UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA SEÇÃO DE ALMOXARIFADO NA GESTÃO DE MATERIAIS DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO DE JANEIRO Por: Felipe de Mello Santos Orientador Prof. Nelsom Magalhães Rio de Janeiro 2010 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA SEÇÃO DE ALMOXARIFADO NA GESTÃO DE MATERIAIS DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO DE JANEIRO Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Pública Por: . Felipe de Mello Santos. Rio de Janeiro 2010 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que de alguma forma se fizeram presentes desenvolvimento desta monografia. no 4 DEDICATÓRIA Dedico esta monografia a minha esposa que me ajudou na realização deste trabalho. 5 RESUMO O presente estudo visa ao entendimento de como a Seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral pode contribuir para uma gestão eficiente de materiais dentro de um contexto de racionalização dos custos, através da redução dos gastos e do aumento da qualidade dos serviços públicos, que predomina atualmente na administração pública brasileira. Demonstra-se, inicialmente, como a área de materiais vem ocupar um papel de grande relevância nas organizações privadas e públicas, diante da existência materiais cada vez mais complexos e da necessidade de coordenação específica das atividades ligadas a essa área. Posteriormente, são apresentadas as atividades desempenhadas pelo setor de almoxarifado, que contribuem para a gestão eficiente dos materiais e que se encontram baseadas em técnicas e procedimentos modernos. 6 METODOLOGIA Este trabalho foi desenvolvido a partir de levantamento bibliográfico e da legislação existente acerca da área de administração de materiais, além de consultas ao site da instituição objeto de estudo. Na primeira parte desta pesquisa, é apresentado o surgimento da administração de materiais no mundo e qual a sua importância nos dias atuais. Logo em seguida, demonstra-se uma breve análise do desenvolvimento desse ramo da administração no serviço público brasileiro. Para isso, recorreu-se a autores como Renaud Silva e utilizou-se de dados constantes no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Nos capítulos seguintes, procurou-se demonstrar as atividades de recebimento, armazenagem, controle, distribuição, e os procedimentos de gerenciamento de estoque, que são desempenhados na Seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral, contribuindo para uma gestão eficiente dos materiais. Nesse caso, utilizou-se a experiência profissional vivida pelo autor desta monografia nessa seção, o uso de dados existentes na intranet do Tribunal, e a referência de conceitos de autores como Gerson Santos e João José Viana. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - A administração de material 10 CAPÍTULO II - A seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral 19 CAPÍTULO III – Gestão de Estoque 33 CONCLUSÃO 45 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA 47 ÍNDICE 49 FOLHA DE AVALIAÇÃO 50 8 INTRODUÇÃO A administração de materiais é um ramo da administração que tem ganhado destaque nos últimos anos por parte de organizações privadas e públicas, uma vez que os recursos materiais pertencentes a essas entidades geram custos e, consequentemente, interferem em seus resultados, ou melhor, em suas atividades fim. Além disso, diante da complexidade de materiais existentes no mercado, é fundamental que haja uma coordenação especifica para esses itens, permitindo a racionalização na manipulação desses recursos, que inclui as fases de aquisição, armazenamento e destinação final. No caso de organizações públicas, é debatido, cada vez mais, que o fundamental não é um Estado forte, e sim um Estado eficiente, que desempenhe suas funções com qualidade, satisfazendo aos interesses da sociedade. Uma das formas de alcançar essa eficiência seria através da redução dos custos utilizados pelos órgãos públicos e do aumento da qualidade dos serviços públicos prestados. Ressalta-se que essa concepção de eficiência está pautada nos princípios do modelo gerencial de administração pública, que avança em determinadas áreas do Estado brasileiro, com a introdução de técnicas gerenciais modernas. Neste sentido, a questão principal desse trabalho é demonstrar a importância Seção de Almoxarifado na gestão de materiais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, através das atividades que esse setor realiza, e como esse setor contribui para dar maior eficiência na administração dos recursos materiais do Tribunal. São detalhadas as atividades de recebimento, armazenamento, controle e distribuição dos materiais de consumo adquiridos pelo Tribunal, além dos mecanismos utilizados, atualmente, por essa seção para o gerenciamento de seus estoques, que, no caso do setor público, representa, acima de tudo, dinheiro público imobilizado. Com isso, pretendeu-se, também, desfazer o rótulo negativo atribuído a esse setor e aos funcionários envolvidos no desempenho dessas atividades, que 9 auxiliam o Tribunal em sua atividade fim, demonstrando que o Almoxarifado não é um simples “depósito” de materiais, ou então, que os bens estão “guardados” esperando para serem usados. Propõe-se, também, enfatizar parte dos fatos que ocorrem anteriormente ao uso pelos servidores dos recursos materiais existentes na instituição, criando, assim, uma nova mentalidade no uso racional, cuidadosa, com esses recursos que, além de serem patrimônio da instituição, são bens públicos, pertencentes a toda a sociedade. 10 CAPÍTULO I A ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAL 1.1 – Histórico A administração de materiais ainda é um ramo recente da administração e que surgi como uma demanda das organizações privadas quanto à solução dos problemas relacionados aos seus custos operacionais e a garantia do lucro diante de um mercado cada vez mais diversificado. De acordo com SANTOS, (pág.1, 2003), quando se falava em Área de Material, o que vinha à mente era a figura de um velho de óculos, sentado junto a uma mesa, tendo ao lado um fichário ou um ‘kardex’, e ao fundo as prateleiras que guardavam os itens de estoque – era o Almoxarife, exercendo uma das mais antigas profissões. Mas não se questionava se as quantidades ali armazenadas estavam bem dimensionadas; se o capital investido em estoque era grande ou pequeno; qual fora o critério adotado para a compra dos materiais; se era feito um inventário periódico naquele almoxarifado; se o espaço físico era suficiente; se o salário daquele profissional era compatível com a sua função e a sua responsabilidade, etc. Ainda de acordo com SANTOS, (pág.1, 2003), historicamente, observa-se através dos tempos a presença de pessoas que, sem dúvida alguma, eram os homens da Área de Material da sua época. Entre eles, temos: - no Egito – José, provedor da Casa Real do Faraó Queóps (construtor da maior das pirâmides), teve seu êxito em fazer o uso do conceito ‘prever para prover’, evitando faltas de gêneros na casa do seu senhor nos ‘sete anos de miséria’ que assolaram o Egito; - na Grécia – Licurgo, em Esparta, considerava como base do seu sucesso contra Atenas dois fatores: a bravura dos seus soldados e a conservação dos seus equipamentos, esta feita por homens especializados; - na Antiga Romana – havia a figura do libripens que foi, sem dúvida, um “precursor do administrador de material” e que era responsável pela troca de mercadorias “por uma utilidade-padrão” (peles, metais, pedras preciosas, etc.). Esta atividade era o mancipatio. 11 A evolução da Administração de Material (AM) está intimamente ligada às transformações sociais, econômicas e tecnológicas provocadas pela Revolução Industrial – marco divisório fundamental da História do mundo contemporâneo (SILVA, pág.2, 1986). De acordo com SILVA, (pág.2, 1986), as empresa industriais, com o advento da máquina e a conseqüente produção em massa, sofreram mudanças significativas, não só nas atividades-fim como também nas atividades-meio, derivadas principalmente dos seguintes fatores: .crescimento do volume das necessidades em material. .velocidade das mudanças no processo produtivo com influência nas previsões de demanda. .qualificação dos recursos humanos. A área de material sofreu um grande impacto em face de sua característica de atividade-meio, crítica para o processo industrial. Até então, empresas consideradas de grande porte empregavam um número limitado de itens de material. Subitamente, a diversificação e os estoques destes itens subiram a níveis multiplicados e com velocidade de demanda que desafiava qualquer método de previsão até então empregado (SILVA, pág.2, 1986). Deste modo, o despreparo técnico-administrativo para enfrentar a nova situação só foi neutralizado com o advento da chamada Administração Científica, iniciada por Taylor e Fayol e desenvolvida por Urwick, Gulick, Mooney, Newman, Ford, Gilbreth e outros, mais recentemente (SILVA, pág.2,1986). Os novos métodos de trabalho, a preocupação em otimizar o processo produtivo e, principalmente, o desenvolvimento do elemento humano criaram a primeira infra-estrutura gerencial que pôde ser aplicada às situações particulares de administração de materiais (SILVA, pág.2,1986). O esforço inicial concentrou-se na atividade de Compras, de tal forma que, ainda hoje, não há uma distinção total sobre o seu campo de ação e o de outras atividades da Administração de Material, com quem muitas vezes se confunde(SILVA, pág.2,1986). 12 Nos Estados Unidos e na Europa (particularmente na França), surgiram os primeiros esforços no sentido de implantar padrões técnicos e administrativos para melhor execução da atividade de Compras. Tais esforços originaram a criação de associações profissionais especializadas, destacandose dentre elas, nos Estados Unidos, a tradicional NAPM – National Association of Purchasing Management e, na Europa, a Compagnie des Ches d’Approvisionement et Acheteurs de France e a European Federation of Purchasing (SILVA, pág.2,1986). Estabelecida e sedimentada a especialidade de Compras, voltaram-se as atenções para as extremidades funcionais da mesma, ou seja, para a Gestão de Estoque, de modo que, em 1939, Georges Bècquart publicou, na França, um dos primeiros livros voltados exclusivamente para a resolução dos problemas de estoque (SILVA, pág.2,1986). A Segunda Guerra Mundial interrompeu o desenvolvimento dos estudos sobre Compras e Estoques. Entretanto, os problemas logísticos vividos durante o esforço bélico e o “boom” tecnológico do pós-guerra vieram ratificar a necessidade e importância do estudo relativo aos assuntos de aprovisionamento (SILVA, pág.2,1986). Verifica-se que, a partir da Segunda Guerra Mundial, intensificaram-se os estudos sobre Compras e Estoques, além do estudo de outras atividades, que também estão vinculadas com o fluxo de material dentro de uma organização, consolidando a administração de materiais como função administrativa dessas atividades. Segundo SILVA, (pág.11,1986), nos últimos anos, tem aumentado o número de empresas que implementaram o conceito de Administração de Material. Essa tendência, no futuro, é de aumentar essa taxa de adesão, devido a três aspectos, que influenciam na gestão das empresas. O primeiro aspecto é a tendência das indústrias a utilizarem, cada vez mais, componentes e materiais altamente complexos e especializados, a fim de atender às exigências de um mercado de crescente sofisticação. A produção desses itens em pequena escala não permite alcançar preços competitivos – formam-se empresas especializadas na fabricação de 13 componentes comuns a diversos usuários. Deste modo, as indústrias tendem a comprar mais e fabricar menos grande parte de suas necessidades de material. Torna-se imperativo a montagem de um esquema adequado de aquisição, controle e armazenamento dos materiais, implicando na possível implantação da Administração de Material, (SILVA, pág.11,1986). O segundo aspecto é relativo ao uso intensivo de sistemas computadorizados para controle das funções administrativas das empresas. O emprego efetivo dos modernos equipamentos de processamento eletrônico de dados exige a integração de aplicações isoladas em sistemas de informação. Isto significa que, na área de material, os arquivos de compras, controle de estoques, identificação e armazenamento devem ser consolidados em um único banco de dados. As saídas referem-se a níveis de estoques, ordens de compra colocadas, materiais inativos, localização de materiais, descrição de materiais etc, e devem ser estabelecidas segundo uma única orientação funcional, no caso, da Administração de Material, (SILVA, pág.11, 1986). Finalmente, o terceiro aspecto refere-se à tendência crescente da automação fabril. Com o processo de fabricação cada vez mais automatizado, as especificações dos materiais são mais estritas e a amplitude de aceitação menor. Além disso, o processo automático depende de um fluxo ininterrupto de materiais; caso haja falta de um único item na qualidade requerida e na quantidade necessária, ocorrerá uma interrupção indesejável na produção, (SILVA, pág.11,1986). Atualmente, pode-se definir a área de administração de materiais como o conjunto de atividades responsáveis pela coordenação das atividades de aquisição, guarda e distribuição de materiais. Além disso, pode-se dizer que todas as pessoas, certa forma, desempenham a função de administradores de materiais quando realizam o abastecimento de suas residências como comprar alimentos, produtos de higiene e limpeza, vestiários, dentre outros. Para isso, realizam as seguintes tarefas: ao comprarem os materiais, observam a qualidade, a quantidade do que vai ser consumido, e os preços oferecidos; controlam as quantidades de materiais comprados para evitar desperdício ou a falta de algum item; e armazenam os materiais em locais apropriados a fim de 14 evitarem perdas. A administração de materiais é uma atividade semelhante a essa, só que em proporção maior. Segundo SILVA, (pág.3, 1986), administração de material corresponde no seu todo ao planejamento, organização, direção, coordenação e controle de todas as tarefas necessárias a definição de qualidade, aquisição, guarda, distribuição e aplicação dos materiais destinados às atividades operacionais de uma empresa, seja ela de natureza industrial, comercial ou de serviços. Nota-se a ausência de uniformidade na terminologia adotada para identificar a composição ou estrutura administrativa da Administração de Material, uma vez que há vários fatores como o tipo de organização ou sua finalidade influenciam o organograma. Adota-se, como exemplo, o modelo adaptado, abaixo, conforme FRAGA, (pág.4, 2010). Orgãos Superiores Serviços Gerais Finanças Planejamento Material Compras Recursos Humanos Almoxarifado São considerados como recursos materiais aqueles que englobam os aspectos materiais e físicos que a empresa utiliza para produzir. (VIANA, pág.39, 2008). Além disso, a instrução normativa nº 205, de 8 de abril de 1988, define material como designação genérica de equipamentos, componentes, sobressalentes, acessórios, veículos em geral, matérias-primas e outros itens empregados ou passiveis nas atividades das organizações públicas federais, independente de qualquer fator, bem como, aquele oriundo de demolição ou 15 desmontagem, aparas, acondicionamentos, embalagens e resíduos economicamente aproveitáveis. É fundamental para o sucesso de uma boa administração de material em uma determinada organização que todos os setores e funcionários, que atuam nessa área, estejam interligados através de rotinas, de normas padronizadas instituídas para suprir a organização dos meios necessários para a realização de suas atividades. Com a globalização da economia e seus efeitos, há a necessidade das organizações de se tornarem mais dinâmicas e eficientes para reagirem às sinalizações e às tendências do mercado, continuando a serem competitivas. Dentro desse contexto, é fundamental a administração de materiais como ferramenta essencial a qualquer organização, auxiliando na agilidade e eficiência na gestão de seus recursos e alcance de seus objetivos. 1.2 – A administração de material no serviço público brasileiro Pode-se afirmar que a administração de materiais no serviço público brasileiro está intimamente ligada à evolução de três modelos de administração pública: patrimonialista, burocrático e gerencial. Do modelo de administração patrimonialista, em que havia confusão do patrimônio do soberano e o patrimônio do Estado, ao modelo gerencial, que prega, dentre outros preceitos, a redução de custos, pode-se afirmar que esses três modelos apresentam características e princípios diferentes. Ressalta-se que esses três modelos de administração pública se sucederam no tempo, sem que, no entanto, qualquer uma delas seja inteiramente abandonada (PLANO DIRETOR DA REFORMA DO APARELHO DO ESTADO, pág.11, 1995). Não há como definir o atual modelo de administração pública, pois o Estado brasileiro ainda passa por uma transição do modelo burocrático para o gerencial. Além disso, também encontramos resquícios do modelo patrimonialista na administração pública como a utilização de bens públicos para fins particulares. 16 O modelo de administração pública gerencial é o que mais se aproxima da regras e princípios adotados pela iniciativa privada atualmente quanto à administração de material. Esse modelo está assentado em três pilares: a eficiência da administração pública, a redução de custos e o aumento da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. Além disso, é importante ressaltar que a administração pública gerencial inspira-se na administração de empresas, mas não pode ser confundida com esta última. Enquanto a receita das empresas depende dos pagamentos que os clientes fazem livremente na compra de seus produtos e serviços, a receita do Estado deriva de impostos, ou seja, de contribuições obrigatórias, sem contrapartida direta. Enquanto o mercado controla a administração de empresas, a sociedade – por intermédio de políticos eleitos – controla a administração pública. Enquanto a administração de empresas está voltada para o lucro privado, para a maximização dos interesses dos acionistas, esperando-se que, através do mercado, o interesse coletivo seja atendido, a administração publica gerencial está explícita e diretamente voltada para o interesse público (PLANO DIRETOR DA REFORMA DO APARELHO DO ESTADO, pág.11, 1995). O modelo de administração pública gerencial foi idealizado em 1995, na gestão do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, através de uma proposta de reforma administrativa do Estado, tendo como fundamento o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Além disso, destaca-se a promulgação das emendas constitucionais de nº19/98 e nº20/98, que introduziram artigos baseados em princípios do modelo de gerencial. Vale destacar que nesse período de implantação da reforma administrativa, o Estado brasileiro encontra-se inoperante, não conseguindo atender aos interesses da sociedade e prestar os serviços públicos de forma eficiente. A impressão da sociedade era a de que tudo aquilo que era público era ruim, ou melhor, que não prestava. Além disso, o Estado arca com uma enorme quantidade de obrigações como encargos sociais gerando um grande déficit fiscal. 17 O objetivo da Reforma da Administração Pública iniciada em 1995 era segundo o PLANO DIRETOR DA REFORMA DO APARELHO DO ESTADO, (pág.11, 1995), permitir que a administração pública se torne mais eficiente e ofereça ao cidadão mais serviços, com maior qualidade. Ou seja, fazer mais e melhor com os recursos disponíveis. A redução de custos será perseguida ao mesmo tempo em que se promove a contínua revisão a aperfeiçoamento das rotinas e processos de trabalho, simplificando os procedimentos, desburocratizando e estabelecendo metas e indicadores de desempenho e de satisfação do cidadão. Na administração pública gerencial a estratégia volta-se para a definição precisa dos objetivos que o administrador público deverá atingir em sua unidade; para a garantia de autonomia do administrador na gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem colocados à disposição para que possa atingir os objetivos contratados; e para o controle ou cobrança a posteriori dos resultados (PLANO DIRETOR DA REFORMA DO APARELHO DO ESTADO, pág.11, 1995). Na área de materiais, buscou-se, com o modelo de administração pública gerencial, a introdução de técnicas e mecanismos usados na iniciativa privada, que reduzissem os custos e melhorassem a qualidade dos materiais utilizados pelo Estado, desde a fase de aquisição até a fase de destinação dos recursos materiais necessários ao seu funcionamento e à prestação de serviços à sociedade. Alguns exemplos seriam: a flexibilização no momento de aquisição e de alienação de materiais, sendo dispensável a licitação em determinadas situações previstas em lei; a utilização do sistema de registro de preços que evita a existência de grandes estoques de materiais; a exigência de apresentação de certificados e laudos dos materiais a serem entregues pelas empresas fornecedoras de bens; a busca por melhores especificações de materiais recorrendo-se ao mercado; a implementação de uma cultura de uso responsáveis dos materiais, combatendo o desperdício. Infelizmente, verifica-se que, atualmente, a área de materiais de algumas instituições públicas ainda sofre de certos problemas como a falta de pessoal especializado ou sem treinamento adequado; a ausência de práticas 18 modernas de planejamento, armazenamento; atraso e morosidade na aquisição de materiais; baixa qualidade de determinados produtos; falta de integração entre os setores das instituições publicas. Apesar disso, destaca-se que outras instituições públicas estão desenvolvendo projetos e ações com o intuito de chamar a atenção para a importância da área de materiais e a sua eficiente utilização, envolvendo as fases de aquisição, de destinação e recolhimento. Um desses projetos seria a meta 6 ,definida no 3º Encontro Nacional do Judiciário, para o ano de 2010, tendo como objetivo a redução a pelo menos 2% do consumo de papel, água, combustível, energia e telefone pelos órgãos da justiça brasileira. 19 CAPÍTULO II A SEÇÃO DE ALMOXARIFADO DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO DE JANEIRO 2.1 – Histórico e definições Desde os mais remotos tempos, quando ocorreu a invasão árabe na Península Ibérica (765 a 1031) e a palavra al-xarif designava a pessoa de confiança do Sultão, responsável pela guarda dos bens do seu senhor, a atividade de almoxarifado já era exercida. A própria origem da palavra almoxarife vem daquele vocábulo que, através de metaplasmos de transformação, chega assim até os nossos dias, gerando também o nome do setor ou da atividade – Almoxarifado (SANTOS pág. 7, 2003). Segundo FRAGA, (pág. 8, 2010), pode-se dizer, sob a ótica administração de material, que o termo almoxarifado define o setor responsável pelo recebimento, armazenamento e distribuição das matériasprimas e materiais consumidos ou produzidos por uma empresa, utilizando para tanto, técnicas adequadas e controles específicos. Todavia, no setor público, a obrigatoriedade de se cumprir normas legais e contábeis faz com que surja uma situação singular, ou seja, para ser almoxarifado, os estoques de materiais resultantes das movimentações de entrada e saída deverão possuir, ordinariamente, registros dos saldos financeiros em evento contábil específico, dentro do plano de contas do órgão (FRAGA, pág. 8,2010). Quanto ao termo depósito, que ainda persiste em alguns órgãos públicos, é o local utilizado para a guarda de materiais, sejam novos ou usados, onde o objetivo principal é a segurança dos itens estocados, sem a utilização de técnicas adequadas de armazenamento e o controle de entradas e saídas em documentos oficiais.Além disso, só existe o estoque físico, e não o contábil, o que não é aceito pelos órgãos de controle interno e externo das 20 instituições públicas. Por essa razão, não se utilizou essa nomeclatura para denominar os almoxarifados públicos. Um almoxarifado, para ter um funcionamento perfeito, precisa de duas características básicas de organização que são: ordem e precisão. Estas darão sempre a sensação de um serviço perfeito. Para que esses atributos sejam alcançados é necessário que os funcionários envolvidos colaborem a fim de que este aspecto seja mantido, não se permitindo lançar papéis amarrotados ao chão, conservando-se todo o material de transporte e limpeza perfeitamente arrumado em seus lugares, mantendo as vias de acesso às prateleiras desimpedidas e zelando para que o material em estoque esteja em ordem nos seus escaninhos, prateleiras ou espaços reservados. A limpeza e a ordem permitem maior trabalho, (SANTOS, pág. 25,2003). Impedir divergências de inventário e perdas de qualquer natureza é o objetivo primordial de qualquer Almoxarifado, o qual deve possuir condições para assegurar que o material adequado, na quantidade devida, estará no local certo, quando necessário, por meio da armazenagem de materiais, de acordo normas adequadas, objetivando resguardar, além da preservação da qualidade, as exatas quantidades. Para cumprir sua finalidade, o Almoxarifado deverá possuir instalações adequadas, bem como recursos de movimentação e distribuição suficientes a um atendimento rápido e eficiente, (VIANA, pág 381, 2008). Dentro do contexto de administração de material, é inegável que as atividades desempenhadas no setor de Compras têm grande importância para a administração de materiais e que influenciam as atividades realizadas no setor de Almoxarifado. Segundo FRAGA,( pág. 5, 2010), podemos afirmar, por razões óbvias, que é a atividade de compras quem define a existência do Almoxarifado, e mesmo, que impacta decisivamente sobre a sua eficiência , uma vez que responde diretamente pela questão custo, tempo e qualidade dos materiais. De acordo com FRAGA, (pág. 5, 2010), as conseqüências da influência da atividade de Compras no Almoxarifado quando realizada com pouca ou nenhuma eficiência são: 21 . Recebimento de materiais de qualidade duvidosa, decorrentes de má especificação ou ausência de análise de proposta; . Atraso no ressuprimento de estoque que ocasiona desabastecimento e interrupção da atividade produtiva; . Valoração incorreta dos estoques em conseqüência de aquisições com preços fora da realidade do mercado; . Comprometimento da armazenagem em decorrência de não terem sidos considerados fatores como: validade do produto, qualidade de embalagem, acondicionamento, etc. 2.2 – A seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral A Seção de Almoxarifado (Sealmo) está diretamente subordinada à Coordenadoria de Material e Patrimônio, que por sua vez, encontra-se subordinada a Secretaria de Administração do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE). O TRE é um órgão que junto com o Tribunal Superior Eleitoral, os juízes eleitorais e as juntas eleitorais compõem a Justiça Eleitoral Brasileira. O TRE-RJ é competente para cuidar das questões eleitorais no Estado do Rio de Janeiro. Sua missão é garantir a legitimidade do processo eleitoral e o livre exercício do direito de votar e ser votado, a fim de fortalecer a democracia, (http://www.tre-rj.gov.br). A Sealmo possui as seguintes competências, previstas no site do Tribunal, (http://intranet.tre-rj.gov.br).: .executar, orientar e controlar as atividades de recebimento, cadastramento, classificação, codificação e administração dos materiais de consumo adquiridos; .administrar a entrada de material de consumo até que esteja em condições de incorporação ao estoque; .emitir mensalmente relatório de movimentação de materiais de consumo; .suprir as unidades do Tribunal com materiais de consumo; 22 .auxiliar no levantamento das necessidades de materiais de consumo para a elaboração da Proposta Orçamentária; .estabelecer os níveis mínimo e máximo do estoque, para fins de reposição, observando o consumo, os prazos de entrega, as condições e o custo de armazenamento; .solicitar a aquisição de materiais de consumo, fornecendo as especificações mínimas; .conferir periodicamente os materiais de consumo sob a sua guarda; .receber e conferir os materiais de consumo adquiridos quanto à especificação e à qualidade, solicitando o pronunciamento da comissão nomeada para a sua análise e recebimento; .informar à Coordenadoria sobre irregularidades observadas no fornecimento de materiais de consumo; .realizar inventário de bens de consumo ao final de cada exercício; .realizar inventário de bens de consumo a qualquer tempo, a critério da Coordenadoria de Material e Patrimônio. É importante destacar que bem de consumo é aquele que, em razão de se uso corrente, perde sua identidade física e/ou tem sua utilização limitada a dois anos, (http://intranet.tre-rj.gov.br). Dentro das atribuições da Sealmo, passa-se a analisar quatro atividades básicas realizadas por esse setor: recebimento, armazenagem, controle e distribuição. Segundo FRAGA, (pág. 9, 2010), essas atividades bem desenvolvidas representam não só a estrutura do almoxarifado, mas o nível de organização de uma empresa. Vale destacar que alguns autores da área de materiais costumam classificar as atividades básicas do Almoxarifado em três: recebimento, armazenagem e distribuição, sendo as atividades de planejamento de materiais e de gestão de estoque desempenhadas por setores específicos. Utiliza-se, atualmente, na Sealmo o programa informatizado denominado ASIWEB – módulo Almoxarifado para a realização das operações de recebimento, movimentação e distribuição dos materiais de consumo existentes no Tribunal. 23 2.2. 1 – Recebimento. Segundo SANTOS, (pág. 26, 2003), recebimento é a execução, pelo setor especifico, de um conjunto de operações que envolvem a identificação do material recebido, o confronto do documento fiscal com o pedido, a inspeção qualitativa e quantitativa do material e a aceitação formal do mesmo. Destaca-se que o recebimento de materiais na Administração Pública é regulado pelos artigos 15, 73, 74 e 76 da Lei 8666/93, conhecida como a lei de licitações e contratos, e da instrução normativa 205/88. Nessa atividade, os servidores lotados na Sealmo realizam as seguintes atribuições: conferência documental, qualitativa e quantitativa. Para isso, é fundamental que esses servidores tenham certas informações sejam elas técnicas, legais ou administrativas com o intuito de receber os materiais que serão entregues pelos fornecedores. Essas informações deverão constar de documentos formais como a nota de empenho. Segundo o artigo 61 da lei 4.320/64, nota de empenho é o documento que indica o nome do credor, a representação e a importância da despesa bem como a dedução desta do saldo da dotação própria. Na conferência documental, o servidor da Sealmo deverá, inicialmente, solicitar ao representante da empresa fornecedora a Nota Fiscal de venda e verificar se o material entregue pelo fornecedor coincide com os dados de compra constantes na nota de empenho. Essa primeira etapa do recebimento de material é fundamental, pois qualquer divergência verificada posteriormente poderá dificultar a regularização daquela aquisição e do pagamento. Após examinar a documentação, o servidor da Seção de Almoxarifado deverá conferir o material, de modo a garantir que o fornecimento obedeça às especificações relativas à quantidade, à qualidade, à embalagem, à identificação, à unidade de fornecimento, ao estado do material, dentre outros. Passa-se, então, a inspeção quantitativa, que segundo VIANA, (pág. 289, 2008), é a atividade que se verifica se a quantidade declarada pelo 24 Fornecedor na Nota Fiscal corresponde à efetivamente recebida, portanto típica de contagem. Para a inspeção quantitativa, é adotado na Sealmo o método conhecido como princípio da “contagem cega”, o qual consiste em um modelo de conferência por acusação, no qual um estoquista realiza a inspeção, apontando a quantidade recebida, desconhecendo o quantitativo descrito na nota de empenho. A confrontação do recebido com o descrito na nota de empenho é efetuada, posteriormente, por outro estoquista que analisa as distorções detectadas e providencia recontagem, a fim de se dirimir as dúvidas constatadas. Por fim, realiza-se a conferência qualitativa que compreende a verificação da qualidade do material entregue pelo fornecedor com base nas especificações contidas na nota de empenho. Segundo FRAGA (pág. 20, 2010), no recebimento, a análise/inspeção do material entregue pelo fornecedor torna-se imprescindível para perfeita identificação do material em comparação com os requisitos técnicos exigidos. São realizados pela Sealmo, dependendo do material a ser recebido, dois tipos de inspeção: .Inspeção 100%: Aquela em todos os materiais, um-à-um, devem ser minuciosamente analisados, FRAGA, (pág. 20, 2010). .Inspeção por amostragem: Utilizada quando o recebimento de grande volume de um determinado material, onde faz-se necessário formar um lote de inspeção, que se dará pela retirada aleatória de certa quantidade de unidades para verificação de conformidade com o exigido e constante no contrato de compras.A ABNT recomenda que uma análise por amostragem se dê em 5 a 10% do total de unidades entregues, FRAGA, (pág. 20, 2010). Para o recebimento de materiais e dependendo de suas características, são utilizados pela Sealmo os seguintes equipamentos: estrados (paletes), estantes, caixas, câmara fria, empilhadeiras, carrinhos de duas rodas, trena, estilete, balança, micrômetro, paquímetro, dentre outros. A Sealmo possui dois locais denominados: sala de expedição e sala de atesto. O primeiro é o local onde os materiais são descarregados quando da 25 entrega pelos fornecedores para fins de conferência. Já o segundo, é o local em que são colocados todos os materiais recebidos e que só serão armazenados, após o respectivo registro de entrada no sistema ASIWEB. Esse registro será efetuado quando for realizado o recebimento definitivo do material, que se dará após a unidade solicitante aprová-lo. Caso haja divergência na etapa de recebimento, essa irregularidade deverá ser apontada por um dos servidores da Sealmo no canhoto da nota fiscal e, imediatamente, será feita uma comunicação ao setor de Compras do Tribunal, através de um documento denominado de memorando de não conformidade, no qual constam informações referentes ao motivo da recusa de recebimento de determinado material. 2.2. 2 – Armazenagem. Armazenamento é a atividade que consiste na guarda do material recebido através da utilização de técnicas especificas com o intuito de abastecer as unidades requisitantes de determinado órgão. Segundo VIANA, (pág. 308, 2008), o objetivo primordial do armazenamento é utilizar o espaço nas três dimensões, da maneira mais eficiente possível. As instalações do armazém devem proporcionar a movimentação rápida e fácil de suprimentos desde o recebimento até a expedição. Assim, alguns cuidados essenciais devem ser observados: .determinação do local, em recinto coberto ou não; .definição adequada do layout; .definição de uma política de preservação, com embalagens plenamente convenientes aos materiais; .ordem, arrumação e limpeza, de forma constante; .segurança patrimonial, contra furtos, incêndio etc. Ao se otimizar a armazenagem, obtém-se: .máxima utilização do espaço (ocupação do espaço); .efetiva equipamentos); utilização dos recursos disponíveis (mão-de-obra e 26 .pronto acesso a todos os itens (seletividade); .máxima proteção aos itens estocados; .boa organização; .satisfação das necessidades dos clientes. As áreas destinadas à armazenagem dos materiais denominam-se instalações e de acordo com SANTOS. (pág. 33, 2003) apresentam-se em três versões: armazém, galpão e área descoberta, sendo encontradas na Sealmo as duas primeiras versões. .Armazém: é a edificação dotada de piso, cobertura, paredes frontais e laterais, com espaço útil dividido em áreas de serviços e armazenagem. .Galpão: é a estrutura dotada de piso, cobertura e, quando necessário, cercas de fechamento frontal e lateral, com espaço útil dividido em áreas de serviço e armazenagem. Área descoberta: também chamada de pátio. É aquela dotada de piso nivelado, compactado, drenado e pavimentado, com cercas de fechamento frontal e lateral, com todo seu espaço útil constituído em área de armazenagem. Ressalta-se que fazem parte da área de serviço, o escritório, vestiários, banheiros, copa, rampas, etc. Além disso, denominam-se de unidade de estocagem as estruturas destinadas à arrumação, localização e segurança dos materiais em estoque. Os principais equipamentos utilizados pela Sealmo na armazenagem de materiais são: os paletes e as estantes. Segundo FRAGA, (pág. 26, 2010), o primeiro é uma estrutura metálica, plástica ou de madeira tratada, de seção retangular ou quadrada, destinada a estocagem de material que em face de seu peso e/ou volume, características físicas e quantidade, não podem ser estocados em estantes e armações, além de permitir a movimentação de um número maior de unidades. O segundo é o conjunto estrutural desmontável, metálico ou de madeira, destinado à estocagem de material com peso e/ou volume relativamente horizontalmente baixos. formando As estantes prateleiras, poderão horizontal escaninhos, bem como poderão comportar gavetas. e ser seccionadas vertical formando 27 A armazenagem pode ser simples ou complexa. Dependendo de algumas características intrínsecas dos materiais, a armazenagem torna-se complexa em virtude de: fragilidade; combustibilidade; volatização; oxidação; explosividade; intoxicação; radiação; corrosão; inflamabilidade; volume; peso; e forma, (VIANA, pág. 313,2008). Além disso, nos procedimentos de armazenagem devem ser levados em conta normas que façam o trabalho ser o mais racional possível e que reduzam os custos. Na Sealmo, realizam-se os seguintes procedimentos, mencionados por SANTOS, (pág. 73,2003): .concentração dos materiais de uma única classe em locais adjacentes, a fim de facilitar as atividades de movimentação, inventário, etc.; .separação dos estoques do mesmo material, em função de sua condição (novo ou recuperado); .arrumação dos estoques do mesmo material, de acordo com a data do recebimento de cada um, de modo a permitir que os itens estocados há mais tempo sejam fornecidos prioritariamente; .estocagem dos materiais de movimentação constante em locais de fácil acesso, proporcionando economia de tempo e de mão de obra; .estocagem de materiais pesados e/ou volumosos nas partes inferiores das unidades de estocagem, eliminando-se riscos de acidentes ou avarias e facilitando as atividades de movimentação; .uniformização do empilhamento de materiais, observando-se que as pilhas devem ser formadas sempre do fundo para a frente e da esquerda para a direita; .conservação dos materiais nas embalagens originais, para efeito de preservação, que somente devem ser abertas em ocasiões de fornecimento, inspeção, etc.; .posicionamento correto dos materiais, de modo a permitir fácil e rápida leitura das informações registradas nas etiquetas de identificação do material ou na codificação do material colocada na unidade de estocagem; 28 .registro permanente dos espaços disponíveis, visando o planejamento racional de novas arrumações dos estoques e reduzindo-se a necessidade de constantes movimentações e relocalizações; .estocagem dos materiais exclusivamente nos espaços úteis das unidades de estocagem e áreas livres, mantendo livre o acesso a portas, circulações e corredores de acesso; .estocagem adequada dos materiais soltos em escaninhos, por meio de empacotamento ou amarração uniforme e marcação externa dos dados de identificação; A localização dos materiais armazenados na Sealmo é realizada através da codificação do almoxarifado, que consiste em atribuir códigos, numérico e alfabético, aos armazéns, aos galpões, às estantes, às prateleiras, aos paletes, a fim de identificar a localização dos materiais, no momento de guarda, de separação, e de realização de inventário. Segundo VIANA, (pág. 347, 2008), os materiais armazenados estão sujeitos a determinados eventos, os quais poderão originar transformações e/ou alterações que resultarão em inutilização causando sérios prejuízos às empresas. Merecem destaque, entre outros: a.Combustão espontânea: referem-se aos materiais, em particular aos produtos químicos, que por sua natureza podem inflamar-se e entrar em combustão. b. Compressão ou achatamento: quando os materiais são colocados em grandes pilhas ou, então, acondicionados em excesso nas prateleiras, dado à fragilidade de suas embalagens, por exemplo, pode ocorrer deformação, como ocorre com as caixas de papelão e outros envoltórios similares. c. Decomposição: quando os materiais ou matérias-primas alteram-se em virtude de fenômenos específicos. d. Empenamento: deformação em suas linhas originais. e. Outros, como: evaporação, excessos de calor e luz, explosão, oxidação, etc. 29 Para evitar que esses eventos ocorram, a Sealmo adota os seguintes procedimentos: definição de quais são os materiais explosivos ou altamente inflamáveis, procedendo ao armazenamento especial desses materiais; quais os materiais que devem ser armazenados em área de segurança como os formulários de titulo de eleitor; inclusão da necessidade de proteção e de embalagem de determinados materiais quando forem solicitadas suas aquisições ao setor de Compras, fornecendo as especificações necessárias; verificação dos itens proteção e embalagem na etapa de recebimento e inspeção periódica dos materiais, a fim de verificar se há pontos de deteriorização na embalagem ou na proteção do material; verificação de quais os materiais que possuem data limite para permanecerem conservados; e observância da capacidade de carga das unidades de estocagem. Além disso, é importante que haja segurança na armazenagem dos materiais, e segundo SANTOS, (pág.77, 2003), entende-se por segurança na armazenagem o conjunto de operações e procedimentos promovidos sistematicamente pelos grupos de empregados da armazenagem e grupos específicos de segurança que envolvem medidas para prevenir incêndios, furtos e roubos, acidentes pessoais, equipamentos e materiais, bem como medidas que assegurem o patrimônio das empresas. São adotadas, dentre outras, as seguintes medidas pela Sealmo: .Restrição ao acesso e circulação de pessoas, que não são do quadro da seção, nas instalações do Almoxarifado; .Proibição ao uso do fumo nas dependências do Almoxarifado. .Instalação de equipamentos contra incêndio e sua inspeção periódica; .Utilização de equipamentos e acessórios de segurança por parte dos estoquistas e servidores; .Sinalização para orientar a estocagem, a movimentação e o transporte dos materiais. 2.2. 3 – Controle. 30 A atividade de controle consiste no conjunto de ações integradas que registram e garantam a eficiência da movimentação de estoque, bem como de ações relacionadas a sua gestão, manutenção e segurança, sempre baseadas em técnicas especificas e acobertadas por documentos, FRAGA, (pág. 31, 2010). O processamento da movimentação dos materiais na Sealmo é realizado manualmente e por meio do programa ASIWEB. No primeiro caso, há o documento denominado Ficha de Prateleira, em que são colocadas informações como a data de entrada e de saída de determinado material e a quantidade a ser estocada ou separada. Ressalta-se que qualquer movimentação de material deverá ser precedida de registro nesse documento. Por meio do programa ASIWEB, são lançadas as entradas e saídas de materiais no Almoxarifado. No caso de entrada de material, denominada de lançamento, são necessárias as seguintes informações: número da nota fiscal e data de emissão, no caso de compra; número e data da nota de empenho; número do processo de aquisição, quantidade e valor total do material adquirido. Já no caso de saída, denominada de baixa, é necessário o formulário de requisição de material devidamente preenchido com as seguintes informações: a unidade requisitante, o material e a quantidade necessária, e a identificação do responsável pela requisição. A partir do registro dessas informações no sistema, são emitidos relatórios, denominados de nota de recebimento de material, no caso de entrada, e guia de remessa de material, no caso de saída de material. Além disso, as entradas podem ser classificadas de acordo com sua origem em: compra, compra extra-orçamentária, doação, permuta, transferência, transferência entre órgãos, incorporação, devolução. Há ainda um importante documento de controle, utilizado pela Sealmo, denominado de relatório de movimentação mensal do almoxarifado (RMMA), que tem como objetivo a realização de um diagnóstico dos materiais movimentados no mês, verificando o total de entradas, de saídas e o saldo no mês em curso. As informações são colocadas no relatório na forma de valores e esses são classificados de acordo com o elemento da despesa as quais pertencem. A análise desse relatório permite verificar se há materiais, que não 31 estão sendo “movimentandos’, ou seja, materiais que estão sem giro, acumulando na área de armazenagem, tornando-se obsoletos, ou então, quais são os materiais que são mais demandados pelas unidades requisitantes do órgão. 2.2. 4 – Distribuição. A distribuição é uma importante etapa dentro da gestão do almoxarifado. Representa uma atividade que tem como fundamento principal o fornecimento e entrega ao cliente do material certo, na hora certa e no local certo. Caso não possua eficiência, pode colocar a perder todos os processos e etapas anteriores da cadeia de material, FRAGA, (pág. 38, 2010). Ressalta-se que na Sealmo, a atividade de distribuição refere-se ao atendimento das solicitações das unidades requisitantes, através da análise do formulário de requisição de material, da separação e da embalagem adequada do material. As solicitações de materiais de consumo à Sealmo deverão ser em formulários específicos e enviados para o email da seção, com cópia para a Coordenadoria de Material e Patrimônio, entre os dias primeiro e cinco do respectivo mês. É atendido um formulário de requisição de material por mês para as unidades da sede e bimestralmente para as zonas eleitorais. Para preenchimento do formulário, é disponibilizado para os servidores do Tribunal, um catálogo de materiais existentes na Sealmo. Após a digitalizarem o formulário de solicitação de material no programa ASIWEB, os servidores da Sealmo passam a analisar os materiais e as quantidades, que foram requeridas, através dos seguintes critérios: a disponibilidade do material em estoque; o histórico do consumo de determinado material pela unidade requisitante; a função de determinado material e a atribuição de determinada unidade do Tribunal; Nota-se que não há uma regra geral para a definição da quantidade de material que a Sealmo fornecerá às unidades requisitantes, sendo necessário o uso dos critérios mencionados. Posteriormente, é realizada a baixa contábil no estoque, através 32 do programa ASIWEB, emitindo-se duas vias da guia de remessa, sendo que uma retornará assinada pelo setor requisitante ao Almoxarifado e a outra será arquivada na unidade de destino do material. Por fim, essas guias de remessa do material auxiliarão os estoquistas, através do endereço físico constante em um de seus campos, a localizarem o material nas unidades de estocagem e a quantidade a ser separada, fazendo-se o registro na ficha de prateleira. O material, enfim, é deslocado para a sala de expedição, onde será conferido por outro estoquista, que não participou da separação, e embalado de acordo com as suas características. A entrega dos materiais é realizada por outro setor do Tribunal denominado Seção de Transportes, detentora de veículos. Após, o material ser separado, conferido e embalado, é requisitado um veículo para a realização da entrega ao setor requisitante. É importante destacar que as instalações da Sealmo estão localizadas no Núcleo Administrativo do Caju, no bairro de Benfica, distantes da sede do Tribunal, localizada na Avenida Presidente Wilson, no Centro e das zonas eleitorais, que estão espalhadas por diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro. 33 CAPÍTULO III GESTÃO DE ESTOQUE 3.1 – Considerações iniciais Estoques são fatores geradores de custo, ACCIOLY, (pág.25, 2008). A manutenção dos estoques implica custos para qualquer organização como despesas com segurança, energia elétrica, equipamentos de estocagem, espaço físico, pessoal, dentre outros. E, uma vez que esses custos acabam por afetar diretamente no resultado financeiro de uma organização, é fundamental que o gerenciamento de estoque seja baseado em técnicas cientificas em vez de palpites, objetivando manter o equilíbrio entre estoque e o consumo, além de evitar que haja excesso ou falta de material. A Gestão de Estoque é uma das atividades desempenhadas pela a área de administração de material, que compreende as fases de planejamento, de verificação da demanda e de controle dos materiais existentes no estoque, com o intuito de atender aos usuários na quantidade, na qualidade e no prazo solicitados. De acordo com VIANA, (pág. 109, 2008), pode-se definir estoque como materiais, mercadorias ou produtos acumulados para utilização posterior, de modo a permitir o atendimento regular das necessidades dos usuários para a continuidade das atividades da empresa, sendo o estoque gerado, conseqüentemente, pela impossiblidade de prever-se a demanda com exatidão. Segundo SILVA, (pág.155, 1986), manter em níveis economicamente satisfatórios o atendimento às necessidades em material de uma organização para que as atividades-fim atinjam eficazmente os resultados planejados e programados, constitui o seu mais amplo objetivo. As razões para a manutenção do estoque seriam segundo FRAGA, (pág.42, 2010): 34 .impossibilidade de se ter os materiais em mãos quando as demandas ocorrerem; .redução da necessidade de acionar constantemente o serviço de compra, que além de gerar custos é, por via de regra, moroso. .segurança contra riscos de falta do material junto ao mercado fornecedor; .garantia quanto a variação dos custos unitários, comum em períodos inflacionários. O gerenciamento de estoque do TRE fica sob a responsabilidade da Sealmo, que realiza os procedimentos descritos nas páginas seguintes. 3.2 – Formação e Dimensionamento de Estoque Na formação e no dimensionamento de estoque, uma questão deve ser respondida: o que, quanto e quando vamos consumir de determinados materiais. Essa pergunta será equacionada através do planejamento, identificando os materiais que serão necessários para cada unidade de uma organização. O planejamento das necessidades é ponto central para qualquer gerencia de estoques. Estas necessidades são identificadas a partir da análise das informações coletadas em períodos anteriores, mediante o emprego de instrumentos estatísticos disponíveis e de quaisquer outros dados que possam afetar tais determinações. Estes dados, por sua vez, podem ser influenciados pelos fatores intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros se referem ao comportamento usual da movimentação dos itens de material estocado em relação às operações normais da empresa. Quanto aos fatores extrínsecos, devemos considerá-los como aqueles que modificam todo o comportamento dos dados, em função de ocorrências externas da empresa, tais como: medidas governamentais, guerras, intermitência de fornecimento. E são de regra geral, de natureza aleatória, SILVA (pág. 159, 1986). Além disso, a classificação de materiais é um processo utilizado para auxiliar a organização no gerenciamento do estoque, além de auxiliar no 35 processo de identificação e decisão de prioridades. Segundo VIANA, (pág.52, 2008), uma boa classificação deve considerar alguns atributos: abrangência, deve-se tratar de uma gama de características em vez de reunir apenas materiais para serem classificados; flexibilidade, deve permitir interface entre os diversos tipo de classificação, de modo que se obtenha ampla visão do gerenciamento de estoque; e praticidade, a classificação de ser direta e simples. Para atender às necessidades do TRE, a Sealmo adota os seguintes tipos de classificação: quanto ao valor, quanto à criticidade quanto ao consumo, quanto à natureza. 3.2. 1 Quanto ao valor Nesse tipo de classificação, utiliza-se o método denominado Classificação ABC, que segundo, DIAS, (pág.76, 1993) permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração. Obtém-se a curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância relativa. A classificação ABC, de acordo com SILVA, (pág. 195, 1986), é baseado nas conclusões de Pareto que, ao estudar a distribuição de renda entre a população do sistema econômico em que vivia, estabeleceu um princípio, segundo o qual, o maior segmento da renda nacional concentrava-se em uma pequena parcela da população, enquanto a maioria desta absorvia a menor parte da mesma renda. Nos últimos 30 anos, a partir dos esforços iniciais da General Electric americana, o princípio de Pareto tem sido adaptado ao universo de materiais, particularmente à gerência de estoques, com o nome de Classificação ABC. Esse método permite colocar em ordem de prioridade os materiais estocados, através do agrupamento de todos os itens de consumo em três classes diferentes, de acordo com o valor real de estoque ou consumo de cada item. Classe A: representa o grupo de maior valor de consumo e menor quantidade de itens, que devem ser gerenciados com especial atenção. Representam, normalmente, em conjunto, aproximadamente 70% a 75% do 36 valor total de todos os itens do estoque, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Classe B: representa o grupo de situação intermediária entre as classes A e C. Geralmente os itens B constituem aproximadamente 20% a 25% do valor do estoque, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Classe C: representa o grupo de menor valor de consumo e maior quantidade de itens, portanto, financeiramente menos importantes que justificam menor atenção no gerenciamento. Representam, geralmente, aproximadamente, 5% do valor total do estoque, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html). 3.2. 2 Quanto à criticidade ou importância operacional Os materiais são agrupados em duas categorias de acordo com a importância operacional, levando-se em consideração os riscos decorrentes de sua falta no estoque. Alta: materiais imprescindíveis ao funcionamento do órgão, cuja falta pode acarretar paralisação de serviços essenciais, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Baixa: materiais não imprescindíveis ao funcionamento do órgão, cuja falta têm pouco impacto nas operações do órgão, não envolvendo riscos relacionados à segurança pessoal e/ou patrimonial, possuindo ou não equivalentes, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html). 3.2. 3 Quanto ao consumo Os materiais são classificados em duas categorias: Alta freqüência: materiais de consumo constante (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Baixa freqüência: há necessidade de seu estoque, mas não há previsão de consumo, portanto seu estoque deve ser separadamente, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html). 3.2. 4 Quanto à natureza Os materiais são classificados em quatro categorias: definido 37 Estocável: Quando o estoque é resultante de um planejamento prévio e destinado a uma utilização conhecida, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Não- Estocável: material de consumo imediato, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Inativo em uso: material estocado, sem perspectiva de entrada futura, decorrente principalmente de mudanças na política de estoques, mas que pode ser requisitado até o fim do estoque, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html); Inativo em desuso: material cujo uso foi suspenso – não pode ser requisitado e nem comprado, (http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html). A tarefa de planejamento da demanda de materiais consumo do TRE é realizada pelo Comap com o auxílio da Sealmo, que realiza os seguintes procedimentos, dentre outros: buscas no sistema ASIWEB sobre a quantidade atualizada dos materiais e o histórico de consumo de determinados materiais pelas unidades requisitantes; a verificação da classificação dos materiais; a análise do espaço existente para armazenamento nas instalações; a verificação da possibilidade de deteriorização do material armazenado; o cumprimento de prazo de entrega por parte dos fornecedores; a análise tempo de aquisição, que inclui as fases de elaboração de edital, licitação, recursos; e a realização de inspeções no estoque para verificar se há materiais sem movimentação. Além disso, em ano de eleição, são realizadas pesquisas junto aos cartórios eleitorais com o intuito de descobrir a quantidade de determinados materiais prefixados anteriormente pela Comap e que serão utilizados especificamente para a preparação e a realização das eleições como canetas para os eleitores assinarem o caderno de votação. 3.3 – Teoria do Estoque Zero 38 Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, os japoneses copiaram na íntegra e nos mínimos detalhes o modelo industrial americano. Arrasado pela derrota na guerra, com falta de espaço e carente de recursos naturais, o Japão, para poder competir com o mundo, industrializou-se, adotando a norma de completa eliminação de qualquer tipo de perda, modelo esse absorvido por sua farta mão-de-obra. Surge, assim, a filosofia de Perda Zero, alicerce das técnicas de administração japonesas, fundamentada em que a perda eleva o custo desnecessariamente, devendo-se produzir sem perdas, com a melhor qualidade e ao menor custo, VIANA, (pág.48, 2008). Dentro dessa filosofia, encontra-se o conceito “Just in time” que é definido como a compra ou produção de determinado material na quantidade estritamente necessária, no momento necessário para atender determinada demanda, eliminando-se qualquer desperdício. Apoiado nesse conceito, surge a Teoria do Estoque Zero, com o intuito de eliminar o estoque de uma organização, transferindo para o fornecedor todos os custos advindos com a sua manutenção. Cabe observar que a aplicação da teoria do ESTOQUE ZERO se restringe a determinados itens de estoque, geralmente aqueles significativos em termos de valor operacional e financeiro, e ainda, aqueles que requerem investimentos especiais de estocagem, FRAGA, (pág 43, 2010). Ressalta-se que a meta é zero de estoque, mas, na prática, é difícil de ser implantada essa teoria, devendo, então, o estoque ser o mínimo possível. Além disso, acrescenta-se a dificuldade existente no mercado brasileiro de fornecedores compromissados, ou então, com excelente padrão profissional que atenda as organizações públicas e privadas sem que haja problemas no fornecimento. No âmbito do TRE, para a aquisição de bens, é adotado, dentre outros instrumentos, o sistema de registro de preço, que é definido como conjunto de procedimentos para registro formal de preços relativos à prestação de serviços e aquisição de bens, para contratações futuras, decreto nº 3. 931, de 19 de setembro de 2001. Esse sistema é o que se aproxima da teoria do Estoque zero, uma vez que determinado bem passa a ser adquirido em parcelas 39 menores permitindo, assim, que se reduza parte do estoque. Outras vantagens de utilização desse sistema podem ser apontadas como menor imobilização orçamentária, uma vez que não é necessário empenhar todo o material; diminuição no tempo de reposição do material; diminuição no uso de equipamentos de estocagem; maior aproveitamento de materiais deterioráveis. Um exemplo de utilização desse sistema seria a aquisição de água mineral, que é fornecida pela empresa contratada à medida que as unidades da sede e as zonas eleitorais solicitam esse material à Sealmo. 3.4 – O inventário Inventário é o processo de contagem física de itens de estoque, comparando-a com as quantidades indicadas no registro contábil das áreas de Controle de Estoque com o objetivo de identificar e corrigir divergências, SANTOS, (pág.109, 2003). Além disso, é através do inventário que se podem avaliar as condições de armazenamento e de conservação dos materiais, a forma de identificação dos materiais nas instalações do Almoxarifado, a qualidade dos materiais, a situação dos equipamentos de segurança existentes, e as deficiências nas embalagens dos materiais. Há três modalidades de inventário, conforme SANTOS, (pág.109, 2003): geral, rotativo e especifico. Inventário geral: consiste na contagem num mesmo período, de 100% dos itens estocados num determinado almoxarifado. Inventário rotativo/cíclico: é a execução do inventário em períodos definidos para grupos de itens escolhidos de forma aleatória, de modo que, ao final de um determinado período, todo o universo de itens estocados seja inventariado. Inventário específico: é a execução do inventário para um item especifico de material, o qual será realizado sempre que se constatar divergências físico-contábeis que determinem a necessidade de contagem física do item para se proceder aos devidos acertos. 40 De acordo com SANTOS, (pág.110, 2003) há, também, os tipos de inventário: Inventário de portas abertas: Nesta modalidade a contagem é feita simultaneamente às movimentações de materiais. Para os grupos de itens em fase de contagem, faz-se uma paralisação do atendimento até o término da contagem. Inventário de portas fechadas: Nesta modalidade faz-se a contagem física sem se permitir saídas ou entradas de qualquer material durante o período de inventário, salvo nos casos de emergência. Inventário de portas semifechadas: Recomenda-se a sua utilização para inventários gerais em almoxarifados de grande porte. Nesta modalidade, inventariam-se todos os itens do almoxarifado, mas fazendo paralisações de partes para contagem, sob o sistema de portas fechadas para estes itens, permitindo-se a movimentação dos demais.Essa modalidade permite minimizar os problemas provocados aos usuários com a paralisação total dos itens no inventário de portas fechadas. Realizam-se na Sealmo as três modalidades de inventários e o tipo portas fechadas, sendo que é realizado, anualmente, no final do mês de dezembro o inventário físico, conforme determinação do Tribunal. Além desse, podem-se realizar outros inventários por determinação da Coordenadoria de Material e Patrimônio, por exemplo, quando houver a mudança de chefia da Sealmo. A execução desses inventários é feita por uma comissão formada por servidores do Tribunal de áreas diversas da Sealmo, com o intuito de dar maior confiabilidade, credibilidade e transparência dessa atividade. Nesse período, o Sealmo passa a ser dirigida e subordinada ao presidente dessa comissão. Na contagem dos materiais realizada durante o inventário, a comissão: efetua a contagem do material em estoque e depois, compara com os dados constantes no relatório denominado estoque atual. Caso haja diferenças entre a quantidade encontrada e a quantidade esperada, é realizada uma segunda contagem, preferencialmente por outra pessoa e persistindo a diferença, essas informações são registradas para posteriormente integrarem o relatório final do inventário. 41 Após a contagem, a comissão do inventário elabora um relatório final, apontado diferenças, caso existiam, e outras informações que julgar serem pertinentes. Destaca-se que são discutidas, entre os componentes da comissão e os servidores da Sealmo, lições aprendidas durante a realização do inventário, com o intuito de que evitar erros no futuro. Os acertos nos saldos do estoque somente serão realizados com o término do inventário e mediante aprovação da administração superior do Tribunal. 3.5 – Ressuprimento As organizações utilizam-se de determinados parâmetros de ressuprimento para manter seus níveis de estoque ajustados com o consumo, com o prazo de reposição, e com o valor de cada material. Além disso, esses parâmetros são necessários para impedir o excesso ou a falta de materiais no estoque. Assim, o controle nos níveis de estoque e a decisão de quanto e quando comprar ocorrerão a partir do uso desses parâmetros. O controle dos níveis de estoque não deve ser feito pela experiência, intuição ou observação visual, apesar da importância que essas análises também possuem na pratica diária, mas sim, baseado em fórmulas matemáticas que garantam maior precisão e segurança na definição de parâmetros de ressuprimento, impedindo assim que haja falta ou estoque ocioso no almoxarifado, FRAGA, (pág. 31,2010). São adotados pela Sealmo os seguintes parâmetros, descritos em FRAGA, (pág.50, 2010): 3.5.1- Consumo Médio (CM): é a media do consumo dentro de uma unidade de tempo: dia, semana, quinzena, mês ou ano. Na Sealmo, adota-se o consumo médio mensal no período de 12 meses. CMM=Qc1+Qc2+....Qc12/ Pc onde Qc é a quantidade consumida a cada mês e Pc é o período de consumo. 3.5.2- Tempo de Reposição (TR): é o tempo decorrido entre a data da requisição de compra e a data do efetivo recebimento do material. O TR varia 42 de item para item de acordo com a maior ou menor dificuldade de obtenção junto ao mercado.No caso da Sealmo, a base de cálculo do TR é o mês. 3.5.3- Estoque de Segurança (ES): é a quantidade destinada a evitar o desabastecimento decorrente do atraso de compra ou aumento do consumo. Deverá ser o menor possível e para aqueles materiais de alta criticidade, considerando a imobilização financeira e o seu caráter de proteção. ES= CM x MS, onde MS é a margem de segurança. 3.5.4 – Ponto de Pedido ou Reposição (PR): é a quantidade de material que ao ser atingida determina a emissão de um pedido de compra. PR=CM x TR+ES 3.5.5 – Intervalo de Ressuprimento (IR): é o intervalo de tempo entre dois ressuprimentos. 3.5.6 – Quantidade de Reposição (QR): é a quantidade de material a ser solicitada a compra, sempre que o estoque atingir o ponto de reposição. QR=CM x IR 3.5.7 – Estoque Máximo (EM): é a quantidade máxima de material permitida para estoque. EM= QR+ES 3.6 – Avaliação do estoque Todas as formas de registro de estoque objetivam controlar a quantidade de materiais em estoque, tanto o volume físico quanto o financeiro. Contudo, a avaliação de estoque anual deverá ser realizada em termos de preço, para proporcionar uma avaliação exata do material e informações financeiras atualizadas. A avaliação dos estoques inclui o valor das mercadorias e dos produtos em fabricação ou produtos acabados. Para se fazer uma avaliação desse material, tomamos por base o preço de custo ou de mercadoria, preferindo-se o menor entre os dois. O preço de mercadoria é aquele pelo qual a matéria-prima é comprada e consta na nota fiscal do fornecedor, DIAS, (pág.126, 1993). 43 Destacam-se dois métodos normalmente usados para a avaliação dos estoques: o custo médio e o método PEPS, sendo este primeiro método adotado pela Sealmo. 3.6. 1 – Custo médio. A avaliação feita através do custo médio é a mais freqüente. Tem por base o preço de todas as retiradas, ao preço médio do suprimento total do item em estoque. Age como um estabilizador, pois equilibra as flutuações de preços; contudo, a longo prazo, reflete os custos reais das compras de material. Exemplo: no estoque de uma empresa entraram, em 7/8, 500 unidades de determinada peça ao preço de $15 cada uma e no dia 23/9 saíram de estoque 150 unidades. Com a aquisição de 500 unidades a $15, totalizando $7.500, o preço médio é o próprio preço unitário da primeira aquisição. Com a compra de mais 200 unidades a $20 cada uma, que totalizam $ 4.000,00, ficam 700 unidades em estoque, no valor de $11.500. Como existiram duas entradas de material no estoque com preços unitários diferentes, o custo médio vai alterar-se, senão vejamos: através da média aritmética obtemos uma medida central (média) do custo das quantidades adquiridas. Como houve a saída de 150 unidades, o preço médio é aquele da última aquisição, ou seja, $16, 43, DIAS, (pág.123, 1993). 3.6. 2 – Método PEPS Primeiro a entrar, Primeiro a sair (First in, First out). A avaliação por esse método é feita pela ordem cronológica das entradas. Sai o material que primeiro integrou o estoque, sendo substituído pela mesma ordem cronológica em que foi recebido, devendo seu custo real ser aplicado. Quando o giro dos estoques ocorre de maneira rápida ou quando as oscilações normais nos custos podem ser absorvidas no preço do produto, ou quando se dispõe de material que esteja mantido por longo prazo, esse tipo de avaliação serve também para controlar os estoques. Consequentemente, os estoques são mantidos em contas do ativo, com valores aproximados dos preços atuais de mercado. Exemplo: numa empresa entraram em estoque, no dia 6/5, 100 unidades, de determinada peça, ao preço de $15 cada uma; no dia 7/5 entraram mais 150 unidades a $20 cada uma, no dia 8/5 saíram de estoque 44 150 unidades.Com a saída do dia 8/5 de 150 unidades e como só entraram 100 unidades na primeira operação, damos saída a essas 100 unidades ao preço de $15 e como faltam 50 unidades para completar a requisição das 150 unidades, damos saída a 50 unidades ao preço unitário de $20, ficando com um saldo de 100 unidades no valor total de $2.000 no dia 8/5, DIAS, (pág.123,1993). 45 CONCLUSÃO Atualmente, diante da necessidade do Estado brasileiro em caminhar para um Estado operante, mais eficiente, é fundamental que suas despesas sejam bem executadas e que os seus serviços sejam prestados com qualidade. Para isso, uma das medidas utilizadas é o uso eficiente dos recursos materiais utilizados pelos órgãos públicos para a realização de suas atividades. Nesse sentido, a administração de materiais passa a desempenhar um papel importante na dinâmica das instituições públicas, através da introdução de técnicas e mecanismos utilizados pela área de material do setor privado, contribuindo, assim, para a racionalização das despesas públicas. Com este trabalho, visou-se apresentar o setor de Almoxarifado de um órgão público, no caso a Seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral, demonstrando, através das atividades realizadas rotineiramente, como esse setor pode propiciar uma gestão eficiente dos materiais do Tribunal. Verificou-se, por exemplo, que, quanto às atividades de guarda, os materiais devem ser recebidos adotando determinadas normas de inspeção e baseados em informações constantes em um documento específico denominado nota de empenho, pois, caso haja divergência entre o que foi comprado e o que foi recebido, não atenderá a unidade do Tribunal que solicitou a compra desse material, prejudicando até mesmo a realização de sua atribuição. Já com relação às atividades de gerenciamento, demonstrou-se, por exemplo, que não se devem armazenar todos os materiais no estoque para futuramente serem utilizados, uma vez que há custos para manutenção desses itens. Um dos procedimentos adotados pela Seção de Almoxarifado seria a aquisição de determinados materiais pelo sistema de registro de preços, que se assemelha com a Teoria do Estoque Zero, pois permite a redução do estoque, além da aquisição de determinado material em parcelas menores. Assim, é inegável o papel estratégico da Seção de Almoxarifado dentro do Tribunal Regional Eleitoral, pois, além de realizar técnicas e procedimentos 46 modernos, busca-se gerenciar os recursos materiais ao menor custo para os cofres do Tribunal. 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ACCIOLY, Felipe; AYRES, Antonio de Pádua Salmeron; SUCUPIRA, Cesar. Gestão de Estoques. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. CARDOSO, Fernando Henrique. Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. .Brasília, 1995. CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação à administração de materiais..São Paulo: Makron Books, 1991. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: uma abordagem logística. 4ªedição.São Paulo: Atlas, 1993. FRAGA, Renato Dias. Almoxarifado: Organização e Gestão no serviço público.Rio de Janeiro, 2010. SANTOS, Gerson dos. Gestão de Almoxarifados 2ªedição. Florianópolis: Edição do autor, 2003. SILVA, Renaud Barbosa da. Administração de Materiais: Teoria e prática. 2ªedição.Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Administração de Materiais, 1986. VIANA, João José. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2008. 48 Congresso Nacional. Lei 4320. Brasília-DF, 1964. Congresso Nacional. Lei nº 8.666 de 1993, Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Brasília-DF: 1993. Congresso Nacional. Instrução Normativa 205. Brasília-DF, 1988. http://intranet.tre-rj.gov.br – Portal interno do Tribunal Regional Eleitoral, acessado em 7 de dezembro de 2010. http://rjasi01:8080/asi/apresentacao/IndexASI.html) – site do ASIWEB módulo Almoxarifado acessado em 9 de dezembro de 2010. programa 49 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I - Administração de material 10 1.1 – Histórico 10 1.2 – A administração de material no no serviço público brasileiro 15 CAPÍTULO II - A Seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral 19 2.1 – Histórico e definições 19 2.2 – A seção de Almoxarifado do Tribunal Regional Eleitoral 21 2.2.1 - Recebimento 23 2.2.2 - Armazenagem 25 2.2.3 – Controle 29 2.2.4 – Distribuição 31 CAPÍTULO III - Gestão de Estoque 33 3.1 – Considerações iniciais 33 3.2 – A formação e o dimensionamento do estoque 34 3.2.1 - Quanto ao valor 35 3.2.2 - Quanto à criticidade ou importância operacional 36 3.2.3 - Quanto ao consumo 36 3.2.4- Quanto à natureza 36 3.3 – Teoria do Estoque Zero 37 3.4 – O inventário 39 50 3.5 – Ressuprimento 41 3.5.1 – Consumo médio 41 3.5.2 - Tempo de Reposição 41 3.5.3 – Estoque de Segurança 41 3.5.4 – Ponto de Pedido ou Reposição 42 3.5.5 – Intervalo de Ressuprimento 42 3.5.6 – Quantidade de Reposição 42 3.5.7 – Estoque Máximo 42 3.6 – Avaliação de Estoque 42 3.6.1 – Custo médio 42 3.6.2– Método PEPS 43 CONCLUSÃO 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 47 ÍNDICE 49 51 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Título da Monografia: Autor: Data da entrega: Avaliado por: Conceito: