INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE CAMPUS CAMPOS CENTRO - IFF
GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA EM SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES
DANIELE DOS SANTOS LOPES
KETHERIN DA SILVA BARRETO
MARIANE FIORIO DA SILVA
TV DIGITAL: EXPECTATIVA DE USO NO AMBIENTE EDUCATIVO
CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ
Novembro de 2013
INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE CAMPUS CAMPOS CENTRO - IFF
GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA EM SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES
DANIELE DOS SANTOS LOPES
KETHERIN DA SILVA BARRETO
MARIANE FIORIO DA SILVA
TV DIGITAL: EXPECTATIVA DE USO NO AMBIENTE EDUCATIVO
Monografia apresentada ao Instituto
Federal Fluminense - IFF Campus
Campos Centro como requisito parcial
para conclusão do curso de Tecnologia
em Sistemas de Telecomunicações.
Orientadora: M.Sc. Suélly Lima dos Santos
CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ
Novembro de 2013
TV DIGITAL: EXPECTATIVAS DE USO NO AMBIENTE EDUCATIVO
Monografia apresentada ao Instituto
Federal Fluminense - IFF Campus
Campos Centro como requisito parcial
para conclusão do curso de Tecnologia
em Sistemas de Telecomunicações.
Aprovada em 12 de Novembro de 2013.
BANCA EXAMINADORA
Profª. Suélly Lima dos Santos, M.Sc. (Orientadora)
Instituto Federal Fluminense-IFF/Campos Campus Centro
Profª. Claudia Boechat Seufitelli, M.Sc.
Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro
___________________________________________________________________
Profº Luílcio da Silva Barcelos, M.Sc.*
Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro
CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ
2013
Dedicamos este trabalho às nossas
famílias que nos apoiaram em todos
os momentos, aos nossos amigos que
compartilharam os momentos difíceis e
aos nossos professores que sempre
nos incentivaram durante o nosso
processo de formação.
iv
AGRADECIMENTO
DANIELE DOS SANTOS LOPES
Agradeço a Deus por sempre iluminar meus caminhos e por fazer com que
mais esse sonho se concretizasse. Agradeço a minha família e meu noivo Jocirlei
Pereira, que são base da minha vida, sinônimo de amor, compreensão e dedicação.
Agradeço, também, a Ketherin Barreto que esteve junto comigo em todo o período
da faculdade, e por tudo que compartilhamos em nosso convívio, as alegrias, as
frustrações, as descobertas, enfim pelo o que aprendemos uma com a outra.
KETHERIN DA SILVA BARRETO
Agradeço primeiramente a Deus por me proporcionar todas as oportunidades
que me foram concedidas até hoje, minha família por sempre estar ao meu lado me
apoiando quando necessito, por serem responsáveis pelos meus estudos, por me
incentivarem nos momentos de fraqueza e por sempre estarem me estimulando;
aos meus amigos que me ajudam, me divertem e me ensinam coisas novas e boas
da vida; a minha amiga Daniele Lopes por me incentivar e não deixar eu desistir
diante
das
dificuldades
no
decorrer
do
curso.
Agradeço
a
turma
de
Telecomunicações que chegou comigo até o fim do curso, vocês são demais, foram
3 anos de muitos estudos, companheirismo, amizade, dedicação, muitas alegrias e
divertimentos.
MARIANE FIORIO DA SILVA
Agradeço a Deus por me guiar durante toda esta jornada trabalhosa sem que
eu fraquejasse. Agradeço, principalmente aos meus pais, que me incentivaram e
investiram nos meus estudos, à minha família e ao meu noivo Rafael Guidi por
estarem sempre ao meu lado me apoiando e fornecendo forças que necessitei.
v
“É o cinema em casa, o mundo em casa. É o
tapete mágico de Aladim, em que você viaja sem
sair do lugar. Tem função deturpadora, e não
orientadora ou elevadora. Mas para os velhos
surdos, meio cegos e jumentos como eu, aos 83
anos, é a vida. Para quem não chega a janela, não
lê jornais como eu, a televisão é a minha vida, a
minha viagem.”
Cascudo
vi
RESUMO
A televisão é um dos meios de informação mais conhecido, através dela é possível
saber o que acontece em qualquer parte do mundo, acompanhar notícias sobre
diversos assuntos e também conhecer outras culturas. Desde a década de 30 a TV
surgiu como fonte de informação e comunicação. Ensinar e aprender através da TV
Digital Interativa está se tornando uma realidade mais frequente. É um
acontecimento dentro da história da televisão, que vai desde a estrutura das
emissoras, produção de programas, passando pelos meios de transmissão até
chegar ao telespectador que terá novos recursos, alta definição de imagens,
interatividade e outras possibilidades através desta nova tecnologia. O objetivo deste
estudo é mostrar como a televisão e a interatividade, através do Ensino a Distância
(EaD), pode contribuir na educação e na cultura da população. Esse método ocorre
quando o aluno e o professor estão separados fisicamente. Isso é possível devido às
novas tecnologias de telecomunicações, de transmissão de voz, dados e imagens,
incluindo televisão digital, Interatividade e vídeo.
Palavras-chave: TV Digital, Ensino à Distância (EaD), Interatividade.
vii
ABSTRACT
Television is one of the most well known news media, through it is possible to know
what happens anywhere in the world, track news on various topics and also learn
about other cultures. Since the 30s the TV has emerged as a source of information
and communication. Teaching and learning through the Interactive Digital TV is
becoming a reality more often. It is an event in the history of television, ranging from
the structure of broadcasting, program production, through the means of transmission
to reach the viewer will have new features, high-definition images, interactivity and
other possibilities through this new technology. The aim of this study is to show how
television and interactivity through the Distance Learning (DL), can contribute in the
education and culture of the population. This method occurs when the student and
teacher are physically separated. This is possible due to new telecommunications
technologies, transmission of voice, data and images, including digital television,
video and interactivity.
Keywords: Digital TV, Distance Learning, Interaction.
viii
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 01: Preenchimento por varredura................................................................23
FIGURA 02: Varredura do feixe em TV em cores......................................................25
FIGURA 03: Canal de 6 MHz com portadora de cor................................................. 26
FIGURA 04: Processo de varredura intercalada na televisão................................... 36
FIGURA 05: Detalhamento da qualidade de imagem............................................... 37
FIGURA 06: Resoluções de imagem 720x1280 e 1080x1920.................................. 38
FIGURA 07: Modelo de Referência dos Padrões da TV Digital................................ 41
FIGURA 08: Característica do padrão ATSC............................................................. 43
FIGURA 09: Característica do padrão DVB...............................................................44
FIGURA 10: Característica do padrão ISDB............................................................. 45
FIGURA 11: Diferença de Proporções entre a TV Analógica e Digital ......................51
FIGURA 12: TV no celular..........................................................................................59
FIGURA 13: EPG (Guia Eletrônico de Programação)................................................60
FIGURA 14: Portal de Ensino.....................................................................................72
FIGURA 15: Tela de Acesso.......................................................................................73
FIGURA 16: Menu Principal.......................................................................................73
FIGURA 17: Tela de Matérias.....................................................................................74
FIGURA 18: Matéria Selecionada..............................................................................74
FIGURA 19: Tela de Conteúdo...................................................................................75
FIGURA 20: Faixa Etária ...........................................................................................76
FIGURA 21: TV’s em Casa.........................................................................................77
FIGURA 22: Em qual lugar acessa TV.......................................................................77
FIGURA 23: Nova transmissão de sinal de TV...........................................................78
FIGURA 24: TV com conversor..................................................................................78
FIGURA 25: Sinal Digital em Campos........................................................................79
FIGURA 26: Recursos da Interatividade....................................................................79
FIGURA 27:Curso a distância....................................................................................80
FIGURA 28: Meio mais utilizado.................................................................................80
FIGURA 29: EaD através da TV.................................................................................81
ix
LISTA DE SIGLAS
2D - Duas Dimensões
3D - Três Dimensões
8-VSB - Eight-Vestigial Side Band (Oito-Banda Lateral Vestigial)
AAC - Advanced Audio Coding (Codificação de Áudio Avançada)
ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações
ARIB - Association of Radio Industries and Businesses (Associação das Industrias
de Rádio e Empresas)
ATSC - Advanced Television System Committee (Comitê de Sistema de Televisão
Avançado)
ATV - Advanced Television Service (Serviço de Televisão Avançado)
CD - Compact Disc (Disco Compacto)
CODEC - Codificador e Decodificador de Sinais
COFDM - Coded Orthogonal Frequency Multiplex (Código Ortogonal de Múltipla
Frequência Codificado)
CPF - Cadastro de Pessoa Física
CPqD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
CRT - Cathode Ray Tube (Tubo de Raios Catódicos)
DASE - DTV Application Software Enviornment (Ambiente de Aplicação de Software
da TV Digital)
DCT - Discrete Cosine Transform (Transformação Discreta do Cosseno)
DIBEG - Digital Broadcasting Experts Group (Grupo Especialista em Radiodifusão
Digital)
DTV - Digital Television (Televisão Digital)
DTVi - Digital Television Interactive (Televisão Digital Interativa)
DVB - Digital Video Broadcasting (Vídeo Digital por Radiodifusão)
DVD - Digital Versatile Disc (Disco Digital Versátil)
EaD - Ensino a Distância
EDTV - Enhanced Definition Television (Televisão com Definição Melhorada)
EPG - Eletronic Programming Guide (Guia de Programação Eletrônica)
EUA - Estados Unidos da América
x
FIESP - Federação das Indústrias e Comércio do Estado de São Paulo
FRM - Fundação Roberto Marinho
FULL HD - Full High Definition (Alta Definição)
Ginga-CC - Ginga Common-Core (Ginga Núcleo Comum)
Ginga-J - Ginga em linguagem Java
Ginga-NCL - Nested Context Language ( Linguagem de Contexto Aninhados)
HDTV - High Definition Television (Televisão de Alta Definição)
HE-AAC - High Efficiency Advanced Audio Coding (Alta Eficiência de Codificação de
Audio Avançada)
Hz - Hertz
IBM - International Business Machines (Negócio Internacional de Máquinas)
IES - Instituição de Ensino Superior
IFF - Instituto Federal Fluminense
ISDB - Integrated Services Digital Broadcasting (Serviço Integrado de Transmissão
Digital)
ISDB-T - Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (Serviço Integrado de
Transmissão Digital Terrestre)
ISDB-Tb - Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (Serviço Integrado de
Transmissão Digital Terrestre do Brasil)
ITU-R - International Telecommunication Union Radiocommunication (União
Internacional Radio Comunicação)
ITU-T - International Telecommunication Union (União Internacional de
Telecomunicações)
JPEG - Joint Photographic Experts Group (Grupo de Especialistas em Imagens)
LC - Low Complexity (Alta Complexibilidade)
LCD - Display de Cristal Líquido
MAC - Multiplexed Analog Components (Componentes de Multiplexação Analógicos)
MHP - Multimedia Home Platform (Software de Interface Aberta)
MHz - Mega Hertz
MPEG - Moving Picture Experts Group (Grupo de Especialista em Imagens em
Movimento)
MSN - Microsoft Service Network (Rede Microsoft de Serviços)
MUSE - Multiple Sub-nyquist Sampling Encoding (Codificação de Amostragem
Múltipla Sub-nyquist)
xi
NBC - Non Backward Compatible (Não Retrocompatível)
NCL - Nested Context Language (Linguagem de Contexto Aninhados)
NTSC - National Television Systems Committee (Comitê Nacional do Sistema de
Televisão)
OFDM - Orthogonal Frequency Division Multiplexing (Multiplexação por Divisão de
Frequência Ortogonal)
P&B - Preto e branco
PAL - Phase Alternation Line (Linha de Fase Alternante)
PAL-M - Phase Alternation Line Modification (Linha de Fase Alternante Modificado)
PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PPV - Pay Per View (Pagar para Ver)
PSK - Phase-Shift keying (Chaveamento por Deslocamento de Fase)
PUC- Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
QAM - Quadrature Amplitude Modulation (Modulação de Amplitude em Quadratura)
QPSK - Quadrature Phase Shift Keying (Modulação por Chaveamento de
Quadratura de Fase)
RCA - Radio Corporation of America (Corporação de Rádio da América)
RGB - Red, Green and Blue (Vermelho, Verde e Azul)
RLC - Run Length Code (Código de Comprimento Executável)
SBTVD - Sistema Brasileiro de Televisão Digital
SDTV - Standard Definition Television (Televisão de Definição Padrão)
SECAM - Sequentiel Couleur Avec Memorie (Colorização Sequencial com Memória)
SFN - Single Frequency Network (Frequência de Rede Simples)
SI - Service Information Protocol (Protocolo de Serviço de Informação)
SSR - Scalable Sampling Rate (Taxa de Amostragem Ajustável)
TC - Telecurso
TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação
TV - Televisão
TVD - Televisão Digital
UFPB - Universidade Federal da Paraíba
UHF - Ultra High Frequency (Frequência Ultra Alta)
USB - Universal Serial Bus (Porta Serial Universal)
USP - Universidade de São Paulo
VHF - Very High Frequency (Frequência Muito Alta)
xii
VHS - Video Home System (Sistema de Vídeo Caseiro)
VLC - Variable Length Code (Código de Comprimento Variável)
VOD - Vídeo on Demand (Vídeo por Demanda)
VSB - Vestigial Side band (Banda Lateral Vestigial)
Wi-Fi - Wireless Fidelity (Fidelidade sem Fio)
WM9 - Windows Media 9
XML - eXtensible Markup Language (Linguagem de Marcação)
xiii
SUMÁRIO
AGRADECIMENTO.....................................................................................................iv
EPÍGRAFE...................................................................................................................v
RESUMO.....................................................................................................................vi
ABSTRACT.................................................................................................................vii
LISTA DE FIGURAS...................................................................................................viii
LISTA DE SIGLAS.......................................................................................................ix
CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO................................................................................................15
1.1 OBJETIVO .........................................................................................17
1.2 MOTIVAÇÃO......................................................................................17
1.3 JUSTIFICATIVA..................................................................................18
1.4 METODOTOLOGIA............................................................................18
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO...........................................................19
CAPÍTULO II
HISTÓRIA DA TV............................................................................................20
2.1 TV ANALÓGICA.................................................................................22
2.1.1 TV em Cores Analógica...............................................................23
2.1.2 Transmissão do Sinal de Vídeo...................................................25
2.2 PADRÕES..........................................................................................27
2.2.1 Sistema NTSC.............................................................................27
2.2.2 Sistema PAL.................................................................................28
2.2.3 Sistema PAL-M.............................................................................29
2.2.4 Sistema SECAM..........................................................................29
2.2.5 Comparação entre os Sistemas NTSC, PAL, PAL-M e
SECAM.................................................................................................30
CAPÍTULO III
HISTÓRIA DA TV DIGITAL.............................................................................32
3.1 TV DIGITAL NO BRASIL....................................................................33
xiv
3.2 TV DIGITAL........................................................................................35
3.2.1 Formato de Tela, Resolução, Transmissão e Audio.....................36
3.2.2 Modulação....................................................................................39
3.2.3 Padrões de TV Digital..................................................................41
3.2.4 Compressão ................................................................................45
3.3 TV ANALÓGICA X TV DIGITAL..........................................................51
3.3.1 Quais as vantagens e desvantagens da TV digital?....................53
3.4 O QUE É INTERATIVIDADE?............................................................54
3.4.1 Ginga .......................................................................................... 57
3.4.2 Mobilidade....................................................................................58
3.4.3 Pay Per View e Video-on-Demand ..............................................59
3.4.4 EPGYYY...............................................................................Y60
CAPÍTULO IV
HISTÓRICO DO EAD......................................................................................62
4.1 ENSINO À DISTÂNCIA.......................................................................64
4.1.1 TV Escola.................................................................................... 66
4.1.2 Telecurso..................................................................................... 67
CAPÍTULO V
TV DIGITAL NO ENSINO A DISTÂNCIA........................................................69
5.1
EXPECTATIVA
DE
USO
DA
TV
DIGITAL
NO
AMBIENTE
EDUCATIVO...............................................................................................71
5.1.1 Simulação para o futuro.............................................................. 72
5.2
PESQUISA DE CAMPO....................................................................76
CAPÍTULO VI
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................82
6.1 ESTUDOS FUTUROS.......................................................................83
CAPÍTULO VII
REFERÊNCIAS...............................................................................................84
APÊNDICE......................................................................................................89
CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO
Há 8.000 anos a.C, as primeiras comunicações eram feitas através de gestos,
gritos, postura, entre outros. Com o tempo o homem aprendeu a relacionar objetos a
seu uso e criar materiais para caça e proteção, acredita-se que isso pode ter sido
passado aos demais através de gestos e repetição de processos, criando assim uma
forma primitiva de linguagem.
Aos poucos essa comunicação foi adquirindo formas mais claras e
evoluídas, facilitando a comunicação não só entre os povos de uma mesma tribo,
mas entre tribos diferentes. O povo sumério, considerada a uma das mais antigas
civilizações do mundo, foi a primeira a usar o sistema pictográfico (escritas feitas nas
cavernas, com tintas). Esse tipo de escrita era, além de pictórica, ideográfica, ou
seja, utilizava símbolos simples para representar tanto objetos materiais, como
ideias abstratas.
Essas formas de escrita foram evoluindo com o tempo e a comunicação
passou a ser realizada através de cartas escrita a mão, por máquinas tipográficas e
rádio. Além disso surgiu na década de 1920, um dos meios mais importantes de
comunicação, a televisão (TV). Ela sofreu muitas mudanças até chegar a sua forma
digital que está sendo utilizada atualmente, passando pelo sistema analógico preto e
branco (P&B) e colorido posteriormente.
A TV é um importante meio de comunicação e informação para a sociedade,
pois através de jornais, programas educativos e socioculturais que a população fica
atualizada sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo.
Hoje já é possível assistir às programações em qualquer lugar, através do
celular com recepção digital, devido a essas novas tecnologias implementadas na
TV.
16
O ambiente que intera a TV, o sistema digital, é composto por um
conjunto de novos conceitos e características que trazem uma melhora
importante e significativa em relação à qualidade da imagem e som. A televisão
digital
engloba
ainda,
uma
série
de
interatividades,
onde
os
usuários/telespectadores poderão usufruir destas tecnologias que antes só
eram oferecidas por computadores com internet, por exemplo.
O TeleCurso (TC) e o Ensino à Distância (EaD), são exemplos de como
a televisão pode ajudar na educação e refletir numa cultura mais dinamizada,
levando informação e aprendizado à lugares distantes, visando uma inclusão
educativa através de um eletrodoméstico presente nas casas da maioria dos
brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011), 96,9% das residências possuem este aparelho.
Posteriormente, a máquina tipográfica ampliou em larga escala o
alcance do EaD. Mais recentemente, as tecnologias de comunicação e
informação, especialmente em sua versão digital, puderam ampliar o alcance e
as possibilidades do EaD.
Aulas de Ensino à Distância, como TeleCurso 2000, mostra como está
sendo usada a TV Digital Interativa, onde essa nova tecnologia ajuda a
melhorar o ensino e a aprendizagem. O telespectador/aluno se interessa muito
mais quando a aula é “chamativa”, pois sai de uma realidade diferente da que
estão acostumados.
O Ensino à Distância é voltado para a inclusão social e não implica na
presença física do professor dentro da sala de aula, podendo o mesmo
ministrar as aulas de qualquer lugar.
No TeleCurso, por exemplo, os vídeos eram gravados e passados na TV
e no Rádio, podendo então ser assistido ou ouvido pelo telespectador/aluno
formando a integração audiovisual. A interatividade acontecia no momento em
que os alunos escreviam cartas ou ligavam para fazer perguntas sobre as
aulas e isso era o meio de aproximação entre os alunos e professores.
Hoje, essa realidade está bem diferente, graças à tecnologia da TV
Digital Interativa o telespectador tem a possibilidade de fazer compras,
participar de enquetes, fazer ligações, escolher o ângulo da câmera que deseja
assistir, mandar e-mails, checar saldo bancário, personalizar a programação,
participar de uma aula e muito mais, através do seu controle remoto. Além
17
disto, a interatividade da televisão traz outros recursos de comunicação,
formatos diferentes como jornal, revista e o rádio podem estar inseridos em
mais uma opção dentro da programação.
Devido a tecnologia presente na nova fase da TV, já é possível assistir
às aulas à distância podendo interagir com o professor e o conteúdo
promovendo possibilidades de aprendizagem no caso específico da Educação
e Cultura.
1.1 OBJETIVO
O objetivo deste estudo é mostrar como a televisão e a interatividade,
através do Ensino à Distância (EaD), pode contribuir na educação e na cultura
da população. Com os recursos de interatividade da TV Digital, os
telespectadores, os alunos e os professores poderão criar, desenvolver e
compartilhar seus conteúdos, interagindo com outras pessoas através da
televisão.
1.2 MOTIVAÇÃO
A motivação para a realização deste trabalho ocorreu no 4° período do
Curso através da disciplina Seminário, pois despertou a continuidade de
pesquisar sobre TV Digital, uma nova tecnologia que está evoluindo e
possibilitando avanços na interatividade.
A TV é uma ferramenta muito importante que leva as notícias e os
acontecimentos para a casa do telespectador, podendo-os então acompanhar
a evolução tecnológica desse eletrodoméstico que é um importante meio de
comunicação. Essa inovação está acontecendo mais frequentemente devido à
necessidade de evolução das tecnologias no mercado, com isso os recursos e
aplicativos da TV Digital vêm melhorando cada vez mais.
18
1.3 JUSTIFICATIVA
A justificativa do tema ocorreu devido a TV Digital apresentar um avanço
na tecnologia, sendo hoje uma das ferramentas considerada importante na
“evolução da televisão”. Devido à essa nova fase da televisão o telespectador,
também pode ter acesso através de celulares, internet ou assisti-lá em
qualquer lugar público.
Com a inserção da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), o
Ensino à Distância facilitou o acesso ao processo de aprendizagem, podendo
este ocorrer sem a necessidade do aluno estar no mesmo local geográfico ou
no mesmo horário que o professor. No que diz respeito à aplicação da TV
Digital a partir do uso da interatividade, o processo de ensino e aprendizagem
deixará de ser obrigatoriamente professor/aluno transformando-se em um
processo de troca de saberes.
Uma vez que a TV Digital Interativa é uma tecnologia que está
revolucionando o mercado e possibilita melhoria na qualidade da imagem, som
e os recursos que a interatividade apresenta como: conectividade à internet,
mobilidade, portabilidade, multiprogramação, entre outras.
1.4 METODOLOGIA
O presente trabalho está apoiado em técnicas de pesquisas através da
internet, artigos, apostilas e trabalhos baseados em dados estatísticos,
referências bibliográficas e em alguns autores como Belloni (2003), Montez e
Becker (2005), Rocha e Hora (2007), entre outros. Também foi realizada uma
pesquisa de campo a fim de obter dados e informações referentes à TV Digital
e Ensino à Distância de forma de questionário digital realizada no mês de
Março de 2013 para obter uma amostra sobre a opinião das pessoas em
relação ao Ensino à Distância através da TV Digital. Quarenta (40) pessoas
responderam o questionário sobre o assunto abordado neste trabalho.
De maneira geral, o trabalho de pesquisa se inicia pelo levantamento
das bases bibliográficas, para a coleta de informações, consultas em meios
eletrônicos, periódicos técnicos, teses, dissertações, além de artigos científicos.
19
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO
Esta obra até o presente momento fez uma introdução para que o leitor
possa situar-se com os objetivos do estudo. Para um melhor entendimento do
assunto abordado neste trabalho, será descrita a sequência da pesquisa sobre
o conteúdo de cada parte do Capítulo.
Este primeiro Capítulo apresentou as considerações inicias, o objetivo
que descreve a importância e ressalta os pontos de motivação, a justificativa do
tema para o desenvolvimento da pesquisa, a metodologia empregada e por fim
a organização da obra em estudo.
O Capítulo 2 discorre sobre o surgimento da TV com conceitos e
características dentro do contexto do assunto da sua evolução, passando pelo
histórico desde de sua versão preto e branco até suas primeiras transmissões.
No Capítulo 3 retrata conceitos da televisão digital, abordando os
formatos de tela, resolução, as modulações e os padrões de transmissão.
Retrata, também, um breve comparativo da versão analógica com a digital.
Será apresentado a evolução da televisão digital no requisito interatividade, o
que é, como beneficia o usuário em relação à mobilidade e os recursos que
essa evolução proporciona.
O Capítulo 4 está direcionado ao Ensino à Distância. Será abordado
sobre o Histórico do EaD, quais são os meios utilizados para esse aprendizado
e o exemplo de dois programas educacionais a distância.
No Capítulo 5 retrata como a televisão pode ajudar na aprendizagem de
modo geral e na cultura, quais são as vantagens de implementar esse meio de
estudo e as expectativas do uso da TV Digital no ambiente educativo. Também
será visto neste Capítulo, uma simulação de um canal educacional oferecido
pelo governo para as Instituições de Ensino à Distância, como seria o esboço
desse possível portal educacional e mostra o resultado do estudo da pesquisa
de campo realizada entre usuários de TV interativa.
O Capítulo 6 traz as considerações finais, quais foram as conclusões da
pesquisa de campo.
Como continuidade encontra-se sugestões para possíveis estudos
futuros, no Capítulo 7, e ao final apresenta-se no Apêndice A o questionário
aberto que foi aplicado.
CAPÍTULO II
Este Capítulo abordará o surgimento da TV passando pelo histórico, da
versão analógica, suas primeiras transmissões, apresentando conceitos e
características, e mostrando sua evolução.
HISTÓRIA DA TV
A história da televisão marcou o final do século XIX e o início do século
XX. O alemão Paul Nipkow captou imagens divididas em pequenos pontos e
reagrupou-as, utilizando um equipamento desenvolvido por ele mesmo,
conhecido como o disco de Nipkow1 (SILVA, 2008).
Em 1928 John Baird construiu a primeira televisão mecânica para
câmaras de televisão baseado no disco de Nipkow (TEIXEIRA et al., 2010).
Logo em seguida veio o tubo de raios catódicos, o iconoscópio, e as
transmissões em grandes distâncias de imagens em movimento, utilizando o
principio descoberto por Nipkow e seu disco (SILVA, 2008).
Esse sistema era composto por uma lâmpada e um disco igual ao disco
de Nipkow que gerava a mesma velocidade. A luz produzida pela lâmpada
variava de acordo com a intensidade da corrente recebida, produzindo assim a
imagem original (TEIXEIRA et al., 2010).
Contudo, deixando de lado as explicações eletro-técnico-científicas, a
história da televisão começou a tomar forma a partir de 1930, quando o canal
NBC da RCA
(Radio Corporation of America - Cooporação de Rádio da
América) começa as transmissões experimentais nos Estados Unidos. No ano
seguinte, o canal CBS também começa as suas transmissões e em 1932, a
1
Disco de Nipkow: consistia num aparelho, inventado em 1884 por Paul Nipkow, para enviar uma
imagem em movimento de um local para outro, por meio de um condutor elétrico.
21
NBC. Em 1935 são oficializadas as primeiras transmissões na Alemanha e
França e em 1938 a TV chega à Rússia (SILVA, 2008).
Em 1939 ocorreu a primeira transmissão de televisão, em circuito
fechado, que se tem conhecimento no Brasil. Foi durante a Feira Internacional
de Amostras na cidade do Rio de Janeiro, e utilizaram-se equipamentos de
origem alemã (ALENCAR, 2007).
Ainda em 1939 as transmissões passam a ter uma frequência, uma
programação regular, com o canal NBC. Foi assim, que os primeiros aparelhos
começaram a ser comercializados. Em 1939 ocorreu o serviço regular de
televisão preto e branco nos EUA (Estados Unidos da América), acontecendo o
mesmo só em 1952 na Alemanha. O sistema NTSC (National Television
Systems Committee - Comitê Nacional do Sistema de Televisão) colorido, é
implementado no ano de 1954 nos Estados Unidos. Na Alemanha, em 1967 se
introduz o sistema PAL (Phase Alternation Line - Linha de Fase Alternante)
(SILVA, 2008).
A televisão no Brasil teve sua pré-estréia no dia 3 de Abril de 1950, com
a apresentação de Frei José Mojica, padre e cantor mexicano. As imagens não
passaram do saguão dos Diários Associados, na Rua 7 de abril em São Paulo,
onde havia alguns aparelhos de TV instalados. No dia 25 de Março de 1950, os
equipamentos comprados da RCA foram retirados por seus funcionários no
porto de Santos (VALIM & COSTA, 2007).
Segundo Morais (1994), Assis Chateaubriand inaugurou, no dia 18 de
setembro, a TV Tupi de São Paulo, canal 3, cuja razão social era Rádio e
Televisão Difusora. As imagens foram geradas no estúdio localizado na
Avenida Professor Afonso Bovero, no bairro do Sumaré. O transmissor da RCA
foi colocado no topo do edifício do Banco do Estado de São Paulo, no início da
Avenida São João. A transmissão, no entanto, sofreu problemas pois os
aparelhos eram escassos e a programação uma incógnita, segundo afirma
Alencar (2007):
As pessoas envolvidas no projeto trabalharam durante
semanas para a inauguração e tiveram apenas um dia para a
preparação da programação do dia seguinte. Algumas horas
antes da transmissão, uma das duas câmeras disponíveis
quebrou e o engenheiro americano, Walter Obermiller,
responsável pela implantação técnica, achou melhor adiar o
início da programação, mas o diretor artístico, Cassiano Gabus
22
Mendes, então com 23 anos, decidiu ir ao ar assim mesmo.
Tudo o que fora ensaiado com duas câmeras teria que ser feito
com apenas uma. A capacidade de improvisação técnica virou
marca registrada da televisão brasileira (ALENCAR, 2007, p.
28).
Mesmo com pouquíssimos aparelhos e com o mercado publicitário
extremamente tímido, comerciais de empresas já eram exibidos em 1950. No
ano de 1951 já existiam aproximadamente 7 mil aparelhos de televisão. Ainda
neste ano a telenovela “Sua Vida me Pertence” primeira brasileira, foi ao ar. Os
anos seguintes foram marcados pela crescente entrada da televisão no
mercado brasileiro. A televisão à cores chegou ao Brasil em 1972 com a
transmissão da Festa da Uva, em Caxias, Rio Grande do Sul.
2.1 TV ANALÓGICA
Inicialmente, para transmissões de vídeo preto e branco somente uma
informação era requerida: a luminância2 (Y). É a partir de variações no nível de
luminância que o sinal pode assumir, que se obtém os tons de cinza,
necessários à formação do sinal de vídeo P&B (Preto e Branco) (ROCHA &
HORA, 2007).
Nas TVs preto e branco, a tela é coberta por uma camada interna de
fósforo. A imagem é “pintada” no visor quando um feixe de elétrons atinge o
fósforo e esse feixe percorre a tela, linha a linha.
O sinal de vídeo é obtido por varredura, que é o processo de leitura da
imagem que se faz linha a linha, de cima para baixo. Uma imagem completa,
contendo as 525 linhas, é chamada de quadro.
O feixe “pinta” uma linha da esquerda para a direita e rapidamente
retorna para começar a pintar a linha seguinte, preenchendo a tela como pode
ser visto na Figura 1.
2
Luminância: é uma medida fotométrica da intensidade luminosa por unidade de área da luz que viaja
numa determinada direção.
23
Figura 1: Preenchimento por varredura.
Fonte: HOWSTUFFWORKS E. (2013)
Na Figura 1, as linhas azuis representam a linha que foi “pintada”,
enquanto que as linhas pontilhadas em vermelho representam o retorno do
feixe. Esse “caminho” que o feixe percorre vai até o final da linha e retorna ao
inicio da próxima linha e assim sucessivamente. Depois de preenchido um
campo, o feixe retorna ao topo para pintar outro campo, representado pela
linha verde.
À medida que o feixe vai pintando uma linha da esquerda para a direita
vai mudando sua intensidade, o que cria diferentes variações de preto, cinza e
branco pela tela. Como as linhas estão muito próximas umas das outras, o
cérebro as integra em uma única imagem. Para obter a ilusão de movimento, é
necessária a transmissão de no mínimo 30 quadros por segundo. Cada quadro
é constituído por linhas intercaladas de dois campos consecutivos, o que
resulta em 60 campos por segundo (ROCHA & HORA, 2007).
O sincronismo vertical é obtido quando pulsos mais largos, em nível
equivalente ao sincronismo horizontal, são enviados ao receptor. Esses pulsos
largos indicam quando o feixe deve retornar ao topo da tela para começar o
preenchimento do próximo campo.
2.1.1 TV em cores analógica
No Brasil, a transição para o modelo de TV em cores ocorreu em 1972,
após muitas discussões e pressões pela adoção de um padrão estrangeiro. O
24
Brasil utilizou o padrão PAL-M (“M” de Modificado) para o estabelecimento de
canais, neste padrão cada canal possui largura de banda de 6MHz.
Os testes para a migração para um sistema colorido começaram em
1961 (MONTEZ & BECKER, 2005).
Segundo Rocha & Hora (2007), o desenvolvimento da TV em cores foi
possível graças ao fato do olho humano possuir sensores para captar somente
três cores primárias: vermelho (R - Red), verde (G - Green) e azul (B - Blue).
Todas as outras cores são formadas a partir da junção dessas. Assim:
(R+G) = amarelo
(G+B) = ciano
(R+B) = magenta
(R+G+B) = branco
A tela do televisor colorido é diferente do televisor preto e branco. Ela
não é revestida com apenas uma camada de fósforo branco. Nas TVs preto e
branco a intensidade do feixe de elétrons determina o tom de cinza. Ao invés
disto, a tela da TV colorida é revestida com fósforo vermelho, verde e azul,
arrumados em pontos ou listras. É possível perceber esses detalhes
observando de perto, com o auxílio de uma lente, a tela do seu monitor de TV
(ROCHA & HORA, 2007).
Existem
três
feixes
de
elétrons
que
realizam
a
varredura
simultaneamente pela tela, o cátodo, ânodo e tungstênio.
Próximo à camada de fósforo existe uma camada metálica, conhecida
como máscara, que possui pequenos furos por onde vazam os elétrons. Cada
furo forma um pixel3. A Figura 2 ilustra como ocorre a varredura do sinal em TV
a cores.
3
Pixel: o pixel é o menor ponto de uma imagem. Um agrupamento de milhões destes pontos forma uma
imagem. Por exemplo, uma resolução 720 x 1280 tem um total de 921.600 pixels.
25
Figura 2: Varredura do feixe em TV em cores.
Fonte: HOWSTUFFWORKS E. (2013)
Conforme ilustrado na Figura 2, quando uma TV em cores precisa criar
um ponto vermelho, ela dispara o feixe vermelho. Da mesma forma para os
pontos verdes e azuis. Para criar um ponto branco, raios vermelhos, verdes e
azuis são disparados simultaneamente, as três cores se misturam para criar o
branco. Para criar um ponto preto, todos os três feixes são desligados
enquanto fazem a varredura no ponto. Todas as outras cores em uma tela de
TV são combinações de vermelho, verde e azul.
2.1.2 Transmissão do sinal de vídeo
Segundo Rocha & Hora (2007), em um sinal P&B, a portadora de vídeo
é transmitida a 1,25 MHz do início do canal. Essa portadora carrega a
informação de luminância (Y), que é o necessário para a formação da imagem
P&B. Para uma imagem branca, tem-se um nível relativo máximo de
luminância, já para uma preta tem um nível relativo mínimo de luminância.
Tons de cinza são obtidos com níveis intermediários.
O esquema de distribuição das portadoras de áudio e vídeo pode ser
visto na Figura 3.
26
Figura 3: Canal de 6 MHz com portadora de cor.
Fonte: BARBOSA & VIEIRA (2001).
A Figura 3 mostra as portadoras de imagem, som e cor. A portadora da
imagem (P) está a 1,25 MHz acima do extremo inferior do canal, a portadora de
som (S) encontra-se 4,5MHz acima da portadora de imagem, ou 0,25 abaixo do
extremo superior do canal. A sub-portadora de cor (C) está a 3,58 MHz acima
da portadora de imagem, sob a forma de modulação de vídeo na banda lateral
superior. Para a formação de uma imagem colorida (RGB) precisa, além do
nível de luminância, da informação de intensidade das três cores primárias:
vermelho (R), verde (G) e azul (B) (BARBOSA & VIEIRA, 2001).
No início da transmissão em cores, houve a necessidade de que o sinal
colorido fosse compatível com os receptores P&B ainda existentes. Para isso,
não se alterou a distribuição das portadoras de vídeo (P) e áudio (S), as
informações de cor foram incluídas em uma terceira portadora, a portadora de
cor (C), localizada a 3,58 MHz da portadora de vídeo (ROCHA & HORA, 2007).
Cada uma das três cores primárias possui certo nível de luminosidade,
de modo que, como já foi visto, R + G + B = branco. Ou seja, o nível de
luminância das três cores somadas é igual ao nível de luminância do branco.
Mais precisamente, se tornar o nível de luminância como um valor
absoluto (Ymáximo = 1), cada uma das cores primárias guarda as seguintes
proporções da luminância do branco: Y = 0,30R + 0,59G + 0,11B.
Isso quer dizer que, quando uma câmera captura uma imagem
totalmente vermelha, por exemplo, a portadora de vídeo assume 30% do valor
máximo de Y (em um receptor P&B, equivaleria a um tom de cinza referente ao
vermelho). Se, em outro exemplo, a imagem capturada for de cor amarela, que
é a mistura das cores vermelho e verde (R + G), tem-se um nível de luminância
27
correspondente aos níveis de R + G, o que daria 89% de Y, e assim por diante.
Pode-se concluir então que cada cor possui necessariamente um nível de
luminância a ser transmitido na portadora de vídeo (ROCHA & HORA, 2007).
2.2 PADRÕES
Neste Tópico serão estudados os padrões de transmissão da TV
Analógica, suas características e um breve comparativo entre os mesmos.
Segundo Montez & Becker (2005), a maior parte dos países emprega
um dos três principais padrões de difusão de TV Analógica - NTSC (National
Television Systems Committee - Comitê Nacional do Sistemas de Televisão),
SECAM (Sequential Couleur Avec Memoir - Sequencial com Memória) e PAL
(Phase Alternating Line – Linha de Fase Alternante), ainda que alguns adotem
variações desses padrões, como o PAL-M brasileiro. A origem desses padrões,
além dos motivos técnicos, também tem raízes históricas e políticas.
2.2.1 Sistema NTSC
O primeiro padrão de difusão de TV em cores, adotado nos EUA pelo
National Television Systems Committee (Comitê Nacional de Sistemas de
Televisão), por isso o nome do sistema NTSC, durante os anos 1953/54, e
posteriormente no Canadá, Japão e em muitos outros países com sistemas
elétricos de 60 Hz. Possuía alguns problemas na apresentação das cores, e,
por isso, começou a ser designado pejorativamente de Never Twice the Same
Color (Nunca Duas vezes a Mesma Cor). Esse padrão emprega uma taxa de
30 quadros por segundo (na realidade o valor exato é de 29,97) e 525 linhas
(MONTEZ & BECKER, 2005).
Segundo Nince (1991), no sistema NTSC a modulação é simultânea em
amplitude e fase com portadora suprimida, denominada por quadratura. Nela
são usadas duas portadoras de mesma frequência defasada entre si de 90°.
Essas são moduladas separadamente pelos sinais (R-Y) e (B-Y). A saída dos
28
dois moduladores são combinadas para formar o sinal C resultante que varia
em amplitude.
O sistema NTSC, apresentou acentuada tendência para erros de fase. A
matiz é determinada pela relação de fase entre sinal de crominância modulado
contido numa linha visível e o sinal burst4 colocado no pórtico posterior do
pulso de apagamento horizontal. Qualquer variação aleatória nesta relação
causa a reprodução de matizes incorretos pelo receptor. Os erros de fase
podem ocorrer em qualquer ponto da complexa cadeia de circuitos existentes
entre o modulador do transmissor e o demodulador do receptor distante,
dificultando manter a distorção global do sistema em níveis toleráveis (NINCE,
1991).
2.2.2 Sistema PAL
O sistema PAL significa linha de fase alternante, foi desenvolvido a partir
do NTSC pelo Dr. Walter Bruch, da Telefunken Alemã, com dois objetivos:
evitar erros de fase que provoquem mudanças na cor da imagem reproduzida
e; reduzir os erros de crominância produzidas na modulação em quadratura
pela redução de faixa do sinal Q. Fundamentalmente, o sistema PAL compensa
os erros de fase do sinal de crominância pela inversão linha a linha (NINCE,
1991).
O padrão PAL possui uma taxa de 25 quadros por segundo e 625 linhas.
A taxa de 25 quadros por segundo é uma pequena desvantagem desse
padrão, pois pequenos tremores na tela (flickers) podem se tornar perceptíveis
(MONTEZ & BECKER, 2005).
4
Sinal de Burst: no sistema NTSC, o matiz de uma cor qualquer é definido pelo ângulo de fase de um
sinal de crominância C, quando medido em relação ao ângulo de fase de um sinal de referência,
denominado burst.
29
2.2.3 Sistema PAL-M
Para escolher qual dos três principais padrões internacionais NTSC, PAL
(vistos nos tópicos 2.2.1 e 2.2.2, respectivamente) e SECAM (que será visto no
tópico 2.2.4) seria adotado, o governo brasileiro convocou o Conselho Nacional
de Telecomunicações (Contel), que nomeou uma comissão de engenheiros da
USP (Universidade de São Paulo) especialistas em Telecomunicações. Em
março de 1967, ficou definido que o país adotaria o PAL europeu. Contudo,
como o PAL era 25 quadros/seg e o Brasil possuía frequência de rede elétrica
de 60Hz, o padrão brasileiro foi uma variação do PAL, denominado PAL-M,
com 30 quadros/seg e 525 linhas (o mesmo número de linhas do NTSC,
enquanto o PAL europeu usa 625 linhas) (MONTEZ & BECKER, 2005).
NTSC seria a escolha "natural" para países com padrão de imagem M
monocromática, a escolha de um sistema de cor diferente no Brasil deu-se ao
fato para que as transmissões pudessem ser recebidas pelos aparelhos preto e
branco sem a necessidade de adaptadores.
2.2.4 Sistema SECAM
Com o mesmo objetivo do sistema PAL, corrigir os erros de fase na
transmissão dos sinais com diferença de cor apresentados pelo sistema NTSC,
o sistema SECAM foi desenvolvido na França por Henri de France, a partir de
1956. O sistema SECAM passou por várias fases de desenvolvimento,
denominadas de SECAM I, II e III, atualmente foi consolidado simplesmente
SECAM (NINCE, 1991).
O sistema SECAM baseia-se na possibilidade de redução da resolução
vertical sem perda significativa da qualidade de imagem e na capacidade
limitada do olho humano em perceber pequenos detalhes à cores. Por outro
lado, várias medições realizadas em diversos tipos de imagens diferentes
indicaram que as mudanças cromáticas de duas linhas consecutivas do mesmo
campo são insignificantes ou mesmo imperceptíveis ao olho humano. Pode-se
concluir, portanto, que não é necessário transmitir ao mesmo tempo dois sinais
diferença de cor (R-Y) e (B-Y). Estes sinais podem ser perfeitamente
30
transmitidos um após o outro em linhas consecutivas do mesmo campo
(NINCE, 1991).
2.2.5 Comparação entre os Sistemas NTSC, PAL, PAL-M e
SECAM
Após o estudo dos sistemas de televisão é possível fazer um breve
comparativo entre eles. Em condições ideais, os quatro sistemas proporcionam
excelentes imagens, de tal forma que um observador distante da tela, o
equivalente a sete vezes a sua altura, é capaz de distinguir diferenças de
imagem entre eles (NINCE, 1991).
O sistema NTSC tem uma boa resolução vertical e horizontal, baixa
interferência nos receptores monocromáticos, não é muito afetado por ruídos e
a sua transmissão e recepção não são muito complicadas. Entretanto,
apresenta distorções de fase e redução da largura de faixa do sinal Q para
evitar a diafonia (NINCE, 1991).
O sistema PAL tem como principais vantagens a correção dos erros de
fase e a transmissão dos sinais, diferença de cor com mesma largura de faixa.
A transmissão no sistema PAL é mais complicada que no sistema NTSC, como
consequência os receptores são mais sofisticados e mais caros. A interferência
nos receptores monocromáticos é ligeiramente superior que no NTSC (NINCE,
1991).
A
frequência
do
sistema
PAL-M e
do
sistema
NTSC é
de
aproximadamente 60Hz, diferente da Europa, onde a do sistema SECAM é de
aproximadamente 50Hz.
O sistema SECAM é isento de erros de fase. A transmissão a longa
distância em enlace de microondas terrestres e a gravação em vídeo-teipes
não apresentam maiores problemas. Os receptores são comparativamente
mais simples na parte de decodificação do sinal SECAM, entretanto, o
codificador é mais sofisticado e complicado. A resolução vertical é menor
devido à transmissão de apenas de um dos sinais (R-Y) e (B-Y) a cada linha.
Apresenta maior grau de interferência nos receptores monocromáticos, menor
31
relação sinal/ruído e maior vulnerabilidade na recepção de sinais em múltiplos
caminhos (NINCE, 1991).
Neste Capítulo foi estudado sobre os termos técnicos da TV. Pode-se
observar que a primeira transmissão foi em 1928 na Alemanha e na França.
Em 1972 ocorreu a transição do modelo analógico preto e branco para o
colorido. Foi estudado sobre os padrões NTSC, Sistema PAL, PAL-M que foi
adotado pelo Brasil e SECAM. No Capítulo III será abordada a evolução da TV
Digital.
CAPÍTULO III
Neste Capítulo será abordado o histórico, evolução, padrões, formatos e
resoluções da TV Digital. Será apresentado um breve comparativo entre a
televisão digital com a analógica, e por fim será estudado a Interatividade da
TV Digital. O que é? Quais os benefícios podem trazer para quem utiliza seus
recursos? E também como a mobilidade pode ajudar na interação do usuário
com as novas tecnologias.
HISTÓRIA DA TV DIGITAL
A história da TV Digital começa na década de 1970 no Japão,
quando Nippon Hoso Kyokai e o grupo composto por 100 estações de TV
locais, iniciam as pesquisas e o desenvolvimento de uma TV com qualidade
HDTV (High Definition Television – Televisão de Alta Definição). O objetivo é
oferecer ao telespectador mais realismo e proximidade não só com a imagem,
mas também com o áudio, aproximando a imagem da TV com a imagem do
cinema, inclusive no formato de tela larga "wide", usado no cinema desde 1951
(BUENO, 2010).
A Televisão Digital (TVD) é um sistema tecnológico que permite
transmitir e receber o sinal de áudio e vídeo em formato digital. Há alguns
anos, as tecnologias digitais vêm sendo empregadas em atividades ligadas à
gravação e edição dos programas televisivos. No entanto, os aparelhos
receptores, nas casas, somente captam e reproduzem sinal analógico5.
A televisão de alta definição surgiu nos anos 80 com o intuito de
disponibilizar na casa do usuário uma qualidade de imagem e áudio
semelhante às do cinema. Testes realizados indicaram que seria necessário o
5
Sinal analógico: tipo de sinal contínuo que varia em função do tempo.
33
dobro da resolução espacial (em termos de linhas e colunas) da televisão
analógica, e a tela teria que ser mais larga. Desta forma, na HDTV, utilizou-se o
dobro da resolução espacial da televisão comum, atingindo resoluções de 1080
ou 720 linhas horizontais, em formato de tela 16:9 (BOLAÑO & VIEIRA, 2004).
O primeiro sistema de televisão de alta definição a iniciar suas
operações, em escala comercial, foi o japonês, MUSE (Multiple Sub-Nyquist
Sampling Encoding - Codificação de Amostragem Múltipla Sub-Nyquist) na
década de 80. O projeto da Comunidade Européia Eureka começou com um
sistema similar conhecido como MAC (Multiplexed Analog Components Componentes de Multiplexação Analógicos), que utilizava algumas técnicas
analógicas para composição final do sinal. Toda a disputa, naquele momento,
se dava, portanto, entre o consórcio europeu e os concorrentes japoneses, que
contavam com o apoio da IBM (International Business Machines - Negócio
Internacional de Máquinas) (BOLAÑO & VIEIRA, 2004).
Os Estados Unidos, em 1987, entraram com a proposta de desenvolver
novos serviços de televisão, conhecidos como ATV (Advanced Television
Service - Serviço de Televisão Avançado), o que viria a elevar a ideia de
desenvolver um sistema totalmente digital, diferentemente dos sistemas
europeu e japonês, batizado de DTV (Digital Television - Televisão Digital),
deixando de criar um padrão compatível com os sistemas analógicos,
colocando-se à frente, sob o ponto de vista tecnológico do velho continente e
do Japão (BOLAÑO & VIEIRA, 2004).
3.1 TV DIGITAL NO BRASIL
Através de estudos iniciados no Brasil no ano de 1999, pela Anatel
(Agência Nacional de Telecomunicações) com a cooperação do Centro de
Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) avaliando
tecnicamente os padrões de transmissão digital dos EUA, Europa e Japão
definiu-se que o padrão brasileiro de televisão digital seria embasado no
modelo japonês, o ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial
- Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre). Esse padrão é o mais
novo das opções encontradas e que tem incorporado facilidades, que
34
conseguiriam atender mais satisfatoriamente as necessidades brasileiras. Uma
destas é a transmissão em canal aberto para dispositivos portáteis. Criou-se
então o modelo ISDB-Tb (‘b’ de Brasil), onde foram introduzidas melhorias para
áudio, vídeo e interatividade (DTV, 2008).
Em 27 de novembro de 2003 foi fundado o SBTVD (Comitê do Sistema
Brasileiro de Televisão Digital), responsável pelos estudos que definiriam o
padrão a ser adotado no país. Após estudos conduzidos juntamente com
universidades e emissoras de televisão, o sistema foi apresentado, no dia 13
de novembro de 2005, pelo Ministério das Comunicações. A conclusão que se
chegou foi que o melhor sistema de TV Digital para o Brasil seria o ISDB-T,
desenvolvido pelo Japão. Assim, em junho de 2006 o governo brasileiro
anunciou a escolha do ISDB-T (DTV, 2008).
Os pesquisadores brasileiros acrescentaram uma série de atualizações
no ISDB-T, que possibilitam oferecer um sistema mais moderno e eficiente em
relação aos sistemas de TV Digital, atualmente em funcionamento no mundo.
Essas modificações permitem ao SBTVD a transmissão de conteúdo de
altíssima qualidade para os telespectadores, possibilitando ao mesmo tempo a
recepção móvel e portátil dos sinais de TV Digital, nos mais diversos tipos de
dispositivos, como celulares, mini-televisores, notebooks, entre outros. Tudo
isso sem custos para o consumidor, uma vez que o SBTVD é um sistema de
televisão digital aberto, livre e gratuito (DTV, 2008).
Para oferecer esses diferenciais, o SBTVD adotou o padrão MPEG-4,
também conhecido como H.264, para codificação de vídeo, e o HE-AAC v2
para o áudio (DTV, 2008).
O início das transmissões do SBTVD ocorreu no dia 02 de dezembro de
2007, em São Paulo (DTV, 2008). A Tabela 1 mostra o número de cidades
com o sinal digital em cada região.
35
Tabela 1: Número de cidades cobertas
Fonte: DTV (2012)
Com base no Site Oficial da TV Digital (DTV, 2012), a Tabela 1 mostrou
o número de cidades com sinal digital de pelo menos uma emissora de TV, por
região. Pode-se notar que a região com maior número de cidades cobertas é o
sudeste, que tem 162 cidades com TV com sinal digital, ajudando a contribuir
para o número de 448 cidades brasileiras cobertas. A região que menos
oferece o serviço digital é a Centro Oeste, com 32 cidades.
3.2 TV DIGITAL
O sistema de televisão digital é uma nova tecnologia de transmissão de
sinais, que proporciona uma melhor qualidade de imagens e sons
possibilitando visualizar ilustrações com detalhes maiores do que as
visualizadas em transmissões analógicas. A TV Digital permite utilizar
televisores que transmitem imagens com qualidade semelhante as usadas em
salas de cinema. O áudio transmitido pelo sistema digital é envolvente e
proporcionará a mesma qualidade de home-theaters6.
Será visto nos Tópicos 3.2.1, 3.2.2 e 3.2.3 os termos técnicos da TV
Digital, formato de tela, resolução, transmissão, modulação e comprenssão.
6
Home-Theaters: é uma combinação de componentes eletrônicos que procuram recriar a experiência de
assistir a um filme no cinema.
36
3.2.1 Formato de tela, resolução, transmissão e áudio
Na televisão, uma imagem é montada na tela em linhas horizontais,
pode-se dizer que é uma sucessão de linhas. Uma tela é varrida
horizontalmente da esquerda para a direita, de cima para baixo durante um
curto intervalo de tempo (geralmente em milésimos de segundo), e nestes
intervalos de tempo são montados os quadros (frames) que contém uma
imagem. A varredura intercalada trabalha interpondo os frames de linhas
ímpares e linhas pares. De modo que um frame apresenta as linhas impares
(1,3,5,b), imediatamente a seguir é completado com as linhas pares (2,4,6,...).
Como o processo é extremamente rápido tem-se a sensação que somente uma
imagem está na tela, como pode-se observado na Figura 4:
Figura 4: Processo de varredura intercalada na televisão.
Fonte: Própria
A Figura 4 ilustra o processo de varredura intercalada na televisão. No
processo progressivo todos os frames são mostrados completos em cada
espaço de tempo.
Em televisores de LCD (Display de Cristal Líquido) a forma de
construção da imagem ocorre pelo apagamento e acendimento dos pixels e
eles permanecem, assim até que uma nova imagem os mude. Então, em uma
37
imagem parada, um tubo CRT (Cathode Ray Tube – Tudo de Raio Catódico)
continua varrendo a tela inúmeras vezes, enquanto o LCD permanece estático.
A taxa de atualização é diferente do termo número de quadros por segundo,
que indica a quantidade de imagens diferentes que são exibidas por segundo
(Home Theater, 2009).
Com o surgimento dos televisores, na década de 30, a resolução de
vídeo era de 240 linhas, com o passar do tempo e a evolução das tecnologias,
foi ganhando uma melhor qualidade na imagem, esta varia conforme o número
de pixels através de duas medidas, o número de pixels por linha. A resolução
de uma imagem é diretamente ligada ao nível de detalhamento da mesma.
Um canal de TV Digital pode transmitir tanto a programação HDTV
quanto a de SDTV. O número de programas vai depender da largura da banda
local disponível (JONES et al, 2006).
No HDTV do sistema de televisão digital, as transmissões normalmente
utilizam resolução de 720 ou 1080 linhas com o aspecto 16:9, conhecido
também como widescreen7. Transmissões SDTV geralmente são baseadas no
formato analógico escolhido pelo país. A resolução de tela pode ser entendida
como o nível de detalhamento de uma imagem. Resoluções maiores traduzem
detalhes na imagem (POYNTON, 2003) como pode ser visto na Figura 5.
Figura 5: Detalhamento da qualidade de imagem
Fonte: TECMUNDO (2012)
Na Figura 5 é possível observar a diferença da qualidade da imagem na
TV Analógica e na TV Digital. Os padrões de resolução para imagem em HDTV
pode ser visto na Figura 6.
7
Widescreen: é designado por tela panorâmica.
38
Figura 6: Resoluções de imagem 720x1280 e 1080x1920.
Fonte: própria
Na Figura 6 os sinais de HDTV são difundidos, no formato de 720p ou
1080i, respectivamente: 720p significa que há 720 linhas horizontais que são
varridas progressivamente e 1080i indica que existem 1080 linhas horizontais
que são varridas em forma de intercalamento. Apesar de haver uma diferença
significativa entre o número de linhas horizontais que são escaneadas, o
resultado das imagens obtidas pelos dois formatos é muito semelhante.
O SDTV apresenta uma menor resolução dos tipos de TV Digital. Pode
ter 480 linhas progressivas ou intercaladas (480p ou 480i) e a imagem pode ter
aspecto 4x3 ou 16x9. A qualidade é só um pouco melhor que a analógica e
equivale, mais ou menos, à qualidade de uma imagem de DVD.
Os programas produzidos para televisão analógica sempre foram
produzidos com relação de aspecto 4:3, porém com o advento do widescreen,
usado em filmes e HDTV, o interesse dos consumidores tem se despertado,
pois há mais espaço em tela. Assim, a especificação do SDTV tem sido
adaptada para trabalhar com relação de aspecto 16:9 (POYNTON, 2003).
Segundo o Montez & Becker (2005) há também a possibilidade de
transmissão em:
EDTV (Enhanced Definition Television – Televisão com Definição
Melhorada): é intermediária e embora não tenha os valores de resolução
HDTV, apresenta uma qualidade de imagem maior do que a SDTV.
39
Tipicamente, têm-se uma tela larga (16:9) e resolução de 480 linhas, 720
pixels/linha. O áudio é estéreo (5:1) como na HDTV.
Segundo Jones et al. (2006) o destaque do áudio na televisão digital é a
possibilidade de transmissão de 5.1 canais que proporciona qualidade
surround8. Esta modalidade está disponível para os modos SDTV (Standard
Definition Television - Televisão de Definição Padrão) e HDTV (High Definition
Television - Televisão de Alta Definição). No entanto, não é regra que a
transmissão seja feita desta maneira, podendo ser usados o estéreo (2 canais)
ou mono (1 canal). A disponibilização do som surround dependerá então do
interesse das emissoras. O áudio pode ser transmitido em diversos idiomas.
Para efeito de comparação, a televisão analógica pode utilizar no máximo o
áudio estéreo de dois canais.
3.2.2 Modulação
Na TVD a modulação converte um sinal codificado em um formato
adequado para realização da transmissão. Pode-se elevar a frequência do sinal
e possibilita também, a adaptação do comprimento da onda à dimensão das
antenas usadas na transmissão.
Segundo Nascimento (2000) existem diversos tipos de modulação para
sinais digitais, e os mais utilizados são o PSK (Phase-Shift Keying –
Chaveamento por Deslocamento de Chave), QPSK (Quadrature Phase Shift
Keying – Modulação por Chaveamento de Quadratura de Fase), QAM
(Quadrature Amplitude Modulation – Modulação de Amplitude em Quadratura),
8-VSB (Vestigial Sideband Modulation – Oito Banda Lateral Vestigial) e
COFDM (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplexing – Multiplexação
por Divisão de Frequência Ortogonal Codificado). Serão mostrados detalhes
destas técnicas de modulação:
8
Surround: é o conceito da expansão da imagem do som à três dimensões.
40
PSK: utiliza apenas duas fases para a codificação do sinal e apresenta melhor
imunidade contra ruídos. Possui excelente velocidade de transmissão e é muito
utilizada em modems9 de média velocidade e rádios digitais.
QPSK: pode modular dois ou mais bits de cada vez, utilizando duas
portadoras10 de mesma frequência. Assim dois bits podem ser modulados de
forma simultânea, porém independente.
QAM: muito semelhante à QPSK, com as principais diferenças: amplitude do
sinal variável, menor taxa de erros, maior velocidade de modulação. Seu uso
fica complicado por exigir amplificadores lineares no equipamento de
transmissão.
8-VSB: utiliza uma arquitetura de camadas para imagem, compressão de áudio
e vídeo, transporte e transmissão. Utiliza portadoras de frequência simples,
muito semelhante às televisões analógicas convencionais, portanto é capaz de
transmitir três bits (2 3 = 8) por modulação de amplitude (FCC, 1999).
COFDM: sistema baseado no OFDM (Orthogonal Frequency Division
Multiplexing - Multiplexação por Divisão de Frequência Ortogonal), que utiliza
múltiplas portadoras onde um bitstream é dividido em fluxos menores e não há
interferência entre os mesmos, pois existe um espaçamento de frequência
adequado. Cada subportadora é modulada utilizando técnicas de QAM ou
QPSK. Este modelo trabalha com uma SFN (Single Frequency Network –
Frequência de Rede Simples), onde vários transmissores operam na mesma
frequência, mas não causam interferência entre si e tem uma utilização
eficiente do espectro de transmissão com uma ampla área de cobertura (FCC,
1999).
9
Modems: dispositivo eletrônico que modula um sinal digital numa onda analógica e vice-versa.
Portadora: sinal analógico em forma de onda que será modulado para representar a informação a ser
transmitida.
10
41
3.2.3 Padrões de TV Digital
O uso de padrões em sistemas de transmissão de televisão é
fundamental para seu sucesso. É necessário que o consumidor possa comprar
um receptor de qualquer fabricante e ter a certeza que irá assistir a
transmissão de televisão de qualquer emissora de TV. Padrões desempenham
um papel importante nesta interoperabilidade. Para a televisão analógica, os
padrões utilizados foram o PAL, NTSC e SECAM (TELECO, 2010).
A televisão digital baseia-se em três sistemas que foram desenvolvidos
em diferentes regiões do mundo, cada um com suas particularidades e
necessidades. São eles: o ATSC, o DVB e o ISDB.
A estrutura de um sistema de TV Digital pode ser visto na figura 7.
Figura 7: Modelo de referência dos padrões da TV Digital
Fonte: TELECO (2008)
Este modelo de TV Digital é desenvolvido em camadas. No total são cinco e
são descritas abaixo com suas funções:
•
camada de aplicação - executa os aplicativos desenvolvidos;
•
camada de middleware11 - permite que as aplicações sejam executadas
independentes do hardware existente;
•
camada de compressão - executa a compressão e descompressão dos
sinais de áudio e vídeo;
•
camada de transporte – realiza as operações de multiplexação e
demultiplexação dos programas de TV; e
11
Middleware: Middleware ou mediador, no campo da computação distribuída, é um programa de
computador que faz a mediação entre software e demais aplicações.
42
•
camada
de
transmissão
-
executa
as
atividades
de
modulação/demodulação e codificação/decodificação do sinal.
ATSC (Advanced Television System Committee- Comitê de Sistema de
Televisão Avançado) é o padrão americano de TV Digital que foi desenvolvido
no início dos anos de 1990 pela Grand Aliance, um consórcio de empresas de
eletroeletrônicos. O objetivo desse comitê foi criar um sistema totalmente digital
para substituir o sistema analógico NTSC utilizando a mesma largura de banda
de um canal NTSC. Para isso foi necessário o estudo de técnicas de
compressão de vídeo e de áudio e a utilização de modulações digitais
adequadas à transmissão. Esse comitê atua através de um conjunto de
documentos, onde são especificadas as características do padrão quanto à
modulação, compressão e ao desenvolvimento do middleware (TELECO,
2010).
No modo de transmissão por radiodifusão terrestre no padrão ATSC, operase, com a modulação 8-VSB, canais de 6, 7 e 8 MHz e taxa de transmissão de
19,8 Mbit/s. Essa modulação tem uma única portadora. Para transmissão via
cabo, o sistema utiliza a modulação QAM e para transmissão via satélite opera
com a modulação QPSK (TELECO, 2010).
Quanto ao formato de tela e resolução de imagem, ele suporta diferentes
níveis, com resoluções de até 1920x1080 pixels, sendo que este sistema
privilegia a televisão de alta definição HDTV.
A multiplexação e a compressão de vídeo são realizadas através do
padrão MPEG-2. A compressão de áudio é realizada com base no padrão
Dolby AC-3. A figura 8 mostra as características do sistema ATSC.
O middleware utilizado por esse sistema é o DASE (DTV Application Software
Enviornment - Ambiente de Aplicação de Software da TV Digital) que trabalha
com aplicações baseadas em linguagens procedural e declarativa. A aplicação
em Java TV faz parte do modelo procedural e as aplicações baseadas em
HTML do modelo declarativo (TELECO, 2010).
43
Figura 8: Características do padrão ATSC
Fonte: TELECO (2010)
DVB (Digital Video Broadcasting - Vídeo Digital por Radiodifusão) é um
projeto iniciado em 1993, formado por cerca de 250 a 300 empresas de origem
europeia, contando com fabricantes de equipamentos, operadoras de rede e
órgãos governamentais regulamentadores das comunicações dos governos
europeus. Sua função é especificar uma família de normas para um sistema de
televisão digital interativa.
Através das normas especificadas por esse projeto foi criado o sistema
europeu de televisão digital denominado DVB e através dessas normas foram
especificadas as características com relação à modulação, transmissão,
middleware e compressão. A transmissão terrestre por radiodifusão entrou em
operação em 1998, na Suécia e no Reino Unido.
Esse padrão caracteriza-se pela flexibilidade em seu desenvolvimento,
fornecendo aplicações interativas e acesso à internet. Além de referenciar a
televisão de alta definição (HDTV), esse sistema também privilegia a
multiprogramação através dos canais 6, 7, ou 8 MHz, sendo transmitido através
da resolução de tela SDTV no formato de tela de 4:3, ou seja, a transmissão de
até seis programas simultâneos em um canal.
O sinal de vídeo e a multiplexação são baseados na compressão MPEG2 vídeo, e a compressão de áudio é feita com MPEG-2 BC. A figura 9 mostra
as características do sistema DVB. O middleware utilizado pelo DVB é o MHP
(Multimedia Home Platform), chamado de software de interface aberta, que
permite aos fabricantes de receptores realizarem serviços interativos,
44
substituindo os aplicativos proprietários de TV paga. As características de um
sistema DVB são ilustradas na figura 9.
Figura 9: Características do padrão DVB
Fonte: TELECO (2010)
ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting - Serviço Integrado de
Transmissão Digital) é o padrão japonês de televisão digital. Esse padrão foi
criado por um grupo chamado DIBEG (Digital Broadcasting Experts Group Grupo Especialista em Radiodifusão Digital), que especificou o sistema para
radiodifusão japonês. Esse padrão prove os serviços de áudio, vídeo e serviços
multimídia. Ele entrou em operação em 2003 no Japão (TELECO, 2010).
Esse
grupo
é
formado
pelo
Conselho
de
Tecnologia
das
Telecomunicações do Ministério das Telecomunicações do Japão e pela ARIB
(Association of Radio Industries and Businesses - Associação das Indústrias de
Rádio e Empresas).
Assim como o ATSC e o DVB, esse sistema é constituído por um
conjunto de documentos que especifica as normas quanto os métodos
transmissão, modulação e compressão. Esse sistema tem por característica
privilegiar a flexibilidade e mobilidade.
O ISDB foi desenvolvido para operar em HDTV e SDTV, dependendo
das condições de recepção e é conhecido por propiciar televisão de alta
definição, transmissão de dados e recepção móvel e portáti.
45
O padrão recomenda para compressão de vídeo e multiplexação o
protocolo MPEG-2; para áudio, o MPEG-2 AAC; para middleware, o utilizado é
o ARIB.
A figura 10 mostra a arquitetura de um sistema ISDB.
Figura 10: Características do sistema ISDB
Fonte: TELECO (2010)
SBTVD é a sigla para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital. Foi
lançado em novembro de 2003 com a missão de implementar um sistema de
TV Digital, contando com a colaboração de emissoras de TV, universidades e
empresas do setor eletroeletrônico (TELECO, 2010).
A multiplexação nesse sistema usa o padrão de compressão MPEG-2. A
compressão de vídeo no SBTVD é feita pelo padrão MPEG-4, que permite
maior capacidade de dados no canal que o MPEG-2. O middleware utilizado é
chamado de Ginga e foi desenvolvido no Brasil, sendo uma parte na PUC do
Rio de Janeiro e outra parte na Universidade Federal da Paraíba (UFP).
3.2.4 Comprenssão
É
indispensável comprimir imagens produzidas de tal maneira a
adequar-se a largura de banda do espectro de televisão que é da ordem de
6MHz. Os sinais de vídeo produzidos digitalmente pelas emissoras de televisão
demandariam uma alta taxa de bits para ser transmitidos, caso não houvesse
46
algum tipo de compressão, essa adequação a largura de banda não seria
possível (TELECO, 2013).
Existem inúmeros métodos de compressão de vídeo, porém observa-se
uma alta demanda de sistemas que apresentam interoperabilidade, um aspecto
que só é possível se o método de compressão de seus dados forem
compatíveis entre si. O modo de compressão adotado por todos os padrões de
televisão digital existentes é o MPEG-2. Este método foi criado e padronizado
por um grupo denominado MPEG (Moving Pictures Expert Group – Grupo de
Especialista em Imagens em Movimento), que também originou outros modos
de compressão como o MPEG-4, H.264 e o WM9 (Windows Media 9)
(FERNANDES, 2004).
Segundo Alencar (2007) a tecnologia de áudio e vídeos digitais tem
vários benefícios, o principal deles é o armazenamento e transmissão de
dados. A migração de mídias analógicas para digitais está ocorrendo e é
necessário contornar o problema da dimensão dos arquivos de vídeo e áudios
digitais, com isso foram desenvolvidos vários padrões internacionais para
compressão de imagem (JPEG e JPEG 2000, H.261 e o H.263) e vídeo
visando diferentes tipos de aplicação, os principais padrões são MPEG-1,
MPEG-2, MPEG-2 AAC, MPEG-4, ITU-T H.264 que serão vistos nos tópicos a
seguir.
a) MPEG-1
Tem como principal aplicação o armazenamento de vídeo e a
reprodução em CD’s (Compact Disc – Disco Compacto). Nesse padrão a parte
de vídeo não foi forte comercialmente tendo em vista que a qualidade não era
superior ao VHS (Video Home System - Sistema de Vídeo Caseiro). O MPEG
tem formato para distribuição de material de vídeo pela web (ALENCAR, 2007).
b) MPEG-2
Foi adotado em vários padrões da TV Digital, desenvolvido como base
no MPEG 1 implementando mudanças significativas na codificação de vídeo.
Atualmente o MPEG-2 continua na área de TV Digital, radiodifusão por cabo,
47
satélite e canais terrestres, uma das suas principais aplicações foi o DVD e sua
adoção como padrão de TV Digital pelo projeto DVB (Digital vídeo
Broadcasting – Emissão de Vídeo Digital) (ALENCAR, 2007).
Na codificação de vídeo do MPEG-2, o processo de compressão de
vídeo visa diminuir a taxa de fluxo de bits, utilizando técnicas que exploram
principalmente a redudância e as informações menos relevantes (limitação da
percepção humana), para facilitar a transmissão (redução da largura de banda)
e o armazenamento, sem perda de qualidade perceptível tornando-o
comercialmente viável (ALENCAR, 2007).
Inicialmente é necessário fazer o uso da amostragem12 do sinal de
entrada
em
frequências
padronizadas
pela
ITU-R
(International
Telecommunications Union Radiocommunication – União Internacional de
Rádio Comunicação) como múltiplos de 3,375MHz. Quanto maior o formato do
vídeo, maior será a frequência de amostragem necessária. Em seguida o sinal
amostrado passa por um bloco de redundância temporal, responsável pelo
aproveitamento das semelhanças entre os quadros consecutivos de uma
imagem dinâmica. Em uma imagem onde há movimentos extremamente sutis
entre os pixels consecutivos o olho humano não consegue perceber estes
movimentos. Estas operações são possíveis graças a uma técnica denominada
DCT (Discrete Cosine Transform – Transformação Discreta do Cosseno) que
retifica as frequências imperceptíveis ao olho humano (YAMADA, 2003).
O próximo passo para concluir a compressão MPEG-2 é utilizar-se das
técnicas de VLC (Variable Lenght Code – Código de Comprimento Variável) e
RLC (Run Lenght Code – Código de Comprimento Executável), que são
amplamente utilizadas em softwares de compressão de arquivos. Basicamente
o bloco VLC/RLC quantifica quais informações se repetem e quantas vezes, e
em seguida as informações mais repetidas são atribuídas aos símbolos de
menor comprimento. A aplicação das técnicas VLC/RLC gera taxas de bits
variáveis, então é necessário fazer o controle de fluxo de tal maneira a gerar
uma taxa constante de bits na saída do compressor MPEG-2 (YAMADA, 2003).
Para o MPEG-2 áudio ser compatível com o MPEG-1, foi necessário
ceder em alguns aspectos, um dos quais na qualidade de compressão de áudio
12
Amostragem: estudo de um pequeno grupo de elementos que compõem o sinal de entrada.
48
de cinco canais. Por estas razões, foram feitos esforços no sentido de
desenvolver um novo padrão de áudio, não compatível com MPEG-1, e que
alcançasse qualidade máxima, sem os constrangimentos do MPEG-2. Segundo
Rocha & Hora (2007), esse novo padrão deu origem a norma MPEG-2 AAC
(Advanced Audio Coding – Codificação de Áudio Avançado), também
conhecido
como
MPEG-2
NBC
(Non
Backward
Compatible
–
Não
Retrocompatível).
c) MPEG-2 AAC
É um código avançado baseado na percepção da audição humana,
usado inicialmente para aplicações de rádio. O código AAC aprimora as
técnicas anteriores, VLC e RLC, de maneira a aumentar a eficiência da
codificação. Por exemplo, um sistema AAC operando em 96kbps produz um
som com as mesmas qualidades que um MPEG-1 operando a 192kbps, ou
seja, uma redução de 2:1 na taxa de bits. O padrão AAC possui três modos de
operação, o principal ou Main, LC (Low Complexity – Alta Complexibilidade), e
o SSR (Scaleable Sampling Rate – Taxa de Amostragem Ajustável). Os
diferentes modos são equilibrados com relação à qualidade e complexidade do
áudio em uma determinada taxa de bits.
O MPEG-2 AAC oferece a capacidade de até 48 canais de áudio
principais, 16 canais de efeito de baixa frequência, 16 canais sobrepostos e 10
fluxos de dados (COLLINS, 2004).
d) MPEG-4
Disponibiliza elementos tecnológicos padronizados que possibilitam a
integração da produção, distribuição e procedimentos de acesso ao conteúdo
de vídeo na televisão digital, aplicações gráficas interativas e multimídia
Interativa. O Padrão tenta abranger uma vasta gama de aplicações de
comunicações visuais, oferecendo suporte com um conjunto de ferramentas de
codificação de informação visual (ALENCAR, 2007).
49
Este método de codificação explora tanto a redundância temporal13
como a espacial14, onde no domínio temporal a alta similaridade entre os
quadros de um vídeo são aproveitados, enquanto no domínio espacial as
correlações entre os elementos adjacentes em uma imagem são utilizados para
aprimorar a codificação (RICHARDSON, 2003).
O padrão MPEG-4 implementa a codificação de objetos visuais,
permitindo uma codificação independente entre objetos pertencentes ao plano
de fundo e objetos irregulares no primeiro plano na cena de vídeo. Esta
ferramenta permite mapear os pixels de uma imagem além de indicar qual a
relevância deles, tornando possível o desenvolvimento de novas aplicações
que podem envolver a interatividade. Imagens fixas podem ser codificadas e
transmitidas como se fossem um vídeo, então em busca da otimização, o
padrão MPEG-4 apresenta o conceito de texturas em imagens estáveis que
permite transmiti-las na mesma sequência de quadros além de aprimorar
aplicações que fazem uso de animações gráficas como objetos visuais em 2D
(Duas Dimensões) e 3D (Três Dimensões), onde a codificação de polígonos
em malha é empregada, permitindo a manipulação de objetos animados
durante a compressão (TELECO, 2013).
As técnicas avançadas de compressão podem ser destacadas como a
modelagem temporal, visual e o codificador de entropia. A modelagem
temporal apresenta como objetivo reduzir a redundância entre uma imagem
transmitida predizendo as características da próxima imagem e subtraindo as
semelhanças entre uma imagem e outra. A modelagem visual consiste em
utilizar as amostras de vídeo em um codificador de entropia comprimindo as
amostras redundantes (RICHARDSON, 2003).
O MPEG-4 faz uso de três componentes principais: transformação
(separação e compactação dos dados), quantização (redução da precisão dos
dados transformados) e reordenação (organização dos dados em relação a sua
relevância). Assim o codificador de entropia converte uma série de dados que
representa os elementos de uma sequência de vídeo em arquivos comprimidos
13
Redundância Temporal: é o aproveitamento da similaridade existente entre quadros sucessivos que
formam uma imagem dinâmica.
14
Redundância Espacial: consiste na semelhança dos pixels adjacentes de uma imagem.
50
de diferentes taxas de bits de tal maneira a adequá-los a aplicação
(RICHARDSON, 2003).
O que diferencia o MPEG-4 dos outros padrões é a compressão
eficiente de sequências de vídeo entrelaçado ou progressivo, codificação de
objetos de vídeo, controle da transmissão de dados, codificação de objetos
visuais animados, codificação para aplicações específicas e compressão de
textura. Estão entre suas principais aplicações: a transmissão em tempo real
de vários tipos de mídia, transmissão em tempo real de vídeo para dispositivos
móveis, TV interativa, compras interativas e ensino e treinamento a distância
(ALENCAR, 2007).
e) ITU-T H.264
A principal meta do padrão H.264 era melhorar a eficiência de
codificação em pelo menos duas vezes em relação ao MPEG- 2 que é o
padrão usado atualmente, sem aumentos significativos no custo final da
tecnologia (ALENCAR, 2007).
Os
padrões
MPEG-4
e
ITU-T
H.264
compartilham
bastantes
características, tais como a utilização de CODEC (Codificador e Decodificador
de Sinais), além das técnicas de compressão semelhantes. No entanto estes
padrões apresentam diferentes visões onde o MPEG-4 enfatiza a flexibilidade
enquanto o padrão H.264 aprofunda na confiabilidade da compressão. Este
sistema oferece uma melhor compressão comparada aos padrões MPEG-1,
MPEG-2, MPEG-2 AAC e MPEG-4, além de apresentar características
integradas visando a robustez em transmissões em meio a vários canais
simultâneos (RICHARDSON, 2003).
O H.264 contempla três perfis de aplicação, cada um atende uma
finalidade específica, o Baseline ou básico, agrega aplicações de conversações
visuais tais como videoconferência, o perfil Extended ou estendido, adiciona
ferramentas de otimização para o fluxo de vídeo sobre redes de Internet como
o streaming, e o perfil Main ou principal, faz uso da mesma para a utilização em
transmissões
audiovisuais
do
tipo broadcasting, além
de
armazenamento dos dados comprimidos (RICHARDSON, 2003).
permitir
o
51
3.3 TV ANALÓGICA x TV DIGITAL
Ao fazer uma comparação entre TV Analógica com a TV Digital é
possível observar várias melhorias no padrão digital, tanto na qualidade da
imagem quanto no áudio, também pode-se notar uma diferença significativa
nas funcionalidades de uma para outra.
Quem fica muito tempo trabalhando ou estudando no computador, ao se
acostumar com a alta resolução da imagem no monitor, pode achar a imagem
de uma televisão analógica um pouco menos nítida. De fato, as diferenças de
qualidade e resolução são amplas e ficam mais evidentes nas imagens em
movimento.
No áudio a diferença também é grande, enquanto a TV Analógica
trabalhava com um canal (mono) ou dois canais (estéreo) de áudio, a TV Digital
suporta até seis canais, o Dolby Digital15. Outra diferença reside no formato da
imagem. O formato, no sistema digital é o widescreen, com a proporção 16:9,
semelhante às telas de cinema, diferente do padrão analógico, que funciona na
proporção 4:3, como pode ser observado na Figura 11 (OLIVEIRA, 2009).
Figura 11: Diferença de Proporções entre a TV Analógica e Digital
Fonte: TECMUNDO (2012)
A Figura 11 representa a diferença de proporção de imagem entre a TV
Analógica e a TV Digital. Na imagem da TV Analógica o formato é de 4:3, o que
representa uma visualização da imagem cortada. Já na proporção da TV
Digital, que é de 16:9, a imagem aparece completa sem cortes nas laterais.
15
Dolby Digital: é um formato de compressão de dados de áudio desenvolvido pela Dolby Laboratories.
52
A diferença entre elas está na resolução, enquanto a TV Analógica
trabalha em média com 480 linhas horizontais, a digital trabalha com 1080. Isso
significa que cada imagem transmitida terá mais pixels compondo-a, terá uma
qualidade semelhante à que possui no monitor de seu computador (OLIVEIRA,
2009).
Como pode ser visto Quadro 1, a qualidade de imagem, de áudio e do
sinal da TV Digital é provavelmente melhor que a da TV Analógica, tendo como
base a quantidade de linhas na imagem e de canais de som, obtendo então um
conjunto de qualidade superior em comparação de um padrão com o outro.
Quadro 1: Comparativo de Tópicos entre TV Analógica e TV Digital
Fonte: DTV (2012)
A Quadro 1 mostra um comparativo das caracteristicas entre a TV
Analógica e a TV Digital, onde a qualidade da imagem na TV Digital (alta
definição) é superior à da TV Analógica, a qual representa definição padrão
(baixa nitidez). A qualidade do sinal da TV Digital aumentou em comparação
com a analógica, visto que essa apresentava problemas de transmissão como
ruídos, chuviscos, fantasmas entre outros, e na TV Digital a transmissão é livre
de interferências.
53
3.3.1 Vantagens e desvantagens da TV Digital
A vantagem da transmissão digital é a melhora na qualidade da imagem.
Esqueça os chuviscos, fantasmas, chiados e outros problemas, mesmo para
quem não possui uma televisão de alta definição, já será possível ter uma
qualidade semelhante à de um DVD. A vantagem do uso de um aparelho Full
HD (Full High Definition - Alta Definição) reside na altíssima qualidade para
reprodução de discos de Blu-Ray e jogos em alta definição (OLIVEIRA, 2009).
A melhora na qualidade do som transmitido dá um salto com o sistema
digital, trazendo possibilidade de ter em casa um som de cinema. A melhor
parte é que não precisa necessariamente ter uma televisão na sua casa para
assistir transmissões digitais, uma vez que a TV Digital pode ser assistida nos
celulares e nos computadores, quando devidamente equipados para tal, além
de poder ser vista em carros, trens e ônibus, sem perder qualidade por causa
do movimento (OLIVEIRA, 2009).
Outra vantagem é a maior largura da banda de transmissão, a
possibilidade de interatividade, permitindo às emissoras obter dados precisos
de audiência, realização de compra de produtos, enquetes, entre outros.
Qualquer pessoa poderá usufruir da interatividade se conectar sua televisão ou
conversor à rede de internet (OLIVEIRA, 2009).
A vantagem mais perceptível da transmissão em sistema digital é a
conservação da qualidade do sinal, pois o número de linhas horizontais (i) no
canal de recepção, mesmo em modo SDTV, é superior a 400i, sendo idêntico
àquele proveniente do canal de transmissão (TELECO, 2013).
Nos atuais sistemas analógicos, em função das perdas a definição nos
aparelhos receptores (TVs e videocassetes) atinge, na prática, somente 330
linhas horizontais, ou seja, ocorre uma perda de quase 50%. Isso impacta
diretamente na qualidade da imagem que pode ser visto na TV.
Na
transmissão digital, os sinais de som e imagem são representados por uma
sequência de bits, e não mais por uma onda eletromagnética análoga ao sinal
televisivo (TELECO, 2013).
Segundo Teleco (2013) na transmissão analógica, os sinais não podem
ser comprimidos ou compactados, tal como ocorre na transmissão digital. Cada
pixel do sinal analógico padrão, são emitidos sinais com 525 linhas por 720
54
pixels, totalizando 378.000 pixels por quadrado, o que ocupa todo canal de
6MHz disponível no sistema brasileiro. A transmissão digital pode ser
compactada, tornando desnecessário o envio de todos os pixels de cada
quadro, reduzindo a banda usada na transmissão. Os sinais binários
possibilitam a compactação dos dados sem perda de qualidade. A
compactação leva a uma menor taxa de transmissão, possibilitando que mais
conteúdo seja veiculado no mesmo canal. Por exemplo, na faixa de frequência
de 6MHz que um canal de TV Analógica brasileiro necessita, podem ser
transmitidos simultaneamente diversos sinais de TV Digital. Com as atuais
tecnologias de compactação, é possível transmitir um canal de HDTV ou até
quadro de SDTV.
3.4 O QUE É INTERATIVIDADE?
O recurso de interatividade da TV digital permite que um grande número
de
consumidores
tenha
acesso
a
conteúdos
que
complementam
a
programação de TV tradicional.
Na
TV
brasileira,
a
interatividade
acontece
por
meio
do
middleware Ginga, uma camada intermediária de software integrada a alguns
modelos de equipamentos de recepção de sinal de TV digital. O Ginga foi
criado por instituições nacionais de pesquisa e tem algumas versões
comerciais desenvolvidas por empresas de software associadas ao Fórum do
Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. Ele permite que os aplicativos
transmitidos pelas emissoras sejam executados em equipamentos de
diferentes modelos e fabricantes (DTV, 2012).
O governo federal estipulou a obrigatoriedade de implantação do Ginga
na produção de televisores de LCD e plasma produzidos na Zona Franca de
Manaus. Pela norma, os fabricantes de receptores terão que entregar 75% dos
aparelhos produzidos até dezembro de 2013 e em 90%, a partir de janeiro de
2014, com o middleware brasileiro da interatividade da TV digital (DTV, 2012).
Os aplicativos interativos são geralmente transmitidos no mesmo sinal
onde estão a imagem e o som que chegam nos receptores de TVs. Se a
55
pessoa tiver um receptor DTVi (Televisão Digital interativa), toda vez que uma
emissora transmitir uma interatividade, esta será sinalizada no canto da tela.
Algumas emissoras já estão transmitindo regularmente conteúdos
interativos DTVi em suas programações. Existem também anunciantes do
mercado publicitário e empresas de software que estão desenvolvendo
aplicativos para utilizar esse novo recurso junto com as emissoras.
O middleware Ginga faz parte do conjunto de normas da ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas) que norteiam a TV Digital Brasileira (Norma
ABNT NBR 15606).
As aplicações podem ser de dois tipos:
•
Relacionadas a um determinado programa da emissora, como votação,
enquetes, placares de jogos e informações complementares do programa.
•
Sem relação direta com os programas como venda de produtos, anúncios
interativos, notícias, previsão do tempo, informações de utilidade pública e
jogos.
No geral, os aplicativos DTVis não são pagos e as pessoas vão poder
utilizá-los de forma aberta e gratuita. Caso exista algum aplicativo cujo acesso
aos conteúdos interativos sejam cobrados, o telespectador deverá ser
comunicado pelo prestador do serviço sobre a incidência da cobrança.
A interatividade funciona como um complemento da programação que
está sendo transmitida e o que está sendo utilizado na maior parte dos
aplicativos são funcionalidades que fazem o redimensionamento do tamanho
da tela ou aplicam transparências, de forma a sempre manter o conteúdo da
programação visível a qualquer momento. O aparecimento do símbolo de
interatividade ocorrerá sempre que um aplicativo for transmitido por uma
emissora. A opção de desativar essa mensagem pode estar prevista em alguns
modelos de receptores (DTV, 2012).
A comunicação do telespectador para a emissora ocorre pelo Canal de
Retorno (ou Canal de Interatividade), que possibilita enviar ou receber
informações pela internet (utilizando para isso os serviços de uma empresa de
telecomunicações).
56
Desde o surgimento da televisão, na década de 30, até os dias de hoje o
aparelho tem sido apenas um instrumento de recepção de sinal, com a TV
Digital este procedimento mudou. Com o auxílio de uma linha telefônica
acoplada ao aparelho ou por um sistema de transmissão do próprio receptor
será possível o telespectador, dentro de sua casa, ter uma interatividade com o
programa que está sendo assistido e até mesmo aprender, ter aulas e interagir
com aplicativos e professores através da TV Digital interativa, que é o caso do
EaD e o TeleCurso que será visto no Capitulo IV.
A TV Digital não se limitou somente na qualidade de imagem e som,
com
isso
podem
transmitir
informações
possibilitando
o
retorno
de
comunicações entre os usuários dos serviços interativos e as emissoras de TV.
No caso de guias de programação e dados estatísticos, a interatividade
é parecida com as transmissões digitais pagas existentes, porém com recursos
que permite as emissoras obter dados precisos de audiência, realização de
compras de produtos e enquetes.
A interatividade possibilita que as emissoras disponibilizem aos
telespectadores informações sobre a programação, sinopse de novelas, ficha
técnica de filme que está sendo apresentado, resumo dos capítulos anteriores
das novelas, informações sobre que time está jogando, entre outros. Isso é
possível através de um conversor que será embutido na TV Analógica e
possibilitando aos usuários usufruir da interatividade no aparelho.
Quando implementada o usuário vai poder enriquecer o programa com
informações adicionais, como por exemplo, ver uma câmara atrás do gol onde
seu time está atacando, ver dados de um filme que está assistindo, participar
de um jogo, e/ou comprar um produto que aparece na tela e lhe interessa.
Todas estas possibilidades de interatividade já estão disponíveis no uso
da internet através dos computadores, e uma das principais finalidades da TV
Digital é unir estes recursos em um único meio, que é a televisão.
57
3.4.1 Ginga
Ginga é o middleware de especificação aberta adotado pelo Sistema
Brasileiro de TV Digital Terrestre para instalação em conversores (set-top
boxes) e em televisores (DTV, 2013).
É uma camada de software intermediária, entre o sistema operacional e
as aplicações. Ele tem duas funções principais: uma é tornar as aplicações
independentes do sistema operacional da plataforma de hardware utilizados. A
outra é oferecer um melhor suporte ao desenvolvimento de aplicações. Ou
seja, o Ginga será o responsável por dar suporte à interatividade.
Um middleware para aplicações de TV digital é constituído por máquinas
de execução das linguagens oferecidas e bibliotecas de funções, que permitem
o desenvolvimento rápido e fácil de aplicações interativas para TV digital.
Essas aplicações possibilitam, por exemplo, acesso à internet, operações
bancárias e envio de mensagens para o canal de TV ao qual se está
assistindo, entre outros (DTV, 2013).
Dessa maneira, pode-se afirmar que o Ginga é uma tecnologia que leva
ao cidadão todos os meios para que ele obtenha acesso à informação,
educação a distância e serviços sociais, utilizando apenas sua TV. O Ginga é
uma especificação aberta, de fácil aprendizagem e livre de royalties,
possibilitando
que
qualquer programador produza
conteúdo
interativo,
impulsionando a programação de TVs comunitárias, por exemplo. Com o
desenvolvimento do Ginga, o Brasil se tornou o primeiro país a oferecer um
conjunto de soluções em software livre para TV digital (DTV, 2013).
O Ginga é constituído por um conjunto de tecnologias padronizadas e
inovações brasileiras que o tornam a especificação de middleware mais
avançada do mundo e a melhor solução para os requisitos do país. O Ginga é
o resultado de vários anos de pesquisas realizadas pela Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Segundo DTV (2013), o sistema é dividido em três subsistemas
principais interligados (Ginga-CC, Ginga-NCL e Ginga-J), que permitem o
desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação
diferentes. Dependendo das funcionalidades requeridas no projeto de cada
aplicação, um paradigma será mais adequado do que o outro.
58
O Ginga-CC (Ginga Common-Core) oferece o suporte básico para os
ambientes declarativos (Ginga-NCL) e procedural (Ginga-J), de maneira que
suas principais funções sejam para tratar da exibição de vários objetos de
mídia, como JPEG, MPEG-4, MP3, GIF, entre outros formatos. O Ginga-CC
fornece também o controle do plano gráfico para o modelo especificado para o
ISDB-TB e controla o acesso ao Canal de Retorno, módulo responsável por
controlar o acesso à camada de rede.
O Ginga-NCL foi desenvolvido pela PUC-Rio com o objetivo de prover
uma infraestrutura de apresentação para aplicações declarativas escritas na
linguagem NCL (Nested Context Language – Linguagem de Contexto
Aninhados), que é uma aplicação XML (eXtensible Markup Language Linguagem de Marcação) com facilidades para a especificação de aspectos de
interatividade,
sincronismo
espaço-temporal
entre
objetos
de
mídia,
adaptabilidade, suporte a múltiplos dispositivos e suporte à produção ao vivo
de programas interativos não-lineares.
Para facilitar o desenvolvimento de aplicações Ginga-NCL, a PUC-Rio
criou também a ferramenta Composer, um ambiente de autoria voltado para a
criação de programas NCL para TV digital interativa. Nessa ferramenta, as
abstrações são definidas em diversos tipos de visões que permitem simular um
tipo específico de edição (estrutural, temporal, layout e textual). Essas visões
funcionam de maneira sincronizada, a fim de oferecer um ambiente integrado
de autoria.
O Ginga-J foi desenvolvido pela UFPB para prover uma infraestrutura
de execução de aplicações baseadas na linguagem Java, com facilidades
especificamente voltadas para o ambiente de TV digital.
3.4.2 Mobilidade
A mobilidade permite que o usuário assista TV no local e no horário que
deseja, além de possuir uma imagem de boa qualidade sem chuvisco,
fantasmas, chiados, eles poderão assistir TV em qualquer lugar como no
ônibus, carro, van, metrô, entre outros. Entretanto, para que isso seja possível
é necessário ter um celular apropriado, ou seja, que já tenha sinal de TV, TV
59
portátil, tablets ou notebooks, isso só acontece porque a TV Digital vai permitir
a recepção em movimento sem perder a qualidade de imagem e som.
A Figura 12 mostra um celular acessando uma emissora de TV.
Figura 12: TV no celular
Fonte: Google, 2013.
A Figura 12 mostra um celular recebendo uma transmissão de sinal
digital, onde o usuário pode assistir o programa de TV em qualquer lugar.
3.4.3 Pay Per View e Video-On-Demand
O trabalho de se deslocar até uma locadora para alugar um filme poderá
ser minimizado com o auxílio do PPV (Pay Per View - Pagar Para Ver). O
telespectador poderá escolher o filme e o horário que deseja assistir e fazer a
sua programação. No horário e dia programado será enviado pela emissora o
sinal com a exibição do filme escolhido.
O VOD (Video-On-Demand - Vídeo Por Demanda) semelhante ao PPV
porém a programação escolhida pelo usuário será enviada para o hard disk do
Set-Top-Box ou do próprio televisor através de um download pago. Assim, o
telespectador passa a ter controle sobre o fluxo de dados, podendo avançar em
algumas partes do filme, ou realizar uma pausa, ou ainda acionar a câmara
lenta ou outro tipo de comando sobre o mesmo.
60
3.4.4 EPG
O
EPG
(Eletronic
Programming
Guide
-
Guia
Eletrônico
de
Programação) é uma ferramenta que facilitará a navegação do usuário na
programação das emissoras, onde os EPGs poderão enviar informações de
exibição com até sete dias de antecedência, facilitando para o telespectador a
escolha de programas para o decorrer da semana. Fazendo uma comparação
com a internet, os EPGs seriam os sites da internet.
O EPG é baseado no SI (Service Information Protocol – Protocolo de
Serviço de Informação) que mostra os programas, canais e informações sobre
eventos disponíveis (Figura 13).
Figura 13: EPG (Guia Eletrônico de Programação)
Fonte: Própria
A Figura 13, mostra como é um guia de programação de uma TV por
assinatura. Enquanto “passeia-se” pelo guia é possível ver o que está
passando no canal atual. Esse EPG mostra os canais, seus respectivos nomes
e a programação do dia.
Neste Capítulo foi feita uma abordagem da história termos técnicos,
formato de tela, resolução, transmissão, padrões da TV Digital, modulação e
compressão da TV Digital, interatividade, uma comparação com a TV
Analógica e quais as vantagens e desvantagens de usar essa tecnologia.
61
Foi visto também que a Interatividade possibilita aos telespectadores um
maior uso dos recursos disponíveis na TV Digital. A mobilidade facilita acesso à
internet e a TV em qualquer lugar através do celular. Foi abordado também
sobre Interatividade que possibilita assistir filmes ou programas de TV a
qualquer hora, bastando colocar o programa para gravar ou comprando o filme.
No Capítulo IV será estudado o Ensino à Distância (EaD), o seu
histórico, e sobre os dois maiores programas do EaD, o TeleCurso e a TV
Escola.
CAPÍTULO IV
Neste Capítulo será abordado o tema Ensino à Distância (EaD). Muitos
cursos exigem presença integral e física do aluno e do professor em sala de
aula, por isso foi criado o EaD, como forma de ajudar as pessoas que querem
ter acesso ao ensino e ao mesmo tempo não podem abrir mão do trabalho
beneficiando aos que moram distantes de escolas, e com o apoio das
tecnologias está mais fácil de conciliar o tempo de estudo com o trabalho.
HISTÓRICO DO EaD
O EaD surgiu da necessidade do desenvolvimento profissional e cultural
de milhões de pessoas. Motivadas por situações como: residência em locais
distantes dos núcleos de ensino; reprovação nos cursos regulares; inserção no
mercado de trabalho; facilidade para planejar seus programas de estudo e
avaliar o progresso realizado; e até mesmo preferência em estudar sozinho, do
que em classes numerosas (DIAS et al., 2010).
A história do EaD pode ser relacionada aos meios comunicacionais,
como a escrita, que é considerada por Chaves (1999), a primeira forma de se
comunicar a distância, como é o caso das cartas que nos remetem ao uso de
correspondências.
Moore e Kearsley (2007) consideram esta fase a primeira geração do
EaD que evoluiu, segundo os autores, ao longo de cinco gerações,
identificáveis pelas principais tecnologias de comunicação empregadas, como:
1ª Geração: tem como meio de comunicação as correspondências na
qual o principal meio eram os materiais impressos, geralmente uma apostila
63
com atividades, tarefas e exercícios. Apesar de ser a primeira forma de
comunicação e dos avanços tecnológicos, ainda existe um grande número de
cursos conduzidos por materiais impressos.
2ª Geração: iniciada nos anos 70. Associou a dimensão oral e visual à
apresentação de informação aos educandos a distância. O rádio e a televisão
foram os meios midiáticos mais usados nesse período, proporcionando um
grande aumento na distribuição de informações, com maior receptividade e
interação. É fato que o rádio é uma mídia mais rápida e barata, no entanto a
televisão deu um novo aporte, pois proporcionou uma inovação através da
imagem, tornando-se padrão para concepção de alguns cursos, como o de
telensino16 básico da sociedade.
3ª Geração: o marco principal é o surgimento das universidades abertas,
com design e implementação sistematizados de cursos a distância, utilizando
além do material impresso, rádios, fitas de áudio e vídeo, televisão aberta, com
interação por telefone.
4ª Geração: o marco fica para a teleconferência por áudio, vídeo,
computador e as redes, proporcionando a comunicação em tempo real de uns
alunos com outros e estes com instrutores à distância. Durante este período
vale ressaltar duas maneiras de comunicação:
•
Comunicação Assíncrona (tempo depois): o receptor recebe a
informação num tempo posterior. A maneira tradicional de comunicação
assíncrona na internet é o uso do correio eletrônico (e-mails), fóruns,
lista de discussão onde o emissor envia mensagem e esta fica num
computador (provedor). Quando o receptor se conecta, acessa o seu
endereço eletrônico e recebe as mensagens.
•
Comunicação Síncrona (mesmo tempo, ou seja, simultâneo): são
ferramentas que possibilitam que as pessoas se comuniquem em tempo
real como salas de bate papo (chats).
5ª Geração: A partir dos anos 90 a quinta geração teve como meio de
comunicação de destaque as classes virtuais on-line com base na internet,
métodos construtivistas de aprendizado em colaboração, e na convergência
entre texto, áudio e vídeo em uma única plataforma de comunicação.
16
Telensino: Ensino à Distância através da televisão.
64
Segundo Souza (2009), todas as gerações e seus respectivos meios
comunicacionais estão condizentes aos períodos históricos e transformações
na sociedade.
Nas origens da moderna EaD, a condição tecnológica sempre esteve
associada a dois objetivos fundamentais: a superação de limitações
geográficas, espaciais e temporais, e a democratização da educação, como
bem público, viabilizando a inclusão de parcelas socialmente marginalizadas do
sistema de ensino convencional.
Sabe-se que esses objetivos apontados por Souza (2009), como a
superação de limitações geográficas, espaciais e temporais, e a própria
democratização da educação, são plausíveis. Todavia boa parte dos estudos
científicos relacionados às pesquisas tecnológicas e comunicacionais iniciou-se
nos meios militares, com propósitos de treinamento de um contingente
específico que posteriormente com as devidas adaptações foi utilizado pela
sociedade, em segmentos como nas áreas: educacionais, de saúde, da
indústria e outros (FORTE, 2010).
.
4.1 ENSINO À DISTÂNCIA
O EaD tornou-se conhecido no Brasil há mais de 50 anos com os cursos
técnicos oferecidos pelo Instituto Universal Brasileiro (1941). Esta era a época
da primeira geração do Ensino à Distância, quando eram utilizados materiais
impressos. Logo o EaD se expandiu para a TV e para o rádio que formaram a
segunda geração do Ensino à Distância através da integração dos
audiovisuais.
Segundo Maroto (1995), O EaD é a estratégia básica de formação
humana, aprender a aprender, saber pensar, criar, inovar, construir
conhecimento e participar.
Trata-se de um processo de ensino-aprendizagem que não exige a
presença física do profissional na sala de aula. O Ensino à Distância abrange
desde os cursos de correspondência convencional através de carta, os
TeleCursos e os Radiocursos até o uso dos sistemas de comunicação digital
atuais, como a internet e a partir de 2008 a TV Digital Terrestre. No que tange à
65
crescente demanda apresentada nos ambientes educacionais e no mercado de
trabalho, o EaD tem se mostrado como uma grande alternativa, pois tem se
consolidado com o tempo e mostrado as suas diversas vantagens, que vão
desde a flexibilidade de aprendizagem até a possibilidade de um ensino mais
personalizado respeitando o ritmo e valorizando a autonomia de cada indivíduo
(BALDO, 2008). De acordo com Art. 1º De 19 de Dezembro de 2005, o decreto
5.622 conceitua EaD como:
[...] uma modalidade educacional no qual a medição
didático-pedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utlização de meios de
Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), com
estudantes e professores desenvolvendo atividades
educativas em lugares ou tempos diversos (BRASIL,
2005).
O EaD é um instrumento capaz de levar informação e proporcionar um
crescimento cultural e educacional de países de dimensões continentais como
o Brasil. Isso faz com que o ensino chegue a lugares de difícil acesso, onde a
educação presencial é deficitária ou até mesmo inexistente (NASCIMENTO,
2008).
O EaD distingue-se da modalidade de ensino presencial por ser um
sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que
substitui a interação pessoal na sala de aula entre o professor e aluno como
meio preferencial de ensino, devido à ação sistemática e conjunta de diversos
recursos didáticos e sistemas de mídia que propiciam uma aprendizagem
independente e flexível (GARCIA, 1995).
A abrangência do EaD é sem dúvida maior que o ensino presencial, pois
permite acessibilidade de estudo a todos, inclusive à classe dos trabalhadores,
o que talvez presencialmente seria impossível devido à necessidade de
locomoção até a escola. Já é possível encontrar cursos profissionalizantes
também à distância, que possibilita o profissional que já exerce sua função a se
atualizar no mercado. Essa flexibilidade é sem dúvidas a maior vantagem de se
fazer um curso à distância.
66
4.1.1 TV Escola
É preciso estudar sobre quais benefícios esse meio de ensino traria aos
alunos e como esses professores seriam treinados para instruírem os usuários
a utilizarem à ferramenta de modo consciente e adequado.
A integração dos meios de comunicação mais contemporâneos, que
será chamado provisoriamente de TIC (Tecnologias de Informação e
Comunicação), aos processos educacionais é tarefa urgente e necessária pois,
tais técnicas já estão presentes em todas as esferas da vida social, em muitos
casos gerando ou agravando desigualdades socioculturais (BELLONI, 2003).
Não se discute mais se a integração deve ser feita ou não, desde que a
disseminação da informática pôs a escola diante do desafio de uma nova
linguagem presente na sociedade (e não só no mundo do trabalho, mas
também no lazer e na cultura) e ausente da escola (BELLONI, 2003).
Como qualquer inovação educacional tem necessariamente que passar
pelo professor, nada mais lógico que se comece por formar professores
utilizando as TIC’s, de modo intensivo e sistemático, o professor que aprende
com elas estará melhor preparado para ensinar por meio dessas tecnologias. A
televisão como ferramenta pedagógica como o EaD, as ações de formação não
conseguem efetivamente chegar à maioria dos professores e sobretudo
àqueles mais necessitados (BELLONI, 2003).
A TV Escola é um programa de formação a distância para professores,
baseado numa concepção de aprendizagem aberta. Para melhor compreender
esse programa é necessário explicitar estas duas características: a distância e
a aprendizagem aberta (BELLONI, 2003).
Esta antipresença do “cara a cara” pedagógico é resultado de uma
enorme distância que separa muitas vezes o professor de seus estudantes. Por
outro lado, pode-se falar de uma presença a distância, desejável embora ainda
difícil e rara, possível graças ao uso adequado de determinadas tecnologias de
comunicação, bem integradas em uma proposta pedagógica consistente,
focalizada no aluno e em sua autonomia, isto é, uma proposta de
aprendizagem autônoma e aberta. Esse sentimento de presença, construído
graças às TIC’s, que suprimiriam a distância, tem a ver com uma impressão de
67
realidade, que é de fato uma interpretação de mensagens, pois cada indivíduo
pode interpretar de forma diferente (BELLONI, 2003).
A TV Escola é um programa de grande porte do Ministério da Educação
(Secretaria de Ensino à Distância), cujo objetivo é oferecer, aos professores da
educação básica em todo o país, oportunidades de formação continuada, na
modalidade a distância, buscando contribuir de forma aberta, flexível e informal
(não regular, sem avaliação nem certificação) para a melhoria da formação dos
professores em exercício nas escolas brasileiras (BELLONI, 2003).
Criada para atender prioritariamente aos professores das séries iniciais
do ensino fundamental, cuja formação de nível médio exige uma decisiva
complementação, a TV Escola foi ampliando sua abrangência e hoje se dirige
para professores de todos os níveis da escola básica. Ao mesmo tempo em
que foi ampliando seu público-alvo, a TV Escola foi mudando de enfoque
quanto à natureza de seus objetivos prioritários, passando a oferecer, materiais
didáticos para os professores utilizarem com seus alunos em sala de aula
(BELLONI, 2003).
4.1.2 TeleCurso (TC)
Um programa de aprendizagem a distância como o TeleCurso por
exemplo, se tornou viável no rádio a um custo mais barato.
O presidente das Organizações Globo, foi o idealizador da Fundação
Roberto Marinho (FRM), uma instituição de caráter privado sem fins lucrativos
fundada em 1977, que passou a receber verbas públicas para projetos de
teleducação produzidos pela própria Globo. Foi através da Fundação Roberto
Marinho que a Globo entrou no campo do Ensino à Distância e conseguiu
abater impostos com a atividade educativa, captando recursos do governo
federal e do mercado que poderia criar com a venda de fascículos e de
programas gravados (CASTRO, 2009).
O TeleCurso, que começou em 1977, seguia a legislação que
regulamentava na época o ensino supletivo brasileiro. Os cursos supletivos
podem ser ministrados em classe ou por EaD, por meio de correspondência,
uso de rádio, televisão, e, hoje, pela Internet (CASTRO, 2009).
68
O desafio inicial do TC, produzido pelas equipes da TV Cultura e da
Rede Globo foi o desenvolvimento de uma linguagem adequada para ensinar
pelo vídeo. A proposta do TC (1º e 2º graus) é prover conhecimento baseado
no currículo do ensino fundamental e médio, por meio da televisão. Em 1994,
iniciou-se a experiência mais ousada da série TeleCursos: a revisão da
metodologia e a adaptação da teledramaturgia a educação. É nesse momento
que surge o TeleCurso 2000, uma programação de EaD, veiculada pela Rede
Globo e o Sistema FIESP (Federação das Indústrias e Comércio do Estado de
São Paulo) (CASTRO, 2009).
A partir dos anos 90, o EaD entrou na fase conhecida como terceira
geração, com o uso da integração de redes de conferência por estações de
computador e estações multimídia, que abriu espaço para a interação
professor-aluno.
Esse
público
é
composto,
predominantemente,
por
telespectadores com formação de nível superior. Mais recentemente, o
TeleCurso 2000 passou a incluir aulas ministradas pela internet, através do uso
de salas de bate-papo (chats), teleconferências, videoconferências, troca de
emails ou messengers denominados MSN (Microsoft Service Network - Rede
Microsoft de Serviços). A preocupação com a linguagem atinge todos aqueles
profissionais e pesquisadores interessados em viabilizar a teleducação através
do sistema digital que terá a aprendizagem ativa como método e co-autoria
com seu grande diferencial (CASTRO, 2009).
Neste Capítulo foi estudado EaD como facilitador para o completo
acesso as pessoas a Educação e os dois principais programas dessa
modalidade. O Capítulo V falará sobre a TV Digital no Ensino à Distância.
CAPITULO V
Neste Capítulo será visto o principal objetivo da pesquisa que é mostrar
como a televisão e a interatividade através do EaD pode contribuir na
educação e na cultura da população. Será estudado a importância da TV
Digital no Ensino à Distância e as expectativas de uso dessa ferramenta no
ambiente educativo. E para enriquecer o conteúdo deste trabalho e obter mais
informações, foi realizada uma pesquisa de campo a fim de conhecer e saber
opiniões de usuários em relação à assuntos que envolvem o uso da TV Digital
no Ensino à Distância.
TV DIGITAL NO ENSINO À DISTÂNCIA
No EaD, o uso das TIC’s refere-se à apropriação de diferentes
tecnologias de comunicação para fins educativos. A integração entre educação
e comunicação disponibiliza ferramentas como a internet, televisão, rádio ou
vídeo aos alunos que, em conjunto com o professor, vão participar do processo
ensino-aprendizagem, isto é, poderá se tornar um co-autor desse processo. No
caso da TV Digital com interatividade, o aluno poderá produzir conteúdos
didáticos, contar suas histórias, reforçando sua identidade e auto-estima
(CASTRO, 2009).
O Ensino à Distância inclui a TV Digital, os videojogos e o rádio digital,
assim como os celulares agregando novos valores ao aprendizado,
principalmente, pela possibilidade dos alunos, não apenas participarem
ativamente, mas também de se tornarem co-participantes da construção do
conhecimento (CASTRO, 2009).
Segundo Castro (2009), a transição do mundo analógico para o digital
está acontecendo e é preciso que todas as gerações acompanhem essa
mudança para que a TV Digital possa se transformar em uma ferramenta de
70
inclusão social voltada para a área educativa, presencial ou à distância. Para isso é
preciso que:
•
Sejam realizados estudos sobre a usabilidade dos serviços interativos para
analisar se as ferramentas são facilmente reconhecidas e apreendidos pelos
diferentes grupos sociais e econômicos;
•
Desenvolver interfaces gráficas que possam ser facilmente entendidas por
todos;
•
Receber cursos de formação e utilização das novas tecnologias digitais a
baixo custo;
•
Desenvolver menus e controles que ajudem e facilitem a interação com a
nova tecnologia;
•
Oferecer banda larga para acesso à internet com preços compatíveis com o
padrão de vida econômica e;
•
Oferecer redes Wi-Fi (Wireless Fidelity - Fidelidade sem Fio) para acesso à
internet nas áreas rurais e nas regiões mais longes para que a interatividade
da TV Digital possa realmente ser concretizada, através do uso de conteúdos
informativos, culturais, de serviços, educativos ou de entretenimento mais
complexos como vídeos, áudios e animações.
Há ainda o aspecto psicológico ligado à aprendizagem através da televisão, visto
que, encontrada na maioria dos lares é rotulada muitas vezes, como forma de lazer.
Assim, aliar essa satisfação relativa ao lazer com o aprendizado pode ser muito útil
no Ensino à Distância. E a TV Digital tende a facilitar este processo (SILVA &
NUNES, 2009).
Inicialmente pode haver certa dificuldade de adaptação no uso da TV Digital
pelos profissionais que atuam no segmento de educação. Esse é o custo da nova
era da educação viabilizada por meio da interatividade televisiva (WAISMAN, 2005).
Segundo Silva e Nunes (2009), a enorme gama de vantagens que surgirão e a
tendência do prosseguimento da atualização e acompanhamento tecnológicos,
somados a facilidade de operação pelos alunos, continuarão mantendo a viabilidade
da convergência dessa nova tecnologia ao EaD. Embora as vantagens do emprego
dessa mídia sejam inúmeras, há algumas dificuldades. Por exemplo: a criação de
interfaces de fácil manuseio; a implementação de um canal de retorno da
71
interatividade, sendo este adequado aos polos de municípios que não tenham uma
disponibilidade razoável de internet e o estudo de atividades pedagógicas que
possibilitem uma boa eficácia do ensino.
Estas dificuldades serão sanadas à medida que o movimento da convergência
dos ambientes seja realizado, pois nesses casos apenas os estudos não terão a
eficácia garantida dos resultados, mas somados às experiências práticas da
implementação da educação no novo cenário da TV Digital (SILVA & NUNES, 2009).
5.1 EXPECTATIVA DE USO DA TV DIGITAL NO AMBIENTE EDUCATIVO E
CULTURAL
O uso da TV Digital ainda não alcançou todo o território Brasileiro, a
expectativa é grande quando isso acontecer. Os benefícios que o uso da
interatividade na TV Digital pode trazer é significante em relação ao Ensino à
Distância e a cultura.
Para haver uma aceitação e adequação do uso da TV Digital no ambiente
educacional, é preciso uma grande dedicação dos professores em desenvolver
projetos que integram essa nova tecnologia à educação, da sociedade em querer
aprender coisas novas e ser incentivada a formação acadêmica, do governo
disponibilizar materiais e projetos de estudos suficientes para atender a necessidade
social e das Instituições de Ensino Superior (IES) para criação de estratégias
inovadoras para que o aluno tenha possibilidade de estudar a distância através da
TV.
A grande expectativa é de que em um futuro próximo o EaD através da TV
Digital tenha uma qualidade semelhante ao ensino presencial. Segundo Castro
(2009), a TV que as pessoas têm em casa vai permitir a interação não apenas entre
aluno/professor e grupos de colegas, mas também vai permitir que a família
compartilhe desse conhecimento, já que é um aparelho que tradicionalmente permite
a socialização das pessoas.
Pode-se perceber que são várias as possibilidades geradas pela tecnologia da
TV Digital no que se refere ao EaD. Deslumbra-se que em 2016, o sinal digital será
disponível em todo território nacional. Sendo assim, as Instituições de Ensino
poderão lançar mão de soluções ou mesmo desenvolver a sua própria tecnologia de
72
convergência para apoio ao EaD. Vale lembrar que as bases do futuro são lançados
no presente, o que torna atual e necessária a realização de pesquisas (SILVA &
NUNES, 2009).
5.1.1 Simulação para o Futuro
Essa ideia da criação de um canal interativo surgiu a partir da necessidade de
proporcionar ao aluno uma comodidade em poder visualizar as matérias de seu
curso e exercícios através da TV e em qualquer lugar, para atender ao requisito
“simplicidade” em função dos recursos utilizados pelo usuário durante a interação, e
quanto às limitações impostas pelo ambiente, como por exemplo, a distância.
A simulação seria de um canal aberto interativo fornecido pelo governo às
Instituições de Ensino à Distância com foco na formação de jovens e adultos através
da tecnologia da TV Digital. Com o objetivo de disponibilizar materiais didáticos e
exercícios na versão interativa com vários recursos que proporcionam ao aluno a
interação com o conteúdo de Ensino Superior, por exemplo.
O canal interativo seria um portal da Instituição de Ensino, onde o usuário
utilizaria o controle da sua TV para selecionar as opções e primeiramente seria
selecionado o perfil do usuário, aluno ou professor como pode ser visto na Figura
14.
Figura 14: Portal de Ensino
Fonte: Própria
73
A Figura 14 mostra a tela inicial do Portal de Ensino, nessa tela seria possível
escolher o perfil de aluno ou professor. Uma vez escolhido uma dessas opções, o
usuário seria redirecionado à tela de Acesso para preencher os campos, como pode
ser visto na Figura 15, essa opção apareceria independente do perfil selecionado
anteriormente.
Figura 15: Tela de Acesso
Fonte: Própria
Nesta tela, mostrada pela Figura 15, o aluno ou professor irá preencher os
campos com CPF (Cadastro de Pessoa Física) e senha para que então seja
apresentado o Menu Principal, como pode ser visto na Figura 16.
Figura 16: Menu Principal
Fonte: Própria
74
Neste Menu Principal, mostrado na Figura 16, o aluno poderá selecionar o
período que está cursando ou até mesmo o período que deseja acessar para
visualizar as matérias ou conteúdos das aulas. Constará no topo da tela, a sua
Instituição de Ensino, o seu nome completo e o seu curso. Após escolhido o período
desejado, a tela de matérias será mostrada conforme Figura 17.
Figura 17: Tela de Matérias
Fonte: Própria
A Figura 17 mostra a tela contendo as matérias disponíveis no período que o
aluno selecionou. Nesta etapa o usuário poderá escolher qual matéria deseja por
exemplo, Sistemas de Televisão, para então acessar os conteúdos de estudo como
demonstrado na Figura 18.
Figura 18: Matéria Selecionada
Fonte: Própria
75
Após selecionada a matéria desejada, o conteúdo disponível no portal
aparecerá na tela para escolha do aluno. Podendo escolher tanto tópico de conteúdo
como os exercícios, vídeo aula e até mesmo tirar dúvidas com o professor, como
visto na Figura 18. Uma vez selecionada a opção desejada pelo aluno, a tela de
informações referentes à opção escolhida aparecerá, conforme a Figura 19.
Figura 19: Tela de Conteúdo
Fonte: Própria
Por fim, a Figura 19, mostra a tela de conteúdo selecionado, por exemplo a
vídeo aula. Nesta tela o professor aparece em vídeo em tempo real e o aluno tem a
possibilidade de interagir com os outros alunos e até mesmo com o próprio professor
podendo tirar dúvidas a partir do campo de escrita abaixo do vídeo. O lado esquerdo
da tela contém outros tópicos interativos. No tópico de Chat os telespectadores
poderão trocar informações entre si. No campo de Matérias de Pesquisa, estariam
disponíveis links da internet, livros indicados pelos professores e outras
metodologias utilizadas para o estudo da matéria referente. Vídeos Explicativos
seriam outros vídeos já gravados pelo professor ou mesmo vídeos da internet como
forma de complemento de estudo. No tópico de Exercício o aluno terá possibilidade
de responder questões elaboradas pelo professor podendo ser um meio avaliativo. E
também estaria disponível o tópico Dúvidas para que o aluno possa tirar suas
dúvidas com o professor sobre a matéria em estudo.
Este é o último passo que o aluno executa. Depois de ter acessado a tela de
conteúdo, o usuário poderia voltar em qualquer outra tela através das setas
76
localizadas nos cantos superiores e selecionar outra opção do lado esquerdo da tela
através do tópico interativo, ou então sair do portal pelo botão indicado no canto
direito inferior de cada página.
Estes conteúdos ficarão disponíveis permanentemente ou até que a própria
instituição (administrador do sistema) os retirasse do portal. Com o acesso do perfil
do professor escolhido na Figura 14, seria possível modificar os conteúdos, incluir
outros e até ver os exercícios que os alunos fizeram, podendo esse ser um meio de
atividades avaliativas.
Será visto no Tópico 5.2 uma pesquisa de campo realizada em Março de
2013, conforme as perguntas encontram-se no Apêndice A.
5.2 PESQUISA DE CAMPO
Foi realizado uma pesquisa de campo entre usuários de uma empresa que
trabalha realizando testes em sistemas de TV paga e entre alguns alunos do curso
de Telecomunicações do IFF para saber suas opiniões em relação à TV Digital como
ferramenta para o Ensino à Distância. Foram elaboradas 11 perguntas de acordo
com o foco do assunto que é o uso da TV Digital no EaD e passada como
questionário online para as pessoas com perfil de 15 a 60 anos como pode ser visto
na Figura 20.
Figura 20: Faixa Etária
Fonte: Google Drive, 2013
Foram obtidas 40 respostas, desses 40 usuários, 63% têm entre 21 e 25 anos
de idade como mostra a Figura 20. A média de quantidade de televisões em suas
77
casas é de 2 TV’s a cada residência o que corresponde a 30% das pessoas, como
visto na Figura 21.
Figura 21: TV’s em casa
Fonte: Google Drive, 2013
Das respostas obtidas 28% das pessoas têm pelo menos uma TV em casa, e
outras 28% têm 3 aparelhos e apenas 6% dos usuários possuem 4 ou mais
conforme mostrado na Figura 21.
Das pessoas que responderam as perguntas, todas possuem o aparelho em
casa, 23 delas também têm acesso à TV no local de trabalho como pode ser visto na
Figura 22.
Figura 22: Em qual lugar acessa a TV
Fonte: Google Drive, 2013
Vale ressaltar que na pergunta mostrada na Figura 22 era possível optar por
mais de uma opção de resposta, sendo no máximo 3 escolhidas.
78
Do total de entrevistados, 39 delas (98%) já conhecem ou já ouviram falar da
transmissão de sinal digital como mostra a Figura 23.
Figura 23: Nova transmissão de sinal de TV
Fonte: Google Drive, 2013
Dessas 39 pessoas que já ouviram falar sobre a TV Digital (Figura 23), 50%
responderam que têm TV com conversor digital como visto na Figura 24.
Figura 24: TV com conversor
Fonte: Google Drive, 2013
Na Figura 25 é possível observar que mesmo as pessoas que não tem
conversor digital possuem uma opinião sobre a qualidade de transmissão, visto que
29% deles acham a qualidade boa e 47% acharam o sinal digital indiferente.
79
Figura 25: Sinal Digital em Campos
Fonte: Google Drive, 2013
Como mostra a Figura 25, 5% das pessoas entrevistadas acham o sinal digital
na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ péssimo, 16% delas acham o sinal ruim.
Somente um usuário acha o sinal excelente.
Sobre a interatividade, 27% das pessoas utilizam ou utilizariam os recursos
de gravação e pausa do filme/programa e 25% usam ou gostariam de usar o recurso
de internet no serviço de TV por assinatura como pode ser visto na Figura 26.
Figura 26: Recursos da Interatividade
Fonte: Google Drive, 2013
Vale ressaltar que, a pergunta mostrada na Figura 26 também possibilitou a
escolha de até 3 respostas.
Foi perguntado no questionário se os usuários fariam algum curso a distância,
65% deles respondem que sim, como visto na Figura 27.
80
Figura 27: Curso a Distância
Fonte: Google Drive, 2013
Foi elaborada uma questão discursiva com campo de resposta em branco
para os usuários expressarem suas opiniões sobre o curso a distância através da
TV, as respostas foram bem divididas pois algumas pessoas ainda não acreditam
que o EaD possa ter uma qualidade semelhante ao ensino presencial, já que a TV
também é vista como uma ferramenta de lazer. Outros responderam que seria uma
boa opção já que é cômodo aprender em casa devido ao fácil acesso, além de já
conhecerem e já possuírem a TV, isso poderia fazer a pessoa se interessar mais.
O Ensino à Distância utilizando como meio de aprendizagem a TV Digital
ainda é um assunto a se estudar, apesar de ter um bom acesso e trazer
comodidade, 88% ainda preferem utilizar a internet como meio de estudo a distância
confirme Figura 28.
Figura 28: Meio mais utilizado
Fonte: Google Drive, 2013
81
Das 40 pessoas entrevistadas, 83% acham que usar a televisão para
aprender seria mais dinâmico do que pelos livros didáticos, isso pode ser
comprovado pela Figura 29.
Figura 29: EaD através da TV
Fonte: Google Drive, 2013
Ao realizar essa pesquisa pode-se observar que as pessoas estão aderindo à
nova transmissão aos poucos e dessas pessoas que já aderiram ao sinal digital,
quase metade delas (47%) como foi visto na Figura 25, acham o sinal indiferente.
Isso mostra que ainda levará um certo tempo para as pessoas se adaptarem à essa
nova tecnologia, pois a grande maioria (88%) conforme mostrado na Figura 28,
prefere ensinar e aprender através da internet utilizando qualquer um dos meios de
comunicação, seja por tablet, celulares, computadores ou notebooks.
Neste Capítulo foi estudado como seria aprender através da televisão, como
isso pode possibilitar o acesso das pessoas ao ensino, as expectativas de
integração das TIC’s no EaD e também foi visto um breve estudo futuro de um canal
interativo educacional. Foi mostrado o resultado da realização de uma pesquisa feita
pelos autores do presente trabalho com o intuito de obter informações sobre opinião
das pessoas em relação ao uso da TV Digital no Ensino à Distância.
CAPÍTULO VI
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho teve como objetivo analisar o uso da TV Digital no Ensino
à Distância pode contribuir na educação e na cultura da população. O estudo
foi iniciado mostrando a evolução dos meios de informação, que inicialmente
eram feitos através de gestos, gritos, escritas em cavernas e entre outros,
tomando forma chegando até a televisão, pode-se observar a sua importância
para a sociedade e acompanhar o avanço dessa tecnologia que evoluiu da
forma analógica para a digital.
O EaD através da TV Digital dá possibilidade aos alunos, então
telespectadores,
de estudarem em casa. Uma vez que a Interatividade
possibilita aos usuários um maior uso dos recursos disponíveis na TV como
gravar programas e filmes podendo assistí-los a qualquer momento ou até
mesmo comprar pacotes de jogos, ou lançamentos de filmes.
Notou-se que é a partir da Interatividade que a TV Digital facilitou a
integração com o EaD. Esse novo método de aprendizagem possibilita as
pessoas que querem estudar, porém não têm tempo ou condições físicas de se
deslocar até uma escola. O Ensino à Distância é praticado através da internet,
na grande maioria dos casos e a proposta desde trabalho foi mostrar as
expectativas de como a integração dessas tecnologias pode facilitar o acesso
ao estudo e a cultura.
A simulação feita no Tópico 5.1.1 foi uma breve ideia de um estudo
futuro de como poderia ser o esboço de um canal educacional aberto oferecido
pelo governo para as instituições de Ensino à Distância. Esse portal facilitaria o
acesso dos alunos aos conteúdos de seus cursos, os usuários poderiam
estudar em casa através dos recursos da televisão digital não tendo então as
limitações como: falta de tempo, deslocamento e custo financeiro impostas por
um curso presencial.
83
Além de pesquisas bibliográficas foi também realizada uma pesquisa
apoiada em um questionário para os usuários de uma empresa que trabalha
realizando testes em sistemas de TV paga e entre alguns alunos do curso de
Telecomunicações do IFF, com o objetivo de analisar as opiniões em relação
ao uso da TV Digital no EaD. Com base nos dados das respostas dos
entrevistados, observou-se que as pessoas estão aderindo à nova transmissão
aos poucos. Sabe-se ainda que é um processo longo de estudo, adaptação e
acompanhamento tecnológico, pois a televisão ainda é vista como meio de
lazer. As pessoas ainda têm certo receio de aprender pela TV, será preciso um
grande investimento e incentivo por parte de autoridades, instituições e
professores para fazerem com que o EaD através da TV Digital possa ter uma
qualidade semelhante ao ensino presencial.
6.1 ESTUDO FUTURO
Como proposta de estudo futuro seria colocar em prática a ideia que
surgiu da simulação feita no Capítulo V. O portal estaria disponível como um
canal aberto ou como um plugin vinculado à um canal pago, podendo ser
acessado por todos, tanto para quem assiste TV aberta quanto para quem
possui TV por assinatura. Para isso será preciso um profundo estudo sobre o
assunto e também estudar normas técnicas e burocráticas para a inclusão de
um novo canal ou plugin destinado ao EaD na TV brasileira.
CAPÍTULO VII
REFERÊNCIAS
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89
APÊNDICE A
O questionário integra o Trabalho de Conclusão de Curso para
enriquecer o conteúdo da pesquisa com o propósito de conhecer a opinião das
pessoas sobre o uso da TV Digital no Ensino à Distância. As perguntas foram
elaboradas pelos autores do presente trabalho de acordo com o assunto
abordado neste estudo.
IFF - Instituto Federal Fluminense
Pesquisa sobre TV Digital e Ensino à Distância para estudo de TCC.
1.Qual sua faixa etária?
( ) Entre 15 e 20 anos
( ) Entre 21 e 25 anos
( ) Entre 26 e 30 anos
( ) Entre 31 e 35 anos
( ) Mais de 35 anos
2. Quantas televisões têm na sua casa?
( ) Nenhuma
()1
()2
()3
( ) 4 ou mais
90
3. Em que lugar você tem acesso à televisão? Marque até 3 (três) opções.
( ) Em casa
( ) Na escola
( ) No trabalho
( ) Não tenho acesso
( ) Outro:
4. Você conhece ou já ouviu falar sobre a transmissão de sinal de TV? A
transmissão digital?
( ) Não
( ) Sim
5. Sua televisão tem conversor digital?
( ) Não
( ) Sim
6. Na sua opinião como está o sinal da TV Digital em Campos?
( ) Péssimo
( ) Ruim
( ) Indiferente
( ) Bom
( ) Excelente
7. No caso da TV por assinatura, quais os recursos da interatividade você mais
usa ou gostaria de usar? Marque no máximo 3 (três) opções.
( ) Gravação
91
( ) Pausa do filme ou programa
( ) Internet
( ) Compras
( ) Ligação telefônica
( ) Nenhuma
( ) Outro:
8. Você faz ou faria algum curso a distância?
( ) Não
( ) Sim
9. Você faria um curso a distância através da televisão? Justifique.
10. Sobre o Ensino à Distância, qual meio para estudo você mais usaria?
( ) Televisão
( ) Internet
( ) Vídeo/DVD/BluRay
( ) Livros
( ) Outro:
11. Para você, o Ensino à Distância através da TV seria mais dinâmico e mais
prático do que os livros didáticos?
( ) Não
( ) Sim
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