0 FERNANDA LEMOS COSTA MONITORAMENTO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS COMO SUBSÍDIO PARA GESTÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO DA RODOVIA BR-448/RS CANOAS, 2012 1 FERNANDA LEMOS COSTA MONITORAMENTO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS COMO SUBSÍDIO PARA GESTÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO DA RODOVIA BR-448/RS Trabalho de conclusão apresentado ao Curso de Engenharia Ambiental do Centro Universitário La Salle - Unilasalle, como exigência parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Ambiental. Orientação: Profº Esp. Tiago José Pereira Neto CANOAS, 2012 2 FERNANDA LEMOS COSTA MONITORAMENTO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS COMO SUBSÍDIO PARA GESTÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO DA RODOVIA BR-448/RS Trabalho de conclusão aprovado como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Ambiental. pelo Centro Universitário La Salle – Unilasalle. Aprovado pelo avaliador em 28 de junho de 2012. AVALIADOR: _______________________________________ Profº Esp. Tiago José Pereira Neto UNILASALLE 3 Dedico este trabalho a todos aqueles que puderam de alguma maneira estarem presentes comigo nesta etapa, e a todos aqueles que sempre torceram por mim. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus. Agradeço acima de tudo aos meus pais que sem dúvida nenhuma são à base da minha vida e das escolhas realizadas. Aos meus avós pelos ensinamentos. Agradeço a todos os meus amigos que estiveram presentes em toda a caminhada até a conclusão de mais esta etapa. Ao meu namorado e sua família pela compreensão e apoio. Aos meus professores, pelo conhecimento transmitido. Aos meus colegas e amigos de curso com quem que pude compartilhar estes seis anos e meio de estudos e de momentos especiais. Aos meus colegas e amigos de trabalho que me ajudaram e àqueles que ainda estão presentes no meu crescimento pessoal e profissional. A todas as pessoas que de alguma forma estiveram presentes em minha vida. Agradeço! 5 “A menos que modifiquemos a nossa maneira de pensar, não seremos capazes de resolver os problemas causados pela forma como nos acostumamos a ver o mundo.” Albert Einstein 6 RESUMO O estudo de caso irá tratar das questões relacionadas à gestão ambiental de empreendimentos rodoviários. A rodovia BR-448, é uma obra com 22,34 quilômetros de extensão e tem como objetivo principal desafogar o trânsito da rodovia BR-116 que interliga os municípios da Grande Porto Alegre até a capital do Rio Grande do Sul. As obras de grande porte, como as rodovias, necessitam de estudos ambientais com vistas à minimização dos impactos ao meio ambiente decorrentes da implantação, através desses é possível estabelecer programas ambientais que tornarão a execução do empreendimento menos danosa quanto às questões socioambientais. Os impactos relacionados ao meio físico identificado no EIA da BR448 foram criteriosamente avaliados, e chegou-se ao de alteração na qualidade das águas subterrâneas como subsídio para determinação do programa ambiental. Ao analisar o Plano Básico Ambiental do empreendimento, identificou-se o programa de monitoramento e controle de qualidade dos recursos hídricos subterrâneos como meio de controlar este impacto. Na execução deste são realizadas campanhas de monitoramento. A primeira denominada por caracterização inicial retratou a situação do ambiente antes do inicio das atividades nos canteiros de obras, estes locais foram definidos como objeto de análise para o presente estudo, as campanhas subsequentes tiveram os resultados de pelo menos um parâmetro que representasse a atividade realizada comparada entre o poço de montante e os de jusante. Com esta análise, identificou-se as situações de contaminação desses recursos pelas atividades da rodovia. Sendo assim, a identificação e descrição das ações da gestão ambiental tiveram como origem as análises dos resultados das campanhas de monitoramento, os relatórios emitidos ao órgão ambiental e os registros de atividades elaborados entre março de 2010 e março de 2012. Para verificação da eficiência das ações analisou-se se os resultados das campanhas nos poços de jusante eram inferiores aos obtidos nos de montante. As atividades periódicas da gestão ambiental da BR-448 são fundamentais para a verificação dos impactos causados pela obra e possibilitam evitar a continuidade de situações de contaminação ambiental, pois através dos resultados de monitoramento das campanhas identifica-se se as melhorias para mitigação são eficazes. Palavras-chave: Gestão ambiental. Empreendimentos rodoviários. Monitoramento das águas subterrâneas. 7 ABSTRACT The study case will deal with issues related to environmental management of road projects. The BR-448, is a 22.34 km long road and has as main objective relieve the traffic of the highway BR-116, that connects the cities from the “Grande Porto Alegre” to the capital of Rio Grande do Sul. The major works such as roads require environmental studies seeking to minimize the environmental impacts resulting from their implementation, through these environmental programs can be established that will make the implementation of the project less damaging to the environmental issues. The impacts related to the physical environment identified in the Environmental impact assessment of BR-448 were carefully evaluated, and came to the change in groundwater quality as input to determine the environmental program. In analyzing the achievement Basic Environmental Plan, was identified the monitoring program and groundwater quality control resources as a way to control this impact. In implementing this, are conducted some monitoring campaigns. The first one named initial characterization demonstrated the situation of the environment before the beginning of the construction activities at the construction sites, these sites were defined as an object of analysis for this study, the subsequent campaigns were the results of at least one parameter to represent the activity performed compared well between the downstream and upstream. With this analysis, we identified the contamination of these resources by the activities of the highway. Therefore, the identification and description of the environmental management actions had the origin in the analysis of the results of monitoring campaigns, the reports sent to the environmental agency and the records of the activities developed between March 2010 and March 2012. To verify the efficiency of the actions, were examined whether the results of the campaigns in downstream wells were lower than those obtained in the amount. The regular activities of the environmental management of the BR-448 are essential for the verification of impacts caused by the work and enable the continuation of situations to avoid environmental contamination, from the results of monitoring campaigns identifies whether the improvements are effective for mitigation. Keyword: Environmental Management. Road Projects. Monitoring of groundwater. 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Fluxograma de elaboração de programas ambientais .............................. 30 Figura 2 - Preferência no controle de impactos ambientais ...................................... 38 Figura 3 - Ciclo PDCA ............................................................................................... 40 Figura 4 - Caracterização das zonas no subsolo ...................................................... 41 Figura 5 - Localização do empreendimento e dos três lotes de obra ........................ 45 Figura 6 - Divulgação de concessão de LI ................................................................ 47 Figura 7 - Trechos segmentados............................................................................... 50 Figura 8 - Localização dos pontos de monitoramento no lote 1 ................................ 56 Figura 9 - Localização dos pontos de monitoramento no lote 2 ................................ 57 Figura 10 - Localização dos pontos de monitoramento no lote 3 .............................. 58 9 LISTA DE FOTOGRAFIAS Foto 1 - Audiência Pública no La Salle em Canoas .................................................. 46 Foto 2 - Perfuração do solo para instalação do poço ................................................ 60 Foto 3 - Poço piezométrico instalado acima do nível do solo .................................... 60 Foto 4 - Esgotamento dos poços piezométricos........................................................ 61 Foto 5 - Coleta das amostras para análise ................................................................ 62 Foto 6 - Situação da rampa de lavagem no mês de fevereiro de 2011 ..................... 66 Foto 7 - Construção de canaletas, no entorno da área destinada a lavagem de veículos em junho de 2011........................................................................................ 67 Foto 8 - Canaletas construídas no entorno da área destinada a lavagem de veículos em junho de 2011...................................................................................................... 67 Foto 9 - Ampliação do local de abastecimento de veículos e máquinas em novembro de 2011 ..................................................................................................................... 68 Foto 10 - Canaletas de proteção de vazamento de combustível............................... 69 Foto 11 - Local com cobertura superior..................................................................... 69 Foto 12 - Estrutura antiga indicando a existência de rampa de lavagem .................. 72 Foto 13 - Estrutura de proteção do local de abastecimento de veículos e máquinas 74 Foto 14 - Oficina de manutenção em setembro de 2011 .......................................... 74 Foto 15 - Condução inadequada de águas residuárias em julho de 2010 ................ 77 Foto 16 - Melhoria no sistema com instalação de tubulação para direcionar o efluente ao sistema de tratamento em julho de 2010 ................................................ 77 Foto 17 - Adequações do sistema de tratamento em julho de 2010 ......................... 78 Foto 18 - Melhorias realizadas novembro de 2010 ................................................... 78 Foto 19 - Local a montante do poço de monitoramento em janeiro de 2011 ............ 79 10 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Caracterização inicial dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para HTP ....... 64 Gráfico 2 - Resultado de monitoramento dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para HTP ........................................................................................................................... 65 Gráfico 3 - Caracterização inicial dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para surfactantes ............................................................................................................... 70 Gráfico 4 - Resultado de monitoramento dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para surfactantes ............................................................................................................... 70 Gráfico 5 - Caracterização inicial dos poços PC2M, PC2J1 e PC2J2 para HTP ....... 72 Gráfico 6 - Resultado de monitoramento dos poços PC2M, PC2J1 e PC2J2 para HTP ........................................................................................................................... 73 Gráfico 7 - Caracterização inicial dos poços PC3M, PC3J1 e PC3J2 para coliformes termotolerantes - Escala logarítmica ......................................................................... 75 Gráfico 8 - Resultado de monitoramento dos poços PC3M, PC3J1 e PC3J2 para coliformes termotolerantes - Escala logarítmica ........................................................ 76 11 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Atividades e impactos ambientais possíveis na etapa de implantação de rodovias ..................................................................................................................... 23 Quadro 2 - Programas ambientais vinculados com a execução das obras ............... 31 Quadro 3 - Programas ambientais sem vinculação com a execução das obras ....... 32 Quadro 4 - Programas ambientais de apoio e controle das implantações ambientais .................................................................................................................................. 33 Quadro 5 - Impactos no meio físico identificados no EIA .......................................... 52 Quadro 6 - Análise dos impactos no meio físico ....................................................... 54 Quadro 7 - Localização dos poços de monitoramento .............................................. 59 Quadro 8 - Cronograma das campanhas de monitoramento utilizadas no estudo .... 63 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14 2 OBJETIVOS ....................................................................................................... 16 2.1 Objetivo geral ............................................................................................. 16 2.2 Objetivo específico .................................................................................... 16 3 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................. 17 3.1 Impacto ambiental ...................................................................................... 17 3.1.1 Avaliação de Impacto Ambiental .................................................................. 18 3.1.2 Impactos ambientais em empreendimentos rodoviários .............................. 20 3.1.2.1 Impactos ambientais na fase de implantação de rodovias ........................ 22 3.2 Licenciamento ambiental .......................................................................... 24 3.2.1 Competências do Licenciamento Ambiental ................................................ 25 3.2.2 Licenças Ambientais .................................................................................... 26 3.3 Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental ....... 28 3.4 Plano Básico Ambiental ............................................................................ 29 3.4.1 Plano Básico Ambiental para rodovias ......................................................... 30 3.4.1.1 Execução dos programas ambientais ....................................................... 33 3.5 Relatórios ambientais para implantação de rodovias............................. 34 3.6 Gestão Ambiental ....................................................................................... 34 3.7 Recursos hídricos subterrâneos .............................................................. 40 3.7.1 Parâmetros químicos e bacteriológicos das águas ...................................... 42 3.7.1.1 Surfactantes .............................................................................................. 42 3.7.1.2 Hidrocarbonetos Totais de Petróleo .......................................................... 42 3.7.1.3 Coliformes Termotolerantes ...................................................................... 43 4 ESTUDO DE CASO ........................................................................................... 44 4.1 Caracterização do empreendimento......................................................... 44 4.1.1 Licenciamento Ambiental da BR-448 ........................................................... 46 5 5.1 METODOLOGIA................................................................................................. 48 Impactos ambientais no meio físico decorrentes da implantação do empreendimento ..................................................................................................... 48 5.2 Definição do programa ambiental............................................................. 48 5.3 Análise dos resultados do programa de monitoramento ambiental selecionado.............................................................................................................. 49 13 Identificação das ações da gestão ambiental .......................................... 49 5.4 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................... 50 6.1 Análise dos impactos ambientais ............................................................. 50 6.2 Definição do programa ambiental............................................................. 54 6.3 Programa de monitoramento e controle de qualidade dos recursos hídricos subterrâneos ............................................................................................. 55 6.3.1 Análise dos resultados de monitoramento durante a etapa de construção e ações para melhoria .................................................................................................. 63 6.3.1.1 Análise dos poços e identificação das ações no lote 1 ............................. 63 6.3.1.2 Análise dos poços e identificação das ações no lote 2 ............................. 71 6.3.1.3 Análise dos poços e identificação das ações no lote 3 ............................. 74 7 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 80 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 82 14 1 INTRODUÇÃO Muito se discute a importância da preservação ambiental como forma de possibilitar um meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações. A legislação sobre este tema e vigente no País, prevê avaliações ambientais prévias à implantação de grandes obras de engenharia. Estes estudos detalham a situação do ambiente quanto às características bióticas, físicas e antrópicas, de modo a possibilitar a determinação de forma precedente as mudanças nestes locais em decorrência da implantação de um empreendimento. Estas modificações são denominadas por impactos ambientais e podem apresentarse de forma positiva ou negativa. As grandes obras de engenharia, entre elas a implantação e pavimentação de rodovias, demandam um estudo de impacto ambiental, bem como o respectivo relatório de impacto ambiental, este último mais simplificado e que deverá ser de conhecimento da população afetada pelo empreendimento. Todas estas etapas são previstas no licenciamento ambiental e são procedimentos a serem atendidos para que o órgão ambiental competente emita uma autorização para execução da obra desejada. Nestes estudos definem-se as ações a serem executadas para que estas mudanças no ambiente tenham possibilidade de serem potencializadas quando positivas e minimizadas quando negativas. Posterior a esta etapa, tem-se a elaboração de um plano denominado por Plano Básico Ambiental que através do detalhamento dos programas ambientais, objetiva propor ações a serem executadas por uma equipe especializada, com a finalidade de controlar, monitorar e avaliar as possíveis interferências ao ambiente. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), uma autarquia vinculada ao Ministério dos Transportes no Brasil, possuí em suas atribuições a implementação da política de infraestrutura viária no País, desde a operação, a manutenção, a restauração ou a reposição, a adequação de capacidade e a ampliação mediante construção de novas vias e terminais. Sob-responsabilidade deste órgão até o mês de junho de 2012 (DNIT, 2012) estavam em processo de gestão ambiental dez rodovias brasileiras que são: BR-158/MT, BR-163/BA, BR-101 Sul, BR-116/ 392, BR-135, BR-230, BR-262/MS, BR-319, BR-429, BR-448. Destas 03 estão sendo realizadas parcialmente ou integralmente no território Gaúcho. 15 O foco do estudo de caso será acerca da implantação de um empreendimento rodoviário cuja localização abrange a região metropolitana de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, a BR-448, também conhecida como Rodovia do Parque. O empreendimento ligará os municípios de Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas e Porto Alegre, a construção desta nova via tem como principal objetivo a diminuição do intenso tráfego da BR-116. A rodovia além de passar por ambientes já antropizados com quantidade elevada de moradias, áreas industriais e plantações, também percorre ambientes naturais, como a Área de Proteção Ambiental e Parque Estadual Delta do Jacuí, estas áreas já se encontram degradadas pelas ações antrópicas, no entanto, foram determinantes na definição do método construtivo, de um segmento da rodovia, com destaque o trecho em elevada que passará por estes locais. Nas ações para mitigação dos impactos ambientais previstas para a BR-448, além de metodologias construtivas diferenciadas, estão previstos programas ambientais que buscam melhorar quando possível, ou manter as características ambientais originais existentes antes da fase implantação da rodovia, bem como evitar problemas para a população residente próxima aos locais de obras. Neste contexto, o estudo de caso abordará as questões ligadas ao ambiente físico em que o empreendimento encontra-se inserido, e tratará da análise do resultado de monitoramento das águas subterrâneas que são obtidos através de campanhas trimestrais que avaliam a água contida no subsolo em áreas suscetíveis a contaminação. Este monitoramento é realizado no programa de monitoramento e controle de qualidade dos recursos hídricos subterrâneos, previsto no Plano Básico Ambiental do empreendimento. A partir dessa análise serão descritas ações destinadas as questões ambientais para melhoria e/ou manutenção do ambiente natural. 16 2 OBJETIVOS A seguir serão apresentados os objetivos deste trabalho, divididos em objetivo geral e específicos. 2.1 Objetivo geral O objetivo geral deste trabalho é identificar e avaliar as medidas de prevenção, controle e recuperação de impactos ambientais negativos no meio físico, implantadas pela gestão ambiental atuante no processo de execução do empreendimento rodoviário - Rodovia BR-448, no Rio Grande do Sul (RS). 2.2 Objetivo específico Os objetivos específicos são: a) Identificar os impactos significativos no meio físico decorrentes do empreendimento através da análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA); b) Identificar o programa ambiental elaborado no Plano Básico Ambiental (PBA) para controle dos impactos identificados no meio físico; c) Analisar os resultados obtidos entre os meses de março de 2010 a março de 2012 no monitoramento do programa ambiental definido para mitigação do impacto ambiental; d) Identificar e avaliar as ações propostas no processo de gestão ambiental da BR-448. 17 3 REFERENCIAL TEÓRICO O capítulo denominado por referencial teórico e seus subitens trará o conteúdo que embasou o estudo de caso apresentado no capítulo seguinte. 3.1 Impacto ambiental A Resolução CONAMA nº 001/1986, que dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental, define em seu Art. 1º impacto ambiental como sendo qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que direta ou indiretamente afetem: a) A saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) As atividades sociais e econômicas; c) As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; d) As qualidades dos recursos ambientais. Existem diversos conceitos utilizados para o termo impacto ambiental, para conhecimento traz-se alguns autores e a forma como o definem: Para Bellia e Bidone (1992) o impacto ambiental refere-se a reações da natureza quanto às modificações impostas pela introdução de elementos não naturais no ambiente. O autor considera a possível existência de impactos positivos e negativos, ou então que a soma destes podem ocasionar impactos positivos ou negativos. Sanchéz (2006) considera impacto ambiental como a alteração da qualidade ambiental que resulta da modificação de processos naturais ou sociais provocada por ação antrópica. Para Bolea (apud FOGLIATI; FILIPPO; GOUDARD, 2004) impacto ambiental é a diferença no ambiente causada pelo empreendimento, e a situação deste mesmo ambiente caso o empreendimento não seja realizado. Há ainda a definição de que impacto ambiental é “qualquer alteração no sistema ambiental físico, químico, biológico, cultural e socioeconômico que possa ser atribuída às atividades humanas, relativas às alternativas em estudo para satisfazer as necessidades de um projeto” (CANTER apud FOGLIATI, 2004, p. 9). 18 “Qualquer alteração no meio ambiente em um ou mais de seus componentes – provocada por uma ação humana”. (MOREIRA apud SÁNCHEZ, 2006, p. 28). O que corrobora com a definição do termo como o “efeito sobre um ecossistema de uma ação induzida pelo homem” (WESTMAN apud SÁNCHEZ, 2006, p. 28). Já Wathern (apud SÁNCHEZ, 2006) inclui na definição a questão temporal, pois considera a modificação de um parâmetro ambiental, num determinado período e numa determinada área, como resultado de uma atividade, considerando ainda a situação sem que a mesma tivesse sido realizada. Segundo Barbieri (2007), quando se fala em EIA, a definição de impacto ambiental corrobora com os demais autores no que tange a ação gerada de forma antrópica. Segundo Dias (2011) existem diversos impactos, os menores, ou de menor intensidade que não modificam de forma significativa o meio ambiente natural, e aqueles que não só afetam profundamente a natureza, mas também provocam diretamente problemas para o ser humano, como a poluição dos ambientes naturais. Há ainda a definição proposta pela NBR ISO 14.001:2004 (apud SANCHÉZ 2006), esta norma trata de especificações para implantação e guia processos de sistemas de gestão ambiental e define impacto ambiental como sendo “qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização”. 3.1.1 Avaliação de Impacto Ambiental Para avaliar, quantificar e propor medidas de mitigação ou potencialização dos impactos ao meio ambiente são realizadas Avaliações de Impactos Ambientais (AIA). A AIA conforme Dias (2011) teve como parâmetro a experiência norteamericana, que aprovou, em 1965, o “National Environmental Policy Act” (NEPA), que equivale no Brasil, à Lei nº 6.938 de 1981 que institui a Política Nacional do Meio Ambiente. O NEPA instituiu a AIA interdisciplinar para projetos, planos e programas de intervenção no meio ambiente. Segundo Dias (2011) a AIA revelou-se um mecanismo eficiente, sendo rapidamente institucionalizada como instrumento de gestão ambiental, consolidandose na década de 80 em todo o mundo e gerando discussões sobre a sua concepção, 19 fases de execução e atores sociais envolvidos e a sua inserção no processo de decisão. Já no Brasil, a AIA segundo Dias (2011) foi adotada, principalmente, devido as exigências impostas por organismos multilaterais de financiamento. Em virtude disso alguns projetos1 desenvolvidos no final da década de 70 e início dos anos 80 foram submetidos a estudos realizados segundo normas das agências internacionais, pois o Brasil não possuía normas ambientais próprias. Para esta avaliação os critérios básicos e diretrizes gerais são dispostos na Resolução CONAMA nº 237/1997 que, além disso, estabelece os empreendimentos que necessitam de licenciamento ambiental. Já a Resolução CONAMA nº 001/1986 cita as atividades que dependerão de EIA e RIMA para sua instalação, esse assunto será abordado no item 3.3 do presente estudo. Para Moura (2004) esta etapa do processo pode ser considerada um método de identificação de riscos e ainda, um instrumento de prevenção de danos ambientais, pois segundo o autor, trata-se de um processo formal e cuidadoso de verificações e análises de viabilidade ambiental, que identificará o potencial de riscos dos empreendimentos, antes de sua aprovação. O autor considera ainda que o EIA não pode ser um entrave para o empreendimento, mas deve buscar a compatibilidade do desenvolvimento com a qualidade ambiental necessária. Segundo Dias (2011) a AIA pode ser vista como um instrumento preventivo, devido seu propósito de identificar, quantificar e minimizar as consequências negativas sobre o meio ambiente, antes do inicio das atividades do empreendimento. Através desta avaliação é possível prever medidas que evitem ou diminuam os impactos ambientais, levando em consideração os limites de assimilação, dispersão e regeneração dos ecossistemas e como afetarão a sociedade. O autor citado anteriormente acrescenta é possível a minimização dos custos ambientais e sociais de um projeto e ainda a possibilidade de propor medidas para potencializar os benefícios, tendo como premissa a maior eficiência possível em termos ambientais. A AIA também pode ser vista como forma de fomentar a participação da população quanto à manifestação do interesse da mesma pelo empreendimento, 1 Usinas hidrelétricas de Sobradinho na Bahia; e de Tucuruí no Pará 20 suas características e consequências. Pode-se verificar esta constatação no trecho a seguir: “O processo de AIA constitui-se ainda num meio de ampliar a participação popular no que diz respeito às questões ambientais, pois são previstas na legislação a divulgação e publicidade do EIA/RIMA e a realização de uma audiência pública de avaliação e discussão do documento” (DIAS, 2011, p.76). Referente a AIA, Sanchéz (2006) propõe uma análise em duas situações futuras. Considerando a área destinada ao empreendimento com a sua implantação e também avaliando a possível recuperação da área sem que seja executada a atividade desejada. Assim, deve-se considerar o fato de que uma área com supressão de vegetação em processo de regeneração poderia tornar-se a ser como antes de sua degradação inicial. Porém Sanchéz (2006) salienta que essa proposta de avaliação de impactos nem sempre é viável, devido a dificuldade em indicar a evolução da qualidade ambiental de uma área. Sanchéz (2006) ainda salienta a análise dos impactos ambientais deve ser realizada de maneira cuidadosa, de modo a considerar as consequências de determinadas ações como impacto e não a ação propriamente dita, como por exemplo, a construção de uma rodovia não pode ser considerada um impacto ambiental e sim que os impactos são decorrentes de sua implantação, ou seja, a rodovia causa impactos. 3.1.2 Impactos ambientais em empreendimentos rodoviários Segundo DNIT (2006a) o empreendimento rodoviário é de grande importância para o desenvolvimento socioeconômico, o qual tem poder indutor ao desenvolvimento e é o principal elemento ou fator de integração socioeconômica. Para Fogliati, Filippo e Goudard (2004) as rodovias devem receber aumento da capacidade para não degradar o meio ambiente e a qualidade de vida da população, em função da qualidade dos serviços prestados, da emissão de gases e ruídos principalmente em vias urbanas, bem como os congestionamentos provocados, da segregação das comunidades, entre outros fatores. Deste modo, os projetos rodoviários devem ser cada vez mais criteriosos, levando em conta os impactos ambientais causados, de forma que os mesmos possam ser mitigados quando 21 negativos e potencializados quando se traduzirem em benefícios para sua área de influência. Além da capacidade de progresso para nas regiões onde são executadas, Fogliati, Filippo e Goudard (2004) salienta que os empreendimentos rodoviários devem manter a preocupação com as questões ambientais desde as etapas iniciais até a sua operação, visto que se trata de um empreendimento de alto potencial poluidor, e deve ainda atender as legislações que preconizam um desenvolvimento sustentável. Segundo Bellia e Bidone (1992) os impactos gerados devem considerar as fases de um empreendimento rodoviário, que são: a) Fase do projeto onde são realizados os estudos para delimitação de traçado; b) Durante a construção do empreendimento; c) Após a conclusão de modo que a estrutura seja conservada e restaurada quando necessário; d) Fase de operação. A análise dos impactos ambientais de rodovias segundo Fogliati, Filippo e Goudard (2004) deve tratar de cada fase do empreendimento, considerando as atividades e o meio impactado. Através deste levantamento pode-se chegar a definição de medidas com objetivo de mitigar as questões negativas ao meio ambiente, e compensatórias com a finalidade de recuperar os possíveis danos causados. Assim como observado por Bandeira e Floriano (2004) onde destacam que os impactos negativos ocorrem sobre todo o ambiente, e os impactos positivos ocorrem sobre os meios físico e biótico, mas não são muito representativos, consideram ainda que as rodovias tornam-se uma barreira permanente para os processos de evolução natural, bem como causam poluição em todas as etapas. Sobre os impactos benéficos complementam que na maioria são significativos e quase exclusivamente socioeconômicos. Para Fogliati, Filippo e Goudard (2004) os empreendimentos rodoviários dependendo das características do meio e das obras a serem realizadas acarretam diferentes impactos. O autor destaca que na fase de implantação torna-se importante a definição das áreas a serem afetadas pelo empreendimento, devendo- 22 se ainda, avaliar o nível de ocupação da mesma, pois áreas intensamente ocupadas são mais problemáticas durante a implantação de um empreendimento. A área afetada deve ser criteriosamente analisada e também necessita considerar o intenso deslocamento dos veículos na sua definição. A escolha da melhor alternativa de traçado de uma rodovia para Fogliati, Filippo e Goudard (2004) deve ser precedida de estudos sobre o meio, destacandose os possíveis impactos em cada ambiente. Segundo DNIT (2005) os impactos negativos de natureza física e biológica, existentes em algumas vias implantadas recentemente puderam ser eliminados ou mitigados por meio das medidas indicadas no EIA. Os impactos no meio ambiente provocados pelos sistemas de transportes ocorrem de maneira diferenciada nas distintas fases de planejamento, projeto, construção e operação, relacionadas aos mesmos (GEIPOT apud FOGLIATI, 2004). O que corrobora com Bandeira e Floriano (2004) onde descreve que os impactos iniciam no planejamento e permanecem na fase de implantação e construção, até a fase operacional, quando a qualidade da manutenção tem grandes implicações. Segundo Bandeira e Floriano (2004) em rodovias, a AIA deve abranger todas as fases, mas o Brasil ainda é incipiente na fase de operação, sendo pouco ou nada exigido pela legislação. O autor considera que possivelmente nesta fase ocorram mais impactos que nas demais, pois tem um prazo de duração indefinido, podendo chegar a séculos. 3.1.2.1 Impactos ambientais na fase de implantação de rodovias Na fase de implantação de empreendimentos rodoviários segundo Fogliati, Filippo e Goudard (2004) ocorrem impactos devido a desapropriação, implantação de canteiros de obras, supressão da vegetação e limpeza de terrenos, abertura de caminhos de serviços, terraplenagem, empréstimo e de bota-fora, drenagem e exploração de materiais de construção. O Quadro 1 apresenta os impactos ambientais possíveis, caso as atividades executadas, não sejam realizadas de forma adequada. O conteúdo apresentado foi estruturado com base em Fogliati, Filippo e Goudard (2004). 23 Quadro 1 - Atividades e impactos ambientais possíveis na etapa de implantação de rodovias Atividades Instalação, operação e desativação de canteiros de obra. Abertura de trilhas, acessos e caminhos de serviço. Desmatamentos ou remoção da cobertura vegetal e limpeza de terreno Implantação e exploração de jazidas e caixas de empréstimo Instalação e operação de usina de asfalto, central de concreto e solo e de britagem Cortes e aterros Bota-foras (áreas de depósitos de materiais imprestáveis) Contenção de taludes Drenagem Obras de terraplenagem Obras de pavimentação Obras de arte correntes (tubos e galerias para transposição de cursos d’água ao longo do traçado da via) e especiais (pontes e passagens superior e inferior de pessoas, veículos e animais) Desmonte de rochas e pedreiras Impactos ambientais Poluição nos corpos hídricos; erosão e assoreamento do solo; perda de espécies de flora e fauna pela supressão da vegetação; ruídos; vibrações; geração de efluentes; proliferação de vetores e doenças; alterações em questões demográficas e acidentes. Aceleração de processos erosivos e de assoreamento pela retirada da cobertura vegetal; comprometimento da fauna e da flora; ruídos e poluição atmosférica gerada pela utilização de equipamentos e acidentes. Perda de espécies vegetais e animais; aceleração de processos erosivos e o assoreamento e acidentes provocados pela utilização de equipamentos. Processos erosivos e assoreamento; modificações da rede de drenagem natural; proliferação de insetos; poluição atmosférica e sonora e alterações nas paisagens naturais do local no qual são realizadas. Poluição sonora, atmosférica; geração de efluentes; contaminação do solo e das águas e possíveis acidentes. Alterações na drenagem natural; interferência na qualidade das águas; aceleração de processos erosivos; aumento da poluição sonora e atmosférica; riscos de acidentes; perda de espécies vegetais e animais; desestabilização de fundações de edificações próximas; intrusão visual e danos à saúde da população. Os impactos são semelhantes aos gerados pela Implantação e exploração de jazidas e caixas de empréstimo. Alterações da paisagem e do sistema de drenagem natural. Geralmente ocasionam efeito positivo, pois procuram reduzir os impactos sobre o solo e as águas, gerados por outras atividades. Possuem efeitos positivos, pois reduzem impactos negativos no solo e nas águas provocados por diversas atividades. Aceleração de processos erosivos e assoreamento; contaminação das águas; perda de espécies de animais e vegetais, aumento da poluição sonora e atmosférica, alteração na circulação de veículos, descaracterização da paisagem local; desestabilização de fundações; riscos de acidentes e alteração da saúde da população. Os impactos gerados semelhantes aos de obras de terraplenagem, porém a contaminação do solo e dos recursos hídricos pode ser maior devido a toxidez do produto usado. Alteração do sistema de drenagem natural; supressão da vegetação; interferência na qualidade da paisagem, desvios de tráfego; rebaixamento do lençol freático; desestabilização do solo, alteração da qualidade da água; perda de espécies e riscos de acidentes. Eleva os riscos de acidentes; poluição atmosférica e sonora e alteração da paisagem. Operação de máquinas e Aumento da poluição sonora e atmosférica, riscos de acidentes equipamentos e problemas na circulação. Fonte: Fogliati, Filippo e Goudard, 2004. 24 Conforme Fogliati, Filippo e Goudard (2004) as medidas mitigadoras que se destinam a reduzir a magnitude dos impactos ambientais negativos são efetivas quando são executadas em tempo adequado, permitindo que sejam realizados ajustes e adaptações do projeto. Estas devem ser identificadas na fase de planejamento e nos estudos de projetos. Estas medidas segundo o mesmo autor não devem ser apenas uma lista de ações, mas sim possibilitar a avaliação e a comparação entre alternativas de traçado, custos da implantação e dos danos evitados. Muitas das ações propostas servem de embasamento para a execução do projeto tendo a eficiência associada às técnicas da engenharia rodoviária. O autor considera ainda que o bom andamento destas medidas depende também da fiscalização para verificação do cumprimento das ações propostas, assim como do monitoramento das mesmas para verificar a real eficácia. Segundo DNIT (2006a) algumas medidas específicas propostas ou impostas para minimização dos impactos ao meio ambiente, apesar de terem nominalmente uma conotação ambiental, já estão devidamente contempladas nos projetos rodoviários. É o caso de ações relacionadas ao meio físico que também têm objetivo de proteger e preservar a infraestrutura viária, através de dispositivos de drenagem, revestimento vegetal, obras de contenção e outras. O mesmo ocorre no meio biótico e antrópico, com ações para atender ao conforto e à segurança do trânsito com a implantação de cercas de vedação, alambrados, passagens inferiores, passarelas, paisagismo, travessias urbanas, sinalização. 3.2 Licenciamento ambiental A Política Nacional do Meio Ambiente regida pela Lei nº 6.938/1981 e a Constituição Federal de 1988, segundo Moura (2004), exigem a realização de estudos de impacto ambiental e o licenciamento das atividades potencialmente poluidoras, requerendo-se essa licença ao órgão ambiental competente. Fogliati, Filippo e Goudard (2004) complementa que os empreendimentos devem solicitar prévio licenciamento nas etapas de construção, instalação, ampliação e funcionamento. Ainda para Seiffert (2010) a Lei nº 6.938/1981 definiu meios de buscar a proteção, melhora e recuperação da qualidade ambiental, tendo como objetivo 25 garantir o desenvolvimento socioeconômico e o respeito à dignidade humana. O autor complementa que o licenciamento serve como forma de permitir a interface entre o empreendedor e o Poder Público, devido às consequências geradas na qualidade ambiental em decorrência de uma atividade realizada. Garantindo o atendimento das legislações ambientais. Por motivo de modificações incluídas na Lei nº 6.938/1981 e resoluções posteriores foi então, instituída a Resolução CONAMA nº 237/1997, que segundo Fogliati, Filippo e Goudard (2004) tinha como objetivo atender as demandas impostas pela Resolução CONAMA nº 011/1994 que propunha a revisão do sistema de licenciamento ambiental. Assim, a partir da publicação da Resolução CONAMA nº 237/1997 foram esclarecidos procedimentos que não se apresentavam claramente definidos. Para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) o licenciamento ambiental possui, como uma de suas mais expressivas características, a participação social na tomada de decisão, por meio da realização de audiências públicas como parte do processo. Segundo a Resolução CONAMA nº 237/1997 o licenciamento ambiental é definido como um procedimento administrativo pelo qual o órgão de meio ambiente competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades que utilizem os recursos ambientais, e que sejam consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou então aquelas atividades que possam causar a degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis. 3.2.1 Competências do Licenciamento Ambiental O procedimento de licenciamento ambiental compete aos órgãos específicos, dependendo da situação em que o empreendimento enquadra-se. A Resolução CONAMA nº 237/1997 em seu Art. 4º define que será de responsabilidade do IBAMA os empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, que são: I - localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; no mar territorial; na plataforma continental; na zona econômica exclusiva; em terras indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União. II - localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados; 26 III - cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais Estados; IV - destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN); V - bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada a legislação específica. As atividades e empreendimentos serão licenciados pelo órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal, conforme Art. 5º da Resolução CONAMA nº237/1997 nas seguintes situações: I - localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal; II - localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, e em todas as que assim forem consideradas por normas federais, estaduais ou municipais; III - cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais Municípios; IV - delegados pela União aos Estados ou ao Distrito Federal, por instrumento legal ou convênio. Os órgãos ambientais municipais realizarão o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades quando, conforme o Art. 6º da Resolução CONAMA nº 237/1997, em situações de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem incumbidas pelo Estado por instrumento legal ou convênio. A Resolução supracitada ainda define que os empreendimentos e atividades somente serão licenciados em um único nível de competência. A Lei Complementar nº 140, de 08 de dezembro de 2011 fixa normas, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Destaca-se que tal legislação não é aplicável aos empreendimentos licenciados antes da assinatura da mesma. 3.2.2 Licenças Ambientais Conforme Sanchéz (2006) os estudos ambientais no Brasil, são condicionantes para obtenção de autorização governamental que permita a execução de atividades que utilizem recursos ambientais ou com potencial de causar degradação ambiental. 27 Esta autorização é definida como licença ambiental, é um dos instrumentos mais importantes da política ambiental pública, possui caráter preventivo, em decorrência sua emissão evitar a ocorrência de danos ambientais. Pela Resolução CONAMA nº 237/1997 a licença ambiental é definida como um ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, propõe as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser atendidas pelo empreendedor, podendo ser esse, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades que necessitem de recursos ambientais e que sejam efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como qualquer situação com possibilidade de gerar degradação ambiental. O Art. 3º desta Resolução complementa que em empreendimentos e atividades causadoras de significativa degradação ambiental a licença ambiental dependerá de um EIA/RIMA para sua emissão, o qual terá caráter público, e que quando necessário/solicitado seja realizada audiências públicas. A Resolução CONAMA nº 009/1987 trata sobre diretrizes para a realização de Audiências Públicas, conforme exposto a seguir: Art. 1º. A Audiência Pública referida na Resolução CONAMA nº 001/1986, tem por finalidade expor aos interessados o conteúdo do produto em análise e do seu referido RIMA, dirimindo dúvidas e recolhendo dos presentes as críticas e sugestões a respeito. Art. 2º. Sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado pôr entidade civil, pelo Ministério Público, ou por 50 (cinquenta) ou mais cidadãos, o Órgão do Meio Ambiente promoverá a realização de Audiência Pública. § 1º. O Órgão de Meio Ambiente, a partir da data do recebimento do RIMA, fixará em edital e anunciará pela imprensa local a abertura do prazo que será no mínimo de 45 dias para solicitação de Audiência Pública. § 2º. No caso de haver solicitação de Audiência Pública e na hipótese do Órgão Estadual não realizá-la, a licença não terá validade. As licenças ambientais expedidas pelo poder público são definidas pelo Art. 8º, que traz as seguintes definições: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; II – Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta 28 das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. 3.3 Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental O EIA segundo Sanchéz (2006), trata-se de um documento resultante do processo de AIA. Através deste estudo avalia-se a viabilidade ambiental de um determinado projeto, e considera-se a necessidade de implementar medidas mitigadoras ou compensatórias e quanto ao tipo e ao alcance dessas medidas. Rohde (2006) complementa que estes estudos representam um conjunto de atividades de caráter cientifico e técnico, e tem como conteúdo o diagnóstico ambiental, a avaliação dos impactos e a definição de medidas de controle e programas para monitoramento destes impactos. Segundo DNIT (2006a) o EIA consiste na execução de estudos técnicos e científicos, com objetivo de analisar de forma sistêmica as consequências da implantação de um empreendimento no meio ambiente, esse estudo acontece através de métodos d avaliação e técnicas de previsão dos impactos ambientais. Neste estudo avalia-se a situação do ambiente com a implantação do empreendimento e a situação onde o mesmo não seja implantado, ou seja, realizase o prognóstico de ambas as situações. O RIMA segundo Rohde (2006), também é originário do processo de AIA e tem como premissa esclarecer, em linguagem acessível todos os elementos do EIA, deve possibilitar a utilização deste na tomada de decisão da comunidade afetada. O RIMA deve conter as conclusões do EIA, bem como os impactos positivos e negativos considerados relevantes. Em DNIT (2006a) define-se RIMA como um relatório sucinto no qual se apresenta as considerações do EIA, e que além das informações técnicas estarem expressas em linguagem acessível, deve-se utilizar técnicas de comunicação visual informando as prováveis consequências ambientais do projeto, as alternativas possíveis confrontando as vantagens e desvantagens, informando aquela alternativa de menor impacto, este relatório deve ser divulgado para a comunidade afetada. A necessidade de elaboração do EIA e do RIMA foi estabelecida pela Resolução CONAMA nº 001/1986, que traçou diretrizes gerais para o uso e a implantação da AIA. Por meio desta, ficou estabelecido a necessidade destes estudos serem realizados por equipe multidisciplinar habilitada, que será 29 responsável tecnicamente pelos resultados apresentados. Destaca-se conforme Dias (2011) que o Brasil foi o primeiro país no mundo a solicitar o estudo prévio de impacto ambiental de forma constitucional2. Ainda esta Resolução definiu as atividades modificadoras do meio ambiente que dependeriam da elaboração de EIA e RIMA para obtenção da licença ambiental, nestas atividades estão, entre outras: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, oleodutos, gasodutos, emissários de esgotos sanitários e barragens. Através da definição dos empreendimentos que necessitam de EIA e RIMA, considera-se conforme Dias (2011), que os impactos derivados de grandes obras são mais perceptíveis e seus efeitos normalmente, mais significativos. Segundo Fogliati, Filippo e Goudard (2004) estes estudos devem seguir as condições definidas pelos regulamentos e normas em vigor, bem como atender as instruções ou termos de referência fornecidos pelos órgãos de meio ambiente. 3.4 Plano Básico Ambiental Segundo DNIT (2006b) o PBA trata-se de um relatório informativo de programas ambientais, fundamentados no EIA, bem como quando necessário complementado com eventuais recomendações e/ou exigências indicadas pelos órgãos de meio ambiente. Tais recomendações devem ser detalhadas em níveis de projeto para possibilitar a implementação das medidas mitigadoras. Para Fogliati, Filippo e Goudard (2004) estes planos e programas são importantes na análise da eficácia das medidas de mitigação propostas. O autor considera que os impactos são possíveis e não necessariamente devam ocorrer durante todas as fases do empreendimento. E ainda inclui a possibilidade de ocorrência de eventos ambientais não previstos. Esses fatores devem ser considerados de modo que possibilite a execução de medidas corretivas. Segundo Fogliati, Filippo e Goudard (2004) os planos e programas ambientais devem conter além de medidas de mitigação, monitoramento, controle, compensação e restauração dos impactos ambientais negativos, e ainda, medidas para potencializar os impactos positivos decorrentes do empreendimento. O autor 2 Constituição Federal de 1988 30 acrescenta que o andamento dos planos e programas deve ocorrer em todas as fases do empreendimento, em que os mesmos forem cabíveis de serem executados. A Figura 1 apresenta um fluxograma para sintetizar as etapas prévias à elaboração dos programas ambientais. Figura 1 - Fluxograma de elaboração de programas ambientais Fonte: Adaptado de DNIT (2006b) A relação de programas ambientais, segundo DNIT (2006b) não é idêntica para todos os empreendimentos, a definição é dada por meio da necessidade e particularidades ambientais da área escolhida, e também pela percepção da equipe técnica que executa e acompanha a elaboração do EIA, RIMA e do PBA. 3.4.1 Plano Básico Ambiental para rodovias Em DNIT (2006b) é proposta uma estrutura admissível e suficientemente abrangente relacionada aos programas ambientais em projetos rodoviários. A seguir apresentam-se as considerações acerca de programas ambientais descritos em DNIT (2006b), complementado, quando necessário, com as considerações propostas em Fogliati, Filippo e Goudard (2004). A divisão em que os mesmos serão apresentados ocorreu conforme nomenclatura utilizada em DNIT (2006b): programas vinculados com a execução das obras (Quadro 2), programas não vinculados com a execução das obras (Quadro 3) e programas apoio e controle das implantações ambientais (Quadro 4), destacando os principais objetivos por eles preconizados. 31 Quadro 2 - Programas ambientais vinculados com a execução das obras Programas Controle de Processos Erosivos Recuperação de Áreas Degradadas Paisagismo Recuperação de Passivos Ambientais Melhoria de Travessias Urbanas Redução de Desconforto e de Acidentes na Fase de Obras Disciplinamento do Manejo e da Reposição dos Resíduos da Construção Civil Controle de Material Particulado, Gases e Ruídos Objetivos Esse programa tem como objetivo o controle dos processos erosivos decorrentes das alterações da topografia natural do terreno necessárias na implantação das obras, acrescidas especialmente das precipitações pluviométricas. Tem ainda o intuito de preservar a integridade das estruturas da rodovia e áreas adjacentes, durante as fases de construção e de operação do empreendimento. As inspeções para verificação da situação das áreas comprometidas devem ser realizadas com adoção de técnicas preventivas e corretivas. Salienta ainda que a utilização de bota-foras, jazidas de empréstimo, centrais de concreto e usinas de asfalto devem ocorrer em áreas licenciadas pelo órgão ambiental competente. O programa tem como premissa a recuperação das áreas degradadas ou de uso do canteiro de obras. Tendo o objetivo de controlar a recuperação e posterior manutenção das áreas modificadas decorrente da implantação do projeto. A justificativa para execução do programa ocorre pela previsão dos impactos da fase de construção e que, caso não sejam mitigados, poderão acentuar a degradação ambiental. Este programa tem por finalidade promover a integração e reabilitação da paisagem ambiental, afetada em decorrência das intervenções civis da fase de construção. Este programa destina-se a recuperar os passivos ambientais, em especial, aquelas situações de degradação ambiental causadas pela implantação da rodovia, de modo a reintegrar a área impactada à paisagem local. A melhoria das travessias urbanas tem a função de manter a operacionalidade da rodovia, ordenar as faixas lindeiras e minimizar os conflitos provocados pela presença da área urbana. Considera-se ainda nas questões de melhorias em rodovias, o programa de manutenção das vias, veículos e terminais que tem como objetivo manter um sistema de transporte sempre em condições seguras de tráfego e operação. Este programa visa minimizar o desconforto e os eventuais acidentes com veículos e a população durante a construção do empreendimento, essas situações acabam sendo originadas pelas alterações do cotidiano; com aumento do tráfego de veículos e máquinas; desvios de tráfego e abertura de novos acessos, entre outras. O objetivo da prevenção de acidentes tanto na fase de implantação do projeto devido às obras, equipamentos e materiais depositados, como na fase de operação do mesmo, deve abranger tanto os operários do projeto quanto a população do entorno. Para atendimento a este programa deverão ser realizadas inspeções diárias avaliando procedimentos quanto: canteiro de obras; instalações industriais, desmatamento e limpeza do terreno; operações de terraplenagem, entre outros. As ações propostas objetivam reduzir a emissão de poluentes atmosféricos e sonoros, como os particulados, gases de escapamento e ruídos de máquinas e veículos. Com este controle minimiza-se o excesso de barulho e de complicações no aparelho respiratório dos colaboradores das obras, bem como, da população próxima à rodovia, mesmo após a conclusão do empreendimento e início do tráfego de veículos. 32 Programas Objetivos Tem o objetivo de auxiliar na preservação da saúde dos trabalhadores do empreendimento e da população da área de influência do mesmo Segurança e Saúde da evitando a propagação de doenças. Devido o alto contingente de Mão de Obra operários durante o período de construção torna-se propicia a geração de vetores, doenças infecciosas e sexualmente transmissíveis. Além de fomentar o uso dos equipamentos de proteção pelos funcionários. O programa objetiva atuar na mitigação e compensação dos impactos Programa de Proteção à como o de aumento no atropelamento da fauna, da probabilidade de Flora e à Fauna ocorrência de queimadas e da supressão da vegetação nativa para a implantação da obra. O objetivo deste programa é avaliar e indicar medidas para minimizar a probabilidade de acidentes rodoviários com cargas perigosas Programa de Transporte transportadas no trecho. Através de procedimentos de prevenção e de Produtos Perigosos para eventuais ocorrências, com ações mitigadoras a serem implementadas, bem como a realização de treinamentos para os vários atores envolvidos. Fonte: DNIT, 2006b e Fogliati, Filippo e Goudard, 2004. Quadro 3 - Programas ambientais sem vinculação com a execução das obras Programas Objetivos O objetivo deste programa é efetuar as desapropriações necessárias Desapropriação para liberação da faixa de domínio e a execução das obras previstas. Este programa tem como objetivo a implementação de medidas Reassentamento da compensatórias para população de baixa renda atingida pelo População de Baixa empreendimento. As famílias que se enquadram neste programa são Renda as que dependem de suas terras para realização de atividades que garantirão o sustento. Tem como objetivo principal fomentar um ambiente em harmonia entre Apoio às Comunidades a população indígena, o empreendimento e o meio ambiente. Indígenas Permitindo a sobrevivência, seu território e a manutenção de sua cultura e tradições destas comunidades. O programa se destina a identificação de vestígios/sítios arqueológicos significativos nas áreas diretamente afetadas pelo empreendimento, Proteção ao Patrimônio bem como manter a integridade destes e ainda conforme o caso Histórico, Artístico, realização do resgate dos mesmos. Cultural, Arqueológico e Os resgates de sítios devem iniciar na etapa de planejamento do Espeleológico empreendimento, porém com o andamento das obras novos sítios não identificados na etapa antecedente podem ser identificados e deverão ser igualmente resgatados. O monitoramento da qualidade da água visa complementar as informações relevantes para o diagnóstico das águas, no trecho de Monitoramento de influência do empreendimento e verificar, a partir dos dados coletados, Corpos Hídricos a qualidade das águas em relação a períodos anteriores à implantação do empreendimento, durante a sua construção e após o término das obras. Tem objetivo de ordenar o uso e ocupação do solo no entorno da rodovia, em função do desenvolvimento gerado pelas novas condições Ordenamento Territorial de acesso promovida pelas obras. Essa adequação deverá considerar a identificação das capacidades potenciais diante da expansão da atividade econômica. O empreendedor deverá acompanhar as atividades de implantação e Compensação Ambiental manutenção das Unidades de Conservação que estejam sendo executadas com recursos da compensação ambiental. Fonte: DNIT, 2006b e Fogliati, Filippo e Goudard, 2004. 33 Quadro 4 - Programas ambientais de apoio e controle das implantações ambientais Programas Objetivos Objetiva sistematizar as ações de monitoramento e acompanhamento nas diferentes fases do empreendimento. Através da execução deste é Monitoramento possível o acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e Ambiental negativos, bem como possibilita a melhoria contínua dos indicadores de desempenho ambiental e aperfeiçoamento da gestão ambiental do empreendimento. Neste programa estão incorporadas as ações pertinentes aos Programas de Monitoramento Ambiental, de Comunicação Social e de Gestão Ambiental das Educação Ambiental. Tendo sido estruturado para atendimento a Obras implantação de empreendimentos de grande porte e que apresentem acentuada complexidade ambiental, em especial a relacionada com o meio antrópico. O programa de comunicação social deve ser capaz de intermediar as relações entre o empreendedor, os executores da obra, as Comunicação Social administrações públicas dos diversos níveis envolvidos, com as comunidades atingidas, os usuários e a população em geral, ou seja, divulgar as informações sobre as etapas do empreendimento. Devem ser realizadas atividades de articulação e planejamento e de Educação Ambiental cunho educacional. Fonte: DNIT, 2006b e Fogliati, Filippo e Goudard, 2004. Complementa-se ainda com a diferenciação dos termos: implantação e implementação, que de acordo com DNIT (2006b) ocorre pelo vínculo existente dos programas ambientais com a execução das obras, sendo: implantação os programas com estreita vinculação e implementação os programas que não têm vinculação com a execução das obras. 3.4.1.1 Execução dos programas ambientais A etapa de implantação e implementação dos programas ambientais é subsequente a elaboração do PBA. A supervisão ambiental realizada no período de execução das obras, que segundo DNIT (2006b), destina-se a inspecionar a implantação das medidas de caráter ambiental, propostas nos estudos ambientais e detalhadas no PBA. Ainda segundo o mesmo autor, através do monitoramento ambiental pode-se acompanhar e avaliar de forma permanente, periódica ou contínua, os efeitos esperados e da eficácia das implantações das medidas mitigadoras e ações propostas. 34 3.5 Relatórios ambientais para implantação de rodovias Segundo DNIT (2006a) as questões ambientais no âmbito de empreendimentos rodoviários devem contemplar as seguintes etapas: a) Elaboração do relatório preliminar de avaliação ambiental: etapa não obrigatória pelos órgãos ambientais é desenvolvida na fase do Planejamento Rodoviário. b) Elaboração dos estudos ambientais: ocorre de forma simultânea com a fase de Projeto Básico e a fase inicial de Projeto Executivo de Engenharia, compreende a elaboração dos estudos (EIA e RIMA) conforme Termos de Referência (TR) com vistas ao licenciamento ambiental. c) Etapa de Elaboração do PBA: ocorre juntamente com a fase de elaboração do Projeto de Engenharia, trata-se da execução relatório informativo e dos programas ambientais, vinculados com as medidas de mitigação ou potencialização dos impactos definidas no EIA. d) Implementação do empreendimento e Implantação dos Programas Ambientais: compreende no andamento dos programas ambientais definidos no PBA concomitantemente com a execução das obras rodoviárias. e) Monitoramento Ambiental na fase de Operação: consiste nos monitoramentos ambientais específicos, preestabelecidos em programas ambientais e/ou em decorrência de fatos específicos. 3.6 Gestão Ambiental Segundo Seiffert (2010) o licenciamento ambiental é essencial no sentindo em que busca garantir a conservação da qualidade ambiental, de vida do homem, de saúde pública, da preservação da biodiversidade, do equilíbrio socioeconômico. 35 O autor considera então, o licenciamento como uma ferramenta de importância para a gestão ambiental, principalmente pelo seu caráter preventivo e pelo fato de ser um instrumento de comando e controle3. Segundo Neto, Campos e Shigunov (2009) a sociedade em geral está cada vez mais exigente em relação aos danos ambientais e a poluição causados em decorrência de atividades ou empreendimentos. Fogliati, Filippo e Goudard (2004) destaca que tais atividades ou empreendimentos devem apresentar em suas diferentes etapas (planejamento, projeto, instalação e operação) a fiscalização quanto aos possíveis impactos ao meio ambiente. Neste contexto Sanchéz (2006) aponta uma das funções da AIA, a de servir como ferramenta para planejar a gestão ambiental. Quando se realiza um EIA verifica-se as interações da atividade a qual se deseja implantar e o meio ambiente, também é pode-se prever recomendações para mitigação dos impactos negativos e potencializar os impactos positivos. Sanchéz (2006) propõe uma diferenciação entre os Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) e o EIA. O autor destaca dois pontos: o primeiro considerando que o EIA não trabalha com situações concretas de impactos ou de risco ambiental, e sim com situações potenciais, isto porque as medidas de mitigação ou potencialização só serão aplicadas com a aprovação e implantação do empreendimento; o segundo ponto diz respeito às etapas do empreendimento, no EIA o plano de gestão ambiental dirige-se às três principais etapas do ciclo de vida de um empreendimento (implantação, operação e desativação), e em um SGA as medidas e os programas de gestão costumam limitar-se à etapa de operação. Sanchéz (2006) ainda avalia que os impactos decorrentes da etapa de implantação e das atividades de construção, normalmente para empreendimentos de infraestrutura como as rodovias, podem ser muito mais significativos do que aqueles provenientes da operação. Para Barbieri (2007) a gestão ambiental trata-se de diretrizes, atividades administrativas e operacionais, tais como: planejamento, direção, controle, alocação de recursos e outras; realizadas com a finalidade de obtenção de efeitos positivos 3 O instrumento de comando e controle segundo Pereira (1999) é também conhecido como instrumento regulatório que corresponde ao sistema onde o poder público estabelece os padrões e monitora a qualidade ambiental, regulando as atividades e aplicando sanções e penalidades. 36 sobre o meio ambiente, seja reduzindo ou eliminando os danos causados pelas ações humanas, ou até mesmo evitando que eles apareçam. Segundo Neto, Campos e Shigunov (2009) a gestão ambiental é o conjunto de atividades de função gerencial que determinam a política ambiental, os objetivos e as responsabilidades. Colocando-os em execução por meio do sistema, do planejamento, do controle e da melhoria do gerenciamento ambiental. Sendo assim, a gestão ambiental refere-se ao gerenciamento eficaz do relacionamento entre a empresa e o meio ambiente. Tinoco e Kramer (2004) propõe os processos de gestão ambiental como uma forma da empresa minimizar ou eliminar os efeitos negativos provocados no ambiente por suas atividades. Para Fogliati, Filippo e Goudard (2004) a gestão ambiental são as ações realizadas para obter uma máxima racionalidade no processo de decisão relativo a conservação, defesa, proteção e melhoria do meio ambiente. O autor complementa que para uma efetiva gestão ambiental, além de manejar o ambiente com ações para impedir ou minimizar os impactos ambientais, deve-se realizar o monitoramento das mesmas, acompanhando sistematicamente as transformações ambientais geradas. Para Dias (2011) a gestão ambiental é a expressão utilizada para denominar a gestão empresarial que busca, na medida do possível, evitar os problemas para o meio ambiente. Ou seja, tem o objetivo de não permitir que os efeitos ambientais ultrapassem a capacidade de carga do meio onde se encontra a organização. A contribuição do autor vai a favor do desenvolvimento sustentável, atendendo ao Art. 225 da Constituição Federal, que diz: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Segundo Dias (2011) a gestão ambiental é o principal instrumento para obtenção de um desenvolvimento sustentável. As normas elaboradas por instituições públicas: fixam os limites aceitáveis de emissão de substâncias poluentes; definem as condições para descarte dos resíduos; proíbem a utilização de substâncias tóxicas; definem a quantidade de água que pode ser utilizada; o 37 volume de esgoto que pode ser lançado; entre outras. Deste modo, as organizações necessitam atender a estas normas quando possuem um SGA. De acordo com Barbieri (2007) uma proposta de gestão ambiental deve incluir no mínimo três dimensões, que são: a espacial referindo-se à área na qual se espera que as ações tenham eficácia; a temática que define as questões ambientais às quais as ações se destinam; e a institucional relativa aos agentes que fomentaram as iniciativas de gestão. Segundo Sanchéz (2006) o plano de gestão ambiental resultante da avaliação de impactos é uma ferramenta importante para transformar um potencial em contribuição efetiva para o desenvolvimento sustentável. Quando elaborado e implantado de forma satisfatória, o plano de gestão pode fazer diferença entre um projeto tradicional e um projeto inovador, ou seja, entre um projeto no qual se destaquem os impactos negativos, ainda que minimizados, e um projeto no qual os impactos positivos sejam amplamente visualizados. O autor propõe três condições para este potencial: a) Preparação cuidadosa do plano de gestão, orientado para minimizar os impactos adversos, reduzir lacunas de conhecimento e as incertezas sobre os impactos efetivos do projeto. b) Envolvimento das partes interessadas na elaboração do plano de gestão, pois este envolverá compromissos do empreendedor que demandarão recursos humanos, financeiros e organizacionais, e também pode requerer o trabalho com parceiros institucionais, como órgãos de governos e organizações não governamentais. c) Adequada implementação, dentro dos prazos compatíveis com o cronograma do empreendimento. A mesma deve ser verificada com a ajuda de indicadores mensuráveis de andamento e de consecução dos objetivos pretendidos. Ferramentas para a realização dessa terceira condição são a supervisão ambiental, a fiscalização a auditoria ambiental e o monitoramento ambiental. Através da Figura 2 pode-se entender a prioridade em se tratando da preferência no controle de impactos ambientais. 38 Figura 2 - Preferência no controle de impactos ambientais Fonte: Adaptado de Sanchéz, 2006. Segundo Bellia e Bidone (1992) o gerenciamento ambiental tem o objetivo de definir e coordenar o conjunto de princípios, normas, tarefas e seus executores. Tendo como objetivo final a implantação das ações previstas pelo plano ambiental. Para maior objetividade, o gerenciamento ambiental deve envolver três componentes básicos: supervisionar, fiscalizar e monitorar. A supervisão ambiental, segundo o anteriormente citado, corresponde a implantação das ações de caráter ambiental nas fases do empreendimento, desde o planejamento até a operação. Já a verificação do cumprimento dos princípios, normas e funções estabelecidos pelo gerenciamento ambiental, é denominada por fiscalização ambiental, onde, pretende-se que todas as condicionantes ligadas as questões ambientais sejam atendidas, aplicando, quando necessário, as sanções previstas. A etapa denominada por monitoramento ambiental corresponde ao acompanhamento da evolução das medidas ambientais preconizadas nos estudos, avaliando, os resultados e propondo, quando necessário, adequações ao plano original. Sendo assim, torna-se importante a proposição feita por Naime (2005) que diz respeito às metas planejadas. O autor considera que uma meta com objetivo abstrato não poderá ser atingida e aferida, o que irá gerar frustrações e desmotivação. O exemplo disso é quando se propõe a melhoraria da qualidade do ar de uma cidade, o que é impossível, pois não depende exclusivamente da organização ou da vontade dos colaboradores. Já a redução dos níveis de emissão 39 da própria organização, em um prazo fixado, é uma meta possível e concreta e capaz de estimular um bom gerenciamento ambiental. Para Roberto Naime (2005) os objetivos de natureza estratégica4, devem estar bem diferenciados dos objetivos táticos5. Para isto, aplica-se o tradicional 5W-1H (“What, why, where, when, Who e how”), que na língua portuguesa quer dizer: “qual, por que, onde, quando, quem e como”. Segundo Moura (2004) a implementação e operação de um SGA consiste na aplicação de conceitos e técnicas de administração, especializadas para os assuntos de meio ambiente. Existem, dessa forma, várias técnicas possíveis e que levam a resultados semelhantes. O autor complementa que o SGA é um conjunto de ações, formando um sistema, que precisam ser adotadas para se chegar a um resultado satisfatório. E salienta a Norma ISSO 14001/2004 como forma de abranger todos esses aspectos, entre outros por ela apresentado. Roberto Naime (2005) acrescenta que a norma NBR ISSO 14001/2004 descreve os elementos básicos de um SGA que são: a definição de uma política ambiental, com o estabelecimento de objetivos e metas e implementação de um programa para alcançar ao proposto, com a inclusão de mecanismos de monitoração e medição da eficácia do programa, correção de problemas e análise e revisão permanente, objetivando o aprimoramento contínuo do desempenho ambiental geral. Para Moura (2004) a ferramenta gerencial mais importante, e que pode resumir toda a implantação do processo do SGA é o ciclo PDCA, também conhecido como Ciclo de Deming, composto por quatro grandes passos: (“Plan, do, check e action”) que na língua portuguesa quer dizer: “planejar, realizar, verificar e atuar para corrigir e recomeçar um novo ciclo”. Esse ciclo deve ser precedido por uma atividade de estabelecimento da Política Ambiental da empresa, conforme mostra a Figura 3. 4 Conforme Brandão (2009) são os objetivos globais e amplos da organização e definidos no longo prazo. 5 Segundo Brandão (2009) são os objetivos de médio prazo e que abrangem cada unidade específica da organização. 40 Figura 3 - Ciclo PDCA Fonte: Adaptado de Moura, 2004. 3.7 Recursos hídricos subterrâneos A água doce disponível no planeta, segundo Baird (2002) encontra-se no subsolo, sendo que metade desta está em grandes profundidades. A principal fonte dessa água são as chuvas que caem sobre a superfície e infiltram-se no solo. Ao analisar um perfil de solo, Baird (2002) descreve que a camada inicial contém solo úmido, a camada subsequente, onde encontra-se a zona de aeração ou insaturada contém as partículas de solo envoltas de um filme de águas, porém ainda com a existência de ar, para ABAS (2012) essa zona também pode ser chamada de zona não saturada, de aeração ou vadosa. ABAS (2012) acrescenta que nesta região ainda encontram-se a zona de umidade do solo (parte mais superficial), zona intermediária (entre a zona de umidade do solo e da franja capilar) que pode ou não existir e a franja de capilaridade (região mais próxima ao nível d’água do lençol freático. A separação entre a zona saturada e a de aeração ocorre segundo ABAS (2012) pelo nível freático, correspondendo ao topo da zona saturada. O autor 41 destaca que esse nível pode permanecer em grandes profundidades, ou se aproximar da superfície, originando regiões encharcadas ou pantanosas ou em nascentes. Conforme Baird (2002) a camada seguinte, definida por zona saturada trata-se daquela onde devido a quantidade de água, o ar existente é deslocado. ABAS (2012) complementa que as águas atingem esta zona por gravidade, através dos poros ou fraturas até alcançar uma profundidade limite, onde as rochas estão tão saturadas que a água não pode penetrar mais. E ainda que essa água move-se de maneira muito lenta, o que da origem ao manancial subterrâneo. Onde parte desta água irá formar as fontes, desaguar em rios, em lagos ou nos oceanos. A Figura 4 ilustra as condições apresentadas anteriormente. Figura 4 - Caracterização das zonas no subsolo Fonte: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (apud ABAS, 2012) A poluição das águas superficiais, segundo Baird (2002), já é uma preocupação para a população há bastante tempo. No entanto, a contaminação das águas subterrâneas, foi em grande parte, negligenciada por não ser imediatamente visível. O autor complementa que as águas superficiais podem ser purificadas com relativa facilidade e rapidez, e a poluição da água subterrânea é mais difícil e cara de ser resolvida. De acordo com Ana (2002) as águas subterrâneas apresentam características da região por onde percolam. Tendo relação com os tipos de rochas e com os produtos das atividades humanas que localizam-se ao longo de seu trajeto. 42 Segundo CETESB (2012) as principais fontes potenciais de contaminação das águas subterrâneas são os: lixões; acidentes com substâncias tóxicas; vazamentos; manuseio e descarte de matérias primas, produtos, efluentes e resíduos em atividades industriais, entre outros. 3.7.1 Parâmetros químicos e bacteriológicos das águas A seguir serão apresentados os seguintes parâmetros químicos e bacteriológico: a) Surfactantes; b) Hidrocarbonetos Totais de Petróleo (HTP); e c) Coliformes Termotolerantes. 3.7.1.1 Surfactantes Os surfactantes, ou detergentes, são definidos em CETESB (2009) como compostos que reagem com o azul de metileno sob condições especificas. Destacase que esgotos e indústrias de diversos ramos são responsáveis pelo lançamento de efluentes contendo estes compostos, os esgotos sanitários possuem de 3 a 6 mg/l de detergentes. O lançamento de efluentes de forma indiscriminada provoca a formação de espumas e aceleram a eutrofização dos ambientes aquáticos. 3.7.1.2 Hidrocarbonetos Totais de Petróleo Os Hidrocarbonetos Totais de Petróleo (HTP) de acordo com Queiroz e Celino (2008) referem-se ao somatório das frações dos hidrocarbonetos resolvidos de petróleo (HRP) e a mistura complexa não resolvida (MCNR). A diferenciação entre esses hidrocarbonetos está em que o MCNR não pode ser resolvido por cromatografia gasosa, representando assim, a fração mais biodegradada e o HRP trata-se da fração recente, ainda não degradada. Ainda o mesmo autor considera que a análise da concentração deste parâmetro pode ser usado para avaliar a contaminação ambiental. 43 3.7.1.3 Coliformes Termotolerantes As bactérias coliformes termotolerantes de acordo com ANA (2012) existem no trato intestinal de animais de sangue quente, quando presentes nas águas indicam a presença de contaminação por esgotos domésticos. Em geral, essas bactérias não são patogênicas, porém em grandes quantidades podem possibilitar que ocorram microrganismos transmissores de doenças. 44 4 ESTUDO DE CASO Os itens apresentados a seguir agregam informações sobre a caracterização do empreendimento e torna-se fundamental, pois por meio dele entende-se a estruturação proposta na realização deste estudo de caso. 4.1 Caracterização do empreendimento As obras de implantação da rodovia BR-448 que passa pelos municípios de Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas e Porto Alegre possui extensão de 22,34 quilômetros (km). O segmento inicial da rodovia é no encontro da BR-116 e RS/118 em Sapucaia do Sul e o segmento final é no entroncamento com a BR-290 (Free Way) em Porto Alegre. O empreendimento tem como objetivo aliviar o trânsito na BR-116, principal via de ligação da capital com os municípios da parte norte da Região Metropolitana de Porto Alegre. No EIA realizado para o empreendimento foi caracterizado o ambiente de localização. Sendo áreas de terreno com topografia homogeneamente plana e com áreas inundáveis na várzea do rio dos Sinos. A vegetação predominante, já bastante degradada, caracteriza-se pela mata ciliar ao longo do leito deste rio. Além da área da rodovia ser próxima ao Parque do Delta do Jacuí, ainda são encontrados cultivos e intensa ocorrência de moradias, principalmente no município de Canoas. A extensão da rodovia foi dividida em três lotes de obra para a etapa de implantação do empreendimento, dividida da seguinte maneira: a) Lote 1: do km 0+000 ao km 9+140 b) Lote 2: do km 9+140 ao km 14+440 c) Lote 3: do km 14+440 ao km 22+340 Cada lote de obra conta com um consórcio construtor responsável pela execução do empreendimento. As ações da gestão e supervisão ambiental são realizadas nos três lotes de obra. A Figura 5 mostra a localização do empreendimento e o limite dos lotes de construção. 45 Figura 5 - Localização do empreendimento e dos três lotes de obra Fonte: STE, 2010. 46 4.1.1 Licenciamento Ambiental da BR-448 O licenciamento ambiental da BR-448 ocorreu pelo órgão ambiental do Estado do Rio Grande do Sul, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (FEPAM). O processo iniciou com a entrega da documentação neste órgão, já com a elaboração do EIA/RIMA necessário para concretizar a primeira etapa do licenciamento, ou seja, a obtenção da LP. Os estudos foram elaborados por uma equipe multidisciplinar entre os anos de 2007 a 2009. Atendendo ao Art 5º da Resolução CONAMA nº 237/1997 foi realizada no dia 14 de janeiro de 2009 em Canoas a Audiência Pública do empreendimento. A Foto 1 ilustra a realização desta atividade que fez parte do processo licenciatório. Foto 1 - Audiência Pública no La Salle em Canoas Fonte: Diário de Canoas Em 23 de março de 2009 foi concedida a LP nº 258/2009, que solicitava como condicionante para emissão da LI, entre outros itens, o detalhamento dos programas ambientais para monitoramento e controle dos impactos ambientais sinalizados pelo EIA. Essa documentação solicitada culminou na elaboração do PBA, este possui o detalhamento das diretrizes dos referidos programas ambientais. Em 11 de agosto de 2009 foi disponibilizada a LI nº 885/2009, que foi revogada pelas LI nº 826/2010 emitida em 27 de julho de 2010 e LI nº 1327/2010 de 03 de dezembro de 2010. Salienta-se que a revogação destas licenças ocorreu em virtude de adequações do conteúdo por parte do órgão licenciador. 47 Em vigor está a LI nº 148/2012 emitida em 23 de Janeiro de 2012, conforme ilustra a Figura 6 com a divulgação da concessão da LI em veículo de comunição (Jornal Zero Hora), emitida a fim de incluir no escopo das atividades da gestão ambiental a autorização para o resgate da fauna que fosse encontrada durante a instalação do empreendimento. Figura 6 - Divulgação de concessão de LI Fonte: Zero Hora, 2012 48 5 METODOLOGIA Este trabalho foi realizado através da análise de estudos, planos e relatórios técnicos elaborados no processo de licenciamento ambiental e de gestão ambiental da BR-448, são eles: o EIA, o PBA, os relatórios de periodicidade semestrais emitidos à FEPAM, os registros de atividades emitidos pela equipe de gestão ambiental, bem como fotos utilizadas para ilustrar as evidências das ações realizadas. As etapas para elaboração do estudo de caso são: a) impactos ambientais no meio físico decorrentes da implantação do empreendimento; b) definição do programa ambiental; c) análise dos resultados do programa de monitoramento ambiental selecionado; e d) identificação das ações da gestão ambiental. 5.1 Impactos ambientais no meio físico decorrentes da implantação do empreendimento Para definição dos impactos ambientais no meio físico decorrentes da implantação do empreendimento, foi utilizado o EIA. O capítulo prognóstico ambiental deste estudo apresenta os possíveis impactos nos meios físico, biótico e antrópico, bem como a classificação de cada um quanto: a natureza, a ocorrência, a origem, a duração, a temporalidade, a reversibilidade, a localização, a magnitude e a importância. Para elaboração do presente trabalho, foram selecionados somente os impactos ao meio ambiente que pudessem causar alterações nas características físicas do local de intervenção. 5.2 Definição do programa ambiental O programa ambiental foi selecionado a partir dos critérios relacionados ao impacto ambiental no meio físico, sendo considerados os seguintes aspectos: a) o impacto ambiental deveria apresentar importância igual em todos os trechos; e b) o impacto ambiental deveria apresentar no mínimo, classificação média, conforme apresentado no EIA. 49 Após esta seleção, identificou-se o programa ambiental indicado no PBA como medida de controle e mitigação do impacto no meio físico. 5.3 Análise dos resultados do programa de monitoramento ambiental selecionado Após a seleção do programa ambiental, utilizou-se o PBA a fim de verificar os objetivos, frequência de análises e particularidades do mesmo. Para avaliação dos resultados de monitoramento dos impactos ambientais foram identificados os locais de amostragem e os parâmetros que constavam nos relatórios semestrais emitidos ao órgão ambiental. Estes relatórios foram utilizados para obter informações quanto ao resultado das análises, bem como identificar o andamento do programa ambiental e as ações realizadas no período de março de 2010 a março de 2012. Agregou-se ainda as informações obtidas nos registros de atividades emitidos pela gestão ambiental. O presente relatório delimitou como objeto de estudo somente as áreas e atividades de interferência dos canteiros de obras. Como são utilizados diversos parâmetros nas campanhas de monitoramento em cada local, utilizou-se como referência pelo menos um que representasse de forma significativa o potencial impacto ambiental gerado pelas atividades desenvolvidas em cada região. 5.4 Identificação das ações da gestão ambiental A identificação das ações da gestão ambiental durante a implantação da rodovia ocorreu a partir da análise dos resultados das campanhas de monitoramento. Considerando as alterações dos resultados, as intervenções tiveram como objetivo reduzir os impactos ambientais causados. Conforme já descrito, para a identificação das ações da gestão ambiental foram consultados os relatórios semestrais emitidos ao órgão ambiental, acrescido dos registros de atividades da equipe. A efetividade das melhorias foi comprovada a partir dos resultados das campanhas de monitoramento subsequentes, onde foi possível, por meio da redução das concentrações de poluentes encontrados para os parâmetros selecionados, verificar o êxito das atividades realizadas. 50 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES A seguir serão apresentados os resultados obtidos através da realização das etapas previstas na metodologia. 6.1 Análise dos impactos ambientais Para realizar a caracterização e a classificação dos impactos ambientais abordados no EIA o traçado da rodovia e a área de interferência dos impactos foi segmentada em cinco trechos. Conforme pode ser observado na Figura 7. Figura 7 - Trechos segmentados Fonte: DNIT, 2008. 51 O trecho 1 entre os km 0+000 ao km 2+500 abrange uma área urbanizada ocorrente nos 2 lados do traçado da rodovia, inclui partes dos municípios de Sapucaia do Sul e Esteio. Entre os km 2+500 ao km 11+610 encontra-se o trecho 2 que apresenta um distanciamento da zona urbana e maior ocorrência de áreas de lavoura de arroz e de ambientes naturais. Nesta área está inserida a outra parte do município de Esteio e parte do município de Canoas. No trecho 3, entre os km 11+610 ao km 15+000, recomeça a incidência antrópica, sobre o lado leste do traçado da rodovia, com a presença do Bairro Mathias Velho em Canoas. Sendo nesta área intensa as relações de influência tanto antrópicas quanto ambientais. O trecho 4 entre os km 15+000 ao km 21+000 é próximo a Unidade de Conservação (UC) APA do Delta do Jacuí que está contígua ao Parque Estadual do Delta do Jacuí. Esta UC ocorre no lado oeste da Rodovia. A definição deste segmento deve-se à peculiaridade da área, que é protegida pelo Decreto de criação do Parque (Decreto Estadual nº 44.516/2006. Nesse segmento também está localizado um dique de contenção das cheias do Rio dos Sinos, bem como uma ocupação irregular, conhecida como Vila Dique em Canoas. No trecho 5 entre os km 21+000 ao km 22+340 situa-se a porção final do empreendimento, saindo de Canoas para Porto Alegre a partir do início da transposição do Rio Gravataí. Este segmento difere-se do anterior por ser um cenário tipicamente industrial e urbano. A classificação denominada “importância” na avaliação dos impactos ambientais no EIA, refere-se ao grau de interferência do impacto ambiental sobre os diferentes fatores ambientais. Pode ser classificada em muito alta, alta, média, baixa e muito baixa, tendo como medida a maior ou menor influência sobre o conjunto da qualidade socioambiental local. Sendo assim, cada impacto previsto no EIA foi avaliado com relação à importância nesses cinco segmentos. O Quadro 5 apresenta os impactos ao meio físico indicados no EIA, bem como as atividades que podem ocasioná-los, os segmentos utilizados na análise dos impactos e as medidas mitigadoras para os mesmos. Conforme previsto na metodologia, a partir desse quadro definiu-se o programa ambiental que seria objeto de estudo neste trabalho. 52 Quadro 5 - Impactos no meio físico identificados no EIA Impacto Ação geradora Trecho - Importância Medidas Mitigadoras 1 - Modificação dos Parâmetros Físicos do Solo Remoção da vegetação, trânsito de máquinas e equipamentos, e movimentação de solo. 1 e 5 - Muito Baixa 2 e 3 - Baixa 4 - Baixa 2 - Modificação dos Parâmetros Químicos do Solo Movimentação de solo e o transporte, armazenamento e manuseio de produtos químicos. 1 e 5 - Muito Baixa 2 e 3 - Baixa 4 - Baixa Controlar a movimentação de máquinas e equipamentos; Dimensionar e construir adequadamente o aterro; Limitar o desmatamento e limpeza a área estritamente necessária; Recuperar áreas degradadas. Limitar o desmatamento e limpeza a área estritamente necessária; Construir bacias de decantação e caixas separadoras de água e óleo; Construir dispositivos de contenção de líquidos ao longo da rodovia; Controlar a movimentação de máquinas e equipamentos; Recuperar áreas degradadas; Atender às normas e aos dispositivos legais para o transporte, armazenamento e manuseio de produtos químicos e resíduos sólidos. 3 - Modificação da Superfície Geomorfológica Movimentação de solo. 1 - Muito Baixa 2, 3 e 4 - Média 5 - Muito Baixa Controlar a movimentação de máquinas e equipamentos; Preservar a área entre a rodovia e a margem dos cursos de água. 4 - Erosão, Assoreamento e Inundação Movimentação de solo, construção do sistema de drenagem 1 e 5 - Muito Baixa 2 e 3 - Média 4 - Baixa Construir as obras provisórias em locais que não impeçam o fluxo natural das águas; Definir, dimensionar, localizar e construir adequadamente o sistema de drenagem; Dimensionar e construir adequadamente o aterro; Efetuar a proteção dos taludes; Limitar o desmatamento e limpeza à área estritamente necessária; Manter e limpar os dispositivos de drenagem; Recuperar áreas degradadas; Utilizar dispositivos provisórios de controle de processos erosivos. 5 - Subsidência e Recalques Construção do aterro e das fundações das obras de arte. 1, 2, 3, 4 e 5 - Muito Alta Definir, dimensionar, localizar e construir adequadamente o sistema de drenagem; Dimensionar e construir adequadamente o aterro; Manter e limpar os dispositivos de drenagem. 6 - Alteração no Nível Freático Movimentação de solo, impermeabilização da superfície, construção do sistema de drenagem e construção do aterro. 1, 2, 3, 4 e 5 – Muito Baixa Evitar a formação de poças e piscinas quando da construção dos bueiros; Limitar o desmatamento e limpeza a área estritamente necessária; Recuperar áreas degradadas. 53 Impacto 7 - Alteração na Qualidade das Águas Subterrâneas Ação geradora Trecho - Importância Contaminação proveniente de utilização de substâncias químicas. 1, 2, 3, 4 e 5 - Média Medidas Mitigadoras Atender às normas e aos dispositivos legais para o transporte, armazenamento e manuseio de produtos químicos e resíduos sólidos; Construir bacias de contenção e caixas separadoras de água e óleo; Construir dispositivos de contenção de líquidos ao longo da rodovia; Efetuar o tratamento de efluentes do canteiro de obras; Evitar a formação de poças e piscinas quando da construção dos bueiros; Limitar o desmatamento e limpeza a área estritamente necessária; Recuperar áreas degradadas. Atender às normas e aos dispositivos legais para o transporte, armazenamento e manuseio de produtos químicos e resíduos sólidos; Construir bacias de contenção e caixas separadoras de água e óleo; Construir dispositivos de contenção de líquidos ao longo da rodovia; Efetuar o tratamento de efluentes do canteiro de obras; Desenvolver medidas de prevenção de acidentes, de contingência e de contenção de derramamentos de materiais perigosos nas proximidades da Estação de captação de água da CORSAN. 8 - Contaminação dos Recursos Hídricos Superficiais por Resíduos Sólidos, Efluentes Líquidos e materiais perigosos 9 - Ocupação da Zona de Passagem das Cheias do Rio dos Sinos Destinação inadequada de efluentes líquidos, de resíduos sólidos e vazamento de materiais perigosos. 2 (km 3+480) - Alta 2 (km 4+900) - Média 2 (km 7+590) - Alta 3 (km 11+610) - Média 4 (km 18+380) - Alta 4 (100 m antes e após captação CORSAN) Muito Alta Implantação da rodovia, como futuro dique do Sistema de Proteção contra Cheias, ocupando a zona de passagem das cheias do rio dos Sinos. 2 - Muito Alta 3 - Alta Controle de cheias pelo funcionamento da rodovia como um dique. 10 - Interferências ao Escoamento dos Rios e Arroio Afluentes Implantação de obras de travessias dos cursos d’água afluentes ao rio dos Sinos, pela margem esquerda. 2 - Muito Alta 3 e 4 - Alta Dimensionamento das estruturas de travessias. 11 - Restrição de acesso ao rio dos Sinos Implantação da rodovia, como dique, em conjunto com as travessias para os arroios, restringindo o acesso ao rio dos Sinos, para usuários da água. 2 e 3 - Média Garantir o acesso aos usuários à água. 12 - Contaminação do solo Vazamento de combustíveis e óleos lubrificantes. 1 e 5 - Média 2, 3 e 4 - Alta Incorporação de estruturas ou sistemas de contenção de derramamentos de materiais perigosos; Implantação de medidas preventivas/corretivas nas áreas de ocorrência de acidentes. Fonte: Adaptado de DNIT, 2008 54 6.2 Definição do programa ambiental Analisando o Quadro 5 (item 6.1) pode-se verificar a diferenciação entre a importância dos impactos ambientais nos diferentes trechos no que tange ao meio físico. No Quadro 6, a seguir, é apresentada uma análise dos impactos ambientais quanto ao atendimento dos requisitos previstos na metodologia que são: a) O impacto ambiental deveria apresentar importância igual em todos os trechos; e b) O impacto ambiental deveria apresentar no mínimo, classificação média, conforme apresentado no EIA. Quadro 6 - Análise dos impactos no meio físico 1 Não atende Análise Importância nos trechos Diferente 2 Não atende Diferente - 3 Apenas segmento 2, 3 e 4 Diferente - 4 Apenas segmento 2 e 3 Diferente 5 Atende Igual 6 Não atende Igual Impacto relevante a estrutura do corpo estradal - 7 Atende Igual - 8 Atende Diferente - 9 Atende Diferente 10 Atende Diferente 11 Atende Diferente 12 Atende Diferente Apresenta segmentos sem influencia do impacto Apresenta segmentos sem influencia do impacto Impacto pode ser monitorado através do impacto 7 Impacto 6 Importância Observação - Fonte: Autoria própria, 2012. Sobre os impactos que atendem os requisitos, o de número cinco refere-se diretamente ao projeto de engenharia e a construção do empreendimento, sendo por isso, excluído da relação dos impactos a serem abordados. O impacto de número sete atende aos requisitos, a mitigação deste também é eficaz no controle do 6 Numeração referente ao Quadro 5. 55 número doze que apresenta impactos de média e alta relevância, no entanto, não atende a metodologia prevista. Para mitigação do impacto número sete o PBA do empreendimento propõe a execução do Programa de Monitoramento e Controle de Qualidade dos Recursos Hídricos Subterrâneos. 6.3 Programa de monitoramento e controle de qualidade dos recursos hídricos subterrâneos A justificativa para a necessidade do programa de monitoramento e controle da qualidade dos recursos hídricos subterrâneos está em direcionar e especificar estudos e ações necessárias para o monitoramento quanto a possíveis impactos ambientais relacionados à construção da rodovia. Considerando a execução do Programa em três fases distintas, foi determinada a seguinte frequência para o monitoramento dos recursos hídricos subterrâneos: a) Na fase anterior ao início das obras: realização de uma campanha de amostragem; b) Durante todo o período de implantação da rodovia: realização de campanhas com frequência trimestral; e c) Durante a operação da rodovia: realização de campanhas semestrais pelo período de dois anos. Os poços de monitoramento previstos para o programa de monitoramento e controle de qualidade dos recursos hídricos subterrâneos tiveram a localização definida no PBA, sendo distribuídos ao longo da rodovia e nos canteiros centrais de obra. Foram implantados três poços em cada canteiro central de obra, a jusante e montante das possíveis fontes de impacto (rampas de lavagem e postos de abastecimento de veículos e máquinas e fossas sépticas). E cinco poços ao longo do trecho de construção da rodovia, em áreas já impactadas pela ação antrópica. As figuras (Figura 8, Figura 9 e Figura 10) ilustram a localização dos poços de monitoramento ao longo do traçado da rodovia, onde também é possível verificar um detalhamento dos poços localizados nos canteiros de obras dos lotes 1, 2 e 3. 56 Figura 8 - Localização dos pontos de monitoramento no lote 1 Fonte: STE, 2012. 57 Figura 9 - Localização dos pontos de monitoramento no lote 2 Fonte: STE, 2012. 58 Figura 10 - Localização dos pontos de monitoramento no lote 3 Fonte: STE, 2012. 59 No Quadro 7 apresentam-se as informações sobre os poços de monitoramento, tais como: a identificação, a descrição e as coordenadas geográficas em Universal Transversa de Mercator (UTM). Em destaque (grifo), estão os poços de monitoramento localizados nos canteiros de obras, pois conforme já descrito na metodologia, somente estes serão avaliados neste estudo de caso. Quadro 7 - Localização dos poços de monitoramento Código do poço Descrição do local 1. Poços localizados nos canteiros de obra PC1M Poço a montante no canteiro central do Lote 1 Poço de jusante no canteiro central do Lote 1 (abaixo da rampa de PC1J1 lavagem e lubrificação de veículos e máquinas) Poço de jusante no canteiro central do Lote 1 (abaixo do local de PC1J2 abastecimento de veículos e máquinas) PC2M Poço a montante no canteiro central do Lote 2 Poço de jusante no canteiro central do Lote 2 (abaixo do pavilhão de PC2J1 oficina e manutenção) Poço de jusante no canteiro central do Lote 2 (abaixo do local de PC2J2 abastecimento de veículos e máquinas) PC3M Poço a montante no canteiro 1 do Lote 3 PC3J1 Poço de jusante no canteiro do Lote 3 (abaixo das fossas sépticas) PC3J2 Poço de jusante no canteiro do Lote 3 (abaixo das fossas sépticas) 2. Poços localizados ao longo do traçado da rodovia PBRJ1 No pátio da Empresa Liquigás PBRJ2 Fazenda Muradas PBRJ3 Rua da Barca nº 2151 PBRJ4 Interseção com BR-386 PBRJ5 Empresa Paramount (no pátio da escola SENAI Têxtil) Fonte: STE, 2010. Coordenadas (UTM) 0483038/6700700 0476853/6694327 0483019/6700631 0476553/6694533 0476374/6694593 0476314/6694524 0481036/6684026 0480997/6684055 0480795/6684101 0480419/6684907 0477176/6689676 0476346/6691565 0476718/6694280 0482802/6700042 Para implantação dos poços de monitoramento foram realizadas sondagens do terreno e posterior perfuração do solo pelo método construtivo determinado no PBA7. As Foto 2 e Foto 3 ilustram a instalação dos poços piezométricos. 7 Os poços foram instalados conforme a norma da ABNT NBR 15.495-1/2007 (Poços de monitoramento de águas subterrâneas em aquíferos granulares - Parte 1: Projeto e construção). 60 Foto 2 - Perfuração do solo para instalação do poço Fonte: STE, 2010. Na instalação dos poços foram consideradas as eventuais cheias dos rios, para evitar que os mesmos ficassem submersos em determinadas épocas do ano, nesse sentido, alguns poços foram instalados a uma altura aproximadamente de um metro do nível do solo, conforme pode ser visualizado na Foto 3. Foto 3 - Poço piezométrico instalado acima do nível do solo Fonte: STE, 2010 A seleção dos parâmetros que seriam analisados nas campanhas de monitoramento foi decorrente das possíveis fontes de contaminação e impactos decorrentes da implantação do empreendimento nos recursos hídricos subterrâneos. 61 Sendo considerada a possibilidade de vazamentos de efluentes de oficinas, tais como óleos e graxas, de águas servidas e efluentes de banheiros, cozinhas e refeitórios dos canteiros de obras e de demais estruturas de apoio às obras. Os parâmetros determinados para monitoramento foram os seguintes: a) Temperatura; oxigênio dissolvido; alcalinidade; demanda bioquímica de oxigênio; demanda condutividade química elétrica; de turbidez; oxigênio; sólidos potencial hidrogeniônico; sedimentáveis; sólidos em suspensão; sólidos dissolvidos fixos; nitrato; fósforo total; ferro; cloretos; óleos e graxas; surfactantes; HTP; coliformes totais e coliformes termotolerantes. Salienta-se que apenas nos poços de monitoramento PC3M; PC3J1 e PC3J2 não foram realizadas análises de HTP, pois nestes locais, não eram realizadas atividades de abastecimento, lavagem e lubrificação de veículos e máquinas, nos demais poços são todos os parâmetros são monitorados. A metodologia para a realização das amostragens atendeu as orientações contidas na Norma de amostragem e monitoramento das águas subterrâneas (ABR 88) da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB). Os procedimentos de campo iniciavam com a medida do nível estático, realizado antes do esgotamento do poço. O esgotamento do poço (Foto 4), anterior a coleta da água para análise dos parâmetros era realizado em função de que a água parada no interior do poço não pode ser considerada como representativa da qualidade no local. Foto 4 - Esgotamento dos poços piezométricos Fonte: STE, 2010. 62 Os parâmetros eram analisados in situ8 (Foto 5), ou as amostras eram encaminhadas para um laboratório autorizado pela FEPAM. Foto 5 - Coleta das amostras para análise Fonte: STE, 2010. As amostras eram acondicionadas e preservadas adequadamente de acordo com a necessidade de cada parâmetro. Foram encaminhadas ao laboratório para análise dentro dos prazos máximos permitidos. O laboratório realizava as análises conforme as rotinas estabelecidas e emitia os resultados através de laudos que se encontram na integra nos relatórios emitidos ao órgão ambiental. As atividades da gestão ambiental do empreendimento iniciaram em março de 2010, sendo assim, a partir deste mês ocorreram às etapas planejamento e instalação dos poços de monitoramento. As campanhas de monitoramento dos recursos hídricos subterrâneos iniciaram em julho de 2010, mês que foi considerado como caracterização inicial dos poços, conforme pode ser visualizado no Quadro 8. 8 Expressão do latin que significa “no lugar”. 63 Campanhas de monitoramento realizadas Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro Quadro 8 - Cronograma das campanhas de monitoramento utilizadas no estudo 2010 2011 2012 Inicio da gestão ambiental Campanhas de monitoramento Fonte: STE, 2009. 6.3.1 Análise dos resultados de monitoramento durante a etapa de construção e ações para melhoria O monitoramento tem por objetivo acompanhar a qualidade dos recursos hídricos subterrâneos durante a construção da rodovia, de modo a avaliar o comportamento dos resultados das campanhas trimestrais realizadas. A partir da caracterização inicial é possível identificar possíveis interferências das atividades dos canteiros de obras nas águas subterrâneas. A seguir serão apresentados os resultados das análises dos poços de monitoramento. 6.3.1.1 Análise dos poços e identificação das ações no lote 1 O primeiro poço denominado por PC1M e que situa-se a montante no canteiro de obras do lote 1, serviu como referência para comparação dos resultados obtidos nos poços de jusante PC1J1 e PC1J2. Destaca-se que o PC1J1 localizava-se abaixo da rampa de lavagem e lubrificação e o PC1J2 abaixo do local de abastecimento de veículos e máquinas. Na elaboração deste estudo o parâmetro utilizado para avaliar as águas subterrâneas decorreu das atividades realizadas na área anterior a localização dos poços de monitoramento de jusante, sendo então utilizados os parâmetros HTP e surfactantes na análise. 64 a) Hidrocarboneto Total de Petróleo (HTP) O Gráfico 1 apresenta os resultados obtidos na campanha de monitoramento inicial, denominada por caracterização inicial (julho de 2010, conforme cronograma mostrado no Quadro 8) para o parâmetro HTP. Gráfico 1 - Caracterização inicial dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para HTP Fonte: Autoria própria, 2012 Através da análise do Gráfico 1, pode-se verificar a presença de HTP na área do canteiro central nos três poços de monitoramento antes do início das atividades da construção da BR-448. O Gráfico 2 contém o resultado do monitoramento de HTP desde a caracterização inicial até o mês de fevereiro de 2012. 65 Gráfico 2 - Resultado de monitoramento dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para HTP Fonte: Autoria própria, 2012 Por meio da análise do Gráfico 2 é possível identificar no poço PC1J1 três picos com concentração de HTP acima do valor de montante que ocorreram entre janeiro e maio de 2011, nos meses seguintes observou-se o decréscimo do valor até atingir no mês de fevereiro de 2012 concentrações idênticas ao PC1M (montante), já o PC1J2 teve apenas um pico em março de 2011, onde se percebe que as campanhas posteriores apresentaram resultados satisfatórios não sendo identificados valores de jusante maiores que de montante. Nesse sentido, o monitoramento ambiental destes poços serviu como forma de identificar possíveis interferências nas águas subterrâneas por atividades ligadas a construção da BR-448. No mês de janeiro de 2011, quando se verificou pela primeira vez que o resultado de HTP no poço de jusante estava maior que do poço de montante, o sistema de separação de água e óleo do local de lavagem e lubrificação de veículos recebeu vistoria para averiguar eventuais vazamentos. Devido a ocorrência de uma segunda campanha de monitoramento identificar a presença de HTP, foi solicitado que a empresa avaliasse o sistema de separação de óleo e água, e caso necessário, efetua-se a correção de possíveis vazamentos ou dispersão de óleo no processo de lavagem. 66 Na campanha realizada em maio de 2011 como verificou-se a ocorrência de concentração de HTP em poço de jusante superior ao de montante, foi solicitado melhorias no sistema de tratamento dos efluentes gerados na lavagem entre elas: vistorias periódicas no sistema buscando avaliar a funcionalidade em termos de capacidade de armazenamento, limpeza do sistema de separação e melhoria do sistema de impermeabilização do entorno da rampa. A Foto 6 ilustra a região (círculo em vermelho) onde haveria necessidade de execução de canaletas, com esta intervenção toda a água proveniente da área de lavagem teria a correta condução até o sistema de separação de água e óleo, evitando assim, a contaminação do solo e das águas subterrâneas. Foto 6 - Situação da rampa de lavagem no mês de fevereiro de 2011 Fonte: STE, 2011. No mês de junho de 2011, conforme mostra a Foto 7 iniciaram as obras no local, na imagem é possível ver a região sinalizada na fotografia anterior com a devida estrutura para construção das canaletas, que tem como finalidade o correto direcionamento das águas de lavagem. 67 Foto 7 - Construção de canaletas, no entorno da área destinada a lavagem de veículos em junho de 2011 Fonte: STE, 2011. Ainda no mês de junho de 2011 foram concluídas as obras e a área da rampa de lavagem estava construída de forma satisfatória, o local que já possuía sistema de separador água e óleo, foi contemplado por canaletas para a condução do efluente gerado na lavagem. A Foto 8 ilustra a região em conformidade. Foto 8 - Canaletas construídas no entorno da área destinada a lavagem de veículos em junho de 2011 Fonte: STE, 2011. As solicitações de melhoria neste canteiro foram atendidas e foram satisfatórias visto que nas demais campanhas de monitoramento os resultados obtidos decresceram, de modo que em fevereiro de 2012 o resultado obtido na análise de 68 HTP do poço de jusante estava igual ao poço de montante, indicando não haver contaminações oriundas das atividades realizadas. Outra situação que pode ser descrita no que tange o controle de contaminação das águas subterrâneas é apresentada nas fotos (Foto 9, Foto 10 e Foto 11) a seguir, as mesmas ilustram o acompanhamento pela gestão ambiental no processo de ampliação do local de abastecimento de veículos e máquinas no lote 1, este local situa-se a montante do poço PC1J2. Na Foto 9 é possível identificar a ampliação do local de armazenagem dos tanques de abastecimento. As obras iniciaram em novembro de 2011 e ao avaliar o resultado da campanha de monitoramento para este mês verifica-se não haver contaminação das águas subterrâneas por esta atividade. Foto 9 - Ampliação do local de abastecimento de veículos e máquinas em novembro de 2011 Fonte: STE, 2011 Já a na Foto 10 identifica-se as canaletas de proteção executadas com objetivo de evitar qualquer tipo de contaminação ambiental durante o processo de abastecimento. 69 Foto 10 - Canaletas de proteção de vazamento de combustível Fonte: STE, 2012. A Foto 11 ilustra o local finalizado que além de canaletas, possui cobertura superior, placas para orientar os trabalhadores e no canto esquerdo (sinalizado em vermelho) identifica-se a presença de kit de mitigação (pá, serragem e tonel) que deve ser utilizado em situação de vazamento durante o abastecimento. Foto 11 - Local com cobertura superior Fonte: STE, 2012. b) Surfactantes O Gráfico 3 apresenta os resultados obtidos na caracterização inicial do parâmetro surfactantes para os poços do canteiro central do lote 1. 70 Gráfico 3 - Caracterização inicial dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para surfactantes Fonte: Autoria própria, 2012 Pode-se observar que em todos os poços deste canteiro central os valores encontrados estavam inferiores ao permitido em águas para abastecimento público (0,5 mg/l) de acordo com a Portaria nº 518/2004 da OMS. O Gráfico 4 contém o resultado do monitoramento de surfactantes desde a caracterização inicial até o mês de fevereiro de 2012. Gráfico 4 - Resultado de monitoramento dos poços PC1M, PC1J1 e PC1J2 para surfactantes Fonte: Autoria própria, 2012 71 Através da análise deste gráfico é possível identificar picos que ultrapassaram o valor permitido para abastecimento humano (0,50 mg/l), esta situação ocorreu tanto no poço de montante (PC1M) como no de jusante (PC1J2). Porém destaca-se que os valores voltaram a retornar a concentrações inferiores 0,50 mg/l. Em março de 2011 no PC1M identificou-se elevada concentração de surfactantes nas águas subterrâneas, o que possivelmente venha a ter como fonte contaminações externas a área do canteiro, visto que este poço encontra-se a montante das áreas com atividades. Na maioria das campanhas os resultados permaneceram inferiores a 0,5mg/l, indicando não haver problemas constantes quanto ao tratamento de efluentes nestas áreas, no entanto destaca-se que em uma situação o poço de jusante ficou acima deste valor. 6.3.1.2 Análise dos poços e identificação das ações no lote 2 O poço denominado por PC2M situa-se a montante do canteiro de obras do lote 2 e serviu como referência para comparação dos resultados obtidos nos poços de jusante PC2J1 e PC2J2. O PC2J1 localizava-se abaixo do pavilhão de oficina e manutenção e o PC2J2 abaixo do local de abastecimento. Para este estudo o parâmetro utilizado para avaliar as águas subterrâneas foi definido pelas atividades realizadas na área anterior a localização dos poços de monitoramento de jusante, sendo então utilizado o parâmetro HTP para a análise. O Gráfico 5 apresenta os resultados obtidos na campanha de monitoramento inicial, denominada por caracterização inicial para o parâmetro HTP. 72 Gráfico 5 - Caracterização inicial dos poços PC2M, PC2J1 e PC2J2 para HTP Fonte: Autoria própria, 2012 Analisando o Gráfico 5 observa-se já na caracterização inicial a concentração elevada de HTP em um poço de jusante (PC2J1), se comparado com este poço, a concentração dos demais apresentou valores inferiores. Este valor elevado na caracterização inicial pode ser procedente de uma antiga instalação existente na área próxima ao poço de monitoramento, a Foto 12 mostra uma antiga estrutura de rampa de lavagem, construída anteriormente ao inicio das atividades deste canteiro de obras. Foto 12 - Estrutura antiga indicando a existência de rampa de lavagem Fonte: STE, 2011. 73 O Gráfico 6 apresenta os resultados obtidos nas campanhas de monitoramento do parâmetro HTP. Gráfico 6 - Resultado de monitoramento dos poços PC2M, PC2J1 e PC2J2 para HTP Fonte: Autoria própria, 2012 Ao analisar o Gráfico 6 verifica-se que o maior valor encontrado nas análises de HTP deste canteiro ocorreu na campanha de caracterização inicial no poço PC2J1. Outra ocasião que se pode identificar um valor de jusante maior que o de montante foi no mês de janeiro de 2011, porém nos meses subsequentes os resultados voltaram a seguir a tendência visto que permaneceram inferiores se comparados com os resultados de montante. As fotos (Foto 13 e Foto 14) ilustram os locais que ficam a montante dos poços de monitoramento das águas subterrâneas e que podem afetar a qualidade destes recursos, entre as atividades da gestão ambiental estão vistorias periódicas a estas áreas. A Foto 13 que ilustra o local de abastecimento de veículos e máquinas deste canteiro, próximo ao PC2J2, instalado em junho de 2010. Verifica-se a presença de canaletas de proteção contra possíveis vazamentos decorrentes do abastecimento de combustível e no canto inferior direito (sinalizado em vermelho) o sistema separador de água e óleo. 74 Foto 13 - Estrutura de proteção do local de abastecimento de veículos e máquinas Fonte: STE, 2011. Na Foto 14 é possível observar o local de manutenção dos veículos do lote, esta estrutura localiza-se a montante do poço PC2J1 e identifica-se a presença de canaletas para evitar possível contaminação ambiental por vazamento de produtos utilizados, bem como verifica-se a organização existente nesta área. Foto 14 - Oficina de manutenção em setembro de 2011 Fonte: STE, 2011. 6.3.1.3 Análise dos poços e identificação das ações no lote 3 Já o poço denominado por PC3M e que situa-se a montante do canteiro de obras do lote 3, serviu como referência para comparação dos resultados obtidos nos 75 poços de jusante PC3J1 e PC3J2. Ambos os poços de jusante localizavam-se abaixo de fossas sépticas. Neste estudo, o parâmetro de monitoramento definido para avaliar a qualidade das águas subterrâneas neste lote foi coliformes termotolerantes. Em alguns meses de monitoramento apresentados no gráfico a seguir destacase que como obteve-se resultado de 1 NMP/100ml tal visualização não foi possível devido a escala utilizada na elaboração do gráfico. O Gráfico 7 apresenta o resultado obtido na campanha de caracterização inicial dos poços localizados no canteiro do lote 3 para o parâmetro coliformes termotolerantes. Gráfico 7 - Caracterização inicial dos poços PC3M, PC3J1 e PC3J2 para coliformes termotolerantes - Escala logarítmica Fonte: Autoria própria, 2012 Analisando o Gráfico 7 observa-se já na caracterização inicial a concentração elevada de coliformes termotolerantes no poço de jusante PC3J2. O Gráfico 8 apresenta os resultados obtidos nas campanhas de monitoramento do parâmetro coliformes termotolerantes. 76 Gráfico 8 - Resultado de monitoramento dos poços PC3M, PC3J1 e PC3J2 para coliformes termotolerantes - Escala logarítmica Fonte: Autoria própria, 2012 Ao analisar o Gráfico 8 verifica-se elevados valores de coliformes nos meses de janeiro e agosto de 2011. Destaca-se que no mês de janeiro onde o PC3J2 apresentou valor acima de 100 NMP/100 ml no poço de montante essa situação também foi identificada, o que significa que tal resultado pode ter origem externa a área com atividades no canteiro de obras. Já o poço PC3J1, que no mês de agosto de 2011 indicou concentração superior a 100 NMP/100 ml, nos meses seguintes obteve resultado inferior (1 NMP/100ml), retratando que tal situação não indicava que as atividades do canteiro de obras estivessem ocasionando contaminação dos recursos subterrâneos. Além das campanhas de monitoramento realizadas, considera-se importante as atividades rotineiras efetuadas durante a etapa de construção da rodovia, onde os canteiros de obras são vistoriados com intuito de controlar e evitar possíveis contaminações, as fotos (Foto 15, Foto 16, Foto 17, Foto 18 e Foto 19) ilustram medidas de melhoria acompanhadas pela gestão ambiental do empreendimento. A Foto 15 ilustra uma situação onde a gestão ambiental identificou efluentes de lavagem de pisos de alojamentos com descarte inadequado. É possível observar o lançamento de águas residuárias oriundas da lavagem de lavagem de piso, bem como a presença de resíduos lançados de maneira inadequada. 77 Foto 15 - Condução inadequada de águas residuárias em julho de 2010 Fonte: STE, 2010. Já a Foto 16 ilustra a melhoria realizada no local que além de correta condução do efluente através de tubulação adequada, o local teve os resíduos sólidos removidos e dispostos em coletores destinados para este fim. Foto 16 - Melhoria no sistema com instalação de tubulação para direcionar o efluente ao sistema de tratamento em julho de 2010 Fonte: STE, 2010. Na Foto 17 verifica-se a execução de adequações no sistema de tratamento de efluentes no canteiro de obras, que estava insuficiente para as atividades realizadas. 78 Foto 17 - Adequações do sistema de tratamento em julho de 2010 Fonte: STE, 2010. A Foto 18 ilustra o local após as melhorias efetuadas. Pode-se observar o local recoberto com solo e gramíneas. Foto 18 - Melhorias realizadas novembro de 2010 Fonte: STE, 2010. A Foto 19 ilustra o local destinado ao alojamento dos colaboradores do canteiro de obras, este local situa-se a montante do poço de monitoramento. O efluente emitido nesta área, recebe tratamento por sistemas de fossas sépticas. 79 Foto 19 - Local a montante do poço de monitoramento em janeiro de 2011 Fonte: STE, 2011. 80 7 CONCLUSÃO Através da análise do EIA, foi possível identificar os impactos ambientais ao meio físico da região de influência do empreendimento decorrentes da implantação da rodovia. Os doze impactos relacionados a este meio foram comparados aos critérios que consideravam a classificação denominada por “importância”, de modo que se chegasse a definição de impactos de no mínimo média importância e que fossem iguais nos cinco trechos da rodovia. O impacto que atendeu a este critério foi o de alteração na qualidade das águas subterrâneas. A partir da definição do impacto ambiental pode-se chegar a seleção do programa ambiental previsto no PBA e definido para mitigação do impacto à qualidade das águas subterrâneas. O programa denominado por programa de monitoramento e controle de qualidade dos recursos hídricos subterrâneos tem como objetivo a mitigação de possíveis contaminações das águas subterrâneas pelas atividades da rodovia. Com a realização das campanhas de monitoramento entre julho de 2010 e fevereiro de 2012, utilizou-se o primeiro resultado obtido como caracterização inicial, e foi antecedente ao início das atividades nos canteiros de obras. Esta caracterização é fundamental ao estudo visto que a partir dela é possível obter o conhecimento da situação da região antes das instalações do empreendimento. As campanhas subsequentes foram então avaliadas comparando os resultados de pelo menos um parâmetro que representasse a atividade realizada, obtidos nos poços de monitoramento de montante com os de jusante para os três canteiros de obras. A partir desta análise, pode-se identificar as situações de contaminação das águas subterrâneas pelas atividades da rodovia. A identificação das ações executadas com vista a mitigação do impacto ambiental foram obtidas nos relatórios enviados ao órgão ambiental. As melhorias realizadas foram eficientes, essa constatação foi decorrente dos resultados das campanhas seguintes onde a concentração do poluente reduziu chegando à valores idênticos aos obtidos nos poços de monitoramento de montante. A ampliação de estruturas também pode ser avaliada onde verificou-se que as atividades ocorreram em conformidade, visto que não houveram resultados elevados nas campanhas de monitoramento realizadas durante a execução. 81 Nesse contexto, considera-se fundamental as atividades realizadas pela gestão ambiental em empreendimentos rodoviários. As solicitações recomendadas de melhoria pela gestão ambiental ocorrem por meio de vistorias periódicas e através dos resultados de monitoramento das campanhas realizadas, sendo então este um método eficaz para controle da identificação de contaminação de águas subterrâneas e para avaliar a efetividade de melhorias executadas. 82 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS (ABAS). Águas Subterrâneas. São Paulo: [s.n.], [200-?]. Disponível em: <http://www.abas.org/educacao.php>. Acesso em: 13 jun. 2012. AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS (ANA). Águas Subterrâneas. Brasília: [s.n.], 2002. Disponível em: <http://www.uniagua.org.br/public_html/website/estudo_aguas_ subterraneas.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2012. AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS (ANA). Indicadores de Qualidade - Índice de Qualidade das Águas. [S.I.], [200-?]. Disponível em: <http://pnqa.ana.gov.br/Indicad oresQA/IndiceQA.aspx>. Acesso em: 14 jun. 2012. BAIRD, Colin. Química ambiental. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. 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