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Comunica-Ações do PSF – Programa de Saúde da Família - em São
Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil.
Eliana Marcolino1
1-Apresentação
Com este trabalho pretendemos realçar o papel da comunicação como agente
fomentadora da saúde. Sendo assim, é oportuno recordar Sá, quando afirma que
comunicação significa:
“Estar em relação com”, representa a ação de pôr em comum, de compartilhar as nossas
idéias, os nossos sentimentos, as nossas atitudes. Nesse sentido, identifica-se com um
processo social básico: a interação. É uma troca de experiências socialmente
significativas; é um esforço para a convergência de perspectivas, a reciprocidade de
pontos de vista e implica, dessa forma, certo grau de ação conjugada e cooperação.2
Pela convergência que o processo comunicacional desenvolvido pelo PSF Programa Saúde da Família em São Bernardo do Campo tem com esse pressuposto, é por
isso que o elegemos como tema principal deste trabalho.
Ao entendermos a importância do papel da comunicação na promoção da saúde,
passamos a investigar as estratégias que os profissionais da área da comunicação estão
usando para a propagação da prevenção das doenças e, paralelamente as ações dos
trabalhadores em saúde para melhorar o processo de comunicação junto aos pacientes.
1
2
Jornalista e mestranda em Comunicação Social na UMESP – Universidade Metodista de São Paulo
Sá, Adísia – Fundamentos Científicos da Comunicação, Petrópolis,Vozes,1973. p.171.
2
De acordo com a Constituição de1988, a saúde é direito de todos os brasileiros e
dever do Estado. Ela assegura o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação. 3
Marilda de Oliveira, expondo seu posicionamento a respeito do assunto Saúde da
Família, considera que este,
Não é um modelo novo, no sentido cronológico da expressão. Pode até mesmo ser
considerado o mais basilar e antigo dos formatos de atenção à saúde. Mas sua novidade
salta aos olhos quando é comparada aos modelos que investem intensivamente em
tecnologia e com isso perdem em vínculo e abrangência. Não basta ser contemporâneo e
atual, precisa dar resultados tanto no aspecto de retorno de recursos, quanto à efetividade
de melhoria da qualidade de vida. 4
3
4
Constituição da República Federativa do Brasil – 1988, p. 133
. Revista Brasileira de Saúde da Família. Ano I, nº. 3, dezembro de 2000-p.15.
3
Estes dois momentos – inovação e resultados - podem ser testemunhados em
dezenas de experiências bem sucedidas em nosso país. Mas, em termos de Brasil, falar em
sucesso é temerário, já que mais propriamente se trata de muitos brasis dentro do mesmo
território.Um dos maiores desafios do Programa de Saúde da Família – PSF - tem sido
exatamente o de enfrentar esta diversidade de situações, a partir de princípios filosóficos
unificados.
Uma das vias para compreensão e extensão do modelo de atenção básica centrada no PSF
tem sido o estudo comparativo e contranstivo. Afinal, testado em realidades tão diferentes,
como Cuba e Canadá, por exemplo, o modelo tem se mostrado igualmente efetivo. E mais
do que isso: passível dos mesmos descaminhos e dificuldades. Conhecer a diversidade é um
bom modo de se antecipar. Algo que pode ser qualificado, numa metáfora sanitária, como
um conhecimento preventivo. 5
O Programa de Saúde da Família visa mudar a forma de atendimento da doença
para um enfoque de promoção e atenção integral ao usuário e sua família.Esse novo modelo
tem o objetivo de resgatar o vínculo dos profissionais de saúde com a comunidade atendida,
de forma a conhecer suas necessidades prioritárias e planejar as atividades de atuação.
Este programa surgiu como estratégia para a consolidação do Sistema Único de
Saúde - SUS em suas três diretrizes:

Primeiro, na integralidade das ações da saúde, que impõe que não basta
simplesmente cuidar do ser humano somente quando ele está doente, mas
trabalhar a promoção da saúde deste cidadão;
5
Revista Brasileira de Saúde da Família – Cidade, Editora, Ano I, nº3 - dezembro de 2000. p.27
4

Segundo, na participação da comunidade que deve apontar suas
necessidades e cooperar para a melhoria das condições de saúde;

Terceiro, na descentralização, que remete à municipalização da saúde, ou
seja, as ações de saúde devem ser executadas pelo município.
As políticas de saúde do Brasil até a década de 80 estavam, voltadas para o modelo
hospitalocêntrico, um modelo importado dos Estados Unidos, onde os maiores
investimentos voltam-se para a compra de equipamentos e alta tecnologia. O país investiu
muito nessa área e esqueceu questões básicas de saúde como é a questão da prevenção.
Já no inicio da década de 90, com propostas como a que nos serve de tema, entendese que a doença não é simplesmente o processo biológico ou um “castigo de Deus”, mas
está relacionada com as condições de vida da população e com sua qualidade de vida geral.
O Programa Saúde da Família interfere exatamente neste processo, uma vez que trabalha
muito mais com a prevenção e a promoção da saúde que com o tratamento de doenças.
A equipe do PSF é multi e interdisciplinar, formada por um médico, um enfermeiro,
um ou dois auxiliares, seis a dez agentes comunitários de saúde.Cada equipe trabalha com
um público que oscila entre 600 a 1000 famílias.
Considerando as ações que vêm sendo tomadas pelo Ministério da Saúde e por
algumas Secretarias Municipais de Saúde, o PSF está sendo desenvolvido junto aos
munícipes da comunidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, tendo como
5
postulado basilar o princípio de que o caminho mais seguro e mais econômico para a
garantia de melhores níveis de saúde da população, começa com a prevenção. Seguindo tal
orientação, o programa tenta resgatar vínculos que estão perdidos no nosso modelo de
assistência tradicional, uma vez que inova ao trabalhar com a prevenção e por considerar a
comunidade como agente do processo.
1.1 O Município de São Bernardo do Campo
Localizada na Região Metropolitana de São Paulo, São Bernardo do Campo possui
407,1 km² de área, correspondente a 49% da superfície total da Região do Grande ABC.
Conforme a terceira preliminar do censo 2000, abriga uma população de 702.173
habitantes. A economia do município conta com 1.855 estabelecimentos dedicados às
atividades industriais, de acordo com dados do ano de 1999 do Serviço de Cadastro
Mobiliário da Prefeitura. Nesse contexto, é relevante a participação do segmento
metalúrgico e da indústria mecânica.
No que se refere à Educação, a cidade de São Bernardo vive um grande avanço na
área. De acordo com os resultados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE -, a taxa de alfabetização chega a 95%, um dos maiores do
país, quando se considera como alfabetizados os munícipes que tiveram acesso a, pelo
menos, mais de um ano de ensino regular.
A Secretaria de Saúde do município é composta pelas unidades abaixo:


31 Unidades de Saúde, sendo:
-
27 Unidades Básicas de Saúde;
-
03 Unidades de Saúde da Família.
04 Unidades 24 horas;
6

02 Unidades com Pronto-Atendimento;

01 Unidade Volante.

05 Pronto-Socorros, sendo:
-
01 central;
-
04 periféricos.

02 Ambulatórios de especialidades Médicas;

01 Ambulatório de Saúde Mental;

01 Ambulatório de Especialidades Odontológicas;

Hospital Municipal Universitário;

Casa Gestante;

Hospital de Ensino Anchieta;

Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com Hospital Dia;
1.2 Implantação do Programa de Saúde da Família em São Bernardo do Campo
O Programa Saúde da Família foi implantado no município de São Bernardo do
Campo no dia 29 de novembro de 1999. Esta ação veio para complementar um trabalho que
já vinha sendo desenvolvido na cidade, pela prefeitura local desde setembro de 1997, o
Programa de Agentes Comunitários de Saúde – PACS. O Programa de Agentes
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Comunitários começou na Vila São Pedro, em 1997, com 54 agentes Comunitários. Logo
se expandiu e, em 1998, atingiu também o bairro Alvarenga, com admissão de 150 novos
agentes.
O Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) é parte integrante da
Proposta de Saúde da Família do Ministério da Saúde, como estratégia de reorientação do
modelo assistencial do Ministério da Saúde, que foi criado em 1998. Período em que o
Programa recrutava agentes sociais na própria comunidade, e estes desenvolviam trabalho
de conscientização e levantamento dos problemas locais.
O novo projeto PSF oferece várias vantagens, dentre elas o estreitamento das
relações entre médicos e pacientes, a diminuição do fluxo nos hospitais. Com a decorrente
queda na demanda dos hospitais, é possível melhorar a qualidade do serviço prestado à
população.
A equipe encarregada deste trabalho recebe cursos
do Programa de Saúde da
Família, oferecido pelo Pólo de Capacitação. O Pólo de Capacitação local é integrado ao
Pólo de Capacitação da Grande São Paulo e Santos, e é formado por várias escolas médicas
que se unem à Direção Regional de Saúde de Santo André, para realizar o trabalho. Entre
tais escolas se destacam: Escola Paulista de Medicina da Universidade de São Paulo,
Universidade Medicina de Mogi das Cruzes, Fundação ABC.
A primeira etapa do PSF cadastrou as famílias pelas equipes de saúde. A segunda
etapa formou do vínculo das famílias cadastradas com cada equipe que atende em torno de
8
mil famílias, conforme o modelo de atendimento proposto pelo Ministério da Saúde. A
atuação das equipes é realizada na Unidade Básica de Saúde - UB’s e na comunidade, nas
residências ou nos demais espaços de uso comunitário. A terceira implementou a visita
domiciliar, acionada pelos agentes comunitários, familiares ou comunidade no caso de
doentes crônicos ou com dificuldades de locomoção.
Os primeiros bairros beneficiados com o Programa foram a Vila São Pedro, com
sete equipes e o Jardim das Orquídeas, com quatro. Posteriormente, o Núcleo de Santa
Cruz, como exigiu a formação de mais quatro equipes, totalizando as 15 atuais, que
atendem a uma média de 70.000 famílias.
Atualmente, o município de São Bernardo Campo conta com 334 Agentes
Comunitários de Saúde e 15 equipes de PSF, que proporcionam cobertura assistencial a
64.044 famílias, o que equivale a uma população de 241.579 habitantes e a de 32% da
população.
1.3- Comunica-Ações e Capacita-Ações: O processo comunicacional do PSF
Para a consolidação do Projeto Saúde da Família, um dos primeiros passos, ainda
em andamento, é o trabalho de sensibilização, esclarecimento e capacitação dos
profissionais. É responsabilidade do Estado assessorar os municípios e capacitar as equipes,
preparando-as para um atendimento diferenciado e domiciliar.
A primeira capacitação dos profissionais de Saúde foi oferecida pelo Pólo de
Capacitação. O treinamento dos Agentes Comunitários de saúde é oferecido antes da
contratação para o trabalho. Nessa fase inicial, o candidato sente se realmente tem
9
condições de desenvolver o trabalho proposto. Vale salientar que há casos de desistência
durante o período de treinamento.
É pré-requisito do Programa um curso introdutório no qual é apresentada a
estratégia do Programa Saúde da Família, e que tem como propósito aproximar os Agentes
de Saúde à Comunidade, estabelecendo um laço que servirá de alicerce para o trabalho a ser
desenvolvido numa fase posterior. Essa fase inclui as visitas domiciliares, o aprendizado do
correto preenchimento de formulários com as informações de acompanhamento dos
usuários. Para isso, o município disponibiliza os recursos humanos da Secretaria de Saúde.
A estrutura do PSF, em São Bernardo do Campo, articula-se a partir de reuniões
semanais em que a equipe levanta as problemáticas observadas durante as visitas e as
discute com o grupo. Dessa forma, médicos e enfermeiros traçam os procedimentos
específicos mais recomendáveis para aquela situação determinada. Além desses encontros,
há ainda cursos que são concebidos e ministrados na medida em que surgem as
necessidades.
A comunicação dos multiplicadores está alicerçada no novo conceito de medicina
preventiva que tem como pressuposto um compromisso maior com as questões sociais
diretamente relacionadas à problemática da saúde. A interação é construída no cotidiano, na
linguagem da convivência resultante de um processo educativo transformador. A
comunicação propicia a realização de ações concretas, capazes de, efetivamente,
promoverem a saúde.
10
.
2. Composição da equipe e suas atribuições
A equipe do PSF é formada por um médico generalista ou médico de família, um
enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde que devem ser
qualificados para conhecer a realidade da clientela pelas quais são responsáveis.
O médico investe muito mais no conhecimento que tem do ser humano do que na
tecnologia. Dentre suas atribuições, destacamos:
1. Facilitar a comunicação entre a equipe de trabalho e usuários, informando de
maneira clara os conceitos complexos adotados pelos grupos científicos;
2. Promover a qualidade de vida do indivíduo sadio ou doente visando abordar os
aspectos preventivos de educação e de cuidados com a saúde;
3. Dialogar junto à equipe e a comunidade o conceito de cidadania enfatizando os
direitos à saúde e as bases legais que o legitimam;
4. Atender os pacientes que a ele são encaminhados e fazer visitas domiciliares quando
preciso.
O enfermeiro, apesar de estar preparado para enfrentar quaisquer situações, tem clareza
de que seu trabalho tem uma natureza mais preventiva que curativa. Por isso, cabe a ele:
1. Executar ações de assistência básica e de vigilância epidemiológica e sanitária nas
áreas de atenção à criança, ao adolescente, à mulher e ao idoso;
2. Desenvolver trabalhos para a capacitação dos ACS e auxiliares de enfermagem,
com vistas ao desempenho de suas funções junto ao serviço de saúde.
O auxiliar de enfermagem tem suas ações desenvolvidas nas unidades de saúde, nas
residências e na comunidade. É de sua atribuição:
1. Desenvolver, com os agentes, atividades de identificação das famílias de risco;
2. Contribuir com o trabalho quando houver necessidade fazendo visitas domiciliares;
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3. Acompanhar as consultas de enfermagem dos indivíduos expostos às situações de
risco, visando garantir uma melhor monitoria de suas condições de saúde;
4. Executar, segundo sua qualificação profissional, os procedimentos de vigilância
sanitária e epidemiológica nas áreas de atenção à criança, à mulher, ao adolescente,
ao trabalhador e ao idoso, bem como no controle da tuberculose, hanseníase,
doenças crônico-degenerativas e infecto-contagiosas;
5. Participar da discussão e organização do processo de trabalho na unidade de saúde.
O Agente Comunitário de Saúde é elo entre a equipe e a comunidade. Faz o trabalho de
mapeamento, levantamento, identifica quantas famílias há na área para que se possa
determinar o número de equipes necessárias.Cada Agente é responsável por um total
aproximado de 150 a 200 famílias e desenvolve atividades como:
1. Cadastramento das famílias de sua área de abrangência, por meio de questionários
apropriados para o reconhecimento da realidade social, demográfica e
epidemiológica;
2. Cadastrar, por visitas domiciliares, todas as gestantes e crianças de 0 a 6 anos em
sua área de abrangência;
3. Realizar o acompanhamento das gestantes e nutrizes;
4. Controlar, orientar e garantir o cumprimento do calendário de vacinação e das
demais vacinas que se fizerem necessárias, além de observar as reações por elas
provocadas;
5. Instruir e contribuir para evitar que ocorram acidentes no lar e em outros locais;.
6. Promover ações de saúde e de saneamento e melhorias do meio ambiente;
7. Promover, participar e estimular a organização de reuniões de grupos e discussões
sobre questões relativas à melhoria de vida na comunidade;
8. Realizar visitas domiciliares mensais. Cada agente deve visitar, no mínimo 150 e,
no máximo, 250 famílias;
9. Coletar dados para análise da situação sócio-econômica e da saúde das famílias
acompanhadas, por meio de preenchimento dos formulários específicos;
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10. Desenvolver ações básicas de saúde nas áreas de atenção à criança, à mulher, ao
adolescente, ao trabalhador e ao idoso, com ênfase na promoção de saúde e
prevenção de doenças.
O agente é a sentinela do Programa, é ele quem vai dar subsídios para os demais
componentes da equipe atuarem. Além disso, a detecção de problemas de doenças e o
subseqüente encaminhamento desta e de outras questões que afligem a população, tais
como: saneamento básico, abastecimento de água, desemprego, coleta de lixo, dentre
outros.
1. Participação no processo da programação e planejamento local das ações relativas
ao território de abrangência da unidade de saúde da família, com vistas à superação
dos problemas identificados.
2.1 Características do agente comunitário de saúde
Em São Bernardo do Campo, existem 334 agentes comunitários, desse total 95%
são mulheres e 5% homens. Em relação ao nível de escolaridade, 80% dos agentes têm o 1º
Grau completo e 20% não. Contudo, alguns poucos concluíram cursos de nível superior.
Para se tornar um Agente Comunitário de Saúde, as pessoas de ambos os sexos,
pertencentes à comunidade devem apresentar o seguinte perfil:

Ser morador da comunidade e nela residir há pelo menos dois anos;

Ter a idade mínima de 18 anos;

Saber ler e escrever;

Ter disponibilidade de oito horas diárias para executar trabalho;

Ser dinâmico e ter interesse na saúde da comunidade;

Ter espírito de liderança.
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2.2 Remuneração:
O salário dos agentes comunitários de São Bernardo é o mais alto da região, o valor
é R$355,00; acrescido do auxílio creche e cesta básica, o que perfaz um total
correspondente a R$420,00. Como benefícios, incorporam-se ainda ao salário, verbas
relativas à insalubridade e biênio.
6
A remuneração dos demais componentes da equipe
pode ser observada no quadro abaixo:
Médico ..........................................R$4.200,00
Enfermeiro ..................................R$3.100,00
Auxiliar ...........................................R$989,00
Agente .............................................R$420,00
2.3. Resultados e perspectivas
Observa-se, após a implantação do PACS/PSF, no Município de São Bernardo do
Campo, um significativo aumento nos índices de aleitamento materno, cobertura vacinal,
acompanhamento dos portadores de doenças crônico-degenerativas e gestantes, além da
redução do índice de gravidez na adolescência. Observa-se ainda a diminuição no índice de
analfabetismo na população adulta, como resultado das ações intersetoriais.
Em termos de perspectiva de ampliação, é intenção da administração, ampliar ainda
mais o Projeto, atingindo e integrando a Região Montanhão e implantando o PACS no
Parque São Bernardo e transformar gradativamente as equipes do PACS em equipes do
PSF.
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3. Indicadores
Atualmente, a abrangência do Projeto pode ser constatada quando se consultam os
indicadores. Além de se constituírem como documentação do trabalho desenvolvido,
reúnem dados estatísticos indispensáveis à compreensão de uma região tão significativa na
economia nacional. Além disso, os dados coletados nesses anos de trabalho fornecem ainda
os subsídios básicos elementares à implantação do projeto em qualquer outra região. O
quadro abaixo permite a constatação dessa afirmação:

717.790 - Universo populacional de São Bernardo;

64.044 famílias cadastradas, correspondendo a 241.579 munícipes;

32% da população coberta pelo PACS/PSF;

334 Agentes Comunitários de Saúde;

15 Equipes de PSF;

71 Equipes de PACS;

84,2 % das gestantes acompanhadas pelos ACSs;

72,15% das crianças acompanhadas pelos ACSs são alimentadas em regime
de aleitamento materno exclusivo;

95,15% das crianças menores de um ano acompanhadas pelo ACSs têm suas
carteiras de vacinas em dia;

82,8% dos diabéticos residentes no município são acompanhados pelos
ACSs;

82,6% dos portadores de hipertensão arterial são acompanhados pelos ACSs;
3.1. Equipe Falcão - Vila São Pedro
6
Dados referentes ao mês de Junho/2 à compreensão 001
15
A Equipe Falcão, que executa seu trabalho junto à comunidade de Vila São Pedro,
São Bernardo do Campo, enfatiza a necessidade de haver um elo entre a comunidade e a
equipe médica. Afirmam que esse é o único caminho que pode conduzir a uma medicina
preventiva. Captando os anseios e as necessidades da população, funciona como
interlocutor capaz de interagir em benefício da coletividade. A imagem e as impressões dos
agentes, abaixo, ilustram esse contexto.
O elo de comunicação entre a equipe técnica e a população é o agente
comunitário. Na verdade, é ele o grande comunicador, uma vez que capta os anseios e
as necessidades da população. Erneny Souza – enfermeiro
Muitas vezes, o usuário faz uma queixa para o agente. E o agente é quem deve
traduzir para a equipe. O usuário não tem coragem de falar de seu problema para o
profissional de saúde, mas fala para os agentes. Maria de Fátima Sanchez - Assistente
Social.
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4. Considerações finais
O Programa Saúde da Família que está sendo implantado gradativamente no
município de São Bernardo do Campo, está atendendo às necessidades da população que
necessita de assistência de saúde pública. Pela análise das ações que vêm sendo
desenvolvidas neste município, pode-se observar que os resultados alcançados são
positivos.
É sabido que a estrutura sócio-econômica brasileira é complexa.Vivemos em uma
sociedade marcada pela diferença social e a condição de vida de grande parte da população
é deficitária, na qual um problema desencadeia outros milhares, como por exemplo, as
precárias condições de moradia.
No que se refere à cultura da população, as mudanças acontecem a passos lentos,
principalmente quando se trata de conscientização e de alterações de comportamentos.
É visível a angústia de alguns Agentes de Saúde que se vêem impotentes diante de
determinadas situações como o elevado índice de desemprego, a ausência de saneamento
básico, o analfabetismo, as drogas, a violência. Para eles, são esses os fatores que fazem
com que a população adoeça, em virtude do grande impacto que causam na vida
corriqueira.
Mas, a semente para novas alternativas já foi lançada, os trabalhos estão sendo
realizados, em meio a angústias e ansiedades permeiam alegrias e esperanças. Alegrias com
os resultados já alcançados: queda da mortalidade infantil, aumento na cobertura vacinal de
crianças e gestantes, trabalho contínuo de conscientização quanto a higienização
cuidados com a saúde, etc.
e
17
Tentamos realçar a importância do processo comunicacional neste Programa. Para
7
Sá, o processo comunicacional é, pois, o sistema básico da experiência social. Ele é
fundamental no desenvolvimento da personalidade humana, na emergência da vida grupal,
e no surgimento e elaboração da cultura. Embora não haja um consenso absoluto entre os
cientistas sociais a respeito de como definir comunicação, todos parecem concordar em um
ponto: considerá-la como forma de interação, destacando o emissor, a mensagem, o
receptor, o contexto e o efeito.
Para que o processo comunicacional seja eficiente é necessário que haja o feedback
entre emissor e receptor. Esse é o comportamento adotado pelos profissionais da equipe do
PSF, em São Bernardo do Campo.
5. Referências bibliográficas
REVISTA BRASILEIRA DE SAÚDE DA FAMÍLIA.
Ministério da Saúde,Ano I – número 03 – dez.2000.
GUIA DE SERVIÇOS: São Paulo
Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo
PITTA, Áurea M.da Rocha. Saúde & Comunicação. São Paulo, Hucitec – Abrasco, 1995
RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica. São Paulo, Atlas, 1996
7
Sá, Adísia-Fundamentos Científicos da Comunicação, Vozes,Petrópolis,1973-p.171.
18
Sá, Adísia.Fundamentos Científicos da Comunicação. Petrópolis,Vozes,1973
Fontes:

Entrevista com Maria de Fátima Sanchez Videira, Assistente Social e Assistente de
Diretoria da S. S1. Atenção Primária à Saúde Nilton Paulo Correa dos Santos
Internet : [email protected]/ www.ministerio da saude.gov.br
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