Licenciatura em Serviço Social Relatório Final de Estágio “AvAliAção dA SobrecArgA do cuidAdor Informal dos Utentes Idosos da UnIdade de ConvalesCença do Hospital José luCiano de Castro” Vânia Raquel Martins Seabra Coimbra Ano Letivo 2011/2012 Licenciatura em Serviço Social Relatório Final de Estágio “AvAliAção dA SobrecArgA do cuidAdor Informal dos Utentes Idosos da UnIdade de ConvalesCença do Hospital José luCiano de Castro Supervisora: Dr.ª Sara Lopes Borges Orientadora: Dr.ª Ana Paula Ferreira Estagiária: Vânia Raquel Martins Seabra Local de Estágio: Hospital José Luciano de Castro – Anadia Coimbra Ano Letivo 2011/2012 Dedico este trabalho, A toda a minha família, especialmente aos meus pais. Ao meu namorado e amigos! A Vós que estivestes intimamente ligados à minha vida, e que no desenvolver deste trabalho me ajudaram e me apoiaram com toda a paciência, carinho e compreensão, testemunhando que o mais importante é estar ao lado de quem realmente se importa com o nosso sucesso, superando com Vós, todos e/ou quaisquer momentos difíceis por que passei. Índice Dedicatória Lista de Siglas……………………………………………………………………………....................... II Índice de Tabelas…………………………………………………………………………..................... III Índice de Anexos…………………………………………………………………………...................... IV Agradecimentos……………………………………………………………………………................... IV Introdução……………………………………………………………………………………................ 1 Parte I - As atividades de estágio 1.Caracterização do Hospital José Luciano de Castro – Anadia……………………….................. 2 2.Reflexão crítica sobre a inserção do Serviço Social na estrutura institucional………............... 5 3. Atividades de Estágio……………………………………………………………………..................8 3.1.Objetivos Gerais e Específicos do Estágio…………………………………………...... 8 3.2.Atividades desenvolvidas………………………………………………………………. 9 3.3 Caso Prático………………………………………………………………………………. 12 3.4. Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio……. 17 Parte II - Pesquisa Resumo………………………………………………………………………………………………….. 19 1.Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais…………………………………................ 20 1.1 Envelhecimento………………………………………………………………………….. 20 1.2.Envelhecimento e Dependência………………………………………………………... 21 1.3.Envelhecimento e o contexto social……………………………………………………. 22 1.4.A Família como Prestadora de Cuidados Informais…………………………………. 23 1.5.Cuidador Informal………………………………………………………………………. 24 1.6.Sobrecarga do Cuidador Informal……………………………………………………... 26 2.Objetivos do estudo………………………………………………………………………………….. 28 3.1. Objetivo Geral…………………………………………………………………………… 28 3.2 Objetivos Específicos……………………………………………………………………. 28 3. Materiais e Métodos……………………………………………………………………………….... 28 3.1 Pergunta de partida………………………………………………………………………28 3.2.Metodologia……………………………………………………………………………… 28 3.3.População-alvo e Amostra……………………………………………………………… 28 3.4.Critérios de inclusão e exclusão………………………………………………………... 29 3.5. Instrumentos e Codificação de dados………………………………………………… 29 3.6.Procedimentos para a Recolha de Dados……………………………………………… 30 4. Apresentação e Análise dos Resultados………………………………………………………….. 31 5. Discussão dos resultados………………………………………………………………………….... 44 Conclusões…………………………………………………………………………………………….... 49 Bibliografia Anexo Lista de Siglas APPACDM - Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental A.S- Assistente Social AVD – Atividades de Vida Diária C.A – Conselho Administrativo CADI - Centro de Atendimento e Desenvolvimento Integrado CLASA - Comissão Local de Ação Social de Anadia CUIDE - Cuidadores de Idosos na Europa (Escala) E.G.A- Equipa de Gestão de Alta HJLC – Hospital José Luciano de Castro IPSS- Instituições Particulares de Solidariedade Social MIF- Medida de Independência Funcional RNCCI- Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados SPSS - Statistical Package for the Social Sciences SS – Serviço Social U.C – Unidade de Convalescença II Índice de Tabelas Tabela 1 - Sexo dos Utentes ......................................................................................................... 31 Tabela 2- Idades por classes dos utentes da Unidade de Convalescença e média das idades 31 Tabela 3- Circunstâncias em que os utentes vivem ................................................................... 32 Tabela 4- Tipos de apoio usufruídos ........................................................................................... 32 Tabela 5- Estado de conservação da habitação e tipologia ........................................................ 32 Tabela 6- Sexo do cuidador informal .......................................................................................... 33 Tabela 7-Idades dos cuidadores informais ................................................................................. 33 Tabela 8- Situação Conjugal dos Cuidadores Informais............................................................ 34 Tabela 9- Profissões dos cuidadores informais .......................................................................... 34 Tabela 10- Situação Ocupacional dos Cuidadores ..................................................................... 35 Tabela 11- Grau de escolaridade dos cuidadores informais ..................................................... 35 Tabela 12- Relação de parentesco ................................................................................................ 35 Tabela 13- Tempo prestado pelo cuidador informal ao utente ................................................. 36 Tabela 14- Distância entre o cuidador e o utente ....................................................................... 36 Tabela 15- Tipo de apoios prestados ........................................................................................... 37 Tabela 16-Média de horas prestados por dia pelos cuidadores ................................................ 37 Tabela 17- Limitações na vida profissional/ocupacional dos cuidadores ............................... 37 Tabela 18- Outras pessoas que prestam cuidados para além do cuidador principal .............. 38 Tabela 19- Prestação de apoios a terceiros .................................................................................. 38 Tabela 20- Estatística Descrítiva de todos os itens, totais da escala de cuide .......................... 39 Tabela 21-Escala de CUIDE relativa............................................................................................ 40 Tabela 22- Escala de MIF (Medida de Independência Funcional dos utentes) ........................ 40 Tabela 23- Correlação entre as escalas CUIDE E MIF (coef. de correlação de Spearman) ...... 41 Tabela 24- Correlação entre a escala de CUIDE e as idades dos cuidadores informais .......... 42 Tabela 25- Relação do sexo dos cuidadores informais com a escala de CUIDE ...................... 42 Tabela 26- Relação entre o número médio de horas e a escala de CUIDE ............................... 42 Tabela 27- Relação entre a escala de CUIDE e a colaboração de terceiros na prestação de cuidados informais ....................................................................................................................... 43 III Índice de Anexos Anexos 1-Organograma do Hospital José Luciano de Castro................................................... 57 Anexos 2- Regulamento do Serviço Social do HJLC .................................................................. 59 Anexos 3- Pedido de Autorização para efetuar o estudo .......................................................... 66 Anexos 4- Autorização do estudo ............................................................................................... 68 Anexos 5- Consentimento informado para os inquiridos ......................................................... 70 Anexos 6- Instrumento de recolha de dados .............................................................................. 73 Anexos 7- Codificação dos dados................................................................................................ 79 Anexos 8-Periodificação das Etapas em Cronograma, Planificação Semanal, Tabela das Atividades de estágio e Cronograma do Estágio ....................................................................... 87 Anexos 9- Caracterização sociodemográfica do HJLC .............................................................. 93 Anexos 10- Serviço Social na Saúde ............................................................................................ 96 Anexos 11- Politicas Socias na Saúde e no HJLC ..................................................................... 102 Anexos 12- Certificados de presença em Seminários............................................................... 106 Anexos 13- Plano de atividades para o Plenário do CLASA................................................... 109 Anexos 14- Decreto-Lei no 101/2006 de 6 de junho ................................................................ 111 IV Agradecimentos À direção do Hospital José Luciano de Castro pela autorização da recolha de dados para o presente trabalho, junto dos utentes da Unidade de Convalescença e seus cuidadores. À Dra. Sara Lopes Borges, minha supervisora de estágio, que nos sempre incentivou a fazer o melhor e que sempre se mostrou disponível a qualquer momento para tudo o que era necessário, sabendo sempre atenuar os nossos momentos de maior pressão e angústia. À Dra. Ana Paula Ferreira, minha orientadora e Assistente Social no local de estágio, pelo seu acolhimento, companheirismo e simpatia, pelos saberes que me transmitiu, e pelo tempo que me dedicou nesta meu trajeto. Aos utentes da Unidade de Convalescença do HJLC que com toda a vossa prontidão aceitaram participar na recolha de dados. Aos cuidadores informais dos utentes da Unidade de Convalescença que gentilmente e com toda vossa presteza aceitaram também participar na recolha de dados. A todos os técnicos, médicos, enfermeiros e administrativos do Hospital José Luciano de Castro, pela vossa simpatia e acolhimento no local de estágio, assim como na disponibilidade e informação na recolha de dados para o estudo. À Dra. Daniela Figueiredo, professora da Universidade de Aveiro, pelas informações prestadas e imediatas da escala de CUIDE, bem como pela sua disponibilidade no esclarecimento das minhas dúvidas. À Dra. Fernanda Daniel pelo apoio na análise estatística. À Dra. Sónia Guadalupe pelo apoio incondicional em qualquer momento que precisei ao longo de todo o estágio. Sem os seus ensinamentos não teria conseguido proceder a análise dos casos práticos de forma exata, bem como na execução de programas para a creditação dos mesmos. À minha colega de estágio e amiga Ana Margarida, que me acompanhou sempre nas minhas deslocações para a recolha de dados, e que sem ela a minha tolerância teria chegado ao limite muitas vezes. Pela calma que me transmitiu, assim como as gargalhadas que fomos dando para descontrair em momentos de maior pressão. V Aos meus QUERIDOS PAIS que ao longo de todo este percurso académico me incentivaram, me apoiaram incondicionalmente em todo o que precisei, me ajudaram e trabalharam sempre em prol da minha educação. Pela paciência que tiveram comigo nos meus momentos mais difíceis, quando estive mais impaciente, frágil e rezingona. Sem eles nunca teria conseguido. Ao meu Namorado que sempre me apoiou e esteve sempre ao meu lado. Também pela sua paciência para suportar as minhas mudanças de humor e desvaneios. Pela força que me transmitiu ao longo de todos estes anos, e pela sua tolerância nos momentos mais complicados deste meu percurso. A todos os outros meus familiares e amigos, que sabeis quem sois, estando Vós mais perto ou mais longe, ajudando-me sempre implícita ou explicitamente. E para todos aqueles que de uma forma direta ou indireta me ajudaram a levar a avante este projeto e concluindo este sonho. A todos um BEM HAJA e um MUITO OBRIGADA!!! VI Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Introdução Introdução O presente Relatório Final de Estágio é elaborado no âmbito do estágio curricular do 4º ano, 7º Semestre da Licenciatura de Serviço Social, no Instituto Superior Miguel Torga. Este estágio tem vindo a desenvolver-se no Hospital José Luciano de Castro em Anadia, teve início a 28 de março de 2011 e o seu términus a 16 de dezembro de 2011 e teve como supervisora a Dra. Sara Lopes Borges e como orientadora a Dra. Ana Paula Ferreira. O objetivo do estágio é possibilitar a inserção da estagiária na prática profissional, para que aprenda a desenvolver práticas, a fim de solucionar problemáticas concretas e reais. O estágio é uma etapa fulcral no processo de formação e de aprendizagem do estudante. Neste sentido, o estágio deve proporcionar condições para uma futura postura reflexiva sobre o agir profissional ou sobre a dinâmica das respostas sociais por via das diferentes instituições existentes, assim como seguir metodologias e técnicas de intervenção, conhecer a multiplicidade das práticas profissionais, desenvolvendo uma postura investigante e uma atitude crítica e reflexiva face às políticas sociais existentes, tendo em conta o desempenho da profissão. Deste modo, todo o conhecimento da prática profissional é completado pela realização de uma pesquisa intitulada “Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro em Anadia” –, que visa o estudo das repercussões existentes nos cuidadores informais ao cuidar dos utentes idosos dependentes da Unidade de Convalescença do HJLC. O presente Relatório Final de Estágio divide-se em duas partes, a primeira parte destina-se às Atividades de Estágio e o segundo e ultimo capítulo diz respeito à Pesquisa elaborada. Na primeira parte falamos da Caracterização da instituição, fazemos uma reflexão crítica sobre a inserção do Serviço Social no local de estágio, as atividades de estágio e fazemos, ainda, uma reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio. Na segunda parte falamos da Pesquisa elaborada ao longo do estágio curricular, onde engloba o enquadramento teórico, os objetivos do estudo, os materiais e métodos, a apresentação e análise dos resultados obtidos na recolha de dados e a discussão dos mesmos resultados. Vânia Raquel Martins Seabra 1 Parte I As AtividAdes de estágio Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio 1.Caracterização do Hospital José Luciano de Castro - Anadia O Hospital José Luciano de Castro (HJLC) situa-se no distrito de Aveiro, concelho de Anadia, na Região Centro de Portugal, Sub-região Baixo Vouga, enquadrado na Região da Bairrada. O Hospital José Luciano de Castro sofreu uma evolução bastante significativa desde os seus primórdios. Em 1902, a família Seabra de Castro, por impulso de D. Maria Emília deram início à construção do edifício com destino a ser Hospital. Em 1928, o Hospital foi objeto de doação designado assim por Hospital Asylo José Luciano de Castro. A finalidade deste era o socorro gratuito dos pobres e de todos aqueles que não possuíam meios para se tratar. Em 1966, começam as remodelações do Hospital, procedeu-se à remodelação da parte sul que incluiu o Serviço de Medicina e Cirurgia, Urgência, Raio X e Cozinha. Em 1977, o Hospital passa a Hospital Concelhio; em 1983 passou a Hospital Distrital. No período de 1991 a 1998 procederem-se a inúmeras remodelações assim como expansões do Hospital de Anadia como, a instalação de um elevador/monta camas; à instalação da Entrada Principal, os Serviços Administrativos, Ambulatório, as consultas Externa, Hospital de Dia, Cirurgia do Ambulatório, Sala de Espera, Arquivo Clínico, Serviço de Imagiologia e Serviço de Medicina Física e de Reabilitação; à instalação do Serviço de Medicina, Serviço de Cirurgia, Urgências e Imagiologia; à ampliação do edifício ao qual foi instalado o Bloco Operatório. De 2002 a 2011 o Hospital foi ampliado onde foram instalados os Serviços de Medicina Interna, Cirurgia Geral, Urgências, Pediatria, Esterilização e Capela; ocorreu o encerramento das Urgências e do Serviço de Medicina, iniciando obras de remodelação para a Instalação da Unidade de Convalescença. Assim, o HJLC encontra-se inserido na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (R.N.C.C.I), ao qual o Hospital tem uma Unidade de Convalescença com capacidade para 20 camas. Prevê-se para este ano de 2012, o começo de obras de remodelação e ampliação para uma nova Unidade de Cuidados Paliativos, assim como a ampliação da Unidade de Convalescença. Em suma, o Hospital José Luciano de Castro em Anadia foi mandado construir por D. Maria Emília Seabra de Castro. Este mesmo Hospital foi doado à Santa Casa da Misericórdia e posteriormente inaugurado em 18 de março de 1928 designando por Hospital Asylo José Luciano de Castro. Em 1977 este Hospital foi classificado como Hospital Distrital de nível 1. A atual missão do Hospital José Luciano de Castro é prestar cuidados diferenciados em articulação com o agrupamento de Centro de Saúde do Baixo Vouga I e suas limítrofes, com eficácia e Vânia Raquel Martins Seabra 2 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio qualidade, tentando satisfazer as necessidades dos utentes que procuram o Hospital, assim como a melhoria da saúde da comunidade e um maior desenvolvimento profissional dos seus trabalhadores – estando este também integrado a RNCCI (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados). O HJLC tem como principal visão, o reconhecimento pelos seus níveis técnicos e humanos dos cuidados de saúde que presta, assim como na excelente organização, aberta, ágil e eficiente, como também pelo espírito de grupo que existe entre as variadas equipas multidisciplinares, sendo estas competentes e com uma elevada autoestima. O HJLC é um Hospital Oficial, tutelado administrativamente pelo Estado, Ministério da Saúde, além das instalações pertencerem à Santa Casa de Misericórdia de Anadia. Atualmente, O HJLC integra a rede que constitui o Serviço Nacional de Saúde (SNS) funcionando no âmbito do Ministério da Saúde e agindo na área dos cuidados diferenciados, sendo este mesmo Hospital de nível 1, conforme o Despacho 23/86 publicado em D.R. Série 2, nº 161 de 16/07/1986. O Hospital José Luciano de Castro tem como destinatários a população do Concelho de Anadia e limítrofes (Mealhada, Oliveira do Bairro, Águeda, Cantanhede e Mortágua), e como referida em supra a sua missão é a prestação de cuidados de saúde à população referida. Neste mesmo sentido, este Hospital tem vindo a desenvolver diversos protocolos com intuito de satisfazer qualquer necessidade básica da população, ao qual ocasionalmente podem receber utentes que não pertençam área de referenciação. Consequentemente, o HJLC – Anadia é uma instituição composta por várias valências com vista à prestação de cuidados de saúde que visam a promoção, recuperação, cura e reabilitação dos utentes. Os Objetivos e Princípios Orientadores do HJLC são levados a cabo pelo Regulamento Interno do Hospital José Luciano de Castro (Anexo 1). No Artigo 2º do regulamento o HJLC- Anadia estão explícitos os seus principais objetivos, que são: “Prestar cuidados de saúde diferenciados à população dos concelhos de Anadia e limítrofes, sem prejuízo de corresponder ao direito de liberdade de escolha dos cidadãos em geral, com eficiência e qualidade, tentando responder às necessidades dos utentes que o procuram; Promover a saúde na comunidade que serve; Assegurar o desenvolvimento profissional dos seus colaboradores num quadro de eficácia e eficiência.” Vânia Raquel Martins Seabra 3 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio Tendo em conta que é uma Instituição Hospitalar, apresenta também objetivos tanto ano nível da promoção, recuperação, e reabilitação da saúde e prevenção da doença. “A nível da promoção da saúde: Fornecer informações sobre direitos e deveres dos cidadãos à saúde; Elaborar, executar e avaliar programas de divulgação dos múltiplos fatores que incidem sobre a saúde tanto para utentes reais e potenciais do serviço de saúde como para agentes profissionais.” “A nível da prevenção da doença: Estudar a incidência das variáveis sócio-económicas e culturais na etiologia, distribuição e desenvolvimento dos problemas da saúde; Estudar as atitudes e valores que favorecem ou constituem obstáculos ao acesso a melhores níveis de saúde; Estudar o nível de aproveitamento, por parte dos utentes dos serviços de saúde e seus programas, bem como as expectativas dos utentes a tais serviços e programas; Participar no estudo da qualidade e quantidade dos serviços e recursos institucionais que possam contribuir para que os indivíduos alcancem melhores níveis de vida; Orientar e fortalecer a unidade familiar e capacitá-la para o limite das suas possibilidades, assegurando a saúde dos seus membros; Capacidades voluntários auxiliares e estudantes para desempenhar ações no campo da saúde.” “A nível da recuperação da saúde: Capacitar os doentes e suas famílias que sejam agentes do processo de recuperação;” “A nível da reabilitação da saúde: Assegurar que todo o doente ou diminuído físico ou mental possa alcançar o uso máximo da sua potencialidade; Orientar o meio familiar, de trabalho, escolar e comunitário para a integração do doente diminuído.” Na prestação de cuidados de saúde estão implícitos os seguintes princípios gerais (Regulamento Interno do HJLC, artigo 3º): “Liberdade de escolha do estabelecimento hospitalar, em articulação com a rede de prestação de cuidados de saúde primários; Prestação de cuidados de saúde, com humanidade e respeito pelos utentes; Cumprimento das normas de ética e deontologia profissional.” Vânia Raquel Martins Seabra 4 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio 2.Reflexão crítica sobre a inserção do Serviço Social na estrutura institucional É extremamente importante falarmos da inserção da prática do Serviço Social na estrutura institucional, tendo uma visão enquanto profissão no seu contexto global, e quanto à sua intervenção na Unidade de Cuidados Continuados, uma vez que a nossa pesquisa é realizada na Unidade de Convalescença do HJLC. Segundo o Projeto de declaração de missão da AIESS “os profissionais de Serviço Social dedicam o seu trabalho em prol do bem-estar e na realização pessoal dos seres humanos; ao desenvolvimento e utilização disciplinada do conhecimento científico relativo ao comportamento das pessoas e da sociedade; ao desenvolvimento de recurso destinados a satisfazer as necessidades e aspirações individuais, coletivas, nacionais e internacionais; e à realização da justiça social.” A intervenção do Serviço Social no HJLC é levada a cabo por uma Assistente Social, que faz uma articulação dos meios e soluções com intuito de promoção do bem-estar dos utentes. No HJLC, o A.S comporta várias funções como atender, informar e encaminhar a população mediante as várias situações. Existe, também, uma articulação com os demais profissionais de saúde do Hospital, de forma a criar um elo entre a instituição, indivíduo, família e a sociedade. O Assistente Social integra a equipa de saúde, tendo uma participação desde a promoção, prevenção, tratamento, até à reabilitação do utente. O seu papel é pró-ativo na ajuda psicossocial aos utentes, o que implica fazer um acolhimento, articulando e esclarecendo os recursos existentes na comunidade, bem como os seus direitos e deveres, fazendo um diagnóstico do utente e família para uma tratamento e reabilitação mais eficaz. “Os assistentes sociais participam no planeamento, orçamentação, execução, avaliação e alteração das políticas e serviços sociais de caráter preventivo destinados a diferentes grupos e comunidades. Intervêm em numerosos setores funcionais, utilizando diversas abordagens metodológicas, trabalhando no âmbito de um quadro organizacional amplo e prestando serviços sociais a diversos setores da população a nível micro e macro”.1 Nos últimos anos verificamos uma evolução do paradigma da medicina, passando de uma prespetiva Biomédica para a Holística. Esta última prespetiva, a holística, estuda a vertente económica, bem como todo o contexto biopsicossocial com intuito de responder a todas as necessidades sentidas pelos utentes. Neste sentido, a Assistente Social no HJLC, tem 1 Vide FIAS, Definition of the Social Work Profession Vânia Raquel Martins Seabra 5 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio uma visão do utente como um todo e não como um ser singular, ao qual pertence a um contexto social, familiar e profissional. Assim, o assistente social trabalha em multidisciplinariedade com outros técnicos, para uma maior perceção da problemática sentida pelos utentes, ao qual têm também uma visão mais ampla da situação-problema, dando uma resposta mais eficaz. Destacamos, ainda, a importância do gabinete de Serviço Social no HJLC, onde se faz o acolhimento/atendimentos das famílias e utentes, ao qual podem ocorrer com a devida privacidade. Tendo em conta que só há uma A.S no hospital, não existe a falta de privacidade fazendo disto uma vantagem, podendo, mesmo assim, ocorrer numa desvantagem, pois o atendimento ao utente são durantes os 5 dias úteis da semana, sem horário fixo, não havendo atendimentos durante o fim de semana. Contudo, estes aspetos mesmos aspetos, podem ocorrer numa vantagem, isto é, pelo facto do horário de atendimento aos utentes não ser fixo, os utentes podem ser atendidos a qualquer momento do dia. Quanto ao atendimento não ser os sete dias por semana, poderá não ser justificativo haver atendimento ao fim de semana. Consideramos que apesar de se tentar o melhor acolhimento possível ao utente e família à data do ingresso na Unidade, por vezes existe alguma demora e desconhecimento da data de internamento, que origina alguma ansiedade e preocupação, principalmente aos familiares, pois não existe informação intermédia entre a referenciação e o internamento. É muitas vezes na 1ª reunião multidisciplinar que os familiares e utente são esclarecidos e orientados para perceber a filosofia da RNCCI, situação que deveria melhorar por parte das EGAS (Equipa de Gestão de Altas dos Hospitais) e das Equipas de Referenciação dos Centros de Saúde. Quanto à referenciação ser feita a partir do domicílio/centro de saúde, ficamos limitados também, pois temos de aguardar o contato da família para poder fazer um acolhimento apropriado à chegada do utente. As reuniões de acolhimento são feitas aos familiares e utentes caso estejam lúcidos, havendo sempre uma grande preocupação na informação de modo a uma melhor adaptação, quer por parte do utente quer da família, nomeadamente que a família assista aos cuidados de reabilitação/ensino ao cuidador principal, de modo a que no final do internamento o utente atinja os objetivos da vinda para a Unidade. Para esta unidade são orientados todos os utentes com os critérios de Unidade de Convalescença sendo no entanto, também, referenciados utentes designados por “casos sociais” e é aqui que o SS tem o seu papel principal. Trata-se de utentes, que embora sem Vânia Raquel Martins Seabra 6 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio critério clínico, mas sim social, se encontram sós, sem retaguarda familiar, sem recursos económicos e por vezes sem situação habitacional. Toda esta situação dificulta a orientação quer para Lares, quer por vezes para outras Unidades, pois muitas situações não se encontram do ponto de vista clínico orientados para tomar decisões ou mesmo assinar documentação necessária à resolução da colocação. Como resposta a estes utentes será o ingresso numa Vaga/Pilar da Segurança Social, sendo outro dos problemas sentidos, pois há falta de recursos para dar respostas a este tipo de problemática, devido à maioria dos Lares não terem vagas, sendo a lista de espera bastante grande, e por estas vagas que são destinadas à Segurança Social estarem ocupadas. Tendo em conta o Decreto-Lei n.º 101/2006, as Unidades de Convalescença tem um período de internamento de 30 dias e caso não conseguirem uma vaga nesse período de tempo para este tipo de casos sociais, há necessidade de transferir os utentes para outra unidade mais longa ou pedir prorrogações para esperar por uma vaga. Contudo, os profissionais não têm informação de como proceder quando não há ninguém que assine os consentimentos, sendo um dos aspetos que deve ser melhorado pela própria RNCCI, para que haja um funcionamento pleno e que as respostas nestes casos sejam eficazes. Mediante estes constrangimentos, a equipa multidisciplinar do HJLC, mais concretamente o serviço social consegue levar avante, fazendo um trabalho de articulação com outras entidades e instituições, para a resolução deste tipo de casos, para que não fiquem abandonados como acontecia e acontece em grande parte dos Hospitais de Agudos. Vânia Raquel Martins Seabra 7 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio 3. Atividades de Estágio 3.1.Objetivos Gerais e Específicos do Estágio Segundo os principais objetivos da política de Estágios de Serviço Social, os objetivos que assentam na intervenção do Serviço Social no Hospital José Luciano de Castro são os seguintes: Conhecer e analisar a inserção do Serviço Social ao nível das diferentes áreas de trabalho e o respetivo desempenho dos seus profissionais; Conhecer a diversidade das práticas profissionais; Desenvolver a capacidade de adotar metodologias e técnicas de intervenção e de construir estratégias profissionais; Treinar competências ao nível do relacionamento profissional com a população-alvo da sua intervenção profissional, com as chefias, entre pares e profissionais de diferentes áreas; Desenvolver a capacidade de iniciativa, espírito crítico/reflexivo e a construção de reprodução de uma postura ética e deontológica na profissão; Construir para a solidificação de uma cultura profissional assente em valores de igualdade, de defesa da dignidade humana e emocional, bem como do agir profissional. Vânia Raquel Martins Seabra 8 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio 3.2.Atividades desenvolvidas No decorrer do estágio, tivemos a possibilidade de realizar algumas atividades, que se encontram descritas como sendo funções do Assistente Social, tais como (anexo 9): Acolhimento ao utente e família: Este acolhimento é realizado com a base na prática de Advocacia Social, ou seja informa-se os utentes e as famílias de quais os direitos e deveres, assim como as normas de funcionamento da Unidade (horário das visitas, medicamentos, roupa, entre outros). É também fornecido às famílias o Guia de Acolhimento assim como o folheto dos direitos e deveres. Avaliações Sociais: As avaliações socias individuais vão permitir ao Assistente Social completar o processo social do utente, elaborando um diagnóstico mais pormenorizado, com intuito de aprofundar e acompanhar a situação sociofamiliar em questão. Será registado todo e qualquer acontecimento relevante em questões sociais, assim como registar as diligências efetuadas ou em curso. Plenários do Conselho Local de Acão Social de Anadia (CLASA): Estes plenários têm sobretudo objetivo de apresentar as atividades desenvolvidas no Conselho de Anadia no âmbito da ação social, bem como, a atualização de acordo com ajustes que os participantes refiram no Diagnóstico do Conselho. Nestes plenários, participam todos os parceiros do CLASA. Aqui também se apresentam projetos que serão desenvolvidos no Concelho dentro da ação social, bem como propostas de novos parceiros. Pesquisa Bibliográfica documental e legislativa: Na fase inicial, de integração, a estagiária passou por um processo de pesquisa, da qual caracterizou a Instituição onde decorre o seu estágio, bem como a caracterização sociodemográfica da Instituição. A estagiária tomou conhecimento dos diferentes procedimentos que existem para os diferentes Serviços do Hospital José Luciano de Castro, tendo em conta, ainda, as diferentes intervenções que o Serviço Social tem no seu local de estágio. Vânia Raquel Martins Seabra 9 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio Reuniões de Equipas Multidisciplinares- elaboração do PII e preparações de altas: No ingresso do utente na Unidade é elaborado o PII (plano individual de intervenção), da qual após a reunião da equipa multidisciplinar é preenchida uma tabela com os problemas detetados no utente, traçando os objetivos e métodos de intervenção. Nesta reunião estão presentes os Médicos, Fisiatra, Enfermeira-Chefe, Terapeuta da Fala, Dietista, Fisioterapeuta, Assistente Social e administrativa. Todas as semanas é feita uma reunião multidisciplinar da Unidade de Convalescença, no sentido de avaliar se os objetivos estão a ser atingidos ou não, reformulando se necessário. Na preparação de alta, cada técnico preenche a nota de alta de acordo com a sua especialidade, referindo se os objetivos pela área deles especifica foram atingidos. No Serviço Social concretamente, refere para onde será o encaminhamento da utente pós-alta (domicilio, instituições, ou outra), bem como, se quais os objetivos delineados que forma atingidos ou não. Reuniões Multidisciplinares onde o Serviço Social do HJLC está inserido: O Serviço Social do HJLC participa também, nas reuniões multidisciplinares do Serviço de Pediatria e da Intervenção Precoce. Ambas têm objetivos comuns que são a avaliação da evolução dos utentes, assim como apresentação e discussão de cada caso de forma individualizada. No serviço de Pediatria e Intervenção Precoce fazem parte a Pediatra, Enfermeiras, Professores de Apoio e Educadores, Assistente Social e Psicóloga. Reuniões com Familiares de Utentes da Unidade de Convalescença: A estagiária assistiu também, às reuniões com os familiares e utentes (quando estes estão orientados) da Unidade de Convalescença (1ª entrevista). Nestas reuniões explicam-se os objetivos da Unidade, assim como, os direitos e deveres dos utentes, esclarecendo qualquer dúvida que os familiares e os utentes tenham, recolhendo informação para perceber quais as condições que os utentes terão pós-alta, fazendo o encaminhamento respetivo. A Equipa de Referência da Unidade (Médico, Enfermeiro e Assistente Social) informa que a unidade tem ao dispor dos familiares a possibilidade do ensino ao cuidador, para numa fase posterior treinarem as técnicas fundamentais na ajuda ao utente no levantar, no deitar, no ir à casa de banho, etc. São, também, dadas informações de como proceder para a minimização das barreiras arquitetónicas. A primeira reunião tem como finalidade principal o início de preparação de alta, com vista a encontrar soluções para o pós-alta. Após feitas as reuniões com os familiares, é inserida a informação na Plataforma da RNCCI, que foi retirada em suporte de papel nas reuniões. Vânia Raquel Martins Seabra 10 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio Visitas Domiciliárias: As visitas domiciliárias são feitas às famílias de crianças com problemas sociais, que frequentam as Consultas de Pediatria no Hospital, ou faltam às mesmas. Foi assim permitida à estagiária tomar conhecimento desta realidade social e familiar destes utentes que frequentam estas consultas. Visitas domiciliárias em contexto de realização de entrevista para o estudo: A estagiária deslocou-se ao domicílio dos utentes/cuidadores, a fim de recolher os dados para o estudo. Esta atividade permitiu uma aquisição de competências na administração dos instrumentos da recolha de dados, ou seja, um ganho do traquejo ao administrar os questionários e escalas. Permitiu também conhecer realidades e contextos diferentes na realização destas visitas. Reuniões de supervisão de Estágio: A estagiária teve Reuniões de Supervisão, que são feitas quinzenalmente (marcadas previamente), ao qual podem ser de grupo ou individual, tendo como objetivo o esclarecimento de dúvidas, a discussão das atividades das últimas semanas, assim como, receber apoio por parte da supervisora de estágio. As reuniões de supervisão, são fulcrais no decorrer do estágio, pois são aí ouvidas e esclarecidas as nossas dúvidas, ajudando-nos a ultrapassar qualquer obstáculo que tenha surgido. As estratégias delineadas pela supervisora para este estágio, foram a nosso ver as melhores para a elaboração de um bom relatório. Seminários: A estagiária participou também em dois seminários ao longo do estágio curricular, nomeadamente (Anexo 14): IV Encontro da Rede Social de Coimbra “Voluntariado e Redes Sociais”, realizado mo dia 10 de novembro de 2011, no Auditório da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) em Coimbra; O Centenário da Proteção à Infância. A Proteção dos Direitos da Criança Imigrante em Portugal, realizado no dia 15 de dezembro de 2011, no Auditório da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) em Coimbra. Vânia Raquel Martins Seabra 11 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio 3.3 Caso Prático Identificação Nome: D. Mariana Silva (nome fictício) Idade: 76 anos Residência: Santa Joana (Aveiro) Estado Civil: Divorciada Atividade Profissional: Reformada Sinalização A utente foi sinalizada pela equipa de Gestão de Altas do Hospital Infante D. Pedro em Aveiro a partir do Serviço de Neurologia, para a Rede dos Cuidados Continuados Integrados, ingressando no Hospital José Luciano de Castro em Anadia como problema social, devido à sua situação familiar. Situação Clínica A utente foi internada no Serviço de Neurotraumatologia dos HUC em contexto de TCE (traumatismo crânio-encefálico), após queda no domicílio. A utente não verbalizava, não colaborava, estava muito emagrecida (desnutrição proteica). A D. Mariana é completamente dependente nas AVD’s e tinha uma disfunção cognitiva prévia e um mau estado geral objetivado essencialmente pela desnutrição. Estudo Social Situação sociofamiliar A utente de 76 anos não se encontrava estável a nível físico e psicológico, na qual se verificou a falta de disponibilidade familiar, visto ter um irmão e este não querer ter quaisquer encargos com esta. A utente era divorciada e não tinha filhos. Vânia Raquel Martins Seabra 12 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio Genograma 1935 76 Sr. Manuel Silva D.Mariana Silva Legenda: Divórcio Distante – Hostil Família Nuclear Sujeito Identificado Situação económica e profissional A utente é reformada e aufere pensão social, a qual não lhe permitia bastar-se economicamente. Situação habitacional A utente residia em casa de renda (r/chão) sem quaisquer condições de higiene e salubridade. Apoio Social No decorrer do estudo social, a utente tinha apoio do Centro de Dia no Centro Social de Santo André em Mataduços complementado com o apoio de uns vizinhos, embora à data do ingresso na Unidade de Convalescença, estes tiveram presentes na entrevista, acompanhados do irmão, dando a entender que não queriam ter mais nenhum tipo de responsabilidade com a D. Mariana, informando que a sua vinda para esta Unidade seria para resolver este problema social. O caso da D. Mariana foi notícia na comunicação social local tendo em conta a sua “situação de abandono e do seu comportamento desadequado ”. Vânia Raquel Martins Seabra 13 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio Diagnóstico Social Dada a sequência de múltiplas entradas no Serviço de Urgência do Hospital Infante D. Pedro em Aveiro, a utente foi encaminhada para a Unidade de Convalescença do HJLC, com intuito de resolução da problemática social em que esta se encontrava. Foi efetuada a reunião de acolhimentos aos familiares da D. Mariana e com os vizinhos, com intuito de dar a conhecer os objetivos que a Unidade de Convalescença tinha para a utente (PII – plano individual de intervenção), assim como os seus direitos e deveres com vista à preparação de alta. No seguimento desta reunião, os familiares e vizinhos, deram a entender que não queriam assumir nenhuma responsabilidade quanto ao destino da utente após alta, informando que não voltariam à Unidade. Os familiares e vizinhos referiram, também, que já tinham requerido vaga em Lar, embora a utente não tenha aceite. Posto isto e devido ao seu comportamento, foi também solicitado pedido de internamento compulsivo ao Centro de Saúde (fugia de casa despida durante a noite), não tendo sido verificado. Entretanto foi frequentando o Centro de Dia, com apoio da vizinha. A utente teve uma boa integração na unidade, tendo sido alcançado os objetivos clínicos e sociais para ela. Intervenção Social Tendo em conta a situação-problema desta utente foram feitos contactos com IPSS do meio, nomeadamente o Centro Social Santo André em Mataduços, o Serviço Social do HIP, a Segurança Social de Aveiro, a Associação Social ASAS Santa Joana, para efeito de conhecimento da situação e solicitação de internamento em Vaga/Pilar. Assim e devido à falta de apoio da família e nomeadamente amigos, e sem possibilidade de regressar ao domicílio, foram feitos contactos com a Segurança Social com finalidade de solicitar o internamento em Lar (Vaga/Pilar) como referido em supra. Tendo em conta que o internamento nas Unidades de Convalescença tem uma duração de 30 (trinta) dias, foi solicitado à RNCCI uma prorrogação de 15 dias a fim de aguardar o ingresso numa Vaga/Pilar em Lar, visto que o tempo de internamento não seria o suficiente até a D. Mariana poder ingressar numa Vaga. A utente ingressou numa Vaga/Pilar no Centro Social e Paroquial da Nossa Senhora da Nazaré. Vânia Raquel Martins Seabra 14 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio Reflexão O caso da D. Mariana pode considerar-se problemático devido à quase ausência da rede de suporte social. Contudo, de acordo com Fischer et al., (1977 cit,. in Guadalupe, 2009:50) “ (…) as redes sociais podem ser consideradas como ‘os sistemas particulares de relações que unem atores sociais’ ” da qual “ (…) a existência de uma rede social não é sinónimo da existência efetiva do apoio” (Guadalupe, 2009: 82). Segundo Guadalupe, existem dois tipos de redes: as primárias e as secundárias. Por redes primárias entende-se “inserção do um conjunto natural de indivíduos em interação uns com os outros que formam a trama de base da sociedade e o meio de individuo” (2009:54). Neste caso concreto, a D. Mariana não possui suporte da rede primária uma vez que não mantem relação com o seu irmão, nem vizinhos, nem tem amigos. Por redes secundárias, segundo Blanchet et all., (1981, cit. in Guadalupe, 2009:55) entende-se por “um conjunto de pessoas reunidas por uma mesma função, num quadro institucionalizado”. Neste contexto, a D. Mariana depois de todas as diligências efetuadas pelo Serviço Social do HJLC, foi sugerido uma Vaga Pilar em Lar à Segurança Social, uma vez que a utente não tinha retaguarda familiar, e não tinha meios económicos para a sua subsistência, nem mesmo condições para regressar ao domicílio. Outro problema que podemos verificar neste caso está ligado à solidão. Ou seja, podemos dizer que a solidão é uma realidade complexa, pois pode-se facilmente confundir com questão do isolamento, abandono, entre outros. Segundo o Dicionário Houaiss (2003, cit. in Hélder Fernandes, 2007:32) solidão significa a “sensação ou situação de quem vive afastado do mundo ou isolado no meio de um grupo social”. “No estudo sociológico da solidão, Ussel (2001, cit. in Hélder Fernandes, 2007:32-33) considera que tem de se ter em conta que o trabalho e a família são os dois eixos principais que estruturam e definem a existência humana. Assim, qualquer alteração que ocorra nestes dois eixos é suscetível o aparecimento de diversos problemas (…) ” que darão origem à solidão. Ainda segundo Neto (2000, cit. in Hélder Fernandes, 2007:33), a solidão é “…uma experiência comum e é um sentimento penoso que se tem quando há discrepância entre o tipo de relações sociais que desejamos e o tipo de relações sociais que temos.” Assim, podemos dizer que a solidão pode advir de vários aspetos oriundos de diferentes situações da vida de cada um, bem como, da forma como lidamos com essas situações no nosso quotidiano. A solidão procura a solidão, ficando as pessoas de certo forma acostumadas a ela, sentido que esta será a sua companhia mais fiel. Neste caso prático, verifica-se que a utente vivia sozinha e isolada da sociedade. Não tinha filhos, era divorciada e a sua família mais chegada, ou seja, o seu irmão não queria Vânia Raquel Martins Seabra 15 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Atividades de Estágio manter qualquer tipo de contato com ela. Esta falta de contato pode ter múltiplas razões como o isolamento da própria utente, ou mesmo disputas entre eles que possam ter levado ao isolamento e consequentemente solidão por parte desta. Mas o isolamento nem sempre quer dizer que a pessoa sofre de solidão. Com isto, e para a diminuição deste sentimento de solidão por parte dos idosos, é necessário que estes usufruam de algum tipo de apoio formal (lares, centros de dia, entre outros), pois seria uma solução para minimizar o isolamento e a solidão deles, convivendo com outros idosos e passando assim o seu tempo. Contudo, esta resposta pode nem sempre ser vista da melhor forma pelos idosos, pois eles sentem que perdem parte da sua identidade por estar a sair das suas próprias casas e partilhar espaços com outros idosos. Neste sentido e como a intervenção feita neste caso prático foi também no sentido da utente não poder ir para caso sozinha e por ela estar numa situação de isolamento, entendemos assim que a D. Mariana teria apoio social de uma rede secundária (apoio formal) por parte da Vaga/Pilar em Lar, (orientação dada pela Segurança Social, para utentes nas circunstâncias a que a D. Mariana se encontrava) ingressando no Centro Social e Paroquial da Nossa Senhora da Nazaré. Vânia Raquel Martins Seabra 16 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio 3.4. Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio Segundo a Associação de Profissionais de Serviço Social “O Serviço Social visa a mudança societária, em particular face aos que sofrem as consequências de quaisquer formas de exclusão e injustiça social, nomeadamente por pobreza, desemprego, doença, cumprimento de pena ou violação dos Direitos Humanos.”(cit.in http://www.apross.pt/Files/Assistente_Social_.pdf acedido a 18/06/11). A profissão de Serviço Social, promove a mudança social, resolvendo os problemas existentes nas relações humanas e reforçando a emancipação das pessoas para levar ao bem-estar das populações. O Serviço Social intervém utilizando teorias de comportamento humano e dos sistemas sociais de forma a intervir nas situações em que as pessoas interagem com o seu meio. Os princípios dos direitos humanos e da justiça social, são indispensáveis para a profissão do Assistente Social (cit. in http://www.apross.pt/etica.php acedido a 18/06/11). Com isto, podemos verificar que o Serviço Social está intrinsecamente ligado à saúde, visto que foi nesta mesma área, ou seja, na saúde que o S.S teve a sua génese, nos finais do seculo XIX com Mary Richmond. Foi assim no inicio do seculo XX que em Portugal “(…) as A.S começaram a acompanhar as equipas de saúde no tratamento e profilaxia da tuberculose”(Martinelli, 2003). Assim, foi devido à participação do A.S na área da saúde, que despoletou a curiosidade de desenvolver o estágio nesta mesma área. A estagiária achou muito gratificante estagiar na área da saúde, devido a haver um contacto com diferentes áreas e situações, revelando-se bastante enriquecedor para a sua formação. O Estágio Curricular, veio permitir, também, uma aquisição de atitudes, valores e postura no âmbito da profissão de Serviço Social. O contato direto da estagiária com as problemáticas existentes no HJLC, as diferentes respostas e intervenções às problemáticas e a interação com diferentes profissionais da área da Saúde, permitiram uma visão mais ampla da profissão e da interação desta com outras áreas. Ao longo de todo o Estágio desenvolvemos também, competências mais alargadas e abrangentes, para que mais tarde no desenvolver da atividade profissional, possamos diagnosticar e delinear uma intervenção eficaz, tendo em conta as diversas problemáticas sociais existentes. Este estágio assumiu um papel fulcral de todas as etapas do processo académico, pois foi o primeiro contato com a realidade social, assim como foi a primeira experiência na prática a nível profissional. Vânia Raquel Martins Seabra 17 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio Assim, este estágio, permitiu-nos confrontar com esta realidade que é o envelhecimento dependente e as repercussões na vida do cuidador informal, ou seja, tendo em conta as políticas socias já desenvolvidas para este mesmo fim, assim como a aplicação destas, fez-nos desenvolver uma atitude crítica mas construtiva a cerca delas. Podemos verificar que as políticas já desenvolvidas, não são de certa forma cumpridas, ou deveriam ser desenvolvidas mais políticas ou projetos, para responder às dificuldades sentidas pelos cuidadores informais, ao cuidar de idosos dependentes, com ajuda de outros cuidados, como os formais, despoletando o interesse no ensino aos cuidadores informais, para uma diminuição da sobrecarga. Com isto, a estagiária considera importante e de extrema relevância que haja um desenvolvimento de estratégia de intervenção por parte das redes secundárias, de forma a contribuir para o bem-estar dos idosos dependentes, bem como dos familiares cuidadores. De igual modo, deve de haver uma partilha de informação relativamente às problemáticas subjacentes do cuidar, e das várias respostas que existem para ajudar nos desafios que o idoso dependentes pode despoletar diariamente. Vânia Raquel Martins Seabra 18 PARTE II Pesquisa Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Resumo Resumo Este tema revelou-se importante devido ao facto de não haver muitos trabalhos realizados na área dos cuidados continuados, sendo uma medida/política recente. Também houve necessidade de conhecer a população-alvo que a Unidade de Convalescença do HJLC abarca, ter a perceção das limitações e consequências que podem advir na vida dos cuidadores informais dos utentes do hospital, bem como, o seu nível de sobrecarga, para além de querermos conhecer o papel do Serviço Social neste tipo de serviço. Elaborámos um questionário com intuito de conhecer e caracterizar o cuidador e o utente, para a avaliação da sobrecarga dos utentes, bem como da dependência dos utentes foram utilizadas duas escalas respetivamente, a escala de CUIDE e a de MIF. Os instrumentos foram administrados a 24 utentes e cuidadores numa amostra total de 32 indivíduos, sendo que 7 deste total faleceram, e 1, o cuidador informal não estava disponível para participar no estudo. Verificámos que a nossa amostra é maioritariamente constituída por pessoas do sexo feminino (62,5%) e os inquiridos tem idades compreendidas entre os 66 e os 95 anos de idade, sendo a médias das idades de 78,71. Tendo em conta os seus cuidadores, são maioritariamente mulheres (75%) com uma média de idades de 56,92. Com a escala de Cuide, que avalia a sobrecarga do cuidador informal na prestação de cuidados aos utentes a média total das questões é de 53,79 (média relativa 3,16), com um desvio padrão de 16,42 (desvio padrão relativo de 0,97), sendo o mínimo de respostas 19 e máximo no 68. Verificamos assim com esta média total de scores, que existe uma satisfação ao prestar cuidados aos utentes idosos com dependência, ou seja, a sobrecarga destes cuidadores inquiridos não é elevada. Podemos ainda constatar com este estudo, que em média dos scores obtidos é 58,54, quer isto dizer, que dos 24 idosos inquiridos no estudo, o grau de dependência deles é moderado (de 37 a 90). O estudo permite concluir que os cuidadores informais, mais concretamente os familiares destes idosos dependentes sentem-se sobrecarregados em certas tarefas e sendo prejudicial para eles próprios em termos físicos, psicológicos e sociais, embora sentindo uma grande satisfação por cuidar deles, pois são seus familiares, achando até mesmo gratificante a tarefa de Vânia Raquel Martins Seabra cuidar. 19 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais 1.Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais 1.1 Envelhecimento Segundo Sousa, Figueiredo e Cerqueira (2006:21-22) “o envelhecimento é um processo multifatorial de deterioração endógena e irreversível das capacidades funcionais do organismo. Consiste num fenómeno inevitável, inerente à própria vida, equivalente à fase final de um programa de desenvolvimento e diferenciação. Daí ser possível distinguir entre envelhecimento primário ou normal e envelhecimento secundário ou patológico. O primeiro, manifesta o processo de diminuição orgânica e funcional, que acontece, de forma inevitável, com o passar do tempo. O segundo, reporta-se aos fatores que têm interferência no processo de envelhecimento normal, como o stress, doença ou traumatismo, suscetíveis de acelerar o processo de envelhecimento primário”. O envelhecimento está relacionado com um conjunto de transformações biológicas, psicológicas e sociais que se processam durante a vida. Ou seja, o envelhecimento refere-se às alterações regulares que ocorrem em organismos maturos, vivendo em condições ambientas representativas à medida que avançam na idade cronológica. De acordo com La Rue (2005, cit. in Sequeira, 2007:31) “é prática comum considerar as pessoas idosas como homens e mulheres com idade igual ou superior a 65 anos, pelo que a idade da reforma constitui uma referência para a velhice, ainda que de forma viável, em função da profissão, país, sistema social, cultura, etc.” Assim, em sustentação ao referido anteriormente, é importante salientar que o processo de envelhecimento ocorre de maneira diferenciada em todo o mundo. Cada país possui os seus aspetos culturais, bem como económicos e sociais que estão relacionados de forma direta com a qualidade de vida dos seus cidadãos e que de certa forma vão interferir no modo como as pessoas irão envelhecer, e de que forma se dará esse processo. A maneira como envelhecemos tem a ver com a forma como nos desenvolvemos, ou seja, a senescência2 que está de acordo com a função do meio físico e social em que o organismo se desenvolve e envelhece. Assim, ninguém fica “velho” de um momento para o outro. As características físicas e mentais das pessoas é que serão os indicadores de velhice. Segundo Schoroots e Birren (1980, cit in Paúl, 1997:10), “o envelhecimento tem 3 componentes: a) o processo de envelhecimento biológico, que resulta da vulnerabilidade crescente e de uma maior probabilidade de morrer, a que se chama senescência; b) um envelhecimento social, relativo aos papéis sociais apropriado às expectativas da sociedade para este nível etário; e c) o envelhecimento 2 Senescência: entende-se por este conceito o conjunto de alterações orgânicas, morfológicas e funcionais que ocorrem em sequência do processo de envelhecimento. Vânia Raquel Martins Seabra 20 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais psicológico, definido pela autorregulação do individuo no campo de forças, pelo tomar de decisões e opções, adaptando-se ao processo de senescência e envelhecimento.” Assim, o envelhecimento é visto como um processo natural que é vivido por todos e por cada Ser Humano de diferentes maneiras, dependendo da dimensão que nesse momento é mais importante para cada um. Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) num contexto de uniformização de critérios, define que um individuo é considerado idoso quando tiver mais de 65 anos, independentemente do sexo e do estado de saúde. 1.2.Envelhecimento e Dependência Na literatura encontramos inúmeras classificações de dependência. Pode-se classificar dependência pelas limitações físicas, funcionais ou pelas limitações cognitivas e mentais. Segundo Vilão (1995, cit in Santos, 2007: 39) “uma pessoa dependente é aquela que necessita de transferir para terceiros as atividades que tendem à satisfação das ‘necessidades humanas básicas’, no contexto de uma doença crónica, incapacidade ou deficiência.” Sixsmith (1986, cit. in Sousa et al., 2006) efetuou um estudo sobre o significado e a importância da independência para os idosos. Os resultados desse estudo indicam que é sinónimo de: capacidade de tomarem conta de si próprios, sem estarem dependentes dos outros para tarefas domésticas e cuidados pessoais; competência de autodecisão e liberdade para fazer escolhas (autonomia); não se sentir um fardo/obrigação para os outros. Outro aspeto verificado foi o facto de que, para os idosos que recebiam apoio direto, os sentimentos de independência podiam ser preservados, desde que sentissem que a ajuda era dada num contexto de reciprocidade. A autonomia dos idosos classifica-se assim em três grupos: a baixa autonomia, quando os idosos manifestam uma dependência alta no realizar das Atividades de Vida Diárias (AVD)3 e com poucas relações sociais; média autonomia, ao qual os idosos resolvem a maior parte dos problemas do seu quotidiano, contudo contam com o apoio dos familiares, quando revelam perdas sensoriais; e a elevada autonomia, ao qual tem uma boa perceção da qualidade de vida, com atitudes ativas no seu quotidiano. Ser idoso, é uma etapa da vida que é caracterizada pela diminuição das funcionalidades e da capacidade do organismo se adaptar as mudanças bruscas, tornando-se mais suscetível. Um idoso dependente será aquele que num longo período de tempo 3 AVD: conjunto das atividades quotidianas essenciais, que devem ser realizadas regularmente para manter a independência de um indivíduo em seu meio habitacional. (Baltes, 1999 cit in Sequeira,2007:105) Vânia Raquel Martins Seabra 21 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais necessitará de apoio de outra pessoa na realização das atividades de vida diárias, existindo todavia fatores físicos (fragilidade física, problemas na mobilidade, etc.), psicológicos (transtornos cognitivos, alterações de personalidade, etc.) ou vindos do contexto social (ambiente físico, atitudes e comportamentos que o rodeiam, etc.), que possam determinar a sua dependência. Outro ponto importante será conhecer o nível de dependência que se encontra o idoso, ou seja, compreender o grau de incapacidade funcional em que idoso dependente se encontra. O grau de dependência do idoso ajudará a determinar o plano de cuidados necessários a prestar-lhes, bem como o tipo de assistência e suporte que serão dados tanto ao idoso, como à família ou cuidador. O grau de dependência tem vindo a ser avaliado mediante escalas de capacidade funcional existentes para este mesmo fim. A dependência é um problema grave, ao qual interfere na qualidade de vida do idoso e do cuidador informal. Com isto, requer-se uma tomada de medidas individuais, sociais, governamentais, com intuito de promover sempre a máxima autonomia, confiança e autovalorizarão. A nível governamental, há uma corresponsabilidade acrescida nas famílias/cuidadores, na prestação de cuidados. É necessário capacitar as famílias ou cuidadores para a prestação de cuidados informais visto que lidar com uma situação de dependência torna-se dispendioso a vários níveis tais como, o emocional, o físico e o social. Assim, o idoso dependente é um ser humano como todos os outros seres de outras faixas etárias. Logo, possui um conjunto de necessidades, bem como o direito de as ver satisfeitas, com ou sem ajuda de terceiros. 1.3.Envelhecimento e o contexto social Segundo Santos (2007:40), nas sociedades vulgarmente designadas por “pouco civilizadas”, o idoso é considerado como um ser sábio, culto e experiente, ao qual se pode recorrer para a resolução de problemas e aconselhamento. Nessas culturas vive-se “ o culto de que cada idoso que morre é uma biblioteca que arde (…) ” (Vilão, 1995 cit. in Santos, 2007:40). Segundo Sequeira (2007:52-53), (...) “o envelhecimento está de um modo geral associado às alterações significativas no âmbito da participação ativa do idoso. Os idosos, nesta fase do ciclo da vida, são alvo de alterações de forma substancial ao nível dos papéis a desempenhar, no seio familiar, laboral e ocupacional, verificando-se uma tendência para a diminuição de forma progressiva, de acordo com a idade.” Vânia Raquel Martins Seabra 22 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais Os idosos nesta fase têm uma participação menor nas redes sociais, bem como há uma diminuição das suas relações intersociais. Assim, a interação social deles, por vezes, fica mais comprometida pelo facto de estarem a depender de outrem. Todavia, a diminuição da capacidade cognitiva e funcional é um dos fatores de obstáculo à manutenção dos contactos sociais. 1.4.A Família como Prestadora de Cuidados Informais O envelhecimento demográfico, tem como matriz uma maior longevidade das pessoas, ao qual está associado a uma maior incidência de incapacidades e de doenças crónicas, das quais se destacam as demências, o que implica obrigatoriamente uma maior necessidade de cuidados de natureza física, emocional e/ou social. Com isto existe uma necessidade de potenciar novos cuidados à população idosa, o que irá implicar uma participação maior por parte dos cuidadores informais, essencialmente das famílias, ou concretamente do familiar cuidador. Assim, os cuidadores informais vão assumir um papel preponderante na sociedade, tendo implicações significativas em termos económicos, sociais e humanos. O suporte familiar, a rede social formal e informal constituída por instituições, serviços oficiais públicos e privados, rede de amigos e voluntários, exercem um papel importante, pois constituem fatores de auxílio no controlo de situações problemáticas. Segundo Inserso (1995 cit in Sequeira, 2007:99), “o cuidar não é apenas uma função ou uma tarefa, mas sim, uma forma de ‘estar no mundo’, um ato solidário que envolve respeito, reciprocidade e complementaridade. Assim, o cuidar está presente em todas as culturas e apenas difere na sua forma de expressão e de realização.” Lage (2005 cit in Sequeira, 2007:99) diz-nos que “ a função do cuidar ao longo dos tempos tem estado vinculada essencialmente à família.” É neste contexto familiar, que se processa a apropriação do papel de cuidador. Assim, neste sentido verifica-se ainda algumas diferenças de géneros, ou seja, a mulher tem o papel principal como responsável neste campo, o do cuidar. Ao longo dos tempos a família continua como a principal responsável pelo sustento da autonomia dos membros que a constituem, o que implicará uma prestação de cuidados em determinados aspetos e contextos. Segundo Sequeira (2007:100) “a família constitui um grupo primário básico de apoio e que tem o papel mais relevante no cuidado a longo prazo, como é o caso da dependência associada à doença Vânia Raquel Martins Seabra 23 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais crónica. (…) Assim, o cuidador informal é habitualmente, um membro da família ou alguém muito ‘próximo’ do doente que, na maioria das vezes, se responsabiliza de forma direta pela totalidade dos cuidados.” Neri e Carvalho (2002, cit in Sequeira, 2007:100-101) explicam que “a identidade do cuidador esta intrinsecamente ligada à história pessoal e familiar, com base em contextos sociais e culturais, pelo que o cuidar constitui um aspeto normativo da vida de alguns dos membros da família, principalmente do sexo feminino e dos mais velho.” Assim, é de extrema importância as estruturas de apoio aos prestadores de cuidados informais, pois estas estruturas vêm ao encontro da melhoria da qualidade de vida tanto para idosos como para os cuidadores informais. Para este mesmo fim, é necessário definir novas políticas de intervenção, para reforçar o papel dos prestadores informais, criar e desenvolver novas infraestruturas na comunidade que possam acompanhar e ajudar a familiar no controlo destas situações. 1.5.Cuidador Informal O cuidador informal de um idoso dependente é visto como um elemento chave no apoio e tratamento da doença, assim como na subsistência do idoso no domicílio. O desempenho deste tipo de papel, leva a assumir diversas formas de orientar, vigiar, apoiar e substituir. O papel do cuidador informal é complexo, devido ao número de funções que este acarreta ao cuidar do idoso dependente. O cuidar do idoso está focado na prestação de cuidados diretos, sendo que tem de haver sempre por parte do cuidador preocupação, supervisão, orientação ou ajuda, nas Atividades de Vida Diárias (AVD). Assim, segundo Sequeira (2007: 107) o desempenho do papel do cuidador depende essencialmente de: “Tipo/frequência da necessidade de cuidados em função da saúde, estado funcional, estado cognitivo, alterações psicocomportamentais, alterações da comunicação/relação, etc.; Contexto em que o idoso dependente está inserido, condições habitacionais (segurança, conforto), tipo de ajudas (suporte formal e informal), dos meios económicos de que dispõe, etc.; E do Contexto do cuidador, que inclui um elevado número de variáveis que vão desde a sua saúde física, disponibilidade, sensibilidade, condições psicológicas, relação afetiva, etc.” Vânia Raquel Martins Seabra 24 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais Todavia, este tipo de prestação de apoio aos idosos surge de forma inesperada, e os cuidadores habitualmente não estão preparados, pelo que o apoio e contributo dos profissionais de saúde são fundamentais nesta fase. Neste sentido, o apoio a nível da informação, formação, treino de competências e habilidades possibilita ao cuidador oportunidades para desempenhar melhor o seu cargo junto ao idoso dependente. Assim, é indispensável que o cuidador e de igual modo o idoso, sejam considerados como prioridade na intervenção para os profissionais na área da saúde. Estes têm como intenção avaliar as capacidades de prestação de cuidados, do estado de saúde, das dificuldades que possam surgir, das diversas estratégias que se pode utilizar para facilitar os cuidados, etc. Segundo Sequeira (2007:108) “um outro aspeto, que merece destaque no papel de cuidador, está relacionado com a perceção de autoeficácia relativamente às estratégias de coping utilizadas, pelo que a experiência e o treino ao nível destas, estão associadas ao sucesso/insucesso, influenciam a sua adaptação ou rejeição e determinam a forma como uma situação é percecionada.” A abordagem deste conceito, de cuidador informal, é bastante complexa, ao qual a pessoa da família ou amiga são consideradas as que assumem normalmente o papel principal na prestação de cuidados e assistência à pessoa idosa. Guedes (2000, cit in Santos, 2007:46) afirma que os “cuidadores são definidos como pessoas que se ocupam de indivíduos com incapacidades funcionais a sérias perdas de autonomia.” Assim, podemos constatar que, os cuidadores informais são identificados em três tipos de pessoas quanto à prestação de cuidados: os cuidadores primários, secundários e terciários. Os primários, são aqueles que assumem a responsabilidade de supervisionar, orientar de forma direta o idoso e realizando a maioria dos cuidados. O cuidador secundário é aquele que ajuda no prestar dos cuidados de forma casual, mas não tem qualquer tipo de responsabilidade. O cuidador terciário, pode ser um amigo ou vizinho que esporadicamente ajuda quando lhe é pedido, não tendo qualquer tipo de responsabilidade também. ‘Cuidar’ o idoso dependente no domicílio, torna-se de certa forma uma aprendizagem constante, pois as necessidades físicas, biológicas e de acordo também com o nível de dependência dos idosos, normalmente tornam-se difíceis devido à inexperiência do cuidador. Quanto ao perfil de cuidador informal, verificamos que na sua grande maioria é exercida pela família de forma não remunerada, incidindo os cuidados, como foi dito Vânia Raquel Martins Seabra 25 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais anteriormente, no elemento feminino mais próximo, embora os homens venham a participar cada vez mais nos cuidados. Na realidade profissional, quando o cuidador informal coabitar com o idoso dependente, a vida dele fica com restrições. Todo o seu tempo fica preenchido, esquecendose que também tem necessidades físicas, emocionais e sociais. Assim, neste sentido os cuidadores informais apresentam um sobrecarga física, emocional e social maior, do que se coabitassem em casas separadas. Outro ponto a salientar é, que os idosos também estão sobre a responsabilidade estatal e de outros profissionais de saúde e não só dos cuidadores informais. Os cuidadores precisam, também, de receber auxílio e equipas multidisciplinares que os orientem após a entrada do idoso no domicílio, e os ajudem a ultrapassar obstáculos e etapas mais difíceis de lidar. A parceria entre estes é indispensável para a integração do idoso. Assim, é importante que os profissionais de saúde desenvolvam e incentivem para os vários tipos de intervenção, com fim de salvaguardar integridade física e emocional dos próprios cuidadores. Outra das dificuldades mais evidenciada é a insatisfação com as respostas formais, a rejeição de apoio formal pelo idoso, o custo do serviço de apoio domiciliário e outras despesas, associadas à inexistência de remunerações por parte do cuidador, notabilizando-se como as principais condições sociais e financeiras geradoras de dificuldades no cuidado informal. 1.6.Sobrecarga do Cuidador Informal Segundo Sequeira (2007:108) “o resultado do processo de um idoso dependente está intimamente ligado com as capacidades adaptativas do familiar cuidador.” De acordo com Andrade (2009 cit. in Cruz et all., 2010:133), os fatores de sobrecarga inerentes ao papel de cuidador informal no seu estudo são: a prestação de cuidados a mais de um idoso, o aumento da quantidade/intensidade dos cuidados, o grau de dependência do idoso, a falta de conhecimento sobre a evolução do estado de saúde do idoso e ou das técnicas inerentes ao cuidar, falta de colaboração do idoso, isolamento social, recursos económicos insuficientes, conflitos familiares, falta de apoio formal e informal, idade do cuidador e dificuldade em aceitar o seu papel. Outros fatores inerentes à sobrecarga do cuidador informal estão relacionadas com a escolaridade e a vida profissional, bem como as alterações comportamentais e cognitivas do idoso, o impacto a nível financeiro, laboral e social do ato de cuidar, o impacto na saúde e bem-estar do cuidador. Vânia Raquel Martins Seabra 26 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais Os elementos do sexo feminino são os que atingem os níveis de sobrecarga mais elevados, em comparação com os do sexo masculino. Dentro desta mesma perspetiva constata-se que os cuidadores informais com idades compreendidas entre os 50 e os 89 anos de idade, casados e com poucas habilitações literárias têm uma maior sobrecarga ao prestar cuidados aos idosos. Verifica-se também, que quanto maior o nível de dependência nas atividades de vida diária (AVD) maior a sobrecarga do cuidador. Com isto, a nível nacional, o alívio da sobrecarga dos cuidadores informais pode passar por um dos instrumentos temporários que o idoso dispõe, ou seja, a referenciação nas unidades de média ou longa duração, com objetivo do descanso ao cuidador, integradas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Vânia Raquel Martins Seabra 27 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Objetivos do Estudo 2.Objetivos do estudo 3.1. Objetivo Geral Avaliar a Sobrecarga do Cuidador Informal, dos Utentes da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro em Anadia. 3.2 Objetivos Específicos Caracterização sociodemográfica dos cuidadores e dos utentes idosos da Unidade de Convalescença do HJLC. Avaliar a sobrecarga do Cuidador Informal dos utentes idosos da Unidade de Convalescença do HJLC. Avaliar o grau de dependência dos utentes idosos da Unidade de Convalescença do HJLC. Analisar a relação entre a sobrecarga do cuidador informal tendo em conta o nível de dependência do utente. 3. Materiais e Métodos 3.1 Pergunta de partida A pergunta de partida é a seguinte: de que forma o Utente dependente influencia, tendo em conta a sobrecarga dada, o Cuidador Informal? 3.2.Metodologia O estudo presente é de natureza quantitativa, através da qual se irão recolher dados por meio de um questionário sóciodemográfico elaborado por nós e por duas escalas, a de CUIDE e a de MIF. 3.3.População-alvo e Amostra A população-alvo do estudo presente é composta por um total de 32 indivíduos que prestam cuidados informais aos utentes idosos da Unidade de Convalescença do HJLC, bem como os seus utentes. No estudo estatístico a amostra será de 24 indivíduos dado que 7 dos utentes selecionados para a elaboração do estudo já terem falecido, e um, o cuidador informal não ter aceite participar no estudo. Vânia Raquel Martins Seabra 28 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Objetivos do Estudo 3.4.Critérios de inclusão e exclusão Considera-se critérios de inclusão: Todos os cuidadores informais que prestam cuidados aos idosos com 65 anos de idade ou mais, dependentes, utentes da Unidade de Convalescença do HJLC, colaborando de forma voluntária na pesquisa. Considera-se critérios de exclusão: Não colaborarem voluntariamente na pesquisa; Não reunirem os critérios necessários de inclusão para o estudo. 3.5. Instrumentos e Codificação de dados No que concerne aos instrumentos a utilizar, vai ser utilizado um questionário (Anexo 7) de caracterização social do utente e do seu cuidador, com propósito na caracterização da população alvo. Este questionário é feito sobre “administração indireta” ou seja, “o próprio inquiridor o completa a partir de respostas que lhe são fornecidas pelo inquerido” (Quivy e Campenhoudt, 2008:188). Outro instrumento que irá ser utilizado será a Escala de Cuidadores de Idosos na Europa (CUIDE – Anexo 7), que foi criada no âmbito de um projeto europeu que tinha como objetivo principal avaliar o grau de satisfação e descontentamento dos cuidadores na prestação de cuidados informais aos idosos. Por fim outra Escala a ser utilizada será a Escala de Medida de Independência Funcional (MIF- Anexo 7). A MIF surgiu pela necessidade de desenvolver um instrumento válido e fiável para documentar a gravidade da incapacidade, assim como os resultados do tratamento de reabilitação. Esta reflete o tipo de carga de cuidados prestados em caso de dependência dos utentes, ou seja, a carga global que se deve prestar. Assim, o questionário irá se constituir em quatro partes: a primeira parte, onde se irá identificar o idoso dependente assim como as suas características sociodemográficas e familiares; a segunda parte será dedicada à caracterização dos cuidadores informais, onde consta perguntas do foro sóciodemográfico, socioprofissional, sociofamiliar e sociohabitacional; Vânia Raquel Martins Seabra 29 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Objetivos do Estudo a terceira parte, a escala de CUIDE, para avaliar o grau de satisfação ou insatisfação dos cuidadores ao prestarem cuidados. Tem quatro possibilidades de resposta, tendo como pontuação atribuída de “1” a “4”; e por fim a quarta parte, a escala de MIF. A MIF é uma escala de sete níveis de pontuação, desde um máximo de 126 pontos que representam independência total, a um mínimo de 18, que representam dependência em todas as áreas avaliadas. A pontuação atribuída nesta escala é de “1” a “7”. 3.6.Procedimentos para a Recolha de Dados Pedido de autorização ao Presidente do Conselho de Administração do Hospital José Luciano de Castro – Anadia para a elaboração da pesquisa (Anexo 4 e 5); Pedido a outros profissionais do Hospital para utilizar informações dos seus ficheiros; Levantamento de todos os utentes idosos, com cuidadores informais, internados na Unidade de Convalescença ou que tenham regressado já ao domicílio; Contacto com os cuidadores informais e utentes idosos, da Unidade de Convalescença do HJLC, a fim de lhes solicitar a entrevista e informá-los dos objetivos, finalidades, bem como, da confidencialidade das respostas; Deslocação ao domicílio dos cuidadores/utentes para efetuar a recolha dos dados para o estudo; Administração dos instrumentos de recolha de dados de forma indireta e individual; Esclarecimento de dúvidas relacionadas com o preenchimento dos instrumentos de recolha de dados; Tratamento estatístico dos dados recolhidos, através da utilização do programa informático, na área das Ciências Sociais, SPSS (Statistical Package for the Social Sciences - versão 13 Vânia Raquel Martins Seabra para Windows. 30 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados 4. Apresentação e Análise dos Resultados Neste ponto, pretendemos apresentar os resultados obtidos através da análise estatística dos instrumentos referidos anteriormente. Serão apresentados os aspetos sociodemográficos, sócio-habitacionais do utente e do cuidador, as variáveis socioprofissionais do cuidador informal, bem como, os resultados obtidos no questionário aos cuidadores informais, a escala de CUIDE, a escale de MIF e as correlações. Tabela 1 - Sexo dos Utentes VARIÁVEIS FREQUÊNCIA % Feminino Masculino Total 15 9 24 62,5 37,5 100,0 Na tabela 1, verificamos que 62.5% (19) dos utentes inquiridos, eram do sexo feminino e 37,5% (9) eram do sexo masculino, podendo verificar que nesta pequena amostra de utentes com cuidadores informais, são sobretudo do sexo feminino que necessitam de apoio de terceiros. Tabela 2- Idades por classes dos utentes da Unidade de Convalescença e média das idades VARIÁVEIS De 65 a 70 anos de idade De 71 a 75 anos de idade De 76 a 80 anos de idade De 81 a 85 anos de idade De 86 a 90 anos de idade De 91 a 95 anos de idade Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 4 5 4 6 3 2 24 Média Desvio Padrão Mínimo Máximo % 16,7 20,8 16,7 25,0 12,5 8,3 100,0 78,71 7,997 66 95 Na tabela 2 verificamos que os utentes que necessitavam de apoio de outrem, estão entre os 81 e os 85 anos de idade (moda das idades) com 25% (6) da população inquirida, bem como, entre os 71 e 75 anos de idade com 20,8% (5). A média das idades dos utentes, é de 78,71, com um desvio padrão de 7,997. O mínimo das idades dos utentes inquiridos é de 66 anos de idade e o máximo de 95 anos de idade. Vânia Raquel Martins Seabra 31 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Podemos verificar na tabela 3, que seguidamente apresentamos, que o mínimo é 2 e o máximo 3, ou seja, nenhum dos utentes vivia sozinho, estando na média das respostas dadas de 2,04, que correspondia à variável viver “com a família”, perfazendo isto em percentagem 95.8% (23) da população inquirida. Tabela 3- Circunstâncias em que os utentes vivem VARÁVEIS Com a família Noutra situação Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 23 1 24 Média Desvio padrão Mínimo Máximo % 95,8 4,2 100,0 2,04 ,204 2 3 Tabela 4- Tipos de apoio usufruídos FREQUÊNCIA S RELATIVAS 1 4 4,2 16,7 1 4,2 5 20,8 Não usufruo deste tipo de apoios 13 54,2 Total 24 100,0 VARIÁVEIS Alimentação Higiene Cuidados de enfermagem e Higiene Centro de Dia % Na tabela 4, verificamos que 54,2% (13) dos utentes não usufruem de qualquer tipo de apoio de outra entidade. Sendo que 20,8% (5) estão a frequentar a valência de Centro de Dia. Tabela 5- Estado de conservação da habitação e tipologia VARIÁVEIS Bom estado Estado razoável Degradada no exterior Total VARIÁVEIS Casa de r/chão sem escadas Casa com r/chão e 1º andar (com escadas) Casa no 1º andar (com escadas) Apartamento com elevador Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 11 12 1 24 FREQUÊNCIAS RELATIVAS 8 % 45,8 50,0 4,2 100,0 % 33,3 12 50,0 2 2 24 8,3 8,3 100,0 Vânia Raquel Martins Seabra 32 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Nesta tabela anterior (5), verifica-se que o estado das habitações em estado razoável é de 50% e 45,8% a habitação está em bom estado. Verificamos também que a tipologia mais predominante é a “casa com r/chão e 1º andar (com escadas) ” com 50,0% (12) e 33,3% (8) com “casa em r/chão sem escadas”. Tabela 6- Sexo do cuidador informal VARIÁVEIS FREQUÊNCIAS RELATIVAS % Feminino Masculino 18 6 75,0 25,0 Total 24 100,0 Quanto às características dos cuidadores informais inquiridos, 75% são do sexo feminino, ou seja, dos 24 cuidadores informais inquiridos,18 são do sexo feminino e 6 (25%) são do sexo masculino. Destaca-se assim a tendência das mulheres, para prestar este tipo de cuidados, por predisposição, maior apetência, ou simplesmente por que se verificou nesta amostra. Tabela 7-Idades dos cuidadores informais VARIÁVEIS De 20 a 30 anos de idade De 31 a 40 anos de idade De 41 a 50 anos de idade De 51 a 60 anos de idade De 61 a 70 anos de idade De 71 a 80 anos de idade Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 3 2 4 3 3 9 24 Média Desvio Padrão Mínimo Máximo PERCENTAGEM (%) 12,5 8,3 16,7 12,5 12,5 37,5 100,0 56,92 17,949 25 80 Nesta tabela 7, a idade dos cuidadores informais está entre os “ 71 e os 80 anos de idade”, com 37,5% (9) do total dos inquiridos, podendo verificar que a distribuição pelas outras idades é muito equiparadas. Podemos verificar, que a média das idades dos cuidadores é de 56,92 com um desvio padrão de 17,949, na qual a idade mínima dos cuidadores é de 25 anos de idade e a idade máxima é de 80 anos de idade. Vânia Raquel Martins Seabra 33 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Tabela 8- Situação Conjugal dos Cuidadores Informais Solteiro(a) FREQUÊNCI A RELATIVA 2 8,3 Casado(a) / Em união de facto 20 83,3 Divorciado(a) / Separado(a) 1 4,2 Viúvo(a) Total 1 24 4,2 100,0 VARIÁVEIS % Do total dos inquiridos 83,3% (20) são casados ou vivem em união de facto, sendo este um dos fatores sociodemográficos dos cuidadores informais. Tabela 9- Profissões dos cuidadores informais VARIÁVEIS Auxilia em lar Auxiliar de idosos Auxiliar de Infância Auxiliar de serviços gerais Cabeleireira Desempregada(o) Doméstica(o) Educadora Social Empregada doméstica Empresário Pré-reforma Reformada(o) Total FREQUÊNCIA S RELATIVAS 1 1 1 1 1 1 4 1 1 2 1 9 24 % 4,2 4,2 4,2 4,2 4,2 4,2 16,7 4,2 4,2 8,3 4,2 37,5 100,0 No que se refere às variáveis socioprofissionais, uma das variáveis é a profissão de cada um dos indivíduos, como podemos visualizar na tabela 9. Apesar de se tratar de uma variável meramente qualitativa, podemos verificar qual é atividade predominante nestes prestadores. Verificamos que 37,5% (9) dos cuidadores inquiridos são reformados. Podemos ainda verificar que 16,7% (4) são domésticos(os), e não deixando de ter em atenção que quatro (4) das cuidadoras trabalham como auxiliares em diferentes tipologias, ou seja, tem experiência na tarefa de cuidar. Na tabela 10, que se refere à situação ocupacional dos cuidadores informais, verificamos que 41,7% (10) são “aposentados/reformados” e 25% (6) destes mesmos inquiridos trabalham a tempo inteiro. Vânia Raquel Martins Seabra 34 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Tabela 10- Situação Ocupacional dos Cuidadores VARIÁVEIS Empregado(a) a tempo inteiro Aposentado(a)/ Reformado(a) Desempregado(a) Doméstica Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 6 25,0 10 41,7 4 4 24 16,7 16,7 100,0 % Tabela 11- Grau de escolaridade dos cuidadores informais VARIÁVEIS Não frequentou o ensino formal 1º Ciclo do Ensino Básico ou 4ª classe 2º Ciclo do ensino Básico ou ciclo preparatório (5º/6º ano) 3º Ciclo do ensino Básico ou 9º ano (5º ano de liceu) Ensino Secundário (antigo ensino Industrial ou Comercial) Ensino Superior (Bacharelatos, Licenciaturas, Mestrado, Doutoramento) Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 4 8 16,7 33,3 3 12,5 5 20,8 1 4,2 3 12,5 24 100,0 % Nesta tabela 11, verificamos que o ensino de escolaridade que os cuidadores informais têm, é o “1º ciclo do Ensino Básico ou 4ª classe” com 33,3% (8) e o “3º ciclo do ensino Básico ou 9º ano (5º ano de liceu) ” com 20,8% (5) dos cuidadores informais inquiridos. Podemos verificar, ainda, que a percentagem mais elevada é a falta de escolaridade, ou seja, não frequentaram o ensino formal com 16,7% (4). Tabela 12- Relação de parentesco VARÁVEIS Cônjuge/ Companheiro Pai Mãe Avô/Avó Irmão/Irmã Outro membro da família Amigo(a)/Vizinho(a) Empregada Doméstica Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 9 1 6 2 2 1 2 1 24 Vânia Raquel Martins Seabra % 37,5 4,2 25,0 8,3 8,3 4,2 8,3 4,2 100,0 35 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Na tabela anterior, que mostra a relação que os utentes têm com os seus cuidadores informais, destaca-se a relação “cônjuges/companheiro” ou seja, cerca de 37,5% (9) dos cuidadores são conjugues. Outra percentagem que devemos destacar, é a da “mãe”, ou seja, 25% (6) dos cuidadores, são filhos que cuidam das próprias mães. Tabela 13- Tempo prestado pelo cuidador informal ao utente VARIÁVEIS De 15 dias a 6 meses De 7 meses a 2 anos De 3 anos a 5 anos De 6 anos a 9 anos De 10 anos a 15 anos Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS % 6 25 8 6 1 33,3 25 4,2 3 12,5 24 100,0 Na tabela anterior, que fala-nos do tempo em meses e anos que os cuidadores prestam cuidados a estes mesmos utentes, 33,3% (8) dos cuidadores cuidam dos utentes entre os “7 meses e os 2 anos”. Com 25% (6) dos inquiridos temos cuidadores que prestam cuidados a menos tempo, ou seja, entre os “15 dias e os 6 meses” e entre “3 anos a 5 anos de idade”. Tabela 14- Distância entre o cuidador e o utente VARIÁVEIS Vive na mesma casa A uma distância possível de ir a pé Até 10 minutos de carro/autocarro ou comboio Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 21 87,5 2 8,3 1 4,2 24 100,0 % Na tabela 14 verificamos que 87,5% dos inquiridos, ou seja, 21 cuidadores informais vivem na mesma casa. Aqui verificamos a veracidade dos dados da tabela 11 são reais, pois verificamos que os cuidadores são sobretudo cônjuges ou filhos, logo, a percentagem obtida quando comparamos com os dados da tabela 13 diz-nos que os conjugues comumente vivem juntos ou vivem com os filhos. Vânia Raquel Martins Seabra 36 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Tabela 15- Tipo de apoios prestados VARIÁVEIS Físicos/Pessoais (ex.: lavar, vestir) Domésticos (ex.: cozinhar, limpar a casa) Apoio em tudo, exceto Apoio Financeiro Apoio em tudo Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 1 2 14 7 24 % 4,2 8,3 58,3 29,2 100,0 Verificamos na tabela 15, que 58,3%, ou seja, 14 dos cuidadores informais dão “apoio em tudo, exceto financeiro”. Com isto, podemos concluir com base nas tabelas anteriores, que pelo facto de o apoio ser dado pelos conjugues eles têm as suas poupanças/reformas em conjunto, logo têm sustento monetário em comum, não interferindo com mais ninguém. Podemos também concluir, que mesmo tendo “apoio em tudo” (29,2%), será pelo facto das suas reformas não serem suficiente, levando aos filhos ou outros cuidadores, apoiarem-nos financeiramente. Tabela 16-Média de horas prestados por dia pelos cuidadores Na tabela 16, que diz respeito ao número médio de horas prestadas ao utente, 58,3% (14) dos cuidadores responderam que cuidam, em média, entre “20 a 24 horas” por dia, dos utentes. VARIÁVEIS De 1 a 5 horas De 5 a 10 horas De 10 a 20 horas De 20 a 24 horas Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 6 1 3 14 24 % 25,0 4,2 12,5 58,3 100,0 Tabela 17- Limitações na vida profissional/ocupacional dos cuidadores VARIÁVEIS Sim Não Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 12 12 24 % 50,0 50,0 100,0 Nesta questão, que foi feita aos cuidadores as respostas foram equiparadas, ou seja 50% disseram que cuidar destes utentes causam-lhes “limitações na sua vida em questões Vânia Raquel Martins Seabra 37 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados profissionais/ocupacionais”, assim como outros 50% dos inquiridos responderam que não lhes causava qualquer tipo de limitações nas suas vidas. Tabela 18- Outras pessoas que prestam cuidados para além do cuidador principal VARIÁVEIS Sim Não Total FREQÊNCIAS RELATIVAS 17 7 24 % 70,8 29,2 100,0 Na tabela 18, que analisa se o cuidador tem apoio de outra pessoa, verificamos que 70,8% (17) dos cuidadores informais tem mais alguém que lhes ajuda a prestar apoio. Tabela 19- Prestação de apoios a terceiros VARIÁVEIS Sim Não Total FREQUÊNCIAS RELATIVAS 4 20 24 % 16,7 83,3 100,0 Verificamos na tabela 19, que diz respeito à prestação de cuidados com apoio a terceiros, que 83,3% (20) dos cuidadores não têm mais nenhuma pessoa a seus cuidados. Na tabela 20, observamos as diferentes frequências relativas de cada pergunta, fazendo uma análise descritiva de cada questão, bem como, o somatório, média, desvio padrão e o mínimo e máximo das respostas dadas. Com isto, podemos verificar que a média total das questões é de 53,79, com um desvio padrão de 16,42, sendo o mínimo de respostas 19 e máximo no 68. Ou seja, com este mínimo e máximo, podemos tirar a conclusão, que as respostas dadas estavam perto do nível de corte mínimo e máximo, para esta escala que é o 18 e no máximo 68. Com isto tudo, analisamos que as respostas foram variadas e com níveis de scores totais variados. Uma vez que o nosso score máximo é de 68, podemos verificar que com a média obtida de respostas de 53,79 os cuidadores estão satisfeitos na prestação de cuidados, logo a sobrecarga é baixa, contudo não deixa de haver sobrecarga para estes cuidadores em parâmetros como na saúde física, emocional ou até mesmo económica. Vânia Raquel Martins Seabra 38 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Desvio Padrão N % N % N % N % N % Média Mínimo Máximo Tabela 20- Estatística Descritiva de todos os itens, totais da escala de cuide 0 ,0 6 25 8 33,3 10 41,7 24 100 3,38 1,096 1 4 11 45,8 8 33,3 3 12,5 2 8,3 24 100 3,17 ,816 2 4 1 4,2 6 25 13 54,2 4 16,7 24 100 1,83 ,963 1 4 3 12,5 2 8,3 2 8,3 17 70,8 24 100 2,83 ,761 1 4 4 16,7 3 12,5 10 41,7 7 29,2 24 100 3,71 ,690 2 4 0 ,0 3 12,5 1 4,2 20 83,3 24 100 3,21 1,103 1 4 3 12,5 3 12,5 4 16,7 14 58,3 24 100 2,75 1,260 1 4 7 29,2 1 4,2 7 29,2 9 37,5 24 100 2,96 1,122 1 4 4 16,7 3 12,5 7 29,2 10 41,7 24 100 3,04 1,160 1 4 4 16,7 3 12,5 5 20,8 12 50 24 100 3,54 ,884 1 4 1 4,2 3 12,5 2 8,3 18 75,0 24 100 3,38 1,013 1 4 2 8,3 3 12,5 3 12,5 16 66,7 24 100 3,79 ,658 1 4 1 4,2 0 ,0 2 8,3 21 87,5 24 100 3,25 ,897 1 4 1 4,2 4 16,7 7 29,2 12 50 24 100 3,54 ,833 1 4 1 4,2 2 8,3 4 16,7 17 70,8 24 100 3,25 1,032 1 4 2 8,3 4 16,7 4 16,7 14 58,3 24 100 3,33 1,090 1 4 3 12,5 2 8,3 3 12,5 16 66,7 24 100 2,83 1,049 1 4 53,79 16,42 19 68 Nunca Por vezes Muitas vezes Sempre Total VARIÁVEIS Sente que consegue enfrentar positivamente as suas tarefas de prestação de cuidados? Considera a tarefa de prestação de cuidados uma atividade muito exigente? Prestar cuidador significa que "não tem um minuto" para si mesmo? A tarefa de prestação de cuidados causa dificuldades no seu relacionamento com os amigos? A prestação de cuidados tem um efeito negativo na sua saúde física? A prestação de apoio/cuidados causa dificuldades na relação que tem com a sua família? A prestação de apoio/cuidados é, para si, causa de dificuldades financeiras? Sente-se "prisioneiro" da sua tarefa de prestação de cuidados? Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos seus amigos, e/ou vizinhos, e/ou outros? Sente que a sua tarefa de prestação de cuidados restringe excessivamente a sua vida pessoal? Sente que a prestação de cuidados é uma tarefa que lhe traz satisfação pessoal? Sente-se suficientemente apoiado(a) pela sua família? Tem uma boa relação com a pessoa que presta cuidados? Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos serviços sociais e de saúde? Sente que é valorizado enquanto pessoa por quem presta cuidados? A tarefa de prestação de cuidados tem um efeito negativo no seu bem-estar emocional? De uma forma geral, sente-se suficientemente apoiado(a) no seu papel de pessoa que presta cuidados? TOTAL: 48 56 85 219 Vânia Raquel Martins Seabra 39 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Tabela 21-Escala de CUIDE relativa Escala CUIDE N Mínimo Máximo Média Desvio padrão CUIDE RELATIVA 24 1 4 3,16 0,97 Cuidador enquanto pessoa 24 1 4 3,35 0,95 Disponibilidade e relacionamento Necessidade de apoio social 24 1 4 2,87 0,97 24 1 4 3,19 0,99 Para a obtenção da tabela anterior (20), somaram-se as pontuações obtidas para cada prestador às diversas perguntas e calcularam-se as médias ponderadas (divisão da soma obtida pelo número de questões que avaliam cada um dos três itens e a escala total). O “ponto de corte” de uma escala pontuada de 1 a 4 é 2,5. Logo, tudo acima deste valor terá valores de satisfação positivos. Assim, verificamos que pela pontuação total da média da escala de CUIDE relativa é de 3,16 com um desvio padrão de 0,97, logo podemos verificam que, a média relativa está acima do ponto de corte, logo os cuidadores informais inquiridos estão satisfeitos com a prestação de cuidados que dão. Para atingir este nível de satisfação, contribuem em forma positiva os 3 fatores que se referem ao cuidador enquanto pessoa (3,35), à disponibilidade e relacionamento interpessoal (2,87) e a necessidade de apoio social (3,19).Verificamos, ainda, que o que obtém pontuação média mais baixa é o fator ligado à disponibilidade e relacionamento interpessoal, embora atinja valores positivos, ou seja, acima do ponto neutro. Concluímos assim, como o nível de satisfação dos cuidadores informais é bastante positiva, logo não existe uma grande sobrecarga para eles, como já referido em supra. Tabela 22- Escala de MIF (Medida de Independência Funcional dos utentes) VARIÁVEIS Igual a 18 De 19 a 36 De 37 a 90 De 91 a 125 Total Média Desvio Padrão Mínimo Máximo FREQUÊNCIAS RELATIVAS 2 6 12 4 24 % 8,3 25,0 50,0 16,7 100,0 58,5417 31,51670 18,00 125,00 Vânia Raquel Martins Seabra 40 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Na tabela 22 que mede a independência funcional dos utentes, verificamos mediante a codificação desta escala que 50% (12) dos utentes estão entre o score de 37 a 90, ou seja, os utentes tem dependência funcional moderada. Tendo em conta o total de 24 utentes a média do score da MIF é de 58,54, ou seja, em média os utentes como já referido em supra tem grau de dependência moderada, com um desvio padrão de 31,52. O mínimo dos scores obtidos no estudo é de 18, e o máximo de 125, ou seja, existe uma diversidade de pontuações, que nos leva a concluir que há utentes, que são totalmente dependentes de alguém, como há utentes independentes funcionalmente mas que precisam de outrem, para realizar certas atividades. Tabela 23- Correlação entre as escalas CUIDE e MIF (coef. de correlação de Spearman) Correlação de Spearman Coeficiente de MIF Correlação (p.) N Coeficiente de CUID Correlação E (p.) N MIF CUIDE 1,000 ,560(**) . 24 ,005 24 ,560(**) 1,000 ,005 24 . 24 ** Correlação é significativa ao nível de 0,01. A tabela 23, demostra-nos a correlação entre a Escala de CUIDE e de MIF. Verificamos assim, que esta correlação é positiva entre as escalas com o total de 0,56, ou seja, oc cuidadores que tem maiores níveis de sobrecarga são os que cuidam dos utentes com menor nível de independência. Estes valores são estatisticamente significativos, visto que o grau de significância (p.) é maior que 0,05. Na tabela 24, verificamos que não existe correlação entre a escala de CUIDE e as idades dos cuidadores, pois o valor de Spearman é de 0,028 e o nível de significância (p= 0,900), sendo superior ao nível estatisticamente aceite (p> 0,05), logo não existe uma relação entre e escala de CUIDE e a idade dos cuidadores. Vânia Raquel Martins Seabra 41 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados Tabela 24- Correlação entre a escala de CUIDE e as idades dos cuidadores informais Correlação de Spearman CUIDE Idade dos cuidadores informais Coeficiente de Correlação (p) N Coeficiente de Correlação (p) N CUIDE Idade dos cuidadores informais 1,000 ,028 . 24 ,900 24 ,028 1,000 ,900 . 24 24 Tabela 25- Relação do sexo dos cuidadores informais com a escala de CUIDE CUIDE Sexo Média das ordens Somatório das ordens Feminino Masculino 18 7 12,62 10,25 214,50 61,50 Total 24 TESTES ESTATISTICOS Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Nível de Significância CUIDE 40,500 61,500 -,737 ,461 a Grupo de Varáveis: Sexo Verificamos na tabela anterior 25, que não existe grande diferença entre os sexos quanto à sobrecarga no cuidar dos idosos. Embora, a média das ordens seja ligeiramente superior nas mulheres (12,62) quando acompadrados com os seus congéneres cuidadores masculinos (10,25), logo a diferença não é estatisticamente significativa. Tabela 26- Relação entre o número médio de horas e a escala de CUIDE Em média, quantas horas por dia ocupam a prestar cuidados a essa pessoa? De 1 a 5 horas De 5 a 10 horas CUIDE De 10 a 20 horas De 20 a 24 horas Total N 6 1 3 14 24 Vânia Raquel Martins Seabra Média das ordens 7,50 17,50 14,33 12,71 42 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Apresentação e Análise dos Resultados TESTE ESTATÍSTICO (a,b) CUIDE Qui-Quadrado Nível de significância 3,382 ,336 a Teste Kruskal Wallis b Grupo de Variáveis: Em média, quantas horas por dia ocupam a prestar cuidados a essa pessoa? Na 26, verificamos que não há diferença significativa nas pontuações médias da escala de CUIDE quando comparamos o agrupamento do número médio de horas prestadas pelos cuidadores aos utentes. As pessoas que cuidam menos horas (1 a 5 horas), apresentam médias das ordens de sobrecarga mais baixas (7,5) do que as pessoas que cuidam o dia inteiro (20-24). Contudo, as pessoas que cuidam entre 20 a 24 horas apresentam níveis de sobrecarga médios inferiores aos que cuidam entre 5 a 10 horas e 10 a 20 horas. Não existem diferenças estatisticamente significativas nos níveis de sobrecarga consoante as categorias formadas a partir do número de horas de cuidado. Tabela 27- Relação entre a escala de CUIDE e a colaboração de terceiros na prestação de cuidados informais Existem mais alguém que tenha de prestar este tipo de apoio/cuidados? (ex.: parentes doentes ou a um amigo) Sim CUIDE Não Total Testes Estatísticos Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Nível de Significância N 4 20 24 Média das ordens Somatório das ordens 16,13 11,13 64,50 211,50 CUIDE 21,500 211,500 -1,341 ,180 Na tabela 27, verificamos que não existe diferença estatisticamente significativa, nos níveis de sobrecarga dos cuidadores que têm ajuda de terceiros na prestação de cuidado, quando os comparamos com os que não têm ajuda no cuidado informal. Os que têm ajuda, apresentam uma média de ordens de 16,13, que é superior à dos que não têm outras pessoas para ajudar no ato de cuidar (11,13). Contudo, apesar dessa diferença, ela não se revela estatisticamente significativa. Vânia Raquel Martins Seabra 43 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Discussão dos Resultados 5. Discussão dos resultados Este estudo foi realizado numa população muito específica que são os idosos dependentes, com necessidade de prestação de cuidados de outra pessoa, o cuidador informal. A população-alvo foi constituída por 32 sujeitos mas, só foi possível constituir uma amostra de 24 utentes e seus cuidadores, porque 7 utentes da UC do HJLC já tinham falecido quando contatámos os familiares e uma cuidadora demonstrou não estar disponível para colaborar no estudo. Este estudo tem como objetivo, avaliar o grau de dependência dos idosos para além de avaliar a sobrecarga dos cuidadores informais dos utentes idosos da UC do HJLC e caracterizar a amostra de utentes e os seus cuidadores informais que participaram na pesquisa. Segundo Dídia Cruz et. all (2010: 128), “as alterações demográficas em Portugal, sobretudo pela redução da natalidade e do aumento da esperança média de vida, traduzem-se, hoje, na existência de uma população cada vez mais idosa com um correspondente acréscimo de situações de dependência que criam novas necessidades em saúde”. “Assim, a população idosa é um grupo integrante da sociedade contemporânea, constituída por homens e mulheres com idade igual ou superior a 65 anos (Araújo; Paúl e Martins, 2010:46) ". No nosso estudo, constatamos que a média de idades dos utentes inquiridos é de 78,71 anos de idade, o que entra em consonância com que Isabel Araújo et all., afirmaram. Verificamos, também, que 95,8% dos idosos vivem com a família que “cresce e desenvolve-se no equilíbrio do contexto de vida e da continuidade geracional, vivendo simultaneamente momentos de estabilidade e mudança (Moreira, 2002 cit. in Araújo et all., 2008:44) ”. Na verdade, “A família representa a instituição mais antiga e a que sofreu, ao longo dos tempos, profundas alterações quer na sua constituição quer na sua estrutura, de forma a assegurar a continuidade e o desenvolvimento dos seus membros (Araújo; Paúl e Martins, 2008:44) ”. O envelhecimento da população, é uma manifestação universal, visto como um processo complexo, para o qual ocorrem distúrbios em fatores como o biológico, social, económico e cultural, agindo tendo em conta, as relações entre os indivíduos, a sociedade e o meio ambiente. Assim, este fenómeno tem as suas repercussões no contexto familiar, isto é, (…) “as funções da família são agora alargadas, não só às crianças mas também aos idosos. A estas solicita-se apoiar, ajudar e cuidar dos seus membros idosos (Araújo; Paúl e Martins, 2008:44) ”. Ao nível de Vânia Raquel Martins Seabra 44 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Discussão dos Resultados apoio que lhes é prestado, a maioria, ou seja, 54,2% não usufrui de qualquer tipo apoio institucional. Com isto, verificamos que a família é vista “ (…) como uma instituição para o suporte e realização efetiva da pessoa ou garante a sustentabilidade necessária aos ascendes aquando o envelhecimento (Araújo, Paúl e Martins, 2008; Araújo, Paúl e Martins, 2009 Araújo, Paúl e Martins, 2010:47) ”. Segundo Dídia Cruz et. all (2010: 135), “os principais fatores relacionados com a sobrecarga do cuidador informal prendem-se com as características sociodemográficas do cuidador (género, idade, habilitações literárias, recursos económicos); o grau de dependência do idoso; exigências dos cuidados prestados; falta de conhecimento e habilidades; falta de apoio formal, informal e familiar; estratégias de coping utilizadas, e utilização de serviços de saúde, em especial, a ‘pausa do cuidador’”. Daqui podemos analisar, que o estudo por nós realizado, é semelhante aos resultados obtidos noutros estudos efetuados, pois verificamos que os cuidadores informais com maior sobrecarga na tarefa de cuidar são do sexo feminino, com idades compreendidas dos 50-89, e com baixa escolaridade. Ainda, segundo Ursula Karsch, “cuidar do idoso em casa é, (…) uma situação que deve ser preservada e estimulada; todavia, cuidar de um individuo idoso incapacitado durante 24 horas sem pausa não é tarefa para uma mulher sozinha, (…), sem apoios nem serviços que possam atender às necessidades, e sem uma política de proteção” no desempenho desse papel. Mediante isto, constatamos que na nossa pesquisa, 58,3% dos cuidadores informais prestam cuidados de 20 a 24 horas em média por dia, embora 70,8% têm ajuda de terceiros na tarefa de prestar apoio a estes idosos. No que diz respeito mais concretamente aos cuidadores informais, constatamos que o cuidador informal é maioritariamente do sexo feminino (75%) com idade média de 56,92. Ou seja, a mulher é predisposta para este tipo de cuidados, com maior apetência e dedicação. Segundo Jorge Franco (2007: s/n), “os cuidadores familiares desempenham um papel crucial, pois assumem a responsabilidade de cuidar do familiar. A maioria são do sexo feminino, normalmente as esposas, as filhas ou filhos que desempenham o papel preponderante ao cuidar do seu familiar. Na generalidade tem níveis educacionais baixos e situam-se numa faixa etária muito próxima da pessoa que cuidam, o que explica o facto de grande parte dos cuidadores serem os conjugues”. Daqui podemos efetivar, também, o que Jorge Franco disse anteriormente, isto é, a maior parte dos cuidadores informais nesta pesquisa que realizamos são casados (93,3%). Cerca de 41,7% dos inquiridos são reformados/aposentados, e 25% estão a trabalhar a tempo inteiro, ou seja, esta percentagem pertence aos filhos dos idosos dependentes. Verificamos, ainda, que o grau de escolaridade não é alta, ou seja, 41,7% dos cuidadores que participaram no estudo tem o 1º Ciclo do Ensino Básico ou 4ª Classe. Quanto à relação entre o cuidador e o Vânia Raquel Martins Seabra 45 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Discussão dos Resultados idoso, comparamos o nosso estudo com o estudo feito por Jorge Franco, quando ele nos diz que grande parte dos cuidadores são cônjuges, ou seja, verificamos na nossa amostra também, que são os próprios cônjuges (37,5%), e seus os filhos (25%) que cuidam dos utentes. Noutro ponto do estudo observamos que 58,3% dos cuidadores dão apoio em tudo exceto financeiros, isto é, dão apoios físicos/pessoais, domésticos, emocional/psicológico, e em atividades sociais. Podemos, ainda, constatar que cerca de 29,2% dão apoio em tudo e apoio financeiro também, revelando assim que para além da sobrecarga física, psicológica que possam dar, a económica também está latente na tarefa de cuidar. De igual modo, Dídia Cruz et all.(2010:132 refere que as “dificuldades mais evidenciadas (…) centram-se nas dimensões físicas, psicológicas, sociais e financeiras (…).” No domínio relacionado mais diretamente com a sobrecarga do cuidador informal, isto é, com a análise da escala de CUIDE, observamos um valor médio total de 53,79 com um desvio padrão de 16,42, o que significa que existe uma satisfação por parte do cuidador na tarefa de cuidar, havendo uma baixa sobrecarga. No entanto, a sobrecarga surge devido a vários fatores, pelo que salientamos o estudo de Andrade (2009, cit in Didia Cruz et all:2010:133), que refere que os fatores que emergem da sobrecarga do papel de cuidadores informais são: “ter mais que uma pessoa a seu encargo; aumento da quantidade/intensidade dos cuidados; grau de dependência do idoso; falta de conhecimento sobre a evolução do estado de saúde do idoso e ou das técnicas inerentes ao cuidar; falta de colaboração do idoso; isolamento social; recursos económicos insuficientes; conflitos familiares; falta de apoio formal e informal; idade do cuidador e dificuldade em aceitar o seu papel.” No domínio da avaliação da dependência funcional dos utentes, com a escala de MIF, verificamos que a média do grau de dependência dos utentes está entre 37 e os 90 (58,54), o que equivale a uma dependência de grau moderado. A dependência, classifica-se pelas limitações físicas, funcionais ou pelas limitações cognitivas e mentais do idoso. Assim, tornou-se importante relacionar a escala de CUIDE com outras variáveis. Com o estudo da correlação entre a Escala de CUIDE e de MIF, este revela-nos a existência de correlação positiva entre as escalas, querendo isto dizer que os cuidadores com mais sobrecarga são os que cuidam de idosos com maior nível de dependência. Os valores obtidos nesta correlação, são estatisticamente significativos, visto que o grau de significância (p.) é 0,05 e o valor obtido nesta correlação é 0,56. Relacionamos também, esta escala a de CUIDE, com outras variáveis independentes de forma agrupada. Contudo, concluímos que a Escala de CUIDE não se correlaciona diretamente com a média de horas por dia prestadas Vânia Raquel Martins Seabra 46 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Discussão dos Resultados pelo cuidador, nem com o sexo, idade dos cuidadores informais, ou com a ajuda de terceiros na prestação de cuidados. Com tudo isto, a importância do desenvolvimento deste estudo na área dos idosos e seus cuidadores advém de uma preocupação com as necessidades e condições de vida dos cuidadores informais, que tem a seu cargo utentes em situação de dependência. Os cuidados continuados são uma das respostas socias para esta problemática dado que contribui para uma melhoria das condições e necessidades sentidas pelos cuidadores e os próprios utentes. Segundo Andrade (cit. in Dídia Cruz et all., 2010:128), “ (…) na realidade todos os cuidadores requerem informação, educação, encorajamento e suporte (…) ”. Este estudo, em consonância com outros estudos, verifica que o que leva as famílias a cuidar destes idosos dependentes é, entre outros fatores, o facto de terem vínculos estritos com o idoso, serem familiares, o próprio cuidador se sentir na obrigação de prestar cuidados, e a rejeição do idoso à institucionalização. Verificamos, também, que grande parte dos cuidadores no decorrer da prestação de cuidados têm dificuldades devido à insuficiência das respostas formais e informais, de problemas financeiros e restrições na sua vida social. É de salientar, igualmente, que estes cuidadores necessitam de cuidados por parte dos serviços de saúde e sociais, para fazerem face às dificuldades que o ato de cuidar acarreta. Com este estudo, aferimos que os idosos dependentes e seus cuidadores informais necessitam de um reforço do apoio por parte das redes formais e informais, chamando assim a atenção dos responsáveis pelas políticas de saúde, sociais e comunidade, de forma a sensibiliza-los para esta problemática, para que promovam e desenvolvam todos os esforços para dar uma qualidade de vida condigna aos idosos e seus cuidadores. Tendo em conta que as instituições de saúde estão cada vez com mais dificuldades em dar este tipo de respostas aos utentes dependentes, as famílias têm vindo a assumirem o papel de cuidadores. Contudo, deparamo-nos com estes dois tipos de redes de cuidados (formais e informais) enfraquecidas, desorganizadas e insuficientes, pois não conseguem dar resposta eficaz e completa a estes utentes. Torna-se crucial o desenvolvimento de algum tipo de política ou projeto, que seja dedicado sobretudo à minimização da sobrecarga dos cuidadores e que englobe os dois tipos de rede, de forma à prestação de cuidados dados por uma rede ser complementada pela outra, prevenindo assim a sobrecarga sentida pelos cuidadores. Portanto, a aposta no desenvolvimento de novas políticas sociais e projetos sociais, com intuito de diminuir a sobrecarga dos cuidadores, seriam uma medida necessária Vânia Raquel Martins Seabra 47 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Discussão dos Resultados e fulcral, dado que possibilitaria uma melhoria e otimização dos cuidados a serem prestados. Neste contexto, o Assistente Social assume um papel fulcral e intermediário para o desenvolvimento destas políticas e projetos, uma vez que está direta ou indiretamente ligado com a instituição, utente, cuidador e comunidade, intervindo sobre aspetos psicossociais associados à dependência do idoso e sobrecarga do cuidador, de forma a promover melhores condições de vida, minimizando os fatores de desgaste socioeconómicos, ambientais que fossem desfavoráveis ao bem-estar social, de forma a reabilitar o domicílio. O Assistente Social tem, ainda, como objetivo demonstrar dedicação, solidariedade e estabelecimento de compromisso para com o cuidador informal, revelando atitudes de atenção, compreensão, comunicação e ajuda, de forma a ser capaz de entrar no mundo privado do cuidador, ajudando-o a restabelecer o seu equilíbrio. A profissão de Serviço Social, promove a mudança social, contribui para a resolução de problemas entre as relações humanas, reforçando a emancipação das pessoas e promovendo o seu bem-estar. Vânia Raquel Martins Seabra 48 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Conclusões Conclusões Este estágio curricular teve um período de duração de dois semestres e foi o primeiro contato que a estagiária teve com a prática profissional do Serviço Social. Veio, assim, contribuir para a aquisição de novos conhecimentos, bem como aprofundar os conceitos já dominados por ela, sobre a intervenção do Serviço Social na Idade Avançada, mais concretamente nos Cuidados Continuados Integrados. Deste modo, o presente estágio veio possibilitou à estagiária, uma aquisição de atitudes, valores e postura no âmbito da profissão de Serviço Social. O contato direto da estagiária com as problemáticas existentes no HJLC, as diferentes respostas e intervenções às problemáticas e a interação com diferentes profissionais da área da Saúde, permitiram uma visão mais ampla da profissão e da interação desta com outras áreas. Com isto, a realização deste Relatório Final de Estágio teve como objetivo apresentar as diversas aprendizagens, conhecimentos, experiências que a estagiária obteve no decorrer de todo o Estágio Curricular. No decorrer do estágio, a estagiária passou por diversas etapas. Numa fase inicial, a postura de observação não participante veio permitir uma melhor compreensão da lógica institucional, para uma melhor integração aos diferentes contextos inseridos na mesma, despoletando os conhecimentos teóricos obtidos durante a Licenciatura, na prática profissional. Proporcionou também, à estagiária uma compreensão mais vasta das diferentes intervenções da profissão nas áreas abarcadas pelo Serviço Social no Hospital. Com isto, veio facilitar à estagiária a escolha da problemática a investigar no seu Estágio. A problemática investigada, é comum na atualidade, ou seja, o envelhecimento dependente desenvolve contrapartidas, tal como a sobrecarga do cuidador informal em diversas vertentes, como a familiar, económica, social, entre outras. Neste contexto, e de forma sumária, podemos verificar que atualmente as sociedades estão mais envelhecidas. Com isto, o aumento da necessidade de apoiar as pessoas idosas, advém como principal problemática nas políticas sociais dos países desenvolvidos, incluindo Portugal. Assim, a prestação de cuidados destes idosos dependentes, passa pelo cuidador informal levando repercussões na sua vida. Com isto, existe uma maior necessidade de apoiar as pessoas idosas dependentes, e seus cuidadores, desenvolvendo políticas ou projetos no âmbito social, para a diminuição dos entraves que advém da tarefa de cuidar. Assim, a investigação feita teve um papel importante de aquisição de um perfil profissional, permitindo estar em contato direto com problemática desenvolvida e fazendo Vânia Raquel Martins Seabra 49 Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC Conclusões uma investigação mais profunda relativamente ao tema escolhido, o que por fim, levou a uma reflexão crítica dos resultados obtidos no estudo. O estudo teve assim como objetivo, compreender que tipo de repercussões pode vir a ter o cuidador informal, ao cuidar de idosos dependentes, utentes da Unidade de Convalescença do HJLC, bem como a avaliação da sobrecarga do cuidador. Esta pesquisa, apesar de a amostra não ser estatisticamente representativa, permitiu à aluna perceber as dificuldades sentidas pelos cuidadores informais ao prestar cuidados. Prestar cuidados leva a uma sobrecarga dos cuidadores a vários níveis, como o emocional, pessoal, físico, familiar, económico, social, que são difíceis de combater. Neste sentido, o papel do Assistentes Social passa pela promoção do acompanhamento destes mesmos cuidadores informais, de forma a atuar junto de diversos processos de interação, nomeadamente o idosos e sua família, as redes de suporte social e os serviços/instituições capazes de cooperar para uma reabilitação do domicílio, tendo, assim, o Assistente Social um papel de mediador para a mudança. Consideramos, ainda, de grande relevância, o desenvolvimento de novos projetos e políticas, para a minimização das necessidades que a prestação de cuidados acarreta aos cuidadores, promovendo um envelhecimento saudável, ajudando deste modo os cuidadores na tarefa de cuidar. Por tudo isto, o Estágio proporcionou à estagiária uma compreensão do trabalho desenvolvido pelo Serviço Social nas diferentes áreas de intervenção no HJLC, mais concretamente na Unidade de Convalescença, onde foi realizado a investigação deste Relatório Final de Estágio. Assim, a estagiária conseguiu atingir os objetivos delineados para este estudo, com o importante apoio da supervisão e orientação. Vânia Raquel Martins Seabra 50 Bibliografia ALMEIDA, T. L. (2005) – “Características dos cuidadores de idosos dependentes no contexto da saúde e da família”. Ribeirão Preto: Dissertação da Universidade de São Paulo. ARÚJO, I., PAÚL, C., MARTINS, M (2008). “Cuidar das famílias com um idoso dependente por AVC: do hospital à comunidade – um desafio”. Referência. II serie – n.º 7. ARÚJO, I., PAÚL, C., MARTINS, M (2010) “Cuidar no paradigma da desinstitucionalização: a sustentabilidade do idoso dependente na família”. Referência. III série – n.º2. AUGUSTO, Berta; CARVALHO Rogério (2002). “Cuidados Continuados: família, centro de saúde e hospital como parceiros no cuidar”. Manual Sinais Vitais, 1ª Edição. Coimbra. In http://pt.scribd.com/doc/30819220/Cuidados-Continuados-Familia-Centro-de-Saude-eHospital-Como-Parceitos-No-Cuidar acedido a 01/06/11 AUGUSTO,B., CARVALHO,R. (2002). “Cuidados Continuados: família, centro de saúde e hospital como parceiros no cuidar”. Coimbra, 1ª edição CARVALHO, Maria Irene (2003). “Reflexões sobre a profissão do Serviço Social em contexto hospitalar”. Intervenção Social, 28. 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Senhor Presidente do Conselho de Administração do Hospital José Luciano de Castro – Anadia Vânia Raquel Martins Seabra, aluna do 1º Ciclo de Estudos em Serviço Social do Instituto Superior Miguel Torga e a realizar o seu estágio curricular no Hospital José Luciano de Castro vem solicitar a V. Excelência autorização para a realização de um estudo no referido Hospital mais concretamente, na Unidade de Convalescença. O estudo intitulado “Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes Idosos da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro”, (projeto em anexo) decorre sob a orientação da Dra. Ana Paula Ferreira, Assistente Social de HJLC, e supervisão da Dra. Sara Lopes, docente do ISMT. Para mais informo que o estudo assegurará o respeito pelos requisitos éticos e deontológicos da conduta da Assistente Social no exercício profissional nomeadamente, o respeito pelo consentimento informado, (informar os participantes, de forma compreensível para os mesmos, todos os procedimentos que serão adotados e obter destes o consentimento explicito) e pelos direitos dos participantes à privacidade e confidencialidade, concretamente através do acesso ao processo clínico, com vista à recolha de dados de forma anónima. Pede Deferimento, ________________________________ (Vânia Raquel Martins Seabra) Anexos 4- Autorização do estudo Anexos 5- Consentimento informado para os inquiridos Termo de Compromisso e Livre Consentimento Eu _____________________________________________________, aceito participar no estudo Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes Idosos da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro que está a ser desenvolvido pela Estagiária do Instituto Superior Miguel Torga. Declaro, também, que tomei conhecimento que as informações recolhidas são anónimas e confidenciais e serão utilizadas para o fim a que se destina o estudo bem como que serão respeitadas todas as normas éticas quer no tratamento quer na apresentação final dos resultados. Finalmente, declaro que a minha colaboração é voluntária e, caso deseje, posso desistir da minha participação sem que esse ato interfira na prestação de cuidados de saúde que me são devidos. Assinatura do Utente:_________________________________________________________ Assinatura do Cuidador Informal:_____________________________________________ Anadia, ______ de _________________ de 2011 INSTITUTO SUPERIOR MIGUEL TORGA LICENCIATURA EM SERVIÇO SOCIAL No âmbito do Estágio em Serviço Social, do 4º ano da Licenciatura em Serviço Social do Instituto Superior Miguel Torga, estamos a realizar um estudo sobre Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes Idosos da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro Para responder a todo o questionário deve lembrar-se que não existem respostas certas ou erradas, devendo responder sempre de acordo com a sua situação, fazendo-o com toda a sinceridade, podendo desistir a qualquer momento da sua participação, sem que tal afete a prestação de cuidados de saúde que lhe está a ser prestada, sendo-lhe igualmente garantido total anonimato e confidencialidade. Obrigada pela colaboração! A Estagiária, Vânia Raquel Martins Seabra Anexos 6- Instrumento de recolha de dados Data: ___/___/___ Instituto Superior Miguel Torga Licenciatura em Serviço Social Vânia Raquel Martins Seabra Questionário aos Cuidadores Informais Exmo. Sr. ou Sr.a. No âmbito do estágio curricular da Licenciatura em Serviço Social, está a proceder-se a um trabalho de investigação sobre a “a sobrecarga do cuidador informal dos utentes da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro em Anadia”. O objetivo deste questionário, consiste em avaliar o grau de satisfação dos cuidadores na tarefa de prestação informal de cuidados de saúde e bem-estar ao utente idoso. As suas respostas serão confidenciais e destinam-se apenas para efeitos de investigação. Obrigada! Parte I Identificação do Utente 1. Sexo : Feminino Masculino 2. Idade:______ 3.Circunstâncias em que vive: a) Vive: Sozinho Noutra situação Com a família Especifique, por favor:_________________________ b) Apoio domiciliário: Alimentação Higiene Cuidados de Habitação Tratamento de Roupa Alimentação e Higiene Cuidados de enfermagem Cuidados de enfermagem e Higiene Centro de Dia Não usufruo deste tipo de apoios 4. Estado de conservação e a tipologia da habitação: a) Estado de conservação Boa estado Estado razoável Degradada no interior Degradada no exterior Degradada no interior e exterior Em ruína b) Tipologia da habitação: Casa em r/chão sem escadas Casa em r/chão com escadas Casa com r/chão e 1º andar (com escadas) Casa no 1º andar (com escadas) Apartamento com elevador Apartamento sem elevador (com escadas) Parte II Informação acerca do Prestador Informal de Cuidados 1. Sexo : Feminino Masculino 2. Idade:______ 3.Situaçao Conjugal: Solteiro(a) Casado(a)/ Em união de facto Divorciado(a)/ Separado(a) Viúvo(a) 4. Profissão: ______________________________ 5. Situação ocupacional (escolha apenas uma situação, aquela que melhor se ajuste ao seu caso). Empregado(a) a tempo inteiro Empregado(a) a tempo parcial Aposentado(a)/ Reformado(a) Desempregado(a) Doméstica Estudante Outra Especifique, por favor:___________________ 6. Grau de escolaridade: Não frequentou o ensino formal 1º Ciclo do Ensino Básico ou 4º classe 2º ciclo do ensino Básico ou ciclo preparatório (5º/6º ano) 3º ciclo do ensino Básico ou 9º ano (5º ano de Liceu) Ensino Secundário (antigo ensino Industrial ou Comercial) Ensino Superior (Bacharelato, Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento) 7. Qual é a relação com a pessoa a que presta cuidados? Cônjuge/ Companheiro Pai Mãe Avô/avó Irmão/irmã Outro membro da família Amigo(a)/ Vizinho(a) Empregada Doméstica 8. Há quanto tempo presta cuidados a essa pessoa? Anos:______ Meses:_______ Dias:________ 9. Qual a distância entre si e a pessoa a quem presta cuidados? Vivem na mesma casa Vivem em casas diferentes, mas no mesmo edifício A uma distância passível de ir a pé Até 10 minutos de carro/ autocarro ou comboio Até 30 minutos de carro/ autocarro ou comboio Até 1 hora de carro/ autocarro ou comboio A mais de 1 hora de carro/autocarro ou comboio 10. Que tipo de apoios presta? Físicos/ Pessoais (ex.: lavar, vestir) Domésticos (ex.: cozinhar, limpar a casa) Apoio emocional/Psicológico (ex.: companhia, encorajamento) Apoio em Atividade Sociais (ex.: acompanhamento ao médico) Apoio Financeiro Apoio Emocional e em Atividades Sociais Apoio em tudo, exceto Apoio Financeiro Apoio em tudo 11.Em média, quantas horas por dia ocupa a prestar cuidados a essa pessoa? De 1 a 5 horas De 5 a 10 horas De 10 a 20 horas De 20 a 24 horas 12.Os cuidados que presta a esta pessoa, causam limitações na sua vida profissional/ocupacional? Sim Não 13.Existe mais algum prestador informal de cuidados (ex.: família, amigos, vizinhos) que colabora na tarefa de prestação de cuidados? Sim Não Se sim, quem?_________________________________________________________________ E em que tarefas?______________________________________________________________ 14. Existem mais alguém quem tenha de prestar este tipo de apoio/cuidados? (ex.: parentes doentes ou a um amigo) Sim Não Quem?_______________________________________________________________________ Parte III Avaliação da Sobrecarga dos Cuidadores Nunca 1. Sente que consegue enfrentar positivamente as suas tarefas de prestação de cuidados? 2. Considera a tarefa de prestação de cuidados uma atividade muito exigente? 3. Prestar cuidador significa que “não tem um minuto” para si mesmo? 4. A tarefa de prestação de cuidados causa dificuldades no seu relacionamento com os amigos? 5. A prestação de cuidados tem um efeito negativo na sua saúde física? 6. A prestação de apoio/cuidados causa dificuldades na relação que tem com a sua família? 7.A prestação de apoio/cuidados é, para si, causa de dificuldades financeiras? 8. Sente-se “prisioneiro” da sua tarefa de prestação de cuidados ? 9. Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos seus amigos, e/ou vizinhos, e/ou outros? 10. Sente que a sua tarefa de prestação de cuidados restringe excessivamente a sua vida pessoal? 11. Sente que a prestação de cuidados é uma tarefa que lhe traz satisfação pessoal? 12. Sente-se suficientemente apoiado(a) pela sua família? 13. Tem uma boa relação com a pessoa que presta cuidados? 14. Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos serviços sociais e de saúde? 15. Sente que é valorizado enquanto pessoa por quem presta cuidados? 16. A tarefa de prestação de cuidados tem um efeito negativo no seu bem-estar emocional? 17. De uma forma geral, sente-se suficientemente apoiado(a) no seu papel de pessoa que presta cuidados? Por vezes Muitas vezes Sempre Anexos 7- Codificação dos dados CodifiCação do Questionário da CaraCterização soCial da amostra Os quadros que se seguem apresentam a codificação de inúmeras variáveis do idoso dependente (quadro 1 ao quadro 2) e do prestador de cuidados formais (quadro 3 ao quadro 5) Quadro 1- Variáveis Sóciodemográficas do idoso dependente Grupo de variáveis Variável 1.Sexo Variáveis Sóciodemográficas 2.Idade 3.Circunstâncias em que vive: 4.Apoio domiciliário Modalidades 1)Feminino 2)Masculino Idade em Anos 1)Sozinho 2)Com a família 3)Noutra situação 1)Alimentação 2)Higiene 3)Cuidados de Habitação 4)Tratamento de Roupa 5)Alimentação e Higiene 6)Cuidados de enfermagem 7)Cuidados de enfermagem e Higiene 8) Centro de Dia 9) Não usufrui deste tipo de apoios Quadro 2- Variáveis Socioinstitucionais Variáveis Sócio habitacionais Grupo de Variáveis Variável 6.Estado de conservação 7.Tipologia da habitação Modalidades 1)Bom estado 2)Estado razoável 3)Degradada no interior 4)Degradada no exterior 5)Degradada no interior e exterior 6)Em ruína 1)Casa em r/chão sem escadas 2)Casa em r/chão com escadas 3)Casa com r/chão e 1º andar (com escadas) 4)Casa no 1º andar (com escadas) 5)Apartamento com elevador 6)Apartamento sem elevador (com escadas) Quadro 3- Variáveis Sóciodemográficas do Cuidador Informal Variáveis Sóciodemográfi cas dos Cuidadores Informais Grupo de Variáveis Variáveis Modalidades 1.Sexo 1)Feminino 2)Masculino Idade em Anos 1)Solteiro(a) 2)Casado(a)/ Em união de facto 3)Divorciado(a)/Separado(a) 4)Viúvo(a) 2.Idade 3.Situação Conjugal Quadro 4- Variáveis Socioprofissionais do Cuidador Informal Grupo de Variáveis Variáveis Variáveis Socioprofissionais dos Cuidadores Informais Profissão 4.Situação ocupacional 5.Grau de escolaridade Modalidades Tipo de Profissão 1)Empregado(a) a tempo inteiro 2)Empregado(a) a tempo parcial 3)Aposentado(a)/Reformado(a) 4)Desempregado(a) 5)Doméstica 6)Estudante 7)Outra 1) Não frequentou o ensino formal 2) 1º Ciclo do Ensino Básico ou 4º classe 3) 2º ciclo do ensino Básico ou ciclo preparatório (5º/6º ano) 4) 3º ciclo do ensino Básico ou 9º ano (5º ano de Liceu) 5) Ensino Secundário (antigo ensino Industrial ou Comercial) 6) Ensino Superior (Bacharelato, Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento) Quadro 5- Questionário ao Cuidador Informal Variáveis 7. Qual é a relação com a pessoa a que presta cuidados? 8.Há quanto tempo presta cuidados a essa pessoa 9.Qual a distância entre si e a pessoa a quem presta cuidados? 10.Que tipo de apoios presta? 11.Em média, quantas horas por dia ocupa a prestar cuidados a essa pessoa? 12.Os cuidados que presta a esta pessoa, causam limitações na sua vida profissional/ocupacional? 13.Existe mais algum prestador informal de cuidados (ex.: família, amigos, vizinhos) que colabora na tarefa de prestação de cuidados? 14. Existem mais alguém quem tenha de prestar este tipo de apoio/cuidados? (ex.: parentes doentes ou a um amigo) Modalidades 1)Cônjuge/ Companheiro 2)Pai 3)Mãe 4)Avô/avó 5)Irmão/irmã 6)Outro membro da família 7)Amigo(a)/ Vizinho(a) 8) Empregada doméstica Tempo Real em Anos/Meses 1)Vivem na mesma casa 2)Vivem em casas diferentes, mas no mesmo edifício 3)A uma distância passível de ir a pé 4)Até 10 minutos de carro/ autocarro ou comboio 5)Até 30 minutos de carro/ autocarro ou comboio 6)Até 1 hora de carro/ autocarro ou comboio 7)A mais de 1 hora de carro/autocarro ou comboio 1)Físicos/Pessoais (ex.: lavar, vestir) 2)Domésticos (ex.: cozinhar, limpar a casa) 3)Apoio emocional/Psicológico (ex.: companhia, encorajamento) 4)Apoio em Atividade Sociais (ex.: acompanhamento ao médico) 5)Apoio Financeiro 6)Apoio Emocional e em Atividades Sociais 7)Apoio em tudo, exceto Apoio Financeiro 8)Apoio em tudo 1)De 1 a 5 horas 2)De 5 a 10 horas 3)De 10 a 20 horas 4)De 20 a 24 horas 1)Sim 2)Não 1)Sim 2)Não 1)Sim 2)Não ESCALA CUIDE No quadro seguinte está representada a Escala de Cuide, que permite avaliar a sobrecarga do cuidador informal. Grupo Item Necessidades de apoio social ao Cuidador Disponibilidade e relacionamento Interpessoal do Cuidador O Cuidador enquanto pessoa na tarefa de cuidar 1. Sente que consegue positivamente as suas tarefas de prestação de cuidados? 2. Considera a tarefa de prestação de cuidados uma atividade muito exigente? 5. A prestação de cuidados tem um efeito negativo na sua saúde física? 11. Sente que a prestação de cuidados é uma tarefa que lhe traz satisfação pessoal? 13. tem uma boa relação com a pessoa que presta cuidados? 15. Sente que é valorizado enquanto pessoa por quem presta cuidados? 16. A tarefa de prestação de cuidados tem um efeito negativo no seu bem-estar emocional? 3. Prestar cuidador significa que “não tem um minuto” para si mesmo? 4. A tarefa de prestação de cuidados causa dificuldades no seu relacionamento com os amigos? 6. A prestação de apoio/cuidados causa dificuldades na relação que tem com a sua família? 8. Sente-se “prisioneiro” da sua tarefa de prestação de cuidados ? 10. Sente que a sua tarefa de prestação de cuidados restringe excessivamente a sua vida pessoal? 7.A prestação de apoio/cuidados é, para si, causa de dificuldades financeiras? 9. Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos seus amigos, e/ou vizinhos, e/ou outros? 12. Sente-se suficientemente apoiado(a) pela sua família? 14. sente-se suficientemente apoiado(a) pelos serviços sociais e de saúde? 17. De uma forma geral, sente-se suficientemente apoiado(a) no seu papel de pessoa que presta cuidados? * Os itens 2 a 8, 10 e 16 são contados inversamente. Pontuação De 1 a 4 De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4 De 1 a 4 De 1 a 4 De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4* De 1 a 4 De 1 a 4 De 1 a 4* De 1 a 4 Codificação Da Escala De MIF A escala de medida de independência (MIF) tem como principio quantificar objetivamente o grau de dependência que apresenta um paciente num dado momento e medir as alterações/modificações que se produzem no tratamento de reabilitação . A escala foca-se em áreas prioritárias como o aspeto motor e cognitivo com fim de planificar a reabilitação, e por sua vez permitir conhecer e comparar a eficiência e eficácia, de um tratamento. A MIF avalia um total de 18 atividades, que se agrupam em diferentes dimensões, 13 itens motores e 5 itens cognitivos. Cada uma das atividades agrupa-se de 1 a 7, onde 1 indica dependência total e o 7 independência total. A pontuação final varia entre 18 e 126. Avaliação das pontuações: INDEPENDÊNCIA, não precisa de ajuda de outra pessoa. 7: Independência completa - todas as habilidades requeridas, o paciente é capaz de realiza-las, com segurança, sem modificar a conduta, sem ajuda técnica. 6: Independência modificada - a atividade requer uma ajuda técnica. DEPENDÊNCIA. O sujeito requer a ajuda de outra pessoa na supervisão ou assistência para realizar as atividades. 5: Supervisão - Supervisão e assistência técnica na realização das atividades 4: Ajuda mínima - Ajuda com contacto físico mínimo, o sujeito realiza menos de 75% do esforço 3: Ajuda moderada - Assistência média, o sujeito realiza entre 50% e 75% do esforço DEPENDÊNCIA COMPLETA. O sujeito realiza menos de 50% do esforço. 2: Ajuda máxima - Assistência Máxima, o sujeito realiza entre 25% e 50% do esforço. 1: Ajuda total - realiza menos de 25% do esforço Pontuação A . Alimentação De 1 a 7 B. Higiene Pessoal De 1 a 7 C. Banho ( lavar o corpo) De 1 a 7 D. Vestir Metade Superior De 1 a 7 E. Vestir Metade inferior De 1 a 7 F. Utilização de sanita De 1 a 7 G. Bexiga De 1 a 7 H. Intestino De 1 a 7 I. Leito, cadeira, cadeira de rodas De 1 a 7 J. Sanita De 1 a 7 K. Banheira De 1 a 7 Locomoção Grupo L. Marcha/cadeira de rodas De 1 a 7 M. Escadas De 1 a 7 N. Compreensão De 1 a 7 O. Expressão De 1 a 7 P. Interação social De 1 a 7 Q. Resolução de problemas De 1 a 7 R. Memória De 1 a 7 Cognição Social Mobilidade Controlo de Esfíncteres Autocuidados Itens Comunicação Codificação da Escala de MIF ( Medida de Independência Funcional) Graus de dependência: 18 – dependência total 18 – 36 – dependência de grau elevado 37 - 90 – dependência grau moderado 91 - 126- dependência de grau reduzido 126 – independência total Anexos 8-Periodificação das Etapas em Cronograma, Planificação Semanal, Tabela das Atividades de estágio, e Cronograma do Estágio Tabela das Atividades de Estágio de 28 de março a 16 de dezembro Reuniões da Reuniões da Reuniões da Leitura de Equipa Equipa Equipa de documentos Multidiscipli Multidisciplinar Intervenção nar da UCCI de Anadia Precoce 16 2 2 134 Reuniões com familiares e utentes da Supervisões Unidade Atendimento Visitas de Chamadas Domiciliarias 45 26 Convalescença 27 14 Cronograma Do Estágios I e II 2011 2012 Integração Caracterização e Enquadramento Social da Instituição Elaboração de relatórios de atividades Definição e Elaboração do Projeto de Estágio Pesquisa Bibliográfica documental e legislativa Observação Visitas domiciliárias Reuniões de Equipas Multidisciplinares Reuniões com Familiares de Utentes da U. C. Reuniões de Supervisão Avaliação Estágio I das Estágio II Atividades Avaliação Final do Estágio Janeiro Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Férias ESTÁGIO II Julho Junho Maio Abril CRONOGRAMA DO ESTÁGIOS I E II Março ESTÁGIO I Planificação Semanal do Estágio I Dias/ Horas Segunda-feira Terça-feira 8.00 8.30 9.00 9.30 10.00 10.30 11.00 11.30 Quinta-feira Sexta-feira Estágio Estágio Estágio ** 12.00 12.30 Almoço 13.00 13.30 14.00 14.30 15.00 15.30 16.00 16.30 17.00 17.30 18.00 18.30 19.00 19.30 20.00 Quarta-feira Estágio * Almoço Estágio Reunião Semanal da Equipa Multidisciplinar da Unidade de Convalescença Reuniões com familiares dos utentes da Unidade de Convalescença ** Almoço Estágio Estágio Almoço Almoço Estágio Estágio **** Estágio/ Supervisão de Estágio *** Seminário de Saúde, Ambiente e Qualidade de Vida **** Seminário de Saúde, Ambiente e Qualidade de Vida Legenda: * Consulta bibliográfica. ** As reuniões com familiares dos utentes da Unidade de Convalescença são todas as terças e quartasfeiras, com hora previamente marcada, salvo raras exceções por falta de compatibilidade do horário dos familiares com o horário destinado para este mesmo fim. *** A supervisão de estágio é de quinze em quinze dias com data e hora previamente marcada. Quando não há supervisão de estágio a estagiária fica até às 16 horas no estágio. **** O horário do Serviço Social recentemente foi atualizado. Assim o horário do Serviço Social à quarta-feira é das 9 horas às 18 horas e à sexta-feira é das 9 horas até as 14horas. Planificação Semanal do Estágio II Dias/ Horas 8.00 8.30 9.00 9.30 10.00 10.30 11.00 11.30 Segunda-feira Estágio 13.00 13.30 14.00 14.30 15.00 15.30 16.00 16.30 17.00 17.30 18.00 18.30 19.00 19.30 20.00 Quarta-feira Seminário de Cultura Contemporânea e Novas Dependências Estágio Quinta-feira Sexta-feira Estágio Estágio* Almoço Almoço ** ** 12.00 12.30 Terça-feira Almoço Reunião Semanal da Equipa Multidisciplinar da Unidade de Convalescença Almoço Estágio/ Supervisão de Estágio *** Almoço Estágio **** Estágio Estágio Legenda: * Consulta bibliográfica. ** As reuniões com familiares dos utentes da Unidade de Convalescença são todas as terças e quartasfeiras, com hora previamente marcada, salvo raras exceções por falta de compatibilidade do horário dos familiares com o horário destinado para este mesmo fim. *** A supervisão de estágio é de quinze em quinze dias com data e hora previamente marcada. Quando não há supervisão de estágio a estagiária fica até às 16 horas no estágio. **** O horário do Serviço Social recentemente foi atualizado. Assim o horário do Serviço Social à quarta-feira é das 9 horas às 18 horas e à sexta-feira é das 9 horas até as 14horas. Periodificação das Etapas em Cronograma 2012 2011 Escolha da Temática Definição dos objetivos (gerais/específicos) Definição de Materiais e Métodos Recolha de dados para investigação Realização das Entrevistas às famílias dos utentes da U.C Administração dos instrumentos de recolha de dados para a investigação Análise e Interpretação dos Resultados Elaboração do Relatório Final de Estágio Avaliação das Atividades Estágio I Estágio II Avaliação Final do Estágio Janeiro Dezembro Novembr o Outubro Setembro Agosto Férias ESTÁGIO II Julho Junho Maio Abril ESTÁGIO I Março CRONOGRAMA DA PESQUISA I E II Anexos 9- Caracterização sociodemográfica do HJLC Caracterização Sóciodemográfica do Hospital José Luciano de Castro O Hospital José Luciano de Castro (HJLC) situa-se no distrito de Aveiro, concelho de Anadia, na Região Centro de Portugal, Sub-região Baixo Vouga, enquadrado na Região da Bairrada. A cidade de Anadia é uma sede de Município e tem cerca de 31 545 habitantes, segundo os censos de 2001 e possui uma área de 217,13 Km2 (número de habitantes por quilometro quadrado), ao qual 15 215 habitantes são do sexo masculino, e os restantes do sexo feminino. Este município situa-se geograficamente entre os concelhos de Águeda e Oliveira do Bairro (a norte), o concelho da Mealhada (a sul) e ainda com Cantanhede (a poente) e Mortágua (a nascente). Imagem 1- Distrito de Aveiro O Concelho de Anadia é constituído por 15 freguesias, as quais são: Aguim, Amoreira da Gândara, Ancas, Arcos, Avelãs de Caminho, Avelãs de Cima, Mogofores, Moita, Óis do Bairro, Paredes do Bairro, Sangalhos, São Lourenço do Bairro, Tamengos, Vila Nova de Monsarros e Vilarinho do Bairro. Imagem 2- As 15 Freguesias do Concelho de Anadia No Concelho de Anadia podemos dizer que existem dois grandes conjuntos no que diz respeito ao parque habitacional. Ou seja, o primeiro podemos caracteriza-lo mais urbano, na cidade de Anadia, e o segundo mais rural, sendo as habitações de tipologia unifamiliar mais predominante. No setor da saúde, o Concelho de Anadia dispões de 1 Hospital, 1 Centro de Saúde que faz parte do agrupamento do Baixo Vouga I e 11 Extensões de Saúde. Neste mesmo Concelho existe inúmeros equipamentos sociais com diferentes áreas de atuação tais como: na área da infância, na da terceira idade, na deficiência e uma na área da família e comunidade. Em suma, a nível social o Concelho de Anadia conta com duas Santa Casa da Misericórdia, uma APPACDM e treze instituições sociais. Fonte:http://www.cmanadia.pt//pdf/Accao_Social/Rede_Social/Diagnostico_Social_do_c oncelho_de_Anadia.pdf Anexos 10- Serviço Social na Saúde Serviço Social na Saúde Segundo Kruse (1975, cit. in Ivone Teles, 1990: 40), “O Serviço Social é o ramo das ciências sociais que procura conhecer as causas e o processo dos problemas sociais e sua incidência sobre as pessoas, grupos e comunidades, a fim de conduzi-los a uma ação de correção desses efeitos, da eliminação das suas causas e da reabilitação dos seres carenciados, tendo em conta meta final o mais amplo bem-estar, num quadro de desenvolvimento nacional autêntico e contínuo”. O Serviço Social desenvolveu-se de forma prioritária na área da Assistência, na Saúde e no Trabalho, sendo a Saúde o segundo setor de atividade profissional durante os primeiros vinte anos da profissão. Segundo Natálio Kisnerman (1975, cit. in Ivone Teles, 1990: 40) “O serviço social é a profissão que procura criar uma atitude crítica, tanto acerca das causas/efeitos dos problemas sociais, como dos recursos disponíveis, com o fim de que os sujeitos afetados por esses problemas.” Deste modo, ao Serviço Social compete analisar os problemas sociais dos utentes, assim como problemas geradores e resultantes do estado das doenças e as implicações que traz no meio familiar e social, mobilizando-os para a sua resolução. Assim, “ (…) só quando as pessoas se capacitam para tomar consciência dos seus problemas, de modo a assumirem uma atitude crítica da realidade onde estão inseridos, podem caminhar no sentido de alcançar as suas metas como seres sociais” (idem). Como antecedentes legais do Serviço Social Hospitalar, destacam-se a Lei nº 2011/1946 (que diz respeito à Organização Hospitalar) e a Lei nº 2120/1963 (Estatuto de Saúde e Assistência), cujos aspetos relevantes são assim, a inclusão do Serviço Social nos Hospitais Regionais e a participação do Serviço Social em geral ou especializado, individual e familiar, de grupo ou comunidade na execução das políticas sociais; o Decreto-Lei nº 48357/1968 (Estatuto Hospitalar) que anuncia a ação dos estabelecimentos e serviços hospitalares, serem de natureza médica e social em simultâneo; o Decreto-Lei nº 48358/1968 (Regulamento Geral dos Hospitais) como inclusão do Serviço Social nos serviços assistenciais e inclusão da assistente social no Conselho Técnico. Desde 1968, o Serviço Social Hospitalar tem funções expressamente aprovadas pela Direção-Geral dos Hospitais, através da Inspeção Técnica de Ação Social, entidade esta que supervisiona e coordena as atividades do Serviço Social nos hospitais de todo o País. No ano de 1971, o Serviço Social é definido enquanto Prática Profissional. Assim, o Serviço Social neste contexto que temos vindo a falar deverá ser considerado como um “membro” da equipa que presta os cuidados. Com isto, a avaliação do Assistente Social tem tanta importância como outro qualquer membro da equipa. Por fim, um dos objetivos cruciais do Assistente Social neste meio envolvente é analisar as problemáticas sociais dos utentes existentes, ou que possam vir a surgir, devido ao estado de saúde dos utentes. Serviço Social no Hospital José Luciano de Castro (HJLC) Atualmente, o Serviço Social no HJLC funciona apenas com uma Assistente Social que apoia todos os Serviços, encontra-se no Hospital em regime diurno. Segundo o Regulamento do Serviço Social do Hospital José Luciano de Castro (Anexo 3), a missão deste Serviço é “ (…) contribuir para a Humanização dos serviços de saúde, entendendo o utente como um ser biopsicossocial” e “promover o apoio psicossocial ao utente, à família e a participação deste próprio processo de reabilitação e de reintegração de modo a assegurar a satisfação das expectativas e necessidades dos utentes, através de uma intervenção e articulação em rede” (Artigo 1º). Os objetivos principais do Serviço Social neste mesmo Hospital são:“ (…) participar na definição, reformulação, execução e avaliação de políticas de saúde; estudar as variáveis sócioeconomicas e culturais incidentes na situação da doença e as suas consequências sociais; capacitar os utentes para agentes de prevenção, promoção e reabilitação da saúde” (artigo 2º). Segundo o Artigo 4º do Regulamento do Serviço Social na HJLC, tem como campos de atuação todos os serviços que a instituição dispõe, sendo eles: a Unidade de Convalescença da RNCCI o Serviço de Internamento de Cirurgia de Ambulatório, a Consulta Externa e o Gabinete do Utente/Cidadão. Conforme o Artigo 7º, as funções que a Assistente Social tem no HJLC são: a) “Identificar e analisar os problemas e as necessidades de apoio social dos utentes, elaborando o respetivo diagnostico social; De acordo com a avaliação de necessidade de apoio social, feita pelos diversos profissionais, a Assistente Social elabora em documento “informação social” onde consta, o estado onde se encontra o agregado familiar, a situação habitacional, de emprego e os fatores de risco social, para os avaliar e orientar. Estes utentes são referenciados da Unidade de Convalescença, Serviço de Cirurgia ou Consulta Externa. b) Proceder ao acompanhamento e apoio psicossocial dos utentes e das respetivas famílias, no quadro dos grupos sociais em que integram, mediante a prévia elaboração de planos de intervenção; Durante o tempo de internamento é feito o acompanhamento ao utente e família com vista à preparação de alta e vão-se estabelecendo objetivos/planos de intervenção. c) Proceder à investigação, estudo e conceção de processos, métodos e técnicas de intervenção social; À medida que as novas realidades sociais vão surgindo o Assistente Social tem que se adaptar, utilizando novos métodos e técnicas, que através de forma continua se complementam. Atualmente os cuidados continuados são o exemplo de uma realidade social que necessitava de outro tipo de resposta/intervenção. Os utentes que tem alta de um hospital não estão muitas das vezes preparados para regressar ao domicílio. O Assistente Social foi constatando esta problemática e foram criadas novas respostas de intervenção social. d) Participar na definição, promoção e concretização das políticas de intervenção social a cargo dos respetivos serviços ou estabelecimentos; Em seguimento do anterior, acabam por ser documentadas no “ Manual de Boas Práticas para o Assistente Social”. e) Definir, elaborar, executar e avaliar programas e projetos de intervenção comunitária na área de influência dos respetivos serviços e estabelecimentos; Um dos projetos de intervenção é o projeto “CADI” Centro de Atendimento e Desenvolvimento Integrado (Existente no âmbito do Programa Escolhas) que tem parceria com o Hospital, para onde são referenciadas as crianças e jovens que frequentam a consultam a Pediatria. f) Analisar, selecionar, elaborar e registar informação no âmbito da sua intervenção profissional e da investigação científico-social. Tem vindo a ser efetuado trabalhos na área dos cuidados continuados, concretamente na caracterização da população-utente. O mais recente foi feito em 2010. g) Assegurar a continuidade dos cuidados sociais a prestar, em articulação com os parceiros da comunidade; Após a primeira entrevista com a família onde se inicia a preparação de alta, são feitos contactos com a comunidade, ou seja, Centros de Saúde, I.P.S.S e outros, no sentido de assegurar a continuidade da intervenção, levando em documento escrito. h) Envolver e orientar utentes, famílias e grupos no autoconhecimento e procura dos recursos adequados às suas necessidades; Concretamente na Unidade de Convalescença, as famílias são envolvidas no ensino à prestação de cuidados com marcação prévia, no sentido de complementar o apoio dos cuidadores informais e de modo a adequarem os recursos disponíveis, quer a nível habitacional, quer a outros níveis. i) Articular-se com os restantes profissionais dos serviços para melhor garantir a qualidade, humanização e eficiência na prestação de cuidados”. É feita uma articulação com os restantes profissionais, quer ao nível da comunidade local, I.P.S.S, Centros de Saúde e outros unidades, disponibilizando toda a informação possível com vista a uma melhor integração dos utentes nos seus domicílios, ou em outra instituição para melhor garantir a qualidade, humanização e eficiência na prestação de cuidados. Por último e segundo o artigo 4º a Assistente Social do HJLC, coopera com os Institutos Superiores de Serviço Social e Universidades bem como, na Formação de Técnicos de Serviço Social fazendo orientações de estágios curriculares e profissionais. A Assistente Social faz parte ainda da Equipa Técnica da Unidade de Convalescença (da Rede de Cuidados Continuados Integrados). A função do Serviço Social nesta Unidade é, para além dos objetivos gerais do Serviço Social em contexto Hospitalar, prestar apoio psicossocial ao utente e planear/preparar a alta deste em concordância com a alta clínica, elaborando um Diagnóstico Social. Junto de todo o processo de internamento deve constar uma ficha de informação social do utente, esta preenchida pela Assistente Social, na qual constam as seguintes informações: identificação do utente, do seu agregado familiar, assim como a sua situação socioeconómica e cultural, incluindo os recursos da Comunidade e um breve resumo sobre a 1ª entrevista com as famílias. A Assistente Social para estabelecer de início contacto com o utente, faz um primeiro contacto com este através de uma entrevista de acolhimento. A utilização desta técnica irá permitir o esclarecimento ao utente sobre a realidade no meio hospitalar assim como, permite à Assistente Social fazer uma análise da existência ou não de problemas a nível socioeconómico e familiares ou até mesmo problemas, como já dito anteriormente, vindos do internamento. No diagnóstico social ao verificar a existência de problemáticas sociais, a situação é estudada, encaminhada e orientada. O estudo faz-se primeiro através do contacto com as famílias e só consoante as respostas destes é que a posteriori se faz a articulação com os serviços que estão disponíveis na comunidade. O Serviço social do HJLC tem a seu cargo o Gabinete do Utente/Cidadão. Segundo o Artigo 4º do Regulamento do Serviço Social deste Hospital, ao qual procura “ (…) que este seja um instrumento de apoio ao Órgão de Gestão do Hospital, tendo em vista a melhoria da qualidade dos serviços: de atendimento dos cidadãos; registo de sugestões e reclamações; análise e monitorização das sugestões e reclamações; estatística; e relatórios”. Outra das funções que cabe à Assistente Social deste Hospital e, também, a outros funcionários é a Humanização dos Serviços, ou seja, tentar uma aproximação empática com os utentes, de forma a diminuir o sofrimento, a angústia e a ansiedade que esta inerente a qualquer utente. Na sequência desta função, é da competência da Assistente Social participar ativamente na Comissão de Ética para a Saúde. No que diz respeito às Consultas Externas, existe uma maior intervenção por parte do Serviço Social, na Consulta Externa de Pediatria, onde semanalmente acompanha a Consulta de Desenvolvimento, sempre que for solicitada. Ainda, em relação com o Serviço de Pediatria, a Assistente Social intervém como elemento da Equipa Concelhia de Intervenção precoce, bem como na Equipa Multidisciplinar de Anadia. A Técnica Superior de Serviço Social efetua Visitas Domiciliárias às famílias que estão a ser acompanhadas por estas Equipas supra citadas. Em conformidade com as outras Consultas Externas de outras especialidades do Hospital, a Assistente Social atua em regime de chamada. Ao nível da sua atuação na Comunidade, faz parte da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Anadia; representa o Hospital José Luciano de Castro na Rede Social e, ainda, coopera no Projeto CADI - Centro de Atendimento e Desenvolvimento Integrado (Existente no âmbito do Programa Escolhas). Este Projeto pretende combater as desigualdades sociais resultantes de ambientes socioeconómicos desfavorecidos e do desenraizamento cultural, especialmente o sofrido pelos imigrantes dos países de leste, assim como, a dinamização de um centro de atendimento em diferentes áreas do desenvolvimento humano. Anexos 11- Politicas Socias na Saúde e no HJLC Politicas Sociais na Saúde O conceito de “política social” é relativamente moderno. Embora com uma vasta panóplia de definições para este mesmo conceito, segundo Patrick de Laubier (s/d, cit. in Fernando Maia, s/d: 8), a política social é “o conjunto de medidas tomadas ao nível nacional tendo em vista melhorar ou mudar as condições de vida material e cultural da maioria (…) em conformidade com uma progressiva tomada de consciência de direitos sociais e tendo em conta as possibilidades económicas e políticas de um país num dado momento”. Este autor ainda faz referência a dois pilares fundamentais da política social: o primeiro, de domínio económico, ao qual vai proporcionar os meios exigidos para a execução das medidas que são destinadas à melhoria ou até mesmo à mudança das condições de vida material ou cultural de muitos; o segundo pilar fala-nos do domínio político, ou seja, traduz-se na intervenção de forma direta do Estado ou de outros agentes da política social, como os grupos organizados: partidos políticos, sindicatos, etc. Em 1990, com a Lei de Bases da Saúde – Lei 49/90 de 24 de agosto, assiste-se a uma preocupação estatal em organizar as medidas de proteção da saúde. Esta Lei vai reafirmar a proteção da saúde, como direito universal e básico, ficando encarrego o Estado de assegurar e promover o acesso aos cuidados de saúde a todos os cidadãos. Estabeleceu também novos princípios organizacionais e institucionais, “ (…) que correspondem ao Programa XII Governo, que tem como aponte a descentralização e flexibilização do sistema de saúde de acordo com a criação de Áreas Funcionais de Saúde dotadas de uma maior autonomia e responsabilidade, com intuito de garantir uma permanente adaptação às necessidades de âmbito local e regional” (cit. in: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1468.pdf acedido a 16/04/2011). Politicas Sociais no HJLC Numa forma mais pormenorizada e no contexto do Hospital José Luciano de Castro em Anadia as Políticas Sociais vigentes dizem respeito à: Comissão de Ética para a Saúde; Comissão de controlo de Infeção Hospitalar; Comissão de Farmácia e Terapêutica; Comissão de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho; Coordenadora de Emergência; Comissão da Qualidade; Comissão Medica; Comissão Técnica de Avaliação e Desempenho de Enfermagem; Comissão Técnica de Avaliação do Desenvolvimento dos Técnicos de Diagnostico e Terapêutica, Voluntariado, Gabinete do Utente/Cidadão e Núcleo de Formação e Unidade de Cuidados Continuados Integrados (Unidade de Convalescença). O Serviço Social no HJLC participa ativamente nas seguintes: Comissão de Ética para a Saúde Segundo o art.º 17 do Regulamento Interno, esta Comissão rege-se pelo Decreto-Lei 97/95 de 10 de maio, ao qual é constituída por um Medico, dois Enfermeiros, Uma Assistente Social, uma Psicóloga e um Capelão. Estes membros são designados por um período de três anos. Têm funções ao nível da questão de ética assim como da saúde. Voluntariado O voluntariado é entendido como um conjunto de ações de interesse tanto social como comunitário, realizadas de uma forma desinteressada por pessoas no âmbito de um projeto, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade no geral, ao qual são desenvolvidas sem fins lucrativos, por entidades públicas ou privadas (Diário da Republica, Lei nº 71/98, artigo 2º, 3 de novembro). Os voluntários numa forma geral estiveram sempre presentes na sociedade. As suas ações eram sobretudo de cariz caritativo, exercido de forma esporádica e isolada, ditada por vezes pelos contextos familiares, de amizade entre outros. O voluntariado é assim visto neste Hospital como uma mais-valia pois contribui de uma forma para Humanização dos cuidados de saúde e a sua atuação situa-se na complementaridade do trabalho profissional que existe nesta instituição. A responsabilidade da orientação do voluntariado é da Assistente Social. Gabinete do Utente/Cidadão Segundo o Artigo nº 37 do Regulamento Interno do Hospital José Luciano de Castro em Anadia, “o Gabinete do Utente/Cidadão é dirigido por um profissional com adequada formação e experiência”, ficando ao encargo da Assistente Social, neste Hospital. Compete ao Gabinete de Utente/Cidadão: “a receção, análise e encaminhamento das sugestões, queixas e reclamações apresentadas pelos utentes e pelo público em geral, nos termos definidos no Despacho nº 26/86, de 30 de junho, da Ministra da Saúde, publicada no Diário da República, 2ª serie, de 24 de junho de 1986 e da Resolução do Conselho de Ministros n.º 189/96, de 28 de novembro”. O Gabinete de Utente/Cidadão implementa também o projeto Sim-Cidadão. Núcleo de Formação O Núcleo de Formação tem como principal objetivo a formação anual dos funcionários do Hospital José Luciano de Castro. Seguem-se por uma calendarização anual de atividades que lhes é proposta por este mesmo Núcleo. A Assistente Social é membro integrante no Núcleo de Formação. Unidade de Convalescença A Unidade de Convalescença está integrada na RNCCI (D.L. nº 101/2006, de 6 de junho - Cria a RNCCI- Anexo 4), como Unidade de Internamento com objetivo geral de atuar sobre o estado de saúde dos cidadãos com perda de autonomia e atuar sobre a capacidade funcional. Ao Assistente Social cabe a intervenção social. É-lhes exigido que se vocacionem para o atendimento dos utentes, familiares e comunidade que beneficiam dos serviços da RNCCI, capacitando-se para o fazer no enquadramento organizacional e institucional. A missão será sobretudo enfatizar a relevância dos fatores psicossociais, determinantes no tratamento, na reabilitação, na readaptação e na reintegração dos doentes/dependentes nos ambientes sociais, ajudando-os no desenvolvimento de todas as suas potencialidades. O Serviço Social na RNCCI integra a equipa multidisciplinar, permitindo a troca de experiências e conhecimentos diversos que se complementam e se revelam fundamentais para averiguar os elementos implicados na situação de dependências do utente, os condicionalismos que podem advir da mesma e os meios que permitam minorar desses mesmos condicionalismos. As situações são muito complexas sendo necessário efetuar um trabalho de equipa integrado e coordenado, que possibilite a compreensão do doente e as suas dimensões (biológicas, psicológicas e sociais) como um todo. Anexos 12- Certificados de presença em Seminários Anexos 13- Plano de atividades para o Plenário do CLASA Anexos 14- Decreto-Lei no 101/2006 de 6 de junho