APRESENTAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO
COMUNICAÇÃO VERBAL
Em qualquer atividade do mundo moderno, em permanente evolução, as melhores oportunidades são
aproveitadas por indivíduos que possuem mais informação. Falar em "era da informação", nos dias atuais, chega a
ser redundância. O adequado gerenciamento das informações é um fator decisivo no desenvolvimento pessoal e no
crescimento profissional. A Internet, sem qualquer dúvida, facilitou o acesso à informação e acelerou
substancialmente o seu intercâmbio.
O uso mais disseminado das informações, de qualquer natureza, consolidou uma nova realidade: os
indivíduos com habilidade e coragem de apresentar idéias e informações, têm o poder de persuadir e motivar as
pessoas.
Há, sem dúvida, diversas maneiras de intercambiar informação, inclusive a informação científica, que é a
que nos interessa mais particularmente, no momento. Uma forma das mais eficazes é a comunicação verbal, que
ocorre quando um grupo de indivíduos com interesses comuns ou correlatos se reune. Em nossa área de trabalho,
estamos frequentemente exercitando essa forma de intercambiar informações nos cursos, simpósios, jornadas e
congressos.
Nos congressos e tipos assemelhados de reuniões, as informações são trocadas através da comunicação
oral, a mais importante para a transmissão das idéias. Existe a oportunidade de aprofundar os detalhes de maior
interesse relacionados à informação oferecida, bem como a possibilidade de se obter a repetição ou o detalhamento
de uma informação não completamente entendida. Podem também ser apresentados observações ou pontos de vista
capazes de enriquecer a informação inicial, tornado-a mais clara, concisa e completa. Isto sempre ocorre nos
congressos, ainda que não se perceba; ocorre não apenas nas sessões formais, mas também nas conversas de
corredor e nos intervalos entre as sessões.
A leitura, por mais atenta que possa ser, não tem o poder de transmissão da informação que a comunicação
verbal tem. Na leitura, o autor é desconhecido ou distante; a sua idéia nem sempre é claramente entendida e, mais
importante, não existe a possibilidade do diálogo. A transmissão da informação é passiva. A comunicação verbal, ao
contrário é mais poderosa e versátil.
As pessoas têm, cada vez mais, a necessidade de desempenhar melhor as suas atividades. Entretanto,
conversar sobre a mesma (comunicação verbal) em pequenos ou grandes grupos, registrar ou descrever suas
experiências, idéias ou observações, armazenadas ao longo do tempo, pode ser um exercício penoso, se não houver
uma preparação adequada.
A experiência tem demonstrado que durante a apresentação e discussão dos trabalhos de uma reunião
científica, a quantidade de informações intercambiadas é muito grande, bem como é grande o seu aproveitamento.
Essa experiência, de um modo geral, também contribui para motivar o estudo individual ou em grupo e a
participação em atividades semelhantes. Essa é a razão essencial pela qual as sociedades profissionais e científicas
privilegiam os congressos, ao invés das demais modalidades de intercâmbio de informações.
O desembaraço na conversa informal do dia a dia, tem pouco a ver com o desempenho na comunicação
verbal, como forma de intercambiar informações. É difícil para a maioria dos profissionais de qualquer área, utilizar
adequadamente essa potente modalidade de comunicação. Isto é consequência do simples fato de que a formação e o
treinamento das pessoas são incompletos. Nós não somos ensinados a organizar e registrar o nosso trabalho diário,
analisá-lo criticamente, tirar conclusões e discutí-las de forma ordenada.
Quando os indivíduos são treinados para serem médicos, perfusionistas, psicólogos,fisioterapeutas ou
enfermeiros, na realidade, não se pretende que sejam também exímios oradores ou escritores. Entretanto, é
fundamental que as pessoas sejam habilitadas ao uso adequado da comunicação nas suas diferentes formas,
especialmente a comunicação verbal, como instrumento de aperfeiçoamento e progresso profissional. Isto se
consegue com alguma disposição e um mínimo de treino.
De um modo geral, as pessoas evitam falar em público, por uma série de razões, como "vergonha"
(inibição), medo de "enfrentar" a audiência, medo de não saber responder à alguma pergunta, receio de "parecer
ridículo" ou de dizer "besteiras", etc. Essas "razões", contudo, não tem o menor fundamento; elas apenas servem
para esconder a única e real razão: a falta de treino ou de familiaridade com a comunicação verbal !. É
perfeitamente normal que algumas pessoas "pareçam" mais naturais ou à vontade do que outras, ao falar em grupo.
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A diferença, contudo, reside apenas no quanto uns conseguem "desligar" dos falsos e infundados receios e
concentrar-se na comunicação. Na realidade, é mais importante "ser natural" do que "parecer natural". O
treinamento e a perseverança permitem alcançar aquele objetivo.
A propósito de falar em público, o humorista Jerry Seinfeld conta a seguinte história:
..."De acordo com a maioria dos estudos, o temor número 1 das pessoas é falar em público; o
número 2 é a morte. Se isso estiver correto, a maioria das pessoas que tem que ir a um funeral,
prefere estar no caixão a fazer o discurso de despedida !"
Boas idéias e muita preparação constituem fatores essenciais para o sucesso da comunicação verbal. A
habilidade para expressar as boas idéias, contudo, também é um elemento fundamental. A expressão (comunicação)
verbal pessoa a pessoa ou entre pequenos grupos de amigos, pode servir de importante preparação para falar em
público, em ambientes mais formais ou diante de grandes audiências, como por exemplo, em um congresso ou
reunião científica.
Se a idéia de falar em público o deixa nervoso, não pense que isso ocorre somente com você. Inibição,
nervosismo, ansiedade, tensão, apreensão, medo, pavor, em maior ou menor gráu, ocorrem com qualquer pessoa ao
falar em público. Associados às demais manifestações da descarga de adrenalina, como extremidades frias, sudorese
da fronte e das mãos, palpitações, "sensação de vazio" no estômago e vontade de urinar, constituem um quadro
muito conhecido e freqüente que, entretanto, pode ser perfeitamente controlado ou até mesmo abolido, mediante
uma cuidadosa preparação. Um indivíduo que, apesar de toda a preparação, mantém-se absolutamente incapaz de
falar em público, é excepcional. Os principais requisitos continuam sendo a vontade e a determinação. Podemos
afirmar que, de um modo geral, quem quer falar em público, pode e consegue falar em público.
O "pânico do pódio" é uma experiência muito comum. A platéia, de um modo geral, entende e desculpa o
nervosismo do orador, quando ele é percebido. A maioria das pessoas, contudo, manifesta apenas uma discreta
alteração da voz, que tende a desaparecer à medida que a apresentação progride. A ansiedade e a tensão surgem no
início da apresentação e persistem pelos primeiros dois a três minutos. Depois costumam ceder e, ao final da
apresentação a maior parte dos apresentadores está plenamente confortável.
O conhecimento do assunto a ser discutido, a cuidadosa preparação e o "ensaio" da apresentação, costumam
fazer a diferença. Um bom orador ou apresentador pode, simplesmente, ser produto de muita disposição e
treinamento. Na grande maioria das vêzes a má apresentação deve-se à pouca familiaridade com o tema ou ao
preparo inadequado da apresentação.
O TRABALHO CIENTÍFICO
Podemos definir um trabalho científico como a apresentação (oral ou escrita) de uma observação científica,
ou ainda, a apresentação de uma idéia ou conjunto de idéias, a respeito de uma observação científica. A observação
pode ser relativamente simples ou pode ser complexa, mas deve sempre ser relatada de forma clara, organizada e
concisa, para facilitar a sua compreensão.
A área de computação, pela multiplicidade de dados, parâmetros, procedimentos, ações, reações, materiais,
aparelhos e técnicas envolvidas constituem um campo extraordinariamente vasto, para a observação e a
experimentação e, em conseqüência, para a produção de trabalhos científicos.
As diversas modalidades de comunicação científica podem ser divididas em comunicação oral e
comunicação escrita. As principais formas de comunicação científica oral são:
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Aulas
Palestras
Seminários
Conferências
Apresentações em Congressos:
• Temas Livres
• Mesa Redonda ou Painel
• Simpósio
As principais formas de comunicação científica escrita são:
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Relatório
Poster em Congresso
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Monografia ou Tese
Artigos (Jornais ou Revistas)
Um trabalho escrito ou uma publicação científica escrita, podem ser de vários tipos que, de um modo geral,
dependem da extensão que se deseja dar ao relato da observação científica. Os principais tipos de publicações
científicas são:
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Carta ao Editor
Resumo
Artigo
Capítulo de livro
Tese
Livro
As publicações científicas dos diversos tipos acima enumerados podem assumir um dos seguintes formatos:
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Relato de caso(s)
Trabalho de revisão
Trabalho de atualização
Pesquisa básica
Pesquisa clínica
Relato de trabalho experimental
O relato de caso (casos) é o tipo de trabalho mais simples. Um ou alguns casos interessantes, (seja pela sua
raridade, pela evolução inusitada, pela necessidade de técnicas especiais, etc...) são estudados; as observações mais
importantes no seu transcurso são relatadas e detalhadamente discutidas. A literatura está repleta de excepcionais
exemplos de apresentações de casos de grande importância científica e de elevado padrão de qualidade. A
apresentação de um caso bem estudado e igualmente bem documentado, pode transmitir informações de grande
utilidade.
Nos trabalhos de revisão, um determinado assunto é estudado em profundidade. O conteúdo do trabalho é
a revisão das informações importantes, referentes ao assunto a que o trabalho se refere. Uma revisão bibliográfica
pode servir de base para a elaboração de trabalhos dessa natureza.
O trabalho de atualização coleta as novas informações disponíveis à respeito de um determinado assunto.
Este tipo de trabalho pode conter uma pequena revisão do assunto, seguida da descrição dos novos conhecimentos.
Os trabalhos de pesquisa básica são os mais complexos, porque envolvem pesquisa pura, sem aplicação
imediata. Em geral exploram fenômenos ainda não completamente conhecidos ou estudados.
A pesquisa clínica é muito utilizada para a elaboração de trabalhos científicos. Estuda-se um determinado
fenômeno, evento ou comportamento, em um grupo de casos e o trabalho descreve os resultados encontrados. A
análise pode ser feita em casos passados, pela revisão dos registros (análise ou pesquisa retrospectiva) ou, a pesquisa
é planejada para que os dados sejam coletados à medida em que os eventos em estudo sejam observados (pesquisa
prospectiva).
O trabalho experimental corresponde ao relato de uma pesquisa básica em que há um objetivo ou
aplicação imediata, como por exemplo, testar uma hipótese, aprimorar técnicas em uso clínico, etc.
A comunicação científica do tipo verbal mais comumente usada é a apresentação de TEMAS LIVRES.
Como o próprio nome indica o seu autor ou autores tem total liberdade para escolher o tema e o tipo do trabalho.
Assim, um tema livre pode corresponder à um relato de caso, trabalho de revisão, de atualização, etc... Os temas
livres são as apresentações mais importantes de um congresso. Geralmente, são os trabalhos que trazem novidades e
estimulam o progresso e o desenvolvimento. As informações podem ter aplicação direta na prática diária. Além
disso, o autor tem a oportunidade de mostrar a informação que escolheu, de uma forma sistemática e bem
organizada, ao invés de atender a uma programação pré-estabelecida, como a mesa-redonda ou os painéis.
A preparação do trabalho científico deve incluir uma organização clara e simples, independente da forma
de comunicação selecionada para a sua apresentação, se escrita ou oral.
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PREPARO DO TRABALHO CIENTÍFICO
O principal objetivo de um trabalho científico é comunicar uma observação ou uma idéia a um grupo de
indivíduos potencialmente interessados. Esses indivíduos podem então fazer uso da observação, ou fazer avançar a
idéia mediante as suas próprias observações.
O trabalho científico consiste de informação científica organizada segundo padrões específicos, com o
objetivo de facilitar a sua compreensão. Podemos comparar um trabalho científico à um filme ou uma história, em
que devem coexistir 3 partes harmônicas, princípio, meio e fim. Deve existir também, uma nítida ligação entre essas
três partes, como o "enredo" do filme.
As revistas científicas, na sua totalidade, têm um conjunto de normas de redação, destinadas a orientar os
autores no preparo dos trabalhos para publicação. Embora cada revista tenha as suas próprias normas, em geral, elas
seguem determinados padrões universalmente aceitos. Segundo os critérios mais habituais, o trabalho científico
deve ser constituído das seguintes partes:
Título - O título do trabalho deve ser o mais claro possível e deve permitir identificar o conteúdo do
trabalho ou o tipo de informação que o(s) autor(es) pretende(m) discutir. Exemplos:
Estudo da Elevação do Potássio durante a Infusão Venosa Lenta.
•
Análise do Comportamento Humano diante da Doença.
•
Papel da Enfermagem na Organização da Terapia Intensiva.
Identificação do(s) Autor(es) - O título é seguido do nome completo dos autores, sua qualificação
profissional, a vinculação institucional ou a menção da instituição em que o trabalho foi realizado. O endereço do
autor principal completa a identificação dos autores do trabalho. Exemplo:
João Ribeiro Franco Neto
Escola Municipal “Machado de Assis”
Rua 10 nº 1710 – Setor Norte - 38300-000 Ituiutaba – MG – Brasil
Resumo - A parte que antecede o "corpo" do trabalho consiste de um resumo do mesmo. O resumo deve
conter os principais dados e as conclusões do trabalho. A maioria das publicações limita o resumo a um máximo de
250 palavras. Sua finalidade é permitir aos leitores conhecer o teor do trabalho sem precisar recorrer à sua leitura
integral. O resumo serve também para classificar o trabalho e disponibilizar o seu conteudo pelas diversas
publicações e mecanismos indexadores. Para favorecer a mais ampla divulgação do conteudo do trabalho, muitas
publicações solicitam que o resumo (Abstract) também seja apresentado em Inglês.
Introdução - A primeira parte do trabalho propriamente dito é a introdução. Esta deve ser clara e suscinta e
deve descrever os objetivos do trabalho. Pode indicar os motivos que levaram o autor a escrever o trabalho e pode
descrever algumas das informações já existentes sobre o mesmo assunto. Por exemplo:" O computador e as
tecnologias são ferramentas para a construção de conhecimentos dentro da educação. Os acessos a eles permitem
que possamos visualizar avanços significativos dentro dos conteúdos programáticos escolares..."
Material e Métodos - Nesta parte do trabalho, que segue a introdução, os autores descrevem o tipo e a
quantidade das observações feitas, bem como os métodos empregados para a sua coleta, registro e avaliação.
Exemplo: Material e Métodos: "Após a exposição oral, foi distribuída uma pesquisa inicial para serem preenchidos
pelos mesmos grupos que estariam na sala de informática, utilizando os mesmos compostos nas duas atividades
(foram escolhidos dez compostos de cadeia normal e quatorze compostos de cadeia ramificada) trabalhados na
atividade computacional, que depois..."
Mediante a descrição minuciosa dos métodos usados, o autor informa os leitores sobre os detalhes da
obtenção dos dados em que se baseia o trabalho. Os detalhes devem restringir-se ao que é relevante ao trabalho. Por
exemplo, se o trabalho se refere à concentração do potássio, o material do recipiente em que o sangue é coletado não
tem importância crítica. Entretanto, em um trabalho que quantifica a coagulação do sangue, a citação das
características do recipiente é fundamental. Assim diríamos: ..."as amostras de sangue arterial foram coletadas em
tubos de vidro , para a determinação da atividade dos fatores da coagulação...."
Resultados - Os resultados encontrados são relatados de uma forma organizada e sistematizada. Quando se
estuda um grupo de casos ou de observações, os percentuais da ocorrência de cada observação também são
relatados. A importância e o significado de certos resultados podem ser melhor avaliados pela análise estatística.
Nessas circunstâncias a metodologia da análise estatística também é descrita na seção de material e métodos.
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Discussão - Neste segmento do trabalho as observações de outros autores referentes ao tema do trabalho
podem ser descritas, para comparação. Os resultados encontrados são detalhadamente discutidos e o seu significado
é apontado. A discussão pode ser mais ou menos ampla, conforme o tema estudado.
Conclusões - A análise dos resultados encontrados e o seu significado no contexto em que foram estudados
levam às conclusões do trabalho. Esta seção deve ser bastante clara e concisa. Quando os resultados não forem
inteiramente conclusivos, isto deve ser apontado.
Referências Bibliográficas - A última parte do trabalho é a coleção de referências bibliográficas
efetivamente consultadas para o preparo e a elaboração do trabalho. Esta pode ser apresentada pela ordem de citação
no texto ou pela ordem alfabética dos nomes do primeiro autor de cada referência.
Embora possa parecer "complicado" à primeira vista, quando lemos um trabalho conseguimos identificar
com facilidade, cada uma das suas partes ou "seções" e entender o seu conteúdo. Novamente comparando à um
filme, a introdução o material e os métodos, corresponderiam ao "início" do filme. Os resultados e a discussão
corresponderiam ao "miolo" ou ao "enredo" propriamente dito, enquanto que as conclusões corresponderiam ao
"final" do filme.
A melhor maneira de preparar um trabalho, sem dúvida, é colocar "mãos à obra". O trabalho cooperativo
flui melhor, de um modo geral, em grupos de poucos participantes (3 ou 4 no máximo). A ajuda dos mais
experientes, podem contribuir para acelerar o processo de revisão final do trabalho.
SUGESTÕES
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Escreva um texto claro e conciso. Não alongue excessivamente o texto;
Evite o emprego de gírias e jargões; use linguagem corrente;
Siga o formato habitual do trabalho científico;
Use a primeira pessoa quando for o único autor do trabalho;
Mantenha o mesmo tempo verbal em cada seção do trabalho;
Evite opiniões pessoais, não avalisadas pelos resultados do trabalho;
Defina as abreviaturas na primeira entrada do texto;
Use sub-títulos para separar os componentes do trabalho.
O trabalho preparado para a apresentação oral, não difere substancialmente do trabalho preparado para
apresentação escrita (publicação), exceto talvez pela existência do resumo e das referências bibliográficas,
dispensados na apresentação oral (mas não no contexto do trabalho). Um Tema Livre pode ter a seqüência
semelhante de seções:
•
Introdução,
•
Material e Métodos,
•
Resultados,
•
Discussão e,
•
Conclusões
A criteriosa preparação de um trabalho para apresentação oral é o fator mais importante para uma
apresentação "politicamente correta". Mesmo quando o autor (apresentador) tem muita experiência com o tema do
trabalho.
Para efeitos de exemplo e ilustração, transcrevemos abaixo as normas de publicação da Revista
Intercursos da FEIT-UEMG
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO
INTERCURSOS é uma revista semestral, órgão de comunicação científica da Fundação Educacional de Ituiutaba.
O Conselho Editorial, em reunião, aprovou as seguintes normas:
ENCAMINHAMENTO
Os originais devem ser enviados ao Conselho Editorial da revista em ofício assinado por todos os autores, datado,
contendo: nome completo, formação profissional, titulação acadêmica, endereço institucional completo e endereço
eletrônico, indicação do autor-correspondente; autorização para publicação; declaração de conformidade com as
normas da revista e da não submissão do trabalho à publicação em outro periódico. Devem ser remetidos para o
seguinte endereço:
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Conselho Editorial da Revista INTERCURSOS
Coordenação de Comunicação e Relações Públicas da FEIT
Caixa Postal 431
Fundação Educacional de Ituiutaba - FEIT
Campus da Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
CEP 383002-192 - Ituiutaba-MG
Telefone: (0xx34) 3268-0549 e Fax: (0xx34) 3268-1286
Site: www.ituiutaba.uemg.br
E-mail: [email protected]
ORGANIZAÇÃO E APRESENTAÇÃO
1. Os textos enviados deverão estar redigidos em português e serem inéditos;
2. Reserva-se à revista o direito de publicar ou não as colaborações espontaneamente remetidas ao Conselho
Editorial;
3. Poderão ser encaminhados para publicação artigos científicos, técnicos, de revisão bibliográfica e/ou de crítica
sobre teorias e constructos, resenhas e registros informativos;
4. Não serão aceitos projetos de pesquisa em andamento;
5. O texto, com 10 páginas no máximo, dos artigos deve ser organizado, sempre que possível, em Título, Autores,
Resumo, Palavras-chave, Título em inglês, Abstract, Key-words, Introdução, Material e Métodos, Resultados e
Discussão, Conclusões, Agradecimentos e Referências Bibliográficas. Tabelas e figuras devem ser apresentadas
após o texto;
6. O texto deve ser digitado no Word for Windows 6.0 ou superior, em espaço duplo, fonte Times New Roman 12 e
acompanhadas de uma cópia em disquete, anexando 1 via impressa em papel A4, identificada com o nome do(s)
autor(es);
7. As informações, preferencialmente, não devem ser apresentadas ao mesmo tempo em tabelas, figuras e texto;
8. As fotografias devem ser escaneadas ou gravadas com uma resolução mínima de 300 dpi, devendo ser entregues
separadas do arquivo do texto;
9. Regra geral, as ilustrações (tabelas, figuras, fotos, quadros, mapas etc.), deverão ser apresentados em separado,
titulados e numerados consecutivamente em algarismos arábicos, indicando no corpo do texto o local a ser inserida;
10. O Resumo e o Abstract devem ter no máximo 12 linhas cada; o Abstract deve ser tradução fiel do Resumo. Nas
Palavras-chave (máximo de cinco) recomenda-se evitar palavras presentes no Título;
11. As referências bibliográficas devem seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou (a
critério do Conselho Editorial) outro sistema coerente reconhecido pela comunidade científica internacional;
12. Citações de trabalhos extraídos de Resumos e Abstracts, publicações no prelo e comunicação pessoal não serão
aceitas na elaboração dos artigos.
PROCEDIMENTOS E ANÁLISE
1. Os originais serão encaminhados ao Conselho Editorial, que indicará até três (3) consultores que, em caráter
sigiloso, oferecerão parecer opinando:
a) pela aceitação na íntegra da matéria para publicação;
b) pela devolução ao autor para revisão das partes assinaladas pelos consultores;
c) pela recusa definitiva da matéria.
2. O Conselho Editorial, dependendo da especificidade da matéria, poderá encaminhá-lo para parecer de
Consultores ad hoc;
3. A análise dos originais será feita sem que os consultores conheçam a identidade dos autores;
4. O Conselho Editorial poderá aprovar pequenas alterações de caráter meramente formal, visando à adequação da
matéria aos padrões da revista, não sendo admitida modificação de estrutura, conteúdo ou estilo sem o prévio
consentimento do autor;
5. Os autores serão notificados sobre a recepção de seus artigos dentro de um prazo máximo de 10 dias úteis;
6. Os autores receberão um exemplar do número da revista em que seus artigos foram publicados;
7. Os artigos assinados serão de exclusiva responsabilidade dos autores que, ao remeterem suas matérias,
declararão ceder os direitos autorais à revista, não sendo permitida sua reprodução por terceiros sem autorização
expressa do Conselho Editorial;
8. Os originais recebidos não serão devolvidos, exceto quando o Conselho Editorial julgar necessário para efeito de
adaptação às normas editoriais ou esclarecimento de dúvidas;
9. A recusa definitiva pelo Conselho Editorial liberará a matéria submetida à apreciação para encaminhamento a
outro periódico.
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APRESENTANDO UM TRABALHO CIENTÍFICO
Não há seres humanos iguais. Somos todos diferentes, inclusive nas emoções. A perspectiva de falar em
público, sistematicamente desperta sensações diferentes em cada indivíduo mas, simplesmente ninguém fica
indiferente. A sensação experimentada pelas pessoas varia desde uma leve apreensão até estados próximos do
pânico. Seja qual for a sua reação, ela é absolutamente normal. "Não seja presunçoso", não pense que as reações de
ansiedade, medo ou pavor, ocorrem apenas com você. As sensações desagradáveis, sejam quais forem, quase sempre
cessam logo após o início da apresentação e costumam ser o maior obstáculo à que as pessoas se disponham a falar
nas reuniões e congressos.
O melhor conselho para quem vai apresentar um trabalho em uma reunião é também o mais simples: Seja
natural, seja você mesmo. Jamais procure parecer uma pessoa que você imagina que a platéia espera ou pensa que
você é. Na verdade, a platéia quer você mesmo, exatamente do modo como você costuma ser. Assim, você elimina
metade das suas preocupações e pode concentrar os seus esforços em fazer uma apresentação correta, sem precisar
"representar um personagem".
Prepare e estude bem o seu trabalho; conheça os seus pontos importantes. Use recursos audiovisuais
(diapositivos ou slides) para ilustrar a sua apresentação. Prepare os "diapositivos" depois que o trabalho estiver
organizado em suas principais idéias e observações. Os diapositivos devem funcionar como um "roteiro" do seu
trabalho e devem auxiliar a platéia a captar as informações que você pretende passar. Um diapositivo bem elaborado
pode transmitir qualquer informação, por mais complicada que possa parecer. Não coloque muito texto em um único
diapositivo. Não leia simplesmente o texto do diapositivo, mas procure transmitir a idéia, com palavras semelhantes
ou uma explicação mais detalhada.
Um roteiro escrito pode ser um grande auxiliar para que se mantenha uma seqüência pré-estabelecida para a
sua apresentação. Ainda que a apresentação seja oral, escreva o seu trabalho, da forma como vai ser apresentado.
A leitura de um trabalho bem elaborado é um meio excepcionalmente adequado para comunicar uma idéia
ou uma observação científica. A leitura ajuda a eliminar muito da ansiedade e das preocupações do apresentador.
Embora a leitura seja uma prática pouco usada em nosso meio, nos congressos internacionais a quase totalidade das
apresentações orais corresponde à leitura dos trabalhos previamente preparados. Em nosso meio, a leitura dos
trabalhos não é habitual, provavelmente muito mais em função do hábito ou "vício cultural" do que em função da
maior ou menor habilidade dos apresentadores. A leitura de um trabalho adequadamente preparado ilustra o respeito
do apresentador para com a platéia, os organizadores do congresso e com os demais apresentadores, ao assegurar
que o tempo destinado ao trabalho será respeitado.
Respeite o Tempo
Prepare a sua apresentação rigorosamente dentro do tempo destinado à mesma. Nada pode ser mais
irritante para uma platéia do que um orador prolixo e dispersivo, que ultrapassa o tempo destinado à sua
apresentação. As piores apresentações dos congressos, em geral, são as longas, que ultrapassam o tempo previsto.
A quantidade de informações ou o seu detalhamento devem respeitar o tempo disponível. Seja claro e objetivo. É
lamentável que os coordenadores das sessões dos nossos congressos, por pura ingenuidade ou despreparo, deixam
de cumprir a sua função mais importante que é a de fazer respeitar o tempo destinado a cada apresentação. Essa
falha, tão comum, prolonga desnecessariamente as sessões, atrasa o andamento do evento, prejudica os
apresentadores das últimas sessões e os participantes interessados em ouví-los. O saudoso Prof. Zerbini, ao
coordenar qualquer sessão científica, jamais permitia a um apresentador, por mais ilustre, prolongar-se além do
tempo previamente estipulado.
Iniciar e terminar uma apresentação no tempo estipulado pelos organizadores de um evento
é uma prova de boa educação e de respeito, que a plateia frequentemente retribui com o aplauso
mais generoso e de respeito recíproco.
Evite perda de tempo com citações ou elucubrações desnecessárias. Seja direto. Um grande número de
apresentadores acha que deve contar a história, antes de iniciar a apresentação propriamente dita. Alguns oradores
exageram tanto nesse aspecto que, ao final dos 10 minutos destinados ao tema livre, ainda estão na introdução do
tema. Certos apresentadores são contumazes nesse exagero e já são "antigos conhecidos" das platéias dos
congressos.
Evite os repetitivos jargões dos apresentadores, como por exemplo: ..."infelizmente o tempo é insuficiente
para demonstrar os principais aspectos relacionados ao tema que nos propomos discutir nessa sessão"... Além de não
significar muita coisa estas frases desperdiçam uma parte do tempo que o apresentador considera tão precioso.
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Enquanto estiver falando, retribua a atenção que a platéia dispensa ao apresentador. Olhe para o seu
público; não fixe o olhar apenas em algum conhecido sentado na primeira fila ou nos slides que ilustram a sua
apresentação.
Falar em público e preparar trabalhos científicos são produto de força de vontade e de treinamento, mais do
que qualquer outra coisa. O adequado preparo e a correta apresentação de trabalhos (escritos ou verbais) distinguem
e diferenciam um profissional dentre seus pares.
O seguintes conselhos são úteis para uma apresentação de boa qualidade:
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Escolha um assunto importante
Escolha um tópico interessante
Estabeleça seus objetivos para a apresentação
Organize suas idéias
Use recursos audiovisuais para ilustração
Capte a atenção da platéia
Use linguagem clara, objetiva e correta
ELEMENTOS PARA UMA BOA APRESENTAÇÃO
Adaptado de Lenny Larkowski
Autor dos Livros: "Apresentação sem Esforço" e "O Caminho Fácil para a Apresentação de Sucesso".
..."Metade do mundo é constituido por indivíduos que tem alguma coisa a dizer mas não podem fazê-lo; a
outra metade não tem nada para dizer e insiste em fazê-lo"... (L. Laskowski).
Qualquer um pode falar em público. Nem todos, contudo, podem falar efetivamente em público. Para isso,
há 6 elementos que devem ser considerados:
Esteja Preparado
Estar preparado é, sem dúvida nenhuma, o elemento mais importante para uma apresentação correta e
eficiente. Como regra geral você deve dispender cerca de 30 horas entre preparo e ensaios, para cada hora da sua
apresentação. Desse modo, para um tema livre de 10 minutos, devemos gastar aproximadamente 5 horas entre o
preparo e o treinamento para a apresentação.
Experiência Pessoal
Sempre que possível use exemplos e casos da sua experiência pessoal. Intercale pequenos casos que podem
enfatizar o seu ponto de vista. Compartilhe a sua experiência com a platéia.
Mantenha a Calma
Para manter a calma você deve estar preparado para a apresentação. Focalize sua atenção na apresentação e
não na platéia. Use gestos e movimente-se. Pratique a abertura da sua apresentação; planeje exatamente como ela
deve ser e como você vai fazê-la. A platéia, em geral, julga você nos primeiros 30 segundos da sua apresentação.
Use Humor Natural
Não tente transformar sua apresentação numa comédia. Sob determinadas circunstâncias, contudo, uma
ligeira "pitada" de humor pode ser benéfica à sua apresentação. Use um humor natural; faça um leve gracejo com
alguma coisa que você disse ou mostrou. Mas lembre-se nunca faça piadas com alguém da sua platéia, ainda que
seja seu amigo. Em geral as pessoas apreciam um leve toque de humor na apresentação, quando este é apropriado e
de bom gosto. De outra forma o humor pode ter efeito negativo na apresentação. Na dúvida, ou se você não tem
experiência com a apresentação oral, talvez seja melhor evitar este quesito.
Planeje seus Gestos e Posição das mãos
Durante o ensaio da sua apresentação observe momentos em que um determinado gesto pode acentuar a
importância da sua mensagem. Estabeleça cerca de três posições em que você deve ficar a maior parte do tempo e
pratique como mover-se entre elas e em que momento da apresentação isso deve ser feito. Evite ficar parado no
mesmo ponto com as mãos para tráz ou no bolso, durante todo o tempo da apresentação. Fale preferencialmente de
pé, a menos que a organização da mesa requeira o contrário. Sempre que se mover, mantenha contato visual com a
platéia.
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Atenção aos detalhes
Preste muita atenção a todos os detalhes. Certifique-se de saber a data, local, sala e a hora exatos da sua
apresentação. Procure saber como chegar ao local com antecedência. Informe-se sobre a audiência prevista, tipo,
número aproximado de participantes, especialmente se você pretende distribuir um resumo escrito da sua
apresentação. Chegue ao local com alguma antecedência, para uma checagem final das condições gerais e ainda a
tempo de promover eventuais ajustes, se necessário.
Lembre-se que a falta de planejamento é a maneira mais fácil de fazer uma apresentação sem sucesso.
OUTRAS "DICAS" SOBRE A PREPARAÇÃO DA APRESENTAÇÃO
A melhor maneira de "dar a impressão" de que você conhece o assunto de que está falando é realmente
conhecer o assunto sobre o qual versa a sua apresentação. Isto significa que você deve conhecer bem o assunto e
estar capacitado a responder algumas perguntas relacionadas ao mesmo. Por outro lado, é impossível para qualquer
apresentador estar preparado para responder toda e qualquer pergunta sobre o assunto. Assim, não é nenhuma
vergonha responder não sei, quando a resposta não lhe ocorre imediatamente. Esta resposta é preferível à uma
resposta incorreta, incompleta ou à uma divagação não conclusiva sobre o tema da pergunta. Evite o "tiro no
escuro". A platéia aceita melhor e compreende perfeitamente. Até porque nem todas as respostas são conhecidas, em
relação a muitos assuntos.
As apresentações científicas invariavelmente usam recursos visuais, habitualmente slides ou transparências.
O tempo de duração da sua apresentação também vai determinar o número de slides adequado. Ao ensaiar a sua
apresentação você poderá adequá-la exatamente ao tempo disponível. Uma boa regra de "algibeira" para determinar
o número ideal de slides é considerar adequado, no máximo, um slide simples para cada minuto de apresentação.
Alguns oradores usam uma relação um pouco menor. Isto também vai depender da complexidade dos
slides. A apresentação de um tema livre com a duração de 10 minutos deve ser feita com um número de slides entre
6 e 8. Um apresentador experiente, usando slides bastante simples, pode atingir o máximo de 10 slides (1 por
minuto). Um número maior de slides, indiscutivelmente assegura que ou o tempo da apresentação será ultrapassado
ou os últimos slides não serão mostrados. Nos dois casos, a plateia percebe e lamenta que a apresentação não tenha
sido adequadamente preparada.
Ao ensaiar a sua apresentação faça-o para um pequeno grupo de amigos ou sozinho, diante de um espelho.
Você pode gravar em fita ou em vídeo e vai ter uma ideia completa de como a apresentação pode ser melhorada ou
modificada, até estar rigorosamente dentro do que você planejou.
Grupo de Estudo
É recomendável formar um grupo de estudos, preparar trabalhos e ensaiar a sua apresentação, dentro do
grupo, com a finalidade de adquirir uma experiência que será de extrema valia nos congressos. Para os ensaios
podem ser usados alguns trabalhos publicados na literatura e permitem adquirir experiência com o preparo e a
apresentação.
Em conclusão, a vontade de realizar é o grande propulsor de cada apresentador. Existindo a vontade, todos
os obstáculos, por maiores que possam parecer, são facilmente transpostos.
APRESENTAÇÃO DE TEMAS LIVRES
Receitas, "dicas" & sugestões (*)
Prof. Dario Birolini
Introdução
Estas linhas são dedicadas aos meus jovens colegas que se iniciam na carreira acadêmica e que se vêem na
contingência de apresentar algum "tema livre". Fundamentam-se em longa vivência de jornadas e congressos e
pretendem alertar sobre uma série de curiosidades que cercam tais apresentações orais e que, não raramente,
dificultam a comunicação entre quem fala e quem ouve. Embora destinadas especificamente àquelas que pretendem
apresentar breves comunicações orais, os chamados "temas livres", ainda assim algumas recomendações poderão ter
um "espectro" mais amplo. Não interprete esta palavra como iniciativa de alguém que se acha imune às falhas que
serão assinaladas. Pelo contrário, vai, nestas considerações, uma grande dose de autocrítica. Tenho a mais absoluta
9
convicção de ter percorrido toda a longa seqüência de erros e cacoetes assinalados a seguir. Não me leve a mal,
portanto. Seja como for, se ao ler as primeiras linhas, se sentir magoado por elas, nada mais fácil do que jogar tudo
no cesto de papéis e esquecer o assunto. Se isto acontecer, ainda assim sugiro que, no futuro, passe a observar com
espírito crítico o desempenho de outros apresentadores e conferencistas e, o que mais importa, seu próprio
desempenho.
O Convite
Ser convidado a participar de um evento científico é, em princípio, motivo de satisfação. Na prática,
entretanto, estabeleceu-se uma escala arbitrária (e, pelo menos em parte, injustificada) de valores, de acordo com a
qual tipos diferentes de apresentações recebem "escores" diferentes. Uma conferência magistral de 60 minutos vale,
digamos, 100 pontos. Já uma "mini-conferência" de 20 ou 30 minutos alcança nota 70 ou 80. Um tema livre não
passa de 50 e um "mural", quando muito, é avaliado em 20 pontos. Não vamos entrar no mérito da questão. Quero
deixar claro, porém, que estou convencido que 15 minutos são tempo suficiente para discorrer com propriedade (ou
pelo menos, para fazer uma análise clara e objetiva) sobre qualquer assunto. Depende, única e exclusivamente, de
como se planeja e executa a apresentação. Por isso, ao ser convidado para um evento, se a Comissão Organizadora
lhe conceder "apenas" 15 minutos, não se sinta menosprezado. Empenhe-se, isto sim, para fazer com que estes 15
minutos sejam os melhores do evento. Planeje sua participação com entusiasmo e objetividade, e apresente sua
contribuição como se fosse a mais importante de sua vida.
Lembre-se, entretanto, que o requisito essencial para que sua atuação seja destacada é que você conheça
bem o assunto. Não aceite um convite simplesmente porque se sente lisonjeado pela oportunidade de se apresentar
em público ou porque deseja enriquecer seu currículo.
Finalmente, não se esqueça de sua responsabilidade, ao apresentar suas considerações: Deverá haver muitas
pessoas inexperientes na platéia e que estarão propensas a aceitar suas afirmativas sem restrições e sem crítica e a
aplicar o que tiverem ouvido. Vidas e saúde de pacientes podem depender do que você transmite. Portanto, cuidado.
Não seja categórico demais. Tenha a humildade de aceitar que você pode estar errado ou que suas conclusões podem
não ser definitivas.
O Planejamento
Como para qualquer outra iniciativa, o planejamento de uma apresentação é tão importante quanto à
exposição em si. Por isso dedique-lhe tempo e atenção. Não deixe para a última hora. Não improvise uma
apresentação, montando uma série desbaratada de diapositivos (dando graças a Deus pelo atraso do vôo!).
Minhas sugestões são as seguintes:
I - A elaboração do plano de trabalho
Uma apresentação de tema livre nada mais é, na realidade, do que a síntese verbal de um trabalho
científico. Por isso, deve constar, em linhas gerais, dos mesmos componentes de um trabalho escrito:
•
Uma introdução, na qual se expõem e se justificam claramente os objetivos pretendidos.
•
Apresentação da casuística e/ou dos materiais e métodos utilizados
• Discussão, na qual se comparam os resultados alcançados com os da literatura e se
interpretam os resultados.
• Um capítulo de conclusões que sintetiza as principais mensagens do trabalho, baseadas nos
resultados apresentados, e que permite concluir se os objetivos pretendidos foram alcançados.
O componente mais importante é, seguramente, a apresentação de seus resultados. Para tanto, é
fundamental que haja resultados e que sejam seus. Em outras palavras, que sua apresentação se fundamente em
dados concretos e não "nos seus 20 anos de experiência", no seu "achômetro", na sua "bola de cristal". Você
somente chegará a ser respeitado cientificamente se sua comunicação se der através de dados e não de impressões.
Através de "casuísticas" e não de "casos". A sua vivência "com aquele caso", a sua opinião a respeito do que deveria
ou poderia ter sido feito são comentários interessantes, mas que devem ficar para a rodada de chope programada
para a noite, com seus amigos e admiradores.
II - Preparação dos Diapositivos
O material utilizado para ilustração pode representar o ponto alto de sua apresentação ou significar a
catástrofe total. Gostaria, por isso, de oferecer-lhe algumas sugestões básicas, que me parecem importantes.
10
1.
Em primeiro lugar, transmita à platéia a impressão (pelo menos a impressão, ainda que não seja
verdadeira) de que os diapositivos foram elaborados especialmente para aquela apresentação. Não há
pior atitude que misturar diapositivos "catados", alguns coloridos, outros em branco e preto, uns
velhos, decorados aqui e ali, com fungos variados, outros recém-saídos do "forno". Procure preparar o
material visual para "aquela" apresentação. Aliás, procure confeccionar de modo geral, "todos" os
seus diapositivos dentro de um mesmo padrão de modo que, ainda que pertençam a diferentes
palestras que você já ministrou, obedeçam a um "visual" uniforme.
2.
Um segundo aspecto, da maior importância, é a utilização das cores. Os clássicos diapositivos em
branco e preto continuam sendo instrumentos excelentes de ilustração. Difícil, no entanto, é resistir à
tentação de utilizar diapositivos em cores. Eles são bonitos, permitem que o leitor possa discernir
melhor alguns dados, ajudam a dar maior destaque a informações que você julga mais relevantes,
ilustram com maior clareza os pormenores anatômicos de peças cirúrgicas, etc. Lembre-se, porém,
que eles não passam de instrumentos auxiliares e não podem transformar-se em espetáculo pirotécnico
em tecnicolor que, mais do que auxiliar sua apresentação, distraem a assistência. Estes comentários
valem particularmente para os diapositivos nos quais se utiliza, como “fundos”, uma figura. Não é
raro que a figura de fundo capte a atenção do ouvinte e o distraia, na tentativa de entendê-la ou de
justificá-la. O material visual deve ajudar a tornar mais clara sua apresentação, e não mais confusa!
3.
Outro erro comum é colocar longos textos nos diapositivos. Existem apresentações de temas livres na
qual a mensagem verbal (ou seja, a apresentação em si) acaba sendo totalmente supérflua. Basta ler os
diapositivos. Evite, na medida do possível, a "cola" visual.
4.
Nada mais desanimador que um diapositivo que possui uma avalanche de informações
(particularmente quando se trata de tabelas). Antes que a "vítima", sentada à sua frente, possa situar-se
no diapositivo, muitas de suas palavras serão perdidas. A atenção do ouvinte não pode ser dispersa por
uma carga excessiva de dados. Limite os dados ao essencial, para ilustrar suas palavras. A boa norma
é restringir a quatro ou cinco linhas o conteúdo do diapositivo, e utilizar corretamente o espaço
disponível, com caracteres (letras e números) facilmente legíveis de qualquer ponto da sala.
5.
Apresentar ou adaptar tabelas, gráficos ou figuras de trabalhos de outros autores pode ser um
excelente instrumento de ilustração e comparação, desde que utilizado com critério. Lembre-se,
entretanto, que se alguém o convida para apresentar um trabalho é porque deseja conhecer seus dados
e/ou saber sua opinião ou do serviço que você representa. Como corolários, resultam as seguintes
sugestões: Utilize dados de outros serviços com parcimônia; sempre que os apresentar (qualquer que
seja sua natureza) cite obrigatoriamente a fonte (referência bibliográfica completa), para permitir que
o ouvinte tenha acesso ao trabalho original; nos diapositivos que refletem a experiência do seu
serviço, assinale o fato, para que não pairem dúvidas a respeito.
6.
A apresentação de documentação de casos pode ser de inestimável valor para consubstanciar sua
argumentação. Cuide, porém, de limitar o número de casos ao essencial: Um caso ilustrativo, bem
selecionado e documentado, costuma ser suficiente, na maioria das vezes. De qualquer forma, resista à
tentação de demonstrar toda sua experiência de 115 casos de ferimentos de apêndice ou de 232 casos
de unha encravada! Ninguém desconfia, "a priori", de sua honestidade. Se você afirma que operou "n"
casos, todos acreditarão em suas palavras, ainda que você não apresente os casos um a um. Chamo a
atenção, particularmente, para a documentação imagenológica. Depois de ver 42 filmes de ultra som
de abdome, para exemplificar os achados na ruptura de baço ou na colecistite aguda, pode estar certo
de que os ouvintes estarão à beira do colapso!
7.
E, aproveitando a "dica", não se esqueça que em 15 minutos decididamente, não cabem 42
diapositivos. Um número adequado é de 10 a 15 diapositivos, no máximo. Somente assim poderá
transmitir uma mensagem que seja "metabolizável". Por outro lado, evite projetar um único
diapositivo e ficar de luz apagada durante todo o tempo discorrendo sobre o tema. Quase certamente
este diapositivo é dispensável, mas agirá seguramente como um soporífero infalível.
Digamos que você tenha planejado exemplarmente sua apresentação e que seus diapositivos sejam de
excelente qualidade. Ótimo. Isto, porém, não garante seu sucesso. Existem ainda alguns aspectos importantes a
serem considerados.
1.
A não ser que você seja um superdotado, possuidor de "transmitogens" incorporados ao seu patrimônio
genético, ou que seja capaz de "dar nó em fumaça", lembre-se que, se começar a improvisar, a enrolar,
a pedir que volte o diapositivo prévio por ter esquecido de transmitir alguma informação importante,
sua apresentação corre o perigo de ser um fracasso. Por isso, é essencial que adote duas atitudes. Em
11
primeiro lugar verifique a seqüência e a posição de seus diapositivos no "carrossel". Em segundo
lugar, treine a apresentação com seriedade.
2.
O treinamento costuma ser a forma mais eficiente de selecionar e ordenar seus diapositivos, de
escolher suas palavras, de limitar-se ao tempo disponível. De preferência faça sua "prévia" na presença
de alguém bem chato (como eu, por exemplo). Se não ficar satisfeito repita uma, duas, três vezes a
apresentação, até memorizar a seqüência dos diapositivos, de modo a não ter que olhar ostensivamente
para a tela durante a apresentação, para ver o que está escrito no diapositivo que está sendo projetado
ou à espera do diapositivo seguinte. Nada mais constrangedor que o silêncio que precede o pedido do
"próximo diapositivo", que deixa patente que você não tem a mínima idéia do que irá dizer a seguir.
Lembre-se (e desculpe a insistência) que o diapositivo deve ilustrar sua fala, e não servir como "cola".
Não hesite em preparar o texto de sua apresentação por escrito e em lê-lo, se isto lhe der maior
segurança. Esta atitude em nada diminui seu brilhantismo, e pode contribuir substancialmente para
aprimorar seu desempenho (particularmente quando acontece a catástrofe mais temida: a queima da
lâmpada do projetor de diapositivos). Aliás, escrever o trabalho a ser apresentado deveria ser um
hábito, ainda que o texto não fosse utilizado na apresentação.
3.
Quinze minutos podem ser uma eternidade ou um instante. Depende de como você distribui seu tempo.
Não perca tempo com formalidades desnecessárias, tais como... "ilustríssimo Sr. Presidente, Prof. Dr.
Austragésilo Camarinha da Silva Araújo, digníssimo presidente do Congresso; meu caro Professor José
da Silva Rodrigues da Cunha, homem ilustre professor de Técnica Cirúrgica da Faculdade de Medicina
da Universidade de Xiririca da Serra, ao qual devo toda minha formação; mui digno Professor Euclides
Cabral Sousa e Lima, ex-secretário de educação, esportes e cultura do município de Santa Bárbara do
Norte, em cuja gestão foi lançada a pedra fundamental do futuro Hospital Universitário da zona Sul do
município de Caucaia do Alto que deverá atender à população carente... ". Seja educado, mas conciso.
Seja atencioso, mas evite perder de vista o objetivo fundamental de sua presença no pódio: a
apresentação de seus resultados.
4.
Um dos ingredientes de seu desempenho, que pode ser dos mais saborosos, é a maneira pela qual as
informações são transmitidas. Faça o possível para utilizar todos os predicados que possui (bem...
quase todos!) a fim de manter a atenção da platéia. Evite a monotonia em sua entonação, fale de modo
audível, pronuncie claramente as palavras, olhe para a assistência como se estivesse dialogando com
ela, solte-se e mexa o corpo naturalmente (mas não demais: digamos que se trata de uma valsa e não de
uma lambada!). Movimente-se, se o ambiente o permitir, mas evitando interceptar o feixe de luz
emitido pelo projetor.
5.
Não deixe de encarar seus interlocutores: dar aula "de costas" não é, decididamente, uma postura
recomendável! A comunicação visual (olhos nos olhos!) é essencial. Evite ficar com as mãos no bolso,
limpar seus orifícios naturais (refiro-me aos vestíbulos das fossas nasais e aos ouvidos), se coçar, etc.
Ao usar o microfone, procure mantê-lo à distância adequada da boca e não "passeie" com ele por aí, ao
redor de sua cabeça. Um dos erros mais comuns observados é a "queda" do microfone que,
progressivamente, passa a transmitir os batimentos cardíacos do apresentador e, a seguir, seus ruídos
hidro-aéreos, em prejuízo de suas palavras. Ou, então, sua utilização como ponteiro.
6.
Desde que devidamente preparados, os diapositivos costumam ser auto-explicativos. Entretanto, é de
hábito oferecer aos apresentadores um ponteiro. A utilização deste recurso, aparentemente simples,
deve ser feita parcimoniosamente em obediência a alguns princípios. Assim, o manuseio do ponteiro
como se fora a vareta de um maestro não costuma ser eficiente.
7.
Carregá-lo nas costas, à moda de uma vara de pescar ou de uma trouxa, também não é recomendável.
Entretanto, o erro mais freqüente consiste, sem dúvida, no total esquecimento por parte do
apresentador de que o ponteiro serve para chamar a atenção da platéia, para um ou outro ponto que
mereça ser ressaltado. É comum que o apresentador utilize o ponteiro para si, ou seja, aponte a imagem
desejada sob sua própria perspectiva, esquecendo que os ângulos de visão dos que assistem é
totalmente diferente. Nestas circunstâncias, torna-se necessária uma imensa ginástica mental e uma
grande dose de conhecimentos de geometria espacial para traçar a linha imaginária que, prolongando o
eixo do ponteiro, une sua extremidade à imagem projetada na tela. Geralmente quando o ouvinte
consegue a façanha, já está sendo projetado o diapositivo seguinte. Recentemente está sendo utilizado,
com freqüência crescente, o ponteiro "laser". É um instrumento excelente, mas perigoso quando mal
utilizado, pois pode causar torcicolo e crises de labirintite e de cinetose em quem senta no auditório.
De fato, a manchinha vermelha projetada pelo aparelho produz um efeito hipnótico na platéia. Os olhos
não conseguem desprender-se dela e a acompanham dentro e fora da tela, quando circula
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alucinadamente pela imagem projetada, quando passa a velocidade supersônica pelo assoalho e pelo
teto ou quando dança loucamente pelas paredes. Por isso, utilize o ponteiro laser através de impulsos
curtos e firmes, e somente para enfatizar o que lhe interessa demonstrar. No intervalo, não se esqueça
de tirar o dedo do "gatilho".
8.
A linguagem utilizada é outro instrumento fundamental, seguramente o mais importante, para
estabelecer a comunicação e garantir a transferência das informações contidas no trabalho. Creio que
falar bem em público não se aprende do dia para a noite e depende, em grande parte, do perfil cultural
e psicológico do apresentador. Não se esqueça porém que o que se espera de você não é uma brilhante
demonstração de oratória. Deseja-se, tão somente, que a apresentação seja clara. Por isso, insisto, treine
sua apresentação. Procure estabelecer um encadeamento simples, linear, nas suas frases. Faça-as
curtas, sem esbanjar adjetivos e advérbios. Utilize palavras cujo uso e sentido conhece e domina.
Quando ouço alguém afirmar que "... houveram cinco óbitos" garanto-lhe que tenho ganas de aumentálos para seis, estrangulando o apresentador. Não dê voltas, não repita, não quebre a seqüência, não
deixe que os diapositivos interrompam seu raciocínio. E, pelo amor de Deus, tente evitar palavras ou
expressões de gíria. Não diga "a gente"; "Nós" ainda serve. "Bacana" pode ser "bom". "Legal" pode ser
"correto". "Chato" pode ser "desinteressante". "Baita" pode ser "grande". "Superimportante" costuma
ser apenas "importante". Tome cuidado, quando possível, para não se exceder em neologismos,
anglicismos, galicismos, etc., etc., embora seja obrigado a admitir que, não raramente, representam a
opção mais conveniente para expressar uma idéia ou descrever um aparelho. Piadinha e comentários
engraçados podem constituir-se em recursos interessantes para manter a platéia atenta. Entretanto, ter a
sensibilidade para saber quando e como deles lançar mão com espontaneidade, é algo inato. Se tal
característica não faz parte de seu patrimônio genético, não se arrisque pois poderá cair no ridículo e
transformar-se em motivo de piada...
9.
Uma palavra final a respeito dos cacoetes. "Né", "tá", "certo", "quer dizer" e muitos outros poluem as
apresentações, às vezes de forma tão ostensiva, que o ouvinte é tentado a contá-los, quando não a fazer
apostas com os vizinhos: quem conseguir acertar o número de "nés" ganha o "bolão". Há quem inclua
um "extremamente" a cada três palavras, talvez para tentar convencer a platéia da importância de suas
idéias (particularmente quando elas não são tão importantes assim !). Tente ouvir-se. Preste atenção em
sua linguagem. Registre, se puder, suas apresentações e ouça-as com calma.
10. A quase que obrigatoriedade de lançar mão de diapositivos para conseguir tirar o máximo proveito do
tempo disponível implica em ter que reduzir a luminosidade do ambiente. Evite a escuridão total, a não
ser que seus diapositivos o exijam. Prefira a "meia luz" de modo a não interromper totalmente a
comunicação bidirecional entre você e seus ouvintes, que deve ser defendida a unhas e dentes. Lembrese: olhos nos olhos! E, se possível, mantenha a luz totalmente acesa. Aliás, esta é uma das vantagens
dos diapositivos em branco e preto (ou em preto e branco), que não costumam exigir o escurecimento
do ambiente para se tornarem legíveis. Se houver a possibilidade, não se acanhe de pedir "luz" durante
sua apresentação, quando por exemplo, estiver dando vazão a alguma elucubração mental ou fazendo
algum comentário. Um banho de fótons é um santo remédio contra a modorra. Ainda neste sentido, não
esqueça de dois meios de comunicação às vezes considerados arcaicos, mas que podem ser
extremamente eficientes se devidamente utilizados e desde que as condições o permitam: a lousa e o
retroprojetor. Ambos (a lousa mais que o retroprojetor) permitem que você mantenha um diálogo
bastante dinâmico e interativo com seus interlocutores.
Os Sinais de Alerta
Por melhor que seja seu preparo e seu material, sua apresentação pode não estar satisfazendo ou motivando
os ouvintes. Aliás, é praticamente impossível que você consiga despertar o interesse de todos. Como em qualquer
outra atividade, há dias em que o nosso desempenho é brilhante e outros em que o é, mas não tanto. Não fique triste,
portanto, se verificar que a freqüência não alcança as 1.000 pessoas que você esperava ou se, ao acender as luzes,
perceber que meia dúzia de "indisciplinados" se esgueiraram, aproveitando a escuridão. São os ossos do ofício! Há,
entretanto, alguns sinais de alerta, claras evidências de progressivo desinteresse, que você deve aprender a
reconhecer e valorizar para, quem sabe, mudar o tom de sua apresentação, soltar alguma piada, pedir luz, derrubar o
microfone ou, em última instância, chegar mais depressa às conclusões.
Os sinais de alerta reúnem-se em dois grandes grupos: os que surgem quando a platéia, por quaisquer
motivos, é impedida de retirar-se, e os que acontecem quando a platéia sente-se livre para abandonar o recinto.
Entre os primeiros, que caracterizam a platéia "cativa", podem ser reconhecidos vários subgrupos que
dependem da hora, do local, de fatores climáticos (sol/chuva, frio/calor etc.), do nível etário e cultural dos ouvintes e
de outros vários fatores.
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1.
Um subgrupo é conhecido por "desligamento neuronal progressivo" (DNP). Começa com um
bocejo isolado, prossegue por salvas de bocejos, irritantemente contagiosos aliás, continua com o
"afundamento" na poltrona seguido por rápidos cochilos durante os quais a cabeça fica "pescando",
perigosamente instável em cima do pescoço, e termina em sono declarado, às vezes acompanhado por
sonoros roncos que costumam ter o efeito benéfico de interromper a seqüência. Uma variante desta
síndrome é a catatonia transitória que geralmente aparece nas pessoas que se sentam na primeira fila.
2.
Outro subgrupo é caracterizado pela "síndrome da agitação crescente" (SAC). Você começa a
perceber que os ouvintes mudam de posição a toda hora, ouve o chiar das poltronas ou o arrastar das
cadeiras, o arranhar das gargantas, o estalar dos dedos e outros sinais do gênero que se avolumam em
um crescendo incontrolável, até abafar totalmente a sua voz. A consulta compulsiva ao relógio a
intervalos de não mais de 15 segundos e o tocar dos alarmes neles embutidos fazem parte, também,
desta síndrome, embora possam ser reconhecidos nas demais.
3.
O último subgrupo é o do "desinteresse total e nefasto" (DTN). Vizinhos de poltrona, que não se
conheciam previamente, apresentam-se e começam uma animada conversa sobre a cotação do dólar.
Namorados aproveitam a oportunidade para trocar beijos e carícias. Os ouvintes mais agressivos
abrem ostensivamente um jornal para ler as notícias policiais, ligam o radinho de pilha para ouvir o
jogo do Corinthians ou deitam-se, atravessados, em cadeiras próximas, para dormir.
Entre o segundo grupo, o da retirada facultativa, há três síndromes que refletem um prognóstico
progressivamente mais sombrio para seu desempenho: A da "retirada ocasional" de prognóstico ainda favorável, a
da "retirada em cadeia" de prognóstico reservado e a da "retirada em massa", que decreta o fim de suas esperanças.
Realmente não sei lhe sugerir o que poderá fazer para interromper a debandada. Uma atitude aceitável (pelo
menos para seu ego), é interpretá-la como devida à ignorância própria da platéia, que não consegue alcançar a
profundidade de suas palavras, e continuar impassível até que o seu tempo se acabe (ou que a platéia se esvazie).
Outra, já sugerida acima, é tentar alcançar rapidamente as conclusões e, ao chegar em casa, fazer uma análise
honesta da apresentação à procura de eventuais falhas. Aliás, as duas atitudes não são reciprocamente excludentes.
Conclusão
Concluo como comecei: Se você nada aprendeu de novo, jogue fora este folheto no cesto de papéis ou
passe-o adiante para algum neófito, de preferência seu inimigo, e ostensivamente, de modo que ele perceba
claramente o que você pensa a respeito de suas (dele) apresentações.
Caso tenha achado interessante este "papo", utilize as sugestões nele contidas em sua próxima
apresentação. Quase certamente você continuará cometendo alguns "pecados". Todos nós o fazemos: Forçados pelo
cansaço ou por algum compromisso de última hora, obrigados a participar, por "dever de ofício" ou amizade, no
lugar de alguém, traídos pelo computador que "pifou" no meio do caminho ou pelo fotógrafo que esqueceu o
compromisso assumido, semicomatosos pelo plantão da noite passada ou pelo último copo de vinho tomado no
almoço, etc., etc., etc.
Não desanime e continue se esforçando.
Sucesso é o que lhe desejo !!!
RECURSOS AUDIOVISUAIS
Os principais aspectos do planejamento, do preparo e da apresentação oral de um trabalho científico já
foram discutidos com detalhes, nas partes 1-6 deste tutorial. Entretanto, alguma dicas e pequenos truques, em
circunstâncias especiais, podem constituir-se em auxiliares de inestimável valor.
É indiscutível a importância dos recursos audiovisuais para ilustrar as apresentações de qualquer natureza.
Uma apresentação que utiliza recursos audiovisuais tem todas as chances de assegurar a compreensão e a
memorização dos principais pontos do tema discutido, por uma platéia atenta.
Há uma variedade de recursos audiovisuais que podem ser usados para ilustrar uma apresentação. Alguns
são bastante simples de preparar e de usar, enquanto outros revestem-se de maior sofisticação e complexidade.
Alguns recursos prestam-se melhor à determinadas situações, como por exemplo, a projeção de transparências ou a
projeção de slides na tela de um computador, para pequenos grupos de pessoas. Uma apresentação destinada a um
número reduzido de participantes, pode ser ilustrada por gráficos, tabelas ou pranchas, projetadas na tela de um
computador.
14
Grupos pouco maiores podem visualizar com facilidade o material de ilustração preparado em cartazes
("flip charts").
A projeção de transparências é um método adequado para ilustrar uma apresentação para grupos pequenos
e médios de pessoas, além de ser de preparo fácil, rápido e de baixo custo.
As apresentações para platéias com mais de 25 ou 30 pessoas, por exemplo, podem ser melhor ilustradas
com o emprego da projeção de slides (diapositivos). Este método é o mais usado e, com um preparo adequado dos
slides, é o método mais eficiente para ilustrar uma idéia ou uma observação. Cabe, nesse ponto, repetir o antigo
chavão de que uma boa imagem pode valer mais do que mil palavras. O segredo do slide está, essencialmente, na
escolha e no preparo da "boa imagem" que por sí só, realmente, possa explicar ou ilustar a idéia.
O preparo e a confecção dos slides, nos dias atuais, são quase que exclusivamente feitos com os programas
de computador, específicamente destinados àquela finalidade. Dentre estes, o mais usado é o OpenOffice
(Microsoft), preferido por mais de 90% dos apresentadores. Os outros programas usados com aquela finalidade são
o Freelance Plus e o Corel Presentations.
Uma vez preparada a apresentação, esta pode ser levada até um "bureau" ou serviço de fotografia, que
deverá fotografar o material, mediante o emprego de equipamento especial, que reproduz o slide à partir do material
digitalizado. O maior incoveniente desse método é que o material uma vez pronto (slides) não pode ser modificado,
corrigido ou atualizado, sem a repetição de todo o processo. Apresentações repetidas, podem necessitar a confecção
de vários conjuntos de slides, de acordo com a platéia ou com a evolução dos conhecimentos sobre o tema da
apresentação.
Os principais inconvenientes dos slides, na atualidade, foram eliminados pela utilização de projetores
especiais, acopláveis aos computadores (desktop, laptop ou notebook). Estes aparelhos (data show) são capazes de
projetar na tela do auditório a mesma imagem que o programa projeta na tela do computador. Desse modo, a
apresentação pode ser preparada inteiramente no computador, projetada e armazenada para posterior uso. As
correções, modificações ou atualizações do material ilustrativo da apresentação, podem ser feitas a qualquer
momento e o novo slide é simplesmente gravado no lugar do anterior. A grande vantagem do uso dessa modalidade
de recurso audiovisual é a rapidez do preparo, pela eliminação da etapa da fotografia. Os principais congressos e
eventos dos dias atuais, disponibilizam aqueles projetores acoplados à um computador. O orador pode levar sua
apresentação em um diskette, CD ou se preferir, no seu próprio computador portátil (laptop ou notebook).
A mistura bem dosada de elementos de texto, gráficos e imagens (desenhos ou fotografias) pode assegurar
todo o suporte necessário para uma apresentação memorável. Entretanto, tenha cuidado ao elaborar os seus slides.
Não é aconselhável que um único slide contenha mais de 5 ou 6 linhas de texto. Caso seu slide tenha mais linhas que
o recomendado, é melhor dividir o texto entre dois ou mais slides. Um único slide cheio de texto ou diagramas de
alta complexidade é um convite à distração da platéia. Poucas pessoas animam-se a ler o conteúdo de um slide
repleto de texto. As cores usadas nos slides devem ser cuidadosamente escolhidas para acentuar o contraste entre os
elementos da ilustração e os elementos de fundo do slide. Uma boa regra é o fundo escuro (azul marinho é bastante
elegante) com o texto em branco e amarelo - linhas e traços podem ser vermelhos; outros conjuntos podem ser
experimentados, de acordo com a preferência do apresentador. O OpenOffice oferece um número de pranchas
(templates) "pré-fabricadas" de boa qualidade e que facilitam sobremodo a produção dos slides. Há também
conjuntos de cores pré-definidas cuja aplicação sistematicamente oferece bons resultados.
Após finalizar a ordenação dos seus slides é de boa prática numerá-los, na sequência em que serão
apresentados. Isto pode evitar verdadeiras catástrofes que, infelizmente, não são raras, e podem arruinar a sua
apresentação. Imagine apenas que o carrossel contendo os seus slides pode cair, no trajeto entre o "slide desk" e o
projetor; os seus slides espalham-se todos pelo chão. Se estiverem adequadamente preparados, uma marca indica a
posição correta do slide no projetor e, ao mesmo tempo, um número indica a ordem correta em que deve ser
projetado. E, "voilá" !!! - sua apresentação está salva.
Vídeos podem também ser usados em projeção, para ilustrar temas mais complexos, detalhes de técnicas
específicas, etc.. Slides e vídeo podem ser complementares nas funções de ilustração. Os inconvenientes dessa
associação referem-se, principalmente, aos custos mais elevados e à maior complexidade dos equipamentos de
projeção.
E, como um último conselho, devemos lembrar que, em todas as circunstâncias, o apresentador deve estar
familiarizado com os recursos audiovisuais escolhidos para ilustrar ou complementar a sua apresentação. Ao ensaiar
a apresentação, use o material de apoio e esteja certo de que na hora e local previstos para a apresentação, aqueles
recursos estarão à sua disposição.
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OS PRIMEIROS PASSOS
Você foi convidado e aceitou apresentar um tema na próxima reunião do Departamento em seu hospital.
Você já estudou o assunto e agora vai preparar a apresentação. Embora muitas pessoas consigam falar diante de um
público formado por amigos ou pessoas conhecidas, como os membros do departamento em que você trabalha, por
exemplo, a apresentação de um tema ou de uma informação científica requer uma preparação mais elaborada, para
cumprir, efetivamente, a sua finalidade.
Uma apresentação bem focalizada e compreensível deve ser cuidadosamente organizada. Planeje com
antecedência o conteúdo e as ilustrações da sua apresentação. Seu material audiovisual deve maximizar o impacto
visual e dar força e a clareza às suas idéias.
As principais fases a serem observadas no preparo de uma apresentação podem ser assim relacionadas:
• Faça o roteiro da sua apresentação - Identifique os principais conceitos e os pontos
importantes a serem ressaltados;
• Identifique quais conceitos ou pontos importantes poderão ser melhor enfatizados com
material visual;
•
Faça um esboço de cada um dos visuais (slides) acima identificados;
•
Organize seu roteiro de acordo com a lógica da apresentação;
•
Inicie sua organização por uma introdução ao tema escolhido;
•
Em seguida descreva o tema e as suas idéias à respeito;
•
Em seguida descreva as vantagens ou benefícios (pontos positivos);
•
Em seguida descreva as desvantagens, quando houver (pontos negativos);
•
Em seguida faça uma discussão do tema e confronte as vantagens com as desvantagens;
•
Em seguida tire suas conclusões;
•
Finalize ressaltando os principais pontos que devem ser gravados pela platéia.
Uma vez preparado o roteiro da sua apresentação, elabore os materiais visuais. Escreva sua apresentação,
seguindo a sequência estabelecida no roteiro. Elabore os slides de acordo com o roteiro e o conteúdo estabelecido
para cada um deles.
Reveja todo o conteúdo da apresentação, antes de fotografar os slides. Confira se a sua mensagem está
suficientemente clara e se os slides contêm todos os pontos importantes, que devem ser mencionados. Verifique se
as conclusões estão claras e se correspondem exatamente ao conteúdo do material a ser apresentado.
Lembre-se de que o número dos slides depende diretamente do tempo disponível para a apresentação. Um
apresentador experiente pode usar a média de 1 slide por cada minuto de apresentação. Quando os slides requerem
muitos comentários ou explicações ou quando o apresentador tem pouca experiência, seu número deve ser menor.
Uma boa regra que seguimos no presente texto é utilizar 6 a 8 slides ilustrativos para cada 10 minutos de
apresentação.
Alguns conselhos úteis em relação às apresentações:
1. Oportunidade. Um aspecto essencial para desenvolver a confiança como orador é falar em público.
Aproveite todas as oportunidades possíveis, para falar em público. Participe dos debates de outras apresentações. Se
alguém o convidar a "dizer algumas palavras" faça-o sem hesitar; seja educado, delicado, breve, claro e conciso. Os
convites para falar serão cada vez mais frequentes.
2. Use o princípio do "se". Se você quer ser um apresentador persuasivo, comporte-se como tal. Vista-se
com elegância mas sem exageros, observe seus gestos e sua fala. Estude com frequência os assuntos de sua
preferência; seja um "especialista" em alguns temas ou em alguns assuntos.
3. Considere-se um "especialista". Se alguém o convida a fazer uma apresentação sobre um determinado
tema,
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existe uma razão - você, muito provavelmente, é considerado um "entendido" naquele assunto e as pessoas
gostariam de ouvir o que você tem a dizer à respeito. Isto ajuda a assegurar a confiança e a crença nas suas
qualidades de apresentador.
4. Prepare sua apresentação. Por mais que você conheça o assunto sobre o qual deverá falar, sua
apresentação será sempre melhor, quando seguir um roteiro pré-definido e elaborado, de acordo com as
circunstâncias e com a platéia prevista. Quanto mais tempo gasto com a elaboração e o preparo, tanto melhor será a
apresentação.
5. Ensaie sua apresentação. O ensaio e a cronometragem do tempo gasto na apresentação são essenciais
aos ajustes finais, "sintonia fina" de qualquer apresentação. Escolha palavras-chave, gestos, posições e use apenas o
tempo reservado à apresentação. Evite gírias, jargões ou lugares-comuns. Seja original sem procurar ser "erudito";
use linguagem corrente.
6. Conheça sua platéia. Uma boa norma para amenizar a ansiedade e estimular a confiança é chegar com
antecedência ao local da apresentação, conversar com algumas pessoas da platéia e cumprimentá-las. Seja
simpático(a), amável, educado e cordial. Isto gera uma impressão fortemente positiva na platéia e contibui para
amenizar suas tensões e ansiedades. Sua apresentação será, sem dúvida, mais natural.
É indiscutível que um número de conselhos e sugestões podem ser bastante úteis para o preparo de uma
apresentação oral. Entretanto, nada substitui a experiência. Siga os passos assinalados neste tutorial e prepare uma
apresentação simplesmente como um treinamento. Faça a apresentação diante do espelho ou para um pequeno grupo
de parentes ou amigos. Ouça seus comentários e opiniões. Se você fizer disso um hábito, estará preparado para o
"mundo real" assim que a primeira oportunidade surgir. Lembre-se, a regra número 1 para ser bem sucedido em
qualquer atividade é: estar preparado !
PROGRAMAS (SOFTWARE) PARA APRESENTAÇÕES
Existem, como vimos, alguns programas (software) destinados ao preparo e realização de apresentações,
como o Corel Presentations, o Freelance Plus, o Power Point ou o seu irmão gêmeo o OpenOffice.
Quando alguém precisa montar uma apresentação rápida, com gráficos e figuras associados ao texto, ou,
mais precisamente, criar uma elegante apresentação de slides, o software recomendado é o OpenOffice / Power
Point, uma vêz que em 90% do mercado é dominado por essa tecnologia.
O OpenOffice é um programa gráfico de apresentações; um software que ajuda a criar uma apresentação de
slides. Esse tipo de apresentação é composto por uma sequência de slides que podem conter gráficos, figuras, listas
com marcadores, texto, vídeo e clipes de som, dentre outras coisas. O Power Point facilita sobremodo a criação e a
organização das idéias e fornece todas as ferramentas necessárias à produção de um trabalho adequado e eficaz.
Além disso, o OpenOffice permite a criação de complementos da apresentação de slides, como por exemplo,
folhetos para distribuir para a platéia, anotações do apresentador e transparências.
O OpenOffice viewer, distribuido gratuitamente, pode ser usado para visualizar a apresentação de slides,
mesmo em computadores que não possuem o OpenOffice instalado. O programa inclui ferramentas avançadas para
o gerenciamento da exibição de slides que garantem um controle total sobre a apresentação.
O OpenOffice possui diversas ferramentas que podem ajudar a coordenar a apresentação de slides, como
uma produção de multimídia completa. As apresentações com o OpenOffice podem conter som, imagem, vídeo,
animações e transições que podem tornar a sua apresentação um momento memorável, quando bem utilizados.
O programa é bastante intuitivo e pode ser utilizado por indivíduos com pouca experiência no seu
manuseio. Algumas apresentações podem conter slides específicos que não devem ser apresentados para outras
platéias; o programa permite apresentar apenas os slides selecionados.
O OpenOffice permite cronometrar as apresentações, além de permitir a gravação de narração, música de
fundo, etc... O uso destes recursos, contudo, deve ser extremamente criterioso. Em geral, as apresentações de
trabalhos científicos não devem ser acompanhadas de música, trilha sonora, etc...
Ao terminar o preparo de uma apresentação com o OpenOffice, você poderá:
•
Fazer uma apresentação ao vivo em uma sala ou auditório.
•
Mostrar sua apresentação em um computador que não tenha o OpenOffice instalado.
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•
Transmitir sua apresentação em uma intranet ou na Internet.
•
Fazer uma reunião com uma platéia remota na Internet em "tempo real".
•
Participar de uma discussão na web sobre sua apresentação.
Quando a apresentação é ao vivo, você pode usar o OpenOffice para projetar os slides em um projetor
acoplado ao computador. Desse modo, você pode usar as ferramentas de navegação pelos slides, as transições, etc.
O material preparado com o OpenOffice pode, também ser salvo com o formato html característico da web, para as
apresentações via Internet.
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Download

o trabalho científico - UEMG