UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
TEORIA E PRÁTICA DE TÉCNICAS DE
CONSTRUÇÃO, CONSERVAÇÃO E RESTAURO
DE EDIFÍCIOS DO SÉCULO XVIII: estudos sobre
uma capela setecentista de Samodães (Lamego)
Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil
– Conservação e Restauro de Edifícios Históricos –
Paulo Alexandre Morais Pires
Orientador: Professora Doutora Arquitecta Maria Eunice da Costa Salavessa
Co-Orientador: Professor Doutor Engenheiro Alfredo da Silva Ribeiro
UTAD
Vila Real, 2009
Orientador:
Professora Doutora Arquitecta Maria Eunice da Costa Salavessa
UTAD - Vila Real
Co-Orientador:
Professor Doutor Engenheiro Alfredo da Silva Ribeiro
UTAD - Vila Real
Tese apresentada na Universidade de Trás-os-Montes e
Alto Douro para efeito de obtenção do grau de Mestre em
Engenharia Civil (Especialização em Conservação,
Reabilitação e Restauro de Edifícios)
SIMBOLOGIA
Simbologia
Simbologia
Grandeza
m
metro
mm
milímetro
cm
centímetro
m2
metros quadrados
m3
metros cúbicos
T
toneladas
KPa
Kilo Pascal
MPa
Mega Pascal
GPa
Giga Pascal
Índice Geral
ÍNDICE
Índice Geral………………………………………………………………..ii
Índice de Figuras…………………………………………………………. v
Índice de Fotos……………………………………………………………..x
Resumo …………………………………………………………………..xii
Abstract…………………………………………………………………..xiii
Agradecimentos…………………………………………………………..xvi
1.INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1
1.1.Objectivos .............................................................................................................. 4
1.2. Metodologia .......................................................................................................... 5
2.DESENVOLVIMENTO DO TEMA.......................................................................... 7
2.1. Enquadramento Legal das Intervenções Sobre o Património Cultural ............. 8
2.1.1. Princípios e Critérios de Conservação, Reabilitação e Restauro de Edifícios
Históricos .................................................................................................................. 8
2.1.2. Cartas e Legislação de Salvaguarda do Património Arquitectónico ............. 10
2.1.3. Carta ICOMOS, Recomendações para a Análise, Conservação e Restauro
Estrutural do Património Arquitectónico ................................................................ 12
2.2. Regulamentação da construção no século XVIII ................................................ 14
2.2.1. Arcos ............................................................................................................. 14
2.2.2. Fundações ...................................................................................................... 18
2.2.3. Paredes .......................................................................................................... 23
2.2.4. Argamassas.................................................................................................... 25
2.2.5. Pavimentos .................................................................................................... 28
2.2.6. Tectos ............................................................................................................ 30
ii
Índice Geral
2.2.7. Coberturas ..................................................................................................... 32
2.3. Enquadramento Físico e Humano ....................................................................... 35
2.3.1. Situação Geográfica ...................................................................................... 35
2.3.2. Evolução Histórica ........................................................................................ 37
2.3.2.1. O Concelho de Lamego .............................................................................. 37
2.3.2.2.- A Freguesia de Samodães ......................................................................... 37
2.3.2.3.- A Capela objecto de estudo ...................................................................... 38
2.3.3.- Geologia ....................................................................................................... 38
2.3.4.- Relevo .......................................................................................................... 40
2.3.5.- Clima ............................................................................................................ 41
2.3.6.- Coberto Vegetal ........................................................................................... 45
2.3.7.- Demografia .................................................................................................. 46
2.3.8.- Recursos sócio-económicos ......................................................................... 46
2.3.9.- Vias de Acesso ............................................................................................. 48
2.4. Caracterização Arquitectónica e Construtiva do Edifício ................................. 49
2.4.1. Arco do Passadiço ............................................................................................. 49
2.4.2. Fundações ......................................................................................................... 50
2.4.3. Paredes .............................................................................................................. 51
2.4.4. Argamassas ....................................................................................................... 55
2.4.5. Pavimentos ........................................................................................................ 55
2.4.6. Tectos ................................................................................................................ 57
2.4.7. Cobertura .......................................................................................................... 59
2.4.8. Vãos .................................................................................................................. 61
2.4.9. Campanário ....................................................................................................... 63
2.4.10. Vista Geral do Futuro Complexo .................................................................... 66
2.5. Referências Bibliográficas do Capitulo 2 ............................................................ 67
3.DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS..................................... 71
3.1. Relatório do estado de conservação da Capela ................................................... 71
iii
Índice Geral
3.2. Fichas de Diagnóstico das Anomalias Construtivas ........................................... 73
3.2.1. Assentamento diferencial de Fundações............................................................... 73
3.2.2. Fissuração e alteração da geometria do arco ........................................................ 80
3.2.3. Humidade de Precipitação em Paredes ................................................................. 84
3.2.4. Humidade do Terreno em Paredes do Andar Térreo ............................................ 89
3.2.5. Humidade em Pavimentos e Tectos ..................................................................... 92
3.2.6. Destacamento de Reboco Tradicional .................................................................. 97
3.2.7. Manchas de Sujidade .......................................................................................... 102
3.2.8. Crescimento de Vegetação Parasitária ............................................................... 106
3.2.9. Alteração da Pedra .............................................................................................. 110
3.2.10. Apodrecimento e Infestação de Madeiramentos .............................................. 114
4.FUNDAÇÕES .......................................................................................................... 119
4.1. Causas dos Assentamentos em Fundações(22) .................................................... 120
4.1.1. Causas dos Assentamentos no Edifício Caso de Estudo ............................. 132
4.2. Tratamento de Anomalias nas Fundações ..................................................... 134
4.2.1. Melhoramento do Solo de Fundação ........................................................... 136
4.2.2. Reforço das Fundações................................................................................ 141
4.3. Referências Bibliográficas do Capitulo 4....................................................... 159
5. CONCLUSÃO......................................................................................................... 161
5.1 Recomendações Para Trabalhos Futuros ........................................................... 163
6. BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 164
7. ANEXOS ................................................................................................................. 167
iv
Índice de Figuras
Índice de Figuras
Figura 1– Arco abatido ................................................................................................... 15
Figura 2– Arco de volta perfeita ..................................................................................... 15
Figura 3- Arco elevado ................................................................................................... 15
Figura 4– Arco de ferradura ou ultrapassado ................................................................. 15
Figura 5– Sistema de travamento com reforço em aço. ................................................. 17
Figura 6– Cimbre para construção de arco. .................................................................... 18
Figura 7– a) Fundação directa sem sobrelargura b) Fundação directa com sobrelargura.
........................................................................................................................................ 19
Figura 8– Planta de fundação contínua em “caixa”. ....................................................... 19
Figura 9– Fundação sobre poço de alvenaria; a) com paredes em pedra talhada; a1)
cheio com enrocamento; b) com utilização de arcos invertidos. .................................... 20
Figura 10–1ª fase – retirada das camadas superficiais do solo; 2ª fase – colocação das
estacas de madeira; 3ª fase – colocação de travessas de madeira longitudinalmente; 4ª
fase – colocação de travessas de madeira transversalmente sobre as anteriormente
colocadas; 5ª fase – arranque dos poços de fundação; a) Corte longitudinal; b) Corte
transversal. ...................................................................................................................... 22
Figura 11– Estudo sobre as proporções ideais segundo Rondelet. ................................. 24
Figura 12–; Ancoragem das vigas de madeira na parede de alvenaria. .......................... 29
Figura 13– Viga de madeira com reforço de madeira. ................................................... 29
Figura 14– Viga de madeira com reforço em aço. ......................................................... 30
Figura 15– Forro de esteira simples. .............................................................................. 31
Figura 16– Forro de esteira sobreposto “saia e camisa”. ............................................... 31
Figura 17– Tecto com madeiramento á vista. ............................................................... 32
Figura 18– Exemplo de uma Sanca. ............................................................................... 32
Figura 19– Exemplo de cobertura com recurso a arcos e abóbadas. .............................. 33
Figura 20– Exemplo de cobertura com recurso a arcos e abóbadas. .............................. 34
Figura 21– Asna de cobertura. ........................................................................................ 35
Figura 22– Localização do concelho. ............................................................................. 35
Figura 23– Freguesias do concelho de Lamego. ........................................................... 36
Figura 24– Carta geológica da região de Mesão Frio – (Instituto Geológico Mineiro,
Folha 10-C escala 1/50000 reduzida). ............................................................................ 39
Figura 25– CARTA MILITAR DE PORTUGAL – Instituto Geográfico do Exército
Folha 126 (Peso da Régua) -escala 1/25000, Ed. 1998. ................................................. 40
Figura 26– Evolução da população residente no concelho de Lamego entre 1860 e 2001;
Adaptado de Carta Educativa Lamego. .......................................................................... 46
Figura 27– Níveis de Actividade no concelho de Lamego. ............................................ 47
Figura 28– Vias de acesso do concelho de Lamego. ...................................................... 49
Figura 29– Alçado Norte ................................................................................................ 52
Figura 30– Alçado Sul .................................................................................................... 52
v
Índice de Figuras
Figura 31– Alçado Este .................................................................................................. 53
Figura 32– Alçado Oeste ................................................................................................ 53
Figura 33– Corte Norte-Sul, com pavimento do rés-do-chão em terra batida e pavimento
do primeiro piso assente sobre uma estrutura de madeira de castanho com tabuado de
castanho pregado. ........................................................................................................... 56
Figura 34– Corte Norte-Sul, com pormenorização da estrutura de sustentação do tecto
em “masseira” e do forro no sistema “saia e camisa”. ................................................ 58
Figura 35– Planta de cobertura com indicação dos sentidos de escoamento das águas. 60
Figura 36– Corte Este-Oeste. Pormenorização da estrutura de sustentação e
impermeabilização da cobertura. .................................................................................... 60
Figura 37– Alçado Oeste. Ilustração de vão do rés-do-chão em alvenaria de xisto pouco
trabalhada e vãos do primeiro piso em alvenaria de granito bem aparelhada e com a
envolvente pintada a cor amarela. .................................................................................. 63
Figura 38– Alçado Este. Ilustração do campanário. ....................................................... 65
Figura 39– Vista geral do complexo Este....................................................................... 66
Figura 40– Vista geral do complexo Oeste. ................................................................... 66
Figura 41– Localização da patologia, na planta do andar superior. ............................... 75
Figura 42– Localização da Patologia, na planta do andar superior com identificação
destas nas respectivas fachadas exteriores...................................................................... 76
Figura 43– Localização da Patologia, na planta do andar superior com identificação
destas nas respectivas fachadas interiores. ..................................................................... 77
Figura 44 – Localização da patologia na planta do andar superior. ............................... 82
Figura 45– Localização da patologia na planta do andar superior. ................................ 86
Figura 46– Localização da patologia na planta do andar térreo. .................................... 91
Figura 47– Localização da patologia na planta do piso superior. .................................. 94
Figura 48– Localização da patologia, andar superior. .................................................... 99
Figura 49– Localização da patologia, andar superior. .................................................. 103
Figura 50– Localização da patologia, andar superior. ................................................. 107
Figura 51– Localização da patologia, andar superior. .................................................. 111
Figura 52– Localização da patologia, andar superior. .................................................. 115
Figura 53– Implantação de edifícios sobre falsos firmes com assentamentos globais. a)
Fundações sem assentamentos; b) Fundações com assentamentos globais. ................ 121
Figura 54– a) Edificação implantada sobre estrato de grande resistência homogéneo
(situação ideal de calculo); b) Edificação implantada sobre estrato de grande resistência
descontínuo com bolsa de argila orgânica (situação real). ........................................... 121
Figura 55– Deformação induzida á estrutura devido aos assentamentos diferenciais. a)
Fundações sem assentamentos; b) Fundações com assentamentos diferenciais. ......... 124
Figura 56– Esforços actuantes. a) Estrutura de edifício com fundações sem
assentamentos; b) Estrutura de edifício com fundações com assentamentos diferenciais.
...................................................................................................................................... 124
Figura 57– Efeitos de assentamento de uma sapata interior......................................... 125
Figura 58– Efeitos de assentamento de duas sapatas interiores. .................................. 125
vi
Índice de Figuras
Figura 59– Efeitos de assentamento de uma sapata de canto. ...................................... 126
Figura 60– Efeitos de implantação de edifício em parte em zona de aterro
subconsolidado e uma outra parte sobre zona de escavação. ....................................... 126
Figura 61– Efeitos de assentamentos nos extremos de uma edificação. ..................... 126
Figura 62– Efeitos assentamentos em zona central de uma edificação. ...................... 127
Figura 63– Exemplo de rotação da estrutura devido a saturação de parte do solo
argiloso e consequente perda de capacidade de sustentação. ....................................... 127
Figura 64– Pavilhão industrial sem caleiras de recolha das águas pluviais com saturação
do solo junto às fundações directas e consequente perda de capacidade de sustentação.
...................................................................................................................................... 128
Figura 65– Descompressão do solo devido a escavação junto ao edifício provocando
assentamentos diferenciais neste. ................................................................................. 128
Figura 66– Descompressão do solo devido às ancoragens de sustentação do muro de
suporte, fazendo com que as fundações apresentem assentamentos diferenciais
provocando anomalias estruturais no edifício. ............................................................. 129
Figura 67– Assentamento do solo compressível devido á sobrecarga por aterro. ........ 130
Figura 68– Sobreposição de pressões com rotura do solo de fundação e consequentes
assentamentos. .............................................................................................................. 130
Figura 69– Fundação do edifício á superfície em estratos de má qualidade, muito
instáveis e compressíveis e em zonas de maior solicitação utilização de fundações
profundas, atingindo extractos sólidos com boas características mecânicas, apresentando
movimentações diferentes nas duas partes do edifício. ................................................ 131
Figura 70– Fissuração da fachada Este por assentamentos de fundação no lado Norte.
...................................................................................................................................... 132
Figura 71– Fissuração da fachada Oeste devido a assentamentos de fundação no lado
Norte. ............................................................................................................................ 133
Figura 72– Fissuração da fachada Norte devido a assentamentos de fundação no lado
Oeste. ............................................................................................................................ 133
Figura 73– Injecção de misturas líquidas sob a base da fundação com distribuição ideal
do liquido injectado. ..................................................................................................... 137
Figura 74– Injecção de misturas líquidas com barreiras de confinamento sob a base da
fundação, com garantia de distribuição homogénea da mistura injectada. .................. 138
Figura 75– Fases de execução de colunas de jet-grouting. a) Introdução da vara através
de rotação e jacto de agua. b) Paragem de jacto de agua vertical e inicio dos jactos de
agua e ar horizontais. c) Subida a velocidade constante com rotação da vara e injecção
de calda. d) Melhoramento do solo na área pretendida. ............................................... 140
Figura 76– Injecção de caldas nos elementos de fundação através de perfurações feitas
nestes. ........................................................................................................................... 143
Figura 77– Injecção de caldas nos elementos de fundação através de perfurações feitas
nestes, com confinamento da injecção através de estacaria. ........................................ 144
vii
Índice de Figuras
Figura 78– Injecção de caldas nos elementos de fundação através de perfurações feitas
nestes, com confinamento da injecção através de muros de suporte, pré-fabricados ou
concebidos no local. ..................................................................................................... 144
Figura 79– Ordem de execução dos trabalhos. ............................................................. 146
Figura 80– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas
paralelas às sapatas corridas com ligação através de resinas e varões de aço. ............. 147
Figura 81– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas
paralelas às sapatas corridas com ligação através de ancoragens de aço. .................... 147
Figura 82– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas
paralelas às sapatas corridas, com recorte diagonal na fundação existente de forma a
haver uma maior contribuição por parte da ampliação na degradação das cargas. ...... 148
Figura 83– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas
paralelas às sapatas corridas, com recorte dentado na fundação existente de forma a
haver uma melhor ligação entre ampliação e fundação existente. ............................... 148
Figura 84– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas
paralelas às sapatas corridas, com recorte dentado na fundação existente e varões de
ligação de forma a haver uma melhor ligação entre ampliação e fundação existente. . 149
Figura 85– Ampliação da área de transmissão de cargas através do envolvimento parcial
dos elementos de fundação. .......................................................................................... 149
Figura 86– Recalçamento da fundação através da introdução de uma viga armada sob a
fundação existente. ....................................................................................................... 150
Figura 87– Recalçamento da fundação através da introdução de uma viga armada sob a
fundação existente, com ampliação da área de transmissão de cargas. ........................ 151
Figura 88– Recalçamento de fundação através de poços, com escavação sob a fundação
existente e recalçe a partir do solo firme. ..................................................................... 152
Figura 89– Estaca de madeira preparada para cravação mecânica, com anel de
encabeçamento em aço e ponteira de reforço igualmente em aço. ............................... 153
Figura 90– Recalçamento de fundações através da introdução de estacas encabeçadas
por vigas de recalçamento. ........................................................................................... 154
Figura 91– Reforço de fundações com recurso a micro-estacas verticais em corte e em
planta. ........................................................................................................................... 156
Figura 92– Reforço de fundações com recurso a micro-estacas verticais e diagonais em
corte e em planta. .......................................................................................................... 157
Figura 93– Reforço de fundações com recurso a micro-estacas verticais com
encabeçamento sob viga de recalçamento, em corte e em planta. ................................ 158
viii
Índice de Fotos
Índice de Fotos
Foto 1 – Arco de aduelas de granito. Os pilares de apoio são em xisto e o tabuleiro do
passadiço é constituído por lajes de cantaria de granito assentes numa camada de
pequenas pedras de xisto. ............................................................................................... 50
Foto 2 – Paredes resistentes com os cunhais e molduras de vão com perpeanhos,
padieiras e ombreiras em blocos de xisto de faces afeiçoadas no rés-do-chão e em
blocos de granito aparelhado no primeiro piso; toda a restante alvenaria é constituída
por pedras irregulares, médias e pequenas, de xisto, com os interstícios preenchidos por
lascas e escacilhos. A argamassa de assentamento das pedras é de barro e fibras
vegetais. .......................................................................................................................... 54
Foto 3 – Parede de tabique, constituída por um esqueleto de madeira de prumos e
frechais de castanho, sobre o qual foram fixadas fasquias de castanho e cujos vazios
foram preenchidos com adobe; o revestimento interior é constituído por uma argamassa
á base de cal e areia. ....................................................................................................... 54
Foto 4 – Argamassa de assentamento e de reboco. ........................................................ 55
Foto 5 – Estrutura do pavimento do primeiro piso, constituído por vigas e vigotas onde
foi fixado o tabuado, sendo todos os elementos em madeira de castanho...................... 57
Foto 6 – Estrutura do tecto em masseira e sanca. ........................................................... 59
Foto 7– 2009; Cobertura. ................................................................................................ 61
Foto 8– Alçado Oeste. Vão do rés-do-chão em pedra xistosa deficientemente trabalhada,
com reboco destacado e vãos do primeiro piso em pedra de granito bem aparelhada e
com pintura de cor amarela na envolvente do vão. ........................................................ 62
Foto 9– Alçado Este. Vãos de portas do primeiro piso em alvenaria de granito bem
aparelhado. ...................................................................................................................... 62
Foto 10– Campanário, colocado na fachada a Este. ....................................................... 64
Foto 11– Fissura vertical na parede a Este. ................................................................... 78
Foto 12– Localização das fissuras na parede a Oeste. .................................................... 78
Foto 13– Localização das fissuras na parede a norte...................................................... 79
Foto 14– Localização da fissura e abatimento na face norte do arco. ............................ 82
Foto 15– Localização da fissura e abatimento na face sul do arco................................. 83
Foto 16– Manchas de humidade na parede exterior. ...................................................... 86
Foto 17– Manchas de humidade na parede exterior. ...................................................... 87
Foto 18– Manchas de humidade na parede exterior. ...................................................... 87
Foto 19– Manchas de humidade na parede interior. ....................................................... 88
Foto 20– Manchas de humidade na parede interior, deterioração da cobertura. ............ 88
Foto 21– Humidade nas paredes exterior e divisória interior. ........................................ 91
Foto 22– Deterioração total do forro de tecto. ............................................................... 94
Foto 23– Humidade e apodrecimento do tecto. .............................................................. 95
ix
Índice de Fotos
Foto 24– Humidade e apodrecimento do tecto. .............................................................. 95
Foto 25– Humidade, apodrecimento e decaimento de elementos do tecto. ................... 96
Foto 26 – Humidade e apodrecimento do pavimento devido a infiltrações directas das
águas pluviais. ................................................................................................................ 96
Foto 27– Destacamento do reboco do paramento exterior. .......................................... 100
Foto 28– Destacamento do reboco do paramento exterior. .......................................... 100
Foto 29– Destacamento do reboco do paramento interior. .......................................... 101
Foto 30– Destacamento do reboco do paramento interior. .......................................... 101
Foto 31– Localização de manchas de humidade. ......................................................... 104
Foto 32– Localização de manchas de humidade. ......................................................... 104
Foto 33– Localização de manchas de humidade. ......................................................... 105
Foto 34– Localização da vegetação parasitária. .......................................................... 108
Foto 35– Localização da vegetação parasitária. ........................................................... 108
Foto 36– Localização da vegetação parasitária. ........................................................... 109
Foto 37– Degradação pedra em zona de destacamento do reboco. .............................. 112
Foto 38 – Degradação da pedra da cornija. .................................................................. 112
Foto 39– Degradação da pedra do apilarado. ............................................................... 113
Foto 40– Degradação do tecto de madeira. ................................................................. 116
Foto 41 – Degradação do tecto de madeira. ................................................................. 116
Foto 42– Degradação da estrutura da cobertura e decaimento de elementos que a
constituem, tal como os elementos do forro. ................................................................ 117
Foto 43– Degradação da estrutura do pavimento, com redução da secção dos elementos
de suporte; indícios de ataque xilófago. ....................................................................... 117
Foto 44– Degradação de portas de carvalho. ................................................................ 118
Foto 45– Torre de Pisa implantada em solo de fundação heterogéneo. Adaptado de
www.Google.pt. ............................................................................................................ 122
Foto 46–Solo de fundação agressivo com deterioração avançada das fundações.
Adaptado de www.Google.pt. ...................................................................................... 122
Foto 47– Danificação de estacas de fundação no processo de cravação. Adaptado de
www.Google.pt. ............................................................................................................ 123
Foto 48– Rotação de reservatório de água devido á saturação do solo na zona inferior
ao extravasor. Adaptado de www.Google.pt. ............................................................... 127
Foto 49– Trabalhos de construção do complexo hoteleiro junto da capela, os quais
foram precedidos de uma escavação até ao limite do edifício caso de estudo. ............ 134
Foto 50– Exemplos de aplicação de tratamentos térmicos no solo de fundação.
Adaptado de Construlink Press 2003............................................................................ 141
x
RESUMO
Resumo
Neste trabalho é feita uma caracterização geral das construções do século XVIII,
tentando dar a conhecer os processos construtivas da época, os materiais utilizados, o
tipo de dimensionamento efectuado, de forma a compreender melhor o comportamento
mecânico das estruturas, a origem de muitas das suas patologias e ainda como forma de
facilitar a sua reparação, com a escolha adequada de técnicas e materiais.
Este trabalho apresenta o tratamento de um caso de estudo concreto, sendo ele
uma capela setecentista da freguesia de Samodães, no concelho de Lamego actualmente
inserida num complexo hoteleiro na margem sul do Douro, sobre o qual se faz um
exame pormenorizado sobre o estado de conservação do edifício, as causas que poderão
estar na origem das suas patologias, e ainda as possíveis soluções de intervenção tendo
em vista os critérios de autenticidade, compatibilidade e reversibilidade necessariamente
presentes nas obras de conservação, manutenção, reabilitação e restauro de edifícios
antigos.
É finalmente apresentado um estudo pormenorizado sobre as fundações dos
edifícios, descrevendo as mais vulgares causas de anomalias nestes elementos, e as
técnicas tradicionais e mais inovadoras de reparação, com referência ao seu potencial,
ao seu campo de aplicação, às suas vantagens e limitações, baseadas em conhecimentos
teóricos e práticos.
Palavras Chave: Conservação; Manutenção; Reabilitação; Restauro; Fundações.
xi
ABSTRACT
Abstract
In this work a general characterisation of the constructions of the 18th century is
given, trying to make people aware of the constructive processes of the time, the
materials used, the type of dimensioning executed, so as to understand better the
mechanical behavior of the structures, the origin of many of their pathologies and also
the way to facilitate their repair, with the right choice of techniques and materials.
This work presents the treatment planning of a real case study, more specifically,
an eighteenth century’s chapel belonging to the Samodães parish, in the council of
Lamego, currently integrated in a group of hotels in the south shore of the Douro river.
The study is about a close examination of the physical conservation of the building, the
causes that may be responsible for its pathology, and also the possible solutions of
intervention, respecting the criteria of authenticity, compatibility and reversibility
present in works of conservation, maintenance, rehabilitation and restoration of the
buildings.
Finally, a close study of the foundations of the buildings is shown, describing the
most common defects in these elements and the traditional and more modern techniques
of repair with reference to their potential, area of application, their advantages and
limitations, based on theoretic and practical knowledge.
Key words: Conservation, maintenance, rehabilitation, restoration, foundations
xii
Aos
meus pais e irmãos.
_____________________________________________________________________________
xiii
Á memória
dos meus avós.
_____________________________________________________________________________
xiv
Agradecimentos
A realização desta dissertação foi o culminar de vários objectivos académicos
traçados, sendo apenas possível de alcançar, graças ao apoio e colaboração de diversas
pessoas e entidades, a quem expresso o meu sincero agradecimento:
À Professora Doutora Arquitecta Eunice Salavessa, não só pela orientação, mas
também pelo empenho e profissionalismo que manifestou no decurso de todo este
trabalho.
Ao Professor Doutor Engenheiro Alfredo Ribeiro, por todo o apoio e
disponibilidade que manifestou ao longo do trabalho.
À Câmara Municipal de Lamego pela disponibilidade demonstrada para a
consulta de dados.
À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, através da qual foi possível
tornar esta dissertação uma realidade.
À Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, por toda a disponibilidade
demonstrada na cedência de bibliografia necessária a este trabalho.
Aos meus pais e irmãos, por todo o amor, carinho, amizade e paciência
demonstrada ao longo da minha vida, bem como a educação e os valores que me
transmitiram, tornando-me na pessoa que sou hoje.
Aos meus tios, padrinhos e primos, por todo o apoio, amor, carinho e amizade
demonstrados não só nesta fase mas durante toda a minha vida.
Aos meus avós, que durante os anos de vida que com eles tive o prazer de
partilhar, me tentaram transmitir os verdadeiros valores da vida.
À Anita por todo o amor, carinho, amizade e paciência demonstrado durante este
tempo, bem como pela sua ajuda na obtenção da bibliografia necessária.
Aos meus amigos, os quais durante toda a minha vida me proporcionaram uma
plataforma sólida onde eu pude crescer, e os quais me ajudaram na apreensão dos
valores sociais fundamentais.
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xv
1. INTRODUÇÃO
1.INTRODUÇÃO
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1
1. INTRODUÇÃO
1.INTRODUÇÃO
Em todo o mundo desenvolvido, é reconhecida a importância cultural e
económica da conservação e reabilitação do património cultural edificado, pois faz parte
das nossas origens e do nosso passado, contendo em si mesmo uma parte da história do
homem, e o testemunho presente da nossa identidade cultural, a qual é necessário
conservar e legar as gerações futuras.
Para além dos previsíveis impactes económicos das políticas baseadas no
património cultural enquanto recurso, importa realçar que o património histórico é um
instrumento-chave na procura de um desenvolvimento sustentável. Não se trata só de
proteger o que tem valor cultural mas também de reutilizar o já construído, poupando
recursos e energias.
Apesar do sucesso que se tem vindo a observar em determinadas intervenções,
Portugal ainda não possui políticas patrimoniais inteiramente coerentes, concertadas na
promoção e conservação do parque edificado.
Até há bem pouco tempo, a atenção dos investigadores, arquitectos, engenheiros
historiadores e arqueólogos, dirigia-se essencialmente para edifícios tidos como
especiais, (palácios, igrejas, castelos, conventos) cujas intervenções são consideradas
mais marcantes e mais valiosas do ponto de vista histórico-artístico. Mesmo nestes
casos, os conhecimentos formados são escassos e empíricos, conhecendo-se escassos
exemplos relevantes de uma abordagem científica dos problemas promovidos pelas
acções de conservação, reparação, reabilitação, comportamento estrutural e construtivo
desses edifícios, que em dado momento se entenda conveniente ou imprescindível
implementar.
Durante vários séculos, o homem construtor recorreu sistematicamente aos
mesmos materiais, sendo estes utilizados numa fase primitiva de transformação e
circunscritos por região, dadas as grandes dificuldades de transporte das matériasprimas a longas distâncias. No que diz respeito às técnicas construtivas, estas tinham a
sua origem quase perdida no tempo, mas que foi herdada e nem sempre bem
compreendida e aplicada, da exímia tradição romana de construir.
Com o aparecimento do betão armado, mais propriamente do cimento Portland,
as técnicas tradicionais (algumas rudimentares, outras já muito aperfeiçoadas) e
empíricas não exploradas foram praticamente banidas das técnicas construtivas
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2
1. INTRODUÇÃO
utilizadas, dando por terminado o ciclo de criação de construções agora denominadas de
antigas. O betão armado marca efectivamente um plano de rotura com o passado, a
partir do momento que os engenheiros foram conhecendo melhor as capacidades deste
material, o qual devido ao facto de ser moldável, permitiu realizar todas as formas por
mais fantasiosas que estas sejam, abandonando-se assim as formas estruturais préestabelecidas e ultrapassando-se as limitações impostas pelas matérias pré-existentes.
Desde a criação do conceito de conservação, que se tem verificado que a
deficiente qualificação dos diversos agentes e decisores envolvidos nas intervenções
nesta área, (dono de obra, empreiteiro, projectista, entidade fiscalizadora) se traduz,
frequentemente, em prejuízo para a autenticidade do objecto da intervenção. O uso em
excesso do betão armado e do aço torna frequentemente as intervenções no património
demasiado intrusivas e atentatórias da originalidade das velhas construções. Para além
desses aspectos muitas das vezes estas intervenções não se revelam eficazes no que diz
respeito ao comportamento estrutural, daí a necessidade de uma maior formação com
carácter científico de todos os intervenientes.
Os edifícios do século XVIII, predominantes na Região Demarcada do Douro,
constituem referências simbólicas para as suas comunidades e contribuem para
enriquecer o seu património cultural e urbano. São uma parte relevante do património
urbano, e a salvaguarda da imagem da cidade, vila ou aldeia histórica, passa
forçosamente pela conservação das construções históricas ou tradicionais. Várias
condicionantes actuam sobre estes edifícios: o clima, o material disponível na região, a
configuração do edifício e a economia local.
Desta forma e de acordo com os princípios de cartas internacionais do restauro e
da conservação do património construído, este trabalho propõe a salvaguarda destes
valores histórico-tecnológicos, utilizando prioritariamente, técnicas e materiais
tradicionais, consideradas repositórias da arte de bem construir; só quando estas se
revelam ineficazes, propõe-se a utilização de técnicas e materiais contemporâneos.
Neste estudo reúnem-se os diferentes conhecimentos sobre: critérios gerais de
análise conservação e restauro estrutural e não estrutural de construções do século
XVIII, descrito em tratados de construção da época; levantamento de um edifício do
século XVIII, existente na Região Demarcada do Douro, mais precisamente em
Samodães, no concelho de Lamego, e que se conservou até aos nossos dias;
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1. INTRODUÇÃO
comportamento estrutural, características dos materiais e processos de degradação;
diagnóstico, avaliação da segurança e acções de intervenção, no edifício em estudo.
1.1.Objectivos
O estudo tem como objectivos:
- Conhecer e restaurar a informação acessível relativa aos princípios técnicos da
arte de construir edifícios do séc. XVIII, fazendo a interface com as técnicas
construtivas actuais;
- Definir instrumentos e práticas capazes de assegurar a aplicação da
Conservação Sustentável, que defende a continuidade da existência das artes e ofícios
da época em que os edifícios foram construídos, e da Conservação Preventiva, que
defende a aplicação periódica de acções de manutenção na luta contra a degradação dos
edifícios históricos ou tradicionais e no aumento da sua durabilidade; determina-se,
deste modo, o contributo do estudo das técnicas tradicionais de construção de edifícios
setecentistas na sua conservação;
- Pesquisar técnicas e materiais contemporâneos que possibilitem intervenções
pouco intrusivas, capazes de reabilitar ou restaurar construções históricas sem lhes
destruir a autenticidade e o valor histórico e tecnológico.
- Interpretar as causas do aparecimento de fissuras e deformações em alvenarias
do “edifício-caso de estudo”, setecentista localizado no concelho de Lamego, freguesia
de Samodães. Fazer a descrição e análise de todos os seus elementos estruturais e
construtivos (alvenarias, estruturas de madeira, fundações, etc.), materiais e processos
de construção. Pretende-se ainda que este estudo envolva um conjunto de
levantamentos, análises histórica, arquitectónica, caracterização dos materiais, da
tecnologia construtiva e do diagnóstico das anomalias, as quais conduzam à definição
de uma estratégia de intervenção construtiva e estrutural, de prevenção contra o colapso
de construções históricas. Deste modo estabelecem-se as seguintes metas: detecção de
sintomas da deterioração estrutural, em particular, padrões de fissuração, através de
inspecção in-situ e o estudo pormenorizado de patologias e técnicas de intervenção em
fundações, históricas e actuais.
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1. INTRODUÇÃO
1.2. Metodologia
- Levantamento da bibliografia, em especial aquela que se refere a Tratados de
Arquitectura e de Construção da época e contemporâneos, e ainda à História da
Arquitectura e à História das Técnicas; determina-se, assim, a arte de conceber,
dimensionar, preparar, combinar e montar os materiais e os princípios que regem a boa
construção de edifícios;
- Pesquisa de exemplos de estudos de diagnóstico; estudo de legislação
internacional e nacional aplicável ao restauro e reabilitação de estruturas de interesse
histórico e arquitectónico;
- Estudo das alvenarias, carpintarias e fundações do séc. XVIII: levantamento
geométrico e dimensionamento; glossário técnico histórico, análise comparativa das
tipologias (configuração, função); elaboração de cartas temáticas (características
geométricas, tipo de material e suas características, defeitos originais, anomalias);
estudo da tecnologia das alvenarias, das estruturas de madeira e das fundações, análise
estrutural, e princípios da mecânica estática; transporte e colocação na obra; obras em
alvenaria em madeira e em fundações;
- Estudo de outros elementos construtivos: campanário, cornijas e pilastras de
granito, argamassas de juntas e rebocos, paredes de compartimentação, janelas,
revestimentos, impermeabilização, forros, sistemas de drenagem;
- Recolha de informação bibliográfica e local, estudos de natureza teórica e
trabalhos de campo como levantamentos geométrico, funcional e fotográfico do
edifício, envolvente e pormenores construtivos;
- Análise histórica e arquitectónica do edifício;
- Observação directa, levantamento fotográfico e gráfico para o registo de
patologias;
- Avaliação do estado de conservação; diagnóstico dos sintomas patológicos,
danos, deficiências; reconhecimento da acção nociva da colonização biológica em
suportes pétreos;
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1. INTRODUÇÃO
- Sugestão de medidas de melhoria do comportamento geral do edifício;
reparação das fundações (estacas de madeira); reforço das ligações das estruturas de
madeira às alvenarias; acções de conservação em suportes pétreos afectados pela acção
nociva da colonização biológica;
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.DESENVOLVIMENTO DO TEMA
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.1. Enquadramento Legal das Intervenções Sobre o Património
Cultural
É um facto incontestado que, cada vez mais, os cidadãos têm consciência
comunitária do valor histórico e da riqueza etnográfica do seu património colectivo,
espelho e vector da sua identidade cultural, mobilizando-se com vontade e determinação
na tarefa urgente e continuada da sua defesa.
Portadores de uma mensagem espiritual do passado, os monumentos históricos
de um povo constituem um testemunho vivo das suas tradições seculares.
A Humanidade, que tem vindo progressivamente a tomar consciência da
singularidade dos valores humanos, considera os monumentos como um património
comum, reconhece a responsabilidade colectiva pela sua salvaguarda para as gerações
futuras e aspira, simultaneamente, a transmiti-los com toda a riqueza da sua
autenticidade.
É pois essencial que os princípios orientadores da conservação e do restauro de
monumentos sejam elaborados colectivamente e acordados a nível internacional,
ficando cada nação com a responsabilidade pela aplicação destes princípios, no quadro
especifico do seu contexto cultural e das suas tradições.
2.1.1. Princípios e Critérios de Conservação, Reabilitação e
Restauro de Edifícios Históricos (1)
Muitas das vezes os termos “conservação”, “manutenção”, “reabilitação” e
“restauro”, são utilizados de uma forma aleatória, caracterizando intervenções que nem
sempre lhe correspondem. Importa então distinguir tais conceitos básicos, que se
revelam essenciais á boa percepção do conteúdo dos documentos consultados e também
para que estes termos sejam aplicados de forma correcta no desenvolvimento do
trabalho.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Em intervenções sobre edifícios antigos de elevada importância cultural há que
ter em conta aspectos essenciais que garantam o sucesso das mesmas, como a
“autenticidade”, a “compatibilidade”, e a “reversibilidade” nas intervenções nestes
realizadas.
Entende-se por “conservação”, o conjunto de operações realizadas num edifício,
de forma a manter a construção tal como ela é hoje, ainda que, havendo necessidade,
sejam aceites pequenas intervenções com vista a melhorar o comportamento estrutural
do edifício.
Entende-se por “manutenção”, o conjunto de operações desenvolvidas de forma
a manter ou recolocar o edifício num estado em que possa desempenhar as funções para
as quais está incumbido.
Entende-se por “reabilitação”, o conjunto de operações que visam adequar uma
construção a um novo uso ou função, sem alterar as fracções da construção que
caracterizam o edifício e as quais possuem um maior valor histórico.
Entende-se por “restauro”, o conjunto de operações com vista á recuperação da
forma original de uma construção o “recurso estilístico” recorre à remoção de obras
adicionais e à substituição de obras de origem em falta preservando todos os elementos
recuperáveis e reconstituindo a traça original do edifício.
O conceito de “autenticidade”, é inseparável das operações de restauro ou
reabilitação impondo regras com as quais jamais seja posta em causa a identidade e
veracidade do edifício original.
O conceito de “compatibilidade”, está implícito em todas as operações que são
pensadas de modo a que haja harmonia entre a estrutura inicial e a intervenção feita,
quer nas características mecânicas e químicas dos materiais empregues, quer do ponto
de vista arquitectónico e da tecnologia utilizada.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
O conceito de “reversibilidade”, integra-se em todas as operações que nos
permitem recuar se uma decisão diferente for tomada sobre a traça original do edifício,
sem pôr qualquer fracção ou elemento do mesmo em risco.
2.1.2. Cartas e Legislação de Salvaguarda do Património
Arquitectónico (2)
Com o intuito de legislar as intervenções e demonstrar a importância do
património arquitectónico e cultural, surgiram ao longo dos anos vários tratados, dos
quais vamos de seguida relevar os mais importantes segundo uma sequência
cronológica.
A Carta de Atenas Sobre o Restauro de Monumentos, de 1931, representa o
primeiro documento escrito regulador da importância da preservação do património.
Esta carta, impulsionou o desenvolvimento de uma vasta acção internacional neste
sentido, traduzida em documentos nacionais, na actuação do ICOM (Conselho
Internacional dos Museus) e da UNESCO, e na criação, por esse organismo, do Centro
Internacional de Estudos para conservação e restauro de bens culturais.
Com o progressivo aumento da sensibilidade e da complexidade dos problemas,
nota-se uma certa insuficiência de regulamentação em determinadas matérias na Carta
de Atenas, revelando-se necessário conjugar princípios e criar um documento regulador
mais específico, nascendo assim a Carta de Veneza em 1964. Esta carta representa o
documento mais importante do séc. XX na conservação, manutenção, reabilitação e
restauro do património arquitectónico, melhorando a especificidade da carta de Atenas e
impondo assim regras claras para as tarefas atrás mencionadas. Podemos destacar desta
carta algumas recomendações mais importantes, sendo elas: utilizar os monumentos,
respeitando-lhes o carácter; conservar os monumentos, antes de os restaurar; promover
acções regulares de conservação dos monumentos; durante o restauro, respeitar a obra
histórico-artística do passado, sem eliminar ou seleccionar “estilos” das diferentes
épocas patentes no monumento, evitando o princípio da unidade estilística; reutilizar o
monumento, com actividades funcionalmente adequadas, como garantia da sua contínua
utilidade e conservação; atender à importância das envolventes; proceder a uma rigorosa
análise de documentação que permita estabelecer um diagnóstico correcto das
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
anomalias detectadas; se necessário, utilizar técnicas modernas para garantia da
estabilidade.
Em 1972, em Paris, dá-se lugar á Convenção Para a Protecção do Património
Mundial, Cultural e Natural UNESCO, a qual faz referência á importância da criação
de entidades especializadas na conservação do património e cooperação internacional,
desenvolvendo estudos, pesquisas científicas e técnicas, de forma a capacitá-las a tomar
medidas jurídicas, técnicas, científicas e financeiras adequadas á boa resolução dos
problemas.
Passados três anos, em Estrasburgo, nasce a Carta Europeia do Património
Arquitectónico na qual se fala pela primeira vez da importância não só de preservação
dos monumentos mais importantes mas também do conjunto de construções mais
modestas.
Já em 1994, surgiu a Carta de Villa Vigoni Sobre a Protecção dos Bens
Culturais da Igreja, de importância superior no nosso trabalho, uma vez tratar-se de
património equiparado. O encontro foi promovido pelo Secretariado da Conferencia
Episcopal Alemã e pela comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja. Nesta
Carta salienta-se a importância de colaboração entre o estado e a igreja na preservação
dos bens desta, uma vez que são testemunhos vivos da identidade e tradição dos povos
cristãos, fazendo parte da herança cultural da Humanidade, sendo nossa a
responsabilidade de proteger, valorizar e transmitir às gerações futuras o valioso
património que nos está temporariamente confinado. Para evitar os processos de
profanação, secularização e dispersão do património, as igrejas devem fazer inventários
e catálogos dos seus bens culturais, proporcionando assim uma base científica
indispensável à protecção e valorização dos bens culturais. Qualquer alteração de uso
deve ser compatível com o carácter religioso do bem cultural, sendo aconselhável este
ser mantido inalterado. A manutenção deve mostrar-se contínua e bem documentada,
respeitando escrupulosamente a substância cultural dos bens e o seu carácter religioso.
Devem ser tomados em conta os diversos tipos de poluição existentes, bem como para
sua protecção não devem ser apenas os edifícios alvos de salvaguarda, mas também
todos os espaços envolventes, sendo da competência da igreja criar os serviços de
protecção necessários e estando estes dotados de meios financeiros capazes.
Nesse mesmo ano, o Documento de Nara, concebido no espírito da Carta de
Veneza, 1964, foi formulado com o intuito de desenvolver e ampliar esse documento,
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
dando resposta ao alargamento dos conceitos referentes ao significado de Património
Cultural e dos seus interesses no estudo contemporâneo sobre a autenticidade dos bens
culturais.
Em 2000 surge a Carta de Cracóvia para a Conservação e o Restauro do
Património Construído, de encontro às antecessoras, vem introduzir, consciente do
progresso de identidades (mais distintas e singulares), a necessidade de ampliação da
pluralidade de valores fundamentais evitando conflitos de interesse.
2.1.3.
Carta
ICOMOS,
Recomendações
para
a
Análise,
Conservação e Restauro Estrutural do Património Arquitectónico
(3)
A carta ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), é na
actualidade o documento mais importante no que respeita á conservação e restauro
estrutural do património arquitectónico. Á imagem das anteriormente analisadas,
apresenta uma série de recomendações, as quais se revelam fundamentais ao bom
processo de conservação e restauro do património arquitectónico.
Segundo a Carta, os princípios a seguir de forma a proporcionar uma intervenção
apropriada são os seguintes:
•
Critérios Gerais
Multidisciplinaridade de abordagens; conceito de valor e autenticidade
baseado nas diferentes culturas; o valor de uma construção histórica encontra-se
na preservação desta como um todo; a alteração do uso deve tomar em
consideração todas as exigências de conservação e segurança; o processo de
conservação deve seguir quatro fases sendo elas, análise da informação histórica,
identificação das causas de danos e degradações, selecção das acções de
consolidação e controlo da eficácia das intervenções de forma a garantir a
eficiência máxima dos meios disponíveis e impacto mínimo na autenticidade do
imóvel.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
•
Investigação e diagnóstico
Equipa multidisciplinar adaptada á escala e tipo de problema; análise de
dados disponíveis e formulação de plano de actividades; conhecimento do
comportamento estrutural, técnicas e materiais utilizados; determinação das
causas dos danos e degradações bem como do nível de segurança da estrutura
anteriormente á tomada de decisão de intervenção; realização de um relatório
onde esteja reunida toda a informação relevante.
•
Medidas de consolidação e controlo
O tratamento deve ser feito com conhecimento claro das origens do
problema; manutenção adequada como limitação de intervenções; avaliação da
segurança e significado histórico como base das medidas de conservação e
reforço; todas as intervenções devem ter carácter indispensável e os menores
danos possíveis para o valor patrimonial; a utilização de técnicas mais
tradicionais ou inovadoras deve ser decidida caso a caso, com preferências para
as primeiras excepto quando estas não garantam as exigências de segurança e
durabilidade; em casos de dúvida dos benefícios de uma intervenção, adoptar um
método observacional, partindo de um nível de intervenção mínimo para uma
possível posterior adopção de medidas suplementares correctivas; as medidas
adoptadas devem ter um carácter de reversibilidade; os materiais devem ser
preservados optando pela sua recuperação, caso seja impossível os substitutos
devem ser compatíveis com os já existentes; as qualidades únicas da construção
e da sua envolvente não devem ser postas em causa; a arquitectura, a estrutura,
as instalações e a funcionalidade do edifício devem ser conjugadas atribuindo a
cada uma a importância devida; as imperfeições e alterações que pelo factor
tempo integraram a história do imóvel, devem ser mantidas logo que não
comprometam a segurança da estrutura; o desmonte e reconstrução apenas deve
ser utilizado quando se constatar que qualquer outro tipo de intervenção se
revela mais danosa; as intervenções dificilmente controláveis em execução não
devem ser permitidas, devendo qualquer proposta de intervenção ser
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
acompanhada de um programa de monitorização e controlo devidamente
documentada integrando parte da história da construção.
2.2. Regulamentação da construção no século XVIII
Pretende-se neste subcapítulo apresentar uma breve revisão sobre os métodos
construtivos do século XVIII, tomando por base uma vasta bibliografia e tratadística
referente á época.
2.2.1. Arcos (4)
O termo Arco, designa um elemento construtivo em curva, arredondado e no
qual podem ser utilizados diversos tipos de materiais sendo o mais usual a alvenaria de
pedra, ou a pedra de cantaria.
Das diversas aplicações dadas a um arco, observava-se principalmente a sua
utilização em vãos de portas, janelas, pontes, aquedutos, como elementos de
composição tridimensional de abóbadas e em elementos de fundação.
Para além da sua função prática de distribuição da carga o Arco possuía também
uma forte componente decorativa permitindo uma grande variedade de formas, sendo
neste sentido estético que o Arco se torna um elemento útil à identificação e
classificação dos diversos movimentos artísticos na arquitectura.
No que respeita á definição do perfil dos Arcos, esta dependia essencialmente de
cinco factores: a função, o vão necessário vencer, o volume de alvenaria e as cargas
descarregadas, o tipo de alvenaria utilizada, a mão-de-obra disponível e a dificuldade de
corte dos blocos.
Os Arcos eram organizados em 3 perfis mais comuns, os quais tinham as
seguintes relações entre o vão e a flecha:
ã
- Para Arcos abatidos, 5 2;
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 1– Arco abatido
- Para Arcos de volta perfeita,
ã
2;
Figura 2– Arco de volta perfeita
ã
- Para Arcos elevados, 2.
Figura 3- Arco elevado
Nos casos em que o Arco de círculo ultrapassava os 180º, este denomina-se por
Arco de ferradura ou Arco ultrapassado.
Figura 4– Arco de ferradura ou ultrapassado
Em Portugal os Arcos mais comuns eram os Arcos elevados, também
designados por pontiagudos ou de ponto, geralmente quebrados no fecho, eram
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
constituídos por dois arcos de círculo, os quais se intersectavam no fecho, podendo estes
ainda intersectar-se num nível superior ao da imposta, formando assim os Arcos
lanceolados ou em forma de lança.
A espessura dos Arcos estava directamente relacionada com as cargas nestes
descarregadas, o que faz com que a espessura destes diminua com a sua utilização em
pisos superiores do edifício.
No que respeita á atribuição do uso, verificamos que cada tipo de Arco era mais
indicado para determinada tarefa/função, devido a factores de capacidade estrutural,
mas também devido a restrições nas dimensões possíveis.
Na generalidade, os Arcos circulares, de curva contínua e poli-cêntricos, tinham
como principais funções, o suporte de paredes, pavimentos de madeira e abobadas, os
Arcos planos, platibandas e os Arcos abatidos de pequena flecha eram primordialmente
utilizados em janelas, portas e sempre que a altura da imposta era limitada por alguma
razão. Na construção de fundações eram normalmente utilizados Arcos de ressalva,
frequentemente abatidos, sendo a sua principal função a condução das cargas resultantes
da construção a maciços ou sapatas de fundação, e o contraventamento das diversas
sapatas de fundação, evitando assim deformações nas paredes devido a eventuais
assentamentos diferenciais.
Quanto mais elevado fosse o perfil do Arco, menor seria a secção necessária
para um mesmo vão, assim quando tinham o seu pé-direito limitado, devido por
exemplo á necessidade de executar aberturas em vãos pouco afastados, eram utilizados
preferencialmente os Arcos de volta inteira ou Arcos elevados. Em zonas de uma maior
largura das paredes, por exemplo em caves cujo poder de absorção dos impulsos
horizontais era elevado, eram utilizados Arcos abatidos.
Quando a capacidade estrutural dos Arcos não se verificava suficiente,
utilizavam-se sistemas de travamento horizontal, os quais aumentavam a capacidade de
resistência estrutural das construções em alvenaria, e eram aplicados por meio de
tirantes metálicos.
Este aumento de capacidade reflectia-se numa melhor absorção das acções
horizontais, nomeadamente na ligação dos elementos estruturais verticais, (pés-direitos,
paredes ou colunas) com os Arcos. Permitia uma melhoria do comportamento a
vibrações e movimentos violentos e inesperados, a acções de carregamento variável, a
eventuais assentamentos do terreno e a possíveis deformações após o descimbramento.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Podemos ainda considerar os vigamentos de madeira dos diversos andares e da
estrutura do telhado como sistema de travamento, pois á semelhança dos tirantes
metálicos, estes eram igualmente ancorados nas extremidades aumentando assim a
capacidade estrutural dos edifícios.
Figura 5– Sistema de travamento com reforço em aço.
Relativamente aos métodos de cálculo exigidos, ao contrário das paredes não
destinadas a suportar arcos, abóbadas, fundações ou consolas dos edifícios, os arcos
exigiam cálculos complexos para a época. Os métodos identificados na época de
dimensionamento de arcos poderiam organizar-se em dois grupos resumidamente:
- Regras empíricas, as quais se baseavam em proporções geométricas e
através das quais se dimensionavam as diversas secções das estruturas sendo este
até ao século XVII o único método, o qual foi sofrendo melhorias até ao século
XIX;
- Algoritmos algébricos e geométricos, baseado no cálculo estático dos
mecanismos de colapso de arcos circulares, este método desenvolvido entre os
finais do século XVII e o inicio do século XIX constituía um dos primeiros
métodos a ter não só em conta as proporções geométricas das estruturas mas
também as cargas a que estas estavam sujeitas.
Para a construção ou reconstrução dos arcos, era necessário um vasto
conhecimento. O processo desenrolava-se em cinco etapas: o cimbramento do vão, a
colocação dos blocos e das argamassas, o carregamento dos rins, o descimbramento
gradual e por fim o refechamento total das juntas.
Os cimbres ou simples, eram estruturas em madeira, mais ou menos complexas
dependendo dos vãos a vencer, tinham como objectivo a criação de uma estrutura
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
através da qual se realizava fisicamente a curvatura do arco e o suporte do mesmo
durante o tempo de presa das argamassas.
O tempo mínimo necessário á remoção dos cimbres era estabelecido em algumas
obras, no entanto havia duas correntes distintas. A primeira defendia um tempo mínimo
necessário á presa das argamassas a partir do qual se poderiam remover estas estruturas.
A segunda corrente defendia a sua remoção logo após a colocação da pedra de fecho, de
modo a permitir a compressão das argamassas, adaptando-se estas a um novo perfil, o
qual se tornaria definitivo, no entanto este abaixamento seria gradual demorando de um
a dois dias.
Figura 6– Cimbre para construção de arco.
2.2.2. Fundações (5)
O termo fundação, é utilizado na engenharia para designar as estruturas
responsáveis pela transmissão das solicitações geradas pelas construções ao solo.
Existem diversos tipos de fundações, as quais são projectadas tendo por base um
princípio básico, segundo o qual a tensão instalada num determinado solo, tem que ser
inferior á sua capacidade resistente, com um factor de segurança de valor superior a um.
O tipo de solo é o principal factor condicionante do tipo de fundação a instalar,
dependendo da sua maior ou menor capacidade resistente, teremos necessidade de uma
menor ou maior área de transmissão de cargas respectivamente.
As fundações podiam então classificar-se, tal como ainda hoje se faz, em dois
grandes grupos consoante a sua profundidade: directas ou superficiais e indirectas ou
profundas. Dentro de cada um destes grupos distinguem-se ainda soluções contínuas e
descontínuas.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
No caso de solos resistentes (solos rochosos com características mecânicas por
vezes superiores ás da própria alvenaria), a fundação era apenas um prolongamento dos
elementos estruturais verticais, (paredes mestras e pilares), mantendo a espessuras
destas.
Em solos cujas capacidades estruturais na zona de transição de cargas se
revelavam insuficientes, os elementos estruturais eram aumentados de dimensão,
aumentando a área de contacto e diminuindo assim a tensão.
a)
b)
Figura 7– a) Fundação directa sem sobrelargura b) Fundação directa com sobrelargura.
Outro tipo de fundação directa contínua, consistia na escavação parcial ou total
da área de implantação da construção, com poucos metros de profundidade, de forma a
criar uma “caixa” a qual era dividida através de paredes de alvenaria ou tijolo e por fim
preenchidas com enrocamento de pedra ordinária. Desta forma era criada uma superfície
sólida para sustentação da construção.
Figura 8– Planta de fundação contínua em “caixa”.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
As fundações indirectas ou profundas, eram realizadas quando nenhuma das
técnicas anteriores, mais fáceis e menos dispendiosas se revelava eficiente. Uma das
formas de criação de fundações profundas consistia na realização de poços, com
afastamento da ordem dos três metros e com profundidades variáveis (profundidade a
que se encontrava o solo firme) os quais eram preenchidos com enrocamento de pedras
ordinárias podendo ainda ser misturadas com argamassas. Em alguns casos, as paredes
desses poços eram construídas em pedra talhada, criando assim autênticos pilares
enterrados, sobre os quais se poderiam executar arcos os quais serviriam de suporte para
o arranque das paredes estruturais.
De forma a minorar os riscos de assentamentos diferenciais nos diferentes poços
de fundação, era usual recorrer a arcos invertidos na base dos poços, o que faria com
que as cargas se degradassem de uma forma mais homogénea nos diferentes poços,
criando uma estrutura de fundação contínua.
a)
a1)
b)
Figura 9– Fundação sobre poço de alvenaria; a) com paredes em pedra talhada; a1) cheio com
enrocamento; b) com utilização de arcos invertidos.
Outro método dentro das fundações indirectas ou profundas consistia na
cravação de estacas de madeira até estas atingirem o solo firme (processo utilizado na
reconstrução da baixa Pombalina após o terramoto de 1755 em Lisboa). As estacas de
madeira era uma boa solução uma vez que eram facilmente obtidas em qualquer região,
o seu custo era reduzido, suportavam bem a cravação e a sua duração em determinadas
condições era praticamente ilimitada (em 1902 procedeu-se á reconstrução do
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
campanário da igreja de São Marcos em Veneza e as estacas após mil anos de serviço,
encontravam-se ainda em condições capazes de o voltar a suportar). Contudo para obras
de maior envergadura, torna-se complicado arranjar madeira com diâmetro e
comprimento suficiente para fazer face às dimensões necessárias.
A escolha e o trato da madeira tinha vários requisitos, esta deveria ser de árvores
bem desempenadas (de forma a não fenderem durante a cravação), deveria ser cortada
no princípio do inverno para proporcionar uma secagem mais lenta (com menor perigo
de aparecimento de fendas).
A verificação da qualidade da madeira era feita através do número de aneis, em
Portugal a melhor madeira era a madeira de pinho com quatro a oito anéis por
centímetro pois um maior ou menor espaçamento destes correspondia a uma maior ou
menor resistência mecânica das estacas.
A maior durabilidade destas fundações (estacas), atinge-se quando elas se
encontram permanentemente submersas, nos casos em que o nível freático era variável,
as estacas duravam mais em terrenos secos que húmidos e em terrenos compactos que
soltos pois não ficavam tão expostas às variações de humidade.
O processo de cravação de estacas terminava quando devido á densidade de
estacaria, o processo de cravação se revelava difícil o que traduzia uma boa
compactação dos solos.
Quando os estratos de solos firmes se encontravam a grandes profundidades,
poderíamos recorrer a uma solução mista, execução de poços de fundação em alvenaria
de pedra, assentes sobre estacaria de madeira (baixa Pombalina, Lisboa). O processo
desenrolava-se nas seguintes fases:
1ª fase
2ª fase
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
3ª fase
4ª fase
5ª fase
a)
b)
Figura 10–1ª fase – retirada das camadas superficiais do solo; 2ª fase – colocação das estacas de madeira;
3ª fase – colocação de travessas de madeira longitudinalmente; 4ª fase – colocação de travessas de
madeira transversalmente sobre as anteriormente colocadas; 5ª fase – arranque dos poços de fundação; a)
Corte longitudinal; b) Corte transversal.
Uma concepção descuidada das fundações, implicava graves problemas no
futuro dos edifícios. Os assentamentos, diferenciais resultado da perda de poder de
sustentação de uma fundação (torre de Pizza), era um dos mais graves problemas
(grande sensibilidade das paredes de alvenaria de pedra a este tipo de movimentos) pois
poderia levar ao aparecimento de fendas, desaprumo das paredes, desnivelamento dos
pavimentos, distorção dos vãos e até em situações mais gravosas poderia levar ao
desabamento do edifício.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.2.3. Paredes (6)
As paredes do século XVIII reflectem toda uma história milenar, remetendo-nos
às construções Egípcias, Persas, Gregas e Romanas. Reflexo de uma constante evolução
estas paredes baseadas nesses princípios sofreram sucessivas melhorias de
comportamento estrutural em muito devido á experiencia empírica que iam herdando da
história de bem construir.
Nos métodos construtivos da época, as paredes eram pensadas de forma a
cumprir determinadas exigências no que respeita á segurança estrutural dos edifícios.
As paredes resistentes assumiam um papel relevante na estrutura do edifício,
quer no suporte das cargas verticais (peso próprio da estrutura), como das cargas
horizontais (vento e sismos). Estas apresentavam grande espessura na base, sendo esta
reduzida com a proximidade ao topo do edifício.
No que respeita às paredes divisórias, desempenhavam somente a função de
separação de compartimentos, salvo raras excepções nas quais estas eram utilizadas
como sistemas anti-sismo (gaiolas construção pombalina).
As alvenarias do século XVIII podem ser analisadas separadamente em três
métodos construtivos, as alvenarias em pedra talhada utilizadas em construções de
maior importância, as alvenarias ordinárias as quais requeriam uma menor preparação
dos materiais e ainda alvenarias mistas nas quais se utilizava pedra irregular e tijolo.
No caso das alvenarias em pedra talhada, estas eram posadas a seco, isto é sem
argamassas, para tal todas as faces dos blocos deveriam ter contacto perfeito com as
faces dos blocos que envolviam este de modo a ter uma boa área de contacto. Para as
pedras mais duras de difícil moldagem, as imperfeições nas juntas deveriam ser
preenchidas por pó de pedra ou areia de modo a regularizar as faces e aumentar a área
de contacto das mesmas.
A ausência de argamassa era dispensada devido ao grau de perfeição dos blocos,
estes permitiam uma união perfeita entre os mesmos, contudo a argamassa revela-se
essencial em aquedutos e fontes devido á necessidade de estanquidade, o grande
tamanho dos blocos era também um dos factores que contribuía para a garantia de
estabilidade das paredes a seco.
A este modelo ideal estavam associadas três regras fundamentais:
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
- Horizontalidade das fiadas e dos planos de assentamento;
- Verticalidade entre juntas de blocos de uma mesma fiada;
- Respeito pelas regras de aparelho, de modo a assegurar o
comportamento monolítico das alvenarias.
Relativamente às proporções ideais dos blocos, havia já alguns estudos, segundo
Rondelet as proporções ideais para construção em pedra talhada eram:
- Pedras de baixa densidade, b=(1,5 ou 2)*a e c=1,5*a
- Pedras de densidade média, b=3*a e c=2*a
- Pedras de grande densidade, b=4*a e c=2*a
sendo a, b e c a espessura, comprimento e largura do bloco respectivamente.
Figura 11– Estudo sobre as proporções ideais segundo Rondelet.
Com o passar dos anos as dimensões dos blocos começou a diminuir aumentado
a facilidade de manipulação, contudo a argamassa para este tipo de alvenaria começa a
revelar-se fundamental de forma a permitir uma distribuição uniforme das cargas e para
o aumento da flexibilidade da estrutura, sendo frequente o aparecimento de juntas de 1 a
1,5 cm.
As boas regras de dimensionamento ditavam que as juntas de cada bloco
deveriam garantir uma transmissão contínua das cargas a que estariam sujeitas e com a
diminuição do tamanho dos blocos os cuidados na confecção das argamassas deveria
aumentar.
As construções em alvenaria de pedra talhada cedo se reservaram às construções
mais importantes dada a sua complexidade e exigência. A alvenaria em pedra ordinária
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
nasce como uma resposta á construção rápida menos complexa, não necessitando de
mão-de-obra tão especializada nem de materiais tão difíceis de trabalhar.
A caracterização das alvenarias ordinárias poderia dividir-se em dois grandes
grupos, sendo eles o das alvenarias de médio e grande aparelho grosseiramente
trabalhadas e o das alvenarias de pequeno aparelho ou calhaus. Estes distinguiam-se
consoante as dimensões da pedra, a qualidade e os instrumentos disponíveis para a
trabalhar.
Para as alvenarias pertencentes ao primeiro grupo, estas eram sujeitas a uma
regularização prévia a qual se denominava por escacilhamento de forma a conceber
blocos com arestas muito próximas da esquadria e em alguns casos dar forma plana a
uma das faces. As regras de travamento enunciadas para as alvenarias em pedra talhada
eram igualmente tomadas como essenciais revelando-se este processo mais complexo
dada a irregularidade superior dos blocos.
No caso das alvenarias em pedra de pequeno aparelho ou calhaus, o tratamento
era idêntico ao anterior mas com um grau de exigência menor. As pedras passavam pelo
mesmo processo de escacilhamento tentando dar uma forma de arestas mais vivas
preenchendo-se ainda os espaços vazios da imperfeição na união dos blocos com
pequenas lascas.
As construções em alvenarias mistas são na maioria dos casos resultado da
utilização conjunta de pedra irregular e tijolo.
Neste tipo de construção os tijolos serviriam para melhorar os níveis de
acabamentos de determinadas zonas. No caso de portas e janelas, era de todo
conveniente o aumento de precisão nos acabamentos, passando dos vários centímetros
da pedra irregular para poucos milímetros da construção em tijolo os quais se revelavam
fundamentais ao bom revestimento dos arcos das portas e janelas facilitando assim a
instalação dos caixilhos de madeira.
2.2.4. Argamassas (7)
Denomina-se por argamassa (pré-latim arga + latim massa) à mistura feita com
pelo menos um ligante, agregados miúdos e água. O ligante pode ser a cal, o cimento ou
o gesso, o agregado pode ser a areia, o pó de pedra e as britas.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
As argamassas mais comuns são constituídas por cimento, areia e água. Em
alguns casos, costuma-se adicionar outro material como cal, saibro, barro e outros para a
obtenção de propriedades especiais.
A proporção em volume entre os componentes das argamassas (cimento, cal e
areia) é designada por traço e varia de acordo com a finalidade da argamassa.
A preparação das argamassas e dos betões tradicionais, é hoje alvo de normas
nacionais e europeias contudo no século XVIII, a regulamentação era muito escassa a
nula.
Os materiais utilizados na época na concepção das argamassas eram:
- Ligantes: cais e gesso;
- Agregados: areia, britas e pó de pedra;
- Agregados capazes de transmitir hidraulicidade: pozolanas, pó de tijolo
e tass;
- Água.
Quanto aos ligantes cais e gessos, tinham as suas utilizações sujeitas ás
condições de aplicação. As cais podiam dividir-se em dois tipos, as cais aéreas, que
apenas faziam presa ao ar e as cais hidráulicas, que podiam fazer presa debaixo de água
(construção de muros de cais, cisternas, fundações de pontes, etc.). O gesso tinha boas
capacidades de aderência em alvenarias, em pedra e em madeira, contudo não tolerava a
exposição á agua, o que condicionava a sua utilização principalmente a revestimento de
paredes e tectos interiores. Recorria-se igualmente ao gesso para a construção de
paredes divisórias em tabique e para a elaboração de molduras, era ainda utilizado
quando se pretendia diminuir o tempo de presa das argamassas de cal, por exemplo no
caso de elaboração de abóbadas finas executadas sem cimbres.
Relativamente aos agregados, a areia é de longe o inerte mais utilizado na
construção. Para a garantia de uma boa argamassa, é tão importante a garantia de um
bom inerte como a garantia de um bom ligante. As areias eram diferenciadas pela sua
semelhança a pedras conhecidas (calcário, argila, etc.), pelas dimensões dos seus grãos
(separadas em saibro, areia grossa, areia corrente e areia fina), pela sua origem (mina,
pedreira e rio) e ainda pela sua cor sendo esta ultima de menor importância. A escolha
destes inertes era feita consoante a função da argamassa, para execução de alvenarias
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
irregulares era utilizada areia grossa, para alvenarias de pedra talhada e cantaria eram
utilizadas areias finas. Na aplicação de rebocos e estuques, a dimensão da areia
diminuía consoante se aproximavam da camada mais exterior. Na produção de britas,
eram utilizadas diversas matérias-primas, variando assim com a disponibilidade de cada
região. No entanto como regra geral, era dada preferência às pedras mais duras, (sílica,
quartzos, basaltos, granitos) evitando as argilas mais susceptíveis às condições de gelo e
degelo. Na sua preparação deveria ser tida em conta a limpeza de substâncias finas,
detritos e terra. Estas eram posteriormente separadas e classificadas por dimensões de
agregado em três grupos, as britas finas ou gravilha, as britas médias ou meio cascalho e
as britas grossas ou cascalho. O pó de pedra, constituia o mais pequeno inerte utilizado
na construção, estes eram utilizados preferencialmente na concepção de rebocos,
estuques e nas últimas camadas do pavimento. O pó de mármore, era tratado em
particular dada a granulometria muito fina, a qual lhe conferia uma boa capacidade de
adesão á pasta de cal, formando massas muito densas, impermeáveis e resistentes.
De entre os agregados capazes de transmitir hidraulicidade às misturas, as
pozolanas eram as que mais se destacavam, estas podiam ter origem natural e artificial.
As de origem natural, provêm da cidade de Pozzzuoli, na região de Nápoles, onde as
cinzas e tufos vulcânicos, resultado de projecções vulcânicas, granulares e terrosas com
granulometria que varia desde a cinza á areia grossa são abundantes. As pozolanas
artificiais designavam normalmente o pó obtido por esmagamento ou apiloamento de
telhas, tijolos ou outros materiais cerâmicos obtidos por cozedura de argilas, conferindo
às argamassas as mesmas propriedades hidráulicas das pozolanas naturais. As pozolanas
apenas faziam presa quando em contacto com a cal, com a qual reagiam quimicamente,
formando compostos estáveis (silicatos e aluminatos de cálcio hidratados) os quais
revelam um elevado poder aglomerante.
No que se refere á água utilizada na amassadura, só a partir do século XVIII se
começaram a efectuar estudos científicos sobre a influência da qualidade desta na
qualidade das argamassas. A presença de sais dissolvidos (cloretos, sulfatos, chumbo,
alumínio, cobre, etc.) tinham um efeito negativo na qualidade das argamassas, para tal
deveriam ser controlados os resíduos secos após a ebulição da água.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.2.5. Pavimentos (8)
O termo pavimento (também conhecido pelo termo menos técnico e menos
exacto chão) provém do latim pavimentu e designa a base horizontal de suporte de uma
determinada construção (ou as diferentes bases de cada andar de um edifício).
Estas camadas podem ser constituídas por um ou mais materiais, os quais se
colocam sobre o terreno natural ou em suspensão, de forma a criar uma base sólida de
circulação e sustentação de pessoas e mobiliário.
Os pavimentos tradicionais térreos e sobre alvenaria, eram maioritariamente
constituídos por argamassas. Estes pavimentos distinguiam-se tendo em conta a
natureza da camada de suporte, a qualidade da última camada e a espessura de cada uma
das camadas. Quanto á qualidade do meio de suporte, poderia dividir-se em duas classes
principais, os formigões simples e as betonilhas simples. Os formigões simples, eram
constituídos por betões assentes directamente sobre o terreno, afagados e polidos na
última camada, as betonilhas simples destinavam-se a pavimentos sobre madeira ou
abobadas, afagados e polidos na última camada. No que se refere á espessura das
diferentes camadas, estas, á medida que se aproximavam da superfície, decresciam em
granulometria e cresciam em compacidade e impermeabilidade. Em termos numéricos,
registam-se variações muito consideráveis, para a camada de fundação a espessura
variava de 6 a 22 cm, para o massame ou camada de forma a espessura variava entre 3 e
11 cm e a última camada variava entre 1 e 4 cm. Estas diferenças podem ser explicadas
através do carisma da construção e do tipo de terreno de implantação. Relativamente á
última camada, verifica-se uma distinção entre formigões ou betonilhas e os pavimentos
venezianos. Os primeiros eram revestidos com placas de pedra ou ladrilhos cerâmicos,
os venezianos eram constituídos com betonilhas ou formigões e revestidos com uma
argamassa fina com inclusões de pedra mármore.
Os pavimentos em madeira, eram utilizados maioritariamente em pisos elevados
das habitações sendo constituídos por dois elementos principais, as vigas e o soalho. O
vigamento era feito com recurso a vigas ou barrotes dispostos paralelamente com
pequenos intervalos entre si (a lei de bem construir pombalina indicava um espaçamento
entre vigas igual á espessura destas) e os quais deveriam penetrar na parede 20 a 25cm.
Se a zona da construção fosse sísmica (reconstrução da baixa de Lisboa), era usual o
melhoramento da ancoragem parede/pavimento através da incorporação nestes de peças
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
metálicas pregadas, as quais eram embebidas na alvenaria ou atravessavam esta na sua
totalidade, ancorando-se nesta face criando assim um sistema estabilizador horizontal.
Figura 12–; Ancoragem das vigas de madeira na parede de alvenaria.
Quando o vão a vencer pelas vigas de madeira era considerável, era frequente a
utilização de outras vigas, de maiores dimensões, colocadas transversalmente às
primeiras criando assim outro ponto de apoio o que provoca a redução do vão. Estas
vigas transversais eram normalmente apoiadas (a meio, a terços, etc.) sobre colunas de
ferro fundido, prumos de madeira ou ainda sobre pilares de tijolo. Quando este apoio
não era possível era necessário recorrer a vigas de secção reforçada, as quais
transmitissem garantias estruturais para as cargas actuantes. As vigas armadas
consistiam na adição a vigas simples de madeira, de elementos de secção variável os
quais atingiam a dimensão máxima no ponto de carga máxima, sendo geralmente o
centro da viga.
Figura 13– Viga de madeira com reforço de madeira.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 14– Viga de madeira com reforço em aço.
Em construções mais nobres, onde se pretende a criação de soluções mais duradouras e
resistentes, era solução a implementação de arcos e abóbadas de alvenaria, criando por
um lado uma estrutura com maior poder de sustentação de cargas e ao mesmo tempo
menos vulnerável á humidade e ataques de fungos. Na baixa Pombalina é muito
frequente esta solução nos pavimentos do rés-do-chão e nos tectos de caves. Sobre os
arcos e abobadas, colocavam-se os revestimentos dos pisos recorrendo essencialmente a
duas soluções: a primeira passava pela criação de uma estrutura de madeira sobre estes
arcos, criando assim uma estrutura leve mas com algumas limitações ao nível de
diversidade de acabamentos e em termos estruturais, a segunda opção passava pelo
enchimento dos arcos e abobadas com entulho seleccionado (areia argilosa, terra ou
pedra solta), sobre o qual se colocava uma camada de argamassa e o respectivo
acabamento. Esta segunda opção mais pesada (podendo o seu peso ser também um
factor estabilizante dos arcos e abóbadas) cria uma solução mais adequada
principalmente para acabamentos que não sejam de madeira.
2.2.6. Tectos (9)
O termo tecto, provém do latim tectu, e designa a superfície interior da cobertura
de uma estrutura, ou seja, a face superior (horizontal ou angular) de um determinado
espaço.
Relativamente aos métodos construtivos, os tectos no século XVIII eram
marcados por dois processos completamente diferentes, estuque e forro em madeira.
Nos tectos em estuque, começava por se pregar na parte inferior das vigas,
fasquias de secção trapezoidal, assentes pela base menor e distanciadas de um
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
centímetro entre si formando um plano horizontal. Completada esta fase seguia-se o
enchimento do tecto a pardo e de seguida colocava-se o estuque. De forma a criar uma
solução mais duradoura poderia optar-se por criar uma estrutura independente para
sustentação das fasquias, não absorvendo estas as vibrações do pavimento evitando
assim a fissuração do estuque, contudo este método era mais dispendioso.
Os tectos em madeira eram formados por tábuas aplainadas na face visível e
pregadas às vigas do sobrado. A ligação entre tábuas era feita a meio-fio como no
soalho á portuguesa, apresentando muitas das vezes um cordão nas juntas, constituindo
assim o forro de esteira.
Figura 15– Forro de esteira simples.
O forro mais usual da época era no entanto o forro de esteira sobreposto ou forro
de saia e camisa, este consistia na pregagem ao vigamento do sobrado de uma série de
tábuas, as camisas (nas construções mais nobres as camisas apresentavam cerca de 25
cm de largura, com o passar do tempo essa dimensão foi sendo reduzida, a espessura
variava entre 10 e 20 mm), devidamente espaçadas e matando-se as juntas com outra
série de tábuas, as saias, geralmente com as arestas emolduradas.
Figura 16– Forro de esteira sobreposto “saia e camisa”.
Nos tectos anteriormente descritos, o vigamento fica sempre oculto, no entanto
nos tectos de caixotões ou de artesões (tectos cuidadosamente trabalhados, símbolos de
riqueza), os barrotes não só ficavam visíveis como faziam parte da ornamentação. A
parte inferior destes era cuidadosamente trabalhada e emoldurada, posteriormente eram
colocados chincharéis os quais dividiam o tecto em caixotões quadrados ou
rectangulares, cujos fundos ostentavam florões e molduras diversas.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 17– Tecto com madeiramento á vista.
Em tectos mais nobres eram ainda utilizadas sancas. Em todo o contorno do
tecto, eram pregados cordões emoldurados sendo apoiada uma parte nas vigas do
sobrado e outra na parede.
Figura 18– Exemplo de uma Sanca.
2.2.7. Coberturas (10)
O termo cobertura define o elemento estrutural que isola o topo de qualquer
construção e pode apresentar-se em diversas formas (telhado, lajes planas, cúpulas,
etc.). A função principal da cobertura é proteger o espaço interior do edifício do
ambiente exterior (neve, chuva, vento, etc.), concedendo ainda aos utilizadores
privacidade e conforto (através de protecção acústica, térmica, etc).
Relativamente á forma das coberturas dos edifícios do século XVIII, apresentase uma clara predominância das superfícies planas inclinadas, contudo havia alguns
casos onde esta se apresentava sob a forma curva (geralmente em edifícios de carácter
religioso, abóbadas e cúpulas) e ainda como superfície plana em terraços (associada a
arcos e abóbadas de cobertura).
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
No que se refere às coberturas planas em terraço, as estruturas, baseadas em
arcos e abóbadas, eram geralmente niveladas com entulho seleccionado (areia argilosa,
pedra e terra solta) sobre a qual se procedia á colocação das camadas
impermeabilizantes, neste caso especifico a madeira era raramente utilizada como
estrutura auxiliar de nivelamento dado o grau de exposição á humidade e intolerância a
tal, no entanto verificavam-se algumas coberturas inclinadas tendo por base este tipo de
estrutura podendo estas ser de carácter independente (asna sobre elevadas) ou tendo por
base estrutural os arcos e abóbadas (estrutura de madeira a descarregar sobre estes),
normalmente este tipo de solução encontrava-se associada a edifícios religiosos. As
coberturas
planas,
revelavam
ainda
algumas
dificuldades
em
termos
de
impermeabilização uma vez que a água fica retida durante muito tempo na superfície
destas.
Figura 19– Exemplo de cobertura com recurso a arcos e abóbadas.
As coberturas curvas, estão geralmente associadas a uma pequena parte do
edifício, são sinónimo de riqueza e são utilizadas por norma em edifícios de carácter
religioso. Neste tipo de cobertura dada a sua complexidade de execução torna-se por
vezes difícil garantir a estanquidade, mesmo estas beneficiando da sua forma que faz
com que a água permaneça em contacto com a superfície durante períodos de tempo
reduzidos. A sua estrutura era baseada em vigas simples curvadas, as quais apoiavam
num arco circular equivalente ao frechal dos telhados vulgares e convergindo para o
topo. Não poderão ser ligadas mais que 4 a 8 vigotas no topo, o que cria espaçamentos
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
muito grandes entre vigotas nas secções inferiores, para solucionar esta questão, são
colocadas vigas curvadas mais curtas as quais convergem para um anel de ligação de
todas as vigotas colocado num nível inferior, podendo existir um ou vários dependendo
das dimensões e necessidades da estrutura.
Figura 20– Exemplo de cobertura com recurso a arcos e abóbadas.
As coberturas planas inclinadas, apresentavam-se nas mais variadas formas, a
inclinação era condicionada pela utilização dada ao espaço entre o tecto do último piso e
a cobertura (águas-furtadas mansardas, sótãos, etc.) e pela localização do edifício
(quantidade de precipitação, probabilidade de queda de neve, etc.). Nas construções de
menor importância, era frequente a utilização de telhados a apenas uma água, diminuía
o grau de complexidade de execução e os custos, resumindo-se a vigas simples
dispostas paralelamente. No caso de se pretender o tecto horizontal, sob este conjunto
de vigas eram adicionadas outras na horizontal, interligando ambas por peças de
madeira auxiliares criando assim a forma mais simples de asna. Com o aumento da
importância dos edifícios, as coberturas tornavam-se cada vez mais complexas, este
aumento de complexidade reflectia-se no aumento dos custos e num desempenho menos
eficaz destas. Os edifícios pombalinos, estão providos na sua maioria por coberturas a
duas águas, por vezes de inclinação assimétrica e amansardadas, de baixa complexidade
e de boa eficiência. A estrutura era constituída por asnas de baixa complexidade, as
quais eram reforçadas nas ligações com tiras de aço pregadas e apoiadas sobre “berços”
cuidadosamente construídos de forma a garantir o melhor desempenho desta.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 21– Asna de cobertura.
2.3. Enquadramento Físico e Humano
2.3.1. Situação Geográfica (11)
O concelho de Lamego localiza-se na região Norte e sub-região do Douro,
pertencente ao Distrito de Viseu, com o qual só mantém relações administrativas, dado
que cultural, social e economicamente, encontra-se integrado e voltado para a região de
Trás-os-Montes e Alto Douro.
Figura 22– Localização do concelho.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Relativamente ao seu distrito, o concelho de Lamego localizando-se no extremo
Norte do mesmo. O concelho possui uma área geográfica de 166.7 Km2, distribuída por
vinte e quatro freguesias, fazendo fronteira a Norte com o rio Douro que separa este
concelho do distrito de Vila Real.
Na sua envolvência imediata encontram-se os concelhos de Mesão Frio e Peso
da Régua a Norte, a Leste o de Armamar, a Sueste o de Tarouca, a Sudoeste o de Castro
Daire e a Oeste o concelho de Resende.
O concelho de Lamego faz ainda parte da região Demarcada do Douro,
recentemente classificada pela Unesco com o estatuto de património mundial, o que o
compromete com outros cuidados no que respeita a preservação do património
existente.
Figura 23– Freguesias do concelho de Lamego.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.3.2. Evolução Histórica
2.3.2.1. O Concelho de Lamego (12)
A génese e história deste concelho parece estarem ligadas aos Celtas, dado que
já seria uma povoação importante no século IV a. C..
Em 569, as terras foram ocupadas pelos Suevos e sabe-se que, no primeiro
quartel do século XVII, o rei visigodo Sisebuto já nelas cunhava moeda.
Durante quatro séculos Lamego foi sendo reconquistada, sucessivamente, pelos
Cristãos e pelos Árabes. Durante a ocupação árabe foi sede de um valiato de fronteira e
a 29 de Novembro de 1057 as terras foram reconquistadas definitivamente por Fernão
Magno.
Em 1071, com a restauração da diocese de Lamego, passam a existir alcaides,
um dos quais foi Egas Moniz, que empreendeu o repovoamento do Ribadouro. Foi
concedida a Lamego a carta de couto por D. Sancho I, em 1191.
Até ao século XIV, reinado de D. Dinis, teve um grande desenvolvimento,
contudo, depois com os nobres conheceu o declínio, reduzindo-se a uma aldeia de 1500
habitantes.
Em Julho de 1555, D. Manuel concedeu foral novo a Lamego, após o qual a
povoação começou, de novo, a desenvolver-se. Posteriormente, foi alvo de uma reforma
liberal.
2.3.2.2.- A Freguesia de Samodães (13)
Os registos acerca da historia de Samodães são escassos, contudo existem
referencias a esta freguesia em documentos muito antigos.
Samodães de seu nome inicial Çamudaens ou Zamudães foi resgatada aos
Mouros no século XI através de D. Thedon e D. Rousendo.
Foi propriedade de Mendo Viegas, o qual recebeu todos os termos pertencentes a
este lugar através de D. Afonso Henriques em 1113.
Em 1258, Çamudaens ou Zamudães pertencia ao padroado real, e era habitada
por 25 casais, os quais pagavam ao rei, no 1º de Maio, oito “baras de vragal” e outros
foros.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Em 26 de Julho de 1514, o Rei D. Manuel a partir de Lisboa, concedeu foral a
Samodães.
Em 1757 Samodães contava com 105 fogos, os seus habitantes viviam com as
vantagens trazidas pelo rio o qual proporcionava bom peixe, as encostas férteis onde
produziam muitos alimentos e onde o gado pastava.
2.3.2.3.- A Capela objecto de estudo (14)
Relativamente a origem da capela caso de estudo as informações são
praticamente nulas. Há referencias na obra de Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno
relativamente ao numero de capelas existentes na freguesia de Samodães em 1900, dado
que os métodos construtivos desta a remontam para uma época anterior, uma das
capelas num total de 8 referenciadas será então a capela de Santo António.
Em 1900 a Quinta de Loureiro onde se encontra a capela, pertencia á família
Osório, a qual não é referenciada em tal inventário, dado que uma das capelas privadas
referidas não é referido o nome do proprietário, pressupõe-se que essa seja a nossa
capela, pois o autor apenas se refere a ela como uma capela no meio das vinhas.
A capela estava ligada á casa senhorial por uma ponte em arco. Analisando e
enquadrando esse facto na época, isso serviria para os senhores donos da quinta
acederem á capela sem passar pelo povo, assistindo estes às celebrações no coro, ao
qual apenas eles tinham acesso.
Nas últimas décadas a capela foi utilizada como casa de caseiros, justificando-se
assim as divisórias por esta apresentada.
Actualmente está inserida num complexo hoteleiro, tendo sido alvo de reforço
estrutural com elementos de betão armado, em torno do edifício.
2.3.3.- Geologia (15)
Como na maioria dos solos transmontanos, o concelho de Lamego revela uma
grande variedade litológica, o que torna a sua caracterização um pouco complexa.
Vamos então restringir a nossa caracterização á freguesia de Samodães,
pertencente á formação da Desejosa, Câmbrico Superior, nossa área de estudo e a qual
se revela importante identificar, de forma a conceber uma imagem litológica mais
precisa.
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38
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Na área de estudo podemos identificar da base para o topo a seguinte sucessão
litologica: na base identifica-se uma espessa alternância de filitos cinzento-negros com
siltitos claros, de seguida encontramos uma outra camada distinta na qual identificamos
cerca de 30m de metagrés e metagrauvaques com intercalações de filitos cinzentonegros, posteriormente, estes filitos vão-se tornando mais espessos e alternam com
níveis de metagrés, quartzitos imaturos e niveis calco-silicatados, no topo, há regresso
às laminações finas de filitos cinzento-negros e silitos claros.
As camadas de gresosos e grauvacóides com uma maior granularidade, mais
resistentes à deformação, preservam ainda algumas estruturas primárias tais como
figuras de carga, granoclassificação e estratificação paralela e cruzada, nas camadas
com siltiticos, mais finos, apreciam-se laminações paralelas e ocasionais laminações
obliquas.
Para a sucessão apresentada, toma-se como mais provável ambiente de
deposição o das correntes de turbidez.
Quanto á idade desta formação, atendendo á situação estratigráfica em
continuidade com o Ordovicio, as correlações laterais e os achados fósseis
nomeadamente uma forma de Linguellela maior e restos de trilobites, pode ser aceite
como Câmbrico superior.
Figura 24– Carta geológica da região de Mesão Frio – (Instituto Geológico Mineiro, Folha 10-C escala
1/50000 reduzida).
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39
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.3.4.- Relevo (16)
O relevo do município de Lamego é acidentado, destacando-se como áreas de
maior altitude as serras de São Domingos, Meijinhos, Poio, Fonte da Mesa, Meadas e
Montemuro.
A serra de São Domingos está orientada a Noroeste com 735 m de altura, a serra
de Meijinhos encontra-se orientada a Sul e atinge uma altitude igual a 976m, a serra do
Poio encontra-se voltada a Este com uma altitude de 1071 m, a serra de Fonte da Mesa
encontra-se orientada igualmente a Este e atinge os 1122 m de altitude, a Norte
encontramos a serra das Meadas com 1122m de altitude e por fim a serra de Montemuro
que se situa a Sudeste do conclho com uma altitude de 1382m sendo esta a maior
elevação do concelho de Lamego.
O concelho revela zonas de declive bastante acentuado nas encostas voltadas
para o rio Douro, o qual percorre o concelho pelo seu limite Norte, onde este expõe as
suas zonas de menor altitude.
Figura 25– CARTA MILITAR DE PORTUGAL – Instituto Geográfico do Exército Folha 126 (Peso da
Régua) -escala 1/25000, Ed. 1998.
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40
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.3.5.- Clima (17)
O município de Lamego possui um clima marítimo de transição e/ ou de climas
diferenciados, consoante a disposição topográfica e o gradiente térmico as temperaturas
serão mais elevadas nas áreas de menor altitude, assim como será mais chuvoso nos
lugares cujas vertentes estejam voltadas a poente.
No que diz respeito a freguesia de Samodães, visto esta confinar com o Douro,
podemos qualifica-la em termos climáticos com os atributos que por este são
concedidos, sendo assim o Alto Douro uma região quente no meio de regiões frias.
Na planáltica zona da “terra fria”, o Douro rasga um profundo sulco de leste a
oeste, abrigado dos ventos, batido de sol e ainda favorecido pela forte radiação
calorífica da rocha xistosa que constitui a maior parte da região, formando assim uma
porção de terra transmontana envolvida por uma cintura de montanhas, a qual confere
características muito próprias.
Para uma caracterização mais fiável e traduzida agora por valores, recorremos a
estação meteorológica do Peso da Régua (latitude 41º 10’7’’N; longitude 7º 48’13’’W).
Recorremos a esta estação meteorológica pois é a estação mais próxima e a que
traduziria de uma forma mais fiável o clima da freguesia onde se encontra o nosso
edifício caso de estudo, tendo a localização exacta deste as seguintes coordenadas:
latitude 41º 08’, longitude 7º 51’, altitude 380m.
Os dados tratados referem-se a um período de tempo entre os anos de 1951 e
1980, tomado como suficiente e fiável para com as exigências do trabalho.
De seguida abordaremos de uma forma mais minuciosa as variáveis temperatura,
precipitação, regime termopluviométrico, humidade do ar, nebulosidade e regime dos
ventos, com o intuito de conceber uma exacta pormenorização do clima da região.
• Temperatura
A Temperatura é um parâmetro físico (uma função de estado) descritivo de um
sistema que vulgarmente se associa às noções de frio e calor, bem como às
transferências de energia térmica, mas que se poderia definir, mais exactamente, sob um
ponto de vista microscópico, como a medida da energia cinética associada ao
movimento (vibração) aleatório das partículas que compõem um dado sistema físico.
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41
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Relativamente ao nosso caso de estudo, o valor médio anual da temperatura do
ar registado pela estação meteorológica do Peso da Régua, foi de 15,3ºC. O valor
máximo das temperaturas médias mensais verificou-se em Julho registando-se 23,0ºC, e
um mínimo de 8,1ºC assinalado em Janeiro.
Relativamente à média das temperaturas máxima e mínima, os valores extremos
obtidos variaram entre 31,1ºC, registados em Agosto para a temperatura máxima, e os
3,6ºC, registados em Janeiro para a temperatura mínima.
A temperatura máxima absoluta foi de 42,0ºC, observada em Agosto, sendo a
temperatura mínima absoluta de -6,5ºC, registada em Dezembro.
O número médio de dias anuais com temperatura mínima superior a 20ºC foi de
0,5, sendo de 17,9 o número médio de dias em que registou uma temperatura mínima
inferior a 0,0ºC. O número de dias com temperatura máxima superior a 25ºC foi de
125,6 dias.
A amplitude entre o valor médio das temperaturas máximas do mês mais quente
e o valor médio das temperaturas mínimas do mês mais frio foi de 27,5ºC.
A temperatura média anual da região em estudo apresenta valores entre 8,9ºC e
21,6ºC.
• Precipitação
Precipitação é o parâmetro físico que descreve qualquer tipo de fenómeno
relacionado com a queda de água do céu, o que inclui neve, chuva e chuva de granizo.
Ela é uma parte importante do ciclo hidrológico, o grande responsável por devolução da
maior parte da água doce ao planeta.
O valor médio da precipitação total anual observado na estação meteorológica
do Peso da Régua foi de 950,0 mm. O mês mais chuvoso foi o de Fevereiro, com 136,3
mm, sendo Julho o mês em que se registou um valor médio anual mais baixo, com 11,4
mm.
A precipitação máxima diária absoluta ocorreu no mês de Setembro com um
valor de 83,8 mm.
Registaram-se, em média, 110,7 dias com precipitação igual ou superior a 0,1
mm, 97,6 dias com precipitação igual ou superior a 1,0 mm e 33,2 dias com
precipitação igual ou superior a 10,0 mm.
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42
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
• Regime Termopluviométrico
O Regime termopluviometrico relaciona o valor da precipitação média mensal,
em mm, com o valor de temperatura média mensal, em ºC, mediante uma relação de 2
mm de precipitação para 1ºC de temperatura, com o auxílio do climodiagrama de
Walter Gaussen, também designado por Diagrama Ombrotérmico, que constitui uma
das formas gráficas de representar o regime termopluviométrico de um dado local. É a
partir desta intersecção gráfica, que resulta a definição da Estação Seca e da Estação
Húmida.
Deste modo, da análise do regime termopluviométrico registado na estação do
Peso da Régua, conclui-se que os meses em que se registam temperaturas mais elevadas
são os que registam menores quantidades de precipitação, sendo eles Junho, Julho,
Agosto e Setembro, os quais definem a Estação Seca. Os meses chuvosos coincidem
com os de menor temperatura, ocorrendo os máximos de precipitação nos meses de
Janeiro, Fevereiro, Novembro e Dezembro, os quais definem a Estação Húmida.
• Humidade do Ar
A humidade do ar é a quantidade de vapor de água existente em suspensão na
atmosfera, formando as nuvens e a precipitação. A quantidade de vapor de água
presente no ar varia de um lugar para outro e até no mesmo lugar, dependendo do dia,
do mês e da estação do ano.
O valor médio da humidade relativa do ar varia de forma regular ao longo do
ano na estação de Peso da Régua, sendo estes elevados. A humidade relativa apresentase mais elevada durante o período da manhã (9h), quando as temperaturas são mais
baixas e as massas de ar apresentam uma menor capacidade higrométrica. Por outro
lado, nos meses de Verão a humidade relativa apresenta valores mais baixos, o que
poderá estar relacionado com a maior capacidade higrométrica das massas de ar e com
uma maior dificuldade em atingir o nível de saturação.
Os valores de humidade relativa referentes as leituras efectuadas no período da
manha (9h), variam entre os 90% alcançados mo mês de Janeiro e os 62% obtidos em
Julho. No período da tarde (18h), os valores são um pouco mais baixos, variando estes
entre os 76% conseguidos no mês de Janeiro e os 54% atingidos em Julho.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
• Nebulosidade
A nebulosidade define-se como a quantidade de nuvens no céu, visíveis num
dado local, e exprime-se em décimos de céu, variando o seu valor entre 0 (céu limpo) e
10 (céu totalmente encoberto).
O valor médio anual da nebulosidade registado no período da manha (9h) é de 5
décimos atingindo o período da tarde (18h) o mesmo valor.
A nebulosidade nos meses de Verão, designadamente em Julho e Agosto, é
inferior aos restantes meses do ano chegando nestes a valores de 2 décimos de céu
coberto (às 9h).
Registou-se, em média, 123,8 dias com céu praticamente limpo, (valor de
nebulosidade igual ou inferior a 2 décimos) e 138,7 dias com o céu fortemente
encoberto (valor de nebulosidade igual ou superior a 8 décimos). O número de dias com
o céu fortemente encoberto é maior nos meses de Inverno, atingindo-se um valor
máximo de 20,9 dias em Dezembro, enquanto o número de dias com o céu praticamente
limpo é mais frequente no Verão, alcançando em Julho o valor mínimo de valor igual a
2,4 dias.
• Regime de Ventos
O Regime de ventos define-se como o ar em movimento, resulta do
deslocamento das massas de ar devido aos efeitos das diferenças de pressão atmosférica
entre duas regiões distintas sendo ainda influenciado por efeitos locais como a orografia
e a rugosidade do solo.
Essas diferenças de pressão têm origem térmica e estão directamente
relacionadas com a radiação solar e os processos de aquecimento das massas de ar,
formando-se a partir de causas naturais, como a proximidade ao mar, a latitude, altitude,
etc.
No caso de estudo verifica-se predominância dos ventos de quadrante Sudoeste,
com um frequência em 22,3% dos dias ao ano e uma velocidade média anual de
7,7km/h, o quadrante voltado a Norte é onde os ventos são menos predominantes,
havendo uma frequência em 2,8% dos dias ao ano com uma velocidade média anual de
4,1km/h.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
O mês mais preponderante é o mês de Julho no quadrante voltado a Sudoeste, no
qual há uma frequência em 25,7% dos dias com uma velocidade media mensal de
8,6km/h.
As velocidades máximas absolutas atingidas foram no mês de Julho no
quadrante Oeste e Noroeste, com um valor igual a 9,1km/h.
A velocidade de 36,0km/h do vento é ultrapassada 1 dia por ano enquanto a
velocidade de 55,0km/h é ultrapassada em 0,4 dias por ano.
2.3.6.- Coberto Vegetal (18)
A flora do concelho de Lamego é bastante rica. Nas encostas das serras, mas
praticamente no fundo das serras predominam as plantações de pinheiro (Pinus
pinaster), acompanhado do carvalho-roble ou carvalho-alvarinho (Quercus robur) e o
castanheiro (Castanea sativa), sendo que este último nunca aparece acima dos 1.000
metros.
Nas margens dos ribeiros predominam o amieiro (Alnus glutinosa), o salgueiro
(Salix spp.), a borrazeira branca (Salix salvofolia), a borrazeira preta (salix atrocinerea)
e o freixo (Fraxinus angustifolia).
Na “Crista da Serra”, acima dos 1000 metros, encontra-se uma vegetação
arbustiva, onde predominam o tojo (Ulex spp) e as urzes, como a urze vermelha (Erica
australis), a urze branca (Erica arborea), a queiró (Erica umbellata), sargaço branco
(Cistus psilosepalus), a giesta branca ou giestas das serras (Cytisus multiflorus), e os
fetos (Asplenium spp.).
A carqueja (Pterospartum tridentatum), encontra-se por todas as serras, mas
sendo mais frequente nas encostas voltadas a Sul onde chega a ocupar grandes espaços.
Existe uma espécie pouco vulgar nesta região, que é o piorno bravo (Echinospartum
lusitanicum), é uma espécie vulnerável, encontra-se a 1317 metros de altitude, na parte
sul da Serra de Montemuro, e encontra-se ainda a 1370 metros da mesma. Esta espécie
floresce no início do mês de Junho.
As espécies arbóreas variam consoante a formação geológica, como por
exemplo, o azevinho (Ilex aquifolium), que é uma espécie rara e protegida, o amieiro e
o salgueiro.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.3.7.- Demografia (19)
A dinâmica demográfica do Concelho de Lamego desde 1860 até 2001 revela
dois comportamentos temporalmente definidos. O primeiro revela um crescimento
quase constante até aos anos 50, quando se registou, a par do resto do país, o número
máximo de habitantes, motivado pela ideologia política vigente na altura. Com a
crescente degradação da vida social, económica e política do país, muitos milhares de
habitantes foram aliciados a saírem do país, em busca de melhores condições de vida,
provocando um forte decréscimo populacional. O Concelho de Lamego não foi
excepção, tendo perdido cerca de 8 000 habitantes, entre 1980 e 2001. Na última
década, Lamego registou um decréscimo significativo que se aproxima dos (–)7%
(passa de 30 164 habitantes, em 1991, para 28 081 habitantes em 2001).
Figura 26– Evolução da população residente no concelho de Lamego entre 1860 e 2001; Adaptado de
Carta Educativa Lamego.
2.3.8.- Recursos sócio-económicos (20)
No que respeita a Taxa de Actividade, que ilustra a proporção da população
activa na população total, o Concelho de Lamego cresceu consideravelmente (de 38.6%
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46
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
para 42.2%), ficando, no entanto, aquém do valor regional e nacional. Paralelamente, a
taxa de desemprego diminui, ainda que ligeiramente, de 9.5% para 8.7%, ao contrário
da tendência nacional e regional.
Em termos económicos, a população afasta-se cada vez mais das actividades do
Sector Primário e Secundário, sendo absorvida pelas actividades financeiras,
imobiliárias e serviços às empresas. A crescente concorrência nos produtos destes
sectores, a instabilidade a que estão sujeitos e os fracos rendimentos que disponibilizam
têm levado a uma crescente terciarização da economia, que é transversal a todo o
território nacional.
Assim sendo, em 1991 a população activa de Concelho de Lamego trabalhava
maioritariamente no sector terciário (cerca de 50% da população activa), seguindo-se o
sector secundário (28% da população activa) e por último o sector primário (22% da
população activa)
Fazendo uma analise da evolução dos sectores economicos entre 1991 e 2001,
podemos salientar a consolidação do sector terceario no que respeita a oferta de
emprego no concelho, reunindo 62% da população activa do concelho. O sector que
perdeu mais população activa foi o sector primário onde em relação a 1991 perdeu 10%
da população reforçando a realidade do concelho pois apenas as freguesias da sede de
concelho registaram uma variação positiva no que respeita a convergência de
população.
Figura 27– Níveis de Actividade no concelho de Lamego.
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47
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Ao analisar os sectores de actividade económica nas freguesias do Concelho de
Lamego, verificamos que a população activa está distribuída pelos três sectores de
actividade. Nas freguesias urbanas, como é o caso de Lamego (Almacave e Sé) a
população está maioritariamente empregue no sector terciário. As freguesias localizadas
mais a norte do concelho têm a maior parte da população a trabalhar no sector primário,
enquanto nas freguesias localizadas mais a sul a população trabalha maioritariamente no
sector secundário.
2.3.9.- Vias de Acesso (21)
A sua localização geográfica oferece ao concelho uma multi-modalidade de
transporte apoiada nas estabilizadas infra-estruturas fluvial e ferroviária, todavia as
principais vias de acesso para o município de Lamego continuam a ser as vias
rodoviárias.
Ao nível rodoviário, Lamego, encontra-se servida pela A24 e pelo IC26. A A24
permite ligar a cidade de Lamego, a Vila Real e Viseu, e ainda a Coimbra e à Figueira
da Foz. Deste modo funciona como eixo de ligação destes aglomerados de grande
importância no contexto da região Norte e Centro.
O IC26 liga o IP4, da cidade de Amarante a Trancoso, passando ainda pelas
cidades da Régua, Lamego, Tarouca, Moimenta da Beira e Sernancelhe. Este itinerário
complementar revela-se também de elevada importância para a cidade de Lamego, pois
permite a ligação rápida à cidade da Régua.
Existe ainda um porto comercial situado na margem do rio Douro, localizado no
concelho de Lamego. Localiza-se na continuidade da cidade da Régua e é um porto
essencialmente industrial, que interrompe a envolvente agrícola que o envolve, e que se
apresenta muito associado à exploração de inertes. Apresenta assim, movimento de
grandes barcos de transporte, plataformas para armazenamento temporário e outras
estruturas de apoio à sua principal actividade.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 28– Vias de acesso do concelho de Lamego.
2.4. Caracterização Arquitectónica e Construtiva do Edifício
2.4.1. Arco do Passadiço
O arco presente no edifício-caso de estudo é um arco de asa de cesta ou arco
abatido, sendo a razão entre as suas dimensões (3,7 m de vão, 0,7 m de altura e 0,73 m
de espessura) de 5,28, valor esse que se encontra próximo do intervalo entre 2 e 5 para o
qual se dá tal classificação (subcapítulo 4.2.1). Os arcos abatidos eram normalmente
utilizados em locais com pé-direito limitado uma vez que a sua geometria lhe permitia
vencer vãos de dimensões consideráveis com alturas reduzidas. Uma das suas limitações
passa pela capacidade estrutural reduzida, pois a sua geometria faz com que os impulsos
horizontais gerados tenham um valor elevado quando comparados com arcos cuja razão
entre o vão e a flecha tem valores menores.
A sua aplicação neste caso é perfeitamente ajustada uma vez que as cargas
actuantes sobre este são reduzidas (não existe qualquer elemento a descarregar acima
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
dele e as sobrecargas limitam-se á simples passagem dos utilizadores do passadiço) e o
vão a vencer é pequeno.
Foto 1 – Arco de aduelas de granito. Os pilares de apoio são em xisto e o tabuleiro do passadiço é
constituído por lajes de cantaria de granito assentes numa camada de pequenas pedras de xisto.
2.4.2. Fundações
As fundações utilizadas para estabilização do edifício-caso de estudo são
fundações indirectas ou profundas com recurso a estacas de madeira (subcapítulo 4.2.2).
A fraca capacidade de sustentação revelada pelo terreno obrigou á utilização deste
método que quando comparado com os métodos directos é de muito maior custo e
dificuldade de execução.
O método de cravação de estacas de madeira, muito utilizado na reconstrução da
Baixa Pombalina após o terramoto de 1755, consiste na cravação de estacas de madeira,
no nosso caso madeira de pinho, até se atingir uma compactação tal do solo de
sustentação que torne difícil a sua cravação.
A obtenção das estacas para este tipo de obras de baixa exigência em termos de
comprimentos e diâmetros necessários era fácil na região, contudo havia algumas regras
as quais teriam que ser sempre garantidas: os troncos de árvore deveriam ser bem
desempenados para que no processo de cravação não fendessem; o corte deveria ser
feito no inicio do inverno para que a secagem se processasse lentamente e não gerasse
fissuras naqueles; a qualidade da madeira deveria ser igualmente garantida, para tal
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
verificavam-se o número de anéis exibidos por cm, sendo as de melhores qualidades,
aquelas que verificassem quatro a oito anéis.
Em terrenos de teor de humidade constante, as estacas apresentavam
durabilidade quase ilimitada, pelo contrário, as constantes variações reduziam o seu
tempo de vida a algumas décadas.
O processo de cravação era moroso, desenvolvendo-se em cinco etapas
principais; 1ª fase - retirada das camadas superficiais do solo; 2ª fase – colocação das
estacas de madeira; 3ª fase – colocação de travessas de madeira longitudinalmente; 4ª
fase – colocação de travessas de madeira transversalmente sobre as anteriormente
colocadas; 5ª fase – arranque das paredes de alvenaria. (ver figura 10)
2.4.3. Paredes
As paredes que constituem o edifício-caso de estudo são distinguíveis em dois
grupos, as paredes resistentes e as paredes divisórias não resistentes. As paredes
resistentes (paredes exteriores e parede divisória interior do rés-do-chão) são paredes
espessas de duas folhas construídas em alvenaria de pedra ordinária de pequeno
aparelho ou calhaus (Foto 2) enquanto que as paredes divisórias do primeiro piso são
constituídas por tabique, não tendo estas qualquer função estrutural (Foto 3). As paredes
exteriores têm 0,8 m de espessura, a parede resistente divisória do rés-do-chão tem 0,6
m de espessura e as tabiques têm 0,1 m de espessura.
As pedras de alvenaria foram aplicadas quase na totalidade sob a sua forma
natural, sem qualquer tratamento geométrico, destacando-se apenas os perpeanhos de
canto de ligação (cunhais) entre paredes perpendiculares exteriores e as pedras que
emolduram os vãos de portas e janelas, as quais passaram por um processo de
escacilhamento mais minucioso ainda que deficiente e limitado, sendo trabalhadas até
atingirem uma forma minimamente linear.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 29– Alçado Norte
Figura 30– Alçado Sul
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 31– Alçado Este
Figura 32– Alçado Oeste
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Foto 2 – Paredes resistentes com os cunhais e molduras de vão com perpeanhos, padieiras e ombreiras em
blocos de xisto de faces afeiçoadas no rés-do-chão e em blocos de granito aparelhado no primeiro piso;
toda a restante alvenaria é constituída por pedras irregulares, médias e pequenas, de xisto, com os
interstícios preenchidos por lascas e escacilhos. A argamassa de assentamento das pedras é de barro e
fibras vegetais.
Foto 3 – Parede de tabique, constituída por um esqueleto de madeira de prumos e frechais de castanho,
sobre o qual foram fixadas fasquias de castanho e cujos vazios foram preenchidos com adobe; o
revestimento interior é constituído por uma argamassa á base de cal e areia.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.4.4. Argamassas
As argamassas utilizadas na construção do edifício em estudo são classificadas
em dois tipos distintos. Uma argamassa á base de água, barro e elementos vegetais
utilizada no assentamento das pedras e uma argamassa tradicional de água, areia, cal e
cimento utilizada no reboco das paredes.
A argamassa de barro era obtida da mistura do barro provavelmente da região
com a água e elementos vegetais sendo a função deste o aumento da resistência
mecânica da argamassa de barro. A argamassa de reboco era constituída pela mistura de
água, areia, cal e cimento sendo a sua constituição mais rica á medida que se
aproximavam da camada final.
Foto 4 – Argamassa de assentamento e de reboco.
2.4.5. Pavimentos
Os pavimentos do edifício-caso de estudo distinguem-se em dois tipos, o
pavimento do rés-do-chão em terra batida e o pavimento do primeiro piso em madeira.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Relativamente ao pavimento do rés-do-chão, este não sofreu qualquer cuidado
especial, impondo á terra apenas alguma compactação. No que respeita ao pavimento do
primeiro piso, a estrutura que o sustenta é toda ela em madeira de castanho tendo uma
viga principal na direcção Norte-Sul, descarregando esta nas paredes exteriores e na
parede divisória de pedra do rés-do-chão. Perpendicularmente a esta viga principal estão
dispostas vigotas de menor dimensão afastadas de cerca de 0,40 m nas quais assenta o
soalho, descarregando estas sobre as paredes Este-Oeste e sobre a viga principal. Tanto
a viga principal como as vigotas são de castanho e sofreram um processo muito limitado
de tratamento apresentando-se arredondadas e sem geometria linear, muito próximas do
seu estado natural. O soalho é igualmente em castanho e apresenta variações na largura
das tábuas entre os 12 e os 18 cm. O soalho não apresenta qualquer encaixe entre tábuas
ficando estas apenas dispostas paralelamente umas às outras e pregadas nas vigotas.
Figura 33– Corte Norte-Sul, com pavimento do rés-do-chão em terra batida e pavimento do primeiro piso
assente sobre uma estrutura de madeira de castanho com tabuado de castanho pregado.
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56
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Foto 5 – Estrutura do pavimento do primeiro piso, constituído por vigas e vigotas onde foi fixado o
tabuado, sendo todos os elementos em madeira de castanho.
2.4.6. Tectos
No edifício em estudo podemos observar que o tecto do rés-do-chão é
constituído pela própria estrutura e tabuado do pavimento do primeiro piso, não tendo
havido qualquer cuidado adicional neste aspecto. Relativamente ao tecto do primeiro
piso, apresenta-se nobre com um grau de complexidade superior. O tecto das duas
divisões mais pequenas na zona mais a Sul do edifício, é plano de esteira sobreposta,
mais conhecido por “saia e camisa” (subcapítulo 4.2.6). A “saia” é uma tábua plana
lisa sem qualquer adorno e a qual serve de base para a colocação da “camisa” e tem
uma largura de 10 cm. A “camisa” é a tábua que fica mais sobressaída sendo adornada
nas extremidades e tem uma largura de 15 cm.
No compartimento principal do primeiro piso verificamos um tecto em
“masseira”, mais levantado no centro e com esquema de forro de “saia e camisa” igual
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
aos dos outros compartimentos do mesmo piso. No contorno do forro, o tecto apresenta
ainda sancas, muito trabalhadas e as quais conferem uma maior nobreza ao tecto.
Figura 34– Corte Norte-Sul, com pormenorização da estrutura de sustentação do tecto em “masseira” e
do forro no sistema “saia e camisa”.
_____________________________________________________________________________
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Foto 6 – Estrutura do tecto em masseira e sanca.
2.4.7. Cobertura
A cobertura do edifício-caso de estudo é plana inclinada, constituída por quatro
águas, de pequeno declive. Os beirados apresentam menor declive e projectam-se cerca
de 0,30 m para o exterior.
A estrutura que sustenta toda a cobertura é baseada em duas asnas principais
(orientadas na direcção Este-Oeste) e seis meias asnas as quais completam a estrutura
principal de sustentação das águas orientadas a Norte e a Sul.
As meias asnas vão ligar-se ao centro da asna anterior, uma na perpendicular a
esta e duas na orientação do vértice da parede. Acima desta estrutura, encontram-se as
madres, as quais são colocadas perpendicularmente às asnas. Sobre as asnas são
apoiadas perpendicularmente caibros com um afastamento de cerca de 0,50 m e os quais
servem de apoio às ripas. Estas encontram-se afastadas cerca de 0,40 m e são colocadas
_____________________________________________________________________________
59
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
perpendicularmente aos caibros servindo de apoio às telhas tradicionais que
impermeabilizam a cobertura.
As duas águas mestras, a tacaniça voltada para o Douro, os rincões a cumeeira e
os beirados estão cobertos com telha de canudo; a tacaniça inclinada sobre a fachada
tardoz do edifício, está revestida com “telha de Marselha” correspondendo a uma
intervenção posterior.
Figura 35– Planta de cobertura com indicação dos sentidos de escoamento das águas.
Figura 36– Corte Este-Oeste. Pormenorização da estrutura de sustentação e impermeabilização da
cobertura.
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60
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Foto 7– Cobertura.
2.4.8. Vãos
O edifício-caso de estudo possui quatro portas para o exterior, duas no rés-dochão e duas no primeiro piso, todas elas na fachada Este do edifício e cinco janelas,
quatro delas no primeiro piso. As portas têm dimensões idênticas com altura na ordem
dos 2 m e larguras entre um 1 e 1,40 m. A janela do rés-do-chão tem 0,65m de largura
por 0,60m e encontra-se na fachada Oeste, as janelas do primeiro piso, duas são
quadradas, de dimensões aproximadas a um metro e estão nas fachadas Norte e Este.
Existe uma janela redonda no alçado Sul com 0,20 m de diâmetro e outra na fachada
Oeste com 0,60 m de largura e 1 m de altura.
Relativamente aos materiais e aparelhamento, os vãos podem ser distinguíveis
em dois tipos. Um primeiro tipo, em pedra de xisto deficientemente aparelhada, a qual
passou por um curto processo de escacilhamento antes da sua incorporação no edifício e
as quais totalizam os vãos do rés-do-chão. Estas pedras xistosas não têm qualquer
objectivo estético pois encontravam-se rebocadas, limitando-se a cumprir a função
estrutural. Os vãos do primeiro piso, apresentam-se de uma forma muito mais cuidada,
em pedra de granito bem aparelhado, com elevado grau de perfeição e encontrando-se á
vista. É ainda de salientar que o reboco envolvente dos vãos das janelas é pintado com
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61
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
cor amarela, criando um triangulo na zona inferior destas como se pode ver nas figuras
37 e foto 8.
Foto 8– Alçado Oeste. Vão do rés-do-chão em pedra xistosa deficientemente trabalhada, com reboco
destacado e vãos do primeiro piso em pedra de granito bem aparelhada e com pintura de cor amarela na
envolvente do vão.
Foto 9– Alçado Este. Vãos de portas do primeiro piso em alvenaria de granito bem aparelhado.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 37– Alçado Oeste. Ilustração de vão do rés-do-chão em alvenaria de xisto pouco trabalhada e vãos
do primeiro piso em alvenaria de granito bem aparelhada e com a envolvente pintada a cor amarela.
2.4.9. Campanário
O campanário presente no edifício-caso de estudo, reforça o carácter religioso, o
qual caracterizou este edifício durante décadas. O campanário colocado na fachada
voltada a Este, é todo ele em pedra de granito, tendo 3,6 m de altura, 1,5 m de largura e
0,83 m de espessura. As pedras que constituem o campanário têm um elevado grau de
perfeição tendo vários adornos como se vê na figura 38 e foto 10.
Na sua configuração é compatível a implantação de um sino, apesar de não
haver nenhum incorporado no momento no campanário, há nas pedras marcas de uma
possível amarração de um exemplar. A zona onde o sino pode ser implantado tem 1,15
m de altura por 0,42 m de largura.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Foto 10– Campanário, colocado na fachada a Este.
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Figura 38– Alçado Este. Ilustração do campanário.
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65
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.4.10. Vista Geral do Futuro Complexo
A capela de Samodães, irá integrar um complexo hoteleiro, ficando esta
envolvida em construções de carácter moderno, as quais tiveram o cuidado de manter os
elementos fundamentais, os quais caracterizam arquitectonicamente a capela. As figuras
39 e 40 ilustram o novo complexo.
Figura 39– Vista geral do complexo Este.
Figura 40– Vista geral do complexo Oeste.
_____________________________________________________________________________
66
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
2.5. Referências Bibliográficas
(1) - CÓIAS, V – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa 2007;
pp. 29 até pp. 34.
- LOPES, F. e Correia, M. – Património Arquitectónico e Arqueológico – Editora Livros
Horizonte; Lisboa 2004; pp.103 até pp. 107 e pp. 247 até pp. 250.
- ICOMOS. – Comité Científico Internacional para a Análise e Restauro de Estruturas do
Património Arquitectónico – pp. 7 até pp. 10.
(2) - LOPES, F. e Correia, M. – Património Arquitectónico e Arqueológico – Editora Livros
Horizonte; Lisboa 2004; pp. 43 até pp. 47, pp.103 até pp. 107, pp. 125 até pp. 139, pp. 155 até
pp. 159, pp. 245 até pp. 250, pp. 289 até pp. 295.
(3) – ICOMOS. – Comité Científico Internacional para a Análise e Restauro de Estruturas do
Património Arquitectónico – ; pp. 7 até pp. 10.
(4) - CÓIAS, V – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa 2007;
pp. 29 até pp. 34.
- LOPES, F. e Correia, M. – Património Arquitectónico e Arqueológico – Editora Livros
Horizonte; Lisboa 2004; pp.103 até pp. 107 e pp. 247 até pp. 250.
- ICOMOS. – Comité Científico Internacional para a Análise e Restauro de Estruturas do
Património Arquitectónico – pp. 7 até pp. 10.
(5) - LOPES, F. e Correia, M. – Património Arquitectónico e Arqueológico – Editora Livros
Horizonte; Lisboa 2004; pp. 43 até pp. 47, pp.103 até pp. 107, pp. 125 até pp. 139, pp. 155 até
pp. 159, pp. 245 até pp. 250, pp. 289 até pp. 295.
(6) – ICOMOS. – Comité Científico Internacional para a Análise e Restauro de Estruturas do
Património Arquitectónico – ; pp. 7 até pp. 10.
(7) - MATEUS, João M. – Técnicas tradicionais de construção de alvenarias – Editora, Livros
Horizonte; Lisboa, 2002; pp. 80 até 90, pp. 130 até 149, pp. 235 até 242.
- RONDELET, Jean Baptiste – Traité théorique et pratique de l’art de bâtir – chez l’auteur,
enclos du panthéon; Paris, 1802-1817; tomo 3.
- SEGURADO, João Emilio – Alvenaria e cantaria – Biblioteca de Instrução
Profissional fundada por Thomaz Bordallo Pinheiro, 4ª ed., Livraria Bertrand,
Lisboa, 1973-1975; pp. 143 até pp. 179.
_____________________________________________________________________________
67
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
(8) – APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 13 até
18.
CÓIAS, V. – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa 2007;
pp. 77.
- COSTA, Fernando Vasco – Estacas para Fundações –Editora, C. A. Horácio Lane; Lisboa,
1956, pp.12 até pp. 27.
- DIDEROT, Denis e D’ALEMBERT Jean Le Rind. – Encyclopédia ou Dictionnaire raisonné
des Sciences des Arts et des Métiers par une Société de gens de lettres – Editora, Briasson; Paris,
1751-1765.
(9) - APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 18 até
28, pp. 49 até pp. 57.
- CÓIAS, João M. – Técnicas tradicionais de construção de alvenarias – Editora, Livros
Horizonte; Lisboa, 2002; pp. 95 até 107, pp. 117 até 126, pp. 229 até 235.
- CÓIAS, V. – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa
2007; pp. 71 até pp. 74, pp.75 até pp. 76.
- MATEUS, João M. – Técnicas tradicionais de construção de alvenarias – Editora, Livros
Horizonte; Lisboa, 2002; pp. 95 até 107, pp. 117 até 126, pp. 229 até 235.
- RONDELET, Jean Baptiste – Traité théorique et pratique de l’art de bâtir – chez l’auteur,
enclos du panthéon; Paris, 1802-1817; tomo 3.
- SEGURADO, João Emilio – Alvenaria e cantaria – Biblioteca de Instrução
Profissional fundada por Thomaz Bordallo Pinheiro, 4ª ed., Livraria Bertrand,
Lisboa, 1973-1975; pp. 1 até pp. 100.
(10) - APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 57 até
74.
- MATEUS, João M. – Técnicas tradicionais de construção de alvenarias – Editora, Livros
Horizonte; Lisboa, 2002; pp. 173 até 223.
- SEGURADO, João Emilio – Alvenaria e cantaria – Biblioteca de Instrução
Profissional fundada por Thomaz Bordallo Pinheiro, 4ª ed., Livraria Bertrand,
Lisboa, 1973-1975; pp. 104 até pp. 111.
(11) - Instituto Nacional de Estatística.
- Câmara Municipal de Lamego.
- Carta Educativa Concelho de Lamego.
(12) - Câmara Municipal de Lamego.
_____________________________________________________________________________
68
2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA
(13) - PINHO LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de; – Portugal Antigo e Moderno –
Editora de Mota Moreira & Companhia 1ª edição, Lisboa, 1878; VIII Volume; pp.379 até pp.
380.
(14) – PINHO LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de; – Portugal Antigo e Moderno –
Editora de Mota Moreira & Companhia 1ª edição, Lisboa, 1878; VIII Volume; pp.379 até pp.
380.
- Entrevista a antigos caseiros da quinta.
(15) - Instituto Geológico e Mineiro.
- Serviços Geológicos de Portugal; Notícia explicativa da folha 10-A.
(16) – Câmara Municipal de Lamego.
(17) - O clima de Portugal, fascículo XV, Região demarcada do Douro; Lisboa; 1965, Resumo da
estação Udométrica Peso da Régua de 1951-1980.
(18) – Câmara Municipal de Lamego.
(19) - Instituto Nacional de Estatística.
- Carta Educativa de Lamego.
(20) – Instituto Nacional de Estatística.
_____________________________________________________________________________
69
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
_____________________________________________________________________________
70
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.1. Relatório do estado de conservação da Capela
No presente capítulo serão tratadas de uma forma pormenorizada, as anomalias
estruturais e não estruturais evidenciadas pelo edifício caso de estudo, sendo estas
apresentadas de uma forma resumida no quadro que se segue e pormenorizadamente no
restante capítulo.
Compartimento - C1_1
Tecto:
Inexistente.
Paredes:
A generalidade das paredes encontra-se suja, não havendo qualquer revestimento nestas. A
parede PDA3_1 e a parede PDA5_1 apresentam humidade nos paramentos.
Pavimentos:
Pavimento em terra batida, irregular.
Revestimentos:
Inexistentes.
Portas e caixilhos:
Estado muito avançado de degradação.
Compartimento – C2_1
Tecto:
Inexistente.
Paredes:
A generalidade das paredes encontra-se suja, não havendo qualquer revestimento nestas. A
parede PDA4_1 encontra-se em ruína e a parede PDA5_1 apresentam humidade no
paramento.
Pavimentos:
Pavimento em terra batida, irregular.
Revestimentos:
Inexistentes.
Portas e caixilhos:
Estado muito avançado de degradação.
Compartimento – C1_2
Tecto:
Estado de degradação avançado.
Paredes:
A generalidade das paredes encontra-se suja devido ao escorrimento de água, as paredes
PDA1_2, PDA2_2, PDA3_2 e PDT1 apresentam fissuração.
Pavimentos:
Pavimento em madeira em estado de conservação razoável.
Revestimentos:
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Destacados em vários pontos.
Portas e caixilhos:
Estado avançado de degradação
Compartimento – C2_2
Tecto:
Estado de degradação muito avançado.
Paredes:
A generalidade das paredes encontra-se suja devido ao escorrimento de água, as paredes
PDA4_2encontra-se em ruína e as paredes PDT1 e PDT2 encontram-se degradadas.
Pavimentos:
Pavimento em madeira conservação deteriorado.
Revestimentos:
Destacados em vários pontos.
Portas e caixilhos:
Estado avançado de degradação
Compartimento – C3_2
Tecto:
Ruína.
Paredes:
A generalidade das paredes encontra-se suja devido ao escorrimento de água, as paredes
PDA4_2encontra-se em ruína, PDA2_2 encontra-se em estado avançado de degradação e as
paredes PDT1 e PDT2 encontram-se degradadas.
Pavimentos:
Pavimento em ruína.
Revestimentos:
Destacados em vários pontos.
Portas e caixilhos:
Estado avançado de degradação
Paramentos Exteriores
PEDA_N:
Apresenta fissuração vertical junto á abertura da janela e na ligação com as paredes que lhe
são perpendiculares.
PEDA_S:
Encontra-se em estado de ruína, sendo necessário refaze-la por completo.
PEDA_E:
Apresenta o reboco destacado em grande parte da sua superfície, com alguma fissuração
vertical.
PEDA_O:
Apresenta o reboco destacado numa grande área, sujidade devido a escorrência da água das
chuvas e fissuração vertical
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72
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2. Fichas de Diagnóstico das Anomalias Construtivas
3.2.1. Assentamento diferencial de Fundações
Ficha #1-1
Localização da Patologia e Sua Identificação (1)
Fundações assentes sobre estacaria
Assentamento diferencial de fundações
Descrição da Patologia
As fissuras manifestam-se em todas as paredes exteriores, com predominância
das fissuras verticais. Estas revelam deficiências de estabilidade e de capacidade de
sustentação destas ao nível das fundações.
Causa Aparente
O
aparecimento
destas
fissuras
está
directamente
relacionado
com
assentamentos diferenciais de fundação. Estes assentamentos diferenciais estão
relacionados com perda de capacidade de carga das próprias estacas. Uma vez que o
terreno é bastante inclinado, as estacas vão estar expostas a variações de níveis freáticos
diferentes e consequentemente períodos úteis de vida distintos. Para além de todos os
anos de uso e a falta de manutenção apropriada que lhe estava associada (edifício do
séc. XVIII), foram recentemente realizadas obras de escavação nas imediações do
edifício caso de estudo, as quais vieram agravar ou “realçar” as fissuras já existentes
(agravamento dos assentamentos numa determinada área). Relativamente a estes
trabalhos de escavação, foi relatado que algumas estacas de fundação (de madeira)
ficaram temporariamente visíveis, dai a sua importância no agravamento da fissuração.
_____________________________________________________________________________
73
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #1-2
Exame
- Sondagem do estado de conservação das estacas e terreno de fundação através
da abertura de poços de prospecção.
- Verificação da relação entre tipo de fundação e terreno de implantação.
- Verificação da predominância de uma ou varias orientações das fissuras.
- Conhecimento de acontecimentos potenciadores de degradação (escavações
nas proximidades e consequente descompressão do solo, aumento das cargas actuantes
no edifício, variações do nível freático).
Sugestão de Reparação
De forma a dotar as reparações de um carácter definitivo, devemos inicialmente
proceder à eliminação das causas e não à reparação dos efeitos. Para tal podemos seguir
três orientações distintas. A primeira passa pela melhoria do solo de fundação, a
segunda pela melhoria das características das fundações e a terceira pela redistribuição
ou minoração das cargas actuantes.
Uma das soluções vulgarmente adoptada para melhoria do solo de fundação,
consiste na injecção de caldas de cimento no solo, contudo esta técnica está
condicionada ao tipo de terreno podendo este não garantir as condições de
permeabilidade necessárias a uma intervenção com sucesso, levando esta solução um
pouco além dos conhecimentos do engenheiro sendo por vezes necessário o
acompanhamento por parte de um geólogo e de um especialista em geotecnia.
A segunda solução baseia-se no reforço da estrutura de fundação existente. No
nosso caso e tratando-se de uma fundação em estacas de madeira, sendo a degradação
da cabeça da estaca uma anomalia frequente, a solução passaria pela reconstituição
_____________________________________________________________________________
74
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #1-3
desta através da injecção de caldas de resinas epoxidicas ou numa intervenção mais
profunda, a substituição da cabeça das estacas.
Por último podemos proceder à redistribuição das cargas de uma forma menos
gravosa para a estrutura, tentando fazer uma distribuição uniforme, ou se possível
minorar as cargas actuantes. Esta solução peca pelo carácter restritivo o que em muitos
casos a torna impraticável.
Após este processo de eliminação das causas das anomalias, podemos passar à
fase de reparação dos efeitos. Para tal começamos por picar toda a zona adjacente à
fissura, posteriormente podemos optar por introduzir uma malha de aço selada com
parafusos metálicos na zona afectada ou introduzir grampos igualmente selados na
parede, criando assim continuidade nesta e minorando os efeitos da fissura. Finalmente
a área em tratamento será novamente rebocada.
Figura 41– Localização da patologia, na planta do andar superior.
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75
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #1-4
Figura 42– Localização da Patologia, na planta do andar superior com identificação destas nas respectivas
fachadas exteriores.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #1-5
Figura 43– Localização da Patologia, na planta do andar superior com identificação destas nas respectivas
fachadas interiores.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #1-6
Foto 11– Fissura vertical na parede a Este.
Foto 12– Localização das fissuras na parede a Oeste.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #1-7
Foto 13– Localização das fissuras na parede a norte.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.2. Fissuração e alteração da geometria do arco
Ficha #2-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Arco
Fissuração e alteração da geometria do arco
Descrição da Patologia
Fissura com cerca de 5 mm percorrendo o arco na zona inferior central em toda a
sua espessura e com ligeiro abatimento nesta zona.
Causa Aparente
O arco em estudo tem a configuração geométrica de um arco de “asa de cesto”
ou abatido, por consequência as forças transmitidas horizontalmente são de valor muito
elevado e as deslocações admissíveis á garantia da segurança estrutural apresentam
valores mínimos. O facto deste se encontrar no exterior, implica a sua exposição às
condições climatéricas fazendo com que a precipitação se vá infiltrando no arco sob a
forma de humidade ao longo do tempo. Essa alternância constante de humedecimento e
secagem das argamassas de assentamento e a sua progressiva deterioração, leva ao
reajuste progressivo do posicionamento das pedras. Essas pequenas deslocações têm
como consequência o abatimento do arco.
Exame
- Verificação da estanquidade na zona superior do arco.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #2-2
- Verificação da estabilidade das colunas de suporte laterais.
- Verificação da estabilidade estrutural do arco.
- Inspecção visual do estado de conservação das pedras estruturais do arco.
- Conhecimento de acontecimentos potenciadores de degradação (escavações
nas proximidades e consequente descompressão do solo, aumento das cargas actuantes
no arco).
Sugestão de Reparação
Para resolução da anomalia evidenciada pelo arco, deveremos começar por
reparar qualquer alteração evidenciada pelas colunas de sustentação do arco, pois
pequenos movimentos (verticais ou horizontais) nestas, tem efeitos muito gravosos no
arco, para tal deve-se utilizar argamassas de alta resistência mecânica nas juntas das
pedras das colunas, reduzindo os movimentos possíveis. Após resolvidos os problemas
de ancoragem lateral e vertical do arco deve-se restabelecer a configuração inicial deste,
para tal pode-se recorrer a um sistema mecânico-hidrulico, aplicado sob um cimbre com
a geometria inicial do arco. Esta operação poderá ser efectuada com sucesso porque as
cargas associadas ao arco são de valor reduzido, apenas suportado por este uma
passagem pedonal. Após recuperação da forma inicial este deverá ser estabilizado com
recurso a cunhas metálicas, aplicadas no fecho do arco pelo intradorso e grampos
metálicos pelo extradorso, deverá ainda proceder-se ao enchimento e impermeabilização
das juntas acima do arco, recorrendo a argamassa hidráulicas com boa resistência
mecânica.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #2-3
Figura 44 – Localização da patologia na planta do andar superior.
Foto 14– Localização da fissura e abatimento na face norte do arco.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #2-4
Foto 15– Localização da fissura e abatimento na face sul do arco.
_____________________________________________________________________________
83
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.3. Humidade de Precipitação em Paredes
Ficha #3-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Paredes
Humidade de precipitação em paredes
Descrição da Patologia
Manifestação de manchas de humidade permanente durante a época das chuvas
principalmente na zona mais a Sul da capela.
Causa Aparente
A humidade de precipitação deve-se ao estado de conservação da cobertura, a
qual permite a penetração directa da água das chuvas nas paredes, aumentando
progressivamente o estado de deterioração destas.
Exame
As infiltrações ocorrem pelo próprio telhado. De forma a conseguir localizar e
diagnosticar as anomalias eficazmente, é necessário proceder a uma inspecção na parte
afectada da estrutura.
_____________________________________________________________________________
84
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #3-2
Sugestão de Reparação
As infiltrações ocorrem directamente pela cobertura a qual se encontra num
estado de conservação muito deficiente, apresentando telhas desprendidas, madeira da
cobertura apodrecida e na zona junto ao campanário a estrutura de cobertura acabou por
ruir, deixando aquela parte do edifício sem cobertura (Foto 20). Para resolver o
problema das infiltrações directas será necessário proceder á reconstrução total da
cobertura, uma vez que a longa exposição á agua e aos ataques parasitários, deteriorou
irreversivelmente os elementos estruturais que compõem a totalidade da cobertura. A
reconstrução deverá ter por base os métodos construtivos da época (séc. XVIII)
referidos no subcapítulo 2.4.7.
A estrutura deverá ser constituída por duas asnas em madeira reforçadas por
elementos de ligação metálicos, orientadas perpendicularmente às fachadas Este e Oeste
assumindo-se estes como os elementos principais da cobertura. A ligar às asnas será
montado um sistema de meias-asnas de forma a criar a estrutura necessária a uma
cobertura a quatro águas. Sobre estes elementos principais serão colocadas
perpendicularmente as madres as quais servirão de apoio á colocação dos caibros e estes
às ripas. Estando a estrutura de apoio terminada será colocada a telha antiga nacional
sobre as ripas, impermeabilizando assim a cobertura.
_____________________________________________________________________________
85
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #3-3
Figura 45– Localização da patologia na planta do andar superior.
Foto 16– Manchas de humidade na parede exterior.
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86
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #3-4
Foto 17– Manchas de humidade na parede exterior.
Foto 18– Manchas de humidade na parede exterior.
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87
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #3-5
Foto 19– Manchas de humidade na parede interior.
Foto 20– Manchas de humidade na parede interior, deterioração da cobertura.
_____________________________________________________________________________
88
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.4. Humidade do Terreno em Paredes do Andar Térreo
Ficha #4-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Paredes exteriores e interiores
Humidade do terreno em paredes de andar térreo
Descrição da Patologia
Manchas de humidade nas paredes exteriores a sul e oeste as quais se encontram
parcialmente soterradas, e na parede interior que divide o espaço inferior.
Causa Aparente
Humidade infiltrada directamente do terreno para as paredes exteriores nas
zonas em que estas se encontram soterradas, humidade por ascensão, e transmissão de
humidade entre as paredes exteriores e a parede interior que a estas liga.
Exame
- Abertura de poços de prospecção junto á base das paredes para verificação do
nível freático.
- Verificação da altura da parede soterrada exterior comparando com a altura
interior de humidade.
- Verificação do tipo de construção e da existência de barreiras
impermeabilizantes.
_____________________________________________________________________________
89
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #4-2
Sugestão de Reparação
Em toda a extensão soterrada do muro, construir uma barreira estanque, sistema
drenante/filtrante, de forma a evitar que a água entre em contacto com os elementos
estruturais. A realização deste sistema drenante/filtrante tem como função a recolha da
água que atinge o paramento exterior da parede, reduzindo a pressão hidrostática sobre
este. A água irá ser drenada no ponto mais baixo do sistema, por meio de tubagem
adequada, sendo o sistema composto por um filtro, uma camada drenante e um tubo de
drenagem. O filtro (geotêxtil) terá como função reter as partículas finas, e deverá ser
convenientemente dimensionado, para que o sistema drenante/filtrante seja eficaz. A
colmatação do filtro e a “erosão interna” dos solos não coerentes são fenómenos que
podem conduzir à redução dos caudais drenados. A drenagem será assegurada por uma
camada adjacente aos sistemas de impermeabilização e pela tubagem de recolha, que
deverá ser tão permeável quanto possível para permitir o escoamento de um elevado
caudal e evitar o risco de colmatação. A tubagem deverá ter uma inclinação mínima
(1%) de forma a limitar a sedimentação no seu interior das partículas em suspensão na
água. Esta tubagem terá ainda a função de ventilação das fundações, fazendo-se esta em
sentido inverso ao da drenagem da água, retirando o ar impregnado com água através da
circulação contínua do ar, fazendo com que a resolução do problema seja mais eficiente.
De forma a evitar a humidade por ascensão e tornar a solução anteriormente
descrita mais eficaz, será necessário criar uma barreira química que impeça a subida da
humidade por capilaridade. Este processo consiste na execução de uma fila de furos ao
longo da base da parede, espaçados de cerca de 15 cm e a uma altura de 15 cm da
soleira da parede. Nesses furos serão colocadas unidades de transfusão que lentamente
irão impregnando os materiais da parede.
_____________________________________________________________________________
90
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #4-3
Figura 46– Localização da patologia na planta do andar térreo.
Foto 21– Humidade nas paredes exterior e divisória interior.
_____________________________________________________________________________
91
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.5. Humidade em Pavimentos e Tectos
Ficha #5-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
1º Piso com maior evidência junto á fachada Sul
Humidade em pavimentos e tectos
Descrição da Patologia
Manchas de humidade em toda a extensão do tecto e do pavimento, verificandose desprendimento e apodrecimento dos seus elementos com maior expressão na zona
junto á fachada Sul.
Causa Aparente
Deficiências graves na cobertura tendo ruído uma parte significativa na zona Sul
do edifício.
Exame
- Avaliação dos níveis de estanquicidade da cobertura verificando o estado de
conservação das telhas e da estrutura de sustentação destas, a existência de
desprendimentos e movimentos das telhas, a existência de vegetação que impeça a livre
circulação da água e a existência de fungos na superfície da cobertura.
_____________________________________________________________________________
92
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #5-2
Sugestão de Reparação
Os elementos do tecto e do pavimento apresentam estados de deterioração
irreversíveis devido ao ataque continuado e directo da água da chuva e de pragas
parasitárias. A solução passa pela substituição total destes elementos, recorrendo para
tal a técnicas do séc. XVIII descritas nos subcapítulos 2.2.5 e 2.2.6. Apesar da
substituição teremos em primeiro lugar que proceder á eliminação da fonte de
degradação sendo necessário para tal reconstruir totalmente a cobertura cumprindo
igualmente as técnicas da época descritas nos subcapítulos 2.2.7. A estrutura de
cobertura deverá ser reconstruída tal como é indicado na ficha 3.
Após eliminação da fonte (degradação avançada da cobertura) pode-se agora
proceder á reconstrução dos tectos e dos pavimentos. As estruturas que servem de base
a estes elementos são em madeira, podendo a estrutura de ancoragem do forro ser a
mesma da cobertura. Para reconstrução do pavimento pode-se utilizar uma viga
principal orientada segundo as direcções Norte Sul, a qual descarregará a meio vão
sobre a parede divisória do rés-do-chão. De seguida tem que se colocar vigotas de
madeira perpendicularmente a esta devendo o afastamento entre elas atingir um máximo
de 0,40 m. O pavimento será então pregado na direcção perpendicular á das vigotas
podendo existir ou não um sistema de encaixe entre tábuas.
O tecto será uma réplica do existente, no sistema denominado de “saia e
camisa”, sendo a “saia” uma tábua mais estreita sobre a qual se pregam as “camisas”,
de maior dimensão e adornadas nos extremos conforme se referiu no subcapítulo 2.2.
Serão introduzidas sancas em todo o contorno do tecto de configuração idêntica á
observável nas figuras representadas a seguir.
_____________________________________________________________________________
93
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #5-3
Figura 47– Localização da patologia na planta do piso superior.
Foto 22– Deterioração total do forro de tecto.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #5-4
Foto 23– Humidade e apodrecimento do tecto.
Foto 24– Humidade e apodrecimento do tecto.
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95
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #5-5
Foto 25– Humidade, apodrecimento e decaimento de elementos do tecto.
Foto 26 – Humidade e apodrecimento do pavimento devido a infiltrações directas das águas pluviais.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.6. Destacamento de Reboco Tradicional
Ficha #6-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Paramentos exteriores e interiores.
Destacamento de reboco tradicional
Descrição da Patologia
Destacamento parcial do reboco em grandes extensões com predominância nos
paramentos exteriores na zona mais próximo do solo e junto a fendas tanto no interior
como no exterior. Existem ainda zonas onde este se encontra solto da parede mas
devido ao seu confinamento com as zonas de reboco mais saudável este ainda se
apresenta próximo á parede.
Causa Aparente
Presença de humidade no interior dos paramentos devido às deficiências de
estanquidade da cobertura, falta de aderência da argamassa às paredes e possivelmente
presença de sujidade na parede quando foi feito o reboco.
Exame
- Verificação de arrastamento de material da parede agarrado ao reboco.
- Verificação da presença de humidade no paramento da parede.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #6-2
Sugestão de Reparação
A reparação implica a eliminação inicial de algumas das possíveis fontes de
degradação, para tal é necessário reparar a cobertura como se indica na ficha 3 e impedir
que a humidade do terreno se transmita á parede como se indica na ficha 4. De seguida e
dado o estado de conservação do reboco não destacado, procede-se á remoção de todo o
reboco tradicional. Concluído este processo, vamos deixar secar completamente as
paredes.
Após eliminação da humidade, dá-se inicio ao processo de aplicação do novo
reboco tradicional. Inicialmente prepara-se a superfície de aplicação procedendo às
seguintes tarefas:
- Remoção dos restos de reboco por picagem.
- Eliminação de irregularidades superficiais incompatíveis com a espessura de
reboco.
- Raspagem das juntas de assentamento entre pedras até uma profundidade de
aproximadamente 1 cm.
- Escovagem a seco com escova metálica para eliminação de sujidade, ou
escovagem húmida com agua simples.
- Alegramento das fendas com recurso a uma picareta.
- Preenchimento das juntas com argamassa.
- Aplicação do crespido, sendo este uma argamassa muito fluida com forte
dosagem de cimento, constituindo uma camada rugosa de boa aderência para a camada
seguinte com espessura a variar entre 3 e 5 mm. Deve garantir na sua aplicação boas
condições limpeza e humedecimento do suporte, quantidade de água adequada,
rugosidade e o tempo necessário á presa até aplicação da camada seguinte.
_____________________________________________________________________________
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #6-3
- Aplicação da camada de base após a camada de crespido ter iniciado a
retracção de secagem (período nunca inferior a 3 dias, variável com as condições
climatéricas). Em primeiro lugar deve-se humedecer o crespido, pulverizando-o com
agua sem escorrimento desta. A argamassa aplicada nesta fase é uma argamassa
bastarda de cimento, cal e areia, a qual deve ser lançada vigorosamente contra o suporte
e posteriormente apertada á talocha não a deixando demasiado lisa e com uma espessura
aproximada de 10 mm.
- A camada de acabamento deverá ser aplicada após uma a duas semanas da
camada de base, tendo o cuidado de humedecer o paramento antes da sua aplicação.
- Por fim proceder á reconstituição das molduras dos vãos através da aplicação
de pintura com cor e forma semelhantes às pré-existentes.
Figura 48– Localização da patologia, andar superior.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #6-4
Foto 27– Destacamento do reboco do paramento exterior.
Foto 28– Destacamento do reboco do paramento exterior.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #6-5
Foto 29– Destacamento do reboco do paramento interior.
Foto 30– Destacamento do reboco do paramento interior.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.7. Manchas de Sujidade
Ficha #7-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Paramentos exteriores e interiores.
Manchas de sujidade
Descrição da Patologia
Mancha de sujidade sobre varanda no alçado este e manchas de escorrimento em
zonas interiores e exteriores.
Causa Aparente
A ausência dos beirados e de um eficiente sistema de recolha e drenagem das
águas pluviais ocasiona o escorrimento da água das chuvas com arrastamento de poeiras
que lentamente se vão depositando nas paredes. Salpicos de água com projecção de
poeiras depositadas na varanda.
Exame
- Verificação de existência de sistemas de recolha de água (caleiras).
- Verificação da estanquidade da cobertura.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #7-2
Sugestão de Reparação
Uma vez que o reboco será totalmente substituído, seguir processo indicado na
ficha 6, devido às manchas de escorrimento em paramentos interiores e sendo proposta
a substituição da cobertura seguir indicações da ficha 3 e colocar caleiras de forma a
evitar as manchas por salpicos das aguas pluviais. Colocação de beirado projectando
para o exterior da cornija, as águas da chuva.
Figura 49– Localização da patologia, andar superior.
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103
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #7-3
Foto 31– Localização de manchas de humidade.
Foto 32– Localização de manchas de humidade.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #7-4
Foto 33– Localização de manchas de humidade.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.8. Crescimento de Vegetação Parasitária
Ficha #8-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Paramentos exteriores e interiores.
Crescimento de vegetação parasitária
Descrição da Patologia
Aparecimento de vegetação parasitária em zonas de destacamento do reboco.
Causa Aparente
Destacamento do reboco e escorrência e salpicos de águas pluviais.
Exame
- Verificação de existência de sistemas de recolha de água (caleiras).
- Verificação da estanquidade da cobertura.
- Verificação do estado de conservação do reboco.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #8-2
Sugestão de Reparação
Remoção e escovagem com escova metálica das zonas afectadas e aplicação de
um produto específico biocida de largo espectro em zonas que não serão rebocadas
(pedras de cornija e torre sineira).
Nas restantes zonas e uma vez que o reboco será totalmente substituído, seguir
processo indicado na ficha 6. De forma a evitar o escorrimento de aguas pluviais, seguir
indicações da ficha 5 e colocar caleiras de forma a evitar os salpicos.
Figura 50– Localização da patologia, andar superior.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #8-3
Foto 34– Localização da vegetação parasitária.
Foto 35– Localização da vegetação parasitária.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #8-4
Foto 36– Localização da vegetação parasitária.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.9. Alteração da Pedra
Ficha #9-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Paramentos exteriores
Alteração da pedra
Descrição da Patologia
Desagregação mecânica do material.
Causa Aparente
Exposição da pedra á acção simultânea da água e das baixas temperaturas. As
sucessivas acções de molhagem dissolução e transporte de sais assim como a gelificação
da pedra com aumento de volume contribuem fortemente para a degradação acelerada
das características mecânicas das pedras.
Exame
- Verificação do tipo de exposição a que as pedras mais deterioradas estão
sujeitas.
- Verificação das características físicas e químicas da pedra.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #9-2
Sugestão de Reparação
Reformulação total do reboco como se indica na ficha 6, tendo especiais
cuidados de preparação da aplicação deste nas zonas de pedra mais degradada. Na
cornija e no campanário, locais de aplicação de granito á vista, procede-se inicialmente
á limpeza das pedras por jacto de água. Após a sua secagem, aplica-se uma pintura com
silicones em película criando desta forma uma barreira repelente da água, permitindo a
sua respiração não permitindo que esta humidifique, diminuindo os efeitos da
gelificação.
Figura 51– Localização da patologia, andar superior.
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111
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #9-3
Foto 37– Degradação pedra em zona de destacamento do reboco.
Foto 38 – Degradação da pedra da cornija.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #9-4
Foto 39– Degradação da pedra do apilarado.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
3.2.10. Apodrecimento e Infestação de Madeiramentos
Ficha #10-1
Localização da Patologia e Sua Identificação
Elementos de madeira
Apodrecimento e infestação
Descrição da Patologia
Presença de humidade por acção directa e prolongada nos elementos de madeira
causando degradação irreversível nestes. Existência de galerias na madeira e
apresentação desta sob a forma de laminado. Aspecto bolorento e pulverulento do
interior e da superfície da madeira.
Causa Aparente
Exposição directa e prolongada á agua e aos agentes parasitários, não tendo esta
qualquer tipo de tratamento para tais condições.
Exame
- Verificação das condições de exposição á humidade.
_____________________________________________________________________________
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #10-2
Sugestão de Reparação
Uma vez que o principal factor contribuinte para esta patologia é a presença e
ataque da humidade por acção directa e prolongada, será necessária a substituição da
cobertura como se indica na ficha 5. Dado o estado de degradação evidenciado pelos
elementos de madeira, a sua recuperação torna-se impossível, sendo necessário proceder
á sua substituição total. Para tal será necessário ter em atenção os métodos construtivos
da época (subcapítulo 2.2) de forma a preservar a identidade do edifício.
A madeira a aplicar deverá ter tratamento químico adequado de forma a adquirir
estanquidade e resistência aos ataques parasitários.
Os trabalhos consistem na substituição das portas, das janelas, dos tectos, do
pavimento e da estrutura da cobertura.
Figura 52– Localização da patologia, andar superior.
_____________________________________________________________________________
115
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #10-3
Foto 40– Degradação do tecto de madeira.
Foto 41 – Degradação do tecto de madeira.
_____________________________________________________________________________
116
3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #10-4
Foto 42– Degradação da estrutura da cobertura e decaimento de elementos que a constituem, tal como os
elementos do forro.
Foto 43– Degradação da estrutura do pavimento, com redução da secção dos elementos de suporte;
indícios de ataque xilófago.
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3. DIAGNOSTICO DAS ANOMALIAS CONSTRUTIVAS
Ficha #10-5
Foto 44– Degradação de portas de carvalho.
_____________________________________________________________________________
118
4. FUNDAÇÕES
4.FUNDAÇÕES
_____________________________________________________________________________
119
4. FUNDAÇÕES
4.FUNDAÇÕES
4.1. Causas dos Assentamentos em Fundações(22)
Num projecto de um edifício são quantificados de forma exacta todos os
elementos que compõem a estrutura, garantindo a estabilidade da mesma, contudo a
definição dos parâmetros a adoptar no projecto de fundações nem sempre é fácil. Esses
parâmetros designados de “valores derivados” são obtidos através de ensaios de campo
e/ou laboratoriais e são o maior indicador para a escolha do tipo de fundação.
O solo é assim o único elemento estrutural que não é projectável,
havendo necessidade de adequar o tipo de fundação a utilizar às características por este
apresentadas. O desconhecimento das características reais do solo pode ser a origem de
diversos problemas estruturais nas construções. De forma a garantir boas soluções de
projecto deverão ser efectuados estudos geotécnicos apropriados (SPT, DPL, PLT,
ensaios granulométricos e limites de Attenberg, ensaios de compressão simples, etc.)
tendo não só especial atenção na realização dos ensaios mas também na interpretação
dos resultados obtidos. (a)
Apesar das anomalias em fundações não serem resultado de uma única causa,
podemos organiza-las por grupos, havendo três causas principais, as quais são
responsáveis por cerca de dois terços de todas as anomalias registadas, sendo elas: o
desconhecimento das características do solo, as estruturas de fundação defeituosas
e as alterações do solo após a construção.(b)
Uma prospecção geotécnica deficiente pode levar-nos a implantação de
construções sobre estratos resistentes no entanto estes podem ser precedidos por estratos
de fraca resistência podendo levar a assentamentos globais.
_________________
(a)
[MARTINS; 2002] ;
(b)
[LOGEAIS; 2000]
_____________________________________________________________________________
120
4. FUNDAÇÕES
a)
b)
Figura 53– Implantação de edifícios sobre falsos firmes com assentamentos globais. a) Fundações sem
assentamentos; b) Fundações com assentamentos globais.
Outra das causas de patologias associadas ao desconhecimento dos solos á a
falta de homogeneidade deste podendo existir bolsas de extractos pouco resistentes em
zonas limitadas as quais podem passar despercebidas a um levantamento geotécnico
mais descuidado e provocar deficiências graves no edifício.
a)
b)
Figura 54– a) Edificação implantada sobre estrato de grande resistência homogéneo (situação ideal de
calculo); b) Edificação implantada sobre estrato de grande resistência descontínuo com bolsa de argila
orgânica (situação real).
_____________________________________________________________________________
121
4. FUNDAÇÕES
Foto 45– Torre de Pisa implantada em solo de fundação heterogéneo. Adaptado de www.Google.pt.
Neste grupo podemos também incluir a agressividade do solo de fundação, o
qual, caso não tenham sido previstos quaisquer tratamentos especiais para as fundações,
aceleraram a sua deterioração enfraquecendo-as ao ponto de não suportar as cargas
actuantes.
Foto 46–Solo de fundação agressivo com deterioração avançada das fundações. Adaptado de
www.Google.pt.
_____________________________________________________________________________
122
4. FUNDAÇÕES
Na montagem de estacas profundas pré-fabricadas, devido ao desconhecimento
das características dos solos, podem desenvolver-se forças devido ao atrito superiores às
cargas para que estas foram dimensionadas, podendo levar á rotura destas e consequente
perda de capacidade estrutural.
Foto 47– Danificação de estacas de fundação no processo de cravação. Adaptado de www.Google.pt.
As estruturas de fundação defeituosas são qualificadas partindo do pressuposto
que existe um conhecimento profundo do solo de fundação e de que as soluções
tomadas seriam as mais correctas para este caso, ficando limitada a origem das
anomalias a defeitos de projecto ou de execução.
Um engano pouco frequente é o subdimensionamento dos elementos de
fundação devido a erros de cálculo na fase de projecto, indicando dimensões e soluções
incapazes para as solicitações da estrutura. Outro defeito associado a esta família é a má
qualidade dos materiais empregues, reduzindo a capacidade da estrutura e potenciando
as possibilidades de ocorrência de anomalias estruturais. A presença de água aquando
da betonagem dos elementos de fundação pode levar á segregação grave do betão
fresco, reduzindo a sua capacidade estrutural. (c)
As alterações do solo estabelecem o terceiro grupo das principais patologias
construtivas em fundações de edifícios. Qualquer intervenção na envolvente de um
edifício, tem com maior ou menor intensidade repercussões na sua estabilidade,
podendo em alguns casos comprometer toda a estrutura.
_________________
(c)
[LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
123
4. FUNDAÇÕES
A construção de edifícios sobre aterros é um dos casos que geralmente mais
problemas acarreta, devido a assentamentos incompletos os quais progridem após a
construção das estruturas, levando a movimentos nas estruturas por estas não
suportados, conduzindo á sua rotura.
a)
b)
Figura 55– Deformação induzida á estrutura devido aos assentamentos diferenciais. a) Fundações sem
assentamentos; b) Fundações com assentamentos diferenciais.
a)
b)
Figura 56– Esforços actuantes. a) Estrutura de edifício com fundações sem assentamentos; b) Estrutura de
edifício com fundações com assentamentos diferenciais.
_____________________________________________________________________________
124
4. FUNDAÇÕES
Figura 57– Efeitos de assentamento de uma sapata interior.
Figura 58– Efeitos de assentamento de duas sapatas interiores.
_____________________________________________________________________________
125
4. FUNDAÇÕES
Figura 59– Efeitos de assentamento de uma sapata de canto.
Figura 60– Efeitos de implantação de edifício em parte em zona de aterro subconsolidado e uma outra
parte sobre zona de escavação.
Figura 61– Efeitos de assentamentos nos extremos de uma edificação.
_____________________________________________________________________________
126
4. FUNDAÇÕES
Figura 62– Efeitos assentamentos em zona central de uma edificação.
Outra das causas de anomalias em fundações é a variação do teor de humidade
no solo de fundação, podendo alterar profundamente as características dos terrenos e
dos aterros, principalmente os que apresentem características argilosas.
Figura 63– Exemplo de rotação da estrutura devido a saturação de parte do solo argiloso e consequente
perda de capacidade de sustentação.
Foto 48– Rotação de reservatório de água devido á saturação do solo na zona inferior ao extravasor.
Adaptado de www.Google.pt.
_____________________________________________________________________________
127
4. FUNDAÇÕES
Figura 64– Pavilhão industrial sem caleiras de recolha das águas pluviais com saturação do solo junto às
fundações directas e consequente perda de capacidade de sustentação.
As escavações junto a um edifício para a construção de um novo, provocam em
muitos casos descompressão do solo de implantação do edifício existente e consequente
assentamento de fundações as quais geram anomalias estruturais graves.
Figura 65– Descompressão do solo devido a escavação junto ao edifício provocando assentamentos
diferenciais neste.
_____________________________________________________________________________
128
4. FUNDAÇÕES
Figura 66– Descompressão do solo devido às ancoragens de sustentação do muro de suporte, fazendo
com que as fundações apresentem assentamentos diferenciais provocando anomalias estruturais no
edifício.
Um edifício implantado em solos muito compressíveis é á partida um potencial
gerador de patologias graves. A proximidade do edifício a vias com tráfego de viaturas
pesadas, a criação de aterros nas proximidades ou qualquer outra acção que envolva
uma sobrecarga do solo envolvente, pode conduzir ao aparecimento de anomalias.
_____________________________________________________________________________
129
4. FUNDAÇÕES
Figura 67– Assentamento do solo compressível devido á sobrecarga por aterro.
Em construções de grande porte próximas, pode haver sobreposição de áreas de
degradação das tensões, aumentando perigosamente as tensões para valores não
suportados pelo solo, levando a assentamentos que poderão ter consequências graves
para a integridade estrutural do edifício.
Figura 68– Sobreposição de pressões com rotura do solo de fundação e consequentes assentamentos.
A utilização de fundações de diferentes tipos para partes distintas das
construções, devido á existência de diferentes características do solo de fundação
_____________________________________________________________________________
130
4. FUNDAÇÕES
afectado ou ainda pela implantação das fundações a diferentes níveis, atingindo
diferentes extractos, pode causar anomalias graves nos edifícios devido a diferentes
reacções às solicitações do edifício.
Figura 69– Fundação do edifício á superfície em estratos de má qualidade, muito instáveis e
compressíveis e em zonas de maior solicitação utilização de fundações profundas, atingindo extractos
sólidos com boas características mecânicas, apresentando movimentações diferentes nas duas partes do
edifício.
Outra das origens é a profundidade reduzida de implantação das fundações o que
leva a uma maior sensibilidade destas á presença de água, aos efeitos do gelo, e até a
sua implantação sobre camadas de terra vegetal. A construção de edifícios sobre solo
instável, antigas minas ou pedreiras não consolidadas, inclinação elevada do terreno
podendo levar ao escorregamento de todo o conjunto, é outra causa de assentamentos de
_____________________________________________________________________________
131
4. FUNDAÇÕES
fundações. Por fim podemos ainda referir a mudança de uso do edifício, com aumento
das cargas actuantes para valores superiores aos dimensionados, provocando
assentamentos ou apropria rotura dos elementos estruturais principais. (d)
4.1.1. Causas dos Assentamentos no Edifício Caso de Estudo
Relativamente ao edifício caso de estudo (Capela de S. António em Lamego),
podemos verificar que em fase de obra foram realizadas escavações para incorporação
do complexo hoteleiro em duas frentes do edifício antigo. Estas escavações expuseram
todo o sistema de fundação do edifício (estacas de madeira), descomprimindo o solo
argiloso envolvente, fazendo agravar ainda mais o estado de conservação de toda a
estrutura do edifício. As fissuras apresentadas demonstram a rotação para o exterior das
fachadas do edifício, iniciadas devido ao constante humedecimento das paredes e
agravadas pelas recentes escavações.
Figura 70– Fissuração da fachada Este por assentamentos de fundação no lado Norte.
_________________
(d)
[LOGEAIS; 2000]
_____________________________________________________________________________
132
4. FUNDAÇÕES
Figura 71– Fissuração da fachada Oeste devido a assentamentos de fundação no lado Norte.
Figura 72– Fissuração da fachada Norte devido a assentamentos de fundação no lado Oeste.
_____________________________________________________________________________
133
4. FUNDAÇÕES
Foto 49– Trabalhos de construção do complexo hoteleiro junto da capela, os quais foram precedidos de
uma escavação até ao limite do edifício caso de estudo.
4.2. Tratamento de Anomalias nas Fundações
(23)
Em edifícios antigos é frequente o aparecimento de patologias com origem nas
fundações, sendo necessárias intervenções com carácter corrector da transmissão de
solicitações ao solo.
As intervenções são consideradas como necessárias, quando se pretende alterar o
uso do edifício, aumentando com esse processo as solicitações á estrutura para valores
acima dos projectados, ou quando os elementos de fundação tenham limitações de carga
que incapacitem a estrutura a resistir às forças actuantes, apresentando alterações na sua
configuração estrutural.
_____________________________________________________________________________
134
4. FUNDAÇÕES
Nos processos de reabilitação, cujos diagnósticos após reconhecimento das
características do solo e das fundações permitam concluir que a origem patológica
encontra-se no comportamento das fundações, devem ser avaliadas as soluções
possíveis para resolução patológica. Em casos específicos poderá ser tomada como
solução a redução das cargas actuantes, eliminando possíveis ampliações ao edifício
original, etc. o que impediria a progressão das patologias. Este processo tem a si
associadas limitações que não são toleradas em grande parte dos casos, devido á
importância atribuída ao uso de determinados edifícios. Uma outra opção poderá passar
pela melhoria das características do solo de fundação e por fim e como processo
mais usual poderemos optar pelo reforço das fundações por recalçamento e/ou
ampliação da área de transmissão de cargas. (e)
As intervenções de recalçamento e ampliação da área de transmissão de cargas,
são operações de reforço da capacidade estrutural, podendo estas ser divididas em dois
grandes grupos, as intervenções directas e as intervenções profundas. Os reforços
directos apresentam uma menor intrusividade, revelando-se na grande maioria dos casos
um processo reversível. O processo de fundações indirectas, é um processo mais
intrusivo e o qual exige mais tecnologia.
Conhecida a vulnerabilidade dos edifícios antigos, a descompressões do solo, o
reforço das fundações deverá ter condições de segurança especiais, minimizando a
possibilidade de acidente. Os trabalhos deverão ser executados através da abertura de
pequenos poços, intercalados por espaços não escavados como se ilustra na figura 79
O material mais apto para estas intervenções é o betão armado dada a sua
facilidade de adaptação a formas irregulares bem como a sua durabilidade. De forma a
evitar descompressões nas fundações durante o processo de transferência de cargas,
devem ser tidas em linha de conta as opções de utilização de argamassa expansiva ou a
introdução de cunhas metálicas á pressão, manualmente ou com auxilio de um sistema
hidráulico. A ligação entre fundação existente e o reforço poderá ser feita através de
pregagens injectadas ou em situações de maior exigência estrutural, através de
elementos de pré-esforço.
_
________________
(e)
[LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
135
4. FUNDAÇÕES
4.2.1. Melhoramento do Solo de Fundação(24)
O melhoramento do solo de fundação baseia-se em técnicas geotécnicas não
sobre a fundação mas sobre o solo que as suporta. Como técnicas de melhoramento de
solo para situações de reparação patológica podemos indicar as injecções de caldas na
sua maioria de cimento a alta pressão, debaixo dos elementos de fundação, criando
desse modo um elemento estrutural com uma maior área. Outra técnica cujo principio é
idêntico ao da técnica anterior, e a qual se tem vindo a desenvolver bastante nos últimos
anos é o jet-grouting que consiste na injecção de caldas de cimento a pressões
elevadíssimas (4 Mpa), misturando-se com o solo e as quais formam uma pasta viscosa
cuja cura é relativamente lenta. O melhoramento do comportamento do solo pode ainda
ser feito temporariamente através de processos térmicos, os quais consistem no
congelamento artificial do terreno. (f)
Em termos de processos de melhoramento dos solos nas fases que antecedem a
construção e não de reparação, podemos indicar o processo de reforço do solo através
de inclusão de materiais naturais (fibras naturais e sintéticas), substituição de
terreno por outro volume mais adequado (substituição do terreno de implantação por
outro cujas características mecânicas são melhores), compactação dinâmica (consiste
na queda de uma massa de 5 a 32 toneladas de uma altura que pode variar entre os 12 e
os 114m), pré-carga (criação de uma carga por aterro ou por vácuo) e
vibrocompactação (introdução de um elemento vibratório no terreno).
• Injecções
A injecção é uma técnica de melhoria das capacidades resistentes dos terrenos,
tendo por base a injecção no terreno de caldas de cimento na grande maioria dos casos.
Pode ser utilizada para tratamento da deformabilidade e resistência mecânica do solo,
tratando-se de um processo de consolidação bem como para tratamento da
permeabilidade, através da impermeabilização do solo.
________________
(f)
[ALMEIDA; 2003]
_____________________________________________________________________________
136
4. FUNDAÇÕES
Os trabalhos de injecção são efectuados com o recurso a uma serie de
perfurações, adequadamente dispostas, a partir das quais são injectados os líquidos mais
ou menos viscosos e com pressões previamente determinadas (a pressão de injecção
diminui com a proximidade á superfície), dependendo do tipo de solo e das
necessidades estruturais. Posteriormente transformar-se-ão em sólido, quer seja através
do simples endurecimento (caldas de cimento) quer seja através de transformações
químicas (caldas á base de produtos químicos). (g)
Um dos problemas na execução das injecções é a garantia da homogeneidade da
mistura líquida por zona injectada. Por vezes e dada a heterogeneidade dos solos, as
misturas deslocam-se para zonas de baixo importância para o comportamento mecânico
da estrutura, deixando pontos vitais para o bom comportamento destas com saturações
muito abaixo do desejado. De forma a limitar esse problema, podem ser realizadas
barreiras limitadoras de forma a garantir a boa distribuição das misturas injectadas,
contudo essa solução é pouco viável dados os custos a ela associados. (h)
Em casos cujos solos tenham tendência a sofrer arrastamentos por percolação
das águas subterrâneas, os objectivos passam a prender-se com a impermeabilização
destes, contudo têm que ser tidos em conta diversos factores, pois a redução do nível
freático pode conduzir ao reajuste das partículas do solo de forma a colmatar os espaços
vazios deixados pela água conduzindo as estruturas a assentamentos diferenciais.
Figura 73– Injecção de misturas líquidas sob a base da fundação com distribuição ideal do liquido
injectado.
________________
(g)
[APPLETON; 2003]
(h)
[LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
137
4. FUNDAÇÕES
Figura 74– Injecção de misturas líquidas com barreiras de confinamento sob a base da fundação, com
garantia de distribuição homogénea da mistura injectada.
• Jet-Grouting
O jet-grouting, surgiu na década de 70 devido á inadequação das técnicas de
injecção utilizadas para tratamento de solos de fracas capacidades mecânicas e de
elevada permeabilidade ou heterogeneidade. Em situações cujas tolerâncias a
perturbações são mínimas e a necessidade de controlo nas operações é máxima, como é
o caso das construções em zonas urbanas de elevada densidade, a injecção torna-se
inadequada devido a todas as suas limitações em termos de controlo e perturbação.
A técnica jet-grouting, consiste na melhoria das características dos solos de uma
forma directa sem necessidade de escavações prévias.
As colunas de jet-grouting a realizar podem ser de geometria plana ou cilíndrica,
na geometria plana a vara faz a sua ascensão sem rotação, na geometria cilíndrica a vara
sobe e ao mesmo tempo roda.
_____________________________________________________________________________
138
4. FUNDAÇÕES
O processo inicia-se com a introdução da vara no terreno através de movimentos
rotacionais, auxiliados por um jacto de água vertical, penetrando no terreno até se
atingir a profundidade pretendida para a intervenção. Concluída a furação é obturada a
água no fundo da vara através de uma válvula dando-se início ao processo de
melhoramento do solo propriamente dito. No processo de injecção da calda, a vara
dispara jactos horizontais de água e ar a grande velocidade (cerca de 250m/s) os quais
desagregam a estrutura do terreno através da sua elevada energia cinética. A água
utilizada na desagregação do terreno transporta para o exterior através da vara parte do
solo desagregado sendo a restante parcela misturada com as caldas injectadas. A subida
da vara é controlada, mantendo esta uma velocidade constante de forma a garantir
homogeneidade na coluna. O furo é fechado com a simples injecção de calda por
gravidade. A mistura resultante tal como nas injecções torna-se sólida pelo simples
endurecimento no caso de caldas de cimento ou através de reacções químicas no caso de
misturas químicas, criando bases com a qualidade necessária ao bom comportamento de
toda a estrutura. (i)
Durante o processo deve ser tida em especial atenção a perda de capacidade
resistente temporária da zona alvo de intervenção, recorrendo a processos de
ancoramento para garantia da estabilidade das estruturas em reparação.
a)
b)
________________
(i)
[CARRETO; 2000]
_____________________________________________________________________________
139
4. FUNDAÇÕES
c)
d)
Figura 75– Fases de execução de colunas de jet-grouting. a) Introdução da vara através de rotação e jacto
de agua. b) Paragem de jacto de agua vertical e inicio dos jactos de agua e ar horizontais. c) Subida a
velocidade constante com rotação da vara e injecção de calda. d) Melhoramento do solo na área
pretendida.
• Tratamentos térmicos
O tratamento térmico dos solos, não poderá ser considerado como uma forma
definitiva de melhorar o comportamento resistente deste. Esta técnica não é mais que
um auxiliar á realização de obras mais complexas, estabilizando temporariamente o solo
através da sua congelação.
Esta técnica até agora não utilizada em Portugal, tem sido utilizada em países
onde as temperaturas são predominantemente baixas, sendo um fiel auxílio onde outras
técnicas se revelam incapazes, contudo tem a si associada tecnologia especializada de
elevado custo.
O processo de execução desta técnica inicia-se com a colocação das tubagens de
forma a criar um circuito, através do qual irá circular um líquido (salmonela, azoto
liquido, etc.) o qual dependerá da entidade construtora e dos objectivos pretendidos. A
circulação do líquido pelo circuito, transmitirá frio ao solo arrefecendo-o até á sua
congelação. Após congelado o solo, (processo que dependendo do tipo de solo, da
técnica seja circuito aberto, fechado ou misto e do líquido levará mais ou menos tempo,
sendo15 a 25 dias em situações mais correntes), a quantidade de líquido a circular no
_____________________________________________________________________________
140
4. FUNDAÇÕES
circuito poderá ser reduzida, mantendo apenas o valor necessária á manutenção da
parede de gelo íntegra. (j)
Em termos de vantagens, esta técnica permite rapidez na execução dos trabalhos,
reduzido nível de vibração e ruídos, pouco dependente das condições geológicas do
terreno e ainda permite a continuação do uso das infra-estruturas existentes. As
canalizações e mecanismos a esta técnica associadas poderão ser totalmente recuperados
o que conduz a uma redução no elevado custo desta técnica.
Foto 50– Exemplos de aplicação de tratamentos térmicos no solo de fundação. Adaptado de Construlink
Press 2003.
4.2.2. Reforço das Fundações(25)
O reforço das fundações, é um processo que ao contrário dos processos
de melhoramento do solo, actua directamente sobre os elementos de fundação. Os
processos de reforço são variados, tendo diferentes configurações, metodologias e
profundidades de actuação. Desse modo, podemos dividir as técnicas de reforço em dois
grandes grupos, os processos superficiais de reforço e os processos profundos de
reforço. Os processos de reforço superficiais, actuam directamente nas fundações,
podendo os elementos de fundação encontrar-se visíveis ou não. Intervêm nas fundações
quer por aumento da área contribuinte, quer por reforço das suas capacidades resistentes
ou em casos muito especiais através da substituição de todos os elementos de fundação.
_______________
(j)
[ALMEIDA; 2003]
_____________________________________________________________________________
141
4. FUNDAÇÕES
Os processos de reforço profundos, da mesma forma que os processos
superficiais, podem implicar escavação do terreno ou não, e passam pela introdução de
estacas ou micro-estacas até a abertura de poços de refundação. (k)
• Injecções
Na reabilitação de fundações, é frequente efectuarem-se diagnósticos
patológicos, os quais apontam como origem de todas as deformações, alterações graves
da capacidade resistente dos maciços de fundação. Essas degradações podem ter origem
quer na qualidade dos materiais empregues na construção destes elementos, nas técnicas
rudimentares utilizadas, na agressividade do meio envolvente, ou ainda nas alterações
no esquema de cargas.
Um dos processos de reabilitação nestes casos, passa pela injecção de caldas a
baixa pressão ou por gravidade, no interior dos elementos de fundação. Esta técnica,
consiste na introdução das caldas através de tubos de injecção, os quais perfuram parte
do elemento de fundação. A necessidade de injecção a baixa pressão ou apenas por
gravidade, é devida á vulnerabilidade dos elementos de fundação. Caso não sejam
efectuados estudos de permeabilidade, inicialmente é testada a introdução apenas por
gravidade, caso esta solução não seja viável devido á morosidade do processo ou
mesmo devido á negação na introdução, a pressão é aumentada, contudo os intervalos
de progressão são reduzidos atingindo máximos de pressão de 100 a 200 KPa.
As caldas utilizáveis são de grande variedade, podendo introduzir-se caldas de
cimento estabilizadas com bentonite ou cal, caldas de cimentos especiais, caldas de
silicatos de potássio, caldas de silicatos de sódio e caldas á base de resinas epoxídicas,
contudo estas últimas são pouco utilizadas devido ao seu elevado custo. (l)
Esta técnica dá como garantida a capacidade resistente por parte do solo de
fundação, actuando apenas na estabilização da fundação existente, o que a torna
desapropriada em intervenções com diferente princípio. Têm a si associada a vantagem
de não necessitar escavações e de ser um processo rápido quando comparado com
outras formas de actuação. Contudo esta técnica implica mecanismo de perfuração e
injecção mais desenvolvidos, uma equipa experiente e o resultado é um pouco incerto.
_______________
(k)
[CÓIAS; 2007]
(l)
[APPLETON; 2003]
_____________________________________________________________________________
142
4. FUNDAÇÕES
Essa incerteza deve-se sobretudo á liberdade de movimentos das caldas durante
a injecção, espalhando-se pelos locais de menor pressão, podendo levar a uma
distribuição heterogénea desta.
Uma das formas de contrariar essa heterogeneidade ou essa incerteza quanto á
distribuição das caldas, consiste no isolamento da área de injecção. A introdução de
muros pré-fabricados ou muros concebidos no local ou mesmo através de estacas de
madeira, podemos confinar a injecção á zona pretendida. O confinamento do local de
injecção, implica custos elevados, pois utilizando muros de betão pré-fabricados ou
feitos no local, são necessárias escavações para a sua introdução, acrescentando aos
custos de todo o processo, os custos de escavação. A escavação tem ainda a si associada
o risco de descompressão do solo. Na zona de retirada das terras, parte da fundação vai
ficar suspensa, reduzindo temporariamente a sua capacidade de sustentação. Nestas
situações toda a estrutura deverá ser ancorada, transferindo as cargas para zonas com
maior resistência. No caso de isolamento da área através de estacas, o processo de
cravação implica mecanismos desenvolvidos e uma equipa experiente, o que aumenta os
custos, contudo põe de lado todos os riscos e custos associados á escavação. (m)
Figura 76– Injecção de caldas nos elementos de fundação através de perfurações feitas nestes.
_______________
(m) [LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
143
4. FUNDAÇÕES
Figura 77– Injecção de caldas nos elementos de fundação através de perfurações feitas nestes, com
confinamento da injecção através de estacaria.
Figura 78– Injecção de caldas nos elementos de fundação através de perfurações feitas nestes, com
confinamento da injecção através de muros de suporte, pré-fabricados ou concebidos no local.
_____________________________________________________________________________
144
4. FUNDAÇÕES
• Ampliação da Área de Transmissão de Cargas
A necessidade de aplicação do processo de aumento da área de transmissão,
pode ter como origem dois factores. O primeiro factor é o desconhecimento das
características do solo de fundação levando a erros de dimensionamento logo na fase de
projecto. O segundo factor é a alteração das cargas actuantes no edifício, seja pela
alteração do uso ou pela alteração da configuração edifício, aumentando os valores de
carga a degradar pelos elementos de fundação para níveis por estes incomportáveis. A
técnica baseia-se num principio simples, uma vez que a tensão é o quociente entre a
carga e a área, aumentando a área reduzimos a tensão.
O método de ampliação da área de transmissão de cargas, tem a si associada um
elevado grau de complexidade e risco. O processo de construção deverá decorrer de
uma forma faseada, com uma largura de intervenção admissível reduzida encontrandose esta em de cerca de 2 metros. Além de faseado, este processo deverá ser também
intercalado, só actuando num dos lados após o outro estar consolidado. As zonas de
intervenção, deverão ser ancoradas, de forma a reduzir as cargas transmitidas á área de
trabalhos e garantindo temporariamente a estabilidade do edifício. A complexidade do
processo, advêm da vulnerabilidade das zonas em intervenção e das cargas elevadas a
estas associadas. (n)
A ampliação da área contribuinte para degradação das cargas transmitidas pela estrutura
ao solo, consiste numa das técnicas com melhores efeitos práticos. O processo de
construção, inicia-se com a escavação do local a intervir. Após a escavação, a estrutura
de fundação será cuidadosamente limpa de forma a garantir boa aderência do betão.
Caso se verifique necessário, a fundação poderá ser superficialmente picada garantindo
uma maior aderência com o betão novo. Antes da betonagem, deverá ser aplicado um
produto ligante que proporcione uma aderência extra, idealizando-se perfeita entre a
estrutura velha e a estrutura nova. Estes cuidados na ligação entre estruturas, têm em
vista a actuação destas como um todo, garantindo uma transmissão homogénea de
cargas ao solo. Deverão ser igualmente introduzidos os elementos de ancoragem entre
elementos, caso sejam previstos em projecto para a situação. Após betonada, a zona só
deverá ser posta em carga quando o betão ganhar a resistência máxima (28 dias).
_______________
(n)
[CÓIAS; 2007]
_____________________________________________________________________________
145
4. FUNDAÇÕES
O processo deverá ser repetido por todos os troços previamente estabelecidos, como se
indica na figura 79 até se completar toda a fundação do edifício(o)
O processo de construção é mais ou menos complexo, dependendo do tipo
fundação existente, da estabilidade estrutural do edifício e sobretudo da solução
adoptada. Na ampliação do sistema de fundação, há diversas formas possíveis,
representando-se abaixo algumas das configurações mais usuais.
Figura 79– Ordem de execução dos trabalhos.
_______________
(o)
[LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
146
4. FUNDAÇÕES
Figura 80– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas paralelas às sapatas
corridas com ligação através de resinas e varões de aço.
Figura 81– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas paralelas às sapatas
corridas com ligação através de ancoragens de aço.
_____________________________________________________________________________
147
4. FUNDAÇÕES
Figura 82– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas paralelas às sapatas
corridas, com recorte diagonal na fundação existente de forma a haver uma maior contribuição por parte
da ampliação na degradação das cargas.
Figura 83– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas paralelas às sapatas
corridas, com recorte dentado na fundação existente de forma a haver uma melhor ligação entre
ampliação e fundação existente.
_____________________________________________________________________________
148
4. FUNDAÇÕES
Figura 84– Ampliação da área de transmissão de cargas através da execução de vigas paralelas às sapatas
corridas, com recorte dentado na fundação existente e varões de ligação de forma a haver uma melhor
ligação entre ampliação e fundação existente.
Figura 85– Ampliação da área de transmissão de cargas através do envolvimento parcial dos elementos de
fundação.
_____________________________________________________________________________
149
4. FUNDAÇÕES
• Recalçamentos
O recalçamento é uma solução lógica quando a camada superficial do solo de
fundação se revela inadequada, correspondendo praticamente a uma substituição do solo
fraco por betão simples ou armado, até uma cota tal que se encontre solo com aptidão
suficiente. Esta técnica pode enquadrar-se tanto nas soluções de reforço superficiais
como nas soluções profundas, dependendo da profundidade a que se localiza o solo
firme.
A técnica de recalçamento superficial está muitas vezes associada às técnicas de
ampliação da área de transmissão de cargas ao solo, podendo a figura 85 ser
considerada uma técnica mista de ampliação e recalçamento. O processo de execução
dos recalçamentos, é um processo complexo, obrigatoriamente faseado, seguindo a
sequência apresentada na figura 79.
Figura 86– Recalçamento da fundação através da introdução de uma viga armada sob a fundação
existente.
_____________________________________________________________________________
150
4. FUNDAÇÕES
Figura 87– Recalçamento da fundação através da introdução de uma viga armada sob a fundação
existente, com ampliação da área de transmissão de cargas.
Os recalçamentos profundos podem ser executados através de poços de trabalho
e desta forma por um processo manual, ou através da introdução de estacas encabeçadas
por maciços de betão.
O recalçamentos através de poços não é valido para sapatas isolados devido ao
perigo de execução a este associado.
O processo de recalçamentos é feito de uma forma sequencial alternada,
atingindo a profundidade necessária ao alcance dos estratos firmes. O processo inicia-se
com a escavação dos poços, alcançando apenas metade da largura de fundação, e tendo
um comprimento de trabalho mínimo de 1 a 2 m, os quais permitem a livre
movimentação dos operários. Á medida que se vai progredindo em profundidade, a
escavação é progressivamente ancorada de forma a garantir a estabilidade na zona de
trabalho. O processo de escavação é dado como concluído quando este atinge solo com
aptidão suficiente. De seguida dá-se inicio á construção da nova fundação, que caso haja
condições de segurança suficientes á retirada das ancoragens estas deverão ser retiradas
antes de se iniciar a betonagem, caso contrário poderão ser dadas como perdidas e ficam
_____________________________________________________________________________
151
4. FUNDAÇÕES
embebidas no betão. O processo é repetido por troços anteriormente pensados e
definidos, até se atingir toda a fundação. (p)
Figura 88– Recalçamento de fundação através de poços, com escavação sob a fundação existente e
recalçe a partir do solo firme.
____________
(p)
[LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
152
4. FUNDAÇÕES
Os recalçamentos profundos podem ainda ser efectuados através de estacas,
podendo estas ser de madeira, metálicas ou ainda de betão armado. As estacas de betão
armado, podem ser pré-fabricadas e posteriormente cravadas no solo ou então,
betonadas no local após perfuração do solo. Na reabilitação, a vulnerabilidade das
construções, faz com que os processos de cravação sejam de aplicação muito cuidada,
pois as vibrações por estes criadas, podem por em causa a integridade das construções.
A cravação de estacas é feita através da acção de um pilão, o qual bate
indirectamente nas estacas. Em geral, as estacas de madeira suportam razoavelmente
bem os esforços provenientes da cravação, logo que o terreno seja homogéneo e não
muito rijo. Durante a cravação, as estacas de madeira são protegidas por um anel
metálico, pelo qual são encabeçadas e sobre o qual se dá a acção mecânica para a
cravação. A ponta das estacas, pode ainda ser reforçada se necessário por uma ponteira
de aço, permitindo um melhor desempenho para a estaca no processo de cravação.
Figura 89– Estaca de madeira preparada para cravação mecânica, com anel de encabeçamento em aço e
ponteira de reforço igualmente em aço.
As estacas de betão cravadas, devem ser encabeçadas por um capacete de metal,
no interior do qual se deve colocar um “amortecedor”, geralmente de madeira de forma
_____________________________________________________________________________
153
4. FUNDAÇÕES
a reduzir as vibrações transmitidas pelo processo de cravação e minorar os efeitos
negativos do processo de cravação.
As estacas pré-fabricadas e posteriormente cravadas, têm a vantagem de maior
controlo durante o processo de fabricação, contudo podem ter problemas para garantir
um bom processo de cravação, podendo estas perder as suas capacidades durante o
processo. As estacas moldadas apesar de não terem tanto rigor na concepção, no entanto
não são sujeitas ao processo de cravação.
As estacas metálicas, têm a vantagem relativamente aos outros tipos de estacas
de em praticamente todo o tipo de terreno serem de fácil cravação e apresentarem
excelentes capacidades de carga. (q)
Após a cravação, as estacas são encabeçadas por vigas de betão armado, as quais
fazem a transmissão das cargas das fundações existentes das construções, para as
estacas. (r)
Figura 90– Recalçamento de fundações através da introdução de estacas encabeçadas por vigas de
recalçamento.
_______________
(q)
[COSTA; 1956]
(r)
[APPLETON; 2003]
_____________________________________________________________________________
154
4. FUNDAÇÕES
• Micro-Estacas
Uma das tecnologias mais recentes no reforço de fundações são as microestacas. Esta técnica recente, têm tido muito boa aceitação por parte dos especialistas da
reabilitação e estruturas, uma vez que apresenta bons resultados, não apresentando
dificuldades especiais de execução. Ao mesmo tempo que consegue mobilizar estratos
profundos do terreno, os quais deveram ter maior capacidade, esta técnica quando a
injecção se dá à pressão, consolidam significativamente o solo aumentando a sua
capacidade estrutural. (s)
O processo consiste na introdução por perfuração de estacas com dimensões
entre os 100 e os 300 mm, as quais podem ser perfuradas directamente através das
fundações, fazendo desse modo a ligação necessária à transmissão das cargas. As microestacas, podem ainda ser introduzidos no terreno e encabeçadas no topo por vigas, as
quais se responsabilizam pela transmissão dos esforços. Nas perfurações são injectadas
caldas a pressão ou por gravidade. Quando a injecção se da à pressão, esta pode ser
efectuada gradualmente por diferentes alturas de injecção, ou o processo pode ser
efectuado todo com a vara de injecção colocada á profundidade máxima. A sua
aplicação pode ser na vertical ou inclinada (inclinações a variar entre 5 e 15º), tendo em
atenção quando a aplicação se efectua inclinada, às tensões horizontais por elas criadas,
devendo ser previstas formas de eliminação destas. A sua capacidade de sustentação é
muito variada, podendo ir desde as 10 até as 100 toneladas, dependendo do tipo de solo,
do diâmetro das estacas e do tipo de encabeçamento. (t)
_______________
(s)
[APPLETON; 2003]
(t)
[LÓPEZ; 1998]
_____________________________________________________________________________
155
4. FUNDAÇÕES
Figura 91– Reforço de fundações com recurso a micro-estacas verticais em corte e em planta.
_____________________________________________________________________________
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4. FUNDAÇÕES
Figura 92– Reforço de fundações com recurso a micro-estacas verticais e diagonais em corte e em planta.
_____________________________________________________________________________
157
4. FUNDAÇÕES
Figura 93– Reforço de fundações com recurso a micro-estacas verticais com encabeçamento sob viga de
recalçamento, em corte e em planta.
_____________________________________________________________________________
158
4. FUNDAÇÕES
4.3. Referências Bibliográficas
(22) - APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 97 até
99.
- CÓIAS, V. – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa
2007; pp. 98.
- MARTINS, J. – Fundações – Editora Universidade do Minho; Braga 2002; Capitulo IV.
- LOGEAIS, L. tradução de ARAÚJO, B. – Patologias das Fundações – Editora Instituto
Superior Técnico; Lisboa 2000; pp. 3 até pp. 69.
- LÓPEZ, M. – Tratado de Reabilitação, Volume 3, Patología y Ténicas de intervención –
Editora Munilla-Lería; Madrid 1998; pp. 15 até pp. 22.
- LNEC – Fundações Directas Correntes, Recomendações – Editora LNEC; Lisboa 1968;
(23) - APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 162 até
175.
- CÓIAS, V. – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa
2007; pp. 216 até 218.
- MARTINS, J. – Fundações – Editora Universidade do Minho; Braga 2002; Capitulo V.
- LÓPEZ, M. – Tratado de Reabilitação, Volume 3, Patología y Ténicas de intervención –
Editora Munilla-Lería; Madrid 1998; pp. 22 até pp. 42.
- CAMPANELLA, C. – Obras de Conservação e Restauro Arquitectónico – Editora Câmara
Municipal de Lisboa; Lisboa 2003; pp. 91 até 95.
(24) - APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 162 até
175.
- ALMEIDA, N. – Técnicas de melhoramento de solos – Editora, Construlink Press; Lisboa,
2003.
- CARRETO, J. – Jet-Grouting, uma técnica em desenvolvimento – Editora, Universidade Nova
de Lisboa; Lisboa, 2000.
- PARSONS. – Estudos de preparação dos terrenos do aeroporto – Editora, FCG; Lisboa, 2004.
- CÓIAS, V. – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa 2007;
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- MARTINS, J. – Fundações – Editora Universidade do Minho; Braga 2002; Capitulo V.
_____________________________________________________________________________
159
4. FUNDAÇÕES
- LÓPEZ, M. – Tratado de Reabilitação, Volume 3, Patología y Ténicas de intervención –
Editora Munilla-Lería; Madrid 1998; pp. 22 até pp. 42.
- CAMPANELLA, C. – Obras de Conservação e Restauro Arquitectónico – Editora Câmara
Municipal de Lisboa; Lisboa 2003; pp. 91 até 95.
- RODRIGUES, D. – Controlo de qualidade em terrenos de miocénico de Lisboa – Editora
Universidade Nova de Lisboa; Lisboa 2009; Capítulos 1 e 2.
(25) - APPLETON, J. – Reabilitação de edifícios antigos – Editora, Orion; Lisboa, 2003; pp. 162 até
175.
- CÓIAS, V. – Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos – Editora Argumentum; Lisboa 2007;
pp. 216 até 218.
- MARTINS, J. – Fundações – Editora Universidade do Minho; Braga 2002; Capitulo V.
- LÓPEZ, M. – Tratado de Reabilitação, Volume 3, Patología y Ténicas de intervención –
Editora Munilla-Lería; Madrid 1998; pp. 22 até pp. 42.
- CAMPANELLA, C. – Obras de Conservação e Restauro Arquitectónico – Editora Câmara
Municipal de Lisboa; Lisboa 2003; pp. 91 até 95.
- COSTA, F. – Estacas para Fundações – Editora C.A. Horácio Lane; Lisboa 1956.
- LNEC – Fundações Directas Correntes, Recomendações – Editora LNEC; Lisboa 1968;
_____________________________________________________________________________
160
5. CONCLUSÃO
5. CONCLUSÃO
_____________________________________________________________________________
161
5. CONCLUSÃO
5. CONCLUSÃO
Neste trabalho fica demonstrada a importância de um conhecimento profundo da
tipologia das fundações, em estruturas antigas de alvenaria, como forma de melhor
compreender o seu comportamento mecânico, a origem de muitas das suas patologias e
ainda como forma de potenciar o sucesso das intervenções nos edifícios, facilitando a
escolha das técnicas e dos materiais empregues na sua conservação, reabilitação ou
restauro, revelando-se que em Portugal os conhecimentos nestas áreas ainda se
encontram subdesenvolvidas.
O edifício caso de estudo, encontra-se num estado de deterioração extremamente
avançado, para isso muito contribui o estado de conservação da cobertura. Esta permitia
a entrada da água das chuvas, atacando directamente as madeiras e as paredes. As
madeiras, devido a essa contínua exposição, encontram-se num estado irreversível de
deterioração, e as paredes completamente fissuradas, chegando a orientada a Sul ao
desmoronamento. As escavações devido às obras na envolvente da capela, levaram
igualmente ao aceleramento das anomalias, agravando para níveis ainda mais
preocupantes as já existentes.
No que respeita á escolha das técnicas a utilizar, com este trabalho demonstra-se
que para obter rapidez na intervenção, complexidade acessivel e grande fiabilidade, as
técnicas de introdução de micro-estacas e jet-grouting, levam grandes vantagens sobre
todas as outras, contudo são técnicas bastante dispendiosas. As técnicas de recalçamento
também produzem resultados em termos de fiabilidade bastante bons, contudo revelamse de grande complexidade, muito demoradas e com bastantes riscos estruturais durante
a intervenção.
Em termos gerais, podemos dizer que a melhor forma de preservar o património
arquitectónico-cultural existente, é uma aposta mais alargada na prevenção, apostando
na utilização de métodos simplificados expeditos, evitando intervenções profundas as
quais acarretam técnicas muito complexas, de custos extremamente elevados e as quais
entram por vezes em conflito com os critérios de autenticidade, compatibilidade e
reversibilidade dos edifícios.
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5. CONCLUSÃO
Pela quantidade de bibliografia disponível e pelos estudos até agora efectuados,
demonstra-se que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito
às politicas de preservação, deixando muitas das vezes perder no tempo, valores a nós
confiados pelos nossos antepassados e os quais tínhamos a obrigação de manter e
transmitir às gerações vindouras, como prova viva da nossa cultura e das nossas origens.
5.1 Recomendações Para Trabalhos Futuros
Relativamente a estudos futuros na área da conservação, manutenção
reabilitação e restauro de edifícios há uma ampla área de investigação a qual deve ser
explorada. No caso especifico das fundações, deveram ser feitos estudos laboratoriais os
quais ajudem no conhecimento mais profundo das técnicas e dos materiais, tentando
potenciar as capacidades das técnicas até agora utilizadas e desenvolvendo novos
métodos os quais apresentem uma menor complexidade, menor custo, maior
rendibilidade dos materiais e uma maior rapidez.
Não deverão apenas ser desenvolvidos trabalhos de carácter técnico mas também
trabalhos com carácter de consciencialização, os quais sensibilizem e alertem as pessoas
para este tão importante tema.
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6. BIBLIOGRAFIA
6. BIBLIOGRAFIA
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6. BIBLIOGRAFIA
6. BIBLIOGRAFIA
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Lisboa 2004.
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- RONDELET, Jean Baptiste – Traité théorique et pratique de l’art de bâtir – chez l’auteur, enclos du
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- SEGURADO, João Emilio – Alvenaria e cantaria – Biblioteca de Instrução Profissional fundada por
Thomaz Bordallo Pinheiro, 4ª ed., Livraria Bertrand, Lisboa, 1973-1975.
- SEGURADO, João Emílio – Trabalhos de Carpintaria Civil – Biblioteca de Instrução Profissional
fundada por Thomaz Bordallo Pinheiro, 4ª ed., Livraria Bertrand, Lisboa, 1909.
- Serviços Geológicos de Portugal; Notícia explicativa da folha 10-A.
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Anexos
7. ANEXOS
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Anexos
7.1. Levantamento Arquitectónico e das Anomalias
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TEORIA E PRÁTICA DE TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO