280 JOGOS AFRICANOS E AFRO-BRASILEIROS: POSSIBILIDADES PARA A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA Alesandro Anselmo Pereira (NEFEF/UFSCar) RESUMO A Lei 10.639/2003 torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro–Brasileira e Africana na educação básica. No entanto, percebemos uma lacuna quanto ao cumprimento desta lei dentro das instituições educacionais. Assim, o objetivo deste estudo é fazer um levantamento sobre jogos e atividades de origem africana e afro-brasileira e no segundo momento, realizar aplicação das mesmas em uma intervenção em aulas de Educação Física na cidade de São Carlos, e finalmente, observar se estas contribuem na formação de identidade negra positiva de crianças negras e não negras e no respeito à diversidade étnico-cultural. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com coleta de informações realizada por meio do registro sistemático das observações em diário de campo. Palavras chaves: jogos africanos, educação física escolar, relações étnico-raciais. Introdução Dia-a-dia as pessoas se deparam com as diferenças existentes e aparentemente consolidadas pela sociedade, acreditando, por vezes, que situações constrangedoras desencadeadas através de apelidos, brincadeiras mal intencionadas, especialmente no ambiente escolar, são atitudes corriqueiras, as quais devem ser aceitas como “naturais” pela força do contexto em que se vive, como, por exemplo, acreditar que afro-descendentes são seres humanos inferiores. Ao brincar e jogar na rua ou na escola podemos sentir, em situações de acolhimento étnico-cultural: valorização, receptividade, conforto e alegria. Como também, em situações de tolhimento étnico-cultural: desvalorização, constrangimento, desconforto e tristeza. De um modo ou de outro são momentos de aprendizagem que, no entanto, oscilam entre prazer e dor, devendo as primeiras serem encorajadas e as segundas banidas de nossa sociedade. A partir de nossa vivência e contato com a Lei 10.639/2003, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/1996, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Afro–Brasileira e Africana na educação básica (BRASIL, 2004) nos sentimos estimulados e desafiados a desenvolver intervenção e estudo sobre o tema, relacionando-o ao contexto da Educação Física, especialmente por percebermos, lacuna quanto ao cumprimento desta lei no citado componente curricular. 281 Apesar das dificuldades de desenvolvimento da intervenção nas escolas, conseguimos um espaço cedido pela professora nas aulas regulares de Educação Física em uma escola pública estadual de São Carlos, chamada de “Escola Estadual Bento Silva César”, localizada no bairro Santa Felícia. O objetivo deste estudo foi, inicialmente, fazer um levantamento sobre jogos, brincadeiras, danças, contos, entre outros, de origem africana e afro-brasileira para, em um segundo momento, realizar aplicação das mesmas em uma intervenção em aulas de Educação Física citada acima e, finalmente, observar como se dá o desenvolvimento de tais atividades junto aos participantes e se estas contribuem para a educação das relações étnico-raciais. A luta do Negro e o Multiculturalismo O continente africano e seu povo foram dominados por Portugal entre os séculos XV e XX. Tal país controlava o comércio de especiarias, se apropriou de recursos na costa africana e ainda apreendeu negros para o tráfico de escravos. Somente em 1910, alguns países deste continente iniciaram seu processo de independência. Portugal resistiu ao movimento e sofreu uma campanha que o esgotou social e economicamente, culminando com a Revolução dos Cravos, em 1974, quando todas as colônias portuguesas na África tornaram-se independentes (ANDRADE, 1992). A África possui 30 milhões de quilômetros quadrados de superfície e abriga diversas civilizações, etnias e culturas. Está dividida politicamente em 53 Estados, sendo que a média relativa per capita é muito baixa na maioria de seus países, sobretudo entre a população negra; a minoria branca ainda controla o poder político, a exploração dos recursos econômicos e a força de trabalho em quase todo continente. Há baixo desenvolvimento industrial (ANDRADE, 1992). Se por um lado tais problemas ainda se fazem presentes, fruto da dominação européia no período da colonização, por outro lado, de acordo com Nascimento (citado por ABRAMOWICZ e col., 2006): O legado egípcio fundamenta um desenvolvimento em todo o continente africano, assim como o saber greco-romano fundamenta a civilização ocidental de origem européia. Desse modo, diferentemente do pensamento comum, a África possui cultura, ciência e tecnologia sofisticadas desde tempos remotos. (p.100). No passado colonial Brasileiro, muitos negros foram capturados como escravos, em diversas regiões da África, eram embarcados em tumbeiros destinados, inicialmente, aos 282 portos de Recife e da Bahia. Durante a viagem alguns negros morriam devido às péssimas condições ou mesmo suicidavam-se; no Brasil, eram escravizados e quando reagiam eram açoitados e por vezes assassinados pelos senhores ou capatazes. Muitos, por outro lado, conseguiam fugir e formavam os quilombos (ANDRADE, 1992). Segundo Giffoni (1974) a presença de grande quantidade de negros no Brasil causou mudanças importantes na formação brasileira, tanto com relação aos aspectos culturais, bem como com relação aos aspectos sociais trazidos pelas famílias e transmitidos entre as gerações. Observa-se a expressão Multiculturalismo, anterior ao campo educacional presente nas artes, nos movimentos sociais, em políticas. Apresentando, apontando a igualdade voltada aos valores culturais, o reconhecimento das varias culturas que compõe o povo e o direito as diferenças de forma democrática. O Multiculturalismo é o jogo das diferenças, cujas regras são definidas nas lutas sociais por atores que, por uma razão ou outra, experimentam o gosto amargo da discriminação e do preconceito no interior das sociedades em que vivem (...). Isto significa dizer que é muito difícil, se não impossível, compreender regras desse jogo sem explicitar os contextos sócio-históricos nos quais os sujeitos agem, no sentido de interferir na política de significados em torno da qual dão inteligibilidade a suas próprias experiências, construindo-se enquanto atores. (Gonçalves; Silva 2003 pg.111). A palavra Multiculturalismo surgiu como movimento educacional através de diferentes reivindicações das minorias como princípios de igualdade e equidade. Culturas relacionadas a valores de grupos, comunidades pertencentes ao local pressuposto. Segundo (BHABHA, 1998), citado por (GONÇALVES, Luiz A O.; SILVA, Petronilha. B. G. e). O Multiculturalismo nasce no embate de grupos, no interior de sociedades cujos processos históricos foram marcados pela presença e confronto de povos culturalmente diferentes. Esses povos, submetidos a um tipo de poder centralizado, tiveram de viver a contingência de juntos construírem uma nação moderna. De acordo com Abramowicz e col. (2006), a influência dos negros foi de intensa formação da cultura brasileira, por exemplo, com algumas canções conhecidas até os dias atuais, entre elas, “Escravos de Jó”, cujo objetivo é passar pedras de um participante a outro de uma roda no ritmo em que a música é cantada. Em Gana, país da África, as crianças têm uma canção muito parecida com esta. Ainda com relação a música, o rap reaparece com forte manifestação afro-brasileira, denunciando a opressão e a marginalização sobre a população pobre, composta, em sua maioria, por negros. 283 Nele, a força da musicalidade africana está presente em circuitos que unem os negros dos Estados Unidos aos negros do Brasil, principalmente do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tanto os ritmos marcados e repetitivos, como a força da palavra, e especialmente da palavra cantada, remetem a características das sociedades africanas; as letras das músicas de rap denunciam a opressão e a marginalização as que estão submetidos os habitantes das periferias dos grandes centros urbanos, em sua maioria negros e mestiços (SOUZA, 2006, p.138). Outras contribuições de importância cultural africana no Brasil são, na música e na dança: o carimbó, o jongo, o samba e o cacuriá; nos instrumentos musicais: o atabaque, o agogô, o berimbau, o afoxé e a ganzá; nas lutas: a capoeira; na religião: o candomblé e a umbanda; na culinária: o vatapá, o caruru, a muqueca, o acarajé e a feijoada; no idioma, palavras como: marimbondo, quilombo e moleque. De acordo com Souza (2006) os africanos também trouxeram para o Brasil técnicas de produção de objetos, como modelar e cozer o barro utilizado para confecção de recipientes, bem como padrões estéticos presentes nas formas, nas decorações e no colorido. Apesar de tais contribuições, ainda vivenciamos, no Brasil, preconceitos e discriminações. O decreto nº 1331, de 17 de fevereiro de 1854, por exemplo, estabelecia que as escolas públicas do país não pudessem admitir escravas, e as previsões de instrução para adultos negros dependiam da disponibilidade do professor (BRASIL, 2004). Buscando minimizar e acabar com tais posturas, a luta do movimento negro impulsionou a criação da lei nº 10.639/2003, a qual obriga o ensino da História e Cultura Afro–Brasileira e Africana na educação básica (BRASIL, 2004). Tal lei altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino da "História e Cultura AfroBrasileira e Africana". Essa decisão destaca a contribuição dos negros na construção e formação da sociedade brasileira e tem o mérito de trazer aos estudantes do ensino básico os conhecimentos acerca das relações étnico-raciais e das histórias afro-brasileira e africana (BRASIL, 2004). Especificamente na área de Educação Física, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN - (BRASIL, 1997) indicam a importância de se: “conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crença, de sexo, de etnia ou características individuais e sociais” (p.7). O mesmo documento indica ainda que: 284 A Educação Física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais e se enxergue como essa variada combinação de influências está presente na vida cotidiana. As danças, esportes, lutas, jogos e ginásticas compõem um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado. Além disso, esse conhecimento contribui para a adoção de uma postura não-preconceituosa e discriminatória diante das manifestações e expressões dos diferentes grupos étnicos e sociais e às pessoas que dele fazem parte (BRASIL, 1997, p.28-29). Não se trata, porém, conforme esclarece Freire (2005), de realizar “justaposição de culturas, muito menos no poder exacerbado de uma sobre as outras, mas na liberdade conquistada, no direito assegurado de mover-se cada cultura no respeito uma da outra, correndo risco livremente de ser diferente, de ser cada uma ‘para si’” (p.156). No que diz respeito à cultura corporal, Gonçalves Junior (2007) destaca: Observamos comumente nas aulas de Educação Física, a predominância do esporte como conteúdo por vezes exclusivo, o que acaba por reduzir o universo da cultura corporal, circunscrevendo-o, não raro, ao contexto cultural estadunidense e/ou europeu do futebol, voleibol, basquetebol e handebol, em detrimento das potencialidades que podem ser exploradas ao propor a vivência de outras práticas corporais (jogos, brincadeiras, danças, lutas), oriundas da diversidade cultural de diferentes povos que construíram e constroem o Brasil para além dos europeus, tais como os indígenas e africanos. (p.3) Jogos Africanos e Afro-Brasileiros Segundo Prista, Tembe e Edmundo (1992) o jogo e a brincadeira sempre estiveram voltados para o âmbito educacional e preparação para vida. O jogo está além dos limites físicos e psicológicos, pois todo jogo tem algum significado. De acordo com Huizinga (1971) o jogo ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica, tendo capacidade de criar ordem, deslocando-se da imperfeição do mundo para uma perfeição temporária. Para Huizinga (1971) trata-se o jogo de: Atividade livre, conscientemente tomada como ‘não séria’ e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter qualquer lucro, praticado dentro de limites espaciais e temporais próprios, seguindo uma certa ordem e certas regras (p.16). Para Santos (2003) “o jogo nos dá a possibilidade de interação, ou seja, agir com outras pessoas e outras coisas num ambiente agradável e descontraído que chamamos de ambiente lúdico ou de brincadeira” (p.17). 285 De acordo com Maranhão (2006) os jogos na cultura africana, assim como em outras culturas, possuem algumas particularidades em relação a gênero, idade e número de participantes. Alguns jogos na cultura africana são praticados somente por meninas e outros somente por meninos. Afirma ainda ser fundamental levar em consideração o contexto em que se desenvolve (u) o jogo para haver compreensão e respeito à cultura. Neste estudo, chamaremos de jogo, genericamente, atividades lúdicas como brincadeiras, danças, cantos, dramatizações e afins. Procedimentos Na primeira fase do estudo realizamos um levantamento de jogos, brincadeiras e danças africanas ou afro-brasileiras a partir da nossa vivência, de material bibliográfico ou da internet, bem como da construção de atividades lúdicas com enfoque nas relações étnicoraciais que contribuíssem na formação de uma identidade cultural negra positiva. Na segunda fase do estudo realizaremos uma intervenção através 12 aulas junto à escola pública estadual de São Carlos, chamada de “Escola Estadual Bento Silva César”, sendo que estão participando da mesma 37 crianças, após diálogo com elas e seus respectivos pais e responsáveis sobre os objetivos do trabalho, procedimentos metodológicos e uso dos dados para divulgação científica, os quais foram autorizados, através da assinatura de termo de consentimento livre e esclarecidos, a participar e a nos a divulgar os dados em meios acadêmicos. O cotidiano da intervenção será todo sistematicamente registrado em diário de campo, que, de acordo com Bogdan e Biklen (1994), “são relatos escritos daquilo que o investigador ouve, vê, experiência e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo quantitativo”. Resultados Preliminares O primeiro dia de aula do projeto de pesquisa, após a apresentação da temática, teve como primeira atividade escrever o que as crianças sabiam sobre a África, sendo que os dados foram registrados por elas em folhas sulfite. Com esse material em mãos foi possível analisar a primeira questão das três aplicados aos alunos: Tal questão foi pensada com o objetivo de investigar qual concepção sobre a África que as crianças possuem e qual a interferência dos jogos neste conhecimento. Seguem abaixo 286 trechos das respostas dos alunos considerando que os trechos não se tratam de transcrições literais: “Na África tem pessoas sofridas, para sustentar eles tem que comer planta, pegar água no rio, lavar roupa, e eu fiquei sabendo que na África tem a maior árvore do Brasil, eles utilizam os elefantes como transporte. Lá tem muitos frutos gostosos”. (Richard Rocha Rodrigues da Silva) “Na África não é como no Brasil, lá não tem carros etc... A África tem algumas arvores maior do mundo. A África tem animais tipo Leão, Girafa, Elefantes e macacos”. (Vitor Rafael Roman) “Olha eu não sei, e nunca ouvi falar da África, mas me desculpe eu não sei nada mesmo” (Giovana Costa, Leonardo Salgado, Igor santos da Silva, Joao Pedro, Felipe, Rafael) “África é um país com muitas arvores, e animais selvagens. Mas nesse país selvagem mora um grupo de pretos, gente morena que nem carvão, eles são bondosos com morenos, mas já com os brancos, não são muito bonzinhos. Há não muitos anos lá pra 1950 eu acho na América um terrorista famoso a quem o chamavam de Mandela, foi preso em uma cadeia numa pequena ilha, mas Mandela também é um homem negro. Um soldado da ilha percebeu que Mandela só matava os brancos, porque eles ameaçavam os negros e essa grande raiva se tornou em uma bela amizade. Hoje ele é presidente da América. O rei da bola também é Africano o Pelé”. (Daniel porto Villa) “Bom na África tem muitos animais, plantas, arvores, lagos, pedras. Os animais são: hipopótamos, leões, zebras, girafas, pingüins e passarinho. Já as plantas são: arvores, flores, folhas e muito mais, ou seja, etc.....”. (Andressa Nogueira Martines, Poliana Cruz). A África é um país que tem muitos animais, ele(africano) e os animais sobrevivem com animais como a girafa, come frutas. O leão come carnívoros e mamífero.( Kaiam, Breno Bispo) Devid Bechemam mora na Africa ele e um jogador de futebol. Eu não estava certo, mas ele joga no milan e o Milan e da Itália um jogador muito bom.(André vinicius) 287 A África e um país cheios de mamíferos, então eu queria falar um pouquinho de cada animal, o leão e um animal carnívoro, ele come muitos animais como a zebra, e também mamífero, que come capim, o búfalo, o peixe..( Lucas de lima) Eu não sei de nada, eu nunca ouvi fala disso. Mas eu sei que tem cangurus, e também outros tipos de animais tem arvores e riachos uma passagem bela para explorar e tipo como uma seca, mas não e tem água ( Thais Soares da Cruz). Na África tem pessoas negras, tem pobreza, tem guerra com outros paises, tem muita sujeira. A capoeira veio da África, muitas coisas aprendem da África. ( Willian Miranda dos Santos) Eu não sei nada sobre a África e não sei se o que sei este certo. Tem um lugar na África que tem muito sol e mato não e verde, ele e meio amarelado e os animais vivem grupo como grupos de zebras, elefante, leões, etc.....E vários outros bichos, eu também sei que existem bastante gente na África, quando eu crescer será o 2 país que vou visitar.( kally Yone américo da Silva). A Africa tem muitos animais, na África tem girafa, elefante, zebra, cavalo. Lá eles fazem comida na lenha tem mulher que anda com o seus para fora. E tem homem que anda com saias para tampar as pernas. ( Ana Carla C. Valério). África eu acho que e um lugar que existem muitas pessoas são milionárias, mas eu acho também que existe povo pelas reportagens que às vezes vem uma chuva forte que derrubava arvores a chuva passava dos carros e das casas. Um dia eu e minha mãe estávamos assistindo televisão em uma reportagem havia falado que a África havia caído pedra de gelo na casa de uma mulher e havia uma senhora e duas crianças na casa, as vezes a minha mãe faz eu assistir jornal, vou começar assistir e vou falar para vocês.( Maria Eduarda). A África e um lugar que as pessoas passam necessidades, a África tem muitos animais, a África tem muitas coisas que eu não vi, a África e muito longe do lugar que nos vivemos, a minha mãe assisti no jornal, sobre a África, ela falou que lá é um lugar muito bonito.(Thamayalla Carolina). A África tem muitos animais arvores, mas elas sofrem porque não tem água limpa, eles têm que andar muito para achar água mais em alguns lugares tem muita arte e riquezas 288 pintura estatua, mas também tem muita doenças, animais mortos pela seca, insetos venenosos, também tem muita fome, sede os turistas dão comidas e água para as pessoas, os governadores não deixam os aviões pousarem para dar comida eu tenho um filme em casa que os governadores mandavam os negros entrar no navio e levava bem longe para matar ele o filme e baseado em estória real eu quase chorei vendo as crianças querendo seus pais e com fome e depois eles levavam eles para o orfanato.(Felipe Miguel de Souza). A África tem muitos animais como a girafa, leão, hipopótamo, zebras e os macacos. E muitos caçadores e pessoas e outros vários tipos de animais e muitos costumes, e muitas tradições que deve ser seguido desde quando nasce ate a morte e também tem eleições para escolher o presidente da África e também tem a capoeira que veio da África. ( Bruna letícia Ferreira). África e um país com muitas arvorem, e animais selvagens, mas nesse pais selvagem mora um grupo de pretos, gente morena que nem carvão, eles são bondosos com morenos. Mas já com os brancos, não são muito bonsinhos. A não muitos anos la pra 1950, eu acho na América um terrorista famoso a quem o chamavam de Mandela também e um homem negro. E um soldado da ilha percebeu que Mandela so matava os brancos, porque eles ameaçavam os negros e essa grande raiva se tornou em uma bela amizade e hoje ele e presidente da América, o rei da bola também e africano o Pele.( Daniel Porto). A África tem pessoas que não tem saúde, e dinheiro como nos, umas passam fome. Apesar disso a África, tem umas das maiores savanas africanas.( Vinicius ) Na África mora gente de cor. O mundo não e igual a aqui, aqui tem violência, roubo e etc... Tem gente branca que mora lá na África. Na África, não existe tecnologia, aqui no Brasil existe, muita tecnologia, e por isso que os jovens esta caindo no mundo dos abusos, estão caindo no mundo das drogas e está deixando os levar para o mundo das prostituições. ( Beatriz Helena). A África e um lugar onde tem muitos animais e varias cachoeiras e umas arvores florestais do mundo animal e a muito tempo as pessoas passavam fome e alguns animais eram carnívoros e herbívoros. Os animais corujas, morcego saiam à noite para caçar, o leão, o tigre saiam de dia para caçar e a leoa ficava cuidando dos filhotes. ( Leonardo da Silva). 289 A Africa tem muitos animais e tem animais que podem ser usados como carro, este animal o elefante, as pessoas fazem amizade com os elefantes e monta nele e la na África tem uma das mais grandes arvores ( Joao Vitor de Souza). Na África tem muitos leões e as pessoas são trabalhadoras. ( Ana claudia Morigi). Na África eu não sei muito, mais sei alguma coisa, a África não e como o Brasil não tem carro, casa de tijolos, fogão, microondas, computador etc....Tem umas das arvores maiores do mundo, lá tem girafas, leões, Rinocerontes, Hipopótamo, pássaros que não tem aqui no Brasil, macacos etc... Não tem postos de saúde, lá não tem remédios antes de remédios são ervas que e os africanos que preparam. ( Nayane Letícia). A Africa e o lugar que tem mais bichos como Zebras, Girafa, Camaleão, Leão, onça e tigre. Na África tem violências muitas mortes briga. No Brasil e a mesma coisa como Drogas ( Leonardo Augusto) Eu não sei na África tem bichos ferozes como o leão a girafa etc.. Tem também pessoas, essas pessoas morao na África, lá eles vêem leão, elefante e mais um monte de coisas legais (Nayla Fernanda). Esta atividade oferecida aos participantes do projeto consistiu em saber qual o conceito que as crianças tinham em relação à capoeira, e pudemos observar os seguintes relatos por parte das crianças: “A capoeira e uma dança que em quase todos os bairros tem um professor de capoeira a capoeira e muito legal pelo menos eu acho. Os bairros que tem são Santa Felicia, Santa Angelina etc...”( Poliana Cruz ). “A capoeira e muito legal e uma arte para se defender não para machucar as pessoas fazer ela e muito legal por que nos ginga com os pés para o alto, mais alguns treinadores quer que seus aprendizes cortam o pulso, meu primo quase morreu cortando o pulso, eu sei um pouco de capoeira, eu fazia aula, ,mais meu treinador batia nos estudantes aprendis, quando eles iam treinar com o treinador, por pouco eu cai e ele era muito chato, daí eu entrei no SESI, lá também tinha capoeira e ai o ônibus veio buscar nos” ( Felipe Miguel ). 290 “A capoeira e um jogo que as pessoas jogam muito, o meu primo ele gosta de capoeira mais o irmão dele não gosta ,um dia eu vi uns meninos fazendo capoeira eu fiquei vendo eu gostei tem gente que fala que não gosta mas tem gente que gosta cada um tem o seu gosto eu mesma gosto”(Thamayla Carolina). “Na capoeira eles usam calça larga, eles acostumam a ensinar muitos jovens e muitas crianças, eles são muito pratico para lutar capoeira”(Ana carla). “Eu já fiz capoeira, e la tinha bastante movimento com a perna, e tinha o professor lá, tinha como aluno eu, Giovana, o Alison, a Ayana. Fizemos-nos jogo de capoeira, e foi muito legal, nossa lá nos, viramos cambalhotas, vira pirueta, ergue a perna e etc...Foi o dia mais feliz da minha vida”(Giovana Costa). “Eu não sei nada sobre a capoeira” (Bruna Letícia Ferreira, rafael, Andressa Nogueira, Richar Rocha, Thais Soares ) . “A capoeira e uma arte clássica da África, e uma dança de luta” ( Daniel porto ). “A capoeira e uma dança que usa os pés, e uma dança enventada pelos escravos. Nessa dança e usado berimbau, uma roda de pessoas e dois jogadores da capoeira dentro da roda. Para jogar capoeira você precisa saber os golpes ( os passos) e ter uma roupa adequada”( Vinicius ). “Tem musica na capoeira, canto e nota” ( joao pedro, Leonardo Salgado). “A capoeira e um tipo de um jogo, mas e um jogo de dança, não tem violência. Quando vamos a uma aula de capoeira, ele não usa radio e sim ele toca com o seu berimbau, e um jogo muito legal de fazer, desenvolve muito seu corpo” ( Beatriz Helena). “Na segunda serie quando eu fazia capoeira eu via a ginga de capoeira e comecei aprender e aprender tocar muitos instrumentos como o berimbau e outros instrumentos adequados para cada aluno conforme o seu tamanho e a sua forca para sigurar o instrumento da capoeira” (Leonardo da Silva). 291 “A capoeira e desenvolvida como uma dança e uma luta, eles viram mortal e eles tem um grande protetor nas costa e nas barrigas, ele luta no chão” (Joao Vitor de souza). “Eu sei que a capoeira e um atletismo legal que nos aprendemos muitos golpes tipo a estrelinha” ( Ana Claudia M. de andrade). “A capoeira e um esporte elegante que vem da china, a capoeira e um dos esportes mais preferido” ( Vitor Rafael). “Capoeira e um tipo de uma briga, mas não bate, tem bastante gingado, a capoeira e um esporte da áfrica, não sei mais nada da capoeira” ( Leonardo augusto). “Eu sei que a capoeira tem a sua própria musica, sei também que a capoeira e uma dança, eu sei que tem 2 ou 3 professores. Eu gosto de capoeira mesmo não sabendo” ( nayla Fernanda ). “E uma dança que pratica uma luta, pode ser praticada algumas vezes para relar no companheiro, instrumento que usa para dançar e o berimbau, o batuque e o ritimo de bate palma” ( Higor santos da Silva). “A capoeira veio da África e hoje a capoeira e uma luta famosa” ( Kaiam ). “Capoeira tem berimbau, eles tocavam as musica quando uns competiam com os outros, também já fiz capoeira nunca soube fazer, sempre que iria competir perdia, mas eu me esforcei e consegui pegar a faixa preta, eu não quis mais fazer” ( André Vinicius ). “A capoeira tem berimbau, tem o gingado. Na capoeira você aprende golpes para se defender de outras pessoas, você aprende habilidades, a capoeira e um esporte educacional que estimula as crianças e os jovens a praticar a capoeira”( Willian Miranda, Lucas de lima ). “Eu não sei muito da capoeira porque eu faço mas ainda estou aprendendo, eu sei algumas coisas como o ritmo da dança que tem o gingado, os exercícios como a hora da roda, que eles começa tipo como uma briga, mas não e briga e um gingado praticamente e 292 tipo uma dança, depois eles começa fazer coreografia em fileira, e fazem gingado, e é só o que eu sei, e fim” ( Kally Yone A. Silva). “Eu não sei nada, eu só vi na Angelina, só que eu nem reparei” ( Breno Bispo). “Eu luto capoeira, faz cinco anos, meu projeto chama capoeira do raio, linda capoeira significa mês desses deuses da capoeira” ( Rita de cássia). “Olha a dança e conhecida como uma dança tribal e uma dancam algumas vão com dois dançarinos eles dançam com um instrumento chamado berimbau, eles dançam e também toca o berimbau e legal mais e não e qualquer um que pode fazer, e perigoso machucar” ( Maria Educarda). “Na capoeira eu não sei muito, mas eu sei um pouquinho na capoeira as aulas são delicieis, mais para pegar e fácil” ( nayane Letícia). Esta atividade oferecida aos participantes do projeto consistiu em criar uma história para cada personagem um negro e um branco. O objetivo desta atividade foi observar se a cor da pele influenciava e/ou determinava as condições de trabalhos e de lazer criadas pelos alunos (as) e pudemos observar os seguintes relatos por parte das crianças: “Personagem Negro - DJ e um adolescente negro que sempre quis participar da ilha dos desafios, ele e muito musculoso, mas também muito carinhoso, gentil, bondoso e ama os animais. Ele mora nos Estados Unidos, Canadá e a ilha dos desafios e esta na equipe ROBALOS ASSACINOS. Personagem Branco – Benjamim Tenysson conhecido como Bem foi acampar com seu avo e sua prima CWEN. Ele viu uma cápsula caída do espaço e na cápsula tinha um relógio pulou no pulso dele e nunca mais iria sair esse relógio deu habilidades para BEM se transformar em 10 ALIENS, e hoje ele e o maior herói do CARTOON NETWORK o BEM10” (Daniel Porto Villa); “Personagem Negro – em um dia, tão lindo um homem negro apareceu e disse para um macaco, como você se chama UUAA, o que UUAA. A e você e um animal e eu sou um ser humano. Mas quando, o macaco viu o homem chorando perguntou, Porque você esta 293 chorando, só porque, eu sou negro ninguém quer ser meu amigo, não liga para eles eu sou seu amigo de verdade sou eu. Eu sei que você deve achar que sou fedido e o homem falou todo feliz, a deixa pra lá eu também sou. Você tem casa perguntou para o macaco o homem, não então vamos brincar sim. FIM. Personagem Branco uma vez, –Era uma vez em uma escola que só tinha meninos negros, e só um branco, ai veio dois meninos e disse Porque só você e branco, respondeu o menino não sei, também mesmo assim nos somos o seu amigo”. (Giovana Letícia de Moraes da C.) “Personagem negro – Era uma vez um menino chamado Francisco, não tinha amigos, por causa da sua cor, ele era negro. Ninguém lanchava com ele, e nem falava com ele. Ele vivia triste por falta de amigos. Ate que um dia entrou na escola um aluno chamado Bruno também era negro. Naquela escola, só tinha intrigas, Mas ao passar do tempo, os alunos começaram a perceber a amizade de Francisco e Bruno, e começaram a ser amigos de todos. Personagem Branco – Em uma aldeia, vivia vários índios, mas só um era branco, o seu nome era Matheus. Matheus vivia triste por causa de suas diferenças. Um dia ele conheceu uma índia que se chamava Luciana, eles namoraram, noivaram e casaram, os índios deram uma linda festa de casamento para os dois, sua esposa ficou grávida, o nenê nasceu ele se chamava Leonardo. Ele era branco, ai Matheus não queria mais ser diferente do que ele e, porque sua mãe amou ele do jeito que ele e, ele amou o Leo do jeito que ele e branco. ( Beatriz). “Personagem negro – um belo dia uma menina negra esta passeando tão bela com seu vestido vermelho, com uma fita no seu lindo cabelo, uma menina perguntou que cor linda você tem, como você conseguiu ter uma cor tão linda dessa, você tomou muito café não, não tomou chocolate não, não o que você tomou. Nada a minha família e assim por isto que você nasceu assim, Sim, que Legal eu achei muito bonito Obrigado. Vamos tomar café para ver se eu fico da sua cor, Sim vamos. Personagem Branco – um certo dia uma menina tão pequenina com seu cabelo loiro, os seus olhos azuis e sua roupa rosa, indo para a escola correndo com um monte de livros em suas mãos. Eu fui lá ajudar, ela estava muito pesada. Eu não sabia o nome dela, eu a chamei de leite porque ela e branca como o meu dente de leite, eu vou te levar para escola também. ( Thamayla) “Personagem negro – o meu personagem vai ser o saci, o saci tem uma perna só. Brincamos-nos de uma brincadeira que se chama Saci perece, o saci faz um desenho 294 chamado Sitio do pica-pau amarelo. Personagem branco a minha personagem agora vai ser a Emilia. A Emilia ela também faz aquele desenho Sitio do Pica-pau amarelo. Agora a personagem que faz a Emilia faz uma novela chamada caras e bocas (Nayane letícia Furlan) “Personagem negro – era uma vez um menino negrinho todo o dia passava sempre pela uma fazenda, ninguém gostava dele só porque ele era negro, um dia duas beatas apareceram e falaram Pobre menino só por que e negro, o menino escutava todos os dias sempre as mesmas coisas, ele tinha fé que as pessoas iam melhorando o comportamento, passaram épocas e ele cresceu virou um menino forte e valente e todo mundo respeitou eles e assim foi a historia. Personagem Branco – em uma época só duas pessoas eram negras os brancos faziam dessas pessoas como escravas e maltratavam era um horror chegou um dia a filha do presidente e falou, Chega pai isso e um pecado sabia pare com isso eles cuidam de nos e ele parou de fazer isso. (Thais soares da cruz)”. “Personagem negro – tinha um menino negro que foi separado da mãe quando muito pequeno. Quando ele tinha 6 anos foi servir de escravo para o dono da fazenda, ele era muito maltratado e o fazendeiro batia muito nele. E um belo dia os cavalos fugiram e o menino que pelo fazendeiro era chamado de negrinho do pastoreio que levou 25 chibatadas nas costas, no outro dia os cavalos fugiram a noite o fazendeiro ele pegou o negrinho do pastoreio e o colocou no formigueiro. E amarrou ele no formigueiro e o negrinho do pastoreio morreu e quis se vingar, no outro dia os cavalos liderados pelo cavalo faísca que só obedecia ao negrinho do pastoreio, voltavam trotando, que encontraram o fazendeiro no meio dos pastos e pisoteou ele, o fazendeiro então morreu e essa e a ou historia do negrinho pastoreio. Personagem branco - era uma vez um homem branco de repente ele vê uma mulher de cabelos loiros e brancos como a neve, mas ele não sabia que essa mulher era uma que já havia sido morta pelo marido, e”. Esse moço se apaixonou por essa mulher, que, se chamava Bianca Dourado da Silva. Ele foi ate, essa mulher e a convidou para sair, eles saíram e voltaram muito felizes e quando a mulher entrou na casa apareceu uma freira que disse, Não saia com esta mulher, e foi embora, no outra noite aconteceu à mesma coisa quando a mulher entrou na casa veio a freira e disse, - Eu avisei e o moço morreu. “Essa e a lenda da Bianca Dourado da Silva”. (Bruna Letícia Ferreira) Considerações Preliminares 295 No início da intervenção, as crianças do projeto demonstraram falta de conhecimento sobre a África, Com pensamentos racistas e discriminatórios, observado durante as atividades. Por outro lado, durante a intervenção percebemos, com base nos diários de campo, outra visão surgindo acerca da África, dos afro-brasileiros e do interesse pela cultura africana, visão que destacava haver coisas positivas oriundas da África e de seus filhos. Referências ABRAMOWICZ, Anete; SILVÉRIO, Valter R; OLIVEIRA, F; TEBET, G. G. C. Trabalhando a diferença na educação infantil. São Paulo: Moderna, 2006. ANDRADE, M. C. O Brasil e a África. São Paulo: Contexto, 1992. BOGDAN, Roberto C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora, 1994. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Ético-Raciais e para o Ensino de Historia e cultura Afro-Brasileira. Brasília: MEC, 2004. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física/ Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 31ªed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. GIFFONI, M. A. C. Danças da Ásia, África e Oceania. São Paulo: editora NOBEL-SCETCEC, 1974. GONÇALVES JUNIOR, Luiz. A motricidade humana no ensino fundamental. In: I Seminário Internacional de Motricidade Humana: passado-presente-futuro, 2007, São Paulo. Anais... São Paulo: ALESP, 2007. v.1. p.29–35. GONÇALVES, Luiz A O.; SILVA, Petronilha. B. G. e. Multiculturalismo e educação: do protesto de rua a proposta e políticas. In: Educação e pesquisa, São Paulo, v.29, n1, p. 109123, jan./jun. 2003. HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. 1ª Edição. São Paulo:USP;1971. MARANHÃO, Fabiano. Jogos africanos e afro-brasileiros como possibilidades na formação de uma identidade cultural negra positiva. 2006. Monografia (Licenciatura em Educação Física) – UFSCar, São Carlos, 2006. PRISTA, António; TEMBE, Mussá; EDMUNDO, Hélio. Jogos de Moçambique. Lisboa: Instituto Nacional de Educação Física, 1992. SANTOS, S. O. Diversidade da cultura corporal. Colégio Metodista: São Bernardo do Campo. 2003. 296 SOUZA, M. M. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006.