QUE RESPOSTA DAR AOS CONFLITOS ESCOLARES? José António da Silva Teixeira Universidade de Vigo/Facultade de Ciencias de Educación Os nossos jovens cada vez questionam mais os valores tradicionais, os conceitos de democracia, de liberdade, de participação, de autonomia e de responsabilidade. Se a esta conjuntura acrescentarmos uma escolarização não selectiva e integradora, os desafios que se nos colocam tornam-se mais complexos dado que, muitas das situações de conflituosidade no ambiente escolar poderão não ser mais do que o reflexo das tensões sociais. No entanto, as escolas pelo contexto social em que estão inseridas têm um modo de pensar e uma cultura organizativa própria que as leva a encarar e a agir de forma diferenciada quando se lhe colocam as questões: que se pode fazer para solucionar os problemas de conflituosidade dos alunos? Que se pode fazer para evitar a manifestação dos conflitos? São questões interessantes, distintas e com respostas diferentes. Enquanto que a primeira nos coloca perante um problema que exige solução. A segunda aponta para a optimização do relacionamento social. Apesar deste estudo pretender ser, apenas e só, um mero estudo exploratório, sem pretensões de preceituário ou um conjunto de posições unidimensionais, procurará dar resposta às questões formuladas e de fazê-lo de forma que seja útil e prático para os professores do Agrupamento Vertical de Vidago. INTRODUÇÃO Os conflitos escolares ocupam um lugar central em toda a problemática educativa. As expectativas e as exigências sociais crescentes e sobejamente diversificadas que nas últimas décadas se vêm manifestando em relação à escola, têm sido acompanhadas de uma observação cada vez mais intensa, do trabalho dos professores e, naturalmente, da sua preparação para o desempenho da mediação no conflito escolar. Tal observação tem vindo a ser realizada através de variados aspectos, sendo um deles, o da investigação científica em educação, por alguns, vista como escassa e deficiente, por outros, vista como incapaz de influir decisivamente nas políticas e nas práticas dos professores. A verdade é que se deve à investigação a identificação, a problematização, a explicação e a compreensão dos variados aspectos envolvidos no processo complexo que é a resolução de conflitos escolares, mesmo a indagação de soluções possíveis e cada vez mais ajustadas para essa acção. As décadas de setenta e oitenta do último século foram marcadas por uma forte expansão da população escolar. Tornou-se mais difícil a convivência e houve que aprender a viver juntos e «a partir daí criar um espírito novo que, (…) conduz à realidade de projectos comuns ou, então, a uma gestão inteligente e apaziguadora dos inevitáveis conflitos» (Delors, 2001: 18-19). Seria esta a realidade desejável. Porém, na prática, as coisas não se passam bem deste modo. Com efeito, a escassa participação a nível colectivo, que manifestam as famílias, dentro da escola terá colocado os alunos disruptivos, no limiar da exclusão social, realidade esta que poderá determinar a marginalidade, o insucesso e o abandono escolares. 3405 Trata-se de um processo complexo, cuja resolução poderá passar pela formação de professores que, dada a sua função pedagógica e altruísta, nos poderá fazer sentir o prazer da descoberta, levando-nos a «ultrapassar as barreiras étnicas, económicas, sociais, culturais e religiosas, partindo para a construção de laços de união que permitam transcender as culturas e as vidas a elas ligadas» (Carreiro, 2002: 2). Sentimos, deste modo, o imperativo de falar de educação para a cidadania, de educação para a paz, para os valores, para os direitos humanos e igualdades de oportunidades, de prevenção, de tolerância e convivência, de cooperação e mediação de conflitos. Porém, o nosso quotidiano está profundamente marcado por atitudes de intolerância, de marginalização, de estereótipos de vária ordem, por preconceitos, manifestações de racismo e de xenofobia, tanto na sociedade, como na própria escola. Deste modo, interrogamo-nos: como serão percebidos os conflitos no contexto escolar? Saberá a escola transformar um conflito em fonte de conhecimento e desenvolvimento? Como superar situações, por vezes já muito graves e extensas, de indisciplina, em cujas origens, não raro, estão factores externos à escola e sobre os quais esta tem fraca ou nula capacidade de intervenção? Que estratégias e instrumentos se devem utilizar para eliminar ou diminuir os conflitos? Estarão os professores preparados para transformar problemas de disciplina ou conflitos disruptivos em acções que visem o desenvolvimento pessoal e a inserção social? Como romper com o individualismo pedagógico que ainda marca tantas culturas de escola e de professores individualmente considerados? Perante estas e outras interrogações, e tendo em conta o contexto da nossa investigação, estabelecemos os seguintes objectivos: reconhecer a diversidade conflitual e as causas dos conflitos no Agrupamento Vertical de Vidago; descobrir quais são as estratégias e as técnicas mais habituais na escola para a resolução de conflitos; conhecer as representações dos professores sobre estratégias de resolução de conflitos e desenvolver a reflexão sobre a acção dos professores no âmbito da mediação de conflitos escolares. Na óptica de uma consecução destes objectivos e com o propósito de responder às questões levantadas optamos pela metodologia qualitativa dado que, assenta num conjunto de propriedades que se aplicam às características da nossa investigação. Permite «extraer datos de la realidad con el fin de ser contrastados desde el prisma del método» (Serrano, 2001: 50). Possibilita, para além disso, fazer o cruzamento dos dados obtidos, recolher informação através de diferentes fontes, de modo a que a circularidade e complementaridade metodológica permitam estabelecer processos de exploração em espiral. Ou seja, tem a particularidade de facultar através do processo de triangulação, o contraste e a validação da informação obtida através da diversidade de fontes. 3406 1- INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Da intervenção realizada junto de professores e alunos, se não surgiu “uma nova relação produtiva” no processo de resolução de conflitos para os intervenientes, pelo menos, surgiu um processo de resolução de conflitos “mais produtiva”. Efectivamente, os resultados obtidos no estudo realizado no Agrupamento, parecem indicar que os objectivos iniciais foram alcançados e que as condições desejáveis, previamente definidas, se verificaram. Os tipos de instrumentos utilizados na recolha de informação (questionário, entrevista e observação), não permitiram, entre si e de forma absoluta, cruzamentos quantitativos dos resultados. Quando muito, ofereceram a possibilidade de recorrer a três padrões de medida e análise, cujos itens e indicadores podem ser comparados, fornecendo a partir desse processo, indicações tendenciais sobre as orientações na construção das representações e as causas que mais influenciam a acção do professor como agente de mediação no conflito escolar no Agrupamento Vertical de Vidago. Deste modo, será nossa intenção proceder ao «control cruzado entre diferentes fuentes de datos» (Kemmis citado por Bisquerra, 1989:264) considerando as categorias: Percepção do conflito escolar, Arquétipos conflituais, Estratégias de intervenção e Conduta dos professores. 1.1-PERCEPÇÃO DO CONFLITO ESCOLAR A multiplicidade de factos sociais que se podem catalogar na égide do termo “conflito”, fazem com que não exista consenso quanto a uma definição única. Se algumas definições só explicam a essência dos conflitos interpessoais, outras identificam os rasgos mais gerais e permitem englobar qualquer tipo de conflito (Murguia, 1999). Os conflitos poderão derivar de um simples mal entendido entre amigos ou de situações tão complexas, como a violência na sala de aula. Consciente ou inconscientemente, acabamos por admitir que os conflitos são parte da vida e que a sua resolução deverá ser tentada antes que desemboquem em algo mais complexo ou violento. Assim, a interpretação da temática Percepção do conflito escolar no Agrupamento Vertical de Vidago permite-nos aferir que: Os conflitos de um modo geral estão relacionados com tumultos entre pares dentro e fora das aulas, agressões verbais e alguma violência física entre alunos e são geralmente «causados por um grupo de alunos cujas famílias têm fracos recursos económicos». Apesar de serem tão naturais e inevitáveis como a existência humana, e de constituírem uma realidade ou um facto mais ou menos quotidiano na educação, são considerados pela maioria dos professores como um valor. No seu entender, os conflitos escolares são fonte de debate e devem continuar a «servir de base para la crítica pedagógica y, por supuesto, como una 3407 esfera de lucha ideológica y articulación de práticas sociales y educativas liberadoras» (Escudero citado por Jares, 2001: 35). Esta teoria não violenta do conflito escolar, infelizmente não chega a ser partilhada de igual modo por todos os docentes, notando-se uma divergência de opiniões em relação ao valor dos conflitos escolares. Enquanto uns defendem que o conflito é negativo e destrutivo – Jares (1999) alerta para esta situação - e que as suas consequências são sempre negativas e prejudiciais para a convivência. Outros, vêem a problemática da conflituosidade como «uma realidade positiva», «uma problemática bastante importante e que tem que ser tratada e trabalhada» e «que seria uma irresponsabilidade (…) se não se aproveitassem os conflitos para melhorar as coisas». O conflito escolar é assim apreciado como uma oportunidade transformadora da escola e que, através de uma gestão positiva, a comunidade escolar pode conseguir acordos que visem o desenvolvimento das capacidades «personales de predisposición al acuerdo y a la cooperación» (Burguet, 1999: 60). Para que tal seja uma realidade, será necessário fomentar um ambiente de convivência, identificando os locais onde aparecem mais frequentemente os conflitos na escola. Nos corredores, na sala de aula, nos locais reservados aos alunos os conflitos surgem. A maior parte destes conflitos têm vindo a ser provocados por alunos com idades compreendidas entre os 13-14 anos, de ambos os sexos que frequentam geralmente o 2º ciclo e apresentam pelo menos uma retenção. Segundo a opinião dos professores, estes alunos são provenientes das classes menos favorecidas. Como referem os entrevistados «muitos dos conflitos estão relacionados com a diversidade cultural, económica e social». Nesta linha e segundo as opiniões expressas , a família e a escola assumem um papel de relevo ao serem gerenciadoras de problemas de convivência e disciplina. A família porque «representa o centro modelado de conductas y primer creador de valores para los niños» (Fernández, 1998:124) e a escola porque possui uma cultura organizada em função dos normativos legais, esquecendo-se frequentemente de se organizar em função da sua multiculturalidade, dos valores e de normas elaboradas e partilhadas pelos seus actores. Os professores são conscientes de que os conflitos, pela sua complexidade e diversidade, são difíceis de avaliar dado que, «no basta con comprender el conflicto en sí, ni el motivo que le dio origen, ni la manera que tiene de manifestarse; es imprescindible conocer las relaciones anteriores, las expectativas de las partes y sus posiciones relativas» (Murguía, 1999: 25). No cômputo geral, os conflitos no Agrupamento têm vindo a ser uma boa fonte para o conhecimento da realidade social e de desenvolvimento da cooperação. Permitiram adquirir valiosas habilidades de comunicação e de conhecimento profundo dos outros e de nós mesmos. 3408 Foram e são fonte de riqueza mas o mais importante de tudo, não estará relacionado com a sua existência mas sim, com a forma como os professores acabaram por interpretá-los e preveni-los. 1.2-ARQUÉTIPOS CONFLITUAIS A temática Arquétipos conflituais levanta uma série de questões que se prendem com o seu significado. Por isso, em primeiro lugar, antes de nos debruçarmos em profundidade na interpretação desta categoria, devemos deixar bem claro o termo a que chamamos arquétipos conflituais. Chamamos arquétipos conflituais a uma quantidade de situações conflituosas que surgem dentro e fora da escola e que dificultam o cumprimento da acção pedagógica, gerandose uma certa sensação de impotência e mal estar. A lista de situações conflituosas é abundante e variada. Elas poderão agrupar-se segundo distintos critérios de classificação (grau de gravidade, situações que envolvem um ou mais indivíduos, presença ou ausência de violência, presença de atitudes agressivas dirigidas ao professor e do seu carácter permanente ou transitório). Não obstante, esta tentativa de classificação excede os limites desta alínea, de modo que só citaremos os arquétipos que são relatados pelos professores do Agrupamento. Entre os alunos da escola «os roubos ou actos de violência não são uma constante» sendo os conflitos provocados em grande parte por «atitudes de insolência» agressões verbais, insultos e ameaças. As agressões, insultos ou ameaças, produzem-se frequentemente durante disputas nos recintos mais frequentados pelos alunos, onde é difícil diferenciar quem é a vítima ou o agressor. «Las agresiones entre escolares son parte del curriculum oculto» (Fernández (1998: 47) e as vítimas são de um modo geral alunos débeis fisicamente. A agressividade é um acto rotineiro no quotidiano da escola. Felizmente, um número elevado de professores ainda são meros espectadores e somente uns poucos passaram a integrar o grupo das vítimas de agressões verbais. Alunos e professores acabam por passar muito tempo no contexto social a que chamamos sala de aula e, como em todas as situações sociais, interagem entre si. Cada turma desenvolve os seus próprios processos internos, os seus padrões de interacção e os seus limites. É como se linhas imaginárias guiassem e controlassem o comportamento dentro do grupo. Atendendo aos resultados verificamos que o clima relacional dentro das salas de aulas tem vindo a ser afectado por: problema de indisciplina, carência de hábitos de trabalho, desinteresse ou falta de atenção. A observação dos dados permite-nos constatar que a disrupção estará relacionada com 3409 as faltas de respeito, interrupções constantes durante a exposição da matéria, os gracejos, problemas relacionais, desmotivação, a falta de estudo, «com o arrastar da cadeira» ou ao «atirar da caneta a outro colega»,. No entanto, quando centramos a nossa atenção no professor, verificamos que também ele poderá ser fonte de indisciplina. «Um professor demasiado expositivo (..) não consegue motivar o aluno» e «es indudable que las repercursiones de su comportamiento en la aula son imediatas» (Ramírez, 2001: 41). Por isso, métodos de trabalho e de controlo da sala de aula são peças importantes para favorecer ou contrariar os problemas de disrupção (Fernández 1998). Face aos resultados, facilmente depreendemos que os professores reconhecem a diversidade conflitual e as suas possíveis causas. São conscientes de que a convivência não é fácil, ainda menos numa escola onde os interesses se intercruzam e dão lugar a momentos de confrontação. Não há resolução de conflitos sem uma reconstrução de relações. No Agrupamento Vertical de Vidago há a consciência de que a convivência «no es tanto algo que se nos da algo que se consigue» (Viñas, 2004:32) e que «el planteamiento serio sobre las relaciones de convivencia en el centro es un aspecto que hay que trabajar» (idem). Os processos de comunicação dão cada vez maior importância ao conhecimento dos arquétipos dos conflitos, à sua análise e tratamento, já que estão relacionados com a dinâmica da organização e com a eficácia das soluções. Por isso, de seguida iremos centrar-nos na análise das estratégias de intervenção do Agrupamento, como se pode actuar para melhorar a comunicação e, como consequência disso, como ajudar na resolução dos conflitos. 1.3- ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO Um dos pontos centrais de abordagem à prevenção e resolução de conflitos, deve passar pela interiorização de que os grupos escolares se vão construindo ao largo dos anos de escolaridade. Isto significa que um grupo ao longo dos anos poderá apresentar características conflituosas, mecanismos distorcivos que a escola tem de ser capaz de neutralizar. A escola não pode fracassar na sua tentativa de prevenção. No Agrupamento, a globalidade das opiniões referentes à temática das Estratégias de Intervenção, permitem acentuar que a resolução das situações de conflituosidade dependem em muitos casos da acção colectiva. Os resultados apontam para uma percentagem dos professores com opinião idêntica aos entrevistados, quando estes referem que «o ponto de partida deve ser a detecção das causas dos problemas e a elaboração de um plano de consciencialização». Isto permite-nos concluir que os 3410 professores – seguindo os conselhos de Carbonell e Pena (2001) - apostam na prevenção tentando elaborar um plano de actuação que vise contrariar as condutas conflituosas. A maior parte das estratégias de actuação inserirem-se num modelo de intervenção que permite a «regulación y resolución de forma justa y no violenta» (Jares, 2001: 35) dos conflitos. Eles combatem-se «mais facilmente quando a convivência se desenvolver num ambiente cooperativo», dado que a interdependência positiva oferece uma maior oportunidade para falar, discutir e relacionar-se. Por isso, a técnica da escuta activa na resolução de conflitos usa-se com regularidade. No fundo, o que persegue não é mais do que a criação de um clima relacional que vise: • Eliminar as acções anti-sociais fomentando a convivência; • Incentivar a reflexão de professores e alunos sobre os direitos e deveres expressos no Regulamento Interno, para se evitar a todo o custo as sanções disciplinares; • Prestar atenção aos casos de indisciplina tentando que cada professor os resolva isoladamente com os seus próprios alunos. Não será por isso, de estranhar que no Agrupamento se defenda a resolução dos conflitos de uma forma construtiva. Esta deverá passar pelo estabelecimento de contextos cooperativos de forma a que todos os intervenientes possam praticar e ver reconhecidas as suas habilidades sociais. 1.4- CONDUTA DOS PROFESSORES. A educação requer a colaboração de todos os agentes educativos dado que, «comunicarse, cooperar, ser solidario es algo que además de ser objeto de enseñanza, ha de constituir el entramado de la vida escolar» (Fernández 1998: 80). Para além dos jogos de poder, o professor é responsável por aquilo que ensina. Dentro desta dualidade é necessário entender o papel do professor, para compreender até que ponto a sua actividade é complexa e tem efeitos na convivência. Apesar de todas as fragilidades e ambiguidades, é inegável que «abrirse camino en el análisis de la convivência siempre resulta difícil» (Ortega y Rey, 2003: 28). O carácter urgente dos problemas obriga os professores a tomar decisões rápidas e concretas, onde as condutas dos professores deverão primar por uma atitude compreensiva, solidária (mas também firme e coerente), um estilo relacinal justo e democrático. Um número significativo de professores reclama o envolvimento de toda a comunidade na resolução das situações conflituosas já que, só «com a ajuda de todos é que podemos encontrar o bom caminho». As relações interpessoais tendem a causar tensões quando há partilha de espaços ou a 3411 submissão a normas e actividades pelo que, «o mais importante é escolher a técnica mais adequada» e que esta vise o estabelecimento de regras de convivência e desempenho. Esta forma de agir aliada ao facto dos professores pretenderem prevenir a conflituosidade, tornou-se uma preocupação para os docentes. A tendência legal do professor comunicar a situação anómala ao Director de Turma antes de se envolver pessoalmente na resolução do conflito, aliada aos procedimentos, deixa depreender que existe uma certa sensibilidade em relação: • às atitudes que devem ser tomadas quando confrontados com um conflito; • ao facto das técnicas curriculares se constituírem como recursos educativos que devem apelar à criatividade, à busca e à investigação cooperativa, ao bem-estar cognitivo e lúdico em conjunto; • à circunstância de que, na socialização em grupo se deverá fomentar a escuta activa, salvaguardando o grupo de alunos que necessitaram mais de uma atenção individualizada; • à participação já que fomenta actividades de cooperação, de comunicação fazendo protagonistas e responsáveis os alunos. • à organização escolar dado que, nenhum dos aspectos anteriormente citados se poderá realizar numa escola que não admita mudanças e não favoreça momentos de encontro. CONCLUSÃO E LINHAS DE ACTUAÇÃO Um trabalho que como o presente, se inscreve no domínio dos conflitos escolares permite e, porventura, exige que se retirem conclusões em dois planos diferentes: o da investigação (o do conhecimento alcançado em termos de avanço e de limitações para a compreensão de determinada realidade) e o das possíveis relações entre esse conhecimento e a acção. Para muitos, um dos problemas chave do sistema educativo ou, pelo menos de grande relevo, os conflitos escolares, não deixam, por isso mesmo, de ser fonte de grande perturbação das ideias e das práticas. Possivelmente, mais das ideias (já que nos é mais fácil alvitrar) que das práticas, se tivermos presente os incontáveis vestígios que relatam acerca destas últimas, hábitos arreigados em tradições difíceis de interromper, mesmo quando, manifestamente constrangedoras e unanimemente criticadas. A tentativa de passar a responsabilidade da resolução de conflitos para a esfera da escola e dos professores, abriu expectativas que, no entanto, acabaram por sair defraudadas. Não bastou que aos professores se reconhecesse capacidade mediadora; não bastou que do perfil profissional dos professores se tivesse retido o traço do especialista em determinado conteúdo 3412 de ensino; não bastou que se tivesse ignorado que a escola é muito mais do que o somatório de pessoas que nela aprendem e ensinam; não bastou considerar a escola como parte integrante da sociedade, para que o professor se esforce e se empenhe no capítulo da resolução de conflitos. Aquilo que faltou foram estratégias de intervenção familiar e de intervenção escolar. As conversas que mantivemos, com pais e professores sobre resolução de conflitos, se outros méritos não tiveram, pelo menos serviram de tentativa para vencer resistências e dificuldades de diversa ordem, para reconceptualizar o próprio conflito e abrir caminho em termos de futuro para a mediação. Quando começámos por questionar os professores acerca dos conflitos e das suas formas de resolução, a explicação e a análise das suas representações colocaram em destaque um conjunto de ideais, de valores, expectativas e juízos de valor que consideramos positivamente relacionadas. Porém, também é notório, ainda que com menor frequência, que surgiram críticas, dúvidas, incertezas, ansiedades, tanto referidas no presente como no futuro. Nas entrevistas baseadas nos contextos conflitológicos, as tensões não deixaram de se mostrar. Encontrámo-las na dificuldade claramente assumida em identificar por vezes, o papel desejável dos conflitos. Encontrámo-las nas críticas à concepção curricular do conflito (falta de clareza conceptual; articulação entre os componentes curriculares; de definição de finalidades e objectivos tidos por estes entrevistados como relevantes). Encontrámo-las, ainda, nas dificuldades e obstáculos relativos à cooperação não só entre professores, como entre as duas instituições (escola e família). Quando passámos à observação no cômputo geral, encontrámos um conjunto de atitudes inscritas em dimensões de diversa natureza que representam, no nosso entender, uma valorização muito positiva da estratégia adoptada, quer nos detenhamos em aspectos relacionados com o conflito escolar (acto ou acção conflituosa; pessoa ou grupo que o realiza; locais da escola onde decorrem mais frequentemente os conflitos; tipos de conflitos; causas dos conflitos dentro e fora da sala de aulas), quer consideremos aspectos dos produtos alcançados, em termos de resolução de conflitos (estratégias de resolução e técnicas de resolução). Porém, a afrouxar este potencial educativo, não podemos deixar de mencionar o facto de alguns passos relacionados com a resolução de conflitos serem pouco trabalhados nas situações estudadas, especialmente as que se prendem com a cooperação e mediação. Isto tende a remeter-nos para algumas considerações de ordem mais geral, onde alguns aspectos negativos referidos, não radicam apenas nas preocupações de resolução de conflitos na sala de aula mas também, em situações objectivas de preparação para intervir nesse domínio. A diversidade das fontes, bem como dos métodos utilizados na recolha de dados indispensáveis à confirmação ou infirmação das questões levantadas, permitiram-nos retirar 3413 junto de professores e pais do Agrupamento Vertical de Vidago as seguintes conclusões: • reconhecem a diversidade conflitual, são sensíveis ao carácter social dos conflitos e apreciam as vantagens da sua prevenção; • defendem que uma das melhores formas de resolver os conflitos é através da criação de ambiente cooperativo; • ainda não está suficientemente implementada a utilização da mediação; • a não aplicação da mediação na resolução de conflitos, poderá estar, de algum modo, relacionada com a falta de formação nesta área. A presença no Agrupamento Vertical de Vidago de alunos que não se concentram nas suas tarefas e importunam constantemente, que agridem quer física ou verbalmente colegas e professores; alunos com dificuldades severas de aprendizagem e de comunicação que permanecem fechados em si mesmos e têm problemas de atenção; grupos de adolescentes que não prestam atenção nas aulas e ostentam atitudes de desafio e provocação para colegas e professores; alunos cujos objectivos não são mais do que destruir ou vandalizar as instalações; grupos apáticos que não demonstram interesse nem entusiasmo pelas tarefas escolares e não valorizam as aprendizagens; a grande quantidade de situações que aparecem nas aulas e que dificultam o cumprimento da acção pedagógica do professor e a sensação de impotência e de mal estar docente por não poder superá-las, fazem com que o inventário dos conflitos seja abundante e variado. Eles poder-se-iam agrupar segundo distintos critérios de classificação como grau de gravidade, presença ou ausência de agressão física ou de carácter permanente ou transitório. No dia a dia do Agrupamento Vertical de Vidago os conflitos são conceptualizados a partir de pontos de vista (positivos e negativos). Nota-se assim, que ainda há quem careça de habilidades necessárias para resolver de forma construtiva os conflitos. O reconhecimento do valor pedagógico do conflito, apesar de tudo, tem um significado especial no Agrupamento de análise dado que, para além de ajudar a reconhecer a diversidade nele existente, é uma excelente oportunidade para aprender/ensinar a ser tolerante e a resolver conflitos numa sociedade cada vez mais heterogénea e conflituosa. Para ajudar a enfrentar os elevados níveis de ambiguidade da actual sociedade, será necessário que no Agrupamento se modifique plenamente o processo de construção do conhecimento e os papéis em cujo contexto ele se reproduz. Será necessário dar ao aluno um crescente protagonismo na sua própria aprendizagem, ensinando-o a reconhecer e a resolver os conflitos de forma positiva, através da reflexão, comunicação ou cooperação. Democratizar os canais de comunicação implica redefinir a autoridade. A experiência tem vindo a demonstrar que parte dos professores do Agrupamento temem perder a sua 3414 autoridade ante a participação activa de outros docentes e alunos na comunicação. A equidade da comunicação baseia-se no saber escutar e expressar as ideias num clima de respeito. «Su lugar se legitima cuando es transmisora de acciones de justicia, cuando favorece la cooperación y reconoce la autonomía» (Brandoni, 1999:139). A tentativa de incorporar a aprendizagem cooperativa no Agrupamento como actividade normal, não tem sido mais do que um esforço para legitimar os comportamentos de pedir e proporcionar ajuda. Alunos e professores beneficiaram deste esforço, melhoraram o seu conjunto de conhecimentos sociais, alteraram comportamentos e melhoraram o seu desempenho escolar ou profissional. Em função do anteriormente referido, não será de admirar que, quando questionamos a maioria dos professores envolvidos sobre os benefícios da cooperação, estes explicitem que todos os alunos beneficiaram, tanto na aprendizagem dos conteúdos, como em relação à educação de valores. Partilhar com os alunos a acção cooperativa permite e exige dos professores a realização de tarefas diferentes (ensinar a cooperar e a resolver conflitos de forma positiva, proporcionar e distribuir as oportunidades de protagonismo pelos alunos) daquelas que habitualmente vêm realizando (explicar, perguntar e avaliar). Os professores que usaram a aprendizagem cooperativa acabam por desempenhar papel de mediadores, aumentando o protagonismo dos seus alunos na construção do conhecimento e na resolução de conflitos. Tendo como pontos de referência as conclusões anteriormente apresentadas, ousamos propor: - Partindo antecipadamente do reconhecimento da presença de conflitos no relacionamento humano e da vontade em diminuir as incompatibilidades (não a partir da eliminação da diferença, mas sim desde a aceitação e defesa da pluralidade) pais e professores devem renunciar à violência para resolve-lo. - Que seja implementada uma pedagogia que vise a adopção da realidade e que nos permita reconhecer a presença do conflito como um fenómeno universal e admitir, de forma evidente e não passiva, que a conjuntura conflituosa é intrínseco no ser humano. A realidade conflitiva tem de ser encarada como produtora de vida já que é capaz de proporcionar mudanças e renovação. - Reconheça-se que nem todos os conflitos são passíveis de ser resolvidos, nem sequer tratáveis, mas admita-se que as desavenças podem ser construtivas ao permitir desenvolver estratégias que visam uma convivência pacífica no período em que decorrem as situações de conflito. Por isso, defendemos uma cultura que encare o conflito desde os parâmetros da 3415 construtividade positiva. - Que haja a consciência de que as pessoas têm limites e não podem resolver tudo. Por isso, nesta perspectiva defendemos a gestão de conflitos em vez da resolução de conflitos dado que, a gestão permite às diferentes partes o desenvolvimento de um crescimento positivo. Pensamos também, que este processo funciona como forma preventiva do conflito ao fomentar o diálogo e permitir o conhecimento mútuo, ou seja, conhecer tudo aquilo que têm de comum e que tende a ser ignorado. - Que a gestão de conflitos dever ser vista como uma acção que visa a prevenção. Não ataca os sintomas do conflito mas sim as causas. Não aporta soluções directas dado que, a sua função é a de criar condições para que os litigantes se impliquem na gestão do conflito e avancem no sentido de entreverem que chegar a um acordo é possível. - Um diálogo franco permite obter consensos através da reestruturação das próprias posições. O favorecimento das estratégias comunicativas permite que as partes obtenham acordos. A humilhação tem tendência para criar ressentimentos enquanto que a liberdade é fomentadora de culturas de cooperação. Pensamos que os conflitos se podem resolver com mais do que um ganhador ou sem perdedores por isso, defendemos a mediação como meio de eliminar as diferenças e tornar factível a homogeneidade social. - Que os professores olhem para mediação como cultura que se opõe à “mediatez”, que tem sempre presente o factor tempo e que responde a uma ética discursiva que favorece o diálogo aberto entre as partes. Uma cultura da mediação que pressuponha uma cultura de comunicação, que facilite aos implicados as possíveis soluções recuperando «la sintonia perdida entre las partes a través de un proceso encaminado a afrontar los problemas que constityen la raiz de fondo del conflito» (Burguet, 1999: 186). - A partir das actividades realizadas pelo professor (quer na sala de aula, quer na gestão de conflitos) deve-se desenhar um mapa que sirva de esboço às necessidades formativas. Através desta acção ficaríamos a saber no campo da gestão de conflitos, a bagagem conceptual, as ferramentas, as atitudes e normas que seja necessário consolidar nos professores. - Que o processo de mediação no campo pedagógico sirva para reconhecer o professor como: • Agente social que perante questões de índole social controversas (diferendos entre pais, professores, alunos e pessoal não docente; administrativas; de aprendizagem) se implica na gestão directa dos conflitos e desenvolve o papel de gestor e mediador dos mesmos; • Mediador entre os saberes e o aluno dado que, o professor conduz o aluno às fontes onde poderá obter saber, acompanhando-o e favorecendo estratégias para o saber. 3416 Com base na alteridade ajudará o aluno a envolver-se nos processos de socialização e participação social; • Agente da imparcialidade e da neutralidade dado que perante a existência de conflitos que, de um modo geral, comportam valores pessoais e sociais, o professor no exercício da sua função tem que se esforçar por ser imparcial e neutro. - Propomos a criação de processos educativos, apoiados nos conteúdos básicos do currículo (conceitos, atitudes, valores e normas e os procedimentos), que visem o desenvolvimento nos professores e alunos de determinadas capacidades e estratégias que os predisponham para a aceitação e construção de atitudes cooperativas nas situações de conflito. A delineação destes processos poderá contribuir, dentro do espírito da mediação, para o desenho das estratégias pedagógicas que conduzirão a uma cultura de paz e esbater o paradigma da competição em prol do paradigma da cooperação. - Que os professores ajudem a criar variáveis pedagógicas ou estratégias como comunicação, cultura de consenso, auto-estima, autonomia, habilidades acertivas, reconhecer a alteridade para se poder intervir adequadamente nos processos de gestão de conflitos e contribuir para a sua redução. - Promover conjunturas que favoreçam a prevenção de conflitos. A criação de relações cooperativas reduz os riscos do uso da violência e de novos conflitos. Reconhecer o outro como interlocutor válido, implica reconhecer uma pluralidade de canais de «comunición quinestésicos y proxémicos que el próprio cuerpo ofrece y propicia nuevas vias de tramiento de conflicto en las quales pueden quedar reflejadas las capacidades dialógicas de la persona tan plural» (Burguet, 1999: 190). Por isso, será também necessário que a criação de uma pedagogia que contemple o beneplácito do insucesso. Admiti-lo, para além de permitir conviver mais facilmente com o conflito, poderá ser fonte de prevenção de novos conflitos. - Ao observarmos os preceitos morais da LBSE como princípios de liberdade, apercebemo-nos que os alunos terão obrigatoriamente que ser preparados para estar ao serviço desses princípios, só podendo ser responsáveis e responsabilizados se também forem correctamente formados e preparados nos mesmos princípios de liberdade (Patrício, 1990). A imposição de decretos ou leis tende a ocasionar conflitos apesar da sua finalidade ser a de regular os sistemas de convivência. Por isso, não se deve impor mas sim, proporcionar aos alunos um pleno desenvolvimento da personalidade, da formação do carácter e da cidadania, preparando-o para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos. Pretendemos deste modo, que se assegure o direito à diferença, mercê do respeito pelas personalidades e pelos projectos individuais da existência. - Advogamos por uma proposta de formação orientada para a investigação. Este 3417 paradigma assenta na irrepetibilidade de cada situação educativa e de cada professor. Este assume um papel activo e decide perante as situações educativas. Dentro deste campo conceptual, o professor é encarado como um profissional reflexivo, uma pessoa capaz de emitir um juízo crítico sobre a sua prática e o contexto onde se insere. Deste modo, os professores mudarão as suas atitudes, questionando-se permanentemente, numa atitude de espírito aberto que os leva a rever continuamente as práticas. Logo, do ponto de vista educativo, iremos assistir a alterações conceptuais e metodológicas importantes. Estas alterações serão a pedra de toque para a definição de uma nova concepção de escola, como lugar de mudança e de um estilo de professor centrado na reflexão e no debate criativo com os demais docentes. É evidente que não é fácil levar os professores a assumir esta cultura profissional que, para além de exigir tempo, exige uma reestruturação da formação inicial e contínua de professores, onde esta última será de extrema importância no assumir e promover a reflexão. «Evidentemente que as questões aqui levantadas valem apenas para o questionamento do perfil dos trabalhos de campo enquanto modo particular de operacionalização de uma estratégia de formação pela investigação» (Esteves, 2002: 515). Por isso, não nos podemos esquecer que as conjunturas analisadas poderão ser estudadas por outros processos formativos, perante as quais, esta problemática se pode tornar irrelevante ou sem sentido, por aí acontecerem as contrapartidas para as fragilidades verificadas. Deste modo, reduzindo este trabalho à sua exacta dimensão e alcance, ousamos pensar que, apesar de modesto, este trabalho será tomado como um momento de um percurso mais geral de investigação de problemas relativos à resolução de conflitos que pessoalmente gostaríamos que continuasse e se reforçasse. BIBLIOGRAFIA BISQUERRA, R. (1989). Métodos de Investigación Educativa. Guia Practica. Barcelona Ediciones CEAC. BRANDONI, F. (comp.) (1999). Mediación Escolar. Propuestas, Reflexiones y Experiencias. Barcelona, Paidós. BURGUET, M. (1999). El Educador como Gestor de Conflictos. Bilbao, Editorial Desclée de Brouwer. CAMP, E. V. (2003). (Coord.). Aprender del Conflicto. Conflictologia y Educación. Barcelona, Graó. CAMP, E. V. 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