano” (BUENO, 1998 apud TONHASCA JÚNIOR, 2005, p. 2) no auge de sua exploração para suprir o mercado europeu. Um apanhado histórico realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica (2011), relata que áreas de florestas foram ocupadas por plantações de cana-de-açucar na região Nordeste (século XVI); de café nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo (séculos XVIII e XIX); pecuária em São Paulo e Minas Gerais (séculos XIX e XX); 21 plantações de coqueiros na Bahia (século XX) e mais recentemente, substituídas por florestas de eucalipto para produção de celulose e papel. Além da exploração pelo extrativismo e pelas práticas agropecuárias, também, verifica-se a ocupação territorial das grandes metrópoles que avançam em direção às áreas de floresta. A pressão populacional é enorme, “cerca de metade da população brasileira vive em áreas originalmente cobertas pela Mata Atlântica” (TONHASCA JÚNIOR, 2005, p. 4). Atualmente a Mata Atlântica restringe-se, somente, a pequenas áreas e fragmentos de floresta, mais conhecidos como remanescentes florestais. Ainda assim, pesquisadores consideram que ela possui uma grande importância ecológica nas áreas onde ocorre. De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica (2011), regulam o fluxo de mananciais hídricos, asseguram a fertilidade dos solos, controlam o equilíbrio do clima, protegem da erosão escarpas e encostas das serras, além de abrigar inúmeras espécies de plantas e animais. Tabarelli, Melo e Lira (2006) explicam que, no nordeste brasileiro, a Mata Atlântica se estendia por uma faixa contínua litorânea, ocorrendo nos estados desde o Rio Grande do Norte até a Bahia. No caso do Ceará e Piauí, se apresentava de forma pontual, ocorrendo em áreas de chapadas, serras, vales e do litoral. Sua área original cobria 28, 8% do território do Nordeste, restando hoje apenas 2,2%. Do ponto de vista biogeográfico, a Mata Atlântica do Nordeste abriga quatro, dos cinco centros de endemismo que ocorrem em todo o bioma. Ao sul do rio São Francisco estão os Centros de Endemismo Diamantina e Bahia, os quais ocupam, também, pequenas porções de Minas Gerais e do Espírito Santo. Ao norte, encontram-se o Centro de Endemismo Pernambuco e os Brejos Nordestinos ou brejos de altitude, sendo este “composto por ilhas de floresta estacional em enclaves úmidos em pleno domínio do clima semiárido” (TABARELLI; MELO; LIRA, 2006, p. 1). Os brejos de altitude possuem várias características ambientais em comum. Para Souza e Oliveira (2006) encontram-se dispersos pelos sertões semiáridos e configuram-se como subespaços de exceção, ocorrendo em superfícies topograficamente elevadas, de relevo serrano. De modo geral, apresentam alta umidade e temperaturas mais amenas, condicionadas pela altitude, possuem bom potencial hídrico de superfície e solos com média a alta fertilidade natural. 22 Conforme Cavalcante (2005), as ocorrências de brejos de altitude ou enclaves de matas úmidas no estado do Ceará totalizam nove, estando situados nas vertentes da chapada do Araripe e planalto da Ibiapaba, sobre as serras das Matas, do Machado, Aratanha, Maranguape, Meruoca, Uruburetama e Baturité. Por serem considerados ambientes de exceção no domínio das caatingas, especula-se a grande riqueza da biodiversidade nesses enclaves de floresta úmida, justamente por abrigarem inúmeras espécies de plantas e animais que ocorrem isolados e ainda precisam ser descobertos, estudados e protegidos. Além de sua importância biológica, são áreas que também enfrentam sérios problemas de uso e ocupação humana. Nessa perspectiva, a ciência geográfica com sua abordagem sistêmica para os estudos da natureza e da sociedade é que vai dar subsídios necessários para o conhecimento e a compreensão desses ambientes. No intuito de explicar a relação entre as variáveis ambientais que compõem os brejos de altitude decidiu-se trabalhar, como objetos de estudo, os maciços residuais da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição. Vale ressaltar que é imprescindível trabalhar, também, todo o entorno imediato desses maciços, a fim de verificar as relações ambientais com os demais componentes paisagísticos que os cercam. Os maciços e seu entorno estão situados na Região Metropolitana de Fortaleza – RMF e compreendem apenas os municípios de Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Pacatuba e Guaiuba, totalizando uma área de 2,3 mil km², o que determinou uma escala de análise 1:250.000. De toda a região metropolitana, apenas estes municípios apresentam formas de relevos bem destacadas, do tipo serrano, satisfatórias para a realização do estudo (Mapa 1). Do ponto de vista ambiental é uma área bastante diversificada de paisagens, possuindo uma considerável variedade climática, litológica, topográfica, de solos e de vegetação que, posteriormente, serão abordados no capítulo de condicionantes ambientais. 23 Mapa 1 – Mapa de localização dos maciços de estudo e do entorno imediato Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IPECE e do INPE. Verificados os objetos de estudo e seus entornos, o presente trabalho de pesquisa tem como objetivo geral: 24 Compreender os tipos de vegetação que ocorrem nos maciços residuais das Serras da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição e seu entorno imediato a partir de uma modelagem ambiental e espacial. Os objetivos específicos são: Definir as variáveis necessárias para a construção da modelagem ambiental; Investigar a ocorrência dos brejos de altitude nos maciços residuais considerados úmidos e subúmidos; Comparar o resultado da modelagem através do mapeamento da cobertura vegetal natural existente. 25 2 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO 2.1 A ABORDAGEM AMBIENTAIS DA GEOGRAFIA FÍSICA PARA ESTUDOS A necessidade de explicar o meio físico e a importância deste meio para a sociedade, sempre foram interesses muito antigos, sendo encontrados precedentes destes estudos em todas as culturas antigas. No entanto, a geografia como ciência, possui um papel fundamental para suprir esta necessidade. Mais precisamente dentro da geografia física, boa parte de seu arcabouço teórico-metodológico advém da escola naturalista do século XIX tendo Ritter, Richthofen e Humboldt, como os precursores do pensamento geográfico. Nessa época havia grandes expedições, volumosas descrições territoriais e a criação de inúmeras sociedades científicas. De acordo com Gregory (1992) constatou-se que, no ano de 1866, contavam-se dezoito sociedades e em 1930, cento e trinta e sete. Contudo, a partir do final de século XIX até meados do século XX, os estudos possuíam uma abordagem de caráter positivista, especificamente sobre as ciências da natureza, com princípios baseados no uniformitarismo, na teoria evolucionista e nos métodos descritivos e comparativos. Porém, é impossível não reconhecer o grande conhecimento territorial que foi produzido e sistematizado por esses estudiosos da natureza. Para Rodrigues (2001), desse legado, uma característica marcante foi a consolidação de certos procedimentos metodológicos, como a necessidade da observação e a descrição detalhada de campo. Através de registros minuciosos, os cientistas ou exploradores tiveram a possibilidade de observar inúmeras e diferentes paisagens, e também, procurar a explicação dessa diversidade, realizando a identificação e integração de variáveis. Dessa forma, se articulava levando em consideração o conhecimento adquirido para a época, os estudos de geologia, relevo, solos, vegetação, clima e os processos atuantes como o eólico, fluvial, glacial etc. Verificou-se, desde então, a preocupação em relacionar as variáveis, desde sua gênese até a dinâmica, sendo estas categorias consideradas as principais até hoje para os estudos da geografia física. A eclosão dos movimentos ecológicos e a preocupação com as questões ambientais na década de 1970 criaram necessidade de mudança nas ciências da Terra. Procurava-se uma forma científica que explicasse, verdadeiramente, os fatos naturais integrados, principalmente quando os problemas ambientais mostraram 26 todo um mecanismo complexo, no qual a sociedade humana tinha participação cada vez mais ativa. Foi nessa época que os estudos relacionados ao meio ambiente e a dinâmica ambiental consolidou, definitivamente, a teoria sistêmica por Bertalanffy em 1932, como a forma mais adequada de se avaliar os problemas referentes ao meio ambiente. De acordo com Bertalanffy (1968) a formulação da Teoria Geral dos Sistemas (TGS) fundamentou princípios válidos para os sistemas em geral, como a totalidade e a equifinalidade. Só a partir daí, as ciências ambientais passaram a possuir um cunho lógico-formal bem definido. Um dos primeiros ramos científicos a utilizá-la foi a biologia. De acordo com Rodriguez e Silva (2002) em 1935 apareceu, pela primeira vez, o conceito de ecossistema baseado na TGS, onde centralizava a análise da relação organismomeio. Mais tarde, adaptado da TGS, o termo “geossistema” foi inserido por Sotchava (1976) na literatura soviética para que a teoria sistêmica tivesse uma ligação com os fenômenos geográficos. Contra as ideias de alguns biólogos, Sotchava afirma que o ecossistema pode manifestar-se em diferentes níveis que vão desde as células à população. Seu conceito tem caráter biológico. De acordo com Sotchava (op. cit.), os ecossistemas são considerados complexos monocêntricos, nos quais o ambiente natural e suas bases abióticas são examinados, do ponto de vista de suas conexões com os organismos. Geossistemas também contemplam complexos biológicos, mas possuem caráter mais amplo, menos verticalizado e são policêntricos. Dessa forma, a abordagem de análise do geógrafo é universal e para o ecologista ou biólogo é especializada. Portanto, além dos ecossistemas, os geossistemas também representam entidades de organização do meio ambiente. Para Christofoletti (1999), são designados como sistemas ambientais físicos que representam a organização espacial, resultante da interação dos elementos socioeconômicos, físicos e biológicos da natureza. Analisando os fundamentos e definições de geossistema, pode-se dizer que a geografia é a ciência que estuda a organização e as interações dos processos espaciais, sejam eles naturais e sociais. 27 Para Viadana (2011) e Troppmair (2012) a biogeografia, como integrante da ciência geográfica, procura os mesmos objetivos. A biogeografia “estuda as interações, a organização e os processos espaciais do presente e do passado, dando ênfase aos seres vivos – biocenoses – que habitam determinado local: o biótopo” (TROPPMAIR, op. cit., p. 2). De acordo com Troppmair (op. cit.) os seres vivos são o objeto de estudo da biogeografia e considera-se o homem como parte integrante de uma biocenose ou comunidade, sendo este um sistema biológico que inclui várias populações interdependentes, distribuídas em um determinado espaço. Viadana (op. cit.) cita que para a biogeografia atingir seus objetivos, ela se divide em fitogeografia e zoogeografia. Na primeira diz respeito à investigação da distribuição das plantas e o segundo sobre os animais. Nessas duas divisões cabem os estudos florísticos/faunísticos, sociológicos, econômicos, regionais, históricos e evolucionários. Não muito diferente da abordagem geossistêmica de Sotchava, a biogeografia utiliza-se do termo geobiocenose, que pode ser entendido como um “sistema de interações em funcionamento, composto de um ou mais organismos vivos e seus ambientes reais, tanto físicos como biológicos” (STODDART, 1974 apud TROPPMAIR, op. cit. p. 125). De acordo com Stoddart (op. cit.), três características são inerentes ao geobiocenose: Uniformidade, representada pela distribuição dos animais e plantas (bióticos), solo e clima (abióticos); Interação e interdependência, que significa alcançar o equilíbrio, a autorregulação; Ciclos de fluxos de energia e matéria, que influenciam a quantidade de energia sobre o tamanho e a estrutura da geobiocenose. Metodologicamente, dentro de uma geobiocenose, existem abordagens que auxiliam o pesquisador a conduzir seus estudos biogeográficos no tempo e no espaço, permitindo compreender a distribuição de determinadas espécies de seres vivos no planeta e seu processo de adaptação ou mudança no tempo. 28 Há, também, abordagens quanto à escala (macro, meso e microgeobiocenose) e, principalmente, quanto à interferência humana, propostas por Jalas (1965 apud TROPPMAIR, 2012), desde o nível que se considera uma geobiocenose natural, com pequenas interferências antrópicas (ahemeorobio) até uma geobiocenose artificial, completamente modificada pelo homem (euhemeorobio). 2.2 MODELO AMBIENTAL Para Christofoletti (1999), um modelo pode ser compreendido como qualquer representação simplificada da realidade, ou melhor, que possibilite ao pesquisador reconstruir a realidade, prever um comportamento, uma transformação ou uma evolução a partir do mundo real. Dessa forma, a percepção da realidade deve ser registrada e interpretada através da coleta de dados, seja por equipamentos (que captam direta ou indiretamente) ou pela pesquisa de campo. Fitz (2008) cita que a passagem dos dados do mundo real para o mundo virtual devem seguir padrões conceituais, vinculados à maneira como o indivíduo concebe o espaço observado. Em estudo de análise espacial, uma das maneiras de se conceber modelos, está relacionada à elaboração de entidades virtuais que fazem “uso de estruturas preconcebidas para a simulação de um espaço real” (FITZ, op. cit., p. 71). Em termos de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), as entidades devem relacionar-se geograficamente e podem ou não participar do processamento de dados no sistema. O autor cita que a estrutura da modelagem vai depender da necessidade do pesquisador e das características das entidades envolvidas. Lang e Blaschke (2009) afirmam que a utilização de modelos e simulações constitui uma base essencial em processos que requerem planejamento e tomada de decisões, na medida em que para visualizar as relações que ocorrem de forma tão complexa, raramente seriam visualizadas em sua totalidade. Nesse caso, os SIGs surgem como uma “ferramenta de alta capacidade, adaptável e relacionada ao espaço” (LANG; BLASCHKE, op. cit., p. 327), o que possibilita a representação de inúmeros cenários. 29 2.2.1 A utilização de Sistema de Informações Geográficas O termo Sistema de Informações Geográficas (SIG) é usado a partir de sistemas que processam dados geográficos com informações alfanuméricas localizadas espacialmente. Umas das peculiaridades dos SIGs é a dualidade de armazenar a geometria das entidades espaciais e de seus atributos. Para cada objeto mapeado, o sistema registra seus atributos e as várias representações gráficas associadas. Sua aplicabilidade percorre as mais diversas áreas como agricultura, saúde, segurança, meio ambiente, recursos hídricos, meteorologia, marketing etc. Os SIGs tornam possível a criação de modelos dinâmicos sobre uma área, hipóteses de cenários, decisões de planejamento e consequências de processos naturais ou humanos. De acordo com Burrough (1986) e Câmara e Medeiros (1996), entre os diversos tipos de análise espacial que podem ser feitos, incluem-se medições de áreas e perímetros, busca, classificação, modelagem cartográfica, produção de overlays, redes, buffer (operações lógicas), distâncias (custo, difusão, proximidade), autocorrelação espacial (krigging), modelos numéricos do terreno, interpolação/extrapolação, padrão/dispersão etc. Davis e Câmara (2001) descrevem que há pelo menos três formas de empregar um SIG: Como ferramenta para produção de mapas; Como suporte para análise espacial; Como banco de dados geográficos, com funções de armazenamento e recuperação da informação. Ainda, de acordo com os mesmos autores, numa visão geral, pode-se dividir um SIG nos seguintes componentes: Interface com o usuário; Entrada e integração dos dados; Funções de consulta e análise espacial; Visualização e plotagem; 30 Armazenamento e recuperação de dados estruturados através de um banco de dados geográficos. A conexão entre os componentes (Figura 1) é feita de forma hierárquica na relação homem-máquina. Na interface, nível mais próximo ao homem, o usuário define como o sistema é operado e controlado. Em seguida, encontra-se o nível intermediário, onde o sistema possui mecanismos de processamento de dados espaciais (entrada, edição, análise, visualização e saída de dados). No terceiro e último nível mais aprofundado do sistema, ocorre um gerenciamento do banco de dados geográfico – há o armazenamento e recuperação dos dados espaciais e seus respectivos atributos. Figura 1 – Estrutura geral de um SIG Fonte: adaptado de Davis e Câmara, 2001. Câmara (2001) afirma que, para se utilizar um SIG, é necessário que cada especialista transforme conceitos de sua disciplina em representações computacionais, ou seja, precisa-se construir uma estrutura conceitual a fim de entender o processo de traduzir o mundo real para o ambiente computacional. 31 2.2.2 Modelo de média ponderada para análise ambiental integrada De acordo com Souza (2003), os sistemas naturais integram-se em variados elementos, mantendo relações mútuas entre si, sendo continuamente submetidos aos fluxos de matéria e energia. Possuem também, uma relação harmônica entre seus componentes, representando uma unidade de organização do ambiente natural. A fim de estabelecer uma metodologia de análise integrada desses componentes, Xavier da Silva (2001, p. 174) menciona o termo “prospecções ambientais” que, para o autor, significam extrapolações territoriais, classificações do espaço geográfico baseadas em características ambientais utilizadas para uma finalidade específica. O autor também menciona “avaliações ambientais”, que derivam do primeiro termo e define-o como uma análise onde são usados procedimentos computacionais para determinar áreas com características ambientais comuns. Para Xavier da Silva (op. cit.), as avaliações ambientais são resultante da combinação de um inventário ambiental de uma área geográfica. Essas combinações podem levantar todo um conjunto de estimativas, podendo gerar como produto mapas de potenciais ambientais. Uma das formas de se avaliar a combinação de fatores ambientais, seja qual for sua aplicação, é utilizando um procedimento de análise espacial realizado dentro de um SIG. Para tanto, é necessário primeiro que se estabeleçam critérios baseados em modelos matemáticos, que são estruturas lógicas de análise e integração de dados. O algoritmo de média ponderada, de acordo com Zaidan e Xavier da Silva (2004), é indicado para se estimar a probabilidade de ocorrência de entidades, eventos ou fenômenos, permitindo definir através de pesos e notas, as características ambientais que mais influenciam. O peso é o percentual atribuído de acordo com a influência ou contribuição direta do componente ambiental sobre um determinado evento a ser verificado. Nesse caso, o peso de 100% é distribuído de forma hierárquica para os planos de informação1 (camada ou layer) com relevância para o evento em questão. 1 Os componentes ou variáveis ambientais dentro de um SIG se tornam planos de informação (PIs). 32 Em seguida, coloca-se nota, que corresponde a um valor de número inteiro, variando de 0 (mínimo) a 10 (máximo). A nota é definida de acordo com o grau de importância que cada classe do plano de informação exerce sobre o fenômeno ou evento. Geralmente as notas maiores indicam a manifestação ou ocorrência do fenômeno estudado. Sua fórmula é representada por: MP = (P1 x N1) + (P2 x N2) + (P3 x N3)... + (Pn x Nn) Onde: MP: Média ponderada; Pn: Peso do plano de informação em %; Nn: Nota de cada classe do plano de informação. Os procedimentos de peso e nota se repetem para cada plano de informação envolvido na fórmula e no final somam-se todos, a fim de se obter a média ponderada. O resultado será um mapa baseado no relacionamento das variáveis envolvidas, contendo áreas que indicarão maiores e menores probabilidades de ocorrer um fenômeno ou entidade geográfica. 2.3 HISTÓRIA NATURAL DA MATA ATLÂNTICA E DOS BREJOS DE ALTITUDE Assim como os grandes domínios florestais definidos atualmente no mundo, o surgimento da Mata Atlântica encontrada no Brasil está diretamente ligado à tectônica de placas e as oscilações paleoclimáticas que aconteceram no último período geológico da Terra, o Quaternário. Para tal explicação, é necessário fazer um apanhado histórico da deriva dos continentes, juntamente com a evolução e dispersão das espécies vegetacionais no planeta. Através de registros paleontológicos (testemunhos fósseis) verificados pelos cientistas, pode-se obter uma configuração do desenvolvimento das espécies botânicas durante os distintos períodos geológicos, estabelecendo o surgimento, apogeu e decadência dos grandes grupos taxonômicos da vegetação. 33 De acordo com Romariz (2008), esses registros são fundamentais para serem interpretados ou comprovados por diversos campos científicos, ligados à compreensão dos estudos paleobotânicos. Para Dansereau (1949), ao se estudar a evolução dos seres vivos, deve-se remontar às origens a fim de verificar suas adaptações ao meio. Retrocedendo na história geológica da Terra, situando-se na Era Paleozóica, a partir do Período Cambriano (600 Ma2), admite-se o surgimento do primeiro grupo evolutivo vegetal, as Briófitas, de acordo com Fernandes (2007). Conforme Raven, Evert e Eichhorn (1996), uma das características principais desse grupo é a reprodução das espécies ocorrer na presença de água e, também, suas espécies não possuírem um sistema vascular definido, limitando-as a uma vegetação rasteira. Acompanhando a evolução das Briófitas, a partir do Devoniano (400 Ma), verifica-se o apogeu das Pteridófitas e a predominância dessas espécies em áreas continentais, marcando a passagem da reprodução das plantas em meio aquático para o terrestre. Também representam os ancestrais do grupo produtor de sementes, as Gimnospermas (Permiano, de 300 a 250 Ma). A partir da Era Mesozóica, no Período Jurássico (200 Ma), a Terra se dividia em dois supercontinentes: um setentrional denominado de Laurásia, que compreendia a América do Norte, Europa e Ásia e outro meridional chamado de Gonduana, que contemplava a América do Sul, África, Antártica, Austrália e Índia. Para Fernandes (op. cit.) verificava-se sobre a superfície desses dois conjuntos continentais, a predominância das Gimnospermas. No Gonduana ocorria em uma considerável faixa larga e contínua, a flora da Glossopteris-Gangamopteris pertencente às Gimnospermas. Ainda, de acordo com autor, no final do Jurássico, o supercontinente Gonduana sob efeito de um clima temperado-quente ou tropical e úmido, passou por uma ampla variação ecológica favorável e adquiriu condições ideais para a evolução biológica, chegando ao grupo das Angiospermas, que para Raven, Evert e Eichhorn (op. cit.) corresponde ao grupo vegetacional responsável pela grande dispersão de suas espécies através de flores e frutos. O processo evolutivo das Angiospermas coincide com a abertura dos continentes sul-americano e africano, onde se sugere a hipótese de haver um caminho fluvial acompanhando a linha de fratura gonduânica. Tal formação seria 2 Milhões de anos 34 condicionante para criar uma rede de drenagem sul-americana e africana, mantendo um ambiente úmido, favorável nessa região. Também se constata uma única floresta contínua que ocorria nos dois continentes. Na citação de Fernandes (2007) verifica-se que: “Na consideração apenas da América do Sul/África, dispensando as áreas de distribuição da flora mundial, no Cretáceo, deveria haver a participação de uma cobertura florística contínua, reconhecida como Floresta Gonduânica, originada da grande floresta Austral da Pangeia, acompanhada pelo desenvolvimento das Angiospermas.” (FERNANDES, 2007, p. 28). O período do Cretáceo Inferior (150 Ma) é caracterizado pelo início da separação dos continentes sul-americano e africano (Figura 2). A partir dele verificam-se as melhores informações sobre a vegetação, tanto para o Brasil quanto para as outras regiões do mundo. O desmembramento desses continentes determinou alterações climáticas as quais resultariam em diversas mudanças ou renovações ambientais. Dessa forma, numerosos grupos oriundos de precursores comuns se desenvolveram, independentemente, dando origem a variedades de espécies novas e também espécies afins, conservando o seu padrão genético, mesmo ocupando ambientes diferentes. Figura 2 – Ilustração da paleogeografia dos continentes no período do Cretáceo Fonte: http://cpgeosystems.com/paleomaps.html. Acesso em Outubro de 2013. De acordo com Fernandes (op. cit.), oriunda da grande Floresta Gonduânica, a faixa vegetacional estabelecida na América do Sul se estendia da Argentina até os 35 estados do Ceará e Piauí. No caso da região amazônica, a vegetação mantinha-se isolada pela participação dos lençóis maranhenses, porém, ainda continha características do conjunto florístico africano. No entanto, essa fragmentação vegetacional, gerada pelos processos geológicos de separação e evolução do relevo continental, formavam os três grupos oriundos da antiga floresta gonduânica: “o bloco amazônico, o bloco atlântico e o bloco africano” (FERNANDES, 2007, p. 35). Portanto, verifica-se o surgimento das duas massas vegetacionais brasileiras, correspondentes às florestas amazônica e atlântica. Acompanhando as últimas atividades geológicas verificadas no Neógeno (5 Ma), através de movimentações orogenéticas e epirogenéticas decorrentes da deriva continental (emersão da América Central e finalização do soerguimento dos Andes, por exemplo) aconteceram, também, significativas variações do clima que submeteu a vegetação da América do Sul a modificações ecológicas, dando início ao ciclo de diversificação das floras e variações evolucionárias para a especiação. Finalmente o período do Quaternário (1,8 Ma) foi o mais representado por “instabilidades ambientais de ordem regional” (FERNANDES, op. cit., p. 37). É caracterizado por grandes variações climáticas (glaciações e interglaciações), pelas sucessivas fases de expansão e retração das coberturas florestais e influenciou toda a distribuição da flora no mundo. No Brasil, as florestas atlântica e amazônica representam o melhor resultado dessas transformações, ocorridas sobre o antigo corpo vegetacional gonduânico, onde foram florísticamente consolidadas e enriquecidas por sua biodiversidade. De acordo com Bigarella, Becker e Santos (2009), as mudanças climáticas ocorridas durante o Pleistoceno se manifestaram por toda a superfície do globo. Estudos mostram que nas épocas frias do Quaternário, em boa parte das regiões tropicais e subtropicais, teria ocorrido uma diminuição da distribuição das chuvas criando condições de semiaridez e aridez, enquanto que nas épocas quentes ocorreram condições de umidade. Bigarella, Becker e Santos (op. cit.) citam que nas áreas geográficas onde se situa o território brasileiro, dois conjuntos de processos erosivos operaram alternadamente sobre a paisagem: um de degradação lateral em clima semiárido nas glaciações e o outro de dissecação em clima úmido nas interglaciações. Tais processos seriam muito efetivos durante o período de transição de um clima para o 36 outro e essa alternância modificaria não só a cobertura vegetal, mas também outros processos atuantes como o solo e o relevo. Deduz-se portanto, que durante as fases de climas úmidos as condições são favoráveis para o desenvolvimento de solos profundos, ocorre a formação de um manto de decomposição, principalmente por alteração química sobre os quais se estabelece uma floresta. No caso de uma transição do clima úmido para seco, ocorre a regressão da floresta, sendo substituída por uma cobertura vegetal menos densa, “do tipo cerrado ou caatinga” (BIGARELLA; BECKER; SANTOS, 2009, p. 84). Suguio (2010) destaca duas razões para se estudar os eventos paleoclimáticos do Pleistoceno no Brasil: os critérios geomorfológicos, que reconhecem feições de características de climas secos (semiáridos) em áreas atualmente ocupadas por densa floresta pluvial e o advento da teoria dos refúgios para explicar as diversidades de fauna e flora das florestas pluviais, em função da fragmentação florestal. A ilustração da Figura 3 mostra a quantidade de espécies próprias e compartilhadas pelas florestas amazônica, ombrófila e semidecídua. Suas distribuições geográficas ocorrem em diferentes regiões, porém compartilham, entre si, um número de espécies vegetais em comum, num total de 186 espécies. Tal fato pode comprovar a existência de uma ligação entre as três floras, no passado, indicando que houve um processo de vicariância3. Figura 3 – Número de espécies próprias e compartilhadas das floras amazônica, ombrófila e semidecídua Fonte: Adaptado de Oliveira Filho e Fontes, 2000. 3 De acordo com Romariz (2008), ocorre quando certas espécies que são morfologicamente muito afins, no curso de sua diferenciação ou especiação, ocupam áreas que se excluem mutuamente. Tem, entretanto, a mesma origem, pois derivam de um ancestral comum. 37 A teoria dos refúgios e redutos foi uma das mais importantes hipóteses referentes aos “padrões de distribuição de flora e fauna na América Tropical” e constituiu-se como uma das mais sérias tentativas de “integração das ciências fisiográficas com as ciências biológicas” (AB’SÁBER, 2006, p. 64). Para o autor, a definição de espaços fisiográficos, paisagísticos e ecologicamente mutantes representam as repercussões das mudanças climáticas do Quaternário. Seguindo essa hipótese, verifica-se que massas de vegetação – outrora contínuas - ficariam reduzidas às manchas regionais de floresta, ocorrendo em áreas bem pontuais, popularmente conhecidas por brejos, que se destacam no domínio das caatingas no sertão nordestino do Brasil. Esses lugares são considerados por Ab’Sáber (op. cit., p. 65) como “ilhas locais de umidade” e constituem-se em um modelo vivo de redutos e refúgios florestais. Ainda, de acordo com o autor, do ponto de vista paisagístico, os “brejos” são áreas que quebram a monotonia das condições físicas e ecológicas dos sertões secos. Para Ab’Sáber (1999): “Na cultura popular dos sertões é costume reconhecer-se por brejo qualquer subsetor mais úmido existente no interior do domínio do semiárido; isto é, qualquer porção do terreno dotada de maior umidade, solos de matas e filetes d’água perenes ou subperenes, onde é possível produzir quase todos os alimentos e frutas peculiares aos trópicos úmidos. Um brejo, por essa razão, é sempre um enclave de tropicalidade no meio semiárido: uma ilha de paisagens úmidas, quentes ou subquentes, com solos de matas e sinais de antigas coberturas florestais, quebrando a continuidade dos sertões revestidos de caatinga.” (AB’SÁBER, 1999, p. 17). O termo brejo surgiu a partir da visão do sertanejo para associar a ideia entre “aluvião encharcado e solos molhados de vertentes úmidas” (AB’SÁBER, op.cit., p. 20). No sertão nordestino, com a chegada da estação chuvosa, os rios transbordam e alagam as áreas às suas margens, também conhecidas como várzea, que correspondem aos setores de planícies aluviais. Ainda, de acordo com o autor, por se tratarem de áreas encharcadas e ricas em matéria orgânica, criou-se uma associação com outras áreas de serras, encostas de escarpas e bordas de chapada que captam a umidade de barlavento, além de bolsões aluviais de planícies alveolares e setores de vale arejados por ventos marítimos. 38 Dessa forma, a percepção de paisagem do sertanejo foi projetada para definir todo “subconjunto de paisagens e de ecossistemas relacionados às serras úmidas” (AB’SÁBER, 1999, p. 20), incorporando áreas que vão desde dezenas a centenas de quilômetros quadrados de extensão. 2.3.1 Características gerais Como o próprio nome brejos de altitude sugere, suas ocorrências sempre estão ligadas aos terrenos de topografia elevada no semiárido do Nordeste brasileiro, sobre “algumas formações de rochas sedimentares e serras residuais cristalinas” (CAVALCANTE, 2005, p. 61). De acordo com Lins (1989) o relevo executa função de barreira aos ventos úmidos, os quais alcançam maiores altitudes, resfriando-se e propiciando a formação de nevoeiros e chuvas. O mesoclima4 que se estabelece dentro do domínio climático do semiárido é capaz de manter formações florestais úmidas e subúmidas, nas palavras de Souza (2000), matas de caráter preponderantemente perenifólio, ocorrendo também as comunidades subperenefólias. Portanto, a ação combinada dos fatores de altitude entre “600 a 1.200 metros”, precipitações entre “1.200 – 2.000 mm/ano” (BÉTARD; PEULVAST; SALES, 2007, p. 108) e temperaturas amenas, possui um papel fundamental para a existência desses ambientes. No Nordeste, sua distribuição geográfica abrange os principais enclaves na seguinte discriminação por Estado (Quadro1): Quadro 1 – Distribuição dos principais enclaves por estados do Nordeste Estado Enclaves Ceará Serra de Uruburetama; Serras de Baturité, Maranguape e Aratanha; Serra da Meruoca; Planalto da Ibiabapa e Chapada do Araripe. Paraíba, Pernambuco e Alagoas Bahia Minas Gerais (Norte) Brejo da Borborema. Chapada da Diamantina e Serras da Cadeia do Espinhaço. Serra do Espinhaço. Fonte: Adaptado de Souza e Oliveira, 2006. 4 De acordo com Ayoade (2011), corresponde ao clima que ocorre em áreas relativamente pequenas, entre 10 e 100 km de largura. 39 Mapa 2 – Mapa do Nordeste indicando as principais ocorrências dos enclaves úmidos e subúmidos Fonte: Souza e Oliveira, 2006. Para Ab’Sáber (1999), o estudo dos brejos de altitude tem importância científica e social. Do lado científico representa a chave de interpretação paleoclimática das paisagens que predominaram durante os períodos secos do Pleistoceno e, do lado social, representa a produção de alimentos no domínio dos sertões, onde se produz quase todos os alimentos peculiares aos trópicos úmidos. Neles, verifica-se a produção de cana-de-açúcar para aguardente e rapadura, mandioca para a farinha, feijão, café (café sombreado) e inúmeras frutas, principalmente a bananicultura, bastante característica da horticultura do Ceará. 40 3 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS Os procedimentos técnico-operacionais compreenderam uma série ordenada de fases para a coleta, geração e integração dos dados. A etapa de levantamento de dados abrangeu a consulta bibliográfica, os levantamentos de campo, interpretação dos elementos encontrados na imagem de satélite e o processamento das informações preliminares até o resultado final dos objetivos. As informações referentes às condições socioeconômicas e fisiográficas (geologia, climatologia, geomorfologia, pedologia e vegetação) foram consultadas em diversas fontes de pesquisa, elaboradas por instituições públicas, tais como: UFC, UECE, FUNCEME, IPECE, IDACE, INPE, INMET, CPRM, IBGE, MMA, NASA e entidades não governamentais ligadas à proteção e conservação da Mata Atlântica. De acordo com os assuntos abordados na fundamentação teórica, buscou-se conduzir a pesquisa através de um caráter holístico, integrando de forma sistêmica os componentes e processos atuantes no objeto de estudo. O fluxograma da modelagem apresentado na Figura 4 mostra cada etapa da pesquisa. A seguir verificam-se, sumariamente, os procedimentos operacionais da pesquisa: Levantamento bibliográfico, cartográfico e de sensoriamento remoto; Levantamento de informações disponíveis sobre o contexto socioeconômico e fisiográfico da área de estudo; Preparação da cartografia básica e temática por intermédio do Sistema de Informação Geográfica (SIG), contendo as principais informações planialtimétricas; Levantamentos de campo para fins de reconhecimento das características ambientais; Análise espacial por modelagem; Elaboração do mapa de potencial para a ocorrência de brejos de altitude, com base na modelagem; Organização do acervo produzido para fins de armazenamento dos resultados, visando à manutenção ou melhoramento do banco de dados. 41 Figura 4 – Fluxograma metodológico proposto para a execução da modelagem . Fonte: Elaborado pelo autor. 42 3.1 MATERIAL CARTOGRÁFICO No período de levantamento dos dados georreferenciados foram adquiridas bases cartográficas de origem analógica (papel) e digital (vetor e raster), listados a seguir: Modelo digital de elevação (MDE), de resolução espacial de 30 metros SRTM/NASA, obtido na CPRM; Modelo digital de elevação (MDE), de resolução espacial de 90 metros SRTM/NASA; Mosaico de imagens ortorretificadas Geocover 2.000, de resolução espacial 14,25 metros, NASA; Imagens de satélite LandSat-5, sensor Thematic Mapper (TM), resolução espacial de 30 metros, adquiridas no site da DGI/INPE (www.dgi.inpe.br); Base cartográfica digital em formato de arquivo shapefile (shp) do software ArcGIS. Camadas (layers) de drenagem, espelhos dágua, rodovias, zonas urbanas (sedes e distritos) e limites municipais, adquiridas na SRH-CE e no IPECE; Base digital em formato drawing (dwg) do software AutoCAD das Folhas Fortaleza (SA.24-Z-C-IV) e Baturité (SB.24-X-A-I), escala 1:100.000 da DSG/IBGE, adquiridas no IPECE; Arquivo do tipo raster de pluviometria (médias anuais 1977 a 2006), escala 1:5.000.000, adquirido do Projeto Atlas Pluviométrico do Brasil de 2012, CPRM; Base digital de solos em formato shapefile, escala 1:600.000, adquirida no IDACE; Base digital de geomorfologia em formato shapefile, escala 1:500.000, adquirida do Mapa de Geodiversidade do Ceará de 2010, CPRM; Base analógica de geologia da RMF, ano de 1995, escala 1:150.000, adquirida na CPRM/REFO. 43 3.2 ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS, PROGRAMAS UTILIZADOS E PROCESSAMENTO DIGITAL DAS IMAGENS DE SATÉLITE Após a etapa de levantamento do acervo cartográfico, foi necessário fazer uma verificação da consistência dos arquivos, pois estes eram oriundos de fontes variadas. Os principais itens verificados foram: a escala da informação geográfica, o sistema de coordenadas, a projeção cartográfica e os caracteres alfanuméricos contidos na tabela de atributos. Utilizando a plataforma do SIG ArcGIS 10 (ArcMap) para atender as atividades rotineiras de geoprocessamento, todos os arquivos foram submetidos à projeção UTM (Universal Transversa de Mercator) com coordenadas planas e datum horizontal WGS-84 (World Geodetic System, 1984), a fim de padronizar as camadas sob um único sistema de projeção cartográfica. Após isto, os arquivos foram organizados em camadas e posteriormente salvos em um projeto (mxd). Com a área de pesquisa estabelecida, foram feitos os devidos recortes de cada camada com base nos limites definidos. Além do ArcMap, os softwares (todos licenciados via CPRM) utilizados para o tratamento dos dados georreferenciados foram o Global Mapper 12 para gerar as curvas de nível e o relevo sombreado; o GPS Track Maker Pro, que permitiu trabalhar com os arquivos do receptor de GPS (Global Position System) levantados em campo e o SPRING – Sistema para Processamento de Informações Georreferenciadas, desenvolvido no INPE, utilizado para o processamento digital das imagens de satélite. 3.2.1 Aquisição das imagens de satélite Para os trabalhos de sensoriamento remoto óptico, a escolha do satélite partiu de três critérios técnicos: 1. A escala de representação geográfica estabelecida, 1:250.000, com base na área de estudo trabalhada, cerca de 2,3 mil quilômetros quadrados; 44 2. A escala temporal, para que fosse possível fazer uma correlação da resposta da vegetação da área, mediante a caracterização das estações chuvosas na RMF através do tempo; 3. Um sensor de média resolução espacial (30 metros) que trabalhasse com bandas multiespectrais, da faixa do azul ao infravermelho médio do espectro eletromagnético. Dessa forma, verificou-se que o satélite LandSat-5 atenderia perfeitamente tais exigências e, além disso, verifica-se sua vasta aplicabilidade para mapeamentos temáticos na área de recursos naturais. Mediante um cadastro para usuários realizado na página da web do INPE, o pesquisador tem a oportunidade de fazer o download, gratuitamente, das cenas requeridas no site www.dgi.inpe.br. Após verificar a qualidade das imagens (ruídos, cobertura de nuvens etc.), optou-se pelas cenas que tivessem características específicas às da pesquisa, baseadas nos anos que correspondem à classificação das estações chuvosas para a RMF, segundo Xavier e Xavier (1999). A seguir, verifica-se a Tabela 1 contendo as cenas requisitadas para download, com os respectivos valores de precipitação para o primeiro semestre da quadra chuvosa: Tabela 1 – Cenas adquiridas em função da classificação da quadra chuvosa para a RMF FUNCEME Precip. Jan/Jun Classificação (Xavier & (mm) RMF Xavier, 1998). 217/63 1985 Julho 1.973,50 Muito chuvoso 217/63 1994 Julho 1.681,41 Chuvoso 217/63 2004 Julho 1.290,43 Normal 217/63 1991 Julho 901,14 Seco 217/63 1998 Junho 621,0 Muito seco Fonte: Adaptado de Xavier e Xavier, 1999. Cena LANDSAT-5 Ano Mês Os arquivos correspondentes às bandas (azul ao infravermelho) estão em formato tiff ou geotiff (arquivo georreferenciado de imagem ou raster) e são baixados através de um link via e-mail. Para cada cena há sete bandas, totalizando 35 45 arquivos ou bandas baixadas, para posteriormente serem processadas em um software de SIG com ferramenta de PDI (processamento digital de imagens). 3.2.2 Composição colorida RGB e contraste De uma forma geral, as bandas ou canais de uma cena de satélite se apresentam em tonalidades de cinza. Para isso chama-se de resolução radiométrica. Se a resolução radiométrica de um sensor for de 8 bits, como é o caso do TM (Thematic Mapper) do LandSat-5 por exemplo, significa que a banda possui 256 tons de cinza. Contudo, a capacidade do olho humano em distinguir tonalidades de cinza é bastante limitada abrangendo, apenas, algo em torno de “30 diferentes níveis” (CRÓSTA, 1992, p. 57). Por outro lado, essa capacidade de distinção aumenta para a casa de dezenas de milhares quando se trata de uma imagem colorida. Daí a necessidade de transformação dos dados gerados em tons de cinza para uma composição colorida. Além disso, é necessário também, escolher dentre as sete bandas disponíveis, qual o melhor triplete 5 de bandas na composição RGB (Red, Green, Blue) para estudos da vegetação. De acordo com Ponzoni e Shimabukuro (2007), ao verificar as curvas espectrais de diferentes feições da superfície terrestre (Gráfico 1), verifica-se que na faixa do infravermelho próximo, a curva da vegetação atinge o máximo de refletância, enquanto que na região do visível ocorre o inverso, indicando baixa refletância ou alta absorção. Esse aumento de refletância na vegetação, gerado na faixa do infravermelho próximo, é diferente dos outros elementos que compõem a superfície terrestre como água e solo com refletância bem menos representativa. 5 Seleção de três canais ou bandas espectrais do sensor para gerar a composição colorida RGB (Red, Green, Blue). 46 Gráfico 1 – Curvas espectrais dos alvos terrestres (energia refletida x comprimento de onda) Fonte: Florenzano, 2002. Portanto, para que a vegetação – objeto de estudo, tivesse um destaque considerável entre as demais feições terrestres na imagem colorida, adotou-se o uso dos filtros azul, verde e vermelho nas bandas TM3, TM4 e TM5 respectivamente, obtendo-se as seguintes imagens resultantes (Quadro 2): Quadro 2 – Composições coloridas das cenas 217/63 do LandSat-5 adquiridas - Composição 543 (RGB) - Composição 543 (RGB) - Composição 543 (RGB) Junho de 1998 Julho de 1991 Julho de 2004 - Composição 543 (RGB) - Composição 543 (RGB) Julho de 1994 Julho de 1985 Fonte: INPE, 2012. 47 O processo de composição ocorreu no software ArcMap, utilizando a ferramenta de composição colorida RGB (Red, Green, Blue). Após este procedimento, foi feito um trabalho de equalização do histograma para homogeneizar a resposta da vegetação nas cinco cenas. 3.2.3 Retificação Imagens geradas por sensoriamento remoto estão sujeitas a uma série de distorções espaciais, não possuindo precisão cartográfica quanto ao posicionamento dos objetos ou fenômenos nelas representados. É necessário que estas imagens sejam corrigidas de acordo com algum tipo de sistema de coordenadas, processo conhecido também como correção geométrica. “A transformação de uma imagem, de modo que ela assuma as propriedades de escala e de projeção de um mapa, é chamada de correção geométrica” (CRÓSTA, 1992, p. 155 e 156). Além da técnica de obtenção de pontos de controle em campo, outra forma de correção adequada é a utilização das imagens Geocover da NASA. Essas imagens são formadas por um mosaico de cenas do satélite LandSat-7, coletadas nos anos de 1999 e 2000. São imagens ortorretificadas do mundo inteiro, com resolução espacial de 14,25m e possuem grande precisão nas coordenadas, compatíveis para trabalhos cartográficos em escala 1:100.000, servindo como uma excelente fonte de referência para localização. Através de um SIG que possua a ferramenta de retificação de imagens ou um software de PDI, o operador reposiciona a imagem deslocada (bruta) sobre a imagem Geocover. O ideal é que se estabeleçam pontos em comum e de fácil identificação, como cruzamento ou bifurcação de rodovias, vértices de áreas, edificações etc. 48 Figura 5 – Processo de correção do deslocamento das imagens de satélite Geocover Imagem bruta Fonte: INPE, 2012. A ferramenta de georreferenciamento do ArcMap permitiu a correção geométrica das imagens de satélite. Conforme os pontos de controle foram inseridos na imagem deslocada, o software fez uma verificação do erro referente ao novo posicionamento e, dessa forma, se chegou a um valor de erro abaixo do comprimento lateral do pixel, menor que 30 metros, no caso de uma imagem do LandSat-5. 3.2.4 Recorte Ao compararmos o tamanho de uma cena do LandSat-5 (185 x 185 km) com o limite da área de pesquisa na Figura 6, verifica-se o excedente de área na imagem de satélite que não será utilizado. Se levarmos em consideração as condições de armazenamento e processamento de um computador, extrair a área excedente fará uma grande diferença na utilização e desempenho do SIG. Nesse caso, utiliza-se uma ferramenta de recorte de imagem que, além de deixar a imagem de acordo com o limite da área estabelecido pelo pesquisador, também, deixa o arquivo menor, possibilitando rapidez nas análises computacionais e espaciais. O procedimento de recorte foi executado no software ArcMap, utilizando a ferramenta para tal função. 49 Figura 6 – Comparação entre a dimensão da cena do LandSat-5 (à esquerda) e a área de pesquisa (à direita) Limite da área de pesquisa Fonte: Autor, adaptado do INPE, 2012. Adotou-se o mesmo procedimento para cada cena, totalizando cinco recortes de imagem. Vale ressaltar que o procedimento de recorte também foi aplicado para o modelo digital de elevação. 3.2.5 Sombreamento do modelo SRTM De acordo com Valeriano (2008), dados topográficos fornecem variáveis importantes e são frequentemente utilizados nas análises ambientais, principalmente para definir unidades de paisagem com base em parâmetros morfológicos. Além dos levantamentos de dados topográficos tradicionais existem, atualmente, alternativas para se obter informações do relevo a partir de modelos digitais de elevação, adquiridos por sensores orbitais amplamente utilizados, como os dados SRTM. O projeto SRTM surgiu de uma cooperação entre a NASA e as agências espaciais alemã e italiana. Em fevereiro de 2000 realizou-se um sobrevoo com duração de 11 dias a bordo do ônibus espacial Shuttle, onde foram percorridas 176 órbitas, cobrindo 80% da superfície terrestre, conforme Valeriano (2008). O trabalho resultou em um modelo digital de elevação mundial, elaborado para cada continente e está disponível em arquivos do tipo raster, podendo ser baixado gratuitamente. No Brasil, vários órgãos federais já disponibilizam os 50 arquivos para download em suas páginas da web, como é o caso da EMBRAPA, por exemplo, disponível no endereço http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br/download/. Os dados de SRTM, quando submetidos a processamentos em um SIG, podem fornecer variáveis de altitude, perfil topográfico, declividade, orientação das vertentes, sombreamento do relevo etc. Nos mapeamentos temáticos de geologia, geomorfologia e solos desta pesquisa a utilização do relevo sombreado contribuiu para definir as feições dos referidos mapas temáticos. Ao inserir o arquivo raster SRTM no ArcMap, utilizou-se uma ferramenta de análise 3D. Nela, encontra-se a opção de sombreamento do relevo ou hillshade. Para executar a ferramenta, foi necessário entrar com os valores angulares de iluminação nas posições horizontal (azimute) e na vertical (altura). Dessa forma, o sistema identificou as elevações contidas nos pixels da imagem e realizou o sombreamento desejado (Figura 7). Figura 7 – Efeito de sombreamento (à direita) na região de Caucaia, Maranguape e Aratanha, aplicando-se a direção de azimute 120º e altura 60º Fonte: Autor, adaptado do SRTM/NASA disponível na CPRM. O efeito pode ser aplicado em diferentes direções de azimute (0º a 360º) e altura (0º a 90º), porém, obtêm-se melhores resultados incidindo a direção da luz perpendicular ao padrão linear das estruturas geológicas. Quanto maior for a altura da iluminação, menos efeito de sombra ocorrerá. 51 3.3 LEVANTAMENTO DOS DADOS TEMÁTICOS 3.3.1 Dados básicos A elaboração do mapa básico compreendeu o levantamento e a aquisição das informações espaciais contidas no Atlas Digital de Recursos Hídricos da SRH-CE escala 1:100.000, a fim de se estabelecer a planimetria que, de acordo com o manual Noções Básicas de Cartografia do IBGE (1999), representam as feições naturais e artificiais da superfície terrestre como rodovias, áreas urbanas, limites municipais, localidades, drenagem, espelhos d’água e curvas de nível. A toponímia de rodovias e hidrografia foi atualizada e complementada através do mapa do DER-CE de 2011 e cartas de 1:100.000 do IBGE/DSG, respectivamente. 3.3.2 Dados de hipsometria Através da hipsometria consegue-se identificar as feições topográficas mais representativas do relevo contribuindo, consideravelmente, para compreensão das características geológicas e geomorfológicas da área. A base de hipsometria foi elaborada utilizando-se o modelo digital de elevação SRTM com 30 metros de resolução espacial. Através do ArcMap foi possível separar os valores altimétricos dos pixels que, na área de estudo, variam de 0 a 960 metros, em faixas de 100 metros de altitude. Dessa forma, obtiveram-se nove classes com intervalos de 100 metros e mais uma, indo de 900 a 960 metros. 3.3.3 Dados litológicos Para a confecção do mapa litológico da área, recorreu-se à base do Mapa Geológico da Região Metropolitana de Fortaleza de 1995, escala 1:150.000, executado pela CPRM – Residência de Fortaleza (REFO), pertencente ao Projeto SINFOR – Sistema de Informações para Gestão e Administração Territorial da Região Metropolitana de Fortaleza. Como o mapa só existe em formato analógico (papel), foi necessário convertê-lo para formato digital através de um scanner, aparelho que faz uma 52 varredura do material em papel e transforma-o, no computador, para arquivo de imagem. Após este procedimento, o arquivo de imagem foi inserido no ArcMap e submetido a um georreferenciamento6 (ferramenta georeferencing) utilizando como referência as próprias coordenadas do mapa (Figura 8). Colocaram-se as coordenadas referentes aos quatro cantos do mapa: canto superior e inferior esquerdo; canto superior e inferior direito. Figura 8 – Indicação do ponto de controle para inserir as coordenadas Inserção das coordenadas x,y para georreferenciar a imagem do mapa Fonte: Brandão, 1995. Terminado o trabalho de georreferenciamento, vetorizou-se todas as classes litológicas encontradas na imagem do mapa e o preenchimento dos nomes na tabela de atributos (Figura 9). 6 De acordo com Fitz (2008), é o procedimento de ajuste em um SIG sob o qual se vincula um arquivo a um sistema de coordenadas conhecido. 53 Figura 9 – Vetorização dos polígonos e preenchimento das classes na tabela de atributos Fonte: Elaborado pelo autor. Finalmente, com a vetorização das classes concluída, a base litológica ficou pronta para ser utilizada no SIG. 3.3.4 Dados de geomorfologia O mapa de geomorfologia foi elaborado com base no Mapa de Geodiversidade do Ceará, escala de 1:500.000, também executado pela CPRM – REFO. Nesse caso, o mapa geomorfológico já se encontrava em arquivo digital shapefile, porém, a escala em que foi produzido não correspondia à escala de trabalho desta pesquisa. Houve a necessidade de se fazer um novo mapeamento a fim de melhorar a delimitação das feições morfológicas do relevo. Para auxiliar na edição da nova base geomorfológica, foram inseridos os arquivos rasters da área no ArcMap, como a imagem de satélite LandSat-5, o modelo digital de elevação e o relevo sombreado (Figura 10). 54 Figura 10 – Comparação entre as bases de geomorfologia - à esquerda veem-se as delimitações bem generalizadas e, à direta, os contornos mais detalhados Antiga delimitação Nova delimitação Fonte: Autor, adaptado da CPRM, 2010. Através dos dados do projeto SRTM procurou-se delimitar os novos polígonos de geomorfologia para definir melhor as feições do relevo destacadas. 3.3.5 Dados de solos O único mapa de solos em meio digital (arquivo shapefile) do estado do Ceará, disponível em escala regional 1:600.000 e de boa confiabilidade nos dados, é o Mapa de Reconhecimento/Exploratório de Solos da EMBRAPA, do ano de 1973. O mesmo problema encontrado na base de geomorfologia – conforme mencionado no item 3.3.4, foi verificado na base de solos, onde a escala original do mapa não correspondia à escala de trabalho da pesquisa. Além disso, a classificação de solos contida na tabela de atributos, não condizia com a atual classificação do SiBCS de 2009. Portanto, foram executados os procedimentos similares ao do mapeamento geomorfológico, utilizando o sensoriamento remoto da área de estudo para delimitar os polígonos de solos. Após a vetorização das novas áreas, também, atualizou-se a classificação dos solos na tabela de atributos. 55 3.3.6 Dados de vegetação O mapa de vegetação foi elaborado com base nos dados do Projeto SINFOR que contempla o diagnóstico geoambiental da RMF, publicado pela CPRM em 1998. Utilizando a imagem de satélite LandSat-5 e o modelo digital de elevação SRTM realizou-se a delimitação dos polígonos adaptados para a escala de trabalho, tendo como fonte de informação as províncias fitogeográficas encontradas no referido Projeto. 3.3.7 Dados de orientação de vertentes A orientação de vertentes “é uma medida de ângulo horizontal da direção, referente ao escoamento superficial, expressa em azimute” (VALERIANO, 2008, p. 87), ou seja, com variação angular de 0º a 360º, tendo o Norte geográfico como referência inicial. A aplicação dessa variável na pesquisa é cruzar dados de geomorfologia com dados climatológicos, onde a orientação da vertente indicará qual face do morro está recebendo maior incidência de correntes de ar, ventos úmidos e precipitação. Para a área de estudo pôde-se calcular esta variável através do ArcMap, utilizando o modelo digital de elevação SRTM, na ferramenta de análise 3D, na qual se descobre a orientação da face do relevo (aspect). Após a análise, o sistema criou um novo arquivo raster contendo os dados de orientação de vertentes, dividido em oito classes (norte, nordeste, leste, sudeste, sul, sudoeste, oeste e noroeste) de 45º. 3.3.8 Dados de declividade Para Valeriano (2008), pode-se entender por declividade o ângulo de inclinação da superfície local em relação ao plano horizontal, podendo ser expressa em graus ou percentual. Da mesma forma que a orientação de vertentes, a inclinação do terreno foi obtida em percentual, através do modelo digital de elevação SRTM pela ferramenta de análise 3D do ArcMap que calcula a declividade (slope). 56 As classes obtidas foram organizadas conforme a legenda utilizada pela CPRM (2013): plano (0 a 3%), suave ondulado (3 a 8%), moderadamente ondulado (8 a 13%), ondulado (13 a 20%), forte ondulado (20 a 45%) e escarpado (45 a 75%). 3.3.9 Dados de precipitação O mapa de precipitação foi proveniente do Projeto Atlas Pluviométrico do Brasil de 2012, da CPRM. Na mídia de DVD-ROM do Projeto existe a pasta do banco de dados geográfico e através dele utilizou-se o arquivo raster de pluviometria do Brasil (médias anuais 1977 a 2006), escala 1:5.000.000. No ArcMap, fez-se o recorte do raster pela área de estudo e obteve-se um intervalo de 500 a 1600 mm de chuva. Sendo assim, classificou-se a pluviometria em 11 faixas de 100 mm, resultado satisfatório para atender a relação da variedade de classes com o tamanho da área. 3.3.10 Dados de temperatura Para Castro et al. (2010), a temperatura do ar é o fator que promove maiores efeitos sobre muitos processos fisiológicos da vegetação. Em estudos de fitogeografia, o conhecimento da variação espacial da temperatura é fundamental para caracterizar e estudar o clima de uma determinada região, delimitar regiões ecológicas e analisar a distribuição de espécies vegetais nativas, por exemplo. A baixa densidade de estações meteorológicas de temperaturas do ar no Brasil, sobretudo na região Nordeste, dificulta os tipos de estudos anteriormente citados. De acordo com Pezzopane et al. (2004), uma opção simples e eficiente é estimar a temperatura do ar através de modelos determinísticos globais por regressão múltipla, tendo como variáveis independentes a latitude e a altitude expressa na fórmula, a seguir: 57 Yi = b0 + b1Alt + b2Lat Onde: Yi = temperatura do ar (ºC); Alt = Altitude (m); Lat = Latitude em graus e décimos; b0, b1 e b2 = coeficientes da equação de regressão ajustados para cada mês do ano. O modelo baseia-se em duas premissas: 1. A irradiância solar, em escala global, é o principal fator que influencia a temperatura do ar, verificado em função da variação da latitude (LYRA et al. 2011, p. 276) e 2. As regiões mais altas tendem a apresentar menores temperaturas do ar, baseado na lei da termodinâmica. Uma parcela de ar úmido se resfria a uma taxa média de 0,6 ºC a cada 100 m de altitude (DODSON e MARKS, 1997 apud LYRA et al., 2011, p. 276). Com os coeficientes (b0, b1 e b2) de regressão ajustados para a região, utilizase um modelo digital de elevação para se obter valores de temperatura, pois seus pixels possuem dados de localização (latitude e longitude) e altitude necessários na fórmula. Baseado nessas informações para se estimar a temperatura do ar da área de estudo, ajustou-se um modelo de regressão linear múltipla utilizando-se dados das estações do INMET de Fortaleza, Guaramiranga e Morada Nova, média anual de temperatura do ar, retirada dos registros das Normais Climatológicas do Brasil, de 1961 a 1990 (Quadro 3). Quadro 3 – Estações meteorológicas do INMET utilizadas para calcular os coeficientes Estação INMET Altitude (m) Lat. (grau dec.) Temp. anual (ºC) Fortaleza 26,45 -3,75 30,1 Guaramiranga 870,67 -4,28333 20,5 Morada Nova 43,62 -5,11667 27,1 Fonte: Autor, adaptado do INMET, 2009. 58 Após aplicar a fórmula de regressão linear múltipla com base nos dados das estações meteorológicas no software Excel, os coeficientes encontrados foram: b0 = 38,12375; b1 = -0,01006 e b2 = 2,068677. Numa segunda etapa, no ArcMap, inseriu-se o arquivo raster do modelo digital de elevação SRTM da área e converteram-se os pixels para vetores do tipo ponto (Figura 11). Figura 11 – Transformação dos pixels do SRTM em pontos (à direita) Pixels do SRTM Malha de pontos Fonte: Autor, adaptado do SRTM/NASA disponível na CPRM. Após a conversão, utilizou-se a tabela de atributos dos pontos contendo os dados de altitude e latitude necessários para realizar o cálculo da temperatura (Figura 12). 59 Figura 12 – Detalhe da fórmula de temperatura montada no SIG ArcGIS Fonte: Elaborada pelo autor. Depois de aplicar a fórmula nos pontos, converteram-se novamente para arquivo raster de temperatura. O raster de temperatura do ar da área de estudo apresentou uma variação de 11 ºC, sendo registrados 20 ºC no topo dos maciços úmidos a 31 ºC na faixa planície litorânea. Portanto, para a confecção do mapa temático de temperatura, dividiram-se os intervalos em 11 classes, cada uma com 1 ºC. 60 4 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS De acordo com o mapa de localização verificado, os maciços do estudo estão distribuídos em cinco municípios que compõem a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF): Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Pacatuba e Guaiuba. Exceto pelas serras do Juá e da Conceição, totalmente pertencentes ao município de Caucaia, as áreas das serras da Aratanha e Maranguape são divididas por mais de dois municípios, apresentando valores variados, conforme constata na Tabela 2: Tabela 2 – Distribuição de área e percentual das serras da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição sobre os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú Maciço Município Área (km²) % Maranguape 52,12 47% Guaiuba 24,88 22% Serra da Aratanha Pacatuba 20,97 19% Maracanaú 12,93 12% Total 110,9 100% Maranguape 61,47 52% Caucaia 53,51 46% Serra de Maranguape Maracanaú 2,62 2% Total 117,6 100% Caucaia 37,55 100% Serras do Juá e Conceição Total 37,55 100% Fonte: Elaborado pelo autor. O município de Maranguape detém uma considerável área das serras da Aratanha e Maranguape, chegando a 47% e 52% do total, respectivamente, seguido de Caucaia, que possui 46% da serra de Maranguape. Já o restante dos municípios de Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú apresentam percentuais de áreas dessas serras não tão expressivos, mas que exercem influência sobre a utilização desses espaços, principalmente pela agricultura e mineração, assuntos a serem abordados posteriormente. Em relação aos aspectos populacionais destes municípios, o processo de ocupação de seus territórios tem forte ligação com a cidade polo, a capital Fortaleza, a qual exerce grande centralidade política e econômica. Souza et al. (2009) afirmam que a instituição da RMF na década de 1970 acelerou o crescimento populacional das cidades que atualmente integram a Região, especialmente daquelas que apresentam maior nível de articulação urbana, como Fortaleza, Maracanaú e Caucaia. 61 Em um contexto geral, o Mapa 3 demonstra a ocupação da RMF através da expansão urbana ocorrida entre as décadas de 1980 e 2010. Além de Fortaleza, verifica-se o crescimento de áreas urbanizadas nas sedes de Maracanaú e Caucaia, pertencentes aos “municípios mais populosos do Estado” (SILVA, 2009, p. 17). Mapa 3 – Distribuição das áreas urbanizadas da RMF nos anos 1980 e 2010 Área urbanizada Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em imagens dos satélites ResourceSat de 2010 e LandSat-2 de 1980. 62 Diante do exposto, fica evidente que o crescimento urbano ocorreu através do vínculo estabelecido entre a capital e as demais cidades circunvizinhas da RMF, inclusive sobre aquelas onde se encontram os objetos de estudo. Além disso, para Souza et al. (2009), o crescimento populacional também foi ocasionado pela ocorrência de secas que sistematicamente aconteceram no espaço cearense, no qual a inexistência de políticas públicas impulsionou fortemente as migrações para a capital do Estado e sua região metropolitana. A Tabela 3 mostra a quantidade de habitantes nos anos de 1991, 2000 e 2010, junto com a área municipal e densidade demográfica dos municípios que compõem o entorno imediato dos maciços: Tabela 3 – Dados do total populacional de 1991, 2000 e 2010, área territorial e densidade demográfica dos municípios de Caucaia, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba e Guaiuba Município População (1991) População (2000) População (2010) Caucaia 165.099 250.479 325.441 Maracanaú 157.151 179.732 209.057 Maranguape 71.705 88.135 113.561 Pacatuba 60.148 51.696 72.299 Guaiuba 17.562 19.884 24.091 Área (km²) Densid. (hab./km²) 1.228,5 264,9 106,6 1.960,2 590,8 192,1 131,9 547,7 267,1 90,1 Fonte: IBGE 1991, 2000 e 2010. De acordo com Silva (2009), a RMF nos últimos 30 anos vem experimentando mudanças substanciais em sua estrutura e fisionomia urbana, resultado de recursos oriundos de agências regionais de desenvolvimento. Em 1964 no município de Maracanaú, emancipado em 1984 do município de Maranguape, foi criado o Distrito Industrial de Fortaleza através da política de industrialização da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), onde diversas indústrias se instalaram para compor o novo quadro da dinâmica e expansão da economia cearense. Para Silva (op. cit.), o somatório de políticas visando a descentralização da Zona Industrial da Francisco Sá em Fortaleza, culminou na construção de grandes conjuntos habitacionais nos limites Sul e Sudoeste de Fortaleza no início dos anos 1970 e em Maracanaú, Pacatuba e Caucaia nos anos 1980. A respeito da implantação das indústrias na RMF, ao verificar o Gráfico 2 referente ao Produto Interno Bruto (PIB) dos cinco municípios em questão, constatase a elevada contribuição dos setores industrial e de serviços se comparados ao 63 setor agropecuário, principalmente em Maracanaú e Caucaia, munícipios que desenvolveram bem esses setores através de incentivos fiscais e financeiros. Gráfico 2 – PIB de agropecuária, indústria e serviços dos municípios organizados em ordem decrescente de valor (R$): Maracanaú, Caucaia, Maranguape, Pacatuba e Guaiuba Fonte: IBGE, 2012. Sobre o setor agropecuário, os municípios que apresentaram melhor PIB foram Caucaia e Maranguape, acima de R$ 30 mil, enquanto que Guaiuba, Pacatuba e Maracanaú não passam dos R$ 10 mil (Gráfico 3). Gráfico 3 – PIB de agropecuária organizado em ordem decrescente de valor (R$): Caucaia, Maranguape, Guaiuba, Pacatuba e Maracanaú Fonte: IBGE, 2012. 64 Um fato que chama atenção é a população rural de Guaiuba, Pacatuba e Maracanaú apresentar diminuição no número de habitantes entre os anos de 1991 e 2000 e aumento entre os anos 2000 e 2010 (Tabela 4), mesmo indicando baixos valores do PIB agropecuário. Tabela 4 – Total de população urbana e rural de 1991, 2000 e 2010 dos municípios de Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Pacatuba e Guaiuba Município Caucaia Maranguape Maracanaú Pacatuba Guaiuba População urbana Ano 1991 Ano 2000 Ano 2010 147.601 226.088 290.220 51.954 65.268 86.309 156.410 179.170 207.623 53.626 47.028 62.095 10.048 15.611 18.877 População rural Ano 1991 Ano 2000 Ano 2010 17.498 24.391 35.221 19.751 22.867 27.252 741 562 1.434 6.522 4.668 10.204 7.514 4.273 5.214 Fontes: IBGE de 1991, 2000 e 2010. Há no Ceará uma sensível transformação no padrão de organização do espaço rural, aumentada por programas de desenvolvimento para as indústrias. Para Alves e Paulo (2012), o quadro atual da ocupação da população rural não está diretamente relacionado à agricultura, pois a expansão da oferta de emprego, principalmente industrial, incentivada pelas políticas públicas estaduais, ampliou a possiblidade de trabalhadores rurais exercerem atividades em segmentos da economia que antes eram considerados exclusivamente urbanos. Ao levantar os dados do IBGE de agricultura, extrativismo vegetal e pecuária dos municípios de Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Pacatuba e Guaiuba em uma série histórica de 22 anos, verifica-se uma considerada diminuição na produção desses grupos. Na agricultura, para as lavouras consideradas temporárias, ou seja, que “são praticadas com baixa incorporação tecnológica, com uma agricultura de base familiar e em pequenas propriedades” (SILVA, 2007, p. 51), foram coletados os registros da produção de arroz, cana-de-açúcar, feijão, mandioca e milho. O Gráfico 4 mostra o total produzido destas culturas para os cinco municípios, no período de 1990 a 2012. Destacaram-se os anos de 1990 a 1994 passando de 200 mil toneladas e, no período de 1996 a 2006, a produção não chegou a 100 mil toneladas, somente havendo uma pequena melhora acima dos 100 mil a partir de 2008. O menor valor encontrado foi no ano de 2012, registrando apenas 31 mil toneladas. 65 Gráfico 4 – Produção de lavouras temporárias somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. Se o total produzido for analisado individualmente por município, verifica-se a queda da produção das lavouras temporárias entre 1992 e 1996 em todos eles, sendo mais expressiva em Maranguape, Pacatuba e Guaiuba (Gráfico 5). De 2004 até 2010, o município de Caucaia se destacou na produção dos demais, impulsionado principalmente pela cultura do milho e cana-de-açucar. Gráfico 5 – Produção de lavouras temporárias por município, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. 66 No caso das lavouras permanentes, que de acordo com Silva (2007), são praticadas com uma pequena incorporação tecnológica, com o uso de agrotóxicos e também são, em grande parte, de plantios comerciais. Foram coletados os registros da produção de banana, castanha de caju e manga. Sobre o total produzido de lavouras permanentes nos cinco munícipios (Gráfico 6), observa-se a produção em queda de 1992 até 1996 e, a partir de 1998, ocorreu um aumento até 2010. Seus melhores registros (de 2004 a 2010) passam da marca de 20 mil toneladas. O ano de 2012 encerrou com 13,4 mil toneladas, indicando nova queda na produção. Gráfico 6 – Produção de lavouras permanentes somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. Na análise do total produzido por municípios, verifica-se que os municípios que elevaram a produção de 1998 a 2010 correspondem a Caucaia e Maranguape (Figura 13), influenciados, principalmente, pela bananicultura, enquanto Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú não apresentaram aumento significativo do referido período. 67 Gráfico 7 – Produção de lavouras permanentes por município, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. Figura 13 – Detalhe da bananicultura praticada na vertente ocidental da Serra da Aratanha Foto: Autor, maio de 2013. 68 Figura 14 – Aspecto do plantio de milho (base do morro) e de feijão (vertente do morro), local Serra da Aratanha Foto: Autor, maio de 2013. A respeito do setor de extrativismo vegetal verificado nos cinco municípios, os dados indicam quedas significantes na extração de madeira para produção de carvão vegetal e lenha. Somado os cinco municípios, o total da produção de carvão vegetal (Gráfico 8) revelou que em 1990 chegou a 6,8 mil toneladas, seguido nos anos seguintes de queda até atingir um declínio considerável a partir do ano de 1998. Em 2000, o total produzido continuou a cair, mantendo-se baixo até 2012. 69 Gráfico 8 – Produção de carvão vegetal somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. Os totais da produção de lenha no período de 1990 a 2012 (Gráfico 9) também demonstraram uma característica de queda, semelhante a da produção de carvão vegetal, apresentando mais de um milhão de m³ em 1990 e queda para 63 mil m³ em 1998, continuando a registrar valores baixos durante os anos seguintes, até 2012: 70 Gráfico 9 – Produção de lenha somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. Ao analisar os totais por município (Gráficos 10 e 11), é notório que os municípios de Maranguape e Guaiuba foram os que registraram as maiores quedas, tanto na produção de carvão vegetal quanto na produção de lenha. Também apresentaram queda, os municípios de Caucaia e Pacatuba na produção carvão vegetal e, Maracanaú acompanhado novamente de Pacatuba, na produção de lenha. Gráfico 10 – Produção de carvão vegetal por município, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. 71 Gráfico 11 – Produção de lenha por município, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. A produção da pecuária também registrou, para o mesmo período de 1990 a 2012, um aspecto de queda semelhante à produção agrícola. Ao verificar o Gráfico 12, correspondente aos totais de todos os cinco municípios para rebanhos de bovinos, suínos, caprinos e ovinos, constata-se que o melhor ano foi de 1992, cuja produção atingiu 292,6 mil cabeças. O declínio significativo ocorreu em 1996, caindo os rebanhos para 78 mil cabeças, em 1998 para 74 mil e 2000 para 76 mil. Somente de 2002 a 2012 houve um pequeno aumento no total dos rebanhos para 100 mil cabeças, em média. 72 Gráfico 12 – Produção de rebanhos efetivos somados os municípios de Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Maracanaú, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. No gráfico 13, que representa os totais dos rebanhos por município, percebese que os municípios mais relevantes dos cinco analisados são Caucaia e Maranguape. Apesar do declínio ocorrido em 1996, os dois juntos ainda exercem forte influência na produção da pecuária para sua região. Gráfico 13 – Produção de rebanhos efetivos por município, período de 1990 a 2012 Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do IBGE. 73 Quanto à mineração, os principais materiais produzidos na RMF são brita e areia, especialmente para serem usados como agregados, bastante utilizados pela construção civil. Servem de matéria-prima na “fabricação de concreto, pavimentação de rodovias, lastros de ferrovias, barramentos, enrocamentos, filtros e outras destinações” (CAVALCANTI, 2011, p. 6). Sobre os objetos de estudo, convém ressaltar que a produção de brita está ligada, diretamente, aos maciços residuais, pois nessas formas de relevo é que se encontram os tipos de rochas utilizadas, as graníticas e vulcânicas. De acordo com Cavalcanti (op. cit.), os principais municípios da RMF produtores dessa matéria-prima são Itaitinga, Caucaia, Pacatuba, Maracanaú, Maranguape e Eusébio, sendo Itaitinga considerado o principal município polo produtor da Região. A seguir, o Quadro 4 apresenta os municípios e as empresas de mineração que atuam na produção de brita, com destaque para Itaitinga que possui seis empresas e Caucaia com três. Quadro 4 – Relação de empresas que produzem brita na RMF Regiões/Área Quantidade Município de Caucaia 3 Município de Eusébio Serrote Cacaru 1 Município de Itaitinga Serra da Itantinga Município de Maracanaú Município de Pacatuba Serra da Monguba Total Fonte: Cavalcanti, 2011. Extratora TECBRITA BRITAP PYLA OCS 1 Estrela Britagem PEDRALEZA Pedreira de Itaitinga CEBRITA Predeira Natacha BRITANE NORDBRITA 1 BRITACET 6 12 As principais áreas que aparecem com potencial para exploração estão representadas pelas serras do Camará, do Juá, da Conceição e o Serrote das Cajazeiras em Caucaia e as serras de Maranguape, do Monguba e da Itaitinga, situadas nos municípios Maranguape, Maracanaú, Pacatuba e Itaitinga. 74 Segundo dados do DNPM de 2009, estas áreas possuem reservas medidas em 141,6 milhões de toneladas, totalizando 19 áreas, distribuindo-se da seguinte maneira (Quadro 5): Quadro 5 – Reservas medidas para produção de pedra britada na RMF - Ano base 2009 Município Itaitinga Caucaia Tipo litológico Granitoides Granitoides Paragnaisses e Maranguape granitoides Paragnaisses e Pacatuba granitoides Eusébio Vulcânicas alcalinas Paragnaisses e Maracanaú granitoides Total Número de áreas Reserva (milhões de t) 8 54,83 4 31,73 1 21,35 3 19,22 1 3,46 2 11,01 19 141,6 Fonte: DNPM, 2010. Em 2010, de acordo com dados do DNPM, só a RMF foi responsável por 87% da produção de brita do estado do Ceará, chegando a 2,6 milhões de toneladas, destacando-se a década 2001-2010 com um crescimento de 200% em relação à anterior. O Gráfico 14 indica o crescimento da produção de brita no período de 2006 a 2010, nos municípios de Caucaia, Eusébio, Itaitinga e Maracanaú. Destaque para o município de Caucaia, que em 2006 apresentou aproximadamente 500 mil toneladas e em 2010 quase triplicou para 1,5 milhão de toneladas. Gráfico 14 – Curvas de produção de brita por municípios da RMF indicam crescimento no período de 2006 a 2010 Fonte: DNPM, 2010. 75 Para suprir as necessidades da RMF dos últimos 30 anos estimou-se, no mínimo, um consumo de “50 milhões de metros cúbicos” (CAVALCANTI, 2011, p. 80) de agregados, entre brita e areia. Segundo a autora, todo esse material está hoje distribuído sob a forma de moradias, lojas, shoppings, hospitais, ferrovias, rodovias, avenidas, aeroporto, portos, toda e qualquer obra de construção civil que exista na Região. De acordo com Brandão (1998), a proximidade entre as áreas produtoras e o centro consumidor viabiliza, economicamente, a extração de bens minerais e funciona como agente mitigador de crise social, gerando empregos em regiões de alta densidade demográfica. Sob o ponto de vista ambiental dessas áreas produtoras, verifica-se que comprometem a qualidade de vida das comunidades vizinhas e suas degradações são de difícil recuperação, causando danos irreversíveis na paisagem (Figura 15 e 16). Figura 15 – Vista parcial de uma pedreira localizada na Serra da Monguba em Pacatuba Foto: Autor, maio de 2013. 76 Figura 16 – Vista parcial da produção de brita nas serras do Juá e Conceição em Caucaia Foto: Autor, maio de 2013. 77 5 CONDICIONANTES AMBIENTAIS A avaliação ambiental dos componentes ou condicionantes de uma área tem como finalidade os levantamentos multidisciplinares que envolvem os aspectos relacionados à geologia, geomorfologia, clima, hidrografia, solos e vegetação. Esses componentes temáticos, quando tratados sob uma abordagem a partir de suas interrelações, permitem uma visão integrada da área e constituem-se de informações fundamentais à modelagem ambiental do presente estudo. 5.1 GEOLOGIA E GEOMORFOLOGIA Geologicamente os objetos de estudo estão em terrenos cristalinos, mais precisamente inseridos no Domínio Ceará Central (DCC), localizado no Setor Setentrional da Província Borborema, pertencente ao Sistema Orogênico Borborema que abrange grande parte do Nordeste, no caso do Ceará “engloba pouco mais de 2/3 do território estadual” (SOUZA, 2000, p. 28). O Domínio Ceará Central estende-se a partir da Zona de Cisalhamento Sobral-Pedro II até a Zona de Cisalhamento Orós, onde se encontra com o Domínio Orós-Jaguaribe (Mapa 4). Limitando-se ao Oceano Atlântico ocorrem coberturas sedimentares cenozoicas que o recobrem. Várias unidades de diferentes datações constituem esse Domínio e, portanto, para um melhor entendimento desta pesquisa decidiu-se descrever apenas a unidade que caracteriza os objetos de estudo. 78 Mapa 4 – Encarte tectônico da Província Borborema Setentrional Fonte: CPRM, 2012. As serras da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição estão na “unidade suítes granitoides tardi a pós-tectônica (580 – 570 Ma), do Neoproterozoico” (HASUY, 2012, p. 256), também, podendo ser chamados de granitoides brasilianos, por serem originados no Ciclo Brasiliano (640 a 450 Ma). De acordo com Souza (2000), as formas de relevo que as integram exibem o reflexo de eventos tectônico-estruturais remotos dos maciços antigos metamorfizados e submetidos às influências de tectonismo plástico e ruptural. As falhas e lineamentos obedecem aos “padrões de orientação do trend7 regional da 7 “Termo genérico para a direção de ocorrência de uma feição geológica de qualquer dimensão ou natureza” MINEROPAR, 2014. 79 Província Borborema” (SARAIVA JÚNIOR, 2009, p. 41) distribuindo-se, predominantemente, em faixas estruturais de direção NNE-SSW. No caso das serras de Juá e Conceição, de altitude média entre 300 a 500 metros, são constituídas por rochas do Complexo Gnáissico-Migmatítico, composto por “biotita-gnaisses e ortoderivados, com ou sem muscovita, anfibólio, granada e sillimanita parcial ou totalmente migmatizados” (BRANDÃO, 1995, p. 6) e algumas áreas com predominância de migmatitos. Figura 17 – Aspecto de um afloramento em corte de uma estrada nas serras do Juá e da Conceição, evidenciando avançado processo de alteração de rochas gnáissicas migmatíticas fraturadas Foto: Autor, novembro de 2013. Já as serras da Aratanha e Maranguape, com níveis altimétricos entre 600 a 800 metros, são constituídas pelo Complexo Granitoide-Migmatítico. Nele, encontram-se “ortognaisses graníticos e migmatitos diversos, com frequência encerrando lentes anfibolíticas” (BRANDÃO, op. cit., p. 6). 80 Figura 18 – À esquerda, presença de blocos de rochas graníticas, resultado do processo de erosão por intemperismo químico, Serra da Aratanha. Á direita, outro processo erosivo, também por intemperismo químico, agindo sobre um conjunto de fraturas em um bloco de granito, Serra de Maranguape Fotos: Autor, maio de 2013 e setembro de 2013. Essas serras representam, morfologicamente, os maciços residuais que para Souza (2003) constituem superfícies topograficamente elevadas do embasamento cristalino, destacando relevos com dimensões variadas e que são submetidos às influências locais do clima, condicionando suas características termo-pluviométricas que comandam os processos erosivos. A abundância de chuvas nesses locais provoca maior escoamento fluvial e intensifica a capacidade de escavamento dos vales pelos rios, consequentemente, os processos erosivos originam feições de “cristas, lombas alongadas, colinas, interflúvios tabulares estreitos, vales em V ou de fundos planos semicirculares” (SOUZA; OLIVEIRA, 2006, p. 91). Em relação à declividade, Souza (op. cit.) explica que as classes de declive são mais pronunciadas, superiores a 10-15% (colinas) e em alguns setores os declives assumem valores de 30-45% ou mais (cristas), apresentando feições escarpadas onde não há condições superficiais de solo e as vertentes rochosas se expõem. De acordo com Souza e Oliveira (op. cit.) os fundos de vale são profundos e estreitos e quando ocorre suavização topográfica, desenvolvem-se pequenas depressões de topografia plana com coberturas colúvio-aluviais, favoráveis à prática agrícola. De acordo com Brandão (1998), nos setores de barlavento (vertente leste) onde a incidência pluviométrica é maior, predomina o intemperismo químico que favorece o desenvolvimento de solos espessos do tipo argissolo vermelho-amarelo 81 eutrófico e sustenta uma cobertura vegetal, de maior porte, formada por uma floresta plúvio-nebular. Nos setores de sotavento (à oeste) onde quase não há influência da pluviometria, atua o intemperismo físico. Nesse caso, as vertentes são secas e predominam os solos litólicos, rasos, com frequentes afloramentos rochosos, propiciando uma vegetação de menor porte, que pode ser chamada de mata seca, “intermediária entre a caatinga e a floresta plúvio-nebular” (BRANDÃO, 1998, p. 22). Figura 19 – Aspecto do relevo gerado a partir do modelo digital de elevação SRTM dos maciços, apresentando cristas, vales em "V" e colinas Juá e Conceição Maranguape Aratanha Fonte: Autor, adaptado do SRTM/NASA disponível na CPRM. Além dos levantamentos geológico e geomorfológico das serras, optou-se por destacar as feições de seus entornos. As informações apresentadas foram elaboradas com base no Mapa Geológico da RMF (BRANDÃO, 1995) e no Mapa de Geodiversidade do Ceará (CPRM, 2010). De forma sucinta as feições encontradas foram: 82 Quadro 6 – Relação das feições geológicas e geomorfológicas classificadas na área do entorno imediato Feição geológica Feição geomorfológica Depósitos eólicos litorâneos; Planícies costeiras e campo de dunas; Depósitos flúvio-marinhos; Planícies fluviais, flúvio-lacustres ou flúviomarinhas; Depósitos aluviais; Planície fluvial; Formação Barreiras; Tabuleiros e baixos platôs; Coberturas colúvio-eluvial; Tabuleiros e baixos platôs; Complexo Gnáissico-Migmatítico, lentes de calcário cristalino, muscovita quartzito. Ultrabasitos e granitos; Superfícies aplainadas; Vulcânicas alcalinas. Domínio de colinas, morros baixos e domos. Fonte: Elaborado pelo autor. A seguir, verificam-se os mapas temáticos de geologia (Mapa 5), geomorfologia (Mapa 6), declividade (Mapa 7) e hipsometria (Mapa 8): 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 83 O R ch. d o s M at C E A ões N É O Rc h. São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 Convenções cartográficas eb a Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! .T ap Área urbana Serra da Conceição ! Rch. dos Brandões do alg a Ste.! Salgadinho ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto o Ri h. S a Ce Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara d ov MARACANAÚ iár i o 060 C R io or a Aç. Bom Princípio Rc h. d a i g ue Tan Ste. Japarara Ste. dos Vieiras PACATUBA do Jubaia io Fo Ste. Bico da Arara ! ! GUAIÚBA Serra Fria a Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu rm Vulcânicas alcalinas Complexo gnássico-migmatítico Leucogranitos rosados Complexo granitóide-migmatítico Área do entorno os RMF Itaitinga a Ste. do Campo Aç. Pacoti ! ça lo Ste. da Moenda Escala numérica 1:250.000 Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) on G o Sã h. Rc Ste. do Baú R ch . Á R gu a Ve rd e 10 km Redenção Guaramiranga 520000 Ste. Estrela ! 530000 io Pa co ti 9540000 Serra do Gurguri Serras Verdes Pacajus ! 5 Rch. Paric e 4 35 Pacoti Ste. do Bolo Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! ! ! E- ! R ch. Baú Rch. Verd e Horizonte C ! ! Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre 9540000 Biotita-gnaisses e migmatitos Ste. ! do Jatobá Aç. Mata Fresca Baú 510000 Formação barreiras Aç. Baú Palmácia 500000 Muscovita quartzito 9550000 i lh Tanques 0 Coberturas colúvio-eluviais lga rr a Ba da ia ba o ja aL Lages ! ! Caridade Calcário cristalino Ceará ! u rq 9550000 R h. Fo ! Serra Santo Antônio .d ch pa ra h. 4 Rc -35 ! R R io P a CE Aç. Cavalcante Serrote Bicudo a ai l Jú Aç. Papara Ste. do Papara Serra do Pocin Aç. Lajero Serra do Gigante Paleodunas Ultrabasitos h. ! ! Granitoides mesocráticos Rc o CE-455 Lagoa do Juvenal Itapebuçu Rc B h. Rc Ste. do Mocozal ! Aç. Amanari a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha i ra dr n ar i Depósitos flúvio-aluvionares e de mangues Dunas móveis ou recentes ! Vie Ce Ama Legenda - geologia Aç. Gavião Sa Ste. Bom Princípio . do Drenagem Serra da Monguba . do h. Rc Rch Rodovia não pavimentada Localização Ste. do !Frade ra Penedo ! Serra do Boticário Espelhos d'água 0 R ch 9560000 ! ! ! Bom Princípio - 35 Serras e serrotes 9560000 ! Rio MARANGUAPE C E Serra de Maranguape Rc h. Serra das Danças Rch. Sapupa ra ! Rc h. do s M Aç. Massapê ap P ir Co c ó os ac ac Tucunduba 1 B 0 02 R- - 25 CE Ste.!Preto E06 5 Aç. Muquém ! Rodovia implantada ! Ste.! Bico Fino 9570000 l ro C E- Rc e C Rio Serra!do Juá Ste. Cararu ará 9580000 Rio Anil ! Rch. do Gaviã o Pentecoste Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada R Sítios Novos La. do Umari Mapa 5 - Mapa de geologia 22 ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A 9600000 CE -4 22 Paracuru Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados litológicos: Mapa Geológico da Região Metropolitana de Fortaleza, CPRM, 1994. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 84 O R ch. d o s M at C E A ões N É O Rc h. São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 ! - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 22 Mapa 6 - Mapa de geomorfologia Convenções cartográficas .T ap eb a Área urbana Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada ! R Sítios Novos Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! do rá ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto oC Ri ea Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara MARACANAÚ iár i E06 5 P ir r apo 060 C R io a Serra das Danças MARANGUAPE C E Serra de Maranguape ! - 35 Rio do Rc h. ! Legenda - geomorfologia Domínio de morros, serrano e montanhoso s M Aç. Massapê Espelhos d'água Tabuleiros e baixos platôs o Co c ó os ac ac Tucunduba Rodovia não pavimentada Domínio de colinas, morros baixos e domos 1 BR Drenagem Superfícies aplainadas - 25 CE Ste.!Preto 9570000 d ov Aç. Muquém 20 -0 Rodovia implantada Planícies fluviais, flúvio-lacustres ou flúvio-marinhas l ro ! Ste.! Bico Fino Serras e serrotes Planícies costeiras e campos de dunas C E- Rc Rio a Ce Ste.! Salgadinho h. S alg a Serra!do Juá Ste. Cararu Rch. dos Brandões La. do Umari Serra da Conceição 9580000 Rio Anil ! ! Rch. do Gaviã o Pentecoste 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A 9600000 CE -4 22 Paracuru 0 Localização h. d a Ste. Japarara Ste. dos Vieiras Serra da Monguba PACATUBA da pa ra h. 4 Rc -35 Fo i lh ! a Serra Santo Antônio ia lga Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ceará Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti ! u rq ! Lages Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! Ste. da Moenda ça lo Serra do Gigante RMF 9550000 Aç. Cavalcante Serrote Bicudo 9550000 Sa h. Serra do Pocin CE ! Aç. Lajero R R io P a Lagoa do Juvenal Itapebuçu .d ch o ja aL ba Aç. Papara ! Ste. do Papara io Jú o Aç. Amanari R Rc Ste. do Mocozal ! CE-455 Rc a ai l h. dr n ar i B h. Rc Ama i ra Ce . do Ba Vie rr a do . do h. Rc Rch Rc h. Ste. Bom Princípio a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Serra do Boticário ! R ch 9560000 ! ! Bom Princípio ! Área do entorno Aç. Gavião Ste. do !Frade ei ra 9560000 Rc gu Tan Rch. Sapupa ra Aç. Bom Princípio Escala numérica 1:250.000 Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 510000 9540000 4 35 5 10 km Redenção Guaramiranga 500000 R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 io Pa co ti Pacajus ! 0 Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Horizonte Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão Serra do Gurguri ! Serras Verdes Pacoti Rch. Verd e ! Ste. do Bolo E- ! ! ! C Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre ! R ch. Baú 9540000 Caridade Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de geomorfologia: Mapa de Geodiversidade do Brasil, CPRM, 2010. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 85 O R ch. d o s M at C E A ões N É O Rc h. São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 ! - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 Convenções cartográficas eb a Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! .T ap Área urbana Serra da Conceição ! Rch. dos Brandões do alg a Ste.! Salgadinho ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto oC Ri h. S ea Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara MARACANAÚ iár i E06 5 R io P ir r apo a 13 a 20 - Ondulado 45 a 75 - Escarpado Ste. Japarara Ste. dos Vieiras ! Serra da Monguba PACATUBA ia lga Sa Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti i lh a Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu 9550000 ! u rq ! Serra Santo Antônio io Rc h. h. Fo ! o ja aL pa ra h. 4 Rc -35 9550000 R io P a Aç. Cavalcante Serrote Bicudo R .d ch ba Aç. Papara Ste. do Papara Serra do Pocin CE ! Aç. Lajero R Jú ! Lages Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! ça Escala numérica 1:250.000 Ste. da Moenda lo Serra do Gigante Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 9540000 5 10 km Redenção Guaramiranga 510000 Serra do Gurguri Serras Verdes io R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 c Pa i ot Pacajus ! 0 500000 4 35 Pacoti Horizonte Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! Rch. Verd e ! Ste. do Bolo E- ! ! ! C Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre ! R ch. Baú 9540000 Caridade RMF Ceará h. o CE-455 Lagoa do Juvenal Itapebuçu a ai l Rc Ste. do Mocozal ! Aç. Amanari Rc B h. Rc dr n ar i da i ra Ce Ama Ba Vie rr a do . do h. Rc . do a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Ste. Bom Princípio Área do entorno Aç. Gavião R ch 9560000 ! ! Bom Princípio Localização 9560000 a 0 Ste. do !Frade ra Rch. Sapupa ra h. d i g ue Tan - 35 Rio do MARANGUAPE C E Serra de Maranguape Rc Rch 0 a 3 - Plano 8 a 13 - Moderadamente ondulado s M Aç. Massapê ! Serra do Boticário Legenda - classes de declividade (%) 060 C Tucunduba Aç. Bom Princípio ! Drenagem o Co c ó os ac ac 20 -0 Rc h. Serra das Danças Rodovia não pavimentada 20 a 45 - Forte ondulado 1 9570000 d ov - 25 CE Ste.!Preto ! Espelhos d'água Aç. Muquém BR Serras e serrotes Rodovia implantada ! Ste.! Bico Fino ! 3 a 8 - Suave ondulado l ro C E- Rc e C Rio Serra!do Juá Ste. Cararu ará 9580000 Rio Anil ! Rch. do Gaviã o Pentecoste Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada R Sítios Novos La. do Umari Mapa 7 - Mapa de declividade 22 ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A 9600000 CE -4 22 Paracuru Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de declividade: Modelo digital de elevação SRTM/NASA (Shuttle RADAR Topographic Mission/ National Aeronautics and Space Administration) resolução espacial de 30 metros. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 86 O R ch. d o s M at C E A ões N É O São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 ! - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 22 Mapa 8 - Mapa de hipsometria Convenções cartográficas .T ap eb a Área urbana Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada R Sítios Novos Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! ará do alg a Ste.! Salgadinho ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto oC Ri h. S ea Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara d ov MARACANAÚ iár i E06 5 P ir r apo a MARANGUAPE C E Serra de Maranguape ! - 35 Rio do Serra das Danças Drenagem Legenda - hipsometria (m) 0 - 100 500 - 600 100 - 200 600 - 700 200 - 300 700 - 800 300 - 400 800 - 900 400 - 500 900 - 960 060 C R io s M Aç. Massapê Rc h. ! Espelhos d'água o Co c ó os ac ac Tucunduba 1 B - 25 CE Ste.!Preto Serras e serrotes Rodovia não pavimentada Aç. Muquém 0 02 R- ! Rodovia implantada ! Ste.! Bico Fino 9570000 l ro C E- Rc Ce Rio Serra!do Juá Ste. Cararu Rch. dos Brandões La. do Umari Serra da Conceição Rch. do Gaviã o Rio Anil ! ! 9580000 Pentecoste 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A Rc h. 9600000 CE -4 22 Paracuru 0 Localização h. d a Ste. Japarara Ste. dos Vieiras Serra da Monguba PACATUBA da pa ra h. 4 Rc -35 Fo i lh ! a Serra Santo Antônio ia lga Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ceará Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti ! u rq ! Lages Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! ça Escala numérica 1:250.000 Ste. da Moenda lo Serra do Gigante Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 9540000 5 10 km Redenção Guaramiranga 510000 Serra do Gurguri Serras Verdes io R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 c Pa i ot Pacajus ! 0 500000 4 35 Pacoti Horizonte Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! Rch. Verd e ! Ste. do Bolo E- ! ! ! C Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre ! R ch. Baú 9540000 Caridade RMF 9550000 Aç. Cavalcante Serrote Bicudo 9550000 Sa h. Serra do Pocin CE ! Aç. Lajero R R io P a Lagoa do Juvenal Itapebuçu .d ch o ja aL ba Aç. Papara ! Ste. do Papara io Jú o Aç. Amanari R Rc Ste. do Mocozal ! CE-455 Rc a ai l h. dr n ar i B h. Rc Ama i ra Ce . do Ba Vie rr a do . do h. Rc Rch Rc h. Ste. Bom Princípio a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Serra do Boticário ! R ch 9560000 ! ! Bom Princípio ! Área do entorno Aç. Gavião Ste. do !Frade ei ra 9560000 Rc gu Tan Rch. Sapupa ra Aç. Bom Princípio Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte da hipsometria: Modelo digital de elevação SRTM/NASA (Shuttle RADAR Topographic Mission/ National Aeronautics and Space Administration) resolução espacial de 30 metros. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 87 5.2 CLIMA E HIDROGRAFIA De acordo com Nimer (1977) a enorme extensão territorial da Região Nordeste (1,5 milhão de km²) e o relevo constituído de amplas planícies, baixos vales e algumas elevações que se destacam, somados à conjugação de diferentes sistemas de circulação atmosférica, tornam a climatologia desta Região uma das mais complexas do mundo. Para Nimer (op. cit.), essa complexidade decorre fundamentalmente de sua posição geográfica em relação aos diversos sistemas de circulação atmosférica e reflete-se em uma extraordinária variedade da pluviosidade que é sem igual em outras regiões. Confirmando a mesma ideia, Souza (2000) cita que os climas sertanejos do Nordeste constituem exceção se comparados aos climas na faixa de latitudes similares. Trata-se do semiárido, um clima azonal e de expressão regional que afeta uma área de 700 a 800 mil km². Para Ab’Sáber (1999), caracteriza-se pelo baixo nível de umidade, escassez de chuvas anuais, irregularidade no ritmo das precipitações ao longo dos anos, prolongados períodos de carência hídrica, solos parcialmente salinos e ausência de rios perenes. No Ceará o semiárido abrange “136 mil km² que equivale a 92% do território do Estado” (SOUZA, op. cit., p. 35). A maior parte do território estadual tem uma estação chuvosa de menor duração com três a quatro meses, mas em outros setores pode chegar até seis meses, como é o caso da região litorânea e de algumas regiões serranas. A fim de contextualizar os sistemas sinóticos formadores das chuvas locais que atuam sobre os objetos de estudo (maciços pré-litorâneos) decidiu-se descrever os mesmos que ocorrem na região litorânea. Conforme verificado no programa Google Earth, as distâncias em linha reta das serras da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição até o mar, chegam a 25, 16 e 14 km, respectivamente, considerando-as próximas do litoral. Para Campos e Studart (2003) os principais sistemas sinóticos atuantes no litoral cearense são: a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT); os Vórtices Ciclônicos de Ar Superior (VCAS) e as Linhas de Instabilidade (LI). Com menos influência também existem os sistemas frontais, que são mais ativos na região do 88 Cariri e das ondas de leste, que ocorrem a partir do litoral de Natal em direção ao sul do país. De acordo com Souza (2000) a ZCIT é o principal sistema sinótico responsável pelo estabelecimento da quadra chuvosa no Estado e garante o período de chuvas correspondente ao verão-outono do hemisfério sul. Constitui-se em um verdadeiro cinturão de baixa pressão, formado sobre o oceano Atlântico equatorial, onde os “ventos alísios dos dois hemisférios convergem” (CAMPOS; STUDART, 2003, p. 51). No Ceará é constatado que, em anos chuvosos, a ZCIT desloca-se mais ao sul do que em anos considerados normais. Para Souza (op. cit.), os alísios de NE são mais intensos do que os de SE, as águas do oceano Atlântico ficam mais aquecidas ao sul do Equador e o sistema semi-estacionário de alta pressão do Atlântico Norte é mais forte. Também, o mesmo fenômeno ocorre se o sistema semiestacionário de alta pressão do Atlântico Sul fica mais fraco. No caso de anos considerados secos, condições contrárias são observadas. Os VCAS se formam no verão do hemisfério sul e constituem sistemas de baixa pressão cuja circulação ciclônica fechada, caracteriza-se por baixas temperaturas (ar seco e frio) em seu centro e temperaturas mais elevadas (ar quente e úmido) nas bordas. Em geral, a parte setentrional da região Nordeste, onde se encontra o Ceará, recebe um “aumento de nebulosidade associada a chuvas fortes à medida que o vórtice se move para a costa” (CAMPOS; STUDART, 2003, p. 51). Por fim, vale destacar as linhas de instabilidade, que são circulações locais e representam as brisas marítimas e terrestres. De acordo com Campos e Studart (op.cit.), ocorrem em resposta ao gradiente horizontal de pressão decorrente da diferença de temperatura diária entre oceano e continente, propiciando a formação de nuvens que, ocasionalmente, provocam chuvas na região. Quanto ao ritmo mensal das chuvas no Estado, observa-se que cerca de 90% caem no primeiro semestre do ano, independente das regiões de litoral, serra e sertão. Segundo os dados pluviométricos de médias mensais registradas de 1977 a 2006, do Atlas Pluviométrico do Brasil da CPRM publicado em 2012, as estações dos municípios de Pacatuba, Maranguape e Caucaia demonstram a característica da nossa quadra chuvosa (Gráfico 15). A partir dos meses de dezembro e janeiro observa-se as precipitações crescerem até atingirem o pico entre os meses de março e abril, que correspondem ao ápice de permanência da ZCIT no Estado. 89 Conforme a ZCIT desloca-se para norte, observa-se o decréscimo nas médias mensais de precipitação no mês de maio, até atingir valores da estação seca no segundo semestre do ano. Gráfico 15 – Média das precipitações mensais registradas nas estações de Pacatuba, Maranguape e Caucaia Fonte: Autor, adaptado da CPRM, 2012. O gráfico indica as médias mensais de trinta anos de registro (1977 – 2006), o que estatisticamente apresenta a normalidade do regime pluviométrico para o Ceará. Dentro dessa série histórica, há registros pluviométricos que podem apresentar baixos valores apontando anos secos, ou ainda, altos valores apontando anos chuvosos. De acordo com Xavier e Xavier (1999), baseando-se na técnica dos quantis, é possível classificar a quadra chuvosa do Estado em muito seco, seco, normal, chuvoso e muito chuvoso, levando em consideração o total de precipitação semestral para determinadas regiões. Na região do litoral de Fortaleza, onde se localizam os maciços de estudo, ficaram estabelecidos os seguintes valores: 90 Tabela 5 – Arranjo dos índices pluviométricos e a correspondente classificação da quadra chuvosa para a região do litoral de Fortaleza baseado na técnica estatística dos quantis Fonte: Autor, adaptado de Xavier e Xavier, 1999. Ao classificar as precipitações semestrais de 1985 (ano muito chuvoso), 1998 (ano muito seco) e 2004 (ano normal) para a região de estudo e compará-las com imagens de satélites adquiridas nos anos correspondentes, verifica-se tamanha influência e importância dos índices pluviométricos nos ambientes locais, principalmente sobre a vegetação da caatinga, que se adapta às condições climáticas do semiárido e responde temporo-espacialmente. Os baixos índices pluviométricos provocam estresse hídrico nas espécies dessa vegetação e consequente perda da folhagem, expondo o solo, que na imagem se vê facilmente pela cor marrom (porção ocidental). 91 Quadro 7 – Quadro esquemático contendo as imagens de satélite e gráficos correspondentes às diferentes quadras chuvosas da RMF Imagem LANDSAT-5 543 (RGB). Data: junho de 1998. Cena 217/63. Precipitação na RMF correspondente ao primeiro semestre de 1998: Imagem LANDSAT-5 543 (RGB). Data: julho de 2004. Cena 217/63. Precipitação na RMF correspondente ao primeiro semestre de 2004: Imagem LANDSAT-5 543 (RGB). Data: julho de 1985. Cena 217/63. Precipitação na RMF correspondente ao primeiro semestre de 1985: Fonte: Autor, adaptado do INPE (2012) e da FUNCEME (2012). Também, verifica-se a vegetação predominante das serras úmidas/subúmidas (delimitadas pelo contorno preto) nas quais mantém-se a resposta da cor verde praticamente inalterada nas três imagens de satélites (Quadro 7). 92 Para Souza (2000) os índices pluviométricos dessas serras são significativos. Por estarem associadas a relevos de topografia elevada funcionam, principalmente, como condensadores de umidade e propiciam precipitações que passam dos 1.200 mm anual. Guedes et al. (2005) afirmam que nesses locais há a condensação de nevoeiros que fornecem grande parte do suprimento de água necessário à manutenção da vegetação. Embora a pluviosidade seja maior do que nas áreas circunvizinhas, não é o suficiente para manter a exuberância da floresta. A chamada precipitação oculta garante o suprimento hídrico complementar e alimenta os pequenos riachos que descem da encosta. Esse fenômeno é resultado da condensação do ar saturado de umidade que entra em contato com a densa folhagem da copa das árvores, principalmente no período noturno. De acordo com os autores é quando “a temperatura da superfície das folhas é inferior a do ar circundante” (GUEDES et al., op. cit., p. 55). Dessa forma, a água condensada escorre pelos troncos e incorpora-se ao solo permeável e profundo. Figura 20 – Nebulosidade barrada pelo relevo, local Serra de Maranguape Foto: Autor, setembro de 2013. 93 No contexto regional, a temperatura média anual nas áreas mais litorâneas é da ordem de 26 a 27 ºC com máximas chegando a 31 e 32 ºC. Para Brandão (1998), a média anual nas zonas de clima serrano torna-se mais amena e decai para 25 ºC, atingindo valores em torno de 22 ºC. O regime térmico das médias mensais para os maciços do estudo registrou valores entre de 28,6 a 30,8 ºC na base do relevo e, em direção ao topo, os registros apresentaram valores entre 21,3 a 24,3 ºC, o que indica uma diferença térmica de 7 ºC, em média, o suficiente para se estabelecer um ambiente de microclima nas altitudes mais elevadas. Os valores de temperatura foram estimados através de um modelo digital de elevação (MDE) de acordo com o método de Pezzopane et al. (2004), no qual se baseia que a temperatura varia conforme os valores de latitude e altitude, desde que sejam referenciados às estações de coleta do INMET, com os dados disponíveis no material do projeto Normais Climatológicas do Brasil de 2009. A seguir, verificam-se os gráficos 16, 17 e 18 de temperatura, elaborados para as serras de Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição: Gráfico 16 – Gráfico de temperatura na base e no topo da Serra de Aratanha Fonte: Autor, adaptado do INMET, 2009. 94 Gráfico 17 – Gráfico de temperatura na base e no topo da Serra de Maranguape Fonte: Autor, adaptado do INMET, 2009. Gráfico 18 – Gráfico de temperatura na base e no topo das serras do Juá e Conceição Fonte: Autor, adaptado do INMET, 2009. De acordo com Brandão (1998), os ventos têm mais representatividade nas áreas litorâneas e conforme a rosa dos ventos (Gráfico 19) gerada a partir das médias anuais registrada pela estação do INMET de Fortaleza, verifica-se uma variação de direção de nordeste, cerca de 9%, sendo mais predominante nas direções de este e sudeste, 22,8 e 23%, respectivamente, relacionadas aos ventos alísios. A direção verificada de sul (16,4%) corresponde à brisa continental, que para Teixeira (2008) ocorre geralmente na madrugada quando a temperatura da superfície do litoral se encontra mais baixa do que o mar, fazendo com que os ventos superficiais soprem do continente para o oceano. 95 Gráfico 19 – Rosa dos ventos de Fortaleza, indicando os percentuais de direção incidente Fonte: Autor, adaptado de INMET, 2009. Os valores de velocidade dos ventos que sopram na região são, de maneira geral, predominantemente fortes, com velocidades superiores a “4m/s a partir de agosto” (CAMPOS; STUDART, 2003, p. 52), sendo que no primeiro semestre, principalmente antes do início da estação chuvosa, as velocidades reduzem-se bastante, de acordo com Brandão (1998). Outra característica do panorama climático dos maciços úmidos e subúmidos são os altos índices de nebulosidade que acabam influenciando, diretamente, na insolação e nas taxas de evaporação, o que não ocorre em seus entornos. Isso se reflete, diretamente, no balanço hídrico e é verificado no porte arbóreo exuberante da vegetação desses locais. O balanço hídrico consiste do confronto entre as necessidades da planta e a quantidade de chuva numa determinada região, representando a “contabilidade de entrada e saída de água no solo” (BRANDÃO, op. cit., p. 25). Ainda de acordo com o autor, quando a razão entre precipitação e evapotranspiração potencial é maior do 96 que um, significa que existe um potencial hídrico disponível para as plantas, ao escoamento superficial e à recarga dos aquíferos. Geralmente, o período de maior excedente hídrico é concomitante à estação chuvosa, enquanto que a deficiência hídrica acentua-se nos meses de estiagem, a partir de agosto estendendo-se até novembro. Para realizar o cálculo do balanço hídrico no topo dos maciços (Gráficos 20, 21 e 22) foram utilizados na variável de temperatura os registros estimados através do modelo digital de elevação, de acordo com o método de Pezzopane et al. (2004), conforme mencionado anteriormente. Já os valores da variável de capacidade água disponível (CAD) foram retirados de uma tabela atributos do mapa digital de solos adquirido junto à FUNCEME. A planilha que permitiu realizar os cálculos e construir os gráficos do balanço hídrico foi elaborada por Rolim, Sentelhas e Barbieri (1998). Gráfico 20 – Balanço hídrico referente ao topo da Serra de Aratanha Fonte: Autor, adaptado de Rolim, Sentelhas e Barbieri, 1998. 97 Gráfico 21 – Balanço hídrico referente ao topo da Serra de Maranguape Fonte: Autor, adaptado de Rolim, Sentelhas e Barbieri, 1998. Gráfico 22 – Balanço hídrico referente ao topo das serras do Juá e Conceição Fonte: Autor, adaptado de Rolim, Sentelhas e Barbieri, 1998. 98 Nos três gráficos do balanço hídrico estimado nos topos dos maciços, verificase o superávit de água, influenciado principalmente pelas condições de exceção climática estabelecida nesses ambientes. O resultado correspondente está na flora, que apresenta características completamente diferentes da caatinga, na drenagem superficial sob a forma de pequenos cursos d’água perenes e, nos solos, mais profundos e mais antigos. Na Figura 21 observa-se a vegetação predominante no topo da serra da Aratanha (acima de 700 metros de altitude) no auge da estação seca no estado do Ceará, novembro de 2012, mantendo suas características de floresta úmida, com espécies perenifólias. Figura 21 – Floresta do tipo úmida que ocorre no topo dos maciços, verificada na estação seca, novembro de 2012 Foto: Autor, novembro de 2012. A fim de contextualizar o clima dos maciços e de seus entornos, verificam-se a seguir, os mapas de precipitação (Mapa 9), temperatura (Mapa 10) e direção da face do relevo combinada com a direção de ventos (Mapa 11): 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 99 O R ch. d o s M at C E A ões N É O São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 ! - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 22 Mapa 9 - Mapa de precipitação Convenções cartográficas .T ap eb a Área urbana Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada R Sítios Novos Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! ará do alg a Ste.! Salgadinho ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto oC Ri h. S ea Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara d ov MARACANAÚ iár i E06 5 Legenda - média de precipitação (mm) de 1977 a 2006 P ir r apo 060 C R io a MARANGUAPE C E Serra de Maranguape ! - 35 Rio do Serra das Danças Drenagem 500 - 600 1100 - 1200 600 - 700 1200 - 1300 700 - 800 1300 - 1400 800 - 900 1400 - 1500 900 - 1000 1500 - 1600 1000 - 1100 s M Aç. Massapê Rc h. ! Espelhos d'água o Co c ó os ac ac Tucunduba 1 BR - 25 CE Ste.!Preto Serras e serrotes Rodovia não pavimentada Aç. Muquém 20 -0 ! Rodovia implantada ! Ste.! Bico Fino 9570000 l ro C E- Rc Ce Rio Serra!do Juá Ste. Cararu Rch. dos Brandões La. do Umari Serra da Conceição Rch. do Gaviã o Rio Anil ! ! 9580000 Pentecoste 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A Rc h. 9600000 CE -4 22 Paracuru 0 Localização h. d a Ste. Japarara Ste. dos Vieiras Serra da Monguba PACATUBA da pa ra h. 4 Rc -35 Fo i lh ! a Serra Santo Antônio ia lga Sa Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ceará Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti ! u rq ! Lages Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! Ste. da Moenda ça lo Serra do Gigante Escala numérica 1:250.000 Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 9540000 5 10 km Redenção Guaramiranga 510000 Serra do Gurguri Serras Verdes R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 io Pa co ti Pacajus ! 0 500000 4 35 Pacoti Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! Ste. do Bolo E- ! ! ! C ! ! Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre R ch. Baú Rch. Verd e Horizonte 9540000 Caridade RMF 9550000 Aç. Cavalcante Serrote Bicudo 9550000 h. Serra do Pocin CE ! Aç. Lajero R R io P a Lagoa do Juvenal Itapebuçu .d ch o ja aL ba Aç. Papara ! Ste. do Papara io Jú o Aç. Amanari R Rc Ste. do Mocozal ! CE-455 Rc a ai l h. dr n ar i B h. Rc Ama i ra Ce . do Ba Vie rr a do . do h. Rc Rch Rc h. Ste. Bom Princípio a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Serra do Boticário ! R ch 9560000 ! ! Bom Princípio ! Área do entorno Aç. Gavião Ste. do !Frade ei ra 9560000 Rc gu Tan Rch. Sapupa ra Aç. Bom Princípio Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de precipitação: Atlas Pluviométrico do Brasil, CPRM, 2011. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 100 O R ch. d o s M at C E A ões N É O São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 22 Mapa 10 - Mapa de temperatura Convenções cartográficas .T ap eb a Área urbana Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada Serras e serrotes ! R Sítios Novos Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! do rá ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto o Ri a Ce Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara d ov MARACANAÚ iár i Rodovia não pavimentada Drenagem Legenda - temperatura (Celsius) média de 1961 a 1990 o E06 5 P 060 C R io ! - 35 Rio do Rc h. MARANGUAPE C E Serra de Maranguape 20 - 21 26 - 27 21 - 22 27 - 28 22 - 23 28 - 29 23 - 24 29 - 30 24 - 25 30 - 31 25 - 26 s M Aç. Massapê or a ir ap Co c ó os ac ac Tucunduba 1 BR 20 -0 - 25 CE Serra das Danças Espelhos d'água Aç. Muquém Ste.!Preto ! Rodovia implantada ! Ste.! Bico Fino 9570000 l ro C E- Rc Rio a Ce Ste.! Salgadinho h. S alg a Serra!do Juá Ste. Cararu Rch. dos Brandões La. do Umari Serra da Conceição 9580000 Rio Anil ! ! Rch. do Gaviã o Pentecoste 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A Rc h. 9600000 CE -4 22 Paracuru 0 Localização h. d a Ste. Japarara Ste. dos Vieiras Serra da Monguba PACATUBA da pa ra h. 4 Rc -35 Fo i lh ! a Serra Santo Antônio ia lga Sa Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ceará Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti ! u rq ! Lages Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! Ste. da Moenda ça lo Serra do Gigante Escala numérica 1:250.000 Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 9540000 5 10 km Redenção Guaramiranga 510000 Serra do Gurguri Serras Verdes R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 io Pa co ti Pacajus ! 0 500000 4 35 Pacoti Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! Ste. do Bolo E- ! ! ! C ! ! Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre R ch. Baú Rch. Verd e Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Horizonte 9540000 Caridade RMF 9550000 Aç. Cavalcante Serrote Bicudo 9550000 h. Serra do Pocin CE ! Aç. Lajero R R io P a Lagoa do Juvenal Itapebuçu .d ch o ja aL ba Aç. Papara ! Ste. do Papara io Jú o Aç. Amanari R Rc Ste. do Mocozal ! CE-455 Rc a ai l h. dr n ar i B h. Rc Ama i ra Ce . do Ba Vie rr a do . do h. Rc Rch Rc h. Ste. Bom Princípio a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Serra do Boticário ! R ch 9560000 ! ! Bom Princípio ! Área do entorno Aç. Gavião Ste. do !Frade ei ra 9560000 Rc gu Tan Rch. Sapupa ra Aç. Bom Princípio Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de temperatura: Normais Climatológicas do INMET (1961 a 1990), 2009. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 101 Paracuru CE -4 22 OC E Rc h. São Gonçalo do Amarante Co AT LÂ NT I É CO ões 9600000 9600000 R ch. d o s M at AN O it é La. Banana UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. Lagamar do Cauhipe Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua Ste. Japurá 2 ! - 42 C E- 090 ! Rio Ceará Guararú Rc h .d 9590000 o Jú Ste. do Mineiro CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 Mapa 11 - Mapa de orientação de vertentes 22 Convenções cartográficas eb a Ste. das Ipueiras .T ap ! Área urbana Serra da Conceição do alg a Serra do Juá Ste. Cararu Rch. dos Brandões La. do Umari ! Ste. ! Salgadinho Fortaleza Aç. Urucutuba ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto h. S o Ri Rc Rodovia pavimentada ará Ce Rio Rch. do Gaviã o Rio Anil ! ! 9580000 Pentecoste a Ce An e La. de Dentro Espelhos d'água Rodovia não pavimentada Drenagem Legenda - orientação de vertentes (graus) l ro d ov MARACANAÚ iár i a Ste. Japarara ! Ste. dos Vieiras ! ! lga Rc ia ba io Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia GUAIÚBA Serra Fria ! Ste. do Campo Aç. Pacoti i lh a ! Tanques Aç. Leiria Ste. da Cachoeira 451 CEAç. Aristeu 9550000 ! u rq ! Serra Santo Antônio ! RMF Ceará Sa R h. Fo ! Aç. Mata Fresca ! Escala numérica 1:250.000 Ste. da Moenda on ça lo Serra do Gigante o ja aL pa ra h. 4 Rc -35 9550000 R io P a CE Aç. Cavalcante Serrote Bicudo R .d ch Lages Jú o Aç. Papara Ste. do Papara Serra do Pocin ! Aç. Lajero a ai l h. dr ! Rc B h. Rc Ce da i ra Ba Vie rr a do . do PACATUBA CE-455 Lagoa do Juvenal Itapebuçu a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da Aratanha Ste. do Mocozal! Aç. Amanari Área do entorno Aç. Gavião R ch h. Rc n ar i NW (292,5-337,5) Serra da Monguba Penedo ! Ste. Bom Princípio Ama W (247,5-292,5) SE (112,5-157,5) Localização Rc h. ! Bom Princípio . do E (67,5-112,5) 9560000 a 0 Ste. do !Frade ra Rch. Sapupa ra h. d i g ue Tan - 35 Rio do Rc h. Rc Rch SW (202,5-247,5) 060 Co c ó r apo MARANGUAPE C E Serra de Maranguape ! Serra do Boticário NE (22,5-67,5) 9570000 E06 5 C P ir s R io Aç. Bom Princípio ! S (157,5-202,5) o C E- os ac ac Aç. Massapê M 9570000 Tucunduba 1 B 0 02 R- - 25 CE Serra das Danças N (337,5-22,5) Aç. Muquém Ste.!Preto ! Serras e serrotes Rodovia implantada ! Ste. Bico Fino ! ! rá Serra da Taquara 9560000 Objetos de pesquisa R ch Ste. das Cajazeiras ! Sítios Novos 9580000 Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço a ! C E- Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 348 CE Catuana 85 -0 CE ! Ste. Jacurutu Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Sã o G Aç. Baú Rc Baú Palmácia Ste. do Baú 4 35 9540000 io R ch . Á R gu a Ve rd e Serra do Gurguri Serras Verdes 5 10 km Redenção Guaramiranga 520000 i ot Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de orientação da vertente: Modelo digital de elevação SRTM/NASA (Shuttle RADAR Topographic Mission/ National Aeronautics and Space Administration) resolução espacial de 30 metros. Execução: Guilherme Marques e Souza Ste. Estrela ! 510000 c Pa Pacajus ! 0 Rch. Paric e E- Ste. do Garrafão Pacoti Ste. do Bolo Aç. Tibucio ! ! Rch. Verd e ! ! 9540000 ! R ch. Baú C Ste. do Bu ! Ste. da Torre Ste. do Capoeiro ! 500000 Horizonte h. Caridade 530000 Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 102 Sob o ponto de vista hidrológico, as serras de Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição contemplam as nascentes dos principais rios que abastecem a RMF e se constituem de importantes repositores de suprimento de água para os sistemas de captação existentes na região, como os reservatórios de Pacoti-Riachão-Gavião, que juntos, possuem uma capacidade de armazenamento na ordem de 511 milhões de m³. Estas serras contribuem com seus escoamentos fluviais em, no mínimo, quatro bacias hidrográficas: Bacia do Rio Ceará. Área: 568,7 km². Oferta potencial: 154,9 milhões m³/ano; Bacia do Rio Cocó. Área: 443,9 km². Oferta potencial: 127,6 milhões m³/ano; Bacia do Rio Maranguape. Área: 235 km². Oferta potencial: 56,9 milhões m³/ano; Bacia do Rio Juá. Área: 102,6 km². Oferta potencial: 34,9 milhões m³/ano. Os dados de área e disponibilidade do potencial hídrico superficial para cada bacia foram retirados do Plano de Aproveitamento dos Recursos Hídricos da RMF – Fase II (AUMEF, 1984 apud BRANDÃO, 1998, p. 29). Com relação às águas superficiais, os maciços possuem uma rede de drenagem que exibe um “forte controle estrutural” (SOUZA; OLIVEIRA, 2006, p. 89) conforme verificado na Figura 13 que, para Brandão (1998, p. 31), seus riachos recebem a denominação de “riachos-fendas”, configurando-se como linhas de drenagem encaixadas em fraturas e diáclases8 do embasamento. Para Souza (2003) o desencadeamento do ciclo hidrológico dos maciços residuais faz com que a água ao se precipitar escoe sobre os terrenos cristalinos e amplie a capacidade do escoamento superficial de atingir os talvegues, o que contribui para alimentar o escoamento fluvial e o seu poder energético que pode variar conforme as condições fito-ecológicas e de uso do solo. Nos setores em que a 8 “Plano que separa ou tende a separar em duas partes um bloco de rocha primitivamente uno e ao longo do qual não se deu deslocamento de todo ou em muito pequena amplitude.” (LEINZ; LEONARDOS, 1977, pág. 55). 103 vegetação é mantida, seus efeitos são retidos ou atenuados, nas áreas expostas e de baixa densidade da vegetação há o aumento do escoamento superficial. Além disso, Souza e Oliveira (2006) afirmam que nos rios serranos a permanência do escoamento se prolonga durante uma parte da estação seca, justificando as condições climáticas locais que se estabelecem. Sobre o aspecto das águas subterrâneas no domínio dos terrenos cristalinos, a porosidade primária de suas rochas possui permeabilidade extremamente baixa, podendo haver armazenamento nos mantos de intemperismo ou em coberturas colúvio-eluviais estabelecidas nessas rochas, de acordo com Brandão (1998). Para Souza e Oliveira (op. cit.) verifica-se uma melhoria na disponibilidade hidrogeológica nas áreas mais fortemente fraturadas, cuja rede de fraturas é normalmente preenchida por sedimentos que são removidos pelas enxurradas da chuva, o que permite a retenção de água e alimentação dos aquíferos cristalinos. De acordo com SRH-CE (1992, apud SOUZA; OLIVEIRA, op. cit., p. 90) a profundidade média dos poços no cristalino é de aproximadamente 60 metros, em média, e a vazão em torno de 1,6 a 2,2 m³/h, também em média. 104 Mapa 12 – Aspecto do mapa de hidrografia destacando também o padrão estrutural dos maciços Fonte: Autor, adaptado de Brandão, 1995. 105 5.3 SOLOS E VEGETAÇÃO De acordo com Souza (2000), os solos do Ceará estão relacionados diretamente com a compartimentação geomorfológica do Estado. Logo, na unidade geomorfológica dos maciços residuais onde ocorrem as serras úmidas e subúmidas dissecadas em colinas, cristas e lombadas predominam associações dos Argissolos Vermelho-Amarelos (eutróficos ou distróficos) e Neossolos Litólicos eutróficos. Na antiga classificação de solos os Argissolos Vermelhos-Amarelos correspondiam ao Podzólicos Vermelhos-Amarelos e os Neossolos Litólicos aos Solos Litólicos, conforme o SiBCS de 2009. Para Lepsch (2011), em geral, os Argissolos ocorrem em áreas de florestas, são bem desenvolvidos, bastante intemperizados por se desenvolverem em condições de um ambiente tropical úmido e apresentam um horizonte B de acúmulo de argila. Sua principal característica morfológica é a diferença textural entre os horizontes superficiais mais arenosos (A ou E) e o B, chamado B textural, mais argiloso. De acordo com Lepsch (op. cit.) essa diferença é causada pela combinação de fatores que provocam o transporte de argila dispersa com água gravitacional ou a destruição de argila em superfície como erosão diferencial e ação de organismos. Portanto, os processos que mais atuam no desenvolvimento dos Argissolos estão associados às “translocações e perdas” (LEPSCH, op. cit., p. 327). A Figura 22 refere-se ao perfil de um Argissolo realizado nas Serras do Juá e Conceição no início da subida da vertente de barlavento, cota aproximada de 300 metros e declividade entre 30 e 40%. Verifica-se o horizonte A de tonalidade bruna a acinzentada com predominância de restos orgânicos, o horizonte E de cores claras, indicando onde as argilas e outras partículas finas foram lixiviadas pela água percolada. Depois, verifica-se a transição abrupta para o horizonte B de cor vermelho-amarelada com materiais provenientes dos horizontes superiores indicando a presença de óxidos e hidróxidos de ferro na porção avermelhada e, por fim, o horizonte C de cor amarela esbranquiçada, constituído de material não consolidado. 106 Figura 22 – Perfil de um Argissolo Vermelho-Amarelo com seus horizontes bem definidos, verificado na serras de Juá e Conceição Horizonte A Horizonte E Horizonte B Horizonte C Foto: Autor, novembro de 2013. A Figura 23 corresponde aos perfis de Argissolos realizados nas vertentes de barlavento das serras de Aratanha e de Maranguape, em cotas altimétricas de 500 e 300 metros, respectivamente, com profundidades que passam de 1,5 metro. No perfil da Serra de Aratanha verifica-se o horizonte A bem definido e espesso apresentando tonalidade cinza escuro passando, abruptamente, para o horizonte B de cor vermelho-amarelada. No horizonte C, verifica-se uma coloração amarela esbranquiçada. No perfil da Serra de Maranguape verifica-se o horizonte A apresentando uma fina camada de matéria orgânica passando, gradativamente, para o horizonte B de 107 coloração predominante avermelhada que apresenta discreto contato com o horizonte C. Figura 23 – Aspecto dos perfis dos Argissolos nas serras úmidas, à direita, na Serra de Aratanha e, à esquerda, na Serra de Maranguape Horizonte A Horizonte A Horizonte B textural Horizonte B textural Horizonte C Horizonte C Fotos: Autor, novembro de 2012 e setembro de 2013. Os Neossolos Litólicos eutróficos ocorrem nas áreas dissecadas, ocupando setores de encostas em relevos que variam desde suavemente ondulados até montanhosos. São rasos a muito rasos, pouco desenvolvidos, bem drenados, com pedregosidade e rochosidade presentes na superfície, apresentando um horizonte A diretamente assentado sobre a rocha ou sobre um horizonte C (Neossolo Regolítico) de pequena espessura, de acordo com Brandão (1998). O perfil realizado nas serras do Juá e Conceição (Figura 24), de altitude de 200 metros e declividade entre 20 e 30% apresenta um Neossolo Litólico, com o horizonte A bem escuro passando para o horizonte C, que contém uma pequena faixa de argila sobre o regolito. A vegetação característica que se identifica é a caatinga podendo chegar à mata seca nos setores de solos mais espessos. 108 Figura 24 – Perfil de um Neossolo Litólico verificado nas serras do Juá e Conceição Foto: Autor, novembro de 2013. Na base dos maciços, área correspondente ao domínio geomorfológico da depressão sertaneja foram encontrados os Planossolos Solódicos (antigo Solonetz Solodizado). De acordo com o SiBCS de 2009 e Lepsch (2011) os Planossolos possuem horizonte A que vai de fraco a moderado, de textura arenosa sobre um horizonte B de material mais argiloso e adensado. Para Brandão (1998), são solos relativamente rasos e de baixa permeabilidade, mal drenados, sofrem encharcamento durante o período chuvoso e ficam fendilhados durante a estiagem. Suas cores dominantes variam de brunoclaro-acinzentado a bruno-escuro, mostrando também redução nas cores (tons claros) devido à má drenagem (Figura 25). 109 Figura 25 – Perfis dos Planossolos realizados nas serras de Aratanha (à esquerda) e de Maranguape (à direita) Horizonte A Horizonte A Horizonte B Horizonte B Fotos: Autor, novembro de 2012 e setembro de 2013. A respeito da vegetação do Nordeste, Kuhlmann (1977) afirma que a variedade tanto fisionômica como florística, está relacionada com a diversidade de tipos climáticos e com os variados tipos de feições topográficas e de solos. Entretanto, a vegetação de maior expressão da Região corresponde ao domínio das caatingas, que para Ab’Sáber (2003) caracteriza-se como um dos domínios de excepcionalidade marcante no contexto climático e hidrológico de um continente dotado de grandes e contínuas extensões de terras úmidas. Souza (2000) cita que a distribuição das formações vegetais no Ceará obedece a uma certa zonalidade, que vai desde o litoral ao interior do Estado. Essas formações são condicionadas pelas influências físicas que se manifestam em função de fenômenos associados com a proximidade do mar, direção e deslocamento de ventos que conduzem as chuvas da costa para sertão. Por sua vez, também existe o relevo, que funciona como agente de diminuição térmica e serve de barreira para ventos úmidos, assim como as diversidades litológicas e edáficas que condicionam as características dos meio fitogeográficos. 110 Nesse entendimento, pode-se identificar as seguintes unidades fitoecológicas que ocorrem no Estado, de acordo com Souza (op. cit., p. 49): Complexo vegetacional da planície litorânea; Vegetação dos tabuleiros; As caatingas das depressões sertanejas; As matas ciliares; Os enclaves de matas pluvionebulares e de cerrados. Com relação à conservação desses ambientes, as áreas consideradas naturais já não possuem suas condições originais, resultado de um processo histórico de ocupação e de intensa atividade antrópica. De acordo com Bezerra (2003), observa-se uma série de consequências relacionadas ao uso inadequado desse recurso e à ocupação desordenada de áreas anteriormente ocupadas por vegetação nativa, causando sérios impactos que acabam modificando as condições ecológicas das comunidades de vegetais e animais. Das unidades fitoecológicas mencionadas anteriormente, as que caracterizam os maciços de estudo estão os enclaves de matas pluvionebulares, também chamadas de brejos de altitude e constituem-se de uma formação vegetal pertencente à Mata Atlântica. Em 1992, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) estabeleceu e aprovou o conceito de Domínio de Mata Atlântica, estendendo-o a todas as áreas primitivamente ocupadas pelas formações vegetais de Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, manguezais, restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves (ou enclaves) do Nordeste. Posteriormente, esse conceito foi incorporado à legislação ambiental brasileira através do Decreto Federal número 750 de fevereiro de 1993 (vide material nos Anexos), conforme Capobianco (2001). De acordo com o Manual Técnico da Vegetação Brasileira o termo popular “brejos de altitude” refere-se aos refúgios florísticos estabelecidos em áreas altomontanas dos inselbergs, “relitos do arrasamento a que foi submetido o relevo da 111 região” (IBGE, 2012, p. 60). Verifica-se também que aqueles situados ao norte da região Nordeste, localizados em serras do Ceará próximas à costa, apresentam influência da cobertura florística amazônica, indicada pela presença de palmeiras do babaçu (Figura 27). Sobre as características florísticas desses ambientes a vegetação apresenta um dossel mais ou menos contínuo de 15 a 20 metros de altura, com algumas árvores maiores esparsas, de até 30 metros de altura, de acordo com Guedes et al. (2005). Para Rêgo e Hoeflich (2001) verifica-se abundância de trepadeiras, bromélias, epífitas e, também, conforme Guedes et al. (op. cit.), briófitas e liquens recobrem os troncos e ramos das árvores formando verdadeiros tapetes (Figura 26). Figura 26 – Flora característica dos brejos de altitude, à esquerda verifica-se a ocorrência de briófitas, plantas que se reproduzem na presença de água e, à direita, verificam-se bromélias que ocorrem apenas em ambientes úmidos, local Serra de Aratanha Fotos: Autor, maio de 2013. 112 Figura 27 – Na foto à esquerda vê-se a ocorrência da espécie babaçu, que de acordo com o IBGE, é oriunda da antiga conexão vegetacional com a flora amazônica e, na foto à direita, verifica-se a ocorrência de epífitas e trepadeiras Fotos: Autor, maio de 2013. Nos trabalhos de campo realizados nas serras de Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição, foi constatada a ocorrência de diferentes formações vegetais dentro do que se considera brejo de altitude. Conforme o relevo atinge maiores valores de elevação, maior é a influência da temperatura e da umidade na vegetação. À medida que essas condições climáticas se modificam, verifica-se também, uma mudança no padrão florístico desses ambientes, ou seja, em condições de maiores altitudes, menores temperaturas e maior presença de nebulosidade, as espécies de árvores passam de caducifólias (mata seca) a sub-caducifólias (mata de transição p/seca) e de subperenifólias (mata de transição p/úmida) a perenifólias (mata úmida). Dessa forma, fez-se uma análise visual da paisagem seguindo a classificação de acordo com o Manual Técnico da Vegetação Brasileira do IBGE, o que permitiu encontrar formações consideradas florestas ombrófilas densas e abertas, e florestas estacionais semideciduais e deciduais (Figuras 28 e 29). 113 Figura 28 – Diferentes formações vegetais que ocorrem nos maciços. Na foto à esquerda, verifica-se ocorrência de mata seca (floresta estacional decidual) na base da Serra de Aratanha e, na foto à direita, em uma cota mais elevada, observa-se a ocorrência de uma mata de transição entre a seca e a úmida (floresta estacional semidecidual) Fotos: Autor, novembro de 2012 e maio de 2013. Figura 29 – Mata úmida ou floresta ombrófila densa e/ou aberta, local Serra de Maranguape Foto: Autor, setembro de 2013. 114 Para Bezerra (2003), as espécies predominantes de florestas úmidas e subúmidas encontradas nos maciços são organizadas por nomes científicos e os comuns correspondentes (Quadro 8): Quadro 8 – Lista de algumas espécies encontradas nos maciços úmidos e subúmidos Objeto de estudo Maciços úmidos Maciços subúmidos Fonte: Bezerra, 2003. Espécie Canavalia brasiliensis Ceiba glaziovii Copaifera langsdorffii Cordia trichotoma Dioclea grandiflora Erythrina velutina Guazuma ulmifolia Hymenaea courbaril Lonchocarpus sericeus Manikara triflora Myroxylon peruiferum Pithecellobium polycephalum Spondias mombim Tabebuia serratifolia Talisia esculenta Thiloa glaucocarpa Trema micrantha Astronium fraxinifolium Bauhinia macrostachya Bombax cearenses Caesalpinia férrea Cordia trichotoma Manikara rufula Tabebuia serratifolia Nome comum fava de veado barriguda copaíba freijó mucunã mulungu mutamba jatobá ingá maracanduba dalgamo camuzé cajá pau d’arco amarelo pitomba sipaúba priquiteira gonçalo alves mororó barriguda pau-ferro frei Jorge massaranduba pau d’arco amarelo 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 115 O R ch. d o s M at C E A ões N É O São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 22 Mapa 13 - Mapa de solos Convenções cartográficas .T ap eb a Área urbana Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada ! R Sítios Novos Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú ! ará do alg a Ste.! Salgadinho ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto o Ri h. S a Ce Fortaleza Aç. Urucutuba rá An e La. de Dentro Serra da Taquara d ov MARACANAÚ iár i P ir r apo 060 C R io a Serra das Danças MARANGUAPE C E Serra de Maranguape ! - 35 Rio ! Rc h. do s M Aç. Massapê Co c ó os Tucunduba 1 ac ac 20 -0 - 25 CE Ste.!Preto E06 5 Aç. Muquém BR Serras e serrotes Rodovia implantada Espelhos d'água Rodovia não pavimentada Drenagem Legenda - solos Neossolo Quartzarênico Neossolo Flúvico Eutrófico Luvissolo Crômico Órtico Neossolo Litólico Eutrófico Planossolo Háplico Solódico Gleissolo Sálico Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico Argissolo Vermelho-Amarelo Eutrófico Vertissolo Ebânico o ! Ste.! Bico Fino 9570000 l ro C E- Rc Ce Rio Serra!do Juá Ste. Cararu Rch. dos Brandões La. do Umari Serra da Conceição Rch. do Gaviã o Rio Anil ! ! 9580000 Pentecoste 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A Rc h. 9600000 CE -4 22 Paracuru 0 Localização h. d a Ste. Japarara Ste. dos Vieiras Serra da Monguba PACATUBA da pa ra h. 4 Rc -35 Fo i lh ! a Serra Santo Antônio ia lga Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ceará Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti ! u rq ! Lages Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! Ste. da Moenda ça lo Serra do Gigante RMF 9550000 Aç. Cavalcante Serrote Bicudo 9550000 Sa h. Serra do Pocin CE ! Aç. Lajero R R io P a Lagoa do Juvenal Itapebuçu .d ch o ja aL ba Aç. Papara ! Ste. do Papara io Jú o Aç. Amanari R Rc Ste. do Mocozal ! CE-455 Rc a ai l h. dr n ar i B h. Rc Ama i ra Ce . do Ba Vie rr a do . do h. Rc Rch Rc h. Ste. Bom Princípio a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Serra do Boticário ! R ch 9560000 ! ! Bom Princípio ! Área do entorno Aç. Gavião Ste. do !Frade ei ra 9560000 Rc gu Tan Rch. Sapupa ra Aç. Bom Princípio Escala numérica 1:250.000 Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 510000 9540000 4 35 5 10 km Redenção Guaramiranga 500000 R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 io Pa co ti Pacajus ! 0 Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Horizonte Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão Serra do Gurguri ! Serras Verdes Pacoti Rch. Verd e ! Ste. do Bolo E- ! ! ! C Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre ! R ch. Baú 9540000 Caridade Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de solos: EMBRAPA, 1973 e IDACE, 1988. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 116 O R ch. d o s M at C E A ões N É O Rc h. São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 ! - 42 C E- 090 a Ste. do Mineiro ! Rio Ceará Rc h .d 9590000 o C E- Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará ! Ste. do Tigre B R- 2 Convenções cartográficas 22 eb a Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! Área urbana .T ap ! R Rch. dos Brandões do rá ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto oC Ri e Fortaleza Aç. Urucutuba á ar An e La. de Dentro Serra da Taquara d ov iár i E06 5 P ir r apo a h. d a i g ue Tan Ste. Japarara Ste. dos Vieiras Fo Ste. Bico da Arara ! Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria rm os i lh a Ste. do Campo Aç. Pacoti Aç. Mata Fresca ! ça lo Ste. da Moenda on G io R ch . Á R gu a Ve rd e 10 km Redenção Guaramiranga 520000 Ste. Estrela ! 530000 c Pa i ot 9540000 9540000 4 35 Serra do Gurguri Serras Verdes Pacajus ! 5 Horizonte Rch. Paric e E- Pacoti Ste. do Bolo Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! Rch. Verd e ! ! C ! ! R ch. Baú Escala numérica 1:250.000 Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) o Sã h. Rc Ste. do Baú Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre ! RMF Itaitinga a Aç. Baú Palmácia 510000 Dunas Ste. ! do Jatobá 9550000 u rq Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu Baú 500000 Mata ciliar e lacustre Área do entorno Sa io ! Tanques 0 Mangue Ceará ! ! Caridade Caatinga lga do ia ba o ja aL Lages Rc h. rr a Ba da R h. Fo ! Serra Santo Antônio .d ch pa ra h. 4 Rc -35 ! R R io P a CE Aç. Cavalcante Serrote Bicudo 9550000 a tu b ca Pa . h Rc CE-350 a ai l Jú Aç. Papara Ste. do Papara Serra do Pocin Serra do Gigante Caatinga e cerrado h. ! ! Mata seca Rc o CE-455 Aç. Lajero Rc B h. Rc Ste. do Mocozal ! Aç. Amanari Lagoa do Juvenal Itapebuçu Complexo vegetacional dos tabuleiros Aç. Gavião PACATUBA i ra dr n ar i Mata plúvio-nebular Localização Serra da! Aratanha Vie Ce Ama Legenda - Unidades fito-ecológicas ! Penedo ! Ste. Bom Princípio . do Drenagem Serra da Monguba . do h. Rc Rch Rodovia não pavimentada 0 R ch 9560000 ! ! Bom Princípio - 35 Ste. do !Frade ra Rch. Sapupa ra Rc Serra do Boticário Espelhos d'água 9560000 ! Rio do Rc h. MARANGUAPE C E Serra de Maranguape Aç. Bom Princípio ! Rodovia implantada 060 C R io s M Aç. Massapê Co c ó os ac ac Tucunduba 1 B 0 02 R- - 25 CE Serra das Danças Serras e serrotes Aç. Muquém Ste.!Preto ! ! o ! Ste.! Bico Fino 9570000 l ro MARACANAÚ C E- Rc Rio a Ce Ste.! Salgadinho h. S alg a Serra!do Juá Ste. Cararu Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada Serra da Conceição 9580000 Rio Anil ! ! Rch. do Gaviã o Pentecoste La. do Umari Mapa 14 - Mapa de vegetação ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Guararú Sítios Novos 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem Ambiental para Delimitação de Brejos de Altitude com Estudo de Casos para os Maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição. Ste. Japurá ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A 9600000 CE -4 22 Paracuru Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Fonte dos dados de vegetação: Sistema de Informações para Gestão e Administração Territorial da Região Metropolitana de Fortaleza – Projeto SINFOR, 1998. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 117 6 MODELAGEM AMBIENTAL DOS BREJOS DE ALTITUDE De acordo com Troppmair (2012), a existência e a distribuição dos seres vivos dependem de fatores físicos e químicos que, através de inter-relações, dão características do ambiente físico. Da interação simultânea desses fatores em uma escala mundial, verifica-se a semelhança espacial dos tipos de clima dominantes na área de cada formação vegetal. A respeito dos grandes domínios morfoclimáticos do Brasil com suas respectivas províncias fitogeográficas, para Áb’Sáber (1967), existe em cada um deles uma área denominada “core” (núcleo) onde a vegetação é mais homogênea e seus limites são gradualmente contornados por faixas ou zonas de transição. Embora estas áreas núcleos apresentem relativa homogeneidade, ocorrem dentro de seus domínios ambientes de exceção que só podem ser explicados pela existência local de fatores litológicos, microclimáticos, hidrológicos, topográficos e paleobotânicos, como é o caso dos brejos situados em pleno domínio das caatingas. Baseado no que foi exposto, o presente capítulo objetiva-se em apresentar uma proposta metodológica de identificação e mapeamento das áreas potenciais para ocorrência dos brejos de altitude nos maciços residuais das serras de Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição, baseados na interação de critérios ambientais estabelecidos e estruturados computacionalmente através de um SIG. 6.1 CRITÉRIOS DEFINIDOS COM BASE NOS CONDICIONANTES AMBIENTAIS Uma das maiores vantagens de se realizar uma modelagem de dados espaciais é a possibilidade de criar cenários, gerar mapas de probabilidades que permitem identificar a ocorrência de uma entidade ou fenômeno geográfico e, posteriormente, no caso de uma investigação científica, dispõe-se de uma importante ferramenta para comprovação das evidências levantadas na pesquisa. Nessa perspectiva, a indicação ou mapeamento de áreas que podem apresentar maiores probabilidades para a ocorrência dos brejos de altitude, significa o resultado da interação de seus fatores climáticos, morfológicos e pedológicos em uma escala regional. 118 Conforme os estudos realizados dos condicionantes ambientais, para a realização da modelagem foram consideradas cinco variáveis (ver o esquema no fluxograma metodológico, capítulo 3): Precipitação; Temperatura; Direção de vertente; Hipsometria e Solos. Seguindo os procedimentos de aplicação do algoritmo de média ponderada, foram estabelecidos os percentuais para cada variável levando-se em conta o grau de influência exercido sobre os brejos de altitude. O Gráfico 23, a seguir, demonstra a distribuição dos pesos em percentuais: Gráfico 23 – Percentual distribuído para cada variável Fonte: Elaborado pelo autor. Em seguida, dentro de cada variável ambiental, atribui-se as notas de 1 a 10 nas classes correspondentes, considerando que as melhores notas vão para as classes que possuem maior relação com o fenômeno estudado. No caso da importância da precipitação para os brejos de altitude, quanto maiores forem suas classes de pluviometria (Tabela 6), maiores são as notas atribuídas: 119 Tabela 6 – Atribuição do peso e notas para as classes de precipitação Classe (mm) Peso Nota Peso x nota 500 - 600 0,25 2 0,5 600 - 700 0,25 3 0,75 700 - 800 0,25 5 1,25 800 - 900 0,25 7 1,75 900 - 1000 0,25 9 2,25 1000 - 1100 0,25 9 2,25 1100 - 1200 0,25 10 2,5 1200 - 1300 0,25 10 2,5 1300 - 1400 0,25 10 2,5 1400 - 1500 0,25 10 2,5 1500 - 1600 0,25 10 2,5 Fonte: Elaborado pelo autor. Para a variável de temperatura, quanto menor forem os valores registrados da média anual (Tabela 7), mais favorável se torna o ambiente para a ocorrência dos brejos: Tabela 7 – Atribuição do peso e notas para as classes de temperatura Classe (°C) Peso Nota Peso x nota 20 - 21 0,25 10 2,5 21 - 22 0,25 10 2,5 22 - 23 0,25 10 2,5 23 - 24 0,25 9 2,25 24 - 25 0,25 7 1,75 25 - 26 0,25 7 1,75 26 - 27 0,25 5 1,25 27 - 28 0,25 3 0,75 28 - 29 0,25 3 0,75 29 - 30 0,25 2 0,5 30 - 31 0,25 1 0,25 Fonte: Elaborado pelo autor. Outro fator determinante na ocorrência desse tipo de vegetação é a altimetria, pois, além de influenciar na diminuição dos valores da temperatura do ar, executa a função de barreira dos ventos úmidos. Portanto, quanto maior for o valor da 120 altimetria (Tabela 8), melhores são as condições climáticas favoráveis, maiores são as notas: Tabela 8 – Atribuição do peso e das notas para as classes hipsométricas Classe (m) Peso Nota Peso x nota 0 -100 0,20 1 0,2 100 - 200 0,20 4 0,8 200 - 300 0,20 5 1 300 - 400 0,20 7 1,4 400 - 500 0,20 7 1,4 500 - 600 0,20 9 1,8 600 - 700 0,20 10 2 700 - 800 0,20 10 2 800 - 900 0,20 10 2 900 - 960 0,20 10 2 Fonte: Elaborado pelo autor. Os tipos de solos indicam a capacidade natural das camadas superficiais do terreno apresentar diferentes condições físicas, químicas e orgânicas, capazes de influenciar a existência de uma determinada cobertura vegetal. No caso dos brejos de altitude, para o desenvolvimento do seu porte arbóreo, é necessário boa profundidade, umidade e nutrientes indispensáveis que garantem a manutenção desses ambientes. Dessa forma, recebem as melhores notas àquelas classes de solos (Tabela 9) que tiverem as características recém-mencionadas: Tabela 9 – Atribuição do peso e notas para as classes de solos Classe Peso Nota Peso x nota Neossolo Quartzarênico 0,20 1 0,2 Gleissolo Sálico 0,20 1 0,4 Vertissolo Ebânico 0,20 3 0,6 Planossolo Háplico Solódico 0,20 3 0,6 Neossolo Flúvico Eutrófico 0,20 3 0,6 Luvissolo Crômico Órtico 0,20 5 1 Neossolo Litólico Eutrófico 0,20 7 1,4 Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico 0,20 8 1,6 Argissolo Vermelho-Amarelo Eutrófico 0,20 10 2 Fonte: Elaborado pelo autor. 121 Uma das formas de se utilizar a variável de direção de vertentes é confrontála com dados de direção de ventos, principalmente quando os ventos úmidos predominantes exercem influência sobre o tipo de vegetação. Nessa situação, as notas das classes da direção da vertente são maiores em consequência dos maiores registros da direção de ventos (Tabela 10). A seguir, verifica-se a distribuição das notas para a variável: Tabela 10 – Atribuição do peso e notas para as classes de direção da vertente Classe Peso Nota Peso x nota Norte 0,10 1 0,1 Sudoeste 0,10 1 0,1 Oeste 0,10 1 0,1 Noroeste 0,10 1 0,1 Nordeste 0,10 5 0,5 Sul 0,10 8 0,8 Leste 0,10 10 1 Sudeste 0,10 10 1 Fonte: Elaborado pelo autor. Após atribuir todos os pesos das variáveis e notas de suas respectivas classes, finalmente, a última etapa da modelagem dos dados espaciais consiste em realizar uma álgebra de mapas utilizando um software de SIG, no qual se aplica uma ferramenta capaz de somar todos os valores gerados na coluna “Peso x nota” de cada tabela a fim de se obter a média ponderada. O resultado da modelagem espacial pode ser verificado no Mapa 15, onde os valores finais (média ponderada) foram divididos em cinco classes correspondentes, indicando as áreas que vão do menor ao maior potencial ambiental para a ocorrência dos brejos de altitude: 0 a 2 – Muito fraco; 2 a 4 – Fraco; 4 a 6 – Médio; 6 a 8 – Forte; 8 a 10 – Muito forte. 500000 510000 520000 530000 540000 550000 P. 122 O R ch. d o s M at C E A ões N É O Rc h. São Gonçalo do Amarante Co T L Â it é N La. Banana T IC Lagamar do Cauhipe 2 ! - 42 a C E- 090 ! Rio Ceará Guararú Rc h .d 9590000 o C E- Ste. do Mineiro Jú 348 CE CAUCAIA Serra do Camará Ste. do Tigre B R- 2 Convenções cartográficas eb a Ste. das Ipueiras Ste. das Cajazeiras ! .T ap Área urbana Serra da Conceição ! Rch. dos Brandões do alg a Ste.! Salgadinho ! ! Ste. das Pedreiras Ste. Deserto oC Ri h. S ea Fortaleza Aç. Urucutuba rá La. de Dentro Serra da Taquara d ov MARACANAÚ E06 5 R io P ir r apo a Médio Muito fraco Ste. dos Vieiras ! Serra da Monguba PACATUBA h. Fo lga Rc h. Sa Rc ia ba io Fo Ste. Bico da Arara ! rm os Ste. ! do Jatobá Itaitinga a Jubaia ! GUAIÚBA Serra Fria Ste. do Campo Aç. Pacoti a Aç. Leiria Ste. da Cachoeira - 451 CE Aç. Aristeu 9550000 i lh ! Serra Santo Antônio o ja aL Aç. Mata Fresca ! ! Tanques ! Ste. da Moenda ça lo Serra do Gigante RMF Ceará ! u rq ! .d ch pa ra Rc 4 Serrote Bicudo 9550000 R h. Aç. Cavalcante -35 Aç. Lajero R R io P a Serra do Pocin CE ! Aç. Papara Ste. do Papara Lages Jú o ! a ai l h. dr CE-455 Lagoa do Juvenal Itapebuçu B h. Rc Ce Ste. do Mocozal ! Aç. Amanari Rc da i ra Ba Vie rr a do . do h. Rc n ar i a tu b ca Pa . h Rc CE-350 Serra da! Aratanha Penedo ! Ste. Bom Princípio Área do entorno Aç. Gavião R ch 9560000 ! ! Localização 9560000 a 0 Ste. do !Frade ra Rch. Sapupa ra h. d i g ue Tan - 35 Rio do Rc h. MARANGUAPE C E Serra de Maranguape Ste. Japarara Ama Legenda - Potencial para ocorrência dos brejos de altitude o s M Aç. Massapê Bom Princípio . do Drenagem 060 C Tucunduba Rc Rch Rodovia não pavimentada Forte iár i Co c ó os ac ac 20 -0 1 9570000 l ro - 25 CE BR ! Serra do Boticário Espelhos d'água Fraco Aç. Bom Princípio ! Rodovia implantada Aç. Muquém Ste.!Preto Serra das Danças Serras e serrotes ! Ste.! Bico Fino ! ! Muito forte An e C E- Rc e C Rio Serra!do Juá Ste. Cararu ará 9580000 Rio Anil ! Rch. do Gaviã o Pentecoste Objetos de pesquisa Rodovia pavimentada R Sítios Novos La. do Umari Mapa 15 - Mapa de potencial ambiental para ocorrência dos brejos de altitude 22 ch Rch. da Barr iga o CE- c hã 156 R ia 9590000 ! Orientando: Guilherme Marques e Souza Orientadora: Profra. Dra. Maria Lúcia Brito da Cruz La. do Poço ! ! 9580000 85 -0 CE Catuana Modelagem ambiental para delimitação de brejos de altitude com estudo de casos para os maciços da Aratanha, Maranguape, Juá e Conceição - estado do Ceará. Ste. Japurá ! Ste. Jacurutu Área de concentração: Análise geoambiental e ordenação do território nas regiões semiáridas e litorâneas. O Rio Buriti Forte ! Ste. do Olho D'agua UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO ACADÊMICO EM GEOGRAFIA 9570000 9600000 A 9600000 CE -4 22 Paracuru Escala numérica 1:250.000 Sã o G on Aç. Baú Rc h. Baú Palmácia Ste. do Baú 510000 9540000 4 35 5 10 km Redenção Guaramiranga 500000 Serra do Gurguri Serras Verdes R ch . Á R gu a Ve rd e 520000 Ste. Estrela ! 530000 io Pa co ti Pacajus ! 0 Sistema de coordenadas planas Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator), Zona 24M. Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central -39º W, acrescidas as constantes 10.000km e 500km, respectivamente. Datum WGS-84 (World Geodetic System, 1984) Horizonte Rch. Paric e Aç. Tibucio Ste. do Garrafão ! Pacoti Rch. Verd e Ste. do Bolo E- ! ! ! ! C Ste. do Bu Ste. do Capoeiro ! Ste. da Torre ! R ch. Baú 9540000 Caridade Base planimétrica retirada do Atlas de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), 2005 e do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), 2012. Execução: Guilherme Marques e Souza Agosto de 2014 Acarape 540000 550000 123 6.2 VALIDAÇÃO Para fazer a validação da modelagem ambiental, ou seja, verificar se os resultados obtidos condizem ou se aproximam da realidade do ambiente local, utilizou-se uma técnica de sobreposição comparando-se o raster resultante da modelagem e o raster da imagem de satélite dos objetos de estudo (Figura 30). Figura 30 – Comparação entre o resultado da modelagem ambiental dos brejos de altitude (cores do amarelo ao vermelho) à esquerda, comparado com resposta da vegetação na imagem de satélite à direita Fonte: Elaborado pelo autor com base de dados do INPE. Nas duas situações, modelo e imagem de satélite, é necessário que se realizem classificações dos pixels no intuito de quantificar e delimitar as áreas correspondentes para, a partir daí, calcular o percentual de acerto. Particularmente nos maciços residuais a classificação da modelagem do potencial ambiental dos brejos de altitude foi estabelecida para “fraco”, “médio”, “forte” e “muito forte”. Enquanto que na classificação da imagem foram estabelecidas 124 as classes de “água”, “mata ciliar”, “caatinga”, “mata seca”, “mata subúmida” e “mata úmida”, considerando estas quatro últimas classes como vegetação primária. A disposição espacial das classes definidas da modelagem e da imagem de satélite nos maciços de estudo ficaram da seguinte forma (Figura 31): Figura 31 – Classes definidas para a modelagem (à esquerda) e para a imagem de satélite (à direita) Fonte: Elaborado pelo autor. Conforme os estudos da vegetação levantados no capítulo dos condicionantes ambientais, verifica-se que as formações vegetais que compõem os maciços residuais constituem-se de floresta estacional decidual (mata seca), floresta estacional semidecidual (mata subúmida) e floresta ombrófila densa e aberta (mata úmida). Portanto, ciente dessas informações e com o intuito de calcular o percentual de acerto da modelagem, organizou-se a comparação das classes de duas maneiras: 125 1 – Floresta estacional decidual, floresta estacional semidecidual e floresta ombrófila aberta e/ou densa sobrepondo com potencial ambiental forte a muito forte: obteve-se 91,2% de acerto; 2 – Floresta estacional semidecidual e floresta ombrófila aberta e/ou densa sobrepondo com potencial ambiental muito forte: obteve-se 93% de acerto. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS No semiárido do Nordeste, as condições ambientais estabelecidas estão fortemente ligadas ao clima, sendo este o principal agente modelador e condicionador das paisagens locais, inclusive sobre a vegetação. Através do enfoque da biogeografia, que estuda os cenários paleogeográficos e os relaciona com a distribuição da fauna e flora no planeta, foi possível se fazer uma reconstituição de um passado – marcado por grandes mudanças geológicas e climáticas – para explicar determinados eventos ligados ao presente, como a ocorrência de uma vegetação naturalmente exótica dentro de outra predominante, nesse caso, bolsões de florestas tropicais úmidas em meio a extensas áreas de caatinga. Além dos estudos biogeográficos, a compreensão da análise integrada dos condicionantes ambientais apoiada pelos recursos de geoprocessamento serviu para definir um modelo conceitual e espacial, que fosse capaz de indicar as melhores áreas para a ocorrência desses ambientes de exceção. Na Região Nordeste, principalmente no Ceará, as melhores exposições de matas úmidas estão representadas em áreas com relevos de superfícies elevadas. Portanto, as serras da Aratanha, de Maranguape, do Juá e Conceição, foram objetos de investigação capazes de fornecer evidências, através de suas variáveis ambientais, que pudessem comprovar sua existência e ajudar na coleta de dados necessários à realização da modelagem. O levantamento bibliográfico, cartográfico e de campo para aquisição dos dados foram relevantes para gerar as bases espaciais temáticas de geologia, geomorfologia, pedologia e clima (precipitação e temperatura) pelas ferramentas de SIG, como análise espacial e também, pelos produtos de sensoriamento remoto, como imagens de satélites e modelos digitais de elevação. 126 Diante do amadurecimento arcabouço da teórico pesquisa, a e metodológico utilização de adquirido variáveis durante ambientais o que caracterizassem o quadro morfoclimático para a ocorrência dos brejos de altitude foram de grande importância na definição da modelagem como as classes de altimetria, direção da vertente do relevo, tipos de solos, precipitação e temperatura do ar. A modelagem construída se mostrou satisfatória para indicar as áreas de ocorrência dos brejos na região estudada, porém, não se pode afirmar se as mesmas variáveis são aplicáveis em diferentes regiões do Estado, pois as especificidades dos condicionantes ambientais, principalmente os climáticos, mudam conforme se vai do litoral para o sertão e vice-versa. A definição dos pesos e notas, que correspondem ao percentual e valores, respectivamente, distribuídos por ordem de importância de cada variável, foi estabelecida na experiência da pesquisa de campo e na bibliografia consultada. Isso faz com que o modelo seja aberto, passível de modificação e ajustes, conforme houver a necessidade de inserir novos dados ou reavaliar a importância das variáveis pelo pesquisador. Em relação ao que se considera “brejos de altitude” foram encontradas na literatura várias definições, desde os tipos de setores ou subsetores morfológicos do relevo até os tipos de formações vegetais que os compõem, o que também se constatou essa variedade nas visitas de campo e nos resultados da modelagem. Foram identificados verdadeiros andares de vegetação, condicionados principalmente pela altitude do relevo e pelo clima local. Conforme se eleva na vertente, o padrão florístico e o porte arbóreo se modificam. Além disso, a presença de umidade nesses locais também exerce forte influência, sendo os setores orientais das serras os mais propícios para receber ventos úmidos de leste/sudeste. Dessa forma, conclui-se que os brejos podem ocorrer levando-se em conta três a quatro formações vegetais, na ordem da base para o topo dos maciços, verifica-se: floresta estacional decidual, floresta estacional semidecidual, floresta ombrófila aberta e/ou fechada. Assim, para as condições ambientais governadas pelo semiárido, fica confirmada a ocorrência de brejos de altitude nos maciços residuais considerados úmidos e subúmidos estudados na referida área. 127 No processo de validação da ocorrência dos brejos de altitude pela modelagem, fez-se a comparação entre o resultado e os tipos de vegetação classificados na imagem de satélite. Foi realizada uma sobreposição espacial e obteve-se um percentual de acerto acima dos 90%. Isto demonstra o quanto a vegetação está diretamente ligada aos fatores físicos e naturais condicionantes, responsáveis para a manutenção e existência desses ambientes. De acordo com os postulados da biogeografia, a vegetação significa ser a resposta direta desses fatores inter-relacionados. A respeito dos aspectos socioeconômicos levantados, foi constatado nos cinco municípios dos maciços estudados, que a produção no setor agropecuário, analisada em um período de 22 anos (de 1990 a 2012), apresentou queda a partir de meados da década de 1990 e seguiu com baixos valores de produção até 2012. Os municípios que ainda apresentam uma produção agropecuária que se destaca dos demais, são Caucaia e Maranguape. O setor de extrativismo vegetal para a produção de carvão e lenha foi o que mais registrou queda em todos os cinco municípios analisados. O destaque foi para o município de Maranguape que apresentou maiores valores de queda em relação aos demais. Por possuir 47% da área da Serra da Aratanha e 52% da área da Serra de Maranguape, verifica-se a forte influência sobre a utilização de seus recursos florestais para tais atividades, o que sugere interpretar uma diminuição dos desmatamentos em seu território. Não foi possível afirmar se as quedas nesses setores foram responsáveis pelo melhor estado de conservação desses ambientes, pois tal verificação não entrou nos objetivos da presente pesquisa. Em contrapartida, verificou-se numa análise espacial de três décadas (1980 a 2010) por imagens de satélite, um crescente processo de urbanização nas sedes municipais que compõem a RMF, sobretudo Caucaia e Maracanaú, aumentando consideravelmente suas áreas urbanas. Na RMF, o setor de mineração é o que mais apresenta crescimento da produção desde a década de 2000. Os principais materiais explorados são brita e areia, utilizados na indústria de agregados que abastece o setor de construção civil. 128 REFERÊNCIAS AB’SÁBER, A.N. Brasil: paisagens de exceção. O Litoral e o Patanal Matogrossense: patrimônios básicos. São Paulo: Ateliê Ed., 2006. ______. Domínios morfoclimáticos e províncias fitogeográficas do Brasil. Revista Orientação IGEO/USP, n. 3, p. 45-48. ______. Os domínios de natureza do Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Ed., 2003. ______. Sertões e sertanejos: uma geografia humana sofrida. Estudos AvançadosUSP, v. 13, n. 36, mai. – ago., 1999 (Dossiê Nordeste Seco), p. 7-59. ABRAF. Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas – Estatísticas. Disponível em:< http://www.abraflor.org.br>. Acesso em: Dez. 2011. ALVES, C.L.B; PAULO, E.M. Mercado de trabalho rural cearense: evolução recente a partir dos dados da PNAD. Revista da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho – ABET, v. XI, n.2, p. 47-61, 2012. AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos. 15a Ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. BERTALANFFLY, L.V. Teoria Geral dos Sistemas. Trad. de Francisco Guimarães. Petrópolis: Editora Vozes, 1973. BÉTARD, F; PEULVAST, J.P; SALES, V.C. Caracterização morfopedológica de uma serra úmida no semiárido do nordeste brasileiro: o caso do maciço de Baturité-CE. Mercator – Revista de Geografia da UFC, ano 06, número 12. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2007. BEZERRA, C.L.F. Cobertura vegetal. In: Alberto Alves Campos et al. (Org.) A zona costeira do Ceará: diagnóstico para a gestão integrada. Fortaleza: AQUASIS, 2003. BIGARELLA, J.J; BECKER R.D; SANTOS, G.F. dos. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais. 2a ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009. BLASCHKE, T; LANG, S. Análise da paisagem com SIG. São Paulo: Oficina de textos, 2009. BRANDÃO, R.L. Sistema de informações para gestão e administração territorial da Região Metropolitana de Fortaleza – Projeto SINFOR: Mapa geológico da Região Metropolitana de Fortaleza. Texto explicativo. Fortaleza: CPRM, 1995. 129 ______. Sistema de informações para gestão e administração territorial da Região Metropolitana de Fortaleza – Projeto SINFOR: Diagnóstico Geoambiental e os Principais Problemas de Ocupação do Meio Físico da Região Metropolitana de Fortaleza. Texto explicativo. Fortaleza: CPRM, 1998. BRASIL. CPRM. Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais: Atlas Pluviométrico do Brasil. Disponível em: <http:// http://www.cprm.gov.br>. Acesso em: Fev. 2014. ______. CPRM. Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais: Mapa de Geodiversidade do Estado do Ceará. Disponível em: <http:// http://www.cprm.gov.br>. Acesso em: Fev. 2012. ______. DNPM. Departamento Nacional de Produção Mineral. Anuário mineral brasileiro – ano base 2009. DNPM, 2010. Disponível em: <http://www.dnpm.gov.br/relatorios/amb/Completo_2010.pdf> Acesso em: Mai. 2014. ______. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Censo Demográfico 2010. Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br>. Acesso em: Mai. 2014. ______. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Censos demográficos de 1991 e 2000. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/censo/>. Acesso em: Abr. 2014. ______. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Informações sobre os municípios brasileiros. Disponível em: < http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php//>. Acesso em: Abr. 2014. ______. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Pesquisa Pecuária Municipal de 1990 a 2012. Disponível em: <http://www.sidra.ibge.gov.br/>. Acesso em: Mai. 2014. ______. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Produção Agrícola Municipal de 1990 a 2012. Disponível em: <http://www.sidra.ibge.gov.br/>. Acesso em: Mai. 2014. ______. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura de 1990 a 2012. Disponível em: <http://www.sidra.ibge.gov.br/>. Acesso em: Mai. 2014. ______. INMET. Instituto Nacional de Meteorologia: Normais Climatológicas do Brasil 1961-1990. Disponível em: < http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/normaisClimatologicas>. Acesso em: Fev. 2014. ______. INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais: Catálogo de Imagens. Disponível em: <http://www.dgi.inpe.br/CDSR//>. Acesso em: Ago. 2013. 130 ______. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2009. ______. Ministério de Minas e Energia. Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM. Mapa geológico da Folha Crateús – SB.24-V-C-III, escala 1:100.000. Fortaleza: CPRM, 2012. Disponível em < http://geobank.sa.cprm.gov.br/pls/publico/geobank.download.downloadlayouts?p_we bmap=N>. Acesso em: fev. 2014. ______. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Noções Básicas de Cartografia. Rio de Janeiro: IBGE, 1999. (Manuais Técnicos em Geociências - n. 8). ______. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Manual Técnico da Vegetação Brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. (Manuais Técnicos em Geociências - n. 1). BURROUGH, P.A. Principles of geographical information systems for land resources assessment. Oxford: Clarendon, 1986. CÂMARA, G. Representação Computacional de Dados Geográficos. INPE, São José dos Campos: São Paulo, 2001. Disponível em <www.dpi.inpe.br/teses/gilberto/>. Acesso em: Mai. 2012. CAMPOS, J.N; STUDART, T.M.C. Climatologia. In: Alberto Alves Campos et al. (Org.) A zona costeira do Ceará: diagnóstico para a gestão integrada. Fortaleza: AQUASIS, 2003. CAPOBIANCO, J.P. Dossiê Mata Atlântica 2001. São Paulo: Instituto Socioambiental, Rede de ONGs da Mata Atlântica e Sociedade Nordestina de Ecologia, 2001. CASTRO, F.S; PEZZOPANE, J. R. M.; CECÍLIO, R. A; PEZZOPANE J. E. M. Uso de Imagens de RADAR na espacialização da temperatura do ar. IDESIA, vol. 28, n. 3, p. 69-79, Set. - Dez. 2010. CAVALCANTE, A. Jardins suspensos no Sertão. Scientific American Brasil. Ed. n. 32, 60-67, 2005. CAVALCANTI, V.M.M. A indústria de agregados para construção civil na Região Metropolitana de Fortaleza. Vanessa Maria Mamede Cavalcanti e Ricardo Eudes Ribeiro Parahyba (Org.). Fortaleza: DNPM, 2011. CHRISTOFOLETTI, A. Modelagem de sistemas ambientais. 1a ed. São Paulo: Editora Edgard Blucher Ltda., 1999. 131 CRÓSTA, A.P. Processamento digital de imagens de sensoriamento remoto. Campinas, SP: IG/UNICAMP, 1992. DANSEREAU, P. Introdução à Biogeografia. In: Conselho Nacional de Geografia (Org.) Revista Brasileira de Geografia. Ano XI, n. 1, p. 3-92. Rio de Janeiro: IBGE, 1949. DAVIS, C; CÂMARA, G. MONTEIRO, A.M.V. (ed.). Introdução à Ciência da Geoinformação. São José dos Campos: INPE, 2001. Disponível em: <http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/introd>. Acesso em: Mai. 2012. FERNANDES, A. Fitogeografia brasileira – fundamentos fitogeográficos: fitopaleontologia, fitoecologia, fitossociologia, fitocorologia. 3a ed. Fortaleza: Edições UFC, 2007. FITZ, P.R. Geoprocessamento sem complicação. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. FLORENZANO, T.G. Imagens de satélite para estudos ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. GREGORY, K.J. A natureza da Geografia Física. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil S.A., 1992. GUEDES, L.S.G; BATISTA, M.A; RAMALHO, M; FREITAS H.M.B; SILVA, E.M. da. Breve incursão sobre a biodiversidade da Mata Atlântica. In: Carlos Roberto Franke et al. (Org.) Mata Atlântica e Biodiversidade. Salvador: Edufba, 2005. HASUY, Y. Província Borborema. In: Yociteru Hasui et al. (Org.). Geologia do Brasil. São Paulo: Beca, 2012. KUHLMANN, E. Vegetação. In: IBGE (Org.). Geografia do Brasil: região Nordeste. Rio de Janeiro: SERGRAF – IBGE, 1977. LEPSCH, I.F. 19 lições de pedologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. LIMA, H.C; LEWIS, G.P; BUENO, E. Pau-brasil: uma biografia. In: E. Bueno (ed.). Pau-brasil. P. 39-76. São Paulo: Axis Mundi, 2002. LINS, R.C. As áreas de exceção do agreste de Pernambuco. Série Estudos Regionais. Recife: SUDENE/PSU/SER, 1989. LYRA, G.B; SANTOS, M.J. dos; de SOUZA, J.L; LYRA; SANTOS, M.A. dos. Espacialização da temperatura do ar anual no estado de Alagoas com diferentes modelos digitais de elevação e resoluções espaciais. Ciência Florestal, v. 21, n. 2, p. 275-287, Santa Maria, abr. – jun. 2010. NIMER, E. Clima. In: IBGE (Org.). Geografia do Brasil: região Nordeste. Rio de Janeiro: SERGRAF – IBGE, 1977. 132 PARANÁ. MINEROPAR. Serviço Geológico do Paraná. Glossário geológico online. Disponível em: <http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/glossario>. Acesso em: Mai. 2014. PEZZOPANE, J.E.M; SANTOS, E; ELEUTÉRIO, M.M.A; REIS, E.F.; SANTOS, A.R. Espacialização da temperatura do ar no Espírito Santo. Revista Brasileira de Agrometeorologia, v. 12, n. 1, p. 151-158, Santa Maria, 2004. PONZONI, F.J; SHIMABUKURO Y.E. Sensoriamento remoto no estudo da vegetação. São José dos Campo, SP: A. Silva Vieira ed., 2007. RAVEN, P.H; EVERT, R. F; EICHHORN, S.E. Biologia Vegetal. 5a ed. Coord. Trad. J. E. Kraus. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1996. RÊGO, G.M; HOEFLICH, V.A. Contribuição da pesquisa florestal para um ecossistema em extinção: Floresta Atlântica do Nordeste do Brasil. Aracaju: EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, 2001. RODRIGUES, C. A teoria geossistêmica e sua contribuição aos estudos geográficos e ambientais. Revista do Departamento de Geografia, n. 14, p. 69-77. RODRIGUEZ, M.M; SILVA, E.V. da. A classificação das paisagens a partir de uma visão geossistêmica. Mercator – Revista de Geografia da UFC, ano 01, número 01. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2002. ROLIM, G.S., SENTELHAS, P.C., BARBIERI, V. Planilhas no ambiente EXCEL TM para os cálculos de balanços hídricos: normal, sequencial, de cultura e de produtividade real e potencial. Revista Brasileira de Agrometeorologia, v.6, n.1, p. 133-137. Santa Maria,1998. ROMARIZ, D.A. Biogeografia: temas e conceitos. São Paulo: Scortecci, 2008. SARAIVA JÚNIOR, J.C. Geomorfologia dos maciços costeiros de Caucaia, Ceará. Dissertação (Mestrado em Geografia), Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2009. SILVA, J.B. da. Características gerais da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). In: Maria Clélia Lustosa Costa e Eustógio Wanderley Correia Dantas (Org.). Vulnerabilidade socioambiental na Região Metropolitana de Fortaleza. Fortaleza: Edições UFC, 2009. SILVA, M.V.C. da. Análise geoambiental: subsídios ao planejamento agrícola da Serra de Uruburetama. Dissertação (Mestrado em Geografia Física), Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2007. SOS MATA ATLÂNTICA. Portal SOS Mata Atlântica, 2011. Disponível em: <http://www.sosmatatlantica.org.br>. Acesso em: Dez. 2011. 133 SOTCHAVA, V.B. O estudo dos geossistemas: métodos em questão. Trad. de Carlos Augusto Figueiredo Monteiro e Dora de Amarante Romariz. São Paulo: IGEOG/USP, 1977. SOUZA, M.J.N. Bases Naturais e Esboço do Zoneamento Geoambiental do Estado do Ceará. In: LIMA, L.C. (Org.). Compartimentação territorial e gestão regional do Ceará. Fortaleza: FUNECE, 2000. ______. Diagnóstico geoambiental do município de Fortaleza: subsídios ao macrozoneamento ambiental à revisão do Plano Diretor Participativo - PDPFor. Marcos José Nogueira de Souza et al. Fortaleza, Prefeitura Municipal de Fortaleza, 2009. ______. J.; OLIVEIRA, V.P.V. Os enclaves úmidos e subúmidos do semiárido do nordeste brasileiro. Mercator – Revista de Geografia da UFC, ano 05, número 09. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2006. ______, M.J.N. Unidades geoambientais. In: Alberto Alves Campos et al. (Org.) A zona costeira do Ceará: diagnóstico para a gestão integrada. Fortaleza: AQUASIS, 2003. SUGUIO, K. Geologia do Quaternário e mudanças ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. TABARELLI, M; MELO, M.D.V.C; LIRA, O.C. A Mata Atlântica do Nordeste. In: Rede de ONG's da Mata Atlântica (Org.) Mata Atlântica - uma rede pela floresta. São Paulo, 2006. TEXEIRA, R.F.B. O fenômeno da brisa e sua relação com a chuva sobre FortalezaCE. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 23, n. 3, p. 282 - 291, 2008. TONHASCA JÚNIOR, A. Ecologia e história natural da Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2005. TROPPMAIR, H. Biogeografia e meio ambiente. 9a ed. Rio de Janeiro: Technical Books, 2012. VALERIANO, M.M. Dados topográficos. In: FLORENZANO, T.G. (Org.). Geomorfologia, conceitos e tecnologias atuais. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. p.72-104. VIADANA, A.G. Biogeografia: natureza, propósitos e tendências. In: VITTE, A.C; GUERRA, A.J.T. (Org.) Reflexões sobre a geografia física no Brasil. 5a ed., Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2011. VIKTOR, L; LEONARDOS, O.H. Glossário geológico. São Paulo: Editora Nacional, 1977. 134 XAVIER DA SILVA, J. Geoprocessamento para análise ambiental. Rio de Janeiro: LAGEOP, 2001. XAVIER, T.M.B.S; XAVIER, A.F.S. Caracterização de período secos ou excessivamente chuvosos do estado do Ceará através da técnica dos quantis: 1964 - 1998. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 14, n. 2, p. 63 - 78, 1999. ZAIDAN, R.T; XAVIER DA SILVA, J. Geoprocessamento aplicado ao zoneamento de áreas com necessidade de proteção: o caso do Parque Estadual do Ibitipoca-MG. In: Jorge Xavier da Silva e Ricardo Tavares Zaidan (Org.) Geoprocessamento & análise ambiental: aplicações. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2004. 135 ANEXOS ANEXO - A DECRETO Nº 750/93 10 de fevereiro de 1993 Dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o Artigo 84, incisos IV e tendo em vista o disposto no Artigo 225, Parágrafo 4º, da Constituição, e de acordo com o disposto no Art. 14, Alíneas “a” e “b”, da Lei 4.771, de 15 de Setembro de 1965, no Decreto-Lei 289, de 28 de Fevereiro de 1967, e na Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, DECRETA: Artigo 1º - Ficam proibidos o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica. Parágrafo Único - Excepcionalmente, a supressão da vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser autorizada, mediante decisão motivada do órgão estadual competente, com anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, informando-se ao Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, quando necessária a obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública social, mediante aprovação de estudo e relatório de impacto ambiental. Artigo 2º - A exploração seletiva de determinadas espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação primária ou nos estágios avançados e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser efetuada desde que observados os seguintes requisitos: I - não promova a supressão de espécies distintas das autorizadas através de prática de roçadas, bosqueamento e similares; II - elaboração de projetos, estudos prévios técnico-científicos de estoque e de garantia de capacidade de manutenção da espécie; 136 III - estabelecimento de áreas e de retiradas máximas anuais; IV - prévia autorização do órgão estadual competente, de acordo com as diretrizes e critérios técnicos por ele estabelecidos. Parágrafo Único - Os requisitos deste artigo não se aplicam à exploração eventual de espécies da flora, utilizadas para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais, mas ficará sujeita à autorização pelo órgão estadual competente. Artigo 3º - Para os efeitos deste Decreto, considera-se Mata Atlântica as formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata Atlântica, com as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil, IBGE 1988: Floresta Ombrófila Densa Atlântica, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, manguezais, restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste. Artigo 4º - A supressão e a exploração da vegetação secundária, em estágio inicial de regeneração da Mata Atlântica, serão regulamentadas por ato do IBAMA, ouvidos o órgão estadual competente e o Conselho Estadual do Meio Ambiente respectivo, informando-se ao CONAMA. Parágrafo Único - A supressão de que trata este artigo, nos Estados em que a vegetação remanescente da Mata Atlântica seja inferior a cinco por cento da área original, obedecerá ao que estabelece o Parágrafo Único do Artigo 1º deste Decreto. Artigo 5º - Nos casos de vegetação secundária nos estágios médio e avançado de regeneração da Mata Atlântica, o parcelamento do solo ou qualquer edificação para fins urbanos só serão admitidos quando de conformidade com o plano diretor do Município e demais legislações de proteção ambiental, mediante prévia autorização dos órgãos estaduais competentes e desde que a vegetação não apresente qualquer das seguintes características: Artigo 6º - A definição de vegetação primária e secundária nos estágios avançado, médio e inicial de regeneração da Mata Atlântica será de iniciativa do IBAMA, ouvido o órgão competente, aprovado pelo CONAMA. Parágrafo Único - Qualquer intervenção na Mata Atlântica primária ou nos estágios avançados e médio de regeneração só poderá ocorrer após o atendimento do disposto no “caput” deste artigo. 137 Artigo 7º - Fica proibida a exploração de vegetação que tenha a função de proteger espécies da flora e fauna silvestres ameaçadas de extinção, formar corredores entre remanescentes de vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração, ou ainda de proteger o entorno de unidades de conservação, bem como a utilização das áreas de preservação permanente, de que tratam os artigos 2º e 3º da Lei 4.771, de 15 de Setembro de 1965. Artigo 8º - A floresta primária ou em estágio avançado e médio de regeneração não perderá esta classificação nos casos de incêndio e/ou desmatamento não licenciados a partir da vigência deste Decreto. Artigo 9º - O CONAMA será a instância de recurso administrativo sobre as decisões decorrentes do disposto neste Decreto, nos termos do artigo 8º, Inciso III, da Lei 6.938, de 31 de Agosto de 1981. Artigo 10º - São nulos de pleno direito os atos praticados em desconformidade com as disposições do presente Decreto. § 1º - Os empreendimentos ou atividades iniciados ou sendo executados em desconformidade com o disposto neste Decreto deverão adaptar-se às suas disposições, no prazo determinado pela autoridade competente. § 2º - Para os fins previstos no parágrafo anterior, os interessados darão ciência do empreendimento ou da atividade ao órgão de fiscalização local, no prazo de cinco dias, que fará as exigências pertinentes. Artigo 11º - O IBAMA, em articulação com autoridades estaduais competentes, coordenará rigorosa fiscalização dos projetos existentes em área da Mata Atlântica. Parágrafo Único - Incumbe aos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, nos casos de infrações às disposições deste Decreto: a) Aplicar as sanções administrativas cabíveis; b) Informar imediatamente ao Ministério Público, para fins de requisição de inquérito policial, instauração de inquérito civil e propositura de ação penal e civil pública; c) Representar aos conselhos profissionais competentes em que inscritos o responsável técnico pelo projeto, para apuração de sua responsabilidade, consoante a legislação específica. 138 Artigo 12º - O Ministério do Meio Ambiente adotará as providências visando o rigoroso e fiel cumprimento do presente Decreto, e estimulará estudos técnicos e científicos visando a conservação e o manejo racional da Mata Atlântica e sua biodiversidade. Artigo 13º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Artigo 14º - Revoga-se o Decreto 99.547, de 25 de Setembro de 1990. ITAMAR FRANCO Presidente da República Fernando Coutinho Jorge Ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal