INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE CAMPUS CAMPOS CENTRO - IFF GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA EM SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES DANIELE DOS SANTOS LOPES KETHERIN DA SILVA BARRETO MARIANE FIORIO DA SILVA TV DIGITAL: EXPECTATIVA DE USO NO AMBIENTE EDUCATIVO CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ Novembro de 2013 INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE CAMPUS CAMPOS CENTRO - IFF GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA EM SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES DANIELE DOS SANTOS LOPES KETHERIN DA SILVA BARRETO MARIANE FIORIO DA SILVA TV DIGITAL: EXPECTATIVA DE USO NO AMBIENTE EDUCATIVO Monografia apresentada ao Instituto Federal Fluminense - IFF Campus Campos Centro como requisito parcial para conclusão do curso de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações. Orientadora: M.Sc. Suélly Lima dos Santos CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ Novembro de 2013 TV DIGITAL: EXPECTATIVAS DE USO NO AMBIENTE EDUCATIVO Monografia apresentada ao Instituto Federal Fluminense - IFF Campus Campos Centro como requisito parcial para conclusão do curso de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações. Aprovada em 12 de Novembro de 2013. BANCA EXAMINADORA Profª. Suélly Lima dos Santos, M.Sc. (Orientadora) Instituto Federal Fluminense-IFF/Campos Campus Centro Profª. Claudia Boechat Seufitelli, M.Sc. Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro ___________________________________________________________________ Profº Luílcio da Silva Barcelos, M.Sc.* Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ 2013 Dedicamos este trabalho às nossas famílias que nos apoiaram em todos os momentos, aos nossos amigos que compartilharam os momentos difíceis e aos nossos professores que sempre nos incentivaram durante o nosso processo de formação. iv AGRADECIMENTO DANIELE DOS SANTOS LOPES Agradeço a Deus por sempre iluminar meus caminhos e por fazer com que mais esse sonho se concretizasse. Agradeço a minha família e meu noivo Jocirlei Pereira, que são base da minha vida, sinônimo de amor, compreensão e dedicação. Agradeço, também, a Ketherin Barreto que esteve junto comigo em todo o período da faculdade, e por tudo que compartilhamos em nosso convívio, as alegrias, as frustrações, as descobertas, enfim pelo o que aprendemos uma com a outra. KETHERIN DA SILVA BARRETO Agradeço primeiramente a Deus por me proporcionar todas as oportunidades que me foram concedidas até hoje, minha família por sempre estar ao meu lado me apoiando quando necessito, por serem responsáveis pelos meus estudos, por me incentivarem nos momentos de fraqueza e por sempre estarem me estimulando; aos meus amigos que me ajudam, me divertem e me ensinam coisas novas e boas da vida; a minha amiga Daniele Lopes por me incentivar e não deixar eu desistir diante das dificuldades no decorrer do curso. Agradeço a turma de Telecomunicações que chegou comigo até o fim do curso, vocês são demais, foram 3 anos de muitos estudos, companheirismo, amizade, dedicação, muitas alegrias e divertimentos. MARIANE FIORIO DA SILVA Agradeço a Deus por me guiar durante toda esta jornada trabalhosa sem que eu fraquejasse. Agradeço, principalmente aos meus pais, que me incentivaram e investiram nos meus estudos, à minha família e ao meu noivo Rafael Guidi por estarem sempre ao meu lado me apoiando e fornecendo forças que necessitei. v “É o cinema em casa, o mundo em casa. É o tapete mágico de Aladim, em que você viaja sem sair do lugar. Tem função deturpadora, e não orientadora ou elevadora. Mas para os velhos surdos, meio cegos e jumentos como eu, aos 83 anos, é a vida. Para quem não chega a janela, não lê jornais como eu, a televisão é a minha vida, a minha viagem.” Cascudo vi RESUMO A televisão é um dos meios de informação mais conhecido, através dela é possível saber o que acontece em qualquer parte do mundo, acompanhar notícias sobre diversos assuntos e também conhecer outras culturas. Desde a década de 30 a TV surgiu como fonte de informação e comunicação. Ensinar e aprender através da TV Digital Interativa está se tornando uma realidade mais frequente. É um acontecimento dentro da história da televisão, que vai desde a estrutura das emissoras, produção de programas, passando pelos meios de transmissão até chegar ao telespectador que terá novos recursos, alta definição de imagens, interatividade e outras possibilidades através desta nova tecnologia. O objetivo deste estudo é mostrar como a televisão e a interatividade, através do Ensino a Distância (EaD), pode contribuir na educação e na cultura da população. Esse método ocorre quando o aluno e o professor estão separados fisicamente. Isso é possível devido às novas tecnologias de telecomunicações, de transmissão de voz, dados e imagens, incluindo televisão digital, Interatividade e vídeo. Palavras-chave: TV Digital, Ensino à Distância (EaD), Interatividade. vii ABSTRACT Television is one of the most well known news media, through it is possible to know what happens anywhere in the world, track news on various topics and also learn about other cultures. Since the 30s the TV has emerged as a source of information and communication. Teaching and learning through the Interactive Digital TV is becoming a reality more often. It is an event in the history of television, ranging from the structure of broadcasting, program production, through the means of transmission to reach the viewer will have new features, high-definition images, interactivity and other possibilities through this new technology. The aim of this study is to show how television and interactivity through the Distance Learning (DL), can contribute in the education and culture of the population. This method occurs when the student and teacher are physically separated. This is possible due to new telecommunications technologies, transmission of voice, data and images, including digital television, video and interactivity. Keywords: Digital TV, Distance Learning, Interaction. viii LISTA DE FIGURAS FIGURA 01: Preenchimento por varredura................................................................23 FIGURA 02: Varredura do feixe em TV em cores......................................................25 FIGURA 03: Canal de 6 MHz com portadora de cor................................................. 26 FIGURA 04: Processo de varredura intercalada na televisão................................... 36 FIGURA 05: Detalhamento da qualidade de imagem............................................... 37 FIGURA 06: Resoluções de imagem 720x1280 e 1080x1920.................................. 38 FIGURA 07: Modelo de Referência dos Padrões da TV Digital................................ 41 FIGURA 08: Característica do padrão ATSC............................................................. 43 FIGURA 09: Característica do padrão DVB...............................................................44 FIGURA 10: Característica do padrão ISDB............................................................. 45 FIGURA 11: Diferença de Proporções entre a TV Analógica e Digital ......................51 FIGURA 12: TV no celular..........................................................................................59 FIGURA 13: EPG (Guia Eletrônico de Programação)................................................60 FIGURA 14: Portal de Ensino.....................................................................................72 FIGURA 15: Tela de Acesso.......................................................................................73 FIGURA 16: Menu Principal.......................................................................................73 FIGURA 17: Tela de Matérias.....................................................................................74 FIGURA 18: Matéria Selecionada..............................................................................74 FIGURA 19: Tela de Conteúdo...................................................................................75 FIGURA 20: Faixa Etária ...........................................................................................76 FIGURA 21: TV’s em Casa.........................................................................................77 FIGURA 22: Em qual lugar acessa TV.......................................................................77 FIGURA 23: Nova transmissão de sinal de TV...........................................................78 FIGURA 24: TV com conversor..................................................................................78 FIGURA 25: Sinal Digital em Campos........................................................................79 FIGURA 26: Recursos da Interatividade....................................................................79 FIGURA 27:Curso a distância....................................................................................80 FIGURA 28: Meio mais utilizado.................................................................................80 FIGURA 29: EaD através da TV.................................................................................81 ix LISTA DE SIGLAS 2D - Duas Dimensões 3D - Três Dimensões 8-VSB - Eight-Vestigial Side Band (Oito-Banda Lateral Vestigial) AAC - Advanced Audio Coding (Codificação de Áudio Avançada) ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações ARIB - Association of Radio Industries and Businesses (Associação das Industrias de Rádio e Empresas) ATSC - Advanced Television System Committee (Comitê de Sistema de Televisão Avançado) ATV - Advanced Television Service (Serviço de Televisão Avançado) CD - Compact Disc (Disco Compacto) CODEC - Codificador e Decodificador de Sinais COFDM - Coded Orthogonal Frequency Multiplex (Código Ortogonal de Múltipla Frequência Codificado) CPF - Cadastro de Pessoa Física CPqD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações CRT - Cathode Ray Tube (Tubo de Raios Catódicos) DASE - DTV Application Software Enviornment (Ambiente de Aplicação de Software da TV Digital) DCT - Discrete Cosine Transform (Transformação Discreta do Cosseno) DIBEG - Digital Broadcasting Experts Group (Grupo Especialista em Radiodifusão Digital) DTV - Digital Television (Televisão Digital) DTVi - Digital Television Interactive (Televisão Digital Interativa) DVB - Digital Video Broadcasting (Vídeo Digital por Radiodifusão) DVD - Digital Versatile Disc (Disco Digital Versátil) EaD - Ensino a Distância EDTV - Enhanced Definition Television (Televisão com Definição Melhorada) EPG - Eletronic Programming Guide (Guia de Programação Eletrônica) EUA - Estados Unidos da América x FIESP - Federação das Indústrias e Comércio do Estado de São Paulo FRM - Fundação Roberto Marinho FULL HD - Full High Definition (Alta Definição) Ginga-CC - Ginga Common-Core (Ginga Núcleo Comum) Ginga-J - Ginga em linguagem Java Ginga-NCL - Nested Context Language ( Linguagem de Contexto Aninhados) HDTV - High Definition Television (Televisão de Alta Definição) HE-AAC - High Efficiency Advanced Audio Coding (Alta Eficiência de Codificação de Audio Avançada) Hz - Hertz IBM - International Business Machines (Negócio Internacional de Máquinas) IES - Instituição de Ensino Superior IFF - Instituto Federal Fluminense ISDB - Integrated Services Digital Broadcasting (Serviço Integrado de Transmissão Digital) ISDB-T - Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre) ISDB-Tb - Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre do Brasil) ITU-R - International Telecommunication Union Radiocommunication (União Internacional Radio Comunicação) ITU-T - International Telecommunication Union (União Internacional de Telecomunicações) JPEG - Joint Photographic Experts Group (Grupo de Especialistas em Imagens) LC - Low Complexity (Alta Complexibilidade) LCD - Display de Cristal Líquido MAC - Multiplexed Analog Components (Componentes de Multiplexação Analógicos) MHP - Multimedia Home Platform (Software de Interface Aberta) MHz - Mega Hertz MPEG - Moving Picture Experts Group (Grupo de Especialista em Imagens em Movimento) MSN - Microsoft Service Network (Rede Microsoft de Serviços) MUSE - Multiple Sub-nyquist Sampling Encoding (Codificação de Amostragem Múltipla Sub-nyquist) xi NBC - Non Backward Compatible (Não Retrocompatível) NCL - Nested Context Language (Linguagem de Contexto Aninhados) NTSC - National Television Systems Committee (Comitê Nacional do Sistema de Televisão) OFDM - Orthogonal Frequency Division Multiplexing (Multiplexação por Divisão de Frequência Ortogonal) P&B - Preto e branco PAL - Phase Alternation Line (Linha de Fase Alternante) PAL-M - Phase Alternation Line Modification (Linha de Fase Alternante Modificado) PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PPV - Pay Per View (Pagar para Ver) PSK - Phase-Shift keying (Chaveamento por Deslocamento de Fase) PUC- Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro QAM - Quadrature Amplitude Modulation (Modulação de Amplitude em Quadratura) QPSK - Quadrature Phase Shift Keying (Modulação por Chaveamento de Quadratura de Fase) RCA - Radio Corporation of America (Corporação de Rádio da América) RGB - Red, Green and Blue (Vermelho, Verde e Azul) RLC - Run Length Code (Código de Comprimento Executável) SBTVD - Sistema Brasileiro de Televisão Digital SDTV - Standard Definition Television (Televisão de Definição Padrão) SECAM - Sequentiel Couleur Avec Memorie (Colorização Sequencial com Memória) SFN - Single Frequency Network (Frequência de Rede Simples) SI - Service Information Protocol (Protocolo de Serviço de Informação) SSR - Scalable Sampling Rate (Taxa de Amostragem Ajustável) TC - Telecurso TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação TV - Televisão TVD - Televisão Digital UFPB - Universidade Federal da Paraíba UHF - Ultra High Frequency (Frequência Ultra Alta) USB - Universal Serial Bus (Porta Serial Universal) USP - Universidade de São Paulo VHF - Very High Frequency (Frequência Muito Alta) xii VHS - Video Home System (Sistema de Vídeo Caseiro) VLC - Variable Length Code (Código de Comprimento Variável) VOD - Vídeo on Demand (Vídeo por Demanda) VSB - Vestigial Side band (Banda Lateral Vestigial) Wi-Fi - Wireless Fidelity (Fidelidade sem Fio) WM9 - Windows Media 9 XML - eXtensible Markup Language (Linguagem de Marcação) xiii SUMÁRIO AGRADECIMENTO.....................................................................................................iv EPÍGRAFE...................................................................................................................v RESUMO.....................................................................................................................vi ABSTRACT.................................................................................................................vii LISTA DE FIGURAS...................................................................................................viii LISTA DE SIGLAS.......................................................................................................ix CAPÍTULO I INTRODUÇÃO................................................................................................15 1.1 OBJETIVO .........................................................................................17 1.2 MOTIVAÇÃO......................................................................................17 1.3 JUSTIFICATIVA..................................................................................18 1.4 METODOTOLOGIA............................................................................18 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO...........................................................19 CAPÍTULO II HISTÓRIA DA TV............................................................................................20 2.1 TV ANALÓGICA.................................................................................22 2.1.1 TV em Cores Analógica...............................................................23 2.1.2 Transmissão do Sinal de Vídeo...................................................25 2.2 PADRÕES..........................................................................................27 2.2.1 Sistema NTSC.............................................................................27 2.2.2 Sistema PAL.................................................................................28 2.2.3 Sistema PAL-M.............................................................................29 2.2.4 Sistema SECAM..........................................................................29 2.2.5 Comparação entre os Sistemas NTSC, PAL, PAL-M e SECAM.................................................................................................30 CAPÍTULO III HISTÓRIA DA TV DIGITAL.............................................................................32 3.1 TV DIGITAL NO BRASIL....................................................................33 xiv 3.2 TV DIGITAL........................................................................................35 3.2.1 Formato de Tela, Resolução, Transmissão e Audio.....................36 3.2.2 Modulação....................................................................................39 3.2.3 Padrões de TV Digital..................................................................41 3.2.4 Compressão ................................................................................45 3.3 TV ANALÓGICA X TV DIGITAL..........................................................51 3.3.1 Quais as vantagens e desvantagens da TV digital?....................53 3.4 O QUE É INTERATIVIDADE?............................................................54 3.4.1 Ginga .......................................................................................... 57 3.4.2 Mobilidade....................................................................................58 3.4.3 Pay Per View e Video-on-Demand ..............................................59 3.4.4 EPGYYY...............................................................................Y60 CAPÍTULO IV HISTÓRICO DO EAD......................................................................................62 4.1 ENSINO À DISTÂNCIA.......................................................................64 4.1.1 TV Escola.................................................................................... 66 4.1.2 Telecurso..................................................................................... 67 CAPÍTULO V TV DIGITAL NO ENSINO A DISTÂNCIA........................................................69 5.1 EXPECTATIVA DE USO DA TV DIGITAL NO AMBIENTE EDUCATIVO...............................................................................................71 5.1.1 Simulação para o futuro.............................................................. 72 5.2 PESQUISA DE CAMPO....................................................................76 CAPÍTULO VI CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................82 6.1 ESTUDOS FUTUROS.......................................................................83 CAPÍTULO VII REFERÊNCIAS...............................................................................................84 APÊNDICE......................................................................................................89 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Há 8.000 anos a.C, as primeiras comunicações eram feitas através de gestos, gritos, postura, entre outros. Com o tempo o homem aprendeu a relacionar objetos a seu uso e criar materiais para caça e proteção, acredita-se que isso pode ter sido passado aos demais através de gestos e repetição de processos, criando assim uma forma primitiva de linguagem. Aos poucos essa comunicação foi adquirindo formas mais claras e evoluídas, facilitando a comunicação não só entre os povos de uma mesma tribo, mas entre tribos diferentes. O povo sumério, considerada a uma das mais antigas civilizações do mundo, foi a primeira a usar o sistema pictográfico (escritas feitas nas cavernas, com tintas). Esse tipo de escrita era, além de pictórica, ideográfica, ou seja, utilizava símbolos simples para representar tanto objetos materiais, como ideias abstratas. Essas formas de escrita foram evoluindo com o tempo e a comunicação passou a ser realizada através de cartas escrita a mão, por máquinas tipográficas e rádio. Além disso surgiu na década de 1920, um dos meios mais importantes de comunicação, a televisão (TV). Ela sofreu muitas mudanças até chegar a sua forma digital que está sendo utilizada atualmente, passando pelo sistema analógico preto e branco (P&B) e colorido posteriormente. A TV é um importante meio de comunicação e informação para a sociedade, pois através de jornais, programas educativos e socioculturais que a população fica atualizada sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo. Hoje já é possível assistir às programações em qualquer lugar, através do celular com recepção digital, devido a essas novas tecnologias implementadas na TV. 16 O ambiente que intera a TV, o sistema digital, é composto por um conjunto de novos conceitos e características que trazem uma melhora importante e significativa em relação à qualidade da imagem e som. A televisão digital engloba ainda, uma série de interatividades, onde os usuários/telespectadores poderão usufruir destas tecnologias que antes só eram oferecidas por computadores com internet, por exemplo. O TeleCurso (TC) e o Ensino à Distância (EaD), são exemplos de como a televisão pode ajudar na educação e refletir numa cultura mais dinamizada, levando informação e aprendizado à lugares distantes, visando uma inclusão educativa através de um eletrodoméstico presente nas casas da maioria dos brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011), 96,9% das residências possuem este aparelho. Posteriormente, a máquina tipográfica ampliou em larga escala o alcance do EaD. Mais recentemente, as tecnologias de comunicação e informação, especialmente em sua versão digital, puderam ampliar o alcance e as possibilidades do EaD. Aulas de Ensino à Distância, como TeleCurso 2000, mostra como está sendo usada a TV Digital Interativa, onde essa nova tecnologia ajuda a melhorar o ensino e a aprendizagem. O telespectador/aluno se interessa muito mais quando a aula é “chamativa”, pois sai de uma realidade diferente da que estão acostumados. O Ensino à Distância é voltado para a inclusão social e não implica na presença física do professor dentro da sala de aula, podendo o mesmo ministrar as aulas de qualquer lugar. No TeleCurso, por exemplo, os vídeos eram gravados e passados na TV e no Rádio, podendo então ser assistido ou ouvido pelo telespectador/aluno formando a integração audiovisual. A interatividade acontecia no momento em que os alunos escreviam cartas ou ligavam para fazer perguntas sobre as aulas e isso era o meio de aproximação entre os alunos e professores. Hoje, essa realidade está bem diferente, graças à tecnologia da TV Digital Interativa o telespectador tem a possibilidade de fazer compras, participar de enquetes, fazer ligações, escolher o ângulo da câmera que deseja assistir, mandar e-mails, checar saldo bancário, personalizar a programação, participar de uma aula e muito mais, através do seu controle remoto. Além 17 disto, a interatividade da televisão traz outros recursos de comunicação, formatos diferentes como jornal, revista e o rádio podem estar inseridos em mais uma opção dentro da programação. Devido a tecnologia presente na nova fase da TV, já é possível assistir às aulas à distância podendo interagir com o professor e o conteúdo promovendo possibilidades de aprendizagem no caso específico da Educação e Cultura. 1.1 OBJETIVO O objetivo deste estudo é mostrar como a televisão e a interatividade, através do Ensino à Distância (EaD), pode contribuir na educação e na cultura da população. Com os recursos de interatividade da TV Digital, os telespectadores, os alunos e os professores poderão criar, desenvolver e compartilhar seus conteúdos, interagindo com outras pessoas através da televisão. 1.2 MOTIVAÇÃO A motivação para a realização deste trabalho ocorreu no 4° período do Curso através da disciplina Seminário, pois despertou a continuidade de pesquisar sobre TV Digital, uma nova tecnologia que está evoluindo e possibilitando avanços na interatividade. A TV é uma ferramenta muito importante que leva as notícias e os acontecimentos para a casa do telespectador, podendo-os então acompanhar a evolução tecnológica desse eletrodoméstico que é um importante meio de comunicação. Essa inovação está acontecendo mais frequentemente devido à necessidade de evolução das tecnologias no mercado, com isso os recursos e aplicativos da TV Digital vêm melhorando cada vez mais. 18 1.3 JUSTIFICATIVA A justificativa do tema ocorreu devido a TV Digital apresentar um avanço na tecnologia, sendo hoje uma das ferramentas considerada importante na “evolução da televisão”. Devido à essa nova fase da televisão o telespectador, também pode ter acesso através de celulares, internet ou assisti-lá em qualquer lugar público. Com a inserção da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), o Ensino à Distância facilitou o acesso ao processo de aprendizagem, podendo este ocorrer sem a necessidade do aluno estar no mesmo local geográfico ou no mesmo horário que o professor. No que diz respeito à aplicação da TV Digital a partir do uso da interatividade, o processo de ensino e aprendizagem deixará de ser obrigatoriamente professor/aluno transformando-se em um processo de troca de saberes. Uma vez que a TV Digital Interativa é uma tecnologia que está revolucionando o mercado e possibilita melhoria na qualidade da imagem, som e os recursos que a interatividade apresenta como: conectividade à internet, mobilidade, portabilidade, multiprogramação, entre outras. 1.4 METODOLOGIA O presente trabalho está apoiado em técnicas de pesquisas através da internet, artigos, apostilas e trabalhos baseados em dados estatísticos, referências bibliográficas e em alguns autores como Belloni (2003), Montez e Becker (2005), Rocha e Hora (2007), entre outros. Também foi realizada uma pesquisa de campo a fim de obter dados e informações referentes à TV Digital e Ensino à Distância de forma de questionário digital realizada no mês de Março de 2013 para obter uma amostra sobre a opinião das pessoas em relação ao Ensino à Distância através da TV Digital. Quarenta (40) pessoas responderam o questionário sobre o assunto abordado neste trabalho. De maneira geral, o trabalho de pesquisa se inicia pelo levantamento das bases bibliográficas, para a coleta de informações, consultas em meios eletrônicos, periódicos técnicos, teses, dissertações, além de artigos científicos. 19 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO Esta obra até o presente momento fez uma introdução para que o leitor possa situar-se com os objetivos do estudo. Para um melhor entendimento do assunto abordado neste trabalho, será descrita a sequência da pesquisa sobre o conteúdo de cada parte do Capítulo. Este primeiro Capítulo apresentou as considerações inicias, o objetivo que descreve a importância e ressalta os pontos de motivação, a justificativa do tema para o desenvolvimento da pesquisa, a metodologia empregada e por fim a organização da obra em estudo. O Capítulo 2 discorre sobre o surgimento da TV com conceitos e características dentro do contexto do assunto da sua evolução, passando pelo histórico desde de sua versão preto e branco até suas primeiras transmissões. No Capítulo 3 retrata conceitos da televisão digital, abordando os formatos de tela, resolução, as modulações e os padrões de transmissão. Retrata, também, um breve comparativo da versão analógica com a digital. Será apresentado a evolução da televisão digital no requisito interatividade, o que é, como beneficia o usuário em relação à mobilidade e os recursos que essa evolução proporciona. O Capítulo 4 está direcionado ao Ensino à Distância. Será abordado sobre o Histórico do EaD, quais são os meios utilizados para esse aprendizado e o exemplo de dois programas educacionais a distância. No Capítulo 5 retrata como a televisão pode ajudar na aprendizagem de modo geral e na cultura, quais são as vantagens de implementar esse meio de estudo e as expectativas do uso da TV Digital no ambiente educativo. Também será visto neste Capítulo, uma simulação de um canal educacional oferecido pelo governo para as Instituições de Ensino à Distância, como seria o esboço desse possível portal educacional e mostra o resultado do estudo da pesquisa de campo realizada entre usuários de TV interativa. O Capítulo 6 traz as considerações finais, quais foram as conclusões da pesquisa de campo. Como continuidade encontra-se sugestões para possíveis estudos futuros, no Capítulo 7, e ao final apresenta-se no Apêndice A o questionário aberto que foi aplicado. CAPÍTULO II Este Capítulo abordará o surgimento da TV passando pelo histórico, da versão analógica, suas primeiras transmissões, apresentando conceitos e características, e mostrando sua evolução. HISTÓRIA DA TV A história da televisão marcou o final do século XIX e o início do século XX. O alemão Paul Nipkow captou imagens divididas em pequenos pontos e reagrupou-as, utilizando um equipamento desenvolvido por ele mesmo, conhecido como o disco de Nipkow1 (SILVA, 2008). Em 1928 John Baird construiu a primeira televisão mecânica para câmaras de televisão baseado no disco de Nipkow (TEIXEIRA et al., 2010). Logo em seguida veio o tubo de raios catódicos, o iconoscópio, e as transmissões em grandes distâncias de imagens em movimento, utilizando o principio descoberto por Nipkow e seu disco (SILVA, 2008). Esse sistema era composto por uma lâmpada e um disco igual ao disco de Nipkow que gerava a mesma velocidade. A luz produzida pela lâmpada variava de acordo com a intensidade da corrente recebida, produzindo assim a imagem original (TEIXEIRA et al., 2010). Contudo, deixando de lado as explicações eletro-técnico-científicas, a história da televisão começou a tomar forma a partir de 1930, quando o canal NBC da RCA (Radio Corporation of America - Cooporação de Rádio da América) começa as transmissões experimentais nos Estados Unidos. No ano seguinte, o canal CBS também começa as suas transmissões e em 1932, a 1 Disco de Nipkow: consistia num aparelho, inventado em 1884 por Paul Nipkow, para enviar uma imagem em movimento de um local para outro, por meio de um condutor elétrico. 21 NBC. Em 1935 são oficializadas as primeiras transmissões na Alemanha e França e em 1938 a TV chega à Rússia (SILVA, 2008). Em 1939 ocorreu a primeira transmissão de televisão, em circuito fechado, que se tem conhecimento no Brasil. Foi durante a Feira Internacional de Amostras na cidade do Rio de Janeiro, e utilizaram-se equipamentos de origem alemã (ALENCAR, 2007). Ainda em 1939 as transmissões passam a ter uma frequência, uma programação regular, com o canal NBC. Foi assim, que os primeiros aparelhos começaram a ser comercializados. Em 1939 ocorreu o serviço regular de televisão preto e branco nos EUA (Estados Unidos da América), acontecendo o mesmo só em 1952 na Alemanha. O sistema NTSC (National Television Systems Committee - Comitê Nacional do Sistema de Televisão) colorido, é implementado no ano de 1954 nos Estados Unidos. Na Alemanha, em 1967 se introduz o sistema PAL (Phase Alternation Line - Linha de Fase Alternante) (SILVA, 2008). A televisão no Brasil teve sua pré-estréia no dia 3 de Abril de 1950, com a apresentação de Frei José Mojica, padre e cantor mexicano. As imagens não passaram do saguão dos Diários Associados, na Rua 7 de abril em São Paulo, onde havia alguns aparelhos de TV instalados. No dia 25 de Março de 1950, os equipamentos comprados da RCA foram retirados por seus funcionários no porto de Santos (VALIM & COSTA, 2007). Segundo Morais (1994), Assis Chateaubriand inaugurou, no dia 18 de setembro, a TV Tupi de São Paulo, canal 3, cuja razão social era Rádio e Televisão Difusora. As imagens foram geradas no estúdio localizado na Avenida Professor Afonso Bovero, no bairro do Sumaré. O transmissor da RCA foi colocado no topo do edifício do Banco do Estado de São Paulo, no início da Avenida São João. A transmissão, no entanto, sofreu problemas pois os aparelhos eram escassos e a programação uma incógnita, segundo afirma Alencar (2007): As pessoas envolvidas no projeto trabalharam durante semanas para a inauguração e tiveram apenas um dia para a preparação da programação do dia seguinte. Algumas horas antes da transmissão, uma das duas câmeras disponíveis quebrou e o engenheiro americano, Walter Obermiller, responsável pela implantação técnica, achou melhor adiar o início da programação, mas o diretor artístico, Cassiano Gabus 22 Mendes, então com 23 anos, decidiu ir ao ar assim mesmo. Tudo o que fora ensaiado com duas câmeras teria que ser feito com apenas uma. A capacidade de improvisação técnica virou marca registrada da televisão brasileira (ALENCAR, 2007, p. 28). Mesmo com pouquíssimos aparelhos e com o mercado publicitário extremamente tímido, comerciais de empresas já eram exibidos em 1950. No ano de 1951 já existiam aproximadamente 7 mil aparelhos de televisão. Ainda neste ano a telenovela “Sua Vida me Pertence” primeira brasileira, foi ao ar. Os anos seguintes foram marcados pela crescente entrada da televisão no mercado brasileiro. A televisão à cores chegou ao Brasil em 1972 com a transmissão da Festa da Uva, em Caxias, Rio Grande do Sul. 2.1 TV ANALÓGICA Inicialmente, para transmissões de vídeo preto e branco somente uma informação era requerida: a luminância2 (Y). É a partir de variações no nível de luminância que o sinal pode assumir, que se obtém os tons de cinza, necessários à formação do sinal de vídeo P&B (Preto e Branco) (ROCHA & HORA, 2007). Nas TVs preto e branco, a tela é coberta por uma camada interna de fósforo. A imagem é “pintada” no visor quando um feixe de elétrons atinge o fósforo e esse feixe percorre a tela, linha a linha. O sinal de vídeo é obtido por varredura, que é o processo de leitura da imagem que se faz linha a linha, de cima para baixo. Uma imagem completa, contendo as 525 linhas, é chamada de quadro. O feixe “pinta” uma linha da esquerda para a direita e rapidamente retorna para começar a pintar a linha seguinte, preenchendo a tela como pode ser visto na Figura 1. 2 Luminância: é uma medida fotométrica da intensidade luminosa por unidade de área da luz que viaja numa determinada direção. 23 Figura 1: Preenchimento por varredura. Fonte: HOWSTUFFWORKS E. (2013) Na Figura 1, as linhas azuis representam a linha que foi “pintada”, enquanto que as linhas pontilhadas em vermelho representam o retorno do feixe. Esse “caminho” que o feixe percorre vai até o final da linha e retorna ao inicio da próxima linha e assim sucessivamente. Depois de preenchido um campo, o feixe retorna ao topo para pintar outro campo, representado pela linha verde. À medida que o feixe vai pintando uma linha da esquerda para a direita vai mudando sua intensidade, o que cria diferentes variações de preto, cinza e branco pela tela. Como as linhas estão muito próximas umas das outras, o cérebro as integra em uma única imagem. Para obter a ilusão de movimento, é necessária a transmissão de no mínimo 30 quadros por segundo. Cada quadro é constituído por linhas intercaladas de dois campos consecutivos, o que resulta em 60 campos por segundo (ROCHA & HORA, 2007). O sincronismo vertical é obtido quando pulsos mais largos, em nível equivalente ao sincronismo horizontal, são enviados ao receptor. Esses pulsos largos indicam quando o feixe deve retornar ao topo da tela para começar o preenchimento do próximo campo. 2.1.1 TV em cores analógica No Brasil, a transição para o modelo de TV em cores ocorreu em 1972, após muitas discussões e pressões pela adoção de um padrão estrangeiro. O 24 Brasil utilizou o padrão PAL-M (“M” de Modificado) para o estabelecimento de canais, neste padrão cada canal possui largura de banda de 6MHz. Os testes para a migração para um sistema colorido começaram em 1961 (MONTEZ & BECKER, 2005). Segundo Rocha & Hora (2007), o desenvolvimento da TV em cores foi possível graças ao fato do olho humano possuir sensores para captar somente três cores primárias: vermelho (R - Red), verde (G - Green) e azul (B - Blue). Todas as outras cores são formadas a partir da junção dessas. Assim: (R+G) = amarelo (G+B) = ciano (R+B) = magenta (R+G+B) = branco A tela do televisor colorido é diferente do televisor preto e branco. Ela não é revestida com apenas uma camada de fósforo branco. Nas TVs preto e branco a intensidade do feixe de elétrons determina o tom de cinza. Ao invés disto, a tela da TV colorida é revestida com fósforo vermelho, verde e azul, arrumados em pontos ou listras. É possível perceber esses detalhes observando de perto, com o auxílio de uma lente, a tela do seu monitor de TV (ROCHA & HORA, 2007). Existem três feixes de elétrons que realizam a varredura simultaneamente pela tela, o cátodo, ânodo e tungstênio. Próximo à camada de fósforo existe uma camada metálica, conhecida como máscara, que possui pequenos furos por onde vazam os elétrons. Cada furo forma um pixel3. A Figura 2 ilustra como ocorre a varredura do sinal em TV a cores. 3 Pixel: o pixel é o menor ponto de uma imagem. Um agrupamento de milhões destes pontos forma uma imagem. Por exemplo, uma resolução 720 x 1280 tem um total de 921.600 pixels. 25 Figura 2: Varredura do feixe em TV em cores. Fonte: HOWSTUFFWORKS E. (2013) Conforme ilustrado na Figura 2, quando uma TV em cores precisa criar um ponto vermelho, ela dispara o feixe vermelho. Da mesma forma para os pontos verdes e azuis. Para criar um ponto branco, raios vermelhos, verdes e azuis são disparados simultaneamente, as três cores se misturam para criar o branco. Para criar um ponto preto, todos os três feixes são desligados enquanto fazem a varredura no ponto. Todas as outras cores em uma tela de TV são combinações de vermelho, verde e azul. 2.1.2 Transmissão do sinal de vídeo Segundo Rocha & Hora (2007), em um sinal P&B, a portadora de vídeo é transmitida a 1,25 MHz do início do canal. Essa portadora carrega a informação de luminância (Y), que é o necessário para a formação da imagem P&B. Para uma imagem branca, tem-se um nível relativo máximo de luminância, já para uma preta tem um nível relativo mínimo de luminância. Tons de cinza são obtidos com níveis intermediários. O esquema de distribuição das portadoras de áudio e vídeo pode ser visto na Figura 3. 26 Figura 3: Canal de 6 MHz com portadora de cor. Fonte: BARBOSA & VIEIRA (2001). A Figura 3 mostra as portadoras de imagem, som e cor. A portadora da imagem (P) está a 1,25 MHz acima do extremo inferior do canal, a portadora de som (S) encontra-se 4,5MHz acima da portadora de imagem, ou 0,25 abaixo do extremo superior do canal. A sub-portadora de cor (C) está a 3,58 MHz acima da portadora de imagem, sob a forma de modulação de vídeo na banda lateral superior. Para a formação de uma imagem colorida (RGB) precisa, além do nível de luminância, da informação de intensidade das três cores primárias: vermelho (R), verde (G) e azul (B) (BARBOSA & VIEIRA, 2001). No início da transmissão em cores, houve a necessidade de que o sinal colorido fosse compatível com os receptores P&B ainda existentes. Para isso, não se alterou a distribuição das portadoras de vídeo (P) e áudio (S), as informações de cor foram incluídas em uma terceira portadora, a portadora de cor (C), localizada a 3,58 MHz da portadora de vídeo (ROCHA & HORA, 2007). Cada uma das três cores primárias possui certo nível de luminosidade, de modo que, como já foi visto, R + G + B = branco. Ou seja, o nível de luminância das três cores somadas é igual ao nível de luminância do branco. Mais precisamente, se tornar o nível de luminância como um valor absoluto (Ymáximo = 1), cada uma das cores primárias guarda as seguintes proporções da luminância do branco: Y = 0,30R + 0,59G + 0,11B. Isso quer dizer que, quando uma câmera captura uma imagem totalmente vermelha, por exemplo, a portadora de vídeo assume 30% do valor máximo de Y (em um receptor P&B, equivaleria a um tom de cinza referente ao vermelho). Se, em outro exemplo, a imagem capturada for de cor amarela, que é a mistura das cores vermelho e verde (R + G), tem-se um nível de luminância 27 correspondente aos níveis de R + G, o que daria 89% de Y, e assim por diante. Pode-se concluir então que cada cor possui necessariamente um nível de luminância a ser transmitido na portadora de vídeo (ROCHA & HORA, 2007). 2.2 PADRÕES Neste Tópico serão estudados os padrões de transmissão da TV Analógica, suas características e um breve comparativo entre os mesmos. Segundo Montez & Becker (2005), a maior parte dos países emprega um dos três principais padrões de difusão de TV Analógica - NTSC (National Television Systems Committee - Comitê Nacional do Sistemas de Televisão), SECAM (Sequential Couleur Avec Memoir - Sequencial com Memória) e PAL (Phase Alternating Line – Linha de Fase Alternante), ainda que alguns adotem variações desses padrões, como o PAL-M brasileiro. A origem desses padrões, além dos motivos técnicos, também tem raízes históricas e políticas. 2.2.1 Sistema NTSC O primeiro padrão de difusão de TV em cores, adotado nos EUA pelo National Television Systems Committee (Comitê Nacional de Sistemas de Televisão), por isso o nome do sistema NTSC, durante os anos 1953/54, e posteriormente no Canadá, Japão e em muitos outros países com sistemas elétricos de 60 Hz. Possuía alguns problemas na apresentação das cores, e, por isso, começou a ser designado pejorativamente de Never Twice the Same Color (Nunca Duas vezes a Mesma Cor). Esse padrão emprega uma taxa de 30 quadros por segundo (na realidade o valor exato é de 29,97) e 525 linhas (MONTEZ & BECKER, 2005). Segundo Nince (1991), no sistema NTSC a modulação é simultânea em amplitude e fase com portadora suprimida, denominada por quadratura. Nela são usadas duas portadoras de mesma frequência defasada entre si de 90°. Essas são moduladas separadamente pelos sinais (R-Y) e (B-Y). A saída dos 28 dois moduladores são combinadas para formar o sinal C resultante que varia em amplitude. O sistema NTSC, apresentou acentuada tendência para erros de fase. A matiz é determinada pela relação de fase entre sinal de crominância modulado contido numa linha visível e o sinal burst4 colocado no pórtico posterior do pulso de apagamento horizontal. Qualquer variação aleatória nesta relação causa a reprodução de matizes incorretos pelo receptor. Os erros de fase podem ocorrer em qualquer ponto da complexa cadeia de circuitos existentes entre o modulador do transmissor e o demodulador do receptor distante, dificultando manter a distorção global do sistema em níveis toleráveis (NINCE, 1991). 2.2.2 Sistema PAL O sistema PAL significa linha de fase alternante, foi desenvolvido a partir do NTSC pelo Dr. Walter Bruch, da Telefunken Alemã, com dois objetivos: evitar erros de fase que provoquem mudanças na cor da imagem reproduzida e; reduzir os erros de crominância produzidas na modulação em quadratura pela redução de faixa do sinal Q. Fundamentalmente, o sistema PAL compensa os erros de fase do sinal de crominância pela inversão linha a linha (NINCE, 1991). O padrão PAL possui uma taxa de 25 quadros por segundo e 625 linhas. A taxa de 25 quadros por segundo é uma pequena desvantagem desse padrão, pois pequenos tremores na tela (flickers) podem se tornar perceptíveis (MONTEZ & BECKER, 2005). 4 Sinal de Burst: no sistema NTSC, o matiz de uma cor qualquer é definido pelo ângulo de fase de um sinal de crominância C, quando medido em relação ao ângulo de fase de um sinal de referência, denominado burst. 29 2.2.3 Sistema PAL-M Para escolher qual dos três principais padrões internacionais NTSC, PAL (vistos nos tópicos 2.2.1 e 2.2.2, respectivamente) e SECAM (que será visto no tópico 2.2.4) seria adotado, o governo brasileiro convocou o Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), que nomeou uma comissão de engenheiros da USP (Universidade de São Paulo) especialistas em Telecomunicações. Em março de 1967, ficou definido que o país adotaria o PAL europeu. Contudo, como o PAL era 25 quadros/seg e o Brasil possuía frequência de rede elétrica de 60Hz, o padrão brasileiro foi uma variação do PAL, denominado PAL-M, com 30 quadros/seg e 525 linhas (o mesmo número de linhas do NTSC, enquanto o PAL europeu usa 625 linhas) (MONTEZ & BECKER, 2005). NTSC seria a escolha "natural" para países com padrão de imagem M monocromática, a escolha de um sistema de cor diferente no Brasil deu-se ao fato para que as transmissões pudessem ser recebidas pelos aparelhos preto e branco sem a necessidade de adaptadores. 2.2.4 Sistema SECAM Com o mesmo objetivo do sistema PAL, corrigir os erros de fase na transmissão dos sinais com diferença de cor apresentados pelo sistema NTSC, o sistema SECAM foi desenvolvido na França por Henri de France, a partir de 1956. O sistema SECAM passou por várias fases de desenvolvimento, denominadas de SECAM I, II e III, atualmente foi consolidado simplesmente SECAM (NINCE, 1991). O sistema SECAM baseia-se na possibilidade de redução da resolução vertical sem perda significativa da qualidade de imagem e na capacidade limitada do olho humano em perceber pequenos detalhes à cores. Por outro lado, várias medições realizadas em diversos tipos de imagens diferentes indicaram que as mudanças cromáticas de duas linhas consecutivas do mesmo campo são insignificantes ou mesmo imperceptíveis ao olho humano. Pode-se concluir, portanto, que não é necessário transmitir ao mesmo tempo dois sinais diferença de cor (R-Y) e (B-Y). Estes sinais podem ser perfeitamente 30 transmitidos um após o outro em linhas consecutivas do mesmo campo (NINCE, 1991). 2.2.5 Comparação entre os Sistemas NTSC, PAL, PAL-M e SECAM Após o estudo dos sistemas de televisão é possível fazer um breve comparativo entre eles. Em condições ideais, os quatro sistemas proporcionam excelentes imagens, de tal forma que um observador distante da tela, o equivalente a sete vezes a sua altura, é capaz de distinguir diferenças de imagem entre eles (NINCE, 1991). O sistema NTSC tem uma boa resolução vertical e horizontal, baixa interferência nos receptores monocromáticos, não é muito afetado por ruídos e a sua transmissão e recepção não são muito complicadas. Entretanto, apresenta distorções de fase e redução da largura de faixa do sinal Q para evitar a diafonia (NINCE, 1991). O sistema PAL tem como principais vantagens a correção dos erros de fase e a transmissão dos sinais, diferença de cor com mesma largura de faixa. A transmissão no sistema PAL é mais complicada que no sistema NTSC, como consequência os receptores são mais sofisticados e mais caros. A interferência nos receptores monocromáticos é ligeiramente superior que no NTSC (NINCE, 1991). A frequência do sistema PAL-M e do sistema NTSC é de aproximadamente 60Hz, diferente da Europa, onde a do sistema SECAM é de aproximadamente 50Hz. O sistema SECAM é isento de erros de fase. A transmissão a longa distância em enlace de microondas terrestres e a gravação em vídeo-teipes não apresentam maiores problemas. Os receptores são comparativamente mais simples na parte de decodificação do sinal SECAM, entretanto, o codificador é mais sofisticado e complicado. A resolução vertical é menor devido à transmissão de apenas de um dos sinais (R-Y) e (B-Y) a cada linha. Apresenta maior grau de interferência nos receptores monocromáticos, menor 31 relação sinal/ruído e maior vulnerabilidade na recepção de sinais em múltiplos caminhos (NINCE, 1991). Neste Capítulo foi estudado sobre os termos técnicos da TV. Pode-se observar que a primeira transmissão foi em 1928 na Alemanha e na França. Em 1972 ocorreu a transição do modelo analógico preto e branco para o colorido. Foi estudado sobre os padrões NTSC, Sistema PAL, PAL-M que foi adotado pelo Brasil e SECAM. No Capítulo III será abordada a evolução da TV Digital. CAPÍTULO III Neste Capítulo será abordado o histórico, evolução, padrões, formatos e resoluções da TV Digital. Será apresentado um breve comparativo entre a televisão digital com a analógica, e por fim será estudado a Interatividade da TV Digital. O que é? Quais os benefícios podem trazer para quem utiliza seus recursos? E também como a mobilidade pode ajudar na interação do usuário com as novas tecnologias. HISTÓRIA DA TV DIGITAL A história da TV Digital começa na década de 1970 no Japão, quando Nippon Hoso Kyokai e o grupo composto por 100 estações de TV locais, iniciam as pesquisas e o desenvolvimento de uma TV com qualidade HDTV (High Definition Television – Televisão de Alta Definição). O objetivo é oferecer ao telespectador mais realismo e proximidade não só com a imagem, mas também com o áudio, aproximando a imagem da TV com a imagem do cinema, inclusive no formato de tela larga "wide", usado no cinema desde 1951 (BUENO, 2010). A Televisão Digital (TVD) é um sistema tecnológico que permite transmitir e receber o sinal de áudio e vídeo em formato digital. Há alguns anos, as tecnologias digitais vêm sendo empregadas em atividades ligadas à gravação e edição dos programas televisivos. No entanto, os aparelhos receptores, nas casas, somente captam e reproduzem sinal analógico5. A televisão de alta definição surgiu nos anos 80 com o intuito de disponibilizar na casa do usuário uma qualidade de imagem e áudio semelhante às do cinema. Testes realizados indicaram que seria necessário o 5 Sinal analógico: tipo de sinal contínuo que varia em função do tempo. 33 dobro da resolução espacial (em termos de linhas e colunas) da televisão analógica, e a tela teria que ser mais larga. Desta forma, na HDTV, utilizou-se o dobro da resolução espacial da televisão comum, atingindo resoluções de 1080 ou 720 linhas horizontais, em formato de tela 16:9 (BOLAÑO & VIEIRA, 2004). O primeiro sistema de televisão de alta definição a iniciar suas operações, em escala comercial, foi o japonês, MUSE (Multiple Sub-Nyquist Sampling Encoding - Codificação de Amostragem Múltipla Sub-Nyquist) na década de 80. O projeto da Comunidade Européia Eureka começou com um sistema similar conhecido como MAC (Multiplexed Analog Components Componentes de Multiplexação Analógicos), que utilizava algumas técnicas analógicas para composição final do sinal. Toda a disputa, naquele momento, se dava, portanto, entre o consórcio europeu e os concorrentes japoneses, que contavam com o apoio da IBM (International Business Machines - Negócio Internacional de Máquinas) (BOLAÑO & VIEIRA, 2004). Os Estados Unidos, em 1987, entraram com a proposta de desenvolver novos serviços de televisão, conhecidos como ATV (Advanced Television Service - Serviço de Televisão Avançado), o que viria a elevar a ideia de desenvolver um sistema totalmente digital, diferentemente dos sistemas europeu e japonês, batizado de DTV (Digital Television - Televisão Digital), deixando de criar um padrão compatível com os sistemas analógicos, colocando-se à frente, sob o ponto de vista tecnológico do velho continente e do Japão (BOLAÑO & VIEIRA, 2004). 3.1 TV DIGITAL NO BRASIL Através de estudos iniciados no Brasil no ano de 1999, pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) com a cooperação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) avaliando tecnicamente os padrões de transmissão digital dos EUA, Europa e Japão definiu-se que o padrão brasileiro de televisão digital seria embasado no modelo japonês, o ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial - Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre). Esse padrão é o mais novo das opções encontradas e que tem incorporado facilidades, que 34 conseguiriam atender mais satisfatoriamente as necessidades brasileiras. Uma destas é a transmissão em canal aberto para dispositivos portáteis. Criou-se então o modelo ISDB-Tb (‘b’ de Brasil), onde foram introduzidas melhorias para áudio, vídeo e interatividade (DTV, 2008). Em 27 de novembro de 2003 foi fundado o SBTVD (Comitê do Sistema Brasileiro de Televisão Digital), responsável pelos estudos que definiriam o padrão a ser adotado no país. Após estudos conduzidos juntamente com universidades e emissoras de televisão, o sistema foi apresentado, no dia 13 de novembro de 2005, pelo Ministério das Comunicações. A conclusão que se chegou foi que o melhor sistema de TV Digital para o Brasil seria o ISDB-T, desenvolvido pelo Japão. Assim, em junho de 2006 o governo brasileiro anunciou a escolha do ISDB-T (DTV, 2008). Os pesquisadores brasileiros acrescentaram uma série de atualizações no ISDB-T, que possibilitam oferecer um sistema mais moderno e eficiente em relação aos sistemas de TV Digital, atualmente em funcionamento no mundo. Essas modificações permitem ao SBTVD a transmissão de conteúdo de altíssima qualidade para os telespectadores, possibilitando ao mesmo tempo a recepção móvel e portátil dos sinais de TV Digital, nos mais diversos tipos de dispositivos, como celulares, mini-televisores, notebooks, entre outros. Tudo isso sem custos para o consumidor, uma vez que o SBTVD é um sistema de televisão digital aberto, livre e gratuito (DTV, 2008). Para oferecer esses diferenciais, o SBTVD adotou o padrão MPEG-4, também conhecido como H.264, para codificação de vídeo, e o HE-AAC v2 para o áudio (DTV, 2008). O início das transmissões do SBTVD ocorreu no dia 02 de dezembro de 2007, em São Paulo (DTV, 2008). A Tabela 1 mostra o número de cidades com o sinal digital em cada região. 35 Tabela 1: Número de cidades cobertas Fonte: DTV (2012) Com base no Site Oficial da TV Digital (DTV, 2012), a Tabela 1 mostrou o número de cidades com sinal digital de pelo menos uma emissora de TV, por região. Pode-se notar que a região com maior número de cidades cobertas é o sudeste, que tem 162 cidades com TV com sinal digital, ajudando a contribuir para o número de 448 cidades brasileiras cobertas. A região que menos oferece o serviço digital é a Centro Oeste, com 32 cidades. 3.2 TV DIGITAL O sistema de televisão digital é uma nova tecnologia de transmissão de sinais, que proporciona uma melhor qualidade de imagens e sons possibilitando visualizar ilustrações com detalhes maiores do que as visualizadas em transmissões analógicas. A TV Digital permite utilizar televisores que transmitem imagens com qualidade semelhante as usadas em salas de cinema. O áudio transmitido pelo sistema digital é envolvente e proporcionará a mesma qualidade de home-theaters6. Será visto nos Tópicos 3.2.1, 3.2.2 e 3.2.3 os termos técnicos da TV Digital, formato de tela, resolução, transmissão, modulação e comprenssão. 6 Home-Theaters: é uma combinação de componentes eletrônicos que procuram recriar a experiência de assistir a um filme no cinema. 36 3.2.1 Formato de tela, resolução, transmissão e áudio Na televisão, uma imagem é montada na tela em linhas horizontais, pode-se dizer que é uma sucessão de linhas. Uma tela é varrida horizontalmente da esquerda para a direita, de cima para baixo durante um curto intervalo de tempo (geralmente em milésimos de segundo), e nestes intervalos de tempo são montados os quadros (frames) que contém uma imagem. A varredura intercalada trabalha interpondo os frames de linhas ímpares e linhas pares. De modo que um frame apresenta as linhas impares (1,3,5,b), imediatamente a seguir é completado com as linhas pares (2,4,6,...). Como o processo é extremamente rápido tem-se a sensação que somente uma imagem está na tela, como pode-se observado na Figura 4: Figura 4: Processo de varredura intercalada na televisão. Fonte: Própria A Figura 4 ilustra o processo de varredura intercalada na televisão. No processo progressivo todos os frames são mostrados completos em cada espaço de tempo. Em televisores de LCD (Display de Cristal Líquido) a forma de construção da imagem ocorre pelo apagamento e acendimento dos pixels e eles permanecem, assim até que uma nova imagem os mude. Então, em uma 37 imagem parada, um tubo CRT (Cathode Ray Tube – Tudo de Raio Catódico) continua varrendo a tela inúmeras vezes, enquanto o LCD permanece estático. A taxa de atualização é diferente do termo número de quadros por segundo, que indica a quantidade de imagens diferentes que são exibidas por segundo (Home Theater, 2009). Com o surgimento dos televisores, na década de 30, a resolução de vídeo era de 240 linhas, com o passar do tempo e a evolução das tecnologias, foi ganhando uma melhor qualidade na imagem, esta varia conforme o número de pixels através de duas medidas, o número de pixels por linha. A resolução de uma imagem é diretamente ligada ao nível de detalhamento da mesma. Um canal de TV Digital pode transmitir tanto a programação HDTV quanto a de SDTV. O número de programas vai depender da largura da banda local disponível (JONES et al, 2006). No HDTV do sistema de televisão digital, as transmissões normalmente utilizam resolução de 720 ou 1080 linhas com o aspecto 16:9, conhecido também como widescreen7. Transmissões SDTV geralmente são baseadas no formato analógico escolhido pelo país. A resolução de tela pode ser entendida como o nível de detalhamento de uma imagem. Resoluções maiores traduzem detalhes na imagem (POYNTON, 2003) como pode ser visto na Figura 5. Figura 5: Detalhamento da qualidade de imagem Fonte: TECMUNDO (2012) Na Figura 5 é possível observar a diferença da qualidade da imagem na TV Analógica e na TV Digital. Os padrões de resolução para imagem em HDTV pode ser visto na Figura 6. 7 Widescreen: é designado por tela panorâmica. 38 Figura 6: Resoluções de imagem 720x1280 e 1080x1920. Fonte: própria Na Figura 6 os sinais de HDTV são difundidos, no formato de 720p ou 1080i, respectivamente: 720p significa que há 720 linhas horizontais que são varridas progressivamente e 1080i indica que existem 1080 linhas horizontais que são varridas em forma de intercalamento. Apesar de haver uma diferença significativa entre o número de linhas horizontais que são escaneadas, o resultado das imagens obtidas pelos dois formatos é muito semelhante. O SDTV apresenta uma menor resolução dos tipos de TV Digital. Pode ter 480 linhas progressivas ou intercaladas (480p ou 480i) e a imagem pode ter aspecto 4x3 ou 16x9. A qualidade é só um pouco melhor que a analógica e equivale, mais ou menos, à qualidade de uma imagem de DVD. Os programas produzidos para televisão analógica sempre foram produzidos com relação de aspecto 4:3, porém com o advento do widescreen, usado em filmes e HDTV, o interesse dos consumidores tem se despertado, pois há mais espaço em tela. Assim, a especificação do SDTV tem sido adaptada para trabalhar com relação de aspecto 16:9 (POYNTON, 2003). Segundo o Montez & Becker (2005) há também a possibilidade de transmissão em: EDTV (Enhanced Definition Television – Televisão com Definição Melhorada): é intermediária e embora não tenha os valores de resolução HDTV, apresenta uma qualidade de imagem maior do que a SDTV. 39 Tipicamente, têm-se uma tela larga (16:9) e resolução de 480 linhas, 720 pixels/linha. O áudio é estéreo (5:1) como na HDTV. Segundo Jones et al. (2006) o destaque do áudio na televisão digital é a possibilidade de transmissão de 5.1 canais que proporciona qualidade surround8. Esta modalidade está disponível para os modos SDTV (Standard Definition Television - Televisão de Definição Padrão) e HDTV (High Definition Television - Televisão de Alta Definição). No entanto, não é regra que a transmissão seja feita desta maneira, podendo ser usados o estéreo (2 canais) ou mono (1 canal). A disponibilização do som surround dependerá então do interesse das emissoras. O áudio pode ser transmitido em diversos idiomas. Para efeito de comparação, a televisão analógica pode utilizar no máximo o áudio estéreo de dois canais. 3.2.2 Modulação Na TVD a modulação converte um sinal codificado em um formato adequado para realização da transmissão. Pode-se elevar a frequência do sinal e possibilita também, a adaptação do comprimento da onda à dimensão das antenas usadas na transmissão. Segundo Nascimento (2000) existem diversos tipos de modulação para sinais digitais, e os mais utilizados são o PSK (Phase-Shift Keying – Chaveamento por Deslocamento de Chave), QPSK (Quadrature Phase Shift Keying – Modulação por Chaveamento de Quadratura de Fase), QAM (Quadrature Amplitude Modulation – Modulação de Amplitude em Quadratura), 8-VSB (Vestigial Sideband Modulation – Oito Banda Lateral Vestigial) e COFDM (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplexing – Multiplexação por Divisão de Frequência Ortogonal Codificado). Serão mostrados detalhes destas técnicas de modulação: 8 Surround: é o conceito da expansão da imagem do som à três dimensões. 40 PSK: utiliza apenas duas fases para a codificação do sinal e apresenta melhor imunidade contra ruídos. Possui excelente velocidade de transmissão e é muito utilizada em modems9 de média velocidade e rádios digitais. QPSK: pode modular dois ou mais bits de cada vez, utilizando duas portadoras10 de mesma frequência. Assim dois bits podem ser modulados de forma simultânea, porém independente. QAM: muito semelhante à QPSK, com as principais diferenças: amplitude do sinal variável, menor taxa de erros, maior velocidade de modulação. Seu uso fica complicado por exigir amplificadores lineares no equipamento de transmissão. 8-VSB: utiliza uma arquitetura de camadas para imagem, compressão de áudio e vídeo, transporte e transmissão. Utiliza portadoras de frequência simples, muito semelhante às televisões analógicas convencionais, portanto é capaz de transmitir três bits (2 3 = 8) por modulação de amplitude (FCC, 1999). COFDM: sistema baseado no OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing - Multiplexação por Divisão de Frequência Ortogonal), que utiliza múltiplas portadoras onde um bitstream é dividido em fluxos menores e não há interferência entre os mesmos, pois existe um espaçamento de frequência adequado. Cada subportadora é modulada utilizando técnicas de QAM ou QPSK. Este modelo trabalha com uma SFN (Single Frequency Network – Frequência de Rede Simples), onde vários transmissores operam na mesma frequência, mas não causam interferência entre si e tem uma utilização eficiente do espectro de transmissão com uma ampla área de cobertura (FCC, 1999). 9 Modems: dispositivo eletrônico que modula um sinal digital numa onda analógica e vice-versa. Portadora: sinal analógico em forma de onda que será modulado para representar a informação a ser transmitida. 10 41 3.2.3 Padrões de TV Digital O uso de padrões em sistemas de transmissão de televisão é fundamental para seu sucesso. É necessário que o consumidor possa comprar um receptor de qualquer fabricante e ter a certeza que irá assistir a transmissão de televisão de qualquer emissora de TV. Padrões desempenham um papel importante nesta interoperabilidade. Para a televisão analógica, os padrões utilizados foram o PAL, NTSC e SECAM (TELECO, 2010). A televisão digital baseia-se em três sistemas que foram desenvolvidos em diferentes regiões do mundo, cada um com suas particularidades e necessidades. São eles: o ATSC, o DVB e o ISDB. A estrutura de um sistema de TV Digital pode ser visto na figura 7. Figura 7: Modelo de referência dos padrões da TV Digital Fonte: TELECO (2008) Este modelo de TV Digital é desenvolvido em camadas. No total são cinco e são descritas abaixo com suas funções: • camada de aplicação - executa os aplicativos desenvolvidos; • camada de middleware11 - permite que as aplicações sejam executadas independentes do hardware existente; • camada de compressão - executa a compressão e descompressão dos sinais de áudio e vídeo; • camada de transporte – realiza as operações de multiplexação e demultiplexação dos programas de TV; e 11 Middleware: Middleware ou mediador, no campo da computação distribuída, é um programa de computador que faz a mediação entre software e demais aplicações. 42 • camada de transmissão - executa as atividades de modulação/demodulação e codificação/decodificação do sinal. ATSC (Advanced Television System Committee- Comitê de Sistema de Televisão Avançado) é o padrão americano de TV Digital que foi desenvolvido no início dos anos de 1990 pela Grand Aliance, um consórcio de empresas de eletroeletrônicos. O objetivo desse comitê foi criar um sistema totalmente digital para substituir o sistema analógico NTSC utilizando a mesma largura de banda de um canal NTSC. Para isso foi necessário o estudo de técnicas de compressão de vídeo e de áudio e a utilização de modulações digitais adequadas à transmissão. Esse comitê atua através de um conjunto de documentos, onde são especificadas as características do padrão quanto à modulação, compressão e ao desenvolvimento do middleware (TELECO, 2010). No modo de transmissão por radiodifusão terrestre no padrão ATSC, operase, com a modulação 8-VSB, canais de 6, 7 e 8 MHz e taxa de transmissão de 19,8 Mbit/s. Essa modulação tem uma única portadora. Para transmissão via cabo, o sistema utiliza a modulação QAM e para transmissão via satélite opera com a modulação QPSK (TELECO, 2010). Quanto ao formato de tela e resolução de imagem, ele suporta diferentes níveis, com resoluções de até 1920x1080 pixels, sendo que este sistema privilegia a televisão de alta definição HDTV. A multiplexação e a compressão de vídeo são realizadas através do padrão MPEG-2. A compressão de áudio é realizada com base no padrão Dolby AC-3. A figura 8 mostra as características do sistema ATSC. O middleware utilizado por esse sistema é o DASE (DTV Application Software Enviornment - Ambiente de Aplicação de Software da TV Digital) que trabalha com aplicações baseadas em linguagens procedural e declarativa. A aplicação em Java TV faz parte do modelo procedural e as aplicações baseadas em HTML do modelo declarativo (TELECO, 2010). 43 Figura 8: Características do padrão ATSC Fonte: TELECO (2010) DVB (Digital Video Broadcasting - Vídeo Digital por Radiodifusão) é um projeto iniciado em 1993, formado por cerca de 250 a 300 empresas de origem europeia, contando com fabricantes de equipamentos, operadoras de rede e órgãos governamentais regulamentadores das comunicações dos governos europeus. Sua função é especificar uma família de normas para um sistema de televisão digital interativa. Através das normas especificadas por esse projeto foi criado o sistema europeu de televisão digital denominado DVB e através dessas normas foram especificadas as características com relação à modulação, transmissão, middleware e compressão. A transmissão terrestre por radiodifusão entrou em operação em 1998, na Suécia e no Reino Unido. Esse padrão caracteriza-se pela flexibilidade em seu desenvolvimento, fornecendo aplicações interativas e acesso à internet. Além de referenciar a televisão de alta definição (HDTV), esse sistema também privilegia a multiprogramação através dos canais 6, 7, ou 8 MHz, sendo transmitido através da resolução de tela SDTV no formato de tela de 4:3, ou seja, a transmissão de até seis programas simultâneos em um canal. O sinal de vídeo e a multiplexação são baseados na compressão MPEG2 vídeo, e a compressão de áudio é feita com MPEG-2 BC. A figura 9 mostra as características do sistema DVB. O middleware utilizado pelo DVB é o MHP (Multimedia Home Platform), chamado de software de interface aberta, que permite aos fabricantes de receptores realizarem serviços interativos, 44 substituindo os aplicativos proprietários de TV paga. As características de um sistema DVB são ilustradas na figura 9. Figura 9: Características do padrão DVB Fonte: TELECO (2010) ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting - Serviço Integrado de Transmissão Digital) é o padrão japonês de televisão digital. Esse padrão foi criado por um grupo chamado DIBEG (Digital Broadcasting Experts Group Grupo Especialista em Radiodifusão Digital), que especificou o sistema para radiodifusão japonês. Esse padrão prove os serviços de áudio, vídeo e serviços multimídia. Ele entrou em operação em 2003 no Japão (TELECO, 2010). Esse grupo é formado pelo Conselho de Tecnologia das Telecomunicações do Ministério das Telecomunicações do Japão e pela ARIB (Association of Radio Industries and Businesses - Associação das Indústrias de Rádio e Empresas). Assim como o ATSC e o DVB, esse sistema é constituído por um conjunto de documentos que especifica as normas quanto os métodos transmissão, modulação e compressão. Esse sistema tem por característica privilegiar a flexibilidade e mobilidade. O ISDB foi desenvolvido para operar em HDTV e SDTV, dependendo das condições de recepção e é conhecido por propiciar televisão de alta definição, transmissão de dados e recepção móvel e portáti. 45 O padrão recomenda para compressão de vídeo e multiplexação o protocolo MPEG-2; para áudio, o MPEG-2 AAC; para middleware, o utilizado é o ARIB. A figura 10 mostra a arquitetura de um sistema ISDB. Figura 10: Características do sistema ISDB Fonte: TELECO (2010) SBTVD é a sigla para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital. Foi lançado em novembro de 2003 com a missão de implementar um sistema de TV Digital, contando com a colaboração de emissoras de TV, universidades e empresas do setor eletroeletrônico (TELECO, 2010). A multiplexação nesse sistema usa o padrão de compressão MPEG-2. A compressão de vídeo no SBTVD é feita pelo padrão MPEG-4, que permite maior capacidade de dados no canal que o MPEG-2. O middleware utilizado é chamado de Ginga e foi desenvolvido no Brasil, sendo uma parte na PUC do Rio de Janeiro e outra parte na Universidade Federal da Paraíba (UFP). 3.2.4 Comprenssão É indispensável comprimir imagens produzidas de tal maneira a adequar-se a largura de banda do espectro de televisão que é da ordem de 6MHz. Os sinais de vídeo produzidos digitalmente pelas emissoras de televisão demandariam uma alta taxa de bits para ser transmitidos, caso não houvesse 46 algum tipo de compressão, essa adequação a largura de banda não seria possível (TELECO, 2013). Existem inúmeros métodos de compressão de vídeo, porém observa-se uma alta demanda de sistemas que apresentam interoperabilidade, um aspecto que só é possível se o método de compressão de seus dados forem compatíveis entre si. O modo de compressão adotado por todos os padrões de televisão digital existentes é o MPEG-2. Este método foi criado e padronizado por um grupo denominado MPEG (Moving Pictures Expert Group – Grupo de Especialista em Imagens em Movimento), que também originou outros modos de compressão como o MPEG-4, H.264 e o WM9 (Windows Media 9) (FERNANDES, 2004). Segundo Alencar (2007) a tecnologia de áudio e vídeos digitais tem vários benefícios, o principal deles é o armazenamento e transmissão de dados. A migração de mídias analógicas para digitais está ocorrendo e é necessário contornar o problema da dimensão dos arquivos de vídeo e áudios digitais, com isso foram desenvolvidos vários padrões internacionais para compressão de imagem (JPEG e JPEG 2000, H.261 e o H.263) e vídeo visando diferentes tipos de aplicação, os principais padrões são MPEG-1, MPEG-2, MPEG-2 AAC, MPEG-4, ITU-T H.264 que serão vistos nos tópicos a seguir. a) MPEG-1 Tem como principal aplicação o armazenamento de vídeo e a reprodução em CD’s (Compact Disc – Disco Compacto). Nesse padrão a parte de vídeo não foi forte comercialmente tendo em vista que a qualidade não era superior ao VHS (Video Home System - Sistema de Vídeo Caseiro). O MPEG tem formato para distribuição de material de vídeo pela web (ALENCAR, 2007). b) MPEG-2 Foi adotado em vários padrões da TV Digital, desenvolvido como base no MPEG 1 implementando mudanças significativas na codificação de vídeo. Atualmente o MPEG-2 continua na área de TV Digital, radiodifusão por cabo, 47 satélite e canais terrestres, uma das suas principais aplicações foi o DVD e sua adoção como padrão de TV Digital pelo projeto DVB (Digital vídeo Broadcasting – Emissão de Vídeo Digital) (ALENCAR, 2007). Na codificação de vídeo do MPEG-2, o processo de compressão de vídeo visa diminuir a taxa de fluxo de bits, utilizando técnicas que exploram principalmente a redudância e as informações menos relevantes (limitação da percepção humana), para facilitar a transmissão (redução da largura de banda) e o armazenamento, sem perda de qualidade perceptível tornando-o comercialmente viável (ALENCAR, 2007). Inicialmente é necessário fazer o uso da amostragem12 do sinal de entrada em frequências padronizadas pela ITU-R (International Telecommunications Union Radiocommunication – União Internacional de Rádio Comunicação) como múltiplos de 3,375MHz. Quanto maior o formato do vídeo, maior será a frequência de amostragem necessária. Em seguida o sinal amostrado passa por um bloco de redundância temporal, responsável pelo aproveitamento das semelhanças entre os quadros consecutivos de uma imagem dinâmica. Em uma imagem onde há movimentos extremamente sutis entre os pixels consecutivos o olho humano não consegue perceber estes movimentos. Estas operações são possíveis graças a uma técnica denominada DCT (Discrete Cosine Transform – Transformação Discreta do Cosseno) que retifica as frequências imperceptíveis ao olho humano (YAMADA, 2003). O próximo passo para concluir a compressão MPEG-2 é utilizar-se das técnicas de VLC (Variable Lenght Code – Código de Comprimento Variável) e RLC (Run Lenght Code – Código de Comprimento Executável), que são amplamente utilizadas em softwares de compressão de arquivos. Basicamente o bloco VLC/RLC quantifica quais informações se repetem e quantas vezes, e em seguida as informações mais repetidas são atribuídas aos símbolos de menor comprimento. A aplicação das técnicas VLC/RLC gera taxas de bits variáveis, então é necessário fazer o controle de fluxo de tal maneira a gerar uma taxa constante de bits na saída do compressor MPEG-2 (YAMADA, 2003). Para o MPEG-2 áudio ser compatível com o MPEG-1, foi necessário ceder em alguns aspectos, um dos quais na qualidade de compressão de áudio 12 Amostragem: estudo de um pequeno grupo de elementos que compõem o sinal de entrada. 48 de cinco canais. Por estas razões, foram feitos esforços no sentido de desenvolver um novo padrão de áudio, não compatível com MPEG-1, e que alcançasse qualidade máxima, sem os constrangimentos do MPEG-2. Segundo Rocha & Hora (2007), esse novo padrão deu origem a norma MPEG-2 AAC (Advanced Audio Coding – Codificação de Áudio Avançado), também conhecido como MPEG-2 NBC (Non Backward Compatible – Não Retrocompatível). c) MPEG-2 AAC É um código avançado baseado na percepção da audição humana, usado inicialmente para aplicações de rádio. O código AAC aprimora as técnicas anteriores, VLC e RLC, de maneira a aumentar a eficiência da codificação. Por exemplo, um sistema AAC operando em 96kbps produz um som com as mesmas qualidades que um MPEG-1 operando a 192kbps, ou seja, uma redução de 2:1 na taxa de bits. O padrão AAC possui três modos de operação, o principal ou Main, LC (Low Complexity – Alta Complexibilidade), e o SSR (Scaleable Sampling Rate – Taxa de Amostragem Ajustável). Os diferentes modos são equilibrados com relação à qualidade e complexidade do áudio em uma determinada taxa de bits. O MPEG-2 AAC oferece a capacidade de até 48 canais de áudio principais, 16 canais de efeito de baixa frequência, 16 canais sobrepostos e 10 fluxos de dados (COLLINS, 2004). d) MPEG-4 Disponibiliza elementos tecnológicos padronizados que possibilitam a integração da produção, distribuição e procedimentos de acesso ao conteúdo de vídeo na televisão digital, aplicações gráficas interativas e multimídia Interativa. O Padrão tenta abranger uma vasta gama de aplicações de comunicações visuais, oferecendo suporte com um conjunto de ferramentas de codificação de informação visual (ALENCAR, 2007). 49 Este método de codificação explora tanto a redundância temporal13 como a espacial14, onde no domínio temporal a alta similaridade entre os quadros de um vídeo são aproveitados, enquanto no domínio espacial as correlações entre os elementos adjacentes em uma imagem são utilizados para aprimorar a codificação (RICHARDSON, 2003). O padrão MPEG-4 implementa a codificação de objetos visuais, permitindo uma codificação independente entre objetos pertencentes ao plano de fundo e objetos irregulares no primeiro plano na cena de vídeo. Esta ferramenta permite mapear os pixels de uma imagem além de indicar qual a relevância deles, tornando possível o desenvolvimento de novas aplicações que podem envolver a interatividade. Imagens fixas podem ser codificadas e transmitidas como se fossem um vídeo, então em busca da otimização, o padrão MPEG-4 apresenta o conceito de texturas em imagens estáveis que permite transmiti-las na mesma sequência de quadros além de aprimorar aplicações que fazem uso de animações gráficas como objetos visuais em 2D (Duas Dimensões) e 3D (Três Dimensões), onde a codificação de polígonos em malha é empregada, permitindo a manipulação de objetos animados durante a compressão (TELECO, 2013). As técnicas avançadas de compressão podem ser destacadas como a modelagem temporal, visual e o codificador de entropia. A modelagem temporal apresenta como objetivo reduzir a redundância entre uma imagem transmitida predizendo as características da próxima imagem e subtraindo as semelhanças entre uma imagem e outra. A modelagem visual consiste em utilizar as amostras de vídeo em um codificador de entropia comprimindo as amostras redundantes (RICHARDSON, 2003). O MPEG-4 faz uso de três componentes principais: transformação (separação e compactação dos dados), quantização (redução da precisão dos dados transformados) e reordenação (organização dos dados em relação a sua relevância). Assim o codificador de entropia converte uma série de dados que representa os elementos de uma sequência de vídeo em arquivos comprimidos 13 Redundância Temporal: é o aproveitamento da similaridade existente entre quadros sucessivos que formam uma imagem dinâmica. 14 Redundância Espacial: consiste na semelhança dos pixels adjacentes de uma imagem. 50 de diferentes taxas de bits de tal maneira a adequá-los a aplicação (RICHARDSON, 2003). O que diferencia o MPEG-4 dos outros padrões é a compressão eficiente de sequências de vídeo entrelaçado ou progressivo, codificação de objetos de vídeo, controle da transmissão de dados, codificação de objetos visuais animados, codificação para aplicações específicas e compressão de textura. Estão entre suas principais aplicações: a transmissão em tempo real de vários tipos de mídia, transmissão em tempo real de vídeo para dispositivos móveis, TV interativa, compras interativas e ensino e treinamento a distância (ALENCAR, 2007). e) ITU-T H.264 A principal meta do padrão H.264 era melhorar a eficiência de codificação em pelo menos duas vezes em relação ao MPEG- 2 que é o padrão usado atualmente, sem aumentos significativos no custo final da tecnologia (ALENCAR, 2007). Os padrões MPEG-4 e ITU-T H.264 compartilham bastantes características, tais como a utilização de CODEC (Codificador e Decodificador de Sinais), além das técnicas de compressão semelhantes. No entanto estes padrões apresentam diferentes visões onde o MPEG-4 enfatiza a flexibilidade enquanto o padrão H.264 aprofunda na confiabilidade da compressão. Este sistema oferece uma melhor compressão comparada aos padrões MPEG-1, MPEG-2, MPEG-2 AAC e MPEG-4, além de apresentar características integradas visando a robustez em transmissões em meio a vários canais simultâneos (RICHARDSON, 2003). O H.264 contempla três perfis de aplicação, cada um atende uma finalidade específica, o Baseline ou básico, agrega aplicações de conversações visuais tais como videoconferência, o perfil Extended ou estendido, adiciona ferramentas de otimização para o fluxo de vídeo sobre redes de Internet como o streaming, e o perfil Main ou principal, faz uso da mesma para a utilização em transmissões audiovisuais do tipo broadcasting, além de armazenamento dos dados comprimidos (RICHARDSON, 2003). permitir o 51 3.3 TV ANALÓGICA x TV DIGITAL Ao fazer uma comparação entre TV Analógica com a TV Digital é possível observar várias melhorias no padrão digital, tanto na qualidade da imagem quanto no áudio, também pode-se notar uma diferença significativa nas funcionalidades de uma para outra. Quem fica muito tempo trabalhando ou estudando no computador, ao se acostumar com a alta resolução da imagem no monitor, pode achar a imagem de uma televisão analógica um pouco menos nítida. De fato, as diferenças de qualidade e resolução são amplas e ficam mais evidentes nas imagens em movimento. No áudio a diferença também é grande, enquanto a TV Analógica trabalhava com um canal (mono) ou dois canais (estéreo) de áudio, a TV Digital suporta até seis canais, o Dolby Digital15. Outra diferença reside no formato da imagem. O formato, no sistema digital é o widescreen, com a proporção 16:9, semelhante às telas de cinema, diferente do padrão analógico, que funciona na proporção 4:3, como pode ser observado na Figura 11 (OLIVEIRA, 2009). Figura 11: Diferença de Proporções entre a TV Analógica e Digital Fonte: TECMUNDO (2012) A Figura 11 representa a diferença de proporção de imagem entre a TV Analógica e a TV Digital. Na imagem da TV Analógica o formato é de 4:3, o que representa uma visualização da imagem cortada. Já na proporção da TV Digital, que é de 16:9, a imagem aparece completa sem cortes nas laterais. 15 Dolby Digital: é um formato de compressão de dados de áudio desenvolvido pela Dolby Laboratories. 52 A diferença entre elas está na resolução, enquanto a TV Analógica trabalha em média com 480 linhas horizontais, a digital trabalha com 1080. Isso significa que cada imagem transmitida terá mais pixels compondo-a, terá uma qualidade semelhante à que possui no monitor de seu computador (OLIVEIRA, 2009). Como pode ser visto Quadro 1, a qualidade de imagem, de áudio e do sinal da TV Digital é provavelmente melhor que a da TV Analógica, tendo como base a quantidade de linhas na imagem e de canais de som, obtendo então um conjunto de qualidade superior em comparação de um padrão com o outro. Quadro 1: Comparativo de Tópicos entre TV Analógica e TV Digital Fonte: DTV (2012) A Quadro 1 mostra um comparativo das caracteristicas entre a TV Analógica e a TV Digital, onde a qualidade da imagem na TV Digital (alta definição) é superior à da TV Analógica, a qual representa definição padrão (baixa nitidez). A qualidade do sinal da TV Digital aumentou em comparação com a analógica, visto que essa apresentava problemas de transmissão como ruídos, chuviscos, fantasmas entre outros, e na TV Digital a transmissão é livre de interferências. 53 3.3.1 Vantagens e desvantagens da TV Digital A vantagem da transmissão digital é a melhora na qualidade da imagem. Esqueça os chuviscos, fantasmas, chiados e outros problemas, mesmo para quem não possui uma televisão de alta definição, já será possível ter uma qualidade semelhante à de um DVD. A vantagem do uso de um aparelho Full HD (Full High Definition - Alta Definição) reside na altíssima qualidade para reprodução de discos de Blu-Ray e jogos em alta definição (OLIVEIRA, 2009). A melhora na qualidade do som transmitido dá um salto com o sistema digital, trazendo possibilidade de ter em casa um som de cinema. A melhor parte é que não precisa necessariamente ter uma televisão na sua casa para assistir transmissões digitais, uma vez que a TV Digital pode ser assistida nos celulares e nos computadores, quando devidamente equipados para tal, além de poder ser vista em carros, trens e ônibus, sem perder qualidade por causa do movimento (OLIVEIRA, 2009). Outra vantagem é a maior largura da banda de transmissão, a possibilidade de interatividade, permitindo às emissoras obter dados precisos de audiência, realização de compra de produtos, enquetes, entre outros. Qualquer pessoa poderá usufruir da interatividade se conectar sua televisão ou conversor à rede de internet (OLIVEIRA, 2009). A vantagem mais perceptível da transmissão em sistema digital é a conservação da qualidade do sinal, pois o número de linhas horizontais (i) no canal de recepção, mesmo em modo SDTV, é superior a 400i, sendo idêntico àquele proveniente do canal de transmissão (TELECO, 2013). Nos atuais sistemas analógicos, em função das perdas a definição nos aparelhos receptores (TVs e videocassetes) atinge, na prática, somente 330 linhas horizontais, ou seja, ocorre uma perda de quase 50%. Isso impacta diretamente na qualidade da imagem que pode ser visto na TV. Na transmissão digital, os sinais de som e imagem são representados por uma sequência de bits, e não mais por uma onda eletromagnética análoga ao sinal televisivo (TELECO, 2013). Segundo Teleco (2013) na transmissão analógica, os sinais não podem ser comprimidos ou compactados, tal como ocorre na transmissão digital. Cada pixel do sinal analógico padrão, são emitidos sinais com 525 linhas por 720 54 pixels, totalizando 378.000 pixels por quadrado, o que ocupa todo canal de 6MHz disponível no sistema brasileiro. A transmissão digital pode ser compactada, tornando desnecessário o envio de todos os pixels de cada quadro, reduzindo a banda usada na transmissão. Os sinais binários possibilitam a compactação dos dados sem perda de qualidade. A compactação leva a uma menor taxa de transmissão, possibilitando que mais conteúdo seja veiculado no mesmo canal. Por exemplo, na faixa de frequência de 6MHz que um canal de TV Analógica brasileiro necessita, podem ser transmitidos simultaneamente diversos sinais de TV Digital. Com as atuais tecnologias de compactação, é possível transmitir um canal de HDTV ou até quadro de SDTV. 3.4 O QUE É INTERATIVIDADE? O recurso de interatividade da TV digital permite que um grande número de consumidores tenha acesso a conteúdos que complementam a programação de TV tradicional. Na TV brasileira, a interatividade acontece por meio do middleware Ginga, uma camada intermediária de software integrada a alguns modelos de equipamentos de recepção de sinal de TV digital. O Ginga foi criado por instituições nacionais de pesquisa e tem algumas versões comerciais desenvolvidas por empresas de software associadas ao Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. Ele permite que os aplicativos transmitidos pelas emissoras sejam executados em equipamentos de diferentes modelos e fabricantes (DTV, 2012). O governo federal estipulou a obrigatoriedade de implantação do Ginga na produção de televisores de LCD e plasma produzidos na Zona Franca de Manaus. Pela norma, os fabricantes de receptores terão que entregar 75% dos aparelhos produzidos até dezembro de 2013 e em 90%, a partir de janeiro de 2014, com o middleware brasileiro da interatividade da TV digital (DTV, 2012). Os aplicativos interativos são geralmente transmitidos no mesmo sinal onde estão a imagem e o som que chegam nos receptores de TVs. Se a 55 pessoa tiver um receptor DTVi (Televisão Digital interativa), toda vez que uma emissora transmitir uma interatividade, esta será sinalizada no canto da tela. Algumas emissoras já estão transmitindo regularmente conteúdos interativos DTVi em suas programações. Existem também anunciantes do mercado publicitário e empresas de software que estão desenvolvendo aplicativos para utilizar esse novo recurso junto com as emissoras. O middleware Ginga faz parte do conjunto de normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que norteiam a TV Digital Brasileira (Norma ABNT NBR 15606). As aplicações podem ser de dois tipos: • Relacionadas a um determinado programa da emissora, como votação, enquetes, placares de jogos e informações complementares do programa. • Sem relação direta com os programas como venda de produtos, anúncios interativos, notícias, previsão do tempo, informações de utilidade pública e jogos. No geral, os aplicativos DTVis não são pagos e as pessoas vão poder utilizá-los de forma aberta e gratuita. Caso exista algum aplicativo cujo acesso aos conteúdos interativos sejam cobrados, o telespectador deverá ser comunicado pelo prestador do serviço sobre a incidência da cobrança. A interatividade funciona como um complemento da programação que está sendo transmitida e o que está sendo utilizado na maior parte dos aplicativos são funcionalidades que fazem o redimensionamento do tamanho da tela ou aplicam transparências, de forma a sempre manter o conteúdo da programação visível a qualquer momento. O aparecimento do símbolo de interatividade ocorrerá sempre que um aplicativo for transmitido por uma emissora. A opção de desativar essa mensagem pode estar prevista em alguns modelos de receptores (DTV, 2012). A comunicação do telespectador para a emissora ocorre pelo Canal de Retorno (ou Canal de Interatividade), que possibilita enviar ou receber informações pela internet (utilizando para isso os serviços de uma empresa de telecomunicações). 56 Desde o surgimento da televisão, na década de 30, até os dias de hoje o aparelho tem sido apenas um instrumento de recepção de sinal, com a TV Digital este procedimento mudou. Com o auxílio de uma linha telefônica acoplada ao aparelho ou por um sistema de transmissão do próprio receptor será possível o telespectador, dentro de sua casa, ter uma interatividade com o programa que está sendo assistido e até mesmo aprender, ter aulas e interagir com aplicativos e professores através da TV Digital interativa, que é o caso do EaD e o TeleCurso que será visto no Capitulo IV. A TV Digital não se limitou somente na qualidade de imagem e som, com isso podem transmitir informações possibilitando o retorno de comunicações entre os usuários dos serviços interativos e as emissoras de TV. No caso de guias de programação e dados estatísticos, a interatividade é parecida com as transmissões digitais pagas existentes, porém com recursos que permite as emissoras obter dados precisos de audiência, realização de compras de produtos e enquetes. A interatividade possibilita que as emissoras disponibilizem aos telespectadores informações sobre a programação, sinopse de novelas, ficha técnica de filme que está sendo apresentado, resumo dos capítulos anteriores das novelas, informações sobre que time está jogando, entre outros. Isso é possível através de um conversor que será embutido na TV Analógica e possibilitando aos usuários usufruir da interatividade no aparelho. Quando implementada o usuário vai poder enriquecer o programa com informações adicionais, como por exemplo, ver uma câmara atrás do gol onde seu time está atacando, ver dados de um filme que está assistindo, participar de um jogo, e/ou comprar um produto que aparece na tela e lhe interessa. Todas estas possibilidades de interatividade já estão disponíveis no uso da internet através dos computadores, e uma das principais finalidades da TV Digital é unir estes recursos em um único meio, que é a televisão. 57 3.4.1 Ginga Ginga é o middleware de especificação aberta adotado pelo Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre para instalação em conversores (set-top boxes) e em televisores (DTV, 2013). É uma camada de software intermediária, entre o sistema operacional e as aplicações. Ele tem duas funções principais: uma é tornar as aplicações independentes do sistema operacional da plataforma de hardware utilizados. A outra é oferecer um melhor suporte ao desenvolvimento de aplicações. Ou seja, o Ginga será o responsável por dar suporte à interatividade. Um middleware para aplicações de TV digital é constituído por máquinas de execução das linguagens oferecidas e bibliotecas de funções, que permitem o desenvolvimento rápido e fácil de aplicações interativas para TV digital. Essas aplicações possibilitam, por exemplo, acesso à internet, operações bancárias e envio de mensagens para o canal de TV ao qual se está assistindo, entre outros (DTV, 2013). Dessa maneira, pode-se afirmar que o Ginga é uma tecnologia que leva ao cidadão todos os meios para que ele obtenha acesso à informação, educação a distância e serviços sociais, utilizando apenas sua TV. O Ginga é uma especificação aberta, de fácil aprendizagem e livre de royalties, possibilitando que qualquer programador produza conteúdo interativo, impulsionando a programação de TVs comunitárias, por exemplo. Com o desenvolvimento do Ginga, o Brasil se tornou o primeiro país a oferecer um conjunto de soluções em software livre para TV digital (DTV, 2013). O Ginga é constituído por um conjunto de tecnologias padronizadas e inovações brasileiras que o tornam a especificação de middleware mais avançada do mundo e a melhor solução para os requisitos do país. O Ginga é o resultado de vários anos de pesquisas realizadas pela Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo DTV (2013), o sistema é dividido em três subsistemas principais interligados (Ginga-CC, Ginga-NCL e Ginga-J), que permitem o desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação diferentes. Dependendo das funcionalidades requeridas no projeto de cada aplicação, um paradigma será mais adequado do que o outro. 58 O Ginga-CC (Ginga Common-Core) oferece o suporte básico para os ambientes declarativos (Ginga-NCL) e procedural (Ginga-J), de maneira que suas principais funções sejam para tratar da exibição de vários objetos de mídia, como JPEG, MPEG-4, MP3, GIF, entre outros formatos. O Ginga-CC fornece também o controle do plano gráfico para o modelo especificado para o ISDB-TB e controla o acesso ao Canal de Retorno, módulo responsável por controlar o acesso à camada de rede. O Ginga-NCL foi desenvolvido pela PUC-Rio com o objetivo de prover uma infraestrutura de apresentação para aplicações declarativas escritas na linguagem NCL (Nested Context Language – Linguagem de Contexto Aninhados), que é uma aplicação XML (eXtensible Markup Language Linguagem de Marcação) com facilidades para a especificação de aspectos de interatividade, sincronismo espaço-temporal entre objetos de mídia, adaptabilidade, suporte a múltiplos dispositivos e suporte à produção ao vivo de programas interativos não-lineares. Para facilitar o desenvolvimento de aplicações Ginga-NCL, a PUC-Rio criou também a ferramenta Composer, um ambiente de autoria voltado para a criação de programas NCL para TV digital interativa. Nessa ferramenta, as abstrações são definidas em diversos tipos de visões que permitem simular um tipo específico de edição (estrutural, temporal, layout e textual). Essas visões funcionam de maneira sincronizada, a fim de oferecer um ambiente integrado de autoria. O Ginga-J foi desenvolvido pela UFPB para prover uma infraestrutura de execução de aplicações baseadas na linguagem Java, com facilidades especificamente voltadas para o ambiente de TV digital. 3.4.2 Mobilidade A mobilidade permite que o usuário assista TV no local e no horário que deseja, além de possuir uma imagem de boa qualidade sem chuvisco, fantasmas, chiados, eles poderão assistir TV em qualquer lugar como no ônibus, carro, van, metrô, entre outros. Entretanto, para que isso seja possível é necessário ter um celular apropriado, ou seja, que já tenha sinal de TV, TV 59 portátil, tablets ou notebooks, isso só acontece porque a TV Digital vai permitir a recepção em movimento sem perder a qualidade de imagem e som. A Figura 12 mostra um celular acessando uma emissora de TV. Figura 12: TV no celular Fonte: Google, 2013. A Figura 12 mostra um celular recebendo uma transmissão de sinal digital, onde o usuário pode assistir o programa de TV em qualquer lugar. 3.4.3 Pay Per View e Video-On-Demand O trabalho de se deslocar até uma locadora para alugar um filme poderá ser minimizado com o auxílio do PPV (Pay Per View - Pagar Para Ver). O telespectador poderá escolher o filme e o horário que deseja assistir e fazer a sua programação. No horário e dia programado será enviado pela emissora o sinal com a exibição do filme escolhido. O VOD (Video-On-Demand - Vídeo Por Demanda) semelhante ao PPV porém a programação escolhida pelo usuário será enviada para o hard disk do Set-Top-Box ou do próprio televisor através de um download pago. Assim, o telespectador passa a ter controle sobre o fluxo de dados, podendo avançar em algumas partes do filme, ou realizar uma pausa, ou ainda acionar a câmara lenta ou outro tipo de comando sobre o mesmo. 60 3.4.4 EPG O EPG (Eletronic Programming Guide - Guia Eletrônico de Programação) é uma ferramenta que facilitará a navegação do usuário na programação das emissoras, onde os EPGs poderão enviar informações de exibição com até sete dias de antecedência, facilitando para o telespectador a escolha de programas para o decorrer da semana. Fazendo uma comparação com a internet, os EPGs seriam os sites da internet. O EPG é baseado no SI (Service Information Protocol – Protocolo de Serviço de Informação) que mostra os programas, canais e informações sobre eventos disponíveis (Figura 13). Figura 13: EPG (Guia Eletrônico de Programação) Fonte: Própria A Figura 13, mostra como é um guia de programação de uma TV por assinatura. Enquanto “passeia-se” pelo guia é possível ver o que está passando no canal atual. Esse EPG mostra os canais, seus respectivos nomes e a programação do dia. Neste Capítulo foi feita uma abordagem da história termos técnicos, formato de tela, resolução, transmissão, padrões da TV Digital, modulação e compressão da TV Digital, interatividade, uma comparação com a TV Analógica e quais as vantagens e desvantagens de usar essa tecnologia. 61 Foi visto também que a Interatividade possibilita aos telespectadores um maior uso dos recursos disponíveis na TV Digital. A mobilidade facilita acesso à internet e a TV em qualquer lugar através do celular. Foi abordado também sobre Interatividade que possibilita assistir filmes ou programas de TV a qualquer hora, bastando colocar o programa para gravar ou comprando o filme. No Capítulo IV será estudado o Ensino à Distância (EaD), o seu histórico, e sobre os dois maiores programas do EaD, o TeleCurso e a TV Escola. CAPÍTULO IV Neste Capítulo será abordado o tema Ensino à Distância (EaD). Muitos cursos exigem presença integral e física do aluno e do professor em sala de aula, por isso foi criado o EaD, como forma de ajudar as pessoas que querem ter acesso ao ensino e ao mesmo tempo não podem abrir mão do trabalho beneficiando aos que moram distantes de escolas, e com o apoio das tecnologias está mais fácil de conciliar o tempo de estudo com o trabalho. HISTÓRICO DO EaD O EaD surgiu da necessidade do desenvolvimento profissional e cultural de milhões de pessoas. Motivadas por situações como: residência em locais distantes dos núcleos de ensino; reprovação nos cursos regulares; inserção no mercado de trabalho; facilidade para planejar seus programas de estudo e avaliar o progresso realizado; e até mesmo preferência em estudar sozinho, do que em classes numerosas (DIAS et al., 2010). A história do EaD pode ser relacionada aos meios comunicacionais, como a escrita, que é considerada por Chaves (1999), a primeira forma de se comunicar a distância, como é o caso das cartas que nos remetem ao uso de correspondências. Moore e Kearsley (2007) consideram esta fase a primeira geração do EaD que evoluiu, segundo os autores, ao longo de cinco gerações, identificáveis pelas principais tecnologias de comunicação empregadas, como: 1ª Geração: tem como meio de comunicação as correspondências na qual o principal meio eram os materiais impressos, geralmente uma apostila 63 com atividades, tarefas e exercícios. Apesar de ser a primeira forma de comunicação e dos avanços tecnológicos, ainda existe um grande número de cursos conduzidos por materiais impressos. 2ª Geração: iniciada nos anos 70. Associou a dimensão oral e visual à apresentação de informação aos educandos a distância. O rádio e a televisão foram os meios midiáticos mais usados nesse período, proporcionando um grande aumento na distribuição de informações, com maior receptividade e interação. É fato que o rádio é uma mídia mais rápida e barata, no entanto a televisão deu um novo aporte, pois proporcionou uma inovação através da imagem, tornando-se padrão para concepção de alguns cursos, como o de telensino16 básico da sociedade. 3ª Geração: o marco principal é o surgimento das universidades abertas, com design e implementação sistematizados de cursos a distância, utilizando além do material impresso, rádios, fitas de áudio e vídeo, televisão aberta, com interação por telefone. 4ª Geração: o marco fica para a teleconferência por áudio, vídeo, computador e as redes, proporcionando a comunicação em tempo real de uns alunos com outros e estes com instrutores à distância. Durante este período vale ressaltar duas maneiras de comunicação: • Comunicação Assíncrona (tempo depois): o receptor recebe a informação num tempo posterior. A maneira tradicional de comunicação assíncrona na internet é o uso do correio eletrônico (e-mails), fóruns, lista de discussão onde o emissor envia mensagem e esta fica num computador (provedor). Quando o receptor se conecta, acessa o seu endereço eletrônico e recebe as mensagens. • Comunicação Síncrona (mesmo tempo, ou seja, simultâneo): são ferramentas que possibilitam que as pessoas se comuniquem em tempo real como salas de bate papo (chats). 5ª Geração: A partir dos anos 90 a quinta geração teve como meio de comunicação de destaque as classes virtuais on-line com base na internet, métodos construtivistas de aprendizado em colaboração, e na convergência entre texto, áudio e vídeo em uma única plataforma de comunicação. 16 Telensino: Ensino à Distância através da televisão. 64 Segundo Souza (2009), todas as gerações e seus respectivos meios comunicacionais estão condizentes aos períodos históricos e transformações na sociedade. Nas origens da moderna EaD, a condição tecnológica sempre esteve associada a dois objetivos fundamentais: a superação de limitações geográficas, espaciais e temporais, e a democratização da educação, como bem público, viabilizando a inclusão de parcelas socialmente marginalizadas do sistema de ensino convencional. Sabe-se que esses objetivos apontados por Souza (2009), como a superação de limitações geográficas, espaciais e temporais, e a própria democratização da educação, são plausíveis. Todavia boa parte dos estudos científicos relacionados às pesquisas tecnológicas e comunicacionais iniciou-se nos meios militares, com propósitos de treinamento de um contingente específico que posteriormente com as devidas adaptações foi utilizado pela sociedade, em segmentos como nas áreas: educacionais, de saúde, da indústria e outros (FORTE, 2010). . 4.1 ENSINO À DISTÂNCIA O EaD tornou-se conhecido no Brasil há mais de 50 anos com os cursos técnicos oferecidos pelo Instituto Universal Brasileiro (1941). Esta era a época da primeira geração do Ensino à Distância, quando eram utilizados materiais impressos. Logo o EaD se expandiu para a TV e para o rádio que formaram a segunda geração do Ensino à Distância através da integração dos audiovisuais. Segundo Maroto (1995), O EaD é a estratégia básica de formação humana, aprender a aprender, saber pensar, criar, inovar, construir conhecimento e participar. Trata-se de um processo de ensino-aprendizagem que não exige a presença física do profissional na sala de aula. O Ensino à Distância abrange desde os cursos de correspondência convencional através de carta, os TeleCursos e os Radiocursos até o uso dos sistemas de comunicação digital atuais, como a internet e a partir de 2008 a TV Digital Terrestre. No que tange à 65 crescente demanda apresentada nos ambientes educacionais e no mercado de trabalho, o EaD tem se mostrado como uma grande alternativa, pois tem se consolidado com o tempo e mostrado as suas diversas vantagens, que vão desde a flexibilidade de aprendizagem até a possibilidade de um ensino mais personalizado respeitando o ritmo e valorizando a autonomia de cada indivíduo (BALDO, 2008). De acordo com Art. 1º De 19 de Dezembro de 2005, o decreto 5.622 conceitua EaD como: [...] uma modalidade educacional no qual a medição didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utlização de meios de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos (BRASIL, 2005). O EaD é um instrumento capaz de levar informação e proporcionar um crescimento cultural e educacional de países de dimensões continentais como o Brasil. Isso faz com que o ensino chegue a lugares de difícil acesso, onde a educação presencial é deficitária ou até mesmo inexistente (NASCIMENTO, 2008). O EaD distingue-se da modalidade de ensino presencial por ser um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal na sala de aula entre o professor e aluno como meio preferencial de ensino, devido à ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e sistemas de mídia que propiciam uma aprendizagem independente e flexível (GARCIA, 1995). A abrangência do EaD é sem dúvida maior que o ensino presencial, pois permite acessibilidade de estudo a todos, inclusive à classe dos trabalhadores, o que talvez presencialmente seria impossível devido à necessidade de locomoção até a escola. Já é possível encontrar cursos profissionalizantes também à distância, que possibilita o profissional que já exerce sua função a se atualizar no mercado. Essa flexibilidade é sem dúvidas a maior vantagem de se fazer um curso à distância. 66 4.1.1 TV Escola É preciso estudar sobre quais benefícios esse meio de ensino traria aos alunos e como esses professores seriam treinados para instruírem os usuários a utilizarem à ferramenta de modo consciente e adequado. A integração dos meios de comunicação mais contemporâneos, que será chamado provisoriamente de TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), aos processos educacionais é tarefa urgente e necessária pois, tais técnicas já estão presentes em todas as esferas da vida social, em muitos casos gerando ou agravando desigualdades socioculturais (BELLONI, 2003). Não se discute mais se a integração deve ser feita ou não, desde que a disseminação da informática pôs a escola diante do desafio de uma nova linguagem presente na sociedade (e não só no mundo do trabalho, mas também no lazer e na cultura) e ausente da escola (BELLONI, 2003). Como qualquer inovação educacional tem necessariamente que passar pelo professor, nada mais lógico que se comece por formar professores utilizando as TIC’s, de modo intensivo e sistemático, o professor que aprende com elas estará melhor preparado para ensinar por meio dessas tecnologias. A televisão como ferramenta pedagógica como o EaD, as ações de formação não conseguem efetivamente chegar à maioria dos professores e sobretudo àqueles mais necessitados (BELLONI, 2003). A TV Escola é um programa de formação a distância para professores, baseado numa concepção de aprendizagem aberta. Para melhor compreender esse programa é necessário explicitar estas duas características: a distância e a aprendizagem aberta (BELLONI, 2003). Esta antipresença do “cara a cara” pedagógico é resultado de uma enorme distância que separa muitas vezes o professor de seus estudantes. Por outro lado, pode-se falar de uma presença a distância, desejável embora ainda difícil e rara, possível graças ao uso adequado de determinadas tecnologias de comunicação, bem integradas em uma proposta pedagógica consistente, focalizada no aluno e em sua autonomia, isto é, uma proposta de aprendizagem autônoma e aberta. Esse sentimento de presença, construído graças às TIC’s, que suprimiriam a distância, tem a ver com uma impressão de 67 realidade, que é de fato uma interpretação de mensagens, pois cada indivíduo pode interpretar de forma diferente (BELLONI, 2003). A TV Escola é um programa de grande porte do Ministério da Educação (Secretaria de Ensino à Distância), cujo objetivo é oferecer, aos professores da educação básica em todo o país, oportunidades de formação continuada, na modalidade a distância, buscando contribuir de forma aberta, flexível e informal (não regular, sem avaliação nem certificação) para a melhoria da formação dos professores em exercício nas escolas brasileiras (BELLONI, 2003). Criada para atender prioritariamente aos professores das séries iniciais do ensino fundamental, cuja formação de nível médio exige uma decisiva complementação, a TV Escola foi ampliando sua abrangência e hoje se dirige para professores de todos os níveis da escola básica. Ao mesmo tempo em que foi ampliando seu público-alvo, a TV Escola foi mudando de enfoque quanto à natureza de seus objetivos prioritários, passando a oferecer, materiais didáticos para os professores utilizarem com seus alunos em sala de aula (BELLONI, 2003). 4.1.2 TeleCurso (TC) Um programa de aprendizagem a distância como o TeleCurso por exemplo, se tornou viável no rádio a um custo mais barato. O presidente das Organizações Globo, foi o idealizador da Fundação Roberto Marinho (FRM), uma instituição de caráter privado sem fins lucrativos fundada em 1977, que passou a receber verbas públicas para projetos de teleducação produzidos pela própria Globo. Foi através da Fundação Roberto Marinho que a Globo entrou no campo do Ensino à Distância e conseguiu abater impostos com a atividade educativa, captando recursos do governo federal e do mercado que poderia criar com a venda de fascículos e de programas gravados (CASTRO, 2009). O TeleCurso, que começou em 1977, seguia a legislação que regulamentava na época o ensino supletivo brasileiro. Os cursos supletivos podem ser ministrados em classe ou por EaD, por meio de correspondência, uso de rádio, televisão, e, hoje, pela Internet (CASTRO, 2009). 68 O desafio inicial do TC, produzido pelas equipes da TV Cultura e da Rede Globo foi o desenvolvimento de uma linguagem adequada para ensinar pelo vídeo. A proposta do TC (1º e 2º graus) é prover conhecimento baseado no currículo do ensino fundamental e médio, por meio da televisão. Em 1994, iniciou-se a experiência mais ousada da série TeleCursos: a revisão da metodologia e a adaptação da teledramaturgia a educação. É nesse momento que surge o TeleCurso 2000, uma programação de EaD, veiculada pela Rede Globo e o Sistema FIESP (Federação das Indústrias e Comércio do Estado de São Paulo) (CASTRO, 2009). A partir dos anos 90, o EaD entrou na fase conhecida como terceira geração, com o uso da integração de redes de conferência por estações de computador e estações multimídia, que abriu espaço para a interação professor-aluno. Esse público é composto, predominantemente, por telespectadores com formação de nível superior. Mais recentemente, o TeleCurso 2000 passou a incluir aulas ministradas pela internet, através do uso de salas de bate-papo (chats), teleconferências, videoconferências, troca de emails ou messengers denominados MSN (Microsoft Service Network - Rede Microsoft de Serviços). A preocupação com a linguagem atinge todos aqueles profissionais e pesquisadores interessados em viabilizar a teleducação através do sistema digital que terá a aprendizagem ativa como método e co-autoria com seu grande diferencial (CASTRO, 2009). Neste Capítulo foi estudado EaD como facilitador para o completo acesso as pessoas a Educação e os dois principais programas dessa modalidade. O Capítulo V falará sobre a TV Digital no Ensino à Distância. CAPITULO V Neste Capítulo será visto o principal objetivo da pesquisa que é mostrar como a televisão e a interatividade através do EaD pode contribuir na educação e na cultura da população. Será estudado a importância da TV Digital no Ensino à Distância e as expectativas de uso dessa ferramenta no ambiente educativo. E para enriquecer o conteúdo deste trabalho e obter mais informações, foi realizada uma pesquisa de campo a fim de conhecer e saber opiniões de usuários em relação à assuntos que envolvem o uso da TV Digital no Ensino à Distância. TV DIGITAL NO ENSINO À DISTÂNCIA No EaD, o uso das TIC’s refere-se à apropriação de diferentes tecnologias de comunicação para fins educativos. A integração entre educação e comunicação disponibiliza ferramentas como a internet, televisão, rádio ou vídeo aos alunos que, em conjunto com o professor, vão participar do processo ensino-aprendizagem, isto é, poderá se tornar um co-autor desse processo. No caso da TV Digital com interatividade, o aluno poderá produzir conteúdos didáticos, contar suas histórias, reforçando sua identidade e auto-estima (CASTRO, 2009). O Ensino à Distância inclui a TV Digital, os videojogos e o rádio digital, assim como os celulares agregando novos valores ao aprendizado, principalmente, pela possibilidade dos alunos, não apenas participarem ativamente, mas também de se tornarem co-participantes da construção do conhecimento (CASTRO, 2009). Segundo Castro (2009), a transição do mundo analógico para o digital está acontecendo e é preciso que todas as gerações acompanhem essa mudança para que a TV Digital possa se transformar em uma ferramenta de 70 inclusão social voltada para a área educativa, presencial ou à distância. Para isso é preciso que: • Sejam realizados estudos sobre a usabilidade dos serviços interativos para analisar se as ferramentas são facilmente reconhecidas e apreendidos pelos diferentes grupos sociais e econômicos; • Desenvolver interfaces gráficas que possam ser facilmente entendidas por todos; • Receber cursos de formação e utilização das novas tecnologias digitais a baixo custo; • Desenvolver menus e controles que ajudem e facilitem a interação com a nova tecnologia; • Oferecer banda larga para acesso à internet com preços compatíveis com o padrão de vida econômica e; • Oferecer redes Wi-Fi (Wireless Fidelity - Fidelidade sem Fio) para acesso à internet nas áreas rurais e nas regiões mais longes para que a interatividade da TV Digital possa realmente ser concretizada, através do uso de conteúdos informativos, culturais, de serviços, educativos ou de entretenimento mais complexos como vídeos, áudios e animações. Há ainda o aspecto psicológico ligado à aprendizagem através da televisão, visto que, encontrada na maioria dos lares é rotulada muitas vezes, como forma de lazer. Assim, aliar essa satisfação relativa ao lazer com o aprendizado pode ser muito útil no Ensino à Distância. E a TV Digital tende a facilitar este processo (SILVA & NUNES, 2009). Inicialmente pode haver certa dificuldade de adaptação no uso da TV Digital pelos profissionais que atuam no segmento de educação. Esse é o custo da nova era da educação viabilizada por meio da interatividade televisiva (WAISMAN, 2005). Segundo Silva e Nunes (2009), a enorme gama de vantagens que surgirão e a tendência do prosseguimento da atualização e acompanhamento tecnológicos, somados a facilidade de operação pelos alunos, continuarão mantendo a viabilidade da convergência dessa nova tecnologia ao EaD. Embora as vantagens do emprego dessa mídia sejam inúmeras, há algumas dificuldades. Por exemplo: a criação de interfaces de fácil manuseio; a implementação de um canal de retorno da 71 interatividade, sendo este adequado aos polos de municípios que não tenham uma disponibilidade razoável de internet e o estudo de atividades pedagógicas que possibilitem uma boa eficácia do ensino. Estas dificuldades serão sanadas à medida que o movimento da convergência dos ambientes seja realizado, pois nesses casos apenas os estudos não terão a eficácia garantida dos resultados, mas somados às experiências práticas da implementação da educação no novo cenário da TV Digital (SILVA & NUNES, 2009). 5.1 EXPECTATIVA DE USO DA TV DIGITAL NO AMBIENTE EDUCATIVO E CULTURAL O uso da TV Digital ainda não alcançou todo o território Brasileiro, a expectativa é grande quando isso acontecer. Os benefícios que o uso da interatividade na TV Digital pode trazer é significante em relação ao Ensino à Distância e a cultura. Para haver uma aceitação e adequação do uso da TV Digital no ambiente educacional, é preciso uma grande dedicação dos professores em desenvolver projetos que integram essa nova tecnologia à educação, da sociedade em querer aprender coisas novas e ser incentivada a formação acadêmica, do governo disponibilizar materiais e projetos de estudos suficientes para atender a necessidade social e das Instituições de Ensino Superior (IES) para criação de estratégias inovadoras para que o aluno tenha possibilidade de estudar a distância através da TV. A grande expectativa é de que em um futuro próximo o EaD através da TV Digital tenha uma qualidade semelhante ao ensino presencial. Segundo Castro (2009), a TV que as pessoas têm em casa vai permitir a interação não apenas entre aluno/professor e grupos de colegas, mas também vai permitir que a família compartilhe desse conhecimento, já que é um aparelho que tradicionalmente permite a socialização das pessoas. Pode-se perceber que são várias as possibilidades geradas pela tecnologia da TV Digital no que se refere ao EaD. Deslumbra-se que em 2016, o sinal digital será disponível em todo território nacional. Sendo assim, as Instituições de Ensino poderão lançar mão de soluções ou mesmo desenvolver a sua própria tecnologia de 72 convergência para apoio ao EaD. Vale lembrar que as bases do futuro são lançados no presente, o que torna atual e necessária a realização de pesquisas (SILVA & NUNES, 2009). 5.1.1 Simulação para o Futuro Essa ideia da criação de um canal interativo surgiu a partir da necessidade de proporcionar ao aluno uma comodidade em poder visualizar as matérias de seu curso e exercícios através da TV e em qualquer lugar, para atender ao requisito “simplicidade” em função dos recursos utilizados pelo usuário durante a interação, e quanto às limitações impostas pelo ambiente, como por exemplo, a distância. A simulação seria de um canal aberto interativo fornecido pelo governo às Instituições de Ensino à Distância com foco na formação de jovens e adultos através da tecnologia da TV Digital. Com o objetivo de disponibilizar materiais didáticos e exercícios na versão interativa com vários recursos que proporcionam ao aluno a interação com o conteúdo de Ensino Superior, por exemplo. O canal interativo seria um portal da Instituição de Ensino, onde o usuário utilizaria o controle da sua TV para selecionar as opções e primeiramente seria selecionado o perfil do usuário, aluno ou professor como pode ser visto na Figura 14. Figura 14: Portal de Ensino Fonte: Própria 73 A Figura 14 mostra a tela inicial do Portal de Ensino, nessa tela seria possível escolher o perfil de aluno ou professor. Uma vez escolhido uma dessas opções, o usuário seria redirecionado à tela de Acesso para preencher os campos, como pode ser visto na Figura 15, essa opção apareceria independente do perfil selecionado anteriormente. Figura 15: Tela de Acesso Fonte: Própria Nesta tela, mostrada pela Figura 15, o aluno ou professor irá preencher os campos com CPF (Cadastro de Pessoa Física) e senha para que então seja apresentado o Menu Principal, como pode ser visto na Figura 16. Figura 16: Menu Principal Fonte: Própria 74 Neste Menu Principal, mostrado na Figura 16, o aluno poderá selecionar o período que está cursando ou até mesmo o período que deseja acessar para visualizar as matérias ou conteúdos das aulas. Constará no topo da tela, a sua Instituição de Ensino, o seu nome completo e o seu curso. Após escolhido o período desejado, a tela de matérias será mostrada conforme Figura 17. Figura 17: Tela de Matérias Fonte: Própria A Figura 17 mostra a tela contendo as matérias disponíveis no período que o aluno selecionou. Nesta etapa o usuário poderá escolher qual matéria deseja por exemplo, Sistemas de Televisão, para então acessar os conteúdos de estudo como demonstrado na Figura 18. Figura 18: Matéria Selecionada Fonte: Própria 75 Após selecionada a matéria desejada, o conteúdo disponível no portal aparecerá na tela para escolha do aluno. Podendo escolher tanto tópico de conteúdo como os exercícios, vídeo aula e até mesmo tirar dúvidas com o professor, como visto na Figura 18. Uma vez selecionada a opção desejada pelo aluno, a tela de informações referentes à opção escolhida aparecerá, conforme a Figura 19. Figura 19: Tela de Conteúdo Fonte: Própria Por fim, a Figura 19, mostra a tela de conteúdo selecionado, por exemplo a vídeo aula. Nesta tela o professor aparece em vídeo em tempo real e o aluno tem a possibilidade de interagir com os outros alunos e até mesmo com o próprio professor podendo tirar dúvidas a partir do campo de escrita abaixo do vídeo. O lado esquerdo da tela contém outros tópicos interativos. No tópico de Chat os telespectadores poderão trocar informações entre si. No campo de Matérias de Pesquisa, estariam disponíveis links da internet, livros indicados pelos professores e outras metodologias utilizadas para o estudo da matéria referente. Vídeos Explicativos seriam outros vídeos já gravados pelo professor ou mesmo vídeos da internet como forma de complemento de estudo. No tópico de Exercício o aluno terá possibilidade de responder questões elaboradas pelo professor podendo ser um meio avaliativo. E também estaria disponível o tópico Dúvidas para que o aluno possa tirar suas dúvidas com o professor sobre a matéria em estudo. Este é o último passo que o aluno executa. Depois de ter acessado a tela de conteúdo, o usuário poderia voltar em qualquer outra tela através das setas 76 localizadas nos cantos superiores e selecionar outra opção do lado esquerdo da tela através do tópico interativo, ou então sair do portal pelo botão indicado no canto direito inferior de cada página. Estes conteúdos ficarão disponíveis permanentemente ou até que a própria instituição (administrador do sistema) os retirasse do portal. Com o acesso do perfil do professor escolhido na Figura 14, seria possível modificar os conteúdos, incluir outros e até ver os exercícios que os alunos fizeram, podendo esse ser um meio de atividades avaliativas. Será visto no Tópico 5.2 uma pesquisa de campo realizada em Março de 2013, conforme as perguntas encontram-se no Apêndice A. 5.2 PESQUISA DE CAMPO Foi realizado uma pesquisa de campo entre usuários de uma empresa que trabalha realizando testes em sistemas de TV paga e entre alguns alunos do curso de Telecomunicações do IFF para saber suas opiniões em relação à TV Digital como ferramenta para o Ensino à Distância. Foram elaboradas 11 perguntas de acordo com o foco do assunto que é o uso da TV Digital no EaD e passada como questionário online para as pessoas com perfil de 15 a 60 anos como pode ser visto na Figura 20. Figura 20: Faixa Etária Fonte: Google Drive, 2013 Foram obtidas 40 respostas, desses 40 usuários, 63% têm entre 21 e 25 anos de idade como mostra a Figura 20. A média de quantidade de televisões em suas 77 casas é de 2 TV’s a cada residência o que corresponde a 30% das pessoas, como visto na Figura 21. Figura 21: TV’s em casa Fonte: Google Drive, 2013 Das respostas obtidas 28% das pessoas têm pelo menos uma TV em casa, e outras 28% têm 3 aparelhos e apenas 6% dos usuários possuem 4 ou mais conforme mostrado na Figura 21. Das pessoas que responderam as perguntas, todas possuem o aparelho em casa, 23 delas também têm acesso à TV no local de trabalho como pode ser visto na Figura 22. Figura 22: Em qual lugar acessa a TV Fonte: Google Drive, 2013 Vale ressaltar que na pergunta mostrada na Figura 22 era possível optar por mais de uma opção de resposta, sendo no máximo 3 escolhidas. 78 Do total de entrevistados, 39 delas (98%) já conhecem ou já ouviram falar da transmissão de sinal digital como mostra a Figura 23. Figura 23: Nova transmissão de sinal de TV Fonte: Google Drive, 2013 Dessas 39 pessoas que já ouviram falar sobre a TV Digital (Figura 23), 50% responderam que têm TV com conversor digital como visto na Figura 24. Figura 24: TV com conversor Fonte: Google Drive, 2013 Na Figura 25 é possível observar que mesmo as pessoas que não tem conversor digital possuem uma opinião sobre a qualidade de transmissão, visto que 29% deles acham a qualidade boa e 47% acharam o sinal digital indiferente. 79 Figura 25: Sinal Digital em Campos Fonte: Google Drive, 2013 Como mostra a Figura 25, 5% das pessoas entrevistadas acham o sinal digital na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ péssimo, 16% delas acham o sinal ruim. Somente um usuário acha o sinal excelente. Sobre a interatividade, 27% das pessoas utilizam ou utilizariam os recursos de gravação e pausa do filme/programa e 25% usam ou gostariam de usar o recurso de internet no serviço de TV por assinatura como pode ser visto na Figura 26. Figura 26: Recursos da Interatividade Fonte: Google Drive, 2013 Vale ressaltar que, a pergunta mostrada na Figura 26 também possibilitou a escolha de até 3 respostas. Foi perguntado no questionário se os usuários fariam algum curso a distância, 65% deles respondem que sim, como visto na Figura 27. 80 Figura 27: Curso a Distância Fonte: Google Drive, 2013 Foi elaborada uma questão discursiva com campo de resposta em branco para os usuários expressarem suas opiniões sobre o curso a distância através da TV, as respostas foram bem divididas pois algumas pessoas ainda não acreditam que o EaD possa ter uma qualidade semelhante ao ensino presencial, já que a TV também é vista como uma ferramenta de lazer. Outros responderam que seria uma boa opção já que é cômodo aprender em casa devido ao fácil acesso, além de já conhecerem e já possuírem a TV, isso poderia fazer a pessoa se interessar mais. O Ensino à Distância utilizando como meio de aprendizagem a TV Digital ainda é um assunto a se estudar, apesar de ter um bom acesso e trazer comodidade, 88% ainda preferem utilizar a internet como meio de estudo a distância confirme Figura 28. Figura 28: Meio mais utilizado Fonte: Google Drive, 2013 81 Das 40 pessoas entrevistadas, 83% acham que usar a televisão para aprender seria mais dinâmico do que pelos livros didáticos, isso pode ser comprovado pela Figura 29. Figura 29: EaD através da TV Fonte: Google Drive, 2013 Ao realizar essa pesquisa pode-se observar que as pessoas estão aderindo à nova transmissão aos poucos e dessas pessoas que já aderiram ao sinal digital, quase metade delas (47%) como foi visto na Figura 25, acham o sinal indiferente. Isso mostra que ainda levará um certo tempo para as pessoas se adaptarem à essa nova tecnologia, pois a grande maioria (88%) conforme mostrado na Figura 28, prefere ensinar e aprender através da internet utilizando qualquer um dos meios de comunicação, seja por tablet, celulares, computadores ou notebooks. Neste Capítulo foi estudado como seria aprender através da televisão, como isso pode possibilitar o acesso das pessoas ao ensino, as expectativas de integração das TIC’s no EaD e também foi visto um breve estudo futuro de um canal interativo educacional. Foi mostrado o resultado da realização de uma pesquisa feita pelos autores do presente trabalho com o intuito de obter informações sobre opinião das pessoas em relação ao uso da TV Digital no Ensino à Distância. CAPÍTULO VI CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como objetivo analisar o uso da TV Digital no Ensino à Distância pode contribuir na educação e na cultura da população. O estudo foi iniciado mostrando a evolução dos meios de informação, que inicialmente eram feitos através de gestos, gritos, escritas em cavernas e entre outros, tomando forma chegando até a televisão, pode-se observar a sua importância para a sociedade e acompanhar o avanço dessa tecnologia que evoluiu da forma analógica para a digital. O EaD através da TV Digital dá possibilidade aos alunos, então telespectadores, de estudarem em casa. Uma vez que a Interatividade possibilita aos usuários um maior uso dos recursos disponíveis na TV como gravar programas e filmes podendo assistí-los a qualquer momento ou até mesmo comprar pacotes de jogos, ou lançamentos de filmes. Notou-se que é a partir da Interatividade que a TV Digital facilitou a integração com o EaD. Esse novo método de aprendizagem possibilita as pessoas que querem estudar, porém não têm tempo ou condições físicas de se deslocar até uma escola. O Ensino à Distância é praticado através da internet, na grande maioria dos casos e a proposta desde trabalho foi mostrar as expectativas de como a integração dessas tecnologias pode facilitar o acesso ao estudo e a cultura. A simulação feita no Tópico 5.1.1 foi uma breve ideia de um estudo futuro de como poderia ser o esboço de um canal educacional aberto oferecido pelo governo para as instituições de Ensino à Distância. Esse portal facilitaria o acesso dos alunos aos conteúdos de seus cursos, os usuários poderiam estudar em casa através dos recursos da televisão digital não tendo então as limitações como: falta de tempo, deslocamento e custo financeiro impostas por um curso presencial. 83 Além de pesquisas bibliográficas foi também realizada uma pesquisa apoiada em um questionário para os usuários de uma empresa que trabalha realizando testes em sistemas de TV paga e entre alguns alunos do curso de Telecomunicações do IFF, com o objetivo de analisar as opiniões em relação ao uso da TV Digital no EaD. Com base nos dados das respostas dos entrevistados, observou-se que as pessoas estão aderindo à nova transmissão aos poucos. Sabe-se ainda que é um processo longo de estudo, adaptação e acompanhamento tecnológico, pois a televisão ainda é vista como meio de lazer. As pessoas ainda têm certo receio de aprender pela TV, será preciso um grande investimento e incentivo por parte de autoridades, instituições e professores para fazerem com que o EaD através da TV Digital possa ter uma qualidade semelhante ao ensino presencial. 6.1 ESTUDO FUTURO Como proposta de estudo futuro seria colocar em prática a ideia que surgiu da simulação feita no Capítulo V. O portal estaria disponível como um canal aberto ou como um plugin vinculado à um canal pago, podendo ser acessado por todos, tanto para quem assiste TV aberta quanto para quem possui TV por assinatura. Para isso será preciso um profundo estudo sobre o assunto e também estudar normas técnicas e burocráticas para a inclusão de um novo canal ou plugin destinado ao EaD na TV brasileira. CAPÍTULO VII REFERÊNCIAS ALENCAR, M. S. Televisão Digital. 1ª Edição. São Paulo: Editora Érica. 2007. 351p. ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 2007a. NBR 15602-1:2007 Televisão digital terrestre - Codificação de vídeo, áudio e multiplexação - Parte 1: Codificação de vídeo. Rio de Janeiro. 2007. _______. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 2007b. NBR 15602-2:2007 Televisão digital terrestre - Codificação de vídeo, áudio e multiplexação - Parte 2: Codificação de áudio. Rio de Janeiro. 2007. _______. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 2007c. NBR 15604:2008 Televisão digital terrestre – Receptores. Rio de Janeiro. 2007. _______. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). 2008a. NBR 15605-1:2008 Televisão digital terrestre - Tópicos de segurança - Parte 1: Controle de cópias. Rio de Janeiro. 2008. _______. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). 2008b. NBR 15607-1:2008 Televisão digital terrestre - Canal de interatividade - Parte 1: Protocolos, interfaces físicas e interfaces de software. 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IFF - Instituto Federal Fluminense Pesquisa sobre TV Digital e Ensino à Distância para estudo de TCC. 1.Qual sua faixa etária? ( ) Entre 15 e 20 anos ( ) Entre 21 e 25 anos ( ) Entre 26 e 30 anos ( ) Entre 31 e 35 anos ( ) Mais de 35 anos 2. Quantas televisões têm na sua casa? ( ) Nenhuma ()1 ()2 ()3 ( ) 4 ou mais 90 3. Em que lugar você tem acesso à televisão? Marque até 3 (três) opções. ( ) Em casa ( ) Na escola ( ) No trabalho ( ) Não tenho acesso ( ) Outro: 4. Você conhece ou já ouviu falar sobre a transmissão de sinal de TV? A transmissão digital? ( ) Não ( ) Sim 5. Sua televisão tem conversor digital? ( ) Não ( ) Sim 6. Na sua opinião como está o sinal da TV Digital em Campos? ( ) Péssimo ( ) Ruim ( ) Indiferente ( ) Bom ( ) Excelente 7. No caso da TV por assinatura, quais os recursos da interatividade você mais usa ou gostaria de usar? Marque no máximo 3 (três) opções. ( ) Gravação 91 ( ) Pausa do filme ou programa ( ) Internet ( ) Compras ( ) Ligação telefônica ( ) Nenhuma ( ) Outro: 8. Você faz ou faria algum curso a distância? ( ) Não ( ) Sim 9. Você faria um curso a distância através da televisão? Justifique. 10. Sobre o Ensino à Distância, qual meio para estudo você mais usaria? ( ) Televisão ( ) Internet ( ) Vídeo/DVD/BluRay ( ) Livros ( ) Outro: 11. Para você, o Ensino à Distância através da TV seria mais dinâmico e mais prático do que os livros didáticos? ( ) Não ( ) Sim