1 1.0 INTRODUÇÃO Este trabalho está situado na área de aprendizagem motora e utilizou como esporte meio a Ginástica Rítmica (GR) para os seus estudos, tentando responder a seguinte questão: Qual o método mais eficiente para a prática da GR? Segundo Magill (1984, p. 25), a aprendizagem refere-se a uma mudança na capacidade do indivíduo executar uma tarefa, mudança esta que surge em função da prática e é inferida de uma melhoria relativamente permanente no desempenho. A Ginástica Rítmica é um esporte que encanta pessoas em todo o mundo. A sincronia perfeita do corpo com o aparelho e em combinação com a música fascina a todos os que assistem. Esta sincronia existente faz com que o aparelho seja uma prolongação do corpo e vice-versa. Devido à complexidade de algumas habilidades, o ensino na GR ocorre tradicionalmente pela prática em partes. Esta opção de ensino na modalidade está relacionada à exigência da prática precoce, acreditandose que assim estamos facilitando a aprendizagem das crianças, em razão de não sobrecarregarmos a atenção e enfatizar no aspecto mais importante da tarefa. Em outras palavras, ensina-se primeiro o movimento do corpo, que é repetido até que seja aprendido corretamente. Em seguida passa-se a ensinar o movimento do aparelho e quando essas duas partes estão “aprendidas”, a criança começa a realizar os movimentos juntos. Desde que comecei a trabalhar com GR sinto dificuldades em seguir esse processo pedagógico. O método comumente usado pelos professores e o que pensei ser mais fácil para as alunas devido à “separação” do ensino do movimento corporal e do movimento do aparelho se tornava difícil para as aprendizes quando tínhamos que juntar os movimentos. Era uma nova aprendizagem, um movimento diferente dos anteriores, muito mais complexo, e na hora de realizá-lo parecia que todo o tempo destinado para ensinar as partes da habilidade tinha sido perdido, pois era necessário aprendê-la novamente. A partir disso foram feitas observações e conversas informais com profissionais que trabalham com a GR no Brasil, nas quais constatou-se que este tipo de organização da prática é utilizada pela maioria absoluta deles, e que dificilmente são utilizados outros métodos de ensino, os quais muitas vezes podem ser tão ou mais eficientes para a aprendizagem. 2 Ao falarmos de eficiência na aprendizagem surge uma outra questão, que remete a utilização de dicas de aprendizagem por parte do professor. As dicas são freqüentemente usadas não só no ensino da GR como também em outras modalidades esportivas, considerando que a sua eficiência já é comprovada (LADEWIG, 1994; LADEWIG; CAMPOS e GALLAGHER, 1995; LADEWIG; CAMPOS e GALLAGHER, 1996; LADEWIG, 2000; LADEWIG; CIDADE e LADEWIG, 2001; BERTOLDI, 2004; PASETTO, 2004), o que evidencia os seus benefícios como facilitadoras da aprendizagem de habilidades. Para aperfeiçoar as técnicas de aprendizagem motora dos esportes e especificamente neste caso da GR, devemos considerar seus métodos de ensino juntamente com as estratégias cognitivas com ele relacionadas, para que se possa entrar num consenso de um método claro, que facilite a retenção dos movimentos posteriormente e motive a prática da Ginástica Rítmica para as alunas, efetivando assim a sua aprendizagem. Entretanto, não foram encontrados estudos que associassem as práticas de aprendizagem com a utilização de dicas, o que analisaria se a sua eficiência depende também do método que está sendo proposto para a aprendizagem. Deste modo, a proposta desse trabalho foi verificar então qual a influência da utilização de dicas de aprendizagem nos diferentes tipos de prática de ensino das habilidades da GR. 1.1 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA O problema surgiu da necessidade de verificar quais são as consequências para a aprendizagem das crianças de se aplicar um método tradicional, a prática em partes (também chamado de método analítico) comparada com uma outra proposta, definida como a prática como um todo, ou método sintético, global. Aliada a essas duas propostas verificou-se a influência da utilização de dicas de aprendizagem nestes dois tipos de prática. A questão pertinente que norteou este estudo é: “Será que ensinando habilidades motoras da Ginástica Rítmica através da prática como um todo e fazendo uso de dicas de aprendizagem não obteríamos melhores resultados na retenção (aprendizagem duradoura) dos movimentos?” 3 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Comparar dois tipos de prática sistematizadas de ensino de habilidades motoras, a prática em partes e a prática como um todo, e verificar a influência do uso de dicas em cada uma das práticas, a fim de analisar quais são seus efeitos na aprendizagem de duas habilidades motoras específicas da GR. 1.2.2 Objetivos Específicos • Verificar a eficiência das práticas em partes e como um todo para o ensino das habilidades motoras da GR em questão; • Comparar a eficiência das práticas em partes e como um todo entre si; • Verificar a influência do uso de dicas de aprendizagem nas duas práticas de aprendizagem. 1.3 HIPÓTESES HIPÓTESE NULA: As duas práticas (partes e todo) e a utilização ou não de dicas de aprendizagem não influenciarão os resultados. HIPÓTESE 1: Os grupos que aprenderem as habilidades através da prática como um todo obterão melhores resultados, tanto no pós-teste quanto na retenção de movimentos. HIPÓTESE 2: Os grupos que aprenderem as habilidades com a utilização de dicas de aprendizagem obterão melhores resultados, tanto no pós-teste quanto na retenção de movimentos. 4 2.0 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 A GINÁSTICA RÍTMICA A Ginástica Rítmica é uma modalidade desportiva que se fundamenta na expressividade artística. É conceituada como busca do belo, uma explosão de talento e criatividade, em que a expressão corporal e o virtuosismo técnico se desenvolvem juntos, formando um conjunto harmonioso de movimento e ritmo (LAFFRANCHI, 2001, p.03). Hoje a GR é considerada um dos mais belos esportes da atualidade e atrai um dos maiores públicos nas Olimpíadas. Se divide nas categorias individual (1 ginasta) e conjunto (5 ginastas). As provas de individual têm duração de 1’15” à 1’30” e o conjunto de 2’15” à 2’30”. A ginasta utiliza a maior variedade de exercícios neste tempo, com elevadas dificuldades corporais e riscos nos movimentos dos aparelhos, em sincronia com a música. Esta mantém a característica inicial de ser instrumental, e apenas a partir do ano de 2000 foi permitida a utilização da voz humana com o uso de sons, porém sem a formação de palavras. Segundo a FIG (Federação Internacional de Ginástica, 2005) são 5 os aparelhos utilizados na GR: corda, arco, bola, maças e fita. Na iniciação e na categoria infantil (até 13 anos) é utilizado o exercício à “mãos livres”. A FIG só reconhece a modalidade feminina, porém sabe-se que existe um trabalho de GR masculina, principalmente na Japão. 2.1.1 Aparelhos da GR Para Peregort e Delgado (1996) os aparelhos da GR são: CORDA: é feita de cânhamo ou material sintético, sendo o comprimento proporcional à estatura da ginasta. Seus grupos de elementos que constituem a técnica de base desse aparelho são: balanceios, circunduções, movimentos em oito, rotações, saltitos, saltos, lançamentos e recuperações (p. 98). Laffranchi (2001, p. 5 142) ainda coloca como movimento básico da corda a escapada, movimento de soltura de uma ponta da corda. ARCO: é feito de madeira ou material sintético, com peso mínimo de 300 g e com 80 a 90 cm de diâmetro. Os movimentos mais comuns com o arco incluem os balanceios, circunduções, movimentos em oito, rotações, rolamentos, lançamentos e passagem através ou por cima do arco (p. 150). BOLA: pode ser de borracha ou material sintético. Os movimentos mais comuns são os balanceamentos e circunduções, movimentos em oito, espirais, rotações, quicadas, rolamentos e lançamentos. A bola é feita de borracha ou material sintético, e seu diâmetro é de 18 a 20 cm. O peso mínimo é 400 g (p. 192). MAÇAS: impulsos e circunduções, balanceamentos, movimentos em oito, pequenos círculos e molinetes, rotações das maças durante o vôo do aparelho, lançamentos, batidas rítmicas e rolamentos. As maças são feitas de madeira ou plástico, com cerca de 40 e 50 cm de comprimento, e seu peso é de 150 g cada (p. 234). FITA: tem como movimentos básicos as serpentinas, espirais, circunduções, impulsos e balanceios, os movimentos em oito, as soltadas do estilete e os lançamentos. Pode ser de qualquer tecido, com largura de 4 a 6 cm. O peso deve ser de no mínimo 35 g. Seu comprimento é de 7 metros, com 1 metro dobrado na borda, numa extremidade que liga a fita ao bastão, medindo, portanto, após a dobra, 6 metros, sendo esta a metragem oficial. Possui um estilete, de bastão de madeira ou material sintético. O comprimento é de 50 a 60 cm e 1 cm de diâmetro, no máximo (p. 296). A complexidade do esporte está na interação destes cinco aparelhos e os movimentos corporais que a ginastas venham a realizar. 6 2.1.2 Elementos corporais da GR Conforme a Fig (2005) os elementos corporais da GR são: SALTOS: Devem ter as seguintes características: uma boa altura (elevação do solo), uma forma definida e fixada durante o vôo e uma boa amplitude na sua forma. Se o salto não tiver em coordenação com o aparelho ele não é considerado como dificuldade (p. 50). Segundo Llobet (1996, p. 256) a GR permite a execução de um grande número de saltos, sendo um elemento indispensável dentro da composição. Algumas formas de saltos são os abertos, grupados, “cabrioles”, carpados, em “boucle”, “corzas”, galope, tesouras, etc. EQUILÍBRIOS: Devem ter as seguintes características de base: ser executadas sobre a meia-ponta ou sobre o joelho, se manter por algum tempo e claramente na posição, ter uma forma bem definida e fixada, ter uma forma ampla e estar coordenados, após ser tomada a posição de equilíbrio, com dois movimentos do aparelho, no mínimo (p. 62). Tem diversas formas, variando-se a posição da perna livre do apoio básico. É um grupo de elementos com formas quase sempre iguais a dos pivots (LLOBET, 1996, p. 249). PIVOTS: Devem ter as seguintes características de base: ser executados sobre a meia-ponta, ter uma forma bem definida e fixada durante a rotação e até o seu final, ter uma forma ampla (p. 73). Para Llobet (1996, p. 255) os pivots podem ser feitos para o lado de fora ou lado de dentro da perna de apoio, sendo a sua técnica fundamentada no balé clássico. FLEXIBILIDADE E ONDAS: devem ser executadas sobre o apoio de um ou dois pés ou sobre outra parte do corpo, ter uma forma bem definida e fixada (com parada visível na posição), ter uma forma ampla, e se o aparelho não está em movimento durante toda a duração da dificuldade esta não é válida (p. 86). 7 Os elementos corporais da GR aqui vistos também podem ser chamados de “ações motoras”. Ações motoras são comumente conhecidas como habilidades motoras, e estas são aprendidas por meio da prática. 2.2 APRENDIZAGEM MOTORA Realizar habilidades é característico da espécie humana. A ciência da aprendizagem motora busca entender os mecanismos do aprender, estudando as mudanças internas do indivíduo. Estas mudanças são internas, deduzidas de uma melhoria relativamente permanente em seu desempenho motor, como resultado da prática. (MAGILL, 1984, p. 26) Schmidt e Wrisberg (2001, p. 26) também conceituam a aprendizagem motora como sendo: “(...) mudanças em processos internos que determinam a capacidade de um indivíduo para produzir uma tarefa motora. O nível de aprendizagem motora de um indivíduo aumenta com a prática e é freqüentemente inferido pela observação de níveis relativamente estáveis da performance motora da pessoa”. Ao analisarmos estes conceitos de aprendizagem motora surge a necessidade de fazer a diferenciação entre aprendizagem motora e desempenho motor. No ensino de habilidades motoras vemos que muitas vezes há uma confusão entre os termos desempenho e aprendizagem. Para Magill (2000, p. 137), desempenho é o comportamento observável, no que se refere a execução de uma habilidade num determinado instante e numa determinada situação. Segundo Schmidt e Wrisberg (2001, p. 25) desempenho ou performance motora é a tentativa observável de um indivíduo para produzir uma ação voluntária. O nível de performance de uma pessoa é suscetível a flutuações em fatores temporários. Para avaliarmos a aprendizagem verificamos o desempenho de uma pessoa em uma determinada habilidade, porém não devemos nos ater apenas à performance. O desempenho pode ser observado ao passo que aprendizagem não (MAGILL, 1984. p. 33). Para medir o desempenho, considerado o comportamento observável (MAGILL, 1984. p. 25) temos as medidas de desempenho, que são: a) velocidade ou razão; b) latência da resposta; c) precisão e d) magnitude da resposta. Entretanto, 8 para inferir se ocorreu aprendizagem com mais confiança e precisão temos as curvas de desempenho e os testes de retenção. Ainda conforme o autor a curva de desempenho representa graficamente o progresso do desempenho de uma pessoa na situação de aprendizagem. A curva oferece uma imagem da aprendizagem durante o tempo de prática na qual o desempenho ocorreu. Um outro meio de inferir a aprendizagem é fazer um teste de retenção. Este método será usado nesta pesquisa, e consta em aplicar um teste da habilidade de novo depois de algum tempo sem praticar a habilidade (MAGILL, 1984. p. 37). O processo de aprendizagem motora ocorre em fases ou estágios, que são chamados de estágios de aprendizagem. Este processo, desde o primeiro momento de contato com a habilidade até atingir os mais altos níveis de performance após anos de prática, pode ser evidenciado pela passagem destes estágios. 2.3 ESTÁGIOS DE APRENDIZAGEM Vários autores discutiram o conceito de estágios de aprendizagem, como Adams (1971); Fitts e Posner (1967) e Gentile (1972), citados por Schmidt e Wrisberg (2001, p. 200). As características atribuídas por eles aos estágios é bastante semelhante e, somando-se as idéias, temos: Estágio verbal-cognitivo: caracterizado pela iniciação numa tarefa que não é familiar. Os aprendizes passam muito tempo “pensando” para realizar a habilidade, ou seja, os problemas são de “natureza” cognitiva. O desempenho é variável, mostrando a falta de consistência de uma tentativa para outra. Estágio motor-associativo: na maioria dos casos os aprendizes progridem para este estágio, depois de ter obtido uma idéia geral do movimento, sendo o objetivo refinar a habilidade para um organização mais eficiente dos padrões de movimento para produzir a ação. Os executantes detectam seus próprios erros e começam a monitorar seus próprios feedbacks (alguma informação sensorial relacionada ao movimento - SCHMIDT e WRISBERG, 2001, p. 270). É considerado um processo de refinamento. Estágio autônomo: para se chegar ao estágio autônomo é necessário uma grande quantidade de prática. Os aprendizes são capazes de produzir suas ações quase que automaticamente, com pouca ou nenhuma atenção. A capacidade de detectar os erros é altamente desenvolvida, e as melhoras na performance são 9 difíceis de ser detectadas porque os aprendizes estão alcançando os limites da capacidade. Segundo Magill (2000, p. 151) é importante pensar nestes três estágios como trechos de uma continuidade do tempo de prática, na qual há uma transição ou mudança gradual de um estágio para o outro, como pode ser verificado na Figura 1. FIGURA 1: Os estágios de aprendizagem de Fitts e Posner, apresentados em sua continuidade. Estágio Cognitivo Estágio Associativo Estágio Autônomo Tempo de prática FONTE: MAGILL (2000, p. 151) A passagem pelos estágios de aprendizagem sofre influência direta com a maneira com a qual a prática é organizada. A prática é o processo que proporcionará ao aprendiz a passagem de um estágio para o outro, tendo como conseqüência a aprendizagem. 2.4 ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA A estrutura da prática é essencial para o que acontecerá ao produto final, ou seja, a habilidade pretendida. Existem vários meios de se aprender e a forma como se pratica é a principal variável que influi nesta aprendizagem. Para Pellegrini (2000, 10 p. 29) com a prática o sistema muda como um todo o processo de aprendizagem motora. Concordando com a afirmação anterior, Ugrinowitsch e Manoel (1996, p. 48) colocam que a estrutura da prática é uma importante variável na aprendizagem de habilidades motoras. Para a aprendizagem de habilidades motoras é importante a variabilidade das experiências práticas, que é caracterizada como a variedade de movimento e das características do contexto que o aprendiz vivencia durante a prática de uma habilidade. A vantagem primordial que o aprendiz tira das experiências práticas que promovem a variabilidade do movimento e do contexto está na capacidade crescente de desempenhar a habilidade em situações de teste futuras. Porém uma alta variabilidade da prática está associada a uma quantidade crescente de erros de desempenho, ou seja, quanto mais variada é a prática maior é a quantidade de erros, principalmente no início da aprendizagem. Magill (2000, p. 245) coloca que isso não é um aspecto negativo, pois evidências experimentais mostram que, na aprendizagem de habilidades, é preferível uma quantidade maior de erros de desempenho do que uma quantidade menor, se eles ocorrerem numa etapa inicial de aprendizagem. Concordando com a afirmação anterior, Ugrinowitsch e Tani (2005, p. 170) há indícios de que a variabilidade desempenha papéis diferentes em virtude do nível de estabilização do desempenho: na fase inicial é prejudicial à adaptação, mas após a estabilização do desempenho pode ser fonte de adaptabilidade. 2.4.1 Prática em Partes Dentre as diversas maneiras de se organizar a prática, duas formas se destacam nos estudos da área da aprendizagem motora: a prática em partes (fracionada, segmentada ou simplificada) e a prática como um todo. De acordo com Schmidt e Wrisberg (2001, p. 231), na prática em partes as tarefas da habilidadealvo (tarefa que o indivíduo deseja ser capaz de realizar) são subdivididas para a prática, simplificando a habilidade. Na fracionalização duas ou mais partes da habilidade são praticadas separadamente, e depois que estiverem aprendidas isoladas é proposto que o indivíduo realize as partes juntas. 11 Na segmentação ou método das partes progressivo, a parte de uma habilidade-alvo é praticada até que seja aprendida, assim adicionando-se as outras partes e na simplificação toda a dificuldade em algum aspecto da tarefa-alvo é reduzida, ou seja, simplifica-se a habilidade até que ela seja aprendida, aumentando o grau de dificuldade aos poucos até chegar na habilidade em questão. Há quatro formas de reduzir as dificuldades: a redução da dificuldade de objetos, execução de ritmos separados simultaneamente, fornecimento de acompanhamento auditivo e redução da velocidade. Para Rose (1997, p. 255) a prática em partes é eficiente quando se trata de aprender movimentos que são combinados para formar uma seqüência, mas não conectados entre si, como uma seqüência de dança ou ginástica. Este tipo de prática, apesar de simplificar o ambiente de aprendizagem para o aprendiz, impossibilita o mesmo de adquirir uma fluência na coordenação do movimento, o que pode ser adquirido na prática como um todo. De acordo com Pérez e Bañuelos (1997, p. 216), considerando uma facilitação da aprendizagem e levando em conta uma alta complexidade da estrutura do movimento, o recurso mais usado para o treinamento tem sido a decomposição do movimento em partes, e a prática separada de cada uma delas. Com esta estratégia se busca distribuir a dificuldade global do gesto em uma série de fases, com o objetivo de facilitar a sua assimilação. 2.4.2 Prática como um todo Já na prática como um todo a habilidade-alvo é praticada sem ser subdivida, e é usada principalmente quando a interação entre as partes da tarefa é alta, tendo como exemplo muitas habilidades da ginástica rítmica (GR). De acordo com Teixeira (2005, p. 90) por método global (outra nomenclatura para a prática como um todo) entende-se a prática da habilidade como ela deverá ser desempenhada na realidade. Segundo Pérez e Bañuelos (1997, p. 219) a prática como um todo (chamada de movimento global) apresenta alguns procedimentos diversificados, como a global pura, que é a execução em sua totalidade e a global com polarização da atenção, na 12 qual o aprendiz pratica a habilidade como um todo porém direciona a sua atenção a um aspecto da execução em especial. Ainda há a prática global com modificação da situação real, na qual se facilita a condição da realização, como por exemplo na aprendizagem do esqui na neve, que pode ser aprendido em um ambiente fechado inicialmente para que depois seja realizado no seu ambiente natural. A decisão sobre qual modelo deve ser usado deve levar em consideração a análise da habilidade a ser ensinada e qual o seu objetivo, definindo assim qual o tipo de prática mais eficaz para atingi-lo. 2.4.3 Prática em partes ou prática como um todo? Ao ensinar uma habilidade motora, surge a dúvida do que seria melhor. Praticar a habilidade em partes ou como um todo? Para Magill (2000, p. 274): “Um argumento a favor de praticar a habilidade como um todo é que esta vivência poderia ajudar o aprendiz a sentir melhor o fluxo e o timing de todos os componentes dos movimentos da habilidade. Um argumento contrário é que a prática da habilidade em partes reduz a complexidade da habilidade e permite que o aprendiz reforce o desempenho de cada parte corretamente antes de desenvolver a prática como um todo”. A questão sobre que tipo de prática utilizar têm sido discutida desde o começo do século. Magill (2000, p. 274) cita os estudos de Barton (1921), que investigou a questão do todo e partes na aprendizagem de uma tarefa de labirintos; de Brown (1928), que propôs a aprendizagem de uma composição musical de piano; de Knapp e Dixon (1952), que estudou a aprendizagem dos malabarismos e de Wickstrom (1958), com a aprendizagem de habilidades da ginástica. O autor coloca que estes estudos trouxeram informações úteis, mas contribuíram pouco para o estabelecimento de princípios básicos de orientação para se decidir sobre o melhor tipo de prática. Sugere-se que houve um avanço desta questão quando Naylor e Briggs (1963) citado por Magill (2000, p. 274) apresentaram a hipótese de que as características de organização e complexidade de uma habilidade poderiam fornecer as bases para a decisão de se utilizar a prática como um todo ou em partes. Na análise da tarefa proposta por estes autores, a complexidade se refere ao número de partes de uma habilidade, ou seja, uma tarefa altamente complexa teria muitos 13 componentes. Já a organização de uma habilidade se refere à relação entre os componentes da habilidade. Quanto mais interdependentes forem as partes maior o grau de organização que a habilidade possui. Segundo Rose (1997, p. 255) a prática em partes simplifica o ambiente da prática para o aprendiz, embora haja um consenso de que este tipo de prática limita o aprendiz de adquirir a fluência da coordenação dos movimentos. Para Schmidt e Wrisberg (2001, p. 232) a decisão de se praticar em partes ou como um todo nos leva aos conceitos de habilidade-alvo e contexto-alvo. A habilidade-alvo é a tarefa que o indivíduo deseja ser capaz de realizar, e o contextoalvo é o contexto ambiental no qual indivíduos desejam ser capazes de realizar uma habilidade. Antes de utilizar a prática em partes os profissionais do movimento devem se perguntar: 1) Praticar uma versão simplificada da habilidade-alvo transferirá positivamente para a performance da habilidade-alvo como um todo?; 2) Quanto tempo de prática o aprendiz deve gastar na prática em partes?; e 3) O tempo do aprendiz poderia ser mais eficientemente gasto praticando a habilidade-alvo como um todo? Além disso, para Pérez e Bañuelos (1997, p. 216) a aprendizagem das partes não é o objetivo que se pretende. Este processo de ensino dos esportes é muito conhecido e excessivamente empregado por treinadores, mas pode apresentar como contrapartida o aparecimento de sérias dificuldades na hora de se juntar as partes para realizar a ação esportiva global. Sobre isso deve-se pensar que, às vezes, quando se prefere a prática analítica sobre a execução global do movimento, pode parecer que o esportista não reteu nada e deve começar a aprender de novo, praticamente do zero. Segundo Teixeira (2005, p. 91), se compararmos pessoas que tenham desenvolvido as habilidades do jeito que irá realizá-la com outras que tenham simplificado a habilidade, o primeiro grupo obterá melhores resultados do que o segundo, pois, apesar das partes serem aparentemente as mesmas da tarefa global, na verdade, quando elas são reunidas em uma combinação mais complexa tem que ser adaptadas ao conjunto, uma vez que deixam de ser o elemento principal e agora passam a fazer parte de uma unidade funcional maior. 14 Analisando as práticas em partes e como um todo especificamente na ginástica rítmica, Llobet (1996) coloca que na iniciação voltada para se obter o máximo rendimento da ginasta, há o método de comando direto, muito utilizado para esse objetivo e uma proposta de ensino baseado na tarefa. O ideal seria uma junção desses dois métodos, sendo que estes podem ser aplicados se o processo de ensino-aprendizagem for de uma vertente analítica ou global. Na vertente analítica (partes), os elementos são reproduzidos de forma isolada, sendo que o foco do movimento é a sua execução. Já na vertente global (todo), a ginasta intui, conhece e prevê a lógica do movimento, percebendo as interações corretas do tempo e espaço. O modo como se realiza a aprendizagem é mais importante do que os seus resultados imediatos. Para a autora, a segunda forma de se realizar o treinamento (todo) permite maiores oportunidades da ginasta e sua treinadora desfrutarem da tarefa que se está realizando, explorando ao máximo as capacidades de relação, técnica e de coordenação, que constituem na base motriz da atleta. Porém é de consciência que o escasso tempo que dispõe um elevado nível de preparação técnica exigido pela GR tem levado muitas treinadoras a utilizarem mais a primeira vertente citada (partes). Já Palmer (2003) preconiza outra forma de se iniciar na GR. A autora tem uma proposta de aprendizagem da GR baseada nos estágios de desenvolvimento da criança e na idéia de que a instrução de algum esporte deve envolver as idéias, criatividade e desenvolvimento de habilidades de seus alunos. Para a autora, é necessário propor oportunidades para uma auto-exploração do progresso do desenvolvimento de habilidades para o refinamento das mesmas. Como primeiro estágio de aprendizagem da ginástica rítmica, temos: Noção espacial sem aparelhos. A partir deste estágio concluímos que a autora considera que o primeiro contato da criança com a GR deve ser só a “mãos livres”, ou seja, deve ser utilizada prática em partes. O Estágio 2 seria a exploração e descoberta com aparelhos, e o Estágio 3 é baseado na identificação dos movimentos fundamentais. Então, a ginasta vivenciaria os movimentos corporais, depois vivenciaria os movimentos dos aparelhos e após isto aprenderia as habilidades da GR, que se constituem na soma dos movimentos do corpo e do aparelho. 15 Alguns estudos pesquisaram essas considerações na prática. Baecker (1982) realizou um estudo comparando a aprendizagem de duas habilidades da ginástica artística, o “quipe de cabeça no solo e a saída de barrafixa em sublance” através das práticas em partes e como um todo. Conclui-se que na primeira habilidade a prática como um todo foi mais efetiva, porém não havendo diferenças quanto ao método de aprendizagem da segunda habilidade. Num questionário realizado aos aprendizes observou-se que a prática como um todo proporcionou maior satisfação e interesse independentemente do elemento aprendido. Shigunov (1983), propôs o mesmo estudo para verificar a influência do todo e das partes na aprendizagem da corrida com barreiras, concluindo porém que não houve diferença significativa entre as práticas. Trabalhando com três tipos de prática, todo, partes e partes progressivas, Remorino (1989) propôs a análise da aprendizagem do saque do tênis através destes métodos, não encontrando porém diferenças significativas entre eles. Hidd (1991) realizou um estudo sobre a aprendizagem do nado crawl comparando o método das partes com o das partes progressivas, concluindo que o método parcial tendeu a ser mais adequado para os sujeitos de maior idade, enquanto que sujeitos mais jovens apresentaram uma maior tendência concernente ao método das partes progressivas. Especificamente na GR, Tibeau (1988) realizou sua dissertação de mestrado com o objetivo de comparar a prática em partes com a prática como um todo, trabalhando uma seqüência de movimentos com o aparelho. Trabalhando com a GR a quase 10 anos antes do estudo, a autora começou a notar problemas freqüentes, como: (...) “quando atingido um nível considerado ideal de técnica corporal, a aluna ao passar para a etapa seguinte, ou seja, para a aprendizagem da técnica de materiais, costumava apresentar um decréscimo na amplitude, coordenação e estética dos movimentos. Parecia então existir uma regressão em relação ao adquirido, provavelmente causada pela dificuldade da incorporação do novo, perdendo-se, neste processo, tempo até que a aluna volte à sua forma anterior (p. 4 e 5).” Com essas questões, foi formulada uma metodologia que buscasse então analisar a eficiência da prática em partes (método usado tradicionalmente) e da prática como um todo, comparando-os entre si. O estudo foi realizado com 16 estudantes universitárias, que responderam o que achavam que era importante para essa modalidade, e avaliaram o método pelo qual aprenderam os movimentos da GR. Foram divididas em dois grupos aleatoriamente, que em 22 aulas aprenderam uma série de movimentos com a corda, sendo que o grupo que trabalhou com as partes aprendeu primeiro os movimentos do corpo, introduzindo após isso os elementos do aparelho; e o grupo que aprendeu como um todo trabalhou com a corda desde o primeiro dia de aula, aprendendo os movimentos corporais junto com o aparelho. Comparando-se os resultados dos grupos constatou-se que a prática como um todo foi mais eficaz na aprendizagem inicial do que as partes, além das alunas que aprenderam pela prática em partes terem considerado o curso mais difícil do que aquelas que aprenderam como um todo. Concluiu-se que não apenas o método que vem sendo empregado tradicionalmente (partes) pode ser criticado, como também somente tem sentido iniciar o ensino da GR já com o emprego de materiais. A autora levantou ainda a hipótese de que o grupo que aprendeu como um todo foi mais eficiente porque o manuseio dos aparelhos (característica essencial da GR) é altamente motivador para as aprendizes, e sugere que esta prática de aprendizagem seja considerada como uma alternativa à prática tradicionalmente empregada no ensino da GR. Caçola e Ladewig (2004) realizaram uma pesquisa também comparando as práticas em partes e como um todo na Ginástica Rítmica, trabalhando com uma habilidade de salto (o salto corza, muito utilizado na GR, realizado com passagem por dentro da corda) e não uma seqüência de movimentos. Foram escolhidas dez alunas de uma escola estadual de Curitiba, cinco para o grupo das partes e cinco para o grupo como um todo, as quais tiveram seis aulas práticas, realizadas uma vez por semana durante trinta minutos. Foram realizados dois pós-testes, um ao término das aulas e o segundo um mês após o primeiro pós-teste. A análise do salto corza foi realizada utilizando-se o seguinte critério: 1) Ruim (nada é feito); 2) Regular (a aprendiz realiza deslocamento e movimenta a corda); 3) Razoável (há um esboço do movimento); 4) Bom (o salto está correto com pequenas falhas de execução); 5) Excelente (o salto é perfeito). Os resultados indicaram que o grupo que treinou em partes obteve um resultado inicial bom que veio a deteriorar-se com a adição da corda. Já o grupo que realizou o treino como um todo, apesar de apresentar vários 17 problemas no início, obteve resultados significativamente melhores no primeiro pósteste (p<0.02), com uma amostra de apenas cinco crianças em cada grupo! As diferenças encontradas neste estudo foram expressivas e nítidas. O grupo que aprendeu em partes realizou o salto (movimento do corpo) e o movimento isolado da corda muito bem. Entretanto quando os dois movimentos foram combinados, as alunas “esqueceram-se” do salto, não conseguindo realizar os dois movimentos juntos. Ou seja, quando movimentavam a corda, não conseguiam fazer o salto, e quando realizavam o salto, mantinham a corda imóvel. Acreditou-se que a prática em partes leva a automatização do movimento fracionado, um falso senso de realização e fora do contexto da competição, que é a prática do movimento por completo. As alunas automatizam o movimento sem o aparelho, tendo depois que reorganizar as suas ações com esse, necessitando de mais tempo para a prática. Já o grupo como um todo teve várias complicações na fase inicial da aprendizagem. As duas primeiras aulas foram críticas e as alunas não conseguiam organizar a grande quantidade de informações fornecidas. Muitas delas perguntavam se não podiam fazer o salto separado da corda. Elas simplesmente não conseguiam realizar o movimento. Porém a partir da terceira aula o movimento foi melhorando, até que apresentassem um resultado significativamente superior no pós-teste. Apesar da pequena quantidade de aulas e sujeitos, os resultados obtidos nesta pesquisa nos permitiu acreditar que a prática como um todo no ensino do salto corza com a corda foi eficiente, expondo a necessidade de se aprofundar mais esta pesquisa com outras habilidades. Pode-se concluir também que na GR, em que o grau de interação entre o corpo e o aparelho é total, possibilitar a prática das habilidades como um todo pode resultar em um menor tempo de aprendizagem, além desta ser mais eficiente e mais duradoura, facilitando a retenção. Outra proposta do estudo foi realizar um teste de retenção, no qual não foram encontradas diferenças significativas, porém houve indícios que a prática como um todo também foi mais eficiente, analisando-se as médias dos grupos. A retenção é a característica essencial da aprendizagem, pois para Pérez e Bañuelos (1997, p. 156) durante os treinamentos, os treinadores buscam que seus atletas sejam capazes de manter, ou seja, reter em sua memória as informações necessárias para a produção do gesto técnico ou da atuação tática, inclusive mesmo depois de haver transcorrido um tempo sem haver praticado. Esse é o objetivo que se pretende durante a 18 aprendizagem, esta não pode ser avaliada através da performance durante a prática, pois dá um falso sentido de realização da habilidade, mas sim avaliada como uma mudança permanente da mesma (CAÇOLA e LADEWIG, 2004). Tibeau (1988, p. 79), relacionando as práticas em questão diretamente com o ensino da GR, coloca que: “Se por um lado pode parecer, intuitivamente, “mais fácil” aprender as partes componentes das atividades da GRD, por outro lado torna difícil acreditar que, um método de ensino que causa pobreza rítmica no desenvolvimento da tarefa, limita a possibilidade de expressão do aluno e ignora a necessidade que os alunos têm de desenvolver um quadro geral da atividade que quer executar, possa ser adequado para a GRD, dependente principalmente destes aspectos para seu desenvolvimento.” Se na GR vemos algumas peculiaridades em relação à prática em partes e a prática como um todo, um estudo recente mostrou que esta relação existe também na aprendizagem do futebol (CORRÊA, SILVA e PAROLI, 2004). Foram usados alguns métodos para o ensino de habilidades do futebol de salão, dentre eles a prática em partes e a prática como um todo. Ocorreu uma diferenciação entre grupos de moças e de rapazes, sendo que o grupo de moças que aprendeu como um todo foi o único que evoluiu do pré para o pós-teste em todas as variáveis. Num estudo sobre a aprendizagem de uma seqüência de movimentos, com o total de 16 elementos, foram formados dois grupos diferentes. Um grupo aprendeu os 8 primeiros elementos no primeiro dia, repetindo 100 vezes, e no segundo dia treinou os 16 elementos, também repetindo 100 vezes. O outro grupo praticou os 16 elementos nos dois dias. Foram testados a aprendizagem dos últimos 8 elementos, e foi constatado que o grupo que aprendeu em partes teve uma performance mais alta. Já o grupo que aprendeu como um todo foi mais lento para repetir a seqüência, pois tinham que pensar nos 16 elementos (PARK et al, 2004). No estudo anterior vemos uma particularidade em relação aos outros estudos citados neste trabalho, pois a avaliação da aprendizagem foi feita em partes, e o grupo que aprendeu dessa forma obteve melhores resultados. Essa é uma questão de especificidade do que se quer ensinar, pois em uma seqüência de movimentos não há interação entre as suas partes, como numa rotina de dança por exemplo. Nesse caso, usar a prática em partes é recomendado, pois a prática como um todo 19 obtém resultados a longo prazo em habilidades que possuem uma grande interação entre as suas partes. Ao analisarmos a Ginástica Rítmica vemos uma interação completa dos movimentos corporais com os movimentos do aparelho. Segundo os conceitos vistos as habilidades da GR seriam de baixa complexidade (apenas duas partes – corpo e aparelho) e de alta organização. Todos os indícios da literatura revista até então nos levam a crer que a prática como um todo pode ser interessante ao ensinarmos as habilidades motoras da GR, apesar dos meios tradicionais de ensino que reforçam apenas a progressão pedagógica como uma única alternativa para o ensino de habilidades da GR. Concorda-se com Caçola e Ladewig (2004, p. 283), quando estes afirmam que nem sempre realizar as tarefas levando-se em conta a “tradição” significa que será o meio mais eficiente para se aprender. Na prática estes métodos tradicionais (prática em partes) são sempre muito usados em detrimento de outros tipos de práticas, sem que haja uma análise prévia da habilidade a ser ensinada. Isto pode acontecer ainda devido a falta de estudos (especificamente na GR) que venham provar a eficácia de um método menos usado (e menos conhecido) sobre outro método tradicionalmente utilizado. A prática como um todo foi eficiente em situações de aprendizagem como no ensino de habilidades da GR (CAÇOLA e LADEWIG, 2004) porém é pouco usada pelo seu aspecto inicial, conhecido pela dificuldade de se realizar as ações devido as muitas informações contidas no movimento. Porém esse início conturbado se traduz numa melhor aprendizagem a longo prazo, como explica o efeito da interferência contextual. 2.5 INTERFERÊNCIA CONTEXTUAL Uma das explicações para a eficiência da prática como um todo deve levar em conta um dos fenômenos contra-intuitivos da aprendizagem humana, citado por Schmidt e Wrisberg (2001, p. 250): um desempenho inicial mais pobre leva a uma melhor aprendizagem, o que é denominado efeito da interferência contextual. Deve-se fazer uma consideração aqui sobre o uso da interferência contextual. Os autores da aprendizagem motora citam este efeito normalmente para explicar a 20 superioridade da prática randômica sobre a prática em blocos. Neste trabalho consideramos que seus efeitos também poderiam ser uma explicação sobre os benefícios da prática como um todo sobre a prática em partes. Segundo Battig (1979) citado por Magill (2000, p. 250) a interferência contextual pode ser definida como a interferência que resulta da prática de uma tarefa dentro do contexto da situação da prática. Este efeito é explicado através da hipótese da elaboração e da hipótese do esquecimento ou espaçamento. A primeira afirma que a prática como um todo durante os primeiros treinamentos faz com que os indivíduos apreciem as distinções das diferentes tarefas, enquanto a prática em partes permite que os indivíduos evitem tais comparações e produzam as tarefas separadas automaticamente. Já a hipótese do esquecimento afirma que a prática como um todo durante os primeiros treinamentos faz com que os indivíduos gerem ou reconstruam o plano de ação para uma tarefa de movimento cada vez que ela é executada, pois esquecem o plano de ação enquanto estão produzindo outras tarefas (SCHMIDT e WRISBERG, 2001, p. 250). Lee e Magill, citados por Magill (2000, p. 255) supuseram que a condição de prática de alta interferência contextual se assemelha à situação de adição, em que há vários outros problemas a resolver antes de retomar o primeiro problema novamente. Quando um aprendiz pratica uma habilidade motora, a interferência criada pelas tentativas práticas entre duas tentativas de mesma variação da habilidade faz com que a pessoa se esqueça de boa parte do plano de ação desenvolvido para a primeira tentativa. Como conseqüência, o aprendiz precisa reconstruir e modificar seu plano de ação para tentar a habilidade da próxima vez. A maioria das pessoas ainda tende a considerar a interferência como um fator negativo e, portanto, poderia esperar que uma situação com baixa interferência contextual leve a uma aprendizagem superior. Entretanto, Battig (1979) propôs que, embora a situação prática de baixa interferência contextual freqüentemente leve a um desempenho superior da prática, é a prática de alta interferência contextual que tem um efeito superior no desempenho, na retenção e na transferência (MAGILL, 2000, p. 250). Então, se no processo ensino-aprendizagem o objetivo maior é fazer com que a criança “aprenda”, ou seja, lembre-se dos movimentos, a interferência contextual alta é mais benéfica para a aprendizagem do que a baixa. 21 Recentemente foram desenvolvidos inúmeros trabalhos comprovando a eficiência prática randômica sobre a prática em blocos, justamente por esta produzir uma alta interferência contextual (SHEA e MORGAN, 1979; LEE e MAGILL, 1983; SHEA e ZIMNY, 1983; SCHMIDT, 1988; BLANDIN, PROTEAU e ALAIN, 1994; citados por UGRINOWITSCH e MANOEL, 1996). A proposta da teoria da interferência contextual inicialmente foram vinculadas à pesquisas relacionadas à aprendizagem verbal, com destaque para o efeito da interferência contextual como um fator benéfico para a aprendizagem (BATTIG, 1966, 1972, 1979), citado por UGRINOWITSCH e MANOEL (2005, p. 209). Segundo os mesmos autores, a interferência contextual ocorre quando as variações de prática interferem na aprendizagem, resultando em aprendizagem superior. Pode ser considerada também uma maneira de organizar a prática de diferentes habilidades, levando a diferentes estruturas de prática variada (p. 210). No âmbito do Comportamento Motor, o primeiro estudo sobre o efeito da interferência contextual foi realizado por Shea e Morgan (1979), no qual o grupo que praticou por blocos (quando pratica-se um bloco de tentativas com a mesma habilidade para então iniciar outro bloco de tentativas com uma nova habilidade) obteve resultados superiores na fase de aquisição, mas o grupo de prática randômica (quando os blocos de tentativas contêm diferentes habilidades) apresentou resultados superiores nos testes de retenção e transferência (UGRINOWITSCH e MANOEL, 2005, p. 210). Na aprendizagem de habilidades motoras, de acordo com Ugrinowitsch e Manoel (2005, p. 217) devem-se destacar alguns pontos com relação à possibilidade de existir um nível ótimo de interferência durante a prática, considerando os seguintes fatores: o tipo de tarefa (grau de complexidade), o estágio de aprendizagem (inicial ou quando já domina a habilidade), o tipo de prática (por blocos ou randômica) e o aspecto manipulado durante a prática (programa ou parâmetro). Estes conceitos podem explicar uma superioridade de resultados da prática como um todo na aprendizagem de habilidades motoras da GR, considerando que as duas hipóteses citadas anteriormente (elaboração e esquecimento ou espaçamento) também surgem neste tipo específico de prática, com mais operações cognitivas sendo realizadas, resultando em representações mais significativas de um 22 padrão de movimento (UGRINOWITSCH e MANOEL, 2005, p. 210). Também podemos levar em conta que a prática como um todo remete à especificidade da aprendizagem, a qual não é considerada na prática em partes, e que a eficiência da aprendizagem de movimentos pode ser medida pela sua retenção. A aprendizagem motora, como foi visto, é um fenômeno complexo para ser estudado, e depende de inúmeros fatores externos, devido a este ser relacionado com as mudanças internas no indivíduo. Deve-se também levar em consideração a idade e o estágio do desenvolvimento do indivíduo ao se propor a aprendizagem de habilidades motoras, pois este é também um fator que influencia no fenômeno da aprendizagem. 2.6 ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA E A INICIAÇÃO NA GR Segundo Tibeau (1988, p. 01) a ginástica rítmica possui três características básicas marcantes: movimentos corporais, manuseio de materiais e acompanhamento musical apropriado. Estes elementos formam uma unidade que fundamenta a própria existência da GR. Desde essa época a autora já constatava o costume de se iniciar o trabalho da GR pelo chamado trabalho a mãos livres, e somente quando os exercícios corporais são executados corretamente e com a técnica adequada é que se inicia o trabalho com o manuseio dos materiais. Para Alonso (2004) o quê e como trabalhar o aparelho na GR sempre foram alvos de polêmica. Observam-se ações pedagógicas que inicialmente trabalham a técnica corporal e em seguida o manuseio de um dos cinco aparelhos. Há outra ação pedagógica que adota o trabalho corporal simultaneamente com o manuseio de um dos aparelhos, que foi defendida por Tibeau (1988), comprovando a eficiência de uma metodologia que trabalha o aparelho desde as primeiras aulas, contrapondose à metodologia tradicional. Esta metodologia pode ser chamada de prática como um todo, por não separar as habilidades em partes. A preocupação com a organização da prática expressa já em 1988 nos mostra um desequilíbrio entre a teoria e prática, embora já exista pesquisas que comprovam a melhor aprendizagem proporcionada por metodologias diferenciadas em relação a metodologias tradicionais (TIBEAU, 1988; CAÇOLA E LADEWIG, 2004 e ALONSO, 2004). 23 Uma afirmação de uma famosa treinadora búlgara (Neska Róbeva) nos leva a refletir sobre a grande utilização desses métodos tradicionais, que diz que a iniciação na GR (especificamente voltada para o treinamento de alto rendimento) é: “Exatidão e perfeição: essa é a contínua exigência no começo da carreira. Mais tarde, corrigem-se os erros difíceis, alguns jamais se corrigem. Aprender algo errado é pior do que não ter aprendido nada” (RÓBEVA E RANKÉLOVA, 1991, p. 53). A partir daí podemos considerar, como constatou Llobet (1996), essa grande parte da preocupação dos treinadores de GR em iniciar somente com o trabalho à mãos livres, pois dizem que no começo da carreira deve ser exigida a exatidão e perfeição, o oposto do que proporciona as metodologias globais de aprendizagem. Ao iniciar um trabalho de aprendizagem na ginástica rítmica deve-se ponderar os seus objetivos de uma preparação a longo prazo para que se possa adequar a prática de aprendizagem a eles, pois para Lanaro Filho e Bohme (2001, p. 155) “a possibilidade de sucesso de um indivíduo em qualquer esporte depende do seu potencial genético, da metodologia de aprendizagem e do treinamento durante os diferentes estágios do seu desenvolvimento”. 2.7 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO A pesquisa será foi com crianças no ano em que completaram nove e dez anos (3ª e 4ª série do ensino fundamental), que para Gallahue e Ozmun (2005, p. 105) estão na fase motora especializada, no estágio transitório. Esta fase resulta da fase anterior, que é a de movimentos fundamentais. É um período em que as habilidades estabilizadoras, locomotoras e manipulativas fundamentais são progressivamente refinadas, combinadas e elaboradas para o uso em situações crescentemente exigentes. No estágio transitório (7 a 10 anos) os indivíduos começam a combinar e a aplicar habilidades motoras fundamentais ao desempenho de habilidades especializadas no esporte e em ambientes recreacionais. As habilidades são realizadas de formas mais específicas e mais complexas, sendo a descoberta de numerosos padrões motores e a rápida expansão de habilidades uma motivação para as crianças (GALLAHUE e OZMUN, 2005, p. 105) Há várias diferenças entre crianças de 7 e de 10 anos, dentro do estágio transitório. Contudo não se deve esquecer que quanto mais experiência de 24 movimento a criança tiver nesta fase maior será as suas possibilidades posteriormente de escolher um esporte e se especializar nele. A Ginástica Rítmica diferencia um pouco deste padrão. A idade proposta para o desenvolvimento da pesquisa é a iniciação da ginasta em competições, de nível municipal, estadual e nacional. O ano em que a ginasta completa 9 anos constitui a sua primeira categoria, chamada de categoria pré-infantil. Nesta fase as atletas fazem séries a mãos livres e com o aparelho bola em competições, mas não se pode esquecer que é a fase que elas desenvolvem as experiências com os outros aparelhos, o que pode definir o seu futuro como ginasta. Nesta idade o aparelho é um “brinquedo”, e quanto mais tempo for passado com este aparelho a ginasta terá mais facilidade em manejá-lo quando for necessário para as suas séries. As habilidades ensinadas foram escolhidas por fazerem parte das características das crianças nesta faixa etária. São de relativa complexidade, o que propõe um desafio, utilizam o aparelho bola e o aparelho arco, muito usados em brincadeiras infantis e de fácil acesso para meninas, além das habilidades em questão serem extremamente usadas em séries de ginástica rítmica. Por isto, a importância em propor estas atividades para as ginastas iniciantes desde o seu primeiro dia de aula, não para se cobrar performance, mas para que a criança tenha experiências com seus movimentos corporais juntamente com os aparelhos. Acredita-se então que tanto a habilidade 1 quanto a habilidade 2 se encaixam nos aspectos pedagógicos referentes a maturação. Considerando estes aspectos conclui-se que a criança pode iniciar na GR por volta dos seus seis anos. Para Gallahue e Ozmun (2005, p. 115) as crianças possuem um potencial desenvolvimentista para estar no estágio maduro da maior parte das habilidades motoras fundamentais por volta da idade de seis anos. Claro que esta idade não é recomendada para que se cobre performance das ginastas iniciantes. O manuseio do aparelho é o mais importante nesta fase, considerando que principalmente a fita causa grande emoção nas crianças. As maças também proporcionam a curiosidade, e a bola, corda e arco são aparelhos que até então as crianças brincavam em casa. Além das “brincadeiras” com aparelhos é propício o ensino das técnicas corporais mais básicas, que servirão para a ginasta até o fim de sua carreira esportiva. Há estratégias para se fazer isto com a criança sem que a aprendizagem seja monótona e repetitiva, e entenderemos melhor quando falarmos de dicas de aprendizagem e os seus objetivos. 25 2.8 A ATENÇÃO E O USO DE DICAS DE APRENDIZAGEM Além da prática, temos um outro aspecto crucial quando se trata do ensino de habilidades motoras: o uso das dicas de aprendizagem pelo professor. As “dicas” são estratégias cognitivas que podem facilitar o aprendizado de habilidades de um desporto complexo. Esta conclusão tem o suporte de KOFKA, citada por KATONA (1940) e citada por LADEWIG, GALLAGHER e CAMPOS (1996, p. 87). A Ginástica Rítmica se encaixa neste padrão, por ser um esporte extremamente complexo e que exige da aluna muita atenção para a realização das habilidades, principalmente se voltada para uma carreira esportiva. Outros estudos de Ladewig e colaboradores nos confirmam a eficiência do uso de dicas na facilitação da aprendizagem de habilidades motoras (LADEWIG, 1994; LADEWIG; CAMPOS e GALLAGHER, 1995; LADEWIG; CAMPOS e GALLAGHER, 1996; LADEWIG, 2000; LADEWIG; CIDADE e LADEWIG, 2001; BERTOLDI, 2004; PASETTO, 2004). O uso de dicas de aprendizagem como estratégia cognitiva de retenção de informações é comprovadamente eficaz na aquisição de habilidades motoras (Ladewig, Cidade e Ladewig, 2001, p. 183). Vários estudos realizados por Ladewig e colaboradores descrevem a utilização de dicas em diferentes aspectos da aprendizagem de habilidades motoras e verificam a sua eficiência. As “dicas” são estratégias cognitivas que facilitam a assimilação de conteúdos. As informações que recebemos do ambiente chegam no Depósito Sensorial, sendo que as que são relevantes são armazenadas na memória de curta duração e posteriormente, na memória de longa duração. Esta capacidade de retenção e de processamento de informações de um indivíduo é aprimorada com o passar dos anos, e isso acontece porque desenvolvemos uma maior capacitação nas habilidades de assimilar e selecionar informações relevantes para a execução de uma tarefa. As informações mais importantes para a execução de uma tarefa são separadas pela atenção seletiva que ao mesmo tempo coopera para que as mesmas sejam retidas na memória de curta duração. Para Ladewig, Gallagher e Campos (1994, p. 87) “A atenção seletiva pode ser definida como a habilidade do individuo dirigir o foco da atenção a um ponto em particular no meio ambiente”. As crianças encontram uma maior dificuldade de selecionar informações relevantes à tarefa do que os adultos por causa da inabilidade dos seus mecanismos de atenção. 26 De acordo com Ross (1976), citado por Ladewig, Cidade e Ladewig (2001, p. 176) até o início da adolescência, por volta dos 11 anos, as estratégias de atenção seletiva não são usadas espontaneamente pelas crianças. O processo da atenção seletiva desenvolve-se em estágios, que são divididos em exclusivo, inclusivo e atenção seletiva. No primeiro estágio, o exclusivo, os bebês ou crianças muito jovens são atraídos por um único estímulo, ignorando os demais estímulos do ambientes. Como exemplo pode-se citar o fato de os bebês ficarem por muito tempo com a atenção em um brinquedo apenas, ignorando outros brinquedos ao seu redor. Já segundo estágio, denominado inclusivo, aparece após um desenvolvimento nos processos de atenção da criança, isso ocorre normalmente quando elas alcançam a primeira série do ensino fundamental. Nessa fase, ao contrário do estágio anterior, a criança é atraída por inúmeros estímulos contidos no meio ambiente, prestando atenção em muitas coisas ao mesmo tempo. A criança encontra dificuldades em separar as informações relevantes das irrelevantes. O professor pode encontrar dificuldades em conseguir a atenção do aluno para passar informações, pois é nessa fase que a criança é conhecida por não prestar atenção. Nas aulas de Educação Física, por exemplo, quando os alunos estão na quadra, sua atenção é facilmente desviada da aula para outras crianças brincando no pátio ou a aula de outro professor. Segundo Ladewig, Cidade e Ladewig (2001, p. 177) no início da adolescência, por volta dos 11 anos de idade, aparece o terceiro estágio, denominado de atenção seletiva. Nessa fase, os jovens já são capazes de selecionar as informações relevantes, descartando as irrelevantes que estão sendo fornecidas a eles pelo meio ambiente. Como exemplo deste estágio pode-se utilizar o mesmo exemplo citado anteriormente, no caso da situação de aula de Educação Física na quadra, o jovem terá mais facilidade em prestar atenção na sua aula, ignorando as outras crianças brincando no pátio e a aula de outro professor. Um outro exemplo seria quando uma criança aprende a andar, ela poderá ter dificuldades em caminhar numa sala cheia de gente sem esbarrar em alguém, ao contrário dos adultos, que fazem isso sem a menor dificuldade. É importante ressaltar que como em toda regra existem exceções, pois pode haver situações em que as crianças não se enquadram nos estágios. Não se pode esquecer que cada criança tem sua individualidade, seu tipo de criação, sua genética, mas de maneira geral as crianças mais jovens têm mais dificuldades em 27 prestar atenção no professor, e em qualquer atividade relacionada a aprendizagem de habilidades, desde a mais simples até a mais complexa é extremamente importante selecionar corretamente as informações relevantes da tarefa. Até que as crianças possam desenvolver as estratégias de atenção seletiva, sua performance pode ser comprometida caso não consiga selecionar corretamente as informações relevantes (LADEWIG, CIDADE E LADEWIG, 2001, p. 177). A atenção seletiva atua como um filtro selecionando as informações que são importantes, encaminhando as mesmas para o depósito perceptivo-sensorial, caso a informação seja relevante e necessite de codificação será dirigida para a memória de curta duração, que segundo Miller (1956) citado por Ladewig, Cidade e Ladewig (2001, p.171) possui a capacidade de reter de 5 a 9 itens de informação. Essa capacidade de armazenamento de informações na memória de curta duração é aprimorada com os avanços nos estágios do desenvolvimento humano, a partir daí fatos que possuem extrema importância vem da memória de curta duração para a memória de longa duração, que possui uma capacidade ilimitada de armazenar informações que podem ser recuperadas facilmente, sendo esse o mecanismo responsável pela retenção das experiências pelas quais nós passamos. Para aprimorar e acelerar a apreensão de informações uma estratégia bastante eficiente é a utilização de dicas de aprendizagem, ou seja, facilitar o processo de aprendizagem através de uma palavra ou de um sinal que torna a informação mais clara e simplificada. Vygotsky, um pesquisador que durante a primeira metade do século XX se dedicou ao estudo do desenvolvimento das funções psicológicas superiores, já remetia ao uso de “símbolos” para auxiliar neste processo. Oliveira (1993, p.30) falando sobre as idéias desse estudioso em seu livro, explica que os signos podem ser definidos como elementos que representam ou expressam outros objetos, eventos, situações (....), sendo meios auxiliares para solucionar um dado problema psicológico (lembrar, comparar coisas, relatar, escolher, etc). Podemos relacionar o “signo” então à dica, funcionando como uma estratégia que atua no sistema de memória. Segundo Vygotsky, citado por Oliveira (1993, p.30) a memória mediada por signos é, pois, mais poderosa do que a memória não mediada. Ainda na p. 33, diz que “o uso de mediadores (signos) aumenta a capacidade de atenção e de memória e, sobretudo, permitiu maior controle voluntário do sujeito sobre sua atividade”. 28 Há uma grande relação dos conceitos teóricos que explicam as dicas e sua eficiência como facilitadoras da aprendizagem e as teorias de Vygotsky. Em sua obra que discorre acerca do pensamento e da linguagem, há vários pontos que podemos remeter para os estudos atuais que trabalham com a utilização de dicas. Com relação aos estágios de desenvolvimento da atenção, podemos relacionar o processo de “internalização”, que é a reconstrução interna de uma operação externa (VYGOTSKY, 1991, p. 74). Podemos relacionar a internalização ao fato do desenvolvimento de estratégias de atenção seletiva, no início da adolescência. Ou seja, os indivíduos têm a capacidade de criar as suas próprias estratégias de direcionamento da atenção. Para resumir uma grande relação com o nosso presente estudo, para Vygotsky (1991, p. 58), “a verdadeira essência da memória humana está no fato de os seres humanos serem capazes de lembrar ativamente com a ajuda de signos”. Ladewig (1994) fez um estudo utilizando um jogo de videogame, para verificar a influência das dicas em atividades com influência do ambiente. No jogo os sujeitos participantes andavam de bicicleta e tinham que arremessar o jornal nas caixas de correio, enquanto desviavam de vários obstáculos na rua. A dica utilizada foi “caixa de correio, arremesse”, aplicadas para crianças e adultos, com e sem o uso de dicas. Na comparação entre eles foi verificado que as dicas foram relevantes para as crianças e também para os adultos. O mesmo autor realizou um outro estudo enfocando as dicas “dinâmicas”, ou seja, dicas aplicadas em habilidades abertas (como no estudo anterior). Foi utilizado um jogo de computador, no qual os sujeitos (crianças, adolescentes e adultos; cada um em um estágio de desenvolvimento da atenção diferenciado) tinham que dirigir uma nave espacial e destruir as naves inimigas que apareciam no espaço. A dicas eram instruções a respeito do local onde as naves inimigas apareciam, e a sua eficácia novamente foi comprovada em todos os grupos de sujeitos. Aplicando os benefícios comprovados nas duas pesquisas anteriores no ensino de habilidades motoras, Cidade et all (1998) ensinaram a habilidade de “backhand” ou movimento com o lado não dominante da pessoa, na maioria dos casos, a esquerda do tênis de campo para uma criança com síndrome de down, fazendo um estudo de caso. Foi aplicada uma dica visual para chamar a atenção da criança para a realização do movimento correto. Depois de trinta dias do primeiro 29 teste realizando as aulas foi verificada uma melhora de 50% no movimento, o que demonstrou a efetividade da dica visual no ensino de uma habilidade motora. Em um estudo recente realizado por Bertoldi (2004) foi comprovada a eficiência do uso de dicas no aumento da percepção corporal de crianças portadoras de deficiência motora. A pesquisa foi realizada com 22 crianças, divididas em dois grupos, um que trabalhou com o uso de dicas e outro sem. As dicas foram aplicadas para direcionar a atenção das crianças para as partes do corpo, como membros superiores e inferiores, partes de cima (cabeça e face) e partes do meio (tronco). Foram encontradas diferenças significativas nas variáveis de percepção cinética e percepção crítica das partes do corpo, e na análise do desenho do corpo também foi verificada uma diferença expressiva na representação corporal das crianças que fizeram parte do grupo com dicas. Pasetto (2004) realizou um estudo que investigou o efeito das dicas visuais na aprendizagem do nado crawl para alunos surdos. A pesquisa envolveu dois grupos, um que utilizou dicas através de modelo e outro que utilizou dicas através de figuras e modelo. Na análise intra-grupos todos melhoraram o padrão de movimento do préteste para o pós-teste, e comparando-se os dois grupos houve uma superioridade para o grupo que utilizou as figuras, concluindo-se que a utilização de dicas com as figuras associadas às dicas no modelo real foi mais eficiente para direcionar e manter a atenção dos alunos surdos. Considerando estes estudos e que na idade que iremos trabalhar (9 e 10 anos) as crianças ainda não são eficientes para usar as estratégias de atenção seletiva (para focar a sua atenção nas partes mais relevantes da tarefa), é provável que o uso de dicas será benéfico para a aprendizagem. Num esporte como a Ginástica Rítmica, que é extremamente complexo e que possui uma grande variedade de movimentos com os aparelhos, a criança tem dificuldades para “prestar atenção”. Ao usar dicas de aprendizagem fazemos a criança obter uma idéia do movimento, facilitando o seu entendimento. Essas estratégias auxiliam a criança a direcionar a atenção para a maior “dificuldade” de uma habilidade, podendo facilitar o processo de aprendizagem. Estas estratégias devem fazer parte do mundo da criança, fazendo com que as mesmas sejam relevantes para elas. Na idade em que a criança inicia na GR (enfocando um treinamento de alto nível no futuro), lembramos que crianças possuem diferenças dos adultos em relação ao processamento de informações (são mais lentas), são ineficientes no uso 30 dos processos de controle de memória (não sabem usar estratégias para lembrar e memorizar), além de que possuem uma quantidade limitada de experiências. Como não existe uma proposta pronta de dicas específicas para a GR, deve-se primeiramente avaliar as alunas a fim que possamos planejar a aula com o objetivo de contornar essas dificuldades. Para Caçola e Ladewig (2005), a medida que as dicas são usadas na GR há também a possibilidade deste esporte, apesar da sua complexidade, ser mais agradável e divertido para as suas pequenas aprendizes, além de existir a possibilidade de diminuir o tempo de aprendizagem dos movimentos. Esta diminuição no tempo é vantajosa e necessária quando sabemos que a ginasta pode competir oficialmente em campeonatos das federações estaduais de ginástica (campeonatos Nível II, com características simplificadas) a partir do ano em que completa oito anos. Além desse aspecto, não podemos esquecer o aspecto lúdico que as dicas proporcionam para as crianças, pois não é possível aceitar que alunas tão pequenas apenas repitam habilidades motoras como se já estivessem em um treinamento para adultos. Enfim, com todas as condições que vimos na iniciação da GR vemos que as “dicas” como estratégias cognitivas podem facilitar um aprendizado de habilidades de um desporto complexo. Esta conclusão tem o suporte da tese de Kofka (Katona, 1940), citada por Ladewig, Gallagher e Campos (1996, p. 87), indicando que quando o aprendizado ocorre através da utilização de métodos com significados relevantes, fortes traços na memória são criados, melhorando a retenção. As dicas podem também acelerar a passagem entre os estágios de aprendizagem (cognitivo, associativo e autônomo), diminuindo o tempo para que se chegue ao movimento ideal, reforçando a afirmação de Ladewig, Cidade e Ladewig (2001, p. 193), que diz que uma criança motivada com a atividade irá realizá-la com mais prazer, “prestando mais atenção”. Relacionando as dicas com a prática como um todo, Rose (1997, p. 258) afirma que as dicas de aprendizagem que focam a atenção para uma ou duas partes mais importantes da tarefa são um importante fator quando se utiliza a prática como um todo, facilitando a prática da mesma. Como não foram encontrados estudos relacionando a prática como um todo com a utilização de dicas de aprendizagem nas habilidades desportivas acredita-se que este estudo pode contribuir para o 31 desenvolvimento de pesquisas relacionadas às práticas de aprendizagem e a influência do uso de dicas. 32 3.0 METODOLOGIA 3.1 População e Amostra A amostra se constituiu em 41 meninas para a habilidade de equilíbrio com o arco e 48 para a habilidade de lançamento com a bola, todas com idade entre nove e dez anos (terceira e quarta série do ensino fundamental), estudantes da rede pública de ensino da cidade de Curitiba. A constituição dos grupos foi feita através de um teste das habilidades em questão, e todas as crianças assistiram um vídeo das habilidades e tentaram executá-las, sendo que as que não conseguiram realizar foram distribuídas aleatoriamente em 4 grupos, que aprenderam as habilidades com as seguintes práticas: 1. Prática em partes sem dicas – PsD, 2. Prática em partes com dicas – PcD, 3. Prática como um todo sem dicas – TsD, 4. Prática como um todo com dicas – TcD. TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA NOS GRUPOS Hab. 1 – Equilíbrio com o arco Hab. 2 – Lançamento da bola Total (n= 41) Total (n= 48) PsD (n= 11) PsD (n= 15) PcD (n= 10) PcD (n= 11) TsD (n= 10) TsD (n= 10) TcD (n= 10) TcD (n= 12) As alunas que já praticaram GR, Ginástica Artística ou algum tipo de dança foram excluídas da amostra, assim como as crianças com patologias prévias. Isto foi levantado com um questionário feito aos pais das crianças, em que esses apontaram algum problema de saúde crônico, dores recentes ou fratura recente a aluna foi excluída da amostra (ver anexo, p. 59). Apenas as alunas que entregaram o termo de consentimento e o questionário devidamente preenchidos participaram das aulas. 33 Os grupos foram pareados de acordo com o nível de habilidade, de forma que os 4 fossem homogêneos. 3.2 Instrumentos e Procedimentos A pesquisa de campo avaliou as seguintes habilidades de ginástica rítmica, as quais foram ensinadas através da prática em partes, com dicas e sem dicas e da prática como um todo, também com dicas e sem dicas. São elas: Hablidade 1: “Equilíbrio cossaco com o movimento em oito do arco”: o equilíbrio cossaco é realizado com o joelho totalmente flexionado, próximo ao chão e o arco faz o movimento em oito no plano sagital do corpo. Habilidade 2: “Lançamento da bola seguido de um rolamento para a frente e recuperação com os pés no solo”: o lançamento é realizado com uma altura média e levemente para a frente, para que a ginasta possa rolar rapidamente e recuperar a bola sentada no solo parando-a com o pé. Foram realizadas seis aulas para cada habilidade em todos os grupos, sendo que o procedimento adotado para a realização das aulas no grupo como um todo foi a prática da habilidade completa durante as seis aulas, e para o grupo em partes três aulas para a aprendizagem do movimento do corpo, duas aulas para a aprendizagem do movimento do aparelho e uma aula para a junção do movimento, totalizando as seis aulas. Em relação às dicas elas foram usadas regularmente para dois grupos e os outros dois não fizeram uso das dicas, apenas praticaram a habilidade. A dica utilizada na habilidade 1 foi uma dica verbal, “Cole um joelho no outro”, e na habilidade 2 utilizamos uma dica visual, com um fita colorida na parede indicando a altura do lançamento da bola. Houve uma avaliação ao término da terceira e da última aula, sendo estas o Teste 1 e o Teste 2. Para avaliar a retenção (Teste 3), a habilidade foi avaliada trinta dias após o último teste, nos quais nenhuma aluna treinou o que aprendeu. Todas as aulas foram filmadas, de modo a se analisar as habilidades não só nos testes mas também o seu processo de aprendizagem. Se ocorressem acidentes com as crianças voluntárias participantes do estudos seria acionado o sistema de ambulância de emergência conveniado às escolas participantes. Também no caso de acidentes leves as escolas estavam 34 equipadas com os medicamentos básicos necessários para um atendimento imediato. Felizmente não foi necessário recorrer a nenhuma dessas alternativas. QUADRO 1: Demonstração dos períodos de testagem Grupos Aula Aula 1 2 Aula 3 Teste 1 Aula Aula Aula 4 5 6 Teste 2 Retenção (Teste 3) PsD PcD TsD TcD A avaliação das habilidades da GR foi feita segundo o código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica. A Tabela 1 explica a pontuação utilizada para o “Equilíbrio cossaco com o movimento em oito do arco” e a Tabela 2 refere-se a pontuação utlizada no “Lançamento da Bola seguido de um rolamento para a frente e recuperação com os pés no solo”. TABELA 2 – PONTUAÇÃO PARA A HABILIDADE 1 “Equilíbrio cossaco com o movimento em oito do arco” FALTAS DEDUÇÃO Perda do equilíbrio colocando uma mão no chão 0,20 Perda do equilíbrio com apoio das duas mãos sobre o aparelho 0,40 Perda total do equilíbrio (queda) 0,50 Segmento corporal incorreto (pé) O,10 Segmento corporal incorreto (joelho) 0,10 Forma não definida e fixa 0,10 Movimento incompleto 0,10 Planos incorretos do arco 0,10 Estatismo do aparelho 0,10 TOTAL 1,70 FONTE: Código de Pontuação de Ginástica Rítmica (FIG, 2005) 35 TABELA 3 – PONTUAÇÃO PARA A HABILIDADE 2 “Lançamento da bola seguido de um rolamento para a frente e recuperação com os pés no solo” FALTAS DEDUÇÃO Imprecisão no plano ou direção 0,20 Técnica de execução do rolamento incorreta 0,20 Segmento corporal incorreto (pé) 0,10 Perda e recuperação imediata com quicada 0,20 Trajetória imprecisa e recuperação no vôo com um passo 0,20 Recuperação incorreta ou com ajuda da mão 0,10 Recuperação nitidamente incorreta ou com ajuda do corpo 0,20 Perda e recuperação após pequeno deslocamento (1-2 passos) 0,30 TOTAL 1,50 FONTE: Código de Pontuação de Ginástica Rítmica (FIG, 2005) A avaliação dos resultados qualitativos foi feita através de um relato da pesquisadora em cada aula para cada grupo, que observava como estava acontecendo o processo de aprendizagem, assim como os comentários das avaliadoras ao final de todos os foram anotados. 3.3 Planejamento da Pesquisa e Estatística O design pode ser classificado como “Quasi-experimental”, o que de acordo com Isaac e Michael (1983, p. 54) significa que a proposta do estudo é aproximar as condições de uma pesquisa experimental verdadeira, entendendo o compromisso existente com a validade externa e interna e proceder dentro dessas limitações. A perspectiva de ser um estudo quasi-experimental é o propósito de se ajustar o delineamento para ambientes mais semelhantes à realidade e, ainda assim, controlar tantas ameaças à validade interna quanto possível, controlando os efeitos do tratamento e comparando-os entre si. (THOMAS e NELSON, 2002, p. 314) As variáveis independentes são: 1) a prática de aprendizagem, ou seja, o todo e as partes, 2) a condição dicas, com ou sem e 3) os períodos de testagem. As 36 variáveis dependentes são as duas habilidades da GR, “Equilíbrio cossaco com o movimento em oito do arco” e o “Lançamento da bola seguido de um rolamento para a frente e recuperação com os pés no solo”. O tratamento estatístico dos dados obtidos nos testes trabalhou com o número de crianças diferenciado em cada grupo, e foram aplicados os testes “Anova two-way” nas diferenças entre os testes e o “Post-hoc de Tukey” nos pares de médias. Os testes foram analisados com nível de significância p< 0.05. 37 4.0 RESULTADOS Os resultados do estudo são apresentados de forma quantitativa, referentes à análise estatística proposta para cada habilidade ensinada. Os dados estão organizados em tabelas e gráficos referentes à aplicação da análise de variância em dois fatores (Anova two-way) e do teste de comparações múltiplas de Tukey para as variáveis. 4.1 RESULTADOS DO EQUILÍBRIO COM O ARCO (HAB. 1) Os resultados obtidos em cada grupo para o Equlíbrio com o arco são apresentados na Tabela 4 e nos Quadros 2 e 3. A Tabela 4 mostra a média e o desvio padrão obtido nos grupos PsD, PcD, TsD e TcD, o Quadro 2 mostra os resultados da análise de variância relacionando os fatores: práticas, dicas, interação entre práticas e dicas e testes, e o Quadro 3 mostra os resultados da aplicação do teste de comparações múltiplas de Tukey nas variáveis. TABELA 4 - RESULTADOS EQUILÍBRIO COM O ARCO - MÉDIA ± DP Grupo Teste 1 Teste 2 Retenção (3) PsD (n= 11) 0,62 ± 0,28 0,80 ± 0,39 0,60 ± 0,43 PcD (n= 10) 0,85 ± 0,37 0,82 ± 0,33 0,82 ± 0,39 TsD (n= 10) 0,66 ± 0,41 0,79 ± 0,30 0,99 ± 0,23 TcD (n= 10) 1,01 ± 0,31 1,13 ± 0,27 1,09 ± 0,30 QUADRO 2 – EQUILÍBRIO COM O ARCO – ANOVA Fator f p Práticas 5,6736 0,022477* Dicas 1,31883 0,013640* Práticas x Dicas 0,4908 0,487955 Testes 1,6729 0,194719 * diferenças significativas – p<0.05 38 Observando os resultados da ANOVA apresentados no Quadro 2, verificamos que houve diferença significativa entre as médias nas práticas (f= 5,6736, p= 0,022477) e nas dicas (f= 1,31883, p= 0,013640). Na interação dos fatores práticas e dicas e no escore dos testes (teste 1, teste 2 e retenção) não houveram diferenças significativas. QUADRO 3 - EQUILÍBRIO COM O ARCO – TUKEY TsD (teste 2) PsD (teste 1) 0,043774* PsD (retenção) 0,030709* * diferenças significativas – p<0.05 Com a aplicação do teste de Post-Hoc de TUKEY, apresentado no Quadro 3, notamos que houve diferença significativa entre as médias dos resultados do grupo PsD (teste 1) para o grupo TsD (teste 2) – (p= 0,043774) e do grupo PsD (retenção) para o grupo TsD (teste 2) – (p= 0,030709). Nos outros grupos e testes não foram encontradas diferenças significativas entre os resultados. Esta ausência de diferenças significativas entre os outros grupos e os testes, principalmente em relação aos grupos que utilizaram o fator dicas no equilíbrio com o arco pode ser explicada pelo fato de ser uma habilidade onde há baixa interferência das informações do ambiente, facilitando assim a direcionamento da atenção para o movimento mesmo sem usar uma estratégia específica. Observando as médias apresentadas na Tabela 4, a prática como um todo foi mais eficaz na aprendizagem da habilidade do que a prática em partes também com a utlização de dicas, levando-se em consideração o escore máximo de 1,70 pontos. O grupo PcD e TcD obteve uma regularidade nas médias com a evolução dos testes, e valores superiores aos grupos com a mesma prática mas sem a utilização das dicas. Nos gráficos a seguir mostramos as médias na evolução dos testes 1, 2 e 3 no equilíbrio com o arco. O Gráfico 1 demonstra os grupos que aprenderam em partes, PsD e PcD, e o Gráfico 2 demonstra os grupos que aprenderam como um todo, TsD e TcD. 39 Médias GRÁFICO 1 – EQUILÍBRIO COM O ARCO – EVOLUÇÃO GRUPOS PsD E PcD 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 PcD PsD 1 2 3 Testes Verificamos que no grupo PsD houve um aumento na média para o teste 2 e uma queda para o teste de retenção, demonstrando que as crianças “esqueceram” a habilidade após ficar um tempo sem fazer. No grupo PcD há uma estabilidade dos resultados entre os testes, demonstrando que não houve perda no teste de retenção. Essa estabilidade no teste de retenção pode ter ocorrido por influência do uso das dicas neste grupo. Médias GRÁFICO 2 – EQUILÍBRIO COM O ARCO – EVOLUÇÃO GRUPOS TsD E TcD 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 TcD TsD 1 2 Testes 3 40 O grupo TsD teve uma evolução nas médias, sendo que houve a diferença significativa estatisticamente, porém as médias têm valores mais baixos que o grupo TcD. Este manteve as médias em valores próximos, como o grupo PcD. O fator dicas deixou os grupos mais regulares nas avaliações, o que pode ser uma explicação para o não aparecimento de diferença significativa entre eles. 4.2 RESULTADOS DO LANÇAMENTO DA BOLA (HAB. 2) Os resultados obtidos em cada grupo para o Lançamento da bola são apresentados na Tabela 5 e nos Quadros 4 e 5. A Tabela 4 mostra a média e o desvio padrão obtido nos grupos PsD, PcD, TsD e TcD, o Quadro 4 mostra os resultados da análise de variância relacionando os fatores: práticas, dicas, interação entre práticas e dicas e testes, e o Quadro 5 mostra os resultados da aplicação do teste de comparações múltiplas de Tukey nas variáveis. TABELA 5 – RESULTADOS LANÇAMENTO DA BOLA – MÉDIA ± DP Grupo Teste 1 Teste 2 Retenção (3) PsD (n= 15) 0,72 ± 0,07 0,72 ± 0,22 0,53 ± 0,39 PcD (n= 11) 0,88 ± 0,28 0,92 ± 0,19 0,80 ± 0,33 TsD (n= 10) 0,72 ± 0,30 0,78 ± 0,10 0,87 ± 0,14 TcD (n= 12) 0,91 ± 0,15 0,90 ± 0,19 0,96 ± 0,20 QUADRO 4 – LANÇAMENTO DA BOLA – ANOVA Fator f p Práticas 4,083 0,049428* Dicas 13,751 0,000582* Práticas x Dicas 0,536 0,468042 Testes 0,429 0,652425 * diferenças significativas – p<0.05 41 Observando os resultados da ANOVA apresentados no Quadro 4, verificamos que houve diferença significativa entre as médias nas práticas (f= 4,083, p= 0,049428) e nas dicas (f= 13,751, p= 0,000582). Na interação dos fatores práticas e dicas e no escore nos testes (teste 1, teste 2 e retenção) não houveram diferenças significativas. QUADRO 5 – LANÇAMENTO DA BOLA – TUKEY PcD PcD TcD TcD TcD (teste 1) (teste 2) (teste 1) (teste 2) (retenção) 0,013397* 0,002090* 0,002187* 0,003155* 0,011641* PsD (retenção) * diferenças significativas – p<0.05 Com a aplicação do teste Post-Hoc de TUKEY, apresentado no Quadro 5, notamos que existe diferença significativa entre as médias dos resultados do grupo PsD (retenção) para os grupos PcD (teste 1) – (p= 0,013397), PcD (teste 2) – (p= 0,002090), TcD (teste 1) – (p= 0,002187), TcD (teste 2) – (p= 0,003155) e TcD (retenção) – (p= 0,011641). Nos outros grupos e testes não foram encontradas diferenças significativas entre os resultados. As diferenças significativas entre o grupo PsD para os grupos PcD nos 2 primeiros testes e TcD em todos os testes demonstra a efetividade da dica como estratégia cognitiva na aprendizagem de habilidades. Comparando a retenção do grupo PcD com a retenção do grupo TcD este último demonstrou ainda superioridade, mostrando que a junção do método (todo) com a dica foi o mais eficiente na aprendizagem dessa habilidade. Nos gráficos a seguir mostramos as médias na evolução dos testes 1, 2 e 3 no lançamento da bola. O Gráfico 3 demonstra os grupos que aprenderam em partes, PsD e PcD, e o Gráfico 4 demonstra os grupos que aprenderam como um todo, TsD e TcD. 42 Médias GRÁFICO 3 – LANÇAMENTO DA BOLA – EVOLUÇÃO GRUPOS PsD E PcD 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 PcD PsD 1 2 3 Testes Os grupos que praticaram em partes mantiveram uma estabilidade nos testes 1 e 2, como aponta o gráfico. Para o teste de retenção houve uma queda nos valores, o que não aconteceu na prática como um todo, pois os valores se manteram até o último teste. Esse fato é relacionado com a teoria de que os benefícios de se aprender como um todo são verificados na retenção dos movimentos, ou seja, o teste de retenção é um meio de inferir a aprendizagem (MAGILL, 1984, p. 37). Mesmo com a queda no teste de retenção o grupo PcD obteve médias maiores em todos os testes em comparação com o grupo PsD, demonstrando a efetividade da dica em uma comparação entre os grupos com a mesma prática. Os grupos que praticaram como um todo tiveram um aumento nas médias principalmente nos testes de retenção, como pode ser verificado no gráfico abaixo. Porém as médias do grupo TcD são superiores (em valores) ao grupo TsD. Este último apesar de ter um aumento no valor da média para o teste de retenção não obteve diferenças significativas entre os testes e entre os grupos. Por outro lado, as diferenças foram significativas estatisticamente na questão das dicas dentro da prática em partes, e significativa na dica e na prática, com a diferença em todos os testes no grupo TcD. 43 Médias GRÁFICO 4 – LANÇAMENTO DA BOLA – EVOLUÇÃO GRUPOS TsD E TcD 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 TcD TsD 1 2 3 Testes 4.3 RESULTADOS QUALITATIVOS Os resultados qualitativos foram analisados através da observação da filmagem de todas as aulas, com o objetivo de entender como funcionou o processo de ensino-aprendizagem. As tabelas de pontuação quantitativas para as duas habilidades serviram de parâmetro para os resultados qualitativos, através dos seus itens. Os comentários feitos pelas avaliadoras e que observamos durante as aulas no equilíbrio com o arco remetem as diferenças mostradas quantitativamente nas diferentes práticas. Os grupos que aprenderam como um todo tiveram uma grande dificuldade inicial, e os itens perda de equilíbrio com uma mão no chão, com as duas mãos ou com o apoio sobre o aparelho aconteciam freqüentemente. O grupo TcD já na segunda aula conseguiu manter mais o equilíbrio, provavelmente devido a dica “colar um joelho no outro”, que tinha realmente esse objetivo. Foi observado também que os grupos que aprenderam com dicas perderam menos no item “perda total de equilíbrio com queda”. Já os grupos que aprenderam em partes foram mais eficientes para realizar os segmentos corporais e o plano do arco corretamente, quando estavam aprendendo apenas o movimento do aparelho, mas perderam pontos nesses itens quando houve a junção das partes. Também houve uma grande perda no item estatismo do aparelho, nos testes 2 e 3 para esses grupos. 44 No lançamento da bola foi observado uma grande diferença dos grupos que aprenderam com dicas em relação à altura da bola no lançamento. A dica era uma fita colorida que ficava numa grade em frente à criança, mostrando uma altura próxima que a bola deveria ser lançada para que se pudesse realizar o movimento do rolamento e recuperar o aparelho. A grande maioria de crianças dos grupos que aprenderam sem dicas até o teste de retenção apenas “soltavam” a bola para qualquer lugar e faziam o rolamento, e depois “procuravam” a bola. Em relação às diferenças entre os grupos partes x todo o grupo que aprendeu em partes realizou melhor a técnica correta do rolamento, porém mais lentamente que o grupo que aprendeu como um todo. Este realizava sem tanta precisão, entretanto mais rápido, porque desde a primeira aula sabiam que tinham que rolar e ainda esperar a bola para recuperá-la, e a dica mostrou que lançando alto haveria um tempo hábil para isso. 45 5.0 DISCUSSÃO Os resultados obtidos neste estudo comprovam a relação existente na teoria, em que a prática como um todo apresenta melhores resultados na aprendizagem de habilidades que possuem uma grande interação entre os componentes (TEIXEIRA, 2005; SCHMIDT, 2001; MAGILL, 2000; TIBEAU, 1988, CAÇOLA e LADEWIG, 2004). No equilíbrio com o arco foi verificada a efetividade da prática como um todo com os resultados significativos do grupo PsD (teste 1 e retenção) para o grupo TsD (teste 2), e no lançamento da bola a diferença foi verificada do grupo PsD (teste 1) para o grupo PcD (teste 1 e 2) e para o grupo TcD (teste 1, 2 e retenção). Os resultados concordam com a teoria, mas ainda assim observamos poucas ações práticas que utilizam a prática como um todo (como foi detectado no inicío da pesquisa, que poucos professores utilizam esse método em suas aulas), pois ela apresenta uma grande dificuldade inicial devido a quantidade de informações presentes no movimento. Verificamos isto no equilíbrio com o arco, no grupo TsD que teve uma média menor do que o grupo PcD na teste 1, continua com uma média menor que o grupo PsD e PcD no teste 2, mas apresenta uma média maior no teste de retenção que esses 2 grupos. No lançamento da bola, o mesmo procedimento pode ser observado, no teste 1 o grupo TsD obteve um média igual ao grupo PsD e menor que o grupo PcD, no teste 2 apresenta uma melhora em relação ao grupo PsD mas continua com a média inferior que o grupo PcD, mas no teste 3 obteve média superior que os dois grupos que aprenderam em partes com dicas e sem, sendo que estes decaíram a média, enquanto o grupo TsD aumentou a sua média. Nas duas habilidades o grupo TcD apresentou médias superiores aos outros grupos em todos os testes. Esse quadro mostra claramente como funciona o processo de ensino aprendizagem através da prática como um todo. No início, um média menor, uma grande dificuldade de se realizar a tarefa, um aumento razoável na média no teste 2, e no teste de retenção, enquanto os outros grupos caem, há um aumento na média. A trajetória da aprendizagem nesta prática pode ser relacionada ao efeito da interferência contextual, que diz que um desempenho inicial mais pobre leva a uma melhor aprendizagem (SCHMIDT e WRISBERG, 2001, p.250). A prática em partes leva a uma falsa ilusão de sucesso inicial, mas perde sustentação nos testes de retenção, como foi verificado nos resultados. Na prática como um todo há uma 46 grande quantidade de informações no início da aprendizagem, por isso há um desempenho inicial mais pobre do que a prática em partes. Mas essas operações cognitivas geradas por esta prática reforçam a aprendizagem na sua essência, que é na retenção dos movimentos. Todos os grupos que praticaram como um todo nas duas habilidades mantiveram ou aumentaram os valores médios na retenção, enquanto que com os grupos que aprenderam as habilidades em partes ocorreu o contrário. O efeito de interferência contextual é uma fonte teórica importante para darmos suporte aos resultados apresentados nesta pesquisa, ajudando a compreendermos como a prática como um todo estabeleceu melhores resultados na aprendizagem das habilidades da GR estudadas. No caso do grupo TcD em todos os testes e nas duas habilidades, como foi citado acima, as médias eram sempre superiores. No lançamento da bola houve diferença significativa em todos os testes, e no equilíbrio com o arco teve médias superiores ao lançamento da bola, porém com um desvio padrão maior, demonstrando uma grande variabilidade entre as crianças do grupo. É comum acontecer isso, pois algumas crianças se adaptam melhor a esse tipo de prática, mas algumas ainda, talvez por estarem mais habituadas a aprenderem movimentos de forma fragmentada em suas aulas de educação física, apresentam dificuldades com a utilização de um método “menos” usado. Os resultados superiores do grupo TcD nos mostra a relação da prática com as dicas de aprendizagem. Rose (1997, p. 259) considera que para haver aprendizagem o aprendiz deve direcionar a atenção para um ou no máximo dois aspectos mais importantes da habilidade. Na sua relação com a prática como um todo, verifica-se que enquanto a fluência e a coordenação dos movimentos é mantida, a sua atenção é direcionada para uma ou duas partes da habilidade, dependendo de quantas partes a habilidade é dividida e de quais são os aspectos mais importantes para se focar a atenção. Direcionar a atenção para os aspectos importantes da habilidade tem sua eficiência comprovada em vários aspectos diferentes de aprendizagem (LADEWIG, 1994; LADEWIG; CAMPOS e GALLAGHER, 1995; LADEWIG; CAMPOS e GALLAGHER, 1996; LADEWIG, 2000; LADEWIG; CIDADE e LADEWIG, 2001; BERTOLDI, 2004; PASETTO, 2004), porém não foram encontrados estudos que pesquisassem a interação das práticas de aprendizagem com o direcionamento da atenção para os pontos importantes. Mesmo sem uma fundamentação teórica 47 baseada em dados experimentais, podemos fazer uma inferência de que o direcionamento da atenção através da utilização de dicas de aprendizagem é relevante para a aprendizagem, complementando os benefícios da prática como um todo. Isto deve ser considerado não só no ensino de habilidades da ginástica rítmica, que possuem uma grande interação entre as suas partes, mas em qualquer habilidade ou gesto esportivo que possua essa característica. Segundo Pérez e Bañuelos (1997, p. 219) a decisão sobre qual modelo deve ser usado deve levar em consideração a análise da habilidade a ser ensinada e qual o seu objetivo, definindo assim qual o tipo de prática mais eficaz para atingí-lo. A superioridade do grupo TcD em relação aos outros grupos proporciona aos professores uma nova perspectiva de se trabalhar a GR, levando em conta a efetividade desta prática com a utilização da dica. E se a prática como um todo foi superior a prática em partes, verificamos a grande eficiência da dica como estratégia cognitiva principalmente no lançamento da bola. Como o aparelho saiu do controle da mão da criança, houve mais informações do ambiente atuando durante a realização do movimento do que no equilíbrio com o arco, o que resultou na efetividade da dica mesmo na prática em partes, onde houve uma diferença significativa do grupo PcD (testes 1 e 2). A dica utilizada era uma dica visual, que marcava a que altura a bola deveria ser lançada, para que houvesse um tempo hábil para a criança realizar o rolamento e recuperar a bola. Os grupos que aprenderam sem dicas até o último teste não direcionavam a atenção para a bola, apenas pensavam em “jogá-la” de qualquer jeito e rolar. A dica fez com que as crianças olhassem para a bola, lançassem alto e rolassem, tendo um melhor padrão geral do movimento. Isso pode explicar o grupo TsD, que não obteve significância nesta habilidade. Reforçamos a eficiência da dica de aprendizagem principalmente na prática como um todo, para termos melhores resultados. Esses resultados confirmaram na prática os resultados de dois estudos de Ladewig (1994), que pesquisou a influência das dicas em laboratório. Eram usadas as dicas “dinâmicas” em jogos de videogames, que direcionavam a atenção para o ponto fundamental do jogo, dentre várias informações que apareciam no ambiente. A pesquisa teve resultados significativos a favor dos grupos que utilizaram dicas, e agora, com os resultados encontrados neste estudo, pode se comprovar a eficiência das dicas em uma habilidade esportiva. 48 Foi verificado que em alguns aspectos as dicas têm um papel essencial para a aprendizagem, como no caso do lançamento da bola, onde apenas os grupos que utilizaram dicas tiveram diferenças significativas, e na sua junção com a prática, em que a soma da utilização da dica com a prática como um todo possuem melhores resultados, sempre com médias mais elevadas e com diferenças significativas. No equilíbrio com o arco a dica não teve um efeito significativo, apesar de apresentar médias mais altas no grupo PcD e TcD. Esta habilidade é um equilíbrio muito utilizado em séries de ginástica rítmica, é realizado no plano baixo, sendo que o aparelho arco realiza um movimento em oito na frente do seu rosto, o que faz com que a criança fique olhando para o aparelho. Esse fato facilita o direcionamento da atenção para o aparelho, ou seja, a criança tinha o total controle do corpo e do aparelho, fazendo com que as dicas não tivessem efeito significativo esperado para este movimento. Os resultados de cada habilidade demonstram a necessidade de se analisar as características próprias de cada aparelho e de cada elemento da ginástica rítmica. A habilidade de equilíbrio com o arco se enquadra nos elementos corporais da GR, sendo um equilíbrio que está presente na maioria das séries de ginástica rítmica atuais. Já a habilidade de lançamento da bola é um elemento acrobático, que geralmente nas séries é realizado com um movimento de lançamento, tanto da bola quanto de outros aparelhos. No contexto de cada habilidade foram observadas diferenças, como o reforço da dica no lançamento da bola, mas é importante lembrar que estes movimentos foram feitos dentro de um contexto controlado, com um início e fim definidos. Os resultados que foram expressados nesta pesquisa são importantes se analisados dentro desse contexto, principalmente se levarmos em consideração o “n” de cada grupo, que variou de 10 a 15 crianças, dependendo dos grupos e habilidades. Mas é importante discutir também a viabilidade deles dentro de uma série de ginástica, que é o objetivo competitivo do esporte, e um contexto muito mais difícil de se realizar as habilidades. Os resultados nas duas habilidades e inclusive as diferenças existentes entre eles demonstram a necessidade de dispor dessa pesquisa para se trabalhar com a aprendizagem geral da GR. Com relação as práticas de aprendizagem, concordando com Tibeau (1988, p. 80) o uso de materiais, além de constituir uma das características mais importantes da GR, favorece um melhor desenvolvimento dos movimentos corporais e das capacidades físicas, facilitando a aquisição de movimentos mais naturais e favorecendo a estética 49 dos movimentos, tornando-se difícil conceber um método de ensino que não os utilize desde as primeiras aulas. Vemos que se em habilidades motoras a eficiência da prática como um todo é significativa, podemos inferir que a iniciação na GR que leve em conta esses resultados vai proporcionar uma melhor aprendizagem motora para as crianças que a praticam. Pensando em outras modalidades esportivas que possuam as mesmas características da GR, como alta interação entre as partes da habilidade, podemos inferir que nem sempre a realização de tarefas levando-se em conta a “tradição” significa que é o meio mais eficiente (CAÇOLA e LADEWIG, 2004). Só porque na GR a prática em partes é tradicionalmente utilizada, não significa que não devemos tentar outras metodologias que tragam melhores resultados na retenção, pois de acordo com Corrêa e Pellegrini (1996, p. 21) “muitos aspectos da situação de prática podem ser variados sistematicamente para tornar a aprendizagem mais eficiente, e boa parte deles estão sobre o controle direto do professor.” E para se pensar numa metodologia de aprendizagem que englobe todos os aspectos relevantes direcionados a uma melhor forma de aprendizagem, juntamente com a prática devemos levar em conta as estratégias a elas relacionadas. A dica teve um fator fundamental para facilitar uma informação importante ao movimento nesse estudo, e deve estar presente, sempre que possível, numa proposta de iniciação ao esporte. Com mais um resultado expressivo que remete a importância das dicas de aprendizagem, ao se propor o seu uso na modalidade em questão Caçola e Ladewig (2005) reforçam a necessidade de lembrar que crianças possuem diferenças dos adultos em relação ao processamento de informações (são mais lentas), são ineficientes no uso dos processos de controle de memória (não sabem usar estratégias para lembrar e memorizar), além de possuir uma quantidade limitada de experiências. Como não existe uma proposta pronta de dicas específicas para a GR, deve-se primeiramente avaliar as alunas para que se possa planejar a aula com o objetivo de contornar essas dificuldades, fazendo sempre a sua ligação com a prática de aprendizagem que está sendo proposta. No início de uma atividade o aprendiz se encontra no estágio cognitivo, como foi citado anteriormente, onde há muitas informações sobre um movimento. Uma dica específica à habilidade, que respeite a idade e o nível cognitivo da criança, e fazendo parte do mundo em que ela vive, dirige o foco da atenção para a dificuldade do movimento. Com a prática das 50 habilidades chega-se ao estágio associativo, onde não é necessária uma grande demanda de atenção para o movimento, a aprendiz já conseguiu entender os princípios básicos para realizar a habilidade. Finalmente, depois de muitos anos ou horas de prática o aluno chega ao estágio autônomo. Este não precisa ficar mais atento ao movimento, ou seja, não precisa mais pensar para realizá-lo, automatizou o movimento. Utilizando-se das dicas ou não, e ensinando através da prática em partes ou como um todo, todos irão aprender. Com o uso das dicas podemos acelerar a passagem entre os estágios, diminuindo o tempo para que se realize a habilidade ideal, e utilizando um método coerente com os objetivos propostos no início da aprendizagem pode-se otimizar esse processo. Se as dicas utilizadas, apesar disso, não trouxerem o resultado esperado, deve-se avaliá-las e criar outras que auxiliem a aprendizagem, lembrando que o período inicial (estágio cognitivo) a aprendiz encontra-se carregada de informações, e reduzir as demandas na atenção neste processo pode até assegurar a continuação na atividade, considerando que muitas crianças desistem do esporte devido à experiência de fracasso e frustração que têm nas primeiras aulas e grande cobrança da técnica correta dos movimentos. Para Ladewig, Cidade e Ladewig (2001, p. 193) uma criança motivada com a atividade irá realizá-la com mais prazer, “prestando mais atenção”. À medida que as dicas são usadas na GR há também a possibilidade deste esporte, apesar da sua complexidade, ser mais agradável e divertido para as suas pequenas aprendizes, além de diminuir o tempo de aprendizagem para aquisição dos movimentos. Esta redução no tempo é vantajosa e necessária quando sabemos que a ginasta pode competir oficialmente em campeonatos das federações estaduais de ginástica a partir do ano em que completa oito anos de idade. Além desse aspecto, não podemos esquecer o aspecto lúdico que as dicas proporcionam para as crianças, pois é não é possível aceitar que alunas tão pequenas apenas repitam habilidades motoras como se já estivessem em um treinamento para adultos. Ao aliarmos uma prática coerente, relacionada à idade da criança, levandose em conta os conceitos teóricos e os resultados das pesquisas, além da melhor aprendizagem futura da GR podemos formar ginastas com um melhor entendimento do movimento, o que pode ser um diferencial em uma carreira esportiva a longo prazo. 51 6.0 CONCLUSÃO Em alguns anos trabalhando com a ginástica rítmica, por muitas vezes me questionei quanto ao modo como era ensinada nos níveis iniciais. Alguns testes próprios me fizeram ver que existiam outras possibilidades e formas de se aprender, e que estes podiam trazer resultados mais interessantes para o que eu estava buscando como professora. Entender o processo de aprendizagem como um todo e não de uma forma fragmentada foi aos poucos fazendo parte do meu próprio processo de crescimento profissional, e me tornando cada vez mais educadora, e menos professora de habilidades. Os aspectos mais relevantes para a prática da GR, como o domínio corporal e de materiais, a estética de movimentos, a criatividade e o desenvolvimento do ritmo, servem como base para se trabalhar um ponto fundamental neste esporte, que é o fator educacional. Por isso acredito na importância de se repensar e questionar as práticas de aprendizagem, pois o processo pedagógico será o modo como trabalhamos os conteúdos com as crianças, e o estudo dos seus aspectos norteadores está diretamente relacionado à formação global de uma ginasta. Pensando em todos esses aspectos influenciadores da formação, vemos que esta pesquisa ganhou validade externa, ou seja, capacidade de generalização dos seus resultados, podendo-se além de analisar e refletir sobre a metodologia da aprendizagem da GR, sugerir novas alternativas para a sua prática. Mas em decorrência disso, a pesquisa perdeu validade interna, por não conseguirmos controlar todas as variáveis. De acordo com Thomas e Nelson (2002, p. 63) todo estudo tem limitações, possíveis desvantagens ou influências que tanto podem não ser controladas ou serem os resultados das delimitações impostas pelo investigador. E aqui acreditamos ser mais relevante podermos generalizar os resultados, usandoos para melhorar a prática. O objetivo real do estudo foi o de levar os resultados para os professores que trabalham com a aprendizagem da ginástica rítmica, para que se apliquem os conceitos encontrados nas pesquisas. Os objetivos e as hipóteses concordaram com os resultados apresentados em relação à metodologia. Concluímos que a prática como um todo obteve melhores resultados do que a prática em partes nas duas habilidades, assim como a utilização de dicas de aprendizagem interferiu positivamente ao facilitar o direcionamento da 52 atenção para os aspectos importantes do movimento, principalmente na prática como um todo. Diante desses resultados, é importante ressaltar que não estamos aqui defendendo que as professoras simplesmente escolham as habilidades a serem trabalhadas e as ensinem através da prática como um todo, preferencialmente utilizando dicas, e muito menos defendendo um modelo único de aprendizagem. Colocamos sim a necessidade de se rever inicialmente o processo pedagógico, seja ele com fim lúdico ou com possibilidade competitiva. Proponho que o aparelho seja levado mais em consideração desde o primeiro dia de aula e em todas as aulas, e que o aperfeiçoamento ou refinamento da técnica corporal e utilização do aparelho seja feita após a ginasta ter vivenciado e experimentado a grande variedade de ligações existentes na GR, e não o contrário. A criança será mais motivada com o uso do aparelho e com a menor cobrança da técnica corporal, tendo a possibilidade de continuar mais tempo nesse esporte, e se passar para níveis mais altos de treinamento e rendimento competitivo, poderá variar muito mais sua capacidade de combinações de movimentos, o que resultará em habilidades mais difíceis e elaboradas, além de mais expressivas e principalmente naturais, pois foi assim que a ginasta aprendeu, que não existe o movimento do corpo sem o do aparelho e vice-versa, ou seja, aprendeu a pensar como um todo, e não em partes. Todos estes aspectos relacionados com a aprendizagem da GR nos remetem também ao fato do crescimento da ginástica rítmica no país. No ano de 2005 o Brasil conquistou o pré-pan de ginástica rítmica, nos preparativos para o Panamericano que acontecerá em 2007, tendo veiculação nacional da mídia do campeonato. Com a modalidade se destacando em resultados, há um natural aumento na procura pelas escolinhas de iniciação, e pesquisas que trabalhem com esse esporte tendem a desenvolver e aperfeiçoar as práticas, desde a entrada da criança na GR até os níveis mais altos de treinamento. Buscando sempre melhorar os aspectos fundamentais para a aprendizagem, ela será mais sólida e duradoura, possibilitando a formação de ginastas mais eficientes em seus movimentos. A interação entre a pesquisa científica e a prática favorecerá a conquista de mais resultados expressivos para o nosso país na Ginástica Rítmica. 53 Observando os melhores resultados da prática como um todo (que é menos utilizada na prática) e das dicas de aprendizagem e diante do fato que o esporte cresce no Brasil acreditamos que o campo de possibilidades para futuros estudos é imenso. As pesquisas devem considerar a aplicação dos conceitos aqui revisados em outras habilidades da ginástica, com outros aparelhos e outros elementos corporais, além de propor outras formas de prática de aprendizagem, que possam otimizar a metodologia. Mais estudos que considerem a interação prática x dicas em habilidades motoras possibilitariam um maior entendimento da relação existente entre elas, além da possibilidade de se estudar um contexto mais específico dos movimentos ginásticos dentro da série, o que será de grande relevância aos professores da modalidade. Levando em conta os aspectos teóricos e pesquisas que apliquem os conceitos na prática, poderemos sempre melhorar a proposta de ensino que apresentaremos às crianças que se dispõem a aprender um determinado esporte. O aprendizado vai ocorrer no campo motor, onde através da utilização de práticas com significados relevantes, fortes traços na memória são criados, melhorando a retenção. Acreditamos assim que a metodologia empregada por professores e técnicos de GR pode ter como estratégia facilitar, motivar e alegrar as aulas de ginástica rítmica, o que além de criar uma aprendizagem eficiente fará com que ele seja muito mais divertido para as ginastas! 54 REFERÊNCIAS ALONSO, Heloisa. Meu corpo, minha cultura, minha Ginástica Rítmica. Anais do 3º Congresso Científico Latino Americano de Educação Física da Unimep, Piracicaba, 438-443, 2004. BAECKER, Ingrid Marianne. 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A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo, 4ª ed., Martins Fontes, 1991. 58 ANEXOS 59 ANEXO 1 Questionário Este questionário é destinado aos senhores pais de todas as alunas de terceira e quarta série desta escola, e tem por objetivo saber sobre as condições de saúde da sua filha para a avaliação da possibilidade de participação da mesma numa pesquisa que trabalhará com a aprendizagem da Ginástica Rítmica, como será explicado no Termo de Consentimento. Desde já agradecemos a atenção. Nome da aluna: ____________________________________________________ Data de Nascimento: ________________________________________________ Série e Turma: _____________________________________________________ 1. Sua filha teve fratura em algum osso nos últimos 3 meses? ( ) Sim 2. Sua filha tem algum histórico de doença cardíaca? ( ( 3. Sua filha tem reclamações de dores musculares? ( ) Sim ) Sim ( ( ) Não ) Não ) Não 4. Sua filha não tem participado das aulas de Educação física por algum motivo de saúde? ( ( ) Não ) Sim 5. Sua filha pratica algum esporte? ( ) Sim ( ) Não Se a resposta for sim, por favor indique qual: ___________________________________________ OBSERVAÇÕES: Eu, _______________________________________________________, declaro para os devidos fins que as afirmações acima são verdadeiras. Ass:______________________________________________________________ 60 ANEXO 2 TERMO DE CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO Pesquisadores Responsáveis: Prof. Iverson Ladewig, Phd e Prof. Msda Priscila Caçola. Telefones para contato: 9236-0010. Este documento é um termo de consentimento de participação da sua filha no estudo “Comparação entre as práticas em partes e como um todo e a influência do uso de dicas de aprendizagem em duas habilidades motoras da Ginástica Rítmica” que tem como objetivo comparar os diferentes métodos de ensino na aprendizagem de duas habilidades específicas da ginástica rítmica. A participação da sua filha irá auxiliar o aprofundamento e desenvolvimento de estudos neste esporte. Esta pesquisa isenta a sua filha de quaisquer custos e os pesquisadores garantem que não irão tornar pública a sua identidade. A participação dela será voluntária, podendo desistir quando quiser. Ao participar desta pesquisa a sua filha irá participar de seis aulas de um movimento específico da ginástica rítmica, sendo um com o aparelho arco e outro com o aparelho bola. Após isto ela ficará 30 dias sem realizar nenhuma aula e também não deverá treinar o movimento em casa, retornando assim no dia marcado para realizar o último teste. Caso tenha alguma dúvida consulte a Prof. Priscila. _______________________________________________________________________________ Diante das colocações acima eu, __________________________________, responsável pela menor ________________________________ concedo sua participação voluntária na pesquisa “Comparação entre as práticas em partes e como um todo e a influência do uso de dicas de aprendizagem em duas habilidades motoras da Ginástica Rítmica” e declaro que estou ciente dos objetivos e procedimentos da pesquisa. Curitiba, __________ de ___________________ de 2005. Observação: será realizada uma reunião com os pais para melhores explicações sobre a pesquisa. 61 ANEXO 3 PLANO DE AULA PARA O GRUPO 1 (PsD) Grupo PSD AULA 1 AULA 2 AULA 3 TESTE 1 AULA 4 AULA 5 AULA 6 TESTE 2 RETENÇÃO HABILIDADE 1 HABILIDADE 2 Ensino do equilíbrio Ensino do rolamento para cossaco a frente Ensino do equilíbrio Ensino do rolamento para cossaco a frente Ensino do equilíbrio Ensino do rolamento para cossaco a frente Teste após a aula Teste após a aula Ensino do movimento do aparelho arco Ensino do movimento do aparelho arco Ensino do lançamento e recuperação do aparelho bola Ensino do lançamento e recuperação do aparelho bola Junção do movimento do Junção do movimento do corpo e do aparelho corpo e do aparelho Teste após a aula Teste após a aula Após 30 dias do último Após 30 dias do último teste teste 62 ANEXO 4 PLANO DE AULA PARA O GRUPO 2 (PcD) Grupo PCD AULA 1 AULA 2 AULA 3 TESTE 1 AULA 4 AULA 5 AULA 6 TESTE 2 RETENÇÃO HABILIDADE 1 HABILIDADE 2 Ensino do equilíbrio Ensino do rolamento para cossaco a frente Ensino do equilíbrio Ensino do rolamento para cossaco a frente Ensino do equilíbrio Ensino do rolamento para cossaco a frente Teste após a aula Teste após a aula Ensino do movimento do aparelho arco Ensino do movimento do aparelho arco Ensino do lançamento e recuperação do aparelho bola Ensino do lançamento e recuperação do aparelho bola Junção do movimento do Junção do movimento do corpo e do aparelho corpo e do aparelho Teste após a aula Teste após a aula Após 30 dias do último Após 30 dias do último teste teste Î Dica para a Habilidade 1 (verbal): “Cole um joelho no outro”. Î Dica para a Habilidade 2 (visual): “Fita colorida na parede para marcar a altura do lançamento”. 63 ANEXO 5 PLANO DE AULA PARA O GRUPO 3 (TsD) Grupo TSD AULA 1 AULA 2 AULA 3 TESTE 1 AULA 4 AULA 5 AULA 6 TESTE 2 RETENÇÃO HABILIDADE 1 HABILIDADE 2 Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Teste após a aula Teste após a aula Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Teste após a aula Teste após a aula Após 30 dias do último Após 30 dias do último teste teste 64 ANEXO 6 PLANO DE AULA PARA O GRUPO 4 (TcD) Grupo TCD AULA 1 AULA 2 AULA 3 TESTE 1 AULA 4 AULA 5 AULA 6 TESTE 2 RETENÇÃO HABILIDADE 1 HABILIDADE 2 Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Teste após a aula Teste após a aula Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Ensino do movimento Ensino do movimento completo completo Teste após a aula Teste após a aula Após 30 dias do último Após 30 dias do último teste teste Î Dica para a Habilidade 1 (verbal): “Cole um joelho no outro”. Î Dica para a Habilidade 2 (visual): “Fita colorida na parede para marcar a altura do lançamento”. 65 ANEXO 7