ESTÁGIO SUPERVISIONADO I ESTÁGIO SUPERVISIONADO I 1 Estágio Supervisionado I SOMESB Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda. Presidente ♦ Vice-Presidente ♦ Superintendente Administrativo e Financeiro ♦ Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦ Gervásio Meneses de Oliveira William Oliveira Samuel Soares Germano Tabacof Superintendente de Desenvolvimento e>> Planejamento Acadêmico ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância Diretor Geral ♦ Reinaldo de Oliveira Borba Diretor Acadêmico ♦ Roberto Frederico Merhy Diretor de Tecnologia ♦ Jean Carlo Nerone Diretor Administrativo e Financeiro ♦ André Portnoi Gerente Acadêmico ♦ Ronaldo Costa Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Gerente de Suporte Tecnológico ♦ Luís Carlos Nogueira Abbehusen Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Romulo Augusto Merhy Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Osmane Chaves Coord. de Produção de Material Didático ♦ João Jacomel EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO: ♦ PRODUÇÃO ACADÊMICA ♦ Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Autores ♦ Aldaci Lopes e Tatiane Lucena Supervisão ♦ Ana Paula Amorim Coordenação de Curso ♦ Tatiane Lucena ♦ PRODUÇÃO TÉCNICA ♦ Revisão Final ♦ Carlos Magno Equipe ♦ Alexandre Ribeiro, Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Diego Maia, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior, Hermínio Vieira, Israel Dantas, Lucas do Vale, Mariucha Ponte e Tatiana Coutinho. Editoração ♦ Francisco França Junior Ilustração ♦ Francisco França Júnior Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource copyright © FTC EaD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância. www.ftc.br/ead 2 SUMÁRIO EDUCAÇÃO E PRAXIS PEDAGÓGICA ESTÁGIO SUPERVISIONADO ○ ○ ○ ○ E PRÁXIS PEDAGÓGICA ○ Estágio Supervisionado: O Que é, Papel e Importância Etapas do Sstágio Supervisionado ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 ○ 07 ○ ○ ○ ○ 07 ○ ○ ○ ○ 11 O Trabalho Docente e a Construção da Práxis Pedagógica 14 A Ética Profissional do Educador ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 20 ○ ○ ○ ○ ○ ○ 26 ○ ○ ○ ○ ○ 26 ○ ○ ○ ○ ○ 27 ○ ○ ○ ○ ○ 32 ○ ESTÁGIO SUPERVISIONADO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ○ Desenvolvimento Cognitivo dos Alunos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Inteligências Múltiplas e Diversidade em Sala de Aula Princípios Orientadores da Ação Pedagógica na Sala de Aula: Interdisciplinaridade e Contextualização ○ ○ ○ ○ Princípios Orientadores da Ação Pedagógica em Sala de Aula: Transposição Didática ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ DO PLANEJAMENTO À AÇÃO DOCENTE ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 35 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 41 ○ ○ ○ ○ ○ 41 ○ ○ ○ ○ ○ 41 PLANEJAMENTO E AÇÃO DOCENTE NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO ○ Projeto de Intervenção: a Importância ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 3 Do Projeto de Intervenção ao Plano de Ação Elaborando o Plano de Ação Estágio Supervisionado I Cronograma de Execução ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ OS RECURSOS DIDÁTICOS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO: SELEÇÃO E USO ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Oficina de Recursos Didáticos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 44 ○ ○ ○ ○ ○ ○ 50 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 53 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 58 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 58 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 60 63 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Atividade Orientada ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 71 Glossário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 74 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 75 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Referências Bibliográficas 4 ○ ○ ○ ○ O Papel da Ludicidade na Construção dos Recursos e sua Aplicação no Estágio Supervisionado ○ ○ ○ ○ Inteligências Múltiplas como Princípio de Seleção e uso de Recursos Didáticos ○ ○ ○ ○ ○ Apresentação da Disciplina Caro(a) estudante: Você agora vai iniciar uma aventura educativa com a disciplina Estágio Supervisionado I. Trata-se de uma disciplina da maior relevância para a prática docente, pois possibilita o contato do estudante com o campo profissional e os dilemas e desafios inerente a profissão docente. Esta disciplina tem como objetivo propiciar a reflexão sobre os processos que envolvem o ensino/aprendizagem e a ação docente, ampliando esta discussão para as temáticas que envolvem educação e cultura. Abordaremos nesta disciplina pressupostos teóricos e práticos que sustentam uma prática educacional interacionista e dialógica, buscando promover um exercício de reflexão a respeito do ensino nas séries iniciais do Ensino Fundamental ressaltando aspectos ideológicos, filosóficos, psicológicos que lhe servem como referências e principalmente vislumbra o exercício para construção de uma prática pedagógica autônoma e cônscia. A disciplina Estágio Supervisionado I encontra-se dividida por questões metodológicas em dois grandes blocos temáticos, que na verdade se complementam, perfazendo uma carga horária total de 72 horas. O primeiro bloco temático intitula-se “Educação e Práxis Pedagógica” e será desenvolvido a partir de dois temas: Estágio Supervisionado e práxis pedagógica e Estágio supervisionado nas séries iniciais do Ensino Fundamental. O segundo bloco temático denomina-se “Do planejamento à Ação Docente” e será desenvolvido em temas como: Planejamento e Ação Docente no Estágio Supervisionado e os Recursos Didáticos no Estágio Supervisionado: Seleção e Uso. Temos o desafio de pôr mãos à obra, defender a prática pedagógica crítica, garantindo assim, o acesso a uma educação de qualidade, fazendo cidadania em cada momento da ação educativa. Sendo assim, o nosso material didático foi pensado para potencializar sua aprendizagem e reflexão, por este motivo sugerimos que você leia, analise, discuta, questione, busque e realize todas as atividades propostas. Vá além... Acreditamos no seu potencial para aproveitar bastante este módulo e as atividades inerentes a esta disciplina. Desejamos sucesso na sua prática educativa! Profa. Aldaci Lopes Profa. Tatiane Lucena 5 Estágio Supervisionado I 6 EDUCAÇÃO E PRÁXIS PEDAGÓGICA ESTÁGIO SUPERVISIONADO E PRÁXIS PEDAGÓGICA Estágio Supervisionado: o Que é, Papel e Importância Estágio: O Que é? Compreender o que é e como se conceitua o Estagio Supervisionado é de extrema importância para o aluno da graduação que irá iniciar sua ação docente. Segundo Bianchi (2002) recorrer ao dicionário auxiliará no entendimento. Acompanhe os termos envolvidos neste tema: Estágio s.m. Período de estudos práticos, exigido dos candidatos ao exercício de certas profissões liberais: estágio de engenharia; estágio pedagógico./Período probatório, durante o qual uma pessoa exerce uma atividade temporária numa empresa. / Aprendizagem, experiência. Supervisionar v.t. Brás. Supervisar, inspecionar. Supervisar v.t. Dirigir e inspecionar um trabalho; supervisionar, revisar. Revisar v.t. Visar novamente; fazer a inspeção ou revisão de; revisar um processo. Rever, corrigir, emendar. Rever v.t. Tornar a ver, ver pela segunda vez, ver com atenção, examinar cuidadosamente com o intuito de melhorar, fazer revisão de, emendar, corrigir. (Koogan Houaiss. Enciclopédia digital) Ao analisarmos os significados acima, podemos considerar que o Estágio Supervisionado é um momento de estudos práticos para o ensino/aprendizagem e experiência docente, pois envolve supervisão, revisão, correção e planos cuidadosos. O estágio, quando compreendido como uma atividade que pode trazer imensos benefícios para o ser humano, para a melhoria do processo educativo e para o estagiário, no que diz a sua formação profissional, provavelmente trará respostas positivas. Estes se tornam ainda mais indispensáveis quando se tem consciência de que as maiores beneficiadas serão a sociedade, a comunidade escolar, os egressos da universidade e, em especial, a qualidade da educação. Estagiar é tarefa do aluno; supervisionar é incumbência da universidade, que está representada pelo professor. Acompanhar, fisicamente se possível, tornando essa atividade incomum, produtiva é tarefa do professor, que visualiza com o aluno situações de trabalho passíveis de orientação (BIANCHI, 2002). 7 Sendo assim, o estudante deve está com a atenção voltada para demonstrar seu conhecimento pela teoria trabalhada, realizar seu trabalho com dignidade procurando, dentro da sua área de atuação, demonstrar que tem Estágio competência, habilidade, simplicidade, humildade e firmeza, lembrando-se Supervisionado I que ser humilde é saber ouvir para aprender, ser simples é ter conceitos claros e sabê-los demonstrar de maneira cordial que possibilitem o entendimento de terceiros. O artigo 82 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, aponta o seguinte sobre o estágio: “Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para a realização dos estágios dos alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição”. Papel e Importância do Estágio Supervisionado A finalidade do Estágio Supervisionado é propiciar a complementação do ensino/ aprendizagem a ser planejado, executado, acompanhados e avaliado segundo currículos, programas, calendários escolares, a fim de se constituírem em um processo integrador ou seja prático, científico e sócio-cultural. O Estágio Supervisionado na instituição escolar é mais do que uma experiência prática na vida do aluno, é uma oportunidade para o educando refletir sobre os saberes trabalhados durante o Curso Normal Superior. Podemos definir o Estágio supervisionado como uma parte do currículo muito importante na formação do futuro professor porque é a oportunidade de experienciar e realizar, na prática, o conhecimento teórico adquirido no decorrer da sua formação acadêmica. No estágio, diversas atividades relacionadas com o ensino/ aprendizagem são realizadas por docentes e discentes. O estágio possibilita ampliar e aprofundar a integração entre os conhecimentos técnicos e as práticas, bem como desenvolver análises crítico-reflexivas sobre a atuação profissional do professor. Nesse sentido, o estágio tem por objetivo maior integração entre aprendizagem acadêmica e compreensão da dinâmica das instituições escolares de ensino. É uma ocasião oportuna para os estudantes estarem diretamente em contato com outros profissionais da área, a fim de ampliar os saberes sobre a mesma, refletindo a partir da ação profissional. Através do estágio, os estudantes têm a possibilidade de relacionar os assuntos abordados na sala de aula com a prática, sendo uma importante fonte de experiência, principalmente para os que já estão atuando na área. 8 Segundo Schon apud Alarcão (1996) o estágio deve ser considerado tão importante como os demais conteúdos do currículo. Assim, os’ próprios docentes, como as universidades ainda não deram o devido valor à prática da formação do professor. O estágio pedagógico é considerado “[...] o parente pobre de todas as disciplinas [...]”, isso porque “[...] a Universidade se demite da sua função de ajudar o aluno a relacionar teoria e prática e a saber servir-se do seu saber para com ele resolver problemas práticos [...]”. Para valorizá-lo é preciso conhecer o trabalho realizado, pois além de encaminhar o aluno para o local de estágio, o professor/orientador faz-se presente, acompanhando e orientando o aluno durante todo o processo, bem como em encontros individuais e coletivos (ALARCÃO, 1996, p. 38). Para os atuantes na profissão em que estão estagiando as observações feitas durante o estágio não é uma forma de invadir o espaço do outro tentando ver o que encontra de inadequado, mas de refletir sobre as atividades para seu crescimento profissional, sendo uma oportunidade de meditar sobre sua própria forma de agir, a qual pode ser vista refletida no outro, além de permitir ao mesmo a elaboração do conhecimento de como agir em determinada situação, sendo espaço de aprendizagem profissional, em que ofereça ao estudante. [...] um estágio que permita ao aluno o preparo efetivo para o agir profissional: a possibilidade de um campo de experiência, a vivência de uma situação social concreta [...] que lhe permitirá uma revisão constante desta vivência e o questionamento de seus conhecimentos, habilidades, visões de mundo etc., podendo leválo a uma inserção crítica e criativa na área profissional e um contexto histórico mais amplo. (BURIOLLA, 2001, p.17). Enfim, a experiência proporcionada pelo estágio desenvolve as atitudes profissionais dos estudantes e, conseqüentemente, a melhoria em sua prática, a qual vai sendo transformada de acordo com as vivências do profissional. Os conhecimentos adquiridos na prática e a troca de experiências são considerados as melhores formas de aprendizagem, o que reforça a necessidade de se discutir como essa aprendizagem ocorre no período de estágio. Assim, o estagiário para construir o seu presente e o seu futuro, tem de ser capaz de interpretar o que vê fazer, de imitar sem copiar, de recriar, de transformar (ALARCÃO, 1996). Nesse sentido, o professor das séries iniciais do Ensino Fundamental, enquanto estagiário, deve dialogar, demonstrar, questionar, refletir, orientar a tomada de decisões, mas deve também, sempre que preciso informar, explicar, descrever, teorizar sobre assuntos que se façam necessários. Portanto, o seu ser/fazer deve integrar o dizer com o escutar, a demonstração com a imitação (ALARCÃO, 1996), além de ter, na reflexão, o caminho para a decisão. Todos esses questionamentos reforçam a importância de se elaborar um projeto de estágio que privilegie o conhecimento prático aliado ao conhecimento teórico, objetivando formar o professor para o exercício consciente da sua profissão. 9 Fique de Olho... Estágio Supervisionado I A ESCOLA DOS BICHOS Era uma vez um grupo de animais que quis fazer alguma coisa para resolver os problemas do mundo.Para isto, eles organizaram uma escola. A escola dos bichos estabeleceu um currículo de matérias que incluía correr, subir em árvores, em montanhas, nadar e voar. Para facilitar as coisas, ficou decidido que todos os animais fariam todas as matérias. O pato se deu muito bem em natação; até melhor que o professor! Mas quase não passou de ano na aula de vôo, e estava indo muito mal na corrida. Por causa de suas deficiências, ele precisou deixar um pouco de lado a natação e ter aulas extras de corrida. Isto fez com que seus pés de pato ficassem muito doloridos, e o pato já não era mais tão bom nadador como antes. Mas estava passando de ano, e este aspecto de sua formação não estava preocupando a ninguém - exceto, claro, ao pato. O coelho era de longe o melhor corredor, no princípio, mas começou a ter tremores nas pernas de tanto tentar aprender natação. O esquilo era excelente em subida de árvore, mas enfrentava problemas constantes na aula de vôo, porque o professor insistia que ele precisava decolar do solo, e não de cima de um galho alto. Com tanto esforço, ele tinha câimbras constantes, e foi apenas “regular” em alpinismo, e fraco em corrida. A águia insistia em causar problemas, por mais que a punissem por desrespeito à autoridade. Nas provas de subida de árvore era invencível, mas insistia sempre em chegar lá da sua maneira... Na natação deixou muito a desejar...Cada criatura tem capacidades e habilidades próprias, coisas que faz naturalmente bem. Mas quando alguém o força a ocupar uma posição que não lhe serve, o sentimento de frustração e até culpa, provoca mediocridade e derrota total. Um esquilo é um esquilo; nada mais do que um esquilo. Se insistirmos em afastá-lo daquilo que ele faz bem, ou seja, subir em árvores, para que ele seja um bom nadador ou um bom corredor, o esquilo vai se sentir um incapaz. A águia faz uma bela figura no céu, mas é ridícula numa corrida a pé. No chão, o coelho ganha sempre. A não ser, é claro, que a águia esteja com fome! O que dizemos das criaturas da floresta vale para qualquer pessoa. Deus não nos fez iguais. Ele nunca quis que fôssemos iguais. Foi Ele quem planejou e projetou as nossas diferenças, nossas capacidades especiais!Descubra seus dons naturais... Ea gor a? Como v ocê se sente? ag ora? você Um momento de reflexão... A prioridade dada à formação teórica em detrimento da formação prática e a concepção da prática como mero espaço de aplicação de conhecimentos teóricos, sem um estatuto epistemológico próprio é um equívoco dos modelos educacionais e consiste em acreditar que para ser bom professor basta o domínio da área do conhecimento específico que se vai ensinar. Desta forma, apenas conhecer os conteúdos referentes às séries iniciais do ensino fundamental, não faz do profissional um educador, mas sim sua capacidade de interligar, estimular e refletir junto com seus alunos na busca e construção dos conhecimentos. 10 Ampliando Horizontes Texto Complementar... Dúvidas, obstáculos, entrosamento da organização e da universidade Por certo e como visto, há dúvidas e obstáculos que sempre ocorrem e estes se situam principalmente no acesso e início do processo de uma organização. No entanto, quando o estágio está confirmado e se inicia , o aluno deverá preocupar-se com suas atitudes, prever situações e, principalmente, fazer um balanço diário das atividades realizadas. A orientação constante dos professores supervisores dá suporte ao estágio, à execução do projeto e da redação do relatório. A postura do aluno é fator de suma importância: credenciado pela instituição, irá representá-la durante sua permanência na organização. A linguagem, a polidez, isto é, a gentileza para com as pessoas, o horário respeitado rigorosamente e tudo mais que for exigido no estágio são fundamentais para ser seguido. O estagiário tem de ter em mente que é um aprendiz e que qualquer atitude de prepotência pode determinar resultados desfavoráveis ao que foi projetado. Do modo de proceder do estagiário, os professores supervisores na universidade tirarão conclusões sobre o resultado de seus esforços na difícil tarefa de ensinar e aprender (BIANCHI, 2002). Etapas do Estágio Supervisionado A integração da teoria à prática, vivenciada em situações e problemas relativos à profissão escolhida, estimula o pensamento crítico do estudante e possibilita a formação de um profissional apto a enfrentar desafios. O objetivo principal do estágio é o de proporcionar ao estudante oportunidades de desenvolver suas habilidades, analisar situações e propor mudanças no ambiente em que vive. Além disso, têm-se como objetivos específicos: · Incentivar o desenvolvimento das potencialidades individuais, propiciando o surgimento de novas gerações de profissionais capazes de refletir e construir processos inovadores e metodologias alternativas; · Complementar o processo ensino teórico, através da vivência educacional com investigações e pesquisas, buscando incentivar o aprimoramento pessoal e profissional; · Refletir, sistematizar e testar conhecimentos teóricos históricos e instrumentos discutidos em sala de aula, através de experiências concretas, de observação, reflexão sobre a realidade e as influências dos acontecimentos históricos nas relações humanas; · Propiciar ao aluno-estagiário vivência da realidade profissional e familiarização com o futuro ambiente de trabalho; · Estabelecer integração efetiva entre a faculdade e o ambiente educativo, contribuindo para a atualização e o aprimoramento constante do currículo escolar, possibilitando a expansão dos serviços comunitários propostos pela academia; 11 · Favorecer o conhecimento e a aplicação de novas tecnologias, metodologias e organização do trabalho. Estágio Supervisionado I Fazendo Estágio, Construindo Habilidades... O estágio compreende atividades de avaliação e diagnóstico de estudo de caso, de observação, nas quais contextualiza e transversaliza as áreas e os eixos de formação curricular, associando teoria e prática. Dessa maneira, incorpora três diferentes modalidades: 1. Conhecimento e integração do aluno às realidades sociais, econômicas e do trabalho na sua área de atuação profissional; 2. Iniciação à pesquisa e ao ensino na qual a realidade escolar é seu objeto de açãoreflexão-ação; 3. Iniciação profissional no campo específico de sua formação. Ressalta-se que as modalidades de estágio mencionadas podem ser desenvolvidas concomitantemente, em níveis diversos de complexidade e de aprofundamento. Nesse sentido, a relação entre teoria e prática deve ser entendida como eixo articulador da construção e produção do conhecimento na dinâmica do professor do ensino fundamental. A primeira etapa do estágio é entendida como um instrumento de integração do aluno às realidades sociais vigentes e possibilita a interlocução com os referenciais teóricos. Permite ao estagiário construir seu plano de estudos — Projeto — e optar pelos temas de aprofundamento que irão fundamentar sua prática durante o estágio e que estarão presentes na sua atividade orientada. A segunda etapa direciona-se para iniciação à pesquisa e ao ensino, na forma de articulação de teoria-prática, partindo do pressuposto de que a formação profissional não deve jamais se desvincular da pesquisa. A reflexão sobre a realidade observada a partir de uma problematização que se constitui em uma forma de iniciação à pesquisa educacional. A terceira etapa destina-se a iniciação profissional do estagiário através de um “saber fazer” que busca orientar-se por teorias de ensino-aprendizagem adequando-as aos conhecimentos históricos, sem perder de vista a realidade de cada instituição e de cada aluno acompanhado. 12 Em síntese... Etapas do Estágio: 1. Integração e Planejamento 2. Pesquisa e Plano de Ação 3. Prática e Intervenção Texto Complementar... Modelo de Formação Integral Alguns dos aspectos e organizadores conceituais na formação do professor para a mudança e inovação: SER, SENTIR Colaboração e criatividade Habilidades pessoais Habilidades sociais Abertura à mudança Atitude de melhoria Atitude criativa Flexibilidade Sensibilidade para problemas Sensibilidade para valores sociais Novos interesses e aspirações SABER, CONHECER Conhecer a partir do meio Estratégias docentes inovadoras Conhecimentos da disciplina Conhecimentos sobre aprendizagem Conhecimentos psicopedagógicos Conhecimentos curriculares Planejamento Projeto e desenvolvimento curricular Processo de inovação Modelos de ensino Comunicação educativa FAZER, ATUAR Competência docente Tomada de decisões Elaboração de materiais Esboço do projeto inovador Desenvolvimento de projeto inovador 13 Estágio Supervisionado I Avaliação de projetos e programas Avaliação de centros e do professorado Análise da realidade Análise das necessidades Aprender com os erros Domínio modelo QUERER, DECIDIR Superar bloqueios Enfrentar conflitos Enfrentar resistências Superação de estresse e fadiga Persistência na tarefa iniciada Enfrentar dificuldades e problemas Elaboração de projetos e tarefas Busca da qualidade em processos e resultados. (LA TORRE, 2002) O Trabalho Docente e a Construção da Práxis Pedagógica O professor capacitado para atuar nas séries Iniciais do Ensino Fundamental deve ter competência para se integrar no contexto atual do processo de transformação educacional, respondendo às necessidades da escola e da sociedade. Ademais, o profissional da educação deverá se dedicar ao ensino e educação de crianças que freqüentam no nível de ensino pretendido, abrangendo os processos de formação e desenvolvimento do sujeito, alfabetização, domínio da leitura e escrita, das operações fundamentais matemáticas, noções básicas das ciências humanas e sociais, além de dedica-se ainda ao desenvolvimento de projetos de ensino e de pesquisa e desenvolver ações pedagógicas em parceria com a comunidade escolar e instituições sociais, dinamizando a vida da escola e da comunidade escolar por meio de atividades culturais. Como habilidade principal, o profissional da educação deve se preparar para se comunicar e se relacionar com as pessoas, desenvolver espírito de liderança, iniciativa e criatividade. Assim, deverá estar capacitado para a atividade docente; bem como ser um articulador da organização do trabalho pedagógico nos anos iniciais do Ensino Fundamental; articulador da dimensão interdisciplinar das áreas do conhecimento; com formação para atuação crítica e interdisciplinar da realidade e capacitado para a ação no espaço institucional de ensino e nas organizações sociais, no planejamento, na gestão e na pesquisa do processo educativo. Neste curso a formação do professor acontece pela participação no trabalho de pesquisa metodológica e científica, integrada à investigação da realidade, reconhecendo que o papel do professor se faz na atuação profissional e no desempenho das funções como agente transformador da realidade, valorizando os avanços da ciência e da formação humana, e é por conta disso que há uma preocupação em articular de maneira harmônica o Estágio Supervisionado e a teoria estudada durante todo o curso. Essa articulação se dá através do processo de sistematização das relações entre os indivíduos que proporciona o conhecimento de saberes necessários à sua sobrevivência na sociedade, entendido como educação, refletindo dessa forma, uma contextualização 14 mais condizente com a práxis pedagógica do educador. Atualmente, o processo educativo é caracterizado como informal e formal: a primeira diz respeito a transmissão de conhecimentos construídos na vivência cotidiana fora da escola, sendo dado em todos ambientes sociais que o indivíduo se encontre como: família, igreja, trabalho e outros lugares; a segunda, é oferecida em um ambiente destinado a este fim, o escolar, onde a finalidade consiste em ampliar os conhecimentos de quem a freqüenta, instrumentalizando como cidadão capaz de atuar na sociedade em constante transformação. Nesse sentido a escola enquanto um espaço que visa preparar o indivíduo para exercer atividades favoráveis ao seu crescimento e da comunidade, deve estar cada vez mais a procura de modos que os auxiliem nesse processo de caminhar os cidadãos na construção de atitudes críticas, tornando-se encarregada de promover atividades que beneficiem os educandos a se adequar as exigências sociais. Como nos mostra Porto (1999), “[...] a educação é um processo social que se enquadra numa concepção particular do mundo, a qual, por sua vez, determina os fins a serem atingidos pelo ato educativo e estes fins refletem o espírito da época [...]” (PORTO,1999, p.36). Com isso a escola precisa promover ações que estejam de acordo a realidade de seus educandos, a fim de que os introduza em seu mundo. Devido a tantas demandas sociais relacionadas à educação, as escolas vão transformando seu modo de agir, indo em busca de melhorias na sua rotina de trabalho para que beneficiem os educandos, ajudando-os na construção de seus conhecimentos. A utilização das formas de como agir em uma instituição marca sua metodologia de trabalho, e esta interfere nas atividades dos educandos, pois a prática pedagógica de um ambiente escolar influencia no processo de aprendizagem dos mesmos incentivando-os na busca de novos conhecimentos. Sobre as questões acima, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, relata no seu artigo 1º: “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (LDB, 1996, p.5). Há afirmação também, que os indivíduos constroem seus conhecimentos mediante a interação com o outro, sendo a escola a maneira formativa do contato com o mesmo. Nesse contexto, faz-se necessário que professor esteja sempre repensando sua prática pedagógica, procurando refletir sobre a importância do seu papel na sociedade, a fim de estar cada vez mais, em busca de atividades que proporcione a satisfação dos educandos na obtenção de novas aprendizagens. Para que os educandos se envolvam nas atividades escolares é preciso que os educadores tenham o cuidado de estar praticando ações que estejam de acordo com o grupo em que trabalha, promovendo formas de trabalho que despertem seu interesse. A prática pedagógica do professor cristaliza uma tendência de acordo com cada época, estas vão sendo transformadas devido às exigências sociais, percorrendo, assim, um longo caminho na educação, partindo de saberes variados, os quais foram produzidos pela humanidade. A maneira como a escola organiza o processo de ensino-aprendizagem sistematiza a tendência abordada em determinado momento no decorrer do tempo. As tendências pedagógicas discutidas atualmente foram definidas com base no pensamento pedagógico europeu, o qual foi propagado por todo o mundo, dentre elas 15 destacam-se a Pedagogia Tradicional e a Pedagogia Renovada (LIBÂNEO, 1991). Estas se opõem por divergirem no que acreditam ser correto na forma de como ensinar e aprender atitudes necessárias para sobrevivência do Estágio indivíduo. Supervisionado I PEDAGOGIA TRADICIONAL - A educação tem uma proposta centrada no professor, o qual é o detentor do saber sendo superior ao aluno, pois é ele quem vigia corrige e transmite conhecimentos, ocupando o cargo de autoridade máxima na sala de aula. Os alunos são tidos como “tábua rasa”, por acreditar que os mesmos nada sabem e vão à escola como seres passivos com o intuito de acumular conhecimentos, estes são tratados de forma isolada do cotidiano. - É valorizado o ensino da cultura geral, em que os conteúdos são vistos como verdades acabadas inquestionáveis, e expostos de forma oral seguindo passos fixos e pré-determinados que são utilizados em qualquer contexto escolar. Acredita-se, com essa metodologia que o aluno aprende ouvindo, repetindo da mesma maneira como lhe foi passado em diversos exercícios, memorizando e reproduzindo o mesmo na avaliação feita pelo professor, “A escola centrouse cada vez mais no conhecimento teórico, científico, um conhecimento distanciado da vida, de caráter abstrato, cuja aplicação não se vê imediatamente. E a escola, muitas vezes, parte do pressuposto de que os alunos devem estar interessados em adquirir esse conhecimento...” (DELVAL, 2001, p.84). Sendo assim, a mesma ocupa um lugar responsável na transmissão de conhecimentos científicos, os quais são desinteressantes para os alunos por ser distante da sua vivência. PEDAGOGIA RENOVADA - A Pedagogia Renovada propõe a renovação escolar, na qual o mais importante é o processo de aprendizagem do individuo. Nesta pedagogia o aluno é visto e valorizado como um ser livre, social e ativo, que aprende a partir de suas descobertas e interesses, sendo sua livre expressão valorizada pelo professor. - O professor tem como função facilitar a busca de conhecimento do aluno, proporcionando situações que desenvolvem as capacidades e habilidades intelectuais, assim “...enquanto a escola tradicional é julgada como aquela adequada aos sistemas sociais estáveis, cuja continuidade do status quo é desejada a escola nova é apropriada as sociedades em desenvolvimento, que necessitam de espíritos empreendedores e adaptados às mudanças aceleradas”. (PORTO, 1999, p.40). Devido a tantas modificações ocorridas no mundo as escolas vão transformando suas atividades a fim de que seus alunos acompanhem esse desenvolvimento contínuo. As tendências educacionais comentadas sofreram diversas críticas no sentido de estarem sempre valorizando as classes sociais mais alta, pois: [...] cada classe social desenvolve modelos próprios de comportamentos ideais, instrumentos conceptuais diferentes de compreensão das formas de conhecimento e até um conteúdo cultural apropriado às suas condições históricas de existência. Logo, não há um conteúdo fixo e 16 absoluto a ser atingido (escola tradicional), nem a escola pode ser uma miniaturização idealizada da sociedade (escola nova), e tampouco o comportamento dos alunos pode ser controlado em face de objetivos preestabelecidos (escola tecnicista). (PORTO, 1999, p.42). Na tentativa de formular uma educação transformadora que favorecesse o interesse do povo, foi surgindo primeiro a Pedagogia Libertadora, inspirada por Paulo Freire e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, estas “[...] trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma educação escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas, ou seja, de superação das desigualdades sociais decorrentes das formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto, diferem quanto a objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas metas gerais comuns” (LIBÂNEO, 1991, p.69). Essa pedagogia tem como objetivo proporcionar o funcionamento de escola mediadora entre os alunos e os conteúdos, e estes são tidos como conhecimentos dinâmicos e questionáveis. Na Pedagogia Libertadora a proposta é de uma educação que favoreça aos estudantes um pensamento crítico que transforme a realidade social, a fim de superar as desigualdades existentes. Nesta tendência, o professor é visto como o coordenador de atividades, as quais são em torno de temas sociais e políticos, envolvendo problemas a serem analisados com o intuito de estruturar uma forma para atuar na transformação da realidade concreta, após o conhecimento da mesma. Alguns educadores não aceitaram a proposta da Pedagogia Libertadora afirmando que essa tendência dá pouca importância ao saber cultural da humanidade, acreditando que não era suficiente apenas conhecer as questões sociais, o que é uma visão equivocada. Surgindo a partir daí a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos em que faz-se necessário também construir o domínio de conhecimentos, capacidades e habilidades que possibilitem aos alunos interpretar e buscar seus interesses pessoais e sociais. Como foi relatado acima “[...] o que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências sócio-culturais e a vida concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos [...]” (LIBÂNEO, 1991, p.70). O ensino deve envolver o domínio de conteúdos científicos, e a problemática social cotidiana para que através deles os estudantes tenham possibilidade de formar a sua consciência crítica. Diante das tendências abordadas é notável que a educação variasse ao longo do tempo, e devido a tantas transformações ocorridas os educadores estão à procura de melhorias na área em que atuam. Vasconcellos nos mostra que é anseio de muitos profissionais que o ambiente escolar seja um espaço utilizado para o crescimento integral do indivíduo. “[...] nosso desejo é que a escola cumpra um papel social de humanização emancipação, onde o aluno possa desabrochar, crescer como pessoa e como cidadão, e onde o professor tenha um trabalho menos alienado e alienante, que possa repensar sua prática, refletir sobre ela, dar-lhe um novo significado e buscar novas alternativas [...]” (VASCONCELLOS, 1999). Sendo assim os educadores devem estar em constantes reflexões das suas atitudes, buscando renovar sua prática pedagógica a fim de ajudar os educandos a enfrentar os obstáculos existentes na sociedade. Transformar a educação com o objetivo de proporcionar aos indivíduos melhor aproveitamento da sua escolarização é o desejo de muitos educadores, os quais estão a cada dia em busca de novos conhecimentos que favoreçam seus alunos na conquista de novos saberes. Segundo Zabala (2001) para que o aluno construa sua aprendizagem pessoal deve haver a contribuição de uma outra pessoa, porém esta construção precisa ser de interesse e 17 disponibilidade do educando, partindo de seus conhecimentos prévios e sua experiência para conceder um significado ao seu estudo. É necessário que os educadores ajudem os alunos a confiar em suas Estágio capacidades para que não desistam diante dos obstáculos, pois os mesmos Supervisionado I devem estar cientes de que aprender não é fácil e neste processo existem diversos desafios que precisam, ser superados. Com isso ao educador cabe iniciar um trabalho um pouco além do que o aluno já compreende, sendo uma provocação que desperte seu interesse, a qual na resolução os alunos sintam o prazer de ter superado a dificuldade e conquistado novos conhecimentos. Para que o educador promova atividades interessantes aos seus alunos, ele precisa planejar seu trabalho e se dedicar ao mesmo, procurando diversificadas formas que favoreçam a aprendizagem. Uma das maneiras de elaborar atividades é que as mesmas sejam ordenadas, de maneira articulada formando uma seqüência que auxiliem os alunos na compreensão dos assuntos abordados. A seqüência de atividades favorece um melhor relacionamento entre elas tornandoas interligadas e envolvendo os alunos na participação das mesmas, assim: “[...] a identificação das fases de uma seqüência didática, as atividades que a conformam e as relações que se estabelecem deve nos servir para compreender o valor educacional que têm, as razões que as justificam e a necessidade de introduzir mudanças ou atividades novas que a melhorem [...]” (ZABALA, 1998, p. 54). Por isso, o educador deve estar em constante processo de reflexão, a fim de identificar o que precisa ser modificado em sua prática. Uma das coisas que o docente precisa privilegiar em sua seqüência didática é o de elaborar atividades de acordo com o interesse do aluno, para que não proponha algo que desestimulem seus desejos, por ser muito fácil de resolver ou por não terem construído ainda os esquemas cognitivos para a mesma. No entanto, muitos educadores vão em busca de estudos que os ajudem na descoberta de novos conhecimentos, os quais despertem em seus educandos o gosto do aprender. A procura do crescimento profissional faz com que o indivíduo se depare com situações conflitantes em relação suas atitudes e as de outras pessoas e as informações estudadas. O conflito de muitos educadores ocorrem no instante em que têm a oportunidade de estar observando a prática pedagógica do outro, analisando e refletindo sobre a forma de agir do colega, e muitas vezes se encontrando nas atitudes do mesmo. Cinema e Conhecimento... O cinema é mágico e nos leva a lugares longínquos, jamais vistos... ao mesmo tempo nos transporta a nós mesmos, ao que há de mais íntimo e muitas vezes desconhecido do nosso próprio universo da consciência, da racionalidade. O olhar do cineasta nos faz sonhar e refletir sobre nossa vida. 18 Filmes que nos fazem pensar, refletir, agir e mudar, orientando nossos caminhos... O Sorriso de Monalisa – Nike Newell Katherine Watson é uma solteirona convicta, mulher moderna, que sai da ensolarada e liberal Califórnia com destino à pacata Nova Inglaterra. Katherine será professora de História da Arte em uma das mais conceituadas universidades americanas, a Wellesley. Ao chegar no seu novo trabalho, Katherine logo entende que todas suas alunas são mais do que apenas inteligentes e esforçadas. Mas isso não faz delas perfeitas. Entra, então, a função primordial de um bom educador, ensinar a pensar. E este passa a ser o principal intuito de Katherine, depois de perceber que a maioria das meninas ali tinha enorme potencial, mas o jogariam fora se casando e vivendo uma vida de servidão domiciliar.Mais do que qualquer professora novata, ela vai ser questionada não apenas pelo seu jeito de lecionar, mas também pela sua vida pessoal. Afinal, na década de 50, não era comum ver mulheres que abriam mão da “estabilidade” de um casamento em favor do sucesso profissional. O Óleo de Lorenzo - George Miller Um garoto levava uma vida normal até que, quando tinha seis anos, estranhas coisas aconteceram, pois ele passou a ter diversos problemas de ordem mental que foram diagnosticados como ALD, uma doença extremamente rara que provoca uma incurável degeneração no cérebro, levando o paciente à morte em no máximo dois anos. Os pais do menino ficam frustrados com o fracasso dos médicos e a falta de medicamento para uma doença desta natureza. Assim, começam a estudar e a pesquisar sozinhos, na esperança de descobrir algo que possa deter o avanço da doença. Central do Brasil – Walter Salles Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil. Nos relatos que ela ouve e transcreve, surge um Brasil desconhecido e fascinante, um verdadeiro panorama da população migrante, que tenta manter os laços com os parentes e o passado. Mentes que Brilham – Jodie Foster Fred Tate é um superdotado que vive com a sua mãe Dede Tate, uma empregada de mesa, que se esforça para o educar como uma criança normal, mas que apesar de tudo não o consegue integrar num meio que facilmente marginaliza todos aqueles que se mostram diferentes. Recorre então a Jane Griersm uma psicóloga diretora de uma escola para superdotados, que se deixa maravilhar pela inteligência e sensibilidade de Fred e que decide escrever um livro sobre ele. Jane pede, então, a sua guarda a Dede, por um verão, alegando que Fred poderá assistir a um curso universitário enquanto ela o observa. Neste período de afastamento da sua mãe, Fred descobrirá que toda a sua inteligência não significará muito sem ninguém que o ame e acarinhe com a uma criança normal. 19 O jardim secreto – Agnieszka Holland No início do século XX, Mary Lennox (Kate Maberly) vivia na Índia com seus pais, que não lhe davam muita atenção. Estágio Porém um estouro de elefantes os mata e, seis meses depois, Supervisionado I Mary desembarca em Liverpool, na Inglaterra, para viver com Lorde Archibald Craven (John Lynch), seu tio, na mansão Misselthwaite, uma construção feita de pedra, madeira e metal na qual existem segredos e antigas feridas. Mary estava assustada naquele solar com várias dezenas de quartos e era incrivelmente mimada, pois lhe desagradava a idéia de vestir suas roupas, já que na Índia isto era tarefa de suas aias.A mansão é administrada pela Sra. Medlock (Maggie Smith), uma rigorosa e fria governanta. Lorde Craven perdeu a mulher há dez anos e nunca mais conseguiu superar a tragédia. Para piorar Colin Craven (Heydon Prowse), seu filho, também sobre de extrema apatia, sempre recolhido no seu quarto. Mais uma vez negligenciada, Mary passa a explorar a propriedade e descobre um jardim abandonado. Entusiasmada com a descoberta, Mary decide restaurar o lugar com a ajuda do filho de um dos serviçais da casa. A Ética Profissional do Educador A qualificação dos alunos como sujeitos de refletir historicamente exige do professor convicção e persistência para executar um processo demorado cujos resultados no curto prazo podem deixar a desejar, especialmente considerar-se o peso da tradição escolar (CALLAI, 1997). Moral e ética às vezes são palavras empregadas como sinônimos: conjunto de princípios ou padrões de conduta (PCN, 1998, p. 69). A ética pode também significar filosofia da moral, portanto, um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas de conduta. Em outro sentido, ética pode significar um conjunto de princípios e normas que um grupo estabelece para seu exercício profissional. Em outro sentido ainda pode referir-se a uma distinção entre princípios que dão rumo ao pensar sem, diante mão, prescrever formas precisas de conduta (Ética) e regras precisas e fechadas (Moral). Neste sentido, é importante atentar para o fato da expressão moral ter, para muitos, adquirido sentido pejorativo associado a moralismo. Desta forma, cabe ao docente entender ética como valores e regras, não como apenas regras, em seu sentido estrito. Partindo-se do pressuposto de que é preciso o professor possuir critérios, valores e, ainda mais, estabelecer relações e hierarquias entre esses valores para nortear sua prática é imprescindível perceber que o universo do conhecimento é amplo e complexo. Compreender que somos seres humanos inacabados e estamos buscando a melhoria da qualidade de ensino, constantemente, requer dos profissionais da educação uma conduta, uma ética profissional, um diagnóstico da realidade na qual está inserido, e mais que isso, compreender o seu aluno em suas dificuldades e possibilidades. 20 Escola Democrática já é uma Lição O respeito mútuo, a justiça, a justiça, o diálogo e a solidariedade são pontos de destaque dentro do conteúdo de ética no Ensino Fundamental. A importância de inclui-los no programa se torna clara quando as diversas etnias, culturas, religiões e opiniões presentes na formação da população brasileira são levadas em conta. Essa diversidade gera preconceitos que se manifestam na forma de intolerância ou desprezo com relação ao que é diferente. Seus alunos devem saber que todas as pessoas são dignas de respeito, não importa o sexo, a idade, a cultura, a raça, classe social ou grau de instrução. A ética permeia todo o currículo. É uma discussão que perpassa pelas guerras estudadas nas aulas de História, pelo jeito certo ou errado de falar nossa língua e pelo cuidado com o meio ambiente. Além disso, o tema está presente nas relações internas da escola. A convivência democrática entre professores e alunos ou entre colegas vale como uma bela experiência para estudantes. (Nova Escola, 2001) A própria lei — Diretrizes Curriculares Nacionais — dá ao professor e à instituição uma flexibilidade para que se desenvolva a ética e a pluralidade cultural em nossas escolas e incentiva a formação integral do cidadão. Podemos ser agentes transformadores e pesquisadores de saberes da prática docente, que irão proporcionar prazer e alegria ao educando que busca o conhecimento, incansavelmente, acreditamos ser este o papel ético do professor. De acordo com Freire (1981 p. 52) é necessário: O desenvolvimento de uma consciência crítica, que permite ao homem transformar a realidade, é cada vez mais urgente. Na medida em que os homens, dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão também fazendo história, por sua própria atividade criadora. Mudar é preciso e necessário para saber conviver no século XXI. Mudar nossos paradigmas com relação ao que fomos e ao que somos; ao que aprendemos no passado e ao que estamos aprendendo no agora. Sendo assim, torna-se um desafio “aprender a aprender”, “aprender a ser” e “aprender a fazer” (DELORS, 2000, p. 89-99) no processo de ensino-aprendizagem. Reavaliar nossos conceitos, concepções e valores traz para o nosso mundo real uma visão multidimensional do nosso ser. É preciso ter sabedoria, coragem, determinação, prudência, serenidade para atuar na escola de hoje que é dinâmica, transformadora. As mudanças não ocorrem por um acaso. Elas obedecem à evolução da humanidade e ao desejo de transformação, levando o homem a atuar no universo de forma progressista. O conhecimento tem chegado de forma assustadora no universo escolar. Com o processo de globalização as informações estão conectadas em rede, e nós não conseguimos acompanhar esse universo informativo que está chegando a todo o momento. E como avaliaríamos tais informações, sendo professores? É muito complexo entender e compreender essas questões que não deixam de participar de nosso dia-a-dia e de nossa prática profissional. Quantas vezes, na sala de aula, o aluno traz informações das quais, nós não estamos preparados para responder? O 21 aprender a ouvir o aluno e estar participando com ele do processo ensinoaprendizagem é outro desafio que teremos que enfrentar no cotidiano escolar. Entender o humano, como diz Morin (2000), é complexo. A complexidade Estágio do pensamento humano liga-se a incertezas e, ao mesmo tempo, busca uma Supervisionado I certeza no conhecimento. E o que é o conhecimento? É um aprender a ser avaliado para saber se aprendeu? Por que tantas exigências, sem nem ao menos sabemos para que servem? O refletir, o pesquisar, o se informar sobre nós, enquanto sujeitos e objetos do conhecimento se torna necessário para compreender o humano. Corporificar é buscar ser exemplo ou mesmo referência para os alunos, hoje é importante, pois, muitos se encontram no olhar que têm de um determinado professor que julga ser o melhor (FREIRE, 1997, p.38). Mesmo essa premissa podendo ser falsa, há aqueles que nela acreditam e se fundamentam para conseguir lutar pelos seus sonhos. O professor tem que procurar levar seus alunos a pesquisarem, a se comprometerem e a construírem sua história, sua identidade em um mundo em constantes transformações. Buscar melhorar seus hábitos e atitudes são essenciais, para que as mudanças ocorram. Somos seres mutáveis e necessitamos de nos inter relacionarmos para transformamos nossas vidas. Para Freire (1997, p. 44): Não é apenas preciso mudar, o que, porém exige paciência, uma paciência que eu chamo de impaciente, que exige também conhecimento, humildade e uma pressa não demasiada apressada, quer dizer, você tem que viver um tempo em que você corre e anda também, anda quando pode, corre quando pode. O tempo é o senhor da sabedoria. Temos que confiar em nossa capacidade de aprender a conhecer o universo cultural em que vivemos. Compreender o ser humano e suas relações no espaço em que vive. Aprender que as mudanças existem e que podemos ser pacientes em diagnosticá-las como processo de transformação ou processo de investigação de nossa própria natureza. Vivemos em um mundo dicotômico, e a partir de suas irreverências, podemos discernir o que seria melhor para a formação de um cidadão, político e consciente de sua formação de educador crítico e reflexivo. Neste contexto, ética no ensino das áreas de conhecimento das séries iniciais do Ensino Fundamental constitui um dos temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) e reflete a preocupação para que a escola e o docente realizem um trabalho que incentive a autonomia na constituição de valores de cada aluno, ajudandoo a se posicionar nas relações sociais dentro da escola e da comunidade como um todo. São quatro blocos temáticos principais: respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade. Em síntese... Todo professor é uma referência para os seus alunos. Sendo assim, deve cumprir com o seu papel que é o de possibilitar uma reflexão crítica em seus alunos, isto é, no que diz respeito à ética eles devem ser capazes de: Compreender o conceito de justiça e perceber a necessidade da construção de uma sociedade justa; Respeitar as diferenças entre as pessoas; Questionar os conteúdos trabalhados e buscar recriá-los frente a sua realidade; 22 Valorizar o diálogo como forma de esclarecer conflitos e tomar decisões coletivas; Perceber as relações entre a história do passado com o presente; Aplicar os conhecimentos adquiridos na escola para construir uma sociedade democrática. Texto Complementar... Ética e Educação no Mundo Globalizado A sociedade atual caracterizada pelas tecnologias da informação, em escala global e em ritmo de tempo nulo lança desafios outros à educação escolar, que conta com a presença ativa do professor na sala de aula. A educação tradicional ocupava-se da transmissão de conteúdos, fornecimento de informações, já que escassas. Agora, ante o excesso de informações com que se defrontam alunos e professores, cumprem à educação, fazê-las significativas às experiências de vida, aos interesses e valores da vida em comum, desde o cotidiano vivido de cada um à convivência solidária e co-responsável de todos os homens. Faz-se necessária a consciência de que todo ato humano é ético porque é ato de linguagem que produz o mundo que se cria com outros na convivência de todos com todos. Impõe-se hoje uma ecologia cognitiva de redes complexas, na qual interajam os atores humanos, biológicos, técnicos, os fatores culturais e as conquistas científicas referidas às situações concretas de vida. E, quanto mais parecem dispensáveis, as relações interpessoais, calorosas e densas, mas se exigirão elas num mundo aberto à cidadania de todos por igual, diferençado e plural, na valorização do que é próximo e familiar. Essas possibilidades imensas que se abrem, esses processos da comunicação ampliada, dependem, com tudo ou mais, dos usos que deles se façam. Por isso, multiplicamse também e adensam-se às responsabilidades éticas da escola posta como lugar do debate e da argumentação discursiva de que participem todos em pé de igualdade e, no sentido melhor, adquirir a capacidade de entendimento mútuo dos seres humanos entre si, e, com isso, garantir uma melhor qualidade de vida. Os conhecimentos que a escola deve disseminar na contemporaneidade não podem ser encarados como certezas ou verdades absolutas, mas como saberes sempre provisórios, sempre em movimento de reconstrução nas aprendizagens significativas, abertas a novas reformulações, controladas por comunidades argumentativas e postas no âmbito da mais ampla publicidade crítica; por isso, éticas. (Revista Espaços da Escola, 1991). # [ ] Agora é hora de 1. Após a leitura, comente a importância do estágio nas séries iniciais do Ensino Fundamental na perspectiva da educação atual. TRABALHAR 23 2. Enumere cinco razões que tornam importante a realização do Estágio Supervisionado. Estágio Supervisionado I 3. Leia o texto e analisa as questões abaixo: O Professor e o Ensino da Condição Humana No que se refere aos parâmetros para o desenvolvimento de propostas à formação educacional, muitos têm sido os escritos destinados a repensar, em nível mundial, a educação. Entre eles, destacam-se: Os sete saberes necessários à educação do futuro, de Edgar Morin (2001), e Educação: um tesouro a descobrir, também denominado Relatório Jacques Delors. Ambos foram considerados pela UNESCO como referenciais para o restabelecimento de políticas educacionais para o futuro. A educação é a forma pela qual há a transmissão de forma maciça e, muitas vezes, eficaz do conhecimento. Baseando-se em Morin, considera-se que há sete saberes fundamentais que a educação do futuro deve tratar em toda sociedade e em toda cultura, sem exclusividade ou rejeição, segundo modelos e regras próprias a cada sociedade e cada cultura. O conjunto das reflexões atuais sobre a reforma do sistema educacional, da educação básica e a formação de professores, requer dois investimentos cognitivos que se complementam: o exercício de um diálogo capaz de articular nossas competências e a escolha de meta-temas e princípios que exponham, com clareza, o ideário da educação que queremos. Desse ponto de vista, é necessário expor, problematizar e avaliar se a produção do conhecimento de que dispomos como herança histórico-cultural, responde, de maneira satisfatória, aos problemas que emergem na sociedade contemporânea, marcados pela relação de complementaridade e oposição entre ciência, tecnologia e meio ambiente. Mais que isso, interessa perguntar se nossa prática como educador nos permite projetar e construir as bases de uma sociedade futura. Abrir as especialidades, prover métodos de pensar que rejuntem conhecimentos e reconstruir um sujeito capaz de problematizar a condição humana parecem ser o protocolo básico para repensar a educação. Uma reforma do pensamento (Morin), orientada pela desconstrução e reconstrução dos atuais modelos cognitivos (Atlan), certamente facilitará a escolha de fatos portadores de sentido (Rosnay) que possam fazer da educação o ensino da condição humana em sintonia com os domínios do mundo que fundam essa condição. a..De acordo com o texto, o conhecimento precisa ser pautado em que bases teóricas? 24 4. Na sua opinião, quais os benefícios que tem um estudante de licenciatura em realizar um estágio supervisionado? 5. Confronte as principais características da Pedagogia Tradicional e da Pedagogia Renovada, considerando sua inserção enquanto estagiário-docente. 6. Na sua opinião, a ética é uma palavra em desuso pelos profissionais de educação ou tem sido um tema que participa ativamente dos debates educativos? Justifique sua resposta. 7. Explique como o planejamento impulsiona a aquisição de conhecimentos por parte dos educandos. 8. Descreva a natureza do Estágio Supervisionado, explicitando quais os seus desejos e expectativas em relação à sua prática. 9. De acordo com as definições apresentadas e as definições que você conhece advindas do senso comum, recrie um conceito de ética e um conceito de ética profissional. 25 ESTÁGIO SUPERVISIONADO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Estágio Supervisionado I Desenvolvimento Cognitivo dos Alunos Em uma sociedade democrática, o professor tem vários desafios. Um dos mais importantes é o de estimular a aprendizagem e desenvolver habilidades e competências estruturais e básicas nos alunos, preparando-os para se tornarem cidadãos plenos e emancipados em todos os campos de sua vida. De acordo com Jacques Delors, a educação deve se fundamentar nos quatro pilares da educação para o século XXI: aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a conviver. Em seu livro Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa, Paulo Freire oferece contribuições valiosas para conduzir à reflexão sobre a competência docente. Ensinar exige razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino dos conteúdos [...]. Ensinar exige disponibilidade para o diálogo [...] nas relações com os outros que não fizeram necessariamente as mesmas opções que eu fiz, no nível da política, da ética, da estética, da pedagogia [...], que me encontro com eles ou com elas [...]. Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos [...]. Ensinar exige a apreensão da realidade [...], transformar a realidade para nela intervir, recriando-a [...]. Ensinar exige segurança, profissional e generosidade [...]. O fundamental no aprendizado do conteúdo é a construção da responsabilidade da liberdade que se assume [...] (FREIRE, 1996, p. 35). Segundo Fonseca (2003, p. 117), nos últimos anos do século XX, o ensino deveria ser precedido nas produções de conhecimento no cotidiano escolar. A autora focaliza a possibilidade de organização do ensino, especificando o de história, por projetos de pesquisa na atual realidade escolar brasileira. Zabala (1998, p. 27) complementa que por trás de qualquer proposta metodológica se esconde uma concepção de valor que se atribui ao ensino, assim como certas idéias mais ou menos formalizadas e explícitas em relação aos processos de ensinar e aprender. Neste sentido, o educador precisa acompanhar as mudanças, promovendo na sala de aula o entendimento entre o tradicional, o novo e o diferente, trabalhando os conflitos, transformando a escola em um espaço de convivência prazerosa do aprender e do saber, valorizando a cultura original do aluno. Uma atividade que agrega ludicidade e teoria é o reflexo de como deve pensar uma escola no século XXI. Segundo os PCN’s (1998, p. 40), no processo de aprendizagem, o professor é o principal responsável pela criação de situações de trocas, de estímulos na 26 construção de relações entre o estudado e o vivido, de integração com outras áreas de conhecimento, de possibilidade de acesso dos alunos a novas informações, de confrontos de opiniões, de apoio ao estudante na recriação de suas explicações e de transformação do meio em que vive. Inclusão Digital nas Escolas Há uma década, computador em escola brasileira era, quando muito, privilégio de elite. Seu uso praticamente se restringia a processar textos e a internet era novidade absoluta. Hoje esses recursos são os mais básicos de uma enorme gama de opções. As escolas públicas com laboratório de informática ainda são 11% do total, segundo o Ministério da Educação. Mais cedo ou mais tarde, contudo, eles estarão em toda a rede de ensino. Fazer parte dos novos tempos não depende apenas de equipamentos modernos. A interação que eles permitem pede uma revisão dos métodos tradicionais de ensino. Quanto mais se mantiverem os hábitos que relegam o aluno a um papel meramente receptor, menos diferença a tecnologia fará no aprendizado. Em muitas escolas, os computadores ficam durante a maior parte do tempo confinados a salas que só se abrem para aulas de informática, sem se incorporar ao projeto pedagógico. É como deixar trancados os livros da biblioteca ou limitar seu uso ao processo estrito de alfabetização. Em geral, crianças e jovens sabem aproveitar por conta própria as oportunidades oferecidas pelo mundo digital, ainda que - claro - com propósitos recreativos. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, dos 32,1 milhões de usuários da rede no país, a maioria é jovem. Alguns professores ficam constrangidos diante dessa desenvoltura, mas não há razão para isso. O papel do professor, portanto, é dar um sentido ao uso da tecnologia, produzir conhecimento com base em um labirinto de possibilidades. É possível, por exemplo, estimular o raciocínio lógico com jogos virtuais ou criar páginas na internet para os alunos publicarem seus textos. Texto adaptado da Revista Nova escola (http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0195/aberto/mt_161219.shtml). Inteligências Múltiplas e diversidade em Sala de Aula Etimologicamente, a palavra “inteligência”, no latim intellego origina-se da junção das palavras inter (entre) e eligere (escolher), que em seu sentido mais amplo, significa capacidade para compreendermos as coisas. Convencionalmente a inteligência é entendida como a faculdade de compreender. O primeiro sentido diz respeito a questões como: a inteligência é também uma questão de discernimento, de distinção, discriminação. De acordo com Antunes (1998, p. 18), a inteligência “é produto de uma operação cerebral e permite ao sujeito resolver problemas e, até mesmo, criar produtos que tenham 27 valor específico dentro de uma cultura”. Sob esta ótica, a inteligência contribui para que em situações difíceis possamos perceber e criar alternativas através das quais possamos decidir em optar ou venhamos a dar sugestões Estágio significativas para resolução e/ou encaminhamento de um determinado Supervisionado I problema. A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985) aborda o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos um desempenho, maior ou menor, em qualquer área de atuação. Sua insatisfação com a idéia de quociente de inteligência (QI) e com visões unitárias de inteligência, que focalizam, sobretudo, as habilidades importantes para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas. Assim, a inteligência pode ser entendida como apacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos um desempenho, maior ou menor, em qualquer área de atuação. Sua insatisfação com a idéia de quociente de inteligência (QI) e com visões unitárias de inteligência, que focalizam, sobretudo, as habilidades importantes para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas. Através da avaliação das atuações de diferentes profissionais em diversas culturas, e do repertório de habilidades dos seres humanos na busca de soluções, culturalmente apropriadas, para os seus problemas, o autor trabalhou no sentido inverso ao desenvolvimento, retroagindo para eventualmente chegar às inteligências que deram origem a tais realizações. Na sua pesquisa, Gardner estudou também: O desenvolvimento de diferentes habilidades em crianças normais e crianças superdotadas; Adultos com lesões cerebrais e como estes não perdem a intensidade de sua produção intelectual, mas sim uma ou algumas habilidades, sem que outras habilidades sejam sequer atingidas; Populações ditas excepcionais, tais como idiot-savants e autistas, e como os primeiros podem dispor de apenas uma competência, sendo bastante incapazes nas demais funções cerebrais, enquanto as crianças autistas apresentam ausências nas suas habilidades intelectuais; (d) como se deu o desenvolvimento cognitivo através dos milênios. Psicólogo construtivista muito influenciado por Piaget, Gardner distingue-se de seu colega de Genebra na medida em que Piaget acreditava que todos os aspectos da simbolização partem de uma mesma função semiótica, enquanto que ele acredita que processos psicológicos independentes são empregados quando o indivíduo lida com símbolos lingüísticos, numéricos gestuais ou outros. Segundo Gardner uma criança pode ter um desempenho precoce em uma área (o que Piaget chamaria de pensamento formal) e estar na média ou mesmo abaixo da média em outra (o equivalente, por exemplo, ao estágio sensório-motor). Gardner descreve o desenvolvimento cognitivo como uma capacidade cada vez maior de entender e expressar significado em vários sistemas simbólicos utilizados num contexto cultural, e sugere que não há uma ligação necessária entre a capacidade ou estágio de desenvolvimento em uma área de desempenho e capacidades ou estágios em outras áreas ou domínios. Num plano de análise psicológico, afirma Gardner (1982), cada área ou domínio tem seu sistema simbólico próprio; num plano sociológico de estudo, cada domínio se caracteriza pelo desenvolvimento de competências valorizadas em culturas específicas. Ele sugere, ainda, que as habilidades humanas não são organizadas de forma horizontal; ele propõe que se pense nessas habilidades como organizadas verticalmente, e 28 que, ao invés de haver uma faculdade mental geral, como a memória, talvez existam formas independentes de percepção, memória e aprendizado, em cada área ou domínio, com possíveis semelhanças entre as áreas, mas não necessariamente uma relação direta. Na sua teoria, Gardner propõe que todos os indivíduos, em princípio, têm a habilidade de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. Todos os indivíduos possuem, como parte de sua bagagem genética, certas habilidades básicas em todas as inteligências. A linha de desenvolvimento de cada inteligência, no entanto, será determinada tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais. Ele propõe, ainda, que cada uma destas inteligências tem sua forma própria de pensamento, ou de processamento de informações, além de seu sistema simbólico. Estes sistemas simbólicos estabelecem o contato entre os aspectos básicos da cognição e a variedade de papéis e funções culturais. Segundo Antunes (1998), os estímulos são o alimento da inteligência e estão presentes desde o início da infância, contudo isto deve ocorrer de maneira maneira gradual, sem excessos, pois “estimulações excessivas, já se disse antes, possui o mesmo sentido que alimentação em quantidade acima da necessidade”. Neste sentido, cabe ao professor estar conectado ao educando o tempo todo, observando seus interesses. É importante ter em mãos os recursos para que sejam usados com sobriedade e, principalmente, com a participação da comunidade escolar. “Nunca confunda velocidade na aprendizagem com inteligência” (ANTUNES, 1998) A noção de cultura é básica para a Teoria das Inteligências Múltiplas. Com a sua definição de inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que são significativos em um ou mais ambientes culturais, Gardner sugere que alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente. Ele afirma que cada cultura valoriza certos talentos, que devem ser dominados por uma quantidade de indivíduos e, depois, passados para a geração seguinte. As implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa a importância dada às diversas formas de pensamento, aos estágios de desenvolvimento das várias inteligências e à relação existente entre estes estágios, a aquisição de conhecimento e a cultura. As inteligências em um ser humano são mais ou menos como janelas de um quarto. Abrem-se aos poucos, sem pressa, e pra cada etapa dessa abertura existem múltiplos estímulos... Os estímulos não atuam diretamente sobre a janela, mas se aplicado adequadamente, desenvolve habilidades e estas, sim, conduzem a APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS (ANTUNES, 19980). 29 Thomas Armstrong incorpora, em seus escritos, as pesquisas mais novas de Gardner e outros estudiosos. Os estudos originais de Gardner sugerem que a mente humana é composta por sete inteligências – lingüística, Estágio lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, Supervisionado I intrapessoal, naturalista e, possivelmente, existencial. Os estudos de Armstrong proporcionam ajudar educadores de todos os níveis a aplicarem a teoria das IM ao desenvolvimento de currículos, planejamento de aulas, avaliação, educação especial, habilidades cognitivas, tecnologia educacional, desenvolvimento de carreira, políticas educacionais e muito mais. Armstrong apresenta instrumentos, recursos e idéias que os professores poderão usar imediatamente para ajudar alunos de todas as idades a atingirem o seu potencial máximo na vida. Com o surgimento desta teoria o conceito de inteligência foi reestruturado e o ser humano passou a ser compreendido na sua multidimensão. As discussões evidenciavam que as inteligências são competências, e dessa forma se responsabiliza pela solução específica de problemas diferenciados com a capacidade de criação de “produtos” válidos para uma determinada cultura. De acordo com Gardner (1996), seriam oito as inteligências, denominadas inteligências múltiplas: inteligências lingüística ou verbal, a lógica-matemática, a espacial, a musical, a cinestésica corporal, a naturalista e as inteligências pessoais, isto é, intrapessoal e a interpessoal. Posteriormente, outras inteligências vêm sendo estudadas. Mas para efeito do nosso trabalho educativo entendemos que o trabalho de Antunes ainda nos satisfaz. Vejamos como Antunes (1998, p.111-113) inspirado em Gardner, apresentou as inteligências: Lingüística: capacidade de processar rapidamente mensagens lingüísticas, de ordenar palavras e de dar sentido lúcido às mensagens; Lógico-matemática: facilidade para o cálculo e para a percepção da geometria espacial. Prazer específico em resolver problemas embutidos em palavras cruzadas, charadas ou problemas lógicos como os do tangram, dos jogos de gamão ou xadrez; Espacial: capacidade de perceber formas e objetos mesmo quando apresentados em ângulos não-usuais, capacidade de perceber o mundo visual com precisão, de efetuar transformações sobre as percepções, de imaginar movimento ou deslocamento interno entre as partes de uma configuração, de recriar aspetos de experiência visual e de perceber as direções no espaço concreto e abstrato; Musical: facilidade para identificar sons diferentes, perceber nuanças em sua intensidade e direcionalidade. Reconhecer sons naturais e, na música, perceber a distinção entre tom, melodia, ritmo, timbre e freqüência. Isolar sons em agrupamentos musicais; Cinestésica corporal: capacidade de usar o próprio corpo de maneira diferenciada e hábil para propósitos expressivos. Capacidade de trabalhar com objetos, tanto os que envolvem motricidade específica, quanto os que exploram uso integral do corpo; Pictórica: capacidade de expressão por traço, desenho ou caricatura. Sensibilidade para dar movimento e beleza a desenhos e pinturas, autonomia para captar e retransmitir as cores da natureza, movimentar-se com facilidade de diferentes níveis da computação grafia; 30 Naturalista: atração pelo mundo natural e sensibilidade em relação a ele, capacidade de êxtase diante da paisagem humanizada ou não; Pessoais: interpessoal – capacidade de perceber e compreender outras pessoas, descobrir as forças que as motivam e sentir grande empatia pelo outro indistinto. Intrapessoal – capacidade de auto-estima, automotivação, de formação de um modelo coerente e verídico de si mesmo e do uso desse modelo para operacionalizar a construção da felicidade pessoal e social; Neste sentido, Antunes (1998), apresentou algumas sugestões de ações no intuito de desenvolver tais habilidades nos educandos: Espacial: exercícios físicos e jogos operatórios que explorem a noção de direita, esquerda, em cima e em baixo. Natação, judô e alfabetização cartográfica; Lingüística ou verbal: as crianças precisam ouvir muitas palavras novas, participar de conversas estimulantes, construir com palavras imagens sobre composição com objetos, aprender, quando possível, uma língua estrangeira; Sonora ou musical: cantar junto com a criança e brincar de “aprender a ouvir” a musicalidade dos sons naturais e das palavras são estímulos importantes, como também habituar-se a deixar um som de CD no aparelho de som, com música suave, quando a criança estiver comendo, brincando ou mesmo dormindo; Cinestésica corporal: desenvolver brincadeiras que estimulem o tato, o paladar e o olfato. Simular situações de mímica e brincar com a interpretação dos movimentos. Promover jogos e atividades motoras diversas; Pessoais (intra e interpessoal): abraçar a criança carinhosamente, brincar bastante. Compartilhar de sua admiração pelas descobertas. Mimos e estímulos na dosagem e na hora corretas são importantes; Lógico-matemática: acompanhar com atenção a evolução das funções motoras. Exercícios com atividades sonoras que aprimorem o raciocínio lógico-matemático. Estimular desenhos e facilitar a descoberta das escalas presentes em todas as fotos e desenhos mostrados; Pictórica: estimular a identificação de cores. Usar figuras, associando-as às palavras descobertas. Brincar de interpretação de imagens. Favorecer figuras de revistas e estimular o uso de abstrações nas interpretações; Naturalista: estimular a percepção da temperatura e do movimento do ar e da água. Brincar de “descobrir” a chuva, o mar, o vento. Assim, conheça os caminhos para estimular as inteligências múltiplas em sala de aula, segundo Armstrong (2000): Variar a maneira de apresentar o material; 31 Estágio Supervisionado I Criar centros de atividades; Dar aos alunos opções de tarefas de casa; Ensinar aos alunos sobre as Inteligências Múltiplas; Concentrar-se nas potencialidades de alunos rotulados; Usar as Inteligências múltiplas para desenvolver avaliações; Preparar alunos para o mundo (das Inteligências Múltiplas) real. Durante o Estágio Supervisionado a ser desenvolvido nas instituições de ensino, torna-se fundamental estarmos atentos no que diz respeito ao desenvolvimento das múltiplas inteligências, e possíveis relações com o desenvolvimento da aprendizagem. Identificá-las e analisar suas implicações com a aprendizagem é importantíssimo, para que durante a sua co-participação nas atividades escolares, você obtenha sucesso. Princípios orientadores da ação pedagógica na sala de aula: interdisciplinaridade e contextualização A vida cotidiana impõe aos cidadãos situações nas quais o ato de pesquisar está constantemente presente. Dessa forma, a construção de saberes escolares deve seguir os moldes dos saberes construídos na vida. Isso exige empenho dos profissionais de educação no sentido de efetuarem intervenções pedagógicas que favoreçam a pesquisa no contexto escolar. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – lei nº 9.394/96) foi a responsável por uma nova onda de debates sobre a formação docente no Brasil. Antes mesmo da aprovação dessa lei, o seu longo trânsito no Congresso Nacional suscitou discussões a respeito do novo modelo educacional para o Brasil e, mais especificamente, sobre os novos parâmetros para a formação de professores. Atualmente, aprender a aprender é condição primordial para o processo de aquisição de um conhecimento de qualidade na sala de aula. Através da interdisciplinaridade e da contextualização cria-se a possibilidade de construção de aprendizagens significativas. A interdisciplinaridade é um processo de conhecimento que busca a cooperação ativa entre áreas do saber, permitindo o intercâmbio e o enriquecimento na compreensão e explicação do universo a ser pesquisado. Supõe, portanto, a decisão intencional de se estabelecerem nexos e vínculos existentes entre as várias disciplinas de modo a privilegiar todos os aspectos: históricos, políticos, econômicos, socioculturais, na compreensão da dinâmica do ser humano, concretizada no diálogo entre os diversos saberes, de forma que possam emergir novas formas de interpretação da realidade. A prática reflexiva, profissionalização, trabalho em equipe e por projetos, autonomia e responsabilidades crescentes, pedagogias diferenciadas, centralização sobre dispositivos e sobre as situações de aprendizagem, sensibilidade à relação com o saber e com a lei delineiam o roteiro para o novo ofício. Logo, a dimensão do ensino e da aprendizagem é marcada por um tipo especial de relação, mediada pela apropriação do saber. O ofício de professor não é imutável. Suas mudanças passam principalmente pela emergência de novas “competências” (ligadas, por exemplo, ao trabalho com outros profissionais ou à evolução das didáticas) ou pela acentuação de competências reconhecidas, por exemplo, para enfrentar a crescente heterogeneidade dos efetivos escolares e a evolução dos programas. 32 Segundo Perrenoud (2000), todo referencial tende a se desatualizar pela mudança das práticas e, também, porque a maneira de concebê-las se transforma. Há 30 anos, não se falava tão correntemente de tratamento das diferenças, de avaliação formativa, de situações didáticas, de prática reflexiva, de metacognição... Podendo ir mais longe, de multidisciplinaridade, de interdisciplinaridade, de transdisciplinaridade, de inteligências múltiplas e assim por diante. O referencial escolhido acentua as competências julgadas prioritárias por serem coerentes com o novo papel dos professores, com a evolução da formação contínua, com as reformas do ensino, com as ambições das políticas educativas. Ele é compatível com os eixos de renovação da escola: individualizar e diversificar os percursos de formação, introduzir ciclos de aprendizagem, diferenciar pedagogia, direcionar-se para uma avaliação mais formativa do que normativa, conduzir projetos de estabelecimento, estabelecer o trabalho em equipe docente e responsabilizar-se coletivamente pelos alunos no centro da ação pedagógica, recorrer aos métodos ativos, aos procedimentos de projetos, ao trabalho por problemas abertos, desenvolver as competências e transferência de conhecimentos, ou seja, educar para a cidadania. Pensando, Fazendo e Acontecendo... Sugestão de atividades nas séries iniciais do Ensino Fundamental A apropriação do conhecimento deve se dar de maneira dinâmica e dialética, dirigida a contribuir com a ética e as atuações conseqüentes ao engrandecimento das mais belas tradições, bem como com a consecução do progresso, do amor à natureza e do benefício social. As atividades devem vincular-se com os procedimentos apropriados ao ensino participativo individual e em grupo, em forma de realizações tangíveis; uso de informação; construção de modelos; confecção de instrumentos; elaboração de entrevistas; obtenção de resultados; realização de observações e apresentação de registros em forma de tabelas, gráficos, fotos, relatórios, e outros. Assim, são aplicáveis as utilizações de vídeos, livros, computadores, Internet, visitas; contatos com laboratórios, entidades, indústrias, universidades (especialmente com seus funcionários e trabalhadores) e outras formas ativas de obtenção de conhecimentos, habilidades e informação, sempre dirigidos ao cumprimento dos objetivos previamente estabelecidos. OS LIVROS DIDÁTICOS - No crescimento da qualidade do ensino fundamental oferecido nas escolas brasileiras está priorizado o uso adequado e o aprimoramento do livro didático. Isto é essencial ao processo de ensino e aprendizagem, apresentando-se como instrumento básico do trabalho pedagógico desenvolvido pelo professor, dentro e fora da sala de aula. Como instrumento de aprendizagem, o livro didático, junto aos demais instrumentos, deve ser usado para apresentar o estudo de conteúdos, bem como motivar a realização de atividades que favoreçam a aquisição do conhecimento, por meio da reflexão, da solução de exercícios, da propiciada observação de fenômenos, de acontecimentos e fatos, da análise e das generalizações, visando o desenvolvimento da criatividade e da crítica. Atendendo a essas expectativas, o livro possibilita ao aluno tornar-se sujeito de sua própria aprendizagem e ao professor assumir a responsabilidade pela condução da mesma. 33 Próximos aos livros didáticos estão os livros de consulta, os pára-didáticos, as revistas, as enciclopédias e os dicionários. Eles complementam as informações, as ampliam e ajudam a alcançar maior precisão e ligação Estágio interdisciplinar. O professor deve conhecer integralmente o livro didático e as Supervisionado I suas projeções de relação com outros meios e procedimentos aplicáveis nas atividades. OS VÍDEOS - A escolha de um vídeo e sua utilização passam por várias etapas de preparação. Deve-se considerar o ajuste do tema aos objetivos estabelecidos, que pode ser total ou parcial, como também, a análise prévia dos vídeos por parte do professor ou do coletivo de professores, a reflexão e discussão sobre o conteúdo e a forma de apresentação; a confecção (caso não exista) de uma ficha técnica, uma sinopse (indicando os aspectos que são tratados e chamando à atenção para determinados assuntos), um roteiro de análise e debates, um elenco de fontes complementares de informação e, finalmente, uma orientação para a concretização (individual ou grupal) de valores, conhecimentos e habilidades, derivados das múltiplas leituras de um vídeo. Junto a tudo isso a medição de quanto foram cumpridos os objetivos específicos da atividade. A INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO - O emprego da computação no ensino é ilimitado. Para tanto é necessária a escolha do software apropriado ao objetivo que se quer alcançar. Dentre os tipos a empregar então, tutoriais, simuladores, programas interativos (inclusive jogos), enciclopédias, dicionários; e outros softwares especialmente dedicados ao cálculo, realização de gráficos, escritura de textos, etc. AS VISITAS - As visitas, como outras atividades, devem ser preparadas com muito detalhe no que diz respeito aos seus objetivos estabelecidos no plano de aula. A escolha da visita a uma fábrica, um laboratório, um centro de saúde, um ambiente natural ou construído, etc. se deve a determinado fim. Na preparação da visita, o fim se destaca de maneira clara e a seqüência de etapas na realização da visita deve ser desenhada conjuntamente entre os professores, os alunos e a entidade a ser visitada. Significa que os professores deverão visitar antes uma ou mais vezes a entidade em questão, declarar o interesse fundamental da visita, o nível de profundidade e abrangência das informações sobre os aspectos de interesse e o vínculo lógico das disciplinas presentes. Os alunos e professores podem elaborar um roteiro da visita e, caso seja conveniente, roteiros de entrevistas ou perguntas previamente elaboradas para obter as respostas a hipóteses, ou assuntos levantados em sala de aula ou em grupos. A visita deve aportar elementos novos sobre aspectos possivelmente já considerados em uma outra dimensão ou aproximação. Texto adaptado do site http://aafd.educar.pro.br/ead/procurricular/Atividad.html Nesse sentido, para alcançar as aulas interessantes, através de atividades diversificadas, citadas acima, não basta apenas dividir os acontecimentos pela grade semanal de horários. É preciso pensar no enfoque que será dado ao conteúdo, na forma como ele será abordado e, principalmente, que ponto devemos chegar. Saiba mais... Dez domínios de competências reconhecidas como prioritárias na formação contínua das professoras e dos professores no Ensino Fundamental: 1. Organizar e dirigir situações de Aprendizagem; 2. Administrar a progressão das aprendizagens; 3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; 34 4. Envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho; 5. Trabalhar em equipe; 6. Participar da administração da escola; 7. Informar e envolver os pais; 8. Utilizar novas tecnologias; 9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão; 10. Administrar sua própria formação contínua. Princípios orientadores da ação pedagógica na sala de aula: transposição didática Reflita! Não existe alguém Que nunca teve um professor na vida, Assim como não há ninguém Que nunca tenha sido um aluno. Se existem analfabetos, Provavelmente não é por vontade dos professores. Se existem letrados, É porque um dia tiveram seus professores. Se existem Prêmios Nobel, É porque alunos superaram seus professores. Se existem grandes sábios, É porque transcederam suas funções de professores. Quanto mais se aprende, mais se quer ensinar. Quanto mais se ensina, mais se quer aprender. (Içami Tiba) Iniciarmos com Içami Tiba nos faz refletir a função do professor e a função do aluno no contexto da sala de aula. Mas, que sala de aula é essa? A sala de aula é uma realidade que contém muitas realidades. Talvez esteja enganado aquele que imagina estar claro para os educadores e professores o sentido desta coisa com a qual lidam todos os dias: a sala de aula. Esta pode ser pensada em termos do que é, bem como em termos do que deve ser. Espaço político portador de uma história? Espaço mágico de encontros humanos? Lugar no qual tantos escamoteiam com belas palavras os duros conflitos vividos por um tempo? Espaço no qual se cumpre o jogo sutil das seduções afetivas ou endoutrinadoras? Ou muitas dessas coisas juntas? Enfim: que lugar é esse, a sala de aula? Desde a concepção formal que o aponta como “local eleito pela civilização para a transmissão do saber”, até a concepção anarquista que o vê como “um picadeiro privilegiado pela sociedade”, a sala de aula é o ambiente específico para as inter-relações vivenciadas pelos sujeitos na escola, mas não pode ser considerada apenas o único ambiente no qual a educação se configure em sua magnitude e competências. 35 A partir das leituras a seguir, propomos questões que consideramos imprescindíveis para a reflexão sobre o conteúdo em questão: Estágio Supervisionado I - Será que o papel do professor é somente de transmissão de conhecimentos históricos ou trabalhar em prol da sociedade? - Até onde os professores estão buscando estratégias de resoluções de problemas sociais importantes para praticar as noções apreendidas no ambiente de sala de aula? - Será que os conhecimentos aprendidos pelos alunos têm significados práticos? A transposição didática é a sucessão de transformações que fazem passar da cultura vigente em sociedade (conhecimentos, práticas, valores, etc.) ao que dela se conserva nos objetivos e programas da escola, e, a seguir, ao que dela resta nos conteúdos efetivos do ensino e do trabalho escolar e, finalmente no melhor dos casos ao que se constrói junto aos alunos. Querendo-se trabalhar por competências, deve-se provavelmente remontar a origem dessa cadeia e começar perguntando com que situações os alunos irão confrontar-se nas sociedades — antiga, atual e futura. Sendo assim, consideramos que o professor deve planejar estratégias de resolução de problemas histórico-sociais. Devemos assinalar a importância da noção de meios ambientes educador, afinal de contas como afirma Brandão (1984): Ninguém escapa a educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola. De um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela; para ensinar, para aprender, para aprender-ensinar. Para saber, para fazer, para ser, para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Entendemos assim, que existe a necessidade que o docente realize um esforço para planejar algumas linhas pedagógicas que contemplem conteúdos históricos que norteiam os problemas da sociedade em que ele vive. A finalidade educativa deve ser tudo o que dela faz parte. Isso quer dizer que todos os alunos de uma sociedade devem encontrar propostas educativas ricas em estímulos para que possam realizar uma aprendizagem que os forme de uma maneira integral. Deve, portanto, o docente cuidar para que o ambiente educacional se torne um meio, um agente, e um conteúdo educativo e que cada instituição, associação, entidade, rua e espaços urbanos seja agente e, ao mesmo tempo, elemento educativo. Assim, perceba que, quando falamos de ambiente educacional não nos referimos somente aquele tipo de organização estruturada — escola —, mas nos referimos a uma terminologia mais atualizada: “transposição didática”. 36 Também estamos nos referindo a todas aquelas impressões que se recebem das ruas da própria cidade, das estátuas, de seus jardins, de seu povo, de seu patrimônio histórico. Muitas vezes, o corpo discente não tem recursos para abordar esses elementos que, mesmo sendo parte de sua vida cotidiana, passam praticamente despercebidos. Seria possível arriscar uma estratégia que permitisse aos alunos desfazer o emaranhado de enigmas que se esconde no patrimônio urbano? E a gor a, Pr of essor? ag ora, Prof ofessor? Como F az er? O que ffaz az er? Faz azer? azer? Consideramos que o professor é agente social, sobre este ponto de vista, se converte em elemento essencial para compreender um sem-número de questões colocadas pelo estudo do patrimônio, como, por exemplo, as intervenções humanas, as mudanças sofridas ao longo do tempo, as adaptações tecnológicas, os usos e funções de um determinado espaço em diferentes épocas da história, etc. Desta forma, pode-se utilizar o patrimônio sob o ponto de vista literário, tecnológico, artístico, arquitetônico, histórico, natural e industrial. Formular um problema baseado no conjunto patrimonial da comunidade envolvida permite iniciar um processo de formulação de hipóteses e reflexão capaz de gerar conhecimento. Inferimos, pois, que a resolução de problemas sociais assume importância e características especiais fora da sala de aula. Por quê? Quando se realiza uma visita de trabalho fora da classe para estudar as cidades, procuramos elementos que já estão presentes no ambiente educacional que fazem parte de nossas vidas, porém o que buscamos é o objeto, o contexto que o envolve e a realidade que determina. Isso quer dizer que o patrimônio urbano potencializa o fato de que a resolução de problemas se realize de forma direta com a realidade, praticamente sem outras mediações. É importante ressaltar que diante de um processo educacional que extrapola a sala de aula, o corpo discente não faz um tipo de aquisição automática de conhecimentos e habilidade que, certamente em pouco tempo estarão esquecidas, nem tão pouco responderão avaliações históricas sem nenhuma relação com o contexto atual. Ao contrário, o que se busca é provocar, e inclusive, criar incertezas na mente dos alunos para que possam ver que o patrimônio traz em si muitos problemas históricos que não foram resolvidos. Em síntese... O professor possui papel significativo no processo ensino-aprendizagem que transpõe o ambiente de sala de aula quando possibilita a si e ao aluno intervir no meio seguindo seu próprio ritmo; Dentro deste papel, o professor potencializa um caráter interativo, não só com o aluno, mas com a disciplina a que se propôs trabalhar e o ambiente ao seu redor. 37 Texto Complementar... Estágio Supervisionado I Fique por Dentro! Oito passos para extrapolar o ambiente educativo: 1. O tema trabalhado em classe pode ter sua aplicação no contexto social. Pode ser utilizado para tentar resolver algum problema relacionado com o tema central e com a realidade; 2. Faz-se uma visita prévia ao espaço em que se pretende trabalhar: uma ruazinha, uma grande avenida, um monumento histórico, um local do vilarejo... Procuram-se pistas, enigmas e problemas; 3. Pensar sobre as possibilidades que o espaço oferece para trabalhar com os temas anteriormente tratados, refletindo sobre sua proposta inicial, realçando os objetivos da saída, seus conteúdos principais e sua articulação com o tema central; 4. Propor aos alunos a possibilidade de realizar a visita para aprofundar alguns temas tratados na aula; 5. Preparar material para visita em função dos pontos discutidos em sala. A visita é um dia de trabalho; 6. A visita acontece: o problema é delineado, algumas pistas são levantadas para a interpretação do ambiente educacional e os alunos são orientados em sua pesquisa; 7. De volta à sala de aula, o trabalho continua, enfatizando-se os seus pontos mais interessantes, ouvindo-se as dúvidas finais que possam surgir e resolvendo-as; 8. Tenta-se avaliar a aprendizagem do ponto de vista conceitual, processual, procedimental e atitudinal. (LA TORRE, Saturnino; BARRIO, Oscar. Curso de Formação para educadores, 2002) 38 # [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Leia o texto abaixo e comente o que se pede: “O jogo da verdade” É na sala de aula, no contato direto com os alunos, que o educador joga o “jogo da verdade”. Os cursos, os debates, as pesquisas, as teses só têm sentido se considerados em sua finalidade: a ação educativa. E, embora levando em conta as relações com a escola, enquanto instituição e com a sociedade de modo geral, o educador tem sala de aula o seu espaço de atuação privilegiado, tendo consciência de que, como todos os espaços, esse também é histórico e político e que, portanto, sua ação é limitada. (TAVEIRA, Adriano S. N., A sala de aula — o lugar da vida? 1995) A partir do texto acima, identifique qual o papel do professor no contexto da sala de aula e o discurso proposto em sua abrangência. 2. Para você, quais seriam as atitudes de um professor que pretende transpor o ambiente de sala de aula? 3. Segundo os conteúdos estudados nesse bloco, relacione as habilidades necessárias ao professor frente aos processos cognitivos dos alunos. 39 4. Comente, segundo os conteúdos do bloco, como os PCN’s consideram a formação do docente e compare com as necessidades da educação atual. Estágio Supervisionado I 5. A expressão “COSTURAR FATOS” foi utilizada no decorrer desses conteúdos. Como você, enquanto docente-estagiário, entende a referida expressão? 6. De acordo com seus estudos, como você conceitua inteligências múltiplas? 7. Explique, a partir de suas leituras, o que você entende por interdisciplinaridade. 8. Você considera a interdisciplinaridade aplicável ao ensino das séries iniciais do Ensino Fundamental? Sistematize um breve projeto de aprendizagem que envolva algumas disciplinas de 1ª à 4ª série, cujo tema seja único, com abordagens diferenciadas. Vamos lá? 40 DO PLANEJAMENTO À AÇÃO DOCENTE PLANEJAMENTO E AÇÃO DOCENTE NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO Projeto de Intervenção: a Importância É preciso uma decisão consciente, muita mística, muita garra, para estabelecer uma Pedagogia de Direito, numa Sociedade de Conflitos, onde só na luta se espera com esperança (Paulo Freire) O Projeto é o instrumento para sistematizar a ação concreta do professor, a fim de que seus objetivos sejam atingidos. É a previsão dos conhecimentos e conteúdos que serão desenvolvidos na sala de aula, a definição dos objetivos mais importantes, assim como a seleção dos melhores procedimentos e técnicas de ensino, como também os recursos humanos e materiais que serão usados para um melhor ensino-aprendizagem. Além disso, o projeto possibilita a investigação de técnicas mais eficazes e instrumentos de avaliação para verificar o alcance dos objetivos em relação a aprendizagem. A partir da filosofia educacional da escola, dos objetivos específicos do curso, e dos objetivos da clientela, os professores vão planejar para atender estes aspectos fundamentais, favorecendo, deste modo, um melhor e mais eficaz ensino. Ao refletir sobre o projeto, o que o estudante da licenciatura realmente faz é planejar o contexto geral da sua disciplina. Mas este contexto está intimamente relacionado a ser uma decorrência lógica dos objetivos dos alunos, da comunidade e da escola em que está inserida. Por isso, deverá expressar uma unidade de idéias, de princípios e de ação. Ao planejar o projeto de intervenção e seus conteúdos, o docente sempre deve ter em mente que os conteúdos são meios para atingir os objetivos, pois eles não são fins. Tendo a missão de assegurar um ensino de qualidade mediado por todos os envolvidos no processo ensinoaprendizagem, o professor se propõe a observar o indivíduo na sua própria comunidade, tentando acompanhá-lo na construção do seu conhecimento, ensinando e aprendendo junto com ele, desenvolvendo, ao mesmo tempo, atitude de reflexão e análise, preparando-o para a sua construção cognitiva e afetiva, ajudando a formação do seu caráter e preparandoo para o futuro. Acreditando que cada indivíduo deve fazer a sua parte, desenvolver múltiplas habilidades, compartilhar o conhecimento, somar e dividir responsabilidades, construir com o grupo, melhorando o ambiente onde se vive, crescendo como pessoa, o conhecimento 41 não deve se basear no acúmulo de informações, mas sim numa elaboração mental que se deve traduzir em forma de ação transformadora sobre o mundo. Na escola, o conhecimento será construído a partir da interação Estágio professor/aluno e objeto do conhecimento fazendo com que o aluno Supervisionado I compreenda, usufrua e transforme a realidade. O aluno deve ser estimulado para desenvolver seu próprio potencial interagindo de maneira consciente com o processo de aprendizagem convencional. A escola tem o compromisso social que vai além do transmitir informação, necessitando criar um contexto em que valores éticos básicos sejam trabalhados para desenvolver todas as dimensões do ser humano, suas capacidades e competências cognitivas, oferecendo um currículo que preserve a herança cultural e a interação dos conhecimentos. Valores como espontaneidade de expressão, vida sadia, auto-estima, auto-confiança, dignidade, autonomia, desejo de aprender, amizade, sociabilidade, cooperação, igualdade de oportunidades, respeito por suas diferenças, diversidades sócio-culturais que devem ser trabalhadas por todos os setores da Escola, buscando a qualidade do serviço através da construção passa a passo da cidadania do nosso aluno, preparando-o para o exercício futuro de seus direitos e deveres, de maneira democrática, respeitando as suas diferentes raças, etnias, religiões, cor e sexo, bem como o respeito à sexualidade com garantia dos outros indivíduos e da dignidade do ser humano. O aluno e o professor dentro de uma linha construtivista se tornam elementos ativos na troca de conhecimentos, onde o professor estabelece os parâmetros em que se deve promover atividade mental do aluno, passando por momentos de equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio. Portanto, o conhecimento é construído e não assimilado pelo aluno que deve ser capaz de formular hipóteses, estabelecer relações e analisar o mundo a sua volta. A prática educativa deverá ser trabalhada na Unidade Escolar de forma a construir no indivíduo um conhecimento que o possibilite no futuro exercer o papel de cidadão autônomo e participativo. “Projetar e realizar é viver em liberdade” (MENEGOLLA, 2001). Neste sentido, todo professor pensa o seu agir, isto é, tenta planejar a sua vida e as suas atividades particulares e coletivas. Todos pensam no que devem ou no que não devem fazer. Esta realidade não é apenas um hábito, mas uma necessidade, não se restringindo apenas a alguns aspectos da vida da pessoa, mas a todos os setores da vida pessoal e social. Tudo é sonhado, imaginado, pensado, previsto e planejado para ser executado. De modo especial, as atividades educacionais e de ensino exercidas pelos professores, na sala de aula, exigem pedagogicamente, um planejamento. Sabemos que para os mais diversos setores da vida humana existem os mais diversos tipos e formas de planejamentos. Devemos considerar que o planejamento do ato de educar e ensinar não é o mesmo, podendo divergir, dados os elementos envolvidos no 42 ato de planejar, como, por exemplo, a construção de uma casa. Ao planejá-la se pensa em pedra, tijolos, areia, espaço, possibilidades materiais e outras coisas possíveis de serem manipuladas. Contudo, ao se planejar um projeto de intervenção, deve-se pensar que os elementos envolvidos vão ser pessoas, indivíduos ou grupos sociais, por isso a visão do planejamento deve ser diferente. A partir dessa realidade, o professor necessita pensar seriamente e com responsabilidade sobre sua ação, isto é, planejar com seriedade e consciência a sua ação. Pensar antes de agir é um ato de habilidade e de sabedoria. Pois, é de muita importância para o docente planejar da melhor forma possível a sua disciplina em todos os aspectos, inclusive a partir da necessidade de construir um projeto de intervenção para agir em uma realidade determinada. O projeto de intervenção é importante para o professor porque: - Ajuda ao professor a definir os objetivos que atendam os reais interesses dos educandos e da comunidade; - Possibilita selecionar e organizar os conteúdos mais significativos para o meio em que está inserido; - Facilita a organização dos conteúdos de forma lógica, obedecendo a estrutura da disciplina; - Ajuda a selecionar os melhores procedimentos e os recursos para desencadear um ensino mais eficiente, orientando no como e com que deve agir; - Ajuda a agir com maior segurança dentro e fora da sala de aula; - O professor evita a improvisação, a repetição, e a rotina do ensino; - Facilita uma melhor integração com as mais diversas experiências de aprendizagem; - Facilita a integração e a continuidade do ensino; - Ajuda a ter uma visão global de toda a ação docente e discente; - Ajuda o professor e os alunos a tomarem decisões de forma cooperativa e participativa. E a gor a pr of essor? ag ora prof ofessor? Você ainda tem dúvidas ao pensar em constr uir construir um pr ojeto de inter venção? projeto interv Texto Complementar... PROBLEMA Por Anna Cecília de Moraes Bianchi O homem é um ser em dúvida constante, insatisfeito e buscador de respostas novas às necessidades. O estágio constitui um momento ímpar para que ele possa exercitar sua 43 capacidade, pois está no meio do caminho, entre um estudante em vias de finalizar um curso e um indivíduo no início da vida profissional. Assim, é fundamental que perceba a realidade social na qual está Estágio inserido visando a compreendê-la para manter seu equilíbrio, ou modificáSupervisionado I la de acordo com as necessidades emergentes. Em qualquer área de atuação, esta condição é necessária para que o profissional possa atuar. A definição do problema tem se apresentado aos alunos como uma barreira intransponível. Este fato resulta do desconhecimento e da falta de familiaridade com a área e o assunto escolhido. De acordo com Rúdio (1978, p. 75) Formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita,clara, compreensível e operacional, qual a dificuldade, com a qual nos defrontamos e queremos resolver [...] Para a resolução de uma dificuldade, pode ser necessária a realização de uma pesquisa e esta só é viável se o fenômeno puder ser verificado por metódos que comprovem o que se buscou durante o estágio. O problema pode ou não apresentar-se em forma de pergunta, mas é sempre um questionamento. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Do Projeto de Intervenção ao Plano de Ação “Planejar o processo educativo é planejar o indefinido, porque educação não é um processo, cujos os resultados podem ser totalmente pré-definidos, determinados ou pré-escolhidos, como se fossem produtos decorrentes de uma ação puramente mecânica e impensável. Devemos, pois, planejar a ação educativa para o homem, não impondo diretrizes que o alheiem. Permitindo com isso que a educação ajude o homem a ser criador de sua própria história”. (Menegholla, 2001) Da Teoria à Prática... Desejamos enfatizar que o compromisso do professor com a realidade sócio-política e cultural não o desvincula do material instrucional organizacional que tornará a aprendizagem mais efetiva. Há um número significativo de modelos para organização de ensino que se diferenciam entre si pelos princípios que os fundamentam, seqüências dos passos ou fases, desempenhos previstos por professores e alunos, recursos necessários e resultados esperados. Queremos, com isso, esclarecer que há modelos de ensino em que os princípios fundamentais estão alicerçados na informação oral, no conhecimento ou habilidades básicas, na avaliação baseada na recitação, no aluno receptivo, não favorecendo a socialização na sala de aula. 44 O desempenho do aluno está condicionado a ouvir e aprender a informação, além de uma submissão a avaliação, esta linha de ação exige do professor conhecimento, boa dicção, clareza na informação, habilidade na comunicação, o aluno fica restrito a um campo de ação que não obedece as diferenças individuais, ao ritmo próprio de cada um e a participação ativa no processo. Selecionamos um paralelo de procedimentos dentre alternativas de situações de ensino-aprendizagem com o objetivo de mostrar ao educador como deve conceber sua participação no processo educativo, educando-se para educar. A idéia é de que o professor, a partir da observação dos exemplos os quais expressam a discrepância entre “o que é” e “o que deve ser” quanto ao desempenho educativo passe a ser um criador, um desafiador, um questionador de metodologias. Temos a pretensão de acreditar que o professor não deseja ser só teórico ou prático, mas acima de tudo, um transformador da realidade. Considerando que a vida do homem é um contínuo projetar, dar preferência. A realização das atividades escolares em forma de projeto, é uma forma segura de eliminarmos o distanciamento entre a vida e a escola, além de propiciarmos a integração do educando à própria vida. Caminhos para o plano de ação: Uma técnica bastante útil na hora de agir, ou seja, colocar em prática um plano de ação é a técnica de um caminho sistemático (LA TORRE, 2002), que apresenta as seguintes fases: a) Fase intuitiva ou espontânea a partir da experiência; b) Fase reflexiva, em que se emprega a racionalidade; c) Fase matricial, apoiada na técnica. Fase Intuitiva ou Espontânea Esta fase supõe que a realização do trabalho seja participativa e, portanto, será um grupo ou vários deles que conduzirão a presente ação. 45 Assim, uma vez reunido o grupo e estando todos inteirados do que se deve fazer, a primeira ação a ser realizada é a de responder, de forma espontânea às perguntas: Como chegar ao objetivo? Que devemos fazer? Deve-se atuar da seguinte forma: Estágio Supervisionado I 1. Fazer uma lista numa lousa ou em papel das idéias que surjam no diálogo; 2. Colocá-la em ordem de prioridades quanto a possível eficácia; 3. Fazer uma lista definitiva com as idéias mais importantes; 4. Se a quantidade e a riqueza de conteúdos dessa lista forem suficientes para atingir o objetivo, ela será usada para projetar os planos de ação. Caso contrário, deve-se passar para fase 2. Fase Reflexiva Superado o primeiro passo, o grupo deve refletir sobre os seguintes pontos: 1. O que se fazia antes, na instituição, quando se queria atingir o objetivo proposto? Por quê? 2. Que estão fazendo hoje outras instituições semelhantes à nossa que de fato conseguem realizar seus objetivos? Por quê? 3. Que é que funciona do que já está sendo feito em outras instituições, neste momento, com relação ao objetivo? Por quê? As duas primeiras questões são muito importantes porque se tratam de pontos de referência neste tipo de estratégia que costuma ser esquecida com freqüência, apesar de terem seu conteúdo de eficácia bem demonstrado. Se acreditamos que a lista de novas idéias já é suficiente, passamos à confecção dos planos de ação, caso contrário passamos para a terceira fase. Fase Matricial Se a segunda fase não nos satisfez, é o momento de nos valermos da técnica. Para isso, deve-se propor uma análise simples de três matrizes. Na primeira delas, relacionamse os pontos fortes com as oportunidades que têm a instituição com relação aos objetivos. Na segunda, cruzam-se essas oportunidades com as áreas de atividade. Na terceira, cruzamse as fortalezas com as áreas de atividades. Características de um plano de ação: - Objetividade e realismo é o que deve caracterizar todo e qualquer plano. Um plano que não seja objetivo e realista se torna inviável, inexeqüível e obscuro, portanto, impraticável, sem validade e habilidade; - Funcionalidade: como o plano é um instrumento orientador para o professor e para os alunos, ele deve ser o mais funcional possível, para que possa ser executado com facilidade e objetividade; - Simplicidade: o plano que orienta toda a linha de ação envolve uma série de elementos, como o professor, os alunos, os conteúdos, as experiências, as atividades, os recursos, o 46 processo de avaliação e assim por diante; por isso, necessariamente, deverá ser claro e simples para ser compreensível e viável, pois suas compreensão facilita a sua execução; - Flexibilidade: é uma característica fundamental para os planos, tornando-os mais realistas e possíveis de serem adaptados às novas situações não previstas que possam ocorrer; - Utilidade: a utilidade, a validade e a profundidade são princípios que dão consistência a toda estrutura do plano, no que diz respeito ao seu conteúdo e a sua dinâmica. O plano, no seu contexto geral, poderá, de fato, ajudar, ser útil e significativo a todos que nele se envolver. Se faz mister uma análise profunda destes elementos e das suas inter-relações, para que de fato possam facilitar a aprendizagem do aluno e a ação do professor. Tais elementos devem estimular e desencadear novas e profundas aprendizagens. Além das outras características, a utilidade requer um questionamento sério e profundo. Enfim, o que foi planejado só terá validade se for algo importante e útil para o educando que tenta buscar na escola sua formação integral como pessoa. Em síntese... A importância da observação e da co-participação no Estágio Supervisionado O professor possui um fazer intencional e político, assim como todo ser humano. Nossas ações, portanto, têm sempre um objetivo que está vinculado a uma situação com a qual estamos implicados. Assim, intencionamos, agimos e avaliamos em maior ou em menor medida as nossas ações. Nesse processo aprendemos. Aprendizagens essas que envolvem, inquestionavelmente, complexidades. Mas, de forma simplória, podemos falar de uma espiral na nossa construção de conhecimentos que envolve, de modo geral, uma inquietação, um desejo, que poderá ser seguido de um movimento que cause uma alteração na realidade e que posteriormente irá nos fazer pensar sobre o resultado e sobre a forma como o construímos. Mas é claro que muitas vezes fazemos como nos sugeri um saber popular e deixamos a vida nos levar. Isso é bom. Já pensou estarmos vigilantes todo o tempo? Quanto desgaste, quanta tensão! Porém, queremos assumir o comando de nossas vidas. Não nos conformamos com tudo o tempo todo. Queremos uma vida melhor e ansiamos optar que caminhos percorreremos. Então planejamos. Transformamos desejos em projetos. E os nossos sonhos 47 ganham um futuro. Futuro com limites e possibilidades. E para compreendermos melhor que limites e que possibilidades, faz-se necessária uma reflexão “encharcada” de realidade – uma reflexão bem informada. A isso podemos dar o nome de diagnóstico situacional. E no caso do Estágio nosso estágio, faremos este reconhecimento e aproximação da realidade para Supervisionado I compreendê-la e nos implicarmos com ela no período de co-participação. Momento em que buscamos interagir com o contexto no qual iremos realizar nossas futuras intervenções enquanto professores em processo de formação profissional, e que ao vermos, seremos também vistos, ao conhecermos, sermos também conhecidos. Ressaltamos então dois requisitos desta etapa do trabalho docente que são o rigor e a ética. Um comportamento que denota escrúpulo, atenção a detalhes e cuidados éticos com os sujeitos envolvidos no processo educacional no qual desejamos nos inserir. É preciso disposição para colaborar, postura humilde para assimilar os movimentos internos e relacionais da instituição que adentramos. É um momento em que almejamos compreender a cultura instituída com as suas contradições, que são próprias de tudo que é humano. Esse ainda não um momento para pensarmos em intervenções, análises críticas e tomadas de posições. É um momento em que queremos saber. Queremos conhecer, e isso requer que desarmemos o nosso olhar, coloquemos os nossos valores em suspensão para percebermos os sentidos que se organizam neste espaço de aprendizagens, de vidas e de relações, em parte burocráticas, rotineiras, estruturadas - organizacionais; e em parte surpreendentes, dinâmicas, imprevisíveis. Assim podemos afirmar que a observação é uma etapa fundante para o estágio supervisionado pois a depender de como a realizamos, estaremos de alguma forma construindo as condições básicas que nos facilitará o maior ou menor sucesso nesta empreitada. No entanto observar exigirá do observador alguns cuidados para que ela seja de fato fecunda. De acordo com Lüdke e André (1986, p. 25): “Planejar a observação significa determinar com antecedência ‘o quê’ e ‘o como’ observar”. Concentre-se então em captar, perceber, compreender e descrever a realidade na qual você está se integrando. Observe também as funções dos setores, os papeis pedagógicos dos sujeitos e o papel assumido pela instituição frente a sua comunidade escolar e o ambiente com o qual está implicada. Acompanhe e procure perceber os sentidos das dinâmicas cotidianas, seus ritos burocráticos, os costumes hábitos, valores e referências identitárias das pessoas e grupos, normas e preceitos estabelecidos alguns ditos ou não tão explicitados, mas respeitados pelo coletivo. Veja os recursos utilizados, os disponíveis e suas potencialidades. E o mais importante, registre essas coisas. Elas são os seus tesouros. Bem usadas, essas informações se constituirão um guia para as decisões que precisarão ser tomadas. Para vislumbrarmos e assumirmos as nossas opções. E para que essas opções não sejam pessoais é preciso que como educadores exerçamos a liderança. As opções que faremos deverão estar intimamente ligadas a função prioritária da escola – a socialização, re-significação e re-elaboração de conhecimentos. Informação a sociedade atual disponibiliza por diversos meios. Mas transformar a informações em conhecimentos, saberes e sabedorias requer a construção de espaços de aprendizagem, pesquisa, reflexão e crítica. Desta forma o foco do fenômeno educativo se constitui para nós os conteúdos educacionais, formativos e fomentadores de possibilidades emancipatórias e libertárias com os quais os sujeitos com suas idiossincrasias e culturas tomem posse da sua cidadania. Então o nosso diagnóstico deverá servir para fazermos as devidas reelaborações dos conteúdos partindo do “lugar” em que se encontra o nosso corpo discente em termos sociais, culturais e cognitivos. A viagem da apropriação de conhecimentos é ilimitada, mas o nosso limite mínimo são os “Parâmetros Nacionais”, informações 48 consideradas nas diversas formas de seleção a postos de trabalho e ao acesso a instituições educacionais, além da compreensão, interpretação e intervenção em situações sociais convencionais. Esse é um dos sentidos da nossa observação e co-participação. Buscar percepções sensibilizadoras de caminhos para que os conteúdos e conhecimentos trabalhados nesse espaço que pleiteamos fazer uma intervenção pedagógica seja um caminho construído coletivamente, no qual ao respeitarmos a realidade e a vivência desses grupos, desencadeemos a operacionalização de uma ação educativa fomentadora da emancipação, pois construída como instrumento de valorização das identidades de cada sujeito em processo, e que, ao mesmo tempo, apropria-se, reconstrói, re-significando o conhecimento das ciências, e das diversas linguagens. Na realização de nossas observações além das noções sensibilizadoras necessárias a uma boa inserção na comunidade escolar, deveremos levantar informações sobre os seguintes aspectos: · Desenvolvimento sócio-cognitivo dos estudantes. · Recursos disponíveis. · Conteúdos já trabalhados e assimilados pelo grupo. · Dinâmica das atividades até então realizadas. · Projetos concluídos e em curso. O nível de desenvolvimento cognitivo dos estudantes é um elemento importante para o diagnóstico e avaliação do ponto de partida dos trabalhos pedagógicos e da definição do grau de dificuldade dos desafios a serem propostos pelo professor. Texto Complementar... Professor: “Não me ensine nada que eu possa descobrir. Provoque minha curiosidade. Não me dê apenas respostas. Desarrume minhas idéias e me dê somente pistas de como ordená-las. Não me mostre exemplos. Antes me encoraje a ser exemplo vivo de tudo o que possa aprender. Construa comigo o conhecimento. Sejamos juntos inventores, descobridores, navegantes e piratas de nossa aprendizagem. Não fale apenas de um passado distante ou de um futuro imprescindível. Esteja comigo hoje alternando as sensações de quem ensina e de quem aprende”. (Ivana M. Pontes) 49 Elaborando o Plano de Ação Há diferença entre a realidade escolar e o ideal que construímos em Estágio nossas teorias e em nossos anseios sociais. E é justamente nessa diferença Supervisionado I que consiste o nosso trabalho de planejamento. A construção de uma escola cada dia um pouco mais próxima daquilo que sonhamos é a nossa luta cotidiana. Administrar os limites e maximizar as possibilidades, eis o nosso maior desafio. Na educação informal as preocupações estão muitas vezes difusas, enquanto no trabalho escolar e outras formas de educação sistemática é mister um projeto como programa operatório. Não nos importa um projeto com intenção meramente simbólica, carecemos de resultados concretos, num fluxo relacional no qual docentes e discentes no contato com seus objetos de estudo, possam implementar novas formas de inclusão social/ cognitiva, aprofundando seus processos de autonomização. E para tanto, o planejamento é feito na dinâmica de uma espiral. Ele é cíclico, mas nunca volta ao mesmo ponto. Vai se constituindo sempre em pequenos avanços em relação ao momento anterior, pois, cada fase se compõe de planejamento, ação, avaliação – a partir da qual temos informações para um novo planejamento. Isso aumenta o nosso poder de intervenção e a nossa probabilidade de sucesso. E para o alcance desse sucesso precisamos pensar em três frentes de preparação: · Conhecimento da realidade com a qual estamos nos propondo a realizar uma interlocução e intervenção pedagógica. · Conhecimento dos conteúdos específicos a serem socializados em sala de aula. · Conhecimento metodológico necessário a intervenção. Princípios Fundamentais para Elaborar um Plano de Ação - Princípio da intenção: é de vital importância que o aluno tenha uma intenção definida para realizar um projeto. Queremos dizer com isso que o aluno precisa saber exatamente o que quer e onde quer chegar. O seu desejo de atingir o objetivo é que irá conduzi-lo, permitindo sua realização e conseqüente satisfação pessoal e grupal; - Princípio da situação-problema: é o ponto fundamental da técnica de projetos. Objetiva a solução de problemas de forma previamente estabelecida e executada em ambiente natural. Após diagnosticar o problema, procurarão os elementos envolvidos verificar o que podem fazer, pesquisarão como resolver a questão e planejarão as ações para solucioná-lo; - Princípio da Ação: a aprendizagem é um processo eminentemente pessoal e ativo. O aluno é somente ele será agente de sua própria aprendizagem. Na nova situação propiciada pelo projeto, terá oportunidade de agir, reagir, perceber, analisar, observar, manipular, testar, julgar, decidir, comunicar e sentir; - Princípio da experiência real anterior: as coisas não surgem do nada. Toda nova aprendizagem requer pré-requisitos de experiências passadas. Quanto mais situações tiver vivenciado, o aprendiz, tanto em qualidade quanto em quantidade, maiores probabilidades de soluções alternativas lhe ocorrerão, facilitando a solução de novos problemas; - Princípio da investigação: a aprendizagem é sempre experimentação, exploração em busca das significações. O processo é muito menos sistemático e muito mais intuitivo do que geralmente se supõe; 50 - Princípio da integração: a aprendizagem em seu primeiro momento se deparar com uma visão global, porém sem crítica do problema. À medida que o processo avança, passa ocorrer uma percepção significativa, detalhada, diferenciada da situação. A apreensão da realidade em que o conhecimento da estrutura total do problema é vista com clareza, retirando as dúvidas, bem como o conhecimento da relação das partes com o todo e desse com as partes de maneira diferenciada e inter-relacionada denomina-se integração.; - Princípio da prova final: a comprovação de que o problema foi resolvido e, conseqüentemente, o objetivo alcançado é extremamente importante, pois demonstra que o pensamento seguiu uma linha adequada de ação, que cada elemento e o grupo agiram com coerência e com responsabilidade e que o desempenho foi eficaz; - Princípio da eficácia social: “Viver é fácil, conviver é difícil”.Através do projeto, o educando aprende a desenvolver-se socialmente, crescendo em grupo, participando e adquirindo novas experiências ricas em valores do espírito. Fases do Plano de Ação O plano de ação se constitui de um processo de planejamento, execução e controle constante que assegurem uma contínua vigilância das atividades, culminando com a execução do plano traçado e crítica dos resultados obtidos. “A gente só aprende as coisas que dão prazer, ou coisas que nos conduzem ao prazer” (Rubem Alves) Antes de iniciarmos as fases ou etapas de um plano de ação, consideramos indispensável atentarmos para o fato de que a aprendizagem deve ser lúdica e prazerosa, portanto fique atento: Etapas: 1. Definição do objetivo (formulação do propósito); 2. Planejamento das atividades (elaboração do plano de trabalho); 3. Programação; 4. Execução do plano e do programa; 5. Controle do progresso; 6. Replanejamento e reprogramação; 7. Culminância. 51 1. Definição do Objetivo Esta é a etapa mais importante do projeto. O aluno deve saber com Estágio clareza onde quer chegar; é o momento em que o valor do trabalho Supervisionado I conscientizado se tornará a mola propulsora para que os fins sejam alcançados. Desta forma, cabe ao professor estabelecer na turma um clima favorável para facilitar a tarefa, através de perguntas, estímulos diversos e recursos variados, o aluno será colocado em posição de receptividade, reconhecendo a necessidade do projeto e propondo-se a realizá-lo. 2. Plano de Atividades Está presente na relação dos procedimentos necessários para a execução do plano, observando-se a seqüência em que serão realizados. 3. Programação É uma das atividades básicas da administração do plano. Instrumentos administrativos que facilitam a formação de planos e programas de acordo com o grau de complexidade exigidos. Detectada a necessidade de realizar um plano, é mister conhecer previamente seu significado, alcance, repercussão em custos e em tempo. A planificação é, portanto, um fator primordial. 4. Execução É a etapa da ação. O professor deverá estar atento ao desempenho dos alunos, observar o rendimento no trabalho, incentivar o aluno com elogios, manifestando apoio e reconhecimento pela dedicação, contudo deve ter cautela para não exagerar no auxílio ao aluno, tirando-lhe o prazer da descoberta, procurando atendê-las de acordo com suas necessidades. 5. Controle do Progresso O professor através de instrumentos variados, como fichas, observação direta, autoavaliação, avaliação coo-prática, etc. deverá acompanhar o progresso do aluno. Elogio geral é de pouco valor e crítica rigorosa não leva ninguém a nada. Chamar o aluno pelo nome, ressaltar seus pontos positivos é de alta significação para a melhoria do desempenho ou mudança de comportamento. 6. Planejamento e Reprogramação Ao concluir o planejamento, faz-se uma análise de todos os elementos abordados para substituir ou incluir o que for necessário, efetuando-se a seguir o registro do que realmente foi executado. Tem-se assim o documento chamado “Plano de Ação”. A cada etapa do plano deve-se também fazer o planejamento e a reprogramação dos desvios detectados para assegurar o alcance dos objetivos desejados. 7. Culminância É necessário, ao término do plano, a exibição dos resultados por meio de um produto concreto, palpável, comprovando que os esforços canalizados para atingir os objetivos foram alcançados e válidos. 52 Roteiro de Sugestão do Plano de Ação Identificação: - Título do Plano de Ação; - Síntese descrita a respeito dos objetivos e do programa de trabalho; - Nome do(s) autor(es) com identificação; - Data da elaboração do projeto; Introdução: - Antecedentes: informação sobre as causas que geraram a necessidade do plano; - Hipóteses ou explanação do problema: informar critérios que expliquem a natureza do problema e a definição dos pontos-chave para os quais deve ser dirigida a ação. Objetivos: - Definição clara e precisa dos objetivos que se pretende alcançar com o plano e determinação de metas concretas. Metodologia ou Estratégia: - Descrição do caminho pelo qual irá seguir para alcançar os objetivos propostos. É preciso a explanação dos diversos caminhos para alcança-lo e a justificativa de sua escolha. Plano de Atividades: - A relação de atividades necessárias para levar o projeto adiante. Programa de trabalho: - Organização de calendário do plano de atividades, estabelecendo datas para cada atividade. Determinação dos recursos materiais necessários, devidamente quantificados. Previsão: - Estimativa dos elementos necessários para o desenvolvimento do plano, detalhando em quantidades específicas. É aconselhável indicar as fontes de onde se buscará e obterá os recursos. Análise da Execução do Plano: - Refere-se ao estudo sobre diversas óticas que permite julgar se o plano de ação foi válido. Referências: - No caso de haver-se recorrido a certa bibliografia, documentos ou qualquer outra informação documental, é obrigatório relacioná-la, indicando autor, editorial e data de publicação. Cronograma de Execução O cronograma é o instrumento utilizado para representar graficamente as etapas do trabalho planejado. 53 Algumas instituições exigem que se faça antes do cronograma a programação, onde se relacionam as atividades e o período em que serão desenvolvidas. Contudo, entende-se que o cronograma cumpre esta função Estágio de maneira objetiva. Existe ainda instituições que não exigem ou acham desnecessário a Supervisionado I apresentação do cronograma, mas este, além de ilustrar o trabalho do estagiário, o torna mais interessante e precisa a visão das atividades que o estudante pretende realizar, como foi dividido e calculado o tempo para que o estágio seja realizado; enfim, é uma forma de se perceber que o aluno se localizou no tempo, no espaço para a realização de suas tarefas. O cronograma deve constar as etapas do trabalho e o tempo que acontecerão. Deve ser claro e objetivo. Apresentado de preferência em forma de quadro, facilitando a vida do estudante e do orientador, servindo como um instrumento de controle do tempo disponível e das atividades. Vale ressaltar, que cronograma deve ser sempre pensado levando em consideração a flexibilidade e a complexibilidade do ato educativo. Segundo Biachi (2002) O Gráfico de Gantt tem sido o mais utilizado dada a facilidade na sua elaboração e leitura, contudo outros podem ser escolhidos. As atividades, exceto a elaboração do relatório, devem ter relação com os objetivos pretendidos. O Gráfico de Gantt se baseia em dois princípios básicos: · A duração de cada atividade é susceptível de ser estimada; · A duração de cada atividade pode representar-se em forma gráfica mediante uma barra em um quadro desenhado com este objetivo. O Gráfico de Gantt compõe-se de colunas verticais; na coluna da esquerda registrase a atividade; as demais colunas servirão para anotar as unidades de tempo. Exemplo: Como organizar seu cronograma: Atividades: Deve-se buscar ter idéia de quantas e quais atividades irão ser desenvolvidas durante o estágio, bem como definir sua posição seqüencial dentro do mesmo. É importante que o professor atente para a seqüência lógica dos conteúdos e busque ser flexível, pois não podemos esquecer que o ato de educar é complexo. Prazo: É importante atribuir um prazo para cada atividade pensada, salvo que esta atividade deve estar atrelada aos objetivos traçados. No referido prazo, se deverá considerar certa tolerância de acordo com a previsão que se tem em relação ao cumprimento do mesmo. Preparação do Quadro: 54 Elabora-se um quadro que contenha espaços suficientes para detalhar todas as atividades do projeto, bem como colunas necessárias para registrar todos os dias que se empregaram na execução no mesmo. Na parte superior de cada anotam-se as datas do calendário corresponde iniciando-se pelo dia em que começará o projeto. Elaboração do Quadro: Relacionadas as atividades, devem ser ordenadas conforme seqüência lógica, observando-se o tempo previsto para a realização de cada uma delas. As atividades se listarão em cada linha do quadro e marcarão com uma reta horizontal as datas programadas, nas colunas relativas ao tempo (prazo). No quadro, deverão constar as seguintes informações: · Nome do Projeto; · Nome de quem elaborou; · Nome do Responsável pela execução; · Nome da Instituição onde será realizado; Administrar projetos baseia-se em um conjunto de técnicas selecionadas para planejar, acompanhar e controlar, desde o início até o término do projeto. O processo começa quando os objetivos são identificados na fase de planejamento e continua através das fases de execução até que os objetivos tenham sido atingidos. Planejamento do projeto: É o processo de converter as idéias gerais e as informações a respeito do trabalho, formando uma estrutura ordenada de atividades seqüenciadas para alcançar uma meta. Controle do Projeto: Trata-se do processo de dirigir e supervisionar a execução dos trabalhos, mediante revisões planejadas previamente. O controle do projeto permite ao docente repensar sua prática e jamais se perder na sua ação, pois permite constatar e avaliar o grau de eficiência da proposta, dependendo este do cumprimento dos trabalhos nas datas previstas. No caso do professor, é sempre importante que reveja a cada dia sua ação para que possa retomar as que não obtiveram sucesso a fim de que consiga alcançar, pois o sucesso no estágio supervisionado em educação está inter-relacionado a uma educação de qualidade. Não podemos esquecer que estagiar quer dizer revisar. É o ponto crucial na vida de um estudante, pois é a sua primeira experiência docente, logo representa a interseção entre toda a teoria e a realidade prática que o discente passa a experienciar. Desta forma, é imperioso programar ou planejar cada passo desta jornada, pois é o ápice de uma nova forma de pensar, uma nova forma de viver, uma nova forma de trabalhar. Para refletir... O professor, sua formação e seus instrumentos de trabalho O professor que trabalha no sentido de contribuir efetivamente para o desenvolvimento escolar de seus alunos, necessita, antes de mais nada, conhecer e refletir sobre a sua função nos processos de aprendizagem que acontecem em sala de aula. 55 Durante muitos anos, a Pedagogia viu o professor como sujeito a quem era reservada a tarefa de transmitir conhecimentos (organizados em disciplinas escolares) às novas gerações. Essa visão era aliada a idéia de que o aluno Estágio tinha uma atitude receptiva, passiva, frente aos conteúdos que precisava Supervisionado I aprender durante os anos de escolaridade. Como sabemos, atualmente a forma de entender as relações de ensinoaprendizagem que se dão na escola é outra. Já se reconhece o fato que a educação ocorre dentro e fora da escola. Neste sentido, o papel do docente também mudou. Atualmente, para ser um bom professor n;ao basta apenas dominar o assunto, não basta gostar da sua disciplina, não basta ter feito um curso de graduação, estar numa boa instituição, ter um diploma. Essas coisas deixam de contar, mas é preciso muito mais. Ao professor do século XXI espera-se uma atitude ativa frente às novas demandas educacionais da sociedade. Vivemos sem um mundo que se produz cada vez mais informações, as novas gerações de alunos precisam de professores capazes de ajudá-los a compreender e aprender a resolver problemas com autonomia, sendo capazes de dar continuidade no decorrer do percurso de sua vida. Uma das formas de definir o papel do docente é dizer que ele é um mediador de cultura: aquele que coloca os alunos em relação com o conhecimento, através de intervenções planejadas que favoreçam a ação dos alunos (ação mental que está na origem da aprendizagem) sobre os objetos de conhecimento. Mas isso não é tudo. O professor precisa ainda construir competências para planejar situações de aprendizagem que motivem os alunos e desafio a criatividade quanto aos conteúdos históricos pesquisados. Atenção!! Um professor só pode ensinar, criar situações de aprendizagem dos conteúdos que conhece. Por exemplo: O Professor só pode criar situações de aprendizagem quanto ele é capaz de “viajar” nas relações históricas e nos comparativos dos tempos antigos e atuais, buscando interrelacioná-los. Caso contrário, fica na mera repetição dos conteúdos. Ser professor é portanto uma tarefa bastante complexa e, por isso, para sua realização, é necessário o desenvolvimento de instrumentos que estruturem a prática de ensino de forma a garantir o sucesso da ação pedagógica. Dentre esses instrumentos, há o projeto curricular, os planejamentos e o trabalho pedagógico realizado. Cada um dos instrumentos de trabalho têm igual relevância na prática educativa. Por este motivo, não deve ser relegado por quem deseja realizar um trabalho de qualidade. # [ ] Agora é hora de TRABALHAR 56 1. Enumere as razões que você considera importantes para a construção de um projeto. 2. Descreva um problema educacional que lhe impulsionaria a produzir um projeto de intervenção. Quais seriam suas metas a serem atingidas? 3. Que diferenças você pontuaria entre o projeto e o plano de ação? 4. Na elaboração de um plano de ação, especifique, na sua opinião, os papéis da escola, do professor e do aluno. 5. Em sua vida diária você deve respeitar horários e prazos. Se chegar a um banco após às 16h, você não será mais atendido, se atrasar em uma entrevista de emprego, será mal visto pelo contratante, entre outras situações... Ao produzir um plano de ação ou qualquer outro projeto prático, há a necessidade de respeito aos períodos, conhecidos como cronogramas. Se você fosse contratado por uma escola para elaborar um Plano de Ação baseado nas quantidades excedentes de queixas de racismos por parte da comunidade,por exemplo, e este plano tivesse que ser apresentado dentro de quinze dias, como você organizaria um cronograma de ação? 57 OS RECURSOS DIDÁTICOS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO: SELEÇÃO E USO Estágio Supervisionado I Inteligências Múltiplas como princípio de seleção e uso de recursos didáticos Todos erram: a maioria usa os erros para se destruir; a minoria, para se construir. Estes são sábios” (Augusto Cury) Como já visto brevemente na seção anterior, discutiremos o uso de recursos didáticos a partir da Teoria das Inteligências Múltiplas. Segundo Armstrong (2000); A Teoria de inteligências múltiplas é conectada a diferentes símbolos (por exemplo palavras, números, pinturas, notação musical, etc), e a diferentes áreas do cérebro (por exemplo, inteligência lingüística envolve áreas do hemisfério esquerdo. Sendo assim, o educador ao considerar qualquer objetivo instrucional (desde os objetivos baseados em habilidades como ajudar os alunos a dominar subtração em aritmética, até objetivos baseados em conteúdos a como ensinar aos alunos a história do mundo e do seu país), existe um número de questões simples que podem auxiliar os educadores a refletirem sobre estratégias de ensino que englobam inteligências as várias inteligências. Armstrong (2000), ao discutir as inteligências múltiplas, apresenta oito questionamentos que os professores devem fazer para tornar sua práxis mais eficiente: - Lingüística Como eu posso ensinar este objetivo usando a palavra falada ou escrita? - Matemática Lógica Como eu posso ensinar este objetivo usando números, cálculos, classificações, ou pensamento crítico? - Espacial Como eu posso ensinar este objetivo usando arte, cor, metáfora, visualização ou mídia visual - Cinestésica-corporal Como eu posso ensinar este objetivo usando interpretação de personagem, drama, ou atividades mão-à-obra. - Musical Como eu posso ensinar este objetivo usando melodia, ritmo, tom, ou músicas ou canções específicas. - Interpessoal Como eu posso ensinar este objetivo usando trabalho em duplas, aprendizagem cooperativa, ou simulações em grupo? - Intrapessoal Como eu posso ensinar este objetivo conectando-o com os sentimentos e memórias pessoais dos alunos, ou dando-lhes opções. 58 - Naturalista Como eu posso ensinar este objetivo conectando-o à fauna e à flora, outros fenômenos naturais, ou ecossistemas? - Existencial Como eu posso ensinar este objetivo conectando a questões fundamentais de interesse da vida? “Os estím ulos são o alimento das inteligências .” estímulos inteligências.” (Antunes, 1998) Desta forma, os educadores deveriam tentar ensinar de oito ou nove maneiras diferentes. Cientes de seus objetivos claros e bem definidos ficará mais fácil ensinar por meio de inteligências específicas. A teoria das IM (Inteligências Múltiplas) fornece aos educadores a oportunidade de rever que uma informação pode ser ensinada de várias maneiras diferentes, para que busque sempre novas estratégias possíveis de serem usadas. Podemos também considerar que as inteligências múltiplas oferecem oportunidade de encontrar o dom de cada estudante, e a possibilidade de provê-los com métodos próprios de ensino para ajudá-los a experimentar o sucesso na escola e na vida. CRITÉRIOS PARA A TEORIA DE MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS: Sistemas de símbolos Valor cultural História do desenvolvimento Indivíduos excepcionais Estruturas cerebrais Segundo Gardner, fundador da teoria das Inteligências Múltiplas, as escolas devem criar um acesso para a educação mais balanceado, que forneça aos estudantes possibilidades de desenvolver as habilidades múltiplas. Os professores devem apresentar recursos didáticos não apenas por meio de leituras, discussões, livros texto, resolução de situações-problema, mas também trabalhos que utilizem a arte, visualizações, mídia visual (inteligência espacial), interpretação de personagens, dramatizações, atividades “mãos à obra” (inteligência cinestésica corporal), ritmo, melodia, música ambiente, discografias (inteligência musical), trabalhos em dupla, aprendizado cooperativo, simulações em grupo (inteligência interpessoal), aprendizado individual, projetos independentes, oportunidades para reflexão (inteligência intrapessoal) e trazendo seres vivos ou ecossistemas naturais para o currículo (inteligência naturalista). Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) simbolizam uma proposta que visa orientar, de maneira coerente, as muitas políticas educacionais existentes nas diferentes áreas territoriais do país e que contribuem para a melhoria de eficiência, atualização e qualidade de nossa educação. A proposta orientada pelos PCN está situada nos princípios construtivistas e apóiase em um modelo de aprendizagem que reconhece a participação construtiva do aluno, a intervenção do professor nesse processo e a escola como um espaço de formação e informação em que a aprendizagem de conteúdos e o desenvolvimento de habilidades operatórias favoreça a inserção do aluno na sociedade que o cerca e, progressivamente, em um universo cultural mais amplo. Para que essa orientação se transforme em realidade concreta é essencial a interação do sujeito com o objeto a ser conhecido e, assim, à multiplicidade na proposta de jogos ou outras propostas que valorizem a materialização dessas interações. 59 O papel da ludicidade na construção dos recursos e sua aplicação no Estágio Supervisionado Estágio Supervisionado I A ludicidade é um campo do conhecimento que nos possibilita prazer e renova as esperanças. As atividades lúdicas, propiciam que trabalhemos aspectos significativos para a humanidade e para o mundo hoje, como: O autoconhecimento As relações interpessoais A solidariedade A autonomia A auto-expressão Sendo assim, deve está presente na práxis do estudante (futuro professor), pois lhe fornecerá alicerces para compreender e vivenciar a complexidade do ato educativo. O professor tem um papel fundamental frente a sociedade, a comunidade onde está inserido e, conseqüentemente, junto a escola e aos educandos. Lidar com todos esses atores educacionais, tendo em vista que a educação ocorre em qualquer lugar, hora ou momento,,exige do docente competências, habilidades que vão além do conhecimento de sua disciplina. Está inteiramente ligado ao processo de integração social, pois integra intelecto, inteligência, racionalidade, sensibilidade, enfim o ser humano em sua totalidade. As atividades lúdicas são um caminho viável e exeqüível, enfim, algo que não se encontra apenas em teorias, mas na realidade que construída nos ambientes educativos. Vale lembrar, que não podemos considerar a ludicidade como uma “tábua de salvação da educação”. Mas podemos considerá-la como um trajeto para uma ação pedagógica transformadora. Para utilizar a ludicidade como recurso pedagógico, é fundamental que estejamos presentes em nossa prática, para que contagiemos nossos educandos a embarcar na aventura da aprendizagem da vida de si e do outro. É necessário enfatizar que o educador que utiliza as atividades lúdicas como um produto para alcançar seus objetivos, perde o que a vivência desta pode nos proporcionar, pois, a ludicidade se esvai, e a atividade transforma-se em apenas uma tarefa comprida. Estar presente de fato significa adquirir maior compreensão de si, do outro e da situação vivida. Não é apenas com o intelecto que agimos, é também com o coração. Segundo Pereira (2004): Temos que considerar que a escola tradicional, do modo que se constitui, centrada na transmissão de conhecimentos, geralmente, vê a ludicidade, quando esta é utilizada, como uma forma de trabalhar conteúdos de maneira mais agradável e eficiente, ou para o preenchimento do “tempo livre”. Contudo vale afirmar que devido a formação acadêmica que tivemos promover transformações radicais na prática pedagógica não é nada simples. Uma prática pautada para a educação lúdica em quaisquer disciplina exige do educador a convivência com o inesperado, com a imprevisibilidade, que abra mão do controle 60 absoluto, de sua onipotência, que abra espaço para auto-expressão e a criatividade dos educandos, estimulando a sua participação efetiva no processo ensino-aprendizagem, trazendo aos educandos possibilidades de autoconhecimento e auto-desenvolvimento. As atividades lúdicas permitem a vivência plena com o tempo-espaço próprio experiências sem julgamentos, sem coerções, sem imposições e direcionamentos controladores, com abertura de novas possibilidades. Dessa forma, podemos perceber que atividades lúdicas não são apenas brincadeiras e jogos, mas também aquelas que proporcionem um estado de socialização e que estas também proporciona recurso para a práxis pedagógica docente. Exemplos de Atividades Lúdicas: - Uma dinâmica de integração grupal ou de sensibilização. - Um trabalho com argila - Recorte e colagem - Canto - Dança - Música - Filme Existem muitas outras atividades lúdicas, o importante é que esta seja orientada de forma a seguir os princípios que a norteiam, permitindo que cada sujeito envolvido se expresse livremente, solidariamente, sem constrangimentos, cobranças e pressões. Neste sentido acreditamos que um processo dinâmico da construção conhecimento, que se envolve e implica no desenvolvimento cognitivo e lúdico possibilita ao aluno está constantemente sendo desafiado e, por isso mesmo, precisa de atenção, carinho, estímulo e proteção dos agentes educativos, tanto da própria família quanto da escola. É por meio da ludicidade que o discente exterioriza seus anseios e imita o mundo real. Cabe ao educador está aberto para a troca e socialização de conhecimentos. Os estudos recentes têm mostrado também que as atividades lúdicas são ferramentas indispensáveis no desenvolvimento, porque não há atividade mais completa do que BRINCAR, JOGAR, SE PERMITIR, VIVENCIAR... Pela brincadeira ou dinâmicas, educandos e educadores introduz-se no meio sociocultural, constituindo-se num modo de assimilação e recriação da realidade. Da mesma forma que o aprendizado é importante ao desenvolvimento intelectual, o lúdico é “peça” fundamental para tal, pois as novidades do dia-dia são cada vez mais mutáveis e velozes, nas diversificadas maneiras de desvendar as curiosidades dos alunos. E é através da ludicidade que essa transformação toma forma, onde criam um mundo imaginário repleto de encanto, magia, satisfação, frustrações, raiva ou desilusões. Dessa forma, é que o educando usa suas interpretações para aceitar, ou não, o que lhe convém, sendo mais fácil para ele mudar os acontecimentos, transformar os fatos do dia-dia, usando sua imaginação e revendo conceitos. Por meio do desenvolvimento lúdico, que envolve plenamente o aluno no conjunto corpo e mente, é que se percebe uma integração absolutamente estreita, já que o corpo não pára e a mente tampouco, trabalhando para realizar as ações previstas e/ou criadas, a fim de que os dois entrem em sintonia. Portanto, a ludicidade auxilia consideravelmente no conhecimento e no desenvolvimento cognitivo dos educandos, pela busca da interação do mundo que o cerca. Aproximar a relação de interesse do aluno no que tange as relações interpessoais, pelo cultivo de suas amizades e desenvolvimento de novas situações, que exijam raciocínio, 61 convívio com as diferentes pessoas que a cercam, bem como entre as mais diversas situações apresentadas, no decorrer da própria vida, a cada instante. O lúdico muitas vezes transmite a imagem de que é apenas o brincar Estágio por brincar é perda de tempo; deste modo, o aluno encara a atividade lúdica Supervisionado I proposta de maneira singular, sem importância ao próprio desenvolvimento. Neste sentido, o docente deve deixar claro seu objetivo no momento de propor um jogo ou uma brincadeira uma dinâmica. É importante refletir sobre a proposta, ouvir os discentes e dialogar, refletindo sobre a atividade lúdica. Frente a essas inferências, é possível compreender a importância da ação lúdica para o desenvolvimento cognitivo e social. Dentro desse contexto, existe um fator muito importante, também, que é o reconhecimento do trabalho lúdico na escola pelos docentes e discentes como fonte de aprendizagem. Acredita-se que as habilidades cognitivas desempenhem um papel muito importante em muitos tipos de atividades cognitivas, incluindo a comunicação oral, a compreensão oral, a compreensão da leitura, a escrita, a aquisição da linguagem, a percepção, a memória, a solução de problemas, o raciocínio lógico, a cognição social e várias formas de auto-instrução e autocontrole. (FLAVEL, MILLER e MILLER, 1999, p. 126) Vale ressaltar, que não podemos também esquecer jamais que educar vai muito além da mera transmissão de conteúdos, significa contribuir para o crescimento do educando, para sua formação, para a melhoria de sua qualidade de vida, pois colabora para momentos de felicidade. É, sobretudo, um ato amoroso capaz de transformar a pedagogia vigente,e nos fazer acreditar e investir na construção do conhecimento. Cultivar a intuição e a criatividade para se expressar é colaborar com a nova geração é proporcionar sonhos, sentimentos, imaginação. Assim com maior sensibilidade os problemas que afligem historicamente os seres humanos poderão ser encarados em diversos ângulos propiciando a busca e possibilidade de encontramos soluções competentes para resolvê-los. Texto Complementar... A importância da expressão criativa junto aos processos educacionais A importância de uma educação mais abrangente faz com que procuremos novas saídas para suprir as carências encontradas nas instituições de ensino. A maior luta atual é por um ensino mais humano, voltado para o real interesse dos alunos, tornando-os agentes do processo educacional. Nesse contexto, propomos atividades e jogos criativos como uma das saídas viáveis para uma maior integração entre as áreas afins e para desenvolver valências esquecidas na aprendizagem. Alguns autores ressaltam que a característica principal do homem é imaginativa, e esta é essencialmente dramática, provando que o processo criativo é um dos mais vitais 62 para os seres humanos. Essa imaginação, por sua vez, deve ser fundamentada por diversas estratégias de ensino. Um instrumento principal desta atividade criativa é a inter-relação. Esta arte imaginativa está atrelada a curiosidade e por necessidades psíquicas do educando. Assim, o educando revela-se a si mesmo e aos outros, buscando garantir sua participação e liderança. Através dos jogos criativos, o adolescente e até mesmo o adulto retorna ao mundo do faz de conta das crianças. Apesar de pressões sociais que faz o jovem e o adulto controlarem-se, consegue-se soltar a naturalidade de brincar, ser livre, além de ampliar o verdadeiro sentido da vida, mostrando-o na totalidade. (HAETINGER, 1998) Pirâmide da Criatividade COMENTANDO A PIRÂMIDE: Esta pirâmide nos demonstra a necessidade de um equilíbrio para o desenvolvimento do pensamento. Aponta como são fundamentais o pensamento divergente, a criatividade e o senso crítico. Estão ligados como um triângulo onde todos os lados são iguais e de igual responsabilidade com o todo. Oficina de recursos didáticos A incrível história da professora Rosimar, que aprendeu a ensinar o boi a voar Capítulo V – Ouvindo e Aprendendo Por José Pessoa de Araújo e Madza Ednir I O nosso boi Encantado No pasto, atormentado, Suava frio esperando A hora de ser levado Pra ser morto no muorão Pelo Joaquinzão malvado. I Mas a linda professora Não desiste de lutar. De volta para a escola Um jeito tenta encontrar: “Temos que saber voar Para Encantado ensinar. III Só voa quem aprendeu A ser cobra no que faz, Conforme nos alertou O povo sábio demais”. Rosimar, a professora, Vai mostrar do que é capaz. 63 Estágio Supervisionado I 64 IV Ela pergunta às crianças: “Digam com sinceridade, o que posso fazer pra nossa felicidade? Quero que as aulas sejam De ótima qualidade. X Tião falou bem baixinho, Com medo de ofender: “Eu queria tanto ler livros, cordéis, jornais, escutar muitas histórias, e minha história escrever...” V Escutando meus alunos Eu vou poder melhorar O que faço na escola E aprender a voar Só assim vou ajudar Encantado a decolar”. XI Depois de ouvir a todos, Rosimar ficou abalada: “O que eu faço não agrada! O meu sonho sempre foi Ser querida e amada Por essa turma adorada”. VI Era a primeira vez Que Rosimar discutia Com a turma da escola O que ali sucedia. Tudo tomou outro rumo A partir daquele dia. XII Ao verem a professora Em prantos se desmanchando, Dizem os alunos: “Não chore! Estamos lhe apoiando, Para o que der e vier. No mesmo barco remando”. VII Letícia disse com jeito: “Só faço cópia e ditado. Não sei pra que serve isso: Algo deve estar errado. Não ‘tou aprendendo nada, É tempo desperdiçado.” XIII Zezé, que é o mais velho, Sugeriu a Rosimar Que procurasse Helena Pra lhe aconselhar. “Eu já fui aluno dela, sei que bem sabe ensinar.” VIII Benedito aproveitou Pro seu lado defender: “Com gritos e nervosia fica difícil aprender. Se a professora é calma Isso vai favorecer”. XIV Rosimar procurou Helena, Uma santa criatura. Ela é filha do padeiro, Moça de rara cultura. Estudou lá no Recife Tem muita literatura. IX Gabriel pediu desculpa Pra falar o que sentia. Só decorar tabuada De quase nada servia. Faltava o essencial Pra usar no dia-a-dia. XV Rosimar disse: “Helena, Me valha nesta enrascada. Não consigo ensinar Esta minha garotada. Meus alunos estão tristes, Estou desacorçoada. XVI Sem aprender de verdade Nada posso ensinar. Não vou conseguir voar Para além desse lugar. Quero fazer o melhor E os alunos ajudar”. XVIII Helena cumprimentou A colega Rosimar: “Este é um bom caminho pra se aprender a voar. Expor todos os problemas Sem ter medo de errar”. XVII Helena logo pergunta: “Em que posso lhe servir?” Rosimar responde: “Eu quero Que você venha assistir Uma aula em minha classe, Pra mudança introduzir”. XIX Será que esta união De Helena e Rosimar Vai salvar o Encantado Que está lá a esperar Ansioso lá no pasto Pedindo pra se salvar? Revista Chamada em Ação Será que a pr of essor a R osimar utiliz ou de prof ofessor essora Rosimar utilizou recur sos didáticos? ecursos Afinal, o que é Recurso Didático? Recursos didáticos são todos e quaisquer recursos físicos, além do professor, utilizados no contexto de um método ou técnica de ensino, a fim de auxiliar o professor a transmitir sua mensagem e ao educando a mais eficientemente realizar sua aprendizagem. Sendo assim, estes recursos, seja qual for o tipo, incentivam, facilitam e possibilitam o processo ensino-aprendizagem. O material didático é uma exigência daquilo que está sendo estudado por meio de palavras, com o objetivo de torná-lo concreto e tem um papel fundamental destacado no ensino em todas as disciplinas. Quadro negro, giz, apagador, pincel para quadro branco, são elementos indispensáveis e básicos em qualquer sala de aula, principalmente em nossas escolas, onde transcorrem, todas elas com um professor em frente de alunos. Nenhuma aula deveria dispensar, também, o concurso de retratos, mapas, gravuras, gráficos, livros, noticiários de jornal, revistas, aparelhos de projeção, gravadores. Tanto o professor quanto os materiais somente terão vida na práxis pedagógicas da sala de aula, fora isso serão apenas objetos sem valor didático nenhum. O material didático, para ser realmente auxiliar, eficiente do ensino deve: - Ser adequado ao assunto da aula; - Ser de fácil apreensão e manejo; - Estar em perfeito estado de funcionamento, principalmente se tratando de aparelhos, pois nada mais diverte e dispersa uma turma do que os enguiços nas demonstrações. Classificação dos Recursos Didáticos (Segundo a II Conferência Geral da UNESCO) I. Experiências diretas com a realidade 1.Excursões escolares - viagens escolares, escotismo e bandeirantismo. 65 2. Objetos, espécimes e modelos – organização de um museu escolar, mostra e exposições, dioramas, planetário, aquário, terráqueo, visitas a museus. 3. Auxiliares de atividades – dramatizações, demonstrações, Estágio marionetes, clubes, bibliotecas, recortes e Cruz Vermelha Infantil. Supervisionado I II. Auxiliares visuais (material pictórico) – ilustrações, cartões, impressos, diapositivos e diafilmes, episcopia, cinematografia, microfotografia e fotomicrografia, fac símile, ultrafax e estereoscopia. III. Auxiliares auditivos – audiofono, eletrônico, rádio e toca discos. IV. Auxiliares audiovisuais – filmes sonoros e televisão. V. Símbolos de representação plana – quadro negro, cartaz, carta-mural, diagrama, frisos, multiplicadores, jornal mural, caricaturas, globos, mapas, historieta gráfica, mural e flanelógrafo. Vale ressaltar que a classificação apresentada foi retirada de Nérici (1992), portanto, algumas de suas terminologias já não se encaixam com as tecnologias contemporâneas. Contudo, mais a frente, faremos algumas novas considerações, tendo em vista a globalização dos saberes. Recomendações quanto ao uso de recursos didáticos: Os recursos audiovisuais não devem ficar expostos, porque os poucos podem tornarse indiferente. Devem ser expostos com mais evidência aqueles recursos referentes a unidade que esteja sendo estudada. Os recursos audiovisuais destinados a aula devem ficar à mão, a fim de não haver perda de tempo em mandar buscar ou procurar. Os recursos audiovisuais de uma aula devem ser apresentados, oportunamente, e não todos de uma vez, pois pode desviar a atenção da classe. Antes da utilização dos recursos audiovisuais, estes devem ser revistos quanto às possibilidades de utilização e funcionamento. Recursos audiovisuais na sala de aula “O uso das mídias é o processo mais eficiente na fixação de conteúdos. Parte-se do pressuposto de que o computador reúne muitos tipos de mídia e que isso confere a essa tecnologia um grande potencial de aplicação”. No cotidiano, na sala de aula, no trabalho, no lazer, nas imagens, nos símbolos, enfim, no plano geral da história da humanidade, a comunicação, a inter-relação, as técnicas não podem ser isoladas e abstraídas do contexto da realidade social e do pensamento humano. A cultura da informação desenvolve reflexos na aprendizagem dos indivíduos. Tudo aquilo que é aprendido na leitura, escrita e da impressão ocorre por simulação, evento típico da civilização atual. A disseminação de técnicas e das tecnologias vem modificando a vida cotidiana, o trabalho e os processos perceptivos e cognitivos de milhões de pessoas. Esse processo desencadeia novas formas de relação, ou seja, o viver, o agir e perceber a realidade. A educação formal nas escolas de todos os níveis deveriam também desenvolver novas formas de interação com instrumentos da cultura de informática, dentro de uma perspectiva dinâmica e de forma significativa, não perdendo de vista a questão dos valores que norteiam a cultura, a sociedade e a educação. 66 Para ilustrar o uso dos novos recursos, podemos citar o correio eletrônico, a Internet, uso das mídias, ou seja, “mundo visual e dinâmico” é o processo mais eficiente na fixação dos conteúdos. É por esse motivo que os recursos audiovisuais merecem mais atenção. Vale ressaltar, também o uso de softwares educativos, os quais agrupam vários multimeios, combinando sons, imagem estática ou em movimento, textos e outras mídias, conhecidas por hipertextos, multimídias e hipermídias. Parte-se do pressuposto de que o computador reúne muitos tipos de mídia (áudio, vídeo, texto). Este tipo de tecnologia confere um grande potencial de aplicação e possibilita o ensino interativo e o desenvolvimento de interfaces cada vez mais amigáveis com os avanços no processo e na inter-relação de saberes: os saberes interlocutores fazem intervir o contexto para interpretar as mensagens que são dirigidas. LÈVI STRAUSS, apud HETKOWSKI, 1997 Dessa forma, na escola, a utilização da informática, das diversas ferramentas possibilita novas alternativas no processo de reconstrução do pensamento cognitivoexpressivo. As instituições de ensino médio, fundamental e universitário são as promotoras da busca e da reconstrução do conhecimento nos alunos. Vivemos um momento globalizado. Um novo estilo de humanidade está sendo inventado, assim como as tecnologias da escola devem ser utilizadas como meio para alcançar fins e não tecnicamente como um fim. Socializando práticas e construindo saberes: Por Maria Izilda Santos de Matos “Saudosa Maloca” vai à escola (Pouco explorada pela análise histórica, a música recria na sala de aula temas ligados à comunidade) Se o senhor não está lembrado Da me licença de contar Que aqui aonde agora está Esse edifício alto que agora vê Era uma casa velha Um palacête assobradado Foi aqui senhor mato grosso, joça e eu Construimos nosso lar Mais um dia Não podemos nem lembrar Veio os homes cas ferramentas O dono mandô derrubá 67 Estágio Supervisionado I Peguemos todas nossas coisas E fumos pro meio da rua Preciá a demolição Que tristeza que nois sentia Cada táuba que caía Duia no coração Mato grosso quis gritá Mais em cima eu falei Os homes tá ca razão Nois arranja outro lugá Só se conformemos quando o Jocá falou Deus dá o frio conforme o cobertô E hoje nois pega a páia nas gramas do jardim E pra esquecê nois cantemos assim Saudosa Maloca, maloca querida dim dim Donde nos passemos os dias feliz da nossa vida Saudosa Maloca, maloca querida dim dim Recurso didático de amplo potencial, a música pode ser usada para discutir as transformações do espaço urbano. É desafiador acompanhar as contínuas Reformas do Ensino no País — Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN/1996); Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN/1998) — e aplicá-las no dia a dia-a-dia. Ainda mais considerando o processo de aprendizagem como permanente e direcionado a uma educação que estimule a reflexão. O espírito crítico e a ética na prática social. Por que não enfrentar isso tudo com música? A produção musical pode ser vista como um corpo documental, uma nova fonte particularmente instigante para a historiografia, já que por muito tempo embalou boêmios, artistas, populares, sambistas, entre outros com poucos meios de se manifestarem. Além disso, as funções também abordam temas raros em outras fontes: amor, dor, romantismo, protesto, denúncia. A proposta aqui é justamente enfatizar a análise das letras das canções, mas sem descartar outros elementos presentes no discurso sonoro. A música é uma manifestação artística que revela aspectos da vivência de seus produtores e ouvintes. Assim, se o compositor capta, reproduz e explora episódios do cotidiano, seu público, por outro lado, interage, capta, reproduz e assume idéias e sentimentos expressos pelo autor na canção, mas também rejeita, adapta, troca e até inverte sentidos. É indispensável considerar esta relação para observar a música como uma produção que não é isolada, nem individual, mas um elemento de aprendizagem cultural (ou seja, de integração numa cultura), que também representa sensibilidades, valores, padrões e regras. Não existe um modelo ou fórmula para trabalhar com a música na sala de aula. O potencial é amplo. Pode-se explorar seu caráter interdisciplinar, envolvendo Literatura, Língua Portuguesa, Geografia, Filosofia, Ciências e História. Atuando como elementos deflagrador de todo um processo de discussão sobre situações, temas, personagens, momentos da História, a música também possibilita trocas de aprendizagens e o repensar de ações e preconceitos. Em alguns momentos, a música permite despertar o interesse por um problema qualquer; em outros, é possível perceber até como certos aspectos foram aprendidos, abrindo possibilidades práticas de pesquisa, de criação e de embasamento da opinião. Longe de ser algo já pronto e fechado que o professor transmite ao aluno, parte-se do princípio que é uma troca de experiências entre sujeitos criativos. 68 Vale ressaltar, porém, que a música, mais do que recurso didático-pedagógico e fonte documental, é arte e envolve o lúdico. Assim, fica o desafio-sujestão: procure, através das canções, discutir novas dinâmicas do processo de aprendizagem e desenvolver a sensibilidade frente a manifestação artística. Revista Nossa História, 2006 Texto Complementar... Organização da escola: Organização de saberes A educação escolar, como obra de uma comunidade educativa, só se faz com interação de educadores e educandos, dedicados à reconstrução que sistemize/reorganize os saberes, provindos dos diversificados lugares sociais em que vivem, se comunicam e agem uns e outros. Educadores e educandos, no entanto, só existem como tais à medida que intencional, emotiva e operativamente inseridos nos respectivos grupos iguais. Isso significa que tanto a identidade dos professores, como a dos alunos necessitam, antes de tudo, serem construídas no interior das respectivas categorias: ninguém é professor sozinho e a partir de si mesmo; ninguém isolado é aluno. Se não estiverem organizados entre si, os educadores e se os alunos não se articularem nas respectivas formas de convívio e de ações integradas, não se podem a escola como um todo e as respectivas salas de aula, dizer-se organizadas. Organização, por outra parte, é um ato de intencionalidade explícita, não acontece de per si nem acontecem se não num permanente processo de muita conversa, discussões e argumentação cooperativa. Não basta, por isso, planejar no início do ano ou do semestre. Se esse planejamento é indispensável também devem ser de contínuo repensado, rediscutido e aplicado às circunstâncias e aos desafios mutantes. Professores e professoras, alunos e alunas, professores e alunos necessitam, a cada passo, retomar sua intencionalidade, reexaminar os caminhos andados, sistematizar suas aprendizagens, dizer entre si o que fizeram e o que aprenderam, que isso é construir seus saberes de experiência feitos. Vale isso tanto para a escola, como para cada sala de aula entendida como espaçotempo em que uma equipe de professores e uma turma de alunos reconstroem de contínuo suas identidades, suas tramas de relações intersubjetivas e a condução pedagógica de suas aprendizagens tematizadas. Isso vale também para cada região de saberes, ou cada disciplina do currículo, referida sempre as demais, ao trabalho integrado da sala de aula e às diretrizes do planejar pedagógico da escola (Espaço Escola, 1991). Para refletir... Caros Futuros professores, Ao nos aproximarmos do final de mais uma maratona, dedicamos a mensagem abaixo que se refere com maestria ao papel dos educadores e, em especial, aqueles que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental: 69 Estágio Supervisionado I “O país vive a era da globalização, caracterizada pela integração de mercados em escala mundial e pelo aparato tecnológico da informática, da automação e das telecomunicações. Como resposta adaptativa, a escola passa a buscar metodologias integradoras das diversas áreas do conhecimento. Nesse contexto, o papel do ensino é o de promover a consciência do educando a respeito de si e do país, de forma a instrumentalizá-lo para formar sua própria opinião e exercer com autonomia a sua criatividade”. Trennepohl, Vera. Espaço Escola, 1997 # [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Na sua opinião, que aspectos o educador deve levar em conta ao trabalhar com as Inteligências Múltiplas? 2. Observando a prática relacionada a alguns docentes, você percebe o reconhecimento das Inteligências Múltiplas em sala de aula? Justifique. 3. O que você entende por ludicidade? E que recursos lúdicos você utilizaria ao ministrar uma aula nas séries iniciais do Ensino Fundamental? 70 4. Explique a finalidade dos recursos didáticos no processo de ensino aprendizagem. 5. Como os recursos didáticos influenciam na aquisição dos conhecimentos na atual sociedade? Atividade Orientada Prezado(a) graduando(a), Com o objetivo de estimular a ampliação dos seus conhecimentos a partir do Projeto de Intervenção realizado na disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica III, de agora em diante iremos rever, melhorar e aprimorar seu Projeto de Intervenção transformando-o em um Plano de Ação. Cabe salientar que esta atividade é de caráter obrigatório, fazendo parte das atividades avaliativas da FTC EaD, além de ser uma chance de aperfeiçoamento de um trabalho efetivo que foi percebido e será realizado dentro da sala de aula. Esta tarefa será desenvolvida em uma única etapa ao longo da nossa disciplina, na sua Unidade Pedagógica e com o auxílio e supervisão do seu tutor. Todas as ações propostas deverão ser realizados com os recursos materiais disponíveis e sua percepção em campo, combinados com os novos conhecimentos científicos adquiridos em PPP III e Estágio Supervisionado I e com a sua experiência de vida. Gostaríamos que em todas as etapas de desenvolvimento do Plano de Ação, você aluno(a)-professor(a), pudesse expressar, além dos seus conhecimentos técnicos, a importância de se construir outros conhecimentos a partir do senso comum. A apresentação desta atividade orientada (Plano de Ação) deverá ocorrer nas tutorias 7 e 8, e sua nota deverá ser inserida pelo tutor(a) no espaço referente a Consolidação da Aprendizagem. Esta única atividade orientada será composta de três etapas que se complementam entre si e são elas: · Elaboração do Plano de Ação a partir do problema levantado no Projeto de Intervenção. 71 Estágio Supervisionado I Etapa · Organização do Cronograma de Execução a partir das atividades propostas no Plano de Ação. · Elaboração dos Recursos Didáticos que serão utilizados no desenvolvimento das atividades propostas. 1 PLANO DE AÇÃO O Plano de Ação é a organização de idéias. São as propostas ordenadas de uma forma lógica, para que possam ser claramente compreendidas. Um bom planejamento permite que se anteveja como acontecerá a ação, quais as etapas a serem percorridas, como e quando serão executadas certas atividades, quais serão os atores envolvidos, o que cada membro do Grupo deverá fazer e quais os recursos necessários. Neste sentido Plano de Ação de Estágio Supervisionado I deverá ser a proposta de desenvolvimento de um trabalho de regência de sala elaborado a partir das atividades realizadas durante a disciplina de PPP III, o que suscitou na problemática levantada para a elaboração do Pré-Projeto de Intervenção. Este Plano de Ação tem como principal objetivo incentivar você, graduando, a organizar e descrever as atividades que irá desenvolver em seu estágio supervisionado, aplicando os conhecimentos construídos ao longo do curso de licenciatura em curso Normal Superior . Após conhecer - através da observação e análise - o seu terreno de atuação e eleger seu desafio, você também precisa conhecer seu próprio potencial, saber de suas qualidades, de suas habilidades. Então, mãos à obra! Vamos à descrição das atividades a serem realizadas no Plano de Ação! Vamos colocar em prática os seus conhecimentos? Lembre-se de utilizar todos os conhecimentos elencados neste material didático, pois os mesmos irão ajudá-lo(a) a desenvolver atividades que promovam a superação das dificuldades de aprendizagem que você detectou nos alunos. Diante disso, considere pressupostos como os PCN, as inteligências múltiplas, a ludicidade, entre outros tão significativos e integre-os aos seus conhecimentos, vivências, valores e grande potencial criativo. Acreditamos em você, pois sabemos que és capaz de superar todos os limites que possam surgir! ITENS DO PLANO DE AÇÃO: 1. Identificação da instituição e dos Estudantes – este item deve conter o nome da instituição em que o estudante irá aplicar o plano de ação, assim como o nome de todos os componentes que fazem parte da sua equipe. 2. Cronograma das atividades – descreva o período que cada atividade deverá ocorrer. 72 3. Identificação da ação – aqui você fará uma descrição da ação a ser realizada na instituição escolar. Relate qual o tipo de transformação que você pretende realizar em seus alunos a partir da realidade apresentada pelos mesmos. 4. Objetivos – neste item você deverá estabelecer pelo menos dois objetivos que indiquem a finalidade da ação que vocês estão propondo. 5. Descrição das atividades que serão realizadas/ Ações – neste item o estudante deverá fazer um breve relato das atividades que serão realizadas com a turma de alunos escolhida para a regência durante o estágio supervisionado, assim como os recursos e a metodologia que será utilizada. 6. Avaliação – não esqueça de relacionar ou descrever as ferramentas que serão utilizadas para avaliar as atividades desenvolvidas. 7. Recursos – descrição dos recursos materiais e humanos que serão necessários ao desenvolvimento das atividades. 8. Outros aspectos que você julga relevantes – quaisquer outras considerações que você julgar relevantes devem ser inseridas no Plano de Ação lembrando que o mesmo poderá ser planejado e executado por você ou por seu grupo. 9. Resultados esperados – realize uma breve descrição do que você espera com a ação a ser desenvolvida. Etapa 2 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO O Cronograma de execução é uma peça muito importante para a atividade de estágio visto que é ele que especifica o momento em que cada atividade será desenvolvida. O acompanhamento do cronograma é a visibilidade do andamento do plano de ação de regência de sala tanto para o estagiário quanto para o professor e tutor. Mantendo o Cronograma atualizado você consegue saber se as tarefas estão em dia, se estão atrasadas e quando será a data provável de encerramento, realizando seu estágio de forma consistente, crítica e reflexiva. Etapa 3 ELABORAÇÃO DOS RECURSOS DIDÁTICOS O processo de ensino-aprendizagem é otimizado através da utilização de recursos didáticos, especialmente se os mesmos têm um teor atrativo para os alunos, ou seja, que ajude a motivá-los na aquisição dos conhecimentos. Toda atividade de ensino e de aprendizagem quando bem motivado sempre produz bons resultados. Considerando que você é uma pessoa extremamente criativa e com base dos conhecimentos adquiridos acerca das inteligências múltiplas e da ludicidade, elabore recursos didáticos que atendam às necessidades apresentadas pelos alunos e aos conteúdos e atividades por você propostos no plano de ação. 73 Veja e pesquise alguns exemplos de alguns recursos didáticos que podem servir de referência para que você crie outros: vídeos e filmes; mapas e cartazes; jornais e revistas; cartilhas, jogos e simulações; experiências Estágio demonstrativas; teatros e músicas, atividades externas (ex.: visita a uma Supervisionado I biblioteca), dentre outros. Glossário Cidadão – é o membro ativo da sociedade política independente. É também sujeito de direitos políticos e que, ao exercê0los, intervém no governo do país. Conhecimentos prévios – é a relação que se estabelece entre o sujeito que conhece ou deseja conhecer algo ou objeto a ser conhecido. Competências – idoneidade, aptidão, rivalidade ou capacidade. Cultura – é o atributo de toda pessoa possuidora de conhecimento, com formação intelectual desenvolvida; outro, a cultura é referida como comportamento social do gripo Currículo – cruzamento de práticas diversas; comportamentos didáticos, políticos administrativos e econômicos. Ética – qualidade da ação fundada em valores morais. Etnia – agrupamento humano homogêneo quanto aos caracteres lingüísticos, somáticos e culturais. Habilidades – destreza, capacidade, jeito. Intuição – percepção clara, imediata, de verdade sem necessidade da intervenção do raciocínio. Moral – Conjunto de normas associadas a idéia sobre formas lícitas e ilícitas de comportamento, conjunto esse aceito e sancionado por uma determina sociedade. Multidisciplinaridade – múltiplas integrações entre as disciplinas. Transdisciplinaridade - interligação entre as disciplinas, nas quais esta supera as barreiras de cada conteúdos, entremeando e constituindo-se uma matéria sozinha. Transceder – ser superior, exceder, ultrapassar, elevar-se, avantajar-se e extinguirse. Tendências Pedagógicas – modelos educacionais. 74 Paradigmas – modelo padrão; tipo de conjugação. Pedagogia Libertadora – denominação de Paulo Freire para um modelo educacional que visa a libertação dos oprimidos. Referências Bibliográficas ALARCÃO, Isabel (Org.). Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto: Porto Editora, 1996. ALVES, Nilda (Org.). Educação e supervisão: o trabalho coletivo na escola. São Paulo: Cortez, 1997. ANTUNES, Celso. Jogos para estimulação das múltiplas inteligências. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. ______. Inteligências Múltiplas: os estímulos, as práticas da Educação Infantil ao Ensino Médio. In: Congresso Internacional dos Expoentes na Educação, Curitiba: PUC, 2000. ARMSTRONG, Thomas. Múltiplas Inteligência na sala de aula. In: Congresso Internacional dos Expoentes na Educação, Curitiba: PUC, 2000. BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola. São Paulo: Loyola, 1998. BIACHI, Anna Cecília de Moraes; ALVARENGA, Marina; BIANCHI, Roberto. Manual de Orientação: estágio supervisionado. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2002. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. São Paulo: Brasiliense, 1984. BRASIL. Secretaria de Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/ SEF, 1998. CARVALHO, Alysson; SALLES, Fátima; GUIMARÃES, Marilia (Org.). Desenvolvimento e aprendizagem. Belo Horizonte: UFMG, 2002. CECCON, Claudus; OLIVEIRA, Miguel Darcy de; OLIVEIRA, Rosiska Darcy. A vida na escola e a escola da vida. 30. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. CHEN, Jie-Qi; KRECHEVSKY, Mara; VIENS, Julie; ISBERG, Emily. Utilizando as competências da criança. Trad. Maria Andrade Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 2001. COLL, César; MARTÍN, ELENA. Aprender conteúdos e desenvolver capacidades. Porto Alegre: Artmed, 2004. 75 DELORS; Jacques (Org). Educação: um tesouro a descobrir. 4. ed. São Paulo; Cortez; Brasília, DF: MEC: unesco, 2000. Estágio Supervisionado I ESTEBAN, Maria Teresa (Org.). Escola, currículo e Avaliação. São Paulo. Cortez, 2003. FERREIRA, Oscar M. de C. Recursos audiovisuais no processo ensinoaprendizagem. São Paulo: EPU, 1986. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra S.A., 1997. (Série cultura, memória e currículo, v. 5) FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. FLAVEL, John H.; MILLER, Patrícia H.; MILLER, Scott A. Desenvolvimento cognitivo. 3.ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul Ltda, 1999. FONSECA, Silva Guimarães. Didática e prática do ensino da história. 2. ed. São Paulo: Papirus, 2003. HAETINGER, Max G. Criatividade: criando arte e comportamento. 4. ed. Ampliada. Porto Alegre: M. M. Produtores Associados LTDA, 1998. KISHIMOTO, Tizuko (Org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2001. LA TORRE, Saturnino de; BARRIOS, Oscar. Curso de formação para educadores. São Paulo: Madras, 2002. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo, Cortez, 1991. LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli. Pesquisas em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. LUCKESI, Cipriano Carlos. Estados de consciência e atividades lúdicas. In: Educação e Ludicidade, Salvador: UFBA, 2004. MARANHÃO, Diva Nereida Marques. Ensinar brincando: aprendizagem pode ser uma grande brincadeira. 2.ed. Rio de Janeiro: Wac, 2003. MENEGHOLA, Maximiliano; SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que planejar? Como planejar? Currículo, área, aula. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. (Coleção Escola em debate) MORAIS, Regis de (Org.). Sala de Aula: que espaço é esse? 9. ed. Campinas: Papirus, 1995. MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). Currículo, cultura e sociedade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1995. MORIN, Edgar. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2005. 76 NÉRICI, Imídeo G. Didática geral dinâmica. 11. ed. São Paulo: Atlas, 1992. NOGUEIRA, Nibo Ribeiro. Uma prática para o desenvolvimento das Múltiplas Inteligências. 2. ed. São Paulo: Érica, 1998. REVISTA ESPAÇOS DA ESCOLA, UNIJUÍ: Ijuí, 1991. 77 Estágio Supervisionado I FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância Democratizando a Educação. www.ftc.br/ead 78 www.ftc.br/ead