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CURT NIMUENDAJú
ASPECTOS DE SUA VIDA E DE SUA OBRA
Expedito Arnaud (*)
A BSTRACT
Biblioteca Digital Curt Nimuendajú
http://www.etnolinguistica.org/biblio:arnaud-1983-curt
! ,
This articlc rc fers to the lifc anti work of thc etnologist '.lrt
(Unkel) Nirnuendajú. Hc was bom in Jcna (G errnany), in April 17, .1. · 3.
l n l905, hc got in touch with Guaraní Tndians (São P aulo). Hc Cú • (..
nue<l his studie'i a mong m any o:ha grou;is until his death i1; f)~cém· ,
10, 1945. Afta thcse studics he madc , rnonurn.:ntal eth : · ~ tor ; ·!
map and has publis;1cd 50 #Orks. The • iost important of ti · . v;o, · ·;
ue trnnslated into German and Engfü,h .
1
. 1
Curt Unkel nasceu na cid ade de kna (Turíngia), situada l'lét Alemanha Centr:il, cm 17 de abril de 188 3, e teve como ~'ais Julius e Maria
Unkel (Pereira, 1946:9). Seu pai, Ctlle era comerciant~, faleceu por ocasião de viagem realizada a Moscou, logo no primeiro ano do nasci.1 cnto
do filho (ou um pouco mais tarde); e decorrid r. rnois algum tçmp o verificava-se o falecimento de sua mãe. Passou ed~o Curt a ser cri~do a
princípio, por uma avó e depois por uma tia (Schaden, 1978:E).
Na linguagem expressiva de Nu nes Pereira, a Tt:ríngia é "uma região
elcitn por extensas e imponentes associações vegetais, c:c-nominada· geo-
graficamente 'floresta da Turíngia' e, poeticamente, ' o coração ver_<lc da
Alemanha" (Pereira, 1946:9). Assim, aprendeu Cnrt, .tincla no berço
natal, "a amar as florestas com as suas lendas e as suas tra<l ições, os seus
seres e suas divindades ... " (lbiu.: 10). Na cscoí<1., organizou com alguns
colegas "uma pandilha de índios", que era µrn ticada nos bosques de
lena, daí lhe nascendo, provavelmente, o desej•J <le ;;:gum dia viver com
os indígenas (Schaden, 1978: 8). Logo que term; ~wu o curso secundário
foi trabalhar como mecânico ótico na fábrica Z:ei:;:;, onde passav<'. muitas
horas estudando mapas e lendo tudo o que exi~:ia, na biblioteca da fábrica, sobre os índios da América do Norte e elo Sul (Ihid .). Ao mesmo
tempo, fazia exercícios de tiro ao alvo no bosque de Jena, a fim de
prepar:ir-se para a vida na selva (Ibid.).
E?11 1903, com a ajuda de sua ineia i:-tnã, professora, que l!H~ custeou
as despesas (informações do médico FriL~ Cappcler, de Ilad Salzungen,
(+) Do D epar tamento Je Ciências H um anas Jo Museu P araensc
-55--
Emíl io Gocldi .
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faleci do cm 1965) (lbid.), conseguiu v1a1ar para o Brasil em companhia
de outros emigrantes, havendo fixado residência cm São Paulo (Pereira, ·
1946: 15). Não se sabe que tarefas realizou nos dois primeiros an os de
permanência. Porém, como ele mais tarde revelou, ainda em 1905 estabelece u contatos com os índios Gu::r:• ní clu oeste de São Paulo, entre
os quais viveu, com poucas interrupçi:
até 1907, ano em que foi aceito
como membro da tribo com todas as ccrimônias, recebendo o nome indígena Nimuendajú ("aquele que fez residência entre nós") e que acabou
por adotar (Nimuendajú, 1978:28).
Durante os três anos seguintes esteve entre os K aingang (também
conhecidos por Coroados), entre os Ofaié-Xavante e entre os Terena
(Chané), mas sem deixar de man ter contatos esporádicos com os Guaraní. Já então se encontrava trabalhando no Museu Paulista, dirigido
pelo seu compatriota Herma nn von Ihe ring, o qual , em 1911, disse haver
recebido "especial auxílio do Sr. Kurt Unckcl, amigo enthusiasta e b om
conhecedo r dos índios, resultando de suas expedições a serviço cio Museu,
no ano passado. . . novas e importantes inform ações que vieram corrigir
em parte as anteriores" (Baldus, 195 4:8). O mais· importante resultado
dessas viagens foi a verificação da diferença lingüística entre os Xavante
1
de São Paulo e os de Mato Grosso (Ibid.).
Possivelmente, por uão se coadunar com as idéias de von Ihering,
que passara a considerar os índios como um empecilho para a civilização
e precon izava o seu extermíni o, ing ressou Nimuendajú no Servi ço de
Prcteção aos índios, em 1911 (um ano após sua fundação), por melhor
se identi fiéar com os ideais humanísticos de R ondon1. Logo em 191 1 e
1912 visitou os gru pos indígenas situados a oeste e na r egião costeira
de São P aulo (Guaraní, Kai ngang e Kaiguá); e, em 1913, esteve em
contato com grupos do Paraná (Kaingang) e do sul do Mato Grosso
(Opayé, Guaraní e Kai guá) (Pereira, 1946:5 1).
Ainda ~10 1913 resolveu mudar-se parJ a A:1 1azônia. Entre 19~5
e 1921, viajando por conta própria ou a serviço do Museu P araensc
Emílio Goeldi, realizou Nimuendajú observações entre os T embé, Aparaí,
Araras e Kay'apó (Ibid.:25-26). E m 192 1 e 1923, a convite do Inspetor
do S.P.I. Bento Lemos, sediado em Manaus, participou da pacificação
dos Parintintin, na época considerados os índios mais aguerridos do território brasileiro. Sua população não excedia, em 1922, a 250 indivíduos
(cerca de 50 guerreiros), mas puderam exercer "do mínio sobre um territário de 440 km ~, rechaçando índios ou civilizados que deles se acercassem" (Ribeiro, 1962:63-64); e estendiam suas "correri as'', segundo falou
o próprio Nimucndajú, através dum a área aproximada de 22.000 km 2
(Pereira, 1946:3 2).
As per.ipéci as havidas no decorrer da pacificação expôs Nimuendajú
em diversos relatórios envi ados ao S.P.J. e e m um artigo publicado no
Joumal de la Société des Américanistes de Paris (Ibid.:33). Sua na rrati va da últim a fase de uma das pacificações foi r cj. ·oduzida extensamente
-56-
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1. :33). Sua narra.1ida extensam:;nte
p or Ribeiro ( 1962:67-80). Com rcspcilo às siluações ve rifi cadas após a
p aci ficação, assim escreveu Nimucnclajú: "Uma proteção pressupõe a
superio rid ade do proteto r sobre o protegido. Foi exatamente o que ainda
não conseguimos. Ainda poderemos durante anos receber pacificame nte
os P arintintin no Posto ... mas a pacificação se rá uma ilusão enquanto
os índios n ão nos recon hecerem como uma autoridade. Todos os esforços
d evem convergir ago ra sob re es te ponto" . E aco nselhava : " ... c m prim eiro lugar, tanto o encarregado do Posto como os trabalhadores, devem
se comportar como ho mens sérios e respei tá veis . . . evitando uma intimid ade demasiada com os homens, e mais ainda com as mulheres . .. "
(Pereira, 1946:33).
Dm 1922, ano cm que ad quiriu a cidada nia brasileira e passou
a adotar oficialmente o sobrenome Nimuenclajú, o eminente e tnólogo
Erland Nordenskiold, do M . '; U de Gotembu r)~O (Suécia), por intermédio
çlo Consulado da Suécia em Belém do Pará, en trou em con tato com e le,
. já reputado como "um dos melhores conhecedores dos índios do B rasi l"
(Faria, 1981:18). A partir de e ntão, a cooperação entre ambos ;~::· -ct:,uiu. sem interru pção , tendo o Museu de Gotemburgo lhe mani ~c~;. !o
"o maior reconhecimento por todas as coleções cio BL asil que e le ob L." _,
e que foram feitas não somente com o maior cuidado, mas tamb ém frcqüe ntcmentc com uma bela audácia" (lbid.).
Ainda para o Museu de Gotc mburgo, entre 1922 e 1926, realizou
escavações arqueológicas na Ilha de Ma rajó, T a pajós, Trombetas, Jamundá, Cariana, Oiapoque, Madeira, A ulaz e Tocantins (Pereira, 194r1:
51 -52). E m 1925, estudou os Palikúr e os demais índ ios do U açá; c:.1
19 26 os Mu ra e os ~fondurukú (MaJcira); e, c m 1927, os l3aniw.t,
'
.
Wanána, Tariana, Tukáno, Makú, etc., nos rios N ~ro, ~, a na e Ua n: ·:;
(Ibid.) . Já s ub vencionado pelos muse us de H amburgo, Drc-;den e L eip1. ~'
ao mesmo tempo e m que obtinha coleções etnográficas, realizava obse rvações entre os Guajá, Canelas, Apinayé, Xerente, Krahó e Tukúna
(1 929) (Ibid.:27--5 2).
A p artir do início da década de 1930, até por vol ta de 1940, a
p ri ncípio sob os auspícios do Instituto Carnegie e depois da Universidade
da Califórnia, alé m de efetuar pesquisas entre os Fulniô e S11Pi ru 0Pe rnambuco), passa a estudar de modo in tensivo os grupos Jê - R amkokamckra-Canelas, Apinayé e Xerente (lbid). Ao mesmo tempo, inicia ur· .
proveitosa colaboração com o famoso antropólogo Robert L owie (anK ricano J e origem a ustríaca), que se tornou desde então o editor de suas
monografias, ~om quem escreveu dois trabalhos em co-auto ria.
Em 1934, após muitos anos de ausência, viajou até a Europa onde
avistou-se com os amigos do Museu de G otemburgo e reviu rapidamen te
a Alemanha (Ibid.:27). Em 1935 e 1936, voltou a pesquisa r entre os
C a nelas; e m 19 37, esteve e ntre os A pinayé e os Xercnte; em 1938 e
1939, percorreu a Bahia, M inas e Espírito Santo, havendo realizado
obse rvações entr~ os Patax6, Kamaká, Masakari e Botocuclos; cm 1940,
- 57 -
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.·
v1s1tou os Gorotíre-Kayapó no Xingu (Ibid.:52); e, em 1941 e l 942,
este ve longamente estudando os Tukúna no Alto Solimões (fronteira do
Brasil com o Peru e a Colômbia) , os qu ais havia observado, preliminarm cntc, em 1929. Acontece que, por ocasião da estada de 1942, em razão
d e sua origem al emã, Nimucndajú foi preso e conduzido a Manaus, onde,
entretanto, foi logo desfeito o engano, tendo sido solto, segundo soubemos,
p or intervenção de vários amigos, inclusive de D. H eloísa Torres, Diret ora do Museu Nacional.
Em fins de 1941, começou a ministrar um curso no Museu Goeldi
sobre culturas indígenas, b em como sobre os In cas, os Maias, os A ztecas,
os Apaches, os Iroqueses e os povos da costa d os EE.UU., para cinco
alunos - Emília Dyc r, E valda Falcão, Lígia Estevão de O liveira e Maria
de L ourdes Jovita (Ibid.: 19-60). Em 1942, confeccionou a primeira versão
do seu famoso m apa etno-históri c·' para a Smithso njan I nstitution e elaborou mapa com as tri bos exis tentes no Estado do Pará para a 2.ª Inspetoria Regional do S.P.I., então chefiada por José Maria da Gama M alcher, com q uem mantinha fortes relações de amizade. E, em 1943, realizou para o M useu Emílio G oeldi a segunda cópia do m apa etno-histórico.
A inda em 1943, v iajou até o Ri o de Janeiro a convite de Rondort,
q ue lhe pretendia entregar a chefia tias investigaçõ es do Consel ho Nacional de Proteção aos ln dios (Emrnerich & Le'ite, 1981: 29). Aí foi
acometido de proble mas d e saúde, h avendo os médicos lhe aconselhado
a abando'n ar de finitivam ente a vida que v inha levando. Então escreveu
cartas a Robert Lowie e a Alfred Métraux nos seguintes te rmos: " P ortanto, d epois de quase 40 anos, a minha atividade em convivência com
os índios / chegou ao seu fim, quando eu menos esperava. O Sr. compreenderá como isso m e entristeceu, sabendo corno sabe que essa vida
era toda a minha satisfação. Al ém do que, eu pensava de fazer ainda
muit as coisas que agora talvez nunca mais serão feitas" (Ibid.). Para
Herbert Bald us assim escreveu: "Parece-me impossível que eu não veja
mais os campos dos Canelas banhados pelo Sol, nem as matas sombrias
dos T ukúna. :Mas t erei de conformar-me trat.indo de com eça r uma nova
vida" (Ibid.).,
Em ag·o sto de 1944 terminou o curso sob re culturas indígenas, que
começara a ministrar em 1941 no Museu Emílio Goeldi; e em setembro
d o mesmo ano começou a terceira versão do m ap a etno-histórico para
o Muse u Nacional. A r espeito deste trabalho, em carta dirigida a D. H eloísa Torres, expressou-se do seguinte mod o: "Comecei o trabalho do
mapa no dia 5 de setembro, vae progredindo devagar porque não aguento
ma is que umas 5 horas por dia na posição forçada a que o tamanho do
mapa me obriga. Creio que estará pronto a té o fim do anno. Quando o
mapa chega r no Museu, a Sra. me dirá se isto é ou não um t rabalho
de 4 meses" (Ibid.).
Entrementes, dirigiu uma carta ao presidente ela Fundação ~ · asil
Central (Ministro João Alberto), desligando-se do compromisso que havia
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assumido pa ra instal M
tendo tido conheciml'P"
tins (subordinada a J·.
p ara p ossível ernprci~'·
que n ão p oderia trai':·
com granadas, etc ." (,·
A despeito c! <t.·
jando para o Alto Sc.:i
G oeldi e do Muse u ~'
sobre a língua e
m· ,,
zembro do aludido él n0
te n o cemitério de S-.
Ol ivença (Amazon a~ ). 1
Braz de Aguiar, Ch e fe'
Chefe ela 2.ª Inspet<';
Coelho, Diretor do M"
foi in augurada umn ''
Goeldi, onde a tualm l'1
a
Os r estos mort ai:,
'1957, tendo sid o tran sl
sitados em u rna fu nc r<
ciedade Brasileira el e S
na sepultura 21 (qu '."'
SP), ao lado do j;i:·
1920, havia ofereci.
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casa" (Hartmann, J l.
Nimuendajú 1.
sua propriedade, si t
conservada na fciç fü,
a mais trad icional (:
com D. Jovelinn Ni·
lhe r·roporci onou fí:'
Assim que f::l k
do S.P.I. (José M ari,
res, no sentido de (,
D. H eloísa concord a(:
D. Jovelina, m c nsaln
de 1949 / 50, qu a n do
importância de Cr ~.
uma casa para D . .1
já tin ha ela vencli d<
A parti r de c 1
de iro de D . Jovc li :1,
-~·-~··'\.
, cm 1941 e 1942
,> limõcs (frontei ra d~
ib:;crvado, prel im ina rde 1942, cm razão
11;ióo a Manaus onde
to, segundo soubemos'
Heloísa Torres, D ire-'
assumido para instalar um museu etnográfico cm Aragarças. Isto porq ue,
tendo tido conhecimento de que o direto r da Estrada de Ferro do Tocantins (subo rdinada a F.B.C.) b.tvia conduzido duas caixas com granadas,
para possível emprego contra os P arakanân e o utros índios, considerou
que não poderia trabalha r para uma instituição que "tratava os índios
com granadas, etc." (informação pessoal de José Maria Malcher).
''ª
A despeito das recomendações médicas, N imucndajú acabou viajando para o Alto Solimões, cm L945, sob os auspíc ios do Museu Emílio
Goeldi e do Museu Nacional, na tentativa de prosseguir suas pesquisas
sobre a língua e a mitologia cios Tukúna. Aí faleceu no dia 1O de d~­
zembro do aludido ano, havendo seu sepultamento ocorrido no dia seguinte no cemitério de Santa R ita de Weil, Município de São P aulo de
Olivença (Amazonas). Em junho d e 1946, por iniciativa do Comandante
Braz de Aguiar, Chefe da Comissão de Limites, de José Maria Malcher,
Chefe da 2.ª Inspetoria Regional do S.P.I. , e de Inocêncio Machado
Coelho, Diretor do Museu E,nílio Goeldi, em home nagem a 1Iimucndajú
foi inaugurada uma placa de bronze na sala da biblioteca do M useu
Goeldi, onde atualmente funciona o Departamento de Museologia.
trso no Museu · ioeldi
os Maias, os Aztccas
, EE.UU., par a ci nc~
> de Oliveira e Mari a
i-:iu a primeira versão
.i:m Institu tion e ela1rá para a 2.ª Inspe; :iria eia Gama Mal'" E, em 1943, reamapa etno-histórico.
co nvite de Rondon,
-: do Conselho Na. 198 1:29). Aí foi
:os lhe aconselhado
;do. E n tão escre\·Cu
1intes termos: "Pore m convivência com
>pcrava. O Sr. com> sabe que essa vid a
usava de fazer ainda
feitas" (I bid.) . Para
·d que cu não veja
,1 as matas sombrias
começar uma nova
'r uras indígenas, q ue
dd i; e em setembro
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'J anno. Quando o
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. Fundação Brasil
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Os restos mortais de Nimuc ndajú fora m exumados cm h vereiro de
1957, tendo sido transladados para o Museu Paulisl . onde :"1..a ram clc:)ositados cm urna funerária, tipo igaçaba, mandada '-'- nfeccionar pela Sociedade Brasileira de Sociologia. Em 1981 ocorreu seu enterro definitivo,
na sepultura 2 1 (quadra IV) do cemitério do Redentor (em São Paulq~
SP), ao lado do jazigo de um seu amigo (Paul Alicke), a quu n , em
1920, havia oferecido um exempla r de se u trabalho sob re os Apapokuva-Guaraní, como "lembrança das visitas dos índios em sua hospitaleira
casa" (Hartmann, 198 1/82: 187).
" Nimuendajú r esidiu, em Belém cio Pará, numa m.odesta casa de
sua propriedade, sita à travessa do Chaco (bairro do Marco), até hoje
conservada na feição original e cm cujo qu intal plantou vários pés de kupâ,
a mais tradicional entre as plantas cultivadas pelos Tirnbira. Era casado
com D. Jovelina Nimuenclajú, uma mulher de origem humilde que não
lhe proporcionou filhos.
1
1·
í
•
Assim que faleceu Nimuendajú, o C hefe da 2.ª Inspétoria Regional
do S.P.I. (José Maria Malcher), entrou em contato com D. Heloísa Torres, no sentido de que o Muse u Nacional adquirisse seu acervo. Tendo
O. H cloísa concordado em faze r a aquisição, passou o Museu a envia r para
D. Joveli na, mensalmente, a importância de Cr$ 1.000,00, até por volta
de 1949/50, quando ocorre u a compra definit iva do aludido acervo pela
importância de Cr$ 80.000,00. Com o saldo verificado, foi adquirida
uma casa µara D. J ovelina, pois aquela que o marido lhe havi<1 deixado
já tinha ela vend ido .
A partir de então, e durante vanos anos, foi descon hecido o paradeiro de O. Jovelina, até que a(inal a localizamos, já em fins da década
-59-
:. \·
·l;
•
1
J
de 1960, cm estado de pcnuna. H avia Ycndido a nova casa e sobrevivia
como l avadeira, residindo cm compan hia ele uma fa1nília n um longínquo
subúrbio de Belém. Nos últimos anos de vida passou a desfrut ar de uma
m odesta pensão concedida pelo governo do E st ado do Pará, em atenção
a um pedido feito pelo Sr. Miguel Silva, fun cionário do Museu Gocldi.
Em complementação a essa parca remuneração, os pesquisadores do
D cparlamcnlo de Antropologia do Museu passaram a lhe proporcionar
u m:-i ajuda, mensalmeníe. M as considerando as condições precárias cm
qm: ela vivia, o Dr. Luiz S,.. 1ff, Diretor do Museu, após haver possibili tado seu tratamento no hospital da Santa Casa d e Misericórdia, conseguiu interná-la no A silo
Macedo Costa, onde ela terminou tranqüilamente os seus dias, em J972.
Em 40 anos de at ividades, Nimucndajú efetuou estudos e ntre 45
grupos indígenas distintos, aproximadamente. Afora isso, como vimos,
obicve numerosas coleções etnográficas e arqueológicas, as quais forneceu
às instituições a que esteve ligado. Como salientou F~ria (1981 :20),
"ele fornecia matéria-prima ... mas nunca se interessou pelos objetos em
si, pe la tecnologia em si, nem pela origem e distribuição dos traços e
complexos da cultura"; entretanto, "acompanhou .. . muito de perto, os
procedimentos de Paul Rivet. . . em termos de coleta de vocabulários e ~
procura de afinid ades entre as diversas línguas indígenas".
Segundo ·P ereira (1946: 30-31 ), também merecem referênci a seus
estudos sobre o "curare ou guré", cujo preparo entre os Tukúna "conseguiu acompanhar passo a passo. . . e levou vivo p ara B elém material
botânico importantíssimo, vivo e exsicata, tendo realizado um estudo completo tamb ém da confecção da zarabatana". Mas, pode-se dizer que
Nimuendajú foi alcançar seus mais merecidos méritos p ela acuidade de -·
s"tias d escriç9es e análises das economias, organizações sociais, usos, costumes, cerimoniais e ideologi as dos grupos que estudou, e cujas m onografias a respeito sempre p rocurou preceder com históricos b em fundam entad os e carâcterizações territori ais.
Sem possuir uma formação acadêmica, como seus ilustres predecessores e co ntemporâneos (von Martius, von ·de n Stein, K oeh Grünbcrg,
M ax Schmidt e outros), conforme Schaden (1978: 10), orientou-se inicialmente nas p esquisas através de um velho compêndio de etnografia geral,
de meados do século passado (Die V olker der Erdball, de Henreich Berghaus), mas foi melhorando seus conhecimentos, não só através da leitura
como da correspondência mantida com antropólogos de renom e, sobretudo com Robert Lowie.
Balclus (1954:484-492; 1968:508-51 O) menciona 46 publicações de
Nimuendajú, sendo 18 com títulos em ale mão, 15 em português, 10 em
inglês, 2 em francês e 1 em espanhol, sendo 4 em co-autoria (2 com
Robert Lowie). Afora essas publicações, foram di vulgados, através do
-60-
H a11dbook of So111/J
2 cm p a rceria com /\ ·
Segundo J.a ria (
Mu se u Nacional, nãu ·
gação, mas sim "ai.:·
qua nticlacle de anot ac,·· ·
de c:-impo, levanta m .
ccnjunto sem dú viJ ~t
vista di sso, considera '
só poderá ser dccidi cl.
respeito aos c ritéri os l '
jú" (Ibid.). N ão tcmoum a cole tâ nea de ":llr
e scabrosas e ob:;enas I!1
sob o título de trezcn!.
A obra lingüístiL
em complementação a
vocabulários, inclusive
(1959:5), "apresent a d t'
de muitos de nossos p·.
surpreender e registrar •
u sando um método de
português ou do alemão··
mante defin ido. . . rc s.,~: ·
um info rmante não-n :c1
seguro de sua língua o
Assim, tais predicado"
exação e absoluta p:
Nimuenclajú " n ão ll S:l '.
e, às vezes, as ind ic:1\.
ele não cogitava "ex~·:
subsídios" (lbid.).
D e ntre os arti go<;
um deles a respc:t : lk::
titui "um exemplo pt-.
choque cultu ral. M ost1 ;,
povos que , ignorando t
morizam e se prejudica m
um
Através de
O ll
re-se ao esfacelamento lk
bandos e às situações d~
razão do s seus contalos •
tempo, fala a respeito ele
contatos Consta nti no
S.P.J.) e Horácio Bannc1
···'a casa e sobrevivia
.ul ia num longínquo
a desfrutar de uma
'•) Pará, cm a tenção
· do Museu Goelcli.
" ' pesqu isadores do
a lhe proporcionar
' diçõcs precárias em
após haver possibi.it.: Misericórdia, con~ ela terminou tran-
iou estudos entre 45
isso, como vimos,
as quais forneceu
•' li F!!ria (198 l :20),
>1 1 pelos objetos cm
'1 uição dos traços e
muito de perto, os
de vocabulários e
.t
"lS ,
') ",
·m
referência seus
«S
Tu k(ma "conse-
. ia
J clém material
Jo um estudo compodc-se dize r que
·, pela acuidade de
' sociais, usos, cos;Jou, e cujas mono~ Lóricos bem fundaseus ilustres predcin, Koch Grünberg,
·. orientou-se inicialde e tnografia ge ral,
.' , de H enreich Berg,, através da leitura
de renome, sobre-
1
4 6 publicações de
português, 10 em
co-autoria (2 com
!:_>.ados, através do
l!a11dbook nf Soutlt Americmi l ndiw1s, mais 13
2 cm parceria com J\lfrcd Métraux.
arti go~
cm inglês, sendo
Segundo Faria ( 19 8 1:2 1), no arqu ivo <.le Nimucndajli, adqu irido pelo
Museu Nacional, não existe nenhum manuscrito inédito pronto para divulgação, mas sim "além dos originais de suas publicações, uma grande
quantidade de anotações de todo tipo - transcrições, comen tários, notas
de campo, levantamentos topográficos, listas de palavras. . . enfim, um
conjun to sem dúvida muito valioso, mas desordenado, de materiais". Em
vista disso, considera que "a publicação de qualquer parte desse material
só poderá se r decidida após trabalho exaustivo de avaliação, isto com
respeito aos crité rios extremamente rigorosos do próprio Curt Nimuendajú" (Ibid.). Não temos elementos pa ra dizer se entre esse material existe
uma coletânea de "300 histórias, lendas, contos, etc., na !>Ua maioria
escabrosas e ob:::cnas mesmo ... que pretendia publicar num grosso volume
sob o título de trezentas", conforme aludiu Pereira ~ 1946:46).
A obra lingüíslica de Nimuendajú, disseminada em 1O artigos e
em complementação a trabalhos etnológicos, consistindo de textos e
vocabulários, inclusive de cunho comparativo, no dizer de · Câmara Jr.
(1959:5), "apresenta duas preocupações, que se destacam em qualida(~•-:.
-:le •nuitos de nossos ::iesquisadon·~ da época". A primeira ·consis te em
surpreender e registrar os sons lin ; üísticos na "sua realidade fçmética,
usando um método de transcriç ~·i o ad-ltoc e não a grafia usual do
português ou do akmão". A segunda é a de tomar, cm regra, "um informante definido. . . ressalvando os casos em que teve de socorrer-se de
um informante não-nativo, ou em que o informante nativo era pouco
seguro de sua língua ou as condições eram desfavoráveis à coleta!' (Ibid.) .
Assim, tais predicados "dão ao seu trabalho li n ~ üístico um alto teor de
exação e absol uta prcbiclade" (Ibid.). Como deficiência, considera ·· e
Nimuendajú "não usava um sistema fixo e cabal de transcrição fo n( · La
e, às vezes, as indicações se tomavam imprecisas e até confusas"; mas
ele não cogitava "expor o quadro fonético ela língua, mas apenas dar
subsíd ios" (lbid.).
,. Dentre os artigos que podem se r classificados como etno-indigenistas,
um deles a respeito dos "Otí Xavantc" , confo rme Balclus (1954:88), constitui "um exemplo perfeito daquilo que, em etnologia, é c ham :.!do cl~
choque cultural. Mostra o dese.n volvimento dramático do encontro de dois
povos que, ignorando um o p adrão de comportamento do ou tro, se atemo riza m e se prejudicam mutuamente, ao invés de se unirem em harmonia".
mn
A través ele
outro artigo semelhante (Os Gorotíre, 1952), refere-se ao esfacelamento dessa divisão dos Kayapó Setentrionais em diversos
bandos e às situações desastrosas que, posteriormente, lhe o:::orrc ram, cm
razão dos seus contatos com as frentes regionais de expansão. Ao mesmo
tempo, fala a respeito de 3 cii·ilizados que tiveram papel destacado nesses
cantatas Constantino Viana (scringalista), Pedro Silva (scrtanista do
S.P.I.) e Horácio Banner (missionário protestante).
-
61-
Constantino Viana, diz que ele "se convenceu de seu papel d e
amansador dos bichos" e relata os massacres e as escravizações ele índios
de diversas origens por ele praticados na região do Xingu (lbid.:432-439440). Ped ro Silva, reputa "como amigo convicto dos índios cuja língua
aprendeu" e considera que ele trabalhou esforçada men te, impedindo a
dissolução dos Gorotíre (bando Kapáire) e denunciando os crimes cometidos contra os índios. Mas não aprova a forma como ele procurava
hostilizar Banncr, nem quando tentava "explicar qu e a pacificação dos
Gorotíre tinha sido obra sua", pois fora "obra dos próprios índios, que
m andaram primeiro os seus prisioneiros de guerra como parlamentares ..."
(lb id.:452).
Por fim, considera Horácio Banner como tendo "uma habilidade
notável para tratar com os índios, havendo sua conduta contrastado de
tal maneira com a de outros civilizados, que os índios julgaram ter ele
descido do mundo que, con forme crêem, existe por cima do .céu e onde
há gente como no nosso". Destaca Nimuendajú os conhecimentos d e
Banne r sob re a língua Kayapó, lamentando que ele n ão fosse "nenhum
etnólogo" para expor os "preciosíssimos" conhecimentos que deveria possuir. Mas faz restrições quan to à sua postura etnocêntrica, pois só notava
1 os índios "aquilo que se chocava com os seus sentimentos c ristãos".
Loniderava-os como seres humanos e n ão como "hichos" mas as manifestações da c ultu ra indígena "lhe pareciam na melho r hipÓte~e di~, :i ra tes
caprichosos" (lbid. :431 -433-445-446) .
'
Entre outros trabalhos de Nimuendajú, podem ser destacados os
dois publicados em co-autoria com Robert Lowic (The Dual Organization
o/ the Ramkokamekra, 1937; The Associations of the Serénte, 1939),
aqu i não apreciados, . .os quais antecederam suas monografias sobre os
T imbira Oi ient7is e os Xerente, mais adiante aludidas.
Também deve ser mencionado aquele que escreveu sob o título
Bruchstiicke aus Religion und Ueberliefumng der Sipáis-lndianer, em
19 19/20, recentemente traduzido para o português (Id., 1981), cujos mitos
" indicam claramente uma base Tupí'', tendo sido "largamente u tilizados ...
Pº'. J:'ehmann-Nitsch (1936), M étraux ( 1979), Lcví-Strauss ( 1966/67) e
Oliveira (1970)" (Castro & Emme rich, 1981 :7). Diz Nimuendajú (1981:
11), na in trod ução, que suas anotações foram colhidas em condições
b astante desfavor áveis, pois o mísero bando Xipaya que encontrou , cm
19 18/19 , n a b oca d o Baú (Alto Curuá), "estava de tal m aneira sob o
jugo de seus senhores cristãos que sofria múltiplas restrições no exercício
de sua religião" . Mas que, a despeito do desmoronamento social, os comp onentes do grupo ainda man tinham seus conceitos b ásícos e tradições,
e de nenhum modo haviam se t ornado cristãos (Ibid. ).
A primeira de suas principais obras, focalizando o s ApapokuvaGuaraní (Die sagen. von erschaffung-und ... der religio11 der ApapokuvaGuarani, 19 14), publicada pela Zeitschrift für Et nologie, foi cedo considerada como um clássico da literatura etnológica brasileira. Escreve Scha-
-
62-
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que apenas sua religiãc, '
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de tal forma nas danç as,
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os jesuítas, face ao seu sisk
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(lbid. :151).
A monografia seguin te:
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1111d
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de seu papel de
1
;·a vizaçõcs de índios
111gu (Ibid. :432-439;-; índios cuja língua
. fl! ente, impedindo a
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os Apapokuva-
der A µaµo kuva. foi cedo consira . Escreve Scha-
<len (1978: 12) que, ao analisar "essa história e seus fundamentos míticoreligiosos", conseguiu Nimcendajú, "sem grande aparato teórico, mas com
notável capacidade de penetração, por a descoberto o "ethos" ela cultura
e suas conscqüências para a determinação do tipo de personalidade peculiar da tribo Guaraní".
Na sua introdução, diz Nimuendajú (1978:28) ter vivido entre os
Guaraní como índio, cuja língua considera ter aprendido com imperfeição,
mas talvez algo melhor que outros que haviam escrito mais que si próprio
sobre a matéria. Pre feren cia lmente, procurou instruir-se com os vel hos,
especialmente com os xamãs, durante horas seguidas, sobre a antiga religião e eles acaba ram por se mostrarem "orgulhosos de seu aluno" (Ibid.).
Acrescenta que unicamen te são reputados pelos Guaraní como men:': ros
da tribo, aqueles que falam o seu dialeto, basta ndo uma ligeira v.!. ia n te
para um a pessoa ser tratada como estranha e tornada objeto de bu+:i "fingem n ão entendê-la, se bem que a e ntendam perfeitamente". E , ·ue,
os compone ntes de um gru 1Jo somente empregam "seu pr.'.:pio aµ · .u",
quando querem contrapor-se a um outro grupo, dificilmente o mencionando a estranhos, embora revelem facilmente os apodos dos den'·iis grupos
(Ibid.) .
Mostra que, a despeito da acei tação do batismo e de nomes cristãos,
os Apapo ku va (home ns de arcos gra ndes) continuaram convencidos de
que apenas sua religião era verdaJ c ira, mas, .'l) cont ' . :io dos cris tão.,;,
nunca se mostraram intolerantes, e na compar. : i o sen: 1; rc se a k . a vam
de encontrar aspec tos coincidentes (Ibid.:50). E que, na busca l;_, terra
sem males ou do paraíso, os xamãs d ivergiam um tanto: para uns el..i
se encontrava no alto e isso só poderia ser alcançado agilizando o co rpo
de tal forma nas danças, até que ficasse suficientemente leve para alcan çar o céu; para outros, estaria no centro da terra, onde o herói cultural
N <tnde ruvusú tinha construído a sua morada (lbid.: 11 6). Mas para a
maioria dos chefes x amãs, a verdadeira "terra sem males" encontrav a-~ ..:
a oeste, além dos mares (pariri) (lbi d.).
Entretanto, salie nta que ne nhum dos grupos chegados à costa aí
se esta be lece u. Nenhum chegou a extrair do mar alimentos para o próp rio sustento. Sempre voltaram para o interior, o suficiente para não
verem nem ouvire m nada do oceano, quando perceberam que seus sonhos
eram irrealizáveis (Ibid.:118) . Quanto ao pessimismo Guaraní, ou seja,
"o germe da decadê ncia e da morte racial'', mesmo que já pudesse existi r
antes da chegada dos europeus, diz que, certamente, foi agravado pelos
contatos " com os conqui stadores, aventureiros de todos os países, com
os jesuítas, face ao seu sistema opressivo, com os paulistas, caçadores de
escravos, e seus aliados Tupí da costa, e pelas epidemias de vastadoras"
(lbid.:151).
A monografia seguinte, abordando os índios Palikúr do rio Urucauá
e seus vi zinhos <lo Uaçá e do Curipi (Oia poque, Brasil) (Die Pafikttr-lndíaner 1111d ihre Nac/1bam, 1926), publicada pelo Muse u de Goft: mburgo,
-
63 -
cnrnntra-se divi dida cm v;1rios capítul os, cnvolvcnclo :i.s origens do grupo,
lingua, territó ri o, economia, costum es, organização social, cerimoniais,
xamanismo e idéias n.:ligiosas. No decorrer da pesqui's a, Nimucmlajú deve
ter enfrentado dificuldades na comunicação verbal, pois nenhum Palikúr,
então, falava o idioma português; e embora a maioria dos hom e ns falasse
o patoá da Guiana Francesa, este di aleto não era por ele b em ,conhecido.
A ssim, chega-se a admirar os bons resultados a que chegou, .confrontando-se com outros d ivulgados em estudos poste riores.
Com rcspcito à organização social, caracteri1.a o sistema clânico,
sendo q ue as 7 unidades então existentes de nscendência patrilineal ainda
verificamos cerca de 40 anos após. Refere-se a uma provável existência
de metades, considerando que os componentes dos clãs efetuavam os
enterros em dois cemitérios distintos, o que, entretanto, não pudemos
confirm ar com base na observação d ireta ou através da memó ria tribal.
Nenhuma alusão faz sobre o sistema de parentesco.
Os cerimoniais relata com detalhes, inclusive a famosa Festa do T11ré,
bem com o o xamanismo tribal, incluindo a crença em xamãs míticos; e
com parou situações at uais com outras reveladas por antigos cronistas. Não
faz distinção entre os xamãs propriamente ditos e os sopradores (feiticeiros) , que constituem uma categoria especial entre os Palikúr, e não raro
atuam r m oposição aos xamãs. E mostra que, apesar da influência sofrida ..
d os missionários católicos, desde o tempo dos jes ': as, o que continuava
prevalecend o entre os P alikúr era "a vel ha religião dos :~amãs".
Um capítulo especial dedica às relações elos Palikúr com os crioulos
e com os brasileiros, dizendo os motivos que faziam com que eles se
simpatizassem mais com os crioulos: primeiro, porque ainda não haviam
esquecido as '·caçadas" dos portugueses contra seus antepassados para a
obtenção de escravos; e segundo, p orque no O iapoquc (lado brasilei ro),
onde considerava m os índios como "bichos desprezíveis", eram eles tratados g rosseiramente, inclusive por funcionários públicos, enquan to os
cri o ulos os tratavam com amabilidade, mesmo que os procurassem enganar
nas transações comerciais, igualmente como os brasileiros (I bid.: 109).
D entre a~ ;fes monografias de N imuendajú sob re os índios do tronco
li ngi.iístico Jê, re'p utadas pelos especialistas, de modo geral, como suas principais contribuições no campo da etnologia, a primeira a surgir refere-se
aos Apinayé (The Apinayé, 1939). Foi vertida do alemão para o inglês e
editada por R obert Lowie através da T he Catholic University of America
An th ropological, de W ashington. Posteriormente, fo i traduzida pa ra o português, com revisão e anotação ci o próprio Nim uendajú, sob os auspícios
do M useu Emílio Goeldi, no inkio da década de 1940, então dirigido por
Carlos Estevão de Oliveira, ten do sido publicada pelo Boletim do aludido
M useu (Os Apinayé, 1956), já sob a administração do Institu to Nacional
de P esquisas da A mazônia .
- 64 -
.'I"
!l
t
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Conso:mtc ex p ,
uma tribo Jê qu e sa t i s~ ·
int rocl ução ao co11 lt l'<::
Compõe-se de 14 capíl
por d ois apêndi ces uma lista de termos r."
I nicialmente, de •
com o u ma ram ificaç?ín
mas com um dialeto
grupos Timbira e m :l:
descreve o terri tó rio h·
relações ent re elas; sct·
A organização so
duas m etades existente'.: 1
gia, cri adas pelo Sol <.: J
os membros fi liados à pr'
(Kolre = castanha-clo-r·
simultanea mente. E mo.com petições esport ivas t
n enhut ~ • -l função rcligios:·
1•
Em seguid a, no d i ~
mento, escreve que, indq.
nayé são divididos cm ··,
seja , um homem A ca:.;
um a mulher e, um hol1'
casa com uma mulher /
siste ma simples de 1n~c;
ao sistem um caráter '
do nú mero de cônjuges
quatro grupos endó g<w ·
N imuenclajú cometido ,
reduzem a "um par de ii
nenhu ma possibilidade .
regul ares entre os grup '
Um longo capít ul •·
reiras, que antigamente 1
de maneira que a d ifr
gra nde". Processava-se "
um a logo após a out rn, e
da observação esse tempo
1956:34).
U m a outra parte , t.
cionadas à "paren tcl a", ;
tério, etc., contém divc rs•
(~') 'r;
o rigens do grupo,
social, cerimoniais,
'ª• Nimuendajú deve
m is nenhum Palikú r,
dos homens falasse
·· ele bem ,conhecido.
c hegou . . confrontan1-;
sistema clânico,
a patrilineaJ ainda
J'ro vável existência
dãs '!fet uava m os
:110, não pudemos
da memória tribal.
•i
)Sa
Festa do Turé,
xamãs míticos; e
~, os cronistas. Não
,)prado res (feiticei,d ikú r, e não ia~o
la influência sofrida
,, o que continuava
lo-; xamãs".
'i lJ1r com os crioulos
~1 com que eles s~
· aind a não haviam
1
• 1tc passados
para a
h~ (lado brasileiro),
; Í:,", eram eles tra, 1!i..:os, enquanto os
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·iros (lbid.: 109).
os índios do tronco
, a! , como suas pri n. a surgir refere-se
·,, para o ine,lês e
,·rsily of A1~crica
' •.i:ida para o por, . ~ob os auspícios
'1Hão dirigido por
;, ldi111 do aludido
l 11stituto Naciona l
Consoante expressões de Lowie, fo i "a primeira monografia sobre
uma tribo Jê que satisfaz as exigências modernas e a mais adequada a uma
introdução ao conhecimento etnológico desse grupo lingüístico" (lbid.) .
Compõe-se de 14 capítulos subdivididos e m vá rios itens, sendo completad a
po r dois apêndices - o primeiro com 17 mitos e lendas; o segundo, com
uma lista de termos de parentesco.
I nicialmente, define Nimuendajú os Apinayé (Timbira Ocidentais)
como uma ramificação dos Timbira Orientais, particularmente dos Krikatí,
mas com um dialeto já nitidame nte diferenciado dos falados por esses
grupos Timbira e ma is p róximo da língua dos Kayapó Setentrionais. E
descreve o território habitado pelos Apinayé, bem como suas aldeias, as
relações entre elas, seus chefes, chefes honorários e conselheiros.
1
A organização social caracteriza como de natureza "dual", sendo as
duas m etades existentes ("matri lineais e matrilocais"), conforme a mit1 .1ogia, criadas pelo Sol e pela Lua, re spectivamente, com precedência p<t··n
os membros filiados à primeira metade (Koltí = sapucaia) sobre a segunv .,
(Kolre = castanha-do-pará), em todos os casos em que têm de funcion:• r
simultaneamente. E mostra que tais metades ,. n cionam com respeito ''>
competições esportivas e às transmissões de n omes, porém não possuem
nenhuma função religiosa ou econômica.
Em seguida, no discutido capítulo sob re a regulamentação do casamento, escreve que, independentemente de sua organização dual, os Apinayé são divididos c m "quatro Kiyê (banda ou partido) exogâmicos -1u
seja, um h omem A casa com uma mul he r B, um homem B casa com
uma~ mulher C, um homem C casa com uma mulher D, e um homem D
casa com uma mulher A. Segundo Lcví-Strauss (1976:89), trata-se de " H1
sistema simples de troca generalizada, se a regra de filiação não confer'. ~e
ao sistema um caráte r estático, cujo primeiro resultado é excluir os .' i1nos
do número de cônjuges_ possíveis'', o cultando uma "divisão disfarça<l .. e ntre
quatro grupos endógamos". Entretanto, esc reve Matta (1976: 133) haver
Nimuendajú cometido um "erro etnográfico", pois esses quatro Kiyê se
reduzem a "um par de metades"; e que "os casamentos são realizados sem
nenhuma possibilidade de se descobrir um p ad rão indicativo de trocas
regulares entre os grupos definidos como Kiyê" (Ibid.: 136).
Um longo capítulo dedica Nimuendajú à iniciação dos novos guerreiros, que antigamente ocorria em int erva los de mais ou menos dez anos,
de maneira que a diferença na idade dos participantes era "bastante
grande". P roccssava--se a iniciação cm duas fases, gera lmen te realiza das
uma logo após a outra, ccbrind0 o espaço de um ano , mas no momento
da observação esse tempo de duração já tinha sido reduzido (Nimuendajú,
1956:34).
Uma outra parte, também bastante extensa, além de situações relacionadas à "parentela", ao casamento, !cvirato, sororato, divórcio, ad ultério, etc., contém diversos itens mostrando a divis ão do tra balho, c iclo
-65-
,.i /'
·I
!
de viela e tabus. Seguem-se out ros capítulos focalizando os csportes, a
guc-rra, o direito e a religi ão, contendo o último, além de indicações sobre
os mitos, as atividades xamanísticas e os cerimoniais fúnebres.
A monografia sobre os índios Xe rcnte (Tire Seré11te, 1942), traduziria elo alemão para o inglês também por L owie, editada por A.V . Kidder,
A. Krocbcr e L. Spicr, e publicada pelo South Museum dç L os Angeles, é
menos extensa que aquela a respeito d os Apinayé. Mas Baldus ( 1954:497)
considerou-a igualmente como "uma obra magistral" e chama a atenção
para o mapa anexo mostrando o oesle do Brasil Central com a indicação
d os te rritórios d as tribos extintas e vivas.
No capítulo inicial (afinidades e história), dá Nimuend ajú a classifi cação dos Jê Centrais com as divisões "Akroá" e "Akwé", pertencendo
a esta última o s Xerente e os Xavante que, a princípio, eram raramen te
distinguidos. Segue-se urn a extensa parte com várias divisões, focalizando
a tribo, a aldeia, o consciho dos velhos, as lideranças, as metades, os clãs,
a fa míli a, os te!·mos de parentesco, a divisão do trabalho, os casamentos
e o ciclo d e vida. Mais adi ante são focalizadas as sociedades dos home ns,
as competições esportivas, a guerra e a paz.
Em conclusão, a religião Xerente é evidenciada em seus vários <tsp eclos, salientando Nimuendajú a pouca influência exercida pela igreja
católica sobre os componentes do grupo, os quais, 1embora tratassem polidamente os eclesiásticos, consideravam de modo geral os cristãos como
"mentirosos e embusteiros" (Id., 1942:84).
O lr:·balho sobre os Timbira (The 'Eastern Timbira, 1946), de ;!ual
modo como os dois anteriores, foi traduzido do ale mão para o inglês c
editado pôr Lowie, pela Uni ve rsity of California, Pub'. A mer. J\rehaeology
anel Ethnology, Berkeley and Los Angeles. Geralmente mencionado como
<1 mais importante obra de Nimuenclajú, pode-se considerá-lo como um
verdadeiro tratado. Lowie o reputou como uma . proeminente realização
entre os estudos efetuados sobre os índios da América. Nos vários trab alhos posteriores realizados a respeito cio~ T imbira, tem sido o mesm o
tomado como. p onto de apoio, inclusi ve pelo antropólogo Willi am Cro:.:ker
(Smithsonian .Institution), desde 1957 estudando os Ram kokarnckra-Canelas, o qual, ~egundo nos declarou, pre tend e escrever um trabalho comentando seus "pontos fortes e os fracos".
Entre os Timbira, Ninmendajú observou essencialmente os Ramkokamekra-Canelas, que lhe p ossibilitara m a obtenção dos elementos b ásicos
p ara a estruturação cio seu c, 1•:do . Entretanto, pôde complementar o material entre eles 0bticlo com dados conseguidos entre outros grupos T imbi ra
e com uma farl:? bibliografia .
Introdutoriamente, desc reve o te rritório Timbira e a sua conquista
pelos brancos . Comenta os autores que se ocuparam em definir os Timbira, como Pa ul a Ribeiro, von Marlius, von den Stcin, E hreeich, Rivet,
-66-
Wilhem Schmicll <' <;
acabou por prevalc [ •
tais - a) Grupo elo
de Bacabal; 3. K uk n.'
Cajuapara; 5. Kri kat·
8. Kre'pu'mka!eyé; '•
J\pa'nyekra; 13. R a:
15. Apinayé (Ibid.: t1 ,
Na parte r eferi·
indumentária e
at i'
vida social" ) aprecia ;;
lias, metades, sistcm •
e ordem honorífica, '' ,
à guerra e à paz. O s <
os Ramkokamekrn, cc
energia (festivais de i 1·:
"corrida ele toras" (o 1·
de referência sobre e . .
observações, a p artir d·
as
No último capíl u!
a magia e o xamanism 11
nhos como dos prole'!
formar suas aldei as c11'
Apanyekra, não exi~ 1!
os !nclios adquirid o :
por intermédio dos h•
com um exlcnso ín d·.
A ú ltima morn
kuna, l 952), foi ta ml
of California, BerkeJ c.;,
Nimuendajú cm p ort u.
o governo brasiki ro l
ciência. Não conhecer·
a William Hohen th a!,
duadr, " lll Antropolo(
do t •
-0.
Inicialmente, a p:·
tribo, o ti po físi co, o L
comparação com as a;
forme esclareceu, os T1
meiros cron istas; e e11 t1
havia obse rvado direta n
A requintada a11
parte relacionada à ('
:!ndo os csportcs, a
de indicaçõ(!s sobre
is fúnebres.
.\1
0
) ~' ré11te, 1942), tradu··
l~1 da po r A.V. Kidder,
11 111
de Los An geles, é
fas Baldus ( l 954:497)
·• e chama a atenção
ntral com a indicação
Nimuendajú a classi" Akwé", pertencendo
··ípio, eram raramente
· d ivisões, focali;~ando
• as metades, os clãs,
·-alho, os casamentos
·it"dadcs dos homens,
1
cm seus vários as-
c~:ncida pe la igreja
h,)ra tratassem politl os cristãos como
: :ra, 1946), de igual
Hão p a ra o inglês e
.J. A mer. Archaeology
ntc m e ncionado como
o nsidcrá-Io como um .
roe mincnte realização
"ica. Nos vários t ra, tem sido o mesmo
, igo Will iam Crocker
:1mkokamekra-Canct::n trabalho comcn-
.tlmente os R a mko' ''; elementos básicos
,;;n ple mentar o mal rns grupos Timbira
·- a sua conquista
:n definir os Tím"• Ehrceich, Rivct,
Wilhcm Schmídt e Sncthlage, e apresenta a própria classificação, a qu al
acabou por prevalecer na literatura etnológica, a saber: Timbira Orientais - a) Grupo do Norte: l. Timbira de Araparytina (Gurupi); 2. Kreyé
de Bacabal; 3. Kuko kamckra de Bacabal; b) Grupo do Sul: 4. Kreyé de
Cajuapara; 5. Krikatí; 6. Pukóbye; 7. Gaviões de Oeste ou da Floresta ;
8. Kre'pu'mkatcyé; 9. Krahó; 10. Porckamekra (?); 11. Kenkateyé; 12.
Apa'nyekra; 13. Ramkô'kamekra; 14. Ca'kamckra . Timbira Ocidentais 15. Apinayé (Ibid.:6-7).
Na parte re[erentc à ecologia focaliza as aldeias, as habitações, a
indumer" íria e as atividades econômicas. No capítulo mais extenso (" A
vida social") aprecia a orga nização social em toda a complexidade: famílias, metades, sistema de parentesco, casamento, sociedades dos homcn-;
e ordem honorífica, bem como os aspcctos relacionados ao ciclo de vida,
~ guerra e à paz. Os cerimoniais destaca como de suma importância para
os Ramkokamekra, consumindo, po r isso, gra nde parte de seu teMpo e
energia (festivais de iniciações, festivais de máscaras). E na aprecia r. :o da
":ocida de toras" (o n:ais tr? :.licional csporte Timbira) mostr: '! m yuadro
de r efe rência sobre esse esportc co m base e m vários autores e em suas
observações, a partir do século XVII.
No ú ltimo capítulo apresenta os mitos, a cosmologia, o
Hm1smo,
a magia e o xamanismo. Fala no fracasso tanto dos missionário:> ·a puchinhos como dos pro testantes entre os Krahó, por h averem ten ta~: 1> t ransformar s uas aldeias em colônias. E diz que, entre os Ramkokam z. k ra e os
Apanyekra, não existia nenhuma missão prote·:tantc ou católica, havendo
os .índios adquirido os conhecimentos que po~s uíam sobre o cristianismo
por intermédio dos brasileiros (Ibid. :241 -242). A monografia é completa 'a
com um extenso índice de palavras.
·
A última monografia de Nimuendajú, relativa aos Tukúna (The Tukun(I, 1952), foi t ambém editada por Lowie por intermédio da University
of California, Berkeley. Todavia, ao co ntrário das anteriores, foi escrita po r
Nimuendaj(1 em po rtuguês, porque então ocorria a 2.ª Guerra Mundial e
o governo brasileiro tinha proibido o uso da língua alemã na correspo ndência. Não conhecendo Lowie o idioma português, a tradução foi confiada
a William Hohenthal, que havia vivido no Brasil e, na qualidade de gra<luado em Antropologia, conhecia as técnicas necessárias para a efetuação
do trabalho .
Inicialmente, ap resenta Nimuendajú referências sobre o nome da
trib o, o tipo físico, o território e a história, esta, aliás, bastante curta em
compa ração com as aprese ntadas nas monografias anteriores, pois, conforme esclareceu, os Tukúna foram pouco mencionados a partir dos primeiros cronistas; e en tre os cientistas, a não ser ele próprio, ninguém os
havia observado d ireta mente nas alde ias.
A requintada a rte dos Tukúna destaca num capítulo especial. Na
parle relacionada à organização social apresenta a classificação clânica,
-67-
i 1;
,. 1
·1 ,
t
formad a por 30 unidades patrilineares, divididas em metades (metade plantas e metade pássaros), não havendo, porém, segundo Oliveira (1964:65),
distinguido as duas classes existentes: "a de clã e a de c;ubclã". A fabricação e o em prego do curare descreve no trecho relacionado às atividades
cconômicas (caça). E, em seguida, focaliza o ciclo de viela, o casamento
e a família .
para o Museu E míl i,
(1944). Esta últi ma :•
comparada com o ori
Nos índices cp1,:
cerca de "l .1 00 non.
gun cln contém "8R')
"889 referências bi b\
auto r alé o número <,
de 1.400 grupos inclíy
Leite, 1981 :31).
Aprecia extensamente a magia e .a reli gião, destacando a importância
dos xamãs, sobretudo no passado, quando os chefes eram escolhidos entre
os elcm.e ntos dessa categoria, e relata a vida de um feiticeiro que, durante
certo tempo, aterrorizou os Tukúna (Nimuendajú, 1942: 100-106). Faz referência aos movimentos messiânicos desencadeados no âmbito da tribo
desde aproximadamente o fim do século passado. E acrescenta que os índios
não gostavam de fal ar nas suas próprias crenças para os civilizados, especialmente para os padres, mas para satisfazer os importunes usualmente
afirmava '"' acreditar em "tupana" (Deus ou Santo) e ter medo de "yurapari" (Diabo), nada dizendo a respeito de seus he róis culturais (lbid.: 140).
Essas indicaçõc,
ritório brasileiro con.
acomp anhadas de ela •:•·
tificação tribal ocorre:•
dente, podem ser ver· ,
nações diferentes por·
Como apêndice apresenta os termos de parentesco Tukúna, u m
g\ ,
,1 e
classificação da língua Tukúna como "isolada" (um critério
q1;e µerdu . até os dias atuais), discordando assim de outros autor~s,
inclusive d·: R ivet, que a considerou corno um dialeto Aruak deturpado
(Ibid.:1 55-164,
Consoante cscrc.
buirá para os estudos {
específicas, como tamb,
di\•crsos grupos indígen <
particulares de atividacl
O monumental Mapa Etno-Histórico de C11rt Nimuendajú (1981),
editado pelo IBGE (RJ) em cooper:1ção com a F undação pró-Memória,
confo r me ele própri o escreveu, não se baseia em trabalho etnográfico de
qualquer outro autor. Os dados bibliográficos, as informações particulares,
os .estud os e as observações pessoais, acumulou durante algumas dezenas
de anos 1Ibid.: ' l). Distingue dos femais trabalhos congênercs pela tentativa de conseguir uma perspeetiva ;;ist6rica, a fim de evitar os anacronismos q;:" enxameiam nos mesmos (lbid.). As classificações lin gtiísti-::as
foram
>r si mesmo examinadas ou são de sua autoria; e só. em alguns
cJsos, '-'n que o material não lhe foi acessível, é que adotou as classificações de am0ridades como R ivet, Koch Grt:nbcrg e outros (Ibid.).
Conforme j<\ 1;
teve justamente rect ·
Brasil como no estr<•
suas obras, publica d~·
(1958:17) o consick•
nogia brasileira" n a ~·
centasse que, dia a d
etnológica, resultante<
cializado".
Acrescenta que "sendo 40 o número de famíli as lingüísticas repres,_·!• ladas no :mapa, impossível foi distingui-las todas com cores claramente
difere ntes". Assim, utilizou a mesma cor para três ou quatro famílias distintas, mas só ap: icando igual tonalidade para famílias localizadas em
pontos distantes (lbid .). Uma só cor aplicou para assi nalar os grupos ele
línguas isoladas e sob fu ndo branco registrou os gru pos de línguas desconhecidas. Conforme Barbosa (1981 :24), a hidrografia foi o elemento básico usado por Nimuend ajú para localiza r as tribos, relacionando-as "ora
às cabeceiras dos rios, ora aos interflúvios, às margens dos rios e, ainda,
ao litoral" (Ibid.).
Corno vimos an teriormente, cl ::iborou Nimuendajú três versões do
mapa, sendo a primeira para a Smithsonian Institution (1942), a segund a
-68-
De qualquer nn
predecessores e conter
pela análise dos fatos,
c0nccitos. E ao contrá1
mente, só procurava m
(Cf. R ibeiro, 1962:27--'.J
ti11os das populações 11
.
'
O século já se a
mantendo a mesma pt
modo, aliás, vem de s
carta dirigida a Robe1
muend ajú como "cl:í-:.
..
111ctades (metad e plan'o Oliveira (1964:65),
a de subclã". A fa b riiacionado às atividades
de vida, o casamen to
;stacando . a importância
.., e ram escolhidos en tre
1 fei ticeiro que, duran te
1942 : 100-106). Faz reos no âmbito da tribo
ac rescenta que os índ ios
1,-a o s civilizados, espe·m r o rtunos usual mente
e ter medo de "yu ra;::; c ultu rais ("•id.: 140).
;·c1nesco Tukúna, um
" isolada" (um critério
: ·11 de outros autores
'eto A ruak deturpad~
N imuendajú (1 981),
:1dação p ró-Memória,
';a lho etnog ráfico de
'!'mações particulares,
, an te alg umas dezenas
co ngéneres pela ten tadc e vitar os anacronisl;issificaçõcs lingüísticas·
a to ria ; e só . em alguns
;uc adotou as classifi..: outros (l bid.).
i'.ias lingüísticas reprecom cores claramente
,u quatro famll ias d is.nílias localizadas em
· :sinalar os grupos de
pos de línguas desco. 1 fo~ o elemento bát'elacionando-as "ora
.1s dos rios e, ainda,
· j ú três versões <lo
' ( l 942), a segunda
para o Museu Emílio Goeldi (1943) e a terceira para o Museu Nacional
(1944). Esta últi ma serviu de base para a atual publicação, após ter sido
comparada com o original do Museu G oeldi (lbicl.:23).
I·
1
1
Nos índices que acompanham os mapas, o da p rimeira versão indica
cerca de "l.100 no mes tribais e 818 referências bibliográficas"; o da segunda contém "880 referências bibliográficas"; e o ela terceira aprese ta
"889 referências bibliográficas datilografadas e anotações manuscritas Jo
au tor até o número 972" ; e finalmente, um quarto índice rcgistra "cerca
de 1.400 grupos indígenas e 972 referênc ias bibliográficas" (Emmcrich &
Leite, 1981:31).
E ssas indicações most ram não só grupos indíge nas situados no te rritório brasileiro como nos países limítrofes, encontrando-se geralmente
acompanhadas de datações, a partir cio primeiro momento em que a identificação tribal ocorreu. Assim, com base na ca rta e no índice correspondente, podem ser verificados os processos migratórios havidos e as no rninações dife rentes porventura tomadas pelos respectivos grupos inJígena .
Consoante escreve Zarur (198 1: 39), a publicação do mapa "contribuirá para os estudos de contato, não só com informações em pesquisas
específicas, como também com uma visão histórica do que ocorre com
diversos grupos indígenas nas diferentes á reas geográficas dotadas de tipos
particulares de ali vid~de econômica".
/
Con for me já tivemos ocas1ao de dizer, Nimuendajú ain• em vida
teve justamente reconhecidos seus altos méritos como etnólogo, tanto no
Brasil como no estrangeiro. E sua fama fo i au mentando à medida em que
suas obras, publicadas postumamente, foram sendo con hecidas. Fernandes
(1958: 17) o considerou "sem nenhuma dúvida a principal figura -'a etnono&ia brasileira" na primeira metade do presente século, embo; acrescentasse que, dia a dia, se evidenciavam "as limitações de sua produção
etnológica, resultantes quase sempre da falta de um sólido preparo especializado" .
De qualquer modo, salvo melhor juízo, Nimuendajú superou se us
predecessores e contemporâneos, tanto pela riqueza de informações como
pela análise dos fatos, sem lhes ficar atrás no que respeita à aplicação dos
conceitos. E ao contrário dos etnólogos de formação acadêmica que, geralmente, só procuravam estudar as peculiaridades d as culturas indígenas
(Cf. Ribeiro, 1962:27-28), Nimuendajú interessava-se vivamente pelos destinos das populações tribais.
O século j á se aproxima do fim, mas Nimucndajú parece con tinua r
mantendo a mesma posição que lhe foi atribuída por Fernandes. Deste
modo, aliás, vem de se manifestar re centemente Ribeiro ( l 979:2 l O), cm
carta di rigi da a Roberto ela Matta, pois considera os trabalhos de Nimuendajú como "clássicos em antropologia", valendo sozinhos mais que
-69-
"a obra inteira dos etnólogos brasileiros", inclusi\'e a sua própria. Mas
acrescenta que, a despeito ele haver o Museu Nacional "assumi. ia há mais
de 30 anos o compromisso formal e escrito de editar em português" os
trabalhos de Nimuenclajú, nada publicou até hoje (Ibid.).
Todavia, embora mui lentamente, além cio mapa. ctno-histórico
alguns outros trabalhos de Nimuendajú vêm de ser publicados no idiom51
português. Na série Religião e Sociedade-7 (1981 ), foi editado " Fragmentos
da religião e tradição dos índios Sipáia", em versão de Viveiros de Castro
e Charlotte Emmerich, a partir da versão portuguesa de F.W. Lommcs.
Pelas Edições Loyola (1982) foram divulgados 9 textos indigenistas ("relatórios, monografias, cartas"), com introdução de Carlos Moreira Neto e
prefácio de Paulo Suess. E por sua vez, o Museu Emílio Goeldi vem de
reeditar a monografia Os Apinayé (1983), marcando sua participação nas
comemorações do centenário de Nimuendajú. E fala-se que o trabalho sobre a religião dos Apapokuva, já publ_icado em espanhol, brevemente o
será também em português, bem como a monografia sobre os Timbira
Orientais.
Se assim acontecer, restarão para serem vertidas para o português,~
afora numerosos artigos, as monografias de N im uendajú sobre os Palikúr,
Xcrente e Tukúna. Quanto ª ''~ manuscritos inéditos, existentes nos arquivos do Museu Nacional, em que pesem as dificulclacles antes aludidas
com respeito à sua ordenação e à revisão, certamente que precisam igualmente chegar à divulgação, em benefício do~ estudos sobre os índios do
Brasil.
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This papcr
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the peasant con.l
I
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Santa Catarina, tcrn
eir, grande nrni ()ria
J ;:rte dessa J . .i!m;
transformando, :'.rad :,
.uma p :rcela conside.
culturn, se dcsl oco11 •
Brusque e Blumena"
1
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Neste trabalho l
categoria colono, par.
m unidade rural que n
por causa da índus!ri
daclos alguns probl c1u
questão dos worker-pl
o problema do que pc
da condição camp o nc~
(*) Do Depart amento ,1,
do Rio de J aneiro.
(!) Auspendler: termo ;.
o trabalho. /'1'111!/1 '
(1969, capítulo 2).
-72-
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Curt Nimuendajú: aspectos de sua vida e sua obra