ISSN: 2316-3992
A LINGUAGEM AUDIOVISUAL EM MÍDIAS PORTÁTEIS E
UBÍQUAS
Angeles Treitero García Cônsolo¹
Resumo
Neste texto procuraremos traçar um cenário a respeito dos dispositivos móveis, seu surgimento e desenvolvimento até os dias atuais, como também fazer uma refletir sobre temas como: mobilidade, novos comportamentos
de sociabilidade, conexão constante, ou seja, conceitos que estão presentes quando se fala de tal tecnologia.
Enfim, procuraremos analisar algumas transformações que vêm ocorrendo como fruto das mídias móveis.
Palavras-chave: mobilidade – aprendizagem – conectividade - sociabilidade
¹Angeles Treitero García Cônsolo – Doutoranda em Educação: Currículo e Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design
Digital, área: Processos Cognitivos e Ambientes Digitais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Endereço eletrônico:
[email protected]
Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 250-261, nov 2012
CÔNSOLO, Angeles Treitero García
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Introdução
Quando surgiu a motivação para fazer um estudo em profundidade sobre os dispositivos móveis, isso parecia
algo bastante fácil tendo em vista a modernidade do assunto. Entretanto, quando nos embrenhamos pelo caminho
da investigação, percebemos que não se trata de algo tão simples. Constatamos que a trajetória a ser percorrida
pode transformar-se efetivamente num labirinto, em virtude da complexidade do assunto.
Ao falarmos em dispositivos móveis logo nos vem à mente os telefones celulares, porém, nessa categoria podem
ser classificados um simples MP3 player (dispositivo que serve só como arquivo sonoro – música ou voz) ou algo
bastante sofisticado como o SmartPhone ou um tablet.
Os telefones celulares, por exemplo, são hoje muito mais do que um meio de comunicação oral que serve para
falar com alguém distante. Existem os aparelhos de última geração (3ª geração - 3G) que “carregam” arquivos de
MP3, possuem rádios FM, gravam, permitem baixar vídeo, além dos serviços já comuns tais como câmeras fotográficas, transmissão de mensagens de texto (SMS e MMS), etc, ou seja, é um equipamento que possibilita de maneira
efetiva o entretenimento, aprendizado, ou ao trabalho na sociedade contemporânea.
Neste texto, procuraremos traçar um cenário a respeito dos dispositivos móveis. Refletir sobre temas tais como:
mobilidade, novos comportamentos de sociabilidade, conexão constante, entre outros. Enfim procuraremos analisar algumas transformações que vêm ocorrendo como fruto das mídias móveis
1. O Desenvolvimento dos Dispositivos Móveis
1.1 O Telefone Celular
Ao longo da história, a comunicação telefônica sofreu grandes transformações, enfrentou vários problemas com
relação às transmissões, às interferências e aos múltiplos sinais que pareciam imensos. A maior parte dos problemas
era causada pelo amontoado de fios em que o sistema estava esquematizado, o que impossibilitava uma transmissão perfeita. A solução só veio por volta da metade do século XX, quando foram introduzidos a amplificação eletrônica e o código de modulação, o que trouxe também o código binário. A informação binária pôde ser replicada
de maneira infinitamente mais precisa. Posteriormente, essa mesma linguagem veio a ser usada nos computadores.
Em 1956, nasceu o primeiro telefone digital. O novo sistema podia carregar vinte e quatro sinais de voz ou
1.5 megabits de informação num par de fios padrão. A comunicação por telégrafo e telefone, através do modo
digital, pôde ser usada em larga escala. Em 1980, mais da metade das ligações na América do Norte foram
realizadas eletronicamente.
Ainda por volta de 1980, surgiram os primeiros telefones celulares. Eles pesavam de 3 a 10 quilos, consumiam muita bateria e tinham baixa qualidade de voz e, além disso, o sinal era analógico. Em 1992, estes aparelhos começaram a ser substituídos pelas redes digitais e, em 1997, nasceu a tecnologia GSM (Global System
for Mobile Communication).
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No ano de 2001, os telefones celulares entraram num processo de hibridização, incorporando em suas funções mensagens de texto, envio e recebimento de e-mails, etc.
A terceira geração ou 3G (Sistema Celular de Terceira Geração) “UTMS² permite que um número muito
maior de aplicativos seja apresentado para usuários a nível mundial, promovendo um link crucial entre os múltiplos sistemas GSM atuais e o IMT-2000.
Esta nova rede também supre a crescente demanda de aplicativos para a Internet móvel. O UMTS aumenta a
velocidade de transmissão de dados para 2 Mbps por usuário móvel e estabelece um padrão global de roaming”.
Podemos dizer que tais dispositivos se destacam por serem terminais multimídia e pela sua maior velocidade
de transmissão de dados. A tecnologia permite transmitir imagens ao vivo, ouvir música, assistir TV, possuem pequenas câmeras de vídeo embutidas, fones de ouvido, saídas de áudio, bluetooth, browser com acesso à internet
e correio eletrônico.
1.2 Outros Dispositivos Móveis
Em paralelo aos celulares, surgiram outros dispositivos móveis, como por exemplo, o handheld (Palm) denominado Newton, lançado em meados de 1992 pela Apple. O Newton chegou ao mercado com tela sensível ao
toque, 1MB de memória total, e capacidade de transmissão de dados de 38.5 kbps. Este modelo não teve muita
repercussão, mas é considerado o início dos dispositivos móveis.
Em 1996, a U.S. Robotics lançou o (Palmtop) Pilot 1000 e 5000, dispositivo que teve uma grande aceitação
no mercado, por lançar as bases de toda uma plataforma de Palmstops que chegou a atingir 80% do mercado
mundial e existente até hoje
No mesmo ano, foi lançado um dispositivo com Windows CE 1.0, da Microsoft. Posteriormente foi lançado o
Windows CE 3.0 e a plataforma Pocket PC, em 2000, mas a plataforma Windows CE não teve grande aceitação
do mercado. Entretanto, a partir do Sistema Operacional Pocket PC 2000, embutido em dispositivos como o HP
Jornada e o Compaq Ipaq, esta plataforma ganhou aceitação do mercado e começou a crescer.
Contudo, não seria possível obter mídias móveis e ubíquas se não tivesse sido desenvolvida a tecnologia WiFi ou Wi-Max.
2. A Tecnologia Wi-fi e Wi-max
2.1 A Tecnologia Wi-Fi
A tecnologia Wi-Fi (Wireless Fidelity) é uma tecnologia WLAN (Rede Local sem fios). Em área limitada, permite
conexões de alta velocidade entre dispositivos móveis de dados como, por exemplo, computadores portáteis.
²G/UMTS - Apesar dos sucessivos atrasos, originados por diversos fatores de ordem econômica e tecnológica, as tecnologias 3G (terceira geração) / UMTS (Universal Mobile Telecommunications Systems) estão agora oferecendo tecnologias e serviços
de banda larga. Através de uma gama definida de microondas, esta tecnologia disponibiliza acessos de alta velocidade (telefone,
paging, messaging, Internet, banda larga) sem fios a longa distância, através de interfaces aéreas tais como as redes GSM (Europa), TDMA e CDMA (América).
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. Estes dispositivos juntam-se a um ponto de acesso Wi-Fi, onde se autenticam para acederem ao canal de comunicações que a rede Wi-Fi disponibiliza.
As redes Wi-Fi podem ser configuradas e operadas por qualquer pessoa, permitindo diferentes acessos a diferentes redes. Um ponto de acesso que permite, numa localização geográfica específica, conexão a uma rede (por
exemplo, Internet) é denominado HotSpot. Já é comum encontrarmos hotspots em aeroportos, cibercafés, hotéis e
outros lugares públicos, para lazer ou trabalho.
2.2 A Tecnologia Wi-Max
A tecnologia Wi-Max (Worldwide Interoperability for Microwave Access) é uma tecnologia WLAN (Rede Local
sem fios). Comparativamente ao Wi-Fi, cobre uma área maior de sinal, maior largura de banda e usa uma gama
de freqüências mais alta.
A tecnologia Wi-Max usa uma infra-estrutura de rede de dados fixa e, por utilizar uma gama de freqüências
superior ao Wi-Fi, necessita de antenas de alto ganho (aproximadamente do tamanho de um computador portátil).
Como resultado, o Wi-Max é uma tecnologia não móvel sem fios de alta velocidade que conecta de um ponto
fixo para outros pontos fixos. Para melhor entendimento, imaginemos uma torre de rádio que emite um sinal para
diversas antenas instaladas no topo dos edifícios.
O Wi-Max é ideal para substituir o alto custo da instalação e serviços de curta distância em empresas que usam
as tradicionais linhas T1. Deste modo, o Wi-Max é capaz de integrar uma WLAN existente, conectando diversos
edifícios num campus de uma empresa ou corporação. Uma rede Wi-Max pode disponibilizar acesso Internet para
hot-spots Wi-Fi, cabo coaxial e serviços DSL.
Uma das vantagens do Wi-Max é que permite acesso de alta velocidade à Internet, disponibilizando um serviço
wireless em regiões que necessita de infra-estruturas de cabo como, por exemplo, zonas rurais e zonas periféricas.
Tal como é referido em alguns meios de discussão de tecnologias sem fios, o Wi-Max pode tornar-se uma tecnologia concorrente à 3G ou a outras tecnologias para telefones celulares de banda larga sem fios por disponibilizar
acesso de alta velocidade, utilizando hot-spots Wi-Fi de baixo custo em diversos locais estratégicos.
Provavelmente, essas tecnologias evoluíram em paralelo, permitindo o uso a autênticas redes sem fios. A tecnologia Wi-Max continuará a disponibilizar Internet sem fios em grandes áreas e a grandes distâncias, conectando
pequenos sistemas WLAN, enquanto a tecnologia Wi-Fi permite o acesso wireless a pequenos dispositivos móveis
existentes numa WLAN. Deste modo, as duas tecnologias não se substituem, mas tendem a complementar-se.
3. Alguns Estudos e Pesquisas sobre os Dispositivos móveis
Como se sabe, com desenvolvimento tecnológico surge a microinformática, trazendo os Computadores Pessoais - personal computer (PC) -, posteriormente segundo André Lemos (2004, p.19) com a popularização da Internet
presenciou-se a transformação do PC nos Computadores Coletivos (CC) conectados ao ciberespaço.
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E, nos dias atuais estamos vivendo uma nova etapa com o desenvolvimento das mídias móveis, os Computadores Coletivos móveis (CCm) que se estabelecem com a computação ubíqua sem fio.
Para o autor, trata-se da ampliação de formas de conexão as mais variadas, ou seja, ampliam-se as formas
de conexão entre homem e homem, máquina e homem e máquina e máquina. A conexão é motivada “pelo nomadismo tecnológico da cultura contemporânea e pelo desenvolvimento da computação ubíqua (3G, Wi-Fi), da
computação senciente (RFID, bluetooth) e da computação pervasiva, além da continuação natural de processos de
emissão generalizada e de trabalho cooperativos da primeira fase dos CC (blogs, fóruns, chats, softawars livres,
peer to peer, etc)”.
Para Lemos, na era da conexão, do CCm, a rede transforma-se em um “ambiente” generalizado de conexão,
envolvendo o usuário em plena mobilidade.
Afirma Patrick Lichty (2006), que o indivíduo móvel é um nômade, pois se move de um lugar para outro sem
perder contato com o coletivo da “aldeia” eletrônica. Desde que estejam em sua rede de recepção, eles ainda estão
disponíveis.
Alguns movimentos estão ocorrendo com o auxílio dos dispositivos móveis, envolvendo o indivíduo móvel e
nômade. Circunstâncias geradas pela conexão com as novas mídias trazem efetivamente sociabilidades totalmente
diferentes das conhecidas até então. Trata-se de relações sociais em grupo com as Smart mobs³ ou as flash mobs4
. O conceito está baseado em movimentos inteligentes ou inteligência coletiva.
4. Dispositivos Móveis: uma mídia convergente?
Segundo Lemos, o aparelho celular expressa: “a radicalização da convergência digital, transformando-se em um
“teletudo” para a gestão móvel e informacional do quotidiano.”. (Lemos: 2004, p. 24). Com um simples apertar de
teclas sabemos o que necessitamos fazer, não é mais necessário carregar pesadas agendas de um lado para outro.
Vemos quem está nos ligando através de uma foto colocada como pano de fundo ou pelo nome que aparece no
visor e ainda escolhemos se atendemos ou não quem está do outro “lado” da linha.
Para Santaella os dispositivos móveis transformaram-se em verdadeiros controles remotos no comando da vida
cotidiana dos indivíduos. (Santaella: 2010, p. 152).
³O termo Smart mobs foi criado por H. Rheingold para descrever as novas formas de sociabilidade usando dispositivos móveis tais como celulares, pagers, internet sem fio blogs, etc, com voz e mensagens de texto (Short Message Service - SMS).
Os Smart Mobs são organizados para ações coletivas de multidões que podem ter adeptos de qualquer lugar do mundo.
4
Para Rheingold (2003) as práticas de flash mob, (multidões relâmpago que tem como característica principal realizar uma
encenação em algum ponto da cidade), geralmente ocorrem em circuitos urbanos, mais freqüentemente nos hipercentros das
grandes metrópoles, e representam a ponta final de um processo: “a flash mob é especificamente um tipo de smart mob organizado exclusivamente para entretenimento.” Tem-se aí o auge do processo de articulação e organização que tem início no ambiente
on-line. Através da Internet - principalmente em blogs, listas de discussão, canais de chat, instant messengers ou mensagens SMS
trocadas via telefones celulares - e das facilidades proporcionadas pelas novas formas de comunicação sem fio (comunicação
descentralizada, multiplicação da capacidade de circulação de informações em curtos espaços de tempo, rapidez nas rearticulações necessárias, etc.), os interessados em participar de uma flash mob encontram-se, deliberam, encaminham os procedimentos
necessários à consecução do evento.
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Com um celular o homem adquiriu características que somente Deus possuía que a dom da ubiqüidade, ele
pode estar em vários lugares ao mesmo tempo, coloca as pessoas em um estado de presença ausência, o que
significa que elas estão presentes e ao mesmo tempo não estão. (Santaella: 2010, p.102).
Podemos afirmar que nestes aparelhos encontramos várias mídias? É o hibridismo das mídias, é uma convergência? Para Santaella (2010) o hibridismo das mídias está associado ao processo de convergência das mídias.
Para a autora as mídias antes existiam em suportes físicos separados, como: papel para texto, película química
para a fotografia e o filme, fita magnética para o som e o vídeo, fio de telefone, onda de rádio, satélite de televisão, tudo isso passou a combinar-se em informações digitais, produzindo a convergência de vários campos
mediáticos tradicionais.
De acordo com a autora: “Foram assim fundidas as quatro formas principais da comunicação humana: o
documento escrito (imprensa, magazine, livro); o audiovisual (televisão, vídeo, cinema); as telecomunicações
(telefone, satélites, cabo) e a informática (computadores e programas informáticos)”. (Santaella; 2010, p. 86)
Todo esse processo passou a chamar-se “convergência das mídias”, que tem como base o hibridismo midiático. Isso foi possível a partir da convergência entre os computadores e as telecomunicações – com o advento da
internet, um universo que cresce para o infinito, chamado por ciberespaço. O acesso é a característica mais marcante desse espaço virtual, que segundo Santaella é um espaço que está em todo lugar e em nenhum ao mesmo
tempo, a interatividade que passou a fazer parte do cibernauta, para a autora é um “espaço de acesso livre,
informal, descentrado, capaz de atender a muitas das idiossincrasias – motoras, afetivas, emocionais, cognitivas
do usuário. (Santaella: 2007, p. 198). É um espaço das múltiplas linguagens todas misturadas transformando-se
apenas em um clik com o acesso fácil e rápido para quem quiser participar.
Para Santaella essa tecnologia móvel tem como principal característica a conexão contínua, se constitui por
uma rede móvel de pessoas e de tecnologia nômade que circula em espaços físicos não contíguos. Para fazer
parte desse espaço, um nó (ou seja, uma pessoa) não necessariamente precisa compartilhar do mesmo espaço
geográfico com outros nós da rede móvel, transformando-se segundo Adriana Souza e Silva (2006) de “espaços
híbridos”, são espaços criados pela junção entre lugares diferentes e desconectados.
Define Souza e Silva espaço híbrido como: “espaços móveis, criados pela constante movimentação de usuários que carregam aparelhos portáteis de comunicação continuamente conectado à Internet e a outros usuários”
(2006, p.24.). A autora caracteriza esse espaço com as palavras: lugar, espaço e mobilidade. Santaella (2010)
chama de “espaços intersticiais”. Mistura inextricáveis entre os espaços físicos e o ciberespaço, possibilitada pelas
mídias móveis. (2010, p.99). Ou seja, são espaços sem delimitação específica.
A tecnologia móvel fez com que conceitos como espaço, tempo, lugar e mobilidade, que estavam bem definidos passassem a ser repensados. Porque estes conceitos ganham novos valores que não são possíveis serem
pensados em separados antes da existência dessa tecnologia.
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4.1 As interfaces dos aparelhos celulares
Como já foi dito anteriormente os aparelhos celulares têm como principal característica o hibridismo midiático, como também possibilitam uma interface anteriormente desconhecida, isto é, permite estar on ou off-line ao
mesmo tempo e em mobilidade. O que cria um espaço híbrido diferente, misturam-se o espaço físico ao virtual
sem o sujeito perceber.
Para algumas pessoas, ainda hoje, o ato de “entrar” na Internet é algo que está relacionado com determinadas atitudes, por exemplo, parar totalmente o que se está fazendo; depois sentar-se em frente a uma tela de um
computador; ligar o computador; e finalmente “entrar” na Internet. E ali navegar onde desejar, conectado com
o mundo virtual.
Para algumas pessoas, ainda hoje, o ato de “entrar” na Internet é algo que está relacionado com determinadas atitudes, por exemplo, parar totalmente o que se está fazendo; depois sentar-se em frente a uma tela de um
computador; ligar o computador; e finalmente “entrar” na Internet. E ali navegar onde desejar, conectado com
o mundo virtual.
Podemos afirmar que vários estudos já foram realizados sobre os usos dos celulares em diversos países, e
aparecem de forma unânime o uso acentuado na utilização da voz, SMS, compras, etc, mas o que aparece como
mola propulsora do consumo da telefonia celular, segundo Lemos (2004) é a necessidade de mobilidade e de
contato permanente, são características primárias para o homem se manter em qualquer sociedade.
5. A Tecnologia Móvel
A tecnologia móvel, principalmente o celular, pode ser considerada uma espécie de lugar onde podemos ser
encontrados a qualquer momento se o desejarmos. Pois a primeira coisa que se pergunta quando se faz uma
chamada “onde você está”. É um novo sistema de comunicação que estamos vivenciando nos dias atuais. Segundo Castells:
O que caracteriza o novo sistema de comunicação, baseado na integração em rede
digitalizada de múltiplos modos de comunicação, é sua capacidade de inclusão e abrangência de todas as experiências culturais. Em razão de sua existência, todas as espécies de
mensagens do novo tipo de sociedade funcionam em um modo binário: presença/ausência
no sistema multimídia de comunicação. Só a presença nesse sistema integrado permite a
comunicabilidade e a socialização da mensagem. (2005, p. 460/461).
As tecnologias móveis, principalmente os aparelhos celulares, hoje, estão por toda parte em nossa sociedade.
Uma pesquisa realizada pelo IBGE 2010 revelou que mais de um terço dos brasileiros utilizam o telefone celular
de modo exclusivo, dispensando até o uso da telefonia fixa.
Segundo dados do CGI (Comitê Gestor de Internet) a diferença entre a penetração do telefone móvel e do
telefone fixo é muito grande (78% e 40% no Total Brasil, respectivamente). O que significa dizer que os esforços
para a penetração dessa tecnologia na sociedade estão muito grandes.
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As campanhas publicitárias com objetivo de propagar novos aparelhos através das mídias de massa são
inúmeras e imensas. Elas querem atender a todos os tipos de públicos. Somos chamados o tempo todo para
conhecer esses novos equipamentos por meio de todas as mídias. A televisão, por sua vez, que é a mídia que
envolve mais receptores de uma vez só, convida de forma direta ou indireta a comprar um novo aparelho. Nas
páginas da Internet as propagandas estão em todas as partes. Os links para visualizar tais equipamentos são
diversos. As mensagens publicitárias se voltam para atender qualquer tipo de público. As empresas de telefonia
móvel querem oferecer cada vez mais vantagens para o consumidor.
Existe um direcionamento mercadológico enorme por parte tanto das operadoras de telefonia móvel como
dos fabricantes de aparelhos móveis para criar novos hábitos de consumo. O grande negócio do momento é
pulverizar e distribuir essa tecnologia para qualquer pessoa não importando classe social, sexo ou idade.
Diversos tipos de aplicativos são desenvolvidos, eles estão sendo utilizados para atividades simples como
calcular números, indo para coisas mais complexas como curso completo de idiomas. Por exemplo, a operadora
própria de telefonia móvel a Vivo no Brasil, acabou de lançar mais um curso de inglês para seus clientes, com um
custo de R$ 2,99 por semana, para quem quer iniciar a aprender inglês. O serviço conta com aulas em áudio e
exercícios escritos via SMS, e o usuário ligar para o portal e inicia suas aulas. O usuário é estimulado a falar e
pode gravar sua voz para ver como se saiu em seguida. A operadora disponibiliza hoje, oito cursos de inglês e
espanhol para seus clientes, que podem ser feitos através de portal de voz, SMS e Internet.
Outro exemplo de utilização de dispositivos móveis na educação, é a escola CCAA (escola de idiomas) que
está disponibilizando, por meio de seu site, informações para seus alunos baixarem o material didático “gratuitamente” disponível para tablets (iPAD ou Android).
Os celulares são encontrados em todos os países, dos mais pobres aos mais ricos. Foi o equipamento de
comunicação e de informação que obteve a maior aceitação e penetração nas sociedades. Redes de telefonia
fixa hoje estão perdendo mercado enquanto a telefonia móvel está em plena expansão.
Segundo dados da CETIC.br (Centro de Estudos sobre Tecnologias de Informação e da Comunicação) em
novembro de 2011 / janeiro de 2012 o uso do celular no Brasil é algo bastante representativo sendo que 76%
das pessoas possuem celular e somente 24% não possui. Número esse que vem crescendo gradativamente ano
a ano. O celular tem se tornado um equipamento indispensável para o cidadão brasileiro, as pessoas não saem
de casa sem levar esse pequeno aparelho consigo.
Em termos de números estatísticos, no Brasil, ainda existe uma diferença significativa em virtude da região
urbana ou rural, conforme dados apresentados pela CETIC.br, na região urbana 80% das pessoas possuem
celular e somente 20% não possuem, sendo que na região rural 55% possuem e 45% não. O que está relacionado com instalação de antenas transmissoras. Essa tecnologia está proporcionando a realização de uma série
de atividades via celulares.
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5.1 Atividades realizadas via celular
As estatísticas mostram as atividades realizadas com o uso deste aparelho:
- receber e fazer chamadas ainda é a atividade mais utilizada fica 99% do total, (urbana 99% e rural 98%).
- depois para o envio de SMS com 57% (urbana 59% e rural 40%),
- passando para o acesso de música com 31% (urbana 33% e rural 18%),
- indo para envio e recebimento de fotos e imagens com 23% (urbana 25% e rural 14%), - acesso a vídeos
21% (urbana 22% e rural 12%),
- acesso a internet ficou com 17% (urbana 19% e rural 8%)
- e por último foi para consultas de mapas 8% (urbana 8% e rural 3%).
Todos esses dados apresentados são de fato algo para ser analisados e estudados, tendo em vista que esses
aparelhos estão trazendo novos comportamentos e introduzindo novos hábitos culturais.
Fazer uma chamada telefônica não se concentra mais somente via voz, ela foi ampliada na linguagem escrita
através de SMS ou linguagem visual por meio de fotos e imagem, o que acaba incluindo muito mais pessoas
nesse mundo comunicacional. Ou seja, a partir dessa tecnologia pessoas com deficiências auditivas ou visuais
também passam a se comunicar.
Em termos de comportamento, é normal ver uma pessoa pegar o celular por várias vezes só para verificar
se não recebeu uma mensagem ou se deixou de atender uma chamada que não ouviu, mesmo que o aparelho
esteja muito próximo dela. Ou interromper uma conversa para atender ao celular.
Parece até que a comunicação móvel cria certa esquizofrenia da “conexão constante”. As pessoas principalmente as mais jovens ficam conectadas com seus aparelhos de celulares durante 24 horas por dia, pois isso lhes
dá elas uma sensação de estar ligada em seu mundo, em sua rede social constantemente. E em certa medida
não fazem diferença entre estar online ou off line.
Esse consumo foi chamado por Lawrence e Phillips de produtos culturais e definido pelos autores como “produtos culturais são bens e serviços valorizados por seu significado”. (p.4).
São produtos que são consumidos não pelo fato de resolver algum problema existente, mas pelo fato da interpretação que a sociedade ou o meio em que se vive faz. São produtos consumidos simbolicamente, é o valor
do simbólico que importa. São produtos diferentes dos consumidos de indústrias tradicionais que são consumidos
pelo seu valor material e para resolver um determinado problema prático.
Hoje em dia até crianças muito pequenas possuem celulares, segundo dados CETIC.br em novembro de
2011 / janeiro de 2012, 59% de crianças na faixa etária entre 10 a 15 possuem celulares contra 41% que não
possuem. O que nos mostra que pais procuram inserir seus filhos muito cedo nesse mundo digital e em mobilidade. E qual é o papel do professor e do aluno, uma vez que estes novos meios apresentam um novo panorama
de comunicação? Como utilizar isto em favor do aprendizado.
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5.2 O mundo digital e em mobilidade
Os dispositivos móveis em sua maioria possibilitam ao indivíduo estar on ou offline e em movimento o que
muda toda uma forma de comportamento, como também não é difícil ver pela televisão ou pela internet uma reportagem que foi feita por um cidadão comum, pois eles estão equipados com câmaras conectadas que podem
relatam fatos antes mesmo dos profissionais, tudo isso em mobilidade.
A Mobilidade
Segundo Santaella (2010, p. 109) mobilidade pode ser definida de várias formas dependendo da área que
a esteja conceituando. A palavra mobilidade contém o sema de movimento, o que compreende a ideia de um
ato de deslocamento que permite que objetos, pessoas, ideia, coisas, possam trafegar através de localidades.
Na perspectiva da geografia, mobilidade pode ser entendida como “a habilidade de mover-se entre diferentes
lugares de atividades”. Nesta área as definições têm um significado mais físico, enquanto que os sociólogos
apresentam mais o caráter social da mobilidade e as condições de possibilidade que se apresentam, ou seja,
propensão a ser móvel varia de intensidade de indivíduo para indivíduo.
Para a autora há também a questão da mobilidade de curto e de longo alcance. De longo alcance aparecem os aviões e os carros, de longa distância no espaço e de longa duração no tempo. No turismo, ou em caso
de mudanças de residência, migrações ou imigrações também aparecem o conceito de mobilidade. Só que
neste caso o conceito está associado à transgressão de fronteira, pelo menos do ponto de vista convencional.
Entretanto, o conceito de mobilidade passa a ter outras conotações no mundo pós-moderno, pois o indivíduo é
constantemente desafiado à permanente em mobilidade.
Segundo Kellerman (apud Santaella 2010, p. 110) “a dimensão mais notável da mobilidade encontra-se na
expansão espacial do eu pela transmissão e recepção de informação que tem produzido mobilidades virtuais”.
Apesar de que, segundo Kellerman tudo isso começou com o telefone, se acentua mais expressivamente com os
meios de comunicação de massa: jornal, cinema, rádio e especial com a televisão que promovem o transporte
da mente. Porém, com o advento da internet e com os dispositivos móveis a mobilidade virtual não só se potencializa ou se diversifica como também obtêm novos significados: a informação, o saber, o conhecimento, a
habilidade humana em criar identidades abstratas, pois tudo isso passa eletronicamente
Considerações finais A tecnologia móvel está crescendo e tornando-se uma ferramenta de muita importância para o desenvolvimento pessoal e profissional para os indivíduos e para as organizações. Dispositivos com acesso a internet e comunicação em tempo real estão se convertendo em acessórios vitais em nossas vidas, como pudemos constatar
por meio neste pequeno ensaio.
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A comunicação via dispositivos móveis está se convertendo em recurso intensivo em todos os níveis da população mundial, segundo os dados da CETIC.br 76% das pessoas no Brasil possuem celular, mais de 50% da
população mundial possui um aparelho celular, empresas de telecomunicação, universidades e outras entidades
estão empenhadas em pesquisar e analisar os efeitos que esses dispositivos podem proporcionar para a sociedade como um todo.
E para finalizar, essa tecnologia está transformando conceitos tais como espaço e tempo, como também elimina fronteiras, encurta distâncias, mistura espaços virtuais e físicos, sem contar que ela convida o indivíduo a
conexão constante, a ubiquidade e a onipresença.
Entretanto, continua sendo somente tecnologia, se não houver um direcionamento pedagógico nas escolas
de nada adianta, os alunos de forma geral continuarão se distraindo. Assim como se os professores não se especializarem e se atualizarem não irá acompanhar o desenvolvimento tecnológico e permanecerão a imposições
por parte das entidades públicas como por exemplo, as proibições de utilização dos celulares em sala de aula.
Bibliografia
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Disponível
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