ano XXXIV Edição4 O U T / N O V 2 0 1 1 Publicação destinada à Classe Médica PSIQUIATRIA HOJE e s p e c i a l XXIX CBP foi sucesso de público e de crítica Personalidades se engajam na luta contra o preconceito > p. 4 e 5 Campanha contra o crack ganha adesão de jogador de futebol > p.6 Auditório lotado para ouvir Nobel de Medicina > p.10 e d i t o r i a l Saiba tudo que aconteceu no XXIX CBP E sta edição do PH é especial. Ela traz um pouco do que foi o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Durante quatro dias, psiquiatras e profissionais de saúde de todo o país trocaram experiências e puderam passar por relevante atualização profissional, comandada por especialistas de renome nacional e internacional. Com o tema “Acesso a Tratamento e Justiça Social”, o CBP provou mais uma vez que é um importante instrumento no esforço por avanços na assistência em saúde mental no Brasil. O assunto ganhou destaque no Fórum das Entidades Médicas. Os presidentes das principais associações reiteraram o apoio ao atendimento e à internação psiquiátrica. Diversos temas da atualidade compuseram a programação científica do Congresso, que também inovou ao convidar para a discussão representantes da sociedade civil. As novidades na área da farmacologia e da pesquisa científica também rechearam a variada programação do CBP. Nesta edição, você terá detalhes das duas campanhas lançadas durante o XXIX CBP. Com “A Sociedade contra o Preconceito”, a Associação Brasileira de Psiquiatria pretende acabar com o preconceito que há em relação ao doente mental e ao psiquiatra. E o movimento começou com força, ganhando a adesão de personalidades da TV, da literatura e do esporte. Já na campanha “Craque que é craque não usa crack” o objetivo é afastar os jovens dessa droga devastadora. A dependência química, aliás, foi uma das discussões mais contempladas na programação do Congresso, refletindo a justa preocupação da ABP com o futuro do país. Fique informado também sobre como foi a participação do Prêmio Nobel de Medicina Eric Kandel no CBP. Mais de mil pessoas participaram desse momento histórico: a primeira vez que Eric Kandel falou em um evento científico na América do Sul. Ficou claro, durante o CBP, a necessidade de mais investimentos e políticas públicas eficientes para tirar da linha do preconceito e da marginalidade os doentes mentais e dependentes químicos. Uma das saídas, certamente, está na pesquisa científica, que carece de estímulos por parte do governo. A Associação Brasileira de Psiquiatria fez e faz a sua parte e está à disposição do governo para ajudá-lo nessa caminhada. Boa leitura! e x p e d i e n t e ABP • Av. Presidente Wilson, 164 / 9º andar - CEP: 20030-020 • Cidade: Rio de Janeiro - RJ • Telefax: (21) 2199.7500 • Site: www.abp.org.br • E-mail: [email protected] | Diretoria Executiva: Antônio Geraldo da Silva, Itiro Shirakawa, Luiz Illafont Coronel, Mauricio Leão, João Romildo Bueno e Alfredo Minervino | Editores: Antônio Geraldo da Silva e João Romildo Bueno | Jornalista Responsável: Lucia Fernandes | Edição: Luana Karen | Revisão: Lucia Fernandes Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Lavinia Góes | Produção Editorial: Luan Comunicação | Impressão: ArteMed 2 JORNAL PH XXIX CBP XXIX CBP movimenta comunidade científica Congressistas lotam auditório para conferir programação do CBP C om o tema “Acesso a Tratamento e Justiça Social”, o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria foi sucesso de público e de crítica. Mais de cinco mil psiquiatras e profissionais de saúde de todo o país trocaram experiências e fizeram uma reciclagem do conhecimento nas diversas atividades do Congresso, que foi realizado entre os dias 2 e 5 de novembro, no RioCentro, Rio de Janeiro. Além da comunidade científica, o evento atraiu a atenção da imprensa e da sociedade civil pela atualidade e relevância dos assuntos que abordou. Um dos momentos mais marcantes do XXIX CBP foi a participação do Prêmio Nobel de Medicina Eric Kandel. O neurocientista falou sobre a pesquisa que está desenvolvendo em ratos geneticamente modificados com o objeti- vo de avaliar medicamentos contra a esquizofrenia. Foi a primeira vez que o neurocientista Eric Kandel participou de um evento científico na América do Sul. Outro destaque do XXIX CBP foi o engajamento da sociedade civil na campanha “A Sociedade Contra o Preconceito”, que pretende acabar com o estigma que há em relação ao doente mental e à Psiquiatria. O humorista Chico Anysio, as atrizes Cássia Kiss Magro e Luiza Tomé, os escritores Ferreira Gullar e Ruy Castro e o locutor esportivo Luciano do Valle aderiram ao movimento e participaram do Congresso dando depoimentos sobre como lidam com problemas mentais pessoais e de familiares. Também foi lançada nesta edição do CBP a campanha “Craque que é craque não usa crack”. O jogador de futebol Deco, do Fluminense, foi um dos que vestiram a camisa da campanha pelo fim do uso da droga. A discussão sobre o acesso ao tratamento psiquiátrico ganhou destaque no Fórum das Entidades Médicas. Os presidentes das principais representações médicas do país, liderados pelo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, defenderam o atendimento e a internação psiquiátrica na rede pública de saúde. A programação científica do XXIX CBP foi pautada por temas do dia-a-dia da sociedade, como a dependência química, a sexualidade, a infância e adolescência e a bipolaridade e outros transtornos mentais. Foram mais de 160 atividades, entre mesas redondas, conferências, cursos, simpósios e atividades especiais comandadas por especialistas nacionais e internacionais. Para garantir a qualidade da infraestrutura do local, muito elogiada por todos que passaram pelo Congresso, 700 trabalhadores se dedicaram até o último instante. A pontualidade, a organização e a variada grade de atividades foram o diferencial do XXIX CBP e garantiram o sucesso do maior Congresso de Psiquiatria da América Latina. Agora, as atenções se voltam para o XXX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que será realizado pela primeira vez em Natal, no Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 13 de outubro de 2012. Os preparativos já começaram e o comitê organizador promete fazer um evento tão ou mais bem sucedido que o CBP deste ano. Está lançado o desafio. OUTUBRO/NOVEMBRO 2011 3 A Sociedade contra o Preconceito Chico Anysio adere à campanha contra o preconceito U ma das atividades de maior destaque do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria foi o lançamento da campanha “A Sociedade contra o Preconceito”, uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria. A campanha uniu psiquiatras e sociedade com o objetivo de diminuir o estigma que há em relação ao doente mental e ao profissional de saúde que lida com as doenças mentais, principalmente o psiquiatra. Nos quatro dias de evento, atividades envolvendo personalidades da TV, do Esporte e da Literatura atraíram a atenção de centenas de congressistas. Chico Anysio - Um dos depoimentos mais aguardados da campanha “A Sociedade contra o Preconceito” foi o do humorista Chico Anysio, que abriu a série de conversas sobre o assunto, no primeiro dia do CBP. Impossibilitado de comparecer ao Congresso por conta de sua saúde física, Chico recebeu em casa o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo, oportunidade em que gravou o vídeo que foi exibido durante o Congresso. Na gravação, o humorista revela que, se não fosse o acompanhamento psiquiátrico que recebe há 24 anos por conta da depressão, não teria feito nem Ferreira Gullar fala sobre os filhos, que sofrem de doenças mentais 20% do que fez em toda vida. Chico Anysio condenou o preconceito contra a Psiquiatria, assim como a falta de atendimento ao doente mental. “Se eu posso, se eu tenho meios de ajudar e curar uma pessoa e não faço isso, eu sou um criminoso. O governo tem esse dever. Ele não está fazendo favor nenhum em colocar os remédios ao alcance dos pobres”, ressaltou. Cássia Kiss Magro - Reconhecida pelos inúmeros papéis que fez na TV, a atriz Cássia Kiss Magro foi outra personalidade que aderiu à campanha contra o preconceito. Ela relatou sua experiência pessoal com a bipolaridade e a bulimia. De forma muito verdadeira, Cássia falou sobre o histórico de problemas familiares que enfrenta – a mãe e os irmãos da atriz também possuem doenças mentais, assim como a avó possuía. Uma das coisas que mais incomoda a atriz no transtorno mental é a incessante busca pela perfeição. “Eu reconheço que não sou uma boa atriz, eu sou uma excelente atriz. Mas não há nenhum privilégio nisso. Isso é resultado do transtorno, da busca pela perfeição. É onde a doença te leva e é uma linha que quase cai na loucura”, afirmou emocionada. Artistas defendem a hospitalização do paciente psiquiátrico como recurso terapêutico para algumas situações A abertura oficial do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria foi marcada pelos depoimentos do escritor Ferreira Gullar e da atriz Luiza Tomé - que também foi a mestre de cerimônias do evento. Para mais de três mil pessoas, eles contaram casos de familiares doentes mentais e dependentes químicos, numa adesão à campanha contra o preconceito. Ferreira Gullar mostrou sua indignação com a nova política psiquiátrica do governo federal que, segundo o escritor, acabou com mais de 30 mil leitos psiquiátricos no país. O poeta tem dois filhos com doença mental. Gullar lembrou que, no passado, havia muito preconceito com relação a mostrar que havia um doente mental na família. “Era como se a doença mental fosse uma coisa maldita”, afirmou. Para o poeta, hoje, as pessoas estão mais esclarecidas, mas houve um retrocesso no atendimento aos pacientes. Ferreira Gullar acusou os críticos da internação psiquiátrica de praticarem “oportunismo político” ao não conhecerem a real situação do doente mental. Também defensora da internação psiquiátrica, a atriz Luiza Tomé relatou os problemas que enfrentou com dois irmãos dependentes químicos. Um dos irmãos da atriz morreu em decorrência dos problemas com as drogas. O outro irmão conseguiu se livrar da dependência e hoje vive bem. “Eu tenho certeza que Deus existe porque o meu irmão está vivo”, disse emocionada. 4 JORNAL PH Luciano do Valle defende acompanhamento psiquiátrico para atletas Ruy Castro - A campanha “A Sociedade contra o Preconceito” ganhou a adesão do jornalista e escritor Ruy Castro, vencedor de quatro prêmios Jabuti, entre eles, pelos livros “Estrela Solitária”, sobre a vida do jogador Mané Garrincha, e “Carmem”, biografia de Carmem Miranda. Além de contar histórias da vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda, Ruy Castro deu um depoimento pessoal sobre a sua experiência com o alcoolismo. Há 23 anos sem beber, o jornalista contou com acompanhamento psiquiátrico para conseguir se livrar da doença. A experiência pessoal despertou o interesse pela vida de pessoas que passaram pelo mesmo problema. Por esse motivo, Ruy Castro resolveu escrever sobre a vida de dois ícones da história nacional. O craque Mané Garrincha, que se destacou no Botafogo e viveu seu auge futebolístico entre os anos de 1964 e 1972, foi encontrado várias vezes embriagado nas ruas e levado para clínicas, que, segundo Ruy Castro, não estavam preparadas para lidar com o problema. O autor afirmou que o contato do jogador com a bebida começou muito antes da fama. “Garrincha nasceu alcoólatra”, disse. O jogador morreu em 1982, pobre e sem prestígio. “Era uma figura notória e as pessoas começaram a identificá-lo como perdedor, como alguém que deveria ser descartado. Todos os estigmas do alcoolismo foram aplicados ao Garrincha”, disse o biógrafo. Identificada pela cesta de frutas que levava na cabeça, Carmem Miranda teve carreira de sucesso no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar disso, os problemas da cantora com álcool eram menos comentados, segundo Ruy Castro. Além de enfrentar o alcoolismo, Carmem também tomava medicamentos controlados e os dois vícios foram mais tarde apontados como possíveis causas de sua precoce morte por infarto, aos 46 anos, em agosto de 1955. “Ela estava deslumbrada com o sucesso. E, deslumbrada, aceitava tudo. Numa hora dessas, foram oferecidos remédios para diferentes situações. Medicamentos sobre os quais não havia estudos suficientes. Carmem Miranda e muitos outros foram usados como cobaias desses laboratórios”, contou Ruy Castro. Luciano do Valle - Outra celebridade que aderiu à cam- Defensora da internação psiquiátrica, Luiza Tomé fala sobre irmãos panha “A Sociedade contra o Preconceito” foi o locutor esportivo Luciano do Valle. Ele defendeu o trabalho do psiquiatra e o fim do preconceito contra o doente mental durante conversa com o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, no XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Vítima da bipolaridade, depressão e síndrome do pânico, Luciano confidenciou que quase abandonou a profissão na África do Sul, na véspera da Copa do Mundo de Futebol de 2010, por não se sentir em condições de trabalhar. “Eu perdi para a depressão por uns três a zero, e perdi com gente que eu amava muito. E vou ser sincero para vocês, hoje, eu só estou mais ou menos equilibrado graças à minha psiquiatra”, revelou. Com quase 49 anos de carreira esportiva, Luciano do Valle se declarou favorável ao acompanhamento psiquiátrico de jogadores de futebol. “Assim como tem preparador físico, nutricionista e outros profissionais, os times têm de ter um psiquiatra acompanhando os garotos”. O locutor disse ainda ser um contra-senso a propaganda de álcool associada ao esporte e citou Pelé como um exemplo de bom profissional dentro e fora dos campos. Ruy Castro conta passagens da vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda OUTUBRO/NOVEMBRO 2011 5 Lançada campanha “Craque que é Craque não usa Crack” O crack já é uma das drogas mais consumidas nas cidades brasileiras, é o que mostra um estudo divulgado no início deste mês pela Confederação Nacional dos Municípios. A droga está presente em 4.018 cidades do país. Número que corresponde a 90,7% dos 4.430 municípios consultados. Para 63,7% dos prefeitos que responderam ao questionário da CNM, o crack provoca impactos negativos na saúde. A segurança é o segundo setor mais afetado pela droga na percepção dos entrevistados, seguido pela assistência social. O estudo ainda mostrou que o preço baixo e o fácil acesso têm feito com que a droga tome o lugar do álcool na zona rural do país. Os dados revelam o que não dá mais para esconder: o Brasil vive uma epidemia de crack e, se nenhuma política eficaz for posta em prática, vai perder essa batalha. Lutando do lado do “bom combate” está a Associação Brasileira de Psiquiatria, que lançou a campanha “Craque que é Craque não usa Crack”, durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. O objetivo é alertar a sociedade sobre os males causados pelo crack e pela dependência química. Para o coordenador da Central Única das Favelas do Rio Grande do Sul, Manoel Soares, um dos grandes inimigos na luta contra o crack é a indústria que fabrica, nos laboratórios improvisados em fundos de quintais, a droga. Segundo Soares, para fazer frente a essa rede, é preciso construir uma estratégia que permita aos psiquiatras, por meio de interlocutores (como ONGs e associações de moradores), Líder da CUFA elogia campanha da ABP entrarem nas comunidades e acessar as famílias mais vulneráveis. A partir daí, na avaliação de Soares, deve-se começar a fortalecer a família do usuário para, só depois, trabalhar o próprio usuário. Manoel Soares, que participou da cerimônia de lançamento da campanha, vestiu a camisa do projeto e elogiou o modo como a ABP vem tratando o assunto. Ele ressaltou, ainda, que é preciso que a campanha entre na vida dos jovens. “Precisamos desencastelar essas idéias, principalmente essa. Ela tem que chegar dentro da comunidade, tem que fazer parte do dia-a-dia das pessoas”, afirmou. Ele mesmo se propôs a ser a conexão necessária para a realização de mutirões psiquiátricos nas comunidades mais carentes. Jogador Deco adere à campanha contra o crack O jogador Deco, do Fluminense, também se engajou na campanha “Craque que é Craque não usa Crack”. Em visita à feira de expositores do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, Deco distribuiu autógrafos, tirou fotos com os fãs e, literalmente, vestiu a camisa da campanha contra o crack. 6 JORNAL PH Controle das fronteiras é apontado por deputado como fundamental para combater o tráfico de drogas Mesa Redonda discute políticas públicas contra o crack D erivado da pasta base da cocaína, o crack recebe em sua mistura substâncias que podem ser letais para o usuário, como água de bateria e soda cáustica. Para enfrentar a droga, o deputado federal Osmar Terra defendeu um maior controle das fronteiras nacionais. Osmar Terra participou de mesa redonda no XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que discutiu a Psiquiatria e o usuário de crack sob o ponto de vista das políticas públicas. Na avaliação do Deputado, o Brasil, que faz divisa com os três maiores produtores mundiais de cocaína - Peru, Colômbia e Bolívia -, tem uma fiscalização de fronteiras ineficiente. “Temos que ter políticas muito mais abrangentes. Nós temos 17 mil quilômetros de fronteira e 900 homens para vigiá-la. Os Estados Unidos tem fronteira de três mil quilômetros com o México e 30 mil homens para vigiá-la”, afirmou Terra. Segundo o Deputado, no Rio Grande do Sul, em 1997, não havia nenhum caso policial ou médico envolvendo usuário de crack no Estado. Hoje, de acordo com Osmar Terra, metade dos homicídios no Rio Grande do Sul tem relação direta ou indireta com a droga. “Ou é o cara que comete latrocínio para comprar crack ou é o sujeito que é morto pelo tráfico, por não pagar a dívida”. Para Osmar Terra, os CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) não resolvem os problemas gerados pelo uso da droga. O Deputado também afirmou que a Lei Antidrogas brasileira, que é de 2006, está desatualizada. Segundo ele, o governo federal não sabe o que fazer. “O governo está paralisado pelas contradições ideológicas e filosóficas que tem com essa questão”, disse Osmar Terra. Epidemia - O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que também participou da mesa redonda, afirmou que o Brasil passa por uma epidemia de consumo de crack. “Há dez anos, você não tinha crack, a não ser em uma região de São Paulo. Hoje, você tem crack de leste a oeste, de norte a sul do país. Do ponto de vista médico, nós temos uma epidemia que atinge o Brasil inteiro”, afirmou. Ronaldo Laranjeira também apontou a fragilidade das fronteiras brasileiras como um dos principais motivos para o agravamento do problema. A droga vinda dos países produtores de cocaína, na opinião do médico, chega ao Brasil a um custo muito baixo. Esse fato levou à criação de uma rede de distribuição de drogas nas pequenas e médias cidades. “São pessoas que não faziam esse tipo de distribuição. É o dono do bar, o motorista de táxi, a dona de casa. É um perfil muito distinto e que se ampliou nos últimos anos. Essa rede é uma herança que estamos deixando para a próxima geração de brasileiros”. Na avaliação do médico, o grande desafio agora é como desmontar essa rede. De acordo com Laranjeira, das quatro milhões de pessoas que fazem tratamentos contra o uso de drogas no mundo, 2,5 milhões estão nos Estados Unidos. “O sistema lá é bastante vigoroso. Os planos de saúde, o governo e a comunidade pagam os tratamentos, sendo que a maioria é baseada em evidências”, relatou. No Brasil, os governantes falham em não perceber que o crack tem uma dinâmica própria, segundo Laranjeira. Para ele, é preciso estabelecer uma vertente político-diplomática com Colômbia, Peru e Bolívia a fim de que se diminua a produção de coca nesses países. OUTUBRO/NOVEMBRO 2011 7 Entidades médicas lutam por melhor atendimento ao doente mental A discussão sobre o atendimento que é oferecido na rede pública ao doente mental foi um dos destaques do primeiro dia do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. No Fórum das Entidades Médicas, os presidentes da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Ávila, da Federação Nacional dos Médicos, Cid Célio Carvalhaes, e da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, fizeram uma análise do papel dos diversos setores da sociedade no atendimento em saúde mental e as formas de melhorá-lo. Segundo o presidente da ABP, os dados do Ministério da Saúde estão equivocados ao indicarem que os 1.562 Centros de Atenção Psicossocial existentes atendem 67% da população que precisam de cuidados psiquiátricos. “Seiscentos desses CAPs não têm médicos e a maioria não tem psiquiatra”, afirmou. Para Antônio Geraldo, seriam necessários mais de 92 mil CAPs para atender às 46 milhões de pessoas portadoras de doenças mentais no Brasil. “Isso não é inteligente. Basta pegar os postos de saúde e colocar equipe de saúde mental dentro. E devemos fazer isso porque cinco das dez maiores sustenna_anuncio.indd 1 8 JORNAL PH causas de afastamento do trabalho são por doenças mentais”, destacou o psiquiatra. A falta de uma rede de atendimento adequada tem feito com que muitas pessoas busquem o Judiciário para garantir o acesso a medicamentos e tratamentos no Sistema Único de Saúde, na avaliação do presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Ávila. Ele afirma que a procura não é apenas por medicamentos caros ou por produtos novos no mercado. “O remédio mais demandado hoje, no Judiciário, chama-se aspirina. Depois, vem o protetor solar e as fraldas descartáveis, principalmente para adultos e idosos. Todos esses itens constam da farmácia básica e deveriam ser distribuídos nos municípios”, revelou. Para Roberto D’Ávila, vive-se uma crise grave do setor público. “De cada quatro ou cinco reais, apenas um chega até o paciente”. Na opinião do presidente da Federação Nacional dos Médicos, Cid Célio Carvalhaes, parte da crise envolvendo o setor público deve-se a uma dicotomia presente na Constituição Federal. Segundo ele, ao dizer que a saúde é direito de todos os cidadãos e obrigação do Estado, mas, em seguida, admitir Presidentes das principais entidades médicas participam de mesa-redonda no CBP o acesso à medicina privada e suplementar, o constituinte parte do princípio de que a destinação de verbas para a saúde é insuficiente. “E, aí, entramos na lógica da medicina privada, suplementar, que é mais perversa, mais injusta, por que restringe o atendimento em busca de lucros”, explicou Carvalhaes. Já na avaliação do presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, um dos maiores erros cometidos pelo gestor público no atendimento ao doente mental foi a extinção de leitos psiquiátricos em favor do atendimento nos CAPs. “No Brasil, não se enxerga quase nunca algo que se vislumbre resultados de médio e longo prazos. Muitas dessas políticas requerem resultados rápidos, por que se associam a mandatos políticos”, afirmou. Para Cardoso, o resultado dessa política “apressada” é o retrato de pacientes e familiares de pacientes dormindo nas portas dos hospitais públicos, a espera de um leito. As Entidades Médicas vão continuar mobilizadas pela melhoria do atendimento ao doente mental. Um Fórum semelhante já está confirmado para a XXX edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em 2012, que será realizado em Natal/RN. entrevista que precisa ter uma estrutura ambulatorial. Dá um trabalho muito maior, você destrói para depois tentar reconstruir. Presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila , fala com exclusividade ao PH A pós afirmar, no Fórum das Entidades Médicas, que o sistema público de saúde vive uma grave crise, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Avila, deu uma entrevista em que falou sobre a política antimanicomial e o combate às drogas no Brasil. O que falta para que seja garantido o direito do cidadão de receber atendimento psiquiátrico na rede pública? Houve todo um programa, nos últimos 30, 40 anos, de desospitalização do paciente psiquiátrico. Em parte, esse programa tinha razão porque havia hospitais psiquiátricos com mil pacientes, que estavam internados há muitos anos. Era um depósito e havia necessidade de se corrigir esse excesso. Só que isso acabou se radicalizando com o movimento antimanicomial porque muita gente identificou que os psiquiatras perpetuavam aquele estado de coisas. O que não era verdade. Os psiquiatras não poderiam dar alta a esses pacientes se não tivesse uma rede ambulatorial que os acompanhasse. E o governo desmanchou todo o sistema de internação psiquiátrica, jogando nas ruas pessoas que não tiveram o acompanhamento necessário. Isso foi uma maldade. Hoje, você vê um monte de pessoas que necessitam tomar o seu remédio, fazer uma consulta semanal e isso não foi construído. Além disso, grande parte dessas atribuições foi retirada dos psiquiatras e repassada a outros profissionais. O Serviço Social e a Psicologia assumiram funções dos médicos. Não que nós não possamos dividir, pelo contrário, nós sabemos o que é uma equipe multiprofissional. Nós queremos trabalhar juntos, só que cada um dentro da sua função. Foi lamentável o que aconteceu porque isso foi feito de maneira tão deliberada e tão antimédica que acabou prejudicando a sociedade. Agora nós estamos tentando recompor as equipes, mostrar que não é assim, que não somos bandidos, Seria um retorno dos manicômios? Não. Hoje, os próprios psiquiatras entendem que você precisa internar apenas os casos agudos, no máximo de sete a dez dias. Teve um surto esquizofrênico? Ficou agitado? Quer bater, matar? Pode se suicidar? Interna essa pessoa uma semana, medica e, verificando que ela está equilibrada, encaminha para fazer o tratamento ambulatorial, com a medicação, o acompanhamento com o psicólogo e o assistente social. Você não precisa mais cronificar a doença, que foi o que aconteceu no passado. Esses pacientes tinham uma crise, eram internados e não saiam mais. Isso acabou e temos perfeita consciência disso. Só que você precisa ter um sistema ambulatorial que garanta o atendimento. Os CAPs foram criados com essa função. No papel, no nosso governo e em todos os outros governos, eles são ótimos. A burocracia é muito interessante no país. Os governos são ótimos para criar coisas no papel, mas sem salário, sem carreira, sem as mínimas condições adequadas de trabalho, ninguém fica no sistema público. Você vai trabalhar no sistema privado, infelizmente. Agora, há uma chance, há toda uma vontade de se recuperar e de se resgatar o que é há de melhor. Já há conversas nesse sentido com o governo? Sim, há. É difícil, mas há conversa. Como o senhor avalia a política de combate às drogas no Brasil? Temos uma câmara técnica de responsabilidade social e lançamos uma cartilha contra o crack, para que os médicos possam identificar como devem tratar o usuário. Estamos trabalhando junto com o Conselho Nacional Antidrogas, embora tenhamos algumas divergências. Por exemplo, houve uma declaração do próprio governo de que o crack não era uma epidemia, mas, quando andamos nas ruas, vemos o problema na calçada, por onde a gente passa. E as famílias estão sendo destroçadas. Então, à parte essas divergências, nós estamos absolutamente empenhados em minorar esse sofrimento, em colaborar. Estamos fazendo um convênio com a Caixa Econômica e com o Ministério da Saúde para imprimir 500 mil cartilhas que serão distribuídas em todos os hospitais e postos de saúde do país. O governo demorou para tomar uma atitude? É tão difícil fazer essa avaliação. Eu penso que, se o governo não fez, nós estamos ajudando, estamos procurando recuperar esse tempo perdido. Mas ele é que deve fazer essa autocrítica, essa avaliação. 7/19/11 2011 2:43 PM OUTUBRO/NOVEMBRO 9 Prêmio Nobel de Medicina fala no XXIX CBP sobre pesquisa em “ratos esquizofrênicos” E m uma das atividades mais concorridas do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, o prêmio Nobel de Medicina Eric Kandel falou para uma platéia de aproximadamente mil pessoas sobre a pesquisa que sua equipe está desenvolvendo com camundongos esquizofrê nicos. A conferência entrou para a história por ter sido a primeira vez que o Nobel Eric Kandel participou de um evento científico na América do Sul. O neurocientista austríaco ganhou o Nobel de Medicina em 2000 por seus estudos sobre a memória humana. Agora, Kandel está avaliando a ação de medicamentos sobre os pacientes esquizofrênicos a partir de testes em camundongos geneticamente modificados. Kandel disse que conseguiu criar camundongos cujo corpo estriado produz em excesso uma proteína que os neurônios usam para captar o neuro transmissor dopamina. Essa é uma lesão genética que ocorre em parte dos pacientes com es- quizofrenia e, funcionalmente, leva a uma característica compartilhada pela maioria dos esquizofrênicos. “Nós obtivemos camundongos que claramente têm problemas de memória de curto prazo e em funções cognitivas. Os mesmos roedores têm dificuldade de interação social e baixa motivação”, afirmou. A pesquisa, explicou o neurocientista, consiste em averiguar os sintomas cognitivos (a dificuldade de organizar idéias e trabalhar) e negativos (reclusão, isolamento social e falta de motivação) da esquizofrenia. Segundo o Nobel de Medicina, não é possível fazer a avaliação de respostas em relação aos sintomas positivos (ilusões, alucinações e loucura) por causa da dificuldade de observação, “não há como saber se um camundongo está tendo ilusões ou alucinações”, explicou. Uma das conclusões a que Eric Kandel chegou com a pesquisa é que também é possí- Eric Kandel durante o XXIX CBP vel utilizar camundongos para estudar outros transtornos men tais complexos, além da esquizofrenia. “Espero que isso leve a uma nova síntese para a psicologia cognitiva, que é uma parte poderosa, que fornece a plataforma para explicar o fenômeno mental”, afirmou o cientista, que ainda defendeu mudanças de paradigmas para maior integração entre a psiquiatria, a neurociência e a psicologia. A ABP agradece ao Laboratório Moksha8 por ter patrocinado a presença de Eric Kandel no XXIX CBP. Itiro Shirakawa fala sobre o uso de medicamentos no tratamento psiquiátrico Segundo o psiquiatra Itiro Shirakawa, o uso de medicamentos foi o grande responsável pelo esvaziamento dos hospitais psiquiátricos no mundo. Vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Shirakawa participou da atividade “Como eu trato esquizofrenia”, no XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Na avaliação do médico, a medicação é fundamental para que o paciente que sofre de esquizofrenia não tenha recaídas. O médico falou, em sua apresentação, sobre o uso de medicamentos, os efeitos esperados e os efeitos colaterais e fez recomendações aos congressistas sobre as dosagens medicamentosas. 10 JORNAL PH Comitê Organizador já trabalha para o próximo CBP Começaram os preparativos para o XXX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Natal T erminado o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, é hora de começar a pensar em Natal, cidade que vai sediar o XXX CBP, entre os dias 10 e 13 de outubro de 2012. E os preparativos para o maior congresso de psiquiatria da América Latina no Rio Grande do Norte já começaram. O Comitê Organizador Local, formado pelas doutoras Regina Miranda, Mirna Chaves e Nadira Hazboun, está trabalhando em conjunto com a ABP para garantir que o Congresso de 2012 seja tão ou mais bem sucedido que o CBP deste ano. Já foram feitos contatos com a Secretaria de Turismo do Estado, a Emprotur (Empresa Potiguar de Promoção Turística) e com o Natal Convention Bureau com a finalidade de estabelecer uma cooperação para o XXX CBP. Conhecida por suas belas praias, dunas e por abrigar o maior cajueiro do mundo, Natal vai sediar pela primeira vez um Congresso Brasileiro de Psiquiatria e os atrativos turísticos da cidade devem contar na decisão de participar do XXX CBP. Segundo Regina Miranda, o congressista que for a Natal será muito bem recebido. “O povo de Natal é conhecido por ser hospitaleiro, tratamos muito bem os nossos visitantes. Sem falar no clima da cidade, que não tem grandes variações de temperatura durante o ano e que, na época do congresso, estará muito agradável”, garantiu a doutora. Natal é a capital do Nordeste com o maior número de leitos do setor hoteleiro e o congressista que for para o XXX CBP também não deverá ter problemas com hospedagem. Regina Miranda também explicou que o Centro de Convenções da cidade, localizado no bairro de Ponta Negra, na via costeira, fica próximo dos melhores hotéis e também daqueles com preços mais atrati- vos. “A pessoa que não quiser ficar num hotel muito caro terá outras opções, inclusive, próximas ao Centro de Convenções”. Sobre a experiência no XXIX CBP, Regina Miranda quer aproveitar em Natal a ideia das várias áreas de descanso montadas no RioCentro, independentes da estrutura oferecida pelos expositores. Ela também sugere que seja mantida a praça de alimentação próxima dos estandes, para que as pessoas que forem aproveitar o intervalo para visitar as exposições possam também ter comodidade para comer. Brasília será sede do XXXII CBP, em 2014 Durante a Assembleia Geral de Delegados, realizada dia 1º de novembro, Brasília foi escolhida a sede do XXXII Congresso Brasileiro de Psiquiatria - 2014. Cidade-sede da Copa do Mundo de Futebol que acontece no mesmo ano, Brasília passa por reformas estruturais, como a ampliação do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, a construção de um novo modelo de transporte público – o Veículo Leve sob Trilhos – e a construção do Estádio Nacional de Brasília. A cidade ainda deve ganhar novos hotéis e ter ampliada a sua rede gastronômica. Todos esses atrativos estarão prontos à época da realização do XXXII CBP, constituindo-se em mais um motivo para que os congressistas venham à capital federal. A última vez que Brasília sediou um CBP foi em 2008. OUTUBRO/NOVEMBRO 2011 11 n o t a s Gattaz defende melhor relacionamento com a mídia Segundo um estudo feito pelo psiquiatra Wagner Gattaz, 93% dos doentes mentais não são violentos. Gattaz, que participou de conferência no segundo dia do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, usou os números para falar da importância de se melhorar o relacionamento com a imprensa e diminuir o estigma que há em relação ao doente mental. Para o especialista, entre as atitudes que devem ser tomadas pelos profissionais de saúde está informar com clareza, evitando uso de jargões e apresentando conceitos claros para a correta veiculação de informações na mídia. Segundo o psiquiatra, a falta de informações ou a informação equivocada é um dos empecilhos mais importantes a impedir o tratamento do doente mental. ABP tem contas aprovadas As contas do primeiro ano de atividades da nova diretoria da Associação Brasileira de Psiquiatria foram aprovadas por unanimidade, pela Assembleia Geral de Delegados em reunião realizada no dia 1º de novembro, no Rio de Janeiro. A AGD durou nove horas e foi marcada pela análise dos trabalhos da ABP e pela discussão dos novos rumos da entidade. Participaram do encontro 153 delegados credenciados, entre federados da ABP e presidentes de Núcleos. Também na Assembleia, foram apresentados os trabalhos que vem sendo desenvolvidos para a organização do XXX CBP/ Natal 2012 e XXXI CBP/Curitiba 2013. Tributo a Marcos Mercadante O psiquiatra paulista Marcos Mercadante foi homenageado por amigos e colegas durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Morto em julho, em decorrência de um câncer no pâncreas, Mercadante tinha o sonho de descobrir o gene causador do autismo e ganhar o Prêmio Nobel por isso. A descoberta não aconteceu, mas o psiquiatra infantil trabalhou durante toda a carreira em prol de uma maior difusão de informações sobre a doença. Em 2010, Marcos Mercadante fundou a Organização Não-Governamental Autismo & Realidade, que apoia a preparação de pessoas e instituições para trabalhar com autistas e combater o preconceito. Uso da internet e das redes sociais foi sucesso XXIX CBP O XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria contou com aliados importantes na divulgação das atividades e na interação com os congressistas e com aqueles que não puderam participar do evento: as redes sociais. Um site exclusivo foi criado para o XXIX CBP. Ele entrou no ar no dia 26 de outubro e registrou, até 21 de novembro, quase 35 mil acessos. O maior número de visitas foi registrado na véspera do Congresso, quando a página foi visualizada 5.202 vezes. Só nos quatro dias de CBP, foram 12.200 acessos. Mais de mil pessoas optaram por curtir a página da Associação Brasileira de Psiquiatria no Facebook e passaram a receber notícias em tempo real do XXIX CBP. A rede social acabou se tornando um dos mais ágeis canais de comunicação entre a Associação Brasileira de Psiquiatria e profissionais de todo o país. No Twitter, outra rede social utilizada para divulgar o XXIX CBP, quinhentos seguidores do perfil da ABP também receberam atualizações em tempo real sobre o que acontecia no Congresso. As redes sociais continuarão sendo usadas pela ABP para informar seus associados e a sociedade em geral sobre os trabalhos que são desenvolvidos pela entidade. Os detalhes dos preparativos para o próximo CBP, em Natal, também serão divulgados na internet. Para fazer parte desse círculo e receber as notícias em primeira mão, acesse o site da ABP, siga a instituição no twitter e curta a página da Associação no Facebook. O Twitter é o @abpsiquiatria. O endereço eletrônico da ABP é o www.abp.org.br. Já a página da instituição no Facebook é muito fácil de ser encontrada, basta digitar o nome da ABP no campo “procurar”, na parte superior do site, para localizar a página. Acesse! 12 JORNAL PH o p i n i õ e s “Assisti o primeiro Congresso da ABP e, desde então, participei da maioria deles. Este Congresso, independe de quem observa, representou uma ruptura em relação a padrões anteriores. A ideia de levar pessoas públicas e marcantes da mídia para falar das suas relações com a doença e com os psiquiatras foi brilhante e extraordinariamente bem executada pelo Antônio Geraldo e pela Fátima. A grade científica apresentou caras novas com muito sucesso. A Academia esteve bem representada, não faltou nenhuma figura de destaque na pesquisa. A parte social foi marcada pela democracia, menos festas privadas e mais festas coletivas. A indústria teve sua oportunidade de realizar suas MR e o pavilhão de exposições, sendo amplo, facilitava a circulação e o contato humano. Parabéns ao Antônio Geraldo, ao Romildo, a Fátima e aos demais membros das comissões pelo excelente Congresso”. Walmor Piccinini Porto Alegre - RS “Vocês estão de parabéns. Foi um excelente Congresso. Contem comigo para os próximos.” Marco Antonio de Souza Leão Santos Recife - PE “Ao Antônio Geraldo, presidente da ABP, e toda a comissão organizadora do CBP, meus parabéns entusiasmados pelo sucesso do Congresso. Foi 10 em todos os sentidos. Ouvi vários comentários elogiosos sobre a organização e diversificação do programa. Agradeço muito pela seleção de atividades de ensino das quais participei. Foi realmente uma estreia feliz da nova diretoria.” Gilda Paoliello Belo Horizonte - MG “A Associação Sergipana de Psiquiatria vem parabenizar a ABP e a Federada do Rio de Janeiro pelo excelente Congresso realizado nesta cidade, tanto pelo conteúdo científico, como pela organização.” Maria Helena Avila Lima Aracaju - SE “Este Congresso de 2011 foi o melhor e mais apaixonante que frequentei como Psiquiatra até hoje! Parabéns, porque estou ainda mais orgulhoso de minha especialidade e de minha vocação!” James Cesar M. A. Souto Recife - PE “Parabéns pelo excelente Congresso! Estava bastante completo, temas atuais e que realmente me ajudam na prática diária! Acho que foi o Congresso em que eu mais fiquei dentro das salas de aula! Importante também o trabalho com a mídia para desestigmatizar o Psiquiatra e nossos pacientes!” Danielle Santos Zamuner Toledo - PR “Parabéns, o CBP foi ótimo!” Evelyn Vinocur Rio de Janeiro - RJ “O Congresso foi excelente. Parabéns.” Abrão Marcos da Silva Goiânia - GO “Parabéns à ABP pelo evento do Rio de Janeiro. Muito obrigado pela atendimento prestado a nós, associados. Continuem assim, pois a humanidade será cada vez melhor enquanto existir pessoas comprometidas com o próximo.” David Seraphi Ourinhos - SP “O prazer e a honra (de participar do XXIX CBP) foram meus. Se tudo der certo, estaremos juntos em Natal.” Kleber Francisco Meneghel Vargas Campo Grande - MS “Agradeço o reconhecimento do resultado dos nossos esforços, que, para ser atingido, contou com o envolvimento de colaboradores com participações inestímáveis. Salientando-se, na coordenação de uma das atividades, o colega Flávio Joseph. Principalmente, agradeço a oportunidade de participar de diferentes formas neste evento de maior importância para nós. Entretanto, para que nosso trabalho pudesse ser levado à contento,foi fundamental o apoio que vocês nos proporcionaram. Esta capacidade de discutir e delegar incumbências é fundamental para o sucesso de uma diretoria. Posso dizer que isso foi fundamental para o sucesso do Congresso. Parabéns por esta realização, e tenho certeza que ela nos sinaliza por outros eventos futuros igualmente de sucesso.” Júlio César Fontana-Rosa São Paulo - SP “Assistimos, sem dúvida nenhuma, um Congresso maior, com impecável organização, grandes presenças, à altura de uma Psiquiatria Brasileira que nós queremos, merecemos, e que o Brasil que sonhamos também merece. Afinal, retomamos as rédeas da responsabilidade pela Psiquiatria como uma Ciência Médica e os rumos que conduzirão a mesma à cura das doenças, através da inteligente estratégia que vocês adotaram: a de trazer nossos grandes talentos para defenderem o cuidado preventivo, curativo e reabilitador de seus familiares e, portanto, das nossas populações brasileiras. As gravações dos “depoimentos” merecem ser disseminadas na mídia televisiva. Parabéns deste colega que considera a sua participação um dever.” Ellis D’Arrigo Busnello Porto Alegre - RS “Agradeço a experiência única que (vocês) me proporcionaram de participar do Programa Psiquiatras em Formação! Apesar da viagem ‘rápida’, foi o suficiente para conhecer os princípios humanos e de formação da ABP. A impressão e vivência que tive foi de participar de uma grande família, digna de união, respeito, força e preocupação pelos seus membros. Gostaria de expor a saudade dos amigos que conquistei, equipe que me orientou, momentos que discuti, aprendi e evolui. Obrigada, mais uma vez, por isso! Sinceramente, uma experiência de vida indescritível para atuação profissional, social e humana! Coloco-me à disposição para expandir os conhecimentos adquiridos e desejo ser uma mediadora, em minha cidade/estado, quanto a divulgar a nossa Psiquiatria sem estigmas, humanizada! (...) Obrigada!” Amanda Minikowski Londrina – PR c o n t i n u a OUTUBRO/NOVEMBRO 2011 13 o p i n i õ e s “Agradeço a comissão científica a gentileza do convite e mais uma vez parabenizo os organizadores pelo sucesso do evento. Foi com imenso prazer que participei deste Congresso, que a meu ver foi, sem dúvida, o melhor dos últimos anos.” Luciana Carvalho Belo Horizonte – MG “Para mim, foi uma grande honra ter participado deste magnífico Congresso como relator da mesa 59. Todos os que participaram do planejamento e da execução do melhor Congresso Brasileiro já realizado devem receber todos os elogios e agradecimentos por parte daqueles que puderam aproveitar do mesmo, repleto de temas práticos e atuais. Sinto orgulho de pertencer a este grupo que veio para fazer a grande diferença. Parabéns!” Luiz Carlos de Oliveira Araguaína - TO “Agradeço novamente pela oportunidade de colaborar com a programação científica deste excelente Congresso.” Guilherme Nogueira M de Oliveira Belo Horizonte - MG “Quero parabenizá-los pelo Congresso, tanto pelo conteúdo, quanto à organização. Apreciei a iniciativa de reunião das federadas por região pois se faz necessário um diálogo mais próximo para agregar e conhecer as especificidades de cada federada. A ABP representa a psiquiatria brasileira e, para fazê-lo, é importante ouvir os associados e os representantes dos associados. A proposta de revisão dos estatutos também é um assunto a ser olhado com cuidado e penso ser importante que as federadas tenham alguma idéia dos objetivos da ABP ou, pelo menos, quais assuntos mais relevantes no momento. Sem dúvida estarei em Natal com a ABP.” Lizete Pessini Pezzi Porto Alegre- Rio Grande do Sul “Eu gostei muito de participar das atividades que fui convidado. A reintrodução dos temas livres foi muito importante, assim como a continuação da sessão de casos clínicos.O Congresso estava muito organizado e com conteúdo programático de alta qualidade. Parabéns aos colegas que tanto se empenharam para alcançarmos essa excelência.” Cássio Pitta São Paulo - SP “Foi um prazer e uma honra receber o convite da Associação da qual tanto me orgulho e, de alguma forma, poder contribuir com o conhecimento adquirido e refinado a cada Congresso. Muito obrigado!” Leonardo Salvador Gaspar Florianópolis - SC “Sinto-me honrado por ter sido delegado eleito pela APERJ e poder estar presente na Assembleia, na certeza da transparência de nossa atual diretoria da ABP. Desejoso de poder contribuir sempre com nossa casa, subscrevo-me.” Eduardo Birman Rio de Janeiro - RJ 14 JORNAL PH “Em nome da Liga de Psiquiatria do Distrito Federal, gostaria de parabenizá-los pelo ótimo Congresso. Este (Congresso) foi supreendente em todos os quesitos: organização, boa apresentação, boa programação, bons palestrantes, boas festas... Fiquei impressionado com a quantidade de temas importantes e interessantes que foram apresentados. Contudo, não foi possível que eu assistisse nem metade dos temas que gostaria, como aprendemos com as leis da Física, não há como estar em dois lugares ao mesmo tempo. Aguardamos anciosamente o início de nossos encontros para a formação da Liga Acadêmica Nacional. Muito Obrigado.” Valmir Hilário Brasília - DF “Quero expressar minha satisfação em participar de uma sessão de Assembleia Geral pragmática e transparente, com resultados objetivos e claros para o seguimento das Federadas. Desejo um novo Ano Fiscal de maior envolvimento da ABP no cenário decisório-executivo das políticas nacionais de saúde mental, com resultados de muito sucesso tanto para a Brasileira como suas Federadas. Tenham certeza que estarei à disposição para trabalhar por este empreendimento.” Thelma Nery Feira de Santana - BA “Agradeço a confiança em mim depositada e espero ter contribuído para o bom desempenho da Assembleia de Delegados; colocando- me á disposição para a feitura da Ata.” Maria Cristina Oliveira Contigli Belo Horizonte - MG “Participar da Assembleia de Delegados da ABP e poder colaborar para o engrandecimento desta e da Psiquiatria Brasileira faz-me sentir bem, tanto pela contribuição dada, como pelo fato de me permitir ficar antenada com tudo o que esta acontecendo com relação a nossa Associação e nossa especialidade.” Regina Miranda Natal - RN “Na verdade, fico muito feliz em ter trazido um feedback positivo do Congresso, porque ele foi totalmente sincero. Geralmente, nos lembramos de criticar e não de agradecer e elogiar. Será um prazer poder contribuir com a ABP.” Ivete Contiéri Ferraz Curitiba - PR “Parabéns pela dedicação, pela nova sede da ABP e pelas idéias inovadoras, acho que a Assembleia de Delegados está ficando realmente mais proveitosa e interessante para todos nós!” Rita de Cássia G.Marques São Paulo - SP f o t o s ‘A Sociedade contra o Preconceito’ reúne psiquiatras e personalidades contra o estigma Atividade ‘Como eu faço uma perícia forense’, no primeiro dia do CBP Cerimônia de abertura do XXIX CBP teve show do grupo carioca AfroReggae Feira de Expositores do XXIX CBP Lançamento da campanha ‘Craque que é craque não usa crack’ Simpósio da Asociación Psiquiátrica de América Latina - APAL Luciano do Valle fala sobre preconceito contra o doente mental Estande do Propsiq na Feira de Expositores OUTUBRO/NOVEMBRO 2011 15 16 Novidade no XXIX CBP, atividade ‘Como eu trato’ discutiu depressão Psiquiatras avaliam atendimento para crianças e adolescentes Psiquiatras em formação participam do XXIX CBP Show do Titãs anima congressistas ‘Como eu trato’ sobre TOC e psicocirurgia O prêmio Nobel Eric Kandel participa de páreo comemorativo em homenagem ao CBP Competição no Jockey Club Brasileiro fez parte da grade cultural do XXIX CBP O jornalista Leandro Fortes explica como lidar com a imprensa JORNAL PH