porque é
preciso virar
a página
AngolA, o nAscim ento d e u m A n A ç ã o –
o cinem A d o im p é r i o
título: Angola, o Nascimento de uma Nação (Volume I)
O Cinema do Império
autores: Joana Pimentel, Jorge António, Jorge Cruz, José da Costa Ramos, Leandro Mendonça,
Maria do Carmo Piçarra, Paulo Cunha, Paulo Miguel Martins, Teresa Castro, Tiago Baptista
© Autores e Guerra e Paz, Editores, S. A., 2013
Reservados todos os direitos
ConCepção e Coordenação: Maria do Carmo Piçarra
produção: Jorge António
revisão: Helder Guégués
design de Capa e paginação: Ilídio J.B. Vasco
fotograia de Capa: © Quitos
fotograia de ContraCapa: © António Escudeiro
Créditos fotográiCos: Cinemateca Portuguesa, páginas 17, 20, 27, 31, 37, 40, 45, 87, 91, 160, 163-164, 188,
191. CP, páginas 55, 59, 62, 67, 72. António Escudeiro, página 95. Universidade de Coimbra, páginas 98,
100, 103, 109, 118. Bibliothèque de la Ville de La Chaux-de-Fonds, páginas 126, 131, 136, 143. António de
Sousa, página 146. Cinemateca de Angola, página 150. João Silva, página 167. José da Costa Ramos, página
170. Annouchka de Andrade e Henda Ducados, página 182. Maria do Carmo Piçarra, página 185. Fotos
cedidas por Francisco Castro Rodrigues, páginas 8-9, 174-176, 178, 181.
isbn: 978-989-702-079-7
depósito legal: 360195/13
1.ª edição: Julho de 2013
Guerra e Paz, Editores, S. A.
R. Conde Redondo, 8–5.º Esq.
1150-105 Lisboa
Tel.: 21 314 44 88
Fax: 21 314 44 89
E-mail: [email protected]
www.guerraepaz.net
ANGOLA
O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO
V O LU M E I
O
C I N E M A
D O
I M P É R I O
COORDENAÇÃO
Maria do Carmo Piçarra
Jorge António
Índice
nota prévia
Maria do Carmo Piçarra
11
Cinema império: o «fado tropiCal» na propaganda
Maria do Carmo Piçarra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
a fiCção portuguesa filmada em angola (1940-1973)
Tiago Baptista
53
a eConomia Colonial filmada
Paulo Miguel Martins
83
diamang – Cinema a preto-e-branCo
José da Costa Ramos
97
viagem a angola: Cinema CientífiCo e etnográfiCo
Teresa Castro
123
aventuras do homem-Câmara
Entrevista a João Silva
159
a revolução projeCtada de um Cine-esplanada
Entrevista a Francisco Castro Rodrigues
173
luanda, Cinema a Céu aberto
Entrevista a Manuel S. Fonseca
187
7
Nota prévia
Maria do Carmo Piçarra
Quando o cinema nasceu, em Angola, não foi um cinema angolano.
Durante décadas não existiu cinema angolano.
Ao princípio não existiu, sequer, cinema. Eram filmes sem olhar, deslumbrados com as paisagens, montras de exotismo – natural mas também social e
cultural. A realidade impunha-se à câmara e esta quedava-se, sem capacidade
de elaborar sobre aquilo em que o olho, mediado pela lente, assentava. Era um
cinema sem visão, ainda.
Depois, fruto da época, o cinema começou a ser usado para orientar o
olhar de quem via.
A
ssim abre este contributo para olhar como foi que o cinema
fixou o nascimento de uma nação, Angola. Esse olhar não podia
fechar-se às visões do colonialismo português, mas, nos antípodas, fixa (num próximo volume) o olhar corte-de-navalha nascido da militância, do cinema como arma política. Esse olhar faz-se
panorâmica integradora de múltiplos pontos de vista (haveria/há outros com
certeza. Estes foram definidos por este percurso feito de cumplicidades): o da
propaganda do Estado Novo; o da ficção portuguesa feita em Angola; o dos
filmes sobre o progresso económico; o de um estudo de caso – o da Diamang; e, finalmente, o dos filmes científicos e etnográficos. O olhar, que é
também para dentro, integra, neste volume, o de três homens que viveram,
de modos diferentes, a aventura do cinema em Angola: o de um «homem-câmara» que foi pioneiro, João Silva; o de um sonhador que projectou edifícios enquanto integrava o movimento cineclubista emergente, Francisco
notA préviA
11
Castro Rodrigues; e o de um cinéfilo, Manuel S. Fonseca, que se fez homem
enquanto, com o seu «bando», via o cinema projectar-se tendo como fundo
o céu, estrelado, de Luanda.
Num próximo volume, a panorâmica continua, com uma visão sobre a
colecção de filmes da Cinemateca Portuguesa feitos em Angola ainda antes
do nascimento oficial da nação, uma perspectiva sobre o cineclubismo, os filmes amadores e de família, os modos de produção dos filmes em Angola (e
no contexto de África) antes de abordar o cinema militante e o seu papel na
luta pela independência. Um terceiro volume, ainda em concepção, olhará
para o cinema angolano pós-independência.
A viagem não teria sido possível sem uma série de contributos. Impõem-se os agradecimentos. O primeiro é devido a Jorge António. Sem ele, não
tínhamos chegado a partir. Agradeço-lhe a oportunidade, a liberdade que
me/nos deu sempre, além da amizade. Agradecimentos também aos autores,
pela pesquisa, paciente, por terem sido, também eles, pioneiros (que se juntam a outros tantos pioneiros, é certo), pela paixão. A Joana Pimentel, que
fez de cicerone. A José Costa Ramos, que aceitou um desafio que conjuga as
suas competências como geógrafo, economista e homem da imagem. A Teresa
Castro, por ter alargado o seu estudo sobre cinema científico a Angola, e a
Tiago Baptista, por ter reflectido sobre a pouca ficção feita por portugueses
em Angola antes da independência. A Paulo Martins e a Paulo Cunha, pelo
close-up sobre o «cinema industrial» colonial e sobre o cineclubismo, respectivamente. A Leandro Mendonça pela sua reflexão esclarecedora sobre os
modos de produção, e a Jorge Cruz, muito particularmente, por ter começado a desbravar um campo de estudo novo, relativo aos filmes amadores e
de família.
Durante a pesquisa, o apoio de Maria do Sameiro André (Mitó), de Luís
Gameiro, de Sara Moreira, de Antónia Fonseca e de Teresa Borges, da Cinemateca Portuguesa-ANIM, foi fundamental. Outro agradecimento a José de
Matos-Cruz, que, agora como sempre, deu resposta pronta aos meus pedidos de informação.
Agradeço ainda a Eduarda Dionísio e a Vítor Ribeiro (Maçarico),
a António Faria, a Agostiniano Oliveira, à Embaixada de Angola em Itália, à
12
AngolA, o nAscimento de umA nAção – o cinemA do império
Biblioteca Municipal de La Chaux-de-Fonds, a Joaquim Lopes Barbosa,
a Marília Rocha, a José Manuel Tocha, ao João e a José Galante, a António
Pinto de Carvalho e a Júlio Pedro, bem como a Pierre-Pascal Rossi e a Augusta
Conchiglia, a Sarah Maldoror e suas filhas, Annouchka de Andrade e Henda
Ducados, por terem facilitado contactos, cedido materiais fotográficos e dado
os seus testemunhos. Impõe-se ainda um agradecimento à Universidade de
Coimbra, pela cedência, para publicação, das fotos da colecção da Diamang
Digital, agradecimento extensível a Nuno Porto e a Cristina Valentim, pelo
apoio e disponibilidade.
Um agradecimento particular a todos os entrevistados: Francisco Castro Rodrigues, João Silva, Manuel S. Fonseca, Manuel Rodrigues Vaz, José
Fonseca e Costa, António Escudeiro, António Pinto de Carvalho e Júlio
Pedro.
Cada humanidade terá, pois, o cinema (e a história) que merece; e por
isso se torna fundamental o papel da análise: para repor como as pessoas viam,
o que viram, com o olhar consciência no tempo em que o viram. Porque, afinal, é esse olhar que se encontra depositado no interior das «latas dos filmes»
(Grilo, 2006, p. 35).
É um princípio, o que partilhamos. Há muitos testemunhos por ouvir,
muitos documentos por estudar, muitos arquivos por abrir e muitos filmes
por projectar. É preciso mostrá-los para que não se tornem arquivo morto.
O cinema é também um modo de nos conhecermos.
notA préviA
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angola