EDIR PINA DE BARROS SONETOS LACRIMOSOS Dedicatória: Ao meu pai, sonetista maior, pelo incentivo! Aos meus filhos, Uirá e Maíra, meus tesouros! E à Isis, luz em meu anoitecer... 2 Lágrimas secretas! O pranto que chorei ninguém o viu, tão grande que minh'alma se afogou, o tanto que chorei ninguém chorou, e tudo que senti ninguém sentiu! Contido, não jorrou dos olhos meus, veloz correu nos rios meus, secretos, formando poços, lagos bem repletos, saudoso desses olhos que são teus! Ninguém ouviu o pranto que eu chorei, nem mesmo quem se diz ser meu amigo! No entanto, só, chorei, mas tu não vias... O pranto que eu chorei somente eu sei, soluços que eu não dei estão comigo... Sacodem minhas noites tão vazias! Brasília, 5 de setembro de 2009 3 TARDES LANGOROSAS Tardes tristonhas, frias, langorosas, Sem lume, sem fulgor de girassóis Sem irisados céus dos arrebóis, E prenhes de saudades lacrimosas! Silentes tardes minhas, merencórias, De atra solidão que me calcina... Que assim me invade e fere, me domina, Tornando a minha vida e alma inglórias! Quisera eu poder vos transformar! Conter o vosso triste lacrimar, Tirar o véu das horas tão brumosas... Ah! Langorosas tardes nebulosas! Tristes! Ermas! Voraces, desditosas... Quisera ver o sol beijando o mar. Brasília, 13 de Janeiro de 2011. 4 MÁGOAS As minhas mágoas são somente minhas, Soluçam dentro em mim nas noites frias, Nas minhas noites longas, tão vazias, Nas minhas horas tristes, mais mesquinhas... E se insinuam sempre, as minhas mágoas, Nos reticentes versos que componho, Bem sei que muito mais do que suponho, Expondo a todos minhas dores, fráguas! Quisera não contê-las no meu imo, Porque mesquinhas são perante a vida... Tudo apequenam! Tornam tudo triste! Mas frágil sou! Minh’alma não resiste! E em cada mágoa sangra uma ferida Que viça dentro em mim! E cria limo! Brasília, 14 de Novembro de 2010. 5 TRISTEZAS PÓSTUMAS Se um dia lerdes meus sonetos, cartas, De minha entranha os versos arrancados Dos meus recantos ermos, sufocados, Nas noites de tristezas longas! Fartas! Se meus sonetos, cartas, versos lerdes, Tereis, por certo, lívida lembrança, Do meu penar, sofrer, desesperança, Que hoje jazem nestes campos verdes! Apenas vos verei do além, distante, Por vós não poderei mais versejar, E haverá mais nada a vos falar! No sepulcral silêncio desse instante, Sem que o vosso pranto me acalante, Minh’alma lá do alto há de chorar! Brasília, 05 de Novembro de 2010. 6 GUARDA OS MEUS VERSOS Guarda estes versos que escrevi chorando um dia, Como um alívio a minha dor, minha saudade, Por um dever d’amor, que inda agora invade O meu viver sem ti, carente de alegria! Os versos que te fiz são frutos da agonia Que me consome a paz, a minha mocidade, Gerando em mim a mais profunda soledade... São prantos de saudade em forma de poesia! Oh! Guarda os versos que chorando eu te fiz! São teus, como são meus os tristes sentimentos Que, nestes versos, sem pudor, estou cantando... Quem sabe um dia hás de lembrar quanto te quis... E se saudades tu sentires por momentos Beija estes versos que escrevi por ti chorando. Brasília, 21 de Outubro de 2010. 7 LUA NOVA Já fui a lua do teu céu em noite escura, Luzente lua cheia, intensa, purpurina, Tendo ao meu lado a tua estrela matutina, Sentindo dentro d’alma só amor, candura! Já esgarcei, da noite tua, o véu, cortina, Co’s feixes meus de luz, co’a minha iluminura! Já mergulhei nos astros teus com tal loucura Que conheci do amor maior, a luz divina! O teu amor se foi! E nada mais restou! E no teu céu escuro andejo, por te amar, Lembrando tempos outros em que fui feliz! Hoje não mais me vês! E lua nova sou! No céu de tua vida já não sou luar... E nada sou além daquela que te quis! Brasília, 25 de Outubro de 2010. 8 NÃO ME DESPREZES, NÃO... Não me desprezes, ó senhor dos sonhos meus, Pois sou aquela que te adora, que te ama, Que traz acesa dentro d’alma forte chama Do eterno amor que não suporta triste adeus! Não me desprezes, não! Tu és a minha vida! Somente a ti eu quero assim, com ardor, ternura... Meu ser, vagando ao léu, no espaço te procura, Se não te encontro, amor, eu fico tão perdida. Por ti versejo dia e noite, noite e dia, E teu perfume está em mim e me inebria E por amor, somente amor, estou aqui... Sem ti não sei viver, não sei fazer poesia, É teu o meu devir, e tudo o que eu vivi, Não me desprezes não, pois morro-me por ti! Brasília, 27 de Abril de 2010. 9 SEM TI Confesso que sem ti a vida é nada, Que nada sou de ti assim distante, Que me tornei eterna madrugada, E que sem ti eu vivo agonizante! Sem ti não sei ficar mais um instante! Minh’alma fica rota e esgarçada, Esvai-se pouco a pouco a luz vibrante Que outrora a minha noite iluminava! Eu sinto tanta falta, meu amor, De teus carinhos! Beijos! Mil delícias! E dos sussurros roucos nas gargantas! De ti distante perco meu fulgor, Não sei viver sem tuas mil carícias... Sem ti me morro de saudades tantas! Brasília, 16 de Novembro de 2010. 10 FIM DE CASO (V) Da noite nossa não restou estrela, lua Porque perdeu o seu fulgor, iluminura, E só restou entre nós dois a dor, tristura, Profunda mágoa que entre nós já se insinua... Distantes vão os dias plenos de candura, Quando eu dizia: meu amor, eu sou só tua! Com teu sedoso olhar não mais me sinto nua... E a tua voz a mim me trás tristeza e agrura... Apenas resta entre nós a dor, descrença... Nada restou de nossa noite acetinada, Nem pirilampos cortam mais a escuridão, E tudo, enfim, se foi de nós, sem ter detença, Foi-se o fulgor, a luz de nossa madrugada, D’ olhar, o fogo... O fogo d’alma, da paixão, Brasília, 16 de dezembro de 2010 11 QUISERA! Quisera estar vazia nesta noite, sem ter em mim recantos de saudade, sem ter veredas, nada que me açoite, e a rude dor que sempre assim me invade! Quisera ser parede sem retrato, sem telas, sem pinturas, sem enfeites, ser ente bem vazio, só, abstrato, ser lisa, nua, sem quaisquer confeites! Quisera ser o vácuo, sem ter eco, o vinho que, na taça, sugo e seco... Quisera ser o nada deste instante! Quisera! Neste meu penar disseco a tua sombra que me vem constante, morrendo por amor a cada instante! Cuiabá, 09 de fevereiro de 2010. 12 SONETO DA TRISTEZA Esta tristeza que me invade sem licença, E inunda minha frágil alma, que padece, Tem um poder maior que a mais silente prece, E deixa-me assim calada, só, infensa! E quanto mais me calo torna-se mais densa, Encobre meu olhar e aos poucos me amortece, Tatua minha tez! E dentro em mim fenece A luz da esperança, que outrora era extensa! E com seus fios sem fim tecendo vai seu véu, Impede-me de ver estrelas lá no céu... Mergulha-me na noite escura e aveludada! Sem luz, sem paz, sem força, não enxergo nada, O meu viver tornou-se eterna madrugada, Tornei-me só um vulto que se vai ao léu! Brasília, 07 de Agosto de 2010 13 ONÍRICA QUIMERA Olhando nos teus olhos nada falo... Neles eu vejo luzes, mil estrelas, Não há sinais de mágoas, de procelas, E emocionada, sem querer, me calo... O sonho teu quisera eu sonhá-lo, Estando junto a ti, à luz de velas, E tendo estrelas como sentinelas, Do corpo teu sentindo o doce embalo. Na íris de teus olhos eu me vejo Como se fora velho realejo A confessar desejos que são meus... Quisera ter-te sempre em minha vida! Quisera a plenitude da acolhida... E ser teus sonhos! Luz dos olhos teus! Brasília, 27 de Novembro de 2010 14 CLEMÊNCIA! Oh! Mata-me de vez! Eu não suporto mais Viver assim sem ti, sem ter o teu carinho, Mais triste fico eu, pois sei que estás sozinho, E amor igual ao meu tu não terás jamais! Oh! Bem depressa vem! E mata-me de vez! Põe fim na minha dor! Arranca este espinho! Que eu não suporto mais olhar o nosso ninho, Sentindo nele o ardor do amor que se desfez! Oh! Mata-me de vez! De mim tem dó, piedade! Eu não suporto mais a dor que assim me invade, E muito menos ser um ente que agoniza! Envolve-me, sem dó, na eterna e fria brisa... Oh! Vem depressa! Vem! E tudo finaliza! Que eu não suporto mais sentir só dor, saudade... Brasília, 30 de julho de 2010 15 LACRIMOSA Eu sinto lá no imo dor ingente, A latejar, pulsante, como a chama, Vivaz, ardente e flébil, qual a flama Que dentro d’alma só quem ama sente! E sente tal tristeza só quem ama, E seu amor se vai, se torna ausente, Embora sinta em si amor ardente, Não pode mais cerzir a velha trama... A vida então se torna triste drama, Estar distante estando tão presente, Ainda que ausente se aparente, Tal como a brisa que balança a rama... O amor é como a vela lacrimosa Que a chama ardente mata, caprichosa! Brasília, 25 de Novembro de 2010 16 Oh! Deixe-me chorar! Oh! Deixe-me chorar, a dor que em mim lateja, Secar não tenta não, a gota que já brota, Porque nasceu de mim, na minha própria grota, E mora agora aqui, bem dentro desta andeja! A mim não importa, não, que todo mundo veja, Deixa-a que role assim, bem livre, qual gaivota, E todo o meu sofrer, ao mundo, enfim, denota, E tão silente é, embora tão sobeja!... Oh! Deixa-me prantear, viver meu luto todo, E desfazer-se em mim, pra não tornar-se lodo, Oh! Deixa-a, sim, correr, qual rio, igual cascata! Soltar, eu quero, enfim, o nó que não desata, Que embarga a minha voz, com força certa, exata! Que role em minha tez, o pranto, com denodo! Cuiabá, 20 de Outubro de 2009. 17 ETERNO NAMORADO Oh! Meu amor! Eterno namorado! Quanta emoção ao ver o teu retrato Num canto de minh’alma pendurado, Guardado com carinho, com recato... Amor que ainda hoje em mim resgato, Retiro dos escombros do passado... Que reconstruo em cada gesto e ato, E pelos versos meus eternizado... Oh! Amor meu! Pretérito e querido! Quisera que rompesses esse abismo Que nos separa desde sempre e agora... Retrato pelo tempo envelhecido! Ao vê-lo sempre penso e mesmo cismo Que a alma tua, nele presa, chora... Brasília, 17 de Outubro de 2010. 18 DESTINO ATROZ Quanta beleza nesta alma casta! Teus véus encobrem teu olhar, que é puro! Louca por ti, por teus encantos, juro, Para te amar a vida não me basta... Qual garça que revoa em céu escuro, Perdida na planura, que é vasta, Busco por ti na vida que se arrasta, Clamando por teu nome, que murmuro! Mas tu jamais escutas meus clamores, E nem sequer percebes meus penares, Perdido nas estrelas do teu céu... O teu olhar – que é puro – encobre o véu, E tu revoas livre pelos ares, Enquanto eu me morro assim de amores... Brasília, 16 de outubro de 2010. 19 COISAS DO CORAÇÃO - “Coisas do coração” – Assim me dizes... Assim traduzes minhas mágoas, dores Que deixam n’alma tantas cicatrizes, Levando desta vida seus dulçores... - “Coisas do coração, dos teus verdores”... E assim disfarças todos teus deslizes, Mas nossos dias já não são felizes E vão morrendo em mim os meus fulgores. Tu nem percebes que me vou aos poucos, Que agoniza dentro em mim o amor, O mesmo amor que já foi teu um dia... - “Coisas do coração! Ciúmes loucos!” Se ouvisses meus queixumes, meu clamor, Até o fim da vida amar-te-ia... Brasília, 15 de outubro de 2010. 20 SOLITUDE Já não chameja mais em mim a pira Que iluminava minha lua interna E fez-se noite tão escura, eterna, E nada sinto... Nada mais me inspira! A solitude contra mim conspira, E nem um verso mais em mim hiberna, Já não me tange a etérea brisa terna, Não sinto paz! Calou-se a minha lira! No céu interno meu não há estrelas, Nem pirilampos brilham contra o escuro, Apenas densas nuvens flutuantes Poesias... Não mais posso escrevê-las, E de tristeza dentro em mim me amuro, Saudosa de meus dias mais pujantes. Brasília, 29 de Agosto de 2010. 21 MUTAÇÕES Eu já não sou riacho transparente, Formando mil cascatas murmurantes, Com suas belas águas espumantes, Buscando sem cessar seu afluente... E que, sem cismas, segue sempre em frente, Com suas águas mornas, coleantes, Replenas de carícias, anelantes, Co’a força que só tem água corrente! Hoje sou rio que virou represa, Com águas que, paradas, formam lodos, E sigo a minha vida, sem denodos... E dentro em mim repousam folhas mortas, Contidas em meus lodos, por comportas, No imo meu profundo, na escureza! Brasília, 25 de Novembro de 2010. 22 LAMÚRIAS E fez-se noite escura dentro em mim! Parti! Partiste! Nada nos restou Sozinha e triste agora sei que estou, De minha estrada vejo o próprio fim... Eu não suportarei viver assim! Não pode mais sonhar quem tanto amou... Agora já nem sei quem fui, quem sou, Distante destes lábios teus carmim... Cerrou-me os olhos uma dor cortante, Que causa em mim sangria desatada Que torna minha noite triste, escura. Quero de volta teu amor, candura, E no teu colo ser acalentada... Oh! Meu amor! Paixão! Meu terno amante! Brasília, 22 de Novembro de 2010. 23 VINGANÇA! Pois que me escarre a boca que beijei! Já não me importa mais a ingratidão, Se amar, sofrer, chorar tem sido em vão, E se de mim eu mesma já não sei! Pois que me atire a pedra a mesma mão Que um dia, com ternura, tanto amei... Se mil carícias dela desejei Hoje não creio mais no amor, paixão! Já nada mais me atinge ou desespera! Quem já não sonha! Quem não tem quimera! Quem já não crê no amor! Na própria vida! Não pode, não, sofrer quem nada espera! Quem já não sonha! Quem não tem quimera! Quem já não crê no amor! Na própria vida! Brasília, 22 de Novembro de 2010. 24 NÉVOAS Nas névoas de mim mesma estou perdida! Há labirintos tantos! Mil ciladas! E não encontro rastros, nem pegadas Daquela a quem, outrora, dei guarida... Não há retornos que me levem a mim! Distantes vão os sonhos meus celúreos, Meus pulcros arrebóis, dos mais purpúreos, Com seus doces olores de jasmim... E nessa erma estrada sigo adiante, Nesta cinérea vida, tão plangente, Na intransponível bruma fria e triste! Não há na minha vida qualquer chiste Que alegre meu viver, meu pobre ente Outrora qual um sol irradiante! Brasília, 21 de Novembro de 2009 25 SAUDADES, TRISTEZA E POESIA Saudades? Não! Não creio que tu sintas! Por que não me respondes meus recados? Os versos que te escrevo, apaixonados, Replenos de saudades tão famintas? Saudades?! Não creio que sintas! Não! Por que te escondes quando te procuro? Se meu amor é teu! Intenso! Puro! Se teu é meu ferido coração! Saudade é dor que sente só quem ama! Quem traz no peito sua ardente chama, Quem por amor padece dia a dia.... O teu silêncio, que tu guardas tanto, Esgarça os sonhos meus! Verte-me o pranto... É fonte de tristeza e de poesia! Brasília, 16 de Novembro de 2010. 26 SOLIDÃO Espio dentro em mim e nada vejo Além da solidão, que está comigo, E do meu corpo fez o seu jazigo, Trazendo a dor, tristeza em seu cortejo! Tomou-me por seu quarto de despejo, E no meu coração buscou abrigo, Como se fora um bom amante antigo, Que volta transbordante de desej0... Chegou para ficar! Fazer morada! Fincar esteios firmes de aroeira, Não mais partir! Ficar eternamente! Espio novamente e vejo nada Além da solidão, minha posseira, Fincando suas cercas, inclemente! Brasília, 15 de Novembro de 2010. 27 SAUDADES DE VOCÊ! Saudades tenho sempre de você! Daqueles velhos tempos tão felizes, andando pelos campos, quais perdizes, e descansando sob os pés de ipê! Sorríamos por nada, sem porque, De nossas falhas, tombos ou deslizes, sem cultivar as mágoas, cicatrizes, sem brigas, sem tristezas, sem auê! Recordo, com saudades, da candura que tínhamos nos gestos, nos olhares, da timidez dos beijos, dos abraços! Quisera retornar sobre os meus passos, E respirar de novo aqueles ares, Voltar a ser amante meiga e pura! Brasília, 12 de Novembro de 2010. 28 VIVER SEM VOCÊ... Acordar sem você é uma tortura, Uma tristeza, um grande desatino, Viver sem seu amor, nem me imagino... Seria meu penar! A minha agrura! Eu amo esse seu jeito de menino... O seu olhar me leva à loucura! Em mim desperta só paixão, ternura... Tal como a lua cheia eu me ilumino! Viver sem seus abraços eu nem penso! Seria me morrer em plena vida, Levando dentro em mim eterna chaga! Iria soçobrar no mar imenso Do pranto que rolar na despedida, Tal qual a nau que, sem destino, vaga! Brasília, 11 de Novembro de 2010. 29 EXÍLIO De mim me encontro longe nesta tarde fria, Não sinto dor qualquer, tristeza ou saudades, Não tenho mais desejos, sonhos, vaidades, Nem mil fulgores que outrora em mim sentia... Sozinha vago dia e noite, noite e dia, Não levo dentro em mim certezas nem verdades, Deixei aquém os meus amores, amizades... Andejo só e nada levo! Estou vazia! Vazia de mim mesma calma e só prossigo... De tudo estou liberta! Leve sigo adiante... Restou-me só etérea alma que flutua! Na aurora que já vem encontro o meu abrigo. Imensa paz eu sinto neste raro instante Em que sozinha vago, de mim mesma nua! Brasília, 09 de Novembro de 2010. 30 ETERNA NOITE... Ah! Se tu me chegasses esta noite! E iluminasses minha face escura, Com teu luar, com tua iluminura, Com teu olhar, que corta qual açoite! Se no meu céu chegasses como a lua... Iluminando as sombras de minh’alma, Com tua luz, que tanto a mim me acalma, No véu de estrelas eu seria tua! Tu te escondes entre nuvens densas, Sequer pensar em mim jamais tu pensas... Distante de meus sonhos tu te escondes! E foges sempre para além dos astros, No infinito céu de espessos lastros... Aos meus clamores nunca tu respondes! Brasília, 08 de Novembro de 2010 31 Rastros e sinais Dos meus amores só ficaram rastros, Alguns sinais deixados d’outras eras, De mil desejos, sonhos e quimeras, Que agora estão perdidos entre os astros! Nada restou de todos vãos encantos, Desfeitos como as bolhas, entre as brumas, Nos ares se explodiram como espumas, Rolaram pela face, como os prantos! Sinais deixados d’outros tempos idos, Dos meus amores, todos bem vividos, Tesouros meus, cantados hoje em versos... Mas entre os sinais dos mais diversos, Estão os teus, no imo meu, imersos, Nos versos meus, em todos meus sentidos! Brasília, 06 de Novembro de 2010. 32 LAMENTO AMOROSO! No mesmo instante em que você partiu Caiu pequena estrela lá do céu, de minha noite se rompeu o véu, porém o meu sofrer você não viu... Você partiu! Fiquei andando ao léu... O mundo, para mim, ficou hostil, Sem flores, sem luar primaveril, E a vida se tornou, também, cruel! No dia em que você se foi de mim, Minh’alma soçobrou no mar de prantos, E nunca mais voltei a ser feliz! Restaram só os versos que lhe fiz, Rebentos meus, de tantos desencantos, Porque o seu amor chegou ao fim... Brasília, 06 de Novembro de 2010. 33 QUEIXUMES Aqui estou! E nem palavras tenho Para dizer de minha dor, meu fado, De meu viver tristonho, malfadado, Do amor que nunca tive e não detenho! Mergulho em mim. Em mim mesma me embrenho, A solidão é meu eterno estado, Contenho em mim um grito amordaçado... Cantar o meu penar aqui eu venho! Que vale a vida sem amor, sem luz, E sem ter n’alma sonhos, devaneios, Apenas sombras que devoram o lume! A vida em si se torna uma cruz, Um fardo cheio de milhões de anseios, Um simulacro sem sabor, perfume! Brasília, 17 de outubro de 2010. 34 JARDINS SECRETOS Cultivo dentro em mim jardins secretos Regados com meus prantos vãos, doridos, Que permanecem sempre bem floridos, E de perfumes são também repletos... Neles cultivo os meus amores idos, Os sentimentos meus, dos mais diletos, Os meus penares tolos, mas discretos, Etéreos sonhos meus, jamais vividos... Jardins secretos que florescem em mim, Rebentos dessa dor que em mim se espalma... Aos meus amores idos, meus legados! Orquídeas, cravos, rosas cor carmim, Que viçam sobre húmus de minh’alma, Nos limos de meus prantos represados... Brasília, 12 de outubro de 2010. 35 TERRA CANSADA! Eu sou tal qual a terra não arada Na seca intensa que deflora o chão, Tornando-a triste, infértil e tão crestada, Que plantar nela é esforço vão... A terra que agora está cansada, Que não produz o trigo para o pão, Que não tem rio, fonte, nem aguada, E nada nela viça! Nem um grão! Já fui um dia bem feliz, amada, E duas rosas restam do jardim Que outrora em mim viçou um dia... Sou hoje como a terra degradada, Pressinto dentro em mim o próprio fim, Restam-me a dor, as rosas e a poesia... Brasília, 04 de Setembro de 2010. 36 TRISTEZA E POESIA No canto dos olhos teus Uma lágrima bem presa, E para a minha surpresa, Tu me disseste um adeus! Nos olhos meus se formou Por conta dessa tristeza, Uma lágrima indefesa, Que depressa despencou... Dentro em mim restou saudade, Que ainda agora me invade, Levando a minha alegria... Não tenho felicidade, Só imensa nostalgia, A lira, o verso e a poesia... Brasília, 25 de Agosto de 2010. 37 RASGA OS MEUS VERSOS! Rasga os meus versos, um a um E atira seus pedaços contra o vento, Não deixes pelo ar nenhum lamento... Pois nada têm de belo, de incomum! Ateia fogo sem pensar em nada, Pois são somente jogos de palavras, Que retirei de minhas tristes lavras, De minha pobre alma tão arada! Destrói um a um dos meus sonetos, E nada deixes, mesmo que tu queiras, Palavras, versos, meus rascunhos todos! Não deixes nada, nem os meus versetos, Pois são de mim somente o pó, poeiras Precipitados meus, meus tristes lodos! Brasília, 23 de Agosto de 2010. 38 CREPÚSCULO DO AMOR Crepuscular amor que se declina, Tal qual o sol morrendo no arrebol, Já não chilreia mais, qual rouxinol, E não tem mais o encanto, que fascina! Tal como o dia que se vai com o sol, Dando lugar à lua peregrina, Com sua luz de prata purpurina, Perdeu o seu lugar, que era de escol! Tal como o sol se vai, agonizante, Depois de belo dia radiante, De tanto brilho, luz, pujança! Perdeu a sua paz, a temperança, E morre assim tão só, sem esperança, Na sepulcral tristeza desse instante! Brasília, 19 de Agosto de 2010 39 SAUDADE E SOLIDÃO No vale da saudade eu me perdi, Vaguei por seus recantos tantas luas, Lembrando-me de ti nas horas nuas, Dos anos que contigo dividi... E um dia tu partiste e eu parti. Vaguei por tantos cantos, becos ruas... A lua e eu, tristonhas e sós, nós duas! Será que tu sofreste? Eu sofri! E assim estou! Caminho contra o vento, Levando dentro em mim melancolia, Tristeza, solidão, saudade imensa! No vale em que caminho a névoa é densa! A dor que sinto em mim me anestesia... Quisera esquecer-te! Mas nem tento... Brasília, 18 de Agosto de 2010. 40 A DOR DA TRAIÇÃO Não cicatriza n’alma a dor profunda, Não há remédios para as suas chagas, Lateja nas lembranças, mesmo vagas, Na solidão retorna mais contunda! A dor profunda nunca cicatriza, Teimosa em nós renasce como praga, Revolve nosso imo, como a draga O rio, que padece e que agoniza! No fundo d’alma sempre se refaz... Inolvidável é a grande farsa, Que tudo deixa triste e destruído! Interminável dor de amor traído, Que a alma fere fundo, que esgarça A confiança, o sonho e toda a paz! Brasília, 17 de Agosto de 2010. 41 SÚPLICA (II) Vem! Ó, noite! Debruça sobre mim! E recebe no colo teu sidéreo, Nesse manto d'estrelas, tão etéreo, A minh'alma que triste vaga assim... Aconchega nos braços teus sem fim, Esta andeja, meu pobre ser cinéreo, Que morrer quer no espaço teu aéreo, No acetinado véu que é teu, enfim... Minh’alma quer errar nos teus espaços, E esquecer os amores deletérios... Ó! Deixa-me vagar em ti, ao léu! Vem! Desejo morrer-me nos teus braços, Mergulhar nos teus astros, teus mistérios... Vem! Ó, noite! E me encobre com teu véu! Brasília, 16 de Agosto de 2010. 42 SAUDADES DE TI Na noite fria vou pensando em meu calvário E na saudade que por dentro me consome, Trazendo nestes lábios meus teu caro nome, Que me escapa como um grito involuntário! Não sei se estás, também, saudoso e solitário, Ou se a lembrança já se perde e de ti some... Se d’outro amor agora tens desejo, fome Enquanto que sofrer por ti é o meu fadário! Pensando assim morrendo eu vou de tanto amar, E, sem querer, eu sofro tanto ao te lembrar... Então percebo que lá fora o sol nasceu! Quisera que lembrasses tanto quanto eu, Daquele amor que era nosso e hoje é meu... O que aumenta o meu sofrer, o meu penar Brasília, 28 de julho de 2010. 43 INCÚRIA Meu erro foi pensar que algum dia Tu me amaste com sinceridade, Não via em ti, também, qualquer maldade, E tudo que juravas logo cria... Errei! Eu sei! Errei porque queria Contigo encontrar felicidade, Eu não pensava em tanta falsidade, E tudo que esperei foi fantasia! Mas tu erraste muito mais que eu! Por quê? Fingiste me amar de fato, Em troca de momentos de luxúria... E assim levaste tudo que era teu, Fingindo que eras meu em cada ato... Meu erro foi a minha própria incúria! Brasília, 16 de julho de 2010 44 EXÍLIO De mim me encontro longe nesta tarde fria, Não sinto mais em mim tristeza ou saudades, Não tenho mais desejos, sonhos, vaidades, Nem mil fulgores que já tive em mim um dia... Sozinha vago dia e noite, noite e dia, Não levo dentro em mim certezas nem verdades, Deixei aquém os meus amores, amizades... Andejo só e nada levo! Estou vazia! Vazia de mim mesma calma e só prossigo... De tudo estou liberta! Leve sigo adiante... Restou-me só etérea alma que flutua! Na aurora que já vem encontro o meu abrigo. Imensa paz eu sinto neste raro instante Em que sozinha vago, de mim mesma nua! Brasília, 12 de julho de 2010. 45 SÚPLICA! Oh! Morte amiga! Por que me condenas A ser um ente que na bruma andeja, Levando tantas mágoas, tantas penas, Sem ter a paz que todo ser almeja? Quisera eu ter estórias mais amenas, Sem esta dor que dentro em mim chameja... E me livrar das coisas mais terrenas, Do meu penar que tanto dói, lateja! Oh! Ponha fim no meu sofrer, calvário! Senhora eu quero ir contigo agora, Sem despedidas, sem adeus, delongas... Quero partir nas asas de um canário, E adejar por este mundo afora... E me perder nas tuas noites longas! Brasília, 12 de julho de 2010. 46 LAMÚRIA Enquanto vida busco morrem os sonhos, As mil quimeras, todos devaneios... Enquanto trago em mim fulgor, anseios, Depressa findam os dias meus risonhos. Apenas ficam sombras do passado, Silentes sombras que se vão ao léu, Por entre as brumas frias, denso véu, Que o pensamento deixa até turvado... Enquanto sonho tudo se estilhaça, E sem respostas morrem meus desejos, Em plena vida, firmes, tão sobejos!... De dor sem fim minh’alma se espedaça, E meus clamores viram pó, fumaça... Sem eco, quais canções dos realejos! Brasília, 10 de julho de 2010. 47 NOSTALGIA A casa está vazia e tudo está silente! Queixumes há no ar, trazidos pelo vento, A luz é tão sutil! E tudo está cinzento... Saudades há no ar. Tristeza está latente. Em tudo tu estás! Não há como negar... Há cheiro teu em mim, há marcas dentro d’alma, Em tudo te pressinto! No teu olor que espalma... Tu és o meu viver! Tu és meu céu e ar! Respiro fundo e penso: estou tão só agora! Não tenho o teu amor, de mim tu foste embora... Passou-se o tempo em mim, passaram-se mil luas... Mas tu vives em mim... Estás na minha aurora! Em tudo tu estás! Em tudo te insinuas... E sangram minha tez, saudades que são tuas. Brasília, 07 de julho de 2010 48 BRINDEMOS Brindemos nosso amor agonizante, Que entre mil tormentas já se esvai, Na aurora fria que tristonha cai, Depois de um dia quente e esfuziante! Brindemos nosso amor amigo e amante! Sem reclamar, sem dar sequer um ai, E tudo que com triste fim se vai, O sol tão belo, a tarde radiante! Amamos tanto! E isto é o que importa! Amamos tanto! Saudade há de vir, E depois dela muita nostalgia... Lembrar que nos amamos me conforta... E tu serás a luz do meu devir, Razão de meu viver, minha poesia! Brasília, 1º. De julho de 2010. 50 CADÊ?! Cadê aquelas mãos tão firmes, ternas, Que me afagavam sempre com carinho? E entornavam amor em nosso ninho, Naquelas horas breves, mas eternas?! E que exploravam meus confins, cavernas... Deixando os meus lençóis em desalinho? E derramavam sobre mim o vinho, Que se escorria entre as minhas pernas?! Cadê aquela voz macia e rouca, Que murmurava em meus ouvidos juras? Aquele olhar que me crivava inteira? Aquele que, d’amor, me punha louca? E que quebrava meus grilhões, censuras? Há muito não és meu dessa maneira! Brasília, 29 de Junho de 2009. 50 51 CANTO DE DOR Bem que podias ser tal qual a maritaca, Que expressa entre afagos tanto amor, carinho, Sussurra ao seu amor, de modo bem baixinho, E sem pudor qualquer o seu prazer desata... Podias ter também essa ternura inata, Fazer-me cafunés e dar-me mil beijinhos, E de prazer fazer virar os meus olhinhos, Fazer-me enternecer d’amor na hora exata! Bem que podias ser assim, tão companheiro, E dar-me abrigo quando a ti eu busco, beiro, Num doce enlace que jamais tive na vida... Bem que podias ser assim também brejeiro, E dar-me sempre a mim amor, paixão, guarida, Mas vivo assim tão só, por ti sou esquecida! Brasília, 27 de Junho de 2010. 51 52 TRISTE ANDEJA Na noite escura, fria e aveludada, Sozinha vago no sidéreo espaço, Levando n’alma tanta dor, cansaço, Por te amar assim, sem ser amada... Pisando nuvens tristes da saudade, Andejo pela noite sem estrelas, Se elas surgem, eu não posso vê-las, O pó astral o meu olhar invade... E no silêncio frio e tão cortante, Quisera ter-te, mesmo por instante, Ouvir a tua voz, que me conforta! Quisera ver de novo o teu semblante, Sentir a paz que tua voz transporta... Mas tu não vens e nada mais me importa! Brasília, 27 de Junho de 2010. 52 53 CASTELOS DE AREIA Meus sonhos se desfazem quais castelos De branca areia, feitos lá na praia, Dourados quando o sol se põe, desmaia... O céu tingindo com seus tons singelos... Castelos frágeis, mas que são tão belos, Erguidos onde o mar, sem dó, se espraia, Beijando o que se encontra em sua raia, E as ondas neles batem quais martelos... Castelos que não têm sequer esteios, Erguidos com meus sonhos, meus anseios, E que na praia a onda vem e pisa! Etéreos sonhos que desfazem a brisa, Que sobre tudo vem e vai, desliza, Ruindo os seus castelos, devaneios... Brasília, 18 de Junho de 2010. 53 54 CICATRIZES (III) Rabisco agora, com meu sangue tinto Esta alvadia tela, sem pudor, Para falar de minha mágoa e dor, Daquele amor que agora está extinto... Saudade dentro em mim também pressinto, Daqueles tempos prenhes de fulgor, Marcados por prazer, por tanto amor, Sempre brindado com um vinho tinto! Silencioso estás! Mais nada dizes... Tristonha lembro dias mais felizes, De amor replenos, hoje tão fugazes... Se agora sofro, muito tu te aprazes... E teus silêncios são demais vorazes E n’alma minha deixam cicatrizes! Brasília, 16 de Junho de 2010. 54 55 CICATRIZES Se cicatrizes tenho hoje em meu semblante E já não trago nele um jeito doce, infante, E agora vivo esta vida vil, errante, Outrora fui feliz, amado meu, amante... Se agora tenho em minha face cicatrizes, Se da tristeza porto todas as matizes, E não mais tenho tantos dias bons, felizes, Porque, amor, demais sofri com teus deslizes! Se hoje estou assim tão só e tão sem viço, E tenho um jeito duro, amargo, irritadiço, Porque, amor, quase morri com o teu sumiço! se meu olhar já não traduz serenidade E essa tristeza meu semblante sempre invade, Porque, amor, deixaste em mim, só dor, saudade... Brasília, 16 de Junho de 2010. 55 56 DESILUSÃO Fecho meus olhos para ver a luz da vida, com todo brilho que ela tem na sua estrada, nesse momento penso tudo, digo nada... E vejo então a tua imagem tão querida! E fico ali, a olhar-te amor, tão comovida! Pelas saudades, sem querer, eu sou levada... Por teu olhar eu sou, sem dó, acutilada, E não encontro em teu regaço paz, guarida... Fecho meus olhos para ver-te mais de perto, E tu pareces como o oásis no deserto... Quanto mais chego mais distante tu te vais! Desencantada, desse sonho eu me desperto, Porque bem sei que não vou ter-te, amor, jamais, E no vazio vão morrer também meus ais... Brasília, 07 de Junho de 2010. 56 57 SOLITUDE Se agora estou sofrendo, outrora fui feliz Eu fui amada e amei o tanto quanto pude, E sonhos mil teci... De outros me desfiz... Eu conheci o amor, sua fugaz virtude... Quem hoje assim me vê não pensa ou não diz, Que conheci a paz, que eu não era rude, E não tinha na face estranho e vil verniz, Mas hoje estou assim, mais nada me delude. O pranto que eu chorei ninguém o viu, decerto, E a dor que eu senti inda me sangra tanto, Amar como eu amei jamais amou ninguém... Agora estou aqui, e tudo está deserto, Na noite eu vago só, na face eu tenho o pranto... Não tenho mais você! Só tenho o seu desdém! Brasília, 05 de Junho de 2010. 57 58 FIM DE CASO (II) Com a frigidez da morte e olhos baços, Cortante olhar gelado, tão sovino, Com jeito torpe e gesto assim felino, Foste invadindo todos meus espaços! Já não tens mais doçura, nem abraços... Nenhuma paz! És puro desatino! Perdeste o jeito doce d’um menino... E os teus carinhos hoje são escassos! Já não és mais amigo, nem amante E tua ausência é, também, constante... Já não me trazes paz, amor, carinho... E não compartes mais comigo o vinho, Vazio estás de mim, vazio o ninho... Só desamor expressas no semblante! Brasília, 12 de Maio de 2010. 58 59 NAVALHA FINA Navalha fina corta a minha tez, penetra minha carne e o meu imo, jorrando todo sonho meu no limo, sem ter sequer um gesto mais cortês! Quebra meus sonhos todos de uma vez, leva da vida tudo que estimo, o meu devir, as coisas que mais primo deixando-me assim, como tu vês! Fina navalha que cortante fere o meu viver sem ti, sem teus amores, sem te seguir na vida, onde fores... Por mais que eu tente e que, enfim, me esmere e que mil versos neste mundo gere, eu não expresso meu penar e dores! Brasília, 08 de Maio de 2010. 59 60 QUIMERAS O que restou dos sonhos que sonhei um dia? Pedaços, cacos, sombras mil na noite escura, que agora cato pelo chão com tal ternura transformo em versos prenhes de fulgor, poesia... Os sonhos que eu sonhei um dia, onde estão? Estão aonde as mil quimeras tão sonhadas? E tuas mãos macias, firmes, tão amadas... A tua voz suave e rouca? Não sei não... A nostalgia vem, faminta e sem piedade devora este meu ser, meu sonho assim se evade... Sonhar não posso mais com os beijos teus afoites. Dos sonhos que sonhei restou, enfim, saudade que inunda minha vida, minhas longas noites E fere minha tez, com seus febris açoites... Brasília, 29 de Abril de 2010. 60 61 NOITE FRIA... A noite é fria e fria está minh'alma, insone choro o amor, que foi-se embora, não sei o que fazer de mim agora, tornei-me pura dor, que em mim se espalma... Dorida tento, em vão, manter a calma, e em meio ao pranto e a dor, eu vejo a aurora, E já não sou também, de mim, senhora... E nada me consola , nem me acalma... E tua sombra, ao longe, já se evade, E o frio n'alma minha não minora, Não tenho mais guarida, nem esteio Tornei-me um mar de pranto, dor, saudade... Saudade que, faminta, me devora, Na noite fria e triste, só, pranteio... Brasília, 27 de Abril de 2010. 61 62 SAUDADE... Sorrateira e cortante qual navalha Vai singrando minh’alma triste e nua... E, silente, no imo meu flutua, Como louca, depois grita e gargalha! Bate fundo! Provoca dor imensa! E esgarçando meus véus, minha censura, mil promessas baixinho me murmura, Seduzindo minh’alma tão infensa! Devagar, mas constante, me assedia, Sem detença, sem ver se é noite ou dia Construindo mil pontes com o passado... Sem licença, de modo firme e ousado, O meu ser deixa todo acutilado, Mergulhado em profunda nostalgia! Brasília, 18 de Abril de 2010. 62 63 Desilusão! Se eu fosse um passarinho voejaria nos teus ares, em ti faria o meu ninho... Oh! Fonte dos meus penares! Bicaria, com carinho, teu corpo em todos lugares, pois tu és o meu benzinho, apesar de não me amares! Mas passarinho não sou, nem voejar também posso, estou presa aqui no chão! Ficar no meu canto eu vou, pois meu sonho não é nosso, nem é meu teu coração! Brasília, 30 de março de 2010 63 64 Esperanças A porta aberta sempre e a luz mantida acesa, Discreta luz que freme e forma sombras, feixes, E eu cá estou tão só, com medo que me deixes, Ou entres sem bater! Não tenho mais certeza! Na mesa está o vinho, e toca o tango nosso, A flor perfuma o ar. Na cama há teu cheiro... Bem que podias vir! Voltar mais que ligeiro! Quisera te esquecer, mas juro que não posso! Espero assim por ti, meus sonhos não sepulto... Mas quando não te vejo, a minha dor oculto. Relembro teu olhar, teu jeito que amo tanto! Eu penso em ti amor, silente rola o pranto, E sei que vais chegar! Voltar com teu encanto. Espreito o vão da porta e busco por teu vulto... Brasília, 25 de março de 2010 64 65 Ave ferida Sou como ave que sozinha voa No céu da vida, sobre o mar profundo, Perdida ao léu, vagando assim à toa, Buscando a ti, nas nuvens eu me afundo... E vou seguindo, sem ter paz, guarida, Levando n’alma tanta dor sem fim... Seguindo ao léu, no imenso céu perdida, Por sobre o mar, a te buscar assim... Sou como ave que ferida esvai, Agonizante, sem ter rumo certo, Silente voa, sem dizer um ai... Por sobre o mar, em pleno mar deserto, Sem norte, eu busco o meu destino incerto, Na madrugada, que sangrenta cai... Brasília, 06 de março de 2010 65 66 Saudade Saudade dentro do peito lateja, provoca dor... E tudo parece estreito, Perde seu brilho e esplendor! Saudade... Filha do amor, transformada em triste pranto, segue-me, seja onde for... É tão tristonho seu canto! Saudade que sangra a alma que se esvai em plena vida, rompe tudo, faz ferida! No meu ser logo se espalma, rouba-me a paz, minha calma, a tua sombra querida! Brasília, 21 de fevereiro de 2010 66 67 Desmonte E nada está aqui, nada restou de tudo que um dia foi meu lar, e foi também meu ninho, vazio tudo está, não há sequer espinho, não tem mais cor e tom, não é mais meu escudo... Perfume já não há e tudo está desnudo! Morreu o nosso amor, quebrou-se nosso vinho, E nem carinho há, o amor morreu sozinho... Tristonho e só se foi. Morreu calado, mudo! O sonho que sonhei tornou-se pó, escuma... Das rosas que plantei eu não colhi nenhuma, Morreu o meu jasmim, sem ter sequer florido! Não há lamento e dor, ninguém saiu ferido, Não há o que lembrar, daquele tempo ido, que agora virou pó, na mais profunda bruma! Cuiabá, 10 de fevereiro de 2010. 67 68 Madrugada do amor Foi tão alegre o nosso alvorecer, O passaredo todo, em sinfonia, Cantava tanto, prenhe de alegria, Que até o céu chegava a enrubescer... E nós, dois jovens, loucos de ansiedade, Cheios de sonhos, plenos de poesia, Sequer nós vimos que passara o dia, Que se tornou agora só saudade! A madrugada escura, triste e fria Chegou depressa, sem qualquer piedade, E sepultou o amor, que era nosso! E agora sinto infinda nostalgia, E vago pelas ruas da cidade, Tentando esquecer-te, mas não posso. Cuiabá, 27 de janeiro de 2009. 68 69 Ó, mar... Quisera ter, ó mar, a tua força imensa! E ser profunda e livre, como as águas tuas, que rolam pelas praias, sobre areias nuas... Mas frágil sou e nesta vida sou infensa... Quisera ser, tal como és, ó mar, extensa, Ter horizontes quais os teus, tão anchos, belos... E ter, com a vida, tantos laços, tantos elos, E ter encantos, ter devir, ser forte, intensa! Quisera ser as ilhas que, fremente, tu enlaças, Dos teus remansos, ser as águas calmas, lassas, Poder beijar, na extrema unção, o sol sangrento! Mas minhas forças se esvaem, quais fumaças, Eu sou tão frágil! Como as ondas me arrebento! Suplico, mar, contigo leva o meu tormento... Cuiabá, 09 de novembro de 2009 69 70 Nau perdida O tempo eu vou singrando, e como nau perdida, Em mar revolto, só...Em meio a tantas brumas, Buscando vou, além, por entre mil espumas, O que restou de mim, dos sonhos d’uma vida! Do tempo, o denso véu esgarça, nessa lida, E a ti eu vejo, então...Mas logo tu esfumas, Sumindo pelo ar, flutuante como plumas... E em mim revivo a dor, que nunca foi cerzida! Nas brumas fico assim, como se fora nau Sem norte, sem lugar! Sem nada e sem ninguém... Eu volto a te buscar, refém de meu passado. Teimando, pelo mar, eu vou buscando um vau, Pra te buscar amor, nas praias ir também... Mas nada encontro, enfim! Nas brumas, só, eu vago. Cuiabá, 16 de novembro de 2009. 70 71 Ode à solidão! Na noite de minh’alma, sem estrela, A lua, que perdi, eu busco, em vão, Espreito-a, só, tentando sempre vê-la, No manto de seu véu, no seu desvão... E frágil como a chama d’uma vela, Buscando vou, a lua, em meu porão... Comigo, a minha dor, voraz, duela, Vencida, sem devir, me rendo, então! No imo, eu trago agora, grande chaga, Que a dor, em mim causou, com seu açoite, Que só aumenta o meu sofrer, penar... Prossigo, sem descanso, a minha saga... Levando n’alma tão infinda noite, Sem lua, sem estrela, sem luar... Cuiabá, 14 de outubro de 2009. 71 72 Monólogo Por onde vou andar? Caminhos já não tenho! E morta está em mim a chama desta vida, Cansei de tanto andar! Cansei de minha lida! Não sei aonde ir, no meu mundo terrenho... Por que assim fiquei? E assim eu me mantenho? De mim mesma estou distante, tão perdida, Não sei por que fiquei tristonha, só, dorida! Perdi os sonhos meus, e nada mais detenho! E os tesouros meus? Pergunto-me também: Será que vão ficar no fundo desses poços? Meus versos vão morrer, depois de tempos idos? E a sombra minha irá comigo, qual refém? Depois? Depois não sei! Em meio aos meus destroços Decerto vão achar os sonhos meus perdidos! Cuiabá, 9 de Outubro de 2.009 72 73 Sonhos e delírios! Por vezes ouço tua rouca voz que chama O nome meu. Por vezes eu sinto-te aqui Dizendo que me queres sempre junto a ti, E sinto o cheiro teu, de amor, na minha cama... Por vezes sinto teu calor, tal como chama, Queimando-me por dentro! E já, também, senti Tua presença! E assim lembrei do que vivi Juntinho a ti!Meu ébrio ser por ti reclama... E sinto em minha tez as tuas mãos ousadas, Os lábios teus nos meus, qual beija-flor na rosa! E sinto, algumas vezes, teu febril desejo... Por vezes sinto em mim as tuas mil foiçadas, Cortando as minhas verdes matas, tão frondosas... E acordo, então, sem ti! E nua e só me vejo! Cuiabá, 9 de outubro de 2009. 73 74 O teu amor que desejo O teu amor que desejo E que me vira do avesso, Que tanto canto e versejo, Tão feiticeiro e travesso... Tem um encanto sem par... De longe me espia mudo, Mas é estranho, contudo, Esse teu jeito de amar... Fica de longe a espiar, Todo cheio de segredos... Se fala é cheio de enredos! Inútil meu desejar, Tu me escapas pelos dedos, Silente como os rochedos! Cuiabá, 7 de Outubro de 2009. 74 75 Minh’alma andeja! Por essas rotas sem fim, caminha minh'alma andeja, vive à procura de mim, desta simples sertaneja! E depois de tudo, enfim, de enfrentar tanta peleja, uma saudade sem fim! no meu peito ela solfeja... E canta triste canção, E a minha lira dedilha... Sem dó, meu ser esmerilha... E não tem sossego, não! O meu caminho sepilha, Atrás de mim sempre trilha! Cuiabá, 7 de Outubro de 2009. 75 76 Quando eu morrer Quando eu morrer, minh’alma, como a garça, Há de planar, feliz, o meu lugar... E lá dos céus, silente, há de olhar O sol, que a noite, aos poucos, já esgarça... Há de sentir a chuva fina e esparsa Que, aos poucos cai por sobre a terra e o mar, E bem suave, leve, qual fumaça, Nos céus de minha vida irá voar...! Há de rever as serras, matas, rios, E tudo que deixei por lá um dia, Aldeias, índios, roças, muito mais... Os pantanais, seus braços tão macios... O amado meu! Que tanto me queria! Depois, talvez, há de partir em paz! Cuiabá, 05 de Outubro de 2009 76 77 Solidão! Tu me deixaste só, no frio e triste leito, Na colcha de cetim, macia, rubra e viva... Faminta me devora, a dor que rói meu peito, Porque bem sei que sou, do teu amor, cativa...! Ferida e sempre só, silente assim me deito, Deixei de ser, também, fogosa amante ativa... Os secos beijos teus, o teu furtivo jeito... Não mata minha sede e do prazer me priva! Calaste a Outra em mim! Pressinto que nem vistes, A chama que apagou nos beijos que não dei! Não sinto mais prazer, secaram minhas águas! Por entre os meus lençóis, em seus vazios tristes, O pranto que secou, os versos que calei... E ver-te, enfim, tão só, aumenta as minhas mágoas! Cuiabá, 4 de Outubro de 2009. 77 78 Angústia! Angústia profunda! Estranha! Feita de melancolia... Que minh’alma sangra, arranha Gerando em mim tal sangria! Angústia enorme, tamanha Que me deixa assim vazia... Que minh’alma ara e amanha, E que por dentro me espia! Angústia que me acompanha Dia e noite, noite e dia... Que revolve minha entranha, Prenhe de pura agonia! Angústia! Angústia profunda! Que, sorrateira, me inunda! Cuiabá, 1 de Outubro de 2009. 78 79 Saudades...amor Saudade, meu bem, saudade de teu cheiro de açucena... de tua pele morena... Saudade que assim me invade! Viver sem ti eu não posso, longe de ti eu padeço, de mim mesma me esqueço, lembro tudo o que é nosso! Saudades de teus carinhos, de teus beijos tão sedentos, de teu calor que me aquece! Saudades de teus denguinhos, de teus doces acalentos, tudo sem ti me entristece! Cuiabá, 29 de setembro de 2009. 79 80 Sombra Errante... Há uma sombra que na noite vaga Por entre os véus de estrelas, suas redes, Distante deste mundo, como vedes, Cumprindo sempre a sua triste saga! Por entre os astros erra noite e dia, Sem ter consigo a paz que tanto busca, O parco brilho seu, a lua ofusca... Tornou-se triste, só e tão vazia! E sombra é de quem um dia eu fui, Não tem, d’outrora, suas mil pujanças... Andeja triste pelo espaço, só! Na escura noite sempre se dilui, Não sobra dela nem sequer nuanças, Na noite escura se resume a pó! Cuiabá, 19 de setembro de 2009. 80 81 Vazios Vazia estou! Sem rimas, sem meus versos! Deserta está minh’alma nesta noite, A solidão me fere como açoite, Meus pensamentos voam tão dispersos... Sequer encontro oásis nas palavras, Que fogem todas para os meus desertos, Os versos meus estão demais incertos, E nada encontro nessas minhas lavras... O corpo está aqui, mas nada sente, Não sinto mesmo a fresca brisa, o ar... Caminho por terrenos mais sombrios! Vazia, estou presente, mas ausente... Suspensa nessa vida sem lugar, Flutuando pelas águas dos meus rios! Cuiabá, 18 de setembro de 2009. 81 82 Atriz Se hoje choro, meu amor, um dia fui feliz... Como pássaro livre e voando pelo espaço, Sem ter n’alma essa dor, tristeza, só cansaço, Nem trazia na tez, disfarce, pó, verniz... Se hoje eu sofro demais e vivo por um triz, Ontem mesmo sorria, entregue ao teu abraço, Delirando de amor, dormi no teu regaço... Se eu pareço feliz, talvez eu seja atriz! Se eu te quis, desejei, agora quero mais, Mas em ti não encontro aquele amor d’outrora, E nem vejo também desejos, luz, encanto... Esquecer-te, meu amor, não posso não, jamais... Como atriz, sem pudor, mascaro tudo agora, No meu imo, porém, borbulha farto pranto! Cuiabá, 18 de setembro de 2009. 82 83 Ponto final! Se assim preferes, não te busco mais, aceito teu silêncio vil, covarde... Aqui me calo, sem fazer alarde, E os outros não irão saber, jamais... O que tu me fizestes, doeu demais, É chama que me queima e tanto arde, Nada mais vale, pois para mim é tarde, Desprezo tuas falas tão formais. Não fales, teu silêncio já diz tanto. Prossegue teu caminho e vá adiante, Se te perdi, perdeste até demais! Perdeste meu querer, meu doce encanto, O meu carinho, meu amor constante, O colo em que choravas todos ais... Cuiabá, 18 de setembro de 2009 83 84 Horas mortas São bem tristonhas essas horas mortas, Perdidas entre a noite e o fim do dia... Em que parece estanque a vã sangria Do sol que vai e fecha suas portas. Eu sinto em mim um resto de alegria, Também tristeza, que me rouba a calma, E que depressa sobre mim se espalma... Ao fim de tudo sinto-me vazia... E se beleza existe no arrebol, Lá dentro d'alma ocorre um desmonte, E as aves não gorjeiam nessa altura... De certa forma morro como o sol, Que lento sangra e caí por trás do monte E dá lugar à noite triste e escura.... Cuiabá, 17 de setembro de 2009 84 85 A minha vida A minha vida, mera nau perdida, Vagando em alto mar sem rumo certo Busca por teu amor, também incerto, Não tem um porto que lhe dê guarida... Vagando ao léu, errante nau ferida Sozinha, como oásis num deserto, Buscando vai, em pleno mar aberto, A tua face, sempre assim querida... Errante nau que singra o mar bravio Sem ver ao longe terra firme, ilha, Sem ter sinal de ti, sozinha vai... Minh'alma, terra arada, sem pousio, Tristonha vaga, seu destino trilha, Na aurora que, sangrenta, já se esvai... Cuiabá, 17 de setembro de 2009. 85 86 Devolve-me... Devolve, para mim, o que roubaste quando naquele dia tu partiste, deixando-me vazia, só e triste... causando, então, tamanha dor, desgaste... Devolve o sol que, cedo, me tiraste, a luz que já não brilha, mas existe, a flor que, mesmo murcha, assim resiste, minh'alma que, ferida, tu araste... Devolve-me o perfume desta vida As águas que, correntes, me banharam, Devolve aos meus rios, suas águas... Devolve-me também a paz sorvida por estes lábios teus que me beijaram, deixando em mim profunda dor e mágoas... Cuiabá, 15 de setembro de 2009. 86 87 No fundo desse rio ... No fundo desse rio há lajedos e folhas mortas, soltas pelo vento, só podem vê-las um olhar atento, marcado pela dor e por degredos! No fundo desse rio há segredos desenterrá-los, nem sequer avento, Cobertos são por lodo tão barrento, silenciosos como bons rochedos! O fundo desse rio é meu mundo, Onde se escondem tantos sonhos meus, que nas barrentas águas se perderam... Quais folhas mortas, ficam lá no fundo... distantes desses olhos que são teus, nas locas desse rio, sós, morreram... Cuiabá, 14 de setembro de 2009. 87 88 Gotas de saudades! Cada gota deste vinho que, devagar, vou sorvendo, recordo de teu carinho, de teu corpo me aquecendo... Sorvendo minha saudade, de longe, tristonha, lembro... Do perfume, que me invade das floradas de setembro... Das alfazemas floridas, De Verona, de seus vinhos, e de teu olhar sedento... De tuas mãos tão queridas de teus beijos, teus carinhos, não me esqueço um só momento! Cuiabá, 13 de setembro de 2009 88 89 Quimera Escuta, amor, a brisa que murmura por entre as relvas frágeis, destes campos seus versos puros, feitos de candura, com tanto brilho, quais os pirilampos! Escuta amor, sentindo sua brandura, sua doce voz, que por teu nome clama, tão livre, tão sem pejos, sem censura, com a força que só tem a pura chama! Ser brisa que te tange, bem quisera... roçando esses lábios, que eu desejo, com mil carícias tua pele afaga... Mas tudo é um sonho, só quimera, e ser a brisa, nem sequer almejo... Viver sem ti tem sido minha saga! Brasília, 6 de setembro de 2009 89 90 Melancolia... Daqui, dos meus lençóis em desalinho, eu vejo a chuva que lá fora cai, a luz amena que também se esvai... Sem ti estou aqui, sem teu carinho! E só saudade invade nosso ninho... seu véu, tão denso, sobre mim recai, arranca de meu peito triste ai... E choro, neste canto, bem mansinho! Teu livro, aberto, ainda está na mesa, Em tudo está presente o teu perfume! No copo, o vinho tinto que restou... No canto de meus olhos, ainda presa, a gota de uma lágrima sem lume... Saudades desse amor que me deixou! Brasília, 5 de setembro de 2009. 90 91 Minha mágoa... A minha mágoa é somente mágoa, Vive comigo e só a mim diz algo, Na minha dor somente eu cavalgo, somente em mim seu fel também deságua! Não há porque soltá-la contra o vento, Jogá-la ao chão, pisá-la no jardim... Deixá-la pelos cantos, longe enfim. Somente a mim pertence o seu lamento... Permitam-me vivê-la, como devo, Deixá-la solta ao léu, eu nem me atrevo, Porque nasceu em mim, comigo mora... E vou tratá-la bem, com doce enlevo, Curar a dor que sangra, sem demora... De mim tirar a sua dura espora ! Brasília, 02 de setembro de 2009. 91 92 Os teus fantasmas... Os teus fantasmas seguem-me nas ruas, Nos vãos das noites minhas, tão vazias, Nos meus lençóis em que também dormias, E nos desvãos de minhas carnes nuas... Os teus fantasmas são verdades cruas Que roubam toda a luz destes meus dias, E tornam minhas noites tristes, frias... Replenas de saudades, que são tuas. Os teus fantasmas calam minha lira, Meus pobres versos... Deixam-me vazia... E no meu corpo calam os meus desejos... E sem desejos nada mais me inspira! Queria ter-te aqui! Por Deus! Queria... Sentindo em minha pele os teus latejos... Brasília, 02 de setembro de 2009 92 93 Adeus, meu amor! Agora já me vou pra bem distante, Deixando para trás amor e vida, Seguindo meu destino, sempre avante... De teu amor, meu ser jamais se olvida. Tristeza vai comigo nesse instante Em que, de ti, despeço comovida, Tu foste meu amor, amigo, amante, Meu colo, minha rede e terna lida! Uma tristeza imensa já me invade, Pois deixo para trás meu mundo inteiro, Meus sonhos, com carinho, bem bordados! Do teu olhar carrego só saudade, Do corpo teu, que tanto amo, o cheiro, Dos lábios teus os beijos não me dados! Cuiabá, 14 de Agosto de 2009. 93 94 Desencantamento Desilusão profunda! O fim! No peito a dor, A corrosiva dor que só maltrata tanto! Ressentimento, mágoa, medo, raiva, horror... E na dorida face triste tomba o pranto! No coração o fel. E n’alma só rancor! Humilhação por quebra vil de doce encanto. Desesperanças nuas! Sonhos vãos, de amor! O desespero! A dor! No rosto o puro espanto! Uma tristeza ver o seu amor com outro A receber carícias, beijos,tudo, enfim... E num momento só perder o chão da vida! Nada mais ser também...Assim perder o cetro. Perder pra sempre seu amor..Sentir seu fim! Levar no peito imensa dor, febril ferida! Cuiabá, 12 de agosto de 2009. 94 95 Indiferença... Tu sabes, sei, embora me desprezes tanto, Que muito nos amamos e eu te amei, querido! Que fomos tão felizes noutro tempo ido, Tão prenhe de fulgor, de paz, de doce encanto! Tu sabes que por ti, também rolou meu pranto, Que foste minha estrela, luz, calor, sentido... Sabemos nós do louco amor, enfim, vivido! Do fogo da paixão, presente em cada canto! E se hoje ostentas não sentir por mim mais nada, E, indiferente assim, tu passas, tão silente... Nosso passado, onde fores, vai contigo! Eu fico muda, tão sentida e tão calada! Porque o passado, pra mim, é dom, presente... Que tanto prezo e nesta vida só bendigo! Cuiabá, 05 de Agosto de 2009. 95 96 Perfídia Que gosto estranho o teu, ferir-me tanto! E dar-me falsos beijos, vis abraços! Chorar por mim tão vago e ralo pranto, Se não me queres mais nos teus espaços... Desprezo teu pressinto em todo canto, O ódio teu percebo, teus rechaços! É vil fingir sentir tão falso encanto! Percebo teu desprezo, teus cansaços. Porque fingir que amas, se é mentira? Porque manter assim sutil disfarce? Porque guardar também rancor tão vil?! Por trás do falso véu teu ser conspira, Quem sabe um dia frágil véu esgarce, E então revele todo o teu ardil... Cuiabá, 4 de Agosto de 2009. 96 97 Tristeza, vai embora! Tristeza! Oh! Levanta! E vai embora! E deixa-me, sem dó, ficar sem ti! Cansada , só, minh’alma vaga e chora... Há muito estás comigo! Estás aqui! Não quero que tu fiques, ó, Senhora! Pois muito já chorei e já sofri... Não quero mais viver contigo agora, Pois muita dor, por ti, eu já curti! Tristeza, vai pra longe, me abandona! Preciso ficar só neste meu ninho... Careço andar sozinha outra vez! Não quero que tu sejas minha dona, Tu és na minha vida fino espinho, Que fere e sangra toda a minha tez! Cuiabá, 2 de Agosto de 2.009. 97 98 Fim de tudo! Silêncio, por favor! A noite é fria! Minh’alma vaga pelas brumas densas, E só está! Exausta e tão vazia... E longe está, bem mais do que tu pensas! De bem distante mira, pensa e espia... O teu corpo mortal, tuas mãos bem tensas, E já não és o mesmo! Quem diria! Distante estou de ti! Bem mais que pensas! Silêncio! Por favor! Na noite escura Meu ser distante, sofre e triste chora! No véu da noite fria vaga só! Já não tens mais, enfim, calor, candura! E nada mais restou de nós agora, O teu querer virou somente pó! Cuiabá, 2 de Agosto de 2009. 98 99 Desabafo! Por Deus! Estou cansada deste mundo vil! Da inveja, da perfídia, desta dor sem fim... Daqueles que só vivem pra tramar ardil... Cansada de viver sem paz, sem luz, enfim! É triste assim viver num mundo duro, hostil! A inveja é punhal que fere fundo em mim... Arranca toda estrela de meu céu anil! É triste! Oh! Meu Deus! Viver a vida assim! Oh! Deus! Estou cansada, triste, sem coragem! Não quero a dor que corta e fere tão profundo! Cansada estou dos beijos vis e tão perversos! Estou na vida por acaso! Só passagem! Eu nem pertenço mais a este pobre mundo! E nada vou levar comigo! Nem meus versos! Cuiabá, 31 de julho de 2009. 99 100 Triste andeja De muito longe vim, triste andejando Pisando flores rubras da saudade, A ruminar a dor que hoje me invade... E a me buscar eu sigo caminhando! Eu vim de muito longe, bem distante, A repisar os lírios de Narciso... E caminhando sigo, pois preciso Recuperar, em mim, a paz constante! Regando o chão com lágrimas, caminho... A repisar a dor que não morreu, E que, presente em mim, sangra e coleia. O sonho que sonhei virou espinho Quebrado em mil pedaços, feneceu, E enterrado está na morna areia! Cuiabá, 28 de julho de 2009. 100 101 A dor do desprezo! Teu desprezo corta mais Do que o fio de uma navalha Sangrando veias fatais... Rompendo forte muralha! Desprezo que dói demais... Sem nada que se equivalha, Roubando-me toda a paz... Que minha força esmigalha! Navalha fria e cortante, Que me exila de teu mundo Sem compaixão, ironia... Desprezo que dói constante Que fere sem dó, profundo, Que me esvaí em vã sangria! Cuiabá, 27 de julho de 2009 101 102 Cismas! A distância, entre nós, mais que eloqüente, Um grotão bem profundo! Triste abismo! Sem metáforas, rimas ou cinismo, Fala mais do que tudo o que se ostente... Tua ausência de modo tão presente, Vai matando, do amor, o seu lirismo! E a pensar, fico muda, e mesmo cismo Que buscar-te, não devo, simplesmente! Se a mentira transpira em tua tez! Se as palavras se escondem da verdade, Nada dizem, vazias, reticentes... Se esse olhar, me impõe tanta mudez! O não dito, no dito, com resguarde, A gritar, fala mais do que bem sentes... Cuiabá, 02 de junho de 2009 102 103 Confissões Eu bem que pressenti a tua despedida... Naquele triste olhar, no beijo tão sem viço! Não tinha mais o mel, ou a força de um feitiço! Tu sabes, pressenti, tristonha e comovida... Bem sei que eu permiti, fiz-me desentendida, Senti profunda dor, e o chão bem movediço... Eu, triste, percebi, com olhar alagadiço, Porque jamais pensei perder-te nesta vida! Eu pressenti, bem sei, no abraço sem calor, Vazio de prazer! Carente de sentidos! E não me davas mais carinhos consentidos! Bem sabes que senti distante o teu olor, Não posso nem lembrar minha profunda dor... A dor que estilhaçou meus sonhos não vividos! Cuiabá, 30 de junho de 2009 103 104 Vingança! Hoje te quero tanto e muito mais que outrora, Inda que traga em mim profundas cicatrizes! E que indizível dor sofri com os teus deslizes... E que, em vão, sonhei, por esse mundo afora! E agora o sol se põe! Enfim só resta a aurora! Banhada em doce luz, que tanto tu bendizes... E no sanguíneo céu teus olhos focalizes... E a solidão, sem par, faminta te devora! Hoje te quero assim, embora entristecida... Por ser a tua luz no fim de tua vida Quando morreu em mim, do amor, a vã pujança! Depois de tanto amar! De inútil esperança, Tanto te quero assim, quiçá só por vingança! Pois hoje tens a mim, nostálgica e vencida! Cuiabá, 30 de junho de 2009. 104 105 Quimera! Eu aprendi com a vida Que tudo se acaba Não restando nada Após a partida... Tudo é ilusão! Tudo é quimera E nada se espera Ao fim da paixão! Que tudo se esvai Vira só fumaça! Nada mais que pó! Quando a noite cai E tudo se esgarça... Resta ficar só! Cuiabá, 27 de junho de 2009. 105 106 Adeus! Vai com cuidado, e pisa devagar, Nesse meu chão bastante calcinado... Depois que pela dor foi bem rasgado, Assim depois de tanto se entregar! Neste meu pobre chão não há lugar Que não ficasse roto e acutilado, Que não deixaste só, abandonado! Porque insistes tanto em se achegar?! Hoje sou terra bruta, novamente, Reabilitei também o dom de amar! E viça em mim tão bela e nova flor! Não te desejo mais, tão simplesmente! De mim, não deves mais se aproximar, Mataste sem pensar tão grande amor! Cuiabá, 21 de junho de 2.009. 106 107 Ressentimento Bacante! Tu me chamas, com ironia Perdida e só no pélago da vida, Nas alvacentas brumas, tão vencida! Um simulacro só, sem galhardia! Mísera nau, ao léu, sem luz do dia! Assim me tens, bacante, só, perdida... E que lasciva, nua, desmedida, Tão sem pudor, se entrega à luxúria! No teu olhar não vejo mais o lume, Daquele amor que fora meu antanho Ficou tristonho, sem alumbramento! Não sou bacante, ou vinho que se escume, Em qualquer boca impura d'um estranho! No coração só tens ressentimento! Cuiabá, 11 de junho de 2009 107 108 Águia abatida! Até depois da partida Chorarão os olhos meus, Pois é triste a despedida Desses olhos que são teus! Ver partir a quem se ama, É ser, por dentro, erodida! A alma sofrendo reclama Fica tão triste e dorida! Como águia abatida, Só, sem carinho, sem abrigo, Sangrando, sem ti, se esvai! Oh! Amor de minha vida! Minh’alma segue contigo! Na noite escura que caí! Cuiabá, 9 de junho de 2.009. 108 109 Eu vi morrer o amor... Eu vi morrer o amor, triste e sozinho! Aos poucos se perdendo, sem guarida, Eu vi o amor morrer em plena vida, Carente de atenção, no próprio ninho! Eu vi morrer sem colo e sem carinho, Sem zelo, sem afeto e dor sentida! Sem nada que curasse sua ferida! Eu vi morrer chorando bem baixinho! Não sei por que deixaste assim morrer, O terno amor que foi somente amor... O pleno amor profundo que era teu! Eu bem tentei lutar, fazer viver! Morreu assim, sem ti, sem teu calor... Carente, só, sem ti, triste morreu! Cuiabá, 6 de junho de 2009 109 110 O beijo que não te dei! Tantas bocas eu beijei, Tantos prazeres eu tive, E o beijo que não te dei É o que mais sobrevive! Mudo, tristonho, calado Persiste nos lábios meus, Tão cálido e enamorado Desses olhos que são teus! Esconde-se pelos cantos No disfarce do sorriso, No pranto que eu não chorei! Guarda todos os encantos, Ainda é teu e indiviso, O beijo que eu não te dei! Cuiabá, 24 de maio de 2009. 110 111 Minha noite! A lua desvelou sua face bela, Na noite de veludo apareceu! Das nuvens, ela deu escapadela Mostrando o sorridente brilho seu! Seguindo seu trajeto se rebela Sozinha contra o vento, que venceu! As nuvens lhe fecharam a janela, E a noite, de paixão, entristeceu! Aqui, observando, em sentinela Eu fico a repensar o fado meu: A nuvem do destino me flagela, Tirando-me seu amor, que feneceu! Perdida eu estou na noite aveludada, Silente e só, na fria madrugada! Cuiabá, 23 de maio de 2005 111 112 Carta de amor (II) A minha carta perfumada e triste, Foi devolvida íntegra, lacrada... Não sei de ti, amor, porque partiste Naquela longa e fria madrugada! Meu coração teimoso tanto insiste E por querer-te eu vivo ensimesmada... E me questiono, enfim, se me baniste Da tua vida, assim, sem dizer nada! Na minha carta, escrita com carinho, Eu declarara imenso amor, querido, Os meus queixumes todos registrei! Ao ver a carta, eu choro de mansinho Só em pensar que tenhas me esquecido! Não saberás, jamais, quanto te amei! Cuiabá, 23 de maio de 2009 112 113 Nau errante! A nau que vai ao léu, frágil, perdida, Singrando o mar revolto, muito forte, Distante vai sumindo assim, sem norte, Gemendo, vai sangrando o mar, vencida! Oh! Mar bravio! Nunca dás guarida Às naus que enfrentam sempre a própria sorte?! Oh! Frágil nau! No mar te aguarda a morte, Enquanto buscas sempre a própria vida! Oh! Ébria nau! Que sorte triste a tua! Perder-se assim no mar, longínquo e frio... Na rocha, só, quebrar-se em mil pedaços! Por que morrer assim, tão ébria e nua, Singrando errante o mar, forte, sombrio? Por que morrer distante, em outros braços?! Cuiabá, 21 de maio de 2009 113 114 É por te amar assim... Se por te amar assim estou sofrendo E pranteando passo madrugadas... Tão solitária e triste, revivendo, Àquelas horas belas, encantadas! Se por te amar assim estou morrendo, Nas madrugadas longas e geladas... E agonizante e só eu vou vivendo, Amanhecendo tristes alvoradas... É por te amar assim que estou sofrendo Por te esperar, em vão, desencantada, E vou pensando em ti, e me esquecendo... E por te amar demais vou me perdendo Sem esperança, assim, de quase nada... É por te amar, enfim, que estou morrendo! Cuiabá, 14 de maio de 2009 114 115 Pe r eg r in a Ato r m en ta da eu si go m eu c ami n h o A p r o cu ra r p o r ti e m c ada e squ i n a! Eu t en h o an d ad o at r ás d e t eu c a ri n h o, P er e g ri n ar a s si m p a r e c e si n a! Na mi n h a e st r ada t e m t an t o e spi n h o, E es qu ec e r -t e a vi da n ã o m e en si n a. .. On d e en c on t ra r-t e , am o r, n em a di vi n h o , Vi vo a bu s ca r tu a l u z , qu e m e i l u mi n a! E r ev el a-m e , p o r D e u s, a on d e m o ra s, On d e t e es c on d e s ta n to a s si m d e mi m! Qu ai s o s ca mi n h o s n o v os qu e tu ex pl o r as ? P or c omp ai xã o , r e v e l a-me , ó , en fi m .. . Qu e r o s ab e r am o r , s e p o r mi m ch o ra s, Qu e r o s ab e r s e tu d o t ev e u m fi m! Cu i abá, 1 3 d e mai o de 2 009 . 115 116 Súplica final! Permite-me calar nessa importante hora... Enquanto a aurora cai agonizante e fria, E no sanguíneo céu abraça à tarde agora No soluçante fim de doloroso dia! Permite-me calar, permanecendo fora, E divagar ao léu... Voar tal qual harpia! Eu necessito ir por esse mundo afora E repensar assim aquele amor que cria! Permite-me partir serenamente e calma Eu necessito luz, vou repensar a vida... Buscar serena paz, que a minha dor espalma! Concede-me curar, cicatrizar ferida, Que latejando dói na minha pobre alma... Permite-me estancar essa mortal sangria! Cuiabá, 11 de maio de 2009 116 117 Alma vazia A minh’alma está vazia, Atolada na mesmice Vagando louca e vadia Já escreveu tanta tolice... Sem palavras neste dia E sem lira que a nutrisse Tornou-se triste e arredia Perdeu-se da meninice... Vaga triste, pobre andeja Na noite escura e sombria Já não sonha ou alvoreja... Já não tem mais alegria E sem versos não avoeja... Perdeu-se da fantasia! Cuiabá, 30 de abril de 2009 117 118 Tristeza Tem dias que bate n’alma uma tristeza sem par Uma dor que nada acalma que no peito vem morar... A dor imensa se espalma Não para de latejar Não a suporta vivalma Nem adianta reclamar... O vivente co’a surpresa Fica mudo, nada fala Devagar ela se instala... A lágrima fica presa No peito vira represa A voz engasgada cala! Cuiabá, 12 de abril de 2009. 118 119 Saudade Essa saudade teima no meu peito E latejando fundo me acorrenta... Eu não suporto mais essa tormenta Que me sufoca tanto desse jeito! Como posseira invade-me no leito Onde, sozinha, vivo tão sedenta de teus carinhos! Dor que me fragmenta, esse teimoso amor que me sujeita! Por que persistes tanto, ó, saudade Em conviver comigo, tristemente? E dessa forma vil, muda me invade? Por que ferir profunda e lentamente Essa minh’alma frágil e covarde?! Quero dormir, sonhar serenamente... Cuiabá, 8 de abril de 2009 119 120 Nefasto silêncio! De repente o silêncio disse tudo! Abismal e profundo, intraduzível! Reduzindo-te a pó, tornou-te mudo... E cativa a tua voz, bem insensível! Ó, nefasto silêncio teu, sanhudo Que sufoca meu sonho! Imprevisível! Ó, punhal cortante, tirano e agudo, Teu profundo silêncio, intransponível! De repente, sem ti, sem teu carinho Fiquei ali, nesse abismo do caminho E o silêncio constante a me ferir! Imponente, insensível e mesquinho... Disse tudo, calando o meu sentir! Destruindo, sem dó, o meu devir! Cuiabá, 1º. de abril de 2009 120 121 Triste realejo! Tristeza profunda, gélida e pungente! Em troca do amor, as lágrimas, verti... E assim dolorida, vivo loucamente, Igual o realejo, só pensando em ti! E frágil me torna a dor tão inclemente! Perfídia e desprezo! Assim eu desisti... Outono em minh’alma cai, sofregamente... Ferida de morte está! E eu consenti! Realejo tristonho cala esse cantar! Outono, impiedoso, vai longe de mim! No chão dessa vida quero descansar... As pálidas folhas íntimas, enfim Carrega, ó, vento! Cala meu chorar! E mata a paixão, princípio de meu fim! Cuiabá, 23 de março de 2009. 121