IDANHA: PAISAGENS E TRADIÇÕES
Alice Olga, Conceição Gonçalves, josé fernando Cardoso Silva
Março > Maio de 2013
Ficha técnica
exposição
IDANHA: PAISAGENS E TRADIÇÕES
de Março a Maio de 2013, Centro Cultural Raiano
autores
Alice Olga, Conceição Gonçalves, José Fernando Cardoso Silva
edição
Municipio de Idanha-a-Nova, Centro Cultural Raiano
textos
autores
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Gráfica do Tortosendo
Que as terras de Idanha são um local especial, ninguém dúvida hoje em dia. As impressões que provoca junto
daqueles que com elas contactam manifestam-se das mais variadas formas, com a expressão pela arte a assumir um lugar muito especial neste contexto. É sempre um prazer entrar em contacto com os locais e as
práticas do nosso quotidiano através dos olhos daqueles que os observam. Aí se vê a extraordinária capacidade que as nossas paisagens e tradições têm de se deixar perceber por olhos mais distantes, sobre os quais
exercem um indelével fascínio.
A abordagem de Alice Olga, Conceição Gonçalves e José Fernando Cardoso Silva são um reflexo desse fascínio
peculiar que Idanha exerce junto daqueles que, mostrando a disponibilidade necessária para a observar, procuram ir mais além no caminho de um conhecimento do território que passa pela experiência do mesmo.
No extenso conjunto de trabalhos reunidos, há um traço comum que perpassa as características individuais
de cada criador: um mesmo foco de atenção, cujos múltiplos traços são o reflexo da diversidade e riqueza de
um povo que teima em persistir, mantendo, no cenário conturbado dos nossos dias, uma constância serena,
feita de uma cultura de raízes profundas, tão profundas quão vastos são os horizontes que a envolvem.
A todos o meu sincero bem-hajam.
Eng. Armindo Jacinto
Vice-Presidente do Município de Idanha-a-Nova
Alice Olga
Conceição Gonçalves
Nasceu em Lisboa em 1953. Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de
Letras de Lisboa, está ligada ao ensino desde 1974. Frequentou o Curso de Pintura
da Sociedade Nacional de Belas Artes, o Curso de Gravura da AGA e o Curso de
Desenho e Pintura de Rotring- Portugal.
Foi, também, aluna do atelier do Mestre Duran Castaibert.
É sócia da ARCOARTIS (Associação de Artistas Plásticos da Amadora).
Tem exposto regularmente desde 2002.
Nasceu em Castelo Branco, estudou, vive e trabalha em Lisboa.
Teve desde sempre uma relação bastante próxima com o desenho e a pintura, embora tenha
tido uma formação académica de natureza técnica - licenciatura em Engenharia Eletrotécnica
no IST e pós-graduação em Politica, Planeamento e Economia de Energia no ISEG.
Tendo regressado mais recentemente à pintura, aliou durante os últimos anos, a sua
paixão de sempre com a atividade profissional na área da energia.
Frequentou há cerca de duas décadas o Curso de Desenho e Pintura no IADE e tem
procurado, em mais do que uma ocasião, prosseguir a sua aprendizagem e aperfeiçoamento.
Desde 2004 tem participado em várias exposições coletivas e realizado uma exposição
individual.
Monsanto
Foi amor à primeira vista.
Sem aviso, apanhando-me completamente desprevenida, ergue-se aquele maciço
que nos vai acompanhando à medida que a estrada se desenrola. “Não é possível!
Aquilo é que é Monsanto?
Majestoso, anuncia-se à distância e vai-nos puxando com a força de um convite
irrecusável.
Fui atraída, e depois conquistada, por aquela beleza rude e primitiva.
É, sem dúvida, um local único e para mim será sempre “A Montanha Mágica”.
Marafonas
Os rituais de fertilidade são manifestações que, ao longo dos tempos, têm sido transversais a todas as culturas.
Ao atribuir uma carga simbólica a determinados objetos, o homem cria uma ilusão de poder e de controlo do seu
destino.
Assim, a posse de uma Marafona iria assegurar ao jovem casal uma prole numerosa e a proteção contra as trovoadas.
O Recurso ao ouro para representar as marafonas teve como intenção conferir–lhes um estatuto quase sagrado, como
se de um objeto religioso se tratasse.
Sonho da Egitânia
Homenagem ao Sagrado Feminino que atravessou os tempos neste local privilegiado:
Mães, Esposas, Deusas, Guerreiras, Cuidadoras, Mentoras, Mulheres.
Paisagens
Há magia nas terras beirãs quando nos deparamos com as suas paisagens.
Os quatros elementos estão presentes de tal forma que nos transportam para o universo
fantástico e imaginário da Egitânia.
Há “Terra” nas planícies e montanhas por onde serpenteia e muitas vezes pára, em êxtase;
o elemento “Água”.
Depois há o “Ar”, a envolvente, as nuvens, a plenitude do “Além”.
Por fim, o elemento “Fogo” que se encontra no coração das suas gentes, que, de uma forma sã,
genuína e ordeira acolhe todos aqueles que queiram usufruir das suas paisagens, tradições e
costumes.
Foi assim, com estes quatro elementos movidos pelo Sol, fonte de energia, que tentei
transpor para a tela a minha visão de mulher da Beira, destas gentes e terras a que
pertenço.
Nossa Senhora do Almurtão
Por uma razão ou por outra, só no ano passado fui aos festejos da Nossa Senhora do Almurtão. E aí as minhas recordações de
infância ganharam vida.
Ali estava Ela, de manto azul, a sair da sua Capela (onde já várias vezes a tinha visto), a atravessar a multidão, que, tal como eu, A
esperava.
Ali estava Ela, os devotos e todos os rostos beirões, que, como o meu, A espreitavam, A seguiam, e, quase em êxtase Lhe faziam os
seus pedidos, Lhe mostravam a sua Fé, as suas esperanças, e alguns, os Seus milagres.
Ali estava eu, máquina fotográfica na mão, no meio dos encontrões, lá ia captando imagens, lá ia na procissão.
No chão, pétalas de flores. Muitas….
Agora, já na capela, onde A espero, o meu coração aperta-se e, no meu imaginário, as vozes vão-se sucedendo … a da minha avó, a do
Zeca Afonso, a da minha mãe …. “Srª do Almurtão, a vossa capela cheira, cheira a cravos, cheira a rosas, cheira a flor de laranjeira”…
A Srª entra, colocam-na no seu altar e, nesse momento, a nossa troca de olhares permitiu-me perceber, que contrariamente ao refrão
da “modinha popular”, eu pró ano “prometo” e vou voltar!
Alice Olga
6. Pôr de sol na barragem, 2012
Óleo sobre Tela
3. Rio Ponsul
óleo s/tela
7. Nevoeiro na barragem 1, 2011
Óleo sobre Tela
4. Encomendação das almas três figuras
óleo s/tela
8. Nevoeiro na barragem 2, 2011
Óleo sobre Tela
5. Encomendação das almas orador
Acrílico
2. Sonho da Egitânia
Óleo sobre tela
9. Entardecer de casa em ruinas, 2012
Óleo sobre tela
6. Encomendação das almas com grupos
Acrílico
3. Recantos
Aguarela com tinta da china
10. Monsanto, 2012
Óleo sobre Tela
7. Apanha do trigo
Acrílico
4. A espera
Óleo sobre tela
11. Encomendação das Almas - Rostos, 2012
Óleo sobre Tela
8. Apanha do trigo
Acrílico
5. Quase céu
Aguarela
12. Encomendação das Almas – Três Mulheres,
2012, Óleo sobre Tela
9. Apanha do trigo
Acrílico
6. Rotina
Óleo sobre tela
13. Adufeira, 2012
Aguarela e tinta sobre papel
10. Pastor
Acrílico
7. Monsanto
Técnica mista
14. Cristo 1 e 2, 2013
Aguarela sobre papel
11. Paisagem do Monsanto
óleo s/tela
8. Amanhecer
Óleo sobre tela
15. Fé, 2013
Aguarela sobre papel
DESENHOS
9. Encomendação
Óleo sobre tela
16. Panelas, 2013
Tinta sobre papel
10. Lugares roubados ao Tempo
Aguarela e tinta da china
17. A festa do Bodo, 2012
Aguarela e tinta sobre papel
Conceição Gonçalves
18. Aos pés de Cristo, 2013
Aguarela sobre papel
1. Sra do Almortão, 2012
Óleo sobre tela
19. Paisagens da Beira, 2013
Aguarela sobre papel
2. Sra do Almortão, 2013
Pastel seco sobre papel
20. Antes do Amanhecer, 2011
Óleo sobre Tela
3. Barragem, 2012
Óleo sobre Tela
josé fernando cardoso silva
4. Pôr de sol em Idanha, 2012
Óleo sobre Tela
1. Transmutação do sofrimento
óleo s/tela
5. Nuvens de Idanha, 2012
Óleo sobre Tela
2. Campinas
óleo s/tela
1. Marafona 1
Marafona 2
Marafona 3
Marafona 4
Marafona 5
Técnica mista com folha de ouro
josé fernando Cardoso silva
Curso de Pintura Decorativa da Escola de Artes Decorativas António Arroio.
Licenciado em Pintura pela Universidade de Lisboa-Faculdade de Belas Artes.
Professor de Educação Visual e Tecnológica e Educação Visual do 2º e 3º ciclo
Participou na exposição coletiva de finalistas, em Novembro de 1998 na Fundição de Oeiras. Expôs individualmente na
galeria de trabalhadores da EDP Setembro 1998, Mostra de Artes Plásticas dos Professores da Amadora Março 1999.
ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS
Mistério e silêncio envolvem as festividades da Páscoa. A escuridão da noite é pontoada pela luz das lanternas, que
através da fé e dos cânticos, iluminam o caminho das almas.
TRANSMUTAÇÃO DO SOFRIMENTO
Sentir a dor da crucificação com símbolos esotéricos.
A dor da crucificação escorre no sangue que se transforma numa gota de água, e cai nas águas da barragem
transformando-as em vibrações violeta, estes elementos, água e luz violeta, na tradição esotérica simbolizam as emoções
e transmutação.
12. Mulheres ajoelhadas
Aguarela e caneta
13. Cabeça de cristo
Aguarela e caneta
14. Adufeira
Aguarela e caneta
15. Cristo crucificado
Aguarela e caneta
16. Adufeira com cor
Aguarela e caneta
17. A prova
Aguarela e caneta
18. Momentos típicos da Idanha 3 mulheres
Aguarela e caneta
19. Momentos típicos da Idanha
Aguarela e caneta
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