ano XXXIV
Edição4
O U T /
N O V
2 0 1 1
Publicação destinada à Classe Médica
PSIQUIATRIA HOJE
e s p e c i a l
XXIX CBP foi sucesso
de público e de crítica
Personalidades se engajam
na luta contra o preconceito
> p. 4 e 5
Campanha contra o crack
ganha adesão de jogador de futebol
> p.6
Auditório lotado para ouvir Nobel de Medicina
> p.10
e d i t o r i a l
Saiba tudo que aconteceu no XXIX CBP
E
sta edição do PH é especial. Ela traz um pouco do que
foi o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Durante quatro dias, psiquiatras e profissionais de saúde de
todo o país trocaram experiências e puderam passar
por relevante atualização profissional, comandada por especialistas de renome nacional e internacional.
Com o tema “Acesso a Tratamento e Justiça Social”, o CBP
provou mais uma vez que é um importante instrumento no esforço por avanços na assistência em saúde mental no Brasil. O
assunto ganhou destaque no Fórum das Entidades Médicas. Os
presidentes das principais associações reiteraram o apoio ao
atendimento e à internação psiquiátrica.
Diversos temas da atualidade compuseram a programação
científica do Congresso, que também inovou ao convidar para
a discussão representantes da sociedade civil. As novidades na
área da farmacologia e da pesquisa científica também rechearam a variada programação do CBP.
Nesta edição, você terá detalhes das duas campanhas lançadas durante o XXIX CBP. Com “A Sociedade contra o Preconceito”, a
Associação Brasileira de Psiquiatria pretende acabar com o preconceito que há em relação ao doente mental e ao psiquiatra. E o
movimento começou com força, ganhando a adesão de personalidades da TV, da literatura e do esporte.
Já na campanha “Craque que é craque não usa crack” o objetivo é afastar os jovens dessa droga devastadora. A dependência
química, aliás, foi uma das discussões mais contempladas na programação do Congresso, refletindo a justa preocupação da ABP com
o futuro do país.
Fique informado também sobre como foi a participação do Prêmio Nobel de Medicina Eric Kandel no CBP. Mais de mil pessoas
participaram desse momento histórico: a primeira vez que Eric Kandel falou em um evento científico na América do Sul.
Ficou claro, durante o CBP, a necessidade de mais investimentos e políticas públicas eficientes para tirar da linha do preconceito e
da marginalidade os doentes mentais e dependentes químicos. Uma das saídas, certamente, está na pesquisa científica, que carece
de estímulos por parte do governo.
A Associação Brasileira de Psiquiatria fez e faz a sua parte e está à disposição do governo para ajudá-lo nessa caminhada.
Boa leitura!
e x p e d i e n t e
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Bueno | Jornalista Responsável: Lucia Fernandes | Edição: Luana Karen | Revisão: Lucia Fernandes
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2
JORNAL PH
XXIX CBP
XXIX CBP movimenta comunidade científica
Congressistas lotam auditório para conferir programação do CBP
C
om o tema “Acesso a Tratamento e Justiça Social”,
o XXIX Congresso Brasileiro
de Psiquiatria foi sucesso de
público e de crítica. Mais de
cinco mil psiquiatras e profissionais de saúde de todo o
país trocaram experiências e
fizeram uma reciclagem do conhecimento nas diversas atividades do Congresso, que foi
realizado entre os dias 2 e 5 de
novembro, no RioCentro, Rio
de Janeiro. Além da comunidade científica, o evento atraiu a
atenção da imprensa e da sociedade civil pela atualidade
e relevância dos assuntos que
abordou.
Um dos momentos mais
marcantes do XXIX CBP foi a
participação do Prêmio Nobel
de Medicina Eric Kandel. O
neurocientista falou sobre a
pesquisa que está desenvolvendo em ratos geneticamente modificados com o objeti-
vo de avaliar medicamentos
contra a esquizofrenia. Foi a
primeira vez que o neurocientista Eric Kandel participou de
um evento científico na América do Sul.
Outro destaque do XXIX
CBP foi o engajamento da sociedade civil na campanha “A
Sociedade Contra o Preconceito”, que pretende acabar
com o estigma que há em relação ao doente mental e à Psiquiatria. O humorista Chico
Anysio, as atrizes Cássia Kiss
Magro e Luiza Tomé, os escritores Ferreira Gullar e Ruy
Castro e o locutor esportivo
Luciano do Valle aderiram ao
movimento e participaram do
Congresso dando depoimentos sobre como lidam com
problemas mentais pessoais e
de familiares.
Também foi lançada nesta
edição do CBP a campanha
“Craque que é craque não usa
crack”. O jogador de futebol
Deco, do Fluminense, foi um
dos que vestiram a camisa da
campanha pelo fim do uso da
droga.
A discussão sobre o acesso
ao tratamento psiquiátrico
ganhou destaque no Fórum
das Entidades Médicas. Os
presidentes das principais representações médicas do país,
liderados pelo presidente da
Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da
Silva, defenderam o atendimento e a internação psiquiátrica na rede pública de saúde.
A programação científica
do XXIX CBP foi pautada por
temas do dia-a-dia da sociedade, como a dependência química, a sexualidade, a infância e
adolescência e a bipolaridade
e outros transtornos mentais.
Foram mais de 160 atividades,
entre mesas redondas, conferências, cursos, simpósios e
atividades especiais comandadas por especialistas nacionais
e internacionais.
Para garantir a qualidade da
infraestrutura do local, muito
elogiada por todos que passaram pelo Congresso, 700 trabalhadores se dedicaram até o
último instante.
A pontualidade, a organização e a variada grade de atividades foram o diferencial do
XXIX CBP e garantiram o sucesso do maior Congresso de
Psiquiatria da América Latina.
Agora, as atenções se voltam para o XXX Congresso
Brasileiro de Psiquiatria, que
será realizado pela primeira
vez em Natal, no Rio Grande
do Norte, entre os dias 10 e 13
de outubro de 2012. Os preparativos já começaram e o comitê organizador promete fazer
um evento tão ou mais bem
sucedido que o CBP deste ano.
Está lançado o desafio.
OUTUBRO/NOVEMBRO 2011
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A Sociedade contra o Preconceito
Chico Anysio adere à campanha contra o preconceito
U
ma das atividades de maior
destaque do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria
foi o lançamento da campanha
“A Sociedade contra o Preconceito”, uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria.
A campanha uniu psiquiatras
e sociedade com o objetivo de
diminuir o estigma que há em
relação ao doente mental e ao
profissional de saúde que lida
com as doenças mentais, principalmente o psiquiatra.
Nos quatro dias de evento,
atividades envolvendo personalidades da TV, do Esporte e
da Literatura atraíram a atenção de centenas de congressistas.
Chico Anysio - Um dos depoimentos mais aguardados da
campanha “A Sociedade contra
o Preconceito” foi o do humorista Chico Anysio, que abriu a
série de conversas sobre o assunto, no primeiro dia do CBP.
Impossibilitado de comparecer ao Congresso por conta de
sua saúde física, Chico recebeu
em casa o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria,
Antônio Geraldo, oportunidade
em que gravou o vídeo que foi
exibido durante o Congresso.
Na gravação, o humorista revela que, se não fosse o acompanhamento psiquiátrico que
recebe há 24 anos por conta da
depressão, não teria feito nem
Ferreira Gullar fala sobre os filhos, que sofrem de doenças mentais
20% do que fez em toda vida.
Chico Anysio condenou o
preconceito contra a Psiquiatria, assim como a falta de atendimento ao doente mental. “Se
eu posso, se eu tenho meios de
ajudar e curar uma pessoa e não
faço isso, eu sou um criminoso.
O governo tem esse dever. Ele
não está fazendo favor nenhum
em colocar os remédios ao alcance dos pobres”, ressaltou.
Cássia Kiss Magro - Reconhecida pelos inúmeros papéis
que fez na TV, a atriz Cássia
Kiss Magro foi outra personalidade que aderiu à campanha
contra o preconceito. Ela relatou sua experiência pessoal
com a bipolaridade e a bulimia.
De forma muito verdadeira,
Cássia falou sobre o histórico
de problemas familiares que
enfrenta – a mãe e os irmãos
da atriz também possuem doenças mentais, assim como a
avó possuía.
Uma das coisas que mais incomoda a atriz no transtorno
mental é a incessante busca
pela perfeição. “Eu reconheço que não sou uma boa atriz,
eu sou uma excelente atriz.
Mas não há nenhum privilégio nisso. Isso é resultado do
transtorno, da busca pela perfeição. É onde a doença te leva
e é uma linha que quase cai na
loucura”, afirmou emocionada.
Artistas defendem a hospitalização do paciente psiquiátrico como recurso
terapêutico para algumas situações
A abertura oficial do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria foi marcada pelos depoimentos do escritor Ferreira Gullar e
da atriz Luiza Tomé - que também foi a mestre de cerimônias do evento. Para mais de três mil pessoas, eles contaram casos de
familiares doentes mentais e dependentes químicos, numa adesão à campanha contra o preconceito.
Ferreira Gullar mostrou sua indignação com a nova política psiquiátrica do governo federal que, segundo o escritor, acabou
com mais de 30 mil leitos psiquiátricos no país. O poeta tem dois filhos com doença mental.
Gullar lembrou que, no passado, havia muito preconceito com relação a mostrar que havia um doente mental na família. “Era
como se a doença mental fosse uma coisa maldita”, afirmou.
Para o poeta, hoje, as pessoas estão mais esclarecidas, mas houve um retrocesso no atendimento aos pacientes. Ferreira
Gullar acusou os críticos da internação psiquiátrica de praticarem “oportunismo político” ao não conhecerem a real situação do
doente mental.
Também defensora da internação psiquiátrica, a atriz Luiza Tomé relatou os problemas que enfrentou com dois irmãos dependentes químicos. Um dos irmãos da atriz morreu em decorrência dos problemas com as drogas. O outro irmão conseguiu
se livrar da dependência e hoje vive bem. “Eu tenho certeza que Deus existe porque o meu irmão está vivo”, disse emocionada.
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JORNAL PH
Luciano do Valle defende acompanhamento psiquiátrico para atletas
Ruy Castro - A campanha
“A Sociedade contra o Preconceito” ganhou a adesão do jornalista e escritor Ruy Castro,
vencedor de quatro prêmios
Jabuti, entre eles, pelos livros
“Estrela Solitária”, sobre a vida
do jogador Mané Garrincha, e
“Carmem”, biografia de Carmem Miranda.
Além de contar histórias da
vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda, Ruy Castro deu
um depoimento pessoal sobre
a sua experiência com o alcoolismo. Há 23 anos sem beber,
o jornalista contou com acompanhamento psiquiátrico para
conseguir se livrar da doença.
A experiência pessoal despertou o interesse pela vida
de pessoas que passaram pelo
mesmo problema.
Por esse motivo, Ruy Castro
resolveu escrever sobre a vida
de dois ícones da história nacional.
O craque Mané Garrincha,
que se destacou no Botafogo
e viveu seu auge futebolístico
entre os anos de 1964 e 1972,
foi encontrado várias vezes
embriagado nas ruas e levado
para clínicas, que, segundo
Ruy Castro, não estavam preparadas para lidar com o problema. O autor afirmou que
o contato do jogador com a
bebida começou muito antes
da fama. “Garrincha nasceu
alcoólatra”, disse. O jogador
morreu em 1982, pobre e sem
prestígio. “Era uma figura notória e as pessoas começaram
a identificá-lo como perdedor,
como alguém que deveria ser
descartado. Todos os estigmas do alcoolismo foram aplicados ao Garrincha”, disse o
biógrafo.
Identificada pela cesta de
frutas que levava na cabeça,
Carmem Miranda teve carreira
de sucesso no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar disso, os
problemas da cantora com álcool eram menos comentados,
segundo Ruy Castro.
Além de enfrentar o alcoolismo, Carmem também tomava medicamentos controlados
e os dois vícios foram mais tarde apontados como possíveis
causas de sua precoce morte
por infarto, aos 46 anos, em
agosto de 1955. “Ela estava
deslumbrada com o sucesso.
E, deslumbrada, aceitava tudo.
Numa hora dessas, foram oferecidos remédios para diferentes situações. Medicamentos
sobre os quais não havia estudos suficientes. Carmem Miranda e muitos outros foram
usados como cobaias desses
laboratórios”, contou Ruy
Castro.
Luciano do Valle - Outra
celebridade que aderiu à cam-
Defensora da internação psiquiátrica, Luiza Tomé fala sobre irmãos
panha “A Sociedade contra o
Preconceito” foi o locutor esportivo Luciano do Valle. Ele
defendeu o trabalho do psiquiatra e o fim do preconceito
contra o doente mental durante conversa com o presidente
da Associação Brasileira de
Psiquiatria, Antônio Geraldo
da Silva, no XXIX Congresso
Brasileiro de Psiquiatria.
Vítima da bipolaridade, depressão e síndrome do pânico, Luciano confidenciou que
quase abandonou a profissão
na África do Sul, na véspera da
Copa do Mundo de Futebol de
2010, por não se sentir em condições de trabalhar. “Eu perdi
para a depressão por uns três
a zero, e perdi com gente que
eu amava muito. E vou ser sincero para vocês, hoje, eu só estou mais ou menos equilibrado
graças à minha psiquiatra”, revelou.
Com quase 49 anos de carreira esportiva, Luciano do
Valle se declarou favorável ao
acompanhamento psiquiátrico
de jogadores de futebol. “Assim como tem preparador físico, nutricionista e outros profissionais, os times têm de ter
um psiquiatra acompanhando
os garotos”.
O locutor disse ainda ser um
contra-senso a propaganda de
álcool associada ao esporte e
citou Pelé como um exemplo
de bom profissional dentro e
fora dos campos.
Ruy Castro conta passagens da vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda
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Lançada campanha “Craque que é Craque
não usa Crack”
O
crack já é uma das drogas
mais consumidas nas cidades brasileiras, é o que mostra um estudo divulgado no
início deste mês pela Confederação Nacional dos Municípios. A droga está presente em
4.018 cidades do país. Número
que corresponde a 90,7% dos
4.430 municípios consultados.
Para 63,7% dos prefeitos
que responderam ao questionário da CNM, o crack provoca
impactos negativos na saúde.
A segurança é o segundo setor mais afetado pela droga
na percepção dos entrevistados, seguido pela assistência
social.
O estudo ainda mostrou
que o preço baixo e o fácil
acesso têm feito com que a
droga tome o lugar do álcool
na zona rural do país.
Os dados revelam o que não
dá mais para esconder: o Brasil
vive uma epidemia de crack e,
se nenhuma política eficaz for
posta em prática, vai perder
essa batalha.
Lutando do lado do “bom
combate” está a Associação
Brasileira de Psiquiatria, que
lançou a campanha “Craque
que é Craque não usa Crack”,
durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. O objetivo é alertar a sociedade sobre
os males causados pelo crack e
pela dependência química.
Para o coordenador da Central Única das Favelas do Rio
Grande do Sul, Manoel Soares,
um dos grandes inimigos na
luta contra o crack é a indústria que fabrica, nos laboratórios improvisados em fundos
de quintais, a droga. Segundo
Soares, para fazer frente a
essa rede, é preciso construir
uma estratégia que permita
aos psiquiatras, por meio de
interlocutores (como ONGs e
associações de moradores),
Líder da CUFA elogia campanha da ABP
entrarem nas comunidades e
acessar as famílias mais vulneráveis. A partir daí, na avaliação de Soares, deve-se começar a fortalecer a família do
usuário para, só depois, trabalhar o próprio usuário.
Manoel Soares, que participou da cerimônia de lançamento da campanha, vestiu a
camisa do projeto e elogiou
o modo como a ABP vem tratando o assunto. Ele ressaltou, ainda, que é preciso que
a campanha entre na vida dos
jovens. “Precisamos desencastelar essas idéias, principalmente essa. Ela tem que
chegar dentro da comunidade,
tem que fazer parte do dia-a-dia das pessoas”, afirmou.
Ele mesmo se propôs a ser a
conexão necessária para a realização de mutirões psiquiátricos nas comunidades mais
carentes.
Jogador Deco adere
à campanha contra
o crack
O jogador Deco, do Fluminense, também se engajou na
campanha “Craque que é Craque não usa Crack”. Em visita
à feira de expositores do XXIX
Congresso Brasileiro de Psiquiatria, Deco distribuiu autógrafos, tirou fotos com os fãs
e, literalmente, vestiu a camisa
da campanha contra o crack.
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JORNAL PH
Controle das fronteiras é apontado por deputado
como fundamental para combater o tráfico de drogas
Mesa Redonda discute políticas públicas contra o crack
D
erivado da pasta base da
cocaína, o crack recebe
em sua mistura substâncias
que podem ser letais para o
usuário, como água de bateria
e soda cáustica. Para enfrentar a droga, o deputado federal Osmar Terra defendeu um
maior controle das fronteiras
nacionais.
Osmar Terra participou de
mesa redonda no XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que discutiu a Psiquiatria
e o usuário de crack sob o ponto
de vista das políticas públicas.
Na avaliação do Deputado,
o Brasil, que faz divisa com
os três maiores produtores
mundiais de cocaína - Peru,
Colômbia e Bolívia -, tem uma
fiscalização de fronteiras ineficiente. “Temos que ter políticas muito mais abrangentes.
Nós temos 17 mil quilômetros
de fronteira e 900 homens
para vigiá-la. Os Estados Unidos tem fronteira de três mil
quilômetros com o México e
30 mil homens para vigiá-la”,
afirmou Terra.
Segundo o Deputado, no
Rio Grande do Sul, em 1997,
não havia nenhum caso policial
ou médico envolvendo usuário
de crack no Estado. Hoje, de
acordo com Osmar Terra, metade dos homicídios no Rio
Grande do Sul tem relação direta ou indireta com a droga.
“Ou é o cara que comete latrocínio para comprar crack ou é o
sujeito que é morto pelo tráfico, por não pagar a dívida”.
Para Osmar Terra, os CAPs
(Centros de Atenção Psicossocial) não resolvem os problemas gerados pelo uso da
droga. O Deputado também
afirmou que a Lei Antidrogas
brasileira, que é de 2006, está
desatualizada. Segundo ele,
o governo federal não sabe
o que fazer. “O governo está
paralisado pelas contradições
ideológicas e filosóficas que
tem com essa questão”, disse
Osmar Terra.
Epidemia - O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que também
participou da mesa redonda,
afirmou que o Brasil passa por
uma epidemia de consumo de
crack. “Há dez anos, você não
tinha crack, a não ser em uma
região de São Paulo. Hoje,
você tem crack de leste a oeste, de norte a sul do país. Do
ponto de vista médico, nós temos uma epidemia que atinge
o Brasil inteiro”, afirmou.
Ronaldo Laranjeira também apontou a fragilidade das
fronteiras brasileiras como um
dos principais motivos para o
agravamento do problema.
A droga vinda dos países
produtores de cocaína, na
opinião do médico, chega ao
Brasil a um custo muito baixo.
Esse fato levou à criação de
uma rede de distribuição de
drogas nas pequenas e médias
cidades. “São pessoas que não
faziam esse tipo de distribuição. É o dono do bar, o motorista de táxi, a dona de casa. É
um perfil muito distinto e que
se ampliou nos últimos anos.
Essa rede é uma herança que
estamos deixando para a próxima geração de brasileiros”.
Na avaliação do médico, o
grande desafio agora é como
desmontar essa rede.
De acordo com Laranjeira,
das quatro milhões de pessoas
que fazem tratamentos contra o uso de drogas no mundo,
2,5 milhões estão nos Estados
Unidos. “O sistema lá é bastante vigoroso. Os planos de saúde, o governo e a comunidade
pagam os tratamentos, sendo
que a maioria é baseada em
evidências”, relatou.
No Brasil, os governantes
falham em não perceber que
o crack tem uma dinâmica própria, segundo Laranjeira.
Para ele, é preciso estabelecer uma vertente político-diplomática com Colômbia,
Peru e Bolívia a fim de que se
diminua a produção de coca
nesses países.
OUTUBRO/NOVEMBRO 2011
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Entidades médicas lutam por melhor
atendimento ao doente mental
A
discussão sobre o atendimento que é oferecido na
rede pública ao doente mental
foi um dos destaques do primeiro dia do XXIX Congresso
Brasileiro de Psiquiatria. No Fórum das Entidades Médicas, os
presidentes da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio
Geraldo da Silva, do Conselho
Federal de Medicina, Roberto
Luiz D’Ávila, da Federação Nacional dos Médicos, Cid Célio
Carvalhaes, e da Associação
Médica Brasileira, Florentino
Cardoso, fizeram uma análise
do papel dos diversos setores
da sociedade no atendimento
em saúde mental e as formas
de melhorá-lo.
Segundo o presidente da
ABP, os dados do Ministério da
Saúde estão equivocados ao
indicarem que os 1.562 Centros de Atenção Psicossocial
existentes atendem 67% da
população que precisam de
cuidados psiquiátricos. “Seiscentos desses CAPs não têm
médicos e a maioria não tem
psiquiatra”, afirmou.
Para
Antônio Geraldo, seriam necessários mais de 92 mil CAPs
para atender às 46 milhões
de pessoas portadoras de doenças mentais no Brasil. “Isso
não é inteligente. Basta pegar os postos de saúde e colocar equipe de saúde mental
dentro. E devemos fazer isso
porque cinco das dez maiores
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JORNAL PH
causas de afastamento do trabalho são por doenças mentais”, destacou o psiquiatra.
A falta de uma rede de
atendimento adequada tem
feito com que muitas pessoas
busquem o Judiciário para garantir o acesso a medicamentos e tratamentos no Sistema
Único de Saúde, na avaliação
do presidente do Conselho
Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Ávila. Ele afirma que
a procura não é apenas por
medicamentos caros ou por
produtos novos no mercado.
“O remédio mais demandado
hoje, no Judiciário, chama-se
aspirina. Depois, vem o protetor solar e as fraldas descartáveis, principalmente para adultos e idosos. Todos esses itens
constam da farmácia básica e
deveriam ser distribuídos nos
municípios”, revelou.
Para Roberto D’Ávila, vive-se uma crise grave do setor
público. “De cada quatro ou
cinco reais, apenas um chega
até o paciente”.
Na opinião do presidente da
Federação Nacional dos Médicos, Cid Célio Carvalhaes, parte da crise envolvendo o setor
público deve-se a uma dicotomia presente na Constituição
Federal.
Segundo ele, ao dizer que
a saúde é direito de todos os
cidadãos e obrigação do Estado, mas, em seguida, admitir
Presidentes das principais entidades médicas participam de mesa-redonda no CBP
o acesso à medicina privada
e suplementar, o constituinte parte do princípio de que
a destinação de verbas para
a saúde é insuficiente. “E, aí,
entramos na lógica da medicina privada, suplementar, que
é mais perversa, mais injusta,
por que restringe o atendimento em busca de lucros”,
explicou Carvalhaes.
Já na avaliação do presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, um
dos maiores erros cometidos
pelo gestor público no atendimento ao doente mental foi
a extinção de leitos psiquiátricos em favor do atendimento nos CAPs. “No Brasil, não
se enxerga quase nunca algo
que se vislumbre resultados
de médio e longo prazos. Muitas dessas políticas requerem
resultados rápidos, por que
se associam a mandatos políticos”, afirmou. Para Cardoso, o resultado dessa política
“apressada” é o retrato de pacientes e familiares de pacientes dormindo nas portas dos
hospitais públicos, a espera de
um leito.
As Entidades Médicas vão
continuar mobilizadas pela
melhoria do atendimento ao
doente mental. Um Fórum semelhante já está confirmado
para a XXX edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em
2012, que será realizado em
Natal/RN.
entrevista
que precisa ter uma estrutura
ambulatorial. Dá um trabalho
muito maior, você destrói para
depois tentar reconstruir.
Presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila , fala com exclusividade ao PH
A
pós afirmar, no Fórum das
Entidades Médicas, que o
sistema público de saúde vive
uma grave crise, o presidente
do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Avila, deu
uma entrevista em que falou
sobre a política antimanicomial e o combate às drogas no
Brasil.
O que falta para que seja garantido o direito do cidadão de
receber atendimento psiquiátrico na rede pública?
Houve todo um programa,
nos últimos 30, 40 anos, de desospitalização do paciente psiquiátrico. Em parte, esse programa tinha razão porque havia
hospitais psiquiátricos com mil
pacientes, que estavam internados há muitos anos. Era um
depósito e havia necessidade
de se corrigir esse excesso. Só
que isso acabou se radicalizando com o movimento antimanicomial porque muita gente
identificou que os psiquiatras
perpetuavam aquele estado de
coisas. O que não era verdade.
Os psiquiatras não poderiam
dar alta a esses pacientes se
não tivesse uma rede ambulatorial que os acompanhasse. E
o governo desmanchou todo o
sistema de internação psiquiátrica, jogando nas ruas pessoas
que não tiveram o acompanhamento necessário. Isso foi
uma maldade. Hoje, você vê um
monte de pessoas que necessitam tomar o seu remédio, fazer
uma consulta semanal e isso
não foi construído. Além disso,
grande parte dessas atribuições foi retirada dos psiquiatras e repassada a outros profissionais. O Serviço Social e a
Psicologia assumiram funções
dos médicos. Não que nós não
possamos dividir, pelo contrário, nós sabemos o que é uma
equipe multiprofissional. Nós
queremos trabalhar juntos, só
que cada um dentro da sua função. Foi lamentável o que aconteceu porque isso foi feito de
maneira tão deliberada e tão
antimédica que acabou prejudicando a sociedade. Agora nós
estamos tentando recompor as
equipes, mostrar que não é assim, que não somos bandidos,
Seria um retorno dos manicômios?
Não. Hoje, os próprios psiquiatras entendem que você
precisa internar apenas os
casos agudos, no máximo de
sete a dez dias. Teve um surto
esquizofrênico? Ficou agitado?
Quer bater, matar? Pode se suicidar? Interna essa pessoa uma
semana, medica e, verificando
que ela está equilibrada, encaminha para fazer o tratamento
ambulatorial, com a medicação, o acompanhamento com o
psicólogo e o assistente social.
Você não precisa mais cronificar a doença, que foi o que
aconteceu no passado. Esses
pacientes tinham uma crise,
eram internados e não saiam
mais. Isso acabou e temos
perfeita consciência disso. Só
que você precisa ter um sistema ambulatorial que garanta
o atendimento. Os CAPs foram criados com essa função.
No papel, no nosso governo e
em todos os outros governos,
eles são ótimos. A burocracia
é muito interessante no país.
Os governos são ótimos para
criar coisas no papel, mas sem
salário, sem carreira, sem as
mínimas condições adequadas
de trabalho, ninguém fica no
sistema público. Você vai trabalhar no sistema privado, infelizmente. Agora, há uma chance,
há toda uma vontade de se recuperar e de se resgatar o que
é há de melhor.
Já há conversas nesse sentido
com o governo?
Sim, há. É difícil, mas há conversa.
Como o senhor avalia a política de combate às drogas no
Brasil?
Temos uma câmara técnica
de responsabilidade social e
lançamos uma cartilha contra
o crack, para que os médicos
possam identificar como devem tratar o usuário. Estamos
trabalhando junto com o Conselho Nacional Antidrogas,
em­bo­ra tenhamos algumas divergências. Por exemplo, houve uma declaração do próprio
governo de que o crack não
era uma epidemia, mas, quando andamos nas ruas, vemos o
problema na calçada, por onde
a gente passa. E as famílias estão sendo destroçadas. Então,
à parte essas divergências,
nós estamos absolutamente
empenhados em minorar esse
sofrimento, em colaborar. Estamos fazendo um convênio
com a Caixa Econômica e com
o Ministério da Saúde para
imprimir 500 mil cartilhas que
serão distribuídas em todos os
hospitais e postos de saúde do
país.
O governo demorou para tomar uma atitude?
É tão difícil fazer essa avaliação. Eu penso que, se o governo não fez, nós estamos
ajudando, estamos procurando
recuperar esse tempo perdido.
Mas ele é que deve fazer essa
autocrítica, essa avaliação.
7/19/11 2011
2:43 PM
OUTUBRO/NOVEMBRO
9
Prêmio Nobel de Medicina fala no XXIX CBP
sobre pesquisa em “ratos esquizofrênicos”
E
m uma das atividades mais
concorridas do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria,
o prêmio Nobel de Medicina
Eric Kandel falou para uma platéia de aproximadamente mil
pessoas sobre a pesquisa que
sua equipe está desenvolvendo
com camundongos esquizofrê­
nicos. A conferência entrou
pa­ra a história por ter sido a
primeira vez que o Nobel Eric
Kandel participou de um evento científico na América do Sul.
O neurocientista austríaco
ganhou o Nobel de Medicina
em 2000 por seus estudos sobre a memória humana. Agora,
Kandel está avaliando a ação
de medicamentos sobre os pacientes esquizofrênicos a partir
de testes em camundongos geneticamente modificados.
Kandel disse que conseguiu
criar camundongos cujo corpo
estriado produz em excesso
uma proteína que os neurônios usam para captar o neuro­­
transmissor dopamina. Es­sa é
uma lesão genética que ocorre
em parte dos pacientes com es-
quizofrenia e, funcionalmente,
leva a uma característica compartilhada pela maioria dos esquizofrênicos. “Nós obtivemos
camundongos que claramente
têm problemas de memória de
curto prazo e em funções cognitivas. Os mesmos roedores
têm dificuldade de interação
social e baixa motivação”, afirmou.
A pesquisa, explicou o neurocientista, consiste em averiguar os sintomas cognitivos
(a dificuldade de organizar
idéias e trabalhar) e negativos
(reclusão, isolamento social e
falta de motivação) da esquizofrenia. Segundo o Nobel de
Medicina, não é possível fazer
a avaliação de respostas em
relação aos sintomas positivos
(ilusões, alucinações e loucura)
por causa da dificuldade de observação, “não há como saber
se um camundongo está tendo
ilusões ou alucinações”, explicou.
Uma das conclusões a que
Eric Kandel chegou com a pesquisa é que também é possí-
Eric Kandel durante o XXIX CBP
vel utilizar camundongos para
estudar outros transtornos
men­
tais complexos, além da
esquizofrenia. “Espero que isso
leve a uma nova síntese para a
psicologia cognitiva, que é uma
parte poderosa, que fornece
a plataforma para explicar o
fenômeno mental”, afirmou o
cientista, que ainda defendeu
mudanças de paradigmas para
maior integração entre a psiquiatria, a neurociência e a psicologia.
A ABP agradece ao Laboratório Moksha8 por ter patrocinado a presença de Eric Kandel
no XXIX CBP.
Itiro Shirakawa fala sobre o uso de medicamentos no tratamento psiquiátrico
Segundo o psiquiatra Itiro Shirakawa, o uso de medicamentos foi
o grande responsável pelo esvaziamento dos hospitais psiquiátricos
no mundo. Vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria,
Shirakawa participou da atividade “Como eu trato esquizofrenia”, no
XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Na avaliação do médico, a
medicação é fundamental para que o paciente que sofre de esquizofrenia não tenha recaídas.
O médico falou, em sua apresentação, sobre o uso de medicamentos, os efeitos esperados e os efeitos colaterais e fez recomendações
aos congressistas sobre as dosagens medicamentosas.
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JORNAL PH
Comitê Organizador já trabalha para o próximo CBP
Começaram os preparativos para o XXX
Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Natal
T
erminado o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, é hora de começar a pensar em Natal, cidade que vai
sediar o XXX CBP, entre os dias
10 e 13 de outubro de 2012. E
os preparativos para o maior
congresso de psiquiatria da
América Latina no Rio Grande
do Norte já começaram.
O Comitê Organizador Local, formado pelas doutoras
Regina Miranda, Mirna Chaves
e Nadira Hazboun, está trabalhando em conjunto com a ABP
para garantir que o Congresso
de 2012 seja tão ou mais bem
sucedido que o CBP deste ano.
Já foram feitos contatos
com a Secretaria de Turismo
do Estado, a Emprotur (Empresa Potiguar de Promoção
Turística) e com o Natal Convention Bureau com a finalidade de estabelecer uma cooperação para o XXX CBP.
Conhecida por suas belas
praias, dunas e por abrigar o
maior cajueiro do mundo, Natal vai sediar pela primeira vez
um Congresso Brasileiro de
Psiquiatria e os atrativos turísticos da cidade devem contar na decisão de participar do
XXX CBP.
Segundo Regina Miranda,
o congressista que for a Natal será muito bem recebido.
“O povo de Natal é conhecido
por ser hospitaleiro, tratamos
muito bem os nossos visitantes. Sem falar no clima da cidade, que não tem grandes
variações de temperatura durante o ano e que, na época do
congresso, estará muito agradável”, garantiu a doutora.
Natal é a capital do Nordeste com o maior número de leitos do setor hoteleiro e o congressista que for para o XXX
CBP também não deverá ter
problemas com hospedagem.
Regina Miranda também
explicou que o Centro de Convenções da cidade, localizado
no bairro de Ponta Negra, na
via costeira, fica próximo dos
melhores hotéis e também daqueles com preços mais atrati-
vos. “A pessoa que não quiser
ficar num hotel muito caro
terá outras opções, inclusive,
próximas ao Centro de Convenções”.
Sobre a experiência no XXIX
CBP, Regina Miranda quer
aproveitar em Natal a ideia das
várias áreas de descanso montadas no RioCentro, independentes da estrutura oferecida
pelos expositores.
Ela também sugere que seja
mantida a praça de alimentação próxima dos estandes,
para que as pessoas que forem
aproveitar o intervalo para visitar as exposições possam
também ter comodidade para
comer.
Brasília será sede do XXXII CBP, em 2014
Durante a Assembleia Geral de Delegados, realizada dia 1º de novembro, Brasília foi escolhida a sede do XXXII Congresso
Brasileiro de Psiquiatria - 2014.
Cidade-sede da Copa do Mundo de Futebol que acontece no mesmo ano, Brasília passa por reformas estruturais, como a
ampliação do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, a construção de um novo modelo de transporte público – o Veículo
Leve sob Trilhos – e a construção do Estádio Nacional de Brasília. A cidade ainda deve ganhar novos hotéis e ter ampliada a sua
rede gastronômica.
Todos esses atrativos estarão prontos à época da realização do XXXII CBP, constituindo-se em mais um motivo para que os
congressistas venham à capital federal. A última vez que Brasília sediou um CBP foi em 2008.
OUTUBRO/NOVEMBRO 2011
11
n
o
t
a
s
Gattaz defende melhor relacionamento
com a mídia
Segundo um estudo feito pelo psiquiatra Wagner Gattaz, 93% dos doentes mentais não são violentos. Gattaz, que participou de conferência no
segundo dia do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, usou os números
para falar da importância de se melhorar o relacionamento com a imprensa
e diminuir o estigma que há em relação ao doente mental.
Para o especialista, entre as atitudes que devem ser tomadas pelos profissionais de saúde está informar com clareza, evitando uso de jargões e
apresentando conceitos claros para a correta veiculação de informações na
mídia. Segundo o psiquiatra, a falta de informações ou a informação equivocada é um dos empecilhos mais importantes a impedir o tratamento do
doente mental.
ABP tem contas aprovadas
As contas do primeiro ano de atividades da nova diretoria da Associação Brasileira de Psiquiatria foram aprovadas por unanimidade, pela Assembleia Geral de Delegados em reunião realizada no dia 1º de novembro, no Rio de Janeiro.
A AGD durou nove horas e foi marcada pela análise dos trabalhos da ABP e pela discussão dos novos rumos da entidade. Participaram do encontro 153 delegados credenciados, entre federados da ABP e presidentes de Núcleos.
Também na Assembleia, foram apresentados os trabalhos que vem sendo desenvolvidos para a organização do XXX CBP/
Natal 2012 e XXXI CBP/Curitiba 2013.
Tributo a Marcos Mercadante
O psiquiatra paulista Marcos Mercadante foi homenageado por amigos e colegas durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Morto em julho, em decorrência de um câncer no pâncreas, Mercadante tinha o sonho de descobrir o gene causador do autismo
e ganhar o Prêmio Nobel por isso. A descoberta não aconteceu, mas o psiquiatra infantil trabalhou durante toda a carreira em prol
de uma maior difusão de informações sobre a doença.
Em 2010, Marcos Mercadante fundou a Organização Não-Governamental Autismo & Realidade, que apoia a preparação de pessoas e instituições para trabalhar com autistas e combater o preconceito.
Uso da internet e das redes sociais foi sucesso XXIX CBP
O XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria contou com aliados importantes na divulgação das atividades e na interação com
os congressistas e com aqueles que não puderam participar do evento: as redes sociais.
Um site exclusivo foi criado para o XXIX CBP. Ele entrou no ar no dia 26 de outubro e registrou, até 21 de novembro, quase 35
mil acessos. O maior número de visitas foi registrado na véspera do Congresso, quando a página foi visualizada 5.202 vezes. Só
nos quatro dias de CBP, foram 12.200 acessos.
Mais de mil pessoas optaram por curtir a página da Associação Brasileira de Psiquiatria no Facebook e passaram a receber
notícias em tempo real do XXIX CBP. A rede social acabou se tornando um dos mais ágeis canais de comunicação entre a Associação Brasileira de Psiquiatria e profissionais de todo o país.
No Twitter, outra rede social utilizada para divulgar o XXIX CBP, quinhentos seguidores do perfil da ABP também receberam
atualizações em tempo real sobre o que acontecia no Congresso.
As redes sociais continuarão sendo usadas pela ABP para informar seus associados e a sociedade em geral sobre os trabalhos
que são desenvolvidos pela entidade. Os detalhes dos preparativos para o próximo CBP, em Natal, também serão divulgados
na internet.
Para fazer parte desse círculo e receber as notícias em primeira mão, acesse o site da ABP, siga a instituição no twitter e curta
a página da Associação no Facebook.
O Twitter é o @abpsiquiatria. O endereço eletrônico da ABP é o www.abp.org.br. Já a página da instituição no Facebook é
muito fácil de ser encontrada, basta digitar o nome da ABP no campo “procurar”, na parte superior do site, para localizar a página. Acesse!
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JORNAL PH
o p i n i õ e s
“Assisti o primeiro Congresso da ABP e, desde então, participei
da maioria deles. Este Congresso, independe de quem observa, representou uma ruptura em relação a padrões anteriores. A ideia
de levar pessoas públicas e marcantes da mídia para falar das suas
relações com a doença e com os psiquiatras foi brilhante e extraordinariamente bem executada pelo Antônio Geraldo e pela Fátima.
A grade científica apresentou caras novas com muito sucesso. A
Academia esteve bem representada, não faltou nenhuma figura de
destaque na pesquisa. A parte social foi marcada pela democracia,
menos festas privadas e mais festas coletivas. A indústria teve sua
oportunidade de realizar suas MR e o pavilhão de exposições, sendo amplo, facilitava a circulação e o contato humano. Parabéns ao
Antônio Geraldo, ao Romildo, a Fátima e aos demais membros das
comissões pelo excelente Congresso”.
Walmor Piccinini
Porto Alegre - RS
“Vocês estão de parabéns. Foi um excelente Congresso. Contem
comigo para os próximos.”
Marco Antonio de Souza Leão Santos
Recife - PE
“Ao Antônio Geraldo, presidente da ABP, e toda a comissão organizadora do CBP, meus parabéns entusiasmados pelo sucesso do
Congresso. Foi 10 em todos os sentidos. Ouvi vários comentários
elogiosos sobre a organização e diversificação do programa. Agradeço muito pela seleção de atividades de ensino das quais participei. Foi realmente uma estreia feliz da nova diretoria.”
Gilda Paoliello
Belo Horizonte - MG
“A Associação Sergipana de Psiquiatria vem parabenizar a ABP e a
Federada do Rio de Janeiro pelo excelente Congresso realizado nesta
cidade, tanto pelo conteúdo científico, como pela organização.”
Maria Helena Avila Lima
Aracaju - SE
“Este Congresso de 2011 foi o melhor e mais apaixonante que
frequentei como Psiquiatra até hoje! Parabéns, porque estou ainda
mais orgulhoso de minha especialidade e de minha vocação!”
James Cesar M. A. Souto
Recife - PE
“Parabéns pelo excelente Congresso! Estava bastante completo, temas atuais e que realmente me ajudam na prática diária! Acho
que foi o Congresso em que eu mais fiquei dentro das salas de aula!
Importante também o trabalho com a mídia para desestigmatizar o
Psiquiatra e nossos pacientes!”
Danielle Santos Zamuner
Toledo - PR
“Parabéns, o CBP foi ótimo!”
Evelyn Vinocur
Rio de Janeiro - RJ
“O Congresso foi excelente. Parabéns.”
Abrão Marcos da Silva
Goiânia - GO
“Parabéns à ABP pelo evento do Rio de Janeiro. Muito obrigado pela atendimento prestado a nós, associados. Continuem assim,
pois a humanidade será cada vez melhor enquanto existir pessoas
comprometidas com o próximo.”
David Seraphi
Ourinhos - SP
“O prazer e a honra (de participar do XXIX CBP) foram meus. Se
tudo der certo, estaremos juntos em Natal.”
Kleber Francisco Meneghel Vargas
Campo Grande - MS
“Agradeço o reconhecimento do resultado dos nossos esforços,
que, para ser atingido, contou com o envolvimento de colaboradores com participações inestímáveis. Salientando-se, na coordenação de uma das atividades, o colega Flávio Joseph. Principalmente, agradeço a oportunidade de participar de diferentes formas
neste evento de maior importância para nós. Entretanto, para que
nosso trabalho pudesse ser levado à contento,foi fundamental o
apoio que vocês nos proporcionaram. Esta capacidade de discutir e delegar incumbências é fundamental para o sucesso de uma
diretoria. Posso dizer que isso foi fundamental para o sucesso do
Congresso. Parabéns por esta realização, e tenho certeza que ela
nos sinaliza por outros eventos futuros igualmente de sucesso.”
Júlio César Fontana-Rosa
São Paulo - SP
“Assistimos, sem dúvida nenhuma, um Congresso maior, com impecável organização, grandes presenças, à altura de uma Psiquiatria
Brasileira que nós queremos, merecemos, e que o Brasil que sonhamos também merece. Afinal, retomamos as rédeas da responsabilidade pela Psiquiatria como uma Ciência Médica e os rumos que
conduzirão a mesma à cura das doenças, através da inteligente estratégia que vocês adotaram: a de trazer nossos grandes talentos
para defenderem o cuidado preventivo, curativo e reabilitador de
seus familiares e, portanto, das nossas populações brasileiras. As
gravações dos “depoimentos” merecem ser disseminadas na mídia
televisiva. Parabéns deste colega que considera a sua participação
um dever.”
Ellis D’Arrigo Busnello
Porto Alegre - RS
“Agradeço a experiência única que (vocês) me proporcionaram de participar do Programa Psiquiatras em Formação! Apesar
da viagem ‘rápida’, foi o suficiente para conhecer os princípios
humanos e de formação da ABP. A impressão e vivência que tive
foi de participar de uma grande família, digna de união, respeito, força e preocupação pelos seus membros. Gostaria de expor
a saudade dos amigos que conquistei, equipe que me orientou,
momentos que discuti, aprendi e evolui. Obrigada, mais uma
vez, por isso! Sinceramente, uma experiência de vida indescritível para atuação profissional, social e humana! Coloco-me à disposição para expandir os conhecimentos adquiridos e desejo
ser uma mediadora, em minha cidade/estado, quanto a divulgar
a nossa Psiquiatria sem estigmas, humanizada! (...) Obrigada!”
Amanda Minikowski
Londrina – PR
c o n t i n u a
OUTUBRO/NOVEMBRO 2011
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o p i n i õ e s
“Agradeço a comissão científica a gentileza do convite e mais
uma vez parabenizo os organizadores pelo sucesso do evento. Foi
com imenso prazer que participei deste Congresso, que a meu ver
foi, sem dúvida, o melhor dos últimos anos.”
Luciana Carvalho
Belo Horizonte – MG
“Para mim, foi uma grande honra ter participado deste magnífico Congresso como relator da mesa 59. Todos os que participaram do planejamento e da execução do melhor Congresso
Brasileiro já realizado devem receber todos os elogios e agradecimentos por parte daqueles que puderam aproveitar do mesmo,
repleto de temas práticos e atuais. Sinto orgulho de pertencer
a este grupo que veio para fazer a grande diferença. Parabéns!”
Luiz Carlos de Oliveira
Araguaína - TO
“Agradeço novamente pela oportunidade de colaborar com a
programação científica deste excelente Congresso.”
Guilherme Nogueira M de Oliveira
Belo Horizonte - MG
“Quero parabenizá-los pelo Congresso, tanto pelo conteúdo,
quanto à organização. Apreciei a iniciativa de reunião das federadas por região pois se faz necessário um diálogo mais próximo
para agregar e conhecer as especificidades de cada federada. A
ABP representa a psiquiatria brasileira e, para fazê-lo, é importante ouvir os associados e os representantes dos associados. A
proposta de revisão dos estatutos também é um assunto a ser
olhado com cuidado e penso ser importante que as federadas tenham alguma idéia dos objetivos da ABP ou, pelo menos, quais
assuntos mais relevantes no momento. Sem dúvida estarei em
Natal com a ABP.”
Lizete Pessini Pezzi
Porto Alegre- Rio Grande do Sul
“Eu gostei muito de participar das atividades que fui convidado. A reintrodução dos temas livres foi muito importante, assim
como a continuação da sessão de casos clínicos.O Congresso
estava muito organizado e com conteúdo programático de alta
qualidade. Parabéns aos colegas que tanto se empenharam para
alcançarmos essa excelência.”
Cássio Pitta
São Paulo - SP
“Foi um prazer e uma honra receber o convite da Associação
da qual tanto me orgulho e, de alguma forma, poder contribuir
com o conhecimento adquirido e refinado a cada Congresso. Muito obrigado!”
Leonardo Salvador Gaspar
Florianópolis - SC
“Sinto-me honrado por ter sido delegado eleito pela APERJ e
poder estar presente na Assembleia, na certeza da transparência de nossa atual diretoria da ABP. Desejoso de poder contribuir
sempre com nossa casa, subscrevo-me.”
Eduardo Birman
Rio de Janeiro - RJ
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JORNAL PH
“Em nome da Liga de Psiquiatria do Distrito Federal, gostaria de parabenizá-los pelo ótimo Congresso. Este (Congresso) foi
supreendente em todos os quesitos: organização, boa apresentação, boa programação, bons palestrantes, boas festas... Fiquei
impressionado com a quantidade de temas importantes e interessantes que foram apresentados. Contudo, não foi possível que
eu assistisse nem metade dos temas que gostaria, como aprendemos com as leis da Física, não há como estar em dois lugares
ao mesmo tempo. Aguardamos anciosamente o início de nossos
encontros para a formação da Liga Acadêmica Nacional. Muito
Obrigado.”
Valmir Hilário
Brasília - DF
“Quero expressar minha satisfação em participar de uma sessão de Assembleia Geral pragmática e transparente, com resultados objetivos e claros para o seguimento das Federadas. Desejo
um novo Ano Fiscal de maior envolvimento da ABP no cenário
decisório-executivo das políticas nacionais de saúde mental, com
resultados de muito sucesso tanto para a Brasileira como suas Federadas. Tenham certeza que estarei à disposição para trabalhar
por este empreendimento.”
Thelma Nery
Feira de Santana - BA
“Agradeço a confiança em mim depositada e espero ter contribuído para o bom desempenho da Assembleia de Delegados;
colocando- me á disposição para a feitura da Ata.”
Maria Cristina Oliveira Contigli
Belo Horizonte - MG
“Participar da Assembleia de Delegados da ABP e poder colaborar para o engrandecimento desta e da Psiquiatria Brasileira
faz-me sentir bem, tanto pela contribuição dada, como pelo fato
de me permitir ficar antenada com tudo o que esta acontecendo
com relação a nossa Associação e nossa especialidade.”
Regina Miranda
Natal - RN
“Na verdade, fico muito feliz em ter trazido um feedback positivo do Congresso, porque ele foi totalmente sincero. Geralmente, nos lembramos de criticar e não de agradecer e elogiar. Será
um prazer poder contribuir com a ABP.”
Ivete Contiéri Ferraz
Curitiba - PR
“Parabéns pela dedicação, pela nova sede da ABP e pelas
idéias inovadoras, acho que a Assembleia de Delegados está ficando realmente mais proveitosa e interessante para todos nós!”
Rita de Cássia G.Marques
São Paulo - SP
f o t o s
‘A Sociedade contra o Preconceito’ reúne psiquiatras e personalidades contra o estigma
Atividade ‘Como eu faço uma perícia forense’, no primeiro dia do CBP
Cerimônia de abertura do XXIX CBP teve show do grupo carioca AfroReggae
Feira de Expositores do XXIX CBP
Lançamento da campanha ‘Craque que é craque não usa crack’
Simpósio da Asociación Psiquiátrica de América Latina - APAL
Luciano do Valle fala sobre preconceito contra o doente mental
Estande do Propsiq na Feira de Expositores
OUTUBRO/NOVEMBRO 2011
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Novidade no XXIX CBP, atividade ‘Como eu trato’ discutiu depressão
Psiquiatras avaliam atendimento para crianças e adolescentes
Psiquiatras em formação participam do XXIX CBP
Show do Titãs anima congressistas
‘Como eu trato’ sobre TOC e psicocirurgia
O prêmio Nobel Eric Kandel participa de páreo comemorativo em homenagem ao CBP
Competição no Jockey Club Brasileiro fez parte da grade cultural do XXIX CBP
O jornalista Leandro Fortes explica como lidar com a imprensa
JORNAL PH
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XXIX CBP foi sucesso de público e de crítica