QUANDO ENUNCIADOS DE PROBLEMAS NÃO PASSAM DE MEROS EXERCÍCIOS Roberto José Medeiros Junior [email protected] Ettiène Guérios [email protected] RESUMO Este trabalho revela quando enunciados de problemas de Matemática deixam de se apresentar como “problema” e passam a figurar como exercícios de reprodução de algoritmos pré-estruturados. Trata-se, em síntese, de investigar por meio de entrevistas semi-estruturadas a definição defendida por esses autores sobre o que são problemas e o que são exercícios. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: documento escrito, em que alunos de 5ª e 6ª série resolveram problemas organizados pelos autores; entrevista semi-estruturada com os professores dos alunos e com alguns alunos, os quais foram selecionados em função das resoluções que apresentaram ao que chamamos, no presente artigo, de problemas e exercícios. Levamos em conta as reflexões, no que tange a prática pedagógica, a ação didática, a didática prática e a ênfase nos procedimentos heurísticos na Resolução de Problemas. Os teóricos que fundamentam o campo da atividade heurística da Resolução de Problemas são George Polya, Alan Schoenfeld, Eduard Silver e Frank Lester Jr. Concluímos que somente a boa vontade do professor e um bom livro didático não são suficientes para a criação do que entendemos ser problema em Matemática, e que questões como definir a didática na Resolução de Problemas, em especial, são imprescindíveis não só para a excelência da didática do professor, mas, também, para o desenvolvimento de procedimentos heurísticos por parte do aluno. Palavras-chave: Resolução de Problemas; Ação Didática; Educação Matemática. 154 INTRODUÇÃO Em Educação Matemática a Resolução de Problemas1 está definida não mais como apenas uma tendência na área, e sim como frente de pesquisa em diversos eixos relacionados à Didática, Formação de Professores e Investigação Matemática. Interessou-nos aprofundar os estudos em Resolução de Problemas, enquanto modo didático, onde professores e alunos resolvem problemas de matemática, compreendendo, a priori, diferenças entre problemas e exercícios, relacionando o estilo do enunciado com a expectativa do professor e do aluno em responder ao problema. Sendo assim, apontamos, para a definição do que são problemas e de problemas, que não passam de meros exercícios no âmbito da pesquisa realizada no ano de 2007 para conclusão da dissertação de mestrado em Educação, linha de pesquisa Educação Matemática, da Universidade Federal do Paraná. Inicialmente, buscou-se a significação apontada por Medeiros (2007) em relação a problema e exercício, relacionando-a à resolução de problemas e exercícios aplicados na dissertação de mestrado Resolução de Problemas e Ação Didática em Matemática no Ensino Fundamental (2007). Estenderam-se às definições de problema a questão dos enunciados longos e curtos (MEDEIROS, 2007). Nesse percurso metodológico, identificaram-se diferentes definições sobre o que é problema e o que é exercício, buscando compreender as convergências e as divergências aparentes nessas definições. O material empírico2 foi obtido aplicando-se documento escrito, em que alunos de 5ª e 6ª série resolveram problemas3 organizados pelo pesquisador; e entrevista semi1 Optamos por escrever “Resolução de Problemas” com as iniciais em maiúsculas quando estivermos nos referindo aos seus aspectos teóricos e utilizaremos “resolução de problemas” em minúsculas para referenciar o ato de resolver problemas em matemática. 2 Os procedimentos técnicos para a produção do material empírico foram os seguintes: 1. O pesquisador elabora uma lista de problemas e exercícios para servir à pesquisa, observando o planejamento desenvolvido pelo(a) professor(a) para a série em questão. 2. Em seguida, o professor (a) aplica a lista com os problemas e exercícios aos seus alunos de 5ª e 6ª série. 3. A professora retorna ao pesquisador os problemas e exercícios organizados, por uma análise prévia, qualitativa, dos modos de resolução dos problemas e exercícios apresentados pelos seus alunos. 4. Em horários previamente marcados, pesquisador e professor(a) discutiram as resoluções dos alunos apresentadas pelos professores sob o ponto de vista das interpretações feitas por estes. 5. O(A) Professor(a) separa das demais resoluções os alunos que lhe chamaram a atenção, para futura entrevista. O pesquisador pede que o professor esclareça o porquê da escolha. 6. Professor(a) e pesquisador entrevistam os alunos selecionados. 7. O pesquisador entrevista o(a) professor(a) com o intuito de verificar se as questões iniciais apontadas por ele(a) foram contempladas nas entrevistas. 155 estruturada com os professores dos alunos e com alguns alunos, os quais foram selecionados em função das resoluções que apresentaram aos problemas propostos. Estes instrumentos geraram documentos escritos que foram analisados qualitativamente, retirando trechos que são analisados mais a frente. Tendo em vista que se buscava articular as relações didáticas entre professor-alunoconhecimento matemático, optamos por estudar a Resolução de Problemas sob a ótica de ensinar Matemática através da Resolução de Problemas (ONUCHIC, 2004), com o foco na atividade heurística4 da resolução de problemas (MEDEIROS, 2007). Aqui, cabe ressaltar que a receptividade dos problemas e exercícios propostos foi uma manifestação que interferiu na localização contextual do problema e na consequente elaboração das estratégias de resolução pelos alunos, o que definimos com procedimento heurístico do aluno ao se deparar com um problema ou exercício. Algo como “gostar do problema” é fator determinante na escolha da estratégia (dos procedimentos) de resolução dele. O fato de os alunos tenderem a resolver os problemas tal e qual seu professor o apresenta também foi observado. Tal atitude, por vezes inconsciente, pelo professor, pode mascarar o potencial criativo dos alunos e os procedimentos heurísticos que são necessários à resolução dos problemas. O que afirmamos é que quando o professor resolve problemas, anunciados por ele como problemas, modifica a estratégia de resolução dos alunos. A ação didática determina de imediato qual é a estratégia de resolução, um problema demanda maior “interpretação do texto”, enquanto que exercícios requerem aplicação direta de um algoritmo, artifício, modelo apresentado pelo professor na aula. A seguir nos propusemos a desmitificar alguns pressupostos usuais sobre a questão dos enunciados dos problemas e de exercícios em aulas de Matemática. 3 Apresentamos aos alunos problemas com enunciados curtos e longos (aqui entendidos como situações matemáticas que, a priori, fariam com que os alunos tivessem que descobrir uma estratégia coerente com a pergunta do problema) e exercícios (apresentados como algoritmos do tipo arme e efetue), observando o planejamento desenvolvido pela professora para a série em questão. 4 O vocábulo heurístico deriva do grego heuritiko e significa que serve para descobrir. Esse método é também chamado método da redescoberta, método interrogatório ou método socrático. Seus precursores são: Pappus, de Alexandria, e Arquimedes, de Siracusa. A extensão “atividade heurística” está relacionada à ação de resolver problemas por meio de descobertas, como afirma Puchkin, 1969: “A fim de descobrir uma saída para a situação, deve o homem criar uma nova estratégia de ação, isto é, concretizar um ato de criação. (...) ao auxiliar sua solução elabora uma nova estratégia que se mostra como algo inédito é designado como pensamento criador ou, para usarmos terminologia que nos vem de Arquimedes, atividade heurística.” (PUCHKIN, 1969, apud MEDEIROS, 2007, pág. 40) 156 Não obstante, observa-se que autores5 renomados de livros de Ensino Médio, por fazerem análise de livros de matemática para o Ensino Médio (IMPA/SBM, 2001), citam, a respeito da coleção Matemática 2º grau – volume 1 (Giovanni e Bonjorno), que a primeira unidade, que trata da revisão de conjuntos, está dividida conforme segue: “Parte A (Cálculo Numérico) e, principalmente, a Parte B (Cálculo Algébrico) consistem num festival de carroções, de utilidade apenas para manipulação. Dos 90 exercícios de revisão, apenas 14 (parte C: números de 57 a 66 e parte D: números 84, 85, 89 e 90) são problemas.” (IMPA/SBM, 2001, p. 166, grifo nosso) Basta uma rápida consulta ao volume examinado para notar que para os professores analistas, José Paulo Q. Carneiro e Augusto César Morgado, problema é toda situação que se configura com enunciado (curto ou longo) onde se faz necessária a interpretação desse enunciado para a resolução do problema. Aqueles que não têm enunciados com várias linhas (texto) e são do tipo: resolva, demonstre, prove, calcule, verifique, são, então, exercícios, úteis “apenas para manipulação”. Os mesmos autores classificam as atividades de revisão, de matemática “básica” (básica para quem? Para o professor ou para os alunos?), presentes em muitos dos livros didáticos do Ensino Médio (que de alguma maneira referem-se a conteúdos das séries finais do Ensino Fundamental), como sendo “aquecimento” para os conteúdos a serem destrinchados nos demais capítulos dos livros de Ensino Médio analisados. Acredita-se poder identificar no enunciado de uma atividade proposta (atividade esta que advém de um livro didático adotado ou de um vestibular) pelo professor a intenção de ser identificada como problema ou exercício. A afirmação anterior e o problema da pesquisa deram margem a algumas questões norteadoras do presente artigo: O que é problema? O que é exercício? Qual o papel dos enunciados nos problemas e exercícios? Nos problemas e exercícios: enunciados longos ou curtos? Qual a importância das descobertas que os alunos e professores fazem quando resolvem problemas em Matemática? Diante dessas questões, delimitamos o âmbito da pesquisa no campo das relações didáticas, pois entendemos que, antes do estudo da Resolução de Problemas em aulas de 5 Carvalho, Morgado, Lima, Pitombera (IMPA, 2001) disponível em: www.impa/ensinomedio/analisedetextos.com.br 157 Matemática, existe uma boa intenção do professor ao elaborar problemas e exercícios, pretendendo que os alunos os resolvam do modo que foram apresentados ou se disponham a apresentar na resolução um bom senso lógico e solução válida. Em linguagem ordinária, resolução de problemas está para solução de problemas, porém, ao analisar o aspecto linguístico da resolução, percebe-se que, por exemplo, na Filosofia (ABBAGNANO, 2007) a resolução está para regressão, ou seja, ao resolver um problema em Matemática concebe-se que a solução do problema já é conhecida por alguém, no caso o professor, que já é detentor da solução do problema proposto. Ao propor o problema a intenção do professor é a de promover em seus alunos a regressão do problema, buscando novas estratégias para a chegada da solução por ele anteriormente encontrada. Note que, neste aspecto, a resolução de problemas perde o potencial heurístico quando o professor oferece a sua solução como pronta e induz seus alunos a encontrá-la ipis isliteres. Nesse âmbito, provavelmente por estarem em um ambiente propício à aprendizagem, destacam-se as relações didáticas estabelecidas entre o aluno, o professor e o conhecimento matemático. Nesse ponto, focamos a Resolução de Problemas na ação didática do professor, que, como veremos mais adiante, é manifestada pelo professor quando elabora e apresenta aos seus alunos enunciados de problemas e exercícios, quando seus alunos estabelecem a resolução (regressão) do problema e os procedimentos heurísticos na solução dos problemas e exercícios. O QUE PENSAM OS QUE PENSAM RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS E EXERCÍCIOS Muitos autores apresentam definições de problemas em Matemática. Os estudos comtemplam desde uma “prática tipologia” de problemas (Dante, 2000) até os estudos de metacognição presentes nos trabalhos de Alan Schoenfeld (2001), Juan Pozo (1998) e Frank Lester (1988). Randall Charles & Frank Lester (1982) definem que “um problema é uma tarefa para a qual”: 1. o indivíduo, que com ela se confronta, quer e precisa encontrar uma solução; 158 2. o indivíduo não tem procedimento prontamente disponível para achar a solução; 3. o indivíduo deve fazer uma tentativa para encontrar a solução. Analisando cada ponto, percebemos que não há necessidade de resolver um problema se este não causa no indivíduo algum tipo de provocação. Dentre os apontamentos dos diferentes autores que versam sobre a Resolução de Problemas, ressalta-se o que Saviani afirma: “a essência do problema é a necessidade, uma questão em si não caracteriza um problema, nem mesmo aquele cuja resposta é desconhecida, mas uma questão cuja resposta se desconhece e se necessita conhecer. Eis aí um problema” (SAVIANI, 2002, p. 14.) Ou seja, em uma perspectiva filosófica, um problema só é problema quando se deseja encontrar uma solução. Mais ainda: um bom problema necessita estar em um contexto (seja ele social, matemático ou utilitário); o importante é que o aluno deve estar situado nesse contexto, não como mero receptor, mas como personagem da ação didática. A linha teórica aqui adotada é a indicada enquanto atividade permanente do Laboratório de Ensino e Aprendizagem de Matemática e Ciências Físicas e Biológicas da Universidade Federal do Paraná, Departamento de Teoria e Prática do Ensino (DTPEN), pelas professoras Ettiène Guérios e Tânia Zimer (1999), que servem de aporte teórico primário para definirmos problema e exercício em Medeiros (2007). Problema é problema se: “... envolve uma situação com enunciado longo, além de o resolvedor necessariamente haver de identificar as situações matemáticas que resolvem a situação apresentada. Outra aproximação cabe também em situações com enunciados curtos, de poucas linhas, mas que necessariamente provoque o resolvedor a identificar as situações matemáticas que as resolva.” (MEDEIROS, 2007, p. 34.) Nesse contexto, apontamos que os problemas que favorecem os processos heurísticos (das descobertas pelos próprios meios, sem a inferência contínua do professor) contribuem para uma melhora do potencial criativo dos alunos, além disso, podem proporcionar a aprendizagem mais significativa de conceitos, algoritmos e determinados formalismos em Matemática. Exercícios podem se tornar problemas, a recíproca é verdadeira. Do mesmo modo que concebemos a existência de um tipo de problema que é exercício, como frequentemente aparecem nos livros didáticos. Segundo Medeiros (2007): 159 “Problemas não são chamados de ‘problemas’ se o resolvedor não necessita identificar situações matemáticas, ou seja, se ele pode resolver o “problema” utilizando um simples modelo de resolução de outro já resolvido. Tais problemas não passam de meros exercícios, já que podem ser numerosos, não necessitam da interpretação do enunciado e envolvem um único conteúdo e uma única metodologia. Esses proliferam em muitos livros didáticos.” (MEDEIROS, 2007, p. 34.) Tal definição reforça a ideia de que problema tem enunciado e que necessariamente provoca no resolvedor a necessidade de identificar que situações matemáticas, que estratégias são adequadas à solução do problema. Essa definição está presente também em Vila e Callejo (2006) quando definem problema: “Reservaremos, pois, o termo problema para designar uma situação, proposta com finalidade educativa, que propõe uma questão matemática cujo método de solução não é imediatamente acessível ao aluno/resolvedor ou ao grupo de alunos que tenta resolvê-la, porque não dispõe de um algoritmo que relaciona os dados e a incógnita ou de um processo que identifique automaticamente os dados com a conclusão e, portanto, deverá buscar, investigar, estabelecer relações e envolver suas emoções para enfrentar uma situação nova”. (VILA & CALLEJO, 2006, p. 29.) Corroboramos com Pozo (1998), pois entende que ensinar os alunos a resolver problemas é: “dotá-los da capacidade de aprender a aprender no sentido de habituá-los a encontrar por si mesmos respostas às perguntas que os inquietam ou que precisam responder, ao invés de esperar uma resposta já elaborada por outros e transmitida pelo livro-texto ou pelo professor (...)” (POZO, 1998, p. 14.) Pozo remete a um importante pesquisador em Resolução de Problemas: George Polya. As contribuições teóricas de Polya estão além da mera repetição ou rótulo. O aspecto reducionista que por vezes é atribuído à sua produção teórica, limita-a a quatro passos do seu trabalho A Arte de Resolver Problemas. Polya afirmava que fazer matemática é resolver problemas, e isso só faz sentido se fizermos descobertas. Para Polya (1995): “Uma grande descoberta resolve um grande problema, mas há sempre uma pitada de descoberta na resolução de qualquer problema. O problema pode ser modesto, mas se ele desafiar a curiosidade e puser em jogo as faculdades inventivas, quem o resolver, por seus próprios meios, experimentará a tensão e gozará o triunfo da descoberta.” (POLYA, 1995, p. 20.) 160 A ênfase dada por Polya às descobertas nos interessou, demasiadamente, tanto que, ao aprofundar a pesquisa no campo teórico, foi fundamental um estudo minucioso do que Polya já apontava como sendo Heuristic Strategies ou até mesmo “Heurística Moderna6”, o que entendemos como sendo procedimentos heurísticos necessários à Resolução de Problemas. De acordo com as definições feitas em relação à atividade heurística, justifica-se a possível inserção desta relacionada à Resolução de Problemas e às contribuições favoráveis para o ensino da Matemática e da Didática, pois, como salienta Polya (1945): “A Heurística moderna esforça-se por compreender o processo de resolução de problemas, especialmente as operações mentais, tipicamente úteis nesse processo. (...) deve levar em conta tanto as suas bases lógicas quanto as psicológicas, não deveria negligenciar aquilo que autores antigos como Pappus, Descartes, Leibnitz e Bolzano disseram sobre o assunto, (...). O estudo da heurística tem objetivos “práticos”: uma melhor compreensão das operações mentais tipicamente úteis na resolução de problemas poderia exercer uma influência benéfica sobre o ensino, especialmente sobre o ensino da Matemática. (POLYA, 1945, pp. 129-130.) Tomando por base os estudos de Polya, Alan Schoenfeld focou suas pesquisas na meta-cognição presente na resolução de problemas. Para Schoenfeld (1991), os problemas são “ponto de partida das discussões matemáticas”, assim o pensar matematicamente problemas teria alto nível cognitivo e as rotinas algorítmicas baixo nível cognitivo. Schoenfeld (1992) caracteriza “problema” como ferramenta para pensar matematicamente. Ambos concebem a Matemática não como uma disciplina formal, mas enfatizam a sua dependência com a intuição, a imaginação e a descoberta. Dessa maneira, no plano meta-cognitivo, muitas vezes se erra e tem-se que descobrir outras saídas, o que acaba contribuindo para melhorar nossa capacidade de imaginar soluções: “O resultado do trabalho criativo do matemático é o raciocínio demonstrativo, a prova, mas a prova é descoberta por raciocínio plausível, pela imaginação” (POLYA, apud SCHOENFELD, 1992, p. 341.) A definição de problema também passa pela concepção e pela crença que o professor traz em sua formação, sobre, por exemplo, o que é Resolução de Problemas. Garnica (2008) resgata que: 6 Polya, em seus trabalhos, apresentou problemas matemáticos de forma intuitiva, fazendo uso da Arte (técnica) com que os conceitos matemáticos eram formados, sendo responsável por organizar didaticamente os princípios da Heurística. Para isso, elaborou um pequeno dicionário de Heurística, presente na parte três do livro How to Solve It (traduzido para o português como A Arte de Resolver Problemas). 161 “De um modo geral, a abordagem a esse tema sofre de um malfadado círculo vicioso: identificar ou promover mudanças nas concepções implica detectarmos, a priori, as concepções anteriores à mudança. Há, nessa afirmação, inúmeros pontos de fuga, mas ressaltamos, dentre eles, um elemento a ser considerado: são as concepções estáveis de modo a se deixarem identificar tão facilmente e tão mansamente serem sujeitáveis a alterações?” (GARNICA, 2008, p. 5) E os exercícios? Lexicamente a palavra exercício está definida como sendo: atividade de treino, preparação de uma atividade para um desporto. Cabe aqui explorar o potencial dos exercícios como prelúdio de uma ação mais ampliada, que seria a enunciação de problemas conforme concebemos no presente artigo. Ou ainda, conexão lógica, linearidade e, em alguns casos, possibilidade de compartimentalizar a aula, torná-la mais prática. “Que atire a primeira pedra” aquele professor que nunca ouviu seus alunos questionarem: “Professor, entendi esse exercício, mas para que serve isso?”. Segundo Vianna (2002), apresentar ideias matemáticas com significado é uma maneira de responder à pergunta: “Para que serve isso?”. Na verdade, com as novas ideias sendo apresentadas “em ação”, dificilmente ocorrerá aos alunos essa pergunta; ou seja, os problemas já são uma situação de “aplicação” do conteúdo matemático e mostram, de forma a não deixar dúvidas, “para que ele serve”. (VIANNA, 2002 apud MEDEIROS, 2007, p. 35.) Para Vianna (2002) “É problema tudo o que, de uma maneira ou de outra, implica da parte do aluno a construção de uma resposta ou de uma ação que produza certo efeito. A noção de problema não tem sentido se o aluno não puder aplicar um sistema de respostas inteiramente constituído”. (VIANNA, 2002, apud MEDEIROS, 2007, p. 37.) Desse modo, exercícios são exercícios se: “Problemas não são chamados de “problemas” se o resolvedor não necessita identificar situações matemáticas, ou seja, se ele pode resolver o “problema” utilizando um simples modelo de resolução de outro já resolvido. Tais problemas não passam de meros exercícios, já que podem ser numerosos, não necessitam da interpretação do enunciado e envolvem um único conteúdo e uma única metodologia.” (MEDEIROS, 2007, p. 34.) Para fazer exercícios e resolver seus problemas de saúde, há de ser autodidata da Educação Física ou, no caso daqueles mais “descolados”, contratar um personal training, que é um profissional habilitado e estabelece um treinamento intenso e condicionado, que deve ser realizado com acompanhamento do técnico na promoção de exercícios e benefícios dessa prática. 162 Senão, pode-se estabelecer uma “dose” de adrenalina esporádica, sem aquecimento, estabelecendo exercícios a revelia, correndo o risco de uma contusão, dores em diversas partes do corpo e consequente efeito inverso àquele desejado na prática de promover exercícios. Cabe didática em estabelecer uma rotina de exercícios para os interessados em praticar esportes? E aqueles interessados em exercitar matemática? Quem é o personal training da resolução de exercícios em Matemática? Caberia ao professor de Matemática se especializar em didática de resolução de exercícios? Neste artigo optamos por estudar o efeito didático que se tem ao resolver exercícios e problemas com alunos de 5ª e 6ª série, além do ponto de vista teórico que, por vezes, nos fez perguntar se era esse realmente o caminho para tentar explicitar os tipos de relações didáticas entre alunos e professores quando resolvem problemas e exercícios. A didática por vezes é atribuída somente ao professor, por muitos rotulado como aquele que tem uma boa didática, razoável didática ou que não tem didática. No magistério é ele quem planeja, elenca os conteúdos a serem ministrados, dirige, elabora os enunciados e supervisiona a atuação dos seus alunos na resolução dos problemas. Não seria, portanto, necessária à formação docente (inicial ou continuada) a disciplina de Didática dos Procedimentos Heurísticos na Resolução de Problemas? Quando organizamos as falas dos alunos e professores entrevistados em trechos retirados dos protocolos de Medeiros (2007), percebemos que o aluno não só diz como resolveu o problema; ele mostra os porquês de cada estratégia, se organiza didaticamente, transparece os procedimentos heurísticos na resolução dos problemas. Para nós o aluno tem didática própria e deve participar da elaboração dos enunciados dos problemas. É competência do professor promover esse envolvimento e potencializar o movimento didático da Resolução de Problemas. Entendemos que desconsiderar a participação do aluno como personagem principal da ação didática, ou mesmo anular a diversidade de soluções que ele apresenta quando está frente a um problema, pode ocasionar uma série de distorções dos resultados esperados na resolução de problemas. Afinal, enunciados de problemas (longos em especial) trazem consigo uma série de crenças e, porque não, de concepções a cerca da necessidade de resolvê-lo. O professor deseja que seus alunos resolvam o seu problema, com aquele enunciado criado por ele; a questão é satisfazer a necessidade do professor de verificação 163 de algum conhecimento matemático imediato. Ou seja, trata-se de um exercício de paciência, por parte do professor, em esperar que seus alunos o resolvam, e de submissão dos alunos, em responder à pergunta final do problema, resposta essa que dependerá da aprovação do professor, detentor da resposta correta, conhecida a priori. O problema é (não o exercício de) analisar os enunciados (textos) de problemas e exercícios e as expectativas criadas pelos professores e alunos quando são questionados sobre tais expectativas e estratégias de resolução. A didática tem a marca de análise das relações na ação docente (elaboração dos enunciados dos problemas e exercícios), pela atividade discente (resolução dos problemas e exercícios), partindo do pressuposto que existe distinção entre problema e exercício por parte do professor. Não estamos preocupados com a contextualização e o cotidiano dos enunciados dos problemas e exercícios, mesmo porque, a medida que fomos aprofundando as análises dos protocolos de Medeiros (2007), percebemos que mesmo os enunciados que continham o “desenho” de contextualização foram ignorados pelos alunos ao resolverem, pois, responderam os problemas como se fosse uma espécie de “caça-palavras” daquilo que serve para estabelecer um algoritmo que resolvesse o problema. Para esse artigo focamos o movimento do conhecimento matemático que o aluno tem a priori ao resolver exercícios e problemas e o efeito didático produzido quando os personagens da ação manifestam suas intenções, imperceptíveis se olhássemos apenas as resoluções escritas dos problemas e exercícios. Justificamos, portanto, como pano de fundo, fundamentar nosso artigo no campo da Didática por tratar-se de um processo metodológico pautado em uma concepção de conhecimento que tem a prática docente como elemento norteador, fazendo a mediação entre a o modo como o aluno faz o problema, o modo pelo qual pensa o problema e o pensamento decorrente dessa ação didático-prática. TRANSCRIÇÕES E TEXTUALIZAÇÃO Alguns achados são apontados a seguir como modo de fundamentar nossa definição de problema e de exercício para o presente artigo. Trata-se de um relato breve de alguns trechos da pesquisa, pois é decorrência de tudo que até aqui já foi citado: a necessidade de 164 bem definir e localizar a definição de problema e de exercício amarrada às falas dos alunos e professores, personagens da ação didática descrita. Tendo em vista que a pesquisa é uma atividade sempre em processo de descoberta, caberiam outras aflições, outras constatações. Ainda assim, entendemos que o presente artigo ajuda a desmitificar o que se “concebe” como problemas, exercícios e seus respectivos enunciados. Podemos dar às nossas definições de exercícios e de problema aguças parciais, sempre sujeitos ao aceite de “novas concepções”, a outras, novas inserções e as mais diversas interpretações. Parece-nos adequado que, ao apresentar um artigo que afirma categoricamente o que são exercícios e problemas, tendo como base uma pesquisa feita em sala de aula (MEDEIROS, 2007), com professores de Matemática de sala de aula, o leitor questione: então aqui encontro a definição do que é problema (ou exercício) em aulas de Matemática? Não, não é isso! E é justamente a isso, a essa necessidade de encontrar em textos a resposta, a definição tida como “a mais correta”, que pretendemos responder com um não! Convidamos o leitor a construir uma definição sua, que satisfaça às suas concepções após a leitura das transcrições que seguem. Ao apresentar nossas definições resgatemos que aceitar, única e exclusivamente, tais definições como tipologia de problemas não é nossa intenção. Concepções e crenças estão vinculadas às práticas daqueles que as manifestam, são nossas as concepções e crenças que emergiram de todo o emaranhado de falas coletadas durante a pesquisa, entretanto, fornecem elementos teóricos para o processo de reflexão da prática docente e da ação didática estabelecida. Estabelecemos um diálogo entre os personagens que consideramos personagens da ação didática, caricaturizados com a presença de três professores (e porque não pesquisadores) que instigam seus alunos sobre o porquê, o como resolveram problemas e exercícios e suas expectativas sobre a resolução de problemas e exercícios que lhes foram oferecidos como atividades de Matemática. A metodologia foi fazer inferências a cada trecho (achado, recortado por esses pesquisadores da textualização das entrevistas semi-estruturadas) levantando, entre outras questões, se a atividade discutida entre os personagens (aluno e professores) é um problema ou é um exercício, e principalmente o no nosso entendimento, se é exercício e se é problema cada recorte da pesquisa (MEDEIROS, 2007) 165 Usaremos as letras “P”, “PP” e “A” para personificar os professores; “D1” para aluno da 5ª série; “D2” para aluno da 6ª série; “J1” para aluna da 5ª série; “J2” para aluno da 6ª série; “L” para aluno da 5ª Série; “S” para aluno da 6ª Série; “R” para aluno da 6ª B; e “P1” para aluna da 6ª B. (...) A – “E a atividade 1, por que deixou em branco?” D1 – “O enunciado era muito grande. Aí resolvi os menores primeiro.” P – “Qual foi a atividade que você mais gostou de resolver?” D1 – “Aquela das continhas.” (atividade 3) P – “Por quê?” D1 – “Era a mais fácil.” (...) P – “L. Qual a atividade que você mais gostou?” L – “Ah, a de fazer continhas, gosto de fazer continhas...” (atividade 3) P – “Teve alguma atividade que você não gostou muito?” L – “A primeira, muita coisa para ler.” P – “Ok!” (...) A atividade 01 tinha o seguinte enunciado: “A direção do colégio quer participar com mais entusiasmo da 'Campanha da Fraternidade', promovida pela CNBB (Comissão Nacional dos Bispos do Brasil), cujo tema desse ano é a 'Fraternidade e pessoas com deficiência'. Para isso resolveu comprar uma máquina de escrita em Braile (tipo de escrita em relevo para cegos). O problema é que uma máquina nova é muito cara! Pagar à vista... Nem pensar, uma opção é comprar a prazo. A loja onde a direção do colégio pretende comprar a máquina calculou o preço a prazo com juros, o que fez o preço subir para R$ 2.466,00 em 12 prestações iguais. A escola recebe uma média de R$ 960,00 como recurso do Estado, só que o Colégio tem despesas fixas de aproximadamente R$ 800,00. Comprar o aparelho em 12 vezes é viável ou não para o colégio? Por quê? Se não for, o que a direção pode fazer para comprar a máquina?” Bem observado por D1 e L “o enunciado era muito grande”, “muita coisa para ler”. De fato nossa intenção era oferecer aos alunos um enunciado de várias linhas, definimos como problema de enunciado longo. Além disso, estabelecemos como critério de escolha 166 do texto a contextualização com alguma notícia da mídia da época. A escolha foi a Campanha da Fraternidade (2007) e a compra de uma máquina de escrita em Braile. Eureka! O enunciado era longo, o “problema” era contextualizado, a pergunta dependia de uma interpretação do texto... Não, nada disso interferiu na solução apresentada pelos alunos. O fato de o enunciado ser longo promoveu um efeito inverso àquele pretendido nos moldes de um bom problema. Os alunos desconsideraram o enunciado e focaram a busca de palavras-chave que de alguma maneira lhes economizasse o tempo para a resolução e estabelecesse de imediato o algoritmo da solução do “problema”. Garimpou-se o enunciado na busca da solução, um exercício de “catação”, pois a pergunta final: “Se não for, o que a direção pode fazer para comprar a máquina?” ficou no esquecimento. Algo como respostas de problemas matemáticos só envolvem cálculos aritméticos e respostas numéricas. Já a atividade 03 tinha o seguinte enunciado: “Efetue da maneira que preferir: a) 32.452 ÷ 23 = b) 423 x 13 = c) 25 + 45 x 12 = d) 235 + 423 = e) 1.235 – 459 = f) 45 –20 ÷ 10 =” Exercícios assim, definidos a priori por nós como exercícios, por serem de aplicação direta de um algoritmo, que, de certo, é de conhecimento geral dos alunos de 5ª e 6ª série, é preferível por não ter enunciado longo e “ser a mais fácil” de resolver. Eureka! O exercício se transformou em problema. Problema mesmo foi os alunos estabelecerem na estratégia de resolução que na letra “c)”, “25 + 45 x 12”, a multiplicação é uma adição de parcela iguais, ou seja, poucos resolveram 12 x 45 = 45 + 45 + ... + 45, doze vezes (ou mesmo quarenta e cinco vezes o doze) para depois somar com 25. Nesse caso, o exercício virou problema e em uma tentativa de ser reformulado com o que entendemos ser problema ficaria: Li que para resolver expressões numéricas (por exemplo: 25 + 45 x 12, deve-se primeiro: resolver as multiplicações e divisões na ordem em que aparecem e, segundo, resolver as adições e subtrações na ordem em que aparecem. Essa é uma regra matemática. Crie outra situação parecida e procure explicar o porquê dessa regra. Nota-se, de imediato, que a aversão em resolver atividades matemáticas com enunciados longos, não objetivos, que de alguma maneira não expressem qual a questão a ser respondida “de cara” é um “problema”. Além do que, nos parece que um problema só é problema se tem enunciado com várias linhas e informações que, de alguma maneira, conduzem o resolvedor a um contexto, seja ele matemático, real e/ou cotidiano. O que de 167 fato nos seduz em um “bom” problema é a possibilidade de inspirar no aluno a descoberta por ele mesmo da regra, da convenção matemática. Em contrapartida, pode-se pensar que ler um enunciado com muitas informações se torna um exercício de concentração e habilidade em interpretar o texto, separando “o joio do trigo” e que as informações necessárias à resolução do problema daquelas que, se retiradas, não prejudicam o conteúdo definido como objetivo daquela atividade, ou seja, o problema em questão. Se puderem ser retiradas àquelas informações que carregam o texto com “muita coisa para ler”, prova-se que mesmo um dito problema com enunciado longo é um exercício que tem como finalidade as operações básicas da aritmética. Tal situação é observada no discurso do professor. Para o presente artigo optamos por estabelecer um diálogo com alunos de 5ª e 6ª série e seus professores. Pensamos em identificar qual era o entendimento que o professor tem sobre exercícios e problemas, se este se aproximava do que entendíamos ser um “bom” problema. Nas entrevistas percebemos que, no diálogo com o professor, esse também se mostra impaciente e inseguro com a falta de dados no enunciado de um problema, elemento que, dadas as limitações de número de páginas, não apresentaremos neste trabalho. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa trajetória de compreensões e interpretações das falas transcritas e textualizadas dos professores e dos alunos, devemos registrar as referências que os professores fazem acerca dos "problemas" que enfrentam durante a execução de suas atividades docentes. Pudemos categorizar "problemas" em dois grandes grupos: os da vertente técnica e aqueles de vertente educacional, uma categorização que afirmamos, nesse artigo, é uma análise dos dados tal e qual foram textualizadas. E apenas operacional, pois certamente caberiam diferentes interpretações em sua essência, visto que tais vertentes, no universo dessa investigação, não são fim em si próprias. Problemas são aqueles originados da intervenção dos professores nos enunciados dos exercícios que já foram resolvidos, vistos resolvidos no livro didático, entre outros. A reprodução de um “problema” já pode ser vista como exercício de resolução de problemas retirados de livros didáticos, sites ou da própria prática docente. Já os exercícios tão pura e simplesmente elaborados com o intuito de treinar a repetição de algoritmos conhecidos 168 pelos professores, desde a sua composição, resolução e gabarito, tornam os exercícios um enigma a ser desvendado em doses homeopáticas. A boa intenção do professor ao elaborar problemas para seus alunos exala a concepção que ele tem sobre o que é problema, e, consequentemente, o que é exercício. Por vezes, identificamos que o efeito didático desejável pelo professor ao elaborar os problemas de matemática se volta contra ele mesmo, tornando sua ação didática uma reprodução inconsciente de problemas não-problemas. REFERÊNCIAS ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. CHARLES, R. & LESTER, F. K. Teaching Problem Solving: What, Why and How, Palo Alto, Dale Seymor Publications, 1982. DANTE, R. Didática da Resolução de Problemas. Editora Ática, São Paulo, 2000. GARNICA, A. V. M. Um ensaio sobre as concepções de professores de Matemática: possibilidades metodológicas e um exercício de pesquisa. Educação e Pesquisa (USP) , v. 34, p. 495-510, 2008. HOUAISS, A. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro Instituto. Ed. Objetiva, 2001. IMPA/SBM. Exame de Textos: Análise de Livros de Matemática para o Ensino Médio / editado por Elon Lages Lima; textos analisados por Augusto Cesar Morgado, Edson Durào Júdice, Eduardo Wagner, Elon Lages Lima, Joào B. Pitombeira de Carvalho, José Paulo Quinhões Carneiro, Maria Laura M. Gomes e Paulo Cezar P. Carvalho, Rio de Janeiro, 2001. LESTER, F. K. & D’AMBROSIO, B. S. Tipos de Problemas para a Instrução Matemática no Primeiro Grau. Bolema – Boletim de Educação Matemática, Universidade do Estado de São Paulo, Rio Claro, nº. 4, p. 33-40, 1988. MEDEIROS JUNIOR, R. J. Resolução de Problemas e Ação Didática em Matemática no Ensino Fundamental. Dissertação de Mestrado, UFPR, 2007. ONUCHIC, L. R.; ALLEVATO, N. S. G. Novas reflexões sobre o ensino-aprendizagem de matemática através da resolução de problemas. In: BICUDO, M. A. V.; BORBA, M. C. (Org). Educação Matemática – pesquisa em movimento. 2ed. São Paulo: Cortez, 2004. 169 PUCHKIN, V. N. Heurística: a ciência do pensamento criador. Rio de Janeiro, Zahar Ed., 1969. POLYA, G. A Arte de resolver problemas. Rio de Janeiro: Ed. Interciência, 1995. ______. How to solve it - a new aspect of mathematical method. (2nd ed.). New Jersey: Princeton University Press, 1945. ______. How to Solve It? 2ª. ed. New York, Double Anchor Book, 1957. POZO, J. I. (org.) A Solução de Problemas - Aprender a resolver, resolver para aprender. Porto Alegre: Editora Artmed, 1998. SAVIANI, D. Educação do senso comum à consciência filosófica - 14 ed. - Campinas, SP: Ed. Autores Associados, 2002. – (Coleção educação contemporânea). SCHOENFELD, H. A. Mahematical Problem Solving. Academic Press. Orlando, 1991. ______. Learning to think mathematically: problem solving, metacognition, and sense making in mathematics. Handbook for Research on Mathematics Teaching and Learning (D. Grouws, Ed.), New York: MacMillan, 1992. ______. Mathematics Education in the 20th Century. In L. Corno (Ed.), Education Across a Century: The Centennial Volume (100th Yearbook of the National Society for the Study of Education), pp. 239-278. Chicago, IL: National Society for the Study of Education. VIANNA, C. R. Resolução de Problemas. In: Temas em Educação I. Curitiba: Futuro Congressos e Eventos, 2002. VILA, A. & CALLEJO, M. L. Matemática para aprender a pensar: o papel das crenças na resolução de problemas. Tradução: Erani Porto. Alegre: Editora Artmed, 2006. 170