Efemeridade, Individualismo e
Multiplicidade na Comunicação
Estudo de caso: Cobertura da São Paulo
Fashion Week no Portal Terra.
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
Aletéia Ferreira Vasconcellos
Moda na Cibercultura:
Efemeridade, Individualismo e
Multiplicidade na Comunicação
Estudo de caso: Cobertura da São Paulo Fashion Week no Portal Terra.
Curitiba
2007
Aletéia Ferreira Vasconcellos
Moda na Cibercultura:
Efemeridade, Individualismo e
Multiplicidade na Comunicação
Estudo de caso: Cobertura da São Paulo Fashion Week no Portal Terra.
Dissertação
apresentada
ao
Mestrado
de
Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti
do Paraná, para obtenção do título de mestre.
Orientadora: Dra. Adriana Amaral
Curitiba
Junho 2007
AGRADECIMENTOS
Muitas pessoas foram importantes para que eu começasse e concluísse este trabalho.
Agradeço em primeiro lugar ao Cristiano meu marido, namorado, amante, amigo, e
companheiro que me incentivou e me aturou em todas as fases. Minha querida
orientadora profª Adriana Amaral que me colocou na linha, nas viagens do mundo
fashion, que teve paciência e me mostrou outros mundos. Aos queridos professores:
Claudia Quadros, Denize Araújo, Diana Domingues e Francisco Menezes, sempre
atenciosos. Gostaria ainda de agradecer aos meus pais que sempre me apoiaram em
todas as minhas escolhas. E finalmente aos novos amigos: Ana Rita, Lílian, Dulcinéia,
Fernanda, Michele e especialmente ao Sílvio e as “super poderosas” amigas Josiany e
Paula companheiras de artigos, de idéias, viagens, sempre por perto.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .............................................................................................................
1
1 MODA ....................................................................................................................... 6
1.1 MODA NO BRASIL .............................................................................................. 8
1.2 SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO E PARANÁ ....................................................... 11
1.3 CONSUMO DA MODA ......................................................................................... 16
1.4 CONSUMO DA MODA NA INTERNET ................................................................ 18
1.5 MODA, MULHERES E EROTISMO ..................................................................... 23
2 CIBERCULTURA .................................................................................................... 28
2.1 CIBERESPAÇO ................................................................................................... 33
2.2 MODA CYBERPUNK ........................................................................................... 38
2.3 CIBERMODA ........................................................................................................ 42
2.4 MODA E A CIBORGIZAÇÃO DOS CORPOS ...................................................... 46
2.5 CARACTERÍSTICAS DA MODA NA CIBERCULTURA ........................................ 51
2.5.1 Efemeridade ..................................................................................................... 52
2.5.2 Individualismo ................................................................................................... 61
2.5.3 Multiplicidade .................................................................................................... 68
3 COMUNICAÇÃO - MODA - CIBERCULTURA......................................................... 75
3.1 A MODA COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO ....................................................... 79
3.2 COMUNICAÇÃO DA MODA NA CIBERCULTURA............................................... 81
3.2.1 Comunicação e Marketing................................................................................ 81
3.2.2 Comunicação-Desfile-Publicidade ................................................................... 82
3.2.3 Exemplos de Comunicação da Moda na Internet ............................................ 88
Primeiro desfile de Moda ao vivo na rede .................................................... 88
Indústria Têxtil .............................................................................................. 89
Blogs de Moda ............................................................................................. 90
Blog Melissa Campanha: Create Yourself .................................................... 92
Orkut na Moda ............................................................................................. 94
Estilistas ....................................................................................................... 95
Consultores de Moda ................................................................................... 96
Portais de Moda ........................................................................................... 97
Marcas e Lojas .............................................................................................. 98
Aprendizagem na Rede ................................................................................100
3.2.3 Ações Diferenciadas de Comunicação e Marketing.........................................101
Grifes com venda exclusiva na web .............................................................101
Compra pela Vitrine ......................................................................................102
Hstern tour virtual .........................................................................................102
Vicunha Stereophonics mixa som e moda ...................................................102
Revista Elle + São Paulo Fashion Week no Celular ....................................102
Roupas Tecnológicas para o dia-a-dia .........................................................103
Roupas Tecnológicas: mistura ficção e emoção ..........................................103
Lançamento Rexona Crystal .........................................................................104
Blog Moto-à-porter ........................................................................................105
4 SÃO PAULO FASHION WEEK NA INTERNET – AS ESTRATÉGIAS DO
PORTAL TERRA ........................................................................................................107
4.1 BREVE HISTÓRICO DO EVENTO SÃO PAULO FASHION WEEK .....................107
4.2 ANÁLISE DO EVENTO COMO PROCESSO MIDIÁTICO NO PORTAL
TERRA .........................................................................................................................109
4.2.1 20ª Edição SPFW - 10 anos - janeiro - coleção outono-inverno ......................110
4.2.2 21ª Edição SPFW - julho - coleção primavera-verão ........................................111
4.3 METODOLOGIA DA PESQUISA ..........................................................................112
4.4 ANÁLISE DOS RESULTADOS .............................................................................117
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................127
REFERÊNCIAS ...........................................................................................................131
ANEXO PESQUISA ....................................................................................................140
ANEXO IMAGENS REPRESENTATIVAS ................................................................... CD
LISTA DE TABELAS
TABELA 1- GERAÇÃO DE EMPREGOS FORMAIS NA CADEIA TÊXTIL ............... 12
TABELA 2 - CARACTERÍSTICAS DA MODA X CIBERCULTURA X
MODA NA CIBERCULTURA E SPFW NO PORTAL TERRA ..................................... 73
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: CADEIA PRODUTIVA DO SEGMENTO TÊXTIL ..................................... 9
FIGURA 2: 20ª EDIÇÃO SÃO PAULO FASHION WEEK ..........................................110
FIGURA 3: 21ª EDIÇÃO SÃO PAULO FASHION WEEK ..........................................111
RESUMO
O objetivo desse trabalho é analisar comparativamente algumas das principais
características do Sistema da Moda como efemeridade, individualismo (Lipovetsky,
1989) e multiplicidade (Mesquita, 2004), com a cibercultura como sinônimo da cultura
contemporânea. Levantamos a hipótese de que ambas possuem semelhanças em
suas características elementares. A comunicação está conectada à moda e à
cibercultura e será o viés teórico que permite esse estudo a partir de autores como
Jean Baudrillard, Gilles Lipovetsky, Michel Maffesoli, entre outros. Como a moda é
comunicada na cibercultura e no ciberespaço? Pretendemos analisar tais questões a
partir das relações entre a moda e a cibercultura no contexto das redes. O corpus da
pesquisa é constituído pela análise do maior evento de moda da América Latina, o
São Paulo Fashion Week em duas edições online, considerando suas estratégias de
comunicação e marketing nos eventos outono-inverno 2006 e primavera-verão
2006/07 no portal de informação Terra. Observamos as transformações da passagem
do evento para o contexto da internet e de que maneira acontece a comunicação do
evento em relação à moda no ciberespaço.
Palavras-chaves: cibercultura, comunicação, moda, marketing.
ABSTRACT
The objective of this work is to comparativily analyze some of the main characteristics
of the System of Fashion as ephemerid, individualism (Lipovetsky, 1989), multiplicity
(Mesquista, 2004), with the cyberculture as a synonym of the contemporary culture.
We raise the hypothesis that both possess similarities in their elementary
characteristics. The communication is connected to the fashion and it is cyberculture
and will be the theoretical bias that allows this study from authors as Jean Baudrillard,
Gilles Lipovetsky, Michel Maffesoli, among others. How is the fashion communicated
in the cyberculture and cyberspace? We intend to analyze these questions from the
connections between fashion and the cyberculture in the context of the nets. The
corpus of the research is constituted by the analysis of the biggest fashion event in
Latin America, the São Paulo Fashion Week in two editions online, considering its
strategies of communication and marketing in the autumn-winter 2006 and springsummer 2006/07 events in the gate of information Terra. We observe the
transformations of the passage
of the event to the internet context
communication towards the fashion in cyberspace happens.
Word-keys: communication, fashion, cyberculture, marketing.
and how its
INTRODUÇÃO
Comunicação, Moda e Cibercultura, possuem alguma relação? Quais as
conexões entre os três campos, aparentemente distintos? Por que pesquisar
Comunicação, Moda e Cibercultura ?
Revistas de moda, programas de televisão sobre o assunto, transformações
antes e depois, editoriais de moda, modelos, manequins, top models, übermodels,
desfiles, semanas de moda em Paris, Londres, Milão, Nova York, Madri, São Paulo,
Rio de Janeiro, Curitiba, super produções, à disposição gratuitamente na rede. A
comunicação, o marketing e a publicidade fazem parte desse universo da moda e
estão cada vez mais presentes, cada vez mais próximos das pessoas interessadas na
área ou para aquelas que apenas gostam do tema. Vimos no mestrado
a
oportunidade de estudar o mundo da comunicação da moda aliada à cibercultura e
suas transformações.
Uma das concepções a respeito da cibercultura é que ela abrange a cultura
das tecnologias de comunicação. Estamos vivenciando essa transformação e a moda
não foi excluída desse processo. Pretendemos estudar comparativamente os temas
e analisar as relações existentes entre eles e de que forma as características da moda
selecionadas estão presentes na cibercultura. Levantamos a hipótese de que ambas
possuem semelhanças em suas características elementares, estando bastante
"alinhavadas". A comunicação está conectada à moda e à cibercultura e será o viés
que "costura" esse estudo. Como a moda é comunicada na cibercultura e no
ciberespaço? Pretendemos responder tais questões analisando as relações entre a
moda e a cibercultura no contexto das redes.
A moda é um assunto instigante e polêmico, considerado por muitos como
futilidade,
e
visto
durante
muito
tempo
como
atividade
sem
importância.
Acompanhamos a evolução da moda a partir da análise do mercado e do marketing há
algum tempo. A moda no mundo contemporâneo "troca de roupa" e conquista
estudiosos e teóricos como Jean Baudrillard, Gilles Lipovetsky, Michel Maffesoli, entre
outros, que farão parte do referencial teórico da pesquisa.
O objetivo principal da pesquisa é estudar as novas formas de comunicar a
moda na cibercultura e no ciberespaço.
O objetivo específico é analisar se as
características selecionadas do sistema da moda, como a efemeridade, individualismo
(Lipovetsky,1989) e multiplicidade (Mesquita, 2004),
estão relacionadas
com as
características da cibercultura no ciberespaço. Neste trabalho não temos a
1
preocupação teórica com a indumentária ou com o ato de vestir em si, mas com o
processo comunicacional que abrange o sistema da moda, da confecção à divulgação
jornalística, a comunicação, o marketing, a publicidade que se dá nos interstícios entre
o corpo, o vestir, a indústria têxtil, as mídias e atualmente no ciberespaço.
A moda no Brasil e no mundo é uma importante fonte de geração de renda e
de emprego e um dos segmentos comerciais mais promissores da atualidade. Esse
mercado passa por uma fase importantíssima de profissionalização.
Um dos
exemplos é o aumento do número de cursos no meio acadêmico. Em 1990, tínhamos
no Brasil apenas 04 faculdades de moda, hoje são mais de 30 graduações, além de
pós-graduações lato senso e strictu sensu como é o caso do Mestrado em Moda, Arte
e Cultura do Senac SP, do Mestrado Profissionalizante em Moda pela Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, entre outros, sem contar os
inúmeros cursos técnicos profissionalizantes fornecidos pelo Senac, Senai e outras
instituições da área técnica e da área de gestão. Esse contexto propicia um aumento
expressivo na própria produção acadêmica sobre o tema. Consultamos o banco de
teses e dissertações do Capes de 1987 à 2004 e encontramos com o assunto "moda
e comunicação",
292 teses de doutorado, 1043 dissertações de mestrado e 27
dissertações profissionalizantes. Com o assunto "fashion" encontramos 04 teses de
doutorado e 11 dissertações de mestrado e muitas delas estão vinculadas às
faculdades de comunicação.
A pesquisa divide-se em quatro partes: Moda, Cibercultura, Comunicação e
Objeto de Pesquisa o evento São Paulo Fashion Week.
Iniciamos com a Moda, a palavra cuja etimologia é cercada de ambigüidades e
muitas origens. Abordamos a Moda no Brasil com um breve histórico e
panorama
econômico do setor e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
Abordarmos ainda o Consumo da Moda, com um estudo focado nas estratégias de
comunicação e marketing na relação moda,
mulheres e
erotismo. Uma esfera
dominada pelo universo feminino no sistema da moda e nos meios de comunicação,
que desempenham um papel decisivo no seu consumo. Muitas empresas estão
seguindo a evolução natural dos negócios e agrupando os consumidores em grupos
distintos, semelhantes, com afinidades e a Internet facilita muito esse processo.
Diversos softwares estão sendo desenvolvidos para filtrar, agrupar e conhecer melhor
cada nicho e subnichos. Cada vez mais o mercado de massa se converte em nichos.
Assim, um mercado antes invisível e pouco valorizado, agora se torna visível e
2
especial para as empresas interessadas em conhecer melhor seus clientes, em um
mercado onde a individualidade é imensamente valiosa.
Na segunda parte da pesquisa abordamos a Cibercultura sob a visão de
diversos autores como William Gibson, André Lemos, Sherry Turkle, Pierre Lèvy,
Adriana Amaral, Fábio Fernandes, Steve Mann, Donna Haraway, Dominique Wolton,
Steve Johnson, Castells, entre outros e a sua relação com a moda, tecnologia e o
ciberespaço. Percebemos que cada vez mais as pessoas estão optando pela
exploração das novidades e essas novidades são encontradas na cibercultura, através
dos resultados de buscas, das novidades tecnológicas, compras online, baixando
músicas, filmes, histórias em quadrinho (HQ’s), novelas na internet, assistindo os
desfiles ao vivo, tendo a possibilidade de ver fotos, vídeos, imprimir, copiar, enviar aos
amigos, etc. Abordaremos diversos objetos que possibilitam a proliferação da moda
em inúmeros ambientes além da internet, incluindo territórios de informação móvel,
celulares, iPods, laptops, palmtops, entre outros, que também estão conectados ao
sistema da moda. Estamos evoluindo de um mercado de massa para uma nova forma
de cultura, entrando na cultura de nicho, que se define agora não pela geografia, mas
pelos pontos em comum.
A Internet nos permite estar por dentro da efemeridade da moda através da
multiplicidade dos meios e com a individualidade de cada usuário, que pertence a um
determinado ou vários nichos. Ocorrendo a desterritorialização e a socialidade no
ciberespaço. De um lado dessa socialidade derivou o cyberpunk como elemento
estético, refletindo o visual e a moda cyberpunk, a cibermoda e a ciborgização dos
corpos.
Analisaremos
se
as
características
efemeridade,
individualidade
e
multiplicidade da moda estão presentes e como se manifestam na cibercultura, no
ciberespaço, na cultura de massa, nas tribos, nas subculturas e nos nichos.
A comunicação será o principal fator que conecta a moda e a cibercultura e
será abordada na terceira parte do trabalho através da representação da pirâmide
Moda, Cibercultura e Comunicação. Veremos a Moda como meio de comunicação, a
qual reforça as características escolhidas. A efemeridade está presente diariamente
nas roupas que usamos, a individualidade, no estilo de cada pessoa e a multiplicidade,
nos acessórios, no número de roupas que possuímos e o que queremos transmitir
com eles, que pode ser modificado diariamente. O indivíduo pode utilizar a moda como
comunicação no mundo real e no mundo virtual. A comunicação da moda é
apresentada no ciberespaço de diversas maneiras e ilustraremos isto com diversos
objetos de comunicação e de marketing.
3
A quarta parte é a análise do corpus da pesquisa, o evento São Paulo Fashion
Week, em sua 20ª e 21ª edições no Portal Terra. Observamos as transformações da
passagem do evento para o contexto da internet e de que maneira aconteceu a
comunicação do evento em relação à moda no ciberespaço. Optamos pela pesquisa
aplicada com o método do estudo exploratório, com entrevistas individuais. Utilizamos
a pesquisa qualitativa para busca de informações e percepções dos participantes com
uma entrevista semi-aberta e roteiro de questões-guia. Trabalhamos com duas obras,
dos organizadores Jorge Duarte e Antonio Barros Métodos - Técnicas de Pesquisa
em Comunicação - e com os autores Martin W. Bauer e George Gaskell - Pesquisa
Qualitativa com Texto, Imagem e Som.
A seleção dos entrevistados foi intencional:
escolhemos aleatóriamente 15
profissionais e 15 estudantes da área de Moda, Jornalismo e Webdesign ( 05 de
cada área) de diversas regiões do país.
A pesquisa foi divulgada em duas partes. Primeiramente no dia 26 de fevereiro
de 2007 no blog Espaço da Moda1, em 15 comunidades do Orkut ligadas a moda,
jornalismo e design, através de 35 recados(scraps) no orkut para amigos e 45 scraps
para ex-alunos. Como não obtivemos respostas suficientes, optamos por divulgar em
outros meios. A segunda parte da pesquisa foi realizada no dia 12 março com o envio
de 35 convites por e-mail para profissionais, 40 e-mail para ex-alunos, 15 e-mails para
correspondentes e 15 e-mails para os colunistas do Portal da Moda Brasil.
O critério para encerramento da pesquisa foi o recebimento das 30 primeiras
respostas no dia 23 de março de 2007.
Na área da moda entrevistamos estilistas, lojistas/vendedores, tecnólogo em
moda e estilo, empresários, modelos, relações públicas, fotógrafo e estudantes da
Universidade Federal do Paraná, Universidade Tuiuti do Paraná, Unicenp/PR,
Universidade Estadual de Londrina/PR, Universidade de Caxias do Sul/RS,
Universidade Federal de Pernambuco, Anhembi Morumbi/SP e da Universidade de
São Paulo.
Na área de Comunicação Social entrevistamos profissionais e estudantes de
jornalismo e relações públicas da Universidade Tuiuti do Paraná, Uniandrade/PR
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Feevale/RS, Universidade de Passo
Fundo/RS, PUC/PR e da PUC/SP.
1
Disponível em: http://espacodamoda.blogspot.com/2007/02/participe-da-minha-pesquisa.html
4
Já na área de Webdesign entrevistamos profissionais e estudantes dos cursos
de Design Industrial, Desenho Industrial e Webdesign da Univali/SC, PUC/PR,
Faculdade Opet/PR, Cefet/PR, Universidade Tuiuti do Paraná e Metodista/SP.
A partir da pesquisa exploratória e dos conceitos desenvolvidos, chegou-se à
construção das seguintes hipóteses para análise do objeto de estudo, a cobertura do
evento São Paulo Fashion Week.
Hipótese 1
Com o desenvolvimento e acessibilidade da Internet, as informações sobre o sistema
da moda são inovadoras e também se repetem na cobertura do evento São Paulo
Fashion Week 20a. e 21a. Edição. A forma da comunicação é a mesma, mudando
apenas as cores da estação, as chamadas sensasionalistas, dando grande destaque
para os famosos e apresentações diferenciadas nos desfiles como, por exemplo,
encerrando os desfiles com chuva e mulheres nuas. Mas será que o profissional e os
estudantes conseguirão visualizar essas diferenciações? Acreditamos que o
profissional possua uma visão mais aprofundada, mais específica da sua área
diferenciando-se da visão e da opinião dos estudantes.
Hipótese 2
A tecnologia proporcionou inovações que antes não possuíamos, como assistir os
vídeos dos desfiles, participar de enquetes, imprimir fotos, entre outros serviços
oferecidos no portal. Acreditamos que os profissionais e os estudantes vão valorizar
esses serviços e a comunicação da moda na cibercultura.
Hipótese 3
Os profissionais e estudantes de cada área farão uma análise diferente, de acordo
com sua formação, ou seja, os de moda focaram mais nas roupas/moda, os
jornalistas/estudantes na comunicação e os webdesigners no design, na estrutura do
site.
Traçaremos um paralelo com os profissionais entrevistados, ou seja, que
atuam no mercado de trabalho com os estudantes de Moda, Jornalismo e Webdesign.
Com as pesquisas teórica
e aplicada esperamos ampliar o escopo de questões
apresentadas sobre o tema, vislumbrando a moda na cibercultura como mais um
campo a ser explorado.
5
1 MODA
A palavra moda é cercada de ambigüidades. São muitas as origens para João
Braga (2006, p.15) define moda como: modo, maneira, e comportamento. A origem da
palavra latina é modus, que remete ao modo. De origem francesa "mode" uso,
hábito ou estilo. Na moda de origem inglesa, Barnard (2003, p.23) dedica o primeiro
capítulo da obra "Moda e Comunicação" a explicar que a etimologia da palavra
“fashion” remete ao latim factio, que significa fazendo ou fabricando, com caráter
industrial (da língua inglesa a palavra “faction” (facção), até facere, isto é, fazer ou
fabricar). Segundo, Palomino o termo afrancesado tornou-se sinônimo de "façon", cuja
apropriação pela língua inglesa deu origem à expressão "fashion". (PALOMINO, 2000,
p.15).
Barnard, complementa: "só o contexto permite a identificação de uma peça de
roupa como moda ou não-moda, assim como é somente o contexto que permite
identificar o significado correto dessas palavras" (Ib., p. 36).
A palavra moda, modus, mode ou fashion, imagem, corpo, estilo, tendência,
roupas, indumentária, adorno, traje, beleza, entre outras palavras, estão ligadas ao
sistema da moda2. Há um sistema complexo por trás disso tudo, da moda como
técnica e como processo comunicacional. Mas, onde tudo isto começou?
O termo moda surgiu no final da Idade Média, princípio da Idade Moderna
(Renascimento), com características peculiares tais como: ser, de fato, um
diferenciador social, um diferenciador de sexo (uma vez que homens e mulheres
vestiam-se com aparências muitos semelhantes) e à busca da individualidade.
(BRAGA, 2005, p.16).
Mas será que sempre foi como é hoje? Uma moda com "prazo de validade", a
cada coleção tudo se transforma. A moda é reinventada cada vez mais rapidamente e,
como estamos na era do capitalismo e do consumismo, o público-alvo é absorvido e
envolvido para fazer parte dessa engrenagem que faz girar o looping do setor da
moda, englobando o setor têxtil, calçadistas, de acessórios e toda indústria da moda.
2
O sistema da moda que falamos engloba o contexto filosófico, sociológico, antropológico, psicológico,
artístico, assim como a relação com a comunicação, marketing, economia, planejamento, pesquisa,
envolvendo desde a cadeia têxtil, passando por todos os processos de produção até atingir o público alvo,
ou seja, o consumidor final.
6
Não temos como objetivo incluir um histórico completo da moda pois, além do
assunto ser muito amplo e rico em detalhes, excederíamos a proposta do trabalho.
A moda é um dispositivo social, promovido pela estética do cotidiano,
caracterizada por uma temporalidade particularmente breve, que afeta todas as
classes sociais, homens, mulheres, adolescentes, crianças e idosos.
O que estará na moda na próxima estação? Quais são as tendências? Tudo. O
que se repete? Alguns itens ou nada. A moda depende do ritmo de cada um, de suas
inquietações, do seu estilo de vida, dos seus valores, da sua identificação com a
interpretação do estilista, do conceito da marca ou da sua própria interpretação para o
momento no qual está inserido ou quer estar fazendo parte.
A moda nasceu no final da Idade Média, como um diferenciador social e de
sexo. Na busca pela individualidade, a moda nem sempre foi efêmera, múltipla, mas
com o capitalismo seu sistema aprimorou-se, profissionalizou-se e hoje estudamos,
pesquisamos essa moda com "prazo de validade".
A moda não está presente
somente no vestuário, ela faz parte do global e a tecnologia não está fora dela, pelo
contrário está constantemente presente.
A moda está presente nas ruas, nas vitrines, nos carros, no design, na
arquitetura, nos móveis, nas jóias, na simplicidade, no luxo, no imaginário, na
criatividade, na arte, na televisão, nas revistas, no cinema, no teatro, no corpo e em
outros diversos lugares, setores e segmentos.
O foco do presente trabalho é a moda como um sistema complexo, a moda
como comunicação, marketing, publicidade e desfile. Como essa moda é difundida na
internet e em nosso objeto de pesquisa: o portal Terra através da cobertura midiática
do evento São Paulo Fashion Week.
7
1.1 MODA NO BRASIL
No mercado externo, a moda brasileira é sucesso em mais de 50 países,
principalmente nos Estados Unidos. A evidência de nossas modelos circulando nas
passarelas internacionais tem contribuído para que o mundo da moda dirija seus
refletores na direção do Brasil. Embora o setor se caracterize pelo expressivo número
de empresas, a tendência nos países desenvolvidos vem sendo a diminuição do
número de estabelecimentos, refletindo um movimento de migração da atividade para
os países em desenvolvimento, na busca da redução de custos e ganhos de
competitividade. A
produção do setor do vestuário é composta de uma grande
variedade de produtos destinados a usos específicos.
O mercado consumidor é segmentado por faixa etária, sexo, idade, nível de
renda, região, entre outros fatores. Essas características contribuem para a existência
de um grande número de empresas de diferentes portes, que buscam conquistar
espaços específicos para atender à diversificação da demanda. Nas fases de desenho
e corte, grandes avanços foram obtidos com o uso da tecnologia, permitindo uma
economia de tecidos e ganho de velocidade nas etapas de criação, especificação
técnica das peças e modelagem.
Durante os anos 60, a estilista mineira Zuzu Angel fez sucesso no exterior com
suas criações, vendidas em lojas de departamentos dos Estados Unidos, e dizia: “No
meu país acham que moda é frivolidade, futilidade. Tento lhes dizer que moda é
comunicação, além de dar emprego para muita gente”.
Confirmando as palavras da estilista, o sistema da moda concentra muitos
setores e no Brasil é a maior fonte de empregos para a mulheres. Segundo dados da
Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) e do Instituto de Estudos do Mercado
Industrial (IEMI ), em 2005 o setor têxtil, que inclui o vestuário, meias e acessórios,
empregou diretamente cerca de 1,5 milhões de pessoas, sendo 93% mulheres e 7%
homens;
21% destes estão alocados na indústria têxtil e 79% na indústria de
confecções. O setor têxtil é o segundo empregador na indústria de transformação,
gerando 45% dos empregos no país.
O setor têxtil é composto por aproximadamente 17.526 empresas, empregaram
1,6 milhões de trabalhadores formais e informais,
faturaram em 2005 US$ 26,5
bilhões e contaram com uma produção de mais 7,2 milhões de peças, dados da
Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT).
8
O Brasil é o sexto maior parque têxtil do mundo, com mais de 30 mil empresas
em toda a cadeia têxtil (figura 1) e confecções. As principais unidades fabris que
englobam vestuário, meias e acessórios, segundo Abravest estão instaladas na região
Norte aproximadamente 276 fábricas, no Nordeste 2.402, na região Centro Oeste 839,
a maior concentração está na região Sudeste com 10.123 fábricas e no Sul 3.887
fábricas.
Cadeia Produtiva do Segmento Têxtil
Confecção
Máquinas
Fibras naturais
Tecelagem
malharia
Fiação
Tingimento
estamparia
Fios Sintéticos
Vestuário
Corantes
Figura 1: Cadeia produtiva do segmento têxtil
Fonte: www.ind.mg.gov.br
A moda, uma importante fonte de geração de renda e emprego em muitos
países, é um dos segmentos mais promissores da atualidade. No Brasil, esse mercado
passa por um intenso processo de profissionalização, mas ainda possui uma pequena
participação no mercado mundial, de apenas 1,1%, segundo dados da Abravest,3 ou
seja, temos um grande mercado a ser explorado.
Com o sucesso da moda e dos profissionais brasileiros no exterior, as pessoas
estão percebendo que esta é uma ocupação que pode e deve ser muito valorizada.
Atualmente, a moda não se resume a passarelas com as super top models e ao
estilismo - as áreas de administração, gestão
e produção também tornaram-se
imprescindíveis. Não é por acaso que cursos e faculdades de moda estão se
expandindo pelo país: em 19904
tínhamos 04 destas faculdades no país, hoje são
3
Brasil cai do 23º para o 24º lugar no ranking dos exportadores, Jamil Chade. Disponível em :
http://www.abravest.org.br. Acesso em 16 de abr. 07
4
Documentário Criadores dos Brasil - Exibido dia 06/06/05 - canal GNT - Produtora: Globosat - vídeo
cassete - 120 minutos - 4 capítulos
9
mais de 30. Como diz Paulo Borges, diretor da São Paulo Fashion Week no
documentário Criadores do Brasil "Ser estilista não é fácil. Criar é lindo, mas tem que
vender".
Atualmente, a indústria nacional apresenta as mesmas características da
estrutura internacional, grande fragmentação e diversidade de escalas e técnicas
produtivas. O setor de confecções no Brasil é formado por um numeroso grupo de
pequenas e médias indústrias, dedicadas à produção de artigos do vestuário,
decorativos e produtos técnicos. Uma breve análise dos números do Brasil nesse
segmento reflete a economia do país com altos e baixos. A distribuição na
comercialização é bem variada, destaque para as lojas especializadas e para o varejo
independente. Outros destaques do Brasil5 :
6º maior produtor têxtil e de confecção mundial
Auto-suficiência no algodão.
Produz 7,2 bilhões de peças de vestuário/ano.
2° maior produtor mundial de índigo.
3° maior produtor mundial de malha.
5° maior produtor mundial de confecção.
7° maior produtor mundial de fios e filamentos.
8° maior produtor mundial de tecidos.
Escolhemos os estados que mais se destacam no setor São Paulo, Rio de
Janeiro e Paraná com intuito de apresentar os principais eventos de moda do país e
alguns números do setor.
5
Palestra: "O poder do Varejo em Moda". Apresentada pelo Consultor de negócios de moda: Amnon
Armoni - Local: Curitiba, SENAC/PR dia 8 de novembro de 2005. Fonte: OMC/ETO – SECEX/MDIC
10
1.2 São Paulo
O maior evento de moda do país acontece na capital paulista a São Paulo
Fashion Week6 (SPFW), e comemorou sua 20ª Edição com 10 anos de existência. O
evento foi realizado de 12 a 18 de janeiro de 2006, no prédio da Bienal no parque do
Ibirapuera; nas passarelas desfilaram 43 marcas em seis dias; os investimentos
chegaram a R$ 6 milhões e cerca de 1,2 mil jornalistas foram credenciados, sendo
pelo menos 70 deles de outros países.
“A moda gera empregos. A indústria do vestuário é a segunda que mais
emprega no Brasil e é a primeira empregadora se calcularmos cada real investido".
Afirmou o prefeito de São Paulo, José Serra.
“A Fashion Week contribuiu e vai contribuir ainda mais para o desenvolvimento
desta indústria no País”. O prefeito destacou também que os desfiles contribuem para
desenvolver não só a cidade, mas também o bom-gosto da população. Ele disse que
não entende de moda, porém gosta de ver os desfiles.
Calcula-se um lucro de US$ 10 milhões para a cidade com os visitantes,
excluídas as despesas com hospedagem e transporte. “A São Paulo Fashion Week dá
a São Paulo uma projeção que a cidade dificilmente teria condições de pagar se
fôssemos investir em propaganda. Os desfiles colocam São Paulo como um centro
moderno, de vanguarda, que debate moda e cria tendências”, afirma o presidente da
São Paulo Turismo, Caio Luiz de Carvalho.
De 12 a 18 de julho de 2006 aconteceu mais uma edição do
São Paulo
Fashion Week - Verão 2007, evento que insere São Paulo no calendário mundial da
moda. A Bienal do Ibirapuera sediou 50 desfiles das mais conceituadas marcas e
estilistas, mostra de tendências e lounges exclusivos. Na 21ª edição da São Paulo
Fashion Week, contou a presença de mais de 84 mil visitantes, 38% de turistas que
movimentaram cerca de R$ 75 milhões na cidade. O diretor da São Paulo Fashion
Week, Paulo Borges, lançou um filme e um calendário com 25 tops brasileiras, entre
elas Carol Trentini, Isabeli Fontana, Jeísa Chiminazzo, Raica Oliveira, Gisele
Bündchen, Marcelle Bittar, Shirley Mallmann, Luciana Curtis.
O evento é notícia nos principais jornais do país e destaca-se nos portais de
informações na rede com fotos, vídeos, enquetes, bastidores e notícias. O portal Terra
divulga gratuitamente mais 1,3 mil fotos do evento.
6
Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em 20 jul. 2006
11
A geração de empregos em São Paulo sofre influência da sazonalidade da
moda: em 2002 foram gerados 5.373 empregos formais na cadeia têxtil paulista, em
2003, 1.735 empregos, em 2004 bateu-se o recorde, 28.418 e em 2005, 6.533
empregos gerados. Apresentamos um comparativo dos 4 primeiros meses de 2005 e
2006 da geração de empregos formais na cadeia têxtil paulista.
Mês
2005 2006
Janeiro
1032 1431
Fevereiro
966
949
Março
1604 1236
Abril
1521 2163
Tabela 1: GERAÇÃO DE EMPREGOS FORMAIS NA CADEIA TÊXTIL PAULISTA
Fonte : SinditextilSP
O faturamento da cadeia têxtil cresceu em 2004, 8,8% em relação ao ano
anterior, quando faturou US$ 7,15, em 2004 US$ 7,78 em 2005, cresceu 3,93%
faturando US$ 8,086. São Paulo é o mais importante produtor global de cadeia têxtil
brasileira.
Rio de Janeiro
O maior evento de moda no Rio de Janeiro é o Rio Fashion7, considerado
pelos críticos de moda o segundo maior evento de moda do Brasil. A 9ª edição
aconteceu entre 14 e 19 de junho de 2006, reuniu 35 grifes de marcas consagradas e
novos designers. O evento foi orçado em R$ 6 milhões com um público de 80 mil
pessoas. Paralelamente aos desfiles acontece o Fashion Business que movimentou
em vendas diretas no mercado interno R$ 360 milhões, um número 20% maior do que
registrado no evento anterior.
Fashion Rio em números:
Público estimado: 100 mil pessoas (ao longo de todo o evento);
Empregos temporários: mais de 3 mil;
Modelos: 100 (em média 25 por desfile);
7
Disponível em: http://www.fashionrio.com.br. Acesso em 10 jul. 2006.
12
Camareiras: 14 passadeiras
Seguranças: 350;
Maquiadores e Cabeleireiros: 10 equipes;
Agências de Modelos: 15;
Stylists: 14;
A importância da indústria da moda para a economia fluminense: 3ª maior
empregadora; movimenta US$ 700 milhões/ano; consolida a imagem do Rio como
pólo criativo; lançadora de estilos e tendências.
O pólo de moda íntima está em Nova Friburgo, considerada a capital brasileira
da lingerie, e é responsável por 25% de toda lingerie (moda íntima dia e noite)
consumida no território nacional. As confecções formais somam mais de 600. Outro
pólo das indústrias de confecções fica em Itaperuna com mais de 400 empresas
responsáveis pela produção de moda íntima noite. O Sul Fluminense conta com mais
de 400 empresas do segmento jeans. E Petrópolis possui mais de 800 empresas de
diversos segmentos.
A moda produzida varia muito entre o segmento adulto e infantil, masculino e
feminino, moda praia e acessórios, mas se concentra especialmente nas malhas.
Essas empresas apresentam um faturamento mensal acima de R$ 30 milhões com
mais de 100 milhões de peças vendidas8.
O governo estadual do Rio de Janeiro criou leis específicas para o setor. Para
todas as empresas que participam do Fashion Business, ganharam um prazo especial
de quatro meses para o pagamento de ICMS. Na última edição do Fashion Business
(janeiro/2006) foram negociados mais de R$ 300 milhões.
Paraná
Não se sabe muito bem porque Cianorte, no interior do Paraná, se transformou
num pólo de produção de moda. Os municípios vizinhos formaram, com o passar dos
anos, um importante Arranjo Produtivo Local (APL), denominação dada aos
8
FEGHALI, Martha. O mercado da Moda. Disponível em: http://www.firjan.org. Acesso em 15 de ago.
2006.
13
grupamentos geograficamente delimitados de indústrias dedicadas a uma mesma
atividade.
O Paraná é o segundo pólo confeccionista do Brasil9, com cerca de 4.500
indústrias de confecções, com produção mensal de 18 milhões de peças, e anual de
216 milhões de peças, gerando empregos diretos para aproximadamente 125 mil
pessoas e um faturamento anual de R$ 3,5 bilhões; com mil lojas sendo 90% com
produção própria e 12 centros atacadistas de venda pronta entrega e 10 faculdades
com curso superior de moda e estilismo.
Alguns eventos de moda do estado:
Na região norte e noroeste do estado, acontece o evento Paraná Fashion.
Com sua primeira edição em 2002 o evento é um marco histórico na moda
paranaense tendo agregado valor à moda local, a qual se viu incentivada a apostar
em criação e produção e, para alguns participantes, possibilitou a abertura de portas e
novos clientes no Brasil e no exterior.
A última edição, em 2006 teve o patrocínio do Aspen Shopping, local onde
ocorreu o evento, e pretende se tornar referência de moda da região; instituições
como: Vestpar, Acim, Abit, Faculdades de moda, Sebrae, Apex, Prefeitura, Fiep,
Governo do Estado, Senai e Ministério do Turismo, se uniram num objetivo comum de
fazer um evento que demonstre o crescimento do setor nestes 3 anos de existência do
Paraná Fashion.10
De 24 a 29 de abril em Curitiba, o Shopping Crystal Plaza realizou o XIV
Crystal Fashion Outono/Inverno 2006. O evento aconteceu em uma infra-estrutura de
3 mil metros quadrados, no piso G1 do Shopping. Participaram do evento as marcas:
Bob Store, Le Lis Blanc, TNG, Rosa Chá, Patachou, Cori, Lilica & Tigor, Triton,
Algodão Doce, Sexxes, Calvin Klein e VR.
A cada ano os números que envolvem o Crystal Fashion se superam, com
investimentos de R$1,8 milhões, o XIV Crystal Fashion contou com mais de 600
colaboradores; cerca de 450 modelos foram contratados para os desfiles; a sala de
desfile possui capacidade para 900 convidados sentados e mais 450 em pé, mais de
42 mil pessoas passaram nos seis dias de desfiles.11
9
Disponível em: http://www.abit.org.br/content/area/default.asp?nCodAreaConteudo=23. Acesso em 10
jul.2006.
10
Disponível em: http://www1.uol.com.br/webfashion/materias_2005/parana/parana.htm. Acesso em 10
jul. 2006.
11
Disponível em: http://www.crystalfashion.com.br. Acesso em 10 jul. 2006.
14
O setor organizou-se. Como exemplo temos o fato de que, em 2003, foi criada
Associação
Brasileira
de
Estilistas
(ABEST),
com
objetivo
de
promover
internacionalmente, sem fins lucrativos, o trabalho de estilistas brasileiros que se
destacam pela sua produção autoral. Começou com apenas 5 integrantes: Almir
Slama (Rosa Chá), Alexandre Herchcovitch, Walter Rodrigues, Lino Villaventura e
Serpui Marie, uniram forças para obter o apoio do governo à exportação.
Com os 5 associados a entidade exportou US$ 600 mil, com 09 associados
exportou US$ 3 milhões e em 2005 com 23 associados foram exportados US$ 9,7
milhões.
A expectativa para 2006, segundo Almir Slama, atual presidente da entidade, é
exportar US$ 11,2 milhões e para isso, eles investem em show rooms, participação em
feiras e desfiles, contam com o apoio da Agência de Promoções e Exportação e
Investimento APEX-Brasil. Atualmente exportam para 38 países e possuem como
meta atingir 30% do mercado mundial até 2010.12
Outras associações que se destacam e apoiam o setor:
ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil
ABRAVEST - Associação Brasileira do Vestuário
SINDIVEST – Sindicatos da Indústria do Vestuário
SINDITEXTIL – Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em geral, de Tinturaria,
Estamparia e Beneficiamento, de linhas, de artigos de cama, mesa e banho, de nãotecidos de fibras artificiais e sintéticas, presente em diversos estados.
O mercado da moda no Brasil está na fase embrionária, buscando encontrar o
seu espaço no mercado global. O Brasil caiu no ranking mundial dos maiores
exportadores, elaborado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o
relatório anual da entidade, as exportações nacionais não repetiram em 2006 o ritmo
de crescimento de 2005, ainda que o governo não se canse de promover os
resultados da balança comercial. A participação do Brasil entre os importadores ficou
estagnada no comércio internacional. A classificação da OMC é liderada pela
Alemanha, seguida pelos Estados Unidos e pela China. A Abravest13 disponibilizou
dados do relatório e apresenta que, em comparação com outros países, as vendas
nacionais não avançaram e representam apenas 1,1% do mercado mundial, mesma
proporção de 2006.
12
Disponível em: http:// www.abest.com.br. Acesso em 10 jul. 2006.
Brasil cai do 23º para o 24º lugar no ranking dos exportadores, Jamil Chade. Disponível em :
http://www.abravest.org.br. Acesso em 16 de abr. 07
13
15
1.3 CONSUMO DA MODA14
A pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos do Mercado Industrial (IEMI) no
início de 2006, mostrou que cerca de 70% das pessoas compram roupa mensalmente.
Em média, adquirem 2,3 peças por mês. Mas as roupas não costumam fazer parte do
planejamento orçamentário da família. O IEMI constatou que 58% das decisões de
compra acontecem diante das vitrines e na primeira vez que a pessoa viu o produto,
ou seja, é a compra por impulso. Mas 32% planejam a compra para depois e destes,
dois terços voltam para comprar o produto.
Para Rech, "a indústria de moda é uma indústria produtora de bens e consumo
por impulso, a qual, até bem pouco tempo atrás, desencadeou um ciclo onde itens
qualidade e criatividade não eram importantes". (2002, p. 16).
Atualmente percebemos que a qualidade e, principalmente, a criatividade é
fundamental
no setor, para conquistar segmentos de mercado cada vez mais
disputados.
A lógica econômica realmente varreu todo o ideal de permanência, é
regra do efêmero que governa a produção e o consumo de objetos.
Doravante, a temporalidade curta da moda fagocitou o universo da
mercadoria, metamorfoseado, desde a Segunda Guerra Mundial, por
um processo de renovação e de obsolescência "programada" propício
a revigorar sempre mais consumo.
Uma firma que não cria regularmente novos modelos perde em força
de penetração no mercado e enfraquece sua marca de qualidade
numa sociedade em que a opinião espontânea é a de que, por
natureza, o novo é superior ao antigo. (LIPOVETSKY, 1989, p.160).
As principais características da moda continuam a estimular o setor em todas
as áreas e em todos os processos, pois a oferta e a demanda estimulam as empresas
e os consumidores a produzirem e a consumirem. É um ciclo vicioso que não pode
parar, na sociedade capitalista e na sociedade de consumo na qual nos encontramos.
A sociedade de consumo é ainda a sociedade de aprendizagem do
consumo e de iniciação social ao consumo - isto é, modo novo e
específico de socialização em relação à emergência de novas forças
produtivas e à reestruturação monopolista de um sistema econômico
de alta produtividade. (BAUDRILLARD,1995, p. 81).
14
Não temos como foco o aprofundamento do tema, mas recomendamos o livro O Mundo dos Bens,
escrito pela antropóloga britânica Mary Douglas e pelo economista inglês Baron Isherwood na segunda
metade da década de 70, foi publicado no Brasil somente em 2004, pela editora UFRJ, chega para suprir
uma carência na literatura sobre consumo e ocupar um lugar de destaque.
16
O sistema da moda contribui para o “aprendizado”15 do seu consumidor
estando presente nos meios de comunicação, como por exemplo a rede de varejo
Pernambucanas, que desenvolveu uma revista distribuída gratuitamente para seus
clientes com dicas de moda, maquiagem e de como usar suas roupas. A rede de lojas
C&A disponibiliza nas etiquetas das roupas dicas de como usar as calças, vestidos,
com que acessórios combinar, cores, entre outros. Também encontramos inúmeros
programas de TV que apresentam o quadro “o antes e o depois” finalizando com uma
super produção, personal stylists que abrem os guarda-roupas dos participantes e
ensinam como usar suas roupas, o que combina, o que não combina, entre outros
inúmeros programas, livros, guias,16 revistas com dicas da editora, os próprios
editoriais de moda. Na internet há inúmeros sites com dicas, perguntas mais
freqüentes, consultorias de moda, animações onde é possível escolher a roupa, com
opções de estilistas consagrados para o seu avatar,17 cor do cabelo, acessórios como
óculos, boné, chapéu, bolsas, fantasias, etc.
De acordo com a pesquisadora e administradora Ana Paula Miranda existem
três aspectos utilizados que fazem parte do consumo da moda: os comunicacionais,
sociais e os motivacionais. Os comunicacionais dizem respeito ao “auto-simbolismoimagem”, ao que a pessoa quer dizer de si mesma com determinado estilo de roupa,
que papel ela quer “representar”. Os sociais, como a pessoa quer se inserir na
sociedade, de que grupo, tribo ela quer fazer parte. Os motivacionais são relativos às
necessidades simbólicas e funcionais no dia-a-dia ou para um evento específico.
(MIRANDA, 2006).
Incluímos mais um aspecto que também faz parte do consumo de moda, o
consumo psicológico, relacionado às necessidades emocionais das pessoas
destacando-se a compra compulsiva para suprir carências, perdas, ansiedades, entre
outros e a compra por impulso, como (vimos na pesquisa do Instituto de Estudos do
Mercado Industrial (IEMI) 58% da decisão de compra é realizada sem planejamento,
segundo outra pesquisa do POPAI Brasil,18 81% das compras no varejo são decididas
no ponto-de-venda).
15
O aprendizado que nos referimos está ligado as questões relativas ao incentivo do consumo, ou seja, o
consumidor aprende, conhece o produto e está apto a consumir mais.
16
Esquadrão da Moda é um guia que ensina a valorizar o próprio tipo físico e desenvolver um estilo
pessoal, vestindo-se corretamente. Editora: Globo, 2005. O guia surgiu após o sucesso do programa,
exibido pelo canal de TV por assinatura People & Arts,
17
Alguns exemplos para criação do seu avatar. Disponível em: http://skype.klonies.com e http://www.idressup.com/. Acesso em 09 fev. 2007.
18
Disponível : http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notasemp/emp240320051.htm . Acesso em 27 abr.
2007.
17
1.4 CONSUMO DA MODA NA INTERNET
O consumo da moda é estimulado através das estratégias de marketing das
empresas, da comunicação de massa e segmentada, pelas novelas, filmes, revistas,
etc. Para facilitar ainda mais o consumo o e-commerce (comércio online), cresce
anualmente no Brasil e no mundo. Por exemplo, nos Estados Unidos o Varejo online
em 2006 faturou U$ 100 bilhões, com uma alta de 24%19. O Brasil também encerrou o
ano de 2006
com alta, superando a expectativa do setor, somando ainda um
crescimento no número dos consumidores virtuais.
Segundo o acompanhamento que a e-bit20
faz do comércio eletrônico
brasileiro, após o término do ano, o número registrado no balanço para o faturamento
do setor foi R$ 4,4 bilhões, ou seja, R$ 100 milhões acima do esperado. Um
crescimento calculado em 76% quando comparado ao ano de 2005; a previsão para
2007 é um faturamento de R$ 6,4 bilhões. De acordo com o diretor-geral da e-bit,
Pedro Guasti, um dos fatores que influenciou na elevação do faturamento no canal foi
a estabilidade no valor do tíquete médio gasto no Natal, que se manteve por todo o
mês de dezembro, acima de R$ 300.
Os produtos mais vendidos pela Internet ainda são títulos de CD, DVD,
Eletrônicos, Livros, Revistas e Jornais. Mas o mercado de viagens e carros apresenta
crescimento.
O setor mostrou um crescimento alto e constante tanto no que diz respeito ao
faturamento quanto à quantidade de e-consumidores, que somente esse ano cresceu
46% em relação a 2005, atingindo 7 milhões de pessoas adeptas às compras virtuais.
No Brasil os e-consumidores ainda não possuem a cultura de compra de
roupas pela internet. Um dos principais motivos da objeção é a não existência de uma
padronagem no tamanho dos roupas, ou seja, será que vai servir? Como trocar? 21
A Associação Brasileira do Vestuário - Abravest realizou em fevereiro/07 uma
palestra de orientação sobre a norma ABNT 13.377 que tornará obrigatória a
padronização nas medidas das roupas a partir de 2008. A entidade vem lutando há
19
Disponível em: http://idgnow.uol.com.br/internet/2007/01/04/idgnoticia.2007-0104.8130633265/IDGNoticia_view. Acesso em 08 fev. 2007.
20
A e-bit é uma empresa de marketing online fundada em 1999, pioneira na realização de pesquisas
sobre
hábitos
e
tendências
de
e-commerce
no
Brasil.
Disponível
em:
http://www.ebit.com.br/indice/html/indice.asp. Acesso em 08 fev. 2007.
21
Pesquisa realizada com alunos do curso de Comunicação em WebDesign da Faculdade
Opet/Curitiba/PR em 07 nov. 2005 e 08 jun. 2006.
18
muitos anos para criar uma padronização no tamanho do vestuário brasileiro, assim
como já acontece nos países mais desenvolvidos.
Para que haja esta padronização, foi criada a norma da ABNT 13.377 que já
está em vigor, mas é seguida somente por parte dos fabricantes de roupas, por não
ser obrigatória até 31 de dezembro de 2007. A grande maioria dos confeccionistas não
obedece nenhuma norma, causando problemas aos consumidores que encontram os
tamanhos P, M, G e GG em medidas totalmente diferentes.
“O consumidor perde muito tempo na experimentação das roupas, sem falar
nas peças que se compra sem o direito de troca, como peças íntimas, por exemplo,
além das dificuldades administrativas, fiscais e tributárias enfrentada pelos
empresários na hora da troca”, explica Roberto Chadad, presidente da Abravest.
Para a Abravest, há necessidade de acatamento de uma norma padrão, que
discipline o mercado nos mais diversos segmentos do vestuário. Por isso, a entidade
criou um selo que certifica a qualidade e conformidade da norma. Fixado em cada
produto, o selo Abravest distingue as empresas que já se adaptaram às normas
perante o público consumidor.
A partir de 2008, com a assinatura de portaria do INMETRO, será obrigatório o
acatamento da norma por parte de toda cadeia têxtil. Os avanços na elaboração da
norma promovidos pela Abravest estão sendo compartilhados com outros países como
Argentina, Uruguai e Paraguai. Através de acordos de parceria, a norma que será
implantada no Brasil também deverá ser adotada por estes países.
Com essa padronagem acreditamos que teremos um grande crescimento do
consumo de roupas através do e-commerce, uma vez que encontramos na rede
inúmeros sites de lojas de varejo e estilistas que vendem suas roupas e acessórios.
Um exemplo de varejo é a rede de lojas Marisa,22 onde a compra pode ser efetuada
online, com cartões de crédito ou boleto bancário. A entrega é via Sedex e a troca dos
produtos efetuados pela internet pode ser realizada em qualquer uma das 140 lojas da
Marisa em todo o Brasil, basta apresentar a nota fiscal e a mercadoria com a etiqueta
da loja, no prazo de 30 dias após o recebimento do produto.
A rede facilita o comércio e a divulgação de jovens estilistas. Um exemplo é o
site de rede social MySpace23 utilizado por jovens estilistas, designers e marcas. O
objetivo é um só: tornar-se o mais conhecido possível, criando visibilidade e desejo de
consumo nos mais de 100 milhões de usuários registrados no MySpace no mundo
22
Disponivel em: http://www.lojasmarisa.com.br. Acesso em 08 fev. 2007.
MySpace é um site de relacionamentos que oferece rede interativa, perfis pessoais, blogs, grupos,
fotos, músicas e vídeos. Disponível em: http://www.myspace.com. Acesso em 08 fev. 2007.
23
19
todo. Muitas marcas conhecidas também aproveitam esse segmento, algumas delas
são Victoria’s Secret, Dior, etc.
A grife de Gwen Stefani (cantora e atriz norte-
americana e vocalista da banda de No Doubt), tem 11 mil participantes e oferece aos
usuários a possibilidade de vender e trocar peças entre eles, além de links para o
eBay24 onde peças podem ser compradas por preços extremamente menores. Marcas
de cosméticos também possuem comunidades, onde os usuários trocam informações
sobre novos produtos e outlets25 de beleza. Nesses espaços, fãs de grandes marcas
já estabelecidas professam sua dedicação e amor pelas grifes, como também ocorre
no Brasil no maior site de relacionamento o Orkut26 onde encontramos jovens estilistas
e marcas nacionais e internacionais nas comunidades como “Eu uso Ellus” com mais
60 mil membros, “Eu amo Zoomp” com mais de 50 mil membros, “Eu sou louco pela
Triton”, “Eu tenho Vide Bula”, entre outras como “Eu amo e uso” Chanel, Prada, Gucci,
Louis Vuitton, etc. O mundo virtual do game Second Life27
também foi invadido por
estilistas e marcas, que vendem roupas exclusivas para serem usadas nos avatares
do jogo.
No Brasil e no mundo também encontramos milhões de sites e blogs28 de
estilistas que divulgam e vendem seus trabalhos para todo o planeta.
A internet propícia o aumento do consumo da moda, favorecendo a compra por
impulso, com a padronização de tamanhos no Brasil, a tendência é o crescimento
desse segmento na rede. Como vimos, houve um aumento de 46% de econsumidores em relação ao ano de 2005, atingindo 7 milhões de pessoas adeptas às
compras virtuais. As organizações estão desenvolvendo novas estratégias para
ensinar e dar dicas de como usar melhor o seu produto. Os novos empresários e
estilistas possuem inúmeros recursos na rede para a exposição e divulgação de suas
24
Disponível em : http://www.ebay.com . Acesso em 20 out. 2006
Shopping com lojas de desconto e/ou ponta de estoque, produtos com pequenos defeitos, cores e
tamanhos limitados.
26
O Orkut é uma rede social filiada ao Google, criada em 22 de Janeiro de 2004 com o objetivo de ajudar
seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos. Seu nome é originado no projetista
chefe, Orkut Büyükkokten, engenheiro turco do Google. Tais sistemas, como esse adotado pelo projetista,
também são chamados de rede social. Disponível em: http://www.wikpedia.org.br. Acesso em 15 jul.
2006.
27
Second Life é um ambiente virtual em que avatares - representações visuais de usuários ou
“habitantes” - podem interagir. É um simulador da vida real ou também um MMOSG, em um mundo virtual
totalmente 3D. Além de interagir com jogadores de todo o mundo em tempo real, é possível criar seus
próprios objetos, negócios e até mesmo personalizar completamente seu avatar. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Second_Life. Acesso em 08 fev. 2007.
28
Um Weblog ou Blog é um página da Web baseada também nos princípios de micro conteúdo (textos
curtos, com as informações relevantes, colocados de modo padrão - em blocos - no site, denominados
posts), e atualização freqüente (geralmente, diária. Em alguns casos, os weblogs são atualizados
várias vezes ao dia. (RECUERO, 2003; SCOTT, 2004, QUADROS, 2005 online).
25
20
criações, produtos, acessórios, etc., que podem ser encontrados nas redes sociais,
blogs, sites, YouTube,29 games, entre outros.
Quando falamos de consumo em geral e, principalmente, do consumo de moda
não podemos deixar de evidenciar o consumo das mulheres. Elas são responsáveis
por 80%30 do processo de decisão de compra em milhares de famílias. Podemos dizer
que o segmento "mulher" pode ser dividido em inúmeros nichos e subnichos, ou seja,
a mulher dona de casa, a executiva, a médica, a professora, a farmacêutica, a
esportista, a empresária, a internauta, a universitária, a que navega na internet, a que
compra pela internet, a que assiste diversos tipos de programas de televisão, a que lê
revistas de moda, saúde, educação, negócios, atualidades, celebridades, etc. Cada
um deles com seus anseios e necessidades que devem ser atendidas pelos
fabricantes e prestadores de serviços.
Ainda existe demanda para a cultura de massa, mas esse já não é
mais o único mercado. Os hits competem com inúmeros mercados de
nicho, de qualquer tamanho. E os consumidores exigem cada vez
mais opções. A era do tamanho único está chegando ao fim e em seu
lugar está surgindo algo novo, o mercado de variedades.
(ANDERSON, 2006, p.05).
Muitas empresas estão seguindo esta evolução natural dos negócios e
dividindo as consumidoras do sexo feminino em grupos distintos. A internet facilita
muito, esse processo, diversos softwares estão sendo desenvolvidos para filtrar,
agrupar e conhecer melhor cada nicho e seus subnichos.
As mudanças continuam, e empresas de diversos segmentos estão procurando
conhecer cada vez mais este nicho de mercado que cresce vertiginosamente em todo
o mundo. O mercado de massa se converte em nichos, um mercado antes invisível,
pouco valorizado pelas empresas, que agora se torna visível e especial para aquelas
29
O YouTube é um site onde seus usuários podem carregar, assistir e compartilhar vídeos em formato
digital. Foi fundado em fevereiro de 2005, utiliza o formato Macromedia Flash para disponibilizar o
conteúdo. É o mais popular site devido à possibilidade de hospedar quaisquer vídeos (exceto materiais
protegidos por copyright, apesar deste material ser encontrado em abundância no sistema). Hospeda uma
grande variedade de filmes, video-clipes e materiais caseiros. Em 9 de Outubro de 2006 foi comprado
pelo
Google
por
U$1,65
bilhões
em
ações.
Disponível
em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/YouTube#Usos_e_opera.C3.A7.C3.B5es. Acesso em 06 fev. 2007.
30
LatinPanel, instituto de pesquisa do Grupo Ibope, em parceria com SuperHiper, desenvolveu a
pesquisa inédita "Mulheres". Os resultados partem de duas bases de dados: o Painel Nacional de
Consumidores, que se baseia em 25 mil entrevistas/mês e que avalia 64 categorias de produtos
(alimentos, higiene pessoal, limpeza do lar e bebidas não-alcoólicas); e uma pesquisa sobre hábitos e
comportamento,
realizada
em
novembro
e
dezembro
de
2004.
Disponível
em
http://www.abrasnet.com.br/super/marco_2005_capa.asp. Acesso em 16 abr. 2007.
21
interessadas em conhecer melhor seus clientes, em um mercado onde a
individualidade tem um imenso valor, na cauda longa.31
31
A Cauda Longa ou "The long Tail" foi publicado na revista Wired, em outubro de 2004, o artigo se
tornou a matéria mais citada em todos os tempos. As três principais observações : 1) A cauda das
variedades disponíveis é muito mais longa do que supomos ; 2) ela agora é economicamente viável ; 3)
todos esses nichos, quando agregados, podem formar um mercado significativo – pareceram
inquestionáveis, sobre tudo com respaldo de dados até então desconhecidos. (ANDERSON, 2006, p.10).
O conceito "Long Tail" foi criado em 2004 pelo jornalista Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, a
expressão surgiu por causa do gráfico matemático que lembra uma "cauda longa" e demonstra que a
cultura e a economia estão rapidamente mudando seu foco - de um relativamente pequeno número de
hits (produtos que vendem muito no grande mercado) para um grande número de produtos de nicho.
Anderson lançou o livro "Long Tail" nos Estados Unidos, no qual explica a teoria. A obra, foi traduzida
como A Cauda Longa da Editora Campos/Elsevier, foi lançado no Brasil em agosto de 2006.
22
1.5 MODA, MULHERES E EROTISMO
Ao longo da história observamos como a moda da
mulher se transforma
constantemente, diferenciando-se da moda masculina. Um de seus propósitos seria
distinguir os homens das mulheres. Lurie enfatiza que em alguns períodos essa
separação é absoluta, o que é adequado para o homem vestir, não pode ser usado
por uma mulher, e vice-versa. (Id., p.226). Como podemos ver, as distinções
continuam até hoje, um exemplo iniciando nos enxovais dos bebês - meninos usam
azul e meninas usam rosa.
Lipovetsky nos dá outro exemplo ligado ao luxo: em nossas sociedades, o luxo
aparece como uma esfera mais em conveniência com o feminino do que com o
masculino, mais associada ao universo dos gostos femininos do que ao dos homens.
(2005, p.65). O universo feminino é composto por jóias, moda, acessórios, casacos de
pele, lingerie, produtos de beleza e de cuidados, decoração da casa, entre outros. O
universo masculino é composto por automóveis, iates, charutos, bebidas, entre outros.
O universo feminino é muito mais amplo, fazendo parte da nossa história e da nossa
cultura.
O vestuário feminino, durante a maior parte da história européia
moderna, foi desenhado para sugerir a maternidade. Enfatizava os
contornos redondos e generosos, os materiais macios, e tendia a
centrar o interesse nos seios e estômago. Energia, força e a saúde
eram considerados atraentes, e eram expressas por meio de cores
vivas e brilhantes e vestidos toaletes com curvas pronunciadas,
freqüentemente acomodando e valorizando a mulher grávida. Tais
roupas podem ser vistas em vários quadros da Renascença e do
período barroco. (LURIE, Ib., p.228).
Fatores psicológicos, sociais, ideológicos, tecnológicos e políticos fizeram e
fazem com que a mulher busque sua identidade, procure ser diferente, usando a
moda que promete ludicamente a ilusão do fio mágico, com a roupa perfeita, que faz
o encontro da mulher com sua feminilidade a cada estação. Coelho complementa que
a moda é como um vento passageiro, é um jeito de se encontrar. (1995, p. 109).
As coleções femininas são mais comentadas, exibidas e valorizadas que as
dos homens; a publicidade de roupas femininas, mais numerosa, mas estética que a
relativa aos homens; as top models femininas são favorecidas por uma notoriedade
23
muito superior à dos manequins masculinos; a fantasia e a diversidade continuam a
encontrar seu lugar de predileção na moda feminina. A distância entre os gêneros foi
reduzida, mas as mulheres continuam a ser mais consumidoras de roupas que os
homens. (LIPOVESTSKY, 2005, p. 75).
A moda continua a ser uma esfera dominada pelo universo feminino e, nesse
sistema, os meios de comunicação desempenham um papel decisivo, através de
revistas, jornais, comerciais, novelas e programas em geral: concursos de belezas que
perpetuam-se; a rede com notícias, informações sobre a beleza, cuidado com a pele,
cabelos e a estética em geral, que contribuem desta maneira com a afirmação de um
padrão de “beleza”, que mudou muito no decorrer da história. O corpo saudável é
valorizado, o culto à magreza reina nas passarelas, causando polêmica no mundo da
moda, com a morte de modelos devido à anorexia e a bulimia. No entanto, a moda da
sedução, do erotismo está nas ruas, principalmente no Brasil, país tropical, onde a
moda dos seios se destaca ganhando volume, aumentado o número de implantes de
silicone. Hoje o país perde apenas para os Estados Unidos no número de cirurgias
plásticas.32
Para Morin:
"o erotismo, é a atração sexual que se espalha por todas as partes do
corpo humano - fixando-se sobretudo nos rostos, nas roupas, etc. - é
também o imaginário mítico que toca todo o domínio da sexualidade.
As novas estrelas são totalmente erotizadas [...]". (1989, p. 16).
Um exemplo são as estrelas do cinema que mantém sua
individualidade
presente na simplicidade e no glamour, como explica Morin:
Donas da moda, quebram tabus com naturalidade. As convenções da
sexualidade no vestuário são ignoradas pelas estrelas femininas, que
anexam o Tweed, as bermudas e calças compridas; as masculinas,
por sua vez, adotam cores e tecidos mais vivos. As estrelas sabem
que o chique se diverte em tomar emprestadas as aparências do antichique, que o excepcional se encontra às vezes no muito simples, e
que a modéstia refinada (virtude indispensável de todas as grandes
personalidades) provoca um supremo deslumbramento. As estrelas
gostam também de vestidos despretensiosos, de blue jeans, de
camisetas esportivas que, tanto quanto as roupas suntuosas, realçam
sua beleza real. (Ib., p. 33)
32
Sem medo de ser feliz. Joelmir Beting. Disponívem em :
http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/j_beting/id141000.htm. Acesso em 31 jan. 2007.
24
O sistema da moda trabalha essencialmente construindo imagens: quais as
tendências, o que vai ser usado, cores, tecidos, sapatos, saia ou bermuda, calça ou
vestido e todas essas imagens são trabalhadas com corpos. A moda é construída com
imagens e corpos com diversas personalidades, atitudes, inspirações, mais uma vez a
multiplicidade está presente. Corpos magros, altos, bronzeados, brancos, exóticos,
enfim, o corpo cria a imagem do sistema de moda. E como diz Maffesoli "num
movimento sem fim", as coleções são transformadas, reconstruídas a cada ano, são
divulgadas nos meios de comunicação, os desfiles são construídos, tudo se
transforma, evolui é um ciclo de estratégias desenvolvidas para atrair a mídia e o
público. Estamos vivendo cada vez mais dominados pela imagem, pelo desejo de viver
o aqui e agora, o tudo ao mesmo temo, o sensualismo, o erotismo, o material ou o
espiritual? Novamente Maffesoli (2005) nos diz que são "os prazeres do presente".
E como essas imagens são proliferadas? Como chegam ao consumidor?
Sempre foi assim?
No final da década de 80 e início da década de 90 acompanhamos a criação
das imagens das
top models que conseguiram quebrar o rótulo de "cabides de
roupas", "bonecas de passarelas", destaque para as tops Cindy Crawford, Naomi
Campbell, Claudia Schiffer e recentemente as brasileiras Gisele Bündchen, Isabeli
Fontana, Carolina Ribeiro, entre outras que construíram uma imagem de sucesso,
tendo seus nomes reconhecidos fora do circuito da moda. São milionárias com
destaque em revistas internacionais e nos principais desfiles. Algumas tentaram ser
atrizes em filmes, mas com pouco sucesso. Na publicidade aliam seu nome à sua
imagem.
As imagens são proliferadas através dos meios de comunicação de massa, na
mídia segmentada e principalmente na rede, onde é possível arquivar milhões e
milhões de fotos, vídeos e áudios dos principais eventos do Brasil e do Mundo. O
sistema da moda não existiria sem as imagens. Baudrillard argumenta "o corpo é o
primeiro suporte do projeto de sedução". (1992, p.114). E essa sedução é muito bem
explorada nos desfiles, sob as luzes da passarela. O corpo é desviado do seu estado
natural coberto ou desnudo, transformado em um show-espetáculo, complementa
Carli. (Ib., p.140).
Esse show-espetáculo é divulgado na comunicação de massa, na publicidade
através de “mulheres maravilhosas”, com imagens digitais, impressas, em movimento,
25
nas ruas, nas revistas, na rede, nas televisões e o alvo é o consumidor final, o qual, é
seduzido por essas imagens.
Mark Dery,33
complementa: "Os meios de comunicação nos dizem que
estamos na cultura que adora o corpo fortalecido pela ginástica e poderíamos estar de
acordo: os homens musculosos e as supermodelos são objetos do nosso desejo".
(1998, p.259). [Tradução nossa].
Os meios de comunicação fazem a espetacularização34
das imagens,
mulheres perfeitas, intensificando as sensações da moda com os desfiles-shows, com
a publicidade, fotografias, vitrines que compõem a sedução na frente das lojas os
"templos do consumo".
A mulher é uma figura de grande importância nas decisões de consumo das
famílias e cresce anualmente. Com maior participação no mercado de trabalho e
independência financeira, as mulheres tendem a ter voz mais ativa nos processo de
aquisição de bens e serviços, roubando um pouco do espaço reservado aos homens.
A pesquisa "Mulheres, o mercado de trabalho e o consumo", feita pelo
Programa de Estudos do Futuro35 (Profuturo) da Fundação Instituto de Administração,
da FEA-USP, revelou que nos próximos dez anos deve crescer a influência feminina
nas compras de produtos da linha branca, de móveis e na escolha da escola dos
filhos. No sistema da moda a mulher é o principal foco para o consumo.
A mulher também possui diversos nichos e subnichos, ela é mãe, dona de
casa, professora, médica, engenheira, pesquisadora, etc. Cuida dos filhos, da casa,
dos animais de estimação, do marido, trabalha, faz ginástica, assiste televisão, vai ao
shopping, supermercado, acessa a internet, entre outros, essa mulher está exposta a
mídia de massa, mas também a mídia segmentada cada vez mais explorada pelos
estrategistas de marketing e comunicação das organizações que querem estar cada
vez mais próximos dessas mulheres que decidem, que influenciam compras e que
geram o consumo.
O sistema da moda estimula o desejo criando imagens,
tendências, sonhos, espetáculos e vemos na internet um importante canal para se
33
Los medios de comunicación os dicen que estamos en una cultura que adora el cuerpo fortalecido
mediante la gimnasia, y podríamos estar de acuerdo: los hombres muscolosos y las supermodelos son
objetos de nuestro deseo[...]. (DERY, 1998, p. 259).
34
Guy Debord, na obra "A sociedade do Espetáculo", escrito em 1967, diz que " o espetáculo não é um
conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediatizadas por imagens". (Debord, 2003,
p.9)
35
Disponível em: http://www.mj.gov.br/DPDC/clipping/2004/junho/250604.htm#NOT4. Acesso em 31 jan.
2007.
26
comunicar,
estimular,
se
aproximar,
tirar
dúvidas,
expor
idéias,
estreitar
relacionamento com essas mulheres que querem algo mais completo, na moda, no
design, na sua casa, nos livros, cds, dvds, carros, eletrodomésticos, etc. A internet
com seus inúmeros recursos possibilita essa facilidade de comunicação e interação
com as mulheres na moda e no consumo.
Os nichos estão emergindo como um novo grande mercado. Como afirma
Anderson, estamos saindo do mundo da escassez. Agora, com a distribuição e o
varejo online, estamos ingressando no mundo da abundância. As diferenças são
profundas. (2006, p.17).
Exemplificando, as mulheres possuem a opção de compra
nas lojas, com vitrines, araras, provedores, vendedores, mas possui a escassez de
espaço, números, modelos, cores, etc. Ela também possui a opção da compra online
onde não precisa sair de casa, pode fazer comparações de preços, receber mais
informações, em relação, a loja, ao estilista, a coleção, possui a comodidade que
alguns sites fornecem como o que combina, dicas, afinidades, fornecida através dos
bancos de dados, que a internet propicia.
Cada vez mais as pessoas estão optando pela exploração das novidades e
essas novidades são encontradas facilmente na cibercultura, através dos resultados
de buscas, das novidades tecnológicas, compras online, baixar músicas, filmes,
histórias em quadrinhos, novelas, assistir os desfiles ao vivo, ver fotos, vídeos, etc. A
internet permite estar por dentro da efemeridade da moda, através da multiplicidade
dos meios e com a individualidade de cada usuário, pertence a um ou inúmeros
nichos.
27
2 CIBERCULTURA
Muitas são as interpretações e definições dessa cultura contemporânea, o
importante
é saber que estamos inseridos nessa cultura tecnológica, estamos
conectados a ela, a cibercultura.
O
prefixo “cyber” versão americana ou
“ciber” versão brasileira estão
presentes em diversas palavras e expressões do nosso cotidiano como: cibercafé,
ciberbar, ciberlivraria, cyberpunk,
cybersex, ciborgue, cyberfashion, cibermoda,
ciberespaço, ciber-raves, ciberamigo, cibereconomia, cibermarketing, ciberarte,
cibercidades, cibermundo, etc.
O prefixo "cyber" provém do grego Kubernets que significa “governar” que
remete à questão cibernética, disciplina criada pelo matemático norte-americano
Norbert Wiener,36
na década de 40 definiu a cibernética como sendo a ciência do
controle e processos de comunicação, entre homens e máquinas, homens e homens,
máquinas e máquinas.
Essa idéia de controle iniciou com uma série de manifestações culturais, que
se desenvolveu com as novas mídias eletrônicas no sistema social e na evolução
tecnológica, causando uma transformação nas identidades culturais dos indivíduos.
O conjunto dessas manifestações culturais foi denominada por diversos
autores de “cibercultura”, presente na linguagem, na literatura, na música, no cinema,
na arte, arquitetura, no design e também faz parte da comunicação e da moda.
Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e de todas as suas
potencialidades, possibilitou-se a quebra de uma série de barreiras culturais, técnicas
e psicológicas. Destaque para a internet que disponibilizou a criação de diversos
canais de comunicação trazendo um novo significado ao conceito “aldeia global” de
McLuhan.
A internet possibilita que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, com
alguns segundos possa acessar milhões de informações, imagens, vídeos, filmes,
músicas e ainda facilita a interação com uma ou várias pessoas de qualquer parte do
mundo. Possibilita a comunicação clássica um-um, a comunicação interpessoal, a
comunicação de massa um para todos e a comunicação todos para todos. Para
Lemos,
36
Para aprofundamento do tema recomendamos a leitura da obra do matemático Wierner, "Cibernética
e Sociedade". (1993, p.15).
28
a internet é um espaço de comunicação propriamente surrealista, do
qual “nada é excluído”, nem o bem, nem o mal, nem suas múltiplas
definições, nem a discussão que tende a separá-los sem jamais
conseguir. A internet encarna a presença da humanidade a ela
própria, já que todas as culturas, todas as disciplinas, todas as
paixões aí se entrelaçam. Já que tudo é possível, ela manifesta a
conexão do homem com a sua própria essência, que é a aspiração à
liberdade. (2004, p. 12).
Em nossa sociedade houve muitas transformações com o uso dos
computadores, da Internet, produzindo efeitos sobre a sociedade, gerando por
exemplo comodidades como ver e imprimir o extrato do banco, o uso de celulares, a
comunicação via e-mail, navegar nos websites, blogs, fotologs,37 orkut, pesquisas no
Google, fazer dowload de MP3,4 player,38 webcams, câmeras digitais, videogames,
entre outros. Esses são alguns dos fenômenos de ordem tecnológica que fazem parte
da cibercultura. Cada uma dessas expressões forma, com suas particularidades,
semelhanças e diferenças, o conjunto da cibercultura. (Id. Ib., p. 89).
A cibercultura, em todas as suas manifestações, caracteriza-se pela
manipulação de informações binárias. Ela é a simulação do mundo pelos pós-medias
(rede de computador, telefones móveis, televisão interativa, satélites, etc.). (Ib, id.,
p.259). Rüdiger, define cibercultura como:
[...] não é uma coisa, uma emanação da máquina, nem a totalidade
dos conteúdos agenciado pelos maquinismos informacionais de
vanguarda. O entendimento esclarecido da coisa se encontra quando
a vemos como uma relação entre nossa capacidade criadora e sua
materialização tecnológica em operações e maquinismos. A
cibercultura é o movimento histórico, a conexão dialética, entre o
sujeito humano e suas expressões tecnológicas, através da qual
transformamos o mundo e, assim, nosso próprio modo de ser interior
e material em dada direção (cibernética). (2004, p.54).
As novas tecnologias não só estão presentes em todas as atividades
práticas contemporâneas (da medicina à economia), como também
tornam-se vetores de experiências estéticas, tanto no sentido de arte,
do belo, como no sentido de comunhão, de emoções compartilhadas.
37
É um registro publicado na Internet com fotos colocadas em ordem cronológica, ou apenas inseridas
pelo autor sem ordem, de forma parecida com um Blog. Ainda pode-se colocar legendas. É parecido com
um blog, mas a diferença é predomina fotos ao invés de texto. A palavra é uma abreviação de fotolog,
que por sua vez surge da justaposição de "foto" e "log" (do inglês, diário). Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flog. Acesso em 15 jul. 2006.
38
O MP3,4 (MPEG-1/2 Áudio Layer 3 e 4 são os vídeos com imagens) foi um dos primeiros tipos de
arquivos a comprimir áudio com perda de dados, com eficiência, de forma quase imperceptível ao ouvido
humano. Esta é medida em Kb/s (kilobits por segundo), sendo 128 Kb/s a qualidade padrão, na qual a
redução do tamanho do arquivo é de cerca de 90%, Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/MP3.
Acesso em 10 jul. 2006.
29
Embora esse fenômeno não seja novo, ele parece radicalizar-se
nesse fim de século. Trata-se de uma sociedade que aproxima a
técnica (o saber fazer) do prazer estético e comunitário. (LEMOS, Ib.,
p. 17).
Com a (re)evolução da tecnologia, estamos na era digital, com a indústria
crescendo e criando milhões de produtos para serem consumidos e descartados por
seus usuários em todas as áreas, envolvendo aspectos tecnológicos, culturais e
psicológicos. A cibercultura está enraizada na cultura pós-moderna, com a
massificação da mídia, do tudo ao mesmo tempo, da comunicação instantânea que a
rede disponibiliza. Por um lado, a tecnologia dispobinibiliza as informações, imagens,
vídeos e por outro lado cria-se o “desejo de ter”, a tecnologia de ponta, a inovação, o
lançamento.
Encontramos o “fetiche” pelas novas tecnologias, sendo autênticos objetos de
desejo que emitem a mensagem de “futuro”, “última geração”, “eu tenho poder” e
como diz Baudrillard, o poder seduz (1991, p.55). Esse poder pode ser comunicado
através dos equipamentos tecnológicos, como por exemplo, com os iPods, laptops da
“maça - Apple”, celulares com câmeras e MP3, acesso a internet, TiVo,39 SKY+,40
enfim uma série de máquinas que se transformam em objetos de desejo, claro, tudo
isso aliado às estratégias de marketing e à presença constante na mídia, tendo como
foco o seu público alvo, ou seja, os consumidores que serão “seduzidos”, lembrandonos, novamente de Baudrillard, na Sociedade de Consumo (1995).
Kerckhove denominou este efeito de “tecnofetichismo”, alegando que é a prova
de que estamos de fato a tornarmos-nos ciborgues e de que, à medida que cada
tecnologia estende uma de nossas faculdades e transcende as nossas limitações
físicas, desejamos adquirir melhores extensões do nosso corpo. (apud, Coutinho,
2005, p.25).
Um exemplo é o telefone móvel, cada vez menor, mas com mais
recursos, agenda, despertador, calculadora, grava áudio, vídeo, fotografa, acessa
internet, possui jogos, leitor de música, etc., sendo cada vez mais uma extensão do
39
TiVo é um gravador de vídeo digital (DVR - Digital Video Recorder), que pode também ser chamado de
gravador de vídeo pessoal (PVR - Personal Video Recorder). Trata-se de um aparelho de vídeo que
permite aos usuários capturar a programação televisiva para armazenamento em disco rígido (HD), para
visualização posterior. Foi fundada em 1997, na Califórnia, é pioneira neste segmento. Disponível em :
http://www.tivo.com . Acesso em 21 abr. 2007.
40
SKY+ internacionalmente conhecido como Personal Vídeo Recorder (PVR). A tecnologia é pioneira na
América Latina e o Brasil é o quinto país do mundo a disponibilizá-la aos seus assinantes. Com um HD
(disco rígido) de 80Gb, é possível gravar o equivalente a 50 horas de programação, com qualidade digital
de vídeo e compatível com o sistema de áudio Dolby Digital 5.1. Os grandes atributos oferecidos pelo
SKY+ são: alta tecnologia, personalização e conveniência. Disponível em : http://www.sky.tv.br. Acesso
em 21 abr. 2007.
30
nosso corpo, aliada à moda que, através da criatividade no vestuário e acessórios,
possibilita essa extensão. As mulheres têm suas bolsas. E os homens? Por isso os
ternos, a calça cargo com diversos bolsos, para carregar o telefone móvel, iPod, o
palmtop, as mochilas para transportar os laptops e todos os aparatos tecnológicos,
ainda passam um ar de jovialidade aliada a praticidade.
A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço
social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre
relações institucionais, nem sobre relações do poder, mas sobre a
reunião em torno de centros de interesses comuns, sobre o jogo,
sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem
cooperativa, sobre processos abertos de colaboração. O apetite para
as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana
desterritorializada, transversal, livre. As comunidades virtuais são
motores, os atores, a vida diversa e surpreendente do universal por
contato. (LÉVY, 2000, p.130)
A cibercultura pode ser vista por diversos aspectos e ângulos por seus autores.
Lévy (2000) estabelece como análise da cibercultura, a interconexão, a criação de
comunidades virtuais e a inteligência coletiva. Johnson (2001) foca sua análise na
interface e interconexões. Rüdiger (2004) começa por Fausto e Prometeu, analisa
diversos autores e propõe perspectivas do pensamento tecnológico contemporâneo.
Cáceres (2001) divide em quatro itens de análise, o seu entendimento de cibercultura:
a conectividade, a interatividade, a vinculação e a comunicação. Lemos (2004) explora
a socialidade e o tecnicismo, entre outras inúmeras visões.
Como apresentamos, cada autor possui uma visão da cibercultura. Nós
optamos por trabalhar com a cibercultura como sinônimo da cultura contemporânea.
com foco na comunicação da moda no ciberespaço mediante o uso dos meios de
comunicação, destacando-se entre eles a internet, com a possibilidade da criação de
laços sociais, comunicação instantânea, troca de informações, imagens, vídeos, áudio,
gerando a comunicação entre o homem e a máquina, homens e homens, máquinas e
máquinas.
Essa comunicação pode ser local e/ou global. Gerando o “fetiche” pelas novas
tecnologias, cada vez mais alimentado na cibercultura. São os objetos do desejo, que
transmitem a
mensagem de futuro, tecnologia de ponta, o “estar na moda”. O
ciberespaço contribui para esse estudo, pois é um dos conceitos centrais na
31
cibercultura e é de extrema relevância para este trabalho, uma vez que abordaremos
diversos objetos que possibilitam a proliferação da moda em inúmeros ambientes além
da internet, incluindo territórios de informação móvel, celulares, iPods, laptops,
palmtops, etc.,
que também estão conectados ao sistema da moda. Estamos
evoluindo de um mercado de massa para uma nova forma de cultura de nicho, que se
define agora não pela geografia, mas pelos pontos em comum, pela valorização da
individualidade.
32
2.1 CIBERESPAÇO
O Ciberespaço é uma junção do cibernético com o espaço, conceito criado
pelo escritor de ficção científica William Gibson, em 1984 no seu livro "Neuromancer".
"O cyberspace. Uma alucinação consensual vivida diariamente por
bilhões de operadores autorizados, em todas as nações, por crianças
aprendendo altos conceitos matemáticos... Uma representação
gráfica de dados abstraídos dos bancos de todos os computadores
do sistema humano. Uma complexidade indispensável. Linhas de luz
abrangendo o não-espaço da mente; nebulosa e constelações
infindáveis de dados. Como marés de luzes de cidade[...] ". (GIBSON,
2003, p.67-68).
Como na cibercultura também há inúmeras visões para o ciberespaço versão
brasileira ou cyberspace versão americana. Segundo Fernandes, a possibilidade de
um mundo completamente interconectado: a comunicação universal, sem fronteiras,
propiciada pelo ambiente virtual e surreal que Gibson chamou de ciberespaço – uma
realidade consensual. (2006, p.21). O ciberespaço para Lemos, é um ambiente de
circulação de discussões pluralistas, reforçando competências diferenciadas e
aproveitando o caldo de conhecimento que é gerado pelos laços comunitários de
potencializar a troca de competências, gerando a coletivização dos saberes. (2004,
p.135).
Essa coletivização remete a Lévy (2000) para o qual o ciberespaço é um
receptáculo de uma inteligência coletiva.
O ciberespaço se caracteriza como um organismo complexo, totalmente
interativo e auto-organizante, de acordo com Joë Rosnay, é uma entidade quase
biológica, um organismo híbrido, que denomina de cybionte, uma simbiose entre as
máquinas, cibernética e o orgânico. (ROSNAY, online).
Esse cybionte,
podemos acompanhar através da moda e seus aparatos
tecnológicos com os celulares, iPods, games, MySpace, Orkut, óculos, câmeras, entre
outros, que estão conectados ao corpo do indivíduo e ligados 24 horas por dia,
desenvolvendo a sensação de poder ser
encontrado, de poder se comunicar a
qualquer instante, de estar informado e de estar próximo de todos, mesmo estando
longe.
33
Vale lembrar que a noção de cyberspace, egressa da ficção científica
norte-americana – ela foi cunhada, como se sabe, em 1984, por
William Gibson (1985), que lhe havia concedido significado
inteiramente surreal e futurista –, é, nos dias correntes, assimilada,
grosso modo, ao espaço-tempo imaterial socialmente produzido pela
rede planetária de computadores, criada no final dos anos 60 do
século passado, a Internet,
hoje
em
fase
hipermediática
audiovisual (World Wide Web), desencadeada no início dos anos 90,
com a invenção do modelo de interface gráfica cibericonizada. No
mais, prefere-se o conceito de cyberspace ao termo Internet ou Web
não somente para situar o presente ensaio no plano de uma epistème
acadêmica e abstrata, senão ainda para evitar a empiria tão
apreciada pelo jornalismo de popularização e pelos discursos
(publicitários ou não) dos advogados da res informática. (TRIVINHO,
2003, online).
Com a popularização da World Wide Web na década de 1990, com
características próprias de inter-conexão e sincronicidade, vem sendo geradas novas
possibilidades de relação participante/informação/suporte tecnológico, proporcionando
um espaço de comunicação interativo com
inúmeros recursos. (DONATI, 2004,
p.265).
A internet é o império da informação para todas as direções e o paraíso da
interação. Neste caso, não há parâmetros de comparação com o que as mídias
tradicionais podem oferecer. (WOLTON, 2003, p.97).
O nome internet é derivado da junção de duas palavras do inglês, international
network, que significa rede internacional
e designa a rede mundial pública de
computadores interligados, por meio da qual são transmitidos dados e informações
para qualquer usuário que esteja conectado a ela. (LIMEIRA, 2003, p.14).
Já a World Wide Web, também conhecida como WWW, W3 ou simplesmente
Web, é a designação de um dos serviços da internet, uma interface de utilização que
permite acessar uma grande diversidade de serviços na rede mundial. (Id. Ib., p.15)
A internet é a rede como um todo, a Web é a parte visual, um espaço
imaterial onde navegam trocas de informações, textos, imagens, filmes, e-mails, áudio,
transferências bancárias, as milhões de páginas da internet, blogs, fotologs, etc.
Basta nos conectarmos, ou seja, estar online.
Rosa define que esse “salto” para o online ocorre no momento em que
tomamos consciência dele como uma espécie de duplo espaço físico no qual podemos
entrar e sair. Ou, quando consumado no último grau, um espaço no qual é possível (e
desejável) entrar. (2001, p. 319-332, online). Possuímos o poder de escolha de entrar
34
(online) ou sair (offline) do ciberespaço. Rosa cita as classificações, segundo Don
Ihde, sobre o offline, que seria o estado de quem se mantém à margem das novas
tecnologias e mantém um papel passivo. Ficamos online quando passamos ao estado
ativo, com inúmeros graus de participação, indo do mais superficial abrindo e enviando
e-mails, visitando páginas na web a um grau mais elevado de envolvimento como nas
salas de chat, Messenger,41 jogos, baixando músicas, fazendo compras online, lendo
notícias, etc. Lembramos do filme Matrix,42 ficção que cria esse sentimento da perda
da noção da fronteira entre esses espaços.
Com um elevado grau de envolvimento no ciberespaço, temos o poder de
socialização para o qual esse espaço contribui em termos de global-local, segundo
Sherry Turkle:
Há mais de cinco anos, havia muitas pessoas falando coisas como
‘‘Meu Deus! O mais excitante sobre a Web é que eu posso falar com
esse cara na Austrália que possui a mesma coleção de selos do que
eu’’, e agora passou a ser o fato de que a Web pode contribuir
também para os relacionamentos com as pessoas que você face a
face. Foi um movimento global em direção ao local. Eu penso que as
coisas continuarão nessa direção. Então, a Web será valorizada tanto
pelo que ela faz pelo nosso alcance global como pelas nossas
possibilidades locais. (2006, p. 293).
Um exemplo empírico desse alcance foi a criação do Blog Espaço da Moda,43
inicialmente divulgado para os amigos somente na rede da assinatura dos e-mails, do
cabeçalho do Messenger e do Orkut, como diz Turkle “no alcance local”, mas o blog
possui um “alcance global”. Com aproximadamente 10% de visitantes de outros países
como USA, Inglaterra, China, Alemanha, México, Espanha, Moçambique, Portugal,
Malásia, Austrália, entre outros, cerca de
70% dos visitantes são desconhecidos
dentro do território brasileiro. O blog possui mais de 1000 acessos mensais. Esses
dados são do rastreamento via Google Analytics,44 que possui todas as informações
sobre os visitantes e como eles interagem em sites e blogs. O Google Analytics
41
O Messenger foi criado pela Microsoft (BBS online com troca instantânea de áudio e vídeo) aliado a
grandes campanhas de marketing, com parcerias dos grandes portais e posteriormente aos e-mails
gratuitos foram seus principais diferenciais para desbancar o ICQ(o pioneiro na comunicação
instantânea) Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em 01 jul. 2006.
42
Título Original: The Matrix. Gênero: Ficção Científica. Ano de Lançamento (EUA): 1999. Direção e
roteiro dos irmãos Andy Wachowski e Larry Wachowski. O livro Neuromancer serviu de inspiração para
os irmãos. Fonte: http://www.whatisthematrix.com. Acesso em 28 set. 2006.
43
Disponível em http://espacodamoda.blogspot.com. Acesso em 23 jan. 2007.
44
Disponível em : http://www.google.com/analytics/pt-BR. Acesso em 17 abr. 2007.
35
fornece todos os recursos que são esperados de uma oferta de análise de sites de
ponta, tudo gratuitamente.
A rede possibilita a facilidade de alcances globais e locais, criando ambientes
de convivências onde transitam as mais diferentes formas de informações, e
proporciona o nascimento e/ou o fortalecimento de relacionamentos virtuais e
reais(pessoal), por meios eletrônicos.
Com a crescente sofisticação de softwares, os quais facilitam que usuários
mais inexperientes na rede consigam publicar seu próprio conteúdo, e com softwares
como o Google Analytics possam acompanhar e mapear seus leitores.
O PC transformou todas as pessoas em produtores e editores, mas
foi a internet que converteu todo o mundo em distribuidores. Os
consumidores também atuam como guias individuais quando
divulgam pela internet, em sites de vendas ou nos próprios blogs,
suas opiniões sobre alguma coisa. (ANDERSON, 2006, p. 54).
A internet torna mais barato alcançar mais pessoas, o que se traduz em mais
consumo, em mais interatividade, em novos nichos e subnichos.
Os softwares desenvolvidos para a troca de informações entre os usuários na
rede possibilitaram o aumento no alcance das interações em tempo real, ou seja, de
forma instantânea. Com a implementação de programas como Messenger, Skype,
Orkut, entre outros, os usuários possuem a facilidade de se comunicar com os demais
de forma instantânea através de textos, imagens e áudio, transformando o
ciberespaço em um espaço de construção de novas formas de socialidade.
Estar bem informado e se comunicar online são necessidades vitais
do nosso tempo, e as potencialidades criativas da internet, virtuosas.
A possibilidade do sujeito, localizado em qualquer local do globo,
imerso num espaço virtual assistir aos desfiles de estilistas e marcas,
compartilhando a informação com diversas pessoas ao mesmo
tempo,
dissolve
antigos
opositivos:
individual/coletivo,local/global,real/ilusão. Com a aceleração do
universo tecnológico configura-se a des-referência espacial: a moda
em rede traz a desterritorialização da passarela, determinando novos
padrões de percepção e experiência. (GALVÃO, 2006, p.135).
A desterritorialização, o global-local de Sherry Turkle (2006), o indivíduo e o
coletivo de Lévy (2000), a socialidade e o tecnicismo de Lemos (2004) criam novas e
36
inúmeras formas de
inteiração no ciberespaço, proporcionando comunicação
instantânea, envio e recebimento de mensagens de texto, arquivos, imagens, vídeos e
áudio, usuários inexperientes criar conteúdo próprio, a “febre” dos games, entre
outros.
De um lado dessa socialidade derivou o cyberpunk, enquanto elemento
estético, pertencente ao ciberespaço e a cibercultura, refletindo o visual cyberpunk, a
moda cyberpunk, a cibermoda e a ciborgização.
37
2.2 MODA CYBERPUNK
Muitos não entendem a conexão entre o Cyber e o “Punk”. Vamos fazer uma
breve apresentação do Punk, movimento inglês da década de 60, 70 constituído em
Londres por meia dúzia de pessoas outsiders (na época estudantes, desempregados,
prostitutas, etc.) que freqüentavam locais underground. O movimento ganhou
destaque com a banda Sex Pistols – quarteto musical formado pelos desempregados
Johnny Rotten (vocalista), Steve Jones (guitarrista), Paul Cook (guitarrista) e Glen
Matlock (baixista), posteriormente foi substituído por Sid Vinicius e se tornaram o
maior ícone do movimento punk. A banda Sex Pistols foi criada em uma Inglaterra em
crise política e econômica.
Ganhou destaque na mídia e no mainstream (grande
público), devido ao visual rebelde (eram vestidos pela estilista Vivienne Westwood) e
ao rock distorcido e cru, indo totalmente de encontro a música hippie da época.
A filosofia punk era a do “se você não gosta do que existe, faça você mesmo” –
ou, simplificando, o lema “do it yourself”. Baseados nessa filosofia, os adeptos do
movimento passaram a criar as próprias vestimentas, com uma moda exclusiva e sua
própria música. Atingindo todas as classes sociais, “Jovens de diferentes grupos
socioeconômicos,
diferentes
origens
e
diferentes
países
se
identificaram
imediatamente com o movimento, como forma de negação e de revolta”. (FERREIRA,
2006, online).
Mas o movimento deixou resquícios em várias áreas, passando pela música,
literatura, moda, atingindo a cultura eletrônica, digital e chegando ao Cyberpunk (anos
80 - anos 90).
Fernandes explica que a palavra cyberpunk não foi inventada por nenhum dos
cinco autores Bruce Sterling, Rudy Rucker, Lewis Shiner, John Shirley e William
Gibson que se juntaram e criaram um grupo denominado “O Movimento”, depois foi
rebatizado de “O Movimento Cyberpunk”. A palavra foi tomada por empréstimo de um
conto de Bruce Bethke, sobre hackers adolescentes,45 escrito em 1980. Depois de
sofrer um ataque de hackers, Bethke46 decidiu escrever essa história e criou esse
título na tentativa consciente de inventar um neologismo que exprimisse a justaposição
de atitudes punk e alta tecnologia. (2006, p.51-52).
45
O conto pode ser lido na integra no http://www.infinityplus.co.uk/stories/cpunk.htm. Acesso em 24 jan.
2007.
46
Disponível em : http://www.spedro.com/nfc_cp.html. Acesso em 24 jan. 2007.
38
Antes de falarmos da moda do cyberpunk, apresentaremos uma breve visão da
moda punk e suas influências na moda cyberpunk.
Parte da juventude na década 60 recusa as roupas produzidas em massa e
busca o look retrô (moda do passado), usando peças misturadas, fazendo o gênero
Kitsch, que chocava e era considerado de mau gosto.
O exagerado aprumo dos hippies e o nascimento do movimento punk,
destaque para estilista preferida dos punks, Vivienne Westwood,
nascida em 1941 é conhecida popularmente como a “estilista punk”,
excêntrica, provocativa e irreverente. Ela levou a estética do
movimento das ruas de Londres para as butiques a estética do
movimento, transformando o punk em moda. (MOUTINHO, 2000, p.
248).
Com 34 anos de carreira, a estilista
britânica Vivienne Westwood foi
homenageada com uma exposição apresentada no Victoria & Albert Museum
(Londres). É a maior mostra dedicada a um designer de moda já realizada pelo centro.
O visual punk, como ainda é conhecido, inclui cabelos coloridos e espetados,
roupas rasgadas, jaquetas de couro, geralmente tacheadas, camisetas pretas,
braceletes de aço ou couro tacheados, alfinetes de segurança presos à roupa ou
dependurados no nariz e nas orelhas. As garotas punk também usavam essas roupas,
ou então variavam com saias com fendas laterais, suéters justas, sandálias de salto
alto e fino; seus namorados preferiam as pesadas botas shit kicker (chuta merda).
(LURIE, 1997, p. 176). Lemos, disserta algumas linhas sobre a Moda Cyberpunk:
Reflete bem o espírito do tempo. Caracteriza-se por ser um "estilo de
rua" composto de piercings, tatuagens, blusões de couro preto,
óculos espelhados, roupas inteligentes (que mudam de cor, adaptamse à temperatura externa ou mesmo eliminam bactérias), até o uso de
weareables computers, tecnologias nômades, computadores que
podem ser vestidos. (Ib., p.196).
Para o autor, a moda cyberpunk abusa de materiais sintéticos, acessórios
provenientes da ficção-científica, roupas com circuitos eletrônicos, máscaras
antipoluição e bijouterias com sucatada da era digital (brincos de chips, colares com
cd-roms, etc.).
39
Como expressão da cibercultura, a moda e a cultura cyberpunk não
são somente uma corrente da ficção científica, mas um fato
sociológico irrefutável, uma mistura de esoterismo, programação de
computador, pirataria e ficção influenciada pela contracultura
americana e pelos humores dos anos 80. Lemos, afirma que "a
atitude cyberpunk é acima de tudo, um comportamento irreverente e
criativo frente às novas tecnologias digitais". (Ib., p.196).
No site The Cyberpunk Project, encontramos muitas informações e
curiosidades sobre o cyberpunk. Para os autores não há nenhum estilo exato de
roupa ou de moda cyberpunk, a maioria usa roupas futuristas, prefere a cor preto e
prata, percebe-se que usam o que gostam. (The Cyberpunk Project. online).
Podemos perceber na obra de Gibson, Neuromancer, que não há um estilo
exato para o cyberpunk através da descrição de alguns personagens: "A moça
japonesa de camiseta preta sem “mangás”47 (2003, p. 29). "Wage vestia um terno de
seda bronze metalizado e usava uma pulseira de platina em cada pulso". (Id., p. 34).
"Molly usava roupa preta justa de couro um blusão estufado também preto, feito de um
material opaco que parecia absorver a luz". (Ib.,p.38). "A garota enfiou os dedos na
cintura da calça de couro e balançou para trás, equilibrada nos saltos laqueados das
suas botas cowboy vermelho-cereja. As biqueiras estreitas eram de prata mexicana".
(Id., p. 42). "A alpargata branca brilhante da moça [...]" (Ib., p. 54). " Case, levantou,
enfiou o jeans preto novo amassado que estava a seus pés e ajoelhou-se perto das
mochilas". (Ib., p. 58). "A garota vestia uma camiseta de malha escura enfiada dentro
dos calções largos de algodão preto". "Armitage estava usando um terno italiano
escuro e segurava na mão direita uma pasta de couro preto e macio". (Ib., p. 59).
Concluímos que não há um padrão para a moda cyberpunk, mas o preto e os
materiais sintéticos sempre estão presentes, como complementa Amaral,
a força dos cyberpunks está na sua ênfase em multiplicidade e
potencialidade na criação de imagens. [...]. Assim como no estilo
punk, que em seus primórdios já utilizou elementos como a suástica e
os cabelos coloridos como forma de resistência, também alguns
escritores cyberpunks adotaram um visual próprio com o uso de
óculos escuros e jaquetas de couro pretas. (2006, p. 133).
47
Mangá é a palavra usada para designar as histórias em quadrinhos japonesas, o seu estilo próprio de
desenho e o movimento artístico relacionado. No Japão designa quaisquer histórias em quadrinhos.
Vários mangás dão origem a desenhos animados (Anime) para exibição na televisão, em vídeo ou nos
cinemas, mas também há o processo inverso em que a animação torna-se uma edição impressa de
história em sequência ou de ilustrações. Disponivel em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Mang%C3%A1 .
Acesso em 27 abr. 2007.
40
Um exemplo no cinema são as trilogias Matrix48 e X-Men,49 seus personagens
usam roupas pretas, sintéticas, coladas ao corpo, óculos escuros e muita tecnologia
na comunicação e no transporte, com aeronaves, teletransporte, comunicadores que
funcionam em qualquer lugar, basta pressionar uma tecla, entre outros; estilo que
também chamamos de “Estilo Matrix” juntamente com Fernandes, que denomina
como o “Estilo Matrix”, mulheres poderosas vestidas de couro preto brilhante que
parece um vinil, marcando o corpo e permitindo a realização de movimentos e lutas,
fazendo referência à Trinity (vivida pela atriz Carrie-Anne Moss), na trilogia Matrix,
inspirada na samurai de rua Molly Millions (personagem de Gibson em Neuromancer).
Fernandes (2006, p.29 e 97) apresenta uma curiosidade ligada ao mercado de
consumo: no mundo da ficção, a personagem Cayce de Gibson, difere de Trinity e
Molly - ela é mais discreta com o “famoso” pretinho básico, confortável ou ainda outra
peça preta, sua predileta - uma jaqueta Buzz Rickson, marca japonesa real (existe no
nosso mundo) que lembra antigos casacos de aviador. Só que no mundo real a
jaqueta não existia na cor preta, somente na cor marrom. O exemplo, que revela a
força de Gibson, é o que aconteceu pouco depois do lançamento do livro
Neuromancer nos Estados Unidos e na Europa: segundo o site da empresa norteamericana History Preservation Associates,50 representante da Buzz Rickson Products
nos EUA, a demanda por essa cor pelos leitores de Reconhecimento de Padrões, fez
com que a empresa passasse a fabricar a jaqueta em preto também. O modelo, claro,
recebeu o nome honroso de
Buzz Rickson’s ‘‘Pattern Recognition’’ Black MA-1
Intermediate Flying Jacket. (Ib., p.99). Gibson mais uma vez trazendo a ficção para o
mundo real.
O ‘‘Estilo Matrix’’ pode ser encontrado em diversos filmes como Blade (1998),
As Panteras (2000, 2003), MIB Homens de Preto (1997 e 2002), Minority Report
(2002), no filme e no game Resident Evil (2002), AeonFlux (2005), Ultravioleta (2006),
Anjos da Noite (2006), Gene Generation (2007), entre outros que virão e que fazem
parte da cibermoda ou cyberfashion.
48
Título Original: The Matrix. Gênero: Ficção Científica com duração de 136 minutos. Ano de
Lançamento (EUA): 1999. Estúdio: Village Roadshow Productions, com distribuição da Warner Bros.
Direção e roteiro dos irmãos Andy Wachowski e Larry Wachowski. O livro Neuromancer serviu de
inspiração para os irmãos. Fonte: http://www.whatisthematrix.com. Acesso em 28 set. 2006.
49
X-Men é uma série de histórias em quadrinhos norte-americana publicada pela Marvel Comics e
também uma franquia de produtos derivados, no cinema, na televisão, brinquedos e em videogames. Em
2000, a 20th Century Fox lançou X-Men - O Filme, uma adaptação cinematográfica dos quadrinhos de 75
milhões de dólares, dirigida por Bryan Singer. Fonte: htpp://pt.wikipedia.org/wiki/X-Men#Filmes. Acesso
em 28 set. 2006.
50
Disponível em : http://historypreservation.com/hpassociates/buzzrlanding_2.php. Acesso em 25 jan.
2007.
41
2.3 CIBERMODA
A moda faz parte da cultura contemporânea e está conectada às novas
tecnologias. Hoje temos o telefone móvel, MP3,4 player, câmeras digitais, palmtops,
entre outros, cada vez menores, que são incorporados ao vestuário. A indústria têxtil
tem feito investimentos de milhões em pesquisa para desenvolver os chamados
“tecidos inteligentes” o tratamento ocorre nos fios ou em banhos especiais feitos na
tinturaria. Tecidos com acabamentos bactericidas, roupas que esquentam no frio e
refrescam no calor. É o efeito dry fit, tecido feito com poliamida e elastano (supplex)
que proporciona conforto propício para peças de esporte, que exigem facilidade de
transpiração do corpo. Uma peça com dry fit tem a capacidade de tirar o suor do corpo
e transportá-lo para fora do tecido, não deixando-o em contanto com a pele. Hoje já
existem as ultramicrofibras, que chegam a ultrapassar a sensação de conforto das
fibras naturais.
Levando em conta a preocupação das pessoas com os perigos da ação
maléfica dos raios UVA e UVB na pele, surge um fio capaz de bloquear esta ação.
(ROCHINSKI, online).
Também
encontramos
“computadores vestíveis,”
51
os
“wearables
computers”,
“wearcomp”
ou
que expressam uma nova forma de usar os componentes
eletrônicos na moda urbana.
O WearComp (computador de vestir) é um microcomputador que faz
parte de você, que é controlado por você e está sempre disponível
para você. Ele vai bem mais além do que um laptop (computador de
colo) ou um handheld (computador de mão) porque você pode usá-lo
enquanto está andando, fazendo compras ou até mesmo jogando
uma partida de tênis. Não é preciso ligá-lo ou desligá-lo: circuitos
especiais permitem que a corrente elétrica flua constantemente dele
para o seu corpo e vice-versa. (MANN, online).
Eles já estão ganhando formas de óculos com micro câmeras e design
futuristas, de plaquetas menos estéticas, mas adaptáveis ao pulso, de anel ou canetas
ligados a um processador preso ao cinto, de casacos que trazem sensores no avesso.
51
Está sempre ligado e acessível como uma perfomance computacional que permite auxiliar o usuário em
atividades motoras e/ou cognitivas, sem, no entanto, ser considerado como uma simples ferramenta.
Funciona como uma segunda "pele", sobreposto, sendo necessário descartar dessa classificação os
implantes, as alterações genéticas e os sistemas dedicados. (DONATI, 2004, p. 94).
42
Os “computadores vestíveis”, ainda estão chegando timidamente ao Brasil, mas
encontram-se bastante difundidos na Europa e Estados Unidos, segundo Donati.
(2003, online).
O “computador vestível” possibilita uma forma de sinergia entre o homem e o
computador, oferecendo uma área pessoal de comunicação, onde o usuário
estabelece conexões através do próprio corpo por meio do uso de sensores. Quando
conectado à Web este dispositivo potencializa a capacidade do usuário de interagir
simultaneamente em diferentes espaços físicos remotos e digitais.
Um exemplo é a roupa do astronauta que é, acima de tudo, um computador
vestível. Ao sair da nave para executar reparos ele pode, ao mesmo tempo, enviar
imagens, consultar banco de dados e receber orientações da tripulação e da Nasa.
(DONATI, 2003, online).
Outro exemplo é um capacete de imersão, que captura imagens de um
ambiente em tempo real e auxilia o deficiente visual em suas atividades diárias; um
aplicativo específico exacerba as cores das imagens, realçando assim os contornos
dos objetos e permitindo que o usuário os identifique sem ajuda.
O uso desta interface vem possibilitando uma redefinição dos limites pessoais
de atuação e percepção de sentidos. Destaque para o Massachusetts Institute of
Technology (MIT)52 de Boston, que desde os anos 70 trabalha com pesquisas nessa
área. O pioneiro é o canadense Steve Mann53 que, em sua casa ou em passeios, usa
sua roupa preferida, um computador. Na verdade, ele veste oito microcomputadores,
usa câmeras ocultas em óculos escuros, dia e noite, e está quase sempre conectado à
Internet, por meio de ondas de rádio. O dr. Steve Mann é professor do Departamento
de Engenharia Elétrica de Computação da Universidade de Toronto, Canadá, e Phd
em 1977, pelo MIT - Instituto de Tecnologia de Massachussets, EUA, o que lhe
confere o direito de ser chamado, no máximo, de excêntrico. Desde seus tempos de
colegial, em 1970, ele vem trabalhando em suas invenções: o Wearable Computer, ou
Computador de Vestir, e em uma micro-câmera de vídeo em forma de monóculo, a
WearCam. Steve Mann nasceu em junho de 1962, em Ontário, no Canadá, onde vive
com a mulher e dois filhos.
A cibermoda também preocupa-se com o meio ambiente, através de tecidos
completamente ecológicos, com substâncias alternativas à química, normalmente
usada pelas indústrias têxteis. Um jeito de demonstrar que é possível produzir tecidos
52
Disponível em: http://web.mit.edu/ Acesso em 18 abr. 2007.
Mais informações na sua página pessoal disponível em : http://wearcam.org/steve.html. Acesso em 18
abr. 2007.
53
43
e modelos da moda sem o uso de substâncias nocivas à saúde e que não agridam ao
ambiente.
Foi o que aconteceu na última edição do evento São Paulo Fashion Week
(SPFW) em janeiro de 2007. O tema do evento foi “Sustentabilidade”, onde diversos
estilistas e empresas apresentaram seus trabalhos e o que estão fazendo para
proteger o meio ambiente e também valorizar a ação social.
"A questão da sustentabilidade é uma ação ambiental e social do SPFW. Não
pedimos ou sugerimos a nenhum estilista que trabalhasse sobre este tema. Usamos,
sim, o poder da moda de transformação, da capacidade dela de passar uma
mensagem, de criar imagens poderosas para falar de um assunto que não dá para
deixar para depois. A poluição, a água, o aquecimento global são questões urgentes",
diz Paulo Borges, diretor do evento.54
Anúncios pequenos e vazados, economizando papel e tinta, com frases como
"Use menos tinta", "Consuma Consciente", "Use o coletivo" e "Use luz natural",
sugerem atitudes que cada um pode tomar em nome da sustentabilidade. "Ande +",
"Desaqueça" e "Cultive" são alguns dos conceitos trabalhados na campanha, que será
um dos temas permanentes do evento, transformando a sustentabilidade numa cultura
urbana que pode e deve ficar na cibermoda.
No vídeo de abertura do evento foi enfatizada a importância de iniciativas
sustentáveis, como a geração de energia por biodisel, a neutralização do carbono e a
valorização dos novos materiais na fabricação de tecidos. Um exemplo é a fibra de
garrafas pet, que é produzida por uma cooperativa que coleta e recicla materiais. A
sustentabilidade pode ser vistas nos lounges das empresas patrocinadoras do evento
e nas exposições dos estilistas que trabalharam com tecidos inteligentes e
ambientalmente corretos. 55
As indústrias da moda, do entretenimento e de tecnologia pesquisam e
desenvolvem produtos para surpreender o seu público. É uma simbiose entre o
homem e a máquina, que se moldam e criam uma cibermoda, cybermoda ou uma
cyberfashion. Confirmando a teoria de McLuhan(1964) os meios de comunicação são
como extensões do homem e o vestuário é extensão da nossa pele. Com a
cibermoda, conseguimos essa junção, das manifestações culturais e sociais
54
Em meio a correria Paulo Borges conversa com o UOL, 26 jan. 2007. Disponível em :
http://estilo.uol.com.br/moda/spfw/ultnot/2007/01/26/ult3902u259.jhtm. Acesso em 29 jan. 2007.
55
Vídeo de abertura da São Paulo Fashion Week de 24 a 28 de janeiro 2007, com tema
Sustentabilidade.
O
material
foi
produzido
pelo
Banco
Real.
Disponível
em :
http://tvuol.uol.com.br/moda/spfw/2007/01/25/ult3440u286.jhtm. Acesso em 29 jan. 2007.
44
“alinhavadas“ com a evolução tecnológica. Um outro exemplo é a Adidas, que lançou
em setembro de 2006, uma coleção de três peças (camiseta, monitor de pulso e
tênis), que se comunicam entre si e monitoram todo o sistema físico do usuário, da
freqüência cardíaca ao tempo necessário de relaxamento após o esforço físico. Os
dados são analisados em tempo real e um programa específico sugere mudanças de
movimentos para a promoção de mais qualidade e conforto.
Os blindados fazem parte da cibermoda, a empresa colombiana Miguel
Caballero lançou uma coleção "casual wear" à prova de balas e está tendo uma
grande aceitação com pedidos de vários países.
Os últimos lançamentos tecnológicos incorporam-se às roupas, com a ajuda da
nanotecnologia, chips, celulares, leitores de MP3,4 player,
internet sem fio, entre
outros. Apesar de ainda incerto, o futuro da cibermoda, com a evolução das
tecnologias digitais e da mídia em geral, marcam inevitavelmente nosso universo
cultural em constante transformação e, não podemos negar que a multiplicidade da
moda continuará fazendo parte dessas transformações e ficando para a história.
45
2.4 MODA E A CIBORGIZAÇÃO DOS CORPOS
Um outro fenômeno da cibercultura que também esta presente na moda é a
ciborgização dos corpos, que fazem parte da cibermoda, a junção do “ciber” , da
“moda” e do “corpo”.
Nos últimos anos, as referências à evolução dos meios eletrônicos por parte de
autores e pesquisadores das ciências sociais sublinham a extrema velocidade a que
estes avanços se processam, acarretando uma série de transformações sociais e
culturais, onde se definem novos formatos de estilos de vida. É neste contexto que
surge uma nova cultura visual e se desenvolve uma estética que tem por base um
imaginário "ciber", composto por figuras virtuais, imagens digitais, robôs, andróides,
ciborgues, entre outros.
Falaremos da figura do Ciborgue, o termo é oriundo da junção de "ciber" da
ciência da cibernética de Wiener e "org" de organismo orgânico, ou seja, uma mistura
de máquinas e organismos, dois mundos que se completam.
Há diversas interpretações para a figura do ciborgue, que representa uma visão
radical do que significa ser humano no mundo ocidental no final do século XX. Na
última década do século passado, esta figura ganhou enorme popularidade na cultura
cinematográfica.
O conceito de ciborgue na ficção-científica parece surgir de uma história de
Arthur Clark de 1965, intitulada “The City and the Stars”, designando os organismos
cibernéticos. O cinema explorou muito essa imagem, onde os replicantes de Blade
Runner (Scott, 1982), o Terminator ou Exterminador do Futuro (Cameron, 1991) e o
Robocop (Verhoeven, 1987), depois do popular “Homem de Seis Milhões de Dólares”,
enriqueceram nosso imaginário com as possibilidades de simbioses entre os corpos
humanos e máquinas. O imaginário do ciborgue alcança uma nova dimensão na
década de 80 com a ficção-científica cyberpunk.
Para os cyberpunks a “New Edge”, a nova fronteira eletrônica, é
marcada por essa simbiose entre os homens e as novas tecnologias.
A engenharia genética e as nanotecnologias são realidades hoje, que
permitem a manipulação do corpo humano (manipulação do seu
código genético e introdução de máquinas/próteses) com diversos
objetivos (médico, erótico, estético). (LEMOS, 1997, online).
46
Lembramos de dois exemplos do cinema:
o filme Gattaca – Experiência
Genética (1997), do diretor Andrew Niccol, que leva às telas um mundo onde apenas
os geneticamente perfeitos conseguem posições de destaque e o filme A Ilha (2005)
onde é retratado um mundo de clones.
As pessoas ainda confundem, “Qual a diferença entre robôs, replicantes e
ciborgues?”
O robô é formado de matéria inorgânica, os replicantes de matéria
orgânica (manipulação genética) e os ciborgues, protéticos de matéria orgânica e
inorgânica.
O ciborgue não saiu mais de cena e continua presente nos cinemas e nas
séries de tv. Na série Jornada nas Estrelas Nova Geração, com o comandante Data,
no cinema, com o filme Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato (1996),56 onde a
tripulação da Enterprise enfrenta a ameaça Borg, uma raça cibernética que captura
seus inimigos para transformá-los no que ele são. Outros filmes como RoboCop
(1987/90), O homem bicentenário (1996), A.I. Inteligência Artificial (2002), são um
retrato da metade humano, metade máquina, apresentando uma visão do ciborgue
que vai da pura máquina à simulação moldada.
Para Lopes, estes modelos e simulações são freqüentemente desenhados para
funcionar em meios hostis e em mundos do futuro governados pelos mais diversos
tipos de ditadores e militares renegados ou corporações industriais malévolas. (2001,
online).
Donna Harraway (1987) classifica o ciborgue como ‘’um híbrido de máquina e
organismo, uma criatura de realidade social tanto quanto de ficção’’. Rűdiger diz que:
"[...] enquanto corpos, não somos mais que uma espécie de máquina". (2004, p.38).
O corpo é um tipo de monte de carne acessório; mas não é mais a
alma ou consciência que ocupam lugar privilegiado. O essencial, em
oposição ao corpo, é o padrão que, exatamente, o informa, quer seja
no plano genético, quer seja no plano mental (cerebral): é essa a
concepção informacional da humanidade. (Ib., p. 55).
Pensando assim, o corpo é uma máquina, um relógio que funciona 24 horas
por dia. Mas esse corpo, segundo Rűdiger um "monte de carne acessório", e o que
seriam esses acessórios? É tudo que não faz parte do corpo, mas que foi absorvido
ou
introduzido pelo homem ou pela máquina no corpo do indivíduo, interna ou
externamente.
56
Disponível em : http://www.startrek.com/library/movies/viii_main.asp. Acesso em 30 jan. 2007
47
Para Lévy, "os implantes e as próteses confundem a fronteiras entre o que é
mineral e o que está vivo: óculos, lentes de contato, dentes falsos, silicone, marcapassos, próteses acústicas, implantes auditivos, filtros externos funcionando como rins
sádios" . (1998, p.30).
Assim como o relógio, o MP3,4 player, o GPS, os celulares, os palmtops, se
incorporam dentro das roupas ou bolsas, fazendo parte do indivíduo como um todo. O
uso do relógio de pulso passou a ser incorporado de tal forma que o indivíduo usa por
24 horas; os celulares estão ligados 24h; computadores conectados 24h; são alguns
exemplos de interação muito grande com seus usuários.
Fones de ouvido Bluetooth que se encaixam na orelha e se comunicam sem fio
com o celular, que pode estar em um bolso, começam a ser cada vez mais populares
na Europa e EUA e, ainda em menor escala no Brasil. O comando de voz serve de
agente de interatividade entre o usuário e o telefone e, deste modo, pode executar
comunicações sem o uso das mãos e com todos os dispositivos necessários presos
ao corpo. Ora é feita a interação do homem com o aparato de comunicação móvel, ora
o aparelho serve apenas como uma via para a interação com outras pessoas (chats,
conversas telefônicas, VOIP ou Messenger), e ainda em outros momentos existe a
comunicação máquina-máquina: quando se programa o acesso constante há um
servidor de e-mails ou alguma consulta a um banco de dados. Estas formas de
interações podem ocorrer separadamente ou até simultaneamente. (PELLANDA,
2005, p.117).
Estamos conectados a essas tecnologias na cultura contemporânea.
Complementando, se pensarmos na área da medicina, que permite transplantes,
próteses, órgãos artificiais, plásticas, cada vez mais freqüentes na nossa cultura, na
comunicação, na biologia, na engenharia genética, entre outros, já estamos em um
processo de ciborgização.
Recorre mais uma vez às teorias de McLuhan sobre o computador e
a sociedade de informação como extensão da nossa mente, podemos
considerar que todos nos transformamos em ciborgues, ou nos
tornamos mentalmente num, quando usamos a tecnologia: o
comando da televisão é uma extensão da nossa mão, o computador
uma extensão da nossa mente. Sem abandonar o nosso corpo
material, tornamos-nos um ciborgue quando, por exemplo, entramos
na internet através de um computador ou celular. Segundo, Harraway,
ao fazê-lo anulamos as diferenças funcionais entre o masculino e o
feminino – “o ciborgue é uma criatura dum mundo pós-gênero”.
(COUTINHO, 2005, p.32).
48
Em 1985 a bióloga e feminista,
Donna
Haraway publicou: "A Cyborg
Manifesto: Science, Tecnology, and Socialist-Feminism in the Late
Century",57
onde
utiliza
o
ciborgue
como
uma
imagem
Twentieth
condensada
das
transformações sociais e políticas do Ocidente na virada do século. Essas
transformações dizem respeito, principalmente, aos desafios trazidos pelo binômio
ciência & tecnologia, tanto no que diz respeito à nossa percepção do mundo e de nós
mesmos, quanto para as nossas relações sociais.
Com as tecnologias, as fronteiras entre os animais e os seres humanos, entre o
orgânico e o inorgânico, entre cultura e natureza, entram em colapso. Híbrido de
máquina e organismo, o ciborgue simboliza a ruptura e a confusão dessas fronteiras e
pode ser apropriado criticamente para se fundar uma nova política. Para Haraway, da
imaginação da ficção científica pode emergir uma nova maneira de se relacionar
criticamente com a ciência e a tecnologia e, assim, possibilidades políticas
interessantes para o século XXI.
Para Duarte, o computador é o cérebro próprio de gerenciamento das
equações de tempo e espaço do ciberespaço. Por si só, já possui informações para
representar o espaço e o movimento nos seus universos, levando o cérebro humano a
um choque inevitável, caso tente equacionar essas dimensões pelos seus próprios
registros. No desbravamento dos mundos virtuais, os dois cérebros (o do homem e o
da máquina) podem funcionar em maior parceria. Um se adaptando às potencialidades
do outro para que ambos dêem o melhor de si em caminhos diferentes mas
complementares, a fim de que novas verdades possam ser descobertas a partir de
novas extensões perceptivas do homem. O advento do ciborgue pode ocorrer
independentemente do implante de circuitos integrados pelo corpo. (2004, online).
Na visão de Galindo, os ciborgues também estão nos desenhos infantis que os
incorporaram os ciborgues como heróis, a exemplo do mangá Cyborg 00958 no qual
duelam bons e maus, no jogo de RPG Cyberpunk 202059, escreve-se em um artigo de
divulgação “O livro adverte, em um dos seus capítulos: esqueça tudo o que você sabe
57
Disponível em: www.stanford.edu/dept/HPS/Haraway/CyborgManifesto.htmlAcesso em 20 jul. 2006
A história começa num futuro próximo quando nove humanos de países diferentes são seqϋestrados
pela organização terrorista, liderados pelo maligno Espectro e são transformados em ciborgues. O intuito
da organização era usar esses ciborgues como armas de guerra. Cada ciborgue possui poderes
diferentes e poderosos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyborg_009. Acesso em 30 jan. 2007.
59
Cyberpunk 2020 é um jogo de RPG escrito por Mike Pondsmith, produzido pela R. Talsorian Games e
publicado no Brasil pela Devir Livraria. Possui um sistema de regras próprio, o Interlock System. Nele o
jogador escolhe por uma profissão para o seu personagem, sendo que cada profissão apresenta uma
perícia especial. O personagem pode se tornar um ciborgue. Mas isto tem um impacto psicológico no
personagem (nos termos do jogo, ocorre perda de humanidade). Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberpunk_2020. Acesso em 30 jan. 2007.
58
49
sobre Ciborgues. Tudo! Anos 2000”. Implantes cibernéticos são projetados para um
estilo de vida altamente móvel e dinâmico. Você pode ser equipado com chips de
dados implantados em seu sistema nervoso, para aumentar sua performance no jogo
de tênis, ou miniarmas bioengendradas para proteção pessoal. O ciborgue dos anos
2000 é o que existe de mais avançado em termos de biotecnologia. (2003, online).
Como vimos há diversas interpretações para os ciborgues. Lemos se propõe a
chamá-los de “netcyborgs” os quais são ciborgues interpretativos das redes, que têm
a possibilidade de esvaziar o controle dos media, que fizeram dessa sociedade do
espetáculo uma realidade. Poderíamos argüir se esse potencial opressivo não estaria
minimizado pelo caráter dos novos meios eletrônicos, que, diferentemente dos media
de massa, não são baseados em um sistema “Um para Todos”, mas auto-organizados
a partir de conexões “Todos para Todos”. (1997, online).
A informação é uma troca constante entre o homem e a máquina. O ciborgue
faz parte desse processo e realiza esta interface. O ciborgues estão presentes no
cotidiano em todos os lugares, no mundo real, na ficção e no imaginário; são seres
que fazem o bem e o mal, são máquinas e corpos, orgânicos e inorgânicos; estão nas
ruas, nos hospitais, nas revistas, nas rede, nos desfiles de moda, na internet, etc.
A moda, a cibercultura e a comunicação estão interligadas na cultura
contemporânea e estão relacionadas à efemeridade, ao individualismo e à
multiplicidade, características observadas na moda, no ciberespaço, na cibercultura,
no cyberpunk, na moda cyberpunk, na cibermoda e na ciborgização. No próximo
tópico apresentaremos detalhadamente cada uma dessas características e suas
relações com a cibercultura.
50
2.5 CARACTERÍSTICAS DA MODA NA CIBERCULTURA
A partir dos fenômenos da moda na cibercultura analisados nesse capítulo,
procuramos relacionar as características da moda com as características intrínsecas à
cibercultura como dois fenômenos histórico-sociológicos. Pesquisamos sobre como a
moda se apresenta na cibercultura, relembrando-a como processo midiático e de
comunicação e, a partir daí, observamos a influência de uma na outra, procurando
assim responder uma das questões da pesquisa: se as características da moda
escolhidas como
efemeridade, multiplicidade e o individualismo também estão
presentes na cibercultura, e como se manifestam?
As duas categorias possuem inúmeras características, como a interação, o
poder de expressar emoções, as mudanças constantes, o pertencimento e
identificação com os diferentes grupos, produzir e propagar conhecimentos, padrões
de comunicação, de produção e a disseminação de informações que englobam o
ciberespaço, possuindo abrangências global e local. A internet aumentou ainda mais
essa abrangência. Muito se discute sobre o tema, pois envolve fenômenos recentes,
sobretudo no que diz respeito à relação da cibercultura com as culturas tradicionais e
com as culturas do mercado de massa e das instituições em geral. O sistema da
moda também busca o seu espaço nesse contexto.
Apresentamos uma análise das categorias escolhidas para essa pesquisa
iniciando com a efemeridade, depois passamos ao individualismo e finalizamos com a
multiplicidade, traçando um paralelo com a cibercultura como sinônimo da cultura
contemporânea.
51
2.5.1 Efemeridade
A efemeridade é umas das principais características do sistema da moda e
está vinculada à curta duração das coleções, ao transitório, ao efeito passageiro da
moda. Mas nem sempre foi assim. Lipovetsky apresenta como iniciou essa
efemeridade.
A alta sociedade foi tomada pela febre das novidades, inflamou-se por todos os
últimos achados, imitou alternadamente as modas em vigor na Itália, na Espanha, na
França. Houve um verdadeiro esnobismo por tudo o que é diferente e estrangeiro.
Com a moda, aparece uma primeira manifestação de uma relação social que encarna
um novo tempo legítimo e uma nova paixão própria ao Ocidente, e do "moderno". (Ib.,
p. 33).
A efemeridade, ou seja, o novo, o moderno, as mudanças estão "alinhavados"
na moda. Lipovetsky complementa "A novidade tornou-se fonte de valor mundano,
marca de excelência social; é preciso seguir "o que se faz" de novo e adotar as últimas
mudanças do momento: o presente se impôs como o eixo temporal que rege uma face
superficial mas prestigiosa da vida das elites". (Ib., p. 33).
A "elite", definida por Lipovetsky são grupos de consumidores potenciais, que
são segmentados e
trabalhados com as estratégias de marketing, criando
necessidades e desejos para esse público. Dorfles define a "elite"
à moda destinada às classes dominantes, aquela que era – e que,
em parte, ainda é – a alta costura. Moda que, apenas num segundo
momento, "desceria" ao nível das massas, copiada, imitada reduzida
à condição de pronto-a-vestir. (1984, p.14).
As
elites,
nas
duas
definições,
são
consumidores
desejados
pelas
organizações as quais fazem de tudo para que este público consuma seus produtos. A
elite adota produtos, inovações, lançamentos para se distinguir das classes inferiores.
Essa distinção começou com a evolução da burguesia, segundo Lipovetsky, e
continua até hoje.
Treptow define a moda: "como um fenômeno social de caráter temporário que
descreve a aceitação e a disseminação de um padrão ou estilo pelo mercado
52
consumidor até a sua massificação e conseqüente obsolescência como diferenciador
social". (2003, p.27).
A obsolescência, como diferenciador social, faz parte do ciclo de vida do
produto de moda, o qual é muito curto em relação a outros produtos de
consumo.Treptow nos dá um exemplo deste ciclo de vida da moda.
Moda = Lançamento
Consenso
Consumo
Massificação
Desgaste
A análise do ciclo de vida da moda e dos movimentos de adoção dos diferentes
estilos de vestir é fundamental para o desenho das estratégias mercadológicas e de
comunicação, pois visa a determinar a duração de uma tendência e prever a
introdução de novos estilos. [...] o fenômeno da moda está ligado à introdução de
novos produtos e à difusão da inovação. (GARCIA, Ib., p.67).
O ciclo de vida da moda é cíclico. Segundo, Carli é um círculo
de
novidade/efemeridade e proporciona sensação de suspensão do tempo e vivência de
uma sucessão de presentes, já que a moda engaja-se na "loucura do uso" que, além
de sensacional, abre as portas para a realização fugaz do imaginário. (Ib., p.121)
A moda em si é auto-destrutiva pois, a cada nova coleção, a antiga é anulada
em privilégio de uma outra, que traz novas idéias, conceitos, inspirações. A cada
lançamento o ciclo de vida é acionado com novidades e efemeridades divulgadas nos
meios de massa.
A moda alimenta-se, reenergiza-se, mantém-se viva com o seu próprio flagelo.
Teria a moda na sua essência, uma espécie de auto-rejeição tão grande que ela
mesma não se suportaria, precisando se reinventar em curtos espaços de tempo, ou
seria uma mera vaidade de renovação? (BRAGA, 2006, p.15).
O ciclo de vida da moda também está presente na cibercultura? Lemos define
a cibercultura como nova forma de cultura e diz:
Entramos hoje na cibercultura como penetramos na cultura alfabética
há alguns séculos [...]. A cada etapa da evolução da linguagem, a
cultura humana torna-se mais potente, mais criativa, mais rápida.
Acompanhando o progresso das mídias, os espaços multiplicaram-se
enriqueceram-se: novas formas artísticas, divinas, técnicas,
revoluções industriais, revoluções políticas. O ciberespaço representa
recente desenvolvimento da linguagem. Os signos da cultura, textos,
músicas, imagens, mundos virtuais, simulações, moedas, atingem o
último estágio da digitalização. (Id. ib., p.11).
53
A cibercultura é uma nova forma de cultura, novas pesquisas são apresentadas
diariamente, novos produtos e serviços são lançados para seu público alvo; milhões e
milhões são investidos em pesquisas e em estratégias de marketing para fazer que o
consumidor adquira determinado produto ou serviço que esteja na moda ou que será
moda.
A efemeridade é uma característica presente na cibercultura, como podemos
ver a partir da criação de diversas tecnologias como o rádio, a televisão (tamanhos,
marcas, resoluções),
telefone fixo (marcas, cores, modelos), telefone móvel (com
milhões de modelos, formatos, tamanhos, cores, memória, etc.), na rede das redes - o
e-mail, o BBS60, o ICQ61, o Messenger, os Blogs, o Orkut, MP3,4 player, entre outros.
Todos tiveram um ciclo de vida, ou seja, um lançamento, o consenso, o consumo, a
massificação e o desgaste.
A história da comunicação demonstra que se cada nova tecnologia
resolve um problema anterior, ela em geral cria outros, e como a
velocidade das mudanças foi mais rápida nos últimos trinta anos, é
possível dizer friamente que é necessário forçar os indivíduos a trocar
o universo "arcaico" das mídias generalistas pelo universo "moderno"
e performático das novas tecnologias. (WOLTON, 2003, p. 122).
Na história da comunicação encontramos um mundo fascinante, a evolução ou
melhor, a revolução da tecnologia. Tudo é muito rápido, o ciclo de vida dos produtos
é intenso e, com a rede mais dinâmico e mais próximo do usuário, o qual às vezes se
perde no excesso de informações, nos milhões de caminhos que a rede disponibiliza.
Na moda, como na cibercultura, o indivíduo tem acesso à comunicação mediada por
computadores (CMC), que é muito recente e com a qual estamos aprendendo a lidar.
Castells diz
"A CMC não é um meio de comunicação geral e nem será em um
futuro próximo. Embora seu uso se expanda em ritmo fenomenal, a
CMC ainda excluirá a maior parte da humanidade por um longo
tempo, ao contrário da televisão e outros meios de comunicação de
massa". (2001, p.382).
60
Um BBS (acrónimo inglês de bulletin board system) é um sistema informático, um software, que permite
a ligação (conexão) via telefone a um sistema através do seu computador e interagir com ele, tal como
hoje se faz com a internet.. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/BBS. Acesso em 01 julh. 2006.
61
ICQ é um programa de comunicação instantânea pela Internet que foi popular durante anos. A sigla é
um trocadilho baseado na pronúncia das letras em Inglês (I Seek You), em português, "Eu procuro você".
Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em 01 jul. 2006.
54
Como poderá ser visto nas próximas páginas, onde apresentaremos um breve
perfil do internauta brasileiro - número de usuários e um panorama geral deste
usuário, que é bem diferente dos usuários dos meios de comunicação de massa onde
temos a cultura de massa, definida por Morin como:
A cultura de massa é produzida segundo normas maciças da
fabricação industrial, propaganda pelas técnicas de difusão (que um
estranho neologismo anglo-latino chama de mass media); destinandose a uma massa social, isto é, um aglomerado gigantesco de
indivíduos compreendidos aquém e além das estruturas internas da
sociedade (classes, família, etc.). (2000, p. 14).
A cultura de massa está conectada à moda, indústria, ao estado, à igreja, à
vida cotidiana, ao capitalismo. Como diz
Morin, "as sociedades modernas são
policulturais" e estamos convivendo com ela.
Um outro exemplo da efemeridade na cibercultura é a fusão da arte e da
tecnologia que Steven Johnson chama de Design de Interface
- é um produto dessa mesma sabedoria acelerada. Chegamos a um
ponto que vários meios de comunicação evoluem tão rapidamente
que os inventores e os profissionais se amalgamaram numa unidade
holística... não há artistas que trabalhem no meio de comunicação da
interface que não sejam, de uma maneira ou outra, também
engenheiros. Sempre foi assim com a cultura e a tecnologia, é claro;
só que costumávamos fingir que era diferente[...]. (2001, p.11).
A efemeridade está presente na facilidade de navegação na rede, na famosa
"janela" (window), segundo Johnson (Ib., p.59) "graças às generosas verbas de
publicidade da Microsoft a "janela" é a abreviatura da ampla séria de inovações que
compõem a interface contemporânea".
A facilidade de abrir janelas, de acessar "tudo ao mesmo tempo", de navegar,
surfar, viajar no ciberespaço ou, como explica Johnson (Ib., p.81),: " o surfe na Web, é
uma derivação do surfe de canais - expressão
que se impôs ao mundo com o
surgimento dos controles remotos e da multiplicidade de canais por cabo em meados
da década de 1980". Mas são meios diferentes e Johnson deixa claro a sua revolta
pela denominação além de exemplificar a diferenciação do surfe na TV com o surfe na
Web:
55
Um surfista de canais fica saltando entre diferentes canais porque
está entediado. Um surfista da Web clica em um link porque está
interessado. Isso por si só sugere um mundo de diferença entre os
dois sentidos de "surfar" - uma diferença que os críticos de mídia
contemporâneos fariam bem em reconhecer. (Ib., p.83).
Leão, também explica a metáfora da navegação:
Navegar, em linhas gerais, é a arte de encontrar um caminho que
leve de um local a outro. Até o início do século, o termo navegação
era usado apenas para se referir à habilidade de percorrer rio, mares
e oceanos. A etimologia da palavra (do latim navis, barco e agere,
mover, se dirigir) revela essa faceta.(1999, p.122).
Navegar no ciberespaço é um exercício de paciência e obstinação, pois o mar
de informações é muito vasto. São janelas, links, hipertextos, imagens, sons, vídeos,
entre outros inúmeros recursos que a rede disponibiliza aos usuários, que podem se
perder na efemeridade e na multiplicidade das informações presentes no ciberespaço.
Na cibercultura uma fonte pode emitir uma mesma mensagem para vários
receptores. Alguns exemplos estão nas salas de chat e newsgroups (mensagem para
muitos), no e-mail (um para um ou um para muitos), no orkut (um pra um ou um pra
vários), nos blogs um escreve para vários, ou seja, o internauta tem a liberdade de
escolha nas múltiplas formas de comunicação existente na rede. É a efemeridade
presente na cibercultura. O filósofo Pierre Lévy afirma:
A internet é um espaço de comunicação propriamente surrealista, do
qual "nada é excluído", nem o bem, nem o mal, nem suas múltiplas
definições, nem a discussão que tende a separá-los sem jamais
conseguir. A internet encarna a presença da humanidade a ela
própria, já que todas as culturas, todas as disciplinas, todas as
paixões aí se entrelaçam. Já que tudo é possível, ela manifesta a
conexão do homem com a sua própria essência, que é a aspiração à
liberdade. (Escrito por Lèvy, especialmente para a contra capa da
obra Cibercultura, LEMOS, 2004).
A internet propicia a liberdade de acessar sites, baixar músicas, abrir diversos
links, assistir os desfiles de moda ao vivo ou no horário que usuário quiser, abrir fotos,
56
escolher qual foto quer ampliar, imprimir, enviar para um amigo. A rede também
disponibiliza diversas formas de comunicação simultânea, com uma ou com mais
pessoas;
encontramos diversas formas de expressão de grupo como o
ciberfeminsmo,62 a homossexualidade, o lesbianismo, gays, emos, ativistas,
terroristas,
entre outros, com sites,
blogs, fotologs, vídeos, músicas, chats,
newsgroups, etc.
Na Era da Informação na qual Taiwan se encontra totalmente imersa,
gays e lésbicas não se limitam aos bares. Usam amplamente a
internet e BBS como formas de contato, comunicação e integração.
Criaram também, "meio de comunicação alternativos", tais como
estações de rádio piratas gays/lesbianas. Além, disso, em 1996, dois
programas gays/lesbianas foram levados ao ar por estações de rádio
tradicionais. Além da comunicação, formação de redes e autoexpressões, o movimento lesbiano, por meio de forte aliança política
com o movimento gay, tem-se manifestado em numerosas
campanhas, protestos sociais e exigências políticas. (CASTELLS,
2000, p.245).
Essa liberdade de escolha, de expressão, está disponível para determinados
grupos de pessoas que possuem acesso à rede, que cresce diariamente no mundo
todo. Há 10 anos atrás em Taiwan foram criados “meios de comunicação alternativos”,
hoje temos outros meios para atingir, interagir, comunicar com grupos de qualquer
parte do planeta, basta ter acesso à rede. Mas todos conseguem ter acesso?
Para tentar responder essa questão apresentamos um breve relato do perfil
dos internautas brasileiros, que fecharam mais um mês como líderes mundiais em
tempo de conexão à internet.
Cerca de 694 milhões de pessoas usam a internet em todo o mundo, segundo
um estudo divulgado63 pela empresa Score Networks. Esta mesma pesquisa coloca o
Brasil em 11º lugar entre as nações com maior quantidade de internautas: o país tem
13,2 milhões de usuários com mais de 15 anos. O número de usuários exclui aqueles
que se conectam apenas de lugares públicos, como cibercafés, por exemplo. Os três
primeiros países com mais usuários são EUA com 152 milhões, China com 74,7
milhões e Japão com 52,1 milhões.
62
O Ciberfemino surgiu como uma forma de ativismo digital, com a expressividade e uma (im)possível
linguagem feminina, nasceu em um contexto europeu dos anos 90, com o termo cunhado na Austrália em
1991, pelo grupo VNS Matrix ao divulgar o "O Manifesto Ciberfeminista para o século XXI), uma
homenagem à téorica social-feminista Donna Haraway, que em 1985 havia escrito "O Manifesto do
Ciborgue". (WELLS, 2005, online).
63
Disponível em: Folha Online http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u19975.shtml. Acesso
em 08 mai. 2006.
57
É necessário levar em conta que, por uma questão de metodologia, estudos
apresentam números diferentes. Segundo o Ibope/NetRatings,64 os usuários
brasileiros com conexão residencial somaram 14,5 milhões em novembro de 2006.
Estimativas deste mesmo grupo afirmam que há mais de 32 milhões de pessoas com
acesso à web no Brasil. Ainda muito pouco, se levarmos em conta que somos mais
de 180 milhões de brasileiros. De acordo com o Ibope, os sites de comunidades
lideraram em tempo de navegação por pessoa, com 78% de audiência. O grande
desafio agora é expandir o acesso para outros grupos populacionais além das classes
A e B. Será interessante observar se esta expansão vai resultar em um perfil de
visitação muito diferente do observado para as classes mais altas ou se vai se manter
similar?
De acordo com Calazans, da Ibope Inteligência, os aumentos na audiência têm
relação direta com o crescimento dos acessos por banda larga. Em novembro de
2006, 10,7 milhões de usuários se conectaram por banda larga.
"Há uma mudança de comportamento. Antes, com o tempo contado,
os usuários utilizavam a internet apenas para buscas, acessar emails, coisas dentro do universo da própria internet. Com a banda
larga, os usuários começaram a navegar por mais tempo e navegar
em sites de viagens, por exemplo." (SPITZ, 2006, online).
O perfil do usuário da internet em 200565, dividi-se em: 46% de mulheres e
54% homens, sendo 9% da classe econômica A1, 18% A2, B1 27%, B2 23%, C 19%
e 4% D.
A faixa etária dos usuários de:
10 a 14 anos = 26 %
15 a 19 anos = 42%
20 a 29 anos = 33%
30 a 39 anos = 20%
40 a 49 anos = 16%
50 a 64 anos = 11%
65 + anos
= 3%
64
Disponívem em: http://idgnow.uol.com.br/internet/2006/12/19/idgnoticia.2006-1219.2836928881/IDGNoticia_view. Acesso em 31 jan. 2007.
65
Fonte: Pesquisa Internet Pop. Universo: 43.116.569 pessoas com mais de 10 anos (2005). Amostra:
17.123 entrevistas (2005). Período: 21/04/05 a 06/05/2005. Mercados pesquisados: São Paulo, Rio de
Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador e Distrito Federal. Mídia Dados 2006. Grupo
de Mídia São Paulo. (2006, p. 442-460).
58
Horário para consumo: momento de contato com o meio internet.
06h - 09h
7,37%
09h - 12h
12,76%
12h - 15h
14,50%
15h - 18h
15,95%
18h - 20h
12,67%
20h - 22h
14,31%
22h - 24h
12,81%
6,57%
02h - 06h
3,05%
24h - 02h
Número de usuários ativos:
Setembro/2000 = 5.097.300
Setembro/2001 = 6.086.860
Setembro/2002 = 7.682.171
Setembro/2003 = 7.161.060
Setembro/2004 = 11.992.791
Setembro/2005 = 11.960.385
Março/2006
= 14.106.651
Formas de acesso à internet em 2005: 18% em casa e 21% no trabalho.
A internet foi apresentada como exemplo de um fato democratizador
da sociedade. Duas características da democracia são a igualdade e
a participação dos indivíduos, e não há nada que parece mais
igualitário do que um microcomputador pessoal, independente da
quantidade de memória que tenha, nem existiria melhor veículo de
participação interativa da rede". (CELEBRIAN, 1999, p.77).
Com os
números apresentados podemos visualizar que há um grande
mercado a ser explorado no Brasil, ou seja, a "democracia da igualdade" vai levar
algum tempo para abranger toda população brasileira, se é que isto é possível.
Com o progresso da tecnologia podemos acompanhar as mudanças
e sermos afetados pelas influências das novidades, através da febre
do consumo desenfreado da moda. A rede nos possibilita
acompanhar todos os lançamentos das coleções primavera-verão,
outono-inverno, no Brasil e no mundo. Temos acesso a fotos, a
entrevistas, a cobertura dos principais eventos de moda e aos desfiles
dos principais estilistas com suas coleções que muitas vezes chocam,
inovam, criam uma efervescência temporal da moda, facilitando com
isso o fenômeno de difusão e das imitações que atinge todas as
classes sociais. E muitas vezes o consumidor dessa moda não tem
como fugir desse sistema. Pois, independente da classe social temos
acesso à efemeridade da moda e ao seu poder de estar presente,
nas ruas, nas festas, nas novelas, nas revistas e em destaque na
rede com milhões de sites que divulgam o que está e não está na
moda. (AMARAL, et al., 2006, p.7).
59
As mudanças, novidades, aconteciam com menos freqüência e demoravam a
chegar, bem diferente do que acontece hoje. Com o avanço da tecnologia, o sistema
da moda, as empresas e nós podemos "copiar", "transformar", "adaptar", "criar"
roupas, cabelos, acessórios diariamente; essas transformações podem ser realizadas
por todos os usuários, basta querer.
Acreditamos que o indivíduo que faz a sua moda tem a sua identidade própria,
absorve o que os meios de comunicação "bombardeiam" e consegue criar a sua
moda e a sua individualidade. Os outros, a "massa", estão presos em uma grande
“colcha de retalhos” onde serão sempre mais um retalho, no sistema da moda.
Para Carli (2002, p.44), "a moda organiza um sistema indissociável de uma
única
necessidade: a mudança".
Essa mudança é vista nos lançamentos das
coleções outono-inverno, primavera-verão onde cada estação dita o que usar: as
cores, os tecidos, acessórios, sapatos bico fino, redondo ou quadrado, etc.
Mas o que vem acontecendo é que esse sistema da moda está se tornando
mais "aberto", gerando o fenômeno da democratização na moda. Hoje temos o poder
de escolha para usar ou não usar, temos mais opções, variedades de produtos e
serviços. Graças à globalização e aos avanços tecnológicos na cibercultura. É a
presença da efemeridade da moda na cibercultura.
60
2.5.2 Individualismo
O estabelecimento de conexão telefônica entre terminais e memórias
informatizadas e a extensão das redes digitais de transmissão ampliam, a cada dia,
um ciberespaço mundial no qual todo elemento de informação encontra-se em contato
virtual com todos e com cada um. (LÈVY, 1984, p.11).
O individualismo está presente na cibercultura e possui a sua ambigüidade
como na moda, o "um para um", "um para todos" e/ou "um para massa".
Graças às redes digitais, as pessoas trocam todo tipo de mensagens entre
indivíduos ou no interior de grupos, participam de conferências eletrônicas sobre
milhares de temas diferentes, têm acesso às informações públicas [...]. (Id., ib, p.12).
O indivíduo que possui acesso à tecnologia tem opções de escolher onde, com
quem, como falar, escrever, enviar fotos, imagens, textos, etc., como disse Lévy: "o
homem tem aspiração à liberdade na cibercultura". Com o desenvolvimento das
comunidades virtuais, a imagem do indivíduo "isolado em frente à tela iluminada do
computador" mudou; com as variedades de comunicação que surgiram com a internet
como o BBS, ICQ, Messenger, Orkut, Blogs, Skype,66 acabaram por socializar as
pessoas.
A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço
social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre
relações institucionais, nem sobre relações do poder, mas sobre a
reunião em torno de centros de interesses comuns, sobre o jogo,
sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem
cooperativa, sobre processos abertos de colaboração. O apetite para
as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana
desterritorializada, transversal, livre. As comunidades virtuais são
motores, os atores, a vida diversa e surpreendente do universal por
contato. (LÉVY, 2000, p.130).
O individualismo presente na cibercultura apresenta-se de diversas formas
através dos e-mails, fotos, imagens, nas comunidades e redes de relacionamentos.
Aproveitamos para levantarmos uma questão: “Será que somos realmente únicos?”
As pessoas possuem percepções diferentes. Cada qual recebe, visualiza,
66
O Skype é um programa que permite conversar como estivesse falando em um telefone só que usando
o computador. Podendo falar por quanto tempo quiser sem se preocupar com o custo ou a distância.
Disponível em: http://www.skype.com/intl/pt/. Acesso em 16 out. 2006.
61
organiza e interpreta a informação sensorial de maneira individual. Garcia apresenta,
um exemplo:
As salas de desfile não estão restritas a um grupo seleto de privilegiados, é
possível ver o que acontece nas passarelas em tempo real pela internet e os dois
últimos desfiles da São Paulo Fashion Week foram transmitidos ao vivo pelo canal
GNT da tv paga. Estes fatos fazem com que a informação de moda não seja mais
gerada de maneira unilateral. Ela está em todos os lugares e, portanto, ao alcance de
quem quiser se apropriar dela.
Passível de processamento, essa moda gera estímulos diferentes em uma
dinâmica de uso mercadológico da informação por meio de reprodução por mídias
terciárias. Essa dinâmica funciona da seguinte maneira: com Exposição, Atenção,
Compreensão, Aceitação e Retenção. (Ib., p.80).
A internet possibilitou o acesso às informações e, no caso dos eventos de
moda, podemos assistir os desfiles ao vivo, ver fotos em diversos tamanhos, imprimir,
participar das enquetes escolhendo a melhor top na passarela, o melhor decote, look
feminino e masculino, o melhor acessório, performance, a peça mais "bizarra", ler
críticas, sugestões e dicas dos estilistas e editores de moda online, etc. Todas essas
informações podem ser encontradas, por exemplo, no portal Terra.67
Estar bem informado e se comunicar online são necessidades do nosso tempo.
Temos a possibilidade de estarmos em qualquer lugar do globo, claro, imersos no
espaço virtual; assistir os desfiles; trocar informações com diversas pessoas ao
mesmo tempo ou apenas com um indivíduo. É a "desterritorialização" da passarela,
das marcas, dos estilistas, das modelos, da comunicação e do indivíduo. Galvão, faz
um relato sobre a proliferação da comunicação:
Especialmente na década de 1990 com a alta e absurdamente veloz
proliferação dos veículos de comunicação e o conceito de produção
de mídia captando a forma como ela "edita" o real nos fascinamos
obcecados pela internet - uma rede computadores, na qual
experimentamos uma navegação livre, infinita e transversal em busca
do conhecimento diverso e não necessariamente linear. Percorrendo
esse trama percebemos o computador como evolução e a internet
uma revolução, uma realidade virtual, uma máquina de comunicação
a distância em rede, que se instaurou em nosso tempo determinando
novos padrões de percepção e experiência num cotidiano marcado
pela tecnologização: TV à cabo com centenas de canais, celulares
com recursos múltiplos (foto, vídeo, vídeo torpedo, som, blog,
navegação, mobile mail, chat, microcomputadores, laptops, correio
eletrônico, fotologs, iPods..) (2006, p.133-134).
67
Disponível em : http://moda.terra.com.br/spfw2007inverno. Acesso em 19 abr. 2007.
62
A internet tem o poder de envolver o indivíduo no mundo digital de
informações, imagens, vídeos, áudios, entre outros recursos desenvolvidos para
conquistar o internauta, que possui a liberdade de escolher para onde quer "navegar"
e se comunicar com um indivíduo, com o coletivo, local, global, real ou criar a sua
própria ilusão ou seu próprio simulacro. Um exemplo que se destaca na rede são os
jogos como Second Life, The Sims68, entre outros, como o recém lançado
69
interativo Ego
jogo
para celulares, disponível para clientes Tim, Oi, Claro, Brasil Telecom
e Nextel. Eles são exemplos da efemeridade e multiplicidade das mudanças que
estão ocorrendo no universo de redes e protocolos sem fio.
O game no celular entra no segmento das redes de relacionamento como Orkut
e o mundo tridimensional de Second Life. Os jogos transformam os usuários de
celulares em personagens virtuais com nick e vida própria. Dentro do game Ego, os
usuários podem conversar, estudar, trabalhar, comer, divertir-se, praticar esportes e
até namorar, interagindo com usuários das cinco operadoras que oferecem o serviço.
Como no game Second Life e na vida offline, para comer ou se divertir é
preciso dinheiro; para ter dinheiro é preciso trabalhar e assim por diante. O
participante aprende as regras no decorrer do jogo, por meio de mensagens de texto
com dicas divertidas e informais. Cada mensagem enviada pelos jogadores custa R$
0,22.
O clima individualista predominantemente na subjetividade contemporânea é
muito explorado nas imagens, discursos, nas estratégias de marketing, na moda, nos
games e nos lançamentos das tecnologias, gerando desejos, com o objetivo de
estimular o indivíduo ao consumo.
Na publicidade, na moda, na dança, só é paramentado para ser
apresentado em espetáculo. Pode-se dizer que se trata de uma
socialização que, é talvez, específica, mas que não deixa de
apresentar todas as características da socialização: a de integrar num
conjunto e de transcender o indivíduo. (MAFFESOLI, 2005, p.41).
68
The Sims é um jogo de computador de simulação, criado pelo designer de jogos Will Wright. Foi
lançado em janeiro de 2000, com 6 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, este jogo foi premiado
como "o melhor jogo para PC da história" pelo GameSpot. The Sims é às vezes descrito como um "jogo
de Deus": um jogo onde você cria e controla vidas de pessoas virtuais. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Sims. Acesso em 28 out. 2006
69
Game para celular cria rede de relacionamento. 25 jan. de 2007. JC Online. Disponível em:
http://jc.uol.com.br/2007/01/25/not_130521.php. Acesso em 13 fev. 2007.
63
O individuo não está só, ele faz parte de grupos, pois consome determinado
produto, assisti determinado tipo de programa, gosta de assuntos específicos, acessa
sites em locais e horários determinados. Para Baudrillard, "os indivíduos são puras
vítimas passivas dos sistemas". (1995, p.73).
Esse "sistema" existe na moda e na cibercultura; ele faz parte da sociedade
capitalista em que nos encontramos. "O indivíduo serve ao sistema indústria, não pela
oferta da suas economias e fornecimento de capitais, mas pelo consumo dos seus
produtos". (Id. ib., p. 83).
O consumo revela-se, pois, como poderoso elemento de dominação
social (através da atomização dos indivíduos consumidores), mas traz
consigo a necessidade de coação burocrática cada vez mais forte
sobre os processos de consumo, que forçosamente se verá exaltada
com crescente energia como o reino da liberdade. Não há saída.
(BAUDRILLARD, Ib., p. 84).
Os indivíduos consumidores possuem liberdade? O consumo é um poderoso
elemento de dominação na era do capitalismo? O indivíduo possui liberdade na moda,
na cibercultura? Ele escolhe o que consumir?
Treptow confirma:
O Consumidor possui liberdade de escolha. Portanto, uma das
primeiras características do marketing é a observação minuciosa do
comportamento do consumidor. É a visão que o consumidor possui
do mundo que definirá seus hábitos e decisões de compra. (Ib., p.54).
A publicidade se exerce sobre a massa, não sobre o indivíduo; [...]
Exercem-se sobre o indivíduo, certamente, múltiplas pressões, mas
sempre no quadro de uma autonomia de escolha, de recusa, de
indiferença, sempre no quadro de uma permanência das aspirações
humanas e dos modos de vida" (LIPOVETSKY, Ib., p. 193-194).
Para Martins,
Hoje, a criatividade passa a ser privilégio de alguns publicitários e
"marketeiros" e seus conceitos orientam as pessoas no consumo
como religião, do modo de vida, desde a escolha política até a marca
de qualquer produto para dissimular que, na falta de opções de
afirmar a vida, pelo menos resta a interatividade como estágio último
da substituição da liberdade de se colocar diante das incertezas do
devir, pela lógica da programação, na qual as opções já foram
preestabelecidas. O "mundo verdadeiro" das redes comunicacionais é
algo que mascara a existência do nada como único algo, o ser. (1999,
p.78).
64
Para McLuhan, "o meio é mensagem", a qual, é transmitida pela televisão,
rádio, revistas, internet, cinema, ruas, vitrines, etc. Mensagens decodificadas e
absorvidas consciente ou inconscientemente pelo indivíduo, envolvendo fatores
psicológicos e econômicos desse consumidor que possui a liberdade de comprar ou
não comprar determinado produto. Quem escolhe é o consumidor, envolvido pelos
"sistemas" que o "bombardeiam" de imagens e informações, que fazem parte das
estratégias de marketing, como veremos no tópico “Comunicação e Marketing”.
Para Lipovetsky, "a moda é acompanhada de efeitos ambíguos". "[...] é preciso
ser como os outros e não inteiramente como eles, é preciso seguir a corrente e
significar um gosto particular". (Op. cit., p.18, p. 44).
Podemos ter alguns itens que estão na moda, sendo assim o individuo estará
na moda, participativo do sistema, mas sem necessariamente perder ou omitir o seu
gosto, o seu estilo ou a sua identidade - é uma moda democrática. Lipovetsky,
complementa:
O individualismo na moda é a possibilidade reconhecida à unidade
individual [...] de ter poder de iniciativa e de transformação, de mudar
a ordem existente, de apropriar-se em pessoa do mérito da novidades
ou, mais modestamente, de introduzir elementos de detalhe do seu
gosto próprio. (Op. cit., p.47).
Garcia, apresenta três modelos psicológicos que influenciam o indivíduo:
Modelo centrado no individualismo: nos anos 80 a moda começa a se configurar
como uma busca da individualidade, e a importância de ser "especial" é enfatizada
pela comunicação de moda.
Modelo centrado na conformidade: influenciar consumidores para adotar ou rejeitar
produtos de moda.
Modelo de motivação única: pessoas comparam a si próprias com outras procurando
por similaridades e diferenças para formar a sua auto-identidade. (2005, p.108).
Os modelos psicológicos apresentados por Garcia confirmam a ambigüidade
citada por Lipovetsky; os consumidores têm necessidade de se sentirem únicos,
especiais, querem ser diferentes, mas nem tanto, para não perderem a sua identidade
social, dentro do grupo ou da classe social da qual fazem parte. Esses grupos também
podemos chamar de "tribos", segundo Maffesoli
65
[...]organizam-se tribos mais ou menos efêmeras que comungam
valores minúsculos, e que, em um balé sem fim, entrechocam-se,
atraem-se, repelem-se numa constelação de contornos difusos e
perfeitamente fluídos. É essa a característica das sociedades pósmodernas. (2005, p.33).
Essas tribos estão presentes na moda, na arte, na política, na economia, no
ciberespaço, na cibercultura, etc. Cada um de nós pertence a muitas tribos diferentes
simultaneamente, muitas vezes interligadas e outras, sem qualquer relação. Anderson
explica,
compartilhamos alguns interesses com nossos colegas e outros com
nossa família, mas nem todos os nossos interesses. Cada vez mais,
contamos com outras pessoas com quem interagir em nossas
preferências, pessoas que nunca conhecemos e que nem
consideramos indivíduos (em oposição aos autores de blogs e aos
criadores de listas musicais). (2006, p.182).
Todo o indivíduo se enquadra em algum nicho ou subnicho em algum momento
da sua vida, seja ela na moda, no cinema, na música, nos livros, comidas, carros,
design, etc. Estamos na era da explosão das efemeridades e da multiplicidade.
As pessoas estão formando milhares de tribos de interesse culturais, estão
conectadas ao mundo através da internet. Antes, na cultura de massa assistíamos os
mesmos programas,
ouvíamos as mesmas músicas, hoje continuamos com essa
opção, mas temos outras com o crescimento do acesso a banda larga entramos na
era da microcultura, quando escolhemos coisas diferentes. (Id., ib., p.183).
No sistema da moda o consumidor pode imitar, copiar com satisfação, mas
também possui
opções para desenvolver seu
lado criativo, valorizando sua
identidade como indivíduo. Para Garcia, tal processo de busca de identidade, em um
contexto social que indica a necessidade de consumo da moda, não é de todo
maléfico. A moda cumpre o papel de compreensão do próprio eu, e é instrumento de
prazer, culto da fantasia e da novidade a cada coleção, perpetuando a efemeridade da
moda. (Ib, p. 107).
A moda é democrática e o seu consumidor tem liberdade de escolha. Lurie,
confirma: "a moda é um discurso livre e um dos privilégios, se não um dos prazeres,
de um mundo livre”. (1997, p. 50).
66
Carli complementa sobre o
"mundo livre", dizendo que a sociedade de
consumo recebe essa modernidade, alimenta-se do desejo de novidade, do amplo
acesso ao divertimento dos meios de comunicação e do efêmero dos acontecimentos.
Nesse mosaico de pulsões emergem radiantes e estetizados: a moda,
a filha do capitalismo, apologista da inovação, contrária à tradição [...];
o marketing que dialoga com o consumidor, busca na razão, na
emoção e no imaginário motivos pra um novo produto, [...] a
publicidade comercial torna público, divulga, promove vendas,
envolve, personaliza, cria necessidades não necessárias no público
consumidor, sempre crescente. (Id, Ib., p. 32).
A moda feminina, masculina, jovem, teen, infantil e a moda para idosos,
estimulam o consumidor a se transformar e criar a sua identidade, de uma forma
similar à maneira como criamos identidades, perfis e avatares na rede mas, se o
indivíduo não quiser, ele tem a facilidade de copiar das revistas, novelas, vitrines,
enfim de todos os meios de comunicação que fazem parte do dia-a-dia do ser humano
e que o estimulam a consumir e a criar necessidades muitas vezes não necessárias
de consumo do vestuário.
[...] particularidades do vestuário, mais do que hoje, serviam para
distinguir e discriminar a inserção de um indivíduo (quer se tratasse
de um homem ou de uma mulher) nas diversas classes sociais,
profissões, artes e ofícios, etc. [...] o fato da moda não ser apenas um
fenômeno, frívolo, epidérmico, superficial, mas ser o espelho de
hábitos, do comportamento psicológico do indivíduo, da profissão, da
orientação política, do gosto [...]. (DORFLES, 1984, p.13).
A moda é um dispositivo social promovido pela estética do cotidiano,
caracterizado por uma temporalidade particularmente breve, que afeta todas as
classes sociais, homens, mulheres, adolescentes e crianças que possuem a liberdade
de escolha para consumir ou não determinado produto ou serviço disponível no
ciberespaço e na cibercultura.
A efemeridade e a individualidade estão conectadas à multiplicidade de
informações, imagens, textos, áudios e vídeos que a rede e o ciberespaço
disponibilizam aos usuários, como veremos na próxima característica da moda na
cibercultura.
67
2.5.3 Multiplicidade
O individualismo, mais do que nunca, a multiplicidade estilística e a moda
pluralizada, fazem com que o sujeito exerça sua autonomia em sentidos extremos. A
liberdade não é mais pensada somente como poder de escolha - lógica inicial do prêtà-porter,70 mas também como a invenção de universos particulares. Esse é um
fenômeno que vem acontecendo, num crescente, deste os anos 60. (MESQUITA,
2004, p. 36).
O sistema da moda passou por uma série de evoluções, iniciando com a moda
aristocrática denominada por Lipovetsky, a moda das Rivalidades de Classes, a
moda de Cem Anos,71 a moda da Alta Costura,72
ocorrendo
a ascensão e a
consolidação do prêt-à-porter com a diversificação e multiplicação da moda. Houve a
explosão da cultura jovem, a diferenciação entre as roupas dos adolescentes e a
forma de vestir dos seus pais, o lançamento das coleções, destaque para os criadores,
nascendo os grandes nomes e as marcas de luxo que temos hoje.
A multiplicidade da moda está associada à moda-imagem construída pelos
estrategistas de marketing. Para Mesquita,
[...] a possibilidade de " multiplicação" da existência, diversificação, o
"viver vidas diferentes" numa vida só é extremamente sedutora. A
moda é, sem dúvida, um precioso instrumento dessa construção. A
roupa e as imagens de moda estimulam o sujeito a romper limites
identitários, a se metamorfosear. É como se a indústria dissesse todo
o tempo: "seja você mesmo, mas... se não conseguir ou se não
estiver gostando, estamos aqui, a postos, para ajudá-lo a se
modificar, a ser mais parecido com o seu ídolo, a ter aparência
diferente, a tentar ser outra pessoa, que talvez lhe agrade mais". (Ib,
p.19-20).
A multiplicidade das informações da moda são geradas para atingir o seu
público-alvo.
Milhões e milhões de dólares são investidos em campanhas de
marketing para divulgar marcas e produtos. Os eventos de moda internacionais e
70
Expressão francesa para roupa fina comprada pronta somente em butiques; estas peças seguem as
mesmas tendências da alta-costura, porém são confeccionadas em escala industrial.
71
Moda de Cem Anos, primeira fase da moda moderna, segundo Lipovetsky, surgiu ao longo da segunda
metade do século XIX, quando a moda passa a incorporar, na sua produção e difusão, características
regulares, estáveis de duração mais longa, um século, que lhe confere o status de sistema. (1989, p. 6979).
72
de 1857 a 1950.
68
nacionais, como o São Paulo Fashion Week e o Rio Fashion, são considerados os
maiores eventos de moda do Brasil, estão ganhando cada vez mais patrocinadores e
semestralmente aumentando a
cobertura da mídia impressa, televisiva e online,
aumentando a espetacularização e a proliferação das imagens da moda através do
show nas passarelas dos grandes eventos, da publicidade, das fotografias, das vitrines
que compõem a sedução nas ruas, shoppings e na rede onde é possível acompanhar
de perto toda esse show/espetáculo.
Os consumidores podem acompanhar os desfiles ao vivo em casa, pela
televisão, através das TV’s por assinatura Net ou SKY no canal GNT - programa GNT
Fashion ou pela internet, nos
portais Terra
e Uol; podem assistir os desfiles,
acompanhar os bastidores, participar de enquetes e ficar por dentro das principais
notícias dos eventos pelo celular.
A tecnologia possibilita essa multiplicidade de informações da moda. Um
exemplo local é o Crystal Fashion,73 evento promovido pelo Shopping Crystal Plaza
em Curitiba, que transmite ao vivo os desfiles no seu próprio site (local-global), com
fotos, depoimentos, entrevistas e vídeos. O evento também é transmitido pela TV a
cabo TVA, e em televisões no interior do shopping; ele
também contam com a
impressão de um jornal informativo para divulgar o evento.
Mesquita complementa que não é somente a idéia de multiplicidade que faz da
moda uma vertente significativa da atualidade. Ela cita três outras características que
fazem parte do sistema:
1) Simultaneidade - tudo ao mesmo tempo;
2) Desmaterialização – compramos informação, marca e marketing;
3) Simulação – a mercadoria é vendida como espetáculo um show, principalmente nos
desfiles. (Ib., p. 50-51).
A moda se tornou um sistema em que as mudanças passaram a ser
aceitas e criadas como uma necessidade contínua de novas
expressões. Até chegar ao extremo exagero de hoje, quando ela
muda suas propostas, no mínimo duas vezes ao ano", nas coleções
outono-inverno e nas coleções primavera-verão. (KALIL, Ib., p.13).
73
Mais informações podem ser encontradas no site http://www.crystalshopping.com.br. Acesso em 20
abr. 2006.
69
Para Maffesoli, "a moda é multiforme e não se reduz só a práticas
vestimentárias. Ela faz referência a um tempo social, feito de momentos que se ligam,
em um ritmo muito rápido". (Ib., p. 170).
A multiplicidade da moda está presente na cibercultura e no nosso dia-a-dia e
os consumidores não podem escapar dela, pois são abordados pelo "tudo ao mesmo
tempo" nas revistas, jornais, anúncios na televisão, nas ruas com out-doors, backlights, vitrines de lojas, na internet com banners, pop-ups com anúncios de marcas,
roupas, sapatos, bolsas, jóias, perfumes, acessórios, carros, baixando músicas, filmes,
histórias em quadrinhos (HQ’s), desfiles, novelas, entre outros. Para os consumidores
há a opção, comprar ou não comprar.
Chegamos ao ponto em que o "consumo" invade toda a vida, em que
todas as atividades se encadeiam do mesmo modo combinatório, em
que o canal de satisfação se encontra previamente traçado, hora a
hora, em que o "envolvimento" é total, inteiramente climatizado,
organizado, culturalizado. (BAUDRILLARD, 1995, p.19).
Carli,
pontua o sensacional das grandes mudanças à própria mudança da
cultura como a características da era pós-moderna que conjuga o verbo mudar a
qualquer preço, permeabilizando, quebrando a rigidez das categorias estruturadas,
sejam elas da ordem da ciência, da sociedade ou do indivíduo, do público ou do
privado.
Os intermediários culturais, os comunicadores e seu poder
descentralizador e disseminador da informação, estendendo o
conceito para o campo da moda com os intermediários da produção e
do consumo, na seqüência, o prêt-à-porter e o marketing, associados
na multiplicidade da moda. (Ib., p.132-133).
A multiplicidade da moda na cibercultura também está nos inúmeros blogs
disponíveis na rede e de comunidades no orkut.
Essa multiplicidade de blogs chega a 27,3 milhões, de acordo com os
dados mais recentes (publicados na Folha de São Paulo do dia 07 de
fevereiro de 2006) pode ser associada com a própria multiplicidade da
moda, afinal os blogs não estão apenas em seu formato per se, eles
são comentados pelos jornais, são atualizados via celular,
comunidades são criadas no orkut para discutí-los, são citados em
listas de discussões e até mesmo em trabalhos acadêmicos como
esse, portanto sua sobrevida ultrapassa as fronteiras da Web e,
70
assim como a moda, atinge cada vez mais a um maior número de
pessoas. (AMARAL et al., 2006).
Em breve pesquisa74 na maior rede de relacionamento do país encontramos
mais de 1000 comunidades com a palavra moda e fashion.
Pesquisamos na rede, nos principais disponibilizadores de blogs, a palavra
moda e encontramos no dia 06 de fevereiro de 2007 os seguintes números:
Uol Blog – 16.420 blogs
Terra Blog – 4.890 blogs
Google mundial – 2.020.000 blogs
Blogger – 19.230 blogs
Google Brasil – 675.000 blogs
Uma busca na Web com os populares mecanismos de busca (search
engine), como o Google, AltaVista, Allthe web e outros, terá como
resposta endereços de milhões de páginas (materializando a
sobrecarga), de documentos muitas vezes difíceis de contextualizar
(materializando a fragmentação), em vários idiomas (materializando a
globalização). (YAMAOKA, 2005, p.146).
A web disponibiliza essa multiplicidade de possibilidades de comunicação e
expressão de idéias e sentimentos que fazem parte da nossa cultura contemporânea,
ou seja a cibercultura. A efemeridade, o individualismo e a multiplicidade também
estão presentes nos inúmeros e diversificados vídeos disponíveis no YouTube,
músicas no MySpace, nos games, nos games para celulares, entre outros.
Os jogos permitem a extrapolação dos indivíduos ou dos jogadores
coletivos que podem usar o jogo como entretenimento, como forma
de se livrar do stress diário ou como forma de socialização. O jogo
75
Priston, por exemplo, possui mais de 500 mil jogadores cadastrados
que escolhem seus personagens (individualidade). A medida que o
personagem evolui (efemeridade e multiplicidade) adquire novos
equipamentos, armas, armaduras, escudos, arcos e espadas, trajes e
acessórios como botas, luvas, braceletes, anéis, entre outros
(imagem, corpo e moda). Os personagens mais evoluídos podem
criar clãs que se ajudam na evolução dos personagens e para
integração dos participantes são realizados eventos fixos e
aleatórios. Outro exemplo é o game The SIMS2 usou na publicidade
74
Disponível em : http://www.orkut.com/UniversalSearch.aspx?searchFor=C&lang=all&q=moda. Acesso
em 06 fev. 2007.
75
Priston Tale é um jogo online criado pela Yedang Online, lançado no Brasil pela Kaizen. É um jogo do
tipo MMORPG (Vários jogadores online ao mesmo tempo). O que chama a atenção no jogo é a sua
qualidade gráfica, superior a de outros jogos, o que atrai muitos amantes por jogos eletrônicos,
principalmente os de RPG. Os modos de câmera são 100% livres permitem uma verdadeira experiência
em 3 dimensões, aproximando o jogador cada vez mais da aventura. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Priston_Tale.e http://www.priston.com.br/guia. Acesso em 15 out. 2006.
71
"Glamour, dá um toque de luxo ao jogo". Com esta nova coleção os
jogadores poderão levar todos os prazeres de uma vida glamourosa
aos seus Sims, com uma coleção de móveis luxuosos, um guarda
roupa com trajes de gala, elegantes modelos sociais, roupas da moda
e extravagantes objetos de decoração. Neste jogo todas as
características da moda se encontram, a efemeridade, a
multiplicidade estão presentes nos objetos e móveis da casa, o
individualismo nas roupas de cada personagem e na escolha de
artigos de decoração e móveis, que estão ligados a imagem e ao
corpo, extensões do indivíduo ou do grupo que está jogando.
(FERREIRA et al., 2006, online).
Os jogos sempre estiveram presentes na história da humanidade, desde a
época em que os homens caçavam como forma de entretenimento, sociabilização e
de força. No decorrer do tempo, os jogos passaram a ser compreendidos e intitulados
por pais e professores como entretenimento e distração, perdendo o caráter social que
os mesmos possuíam. Os games estão se proliferando no mundo e a rede facilita essa
comunicação e
interação entre os jogadores de qualquer lugar do planeta. É a
multiplicidade da tecnologia
utilizada como ferramenta para democratizar a
comunicação e influenciar o comportamento de todos os segmentos da sociedade.
O sistema da moda utiliza todos os artifícios da cibercultura, do marketing e da
comunicação de massa para gerar necessidades, satisfações, desejos, estímulos de
consumo com foco no seu público-alvo, chegando ao consumidor final através da
mídia de nicho e subnichos, presente no conceito de Anderson, a cauda longa. A
multiplicidade, a efemeridade e a individualidade da moda estão presentes na internet,
no ciberespaço, na cibercultura, através de inúmeras tribos, microculturas, nichos e
subnichos, através da disponibilização do “tudo”, mas precisamos fazer o indivíduo
encontrar o que queremos.
Para facilitar a visualização desses fenômenos desenvolvemos uma análise
comparativa entre as características da moda, da cibercultura, a moda na cibercultura
e o corpus da pesquisa - o evento São Paulo Fashion Week no portal Terra.
72
CARACTERÍSTICAS DA MODA X CIBERCULTURA X MODA NA CIBERCULTURA E SPFW NO TERRA
Efemeridade da Moda
Efemeridade na
Cibercultura
Efemeridade da Moda
na Cibercultura
Efemeridade no
SPFW - Portal Terra
Ciclo das coleções
outono-inverno/
primavera-verão
Evolução constante de
modelos, tamanhos,
formatos, memória.
cd’s, dvd’s, MP3,4
player, iPod, celulares,
games, etc.
Disponibilização de
vídeos, fotos e áudio dos
desfiles de lançamento
das coleções. Cobertura
minuto à minuto no
formato texto ou ao vivo
com imagens.
Cobertura diária do
evento, com fotos,
vídeos, desfiles ao
vivo, entrevistas,
bastidores, enquetes.
Mais de 1.300 fotos
disponibilizadas.
Multiplicidade da
Moda
Multiplicidade na
Cibercultura
Multiplicidade da Moda
na Cibercultura
Multiplicidade do
SPFW - Portal Terra
Inúmeros eventos de
moda no Brasil como a
SPFW, Rio Fashion e
no mundo com as
semanas da moda em
Paris, Milão, Nova
York, Tóquio, etc.
Todas as coleções
apresentam suas
criações com
novidades, cores,
tecidos, sapatos,
acessórios.
Inúmeras tecnologias,
modelos, cores,
memória, formato,
capacidade de
processamento, etc.
Individualismo da
Moda
Individualismo na
Cibercultura
Individualismo da
Moda na Cibercultura
Individualismo do
SPFW - Portal Terra
"estar na moda", criar
o meu estilo. Ser único
dentro de um grupo.
Cada usuário possui
um e-mail, uma senha,
um IP no computador,
o seu Blog, Fotolog,
Vibeflog, Perfil no
Orkut, no Messenger,
Skype, MySpace, etc.
A opção de escolher qual
site navegar, qual foto,
vídeo quer ver. Copiar,
imprimir, enviar por email para um ou para
várias pessoas. Criar o
seu Blog, Fotolog,
Comunidade no Orkut de
moda, etc.
Acessar o vídeo e a
foto que quiser, na
hora que escolher,
ampliar, imprimir,
enviar, copiar,
participar das
enquetes dando a
sua opinião.
Tudo ao mesmo tempo, A disponibilização e a
cobertura dos eventos na cobertura completa do
rede, na TV, nas revistas,
evento através de
nos jornais, nas ruas,
textos, inúmeras
fotos, diversos vídeos,
grande número de
modelos e profissionais entrevistas e arquivos.
que trabalham nas
coleções, diversos
estilos, sites de estilistas,
consultores de moda,
marcas, lojas, modelos,
etc.
Tabela: 2 CARACTERÍSTICAS DA MODA X CIBERCULTURA X MODA NA CIBERCULTURA E SPFW
NO TERRA - Fonte: Aletéia Ferreira
73
Vimos as implicações da moda na cibercultura, ciberespaço em termos localglobal, com inspirações do punk ao cyberpunk, pós cyberpunk, influenciando uma
estética visual na moda cyberpunk, inspirando uma moda no cinema o “estilo matrix”.
É uma cibermoda que engloba tecnologia, meio ambiente, emoções, ficção científica,
roupas inteligentes, wearcomp, um mix da moda com a ciborgização dos corpos. Ela
está presente na efemeridade, na individualidade e na multiplicidade da moda,
do
ciberespaço e da cibercultura através da cultura de massa e principalmente dos nichos
e subnichos, fazendo parte do cotidiano dos usuários no nosso mundo, no imaginário,
na rede, nos games, nos desfiles, nos filmes, nas novelas, na música, etc.
A
comunicação é o principal fator que liga, que conecta a moda e a cibercultura.
74
3 COMUNICAÇÃO - MODA - CIBERCULTURA
MODA
CIBERCULTURA
COMUNICAÇÃO
Trabalhamos com uma triangulação conceitual: Moda, Cibercultura e
Comunicação, sendo esta a base que sedimenta as outras duas categorias desta
pesquisa.
Garcia salienta, "a moda como comunicação vem atender à necessidade de
integração social em que ser e aparecer se esbarram, pois ao mesmo tempo em que a
moda individualiza, ela integra. Quando associa-se a determinado grupo, desassociase de outro". (Ib., p. 104).
Como diz Lipovetsky, a moda é caracterizada por dois aspectos, a imitação e a
distinção (op. cit., p.53), integrando os indivíduos a grupos, aos quais pode imitar ou
se distinguir. A comunicação, a moda e a cibercultura estão unidas nesse processo de
imitação e distinção do indivíduo na contemporaneidade que nos encontramos.
No cotidiano, cada vez mais é necessário comunicar-se com clientes e
potenciais
clientes,
com
fornecedores,
colaboradores,
entidades
de
classe,
investidores, governo e com o público em geral. A comunicação é fundamental no
sistema da moda e na cibercultura. Com a tecnologia, a comunicação conquistou
milhões de usuários no mundo. A tecnologia proporciona a comunicação coletiva ou
de um pra um e todos para todos, de qualquer lugar, a qualquer momento, basta estar
conectado à rede e instalar os softwares que proporcionam essa comunicação. A
internet permite dinamismo e interatividade que nenhum outro meio de comunicação
oferece, facilitando a comunicação com amigos, familiares, no trabalho e
principalmente com o seu público, criando relacionamentos e abrindo novos caminhos
para a venda de produtos ou serviços.
A
comunicação,
a
cibercultura
e a moda fazem
parte da cultura
contemporânea, pois o sistema da moda fornece a técnica à sociedade, como disse
Lemos "o fazer saber" (2004). Temos o sucesso da criatividade na moda brasileira,
75
reconhecida no mundo todo e exportada para mais de 38 países, 76 o prazer estético
das roupas, do corpo, da imagem que gera a socialização dos indivíduos, criando
grupos sociais, as tribos, as comunidades, newsgroups, entre outras formas de
comunicação espalhadas na rede. A comunicação, a cibercultura e a moda estão
inseridas no cotidiano do indivíduo.
A palavra comunicação têm origem do latim cummunis, que traz a idéia de
comunhão. Para Perez, "comunhão significa, de maneira restrita, comungar, participar
em comum, transmitir, compartilhar, e é nesse sentido que entendemos comunicação:
tornar comum, fazer saber, estabelecer comunhão por meio do intercâmbio de
informações". (2002, p.14).
Mattelart, complementa "a sociedade é definida em termos de comunicação,
que é definida em termos de redes. A cibernética77 substitui a teoria matemática da
informação".
(2004,
p.157).
Segundo
Miège,
o
modelo
cibernético
é
incontestavelmente fundador, não somente por seu projeto utópico que, em seguida,
veio a ter uma ampla difusão. Do ponto de vista da comunicação, seu interesse supera
o da análise (ou abordagem) sistêmica com o qual é freqüentemente confundido.
(2000, p.31). Morin, diz:
A comunicação constitui uma ligação organizacional que se efetua
através da transmissão e da troca de sinais. Assim, os processos
reguladores, produtores e realizadores podem ser desencadeados,
controlados e verificados por emissões/recepções, trocas de sinais ou
informações. (Ib., p.220).
Há varias definições para a comunicação, abordada através de diversas visões
por inúmeros autores, pois a pesquisa em comunicação sempre terá a interface com
outras áreas do conhecimento.
Para uma comunicação eficiente, é necessário o conhecimento dos elementos
do processo de comunicação: o emissor, receptor, canal de propagação, a mensagem,
o feedback (a resposta que pode existir ou não) e o ambiente que pode sofrer
interferência do ruído, que é tudo o aquilo que modifica, atrapalha ou distorce o fluir
da mensagem, e que pode ocorrer em qualquer fase do processo comunicativo, a
76
Disponível em: http:// www.abest.com.br. Acesso em 10 jul. 2006.
A cibernética surge em meados deste século ao mesmo tempo para designar um novo tipo de
máquinas artificiais e para formular a teoria que corresponde à organização, de natureza comunicacional,
própria destas máquinas. (MORIN, 1997, p.220). Para aprofundamento do termo recomendamos a
leitura da obra do matemático Wierner, "Cibernética e Sociedade". (1993, p.15).
77
76
interpretação e à compreensão da mensagem está subordinada ao repertório do
indivíduo. Quanto à forma, a comunicação pode ser verbal, não-verbal e mediada.
A comunicação ocorre em situações concretas, acionando ruídos,
culturas, bagagens diferentes e cruzando indivíduos diferentes. Ela é
sempre multidimensional, complexa, feita de emissores e de
receptores (cujo poder multidimensional não pode ser neutralizado
por uma emissão de intencionalidade simples). O fenômeno
comunicacional não se esgota na presunção de eficácia do emissor.
Existe sempre um receptor dotado de inteligência na outra ponta da
relação comunicacional. A mídia permanece um meio. A
complexidade da comunicação continua a enfrentar o desafio da
compreensão. (MORIN, 2004, p.19).
O desafio da compreensão envolve muitos fatores ligados ao indivíduo, a
relação com o outro, a simpatia, o processo de identificação e valores afetivos, sendo
um dos grandes problemas da humanidade. Para Morin, é um problema que questiona
o aspecto subjetivo profundo das pessoas. Nesse sentido, é um problema filosófico.
(Ib., p. 13). Maffesoli define a comunicação de forma mais simples e relacionada ao
empírico : “a comunicação é que nos liga ao outro”, “a comunicação é cimento social”,
“a comunicação é a cola do mundo pós-moderno”. (2004, p. 20).
Ouvimos muito que “estamos na sociedade da comunicação”, “na sociedade de
informação” ou “na sociedade do conhecimento”. Morin refuta,
Estamos em sociedades de informação, de comunicação e de
conhecimento. Claro que estamos em sociedades de informações,
até de vista físico, da teoria da informação, basta pensarmos nas
tecnologias digitais (DVD, televisão digital, etc.), que são aplicações
da teoria da informação. Mas a informação, mesmo no sentido
jornalístico da palavra, não é conhecimento, pois o conhecimento é o
resultado da organização da informação. Temos excesso de
informação e insuficiência de organização, logo, carência de
conhecimento. (2004, p.12).
A cibercultura facilitou o excesso de informação (quantificável e lógica), de
comunicação e de conhecimento. No ciberespaço encontramos milhões e milhões de
informações. Com alguns cliques e links “navegamos” por horas e horas em mundos
(páginas) desconhecidas e/ou familiares.
Souza apresenta seis grandes formas de comunicação humana:
77
a) Intrapessoal – comunicação de alguém consigo mesmo, com frases introspectivas e
formas de pensamento automático;
b) Interpessoal – entre dois indivíduos, comunicação dentro de um pequeno grupo não
formal de indivíduos ou entre pequenos grupos informais de indivíduos;
c) Grupal – comunicação no seio de grupos ‘‘formais’’ de média ou grande dimensão;
d) Organizacional – desenvolvida no seio de organizações, como as empresas e
destas para o exterior;
e) Social – desenvolvida para grupos heterogêneos e grandes de pessoas, também
denominada de difusão, comunicação coletiva ou comunicação de massa.
f) Extrapessoal – desenvolvida com animais, com máquinas e, crêem algumas
pessoas, com espíritos, extraterrestres e outras entidades das quais não existe prova
física. (2006, p.28).
A comunicação humana está interligada com a moda, com a cibercultura e faz
parte do cotidiano das pessoas. Entre as subdisciplinas da comunicação, incluem-se a
teoria da informação, comunicação intrapessoal, comunicação interpessoal, marketing,
propaganda, relações públicas, análise do discurso, telecomunicações, jornalismo,
publicidade, audiovisual, os meios de comunicação de massa e comunicação
segmentada.
Na comunicação podemos trabalhar com diversas mídias. A mídia é a
apropriação da pronúncia em inglês do latim media, que significa meios. Em muitos
autores, o termo mídia é utilizado para identificar o recurso pelo qual uma informação
é transmitida, ou seja, o canal ou meio de comunicação através do qual se desenvolve
uma comunicação. (GOISCIOLA, 2003, p. 27). Alguns exemplos são: cartaz, cinema,
fanzine, internet, jornal, livro, outdoor, busdoor, panfletos, quadrinhos, rádios, revistas,
televisão, vídeo, cd, dvd, podcast,78 etc.
Na área de comunicação o mercado de trabalho é bem vasto, com diversas
oportunidades profissionais na editoração, produção audiovisual, produção cultura,
jornalismo, relações públicas, como roteirista, designer gráfico, publicitário, radialista,
assessor de imprensa, na área comercial, etc., e com a Web as oportunidades se
multiplicaram. A comunicação e a cibercultura fazem parte do sistema da moda e
estão interligadas. A moda é um meio de comunicação.
78
Podcast são arquivos de áudio que podem ser acessados pela internet.
78
3.1 A MODA COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO
As roupas falam? As pessoas se comunicam através do vestuário? Sabemos
que é impossível não nos comunicarmos, o silêncio também
é uma forma de
comunicação. Para Barnard,
Moda e indumentária são formas de comunicação não-verbal uma
vez palavras escritas. Não é difícil entender que até mesmo quando
roupas se cobrem de palavras. Como grifes ou slogans, por exemplo,
ainda permanecem um nível de comunicação não verbal que excede
o significado literal dessas grifes e slogans. (2003, p.50).
Complementando, Barnard cita Umberto Eco, que declara que está “falando
através” de suas roupas, por exemplo. Presumidamente, quer dizer com isso que está
usando roupas para fazer a mesma espécie de coisas que a palavra escrita faz
quando ele a usa em outros contextos. (Ib., p. 50). Dessa maneira, o vestuário é um
meio pelo qual uma pessoa manda uma mensagem a outra pessoa ou a várias ao
mesmo tempo. Para Barnard,
a mensagem é uma intenção da pessoa e é isso que é transmitido
pela roupa no processo de comunicação. A mensagem é também,
naturalmente, aquilo que é recebido pelo receptor. O que mais
importa nessa descrição de comunicação é a intenção do remetente,
a eficiência do processo de transmissão, e o efeito em quem recebe.
(Ib., p.52)
Esse modelo de comunicação tem um apelo imediato ao senso comum. As
pessoas enviam mensagens através de estilos, acessórios, do humor, das cores, etc.
Barnard levanta algumas questões como: o senso comum diz que é o usuário da
roupa que envia a mensagem mas, onde entra o estilista que criou aquela roupa, que
também faz parte do processo. Ele também teve suas intenções. O usuário seria
então, um co-autor da mensagem.
Barnard apresenta outro modelo semiótico e estruturalista de comunicação,
que entende a comunicação como “produção e troca de significados”; que se preocupa
como as mensagens, ou textos, interagem com as pessoas de modo a produzir
significados. (Ib., p.54).
79
Os dois modelos fazem parte da nossa realidade, gerando a interação social,
que constitui o indivíduo como membro de um grupo social, que possui identidade
própria.
Para Crane, como forma de comunicação não-verbal e visual, o vestuário é um
meio poderoso de fazer declarações sociais subversivas, pois essas declarações não
são necessariamente construídas ou recebidas em um nível consciente ou racional.
(2006, p. 456).
A moda é um meio de comunicação que emite mensagens através de formas,
imagens, figuras, textos, etc., e o vestuário exerce uma das formas mais visíveis de
consumo. Ele também possui o papel da criação de grupos e identidades sociais.
Crane argumenta que o vestuário constitui uma indicação de como as pessoas, em
diferentes épocas, vêem sua posição nas estruturas sociais e negociam as fronteiras
de status. Nos séculos anteriores, as roupas constituíam o principal meio de
identificação do indivíduo no espaço público. (Ib., p. 21).
Essa comunicação continua na nossa sociedade. Através do vestuário
podemos identificar grupos, tribos, subculturas, classes sociais enfim, o vestuário faz
para da moda e se comunica de diversas formas. Além de ter uma dimensão social, a
moda é uma linguagem pessoal: algo que fala, e muito, de nós próprios.
A moda transmite aos outros quem e como somos. Adaptando o refrão
clássico: "diz-me como vestes e dir-te-ei como és". E, embora um ditado também diga
que as aparências iludem, a maioria das vezes as aparências traduzem a verdade.
Especialmente no tema do vestuário.
Observa-se muitas vezes, quando uma pessoa quer mudar de vida, a primeira
coisa que costuma fazer é ir as compras, renovando o visual com roupas ou/e
cortando, pintando o cabelo.
A moda, como meio de comunicação, reforça as características escolhidas. A
efemeridade está presente diariamente nas roupas que usamos, a individualidade no
estilo de cada pessoa e a multiplicidade nos acessórios, no número de roupas que
possuímos e o que queremos transmitir com elas, que pode ser modificado
diariamente enfim, o indivíduo pode utilizar a moda como comunicação no mundo real
e no mundo virtual.
80
3.2 COMUNICAÇÃO DA MODA NA CIBERCULTURA
3.2.1 Comunicação e Marketing
Há inúmeras denominações para a comunicação e o marketing na cibercultura.
Algumas exemplos delas são: cibercomunicação, cibermarketing, marketing digital,
comunicação e marketing online, webmarketing, entre outras, que possuem como
principal objetivo a segmentação do seu público alvo, o desafio de fazer com que este
consuma seu produto ou serviço.
Lévy, complementa: "é unicamente porque
procuramos no consumo a conformidade com uma certa imagem e porque queremos
quase sempre imitar o comportamento do grupo com o qual nos identificamos [...]".
(2004, p.181).
Mais uma vez uma das principais características da moda, o individualismo,
está presente na cibercultura, na identificação de grupos na rede. Na moda, na
informática, nas revistas e jornais especializados, nos games, nos blogs, nas
comunidades, entre outros, a internet facilita essa separação de grupos e a
comunicação entre eles.
O marketing estuda a complexa relação entre o projeto de um produto, seu
preço, sua comunicação, sua disponibilidade de mercado e a satisfação do cliente
após efetuada a compra. A grande diferença entre o período pré-marketing e o período
do marketing está na abertura do sistema empresarial, ou seja, as empresas não
decidem mais centradas no seu próprio umbigo, elas afinam os ouvidos para o
mercado, não por diletantismo, mas porque existem, de um lado o consumidor crítico
que não se contenta em comprar ofertas, "fords pretos" ou "eletrodomésticos brancos"
e do outro, o concorrente atento. (CARLI, Ib., p. 42).
O marketing no sistema da moda e também em outras áreas realiza um diálogo
entre a produção e o mercado/consumo. Para Treptow o marketing,
Vai além da simples compra e venda de produtos. Trata-se de um
conjunto de técnicas utilizadas para melhor aproveitar as
oportunidades surgidas no mercado, visando atender às
necessidades e desejos, gerando satisfação aos compradores e lucro
aos vendedores. O marketing começa atuar mesmo antes de um
produto
ser
concebido,
pesquisando
as
tendências
de
comportamento de segmentos de mercado, buscando criar produtos e
serviços que satisfaçam as necessidades e desejos de cada
segmento. (Ib., p.53).
81
O marketing é peça chave e fundamental no sistema de moda, pois é através
das pesquisas de mercado que são traçadas as estratégias para o a criação das
coleções, com foco no público que vai consumir determinado tipo de roupa, acessório,
etc. O que também acontece no desenvolvimento das tecnologias como telefones
móveis, MP3,4, televisões, computadores, laptops, games, entre outras "bugigangas"
tecnológicas.
3.2.2 Comunicação – Desfile - Publicidade
Os anos 90 entraram para a história econômica nacional como
década de nascimento dos grandes eventos de moda no Brasil, entre
os quais o Pyhthoervas Fashion, em 1993 e o Morumbi Fashion, em
1996, ambos em São Paulo. Eventos desse tipo são responsáveis por
forçar um direcionamento no segmento da moda. O desfile é o ponto
final da cadeia que coloca a “moda” em circulação na mídia e no
mercado. (FEGHALI, 2004, p.131).
O desfile é responsável pela criação de um cronograma de produção que
reúne informação de toda a cadeia produtiva. A roupa, como produto, leva dois anos
para ficar pronta, começando como fibra têxtil até chegar ao ponto de venda.
Segundo Garcia, o principal elemento de comunicação da moda é o desfile.
"Enquanto a publicidade se encarrega de disseminar as imagens idealizadas em
campanhas nas mídias de massa, a promoção de um desfile permite ao jornalista
emitir opiniões sobre aquilo que está sendo mostrado". (Ib., p. 85).
Depois do desfile, a publicidade entra em ação. Para Embacher, "os slogans e
filmes publicitários têm como meta provocar ressonâncias estéticas, existenciais e
emocionais, não mais provar a qualidade dos produtos". (1999, p.14). Com a abertura
do comércio internacional no Brasil, foi a fase de mostrar a qualidade dos produtos, a
febre das certificações ISO´s. Agora os estilistas querem conquistar o mercado
mundial com suas criações.
A sedução publicitária, para Lipovetsky, "é o discurso da moda, alimenta-se
com ela do efeito choque, de minitransgressões, da teatralidade espetacular. Só vive
de "fazer notar" [...] investe-se do look personalizado - é preciso humanizar a marca,
dar-lhe uma alma, psicologizá-la". (Ib., p. 187).
82
A publicidade tem como uma de suas funções criar a necessidades no seu
público-alvo, no seu nicho e subnichos, utilizando a arma clássica da sedução - a
beleza, principalmente a feminina, a qual é amplamente explorada.
Da mesma maneira que a moda não pode ser separada da
estetização da pessoa, a publicidade funciona como cosmético da
comunicação. [...] A publicidade soube adaptar-se muito depressa a
essas transformações culturais, conseguiu construir uma
comunicação afinada com os gostos de autonomia, de personalidade,
de qualidade da vida, eliminado as formas pesadas, monótonas,
infantilizantes da comunicação de massa. (LIPOVETSKY, Ib., p. 189190).
A publicidade estimula uma "sede" de consumo que já existe na nossa
sociedade, salientando a beleza feminina e acusando o consumo das mulheres.
A publicidade não consegue fazer com que se deseje o indesejável.
Nos países europeus ricos, a obsessão pelo "ter" passou. Hoje, as
grandes preocupações são com o desemprego, com a insegurança,
com o futuro, com a educação das crianças, com a nova qualidade de
vida e com novas formas de espiritualidade". (LIPOVETSKY, 2004,
p.34).
No Brasil, a "obsessão pelo ter" vai demorar muito para acabar; a publicidade
ainda tem seu lugar garantido. Para Lipovetsky, " No fundo, é bobagem afirmar que a
publicidade impõe algo.[...] a publicidade amplia a aspiração ao bem-estar. Amplia,
insisto,
não
cria.
A
publicidade
faz
vender,
sem
impor
mecanicamente
comportamentos ou produtos". (2004, p.36).
Baudrillard, concorda: "[...] sabe-se ainda que a publicidade está longe de ser
onipotente, induzindo por vezes reações inversas e quais as operações que têm lugar
do objeto para objeto em função da mesma necessidade". (1995, p. 72).
Discordando,
A publicidade recebe junto com a televisão uma avalanche de críticas
pela sua capacidade de alienar e aliciar o sujeito. Assim, a
publicidade é o "grande irmão" que pensa pelo sujeito, encanta o
sujeito, mostra-se como sujeito e faz do sujeito um assujeitado,
abraçando num só o sujeito da filosofia, o ser individual, real e o
sujeito do latim que significa súdito, cativo, que se sujeita à vontade
dos outros. (CARLI, Ib., p.43).
83
A publicidade é a arma mais poderosa do marketing, presente em todos os
meios de comunicação e até mesmo em espaços inusitados como banheiros de bares,
restaurantes; na contratação de modelos e atores, nos Estados Unidos, etc. Este tipo
de marketing deixou de ser uma mera ação voluntária - como novo modelo de
promoção chamado Undercover Marketing, que envolve a contratação de atores para
comentar os atributos positivos de um novo produto ou serviço como se fossem
consumidores comuns entusiasmados com a aquisição de uma marca.
Um exemplo é a da Sony Ericsson, uma das primeiras empresas que realizou
uma ação deste gênero, em 10 cidades diferentes. Intitulada “Fake Tourist”, a
campanha tinha por objetivo divulgar o telefone celular que também tirava fotos. Os
sessenta atores contratados fingiam ser turistas que abordavam as pessoas para que
estes
lhes
tirassem
uma
foto.
Desta
forma,
os
potenciais
consumidores
experimentavam o produto. A vantagem é que foi uma forma simples e barata de
chegar ao público-alvo sem que a abordagem parecesse invasiva. O fundamental é
que o público não perceba que se trata de uma ação planejada.
A publicidade, como a moda, apresenta a novidade, a efemeridade, através de
múltiplos meios para, indivíduos que possuem a opção de comprar ou não comprar
determinado produto ou serviço. A internet, apesar do grande potencial, possui custos
muito inferiores que as outras mídias. A verba de publicidade79 em 2004, foi de R$
15,4 bilhões e em 2005 foi de R$ 17,7 bilhões.
Os números do Ibope indicam a ampliação de base de usuários e os dados
apurados pelo Projeto Inter-meios, relativos ao faturamento publicitário online são
positivos, as verbas dos portais em 2005 foram cerca de 19% superiores à 2004. O
investimento publicitário total no setor econômico Vestuário e Têxtil em 2005 foi de R$
219.417 milhões.
Como o investimento publicitário nos meio de comunicação é dividido,
denominado no marketing como share dos meios: a televisão ainda fica com a maior
fatia da verba com 59,6%, o Jornal com 16,3%, Revistas com 8,8%, Rádio 4,2%, Mídia
Exterior 4,3%, Guias e Listas 2,5%, Tv por Assinatura 2,3%, a Internet fica apenas
com 1,7% e o Cinema com 0,3%.
Segundo, a E-Consulting,80 em estudo realizado em 2005, foram investidos
na publicidade online aproximadamente R$ 235 milhões e, para 2006, foi feita uma
79
80
Mídia Dados 2006, p. 33. Grupo de Mídia São Paulo.
Disponível em: http://www.e-consultingcorp.com.br. Acesso em 07 abr. 2006.
84
estimativa de R$ 310 milhões. No primeiro semestre a publicidade online faturou R$
158 milhões atingindo, pela primeira vez, 2% da fatia do mercado publicitário, segundo
dados do projeto Inter-Meios.81
Nenhum outro veículo permite tanto dinamismo e interatividade como a Web.
Através da internet, é possível que o anunciante se comunique com o seu público, se
relacione e venda seus produtos ou serviços.
O principal problema, uma vez mais, é atrair, canalizar, estabilizar a
atenção. E ocorre que a melhor forma de polarizar a atenção, em um
mercado tão livre e aberto quanto o ciberespaço, é prestar serviço,
escutar exatamente o que querem as pessoas - sonho, amor, jogos,
saber mercadorias de todos os tipos - e dar isso a elas. Senão, elas
irão para outro lugar, muito rápido, num só clique. (LÈVY, 2004,
p.179).
Na Web tudo pode ser muito dinâmico, com cliques, janelas e links. Isto
é
definido
por Johnson como: "um elo, um vínculo, é uma maneira de traçar
conexões entre coisas, uma maneira de forjar relações semânticas". (Ib., p. 84).
Essas relações são criadas para conduzir o público-alvo a um determinado
ponto. Lévy, comenta que a economia da Web é a arte de interessar os colegas indo
direto "tenho a solução para o seu problema", "aqui está uma informação que será útil
para você". O internauta quer a facilidade e objetividade na rede, e ela pode oferecer
isso de diversas maneiras.
Com a persuasão do consumidor pela publicidade, acreditamos que ela tem o
poder de estimular necessidades, criando desejos de consumo. A publicidade no
mundo da moda é freqüente nos desfiles e nos sites com patrocinadores exclusivos,
principalmente no portal Terra mas também em outros, onde os principais desfiles de
moda são divulgados e é possível acompanhar tudo o que acontece nos eventos no
Brasil e no mundo. É nesses desfiles que as principais marcas apresentam suas
coleções e começam a estimular o desejo de consumo. Garcia, apresenta quatro
modelos de marketing e comunicação da moda:
1. Modelo de mercado de massa: propõe que a produção em massa
combinada com a comunicação de massa faz com que novos estilos sejam avaliados
simultaneamente por todas as classes socioeconômicas.
81
Disponível em: http://idgnow.uol.com.br/internet/2006/09/18/idgnoticia.2006-0918.2471776924/IDGNoticia_view. Acesso 08 fev. 2007.
85
2. Modelo da infra-estrutura de marketing: sugere que os designers de moda e
a mídia têm habilidade quase ditatorial para criar obsolescência planejada.
3. Modelo de adoção e difusão: diz que o sistema da moda é capaz de inventar
novos significados culturais mediante a opinião de líderes; estes encorajam a reforma
de princípios e categorias culturais: novelas, filmes, estrelas da música e cinema são
citados como líderes de opinião e, recentemente através dos blogs, principalmente os
blogs de moda, que são inúmeros na rede que e possuem seu nicho de milhões de
leitores.
4. Modelo de comunicação simbólica: a comunicação é entendida como
intencional, especialmente quando a proposta é persuadir. A comunicação é vista
como transação, negociação onde mensagens são trocadas baseado na motivação
de todos os participantes, na expectativa de resposta mútua. Por fim, a comunicação é
simbólica: os símbolos são criados e usados para focalizar, por meio dos objetos ou
pessoas representados por esses símbolos, os seus significados. (Ib, p. 113-114).
Incluímos o modelo do conceito de Anderson, o da cauda longa - através dos
nichos, subnichos e da propaganda boca a boca, ou na rede com a recomendação
que pode ser visto nos blogs, onde milhões de pessoas comuns são novos formadores
de preferências, produzem o seu conteúdo, seu vídeo, sua música, sua roupa, sua
moda.
Algumas atuam como indivíduos, outras participam de grupos
organizadores em torno de interesses comuns, e ainda outras são
simplesmente
rebanhos
de
consumidores
monitorados
automaticamente por softwares que observam todos os seus
comportamentos. Pela primeira vez na história somos capazes de
medir os padrões de consumo, as inclinações e as preferências de
todo um mercado de consumidores em tempo real e, com a mesma
rapidez, ajustar-se a tais condições para melhor atender a esse
público. (ANDERSON, 2006, p.105).
Podemos acompanhar essas estratégias de comunicação e marketing nos
desfiles, nas ruas, nas revistas, na televisão, no cinema, na internet, nos blogs, nos
sites, etc. Alguns exemplos da moda na rede e suas virtudes:
Simultaneidade, ubiqüidade, interatividade, multiplicidade. Além de
pensarmos na comunicação a distância em rede, devemos refletir
sobre a intertextualidade, possível por meio de potencialidades
criativas e inovações de trama técnica e textura tecnológica. [...] o
86
hipertexto configura-se em uma rede de informações acentradas, com
entradas múltiplas: imagens, ícones, links, sons, vídeos, ferramenta
"envie a um amigo" são exemplos eficientes.
Sendo assim,
percebemos que o leitor de internet é também um usuário, auditor,
ouvinte, espectador e observador.
A internet é um palco virtual para todos que desejam acompanhar o
que acontece nos desfiles, na primeira fila ocupada por celebridades,
nos bastidores, nos stands e nos corredores dos eventos de moda.
Em tempo real, ou logo depois de cada desfile, diversos portais de
moda preparam textos e editam imagens [...] é possível para o leitor
aumentar e diminuir as imagens digitais; salvar em diferentes pastas
(computador) ou no cd-r; imprimir na impressora ou em laboratórios
fotográficos digitais; enviar por e-mail. Imagens que podem ser vistas,
sentidas, experimentadas constituem uma estética digital. (GALVÃO,
Ib., p.136).
A internet é o "palco virtual", e com os estrategistas de marketing esse palco é
trabalhado mais uma vez para conduzir o público-alvo ao consumo. Um exemplo é o
evento São Paulo Fashion Week - sua divulgação e cobertura ocorre nos principais
meios de comunicação revistas, jornais; na televisão e em horário nobre, nos
telejornais de maior audiência do Brasil como Jornal Nacional, da Tarde e da Globo;
na TV por assinatura, com a cobertura ao vivo em um programa especial, e depois no
programa GNT Fashion, com detalhes que não foram apresentados na cobertura ao
vivo; na internet, em todos os principais portais, no seu próprio site, nos blogs, nos
inúmeros sites; enfim, temos o palco virtual e o palco real com seus espectadores,
que podemos considerar "a elite" do consumo do produto, informação e da
recomendação.
87
3.2.3 Exemplos da Comunicação da Moda na Internet
Na rede há mais de 471 milhões82 de sites que possuem a palavra fashion; a
palavra moda aparece em mais de 56 milhões; só no Brasil são mais de 7 milhões de
sites. A moda na web
apresenta como uma das suas principais características a
multiplicidade. Encontramos
portais de moda,
sites dos fabricantes têxteis, dos
estilistas, consultores de moda, site das marcas, de lojas, de todos os portes e de
todos os estados brasileiros. A moda está presente nos principais portais de notícias
brasileiros como Uol, IG, Onda, AOL e no Terra onde há ícones de moda ou estilo no
menu principal. Não podemos deixar de citar os inúmeros blogs de moda e
comunidades no Orkut. Aproveitamos para apresentar alguns exemplos de como o
sistema da moda se comunica no ciberespaço e na cibercultura.
Primeiro desfile de moda ao vivo na rede
O primeiro desfile de moda transmitido ao vivo na rede foi o desfile de lingerie´s
da marca Victoria´s Secret, em 1999; como atração foi utilizado o "soutien de 1 milhão
de dólares". A cada ano trabalham com uma top model importante e divulgam alguma
peça especial. Em 1999, a idéia era aumentar a platéia e a melhor forma encontrada
foi através da internet. Essa moda cibernética foi considerada o maior evento na
internet de todos os tempos; foi a transmissão ao vivo mais acessada na internet.
Foram tantos acessos que ocasionaram o travamento do sistema.
O desfile também foi transmitido simultaneamente na Times Square em Nova
York. O desfile de 2000 foi transmitido pela internet, atraindo mais de 1,2 milhões de
pessoas. O sucesso foi tanto que hoje o desfile da Victoria´s Secret também é
transmitido pela televisão. Com o objetivo de não ser apenas um simples desfile com
garotas caminhando na passarela, o evento virou um show. Um espetáculo que deve
surpreender é chamado de "The Victoria´s Secret Fashion Show".83
Em 2000 o
desfile foi no Festival de Cinema de Cannes na França e arrecadou mais de 3,5
milhões de dólares para obras de caridade.
A estratégia de comunicação e marketing utilizada pela marca é um desfile
show, misturando mulheres bonitas, artistas, cantores, cenários chamativos e todos
os
meios
de comunicação entram em ação na divulgação do evento.
A mesma
82
Pesquisa realizada no site de busca Google. Acesso disponível em 07 ago 2006.
Evento foi transmitido no dia 28 de janeiro de 2006 no SBT às 22h30 e no canal TNT das TV`S por
assinatura Net, TVA e SKY, dia 21 de julho de 2006 às 23h.
83
88
estratégia é utilizada no site, 84
fotos de mulheres bonitas utilizando os produtos nas
praias, lugares com muita luz, mulheres alegres, sensuais e de bem com a vida.
Indústria Têxtil
A indústria têxtil tem como objetivo a transformação de fibras em fios e de fios
em tecidos é dividida em fiação, tecelagem, malharia e beneficiamento de tecidos,
podendo ser uma indústria verticalizada, com todos os processos, com apenas alguns
processos, ou ainda ter somente uma fase da produção. Os produtos da indústria têxtil
abastecem as confecções. As maiores indústrias têxteis brasileiras atualmente, em
faturamento são: Vicunha S.A., Coteminas, Santana Têxtil e Santista Têxtil.85
Algumas estratégias de comunicação e marketing realizadas pela empresa
Santana Têxtil divulgadas no seu site:86
Maior calça jeans do mundo - patrocina a iniciativa de entidades e incentivadores de
Cianorte/PR para a confecção de maior calça jeans do mundo que será incluída no
Guinness Book, o livro dos recordes.
Jeans Tudo nas Universidades - em parceria com as principais faculdades de moda
do país, a Santana desenvolve ações para aproximar alunos e profissionais da área
com oficinas de criação e palestras.
Café Première - 9ª Edição- palestra de tendências da Santana Têxtil com informações
de moda captadas em pesquisas realizadas em viagens aos grandes centros da
América do Norte e Ásia.
Semana do Jeans - de 19 a 22 de setembro na Universidade Anhembi Morumbi em
São Paulo, a empresa apresenta produtos, pesquisas e tendências.
Jeans Day - campanha de venda de pulseiras em escolas e universidades de todo o
país para arrecadação de fundos para tratamento e cirurgia de criança e jovens com
lábio leporino.
84
Disponível em: http://www.victoriassecret.com. Acesso em 06 ago. 2006.
Disponível em: http://www.abit.org.br. Acesso em 06 ago. 2006.
86
Disponível em: http://www.santana.ind.br/mkt_feiras.php. Acesso em 07 ago. 2006.
85
89
Blogs de Moda
Os blogs de moda viraram "febre” na Web e também apresentam algumas das
características da moda na sua criação, atualização, multiplicidade, efemeridade e
individualismo. 87 Mais alguns exemplos são, na criação do layout do blog, nos posts,
nos comentários dos leitores, na inúmera quantidade de blogs de moda, estilo,
comportamento disponíveis na rede. Os blogs possibilitam a comunicação com leitores
de todas as partes do mundo, que também disseminam a cultura das tribos, subtribos
como por exemplo o fenômeno de moda, os
Emos88
que estão presentes em
diversos blogs.
Para pertencer a “tribo” dos Emos os adolescentes precisam gostar
de música emocore. O estilo mescla a batida hardcore com letras
românticas e poesias adolescentes; viver na internet e no Orkut.
Todas as bandas emos brasileiras colocam suas composições em
sites; ser emotivo. Os Emos choram ouvindo músicas que falam de
amores perdidos e rejeição dos pais. Dar demonstrações explícitas de
carinho. Meninos e meninas se beijam, se abraçam em público, seja
com pessoas do sexo oposto, seja com as do mesmo sexo. Aceitar a
opção sexual do outro sem preconceitos. Criticar pessoas violentas.
Bater é altamente reprovável entre os Emos. Escrever diários,
poesias e músicas. Isso vale para meninas e meninos. Usar roupas
que mesclam a rebeldia punk com os ícones infantis.
[...] cada adolescente descobriu que era Emo de maneira diferente
uma lendo na rede, o outro diz que não é escolha é a única opção e o
outro criticando, fazendo piadinhas e que mais tarde se identificou e
assumiu. A rede é uma poderosa fonte de pesquisa e de
relacionamentos, facilitando aos usuários o descobrimento de novas
tribos, novas culturas e principalmente de novos aprendizados.
(FERREIRA, et al., 2006, online).
Na rede há inúmeros blogs de Emos, os que amam e os que odeiam. É a
liberdade do indivíduo quanto à forma de expressar seus sentimentos, idéias, opiniões,
críticas, etc. Os blogs facilitam a comunicação das tribos, são um grande nicho que
está na rede.
Anderson, cita o exemplo da Frog Design, empresa de consultoria
87
Mais detalhes no artigo. AMARAL, Adriana; FERREIRA, Aletéia; FIEDLER, Josiany. Blogs & Moda –
efemeridade, individualismo e multiplicidade na web. VII Simpósio da Pesquisa e Comunicação Intercom
SUL de 04 a 6 de maio de 2006. Trabalho apresentado no GT 6 Tecnologia e Comunicação. Página 103.
88
Fenômeno que nasceu na década de 80 e está presente no universo dos adolescentes brasileiros que
apóiam, criticam e que tem coragem de assumir na rede mundial de computadores a não violência e o
amor acima de tudo. A moda EMO tornou-se um estilo de vida e possui muitas comunidades no orkut e
blogs que tratam do tema. Como a influência do estilo EMO se reflete na comunicação visual de blogs e
sites; ícones, tendências e linguagem visual utilizada. Esses elementos visuais contribuem para uma
caracterização do estilo do ponto de vista estético. (FERREIRA, 2006, online). Disponível em:
http://www.razonypalabra.org.mx/actual/blogs.html. Acesso em 17 out. 2006.
90
americana que destaca esse fenômeno como um deslocamento - estamos saindo da
era da Informação (temos milhões) e entrando na era da recomendação, que são os
atalhos no emaranhado de informações. (Ib., p.105). E os blogs cumprem esse papel
de recomendação dentro de cada nicho e subnicho, pois possuem seus fiéis leitores
que lêem recomendações, dicas e opiniões.
Alguns exemplos de blogs que se destacam na rede:
O Paloblog é escrito pela jornalista Érika Palomino, que saiu do Jornal Folha de
São Paulo para se dedicar ao seu site e ao blog. Possui um diferencial é o “Érika no
Closet”, o blog fica hospedado no seu site onde pode falar direto com a jornalista,
enviando perguntas e acompanhando seus textos. 89
Outro blog que se destaca na rede é o Fashion Bubbles,90 o usuário pode
cadastrar seu e-mail e receber o resumo das notícias postadas no blog diariamente. O
blog recebe mais de 2.500 acessos por dia e apresenta as últimas novidades da área
da moda.
O blog Com que roupa91 é escrito pelo personal stylist e assessor de
comunicação visual Lutti e diz: "moda e estilo são ferramentas de expressão e atitude.
Classe e elegância com personalidade. Por um mundo mais bonito". Um diferencial do
blog é um mix de opinião pessoal, com o seu dia-a-dia, com dicas de moda, críticas
ao país, etc. Devido ao sucesso do blog em Porto Alegre, foi convidado a escrever um
blog92 com a cobertura da 21ª edição da São Paulo Fashion Week, que teve mais de
10.000 acessos durante o evento, muitos acessos considerando que o blog não foi
divulgado no página principal do portal Terra.
O blog Oficina de Estilo93 é escrito pelas consultoras de imagens Cris e Fê que,
através do site e do blog, fornecem dicas de estilo, atualidades da moda enfim, fazem
uma miscelânea de informações de moda, postura, comportamento, imagem pessoal,
treinamento, entre outros serviços.
Na rede encontramos blogs escritos por profissionais da área, por apreciadores
de moda, estudantes, por adolescentes, a multiplicidade é vasta.
89
Disponível em http://www.erikapalomino.com.br/erika2006/closet.php Acesso em 14 ago. 2006.
Disponível em http://fashionbubbles.wordpress.com/ Acesso em 14 ago. 2006.
91
Disponível em http://www.comqueroupa.blogspot.com/ Acesso em 14 ago. 2006.
92
Disponível em http://spfw.blog.terra.com.br/ Acesso em 08 set. 2006.
93
Disponível em http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/. Acesso em 15 ago. 2006.
90
91
Blog Melissa Campanha: Create Yourself
Mas nem todas as celebridades são estrelas de Hollywood. À medida
que nossa cultura se fragmenta em milhões de minúsculas
microculturas, também estamos presenciando a conseqüência
ascensão de microcelebridades. No mundo tecnológico, o fenômeno
se manifesta por meio de bloguistas, como a equipe descreve Daily
Candy, blogs de moda, ou Boing Boing, site especializado em
tecnologia e subcultura, que no momento que estou escrevendo, é o
blog mais popular do mundo. (ANDERSON, Ib., p. 106).
Como exemplo apresentamos a empresa Melissa que criou a campanha: Ação
Create Yourself94 contratando quatro “microcelebridades”
blogueiras do Brasil:
MariMoon (São Paulo), que recebe cerca de 70 mil acessos mensais no seu blog, fala
basicamente de moda; Ímpar (Amazonense radicada no Rio de Janeiro), faz a uma
linha conselheira escrevendo sobre seu cotidiano e relacionamentos e recebe cerca de
35 mil acessos semanais; Loly (Pernambuco) que adora tendências e
música
eletrônica, recebe cerca 7000 acessos por semana e Maluka (Santa Catarina),
escreve de desabafos e declarações de amor, recebe cerca de 4000 acessos por
semana. Elas fizeram a cobertura da São Paulo Fashion Week edição de janeiro/2007
com muitas fotos no blog, bastidores e contando suas experiências. Continuam
atuando como consultoras da marca Melissa, sugerindo dicas de moda, customizando
peças e apresentando os novos modelos das sandálias Melissas no blog e no site,
recomendando os produtos da marca. No site os leitores podem enviar suas fotos,
fazer e fazer seus comentários, criticar elogiar e dar sugestões para as blogueiras,
entrando na nova tendência da Web 2.0. 95
Depoimentos das leitoras Jamile Tessarim e Chris Barros no blog da Melissa.96
melissa é TUDO ;)
94
Disponível em: http://www.melissa.com.br/impar. Acesso em 03 mar 2007.
A Web 2.0 é a segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas de
publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a
interação entre os participantes do processo. A Web 2.0 refere-se não apenas a uma combinação de
técnicas informáticas (serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication, etc.), mas também a um
determinado período tecnológico, a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de
comunicação mediados pelo computador. A Web 2.0 tem repercussões sociais importantes, que
potencializam processos de trabalho coletivo, de troca afetiva, de produção e circulação de informações,
de construção social de conhecimento apoiada pela informática. (PRIMO, 2006, online)
95
96
Disponível em : http://www.melissa.com.br/spfw/index.php?secao=fotos&modulo=blog&dia=28. Acesso
25 abr. 2007.
92
vou primeiramente falar parabens pras meninas, que elas são
o maximo, a apê então adoro mto ela, e dizer que elas tem
sorte grande. E a respeito do spfw, nem sei o que dizer pois
um dos meus sonhos é estar no spfw, ou como modelo, ou
como estilista que são dois ramos que eu amo.gostei mto tbm
das meninas poderem expressar oq elas estão achando dos
desfiles, de tudo. to adorando esse oportunidade que a
melissa ofereceu a meninas achei super criativo, e ela estão
com tudo.
parabens a todas.
ps: coloquei esta foto pois é do meu book, no qual eu estou
usando MELISSA
28.01.2007 16:53
yeah yeah!!
M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O o trabalho d vcs!!
são todas lindas e talentosas ;D
adorei os videos no youtube! ficaram d+!
boa sorte p todas as goldies! vcs arrazam!
lollyyy... pernambucanaaa q nem euu o// uhuu tudo d bom p
vc garota!
www.fotolog.com/chrisinhah ^^
beeeeeeeeijoooxx!!!
;**
28.01.2007 00:44
A Melissa aliou a individualidade de cada blogueira (microcelebridade) com a
multiplicidade dos seus leitores (pertencentes a um nicho) de todos os cantos do Brasil
e do mundo. É o blog propagando a efemeridade da moda na cibercultura e no
ciberespaço. Queiramos ou não, essa fragmentação do nicho é inevitável.
93
Orkut na Moda
As características da moda também estão presentes na maior rede de
relacionamento do Brasil: a individualidade está nas fotos, nos vídeos, nos recados
(scraps), depoimentos que são deixados pelos usuários, a efemeridade está na
mudança das fotos, nos recados que são deixados e apagados, a multiplicidade de
usuários, de comunidades criadas e dos novos serviços como o Google Talk, a
possibilidade de compartilhar vídeos, enviar e receber recados via celular, entre
outros.
A moda no Orkut, está nas mais de 720 comunidades criadas com a palavra
moda. A que possui mais membros é a comunidade "Minha moda eu faço" com mais
de 76 mil participantes, outras comunidades como “Câncer de Mama no Alvo da
Moda” com mais de 31 mil participantes;
entre outras comunidades como “Moda
Brasil”, “Eu Amo Moda”, “Estudando Moda”, “Tô na Moda”, etc.
Com a palavra fashion encontramos mais de 300 comunidades. Nestas são
postados diversos assuntos de moda, eventos são divulgados, experiências e dicas
são trocados, etc. Estes são alguns exemplos da era da recomendação que a internet
propícia. Há mais de 20 comunidades sobre a São Paulo Fashion Week, com mais de
13 mil participantes. As comunidades se dividem em “Amo a São Fashion Week”, “Eu
quero ir”, “Eu fui Credenciado”, “Eu odeio a São Paulo Fashion Week”, entre outras
que fazem parte dessa rede de relacionamento.
O Orkut também é utilizado por lojistas para divulgarem suas coleções com a
criação de perfil e comunidade onde divulgam mapa de localização, fotos das roupas e
de seus clientes, um exemplo é da loja Joulie Moda Feminina de Curitiba.97
A grife
Desconexo98 lançou uma ação via orkut, o publicitário Pablo Guterres criou a
“Operação Esparta” que consistia em pedir aos seus amigos que, por pelo menos dois
dias, colocassem a logo da grife no lugar das suas fotos do perfil, além do site da
empresa na primeira linha do “about me”. O objetivo era conseguir 300 adeptos (daí
sua referência aos 300 guerreiros espartanos do Rei Leônidas) através de seus 600
amigos. Pablo mandou scraps, testemunhos e um e-mails explicando a operação
Esparta. A marca acredita ter sido visualizada por cerca de 100 mil pessoas através
da ação. A comunidade da grife no orkut cresceu cerca de 40% e o número de
97
Disponível em : http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=13161206821012591147. Acesso em 15 abr.
2007.
98
Disponível em : http://www.desconexo.com.br . Acesso em 02 mai. 2007.
94
usuários e o acesso ao site disparou quase 500%, sendo visualizado por internautas
de mais de 14 países. O making off da grife se encontra no YouTube99.
Estilistas
Valentino vende suas criações online.
As criações do estilista Valentino100 podem ser compradas online, vestidos de
até R$ 23 mil. No site as coleções estão disponíveis, é possível comprar peças de
moda feminina, masculina, acessórios e perfumes. Mas por enquanto, a entrega dos
produtos é feita somente nos Estados Unidos e Canadá.
Alexandre Herchcovitch
No site do estilista Alexandre Herchovitch101
é possível ver suas coleções,
conferir os preços, cores e tamanhos disponíveis, encontrar o endereço das lojas ou
ligar solicitando a visita de um vendedor na sua casa. No site são divulgadas suas
parcerias com a rede lojas Tok Stok; onde assina jogos de jantares, jogos de toalhas
de cama, mesa e banho e parceria com as sandálias Melissa.
Ventura
O estilista Lino Ventura102 disponibiliza no seu site sua coleção recente e um
arquivo com todas as coleções desde o verão de 1997, endereço de suas lojas,
notícias sobre suas coleções e eventos, newsletter mediante cadastro de nome e email.
99
Disponível em : http:// http://www.youtube.com/watch?v=FxwTmf7bxnk Acesso em 02 mai. 2007.
Disponível em http://www.valentino.it. Acesso em 15 ago.2006.
101
Disponível em: http://www.herchcovitchloja.com.br/ Acesso em 22 ago. 2006.
102
Disponível em: http://www2.uol.com.br/linovillaventura/index1.htm. Acesso em 22 ago. 2006.
100
95
Consultores de Moda
Na rede encontramos inúmeros sites que disponibilizam o serviço de
consultoria de moda, a maioria são pagos, mas encontramos consultoras ou listagem
com as perguntas ou dúvidas mais freqüentes.
Portal Terra,103 disponibiliza o serviço gratuito com mais de 50 perguntas e
respostas e, se a dúvida não estiver na lista, ela poderá ser respondida pelos seus
consultores de moda. Outros consultores como Constanza Pascolato, Regina Martelli,
Cristina Franco, Luciana Parisi, fazem consultoria de moda analisando os eventos e
disponibilizando na rede suas opiniões. São mais alguns exemplos da era da
recomendação. A publicidade está presente com banners do Morumbi Shopping,
Americanas.com e do próprio Terra.
Glória Kalil - Chic
O site da consultora de moda e autora de vários livros de moda Glória Kalil
está hospedado no portal IG, 104 e oferece três menus:
LEIA com Editorial da Glória (com opções para o Chic News opção de selecionar os
desfiles por cidade, estação e estilista.
O Carinhas com celebridades do mundo a moda, música, cinema e artes , o + no
Chic com matérias da moda internacional.
O menu OUÇA disponibiliza músicas diversificadas desde o tema da revista Playboy ,
remix da noite de Alelux em São Paulo, Dionner Warwick, entre outros. E o menu
ASSISTA disponibiliza vídeos de alguns desfiles, trailler de filmes, músicas da Rita
Lee, entre outros. O site possui um banner superior com a propaganda da Brastemp
lançando o Wine Cooler e nas páginas internas possui anúncio do Shopping Morumbi.
Moda e Consultoria por Claudia Manhães
O site moda e consultoria105 é coordenado por Claudia Manhães que oferece
seu serviço online, o usuário envia um e-mail com sua dúvida e no prazo de 48 horas
ela envia a resposta por e-mail. Oferece também Guia de Noiva com todos os serviços
que uma noiva precisa para seu casamento, o Guia de Lojas que não estava
disponível no site e o Guia Business, que o usuário só acessa mediante um cadastro
com login e senha. Esse serviço está em construção no site.
103
Disponível em http://www.terra.com.br/cgi-bin/index_frame/moda/consultorio_pergunta/envie.htm.
Acesso em 21 ago. 2006.
104
Disponível em http://www.chic.ig.com.br/. Acesso em 21 ago. 2006.
105
Disponível em http://www.chic.ig.com.br/. Acesso em 21 ago. 2006.
96
Portais de Moda
Moda Brasil
O portal Moda Brasil106 está hospedado no portal UOL e é uma publicação
online dos Cursos de Moda da Universidade Anhembi Morumbi e da Diretoria de
Desenvolvimento Tecnológico. Em 2006, completou dez anos de atividades
ininterruptas na Internet sob o comando da professora Kathia Castilho e edição de
Carol Garcia (editora-chefe) e Diana Galvão (sub-editora). O objetivo inicial era
organizar um espaço na Web capaz de discutir, informar e divulgar a Moda Brasileira,
aproximando estudantes do mercado de trabalho e criando condições eficientes de
pesquisa. O portal é visitado por pesquisadores dos programas de especialização e
mestrado, mas também por fornecedores de matéria-prima, confeccionistas, varejistas
e profissionais de marketing e comunicação ligados à indústria de moda. Todas as
informações disponibilizadas no portal são gratuitas.
Use Fashion
Um portal que se destaca na rede com algumas informações básicas gratuitas,
mas com conteúdo exclusivo para assinantes é o Usefashion.
107
O portal é uma
"rede de transferência de conhecimento" como se auto-denomina, especializado em
moda, design e comportamento de consumo de forma global e multimídia. Possui
profissionais como estilistas, jornalistas, fotógrafos, editores, técnicos, analistas de T.I
e de mercado. Os correspondentes atuam diariamente em dezenas de cidades no
mundo.
O portal possui informações em tempo real, feiras, desfiles e vitrines das
principais metrópoles da moda, imagens, textos e vídeos
correspondentes. Os
transmitidos pelos
assinantes do portal são empresários, fabricantes, estilistas,
modelistas, lojistas, representantes, estudantes e consumidores, que encontram na
moda grandes oportunidades de negócios. Um público que tem poder de criação e
decisão para movimentar as engrenagens da moda no Brasil e no mundo.
No portal é possível fazer a assinatura do UseFashionJournal que publica
notícias e matérias exclusivas sobre moda internacional, cobertura de desfiles, feiras,
vitrines, uso nas ruas, fashion preview, vitrinismo, fashion hunters, etc. Informações
sobre as áreas de vestuário, bolsas, calçados, acessórios, jóias, semi-jóias, entre
outras. O jornal possui mais de 15.000 assinantes.
106
107
Disponível em: http://www1.uol.com.br/modabrasil/ Acesso em 22 ago. 2006.
Disponível em: http://www.usefashion.com/ Acesso em 22 ago. 2006.
97
O portal também disponibiliza assinatura da
Wear que publica
Revista UseFashionReady To
desfiles, comportamento, arte e consumo. São dez edições
colecionáveis por ano, cinco por temporada com looks, resenhas, tendências,
basckstage, entrevistas e notícias exclusivas do mundo das passarelas nacionais e
internacionais, cobertura completa dos desfiles do Fashion Rio, São Paulo Fashion
Week, prêt-à-porter de Nova York, Londres, Milão e Paris, além das semanas de moda
masculinas milanesas e parisienses.
O UseFashionBook é o mais novo produto do portal, um guia profissional de
desenvolvimento de produtos, informação orientada e didática, segmentada por
calçados, bolsas e acessórios,
com edição limitada, orientada para o mercado
brasileiro. É uma consultoria de moda exclusivamente para quem faz moda.
Outro serviço que o portal disponibiliza é UseFashionWap com o conteúdo de
moda para o celular, em português, inglês, espanhol e italiano. A tecnologia Wap traz
conteúdo com textos e imagens é o mundo da moda no celular. Acessando
"www.wap.usefashion.com" do celular é possível conferir as últimas novidades dos
desfiles de Milão, Nova York, Paris, Londres e São Paulo, em tempo real. É o primeiro
sistema de conteúdo de moda para celular, cujo o conteúdo do portal poderá ser
consultado gratuitamente via celular de qualquer operadora de telefonia móvel.
UseFashion PodCast. Podcasts são arquivos em áudio publicados na Internet.
Podemos ouvi-los no computador ou baixá-los para qualquer MP3 portátil. O serviço é
gratuíto. O UseFashionPodcast tem o objetivo de interagir com os profissionais de
moda. Os consultores respondem dúvidas sobre tendências, estilos, materiais, design,
entre outras informações ligadas ao mundo da moda. Para utilizar o serviço basta
preencher um cadastro no site.
Use FashionNewsletter é enviado diariamente por e-mail, uma newsletter com
informações, estratégicas sobre o que está acontecendo no mundo da moda, cultura
e comportamento. O serviço é gratuito, mediante o cadastro no portal.
98
Marcas e Lojas
Optamos por escolher aleatoriamente uma marca de expressão do estado de São
Paulo, Rio de Janeiro e do Paraná.
Ellus
A marca Ellus foi criada em 1972 em São Paulo e exerceu e exerce grande
influência na geração jovem na moda jeanswear. O marketing é um quesito muito
importante na trajetória da Ellus, sempre com catálogos inovadores e com rostos da
moda brasileira e internacional como Cindy Crawford, Milla Jovovich, Kate Moss,
Xuxa, Daniela Cicarrelli, entre outras. O site da Ellus108 disponibiliza um menu com
notícias da empresa, coleções, campanhas, espaço para imprensa, endereço das
lojas, cadastro, contato, o histórico da Ellus e o Ellus 2and floor, espaço criado em
2002 na loja da Oscar Freire em São Paulo, projeto inovador destinado a jovens
artistas, estilistas e designers. Composto inicialmente por 13 integrantes, hoje possui
mais de 50 participantes.
Morena Rosa
A marca Morena Rosa,109
iniciou suas atividades como micro-empresa no
interior do Paraná na cidade de Cianorte em 1993. Criou a marca Zinco para o público
masculino em 1997 e em 1999 criou a marca Maria Valentina para jovens senhoras.
Atualmente para a marca Morena Rosa utiliza como garota propaganda a modelo e
apresentadora Daniela Cicarelli na campanha e no seu site, disponibilizando, fotos da
coleção, informações institucionais da empresa, trabalhos de responsabilidade social,
onde encontrar a marca nas lojas multi marcas do Brasil, como trabalhar na empresa
e como entrar em contato.
Animale
A Animale inaugurou sua primeira loja em 1991 no Leblon, Rio de Janeiro.
Hoje possui mais de 10 lojas no Rio, 5 em São Paulo, 2 em Curitiba e 1 em Belo
Horizonte, com mais de 400 modelos que valorizam a sensualidade da mulher
brasileira.
No site da Animale110 encontramos as coleções, os desfiles são apresentados
em vídeo e em fotos;,
disponibilizam o telefone e os
endereços das lojas; há
possibilidade de Cadastro Online para pedido no atacado,
comprem e
para que outras lojas
revendam seus produtos; a opção Comunique-se divide-se em
oportunidade de trabalho, o fale conosco e indicar o site.
108
Disponível em: http://www.ellus.com.br. Acesso em 22 ago. 2006.
Disponível em: http://www.morenarosa.com.br. Aceso em 23 ago. 2006.
110
Disponível em: http://www.animale.com.br. Acesso em 24 ago. 2006.
109
99
Aprendizagem na rede
A aprendizagem é outra virtude da Internet, destacando-se o Ensino a
Distância, Educação Interativa a Distância, e-learning, os termos são diferenciados,
mas o processo é o mesmo. O aprendizado a distância utilizando como
111
computador. A Universidade Anhembi Morumbi
meio o
se diferencia no segmento da
moda oferecendo cursos superiores e especializações online como Design de Moda,
Marketing, Arte e Cultura, entre outros cursos. O professor online chamado de autortutor ensina na rede, conectado com outros alunos e outras máquinas, ao mesmo
tempo em que participa como educador e como espectador, de forma não-linear, a
evolução da sua própria obra-aula. Em qualquer lugar do mundo, que disponha da
rede, o aluno poderá acessar o curso e participar das aulas/temas com links para
visitação (museus, bibliotecas, shoppings, feiras), fóruns, chats, e-mails, etc.
111
Disponível em http://www.anhembi.br . Acesso em 10 ago. 2006.
100
3.3 AÇÕES DIFERENCIADAS DE COMUNICAÇÃO E MARKETING
Grifes com venda exclusiva pela web
A aposta da nova geração de estilistas
é a praticidade e o baixo custo dos
sites, que se transformam em lojas virtuais e atendem clientes em todo o país e no
mundo. Na contramão da indústria da moda, essas marcas não seguem tendências e
não respeitam o calendário oficial de coleções. A principal inspiração é a cultura pop,
traduzida em estampas de camisetas.
Para comprar uma camiseta pelo site de
qualquer dessas marcas, o procedimento é
simples: escolhe-se o modelo e o
tamanho, faz-se um depósito bancário (não possuem cartão de crédito) e espera-se a
entrega, via correio. Todo o processo pode demorar até uma semana .112
Alguns sites para comprar:
http://www.algunstormentos.com - camisetas de bandas e filmes.
http://www.somavisual.com - camisetas assinadas por jovens artistas.
http://www.punkstein.com - camisetas, bóttons, cintos, entre outros.
http://ubbibr.fotolog.com/piorski - para garotas, com muito mangás e estampas florais.
http://www.fotolog.com/andalusia - casacos e blusas, tudo sob medida.
Compra pela vitrine
A Polo Ralph Lauren113 leva a compra por impulso a um nível mais elevado,
com uma tecnologia que permite que pedestres possam comprar as roupas que vêem
nas vitrines de uma de suas lojas em Nova York, na Madison Avenue, apenas tocando
o vidro. Com uma imagem projetada de 67 polegadas mostra itens como camisas pólo
e roupas para se jogar tênis. Os consumidores podem comprar com toques de dedos
na vitrine mesmo quando a loja está fechada. A empresa está usando o alvoroço em
torno da vitrine para promover sua linha de produtos para tênis, em conjunto com o
seu patrocínio do US Open 2006.
Os consumidores interessados nos produtos exibidos na vitrine digital podem
usar o cartão de crédito em uma leitora instalada do lado de fora do vidro. O sistema
funciona com um projetor que amplia as imagens em um painel colocado dentro da
loja e com um filme sensível ao toque instalado no vidro da vitrine. A loja pretende
fazer um teste,
se a tecnologia conseguir aumentar as vendas ou gerar uma
112
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20450.shtml. Acesso em 14 ago.
2006.
113
Disponível em: http://mktdemoda.wordpress.com Acesso em 11 ago. 2006.
101
promoção significativa do nome da companhia, a empresa poderá ampliar o uso da
tecnologia a outras lojas.
Hstern Tour Virtual
No site de jóias Hstern,114 é possível fazer um tour virtual pela oficina de jóias
da empresa pioneira em valorizar as pedras brasileiras. O tour virtual descreve todos
os processos desde o design, lapidação, ourivesaria, cravação e acabamento das
jóias. No site há opção de compra de jóias e relógios mediante cadastro do usuário e a
possibilidade de pedir o produto de presente, enviando um e-mail com link do presente
escolhido.
Vicunha Stereophonics115 Mixa Som e Moda
Música e moda sempre andaram juntas; customização116 de roupa é muito
comum nos eventos, mas a customização de música foi a novidade no Lounge da
Vincunha na 21ª edição da São Paulo Fashion Week. O sistema eletrônico chamado
Stereophonics permite criar trilhas costurando samples,117 com elementos de cinco
diferentes estilos musicais (raw, vintage, fashion, luxury e basic), que resultam em
mais de 3.500 combinações possíveis, o visitante podia usar as vozes pré-gravadas
dos estilistas patrocinados pela Vicunha, Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Pedro
Lourenço, Vitor Santos, Rogério Hideki e Samuel Cirnansck falando palavras soltas,
tipo “tom”, “estilo”, "brilho", "cores", fashion".
No fim do processo, a visitante saiu com um CD exclusivo nas mãos, com uma trilha
personalizada e ainda podia escolher a capa com desenhos e estampas exclusivos
dos estilistas parceiros Cavalera, Glória Coelho e V.ROM.
Elle + São Paulo Fahion Week no celular118
A revista Elle forneceu via celular a cobertura completa da 21ª edição do São
Paulo Fashion Week, disponibilizando as seguintes informações:
- Canal Notícias: cobertura dos principais desfiles da semana. Foco nas tendências.
- Canal Bastidores/Pimenta: notícias das principais celebridades que estiverem no
evento.
114
Disponível em : http://www.hstern.com.br Acesso em 15 ago. 2006.
Disponível em: http://vicunha.com.br. Acesso em 04 jul. 2006.
116
Customização do verbo customize alterar um produto estandardizado para se ajustar aos gostos e às
preferências do indivíduo, do freguês ou do cliente, o customer
117
Amostras, modelos e/ou estilos de músicas.
118
Disponível em: http://elle.abril.uol.com.br/spfw/fw_verao_2007/celular.shtml . Acesso em 16 ago. 2006.
115
102
- Canal Galeria de Fotos: álbum de fotos dos desfiles e das principais personalidades
presentes.
- Canal Quem é Quem: com a descrição dos principais envolvidos na semana
(estilistas, maquiadores e top models).
- Testes e Enquetes: interação com o usuário com conteúdo sobre os desfiles.
- Programação: agenda dos desfiles do evento, horários e serviços de "onde
acontece", "como chegar". Forneceu vídeos de 30 segundos e 1 minuto, relatando o
principal desfile e entrevistas nos bastidores.
Para baixar as informações nos
celulares da operadora de telefonia TIM, bastava iniciar o browser WAP do aparelho e
clicar em SPFW. Nos celulares das outras operadoras precisava iniciar o WAP do
celular e digitar o endereço "wap.abril.com.br" e escolher SPFW. O custo do serviço
era a ligação local ou tarifa de dados do plano do celular.
Roupas Tecnológicas para o dia-a-dia119
A indústria da moda está desenvolvendo peças que, além de vestir, prometem
desempenhar outras funções, como combater problemas estéticos e de saúde, roupas
com repelente, para espantar mosquitos e todo tipo de inseto; roupas que não sujam;
roupas que impedem a ação dos raios ultravioleta; tênis que promete combater stress
e celulite são algumas das novidades da indústria da moda.
São calças, camisetas, camisas, lingeries e sapatos projetados para o consumidor
comum, para serem usados no dia-a-dia. Os tecidos são mergulhados em um
recipiente contendo o produto de acabamento, passando por um processo especial de
secagem e fixação e ganham as características desejadas.
Roupas Tecnológicas: mix de ficção e emoção
A empresa CuteCircuit120 trabalha com a tecnologia “Usable”, com foco no
emocional e na diversão. Os “wearables”
121
serão as ferramentas do futuro para
uma comunicação pessoal. Como uma superfície dinâmica em torno de nossos corpos
capazes de conectar-nos as pessoas e aos lugares. A ferramenta mais usada de uma
119
Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT832813-1719-3,00.html. Acesso em
24 ago. 2006.
120
Disponível em: http://www.cutecircuit.com/now/projects/wearables/. Acesso 18 ago. 2006.
121
Também chamados de computadores "vestíveis" deve ser incorporado ao espaço pessoal do wearer usuário, potencializado um uso mais integrado, sem limitar os movimentos corporais ou impedir a
mobilidade. Está sempre ligado e acessível como uma perfomance computacional que permite auxiliar o
usuário em atividades motoras e/ou cognitivas, sem, no entanto, ser considerado como uma simples
ferramenta. Funciona como uma segunda "pele", sobreposto, sendo necessário descartar dessa
classificação os implantes, as alterações genéticas e os sistemas dedicados. (DONATI, 2004, p. 94).
103
comunicação é hoje o telefone móvel,
a empresa acredita que
a tecnologia
“wearable” e o mercado da telecomunicação fundirão em um futuro não muito distante.
Alguns projetos desenvolvidos.
Hug Shirt a camisa é um acessório wearable para o telefone móvel, que
transmite a
sensação física de
ser abraçado a distância através das redes de
telecomunicação. O processo é simples, é só abraçar a si próprio e murmurar o nome
da pessoa que vai receber o carinho. Se o outro estiver vestindo peça com a mesma
tecnologia, sentirá o abraço através de sensores que simulam sensações como tato e
calor. Outra peça é a Skirteleon, uma saia camaleão com um tecido que pode mudar
de estampa quando você quiser. Um azul escuro pode se transformar num padrão
geométrico ou de desenho animado.
O vestido tomara-que-caia Mystique possui um conceito parecido, muda de
cor e comprimento, desde o joelho até o pé.
KineticDress é parte da coleção desenvolvida para o museu da ciência de
Nemo em Amsterdã. O KineticDress muda a cor
dependendo da atividade e da
temperatura. O KineticDress preto e seguindo a tendência atual com um design
inspirado na época Vitoriana. Quando usado, surgem círculos azuis móveis no seu
tecido. Por enquanto, essas roupas ainda são protótipos caríssimos, mas em futuro
não muito distante estará nos desfiles e disponíveis para o consumo.
Lançamento Rexona Crystal
A ação contou com uma passarela virtual onde foi prestigiado o trabalho de
seis novos estilistas e mais o concurso cultural na Capa com Rexona Crystal, onde as
participantes montam a sua própria capa, com foto, opções de layout e texto. As seis
capas mais votadas ganharam as roupas dos seis novos estilistas. A empresa vem se
despontando
no
campo
de
higiene
e
beleza,
através
de
seu
site,
http://www.rexona.com.br/crystal apresentando ao público o conceito Rexona Crystal,
com edição
limitada,
a criação da embalagem é dos estilistas Gloria Coelho e
Reinaldo Lourenço. A imagem do Rexona Crystal esteve presente nos principais sites
que fizeram a cobertura do evento São Paulo Fashion Week e nos blogs de moda.
104
Blog Moto-à-Porter
A Motorola122 está investindo bem alto na sua ligação com a moda na última
edição do São Paulo Fashion Week (janeiro de 2007) - a empresa lançou o hiperblog
Moto-à-Porter, com uma forma diferenciada de gerar conteúdo, informação,
tendências, comportamento, criando interatividade com o seu público e formadores de
opiniões através de seus nichos e subnichos. Foram convidados microcelebridades do
mundo dos blogs: quatro blogueiros internacionais e 14 nacionais, que postaram,
direto da Bienal, o que aconteceu no lounge da marca, nos desfiles, bastidores e nos
corredores do evento. Nomes como o francês Yvan Rodic, do Blog de moda e
tendência Face Hunter; Ami Kealoha, do Coolhunting, portal que funde arte, design,
cultura e tecnologia em suas matérias; e Michell Zappa, do site de tendências globais
de consumo, Trendwatching e os editores dos blogs brasileiros Marketing de Moda,
Runway Splash, U_Magazine, Oficina de Estilo, Fabio Resende, No Cabide, Santa
Mistura, About Fashion, Filme Fashion, Descolex, Moda sem frescura, entre outros.
A Motorola patrocinou os desfiles de Gloria Coelho e Alexandre Herchcovitch.
Gloria contribuiu com o blog e criou dois porta-celulares de luxo especialmente para a
linha de aparelhos finos da Motorola, que serão comercializados posteriormente na
loja da estilista; também desenvolveu conteúdo para celulares, incluindo protetores de
tela e papéis de parede, que estarão disponíveis para download no site
www.hellomoto.com.br.
Alexandre Herchcovitch desenvolveu papéis de parede
inspirados em sua nova coleção e ringtones123 para celulares que, podem ser baixados
no site e comemoraram o lançamento comercial do celular V185, assinado pelo
estilista. O aparelho, com capinhas intercambiáveis com imagens de caveiras, marca
registrada do estilista, estará disponíveis nas lojas da C&A, e ficou expostos, entre
outras novidades, no lounge da Motorola no evento.
122
Disponível em: http://www.motoaporter.com.br. Acesso 06 fev. 2007.
Ringtones são músicas e toques para celulares. Podem ser baixados na internet ou com cabos de
dados.
123
105
Trabalhamos com a cibercultura como sinônimo da cultura contemporânea,
relacionamos as características da moda à cibercultura e constamos que essas
características e a comunicação estão conectadas à moda e à cibercultura, a qual foi
"costurada" por diversos teóricos. Apresentamos o perfil do internauta que alimenta a
rede diariamente e encontramos a efemeridade, o individualismo e multiplicidade
abundantemente no ciberespaço e na cibercultura.
A comunicação e o marketing trabalham com essas características e
principalmente com a publicidade tradicional e online para conquistar e fidelizar o seu
público alvo, ou seja, o cliente final que vai consumir a moda efêmera e múltipla que
temos na nossa sociedade.
Apresentamos diversos exemplos de estratégias de comunicação e marketing
que só são possíveis graças às tecnologias que se multiplicam constantemente, desde
a cadeia têxtil até o meio de comunicação mais próximo do público alvo. Nos Blogs de
Moda, comunidades no Orkut, sites de consultoras de moda, portais, transmissão ao
vivo dos desfiles, milhões de fotos e vídeos, compra pela vitrine, música e moda,
celular e moda, roupas tecnológicas, diversas parcerias, entre outras inúmeras
estratégias são criadas diariamente no mundo para gerar o desejo do consumo da
moda do vestuário, acessórios, celulares, carros, geladeiras, toalhas, jogos de
jantares, eletrodomésticos, eletrônicos, casas, na arquitetura, no design, na música, na
televisão, etc. Mas lembramos a moda é democrática e nesse emaranhado de
publicidade, de nichos, subnichos, tribos, subculturas, microculturas, celebridades,
microcelebridades, era da informação para era da recomendação, enfim são inúmeras
estratégias trabalhadas e quem decide se vai consumir ou não no final, é o indivíduo
que possui esse poder.
106
4
SÃO
PAULO
FASHION
WEEK
NA
INTERNET
–
AS
ESTRATÉGIAS DO PORTAL TERRA.
4.1 Breve Histórico do Evento São Paulo Fashion Week
Os eventos de moda se apresentam sob a forma de desfiles, feiras,
acontecimentos semanais, showroons, entre outros e servem para divulgar marcas e
produtos, assim como integrar os profissionais responsáveis pela compra e venda,
editores, críticos, jornalistas, formadores de opiniões, "celebridades", ou seja, são
pessoas que impulsionam o mercado de moda.
O mercado de moda trabalha com um calendário preciso e ajustado
ás estações do ano. Todo lançamento de coleção corresponde a uma
estação definida. O lançamento de coleção sinaliza aos compradores
potenciais que a nova mercadoria sazonal está pronta para ser vista,
escolhida, selecionada e comprada para renovar o mercado.
Os profissionais que atuam no mercado de moda precisam conhecêlo profundamente e seguir as mudanças que acontecem a todo o
momento. (FEGHALI, 2006, p.143-144).
O desfile é um dos principais elementos de comunicação e marketing no
lançamento de uma coleção e ERNER complementa
Para o mundo da moda, os desfiles são o que as estufas tropicais
são para as plantas raras. É recriada, em tamanho reduzido,uma
verdadeira atmosfera, em que há apenas atores e pouquíssimos
espectadores. Em primeiro lugar, jornalistas, de todas as
nacionalidades, em seguida profissionais, os compradores de
grandes lojas, famosos atores de filmes, um nababo e alguns
magnatas, uns oligarcas, uns sobrenomes aristocráticos, umas boas
clientes. [...]
O sucesso do desfile se decide no pódio, na passarela e também no
seu redor. [...] O desfile termina, o criador aparece, acompanhando o
último número, o vestido da noiva, seguindo-o em passo ágil, como
para recuperar o tempo perdido. Aplausos, os olhares se dirigem para
as estrelas presentes na primeira fila. [...]
Todas essa cerimônia é oferecida pelo criador-estrela a um ídolo de
granito, que o ultrapassa, mas ao qual ele dá a vida: a MARCA. [...]
O criador, assim como a marca, são invenções modernas, mantidas
pelo sistema produtivo, máquina de fabricar, manter e exaltar
estrelas. (2005, p.51-52).
E toda essa espetacularização da moda/desfile é praticamente igual em
qualquer parte do mundo. O que muda são os "personagens do palco" e os seus
107
espectadores e a mídia faz o seu trabalho,
a divulgação para o consumidor. "O
espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu
instrumento de unificação". (Debord, 2003, p. 09).
Podemos acompanhar a 21ª e 22 ª edição do São Paulo Fashion Week pela
televisão ao vivo do canal da TV por assinatura GNT, além dos desfiles, reportagens
no camarim, entrevistas com estilistas, modelos, produtores, maquiadores, diretores,
editores, convidados da platéia, celebridades,etc. E no final de cada cobertura dos
eventos
recomendam ao espectador que busque mais informações no site do
programa. Essas e outras informações também são encontradas no portal Terra e em
outros sites e portais disponíveis na rede. Mas a São Paulo Fashion Week sempre foi
assim? Como e onde tudo começou?
Com a crise dos jovens estilistas, cansados da mesmice e da falta de
perspectivas profissionais, reuniram-se em clubes noturnos de
núcleos urbanos como São Paulo e nesses locais criavam seus looks
exclusivo para freqüentadores, apostando na criatividade, em
materiais alternativos e na customização, inclusive corporal, como
tatuagens e
piercings. Essas criaturas underground,
ficaram
conhecidas como clubbers, investindo o valor da autenticidade no
look autoria.De olho no crescimento do segmento juvenil e na
concorrência de seus ousados criadores, veio uma era de mega
desfiles, organizados por produtores como Paulo Borges e Carlos
Pazetto, para membros do Grupo de Moda de São Paulo. Afinal, era
nessa metrópole que os clubbers desfilavam seu visual inusitados e
onde também se localizava a indústria têxtil.(GARCIA, Ib., p. 59).
Para Palomino, "era a centelha necessária para acordar o cenário fashion
brasileiro". (Ib., p.83). Garcia, complementa:
Em 1994, percebeu-se o potencial mercadológico desses talentos
surgidos nos subterrâneos dos movimentos de estilo jovens, uma
empresa se cosméticos, A Pytoervas, foi mais além. A empresária
Cristina Arcangeli lançou o Pyhoervas Fashion, evento destinado a
organizar lançamentos fixos de inverno e verão, explorando o
potencial criativo da geração emergente. (Ib., p. 59).
O evento durou dois anos e lançou no mercado Walter Rodrigues, Alexandre
Herchcovitch, Fause Haten, Marcelo Sommer, entre outros.
Segundo, Palomino em 1995 a marca Fórum decidiu voltar-se para referência
da cultura popular brasileira com um mega desfile na estação Júlio Prestes, em São
Paulo. Foi um sucesso de vendas e na imprensa. Pela primeira vez na década,
108
discutia-se a necessidade de uma identidade brasileira na produção de moda no país.
(Ib., p.84).
Em 1996, o produtor Paulo Borges em parceria com o maior shopping center
de São Paulo e patrocinadores
criou o Morumbi Fashion Brasil que foi sucesso
absoluto na mídia. O calendário tinha como objetivo normatizar e organizar todos os
elos da cadeia têxtil do Brasil.
Para tentar consolidar a temporada brasileira, saiu de cena o Morumbi Fashion
Brasil e entrou a São Paulo Fashion Week. A primeira edição aconteceu em janeiro de
2000, com a coleção de inverno. (PALOMINO, Ib., p.90).
Hoje a São Paulo Fashion Week está na sua 22ª edição e conta com diversos
patrocinadores e com total cobertura da mídia impressa, televisiva e na rede das
redes.
Para Castilho, ao construir um calendário e ritmar a moda em solo nacional a
São Paulo Fashion Week extravasa os limites geográficos de difusão estabelecidos a
priori, construindo, para marcas que orbitam ao seu redor, um mundo com caráter de
sugestão aberta, onde corpos podem se projetar e, sobretudo, onde podem evoluir.
(2006, p.88).
A cobertura do evento é realizada pelo Portal Terra, o qual possui arquivos
com imagens e vídeos dos eventos desde o ano 2000.
4.2 Análise do Evento São Paulo Fashion Week como processo midiático no
Portal Terra
4.2.1 20ª Edição
São Paulo Fashion Week - 10 anos (de 18 a 25 de
janeiro/2006) - Coleção Outono- Inverno - Figura 2.
4.2.2
21ª Edição São Paulo Fashion Week ( de 12 a 18 de julho/2006) Coleção Primavera-Verão - Figura 3.
109
Figura 2. 20ª Edição São Paulo Fashion Week Inverno 2006
110
Figura 3. 21ª Edição São Paulo Fashion Week Verão 2007
111
4.3 Metodologia da Pesquisa
Optamos pelo método do estudo exploratório no da São Paulo Fashion Week,
no Portal Terra, tendo como corpus da pesquisa a cobertura da 20ª edição Inverno
2006124 e 21ª edição Verão 2007125. Segundo Duarte, os estudos exploratórios tratam
de conceitos, percepções ou visões para ampliar conceitos sobre a situação analisada.
(2005, p. 64). Escolhemos a pesquisa qualitativa que procura intensidade nas
respostas, não-quantificação ou representação estáticas. Duarte define a pesquisa
qualitativa "como a busca de informações, percepções e experiências de informantes
para analisá-las e apresentá-las de forma estruturada". (Op. cit., p. 62).
Trabalhamos com uma entrevista semi-aberta, com um roteiro de questõesguia que dão cobertura ao interesse da pesquisa. Uma entrevista-semi aberta
geralmente tem algo entre quatro e sete questões, tratadas individualmente como
perguntas abertas. (Op. cit., p.66). Nossos objetivos eram: analisar se há inovações ou
repetições na comunicação do evento São Paulo Fashion Week 20ª e 21ª edições no
Portal Terra, e como essa comunicação é vista pelos profissionais e estudantes dos
cursos de moda, jornalismo e webdesign.
Seleção dos entrevistados
Escolhemos fazer um paralelo com os entrevistados profissionais graduados
em moda, jornalismo e webdesign, que atuam no mercado de trabalho com os
estudantes das respectivas áreas. Segundo, Duarte:
Nos estudos qualitativos, são preferíveis poucas fontes, mas de
qualidade. [...] está mais ligada à significação e à capacidade que as
fontes têm de dar informações confiáveis e relevantes sobre o tema
da pesquisa.[...] entrevistando pequeno números de pessoas,
adequadamente selecionadas, fazer um relato bastante consistente
sobre um tema bem definido. relevante, é que as fontes sejam
consideradas não apenas válidas, mas também suficientes para
responder à questão da pesquisa [...]. (Op. cit., p. 68).
A seleção dos entrevistados foi intencional : escolhemos aleatóriamente 15
profissionais e 15 estudantes da área de Moda, Jornalismo e Webdesign ( 05 de
cada área) de diversas regiões do país.
124
125
Disponível em: http://moda.terra.com.br/spfw2006inverno/ Acesso dia 11 set. 2006.
Disponível em: http://moda.terra.com.br/spfw2007verao/ Acesso dia 11 set. 2006.
112
A pesquisa foi divulgada em duas partes :
Primeiramente divulgada no dia 26 de fevereiro de 2007 no blog Espaço da
Moda, em 15 comunidades do Orkut ligadas a moda, jornalismo e webdesign, através
de 35 recados(scraps) no orkut para amigos, 45 scraps para ex-alunos. Mas as
respostas não estavam chegando, então resolvemos divulgar novamente em outros
meios. A segunda parte da pesquisa foi divulgada no dia 12 março com o envio de 35
convites por e-mail para profissionais, 40 e-mail para ex-alunos, 15 e-mails para
correspondentes e 15 e-mails para os colunistas do Portal da Moda Brasil. O critério
para encerramento da pesquisa foi o recebimento das 30 primeiras respostas no dia
23 de março de 2007.
Na área da moda entrevistamos estilistas, lojistas/vendedores, tecnólogos em
moda e estilo, empresários, modelos, relações públicas, fotógrafos e estudantes da
Universidade de Caxias do Sul, Universidade Federal do Paraná, Universidade
Federal de Pernambuco, Universidade Tuíuti do Paraná, Unicenp/Pr, Universidade
Estadual de Londrina, Anhembi Morumbi/SP e da Universidade de São Paulo.
Na área de Comunicação Social entrevistamos profissionais e estudantes de
jornalismo e relações públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Feevale/RS, Universidade de Passo Fundo/RS, PUC/Pr, Universidade Tuíuti do
Paraná,
Uniandrade/Pr e da PUC/SP. Já na área de Webdesign entrevistamos
profissionais e estudantes dos cursos de Design Industrial, Desenho Industrial e
Webdesign da Univali/SC, PUC/Pr, Faculdade Opet/Pr, Cefet/Pr, Universidade Tuíuti
do Paraná e Metodista SP.
Embora não fosse o intuito da pesquisa, mas acabamos gerando uma amostra
representativa de profissionais e estudantes da região sul e sudeste do país.
Instrumento de Coleta e Consolidação
Utilizamos a internet através do Messenger, Skype, e-mail, Orkut e Blog
dependendo da disponibilidade do entrevistado. A pesquisa foi realizada de 26 de
fevereiro a 23 de março de 2007, no formato de questionário e logo depois,
compiladas. Quando o pesquisado teve alguma dúvida ocorreram esclarecimentos via
Messenger e Skype.
113
Divulgação e retorno da pesquisa :
Modelo: Convite
Se você é um profissional ou estudante da área de Moda, Jornalismo, Webdesign ou áreas a
fins que goste de moda, colabore com a minha pesquisa.
Para conclusão da minha dissertação de mestrado: A Moda na Cibercultura: efemeridade,
individualismo e multiplicidade na comunicação, preciso aplicar uma pesquisa com entrevista
qualitativa e semi aberta no objeto estudo o evento São Paulo Fashion Week, sua 20ª e 21ª
edições no Portal Terra.
Observando as transformações da passagem do evento para o contexto da internet e de que
maneira acontece a comunicação do evento em relação à moda na web.
Traçaremos um paralelo com entrevistados profissionais, ou seja, que atuam no mercado de
trabalho com os estudantes de Moda, Webdesign e Jornalismo.
Concordando em participar seu nome poderá ser mantido em sigilo.
O questionário que dividi-se em 2 partes:
1. Conhecendo o entrevistado.
2. Pesquisa por tarefas com 11 questões abertas e fechadas de análise do site.
Para receber o questionário envie um e-mail para [email protected]
Sua colaboração é muito importante para a conclusão deste trabalho. Participe!
Mais informações estou à disposição.
Consolidação Divulgação, solicitações e retorno geral da pesquisa.
15 Comunidades no orkut
Membros Solicitou pesquisa
Retornou Pesquisa
Arte & Moda
379
0
0
Cibercultura UTP
20
0
0
32.039
1
1
91
0
0
Estudantes de Jornalismo
12.843
8
2
Estudantes de Moda
12.498
1
1
84
2
1
I love Fashion
3.803
1
0
Jornalismo de Moda
4.742
0
0
Minha Moda Faço Eu
18.798
1
0
Moda
31.429
2
0
28
3
2
5.586
0
0
Design Brasil
Design de Moda UTP
Fashion Bubbles
Opet Web
Pesquisa em Comunicação
114
Produção de Moda
3.346
1
0
Profissionais de Comunicação
18.798
0
0
Total
20
7
Total de Profissionais
8
2
Total de Estudantes
12
5
Blog Espaço da Moda
Quantidade
Retorno pesquisa
Profissionais que solicitaram a pesquisa
2
1
Estudantes que solicitaram a pesquisa
2
0
Quantidade
Retorno pesquisa
Profissionais - Amigos
35
6
Estudantes - Ex-alunos
45
6
Quantidade
Retorno pesquisa
Profissionais
8
2
Estudantes
12
5
Quantidade
Retorno pesquisa
Colunistas
15
1
Correspondentes
15
0
Quantidade
Retorno pesquisa
Profissionais
35
13
Estudantes
40
5
Total de Convites enviados e retorno pesquisa.
209
39 = 18% de retorno
Convites: Orkut através de Scraps
Convites: Orkut através das Comunidades
Convites por e-mail: Portal Moda Brasil
Convites por e-mail: Amigos e ex-alunos
Enviaram respostas após a consolidação
Profissionais
6
Estudantes
3
Consolidação Geral dos Entrevistados:
Com o critério recebimento das 30 primeiras respostas.
Descrição
Orkut/comunidades Orkut/scraps
Blog
E-mail
Total
Profissional
Moda
1
2
0
2
5
Jornalista
0
1
0
4
5
Webdesign
1
1
1
2
5
1
2
0
2
5
Estudantes
Moda
115
Jornalista
2
2
0
1
5
Webdesign
2
2
0
1
5
7
10
1
12
30
Total
Formulação das Hipóteses
A partir da pesquisa exploratória e dos conceitos desenvolvidos, chegou-se à
construção das seguintes hipóteses para análise do objeto de estudo.
Hipótese 1
Com o desenvolvimento e acessibilidade da internet, as informações sobre o sistema
da moda são inovadoras e também se repetem na cobertura do evento São Paulo
Fashion Week 20a. e 21a. Edição. A forma da comunicação é a mesma, mudando
apenas as cores da estação, as chamadas sensasionalistas, com grande destaque
para os famosos e apresentações diferenciadas nos desfiles, por exemplo, encerrando
os desfiles com chuva e mulheres nuas. Mas será que o profissional e os estudantes
conseguirão visualizar essas diferenciações? Acreditamos que o profissional possua
uma visão mais aprofundada, mais específica da sua área diferenciando-se da visão e
da opinião dos estudantes.
Hipótese 2
A tecnologia proporcionou inovações que antes não possuíamos, como assistir os
vídeos dos desfiles, participar de enquetes, imprimir fotos, entre outros serviços
oferecidos no portal. Acreditamos que os profissionais e os estudantes vão valorizar
esses serviços e a comunicação da moda na cibercultura.
Hipótese 3
Os profissionais e estudantes de cada área farão análise com foco na sua formação,
ou seja, os de moda focaram mais nas roupas/moda, os jornalistas/estudantes na
comunicação e os webdesigners no design, na estrutura do site.
116
4.4 Análise dos Resultados
Área Moda
100% dos entrevistados acessam a internet a mais de 5 anos, 70% acessam
todos os dias e 30% mais de 4 de dias na semana. Utilizam a internet para acessar emails, para se comunicarem, para compras, ferramentas de busca e para informações.
Na questão primeira impressão do site os profissionais e os estudantes
destacaram o excesso de informação, mas um site fácil de navegar.
“Muita informação, tudo muito agrupado e “apertado”, sensação de
superficialidade bem como de poucas fotos em relação à totalidade
dos desfiles. Ênfase nas celebridades e não na moda, mais para as
colunas de fofocas. No site do Verão o agrupamento de informação
foco em possíveis polêmicas e curiosidades como nudez,
transparências, decotes e famosos. Análise fraca das coleções. As
imagens selecionadas não são as melhores da coleção, mas as que
apresentam características que as deixam “curiosas”.”
Ana Paula Miranda, Especialista em Consumo, Doutora em
Administração/USP. (Entrevista março, 2007)
Os estudantes de moda não conseguiram visualizar o destaque para a
comunicação da nudez, para os famosos, para as fofocas e curiosidades.
Quanto à percepção da estrutura do site os profissionais e os estudantes
visualizaram a mesma estrutura e de fácil visualização.
Na questão diferenciação da cobertura Verão/Inverno os profissionais disseram
que a forma de divulgar do site é a mesma, sem diferencial mudando apenas a
coleção e as cores. Os estudantes viram pelo lado da roupa, tendências.
“A diferença está basicamente no estilo das roupas e organização do
evento, sendo mais leve e “vaporoso” no verão, e mais sóbrio no
inverno. As atrações dos eventos também são diferenciadas levando
em conta o clima. A intenção parece ser fazer com que as pessoas
vivenciem o clima.”
Estudante, lojista.
(Entrevista março, 2007)
Com relação a inovação no site os profissionais destacaram a possibilidade de
assistir os vídeos, a atualização constante, já uma das entrevistadas diz:
“Não há nada de inovador, pois os sites oficiais sempre mostram
praticamente as mesmas coisas’’
Dionéia Mendes, Empresária na área de Eventos de Moda.
(Entrevista fevereiro, 2007)
117
Os estudantes também destacam os vídeos e ressaltam as enquetes, onde o
público pode participar e dar sua opinião que não foi citada pelos profissionais de
moda.
Quanto ao destaque a tecnologia proporcionou para a rapidez nas informações,
como exige o mundo da moda, na visão dos profissionais e dos estudantes.
“A moda se tornou de mais fácil acesso: qualquer um pode ficar
sabendo do que acontece no SPFW que antes era um evento muito
mais “pomposo” e com menor visualização. Ou você ia até lá ou
esperava para comprar a revista Caras Moda para ver como tinha
sido e quais eram as propostas. Hoje em dia basta se conectar para
ter acesso. Para divulgar uma marca também, há infinitas
possibilidades pela internet. Me utilizo muito do orkut, por exemplo,
para divulgar e apresentar o meu trabalho às pessoas de forma
gratuita. E percebo que funciona.”
Camiss Lee, Estilista, empresária da própria marca Veludo Azul.
(Entrevista março, 2007)
A avaliação da cobertura dos eventos foi bem diversificadas: alguns
profissionais acham fraca e superficial, com foco para a massa, outros acham na
medida, os estudantes acham abrangente, mas de maneira geral boa.
Área Comunicação Social
100% dos entrevistados acessam a mais de 5 anos e diariamente a internet.
Na questão primeira impressão do site e na estrutura os profissionais e
estudantes tiveram a mesma percepção, um site de informação, são similares.
O que diferencia um evento do outro para os profissionais jornalistas e para o
estudantes se resumem nas coleções e nas cores.
“Talvez por ter visitado os endereços brevemente tenha tido a
sensação de que eles são praticamente iguais, seja na estrutura ou
no conteúdo, uma vez que títulos e fotos se repetem. Além disso, a
lista lateral de grifes que desfilaram também está colocada em ambos
os sites na mesma posição. O que talvez diferencie de forma mais
gritante é a adoção das cores, pois o site do São Paulo Fashion
Week de inverno usa cores azuladas, tons frios, que remetem
imediatamente à baixas temperaturas. O site de verão, valoriza os
tons de terra e amarelo e assim “esquenta” a temperatura do próprio
site”.
Ana Paula da Rosa, Jornalista e professora
(Entrevista março, 2007)
118
Para os profissionais, o que mais se repete no site é a própria estrutura de
informação, a forma de disponibilizar as fotos, a repetição nos temas das notícias. Os
estudantes tiveram um olhar; voltado para o conteúdo, com a divulgação das pessoas
mais famosas, celebridade em primeiro lugar e as inúmeras enquetes realizadas no
site.
Os profissionais e estudantes não viram nada de inovador no site, alguns
destacam os vídeos e o grande número de fotos.
A tecnologia na visão dos profissionais e dos estudantes é positiva,
proporcionando rapidez, acesso a informação e aos destiles.
“A tecnologia propícia que recortes do desfile sejam “eternizados” de
maneira muito mais detalhada e duradoura do que quando a
comunicação contava apenas com a cobertura impressa, radiofônica
e televisiva. É possível reviver parte do SPFW, mesmo que em um
tempo distante do fato, por meio do que os responsáveis pelo site
elegeram como os principais momentos do evento e disponibilizaram
na rede das redes”.
Vanessa Souza, Jornalista e estilista da marca de bolsas Felicity.
(Entrevista março,2007)
“A tecnologia inovou o mundo, não somente na moda, mas em tudo.
Os desfiles ganham mais qualidades técnicas e a comunicação
ganha a agilidade da Internet. A gente pode assistir ao desfile pela
Internet e ver as fotos do evento na mesma hora em que acontece”.
Carina da Silva, Estudante de Jornalismo, Feevale.
(Entrevista fevereiro,2007)
Os profissionais destacam o blog com uma boa fonte comunicação e de
pesquisa de moda e o Orkut como um canal para conhecer pessoas, pois não
aprofunda sobre o tema. Os estudantes responderam de maneira geral que a rede
possibilita a expressão de idéias, informação e aumento da visibilidade.
Os profissionais avaliam a cobertura do evento como boa, informativo, um site
completo. Apenas um profissional avalia como fraca.
“Avalio como fraca, eficaz no sentido de mostrar imagens, mas fraca
em conteúdo e em atração, pois o leitor não se sente motivado a
buscar as informações, ainda mais quando o site demanda de tantos
cliques para que possa ser lido e visto. Falta um aprofundamento dos
temas, uma interpretação daquela coleção e de como poderá ser
usada por pessoas que estão fora das passarelas. O site me parece
um apanhado do evento que reproduz o já visto, o já feito pelos meios
tradicionais. Além disso, com a quantidade de recursos existentes na
web seria possível melhorá-lo a fim de tornar o site mais envolvente,
119
com banners em movimento, espaços para discussão e sem a
repetição de temas e ângulos de cobertura”.
Ana Paula da Rosa, Jornalista e professora
(Entrevista março, 2007)
Os estudantes avaliaram a cobertura do evento de maneira geral boa,
completa, mas uma estudante sugere um toque a mais.
“Acho que tudo que estava em evidência no evento está no site, mas
falta um toque a mais. Existe muita atenção para as pessoas mais
famosas esquecendo de falar de outras coisas mais ligadas ao tema”.
Carina da Silva, estudante de Jornalismo, Feevale.
(Entrevista fevereiro, 2007)
Área Webdesign
Com relação ao tempo de uso da internet 20% das entrevistas usam há mais
de 3 anos e 80% há mais de 5 anos, sendo que 90% acessam a internet todos os
dias e 10% mais de 4 dias na semana.
Os profissionais e os estudantes perceberam a estrutura do site da mesma
maneira, padrões semelhantes, viram banners de publicidade que se destaca no
evento do verão.
O que diferencia um evento do outro na visão dos profissionais e dos
estudantes são as cores e as roupas. Um estudante percebeu mais patrocinadores no
evento do verão. De maneira geral são quase iguais.
“Quase nada, são praticamente iguais. O tópico “DESFILES” na
edição de Inverno, é bem mais direto que a tópico “PROGRAMAÇÃO”
na edição de verão”.
Francisco Júnior, estudante de Webdesign, Faculdade Opet.
(Entrevista fevereiro,2007)
Os profissionais de webdesign dizem que a imagem/identidade do evento está
ligado à imagem do Portal Terra e não à de um evento de moda; possui a imagem de
um site de informação e sugerem que poderiam ter mais recursos visuais que o
identificassem com o mundo da moda. Os estudantes possuem uma visão mais
emocional, como calma, euforia, seriedade com uma tentativa de sofisticação, luxo,
beleza, jovialidade e novidade.
120
Com relação ao que se repete no site, os profissionais destacam o excesso de
fofocas, famosos, a sensualidade das modelos e o layout padrão. Os estudantes
destacam ainda a predominância das cores laranja e preta, os menus e as estruturas
são iguais e as fotos; um estudante disse que nada se repete.
No quesito inovação na comunicação do evento foi a possibilidade de assistir
aos desfiles e a publicidade no site do evento verão que foi percebida pelos
profissionais e estudantes.
A tecnologia proporcionou acesso a informações da moda em tempo real,
acessos aos vídeos, fotos na opinião dos profissionais e dos estudantes.
A comunicação da moda nas redes sociais, nos blogs e na rede é vista como
positiva e democrática para os profissionais e para os estudantes.
“A comunicação da moda é vista como característica do aspecto
democrático da internet existe um caos, onde se encontra muito
material ruim, mas ao mesmo tempo, sabendo garimpar, se encontra
muita informação útil na internet. O fenômeno do orkut e blogs,
apareceu como uma forma alternativa de divulgação e até venda de
produtos, sem custo adicional para quem produz”.
Leandro Maman, Design Industrial, Univali,
atua no segmento da moda na criação
de estampas e comunicação.
(Entrevista fevereiro,2007)
“Como em todos os outros campos de atuação, a moda também
ganhou com os meios de comunicação via Internet em que o usuário
pode interagir, participar e expressar suas opiniões, agregando mais
adeptos e estreitando o relacionamento entre os usuários e
profissionais da área”.
Estudante de Design Industrial, PUC/Pr.
(Entrevista fevereiro, 2007)
Na questão sobre a avaliação da cobertura do evento as respostas foram
diversas: os profissionais acham adequada levemente aprofundada, mas carente de
design, ótima no contexto de conteúdo.
Não vejo uma diferença muito grande com relação à outra seção de
notícia do mesmo site. Acho que nas chamadas existe um foco
desnecessário em notícias como “você viu que ficou aparecendo o
peito da modelo tal”, notícias que remetem ao universos de notícias
de fofoca, o que considero ruim. Gostaria de um foco maior nas
informações técnicas sobre moda e tendências.
Leandro Maman, Design Industrial, Univali,
(Entrevista fevereiro,2007)
121
Já os estudantes de maneira geral julgaram a cobertura positiva, bastante
completa, abrangente, mostrando alguns detalhes e tem link para principais
destaques. Apenas um estudante considera muito fraca e desorganizada.
Conclusão dos Resultados da Pesquisa
Apresentamos uma análise com foco nas características Efemeridade (E),
Individualidade (I) e Multiplicidade (M) escolhidas para o trabalho que foram
encontradas nas respostas dos entrevistados de cada área juntamente com a
validação ou anulação das hipóteses 1, 2 e 3.
MODA
Primeira impressão do site
Características: (I) (E) (M)
OS profissionais de moda destacam o
excesso de informação,(M) ênfase nas
celebridades, na nudez e não na moda. (E) (I)
Os estudantes também destacam o excesso
de informação,(M) mas não percebem o
destaque para a comunicação da nudez,
fofocas e celebridades.(I)
Estrutura do Site
Hipótese (H)
Validada H1
Visão diferenciada profissionais e
estudantes
Características: (I)
Hipótese
Os profissionais e os estudantes visualizam
que o site possui a mesma estrutura e acham
de fácil visualização e navegação.
Cobertura do Evento
Características: (I) (E) (M)
Anula H1
Possuem visões iguais.
Os profissionais e estudantes acham a forma
de divulgar é a mesma (I)
Os profissionais visualizam pelas cores (E, M)
Os estudantes pelas roupas (E, M)
Inovação/Tecnologia cobertura do evento
Anula H1
Características: (I) (E) (M)
Hipótese
Os profissionais destacam os vídeos dos
desfiles e atualização constante (I, E,M)
Os estudantes destacam os vídeos e
ressaltam outros serviços como as enquetes,
direto de NY, você repórter (I, E, M)
Comunicação da Moda nas redes sociais
Características: (I) (E) (M)
Validada H2 valorizam a tecnologia
Os profissionais e os estudantes vêem de
forma positiva e utilizam sites, blogs, orkut
entre outros (I, E, M).
Validada 2
Hipótese
Validada H1
Validada H3 análise pela formação.
Valida H2
Anula H1
Hipótese
122
COMUNICAÇÃO SOCIAL
Primeira impressão do site
Características: (I) e (M)
Os profissionais e os estudantes tiveram a
mesma percepção: um site de informação
Estrutura do Site
Hipótese (H)
Anula H1
Validada H3
Características: (I)
Hipótese
Os profissionais e os estudantes visualizam
que o site possui a mesma estrutura e acham
de fácil visualização e navegação.
Cobertura do Evento
Características: (I) (E) (M)
Anula H1
Os profissionais dizem que o que mais se
repete no site é estrutura da informação, a
forma de disponibilizar as fotos, a repetição
nos temas nas noticias e se diferencia pela
cor.
Os estudantes tiveram outra percepção
voltada para as celebridades, “paparazzi”, e
cores da estação.
Inovação/Tecnologia cobertura do evento
Validada H1
Características: (I) (E) (M)
Hipótese
Os profissionais e estudantes não viram nada
de inovador no site, alguns destacam os
vídeos e o grande números de fotos, a
possibilidade de inteiração com o usuários
através das enquetes, vêem a tecnologia de
forma positiva proporcionando rapidez na
informação.
Comunicação da Moda nas redes sociais
Anula H1
Validada H2 e H3
Características: (I) (E) (M)
Hipótese
Os profissionais e os estudantes vêm de
forma positiva e crescente
Validada H2
Hipótese
Anula H1
Validada H3
WEBDESIGN
Primeira impressão do site
Características: (I) e (M)
Hipótese (H)
Os profissionais e os estudantes perceberam o Anula H1
site da mesma maneira com muita informação
Estrutura do Site
Características: (I) (M) (E)
Os profissionais e os estudantes visualizam
que o site possui a mesma estrutura e acham
de fácil visualização, destaque para as cores e
para a publicidade.
Hipótese
Anula H1
Possuem visões iguais.
Validada H3
123
Cobertura do Evento
Características: (E) e (M)
Hipótese
Os profissionais perceberam que o evento
Validada H1 e H3
está ligado a imagem do portal Terra, e não de
um evento de moda, um site de informação. O
que se repete é o apelo a sensualidade,
famosos.
Os estudantes viram pelo aspecto emocional,
o site transmite, calma, seriedade, luxo,
beleza, jovialidade e novidade.
Inovação/Tecnologia cobertura do evento
Características: (I) (E) (M)
Os profissionais e os estudantes destacam
os vídeos dos desfiles e a cobertura completa
do evento. (I, E,M)
Comunicação da Moda nas redes sociais
Hipótese
Validada H2
Características: (I)
Os profissionais e os estudantes vêem de
forma positiva e democrática.
Hipótese
Validada H 2
Concluímos que a individualidade está presente na percepção de cada
entrevistado, independente da sua formação e em alguns casos se diferencia
profissionais dos estudantes.
A efemeridade está presente atualização das informações e também no
excesso, na visualização das informações relacionadas as celebridades, famosos,
que foi observada pelos profissionais de moda e web e estudantes de jornalismos.
A multiplicidade se apresenta nas inúmeras percepções, opiniões e na cobertura do
evento, através das fotos, dos vídeos, das enquetes e da inteiração (respondendo as
enquetes, escolhendo as fotos, os vídeos) dos usuários.
Hipótese 1 e Hipótese 3
Em alguns tópicos conseguimos validar a H1 onde profissional possui uma
visão diferenciada da dos estudantes, como por exemplo, os profissionais de
webdesign dizem que a imagem/identidade do evento está ligado a imagem do Portal
Terra e não a de um evento de moda, pois possui a imagem de um site de informação
e sugerem que poderiam ter mais recursos visuais que os identificassem com o mundo
da moda. Os estudantes de webdesign já possuem uma visão mais emocional do site,
como calma, euforia, seriedade com uma tentativa de sofisticação, luxo, beleza,
jovialidade e novidade. Mas não possuem a mesma visão dos jornalistas que acham
que a imagem/identidade de um site de informação, carregado e que poderia ser mais
124
“clean”. Já os estudantes de jornalismo acham que ele transmite a imagem de
novidade, o mundo da moda passando a imagem de informação, ainda que muito
poluído.
Os profissionais da moda acham que o site transmite a imagem/identidade de
informação superficial voltada para o público com baixo envolvimento com moda e alto
envolvimento com fofocas de celebridades, fala mais sobre as atrações do que das
criações, tecidos, pesquisas, enfim é um site fofocas. Os estudantes de moda acham
que transmite, beleza, poder - por mostrar mulheres sempre bonitas e bem vestidas,
mostra a mulher de bem com ela, tudo é pasteurizado, ou seja, a mesma cobertura e
da mesma forma em ambos, mudando apenas alguns personagens. Validamos aqui a
H3, foco na formação de moda.
Neste tópico a imagem/identidade que a cobertura do evento transmite,
percebemos que podemos validar a H3, pois cada profissional faz uma
analise
baseado na sua área de formação.
Os profissionais de moda juntamente com os estudantes de jornalismo e de
webdesign visualizaram o destaque no evento para os famosos, celebridades, com
foco nas fofocas, mas os profissionais de jornalismo, de webdesign e os estudantes de
moda, não tiveram essa percepção, nesse tópico a H1 é anulada.
Os profissionais e os
estudantes de todas as áreas não comentaram o
diferencial no encerramento dos desfiles com a chuva por Sommer (Outono/Inverno
2006) e mulheres nuas por Cavalera (Primavera/Verão 2007) especificamente, sendo
uma inovação no desfile e destaque na comunicação dos eventos, uma das questões
da H1 que não foi percebida.
Hipótese 2
A H2 foi validada a tecnologia e a comunicação da moda foi avaliada de forma
positiva pelos profissionais e estudantes, com
destaque para a velocidade das
informações, transmissão dos vídeos dos desfiles, inúmeras fotos, abrangência,
facilidade de comunicação e interação através dos inúmeros blogs, comunidades no
orkut e sites de moda na cibercultura.
125
Concluímos que as características efemeridade, individualismo e multiplicidade
também estão presentes nos entrevistados e na cobertura do evento independente da
sua formação, profissional ou estudante.
A cobertura da São Paulo Fashion Week no porta Terra trata-se de um
fenômeno que está no circuito comunicação-moda-cibercultura, utilizando-se mais de
um fator social através dos vídeos, enquetes, fotos, entrevistas, entre outros, do que
propriamente
um
caráter
estético
ou
diretamente
relacionado
com
a
roupa/indumentária em si. Isso então o estabelece dentro da cultura contemporânea e
do sistema da moda.
A cobertura do evento está envolvida desde a produção até a divulgação como
também ocorre nos outros portais que fazem a cobertura do evento (UOL, IG, Globo,
etc.) os quais estão se apropriando das tendências comunicacionais tecnológicas,
como os blogs, as transmissões simultâneas dos desfiles, etc. Eles ainda parecem
estar presos à cobertura tradicional da mídia de massa, não entrando muito na
segmentação, na cauda longa de (ANDERSON, 2006) ainda parece uma transposição
das mídias tradicionais, mas no portal podemos ver alguns indícios que estão abertos
aos novos recursos, como por exemplo na edição primavera/verão 2007 onde
disponibilizaram a mega enquete para a escolha da melhor top, melhor decote,
acessório, peça mais bizarra, melhor biquíni, look feminino, masculino e quem fez
falta, o fale conosco, para enviar sugestões ao canal. Mas não encontramos nenhuma
cobertura do evento que deixasse o próprio usuário contribuir, como por exemplo na
produção do conteúdo, de fotos, um espaço onde ele pudesse participar inteiramente.
Esta é a nova tendência chamada de Web 2.0. Encontramos na cobertura do evento
primavera/verão 2007 no meu menu interno um ícone Vc Reporter126 explicando que é
o canal de jornalismo participativo do Terra e convidando o usuário para colaborar com
informações sobre o seu cotidiano e sua comunidade. Mas nenhuma matéria foi
divulgada sobre o
evento São Paulo Fashion Week e também não visualizamos
nenhuma divulgação interna mais atrativa.
Um exemplo da WEB 2.0 que podemos ressaltar é o caso do hiperblog da
Motorola que fez a cobertura do evento, da empresa Melissa com a campanha Create
Yourself, do lançamento do Rexona Crystal, entre outras que virão.
126
Disponível em : http://www.terra.com.br/vcreporter/ Acesso em 24 abr. 2007.
126
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a (re)evolução da tecnologia e das novas mídias, revelou, sem dúvida,
uma imensa viagem social e cultural. Surgiram novas formas de negócios, novos
consumidores, novas artes, formas de relacionamento e novos meios de comunicação
onde podemos abranger o global e o local ao mesmo tempo, encontramos o
ciberespaço.
A moda faz parte desse mundo como expressão social, como arte, como
efemeridade,
individualismo,
multiplicidade,
tecnologia,
meio ambiente,
como
comunicação, formando novas comunidades sociais, novas culturas, novos nichos e
contribuindo para o enriquecimento da cibercultura.
Temos consciência que a tecnologia ainda é muita cara e inacessível para
muitas pessoas, mas é uma crescente constante. A banda larga contribui para essa
evolução na comunicação, na transmissão de dados e na ampliação das relações
sociais.
Trabalhamos com a cibercultura como sinônimo da cultura contemporânea e
conseguimos relacionar a moda, a cibercultura e a comunicação que foi a base dessa
conexão, a qual
foi analisada a partir do olhar de teóricos distintos, sejam eles
entusiastas como Lèvy, práticos como Baudrillard, objetivos como Lipovetsky,
tecnicista como Lemos, analíticos como Rüdger,
a socialidade e as tribos de
Maffesoli, a interface e a conectividade de Johnson, a cauda de longa de Anderson,
etc.
A efemeridade da moda é absorvida na cibercultura, essas mudanças,
novidades aconteciam com menos freqüência e demoravam a chegar, bem diferente
do que acontece hoje. Com o avanço da tecnologia todo sistema da moda, as
organizações em geral e nós podemos "copiar", "transformar", "adaptar", "criar" ou
“recriar”. Essas transformações podem ser realizadas por todos os usuários, basta ele
querer.
Observamos que o indivíduo é “bombardeado” pela comunicação de massa e
também pela comunicação dirigida, mas ele também pode criar a sua moda e a sua
individualidade, se quiser. Os outros, a "massa" em si, não questiona, simplesmente
absorve e consome o que é mais fácil pra ele, tornando-se mais um perante a
multidão.
A efemeridade e a individualidade da moda estão conectadas a multiplicidade
da comunicação de informações, imagens, textos, áudios e vídeos que a rede e o
127
ciberespaço disponibilizam aos usuários. A tecnologia é utilizada como ferramenta
para democratizar a comunicação e influenciar o comportamento do consumidor,
destaque especialmente paras as consumidoras mulheres que se destacam em
diversos nichos e segmentos da sociedade. Trabalhamos com o conceito de Anderson
(2006) da cauda longa, onde o sistema da moda utiliza todos os artifícios da
cibercultura, do marketing e da comunicação para gerar necessidades, satisfações,
desejos, estímulos de consumo com foco no seu público-alvo, chegando ao
consumidor final através da mídia de nicho e subnichos.
A multiplicidade, a efemeridade e a individualidade da moda estão presentes
no ciberespaço, na cibercultura, com inúmeras tribos, subculturas, microculturas,
através da disponibilização do “tudo”, mas precisamos fazer o indivíduo encontrar o
que queremos. Estamos na era da informação se deslocando para a era da
recomendação através dos nichos.
Apresentamos vários
exemplos de ações e estratégias que "alinhavam" a
moda com a cibercultura com as características escolhidas para esta pesquisa. E
essas
estratégias de comunicação e marketing
só são possíveis graças às
tecnologias que se multiplicam constantemente, na cadeia têxtil, nas confecções, na
criatividade dos estilistas, chegando ao lojistas e ao meio de comunicação mais
próximo do público alvo, e/ou ao nicho a qual ele pertença. Exemplos como os blogs
de moda, comunidades no Orkut, sites de consultoras de moda, portais, transmissão
ao vivo dos desfiles, milhões de fotos e vídeos, compra pela vitrine, músicas,
celulares, roupas tecnológicas, diversas parcerias, entre outras inúmeras estratégias
são criadas diariamente no mundo para gerar o desejo do consumo da moda no
vestuário, acessórios, celulares, carros, geladeiras, toalhas, jogos de jantares,
eletrodomésticos, eletrônicos, casas, na arquitetura, no design, na música, na
televisão, etc.
A moda é democrática e nesse emaranhado de publicidade, de nichos,
subnichos, tribos, subculturas, microculturas, celebridades, microcelebridades, era da
informação para era da recomendação, enfim são inúmeras estratégias trabalhadas e
quem decide se vai consumir ou não, no final é o indivíduo.
Com a pesquisa aplicada no objeto de estudo a cobertura da São Paulo
Fashion Week no portal Terra, concluimos que a segmentação, o nicho e seus
subnichos são múltiplos e que independente da sua formação o indivíduo possui a sua
visão específica na análise da comunicação do evento de moda. Às vezes ela está de
acordo com a sua formação, mas outras vezes não. Todos os entrevistados tiveram a
128
percepção dos benefícios da tecnologia destacando a velocidade das informações e o
serviço da transmissão dos defiles através da internet.
Esse estudo proporcionou visões para diversos desdobramentos futuros como
no mundo dos blogs estudado por (RECUERO, 2003; SCOTT, 2004; QUADROS,
2005) e esse fenômeno que despertou
o interesse de diversas empresas como
apresentamos o hiperblog da Motorola, a campanha da Melissa e a multiplicidade de
blogs de moda que emergem no ciberespaço. Através dos blogs nasceram as
microcelebridades dentro dos nichos e subnichos (ANDERSON, 2006)
que se
relacionam com Global-Local de (TURKLE, 2006) e através dos blogs podemos ver a
tendência da era da recomendação.
A comunicação da moda é muita ampla na internet, no ciberespaço e na
própria cibercultura essa amplidão é intrigante e vimos que
comunicação
pode
ser
estudado
profundamente
através
cada meio de
da
efemeridade,
individualismo e multiplicidade das comunidades de moda no orkut, da moda dos
games, nos sites dos estilistas, da indústria têxtil, nas lojas que revendem moda,
imagens, erotismo, e no próprio comportamento dos consumidores que consomem
toda essa efemeridade da moda.
Outros estudos podem ser desenvolvimentos no segmento cibermodatecnologia, na junção dessas áreas que podem gerar múltiplos estudos nos tecidos, no
comportamento, no consumo, na relação do ser humano com o corpo desbravando em
novas áreas de pesquisa na comunicação, na estética visual do cyberpunk, do
ciborgue, do “estilo matrix”, no ciberespaço no cinema, na ficção, nos mangás, nos
HQ’s, entre outros.
A cibermoda e o meio ambiente é outro estudo riquíssimo que poder ser
desenvolvido com todas as áreas da moda, da tecnologia e principalmente no estudo
consciente do meio ambiente.
O estudo possibilitou uma visão global e local da moda na cibercultura através
de inúmeros meios de comunicação e com certeza outros virão para estreitar novos
relacionamentos pessoais e profissionais do ciberespaço estimulando novas estéticas
do cyberpunk, da cibermoda, dos mangás, dos HQ’s, etc.
Uma tendência é a Web 2.0 colaborativa que, como vimos ainda é pouco
explorada no sistema da moda. Acreditamos que seja um nicho que pode trazer
inúmeros resultados para os usuários e organizações. Por exemplo ainda não existe
uma Wikipédia somente do segmento da moda ou da comunicação ou da cibercultura.
129
A moda, a cibercultura e a comunicação fazem parte do sistema complexo do
qual vivemos na sociedade contemporânea, conseguimos com este, apresentar as
novas formas de comunicar a moda na cibercultura e no ciberespaço e provamos que
há relação das características efemeridade, individualidade e multiplicidade da moda
com a cibercultura.
130
REFERÊNCIAS:
AGUIAR, Titta. Personal Stylist: Guia para consultores de imagem. 3. Ed. São
Paulo: Senac, 2004.
AMARAL, Adriana. Visões Perigosas. Uma arque-genealogia do Cyberpunk. Porto
Alegre: Sulina, 2006.
ANDERSON, Chris. A Cauda Longa. O mercado de massa para o mercado de nicho.
2. Ed. Rio de Janeiro, Campus/Elsevier, 2006.
ANDRADE, Regina G. Corpo-Imagem. In: VILLAÇA, Nízia; CASTILHO, Kathia (Org.).
Plugados na Moda. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006
BARTHES, Roland. Inéditos vol. 3 - Imagem e Moda. São Paulo: Martins Fontes,
2005.
BARNARD, Malcolm. Moda e Comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.
__________________. Da sedução. 2. Ed. São Paulo: Papirus, 1991
BRAGA, João. História da moda uma narrativa. 4.Ed. São Paulo: Anhembi Morumbi,
2005.
BRAGA, João. Reflexões sobre moda volume I. 2. Ed. São Paulo: Anhembi
Morumbi, 2006.
BUTAZZI, Grazietta. Moda. Milão: Cordani, 1990.
CARLI, Ana Mery Sehbe. O Sensacional da moda. Porto Alegre: Educs, 2002
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. 5. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
________________. O Poder da Identidade. 2. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
CASTILHO, Kathia; Garcia, Carol. (Orgs). Moda Brasil - fragmentos de um vestir
tropical. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2001
_______________. A vida publicitária do corpo: Moda e Marketing. In: VILLAÇA,
Nízia; CASTILHO, Kathia (Org.). Plugados na Moda. São Paulo: Anhembi Morumbi,
2006.
CEBRIÁN, Juan Luis. A rede. Como nossas vidas serão transformadas pelos
novos meios de comunicação. São Paulo: Summus,1999
CHURCHILL, Gilbert Jr. Marketing Criando Valor ao Cliente. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2000.
131
COELHO, Maria J. S. Moda um enfoque psicanalítico. Rio de Janeiro: Diadorim,
1995.
COUTINHO, Rita J.T.S. Cibermoda. A influência das Novas Tecnologias da Moda
em Portugal. Lisboa – Portugal, 2005. 84p. Dissertação de Mestrado. Sociologia.
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, ISCTE.
DERY, Mark. Velocidad de escape. La cibercultura en el final del siglo. Madrid:
Siruela, 1998.
DUARTE, Jorge. Entrevistas em Profundidade. In: Métodos e Técnicas de
Pesquisa em Comunicação. (Org.) DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio. São Paulo:
Atlas, 2005.
DONATI, Luisa P.; PRADO, Gilberto. Utilizações artísticas de imagens em direto na
word wide web. In: Tramas da rede. (Org.) André Parente. Porto Alegre: Ed. Sulinas,
2004.
______________. Computadores Vestíveis: Convivência de diferentes
especialidades, In: Conexão Comunicação e Cultura. Caxias do Sul, Rio Grande do
Sul: Educs, 2005.
DOMINGUES, Diana. A Arte no século XXI. São Paulo: Unesp, 1997
EMBACHER, Airton. Moda e identidade. A construção de um estilo próprio. São
Paulo: Anhembi Morumbi, 1999
ERBOLATO, Mário L. Jornalismo Especializado. São Paulo: Atlas, 1981.
ERNER, Guillaume. Vítimas da.moda? Como criamos, por que a seguimos. São
Paulo: Editora Senac, 2005.
FAUX, Dorothy Schefer. Beleza do Século. São Paulo: Cosac & Naify, 2000.
FEGHALI, Martha K.. O mercado da moda. In: VILLAÇA, Nízia; CASTILHO, Kathia
(Org.). Plugados na Moda. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006
_________________, DWYER, Daniela. As Engrenagens da Moda. Rio de Janeiro:
Ed. Senac Rio, 2004.
FELINTO, Erick. A Religião das Máquinas. Ensaios sobre o imaginário da
Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2005.
FERNANDES, Fábio. A construção do Imaginário CYBER. William Gibson, criador
da Cibercultura. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006
FORTUNATI, Leopoldina; KATZ, James E.; RICCINI, Raimonda. Mediating the
Human Body. Technology, Communication, and Fashion. New Jersey: Lawrence
Erlbaum Assocaites, 2003
KALIL, Glória. Chic um guia básico de moda e estilo. 16. Ed. São Paulo: Senac,
1998.
132
KOTLER, PHILIP. Princípios de Marketing. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999
GALVÃO, Diana. A internet fashion - um passeio pela estética digital. In: VILLAÇA,
Nízia; CASTILHO, Kathia (Org.) .Plugados na Moda. São Paulo: Anhembi Morumbi,
2006.
GARCIA, Carol; MIRANDA, Ana Paula. Moda é comunicação. São Paulo: Anhembi
Morumbi, 2005.
GASKELL, George. Entrevistas Individuais e Grupais. In: BAUER, Martin W.;
GASKELL, George (ED.). Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som. 3. Ed.
Petropólis: 2004.
GIBSON, William. Neuromancer. 3. Ed. São Paulo: Aleph, 2003.
GOFFMAN, Ken; JOY, Dan. Counterculture. Through the ages. 3. Ed. New York:
Villard Books, 2004.
GOSCIOLA, Vicente. Roteiro paras novas Mídias. Do game à tv interativa. São
Paulo: Senac, 2003.
HIMANEN, Pekka. A ética dos hackers e o espírito de informação. Rio de Janeiro:
Campus, 2001.
JANSON, H.W.; JANSON, Anthony F. Iniciação à História da Arte. São Paulo:
Martins Fontes, 1996.
JOFFILY, Ruth. O jornalismo e produção de moda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1991.
JONES, Steven G. Virtual Culture. Identity & Communication in Cybersociety.
London: Sage Publications, 2002.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
LAVER, James. A roupa e a moda. Uma história concisa. 4. Ed. São Paulo: Cia das
Letras, 1999.
LEÃO, Lucia. O Labirinto da Hipermídia. Arquitetura e navegação no ciberespaço.
São Paulo: Iluminaras, 1999.
LEHNERT, Gertrud. História da Moda do Século XX. Germany: Konemann, 2000
LEMOS, André. Alguns pontos para compreender nossa época. In: LEMOS, André.
CUNHA,Paulo (Org). Olhares sobre a Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003.
LEMOS, André. Cibercultura. Tecnologia e vida social na cultura contemporânea.
Porto Alegre: Sulina, 2004.
LÉVY, Pierre. Ciberculura. 2. Ed. São Paulo: Editora 34, 2000.
___________. A inteligência Coletiva.2ª Ed. São Paulo: Edições Loyla, 1999
133
___________. A máquina Universo. Criação, cognição e cultura informática. São
Paulo: Artmed, 1998
___________. O que é o virtual?. 2. Ed. São Paulo: Editora 34, 1998
___________. O ciberespaço e a economia da atenção. In. Tramas da rede.
PARENTE, André. (Org.). Porto Alegre: Ed. Sulinas, 2004.
LIMEIRA, Tania M. Vidigal. E-Marketing. São Paulo: Saraiva, 2003.
LIPOVETSKY, Gilles; ROUX, Elyette. O luxo eterno. São Paulo: Companhia das
Letras, 2005.
_________________. O Império do Efêmero. São Paulo: Companhia das Letras,
1989
_________________. Sedução, Publicidade e Pós-modernidade. In. A Genealogia
do Virtual comunicação, cultura e tecnologias do imaginário. MARTINS, Francisco
Menezes; SILVA, Juremir Machado (Org). Porto Alegre: Sulina, 2004
LURIE, Alison. A linguagem das Roupas. Rio de Janeiro: Rocco, 1997
LURY, Celia. Consumer Culture. New Jersey: Rutgers University Press, 1996.
MAFFESOLI, Michel. No Fundo das Aparências. 3. Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2005.
_________________.A Comunicação sem Fim (teoria pós moderna da
comunicação). In. A Genealogia do Virtual comunicação, cultura e tecnologias do
imaginário. MARTINS, Francisco Menezes; SILVA, Juremir Machado (Org). Porto
Alegre: Sulina, 2004
_________________. O Tempo das Tribos. O declínio do individualismo nas
sociedades de massa. 2. Ed. São Paulo: Forense Universitária, 1998.
_________________. A Conquista do Presente. Rio de Janeiro: Rocco, 1984.
MATTELART, Michèle e Armand. Histórias das teorias da comunicação. 7. Ed. São
Paulo: Loyola, 2004.
MARTINS, Francisco M.; O pensamento filosófico como rede virtual. In: MARTINS,
Francisco M.; SILVA, Juremir M. (Org.) Para Navegar no Século XXI. Tecnologias do
Imaginário e Cibercultura. 2. ed. Porto Alegre: Edipucrs e Sulina, 1999.
MCLUHAN, Marshall. Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem. 12.
Ed. São Paulo: Cultrix, 2002
MESQUITA, Cristiane. Moda Contemporânea - quatro ou cinco conexões
possíveis. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2004.
MIÈGE, Bernard. O pensamento Comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2000.
134
MIRANDA, Ana Paula C. .Comportamento de Consumo Simbólico: A Marca como
Instrumento da Relação Pessoa-Objeto. São Paulo, 2006. 210 p. Tese de
Doutorado. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - Programa de
Pós-Graduação em Administração, USP.
MORIN, Edgar. As Estrelas. Mito e Sedução no Cinema. 3. Ed. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1989.
____________. O método. A natureza da Natureza. Portugal: Publicações EuropaAmérica, 1997
____________.A Comunicação pelo Meio (teoria complexa da comunicação). In.
A Genealogia do Virtual comunicação, cultura e tecnologias do imaginário. MARTINS,
Francisco Menezes; SILVA, Juremir Machado (Org). Porto Alegre: Sulina, 2004
MOUTINHO, Maria Rita. A moda do século XX. Rio de Janeiro: Senac Nacional,
2000.
MOWEN, John C. Comportamento do Consumidor. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
PALOMINO, Érika. A moda. São Paulo: Publifolha, 2002;
PARENTE, André. (org.).Tramas da rede. Porto Alegre: Ed. Sulinas, 2004.
PELLANDA, Eduardo C. . Internet Móvel : Novas Relações na Cibercultura
Derivadas da Mobilidade na Comunicação. Porto Alegre - Brasil, 2005. 195 p. Tese
de Doutorado. Comunicação Social. Famecos, PUCRS.
PEREZ, Clotilde; BAIRON, Sérgio. Comunicação & Marketing. São Paulo: Futura,
2002
POLHEMUS, Ted. Style Surfing what to wear in the 3rd millennium. London:
Thames and Hudson, 1996.
POSTER, Mark. The second Media Age. Cambridge, Polity Press, 1996.
PRECIOSA, Rosane. Produção Estética. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2005.
RECH, Sandra. Moda: por um fio de qualidade. Santa Catarina: Udesc, 2002.
RŰDIGER, Francisco. Introdução às teorias da Cibercultura. Porto Alegre: Ed.
Sulina, 2004.
_________________. Elementos para a Crítica da Cibercultura. São Paulo: Hacker,
2002.
SOUZA, Pedro J.. Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media.
2. Ed. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2006.
WIENER, Norbet. Cibernética e sociedade o uso humano de seres humanos. 6.
Ed. São Paulo: Cultrix, 1993.
WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 2001.
135
WOLTON, Dominique. Internet e Depois? Uma teoria crítica das novas mídias.
Porto Alegre: Sulinas, 2003.
TREPTOW, Doris. Inventando Moda. Planejamento de Coleção. 3. Ed. Brusque: do
autor, 2005.
TURKLE, Sherry. A mémoria na tela. In: Memória Cotidiana. Comunidade e
Comunicação na era das redes. CASALEGNO, Frederico. Porto Alegre: Sulinas, 2006.
______________. La vida en la pantalla. Barcelona: Paidós, 1997.
VILLAÇA, Nízia; CASTILHO, Kathia (org.) Plugados na Moda. São Paulo: Anhembi
Morumbi, 2006.
YAMAOKA, Eloi Juniti. O uso da internet. In: DUARTE, Jorge, BARROS, Antonio
(orgs.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.
Online
AMARAL, Adriana. Transmutação, entrevistada por Octavio Aragão, 2006. Disponível
em: http://www.intempol.com.br/NewsView.aspx?id=105&. Acesso em 22 jan. 2007.
BAITELLO, Norval Jr. O tempo lento e o espaço nulo: mídia primária, secundária e
terciária. São Paulo: CISC, 2003. Disponível em:
http://www.cisc.org.br/portal/biblioteca/tempolento.pdf. Acesso em: 07 set. 2006.
Business Week- August 2. 2004 – The 100 Top Brands . Disponível em:
http://www.interbrand.com/best_brands_04/league_table/bgbleaguetable_final.pdf.
Acesso em: 15 abr. 2006.
BRUM, M. Alzira; WINCK, J. Batista; DIAMANTAS, Hernani. Os Intelectuais e a
Cibercultura: Além de Apocalípticos e Integrados. Revista Espaço Acadêmico, no.
33 - fevereiro de 2004/mensal ISSN 15196186. Disponível em:
http://www.espacoacademico.com.br/033/33clemos.htm. Acesso em 06 set.2006.
CÁCERES, Jesus Galindo. Redes y comunidades virtuales: La construción social
en el mundo, el ciberespacio y el hipermundo. Disponível em:
http://www.geocities.com/arewara/galindo103.htm. Acesso em 29 jan. 2007.
DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. E-Book. Disponível em:
http://www.ebooksbrasil.com/elibris/socespetaculo.html/ 2003. Acesso em 11 abr.
2006.
DONATI, Luisa P.. Vesti: corpos afetivos. Jornal da Unicamp. Edição 223, p.12, de
04 a10 de agosto, São Paulo: Unicamp, 2003. Disponível em:
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2003/ju223pg12.html. Acesso
em 29 jan. 2007.
DUARTE, Eduardo. O advento dos ciborgues. Ciências & Cognição. Vol I p. 22-28.
31 de março, Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: http://www.cienciasecognicao.org.
Acesso em 30 jan. 2007.
136
FERNANDES, Fábio. Arthur C. Clarke e William Gibson - Visões da Aldeia Global de
McLuhan no Futuro Próximo. Revista GHREBH: São Paulo, 2003. Disponível em:
http://www.cisc.org.br/ghrebh/ghrebh2/artigos/02fabiofernandes032003.html. Acesso
em 25 jan. 2007.
FERREIRA, Aletéia, VIEIRA, Josiany, RIGO, Paula. Emos: Resgate da Moda
Romântica através dos Blogs. Revista Eletrônica Razón Y Palabra no. 53 de outubro
2006. Disponível em: http://www.razonypalabra.org.mx/actual/blogs.html. Acesso em
17 out. 2006.
___________________________________________. As super poderosas dos
games: a comunicação feminina na cibercultura. Revista Sessões do Imaginário,
V. 1, no 16 dezembro 2006. http://caioba.pucrs.br/famecos/ojs/viewissue.php
Apresentado ao Gamepad - I Seminário de Games, Comunicação e Tecnologia na
Feevale em Novo Hamburgo/RS de 06 a 07 de novembro de 2006.
http://www.gamepad.com.br/cont/download/superpoderosas_dos_games.pdf
GALINDO, Dolores C.. Sobre os ciborgues como figuras de borda. Athenea Digital,
no. 04. out. 2003. Disponível em: http://antalya.uab.es/athenea/num4/galindo2.pdf.
Acesso em 30 jan. 2007.
GARCIA, Claudia. Especial Moda. Disponível em:
http://almanaque.folha.uol.com.br/moda Acesso em: 15 abr. 2006.
LEMOS, André. Bodynet e netcyborgs: Sociabilidade e novas tecnologias na
cultura contemporânea. Disponível em:
http://www.comunica.unisinos.br/tics/textos/1997/1997_al.pdf. Acesso em 30 jan. 2007.
LEMOS, André. Ficção Científica Cyberpunk. O Imaginário da Cibercultura.
Disponível em: http://www.comciencia.br/reportagens/2004/10/11.shtml . Acesso em
09 set. 2006.
LOPES, José J.. Ficções artístico-científicas. Modos de resistência e alguns resentimentos da actualidade:electricidade-estética, a mística do digital, a técnica
sensível e a segunda-humanidade. ICNC. Lisboa, 2001. Disponível em :
http://bocc1.ubi.pt/pag/lopes-jose-julio-ficcoes-artistico-centificas.pdf. Acesso em 30
jan. 2007.
MACIOLI, Fernando. O poder feminino. As mulheres nos games. Disponível em:
http://www.gametv.com.br/article.show.chain?article.id=3&page=2. Acesso em 10 out.
2006.
MANN, Steve. O Homem Digital. Disponível em:
http://orbita.starmedia.com/~reporterespecial/Steve.html e http://wearcam.org. Acesso
em 15 abr. 2007.
PRIMO, A.. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. In: XXIX Congresso
Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2006, Brasília. Anais, 2006. Disponível em:
http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/web2.pdf. Acesso em 24 abr. 2007.
QUADROS, Claudia Irene; ROSA, Ana Paula ; VIEIRA, Josiany. Blogs e as
Transformações no Jornalismo. Revista da E-Compos, n. 3, ago. 2005a. Disponível
em http://www.compos.com.br/e-compos>. Acesso em 10 out. 2006.
137
RECUERO, Raquel da Cunha – Warblogs: Os blogs, a guerra no Iraque e o
jornalismo online - XXVI Congresso Anual em Ciências da Comunicação, Belo
Horizonte/MG, 02 a 06 de setembro de 2003. Disponível em:
http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/4752/1/NP8RECUERO.pdf.
Acesso em 16 abr. 2007.
RECUERO, Raquel da Cunha. Weblogs, Webrings e Comunidades Virtuais.
2003a. Disponível em: <http://www.pontomidia.com.br/raquel/webrings.pdf.>
Acesso em 16 abr. 2007.
ROCHINSKI, Eliane. Tecidos Inteligentes – O que são? Disponível em:
http://www.varejista.com.br/novo_site/desc_materia.asp?id=20531. Acesso em
26 jan. 2006.
ROSA, Jorge Martins. Cibercultura em Construção. Revista de Comunicação
e Linguagens, 28 (Tendências da cultura contemporânea), Lisboa, Relógio
d'água, 2001, pp. 319-332. Disponível em:
http://www.cecl.com.pt/investigadores/jrosa/ciberconst.html. Acesso em 22 jan.
2007
ROSNAY, Joë. "L'homme symbiotique" (Éditions du Seuil), un résumé du livre
préparé par J.-Cl. Keller. Disponível em: http://www.gymnasemorges.ch/docs/HommeSym.html. Acesso em 15 abr. 2007.
SCOTT, D. T. Blog Invasion! What are they? Where did they came from? Writing
& Presentation for Digital Media, CMU597, 26 maio 2004. Disponível em
http://homepage.mac.com/dtraversscott/Academics/BlogHistory/BlogsScott.pdf.
Acesso em 22 jan. 2007.
SPITZ, Clarisse. Audiência de Site de Notícias Cresce duas vezes mais que da
Internet. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u19747.shtml. Acesso em 18 out.
2006.
TRIVINHO, Eugênio. Cibercultura, Sociossemiose e Morte. Sobrevivência em
tempos de terror dromocrático. 2003. Disponível em:
http://www.comunica.unisinos.br/tics/textos/2003/GT12TB2.PDF. Acesso em 15 abr.
2007.
The Cyberpunk Project. Disponível em:
http://project.cyberpunk.ru/idb/definition_others.html. Acesso em 09 set. 2006.
WELLS, Tatiana. O ciberfeminismo nunca chegou à América Latina. Brasília, 2005.
Disponível em: http://www.unb.br/ih/his/gefem/labrys7/cyber/tatiana.htm. ) Acesso em
05 out. 2006.
138
Trabalhos em eventos
AMARAL, Adriana; FERREIRA, Aletéia; FIEDLER, Josiany. Blogs & Moda –
efemeridade, individualismo e multiplicidade na web. VII Simpósio da Pesquisa e
Comunicação Intercom SUL de 04 a 6 de maio de 2006. Trabalho apresentado no GT
6 Tecnologia e Comunicação. Página 103.
Documentos eletrônicos
Documentário "Criadores dos Brasil"
Exibido dia 06/06/05 - canal GNT - Produtora: Globosat - vídeo cassete - 120 minutos
- 4 capítulos.
Evento: "The Victoria´s Secret Fashion Show". Exibido dia 28/01/05 no SBT às
22h30 e no canal TNT das tv por assinatura Net, TVA e Sky. Dia 21/06/06 às 23h vídeo cassete - 30 minutos.
Sustentabilidade. Vídeo de abertura da São Paulo Fashion Week, de 24 a 28 de
janeiro 2007, O material foi produzido pelo Banco Real. Disponível em :
http://tvuol.uol.com.br/moda/spfw/2007/01/25/ult3440u286.jhtm. Acesso em 29 jan.
2007.
Guia
Mídia Dados 2006. Grupo de Mídia São Paulo.
139
Anexo
A pesquisa
1.Conhecendo o entrevistado da área de Moda
Gostaria de ser identificado na pesquisa (80%) sim
(20%) não.
Formação/Graduação: Tecnologia em Moda & Estilo, Empresária,Estilista, Lojista, Modelo, Relações
Públicas, Fotógrafo.
Instituições: UCS, UFPR, , Unicenp/PR, UEL/PR, UFPE, Anhembi Morumbi, USP e UFRJ.
Usa a Internet? Há quanto tempo? (100%) Há mais de 5 anos
Qual a freqüência de uso da Internet? (30%) Mais de 4 dias na semana (70%) Todos os dias
Que tipos de uso faz da Internet? (Numere de acordo com o grau de acesso de cada um dos itens. Não
é necessário numerar todos.)
( 100% ) E-mail ( 100% ) Jornais ( 30% ) Compras ( 100% ) Busca( 100%) Comunicação através de
chats, fóruns, skype, messenger...()Outro(s).
2. Pesquisa por tarefas
Acessar o endereço: http://moda.terra.com.br/spfw2006inverno (A)
Navegar pelo site no mínimo 5 minutos.
Acessar o endereço: http://moda.terra.com.br/spfw2007verao/ (B)
Navegar pelo site no mínimo 5 minutos.
1.Qual a sua primeira impressão do sites SPFW 2006/inverno(A) e SPFW/2007 Verão(B)?
Profissionais 1. Muita informação, tudo muito agrupado e “apertado”, sensação de superficialidade bem
como de poucas fotos em relação à totalidade dos desfiles. Ênfase nas celebridades e não na moda, mais
para as colunas de fofocas.SITE (B) agrupamento de informação foco em possíveis polêmicas e
curiosidades como nudez, transparências, decotes e famosos. Análise fraca das coleções. As imagens
selecionadas não são as melhores da coleção, mas as que apresentam características que as deixam
“curiosas”. 2. Boa. O Site é bem claro e fácil de navegar e as informações são fáceis de entender. 3. Muita
informação, confuso, muito cheio de detalhes, feio. 4.Costumo freqüentar esse site para acompanhar os
desfiles, já que a informação é completa em relação a ter todas as marcas participantes. Mas o número
de fotos poderia ser maior por desfile. 5. Desinteressante.
Estudantes 1. Achei o site de inverno mais “clima de inverno” tanto pelas fotos como pelas cores. O site
(B) poderia mudar algumas cores para “aparentar” mais verão.2. Com certeza foram coberturas completas
deste evento maravilhoso da moda!!! Mas achei em ambos muito compactos (tudo muito junto), sem
manchetes para atrair a leitura dos navegantes na pagina. Pois a primeira impressão é a que fica tem que
ter uma pré-venda da matéria para atrair a leitura. 3. Muitas informações ao mesmo tempo. Muito do que
ver e observar em cada um dos sites. Excitação.4. Bem arrumados e com estrutura fácil.5. (A)peças
românticas, com babados e bordados, balonês, etc. Predomínio de cores mais sóbrias. Uma coleção bem
feminina e romântica também, com muitos decotes e transparências. O site é bom, de fácil navegação,
com muitas informações e fotos. (B) Peças coloridas, vestidos curtos, muitas transparências. Coleção
bonita e leve, com a cara do verão. Mistura de tecidos e detalhes artesanais deixam a coleção ainda mais
com jeito de verão.O site é bom, de fácil navegação, com muitas informações e fotos.
2. Como percebe a estrutura do site dos dois eventos (A) e (B)?
Profissionais 1. É a mesma estrutura, não muda, mantém um padrão. 2. Muito semelhantes. 3. Muito
fraca e apelativa. 4. Fácil de achar o que estamos buscando. 5. A mesma, nada chama atenção,
“bagunçado”.
Estudantes 1. Achei os dois site bem estruturados, com links interessantes e de fácil visualização. 2. Em
questão de cobertura do evento está completo, e muito bem dividido no site programação, tendências....
Mas acho que só faltou um chamariz para a leitura. 3. Os sites são estruturados de maneira que o
internauta possa ir exatamente ao que quer. Traz cada dia de desfiles em separados, com as fotos de
cada um dos estilistas. O usuário não precisa ficar “caçando” seu estilista preferido, ele pode ir direto ao
ponto, o que facilita a busca e demanda menos tempo.4. A mesma estrutura em ambas, sendo que na
parte do verão, ouve um cuidado maior com as forma de estabelecer as informações, de maneira mais
objetiva. 5. A estrutura dos dois sites é muito parecida, as divisões de seções e desfiles também são
semelhantes nas duas páginas.
3. O que você acha que diferencia um evento do outro?
140
Profissionais 1.Em relação a forma de divulgar do site é o mesmo, sem diferencial 2. Apenas as datas de
coleção. Inverno/Verão 3.A época 4. Cores e tendências são as únicas diferenças.Mas muita coisa se
repete entre uma estação e outra.5. Só porque trás a palavra inverno e verão
Estudantes 1. Achei que o site de inverno tem mais informações e curiosidades, mas não que o site de
verão deixasse a desejar, achei mais interessante e atrativo o de inverno.2. Com certeza as tendências e
influencias para cada temporada! Em 2007 mostrou a forte influência, principalmente da África para a
estação, já em 2006 com certeza foi o romantismo de babados, rendas, bordados e modelagem slim,
foram as principais tendências para o inverno de 2006.3. A idéia principal, as cores, o tema. Geralmente o
FW de verão, tem mais brasilidade, e o FW de inverno, tem o ar “europeu” que se sobressai.4. Deveria
ser somente as roupas, mas o modo que cada empresa e espectador encara o verão, sempre é mais
alegre e com mais pompa. 5.A diferença está basicamente no estilo das roupas e organização do evento,
sendo mais leve e “vaporoso” no verão, e mais sóbrio no inverno. As atrações dos eventos também são
diferenciadas levando em conta o clima. A intenção parece ser fazer com que as pessoas vivenciem o
clima.
4. Os links das principais notícias estão visíveis?
Profissionais ( 80% ) Sim(20% ) Parcialmente
( ) Não
Estudantes (40% ) Sim ( 60%) Parcialmente
( ) Não
5. Quais cores são mais freqüentemente percebidas?
Profissionais SPFW 2006/ Inverno 1.Cinza, preto e branco. 2. Escuras e brancas 3. Azul e Laranja. 4.
Preto,cinza,uva,verde. 5. Cinza e preto.
Estudantes SPFW 2006/ Inverno 1. Azul, roxo e laranja. 2. Preto, azul marinho e laranja. 3. Roxo, cinza,
verde musgo, preto, brilhos. 4. O preto, cinza e prata.5. Cinza, preto, uva, marron.
Profissionais SPFW/2007 Verão 1. Preto, Branco e marrons. 2. Coloridas. 3. Laranja. 4. Branco, amarelo
e vermelho.5. Dourado e alaranjado
Estudantes SPFW/2007 Verão 1.Amarelo. 2.Verde,Rosa e amarelo.3. Amarelo, alaranjado, vermelho,
azuis. 4. O vermelho, marrom e tons terrosos. 5. Tons pastéis, cores claras, branco, bege. Peças mais
coloridas.
6. Os sites transmitem que imagem/identidade?
Profissionais 1.Informação superficial de moda voltada para o público com baixo envolvimento com
moda e alto envolvimento com fofocas de celebridades. 2. Ambos falam mais sobre as atrações que das
criações, tecidos, pesquisas. 3.De um site de fofocas. 4. O site tem uma imagem voltada para pessoas
que gostam de moda, os “fashionistas”. 5.Imagem padrão.
Estudantes 1.De beleza, poder – por mostrar mulheres sempre bonitas e bem vestidas, mostra a mulher
de bem com ela.2. Fidelidade ao evento, passando na integra tudo que rolou nos eventos. Cobertura
completa. 3. Glamour, organização, status e reconhecimento por quem participa/assiste aos desfiles.4.
Para mim, parece que é tudo pasteurizado, ou seja, a mesma cobertura e da mesma forma em ambos,
mudando apenas alguns personagens.5.Transmitem uma imagem de beleza, sensualidade, com pessoas
famosas, modelos que as pessoas tem vontade de seguir.
7. Na sua opinião o que você acha que mais se repete nos sites do evento?
Profissionais 1. A ênfase nas curiosidade e celebridades. 2. A enquete sobre os decotes e fofocas de
bastidores. 3. Os links que prometem mostrar pessoas nuas. 4.Os estilistas e as marcas participantes. 5.
A forma chata de colocar um assunto tão vivo quanto a moda.
Estudantes 1.Acho que está bom, não há nada que se repete. 2. As mesmas marcas, poderiam dar
oportunidades a novas marcas. 3. As enquetes, o quem brilhou mais em qual desfile. 4. Além da Capa de
ambos serem a mesma, as enquetes e a forma de dispor as informações, apesar de saber que para um
portal do tamanho do Terra, fica difícil mesmo mudarem de conceito de um evento para o outro, pois
envolve toda a estrutura do site. 5. Informações e fotos sobre os desfiles.
8. O que você considera inovação na comunicação dos sites do evento?
Profissionais 1. A possibilidade de assitir os vídeos dos desfiles. 2. Não percebi nada inovador pois os
sites oficiais sempre mostram praticamente as mesmas coisas.3. A possibilidade de ver os vídeos.
4.Estão sempre atualizados.Rapidamente atualizados. 5. Algo tipo o Érika Palomino ou Glória Kalil,
chama mais a atenção. Moda é imagem e imagem é tudo!
Estudantes 1. A opção de vc receber no seu e-mail informações sobre moda e notícias, o link ‘’Direto de
NY’’, achei bem interessante pois vc fica sabendo do que está acontecendo de diferente na moda lá em
NY. 2. Voce reporter, poder escrever, mandar fotos sobre o evento. 3. O usuário poder assistir a trechos
dos desfiles. 4. Ahh... sem sombra de dúvida os vídeos. 5.Uso de tecnologia para criar diferentes efeitos
durante o evento. Isso pode ser visto no site, através dos vídeos, que colocam o público em contato direto
com o evento, como se estivesse assistindo. Possibilidade de interação, com escolha dos melhores e
piores looks.
141
9. Na sua opinião qual a diferença que a tecnologia proporcionou aos desfiles e a comunicação da
moda na internet?
Profissionais 1. Informação em tempo real. 2. Temos quase em tempo real as informações do que rolou
no evento. Além de poder assistir aos desfiles através do site e saber um pouco da opinião de quem
esteve lá. Isto só pode ser proporcionado através da tecnologia; 3. A moda se tornou de mais fácil acesso:
qualquer um pode ficar sabendo do que acontece no SPFW que antes era um evento muito mais
pomposo e com menor visualização. Ou você ia até lá ou esperava para comprar a revista caras moda
para ver como tinha sido e quais eram as propostas. Hoje em dia basta se conectar para ter acesso. Para
divulgar uma marca também, há infinitas possibilidades pela internet. Me utilizo muito do orkut por ex.,
para divulgar e apresentar o meu trabalho às pessoas de forma gratuita. E percebo que funciona. 4. Acho
que agora tudo se tornou mais acessível e mais instantâneo, pois a Internet e o vídeos que ela traz para
você, propicia um entendimento mais rápido e com melhor qualidade. 5. A disseminação rápida, atinge
maior número de pessoas o que tem popularizado a moda, positivamente.
Estudantes 1. Com a tecnologia você tem acesso as informações mais rápido, como por exemplo na
moda, pois quando ocorre algum desfile internacional nós temos as informações e toda a cobertura do
que está acontecendo muito rápido, isso faz com que todo o mundo fique sintonizado. 2. A sua
divulgação na integra e a rapidez das noticias, ampliando o conhecimento e as novas tendências da
moda a todas as pessoas interessadas!!!3. Acredito que a moda se tornou algo muito mais acessível de
acordo com o crescimento de sua participação no meio virtual. Antes, só quem era convidado, morava
nos grandes centros e tinha um poder de compra maior é que ficava sabendo das tendências. Hoje, tudo
isso acontece simultaneamente; independente de você assistir ou não aos desfiles presencialmente, você
tem as tendências ao alcance das mãos sem precisar esperar pelas revistas de moda. 4. O acesso
completo de qualquer pessoa que tenha interesse,os desfiles deixaram de ser privilégio de poucos e
tornou-se mais popular.5.Possibilita um contato do público em geral com a moda e com os desfiles,
visualizando as coleções, os desfiles, praticamente ao mesmo tempo em que estão ocorrendo. Todo tipo
de público que tem acesso a um computador, pode estar antenado com o que acontece no mundo da
moda.
10. Como você vê a comunicação da moda nas redes sociais como:
Profissionais 1.Com estes instrumentos de comunicação temos mais personalização e velocidade da
informação. A possibilidade de selecionar o tipo de informação e pertencer a uma comunidade de
pessoas com interesse em comum. 2. - Orkut – ajuda a divulgar quem trabalha, estuda ou possui alguma
atividade com a área; - Blogs – é a maneira mais simples de todos terem seu “site” e poderem expressar
sua opinião dividindo-a com as pessoas que navegam nestes sites;- Sites de moda, revistas, consultores,
estilistas, entre outros. – Estes são indispensáveis para quem quer ficar atualizado e bem informado.3.
acho simplesmente genial, como antes havia citado, orkut e fotologs são de total importância para quem
está começando e não tem como investir dinheiro nisso. É publicidade gratuita e pro mundo todo. Alguém
que está no Japão pode encomendar uma camiseta minha e isso é absolutamente fantástico. Já o
Youtube está fazendo uma nova revolução na web e pretendo logo me aproveitar dele também. Quanto
aos sites de moda, acho importantes, os acesso sempre e também os utilizo quando posso para divulgar
os bazares que irei participar. Mas quanto aos sites de revistas de moda, em geral acho meio caretas e
cafonas. 4. No orkut é possível conhecer e fazer amizade com pessoas de diversos setores da área de
moda. Conhecer novos talentos e trocas informações.
Nos Blogs as matérias são boas, informações bacanas e necessárias, novas marcas que estão surgindo
no mercado. Sites de moda, revistas, consultores, estilistas, entre outros. -Podemos nos atualizar com
mais freqüência 5. Gosto e participo do orkut.Os Blogs acho super bacana, já li algumas vezes por
motivo/pesquisa, mas não tenho tempo (ou acho isso) que usá-los freqüentemente. Os Sites de moda,
revistas, consultores, estilistas, entre outros. Amo revistas!
Estudantes 1. Utilizo o orkut e blogs mais para me comunicar com amigos, mas quando quero alguma
informação sobre modo procura principalmente em sites específicos ou em revistas. Sendo que, nestas
duas sempre que achei o que procurava. No orkut a moda, na minha opinião, está principalmente nas
comunidades, pois você se identifica com outros através delas, como já disse anteriormente utilizo o orkut
apenas para me comunicar. 2. Muito importante, pois são grandes divulgadores, hoje a internet facilita
tudo, se encontra tudo que quer na internet, fazemos buscas, vendemos, compramos com tamanha
facilidade. 3. - Orkut – Abre espaço para leigos se tornarem conhecedores de tendências e estilos, de
forma “gratuita” (mas nem sempre confiável). - Blogs – cria personagens, e no caso de adolescentes pode
até ditar a moda, ou o estilo de alguns grupos.- Sites de moda, revistas, consultores, estilistas, entre
outros. – torna o conhecimento de moda mais acessível, pode diminuir os erros cotidianos de quem
precisa se vestir bem, com elegância e com diferentes faixas de poder aquisitivo.4. Eu acho que a moda
ainda vai ser dominada pelas grandes corporações, como as revistas, sites especializados e portais.
Depois vem a opinião dos consultores, estilistas entre outros, nos principais meios de comunicação. Aí
surge alguns blogs independentes que atuam de forma honesta e correta, com pessoas especializadas,
que auxiliam na comunicação. Já os demais blogs, orkut e sites do mesmo gênero, só trazem mais
142
confusão pela grande quantidade de informações, pois eles não sabem filtrar o que é de interesse público
do pessoal e em vez de ajudar, atrapalham.5. Orkut – possibilidade de visualizar diferentes opiniões,
formas diferentes de expressão. - Blogs- contato com pesquisas, tendências de moda, de maneira muito
mais criativa e acessível. - Sites de moda, revistas, consultores, estilistas, entre outros- as revistas e sites
são de mais fácil acesso para o público em geral e a maioria das revistas tem apenas seções destinadas
à moda.
11. De acordo com a sua formação como avalia a cobertura do evento SPFW no portal Terra?
Profissionais 1. Superficial. Voltado para pessoas com baixo envolvimento com moda. Consumidores de
moda e modinha e não os consumidores de estilo, os inovadores. Mais voltado para a massificação. 2.
Muito boa, pois conseguem atingir diversas pessoas que pensam moda de maneiras diferentes. É bem
eclético. 3. Não acompanho muito, mas pelo que vi apesar do layout e toda essa coisa apelativa que me
dá a impressão de querer chamar a atenção de pessoas para as fotos e não pela moda em si, acho que é
completo até porque existem aqueles links de cada estilista separado que facilitam a visualização em
parte dos desfiles. 4. Boa. Na medida certa. Talvez pudesse focar mais os detalhes em suas fotos.5.
Muita informação, mas mal aproveitada.
Estudantes 1. Através dos sites mesmo as pessoas que não puderam estar presente nos eventos, tem
todas as informações relevantes sobre os desfiles e ainda curiosidades. No site você encontra tudo o que
ocorreu no SPFW.2. A cobertura deste evento SPFW se tornou acessível a todos que não puderam
comparecer ao evento. E sua divulgação no site foi completa e não nos deixou nada a desejar, nos deixou
a parte de todo o evento.3. Sob o ponto de vista das Relações Públicas, é difícil fazer uma análise sobre
esse tipo de comunicação. É claro que a aproximação do site com “quem faz a moda”, é uma ótima
técnica de promoção. O site pode ganhar internautas fiéis ao seu site, mas falta ainda uma identificação
maior entre usuário>gosto e estilo próprios>site. Talvez, além da enquête, eles poderiam formar
newsletters de acordo com o interesse e cadastramento de usuários no site. 4. Acho que foi justa e
eficiente. 5. Uma cobertura boa, abrangente.
A pesquisa
1.Conhecendo o entrevistado da área de Comunicação Social
Gostaria de ser identificado na pesquisa (20%) sim
(80%) não.
Formação/Graduação: Jornalismo
Instituições: PUC/PR, UTP/PR, PUC/SP, Uniandrade/PR, UFPF/RS, UFRGS, Feevale/RS,
Usa a Internet? Há quanto tempo? (100%) Há mais de 5 anos
Qual a freqüência de uso da Internet? (100%) Todos os dias
Que tipos de uso faz da Internet?
( 100% ) E-mail ( 100% ) Jornais ( ) Compras
( 100% ) Busca ( 100%) Comunicação através de
chats, fóruns, skype, messenger... ( ) Outro(s).
2. Pesquisa por tarefas
Acessar o endereço: http://moda.terra.com.br/spfw2006inverno (A)
Navegar pelo site no mínimo 5 minutos.
Acessar o endereço: http://moda.terra.com.br/spfw2007verao/ (B)
Navegar pelo site no mínimo 5 minutos.
1.Qual a sua primeira impressão do sites SPFW 2006/inverno(A) e SPFW/2007 Verão(B)?
Profissionais 1.Os dois sites são muito parecidos, trabalham com informações semelhantes apelando
para aspectos em que o corpo seja valorizado seja nas transparências ou no seio da modelo à mostra. O
site parece, em breve análise muito superficial, onde os temas e tendências de moda ficam relegados à
segundo plano, em primeiro estão os personagens dos desfiles.
2. “Clean”. 3.Minha primeira impressão é de informações bem diversas, apontando vários assuntos do
evento. Os sites de moda devem detalhar bem suas informações em relação aos desfiles, pois muitos
ainda servem como fonte de pesquisa para outros veículos e o Terra tem exercido bem este papel. 4.Os
dois endereços são bastantes interessantes e chamam a atenção com muitas fotos e matérias. 5.Ficou
claro que são de épocas diferentes, através das cores azul para o inverno e dourado para o verão.
Estudantes 1.A minha primeira impressão é de que ali você pode ver tudo que aconteceu no desfile,
fotos e curiosidades do evento. 2.Os dois sites estão exatamente iguais! Entendo que se tratam de
páginas que falam o mesmo assunto, mas acho que poderia ter alguma inovação em termos de assunto
(“decotes ousados”, “roupas transparentes”) e arte (a disposição das informações são as mesmas).
143
Entendo também que o site é para ser informativo em relação ao que aconteceu na SPFW, mas
justamente por ser um evento de moda, fashion, acho que a página poderia impressionar mais. Está muito
“quadrada”. 3.Um site que traz muita facilidade de navegação, com muitas imagens bonitas, as cores
condizem com a estação em questão. Mas não gosto particularmente do espaço em branco a direita da
tela, dá uma impressão de achatamento do conteúdo sem necessidade. 4.Interessantes, me interesso
pelo assunto, porém, não como prioridade. 5.Os sites parece trazer bastante informação a respeito dos
eventos e também proporciona algumas formas de interação com os leitores. O problema é que quando
se começa a navegar é possível se perder da página inicial.
2. Como percebe a estrutura do site dos dois eventos (A) e (B)?
Profissionais 1. A estrutura é muito similar, dividida em quatro colunas, sendo uma do menu, uma de
propaganda e duas de informações, numa diagramação pouco atraente. Os títulos não possuem uma boa
visibilidade e o site exige além da utilização da barra de rolagem, muitos pulos ou cliques para que o
conteúdo possa ser acessado. Além disso, as fotos são priorizadas, mas para o acesso individual é
necessário mais cliques o que torna o site massante. Há a vantagem de disponibilizar vídeos e material
multimídia, o que permite uma idéia de “presença”, de estar lá no desfile, ainda que apenas acessando o
endereço eletrônico.2.Mantém um padrão, conteúdo de fácil visualização/localização, porém pobre se
comparado à grandeza do evento. Também há links com termos repetidos, por exemplo “desfile” no menu
à esquerda.3.Não observei uma mudança significativa de uma coleção a outra.4.Quanto a estrutura os
sites são bem parecidos. No inverno o layout azul nos remete ao frio e no verão é um amarelo bem
quente e forte. Essas cores nos ajudam a evidenciar ainda mais a estação. No de inverno a presença de
publicidade não está tão presente como no do verão, sinal de que o site deu certo e de uma estação para
outra o mercado resolveu investir. 5.Estrutura de fácil navegação.
Estudantes
1.Acredito que a estrutura poderia ser mais bem usada, usando os espaços em branco e dividindo com
mais destaque as matérias. (B) As cores mostram bem a estação que está se tratando, a foto de entrada
também mostra. 2.Os dois são muito parecidos, mas o de inverno me oferece mais charme, até mesmo
por não ter anúncio no topo da página, o que a torna mais limpa e conseqüentemente a estética mais
atraente.3.A estrutura é muito conservadora, “quadrada”, séria, como uma estrutura de site de notícias.
4.Muito semelhantes, informativos, atuais.5.A estrutura parecer ser a mesma, com poucas alterações de
seções. O problema é que quando se começa a navegar é possível se perder da página inicial.
3. O que você acha que diferencia um evento do outro?
Profissionais 1. Talvez por ter visitado os endereços brevemente tenha tido a sensação de que eles são
praticamente iguais, seja na estrutura ou no conteúdo, uma vez que títulos e fotos se repetem. Além
disso, a lista lateral de grifes que desfilaram também está colocada em ambos os sites na mesma
posição. O que talvez diferencie de forma mais gritante é a adoção das cores, pois o site do São Paulo
Fashion Week de inverno usa cores azuladas, tons frios, que remetem imediatamente à baixas
temperaturas. O site de verão, valoriza os tons de terra e amarelo e assim “esquenta” a temperatura do
próprio site. 2.O SPFW inverno é mais sóbrio, o que pode ser percebido pelo emprego de cor escura já no
início da homem, ao contrário do que ocorre no SPFW verão.3.Como o formato continua o mesmo, para
mim, o que diferencia são apenas as fotos e o texto.4.As cores utilizadas no layout dos sites e a presença
de publicidade.5.A estação, as tendências e as informações que está disponível referente a cada
estação.
Estudantes 1.Acredito que as cores da estação e os foto de entrada.2.Acho que o verão sempre é
explorado com a sensualidade, enquanto o inverno nos oferece o seu charme no vestuário. Os desfiles de
verão também sempre são mais coloridos e iluminados, enquanto o inverno traz cores mais pesadas e
uma iluminação mais outonal digamos.
3.Só as roupas (um é para inverno, e outro para verão) e os modelos. 4. Parecem muito semelhantes
exceto o clima em que ocorrem. 5. A não ser a diferença das coleções (uma de inverno, a outra de verão).
4. Os links das principais notícias estão visíveis?
Profissionais ( 80% ) Sim
(20% ) Parcialmente
Estudantes (40% ) Sim
( 60%) Parcialmente
( ) Não
( ) Não
5. Quais cores são mais freqüentemente percebidas?
144
Profissionais SPFW 2006 Inverno 1. Azul e preto. 2. Azul e nuances de azul. 3. laranja característica
do site. 4. Cinza, azul petróleo, preto, transparências. 5. Azul, preto, laranja e cinza.
Estudantes SPFW 2006 Inverno 1. Azul. 2. Azul marinho. 3. Cores frias (azul escuro). 4. Rosa, bege. 5.
Cinza.
Profissionais SPFW/2007 Verão 1. Amarelo e laranja. 2. Dourado e suas nuances. 3. Laranja. 4. Cores
mais alegres como, vermelho, tons de terra, dourado, amarelo. 5. Laranja, branco e azul.
Estudantes SPFW/2007 Verão 1.Laranja e Verde. 2.Laranja. 3. Cores quentes (amarelo). 4.Embora a
ênfase das cores esteja apenas no início da página. Se você desce a barra de rolagem, não há diferença
de cores. 5.Cinza e laranja.
6. Os sites transmitem que imagem/identidade?
Profissionais 1.De um local que vou encontrar informações relevantes sobre o evento. 2. De uma
assessoria de imprensa do evento.3. Achei o site um pouco “carregado”. Poderia ser mais “clean”, o que
passa melhor a imagem de elegância.4. Por fazer parte do site e provedor terra, acredito que o link de
moda receba o mesmo prestígio. 5.Nos passa uma imagem de um site comprometido, sério e responsável
com as informações transmitidas.
Estudantes 1.Pelo caráter do evento, acredito que ambos os sites apresentem uma imagem de novidade,
do que está por vir, como uma espécie de ditado das novas tendências. Além disso, a reunião de grandes
marcas e estilistas apresentadas à uma platéia de famosos traz um ar de glamour, e até mesmo uma
intenção de mostrar que as celebridades andam sempre preocupadas em seguir as novas tendências.
2.Os sites transmitem o mundo da moda. É um site sobre isso, mas também com pitadas desnecessárias
de “paparazzi” mostrando os famosos que estavam no desfile e dando mais visibilidade para
eles.3.Transmitem uma identidade de notícia; 4.A imagem de um site de notícias.5. Um site poluído, com
muita informação.
7. Na sua opinião o que você acha que mais se repete nos sites do evento?
Profissionais1. Achei o site um pouco “carregado”. Poderia ser mais “clean”, o que passa melhor a
imagem de elegância; 2. Noto algumas retições nos temas de notícias, mas acretido que isso é normal,
pois a moda apresentada é diferente, mas o evento é o mesmo.3. A própria estrutura do site. 4. A
estrutura é igual, acredito que como forma de identificar o espaço e também os títulos chamativos. 5. A
forma de disponibilizar informações e fotos.
Estudantes1. A disposição das informações e o tipo de notícias. 2. Existem muitas vezes visíveis, nas
matérias a palavra veja, sabemos que a moda é feita de muita imagem.3. A divulgação das pessoas mais
famosas em primeiro lugar e as inúmeras enquetes realizadas no site. 4. Quase tudo, pois são
praticamente iguais.5.Celebridades, estilistas famosos, nomes em si.
8. O que você considera inovação na comunicação dos sites do evento?
Profissionais 1. Os vídeos. Acho importante assistir os desfiles e alguns sites já oferecem esta opção. 2.
Não percebi inovações. 3. A preocupação com as cores e utilização de inúmeras fotos. Também a
questão de no site do verão você poder participar, a interação com o usuário é muito positiva. 4. A
chamada e a grande quantidade de informações disponibilizadas, que antes eram reduzidas. 5. Não vi
nada de inovação.
Estudantes 1. Os videos dos desfiles visíveis para cada pessos assistir. 2. Mostrar algo que ninguém viu
no desfile. É lógico que é o centro das notícias é o evento em si, mas por que não mostrar o que acontece
atrás das cortinas, sempre existe uma pauta interessante e diferente.3. A possibilidade de interação com
os usuários. Não costumo acessar sites de moda, mas acredito que seções como « consultório » e « o
que usar » também são importantes para auxiliar os internautas interessados 4. Não vi como inovadora a
comunicação do site. Achei comum a todos os sites deste tipo. 5. Grande número de fotos e vídeos do
desfiles.
9. Na sua opinião qual a diferença que a tecnologia proporcionou aos desfiles e a comunicação da
moda na internet?
Profissionais 1. Propiciou a difusão da moda como um tema de capital importância que merece não duas
ou três páginas de revistas e jornais impressos, mas a possibilidade do leitor escolher o seu próprio
percurso do olhar, valorizando, seja, o modelo bonitão ou a modelo famosa ou ainda a roupa com bom
corte. A tecnologia levou os desfiles para dentro de casa, despertando gosto e desejo por moda. 2.
Acredito que proporcionou a difusão dos desfiles, pois assistir desfiles pessoalmente ainda continua
sendo para uma minoria e com os vídeos e com a comunicação da moda via net, proporciona manter um
número maior de pessoas antenadas do que acontece na moda, não só do Brasil como do Mundo. 3. A
tecnologia propicia que recortes do desfile sejam “eternizados” de maneira muito mais detalhada e
duradoura do que quando a comunicação contava apenas com a cobertura impressa, radiofônica e
televisiva. É possível reviver parte do SPFW, mesmo que em um tempo distante do fato, por meio do que
os responsáveis pelo site elegeram como os principais momentos do evento e disponibilizaram na rede
das redes. 4. A tecnologia se faz presente desde os tecidos utilizados nas roupas até à estrutura do
145
desfile. Quando à comunicação da moda na Internet, acredito que a visualização torna-se ainda maior,
além da possibilidade de troca de informações entre os internautas. 5. A tornou mais acessível e
democrática.
Estudantes1. Mesmo as pessoas que estão longe do evento podem “ficar por dentro” do que ocorreu.2.
Proporcionou maior informação, e com mais rapidez, permitiu conversar com pessoas interessadas sobre
o mesmo assunto, e permitiu expressar nossas idéias. 3. Proporcionou uma maior visibilidade de uma
forma geral.4. A tecnologia inovou o mundo, não somente na moda, mas em tudo. Os desfiles ganham
mais qualidades técnicas e a comunicação ganha a agilidade da Internet. A gente pode assistir ao desfile
pela Internet e ver as fotos do evento na mesma hora em que acontece.5. A visualização dos desfiles sem
precisar estar presente.
10. Como você vê a comunicação da moda nas redes sociais como :
Profissionais 1. Os blogs como fenômenos que são estão se constituindo como boa alternativa para
quem mais do que ver fotos quer compreender sobre moda, quer entender o que aquele conceito
transmitido quis passar sobre postura, identidade, atitude. Os sites são ferramentas importantes para a
comercialização dos produtos e para sua visibilidade, uma vez que cada dia mais é este o critério que
determina a existência ou não de um produto, uma grife. A minha visão superficial dos perfis do orkut é
que este espaço serve principalmente para a comunicação entre pessoas e grupos, mas não aprofunda
os temas, é mais uma mescla de necessidade de ver e ser visto. Embora neste caso, devido a meu pouco
conhecimento e acessos, seja difícil tecer argumentações. 2. Acho ótimo as comunidades para troca de
informações no Orkut. Existe pessoas muito boas no mercado que queriam e não tinham chances de
mostrar seus trabalhos e a chegada dos blogs reverteu um pouco a situação. As Revistas são excelentes,
tem várias revistas de moda no mercado muito bem feitas, por pessoas realmente especializadas. Os
sites na minha opinião deveriam surgir mais, com idéias novas e com opiniões também, quem não é
especialista gosta de opinião para se vestir. Estilistas, adoro a nova geração, não tão nova mais. 3. Não
acompanho.4. Vejo o Orkut como um espaço para conhecer pessoas interessadas no assunto.O Blogs
são canal de comunicação importante para todos aqueles que trabalham com o tema, sejam eles
estudantes, designer, publicitários, etc..5. Crescente, pois há inúmeros blogs e sites.
Estudantes 1. A comunicação da moda na rede expressa idéias e informação, nos blogs, no orkut e nos
sites. 2. De maneira geral restrita, pois poucos ainda tem acesso. 3. Muito fútil, não mostram a real
essência que existe nesta forma de arte. Sempre representam a moda com muito glamour e pessoas
famosas e esquecem de mostrar a qualidade das roupas e a criatividade do estilista. Em todas estas
redes citadas abaixo acontece a mesma coisa, a não ser que o blog seja de um estilista, aí as vezes
encontramos pessoas que pensam mais na arte de fazer roupa.
4. Não costumo acessar estas ferramentas para saber de moda, mas acredito que, como em qualquer
outro campo, as possibilidades de comunicação oferecidas por essas tecnologias auxiliem o intercâmbio
de informações e aumente o grau de visibilidade da área. 5. A estrutura nos sites acho muito
semelhantes, nos blogs e orkut desconheço.
11. De acordo com a sua formação como avalia a cobertura do evento SPFW no portal Terra?
Profissionais 1. Avalio como fraca, eficaz no sentido de mostrar imagens, mas fraca em conteúdo e em
atração, pois o leitor não se sente motivado a buscar as informações, ainda mais quando o site demanda
de tantos cliques para que possa ser lido e visto. Falta um aprofundamento dos temas, uma interpretação
daquela coleção e de como poderá ser usada por pessoas que estão fora das passarelas. O site me
parece um apanhado do evento que reproduz o já visto, o já feito pelos meios tradicionais. Além disso,
com a quantidade de recursos existentes na web seria possível melhorá-lo a fim de tornar o site mais
envolvente, com banners em movimento, espaços para discussão e sem a repetição de temas e ângulos
de cobertura. 2. Foi boa e com a participação do publico nas próximas coberturas tende a melhorar. 3.
Avalio como um site de informação, notícias não opinativas. Direcionada a um público que já trabalha e
entende sobre moda. 4. Dentre outros portais é o mais completo, com acesso a fotos que os outros não
tem, além das dicas disponibilizadas. 5.Bem informativo e com bastantes fotos. Muito bom!
Estudantes 1. Achei bem interessante, na época até cheguei a acessar estes sites através de links do
portal Terra. 2. Considero eficiente, pois como novata no assunto percebi grande quantidade de
informações sobre o evento. A possibilidade do “você repórter” também foi utilizada e isso aumenta as
ocorrências de interação entre os usuários interessados nos eventos.
3. A cobertura foi completa.4. Vejo como uma cobertura legal e agradável.5. Acho que tudo que estava
em evidência no evento está no site, mas falta um toque a mais. Existe muita atenção para as pessoas
mais famosas esquecendo de falar de outras coisas mais ligadas ao tema.
146
A pesquisa
1.Conhecendo o entrevistado da área de Design
Gostaria de ser identificado na pesquisa (90%) sim
(10%) não.
Formação/Graduação:Design Industrial, Desenho Industrial, Webdesigner.
Instituições: Univale/SC, PUC/Pr, OPET/PR, FAE/PR e Metodista SP.
Usa a Internet? Há quanto tempo? (20%) Há mais de 3 anos (80%) Há mais de 5 anos
Qual a freqüência de uso da Internet? (10%) Mais de 4 dias na semana ( 90%) Todos os dias
Que tipos de uso faz da Internet? (Numere de acordo com o grau de acesso de cada um dos itens. Não
é necessário numerar todos.)
( 100% ) E-mail ( 100% ) Jornais ( 10% ) Compras ( 100% ) Busca( 100%) Comunicação através de
chats, fóruns, skype, messenger... Outro(s).
2. Pesquisa por tarefas
Acessar o endereço: http://moda.terra.com.br/spfw2006inverno (A)
Navegar pelo site no mínimo 5 minutos.
Acessar o endereço: http://moda.terra.com.br/spfw2007verao/ (B)
Navegar pelo site no mínimo 5 minutos.
1.Qual a sua primeira impressão do sites SPFW 2006/inverno(A) e SPFW/2007 Verão(B)?
Profissionais 1. Sempre me perco com a imensa quantidade de informação que esses sites portal tem,
sempre acabo vendo um monte de coisa e me perdendo ao clicar aleatoriamente. 2. A – um site voltado
para moda com notícias sobre a área. B - site bem estrutura voltado mais para notícias. 3. Um padrão
semelhante de estrutura das informações para manter a identidade com o portal Terra. 4. Os dois não
estão bem centrados em fornecer um design mais arrojado, que seria a proposta mais correta para um
evento como esse, e sim em mostrar informações sobre o evento. 5. Simples mais cumpre o seu objetivo.
Estudantes 1. São bem semelhantes na sua estrutura e conteúdo. 2. A- impressão de total estaticidade,
monótono, sem vida, desanimado, cansaço visual. B- Impressão de movimentos, proporcionando maior
conforto visual. 3. A página se trata de desfiles de moda. 4. Em ambos os sites percebe-se uma estrutura
organizada, mas com excesso de informações na mesma região. 5.O site SPFW 2006/inverno(A) é muito
mais sóbrio e o SPFW/2007 Verão(B) mais colorido, mais alegre.
2. Como percebe a estrutura do site dos dois eventos (A) e (B)?
Profissionais 1. Os dois possuem estrutura de site bem parecida, com dois menus laterais e bastante
conteúdo no centro. 2. Os dois são bem estruturados, dando ênfase para moda e desfiles da
programação. 3. Um padrão semelhante de estrutura das informações para manter a identidade com o
portal Terra. 4. Essencialmente a mesma, com diferenças na escolha de cores (tons quentes para o
verão, tons frios para o inverno). 5. A estrutura é a mesma sem muita variação. A nítida diferença é a
ausência de banners de publicidade no site A.
Estudantes 1. São praticamente iguais. 2. A- Possui uma estrutura estática com foco total no conteúdo
INVERNO. - Possui uma estrutura mais animada com movimentos, ocasionada pelo material publicitário,
sendo um banner horizontal no topo, pequenos banners lateral á esquerda, além de contar com uma
janela pop-up no carregamento da página. 3. Inverno e verão demonstram as cores lembrando suas
estações. 4. Os dois possuem a mesma linha de apresentação, seguindo uma linha simétrica com
tentativa de quebra da seriedade com fotos nas chamadas de alguns destaques. 5. Quase a mesma, mas
o A foi dado mais atenção, mais ênfase nos assuntos.
3. O que você acha que diferencia um evento do outro?
Profissionais 1. Não vi diferença, tive a impressão de ser o mesmo. 2. As roupas, o que chamou mais
atenção foi que no primeiro as roupas são pesadas e no segundo é bem mais leve. 3. No site a diferença
visual é a barra que fica na região superior com a indicação “São Paulo Fashion Week - verão” ou “São
Paulo Fashion Week - inverno”. 4. Visualmente falando, apenas os tons (quentes e frios) contidos nos
sites, e que ainda assim são tão subjetivos que quase passam despercebidos. 5. Um tem a programação
ao lado direito e outro os desfiles.
Estudantes 1. Quase nada, são praticamente iguais. O tópico “DESFILES” na edição de Inverno, é bem
mais direto que a tópico “PROGRAMAÇÃO” na edição de verão. 2. Acho que um evento VERÃO conta
com mais patrocinadores do que o evento INVERNO. 3. A estação. 4. A época do evento, que fica bem
diferenciado nos sites através das cores predominantes escolhidas para cada estação (cores quentes
para p verão e cores frias para o inverno). 5. A estação.
147
4. Os links das principais notícias estão visíveis?
Profissionais ( 80% ) Sim(20% ) Parcialmente
( ) Não
Estudantes (40% ) Sim
( 60%) Parcialmente
( ) Não
5. Quais cores são mais freqüentemente percebidas?
Profissionais SPFW 2006/inverno - 1. Azul. 2. Preto. 3. Laranja, Azul e Amarelo. 4. Azul e Branco. 5.
Fundo Roxo, deixando o site com um aspecto frio, refletindo claramente o frio do inverno.
Estudantes SPFW 2006/inverno 1.Azul em degrade no fundo, parte superior2. Roxo e laranja 3. Azul. 4.
Azul.5. Preto e Branco.
Profissionais SPFW/2007 Verão 1. Laranja. 2. Bege. 3. Laranja, azul e amarelo.4. Amarelo e laranja 5.
Fundo braço, deixando o site com um aspecto limpo.
Estudantes SPFW/2007 Verão 1. Tons de pele alaranjados.2. Caqui e laranja.3. Amarelo.4. Amarelo.5.
Preto e Branco.
6. Os sites transmitem que imagem/identidade?
Profissionais 1. Parece um site de notícias. 2. Um portal de noticia do corpo/roupas. 3. Imagem de sites
informativos. Poderiam ter mais recursos visuais que os identificassem com o mundo da moda. 4. Não
parecem de um evento de moda, e sim uma simples área de notícia do Terra.5. Imagem padrão.
Estudantes 1. Luxo, beleza, glamour.2. A- Transmite “calma” de acordo com a predominância das cores
frias. B- Transmite “euforia” de acordo com a predominância das cores quentes.3. Mostra a globalização
dos desfiles, onde que hoje na era da Web todo mundo tem acesso à informação não sendo mais restrito.
4. Seriedade com tentativa de sofisticação. 5. De beleza, jovialidade e novidade.
7. Na sua opinião o que você acha que mais se repete nos sites do evento?
Profissionais 1. O apelo à sensualidade das modelos, e fofocas do meio (famosos, modelos, essas
coisas). 2. Fotos de famosos nos eventos. 3. A redundância as vezes é necessária. As pessoas vêem as
coisas por caminhos distintos, mas não percebi, assim, de cara, alguma coisa que se repita que seja
incômoda. A barra superior laranja que remete ao portal Terra talvez. 4. Estrutura simétrica, estilos de
formatação. 5. Como já disse antes, o layout é o mesmo, só o que muda são as fotos e as matérias, ou
seja, basicamente tudo se repete.
Estudantes 1.Acho que está bom, não há nada que se repete. 2. A predominância das cores laranja e
preta. 3. Menu e estruturas iguais.4. Links direcionando para outras áreas.5. Fotos
8. O que você considera inovação na comunicação dos sites do evento?
Profissionais 1. A parte de vídeo parece ser bem interessante, mas não consegui acessar do meu
navegador firefox. 2. Os vídeos. 3. Acompanhar um desfile ao vivo, como se fosse teleconferência. Ou as
notícias atualizadas rapidamente. 4. O planejamento da estrutura, pois não é apenas uma apresentação,
mas quase um tablóide sobre o evento. 5. O fato de colocar a disposição os vídeos dos desfiles.
Estudantes 1.Os vídeos 2.Inovação na comunicação através dos desfiles é o material publicitário.
3.Mostrar mais videos,fotos e entrevistas dos desfiles.4. Os vídeos do evento. 5. Vídeos.
9. Na sua opinião qual a diferença que a tecnologia proporcionou aos desfiles e a comunicação da
moda na internet?
Profissionais 1. O acesso ao que acontece na moda no mundo ficou bem mais fácil, temos acesso em
tempo real do que é lançado nas coleções européias, por exemplo, bastando acessar o site das marcas.
2. Acho que mantém todos bem informados sobre moda, minuto a minuto, o que pode fazer a diferença
para quem quer entender e participar do meio. 3. A disposição das informações em qualquer lugar do
mundo ao alcance do mouse. 4. Proporciona com certeza mais informação para seu público e
conseqüentemente atrai mais pessoas, que através do site, começam a se interessar por esse tipo de
evento, e até sobre moda em geral. 5. A oportunidade de transmitir um pouco de como são os desfiles,
quem nunca foi, por exemplo, fica fascinado em poder ver fotos, vídeos e etc.
Estudantes 1. Capacidade de cobertura completa dos eventos, agilidade e interação.2. Proporcionou
maior apoio por conta dos patrocinadores para o evento verão do que para o evento inverno
(aparentemente), quanto a comunicação da moda na internet, é mais divulgada em algumas redes sociais
do que em outras. 3. Os desfiles podem ser feito em tempo real, passar vídeos e também a utilização das
câmeras digitais. 4. Proporcionou maior divulgação dos eventos e assim chama mais atenção para eles.
5. Transmissões ao vivo do próprio desfile
10. Como você vê a comunicação da moda nas redes sociais como :
Profissionais 1. Como característica do aspecto democrático da internet existe um caos, onde se
encontra muito material ruim, mas ao mesmo tempo, sabendo garimpar, se encontra muita informação útil
na internet. O fenômeno do orkut e blogs, apareceu como uma forma alternativa de divulgação e até
venda de produtos, sem custo adicional para quem produz. 2. Existem os blogs específicos, com troca
de informações o que é muito bom para quem quer se manter atualizado. Acho que revistas e outros
148
meios específicos trazem a moda como algo importante e essencial para o dia-a-dia principalmente das
mulheres. 3. No Orkut o perfil das pessoas é visto e muda constantemente. Pelas comunidades em que o
usuário participa é possível traçar um perfil dele, dos gostos, hobbys, etc. Os blogs são direcionados para
a moda e permite o comentários. Todos podem opinar e escrever o que bem entendem e até lançar
tendências!
4. Gosto e participo do orkut. Os Blogs acho super bacana, já li algumas vezes por motivo/pesquisa, mas
não tenho tempo (ou acho isso) que usá-los freqüentemente. Amo as revistas de moda. 5. Uma forma
ampliada de divulgação e um espaço maior para quem ama a moda.
Estudantes 1. Como em todos os outros campos de atuação, a moda também ganhou com os meios de
comunicação via Internet em que o usuário pode interagir, participar e expressar suas opiniões,
agregando mais adeptos e estreitando o relacionamento entre os usuários e profissionais da área. 2. A
moda no Orkut é pouco divulgado, os blogs já causam mais repercussão e interação com os leitores e
usuários. O sites de moda, revistas, consultores, estilistas, entre outros atinge diversos públicos e cada
um escolhe o que melhor atende suas necessidades. 3. A moda é comunicada na rede através de
diversos canais, no orkut com milhões de comunidades, nos blogs o blogueiro, escreve o que quiser e
seus leitores podem opinar, tem espaço para fotos, vídeos, textos, entrevistas é um grande canal de
comunicação. Os meios tradicionais como as revistas continuam fazendo seu papel e na internet
disponibilizam interatividade e é mais um canal de comunicação com o seu leitor. 4. Crescente,
principalmente nos blogs e sites. 5. Orkut: muito em alta, surgem sempre comunidades de acordo com a
modinha da hora
- Sites de moda, revistas, consultores, estilistas, entre outros: está cada vez mais especializado esse
meio. Acho muito bacana, porque quem se interessa nisso, corre atrás, vai em busca desses meios mais
especializados.
11. De acordo com a sua formação como avalia a cobertura do evento SPFW no portal Terra?
Profissionais 1. Não vejo uma diferença muito grande com relação à outra seção de notícia do mesmo
site. Acho que nas chamadas existe um foco desnecessário em notícias como “você viu que ficou
aparecendo o peito da modelo tal”, notícias que remetem ao universos de notícias de fofoca, o que
considero ruim. Gostaria de um foco maior nas informações técnicas sobre moda e tendências. 2. Não
acompanhei a cobertura, com o que pude avaliar a cobertura foi boa, noticias atuais, vídeos e várias fotos
ajudaram na interatividade do site com o evento. 3. Adequada ao meio, com todas as informações
disponíveis, porém falta um pouco de toque de moda no visual do site. 4. Levemente aprofundada em
notícias, mas carente de design arrojado. 5. Ótima, no contexto de conteúdo.
Estudantes 1. Bastante completa. 2. Total cobertura.3. A cobertura mais dedicada e mais ampla sobre o
assunto. 4. É uma cobertura abrangente, mostra alguns detalhes e tem link para principais destaques. 5.
Muito fraca e desorganizada.
Anexo Imagens Representativas - CD
149
150
Efemeridade, Individualismo e Multiplicidade na Comunicação.
Estudo de Caso: Cobertura da São Paulo Fashion Week no Portal Terra.
Aletéia Ferreira Vasconcellos
Orientadora: Dra. Adriana Amaral
UTP – Curitiba – 13/junho/ 2007
Resumo
O objetivo desse trabalho é analisar comparativamente algumas das principais características do
Sistema da Moda como efemeridade, individualismo (Lipovetsky, 1989) e multiplicidade (Mesquita,
2004), com a cibercultura como sinônimo da cultura contemporânea. Levantamos a hipótese de que
ambas possuem semelhanças em suas características elementares. A comunicação está conectada à
moda e à cibercultura e será o viés teórico que permite esse estudo a partir de autores como Jean
Baudrillard, Gilles Lipovetsky, Michel Maffesoli, entre outros. Como a moda é comunicada na cibercultura
e no ciberespaço? Pretendemos analisar tais questões a partir das relações entre a moda e a cibercultura
no contexto das redes. O corpus da pesquisa é constituído pela análise do maior evento de moda da
América Latina, o São Paulo Fashion Week em duas edições online, considerando suas estratégias
de comunicação e marketing nos eventos outono-inverno 2006 e primavera-verão 2006/07 no portal
de informação Terra. Observamos as transformações da passagem do evento para o contexto da internet e
de que maneira acontece a comunicação do evento em relação à moda no ciberespaço.
Palavras-chaves: cibercultura, comunicação, moda, marketing.
1. Moda
2. Cibercultura
3. Comunicação – Moda – Cibercultura
4. São Paulo Fashion Week na internet e no Portal Terra
Neste trabalho não temos a preocupação teórica com a indumentária ou com
o ato de vestir em si, mas com o processo comunicacional que
abrange o sistema da moda, da confecção à divulgação
jornalística, a comunicação, o marketing, a publicidade que se
dá nos interstícios entre o corpo, o vestir, a indústria têxtil, as
mídias e atualmente no ciberespaço.
A moda no Brasil e no mundo é uma importante fonte de
geração de renda e de emprego e um dos segmentos
comerciais mais promissores da atualidade. Esse mercado
passa por uma fase importantíssima de profissionalização.
A moda nasceu no final da Idade Média, como um diferenciador
social e de sexo. Na busca pela individualidade, a moda nem
sempre foi efêmera, múltipla, mas com o capitalismo seu
sistema aprimorou-se, profissionalizou-se e hoje estudamos,
pesquisamos essa moda com "prazo de validade".
A moda não está presente somente no vestuário, ela faz parte do
global e a tecnologia não está fora dela, pelo contrário está
constantemente presente.
A moda está presente nas ruas, nas vitrines, nos carros, no design,
na arquitetura, nos móveis, nas jóias, na simplicidade, no luxo, no
imaginário, na criatividade, na arte, na televisão, nas revistas, no
cinema, no teatro, no corpo e em outros diversos lugares, setores e
segmentos.
O foco do presente trabalho é a moda como processo midiático
e como essa moda é difundida na internet e no objeto de
pesquisa: o portal Terra através da cobertura do evento São Paulo
Fashion Week
MODA
MODO
Iniciamos com a Moda, a palavra cuja etimologia é cercada
de ambigüidades e muitas origens.
Abordamos a Moda no Brasil com um breve histórico e
panorama econômico do setor e nos estados de São Paulo,
Rio de Janeiro e Paraná.
Abordarmos ainda o Consumo da Moda, com um estudado
focado nas estratégias de comunicação e marketing na
relação moda, mulheres e erotismo.
Muitas empresas estão seguindo a evolução natural dos
negócios e agrupando os consumidores em grupos distintos,
semelhantes, com afinidades e a internet facilita muito esse
processo. Diversos softwares estão sendo desenvolvidos
para filtrar, agrupar e conhecer melhor cada nicho e
subnichos.
Cada vez mais o mercado de massa se converte em nichos.
MODUS
FACTION
MODE
FASHION
FAZER
ROUPAS
ESTILO
USO
Site Oficial da São Paulo Fashion Week
Disponível em http://www.spfw.com.br . Acesso em 15 mai. 2007
São Paulo Fashion Week no Portal Terra – 20a. Edição Outono/Inverno 2006
Disponível em http://moda.terra.com.br/spfw2006inverno. Acesso em 15 mai. 2007
São Paulo Fashion Week no Portal Terra – 21a. Edição Primavera/Verão
2006/2007
Figura 3. 21ª Edição São Paulo Fashion Week Verão 2007
Disponível em http://moda.terra.com.br/spfw2007verao. Acesso em 15 mai. 2007
Site Oficial do Fashion Rio
Disponível em http://http://www.fashionrio.org.br/port.html. Acesso em 15 mai. 2007
Site Oficial Crystal Fashion em Curitiba
Disponível em http://www.crystalfashion.com.br. Acesso em 15 mai. 2007
Moda, Mulheres e Erotismo - Publicidade Nacional
Disponível em http://www.ellus.com.br. Acesso em 23 abr. 2007
Alguns autores:
Gilles Lipovetsky,
Alison Lurie,
Edgar Morin,
Jean Baudrillard,
Mark Dery.
Ellus campanha verão 2007
Com a modelo e atriz Letícia Birkheuer
Colcci campanha inverno 2007 Com a modelo Gisele Bündchen
Disponível em http://www.colcci.com.br/portugues/1280/. Acesso em 23 abr. 2007
Moda, Mulheres e Erotismo - Publicidade Internacional
Disponível em http://www.victoriassecret.com. Acesso em 23 abr. 2007
Disponível em http://www.pvh.com/Brand_CK_Jeans.html . Acesso em 23 abr. 2007
Disponível em http://www.dolcegabanna.it Acesso em 23 abr. 2007
Moda, Mulheres e Erotismo – Games e Cinema
Tomb Raider (USA, 2001) e Tomb Raider: The Cradle
of Life (USA, 2003) com Angelina Jolie
Ada Wong, no filme Resident Evil 2 e 4 com
Milla Jovovich
Disponível em: http://www.gamepad.com.br/cont/download/superpoderosas_dos_games.pdf. Acesso em 04 mai. 2007
Moda, Mulheres e Erotismo – Desenho Animado para Televisão e Internet: City Hunters
Inspirado nos traços de Milo Manara
Disponível em http://www.cityhunters.com.br. Acesso em 23 abr. 2007
2. Cibercultura
Alguns Autores:
Norbet Wiener;
Francisco Rüdger;
André Lemos;
Pierre Lèvy;
Wilian Gibson;
Dominique Wolton;
Shery Turkle;
Steve Mann;
Donna Harraway;
Adriana Amaral;
Fábio Fernandes;
II Cibercultura
A cibercultura pode ser vista por diversos aspectos e ângulos por seus autores:
Lévy (2000) estabelece como análise da cibercultura, a interconexão, a criação
de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. Johnson (2001) foca sua análise
na interface e interconexões. Rüdiger (2004) começa por Fausto e Prometeu,
analisa diversos autores e propõe perspectivas do pensamento tecnológico
contemporâneo. Cáceres (2001) divide em quatro itens de análise, o seu
entendimento de cibercultura: a conectividade, a interatividade, a vinculação e a
comunicação. Lemos (2004) explora a socialidade e o tecnicismo, entre outras
inúmeras visões.
Cada autor possui uma visão da cibercultura.
Nós optamos por trabalhar com a cibercultura como sinônimo da cultura
contemporânea, com foco na comunicação da moda no ciberespaço
mediante o uso dos meios de comunicação, destacando-se entre eles a
internet, com a possibilidade da criação de laços sociais, comunicação
instantânea, troca de informações, imagens, vídeos, áudio, gerando a
comunicação entre o homem e a máquina, homens e homens,
máquinas e máquinas.
II Cibercultura
2 CIBERCULTURA
2.1 CIBERESPAÇO
2.2 MODA CYBERPUNK
2.3 CIBERMODA
2.4 MODA E A CIBORGIZAÇÃO DOS CORPOS
Como na cibercultura também há inúmeras
visões para o ciberespaço versão brasileira ou
cyberspace versão americana. Segundo
Fernandes, a
possibilidade de um mundo
completamente interconectado: a comunicação
universal, sem fronteiras, propiciada pelo
ambiente virtual e surreal que Gibson chamou
de ciberespaço – uma realidade consensual.
(2006, p.21). O ciberespaço para Lemos, é um
ambiente de circulação de discussões
pluralistas,
reforçando
competências
diferenciadas e aproveitando o caldo de
conhecimento que é gerado pelos laços
comunitários de potencializar a troca de
competências, gerando a coletivização dos
saberes. (2004, p.135).
Essa coletivização remete a Lévy (2000) para o
qual o ciberespaço é um receptáculo de uma
inteligência coletiva.
2.5 CARACTERÍSTICAS DA MODA NA CIBERCULTURA
2.5.1 Efemeridade
2.5.2 Individualismo
2.5.3 Multiplicidade
A moda Cyberpunk
Para Lemos, a moda Cyberpunk reflete bem o espírito do tempo. Caracteriza-se por ser um "estilo de rua"
composto de piercings, tatuagens, blusões de couro preto, óculos espelhados, roupas inteligentes (que mudam
de cor, adaptam-se à temperatura externa ou mesmo eliminam bactérias), até o uso de weareables computers,
tecnologias nômades, computadores que podem ser vestidos, abusa de materiais sintéticos, acessórios
provenientes da ficção-científica, roupas com circuitos eletrônicos, máscaras antipoluição, bijouterias com
sucatada da era digital (brincos de chips, colares com cd-roms, etc.). (2004, p.196).
Podemos perceber na obra de Gibson, Neuromancer (1984), que não há um estilo exato para o
cyberpunk através da descrição de alguns personagens: "A moça japonesa de camiseta preta sem
“mangás” (2003, p. 29).
"Wage vestia um terno de seda bronze metalizado e usava uma pulseira de platina em cada
pulso". (Id., p. 34).
"Molly usava roupa preta justa de couro um blusão estufado também preto, feito de um material
opaco que parecia absorver a luz". (Ib.,p.38).
"A garota enfiou os dedos na cintura da calça de couro e balançou para trás, equilibrada nos saltos
laqueados das suas botas cowboy vermelho-cereja. As biqueiras estreitas eram de prata
mexicana". (Id., p. 42).
"A alpargata branca brilhante da moça [...]" (Ib., p. 54).
"Case, levantou, enfiou o jeans preto novo amassado que estava a seus pés e ajoelhou-se perto
das mochilas". (Ib., p. 58).
"A garota vestia uma camiseta de malha escura enfiada dentro dos calções largos de algodão
preto". "Armitage estava usando um terno italiano escuro e segurava na mão direita uma pasta de
couro preto e macio". (Ib., p. 59).
A moda Cyberpunk
Disponível em: http://www.nabi.or.kr/upload/edit/Siggraph_cyberfashion.jpg. Acesso em 04 mai. 2007
Concluímos que não há um padrão para a moda cyberpunk, mas o preto e os materiais sintéticos
sempre estão presentes. Amaral complementa, a força dos cyberpunks está na sua ênfase em multiplicidade
e potencialidade na criação de imagens. [...]. Assim como no estilo punk, que em seus primórdios já utilizou
elementos como a suástica e os cabelos coloridos como forma de resistência, também alguns escritores
cyberpunks adotaram um visual próprio com o uso de óculos escuros e jaquetas de couro pretas. (2006, p.
133). Um exemplo no cinema é a trilogia Matrix e X-men.
Moda e Ficção Científica - Filmes
Filme: X-MEM o filme (2000)
Disponível em: http://www.x-men-the-movie.com
Filme: Matrix (1999, 2002 e 2003)
Disponível em: http://www.whatsthematrix.com
Moda e Ficção Científica - Filmes
Moda “Estilo Matrix” nos Filmes
Filme: X-Men 2 (2003)
Disponível em: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes
Filme: X-Men 3 – Confonto Final (2006)
Disponível em: http://www.x-menthelaststand.com
Filme: As Panteras (2000 e 2003)
Disponível em: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/panteras
Moda “Estilo Matrix” nos Filmes
Filme: MIB (1997 e 2002)
Fonte:http://adorocinema.cidadeinter
net.com.br/filmes/homens-de-preto
Filme: Minority Report (2002)
Fonte: http://www.minorityreport.com/
Filme: Aeonflux (2005)
Fonte:http://adorocinema.cidade
internet.com.br/filmes/aeon-flux
Filme: Ultraviolet (2006)
Fonte:http://adorocinema.cidade
internet.com.br/filmes/ultraviolet
Filme: Anjos da Noite (2006)
Fonte:http://adorocinema.cidade
internet.com.br/filmes/anjosnoite
Filme: The Gene Generation (2007)
Fonte: http://www.imdb.com/title/tt0438052/
A estética Cyberpunk na revista The Dose
Disponível em: http://www.thedose.info. Acesso em 01 mai. 2007
A estética Cyberpunk na revista The Dose
Disponível em: http://www.thedose.info. Acesso em 01 mai. 2007
The Cyberpunk Project
Disponível em: http://project.cyberpunk.ru/. Acesso em 04 mai. 2007
Cibermoda
Alguns Autores:
Steve Mann;
Luisa Paraguai Donati;
Eliane Rochinski;
Moda e Ficção Científica na Televisão
Série de televisão “Espaço 1999”
(1975-1978)
Série de televisão “Star Treck”
(1966-1969)
Disponível em: http://www.startrek.com Acesso em 01 mai. 2007
Série de televisão “Star Treck”
(1975)
Moda e Ficção Científica - Séries e Filmes
Disponível em: http://www.startrek.com/startrek/view/index.html . Acesso em 01 mai. 2007
Moda e Ficção Científica - Desenho animado e Filmes
Os Jetsons A moda na família do futuro
A moda na idade da pedra
Os incríveis A moda com tecidos especiais
Moda e Função
VERÃO 2007 - O desfile de Hussein Chalayan, em Paris, mostrou uma série de vestidos mutantes,
animados por computador. Tendo a história da moda como tema, Chalayan usou de modernos
recursos tecnológicos que transformavam um look vitoriano em um anos 20, um longo em
camadas em um anos 60, um vestido retinho se transforma no new-look Dior.
http://www.erikapalomino.com.br/erika2006/fashion.php?m=2324. Acesso em 01 mai. 2007.
Moda e Função
O Trainway,
nova linha esportiva da Puma, é um kit de shorts, camisa, tênis e jaqueta
(Trainway
Puma)
para corredores. A coleção inteira se "auto-empacotar” para facilitar o transporte.
http://www.trainaway.puma.com/pindex.jsp. Acesso em 02 mai. 2007.
Moda e Função
A empresa austríaca Urban Tools
desenvolveu a blusa com botões
para controlar tocadores de MP3.
A GrooveRider tem um bolso e é
compatível com diversos tipos de
aparelhos.
As calças jeans Redwire DLX da Levi´s
para iPod , os controles ficam no bolso, e o
o iPod é conectado por um cordão
vermelho, e os fones de ouvido saem na
sua cintura.
Top de ginástica com
bolso para iPod.
http://www.urbantool.com.au/shops/default.asp. Acesso em 01 mai. 2007
Disponível em: http://www.digitaldrops.com.br
Moda, Função e Tecnologia
Mystique - muda de
cor e de comprimento,
desde o joelho até o pé.
Os Handbags e o echarpe
advertem se você estiver a
ponto de sair da casa sem
sua carteira ou se você
necessitar um guardachuva para o dia.
Kinetic Dress –
inspirado na
época Vitoriana.
Muda de cor
dependendo da
atividade e da
temperatura,
surgindo círculos
móveis no tecido.
Disponível em: http://www.cutecircuit.com/now/projects/wearables Acesso em 30 abr. 2007
Moda, Função e Tecnologia
Hug Shirt a camisa é um acessório wearable para o telefone móvel transmite a sensação física de ser abraçado a distância através das redes
de telecomunicação. O processo é simples, é só abraçar a si próprio e
murmurar o nome da pessoa que vai receber o carinho. Se o outro estiver
vestindo peça com a mesma tecnologia, sentirá o abraço através de sensores
que simulam sensações como tato e calor.
Disponível em: http://www.cutecircuit.com/now/projects/wearables Acesso em 30 abr. 2007
Moda, Função e Tecnologia
Steve Mann o pioneiro em WearComp.
O WearComp (computador de vestir) é um microcomputador que faz parte de você, que é
controlado por você e está sempre disponível para você.
Ele vai bem mais além do que um laptop (computador de colo) ou um handheld
(computador de mão) porque você pode usá-lo enquanto está andando, fazendo compras ou
até mesmo jogando uma partida de tênis. Não é preciso ligá-lo ou desligá-lo: circuitos
especiais permitem que a corrente elétrica flua constantemente dele para o seu corpo e viceversa. Pode-se dizer que ele é o walkman da computação.
Disponível em: http://wearcam.org Acesso em 15 abr. 2007
A Moda e a Ciborgização dos Corpos – no cinema
Alguns Autores:
Donna Haraway;
Pierre Lèvy;
André Lemos;
Rűdiger
Qual a diferença entre robôs, replicantes e ciborgues?”
O robô é formado de matéria inorgânica, os replicantes de
matéria orgânica (manipulação genética) e os ciborgues,
protéticos de matéria orgânica e inorgânica.
Disponível em:http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes. Acesso em 04 mai. 2007
A Moda e a Ciborgização dos Corpos – no cinema
Disponível em:http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes. Acesso em 04 mai. 2007
A Moda e a Ciborgização dos Corpos – no cinema
Ameaça Borg - uma raça
cibernética no Filme
Jornada nas Estrelas –
Primeiro contato (1996).
Disponível em: http://www.trekbrasilis.net Acesso em 04 mai. 2007
A Moda e a Ciborgização dos Corpos – no cinema
Disponível em:http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes. Acesso em 04 mai. 2007
A Moda e a Ciborgização dos Corpos
Para Lévy, "os implantes e as próteses confundem a
fronteiras entre o que é mineral e o que está vivo: óculos,
lentes de contato, dentes falsos, silicone, marcapassos, próteses acústicas, implantes auditivos, filtros
externos funcionando como rins sádios" . (1998, p.30).
Rűdiger diz que: "[...] enquanto corpos, não somos mais
que uma espécie de máquina". (2004, p.38).
Disponível em: http://tecnologia.terra.com.br/interna Acesso em 04 mai. 2007
A Moda e a Ciborgização dos Corpos
Sony Ericsson e Fossil lançam
relógio controle remoto ligado ao
seu celular. Não se pode
conversar, apenas atender o
telefone, ver se você tem alguma
mensagem (sms), através do
MBW-100, que via Bluetooth com
seu telefone conecta, usa-o como
controle remoto para músicas de
MP3 instalada ao seu celular.
Disponível em:http://http://www.sonyericsson.nl/
Os óculos de sol Oakley THUMP
PRO com MP3 Player tem
capacidade de 256 MB, 512 MB e 1
GB. Eles tem o material
Unobtanium que reduz o suor e
mantém os óculos firmes no seu
rosto. A bateria do THUMP PRO
dura até 6 horas de uso, e a Oakley
oferece várias opções de cores.
Disponível em: http://oakley.com/products Acesso em 04 mai. 2007
Efemeridade, Individualismo e Multiplicidade da Moda na Cibercultura
A Efemeridade, ou seja, o novo, o moderno, as mudanças estão "alinhavados" na moda. Lipovetsky
complementa "A novidade tornou-se fonte de valor mundano, marca de excelência social; é preciso seguir "o
que se faz" de novo e adotar as últimas mudanças do momento: o presente se impôs como o eixo temporal
que rege uma face superficial mas prestigiosa da vida das elites". (LIPOVETSKY, 1989, p. 33).
O Individualismo na moda é a possibilidade reconhecida à unidade individual [...] de ter poder de iniciativa e
de transformação, de mudar a ordem existente, de apropriar-se em pessoa do mérito da novidades ou, mais
modestamente, de introduzir elementos de detalhe do seu gosto próprio. (LIPOVETSKY, 1989, p.47).
[...] a possibilidade de " multiplicação" da existência, diversificação, o "viver vidas diferentes" numa vida só
é extremamente sedutora. A moda é, sem dúvida, um precioso instrumento dessa construção. A roupa e as
imagens de moda estimulam o sujeito a romper limites identitários, a se metamorfosear. É como se a
indústria dissesse todo o tempo: "seja você mesmo, mas... se não conseguir ou se não estiver gostando,
estamos aqui, a postos, para ajudá-lo a se modificar, a ser mais parecido com o seu ídolo, a ter aparência
diferente, a tentar ser outra pessoa, que talvez lhe agrade mais". (MESQUITA, 2004, p.19-20).
Para Maffesoli, "a moda é multiforme e não se reduz só a práticas vestimentárias. Ela faz referência a um tempo
social, feito de momentos que se ligam, em um ritmo muito rápido". (2005, p. 170).
A efemeridade, o individualismo e multiplicidade da moda estão presentes na cibercultura e no nosso dia-a-dia e os
consumidores não podem escapar dela, pois são abordados pelo "tudo ao mesmo tempo" nas revistas, jornais,
anúncios na televisão, nas ruas com out-doors, back-lights, vitrines de lojas, na internet com banners, pop-ups com
anúncios de marcas, roupas, sapatos, bolsas, jóias, perfumes, acessórios, carros, baixando músicas, filmes,
histórias em quadrinhos (HQ’s), desfiles, novelas, entre outros.
Para os consumidores há a opção, comprar ou não comprar.
Efemeridade, Individualismo e Multiplicidade da Moda na Cibercultura
Disponível em: http://images.google.com. Acesso em 02 mai. 2007
Efemeridade, Individualismo e Multiplicidade da Moda na Cibercultura
Disponível em: http://images.google.com. Acesso em 02 mai. 2007
3. Comunicação - Moda - Cibercultura
Alguns autores:
Mattelart,
Miège,
Morin,
Goisciola,
Barnard,
Crane,
Carli,
Treptow,
Feghali,
Garcia,
Lipovestky,
Baurdrillard,
Lèvy,
Anderson.
Comunicação - Moda - Cibercultura
MODA
CIBERCULTURA
COMUNICAÇÃO
Trabalhamos com uma triangulação conceitual: Moda, Cibercultura
e Comunicação, sendo esta a base que sedimenta as outras duas
categorias desta pesquisa.
Comunicação e Marketing da Moda na Cibercultura
COMUNICAÇÃO - MODA - CIBERCULTURA
3.1 A MODA COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO
3.2 COMUNICAÇÃO DA MODA NA CIBERCULTURA
3.2.1
Comunicação e Marketing
3.2.2
Comunicação-Desfile-Publicidade
3.2.3
Exemplos de Comunicação da Moda na Internet
Comunicação da Moda na Cibercultura: Vídeos dos Desfiles
Os vídeos dos desfiles
“The Victoria’s Secrets Fashion Show”
desde 2001
podem ser encontrados no YouTube.
Disponível em: http://www.youtube.com/results?search_query=victorias+secret+show&search=Search. Acesso dia 02 mai. 2007
Comunicação da Moda na Indústria Têxtil
Disponível em: http://www.jeanstudo.com.br . Acesso em 15 abr. 2007.
Blogs de Moda
Disponível em:
www.erikapalomino.com.br/blog
www.fashionbubbles.com
www.espacodamoda.blogspot.com
www.oficinadeestilo.com.br/blog
A Moda no Orkut
Disponível em: http://www.orkut.com. Acesso em 15 abr. 2007.
A Moda no Orkut para lojistas
Disponível em: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=13161206821012591147 Acesso em 15 abr. 2007.
A Moda no Orkut
Desconexo lança ação via orkut
"Operação Esparta" disparou quase 500% número
de acessos ao site da grife
A grife Desconexo, do publicitário Pablo Guterres
contou com estratégia no site de relacionamentos
orkut para divulgar sua nova coleção. A “operação
Esparta” consistia em pedir aos seus amigos que,
por pelo menos dois dias, colocassem a logo da
marca no lugar das suas fotos do perfil, além do
site da empresa na primeira linha do “about me”.
O objetivo era conseguir 300 adeptos (daí sua
referência aos 300 guerreiros espartanos do
Rei Leônidas) através de seus 600 amigos.
Pablo mandou scraps, testemunhos e e-mails
explicando a operação Esparta.
A marca acredita ter sido visualizada
por cerca de 100 mil pessoas através
da ação. A comunidade da grife no
orkut cresceu cerca de 40% e o
número de usuários e o acesso ao site
disparou quase 500%, sendo
visualizado por internautas de mais
de 14 países. Making of no YouTube
Disponível em: http://www. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1506015 e www.desconexo.com.br . Acesso em 15 abr. 2007.
Estilistas na Cibercultura
O estilista Valentino vende suas criações online
Vestidos de até R$ 23 mil
são vendidos no site.
Disponível em: http://www.valentino.it . Acesso em 10 jan. 2007
Estilista vende na internet e faz parcerias: Alexandre Herchcovitch
Disponível em: http://www.herchcovitchloja.com.br/main.aspx Acesso em 04 nov. 2007
Estilista Lino Ventura – Site com a coleção Verão 2007
Disponível em: http://www2.uol.com.br/linovillaventura/index1.htm Acesso em 04 nov. 2006
Nova Geração de Estilistas vendem na internet
Vitrine e palco virtual.
Disponível em: http://www.weare-mono.com Acesso em 15 abr. 2007
Disponível em: http://www.punkstein.com Acesso em 15 abr. 2007
Consultores de Moda
Portal Terra, Glória Kalil – Chic, Moda e Consulotria por Claudia Manhães
Disponível em: http://moda.terra.com.br/consultoriohttp://moda.terra.com.br/consultorio Acesso 29 jan. 2007
Disponível em: http://www.chic.ig.com.br/ Acesso em 29 jan. 2007
Disponível em: http://www.modaeconsultoria.com.br/portal.asp Acesso em 29 jan. 2007
Portais de Moda
Portal Moda Brasil, UseFashion e Brasil Fashion
Disponível em: http://www2.uol.com.br/modabrasil Acesso 15 jan. 2007
Disponível em: http://www.usefashion.com Acesso em 15 jan. 2007
Disponível em: http://www.brasilfashion.com.br Acesso em 15 jan. 2007
Marcas e Lojas
Marca e Lojas Ellus (SP), Animale (RJ), Morena Rosa (PR)
Disponível em: http://www.ellus.com.br/inv07/port/index.html Acesso 06 mai. 2007
Disponível em: http://www.patachou.com.br Acesso em 06 mai. 2007
Disponível em: http://www.morenarosa.com.br Acesso em 06 mai, 2007
Ações Diferenciadas de
Comunicação & Marketing
Compra pela Vitrine – Polo Ralph Lauren
A tecnologia permite aos pedestres
comprarem as roupas que vêem nas
vitrines de uma de suas lojas em Nova
York, na Madison Avenue, apenas
tocando o vidro, com uma imagem
projetada de 67 polegadas mostra itens
como camisas pólo e roupas para se
jogar tênis. Os consumidores podem
comprar com toques de dedos na vitrine
mesmo quando a loja está fechada.
Disponível em: http://polo.com e http://mktdemoda.wordpress.com. Acesso 11 ago. 2006
Hstern Tour Virtual
Disponível em: http://www.hstern.com.br . Acesso em 15 ago. 2006.
Vicunha Stereophonics – Customiza Som e Moda no SPFW
No fim do processo, o visitante saiu
com um CD exclusivo nas mãos,
com uma trilha personalizada e
ainda podia escolher a capa com
desenhos e estampas exclusivos dos
estilistas parceiros Cavalera, Glória
Coelho e V.ROM.
Disponível em: http://www.vicunha.com.br/mp3/index.html. Acesso em 04 jul. 2006
Revista Elle + São Paulo Fashion Week no Celular
Disponível em: http://elle.abril.com.br/spfw/fw_verao_2007/celular.shtml. Acesso em 04 mai. 2007
Edição Limitada Rexona Crystal by Glória Coelho e Reinaldo Lourenço: Desfile online e capa da revista.
A ação contou com uma passarela virtual onde foi prestigiado o
trabalho de seis novos estilistas e mais o concurso cultural na
Capa com Rexona Crystal, onde as participantes montam a sua
própria capa, com foto, opções de layout e texto. As seis capas
mais votadas ganharam as roupas dos seis novos estilistas.
Disponível em: http://www.rexona.com.br/crystal/site/index.html. Acesso em 04 fev. 2007.
Blog Moto-à-Porter
A Motorola está investindo na sua ligação com a moda. Na edição da São Paulo Fashion
Week (janeiro de 2007) a empresa lançou o hiperblog Moto-à-Porter, buscando a
interatividade e maior contato com o seu público-alvo e com formadores de opiniões.
O projeto foi desenvolvido com a proposta de informar o público sobre as novas tendências
de moda e comportamento através do blog que foi alimentado por blogueiros convidados,
sendo 4 internacionais e 10 nacionais, que postaram, direto da Bienal, tudo o que
aconteceu no lounge da marca, nos desfiles, bastidores e corredores da São Paulo
Fashion Week.
Disponível em: http://www.motoaporter.com.br/blog Acesso em 27 mar. 2007
Ação Melissa Create Yoursefl e suas microcelebridades
A Melissa criou a campanha: Ação Create Yourself contratando quatro blogueiras celebridades do Brasil: MariMoon (São
Paulo) recebe cerca de 70 mil acessos mensais no seu blog, que fala basicamente de moda, Ímpar (Amazonense radicada no
Rio de Janeiro), faz a uma linha conselheira escrevendo sobre seu cotidiano e relacionamentos, recebe cerca de 35 mil acessos
semanais, Loly (Pernambuco) que adora tendências e música eletrônica recebe cerca 7000 acessos por semana e Maluka
(Santa Catarina), escreve de desabafos e declarações de amor recebe cerca de 4000 acessos por semana. Elas cobriram e
acompanharam de perto o maior evento de moda da América Latina a São Paulo Fashion Week e continuam atuando como
consultoras da marca, sugerindo dicas de moda, customizando peças e apresentando os novos modelos das sandálias Melissas no
blog e no site. Era da informação para Era da RECOMENDAÇÃO. (Anderson, 2006).
Disponível em: http://www.melissa.com.br/spfw Acesso em 04 mai. 2007.
4. Estudo de Caso
Pesquisa aplicada: case São Paulo Fashion Week no Portal Terra
Metodologia
Observamos as transformações da passagem do evento São Paulo Fashion
Week, no Portal Terra, tendo como corpus da pesquisa a cobertura da
20ª edição Inverno 2006 e 21ª edição Verão 2007.
para o contexto da internet e de que maneira aconteceu a comunicação
do evento em relação à moda no ciberespaço. Optamos pela pesquisa
aplicada com o método do estudo exploratório, com entrevistas
individuais.
Utilizamos a pesquisa qualitativa para busca de informações e percepções
dos participantes com uma entrevista semi-aberta e roteiro de questões-guia.
Trabalhamos com duas obras, dos organizadores Jorge Duarte e Antonio
Barros Métodos - Técnicas de Pesquisa em Comunicação - e com os
autores Martin W. Bauer e George Gaskell - Pesquisa Qualitativa com
Texto, Imagem e Som.
Metodologia – Seleção dos Entrevistas – Divulgação Pesquisa
A seleção dos entrevistados foi intencional: escolhemos aleatóriamente
15 profissionais e 15 estudantes da área de Moda, Jornalismo e Webdesign
( 05 de cada área) de diversas regiões do país.
A pesquisa foi divulgada em duas partes:
Primeiramente no dia 26 de fevereiro de 2007 no blog Espaço da Moda[1],
em 15 comunidades do Orkut ligadas a moda, jornalismo e design, através
de 35 recados(scraps) no orkut para amigos e 45 scraps para ex-alunos.
Como não obtivemos respostas suficientes, optamos por divulgar em outros
meios. A segunda parte da pesquisa foi realizada no dia 12 março com o
envio de 35 convites por e-mail para profissionais, 40 e-mail para ex-alunos,
15 e-mails para correspondentes e 15 e-mails para os colunistas do Portal da
Moda Brasil.
O critério para encerramento da pesquisa foi o recebimento das 30 primeiras
respostas no dia 23 de março de 2007.
[1] Disponível em: http://espacodamoda.blogspot.com/2007/02/participe-da-minha-pesquisa.html
Entrevistados
Na área da Moda entrevistamos: estilistas, lojistas/vendedores,
tecnólogos em moda e estilo, empresários, modelos, relações públicas,
fotógrafo e estudantes da Universidade de Caxias do Sul, Universidade
Federal do Paraná, Universidade Federal de Pernambuco,
Universidade Tuiuti do Paraná, Unicenp/Pr, Universidade Estadual de
Londrina, Anhembi Morumbi/SP e da Universidade de São Paulo.
Na área de Comunicação Social entrevistamos: profissionais e
estudantes de jornalismo e relações públicas da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, Feevale/RS, Universidade de Passo Fundo/RS,
PUC/Pr, Universidade Tuiuti do Paraná, Uniandrade/Pr e da PUC/SP.
Já na área de Webdesign entrevistamos: profissionais e estudantes
dos cursos de Design Industrial, Desenho Industrial e Webdesign da
Univali/SC, PUC/Pr, Faculdade Opet/Pr, Cefet/Pr, Universidade Tuíuti
do Paraná e Metodista SP.
Hipóteses
Hipótese 1
Com o desenvolvimento e acessibilidade da internet, as informações sobre o sistema da moda
são inovadoras e também se repetem na cobertura do evento São Paulo Fashion Week 20a. e
21a. Edição. A forma da comunicação é a mesma, mudando apenas as cores da estação,
as chamadas sensasionalistas,
dando grande destaque para os famosos e
apresentações diferenciadas nos desfiles como, por exemplo, encerrando os desfiles
com chuva e mulheres nuas. Mas será que o profissional e os estudantes conseguirão
visualizar essas diferenciações? Acreditamos que o profissional possua uma visão mais
aprofundada, mais específica da sua área diferenciando-se da visão e da opinião dos
estudantes.
Hipótese 2
A tecnologia proporcionou inovações que antes não possuíamos, como assistir os vídeos dos
desiles, participar de enquetes, imprimir fotos, entre outros serviços oferecidos no portal.
Acreditamos que os profissionais e os estudantes vão valorizar esses serviços e a
comunicação da moda na cibercultura.
Hipótese 3
Os profissionais e estudantes de cada área farão uma análise diferente, de acordo com
sua formação, ou seja, os de moda focaram mais nas roupas/moda, os jornalistas/estudantes
na comunicação e os webdesigners no design, na estrutura do site.
São Paulo Fashion Week no Portal Terra – 20a. Edição Outono/Inverno 2006
Disponível em http://moda.terra.com.br/spfw2006inverno. Acesso em 15 mai. 2007
São Paulo Fashion Week no Portal Terra – 21a. Edição Primavera/Verão
2006/2007
Figura 3. 21ª Edição São Paulo Fashion Week Verão 2007
Disponível em http://moda.terra.com.br/spfw2007verao. Acesso em 15 mai. 2007
Resultados
Apresentamos uma análise com foco nas características Efemeridade (E), Individualidade (I) e Multiplicidade (M) escolhidas para o
encontradas nas respostas dos entrevistados de cada área juntamente com a validação ou anulação das hipóteses 1, 2 e 3.
COMUNICAÇÃO SOCIAL
MODA
Primeira impressão do site
Primeira impressão do site
Características: (I) (E) (M)
Hipótese (H)
Características: (I) e (M)
OS profissionais de moda destacam o
Validada H1
Os profissionais e os estudantes tiveram a
excesso de informação,(M) ênfase nas
Visão diferenciada
m esm a percepção: um site de inform ação
celebridades, na nudez e não na moda. (E) (I) profissionais e
Estrutura do Site
Os estudantes também destacam o excesso
estudantes
de informação,(M) mas não percebem o
Características: (I)
destaque para a comunicação da nudez,
Os profissionais e os estudantes visualizam
fofocas e celebridades.(I)
que o site possui a m esm a estrutura e acham
Estrutura do Site
de fácil visualização e navegação.
Hipótese
Características: (I)
Cobertura do Evento
Características: (I) (E) (M)
Os profissionais e os estudantes visualizam
Anula H1
que o site possui a mesma estrutura e acham
de fácil visualização e navegação.
Cobertura do Evento
Características: (I) (E) (M)
Possuem visões
iguais.
Os profissionais e estudantes acham a forma
de divulgar é a mesma (I)
Os profissionais visualizam pelas cores (E, M)
Os estudantes pelas roupas (E, M)
Anula H1
Inovação/Tecnologia cobertura do evento
Hipótese
Validada H1
Validada H3 análise
pela formação.
Características: (I) (E) (M)
Hipótese
Os profissionais destacam os vídeos dos
desfiles e atualização constante (I, E,M)
Os estudantes destacam os vídeos e
ressaltam outros serviços como as enquetes,
direto de NY, você repórter (I, E, M)
Comunicação da Moda nas redes sociais
Características: (I) (E) (M)
Validada H2 valorizam
a tecnologia
Valida H2
Anula H1
Os profissionais e os estudantes vêem de
forma positiva e utilizam sites, blogs, orkut
entre outros (I, E, M).
Validada 2
Hipótese
trabalho que foram
Hipótese (H)
Anula H1
Validada H3
Hipótese
Anula H1
Hipótese
Os profissionais dizem que o que m ais se
repete no site é estrutura da inform ação, a
form a de disponibilizar as fotos, a repetição
nos tem as nas noticias e se diferencia pela
cor.
Os estudantes tiveram outra percepção
voltada para as celebridades, “paparazzi”, e
cores da estação.
Inovação/Tecnologia cobertura do evento
Validada H1
Características: (I) (E) (M)
Hipótese
Os profissionais e estudantes não viram nada
de inovador no site, alguns destacam os
vídeos e o grande núm eros de fotos, a
possibilidade de inteiração com o usuários
através das enquetes, vêem a tecnologia de
form a positiva proporcionando rapidez na
inform ação.
Comunicação da Moda nas redes sociais
Anula H1
Validada H2 e H3
Características: (I) (E) (M)
Hipótese
Os profissionais e os estudantes vêm de
form a positiva e crescente
Validada H2
Anula H1
Validada H3
Resultados
Apresentamos uma análise com foco nas características Efemeridade (E), Individualidade (I) e Multiplicidade (M) escolhidas
para o trabalho que foram encontradas nas respostas dos entrevistados de cada área juntamente com a validação ou anulação
W E BDES IG N
das hipóteses 1, 2 e 3.
Prim eira im pressão do site
Características: (I) e (M)
Hipótese (H)
Os profissionais e os estudantes perceberam o A nula H1
site da m esm a m aneira com m uita inform ação
Estrutura do S ite
Características: (I) (M) (E )
Os profissionais e os estudantes visualizam
que o site possui a m esm a estrutura e acham
de fácil visualização, destaque para as cores e
para a publicidade.
Cobertura do E vento
Hipótese
A nula H1
P ossuem visões iguais.
V alidada H3
Características: (E ) e (M)
Os profissionais perceberam que o evento
está ligado a im agem do portal Terra, e não de
um evento de m oda, um site de inform ação. O
que se repete é o apelo a sensualidade,
fam osos.
Os estudantes viram pelo aspecto em ocional,
o site transm ite, calm a, seriedade, luxo,
beleza, jovialidade e novidade.
Inovação/T ecnologia cobertura do evento
Hipótese
V alidada H1 e H3
Características: (I) (E) (M)
Os profissionais e os estudantes destacam
os vídeos dos desfiles e a cobertura com pleta
do evento. (I, E ,M)
Com unicação da Moda nas redes sociais
Hipótese
V alidada H2
Características: (I)
Os profissionais e os estudantes vêem de
form a positiva e dem ocrática.
Hipótese
V alidada H 2
Resultados
Concluímos que a individualidade está presente na percepção de cada
entrevistado, independente da sua formação e em alguns casos se diferencia
profissionais dos estudantes.
A efemeridade está presente atualização das informações e também no excesso,
na visualização das informações relacionadas as celebridades, famosos, que foi
observada pelos profissionais de moda e web e estudantes de jornalismos.
A multiplicidade se apresenta nas inúmeras percepções, opiniões e na cobertura
do evento, através das fotos, dos vídeos, das enquetes e da inteiração
(respondendo as enquetes, escolhendo as fotos, os vídeos) dos usuários.
Resultados
Hipótese 1 e Hipótese 3
Em alguns tópicos conseguimos validar a H1 onde profissional possui uma visão
diferenciada da dos estudantes, como por exemplo, os profissionais de webdesign dizem
que a imagem/identidade do evento está ligado a imagem do Portal Terra e não a de um
evento de moda, pois possui a imagem de um site de informação e sugerem que poderiam
ter mais recursos visuais que os identificassem com o mundo da moda. Os estudantes de
webdesign já possuem uma visão mais emocional do site, como calma, euforia, seriedade
com uma tentativa de sofisticação, luxo, beleza, jovialidade e novidade. Mas não possuem a
mesma visão dos jornalistas que acham que a imagem/identidade de um site de
informação, carregado e que poderia ser mais “clean”. Já os estudantes de jornalismo
acham que transmite a imagem de novidade, o mundo da moda, também passam a imagem
de informação, mas é muito poluído.
Os profissionais da moda acham que os site transmite a imagem/identidade de informação
superficial voltada para o público com baixo envolvimento com moda e alto envolvimento
com fofocas de celebridades, falam mais sobre as atrações do que das criações, tecidos,
pesquisas, é um site fofocas. Os estudantes de moda acham que transmite, beleza, poder por mostrar mulheres sempre bonitas e bem vestidas, mostra a mulher de bem com ela,
tudo é pasteurizado, ou seja, a mesma cobertura e da mesma forma em ambos, mudando
apenas alguns personagens.
Neste tópico a imagem/identidade que a cobertura do evento transmite, percebemos que
podemos validar a H3, pois cada área analisa com o ponto de vista na sua formação.
Resultados
Os profissionais de moda juntamente com os estudantes de jornalismo e de webdesign
visualizaram o destaque no evento para os famosos, celebridades, com foco nas fofocas,
mas os profissionais de jornalismo, de webdesign e os estudantes de moda, não tiveram
essa percepção, nesse tópico a H1 é anulada.
Os profissionais e os estudantes de todas as áreas não comentaram o diferencial no
encerramento dos desfiles com a chuva por Sommer (Outono/Inverno 2006) e
mulheres nuas por Cavalera (Primavera/Verão 2007) especificamente, sendo uma
inovação no desfile e destaque na comunicação dos eventos, uma das questões da H1
que não foi percebida.
Hipótese 2
A H2 foi validade a tecnologia e a comunicação da moda foi avaliada de forma positiva
pelos profissionais e estudantes, destaque para velocidade das informações, transmissão
dos vídeos dos desfiles, inúmeras fotos, abrangência, facilidade de comunicação e interação
através dos inúmeros blogs, comunidades no orkut e sites de moda na cibercultura.
Resultados
Concluímos que as características efemeridade, individualismo e multiplicidade também
estão presentes nos entrevistados e na cobertura do evento independente da sua formação,
profissional ou estudante.
A cobertura do evento está envolvida desde a produção até a divulgação como também
ocorre nos outros portais que fazem a cobertura do evento (UOL, IG, Globo, etc.) os quais
estão se apropriando das tendências comunicacionais tecnológicas, como os blogs, as
transmissões simultâneas dos desfiles, etc. eles ainda parecem estar presos à cobertura
tradicional da mídia de massa, não entrando muito na segmentação, na cauda longa de
(ANDERSON, 2006) ainda parece uma transposição das mídias tradicionais, mas no portal
podemos ver alguns indícios que estão abertos aos novos recursos, como por exemplo na
edição primavera/verão 2007 disponibilizaram a mega enquete para a escolha da melhor
top, melhor decote, acessório, peça mais bizarra, melhor biquíni, look feminino,
masculino e quem fez falta, o fale conosco, para enviar sugestões ao canal.
Mas não encontramos nenhuma cobertura do evento que deixasse o próprio usuário
contribuir, como por exemplo na produção do conteúdo, de fotos, um espaço onde ele
pudesse participar inteiramente, que é a nova tendência chamada de Web 2.0.
Resultados
Encontramos na cobertura do evento primavera/verão 2007 no meu menu interno um ícone
Vc Reporter explicando que é o canal de jornalismo participativo do Terra e convidando o
usuário para colaborar com a informações sobre o seu cotidiano e sua comunidade.
Mas nenhuma matéria foi divulgada sobre o evento São Paulo Fashion Week e também
não visualizamos nenhuma divulgação interna mais atrativa.
Um exemplo da WEB 2.0 que podemos ressaltar é o caso do hiperblog da Motorola que fez
a cobertura do evento, da empresa Melissa com a campanha Create Yourself, do
lançamento do Rexona Crystal, entre outras que virão.
Considerações Finais: outras pesquisas
A comunicação da moda é muita ampla na internet, no ciberespaço e na própria cibercultura
essa amplidão é intrigante e vimos que cada meio de comunicação pode ser estudado
profundamente através da efemeridade, individualismo e multiplicidade das comunidades
de moda no orkut, da moda dos e nos games, nos sites dos estilistas, da indústria têxtil,
nas lojas que revendem moda, imagens, erotismos, e no próprio comportamento dos
consumidores que consomem toda essa efemeridade da moda.
Outros estudos podem ser desenvolvimentos no segmento cibermoda-tecnologia, na junção
dessas áreas que podem gerar múltiplos estudos nos tecidos, no comportamento, no
consumo, na relação do ser humano com o corpo desbravando em novas áreas de pesquisa
na comunicação, na estética visual do cyberpunk, do ciborgue, do “estilo matrix”, no
ciberespaço no cinema, na ficção, nos mangás, nos HQ’s, entre outros.
A cibermoda e o meio ambiente é outro estudo riquíssimo que poder ser desenvolvido com todas
as áreas da moda, da tecnologia e principalmente no estudo consciente do meio ambiente.
O estudo possibilitou uma visão global e local da moda na cibercultura através de inúmeros
meios de comunicação e com certeza outros virão para estreitar novos relacionamentos
pessoais e profissionais do ciberespaço estimulando novas estéticas do cyberpunk, da
cibermoda, dos mangás, dos HQ’s, etc.
Considerações Finais:
Uma tendência é a Web 2.0 colaborativa que, como vimos ainda é pouco explorada no
sistema da moda. Acreditamos que seja um nicho que pode trazer inúmeros resultados
para os usuários e organizações. Por exemplo ainda não existe uma Wikipédia somente
do segmento da moda ou da comunicação ou da cibercultura.
A moda, a cibercultura e a comunicação fazem parte do sistema complexo do qual
vivemos na sociedade contemporânea, conseguimos com este trabalho, apresentar as
novas formas de comunicar a moda na cibercultura e no ciberespaço e provamos que
há relação das características efemeridade, individualidade e multiplicidade da moda
com a cibercultura.
Obrigada!
[email protected]
http://espacodamoda.blogspot.com
Obrigado GALERA!!
Download

MODA - CIBERCULTURA