METODOLOGIA DO ENSINO DE ARTE NO CURRÍCULO ESCOLAR Aline Vitória Souza Araújo de Castro1, Jucelina Conceição Lucindo Lima, Vanessa Cristina Selicani, Profª. Msc. Maria Angélica Gomes Maia, Orientadora. Universidade do Vale do Paraíba/Faculdade de Educação e Artes/Rua Tertuliano Delphim Jr., 181, Jardim Aquarius – São José dos Campos – SP/[email protected] Resumo – Este artigo se propõe analisar e refletir sobre como deve ser a metodologia do ensino de Arte na Educação Básica, dentro de um currículo escolar que busca oferecer um ensino de qualidade. A pesquisa foi realizada a partir da disciplina Concepções de Currículo na Educação Básica, do quinto período do Curso de Artes Visuais (2009), da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP/São José dos Campos). A análise foi feita a partir das referências bibliográficas estudadas. O resultado da pesquisa apontou para a importância de um currículo eficiente, que visa articular teorias da Arte, Educação, Práticas Sociais e Ensino, onde se propõe uma metodologia com princípios e critérios para que o aluno possa ampliar e enriquecer suas experiências artísticas e estéticas, edificando progressivamente uma identidade orientada para a plena participação na sociedade. Palavras-chave: Currículo/ Arte/ Metodologia/ Educação/ Qualidade Área do Conhecimento: Ciências Humanas (Educação) 1. INTRODUÇÃO Ao pensarmos o currículo escolar, devemos atentar que nem tudo o que a escola diz ensinar é ensinado aos alunos e, ao pensarmos no ensino de arte acreditamos que muita coisa precisa ser revista. Na maioria das escolas o ensino de Arte vem sendo desenvolvido de forma incompleta, quando não incorreta, esquecendo ou desconhecendo o verdadeiro sentido dessa disciplina. Muitas mudanças já ocorreram no currículo em nosso país a respeito do ensino da Arte, tendo um histórico de busca de melhorias para essa área de conhecimento, pontuando a especificidade do seu objeto de estudo, encaminhamentos didáticos, a metodologia do trabalho por projetos, a caracterização da área, as questões relativas à avaliação do processo com base nos conteúdos, objetivos e participação dos alunos. Hoje, temos muitas contribuições de suma importância para a metodologia do ensino de Arte e que fazem a diferença quando são desenvolvidas em sala de aula, mas para isso, a escola e os professores precisam estar conscientes de seus papeis dentro da educação encarando o desafio de ensinar. Muitos são os autores que veem colaborando com estudos e teorias para essa área de conhecimento, dando ênfase na metodologia do Ensino da Arte, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Para embasamento deste artigo utilizaremos como referência Ferraz e Fuzari (1993), (1999), Martins, Picosque e Guerra (1998), Arslan e Iavelberg (2006) entre outros, que irão nos fornecer elementos e subsídios para o objetivo desta pesquisa que pretende analisar e refletir como deve ser a metodologia do ensino de Arte na Educação Básica dentro de um currículo que visa à qualidade de ensino. 2. REFERENCIAL TEÓRICO A Arte foi incluída no currículo escolar pela Lei 5692/71 com o título Educação Artística, considerada “atividade educativa”, com o objetivo de incorporar atividades artísticas com ênfase no processo expressivo e criativo dos alunos, assim ressaltam os estudos de Fusari e Ferraz (1993). E assim, a Arte passou a compor um currículo que propunha valorização da tecnicidade e profissionalização em detrimento da cultura humanística e cientifica. Até então não existia formação para os arteeducadores, só em 1973 foram criados pelo Governo Federal os cursos universitários. O currículo nesse momento, segundo Barbosa (1991), baseava-se na prática em ateliê, seguida de alguma informação teórica sobre a arte, principalmente sobre a sua história. Após esse período houve algumas tentativas de melhoria do ensino da arte. Segundo os estudos de Ferreira (2008), a partir dos anos 80, foi criado o movimento Arte-Educação, onde os docentes se mobilizaram com a finalidade de conscientizar e organizar os profissionais da área de arte para que a disciplina de Arte fosse valorizada. A Arte na educação passa a ser vista nesse momento não só como auto-expressão, mas também como conhecimento. O aluno deve conhecer nosso passado para entender o presente, fundamentando a proposta de ensino da arte no fazer artístico, na leitura da obra de arte e na contextualização da história, esta foi à XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação - Universidade do Vale do Paraíba 1 Com a disciplina de Arte fazendo parte do proposta introduzida no Brasil pela autora currículo, Fusari e Ferraz (1993) acreditam que Barbosa (1991), chamada de Proposta Triangular. ela deve compartilhar com as demais disciplinas Em dezembro de 1996 foi sancionada a Nova Lei num projeto individual e coletivo, e cabe ao de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e docente, junto com os demais, contribuir para a com a Lei 9394/96 o ensino de arte passou a preparação de indivíduos que percebam melhor o constituir componente curricular obrigatório, nos mundo em que vivem. diversos níveis da Educação Básica. As autoras também defendem que as produções A partir da conscientização profissional que se artísticas presentes nas diversas culturas da deu com o movimento Arte-educação, novas sociedade fazem parte direta e indiretamente da discussões evoluíram gerando concepções e vida dos aprendizes. Por isso, os aspectos novas metodologias para o ensino de arte. artísticos e estéticos dessa cultura, em sua gama No final da década de 90, mobilizavam-se novas de execuções históricas e modernas, deverão tendências curriculares em Arte, uma das mobilizar as escolhas dos conteúdos escolares mudanças foi renomear a disciplina deixando de em arte. ser Educação Artística para ser chamada de Arte, Dentre os conhecimentos, é importante ter-se a outra foi incluí-la na estrutura curricular como como critérios à opção por aqueles considerados área, com conteúdos próprios. mais significativos para a formação do cidadão Em 1997 os Parâmetros Curriculares Nacionais contemporâneo. PCNs contribuem para o ensino da arte, sendo As autoras ainda ressaltam que em aulas de arte, eles um conjunto de princípios que reorientam a espera-se que os aprendizes vivenciem visão de ensino, indicando objetivos, conteúdos, intensamente o processo artístico, acionando e orientações didáticas e de como avaliar. A Arte é evoluindo em seus modos de fazer técnico, de apresentada como área de conhecimento que representação imaginativa e de expressividade. requer espaço e respeito como todas as áreas do Ao mesmo tempo espera-se que aprendam sobre currículo escolar e é de fundamental importância outros autores, artistas, sobre obras de arte, que os educandos possam dar continuidade aos aumente assim os seus conhecimentos e conhecimentos práticos e teóricos das artes interesses pela arte. E é muito importante saber visuais, da dança, da música, e do teatro, sobre as produções dos artistas, também como podendo incluir as novas tecnologias em suas resultante da articulação do construir, do práticas. representar o mundo, do exprimir, e como é De acordo com os Parâmetros Curriculares difundida por vários meios de comunicação. Nacionais – MEC (1997), e seguindo a Proposta Esta difusão se faz por intermédio de exposições, Triangular sugerida pela Arte-Educadora Ana em salas de aula, museus, circos, feiras culturais, Mãe Barbosa, são três os eixos articuladores do teatros e muito mais, de reproduções e processo de ensino aprendizagem em Arte: veiculações massivas em rádios, discos, Produção em arte: o fazer artístico; televisores, audiocassetes, DVDs, jornais, Fruição: apreciação significativa da arte e do revistas, livros, cartazes, cartões, selos, universo a ela relacionado; fotografias, dispositivos, computadores etc. Reflexão: a arte é produto da história e da Martins, Picosque e Guerra (1998), dizem que multiplicidade das culturas humanas. ensinar arte é viver arte, uma seqüência de A produção em arte é o próprio ato de criar, situações de aprendizagem que instiga o aprendiz construir e reproduzir. São momentos em que o de arte a perseguir respostas às perguntas e aluno desenha, pinta, esculpi, modela, recorta, idéias germinais, problematizando, desvelando cola, canta, toca um instrumento, compõe, atua, pensamentos, sentimentos e ampliando dança, representa, constrói personagens, referências. simboliza... Eles defendem o aprendizado a partir de projetos, A Fruição é a apreciação estética, é o próprio ato pois acreditam que o ele possibilita sintonizar os de perceber, ler, analisar, interpretar, criticar, conteúdos que queremos trabalhar com os refletir sobre um texto sonoro, pictórico, visual ou aprendizes. E é na sua inter-relação que corporal. poderemos problematizar e provocar o que já se A Reflexão é quando existe a contextualização sabe e aquilo que se deseja aprender, ampliando do que está aprendendo, por exemplo, ao e aprofundando o conhecimento da arte, conhecer uma obra de arte é de fundamental alimentando o questionamento, a dúvida, as importância contextualizar o panorama social, possíveis soluções e o prazer de estar vivo no político, histórico cultural em que foi produzida. processo de ensinar e aprender. Como ela se insere no momento de sua produção E como o projeto é um vir-a-ser, proporciona ao e como este momento se reflete nela. A reflexão grupo a aprendizagem e o conhecimento através sobre arte inclui também o conhecimento de situações nas quais escolher, opinar, propor, específico de cada linguagem artística: seus discutir, decidir e avaliar são as destrezas elementos, regras de composição, estilos, desenvolvidas durante o processo do próprio técnicas, materiais, instrumentos... XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 2 IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação - Universidade do Vale do Paraíba aprendizado em parceria com o grupo e com o educador. Certamente a aprendizagem dos conteúdos da linguagem da arte através de projetos em ação deve ser também conduzida em torno do saber fazer e do saber compreender a sua própria produção e a dos demais artistas e parceiros. E aprender a fazer e a conhecer a arte é aprender a produzir e a ler a arte, cabendo ao professor a tarefa de articular essas ações. 3. MATERIAL E MÉTODO A pesquisa foi realizada a partir de referências bibliográfica, com livros específicos ao estudo do campo temático do artigo. Analisamos os teóricos que mais iriam contribuir para fortalecer nossos questionamentos. 6. CONCLUSÃO Por meio do objetivo proposto, dos resultados obtidos, da reflexão sobre a metodologia, concluímos que a arte não tem importância para o homem somente para desenvolver sua criatividade, mas sim para ele saber viver. Precisamos de uma educação transformadora, formando cidadãos críticos e conscientes de seus papéis. Para isso faz-se necessário uma metodologia eficaz desse ensino dentro de um currículo escolar, centrada em situações didáticas que promovam a ampliação dos saberes, real participação em atividades significativas, mostrando realmente sua importância para a sociedade, que ainda não é convicta dos benefícios que a arte escolar pode desenvolver. 7. REFERÊNCIAS 4. RESULTADOS Os autores contribuíram com informações esclarecedoras de como se iniciou o ensino da Arte no Brasil, um histórico repleto de acontecimentos sempre em busca de melhorias para a disciplina. Pudemos verificar e refletir de como é complexa essa área de conhecimento e entender a sua importância em estar incluída na estrutura curricular como área, com conteúdos próprios ligados a cultura artística e não apenas como atividade. E que muito se pode fazer dentro de uma sala de aula para atingir os objetivos de arte como, por exemplo, seguir a Proposta Triangular (Produção em arte, Fruição e Reflexão), e trabalhar com Projetos, compartilhando sempre com as demais disciplinas, para que a formação do indivíduo seja completa. 5. DISCUSSÃO Em muitas escolas ainda se utiliza, o desenho mimeografado com formas estereotipadas para os alunos colorirem nas aulas de arte, muitos são os professores despreparados para ensinar essa área de conhecimento, muitos não vêem a importância dessa disciplina dentro da estrutura curricular, ou ainda acham que a arte na escola visa somente as comemorações de datas cívicas enfeitando o ambiente escolar. E os conteúdos são deixados de lado para continuar com essas idéias já concebidas, pois é muito mais fácil ensinar dessa forma do que querer por em prática mudanças. Requer muita dedicação do educador, sendo que sua tarefa não é fácil, mas vai depender dele para termos um ensino de qualidade para essa área de conhecimento e claro da ajuda da escola em querer também entrar nesse desafio. - BARBOSA, Ana M. A Imagem no Ensino da Arte. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1991. - BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: arte/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. - FERRAZ, Maria Heloísa Corrêa de Toledo e FUSARI, Maria F. de Rezende. Arte na Educação Escolar. São Paulo: Cortez, 1993. - FERRAZ, Maria Heloísa Corrêa de Toledo e FUSARI, Maria F. de Rezende. Metodologia do ensino de arte.São Paulo: Cortez, 1999. - FERREIRA, Aurora. A criança e a arte: o dia-adia na sala de aula. 3ª ed. Rio de Janeiro: Wak Ed, 2008. - MARTINS, M.C., PICOSQUE, G. e GUERRA, M. T. T. Didática do Ensino de Arte, A língua do mundo. Poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998. XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação - Universidade do Vale do Paraíba 3