PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E SUA INFLUÊNCIA NOS CURRÍCULOS PRESCRITOS E PRATICADOS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE BRASIL E PARAGUAI MARCELO DE OLIVEIRA DIAS DOUTORADO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA São Paulo 2012 MARCELO DE OLIVEIRA DIAS EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E SUA INFLUÊNCIA NOS CURRÍCULOS PRESCRITOS E PRATICADOS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE BRASIL E PARAGUAI. Tese apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em Educação Matemática, sob a orientação da Professora Doutora Célia Maria Carolino Pires. São Paulo 2012 BANCA EXAMINADORA Aprovado em 7 de dezembro de 2012. Dra. Célia Maria Carolino Pires (orientadora - PUC/SP) Dra. Laurizete Ferragut Passos (PUC/SP) Dra. Celina Aparecida Almeida Pereira Abar (PUC/SP) Dr. Claudio Saiani (UFF/RJ) Dra. Maryneusa Cordeiro Otone DEDICATÓRIA Dedico à minha avó Elvira, que completou seu centenário no presente ano. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, por me sustentar até o final desta importante etapa da minha vida. À Professora Doutora Célia Maria Carolino Pires pelas orientações precisas, paciência e pelo exemplo de pessoa e profissional. À minha mãe Antônia e meu pai Aurelino (in memoriam), que são minhas fontes de inspiração, por cuidarem de mim e por terem me dado todo suporte necessário para ser o que sou hoje. À Capes por me conceder a bolsa, essencial para a permanência e a conclusão do Doutorado na PUC-SP. Agradeço à minha singular turma de Doutorado, espalhada por várias partes do nosso Brasil. Em especial ao amigo paulista Carlos Ricardo Bifi e sua família, pelo suporte e incentivos durante todo o curso. Deus os recompense. Ao grupo de pesquisa “Desenvolvimento Curricular em Matemática e Formação de Professores do Programa de Estudos PósGraduados em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em especial os participantes do Projeto “Pesquisas comparativas sobre organização e desenvolvimento curricular na área de Educação Matemática, em países da América Latina: currículos prescritos e currículos praticados” pelo apoio e troca de informações durante o desenvolvimento da pesquisa. Aos professores da PUC-SP pelos preciosos ensinamentos durante as disciplinas e à minha banca de qualificação de tese, pelas orientações e dicas precisas para a conclusão da mesma. À Escola Estadual Stella Matutina, em especial as professoras Lucinda e Regina pelo apoio e compreensão na reta final do trabalho. Aos meus ex-alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e alunos da Universidade Gama Filho pelos incentivos durante toda esta etapa e pelo respeito que sempre me trataram. Às professoras Avelina e Nélida que foram fundamentais para a pesquisa de campo realizada no Paraguai e também ao Ministério da Educação do Paraguai e às professoras que me concederam entrevistas. Aos professores e colaboração com as entrevistas concedidas. especialistas do Brasil pela Às amigas Andi Rolon e Sara Villaba, que muito me auxiliaram na minha estada no Paraguai para a pesquisa de campo. Aos amigos e familiares que entenderam minhas ausências nesta etapa do Doutorado em São Paulo conciliado com muito trabalho em meu Rio de Janeiro. EPÍGRAFE Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão. Isaías 40:31. DIAS, M.O. Educação Matemática e sua influência nos currículos prescritos e praticados: um estudo comparativo entre Brasil e Paraguai. Tese (Doutorado em Educação Matemática) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2012. 316 p. RESUMO A presente tese de Doutorado tem como objetivo desenvolver estudos comparativos de currículos de Matemática, prescritos e apresentados no Brasil e no Paraguai, devidamente organizados e implementados a partir da década de 90. Nesse sentido, nos capítulos que se seguem há a intenção de identificação das influências de resultados de pesquisas em Educação Matemática nos documentos oficiais desses países. Há também a exposição de aspectos comuns e especificidades dos currículos de Matemática organizados no Brasil e no Paraguai, no que se refere à educação obrigatória. Tampouco, propõem-se a identificar semelhanças e diferenças entre os dois sistemas, assim como informações pertinentes que evidenciem a adesão ou a rejeição dos professores de Matemática às orientações curriculares prescritas nos documentos oficiais e dados referentes aos currículos que realmente se efetivam nas salas de aula. No intuito de realizar a investigação foi adotada a metodologia da Educação Comparada, que é um instrumento analítico para o estudo de sistemas educativos. A tese apresenta algumas contribuições para serem refletidas por nossa comunidade de Educação Matemática e por gestores das políticas públicas educacionais. Palavras-chave: Educação Matemática, Currículo de Matemática, Sistemas Educativos do Brasil e Paraguai. DIAS, M.O. Educação Matemática e sua influência nos currículos prescritos e praticados: um estudo comparativo entre Brasil e Paraguai. Tese (Doutorado em Educação Matemática) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2012. 316p. ABSTRACT This PhD thesis aims to develop comparative studies of mathematics curricula, prescribed and given in Brazil and Paraguay, duly organized and implemented from the 90s. Accordingly, in the chapters that follow is intended to identify the influences of research findings in mathematics education in the official documents of these countries. There is also exposure to common and specific aspects of the curricula of mathematics organized in Brazil and Paraguay, with regard to compulsory education. Nor are proposed to identify similarities and differences between the two systems, as well as relevant information evidencing compliance or rejection of mathematics teachers to curriculum guidelines prescribed in the official documents and data relating to curricula that actually become effective in the classroom. In order to carry out the research we adopted the methodology of comparative education, which is an analytical tool for the study of education systems. The thesis presents some contributions to be reflected by our community of mathematics education and educational managers of public policies. Keywords: Mathematics Education, Mathematics Curriculum, Educational Systems of Brazil and Paraguay. LISTA DE QUADROS 1. Nomenclatura para identificar entrevistados.......................................... 41 2. Objetivos estratégicos dos planos do SEM: 1992-2010......................... 49 3. A educação básica no Brasil e no Paraguai: finalidades da Educação Básica .................................................................................................. 63 4. A educação Básica no Brasil e no Paraguai: níveis e obrigatoriedade .. 64 5. A educação básica no Brasil e no Paraguai: carga horária mínima estabelecida.......................................................................................... 65 6. A educação básica no Brasil e no Paraguai: desenho curricular ........... 66 7. A educação básica no Brasil e no Paraguai: formação exigida dos docentes para atuação na educação básica......................................................... 67 8. Características do currículo no modernismo e no pós-modernismo ...... 80 9. Blocos de conteúdos curriculares para o ensino fundamental ............... 127 10. Blocos de conteúdos curriculares para o ensino médio......................... 129 11. Perfil dos especialistas entrevistados do Brasil ..................................... 186 12. Perfil dos especialistas entrevistados no Paraguai................................ 186 13. Perfil dos diretores, coordenadores pedagógicos e professores entrevistados no Brasil................................................................................................ 197 14. Perfil dos diretores e professores entrevistados no Paraguai................ 187 LISTA DE FIGURAS 1. Objetivação do currículo prescrito no processo de seu desenvolvimento 79 2. Estrutura do PCN .................................................................................. 103 3. Desenho curricular para a educação escolar básica no Paraguai ........ 104 4. Integração do componente curricular da 3ª série da Educação Média do Paraguai com os temas transversais..................................................... 139 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Contexto geral dos países pesquisados............................................47 Tabela 2: Dados estatísticos referentes ao PNLD.............................................60 LISTA DE SIGLAS CEMPA- Comitê de Educação Matemática do Paraguai DM- Didática da Matemática EDMAT- Educação Matemática EJA- Educação de Jovens e Adultos EF- Ensino Fundamental EM- Ensino Médio FISEM- Federação Ibero americana das Sociedades de Educação Matemática FUNDEF- Fundo de desenvolvimento para o Ensino Fundamental FUNDEB- Fundo de desenvolvimento para a Educação Básica FIES -Financiamento do Ensino Superior LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação no Brasil LGE- Lei Geral da Educação do Paraguai MEC- Ministério da Educação e Cultura NCTM- National Council of Teachers of Mathematics PNLD- Plano Nacional do Livro Didático PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais PCNEM- Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (Brasil) PEMEEB- Programa de Estudos de Matemática da Educação Básica (Paraguai) PEMEM- Programa de Matemática da Educação Média (Paraguai) PISA- Programme for International Student Assessment RP- Resolução de Problemas SBEM- Sociedade Brasileira de Educação Matemática SEM- Sistemas Educativos do Mercosul. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA PESQUISA................................................................. 15 1. 2. 2.1 Trajetória Profissional ...................................................................... 15 Inserção da pesquisa em um grupo/projeto ..................................... 15 Busca de elementos comparativos para além das avaliações internacio nais com foco no desempenho dos alunos....................................... 20 3. Justificativa e relevância .................................................................. 20 4. Procedimentos metodológicos ......................................................... 24 4.1 Metodologia da educação comparada.............................................. 24 4.1.1 Breve histórico sobre a metodologia da educação comparada......... 24 4.1.2 Teoria da Comparação..................................................................... 31 4.1.3 Metodologia adotada e trajetória da pesquisa .................................. 34 5. Objetos da pesquisa......................................................................... 43 6. Estrutura da tese.............................................................................. 44 CAPÍTULO 1: EDUCAÇÃO NO BRASIL E NO PARAGUAI: SITUAÇÃO ATUAL E DESAFIOS ..................................................................................... 46 1.1 Contexto geral de Brasil e Paraguai ............................................... 1.2 Principais tendências educacionais observadas nos dois países ... 1.3 Sistemas educativos no Brasile Paraguai........................................ 1.4 Descentralização da gestão ........................................................... 1.5 Democratização do ensino ............................................................. 1.6 Reformas curriculares recentes....................................................... 1.7 O investimento na educação .......................................................... 1.8 As políticas compensatórias............................................................ 1.9 A configuração da educação básica no Brasil e no Paraguai ......... 1.10 Síntese do capítulo ......................................................................... 1.10.1 Reformas curriculares recentes....................................................... 1.10.2 Especificidades ............................................................................... 46 50 51 53 54 55 58 59 62 69 73 74 CAPÍTULO 2 : APORTES TEÓRICOS, CATEGORIAS ANALÍTICAS E ANÁLISES COMPARATIVAS DOS CURRÍCULOS PRESCRITOS DE MATEMÁTICA NO BRASIL E NO PARAGUAI ........................................ 75 2.1 2.2 2.2.1 2.2.2 2.2.3 Aportes teóricos ........................................................................... 76 Categorias analíticas .................................................................... 86 Concepções de escola e currículo................................................. 88 Princípios de organização curricular.............................................. 96 Dimensões dos currículos de matemática ..................................... 106 2.2.4 Papel da matemática na formação do cidadão.............................. 113 2.2.5 Princípios de seleção de competências matemáticas básicas....... 118 2.2.5.1 Comparações entre o PCN para o Ensino Fundamental e os Programas de Estudo para a Educação Escolar Básica do Paraguai ...... 127 2.2.5.2 Comparações entre o PCN para o Ensino Médio e os Programas de Estudo para a Educação Escolar Básica do Paraguai ...... 129 2.2.6 Indicação de competências transversais ....................................... 130 2.2.7 Referências a opções didáticas e metodológicas .......................... 141 2.2.7.1 Resolução de problemas............................................................... 141 2.2.7.2 Conceitos da didática da matemática ............................................ 148 2.2.7.3 Concepção construtivista .............................................................. 154 2.2.7.4 História da matemática.................................................................. 162 2.2.7.5 Utilização da tecnologia................................................................. 166 2.2.7.6 Recomendações em relação à utilização do livro didático............. 173 2.2.8 Avaliação da aprendizagem .......................................................... 175 2.3 Síntese do capítulo........................................................................ 180 2.3.1 Similaridades identificadas nos currículos prescritos..................... 182 2.3.2 Especificidades identificadas nos currículos prescritos ................. 183 CAPÍTULO 3 : DOS CURRÍCULOS PRESCRITOS AOS CURRÍCULOS EM AÇÃO: NO PARAGUAI ........................................................................... 185 3.1 3.2 3.3 Perfil dos entrevistados ................................................................ 185 Os depoimentos dos entevistados sobre o processo de elaboração do currículo prescrito de matemática ............................................ 187 Sínteses do capítulo ..................................................................... 194 CAPÍTULO 4 : CURRÍCULO PRATICADO PELOS ATORES DOS DOIS PAÍSES: ALGUNS FRAGMENTOS ............................................................... 195 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.6.1 4.6.2 4.6.3 4.6.4 4.7 4.8 4.9 Perfis dos diretores, coordenadores pedagógicos e professores entrevistados................................................................................. 196 Formas de desenvolvimento do currículo de matemática na escola ..................................................................................................... 198 Relação dos professores com o currículo prescrito ...................... 202 Autonomia na realização do currículo praticado de matemática na escola............................................................................................ 203 Acompanhamento do currículo escolar na escola ........................ 204 Grau de assimilação da Educação Matemática ............................ 205 Resolução de problemas............................................................... 205 Concepção de aprendizagem subjacente...................................... 207 História da matemática.................................................................. 208 Utilização de tecnologias, em especial o uso de calculadora ........ 219 Alguns aspectos do trabalho de sala de aula ............................... 210 Causas apontadas para as dificuldades de implementação ......... 212 Síntese do capítulo ....................................................................... 212 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................. 214 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................................ 221 APÊNDICES.......................................................................................................... 244 APÊNDICE A: INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS.................................... 240 A.1 BRASIL.................................................................................................. 240 A.2 PARAGUAI ............................................................................................ 242 APÊNDICE B: TERMOS DE CONSENTIMENTO E DELIBERADO ...................... 245 B.1 Documento para profissionais no Brasil................................................. 245 B.2 Documento para profissionais no Paraguai............................................ 246 APÊNDICE C: ENTREVISTA NO BRASIL............................................................ 247 APÊNDICE D: ENTREVISTA NO PARAGUAI ...................................................... 274 APÊNDICE E: Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática para o Ensino Fundamental e Programas de Estudo de Matemática para a Educação Básica do Paraguai ............................................................................ 294 APÊNDICE F: Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática para o Ensino Fundamental e Programas de Estudo de Matemática para a Educação Média do Paraguai ............................................................................. 313 15 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA 1.Trajetória profissional Licenciei-me em Matemática pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em 2005. Um ano após, integrei-me ao grupo de professores da Rede Estadual de Educação, onde ministrei aulas para o Ensino Médio. Dei prosseguimento aos estudos, agora cursando o Mestrado em Modelagem Computacional na área de concentração de Matemática Aplicada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), concluindo-o em 2008. Assumi o posto de professor substituto na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no período de 2007 a 2009. Logo após ingressei no Programa de Doutorado em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Atualmente, além de lecionar na Universidade Gama Filho, atuo como conteudista pela Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado (CECIERJ), órgão detentor de uma parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC), do Projeto Reforço Escolar, que visa à criação de dinâmicas para reforço de conteúdos propostos pela matriz do Currículo Mínimo do Estado do Rio de Janeiro. Nas diversas experiências adquiridas desde minha licenciatura, em especial como professor de Matemática para o Ensino Médio da rede estadual e de cursos de Licenciatura em Matemática, fui colocado em contato com múltiplos desafios da implementação curricular, sejam relacionados à comunicação de idéias inovadoras nos currículos prescritos, sejam ligados à realização em salas de aula. Certo é, que todas as experiências citadas culminaram no objetivo único de melhora, primordialmente no que diz respeito à aprendizagem dos alunos. Nesse sentido, ingressar no Doutorado, somado às experiências iniciais como professor houve uma progressão no interesse pela temática, que aumentou com minha inserção no Grupo "Desenvolvimento Curricular em Matemática e Formação de Professores", devidamente coordenado pela Profª. Drª. Célia Maria Carolino Pires. Esse Grupo de Pesquisa foi responsável por meu contato com 16 diferentes projetos, tais como: (I) Pesquisas comparativas sobre organização e desenvolvimento curricular na área de Educação Matemática, em países da América Latina. (II) O Currículo de Matemática na Educação de Jovens e Adultos: dos intervenientes à prática em sala de aula. (III) Organização Curricular e Formação de professores que ensinam Matemática em diferentes níveis e modalidades de ensino, e por último, (IV) A aprendizagem significativa e conhecimentos prévios: investigando o currículo de Matemática, em uma perspectiva construtivista. Em função dessa trajetória profissional e também da formação do interesse no Grupo de Pesquisa, a opção foi fazer parte do projeto "Pesquisas comparativas sobre organização e desenvolvimento curricular na área de Educação Matemática, em países da América Latina". Como não poderia ser diferente, tomei consciência da experiência enriquecedora, principalmente pelo fato da iminente investigação sobre o currículo prescrito e suas evidências quando praticado em outros países, especialmente nos que ficam próximo ao nosso. Fato é, que as análises comparativas poderiam contribuir para a reflexão do que vem acontecendo, principalmente ao se pressupor as possíveis influências da Educação Matemática nesses países. Nesse sentido, ao ser informado pela orientadora, a qual já o ocupou o cargo de presidente, foi tomado conhecimento da existência de uma Federação Ibero-americana de Sociedades de Educação Matemática (FISEM), fundado em 2003. Hoje, congrega Sociedades de Educação Matemática dos seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Equador, Colômbia, México, Peru, Espanha e Portugal. Assim, o Grupo Pesquisador, em sua primeira etapa, organizou-se de forma a trabalhar os seguintes países: Argentina (Emílio Celso de Oliveira), Chile (Dermeval Santos Cerqueira) e Paraguai (Marcelo de Oliveira Dias). Posteriormente passaram a integrar o grupo mais dois países: Uruguai (Luciane Santos Rosenbaum) e Peru (Miguel Fortunato Athias). Ao optar por realizar um estudo comparativo transnacional, ora caracterizado pelo grupo como “uma via de mão dupla”, observou-se como de máxima relevância, partir da reflexão, de que, se de um lado há a exigência que os pesquisadores realizem o esforço de situarem-se nas culturas escolares, de 17 outro, o trabalho específico com as fontes, irá cada vez mais possibilitar a caracterização dessas culturas no que tange à área de Educação Matemática. Torna-se notório a ideia de que o resultado das comparações dos currículos prescritos e praticados, devam ser associados à busca de compreensão de potencialidades e limites de seu processo de desenvolvimento, tal como estimular a colaboração de educadores matemáticos de países latinos, que por fim, devem assimilar e incorporar os resultados bem-sucedidos e, decerto e vislumbrar novos caminhos para a Educação Matemática. 2. INSERÇÃO DA PESQUISA EM UM GRUPO/PROJETO A tese de Doutorado insere-se no projeto “Pesquisas comparativas sobre organização e desenvolvimento curricular na área de Educação Matemática em países da América Latina: currículos prescritos e currículos praticados”, coordenado pela professora Célia Maria Carolino Pires, líder do Grupo de Desenvolvimento Curricular em Matemática e Formação de Professores do Programa de Estudos Pós-graduados em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O projeto “objetiva o desenvolvimento de análises comparativas sobre Currículos de Matemática para a Educação Básica, em países latinos americanos. Sua meta é a de envolvimento do Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, México, Bolívia, Peru e Venezuela, tendo em vista as possíveis similaridades entre esses países. Nesse sentido, há de ser considerada a importância na aplicação de busca de soluções para problemas desafiadores, que eminentemente são traduzidos por questões, tais como: Qual Matemática está sendo proposta para ser ensinada às crianças e jovens de países latinoamericanos neste início de milênio? Que pressupostos norteiam os documentos curriculares de Matemática em países latino-americanos? Como se dá o processo de implementação curricular nesses países? Que currículos estão de fato sendo realizados em sala de aula?” O principal problema a ser abordado pelas diferentes pesquisas, que o integram os resultados das análises comparativas, é o de identificar, na área de Educação Matemática, o que há de comum entre esses países, tanto em termos 18 de desafios a serem enfrentados, como em relação a possíveis soluções encontradas que possam ser compartilhadas. A respeito da opção por estudar países da América Latina os proponentes do projeto assim se posicionam: (I) O fato de a própria Constituição Federal Brasileira de 1988, no seu parágrafo único do art. 4º, destacar a importância de uma integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Nesse contexto, estudos mostram que embora o acesso à educação em todos os níveis tem crescido consideravelmente nos anos recentes e tenha havido aumento nas taxas de alfabetização, a meta das Nações Unidas de "Educação para Todos" (UNESCO, 1990, Jomtien, Tailândia) é ainda um sonho remoto devido às desigualdades sociais e econômicas. Documentos salientam ainda a necessidade de eqüidade e da diversidade nas políticas educacionais. Ressaltam que a educação de crianças com menos de quatro anos de idade continuava sendo tratada de forma inadequada e o abandono e a repetência nos anos iniciais do ensino fundamental permaneciam elevados. Mas os documentos também assinalam que na década de 1990, os sistemas educacionais na América Latina abriram um leque mais amplo de atores, tais como organizações não-governamentais (ONGs), as associações de pais e da sociedade civil, com base em um consenso comum de que a educação é uma prioridade nacional e regional. No entanto, o financiamento para a Educação está crescendo muito devagar e com a utilização dos fundos disponíveis é insuficiente. A distribuição dos serviços educacionais, em termos de eficiência e qualidade é ainda injusta. Além disso, há uma ausência de mecanismos eficazes para que a sociedade civil venha a contribuir para a formulação de políticas na área da educação, bem como a insuficiente disponibilidade e utilização das tecnologias de informação e comunicação. Apesar dos problemas, a América Latina manteve o ritmo da tendência global da crescente acesso ao ensino básico e no ensino superior, na última década. Números da UNESCO apresentados por González (1998) revelam que em todo o mundo, entre 1990 e 1997, a taxa de escolarização bruta cresceu de 99,2 para 101,8%, no nível da escola primária, de 51,8 para 60,1% no ensino secundário e de 13,8 para 17,4% no ensino superior. A taxa bruta de matrícula nos três níveis, entretanto, cresceu de 57,5% em 1990 para 63,3% em 1997. A taxa de escolarização bruta é calculada comparando a porcentagem representada por cada grupo etário na população em geral com o número de alunos matriculados em escolas ou centros de ensino superior. A relação pode ser superior a 100%, como no caso do ensino primário, porque inclui alunos matriculados cedo ou mais tarde, em qualquer grau determinado. A taxa bruta de matrícula na América Latina aumentou de 105% em 1990 para 113,6% em 1997, ao nível do ensino fundamental, de 50,9% para 62,2% para o ensino médio, e de 16,8 para 19,4% a nível terciário. A taxa bruta de matrícula nos três níveis foi de 66,1% em 1990 e 72,6% em 1997. Em meio a esses avanços e desafios, é importante para a comunidade de Educação Matemática desses países que contribuições ela vem dando ou pode ainda oferecer. (II) O fato de que há muitas décadas, internacionalmente a questão da implementação de inovações curriculares e a da participação de professores nesse processo vêm sendo discutidas. Em seu texto, Keitel 19 e Kilpatrick (1999) evidenciam um ponto bastante importante sobre a participação dos professores, quando fazem referência a “currículos planejados” e “currículos implementados”, destacando que uma tentativa para lidar com a complexidade curricular foi a de distinguir entre o currículo planejado e o currículo implementado. Uma distinção entre o currículo planejado ou prescrito (tal como está representado em documentos oficiais, manuais, ou em ambos) e o currículo implementado (normalmente medido por meio de questionários aos professores) foi feita no Second International Mathematics Study — SIMS (Travers e Westbury, 1989). A distinção já tinha sido antecipada no First International Mathematics Study — FIMS (Husén, 1967) — pela utilização de classificações dos professores das oportunidades de aprendizagem dos conteúdos relativos a cada item testado. Apesar dos termos “planejado” e “implementado” transportarem a infeliz conotação de que as únicas intenções que contam são as oficiais e de que os professores não passam de meros executores que implantam, nas salas de aula, planos de outras pessoas, esta distinção foi útil, na medida em que ajudou a distinguir o planejado do que é a realidade curricular. Nesse contexto, o Projeto almeja como metas, estabelecer e manter um espaço de crítica, debate e comunicação sobre o estado atual e o desenvolvimento recente da investigação na área de Educação Matemática. Isso, em termos de formação de professores e desenvolvimento curricular, analisando seus avanços teóricos e metodológicos. Pretende ainda, impulsionar a delimitação de problemas relevantes no ensino e na aprendizagem da Matemática, para seu estudo exaustivo e sistemático, que permita ainda, obter informações significativas para seu diagnóstico, e por fim, um tratamento adequado. Para tanto, vê-se a necessidade da reunião de pesquisadores em grupos de investigações, que trabalhem de forma metódica, sistemática e continuadamente sobre essa linha de pesquisa. É importante que sirvam de referência para os especialistas, com isso, devem estar conectados com a comunidade investigadora internacional, que pretende produzir investigação própria, qualificada, trazendo contribuições específicas e originais às questões de indagações prioritárias na área de Educação Matemática. Se faz necessário ainda, apresentar regularmente os resultados obtidos em fóruns e meios de comunicações da comunidade de investigadores dessa e de outras áreas correspondentes. Desse modo, objetiva-se não só o aperfeiçoamento de recursos humanos em nível de pós-graduação, mas também a troca de informações, bem como, a produção conjunta de produções científicas sobre formação de 20 professores que ensinam Matemática. Nesse sentido, deve-se também, qualificar e ampliar a produtividade científica da linha de pesquisa da “Matemática na estrutura curricular e formação de professores”, do Programa de Estudos PósGraduados em Educação Matemática, da instituição em questão. São objetivos dos proponentes do Projeto de Pesquisa: (1) identificar aspectos comuns e especificidades dos currículos de Matemática organizados em cada um desses países, bem como, suas formas de organização; (2) buscar dados que evidenciem a adesão ou a rejeição dos professores de Matemática às orientações curriculares prescritas nos documentos oficiais; (3) buscar dados referentes aos currículos que realmente se efetivem nas salas de aula; (4) identificar semelhanças e diferenças entre materiais didáticos utilizados nesses países; (5) identificar natureza, conteúdo e processos de desenvolvimento do conhecimento profissional de professores de Matemática, a partir da comparação entre os diferentes contextos de atuação; (6) identificar como e se efetiva a articulação entre as três vertentes do conhecimento do professor, quando se refere ao conhecimento do conteúdo da disciplina, ao conhecimento didático do conteúdo da disciplina e ao conhecimento do currículo. 2.1 Busca de elementos comparativos para além das avaliações internacionais com foco no desempenho dos alunos Inserido no grupo de pesquisa anteriormente referido, esta investigação apresenta como foco, a comparação dos currículos prescritos e praticados por Brasil e Paraguai. Comparações curriculares, ao longo de sua história, não é novidade na área de Educação Matemática. Assim, Kilpatrick (1992), em texto no qual discute aspectos históricos da constituição das pesquisas na área de Educação Matemática, relata que foi encomendada a elaboração de estudos comparativos internacionais para o 4º Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) de 1912, em Londres, constatando que: As comparações internacionais com base nesses relatórios foram capturadas por uma visão geral da Hungria de vários esforços de reforma e por quatro relatórios dos Estados Unidos que fizeram comparações internacionais de currículos e formação de professores 21 (Schubring 1988a). As comparações eram descritivas em vez de analíticas; por exemplo, a comparação importante do currículo (J.C. Brown, 1915) consistia de pouco mais de algumas listas de currículos, e esse aspecto parece ser apenas para mostrar como o currículo divergia da prática comum européia. Os estudos que tentaram investigar mais profundamente as semelhanças e as diferenças entre países foram realizadas pela própria Comissão (KILPATRICK,1992, p.12). Segundo Kilpatrick (1992), esses estudos comparativos passaram a ter por base a avaliação, em geral testes, com o duplo objetivo de medir o conhecimento matemático dos alunos e os indicadores educacionais do ensino de matemática, tendo em vista intervenções no sistema de ensino. O fato é que se foi criando uma crença educacional de que a forma mais usual e divulgada de análises comparativas vem de provas aplicadas a alunos, cujos resultados são transformados em índices por meio dos quais os países são comparados e ranqueados. Keithel e Kilpatrick (1999), ao revisar a literatura, apresentaram algumas críticas sobre os estudos comparativos de currículo de matemática: O tratamento dos currículos da Matemática escolar em investigações comparativas internacionais é uma história de esforços crescentes para levar em conta aspectos da complexidade curricular. Contudo, também é uma história de fracasso contínuo na tentativa de aprofundar e de questionar os pressupostos do que se entende por currículo. As investigações comparativas internacionais têm assumido duas formas. Uma delas procura examinar o modo como a compreensão matemática, a capacidade, o sucesso, o progresso ou, para utilizarmos um termo mais neutro, o desempenho dos alunos diverge entre sistemas educativos, no que se refere a um dado tópico curricular — por exemplo, problemas de palavras ou cálculos de adição e subtração de números inteiros. Nestes estudos, o currículo não é analisado em si mesmo. Em vez disso, assume-se que o tópico está presente em todos os sistemas estudados e, portanto, pode ser considerado como uma constante não problemática. A segunda forma de investigação, mais comum, procura verificar o sucesso ou progresso ou, mais geralmente, o desempenho, como um todo, apesar de quase sempre se referir somente a um dado nível etário ou ano de escolaridade. Os estudos deste segundo tipo são inevitavelmente confrontados com o problema de examinar, ou pelo menos caracterizar, os currículos dos sistemas educativos que estão a ser considerados. A abordagem mais comum tem sido a de estabelecer uma espécie de estrutura para analisar os currículos. Desenvolvem-se então medidas de desempenho, para encaixarem nessa estrutura. Nas investigações mais antigas, era típica a utilização de matrizes de processos-conteúdos, para construir e classificar itens de desempenho (KEITEL; KILPATRICK, 1999, p. 71-72). 22 Pires (2011), concordando com Keitel e Kilpatrick, destaca que, com o advento de avaliações internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA1) e nacionais, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), a Prova Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), além de provas regionais e locais, o ensino de matemática no Brasil tem sofrido grandes críticas, alardeadas pela mídia, geralmente culpando professores e alunos pelo “baixo desempenho”. A autora destaca o fato de que nas análises, pouco se reflete sobre as características e os desafios do sistema educativo brasileiro, em particular sobre o que se refere à formação de professores para trabalhar com a atual realidade desse sistema. Nessa perspectiva, recupera os alertas de Keitel e Kilpatrick, em 1999, que chamavam atenção para aspectos como: Os estudos comparativos internacionais são anunciados aos quatro ventos em revistas de educação e na imprensa, como triunfos da racionalidade. São citados como se os resultados que fornecem não fossem questionáveis. Críticas sérias e expressões de dúvida são rejeitadas, como censuras de provocadores ignorantes ou mal informados. Entretanto, a irracionalidade inerente a estes estudos é varrida para baixo do tapete. Os investigadores que conduziram os estudos investiram demasiado nos resultados, para poderem comprometer-se numa reflexão séria sobre os fundamentos do seu trabalho. E como é que pode haver irracionalidade, quando tantos educadores e cientistas reputados trabalharam tanto para produzir resultados organizados e científicos? O fato de poderem coexistir, nestes estudos, a racionalidade e a irracionalidade, pondo em causa as análises bem fundamentadas e os resultados cuidadosamente apresentados, é algo que não ocorre a muita gente. No entanto, um breve exame dos documentos produzidos nestes estudos mostra que para cada ponto forte há sempre graves lacunas. Os estudos baseiam-se nos fundamentos menos firmes: assumem que a armação científica pode cobrir todas as fraquezas na concepção, os dados incongruentes e os erros de interpretação. Eles não só comparam o incomparável; eles racionalizam o irracional. [...] as investigações comparativas internacionais têm-se tornado cada vez mais sofisticadas. Em conjunto com os julgamentos dos especialistas sobre o modo como o currículo da Matemática deve ser representado internacionalmente têm sido feitas análises cuidadosas de documentos oficiais e materiais escritos. Foram efetuadas análises a variáveis como o tempo reservado para vários tópicos em diferentes sistemas, a proporção de sistemas que tratam um dado tópico em cada ano, a forma como varia, nos manuais, o espaço concedido a um tópico, e como difere a organização dos manuais nos diferentes sistemas. Mesmo assim, o currículo internacional idealizado, definido por um conjunto comum de tarefas organizadas por tópicos de conteúdo, continua a ser a norma para medir o desempenho. Não é concedida nenhuma tolerância pelo fato de existirem objetivos, questões, 1 PISA: Programa Internacional de Avaliação Comparada, cuja principal finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais, avaliando o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. 23 histórias e contextos que são diferentes entre os currículos de Matemática dos sistemas em estudo. Ninguém aborda realmente em que medida os alunos de um dado sistema estão aprendendo o currículo de Matemática que o seu sistema lhes oferece (KEITEL e KILPATRICK, 1999, p. 78-79). Decerto, os autores alertam para o problema que é base da pesquisa. Nesse sentido, cabem às questões anteriormente apresentadas, que por sua vez servem como mote de orientação. Assim, é de relevância ressaltar, que o trabalho aqui exposto, concorda com essa literatura no que diz respeito ao alerta que fazem a respeito de estudos comparativos, em que se compara o incomparável. 3.JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA Nos últimos anos, a discussão curricular no Brasil foi impulsionada especialmente pelo processo desencadeado pelo Conselho Nacional de Educação e pelo Ministério da Educação, de proposição de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEM) e Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNEM). Imerso em muitas polêmicas, esse processo revelou inúmeras divergências referentes à organização e à implementação de currículos em nosso país. Uma das questões em debate refere-se à própria competência para definição de currículos. Embora não seja consensual, há uma tendência a se considerar a importância da participação ampla de setores da sociedade na discussão curricular. Também se concebe como tarefa dos diferentes níveis do sistema educacional, união, estados, municípios e a busca de acordos sobre o que ensinar às novas gerações. No Brasil, as respostas às diferentes questões em pauta estão localizadas muitas vezes em polos totalmente opostos, ou seja, de um lado há uma defesa de que cabe a cada professor individualmente em sua sala de aula, assim como definir o que, porque e como ensinar e avaliar. De outro, há uma concepção de que o professor deve ser tão somente, aplicador de atividades elaboradas por supostos especialistas e que chegam às escolas por meio de pacotes apostilados. 24 No campo das pesquisas, estudos sobre currículos prescritos e praticados tanto em nosso país como em outros, são ainda bastante raros em especial, no campo da Educação Matemática. Em consulta realizada no banco de teses da Capes, com o uso das palavras-chave “currículo, estudo comparativo, currículo de matemática” não foram encontradas teses sobre a temática. Essas observações levam a justificar e a atribuir relevância a estudos comparativos com países que como o Brasil, vêm implementando reformas nos sistemas educativos e promovem discussões. 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Com a finalidade de buscar aportes teóricos para o desenvolvimento da pesquisa, foi realizada uma revisão bibliográfica, para aclarar os conceitos relacionados ao problema de pesquisa e situar os currículos prescritos pelos países pesquisados para o nível de educação básica. No intuito de realizar a investigação comparativa entre os currículos prescritos e praticados de Brasil e Paraguai, faz-se necessário abordar a metodologia de estudos comparados em Educação, que é um instrumento analítico para o estudo de sistemas educativos. Tal metodologia permite identificar semelhanças e diferenças, amplia o campo de análise e de compreensão da realidade nacional em face de outro(s) país(es). 4.1 Metodologia da Educação Comparada 4.1.1. Breve histórico sobre a Metodologia da Educação Comparada Segundo Elma (2008, p.2), os estudos de Educação Comparada são relativamente recentes. As primeiras obras que poderiam ser consideradas de caráter científico, datam do final do século XIX, embora, em 1817, em seu “Esquisse et vus preliminaries d’um ouvrage sur education comparée et séries de questions sur l’education”, Marc-Antonie Jullien tenha esboçado os métodos e as tarefas desse novo campo (GOERGEN, 1991 apud ELMA, 2008). Esse 25 surgimento tardio relaciona-se ao fato de que, tendo como objeto o sistema de ensino de cada país, esse campo de estudos não poderia existir sem que os sistemas educacionais nacionais se organizassem e consolidassem (LOURENÇO FILHO, 2004 apud ELMA, 2008). As primeiras pesquisas destinavam-se a comparar os sistemas nacionais de ensino (especialmente europeus), fornecendo informações para que os diferentes países pudessem copiar uns dos outros o que existia de bom e, ao mesmo tempo, evitar os erros. Assim, ao longo do século XIX, diversos países da Europa, os Estados Unidos e, inclusive o Brasil encarregaram educadores de empreender viagens para realizar estudos a respeito da educação em outros países. No decorrer do século XX, ocorreu a sistematização desse novo campo de estudo. Com objeto definido, objetivos, campos de ação, procedimentos e métodos de investigações mais seguros e objetivos, ele adquiriu status de ciência. Ao mesmo tempo, realizaram-se pesquisas nacionais, internacionais ou regionais, organizaram-se congressos, conferências ou colóquios e publicaram-se numerosas obras, revistas, anuários, bibliografias e monografias sobre temas variados. Difundiram-se, assim, dados e informações sobre os sistemas educativos dos diferentes países. A maioria das pesquisas era de caráter quantitativo (tabelas estatísticas e avaliações padronizadas) e seus resultados foram utilizados como orientação para a tomada de decisões políticas e para as reformas dos sistemas educativos (BONITATIBUS, 1989). Embora a educação comparada tenha assumido perspectivas teóricometodológicas distintas nos diferentes momentos, alguns componentes comuns podem ser identificados: 1) os Estados-nação como referência para a análise dos sistemas educativos2; 2) a ideologia do progresso; 3) a crença na ciência e no conhecimento objetivo para a compreensão dos fenômenos; 4) os princípios comuns e universais sobre o funcionamento dos sistemas educativos. A revitalização dos estudos comparativos no Brasil insere-se num processo internacional. A partir da década de 90, com a reorganização da ordem 2 Wallerstein et al. (1996, p. 118) sublinham: “[...] os Estados eram a unidade de comparação, ora de estudos de ‘política externa’, cujo objeto consistia no estudo das políticas dos estados uns para com os outros, e não no estudo das características emergentes das estruturas transestatais”. 26 mundial e dos processos de globalização, da desnacionalização da economia, do enfraquecimento do Estado-nação e da forte influência das agências internacionais sobre as políticas nacionais de educação, houve um crescente interesse pela realidade educacional de outros países. Dessa maneira, ocorreu um processo de revalorização da educação comparada em nível internacional. No entanto, essa revalorização é acompanhada de críticas aos modos de interpretação e quadros de análise anteriores, abrindo novas perspectivas teóricometodológicas3. De acordo com Malet (2004, p.1301), na atualidade, a educação comparada enfrenta novos desafios: “o crescimento de problemáticas educativas transculturais, o enfraquecimento dos Estados-nação que acompanhou o crescimento dos territórios identitários supranacionais (como a Europa) ou infranacionais, como as regras, e fenômenos de expansão e interdependência cultural (globalização)”. A renovação da área e a adoção de novas perspectivas devem-se, em grande parte, a esses desafios. Existem ainda os que apontam para uma globalização ou internacionalização parcial da educação. Segundo Madeira (2008, p. 7): [...] à semelhança de Andy Green (1997; 1999), [argumentam] que os processos de globalização afetam de forma marginal os sistemas educativos registrando apenas uma “internacionalização parcial” da educação envolvendo sobretudo questões de mobilidade, a adoção de algumas políticas comuns e o “reforço da dimensão internacional” nos currículos ao nível do ensino secundário e superior (HIRST & THOMPSON, 1996, DALE, 2001). Com o processo de crescente globalização dos aspectos econômicos e, por consequência, dos sociais e culturais, o papel da educação comparada tende a ver o conhecimento como elemento básico da sociedade, somado à tentativa de lidar com as perspectivas teóricas e metodológicas diversas e à valorização da pluralidade cultural e da multietnicidade, com isso, acarreta o reconhecimento da importância de diferentes visões na interpretação da realidade 3 Segundo Beech (2007, p.1), “[...] en el mundo en el que vivimos ha cambiado – teniendo en cuenta que una de las funciones fundamentales de la educación comparada es la de entender el mundo – las teorías, técnicas y estrategias que usa la educación comparada deben ser repensadas”. 27 e isso vem instigando diferentes estudos comparados (MARCONDES, 2005, p.153). Cowen (1990), também aponta que a sua visão, destacando como um modo de reflexão na academia para solução de problemas a partir de similaridades e especificidades previamente identificadas: [...] a educação comparada não é útil apenas na perspectiva adotada por certos políticos e decisores. Quando desempenha sua tarefa clássica de identificar as semelhanças e diferenças entre as políticas e práticas nacionais, a educação comparada põe em causa as definições locais dos problemas e das soluções. Tal como outros modos de reflexão acadêmica, a educação comparada é útil para lançar dúvidas sobre o saber convencional. Mas a educação comparada não deve falar a voz da profecia e da justificação. (COWEN,1990, p.46) A educação comparada é assim concebida, segundo Nóvoa (1994, p. 105), como resultado de um movimento duplo. De um lado, é marcada “por uma presença crescente das questões educativas na criação de identidades escolares, definidas não tanto numa perspectiva geográfica, mas no sentido de uma pertença a certas comunidades discursivas”. De outro, caracteriza-se por “uma reorganização dos espaços educativos, por meio das regulações econômicas e políticas que atravessam as fronteiras dos diferentes países”. Segundo Nóvoa, em tal situação, o conceito de comparação adquire novas conotações, “deslocando-se da referência tradicional inter-países para dimensões simultaneamente intra e extra nacionais, isto é, centradas nas comunidades de referência dos atores locais e nos processos de regulação ao nível internacional” (Ibid, p. 105). Nóvoa (1998b, p.28) sugere 7 perspectivas distintas para a visão dos estudiosos da educação comparada: “[...] historicistas, positivistas, sóciohistóricas, críticas, da modernização, da resolução de problemas e do sistema mundial.” Em uma perspectiva crítica, o projeto de comparação não é apenas a descrição de um sistema ou análise de um problema, mas vai além dos processos de inovação e de mudança. Algumas investigações comparadas atestam a existência de modelos mundiais e de standars internacionais que parecem traduzir uma tendência de 28 desenvolvimento global. Resultados enumerados por Schriewer (1996), referentes às investigações que se tem produzido no sistema mundial, vêm contribuindo para elaborar modelos no âmbito da investigação educativa internacional, abarcando todos os níveis de ensino. Parece-nos interessante considerar as palavras de Bernestein (1990, p. 139), “os sistemas educativos modernos são no essencial muito mais similares do que distintos, qualquer que sejam as diferenças e práticas políticas que separam as sociedades modernas”. É interessante também atentar para as afirmações de Lima e Afonso (2002, p.7), ao expor que “não obstante os distintos condicionamentos políticos, culturais e econômicos de cada Estado-nação, verifica-se uma relativa sintonia das reformas, uma forte similitude entre alguns eixos estruturantes e estratégias adoptados, e até mesmo uma consonância argumentativa quanto aos imperativos das mudanças”. Para Schriewer (1996), a difusão transcultural do conhecimento, os modelos de organização, as pautas e políticas de resolução de problemas encontram-se em reinterpretação específica e com procedimentos de adaptação postos em marcha pelos grupos culturais e nacionais que os recebem, contradizendo algumas realidades educativas quase homogêneas numa agenda comum implementada pelas organizações internacionais. Essas organizações, que têm como foco de interesse a Educação, defendem que “[...] qualquer sistema educativo nacional pode ser um potencial modelo para outros países, uma vez que se assentam nas mesmas “leis de verdade”[...] (MEYER, 2000, p.21) De acordo com Malet (2004, p. 1311), esses estudos comparativos desenvolveram-se como uma reação contra: a) as condições objetivas e fechadas dos fenômenos educativos e culturais que o funcionalismo tende a promover; b) as perspectivas de evolucionismo social que, cegadas por uma concepção continuísta da história e uma abordagem pragmática dos fatos educativos, tende a descuidar dos processos de mudanças social; c) o consensualismo, que impede a empreitada científica de questionar seus fins, o que constitui o melhor meio de eludi-los, sobretudo quando os espaços de intervenção ultrapassam as fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, ele observa o afastamento progressivo dos postulados e quadros de análise tradicionais dos processos educativos, ou seja, das preocupações cientificistas, pragmáticas ou reformadoras (MALET, 2004), 29 que tomam o Estado-nação como unidade de análise, corresponde a um (re)enquadramento da leitura dos fenômenos educativos, não obstante a perspectiva passa a incidir sobre as diferentes unidades e objetos de análise, ancorando-se no presente, na cultura e no discurso. Assim, no atual contexto, criaram-se condições não apenas para o surgimento de novas categorias de análise dos sistemas educativos, como também para indagações sobre a importância da educação comparada na solução dos problemas atuais. Em relação à América Latina, os estudos de Rosar e Krawczyk apontam-nos que as circunstâncias não são distintas. Nos últimos 10 anos, quase todos os países da América Latina iniciaram reformas educacionais, resultantes, em grande medida, de um processo de indução externa articulado com as políticas dos organismos internacionais de empréstimos para os países da região. A necessidade dessas reformas foi justificada mediante a publicação de pesquisas, que evidenciaram os logros e deficiências do sistema educativo à luz dos condicionantes da reestruturação do setor produtivo e das mudanças institucionais, que alteram a estrutura do Estado e das relações sociais no âmbito de uma nova ordem mundial. De fato, esses estudos vieram a ilustrar pontos de vista já assumidos pelos organismos internacionais e justificar um modelo pré-estabelecido de reforma educacional (ROSAR e KRAWCZYK, 2001, p. 33-34). Para as autoras, “as reformas educativas em curso têm um caráter homogeneizador, tanto na leitura das realidades nacionais quanto nas suas propostas, impondo uma padronização de política educacional para a região” (Ibidem, p. 40). A tradição dos estudos comparados em educação na América Latina foi levada adiante por organizações internacionais, com uma perspectiva funcionalista e positivista, baseada nos estudos estatísticos e nos grandes “surveys”, todos voltados para uma descrição quantitativa do fenômeno, e não para uma análise das relações de poder e de cultura implícitas na realidade educativa. Os estudos que se cristalizaram nesta metodologia e não tiveram um outro tipo de desenvolvimento, estão superados, quando não obsoletos, não constituindo fontes fundamentais de informação. Tais informações se 30 fundamentam na ideia porque suas análises não vão além de uma visão dos problemas fora de seu contexto, sem que haja uma explicação de suas causas. Para aqueles que trabalham em projetos interculturais em outros países ou que se ocupam dos estudos comparativos, estas e outras questões semelhantes, se apresentam como problemas teórico-metodológicos para os estudos e na escolha dos encaminhamentos de solução para as situações práticas. A redução positivista-funcionalista dos fenômenos à dimensão quantitativa "tem como finalidade produzir ilusões sobre a realidade complexa que acaba sendo simplificada e suscetível de adequar-se aos modelos estabelecidos teoricamente". Analisam-se os sistemas educativos como se fossem objetos isolados, destituídos dos conteúdos sociais, políticos e econômicos que lhe atribuem significado. São criadas relações lineares de causa e efeito, são realizadas comparações entre aspectos ou partes dos sistemas educativos dos diferentes países, fora da condição estrutural na qual se encontram suas raízes e as suas possíveis explicações (PUIGGRÓS, s.d., p.5-6). Do ponto de vista da cultura, é recriada uma escala cultural evolutiva, universal e invariável, com "alta capacidade normativa", no interior da qual, alguns modelos de sistemas educativos são considerados ideais. Estabelece desta forma, um estatuto teórico para a educação fundado sobre a idéia de homogeneidade na qual comparar quer dizer estabelecer semelhanças e diferenças com estes modelos. Assim, são reduzidas as diferenças entre os sistemas educativos dos diversos países, eliminando as formas culturais diferentes ou antagônicas em relação à dominante (op.cit., p.7-8). A crítica a esses estudos conduz à proposta de uma nova perspectiva a partir das contribuições das ciências sociais, utilizando categorias de natureza histórica na análise dos fenômenos educativos. Decerto, esta perspectiva comporta problemas, que também devemos refletir. 31 4.1.2 Teoria da Comparação Considerando que a comparação não é uma operação simples e implica o recurso a uma teoria da comparação, concordamos com Nóvoa (1998), quando defende a importância de uma estreita ligação entre as questões metodológicas e as discussões teóricas, bem como da identificação das bases ideológicas que subjazem às diferentes comunidades discursivas da educação comparada. Nestes termos, sem desconsiderar que comparar os sistemas educacionais implica adotar diferentes métodos, que expressam os antagonismos presentes nas relações sociais e as diferentes visões de mundo e de sociedade. Dessa perspectiva, procuramos explorar a relação entre o contexto nacional e o internacional, comparando e analisando os distintos sistemas. Entende-se que a relevância do estudo comparativo, consiste nas possibilidades que ele oferece para apreender a relação dialética entre os níveis global e local. Esses ideais voltam-se para não só apreender as particularidades e o modo de articulação das tendências globais, mas também para distinguir o que é próprio/específico de um sistema e o que manifesta a tendência universal. Em outros termos, por meio do método comparativo, podemos apreender o objeto de estudo em seu contexto, com base no que lhe é específico, mas sem tratá-lo como objeto isolado, separado daquilo que lhe dá significado, ou seja, da totalidade social da qual é parte. Enfim, abordá-lo como uma particularidade histórica, como pertinentemente dita Franco (2000), ao apontar para a necessidade de: [...] não perder a especificidade local do fenômeno e tratá-lo dentro das complexas relações sociais que o constituem enquanto preparação para o trabalho, em um mundo cultural e economicamente globalizado. O que significa compreendê-lo enquanto resposta estratégica aos problemas postos pela globalização econômica, pela reestruturação produtiva, pelos objetivos de qualidade e de competitividade, pelas transformações do mundo do trabalho e pelo desemprego estrutural FRANCO (2000, p. 222). De acordo com Elma (2008, p.14), essa postura implica uma proposta metodológica que busca discernir os mecanismos que engendram o próprio processo de globalização, aquilo que articula ou dissolve o local, o nacional e o global, significa apreender suas interações dinâmicas, ou seja, o lugar que os fatores locais ocupam no movimento mais geral da sociedade e, ao mesmo tempo o que há de universal no particular ou, segundo Franco, “recuperar a totalidade 32 social de que são portadores todos os fenômenos, embora, de um ponto de vista analítico, quase sempre os vejamos segmentados” (Ibidem, p. 224). Isto significa dizer que o método não deve se limitar ao reconhecimento das semelhanças e diferenças existentes entre os fenômenos, mas explicar por que eles ocorrem ou o que leva o comportamento da parte a ser diverso. É nesse sentido que reconhecemos a importância da comparação. Elma (2008, p.15) também relata um outro aspecto importante a se considerar que é comparar para quê? A autora relata que além de reconhecer as semelhanças e diferenças é necessário ultrapassar a mera justaposição de índices, a simples correlação de números ou quantificação de resultados obtidos com base em indicadores internacionais de desempenho e a padronização dos instrumentos comparativos, cujos parâmetros sejam alheios ao nacional ou às condições de organização dos sistemas. A comparação implica na necessidade de interpretar os dados, de questioná-los e analisar as bases que sustentam a comparação. Dessa maneira, podemos não só contribuir para um debate mais aprofundado, como também para justificar a importância do estudo comparado. Além disso, mais do que destacar as singularidades de cada cultura e de cada individualidade, de distinguir o que lhe é próprio ou firmar sua diferença, é necessário reconhecer que a particularidade não se explica por si mesma. A comparação, nesse caso deve ter a finalidade de descobrir o que existe de universal nos processos singulares, descobrir a relação recíproca entre o específico e o universal no mesmo fato. Em outros termos, a especificidade não pode ficar dissolvida no movimento mais geral da sociedade, mas também não pode ser tomada como se pudesse existir independentemente da totalidade a que pertence e que lhe dá sentido. Elma (2008) sugere, que para atingir esses objetivos da comparação, deve-se adotar uma metodologia que supere o particular (formas específicas e regionais), o imediato e o cotidiano, que tenha ainda a preocupação de revelar a diversidade. Não haveria sentido ter uma educação comparada que, ao procurar retratar uma situação, não tivesse a finalidade de encontrar soluções para os problemas, de orientar e fundamentar a tomada de decisões educativas. Impõem- 33 se o questionamento de como poderemos discernir com precisão se temos fragmentos como referência? Outro aspecto relevante a ser considerado, é que geralmente comparamos os sistemas educativos. Elma (2008), aponta que devemos pensar na amplitude desse conceito, já que a educação não se limita à particularidade da prática educativa. Além disso, existem muitos aspectos implícitos na política educativa. Assim como a autora, concordamos com Roger Dale (2004), quando afirma que a educação: [...] centra-se em três questões fundamentais: a quem é ensinado o quê, como, por quem e em que circunstâncias?; como, por quem e por meio de que estruturas, instituições e processos são definidas estas coisas, como é que são governadas, organizadas e geridas?; quais são as conseqüências sociais e individuais destas estruturas e processos? Estas questões centram-se nos princípios e processos da distribuição da educação formal, na definição, formulação, transmissão e avaliação do conhecimento escolar e em como é que estas coisas se relacionam entre si. Elas dirigem-nos no sentido de descobrir como é que aqueles processos são financiados, fornecidos e regulados e como é que este tipo de formas de governação se relacionam com concepções mais amplas de governação dentro de uma sociedade. Somos solicitados a perguntar como é que estas estruturas e processos, que tipicamente referimos sob a designação “sistemas educativos”, afetam as oportunidades de vida dos indivíduos e grupos e a totalidade das relações dos sistemas educativos com as coletividades e instituições sociais mais amplas de que fazem parte (ROGER DALE 2004, p. 439). Assim, um sistema é, fundamentalmente um conjunto de realidades inter-relacionadas, mutuamente influenciadas. Vale lembrar Bonitaitbus (1989), que de forma pertinente, lembra que: “é a negligência a este pressuposto básico da noção de sistema que frequentemente vicia os estudos comparativos, na medida em que tendem a simplesmente justapor elementos diversos, deixando de valorizar as relações, os fluxos e as trocas que se efetivam entre as partes. Já a justaposição sistemática fornece, dessa forma, apenas uma imagem rudimentar e simplista de uma realidade extremamente complexa, dinâmica e móvel” (BONITAITBUS,1989, p. 23). Partindo desse pressuposto, a presente tese visa estabelecer relações entre os sistemas, desde sua forma de organização curricular, as influências da Educação Matemática nas prescrições até as evidências dos currículos praticados pelos atores no Brasil e no Paraguai. 34 4.1.3 Metodologia adotada e Trajetória de Pesquisa O método que se escolhe deve ser adequado aos princípios teóricos e epistemológicos, que irão fundamentar as análises que responderão às hipóteses da pesquisa. Apesar das dificuldades decorrentes da escassez de fontes, procuramos organizar algumas informações ou elementos que podem contribuir para estruturar a metodologia adotada nesta tese: Segundo relata Ferrer (2002, p.95), o método comparativo de excelência, detentor de maior peso na história da Educação Comparada Contemporânea, foi proposto por G.F. Bereday (1968), que por sua vez coincide basicamente com o de F. Hilker (1964), em relação as fases propostas, conteúdos e objetivos das mesmas, apesar da existência de algumas diferenças terminológicas. No entanto, passados mais de trinta anos, vários especialistas forneceram aportes sobre este método, assim como professores de Educação Comparada melhoraram-no substancialmente, isso, partindo de sua implementação e dos resultados obtidos. Noah e Eickstein (1970), Lé Thanh Khoi (1981), Garcia Garrido (1982) e Ferrer (1990) são exemplos, porém segundo a visão de Ferrer (2002), Garcia Garrido perfilou melhor as fases do método, e por isso, para relatar as etapas fundamentais, o autor baseia-se nos aportes propostos pelo mesmo e nos fundamentos originais do método comparativo (Bereday e Hilker) em sua reflexão teórica. A seguir há uma descrição destas fases, que serão adotadas na pesquisa: Fase pré descritiva – Seu objetivo é estabelecer o marco teórico a partir do qual deve-se desenvolver a investigação mediante o método comparativo. Segundo Ferrer (2002, p.96), nesta fase três etapas são imprescindíveis para que o estudo aconteça corretamente: 1233.a. 3.b. 3.c. 3.d. 3.e. 3.f. Seleção, Identificação e Justificativa do problema. Formulação das hipóteses. Delimitação da Investigação. Delimitação dos conceitos empregados. Delimitação do objeto de estudo. Delimitação da área de estudo. Delimitação do processo de investigação. Delimitação dos instrumentos de medida. Delimitação das técnicas de análise. 35 Fase descritiva – O objetivo desta fase é a apresentação dos dados coletados, sendo mais que uma exposição exaustiva e acumulativa de dados, por isso, segundo Ferrer (2002), requer uma avaliação contínua com base nos seguintes critérios: As fontes de informação empregadas, a homegeneidade dos dados e a homogeneidade da seções de descrição. Fase interpretativa – Nela, Ferrer (2002), destaca ainda que o objetivo dessa fase é interpretar os dados educativos que foram expostos na fase descritiva anterior, por meio da influência que exercem os fatores contextuais nas áreas de estudo delimitadas. O professor J.L. Garrido, sugere que esta fase seja finalizada com uma redação de conclusões analíticas, as quais, são entendidas como todas que podem desprender-se, tanto desta fase como da anterior: La fase analítica debe coronarse com el enunciado de aquellas conclusiones que se estimen pertinentes para cada unidad de análisis. Se trata, lógicamente, de conclusiones descriptivas y explicativas, y el investigador há de poner cuidado em que resulten lo más escuetas y claras posible(GARRIDO,1982 apud FERRER, 2002). Fase de justaposição – Novamente, o autor destaca que essa fase pode ser sido considerada como uma confrontação dos dados apresentados na descrição, e que depois foram interpretados. O autor ressalta que este objetivo é importante para a justaposição, já que uma polêmica relevante dada ao método comparativo é o de que as hipóteses deveriam ser estabelecidas antes ou depois desta fase. Assim, a meta primordial desta fase é demonstrar a aceitação ou rejeição das hipóteses de investigação. No entanto, uma vez que é um processo bem mais de síntese (já que as análises foram conduzidas na fase descritiva e interpretativa) é muito conveniente elaborar uma conclusão comparativa que seja produto de uma forma de pensamento, tal como assinala acertadamente Garrrido ao afirmar: “Me parece obvio que la tarea más própria de esta fase no es precisamente analítica, sino sintética, no descomponedora de um todo em sus partes, sino componedora de las partes de um todo comparativo armônico” (GARRIDO, 1982, p.148 apud FERRER, 2002, p.103). 36 Fase prospectiva (Optativa) – poucas vezes proposta como etapa específica, diferente da comparativa. Ferrer (2002) afirma que sua finalidade é estabelecer tendências educativas que possivelmente os países seguiram estudando em particular, assim como a área geográfica, cultural, etc. Em relação a delimitação do método essencial na fase pré-descritiva da pesquisa, foi constituida uma análise documental dos currículos prescritos dos dois países. Alguns teóricos que tratam dessa metodologia enfatizam que “A análise documental busca identificar informações factuais nos documentos a partir de questões e hipóteses de interesse” (CAULLEY apud LÜDKE e ANDRE, 1986, p. 38). Já para Kelly apud Gauthier (1984, p. 296), trata-se de um método de coleta de dados que elimina, ao menos em parte, a eventualidade de qualquer influência – presença ou intervenção do pesquisador – do conjunto das interações, acontecimentos ou comportamentos pesquisados, anulando a possibilidade de reação do sujeito à operação de medida. Quando um pesquisador utiliza documentos objetivando extrair dele informações, ele o faz investigando, examinando, usando técnicas apropriadas para seu manuseio e análise, seguindo etapas e procedimentos, organiza informações a serem categorizadas e posteriormente analisadas, por fim, elabora sínteses, ou seja, na realidade as ações dos investigadores, cujos objetos são documentos, estão impregnadas de aspectos metodológicos, técnicos e analíticos. Partindo desses pressupostos, torna-se primordial em todas as etapas de uma análise documental, que se avalie o contexto histórico no qual foi produzido o documento, o universo sócio-político do autor e daqueles a quem foi destinado, seja qual tenha sido a época em que o texto foi escrito. Indispensável quando se trata de um passado distante, esse exercício é de igual modo, quando a análise se refere a um passado recente. No último caso, no entanto, cabe admitir que a falta de distância tenha algumas implicações na tarefa do pesquisador, mas vale como desafio. O pesquisador não pode prescindir de conhecer satisfatoriamente a conjuntura socioeconômico-cultural e 37 política que propiciou a produção de um determinado documento. Tal conhecimento possibilita apreender os esquemas conceituais dos autores, seus argumentos, refutações, reações e, ainda, identificar as pessoas, grupos sociais, locais, fatos aos quais, se faz alusão, etc. Pela análise do contexto, o pesquisador se coloca em excelentes condições até para compreender as particularidades da forma de organização, e, sobretudo, para evitar interpretar o conteúdo do documento em função de valores modernos. Tal etapa é tão mais importante, que não se poderia prescindir dela, durante a análise que se seguirá. A etapa de análise dos documentos propõe-se a produzir ou reelaborar conhecimentos, criando novas formas de compreender os fenômenos. É condição necessária, que os fatos devem ser mencionados, pois constituem os objetos da pesquisa, mas, por si mesmos, não explicam nada. O investigador deve interpretá-los, sintetizar as informações, determinar tendências e na medida do possível fazer a inferência. May (2004), diz que os documentos não existem isoladamente, mas precisam ser situados em uma estrutura teórica para que o seu conteúdo seja entendido. Pressupõe, que um texto contém sentidos e significados, patentes ou ocultos, que podem ser apreendidos por um leitor que interpreta a mensagem contida nele por meio de técnicas sistemáticas apropriadas. A mensagem pode ser apreendida, decompondo-se o conteúdo do documento em fragmentos mais simples, que revelem sutilezas contidas em um texto. Os fragmentos podem ser palavras, termos ou frases significativas de uma mensagem (Chizzotti, 2006). O processo de análise de conteúdo dos documentos, tem início quando tomamos a decisão sobre a Unidade de Análise. Ludke e André (1986), dizem que existem dois tipos de Unidade de Análise, a Unidade de Registro e a Unidade de Contexto. Na Unidade de Análise de Registro o investigador pode selecionar segmentos específicos do conteúdo para fazer a análise, determinando, por exemplo, a frequência com que aparece no texto uma palavra, um tópico, um tema, uma expressão, uma personagem ou um determinado item (operação que usa a quantificação dos termos). No entanto, dependendo dos objetivos e das perguntas de investigação, pode ser mais importante explorar o contexto em que uma determinada unidade ocorre, e não apenas sua frequência. Assim, o método 38 de codificação escolhido vai depender da natureza do problema do arcabouço teórico e das questões específicas de pesquisa. Planejou-se, então, uma pesquisa documental, procurando nos documentos oficiais como estes, uma organização sobre quais pressupostos se sustentam, que recomendações metodológicas propiciam acerca do ensino e aprendizagem de matemática no Brasil e no Paraguai. Os documentos brasileiros pesquisados foram baseados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, BRASIL, 1996), nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, BRASIL, 1998 e 2000) e, no Paraguai a “Ley General de Educación del Paraguay (LGE, 2001, n° 1.264) ” , os “Programas de Estudio Matemática de la Educación Escolar Básica (1998-1999-2000)” e os “Programas de Estudio, Matemática y sus tecnologías, 1º, 2º y 3º Cursos, Nivel Medio (2003)”. Em termos de Brasil, incorporamos documentos mais recentes, como as Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental de Nove Anos (BRASIL, 2007) e o Relatório de Análise de Propostas Curriculares de Ensino Fundamental e Ensino Médio (BRASIL, 2010), publicado pelo Ministério da Educação. Dado a essas premisas, com o objetivo de situar a investigação no âmbito das pesquisas na área de Educação Matemática, fez-se uma revisão bibliográfica para identificar dissertações e teses que contribuíssem para os primeiros passos. A relevância e a busca dessas literaturas específicas foram realizadas no sítio Banco de Teses4 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal para o Nível Superior (CAPES), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)5, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)6 e da Universidade de São Paulo (USP)7. Por último, foi igualmente realizada, uma pesquisa no sítio do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina (Prolam/USP)8, contudo, não foram encontramos resultados referentes a comparações entre Paraguai e Brasil no que diz respeito à temática proposta. 4 Disponivel em <http://capesdw.capes.gov.br/capesdw>. Disponível em< http://fenix2.ufrj.br:8991/F?func=find-b-0&local_base=tdufrj> 6 Disponíve em < http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/index.php> 7 Disponível em <http://www.teses.usp.br/> 8 Disponível em <http://www.usp.br/prolam/disserta.htm> 5 39 Não obstante, a revisão bibliográfica revelou absoluta carência de estudos no que concerne os impactos na área de Educação Matemática nos currículos do Brasil e do Paraguai, bem como de outros países da América Latina, uma vez que as comparações não foram encontradas na literatura educacional pesquisada. O passo seguinte foi a busca de documentos que expressassem os currículos prescritos de Brasil e Paraguai, produzidos a partir da década de 1990, momento posterior às críticas ao Movimento Matemática Moderna. No intuito de verificar quais os pressupostos e a forma de organização dos currículos prescritos nesses países para a Educação Básica, foram encontrados elaborações curriculares próprias dos dois lugares. De antemão, é importante ressaltar que o PCN não é um documento obrigatório em nível nacional, embora tenha sido elaborado segundo bases legais da LDB (do Ministério da Educação) e de ser reconhecido pelo CNE (Conselho Nacional de Educação). Por outro lado, o PEMEEB9 e PEMEM10 são documentos de ordenamento curricular, a serem seguidos ao se definirem os currículos das escolas, cidades e províncias. Dada a preocupação de ir além da comparação entre currículos prescritos, fez-se necessário para a pesquisa, a criação de mecanismos que levantassem informações sobre os outros níveis de implementações curriculares. Com relação aos currículos praticados, a pesquisa de campo com profissionais que atuam em diferentes níveis das redes de ensino dos países pesquisados, foi planejada objetivando a identificação de como vem sendo realizada a implementação de tais currículos. Também abrangeu a verificação de quais recomendações metodológicas foram apontadas nos documentos oficiais que por sua vez são incorporadas em sala de aula. O conjunto de entrevistas com os profissionais que atuam nos sistemas educativos dos países pesquisados configura um tipo de investigação em educação, que se insere no contexto das denominadas pesquisas qualitativas. Isso, por apresentar em sua metodologia algumas características singulares. Nessa perspectiva, segundo a visão teórica de Bogdan, Robert e Biklen (1994), essas pesquisas denotam como características: 9 Programas de Estudio de Matemática de la Educación Escolar Básica. Programas de Estudio de Matemática de la Educación Média. 10 40 1. Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural constituindo-se o investigador o instrumento principal. 2. A investigação qualitativa é descritiva. Os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não em números. Os resultados escritos da investigação contêm citações feitas com base nos dados para ilustrar e substanciar a apresentação. 3. Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos. 4. Os investigadores qualitativos tendem a investigar os seus dados de forma indutiva. Não recolhem dados ou provas com o objetivo de confirmar ou infirmar hipóteses construídas previamente; ao invés disso, as abstrações são construídas à medida que os dados particulares que foram recolhidos se vão agrupando. 5. O significado é vital na investigação qualitativa. Os investigadores que fazem uso deste tipo de abordagem estão interessados no modo como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas (BOGDAN, ROBERT, BIKLEN, 1994, p. 47-50). Os procedimentos metodológicos selecionados e utilizados nesse trabalho de campo foram os inerentes à pesquisa comparativa qualitativa, que por sua vez está inserida no contexto de estudo de natureza exploratória, “Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições” (GIL, 1991, p.45). Desse modo, elaborados os roteiros, fizemos contato com os entrevistados. Os cuidados tomados no agendamento das entrevistas foram orientados pelo respeito ao entrevistado, que envolveu desde o local e horário marcados e cumpridos de acordo com sua conveniência até a perfeita garantia do sigilo e anonimato em relação ao informante. Igualmente respeitado deve ser o universo próprio de quem oferece as informações, as opiniões, as impressões, de acordo com (LÜDKE e ANDRÉ,1986, p. 35). Tais procedimentos fizeram-se valer, bem como o livre arbítrio no que diz respeito à gravação de entrevistas. Também houve a assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Deliberado que foi solicitada à cada entrevistado. Após o trabalho de transcrição das entrevistas, houve a devida identificação de perfil dos entrevistados por país, de acordo com as siglas apresentadas no quadro a seguir: 41 IDENTIFICAÇÃO Entrevistado Paraguai Brasil Elaboradores do currículo EPA EBR Diretor(a) de Escola DIRPA DIRBR Coordenador(a) CPPA CPBR Professores universitários: PUPA PUBR Professores da escola PPA PBR RPA RBR prescrito: Pedagógico(a) pública Representante de Sociedade de Educação Matemática Quadro 1: Nomenclatura para identificar os entrevistados. Para orientar o tratamento dos dados obtidos na pesquisa de campo, foram estabelececidas algumas categorias analíticas, com o fim de nortear a leitura: 1. processo de construção do currículo prescrito de matemática; 2. participação dos professores e/ou suas representações sobre o currículo prescrito; 3. processo de elaboração do currículo de Matemática da escola; 4. consciência da obrigatoriedade do currículo prescrito; 5. autonomia na realização do currículo de matemática praticado de na escola; 6. relação com os currículos apresentados; 7. grau de incorporação da Educação Matemática em seu trabalho. Considerando que essas categorias analíticas permitiriam levantar dados sobre a implementação curricular, propôs-se a realização de entrevistas com educadores envolvidos no processo de elaboração, acompanhamento e difusão desses currículos em ambos países, os quais trabalhavam tanto em órgãos centrais, escolas e comunidade acadêmica. Nesse sentido, consideramos que as entrevistas poderiam nos ajudar a ter uma idéia mais real sobre os currículos de matemática praticados nos dois países, especialmente em termos de como professores de matemática planejam seu trabalho e de como se relacionam com os currículos prescritos. 42 Em relação aos dados obtidos por meio de entrevistas, Duarte (2004) menciona que: (...) os dados de uma pesquisa desse tipo serão sempre resultado da ordenação do material empírico coletado/construído no trabalho de campo, que passa pela interpretação dos fragmentos dos discursos dos entrevistados, organizados em torno de categorias ou eixos temáticos, e do cruzamento desse material com as referências teórico/conceituais que orientam o olhar desse pesquisador. Isso implica a construção de um novo texto, que articula as falas dos diferentes informantes, promovendo uma espécie de “diálogo artificial” entre elas, aproximando respostas semelhantes, complementares ou divergentes de modo a identificar recorrências, concordâncias, contradições, divergências etc. Esse procedimento ajuda a compreender a natureza e a lógica das relações estabelecidas naquele contexto e o modo como os diferentes interlocutores percebem o problema com o qual ele está lidando. (DUARTE, 2004, p.222). Intuindo a viabilização do trabalho, por indicação da orientadora foi realizado o contato com a Professoras Avelina Jojot Demestri e Nélida Centurión Acha, que ajudaram na organização de uma agenda de trabalho em seu país, apresentando-nos à diferentes atores do processo de elaboração e implementação curricular paraguaio. O agendamento das entrevistas se deu por meio de e-mail com as referidas professoras. Todo o trâmite para o agendamento foi bastante complexo, visto que houve dificuldades em encontrar um dia em comum para as entrevistas com os especialistas e diretores do currículo Nacional do Paraguai. A visita ocorreu no mês de outubro de 2011, momento em que foi possível conhecer um pouco do sistema de ensino público da capital Assunção. No entanto, para que ocorresse, foram visitados o Ministério de Educação e Cultura, onde foram realizadas entrevistas com especialistas do currículo e a Universidade Iberoamericana, em Assunção as entrevistas com professoras e diretores do Ensinos Fundamental e Médio Para estabelecer a comparação pretendida, foi procurado, no Brasil, a realização de entrevistas preservando os critérios de escolha dos atores. Assim, foram entrevistados especialistas em currículo, que acompanharam de perto a elaboração e implementação do PCN, professores, diretores de escolas do Rio de Janeiro e um professor do estado de São Paulo. Realizada a recolha e a análise dos dados e formuladas as conclusões analíticas, viu-se concretizado o trabalho de reunião das condições para avanço 43 sem precipitações para o estudo comparado (Fase Comparativa) proposta por Garrido (1982). Esta fase foi composta inicialmente pela Formulação das hipóteses comparativas, seguida Justaposição de dados e de conclusões analíticas, ou seja, o objetivo em questão é de propiciar instrumentos que permitam a confrontação dos dados ou das conclusões analíticas necessárias à confirmação ou refutação da hipótese, de forma concisa, clara e objetiva. Em seguida a fase da Comparação, onde atingiu-se o auge da investigação. Nesse momento estarão reunidas as condições para se examinar com rigor as semelhanças e diferenças dos dois sistemas educativos. Em seguida, houve um avanço para a abordagem comparativa sintética, articulada e globalizante, atentando-se para o fato que a investigação comparativa não pode aspirar uma eficácia nomotética absoluta. 5. OBJETIVOS DA PESQUISA Pelo exposto, ressalta-se que são objetivos da pesquisa, a investigação comparativa entre sistemas educativos do Brasil e do Paraguai, assim preconizase: • • • Identificar aspectos comuns e especificidades dos currículos de matemática organizados em cada um desses países, bem como as formas de organização. Buscar dados que evidenciem a adesão ou a rejeição dos professores de matemática às orientações curriculares prescritas nos documentos oficiais. Buscar dados referentes aos currículos que realmente se efetivam nas salas de aula. No âmbito dessas discussões, a investigação sobre organização e desenvolvimento curricular, na área de Educação Matemática, tanto no Brasil quanto no Paraguai, apresenta como problema de pesquisa as seguintes questões: Na área de Educação Matemática, o que há de comum entre esses países em relação à organização e ao desenvolvimento curricular, tanto em termos de desafios a serem enfrentados quanto sobre possíveis soluções encontradas que possam ser compartilhadas? Como desdobramento importantes as questões: em relação ao problema, consideramos 44 • Como é a estrutura da Educação Básica formal nesses países? • Que Matemática está sendo proposta a ser ensinada a crianças e jovens desses países neste início de milênio? • Que pressupostos norteiam os documentos curriculares nesses países? • Como se dá o processo de implementação curricular nesses países? • Que indícios podem ser levantados sobre currículos que estão sendo realizados em sala de aula? Com os dados obtidos na pesquisa documental e qualitativa, passouse a organizar o material a partir da estrutura do trabalho, apresentada a seguir: 6. ESTRUTURA DA TESE A organização da investigação foi efetuada em quatro capítulos, constituídos da seguinte forma: No Capítulo 1: considerações sobre o contexto geral dos sistemas educativos do Brasil e Paraguai, descrevendo o contexto social, político e econômico (IDH, PIB, taxa de escolarização), mudanças na organização escolar e inovações pedagógicas, as Reformas Curriculares, o investimento na Educação e realizamos análises comparativas referentes a configuração da Educação Básica nos dois países, dentre outros aspectos. No Capítulo 2: apontamentos teóricos que geraram um referencial teórico, cujas categorias analíticas foram tomadas como base para as descrições e análises comparativas, tanto dos currículos prescritos, quanto de documentos oficiais. Desse modo, são apontadas semelhanças e diferenças em termos de: 1. Concepções de escola e currículo; 2. princípios de organização curricular; 3. dimensões dos currículos de Matemática; 4. papel da matemática na formação do cidadão; 5. princípios de seleção de competências matemáticas básicas ; 6. indicação de competências transversais; 7. referências a opções didáticas e metodológicas ; 8. recomendações sobre a avaliação da aprendizagem. 45 Tomando por base o referencial teórico construído, realizou-se uma análise dos currículos de matemática prescritos vigentes por meio da qual, se apresentam os cenários educativos dos dois países no que se refere à Educação Matemática (EDMAT). No Capitulo 3, foram descritos os resultados da pesquisa de campo, em que buscou-se identificar a avaliação de atores que acompanharam de perto e/ou participaram do processo de elaboração dos currículos prescritos pesquisados, destacando alguns pontos, sobretudo os aspectos para os quais as entrevistas contribuíram para elucidar, tais como: • participação efetiva na elaboração do currículo prescrito; • avanços da área de EDMAT considerados importantes na elaboração do currículo prescrito; • contribuições da comunidade acadêmica ao currículo prescrito; • o papel do Ministério de Educação na elaboração do currículo prescrito; • em matemática, os pontos-chave da proposta curricular; • como ocorreu a implementação e o acompanhamento; • e sobre a reformulação do currículo prescrito. No Capítulo 4, realizou-se uma caracterização do currículo praticado, de forma a destacar alguns aspectos: • a relação do currículo de matemática da escola com o currículo prescrito; • as recomendações do currículo prescrito seguidas pela escola; • o processo de elaboração do currículo escolar de matemática; • relação do currículo praticado com o currículo apresentado; • autonomia da escola para elaborar seu currículo de matemática; • papel da direção e/ou coordenação pedagógica na elaboração do currículo de matemática; • textos e materiais didáticos consultados para elaborar o currículo escolar e preparação das aulas. A análise realizada evidencia desafios postos aos respectivos sistemas educativos para a implementação curricular mais consistente, em vista da riqueza dos currículos prescritos nos dois países. Finalizamos nossa pesquisa com a apresentação de nossas considerações finais, apontando um conjunto de conclusões sobre as análises comparativas realizadas. 46 CAPÍTULO 1 EDUCAÇÃO NO BRASIL E NO PARAGUAI: SITUAÇÃO ATUAL E DESAFIOS O capítulo pretende trazer uma descrição lógica, baseada em fontes como o “Estudo Analítico Comparativo do Sistema Educacional do Mercosul (2001-2005)”, “Indicadores Estatísticos do Sistema Educativo do Mercosul (2008)” e outras mais. Assim, a finalidade se resume na apresentação de ambientes diversos dos sistemas educativos, sejam em termos de contexto social, político e econômico (IDH, PIB, taxa de escolarização), sejam em mudanças da organização escolar e inovações pedagógicas, Reformas curriculares, investimentos na Educação, entre outros. Nesse sentido, espera-se à posteriori, a realização de análises comparativas referentes à configuração da Educação Básica, que espera-se estarem amparadas nas Lei Gerais de Educação prescritas para ambos países investigados. 1.1 Contexto geral de Brasil e Paraguai Brasil e Paraguai são dois países da América do Sul com algumas similaridades e diferenças marcantes. São ex-colônias européias com independências declaradas nos anos de 1811 (Paraguai) e 1822 (Brasil). Atualmente, são repúblicas presidencialistas, O Paraguai está localizado na América do Sul e faz fronteira com Argentina, Bolívia e Brasil. A população aproximada de 6,6 milhões de habitantes está distribuída em uma extensão de 407 mil Km². Comparando-o às dimensões dos territórios brasileiros, tem o dobro do tamanho do Estado de São Paulo. Na tabela a seguir algumas informações sobre os dois países: são apresentadas 47 Paraguai República do Paraguai Nome Oficial Língua oficial Independência - Declarada Área - Total Espanhol e guarani da Espanha 15 de Maio de 1811 406 752 km² (58.º) - Água (%) População Estimativa População - Densidade PIB (base PPC) - Total 2,3 da 6 100 000 hab. (100.º) 14 hab./km² (192.º) Brasil República Federativa do Brasil Português do Reino de Portugal 7 de setembro de 1822 8.547.403 km² (5.º) 0,65 190 755 799[2] hab. (5.º) 22 hab./km² (182.º) US$ 22,6 bilhões (96.º) US$ 2.088 bilhões (7.º) Estimativa de 2011 Indicadores sociais - IDH (2010) - Esper. de vida - Mort. infantil - Alfabetização 0,640 (96.º) – médio[2] 71,8 anos 32,0/mil nasc. (121.º) 94,6% 0,699 (73.º) – elevado[6] 73,5 19,3/mil nasc. (106.º) 90,4 % Tabela 1: Contexto geral dos países pesquisados Fonte: Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento 11 Brasil e Paraguai fazem parte do Mercosul. Atualmente, o Mercosul (Mercado Comum do Sul), é composto por cinco países, entre eles, Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Venezuela. Tem, desde 1996, Bolívia e Chile como membros associados. Outros países se associaram ao Mercosul na década de 2000, o Peru em 2003 e Colômbia e Equador, em 2004. Um dos objetivos centrais do bloco é o fortalecimento da inserção de seus membros nos mercados mundiais, por meio da atração de capitais e da captação de investimentos facilitadas pela existência de uma união aduaneira. No início do século XXI teve início uma nova etapa da integração regional que recebeu o nome de Relançamento do Mercosul, com o objetivo principal de reforçar a união aduaneira, conferindo prioridade aos seguintes temas: acesso ao mercado; agilização dos trâmites em fronteira (plena vigência 11 Fontes: http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/INDParaguai.pdf http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/INDBrasil.pdf 48 do Programa de Assunção); incentivos aos investimentos, à produção e à exportação, incluindo as zonas francas, a admissão temporária e outros regimes especiais; tarifa externa comum; defesa comercial e defesa da concorrência; solução de controvérsias; incorporação da normativa Mercosul; fortalecimento institucional do Mercosul; relações externas. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, a integração comercial propiciada pelo Mercosul também favoreceu a implantação de realizações nos mais diferentes setores, como educação, justiça, cultura, transportes, energia, meio ambiente e agricultura. Neste sentido, vários acordos foram firmados, incluindo desde o reconhecimento de títulos universitários e a revalidação de diplomas até, entre outros, o estabelecimento de protocolos de assistência mútua em assuntos penais e a criação de um “selo cultural” para promover a cooperação, o intercâmbio e a maior facilidade no trânsito aduaneiro de bens culturais. São três os idiomas oficiais do Mercosul: o português, o castelhano e o guarani12. Atualmente, o português é o idioma mais falado no bloco, mas o castelhano é falado em todos os estados-membros, exceto no Brasil. A seguir são apresentados os objetivos estratégicos do Sistema Eduacional do Mercosul: 12 Por solicitação do Paraguai, o guarani foi incluído como idioma oficial do Mercosul em decisão tomada por ocasião da 23ª Reunião de Ministros do Mercosul Cultural, realizada no Rio de Janeiro em 21 de novembro de 2006. 49 13 1992-1997 1-Formação 1998-2000 de consciência uma da 2006-2010 1-Fortalecimento de uma 1- integração para a identidade regional, por consciência meio favorável ao processo de acordando e executando integração; conhecimento mútuo e a intregração políticas educativas que uma valorize capacitação de do estímulo cultura ao de cidadã Contribuir favorável ao processo de 2- social 1-Desenvolvimento 2001-2005 regional a que diversidade regional promovem uma recursos humanos que integração; cultural; cidadania regional, uma contribuam 2- Promoção de políticas 2-Promoção de educação cultura desenvolvimento; regionais de capacitação de qualidade para todos na respeito à democracia, 3- Compatibilização dos de recursos humanos e região e de políticas de aos direitos humanos e Sistemas Educacionais. melhoria da qualidade formação e capacitação de ao meio ambiente; da educação. recursos para o paz e o humanos competentes; 3-Conformação de 2- Promover educação de um de qualidade para todos espaço educativo regional como fator de inclusão de cooperação solidária. social, de desenvolvimento humano e produtivo; 3- Promover a cooperação solidária e o intercâmbio, para a melhoria dos sistemas educativos; 4- Impulsionar e fortalecer programas de mobilidade estudantes, de “pasantes”, docentes, investigadores, gestores, diretores e profissionais; 5que Reformar políticas articulem educação com a o processo de integração do Mercosul. Quadro 2: Objetivos estratégicos dos planos do SEM (Sistemas Educativos do Mercosul): 1992-2010 Fonte: Mercosul Educacional (www.sic.inep.gov.br) 13 Em 2000, por meio do documento “Compromisso de Brasília”, os ministros da Educação definiram um conjunto de metas para esse ano:1) compatibilização de aspectos curriculares e metodológicos a partir de uma perspectiva regional; 2) intercâmbio de alunos, docentes e pesquisadores; 3) informação e comunicação; 4) avaliação e credenciamento; e 5) formação de recursos humanos. 50 O quadro acima reforça que os objetivos dos Sistemas Educacionais do Mercosul (SEM), entre os anos de 1992 e 2010 passam por questões diversas como consciência social, geração de recursos, com o objetivo maior de compatibilização de sistemas educacionais, criando-se identidades regionais, intercâmbio de pesquisadores, investimento na formação de professores e unidade nos aspectos curriculares e metodológicos dos países membros. 1.2 Principais tendências educacionais observadas nos países do Mercosul Tanto a busca por maior eficiência e efetividade que vise a elevação da capacidade instalada de pessoal e de recursos, assim como a participação da comunidade no processo de mudança, são algumas das diretrizes apontadas pelo SEM para a elaboração das reformas educacionais no Mercosul. A recente experiência democrática, sob a vigência de acentuadas desigualdades econômicas e sociais, e a necessidade de dinamizar a participação dos jovens nos mercados de trabalho, explicam a ênfase concedida às políticas orientadas para o nível básico nos países do Mercosul. Dessa forma, grande parte das políticas estão voltadas para a universalização do acesso conjugada à manutenção (elevação) dos indicadores de rendimento dos matriculados. As reformas educacionais realizadas procuraram transformar a organização institucional e pedagógica do sistema escolar, os conteúdos curriculares, a oferta dos serviços e as oportunidades de acesso e permanência no sistema educativo. Dentre elas, as políticas compensatórias orientadas para a produção de equidade educacional constituem elementos centrais para garantir condições de ensino-aprendizagem para a população em idade escolar. No nível secundário, as reformas educacionais em curso já estão produzindo melhoria nas condições de oferta, incluindo a garantia, por legislação específica, da inclusão dos jovens na idade adequada. No âmbito do ensino técnico, foram desenvolvidas ações de harmonização, entre os países, do perfil profissional, com conseqüente orientação para adoção de mudanças curriculares nessa direção. Além disso, observou-se maior disponibilidade de instituições públicas, privadas ou mistas, com ampliação da carga horária mínima anual e 51 diversificação de conteúdos a partir de alterações nos currículos, contemplando a formação geral e vocacional. Não obstante, com base nos dados estatísticos disponíveis, pode-se afirmar que a universalização da educação secundária alta não foi, ainda, contemplada nos países da região, devido às constantes dificuldades econômicas e aos fatores do próprio sistema educacional, que limitaram o nível de acesso e a permanência dos jovens no sistema. De uma forma geral, os problemas do fluxo escolar causados pela repetência, não aprovação, abandono e a distorção idade/série constituem o grande desafio do Mercosul. Os baixos níveis de desempenho escolar (evidências do Pisa e das avaliações nacionais) ajudam a explicar, em parte, as baixas taxas de sucesso dos sistemas educacionais para manter os jovens no ensino secundário e garantir o êxito na conclusão. 1.3 Sistemas Paraguai educativos do Brasil e do Em relação ao Brasil, conforme aponta Pires (2005), nos últimos 30 anos, o sistema educacional brasileiro sofreu uma acelerada expansão, registrando neste período um vigoroso crescimento das matrículas em todos os níveis de ensino. Dentre os fatores que contribuíram para impulsionar este processo, além da natural pressão demográfica, destaca-se a forte demanda por serviços educacionais criada em decorrência da rápida urbanização do país e a expansão do acesso à escolaridade obrigatória. A obrigatoriedade do ensino primário (alunos de 7 a 10 anos) foi estabelecida no país pela Constituição de 1934, reafirmada, posteriormente, nas Constituições de 1937 e 1946. A Constituição de 1967 estendeu a obrigatoriedade para a faixa de 7 a 14 anos. Assim, passou a ter a duração de 8 anos (nos termos da Lei 5.692/1971) provocando aumento nas matrículas. O crescimento no número de matrículas na faixa de 7 a 14 anos provocou um aumento no número de concluintes, criando uma demanda maior no ensino de grau médio (alunos de 15 a 17 anos). De acordo com dados veiculados pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação do Brasil, o Censo de 2010 registrou um total de 52 51,5 milhões de matriculados na Educação Básica, além de outras informações importantes tais como: As matrículas na educação profissional cresceram 74,9% entre 2002 e 2010, segundo dados oficiais do Censo Escolar. Em 2010, o país teve 1,1 milhões de jovens na educação profissional, enquanto em 2002 eles somavam 652.073. No mesmo período, a rede federal de educação profissional passou de 77.190 alunos para 165.355, o que representa crescimento de 114%. A trajetória de expansão da educação profissional também pode ser vista entre 2007 e 2010. Em 2007, as matrículas eram 780.162. Ao alcançar 1.140.388 neste mesmo ano, o crescimento foi de 46% no intervalo. O Censo Escolar 2010 apontou que o Brasil tinha 51,5 milhões de estudantes matriculados na educação básica pública e privada – creche, préescola, Ensinos Fundamental e Médio, Educação profissional, Especial e de Jovens e Adultos. Dos 51,5 milhões, 43,9 milhões estudam nas redes públicas (85,4%) e 7,5 milhões em escolas particulares (14,6%). Atendiam estudantes da educação básica 194.939 estabelecimentos de ensino. Em 2009, o censo registrou 52,5 milhões de alunos na Educação Básica. Também no ensino médio houve aumento de 0,2% nas matrículas com 20.515 novos alunos. No total, o Ensino Médio registra 8.357.675 alunos. Em 2009 eram 8.337.160. Como nos anos anteriores, a rede estadual é responsável por 85,9% das matrículas, enquanto a rede privada tem 11,8%. Com relação ao Paraguai, dados do Censo da Educação em 2006, mostram que as matrículas na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio tiveram o montante de 1.591.872 alunos. No Paraguai a distribuição das matrículas por região é quase proporcional a Escola Básica da Educação (1º e 2º ciclos), no entanto, a Educação Infantil, EEB (3º ciclo) e taxa de matrícula do Ensino Médio são predominantemente urbanas. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC), em 2010, o Brasil registrava 13,4 milhões de matrículas nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano; com crianças a partir dos 6 anos), As 53 séries finais (6º ao 9º ano) desse nível de ensino tinham 11,9 milhões de matrículas e havia 7,1 milhões de matrículas no ensino médio (1º ao 3º ano). No Paraguai, de acordo com o levantamento realizado pelo MEC14, a Educação inicial teve um total de 15.440 matrículas e a Educação Escolar Básica (EEB) 1.162.760 e na Educação Média um total de 229.071 matrículas no ano de 2010. Todos os níveis de escolarização estão concentrados em instituições do setor formal, 71% na Educação Infantil, 83% sobre a EEB (1º e 2º ciclo), 81,2% em EEB (3º ciclo) e 77,2% no Nível Médio. O Paraguai apresentou um resumo descritivo do estado da educação em 2006, por meio dos indicadores que compõem a cobertura, a eficiência interna do sistema e de oferta educativa referentes a uma quantidade de professores e instituições. Foram analisados os indicadores de acesso à Educação Escolar Básica (EEB), as taxas de escolarização e taxa específica por idade de escolarização e de escolarização precoce, assim como as matrículas na Educação Inicial, Educação Básica, Média, as diferentes modalidades de Educação Continuada e Educação Técnica Superior. Estes indicadores dimensionam o acesso dimensionam o acesso ao 1º grau da EEB e a magnitude da população escolarizada nos diferentes níveis, ciclos ou modalidades. A taxa de acesso mede a eficácia e é o mecanismo de incorporação da população em idade oficial no sistema educativo. 1.4 Descentralização da gestão Tanto no Brasil como no Paraguai verificou-se a descentralização da gestão educativa, com variações de grau, atores responsabilizados e relação entre os níveis de governo, ampliando as esferas de participação dos governos subnacionais e dos cidadãos, sem privatizar o ensino. Apesar de todos os países apresentarem sistema misto de gestão (público e privado), a maior parte dos crescentes recursos investidos na educação básica é de origem pública. 14 Nota: MEC-DGPE. SIEC 2010. MEC/DGPE, SIEC. Datos preliminares, Asunción, 2010. 54 Nos dois países buscou-se, por meio da descentralização ampliar a eficiência e melhorar a gestão educacional, dando autonomia às escolas no que se refere aos seus projetos pedagógicos e abrindo espaço para a participação das comunidades. Em alguns casos, observou-se a carência de pessoal técnico preparado, evidenciando a necessidade de o governo central prover capacitação de recursos humanos. A descentralização da gestão foi financiada via transferência intergovernamental de recursos. No Brasil, o financiamento foi vinculado ao número de matrículas. Os governos centrais mantiveram algumas responsabilidades, tais como função suplementar, supervisão, desenho de programas e execução de programas nacionais compensatórios. 1.5 Democratização do ensino No Brasil, diferentes sistemas de ensino e estabelecimentos escolares participam da definição da parte diversificada do currículo, com base nas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Cabe menção, ainda, a existência, no Brasil, do Conselho Nacional de Educação. No Paraguai, embora o Ministerio de Educación y Cultura (MEC) seja o responsável pelo desenho geral dos processos curriculares, o artigo 117 da Lei no 1.264/1998 (Ley General de Educación) dispõe que, na elaboração dos planos e programas, o Ministério deverá consultar os governos departamentais e as instituições educativas públicas e privadas. O Brasil apresentou maiores avanços no que se refere à democratização de seus sistemas educacionais. O Brasil tem uma longa tradição em compartilhar as responsabilidades pela política de educação entre o governo federal, estados e municípios. Existem dois sistemas de ensino público: os estaduais e os municipais, enquanto o governo federal administra o ensino superior e escolas técnicas profissionais. Seu papel se restringe em compensar as diferenças entre estados e municípios, fornecendo assistência técnica e financeira para uma maior equidade. Neste sentido, mantém a responsabilidade executiva para alguns programas e projetos. A Emenda Constitucional Número 14, de setembro de 1996, redefiniu as responsabilidades de cada sistema de ensino: federal, estadual e municipal, propondo que os municípios sejam responsáveis pelo ensino Fundamental e os estados pelo Ensino Médio. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de Dezembro de 1996, fornece o enquadramento para essas reformas. 55 Além disso, deu maior autonomia às escolas para facilitar o conteúdo curricular, e fortalecimento da gestão pedagógica e financeira das instituições. Em alguns estados e municípios vêm adotando estratégias de gestão local, como a eleição de diretores pela comunidade escolar, a criação de conselhos escolares compostos por professores, alunos e pais, a transferência de recursos financeiros para a administração de merendas e gastos com manutenção (Gajardo, 1999, p.18). O Paraguai iniciou um processo de descentralização pelo qual o Conselho Acessor para a Reforma Educativa do Ministério da Educação e Cultura prevê delegação de tarefas nas escolas de educação básica, dando maior participação no planejamento de serviços educacionais para a comunidade e transferindo tarefas até então centralizadas para os estabelecimentos de ensino. Começou também, a transferência de responsabilidades aos departamentos e municípios. No Paraguai, a última Reforma Constitucional estabelece que a Educação Básica seja gratuita e obrigatória, com isso, a partir deste princípio, o sistema de ensino foi reorganizado em vários níveis, entre eles a Educação Escolar Básica que prorroga a escolaridade de 6 a 9 anos . Ao concluir o ciclo básico reduz o Ensino Médio ao período de três anos. Por outro lado, instituições de ensino começam a implementar nova organização institucional, criando Equipes de Gestão Escolares (para o nível básico) e Equipes de Gestão Institucionais (para o nível médio), pretendendo com isso, fortalecer a implementação dos Planos Educativos Institucionais (PEI). 1.6 Reformas curriculares recentes Desde a ampliação do ensino fundamental, ocorrida em 1971 até o final da década de 90, as propostas de currículos no Brasil eram feitas por estados e municípios de forma autônoma. A partir de 1996, foram introduzidos no Brasil os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, anunciando-se como propostas de orientação para elaboração do currículo escolar de Matemática nos estados e municípios brasileiros. O Ministério da Educação coordenou um projeto nacional em que, pela primeira vez no Brasil, educadores que atuam em diferentes níveis do sistema educativo debateram e 56 indicaram diretrizes curriculares comuns para a educação básica em nosso país. Anteriormente, cada estado era responsável por definir suas propostas curriculares. Ao apresentar aos educadores brasileiros os PCN de Matemática, a intenção do MEC era a de fornecer elementos de discussão para: • • • ampliar o debate nacional sobre o ensino de Matemática e socializar informações, resultados de pesquisas, levando-as ao conjunto dos professores brasileiros, para que possam projetar seu trabalho de forma a reverter o quadro atual, que torna essa disciplina altamente seletiva e muito pouco atraente aos alunos; construir um referencial que oriente a prática escolar de forma a garantir, a toda criança brasileira, o acesso a um conhecimento matemático que lhe possibilite de fato sua inserção, como cidadã, no mundo do trabalho, das relações sociais e da cultura; nortear a formação inicial e continuada de professores (na medida em que se tornam claros os fundamentos do currículo, fica implícito o tipo de formação que se pretende para o professor) e para orientar a produção de livros e de outros materiais didáticos, contribuindo dessa forma, para a configuração de uma política voltada à melhoria do Ensino Fundamental. Em geral, as reformas curricularres empreendidas no Brasil e no Paraguai caracterizaram-se pela criação de um currículo mais flexível – com uma parte comum e uma parte específica, definida segundo as particularidades locais – e visaram: atualizar conhecimentos; construir novas competências na era da informação, dos desenvolvimentos tecnológicos e da globalização (ênfase na informática); desenvolver os valores da tolerância, do respeito aos direitos humanos e da democracia (Temas Transversais). A Reforma Curricular pautou-se pela crítica dos currículos anteriores (voltados prioritariamente para a transmissão de conteúdos); ênfase em áreas, competências e habilidades, ao invés de disciplinas; crítica das metodologias anteriores; orientação construtivista e valorização da identidade cultural, especialmente no Paraguai, por meio da introdução da educação bilíngue. No Brasil, o governo Federal definiu diretrizes curriculares nacionais para a educação básica de oito anos durante a década de 1990. Além disso, definiu os Parâmetros para a Educação de Jovens e Adultos e a Educação Indígena. Além de incorporar novos conhecimentos às disciplinas tradicionais, são trabalhadas aquelas que contribuem para a formação do cidadão, a diversidade cultural, da educação ambiental e para a saúde. Esses conteúdos constituem os 57 chamados "temas transversais". Durante esse período, foi implementado o ensino de Informática, com a implementação do Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo), que fornece computadores para as escolas, capacita os professores e conecta as escolas públicas à Internet. A Reforma curricular no Paraguai foi focada na introdução e desenvolvimento de valores democráticos, após longo período ditatorial que atravessou o país. Por outro lado, e assumindo as fraquezas e falta de relevância do atual currículo durante a ditadura, os novos conteúdos também priorizaram a formação para o trabalho e a produção econômica, embora reconhecendo a importância do desenvolvimento de competências básicas e incorporação dos conhecimentos gerais. Neste sentido, aspectos como leitura, escrita e habilidades para resolver problemas são altamente relevantes no fortalecimento da capacidade de "aprender a aprender" (Rivarola, 2000, p. 23). Em 2008 foram ajustadas as propostas curriculares do 1º e 2º ciclos do currículo para a EEB no Paraguai. No ano de 2009 e 2010, houve continuidade no processo de ajuste ao 3º ciclo. O documento “Hacia nuevos desafios em El tercer ciclo de La EEB15” , relata que tais atualizações foram focadas em: a. El énfasis en el desarrollo de capacidades y competências; b. Las propuestas metodológicas y de la evaluación, atendiendo los avances en estos campos; y c. Los temas de cada área acadêmica (2011, p.4). Em 2009, também foi decretada uma Resolução que estabeleceu reajustes no desenho curricular Nacional do Ensino Médio, a partir de 2010, considerando que: El ajuste al diseño curricular nacional de La educación media, pretende mejorar la organización de las áreas y disciplinas en relación a los procesos pedagógicos requeridos para el desarrollo de las capacidades establecidas en los programas de estudios y aumentar los logros de aprendizaje de los estudiantes de la educación media. Que, los ajustes en la distribuición de las disciplinas que conforman el plan de estudios de la educación media no implican modificaciones en el desarrollo de las capacidades propuestas en los programas de estudios para cada una esas disciplinas; en efexto, los documentos curriculares editados por el Ministerio de Educación y cultura(programas de estudios, orientaciones para la gestión pedagógica, valorización de 15 Campaña de apoyo a La gestión pedagógica de docentes en servicio. Módulo 1. Matemática. 58 los aprendizajes) continúan en plena vigencia. (Resolución 12506 16 BIS) . Em suma, as reformas curriculares tiveram como objetivo prioritário a melhoria da qualidade da educação recebida pelos alunos, sobretudo por meio da atualização de conteúdos, e também na busca de maior equidade na prestação, em particular por meio da introdução da educação bilingue e intercultural em países com população nativa. Assim, incorporou-se novos conhecimentos ligados ao desenvolvimento tecnológico e às comunicações centrais em um mundo globalizado. No entanto, a implementação dessas mudanças foi feita com dificuldades, sofreu atrasos, suspensões e questionamentos por vários setores. Atualmente as mudanças curriculares mostram diferentes graus de progresso nos países e o seu desenvolvimento é heterogêneo. 1.7 O investimento na Educação O Brasil aumentou o investimento e criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), que fornece financiamento para a educação básica e redistribui recursos tributários para compensar as diferenças regionais e proporcionar recursos iguais para os alunos, melhorando a retribuição para os professores. Segundo Mello e Souza (2003, p.28), 18% da receita tributária líquida da União são destinados à educação, um montante que pode ser gasto livremente no setor. O Fundef é composto por 15% de todos os impostos cobrados pelos 26 estados, o Distrito Federal e 5.564 municípios. A divisão do Fundo é feita de acordo com a proporção de matrículas de cada um dos estados e municípios. Assim, os municípios que investiram pouco no ensino fundamental são doadores para aqueles com maior número de alunos ou pobres. O governo federal complementa esse fundo para garantir um custo mínimo por aluno, igual à média nacional. Isto irá corrigir os desequilíbrios regionais dentro do mesmo estado. O Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundef fiscaliza a utilização dos fundos em cada município, uma ação que promove a eficiência dos gastos sociais (Mello e Souza, 2004, p. 33). No que diz respeito à repartição de gastos 16 Disponível em: <http://www.arandurape.edu.py/cd%20MEC%202.0.1/ARCHVS/4DTS/resol_12506.pdf. 59 entre os níveis de ensino o Brasil foi o país que destinava, em 1989, a maior porcentagem ao ensino superior (25,6%), menos da metade (48,8%) para o ensino primário e apenas 6,9 % para o Ensino Médio (Gajardo, 1999, p. 38). A regulamentação do acesso ao ensino superior no país é anterior à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e sempre exigiu provas que testassem conhecimentos adquiridos na educação secundária. Após a LDB, o acesso foi flexibilizado, abrindo a possibilidade de que as instituições utilizassem outras formas de seleção, como as notas obtidas pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O país se destaca com programas de apoio ao ingresso de estudantes de baixos recursos em instituições de ensino superior, sendo possível citar o Financiamento da Educação Superior (FIES), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o sistema de cotas, aprovado em algumas universidades do país. A elaboração de uma política de financiamento da educação superior no Brasil é dificultada pela diversidade do sistema, o qual inclui instituições públicas mantidas pelos governos federal e estaduais, além daquelas de caráter privado, mantidas por fundações ou pessoas jurídicas, e outras sem fins lucrativos. O Paraguai aumentou o investimento na educação destinando recursos para aumentar salários de professores e proporcionar-lhes recursos educacionais e didáticos para o ensino, enquanto mantém um sistema de financiamento centralizado. Segundo Gajardo (1999, p.38), era destinado em 1991, 42,2% dos gastos com educação ao ensino primário, 25% acima da média, 19,3% e 13,6% para outros fins . 1.8 As políticas compensatórias No Brasil, os principais programas de compensação foram destinos a assegurar a alimentação mínima exigida pela comunidade escolar. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) permitiu, em 1999, pelo menos uma refeição por dia, durante 200 dias por ano para 36 milhões de crianças em escolas públicas do ensino fundamental e estabelecimentos filantrópicos privados. Nesse ano atendiam 96,7% das escolas públicas e 98,1% da população 60 rural e em 2003 alcançavam praticamente todo o Ensino Básico da rede pública. A Gestão descentralizada fica a cargo dos municípios que recebem os recursos, enquanto a comunidade e a escola decidem o cardápio. O Programa Nacional do Livro Didático distribui livros textos para alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. O PNLD 2012 foi direcionado à aquisição e à distribuição integral de livros aos alunos do ensino médio (inclusive na modalidade Educação de Jovens e Adultos), bem como à reposição e complementação do PNLD 2011 (6º ao 9º ano do ensino fundamental) e do PNLD 2010 (1º ao 5º ano do ensino fundamental). O quadro a seguir mostra o investimento, total de alunos atendidos, escolas beneficiadas e total de livros distribuídos pelo Programa na Educação Básica: 2012 Ensino Fundamental Investimento R$ 443,5 milhões Alunos atendidos Escolas beneficiadas: Livros distribuídos 28.105.230 Anos Iniciais: 115.344; Anos Finais: 50.558 70.690.142 Ensino Médio (Regular+EJA) R$ 883,5 milhões 9317.230 26822 91.702.268 Tabela 2: Dados estatísticos referentes ao PNLD. Fonte: FNDE Para garantir a permanência na escola das crianças de famílias pobres implementaram o Programa Nacional de Garantia de Renda Mínima (Toda criança na escola ou o Bolsa-Escola), que fornece assistência financeira mensal para as famílias com filhos em idade escolar que têm renda familiar abaixo de meio salário mínimo. No início, em 1995, o programa foi desenvolvido pelos estados e municípios e, no final de 1999 tinha contemplado mais de 500 000 famílias, cerca de um milhão de crianças de 7 a 14 anos em mais de 1.000 municípios. Em 2001, o programa foi adotado pelo governo federal sob o nome de Bolsa-Família, ampliando significativamente a cobertura. A partir de 2003, foram incorporados outros programas sociais que tem beneficiado cerca de 11,1 milhões de famílias. O Projeto Nordeste é um programa focado em uma região extremamente pobre e com indicadores insatisfatórios em matéria de educação, bem abaixo da média nacional. 61 Entre 1993 e 1998 investiram 500 milhões de dólares que se destinaram a apoiar estratégias eficazes para melhorar os resultados educacionais. Em 1998, foi reformulado com o nome do Fundo de Fortalecimento da Escola (Fundescola) e incluiu as regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. Os dados mostram o impacto favorável que o programa teve. Apesar da escolarização básica nessas regiões aumentou 27,2 por cento de 1994 a 1999, a média nacional era 13% e este crescimento tem ocorrido principalmente entre o 2º e 3º ciclo do Ensino Fundamental. No que diz respeito ao Ensino Médio também superou o crescimento do país (11% no Nordeste e 5,4% no Brasil) (Souza, 2001, p. 73). Outros programas tiveram como objetivo a melhoria da educação e inovações a nível escolar de forma a fortalecer a capacidade de gestão e administração de projetos escolares , promovendo a participação da comunidade. No Paraguai os programas destinados a melhorar a qualidade no atendimento a população carente, estiveram centrados na distribuição de livros didáticos nas escolas públicas e aumentando o tempo efetivo das atividades em sala de aula, observando a Lei da Educação. Ampliou para 200 dias o número mínimo de dias letivos de aula, medida que teve resistência pelos sindicatos dos professores. Entre 1995 e 1999 foram distribuídos 13 milhões de livros destinados a escolas públicas. Segundo Rivarola, há um parecer favorável, entre os professores, diretores e pais sobre este programa e o impacto sobre a disponibilidade de livros para melhorar a qualidade de ensino. Sobre a introdução da educação bilingue, Rivalora (2000) afirma que: La introducción de la educación bilingüe es otro de los elementos considerados significativos para mejorar la equidad. Si bien esta focalizado en un número reducido de escuelas (200 en el año 2000) un estudio realizado por el Centro Paraguayo de Estudios Sociológicos, y citado por Rivarola muestra que los niños cuya escolarización se da en guaraní y que estudian castellano como segunda lengua tienen rendimientos más altos que los que estudian sólo em castellano ( p. 22). Assim como no Brasil, no Paraguai, também foram desenvolvidos programas de melhoramento do ciclo pré-escolar e nos 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental e programa para a Melhoria do Ensino Médio, que prestam assistência educacional e de treinamento para melhorar as competências e 62 capacidade de gestão dos professores. Outra importante política compensatória implementada foi o Programa de Complemento Nutricional que distribui merendas e almoços entre instituições de ensino carentes. Além disso, para que as crianças pobres tenham suprimentos básicos para participar das aulas, foram distribuídos “kits” escolares. A distribuição de programa de bolsas, por sua vez, visa reduzir a evasão no ensino Médio. 1.9 A configuração da Educação Básica no Brasil e no Paraguai A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional proporcionou o marco normativo para as diversas experiências que se desenvolveram nos estados brasileiros. As taxas de repetência e reprovação continuam altas, inclusive na educação secundária, onde a taxa de abandono é uma das maiores da região, assim como os indicadores de defasagem escolar (correspondência idade-série e atraso). A gestão pública da educação é predominante. O Brasil quase atingiu a universalização do ensino básico, o que não acontece com a educação secundária, apesar da tendência de elevação da taxa de atendimento entre 1998 e 2002. Portanto, o acesso e a permanência na educação secundária devem ser algumas das prioridades das políticas educacionais no país, a fim de que se alcancem melhores resultados no tocante à escolarização naquele nível. Entre os países membros do Mercosul, o Paraguai possui uma posição intermediária em relação aos indicadores eficiência e rendimento na educação básica, tal como no secundário, ainda que nesse nível, apesar das flutuações, tenha encerrado o ano de 2004 com a menor taxa de reprovação do grupo. A gestão pública do sistema educativo é majoritária. Assim como ocorreu na Bolívia, os gastos com a educação básica foram os que mais aumentaram na região. O alto investimento na educação básica é reflexo da pressão demográfica que a população mais jovem exerce sobre o sistema de repartição de recursos. Na educação secundária houve sensível queda dos investimentos por aluno entre os anos de 1998 e 2004, porém o país finaliza o período como aquele que investiu a maior proporção do PIB na educação de nível secundário. 63 Outro fato relevante foi a introdução da educação bilíngue, que muito contribuiu para o melhoramento da eqüidade. Porém, a observação de indicadores como a taxa de atendimento por nível educacional da família ainda denuncia grande desequilíbrio entre o acesso de alunos ao nível secundário segundo condições socioeconômicas. Também foram tomadas algumas medidas com o objetivo de melhorar a qualidade da docência, por meio do aumento das exigências para a seleção dos candidatos à docência e do fortalecimento da formação inicial nas práticas pedagógicas. A reforma educativa é reconhecida como a única levada a cabo durante o processo de transição, porém a educação de nível superior manteve-se caracterizada pela hegemonia de vertentes conservadoras indiferentes às mudanças no sistema escolar. No referido país, o incremento da matrícula é explicado pela ausência de requisito para o ingresso em instituições superiores, sendo o acesso dependente ainda da capacidade econômica de jovens e suas famílias financiarem seus estudos. O processo de descentralização do ensino, com a abertura de novas sedes universitárias, também contribuiu para a expansão das matrículas. O crescimento do setor privado é imenso, dadas as facilidades para o estabelecimento de novas instituições. Todas as unidades de ensino superior (públicas ou privadas) contam com recursos do orçamento público, ainda que nas instituições privadas as maiores fontes de financiamento sejam as taxas pagas pelos alunos. É apresentado a seguir, a análise dos resultados da análise documental inicial realizada em documentos oficiais e na legislação dos países pesquisados, visando à caracterização da estrutura da Educação Básica: Brasil A educação desenvolver básica o tem estudante, Paraguai por finalidades assegurar-lhe Se entiende por educación general básica el a proceso de crecimiento de la persona en todas sus formação comum indispensável para o exercício dimensiones, para que se capacite a participar da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir activa no trabalho e em estudos posteriores. (LDB, art.22, consolidación de un estilo de vida social flexible y 1996) creativo, que le permita la satisfacción de sus y críticamente en la construcción y necesidades fundamentales. La educación general básica, más que un fin en sí mismo, es una base para el aprendizaje y el desarrollo humano permanentes. Implica capacitar para el desarrollo 64 de la personalidad, para el trabajo, para la convivencia, la autoinstrucción y la autogestión. (LGE, Art.11.d, 2001) Quadro 3: A Educação Básica no Brasil e no Paraguai: Finalidades da Educação Básica. Pelo exposto no quadro acima, verificamos que as finalidades da Educação Básica nos dois países são similares com vistas a proporcionar ao aluno uma formação geral em todas as dimensões, desenvolvendo sua personalidade e capacitação para os desafios do mundo do trabalho. Não constatamos diferenças entre as finalidades da Educação Básica no Brasil e no Paraguai e sim particularidades na apresentação das mesmas. A Lei Geral da Educação no Paraguai explicita de forma mais abrangente as finalidades, destacando o processo de crescimento em vários aspectos que a educação básica deverá proporcionar ao estudante, destacando pontos que envolvem a dimensão social, criativa, crítica e pessoal para sua inserção no mundo do trabalho e desenvolvimento da autonomia. Já a LDB apresenta as finalidades da Educação Básica com os mesmos princípios, porém de forma mais sintética. Brasil Paraguai No Brasil, a educação básica compreende doze No Paraguai, a educação formal se estrutura, anos, dividida em educação infantil de cinco de acordo com a Lei Geral da Educação (LGE) anos, ensino fundamental de nove anos, de 1.264, é composta por 3 níveis (LGE, artigo27): acordo com Lei de Diretrizes e Bases da o 1º nível compreenderá a Educação Inicial e a Educação Nacional (LDB) nº 11.274, de educação Escolar Básica, o segundo Nível a 06/02/2006, e ensino médio de três anos – Educação Média e o 3º nível a Educação regular Superior. ou profissionalizante. O ensino fundamental é subdividido em dois ciclos: I, A Educação Inicial (artigo 29) compreenderá 2 cinco anos, e II, quatro anos. ciclos. A pré-escola, na idade de 5 anos A Educação obrigatória compreende 9 anos. pertencerá sistematicamente a educação escolar básica e será incluída na Educação Escolar Obrigatória. Quadro 4: A Educação Básica no Brasil e no Paraguai: níveis e obrigatoriedade. Uma similaridade entre os países refere-se à idade de início do ensino básico: 6 anos de idade. Em ambos a idade de conclusão do ensino básico considerado obrigatório é aos 14 anos de idade. Uma diferença entre os dois 65 sistemas educativos é referente a passagem entre os níveis componentes da educação básica (Cine 1 e Cine 2)17 ocorre, teoricamente, na idade compreendida entre os 11 e 12 anos no Paraguai e no Brasil ocorre entre os 10 e 11 anos. Tanto no Brasil como no Paraguai, a Educação Básica inclui a educação infantil (dos 4 aos 6 anos), o Ensino Fundamental (a partir dos 7 anos) e o Ensino Médio. A etapa do Ensino Fundamental, gratuita e obrigatória, em ambos os sistemas tem duração de nove anos18, e o Ensino médio tem duração mínima de três anos, podendo incluir programas de preparação geral ou para o trabalho. Brasil Paraguai A carga horária mínima anual nos El año lectivo, en la educación escolar níveis Fundamental e Médio é de básica, media y profesional tendrá oitocentas horas, distribuídas por um como mínimo doscientos días laborales mínimo de duzentos dias de efetivo contando cada día con no menos de trabalho escolar, excluído o tempo cuatro horas en los cuales no se reservado aos exames finais. (LDB, incluyen los días de exámenes. (LGE, art.114) art.24, inciso I) Quadro 5 : A Educação Básica no Brasil e no Paraguai: carga horária mínima estabelecida. Verifica-se que para os ensinos Fundamental e Médio tanto no Brasil como no Paraguai, o mínimo de dias letivos e horas anuais é o mesmo (duzentos dias letivos e o mínimo de oitocentas horas de trabalho), apresentando especificidades na apresentação dessa carga horária mínima estabelecida. 17 Com o objetivo de dotar de comparabilidade os indicadores educacionais relativos ao funcionamento e ao desempenho do setor educativo, o Sistema Educacional do Mercosul (SEM) ajustou a Classificação Internacional Normalizada de Educação – CINE 97, que define os níveis educacionais a partir da consideração de duas dimensões: a complexidade dos programas e a idade teórica oficial de ingresso no nível. O SEM distingue três níveis de ensino: a) básico: correspondente ao Cine 1 e 2; b) o secundário, relativo ao Cine 3; e c) o superior, que abrange os níveis Cine 5 e 6. 18 A Lei nº 11.114/2005, do dia 16 de maio de 2005, tornou obrigatória a matrícula das crianças de 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental, pela alteração dos arts. 6º, 32 e 87 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996). A extensão da obrigatoriedade da educação de oito para nove anos, iniciada a partir de 2006 foi concluída em 2010. 66 O documento brasileiro prescreve o total de horas anuais e o paraguaio em termos de total de horas mínimas por dia em sala de aula, porém as prescrições são equivalentes. Brasil Paraguai Os currículos do Ensino Fundamental Artículo 5º- Por meio del sistema e médio devem ter uma base nacional educativo nacional se establecerá un comum, a ser complementada em diseño curricular básico, que posibilite cada sistema de ensino e la elaboración de proyectos estabelecimento escolar, por uma curriculares diversos y ajustados a las parte diversificada, exigida pelas modalidades, características y características regionais e locais da necesidades de cada caso. sociedade, da cultura, da economia e Las definición de las áreas y sus da clientela. (LDB, art.26) contenidos revisados serán determinados periódicamente por y el Ministerio de Educación y Cultura. (LGE, art.34b) Quadro 6: A educação básica no Brasil e no Paraguai: desenho curricular. Similarmente, tanto a LDB do Brasil como a LGE do Paraguai, reforçam a necessidade do estabelecimento um currículo comum aos seus respectivos sistemas educativos. Porém, sutilmente, os documentos apresentam diferenças. No Brasil, a LDB prescreve que os currículos devem ter uma base nacional comum, a ser complementada por uma parte diversificada e fica implítico um certo “fechamento” em relação a essa base proposta. Já na LGE do Paraguai o sistema educativo estabelecerá um desenho curricular básico que pode ser ajustado de acordo com as necessidades de cada caso, ou seja, a própria base nacional possibilita a elaboração de projetos e ajustes quando necessários. Porém o documento também relata um controle períódico dos conteúdos e áreas por parte do Ministério de Educação e Cultura. 67 A seguir apresentaremos a exigência mínima para a atividade docente nos países pesquisados. Brasil Paraguai Art. 61º. A formação de profissionais da Artículo 30. La educación inicial será educação, de modo a atender aos impartida objetivos dos modalidades características diferentes de de ensino cada por profesionales de la níveis e especialidad. En caso de imposibilidad de e às contar con suficiente personal, se podrán fase do autorizar a profesionales no desenvolvimento do estudante, terá como especializados en la materia para ejercer dicha docencia, con expresa autorización fundamentos: I - a associação entre teorias e práticas, del Vice Ministro de Educación. inclusive mediante a capacitação em Artículo 41. Para enseñar en el último ciclo de la educación escolar básica y en serviço; II - aproveitamento da formação e La Educación Media, se requerirá el título experiências anteriores em instituições de de profesor o profesora otorgado en los centros e institutos de formación docente, ensino e outras atividades. Art. 62º. A formação de docentes para otros institutos superiores o de atuar na educação básica far-se-á em universidades reconocidas legalmente. nível superior, em curso de licenciatura, En casos excepcionales expresamente de graduação plena, em universidades e reglamentados podrán ser profesores los institutos Superiores de educação, egresados provenientes de la Educación admitida, como formação mínima para o Superior, que no cuenten con el título de exercício do magistério na educação especialización didáctica infantil e nas quatro primeiras séries do correspondiente. ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. Quadro 7: A educação básica no Brasil e no Paraguai: formação exigida dos docentes para atuação na educação básica. Pelo exposto anteriormente, no Brasil estão aptos a lecionar na Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental) portadores de diploma de curso Normal (ou Magistério) em nível Médio ou em nível Superior (Pedagogia). No Paraguai para a atuação na 68 Educação Inicial (compreende 2 ciclos), a LGE prescreve que o professor seja especializado em uma disciplina específica para exercer suas funções e em caso de carência, poderão ser admitidos profissionais não especializados, devidamente autorizados pelo vice-ministro da Educação. No Brasil, para os outros anos do Ensino Fundamental (3º e 4º ciclos) é necessário a conclusão do curso de Licenciatura Plena em nível superior e no Paraguai para o último ciclo (3º ciclo) nos institutos de formação docente ou em universidades reconhecidas. Em casos excepcionais, poderão lecionar profissionais de curso superior com especialização didática específica. Em relação a educação inicial, a diferença que se denota entre os dois países é que no Brasil podem atuar profissionais de nível médio (formação normal) ou com curso superior em Pedagogia com formação geral atuando em várias disciplinas, já no Paraguai, isso não fica tão explícito e presume-se que são profissionais especializados e/ ou autorizados, em nível superior, onde exista um professor por disciplina. Já na 2ª etapa do Ensino Fundamental, no Brasil (3º e 4º ciclos) e no Paraguai (3º ciclo e Educação Média), percebemos que as exigências em relação a formação docente se equiparam, ou seja, são necessários cursos de licenciatura plena em área específica ou em outros cursos de níveis superiores, com especialização para o magistério. Segundo o Estudo Analítico Comparativo do Sistema Educacional do Mercosul (2001-2005), o Governo Federal do Brasil, implementou em 1998, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização do Magistério (FUNDEF), que redistribui recursos entre estados e municípios para assegurar uma inversão mínima dos alunos na educação primária. Um mínimo de 60% desse fundo destinou-se a salários e na capacitação de professores leigos. Além disso, foram introduzidas alterações na organização dos sistemas de formação de professores, onde desenvolveram-se novas diretrizes curriculares para as carreiras pedagógicas. No Paraguai a formação docente tem sido considerada estratégica para operar as mudanças implementadas pela Reforma, pois se considerava que a grande maioria deles tinha uma formação deficiente e não possuíam condições 69 necessárias para aplicar os novos conteúdos curriculares. (Rivarola, 2000, p. 24), destaca que neste sentido foram tomadas um conjunto de medidas para melhorar a qualidade da docência, tanto na educação básica como na média. Para isso aumentaram-se as exigências para a seleção dos aspirantes a docência, fortaleceu a formação inicial nas práticas pedagógicas e juntaram-se a profissionais de outras áreas como professores no Bacharelado. Embora tenham ocorridos progressos, a formação de professores não corresponde às expectativas que se tinham sobre os objetivos previstos, pois não produziram as mudanças esperadas em nível de sala de aula, já que predominam as práticas e orientações tradicionais. 1.10 Síntese do capítulo A pesquisa bibliográfica acerca do contexto social, econômico e educacional evidenciou algumas tensões, ou seja, índices como o IDH evidenciam que tais variáveis que compõem os contextos sociais são marcados por histórias distintas. Os dois países pequisados fazem parte do Mercosul e no início do século XXI teve início uma nova etapa da integração regional que recebeu o nome de Relançamento do Mercosul, com o objetivo principal de reforçar a união aduaneira. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, tal relação também gerou realizações no âmbito educacional. As reformas educacionais realizadas procuraram transformar a organização institucional e pedagógica do sistema escolar, assim como os conteúdos curriculares, a oferta dos serviços e as oportunidades de acesso e permanência no sistema educativo. Dentre elas, as políticas compensatórias orientadas para a produção de eqüidade educacional constituem elementos centrais para garantir condições de ensino-aprendizagem para a população em idade escolar. Tanto no Brasil como no Paraguai verificou-se a descentralização da gestão educativa, com variações de grau, atores responsabilizados e relação entre os níveis de governo, ampliando as esferas de participação dos governos subnacionais e dos cidadãos, sem privatizar o ensino. Apesar de todos os países 70 apresentarem sistema misto de gestão (público e privado), a maior parte dos crescentes recursos investidos na educação básica é de origem pública. No Brasil, diferentes sistemas de ensino e estabelecimentos escolares participam da definição da parte diversificada do currículo, com base nas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. No Brasil ainda existe o Conselho Nacional de Educação. No Paraguai, embora o Ministerio de Edución y Cultura (MEC) seja o responsável pelo desenho geral dos processos curriculares, o artigo 117 da Lei no 1.264/1998 (Ley General de Educación, 2001) dispõe que, na elaboração dos planos e programas, o Ministério deverá consultar os governos departamentais e as instituições educativas públicas e privadas. O Brasil apresentou maiores avanços no que se refere à democratização de seus sistemas educacionais. No Paraguai, a última Reforma Constitucional estabelece que a Educação Básica seja gratuita e obrigatória. A partir deste princípio, o sistema de ensino foi reorganizado em vários níveis, entre eles a Educação Escolar Básica que prorroga a escolaridade de 6 a 9 anos, e ao concluir o ciclo básico que antecede o Ensino Médio, reduz o Ensino Médio a período de três anos. Por outro lado, instituições de ensino começam a implementar nova organização institucional, criando a Equipes de Gestão Escolar (para o nível básico) e Equipes de Gestão Institucional (para o nível médio), pretendendo com isso, fortalecer a implementação dos Planos Educativos Institucionais (PEI). No Brasil, as inovações são relacionadas às mudanças na gestão institucional e de ensino a serem realizadas pelos governos estaduais, municipais e instituições de ensino, a partir da autonomia conquistada nas decisões sobre a gestão e organização de suas próprias práticas. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece o marco normativo para as diferentes experiências desenvolvidas nos estados e municípios. Dado o grau de autonomia de estados e municípios na gestão das redes de ensino, as inovações dependem, em grande maioria, das políticas educacionais que desenvolvem. Assim, a partir da transferência de recursos e poder de decisão outorgado às escolas, estas tem elaborado e desenvolvido seus projetos pedagógicos e de gestão, promovendo a participação da comunidade e a eleição de diretores pela comunidade local. 71 Desde a ampliação do ensino fundamental ocorrida em 1971 ate o final da década de 90, as propostas de currículos no Brasil eram feitas por estados e municípios de forma autônoma. A partir de 1996 foram introduzidos no Brasil os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, anunciando-se como propostas de orientação para elaboração do currículo escolar de Matemática nos estados e municípios brasileiros. A reforma curricular pautou-se pela crítica dos currículos anteriores (voltados prioritariamente para a transmissão de conteúdos); ênfase em áreas, competências e habilidades, ao invés de disciplinas; crítica das metodologias anteriores; orientação construtivista e valorização da identidade cultural, especialmente no Paraguai, por meio da introdução da educação bilíngue. Em 2008, foram ajustadas as propostas curriculares do 1º e 2º ciclos do currículo para a EEB no Paraguai. No ano de 2009 e 2010, houve continuidade no processo de ajuste ao 3º ciclo e em 2011 tais programas entraram em vigência. Vimos que em 2009 foi decretada uma resolução que estabeleceu reajustes no desenho curricular Nacional do Ensino Médio, que teve vigência a partir do ano de 2010 e, recentemente, houve atualização dos programas do 3º ciclo da EEB, que passaram a ter vigência em 2011. O Brasil aumentou o investimento e criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF). Vimos também, por parte do governo a implantação do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que distribui livros textos para alunos do do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Para garantir a permanência na escola das crianças de famílias pobres implementaram o Programa Nacional de Garantia de Renda Mínima (Toda criança na escola ou o Bolsa-Escola) e o Projeto Nordeste. No Paraguai os programas destinados a melhorar a qualidade no atendimento a população carente, estiveram centrados na distribuição de livros didáticos nas escolas públicas e no aumentando o tempo efetivo das atividades em sala de aula, observando a Lei da Educação ampliou para 200 dias o número 72 mínimo de dias letivos de aula, medida que teve resistência pelos sindicatos dos professores. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional proporcionou o marco normativo para as diversas experiências que se desenvolveram nos estados brasileiros. As taxas de repetência e reprovação continuam altas, inclusive na educação secundária, onde a taxa de abandono é uma das maiores da região, assim como os indicadores de defasagem escolar (correspondência idade-série e atraso). Dentre as políticas de bolsas criadas para manter os alunos na escola destacam-se o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa Nacional de Garantia de Renda Mínima. A regulamentação do acesso ao ensino superior no país é anterior à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e sempre exigiu provas que testassem conhecimentos adquiridos na educação secundária. Após a LDB, o acesso foi flexibilizado, abrindo a possibilidade de que as instituições utilizassem outras formas de seleção, como as notas obtidas pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O país se destaca com programas de apoio ao ingresso de estudantes de baixos recursos em instituições de ensino superior, sendo possível citar o Financiamento da Educação Superior (FIES), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o sistema de cotas aprovado em algumas universidades . O sistema educativo do Paraguai, vigente a partir da Reforma Educativa de 1994, estabeleceu modalidades diferentes de ensino (geral, especial, e outras). A educação formal se estrutura em três níveis: o primeiro compreende a educação inicial (até os 5 anos de idade) e a Educação Escolar Básica (dos 6 aos 14 anos). O segundo nível, a Educação Média (para egressos da escola primária), tal como o terceiro nível, corresponde à educação superior. A educação escolar básica, gratuita e obrigatória, tem nove anos de duração, divididos em três ciclos. A Educação Média têm duração de três anos, com um só ciclo, mas é inicialmente dividida em modalidades educativas diferenciadas. Tanto o Brasil como o Paraguai vêem no investimento da formação docente uma estratégia para operar as mudanças implementadas pela Reforma, pois se considerava que a grande maioria deles tinha uma formação deficiente e 73 não possuíam as condições necessárias para aplicação dos novos conteúdos curriculares. Os aspectos apresentados atuam como referência na ordenação do sistema curricular, servem de ponto de partida para a elaboração dos materiais, controle do sistema e etc. A história de cada sistema e a política em cada momento dão lugar a esquemas variáveis de intervenção, que mudam de um país para outro. Em síntese, as reformas curriculares tiveram como objetivo prioritário a melhoria da qualidade da educação recebida pelos alunos, sobretudo por meio da atualização de conteúdos. Não se pode deixar de mencionar também, a busca de maior equidade na prestação, em particular por meio da introdução da educação bilingue e intercultural em países com população nativa. Nesse aspecto, cabe também a incorporação de novos conhecimentos ligados ao desenvolvimento tecnológico e as comunicações, centrais em um mundo globalizado. No entanto, a implementação dessas mudanças foi feita com dificuldades, sofreu atrasos, suspensões e questionamentos por vários setores. Atualmente, as mudanças curriculares mostram diferentes graus de progresso nos países, e seu desenvolvimento é heterogêneo. Em geral, as reformas curriculares empreendidas no Brasil e no Paraguai caracterizaram-se pela criação de um currículo mais flexível – com uma parte comum e uma parte específica, definida segundo as particularidades locais, que por sua vez visou atualizar conhecimentos, construir novas competências na era da informação, dos desenvolvimentos tecnológicos e da globalização (ênfase na informática). Aionda somam-se a essas, o desenvolvimento dos valores da tolerância, do respeito aos direitos humanos e da democracia (Temas Transversais). A seguir, destacam-se as principais similaridades e especificidades das análises referente à configuração da Educação Básica do Brasil e do Paraguai obtidas na nossa pesquisa comparativa. 1.10.1 Similaridades • A idade de início do Ensino Básico: 6 anos de idade e a idade de conclusão do ensino básico considerado obrigatório é aos 14 anos. 74 • A Educação Básica inclui a educação infantil (dos 4 aos 6 anos), o ensino fundamental (a partir dos 7 anos) e o Ensino Médio. A etapa do ensino fundamental, gratuita e obrigatória, tem duração de nove anos, e o Ensino Médio tem duração mínima de três anos, podendo incluir programas de preparação geral ou para o trabalho. • Para o ensino Fundamental e Médio o mínimo de dias letivos e horas anuais é o mesmo nos dois sistemas educativos (200 dias letivos e oitocentas horas de trabalho efetivo em sala de aula). • Os objetivos do Ensino Médio dos países investigados são ampliar aqueles colocados ao Ensino Fundamental, na perspectiva de que o estudante se insira no mundo do trabalho e tenha autonomia para continuar os estudos em nível superior. • Na 2ª etapa do Ensino Fundamental, no Brasil (3º e 4º ciclos) e no Paraguai (3º ciclo e Educação Média) percebemos que as exigências em relação a formação docente se equiparam, ou seja, são necessários cursos de licenciatura plena em área específica ou outros cursos de nível superior, com especialização para o magistério. 1.10.2 Especificidades • • O documento brasileiro prescreve o total de horas anuais e o paraguaio em termos de total de horas mínimas por dia em sala de aula. A passagem entre os níveis componentes da educação básica (Cine1 e Cine 2) ocorre, teoricamente, na idade compreendida entre os 11 e 12 anos no Paraguai e no Brasil ocorre entre os 10 e 11 anos. A análise comparativa entre a LDB do Brasil e a LGE do Paraguai revela mais similaridades que especificidades no que tange a configuração para a Educação Básica. No próximo capítulo, há uma abordagem técnica dos aportes teóricos, categorias analíticas e análises comparativas dos currículos prescritos de Matemática vigentes no Brasil e Paraguai. 75 CAPÍTULO 2 APORTES TEÓRICOS, CATEGORIAS ANALÍTICAS E ANÁLISES COMPARATIVAS DOS CURRÍCULOS PRESCRITOS DE MATEMÁTICA NO BRASIL E NO PARAGUAI Com o objetivo de fundamentar as análises na fase comparativa sobre os currículos de Matemática de Brasil e Paraguai, a pesquisa fundamentou-se a alguns autores, cujas contribuições foram bastantes significativas. Dado a essa premissa, a pesquisa cita-os sistematicamente a seguir. Também nesta seção, com o objetivo de fazer uma comparação, de modo a ressaltar as semelhanças e diferenças, é apresentada uma análise comparativa entre currículos de matemática prescritos e vigentes, no Brasil e Paraguai, de acordo com as categorias de análise previamente estabelecidas, após discussões no grupo de Pesquisa, e que serão comuns à todas as teses que se inserem no “Projeto de Pesquisas Comparattivas sobre organização e desenvolvimento curricular na área de Educação Matemática em países da América Latina”. Assim, cabe explicitar: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Concepções de escola e currículo; Princípios de organização curricular; Componentes ou eixos norteadores dos currículos; Papel da Matemática na formação do cidadão; Princípios de seleção de competências matemáticas básicas; Indicação de competências transversais e perspectiva em relação a interdisciplinaridade; Referências a opções didáticas e metodológicas; Recomendações sobre a avaliação da aprendizagem. A perspectiva subjacente dessa análise consiste em verificar os impactos da área de Educação Matemática nos currículos prescritos nos dois países. 76 2.1 Aportes Teóricos Segundo Pires (2004), a literatura sobre currículo, destaca de forma ampla, as diferentes possibilidades de uso desse termo e a diversidade de pontos de vistas de seu uso político educacional. Para a autora, essa diversidade é bem repertoriada por Sacristán (2000), em seu livro “O Currículo - uma reflexão sobre a prática”. Ele traz o pensamento de Bourdieu (citado por Whitty, 1985, p.67), segundo o qual é um erro conceber o currículo comum para todos como a via por excelência para a conquista da justiça social, pois esta exige discriminações positivas a favor dos que terão menos oportunidades perante tal currículo, incorporando ao conteúdo comum, para todos, o que é a genuína cultura dos menos favorecidos. Bourdieu destaca a falta de neutralidade do currículo na medida em que a opção curricular que se adota é um instrumento de diferenciação e de possível exclusão para os alunos. Os currículos dominantes costumam pedir a todos os alunos o que só uns poucos podem cumprir. Sacristán (2000), destaca que o aluno não é um indivíduo abstrato, mas proveniente de um meio social concreto e com uma bagagem prévia muito particular que lhe proporciona certas oportunidades de alguma forma determinadas e um ambiente para dar significado ao currículo escolar. Assim, segundo o pensador, não é fácil pensar na possibilidade de um núcleo de conteúdos curriculares obrigatórios para todos, frente aos quais, os indivíduos tenham iguais oportunidades de êxito escolar. Ele faz uma observação muito interessante, qual seja: a cultura comum do currículo obrigatório é mais um objetivo de chegada, porque, frente a qualquer proposta, as probabilidades dos alunos procedentes de meios sociais diversos para aprender e obter êxito acadêmico são diferentes. Isto significa que ainda que se tenha um currículo comum “praticado” em meios sociais diversificados, o objetivo de “chegada” pode ainda não ser atingido. Por outro lado, ainda segundo Sacristán, a importância do debate sobre a composição de currículos referentes aos níveis obrigatórios reside, basicamente, em que aí se está decidindo a base da formação cultural comum para todos os cidadãos, seja qual for sua origem social, independentemente 77 de suas probabilidades de permanência no sistema educativo em níveis de educação não obrigatórios. Por isso, deve ser uma seleção de aspectos que abranjam as diversas facetas da cultura, uma alternativa aos conteúdos do academicismo, considerando as diferentes dotações dos alunos para superar o currículo estabelecido. Ele avalia que essa tarefa não é tão difícil, para os primeiros momentos dessa escolaridade obrigatória à medida que se pode encontrar um certo consenso sobre habilidades e conhecimentos iniciais básicos. A escolaridade correspondente aos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental, por exemplo, segundo Sacristán, ao menos como ponto de partida, oferece, a princípio, um currículo igual para todos, e isso é visto como algo natural e desejável, embora, naturalmente, nem todos tenham as mesmas probabilidades de sucesso para chegar ao final. Mas o consenso sobre o currículo, segundo esse autor, complica-se à medida que o propomos para outros momentos posteriores da escolaridade, quando já se fazem mais evidentes as diferenças individuais entre os alunos, quando começam as manifestações das expectativas deles próprios ou de suas famílias. Sacristán considera que, muitos dos problemas que afetam o sistema educativo e muitas das preocupações mais relevantes em educação têm concomitâncias mais ou menos diretas e explícitas com a problemática curricular. O currículo é um dos conceitos mais potentes, estrategicamente falando, para analisar como a prática se sustenta e se expressa de uma forma peculiar dentro de um contexto escolar. O interesse pelo currículo segue paralelo com o interesse por conseguir um conhecimento mais penetrante sobre a realidade escolar. O fracasso escolar, a desmotivação dos alunos, o tipo de relação entre estes e os professores, a disciplina em aula, a igualdade de oportunidade, dentre outros aspectos, são preocupações de conteúdo psicopedagógico e social que têm concomitâncias com o currículo que se oferece aos alunos e com o modo como é oferecido. Assim, para Sacristán, quando os interesses dos alunos não encontram algum reflexo na cultura escolar, se mostram refratários a ela sob múltiplas reações possíveis: recusa, confronto, desmotivação, fuga, etc. 78 O autor enfatiza ainda que o próprio conceito do que os professores consideram aprendizagens essenciais, às quais devem dedicar mais tempo, e que formarão o objetivo básico das avaliações, é produto das práticas curriculares dominantes, que deixaram como sedimento nos professores o esquema do que é para eles o “conhecimento valioso”. O currículo, segundo Sacristán, tem importância para o professor pelo fato de que é um ponto de referência no qual, de forma paradigmática, podem se apreciar as relações entre as orientações procedentes da teoria e da realidade da prática, entre os modelos ideais de escola e a escola possível, entre os fins pretensamente atribuídos às instituições escolares e às realidades efetivas. A análise desses pontos de vista evidencia possibilidades de argumentar a favor ou contra a existência de currículos e a complexidade do tema em questão. Para Sacristán, a cultura geral de um povo depende da cultura que a escola torna possível enquanto se está nela, assim como dos condicionamentos positivos e negativos que se desprendem da mesma. A realidade cultural de um país, sobretudo para os mais desfavorecidos, cuja principal oportunidade cultural é a escolarização obrigatória, tem muito a ver com a significação dos conteúdos e dos usos dos currículos escolares (Sacristán, 2000). O autor também destaca que o formato desse currículo é a expressão formal das funções que pretende desempenhar desde o ponto de vista da política curricular. Enquanto tem objetivos tão diversos e até contraditórios é ineficaz em suas diferentes funções, ao misturar prescrições de mínimos para facilitar a organização e cumprir com um modelo de controle do sistema com a orientação do professorado (Sacristán, 2000, p.123). Sacristán também esclarece o significado de níveis ou fases na objetivação do significado do currículo: 1. O Currículo Prescrito: Em todo sistema educativo, como conseqüência das regulações inexoráveis às quais está submetido, levando em conta sua significação social, existe algum tipo de 79 prescrição ou orientação do que deve ser seu conteúdo, principalmente em relação à escolaridade obrigatória. 2. O Currículo apresentado aos professores: Existe uma série de meios , elaborados por diversas instâncias, que costumam traduzir para os professores o significado e os conteúdos do currículo prescrito, realizando uma interpretação deste. As prescrições costumam ser muito genérica se , nessa mesma medida, não são suficientes para orientar a atividade educativa nas aulas. 3. O currículo moldado pelos professores: O professor é um agente ativo muito decisivo na concretização dos conteúdos e significados dos currículos, moldando a partir de sua cultura profissional qualquer proposta que lhe é feita, seja por meio da prescrição administrativa, seja do currículo elaborado pelos materiais, guias, livro-textos e etc. 4. O currículo em ação: É na prática real , guiada pelos esquemas teóricos e práticos do professor, que se concretiza nas tarefas acadêmicas, as quais, como elementos básicos, sustentam o que é a ação pedagógica, que podemos notar o significado do real do que são as propostas curriculares. 5. O currículo realizado: Como conseqüência da prática se produzem efeitos complexos dos mais diversos tipos: cognitivo, afetivo, social, moral , etc. São efeitos valiosos e proeminentes do sistema ou dos métodos pedagógicos. 6. O currículo avaliado: Pressões exteriores de tipos diversos nos professores- como podem ser os controles para liberar a validações e títulos, cultura, ideologias e teorias pedagógicas- levam a ressaltar na avaliação aspectos do currículo, talvez coerentes, talvez incongruentes com os propósitos manifestos de quem prescreveu o currículo, de quem o elaborou, ou com os objetivos do próprio professor. (Sacristán 2000, p.104-106) Figura 1: Objetivação do currículo prescrito no processo de seu desenvolvimento (Sacristán 2000, p.104). 80 O autor deixa claro que o esquema proposto não se trata de um modelo normativo de tomada de decisões a seguir, destacando que as fases tem relações recíprocas e circulares entre si. Em sua tese de Doutorado, Silva (2009, p.61) apresenta um quadro em que resume as principais características de um “Currículo Pós-moderno” quando comparado às concepções de Tyler, que era um dos grande representante das idéias modernistas aplicadas ao currículo: Modernismo Pós-Modernismo Fins são externos ao processo. Ênfase na descoberta, não criação. Fins surgem do próprio processo. na Ênfase na criatividade, não na descoberta. Ordenamento linear: preestabelecidos, direcionamento objetivos Disposição seleção de e seleção em e deverão objetivos, direcionamento experiências, experiências avaliação. rede: são ser hipóteses reconstruídas de que e negociadas durante o processo. A avaliação direciona esta reconstrução e negociação. Distinção entre objetivos educacionais Os e objetivos curriculares. objetivos curriculares educacionais são sintonizados e e direcionados para a comunidade na qual serão aplicados. O conhecimento é transmitido, O conhecimento é transformado. transferido. Quadro 8: Características do Currículo no Modernismo e no Pós-Modernismo. Doll Jr. (1997), propõe critérios para um currículo destinado a promover uma visão pós-moderna: Que critérios poderíamos usar para avaliar a qualidade de um currículo pós-moderno – um currículo gerado, não pré-definido, indeterminado, mas limitado, explorando o “fascinante reino imaginativo da risada de Deus”, e constituído por uma rede sempre 81 crescente de “universidades locais”? Eu sugiro que os quatro Rs de Riqueza, Recursão, Relações e Rigor poderiam servir para este propósito. (grifo nosso, p. 192). Estes quatro Rs (erres) se contrapõem aos três Rs de Reading (Leitura), Writing (Escrita) e Arithmetic (Aritmética), que caracterizavam a ênfase do currículo nos Estados Unidos frente às necessidades decorrentes da segunda revolução industrial, dominadas pelo modelo fordista e o taylorismo. Silva (2009) sugere uma reflexão mais profunda sobre os quatro Rs de Doll Jr. aplicados à Educação Matemática, propondo-os como fundamentos iniciais para análise de conteúdos de Matemática para o Ensino Médio quatro critérios: reflexão, realidade, responsabilidade e ressignificação. Além disso, Silva (2009) destaca que podemos justificar boa parte dos temas abordados tradicionalmente no Ensino Médio desde que sejam bem posicionados dentro de um contexto histórico próprio. Tal como a importância do papel da História da Matemática, a ressignificação assume papel fundamental para recontextualizar um tema dentro de outro conteúdo. Compreender esses diferentes contextos e conceitos matemáticos também faz parte de um currículo que produz novos significados e relações enriquecedoras entre variados temas abordados. Imaginar, como acontece nas práticas tradicionais do Ensino Médio, que um conteúdo possa ser apresentado em apenas um bimestre ou até em apenas algumas semanas e jamais tratado novamente, é uma grande ilusão se esperamos efetivamente que o aluno aprenda. Os conteúdos devem ser ressignificados em outros temas, produzindo grandes redes de significados e contextualizados, dentro da própria Matemática, de maneiras diversas. Assim, um critério importante ao escolhermos um conteúdo é verificar o quanto ele pode ser explorado pelos demais conteúdos ou o quanto um grupo de conteúdos pode ser interligado por relações significativas. Se um tema não possui interconexões com outros, podemos desconfiar de sua importância, pelo menos quando a questão envolvida é se deve ou não ser ensinado na Educação Básica, pois caso fosse abordado ficaria isolado e descontextualizado dos demais. 82 Silva (2009) destaca que o conceito pós-moderno de currículo e os parâmetros objetivos por meio dos quais Doll Jr. se posiciona, trazem repercussões importantes para nosso trabalho. O modernismo, caracterizado no campo curricular pelas idéias de Tyler, ainda influencia as práticas escolares atuais. Ainda que as propostas curriculares orientem para outro caminho, a força modernista de um discurso arraigado à ordem positivista parece seduzir uma escola preocupada com a uniformização de conceitos, metodologias e avaliações. Talvez, isso ocorra pela maneira razoavelmente simples com que o Estado consegue controlar os processos relacionados ao ensino e a aprendizagem nos quatro cantos de um país com dimensões continentais, como o Brasil. Um aparente paradoxo acaba tornando-se um obstáculo para a definição do que pretendemos para um currículo pós-moderno, ou seja, por um lado, o Estado por meio dos documentos oficiais incentiva a criação de propostas diferenciadas, metodologias alternativas e uma escola centrada na promoção da aprendizagem. Por outro lado, o mesmo Estado precisa de um instrumento de controle para avaliar suas instituições de ensino e seus professores e, para isso, uniformiza a educação para controlar o que se está ensinando em determinado período do ano letivo. A superação deste paradoxo reside no estabelecimento claro dos limites de interferência do Estado sobre as escolas e a necessidade de criação, por parte das instituições de ensino, de propostas curriculares que atendam às necessidades locais, pois acreditamos que uma escola deve ser um núcleo de transformação da comunidade local e, consequentemente, da sociedade em que vivemos. Do ponto de vista da organização do currículo, Doll Jr., ao propor que o conceito de caos seja esclarecedor para a compreensão do que seria um currículo pós-moderno, acaba por determinar uma nova forma de compreendermos como devemos estabelecer critérios organizacionais basilares para um currículo de Matemática no Ensino Médio. O caos, citado por Doll Jr, está intimamente associado à idéia de fractalidade. Por meio da Teoria dos Fractais podemos partir de simples figuras geométricas e, por comandos iterativos, chegarmos à representação de figuras extremamente complexas, muitas delas semelhantes a imagens representativas da natureza. 83 Essa metáfora parece elucidativa sobre o que compreendemos a respeito da organização curricular pós-moderna: o aparente caos existente na coordenação entre diferentes conteúdos pode ser melhor compreendido quando olhamos para cada parte, separadamente. Entendemos que o currículo de Matemática no Ensino Médio assemelha-se a uma colcha de retalhos ou, utilizando a metáfora fractal, como imagens que não sofreram o processo de iteração de tal forma que não podemos compreender sua verdadeira forma. A Matemática apresentada deveria ser oferecida por completo, ainda que não mencionemos todos os detalhes das iterações ocorridas. Entretanto, o que vemos no ensino de Matemática, nesta etapa da educação oficial, é uma espécie de preparação para o Ensino Superior, como se só os privilegiados estudantes que optassem por estudos posteriores na área das Ciências Exatas pudessem compreender a Matemática como um todo, na complexidade de suas interligações e nos variados campos que a compõem. A proposta de investigar impactos da Educação Matemática em currículos prescritos e praticados, realizando-se um estudo comparativo entre Brasil e Paraguai, insere-se em um trabalho de pesquisa que pretende contribuir com a ampliação dos conhecimentos sobre o processo de organização e desenvolvimento curricular no momento atual. Em uma primeira etapa dessa investigação, estão sendo analisados currículos prescritos e praticados no Brasil, no Paraguai, no Uruguai, no Chile e na Argentina. Já em uma segunda etapa, pretende-se que a pesquisa possa se estender a outros países. A escolha de países da América Latina justifica-se pelas possíveis similaridades entre esses locais, considerando também a importância de se buscarem soluções para problemas desafiadores oriundos da oferta de educação básica pelos seus sistemas públicos de ensino nesses países, fator recente nas suas histórias da educação. O trabalho de pesquisa pretende, ainda, estabelecer e manter um espaço de crítica, debate e comunicação sobre o estado atual e o desenvolvimento recente da investigação na área de Educação Matemática 84 em termos de desenvolvimento curricular, analisando seus avanços, tanto teóricos, quanto metodológicos. Por fim, a pesquisa almeja impulsionar a delimitação de problemas relevantes no ensino e na aprendizagem da Matemática, característicos desses países, indicando-os para estudos mais aprofundados, os quais permitam obter informação significativa para seu diagnóstico e tratamento adequados. Nossa investigação está situada no âmbito da Educação Matemática, sendo planejada nos moldes de uma investigação disciplinada, como conceitua Kilpatrick (1992): Uma definição útil e geral de investigação é investigação disciplinada (Cronbach & Suppes , 1969). O termo investigação sugere que o trabalho visa a responder a uma pergunta específica, não é especulação ociosa ou bolsa de estudos para seu próprio interesse. O termo disciplinado sugere não só que a investigação pode ser guiada por conceitos e métodos das disciplinas como psicologia, história, filosofia e antropologia, mas também que seja exposta para que a linha de investigação possa ser analisada e verificada. Investigação disciplinada não precisa ser "científica" no sentido de se basear em hipóteses testadas empiricamente, mas como qualquer bom trabalho científico, deveria ser acadêmico, público e aberto à crítica e possível refutação. A pesquisa em Educação Matemática, então, é uma investigação disciplinada no ensino e aprendizagem da matemática (KILPATRICK, 1992, p. 3). Outra característica refere-se ao fato de nosso trabalho não ser um esforço isolado, ao contrário, conforme já destacamos, ser resultado de reflexão de um grupo de pesquisa – Organização e Desenvolvimento Curricular e Formação de Professores – que vem atuando desde 2000, no âmbito do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Nesse grupo, está sendo realizado, desde 2007, o projeto “Construção de Trajetórias Hipotéticas de Aprendizagem e Implementação de Inovações Curriculares em Matemática no Ensino Médio”, no qual, as teses de doutorado têm como objetivo elaborar fundamentos teóricos sobre diferentes aspectos dos currículos de matemática, tais como a eleição de critérios de avaliação de currículos, a polarização entre aplicações práticas e especulações teóricas, contextualização e interdisciplinaridade. Entre as 85 investigações do grupo, algumas foram muito importantes para o desenvolvimento de nossa tese. Silva (2009) trouxe contribuições relevantes para a compreensão do currículo prescrito de matemática para Ensino Médio no Brasil. Entre elas, o autor analisou diferentes pressupostos atribuídos a esse nível de ensino à luz de diferentes perspectivas teóricas da Educação e da Educação Matemática, assim como criticou a organização curricular apresentada nos documentos que compõem os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e apontou lacunas sobre a apresentação e a articulação das áreas de pesquisa e eixos norteadores da disciplina nessa etapa de ensino. Analisando os currículos prescritos de Matemática para o Ensino Médio, Almeida (2011) constatou que as orientações curriculares concorrem para a polarização entre disciplina voltada para aplicações práticas e a que é voltada para a especulação teórica, apontando em sua tese a necessidade de direcionamento claro do ensino de matemática, a fim de que se supere a referida polarização. Gonçalves (2011), analisou significados atribuídos à disciplina na organização e desenvolvimento curricular da Educação Profissional Técnica Integrada ao Ensino Médio. Para tanto, discutiu a interdisciplinaridade como um dos eixos orientadores da organização curricular para essa modalidade de ensino. O autor observou uma incoerência ao defrontar esses currículos prescritos com aqueles moldados por professores da Instituição estudada no trato com as recomendações acerca da interdisciplinaridade, concluindo que superar essa divergência significaria o investimento na organização do trabalho pedagógico coletivo e cooperativo do corpo docente. Já Maioli (2011), buscou a compreensão do termo contextualização sob a perspectiva das contribuições teóricas da Linguística Textual e da Teoria da Aprendizagem Situada. Nesse sentido, estudou e refletiu sobre o uso da contextualização no ensino de matemática no Ensino Médio, concluindo que o termo tem sido apreendido de forma limitada pelos diferentes atores envolvidos com essa prática. 86 Esse conjunto de teses tratando de diferentes questões trazidas para o debate do grupo de pesquisa foi um dos estímulos para a formulação de um outro estudo, do qual fazemos parte, denominado Pesquisas comparativas sobre organização e desenvolvimento curricular, na área de Educação Matemática, em países da América Latina, que têm como propósito reunir informações e desenvolver análises comparativas sobre Currículos para a Educação Básica de Matemática em países latinoamericanos. Apresentamos a seguir uma reflexão acerca dos componentes envolvidos na organização e no desenvolvimento dos currículos, cujo resultado foi a definição das categorias de análise, de maneira a verificar as similaridades e as diferenças entre os currículos prescritos e praticados por Brasil e Paraguai. 2.2 Categorias analíticas No grupo de pesquisa em que nossa investigação se insere, adotamos a expressão “currículo de matemática” para nos referirmos a uma concepção segundo a qual currículo: é uma práxis antes que um objeto estático emanado de um modelo coerente de pensar a educação ou as aprendizagens necessárias das crianças e dos jovens, que tampouco se esgota na parte explícita do projeto de socialização cultural nas escolas. É uma prática, expressão da função socializadora e cultural que determinada instituição tem, que reagrupa em torno dele uma série de subsistemas ou práticas diversas, entre as quais se encontra a prática pedagógica desenvolvida em instituições escolares que comumente chamamos ensino (SACRISTÁN, 1998, p. 15-16) De acordo com Pires (2011), ao se assumir essa concepção, marca-se a diferença entre esta e aquela de que currículo é simplesmente o processo centrado na definição de objetivos e conteúdos a serem trabalhados em cada etapa da escolaridade, ainda muito presente na tradição educacional. A literatura sobre currículos, especialmente na área de Educação, é vasta e diversificada. O mesmo, porém, não ocorre quando se focalizam especialmente os currículos de matemática. Além disso, nossa revisão bibliográfica mostra que a literatura não apresenta trabalhos que permitam avaliar os impactos dos resultados da 87 pesquisa na área, especialmente em Educação Matemática, tanto no que diz respeito à organização quanto ao desenvolvimento curricular. Considerando que a preocupação neste capítulo não é a de fazer um estudo extensivo sobre o tema “currículo”, mas a de levantar algumas contribuições que nos permitam, nos capítulos seguintes, analisar documentos e entrevistas, buscamos identificar aportes teóricos a partir da definição a priori de algumas categorias de análise. Referenciamo-nos em Severino (1994), entendendo a expressão categoria de análise: (...) um conceito, uma noção, tomada como elemento fundamental de uma área de conhecimento, tornando-se um instrumento básico para a constituição do saber sobre os objetos dessa área. Articulando atributos e propriedades representativas dos objetos que se pretende apresentar num determinado campo de conhecimento científico, as categorias permitem classificar e ordenar logicamente esses objetos. Assim, o pesquisador, para ‘construir’ seu objeto de pesquisa (descrevendo-o e explicitando-o), precisa dispor previamente de categorias que atuam como se fossem uma malha, 19 uma rede, um esquema formal de nexos explicativos (Severino: 1994, p. 22). Desse modo, no grupo de pesquisa procuramos construir com as categorias analíticas criando uma malha que possibilitasse apreender as tramas complexas de finalidades, princípios, eixos norteadores, recomendações metodológicas, concepção de ensino e aprendizagem e outros aspectos de interesse expressos nos currículos de matemática de Brasil e Paraguai. A seguir, a seleção, descrições e análises comparativas com a utilização dessas categorias de análise de currículos, em seus diferentes níveis de concretização: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 19 Concepções de escola e currículo. Princípios de organização curricular. Dimensões dos currículos de matemática. Papel da Matemática na formação do cidadão. Princípios de seleção de competências Matemáticas básicas. Indicação de competências transversais . Referências a opções didáticas e metodológicas . Indicações sobre a avaliação da aprendizagem. SEVERINO, Antonio Joaquim. Filosofia da educação: construindo a cidadania. São Paulo: FTD, 1994, p. 22. 88 2.2.1 Concepções de escola e currículo Moreira (2009), apresenta sua concepção de escola e currículo, afirmando que: Na escola, o currículo – espaço em que se concretiza o processo educativo – pode ser visto como o instrumento central para a promoção da qualidade na educação. É por meio do currículo que as ações pedagógicas se desdobram nas escolas e nas salas de aula. É por meio do currículo que se busca alcançar as metas discutidas e definidas, coletivamente, para o trabalho pedagógico. O currículo corresponde, então, ao verdadeiro coração da escola. Daí a necessidade de permanentes discussões sobre o currículo, que nos permitam avançar na compreensão do processo curricular e das relações entre o conhecimento escolar, a sociedade, a cultura, a autoformação individual e o momento histórico em que estamos situados (MOREIRA, 2009, p.5). O currículo desenvolvido nas escolas são geralmente formas de expressão de conceitos de Educação nas Leis Gerais dos dois países, bem como as finalidades do ensino de Matemática para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, que estão inseridos com vistas ao desenvolvimento pleno do estudante. No Brasil, a concepção de Educação da LDB n° 939 4/96 está baseada em dois fundamentos: a) a educação deve cumprir um triplo papel: econômico, científico e cultural; b) a educação deve ser estruturada em quatro alicerces: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser (BRASIL, 2000, p. 14). Para entender tal concepção expressa no PCN, trazemos os dez objetivos20 do Ensino Fundamental: 1. compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; 2. posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; 3. conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; 20 Para facilitar a análise as categorias analíticas foram numeradas. 89 4. conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações,posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais; 5. perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente; 6. desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania; 7. conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva; 8. utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação; 9. saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos; 10. questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação. (BRASIL, 1997, p. 9) A concepção de Educação, expressa nos objetivos de 1 a 4, refere-se ao conhecimento do contexto nacional, de forma que é trazida à escola a discussão sobre o exercício da cidadania ativa e participativa, a compreensão sociocultural, o conhecimento dos problemas inerentes à sua diversidade cultural e o pertencimento ao país. Já o objetivo 5 trata da questão ambiental, preocupação que entra decisivamente no debate educacional, a partir das discussões na década de 1990. Os objetivos 6 e 7 dizem respeito à construção da identidade e da subjetividade do aluno, sendo que a escola tem papel fundamental nesse aspecto. O objetivo 8 está relacionado ao uso da comunicação em diferentes situações, ao passo que o objetivo 9 trata da educação para a cidadania em uma sociedade marcada pelo uso da tecnologia. Por fim, o aspecto 10 sintetiza a concepção de Educação para cidadania plena, entendida como instrumento e recurso para a elaboração e solução de problemas, utilizando uma série de procedimentos para levantamento de hipóteses, argumentação e validação. 90 Em relação à concepção de Educação, a Ley General de Educación (LGE, 2001), aponta suas finalidades para o sistema educativo paraguaio, onde os principais prncípios estão pautados no desenvolvimento pleno do estudante: a. el pleno desarrollo de la personalidad del estudante en todas sus dimensiones, con el crecimiento armónico del desarrollo físico, la maduración afectiva, la integración social libre y activa; b. la preparación para participar en la vida social, política y cultural, como actor reflexivo y creador en el contexto de una sociedad democrática, libre, y solidaria (LGE, cap.II, art.9, nº 1264, 2001). No Paraguai, os Programas da Educação Escolar Básica apresentam suas finalidades, descrevem o perfil de homens e mulheres que pretendem formar : a) Practiquen y promuevan acciones tendientes a la recuperación, el fortalecimiento y la valoración de las manifestaciones culturales, regionales, nacionales y universales. b) Respeten y defiendan los valores y principios democráticos básicos en su vivencia familiar, comunal y nacional . c) Reconozcan sus capacidades, acepten sus limitaciones y desarrollen sus potencialidades, en lo personal y en lo social. d) Practiquen y difundan los valores y principios establecidos en la Declaración Universal de los Derechos Humanos. e) Actúen con creatividad, iniciativa y perseverancia en las diferentes situaciones que se les presentan en su vida familiar, escolar y comunal. f) Practiquen y promuevan acciones que contribuyan a la preservación, recuperación, enriquecimiento y uso racional de los recursos del medio ambiente natural y social. g) Apliquen y promuevan hábitos y medios sanitarios que contribuyan a mejorar la salud física, mental y social de su persona, su familia y su comunidad. h) Manifiesten capacidad reflexiva y crítica ante informaciones y mensajes verbales de su entorno y especialmente los provenientes de los medios de comunicación social. i) Utilicen eficientemente el Español y el Guaraní en forma oral y escrita, como instrumento de comunicación, de integración sociocultural regional y nacional, así como el Castellano como instrumento de acceso a las manifestaciones científicas y universales. j) Apliquen conceptos y principios matemáticos y no matemáticos, en la identificación, en el planteo y en la resolución de problemas y situaciones que se presentan en la vida cotidiana y en las disciplinas del saber humano. k) Acepten su propia sexualidad y asuman relaciones de equidad y complementariedad de género en su desenvolvimiento personal y social. l) Colaboren con su trabajo intelectual, manual y artístico en el mejoramiento de la calidad de vida, personal y social. 91 m) Disfruten de las posibilidades que le ofrecen las artes y los deportes para expresar con libertad y creatividad sus ideas, pensamientos y sentimientos. n) Demuestren habilidades y destrezas en la práctica de la gimnasia, deportes, danzas, juegos y recreación. o) Reconozcan la importancia de la dinámica poblacional en el proceso de desarrollo de su país. p) Participen en actividades que ayuden al desarrollo armónico de su cuerpo, a la coordinación motora, a la formación de hábitos y habilidades deportivo-recreativas. As finalidades do Ensino Fundamental prescritas nos itens (a), (b), (d), (i) e (p) referem-se à questões do contexto nacional, onde o estudante deve promover e praticar ações de recuperação, fortalecimento e varolização das manifestações culturais, regionais e nacionais do Paraguai, assim como respeitar e defender os princípios democráticos, difundir valores e princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Há também destaque para a utilização eficaz do espanhol e do guarani como instrumento de integração sócio-cultural, regional, nacional e universal. A questão ambiental é tratada no item (f) , onde os alunos deverão promover ações que colaborem para a preservação, recuperação e enriquecimento do meio ambiente. Questões ligadas a subjetividade, identidade e criatividade são prescritas nos itens (c), (e) e (l) e (m), onde os alunos deverão reconhecer suas potencialidades e aceitar suas limitações e atuar com criatividade, iniciativa e perseverança em situações do seu contexto e também a aceitar sua sexualidade e estabelecer relações de igualdade de gênero em seu desenvolvimento pessoal e social. Os itens (g), (n), (o) e (q), apontam a necessidade de desenvolvimento de hábitos saudáveis e desenvolvimento de habilidades esportivas, fundamentais na socialização e cuidados com o corpo. As finalidades (j) e (h), prescrevem que a educação básica paraguaia deve promover a capacidade reflexiva e que conceitos e princípios matemáticos e não-matemáticos na resolução de problemas da vida cotidiana e em disciplinas do currículo. 92 São observáveis certas similaridades entre os sistemas educativos do Brasil e Paraguai referentes à concepção de Educação a partir dos princípios descritos para o Ensino Fundamental. Uma especificidade descrita nas finalidades do Ensino Fundamental no Paraguai é a preocupação da utilização e apropriação eficaz do espanhol e do guarani expressas no ponto (i), por se tratar de um país bilíngue. Outra similiraridade exposta pelos documentos de forma diferenciada é relacionado a resolução de problemas. No Brasil (item 10) o PCN prescreve a questão fazendo uma relação implítica sobre a Matemática como ferramenta, destacando o processo de formulação e resolução de problemas por meio do raciocínio lógico e procedimentos adequados. Já no Programa de Educação Básica do Paraguai (item j) prescreve de forma explicita a aplicação de conceitos e princípios da Matemática para a resolução de problemas da vida real e do saber humano. No tocante à Educação Matemática do Ensino Fundamental, para alcançar os objetivos descritos anteriormente, os PCN destacam que: um currículo de Matemática deve procurar contribuir, de um lado, para a valorização da pluralidade sociocultural, impedindo o processo de submissão no confronto com outras culturas; de outro, criar condições para que o aluno transcenda um modo de vida restrito a um determinado espaço social e se torne ativo na transformação de seu ambiente. (BRASIL, 1997, p. 25) Para o Ensino de Matemática na Educação Básica, o documento prescrito paraguaio, o PEMEEB21 destaca que: La Matemática en la Educación Escolar Básica (EEB) pone énfasis en el desarrollo de competencias referidas a la creación y resolución de problemas y trabajadas por meio de las capacidades establecidas para cada grado (PEMEEB, 1994, 6º grado, p.345). Especificamente para o Ensino de Matemática, percebemos que no Brasil a concepção de Educação, por meio do PCN, visa alcançar os objetivos para essa modalidade prescrevendo que a 21 Matemática deve proporcionar PARAGUAY. Ministerio de Educación y Cultura (MEC). Programas de estudio de los ciclos de la Educación Escolar Básica (PEEB), Secretaría del Estado. Asunción: Talleres gráficos del MEC, 1994. 93 condições favoráveis para que o aluno desenvolva capacidades que o tornem participante ativo no processo de transformação do seu contexto. Já o Programa de Matemática para a Educação Básica do Paraguai recomenda para o ensino de Matemática a adoção da ênfase na Resolução de Problemas e nas capacidades descritas no currículo que cada grau visa desenvolver. O documento brasileiro para o ensino Fundamental, no tocante aos objetivos relacionados à Educação Matemática, prescreve um objetivo mais geral de desenvolvimento dos estudantes. Já o PMEEB do Paraguai aponta nitidamente a predominante Resolução com de enfoques Problemas específicos como em opção cada grau metodológica do Ensino Fundamental. Em relação ao Ensino Médio, os objetivos são: 1. a formação da pessoa, de maneira a desenvolver valores e competências necessárias à integração de seu projeto individual ao projeto da sociedade em que se situa; 2. o aprimoramento do estudante como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; 3. a preparação e orientação básica para a sua integração ao mundo do trabalho, com as competências que garantam seu aprimoramento profissional e permitam acompanhar as mudanças que caracterizam a produção no nosso tempo; 4. o desenvolvimento das competências para continuar aprendendo, de forma autônoma e crítica, em níveis mais complexos de estudos. (BRASIL, 2000, p. 10) No Paraguai, a Lei Geral da Educação prescreve que a Educação Média deverá : “Busca como objetivos la incorporación activa del alumno a la vida social y al trabajo productivo o su acceso a la educación de nivel superior” (LGE, art.37b). Verificamos que, em ambos os países pesquisados, os objetivos do Ensino Médio são ampliar aqueles colocados ao Ensino Fundamental, na perspectiva de que o estudante se insira no mundo do trabalho e tenha autonomia para continuar os estudos em nível superior. Os objetivos específicos da Matemática no Ensino Médio, são estabelecidos no PCNEM (2002), para que o ensino dessa disciplina possa resultar em aprendizagem real e significativa para os alunos, levando-os a: 94 • compreender os conceitos, procedimentos e estratégias matemáticas que permitam a ele desenvolver estudos posteriores e adquirir uma formação científica geral; • aplicar seus conhecimentos matemáticos a situações diversas, utilizando-os na interpretação da ciência, na atividade tecnológica e nas atividades cotidianas; • analisar e valorizar informações provenientes de diferentes fontes, utilizando ferramentas matemáticas para formar uma opinião própria que lhe permita expressar-se criticamente sobre problemas da Matemática, das outras áreas do conhecimento e da atualidade; • desenvolver as capacidades de raciocínio e resolução de problemas, de comunicação, bem como o espírito crítico e criativo; • utilizar com confiança procedimentos de resolução de problemas para desenvolver a compreensão dos conceitos matemáticos; • expressar-se oral, escrita e graficamente em situações matemáticas e valorizar a precisão da linguagem e as demonstrações em Matemática; • estabelecer conexões entre diferentes temas matemáticos e entre esses temas e o conhecimento de outras áreas do currículo; • reconhecer representações equivalentes de um mesmo conceito, relacionando procedimentos associados às diferentes representações; • promover a realização pessoal mediante o sentimento de segurança em relação às suas capacidades matemáticas, o desenvolvimento de atitudes de autonomia e cooperação (PCNEM, 2002, p.42). Segundo o Programa de Estudos para a Educação Média no Paraguai, a Matemática deverá permitir aos alunos o desenvolvimento dos conteúdos de Álgebra, Trigonometria, Probabilidade e Estatística e Geometria Analítica e Cálculo Infinitesimal. A partir dos conhecimentos e da metodologia utilizada em classe, os estudantes poderão interpretar, planejar e resolver uma grande variedade de problemas da vida real. Ao mesmo tempo, desenvolver o raciocínio lógico que possibilitará as bases necessárias para o prosseguimento em estudos superiores. Conforme os fins e objetivos da Educação Paraguaia, com os objetivos para o nível médio fundamentados na Lei Geral da Educação e nos pilares da Educação para o século XXI propostos pela UNESCO, o currículo prescrito descreve que a área de Matemática deverá oferecer espaços de aprendizagem para os estudantes, de acordo com suas diferenças individuais, e que estes estejam em condições de: • • Valorar la importancia de la matemática por su aplicación en la vida práctica y por su contribución en los adelantos técnicos y científicos. Elaborar argumentos coherentes y sólidos para sustentar la ordenación lógica de una serie de proposiciones en ambas lenguas oficiales. 95 • • • • • • • • • • Tais Emplear las funciones exponenciales, logarítmicas y/o trigonométricas en la modelización de situaciones reales. Disfrutar y recrearse en exploraciones que reten su pensamiento y saber matemático, que exijan la manipulación creativa de objetos, materiales, instrumentos de medidas y otros medios tecnológicos. Inferir, a partir de medidas de tendencia central, diagramas, tablas y gráficos que recojan datos de situaciones del mundo real en un marco ético. Resolver problemas en los que se precisen el planteamiento y resolución de sistemas de ecuaciones lineales con dos o tres incógnitas, empleando el método de determinantes. Utilizar el lenguaje matemático en la elaboración y comunicación de conocimientos. Aplicar las relaciones algebraicas y trigonométricas en el estudio de las rectas y cónicas. Utilizar el quehacer matemático para expresar y fortalecer actitudes y valores básicos de la convivencia democrática, de la educación ambiental y de la educación familiar. Utilizar las nociones de análisis combinatorio, sucesiones, límites, derivada e integrales en el planteo y resolución de problemas referentes a fenómenos económicos, físicos y otros. Asumir el compromiso de aplicar con responsabilidad y justicia sus conocimientos lógico – matemáticos en la solución de problemas que afectan a la convivencia social y en la promoción del desarrollo sostenible. Elaborar estrategias de identificación y resolución de problemas en los diversos campos del conocimiento, mediante procedimientos intuitivos y de razonamiento lógico, contrastando ambos y reflexionando acerca de los procedimientos seguidos para lograrlos (PEMEM, 2003, 1º curso, p.31). fragmentos dos currículos prescritos dos dois países investigados revelam aspectos comuns no que se refere às finalidades para a Educação com vistas ao exercício da cidadania e o conhecimento específico da Matemática, como ferramenta indispensável para o desenvolvimento de capacidades e competências inerentes ao aspectivo profissional, científico e tecnológico, ênfase na Resolução de problemas e compreensão de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. Uma particularidade na exposição dos objetivos para o Ensino de Matemática dos dois sistemas é que no Paraguai os mesmos são apresentados os Blocos de Conteúdos justificados como pautados nos pilares da Educação para o século XXI propostos pela Unesco. 96 2.2.2 Princípios de organização curricular Eash (1985) considera que os currículos apresentam cinco dimensões ou componentes: a) Um quadro de hipóteses sobre o aluno e a sociedade; b) Finalidades e objetivos; c) Conteúdo ou assunto com a sua seleção, extensão e sequência; d) Modos de operação, por exemplo, metodologia e ambientes de aprendizagem; e d) Avaliação (EASH, 1985,p. 1147). Em linhas gerais, consideramos que essa forma de organização curricular está implícita tradicionalmente nas proposições das teorias curriculares. No entanto, entendemos que os componentes “a” e “b” marcam significativamente as diferenças entre as concepções de currículo. Outra característica dessa concepção é a de que a delimitação clara da abordagem dos conteúdos dá-se segundo as disciplinas de referência, sendo que a língua materna e a matemática, culturalmente, sempre tiveram um papel preponderante nessa organização curricular multidisciplinar. Temos aí uma característica importante da organização curricular que privilegia as divisões disciplinares, a qual baseia-se na forma de especialização da ciência moderna. Podemos inferir que a concepção crítica, ao trazer a preocupação de relacionar os currículos com os interesses sociais, contribuiu para que o trabalho educativo seja pautado por competências e habilidades que os conteúdos podem desenvolver. Segundo Perrenoud (1999), a evolução do sistema educacional é possível pelo desenvolvimento de competências. Em uma perspectiva otimista, talvez seja essa a única maneira de “dar sentido à escola”, para salvar uma forma escolar que está esgotando-se sem que seja percebida, de imediato, alguma alternativa visível (PERRENOUD, 1999, p. 32-33). Em uma visão pessimista, o pesquisador pondera que se trata de uma evolução que exige transformações, que suscitam a resistência passiva ou ativa por parte dos interessados, de todos aqueles a quem a ordem gerencial, a continuidade das práticas ou a preservação das vantagens adquiridas importam muito mais do que a eficácia da formação (Ibidem). 97 Desse modo, a organização curricular por competências é um aspecto que traz uma série de desafios para os sistemas educativos, com a finalidade de se obter resultado no processo de ensino e aprendizagem. Outro aspecto na discussão sobre organização curricular tem sido as recomendações acerca das possibilidades da interdisciplinaridade no trabalho escolar. A premissa maior é que o trabalho circunscrito a uma disciplina é um aspecto limitador e restritivo, de maneira que a interdisciplinaridade abre a possibilidade de se estabelecerem relações educativas para preparar o aluno para a vida em uma sociedade cada vez mais complexa. De acordo com o senso comum, na concepção interdisciplinar são discutidas diferentes concepções de relações entre as disciplinas. Surgida no meio científico, diferentes concepções procuram superar a apreensão dos fenômenos da realidade por meio de visão restrita às disciplinas. Nesse sentido, conforme mostraremos, são inevitáveis as implicações dessa discussão sobre o currículo escolar. A constatação de interrelações entre as disciplinas não constitui um fato isolado na comunidade científica. A partir do século XVI, com o advento da ciência moderna, cujas bases estão dispostas nos trabalhos de Galileu Galilei, ocorreu um processo de definição das disciplinas científicas, que se concretizou no início do século passado. No entanto, o aprofundamento de cada ciência em seus objetos de estudo teve como consequência a crescente especialização. Para D’Ambrosio (1993b, p. 5), a matemática é um exemplo disso, com suas subespecialidades, segundo a tradição cartesiana de dividir em partes para melhor entender o todo. No final do século XX, a subespecialidade trouxe à ciência moderna a característica de hiper-especialização. Isso levou a uma série de críticas, iniciando-se movimento no sentido de empregar as diferentes abordagens disciplinares para entendimento de fenômenos. Jantsch é uma referência recorrente para alguns autores que estudamos, por ter feito uma categorização da maneira como as ciências buscavam se integrar. Esses autores (Japiassu, Weil, D’Ambrosio, Morin) 98 retomam a discussão de Jantsch acerca das possibilidades de entendimento de fenômenos por meio de um trabalho colaborativo de várias disciplinas. Japiassu (1976), ao estudar o assunto, faz referência às categorias analíticas estabelecidas por Janstch para entendimento das possíveis interrelações entre as disciplinas acadêmicas: - Multidisciplinaridade: gama de disciplinas que propomos simultaneamente, mas sem fazer aparecer as relações que podem existir; - Pluridisciplinaridade: justaposição de diversas disciplinas situadas geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo a fazer aparecer as relações existentes entre elas. - Interdisciplinaridade: axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a noção de finalidade. - Transdisciplinaridade: coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado, sobre a base de uma axiomática geral (1978, p. 73-74). Weil (1993, p. 15) distingue cinco fases no processo de aquisição do conhecimento até nossa época: predisciplinar, multi e pluridisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar e holística. Na fase pré-disciplinar, o conhecimento era revelado pelo equilíbrio entre a sensação, o sentimento, a razão e a intuição, de forma direta com o fenômeno, ou seja, não há separação entre sujeito e objeto no momento de conhecer. Essa indiferenciação na apreensão dos fenômenos ainda ocorre nas culturas em regiões da Índia, da China, Tibete e nas tribos indígenas não aculturadas. (Weil, 1993, p. 15-16) Todavia, na fase multi e pluridisciplinar ocorre a fragmentação das disciplinas na busca de melhor compreensão dos fenômenos, implicando na separação em vários níveis: do ser, pela difusão do paradigma que distingue o conhecedor (sujeito), o conhecimento (relação), o conhecido (objeto); do sujeito, gerando os tipos psicológicos por meio da educação; do próprio objeto conhecido, percebido como matéria, vida ou programação (por exemplo, a programação atômica da matéria e a genética da vida); da diferenciação entre ciência e tecnologia ( Weil, 1993, p. 16-21). A fase interdisciplinar é o esforço de correlacionar disciplinas, em vista de demandas de mercado que exigiam aplicações tecnológicas industriais e comerciais, ao contrário do que ocorria na academia. Por outro 99 lado, algumas disciplinas exigem o enfoque interdisciplinar: a ecologia, a farmacologia, a medicina, a filosofia, o direito. (Weil, 1993, p. 28-30) Para o estudioso, a constatação do surgimento de disciplinas como biofísica, bioquímica, psiconeurologia ou neurolinguística são evidências da fase transdisciplinar, na medida em que se busca a efetivação de uma axiomática comum a um conjunto de disciplinas. Weil confere a Piaget a definição do termo transdisciplinaridade, ao observar a interação e reciprocidades em pesquisas entre disciplinas. D’Ambrosio (1993), para entender a interrelação entre as disciplinas científicas, opta pela abordagem holística. Para ele, a abordagem holística da realidade é transdisciplinar, tendo como significado transcender a disciplinaridade. (D’AMBROSIO, 1993, p. 131). Considera que o enfoque disciplinar, baseado no método analítico, denominado racionalismo científico, contribuiu para superação do paradigma escolástico aritistotélico-tomista medieval, que mesclava religião e ciência, cuja característica era a supremacia do fator subjetivo e transcendente sobre o objetivo e imanente, aspecto superado pela ciência moderna. Embora a especialização das disciplinas tenha gerado vasto conhecimento em todas as áreas, como sabemos, o reducionismo e a insuficiência desse enfoque suscitaram inteligentes alternativas reparadoras, como as abordagens multi, pluri e interdisciplinar. Como os temos indicam, entretanto, sempre ainda na órbita disciplinar: uma produtiva e ampliada dialogicidade entre os muitos discurso e enfoque do mesmo racionalismo científico (D’AMBRÓSIO, 1993, p. 132). Morin (1999), ao discutir o ensino em uma sociedade cada vez mais complexa e ao constatar a insuficiência da interdisciplinaridade no estudo da realidade, ressalta a necessidade de reforma do pensamento: A transdisciplinaridade só representa uma solução quando se liga a uma reforma do pensamento (...) Esse reconhecimento exige que a causalidade unilinear e unidimensional seja substituída por uma causalidade circular e multi-referencial, que a rigidez da lógica clássica seja corrigida por uma dialógica capa de conceber noções simultaneamente, complementares e antagônicas, que o conhecimento da integração das partes ao todo seja completado pelo reconhecimento do todo no interior das partes (MORIN, 1999, p. 13). 100 Considerada como missão, a reforma do pensamento contém uma necessidade social chave: formar cidadãos capazes de enfrentar os problemas de seu tempo (1999, p. 18). Ao discutir o papel central da escola nesse aspecto, o autor preconiza, desde o ensino primário ao universitário, uma educação que leve em conta Um pensamento capaz de integrar o local e o específico em sua totalidade, que seja capaz de não permanecer fechado no local e no específico, que seja apto a favorecer o sentido da responsabilidade e da cidadania. A reforma do pensamento teria consequências existenciais, éticas e cívicas (MORIN, 1999, p. 18). Embora essas diferentes abordagens da realidade tenham suas necessárias implicações na Educação, o paradigma da interdisciplinaridade tem sido a opção com vista à superação da fragmentação e do isolamento disciplinar dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula. É crescente a utilização, nos discursos educacionais, de afirmações que defendem que a escola deve dar prioridade ao desenvolvimento de competências, e não à transmissão de conhecimentos. Essa utilização parece estar atrelada à visão de Perrenoud (1999), ao enfatizar que os currículos voltados para a construção de competências devem promover uma limitação “drástica da quantidade de conhecimentos ensinados e exigidos” (p. 10), dando prioridade aos conteúdos que possam ser exercitados, no âmbito escolar pela mobilização em situações complexas. Ou seja, não se poderia formar competências por meio de um currículo que privilegie apenas a transmissão de conhecimento, sem promover situações em que esse conhecimento seja mobilizado. A primazia das competências sobre os conhecimentos, nessa perspectiva, assume relevância fundamental nas decisões curriculares. Perrenoud (1999), ao defender um ensino voltado para a construção de competências, questiona se não estaria no momento de substituir a reflexão especulativa e idealista que preside a elaboração dos currículos escolares por uma transposição didática apoiada em uma análise prospectiva e realista das situações da vida. “A escola só pode preparar para a diversidade do mundo trabalhando-a explicitamente, aliando conhecimentos 101 e savoir-faire a propósito de múltiplas situações da vida de todos os dias” (PERRENOUD, 1999, p. 75). Dessa forma, as propostas curriculares pautadas em tal visão não poderiam se limitar a ensinar conhecimentos inúteis à ação. A construção de competências na escola levaria a uma reavaliação da quantidade e da qualidade dos saberes transmitidos, pois só seriam considerados válidos aqueles que pudessem ser mobilizados em determinadas situações. Os currículos por competências, na visão de Perrenoud (1999), devem construir uma relação com o saber menos pautada em uma hierarquia baseada no saber erudito descontextualizado, visto que os conhecimentos sempre se ancoram, em última análise, na ação. Assim, no currículo organizado por competências, como aponta Ropé (2002), os conhecimentos passam a ser definidos em termos da identificação com a ação que deve ser realizada pelo aluno. Deve nesse caso, passar de uma lógica do saber àquela do savoir-faire (Rey, 2002). Essa lógica do savoir-faire, na visão de Araújo (2001), modifica a forma de pensar os conhecimentos, relacionando-os à capacidade efetiva de desempenhos, definindo um tratamento utilitário aos conteúdos de ensino, instrumental às demandas da sociedade pós-industrial. Pode-se, então, concluir que a noção de competência, enquanto princípio de organização curricular, insiste na atribuição do “valor de uso” de cada conhecimento. Os conteúdos escolares desvinculados das práticas sociais são tratados como “sem sentido pleno” e os currículos não devem mais definir os conhecimentos a serem ensinados, mas sim as competências que devem ser construídas. Em um currículo voltado para a construção de competências, o que importa não é a transmissão do conhecimento acumulado, mas sim a virtualização de uma ação, a capacidade de recorrer ao que se sabe para realizar o que se deseja e o que se projeta (Machado, 2002). Santomé (1994), ao discutir essa estratégia de trabalho docente, assinala a mudança de postura dos professores: 102 La interdisciplinariedad implica una voluntad y compromiso de elaborar un marco más general en el que cada una de las disciplinas en contacto son a la vez modificadas y pasan a depender claramente unas de otras. Aquí se establece una interacción entre dos o más disciplinas, lo que dará como resultado una intercomunicación y un enriquecimiento recíproco, y en consecuencia, una transformación de sus metodologías de investigación, una modificación de conceptos, de terminologías fundamentales, etc. Entre las distintas materias se dan intercambios mutuos y recíprocas integraciones; existe un equilibrio de fuerzas en las relaciones que se establecen. La enseñanza basada en la interdisciplinariedad tiene un gran poder estructurante ya que los conceptos, marcos teóricos, procedimientos, etc. con los que se enfrenta el alumno se encuentran organizados en torno a unidades más globales, a estructuras conceptuales y metodológicas compartidas por varias disciplinas. Además tiene la ventaja de que después incluso es más fácil realizar transferencias de los aprendizajes así adquiridos a otros marcos disciplinares más tradicionales" (SANTOMÉ, 1994, p. 75). Para Pires (2007), a escolha da interdisciplinaridade justifica-se pelas diferentes perspectivas disciplinares diante dos conteúdos, entendendo que: a abordagem interdisciplinar, em contrapartida, junto a uma postura crítica e a um questionamento constante do saber, traria possibilidades de um enriquecimento por meio de novos enfoques, ou da combinação de perspectivas diferentes, incentivando a busca de caminhos alternativos que não apenas aqueles dos saberes já adquiridos, instituídos e institucionalizados ( Ibidem, p. 4) Assim, pela categoria de organização curricular, constataremos como se dá a definição das finalidades e objetivos do currículo, o desenvolvimento de competências e habilidades como componente curricular. Para isso, autores têm discutido a necessidade de ir além da organização pautada pelos conteúdos escolares e pelas configurações disciplinares, cuja alternativa tem sido a elaboração de projetos interdisciplinares. O documento que consideraremos como currículo prescrito no Brasil para a Educação Básica são os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). A Estrurtura do PCN organiza-se em duas partes. Na 1ª parte, caracteriza-se o “Ensino Fundamental”, em seguida os ”Objetivos Gerais do Ensino Fundamental”, perpassando os ”Temas Transversais”. Para cada área do conhecimento, são detalhados a ”Caracterização da Área” e os ”Objetivos Gerais da Área”. Na 2ª parte, o foco é a ”Especificação do Ciclo”. Em vista disso, estabeleceram-se os ”Conteúdos da Área por Ciclo”, sendo detalhados 103 os “Critérios de Avaliação da Área para o Ciclo” e as ”Orientações Didáticas”. Observamos tal configuração no esquema a seguir: Figura 2: Estrutura do PCN (1998, p.9) Devemos ressaltar que no PCN, um conjunto de recomendações são articuladas em torno da ideia de rede (Pires 2000), de modo que estabeleça conexões entre os conteúdos a fim de articularem diferentes conceitos do pensamento matemático, quebrando assim, a noção de encadeamento linear dos conteúdos, próprio da tradição pedagógica: ao construir o planejamento, é preciso estabelecer os objetivos que se deseja alcançar, selecionar os conteúdos a serem trabalhados, planejar as articulações entre os conteúdos, propor as situaçõesproblema que irão desencadeá-los. É importante que as conexões traçadas estejam em consonância com os eixos temáticos das outras áreas do currículo e também com os temas transversais (BRASIL, 1998, p. 138). No Paraguai existem orientações gerais para cada ciclo e cada série possuí um currículo específico para cada área do conhecimento. 104 Figura 3 : Desenho Curricular para a Educação Escolar Básica no Paraguai (PEEB, 7º grado, p.42). A estrutura dos Programas para a Educação Escolar Básica no Paraguai se divide em 3 componentes: O local composto por: Desenvolvimento Pessoal e Social, Orientação Educacional e VocacionalProjeto educativo Comunitário. Como subconjunto do Componente Local temos o Acadêmico, composto pelas áreas de cada ciclo. No interior do currículo temos o componente Fundamental, abordando a Educação Democrática, Educação Ambiental e Educação Familiar dentro dessas áreas. Para a Educação Escolar Básica no Paraguai existem programas específicos para cada grau, onde as unidades que compõem cada ciclo são comuns nos três graus, com a função de aglutinar as capacidades que se relacionam entre si, incluindo ainda as específicas e outras consideradas tranversais para a área, as que fazem referência à utilização adequada do 105 vocabulário e a notação matemática e a atitude positiva dos estudantes em relação à disciplina. Em cada grau se explicitam as unidades temáticas e as aprendizagens que se orientam por meio dos mesmos. Tais unidades temáticas e orientações da aprendizagem se apresentam da seguinte forma no currículo prescrito paraguaio: (..) éste presenta una matriz de doble entrada: en la primera, se enuncian las unidades temáticas que componen el área y, en la segunda, se describe el listado de capacidades con los temas, en función a las mismas. En cuanto a las capacidades propuestas, cabe mencionar que para su abordaje se debe tener en cuenta necesariamente el estudio de los temas que se listan a continuación de las mismas, a fin de que el estudiante avance progresivamente hacia la adquisición de la competencia matemática (PEMEEB, 3º ciclo, 2010, p.49). Em seguida o documento apresenta as “Orientações Metodológicas”, “Orientações Gerais para avaliação das Aprendizagens” e por último “Glosário” e “Bibliografia”. Os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio (PCNEM, 2006) para a área de Matemática está no Volume 2: Área Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. O documento é divido nas seguintes seções: Questões de Conteúdo, Questões de Metodologia, O uso de Tecnologia, Organização curricular e Projeto Político-Pedagógico, Temas Complementares e Considerações Finais. O PCNEM aponta uma reorganização curricular que possibilita o ensino interdisciplinar e contextualizado, dividindo os conteúdos por áreas. Apresentam uma organização dos conhecimentos por grandes áreas do saber e, consideram que a biologia, a química, a Física e a Matemática integram uma mesma área de conhecimentos, “Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias”, pois essas disciplinas têm em comum “a investigação da natureza e dos desenvolvimentos tecnológicos, por isso compartilham linguagens para a representação e sistematização do conhecimento de fenômenos ou processos naturais e tecnológicos” (Brasil, 2006, p. 23). Elas compartilham competências gerais: representação e comunicação; investigação e compreensão e contextualização sócio-cultural. Para propiciar uma articulação entre essas disciplinas, devemos desenvolver instrumentos 106 de investigações comuns às mesmas, permitindo estudar e compreender os processos naturais, compartilhando conceitos e unidades (Brasil, 2006, p. 27). O desenho currricular para cada série do ensino médio no Paraguai está inserido no “Programa de Estudio-Currículum Nacional, área de Matemática y sus Tecnologías-Plan Común. De forma geral, o documento está organizado de acordo com os seguintes itens: Fundamentación del área, Descripción del área, Objetivos del área de Matemática y sus Tecnologías orientados al logro de competencias generales, Objetivos de Matemática orientados al logro de competencias específicas, Justificación de los contenidos, Consideraciones Metodológicas, Criterios generales de Evaluación, Glosario e Bibliografia. Em relação aos aspectos comuns, os currículos dos dois sistemas educativos buscam nitidamente a conexão entre os eixos temáticos. Os currículos brasileiro e paraguaio tem suas recomendações estruturadas em torno da idéia de redes. Uma especificidade é observada no programas do Ensino Médio, onde o PCNEM enfatiza um caráter interdisciplinar focado no desenvolvimento de competências gerais, já nos Programas de Estudo para a Educação Média no Paraguai as competências são específicas. No que tange ao Ensino Médio percebemos forte ênfase do ensino de Matemática associado aos desafio tecnológico. No Brasil a Matemática é configurada no Bloco Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias e nos Programas de Educação Média do Paraguai na área Matemática y sus Tecnologias. O currículo paraguaio para o Ensino Fundamental se divide em 3 componetes e para cada grau existe um Programa de estudos específico, divido em unidades temáticas e orientações metodológicas de acordo com as capacidades propostas para cada grau. 2.2.3 Dimensões dos currículos de Matemática Rico (1997, p.9), baseando-se no trabalho de Damerow e Westbury, encontra três níveis de análise para delimitar a Educação Matemática para todos: 107 a) a distribuição do conhecimento, com a premissa de que a matemática é potencialmente adequada para todas as pessoas; b) o sistema escolar e sua integração com a sociedade, cujo êxito deve vir do sucesso da maioria, não dos mais aptos; c) interação na classe, sendo um problema de oportunidade de aprendizagem e de relação com a dinâmica do processo de aprendizagem. Outras finalidades justificam o ensino: a promoção do desenvolvimento de destreza de alto nível pela matemática; a utilidade do esforço e a confiança com o próprio trabalho, ao resolver exercício; a beleza inerente à matemática, que produz satisfação a quem a estuda; a formação de matemáticos profissionais; e, por fim, a contribuição da disciplina para nossa cultura ocidental (RICO, 1997, p. 10). Após essa análise, Rico propõe as finalidades da educação matemática organizadas em quatro dimensões: Hemos ubicado estas finalidades en un sistema de cuatro dimensiones que considera el conocimiento matemático como parte integrante de la cultura, socialmente construido y determinado, en el que intervienen las diversas necesidades formativas de las matemáticas y se consideran las connotaciones morales y políticas, generales y específicas, conectadas con la formación matemática de los escolares. Pero sobre estas cuatro dimensiones es posible enunciar programas de innovación curricular con metas muy distintas (RICO, 1997, p. 18). Na dimensão cultural, o autor destaca a matemática como um aparato tecnológico construído no interior da cultura, entendendo que se trata de patrimônio cultural básico de cada sociedade, transmitido por meio do sistema educacional. Pondera, ainda, que a forma axiomática de apresentar esse conhecimento é construto ocidental, sendo que outras formas de apresentar o conhecimento matemático são igualmente legitimas. Portanto, a finalidade cultural da educação matemática desempenha um papel na organização e elaboração curricular. Na dimensão social estão as finalidades de caráter utilitário, entretanto, como alerta Rico (1997) , tais fins não podem se reduzir nem ser confundidas a um valor utilitarista. De acordo com o autor, esses propósitos cobrem necessidades de três âmbitos sociais: a prática do matemático profissional; contextos matemáticos, em que ferramentas matemáticas são empregadas em função da prática laboral; e os hábitos e práticas usuais em que há o emprego da matemática. 108 Assim, esses fins dizem respeito a ferramentas matemáticas referentes a como esse conhecimento se desenvolve na sociedade, pelo trabalho especializado do matemático; também correspondem às ferramentas matemáticas presentes no mundo do trabalho, ou seja, no domínio da prática profissional; e, por fim, relacionam-se às ferramentas que incidem nas práticas sociais, como necessidades básicas dos cidadãos. Sobre a base social do conhecimento matemático, Rico (1996) afirma que: A Matemática permite comunicar, interpretar, prever e conjecturar. Dota a informação de objetividade e transforma-a em conhecimento fundamentado. A sociologia do conhecimento estabelece que as representações matemáticas, como de resto todas as representações científicas, são construções sociais. A perspectiva da construção social radica o conhecimento, a cognição e as representações nos campos sociais da sua produção, distribuição e utilização. O conhecimento científico é inerentemente social devido ao fato que a ciência está socialmente orientada e os objetivos da ciência estão sustentados socialmente (...) O conhecimento matemático, como todas as formas de conhecimento, representa as experiências materiais das pessoas que inter-atuam em contextos particulares, em certas culturas e períodos históricos. Tendo em conta esta dimensão social, o sistema educativo — e em particular o sistema escolar — estabelece uma variedade de interações com a comunidade matemática, já que se ocupa que as novas gerações sejam introduzidas aos recursos matemáticos utilizados socialmente e na rede de significados (ou visão do mundo) em que se encontram situados; isto é, organiza um modo de prática matemática (ibidem). Na dimensão educativa, a matemática tem importância no currículo por sua natureza formativa no raciocínio, necessária em qualquer área do conhecimento, assim como na ação simbólica, na identificação de padrões e regularidades bem como na satisfação de sua beleza, cooperação e esforço. Finalmente, a dimensão política refere-se ao papel que a matemática pode desempenhar na vida do cidadão em uma sociedade cada vez mais dependente em relação à tecnologia. Desse modo, o conhecimento matemático pode contribuir na formação de competências formais, na capacidade de empregar conceitos matemáticos na compreensão de fenômenos naturais ou sociais, além do conhecimento reflexivo, conectado à vida social do cidadão. 109 A respeito dessa dimensão, os teóricos Keitel , Kotzmann e Skovsmose também destacam que: Os elementos da Educação Matemática que podem contribuir para uma competência democrática incluem um agregado de conhecimento matemático, tecnológico e reflexivo e uma atitude e disposição para agir de modo democrático. A educação matemática, adotando a formação da competência democrática como um objetivo de longo prazo, apenas pode contribuir para a sua formação, mas as suas contribuições são de significativa importância (Keitel, Kotzmann e Skovsmose, 1993). A partir de fragmentos observados no PCN e os PEEB do Paraguai, será efetuada a análise comparativa referente às evidências da utilização da Matemática nestes documentos referente às dimensões cultural, educativa, social e política. No Brasil entendemos que o PCN evidencia a dimensão cultural do currículo ao trazer uma preocupação de vinculação do conhecimento matemático a contextos culturais. recomendações metodológicas, Etnomatemática, ao valorizar Isso em as fica manifestado em especial, aquela relativa à construções de manifestações e suas conhecimento matemático das diferentes culturas. D’Ambrosio define o Programa Etnomatemática, considerando que: o Programa Etnomatemática teve sua origem na busca de entender o fazer e o saber matemático de culturas periféricas e marginalizadas, tais como colonizados, indígenas e classes trabalhadoras. Remete, naturalmente, à dinâmica da evolução desses fazeres e saberes, resultante da exposição a outras culturas. Mas a cultura do conquistador e do colonizador de antanho e das classes dominantes atuais também evoluiu a partir da dinâmica de encontro (D’AMBROSIO, 2002, p.1). O Programa trata, sobretudo, da preocupação com a compreensão do conhecimento matemático das culturas investigadas, valorizando seus construtos peculiares e a maneira própria de produção de suas referências culturais: Embora uma importante vertente da Etnomatemática seja buscar identificar manifestações matemáticas nas culturas periféricas, tomando como referência a matemática ocidental, o Programa Etnomatemática tem como referências categorias próprias de cada 110 cultura, reconhecendo que é comum a toda espécie humana a satisfação de pulsões de sobreviver, que se dá agora e aqui, e de transcender o momento temporal e espacial da sobrevivência (D’AMBROSIO, 2002, p. 1). O PCN apresenta aos professores o Programa Etnomatemática da seguinte maneira: no campo da Educação Matemática brasileira, um trabalho que busca explicar, entender e conviver com procedimentos, técnicas e habilidades matemáticas desenvolvidas no entorno sociocultural próprio a certos grupos sociais. Trata-se do Programa Etnomatemática, com suas propostas para a ação pedagógica. (...) A Etnomatemática procura entender a realidade e chegar à ação pedagógica de maneira natural mediante um enfoque cognitivo com forte fundamentação cultural (BRASIL, 1998, p. 33). A matemática, como as outras áreas de conhecimento, é fruto da inventividade e curiosidade humana, passando, em sua estruturação, pelos mesmos processos históricos de superação de obstáculos epistemológicos22 de outras ciências: Fruto da criação e invenção humanas, a Matemática não evoluiu de forma linear e logicamente organizada. Desenvolveu-se com movimentos de idas e vindas, com ruptura de paradigmas. Freqüentemente um conhecimento foi amplamente utilizado na ciências ou na tecnologia antes de ser incorporado a um dos sistemas lógicos formais do corpo do Matemática. Exemplos desse fato podem ser encontrados no surgimento dos números negativos, irracionais e imaginários. Uma instância importante de mudança de paradigma ocorreu quando se superou a visão de uma única geometria do real, a geometria euclidiana, para aceitação de uma pluralidade de modelos geométricos, logicamente consistentes, que podem modelar a realidade do espaço físico (BRASIL, 1998, p. 25). Não identificamos nenhuma prescrição específica que permitisse identificar características do Programa Etnomatemática no currículo prescrito paraguaio, mesmo sabendo que se trata de um país bilíngüe e multicultural, consequentemente com a necessidade de enfoques sócio-culturais específicos no que tange o ensino de matemática. No caso paraguaio, a dimensão curricular da Matemática inclui conhecimentos, habilidades, atitudes, ações e valores provenientes dos 22 A noção de obstáculo epistemológico pode ser utilizada tanto para analisar a gênese histórica de um conhecimento como o ensino ou a evolução espontânea do aluno. Pode-se portanto pesquisar pesquisar os obstáculos epistemológicos a partir de uma análise histórica ou a partir de dificuldades entre os alunos procurando confrontá-las.(Igliori, 1999, p.98) 111 diversos campos do conhecimento, estes se organizam em um conjunto de áreas e disciplinas que variam de um ciclo a outro. Não identificamos nenhuma prescrição específica que permite identificar características do Programa Etnomatemática no currículo prescrito paraguaio, mesmo sabendo que se trata de um país bilíngüe e multicultural, consequentemente com a necessidade de enfoques sócio-culturais específicos no currículo no que tange ao ensino de matemática. A dimensão social aparece na discussão sobre o papel da matemática na vida em sociedade, que pressupõe uma educação preocupada como o desenvolvimento de uma série de competências necessárias à inserção do aluno no mundo do trabalho, da cultura e das relações sociais. A dimensão social é evidenciada no PCN através da seguinte prescrição: Para que ocorram as inserções dos cidadãos no mundo do trabalho, no mundo das relações sociais e no mundo da cultura e para que desenvolvam a crítica diante das questões sociais, é importante que a Matemática desempenhe, no currículo, equilibrada e indissociavelmente, seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio do aluno, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho e no apoio à construção de conhecimentos em outras áreas curriculares(PCN,1998, p.28). No que tange a essa dimensão o PCN prescreve que a Matemática deve auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico dos estudantes na tomada de decisões no mundo do trabalho e na construção de conhecimentos que serão auxiliares à outras áreas. No que diz respeito à dimensão social, no currículo paraguaio a matemática é apresentada como uma função formativa: En su función formativa, la Matemática favorece el desarrollo de habilidades para el razonamiento lógico y la abstracción, la actitud de perseverancia en la búsqueda de soluciones pertinentes, y la honestidad en el manejo y procesamiento de las informaciones (PEMEEB, 3º ciclo, 2010, p.47). No currículo paraguaio a matemática é enfatizada na dimensão educativa de forma a auxiliar no desenvolvimento da abstração, do raciocínio 112 lógico, de atitudes de perseverança na busca de soluções e honestidade no manejo e processamento de informações. A análise comparativa dos fragmentos do currículo dos dois países evidenciam os princípios da dimensão educativa destacando a importância da natureza formativa do raciocínio matemático, com vistas a construção de conhecimentos e atitudes. O seguinte fragmento do PCN evidencia a dimensão política da Matemática no currículo: Em função do desenvolvimento das tecnologias, uma característica contemporânea marcante no mundo do trabalho, exigem-se trabalhadores mais criativos e versáteis, capazes de entender o processo de trabalho como um todo, dotados de autonomia e iniciativa para resolver problemas em equipe e para utilizar diferentes tecnologias e linguagens (que vão além da comunicação oral e escrita). Isso faz com que os profissionais tenham de estar num contínuo processo de formação e, portanto, aprender a aprender torna-se cada vez mais fundamental (PCN, 1998, p.25). No Brasil a dimensão política dá ênfase a criatividade, versatilidade, autonomia e utilização de diferentes tecnologias, o que requer uma constante atualização por parte dos estudantes (aprender a aprender). Já em relação a sua dimensão política a matemática é apresentada no currículo paraguaio enquanto a sua função instrumental: En cuanto a su función instrumental, la Matemática proporciona herramientas útiles para la adquisición de posteriores aprendizajes sean matemáticos o de otras áreas. Estos aprendizajes facilitarán una mejor comprensión del entorno, la interpretación de las informaciones, la realización de cálculos y la resolución de diversas situaciones que puedan presentarse en la vida cotidiana (PEMEEB, 3º ciclo, 2010, p.47). A dimensão instrumental apresentada pelo currículo prescrito paraguaio é equivalente dimensão política ressaltada por Rico (1997), pois apresenta a função instrumental da matemática no entorno do cidadão em uma sociedade cada vez mais desafiadora e tecnológica. Percebemos similaridades dos documentos no que se refere à dimensão política do conhecimento matemático, destacando ferramentas tecnológicas e não-tecnológicas para o gerenciamento e tomadas de decisão. Ambos os currículos também apresentam a perspectiva de atualização constante (aprendizagens posteriores). 113 2.2.4 Papel da Matemática na formação do cidadão Skovsmose (2008), apresenta alguns pontos-chaves que norteiam o trabalho educativo, intimamente relacionadas ao papel da matemática na formação do cidadão. Evidencia-se que sua defesa é do que denomina Educação Matemática Crítica, no entanto, esses pontos vão ao encontro do papel do processo de ensino e aprendizagem de matemática em uma sociedade democrática. O primeiro ponto-chave diz respeito à valorização do diálogo na relação professor-aluno, pressuposto básico da educação preconizado por Paulo Freire: As idéias relativas ao diálogo e à relação estudante-professor são desenvolvidas do ponto de vista geral de que a educação deve fazer parte de um processo de democratização. (...) É inaceitável que o professor (apenas) tenha um papel decisivo e prescritivo. Em vez disso o processo educacional deve ser entendido como um diálogo (SKOVSMOSE, 2008, p. 18). O diálogo e a relação estudante-professor perante o processo de ensino e aprendizagem de matemática são condições para que se alcance aquilo que Skovsmose chama de competência crítica. A segunda característica diz respeito a definição do currículo que atenda aos princípios democráticos. Segundo Skovsmose, alunos e professores devem estabelecer uma distância crítica dos conteúdos da Educação. Para tanto, a seleção dos conteúdos matemáticos passa pela reflexão sobre as seguintes questões: 1) A aplicabilidade do assunto: quem o usa? Onde é usado? Que tipos de qualificação são desenvolvidos na Educação Matemática? 2) Os interesses por detrás do assunto: que interesses formadores de conhecimento estão conectados a esse assunto? 3) Os pressupostos por detrás do assunto: que questões e que problemas geraram os conceitos e os resultados na matemática? Que contextos têm promovido e controlado o desenvolvimento? 4) As funções do assunto: que possíveis funções sociais poderia ter o assunto? Essa questão não se remete primariamente às aplicações possíveis, mas à função implícita da Educação 114 Matemática nas atividades relacionadas a questões tecnológicas, nas atitudes dos estudantes em relação a suas próprias capacidades etc. 5) As limitações do assunto: em quais áreas e em relação a que questões esse assunto não tem qualquer relevância? (2008, p. 19). O último ponto-chave refere-se ao cuidado que o processo de ensino e aprendizagem pode ter com problemas que surgem fora do contexto educacional: Poderia ser formulado como o direcionamento do processo de ensino-aprendizagem a problemas. O essencial é que o processo educacional está relacionado a problemas existentes fora do universo educacional. (...) E o objetivo: o problema deve ter relação próxima com problemas sociais objetivamente existentes (SKOVSMOSE, 2008, p. 19-20). Logo, trata-se de uma atitude de engajamento crítico com os problemas sociais, que podem ser refletidos no contexto escolar. Assim, competência crítica, distância crítica e engajamento crítico são pontos-chave na organização e no desenvolvimento curricular que pense a matemática tendo papel na formação do cidadão. Na análise do currículo prescrito, verificamos as categorias competência crítica, viabilizada na escola pelo diálogo na relação professor e aluno; distância crítica, relacionada à discussão dos conteúdos; e engajamento crítico, possibilidade de a escola instrumentalizar os alunos para enfrentamento de problemas surgidos na prática social. Esses são pontoschave que sublinham o papel da Matemática na formação do cidadão, de acordo com Skovsmose. No que diz respeito à competência crítica, o PCN preconiza a constante interação em sala de aula entre professor e aluno e entre os alunos, na efetivação do processo de ensino e aprendizagem: É importante atentar para o fato de que a explicitação clara de papéis e de responsabilidades é fundamental para nortear as interações que ocorrem na sala de aula entre professor e aluno ou entre alunos. Também é necessário avaliar em conjunto essas relações em função dos papéis e responsabilidades definidas para redirecionar os rumos do processo de ensino e aprendizagem (BRASIL, 1998, p. 39). 115 Os PCN’s ressaltam, em relação ao distanciamento crítico, a necessidade do professor levar para aula uma postura crítica sobre o conhecimento matemático. Os autores consideram que se discuta sobre a natureza desse conhecimento e que se identifiquem suas características principais e seus métodos particulares como base para a reflexão sobre papel que essa área desempenha no currículo, a fim de contribuir para a formação da cidadania (BRASIL, 1997, p. 19). Essa característica abre à Matemática a perspectiva de ser: uma ciência viva, não apenas no cotidiano dos cidadãos, mas também nas universidades e centros de pesquisas, onde se verifica, hoje, uma impressionante produção de novos conhecimentos que, a par de seu valor intrínseco de natureza lógica, têm sido instrumentos úteis na solução de problemas científicos tecnológicos da maior importância (BRASIL, 1997, p. 19). Assim, as características de ser um conhecimento que contribui para compreensão da realidade e ter um papel na solução de problemas científicos e tecnológicos, mostram duas forças da Matemática: De um lado, o permanente apelo das aplicações às mais variadas atividades humanas, das mais simples na vida cotidiana, às mais complexas elaborações de outras ciências. De outro lado, a especulação pura, a busca de respostas a questões geradas no próprio edifício da Matemática. A indissociabilidade desses dois aspectos fica evidenciada pelos inúmeros exemplos de belas construções abstratas originadas em problemas aplicados e, por outro lado, de surpreendentes aplicações encontradas para as mais puras especulações (BRASIL, 1997, p. 20). Esse distanciamento crítico efetiva-se na medida em que o professor compreende que, em sua organização e estruturação, o conhecimento matemático lançou mão da dedução, principal recurso usado desde a tradição da matemática grega, e da indução, devido aos recursos heurísticos empregados na especulação e na descoberta de novas teorias dessa área de conhecimento, bem como à maneira como se faz a validação da produção teórica da Matemática. Assim, os autores do documento consideravam que uso da dedução e da indução é fundamental na resolução de problemas: O exercício da indução e da dedução em Matemática reveste-se de importância no desenvolvimento da capacidade de resolver problemas, de formular e testar hipóteses, de induzir, de generalizar e de inferir dentro de determinada lógica, o que assegura um papel 116 de relevo ao aprendizado dessa ciência em todos os níveis de ensino (BRASIL, 1997, p. 23). Quanto à validação do conhecimento, outra característica inerente à matemática, o PCN aponta que: Ao longo de sua história, a Matemática tem convivido com a reflexão de natureza filosófica, em suas vertentes da epistemologia e da lógica. Quando se reflete, hoje, sobre natureza da validação do conhecimento matemático, reconhece-se que, na comunidade científica, a demonstração formal tem sido aceita como a única forma de validação dos seus resultados. Nesse sentido, a Matemática não é uma ciência empírica. Nenhuma verificação experimental ou medição feita em objetos físicos poderá, por exemplo, validar matematicamente o teorema de Pitágoras ou o teorema relativo à soma dos ângulos de um triângulo. Deve-se enfatizar, contudo, o papel heurístico que têm desempenhado o contextos materiais como fontes de conjecturas matemáticas (BRASIL, 1997, p. 24). Nos programas de Educação Básica do Paraguai não foram encontradas referências que evidenciassem a competência crítica e o distanciamento crítico, segundo a visão de Skovsmose (2008). Em relação ao engajamento crítico, observamos que o PCN destaca que a Matemática tem como característica apresentar ferramentas para compreensão do mundo, aspecto a ser incentivado na escola: A Matemática caracteriza-se como uma forma de compreender e atuar no mundo. O conhecimento gerado nessa área do saber como um fruto da construção humana na sua interação constante com o contexto natural, social e cultural (BRASIL, 1997, p. 19). As prescrições do currículo paraguaio também evidenciam o engajamento crítico, definindo os aspectos formativo e instrumental da Matemática como ferramenta em todos os contextos da vida ao fundamentar sua importância na Educação Básica: La Matemática en Educación Escolar Básica contribuye a la formación integral del niño y la niña, desde las perspectivas formativa e instrumental de modo a favorecer su desenvolvimiento satisfactorio en los diferentes contextos que le toca vivir. Así, desde la perspectiva formativa propicia el desarrollo de aptitudes operacionales y destrezas intelectuales, estructurando el pensamiento para que los mismos sean capaces de: observar, analizar, reflexionar, identificar estrategias de solución a problemas, manejar adecuadamente conceptos y algoritmos, procesar informaciones; los que les ayudará a comprender mejor las situaciones reales presentadas en su entorno y realizar opciones pertinentes en el momento que la requiera. 117 Desde la perspectiva instrumental sirve como herramienta para el desarrollo de capacidades referidas al pensamiento crítico y creativo, a los procesos lógicos para la interpretación y representación en forma coherente de su realidad, así como para la solución de problemas matemáticos y de otras áreas y campos del saber. De esta manera, la Matemática prepara al niño y la niña desde ambas perspectivas, para que sea capaz de enfrentarse y adaptarse a situaciones nuevas, desarrollar hábitos de precisión en los procesos de cálculos y operaciones mentales, e interrelacionarse en forma satisfactoria com su entorno familiar, escolar y social, de una forma gradual, sistemática y continua (PEMEEB, 1994, 2º ciclo, 5º grado, p.334). Assim como os PCN no Brasil, o Programa de Educação Básica do Paraguai apresentam a categoria engajamento crítico destacando a Matemática como uma ferramenta que permite aos estudantes compreender e fazer associações com o seu entorno de maneira geral. A Matemática é apontada como uma ferramenta de interpretação da realidade e ação sobre ela. O Programa de Educação Média do Paraguai também aponta que a Matemática tem papel fundamental na formação crítica em diversas áreas da vida do cidadão: La Matemática está presente en el proceso educativo para contribuir al desarrollo integral de los/as estudiantes, para aumentar sus posibilidades de asumir con éxito los retos del siglo XXI, época signada por los avances de la ciencia y la tecnología y los desafíos que ello implica en los diversos ámbitos de la vida (PEMEM, 2003, 3º curso, p.27). O documento reforça o papel formativo da Matemática e a apresenta como uma ciência em constante construção e importante para o desenvolvimento do pensamento lógico: El aprendizaje de las Matemáticas, como un conocimiento en continua construcción, permite aplicar las reglas y las leyes de esta ciencia en los campos más diversos; por lo tanto, facilitará al/la estudiante la formulación, interpretación y resolución de problemas, las cuales suministrarán los fundamentos necesarios para acceder a un nivel intelectual de mayor abstracción. Se resalta el papel formativo de la Matemática, pues es una ciencia que a partir de nociones fundamentales construye teorías que contribuyen a desarrollar el pensamiento lógico. Las capacidades de observar, analizar y razonar son privilegiadas en el área, pues posibilitan la aplicación de los conocimientos en diversos ámbitos, donde el/la joven debe tomar decisiones, enfrentarse y adaptarse a situaciones nuevas, exponer sus opiniones y ser receptivo/a con las de los/as demás. La Matemática 118 se convierte, así, en un instrumento para resolver problemas en todas las actividades humanas. La representación de la realidad, la clasificación de los elementos y la abstracción coherente son productos de una tecnología matemática que es, de hecho, parte integrante de la cultura de la humanidad, no solo por su función instrumental sino, fundamentalmente, porque incentiva el desarrollo del pensamiento crítico y creativo, a fin de comprender y modificar el entorno (PEMEM, 2003, 3º curso, p.27). Nesta citação do currículo prescrito paraguaio para a Educação Média também são verificadas as categorias de seleção dos conteúdos, “riqueza”, “reflexão’, “responsabilidade” e “realidade” sugeridos por Silva (2009). Analisando os currículos prescritos de Matemática para o Ensino Médio do Brasil e Paraguai, constata-se também, implicitamente, que as orientações curriculares de certa forma concorrem para a polarização entre disciplina voltada para aplicações práticas e a que é voltada para a especulação teórica, como constatou Almeida (2011). 2.2.5 Princípios Matemáticas básicas de seleção de competências Ao se questionar sobre as competências matemáticas básicas necessárias para formação do aluno em nossa contemporaneidade, para viver em uma sociedade que requer o uso de tecnologia em diferentes contextos, Bishop (1999) propõe que essa formação dá-se consoante à alguns componentes: simbólico, social e cultural. O componente simbólico destaca as ferramentas matemáticas essenciais em qualquer cultura para a aprendizagem, ou seja, baseado nos conceitos a serem apreendidos para viver em uma cultura. Esse componente organiza-se em torno de seis atividades universais presentes nas diferentes culturas: contar, localizar, medir, desenhar, jogar e explicar. Segundo Bishop (1999): No contemplo estos conceptos como “temas” en el sentido que se les da en los programas de examen. Se ofrecen como conceptos organizadores del currículo que proporcionan el marco de conocimiento. Deberían ser los centros de interés y se deberían abordar mediante actividades realizadas en contextos ricos relacionados con el entorno, deberían ser explorados por su significado, su lógica y sus conexiones Matemáticas, y se deberían 119 generalizar a otros contextos para ejemplificar y validar su poder explicativo (BISHOP, 1999, p. 132). Para o autor, o componente simbólico destaca os conceitos que valem a pena conhecer, por meio de atividades relacionadas com contextos ricos para aprendizagem do aluno. O componente social transmite as ideias fundamentais sobre o poder do conhecimento matemático em um contexto social. Em vista disso, propõe que os alunos trabalhem em projetos, em especial sobre a sociedade do passado, a atual e a do futuro. Bishop (1999) considera que o envolvimento com esses projetos: Permitirían a un enseñante desarrollar en el alumno una conciencia del poder y las limitaciones de la representación y la explicación Matemática, y de la importancia relativa de los valores del control y el progreso(Ibidem, p. 140). O autor adverte, ainda, que o trabalho com projeto não significa um laissez-faire: La enseñanza basada en proyectos no implica que el alumno se limite a copiar lo que han escrito otras personas, ni que el enseñante se limite a sentarse y dejar que los alumnos hagan lo que más les guste. Los proyectos permiten el desarrollo de una conciencia crítica y la exploración de valores significativos, pero todo esto exige una enseñanza atenta y sensible (Ibidem, p. 148) Dessa forma, aluno e professor têm papeis bem definidos no processo educacional, ao se proporem projetos para que se alcancem os conceitos estabelecidos pelo componente simbólico da Educação Matemática. O componente social impõe à aprendizagem pensar-se na perspectiva de como se utilizam as ideias matemáticas em situações sociais. Já o componente cultural ocupa-se de ampliar o repertório do aluno em relação aos critérios internos da matemática, conhecimento imprescindível em qualquer cultura. Assim, Este componente pretende demostrar la naturaleza de las Matemáticas como cultura, el tipo de relación con las abstracciones que tienen los matemáticos y el hecho de las ideas Matemáticas se han inventado. (…) Por lo tanto, en parte se incluye para iniciar a los alumnos en el nivel técnico de la cultura Matemática, en la medida en que sea posible hacer esto con alumnos jóvenes de una manera accesible. (…) En vez de buscar una perspectiva “externa” de las 120 Matemáticas, aquí nos ocuparemos mucho más de criterios internos (BISHOP, 1999, p. 149). Para Bishop, tal componente indica como, ou talvez por que, se geraram as ideias matemáticas e permite refletir sobre o que é a matemática. O autor enfatiza a necessidade de um equilíbrio entre esses três componentes do currículo. Para ele, as atividades relacionadas ao entorno, os projetos sobre as sociedades do passado, a atual e a do futuro, bem como os aspectos criativos da investigação, são importantes para a Educação e para a formação das gerações futuras. Além disso, entendemos que as competências estão intimamente ligadas aos conteúdos das disciplinas escolares. Nesse sentido, Silva (2009), em sua tese de Doutorado, sugere a seleção e organização dos conteúdos por meio de oito critérios, sendo quatro baseados nos aportes teóricos de Doll Jr. – riqueza, recursão, relações e rigor – e quatro, de Skovsmose – reflexão, realidade, responsabilidade, e ressignificação. Assim, segundo Silva (2009): (1) A “riqueza” privilegia a escolha de conteúdos que mostrem o quão rica a própria matemática é e como a relação teoria-prática pode ser dosada de maneira eficiente, compreendendo essa relação como única e não dicotômica. (...); (2) a “reflexão” favorece a seleção de assuntos que sirvam ao interesse de determinada comunidade e, sob este aspecto os conteúdos seriam escolhidos apenas após a escolha ou eleição das problemáticas locais e (...) significa que o processo de escolha deva ser uma decisão fundamentada em pareceres de diversos especialistas de vários campos científicos (...); (3) a ”realidade”, intrinsicamente ligada ao critério anterior, beneficia a opção por temas que possam ser modelados por meio de uma situação real. (...); (4) a “responsabilidade” privilegia a prioridade de pontos de conteúdo matemático que possam ser utilizados para analisar, comparar, estimar e resolver problemas sociais (...); (5) a “recursão”, primeiro critério fundamentalmente organizacional, busca no clássico modelo de currículo em espiral de Bruner (1960) a inspiração para propor que os conteúdos devem ser dispostos de maneira que possam ser retomados à medida com que os estudantes avancem os seus estudos, de tal maneira que possam ser abordados em outros contextos, mas não revistos, como simples repetição; (6) as “relações” estabelecem duas preocupações ao organizarmos um currículo: de um lado, a gestão do tempo para contemplar os assuntos propostos e, para isso, cada professor deve conhecer seus alunos e eleger a profundidade ou a escala ideal com a qual abordará os conteúdos propostos, por outro lado, para além da perspectiva pontual de cada sala de aula, a preocupação com o bem estar coletivo deve determinar momentos para refletir sobre problemáticas comuns a todos, por meio de projetos que sejam constituídos em sentido duplo: dos problemas locais para discussões globais e dos anseios universais para debates locais; (7) o “rigor” está ligados a procedimentos, avaliações e principalmente, à 121 interpretação de resultados inseridos em um novo contexto ligado à indeterminância e à interpretação. (...) os resultados devem ser interpretados levando-se em conta um grande número de variáveis envolvidas no processo de ensino e aprendizagem. (...); (8) a “ressignificação” dá à História da Matemática sua devida importância em uma proposta curricular que deve ser organizada levando-se em conta a elaboração histórica da própria ciência, não como acessório das aulas de Matemática, mas como articuladora e esclarecedora do processo pelo qual o conhecimento foi construído. Além disso, esse critério privilegia a organização de conteúdos que possam ser abordados novamente em outros temas, destacando a variedade de representações e contextualizações matemática dentro da própria Matemática (SILVA, 2009, p. 223-225). Por meio da categoria analítica princípios de seleção de competências matemáticas básicas, temos por objetivo verificar como os currículos prescritos destacam atividades desenvolvidas em contextos ricos para aprendizagem do aluno, o trabalho com projetos e o contato com a investigação matemática, bem como a seleção e organização dos conteúdos pelos quais gravitam as competências. Com o objetivo verificar como os currículos prescritos destacam princípios de seleção de competências matemáticas básicas, vamos buscar as indicações curriculares acerca das atividades desenvolvidas em contextos ricos para aprendizagem do aluno, o trabalho com projetos e o contato com a investigação matemática. Além disso, analisaremos a seleção e organização dos conteúdos pelos quais gravitam as competências matemáticas. No Brasil, o desenvolvimento das competências matemáticas básicas está relacionado aos critérios de seleção dos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. Os autores dos PCN ponderam que, embora a lógica tenha papel central na construção do conhecimento matemático, os conteúdos foram estabelecidos tendo como critérios sua relevância social e sua adequação para adquirir novos conhecimentos na área, segundo a perspectiva dos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais: O desafio que se apresenta é o de identificar, dentro de cada um desses vastos campos que conceitos, procedimentos e atitudes são socialmente relevantes. Também apontar em que medida os conteúdos contribuem para o desenvolvimento intelectual do aluno, os seja, para a construção e coordenação do pensamento lógicomatemático, para o desenvolvimento da criatividade, da intuição, da capacidade de análise e de crítica, que constituem esquemas lógicos de referência para interpretar fatos e fenômenos (BRASIL, 1997, p. 30). 122 Neste trecho, identificamos as categorias de seleção dos conteúdos, “riqueza”, “reflexão”, “realidade” e “responsabilidade” sugeridos por Silva (2009). Na perspectiva de desenvolver atividades em contextos ricos para aprendizagem do aluno, verificamos que o PCN destaca a importância do conhecimento, por parte do professor, do desenvolvimento cognitivo do aluno na sua trajetória de aprendizagem durante os ciclos da Educação Básica. Assim, para os autores dos PCN, as competências que subjazem a esses conteúdos conceituais exigiriam a compreensão e o trabalho do professor de ampliação deles ao longo dos ciclos: Conceitos permitem interpretar fatos e dados e são generalizações úteis que permitem organizar a realidade, interpretá-la e predizê-la. Sua aprendizagem desenvolve-se de forma gradual e em diferentes níveis e supõe o estabelecimento de relações com conceitos anteriores. Nos terceiro e quarto ciclos alguns conceitos serão consolidados, uma vez que eles já vêm sendo trabalhados desde os ciclos anteriores, como o conceito de número racional. Outros serão iniciados como noções/idéias que vão se completar e consolidar no ensino médio, como é o caso do conceito de número irracional (BRASIL, 1997, p. 32). Nesse trecho, reconhecemos a preocupação com as categorias de “recursão” e “relações”, visto que o propósito é ir ampliando os conceitos e relacioná-los com conceitos mais abrangentes. Entendemos que essa ampliação enfatizada pelo PCN é aspecto fundamental no desenvolvimento de competências ao longo dos ciclos da escolaridade básica. No que diz respeito ao desenvolvimento de conteúdos conceituais pelos alunos, no documento prescrito paraguaio, temos que: Incluyen saberes vinculados con aspectos de los campos disciplinarios y/o con la vida cotidiana. Los conceptos se caracterizan como ideas o representaciones mentales que abarcan e incluyen en una misma clase, propiedades y características esenciales de seres u objetivos (reales o virtuales) de hechos y fenómenos. Son ideas o representaciones de carácter general que se van conformando en redes y alcanzan relaciones significativas, interactuando con los otros tipos de contenidos, vale decir, se construyen gradualmente. (PEMEM, 2003, 1º curso, p. 37) No documento brasileiro (PCN) os conteúdos conceituais visam a interpretação de fatos e dados e a consolidação de conceitos trabalhaos em ciclos anteriores e a construção de novos que serão consolidados na etapa 123 posterior (Ensino Médio). No Paraguai os conteúdos conceituais dão a idéia de um campo de conceitos representados em redes com enfoque em aplicações cotidianas, estabelecendo relações significativas e interagindo com outros conteúdos que vão sendo construídos gradualmente. Nitidamente notamos nos documentos prescritos nos dois países, em relação aos conteúdos conceituais do currículo, a idéia de rede, onde relação trabalhadas previamente são resgatadas, tomam o status de conceito, outras relações surgem, serão retomadas posteriormente e o conceito será consolidado. No trabalho com as competências matemáticas que subjazem aos conteúdos conceituais, os PCN destacavam a necessidade do professor conhecer os conteúdos procedimentais e atitudinais envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, fundamentais no momento de seleção de atividades em contextos ricos da matemática. Em relação aos conteúdos procedimentais, os PCN preconizam que: Os procedimentos por sua vez estão direcionados à consecução de uma meta, desempenham um papel importante, pois grande parte do que se aprende em Matemática são conteúdos relacionados a procedimentos. Os procedimentos não devem ser encarados apenas como aproximação metodológica para aquisição de um dado conceito, mas como conteúdos que possibilitem o desenvolvimento de capacidades relacionadas com o saber fazer, aplicáveis a distintas situações. Esse saber fazer implica construir as estratégias e os procedimentos, compreendendo os conceitos e processos neles envolvidos. Nesse sentido, os procedimentos não são esquecidos tão facilmente. Exemplos de procedimentos: resolução de uma equação, traçar a mediatriz de um segmento com régua e compasso, cálculo de porcentagens etc (BRASIL, 1998, p. 49-50). Para os conteúdos procedimentais o currículo paraguaio faz as seguintes recomendações: Incluyen destrezas, estrategias, habilidades, técnicas, secuencias y métodos. Apuntan al saber – hacer, presentando diferentes grados de generalidad, relacionados con varias disciplinas. Encontramos procedimientos de componente motriz, y otros de característica cognitivo - motriz ej.: transportados, astrolabro, confección de objetos, correcta utilización de instrumentos (calculadora, computadora, etc) (PEMEM, 2003, 1º curso, p.37). No caso do Brasil, o PCN alerta que os conteúdos procedimentais são muito mais que uma aproximação metodológica do conceito. Conteúdos 124 que geram capacidades relacionadas ao saber fazer em situações diferenciadas, envolvendo estratégias, procedimentos e diferentes conceitos envolvidos. O documento paraguaio apresenta os conteúdos procedimentais, como aqueles que incluem estratégias, habilidades, técnicas e faz distinção entre procedimentos de natureza motriz e cognitiva. Verifica-se similaridade em relação aos conteúdos procedimentais nos dois países, porém o PCN explicita de forma mais abrangente essa noção. Ambos apresentam exemplos de procedimentos, porém o documento brasileiro dá ênfase no conteúdo procedimental e o documento paraguaio enfatiza os instrumentos técnicos para a realização do procedimento. No que diz respeito ao desenvolvimento de conteúdos atitudinais pelos alunos, no processo de aprendizagem, no Brasil temos que: As atitudes envolvem o componente afetivo - predisposição, interesse, motivação - que é fundamental no processo de ensino e aprendizagem. As atitudes têm a mesmo importância que os conceitos e procedimentos, pois, de certa forma, funcionam como condições para que eles se desenvolvam. Exemplos de atitudes: perseverança na busca de soluções e valorização do trabalho coletivo, colaborando na interpretação de situações-problema, na elaboração de estratégias de resolução e na sua validação (BRASIL, 1998, p. 50). Em seguida, os autores do PCN ressaltam que a matemática tem um central papel na construção da cidadania, cujo objetivo consiste, entre outros aspectos, em contribuir para a inserção no mundo do trabalho, das relações sociais e culturais: Falar em formação básica para a cidadania significa refletir sobre as condições humanas de sobrevivência, sobre a inserção das pessoas no mundo do trabalho, das relações sociais e da cultura e sobre o desenvolvimento da crítica e do posicionamento diante das questões sociais. Assim, é importante refletir a respeito da colaboração que a Matemática tem oferecer com vistas à formação da cidadania (BRASIL, 1997, p. 25) Por outro lado, o desenvolvimento de competência faz sentido devido ao avanço tecnológico exigir trabalhadores mais bem formados: No entanto, mesmo que o cidadão esteja qualificado para o mundo do trabalho verdade que ele terá de enfrentar uma acirrada disputa no campo profissional, pois o avanço tecnológico também gera diminuição de postos de trabalho, exigindo níveis de formação cada vez mais elevados. Por isso, na sociedade atual a um grande número de pessoas impõem-se novas necessidades de buscar 125 formas alternativas para inserir-se na economia como a formação de cooperativas ou a atuação no mercado informal (BRASIL, 1997, p. 26). O processo de construção do conhecimento matemático envolve competências para a formação com vista ao exercício da cidadania: Nesse aspecto, a Matemática pode dar sua contribuição à formação do cidadão a desenvolver metodologias que enfatizem a construção de estratégias, a comprovação justificativa de resultados, a criatividade, a iniciativa pessoal, o trabalho coletivo e autonomia advinda da confiança na própria capacidade para enfrentar desafios (BRASIL, 1997, p. 27). Por fim, na formação do cidadão, o currículo de matemática desenvolve competências que contribuem para compreensão de processos culturais: Para que ocorram as inserções dos cidadãos no mundo do trabalho, no mundo das relações sociais e no mundo da cultura e para que desenvolvam a crítica diante das questões sociais, é importante que a Matemática desempenhe, no currículo, equilibrada e indissociavelmente, seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio do aluno, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho e no apoio à construção dos conhecimentos em outras áreas curriculares (BRASIL, 1997, p. 28). Em relação aos conteúdos atitudinais, o documento paraguaio os definem como: Las actitudes, los valores y las normas son aquellos contenidos que reflejan las aspiraciones y los ideales a ser alcanzados por el ser humano, como integrante de la comunidad social a la que pertenece. La institución educativa, como agente socializador, ha sido siempre un contexto generador de actitudes, normas y valores. Las actitudes son un componente afectivo, motivacional, una tendencia a la acción y se determinan por aspectos sociales tales como normas, roles, valores o creencias; implicando un accionar evaluativo en relación a personas, grupos, situaciones, y al propio conocimiento (PEMEM, 2003, 1º curso, p.37). No Paraguai, também existe uma recomendação em relação ao trabalho docente e a instituição de ensino para a abordagem dos conteúdos atitudinais no processo de aprendizagem: 126 El docente tendrá en cuenta que estos contenidos, además de constituirse en aspectos concretos de enseñanza, determinan el acercamiento o alejamiento del/la joven a determinadas áreas disciplinares. El interés, el entusiasmo y el valor que manifieste el docente por lo que enseña, serán transmitidos al/la alumno/a y se constituirán en factores motivadores fundamentales para el aprendizaje. La institución educativa deberá asumir un rol activo en la generación y manifestación de actitudes, teniendo en cuenta que éstas se aprenden y son susceptibles de ser modificadas, tanto en el contexto educativo como en otros ámbitos (PEMEM, 2003, 1º curso, p.38). No currículo do Brasil os conteúdos atitudinais estão prescritos de forma intrínseca ao aspecto afetivo, interesses e motivações dos alunos e também destaca que os conteúdos atitudinais do currículo têm a mesma importância dos conteúdos procedimentais, relatando a importância na ênfase de situações didáticas que desenvolvam a perserverança e a interpretação de dados/ fatos/problemas e posterior validação. Já o documento paraguaio prescreve que os conteúdos atitudinais devem ser aqueles que promovem aspirações e ideais a serem alcançados pelo ser humano, onde as atitudes são componentes afetivos, motivacionais, uma tendência a uma ação e se determina por aspectos sociais, valores e crenças. As prescrições dos dois documentos são similares no que tange aos conteúdos atitudinais, porém no caso do Brasil, o PCN prescreve exemplos de situações que podem envolver claramente conteúdos do currículo de matemática, ao citar o raciocínio lógico, a interpretação e validação em situações problemas e etc. Esses aspectos relativos ao desenvolvimento de competência na Educação Básica destacam a categoria “responsabilidade”, pois contribuem para a formação para a cidadania. Os Programas do Ensino Médio do Paraguai apontam o contexto escolar como um meio sócio-cultural e historicamente definido no qual os jovens aprendem a conhecer e utilizar determinados saberes que lhes facilitarão a integração em seu entorno social, destacando também a dificuldade em apontar os conteúdos e a forma que eles devem ser ensinados. Recomenda que os professores devem adequar sua tarefa 127 educativa ao aspecto sócio-comunitário e às características singulares do público jovem, reforçando que o principal aspecto a ser considerado na seleção, desenvolvimento e organização do conteúdos é o significado destes para os jovens. Com o objetivo de fazermos análises comparativas entre os currículos de Matemática entre Brasil e Paraguai nos apêndices E e F, respectivamente, apresentamos os Programas dos dois sistemas educativos referentes ao Ensino Fundamental e o Ensino Médio. 2.2.5.1 Comparações entre o PCN para o Ensino Fundamental e os Programas de Estudos para a Educação Básica do Paraguai Na comparação entre os PCN e os Programas da Educação Escolar Básica23 do Paraguai, encontramos algumas diferenças e similaridades. De acordo com as finalidades da Matemática para o Ensino Fundamental apresentadas no item 1.2.1, os currículos de ambos os países propõem a estruturação do ensino de Matemática em torno de blocos semelhantes, explicitados no quadro a seguir: Brasil Números e Operações. Espaço e Forma. Grandezas e Medidas. Tratamento da Informação. Paraguai Para os três primeiros anos do Ensino Fundamental (1º ciclo): Números e Operações. Geometria e Medida. Para os seis últimos anos do Ensino Fundamental (2º e 3º ciclos): Operações e Expressões Algébricas. Geometria e Medidas. Os Dados e a Estatística. Quadro 9: Blocos de Conteúdos Curriculares para o Ensino Fundamental. Uma similaridade constatada nos Programas de currículos prescritos no Brasil e no Paraguai, ao compará-los no decorrer dos ciclos, é que o PCN e o PEMEEB privilegiam um conjunto de competências em cada 23 Programas disponíveis em : http://www.arandurape.edu.py/v2/programas_de_estudios.aspx 128 Bloco, as quais permitem ao professor a escolha da sequência didática dos conteúdos mais adequada para atingir essas competências. Porém, os PEMEEB do Paraguai apresentam um rol de conteúdos associados a um conjunto de competências e capacidades relacionadas quase sempre a Resolução de Problemas e aplicações. No Brasil, os blocos descritos são para todos os anos do Ensino Fundamental e há a apresentação de um conjunto de competências que evidencia o processo histórico de organização e desenvolvimento curricular, que gradativamente foram passando de rol de conteúdos para programas em que o destaque para uma lista de conteúdos fazia-se fundamental - para a forma de recomendações curriculares, em que se enfatizavam as competências básicas nos diferentes blocos de conteúdos. No Paraguai para o 1º e 2º ciclos da EEB temos: En el àrea de Matemàtica se ha establecido la competencia referida a la creación y resolución de problemas a ser trabajada en el segundo ciclo de la Educacion Escolar Básica y cuyo alcance en este grado conducen al desarrollo de las capacidades básica y no básicas (PEMEEB, 1994, pg.327, 4º grado). Cabe ressaltar que, diferente do documento brasileiro, o currículo paraguaio, em todos os ciclos da EEB e da Educação Média, as capacidades básicas estão destacadas em negrito no currículo oficial (vide apêndices E e F). No PCN todas as competências prescritas são consideradas básicas, podendo ser complementadas por uma parte diversificada. 2.2.5.2 Comparações entre os PCN para o Ensino Médio do Brasil e os Programas de Estudos para a Educação Média do Paraguai No Brasil, três eixos ou temas estruturadores são propostos para serem desenvolvidos de forma concomitante nas três séries do Ensino Médio: Álgebra: Números e Funções, Geometria e medidas e Análise de dados. O ensino de Matemática na Educação Média no Paraguai aborda os conteúdos de forma integrada por meio dos seguintes blocos componentes: 129 Álgebra, Trigonometria, Geometria Analítica, Cálculo Infinitesimal e Probabilidade e Estatística. A seguir discriminamos os blocos de conteúdos dos dois países referentes ao Ensino Médio. PCNCiências da Natureza, Programa de Estúdios de Educación Matemática e suas Tecnologias Media-Matemática y sus Tecnologias Álgebra. Números e operações. Trigonometría. Funções. Geometría Analítica. Geometria. Cálculo Infinitesimal. Análise de dados e probabilidade. Estadística y Probabilidad. Quadro 10: Blocos de Conteúdos Curriculares para o Ensino Médio. Em relação aos blocos de conteúdos, o currículo prescrito paraguaio destaca um bloco que não está presente no PCNEM, o Cálculo Infinitesimal, que aborda séries e sequências, que possibilitam a representação de problemas que aparecem em diversas áreas), funções, limites de funções e derivadas e integrais, centradas nas análises de curvas, com aplicações à Física e a Economia. Constatamos nesta recomendação do currículo paraguaio a polarização entre a disciplina voltada para aplicações práticas e a que é voltada para a especulação teórica referenciada por Almeida (2011, vide p.84). Sobre o estudo dos Números Complexos ambos os documentos recomendam que devem ser apresentados necessidade de ampliação do conjunto dos números reais. No entando, especificamente, o PCNEM apresenta essa necessidade histórica de ampliação do conjunto de soluções de uma equação, tomando-se, para isso a equação x2+1 =0 (PCNEM, 2006, p.71) e o Programa paraguaio para a Educação Média apresenta os Números Complexos (Números Complejos: Características; Unidad Imaginaria; Potencias de Operaciones) com o objetivo de ampliar o âmbito de problemas que se podem resolver e interpretar. Para o Estudos das Funções tanto o PCNEM do Brasil como Programa de Educação Média do Paraguai dão ênfase na Modelagem Matemática e Resolução de Problemas. 130 No PCNEM, o bloco “Análise de Dados e Probabilidade” indica que os conteúdos : [..]têm sido recomendados para todos os níveis da educação básica, em especial para o ensino médio. Uma das razões desse ponto de vista reside na importância das idéias de incerteza e de probabilidade, associadas aos chamados fenômenos aleatórios, presentes de forma essencial nos mundos natural e social. O estudo desse bloco de conteúdo possibilita aos alunos ampliarem e formalizarem seus conhecimentos sobre o raciocínio combinatório, probabilístico e estatístico. Para dar aos alunos uma visão apropriada da importância dos modelos probabilísticos no mundo de hoje, é importante que os alunos tenham oportunidade de ver esses modelos em ação. Por exemplo, é possível simular o que ocorre em certa pesquisa de opinião estimando, com base em uma amostra, a fração de balas de determinada cor em uma caixa (PCNEM, 2006, p.78). Já em Probabilidade e Estatística, o Programa de Estudos para Educação Média do Paraguai prescreve que: aborda contenidos desarrollados en E.E.B., aplicándolos de manera interdisciplinaria, a fin de comunicar el gran volumen de datos que tenemos en nuestro entorno, transformándolos en información que permita tomar decisiones acertadas (PEMEM, primer curso, 2003, p.25). Pelo exposto verificamos certas similaridades entre as prescrições do PCNEM e do PEMEM do Paraguai para os blocos “Análise de Dados e Probabilidade” e “Probabilidade e Estatística”, respectivamente, que ressaltam a importância do estudo de Probabilidade e Estatística nas tomadas de decisões nos meios natural e social. 2.2.6 Indicação de competências transversais Monteiro e Pompeu Jr. (2001, p.19) a respeito do desevolvimento de competências transversais afirmam que : Ao ressaltar os aspectos sociais, essa nova perspectiva cria um ambiente pedagógico rico de possibilidades e prioriza como objetivo do ensino a construção de conceitos que capacitem os estudantes a compreender e a interferir criticamente na sociedade. Os conteúdos passam a ser ferramentas para uma função muito mais ampla que o mero saber técnico, que é a compreensão crítica de nosso estar-nomundo, é a construção de nossa cidadania (MONTEIRO E POMPEU JR., 2001, p. 19). Na perspectiva de Gavídia (2002), a evolução do conceito de transversalidade ocorreu em duas dimensões, sendo a primeira em uma dimensão metodológica e a segunda conceitual. 131 A primeira etapa dessa evolução ocorreu com o início da reforma do sistema educacional espanhol, que expôs a necessidade de tratar na escola conteúdos relacionados a problemas do meio ambiente, saúde, consumo, etc., que deveriam ser abordados em algumas disciplinas da forma mais “conveniente” possível. Mas, os resultados esperados não ocorreram, pois esses conteúdos eram tratados como os demais, contribuindo apenas para o aumento do programa das disciplinas. A segunda etapa ocorreu durante o processo de amadurecimento das propostas curriculares de todas as disciplinas da reforma educacional espanhola, onde após uma análise mais profunda observou-se que os conteúdos propostos anteriormente tinham caráter funcional e atitudinal. Assim, percebeu-se que uma abordagem adequada desses conteúdos não poderia ser realizada de forma pontual e desconexa, era necessária uma outra metodologia que permitisse que fossem trabalhados ao longo de toda a disciplina. Porém, na prática os professores procuraram trabalhar somente os temas que se relacionavam com suas disciplinas ou, às vezes, no afã de trabalhá-los faziam remendos na aula tornando-a artificial. Na terceira etapa as escolas do sistema de ensino espanhol, passam a elaborar os projetos curriculares e educacionais e, para tal, é necessário fazer uma análise dos objetivos e conteúdos de todas as disciplinas e áreas. Durante essa análise percebe-se que há muitos pontos em comum na maioria dos conteúdos da educação para a saúde, da educação ambiental, da educação do consumidor, etc., e que, objetivos educacionais visados pelas áreas podem ser atingidos por meio dos conteúdos transversais. Além disso, os conteúdos transversais ao serem abordados permitem a contextualização de outras áreas, evidenciando os pontos comuns e complementares em todas as matérias, dessa forma, é possível afirmar que algumas matérias transversais e áreas complementamse no espaço didático. Assim, “O conceito de transversal adquire seu verdadeiro sentido nessa análise da tarefa educativa realizada no ato de elaboração do projeto curricular” (GAVÍDIA, 2002, p.19). Consoante à evolução da dimensão conceitual da transversalidade deu-se em paralelo ao da dimensão metodológica, que ao evoluir contribuiu 132 fundamentalmente para tal fato e, segundo Gavídia (2002), também passou por três etapas: a) os temas como conteúdos conceituais: o que caracteriza essa etapa é que os temas transversais eram inicialmente conteúdos conceituais e há muito tempo, por razões diversas, vinham sendo abordados na escola; b) os temas transversais como questões atitudinais: nessa segunda etapa, em função da legislação colocar como objetivos da educação questões relativas a valores e atitudes pessoais e coletivas, verificou-se que esses objetivos não eram atendidos pelas áreas curriculares. Para suprir essa deficiência os temas relativos a educação para a saúde, educação ambiental, educação do consumidor, etc.,deveriam aparecer em todo o currículo, passando a ter uma característica atitudinal e comportamental, aliás, essa parecia ser a única característica que podiam assumir; c) a dimensão conceitual, atitudinal e procedimental da transversalidade: nessa etapa percebe-se que não é possível tratar apenas um ou outro aspecto do conteúdo transversal, pois não havia como trabalhar atitudes em cima de um vazio conceitual e nem, somente, a partir de conceitos, gerar atitudes. Assim, o que distingue as disciplinas tradicionais dos conteúdos transversais não é a sua classificação em conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, mas sim o fato de que as disciplinas tradicionais encerram essa classificação em si mesmas, enquanto que os conteúdos transversais “promovem atitudes que incidem nos valores pessoais e globais, que implicam normas de conduta ou marcam pautas de comportamento, as quais contribuem para o desenvolvimento integral da pessoa” (GAVÍDIA, 2002, p. 23). Entendemos, que se o currículo disciplinar implica um planejamento prévio, faz-se necessário uma escolha das disciplinas que deverão compor esse currículo e a determinação de seus conteúdos para atingir uma série de objetivos predeterminados pelo planejamento. Um currículo aberto propõe caminhos para a implementação de possibilidades didáticas distintas e dá vasão para as experiências e multiplicidades dos saberes, procedimento fundamental para a abordagem dos temas transversais. Em relação à articulação da matemática e os temas transversais, os autores do PCN consideram que isso requer uma adequação entre esses temas as especificidades e as possibilidades que alguns (não todos) blocos de conteúdos do conhecimento matemático possam permitir. É o caso do bloco Tratamento de Informação, cujas competências podem ser desenvolvidas na abordagem de temas transversais: Os conteúdos matemáticos estabelecidos no bloco Tratamento da Informação fornecem instrumentos necessários para obter e 133 organizar as informações, interpretá-las, fazer cálculos e desse modo produzir argumentos para fundamentar conclusões sobre elas. Por outro lado, as questões e situações práticas inculcadas aos temas fornecem os contextos que possibilitam explorar de modo significativo os conceitos e procedimentos matemáticos (BRASIL, 1997, p. 29). Em seguida, os autores do PCN apresentam alguns exemplos. No que diz respeito à ética, a qual está presente nas relações que se desenvolvem em sala de aula e nos momentos de aprendizagem dos conteúdos atitudinais: o ensino de Matemática muito pode contribuir para a formação ética à medida que se direcione a aprendizagem para o desenvolvimento de atitudes, como confiança dos alunos na própria capacidade e na dos outros para construir conhecimentos matemáticos, o empenho em participar ativamente das atividades em sala de aula e respeito ao modo de pensar dos colegas (BRASIL, 1997, p. 30). Para que isso ocorra, a construção de uma visão solidária de relações humanas nas aulas de Matemática contribuirá para que os alunos superem o individualismo por meio do diálogo e da valorização da interação e da troca, percebendo que as pessoas se complementam e dependem uma das outras (BRASIL, 1997, p. 30). O PCN apontam em relação à orientação sexual, novamente a possibilidade de explorar conteúdos ligados ao bloco tratamento de informações: Os conteúdos matemáticos permitem a construção de um instrumental fundamental para a compreensão e análise das questões relativas à sexualidade numa dimensão macrossocial. Por exemplo, é possível compreender por meio da análise de dados estatísticos, a diferença de remuneração de trabalho de homens e mulheres e do acesso aos cargos de chefia; o aumento da incidência da gravidez prematura entre jovens e adolescentes; comportamento das doenças sexualmente transmissíveis, e discutir e avaliar a eficiência das políticas públicas voltadas para essa questão (BRASIL, 1997, p. 32). Outro aspecto que o professor de Matemática pode trabalhar consiste na ideia preconcebida de diferença de gênero no que diz respeito ao papel do homem e da mulher na sociedade e mesmo em relação à aprendizagem de Matemática: Por outro lado situar num mesmo patamar os papéis desempenhados por homens e mulheres na construção da sociedade contemporânea ainda encontra barreiras que ancoram 134 expectativas bastante diferenciadas com relação ao papel futuro de meninos e meninas. (...) Como importante instituição formadora de cidadãos, a escola não pode reafirmar o. preconceitos em relação à capacidade de aprendizagem de alunos de diferentes sexos. Esse preconceito, na maioria das vezes, é muito sutil e, dificilmente, o professor faz essa discriminação conscientemente. É importante, então, que os professores reflitam permanentemente sobre essas questões de gênero (BRASIL, 1997, p. 33). Em relação ao tema Meio ambiente e Vida, o conhecimento matemático pode contribuir, por meio da conexão entre conteúdos dos blocos geometria, números e medidas e tratamento de informação, no trabalho de compreensão e comunicação das ideias: A compreensão das questões ambientais pode ser favorecida pela organização de um trabalho interdisciplinar em que a Matemática esteja inserida. (...) O estudo detalhado das grandes questões do Meio Ambiente: poluição, desmatamento, limites para uso dos recursos naturais, sustentabilidade, desperdício, camada de ozônio, pressupõe que o aluno tenha construído determinados conceitos matemáticos (áreas, volumes, proporcionalidade etc.) e procedimentos (coleta, organização, interpretação de dados estatísticos, formulação de hipóteses, realização de cálculos, modelização, práticas da argumentação etc.) (BRASIL, 1997, p. 34). O tema Saúde nas aulas de Matemática pode ser abordado no bloco Tratamento de informações, como sugerido neste trecho: Além de permitir a compreensão das questões sociais relacionadas aos problemas de saúde, as informações e dados estatísticos relacionados a esse tema também favorecem: estabelecimento de comparações e previsões que contribuem para o autoconhecimento, favorecendo o autocuidado. (...) Os levantamentos de saneamento básico, condições de trabalho, assim como acompanhamento do próprio desenvolvimento físico (altura, peso, musculatura) e o estudo dos elementos que compõem a dieta básica, são alguns exemplos de trabalhos que podem servir de contexto para a aprendizagem de conteúdos matemáticos (BRASIL, 1997, p. 35). Em relação ao tema transversal Pluralidade e Cultura, o documento sugere o recurso à História da Matemática para reflexão sobre a produção cultural e histórica dos conceitos matemáticos: é possível visualizar melhor a dimensão da História da Matemática no currículo da escola fundamental como um campo de problemas para construção e evolução dos conceitos e como um elemento de integração da Matemática com o tema Pluralidade Cultural. Conhecer os obstáculos enfrentados pelo homem na produção e sistematização desse conhecimento também pode levar o professor a uma melhor compreensão e aceitação das dificuldades enfrentadas pelos alunos e pensar em estratégias mais adequadas para favorecer a aprendizagem de conceitos e procedimentos matemáticos (Ibidem). 135 Os PCN sugerem que, para a abordagem do tema Trabalho e Consumo, as competências matemáticas são fundamentais: Questões comuns à problemática do trabalho e do consumo, que envolvem a relação entre produtividade e distribuição de bens dependem não só do acesso a informações, mas também de todo um instrumental matemático que permite analisar e compreender os elementos da política econômica que direciona essa relação (BRASIL, 1997, p. 37). Uma grande ênfase é dada no PCN ao trabalho interdisciplinar, designado pelos autores como conexão entre a Matemática e as demais áreas do conhecimento. O documento dedica a seção Conexão entre os conteúdos do capítulo Orientações Didáticas para tratar da temática. Basicamente, para estabelecer na sala de aula essas conexões, o professor tem de abandonar a organização linear e rígida dos conteúdos. Para superar essa maneira de se trabalhar o conteúdo, os PCN sugerem como fundamental o planejamento dessa ação didática: [...]isso pode ser rompido se o professor se predispuser a traçar no seu planejamento algumas conexões entre os conteúdos matemáticos. Para tanto, ao construir o planejamento, é preciso estabelecer os objetivos que se deseja alcançar, selecionar os conteúdos a serem trabalhados, planejar as articulações entre os conteúdos, propor as situações-problema que irão desencadeá-los. É importante que as conexões traçadas estejam em consonância com os eixos temáticos das outras áreas do currículo e também com os temas transversais (BRASIL, 1998, p. 138). O documento apresenta exemplos de como pode ser efetivada essa orientação didática, detalhando os conceitos conectados ao trabalho com números racionais e variação de grandeza, referente às medidas. A reforma curricular do Ensino Médio no Brasil proposta em 1999, por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNEM), revela a preocupação de formar indivíduos conscientes e críticos para o século XXI. Ela propõe um currículo que interaja e articule os conhecimentos interdisciplinarmente: “utilizar os conhecimentos de várias disciplinas para resolver um problema concreto ou compreender um determinado fenômeno sob diferentes pontos de vista”. 136 O documento brasileiro também ressalta a necessidade permanente da aprendizagem significativa24, a educação de valores, atividades lúdicas, desenvolvimento da criatividade dos estudantes e a integração da avaliação como processo contínuo e formativo, estes aspectos são os eixos transversais do currículo paraguaio. De maneira implícita os PCNEM indicam que os temas transversais trabalhados no Ensino Fundamental, podem e devem continuar a serem trabalhados no Ensino Médio . Nos Programas da Educação Escolar Básica do Paraguai existe o Bloco “Orientaciones para El Tratamiento Del Componente Fundamental” (Educación ambiental, Educación familiar e Educación Democrática), de La equidade de gênero y La atención a la diversidad, visualizados por meio das intervenções didáticas estabelecidas para a área. Para a Educação Ambiental o documento paraguaio faz as seguintes recomendações: se propondrá situaciones problemáticas reales relacionadas a la situación ambiental, de tal manera, que el estudiante reflexione y proponga, basado en los conocimientos matemáticos, posibles estrategias de soluciones a las mismas. Así, por ejemplo, durante el desarrollo de las capacidades referidas a los temas estadísticos, se puede abordar como objeto de estudio las situaciones ambientales que afectan a la calidad de vida de la institución y de la comunidad, con el fin de comprenderlas y obtener informaciones útiles para la toma de decisiones. Durante las actividades realizadas en el aula, se cuidará que el ambiente se mantenga ordenado, limpio y libre de contaminación. Para el tratamiento de este tema transversal, además del cuidado del ambiente físico, se debe considerar el ambiente afectivo y el clima institucional, propiciando acciones tendientes a mantener una convivencia armónica entre los miembros de la comunidad educativa (PEMEEB, 3º ciclo, 7º grado, 2010, p.74). Para o tema transversal Educação Familiar, temos as seguintes indicações no currículo prescrito para o 3º ciclo: 24 Para Ausubel, aprendizagem significativa é um processo pelo qual uma nova informação se relaciona com um aspecto relevante da estrutura de conhecimento do indivíduo. Ou seja,neste processo a nova informação interage com uma estrutura de conhecimento específica, a qual Ausubel define como subsunçor, existente na estrutura cognitiva do indivíduo (MOREIRA,2001, p.17). 137 (...) se puede abordar desde los contenidos matemáticos a través de diversas situaciones relacionadas, por ejemplo, al valor de la familia, con la intención de distinguir posibles acciones que pueden facilitar la toma de decisiones en estas cuestiones, en el momento requerido. Así mismo, resulta de vital importancia que los miembros de la familia manifiesten su apoyo constante al estudiante en su formación integral, así por ejemplo, en la realización de las tareas surgidas desde el área, de tal manera, que el mismo se sienta acompañado y motivado durante el proceso de su crecimiento personal y social (PEMEEB, 3º ciclo, 7º grado, 2010, p.74). Para o último componente Fundamental e Transversal temos no currículo prescrito paraguaio a Educação Democrática, ressaltando a boa convivência, as expressões dos estudantes em debates, trabalhos grupais ,o respeito mútuo e cuidado com os recursos próprios e dos colegas em classe: (...) desde el área se pueden brindar espacios que favorezcan la práctica de los valores para la convivencia armónica y democrática. Para ello, se sugiere propiciar: - Estrategias que posibiliten la expresión de las opiniones del estudiante con respecto al tema en estudio como ser: discusiones, debates, proyectos, trabajo grupal, entre otros, estas se darán en un marco del respeto por las ideas del otro aunque no siempre se compartan las mismas. - El cuidado de las pertenencias propias y ajenas. Por ejemplo, el cuidado de los materiales (calculadora, instrumentos de dibujo, libros de texto, cuadernos, etc.). También, el cuidado de los bienes de institución, entre otros. - La resolución de situaciones problemáticas que pudieran surgir sobre algún tema en estudio, la misma se realizará en un contexto de participación plural y de respeto (PEMEEB, 3º ciclo; 7º grado, 2010, p.74, 75). Para a Igualdade de gênero: Las intervenciones didácticas a ser consideradas para el tratamiento de la equidad de género enfatizarán el desarrollo de valores, actitudes y comportamientos que reflejen igualdad en el relacionamiento entre las personas. En este sentido, durante el proceso de enseñanza y aprendizaje se promoverá, entre otros: - El trato igualitario durante el desarrollo de las actividades matemáticas entre los estudiantes, independientemente de su sexo. - El rechazo a toda forma de discriminación. Ejemplo: realizar las actividades grupales entre los estudiantes sin preferencias por: condición económica, características físicas, sexo, características culturales, etc. - El respeto por la dignidad y el valor de todos los seres humanos. Ejemplo: propiciar un clima afectivo y de respeto al realizar actividades que demanden por parte del estudiante argumentación de ideas, asunción de posturas y actitudes, explicación del trabajo realizado, entre otros. 138 - La práctica de la equidad a través de las acciones que se realizan, el lenguaje empleado y los materiales didácticos utilizados (PEMEEB, 3º ciclo, 7º grado, 2010, p.75). A seguir apresentamos as ações recomendadas pelo currículo prescrito para a promover a Igualdade de gênero: - Fomentar durante el proceso de enseñanza-aprendizaje el respeto hacia las diferencias individuales. Ejemplo: considerar el ritmo de aprendizaje de los estudiantes durante el planteo y la resolución de situaciones problemáticas. - Utilizar materiales didácticos que favorezcan al aprendizaje de todos los estudiantes. En este sentido, conviene construir sencillas y precisas guías de trabajo que orienten los procesos a seguir para realizar los trabajos propuestos en el área. - Adecuar las actividades didácticas a las características del grupo de estudiantes. Para el efecto, se cuidará de indagar acerca de las experiencias previas del estudiante relacionadas con el nuevo aprendizaje que se pretende desarrollar. - Replantear o modificar, parcial o totalmente, las experiencias de aprendizaje para todo el grupo-grado o para alguno de estos cuando se considere necesario, de tal manera, a velar por el aprendizaje de todos los estudiantes. - Retroalimentar constantemente durante el proceso de aprendizaje según las necesidades de los estudiantes del grupo-grado. Esta se podrá llevar adelante entre estudiante y estudiante, estudiante y docente, entre estudiante y otro docente especialista, estudiante y equipo técnico, estudiante y padre de familia. Para el efecto, conviene emplear dispositivos didácticos pertinentes que favorezcan el avance en el aprendizaje de los estudiantes (PEMEEB, 3º ciclo, 7º grado, p.76, 2010). No currículo prescrito de Matemática para o Ensino Médio no Paraguai, a interdisciplinaridade está configurada nos blocos de conteúdos, definindo-a e apontando como deve ser realizada a sua abordagem, como por exemplo: “Trabajar la intradisciplinariedad, es decir, relacionar al máximo los diferentes contenidos del Álgebra y el Cálculo Infinitesimal, teniendo en cuenta que el saber no está compartimentado” (PEMEM, Segundo Curso, p.41; Tercer curso, p.43). O esquema a seguir mostra a integração dos componentes acadêmicos e as áreas tranversais proposta pelo currículo prescrito Paraguaio para trabalho com a Matemática no Ensino Médio. 139 Figura 4: Integração do componete curricular da 3ª série da Educação Média do Paraguai com os Temas Tranversais. O Programa de Ensino Médio no Paraguai explicita que considerando o conceito e características dos conteúdos tranversais, os mesmos devem integrar os objetivos, os conteúdos e os critérios específicos da avaliação em Matemática. Para incorporação dos Temas Transversais o PEMEM destaca que: “es preciso tomar decisiones en los distintos niveles de contextualización curricular cuando se elaboren: el Proyecto Educativo Institucional, El Proyecto Curricular de área Académica y el Curriculum áulico”. O documento também prescreve que o professor deve indicar seu programa de ações concretas para desenvolver os temas tranversais e o documento apresenta alguns critérios para assegurar tal abordagem como: -Fomentar una actitud crítica ante la publicidad sobre: tabaco, alcohol, otros empleando las técnicas propuestas por la Estadística y Probabilidad. -Promover la comunicación armónica en los procesos de trabajos colectivos. Ej: olimpiadas matemáticas, concursos intercolegiales entre otros. -Incentivar la educación ambiental y el desarrollo sostenible, a través de acciones comunitarias, como elaboración de proyectos, 140 campañas, aplicando conocimientos matemáticos a situaciones diversas de la vida. -Expresar y fortalecer actividades y valores básicos de la convivencia democrática, de la educación ambiental y la educación familiar, utilizando el quehacer matemático (PEMEM, 2003, 1º grado, p.54). Em relação as indicações de competências tranversais articuladas ao Ensino de Matemática percebemos que no Brasil o Bloco Tratamento da Informação ligado aos temas transversais (Ética, Meio ambiente e vida, Saúde, pluralidade cultural e orientação sexual). No Paraguai os temas transversais são tratados no Bloco “Tratamento do componente fundamental (Educação ambiental, Educação Familiar e Educacão Democrática), da igualdade de gênero e da atenção à diversidade”. Apesar de especificidades em relação a nomenclatura dos blocos, ambas as prescrições oferecem ao professor possibilidades de um trabalho sistemático e significativo com o tratamento de informação relacionado aos Temas Ttransversais. Outras similaridades dos Temas Transversais com o bloco do Tratamento do componente fundamental (Educação ambiental, Educação Familiar e Educacão Democrática), da igualdade de gênero e da atenção à diversidade foram identificadas: • • • O trabalho matemático interdisciplinar proposto para o tema transversal Ética no Brasil apresenta aspectos similares às recomendações ao Tratamento da Igualdade de Gênero e ao ítem Educação Democrática do componente fundamental do currículo paraguaio, visto que ambos priorizam conteúdos matemáticos direcionados para o desenvolvimento de atitudes, valores e atividades matemáticas que favoreçam o respeito às diferenças individuais e a argumentação de idéias. O Tratamento da Informação associado ao tema Meio Ambiente e Vida e Saúde do Brasil é similar aos pressupostos prescritos no componente fundamental “Educação Ambiental” no Paraguai, uma vez que as recomendações relacionam situações ambientais e de saúdes, onde os alunos a partir de suas bases conceituais de Matemática estruturarão procedimentos (coleta, organização de dados, formulação de hipóteses, modelização e etc.) para soluções de problemas asociados a saúde e/ou meio ambiente. A interdisciplinaridade associada ao Tratamento da Informação no tema transversal “Trabalho e Consumo” no Brasil apresenta prescrições próximas ao ítem Educação Familiar do componente fundamental do currículo paraguaio uma vez que associa o conteúdo matemático à tomada de decisões na área do trabalho, consumo e compreender e analisar elementos de política económica. 141 2.2.7 Referências a opções didático-metodológicas Nesta seção, temos o objetivo de analisar as contribuições da Educação Matemática que entendemos terem sido incorporadas pelos currículos prescritos de Brasil e Paraguai. Na década de 1990, as pesquisas nessa área apontavam algumas recomendações para o ensino e aprendizagem de Matemática, tais como: 1. Resolução de problemas; 2. Conceitos da Didática de Matemática; 3. Concepção construtivista; 4. História da Matemática; 5. Utilização de tecnologias, em especial o uso de calculadora. 6. Recomendações em relação a utilização do livro didático. A seguir, é iniciada uma discussão pertinentes a essas opções didáticas e metodológicas, verificando como foram enfatizadas pelos currículos prescritos nos dois países pesquisados. 2.2.7.1 Resolução de problemas A Resolução de Problemas tem sido foco de pesquisas na área de Educação Matemática, em diversos países. Desde a tradução, no Brasil, da obra organizada por Krulik & Reys25 (1997), o livro do ano de 1980 do NCTM (National Council of Teachers of Mathematics, dos E.U.A.), que esta linha de ensino e pesquisa ganhou mais fôlego entre a maioria de nossos pesquisadores. A obra traz artigos de especialistas, em sua maioria americanos, e o primeiro deles é a reprodução de um texto de George Pólya, de 1949, cujas idéias desencadearam maiores discussões sobre a questão da Resolução de Problemas (R.P.) em Matemática. George Polya, educador matemático húngaro, em seu livro “A arte de resolver problemas”, foi o primeiro grande incentivador. Isso aconteceu ainda na 25 primeira metade do século XX. Sua proposta era tornar os V.A. Krutetskii (1976): The Psychology of Mathematical Abilities in Schoolchildren. Chicago: The University of Chicago Press. 142 estudantes de Matemática bons resolvedores de problemas. Houve avanços e recuos em relação a essa metodologia na área de Educação Matemática, mas a sua essência sempre foi mantida. O que é know how em Matemática? A habilidade para resolver problemas, não apenas os que são rotineiros, mas aqueles que exigem algum grau de independência, julgamento, originalidade e criatividade. Consequentemente, o primeiro e principal dever das escolas de Formação de Professores é enfatizar o trabalho metódico de resolução de problemas (POLYA, 1981, p.12). O autor propõe o trabalho com essa metodologia nas aulas de matemática e na perspectiva do trabalho docente. O NCTM recomendava que a matemática escolar estivesse voltada para a resolução de problemas, estratégia para o desenvolvimento de competências da área, ponderando que: O desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas deve orientar os esforços dos educadores matemáticos por meio da próxima década. Desempenho na resolução de problemas vai medir a eficácia de nossa posse pessoal e nacional de competência matemática (NCTM, 1980). Esse documento propunha, inclusive, que os currículos devessem ser elaborados tomando como eixo essa recomendação, apresentando algumas competências a serem desenvolvidas: O currículo de Matemática deve ser organizado em torno de resolução de problemas. (...) Os programas de Matemática devem proporcionar aos estudantes experiência na aplicação da matemática, na seleção e combinar estratégias para a situação na mão. Os alunos devem aprender a: formular perguntas-chave; analisar e conceituar problemas; definir o problema e seu objetivo; descobrir padrões e semelhanças; buscar dados adequados, experimentando-nos; transferir as habilidades e estratégias a novas situações; basear-se no conhecimento para aplicar a matemática (NCTM, 1980). Pelo exposto, corroborando o que foi proposto neste documento, a resolução de problemas constitui-se em uma metodologia para o ensino de matemática, na qual o professor tem um papel central na efetivação dessa opção didática em sala de aula. Nas propostas dos dois países a resolução de problemas é destacada, documentos analisados. conforme mostram alguns fragmentos dos 143 No Brasil, sobre a Metodologia de Resolução de Problemas o PCN, descreve que: Resolver um problema pressupõe que o aluno elabore um ou vários procedimentos de resolução (como realiza simulações, fazer tentativas, formular hipóteses). Compare seus resultados com os de outros alunos. Valide seus procedimentos. (...) Nessa forma de trabalho, a importância da resposta correta cede lugar a importância do processo de resolução. O fato de o aluno ser estimulado a questionar sua própria resposta, a questionar o problema, a transformar um dado problema numa fonte de novos problemas, a formular problemas a partir de determinadas informações, a analisar problemas abertos que admitem diferentes respostas em função de certas condições, evidencia uma concepção de ensino e aprendizagem não pela mera reprodução de conhecimentos, mas pela via de ação refletida que constrói conhecimentos (PCN, 1997, p. 24). Os PCN ainda destacam que: As necessidades cotidianas fazem com que os alunos desenvolvam uma inteligência essencialmente prática, que permite reconhecer problemas, buscar e selecionar informações, tomar decisões e, portanto, desenvolver uma ampla capacidade para lidar com a atividade matemática. Quando essa capacidade é potencializada pela escola, a aprendizagem apresenta melhor resultado (PCN, 1997, p.29). Já no Paraguai, tal recomendação metodológica traz os seguintes apontamentos: La resolución de problemas constituye una herramienta pedagógica muy valiosa para desarrollar un conjunto considerable de las capacidades establecidas en el área. La acción de resolución de problemas es uno de los ejes principales de la actividad matemática y demanda desafíos intelectuales por parte del estudiante para enfrentar con posibilidades de éxito, las situaciones que se le puedan presentar. Las situaciones, a primera vista, deben crear un conflicto cognitivo en el estudiante, ya que éste no sabrá cómo resolverlas; y por lo tanto, para encontrar la solución precisará recurrir a procesos como ser: leer comprensivamente; reflexionar; debatir en el grupo de iguales; establecer un plan de trabajo, llevarlo a cabo y finalmente, utilizar mecanismos de autocorrección para comprobar la solución y comunicar los resultados (PEMEEB, 2010, 8º grado, p.60). Os PCN para o Ensino Fundamental no Brasil, para a aprendizagem de matemática via resolução de problemas propõe que os alunos devam elaborar um ou mais procedimentos de resolução, e em seguida, comunicar e validar este(s) procedimento(s) por meio de debates em grupo. O documento prescrito brasileiro também destaca que a R.P. evidencia 144 uma concepção de ensino e aprendizagem que prioriza a ação refletida na construção de conhecimentos e que esta metodologia deve ser potencializada pela escola com vistas a obtenção de resultados mais efetivos e significativos de aprendizagem. No documento prescrito paraguaio, o trecho do currículo da Educação Escolar Básica selecionado apresenta a R.P. como uma ferramenta metodológica importante para o desenvolvimento das capacidades propostas para a área de Matemática, uma vez que requer dos estudantes processos de reflexão, atitudes e procedimentos para solucionar e comunicar os resultados de uma determinada situação. Pelo exposto anterior, verifica-se que os PCN no Brasil e os Programas da Educação Escolar Básica no Paraguai apresentam fortes ênfases na Metodologia da Resolução de Problemas e vêem nesta abordagem um dos eixos norteadores para a organização do currículo e para o desenvolvimento de competências estabelecidas pelo mesmo para a Matemática no Ensino Fundamental, uma vez que a metodologia permite que os alunos sejam estimulados a vivenciarem situações de ação, formulação de hipóteses e estratégias, procedimentos e validação de resultados obtidos. O currículo prescrito brasileiro também recomenda a Resolução de Problemas, em alguns blocos de conteúdos do Ensino Médio: Com o desenvolvimento de novos paradigmas educacionais, especialmente daquele que toma a aprendizagem sob a concepção socioconstrutivista, e diante das limitações dos problemas “fechados”, surgem as propostas de “problema aberto” e de “situação-problema”. Apesar de apresentarem objetivos diferentes, esses dois tipos de problemas colocam o aluno, guardando-se as devidas proporções, em situação análoga àquela do matemático no exercício da profissão. O aluno deve, diante desses problemas, realizar tentativas, estabelecer hipóteses, testar essas hipóteses e validar seus resultados (PCNEM, 2006, p.84). O Programa de Estudos de Matemática para a Educação Média (PEMEM) do Paraguai apontam em suas considerações metodológicas a utilização da Resolução de Problemas: Iniciar el aprendizaje de cada tema a partir de una situación problema, otorgando a los/las estudantes/as el tiempo necesario para aclarar dudas, analizar posibles alternativas de solución, favorecer el intercambio de opiniones fundamentando, el tipo de 145 conocimiento que se requiere para la solución. Desarrollar la capacidad para resolver problemas, tomando en consideración los estudios realizados por Geoge Polya respecto a la secuencia a seguir en el proceso de resolución de problemas: 1°) Comprender el problema, analizando el conocimie nto previo que tiene el/la estudiante sobre la situación planteada, reconocer las partes principales del problema como ser, la incógnita, los datos y la condición determinada en el problema. 2°) Idear un plan para resolverlo, es decir formula r una estrategia a ser seguida para establecer la relación entre los datos y la incógnita, transformar en otro problema cuya solución se conozca, decidir los cálculos o razonamientos a ser efectuados con el fin de determinar el valor de la incógnita de manera a obtener finalmente un plan de solución. 3°) Ejecutar el plan de solución, llevando a cabo c ada uno de los pasos previstos. 4°) Examinar la solución obtenida, tratando de reso lver el problema de un modo diferente, reconsiderar la solución, reexaminar el resultado y el camino que le condujo a él, para consolidar su conocimiento y desarrollar aptitudes para resolver problemas (PEMEM, 2º curso, 2003, p. 41 y 42). Para o Ensino Médio os PNC do Ensino Médio, àrea Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, enfatiza a metodologia de Resolução de Problemas em uma perspectiva desafiadora com vistas ao rompimento das limitações dos chamados problemas fechados, propondo a abordagem de problemas “abertos” ou as chamadas situações-problemas, que apesar de apresentarem objetivos diferentes, levarão aos alunos a realizarem tentativas, hipósteses, testar as hipóteses e validar os resultados obtidos. Já o Programa de Educação Média do Paraguai indica que a aprendizagem deve ser iniciada por meio da apresentação de situaçõesproblemas, onde o docente deverá conceder tempo necessário para esclarecimento de possíveis dúvidas, analisar possíveis tentativas de solução e promover um ambiente de intercâmbio de opiniões e levar os alunos a refletirem sobre o tipo de conhecimento matemático requerido para a solução da situação proposta. Similarmente, os programas do Ensino Médio dos dois sistemas educativos priorizam a apresentação de situações-problemas, com vistas à testagem, hipóteses, teste de hipóteses e validação da solução. Especificidades também são apresentadas comparando os documentos dos dois países. O PCNEM no Brasil enfatiza claramente a 146 necessidade de proposição de situações abertas, o que não aparece no documento prescrito paraguaio. Já o Programa da Educação Média do Paraguai apresenta, explicitamente nas prescrições, o desenvolvimento da capacidade de resolver problemas considerando os estudos e a sequência proposta por George Polya (compreensão do problema, plano de solução, execução do planejamento, exame e reexame da solução obtida). Os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio, também propõe a articulação da Resolução de problemas com a Modelagem Matemática e a Metodologia de Projetos: A Modelagem Matemática, percebida como estratégia de ensino, apresenta fortes conexões com a idéia de resolução de problemas apresentada anteriormente. Ante uma situação-problema ligada ao “mundo real”, com sua inerente complexidade, o aluno precisa mobilizar um leque variado de competências: selecionar variáveis que serão relevantes para o modelo a construir; problematizar, ou seja, formular o problema teórico na linguagem do campo matemático envolvido; formular hipóteses explicativas do fenômeno em causa; recorrer ao conhecimento matemático acumulado para a resolução do problema formulado, o que, muitas vezes, requer um trabalho de simplificação quando o modelo originalmente pensado é matematicamente muito complexo; validar, isto é, confrontar as conclusões teóricas com os dados empíricos existentes; e eventualmente ainda, quando surge a necessidade, modifi car o modelo para que esse melhor corresponda à situação real, aqui se revelando o aspecto dinâmico da construção do conhecimento (PCNEM, 2006, p. 84-85). Como a Modelagem e a Metodologia de projetos: Articulada com a idéia de modelagem matemática, tem-se a alternativa de trabalho com projetos. Um projeto pode favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares, ao integrar os diferentes saberes disciplinares. Ele pode iniciar a partir de um problema bem particular ou de algo mais geral, de uma temática ou de um conjunto de questões inter-relacionadas. Mas, antes de tudo, deve ter como prioridade o estudo de um tema que seja de interesse dos alunos, de forma que se promova a interação social e a refl exão sobre problemas que fazem parte da sua realidade. São situações a serem trabalhadas sob uma visão interdisciplinar, procurando-se relacionar conteúdos escolares com assuntos do cotidiano dos estudantes e enfatizar aspectos da comunidade, da escola, do meio ambiente, da família, da etnia, pluriculturais, etc. (PCNEM, 2006, p.85). Assim como os Parâmetros curriculares do Ensino Médio no Brasil, o Programa de Educação Média do Paraguai, destacam a Resolução de 147 problemas atrelada à Modelagem Matemática, e consequentemente, a Metodologia de Projetos, sugerindo que tais recomendações propiciem: Desarrollar en los/as estudantes/as la capacidad de modelizar, es decir, de interrelacionar las matemáticas al mundo real.Trabajar la consolidación de los conocimientos matemáticos a desarrollarse en este curso por meio de la metodología de proyectos, tanto áulicos como de área, apuntando la formación de los estudantes/as al servicio de la comunidad, constituyéndose así las Matemáticas en un área facilitadora de la inserción del/la joven a la vida profesional y que al mismo tiempo lo entrene como ciudadano responsable en esta sociedad de cambio constante y de globalización (PEMEM, 2º curso, 2003, p.42). No PCNEM do Brasil, a Modelagem Matemática é definida como uma estratégia de ensino que apresenta fortes conexões com a Metodologia de Resolução de Problemas, onde uma situação-problema do “mundo real” é proposta, necessitando a explicitação das variáveis para o modelo, a problematização (formulação de hipóteses explicativas do fenômeno), o conhecimento matemático necessário para a resolução do problema formulado, validação e modificação do modelo quando necessário com vistas a melhorar solução da situação real, revelendo uma estratégia metodológica dinâmica na construção do conhecimento. No Paraguai, a Metodologia de Projetos é apresentada no currículo prescrito do Ensino Médio como atrelada ao Resolução de Problemas e Modelagem Matemática, a formação dos estudantes com vistas ao serviço à comunidade, apresentam a Matemática como área fundamental de inserção no mundo globalizado. Os fragmentos apresentados dos currículos prescritos dos dois países vão de encontro aos princípios de Polya (1981) e as recomendações do (NCTM, 1980), que apontam a Resolução de Problemas como uma metodologia que contribui para que haja alguma mudança na perspectiva da ação docente, para além da organização do conhecimento curricular. Onde temos a perspectiva que os alunos sejam estimulados a relacionar os conhecimentos escolares adquiridos, não só à resolução de problemas matemáticos e suas generalizações, mas também com problemas relativos a outras áreas. 148 2.2.7.2 Conceitos da Didática da Matemática Nesta seção, serão destacados alguns conceitos sobre a Didática da Matemática, nesse contexto, Brousseu (1996) destaca que: A didática da matemática estuda as atividades didáticas, ou seja, as atividades que têm como objeto o ensino, evidentemente naquilo que elas têm de específico para a matemática. Neste domínio, os resultados são cada vez mais numerosos, e dizem respeito aos comportamentos cognitivos dos alunos, mas também aos tipos de situações utilizadas para lhes ensinar e a todos os fenômenos aos quais a comunicação do saber dá lugar. A produção ou o melhoramento de meios de ensino encontra nestes resultados muito mais do que objetivos ou meios de avaliação, encontra neles um apoio teórico, explicações, meios de previsão e de análise, sugestões, e mesmo dispositivos e métodos (1996, p.35). Segundo a visão da pesquisadora Régine Douady (2002): A Didática da Matemática estuda os processos de transmissão e de aquisição dos diferentes conteúdos desta ciência, particularmente numa situação escolar ou universitária. Ela se propõe a descrever e explicar os fenômenos relativos às relações entre seu ensino e sua aprendizagem. Ela não se reduz a pesquisar uma boa maneira de ensinar uma determinada noção partícular (Douady apud PAIS, 2002b, p. 10-11). Deste conceito podemos apreender que a Didática da Matemática “não visa simplesmente recomendar modelos ou receitas de solução a determinados problemas de aprendizagem”. (PAIS, 2002b, p. 11). A Didática tem sido uma área de investigação intensa em Educação Matemática, procurando construir, por meio de pesquisas, um conjunto de referenciais teóricos para ação do professor em sala de aula, como aponta Paes: A didática da matemática é uma da tendência da grande área de educação matemática, cujo objeto de estudo é a elaboração de conceitos e teorias que sejam compatíveis com a especificidade educacional do saber escolar matemático, procurando manter fortes vínculos com a formação de conceitos matemáticos, tanto em nível experimental da prática pedagógica, como no território teórico da pesquisa acadêmica (2008, p. 11). Em Pais (2002a), obtemos uma definição da Didática da Matemática relativa ao contexto brasileiro. Nesta, a Didática da Matemática, uma tendência da grande área da Educação Matemática, tem por objeto de estudo “a elaboração de conceitos e teorias que sejam compatíveis com a especificidade educacional do saber escolar matemático, procurando manter 149 fortes vínculos com a formação de conceitos matemáticos, tanto em nível experimental da prática pedagógica, como no território teórico da pesquisa acadêmica” (Ibidem). Almouloud (2007), indica como objetivo primordial da Didática da Matemática a caracterização de um processo de aprendizagem por meio de uma série de situações reprodutíveis, denominadas de situações didáticas, que estabelecem os fatores determinantes para a evolução do comportamento dos alunos. Assim, “o objeto central de estudo nessa teoria não é o sujeito cognitivo, mas a situação didática, na qual são identificadas as interações entre professor, aluno e saber” (ALMOULOUD, 2007, p.32). Almouloud (2007), faz menção à duas visões da pesquisa em didática: a abordagem vygotskyana e a piagetiana. Tais abordagens serão descritas, pois consideramos que foram levadas em consideração na elaboração dos currículos, tanto no Brasil, como no Paraguai. A respeito da abordagem vygotskyana, o autor menciona que: A organização conceitual das análises realizadas pelos autores soviéticos apóia-se em uma concepção do desenvolvimento da criança na qual o social e atividade ocupam lugar de destaque. O social constitui a fonte do desenvolvimento conceitual da criança e caracteriza a organização da atividade comum e da aprendizagem do aluno (ALMOULOUD, 2007, p. 21). Por outra via, a abordagem piagetiana ou construtivista: Foi desenvolvida com o objetivo de estudar o processo de ensino e aprendizagem de conceitos e noções matemáticas. Essa abordagem foi pensada a partir do modelo piagetiano de desenvolvimento da inteligência em relação à representação do mundo, explorando a idéia de que esse desenvolvimento se faz por adaptação a situações novas para o sujeito, ou seja, situações para as quais os conhecimentos e as competências disponíveis não se mostram suficientes. Diferentemente do modelo piagetiano, as pesquisas feitas no contexto escolar tentaram considerar a dimensão institucional da aprendizagem por meio das relações professor-aluno e das relações entre alunos (ALMOULOUD, 2007, p. 23). A variante do modelo piagetiano originou uma didática da matemática na França, denominada Didática Francesa, que em linhas gerais: dá ênfase à dimensão social e, em escala menor, à dimensão histórica, na aquisição dos conhecimentos. Os processos de aquisição de conhecimentos não são unicamente situados do lado dos sujeitos individualmente, mas da classe; a aquisição deve ser o 150 resultado de um processo de adaptação dos sujeitos às situações que o professor organizou, nas quais as interações com os outros alunos terão um papel importante (ALMOULOUD, 2007, p. 23). Outra abordagem da área da Didática da Matemática, que é intrínseca ao currículo, é a Transposição Didática propriamente dita, que estuda o processo seletivo por que passa o conjunto dos conteúdos que constituem os programas escolares e que pode ser chamado de saber escolar. Tal saber escolar transforma-se de um saber científico originário, por meio de um processo evolutivo que acaba determinando características bem particulares ao saber escolar. O teórico Chevallard (apud PAIS, 2002c, p. 16) destaca que: Um conteúdo do conhecimento, tendo sido designado como saber a ensinar, sofre então um conjunto de transformações adaptativas que vão torná-lo apto a tomar lugar entre os “objetos de ensino”. O “trabalho”, que de um objeto de saber a ensinar faz um objeto de ensino é chamado de transposição didática (CHEVALLARD, 2002, p.39) Esse processo resulta, não só na escolha de conteúdos, a fim de estabelecer propostas de conteúdo para a educação escolar, como também na definição de valores, objetivos e métodos, que conduzem o sistema de ensino. Na análise que se segue, procuramos destacar quais dessas influências comparecem nos currículos prescritos de Brasil e Paraguai, caso tenham sido indicadas pelos elaboradores. Na elaboração do currículo do Ensino Médio no Brasil, ítem “Questões de Metodologia” é perceptível a preocupação em orientar os professores sobre as facetas e tendências que envolvem a didática. Para o entendimento da complexidade que permeia uma situação didática26, o PCNEM descreve, de forma resumida duas destacadas concepções sobre o processo de ensino e aprendizagem de Matemática e prossegue com a introdução de alguns conceitos, tais como Contrato Didático (Brosseau), Contrato Pedagógico, Transposição Didática (Chevallard) e Contextualização, 26 Uma situação didática pode ser compreendida como o estabelecimento de relações entre um professor, alunos e um certo objeto de conhecimento, em que aparece, de forma explícita, a intenção desse professor em fazer com que os alunos se apropriem daquele objeto de conhecimento (PCNEM, 2006, pg.80). 151 que tratam de explicitar alguns dos fenômenos que fazem parte da situação didática. A primeira corrente, historicamente a mais presente nas nossas salas de aula de Matemática, identifica o ensino como transmissão de conhecimento, e aprendizagem como mera recepção de conteúdos, como aponta o documento: Nessa concepção, a aprendizagem é vista como um acúmulo de conhecimentos, e o ensino baseia-se essencialmente na “verbalização” do conhecimento por parte do professor. Se por um lado essa concepção teórica apresenta a vantagem de se atingir um grande número de alunos ao mesmo tempo, visto que a atividade estaria a cargo do professor, por outro lado demanda alunos bastante motivados e atentos à palavra do professor, o que não parece ser o caso para grande parte de nossos alunos, que estão imersos em uma sociedade que oferece uma gama de outras motivações (PCNEM, 2006, p.80). A segunda corrente, destacada no PCNEM, é considerada ainda pouco explorada nos sistemas de ensino, transfere para o aluno, em grande parte, a responsabilidade pela sua própria aprendizagem, na medida em que o coloca como ator principal desse processo, como vemos a seguir: As idéias socioconstrutivistas da aprendizagem partem do princípio de que a aprendizagem se realiza pela construção dos conceitos pelo próprio aluno, quando ele é colocado em situação de resolução de problemas. Essa idéia tem como premissa que a aprendizagem se realiza quando o aluno, ao confrontar suas concepções, constrói os conceitos pretendidos pelo professor. Dessa forma, caberia a este o papel de mediador, ou seja, de elemento gerador de situações que propiciem esse confronto de concepções, cabendo ao aluno o papel de construtor de seu próprio conhecimento matemático (PCNEM, 2006, p.81). Na elaboração do Programa de Estúdio, Currículum Nacional, Área de Matemática y sus Tecnologías do Paraguai, a compreensão pelo professor da Didática da Matemática foi considerada para alcançar os objetivos da reforma curricular, como podemos verificar nesta observação: El desarrollo de las competencias matemáticas dependerá, en gran medida, del nivel de motivación del/la alumno/a para que de esa manera pueda producirse el proceso de construcción de conceptos y la aplicación de los mismos en situaciones vinculadas con la vida real. Por consiguiente, los/as docentes deberán establecer estrategias pertinentes para lograr una conducta favorable hacia el aprendizaje de las matemáticas, que podrá ser lograda por meio de la aplicación de los conceptos en la resolución de problemas en diferentes situaciones reales, por sus aplicaciones a otras ramas del 152 conocimiento y también por la belleza, potencia y simplicidad de su lenguaje y método propios. Las estrategias metodológicas a ser empleadas deben tender al logro de una actitud positiva de alumnos/as frente al aprendizaje, actitud que llevará a la construcción del conocimiento matemático (PEMEM, 1º curso, 2006, p.50). No documento paraguaio para a Educação Média percebemos que é enfatizado não somente o conhecimento do professor em uma situação didática, mas que o desenvolvimento das competências matemáticas dependerá do nível de motivação do aluno e deixa explícito que a função do professor é estabelecer estratégias para gerar uma conduta favorável à aprendizagem e a construção do conhecimento matemático. Na análise do documento paraguaio verificamos que existe um certo equilíbrio nas atribuições dos papéis de alunos e professores no processo ensino aprendizagem, refutando as duas concepções apresentadas e destacadas no PCNEM do Brasil. No fragmento do currículo paraguaio também percebemos implicitamente a idéia de Transposição de Didática e por apresentar a Resolução de Problemas, deixa uma abertura para o trabalho docente sistemático por meio da Modelagem Matemática, noções essas prescritas para os professores do Brasil no currículo oficial. No PCN do Ensino Fundamental, as orientações didáticas direcionadas ao professor são expressas da seguinte forma: • identificar as principais características dessa ciência, de seus métodos, de suas ramificações e aplicações; • conhecer a história de vida dos alunos, seus conhecimentos informais sobre um dado assunto, suas condições sociológicas, psicológicas e culturais; • ter clareza de suas próprias concepções sobre a Matemática, uma vez que a prática em sala de aula, as escolhas pedagógicas, a definição de objetivos e conteúdos de ensino e as formas de avaliação estão intimamente ligadas a essas concepções (BRASIL, 1998, p. 36) No caso paraguaio as orientações para as situações didáticas a serem propostas no 3º Ciclo do Ensino Fundamental são seguintes: Desarrollar capacidades matemáticas en el estudiante implica ponerlo en diversas situaciones de uso de las matemáticas. Esto significa, crear espacios para la comprensión de los conceptos y procedimientos matemáticos, y no reducirse a la simple mecanización de algoritmos rutinarios y, por consiguiente, el desarrollo de estas capacidades demanda por parte del estudiante la ejecución de actividades didácticas que permitan al estudiante experimentar y construir “su matemática”, formular y resolver problemas cercanos a sus intereses, construir y utilizar materiales 153 concretos, emplear el lenguaje matemático para comunicar ideas matemáticas, entre otras. El uso de diversas estrategias metodológicas por parte del docente favorecerá el progreso del estudiante en el desarrollo de las diferentes capacidades. Para seleccionar la estrategia más adecuada a cada situación, el docente debe considerar, entre otros factores: las características de su grupo, los conocimientos previos de los estudiantes y las capacidades que se pretenden desarrollar, y planificar en función a ellos. En todo proceso del quehacer matemático, resulta de gran relevancia considerar algunos factores con el fin de consolidar la adquisición de las capacidades, tales como: - fomentar las actitudes positivas hacia el aprendizaje de las matemáticas; - utilizar estrategias pertinentes que posibiliten la buena práctica docente y la optimización de los aprendizajes; - informar sobre las capacidades que se desarrollarán mediante el área, y fomentar el trato respetuoso. (PEMEEB, 7º grado, 2010, p.56) O PCN do Brasil para o fundamental nas orientações didáticas para o professor expressa ser importante o mesmo ter o conhecimento da realidade onde está inserido, bem como estar ciente das suas próprias crenças e concepções a respeito da Matemática, uma vez que infuenciam diretamente na escolha metodológicas e nos métodos de avaliação propostos aos alunos. Os Programas de Educação Escolar Básica do Paraguai, em um item específico de Orientações Metodológicas, prescrevem que a tarefa do professor é criar espaços para o desenvolvimentos das capacidades matemáticas pelos estudantes. Enfatiza também que o uso de diversas estratégias metodológicas favorece o desenvolvimento das capacidades, ou seja, estratégias que possibilitem a boa prática docente e a otimização da aprendizagem dos alunos durante as situações didáticas propostas. Para o Ensino Fundamental vemos que as propostas são bem similares dos dois países pesquisados no que tange a tarefa do professor. Especificidade observada no documento prescrito do Brasil de forma explícita foi no tocante a indicação que o professor deverá ter consciência da construção da ciência matemática e de sua própria formação, concepções e crenças, fatores esses que influenciam diretamente na proposição e gerenciamento das situações didáticas e consequentemente na aprendizagem dos alunos. 154 2.2.7.3 Concepção construtivista Segundo Fiorentini (2005), a concepção construtivista de aprendizagem, que envolve a conexão, aluno, professor e conhecimento, vê a Matemática como: Uma construção humana constituída por estruturas e relações abstratas entre formas e grandezas reais ou possíveis. Por isso, essa corrente prioriza mais o processo que o produto do conhecimento. Ou seja, a Matemática é vista como um constructo que ressalta a interação dinâmica do homem com o meio que o circunda. A apreensão dessas estruturas pela criança se dá de forma interacionista, especialmente a partir de abstrações reflexivas, realizadas mediante a construção de relações entre objetos , ações ou idéias já construídas (FIORENTINI, 2005, p.20). Segundo o autor, essa abstração é uma construção feita interativamente/operativamente pela mente, e não obtida simplesmente de algo já existente nos objetos como fazem crer os empiristas (Kamii, 1988 apud Fiorentini, 2005). Outra perspectiva em relação a Concepção Construtivista de aprendizagem, refere-se à convicção de que os alunos trazem conhecimentos prévios para uma situação de aprendizagem, em que envolvimento pessoal apresenta papel fundamental na construção de significados. Driver apud Porlán (1998), sintetiza os princípios construtivistas da aprendizagem como sendo: a valorização do conhecimento prévio, o estabelecimento de relações, a construção ativa de significados e a responsabilidade sobre sua própria aprendizagem. A concepção construtivista toma como ponto de vista que: aprender qualquer um dos conteúdos escolares pressupõe atribuir um sentido e construir os significados implicados em tal conteúdo. Pois bem, essa construção não é efetuada a partir do zero, nem mesmo nos momentos iniciais da escolaridade. O aluno constrói pessoalmente um significado (ou o reconstrói do ponto de vista social) com base nos significados que pode construir previamente. Justamente graças a esta base é possível continuar aprendendo, continuar construindo novos significados (COLL et al.: 2009, p. 58). Pires (2009) apresentando reflexões construtivistas de Martin Simon, destaca sobre as perspectivas que a organização do 155 desenvolvimento do conhecimento em sala de aula parece uma análise particular coordenada, baseada em perspectivas psicológicas (cognitivas) e sociológicas, a saber: A análise psicológica da aprendizagem da Matemática em sala de aula foca-se no conhecimento individual sobre a Matemática, seu entendimento para o outro e seu senso de funcionamento na aula de Matemática. A análise sociológica toma como ponto de partida o conhecimento e as normas sociais da sala de aula. As “normas sociais” referem-se àquilo que está entendido como a construção do conhecimento com efetiva participação dos alunos nas aulas de Matemática. Incluem também as expectativas que os membros da comunidade têm sobre professores e alunos, os conceitos dos meios utilizados para a elaboração da aula de Matemática e o caminho utilizado para validar a aula de Matemática. Perspectivas construtivistas e organizações curriculares (Ibidem, p.153). Para Simon, é proveitoso ter uma visão da Matemática como uma atividade cognitiva apreendida por processos culturais e sociais e como fenômenos sociais e culturais constituídos por uma comunidade altamente conscientizada. Em nossa análise, temos como objetivo verificar em que medida esses pressupostos inserem-se nos currículos prescritos de Brasil e Paraguai. O construtivismo consiste em uma concepção de aprendizagem que fornece critérios para o planejamento tanto do processo de ensino e aprendizagem, pela seleção do professor das atividades pertinentes aos alunos, quanto a elaboração e a viabilização do currículo de matemática, constituindo-se em um referencial útil para a reflexão e a tomada de decisões compartilhada (COLL et al., 2009, p. 25). Pela leitura dos PCN e dos Programas de Estudo do Paraguai foram constatadas marcas da concepção construtivista nesses documentos. Inicialmente, destacamos a concepção de que aprender é construir. Nos PCN, esse aspecto é enfatizado nos princípios norteadores da organização dos conteúdos matemáticos: a aprendizagem em Matemática está ligada à compreensão, isto é, à atribuição e apreensão de significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe identificar suas relações com outros objetos e acontecimentos. Assim, o tratamento dos conteúdos em compartimentos estanques e numa rígida sucessão linear deve dar lugar a uma abordagem em que as conexões sejam favorecidas 156 e destacadas. O significado da Matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais áreas, entre ela e os Temas Transversais, entre ela e o cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos (BRASIL, 1997, p. 19). Em relação ao ensino e aprendizagem de Matemática no Ensino Fundamental, o documento brasileiro considera a análise de variáveis envolvidas nesse processo: aluno, professor e saber matemático, assim como das relações entre elas. A concepção de aprendizagem ligada a construção do conhecimento também é um aspecto enfatizado nos princípios norteadores da organização dos conteúdos matemáticos do Programa de Estudos da Educação Escolar Básica no Paraguai, visto: La Matemática debe ser abordada como un proceso de construcción de conocimientos que le permita al niño y la niña: cuestionarse, reflexionar, establecer relaciones, analizar situaciones, descubrir estrategias para resolver problemas con creatividad y dejarse sorprender a fin de construir unas matemáticas prácticas, creativas y accesibles que propicien aprendizajes significativos en función a sus necesidades e intereses, de tal manera que desarrollen hábitos mentales matemáticos y puedan sentir y querer las matemáticas, ya a temprana edad (PMEEB, 3º grado, 2008, p.82). O documento paraguaio também prescreve que a matemática deve ser abordada como um processo de construção de conhecimentos que propiciem aprendizagens significativas para os alunos. Os documentos dos dois países no que diz respeito a abordagem construtivista no Ensino Fundamental apresentam recomendações similares, destacando o processo de aprendizagem Matemática associado a construção de significados por partes dos alunos. O Programa da Educação Média do Paraguai, também aponta tal concepção, considerando como um aspecto importante a ser contemplado para a efetivação das competências propostas no currículo: Trabajar las demonstraciones y/o deduciones de las fórmulas o expresiones matemáticas requeridas para el curso, de tal manera que las mismas formem parte de un processo de construción del conocimiento matemático del estudiante (PEMEM, 2º curso, 2003 p.21). 157 Em relação ao professor e ao saber matemática, o PCN consideram que o professor apresenta distintos papéis no trabalho em sala de aula: Para desempenhar seu papel de mediador entre o conhecimento matemático e aluno, o professor precisa ter um sólido conhecimento dos conceitos e procedimentos dessa área e uma concepção de Matemática como ciência que não trata de verdades infalíveis imutáveis, mas como ciência dinâmica, sempre aberta à incorporação de novos Conhecimentos (BRASIL, 1998, p. 36). Além disso, aspecto essencial para o planejamento do trabalho educativo, o professor precisa ter conhecimento da maneira como o saber científico é transformado em saber escolar, para ser mobilizado em sala de aula: Esse processo de transformação do saber científico em saber escolar não passa apenas por mudanças de natureza epistemológica, mas é marcado significativamente por condições de ordem social e cultural que resultam na elaboração de saberes intermediários, com aproximações provisórias, necessárias e intelectualmente formadoras. Por outro lado, um conhecimento só é pleno se for mobilizado em situações diferentes daquelas que serviram para lhe dar origem. Para que sejam transferíveis a novas situações e generalizados, os conhecimentos devem ser descontextualizados, para serem novamente contextualizados em outras situações. Mesmo no ensino fundamental, espera-se que conhecimento aprendido não fique indissoluvelmente vinculado a um contexto concreto único, mas que possa ser generalizado, transferido a outros contextos (BRASIL, 1997, p. 30). Em relação ao aluno, outra qualidade do professor consiste em reconhecer a capacidade dos alunos na busca do conhecimento matemático, em especial, para acionar o conhecimento prévio: é fundamental não subestimar o potencial matemático dos alunos. reconhecendo que resolvem problemas, mesmo que razoavelmente complexos, ao lançar mão de seus conhecimentos sobre o assunto e buscar estabelecer relações entre o já conhecido e o novo (BRASIL, 1997, p. 29). Além disso, cabe ao professor fazer um trabalho de mostrar as conexões entre os conteúdos matemáticos e as outras áreas do conhecimento: O significado da atividade matemática para o aluno também resulta das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos e também entre estes e as demais áreas do conhecimento e as situações do cotidiano (BRASIL, 1997, p. 29). 158 No que tange às relações professor-aluno e aluno-aluno, os PCN apontam que há uma tradição de seu ensino que pode ser superado: Tradicionalmente, a prática mais freqüente no ensino de Matemática tem sido aqueles em que o professor apresenta o conteúdo oralmente, partindo de definições, exemplos, demonstração de propriedades, seguidos de exercícios de aprendizagem, fixação e aplicação, e pressupõe que o aluno aprenda pela reprodução. Assim, considera-se que uma reprodução correta é evidência de que ocorreu a aprendizagem (BRASIL, 1997, p. 30). Os PCN ressaltam alguns papéis do professor no processo de ensino e aprendizagem: 1. Organizador: Numa perspectiva de trabalho em que se considere o aluno como protagonista da construção de sua aprendizagem, o papel do professor ganha novas dimensões. Uma faceta desse papel é a de organizador da aprendizagem; para desempenhá-la, além de conhecer as condições socioculturais, expectativas e competência cognitiva dos alunos, precisa escolher os problemas que possibilitam a construção de conceitos e procedimentos; alimentar os processos de resolução que surgirem, sempre tendo em vista os objetivos que se propõe atingir. Atua também como organizador ao estabelecer as condições para a realização das atividades e fixar prazos, respeitando o ritmo de cada aluno (BRASIL, 1997, p. 30-31). 2. Facilitador nesse processo: Não mais aquele que expõe todo o conteúdo aos alunos, mas aquele que fornece as informações necessárias, que o aluno não tem condições de obter sozinho. Nessa função, faz explanações, oferece materiais, textos etc. (BRASIL, 1997, p. 31). 3. Mediador : Outra de suas funções é como mediador, ao promover a análise das propostas dos alunos e sua comparação, ao disciplinar as condições em que cada aluno pode intervir para expor sua solução, questionar, contestar. Nesse papel, o professor é responsável por arrolar os procedimentos empregados e as diferenças encontradas, promover o debate sobre resultados e métodos, orientar as reformulações e valorizar as soluções mais adequadas (BRASIL, 1998, p. 38). 4. Condutor do processo: Ele também decide se é necessário prosseguir o trabalho de pesquisa de um dado tema ou se é o momento de elaborar uma síntese, em função das expectativas de aprendizagem previamente estabelecidas em seu planejamento (BRASIL, 1998, p. 38). 5. Incentivador da aprendizagem: Como um incentivador da aprendizagem, o professor estimula a cooperação entre os alunos, tão importante quanto a própria interação professor-aluno. O confronto entre o que o aluno pensa e o que pensam seus colegas, seu professor e as demais pessoas com que convive é uma forma de aprendizagem significativa, 159 principalmente por pressupor a necessidade de formulação de argumentos (dizendo, descrevendo, expressando) e de validá-los (questionando, verificando, convencendo) (BRASIL, 1998, p. 38). 6. Avaliador: Destaca-se ainda a tarefa de avaliador do processo, que também é parte integrante do papel do professor. Ao procurar identificar e interpretar, mediante observação, diálogo e instrumentos apropriados, sinais e indícios das competências desenvolvidas pelos alunos, o professor pode julgar se as capacidades indicadas nos objetivos estão se desenvolvendo a contento ou se é necessário reorganizar a atividade pedagógica para que isso aconteça. Também faz parte de sua tarefa como avaliador levar os alunos a ter consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para que possam reorganizar suas atitudes diante do processo de aprendizagem (BRASIL, 1998, p. 38). Entre esses papéis, todos ressaltam o trabalho intelectual do professor em planejar a ação educativa, aspecto destacado na concepção construtivista. Por fim, na relação aluno-aluno, um aspecto fundamental consiste em aprender a desenvolver atividades em grupo na sala de aula: Trabalhar coletivamente, por sua vez, favorece o desenvolvimento de capacidades como: • perceber que além de buscar a solução para uma situação proposta devem cooperar para resolvê-la e chegar a um consenso; • saber explicitar o próprio pensamento e procurar compreender o pensamento do outro; • discutir as dúvidas, supor que as soluções dos outros podem fazer sentido e persistir na tentativa de construir suas próprias idéias; • incorporar soluções alternativas, reestruturar e ampliar a compreensão acerca dos conceitos envolvidos nas situações e, desse modo, aprender (BRASIL, 1997, p. 31). Os Programas paraguaios também apontam algumas funções do professor: 1. Organizador: Debe orientar a los estudiantes a identificar los datos que proporciona el enunciado de la situación, que serán útiles para encontrar la solución solicitada (PEMEEB, 7º grado, 2010, p.62). 2. Condutor: 160 Para seleccionar la estrategia más adecuada para cada situación, el docente debe considerar entre otros factores: las características de su grupo, los conocimientos previos de los estudiantes y las capacidades que se pretenden desarrollar, y planificar en función a estas cuestiones (PEMEEB, 7º grado, 2010, p.57). 3. Incentivador da aprendizagem, respeitando as diferenças individuais: Reconocer tanto los esfuerzos de los alumnos como sus éxitos; no deben elogiarse tan solo los buenos resultados, sino también los esfuerzos desplegados, independientemente de los logros obtenidos, respetando las diferencias individuales (PEMEM, 3º grado, 2003, p.43). 4. Elaborador de questionamentos: La acción didáctica del docente debe estar orientada fundamentalmente hacia la producción de preguntas que permita identificar un procedimiento de resolución a la situación planteada, aunque en los primeros tiempos se podría trabajar con preguntas redundantes (o sea las mismas son evidentes o absurdas respecto al texto del enunciado) y, luego, ir avanzando progresivamente hacia preguntas que exigen elaborar un procedimiento de resolución (PEMEEB, 7ºgrado, 2010, p.71) 5. Facilitador: En este proceso, el docente como facilitador, debe orientar al estudiante a expresar en forma oral, escrita y/o gráfica lo planteado en el problema y a identificar los elementos que se visualizan en el enunciado: la/s información/es que proporciona (datos), lo que se solicita en el problema (incógnita) y las condiciones del mismo (PEMEEB, 7ºgrado, 2010, p.64). 6. Avaliador: Para este efecto, es fundamental que el docente tenga claro qué espera que aprendan los estudiantes. Esto le facilitará la planificación de procesos de aprendizajes pertinentes al caso, al centrar la atención en lo importante y lo significativo, así como también, le ayudará a realizar la elección de los materiales y las actividades más apropiadas que requiere para el fin propuesto y, consecuentemente, orientar la evaluación hacia la evidencia y la valoración de los aprendizajes propuestos (PEEB, 7ºgrado, 2010, p.77). Por fim, é destacado a importância da relação professor-aluno, aluno-aluno, onde o professor tem papel fundamental e segundo o Programa Paraguaio para a Educação Média, o mesmo deverá: 161 Propiciar un clima agradable, de trabajo cooperativon y de construción partticipativa, ya que por lo general, las situaciones problemáticas en contexrtos reales son abordados en equipo. Por tanto, el salón de clases debe ser un lugar donde se promuevan actividades que ayuden al/la estudioante a desarrrollar las capacidades propuestas en el sistema educativo (PEMEM, 2º curso, 2003, p.20). Pelo exposto, tanto os PCN como os Programas de Estudo do Paraguai evidenciam alguns dos elementos básicos da concepção construtivista. Uma vez que concepção construtivista envolve a conexão aluno, professor e conhecimentos. Conforme destaca Fiorentini (2005), segue uma análise comparativa baseada na função docente de condutor no processo de construção do conhecimento matemático pelo aluno: • Em relação ao papel de organizador do processo de aquisição e construção do conhecimento matemático pelo aluno, ambos os sistemas educativos conferem ao docente a função de organizador da aprendizagem baseados sem situações didáticas onde o aluno irá construir seu conhecimento. De acordo com o PCN o professor deverá escolher problemas que permitem a construção de conceitos e procedimentos, condições e prazos. No Paraguai o currículo prescrito explicita que o professor deverá orientar os estudantes a identificar dados dos problemas propostos. • Em relação ao papel de condutor, no Brasil percebemos nas prescrições que o professor deverá fornecer informações de dados que o aluno não tem condições de obter sozinho (coincidindo com a função organizador do currículo paraguaio). Já no Paraguai o professor deve considerar os conhecimentos prévios e as capacidades que pretende desenvolver. • No Brasil elencamos o papel de Facilitador, similar ao item Incentivador da Aprendizagem, visto que as prescrições dos dois países recomendam que os mesmos devem respeitar o ritmo e as diferenças de aprendizagens dos alunos. • Especificamente, no currículo paraguaio elencamos a função de Elaborador de questionamentos, onde o professor fará perguntas sobre procedimentos e relações e os alunos deverão progredir na construção da situação proposta em sala de aula. • O item incentivador nos dois países conferem ao professor as mesmas perpectivas na construção do conhecimento matemático, onde o mesmo deve estimular a cooperação e o convívio para a aprendizagem significativa. 162 • Nos dois países foram encontradas recomendações que conferem ao professor o papel de avaliador da atividade matemática com as mesmas perspectivas. Os documentos prescrevem que o docente deverá centrar a atenção no que é significativo no processo e identificar conquistas, dificuldades e possibilidades dos estudantes continuamente durante as situações propostas. 2.2.7.4 História da Matemática Na década de 1990, uma recomendação destaca como recurso didático para tratar os conteúdos matemáticos em sala de aula a perspectiva da História da Matemática. Em sua dissertação de Mestrado, Brolezzi (1991), apresenta uma pesquisa acerca do valor didático dessa história, concluindo que alguns componentes justificam sua inserção no currículo de matemática: Um componente importante do valor didático da História da Matemática é que nela se podem apreender caminhos lógicos para a construção de demonstrações pedagógicas em sala de aula. Os estudos históricos deixam muito clara uma distinção entre a forma lógica inicial, presente nas origens da Matemática, e sua posterior e paulatina sistematização. (...) É fundamental ainda considerar o valor do conhecimento histórico para proporcionar uma visão abrangente da Matemática elementar. Dentro do currículo elementar, pode ocorrer um isolamento entre os diversos assuntos, com a conseqüente perda da noção de conjunto do que é estudado. É possível, no entanto, por meio do recurso à História, distanciar-se do momento atual e evitar, com a perspectiva histórica, a tendência generalizada de extrapolar - para o passado ou para o futuro - o ponto de vista do presente, muitas vezes imbuído de uma idéia invariável de rigor. Por outro lado, a dificuldade de lidar com a questão das aplicações práticas do conhecimento matemático também pode ser melhor superada pelo recurso à História, que é fundamental para se compreender que ter significado não é o mesmo que ter aplicações práticas. Pela visão de totalidade que fornece a História se aprende a dar valor também àqueles tópicos que não apresentam aplicações práticas imediatas, pois a razão de ser da Matemática não se reduz em absoluto a um pragmatismo direto. Os estudos históricos revelam que a Matemática às vezes se encaminha para uma direção aparentemente distante da prática, e mesmo lá encontra aplicações; outras vezes, um estudo inicialmente com objetivos práticos acaba deixando de ser prático com a passagem do tempo. Essa visão abrangente dificilmente pode ser adquirida sem o recurso à História da Matemática. É preciso afastar-se o suficiente para obter, com o estudo da História da Matemática, a visão da própria natureza do conhecimento matemático, uma vez que a Matemática não é uma arte técnica, um conjunto de regras para resolver problemas práticos, mas uma Ciência autêntica.Com isso, torna-se possível que o aluno descubra a dimensão de liberdade da criação da Matemática 163 e ao mesmo tempo compreenda melhor sua aplicabilidade real. O distanciamento propiciado pela História é, assim, imprescindível para se obter uma visão de conjunto do edifício matemático que se almeja construir no ensino elementar (BROLEZZI, 1991, p. 62-63). Furinghetti e Radford (2002), esclarecem os objetivos de investigações que vêm realizando no campo da História na Educação Matemática: Na abordagem sócio-cultural que defendemos, investigamos textos matemáticos de outras culturas levando em consideração o tipo de prática cultural na qual eles estavam envolvidos a fim de examinar o modo como conceitos, notações e significados matemáticos foram produzidos. Por meio de um contraste oblíquo com as notações e conceitos que são ensinados no currículo da atualidade, procuramos obter insights sobre os tipos de exigências intelectuais que a aprendizagem matemática solicita de nossos estudantes e ampliar o domínio de nossas interpretações das atividades de sala de aula. Ao nível da construção das atividades para a sala de aula, temos finalmente como meta adaptar conceitualizações sedimentadas na história afim de facilitar a compreensão da Matemática por parte dos estudantes (FURINGHETTI E RADFORD, 2002, p.25). Neste sentido, em uma perspectiva sociocultural, a História da Matemática configura-se-se de importante valor didático no currículo, sendo orientação importante para o entendimento do processo de construção do conhecimento matemático dentro de um contexto cultural. No documento brasileiro há destaques específicos para a abordagem metodológica com utilização da História da Matemática para o Ensino Fundamental: A História da Matemática pode oferecer uma importante contribuição ao processo de ensino e aprendizagem dessa área do conhecimento. Ao revelar a Matemática com uma criação humana, ao mostrar necessidades e preocupações de diferentes culturas, e diferentes momentos históricos, ao estabelecer comparações entre os conceitos e processos matemáticos do passado e do presente, o professor cria condições para que o aluno desenvolva atitudes e valores mais favoráveis diante desse conhecimento. Além disso, conceitos abordados em conexão com sua história constituem veículo de informação cultural, sociológica e antropológica de grande valor formativo. A História da Matemática é, nesse sentido, um instrumento de resgate da própria identidade cultural. Entretanto, essa abordagem não deve ser entendida simplesmente que o professor deva situar no tempo e no espaço cada item do programa de Matemática ou contar sempre em suas aulas trechos da história da Matemática, mas que a encare como um recurso didático com muitas possibilidades para desenvolver diversos conceitos, sem reduzi-la a fatos, datas e nomes a serem memorizados (PCN, 1997, p.24). 164 Para o Ensino Fundamental no Brasil , o fragmento acima prescreve algumas contribuições que o recurso da História da Matemática podem trazer ao processo de ensino e aprendizagem, como a construção de conceitos em conexão direta com a história e como instrumento de resgate cultural. Enfatiza também que o docente deve percebê-la como recurso didático com possibilidades amplas e variadas para o desenvolvimento de conceitos. No documento paraguaio não identificamos nenhuma prescrição na Educação Escolar Básica referente a recomendação da História da Matemática, impedindo a descrição, explicação e comparação com o PCN para essa etapa de ensino. A História da Matemática é uma recomendação metodológica apontada no PCNEM. O documento destaca que: A utilização da História da Matemática em sala de aula também pode ser vista como um elemento importante no processo de atribuição de significados aos conceitos matemáticos. É importante, porém, que esse recurso não fique limitado à descrição de fatos ocorridos no passado ou à apresentação de biografias de matemáticos famosos. A recuperação do processo histórico de construção do conhecimento matemático pode se tornar um importante elemento de contextualização dos objetos de conhecimento que vão entrar na relação didática. A História da Matemática pode contribuir também para que o próprio professor compreenda algumas dificuldades dos alunos, que, de certa maneira, podem refletir históricas dificuldades presentes também na construção do conhecimento matemático. Por exemplo, reconhecer as dificuldades históricas da chamada “regra de sinais”, relativa à multiplicação de números negativos, ou da construção dos números irracionais pode contribuir bastante para o ensino desses temas (PCNEM, 2006, p.86). O trecho acima referente ao currículo oficial do Ensino Médio no Brasil, relata que a História como recomendação metodológica permite a atribuição de siginificado aos conceitos construídos em classe e a recuperação do processo histórico do conhecimento matemático, que permite a contextualização e compreensão de alguns obstáculos dos alunos que podem refletir históricas dificuldades na própria constituição do conhecimento matemático abordado. Na elaboração do Programa de Estúdio, Currículum Nacional, Área de Matemática y sus Tecnologías do Paraguai nas Considerações Metodológicas, também existem recomendações em relação a utilização da 165 História da Matemática como uma estratégia a ser desenvolvida pelos estudantes para a obterem conhecimentos específicos da área que requer o emprego de múltiplas e variadas estratégias de ensino, como mostra o fragmento a seguir: La História da Matemática, sus grandes representantes, los descubrimientos y las múltiples aplicaciones, também brindáran oportunidades de aprendizajes a los estudantes. Reconecer a la curiosidad e interés por investigar, descubrir y resolver problemas que motivaron a Renè Descartes, Cramer, Sarrus, entre otros, constituirán fuentes motivadoras para el aprendizaje de los mismos, es decir, reflexionar sobre la historia como parte de la estructura didáctica para aprender y enseñar (PEMEM, 2º curso, 2003, p.19). O documento paraguaio apresenta recomendações sobre a utilização da História na Educação Média como uma grande oportunidade de aprendizagem a ser proposta aos estudantes, por meio da Resolução de Problemas e reflexão sobre a história como parte da estrutura didática para aprender e ensinar. Nos fragmentos dos currículos prescrito brasileiro e paraguaio foi possível identificarmos as concepções que Brolezzi (1991) defende em sua dissertação, que afirma ser fundamental considerar o valor do conhecimento histórico para proporcionar uma visão abrangente da Matemática dentro do currículo elementar, onde ocorrer um isolamento entre os diversos assuntos, com a conseqüente perda da noção de conjunto do que é estudado. O distanciamento propiciado pela História é, assim, imprescindível para se obter uma visão de conjunto do edifício matemático que se almeja construir no ensino elementar (1991, p. 62-63). Comparando o currículo prescrito dos dois países, percebemos que as propostas são similares para o trabalho com a História da Matemática no Ensino Médio, enfatizando essa recomendação como rica, multifacetada e com possibilidades de conferir significado e reflexão aos conceitos matemáticos estudados. Verificamos nas prescrições o critério de reflexão e ressignificação propostos por Silva (2009, vide p. 120). As propostas também apresentam especificidades importantes nas prescrições para o Ensino Médio. O currículo brasileiro enfatiza a compreensão de obstáculos de aprendizagens asociados a dificuldade encontrada na história da própria constituição do conceito, aclarando alguns 166 exemplos como a construção dos números irracionais. Já o documento paraguaio para a Educação Média associa claramente a História da Matemática com uma abordagem por meio de problemas significativos a aprendizagem dos alunos, citando grandes matemáticos, porém claramente sem o apelo de memorização alertado pelo PCN do Ensino Fundamental no Brasil. 1.2.7.5 Utilização de Tecnologias Em relação ao uso de Tecnologias, a Agenda para Ação de 1980, também apresenta recomendações didáticas com vistas ao desenvolvimento do que os autores do documento denominaram computer literacy, ou seja, o letramento computacional. No entanto, o conhecimento computacional faz parte de um espectro maior de habilidades a ser desenvolvido na escola: Deve haver uma aceitação de todo espectro de habilidades básicas e o reconhecimento de que existe uma grande variedade de tais habilidades, para além da mera habilidade computacional, se quisermos projetar um componente de competências básicas do currículo que aumenta ao invés de minar a educação. Reconhecemos como válida e verdadeira a preocupação expressa por muitos segmentos da sociedade de que as habilidades básicas são parte da educação de cada criança. No entanto, o escopo completo do que é básico deve incluir aquilo que é essencial para a cidadania significativa e produtiva, tanto imediatas e futuras (NCTM, 1989). O meio para se atingir o conhecimento computacional passava pela possibilidade de uso de calculadoras e computador, como enfatiza o documento: Além de uma familiaridade com o papel dos computadores e calculadoras na sociedade, a maioria dos alunos deve obter um conhecimento prático de como usá-los, incluindo as maneiras pelas quais a pessoas comunicam-se por meio de cada um e fazem seu uso deles na resolução de problemas (NCTM,1989). A introdução no ensino de Matemática de tecnologias como computadores, calculadoras gráficas e suas interfaces, tem levantado diversas questões para discussão, que segundo Borba (1999) pautam-se nas preocupações relativas às mudanças curriculares. O referido autor ressalta que: 167 As mídias, vistas como técnicas permitem que “mudanças ou progresso do conhecimento” sejam vistos como mudanças paradigmáticas impregnadas de diferentes técnicas desenvolvidas ao longo da história. É neste sentido que no atual momento da educação matemática devemos testar essas metáforas teóricas geradas por diferentes pesquisas para que consigamos desenvolver novas práticas pedagógicas que permitam que mais estudantes tenham acesso a estudar matemática e a resolver problemas que sejam relevantes para sistemas seres- humanos- computadores, que sejam estes problemas propostos pelo professor como no caso da experimentação, quer desenvolvidos pelos próprios estudantes, como no caso da modelagem (BORBA, 1999, p. 294). Assim, temos como objetivo o de verificar nos currículos prescritos dos dois países quais são as orientações em relação ao uso das tecnologias, em especial o emprego da calculadora nas atividades de sala de aula. No PCN existe a seguinte recomendação: Quanto ao uso da calculadora, constata-se que ela é um recurso útil para verificação de resultados, correção de erros, podendo ser um valioso instrumento de auto-avaliação. A calculadora favorece a busca e percepção de regularidades matemáticas e o desenvolvimento de estratégias de resolução de situações-problema, pois ela estimula a descoberta de estratégias e a investigação de hipóteses, uma vez que os alunos ganham tempo na execução dos cálculos. Assim elas podem ser utilizadas como eficiente recurso para promover a aprendizagem de processos cognitivos (PCN, 1997, p. 25). No Bloco Tratamento da Informação para o 3º ciclo o uso da calculadora é apontado como imprenscindível para o estudo de Estatística “No trabalho com a Estatística, a calculadora é, muitas vezes, um instrumento imprescindível porque os cálculos são muitos e costumam ser trabalhosos em virtude dos números envolvidos” (PCN, 3º e 4º ciclos, p.136). No PCN a Tecnologia é apontada como um recurso importante para se repensar o ensino e a aprendizagem de Matemática, bem como a necessidade de uma atualização permanente do docente: O uso desses recursos traz significativas contribuições para se repensar sobre o processo de ensino e aprendizagem de Matemática à medida que relativiza a importância do cálculo mecânico e da simples manipulação simbólica, uma vez que por meio de instrumentos esses cálculos podem ser realizados de modo mais rápidos e eficiente. As experiências escolares com o computador também têm mostrado que seu uso efetivo pode levar ao estabelecimento de uma nova relação professor-aluno, marcado por uma maior proximidade, interação e colaboração. Isso define 168 uma nova visão do professor, que longe de considerar-se um profissional pronto, ao final de sua formação acadêmica, tem de continuar em formação permanente ao longo de sua vida profissional (PCN, 1997, p. 24). No documento do Paraguai, para o uso de calculadoras, existe uma breve indicação metodológica no item “Estratégias Gerais para o todo o processo didático”, não tendo um item específico sobre suas possibilidades didáticas: Utilizar estrategias pertinentes que posibiliten la buena práctica docente y la optimización de los aprendizajes. Así por ejemplo; se puede planificar una clase basada en la resolución de problemas, en la modelización, en la construcción y utilización de materiales concretos, en el empleo de calculadoras y otras herramientas tecnológicas, etc., o en la combinación adecuada de estas estrategias (PEMEEB, 8º grado, 2010, p.59). No 2º ciclo os Programas de Matemática para a EEB do Paraguai, também verificamos fragmentos sobre a autilização da Tecnologia como metodologia de ensino: También puede desarrollarse esta metodología con el uso de las TICS, por meio de grupos interactivos, que se comunican utilizando chats, Messenger, por ejemplo; fijando una hora establecida y un tema/capacidad a desarrollar, donde el/la facilitador/a pregunta y los/as integrantes responden colaborativamente, en base a lecturas y/o estudios realizados (PEMEEB, 1994, 5º grado, p.351). Os PCN para o Ensino Fundamental anunciam em alguns fragmentos a utilização da calculadora como recurso útil para a verificação de resultados em atividades propostas, pois pode ser um instrumento de autoavaliação, que permite descubrir regularidades matemáticas e desenvolvimento de estratégias de resolução em situações-problemas, auxilia no gerenciamento do tempo nas tarefas e promove a aprendizagem por meio de procesos cognitivos. Recomendado no Bloco Tratamento de Informação como um recurso imprescindível para o estudo de estatística. O PCN também recomenda aos professores a necessidade de atualização permanente para o uso dessa ferramenta, assim anuncia como um instrumento que pode gerar uma proximidade na relação professor-aluno. O documento também prescreve 169 a necessidade de atualização docente e o trabalho articulado com uso de computadores. O documento paraguaio para a Educação Escolar básica anuncia a utilização da calculadora como um recurso importante para a prática docente, que possibilita a otimização da aprendizagem e traz uma perspectiva de trabalho articulada da calculadora com outras Tecnologias da Comunicação e Informação. Verifica-se, então, similaridades quase que na totalidade dos trechos do currículo dos dois países pesquisados, mesmo com a recomendação no currículo paraguaio sendo mais sintética, onde os elaboradores especialistas prescrevem que a calculadora pode gerar potencialidades no processo de ensino e aprendizagem de matemática. Assim, expõem uma perspectiva de atualização e reflexão permanente por parte do docente a respeito da utilização da mesma em particular ou combinada com outras ferramentas tecnológicas. O PCNEM apresenta uma sessão específica sobre o uso da Tecnologia e afirma que: Não se pode negar o impacto provocado pela tecnologia de informação e comunicação na configuração da sociedade atual. Por um lado, tem-se a inserção dessa tecnologia no dia-a-dia da sociedade, a exigir indivíduos com capacitação para bem usá-la; por outro lado, tem-se nessa mesma tecnologia um recurso que pode subsidiar o processo de aprendizagem da Matemática. É importante contemplar uma formação escolar nesses dois sentidos, ou seja, a Matemática como ferramenta para entender a tecnologia, e a tecnologia como ferramenta para entender a Matemática. Considerando a Matemática para a Tecnologia, deve-se pensar na formação que capacita para o uso de calculadoras e planilhas eletrônicas, dois instrumentos de trabalho bastante corriqueiros nos dias de hoje. No trabalho com CALCULADORAS, é preciso saber informar, via teclado, as instruções de execução de operações e funções, e isso exige conhecimentos de Matemática (PCNEM, 2006, p.87). O documento também destaca o uso de calculadoras gráficas para o estudo de Funções: Em calculadoras gráficas, é o conhecimento sobre funções que permite analisar a pertinência ou não de certos gráficos que são desenhados na tela. Como as calculadoras trabalham com expansões decimais finitas, às vezes essas aproximações afetam a qualidade da informação gráfica (PCNEM, 2006, p.87). 170 O currículo brasileiro também faz referência ao uso de programas (softwares): Já se pensando na Tecnologia para a Matemática, há programas de computador (softwares) nos quais os alunos podem explorar e construir diferentes conceitos matemáticos, referidos a seguir como 27 programas de expressão . Os programas de expressão apresentam recursos que provocam, de forma muito natural, o processo que caracteriza o “pensar matematicamente”, ou seja, os alunos fazem experimentos, testam hipóteses, esboçam conjecturas, criam estratégias para resolver problemas. São características desses programas: a) conter um certo domínio de saber matemático – a sua base de conhecimento; b) oferecer diferentes representações para um mesmo objeto matemático– numérica, algébrica, geométrica; c) possibilitar a expansão de sua base de conhecimento por meio de macroconstruções; d) permitir a manipulação dos objetos que estão na tela (PCNEM, 2006, p.88). O PCNEM recomenda a utilização de softwares de geometria dinâmica e indica resumidamente algumas possibilidades didáticas para o estudo das funções, das equações e das desigualdades da geometria analítica (retas, círculos, cônicas, superfícies) e o trabalho com poliedros. Também apresenta orientações para a utilização de planilhas eletrônicas, a saber: As planilhas eletrônicas, mesmo sendo ferramentas que não foram pensadas para propósitos educativos, também podem ser utilizadas como recursos tecnológicos úteis à aprendizagem matemática. Planilhas oferecem um ambiente adequado para experimentar seqüências numéricas e explorar algumas de suas propriedades, por exemplo, comparar o comportamento de uma seqüência de pagamentos sob juros simples e juros compostos. Também oferecem um ambiente apropriado para trabalhar com análises de dados extraídos de situações reais. É possível organizar atividades em que os alunos têm a oportunidade de lidar com as diversas etapas do trabalho de análise de dados reais: tabular, manipular, classificar, obter medidas como média e desvio padrão e obter representações gráficas variadas. As planilhas eletrônicas também são muito apropriadas para introduzir a noção de simulação probabilística, importante em diversos campos de aplicação. Ao se usar a função “ALEATÓRIO( )”, podem-se simular experimentos aleatórios de variados níveis de complexidade, contribuindo, assim, para que o aluno atribua um significado intuitivo à noção de probabilidade como freqüência relativa observada em uma infinidade de repetições (PCNEM, 2006, p.89). 27 O currículo brasileiro para o Ensino Médio chama de “programas de expressões”, uma coletânea de softwares disponíveis no site Educação Matemática e Tecnologia informática, e indica o site EDUMATEC (http://www.edumatec.mat.ufrgs.br). 171 O ítem sobre o Uso da Tecnologia é concluído alertando o professor sobre a escolha adequada de um programa com vistas a estimular e desenvolver de forma eficaz a aprendizagem significativa por parte dos alunos: No uso de tecnologia para o aprendizado da Matemática, a escolha de um programa torna-se um fator que determina a qualidade do aprendizado. É com a utilização de programas que oferecem recursos para a exploração de conceitos e idéias matemáticas que está se fazendo um interessante uso de tecnologia para o ensino da Matemática. Nessa situação, o professor deve estar preparado para interessantes surpresas: é a variedade de soluções que podem ser dadas para um mesmo problema, indicando que as formas de pensar dos alunos podem ser bem distintas; a detecção da capacidade criativa de seus alunos, ao ser o professor surpreendido com soluções que nem imaginava, quando pensou no problema proposto; o entusiástico engajamento dos alunos nos trabalhos, produzindo discussões e trocas de idéias que revelam uma intensa atividade intelectual (PCNEM, 2006, p.90). No Programa de Estúdio, Currículum Nacional, Área de Matemática y sus Tecnologias, do Paraguai o uso da Tecnologia também é apontado nas considerações metodológicas, indicando que os docentes deverão: “Promover el uso de la tecnología, como calculadoras, computadoras, otros, para facilitar los cálculos matemáticos, optimizar el empleo del tiempo y acceder a datos e informaciones actualizadas” (PEMEM, 2006, Segundo Curso, p.41; Tercer curso, p.43). Nas considerações metodológicas, o Programa da Educação Média do Paraguai também faz referência à implementação da Tecnologia: Emplear las tecnologías, como calculadoras y/o computadoras que contribuyan a promover en el alumno/a nueva capacidades que pueden darse tanto en el dominio cognoscitivo, afectivo o psicomotor. El uso adecuado de las mismas, posibilita acceder rápidamente y en forma ágil a nuevos conocimientos, propiciar el aprendizaje por descubrimiento y además ser empleadas en la evaluación del proceso de enseñanza – aprendizaje (PEMEM, 2003, Primer curso, p.50). Ao tratar dos conteúdos procedimentais na 1ª série do Ensino Médio, o currículo prescrito paraguaio também faz referência ao adequado uso da tecnologia: Los contenidos procedimentales: Incluyen destrezas, estrategias, habilidades, técnicas, secuencias y métodos. Apuntan al saber – hacer, presentando diferentes grados de generalidad, relacionados con varias disciplinas. Encontramos procedimientos de componente motriz, y otros de característica cognitivo - motriz ej.: transportados, astrolabro, confección de objetos, correcta utilización de 172 instrumentos (calculadora, computadora,etc) (PEMEM, Primer curso, 2003, p. 37). No documento brasileiro para o Ensino Médio verificamos uma ampla prescrição nas recomendações metodológicas sobre o uso adequado de tecnologías no ensino de Matemática. O documento justifica o impacto das TICs na sociedade atual e a via de mão dupla matemática ↔ tecnologia, explicitando a importância que uma tem no entendimento da outra. O documento também destaca que para a utilização correta das operações e funções na calculadora alguns conhecimentos matemáticos são imprescindíveis. O uso de calculadoras gráficas para o estudo de funções, análise de persistência ou não dos gráficos gerados e também indica possibilidades didáticas para o uso de softwares, em especial para o estudo de Funções, Poliedros e equações e desigualdades da Geometria Analítica, destacando que tais softwares permitem diferentes representações, manipulações de objetos na tela, macroconstruções. Também recomenda a utilização de planilhas eletrônicas para a abordagem de juros simples e compostos e a simulação de experimentos aleatórios. O documento paraguaio para a Educação Média sinaliza que calculadoras e computadores são ferramentas importantes para promover as capacidades afetivas, cognitivas e psicomotoras e o seu uso adequado possibilita a construção de novos conhecimentos, promovendo a aprendizagem pautada no descobrimento e também podem ser utilizados na avaliação do ensino e da aprendizagem. A calculadora e os computadores também são indicados para a abordagem dos conteúdos procedimentais no Ensino Médio. Pelo exposto, verificamos que assim como ocorreu nas prescrições para o Ensino Fundamental, ao comparar os dois países, verificamos convergência nas propostas, porém os elaboradores do currículo brasileiro demonstram uma preocupação maior com a abordagem tecnológica e exposição no documento de posibilidades de trabalho docente, estas mais claras e mais sistematizadas em relação ao currículo paraguaio. Uma especificidade na recomendação do currículo brasileiro se refere à escolha adequada pelo professor do software a ser adotado na 173 situação didática e também deixa explícito o conceito de “zona de risco” (BORBA & PENTEADO, 2001, p.64), pois aspectos como incerteza e imprevisibilidade, geradas num ambiente informatizado, fazem com que os professores desistam quando percebem essa tal zona, porém potencialmente esta zona poderá estimular, provocar e impulsionar o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, mesmo que este caminho, seja árduo para o professor, pois seria mais simples ao mesmo utilizar as tecnologias informáticas para as velhas rotinas sem a preocupação de ter que utilizá-las como um recurso educacional, onde podem ser gerados questionamentos inesperados e/ou sem respostas. Na apresentação acima, observamos que a introdução no ensino de Matemática de tecnologias como computadores, calculadoras e outros recursos tem levantado diversas questões para discussão curricular e são vistas nos currículos dos dois países como técnicas que permitem mudanças e/ou progressos do conhecimento matemático como aponta BORBA (1999, p. 294). 2.2.7.6 Recomendações em relação a utilização do livro didático Os livros didáticos são ferramentas muito utilizadas em sala de aula para o desenvolvimento dos conteúdos nas diversas disciplinas curriculares. Tem por principal função estruturar o trabalho didático pedagógico e auxiliar o docente em suas atividades no preparo das aulas, para isso o livro deve se organizar em torno da: -Apresentação não apenas dos conteúdos curriculares, mas também de um conjunto de atividades para o ensino-aprendizado desses conteúdos; -Distribuição desses conteúdos e atividades de ensino de acordo com a progressão de tempo escolar, particularmente de acordo com as séries e unidades de ensino. (RECOMENDAÇÕES PARA UMA POLÍTICA PÚBLICA DE LIVROS DIDÁTICOS, 2002). No atual quadro da sociedade, o ensino da Matemática juntamente com os de outras disciplinas, deve assumir a tarefa de preparar cidadãos para uma sociedade cada vez mais interposta por tecnologias e possibilitar a maioria da população o saber elaborado socialmente acumulado. Sua função 174 principal é preparar o aluno para atuar em uma sociedade complexa utilizando os conhecimentos matemáticos de maneira ativa em seu cotidiano para “[...] fazer estimativas e previsões, ler, interpretar e organizar dados quantitativos incompletos[...]” (GUIA DO LIVRO DIDÁTICO, p.197, 2005), aprendendo a globalizar processos e situações e organizar o pensamento. A construção do conhecimento matemático é mediada, em sala de aula, pelo professor, que se apóia no texto de saber (CHEVALLARD, 1991), que aparece no livro didático, fruto de um processo de transposição didática. O terceiro “R” dos critérios de Doll Jr. (Ibid.) tem a sua importância caracterizada em duas dimensões: a pedagógica e a cultural. A primeira aborda características envolvidas nas relações dentro do currículo e a segunda versa sobre traços específicos da cultura global na qual o currículo está inserido. Doll Jr. (Ibid.) expressa uma posição interessante sobre o livro didático com a qual convergimos: O livro didático... é visto como algo a ser revisado, não como algo a ser seguido. Ele é a base a partir da qual ocorre a transformação. Numa estrutura pós-moderna, o currículo precisa ser criado (autoorganizado) pela comunidade da sala de aula, não pelos autores dos livros didáticos (Ibidem, p. 196). Como o próprio autor descreve, poderíamos utilizá-lo como algo a ser avaliado, criticado e modificado. Jornais, revistas e outras mídias também poderiam ser fonte de uma consulta crítica, buscando erros e verificando inconsistências. Vemos muitas atividades indicando a utilização de jornais e revistas como fonte para o ensino, mas poucas sugerindo um olhar crítico sobre as informações que lá estão e, inclusive, as imprecisões que surgem das informações publicadas. No PCN de Matemática para o Ensino Fundamental (1º e 2º ciclos), como síntese dos princípios norteadores, que visam adequar o trabalho escolar a uma nova realidade, marcada pelos avanços dos estudos, pesquisas e práticas da área de Educação Matemática nos últimos anos, verificamos uma indicação do livro didático como um dos recursos apontados: recursos didáticos como livros, vídeos, televisão, rádio, calculadoras, computadores, jogos e outros materiais têm um papel importante no processo de ensino e aprendizagem. Contudo, eles precisam estar 175 integrados a situações que levem ao exercício da análise e da reflexão (PCN,1997, p.57 , 1º e 2º ciclos). Já no PCNEM, existem recomendações mais abrangentes sobre a utilização do livro didático nas aulas de matemática, como destacado a seguir: Outra questão importante refere-se à discussão sobre o papel do livro didático nas salas de aula de Matemática, particularmente em função da atual conjuntura, em que diferentes programas de avaliação e distribuição de livros didáticos têm se efetivado. O texto didático traz para a sala de aula mais um personagem, seu autor, que passa a estabelecer um diálogo com o professor e seus alunos, refletindo seus pontos de vista sobre o que é importante ser estudado e sobre a forma mais eficaz de se trabalharem os conceitos matemáticos. Na ausência de orientações curriculares mais consolidadas, sistematizadas e acessíveis a todos os professores, o livro didático vem assumindo, há algum tempo, o papel de única referência sobre o saber a ser ensinado, gerando, muitas vezes, a concepção de que “o mais importante no ensino da matemática na escola é trabalhar o livro de capa a capa”. Nesse processo, o professor termina perdendo sua autonomia como responsável pelo processo de transposição didática interna. É importante, pois, que o livro didático de Matemática seja visto não como um substituto de orientações curriculares, mas como um recurso a mais (PCNEM, 2006, p.86). Na elaboração dos Programas da EEB e nos Programas de Estúdio, Currículum Nacional, Área de Matemática y sus Tecnologías do Paraguai não foram constatadas recomendações explícitas em relação ao uso do livro didático para as aulas de Matemática, o que implica a impossibilidade de comparação em relação às prescrições da sua utilização em sala de aula. No entanto, a pesquisa de campo evidenciou o uso por parte dos professores e um investimento por parte do MEC na distribuição de livros didáticos. 2.2.8 Avaliação da aprendizagem Essa categoria analítica tem por função verificar quais as orientações feitas pelos currículos prescritos de Brasil e Paraguai acerca da avaliação. Na década de 1990, o NTCM veiculou um documento em que se posicionava em relação à avaliação: Evaluation of the teaching of mathematics should be based on information from a variety of sources including: -the teacher's goals and expectations for student learning; -the teacher's plans for achieving these goals; 176 -the teacher's portfolio, consisting of a sample of lesson plans, student activities and materials, and means of assessing students' understanding of mathematics; -analyses of multiple episodes of classroom teaching; -the teacher's analysis of classroom teaching; -evidence of students' understanding of, and disposition to do, mathematics (NTCM, 1991). Doll (1997), critica a avaliação escolar, por ser, segundo ele, baseada em duas suposições: A primeira dessas suposições é que (...) o nosso propósito como professores é fazer com que os alunos adquiram um conjunto específico de conhecimento de maneira específica, determinada – de modo que eles lidem com este conhecimento de maneira “aceitável”. (...) Uma segunda suposição é que a avaliação em termos de notas é a avaliação de quanto deste cânone e seu método o estudante adquiriu. Colocado de outros termos, as notas são uma maneira de medir o “déficit” entre o cânone apresentado e o cânone adquirido (DOLL, 1997, p. 188). Para superar esse paradigma, em consonância com sua perspectiva pós-moderna de currículo, Doll (1997) considera que a avaliação passaria a ser um processo recursivo, com um caráter que levasse à transformação dos atores envolvidos e, além disso, que propiciasse a crítica pública: a avaliação seria essencialmente um processo de negociação com um ambiente comunal para o propósito de transformação. Obviamente, o professor desempenharia um papel central no processo, mas não seria o avaliador exclusivo; a avaliação seria comunal e interativa. Ela seria usada como um feedback, parte do processo interativo de fazer-criticar-fazer-criticar (DOLL, 1997, p. 190). Segundo essa concepção, inferimos que a avaliação apresenta como características ser contínua, processual e coletiva, de forma que tanto alunos quanto professores estejam envolvidos nos momentos de avaliação, que se constitui em um processo de reflexão para a transformação da aprendizagem. Segundo Buriasco (2002, apud BURIASCO; SOARES, 2008) o processo de avaliação em Matemática deve evidenciar, entre outras coisas: • O modo como o aluno interpretou a resolução de uma questão para dar a resposta; • As escolhas feitas pelo aluno, na busca de lidar com a situação proposta na questão; • Os conhecimentos matemáticos que utilizou; • Se os alunos utilizaram a matemática que é vista nas aulas; 177 • A forma de o aluno se comunicar matematicamente, comprovando sua capacidade em expressar, oralmente ou por escrito, presentes no procedimento que utilizou para lidar com a situação proposta (BURIASCO, 2002, apud BURIASCO; SOARES, 2008, p.114). Para Abrantes (1995), “ver as tarefas de avaliação como fontes de aprendizagem implica que elas requerem atividades interessantes e significativas. Além disso, elas devem proporcionar aos alunos novas oportunidades para aprender, para melhorar e para refletir sobre seu próprio trabalho” (ABRANTES, 1995, p. 15). O National Council of Teachers of Mathematics (1991), supõe também que: Em matemática, como em qualquer campo, o conhecimento consiste em informação e em saber como fazer. O saber como fazer em matemática, que conduz ao poder matemático, requer a capacidade de usar a informação para raciocinar e pensar criativamente e para formular, resolver e refletir criticamente sobre problemas. A avaliação do poder matemático dos alunos vai para além da medição da quantidade de informação que eles dominam, devendo incluir o alcance da sua capacidade e disposição para utilizar, aplicar e comunicar essa informação. A avaliação deve analisar até que ponto os alunos integraram e deram sentido à informação, se conseguem aplicá-la em situações que requeiram raciocínio e pensamento criativo e se são capazes de utilizar a matemática para comunicar as suas idéias. Para além disso, a avaliação deve analisar a predisposição dos alunos face a esta ciência, em particular a sua confiança em fazer matemática e o modo como a valorizam. Uma avaliação da capacidade matemática dos alunos tem um alcance amplo, devendo incluir todos os aspectos referidos nesta norma e determinar até que ponto eles se encontram integrados. A avaliação do poder matemático não deve ser concebida como a avaliação de competências separadas ou isoladas. Embora um dado aspecto do conhecimento matemático possa ser mais salientado do que outro numa dada avaliação, deve ficar claro que o poder matemático compreende todos os aspectos do conhecimento matemático e a sua integração (NCTM,1991). Dessa forma, entendemos que o desempenho do aluno adquire um caráter secundário diante dos significados que são construídos pelos envolvidos nos momentos de avaliação, superando a dicotomia da aprovação e retenção a que se reduz a avaliação do aluno. Entendemos que esses dois aspectos, avaliar para transformar e avaliar como crítica pública, síntese das críticas de Doll à avaliação, complementam as recomendações do NTCM, Buriasco e Abrantes, utilizados como parâmetros para análise dos currículos prescritos de Brasil e Paraguai. 178 Consoante com os objetivos prescritos nos PCN, a avaliação em Matemática precisa levar em conta: Na atual perspectiva de um currículo de Matemática para o ensino fundamental, novas funções são indicadas à avaliação, na qual se destacam uma dimensão social e uma dimensão pedagógica. No primeiro caso, atribui-se à avaliação a função de fornecer aos estudantes informações sobre o desenvolvimento das capacidades e competências que são exigidas socialmente, bem como auxiliar os professores a identificar quais objetivos foram atingidos. com vistas a reconhecer a capacidade matemática dos alunos, para que possam inserir-se no mercado de trabalho e participar da vida sociocultural. No segundo caso, cabe à avaliação fornecer aos professores as informações sobre como está ocorrendo a aprendizagem: os conhecimentos adquiridos, os raciocínios desenvolvidos, as crenças, hábitos e valores incorporados, o domínio de certas estratégias para que ele possa propor revisões e reelaborações de conceitos e procedimentos ainda parcialmente consolidados. Assim, é fundamental que os resultados expressos pelos instrumentos de avaliação sejam eles provas, trabalhos, registros das atitudes dos alunos, forneçam ao professor informações sobre as competências de cada aluno em resolver problemas, em utilizar linguagem matemática adequadamente para comunicar suas idéias, em desenvolver raciocínios e análises e em integrar todos esses aspectos no seu conhecimento matemático. As formas de avaliação devem contemplar também as explicações, justificativas, argumentações orais, uma vez que estas revelam aspectos do raciocínio que muitas vezes não ficam evidentes nas avaliações escritas (PCN, 1997, p. 35). Os PCN (BRASIL, 1998), ao se posicionarem em relação ao papel do professor de Matemática como avaliador diz que este deve “procurar identificar e interpretar, mediante observação, diálogo e instrumentos apropriados, sinais e indícios das competências desenvolvidas pelos alunos” (BRASIL, 1998, p.38). O documento ressalta ainda a necessidade de o professor manter-se atento quanto ao alcance dos objetivos pré-determinados, para que possa, se necessário, reorganizar as atividades pedagógicas a tempo de alcançar os objetivos. No PEMEEB do Paraguai existe um ítem denominado “Orientações Gerais para a avaliação das aprendizagens”, enfatizando que: Evaluación como parte integrante del proceso de enseñanza – aprendizaje cumple una función relevante, ya que permite tanto a los estudantes como al docente, reunir las evidencias respecto de los logros y dificultades observados durante el desarrollo de las capacidades y al final del mismo. En ese sentido; es de utilidad para que el alumno como constructor de su propio posturas que le ayuden a mejorar sus logros y superar sus debilidades. La evaluación es de fundamental importancia en el proceso de desarrollo de capacidades teniendo en cuenta que sirve no solamente para reunir las informaciones, sino también para tomar decisiones pertinentes en relación al desarrollo de la area 179 pedagógica, a la utilización de los recursos didácticos, a los instrumentos de registro y de evaluación a ser empleados, y todos los aspectos que hacen al proceso de construcción de aprendizajes significativos de los estudantes (PEMEEB, 9º grado, 2010, p.355). Especificamente para a Matemática, os programas do 3º ciclo do Ensino Fundamental do Paraguai trazem a seguinte prescrição: Así, en el área de Matemática se centra en aquellas capacidades que hacen a la formulación y resolución de problemas involucrando conceptos y procedimientos de la Aritmética, la Geometría plana y nociones básicas de la Estadística. Los avances en el desarrollo de las capacidades que hacen a las competencias pueden evidenciarse mediante la valoración del desenvolvimiento del alumno y la alumna en un contexto real, como así también de los aprendizajes desde otros aspectos a través de distintos medios como ser: trabajos prácticos de investigación bibliográfica, exposiciones orales, pruebas orales y/o escritas, la autoevaluación, la coevaluación y otros que el docente crea pertinente, en base a los indicadores elaborados para la capacidad que se desea evidenciar. Teniendo en cuenta que el indicador es referente de un aprendizaje específico desarrollado por los niños y las niñas en término de sus acciones, es de vital importancia tener en cuenta algunas orientaciones técnicas para su elaboración; las que se encuentran en este documento en un apartado referido especialmente a dichos aspectos. Por tanto, para llevar a cabo el proceso de la evaluación se requiere de la utilización de variados procedimientos e instrumentos evaluativos, de tal forma a obtener las informaciones adecuadas y suficientes en relación, las que contribuirán a que el docente pueda realizar las mejoras necesarias que conduzcan a la internalización de las capacidades en función a la competencia (PEMEEB, 9º grado, 2010, p.355). No documento paraguaio também percebemos uma preocupação em recomendar o professor a levar em consideração as capacidades e competências prescritas para o desenvolvimento pleno dos estudantes e a importância de se considerar procedimentos distintos no processo avaliativo. Em ambos os países percebemos que as dimensões consideradas foram a social e pedagógica, com vistas a uma avaliação de aprendizagem diagnóstica, processual e contínua, tratadas como parte fundamental do processo ensino-aprendizagem por permitir detectar problemas, corrigir rumos, apreciar e estimular projetos bem sucedidos. 180 2.3 Síntese do Capítulo O capítulo destinou-se ao estabelecimento de referenciais, que por sua vez foram compostos de categorias analíticas para descrição, análise e comparação dos currículos prescritos do Brasil e do Paraguai, não obstante, tomaram por base aportes teóricos da área de Educação e de Educação Matemática. Nesse sentido, empregou-se as categorias analíticas elaboradas, com isso, foram também apresentadas as semelhanças e diferenças entre os currículos prescritos. Para verificação das concepções de escola e currículo nos documentos curriculares de Brasil e Paraguai, apresentamos por sua vez, distintas teorias de currículo. O objetivo foi discutir os currículos de matemática segundo questões mais amplas, como as que envolvem o papel da educação, da escola e do próprio currículo. A categoria princípios de organização curricular teve como finalidade constatar como se dá a definição das finalidades e objetivos do currículo; o desenvolvimento de competências, habilidades e as indicações acerca de projeto interdisciplinares. Cabe ainda, uma verificação das dimensões dos currículos de Matemática (Rico, 1997): i. dimensão cultural: refere-se à compreensão da Matemática como um aparato tecnológico construído no interior da cultura, a ser ensinada pela escola; ii. dimensão social, diz respeito ao caráter utilitário da Matemática para atender demandas surgidas nas práticas sociais; iii. a dimensão educativa confere à Matemática tanto o desenvolvimento do raciocínio, necessária em qualquer área do conhecimento, quanto a aprendizagem de sua simbologia; iv. a dimensão política ressalta o papel que a Matemática pode desempenhar na vida do cidadão em uma sociedade cada vez mais dependente devido à tecnologia. Outro aspecto de nossa análise consiste em discutir o papel da matemática na formação do cidadão. Nossa análise dos currículos prescritos 181 concentrou-se em quatro aspectos destacados na formação do cidadão, de acordo com Skovsmose (2008): i) competência crítica, viabilizada na escola pelo diálogo na relação professor e aluno; ii) distância crítica, relacionada à discussão dos conteúdos; e iii) engajamentos críticos, possibilidade de a escola instrumentalizar os alunos para enfrentamento de problemas surgidos na prática social. Esses pontos-chave sublinham o papel da Matemática. Buscamos verificar como os currículos prescritos destacam princípios de seleção de competências Matemáticas básicas, ou seja, como contêm as indicações curriculares acerca das atividades desenvolvidas em contextos ricos para aprendizagem do aluno, o trabalho com projetos e o contato com a investigação Matemática. Outro elemento analisado foi a seleção e a organização dos conteúdos pelos quais gravitam as competências matemáticas. Caso o currículo de Matemática expresse o trabalho interdisciplinar, é de nosso interesse verificar o foco na indicação de competências transversais. Em relação à categoria analítica referências a opções didáticas e metodológicas, procuramos nos currículos prescritos quais são as orientações sobre: i) ii) iii) iv) v) resolução de problemas; conceitos da Didática da Matemática; concepção construtivista; história da matemática; e uso das tecnologias, em especial, o emprego da calculadora nas atividades em sala de aula. vi) recomendações em relação a utilização do livro didático. Concluímos a análise dos currículos prescritos abordando sobre as recomendações sobre a avaliação da aprendizagem. A seguir destacamos as principais similaridades e especificidades identificadas na análise comparativa referente às recomendações do currículo prescritos de Matemática do Brasil e Paraguai: 182 2.3.1 Similaridades identificadas nos currículos prescritos • Em relação às concepções de escola e currículo os currículos prescritos dos dois países investigados revelam no que se refere às finalidades para a Educação, a ênfase no exercício pleno da cidadania e apontam o conhecimento específico da Matemática, como ferramenta indispensável para o desenvolvimento de capacidades e competências inerentes ao aspecto profissional, científico e tecnológico, ênfase na Resolução de Problemas e a compreensão de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. • Em relação aos princípios de organização curricular, os currículos dos dois sistemas educativos buscam nitidamente a conexão entre os eixos temáticos. • Sobre os princípios de seleção de competências matemáticas básicas os documentos prescritos revelam em relação aos conteúdos conceituais do currículo, a idéia de rede, onde conhecimentos trabalhados previamente são resgatados, tomam o status de conceito, outras relações surgem, serão retomados posteriormente e o conceito será gerado. • No decorrer dos ciclos o PCN e o PEMEEB privilegiam um conjunto de competências em cada Bloco, as quais permitem ao professor a escolha da sequência didática dos conteúdos mais adequada para atingir essas competências. • O trabalho matemático interdisciplinar proposto para o tema transversal Ética no Brasil tem recomendações similares ao Tratamento da Igualdade de Gênero e ao ítem Educação Democrática do componente fundamental do currículo paraguaio, visto que ambos priorizam conteúdos matemáticos direcionados para o desenvolvimento de atitudes, valores e atividades matemáticas que favoreçam o respeito às diferenças individuais e a argumentação de idéias. • O Tratamento da Informação associado ao tema Meio Ambiente e Vida e Saúde do Brasil é equivalente aos pressupostos prescritos no componente fundamental “Educação Ambiental” no Paraguai, pois as recomendações relacionam situações ambientais e de saúde, onde os estudantes, a partir de suas bases conceituais de Matemática, estruturam procedimentos para soluções de problemas associados à essas áreas. • A interdisciplinaridade atrelada ao Tratamento da Informação no tema transversal “Trabalho e Consumo” no Brasil apresenta prescrições próximas ao ítem Educação Familiar do componente fundamental do currículo paraguaio, uma vez que ambos recomendam associar o conteúdo matemático à tomada de decisões na área do trabalho, consumo e a capacidade de compreender e analisar elementos de política econômica. • Os documentos dos dois países no que diz respeito a abordagem construtivista no Ensino Fundamental apresentam recomendações similares, destacando o processo de aprendizagem Matemática associado a construção de significados por partes dos alunos. • Recomendações sobre a utilização da História da Matemática no Ensino Médio, enfatizando essa recomendação como rica, multifacetada e com possibilidades de conferir significado e reflexão aos conceitos matemáticos estudados (Silva, 2009). • Recomendam a calculadora destacando suas potencialidades para o processo de ensino e aprendizagem de matemática e expõem uma 183 perspectiva de atualização e reflexão permanente por parte do docente a respeito da utilização da mesma, em particular, ou combinada com outras ferramentas tecnológicas. • Sobre a avaliação as dimensões consideradas nos currículos prescritos dos países foram a social e pedagógica, com vistas a uma avaliação de aprendizagem diagnóstica, processual e contínua, tratadas como parte fundamental do processo ensino-aprendizagem por permitir detectar problemas, corrigir rumos, apreciar e estimular projetos bem sucedidos. • Tanto o PCNEM como o PEM dão ênfase no estudo de funções na perspectiva da Modelagem Matemática e Resolução de Problemas. • Ambos apresentam o estudo de Números Complexos como uma extensão do conjunto dos números reais. 2.3.2 Especificidades identificadas nos currículos prescritos • Em relação aos blocos de conteúdos, o currículo prescrito paraguaio destaca um bloco que não está presente no PCNEM, que é Cálculo Infinitesimal, que aborda séries e sequências, que possibilitam a representação de problemas que aparecem em diversas áreas), funções, limites de funções e derivadas e integrais, centradas nas análises de curvas, com aplicações a Física e a Economia (Almeida, 2011). • No PCNEM o bloco Álgebra: Números e Funções recomendam que o estudo dos números complexos devem ser apresentados como uma histórica necessidade de ampliação do conjunto de soluções de uma equação. Já o Programa Paraguaio apresenta os números complexos com o objetivo de ampliar o âmbito de problemas que se podem resolver e interpretar. • Sobre os Conceitos da Didática da Matemática, o documento paraguaio para a Educação Média prescreve que na relação/função professor, aluno e conhecimento não somente o conhecimento do professor é importante, mas que o desenvolvimento das competências matemáticas dependerá do nível de motivação dos alunos e deixa explícito que a função do professor é estabelecer estratégias para gerar uma conduta favorável à aprendizagem e à construção do conhecimento matemático por parte dos alunos. Na análise do documento paraguaio verificamos um certo equilíbrio na atribuição de papéis de alunos e professores no processo ensino aprendizagem. • O PCN prescreve que o professor deverá ter consciência da construção da ciência matemática e de sua própria formação, concepções e crenças, fatores esses que influenciam diretamente na proposição e gerenciamento das situações didáticas e conseqüentemente na aprendizagem dos alunos. • O PCNEM prescreve em relação a utilização da História da Matemática que compreensão de obstáculos de aprendizagens pode estar associados à dificuldade encontrada na História da própria constituição de determinado conceito, aclarando alguns exemplos como a construção dos números irracionais. Já o documento paraguaio para a Educação Média associa claramente a História da Matemática com uma abordagem por meio de problemas significativos. • No que tange a utilização de tecnologias, em especial a calculadora, o currículo brasileiro prescreve perspectivas de trabalho mais amplas e sistematizadas em relação ao currículo paraguaio. O PCN se refere à escolha adequada pelo professor do software a ser adotado na situação didática e também deixa explícito o conceito de zona de 184 risco, onde podem ser gerados questionamentos inesperados e/ou sem respostas. • No currículo do Paraguai não foram constatadas recomendações explícitas em relação ao uso do livro didático para as aulas de Matemática, o que implica a impossibilidade de comparação em relação às prescrições da sua utilização em sala de aula. O cenário vislumbrou dois contextos de currículos prescritos, com mais semelhanças do que diferenças. Com relação a questões metodológicas e didáticas, observa-se grande similaridade nos documentos, muito provavelmente em função da circulação de conhecimentos na área de Educação Matemática na comunidade latino-americana. Percebemos que tanto o PCN, PCNEM do Brasil e como o PEMEEB, PEMEM do Paraguai, dão ênfase maior as recomendações metodológicas que procuram transmitir ao professor a possibilidade de articular o conhecimento matemático em torno da idéia de redes de significados, enfatizando as conexões entre os conteúdos e as disciplinas escolares. 185 CAPÍTULO 3 DOS CURRÍCULOS PRESCRITOS AOS CURRÍCULOS EM AÇÃO : A VISÃO DE ALGUNS ATORES QUE ACOMPANHARAM O PROCESSO DE ELABORAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO O capítulo almeja tratar a fala de profissionais que participaram da elaboração e/ou acompanharam o processo de implementação do currículo prescrito de matemática em seus países. Dessa forma, o interesse aqui exposto é de refletir sobre seu processo de construção, ou seja a composição do currículo. Nesse sentido, a fim de atingir esse objetivo, será tomado como referência, as entrevistas com dois educadores especialistas brasileiros, que acompanharam o processo de elaboração do PCN, mesmo não fazendo parte da equipe de redação, e uma entrevista em conjunto realizada no Paraguai com a Diretora Geral de Currículo, Avaliação e Orientação, a Técnica especialista da área de Matemática e com o coordenador do Departamento de Desenho curricular do Ministério de Educação e Cultura do Paraguai. As entrevistas contribuíram para elucidar alguns aspectos: • participação efetiva na elaboração do currículo prescrito; • avanços da área de EDMAT que foram considerados importantes na elaboração do currículo prescrito; • contribuições da comunidade acadêmica ao currículo prescrito; • o papel do Ministério de Educação na elaboração do currículo prescrito; • em Matemática, os pontos-chave da proposta curricular; • como ocorreu a implementação e o acompanhamento; • e sobre a reformulação do currículo prescrito. 3.1 Perfil dos entrevistados Neste item será devidamente exposto, o perfil dos profissionais entrevistados, que por sua vez são especialistas em currículo nos níveis de 186 ensino dos países pesquisados. Suas entrevistas objetivam o sentido de identificar posteriormente como vêm sendo a implementação de tais currículos e as recomendações metodológicas apontadas nos documentos oficiais. Assim, deve ser considerado nos quadros a seguir, as seguintes variáveis qualitativas e quantitativas discretas referentes aos sujeitos da pesquisa: Idade, sexo, tempo de Magistério, Formação inicial e Formação continuada. Os dados não informados receberam a sigla NI. O perfil dos especialistas brasileiros entrevistados está disposto no quadro a seguir : Pesquisado Idade Sexo Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada EBR1 EBR2 78 F 58 anos 58 F 34 anos Licenciada e Bacharel em Matemática e Fisica pela Universidade do Brasil. Licenciada em Pedagogia (Universidade Veiga de Almeida – 1978) Licenciada em Matemática. (Un. Sta. Úrsula – 1984) Especialista em Matemática pelo IMPA. Mestrado e Doutorado pela COPPE-UFRJ. Doutorado em Educação – PUCRio – 2005. Quadro 11: Perfil dos especialistas entrevistados do Brasil. A seguir, o quadro mostra o perfil dos espacialistas entrevistados paraguaios: Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Magisterio Inicial Formación Continuada(Post Grado) EPA1 NI F NI NI EPA2 NI M 11 años EPA3 NI F 17 años Licenciado en Ciências de la Educación Licenciada en MatemáticaPura Quadro 12: Perfil especialistas entrevistados no Paraguai. Maestria en Educación NI Maestria en Matemática 187 3.2 Os depoimentos dos entrevistados sobre o processo de elaboração do currículo prescrito de Matemática Inicialmente, será analisado o processo de elaboração do currículo prescrito de Matemática desenvolvida por Brasil e Paraguai. A elaboração de uma reforma educacional é uma opção que o governante exerce de acordo com suas concepções de Educação, sendo que a reorganização curricular é um dos aspectos principais. Mesmo reconhecendo a insuficiência dessas categorias para caracterizar um sistema educativo, consideramos que o processo de elaboração dos currículos prescritos de matemática foi baseado no modelo de “cima para baixo”, com isso buscam uma mudança global em termos de currículo prescrito. Entretanto, em ambos casos, durante o processo de elaboração houve consulta ao professorado, especialmente do nível superior. No Brasil, depois desse processo de implementação, não houve avaliação e reelaboração do documento. Já no Paraguai ajustes nos programas da Educação Básica e Média foram realizados recentemente. Assim que os PCN foram lançados, houve um certo desconforto em relação a idéia de se ter um currículo nacional, com isso alguns grupos enviaram sugestões, que posteriormente foram incorporadas ao documento, como relata uma das especialistas: “Havia muita polêmica em torno da ideia de currículo nacional e várias entidades se manifestaram contra ao documento. Para nós da Matemática (ao menos o grupo do Rio de Janeiro) as propostas contidas no PCN de Matemática representavam um avanço, na medida em que valorizava vários aspectos que vínhamos debatendo há muito tempo, como por exemplo, o papel da resolução de problemas. Lembro que a proposta inicial do documento foi enviado às Universidades para comentários e sugestões. Tecemos nossos comentários e enviamos ao MEC. Mas, de modo geral, o documento muito nos agradava. O documento final incorporou as sugestões de diversos grupos (isso ocorreu em todas as áreas do conhecimento)” (EBR2). Os avanços da área de educação Matemática contemplados na prescrição dos PCN segundos os especialistas foram os Temas Tranversais e a valorização da Geometria e da Resolução de Problemas, considerados pontos-chaves da proposta, como apontam os depoimentos: 188 “Os avanços da área de Educação Matemática que foram contemplados foram , a valorização do ensino de Geometria, os temas transversais estabelecendo a conexão da Matemática com as outras áreas de conhecimento entre outros”. (EBR1) “A ampliação das subáreas da matemática, que passa de três(Álgebra, Aritmética e Geometria) para quatro (Números e operações, álgebra e Funções; Tratamento da informação; Medidas e Grandezas e Espaço e Forma). Nesta ampliação, há a incorporação de uma nova área, o desmembramento da Geometria em duas, separando o estudo das medidas e suas grandezas do estudo das formas e do espaço, e a articulação entre o estudo da aritmética e da álgebra. Além disso, elimina do programa do ensino fundamental o estudo de Conjuntos. Há ainda a valorização dos problemas – a Resolução de Problemas ganha centralidade no ensinoaprendizagem. Tópicos da história da matemática são também valorizados como recursos importantes ao processo de ensino. Estas idéias eram bandeiras importantes de grupos de educadores matemáticos tanto no Brasil como em âmbito internacional. Mais ainda, o documento trazia os temas transversais, que no caso da matemática, reforçava a noção de aplicação dos conhecimentos matemáticos à realidade” (EBR2). Entre os principais questionamentos dos professores durante a elaboração do PCN, destaca-se a retirada dos Conjuntos e a falta de uma apresentação clara dos conteúdos do currículo a serem abordados. (...) “A retirada dos conjuntos foi angustiante: alguns professores perderam o chão – como iriam ensinar matemática sem os conjuntos? Escrevemos um artigo sobre isso – E agora, o que fazer sem os conjuntos?, publicado na revista Presença Pedagógica - De fato, tanto a ampliação dos campos e a retirada de temas como as propostas de valorização de estratégias e recursos facilitadores ao ensino causaram muitas angustias aos professores. Além disso, historicamente a educação brasileira sempre foi marcada por muitas descontinuidades, o que dava ao professor a idéia de que não valia a pena tanto esforço: quando o governo mudar, tudo muda” (EBR2). O documento (versão preliminar) foi elaborado por um grupo de especialistas e distribuído à comunidade para comentários e sugestões. Tal versão foi submetida aos educadores que trabalhavam em universidades, tanto públicas quanto privadas. Houve um prazo para que as pessoas, grupos e entidades enviassem ao MEC, seus os comentários. A versão final incorporou as sugestões ou parte delas. Em relação a participação do Ministério da Educação na elaboração, implementação e acompanhamento dos PCN, um dos especialistas concedeu o seguintes depoimento: “O MEC foi o coordenador desta política. Após a divulgação do documento, dadas às dificuldades de compreensão por parte de 189 professores, o MEC lança outra política chamada de PCN em Ação. Esta nova ação do MEC oferecia cursos a professores em todo o Brasil, ensinando-os como lidar com as idéias e propostas do PCN” (EBR2 ). Um dos especialistas entrevistados ressaltou algumas contribuições da comunidade acadêmica ao PCN, destacando a inclusão da Teoria dos Conjuntos no Ensino Fundamental, a proposição do estudo de noções de Estatística e a valorização do papel do aluno no processo ensinoaprendizagem, a saber: “Houve muitas contribuições. Por exemplo, desde 1972 diversos grupos de educadores matemáticos manifestavam-se contra a inclusão de tópicos da Teoria dos Conjuntos no nível fundamental de ensino. Para eles esta inclusão serviu para afastar a matemática da realidade em vez de aproximá-la. A centralidade dos problemas ou da abordagem histórica foram tb resultado da influência de grupos de educadores matemáticos. Outros exemplos: a visão de que a matemática não é uma ciência neutra e portanto também precisa preocupar-se com a formação cidadã; a incorporação de temas de estatística e probabilidade e o estudo de gráficos e tabelas; a valorização do papel do aluno em seu processo de aprendizagem; etc.” (EBR2). Em relação ao perfil de professor de matemática, a proposta do PCN, segundo relatos enfatiza que: “Um professor que motive os alunos criando situações em que eles participem e sintam a importância de aprender Matemática.Um dos objetivos de aprender Matemática e possibilitar aos aprendizes vivenciar atividades que desenvolvam o jeito matemático de pensar” (EBR1). “Motivação, proposição de problemas, articulação entre os diversos campos do conhecimento, são características importantes valorizadas no PCN” (EBR2 ). Sobre os materiais didáticos disponíveis que foram compatíveis com a reforma curricular os especialistas afirmaram que sim e destacaram as Novas Tecnologias da informação e Comunicação e o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD): “Acredito que sim. Muita coisa boa foi implementada. Houve uma aproximação da Matemática com as novas tecnologias, como por exemplo a utilização do Geogebra, que permite trabalhar com as construções Geométricas” (EBR1). “Em especial a partir das avaliações de livro didático (PNLD). Com este programa, os livros passaram a se preocupar com as novas propostas para o ensino de matemática” (EBR2). 190 Perguntados sobre a Reformulação do PCN, as entrevistas evidenciam uma pequena divergência nos relatos dos entrevistados, a saber: “Houve uma pequena mudança, mas não foi muito significativa, proposta por um educador matemático espanhol. Quando os PCN foram elaborados, inicialmente o documento não focava muito as novas tecnologias da Comunicação e informações (softwares matemáticos)” (EBR1). “Ainda não. A proposta vigente ainda é a mesma. Mas, há grupos no MEC tratando da atualização (EBR2). Em relação a avaliação institucional do sistema educativo, para validar a reforma curricular, uma das especialistas destacou: “PCN, PNLD e Avaliação são programas de governo, embora independentes atuam de forma articulada. Tanto o PNLD como as avaliações (SAEB, Prova Brasil e as avaliações em níveis estaduais ou municipais) consideram o PCN central” (EBR2). A divulação ao sistema educativo regional (e ao público em geral) do resultado das avaliações institucionais são apresentados pela mídia em geral e no site do INEP, como mostra o relato: “Atualmente, são elaborados boletins distribuídos às escolas. Os resultados são também apresentados na mídia e no site do INEP. O SAEB não focava a escola, isto é os resultados eram direcionados às redes de ensino e às UFs. Já a Prova Brasil apresenta resultados por escola. Os Boletins são públicos e estão disponíveis no site do INEP” (EBR2). A respeito do acompanhamento (orientação) do sistema educativo regional, cabe ressaltar os seguintes depoimentos: “Depende de cada instituição. Elas possuem autonomia. Existe um Projeto Político Filosófico. Como você deve ter acompanhado o Brasil se saiu mal no SAEB . Eu e o José Paulo analisamos as provas de Matemática da antiga 8ª série hoje 9º ano e constatamos que tinha uma diferença entre os conteúdos aqui ministrados na 8ª série e os que eram ministrados nos outros países participante do SAEB” (EBR1). “Os boletins visam a cumprir o papel de orientador de ações nas escolas no sentido de garantir o direito à aprendizagem” (EBR2). 191 Os materiais didáticos disponíveis para discussão e implementação da reforma curricular citados na escola, foram os seguintes: “PCN, documentos curriculares das redes, PPP da escola, livros didáticos, guia do PNLD, resultados das avaliações, artigos e livros de pesquisadores da área” (EBR2). A respeito das avaliações institucionais das escolas, foram citadas as seguintes: “Além da Prova Brasil e da Provinha Brasil, que tem a escola como unidade de análise, vários estados e municípios têm seus próprios sistemas de avaliação. No Rio, por exemplo, temos o SAERJ. Os resultados destas avaliações chegam diretamente na escola” (EBR2). O acompanhamento (orientação) dado (a) às escolas com baixo desempenho nas avaliações institucionais, segundo um dos especialistas, foi: “No caso do estado do Rio de Janeiro, as escolas precisam apresentar um plano de metas com propostas de ações. O Estado tem fiscalizado. O CAED, que é responsável pela condução do SAERJ tem ministrado cursos aos gestores e professores sobre como lidar com os resultados, orientando as ações” ( EBR2). No Paraguai, os especialistas, só participaram da validação dos programas, como vemos no depoimento a seguir: “Los seguientes participaron solo en la validación del curriculum: Colegio Matemático del Paraguai; Comité de Educación Matemática del Paraguay (CEMPA) y la Sociedad matemática del Paraguay” (EPA2). Em relação aos questionamentos apontados pelos professores para a efetivação do currículo, os três especialistas em consenso apontaram que: “En general, lo único que cuestionan es la carga horaria” (EPA1, EPA2, EPA3). Para recomendação os especialistas do currículo paraguaio, a principal dos programas oficiais foi relacionado a forma de ensinar matemática, em especial, na abordagem construtivista, considerada por eles um avanço na área de Educação Matemática: “Sobre todo la metodologia a utilizar, apunta a una metodología constructivista que desarrolle los distintos tipos del pensamiento (lógico, inductivo, deductivo, analógico) del estudante. Incentive la investigación y el cuestionamento permanente del mismo hacia los distintos campos del saber” (EPA1). 192 No Paraguai, o papel do Ministério da Educação e Cultura na preparação, implementação e acompanhamento, segundo a diretora do currículo nacional é: “La responsabilidad de elaborar el curriculum: Implementar, investigar sobre la implementación; incorporar ajuste; evaluar y editar”. (EPA1) Os pontos chaves dos programas de estudo do Paraguai, de acordo com um dos especialistas da área de matemática: “La manera de presentar los contenidos, por meio de capacidades. La metodología propuesta y el sistema de evaluación” (EPA3). O perfil de professor de matemática que a proposta curricular da república do Paraguai previa era: “La formación docente inicial - que compreende 3 años de capacitación y obtienen un título de Professores de Matemática para la Educación Básica” (EPA3). Os especialistas em consenso, afirmaram que os materiais disponíveis para as escolas públicas do Paraguai são compatíveis com as propostas curriculares, e são disponibilizados livros e cadernos para os alunos: “El MEC proporciona un cuadernillo de matemática para los alumnos del 1º, 2º ciclos da E.E.B. También ha dotado de libros de matemática, para los tres cursos de la Educación Media, a todos los colegios del estado en toda la República” (EPA1, EPA3, EPA3). No Paraguai consoante a atualização do currículo prescrito vigente, uma das especialistas entrevistadas, a diretora nacional do currículo paraguaio, falou sobre a reforma atual ocorrida no currículo: “Si hubo una reorganización de los contenidos. Las básicas, es decir elementales y no básicas o más compejas” ( EPA3). A pesquisadora faz referência a Resolução que estabelece reajustes no desenho curricular Nacional do Ensino Médio, a partir de 2010, que objetivou melhoras no rendimento da aprendizagem por meio de ajustes na organização das áreas e disciplinas (Resolução 12506, 2009, vide p.86 ) ou à adequação curricular do 3º ciclo do PEMEEB. Sobre essa reforma, o 193 documento elaborado em 2010, reimpresso em 2011, apresenta sua tendência de currículo aberto: "Los programas de estudio del 3° ciclo de la EEB pr esentan una tendencia hacia un currículo abierto, lo cual implica un mayor protagonismo de los actores educativos locales, principalmente docentes y directores, en la toma de decisiones acerca de qué, cómo y cuándo enseñar. Este espacio para decidir, implementar lo decidido y evaluar los resultados se denomina adecuación curricular” (PEEB, 3º ciclo, 2010, p.39). Sobre as avaliações institucionais do sistema para validar o currículo do Paraguai, a diretora relatou que há avaliação do sistema geral, não em particular, destacando como é realizada : “Sobre el sistema general, no en particular;La validación interna del MEC; Del SNEPE (Sistema Nacional de Evaluación Permanente). La misma realiza una muestra nacional en cuanto a resultados por ciclo. Processo de evaluación regulativa de la enseñanza;Hay un reporte que valida al 35% del programa de la Educación Media, en los mejores de los casos se llegaría a 50% por fin de año Prueba del Estado, por año, para evaluar a todos los alumnos. Esto sierve: Para recebir su titulo; Le credita el ingreso a una Universidad y para obtención de becas” (EPA1). Sobre o currículo base a ser cumprido e a avaliação dos alunos foi relatado que: “Curriculum base 70%. Las instituiciones pueden adoptar o incorporar otros contenidos en un 30%. La calificación del alumno está condicionada al logro del 80% de las capacidades básicas propuestas por el curriculum departamental e institucional pueden obtener calificación 3,4 o 5” ( EPA1). Questionado sobre a orientação dada aos sistemas regionais públicos, de forma geral, a diretora do currículo nacional destacacou que : “En un país unitário como Paraguay, el MEC se organiza con: Coordinadores Departamentales y este a su vez con Supervisores Distritales ou Municipales” (EPA1). Os depoimentos evidenciam que as reformas dos currículos prescritos dos países investigados, incorporaram inovações e objetos de discussão das pesquisas da área de Educação Matemática em função de circulação de idéias em diferentes momentos de participação de integrantes da comunidade acadêmica. 194 3.3 Síntese do capítulo Neste capítulo foram destacados os processos de elaboração dos currículos, ora prescritos pela fala dos atores pesquisados, que por sua vez instigaram desafios. Alguns aspectos podem ser evidenciados em relação à elaboração do currículo prescrito. No tocante ao PCN, houve uma elaboração que envolveu avaliação das universidades públicas e particulares, sendo que os aspectos em que não houve consenso, referem-se à forma de elaboração do documento, tal como o ensino de fração e o uso de calculadora, ou seja, esse processo foi marcado pela pouca reflexão em relação as recomendações. Esse procedimento marca a exceção feita aos professores das universidades federais, que avaliaram o currículo prescrito. No caso do Paraguai, os depoimentos mostram que houve um processo de consulta aos grupos de interesses, que perceberam algumas inovações metodológicas advindas de pesquisa em Educação Matemática, em especial, a forma de ensinar Matemática. Na elaboração da proposta curricular e da validação, participaram especialistas, consultores, técnicos educacionais, professores, o Comitê e a Sociedade Paraguaia de Educação Matemática. No próximo capítulo, a apresentação se restringe a ideia de como se configuram os currículos praticados de Brasil e Paraguai, a partir de fragmentos coletados pela pesquisa nos dois países. Para tanto, apresentamos as falas de outros atores, agora os professores de matemática e diretores, acerca dos currículos praticados. Assim, para se aproximar do currículo praticado, analisaremos como o professor elabora seu planejamento, a autonomia para elaborar o currículo escolar, impactos das recomendações didáticas e metodológicas do currículo prescrito, os materiais didáticos que utiliza em seu trabalho e a avaliação dos alunos. Os depoimentos desses atores ainda têm como objetivo verificar como o currículo escolar é elaborado e quais são as influências dos currículos prescritos em sua organização. 195 CAPÍTULO 4 CURRÍCULO PRATICADO PELOS ATORES DOS DOIS PAÍSES: ALGUNS FRAGMENTOS Nesta seção, a ideia básica se restringe a evidenciar como se configuram os currículos praticados de Brasil e Paraguai. Nesse sentido, parte da gênese de fragmentos coletados pela entrevista com professores de ambos países. Assim, o objetivo é de apresentação do processo de elaboração do currículo de matemática da escola, que por sua vez identifica: • sua relação do currículo praticado com o currículo apresentado; • textos e materiais didáticos consultados para elaborar o currículo escolar e a preparação das aulas; • a relação do currículo de matemática da escola com o currículo prescrito; • a autonomia da escola para elaborar seu currículo de Matemática; • o papel da direção e/ou coordenação pedagógica na elaboração do currículo de Matemática. Outro aspecto de interesse foi a discussão da obrigatoriedade do uso do currículo prescrito, de forma a captar a consciência dos profissionais da escola. Relacionado a esse aspecto, foi procurado a identificação da representação dos profissionais acerca da autonomia na realização do currículo de matemática praticado na escola. Também procurou-se saber, como se dá o acompanhamento do currículo escolar em ambiente escolar, seja pela direção, coordenação pedagógica, seja pelos órgãos intermediários. 196 Em seguida, o interesse voltou-se para a questão central da investigação, a saber, o grau de assimilação das recomendações metodológicas, de forma a verificar como elas contribuem para o trabalho do professor em sala de aula. Dentre essas recomendações, destacam-se: • Resolução de Problemas. • Concepção de aprendizagem. • História da Matemática. • Uso de Tecnologias, em especial o uso de calculadora. Por fim, vale apresentar fragmentos sobre o que foi observado acerca do trabalho em sala de aula: • a organização do trabalho com o aluno; • a forma de participação dos alunos; • a dinâmica da aula; • avaliação. 4.1 Perfil dos diretores, coordenadores pedagógicos e professores entrevistados Neste item, como finalidade, será apresentado o perfil dos diretores, coordenadores e professores do Ensino Fundamental e Médio dos países pesquisados. O intuito é de identificação, de como vem sendo configurada a implementação dos currículos nas escolas. O perfil dos diretores, coordenadores pedagógicos e professores entrevistados brasileiros está disposto no quadro a seguir: 197 Pesquisado Idade Sexo Tempo no Formação Inicial Magistério Formação Continuada DIRBR1 50 F 15 anos Química Industrial (UFF), Licenciatura plena em Matemática (Faculdade Castelo Branco) Especialização em Educação Matemática (Universidade São Judas Tadeu ) CPBR1 39 F 18 anos Formação Inicial/Instituição(Gr aduação): Formação de Professores / Formação em Ciências (Habilitação em Matemática) – Faculdade de Filosofia de Campo Grande. Especialização de Matemática para os Ensinos Fundamental e Médio / Cursando Especialização para Coordenação Pedagógica (UFRJ) PBR1 29 M 6 anos UFRuralRJLicenciatura em Matemática. PBR2 26 F 1ano UFRuralRJLicenciatura em Matemática Pós-Graduação Lato Sensu em Aprendizagem Matemática-UFRJ Novas Tecnologias no Ensino da Matemática-UFF PBR3 33 F NI Licenciatura em Matemática PBR4 42 F 16 anos Licenciatura em Matemática-UFF. PBR5 44 M 19 anos Licenciatura em Matemática. PBR6 34 M 11 anos Licenciatura em Matemática-UFF PBR7 24 M 2 anos Licenciatura e Bacharel em Matemática. PBR8 24 M 3 anos Licenciatura em Matemática. Mestrado em Matemática Aplicada – UFRJ. Especialização (UFF), Mestrado em Educação Matemática (USU), Doutoranda em Educação Matemática (UNIBAN) Mestrado em Educação Matemática(PUCSP). Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática / Unigranrio. Pós-graduação Lato Sensu em Novas Tecnologias no ensino da Matemática. Especialização em Docência do Ensino Superior - UCAM. Especialização em Aprendizagem 198 Matemática – UERJ. Quadro 13 : Perfil dos diretores, coordenadores pedagógicos e professores entrevistados no Brasil. O perfil dos diretores e professores entrevistados no Paraguai está disposto no Quadro : Pesquisado Idade Sexo Tempo no Formação Inicial Magistério Formação Continuada DIRPA1 60 F 25 años Docente de E.E.B. Licenciada en Educación. PPA1 45 F NI PPA2 44 F NI PPA3 46 F NI PPA4 NI F 28 años Licenciatura Matemática. Licenciatura Matemática. Licenciatura Matemática. Licenciatura Matemática. PPA5 28 F 2 años Licenciatura en Matemáticas Facultad de Ciencias Exactas y NaturalesUniversidad Nacional de Asunción. PPA6 NI F NI Licenciatura Matemática. PPA7 NI F NI PPA8 NI F NI Licenciatura Matemática Licenciatura Matemática Maestria en Educación em NI em NI em NI em NI NI em PósGraduação Lato Senso em Pedagogia em Nível Médio e Universitário em Não possui em Não possui Quadro 14 : Perfil dos diretores e professores entrevistados no Paraguai. 4.2 Formas de Matemática da escola desenvolvimento do currículo de Nas escolas do sistema educativo do Rio de Janeiro, onde foram realizadas a maior parte das entrevistas com os professores(exceto uma 199 concedida por um docente do Estado de São Paulo), tendo em vista os 200 dias letivos, o planejamento é iniciado durante o período de organização das escolas, em fevereiro, normalmente em três dias. Ao longo do ano, em geral, quatro reuniões pedagógicas são utilizadas para retomar assuntos referentes aos planejamentos. “No início do ano letivo os professores das mesmas séries reúnemse por disciplinas e traçam o plano de ensino anual. Este planejamento é feito em conformidade com o PCN e o COC (caderno de orientação curricular do próprio município) onde são dispostos conteúdos significativos para a construção de conhecimento e ainda sugere algumas propostas para trabalho interdisciplinar. Durante o ano faço planejamento quinzenal englobando conteúdos, objetivos e habilidades. Procuro estar sempre relacionando o conteúdo com um material concreto ou uma aula no laboratório de informática” (PBR2). “Procuro elaborar levando em consideração, principalmente, o perfil do corpo discente a ser trabalhado, o que me leva, na maioria das vezes, a distanciar-me do que é proposto pela secretaria municipal de Educação” ( PBR1). “Por meio dos cadernos fornecidos pelo Estado de São Paulo, sigo o Currículo sugerido pelo governo” (PBR5). “Quanto ao plano de ensino, não faço um planejamento rigoroso, mas utilizo alguns recursos” (PBR6). “Com o uso do livro didático da escola e em reunião com outros professores de matemática da escola para nivelar as turmas do colégio” (PBR7). “Por meio de atividades voltadas para o cotidiano do aluno, buscando dar utilidade ao conceito envolvido” (PBR8). Um aspecto a ser destacado é a mediação do livro, didático ou não, um dos principais componentes do currículo interpretado, de forma a traduzir em tarefas e atividades o que está recomendado nos currículos prescritos: “Livro didático adotado, COC, PCN e outros que julgo necessário para complementar o conteúdo. Utilizo material concreto e softwares matemáticos”. (PBR2) “O Livro didático ao qual utilizamos foi escolhido por uma equipe de professores de matemática e deve ser seguido rigorosamente, afim de economizar materiais extras (Cópias)” (PBR8). Nos trechos também podemos observar a presença dos livros e softwares matemáticos, este último um recurso cada vez mais presente no trabalho do professor e enfatizado nos cursos de formação continuada. 200 Todavia, também as orientações da política educacional local são utilizadas. No sistema educativo municipal do Rio de Janeiro e estadual de São Paulo, durante o ano, a escola recebe Caderno de Apoio, para o professor e para o aluno, que é um documento a ser usado nas aulas, e o qual podemos considerar um material do currículo apresentado, utilizado também para planejar o currículo escolar. Para outro professor, durante período de planejamento, seu trabalho consiste em articular os textos que utiliza à orientação curricular contida nos Cadernos de Apoio: “Na rede municipal, o livro didático adotado serve como a principal referência na elaboração do currículo escolar. Além disso, a Secretaria Municipal de Educação, manda, a cada bimestre, uma apostila, com o objetivo de auxiliar o trabalho do professor, inserindo conteúdos, muitas vezes com uma metodologia construtivista. Contudo, em muitas ocasiões, tais conteúdos contidos nas apostilas estão fora (além ou aquém) do proposto para aquele momento” (PBR1). “Além dos cadernos, são consultados livros didáticos e Internet que abordam os temas trabalhados, caso haja necessidade de adaptação” (PBR5). Como observamos no relato, a internet também vem sendo uma ferramenta útil para o planejamento do professor. Em relação aos Cadernos de Apoio constatamos que trata-se de um conjunto de textos que contribuem para o trabalho do professor, apresenta um triplo sentido: ser um material para desenvolvimento da aula, sugerindo atividades de aprendizagem; ser bibliografia para auxiliar no planejamento do currículo praticado, em vista de as atividades constarem de orientação curricular e didática; e orientar o trabalho para as avaliações institucionais, apresentando atividades que indicam aspectos avaliados. No sistema educativo do Paraguai, o professor dispõe, para seu planejamento, como referência, o currículo prescrito nacional. Os professores pesquisados, mesmo contando com livros didáticos, preferem selecionar o currículo e as atividades para ensino propostas nesses livros, utilizando vários autores, o que coincide com o verbalizado pelo professores PPA2, PPA4, PPA5, PPA7 e PPA8: 201 “Los textos aceptados por el Ministerio e algunas veces consulta on otros libros” (PPA4). “El Ministerio de Educación y Cultura tine un programa nacional para el área de Matemática y el profesor elabora su plane de clase de acuerdo al nível de los estudantes afianzando tus conocimientos previos, detectando las falencias, estructurando las actividades de acuerdo al nível de los alumnos y posteriormente se va acrescentando los contenidos en forma gradual” (PPA2). “Los Libros utilizados son elaborados por empresas privadas que son visadas por el Ministerio de Educación y Cultura para la elaboración y posterior tirada de los textos a ser aplicados en los colegios. El profesor escoge su material” (PPA4). “El plan de estudio se prepara según el nivel que corresponde según el currículo del MEC” (PPA5). “Recurro al programa del MEC y considero en primer lugar la seleción de temas a ser trabajados en el desarrollo de capacidades básicas y no básicas considerando el tiempo semanal destinado a la matemática. Si la instituición considera otros contenidos también se tiene en cuenta, siempre la carga horaria nos permita. Luego la metodología a adoptar y la evaluación” (PPA7). “Todos los textos para la educación escolar básica y Media están adaptados al currículo oficial y uno los adecua a las necesidades de los alumnos y a la experiencia docente y siempre están los textos más digamos extensos y tambien internet” (PPA8). No Paraguai nenhum professor mencionou nos relatos, publicações similares aos Cadernos de Apoio para professores e alunos, com um trabalho sistemático de ordenamento curricular como ocorre no sistema educativo municipal do Rio de Janeiro e estadual de São Paulo. A explicação pode ser encontrada na pouca ênfase ainda dada ao monitoramento pelo Estado do desempenho dos alunos por meio de avaliações. Essa ênfase, no caso brasileiro, faz com que os currículos prescritos e todos os materiais do currículo apresentados tenham sido substituídos por uma matriz de expectativas de avaliação, referência também para elaboração do currículo escolar. Nas seções a seguir, questionamos os atores pesquisados acerca da obrigatoriedade e da autonomia de seu trabalho docente. No Paraguai, os currículos prescritos nacionais são obrigatórios, ao passo que no caso brasileiro, em função de as diretrizes no Conselho Nacional de Educação, e os PCN não serem obrigatórios, tampouco os materiais elaborados pela Secretaria de Educação, queríamos saber como o professor elabora o 202 currículo escolar, esse sim, obrigatório, porque faz parte do projeto pedagógico da escola. 4.3 Relação dos professores com o currículo prescrito Um dos aspectos que consideramos essenciais na implementação do currículo prescrito consiste na relação dos atores com essas orientações. Questionados a respeito da obrigatoriedade de seguir os currículos prescritos, as respostas dos atores brasileiros foram a sseguintes: “Não, mas temos a flexibilidade de trabalharmos com a orientação da SEEDUC, visando o melhor desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, adequando-o à nossa realidade” (CP1). “Não muito. Temos um currículo mínimo que nos é imposto pelo governo e tal fato nos amarra um pouco. Criamos estratégias para podermos ir além. O currículo oficial é o do Governo, mas se sentimos potencialidade nas turmas, vamos além” (DIRBR1). Sobressai do texto a sensação de controle da Secretaria de Educação sobre o trabalho do professor, na verdade de difícil acompanhamento no dia a dia, tanto pela escola quanto pela supervisão escolar. Sobre o currículo mínimo do Estado do Rio de Janeiro, percebemos uma certa desarticulação com o PCN, onde é nítida a diferença nos blocos de conteúdos, chamados pelo documento de campos conceituais. No Paraguai, observamos a consciência de que há um currículo prescrito obrigatório. Um professor perguntado se ele tem autonomia para elaborar o currículo oficial, relatou que: “No en um 100% pues las capacidades básicas debemos dessarrollarlas en todas las instituiciones de la República. Pero de común acuerdo con la Instituición educativa se puede alterar o agregar otros contenidos” (PPA7). Pelo trecho acima , podemos verificar que a obrigatoriedade não exclui o papel da escola de fazer as adaptações curriculares dos conteúdos, de acordo com a concepção dos atores, em vista da adequação aos alunos. 203 4.4 Autonomia na realização do currículo praticado de Matemática na escola Ao questionarmos a coordenadora pedagógica e a diretora de uma escola pesquisada, acerca da autonomia, o trecho abaixo torna-se revelador da representação sobre a autonomia do trabalho docente: “Não, mas temos a flexibilidade de trabalharmos com a orientação da SEEDUC, visando o melhor desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, adequando-o à nossa realidade”(CPBR1). “Não muito. Temos um currículo mínimo que nos é imposto pelo governo e tal fato nos amarra um pouco. Criamos estratégias para podermos ir além. O currículo oficial é o do Governo, mas se sentimos potencialidade nas turmas, vamos além” (DIRBR1). Como podemos observar, a questão da avaliação institucional gera justificativa ambígua acerca do trabalho docente, porque apesar da consciência de que há liberdade docente, a preocupação com a avaliação está sempre presente, portanto o professor precisa adequar seu trabalho às orientações da Secretaria de Educação, mesmo que a supervisão disso seja difícil no dia a dia, como vimos na discussão feita na seção anterior sobre o acompanhamento do trabalho docente. Por sua vez, na percepção dos professores há uma semi-autonomia, seja pela abertura em se trabalhar os conteúdos, seja pelas características pessoais próprias de cada docente: “Em geral, não! Ao início de cada bimestre, recebemos um conteúdo programático, denominado descritores, que serve como um parâmetro a ser seguido pelos professores. De certa forma, eu concordo em haver esse parâmetro; os professores não são obrigados a seguir rigorosamente o proposto. Contudo o nível de desenvolvimento dos alunos é demasiadamente aquém desse parâmetro curricular” (PBR1). “Não.Tenho que seguir o Caderno de Orientação Curricular quanto ao conteúdo, limitada na proposta. Mas tenho liberdade para escolher os meios como irei apresentá-los aos alunos” (PBR2). A leitura desses trechos evidencia que os currículos prescritos servem como sugestão, recomendação ou orientação, dando indicações acerca do trabalho a ser realizado pelo professor. Mesmo o Caderno de Apoio 204 cumpre um papel de suporte, um material de apoio do currículo apresentado, que tem como função traduzir como as recomendações curriculares podem ser encaminhadas pelo professor na sala de aula, já que os registros docentes, tais como planos de ensino, diários de classe, tarjetas de notas, atas de conselhos de classe, entre outros, são documentos que tornam legais os atos administrativos do aluno em um sistema de ensino. No entanto, a relação dos professores com o currículo prescrito está diretamente proporcional ao conhecimento e ao contato com esses materiais do currículo apresentado que chega à escola. No Paraguai, o cenário muda de figura, já que os currículos prescritos nacionais são obrigatórios, o que nos leva a questionar sobre a autonomia para elaboração do currículo escolar. “Tiene autonomía para planificar pero no debe apartarse de los programas oficiales (DIRPA1). “No en un 100%. Tiene autonomía para planificar pero no debe apartarse de los programas oficiales” (DIRPA2). “El currículo es semi abierto, para incorporar algunos contenidos que uno crea importante pero el tiempo es insuficiente para desarrolar los contenidos propuestos por el MEC” (PPA3). Pelo exposto, são bastante amplas as possibilidades e alternativas do professor para executar seu trabalho, porém dinâmica da escola lhe confere uma semi-autonomia para execução do mesmo. 4.5 Acompanhamento do currículo escolar na escola Nesta seção, vamos discutir como ocorre o acompanhamento na execução do currículo de matemática pela direção e coordenação pedagógica. Verificamos que esse acompanhamento é superficial: “Por meio dos registros feitos pelos professores em diário de classe e pelos instrumentos usados nas avaliações” (CP1). “Pelos diários de classe, pelos trabalhos apresentados e pelas provas elaboradas” (DIRBR1). 205 No Paraguai, o depoimento das diretoras vai das avaliações até a verificação do cumprimeto dos programas. “Por meio de monitoreo de las planificaciones:Observación de clases, revisión de las evaluaciones aplicadas a los estudiantes; revisión de los cuadernos de los estudiantes; analisis de materiales didácticos utilizados por el docente” (DIRPA1). “El quipo técnico controla, mediante el planeamiento anual del profesor, la marcha del desarrollo programático” (DIRPA2). Pelos depoimentos, constatamos que os meios de acompanhamento do currículo nos países pesquisados são os mesmos e a dificuldade de se verificar a prática pelo professor no cotidiano, dá-se em função das diferentes atribuições da equipe técnica da escola. 4.6 Grau de assimilação da Educação Matemática Nesta seção, avaliamos o grau de assimilação pelo professor das recomendações metodológicas advindas da área de Educação Matemática, de forma a verificar como elas contribuem para o trabalho do professor em sala de aula. Dentre essas recomendações, destacamos: • • • • Resolução de Problemas. Concepção de aprendizagem. História da Matemática. Uso de Tecnologias, em especial o uso de calculadora. 4.6.1 Resolução de Problemas As entrevistas com professores brasileiros mostram que a orientação didática a respeito da utilização da Resolução de Problemas já está no discurso desses profissionais, mas com compreensões diversas, como mostram alguns depoimentos transcritos a seguir: O trabalho de problematização fica sob a responsabilidade e o controle do professor, conforme percebemos nos relatos: “A resolução de um problema não é apenas cálculo, como na maioria das vezes os alunos acham. O aluno precisa avaliar, entender a problemática, buscar alternativas para resolver. O 206 professor deve orientá-lo quanto a possibilidade de soluções diferentes para o mesmo problema. Para mim é muito importante a conexão de diferentes saberes, mas sinto-me um pouco insegura em determinados momentos. Somente consigo fazer essa conexão com tratamento de informação (uso de tabelas e gráficos) e alguns enunciados de problemas articulando outras áreas” (PBR2). A professora destaca uma ênfase proposta nos PCN, destacada nas análises referentes a Metodologia de Resolução de Problemas (vide, cap.2), dando a ideia da proposição de situações-problemas abertos, deixa transparecer o conceito de zona de risco no trabalho com a resolução de problemas e enfatiza a abordagem interdisciplinar que tal metodologia sugere, ao relatar sobre a conexão da resolução de problemas com outras áreas do conhecimento. Já outro professor propõe a metodologia de resolução de problemas como norteador das atividades matemática: “ A resolução de problemas deveria ser o norteador de toda a matemática, porém a defasagem dos alunos gera uma deficiência em compreender os problemas e com isso poder resolver por meio dos conceitos matemáticos. Mas costumo levar alguns problemas em que não se tenha a necessidade de muita interpretação” (PBR8). O professor também transmite a idéia de um certo mecanicismo no trabalho com a metodologia da Resolução de Problemas, ao relatar que costuma utilizar em suas aulas problemas que não exigem muita interpretação, justificando tal postura pela dificuldades apresentadas pela maior parte dos alunos. Na entrevista com as professoras do Paraguai, observamos o entendimento acerca da Resolução de Problemas e das etapas proposta por Polya para o trabalho com essa metodologia: “Se trabaja con la resolución de problemas utilizando en muchos casos el método de Polya. Alguns docentes utilizan las actividades lúdicas, pero falta que se convenzan de la importancia de los juegos en el aula” (PPA2). “Situación Problemática - Proyectos educativos aplicados en relación a lo mundo del hombre moderno especificamente durante la Geometria, Aritmetica y Trigonometria” (PPA6). Esses trechos mostram que o trabalho com Resolução de Problemas pode trazer contribuições ao trabalho em sala de aula, mas que ele depende ainda do convencimento do professor para sua efetiva incorporação. 207 4.6.2 Concepção de aprendizagem subjacente Um aspecto da concepção de aprendizagem do professor consiste em falar da necessidade de trazer para a aula elementos do cotidiano do aluno: “Acredito que situações cotidianas não é o único eixo e também nem todos os conceitos trabalhados são acessíveis ao cotidiano de uma turma com alunos diversificados” (PBR5). “Por meio de atividades voltadas para o cotidiano do aluno, buscando dar utilidade ao conceito envolvido” (PBR8). Nesse trecho também foi verificado um entendimento parcial ao relacionar concreto algo trazido em exemplos do cotidiano do aluno e considerar abstrato aquilo que não veio desse tipo de exemplo. De lado, não é imediata a correspondência feita entre concreto e cotidiano, já que significados trazidos do cotidiano do aluno podem ser tão abstratos como se queira. Por outro lado, esse trecho mostra ainda outro aspecto que explicita a concepção de aprendizagem: cabe ao professor estabelecer as relações entre a matemática e assuntos que eventualmente podem estar próximos do cotidiano do aluno, ou seja, há pouco espaço para o aluno estabelecer suas próprias representações e concepções sobre os objetos matemáticos. No entanto, o pressuposto de trazer temas do cotidiano algumas vezes traz o risco de “esvaziamento” da aula. Um pressuposto da concepção construtivista diz respeito à convicção de que os alunos trazem conhecimentos prévios para uma situação de aprendizagem, em que envolvimento pessoal apresenta papel fundamental na construção de significados. No Paraguai o depoimento de uma das professoras evidencia a concepção construtivista propondo a articulação de situações problemas com a utilização de outros recursos: “La metodologia propuesta es la construtivista, se deben conectar la resolución de situaciones problemáticas con juegos, calculadora, historia de la matemática. Muchos docentes lo realizan muy bien pero otros les cuesta el cambio propuesto” (PPA3). 208 Os depoimentos mostram que em alguns aspectos os professores procuram se aproximar ou incorporar a concepção construtivista em sala de aula, concorrendo para isso os textos que configuram o currículo interpretado ou apresentado. 4.6.3 História da Matemática Algum indício de utilização do recurso didático da História da Matemática apareceu nas entrevistas: “Utilizo a história como metodologia em conteúdos que, baseado no meu conhecimento, seja possível fazer o vínculo. Não utilizo livros” (PBR5). Avaliar como a História da Matemática chega aos alunos ficou prejudicado devido a esse fragmento, que procura expressar um aspecto do trabalho do professor. Verificamos que a História ainda é um desafio para os docentes, como se evidenciano trecho a seguir: [...] Essa parte de História da Matemática ainda é um desafio para mim. Não consigo articular muito ao introduzir os conteúdos, mas persisto. Os alunos mostram desinteresse nesse quesito. Acham que professor de matemática deve fazer contas[...](PBR2). No Paraguai, somente duas professoras citaram a História da Matemática em suas entrevistas, uma relatando que pouco a utiliza e outra relatando a articulação da História via Resolução de Problemas: [..]” la historia muy poca todavía” [..] (PPA1). “se deben conectar la resolución de situaciones problemáticas con juegos, calculadora, historia de la matemática” .. (PPA3). Pelos depoimentos dos professores, concluímos que o trabalho com história da matemática não é algo sistemático, mas eventual, sem aprofundamento, restrito e reduzido a relatos históricos acerca de conceitos matemáticos levados para sala de aula e a resolução de problemas. No caso brasileiro, poderíamos esperar uma presença maior desse recurso didático sugerido pelos PCN e traduzido ao professor pelos livros didáticos indicados pelo MEC. Por outro lado, notamos que para o professor paraguaio esse recurso é uma novidade, já que pouco aparece nos programas de estudos propostos. 209 4.6.4 Utilização de Tecnologias, em especial o uso de calculadora Nas entrevistas, procurou-se centrar na concepção do professor sobre o uso de tecnologias, principalmente a calculadora, assim com os professores brasileiros, encontrou-se pistas de como o trabalho com uso de calculadora é desenvolvido. “Eu faço um trabalho com os alunos de diferentes formas. Faço isso porque estou convencida de que é importante o aluno se comunicar matematicamente. Assim uso jogos, softwares, proponho pesquisas na Internet, apresentação de trabalhos” (PBR4). “A resolução de problemas e o uso da calculadora são as recomendações que mais surtem efeito, pois devemos mostrar que o que ele está aprendendo irá servir pra alguma coisa, e a calculadora está presente na vida dele para a resolução desses problemas” (PBR8). “Utilizo calculadora para mostrar padrões numéricos, explorar casas decimais e propriedades de operações . A rapidez viabiliza algumas questões para observação dos alunos. Toda aula no laboratório de informática é muito trabalhosa para o professor. Tudo deve ser muito bem esquematizado antes, de forma que os objetivos traçados previamente sejam alcançados da melhor forma. Para isso o software deve ser selecionado adequadamente. Procuro avaliar antes (com a seleção do software feita a partir do conteúdo a estar sendo estudado e adequação a realidade dos alunos), durante (com o retorno dos alunos e bastante atenta para sanar as dúvidas) e depois (com os resultados e opinião dos mesmos)” (PBR2). Este diálogo, além da concepção acerca do uso da calculadora, revela a articulação do computador com o trabalho de sala de aula. Tal recurso exige reflexão constante e atualização do professor para sua utilização, como verificamos no capítulo 2, de acordo com as recomendações dos currículos prescritos. Na entrevista com os professores brasileiros, outro aspecto do uso do computador está ligado à falta de estrutura para esse tipo de trabalho. “Quanto a tecnologia utilizo pouco por falta de estrutura da escola” (PBR5). Na entrevista com as professoras paraguaias, o seguinte diálogo é revelador da atualidade da discussão sobre o uso da calculadora na resolução de problemas, considerando os conhecimentos prévios dos alunos: 210 “Todas las recomendaciones metodológicas contribuyen muchíssimo con la tarea docente, el uso de la calculadora en la resolución de problemas importantísimo, la informática aún no entra como deberia, todo relacionado con los conocimientos previos” (PPA8). Na análise das práticas de professores brasileiros e paraguaios encontramos indícios de emprego de calculadora na resolução de problemas, como sugerem os currículos prescritos. Em relação ao uso de computadores, a formação do professor e a estrutura para o trabalho são aspectos que interferem nitidamente na prática. 4.7 Alguns aspectos do trabalho de sala de aula Trazemos alguns aspectos que focalizamos como interessantes a respeito do trabalho em sala de aula: • a organização do trabalho com o aluno; • a forma de participação dos alunos; • a dinâmica da aula; • avaliação. A organização do trabalho com o aluno pode ser feita ainda em função de atividades interdisciplinares: Durante a aula, uma forma de participação dos alunos buscada pelos professores são os trabalhos em grupos, para garantir a atividade efetiva do aluno ao longo do desenvolvimento da tarefa: “Tento seguir as recomendações de acordo com o perfil da turma. Separar em grupos para fazer trabalhos, o aluno indo no quadro participar, apresentação de seminários e etc” (PBR7). “Estimulando a cooperação entre os alunos. O confronto entre o que o aluno pensa, o que pensam seus colegas e seu professor é uma forma de aprendizagem significativa, principalmente por pressupor a necessidade de formulação de argumentos (dizendo, descrevendo, expressando) e de validá-los (questionando, verificando, convencendo)” (PBR3). 211 Em relação à dinâmica da aula, uma professora observou também a participação dos alunos que possuem mais facilidades durante as tarefas propostas: “Aulas expositivas, onde o aluno é convidado a participar do processo de construção do conhecimento. Gosto de separar a turma em grupos, pois interagem e o retorno é rápido, principalmente quando utilizo material concreto. Como o aluno e o professor precisam estar em sintonia para êxito das partes, dou liberdade na medida do possível para que opinem e dêem sugestões quanto a todo processo ensino aprendizagem e quanto a forma que serão avaliados. Valorizo muito a participação diária nas aulas, compromisso com as tarefas de casa e aula, iniciativa para resolver problemas quando solicitado. E no caso de alunos que possuem mais facilidade incentivo que auxiliem os colegas” (PBR2). As provas também são realizadas, em alguns casos procurando direcionar para as avaliações institucionais, que utilizam testes com alternativas: “Os cadernos do professor carregam orientações nesse sentido. Encaminha o professor, de acordo com o tema, a dinâmica que deve ser seguida. O trabalho fica mais fácil” (PBR5). As aulas investigativas em grupo também são destacadas por um professor brasileiro: “A organização é feita em grupo, para um aluno ajudar o outro. A dedicação, o comprometimento e o interesse do aluno são avaliados durante a realização das atividades. Procuro levar ações investigativas, estimular a curiosidade do aluno. E as pesquisas geram independência ao aluno” (PBR8). No Paraguai, também são destacados os trabalhos individuais e em grupo, bem como o trabalho investigativo com fichas e materiais concretos: “Por meio de diversas técnicas de aprendizajes como: trabajos individuales, grupales, utilizando fichas de trabajo y materiales manipulativos” (PPA1). Uma professora destaca a necesidade de avaliar os conhecimentos prévios antes de propor uma situação didática: “Se inicia con los conocimientos previos , se pude trabajar en forma dual, individual con juegos matemáticos” (PPA4). A utilização de softwares matemáticos também é destacado: “Se aplican desarrollo del tema en la pizarra con participación de los alumnos durante el desarrollo. Uso de la sala de informática para conocer los software matemáticas sencillos” (PPA5). 212 A Metodologia de Projetos, também é evidenciada na prática de uma das professoras. “Generalmente se trabaja en grupos, desarrollando proycetos. Metodologia Aula-Taller, etc” (PPA7). Tal metodologia é bastante destacada nos Programas de Estudos do Paraguai, mostrando a preocupação da professora em trabalhar o currículo prescrito oficial. 4.8 Causas implementação apontadas para as dificuldades de Pela leitura das entrevistas realizadas tanto no Brasil, quanto no Paraguai, a grande dificuldade enfrentada pelos professores tem sido o entendimento das recomendações curriculares presentes nos currículos prescritos e incorporá-las no currículo praticado. Os conhecimentos prévios dos alunos também pode ser um entrave. Na análise, sobressai-se a necessidade de um processo de formação de professores concomitante com a reforma educativa pretendida pelos países, para a incorporação no currículo praticado. 4.9 Síntese do capítulo Neste capítulo, procurou-se apresentar, ainda de modo indiciário, a configuração dos currículos praticados dos países investigados. Sobressaíram-se alguns aspectos da cultura escolar, em especial a previsão de reuniões e jornadas pedagógicas para elaboração do currículo da escola. Embora esses elementos sejam insuficientes para uma discussão curricular, há uma preocupação em contribuir para que a escola se organize em torno da temática curricular. A consciência da obrigatoriedade dos currículos é um aspecto importante, porém consideramos fundamental a consciência do professor de matemática acerca das possibilidades de tornar seu trabalho autônomo e socialmente relevante. 213 Em relação ao acompanhamento do currículo escolar, o que se verificou foi a dificuldade das equipes técnicas das escolas em se envolver com essa ação, o que evidencia o afastamento das equipes das questões pedagógicas, em especial o diretor de escola, como já constatara Krawczyk e Vieira (2006): O discurso participativo enfatizado no modelo gerencial produziu dois fenômenos que afetaram a dinâmica escolar. Por um lado, ocorreu a burocratização do cotidiano escolar e a formalização da participação das instâncias colegiadas, aumentando a atividade administrativa, as demandas das famílias e provocando uma mudança do perfil do trabalho escolar. Concomitantemente se fortaleceu a figura do diretor como gestor, distanciando-o das atividades pedagógicas, observando-se o esvaziamento da produção coletiva dos docentes, agravada pela instabilidade no emprego. Por outro lado, o aumento das responsabilidades das instituições escolares e das famílias na gestão financeira da instituição e nas estratégias de resolução dos problemas educativos levou a um ativismo institucional e a uma relação de competitividade entre as escolas, dada a necessidade de elaboração constante de projetos, de contatos e parcerias com a comunidade para concorrer a novos recursos governamentais e privados (KRAWCZYK e VIEIRA, 2006, p. 677). Por fim, a investigação evidenciou que orientações sobre resolução de problemas, concepção de aprendizagem, história da matemática e uso de tecnologias, embora presentes nos currículos, indicam dificuldades de sua incorporação na prática pelo fato de que essas recomendações pressupõem uma mudança de paradigma constituída basicamente por três facetas, como aponta Pires (2011): a maneira de conceber a Matemática e seu ensino, as concepções e crenças de professores sobre o ensinar Matemática e as percepções dos estudantes sobre aprender Matemática. Certamente há um longo caminho a trilhar, mas a Resolução de Problemas é, provavelmente, uma tendência sem volta e que tem potencialidades para sustentar boas propostas para a educação matemática das pessoas (PIRES, 2011, p. 12). Concordando com Pires (2011), resta então a expectativa de que essas recomendações, boa parte delas ainda de interesse por parte de pesquisas na área de Educação Matemática, adentrem o chão da sala de aula, em vista das possibilidades que apresentam para o trabalho docente. 214 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa em questão se restringe à investigação de impactos da Educação Matemática, principalmente no que concerne a ideia de currículos prescritos e praticados. Nesse sentido, foi realizado um estudo comparativo entre Brasil e Paraguai, buscando relevâncias na contribuição da ampliação dos conhecimentos relativos ao processo de organização e de desenvolvimentos curriculares na contemporaneidade. Assim, cabe a tentativa de apresentação de algumas respostas obtidas acerca do conjunto de questões norteadoras na busca desse conhecimento: 1. Que Matemática está sendo proposta a ser ensinada a crianças e jovens do Brasil e do Paraguai neste início de milênio? 2. Que pressupostos norteiam os documentos curriculares desses países? 3. Que conhecimentos produzidos pela Educação Matemática podem ser observados nesses documentos? 4. Como se deu o processo de implementação curricular nesses países? 5. Que currículos estão de fato sendo realizados em sala de aula? A investigação tornou evidente que os objetivos do Ensino Médio nos países investigados, são inerentes à ampliação daqueles colocados ao Ensino Fundamental, fundamentado na perspectiva de que o estudante se insira no mundo do trabalho e tenha autonomia para continuar os estudos em nível superior. As concepções de escola e currículo, tal como os currículos prescritos em ambos os países investigados, revelaram, no que diz respeito às finalidades para a Educação, em particular da Educação Matemática, que há a necessidade de enfatizar o exercício pleno da cidadania. Nesse sentido, 215 apontam o conhecimento específico matemático como ferramenta sublimar e indispensável para o desenvolvimento de capacidades e competências inerentes ao aspecto profissional, científico e tecnológico. A pesquisa revelou ênfase na Resolução de problemas e compreensão de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. Em relação aos princípios de organização curricular, os currículos dos dois sistemas educativos buscam nitidamente a conexão entre os eixos temáticos. Tornou-se possível compreender, que a Matemática que pretende ser ensinada no Paraguai é “compartimentada” em subáreas. Não obstante, no Brasil, o que temos de pressuposto é que a Matemática a ser ensinada é composta de unidades didáticas, onde os alunos devem percebê-las em sua totalidade, o que confere mais autonomia ao professor na escolha didática. Ambas as orientações apontam a compreensão do conhecimento matemático como uma ferramenta para o desenvolvimento pleno do estudante em todas as áreas. Sobre os princípios de seleção de competências matemáticas básicas, notamos nos documentos prescritos em relação aos conteúdos conceituais do currículo, a ideia de rede, onde conhecimentos trabalhados previamente são resgatados e, por conseguinte tomam o status de conceito. Vimos que surgem outras relações, que serão retomadas posteriormente, com isso, o conceito será gerado. O currículo dos dois países com relação ao Ensino Fundamental privilegiaram um conjunto de competências em cada Bloco, que permitem ao professor a escolha da sequência didática mais adequada dos conteúdos, a fim de atingir tais competências. Os currículos prescritos de ambos os países para abordagem interdisciplinar, geram recomendações para que os professores trabalhem os conteúdos matemáticos direcionados para o desenvolvimento de atitudes, valores e atividades matemáticas, que favoreçam o respeito às diferenças individuais e a argumentação de ideias. Sobre os Conceitos da Didática da Matemática voltada para o ensino Fundamental, observamos que as propostas são bem similares nos dois países pesquisados, principalmente no que tange a tarefa do professor. Para 216 o Ensino Médio, o documento paraguaio destaca não somente o conhecimento do professor em uma situação didática, mas que o desenvolvimento das competências matemáticas dependerá do nível de motivação do estudante. Dado essa premissa, deixa-se claro, que a função do professor é estabelecer estratégias para gerar uma conduta favorável da aprendizagem e da construção do conhecimento matemático por parte dos alunos. Na análise do documento paraguaio, verificamos certo equilíbrio nas atribuições de papéis de alunos e professores no processo de ensino e da aprendizagem. O PCN também prescreve que o professor deverá ter consciência da construção da ciência matemática e de sua própria formação, além de concepções e crenças. Esses fatores influenciam diretamente na proposição e gerenciamento das situações didáticas e consequentemente na aprendizagem dos alunos. Os documentos dos dois países, no que diz respeito à abordagem construtivista no Ensino Fundamental, destacam que o processo de aprendizagem Matemática deverá ser associado à construção de significados por partes dos alunos. Sobre a utilização da História da Matemática no Ensino Médio, os currículos enfatizam que essa recomendação é multifacetada e com possibilidades de conferir significado e reflexão aos conceitos matemáticos estudados. Sobre o uso da Tecnologia, em especial a calculadora, os currículos prescritos relatam suas potencialidades para situações didáticas diversas, assim, recomendam a perspectiva de atualização e reflexão permanente por parte do docente, a respeito de sua utilização, em particular, ou combinada com outras ferramentas tecnológicas, como os computadores. O currículo brasileiro expõe possibilidades de trabalhos mais amplas e sistematizadas em relação ao currículo paraguaio, prioritariamente no que tange a utilização de ferramentas tecnológicas. O PCN se refere à escolha adequada pelo professor do software a ser adotado na situação didática, para tanto, indica em sua prescrição, a ideia de zona de risco para (questionamentos inesperados e/ou sem respostas). a atividade docente 217 Sobre a avaliação da aprendizagem Matemática em ambos os países, a análise comparativa revelou que as dimensões consideradas nos currículos de Brasil e Paraguai, foram a social e pedagógica, com vistas a uma avaliação de aprendizagem processual e contínua. Já no que diz respeito aos Princípios de organização curricular para a Educação Escolar Básica, no Paraguai existem programas específicos para cada grau, onde as unidades que compõem cada ciclo são comuns nos três graus. Nesse sentido, sua função é de aglutinar as capacidades que se relacionam entre si, incluindo ainda, as específicas e outras consideradas transversais para a área, bem como, as que fazem referência a utilização adequada do vocabulário, a de notação matemática e da atitude positiva dos estudantes em relação à disciplina. Em relação aos blocos de conteúdos, o currículo prescrito paraguaio destaca um bloco que não está presente no PCNEM, que é o Cálculo Infinitesimal, que aborda séries e sequências, que possibilitam a representação de problemas que aparecem em diversas áreas, Funções, Limites de funções, Derivadas e Integrais, centradas nas análises de curvas, com aplicações na Física e na Economia. Os documentos dos dois países enfatizam o estudo de funções na perspectiva da Modelagem Matemática e Resolução de Problemas . No PCNEM o bloco Álgebra: Números e Funções recomendam que o estudo dos números complexos devem ser apresentados como uma histórica necessidade de ampliação do conjunto de soluções de uma equação e o Programa Paraguaio apresenta os Números Complexos com o objetivo de ampliar o âmbito de problemas que se podem resolver e interpretar. Apesar da singularidades nas perspectivas as prescrições dos dois países apresentam o estudo de Números Complexos como uma extensão do conjunto dos Números Reais. No currículo do Paraguai, não foram constatadas recomendações explícitas em relação ao uso do livro didático para as aulas de Matemática, o que implica a impossibilidade de comparação em relação a prescrições sobre sua utilização em sala de aula. 218 Em suma as principais influências da Educação Matemática presentes nas orientações curriculares dos países investigados são: A concepção de aprendizagem construtivista, Conceitos da Didática Francesa o contrato didático e a Transposição Didática, a recursão à História da Matemática, a ênfase no uso de Tecnologias (calculadoras e softwares matemáticos), as concepções pós-modernistas nas visões de Rico(1997), Doll Jr.(1997), Sacristán (2000), Pires(2000), Silva (2009) e Almeida (2011) e por último a avaliação na perspectiva de corrigir rumos, fomentando assim aprendizagens significativas para os estudantes. Em relação ao processo de implementação curricular, os PCN foram concebidos para serem um documento que servisse para construir um referencial, que orientasse a prática escolar de forma que, um exemplar foi enviado a cada professor de matemática do país. Em termos de formação, o MEC promoveu a divulgação em todo o território nacional, de modo a apresentar os PCN às Secretarias de Educação. No que concerne aos currículos, que de fato estão sendo realizados em sala de aula, procurou-se o entendimento de como os professores lidam com algumas recomendações, tais como resolução de problemas, suas concepções de aprendizagem, História da Matemática e uso de tecnologias, em especial, a calculadora. A presença da História da Matemática, no caso do professor brasileiro, ainda se configura como um desafio e não passa de referência aos temas conceituais do currículo. Por outro lado, os professores paraguaios entrevistados, demonstram não utilizarem a abordagem da História da Matemática com uma frequência, que aparece discretamente no currículo prescrito. Finalmente, as entrevistas com os professores dos dois países, evidenciaram o uso de calculadora, como facilitador de cálculos, não estritamente como uma ferramenta para resolução de problemas ou como complemento de estratégias para cálculo mental ou estimativa. Não obstante, as orientações sobre resolução de problemas, concepções de aprendizagem, História da Matemática e uso de tecnologias, 219 embora presentes nos currículos prescritos indicam dificuldades de sua incorporação na prática. Tal afirmação é justificada pelo fato, de que essas recomendações pressuporem uma mudança de paradigma referente à maneira de conceber a Matemática e seu ensino, as concepções e crenças de professores sobre o ensinar Matemática e por fim, as percepções dos estudantes sobre aprender Matemática. Elaborado em um momento histórico de fortalecimento dos princípios democráticos e de mudanças na ordem mundial, concluímos que os currículos dos dois países apresentam mais similaridades do que diferenças. Tanto os PCN como os Programas de Estudos do Paraguai dão ênfases às recomendações metodológicas, propiciando ao professor e à escola maior flexibilidade na definição dos conteúdos. Nos dois currículos, a similaridade marcante é ter privilegiado os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, trazendo novas possibilidades e perspectivas ao trabalho docente. As entrevistas mostraram que o PCN está prestes a sofrer alguns ajustes. Na visita realizada ao Paraguai, foram constatadas reformas realizadas recentemente, nos Programas do 1º e 2º ciclo e no Ensino Médio. No dia da visita ao MEC, houve acesso aos novos programas do 3º ciclo, que entraram em vigência em 2012, dados esses, bastantes pertinentes e colaborativos com a pesquisa em questão. Tivemos acesso a alguns cadernos apresentados ao professores na chamada “Campaña de Apoyo a la Gestión Pedagógicas”, com módulos denominados “Novos Desafios do 3º ciclo da EEB”, “Avaliação da aprendizagem: um processo que conduz ao êxito”, “Estratégias e dispositivos que mobilizam para potencializar o protagonismo dos estudantes” e “A programação da aula: um ponto necessário entre as metas e as ações. Esses módulos apresentam atividades e orientações, afim de implementarem adequadamente as reformas propostas. Como considerações finais, a pesquisa procura apresentar algumas contribuições para serem refletidas pela comunidade de Educação Matemática e por gestores das políticas públicas educacionais, reforçando que o método da educação comparada não pode aspirar a uma eficácia nomotética absoluta das conclusões obtidas (Garrido, 1982 apud Ferrer, 2002). 220 A formação do professor ainda é elemento fundamental, que contribui para transposição das recomendações curriculares, dessa maneira podem trazer significados ricos para a aprendizagem dos alunos. Um professor pesquisador envolvido com a área de Educação Matemática pode criar pontes para uma discussão curricular no âmbito escolar, assim como possibilidades didáticas infindas para o trabalho com os conteúdos prescritos. A pesquisa comparativa qualitativa acerca da configuração dos currículos praticados dos países investigados mostra que o desafio para as elaborações curriculares consiste no entendimento da cultura escolar do professor, ou seja, em suas concepções e crenças acerca das recomendações curriculares, dos conteúdos escolares e da dinâmica em sala de aula. Em vista desses pontos, consideramos como desafio que os sistemas educativos e os envolvidos com pesquisas da área de Educação Matemática estreitem seus laços no sentido de dar relevo à discussão curricular na escola, ora esvaziado pela equivocada valorização das avaliações institucionais, que impõem às escolas suas complexas matrizes de avaliação, bem como, a forma de aferição dessas avaliações, alheias à dinâmica da instituição de ensino. 221 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRANTES, Paulo. Avaliação e Educação Matemática. MEM/USU/GEPEM: 1995. ALMEIDA, A. A. O. de. 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E no acompanhamento? d) Em matemática, quais os pontos-chave da proposta curricular? e) Quais as contribuições dos professores ao PCN? f) Quais as contribuições da comunidade acadêmica ao PCN? g) Qual o perfil de professor de matemática a proposta previa? h) os materiais didáticos disponíveis foram compatíveis com a reforma curricular? i) Houve reformulação do PCN? 3. autoridade do sistema educativo nacional ligada à avaliação (se houver) a) qual foi a avaliação institucional do sistema educativo, para validar a reforma curricular? b) Como é divulgado ao sistema educativo regional (e ao público em geral) o resultado das avaliações institucionais? c) qual acompanhamento (orientação) é dado (a) ao sistema educativo regional? 4. autoridade do sistema educativo regional ligada à projetos curriculares a) qual foi sua participação do sistema educativo regional na elaboração do PCN? b) Quais as dificuldades encontradas durante a elaboração do PCN? c) qual o papel da Secretaria de Educação na elaboração do PCN? E na implementação? E no acompanhamento? 241 d) Como foi organizada a participação dos professores na elaboração do PCN? e) quais os materiais didáticos disponíveis para discussão e implementação da reforma curricular na escola? 5. autoridade do sistema educativo regional ligada à avaliação (se houver) a) quais são as avaliações institucionais das escolas? b) a análise das avaliações evidencia a viabilidade do PCN? c) qual acompanhamento (orientação) é dado (a) às escolas com baixo desempenho nas avaliações institucionais? 6. Escola 1: diretor, coordenador pedagógico, Professores polivantes e professores especialistas em Matemática. 7. Escola 2: diretor, coordenador pedagógico, professores polivalentes e professores especialistas em Matemática 8. Escola 3: diretor, coordenador pedagógico, professores polivalentes e professores especialistas em Matemática 5.1 Diretor/CP a) Qual a relação do currículo de matemática da escola com o PCN? b) A escola tem autonomia para elaborar seu currículo de matemática? c) A escola segue o PCN? Em quais aspectos? d) Como a escola elabora seu currículo de matemática? e) Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? f) Qual o papel da direção/coordenação pedagógica na elaboração do currículo de matemática? g) Como a direção/coordenação pedagógica acompanha a execução do currículo de matemática? 5.2 Professor a) Como você elabora seu plano de ensino? b) Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? c) Você segue o PCN? Em quais aspectos? d) Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? e) Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de Situações Problemas, Conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, Uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? f) Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) 242 g) Quais os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? A.2 PARAGUAI 1. representante de la Sociedad a) ¿Cuál fue la participación de dirigentes en la preparación del CURRÍCULO OFICIAL? b) ¿Qué avances del campo de la EDMAT que fueron considerados en la propuesta del CURRÍCULO OFICIAL? c) ¿Cuáles fueron las preguntas de los profesores durante el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? 2. autoridad del sistema nacional de educación vinculadas a los proyectos curriculares a) ¿Cuál fue su participación efectiva en el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? b) ¿Qué avances del campo de la EDMAT se consideraron importantes en el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? c) ¿Cuál es el papel del Ministerio de Educación en la preparación del CURRÍCULO OFICIAL? Y en la ejecución? Y el acompañamiento? d) En matemáticas, ¿cuáles son los puntos clave del plan de estudios? e) ¿Cuáles son las contribuciones de los profesores para el CURRÍCULO OFICIAL? f) ¿Cuáles son las contribuciones de la comunidad académica para el CURRÍCULO OFICIAL? g) ¿Cuál es el perfil del profesor de matemáticas que la propuesta preveía? h) ¿Los materiales de instrucción disponibles son compatibles con la reforma curricular? i) ¿Se incluyó una reformulación de la CURRÍCULO OFICIAL? 3. autoridad del sistema de educación nacional en la evaluación (si procede) a) ¿Cuál fue la evaluación institucional del sistema educativo, para validar la reforma curricular? b) ¿Cómo se libera al sistema de educación regional (y el público en general) el resultado de las evaluaciones institucionales? 243 c) ¿Qué seguimiento (orientación) es dado (a) el sistema regional de educación? 4. autoridad de los proyectos regionales de educación vinculada al plan de estudios a) ¿Cuál fue su participación en el sistema educativo regional en la preparación del CURRÍCULO OFICIAL? b) ¿Cuáles son las dificultades encontradas durante el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? c) ¿cuál es el papel del Departamento de Educación en la preparación del CURRÍCULO OFICIAL? Y en la ejecución? Y el acompañamiento? d) ¿Cómo se organizó para que los profesores participen en el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? e) ¿Qué materiales educativos disponibles para la discusión e implementación de la reforma curricular en la escuela? 5. autoridad del sistema educativo regional en la evaluación (si procede) a) ¿Cuáles son las evaluaciones institucionales de las escuelas? b) ¿Los resultados de las evaluaciones demuestran la viabilidad del currículo oficial? c) ¿Qué seguimiento (orientación) es dado (a) a las escuelas con bajo rendimiento en las evaluaciones institucionales? 6. Escuela 1: directivo, coordinador pedagógico, los profesores polivalentes/ especializados en matemáticas. 7. Escuela 2: directivo, coordinador pedagógico, los profesores polivalentes/ especializados en matemáticas. 8. Escuela 3: directivo, coordinador pedagógico, los profesores polivalentes/ especializados en matemáticas. 5.1 Director / PL a) ¿Cuál es la relación del currículo de matemáticas de la escuela con el oficial? b) ¿La escuela tiene autonomía para desarrollar su plan de estudios de matemáticas? c) ¿El colegio sigue el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? d) ¿Cómo la escuela prepara su plan de estudios de matemáticas? e) ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? Hay otros materiales? 244 f) ¿Cuál es el papel de liderazgo y coordinación de la educación en la elaboración del currículo de matemáticas? g) ¿Como que la dirección y coordinación pedagógica supervisa la aplicación del currículo de matemáticas? 5.2 Profesor a)¿Cómo te preparas tu plan de estudios? b) ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? c) ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? d) ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? e) Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? f) ¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? g) ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? 245 APÊNDICE B: TERMOS DE CONSENTIMENTO LIVRE E DELIBERADO B.1 Documento para profissionais da educação do Brasil: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado(a) participante: Eu, Marcelo de Oliveira Dias, sou doutorando do Programa de Estudos PósGraduados em Educação Matemática da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia – FCET da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Estou realizando uma pesquisa sob orientação da professora doutora Célia Maria Carolino Pires, cujo objetivo é estudar as influências da Educação Matemática nos currículos oficiais e praticados por Brasil e Paraguai. Sua participação envolve uma entrevista, que será gravada, se assim você permitir, e que tem a duração aproximada de 20 minutos. A participação nesse estudo é voluntária e se você decidir não participar ou quiser desistir de continuar em qualquer momento, tem absoluta liberdade de fazê-lo. Na publicação dos resultados desta pesquisa, sua identidade será mantida no mais rigoroso sigilo. Serão omitidas todas as informações que permitam identificálo(a). Mesmo não tendo benefícios diretos em participar, indiretamente você estará contribuindo para a compreensão do fenômeno estudado e para a produção de conhecimento científico. Quaisquer dúvidas relativas à pesquisa poderão ser esclarecidas pelo(s) pesquisador fone 3815-8670 ou direto no Programa, tel. (55-11) 3124.7200 - ramal 7210 - fax. (55-11) 3159.0189 - e-mail: [email protected] Atenciosamente ___________________________ __________________________ Nome e assinatura do estudante Local e data Matrícula: RA00054466 ________________________________________________ Nome e assinatura da professora/orientadora Matrícula: Consinto em participar deste estudo e declaro ter recebido uma cópia deste termo de consentimento. 246 ___________________________ Nome e assinatura do participante Local e data B.2 Documento para profissionais da educação do Paraguai TÉRMINO DE CONSENTIMIENTO LIBRE Y ESCLARECIDO Estimado (a) participante: Yo, Marcelo de Oliveira Dias, soy estudiante de doctorado del Programa de Estudios de Postgrado en Educación Matemática de la Facultad de Ciencias y Tecnología - FCET de la Universidad Católica de São Paulo. Estoy realizando una investigación bajo la dirección del Profesora Dra. Célia Maria Carolino Pires, cuyo objetivo es estudiar la influencia de la educación matemática en los planes de estudio oficiales y practicados por Brasil y Paraguay. Su participación consiste en una entrevista, que será registrada con su permisión, y que dura aproximadamente 20 minutos. La participación en este estudio es voluntaria y si usted decidir renunciar a continuar en cualquier momento, tiene absoluta libertad para hacerlo. En la publicación de resultados de la investigación, su identidad se mantendrá en el más absoluto secreto. Se omite toda la información para identificarlo (a). Mismo sin recibir beneficios directos en participar, indirectamente estará contribuyendo para la comprensión del fenómeno estudiado y la producción de conocimiento científico. Cualquier pregunta con respecto a la encuesta puede ser aclarada por el E-mail: [email protected] o [email protected]. Gracias, ___________________________ Assunción ___/10/2011. Marcelo de Oliveira Dias Documento de Identidad: 020328381-7 Célia Maria Carolino Pires - CPF 072 345 468 04 Coordinadora del Proyecto de investigación TÉRMINO DE CONSENTIMIENTO LIBRE Y ESCLARECIDO Doy mi consentimiento para participar en este estudio y declaro que he recibido una copia de este formulario de consentimiento. _____________________________ 247 Nombre y firma del participante APÊNDICE C: ENTREVISTAS NO BRASIL 1. Entrevistas conjunta com especialistas brasileiros acompanharam a estruturação e implementação do PCN. Entrevista em 10/03/2012 Siglas: P. Pesquisador. EBR1, EBR2 e EBR3: Especialistas do Brasil. Pesquisado Idade Sexo EBR1 78 F Tempo de Magistério 58 anos 58 F 34 anos EBR2 Formação Inicial Licenciada e Bacharel em Matemática-e Fisica pela Universidade do Brasil Licenciada em Pedagogia (Universidade Veiga de Almeida – 1978) Licenciada em Matemática (um. Sta. Úrsula – 1984) que Formação Continuada Especialista em Matemática pelo IMPA. Mestrado e Doutorado pela COPPE-UFRJ. Doutorado em Educação – PUC/RJ – 2005 P. Qual foi a participação dos dirigentes e associados da SBEM na elaboração do PCN? EBR1– Eu participei da fundação da SBEM e continuo como sócia até hoje e fui durante 10 anos diretora da SBEM-RJ. A elaboração dos PCN do Ensino Fundamental foi realizado por professores pesquisadores brasileiros, baseado nas investigações do pesquisador espanhol Cesar Coll. Os associados e dirigentes acompanharam a elaboração e a divulgação dos PCN, do Ensino Fundamental e depois os PCN do Ensino Médio. EBR2 – Eu participo da SBEM desde a sua fundação. À época eu já dava aulas de matemática e era bolsista do prof. Pitombeira em um projeto chamado Universidade, Matemática e Comunidade. Neste projeto estudávamos diversos temas da matemática e seu ensino. Depois passei a fazer parte da equipe, ministrando cursos para professores dos anos iniciais e professores leigos (sem formação específica) em parceria com o NEAD – Núcleo de Educação e Apoio, da PUC-Rio. 248 Na época do lançamento do PCN estava de volta à vida acadêmica, iniciando o mestrado na PUC-Rio – Departamento de Educação. Havia muita polêmica entorno da ideia de currículo nacional e várias entidades se manifestaram contra ao documento. Para nós da Matemática (ao menos o grupo do Rio) as propostas contidas no PCN de Matemática representavam um avanço, na medida em que valorizava vários aspectos que vínhamos debatendo há muito tempo, como por exemplo, o papel da resolução de problemas. Lembro que a proposta inicial do documento foi enviado às Universidades para comentários e sugestões. Na PUC nós discutimos o documento e eu e minha orientadora à época, tecemos nossos comentários e enviamos ao MEC. Mas, de modo geral, o documentos muito nos agradava. O documento final incorporou as sugestões de diversos grupos (isso ocorreu em todas as áreas do conhecimento). P. Quais os avanços da área de EDMAT que foram contemplados na proposição do PCN? EBR1 – Os avanços da área de Educação Matemática que foram contemplados foram , a valorização do ensino de Geometria, os temas transversais estabelecendo a conexão da Matemática com as outras áreas de conhecimento entre outros. EBR2 – A ampliação das subáreas da matemática, que passa de três (Álgebra, Aritmética e Geometria) para quatro (Números, operações, álgebra e Funções; Tratamento da informação; Medidas e Grandezas e Espaço e Forma). Nesta ampliação, há a incorporação de uma nova área, o desmembramento de Geometria em duas, separando o estudo das medidas e suas grandezas do estudo das formas e do espaço, e a articulação entre o estudo da aritmética e da álgebra. Além disso, elimina do programa do ensino fundamental o estudo de Conjuntos. Há ainda a valorização dos problemas – a RP ganha centralidade no ensino-aprendizagem. Tópicos da história da matemática são também valorizados como recursos importantes ao processo de ensino. Estas ideias eram bandeiras importantes de grupos de educadores matemáticos tanto no Brasil como em âmbito internacional. Mais ainda, o doc trazia os temas transversais, que no caso da matemática, reforçava a noção de aplicação dos conhecimentos matemáticos à realidade. EBR3 – Na minha opinião, a ênfase nos blocos de Geometria e Grandezas e Medidas, e a importância da resolução de problemas. P. Quais foram os questionamentos dos professores durante a elaboração do PCN? EBR1 – Não sei, o que geralmente acontece em cada nova mudança que se propõem é que inicialmente poucos indivíduos aceitam novos desafios com medo de se expor. EBR2 – eu e Paola, na época, atuávamos como consultoras a escolas. De modo geral, os professores tinham (de fato têm até hoje) em lidar com problemas. Há ainda uma visão equivocada de que o aluno só pode ser exposto a problemas se souber o conteúdo. A retirada dos conjuntos foi angustiante: alguns professores perderam o chão – como iriam ensinar matemática sem os conjuntos?; Eu, Paola e Pitombeira, escrevemos um artigo sobre isso – E agora, o que fazer sem os conjuntos?, publicado na revista Presença Pedagógica - De fato, tanto a ampliação dos campos e a retirada de temas como as propostas de valorização de estratégias e recursos facilitadores ao ensino causaram muitas angustias aos professores. Além 249 disso, historicamente a educação brasileira sempre foi marcada por muitas descontinuidades, o que dava ao professor a ideia de que não valia a pena tanto esforço: quando o governo mudar, tudo muda. P. Qual foi sua participação efetiva na elaboração do PCN? EBR1 – Com a evolução da área de Educação Matemática, que é uma área transdisciplinar e as pesquisas nacionais e internacionais e o apoio pelas autoridades para a criação de Programas de Mestrados doutorados em Educação Matemática, inclusive na implementação do Mestrado Profissional na mesma área cujo um dos objetivos é propiciar a formação continuada de professores de Matemática. EBR2 – Na elaboração, nenhuma participação. P. Qual o papel do Ministério de Educação na elaboração do PCN? E na implementação? E no acompanhamento? EBR2 – o MEC foi o coordenador desta política. Após a divulgação do documento, das às dificuldades de compreensão por parte de professores, o MEC lança outra política chamada de PCN em Ação. Esta nova ação do MEC oferecia cursos a professores em todo o Brasil, ensinando aos professores como lidar com as ideias e propostas do PCN. O documento foi elaborado por um grupo de professores. EBR1 – Houve uma distribuição para as secretarias estaduais e municipais no estado do Rio de Janeiro. Ocorreram treinamentos e capacitação para professores do Rio de Janeiro. EBR2 – O documento (versão preliminar) foi elaborado por um grupo de especialistas e distribuído à comunidade para comentários e sugestões. Houve um prazo para que as pessoas/grupos/entidades enviassem ao MEC os comentários. A versão final incorporou as sugestões ou parte delas. P. Em matemática, quais os pontos-chave da proposta curricular? EBR1–A valorização da Geometria e do conceito de Medidas. EBR2 – Acho que respondi anteriormente. P. Quais as contribuições dos professores ao PCN? EBR2 – não sei se é possível separar as contribuições de cada um desses grupos. P. Quais as contribuições da comunidade acadêmica ao PCN? EBR1 – Existem divergências entre os pesquisadores de Matemática Pura, de Matemática Aplicada e os de Educação Matemática o que dificulta bastante a produção do conhecimento para se construir e desenvolver um ensino de Matemática de qualidade para todos os níveis. E também existe uma questão política em relação a aceitação ou não dos PCN. EBR2 – Houve muitas contribuições. Por exemplo, desde 1972 diversos grupos de educadores matemáticos manifestavam-se contra a inclusão de tópicos da Teoria dos Conjuntos no nível fundamental de ensino. Para eles esta inclusão serviu para afastar a matemática da realidade em vez de aproximá-la. A centralidade dos problemas ou da abordagem histórica foram também resultado da influência de grupos de educadores matemáticos. Outros exemplos: a visão de que a matemática não é uma ciência neutra e portanto também precisa preocupar-se com a formação cidadã; a incorporação de temas de estatística e probabilidade e o estudo de gráficos e tabelas; a valorização do papel do aluno em seu processo de aprendizagem; etc. P. Qual o perfil de professor de matemática a proposta previa? 250 EBR1-Um professor que motive os alunos criando situações em que eles participem e sintam a importância de aprender Matemática.Um dos objetivos de aprender Matemática e possibilitar aos aprendizes vivenciar atividades que desenvolvam o jeito matemático de pensar. EBR2 – motivação, proposição de problemas, articulação entre os diversos campos do conhecimento, são características importantes valorizadas no PCN. P. os materiais didáticos disponíveis foram compatíveis com a reforma curricular? EBR1-Acredito que sim. Muita coisa boa foi implementada. Houve uma aproximação da Matemática com as novas tecnologias, como por exemplo a utilização do Geogebra, que permite trabalhar com as construções Geométricas . EBR2 – em especial a partir das avaliações de livro didático (PNLD). Com este programa, os livros passaram a se preocupar com as novas propostas para o ensino de matemática. P. Houve reformulação do PCN? EBR1– Houve uma pequena mudança, mas não foi muito significativa, proposta por um educador matemático espanhol. Quando os PCN foram elaborados, inicialmente o documento não focava muito as novas da tecnologia da Comunicação e informações (softwares matemáticos). EBR2 – ainda não. A proposta vigente ainda é a mesma. Mas, há grupos no MEC tratando da atualização. P. Qual foi a avaliação institucional do sistema educativo, para validar a reforma curricular? EBR2 – PCN, PNLD e Avaliação são programas de governo, embora independentes atuam de forma articulada. Tanto o PNLD como as avaliações (SAEB, Prova Brasil e as avaliações em níveis estaduais ou municipais) consideram o PCN central. P.Como é divulgado ao sistema educativo regional (e ao público em geral) o resultado das avaliações institucionais? EBR2 – Atualmente, são elaborados boletins distribuídos às escolas. Os resultados são Tb apresentados na mídia e no site do INEP. O SAEB não focava a escola, isto é os resultados eram direcionados às redes de ensino e às UFs. Já a Prova Brasil apresenta resultados por escola. Os Boletins são públicos e estão disponíveis no site do INEP. P. Qual acompanhamento (orientação) é dado (a) ao sistema educativo regional? EBR1-Depende de cada instituição. Elas possuem autonomia. Existe um Projeto Político Filosófico. Como você deve ter acompanhado o Brasil se saiu mal no SAEB . Eu e o José Paulo analisamos as provas de Matemática da antiga 8ª série, hoje 9º ano, e constatamos que tinha uma diferença entre os conteúdos aqui ministrados na 8ª série e os que eram ministrados nos outros países participante do SAEB. EBR2 – os boletins visam a cumprir o papel de orientador de ações nas escolas no sentido de garantir o direito à aprendizagem. P. Quais as dificuldades encontradas durante a elaboração do PCN? EBR2 – não sei responder. 251 P. Qual o papel da Secretaria de Educação na elaboração do PCN? E na implementação? E no acompanhamento? P.Como foi organizada a participação dos professores na elaboração do PCN? EBR1 – Por meio de cursos, seminários e oficinas nas diferentes Instituições. EBR2 – Como disse acima, a elaboração foi realizada por um grupo seleto de especialistas. P. Quais os materiais didáticos disponíveis para discussão e implementação da reforma curricular na escola? EBR2 – PCN, documentos curriculares das redes, PPP da escola, livros didáticos, gruía do PNLD, resultados das avaliações, artigos e livros de pesquisadores da área. P. Quais são as avaliações institucionais das escolas? EBR2 – Além da Prova Brasil e da Provinha Brasil, que tem a escola como unidade de análise, vários estados e municípios têm seus próprios sistemas de avaliação. No Rio, por exemplo, temos o SAERJ. Os resultados destas avaliações chegam diretamente na escola. P. A análise das avaliações evidencia a viabilidade do PCN? EBR2 – as avaliações não são conduzidas para verificar tal viabilidade. P. Qual acompanhamento (orientação) é dado (a) às escolas com baixo desempenho nas avaliações institucionais? EBR2 – no caso do estado do Rio de Janeiro, as escolas precisam apresentar um plano de metas com propostas de ações. O Estado tem fiscalizado. O CAED, que é responsável pela condução do SAERJ tem ministrado cursos aos gestores e professores sobre como lidar com os resultados, orientando as ações. P. Obrigado. 252 2. Entrevista com diretora da E.E. Stella Matutina em JacarepaguáRio de Janeiro Entrevista individual: 10/11/2011 Siglas: P. Pesquisador. PBR1: Diretora. Pesquisado DIRBR1 Idade 50 Sexo F Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada Química Industrial (UFF), Licenciatura plena em Matemática (Faculdade Castelo Branco) Especialização em Educação Matemática (Universidade São Judas Tadeu ) 15 P. Qual a relação do currículo de matemática da escola com o PCN? DIRBR1. Procuramos manter a filosofia do PCN, tentando formar um aluno critico, consciente que é quem deve tomar as decisões e tai decisões devem ser ponderadas , analisadas . Pretendemos que possam usar a matemática no seu dia a dia , mas que possam utiliza-la para prosseguir seus estudos. Procuramos trabalhar inserido no currículo os temas transversais e contextualizar o conhecimento historicamente, para que percebam que todo conhecimento nasce de uma necessidade de um grupo. E eu muito dos Genios da matemática trabalharam a vida toda um problema para que possamos desmistificar a ideia que matemática é para alguns escolhidos. P. A escola tem autonomia para elaborar seu currículo de matemática? DIRBR1. Não muito. Temos um currículo mínimo que nos é imposto pelo governo e tal fato nos amarra um pouco. Criamos estratégias para podermos ir além. O currículo oficial é o do Governo, mas se sentimos potencialidade nas turmas, vamos além. P. A escola segue o PCN? Em quais aspectos? DIRBR1. Sim, na medida que procuramos fazer que a matemática é uma linguagem e uma ferramenta para tomadas de decisão. Trabalhamos o aspecto da utilização direta da matemática na sociedade e em outras áreas do conhecimento e visamos o prosseguimento dos estudos dos nossos discentes. Na medida do possível fazemos uma ponte entre a matemática e as tecnologias. E importante que percebam que mesm que não sejam criadores 253 de tecnologias , serão usuários e para poderem lidar razoavelmente com elas e preciso fazer as pazes com a matemática. Frisamos sempre que na sociedade que se apresenta uma revolução tecnológica a velocidade fantástica é preciso saber lidar com a linguagem matemática para por si só apreender outros conhecimentos. O lançamento de hoje estará ultrapassado amanhã. Se não for logo mais. Por isto é preciso desenvolver a autonomia no aprendizado. P. Como a escola elabora seu currículo de matemática? DIRBR1. A equipe de matemática renui-se e discute o currículo que nos é apresentado como mínimo e discutimos a possibilidade de enriquecê-lo ou não. Discutimos o alunado que estamos recebendo, suas dificuldades, suas potencialidades e conjuntamente tomamos decisões. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? DIRBR1. Os textos oficiais, as publicações acadêmicas da área e analisamos o que é real e o que é utopia. Para a elaboração das aulas é preciso ficar antenado ao mundo,principalmente ao mundo do nossos estudantes. É preciso ir a eles , entende-los para que possamos apresentar o nosso e darmos aos mesmos a possibilidade de escolha. P. Qual o papel da direção/coordenação pedagógica na elaboração do currículo de matemática? DIRBR1. Possibilita o dialogo com as outras disciplinas, para que possamos aprender uns com os outros como podemos usar matemática no seu campo de atuação. Discutimos que conteúdo precisam que sejam trabalhados para que o processo ensino aprendiado possa fluir de uma maneira mais tranquila. P. Como a direção/coordenação pedagógica acompanha a execução do currículo de matemática? DIRBR1. Pelos diários de classe, pelos trabalhos apresentados e pelas provas elaboradas. P. Obrigado. 254 3. Entrevista com a coordenadora pedagógica do CIEP Brizolão 155 Nelson Antelo Romar- Município de Seropédica-RJ. Siglas: CPBR1: Coordenadora Pedagógica. P. Pesquisador Pesquisado CPBR1 Idade 39 Sexo F Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada Formação de Professores/ Formação em Ciências (Habilitação em Matemática) – Faculdade de Filosofia de Campo Grande Especialização de Matemática para os Ensinos Fundamental e Médio / Cursando Especialização para Coordenação Pedagógica (UFRJ) 18 P. Qual a relação do currículo de matemática da escola com o PCN? CPBR1. O currículo de matemática segue as orientações do currículo mínimo proposto pela SEEDUC, mas com a apropriação do que sugere o PCN, integrando ambos, de maneira que atendam às necessidades de aprendizagem dos nossos estudantes do segundo segmento do ensino fundamental. P. A escola tem autonomia para elaborar seu currículo de matemática? CPBR1. Não, mas temos a flexibilidade de trabalharmos com a orientação da SEEDUC, visando o melhor desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, adequando-o à nossa realidade. P. A escola segue o PCN? Em quais aspectos? CPBR1. Sim, nos aspectos que dizem respeito a: • Cidadania; • Posicionamentos críticos, responsáveis e construtivos em diferentes situações; • Agente transformador do ambiente e sua interação com ele; • Sentimento de confiança em sua capacidade afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de interrelação pessoal e de inserção social; 255 • Adoção de hábitos saudáveis; • Utilização de fontes de informação e recursos tecnológicos; • Utilização de diferentes linguagens. P. Como a escola elabora seu currículo de matemática? CPBR1. A escola segue as orientações da SEEDUC. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? CPBR1. Para as aulas dos professores e elaboração dos planos de curso, trabalhamos com os seguintes textos: 1. Currículo e Avaliação (Cláudia de Oliveira Fernandes e Luiz Carlos de Freitas); 2. Currículo e Desenvolvimento Humano (Elvira Souza Lima); 3. Estudantes e Educadores: Seus Direitos e o Currículo (Miguel Gonzaléz Arroyo); 4. Currículo, Conhecimento e Cultura (Antônio Flávio Moreira e Vera Maria Candau); 5. Diversidade e Currículo (Nilma Lino Gomes). Além dos textos trabalhados, há a consulta aos cadernos de currículo mínimo da SEEDUC. P. Qual o papel da direção/coordenação pedagógica na elaboração do currículo de matemática? CPBR1. Orientar aos professores que o mesmo atenda as reais necessidades da nossa clientela e que haja o elo com as orientações do currículo mínimo. P. Como a direção/coordenação pedagógica acompanha a execução do currículo de matemática? CPBR1. Por meio dos registros feitos pelos professores em diário de classe e pelos instrumentos usados nas avaliações. P. Obrigado. 256 4. Entrevista com professor: Colégio Cruzeiro- Unidade Jacarepaguá, Escola Municipal Felicidade de Moura Castro-RJ. Entrevista em: 12/11/2011 Siglas: P: Pesquisador Professor: PBR1 Pesquisado Idade PBR1 29 Sexo M Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada 6 UFRuralRJ- Pós- Licenciatura Graduação em Lato Matemática em Sensu Aprendizagem MatemáticaUFRJ P. Qual a sua carga horária semanal? PBR1. Tenho uma carga horária de 37 horas semanais. São17 horas no Colégio Cruzeiro e 20 horas na escola municipal. P. Como você elabora seu plano de ensino? PBR1. Procuro elaborar levando em consideração, principalmente, o perfil do corpo discente a ser trabalhado, o que me leva, na maioria das vezes, a distanciar-me do que é proposto pela Secretaria Municipal de Educação. P. Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? PBR1. Em geral, não! Ao início de cada bimestre, recebemos um conteúdo programático, denominado descritores, que serve como um parâmetro a ser seguido pelos professores. De certa forma, eu concordo em haver esse parâmetro; os professores não são obrigados a seguir rigorosamente o proposto. Contudo o nível de desenvolvimento dos alunos é demasiadamente aquém desse parâmetro curricular. P. Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR1. Procuro seguir os PCN´s ao tentar aproximar os conteúdos trabalhados do cotidiano do aluno, tentando dar importância aos conteúdos que são importantes em aplicações no dia-a-dia. Além disso, busco contextualizar, sempre que possível, as questões referentes aos conteúdos trabalhados. P.Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR1. Na rede municipal, o livro didático adotado serve como a principal referência na elaboração do currículo escolar. Além disso, a Secretaria Municipal de Educação, manda, a cada bimestre, uma apostila, com o objetivo 257 de auxiliar o trabalho do professor, inserindo conteúdos, muitas vezes com uma metodologia construtivista. Contudo, em muitas ocasiões, tais conteúdos contidos nas apostilas estão fora (além ou aquém) do proposto para aquele momento. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR1. Sem dúvida tais contribuições são imprescindíveis para o bom trabalho e desenvolvimento do aluno em sala de aula. Contudo, a maioria das recomendações necessitam de que o professor possua tempo para executálas, o que é muito difícil, pois a maioria dos professores precisa trabalhar muito para ter um rendimento condizente com um profissional que possui ensino superior. Além disso, a escola não oferece uma estrutura que permita o uso dos materiais necessários, onde destaco os softwares matemáticos. P. Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR1. Procura-se trabalhar dentro das recomendações, por meio de trabalhos em grupos, de preferência de forma cooperativa, dando a oportunidade de o aluno saber divulgar seus pontos de vista, suas conjecturas, seus relatos. Porém, durante o ano letivo, ocorrem muitas ausências dos alunos, fazendo com que o trabalho não se desenvolva de forma satisfatória. P. Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? Procurei trabalhar todos os conteúdos que foram propostos no início do ano letivo, seguindo a referência do livro didático e dos descritores enviados pela secretaria, como já mencionei. Fica claro, principalmente por meio dos descritores, a preocupação em trabalhar os blocos de conteúdos (de acordo com os PCN´s de Matemática ) de forma paralela, quando possível. Exemplo: Tentar trabalhar um tipo de conteúdo com dados estatísticos por meio de gráficos. Porém, a maioria dos alunos não possui conhecimentos prévios que permita com que todos os conteúdos sejam trabalhados. P. Obrigado. 258 5. Entrevista com a professora da Escola Municipal Maria Letícia dos Santos Carvalho - Rio das Ostras- RJ. Siglas: P: Pesquisador. PBR2 : Professor. Pesquisado PBR2 Idade 26 Sexo Feminino Tempo no Formação Magistério Inicial 1 UFRuralRJLicenciatura em Matemática Formação Continuada Novas tecnologias no ensino da matemáticaUFF P. Professora, qual sua carga horária semanal? PBR2. Minha carga são de 16 horas, atuando no 60 e 70 anos do Ensino Fundamental. P. Como você elabora seu plano de ensino? PBR2. No início do ano letivo os professores das mesmas séries reúnem-se por disciplinas e traçam o plano de ensino anual. Este planejamento é feito em conformidade com o PCN e o COC (caderno de orientação curricular do próprio município) onde são dispostos conteúdos significativos para a construção de conhecimento e ainda sugere algumas propostas para trabalho interdisciplinar. Durante o ano faço planejamento quinzenal englobando conteúdos, objetivos e habilidades. Procuro estar sempre relacionando o conteúdo com um material concreto ou uma aula no laboratório de informática. P. Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? PBR2. Não. Tenho que seguir o Caderno de Orientação Curricular quanto ao conteúdo, limitada na proposta. Mas tenho liberdade para escolher os meios como irei apresentá-los aos alunos; P. Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR2. Sim. Os parâmetros curriculares Nacionais dão um norte, apontam uma direção para seguir. Busco adequar minha prática, selecionar materiais e planejar minhas aulas de acordo com os parâmetros estabelecidos. O 259 professor ,de certa forma, possui autonomia; mas precisa ter diretrizes a seguir, é mais confortável saber que está seguindo um caminho e que possivelmente obterá resultados satisfatórios do seu trabalho. Muitas vezes uma aula que tem tudo para dar certo pode se tornar desastrosa e não surtir os efeitos esperados porque não foi bem estruturada e planejada. Valorizo a forma como os conteúdos são divididos em blocos: Grandezas e medidas, números e operações, espaço e forma e tratamento de informação. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR2. Livro didático adotado, COC, PCN e outros que julgo necessário para complementar o conteúdo. Utilizo material concreto e softwares matemáticos. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR2. As recomendações ajudam ao professor a identificar objetivos e habilidades que devem ser alcançados e desenvolvidos. A resolução de um problema não é apenas cálculo, como na maioria das vezes os alunos acham. O aluno precisa avaliar, entender a problemática, buscar alternativas para resolver. O professor deve orientá-lo quanto a possibilidade de soluções diferentes para o mesmo problema. Para mim é muito importante a conexão de diferentes saberes, mas sinto-me um pouco insegura em determinados momentos. Somente consigo fazer essa conexão com tratamento de informação (uso de tabelas e gráficos) e alguns enunciados de problemas articulando outras áreas. Procuro utilizar jogos e material concreto após respectivo conteúdo ser dado. Como exemplo, no ensino de operações com números inteiros após a matéria ser dada e assimilada, confeccionei alguns dominós envolvendo as operações individualmente e conjuntamente (adição, subtração, multiplicação e divisão) e os alunos puderam “jogar” é interessante a forma como esses materiais auxiliam na construção de conhecimentos dos alunos. Muitos assimilaram nesse momento com a dinâmica. O mesmo pude observar em outras experiências que tive. Os próprios alunos ficam muito satisfeitos com a conquista do saber por meio desses mecanismos. É interessante fazer com que os alunos percebam que a matemática pode ser e é divertida. Os alunos pedem menos giz. Essa parte de História da Matemática ainda é um desafio para mim. Não consigo articular muito ao introduzir os conteúdos, mas persisto. Os alunos mostram desinteresse nesse quesito. Acham que professor de matemática deve fazer contas... Tenho esse mesmo problema de aceitação quando tento fazer conexão entre os saberes. Eles estranham o fato, mas acredito que seja questão de costume. Utilizo calculadora para mostrar padrões numéricos, explorar casas decimais e propriedades de operações a rapidez viabiliza algumas questões para observação dos alunos. Toda aula no laboratório de informática é muito trabalhosa para o professor. Tudo deve ser muito bem esquematizado antes, de forma que os objetivos traçados previamente sejam alcançados da melhor forma. Para isso o 260 software deve ser selecionado adequadamente. Procuro avaliar antes (com a seleção do software feita a partir do conteúdo a estar sendo estudado e adequação a realidade dos alunos), durante (com o retorno dos alunos e bastante atenta para sanar as dúvidas) e depois (com os resultados e opinião dos mesmos). Assim como no uso do material concreto o alunos mostram-se interessados com a ferramenta. Tenho relato de alunos que gostaram tanto da atividade que foram para a Lan house, fenomenal! P. Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR2. Aulas expositivas, onde o aluno é convidado a participar do processo de construção do conhecimento. Gosto de separar a turma em grupos, pois interagem e o retorno é rápido, principalmente quando utilizo material concreto. Como o aluno e o professor precisam estar em sintonia para êxito das partes, dou liberdade na medida do possível para que opinem e deem sugestões quanto a todo processo ensino aprendizagem e quanto a forma que serão avaliados. Valorizo muito a participação diária nas aulas, compromisso com as tarefas de casa e aula, iniciativa para resolver problemas quando solicitado. E no caso de alunos que possuem mais facilidade incentivo que auxiliem os colegas. P. Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR2. 10 Bim 20 Bim 6º ano -Sistema de numeração .Sistema decimal de numeração . Números naturais (operações : adição, subtração, multiplicação, divisão) Tratamento de informação (gráfico de barras e segmentos, leitura de tabela, organização de informação) construções 7º ano .Arredondamentos . Porcentagem na forma de fração e na forma de número decimal .Problemas envolvendo as quatro operações básicas .Construção de ângulos .Tratamento da informação por meio de leitura, interpretação e construção de tabelas e gráficos. .média aritmética simples . padrões numéricos - números decimais (operações e problemas) - Frações(operações e problemas) -Construções geométricas(Construção 261 30 Bim 40 Bim geométricas (identificação de formas planas e espaciais ) - Frações -Frações (operações) -Porcentagem Construções geométricas (ângulos, perpendicularidade e paralelismo, Polígonos) -Números decimais e medidas -Tratamento de informação (gráfico setores, leitura de tabela, organização de informação) -Construções geométricas (Circunferência) de alguns polígonos utilizando materiais de desenho). - Números inteiros Problemas com números inteiros -Proporcionalidade - Equações - inequação Sistemas de equações do 10 grau -Construções geométricas ( perímetro, área, volume) Quando não há tempo de finalizá-lo julgo o que gerará maior perda para o aluno no ano subsequente e modifico minha proposta. Ou dependendo do caso, enxuto o conteúdo de forma que o aluno tenha no mínimo uma noção do mesmo. P. Obrigado. 262 6. Entrevista com professora do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira- Cap-UERJ. Entrevista: 13/12/2011 Siglas: P: Pesquisador. PBR3. Professor de Matemática. Pesquisado Idade PBR3 33 Sexo Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada Licenciatura Mestrado em em Matemática Matemática Feminino Aplicada - UFRJ P. Professora qual sua carga horária semanal e suas séries de atuação? Minha carga horária são 20 horas , atuando no 8º ano e 9º ano do Ensino Fundamental. P.Como você elabora seu plano de ensino? P.Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? Não P.Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR3. Sim. Nos seguintes aspectos: • • • • • • eliminação do ensino mecânico da Matemática; prioridade para a resolução de problemas; ênfase ao ensino da Geometria; ênfase ao trabalho em pequenos grupos em sala de aula; atenção aos procedimentos e às atitudes a serem trabalhadas, além dos conteúdos propriamente ditos ; avaliação como processo contínuo no fazer pedagógico. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR3. Livros didáticos e Internet. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? 263 PBR3. Essas recomendações colocam o aluno como agente da construção do seu conhecimento, pelas conexões que estabelece com seu conhecimento prévio. Contribuem para a constituição de um olhar mais crítico sobre os objetos de conhecimento. P.Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR3. Estimulando a cooperação entre os alunos. O confronto entre o que o aluno pensa, o que pensam seus colegas e seu professor é uma forma de aprendizagem significativa, principalmente por pressupor a necessidade de formulação de argumentos (dizendo, descrevendo, expressando) e de validálos (questionando, verificando, convencendo). P. Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR3. • Números e operações (Aritmética e Álgebra) • Espaço e formas (Geometria) • Grandezas e medidas (Aritmética, Álgebra e Geometria) A visualização de expressões algébricas, por meio do cálculos de áreas e perímetros de figuras planas, é um recurso que facilita a aprendizagem de noções algébricas por exemplo. Quando não há tempo o professor da série seguinte inicia o ano letivo pelo conteúdo que não foi finalizado. P. Obrigado. 264 7. Entrevista com professora do Colégio Pedro II-Rio de Janeiro. Entrevista: 1/12/2011 Siglas: PBR4:Professora de Matemática. P: Pesquisador. Pesquisado Idade PBR4 42 Sexo Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Feminino 16 Continuada Licenciatura em Especialização Matemática-UFF (UFF), Mestrado em Educação Matemática (USU), Doutoranda em Educação Matemática (UNIBAN) P. Professora, qual sua carga horária semanal e em quais séries leciona? PBR4. Minha carga horária são de 20horas, atuando na 2ª e 3ª Séries do Ensino Médio. P.Como você elabora seu plano de ensino? PBR4. Consultando diferentes livros e pesquisando na Internet. P.Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? PBR4. O currículo é elaborado pelo Colegiado de Matemática e votado. A autonomia é do grupo de professores de matemática, não é individual. P.Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR4. Eu consulto, mas não sigo. Utilizo o que acho pertinente. São parâmetros e devem ser usados como tal. P.Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR4. O projeto político pedagógico da escola. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR4.Creio que contribuem metodologicamente, em conjunto com a experiência e com isso enriquecem a prática do professor. 265 P.Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR4. Eu faço um trabalho com os alunos de diferentes formas. Faço isso porque estou convencida de que é importante o aluno se comunicar matematicamente. Assim uso jogos, softwares, proponho pesquisas na Internet, apresentação de trabalhos. P.Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR4.Na 2ª série: Sequências numéricas, análise combinatória, probabilidade, exponencial, logaritmos, matrizes, determinantes, sistemas lineares. Trabalhamos em duas frentes. Com isso planejamos a articulação da PG com exponencial e logaritmo para resolvermos problemas de matemática financeira. Também confrontamos o raciocínio dos padrões numéricos (sequências) com o raciocínio aleatório (probabilidade) para discutir a diferença na natureza dos problemas. P. Obrigado. 266 8. Entrevista com o professor da Escola Estadual Dom Miguel de Cervantes Y Saavedra-SP Entrevista individual: 1/10/2011 Professor de Matemática : PBR5. Siglas: P. Pesquisador Pesquisado Idade Sexo Tempo no Formação Inicial Continuada Magistério PBR5 44 Masculino 19 Formação Licenciatura Mestrado em em Matemática Educação Matemática (PUC-SP) P. Professor, qual sua carga horária semanal e em qual(s) série(s) leciona? PBR5. São 12 horas, atuando na 2ª série Ensino Médio. P.Como você elabora seu plano de ensino? PBR5. Por meio dos cadernos fornecidos pelo Estado de São Paulo, sigo o Currículo sugerido pelo governo. P. Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? Sim, não diria elaborar ela já está elaborado, mas posso adaptá-lo a realidade do público que leciono. P. Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR5. Sim, pois os cadernos do Estado de São Paulo foram elaborados por meio dos documentos oficias. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR5. Além dos cadernos, são consultados livros didáticos e Internet que abordam os temas trabalhados, caso haja necessidade de adaptação. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR5.São bem estruturadas, mas como sempre e, como não sou diferente dos outros professores, faço adaptações seguindo o que eu acredito que seja correto. Acredito que minha formação acadêmica me permite, apesar de não ser perfeito, traçar caminhos com consciência e que na maioria das vezes é o caminho correto. Utilizo a história como metodologia em conteúdos que, 267 baseado no meu conhecimento, seja possível fazer o vínculo. Não utilizo livros. Utilizo estratégias de Resolução de Problemas, deixo os alunos criarem suas estratégias e intervenho no processo. Utilizo as etapas propostas por Polya e situações propostas pelo livro didático. Acredito que situações cotidianas não é o único eixo e também nem todos os conceitos trabalhados são acessíveis ao cotidiano de uma turma com alunos diversificados. Quanto a tecnologia utilizo pouco por falta de estrutura da escola. A calculadora não utilizo como instrumento didático, mas libero a utilização para que os alunos possam conferir processos de contas e etc. P. Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR5.Os cadernos do professor carregam orientações nesse sentido. Encaminha o professor, de acordo com o tema, a dinâmica que deve ser seguida. O trabalho fica mais fácil. P.Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR5.Números e operações, funções seqüência numérica, Progressões, funções trigonométricas. Espaço e formas Sólidos geométricos. Grandezas e medidas não trabalhado especificamente. Tratamento da Informação não trabalhado especificamente. A articulação não foi feito em um processo de currículo espiralado e sim linear, os conteúdos apresentados foram na forma (alguns) de situações-problema, atividades que promoviam a construção dos conceitos matemáticos pelos alunos (dedução pelo aluno do que se pretendia mostrar na matemática), aplicação em algumas situações no cotidiano. Vale ressaltar que todos esses métodos estavam contemplados nos cadernos dos alunos. Os conteúdos que não foram finalizados ficaram a desejar, pois nas séries seguintes, sempre no começo do ano, nas reuniões de planejamento, esses tópicos são levantados pelos professores, porém não há garantias que serão retomados pelo grupo de professores. Digo até àqueles que não foram aprendidos pelos alunos em defasagem e não somente para os que não foram trabalhados. P. Obrigado. 268 9. Entrevista com o professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro. Entrevista individual: 2/12/2011 Siglas: Professora de Matemática : PBR6. Siglas: P. Pesquisador Pesquisado PBR6 Idade 34 Sexo Masculino Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada Licenciatura Mestrado em em Ensino 11 de Matemática- Ciências UFF e Matemática / Unigranrio P. Qual a Carga horária semanal em sala de aula e em quais séries atua? PBR6. São 4 horas em uma turma da 3ª série do Ensino Médio. P. Como você elabora seu plano de ensino? PBR6. Quanto ao plano de ensino, não faço um planejamento rigoroso, mas utilizo alguns recursos . P. Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? PBR6. Não P. Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR6. Sim, utilizo ferramentas tecnológicas, resolução de problemas, jogos, vídeos, fatos da história da matemática e aplicações com uso de modelagem. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR6.Artigos científicos, livros didáticos e paradidáticos. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR6.Em vários aspectos. Desde a motivação, antecipação de obstáculos epistemológicos. P. Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.). PBR6.Aulas expositivas, atividades em grupo, trabalhos de pesquisa. 269 P. Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR6.Conjuntos, funções e probabilidade. Não tive problema com tempo. P. Obrigado. 270 10. Entrevista com professor da Escola Estadual Professora Abigail Cardoso e Escola Municipal Comenius. Entrevista: 7/12/2011 Siglas: PBR7: Professora de Matemática P: Pesquisador Pesquisado Idade PBR7 24 Sexo Masculino Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada 2 Licenciatura Pósgraduação e Bacharel Lato Sensu em em Novas Tecnologias Matemática. no ensino de Matemática P. Qual sua Carga horária semanal de trabalho e as séries em que atua? PBR7. São 32 horas semanais , atuando em turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. P.Como você elabora seu plano de ensino? PBR7. Com o uso do livro didático da escola e em reunião com outros professores de matemática da escola para nivelar as turmas do colégio. P. Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? PBR7. Não. Temos que seguir as orientações do Estado. P. Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR7. Não sigo. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR7. Livros, sites de internet e etc. P. Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR7. Conseguimos dinamizar um pouco a aula, mostrar a importância da utilização da matemática na nossa vida. O que falta para os alunos se interessarem pela nossa matéria é a falta de conhecimento de uso no dia a dia. 271 P. Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR7. Tento seguir as recomendações de acordo com o perfil da turma. Separar em grupos para fazer trabalhos, o aluno indo no quadro participar, apresentação de seminários e etc. P. Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR7. Estudamos no 9° ano teorema de Pitágoras, equação do 2º grau, relembramos potenciação e radiciação, circunferência, área de figuras planas e etc. São articulados com uma explicação e exercícios propostos. Quando não há tempo de finalizá-los deixamos para o outro ano ou damos uma breve introdução sobre o tema. P. Obrigado. 272 11. Entrevista com professor do Colégio Estadual Dr. Ignácio Bezerra de Menezes e Centro Educacional José de Paiva Netto. Entrevista individual: 9/12/2011 Siglas: PBR8: Professora de Matemática. P: Pesquisador Pesquisado Idade PBR8 24 Sexo Masculino Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada 3 Licenciatura Especialização em Docência do Ensino Superior UCAM. Especialização em Aprendizagem Matemática – UERJ em Matemática. P.Qual sua Carga horária semanal e as séries que leciona? PBR8. São 18 horas semanais. Atuo em turmas de 6º e 9° ano do Ensino Fundamental e 1° ano do Ensino Médio P.Como você elabora seu plano de ensino? PBR8. Por meio de atividades voltadas para o cotidiano do aluno, buscando dar utilidade ao conceito envolvido. P.Você tem autonomia para elaborar o currículo de matemática? PBR8. Não. P. Você segue o PCN? Em quais aspectos? PBR8. O PCN está embutido no Currículo Mínimo .O currículo é semi-aberto, mas procuro seguir o tal currículo mínimo que o estado nos propõe, pois as avaliações de aprendizagem da secretaria será baseado neste currículo, mas não me foi passado nenhuma obrigatoriedade com o currículo, nunca me apresentaram e falaram que deveria seguir aquele currículo. P. Quais textos/materiais didáticos são consultados para elaborar o currículo escolar/aula? PBR8. O Livro didático ao qual utilizamos foi escolhido por uma equipe de professores de matemática e deve ser seguido rigorosamente, afim de economizar matérias extras (Cópias). 273 P.Como as recomendações metodológicas contribuem para o trabalho do professor em sua classe: Resolução de situações problemas, conexão entre os conhecimentos, uso de jogos, História da Matemática, uso de calculadora, uso de softwares matemáticos, conhecimentos prévios dos alunos, etc.? PBR8. A resolução de problemas e o uso da calculadora são as recomendações que mais surtem efeito, pois devemos mostrar que o que ele está aprendendo irá servir pra alguma coisa, e a calculadora está presente na vida dele para a resolução desses problemas. A resolução de problemas deveria ser o norteador de toda a matemática, porém a defasagem dos alunos gera uma deficiência em compreender os problemas e com isso poder resolver por meio dos conceitos matemáticos. Mas costumo levar alguns problemas em que não se tenha a necessidade de muita interpretação. História da Matemática: O tempo é curto e a história não é muito atraente para os alunos que ainda tem a concepção de que matemática é só contas. O que bloqueia um pouco para prestarem atenção em história. Busco levar a história, porém não cobro esse tipo de conceito aos alunos.O Uso de Tecnologias, em especial o uso de calculadora: A calculadora deve ser um material presente em sala de aula, pois a matemática não se resume a cálculos. Ela contribui para a aceleração do processo sem se prender em contas, pois não é isso que a matemática do ensino básico propõe ao aluno. P.Como se trabalha em aula as recomendações do currículo oficial (Organização do trabalho com o aluno, forma de participação dos estudantes, a dinâmica da aula, etc.) PBR8. A organização é feita em grupo, para um aluno ajudar o outro. A dedicação, o comprometimento e o interesse do aluno são avaliados durante a realização das atividades. Procuro levar ações investigativas, estimula a curiosidade do aluno. E as pesquisas geram independência ao aluno. P.Quais foram os conteúdos/ blocos estudados este ano? Como são articulados? O que é feito quando não há tempo de finalizá-los? PBR8. Os conteúdos são trabalhados por meio do currículo mínimo determinado pela secretaria de educação. Em 90% das vezes conseguimos terminar o conteúdo, porém quando não há tempo, não é feito nada para finalizar este conteúdo, devido ao calendário escolar não permitir, e não ter espaço para imprevistos. P. Obrigado. 274 APÊNDICE D: ENTREVISTAS NO PARAGUAI 1. Entrevista con la Directora General de Currículum, Evaluación y Orientación, Coordinador Del Departamento de Diseño Curricular y la Técnica Docente del Ministério-Área Matemática. Entrevista conjunta: 26/04/2011 Siglas: P: Pesquisador M: Mediador Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Formación Magisterio Inicial Continuada(Post Grado) EPA1 NI F NI NI EPA2 NI M 11 años EPA3 NI F 17 años Licenciado en Ciências de la Educación Licenciada en MatemáticaPura Maestria en Educación NI Maestria en Matemática P. ¿cuál fue la participación de dirigentes en la preparación del CURRÍCULO OFICIAL? EPA2. Los seguientes participaron solo en la validación del curriculum. -Colegio Matemático del Paraguai; -Comité de educación matemática del Paraguay -Sociedad matemática del Paraguay. P. ¿qué avances del campo de la EDMAT que fueron considerados en la propuesta del CURRÍCULO OFICIAL? EPA1. Sobre todo la metodologia a utilizar, apunta a una metodología constructivista que desarrolle los distintos tipos del pensamiento (lógico, inductivo, deductivo, analógico) del estudante. Incentive la investigación y el cuestionamento permanente del mismo hacia los distintos campos del saber. P.¿Cuáles fueron las preguntas de los profesores durante el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? EPA1, EPA2, EPA3. En general, lo único que cuestionan es la carga horaria. P. ¿cuál fue su participación efectiva en el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? P. ¿qué avances del campo de la EDMAT se consideraron importantes en el desarrollo del CURRÍCULO OFICIAL? P. ¿cuál es el papel del Ministerio de Educación en la preparación del CURRÍCULO OFICIAL? Y en la ejecución? Y el acompañamiento? 275 EPA1. La responsabilidad de elaborar el curriculum: Implementar, investigar sobre la implementación; incorporar ajuste; evaluar y editar. P. En matemáticas, ¿cuáles son los puntos clave del plan de estudios? EPA3. La manera de presentar los contenidos, por meio de capacidades. La metodología propuesta y el sistema de evaluación. P. ¿Cuáles son las contribuciones de los profesores para el CURRÍCULO OFICIAL? P. ¿Cuáles son las contribuciones de la comunidad académica para el CURRÍCULO OFICIAL? EPA2. En la Validación- La Etnomatemática. P.¿Cuál es el perfil del profesor de matemáticas que la propuesta preveía? EPA2. La formación docente inicial- que compreende 3 años de capacitación y obtienen un título de Professores de Matemática para la Educación Básica. P. Los materiales de instrucción disponibles son compatibles con la reforma curricular? EPA1, EPA3. EPA3.El MEC proporciona un cuadernillo de matemática para los alumnos del 1º, 2º ciclos da E.E.B. También ha dotado de libros de matemática, para los tres cursos de la Educación Media, a todos los colegios del estado en toda la República. P. ¿Se incluyó una reformulación de la CURRÍCULO OFICIAL? EPA3. Si hubo una reorganización de los contenidos. Las básicas, es decir elementales y no básicas o más compejas. P. ¿Cuál fue la evaluación institucional del sistema educativo, para validar la reforma curricular? EPA1. Sobre el sistema general, no en particular. La validación interna del MEC. Del SNEPE( Sistema Nacional de Evaluación Permanente). La misma realiza una muestra nacional en cuanto a resultados por ciclo. Processo de evaluación regulativa de la enseñanza. Hay un reporte que valida al 35% del programa de la Educación Media, en los mejores de los casos se llegaría a 50% por fin de año. Prueba del Estado, por año, para evaluar a todos los alumnos. Esto sierve: Para recebir su titulo; Le credita el ingreso a una Universidad y para obtención de becas. P. ¿Cómo se libera al sistema de educación regional (y el público en general) el resultado de las evaluaciones institucionales? EPA1. Curriculum base 70%. Las instituiciones pueden adoptar o incorporar otros contenidos en un 30%. La calificación del alumno está condicionada al logro del 80% de las capacidades básicas propuestas por el curriculum departamental e institucional pueden obtener calificación 3,4 o 5. 276 P. ¿Qué seguimiento (orientación) es dado (a) el sistema regional de educación? EPA1. En un país unitário como Paraguay, el MEC se organiza con: Coordinadores Departamentales y este a su vez con Supervisores Distritales ou Municipales. P. Muchas gracias. 277 2. Entrevista con la directora de La Universidad iberoamericana Entrevista individual: 13/10/2011 Siglas: P: Pesquisador M: Mediador DIRPA: Directora Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Formación Magisterio Inicial Continuada (Post Grado) DIRPA1 60 Feminino 25 Docente de Maestria en E.E.B. Educación Licenciada en Educación P. ¿Cuál es la relación del currículo de matemáticas de la escuela con el oficial? DIRPA1.Al ser esta una Universidad privada tiene autonomía en ela definición del curriculum. En los colegios de Educación Media sean públicos y privados son definidos por el organo del Estado(MEC). P. ¿la escuela tiene autonomía para desarrollar su plan de estudios de matemáticas? DIRPA1.Tiene autonomía para planificar pero no debe apartarse de los programas oficiales. P. ¿El colegio sigue el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? DIRPA1.Si sigue. En los aspectos de los contenidos básicos comunes(Competencias Básicas) y los enfoques(Resolución de Problemas). P.¿Cómo la escuela prepara su plan de estudios de matemáticas? DIRPA1.En una planificación anual o trimestral en el que haya una coherencia en la secuencia de contenidos, competencias y capacidades de la asignatura. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? Hay otros materiales? DIRPA1.Textos recomendados por el MEC. P. ¿Cuál es el papel de liderazgo y coordinación de la educación en la elaboración del currículo de matemáticas? DIRPA1.Forma parte de las competencias básicas de los los contenidos básicos comunes. 278 P. ¿Como que la dirección y coordinación pedagógica supervisa la aplicación del currículo de matemáticas? DIRPA1. Por meio de monitoreo de las planificaciones:Observación de clases, revisión de las evaluaciones aplicadas a los estudiantes; revisión de los cuadernos de los estudiantes; analisis de materiales didácticos utilizados por el docente. P. Muchas gracias. 279 3. Entrevista con la Directora y profesional que participa en la validación de las capacidades en las propuestas curriculares Entrevista individual: 13/10/2011 Siglas: P: Pesquisador M: Mediador DIRPA2: Directora Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Formación Magisterio Inicial Continuada(Post Grado) DIRPA2 NI F NI NI NI P.¿Cuál es la relación del currículo de matemáticas de la escuela con el oficial? DIRPA2. En todas las escuelas se utilizan el mismo curriculum. No se tiene un currículo diferente. P. ¿la escuela tiene autonomía para desarrollar su plan de estudios de matemáticas? DIRPA2. No en un 100%. Tiene autonomía para planificar pero no debe apartarse de los programas oficiales. P.¿El colegio sigue el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? DIRPA2. En todos los aspectos. P.¿Cómo la escuela prepara su plan de estudios de matemáticas? DIRPA2. Utiliza el que provee el Ministerio. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? Hay otros materiales? DIRPA2. Los libros de textos de autores nacionales, basados en em currículum elaborado por el Ministerio. P. ¿Cuál es el papel de liderazgo y coordinación de la educación en la elaboración del currículo de matemáticas? DIRPA2. No se. P. ¿Como que la dirección y coordinación pedagógica supervisa la aplicación del currículo de matemáticas? DIRPA2. El quipo técnico controla, mediante el planeamiento anual del profesor, la marcha del desarrollo programático. P. Muchas gracias. 280 4.Entrevista con la Presidenta del CEMPA (Comitê de Educación Matemática del Paraguay) Siglas: P: Pesquisador. M: Mediador. PPA2: Profesora. Pesquisado Idade PPA1 45 Sexo Feminino Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada NI Licenciatura NI em Matemática P.¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA1. Leyendo los programas a desarrollar. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA1. Si lo tengo. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA1. Si lo hacemos. En todos los aspectos, pero es flexible. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA1. Textos nacionales y extranjeros. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA1. El uso de juegos muy poco, las calculadoras lo usamos, la historia muy poca todavía, los softwares ya se están usando en las oficiales e privadas. P.¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? PPA1. Por meio de diversas técnicas de aprendizajes como: trabajos individuales, grupales, utilizando fichas de trabajo y materiales manipulativos. P. Muchas gracias. 281 5. Entrevista con la Profesora y profesional que participa en la validación de las capacidades en las propuestas curriculares. Siglas: P: Pesquisador. M: Mediador. PPA2: Profesora. Pesquisado Idade PPA2 44 Sexo Feminino Tempo no Formação Formação Magistério Inicial Continuada NI NI Licenciatura en Matemáticas P.¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA2. Consultando otros textos. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA2. No. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA2. Siempre se sigue el currículo oficial. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela /clase? PPA1. Los textos aceptados por el Ministerio e algunas veces consulta on otros libros. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA2. Se trabaja con la resolución de problemas utilizando en muchos casos el método de Polya. Alguns docentes utilizan las actividades lúdicas, pero falta que se convenzan de la importancia de los juegos en el aula. P.¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? PPA2. Trabajos en grupo. P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA2. Generalmente se finalizan los contenidos, desarrollando a prisa y dejando a cargo de los alumnos el repaso y la fijación de los mismos. Los docentes del primer y segundo cliclos no son especialistas en el área de Matemática, desarrolan todas las materias, a excepción de Educación Física. P. Muchas gracias. 282 6. Entrevista con profesora da Esc. Sek. Y Col. Maria Auxiliadora Entrevista individual en 13/10/2011 Siglas: P: Pesquisador PPA3: Profesora Pesquisado Edad PPA3 NI Sexo Feminino Tempo no Formación Formação Magisterio Inicial Continuada 28 Licenciatura NI en Matemáticas P. ¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA3. Plan Anual, Plan de Unidad, Plan áulico. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA3. El currículo es semi abierto, para incorporar algunos contenidos que uno crea importante pero el tiempo es insuficiente para desarrolar los contenidos propuestos por el MEC. Conclusión: La escuela generalmente no tine mucha autonomia por más que sea un currículo semi abierto porque los supervisores y directores prefieren que se siga el currículo oficial. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA3. El currículo oficial se tiene que desarrolar en un 90%. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA3. Libros de textis de Editorial Alianza, santillana y algún material del Mec, y materiales P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA3. La metodologia propuesta es la construtivista, se deben conectar la resolución de situaciones problemáticas con juegos, historia de la matemática. Muchos docentes lo realizan muy bien pero otros les cuesta el cambio propuesto. P. ¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? PPA3. Trabajos grupales, trabajo colaborativo y luego se hace la puesta en común. 283 P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA3. Cuando falta el tiempo, trato de dar lo fundamental para los grados posteriores, pero en lo posible ago reajustes em mi planeamiento para poder dar todos los contenidos. P. Muchas gracias. 284 7. Entrevista con profesora do Colegio Privado y Nacional Entrevista individual en 13/10/2011. Siglas: P: Pesquisador PPA5: Profesora Pesquisado Edad PPA4 NI Sexo F Tempo no Formación Formação Magisterio Inicial Continuada 28 Licenciatura NI en Matemáticas P. ¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA4. El Ministerio de Educación y Cultura tine un programa nacional para el área de Matemática y el profesor elabora su plane de clase de acuerdo al nível de los estudantes afianzando tus conocimientos previos, detectando las falencias, estructurando las actividades de acuerdo al nível de los alumnos y posteriormente se va acrescentando los contenidos en forma gradual. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA4. El profesor tiene la autonomía de enfatizar los contenidos de acuerdo a las necessidades del grupo para lograr un mejor provecho y conocimiento más amplia con el entorno. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA4. El currículo oficial se sigue bastante y de alli se desmerusa os contenidos ara ir utilizando de acuerdo a los niveles ya sea en colegios privados y nacionales que son realidades diferentes. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA4. Los Libros utilizados son elaborados por empresas privadas que son visadas por el Ministerio de Educación y Cultura para la elaboración y posterior tirada de los textos a ser aplicados en los colegios. El profesor escoge su material. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA4. Todas las metodologías son importante y contribuyen de sobre manera el trabajo en clase. P.¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? 285 PPA4. Se inicia con los conocimientos previos , se pude trabajar en forma dual, individual con juegos matemáticos. P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA4. Para cada ciclo y nivel medio son estimados los contenidos y si no son finalizados se enfatizan el próximo año escolar a modo de recuperar en el caso que haya terminado el año lectivo. P. Muchas gracias. 286 8. Entrevista con profesora del Colegio Iberoamericano Entrevista individual en 13/10/2011. Siglas: P: Pesquisador. PPA5: Profesora. Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Magisterio Inicial Formação Continuad a PPA5 28 F 2 Licenciatura en Matemáticas Facultad de Ciencias Exactas y NaturalesUniversidad Nacional de Asunción NI P.¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA5. El plan de estudio se prepara según el nivel que corresponde según el currículo del MEC. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA5. El profesor debe tener la autonomía siempre porque en matemática siempre se busca recursos para el desarrollo de l plan de clase y que sea motivadora para el alumno. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA5. Siempre se sigue el currículo oficial . En los contenidos programáticos para las clases a diario, los proyectos extracurriculares, competências en ela área, etc. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA5. En el nível escolar y medio existem libros desarrolados adecuadamente para cada curso y nosotros los profesores utilizamos libros más completos de manera a ampliar el conocimiento. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA5. En la educación matemática para el nível médio todo és válido para motivar el estudio , a participación de los alumnos, siempre se busca innovar con la utilización de dichas herramientas. 287 P.¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? PPA5. Se aplican desarrollo del tema en la pizarra con participación de los alumnos durante el desarrollo. Uso de la sala de informática para conoceer los software matemáticas sencillos. P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA5. Los contenidos para cada nivel estan muy bien distribuidos en el tiempo, si se llega a perder un tiempo importante lo que se hace en varios trabajos para desarrollar fuera de clase y de esa manera llegar a desarrollar todo el programa. P. Muchas gracias. 288 9. Entrevista con profesora do Perpetuo Socorro. Entrevista individual en 13/10/2011. Siglas: P: Pesquisador. PPA6: Profesora. Pesquisado Edad Sexo Colegio Iberoamericano- Tempo no Formación Formación Magisterio Inicial Continuada(Post grado) PPA6 NI F 4 Licenciatura Pedagogia Del em nível Médio y Matemática universitario Estadistica P.¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA6. El plan de estudio se prepará de acuerdo al grupo o situación academica del curso. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA6. Si existe autonomia para desarrollar el currículo. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA6. Si segue el currículo oficial. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA6. Los textos utilizados son : Libro guia- Santillana- Alianza. Buldor: Geometria y Trigonometria Buldor: Álgebra. Buldor: Aritmética. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA6. Situación Problematica- Proyectos educativos aplicados en relación a lo mundo del hombre moderno especificamente durante la Geometria, Aritmetuca y Trigonometria. P.¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? PPA6. Los trabajos que realizo en las aulas con los alumnos son practicos, analíticos y descriptivos. 289 P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA6. Los contenidos al no poder llegar a una buena culminación, trata de dar trabajos practicos específicos en relaciónal tema. P. Muchas gracias. 290 10. Entrevista con profesora do Colegio Iberoamericano-Perpetuo Socorro. Entrevista individual en 13/10/2011. Siglas: P: Pesquisador PPA7: Profesora. Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Formación Magisterio Continuada(Post Inicial grado) PPA7 NI F NI Licenciatura Não possui em Matemática P.¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA7. Recurro al programa del MEC y considero en primer lugar la seleción de temas a ser trabajados en el desarrollo de capacidades básicas y no básicas considerando el tiempo semanal destinado a la matemática. Si la instituición considera otros contenidos también se tiene en cuenta, siempre la carga horaria nos permita. Luego la metodología a adoptar y la evaluación. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA7. No en um 100% pues las capacidades básicas debemos dessarrollarlas en todas las instituiciones de la República. Pero de común acuerdo con la Instituición educativa se puede alterar o agregar otros contenidos. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA7. En general se siegue el currículo oficial. En cuanto al contenido que desarrolla las capacidades básicas y el sistema de evaluación. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA7. Existen en plaza varios textos nacionales de editoriales como: Santillana, Fundacion en Alianza, Atlas, Musa y otros. También contamos con textos de editoriales extranjeras como: Vicen Vives, Atica, etc. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA7. Essas recomendaciones orientan, facilitan la labor del profesor, y permiten mejores resultados en su labor educativa. P. ¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? 291 PPA7. Generalmente se trabaja en grupos, desarrollando proycetos. Metodologia Aula-Taller, etc. P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA7. Según el nível de estudio los contenidos/ bloques son: Primer Ciclo: El numero y las operaciones. La geometría y la medida. Los datos y la Estadística.Tercer Clico: Operaciones y expressiones algebraicas. Geometria y Medidas. Datos y Estadística. P. Muchas gracias. 292 11. Entrevista con profesora do Colegio Iberoamericano-Perpetuo Socorro. Entrevista individual en 13/10/2011 Siglas: P: Pesquisador. M: Mediador. PPA8: Profesora. Pesquisado Edad Sexo Tempo no Formación Formación Magisterio Inicial Continuada(Post grado) PPA8 NI F NI Licenciatura Pedagogia Del en nível Médio y Matemática universitario P. ¿Cómo te preparas tu plan de estudios? PPA8. En base a mi experiencia, pero con mucha investigación actualizada, tratando de introducir la informatica, muy poco usual aún en las aulas. P. ¿Usted tiene la autonomía para desarrollar el currículo de matemáticas? PPA8. Si, en los lugares donde trabajo tengo total autonomia. P. ¿Se siguen el currículo oficial? ¿En cuales aspectos? PPA8. Si, se sigue totalmente con adecuaciones de acuerdo al medio, y al nivel de los niños. P. ¿Qué textos son consultados para desarrollar el currículo de la escuela / clase? PPA8. Todos los textos para la educación escolar básica y Media están adaptados al currículo oficial y uno los adecua a las necesidades de los alumnos y a la experiencia docente y siempre están los textos más digamos extensos y tambien internet. P. Cómo las recomendaciones metodológicas contribuyen para el trabajo del profesor en su clase: resolución de situaciones problema, conexión entre los conocimientos, uso de juegos, historia de la matemática, uso de calculadora, uso de software de informática, conocimiento previo de los alumnos, etc? PPA8. Todas las recomendaciones metodológicas contribuyen muchíssimo con la tarea docente, el uso de la calculadora en la resolución de problemas importantísimo, la informática aún no entra como deberia, todo relacionado con los conocimientos previos. P.¿Cómo se trabaja en el aula las recomendaciones del currículo oficial (organización del trabajo con el alumno, forma de participación de los estudiantes, la dinámica del aula, etc.)? 293 PPA8. Se da mucha participación a los alumnos . Se enfatiza el proceso con mucha dinâmica. P. ¿Cuáles son los contenidos/bloques estudiados en este año? Cómo son articulados? Como hace cuando no se hay tiempo para finalizarlos? PPA8. Los contenidos propios del 7º,8º y 9º grados se articulan com algunas materias, pero de grado a grado. Cuando no hay tiempo se opta por tomar los contenidos menos articulados, de manera a cerrarlo. P. Muchas gracias. 294 APÊNDICE E: Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática para o Ensino Fundamental e Programas de Estudos de Matemática para a Educação Básica do Paraguai PCN-EF-Brasil Ciclo I – 1ª a 4ª série Números Naturais e Sistema de Numeração Decimal • Reconhecimento de números no contexto diário. • Utilização de diferentes estratégias para quantificar elementos de uma coleção: contagem, pareamento, estimativa e correspondência de agrupamentos. • Utilização de diferentes estratégias para identificar números em situações que envolvem contagens e medidas. • Comparação e ordenação de coleções pela quantidade de elementos e ordenação de grandezas pelo aspecto da medida. • Formulação de hipóteses sobre a grandeza numérica, pela identificação da quantidade de algarismos e da posição ocupada por eles na escrita numérica. • Leitura, escrita, comparação e ordenação de números familiares ou freqüentes. • Observação de critérios que definem uma classificação de números (maior que, menor que, estar entre) e de regras usadas em seriações (mais 1, mais 2, dobro, metade). • Contagem em escalas ascendentes e descendentes de um em um, de dois em dois, de cinco em cinco, de dez em dez, etc., a partir de qualquer número dado. • Identificação de regularidades na série numérica para nomear, ler e escrever números menos freqüentes. • Utilização de calculadora para produzir e comparar escritas numéricas. • Organização em agrupamentos para facilitar a contagem e a comparação entre grandes coleções. • Leitura, escrita, comparação e ordenação de notações numéricas pela compreensão das características do sistema de numeração decimal (base, valor posicional). Operações com Números Naturais• Análise, interpretação, resolução e formulação de situações-problema, compreendendo alguns dos significados das operações, em especial da adição e da subtração. • Reconhecimento de que diferentes situações-problema podem ser resolvidas por uma única operação e de que diferentes operações podem resolver um mesmo PEMEEB-Paraguay 1º grado: Unidad: El número y las operaciones Lee y escribe números naturales hasta una unidad de mil; Comprende el problema enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: Conjunto, elemento y pertenencia. Relaciones de correspondencia entre conjuntos. Cuantificadores. Números intuitivos. Relaciones de orden. Cant idades cont inuas y discont inuas. Nocion deconservacion. Algoritmo de la adición y la sustracción con números dígitos y polidígitos, que no presenten dificultades de reagrupación de términos. Monedas y billetes hasta guaranies 1000. Formula el enunciado de una situacion problematica utilizando numeros naturales hasta una unidad de mil. Lee,comprende yutiliza el vocabulario y la notacion matemática adecuados al contexto. Reconoce la importancia de conocer los números y su utilidad para la solucion de situaciones sencillas que se presentan en su vida cotidiana La Geometría y la medida Comprende el problema enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: Relaciones de equivalencia entre el metro y el centímetro. Relaciones de equivalencia entre 1 m, ½ m, y ¼ m. Relaciones de equivalencia entre 1l, ½ l y ¼l. Relaciones de equivalencia entre 1Kg, ½ Kg y ¼ Kg. Unidades de medidas de tiempo: hora en punto, dia, semana. Relaciones de equivalencia entre 1 h, ½ h, y ¼ h. Cuerpos redondos(cono, esfera, 295 problema. • Utilização de sinais convencionais (+, -, x, :, =) na escrita das operações. • Construção dos fatos básicos das operações a partir de situações-problema, para constituição de um repertório a ser utilizado no cálculo. • Organização dos fatos básicos das operações pela identificação de regularidades e propriedades. • Utilização da decomposição das escritas numéricas para a realização do cálculo mental exato e aproximado. • Cálculos de adição e subtração, por meio de estratégias pessoais e algumas técnicas convencionais. • Cálculos de multiplicação e divisão por meio de estratégias pessoais. • Utilização de estimativas para avaliar a adequação de um resultado e uso de calculadora para desenvolvimento de estratégias de verificação e controle de cálculos. Espaço e Forma • Localização de pessoas ou objetos no espaço, com base em diferentes pontos de referência e algumas indicações de posição. • Movimentação de pessoas ou objetos no espaço, com base em diferentes pontos de referência e algumas indicações de direção e sentido. • Descrição da localização e movimentação de pessoas ou objetos no espaço, usando sua própria terminologia. • Dimensionamento de espaços, percebendo relações de tamanho e forma. • Interpretação e representação de posição e de movimentação no espaço a partir da análise de maquetes, esboços, croquis e itinerários. • Observação de formas geométricas presentes em elementos naturais e nos objetos criados pelo homem e de suas características: arredondadas ou não, simétricas ou não, etc. • Estabelecimento de comparações entre objetos do espaço físico e objetos geométricos — esféricos, cilíndricos, cônicos, cúbicos, piramidais, prismáticos — sem uso obrigatório de nomenclatura. • Percepção de semelhanças e diferenças entre cubos e quadrados, paralelepípedos e retângulos, pirâmides e triângulos, esferas e círculos. • Construção e representação de formas geométricas. Grandezas e Medidas • Comparação de grandezas de mesma cilindro).Caracteristicas. Cuerpos no redondos (cubo, pirámide, paralelepípedo). Caracteristicas. Figuras geométricas planas, asociadas al cubo (cuadrado), a la pirámide (triángulo) y al paralelepípedo (rectángulo). Formula el enunciado de una situacion problemática con datos reales. Toma conciencia acerca de la importancia de describir cuerpos y figuras geométricas para la comprensión de su entorno 2º grado El número y las operaciones Lee y escribe comprensivamente números naturales hasta una decena de mil, Comprende el problema enunicado, Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida al problema planteado; aplicando: Relaciones de equivalencias entre: unidades, decenas, docenas, centenas, unidades de mil y decenas de mil. Relaciones numéricas de orden. Conjuntos equivalentes y no equivalentes. Unión de conjuntos. Subconjuntos de un conjunto. Valor posicional, valor absoluto y valor relativo de las cifras. Números ordinales hasta el vigésimo. Algoritmos y propiedades de la adición y sustracción de números naturales con y sin dificultades de reagrupación. Multiplicación como adición de sumandos repetidos (de 2,de 5 y de 10). Propiedad conmutativa de la multiplicación. Formula situaciones problemáticas con datos reales. Lee, comprende y utiliza notación y vocabulario matemático adecuados al contexto. Reconoce la importancia de conocer diferentes estrategias para la solución de situaciones planteadas. La Geometría y la medida Comprende el problema enunicado; Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida al problema planteado; aplicando: 296 natureza, por meio de estratégias pessoais e uso de instrumentos de medida conhecidos — fita métrica, balança, recipientes de um litro, etc. • Identificação de unidades de tempo — dia, semana, mês, bimestre, semestre, ano — e utilização de calendários. • Relação entre unidades de tempo — dia, semana, mês, bimestre, semestre, ano. • Reconhecimento de cédulas e moedas que circulam no Brasil e de possíveis trocas entre cédulas e moedas em função de seus valores. • Identificação dos elementos necessários para comunicar o resultado de uma medição e produção de escritas que representem essa medição. • Leitura de horas, comparando relógios digitais e de ponteiros. Tratamento da Informação • Leitura e interpretação de informações contidas em imagens. • Coleta e organização de informações. • Criação de registros pessoais para comunicação das informações coletadas. • Exploração da função do número como código na organização de informações (linhas de ônibus, telefones, placas de carros, registros de identidade, bibliotecas, roupas, calçados). • Interpretação e elaboração de listas, tabelas simples, de dupla entrada e gráficos de barra para comunicar a informação obtida. • Produção de textos escritos a partir da interpretação de gráficos e tabelas. 2º. Ciclo – 5ª a 8ª séries Números e Operações . Reconhecimento dos significados dos números naturais em diferentes contextos e estabelecimento de relações entre números naturais, tais como ser múltiplo de, ser divisor de. . Compreensão do sistema de numeração decimal, identificando o conjunto de regras e símbolos que o caracterizam e extensão das regras desse sistema para leitura, escrita e representação dos números racionais na forma decimal. . Reconhecimento de números inteiros em diferentes contextos cotidianos e históricos e exploração de situações-problema em que indicam falta, diferença, orientação (origem) e deslocamento entre dois pontos. . Reconhecimento de números racionais em diferentes contextos . cotidianos e históricos . e exploração de situações-problema em que indicam relação parte/todo, quociente, Unidades no estándares de longitud, masa, capacidad y tiempo. El metro y el centímetro, el litro, el kilogramo y la hora como unidades de medidas estándares de longitud,capacidad, masa y tiempo. Fracciones usuales (1, ½ , ¼ , ¾ ) aplicadas al metro, al litro, al kilogramo y a la hora. Relaciones entre las unidades de medidas de tiempo: hora, día, semana, mes, año. Relaciones de equivalencias entre las fracciones usuales aplicadas a las unidades de medidas estándares. Cuerpos redondos y poliedros. Características. Regiones poligonales : circulares , cuadradas rectangulares y triangulares. Características y elementos de las regiones poligonales. Región interior, región exterior y frontera de las regiones poligonales. Concepto de perímetro de regiones poligonales como la suma de las medidas de sus lados. Formula situaciones problemáticas con datos reales. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación matemática adecuadas al contexto. Reflexiona sobre los resultados, las dificultades y los métodos empleados para la creación y/o solución de problemas. Los datos y la Estadística Utiliza técnicas sencillas de recopilación de datos. Organiza en tablas sencillas un conjunto de datos según características. Representa datos recopilados del entorno mediante pictogramas. Interpreta datos representados en pictogramas. Emplea la terminología y notación matemática apropiada al contexto. Reconoce la importancia de organizar y representar datos en tablas o pictogramas. 3º grado El número y las operaciones Lee y escribe números naturales hasta una centena de mil; Comprende el enunciado del problema planteado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: Conjunto unitario y conjunto vacío. 297 razão ou funcionam como operador. . Localização na reta numérica de números racionais e reconhecimento de que estes podem ser expressos na forma fracionária e decimal, estabelecendo relações entre essas representações. . Análise, interpretação, formulação e resolução de situações problema, compreendendo diferentes significados das operações, envolvendo números naturais, inteiros e racionais, reconhecendo que diferentes situações-problema podem ser resolvidas por uma única operação e que eventualmente diferentes operações podem resolver um mesmo problema. . Cálculos (mentais ou escritos, exatos ou aproximados) envolvendo operações com números naturais, inteiros e racionais, por meio de estratégias variadas, com compreensão dos processos nelas envolvidos, utilizando a calculadora para verificar e controlar resultados. . Compreensão da potência com expoente inteiro positivo como produto reiterado de fatores iguais, identificando e fazendo uso das propriedades da potenciação em situações-problema. . Atribuição de significado à potência de expoente nulo e negativo pela observação de regularidades e pela extensão das propriedades das potências com expoente positivo. . Compreensão da raiz quadrada e cúbica de um número, a partir de problemas como a determinação do lado de um quadrado de área conhecida ou da aresta de um cubo de volume dado. . Cálculos aproximados de raízes quadradas por meio de estimativas e fazendo uso de calculadoras. . Resolução de situações-problema que envolvem a idéia de proporcionalidade, incluindo os cálculos com porcentagens, pelo uso de estratégias não-convencionais. . Resolução de problemas de contagem, incluindo os que envolvem o princípio multiplicativo, por meio de estratégias variadas, como a construção de esquemas e tabelas. . Utilização de representações algébricas para expressar generalizações sobre propriedades das operações aritméticas e regularidades observadas em algumas seqüências numéricas. . Compreensão da noção de variável pela interdependência da variação de grandezas. . Construção de procedimentos para calcular o valor numérico de expressões algébricas simples. Operaciones de unión e intersección de conjuntos. Números naturales hasta una centena de mil. Valor posicional, valor absoluto y valor relativo. Relaciones numéricas de orden Algoritmo y propiedades: conmutativa, asociativa y del elemento neutro; de la adiciòn de números dìgitos y polidígitos con y sin dificultades de reagrupación de términos. Algoritmo de la sustracción de números dìgitos y polidígitos con y sin dificultades de reagrupación de tèrminos. Multiplicación en el conjunto de los números naturales. Construcciòn de las tablas de multiplicar del 4 y 8; las del 3, 6 y 9 ; y del 7. Algoritmo de la multiplicación graduando dificultades: - dígito por dígito. - polidígito por dígito. - polidígito por polidígito. - por la unidad seguida de ceros. Propiedades: conmutativa, del elemento neutro y asociativa de la multiplicación. Algoritmo de la división graduando dificultades: - digito por dígito. - polidígito por dígito. - polidígito por polidígito. - por la unidad seguida de ceros. - Monedas y billetes hasta guaraníes 100 000. Formula el enunciado de una situaciòn problemàtica con datos reales. Lee, comprende y utiliza la notación y el vocabulario matemático al contexto. Reconozco la importancia de aplicar las operaciones de adición, sustracción, multiplicación y división para la soluciòn de situaciones que se presentan en mi vida. La Geometria y la medida Comprende el problema enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: Relaciones de equivalencia entre las unidades de medidas: metro, decímetro y centímetro. Relaciones entre las unidades de medidas de masa: 1 kg, ½ kg, ¼ y ¾ kg. Relaciones de equivalencia entre las unidades de medida de tiempo: hora – minutos -segundos. Relaciones de equivalencia entre las unidades 298 Espaço e Forma . Interpretação, a partir de situaçõesproblema (leitura de plantas, croquis, mapas), da posição de pontos e de seus deslocamentos no plano, pelo estudo das representações em um sistema de coordenadas cartesianas. . Distinção, em contextos variados, de figuras bidimensionais e tridimensionais, descrevendo algumas de suas características, estabelecendo relações entre elas e utilizando nomenclatura própria. . Classificação de figuras tridimensionais e bidimensionais, segundo critérios diversos, como: corpos redondos e poliedros; poliedros regulares e não-regulares; prismas, pirâmides e outros poliedros; círculos, polígonos e outras figuras; número de lados dos polígonos; eixos de simetria de um polígono; paralelismo de lados, medidas de ângulos e de lados. . Composição e decomposição de figuras planas. . Identificação de diferentes planificações de alguns poliedros. . Transformação de uma figura no plano por meio de reflexões, translações e rotações e identificação de medidas que permanecem invariantes nessas transformações (medidas dos lados, dos ângulos, da superfície). . Ampliação e redução de figuras planas segundo uma razão e identificação dos elementos que não se alteram (medidas de ângulos) e dos que se modificam (medidas dos lados, do perímetro e da área). . Quantificação e estabelecimento de relações entre o número de vértices, faces e arestas de prismas e de pirâmides, da relação desse número com o polígono da base e identificação de algumas propriedades, que caracterizam cada um desses sólidos, em função desses números. . Construção da noção de ângulo associada à idéia de mudança de direção e pelo seu reconhecimento em figuras planas. . Verificação de que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180º. Grandezas e Medidas . Reconhecimento de grandezas como comprimento, massa, capacidade, superfície, volume, ângulo, tempo, temperatura, velocidade e identificação de unidades adequadas (padronizadas ou não) para medi-las, fazendo uso de terminologia própria. . Reconhecimento e compreensão das unidades de memória da informática, como bytes, quilobytes, megabytes e gigabytes em contextos apropriados, pela utilização da de medida de capacidad: 1l, ½ l, ¼ l y ¾ l. Figuras geométricas planas: triángulos y cuadriláteros. Perímetro de figuras geométricas planas regulares. Fórmulas. Formula el enunciado de una situación problemática utilizando números naturales hasta una centena de mil. Lee, comprende y utiliza la notación y la terminología adecuadas al contexto. Los datos y la Estadística Utiliza técnicas sencillas en la recolecciòn de datos. Representa datos. Interpreta datos, empleando: Concepto de frecuencia como número de veces que se repite un dato. Tablas de frecuencias absolutas. Gráficos de barras horizontales. Lee, comprende y utiliza la notación y el vocabulario matemático adecuado al contexto. Reconoce la importancia de organizar y representar datos para una mejor comprensión de mi entorno. 4º grado El número y las operaciones. Lee y escribe comprensivamente números naturales hasta una unidad de millón. Comprende el problema enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: • Valor posicional absoluto y relativo. • Algoritmos y propiedades de la adición, la sustracción, la multiplicación y la división de números naturales. • Monedas y billetes. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Formula el enunciado de una situación problemática, empleando números naturales hasta una unidad de millón. Lee y escribe comprensivamente números racionales positivos en notación fraccionaria y decimal, hasta los centésimos. Comprende el problema planteado en el enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: 299 potenciação. . Obtenção de medidas por meio de estimativas e aproximações e decisão quanto a resultados razoáveis dependendo da situação-problema. . Utilização de instrumentos de medida, como régua, escalímetro, transferidor, esquadro, trena, relógios, cronômetros, balanças para fazer medições, selecionando os instrumentos e unidades de medida adequadas à precisão que se requerem, em função da situação-problema. . Compreensão da noção de medida de superfície e de equivalência de figuras planas por meio da composição e decomposição de figuras. . Cálculo da área de figuras planas pela decomposição e/ou composição em figuras de áreas conhecidas, ou por meio de estimativas. . Indicar o volume de um recipiente em forma de paralelepípedo retângulo pela contagem de cubos utilizados para preencher seu interior. . Estabelecimento de conversões entre algumas unidades de medida mais usuais (para comprimento, massa, capacidade, tempo) em resolução de situações-problema. Tratamento da Informação . Coleta, organização de dados e utilização de recursos visuais adequados (fluxogramas, tabelas e gráficos) para sintetizá-los, comunicá-los e permitir a elaboração de conclusões. . Leitura e interpretação de dados expressos em tabelas e gráficos. . Compreensão do significado da média aritmética como um indicador da tendência de uma pesquisa. . Representação e contagem dos casos possíveis em situações combinatórias. . Construção do espaço amostral e indicação da possibilidade de sucesso de um evento pelo uso de uma razão. • Algoritmos y propiedades de la adición de números fraccionarios homogéneos. • Algoritmos y propiedades de la adición y multiplicación de números decimales. • Algoritmos de la sustracción de fracciones homogéneas y división de números racionales positivos en notación fraccionaria. Utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Reconoce la utilidad de los números naturales y racionales en la vida cotidiana. La Geometria y la medida Comprende el problema planteado en el enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución ; Examina la solución obtenida; utilizando: • Relaciones de equivalencias entre los submúltiplos del metro, del litro y del kilogramo. • Relaciones de equivalencias entre las unidades de medidas de tiempo: hora, minuto, segundo, día, mes, año, década. • Unidades de medidas de superficie: metro cuadrado, decímetro cuadrado y centímetro cuadrado. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Comprende el problema planteado en el enunciado; Concibe un plan de solución al problema planteado; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida; empleando: • Punto. Segmento. Recta. • Rectas paralelas, perpendiculares y oblicuas. • Elementos de los polígono: lados, ángulos y vértices. • Polígonos regulares e irregulares. • Perímetro de polígonos regulares e irregulares. • Área de polígonos: cuadrado, rectángulo y triángulo. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Reconoce la importancia de los aportes de la geometría y la medida en la comprensión del entorno físico. Los datos y La Estadística Construye e interpreta tablas con datos recolectados. Representa resultados de encuestas sencillas en gráficos de barras verticales. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Comprende la utilidad de los elementos 300 básicos de la Estadística para la representación e interpretación de datos, a fin de evitar la manipulación de la información. 5º grado El número y las operaciones. Lee y escribe comprensivamente números naturales hasta la decena de millón. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución del problema; Ejecuta el plan de solución al problema planteado; Examina la solución obtenida al problemaplanteado; aplicando: • Relaciones de equivalencia y de orden. • Valor posicional, absoluto y relativo. • Números ordinales. • Números romanos. • Algoritmos y propiedades de las cuatro operaciones fundamentales. Utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Formula situaciones problemáticas con datos reales referidas a números naturales. Lee y escribe números racionales en notación fraccionaria y decimal hasta los diez milésimos. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución del problema; Ejecuta el plan de solución al problema planteado; Examina la solución obtenida al problema planteado; aplicando: • Números racionales positivos en notación fraccionaria y decimal. • Números primos y compuestos. • Divisibilidad por: 2, 3, 5, 7 y 11. • Amplificación y simplificación de fracciones. • Máximo común divisor (mcd) • Mínimo común múltiplo (mcm) • Algoritmos y propiedades de las operaciones de adición y sustracción de números fraccionarios heterogéneos. • Algoritmos y propiedades de la multiplicación y de la división de números racionales positivos en notación fraccionaria. • Algoritmos y propiedades de las cuatro operaciones fundamentales de números racionales positivos en notación decimal. Utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Formula situaciones problemáticas con datos 301 reales referidas a números racionales. Reconoce los aportes que brinda el manejo adecuado de los números y las operaciones matemáticas básicas en diferentes contextos. La Geometría y La medida Utiliza conceptos y elementos básicos de la Geometría en diferentes contextos: • Puntos simétricos con relación a un segmento. • Clasificación de figuras geométricas según sus simetrías. • Número de ejes de simetría del: triángulo, cuadrado, rectángulo, trapecio, paralelogramo, pentágono, hexágono, octógono. Utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución del problema; Ejecuta el plan de solución al problema planteado; Examina la solución obtenida al problema planteado; empleando: Medidas de tiempo: quinquenio o lustro y siglo. Relaciones de equivalencia entre múltiplos de las medidas de: longitud, masa, capacidad. Perímetro de polígonos regulares e irregulares. Longitud de la circunferencia Utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Formula situaciones problemáticas con datos reales. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requerida para la solución de problemas planteados; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida al problema planteado; aplicando: Unidades de medidas de superficie. Unidades de medidas agrarias: hectárea (ha), área (a), centiárea (ca). Relaciones de equivalencia entre múltiplos y submúltiplos de las magnitudes estudiadas. Área de figuras geométricas planas: rectángulo, cuadrado, triángulo, trapecio, rombo. Área del círculo. Formula situaciones problemáticas con datos reales que involucren conceptos de la geometría y las unidades de medidas. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Toma conciencia acerca de la utilidad de los 302 conocimientos matemáticos para interpretar situaciones presentadas en el entorno. Los datos y La Estadística. Utiliza técnicas sencillas de recolección de datos. Organiza en tablas informaciones recabadas. Interpreta informaciones estadísticas, en base a: • Tablas de frecuencia (absoluta y relativa). • Gráficos de línea. • Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Aprecia la utilidad de los conocimientos y procedimientos estadísticos para la toma de decisiones pertinentes. 6º grado El numero y las operaciones Lee y escribe números naturales hasta la centena de millón; Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; Ejecuta el plan de solución a problemas planteados; Examina la solución obtenida al problema planteado;aplicando: • Relaciones de equivalencias y de orden. • Notación científica. • Números romanos. • Números ordinales. • Algoritmos y propiedades de las cuatro operaciones fundamentales. • Potencia como producto de factores idénticos. • Propiedad asociativa de la multiplicación para expresar potencias. • Descomposición polinómica de un número natural utilizando potencias de diez. • Cuadrados perfectos hasta 144. • Raíz cuadrada de cuadrados perfectos. Formula situaciones problemáticas con datos reales. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Reconoce las múltiples utilidades que brindan los números en la vida cotidiana. Lee y escribe comprensivamente números racionales en notación fraccionaria y decimal, hasta los millonésimos. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; 303 Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida a problemas planteados; aplicando: • -Reglas de uso de paréntesis en cálculos numéricos. • -Algoritmos y propiedades de las cuatro operaciones fundamentales de números racionales en notación fraccionaria y decimal. Formula situaciones problemáticas con datos reales. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida a problemas planteados; aplicando: • Concepto de razón, razón aritmética, razón geométrica, proporción y magnitud. • Magnitudes directa e inversamente proporcionales. • Porcentaje, descuento, tanto por ciento, interés,interés simple, cotización de monedas. • Regla de tres simple directa e inversa. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Aprecia las posibilidades de usar un modelo matemático para interpretar situaciones reales. La Geometría y la medida. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida a problemas planteados; aplicando: • Relaciones de equivalencia entre múltiplos y submúltiplos de las unidades de medidas de longitud, masa y tiempo. • Perímetro de polígonos regulares e irregulares y circunferencias. • Relaciones de equivalencias entre múltiplos y submúltiplos de las unidades de medidas de superficies y agrarias. • Relaciones de equivalencias entre las unidades de medidas de superficies y las agrarias. • Área de polígonos regulares e irregulares y círculos. • Relación entre el perímetro y el área de una figura en función a las medidas de sus lados. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Colabora en la solución de situaciones problemáticas del medio ambiente aplicando los conocimientos matemáticos adquiridos. 304 Utiliza conceptos y elementos básicos de la geometría para resolver problemas matemáticos y no matemáticos: • Angulo, clasificación (recto, agudo, obtuso y llano). • Ángulos complementarios y suplementarios. • Rectas paralelas, perpendiculares y oblícuas. • Simetría, figuras simétricas mediante giro o traslación. Lee, interpreta y construye figuras a escala(planos, croquis, mapas y maquetas). Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Reconoce el valor del trabajo compartido y la responsabilidad asumida en el mismo. Comprende el problema enunciado; Identifica estrategias requeridas para la solución de problemas; Ejecuta el plan de solución; Examina la solución obtenida a problemas planteados; aplicando: • Características y regularidades de cuerpos geométricos. • Área lateral y área total de cuerpos geométricos (cubo, prisma, cilindro). • Relaciones de equivalencias entre múltiplos y submúltiplos de las unidades de medidas de capacidad. • Volumen: concepto, relaciones de equivalencias entre múltiplos y submúltiplos de las unidades de medidas de volumen. • Relaciones de equivalencias entre las unidades de medidas de volumen, capacidad y peso. • Volumen de cuerpos geométricos (cubo, prisma, cilindro). Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Reconoce la importancia de los aportes de la geometría y la medida en la comprensión de mi entorno físico. Los datos y la Estadística Construye tablas y gráficos estadísticos; Interpreta tablas y gráficos estadísticos; empleando: Frecuencia absoluta, relativa y porcentual. Tablas de frecuencias. Gráfico circular. Lee, comprende y utiliza vocabulario y notación adecuados al contexto. Emite juicio crítico acerca de informaciones provenientes de diversas fuentes. 7º grado La Geometría y medidas 305 Utiliza el vocabulario y la notación de la geometría y la medida, según contextos que lo requieran. Reconoce la importancia del pensamiento geométrico como instrumento para la comprensión de su entorno. Interpreta conceptos y principios básicos de la Geometría plana: - Ángulo. Concepto. Elementos: vértice, lados (rayos). - Bisectriz de un ángulo. - Unidades de medidas de ángulos en el sistema sexagesimal: grados, minutos, segundos. - Operaciones de adición y sustracción con medidas de ángulos. - Clasificación de ángulos: agudo, recto, obtuso, llano, nulo. - Ángulos complementarios, suplementarios y adyacentes. Complemento y suplemento de un ángulo. - Ángulos opuestos por el vértice, ángulos formados por rectas paralelas cortadas por una secante: alternos internos, alternos externos, correspondientes. - Polígono. Concepto. Elementos. Clasificación según número de lados. Diagonal de un polígono. Polígono regular. - Polígonos cóncavo y convexo. Concepto, características. Región: interior, exterior y frontera. - Triángulo. Concepto. Elementos. Características. - Clases de triángulos según sus lados (isósceles, equilátero, escaleno) y según sus ángulos (rectángulo, oblicuángulo). - Elementos notables en un triángulo: altura, mediana, mediatriz, bisectriz. Puntos de intersección de los elementos notables (ortocentro, baricentro, circuncentro, incentro). - Triángulo rectángulo: características, hipotenusa y catetos. - Teorema de Pitágoras. - Cuadriláteros. Concepto. Elementos. Propiedades básicas. - Clases de cuadriláteros: cuadrado, rectángulo, trapecios, rombo, paralelogramo. Características particulares de cada uno. - Axiomas, postulados y teoremas sobre: el punto, el punto y la recta, el punto y el plano, dos puntos, la recta y el plano, intersección de dos planos, suma de ángulos internos de un triángulo, suma de ángulos externos de un triángulo, congruencia de ángulos de un triángulo equilátero. Resuelve problemas con datos reales que involucren la utilización del Teorema de Pitágoras, en situaciones diversas. 306 Operaciones y expresiones algebraicas Utiliza el vocabulario y la notación matemáticos, según contextos que lo requieran. Reconoce la utilidad de los números enteros y racionales positivos y negativos en la resolución de situaciones diversas de su realidad. Comprende conceptos y procedimientos fundamentales referidos a conjuntos de números enteros y racionales. - Conjuntos de números enteros y racionales: conceptos y características. - Números enteros positivos y enteros negativos. - Números enteros opuestos y valor absoluto. - Representación de los números enteros en la recta numérica. - Plano cartesiano. - Números racionales positivos y negativos en notación fraccionaria y decimal. - Números racionales opuestos y valor absoluto. - Fracciones decimales. Aplica algoritmos y propiedades de operaciones con números enteros y racionales, en situaciones que lo requieran. - Fracción generatriz de números decimales periódicos puros y mixtos. - Amplificación y simplificación de fracciones. - Operaciones fundamentales con números enteros y racionales positivos y negativos, en notación fraccionaria y decimal. - Propiedades fundamentales de las operaciones de adición y multiplicación con números enteros y racionales en notación fraccionaria y decimal. - Operaciones, con signos de agrupación o sin ellos, con números enteros y racionales en notación fraccionaria y decimal. Resuelve situaciones problemáticas que involucren algoritmos y propiedades de las operaciones fundamentales con números enteros. Elabora el enunciado de situaciones problemáticas que involucren algoritmos y propiedades de las operaciones fundamentales con números enteros. Resuelve situaciones problemáticas que involucren algoritmos y propiedades de las operaciones fundamentales con números racionales en notación fraccionaria y decimal. Aplica el algoritmo y las propiedades de la potenciación de números enteros y racionales en notación fraccionaria y decimal, en situaciones que requieran. 307 - Potenciación: Concepto. Elementos. Características. - Potencias con base entera y racional. - Leyes de potencias: multiplicación de potencias de igual base, división de potencias de igual base (ley de cancelación), potencia de una potencia, potencia con exponente cero, potencia de un producto y de un cociente, propiedad distributiva de la potenciación respecto al cociente. Aplica el algoritmo y las propiedades de la radicación de números enteros y racionales, en situaciones que requieran. - Radicación como operación inversa a la potenciación: Concepto. Características. - Algoritmo de la raíz cuadrada con raíces exactas e inexactas y enteras. Resuelve situaciones problemáticas que involucren algoritmos y propiedades de la potenciación y la radicación con números enteros y racionales en notación fraccionaria y decimal. Resuelve analíticamente ecuaciones lineales. - Ecuación lineal: Concepto. Características. Elementos: miembros, incógnita, término independiente. - Ecuaciones lineales con una incógnita de las formas: ax = b, ax + b = c, ax + b = cx + d. - Ecuaciones con paréntesis, ecuaciones con coeficientes fraccionarios. - Representación gráfica de una ecuación lineal en el plano cartesiano. Resuelve situaciones problemáticas que involucren ecuaciones lineales con una incógnita. Datos y Estadística Utiliza el vocabulario y la notación de la Estadística, según requerimientos del contexto. Reconoce la importancia de la utilización apropiada de los procedimientos estadísticos y de la comunicación objetiva de los resultados obtenidos. Utiliza encuesta y/o entrevista como técnicas de recolección de datos extraídos de diferentes contextos. Organiza datos en tablas de frecuencias: absoluta, relativa y porcentual. Representa datos utilizando gráficos estadísticos circulares. Interpreta datos representados a través de tablas de frecuencias y gráficos estadísticos 308 circulares. Utiliza la moda para identificar el comportamiento de datos no agrupados. Elabora conclusiones a partir de la interpretación de tablas, gráficos circulares y la moda 8º grado: Operaciones y expresiones algebraicas Utiliza el vocabulario y la notación algebraicos adecuados al contexto. Reconoce la utilidad de los procedimientos algebraicos para la obtención de soluciones adecuadas al contexto. Conoce conceptos y procedimientos básicos del álgebra: Expresión algebraica. Concepto. Características. Elementos. Clasificación (monomios y polinomios). Grado de un monomio. Monomios semejantes. Clasificación de polinomios. Grado absoluto y relativo de un polinomio. Valor numérico de una expresión algebraica. Aplica algoritmos y propiedades de las operaciones de adición, sustracción y multiplicación con expresiones algebraicas: Entre monomios. Entre polinomio y monomio. Entre polinomios. Aplica el algoritmo de la división con expresiones algebraicas: Entre monomios. Entre polinomio y monomio. Entre polinomios. Teorema del resto. Regla de Ruffini. Utiliza el proceso de la factorización de expresiones algebraicas polinómicas, en diferentes contextos: Factor común. Binomios: diferencia de cuadrados perfectos, suma de potencias de igual grado (par e impar), diferencia de potencias de igual grado (par e impar). Trinomios: trinomio cuadrado perfecto (cuadrado de un binomio), trinomio de las formas: x² +by+c y ax² +by+c . Cuatrinomio cubo perfecto. Factor común por agrupación de términos. 309 Aplica algoritmos y propiedades de las operaciones fundamentales con expresiones algebraicas racionales homogéneas y heterogéneas: Máximo común divisor (mcd) de monomios y polinomios. Mínimo común múltiplo (mcm) de monomios y polinomios. Simplificación de expresiones algebraicas racionales. Adición, sustracción, multiplicación y división de expresiones algebraicas racionales. Resuelve gráfica y analíticamente sistemas de dos ecuaciones simultáneas de primer grado con dos incógnitas: Sistemas de dos ecuaciones simultáneas de primer grado con dos incógnitas. Características. Elementos. Casos posibles de solución: sistema con solución, sistema sin solución (ecuaciones incompatibles), sistema con infinitas soluciones (ecuaciones equivalentes). Métodos de resolución de sistemas de dos ecuaciones simultáneas de primer grado con dos incógnitas: método de sustitución, método de igualación, método de reducción, método gráfico. Representación gráfica en el plano cartesiano de las ecuaciones de primer grado. Resuelve situaciones problemáticas que involucren la utilización de sistemas de dos ecuaciones simultáneas de primer grado con dos incógnitas. Geometría y medidas Utiliza el vocabulario y la notación de la Geometría plana, adecuados al contexto. Valora la importancia del lenguaje geométrico en la representación y descripción del entorno, como modelizadores de la realidad. Comprende propiedades y teoremas fundamentales de Geometría plana: Congruência de Triângulos Postulados sobre congruencia de triángulos: ALA, LAL, LLL y LLA. Figuras semejantes. Concepto. Lados homólogos, proporcionales y ángulos congruentes. Criterios de semejanza de triángulos. Teorema de Thales. Segmentos correspondientes y proporcionales. Simetrías, traslaciones y rotaciones en el plano. Simetría de figuras con respecto a una recta (axial) y con respecto a un punto (central). Homotecia. Figuras homotéticas. Propiedades. 310 Circunferencia. Concepto. Características. Arco, cuerda, recta tangente y recta secante. Posiciones relativas de la recta y la circunferencia, y de dos circunferencias. Resuelve situaciones problemáticas que involucren la utilización de la congruencia de triángulos, la semejanza de triángulos y el teorema de Thales. Resuelve situaciones problemáticas que involucren la utilización de perímetro y área de polígonos inscriptos en una circunferencia. Elabora el enunciado de situaciones problemáticas que involucren la utilización de perímetro y área de polígonos inscriptos en una circunferencia. Datos y Estadística Utiliza el estadísticos contexto. vocabulario y la notación según requerimientos del Reconoce la importancia de la utilización apropiada de los procedimientos estadísticos y la comunicación objetiva de los resultados obtenidos. Representa datos a través frecuencias e histogramas. tablas de Interpreta datos representados mediante tablas de frecuencias e histogramas para obtener las informaciones proporcionadas. Utiliza la media para identificar comportamiento de datos no agrupados. el Elabora conclusiones provenientes de la interpretación de las tablas de frecuencias, los histogramas y la media. 9º grado Operaciones y expresiones algebraicas Utiliza el vocabulario y la notación algebraica adecuados al contexto. Reconoce la utilidad de los conceptos y procedimientos del Álgebra para expresar situaciones del lenguaje ordinario al lenguaje abstracto en variados contextos. Aplica algoritmos y propiedades de las operaciones con radicales con expresiones algebraicas. Radicales con expresiones algebraicas: 311 concepto, elementos. Propiedades. Signos de las raíces de una cantidad. Expresiones algebraicas con exponentes fraccionarios. Radicales semejantes. Introducción y extracción de factores de un radical. Reducción al mínimo común índice. Algoritmos de las operaciones con radicales (del mismo índice y de índices diferentes) con expresiones algebraicas: adición, sustracción, multiplicación, división y potenciación. Expresiones conjugadas. Racionalización de denominadores (monomio y binomio). Resuelve analíticamente ecuaciones con radicales con expresiones algebraicas. Resuelve gráfica y analíticamente ecuaciones de segundo grado. Ecuación de segundo grado. Concepto. Características. Elementos: miembros, incógnita (variables), grado, coeficientes, términos independientes. Forma general de la ecuación de segundo grado. Ecuación de segundo grado completa e incompleta. Características. Fórmula general de la ecuación de segundo grado. Análisis del discriminante delta=b²-4.a.c Resolución de ecuaciones cuadráticas: por factorizacióny por fórmula general. Reconstrucción de ecuaciones cuadráticas a partir de una solución dada. Representación gráfica de una ecuación de segundo grado en el plano cartesiano. Características. Vértice, concavidad. Punto máximo, punto mínimo. Resuelve situaciones problemáticas que involucren ecuaciones de segundo grado (completas e incompletas). Geometría y Medidas Utiliza el vocabulario y la notación de la geometría del espacio, adecuados al contexto. Reconoce la utilidad de la geometría del espacio para la comprensión, descripción y representación de su entorno. Conoce propiedades y teoremas fundamentales de Geometría del espacio. Paralelismo y perpendicularidad entre planos, entre rectas y planos. Plano secante. Ángulo diedro. Concepto. Elementos: arista, caras. Ángulo poliedro. Concepto. Clasificación: 312 diedro, triedro. Cuerpos poliedros. Concepto. Clasificación (regular e irregular). Cubo, prisma, pirámide. Concepto. Características. Elementos. Desarrollo plano de la superficie. Cuerpos redondos. Concepto. Elementos. Características. Cilindro, cono, esfera. Concepto. Características. Elementos. Desarrollo plano de la superficie. Resuelve situaciones problemáticas que involucren la utilización de área lateral, área total, volumen y capacidad de cuerpos geométricos: cubo, prisma, pirámide, cilindro, cono y esfera. Elabora el enunciado de situaciones problemáticas que involucren la utilización de área lateral, área total, volumen y capacidad de cuerpos geométricos: cubo, prisma y cilindro. Datos y Estadística Utiliza el vocabulario y la notación estadísticos según requerimiento del contexto. Reconoce la importancia de la utilización apropiada de los procedimientos estadísticos y la comunicación objetiva de los resultados obtenidos. Representa datos mediante tablas de frecuencias y polígonos de frecuencia. Interpreta datos representados a través de tablas y polígonos de frecuencias para obtener informaciones contenidas en ellos. Utiliza la mediana para identificar el comportamiento de datos no agrupados. Elabora las conclusiones a partir de la interpretación de: tablas, polígonos de frecuencia y la mediana. Comprende nociones elementales de la teoría de la Probabilidad. Experimento aleatorio. Evento o suceso. Espacio muestral. Casos favorables. Casos posibles. Probabilidad de un evento. Regla de Laplace. Resuelve situaciones problemáticas sencillas que involucren la utilización de la probabildad de un evento. 313 APÊNDICE F: Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática para o Ensino Médio e Programas de Estudos de Matemática para a Educação Média do Paraguai PCNEM-Brasil Tema 1. Álgebra: números e funções Unidades temáticas 1. Variação de grandezas: • noção de função; funções analíticas e nãoanalíticas; representação e análise gráfica; seqüências numéricas: progressões e noção de infinito; variações exponenciais ou logarítmicas; funções seno, cosseno e tangente; taxa de variação de grandezas. • Reconhecer e utilizar a linguagem algébrica nas ciências, necessária para expressar a relação entre grandezas e modelar situações-problema, construindo modelos descritivos de fenômenos e fazendo conexões dentro e fora da Matemática. • Compreender o conceito de função, associandoo a exemplos da vida cotidiana. • Associar diferentes funções a seus gráficos correspondentes. • Ler e interpretar diferentes linguagens e representações envolvendo variações de grandezas. • Identificar regularidades em expressões matemáticas e estabelecer relações entre variáveis. 2. Trigonometria: do triângulo retângulo; do triângulo qualquer; da primeira volta. • Utilizar e interpretar modelos para resolução de situações-problema que envolvam medições, em especial o cálculo de distâncias inacessíveis, e para construir modelos que correspondem a fenômenos periódicos. • Compreender o conhecimento científico e tecnológico como resultado de uma construção humana em um processo histórico e social, reconhecendo o uso de relações trigonométricas em diferentes épocas e contextos sociais. Tema 2. Geometria e medidas Unidades temáticas 1. Geometria plana: semelhança e congruência; representações de figuras. • Identificar dados e relações geométricas relevantes na resolução de situações-problema. • Analisar e interpretar diferentes representações de figuras planas, como desenhos, mapas, plantas de edifícios etc. • Usar formas geométricas planas para representar ou visualizar partes do mundo real. • Utilizar as propriedades geométricas relativas aos conceitos de congruência e semelhança de Programa de Estudio-Currículum Nacional Área de Matemática y sus Tecnologías Plan Común - Paraguay 1º curso Bloque 1: Álgebra En Álgebra los contenidos son abordados considerando la etapa de maduración intelectual de los/as alumnos / as, de modo que la profundidad y complejidad con que son trabajados faciliten la compresión y asimilación de los mismos. Se introducen asimismo, nuevos conceptos a fin de ampliar el ámbito de problemas que se puedan resolver e interpretar. •Radicales: • Simplificaciones •Reducción al mínimo común índice •Adición y sustracción •Multiplicación •División •Potenciación •Radicación de radicales •Racionalización: Cuando el denominador es monomio; Cuando el denominador es binômio •Ecuaciones con radicales •Errores: Absoluto y Relativo; Cifras significativas; Errores de redondeo; Propagación del error al realizar operaciones aritméticas. Funciones logarítmicas: Logaritmo. Antilogaritmo. Concepto. Propiedades; Logaritmo decimal y natural de números reales; Función logarítmica. Gráfico. Ecuaciones logarítmicas Funciones exponenciale: Funciones exponenciales. Concepto. Gráfico. ; Ecuaciones exponenciales Números complejos: Características; Unidad imaginaria; Potencias de i; Operaciones. En Trigonometría y Geometría Analítica se abordan contenidos temáticos que formalizan conceptos desarrollados, los cuales se utilizarán en la resolución de problemas, aplicando a la realidad cotidiana en cada caso posible. Los componentes mencionados anteriormente son utilizados en el desarrollo del Sistema de coordenadas cartesianas,Sistema de medidas de ángulos. • Funciones Trigonométricas: Concepto de funciones trigonométricas; Valores de las funciones trigonométricas de ángulos notables(Variaciones; Relaciones); Transformación en producto; Identidades; 314 figuras. • Fazer uso de escalas em representações planas. Ecuaciones; Triángulo rectángulo; Triángulo oblicuángulo(Teorema del seno; Teorema del coseno) 2. Geometria espacial: elementos dos poliedros, sua classificação e representação; sólidos redondos; propriedades relativas à posição: intersecção, paralelismo e perpendicularismo; inscrição e circunscrição de sólidos. • Usar formas geométricas espaciais para representar ou visualizar partes do mundo real, como peças mecânicas, embalagens e construções. • Interpretar e associar objetos sólidos a suas diferentes representações bidimensionais, como projeções, planificações, cortes e desenhos. • Utilizar o conhecimento geométrico para leitura, compreensão e ação sobre a realidade. • Compreender o significado de postulados ou axiomas e teoremas e reconhecer o valor de demonstrações para perceber a Matemática como ciência com forma específica para validar resultados. Cálculo Infinitesimal con aplicaciones concretas y ejemplos ilustrativos de relevancia. 3. Métrica: áreas e volumes; estimativa, valor exato e aproximado. • Identificar e fazer uso de diferentes formas para realizar medidas e cálculos. • Utilizar propriedades geométricas para medir, quantificar e fazer estimativas de comprimentos, áreas e volumes em situações reais relativas, por exemplo, de recipientes, refrigeradores, veículos de carga, móveis, cômodos, espaços públicos. • Efetuar medições, reconhecendo, em cada situação, a necessária precisão de dados ou de resultados e estimando margens de erro. 4. Geometria analítica: representações no plano cartesiano e equações; intersecção e posições relativas de figuras. • Interpretar e fazer uso de modelos para a resolução de problemas geométricos. • Reconhecer que uma mesma situação pode ser tratada com diferentes instrumentais matemáticos, de acordo com suas características. • Associar situações e problemas geométricos a suas correspondentes formas algébricas e representações gráficas e vice-versa. • Construir uma visão sistemática das diferentes linguagens e campos de estudo da Matemática, estabelecendo conexões entre eles. Tema 3. Análise de dados Unidades temáticas 1. Estatística: descrição de dados; representações gráficas; análise de dados: médias, moda e mediana, variância e desvio padrão. • Identificar formas adequadas para descrever e La Estadística y Probabilidad aborda contenidos desarrollados en E.E.B., aplicándolos de manera interdisciplinaria, a fin de comunicar el gran volumen de datos que tenemos en nuestro entorno, transformándolos en información que permita tomar decisiones acertadas. Los componentes trabajados proponen el desarrollo de los contenidos en forma constructiva, dentro de lo posible, integrando conceptos nuevos en otros adquiridos por meio de resolución de problemas. Estadística •Población y muestra •Variables estadísticas •Frecuencias •Medidas de tendencia central : Media, Mediana, Moda. •Gráficos estadísticos Probabilidades •Concepto •Experimentos aleatorios y espacios muestrales •Probabilidad de un evento 2º curso: En Álgebra, se da continuidad al proceso de construcción de modelos matemáticos de situaciones del mundo real; se incorpora el estudio de matrices, determinantes, análisis combinatorio y función cuadrática como primer acercamiento a la Geometría Analítica. Álgebra •Matriz: Concepto Notación; Elementos, Clases; Operaciones. •Determinante: Concepto Determinante de una matriz de 2° orden y 3° orden Regla de Sarrus Regla de Laplace Regla de Cramer •Función Cuadrática Ecuación de segundo grado con dos variables Notación y características. Clases. Sistema de Ecuación (Lineal + Cuadrática). 315 representar dados numéricos e informações de natureza social, econômica, política, científicotecnológica ou abstrata. • Ler e interpretar dados e informações de caráter estatístico apresentados em diferentes linguagens e representações, na mídia ou em outros textos e meios de comunicação. • Obter médias e avaliar desvios de conjuntos de dados ou informações de diferentes naturezas. • Compreender e emitir juízos sobre informações estatísticas de natureza social, econômica, política ou científica apresentadas em textos, notícias, propagandas, censos, pesquisas e outros meios. 2. Contagem: princípio multiplicativo; problemas de contagem. • Decidir sobre a forma mais adequada de organizar números e informações com o objetivo de simplificar cálculos em situações reais envolvendo grande quantidade de dados ou de eventos. • Identificar regularidades para estabelecer regras e propriedades em processos nos quais se fazem necessários os processos de contagem. • Identificar dados e relações envolvidas numa situação-problema que envolva o raciocínio combinatório, utilizando os processos de contagem. 3. Probabilidade: possibilidades; cálculo de probabilidades. • Reconhecer o caráter aleatório de fenômenos e eventos naturais, científico tecnológicos ou sociais, compreendendo o significado e a importância da probabilidade como meio de prever resultados. • Quantificar e fazer previsões em situações aplicadas a diferentes áreas do conhecimento e da vida cotidiana que envolvam o pensamento probabilístico. • Identificar em diferentes áreas científicas e outras atividades práticas modelos e problemas que fazem uso de estatísticas e probabilidades. Análisis Combinatorio: Principio fundamental del Conteo. Números Factoriales Análisis Combinatório: Permutación Combinación; Variación Triángulo de Pascal En Geometría Analítica se abordan contenidos conceptuales procedimientales y actitudinales referentes a función lineal, circunferencia y cónicas, las cuales permiten modelar situaciones cercanas a las experiencias de los/as estudiantes. Al interior del área de Matemática se trabajarán las áreas transversales: Educación Familiar y Desarrollo Personal; Educación Ambiental y Desarrollo Sostenible, Desarrollo del Pensamiento Crítico y Productivo y, Educación Democrática, las que deben impregnar todo el currículum. Geometría Analítica Línea recta Distancia entre dos puntos. Punto medio de un segmento. Circunferência: Definición.Elementos (Radio; Diâmetro; Centro) Ecuación General de la Circunferencia: Centro en el origen. Centro trasladado. Representación gráfica. Cônicas Parábola Construcción; Elementos; Definición; Ecuación de la parábola de vértice (h, k); Intersección de la recta y la parábola. Elipse Construcción; Elementos; Definición; Ecuación; Intersección de la recta y la elipse. Tercer Curso: En Álgebra se trabajarán dos tipos de sucesiones, las progresiones aritméticas y las progresiones geométricas, ambas importantes para la formación del estudante, pues son muchas las situaciones en las que se utilizan. Mientras que las progresiones aritméticas son útiles para medir crecimientos moderados, las progresiones geométricas lo son en la resolución de situaciones cuyo crecimiento se presenta por incrementos bruscos, por saltos. Ambos permiten resolver problemas, tanto matemáticos como de otras áreas del conocimiento. Álgebra 316 Sucesión;Concepto;Elementos; Notación; Ley de Formación. Progresión Aritmética Concepto; n-ésimo término; Suma de términos. Progresión Geométrica Concepto; n-ésimo término; Suma de términos. En el Cálculo Infinitesimal se estudia el concepto de Límite que constituye la base lógica del Cálculo, el cual permitirá el análisis de funciones continuas. Funciones continuas y límites son dos conceptos muy importantes del Cálculo Diferencial e Integral. En este mismo componente se estudia la Derivada, su significado, su cálculo y su interpretación. Se desarrollan métodos con los cuales se pueda determinar el punto en el cual una función alcanza sus valores máximos o mínimos, aplicándola a la técnica de la optimización. Otro importante eje de estudio es el Cálculo Integral, que permitirá determinar las áreas que se encuentran entre curvas y otras fronteras definidas. Con el conocimiento de la derivada de una función, podrá obtenerse la función original, a través del Cálculo Integral, permitiendo de esa manera conocer su relacionamiento con el Cálculo Diferencial. Cálculo Infinitesimal Límite: Límite de una sucesión Límite de una función Propiedades Continuidad Derivada Incremento Variación media Variación instantánea Álgebra de las derivadas (Suma de funciones, Diferencia de funciones Producto Cociente) Tangente y Normal a una curva Máximos y Mínimos(Sentido de variación de una función) Máximo y Mínimo de una Función Punto de inflexión Criterio de la primera Derivada Criterio de la segunda Derivada) Integral Función primitiva – Integral indefinida Integral definida Propiedades Área bajo una curva Criterio de la segunda derivada Derivadas Sucesivas.