Licenciatura em Serviço Social
Relatório Final de Estágio
“AvAliAção dA SobrecArgA do cuidAdor
Informal dos Utentes Idosos da UnIdade de
ConvalesCença do Hospital José luCiano de
Castro”
Vânia Raquel Martins Seabra
Coimbra
Ano Letivo 2011/2012
Licenciatura em Serviço Social
Relatório Final de Estágio
“AvAliAção dA SobrecArgA do cuidAdor
Informal dos Utentes Idosos da UnIdade de
ConvalesCença do Hospital José luCiano de
Castro
Supervisora: Dr.ª Sara Lopes Borges
Orientadora: Dr.ª Ana Paula Ferreira
Estagiária: Vânia Raquel Martins Seabra
Local de Estágio: Hospital José Luciano de Castro – Anadia
Coimbra
Ano Letivo 2011/2012
Dedico este trabalho,
A
toda
a
minha
família,
especialmente aos meus pais.
Ao meu namorado e amigos!
A Vós que estivestes intimamente
ligados à minha vida, e que no
desenvolver deste trabalho me
ajudaram e me apoiaram com toda a
paciência, carinho e compreensão,
testemunhando que o mais importante
é estar ao lado de quem realmente se
importa com o nosso sucesso,
superando com Vós, todos e/ou
quaisquer momentos difíceis por que
passei.
Índice
Dedicatória
Lista de Siglas……………………………………………………………………………....................... II
Índice de Tabelas…………………………………………………………………………..................... III
Índice de Anexos…………………………………………………………………………...................... IV
Agradecimentos……………………………………………………………………………................... IV
Introdução……………………………………………………………………………………................ 1
Parte I - As atividades de estágio
1.Caracterização do Hospital José Luciano de Castro – Anadia……………………….................. 2
2.Reflexão crítica sobre a inserção do Serviço Social na estrutura institucional………............... 5
3. Atividades de Estágio……………………………………………………………………..................8
3.1.Objetivos Gerais e Específicos do Estágio…………………………………………...... 8
3.2.Atividades desenvolvidas………………………………………………………………. 9
3.3 Caso Prático………………………………………………………………………………. 12
3.4. Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio……. 17
Parte II - Pesquisa
Resumo………………………………………………………………………………………………….. 19
1.Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais…………………………………................ 20
1.1 Envelhecimento………………………………………………………………………….. 20
1.2.Envelhecimento e Dependência………………………………………………………... 21
1.3.Envelhecimento e o contexto social……………………………………………………. 22
1.4.A Família como Prestadora de Cuidados Informais…………………………………. 23
1.5.Cuidador Informal………………………………………………………………………. 24
1.6.Sobrecarga do Cuidador Informal……………………………………………………... 26
2.Objetivos do estudo………………………………………………………………………………….. 28
3.1. Objetivo Geral…………………………………………………………………………… 28
3.2 Objetivos Específicos……………………………………………………………………. 28
3. Materiais e Métodos……………………………………………………………………………….... 28
3.1 Pergunta de partida………………………………………………………………………28
3.2.Metodologia……………………………………………………………………………… 28
3.3.População-alvo e Amostra……………………………………………………………… 28
3.4.Critérios de inclusão e exclusão………………………………………………………... 29
3.5. Instrumentos e Codificação de dados………………………………………………… 29
3.6.Procedimentos para a Recolha de Dados……………………………………………… 30
4. Apresentação e Análise dos Resultados………………………………………………………….. 31
5. Discussão dos resultados………………………………………………………………………….... 44
Conclusões…………………………………………………………………………………………….... 49
Bibliografia
Anexo
Lista de Siglas
APPACDM - Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental
A.S- Assistente Social
AVD – Atividades de Vida Diária
C.A – Conselho Administrativo
CADI - Centro de Atendimento e Desenvolvimento Integrado
CLASA - Comissão Local de Ação Social de Anadia
CUIDE - Cuidadores de Idosos na Europa (Escala)
E.G.A- Equipa de Gestão de Alta
HJLC – Hospital José Luciano de Castro
IPSS- Instituições Particulares de Solidariedade Social
MIF- Medida de Independência Funcional
RNCCI- Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
SPSS - Statistical Package for the Social Sciences
SS – Serviço Social
U.C – Unidade de Convalescença
II
Índice de Tabelas
Tabela 1 - Sexo dos Utentes ......................................................................................................... 31
Tabela 2- Idades por classes dos utentes da Unidade de Convalescença e média das idades 31
Tabela 3- Circunstâncias em que os utentes vivem ................................................................... 32
Tabela 4- Tipos de apoio usufruídos ........................................................................................... 32
Tabela 5- Estado de conservação da habitação e tipologia ........................................................ 32
Tabela 6- Sexo do cuidador informal .......................................................................................... 33
Tabela 7-Idades dos cuidadores informais ................................................................................. 33
Tabela 8- Situação Conjugal dos Cuidadores Informais............................................................ 34
Tabela 9- Profissões dos cuidadores informais .......................................................................... 34
Tabela 10- Situação Ocupacional dos Cuidadores ..................................................................... 35
Tabela 11- Grau de escolaridade dos cuidadores informais ..................................................... 35
Tabela 12- Relação de parentesco ................................................................................................ 35
Tabela 13- Tempo prestado pelo cuidador informal ao utente ................................................. 36
Tabela 14- Distância entre o cuidador e o utente ....................................................................... 36
Tabela 15- Tipo de apoios prestados ........................................................................................... 37
Tabela 16-Média de horas prestados por dia pelos cuidadores ................................................ 37
Tabela 17- Limitações na vida profissional/ocupacional dos cuidadores ............................... 37
Tabela 18- Outras pessoas que prestam cuidados para além do cuidador principal .............. 38
Tabela 19- Prestação de apoios a terceiros .................................................................................. 38
Tabela 20- Estatística Descrítiva de todos os itens, totais da escala de cuide .......................... 39
Tabela 21-Escala de CUIDE relativa............................................................................................ 40
Tabela 22- Escala de MIF (Medida de Independência Funcional dos utentes) ........................ 40
Tabela 23- Correlação entre as escalas CUIDE E MIF (coef. de correlação de Spearman) ...... 41
Tabela 24- Correlação entre a escala de CUIDE e as idades dos cuidadores informais .......... 42
Tabela 25- Relação do sexo dos cuidadores informais com a escala de CUIDE ...................... 42
Tabela 26- Relação entre o número médio de horas e a escala de CUIDE ............................... 42
Tabela 27- Relação entre a escala de CUIDE e a colaboração de terceiros na prestação de
cuidados informais ....................................................................................................................... 43
III
Índice de Anexos
Anexos 1-Organograma do Hospital José Luciano de Castro................................................... 57
Anexos 2- Regulamento do Serviço Social do HJLC .................................................................. 59
Anexos 3- Pedido de Autorização para efetuar o estudo .......................................................... 66
Anexos 4- Autorização do estudo ............................................................................................... 68
Anexos 5- Consentimento informado para os inquiridos ......................................................... 70
Anexos 6- Instrumento de recolha de dados .............................................................................. 73
Anexos 7- Codificação dos dados................................................................................................ 79
Anexos 8-Periodificação das Etapas em Cronograma, Planificação Semanal, Tabela das
Atividades de estágio e Cronograma do Estágio ....................................................................... 87
Anexos 9- Caracterização sociodemográfica do HJLC .............................................................. 93
Anexos 10- Serviço Social na Saúde ............................................................................................ 96
Anexos 11- Politicas Socias na Saúde e no HJLC ..................................................................... 102
Anexos 12- Certificados de presença em Seminários............................................................... 106
Anexos 13- Plano de atividades para o Plenário do CLASA................................................... 109
Anexos 14- Decreto-Lei no 101/2006 de 6 de junho ................................................................ 111
IV
Agradecimentos
À direção do Hospital José Luciano de Castro pela autorização da recolha de dados para o
presente trabalho, junto dos utentes da Unidade de Convalescença e seus cuidadores.
À Dra. Sara Lopes Borges, minha supervisora de estágio, que nos sempre incentivou a fazer
o melhor e que sempre se mostrou disponível a qualquer momento para tudo o que era
necessário, sabendo sempre atenuar os nossos momentos de maior pressão e angústia.
À Dra. Ana Paula Ferreira, minha orientadora e Assistente Social no local de estágio, pelo
seu acolhimento, companheirismo e simpatia, pelos saberes que me transmitiu, e pelo tempo
que me dedicou nesta meu trajeto.
Aos utentes da Unidade de Convalescença do HJLC que com toda a vossa prontidão
aceitaram participar na recolha de dados.
Aos cuidadores informais dos utentes da Unidade de Convalescença que gentilmente e com
toda vossa presteza aceitaram também participar na recolha de dados.
A todos os técnicos, médicos, enfermeiros e administrativos do Hospital José Luciano de
Castro, pela vossa simpatia e acolhimento no local de estágio, assim como na
disponibilidade e informação na recolha de dados para o estudo.
À Dra. Daniela Figueiredo, professora da Universidade de Aveiro, pelas informações
prestadas e imediatas da escala de CUIDE, bem como pela sua disponibilidade no
esclarecimento das minhas dúvidas.
À Dra. Fernanda Daniel pelo apoio na análise estatística.
À Dra. Sónia Guadalupe pelo apoio incondicional em qualquer momento que precisei ao
longo de todo o estágio. Sem os seus ensinamentos não teria conseguido proceder a análise
dos casos práticos de forma exata, bem como na execução de programas para a creditação
dos mesmos.
À minha colega de estágio e amiga Ana Margarida, que me acompanhou sempre nas
minhas deslocações para a recolha de dados, e que sem ela a minha tolerância teria chegado
ao limite muitas vezes. Pela calma que me transmitiu, assim como as gargalhadas que fomos
dando para descontrair em momentos de maior pressão.
V
Aos meus QUERIDOS PAIS que ao longo de todo este percurso académico me
incentivaram, me apoiaram incondicionalmente em todo o que precisei, me ajudaram e
trabalharam sempre em prol da minha educação. Pela paciência que tiveram comigo nos
meus momentos mais difíceis, quando estive mais impaciente, frágil e rezingona. Sem eles
nunca teria conseguido.
Ao meu Namorado que sempre me apoiou e esteve sempre ao meu lado. Também pela sua
paciência para suportar as minhas mudanças de humor e desvaneios. Pela força que me
transmitiu ao longo de todos estes anos, e pela sua tolerância nos momentos mais
complicados deste meu percurso.
A todos os outros meus familiares e amigos, que sabeis quem sois, estando Vós mais perto
ou mais longe, ajudando-me sempre implícita ou explicitamente.
E para todos aqueles que de uma forma direta ou indireta me ajudaram a levar a avante este
projeto e concluindo este sonho.
A todos um BEM HAJA e um MUITO OBRIGADA!!!
VI
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Introdução
Introdução
O presente Relatório Final de Estágio é elaborado no âmbito do estágio curricular do
4º ano, 7º Semestre da Licenciatura de Serviço Social, no Instituto Superior Miguel Torga.
Este estágio tem vindo a desenvolver-se no Hospital José Luciano de Castro em
Anadia, teve início a 28 de março de 2011 e o seu términus a 16 de dezembro de 2011 e teve
como supervisora a Dra. Sara Lopes Borges e como orientadora a Dra. Ana Paula Ferreira.
O objetivo do estágio é possibilitar a inserção da estagiária na prática profissional,
para que aprenda a desenvolver práticas, a fim de solucionar problemáticas concretas e
reais. O estágio é uma etapa fulcral no processo de formação e de aprendizagem do
estudante. Neste sentido, o estágio deve proporcionar condições para uma futura postura
reflexiva sobre o agir profissional ou sobre a dinâmica das respostas sociais por via das
diferentes instituições existentes, assim como seguir metodologias e técnicas de intervenção,
conhecer a multiplicidade das práticas profissionais, desenvolvendo uma postura
investigante e uma atitude crítica e reflexiva face às políticas sociais existentes, tendo em
conta o desempenho da profissão.
Deste modo, todo o conhecimento da prática profissional é completado pela
realização de uma pesquisa intitulada “Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos
Utentes da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro em Anadia” –, que visa o
estudo das repercussões existentes nos cuidadores informais ao cuidar dos utentes idosos
dependentes da Unidade de Convalescença do HJLC.
O presente Relatório Final de Estágio divide-se em duas partes, a primeira parte
destina-se às Atividades de Estágio e o segundo e ultimo capítulo diz respeito à Pesquisa
elaborada.
Na primeira parte falamos da Caracterização da instituição, fazemos uma reflexão
crítica sobre a inserção do Serviço Social no local de estágio, as atividades de estágio e
fazemos, ainda, uma reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do
estágio. Na segunda parte falamos da Pesquisa elaborada ao longo do estágio curricular,
onde engloba o enquadramento teórico, os objetivos do estudo, os materiais e métodos, a
apresentação e análise dos resultados obtidos na recolha de dados e a discussão dos mesmos
resultados.
Vânia Raquel Martins Seabra
1
Parte I
As AtividAdes de estágio
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
1.Caracterização do Hospital José Luciano de Castro - Anadia
O Hospital José Luciano de Castro (HJLC) situa-se no distrito de Aveiro, concelho de
Anadia, na Região Centro de Portugal, Sub-região Baixo Vouga, enquadrado na Região da
Bairrada.
O Hospital José Luciano de Castro sofreu uma evolução bastante significativa desde
os seus primórdios. Em 1902, a família Seabra de Castro, por impulso de D. Maria Emília
deram início à construção do edifício com destino a ser Hospital. Em 1928, o Hospital foi
objeto de doação designado assim por Hospital Asylo José Luciano de Castro. A finalidade
deste era o socorro gratuito dos pobres e de todos aqueles que não possuíam meios para se
tratar. Em 1966, começam as remodelações do Hospital, procedeu-se à remodelação da parte
sul que incluiu o Serviço de Medicina e Cirurgia, Urgência, Raio X e Cozinha. Em 1977, o
Hospital passa a Hospital Concelhio; em 1983 passou a Hospital Distrital. No período de
1991 a 1998 procederem-se a inúmeras remodelações assim como expansões do Hospital de
Anadia como, a instalação de um elevador/monta camas; à instalação da Entrada Principal,
os Serviços Administrativos, Ambulatório, as consultas Externa, Hospital de Dia, Cirurgia
do Ambulatório, Sala de Espera, Arquivo Clínico, Serviço de Imagiologia e Serviço de
Medicina Física e de Reabilitação; à instalação do Serviço de Medicina, Serviço de Cirurgia,
Urgências e Imagiologia; à ampliação do edifício ao qual foi instalado o Bloco Operatório.
De 2002 a 2011 o Hospital foi ampliado onde foram instalados os Serviços de Medicina
Interna, Cirurgia Geral, Urgências, Pediatria, Esterilização e Capela; ocorreu o encerramento
das Urgências e do Serviço de Medicina, iniciando obras de remodelação para a Instalação
da Unidade de Convalescença. Assim, o HJLC encontra-se inserido na Rede Nacional de
Cuidados Continuados Integrados (R.N.C.C.I), ao qual o Hospital tem uma Unidade de
Convalescença com capacidade para 20 camas. Prevê-se para este ano de 2012, o começo de
obras de remodelação e ampliação para uma nova Unidade de Cuidados Paliativos, assim
como a ampliação da Unidade de Convalescença.
Em suma, o Hospital José Luciano de Castro em Anadia foi mandado construir por
D. Maria Emília Seabra de Castro. Este mesmo Hospital foi doado à Santa Casa da
Misericórdia e posteriormente inaugurado em 18 de março de 1928 designando por Hospital
Asylo José Luciano de Castro.
Em 1977 este Hospital foi classificado como Hospital Distrital de nível 1. A atual
missão do Hospital José Luciano de Castro é prestar cuidados diferenciados em articulação
com o agrupamento de Centro de Saúde do Baixo Vouga I e suas limítrofes, com eficácia e
Vânia Raquel Martins Seabra
2
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
qualidade, tentando satisfazer as necessidades dos utentes que procuram o Hospital, assim
como a melhoria da saúde da comunidade e um maior desenvolvimento profissional dos
seus trabalhadores – estando este também integrado a RNCCI (Rede Nacional de Cuidados
Continuados Integrados). O HJLC tem como principal visão, o reconhecimento pelos seus
níveis técnicos e humanos dos cuidados de saúde que presta, assim como na excelente
organização, aberta, ágil e eficiente, como também pelo espírito de grupo que existe entre as
variadas equipas multidisciplinares, sendo estas competentes e com uma elevada
autoestima.
O HJLC é um Hospital Oficial, tutelado administrativamente pelo Estado, Ministério
da Saúde, além das instalações pertencerem à Santa Casa de Misericórdia de Anadia.
Atualmente, O HJLC integra a rede que constitui o Serviço Nacional de Saúde (SNS)
funcionando no âmbito do Ministério da Saúde e agindo na área dos cuidados diferenciados,
sendo este mesmo Hospital de nível 1, conforme o Despacho 23/86 publicado em D.R. Série
2, nº 161 de 16/07/1986.
O Hospital José Luciano de Castro tem como destinatários a população do Concelho
de Anadia e limítrofes (Mealhada, Oliveira do Bairro, Águeda, Cantanhede e Mortágua), e
como referida em supra a sua missão é a prestação de cuidados de saúde à população
referida.
Neste mesmo sentido, este Hospital tem vindo a desenvolver diversos protocolos
com intuito de satisfazer qualquer necessidade básica da população, ao qual ocasionalmente
podem receber utentes que não pertençam área de referenciação.
Consequentemente, o HJLC – Anadia é uma instituição composta por várias
valências com vista à prestação de cuidados de saúde que visam a promoção, recuperação,
cura e reabilitação dos utentes. Os Objetivos e Princípios Orientadores do HJLC são levados
a cabo pelo Regulamento Interno do Hospital José Luciano de Castro (Anexo 1). No Artigo
2º do regulamento o HJLC- Anadia estão explícitos os seus principais objetivos, que são:
 “Prestar cuidados de saúde diferenciados à população dos concelhos de Anadia e limítrofes,
sem prejuízo de corresponder ao direito de liberdade de escolha dos cidadãos em geral, com
eficiência e qualidade, tentando responder às necessidades dos utentes que o procuram;
 Promover a saúde na comunidade que serve;
 Assegurar o desenvolvimento profissional dos seus colaboradores num quadro de eficácia e
eficiência.”
Vânia Raquel Martins Seabra
3
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
Tendo em conta que é uma Instituição Hospitalar, apresenta também objetivos tanto
ano nível da promoção, recuperação, e reabilitação da saúde e prevenção da doença.
“A nível da promoção da saúde:

Fornecer informações sobre direitos e deveres dos cidadãos à saúde;

Elaborar, executar e avaliar programas de divulgação dos múltiplos fatores que incidem
sobre a saúde tanto para utentes reais e potenciais do serviço de saúde como para agentes
profissionais.”
“A nível da prevenção da doença:
 Estudar a incidência das variáveis sócio-económicas e culturais na etiologia, distribuição e
desenvolvimento dos problemas da saúde;
 Estudar as atitudes e valores que favorecem ou constituem obstáculos ao acesso a melhores
níveis de saúde;
 Estudar o nível de aproveitamento, por parte dos utentes dos serviços de saúde e seus
programas, bem como as expectativas dos utentes a tais serviços e programas;
 Participar no estudo da qualidade e quantidade dos serviços e recursos institucionais que
possam contribuir para que os indivíduos alcancem melhores níveis de vida;
 Orientar e fortalecer a unidade familiar e capacitá-la para o limite das suas possibilidades,
assegurando a saúde dos seus membros;
 Capacidades voluntários auxiliares e estudantes para desempenhar ações no campo da saúde.”
“A nível da recuperação da saúde:
 Capacitar os doentes e suas famílias que sejam agentes do processo de recuperação;”
“A nível da reabilitação da saúde:
 Assegurar que todo o doente ou diminuído físico ou mental possa alcançar o uso máximo da
sua potencialidade;
 Orientar o meio familiar, de trabalho, escolar e comunitário para a integração do doente
diminuído.”
Na prestação de cuidados de saúde estão implícitos os seguintes princípios gerais
(Regulamento Interno do HJLC, artigo 3º):
 “Liberdade de escolha do estabelecimento hospitalar, em articulação com a rede de prestação de
cuidados de saúde primários;
 Prestação de cuidados de saúde, com humanidade e respeito pelos utentes;
 Cumprimento das normas de ética e deontologia profissional.”
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
2.Reflexão crítica sobre a inserção do Serviço Social na estrutura institucional
É extremamente importante falarmos da inserção da prática do Serviço Social na
estrutura institucional, tendo uma visão enquanto profissão no seu contexto global, e quanto
à sua intervenção na Unidade de Cuidados Continuados, uma vez que a nossa pesquisa é
realizada na Unidade de Convalescença do HJLC.
Segundo o Projeto de declaração de missão da AIESS “os profissionais de Serviço Social
dedicam o seu trabalho em prol do bem-estar e na realização pessoal dos seres humanos; ao
desenvolvimento e utilização disciplinada do conhecimento científico relativo ao comportamento das
pessoas e da sociedade; ao desenvolvimento de recurso destinados a satisfazer as necessidades e
aspirações individuais, coletivas, nacionais e internacionais; e à realização da justiça social.”
A intervenção do Serviço Social no HJLC é levada a cabo por uma Assistente Social,
que faz uma articulação dos meios e soluções com intuito de promoção do bem-estar dos
utentes.
No HJLC, o A.S comporta várias funções como atender, informar e encaminhar a
população mediante as várias situações. Existe, também, uma articulação com os demais
profissionais de saúde do Hospital, de forma a criar um elo entre a instituição, indivíduo,
família e a sociedade.
O Assistente Social integra a equipa de saúde, tendo uma participação desde a
promoção, prevenção, tratamento, até à reabilitação do utente. O seu papel é pró-ativo na
ajuda psicossocial aos utentes, o que implica fazer um acolhimento, articulando e
esclarecendo os recursos existentes na comunidade, bem como os seus direitos e deveres,
fazendo um diagnóstico do utente e família para uma tratamento e reabilitação mais eficaz.
“Os assistentes sociais participam no planeamento, orçamentação, execução, avaliação e
alteração das políticas e serviços sociais de caráter preventivo destinados a diferentes grupos e
comunidades. Intervêm em numerosos setores funcionais, utilizando diversas abordagens
metodológicas, trabalhando no âmbito de um quadro organizacional amplo e prestando serviços sociais
a diversos setores da população a nível micro e macro”.1
Nos últimos anos verificamos uma evolução do paradigma da medicina, passando de
uma prespetiva Biomédica para a Holística. Esta última prespetiva, a holística, estuda a
vertente económica, bem como todo o contexto biopsicossocial com intuito de responder a
todas as necessidades sentidas pelos utentes. Neste sentido, a Assistente Social no HJLC, tem
1
Vide FIAS, Definition of the Social Work Profession
Vânia Raquel Martins Seabra
5
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
uma visão do utente como um todo e não como um ser singular, ao qual pertence a um
contexto social, familiar e profissional. Assim, o assistente social trabalha em
multidisciplinariedade com outros técnicos, para uma maior perceção da problemática
sentida pelos utentes, ao qual têm também uma visão mais ampla da situação-problema,
dando uma resposta mais eficaz.
Destacamos, ainda, a importância do gabinete de Serviço Social no HJLC, onde se faz
o acolhimento/atendimentos das famílias e utentes, ao qual podem ocorrer com a devida
privacidade. Tendo em conta que só há uma A.S no hospital, não existe a falta de
privacidade fazendo disto uma vantagem, podendo, mesmo assim, ocorrer numa
desvantagem, pois o atendimento ao utente são durantes os 5 dias úteis da semana, sem
horário fixo, não havendo atendimentos durante o fim de semana. Contudo, estes aspetos
mesmos aspetos, podem ocorrer numa vantagem, isto é, pelo facto do horário de
atendimento aos utentes não ser fixo, os utentes podem ser atendidos a qualquer momento
do dia. Quanto ao atendimento não ser os sete dias por semana, poderá não ser justificativo
haver atendimento ao fim de semana.
Consideramos que apesar de se tentar o melhor acolhimento possível ao utente e
família à data do ingresso na Unidade, por vezes existe alguma demora e desconhecimento
da data de internamento, que origina alguma ansiedade e preocupação, principalmente aos
familiares, pois não existe informação intermédia entre a referenciação e o internamento. É
muitas vezes na 1ª reunião multidisciplinar que os familiares e utente são esclarecidos e
orientados para perceber a filosofia da RNCCI, situação que deveria melhorar por parte das
EGAS (Equipa de Gestão de Altas dos Hospitais) e das Equipas de Referenciação dos
Centros de Saúde.
Quanto à referenciação ser feita a partir do domicílio/centro de saúde, ficamos
limitados também, pois temos de aguardar o contato da família para poder fazer um
acolhimento apropriado à chegada do utente.
As reuniões de acolhimento são feitas aos familiares e utentes caso estejam lúcidos,
havendo sempre uma grande preocupação na informação de modo a uma melhor
adaptação, quer por parte do utente quer da família, nomeadamente que a família assista
aos cuidados de reabilitação/ensino ao cuidador principal, de modo a que no final do
internamento o utente atinja os objetivos da vinda para a Unidade.
Para esta unidade são orientados todos os utentes com os critérios de Unidade de
Convalescença sendo no entanto, também, referenciados utentes designados por “casos
sociais” e é aqui que o SS tem o seu papel principal. Trata-se de utentes, que embora sem
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
critério clínico, mas sim social, se encontram sós, sem retaguarda familiar, sem recursos
económicos e por vezes sem situação habitacional. Toda esta situação dificulta a orientação
quer para Lares, quer por vezes para outras Unidades, pois muitas situações não se
encontram do ponto de vista clínico orientados para tomar decisões ou mesmo assinar
documentação necessária à resolução da colocação.
Como resposta a estes utentes será o ingresso numa Vaga/Pilar da Segurança Social,
sendo outro dos problemas sentidos, pois há falta de recursos para dar respostas a este tipo
de problemática, devido à maioria dos Lares não terem vagas, sendo a lista de espera
bastante grande, e por estas vagas que são destinadas à Segurança Social estarem ocupadas.
Tendo em conta o Decreto-Lei n.º 101/2006, as Unidades de Convalescença tem um período
de internamento de 30 dias e caso não conseguirem uma vaga nesse período de tempo para
este tipo de casos sociais, há necessidade de transferir os utentes para outra unidade mais
longa ou pedir prorrogações para esperar por uma vaga. Contudo, os profissionais não têm
informação de como proceder quando não há ninguém que assine os consentimentos, sendo
um dos aspetos que deve ser melhorado pela própria RNCCI, para que haja um
funcionamento pleno e que as respostas nestes casos sejam eficazes.
Mediante estes constrangimentos, a equipa multidisciplinar do HJLC, mais
concretamente o serviço social consegue levar avante, fazendo um trabalho de articulação
com outras entidades e instituições, para a resolução deste tipo de casos, para que não
fiquem abandonados como acontecia e acontece em grande parte dos Hospitais de Agudos.
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
3. Atividades de Estágio
3.1.Objetivos Gerais e Específicos do Estágio
Segundo os principais objetivos da política de Estágios de Serviço Social, os objetivos
que assentam na intervenção do Serviço Social no Hospital José Luciano de Castro são os
seguintes:
 Conhecer e analisar a inserção do Serviço Social ao nível das diferentes áreas de
trabalho e o respetivo desempenho dos seus profissionais;
 Conhecer a diversidade das práticas profissionais;
 Desenvolver a capacidade de adotar metodologias e técnicas de intervenção e de
construir estratégias profissionais;
 Treinar competências ao nível do relacionamento profissional com a população-alvo
da sua intervenção profissional, com as chefias, entre pares e profissionais de
diferentes áreas;
 Desenvolver a capacidade de iniciativa, espírito crítico/reflexivo e a construção de
reprodução de uma postura ética e deontológica na profissão;
 Construir para a solidificação de uma cultura profissional assente em valores de
igualdade, de defesa da dignidade humana e emocional, bem como do agir
profissional.
Vânia Raquel Martins Seabra
8
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
3.2.Atividades desenvolvidas
No decorrer do estágio, tivemos a possibilidade de realizar algumas atividades, que
se encontram descritas como sendo funções do Assistente Social, tais como (anexo 9):
 Acolhimento ao utente e família:
Este acolhimento é realizado com a base na prática de Advocacia Social, ou seja
informa-se os utentes e as famílias de quais os direitos e deveres, assim como as normas de
funcionamento da Unidade (horário das visitas, medicamentos, roupa, entre outros). É
também fornecido às famílias o Guia de Acolhimento assim como o folheto dos direitos e
deveres.
 Avaliações Sociais:
As avaliações socias individuais vão permitir ao Assistente Social completar o
processo social do utente, elaborando um diagnóstico mais pormenorizado, com intuito de
aprofundar e acompanhar a situação sociofamiliar em questão. Será registado todo e
qualquer acontecimento relevante em questões sociais, assim como registar as diligências
efetuadas ou em curso.
 Plenários do Conselho Local de Acão Social de Anadia (CLASA):
Estes plenários têm sobretudo objetivo de apresentar as atividades desenvolvidas no
Conselho de Anadia no âmbito da ação social, bem como, a atualização de acordo com
ajustes que os participantes refiram no Diagnóstico do Conselho. Nestes plenários,
participam todos os parceiros do CLASA. Aqui também se apresentam projetos que serão
desenvolvidos no Concelho dentro da ação social, bem como propostas de novos parceiros.
 Pesquisa Bibliográfica documental e legislativa:
Na fase inicial, de integração, a estagiária passou por um processo de pesquisa, da
qual caracterizou a Instituição onde decorre o seu estágio, bem como a caracterização
sociodemográfica da Instituição. A estagiária tomou conhecimento dos diferentes
procedimentos que existem para os diferentes Serviços do Hospital José Luciano de Castro,
tendo em conta, ainda, as diferentes intervenções que o Serviço Social tem no seu local de
estágio.
Vânia Raquel Martins Seabra
9
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
 Reuniões de Equipas Multidisciplinares- elaboração do PII e preparações de altas:
No ingresso do utente na Unidade é elaborado o PII (plano individual de
intervenção), da qual após a reunião da equipa multidisciplinar é preenchida uma tabela
com os problemas detetados no utente, traçando os objetivos e métodos de intervenção.
Nesta reunião estão presentes os Médicos, Fisiatra, Enfermeira-Chefe, Terapeuta da Fala,
Dietista, Fisioterapeuta, Assistente Social e administrativa. Todas as semanas é feita uma
reunião multidisciplinar da Unidade de Convalescença, no sentido de avaliar se os objetivos
estão a ser atingidos ou não, reformulando se necessário. Na preparação de alta, cada técnico
preenche a nota de alta de acordo com a sua especialidade, referindo se os objetivos pela
área deles especifica foram atingidos. No Serviço Social concretamente, refere para onde será
o encaminhamento da utente pós-alta (domicilio, instituições, ou outra), bem como, se quais
os objetivos delineados que forma atingidos ou não.
 Reuniões Multidisciplinares onde o Serviço Social do HJLC está inserido:
O Serviço Social do HJLC participa também, nas reuniões multidisciplinares do
Serviço de Pediatria e da Intervenção Precoce. Ambas têm objetivos comuns que são a
avaliação da evolução dos utentes, assim como apresentação e discussão de cada caso de
forma individualizada. No serviço de Pediatria e Intervenção Precoce fazem parte a
Pediatra, Enfermeiras, Professores de Apoio e Educadores, Assistente Social e Psicóloga.
 Reuniões com Familiares de Utentes da Unidade de Convalescença:
A estagiária assistiu também, às reuniões com os familiares e utentes (quando estes
estão orientados) da Unidade de Convalescença (1ª entrevista). Nestas reuniões explicam-se
os objetivos da Unidade, assim como, os direitos e deveres dos utentes, esclarecendo
qualquer dúvida que os familiares e os utentes tenham, recolhendo informação para
perceber quais as condições que os utentes terão pós-alta, fazendo o encaminhamento
respetivo. A Equipa de Referência da Unidade (Médico, Enfermeiro e Assistente Social)
informa que a unidade tem ao dispor dos familiares a possibilidade do ensino ao cuidador,
para numa fase posterior treinarem as técnicas fundamentais na ajuda ao utente no levantar,
no deitar, no ir à casa de banho, etc. São, também, dadas informações de como proceder para
a minimização das barreiras arquitetónicas. A primeira reunião tem como finalidade
principal o início de preparação de alta, com vista a encontrar soluções para o pós-alta. Após
feitas as reuniões com os familiares, é inserida a informação na Plataforma da RNCCI, que
foi retirada em suporte de papel nas reuniões.
Vânia Raquel Martins Seabra
10
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
 Visitas Domiciliárias:
As visitas domiciliárias são feitas às famílias de crianças com problemas sociais, que
frequentam as Consultas de Pediatria no Hospital, ou faltam às mesmas. Foi assim
permitida à estagiária tomar conhecimento desta realidade social e familiar destes utentes
que frequentam estas consultas.
 Visitas domiciliárias em contexto de realização de entrevista para o estudo:
A estagiária deslocou-se ao domicílio dos utentes/cuidadores, a fim de recolher os
dados para o estudo. Esta atividade permitiu uma aquisição de competências na
administração dos instrumentos da recolha de dados, ou seja, um ganho do traquejo ao
administrar os questionários e escalas. Permitiu também conhecer realidades e contextos
diferentes na realização destas visitas.
 Reuniões de supervisão de Estágio:
A estagiária teve Reuniões de Supervisão, que são feitas quinzenalmente (marcadas
previamente), ao qual podem ser de grupo ou individual, tendo como objetivo o
esclarecimento de dúvidas, a discussão das atividades das últimas semanas, assim como,
receber apoio por parte da supervisora de estágio. As reuniões de supervisão, são fulcrais no
decorrer do estágio, pois são aí ouvidas e esclarecidas as nossas dúvidas, ajudando-nos a
ultrapassar qualquer obstáculo que tenha surgido. As estratégias delineadas pela
supervisora para este estágio, foram a nosso ver as melhores para a elaboração de um bom
relatório.
 Seminários:
A estagiária participou também em dois seminários ao longo do estágio curricular,
nomeadamente (Anexo 14):
 IV Encontro da Rede Social de Coimbra “Voluntariado e Redes Sociais”, realizado
mo dia 10 de novembro de 2011, no Auditório da Comissão da Coordenação e
Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) em Coimbra;
 O Centenário da Proteção à Infância. A Proteção dos Direitos da Criança Imigrante
em Portugal, realizado no dia 15 de dezembro de 2011, no Auditório da Comissão da
Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) em Coimbra.
Vânia Raquel Martins Seabra
11
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
3.3 Caso Prático
Identificação
Nome: D. Mariana Silva (nome fictício)
Idade: 76 anos
Residência: Santa Joana (Aveiro)
Estado Civil: Divorciada
Atividade Profissional: Reformada
Sinalização
A utente foi sinalizada pela equipa de Gestão de Altas do Hospital Infante D. Pedro
em Aveiro a partir do Serviço de Neurologia, para a Rede dos Cuidados Continuados
Integrados, ingressando no Hospital José Luciano de Castro em Anadia como problema
social, devido à sua situação familiar.
Situação Clínica
A utente foi internada no Serviço de Neurotraumatologia dos HUC em contexto de
TCE (traumatismo crânio-encefálico), após queda no domicílio.
A utente não verbalizava, não colaborava, estava muito emagrecida (desnutrição
proteica).
A D. Mariana é completamente dependente nas AVD’s e tinha uma disfunção
cognitiva prévia e um mau estado geral objetivado essencialmente pela desnutrição.
Estudo Social

Situação sociofamiliar
A utente de 76 anos não se encontrava estável a nível físico e psicológico, na qual se
verificou a falta de disponibilidade familiar, visto ter um irmão e este não querer ter
quaisquer encargos com esta. A utente era divorciada e não tinha filhos.
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
Genograma
1935
76
Sr.
Manuel
Silva
D.Mariana
Silva
Legenda:
Divórcio
Distante – Hostil
Família Nuclear
Sujeito Identificado

Situação económica e profissional
A utente é reformada e aufere pensão social, a qual não lhe permitia bastar-se
economicamente.

Situação habitacional
A utente residia em casa de renda (r/chão) sem quaisquer condições de higiene e
salubridade.

Apoio Social
No decorrer do estudo social, a utente tinha apoio do Centro de Dia no Centro Social
de Santo André em Mataduços complementado com o apoio de uns vizinhos, embora à data
do ingresso na Unidade de Convalescença, estes tiveram presentes na entrevista,
acompanhados do irmão, dando a entender que não queriam ter mais nenhum tipo de
responsabilidade com a D. Mariana, informando que a sua vinda para esta Unidade seria
para resolver este problema social. O caso da D. Mariana foi notícia na comunicação social
local tendo em conta a sua “situação de abandono e do seu comportamento desadequado ”.
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
Diagnóstico Social
Dada a sequência de múltiplas entradas no Serviço de Urgência do Hospital Infante
D. Pedro em Aveiro, a utente foi encaminhada para a Unidade de Convalescença do HJLC,
com intuito de resolução da problemática social em que esta se encontrava. Foi efetuada a
reunião de acolhimentos aos familiares da D. Mariana e com os vizinhos, com intuito de dar
a conhecer os objetivos que a Unidade de Convalescença tinha para a utente (PII – plano
individual de intervenção), assim como os seus direitos e deveres com vista à preparação de
alta. No seguimento desta reunião, os familiares e vizinhos, deram a entender que não
queriam assumir nenhuma responsabilidade quanto ao destino da utente após alta,
informando que não voltariam à Unidade. Os familiares e vizinhos referiram, também, que
já tinham requerido vaga em Lar, embora a utente não tenha aceite. Posto isto e devido ao
seu comportamento, foi também solicitado pedido de internamento compulsivo ao Centro
de Saúde (fugia de casa despida durante a noite), não tendo sido verificado. Entretanto foi
frequentando o Centro de Dia, com apoio da vizinha. A utente teve uma boa integração na
unidade, tendo sido alcançado os objetivos clínicos e sociais para ela.
Intervenção Social
Tendo em conta a situação-problema desta utente foram feitos contactos com IPSS do
meio, nomeadamente o Centro Social Santo André em Mataduços, o Serviço Social do HIP, a
Segurança Social de Aveiro, a Associação Social ASAS Santa Joana, para efeito de
conhecimento da situação e solicitação de internamento em Vaga/Pilar. Assim e devido à
falta de apoio da família e nomeadamente amigos, e sem possibilidade de regressar ao
domicílio, foram feitos contactos com a Segurança Social com finalidade de solicitar o
internamento em Lar (Vaga/Pilar) como referido em supra.
Tendo em conta que o internamento nas Unidades de Convalescença tem uma
duração de 30 (trinta) dias, foi solicitado à RNCCI uma prorrogação de 15 dias a fim de
aguardar o ingresso numa Vaga/Pilar em Lar, visto que o tempo de internamento não seria
o suficiente até a D. Mariana poder ingressar numa Vaga. A utente ingressou numa
Vaga/Pilar no Centro Social e Paroquial da Nossa Senhora da Nazaré.
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
Reflexão
O caso da D. Mariana pode considerar-se problemático devido à quase ausência da
rede de suporte social. Contudo, de acordo com Fischer et al., (1977 cit,. in Guadalupe,
2009:50) “ (…) as redes sociais podem ser consideradas como ‘os sistemas particulares de relações que
unem atores sociais’ ” da qual “ (…) a existência de uma rede social não é sinónimo da existência
efetiva do apoio” (Guadalupe, 2009: 82).
Segundo Guadalupe, existem dois tipos de redes: as primárias e as secundárias. Por
redes primárias entende-se “inserção do um conjunto natural de indivíduos em interação uns com
os outros que formam a trama de base da sociedade e o meio de individuo” (2009:54). Neste caso
concreto, a D. Mariana não possui suporte da rede primária uma vez que não mantem
relação com o seu irmão, nem vizinhos, nem tem amigos. Por redes secundárias, segundo
Blanchet et all., (1981, cit. in Guadalupe, 2009:55) entende-se por “um conjunto de pessoas
reunidas por uma mesma função, num quadro institucionalizado”. Neste contexto, a D. Mariana
depois de todas as diligências efetuadas pelo Serviço Social do HJLC, foi sugerido uma Vaga
Pilar em Lar à Segurança Social, uma vez que a utente não tinha retaguarda familiar, e não
tinha meios económicos para a sua subsistência, nem mesmo condições para regressar ao
domicílio.
Outro problema que podemos verificar neste caso está ligado à solidão. Ou seja,
podemos dizer que a solidão é uma realidade complexa, pois pode-se facilmente confundir
com questão do isolamento, abandono, entre outros. Segundo o Dicionário Houaiss (2003,
cit. in Hélder Fernandes, 2007:32) solidão significa a “sensação ou situação de quem vive afastado
do mundo ou isolado no meio de um grupo social”. “No estudo sociológico da solidão, Ussel (2001, cit.
in Hélder Fernandes, 2007:32-33) considera que tem de se ter em conta que o trabalho e a família
são os dois eixos principais que estruturam e definem a existência humana. Assim, qualquer alteração
que ocorra nestes dois eixos é suscetível o aparecimento de diversos problemas (…) ” que darão
origem à solidão. Ainda segundo Neto (2000, cit. in Hélder Fernandes, 2007:33), a solidão é
“…uma experiência comum e é um sentimento penoso que se tem quando há discrepância entre o tipo
de relações sociais que desejamos e o tipo de relações sociais que temos.”
Assim, podemos dizer que a solidão pode advir de vários aspetos oriundos de
diferentes situações da vida de cada um, bem como, da forma como lidamos com essas
situações no nosso quotidiano. A solidão procura a solidão, ficando as pessoas de certo
forma acostumadas a ela, sentido que esta será a sua companhia mais fiel.
Neste caso prático, verifica-se que a utente vivia sozinha e isolada da sociedade. Não
tinha filhos, era divorciada e a sua família mais chegada, ou seja, o seu irmão não queria
Vânia Raquel Martins Seabra
15
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Atividades de Estágio
manter qualquer tipo de contato com ela. Esta falta de contato pode ter múltiplas razões
como o isolamento da própria utente, ou mesmo disputas entre eles que possam ter levado
ao isolamento e consequentemente solidão por parte desta. Mas o isolamento nem sempre
quer dizer que a pessoa sofre de solidão.
Com isto, e para a diminuição deste sentimento de solidão por parte dos idosos, é
necessário que estes usufruam de algum tipo de apoio formal (lares, centros de dia, entre
outros), pois seria uma solução para minimizar o isolamento e a solidão deles, convivendo
com outros idosos e passando assim o seu tempo. Contudo, esta resposta pode nem sempre
ser vista da melhor forma pelos idosos, pois eles sentem que perdem parte da sua
identidade por estar a sair das suas próprias casas e partilhar espaços com outros idosos.
Neste sentido e como a intervenção feita neste caso prático foi também no sentido da
utente não poder ir para caso sozinha e por ela estar numa situação de isolamento,
entendemos assim que a D. Mariana teria apoio social de uma rede secundária (apoio
formal) por parte da Vaga/Pilar em Lar, (orientação dada pela Segurança Social, para
utentes nas circunstâncias a que a D. Mariana se encontrava) ingressando no Centro Social e
Paroquial da Nossa Senhora da Nazaré.
Vânia Raquel Martins Seabra
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio
3.4. Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio
Segundo a Associação de Profissionais de Serviço Social “O Serviço Social visa a
mudança societária, em particular face aos que sofrem as consequências de quaisquer formas de
exclusão e injustiça social, nomeadamente por pobreza, desemprego, doença, cumprimento de pena ou
violação dos Direitos Humanos.”(cit.in http://www.apross.pt/Files/Assistente_Social_.pdf
acedido a 18/06/11). A profissão de Serviço Social, promove a mudança social, resolvendo
os problemas existentes nas relações humanas e reforçando a emancipação das pessoas para
levar ao bem-estar das populações. O Serviço Social intervém utilizando teorias de
comportamento humano e dos sistemas sociais de forma a intervir nas situações em que as
pessoas interagem com o seu meio. Os princípios dos direitos humanos e da justiça social,
são
indispensáveis
para
a
profissão
do
Assistente
Social
(cit.
in
http://www.apross.pt/etica.php acedido a 18/06/11).
Com isto, podemos verificar que o Serviço Social está intrinsecamente ligado à saúde,
visto que foi nesta mesma área, ou seja, na saúde que o S.S teve a sua génese, nos finais do
seculo XIX com Mary Richmond. Foi assim no inicio do seculo XX que em Portugal “(…) as
A.S
começaram
a acompanhar
as
equipas
de saúde
no tratamento e
profilaxia da
tuberculose”(Martinelli, 2003).
Assim, foi devido à participação do A.S na área da saúde, que despoletou a
curiosidade de desenvolver o estágio nesta mesma área. A estagiária achou muito
gratificante estagiar na área da saúde, devido a haver um contacto com diferentes áreas e
situações, revelando-se bastante enriquecedor para a sua formação.
O Estágio Curricular, veio permitir, também, uma aquisição de atitudes, valores e
postura no âmbito da profissão de Serviço Social. O contato direto da estagiária com as
problemáticas existentes no HJLC, as diferentes respostas e intervenções às problemáticas e
a interação com diferentes profissionais da área da Saúde, permitiram uma visão mais ampla
da profissão e da interação desta com outras áreas.
Ao longo de todo o Estágio desenvolvemos também, competências mais alargadas e
abrangentes, para que mais tarde no desenvolver da atividade profissional, possamos
diagnosticar e delinear uma intervenção eficaz, tendo em conta as diversas problemáticas
sociais existentes.
Este estágio assumiu um papel fulcral de todas as etapas do processo académico,
pois foi o primeiro contato com a realidade social, assim como foi a primeira experiência na
prática a nível profissional.
Vânia Raquel Martins Seabra
17
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Reflexão sobre as competências profissionais obtidas no decurso do estágio
Assim, este estágio, permitiu-nos confrontar com esta realidade que é o
envelhecimento dependente e as repercussões na vida do cuidador informal, ou seja, tendo
em conta as políticas socias já desenvolvidas para este mesmo fim, assim como a aplicação
destas, fez-nos desenvolver uma atitude crítica mas construtiva a cerca delas. Podemos
verificar que as políticas já desenvolvidas, não são de certa forma cumpridas, ou deveriam
ser desenvolvidas mais políticas ou projetos, para responder às dificuldades sentidas pelos
cuidadores informais, ao cuidar de idosos dependentes, com ajuda de outros cuidados,
como os formais, despoletando o interesse no ensino aos cuidadores informais, para uma
diminuição da sobrecarga.
Com isto, a estagiária considera importante e de extrema relevância que haja um
desenvolvimento de estratégia de intervenção por parte das redes secundárias, de forma a
contribuir para o bem-estar dos idosos dependentes, bem como dos familiares cuidadores.
De igual modo, deve de haver uma partilha de informação relativamente às problemáticas
subjacentes do cuidar, e das várias respostas que existem para ajudar nos desafios que o
idoso dependentes pode despoletar diariamente.
Vânia Raquel Martins Seabra
18
PARTE II
Pesquisa
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Resumo
Resumo
Este tema revelou-se importante devido ao facto de não haver muitos trabalhos
realizados na área dos cuidados continuados, sendo uma medida/política recente. Também
houve necessidade de conhecer a população-alvo que a Unidade de Convalescença do HJLC
abarca, ter a perceção das limitações e consequências que podem advir na vida dos
cuidadores informais dos utentes do hospital, bem como, o seu nível de sobrecarga, para
além de querermos conhecer o papel do Serviço Social neste tipo de serviço.
Elaborámos um questionário com intuito de conhecer e caracterizar o cuidador e o
utente, para a avaliação da sobrecarga dos utentes, bem como da dependência dos utentes
foram utilizadas duas escalas respetivamente, a escala de CUIDE e a de MIF.
Os instrumentos foram administrados a 24 utentes e cuidadores numa amostra total
de 32 indivíduos, sendo que 7 deste total faleceram, e 1, o cuidador informal não estava
disponível para participar no estudo.
Verificámos que a nossa amostra é maioritariamente constituída por pessoas do sexo
feminino (62,5%) e os inquiridos tem idades compreendidas entre os 66 e os 95 anos de
idade, sendo a médias das idades de 78,71. Tendo em conta os seus cuidadores, são
maioritariamente mulheres (75%) com uma média de idades de 56,92.
Com a escala de Cuide, que avalia a sobrecarga do cuidador informal na prestação de
cuidados aos utentes a média total das questões é de 53,79 (média relativa 3,16), com um
desvio padrão de 16,42 (desvio padrão relativo de 0,97), sendo o mínimo de respostas 19 e
máximo no 68. Verificamos assim com esta média total de scores, que existe uma satisfação
ao prestar cuidados aos utentes idosos com dependência, ou seja, a sobrecarga destes
cuidadores inquiridos não é elevada.
Podemos ainda constatar com este estudo, que em média dos scores obtidos é 58,54,
quer isto dizer, que dos 24 idosos inquiridos no estudo, o grau de dependência deles é
moderado (de 37 a 90).
O estudo permite concluir que os cuidadores informais, mais concretamente os
familiares destes idosos dependentes sentem-se sobrecarregados em certas tarefas e sendo
prejudicial para eles próprios em termos físicos, psicológicos e sociais, embora sentindo uma
grande satisfação por cuidar deles, pois são seus familiares, achando até mesmo gratificante
a
tarefa
de
Vânia Raquel Martins Seabra
cuidar.
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Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
1.Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
1.1 Envelhecimento
Segundo Sousa, Figueiredo e Cerqueira (2006:21-22) “o envelhecimento é um processo
multifatorial de deterioração endógena e irreversível das capacidades funcionais do organismo.
Consiste num fenómeno inevitável, inerente à própria vida, equivalente à fase final de um programa
de desenvolvimento e diferenciação. Daí ser possível distinguir entre envelhecimento primário ou
normal e envelhecimento secundário ou patológico. O primeiro, manifesta o processo de diminuição
orgânica e funcional, que acontece, de forma inevitável, com o passar do tempo. O segundo, reporta-se
aos fatores que têm interferência no processo de envelhecimento normal, como o stress, doença ou
traumatismo, suscetíveis de acelerar o processo de envelhecimento primário”.
O envelhecimento está relacionado com um conjunto de transformações biológicas,
psicológicas e sociais que se processam durante a vida. Ou seja, o envelhecimento refere-se
às alterações regulares que ocorrem em organismos maturos, vivendo em condições
ambientas representativas à medida que avançam na idade cronológica. De acordo com La
Rue (2005, cit. in Sequeira, 2007:31) “é prática comum considerar as pessoas idosas como homens e
mulheres com idade igual ou superior a 65 anos, pelo que a idade da reforma constitui uma referência
para a velhice, ainda que de forma viável, em função da profissão, país, sistema social, cultura, etc.”
Assim, em sustentação ao referido anteriormente, é importante salientar que o
processo de envelhecimento ocorre de maneira diferenciada em todo o mundo. Cada país
possui os seus aspetos culturais, bem como económicos e sociais que estão relacionados de
forma direta com a qualidade de vida dos seus cidadãos e que de certa forma vão interferir
no modo como as pessoas irão envelhecer, e de que forma se dará esse processo.
A maneira como envelhecemos tem a ver com a forma como nos desenvolvemos, ou
seja, a senescência2 que está de acordo com a função do meio físico e social em que o
organismo se desenvolve e envelhece. Assim, ninguém fica “velho” de um momento para o
outro. As características físicas e mentais das pessoas é que serão os indicadores de velhice.
Segundo Schoroots e Birren (1980, cit in Paúl, 1997:10), “o envelhecimento tem 3
componentes: a) o processo de envelhecimento biológico, que resulta da vulnerabilidade crescente e de
uma maior probabilidade de morrer, a que se chama senescência; b) um envelhecimento social, relativo
aos papéis sociais apropriado às expectativas da sociedade para este nível etário; e c) o envelhecimento
2
Senescência: entende-se por este conceito o conjunto de alterações orgânicas, morfológicas e funcionais que
ocorrem em sequência do processo de envelhecimento.
Vânia Raquel Martins Seabra
20
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
psicológico, definido pela autorregulação do individuo no campo de forças, pelo tomar de decisões e
opções, adaptando-se ao processo de senescência e envelhecimento.”
Assim, o envelhecimento é visto como um processo natural que é vivido por todos e
por cada Ser Humano de diferentes maneiras, dependendo da dimensão que nesse momento
é mais importante para cada um. Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) num
contexto de uniformização de critérios, define que um individuo é considerado idoso
quando tiver mais de 65 anos, independentemente do sexo e do estado de saúde.
1.2.Envelhecimento e Dependência
Na literatura encontramos inúmeras classificações de dependência. Pode-se
classificar dependência pelas limitações físicas, funcionais ou pelas limitações cognitivas e
mentais. Segundo Vilão (1995, cit in Santos, 2007: 39) “uma pessoa dependente é aquela que
necessita de transferir para terceiros as atividades que tendem à satisfação das ‘necessidades humanas
básicas’, no contexto de uma doença crónica, incapacidade ou deficiência.”
Sixsmith (1986, cit. in Sousa et al., 2006) efetuou um estudo sobre o significado e a
importância da independência para os idosos. Os resultados desse estudo indicam que é
sinónimo de: capacidade de tomarem conta de si próprios, sem estarem dependentes dos
outros para tarefas domésticas e cuidados pessoais; competência de autodecisão e liberdade
para fazer escolhas (autonomia); não se sentir um fardo/obrigação para os outros. Outro
aspeto verificado foi o facto de que, para os idosos que recebiam apoio direto, os
sentimentos de independência podiam ser preservados, desde que sentissem que a ajuda era
dada num contexto de reciprocidade.
A autonomia dos idosos classifica-se assim em três grupos: a baixa autonomia,
quando os idosos manifestam uma dependência alta no realizar das Atividades de Vida
Diárias (AVD)3 e com poucas relações sociais; média autonomia, ao qual os idosos resolvem
a maior parte dos problemas do seu quotidiano, contudo contam com o apoio dos familiares,
quando revelam perdas sensoriais; e a elevada autonomia, ao qual tem uma boa perceção da
qualidade de vida, com atitudes ativas no seu quotidiano.
Ser idoso, é uma etapa da vida que é caracterizada pela diminuição das
funcionalidades e da capacidade do organismo se adaptar as mudanças bruscas, tornando-se
mais suscetível. Um idoso dependente será aquele que num longo período de tempo
3
AVD: conjunto das atividades quotidianas essenciais, que devem ser realizadas regularmente para manter a
independência de um indivíduo em seu meio habitacional. (Baltes, 1999 cit in Sequeira,2007:105)
Vânia Raquel Martins Seabra
21
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
necessitará de apoio de outra pessoa na realização das atividades de vida diárias, existindo
todavia fatores físicos (fragilidade física, problemas na mobilidade, etc.), psicológicos
(transtornos cognitivos, alterações de personalidade, etc.) ou vindos do contexto social
(ambiente físico, atitudes e comportamentos que o rodeiam, etc.), que possam determinar a
sua dependência.
Outro ponto importante será conhecer o nível de dependência que se encontra o
idoso, ou seja, compreender o grau de incapacidade funcional em que idoso dependente se
encontra. O grau de dependência do idoso ajudará a determinar o plano de cuidados
necessários a prestar-lhes, bem como o tipo de assistência e suporte que serão dados tanto ao
idoso, como à família ou cuidador. O grau de dependência tem vindo a ser avaliado
mediante escalas de capacidade funcional existentes para este mesmo fim.
A dependência é um problema grave, ao qual interfere na qualidade de vida do
idoso e do cuidador informal. Com isto, requer-se uma tomada de medidas individuais,
sociais, governamentais, com intuito de promover sempre a máxima autonomia, confiança e
autovalorizarão. A nível governamental, há uma corresponsabilidade acrescida nas
famílias/cuidadores, na prestação de cuidados. É necessário capacitar as famílias ou
cuidadores para a prestação de cuidados informais visto que lidar com uma situação de
dependência torna-se dispendioso a vários níveis tais como, o emocional, o físico e o social.
Assim, o idoso dependente é um ser humano como todos os outros seres de outras faixas
etárias. Logo, possui um conjunto de necessidades, bem como o direito de as ver satisfeitas,
com ou sem ajuda de terceiros.
1.3.Envelhecimento e o contexto social
Segundo Santos (2007:40), nas sociedades vulgarmente designadas por “pouco
civilizadas”, o idoso é considerado como um ser sábio, culto e experiente, ao qual se pode
recorrer para a resolução de problemas e aconselhamento. Nessas culturas vive-se “ o culto
de que cada idoso que morre é uma biblioteca que arde (…) ” (Vilão, 1995 cit. in Santos, 2007:40).
Segundo Sequeira (2007:52-53), (...) “o envelhecimento está de um modo geral associado às
alterações significativas no âmbito da participação ativa do idoso. Os idosos, nesta fase do ciclo da
vida, são alvo de alterações de forma substancial ao nível dos papéis a desempenhar, no seio familiar,
laboral e ocupacional, verificando-se uma tendência para a diminuição de forma progressiva, de acordo
com a idade.”
Vânia Raquel Martins Seabra
22
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
Os idosos nesta fase têm uma participação menor nas redes sociais, bem como há
uma diminuição das suas relações intersociais. Assim, a interação social deles, por vezes, fica
mais comprometida pelo facto de estarem a depender de outrem. Todavia, a diminuição da
capacidade cognitiva e funcional é um dos fatores de obstáculo à manutenção dos contactos
sociais.
1.4.A Família como Prestadora de Cuidados Informais
O envelhecimento demográfico, tem como matriz uma maior longevidade das
pessoas, ao qual está associado a uma maior incidência de incapacidades e de doenças
crónicas, das quais se destacam as demências, o que implica obrigatoriamente uma maior
necessidade de cuidados de natureza física, emocional e/ou social. Com isto existe uma
necessidade de potenciar novos cuidados à população idosa, o que irá implicar uma
participação maior por parte dos cuidadores informais, essencialmente das famílias, ou
concretamente do familiar cuidador. Assim, os cuidadores informais vão assumir um papel
preponderante na sociedade, tendo implicações significativas em termos económicos, sociais
e humanos.
O suporte familiar, a rede social formal e informal constituída por instituições,
serviços oficiais públicos e privados, rede de amigos e voluntários, exercem um papel
importante, pois constituem fatores de auxílio no controlo de situações problemáticas.
Segundo Inserso (1995 cit in Sequeira, 2007:99), “o cuidar não é apenas uma função ou
uma tarefa, mas sim, uma forma de ‘estar no mundo’, um ato solidário que envolve respeito,
reciprocidade e complementaridade. Assim, o cuidar está presente em todas as culturas e apenas difere
na sua forma de expressão e de realização.”
Lage (2005 cit in Sequeira, 2007:99) diz-nos que “ a função do cuidar ao longo dos tempos
tem estado vinculada essencialmente à família.”
É neste contexto familiar, que se processa a apropriação do papel de cuidador.
Assim, neste sentido verifica-se ainda algumas diferenças de géneros, ou seja, a mulher tem
o papel principal como responsável neste campo, o do cuidar.
Ao longo dos tempos a família continua como a principal responsável pelo sustento
da autonomia dos membros que a constituem, o que implicará uma prestação de cuidados
em determinados aspetos e contextos.
Segundo Sequeira (2007:100) “a família constitui um grupo primário básico de apoio e que
tem o papel mais relevante no cuidado a longo prazo, como é o caso da dependência associada à doença
Vânia Raquel Martins Seabra
23
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
crónica. (…) Assim, o cuidador informal é habitualmente, um membro da família ou alguém muito
‘próximo’ do doente que, na maioria das vezes, se responsabiliza de forma direta pela totalidade dos
cuidados.”
Neri e Carvalho (2002, cit in Sequeira, 2007:100-101) explicam que “a identidade do
cuidador esta intrinsecamente ligada à história pessoal e familiar, com base em contextos sociais e
culturais, pelo que o cuidar constitui um aspeto normativo da vida de alguns dos membros da família,
principalmente do sexo feminino e dos mais velho.”
Assim, é de extrema importância as estruturas de apoio aos prestadores de cuidados
informais, pois estas estruturas vêm ao encontro da melhoria da qualidade de vida tanto
para idosos como para os cuidadores informais. Para este mesmo fim, é necessário definir
novas políticas de intervenção, para reforçar o papel dos prestadores informais, criar e
desenvolver novas infraestruturas na comunidade que possam acompanhar e ajudar a
familiar no controlo destas situações.
1.5.Cuidador Informal
O cuidador informal de um idoso dependente é visto como um elemento chave no
apoio e tratamento da doença, assim como na subsistência do idoso no domicílio. O
desempenho deste tipo de papel, leva a assumir diversas formas de orientar, vigiar, apoiar e
substituir. O papel do cuidador informal é complexo, devido ao número de funções que este
acarreta ao cuidar do idoso dependente. O cuidar do idoso está focado na prestação de
cuidados diretos, sendo que tem de haver sempre por parte do cuidador preocupação,
supervisão, orientação ou ajuda, nas Atividades de Vida Diárias (AVD).
Assim, segundo Sequeira (2007: 107) o desempenho do papel do cuidador depende
essencialmente de:
 “Tipo/frequência da necessidade de cuidados em função da saúde, estado funcional,
estado cognitivo, alterações psicocomportamentais, alterações da comunicação/relação, etc.;
 Contexto em que o idoso dependente está inserido, condições habitacionais (segurança,
conforto), tipo de ajudas (suporte formal e informal), dos meios económicos de que dispõe,
etc.;
 E do Contexto do cuidador, que inclui um elevado número de variáveis que vão desde a sua
saúde física, disponibilidade, sensibilidade, condições psicológicas, relação afetiva, etc.”
Vânia Raquel Martins Seabra
24
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
Todavia, este tipo de prestação de apoio aos idosos surge de forma inesperada, e os
cuidadores habitualmente não estão preparados, pelo que o apoio e contributo dos
profissionais de saúde são fundamentais nesta fase. Neste sentido, o apoio a nível da
informação, formação, treino de competências e habilidades possibilita ao cuidador
oportunidades para desempenhar melhor o seu cargo junto ao idoso dependente.
Assim, é indispensável que o cuidador e de igual modo o idoso, sejam considerados
como prioridade na intervenção para os profissionais na área da saúde. Estes têm como
intenção avaliar as capacidades de prestação de cuidados, do estado de saúde, das
dificuldades que possam surgir, das diversas estratégias que se pode utilizar para facilitar os
cuidados, etc.
Segundo Sequeira (2007:108) “um outro aspeto, que merece destaque no papel de cuidador,
está relacionado com a perceção de autoeficácia relativamente às estratégias de coping utilizadas, pelo
que a experiência e o treino ao nível destas, estão associadas ao sucesso/insucesso, influenciam a sua
adaptação ou rejeição e determinam a forma como uma situação é percecionada.”
A abordagem deste conceito, de cuidador informal, é bastante complexa, ao qual a
pessoa da família ou amiga são consideradas as que assumem normalmente o papel
principal na prestação de cuidados e assistência à pessoa idosa. Guedes (2000, cit in Santos,
2007:46) afirma que os “cuidadores são definidos como pessoas que se ocupam de indivíduos com
incapacidades funcionais a sérias perdas de autonomia.”
Assim, podemos constatar que, os cuidadores informais são identificados em três
tipos de pessoas quanto à prestação de cuidados: os cuidadores primários, secundários e
terciários. Os primários, são aqueles que assumem a responsabilidade de supervisionar,
orientar de forma direta o idoso e realizando a maioria dos cuidados. O cuidador secundário
é aquele que ajuda no prestar dos cuidados de forma casual, mas não tem qualquer tipo de
responsabilidade. O cuidador terciário, pode ser um amigo ou vizinho que esporadicamente
ajuda quando lhe é pedido, não tendo qualquer tipo de responsabilidade também.
‘Cuidar’ o idoso dependente no domicílio, torna-se de certa forma uma
aprendizagem constante, pois as necessidades físicas, biológicas e de acordo também com o
nível de dependência dos idosos, normalmente tornam-se difíceis devido à inexperiência do
cuidador.
Quanto ao perfil de cuidador informal, verificamos que na sua grande maioria é
exercida pela família de forma não remunerada, incidindo os cuidados, como foi dito
Vânia Raquel Martins Seabra
25
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
anteriormente, no elemento feminino mais próximo, embora os homens venham a participar
cada vez mais nos cuidados.
Na realidade profissional, quando o cuidador informal coabitar com o idoso
dependente, a vida dele fica com restrições. Todo o seu tempo fica preenchido, esquecendose que também tem necessidades físicas, emocionais e sociais. Assim, neste sentido os
cuidadores informais apresentam um sobrecarga física, emocional e social maior, do que se
coabitassem em casas separadas.
Outro ponto a salientar é, que os idosos também estão sobre a responsabilidade
estatal e de outros profissionais de saúde e não só dos cuidadores informais. Os cuidadores
precisam, também, de receber auxílio e equipas multidisciplinares que os orientem após a
entrada do idoso no domicílio, e os ajudem a ultrapassar obstáculos e etapas mais difíceis de
lidar. A parceria entre estes é indispensável para a integração do idoso. Assim, é importante
que os profissionais de saúde desenvolvam e incentivem para os vários tipos de intervenção,
com fim de salvaguardar integridade física e emocional dos próprios cuidadores. Outra das
dificuldades mais evidenciada é a insatisfação com as respostas formais, a rejeição de apoio
formal pelo idoso, o custo do serviço de apoio domiciliário e outras despesas, associadas à
inexistência de remunerações por parte do cuidador, notabilizando-se como as principais
condições sociais e financeiras geradoras de dificuldades no cuidado informal.
1.6.Sobrecarga do Cuidador Informal
Segundo Sequeira (2007:108) “o resultado do processo de um idoso dependente está
intimamente ligado com as capacidades adaptativas do familiar cuidador.”
De acordo com Andrade (2009 cit. in Cruz et all., 2010:133), os fatores de sobrecarga
inerentes ao papel de cuidador informal no seu estudo são: a prestação de cuidados a mais
de um idoso, o aumento da quantidade/intensidade dos cuidados, o grau de dependência
do idoso, a falta de conhecimento sobre a evolução do estado de saúde do idoso e ou das
técnicas inerentes ao cuidar, falta de colaboração do idoso, isolamento social, recursos
económicos insuficientes, conflitos familiares, falta de apoio formal e informal, idade do
cuidador e dificuldade em aceitar o seu papel. Outros fatores inerentes à sobrecarga do
cuidador informal estão relacionadas com a escolaridade e a vida profissional, bem como as
alterações comportamentais e cognitivas do idoso, o impacto a nível financeiro, laboral e
social do ato de cuidar, o impacto na saúde e bem-estar do cuidador.
Vânia Raquel Martins Seabra
26
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Envelhecimento, Dependência e Cuidados Informais
Os elementos do sexo feminino são os que atingem os níveis de sobrecarga mais
elevados, em comparação com os do sexo masculino. Dentro desta mesma perspetiva
constata-se que os cuidadores informais com idades compreendidas entre os 50 e os 89 anos
de idade, casados e com poucas habilitações literárias têm uma maior sobrecarga ao prestar
cuidados aos idosos.
Verifica-se também, que quanto maior o nível de dependência nas atividades de vida
diária (AVD) maior a sobrecarga do cuidador.
Com isto, a nível nacional, o alívio da sobrecarga dos cuidadores informais pode
passar por um dos instrumentos temporários que o idoso dispõe, ou seja, a referenciação nas
unidades de média ou longa duração, com objetivo do descanso ao cuidador, integradas na
Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
Vânia Raquel Martins Seabra
27
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Objetivos do Estudo
2.Objetivos do estudo
3.1. Objetivo Geral
Avaliar a Sobrecarga do Cuidador Informal, dos Utentes da Unidade de
Convalescença do Hospital José Luciano de Castro em Anadia.
3.2 Objetivos Específicos
Caracterização sociodemográfica dos cuidadores e dos utentes idosos da Unidade de
Convalescença do HJLC.
Avaliar a sobrecarga do Cuidador Informal dos utentes idosos da Unidade de
Convalescença do HJLC.
Avaliar o grau de dependência dos utentes idosos da Unidade de Convalescença do
HJLC.
Analisar a relação entre a sobrecarga do cuidador informal tendo em conta o nível de
dependência do utente.
3. Materiais e Métodos
3.1 Pergunta de partida
A pergunta de partida é a seguinte: de que forma o Utente dependente influencia,
tendo em conta a sobrecarga dada, o Cuidador Informal?
3.2.Metodologia
O estudo presente é de natureza quantitativa, através da qual se irão recolher dados
por meio de um questionário sóciodemográfico elaborado por nós e por duas escalas, a de
CUIDE e a de MIF.
3.3.População-alvo e Amostra
A população-alvo do estudo presente é composta por um total de 32 indivíduos que
prestam cuidados informais aos utentes idosos da Unidade de Convalescença do HJLC, bem
como os seus utentes. No estudo estatístico a amostra será de 24 indivíduos dado que 7 dos
utentes selecionados para a elaboração do estudo já terem falecido, e um, o cuidador
informal não ter aceite participar no estudo.
Vânia Raquel Martins Seabra
28
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Objetivos do Estudo
3.4.Critérios de inclusão e exclusão
Considera-se critérios de inclusão:
 Todos os cuidadores informais que prestam cuidados aos idosos com 65 anos de
idade ou mais, dependentes, utentes da Unidade de Convalescença do HJLC,
colaborando de forma voluntária na pesquisa.
Considera-se critérios de exclusão:
 Não colaborarem voluntariamente na pesquisa;
 Não reunirem os critérios necessários de inclusão para o estudo.
3.5. Instrumentos e Codificação de dados
No que concerne aos instrumentos a utilizar, vai ser utilizado um questionário
(Anexo 7) de caracterização social do utente e do seu cuidador, com propósito na
caracterização da população alvo. Este questionário é feito sobre “administração indireta”
ou seja, “o próprio inquiridor o completa a partir de respostas que lhe são fornecidas pelo inquerido”
(Quivy e Campenhoudt, 2008:188).
Outro instrumento que irá ser utilizado será a Escala de Cuidadores de Idosos na
Europa (CUIDE – Anexo 7), que foi criada no âmbito de um projeto europeu que tinha como
objetivo principal avaliar o grau de satisfação e descontentamento dos cuidadores na
prestação de cuidados informais aos idosos.
Por fim outra Escala a ser utilizada será a Escala de Medida de Independência
Funcional (MIF- Anexo 7). A MIF surgiu pela necessidade de desenvolver um instrumento
válido e fiável para documentar a gravidade da incapacidade, assim como os resultados do
tratamento de reabilitação. Esta reflete o tipo de carga de cuidados prestados em caso de
dependência dos utentes, ou seja, a carga global que se deve prestar.
Assim, o questionário irá se constituir em quatro partes:
a primeira parte, onde se irá identificar o idoso dependente assim como as suas
características sociodemográficas e familiares;
a segunda parte será dedicada à caracterização dos cuidadores informais, onde
consta perguntas do foro sóciodemográfico, socioprofissional, sociofamiliar e sociohabitacional;
Vânia Raquel Martins Seabra
29
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Objetivos do Estudo
a terceira parte, a escala de CUIDE, para avaliar o grau de satisfação ou insatisfação
dos cuidadores ao prestarem cuidados. Tem quatro possibilidades de resposta, tendo
como pontuação atribuída de “1” a “4”;
e por fim a quarta parte, a escala de MIF. A MIF é uma escala de sete níveis de
pontuação, desde um máximo de 126 pontos que representam independência total, a
um mínimo de 18, que representam dependência em todas as áreas avaliadas. A
pontuação atribuída nesta escala é de “1” a “7”.
3.6.Procedimentos para a Recolha de Dados
 Pedido de autorização ao Presidente do Conselho de Administração do Hospital José
Luciano de Castro – Anadia para a elaboração da pesquisa (Anexo 4 e 5);
 Pedido a outros profissionais do Hospital para utilizar informações dos seus
ficheiros;
 Levantamento de todos os utentes idosos, com cuidadores informais, internados na
Unidade de Convalescença ou que tenham regressado já ao domicílio;
 Contacto com os cuidadores informais e utentes idosos, da Unidade de
Convalescença do HJLC, a fim de lhes solicitar a entrevista e informá-los dos objetivos,
finalidades, bem como, da confidencialidade das respostas;
 Deslocação ao domicílio dos cuidadores/utentes para efetuar a recolha dos dados
para o estudo;
 Administração dos instrumentos de recolha de dados de forma indireta e individual;
 Esclarecimento de dúvidas relacionadas com o preenchimento dos instrumentos de
recolha de dados;
 Tratamento estatístico dos dados recolhidos, através da utilização do programa
informático, na área das Ciências Sociais, SPSS (Statistical Package for the Social
Sciences
-
versão
13
Vânia Raquel Martins Seabra
para
Windows.
30
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
4. Apresentação e Análise dos Resultados
Neste ponto, pretendemos apresentar os resultados obtidos através da análise
estatística dos instrumentos referidos anteriormente. Serão apresentados os aspetos
sociodemográficos,
sócio-habitacionais
do
utente
e
do
cuidador,
as
variáveis
socioprofissionais do cuidador informal, bem como, os resultados obtidos no questionário
aos cuidadores informais, a escala de CUIDE, a escale de MIF e as correlações.
Tabela 1 - Sexo dos Utentes
VARIÁVEIS
FREQUÊNCIA
%
Feminino
Masculino
Total
15
9
24
62,5
37,5
100,0
Na tabela 1, verificamos que 62.5% (19) dos utentes inquiridos, eram do sexo
feminino e 37,5% (9) eram do sexo masculino, podendo verificar que nesta pequena amostra
de utentes com cuidadores informais, são sobretudo do sexo feminino que necessitam de
apoio de terceiros.
Tabela 2- Idades por classes dos utentes da Unidade de Convalescença e média das idades
VARIÁVEIS
De 65 a 70 anos de idade
De 71 a 75 anos de idade
De 76 a 80 anos de idade
De 81 a 85 anos de idade
De 86 a 90 anos de idade
De 91 a 95 anos de idade
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
4
5
4
6
3
2
24
Média
Desvio Padrão
Mínimo
Máximo
%
16,7
20,8
16,7
25,0
12,5
8,3
100,0
78,71
7,997
66
95
Na tabela 2 verificamos que os utentes que necessitavam de apoio de outrem, estão entre os
81 e os 85 anos de idade (moda das idades) com 25% (6) da população inquirida, bem como,
entre os 71 e 75 anos de idade com 20,8% (5). A média das idades dos utentes, é de 78,71,
com um desvio padrão de 7,997. O mínimo das idades dos utentes inquiridos é de 66 anos
de idade e o máximo de 95 anos de idade.
Vânia Raquel Martins Seabra
31
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Podemos verificar na tabela 3, que seguidamente apresentamos, que o mínimo é 2 e o
máximo 3, ou seja, nenhum dos utentes vivia sozinho, estando na média das respostas dadas
de 2,04, que correspondia à variável viver “com a família”, perfazendo isto em percentagem
95.8% (23) da população inquirida.
Tabela 3- Circunstâncias em que os utentes vivem
VARÁVEIS
Com a família
Noutra situação
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
23
1
24
Média
Desvio padrão
Mínimo
Máximo
%
95,8
4,2
100,0
2,04
,204
2
3
Tabela 4- Tipos de apoio usufruídos
FREQUÊNCIA
S RELATIVAS
1
4
4,2
16,7
1
4,2
5
20,8
Não usufruo deste tipo de apoios
13
54,2
Total
24
100,0
VARIÁVEIS
Alimentação
Higiene
Cuidados de enfermagem e
Higiene
Centro de Dia
%
Na tabela 4, verificamos que 54,2% (13) dos utentes não usufruem de qualquer tipo
de apoio de outra entidade. Sendo que 20,8% (5) estão a frequentar a valência de Centro de
Dia.
Tabela 5- Estado de conservação da habitação e tipologia
VARIÁVEIS
Bom estado
Estado razoável
Degradada no exterior
Total
VARIÁVEIS
Casa de r/chão sem escadas
Casa com r/chão e 1º andar (com
escadas)
Casa no 1º andar (com escadas)
Apartamento com elevador
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
11
12
1
24
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
8
%
45,8
50,0
4,2
100,0
%
33,3
12
50,0
2
2
24
8,3
8,3
100,0
Vânia Raquel Martins Seabra
32
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Nesta tabela anterior (5), verifica-se que o estado das habitações em estado razoável é
de 50% e 45,8% a habitação está em bom estado. Verificamos também que a tipologia mais
predominante é a “casa com r/chão e 1º andar (com escadas) ” com 50,0% (12) e 33,3% (8) com
“casa em r/chão sem escadas”.
Tabela 6- Sexo do cuidador informal
VARIÁVEIS
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
%
Feminino
Masculino
18
6
75,0
25,0
Total
24
100,0
Quanto às características dos cuidadores informais inquiridos, 75% são do sexo
feminino, ou seja, dos 24 cuidadores informais inquiridos,18 são do sexo feminino e 6 (25%)
são do sexo masculino. Destaca-se assim a tendência das mulheres, para prestar este tipo de
cuidados, por predisposição, maior apetência, ou simplesmente por que se verificou nesta
amostra.
Tabela 7-Idades dos cuidadores informais
VARIÁVEIS
De 20 a 30 anos de idade
De 31 a 40 anos de idade
De 41 a 50 anos de idade
De 51 a 60 anos de idade
De 61 a 70 anos de idade
De 71 a 80 anos de idade
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
3
2
4
3
3
9
24
Média
Desvio Padrão
Mínimo
Máximo
PERCENTAGEM
(%)
12,5
8,3
16,7
12,5
12,5
37,5
100,0
56,92
17,949
25
80
Nesta tabela 7, a idade dos cuidadores informais está entre os “ 71 e os 80 anos de
idade”, com 37,5% (9) do total dos inquiridos, podendo verificar que a distribuição pelas
outras idades é muito equiparadas. Podemos verificar, que a média das idades dos
cuidadores é de 56,92 com um desvio padrão de 17,949, na qual a idade mínima dos
cuidadores é de 25 anos de idade e a idade máxima é de 80 anos de idade.
Vânia Raquel Martins Seabra
33
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Tabela 8- Situação Conjugal dos Cuidadores Informais
Solteiro(a)
FREQUÊNCI
A
RELATIVA
2
8,3
Casado(a) / Em união de facto
20
83,3
Divorciado(a) / Separado(a)
1
4,2
Viúvo(a)
Total
1
24
4,2
100,0
VARIÁVEIS
%
Do total dos inquiridos 83,3% (20) são casados ou vivem em união de facto, sendo este um
dos fatores sociodemográficos dos cuidadores informais.
Tabela 9- Profissões dos cuidadores informais
VARIÁVEIS
Auxilia em lar
Auxiliar de idosos
Auxiliar de Infância
Auxiliar de serviços gerais
Cabeleireira
Desempregada(o)
Doméstica(o)
Educadora Social
Empregada doméstica
Empresário
Pré-reforma
Reformada(o)
Total
FREQUÊNCIA
S RELATIVAS
1
1
1
1
1
1
4
1
1
2
1
9
24
%
4,2
4,2
4,2
4,2
4,2
4,2
16,7
4,2
4,2
8,3
4,2
37,5
100,0
No que se refere às variáveis socioprofissionais, uma das variáveis é a profissão de
cada um dos indivíduos, como podemos visualizar na tabela 9. Apesar de se tratar de uma
variável meramente qualitativa, podemos verificar qual é atividade predominante nestes
prestadores. Verificamos que 37,5% (9) dos cuidadores inquiridos são reformados. Podemos
ainda verificar que 16,7% (4) são domésticos(os), e não deixando de ter em atenção que
quatro (4) das cuidadoras trabalham como auxiliares em diferentes tipologias, ou seja, tem
experiência na tarefa de cuidar.
Na tabela 10, que se refere à situação ocupacional dos cuidadores informais,
verificamos que 41,7% (10) são “aposentados/reformados” e 25% (6) destes mesmos inquiridos
trabalham a tempo inteiro.
Vânia Raquel Martins Seabra
34
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Tabela 10- Situação Ocupacional dos Cuidadores
VARIÁVEIS
Empregado(a) a tempo
inteiro
Aposentado(a)/
Reformado(a)
Desempregado(a)
Doméstica
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
6
25,0
10
41,7
4
4
24
16,7
16,7
100,0
%
Tabela 11- Grau de escolaridade dos cuidadores informais
VARIÁVEIS
Não frequentou o ensino formal
1º Ciclo do Ensino Básico ou 4ª classe
2º Ciclo do ensino Básico ou ciclo preparatório (5º/6º
ano)
3º Ciclo do ensino Básico ou 9º ano (5º ano de
liceu)
Ensino Secundário (antigo ensino Industrial ou
Comercial)
Ensino Superior (Bacharelatos, Licenciaturas,
Mestrado, Doutoramento)
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
4
8
16,7
33,3
3
12,5
5
20,8
1
4,2
3
12,5
24
100,0
%
Nesta tabela 11, verificamos que o ensino de escolaridade que os cuidadores
informais têm, é o “1º ciclo do Ensino Básico ou 4ª classe” com 33,3% (8) e o “3º ciclo do ensino
Básico ou 9º ano (5º ano de liceu) ” com 20,8% (5) dos cuidadores informais inquiridos.
Podemos verificar, ainda, que a percentagem mais elevada é a falta de escolaridade, ou seja,
não frequentaram o ensino formal com 16,7% (4).
Tabela 12- Relação de parentesco
VARÁVEIS
Cônjuge/ Companheiro
Pai
Mãe
Avô/Avó
Irmão/Irmã
Outro membro da família
Amigo(a)/Vizinho(a)
Empregada Doméstica
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
9
1
6
2
2
1
2
1
24
Vânia Raquel Martins Seabra
%
37,5
4,2
25,0
8,3
8,3
4,2
8,3
4,2
100,0
35
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Na tabela anterior, que mostra a relação que os utentes têm com os seus cuidadores
informais, destaca-se a relação “cônjuges/companheiro” ou seja, cerca de 37,5% (9) dos
cuidadores são conjugues. Outra percentagem que devemos destacar, é a da “mãe”, ou seja,
25% (6) dos cuidadores, são filhos que cuidam das próprias mães.
Tabela 13- Tempo prestado pelo cuidador informal ao utente
VARIÁVEIS
De 15 dias a 6
meses
De 7 meses a 2 anos
De 3 anos a 5 anos
De 6 anos a 9 anos
De 10 anos a 15
anos
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
%
6
25
8
6
1
33,3
25
4,2
3
12,5
24
100,0
Na tabela anterior, que fala-nos do tempo em meses e anos que os cuidadores
prestam cuidados a estes mesmos utentes, 33,3% (8) dos cuidadores cuidam dos utentes
entre os “7 meses e os 2 anos”. Com 25% (6) dos inquiridos temos cuidadores que prestam
cuidados a menos tempo, ou seja, entre os “15 dias e os 6 meses” e entre “3 anos a 5 anos de
idade”.
Tabela 14- Distância entre o cuidador e o utente
VARIÁVEIS
Vive na mesma casa
A uma distância possível de ir a
pé
Até 10 minutos de
carro/autocarro ou comboio
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
21
87,5
2
8,3
1
4,2
24
100,0
%
Na tabela 14 verificamos que 87,5% dos inquiridos, ou seja, 21 cuidadores informais
vivem na mesma casa. Aqui verificamos a veracidade dos dados da tabela 11 são reais, pois
verificamos que os cuidadores são sobretudo cônjuges ou filhos, logo, a percentagem obtida
quando comparamos com os dados da tabela 13 diz-nos que os conjugues comumente
vivem juntos ou vivem com os filhos.
Vânia Raquel Martins Seabra
36
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Tabela 15- Tipo de apoios prestados
VARIÁVEIS
Físicos/Pessoais (ex.: lavar, vestir)
Domésticos (ex.: cozinhar, limpar a casa)
Apoio em tudo, exceto Apoio Financeiro
Apoio em tudo
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
1
2
14
7
24
%
4,2
8,3
58,3
29,2
100,0
Verificamos na tabela 15, que 58,3%, ou seja, 14 dos cuidadores informais dão “apoio
em tudo, exceto financeiro”. Com isto, podemos concluir com base nas tabelas anteriores, que
pelo facto de o apoio ser dado pelos conjugues eles têm as suas poupanças/reformas em
conjunto, logo têm sustento monetário em comum, não interferindo com mais ninguém.
Podemos também concluir, que mesmo tendo “apoio em tudo” (29,2%), será pelo facto das
suas reformas não serem suficiente, levando aos filhos ou outros cuidadores, apoiarem-nos
financeiramente.
Tabela 16-Média de horas prestados por dia pelos cuidadores
Na tabela 16, que diz respeito ao número médio de horas prestadas ao utente, 58,3%
(14) dos cuidadores responderam que cuidam, em média, entre “20 a 24 horas” por dia, dos
utentes.
VARIÁVEIS
De 1 a 5 horas
De 5 a 10 horas
De 10 a 20 horas
De 20 a 24 horas
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
6
1
3
14
24
%
25,0
4,2
12,5
58,3
100,0
Tabela 17- Limitações na vida profissional/ocupacional dos cuidadores
VARIÁVEIS
Sim
Não
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
12
12
24
%
50,0
50,0
100,0
Nesta questão, que foi feita aos cuidadores as respostas foram equiparadas, ou seja
50% disseram que cuidar destes utentes causam-lhes “limitações na sua vida em questões
Vânia Raquel Martins Seabra
37
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
profissionais/ocupacionais”, assim como outros 50% dos inquiridos responderam que não lhes
causava qualquer tipo de limitações nas suas vidas.
Tabela 18- Outras pessoas que prestam cuidados para além do cuidador principal
VARIÁVEIS
Sim
Não
Total
FREQÊNCIAS
RELATIVAS
17
7
24
%
70,8
29,2
100,0
Na tabela 18, que analisa se o cuidador tem apoio de outra pessoa, verificamos que
70,8% (17) dos cuidadores informais tem mais alguém que lhes ajuda a prestar apoio.
Tabela 19- Prestação de apoios a terceiros
VARIÁVEIS
Sim
Não
Total
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
4
20
24
%
16,7
83,3
100,0
Verificamos na tabela 19, que diz respeito à prestação de cuidados com apoio a
terceiros, que 83,3% (20) dos cuidadores não têm mais nenhuma pessoa a seus cuidados.
Na tabela 20, observamos as diferentes frequências relativas de cada pergunta,
fazendo uma análise descritiva de cada questão, bem como, o somatório, média, desvio
padrão e o mínimo e máximo das respostas dadas.
Com isto, podemos verificar que a média total das questões é de 53,79, com um
desvio padrão de 16,42, sendo o mínimo de respostas 19 e máximo no 68. Ou seja, com este
mínimo e máximo, podemos tirar a conclusão, que as respostas dadas estavam perto do
nível de corte mínimo e máximo, para esta escala que é o 18 e no máximo 68. Com isto tudo,
analisamos que as respostas foram variadas e com níveis de scores totais variados. Uma vez
que o nosso score máximo é de 68, podemos verificar que com a média obtida de respostas
de 53,79 os cuidadores estão satisfeitos na prestação de cuidados, logo a sobrecarga é baixa,
contudo não deixa de haver sobrecarga para estes cuidadores em parâmetros como na saúde
física, emocional ou até mesmo económica.
Vânia Raquel Martins Seabra
38
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Desvio
Padrão
N
%
N
%
N
%
N
%
N
%
Média
Mínimo
Máximo
Tabela 20- Estatística Descritiva de todos os itens, totais da escala de cuide
0
,0
6
25
8
33,3
10
41,7
24
100
3,38
1,096
1
4
11
45,8
8
33,3
3
12,5
2
8,3
24
100
3,17
,816
2
4
1
4,2
6
25
13
54,2
4
16,7
24
100
1,83
,963
1
4
3
12,5
2
8,3
2
8,3
17
70,8
24
100
2,83
,761
1
4
4
16,7
3
12,5
10
41,7
7
29,2
24
100
3,71
,690
2
4
0
,0
3
12,5
1
4,2
20
83,3
24
100
3,21
1,103
1
4
3
12,5
3
12,5
4
16,7
14
58,3
24
100
2,75
1,260
1
4
7
29,2
1
4,2
7
29,2
9
37,5
24
100
2,96
1,122
1
4
4
16,7
3
12,5
7
29,2
10
41,7
24
100
3,04
1,160
1
4
4
16,7
3
12,5
5
20,8
12
50
24
100
3,54
,884
1
4
1
4,2
3
12,5
2
8,3
18
75,0
24
100
3,38
1,013
1
4
2
8,3
3
12,5
3
12,5
16
66,7
24
100
3,79
,658
1
4
1
4,2
0
,0
2
8,3
21
87,5
24
100
3,25
,897
1
4
1
4,2
4
16,7
7
29,2
12
50
24
100
3,54
,833
1
4
1
4,2
2
8,3
4
16,7
17
70,8
24
100
3,25
1,032
1
4
2
8,3
4
16,7
4
16,7
14
58,3
24
100
3,33
1,090
1
4
3
12,5
2
8,3
3
12,5
16
66,7
24
100
2,83
1,049
1
4
53,79
16,42
19
68
Nunca
Por vezes
Muitas vezes
Sempre
Total
VARIÁVEIS
Sente que consegue enfrentar positivamente as
suas tarefas de prestação de cuidados?
Considera a tarefa de prestação de cuidados uma
atividade muito exigente?
Prestar cuidador significa que "não tem um
minuto" para si mesmo?
A tarefa de prestação de cuidados causa
dificuldades no seu relacionamento com os amigos?
A prestação de cuidados tem um efeito negativo na
sua saúde física?
A prestação de apoio/cuidados causa dificuldades
na relação que tem com a sua família?
A prestação de apoio/cuidados é, para si, causa de
dificuldades financeiras?
Sente-se "prisioneiro" da sua tarefa de prestação de
cuidados?
Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos seus
amigos, e/ou vizinhos, e/ou outros?
Sente que a sua tarefa de prestação de cuidados
restringe excessivamente a sua vida pessoal?
Sente que a prestação de cuidados é uma tarefa que
lhe traz satisfação pessoal?
Sente-se suficientemente apoiado(a) pela sua
família?
Tem uma boa relação com a pessoa que presta
cuidados?
Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos serviços
sociais e de saúde?
Sente que é valorizado enquanto pessoa por quem
presta cuidados?
A tarefa de prestação de cuidados tem um efeito
negativo no seu bem-estar emocional?
De uma forma geral, sente-se suficientemente
apoiado(a) no seu papel de pessoa que presta
cuidados?
TOTAL:
48
56
85
219
Vânia Raquel Martins Seabra
39
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Tabela 21-Escala de CUIDE relativa
Escala CUIDE
N
Mínimo
Máximo
Média
Desvio
padrão
CUIDE RELATIVA
24
1
4
3,16
0,97
Cuidador enquanto pessoa
24
1
4
3,35
0,95
Disponibilidade e
relacionamento
Necessidade de apoio social
24
1
4
2,87
0,97
24
1
4
3,19
0,99
Para a obtenção da tabela anterior (20), somaram-se as pontuações obtidas para cada
prestador às diversas perguntas e calcularam-se as médias ponderadas (divisão da soma
obtida pelo número de questões que avaliam cada um dos três itens e a escala total). O
“ponto de corte” de uma escala pontuada de 1 a 4 é 2,5. Logo, tudo acima deste valor terá
valores de satisfação positivos.
Assim, verificamos que pela pontuação total da média da escala de CUIDE relativa é
de 3,16 com um desvio padrão de 0,97, logo podemos verificam que, a média relativa está
acima do ponto de corte, logo os cuidadores informais inquiridos estão satisfeitos com a
prestação de cuidados que dão.
Para atingir este nível de satisfação, contribuem em forma positiva os 3 fatores que se
referem ao cuidador enquanto pessoa (3,35), à disponibilidade e relacionamento interpessoal
(2,87) e a necessidade de apoio social (3,19).Verificamos, ainda, que o que obtém pontuação
média mais baixa é o fator ligado à disponibilidade e relacionamento interpessoal, embora
atinja valores positivos, ou seja, acima do ponto neutro. Concluímos assim, como o nível de
satisfação dos cuidadores informais é bastante positiva, logo não existe uma grande
sobrecarga para eles, como já referido em supra.
Tabela 22- Escala de MIF (Medida de Independência Funcional dos utentes)
VARIÁVEIS
Igual a 18
De 19 a 36
De 37 a 90
De 91 a 125
Total
Média
Desvio Padrão
Mínimo
Máximo
FREQUÊNCIAS
RELATIVAS
2
6
12
4
24
%
8,3
25,0
50,0
16,7
100,0
58,5417
31,51670
18,00
125,00
Vânia Raquel Martins Seabra
40
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Na tabela 22 que mede a independência funcional dos utentes, verificamos mediante
a codificação desta escala que 50% (12) dos utentes estão entre o score de 37 a 90, ou seja, os
utentes tem dependência funcional moderada. Tendo em conta o total de 24 utentes a média
do score da MIF é de 58,54, ou seja, em média os utentes como já referido em supra tem grau
de dependência moderada, com um desvio padrão de 31,52. O mínimo dos scores obtidos no
estudo é de 18, e o máximo de 125, ou seja, existe uma diversidade de pontuações, que nos
leva a concluir que há utentes, que são totalmente dependentes de alguém, como há utentes
independentes funcionalmente mas que precisam de outrem, para realizar certas atividades.
Tabela 23- Correlação entre as escalas CUIDE e MIF (coef. de correlação de Spearman)
Correlação de Spearman
Coeficiente de
MIF
Correlação
(p.)
N
Coeficiente
de
CUID
Correlação
E
(p.)
N
MIF
CUIDE
1,000
,560(**)
.
24
,005
24
,560(**)
1,000
,005
24
.
24
** Correlação é significativa ao nível de 0,01.
A tabela 23, demostra-nos a correlação entre a Escala de CUIDE e de MIF.
Verificamos assim, que esta correlação é positiva entre as escalas com o total de 0,56, ou seja,
oc cuidadores que tem maiores níveis de sobrecarga são os que cuidam dos utentes com
menor nível de independência. Estes valores são estatisticamente significativos, visto que o
grau de significância (p.) é maior que 0,05.
Na tabela 24, verificamos que não existe correlação entre a escala de CUIDE e as
idades dos cuidadores, pois o valor de Spearman é de 0,028 e o nível de significância (p=
0,900), sendo superior ao nível estatisticamente aceite (p> 0,05), logo não existe uma relação
entre e escala de CUIDE e a idade dos cuidadores.
Vânia Raquel Martins Seabra
41
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
Tabela 24- Correlação entre a escala de CUIDE e as idades dos cuidadores informais
Correlação de Spearman
CUIDE
Idade dos
cuidadores
informais
Coeficiente de
Correlação
(p)
N
Coeficiente de
Correlação
(p)
N
CUIDE
Idade dos
cuidadores
informais
1,000
,028
.
24
,900
24
,028
1,000
,900
.
24
24
Tabela 25- Relação do sexo dos cuidadores informais com a escala de CUIDE
CUIDE
Sexo
Média das
ordens
Somatório das
ordens
Feminino
Masculino
18
7
12,62
10,25
214,50
61,50
Total
24
TESTES
ESTATISTICOS
Mann-Whitney U
Wilcoxon W
Z
Nível de Significância
CUIDE
40,500
61,500
-,737
,461
a Grupo de Varáveis: Sexo
Verificamos na tabela anterior 25, que não existe grande diferença entre os sexos
quanto à sobrecarga no cuidar dos idosos. Embora, a média das ordens seja ligeiramente
superior nas mulheres (12,62) quando acompadrados com os seus congéneres cuidadores
masculinos (10,25), logo a diferença não é estatisticamente significativa.
Tabela 26- Relação entre o número médio de horas e a escala de CUIDE
Em média, quantas horas por
dia ocupam a prestar cuidados
a essa pessoa?
De 1 a 5 horas
De 5 a 10 horas
CUIDE
De 10 a 20 horas
De 20 a 24 horas
Total
N
6
1
3
14
24
Vânia Raquel Martins Seabra
Média
das
ordens
7,50
17,50
14,33
12,71
42
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Apresentação e Análise dos Resultados
TESTE
ESTATÍSTICO
(a,b)
CUIDE
Qui-Quadrado
Nível de
significância
3,382
,336
a Teste Kruskal Wallis
b Grupo de Variáveis: Em média, quantas horas por dia ocupam a prestar cuidados a essa pessoa?
Na 26, verificamos que não há diferença significativa nas pontuações médias da
escala de CUIDE quando comparamos o agrupamento do número médio de horas prestadas
pelos cuidadores aos utentes. As pessoas que cuidam menos horas (1 a 5 horas), apresentam
médias das ordens de sobrecarga mais baixas (7,5) do que as pessoas que cuidam o dia
inteiro (20-24). Contudo, as pessoas que cuidam entre 20 a 24 horas apresentam níveis de
sobrecarga médios inferiores aos que cuidam entre 5 a 10 horas e 10 a 20 horas. Não existem
diferenças estatisticamente significativas nos níveis de sobrecarga consoante as categorias
formadas a partir do número de horas de cuidado.
Tabela 27- Relação entre a escala de CUIDE e a colaboração de terceiros na prestação de cuidados informais
Existem mais alguém que
tenha de prestar este tipo de
apoio/cuidados? (ex.:
parentes doentes ou a um
amigo)
Sim
CUIDE
Não
Total
Testes Estatísticos
Mann-Whitney U
Wilcoxon W
Z
Nível de
Significância
N
4
20
24
Média
das
ordens
Somatório
das
ordens
16,13
11,13
64,50
211,50
CUIDE
21,500
211,500
-1,341
,180
Na tabela 27, verificamos que não existe diferença estatisticamente significativa, nos
níveis de sobrecarga dos cuidadores que têm ajuda de terceiros na prestação de cuidado,
quando os comparamos com os que não têm ajuda no cuidado informal. Os que têm ajuda,
apresentam uma média de ordens de 16,13, que é superior à dos que não têm outras pessoas
para ajudar no ato de cuidar (11,13). Contudo, apesar dessa diferença, ela não se revela
estatisticamente significativa.
Vânia Raquel Martins Seabra
43
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Discussão dos Resultados
5. Discussão dos resultados
Este estudo foi realizado numa população muito específica que são os idosos
dependentes, com necessidade de prestação de cuidados de outra pessoa, o cuidador
informal.
A população-alvo foi constituída por 32 sujeitos mas, só foi possível constituir uma
amostra de 24 utentes e seus cuidadores, porque 7 utentes da UC do HJLC já tinham falecido
quando contatámos os familiares e uma cuidadora demonstrou não estar disponível para
colaborar no estudo.
Este estudo tem como objetivo, avaliar o grau de dependência dos idosos para além
de avaliar a sobrecarga dos cuidadores informais dos utentes idosos da UC do HJLC e
caracterizar a amostra de utentes e os seus cuidadores informais que participaram na
pesquisa.
Segundo Dídia Cruz et. all (2010: 128), “as alterações demográficas em Portugal,
sobretudo pela redução da natalidade e do aumento da esperança média de vida, traduzem-se, hoje, na
existência de uma população cada vez mais idosa com um correspondente acréscimo de situações de
dependência que criam novas necessidades em saúde”. “Assim, a população idosa é um grupo
integrante da sociedade contemporânea, constituída por homens e mulheres com idade igual ou
superior a 65 anos (Araújo; Paúl e Martins, 2010:46) ".
No nosso estudo, constatamos que a média de idades dos utentes inquiridos é de
78,71 anos de idade, o que entra em consonância com que Isabel Araújo et all., afirmaram.
Verificamos, também, que 95,8% dos idosos vivem com a família que “cresce e desenvolve-se
no equilíbrio do contexto de vida e da continuidade geracional, vivendo simultaneamente momentos
de estabilidade e mudança (Moreira, 2002 cit. in Araújo et all., 2008:44) ”.
Na verdade, “A família representa a instituição mais antiga e a que sofreu, ao longo dos
tempos, profundas alterações quer na sua constituição quer na sua estrutura, de forma a assegurar a
continuidade e o desenvolvimento dos seus membros (Araújo; Paúl e Martins, 2008:44) ”.
O envelhecimento da população, é uma manifestação universal, visto como um
processo complexo, para o qual ocorrem distúrbios em fatores como o biológico, social,
económico e cultural, agindo tendo em conta, as relações entre os indivíduos, a sociedade e o
meio ambiente.
Assim, este fenómeno tem as suas repercussões no contexto familiar, isto é, (…) “as
funções da família são agora alargadas, não só às crianças mas também aos idosos. A estas solicita-se
apoiar, ajudar e cuidar dos seus membros idosos (Araújo; Paúl e Martins, 2008:44) ”. Ao nível de
Vânia Raquel Martins Seabra
44
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Discussão dos Resultados
apoio que lhes é prestado, a maioria, ou seja, 54,2% não usufrui de qualquer tipo apoio
institucional. Com isto, verificamos que a família é vista “ (…) como uma instituição para o
suporte e realização efetiva da pessoa ou garante a sustentabilidade necessária aos ascendes aquando o
envelhecimento (Araújo, Paúl e Martins, 2008; Araújo, Paúl e Martins, 2009 Araújo, Paúl e
Martins, 2010:47) ”.
Segundo Dídia Cruz et. all (2010: 135), “os principais fatores relacionados com a sobrecarga
do cuidador informal prendem-se com as características sociodemográficas do cuidador (género, idade,
habilitações literárias, recursos económicos); o grau de dependência do idoso; exigências dos cuidados
prestados; falta de conhecimento e habilidades; falta de apoio formal, informal e familiar; estratégias de
coping utilizadas, e utilização de serviços de saúde, em especial, a ‘pausa do cuidador’”. Daqui
podemos analisar, que o estudo por nós realizado, é semelhante aos resultados obtidos
noutros estudos efetuados, pois verificamos que os cuidadores informais com maior
sobrecarga na tarefa de cuidar são do sexo feminino, com idades compreendidas dos 50-89, e
com baixa escolaridade. Ainda, segundo Ursula Karsch, “cuidar do idoso em casa é, (…) uma
situação que deve ser preservada e estimulada; todavia, cuidar de um individuo idoso incapacitado
durante 24 horas sem pausa não é tarefa para uma mulher sozinha, (…), sem apoios nem serviços que
possam atender às necessidades, e sem uma política de proteção” no desempenho desse papel.
Mediante isto, constatamos que na nossa pesquisa, 58,3% dos cuidadores informais prestam
cuidados de 20 a 24 horas em média por dia, embora 70,8% têm ajuda de terceiros na tarefa
de prestar apoio a estes idosos.
No que diz respeito mais concretamente aos cuidadores informais, constatamos que
o cuidador informal é maioritariamente do sexo feminino (75%) com idade média de 56,92.
Ou seja, a mulher é predisposta para este tipo de cuidados, com maior apetência e
dedicação. Segundo Jorge Franco (2007: s/n), “os cuidadores familiares desempenham um papel
crucial, pois assumem a responsabilidade de cuidar do familiar. A maioria são do sexo feminino,
normalmente as esposas, as filhas ou filhos que desempenham o papel preponderante ao cuidar do seu
familiar. Na generalidade tem níveis educacionais baixos e situam-se numa faixa etária muito próxima
da pessoa que cuidam, o que explica o facto de grande parte dos cuidadores serem os conjugues”.
Daqui podemos efetivar, também, o que Jorge Franco disse anteriormente, isto é, a maior
parte dos cuidadores informais nesta pesquisa que realizamos são casados (93,3%). Cerca de
41,7% dos inquiridos são reformados/aposentados, e 25% estão a trabalhar a tempo inteiro,
ou seja, esta percentagem pertence aos filhos dos idosos dependentes. Verificamos, ainda,
que o grau de escolaridade não é alta, ou seja, 41,7% dos cuidadores que participaram no
estudo tem o 1º Ciclo do Ensino Básico ou 4ª Classe. Quanto à relação entre o cuidador e o
Vânia Raquel Martins Seabra
45
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Discussão dos Resultados
idoso, comparamos o nosso estudo com o estudo feito por Jorge Franco, quando ele nos diz
que grande parte dos cuidadores são cônjuges, ou seja, verificamos na nossa amostra
também, que são os próprios cônjuges (37,5%), e seus os filhos (25%) que cuidam dos
utentes.
Noutro ponto do estudo observamos que 58,3% dos cuidadores dão apoio em tudo
exceto financeiros, isto é, dão apoios físicos/pessoais, domésticos, emocional/psicológico, e
em atividades sociais. Podemos, ainda, constatar que cerca de 29,2% dão apoio em tudo e
apoio financeiro também, revelando assim que para além da sobrecarga física, psicológica
que possam dar, a económica também está latente na tarefa de cuidar. De igual modo, Dídia
Cruz et all.(2010:132 refere que as “dificuldades mais evidenciadas (…) centram-se nas dimensões
físicas, psicológicas, sociais e financeiras (…).”
No domínio relacionado mais diretamente com a sobrecarga do cuidador informal,
isto é, com a análise da escala de CUIDE, observamos um valor médio total de 53,79 com um
desvio padrão de 16,42, o que significa que existe uma satisfação por parte do cuidador na
tarefa de cuidar, havendo uma baixa sobrecarga.
No entanto, a sobrecarga surge devido a vários fatores, pelo que salientamos o
estudo de Andrade (2009, cit in Didia Cruz et all:2010:133), que refere que os fatores que
emergem da sobrecarga do papel de cuidadores informais são: “ter mais que uma pessoa a seu
encargo; aumento da quantidade/intensidade dos cuidados; grau de dependência do idoso; falta de
conhecimento sobre a evolução do estado de saúde do idoso e ou das técnicas inerentes ao cuidar; falta
de colaboração do idoso; isolamento social; recursos económicos insuficientes; conflitos familiares; falta
de apoio formal e informal; idade do cuidador e dificuldade em aceitar o seu papel.”
No domínio da avaliação da dependência funcional dos utentes, com a escala de MIF,
verificamos que a média do grau de dependência dos utentes está entre 37 e os 90 (58,54), o
que equivale a uma dependência de grau moderado. A dependência, classifica-se pelas
limitações físicas, funcionais ou pelas limitações cognitivas e mentais do idoso.
Assim, tornou-se importante relacionar a escala de CUIDE com outras variáveis.
Com o estudo da correlação entre a Escala de CUIDE e de MIF, este revela-nos a existência
de correlação positiva entre as escalas, querendo isto dizer que os cuidadores com mais
sobrecarga são os que cuidam de idosos com maior nível de dependência. Os valores
obtidos nesta correlação, são estatisticamente significativos, visto que o grau de significância
(p.) é 0,05 e o valor obtido nesta correlação é 0,56. Relacionamos também, esta escala a de
CUIDE, com outras variáveis independentes de forma agrupada. Contudo, concluímos que
a Escala de CUIDE não se correlaciona diretamente com a média de horas por dia prestadas
Vânia Raquel Martins Seabra
46
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Discussão dos Resultados
pelo cuidador, nem com o sexo, idade dos cuidadores informais, ou com a ajuda de terceiros
na prestação de cuidados.
Com tudo isto, a importância do desenvolvimento deste estudo na área dos idosos e
seus cuidadores advém de uma preocupação com as necessidades e condições de vida dos
cuidadores informais, que tem a seu cargo utentes em situação de dependência. Os cuidados
continuados são uma das respostas socias para esta problemática dado que contribui para
uma melhoria das condições e necessidades sentidas pelos cuidadores e os próprios utentes.
Segundo Andrade (cit. in Dídia Cruz et all., 2010:128), “ (…) na realidade todos os cuidadores
requerem informação, educação, encorajamento e suporte (…) ”.
Este estudo, em consonância com outros estudos, verifica que o que leva as famílias a
cuidar destes idosos dependentes é, entre outros fatores, o facto de terem vínculos estritos
com o idoso, serem familiares, o próprio cuidador se sentir na obrigação de prestar
cuidados, e a rejeição do idoso à institucionalização. Verificamos, também, que grande parte
dos cuidadores no decorrer da prestação de cuidados têm dificuldades devido à
insuficiência das respostas formais e informais, de problemas financeiros e restrições na sua
vida social. É de salientar, igualmente, que estes cuidadores necessitam de cuidados por
parte dos serviços de saúde e sociais, para fazerem face às dificuldades que o ato de cuidar
acarreta.
Com este estudo, aferimos que os idosos dependentes e seus cuidadores informais
necessitam de um reforço do apoio por parte das redes formais e informais, chamando assim
a atenção dos responsáveis pelas políticas de saúde, sociais e comunidade, de forma a
sensibiliza-los para esta problemática, para que promovam e desenvolvam todos os esforços
para dar uma qualidade de vida condigna aos idosos e seus cuidadores.
Tendo em conta que as instituições de saúde estão cada vez com mais dificuldades
em dar este tipo de respostas aos utentes dependentes, as famílias têm vindo a assumirem o
papel de cuidadores. Contudo, deparamo-nos com estes dois tipos de redes de cuidados
(formais e informais) enfraquecidas, desorganizadas e insuficientes, pois não conseguem dar
resposta eficaz e completa a estes utentes. Torna-se crucial o desenvolvimento de algum tipo
de política ou projeto, que seja dedicado sobretudo à minimização da sobrecarga dos
cuidadores e que englobe os dois tipos de rede, de forma à prestação de cuidados dados por
uma rede ser complementada pela outra, prevenindo assim a sobrecarga sentida pelos
cuidadores. Portanto, a aposta no desenvolvimento de novas políticas sociais e projetos
sociais, com intuito de diminuir a sobrecarga dos cuidadores, seriam uma medida necessária
Vânia Raquel Martins Seabra
47
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Discussão dos Resultados
e fulcral, dado que possibilitaria uma melhoria e otimização dos cuidados a serem
prestados.
Neste contexto, o Assistente Social assume um papel fulcral e intermediário para o
desenvolvimento destas políticas e projetos, uma vez que está direta ou indiretamente
ligado com a instituição, utente, cuidador e comunidade, intervindo sobre aspetos
psicossociais associados à dependência do idoso e sobrecarga do cuidador, de forma a
promover
melhores
condições
de
vida,
minimizando
os
fatores
de
desgaste
socioeconómicos, ambientais que fossem desfavoráveis ao bem-estar social, de forma a
reabilitar o domicílio. O Assistente Social tem, ainda, como objetivo demonstrar dedicação,
solidariedade e estabelecimento de compromisso para com o cuidador informal, revelando
atitudes de atenção, compreensão, comunicação e ajuda, de forma a ser capaz de entrar no
mundo privado do cuidador, ajudando-o a restabelecer o seu equilíbrio. A profissão de
Serviço Social, promove a mudança social, contribui para a resolução de problemas entre as
relações humanas, reforçando a emancipação das pessoas e promovendo o seu bem-estar.
Vânia Raquel Martins Seabra
48
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Conclusões
Conclusões
Este estágio curricular teve um período de duração de dois semestres e foi o primeiro
contato que a estagiária teve com a prática profissional do Serviço Social. Veio, assim,
contribuir para a aquisição de novos conhecimentos, bem como aprofundar os conceitos já
dominados por ela, sobre a intervenção do Serviço Social na Idade Avançada, mais
concretamente nos Cuidados Continuados Integrados.
Deste modo, o presente estágio veio possibilitou à estagiária, uma aquisição de
atitudes, valores e postura no âmbito da profissão de Serviço Social. O contato direto da
estagiária com as problemáticas existentes no HJLC, as diferentes respostas e intervenções às
problemáticas e a interação com diferentes profissionais da área da Saúde, permitiram uma
visão mais ampla da profissão e da interação desta com outras áreas.
Com isto, a realização deste Relatório Final de Estágio teve como objetivo apresentar
as diversas aprendizagens, conhecimentos, experiências que a estagiária obteve no decorrer
de todo o Estágio Curricular.
No decorrer do estágio, a estagiária passou por diversas etapas. Numa fase inicial, a
postura de observação não participante veio permitir uma melhor compreensão da lógica
institucional, para uma melhor integração aos diferentes contextos inseridos na mesma,
despoletando os conhecimentos teóricos obtidos durante a Licenciatura, na prática
profissional. Proporcionou também, à estagiária uma compreensão mais vasta das diferentes
intervenções da profissão nas áreas abarcadas pelo Serviço Social no Hospital. Com isto,
veio facilitar à estagiária a escolha da problemática a investigar no seu Estágio.
A problemática investigada, é comum na atualidade, ou seja, o envelhecimento
dependente desenvolve contrapartidas, tal como a sobrecarga do cuidador informal em
diversas vertentes, como a familiar, económica, social, entre outras. Neste contexto, e de
forma sumária, podemos verificar que atualmente as sociedades estão mais envelhecidas.
Com isto, o aumento da necessidade de apoiar as pessoas idosas, advém como principal
problemática nas políticas sociais dos países desenvolvidos, incluindo Portugal. Assim, a
prestação de cuidados destes idosos dependentes, passa pelo cuidador informal levando
repercussões na sua vida. Com isto, existe uma maior necessidade de apoiar as pessoas
idosas dependentes, e seus cuidadores, desenvolvendo políticas ou projetos no âmbito
social, para a diminuição dos entraves que advém da tarefa de cuidar.
Assim, a investigação feita teve um papel importante de aquisição de um perfil
profissional, permitindo estar em contato direto com problemática desenvolvida e fazendo
Vânia Raquel Martins Seabra
49
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes da Unidade de Convalesça do HJLC
Conclusões
uma investigação mais profunda relativamente ao tema escolhido, o que por fim, levou a
uma reflexão crítica dos resultados obtidos no estudo. O estudo teve assim como objetivo,
compreender que tipo de repercussões pode vir a ter o cuidador informal, ao cuidar de
idosos dependentes, utentes da Unidade de Convalescença do HJLC, bem como a avaliação
da sobrecarga do cuidador.
Esta pesquisa, apesar de a amostra não ser estatisticamente representativa, permitiu à
aluna perceber as dificuldades sentidas pelos cuidadores informais ao prestar cuidados.
Prestar cuidados leva a uma sobrecarga dos cuidadores a vários níveis, como o emocional,
pessoal, físico, familiar, económico, social, que são difíceis de combater.
Neste sentido,
o papel do Assistentes
Social passa pela promoção do
acompanhamento destes mesmos cuidadores informais, de forma a atuar junto de diversos
processos de interação, nomeadamente o idosos e sua família, as redes de suporte social e os
serviços/instituições capazes de cooperar para uma reabilitação do domicílio, tendo, assim,
o Assistente Social um papel de mediador para a mudança. Consideramos, ainda, de grande
relevância, o desenvolvimento de novos projetos e políticas, para a minimização das
necessidades que a prestação de cuidados acarreta aos cuidadores, promovendo um
envelhecimento saudável, ajudando deste modo os cuidadores na tarefa de cuidar.
Por tudo isto, o Estágio proporcionou à estagiária uma compreensão do trabalho
desenvolvido pelo Serviço Social nas diferentes áreas de intervenção no HJLC, mais
concretamente na Unidade de Convalescença, onde foi realizado a investigação deste
Relatório Final de Estágio. Assim, a estagiária conseguiu atingir os objetivos delineados para
este estudo, com o importante apoio da supervisão e orientação.
Vânia Raquel Martins Seabra
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Publicado
Legislação
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Anexos
Anexos 1-Organograma do Hospital
José Luciano de Castro
Nota: O Organograma do HJLC encontra-se desatualizado tendo em conta as novas reformas
efetuadas nos seviços (ex.: Serviço de Medicina deu lugar à Unidade de Convalescença)
Anexos 2- Regulamento do Serviço
Social do HJLC
Anexos 3- Pedido de Autorização
para efetuar o estudo
Vânia Raquel Martins Seabra
Estagiária de Serviço Social no HJLC
Tel: 91 102 82 51
E-mail: [email protected]
Exmo. Senhor Presidente do Conselho de Administração
do Hospital José Luciano de Castro – Anadia
Vânia Raquel Martins Seabra, aluna do 1º Ciclo de Estudos em Serviço Social do Instituto
Superior Miguel Torga e a realizar o seu estágio curricular no Hospital José Luciano de Castro vem
solicitar a V. Excelência autorização para a realização de um estudo no referido Hospital mais
concretamente, na Unidade de Convalescença.
O estudo intitulado “Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes Idosos da Unidade
de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro”, (projeto em anexo) decorre sob a orientação da Dra.
Ana Paula Ferreira, Assistente Social de HJLC, e supervisão da Dra. Sara Lopes, docente do ISMT.
Para mais informo que o estudo assegurará o respeito pelos requisitos éticos e deontológicos
da conduta da Assistente Social no exercício profissional nomeadamente, o respeito pelo
consentimento informado, (informar os participantes, de forma compreensível para os mesmos, todos
os procedimentos que serão adotados e obter destes o consentimento explicito) e pelos direitos dos
participantes à privacidade e confidencialidade, concretamente através do acesso ao processo clínico,
com vista à recolha de dados de forma anónima.
Pede Deferimento,
________________________________
(Vânia Raquel Martins Seabra)
Anexos 4- Autorização do estudo
Anexos 5- Consentimento informado
para os inquiridos
Termo de Compromisso e Livre Consentimento
Eu _____________________________________________________, aceito participar no estudo
Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal dos Utentes Idosos da Unidade de Convalescença do
Hospital José Luciano de Castro que está a ser desenvolvido pela Estagiária do Instituto
Superior Miguel Torga.
Declaro, também, que tomei conhecimento que as informações recolhidas são anónimas e
confidenciais e serão utilizadas para o fim a que se destina o estudo bem como que serão
respeitadas todas as normas éticas quer no tratamento quer na apresentação final dos
resultados.
Finalmente, declaro que a minha colaboração é voluntária e, caso deseje, posso desistir da
minha participação sem que esse ato interfira na prestação de cuidados de saúde que me são
devidos.
Assinatura do Utente:_________________________________________________________
Assinatura do Cuidador Informal:_____________________________________________
Anadia, ______ de _________________ de 2011
INSTITUTO SUPERIOR MIGUEL TORGA
LICENCIATURA EM SERVIÇO SOCIAL
No âmbito do Estágio em Serviço Social, do 4º ano da Licenciatura em Serviço Social do
Instituto Superior Miguel Torga, estamos a realizar um estudo sobre Avaliação da Sobrecarga do
Cuidador Informal dos Utentes Idosos da Unidade de Convalescença do Hospital José Luciano de Castro
Para responder a todo o questionário deve lembrar-se que não existem respostas certas ou
erradas, devendo responder sempre de acordo com a sua situação, fazendo-o com toda a
sinceridade, podendo desistir a qualquer momento da sua participação, sem que tal afete a
prestação de cuidados de saúde que lhe está a ser prestada, sendo-lhe igualmente garantido
total anonimato e confidencialidade.
Obrigada pela colaboração!
A Estagiária,
Vânia Raquel Martins Seabra
Anexos 6- Instrumento de recolha de
dados
Data: ___/___/___
Instituto Superior Miguel Torga
Licenciatura em Serviço Social
Vânia Raquel Martins Seabra
Questionário aos Cuidadores Informais
Exmo. Sr. ou Sr.a.
No âmbito do estágio curricular da Licenciatura em Serviço Social, está a proceder-se a um trabalho de
investigação sobre a “a sobrecarga do cuidador informal dos utentes da Unidade de Convalescença do Hospital José
Luciano de Castro em Anadia”. O objetivo deste questionário, consiste em avaliar o grau de satisfação dos cuidadores
na tarefa de prestação informal de cuidados de saúde e bem-estar ao utente idoso. As suas respostas serão
confidenciais e destinam-se apenas para efeitos de investigação. Obrigada!
Parte I
Identificação do Utente
1. Sexo : Feminino
Masculino
2. Idade:______
3.Circunstâncias em que vive:
a) Vive:
Sozinho
Noutra situação
Com a família
Especifique, por favor:_________________________
b) Apoio domiciliário:
Alimentação
Higiene
Cuidados de Habitação
Tratamento de Roupa
Alimentação e Higiene
Cuidados de enfermagem
Cuidados de enfermagem e Higiene
Centro de Dia
Não usufruo deste tipo de apoios
4. Estado de conservação e a tipologia da habitação:
a) Estado de conservação
Boa estado
Estado razoável
Degradada no interior
Degradada no exterior
Degradada no interior e exterior
Em ruína
b) Tipologia da habitação:
Casa em r/chão sem escadas
Casa em r/chão com escadas
Casa com r/chão e 1º andar (com escadas)
Casa no 1º andar (com escadas)
Apartamento com elevador
Apartamento sem elevador (com escadas)
Parte II
Informação acerca do Prestador Informal de Cuidados
1. Sexo : Feminino
Masculino
2. Idade:______
3.Situaçao Conjugal:
Solteiro(a)
Casado(a)/ Em união de facto
Divorciado(a)/ Separado(a)
Viúvo(a)
4. Profissão: ______________________________
5. Situação ocupacional (escolha apenas uma situação, aquela que melhor se ajuste ao seu caso).
Empregado(a) a tempo inteiro
Empregado(a) a tempo parcial
Aposentado(a)/ Reformado(a)
Desempregado(a)
Doméstica
Estudante
Outra
Especifique, por favor:___________________
6. Grau de escolaridade:
Não frequentou o ensino formal
1º Ciclo do Ensino Básico ou 4º classe
2º ciclo do ensino Básico ou ciclo preparatório (5º/6º ano)
3º ciclo do ensino Básico ou 9º ano (5º ano de Liceu)
Ensino Secundário (antigo ensino Industrial ou Comercial)
Ensino Superior (Bacharelato, Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento)
7. Qual é a relação com a pessoa a que presta cuidados?
Cônjuge/ Companheiro
Pai
Mãe
Avô/avó
Irmão/irmã
Outro membro da família
Amigo(a)/ Vizinho(a)
Empregada Doméstica
8. Há quanto tempo presta cuidados a essa pessoa?
Anos:______ Meses:_______ Dias:________
9. Qual a distância entre si e a pessoa a quem presta cuidados?
Vivem na mesma casa
Vivem em casas diferentes, mas no mesmo edifício
A uma distância passível de ir a pé
Até 10 minutos de carro/ autocarro ou comboio
Até 30 minutos de carro/ autocarro ou comboio
Até 1 hora de carro/ autocarro ou comboio
A mais de 1 hora de carro/autocarro ou comboio
10. Que tipo de apoios presta?
Físicos/ Pessoais (ex.: lavar, vestir)
Domésticos (ex.: cozinhar, limpar a casa)
Apoio emocional/Psicológico (ex.: companhia, encorajamento)
Apoio em Atividade Sociais (ex.: acompanhamento ao médico)
Apoio Financeiro
Apoio Emocional e em Atividades Sociais
Apoio em tudo, exceto Apoio Financeiro
Apoio em tudo
11.Em média, quantas horas por dia ocupa a prestar cuidados a essa pessoa?
De 1 a 5 horas
De 5 a 10 horas
De 10 a 20 horas
De 20 a 24 horas
12.Os cuidados que presta a esta pessoa, causam limitações na sua vida profissional/ocupacional?
Sim
Não
13.Existe mais algum prestador informal de cuidados (ex.: família, amigos, vizinhos) que colabora na
tarefa de prestação de cuidados?
Sim
Não
Se sim, quem?_________________________________________________________________
E em que tarefas?______________________________________________________________
14. Existem mais alguém quem tenha de prestar este tipo de apoio/cuidados? (ex.: parentes doentes
ou a um amigo)
Sim
Não
Quem?_______________________________________________________________________
Parte III
Avaliação da Sobrecarga dos Cuidadores
Nunca
1. Sente que consegue enfrentar positivamente as
suas tarefas de prestação de cuidados?
2. Considera a tarefa de prestação de cuidados
uma atividade muito exigente?
3. Prestar cuidador significa que “não tem um
minuto” para si mesmo?
4. A tarefa de prestação de cuidados causa
dificuldades no seu relacionamento com os
amigos?
5. A prestação de cuidados tem um efeito
negativo na sua saúde física?
6. A prestação de apoio/cuidados causa
dificuldades na relação que tem com a sua
família?
7.A prestação de apoio/cuidados é, para si,
causa de dificuldades financeiras?
8. Sente-se “prisioneiro” da sua tarefa de
prestação de cuidados ?
9. Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos seus
amigos, e/ou vizinhos, e/ou outros?
10. Sente que a sua tarefa de prestação de
cuidados restringe excessivamente a sua vida
pessoal?
11. Sente que a prestação de cuidados é uma
tarefa que lhe traz satisfação pessoal?
12. Sente-se suficientemente apoiado(a) pela sua
família?
13. Tem uma boa relação com a pessoa que
presta cuidados?
14. Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos
serviços sociais e de saúde?
15. Sente que é valorizado enquanto pessoa por
quem presta cuidados?
16. A tarefa de prestação de cuidados tem um
efeito negativo no seu bem-estar emocional?
17. De uma forma geral, sente-se suficientemente
apoiado(a) no seu papel de pessoa que presta
cuidados?
Por
vezes
Muitas
vezes
Sempre
Anexos 7- Codificação dos dados
CodifiCação do Questionário da CaraCterização soCial da amostra
Os quadros que se seguem apresentam a codificação de inúmeras variáveis do
idoso dependente (quadro 1 ao quadro 2) e do prestador de cuidados formais
(quadro 3 ao quadro 5)
Quadro 1- Variáveis Sóciodemográficas do idoso dependente
Grupo de variáveis
Variável
1.Sexo
Variáveis Sóciodemográficas
2.Idade
3.Circunstâncias em que
vive:
4.Apoio domiciliário
Modalidades
1)Feminino
2)Masculino
Idade em Anos
1)Sozinho
2)Com a família
3)Noutra situação
1)Alimentação
2)Higiene
3)Cuidados de Habitação
4)Tratamento de Roupa
5)Alimentação e Higiene
6)Cuidados de enfermagem
7)Cuidados de enfermagem
e Higiene
8) Centro de Dia
9) Não usufrui deste tipo de
apoios
Quadro 2- Variáveis Socioinstitucionais
Variáveis Sócio habitacionais
Grupo de Variáveis
Variável
6.Estado de conservação
7.Tipologia da habitação
Modalidades
1)Bom estado
2)Estado razoável
3)Degradada no interior
4)Degradada no exterior
5)Degradada no interior e
exterior
6)Em ruína
1)Casa em r/chão sem
escadas
2)Casa em r/chão com
escadas
3)Casa com r/chão e 1º
andar (com escadas)
4)Casa no 1º andar (com
escadas)
5)Apartamento
com
elevador
6)Apartamento
sem
elevador (com escadas)
Quadro 3- Variáveis Sóciodemográficas do Cuidador Informal
Variáveis
Sóciodemográfi
cas dos
Cuidadores
Informais
Grupo de Variáveis
Variáveis
Modalidades
1.Sexo
1)Feminino
2)Masculino
Idade em Anos
1)Solteiro(a)
2)Casado(a)/ Em união de
facto
3)Divorciado(a)/Separado(a)
4)Viúvo(a)
2.Idade
3.Situação Conjugal
Quadro 4- Variáveis Socioprofissionais do Cuidador Informal
Grupo de Variáveis
Variáveis
Variáveis Socioprofissionais dos
Cuidadores Informais
Profissão
4.Situação ocupacional
5.Grau de escolaridade
Modalidades
Tipo de Profissão
1)Empregado(a) a tempo inteiro
2)Empregado(a) a tempo parcial
3)Aposentado(a)/Reformado(a)
4)Desempregado(a)
5)Doméstica
6)Estudante
7)Outra
1) Não frequentou o ensino
formal
2) 1º Ciclo do Ensino Básico ou
4º classe
3) 2º ciclo do ensino Básico ou
ciclo preparatório (5º/6º ano)
4) 3º ciclo do ensino Básico ou 9º
ano (5º ano de Liceu)
5) Ensino Secundário (antigo
ensino Industrial ou Comercial)
6) Ensino Superior (Bacharelato,
Licenciatura, Mestrado ou
Doutoramento)
Quadro 5- Questionário ao Cuidador Informal
Variáveis
7. Qual é a relação com a pessoa a que
presta cuidados?
8.Há quanto tempo presta cuidados a
essa pessoa
9.Qual a distância entre si e a pessoa a
quem presta cuidados?
10.Que tipo de apoios presta?
11.Em média, quantas horas por dia
ocupa a prestar cuidados a essa pessoa?
12.Os cuidados que presta a esta pessoa,
causam limitações na sua vida
profissional/ocupacional?
13.Existe mais algum prestador
informal de cuidados (ex.: família,
amigos, vizinhos) que colabora na tarefa
de prestação de cuidados?
14. Existem mais alguém quem tenha de
prestar este tipo de apoio/cuidados?
(ex.: parentes doentes ou a um amigo)
Modalidades
1)Cônjuge/ Companheiro
2)Pai
3)Mãe
4)Avô/avó
5)Irmão/irmã
6)Outro membro da família
7)Amigo(a)/ Vizinho(a)
8) Empregada doméstica
Tempo Real em Anos/Meses
1)Vivem na mesma casa
2)Vivem em casas diferentes, mas no mesmo
edifício
3)A uma distância passível de ir a pé
4)Até 10 minutos de carro/ autocarro ou
comboio
5)Até 30 minutos de carro/ autocarro ou
comboio
6)Até 1 hora de carro/ autocarro ou comboio
7)A mais de 1 hora de carro/autocarro ou
comboio
1)Físicos/Pessoais (ex.: lavar, vestir)
2)Domésticos (ex.: cozinhar, limpar a casa)
3)Apoio emocional/Psicológico (ex.:
companhia, encorajamento)
4)Apoio em Atividade Sociais (ex.:
acompanhamento ao médico)
5)Apoio Financeiro
6)Apoio Emocional e em Atividades Sociais
7)Apoio em tudo, exceto Apoio Financeiro
8)Apoio em tudo
1)De 1 a 5 horas
2)De 5 a 10 horas
3)De 10 a 20 horas
4)De 20 a 24 horas
1)Sim
2)Não
1)Sim
2)Não
1)Sim
2)Não
ESCALA CUIDE
No quadro seguinte está representada a Escala de Cuide, que permite avaliar a sobrecarga
do cuidador informal.
Grupo
Item
Necessidades de apoio
social ao Cuidador
Disponibilidade e
relacionamento Interpessoal
do Cuidador
O Cuidador enquanto pessoa
na tarefa de cuidar
1. Sente que consegue positivamente as suas
tarefas de prestação de cuidados?
2. Considera a tarefa de prestação de cuidados
uma atividade muito exigente?
5. A prestação de cuidados tem um efeito
negativo na sua saúde física?
11. Sente que a prestação de cuidados é uma
tarefa que lhe traz satisfação pessoal?
13. tem uma boa relação com a pessoa que
presta cuidados?
15. Sente que é valorizado enquanto pessoa
por quem presta cuidados?
16. A tarefa de prestação de cuidados tem um
efeito negativo no seu bem-estar emocional?
3. Prestar cuidador significa que “não tem um
minuto” para si mesmo?
4. A tarefa de prestação de cuidados causa
dificuldades no seu relacionamento com os
amigos?
6. A prestação de apoio/cuidados causa
dificuldades na relação que tem com a sua
família?
8. Sente-se “prisioneiro” da sua tarefa de
prestação de cuidados ?
10. Sente que a sua tarefa de prestação de
cuidados restringe excessivamente a sua vida
pessoal?
7.A prestação de apoio/cuidados é, para si,
causa de dificuldades financeiras?
9. Sente-se suficientemente apoiado(a) pelos
seus amigos, e/ou vizinhos, e/ou outros?
12. Sente-se suficientemente apoiado(a) pela
sua família?
14. sente-se suficientemente apoiado(a) pelos
serviços sociais e de saúde?
17.
De uma forma geral,
sente-se
suficientemente apoiado(a) no seu papel de
pessoa que presta cuidados?
* Os itens 2 a 8, 10 e 16 são contados inversamente.
Pontuação
De 1 a 4
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4
De 1 a 4
De 1 a 4
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4*
De 1 a 4
De 1 a 4
De 1 a 4*
De 1 a 4
Codificação Da Escala De MIF
A escala de medida de independência (MIF) tem
como principio quantificar
objetivamente o grau de dependência que apresenta um paciente num dado momento e
medir as alterações/modificações que se produzem no tratamento de reabilitação .
A escala foca-se em áreas prioritárias como o aspeto motor e cognitivo com fim
de planificar a reabilitação, e por sua vez permitir conhecer e comparar a eficiência e eficácia,
de um tratamento.
A MIF avalia um total de 18 atividades, que se agrupam em diferentes dimensões, 13
itens motores e 5 itens cognitivos. Cada uma das atividades agrupa-se de 1 a 7, onde 1
indica dependência total e o 7 independência total. A pontuação final varia entre 18 e 126.
Avaliação das pontuações:
INDEPENDÊNCIA, não precisa de ajuda de outra pessoa.
7: Independência completa - todas as habilidades requeridas, o paciente é capaz
de realiza-las, com segurança, sem modificar a conduta, sem ajuda técnica.
6: Independência modificada - a atividade requer uma ajuda técnica.
DEPENDÊNCIA. O sujeito requer a ajuda de outra pessoa na supervisão ou
assistência para realizar as atividades.
5: Supervisão - Supervisão e assistência técnica na realização das atividades
4: Ajuda mínima - Ajuda com contacto físico mínimo, o sujeito realiza menos de 75%
do esforço
3: Ajuda moderada - Assistência média, o sujeito realiza entre 50% e 75% do esforço
DEPENDÊNCIA COMPLETA. O sujeito realiza menos de 50% do esforço.
2: Ajuda máxima - Assistência Máxima, o sujeito realiza entre 25% e 50% do
esforço.
1: Ajuda total - realiza menos de 25% do esforço
Pontuação
A . Alimentação
De 1 a 7
B. Higiene Pessoal
De 1 a 7
C. Banho ( lavar o corpo)
De 1 a 7
D. Vestir Metade Superior
De 1 a 7
E. Vestir Metade inferior
De 1 a 7
F. Utilização de sanita
De 1 a 7
G. Bexiga
De 1 a 7
H. Intestino
De 1 a 7
I. Leito, cadeira, cadeira de
rodas
De 1 a 7
J. Sanita
De 1 a 7
K. Banheira
De 1 a 7
Locomoção
Grupo
L. Marcha/cadeira de rodas
De 1 a 7
M. Escadas
De 1 a 7
N. Compreensão
De 1 a 7
O. Expressão
De 1 a 7
P. Interação social
De 1 a 7
Q. Resolução de problemas
De 1 a 7
R. Memória
De 1 a 7
Cognição
Social
Mobilidade
Controlo
de
Esfíncteres
Autocuidados
Itens
Comunicação
Codificação da Escala de MIF ( Medida de Independência Funcional)
Graus de dependência:





18 – dependência total
18 – 36 – dependência de grau elevado
37 - 90 – dependência grau moderado
91 - 126- dependência de grau reduzido
126 – independência total
Anexos 8-Periodificação das Etapas
em Cronograma, Planificação
Semanal, Tabela das Atividades de
estágio, e Cronograma do Estágio
Tabela das Atividades de Estágio de 28 de março a 16 de dezembro
Reuniões da
Reuniões da
Reuniões da
Leitura de
Equipa
Equipa
Equipa de
documentos
Multidiscipli
Multidisciplinar
Intervenção
nar da UCCI
de Anadia
Precoce
16
2
2
134
Reuniões com
familiares e
utentes da
Supervisões
Unidade
Atendimento
Visitas
de Chamadas
Domiciliarias
45
26
Convalescença
27
14
Cronograma Do Estágios I e II
2011
2012
Integração
Caracterização e Enquadramento
Social da Instituição
Elaboração de relatórios de
atividades
Definição e Elaboração do Projeto
de Estágio
Pesquisa Bibliográfica documental
e legislativa
Observação
Visitas domiciliárias
Reuniões de Equipas
Multidisciplinares
Reuniões com Familiares de
Utentes da U. C.
Reuniões de Supervisão
Avaliação
Estágio I
das
Estágio II
Atividades
Avaliação Final do Estágio
Janeiro
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Férias
ESTÁGIO II
Julho
Junho
Maio
Abril
CRONOGRAMA DO ESTÁGIOS
I E II
Março
ESTÁGIO I
Planificação Semanal do Estágio I
Dias/
Horas
Segunda-feira
Terça-feira
8.00
8.30
9.00
9.30
10.00
10.30
11.00
11.30
Quinta-feira
Sexta-feira
Estágio
Estágio
Estágio **
12.00
12.30
Almoço
13.00
13.30
14.00
14.30
15.00
15.30
16.00
16.30
17.00
17.30
18.00
18.30
19.00
19.30
20.00
Quarta-feira
Estágio *
Almoço
Estágio
Reunião Semanal
da Equipa
Multidisciplinar da
Unidade de
Convalescença
Reuniões com
familiares dos
utentes da Unidade
de Convalescença **
Almoço
Estágio
Estágio
Almoço
Almoço
Estágio
Estágio
****
Estágio/
Supervisão de
Estágio ***
Seminário de
Saúde, Ambiente e
Qualidade de Vida
****
Seminário de
Saúde,
Ambiente e
Qualidade de
Vida
Legenda:
* Consulta bibliográfica.
** As reuniões com familiares dos utentes da Unidade de Convalescença são todas as terças e quartasfeiras, com hora previamente marcada, salvo raras exceções por falta de compatibilidade do horário
dos familiares com o horário destinado para este mesmo fim.
*** A supervisão de estágio é de quinze em quinze dias com data e hora previamente marcada.
Quando não há supervisão de estágio a estagiária fica até às 16 horas no estágio.
**** O horário do Serviço Social recentemente foi atualizado. Assim o horário do Serviço Social à
quarta-feira é das 9 horas às 18 horas e à sexta-feira é das 9 horas até as 14horas.
Planificação Semanal do Estágio II
Dias/
Horas
8.00
8.30
9.00
9.30
10.00
10.30
11.00
11.30
Segunda-feira
Estágio
13.00
13.30
14.00
14.30
15.00
15.30
16.00
16.30
17.00
17.30
18.00
18.30
19.00
19.30
20.00
Quarta-feira
Seminário de
Cultura
Contemporânea
e Novas
Dependências
Estágio
Quinta-feira
Sexta-feira
Estágio
Estágio*
Almoço
Almoço
**
**
12.00
12.30
Terça-feira
Almoço
Reunião
Semanal da
Equipa
Multidisciplinar
da Unidade de
Convalescença
Almoço
Estágio/
Supervisão de
Estágio ***
Almoço
Estágio
****
Estágio
Estágio
Legenda:
* Consulta bibliográfica.
** As reuniões com familiares dos utentes da Unidade de Convalescença são todas as terças e quartasfeiras, com hora previamente marcada, salvo raras exceções por falta de compatibilidade do horário
dos familiares com o horário destinado para este mesmo fim.
*** A supervisão de estágio é de quinze em quinze dias com data e hora previamente marcada.
Quando não há supervisão de estágio a estagiária fica até às 16 horas no estágio.
**** O horário do Serviço Social recentemente foi atualizado. Assim o horário do Serviço Social à
quarta-feira é das 9 horas às 18 horas e à sexta-feira é das 9 horas até as 14horas.
Periodificação das Etapas em Cronograma
2012
2011
Escolha da Temática
Definição dos objetivos
(gerais/específicos)
Definição de Materiais e
Métodos
Recolha de dados para
investigação
Realização das Entrevistas
às famílias dos utentes da
U.C
Administração dos
instrumentos de recolha de
dados para a investigação
Análise e Interpretação dos
Resultados
Elaboração do Relatório
Final de Estágio
Avaliação
das
Atividades
Estágio I
Estágio II
Avaliação Final do Estágio
Janeiro
Dezembro
Novembr
o
Outubro
Setembro
Agosto
Férias
ESTÁGIO II
Julho
Junho
Maio
Abril
ESTÁGIO I
Março
CRONOGRAMA DA
PESQUISA I E II
Anexos 9- Caracterização
sociodemográfica do HJLC
Caracterização Sóciodemográfica do Hospital José Luciano de Castro
O Hospital José Luciano de Castro (HJLC) situa-se no distrito de Aveiro, concelho de
Anadia, na Região Centro de Portugal, Sub-região Baixo Vouga, enquadrado na Região da
Bairrada. A cidade de Anadia é uma sede de Município e tem cerca de 31 545 habitantes,
segundo os censos de 2001 e possui uma área de 217,13 Km2 (número de habitantes por
quilometro quadrado), ao qual 15 215 habitantes são do sexo masculino, e os restantes do
sexo feminino.
Este município situa-se geograficamente entre os concelhos de Águeda e Oliveira do
Bairro (a norte), o concelho da Mealhada (a sul) e ainda com Cantanhede (a poente) e
Mortágua (a nascente).
Imagem 1- Distrito de Aveiro
O Concelho de Anadia é constituído por 15 freguesias, as quais são: Aguim,
Amoreira da Gândara, Ancas, Arcos, Avelãs de Caminho, Avelãs de Cima, Mogofores,
Moita, Óis do Bairro, Paredes do Bairro, Sangalhos, São Lourenço do Bairro, Tamengos, Vila
Nova de Monsarros e Vilarinho do Bairro.
Imagem 2- As 15 Freguesias do Concelho de Anadia
No Concelho de Anadia podemos dizer que existem dois grandes conjuntos no que diz
respeito ao parque habitacional. Ou seja, o primeiro podemos caracteriza-lo mais urbano, na
cidade de Anadia, e o segundo mais rural, sendo as habitações de tipologia unifamiliar mais
predominante.
No setor da saúde, o Concelho de Anadia dispões de 1 Hospital, 1 Centro de Saúde
que faz parte do agrupamento do Baixo Vouga I e 11 Extensões de Saúde.
Neste mesmo Concelho existe inúmeros equipamentos sociais com diferentes áreas de
atuação tais como: na área da infância, na da terceira idade, na deficiência e uma na área da
família e comunidade. Em suma, a nível social o Concelho de Anadia conta com duas Santa
Casa da Misericórdia, uma APPACDM e treze instituições sociais.
Fonte:http://www.cmanadia.pt//pdf/Accao_Social/Rede_Social/Diagnostico_Social_do_c
oncelho_de_Anadia.pdf
Anexos 10- Serviço Social na Saúde
Serviço Social na Saúde
Segundo Kruse (1975, cit. in Ivone Teles, 1990: 40), “O Serviço Social é o ramo das
ciências sociais que procura conhecer as causas e o processo dos problemas sociais e sua incidência
sobre as pessoas, grupos e comunidades, a fim de conduzi-los a uma ação de correção desses efeitos, da
eliminação das suas causas e da reabilitação dos seres carenciados, tendo em conta meta final o mais
amplo bem-estar, num quadro de desenvolvimento nacional autêntico e contínuo”.
O Serviço Social desenvolveu-se de forma prioritária na área da Assistência, na
Saúde e no Trabalho, sendo a Saúde o segundo setor de atividade profissional durante os
primeiros vinte anos da profissão.
Segundo Natálio Kisnerman (1975, cit. in Ivone Teles, 1990: 40) “O serviço social é a
profissão que procura criar uma atitude crítica, tanto acerca das causas/efeitos dos problemas sociais,
como dos recursos disponíveis, com o fim de que os sujeitos afetados por esses problemas.”
Deste modo, ao Serviço Social compete analisar os problemas sociais dos utentes,
assim como problemas geradores e resultantes do estado das doenças e as implicações que
traz no meio familiar e social, mobilizando-os para a sua resolução. Assim, “ (…) só quando as
pessoas se capacitam para tomar consciência dos seus problemas, de modo a assumirem uma atitude
crítica da realidade onde estão inseridos, podem caminhar no sentido de alcançar as suas metas como
seres sociais” (idem).
Como antecedentes legais do Serviço Social Hospitalar, destacam-se a Lei nº
2011/1946 (que diz respeito à Organização Hospitalar) e a Lei nº 2120/1963 (Estatuto de
Saúde e Assistência), cujos aspetos relevantes são assim, a inclusão do Serviço Social nos
Hospitais Regionais e a participação do Serviço Social em geral ou especializado, individual
e familiar, de grupo ou comunidade na execução das políticas sociais; o Decreto-Lei nº
48357/1968 (Estatuto Hospitalar) que anuncia a ação dos estabelecimentos e serviços
hospitalares, serem de natureza médica e social em simultâneo; o Decreto-Lei nº 48358/1968
(Regulamento Geral dos Hospitais) como inclusão do Serviço Social nos serviços
assistenciais e inclusão da assistente social no Conselho Técnico.
Desde 1968, o Serviço Social Hospitalar tem funções expressamente aprovadas pela
Direção-Geral dos Hospitais, através da Inspeção Técnica de Ação Social, entidade esta que
supervisiona e coordena as atividades do Serviço Social nos hospitais de todo o País. No ano
de 1971, o Serviço Social é definido enquanto Prática Profissional.
Assim, o Serviço Social neste contexto que temos vindo a falar deverá ser
considerado como um “membro” da equipa que presta os cuidados. Com isto, a avaliação
do Assistente Social tem tanta importância como outro qualquer membro da equipa.
Por fim, um dos objetivos cruciais do Assistente Social neste meio envolvente é
analisar as problemáticas sociais dos utentes existentes, ou que possam vir a surgir, devido
ao estado de saúde dos utentes.
Serviço Social no Hospital José Luciano de Castro (HJLC)
Atualmente, o Serviço Social no HJLC funciona apenas com uma Assistente Social
que apoia todos os Serviços, encontra-se no Hospital em regime diurno.
Segundo o Regulamento do Serviço Social do Hospital José Luciano de Castro
(Anexo 3), a missão deste Serviço é “ (…) contribuir para a Humanização dos serviços de saúde,
entendendo o utente como um ser biopsicossocial” e “promover o apoio psicossocial ao utente, à
família e a participação deste próprio processo de reabilitação e de reintegração de modo a assegurar a
satisfação das expectativas e necessidades dos utentes, através de uma intervenção e articulação em
rede” (Artigo 1º).
Os objetivos principais do Serviço Social neste mesmo Hospital são:“ (…) participar na
definição, reformulação, execução e avaliação de políticas de saúde; estudar as variáveis sócioeconomicas e culturais incidentes na situação da doença e as suas consequências sociais; capacitar os
utentes para agentes de prevenção, promoção e reabilitação da saúde” (artigo 2º).
Segundo o Artigo 4º do Regulamento do Serviço Social na HJLC, tem como campos
de atuação todos os serviços que a instituição dispõe, sendo eles: a Unidade de
Convalescença da RNCCI o Serviço de Internamento de Cirurgia de Ambulatório, a
Consulta Externa e o Gabinete do Utente/Cidadão.
Conforme o Artigo 7º, as funções que a Assistente Social tem no HJLC são:
a) “Identificar e analisar os problemas e as necessidades de apoio social dos utentes, elaborando o
respetivo diagnostico social;
De acordo com a avaliação de necessidade de apoio social, feita pelos diversos
profissionais, a Assistente Social elabora em documento “informação social” onde
consta, o estado onde se encontra o agregado familiar, a situação habitacional, de
emprego e os fatores de risco social, para os avaliar e orientar. Estes utentes são
referenciados da Unidade de Convalescença, Serviço de Cirurgia ou Consulta Externa.
b) Proceder ao acompanhamento e apoio psicossocial dos utentes e das respetivas famílias, no
quadro dos grupos sociais em que integram, mediante a prévia elaboração de planos de
intervenção;
Durante o tempo de internamento é feito o acompanhamento ao utente e família com
vista à preparação de alta e vão-se estabelecendo objetivos/planos de intervenção.
c) Proceder à investigação, estudo e conceção de processos, métodos e técnicas de intervenção
social;
À medida que as novas realidades sociais vão surgindo o Assistente Social tem que se
adaptar, utilizando novos métodos e técnicas, que através de forma continua se
complementam. Atualmente os cuidados continuados são o exemplo de uma realidade
social que necessitava de outro tipo de resposta/intervenção. Os utentes que tem alta de
um hospital não estão muitas das vezes preparados para regressar ao domicílio. O
Assistente Social foi constatando esta problemática e foram criadas novas respostas de
intervenção social.
d) Participar na definição, promoção e concretização das políticas de intervenção social a cargo
dos respetivos serviços ou estabelecimentos;
Em seguimento do anterior, acabam por ser documentadas no “ Manual de Boas
Práticas para o Assistente Social”.
e) Definir, elaborar, executar e avaliar programas e projetos de intervenção comunitária na área
de influência dos respetivos serviços e estabelecimentos;
Um dos projetos de intervenção é o projeto “CADI” Centro de Atendimento e
Desenvolvimento Integrado (Existente no âmbito do Programa Escolhas) que tem
parceria com o Hospital, para onde são referenciadas as crianças e jovens que
frequentam a consultam a Pediatria.
f) Analisar, selecionar, elaborar e registar informação no âmbito da sua intervenção profissional
e da investigação científico-social.
Tem vindo a ser efetuado trabalhos na área dos cuidados continuados, concretamente
na caracterização da população-utente. O mais recente foi feito em 2010.
g) Assegurar a continuidade dos cuidados sociais a prestar, em articulação com os parceiros da
comunidade;
Após a primeira entrevista com a família onde se inicia a preparação de alta, são feitos
contactos com a comunidade, ou seja, Centros de Saúde, I.P.S.S e outros, no sentido de
assegurar a continuidade da intervenção, levando em documento escrito.
h) Envolver e orientar utentes, famílias e grupos no autoconhecimento e procura dos recursos
adequados às suas necessidades;
Concretamente na Unidade de Convalescença, as famílias são envolvidas no ensino à
prestação de cuidados com marcação prévia, no sentido de complementar o apoio dos
cuidadores informais e de modo a adequarem os recursos disponíveis, quer a nível
habitacional, quer a outros níveis.
i) Articular-se com os restantes profissionais dos serviços para melhor garantir a qualidade,
humanização e eficiência na prestação de cuidados”.
É feita uma articulação com os restantes profissionais, quer ao nível da comunidade
local, I.P.S.S, Centros de Saúde e outros unidades, disponibilizando toda a informação
possível com vista a uma melhor integração dos utentes nos seus domicílios, ou em
outra instituição para melhor garantir a qualidade, humanização e eficiência na
prestação de cuidados.
Por último e segundo o artigo 4º a Assistente Social do HJLC, coopera com os
Institutos Superiores de Serviço Social e Universidades bem como, na Formação de Técnicos
de Serviço Social fazendo orientações de estágios curriculares e profissionais.
A Assistente Social faz parte ainda da Equipa Técnica da Unidade de Convalescença
(da Rede de Cuidados Continuados Integrados). A função do Serviço Social nesta Unidade
é, para além dos objetivos gerais do Serviço Social em contexto Hospitalar, prestar apoio
psicossocial ao utente e planear/preparar a alta deste em concordância com a alta clínica,
elaborando um Diagnóstico Social. Junto de todo o processo de internamento deve constar
uma ficha de informação social do utente, esta preenchida pela Assistente Social, na qual
constam as seguintes informações: identificação do utente, do seu agregado familiar, assim
como a sua situação socioeconómica e cultural, incluindo os recursos da Comunidade e um
breve resumo sobre a 1ª entrevista com as famílias.
A Assistente Social para estabelecer de início contacto com o utente, faz um primeiro
contacto com este através de uma entrevista de acolhimento. A utilização desta técnica irá
permitir o esclarecimento ao utente sobre a realidade no meio hospitalar assim como,
permite à Assistente Social fazer uma análise da existência ou não de problemas a nível
socioeconómico e familiares ou até mesmo problemas, como já dito anteriormente, vindos
do internamento. No diagnóstico social ao verificar a existência de problemáticas sociais, a
situação é estudada, encaminhada e orientada. O estudo faz-se primeiro através do contacto
com as famílias e só consoante as respostas destes é que a posteriori se faz a articulação com
os serviços que estão disponíveis na comunidade.
O Serviço social do HJLC tem a seu cargo o Gabinete do Utente/Cidadão. Segundo o
Artigo 4º do Regulamento do Serviço Social deste Hospital, ao qual procura “ (…) que este
seja um instrumento de apoio ao Órgão de Gestão do Hospital, tendo em vista a melhoria da qualidade
dos serviços: de atendimento dos cidadãos; registo de sugestões e reclamações; análise e monitorização
das sugestões e reclamações; estatística; e relatórios”.
Outra das funções que cabe à Assistente Social deste Hospital e, também, a outros
funcionários é a Humanização dos Serviços, ou seja, tentar uma aproximação empática com
os utentes, de forma a diminuir o sofrimento, a angústia e a ansiedade que esta inerente a
qualquer utente. Na sequência desta função, é da competência da Assistente Social
participar ativamente na Comissão de Ética para a Saúde.
No que diz respeito às Consultas Externas, existe uma maior intervenção por parte
do Serviço Social, na Consulta Externa de Pediatria, onde semanalmente acompanha a
Consulta de Desenvolvimento, sempre que for solicitada. Ainda, em relação com o Serviço
de Pediatria, a Assistente Social intervém como elemento da Equipa Concelhia de
Intervenção precoce, bem como na Equipa Multidisciplinar de Anadia. A Técnica Superior
de Serviço Social efetua Visitas Domiciliárias às famílias que estão a ser acompanhadas por
estas Equipas supra citadas.
Em conformidade com as outras Consultas Externas de outras especialidades do
Hospital, a Assistente Social atua em regime de chamada.
Ao nível da sua atuação na Comunidade, faz parte da Comissão de Proteção de
Crianças e Jovens de Anadia; representa o Hospital José Luciano de Castro na Rede Social e,
ainda, coopera no Projeto CADI - Centro de Atendimento e Desenvolvimento Integrado
(Existente no âmbito do Programa Escolhas). Este Projeto pretende combater as
desigualdades sociais resultantes de ambientes socioeconómicos desfavorecidos e do
desenraizamento cultural, especialmente o sofrido pelos imigrantes dos países de leste,
assim como, a dinamização de um centro de atendimento em diferentes áreas do
desenvolvimento humano.
Anexos 11- Politicas Socias na Saúde
e no HJLC
Politicas Sociais na Saúde
O conceito de “política social” é relativamente moderno. Embora com uma vasta
panóplia de definições para este mesmo conceito, segundo Patrick de Laubier (s/d, cit. in
Fernando Maia, s/d: 8), a política social é “o conjunto de medidas tomadas ao nível nacional tendo
em vista melhorar ou mudar as condições de vida material e cultural da maioria (…) em conformidade
com uma progressiva tomada de consciência de direitos sociais e tendo em conta as possibilidades
económicas e políticas de um país num dado momento”. Este autor ainda faz referência a dois
pilares fundamentais da política social: o primeiro, de domínio económico, ao qual vai
proporcionar os meios exigidos para a execução das medidas que são destinadas à melhoria
ou até mesmo à mudança das condições de vida material ou cultural de muitos; o segundo
pilar fala-nos do domínio político, ou seja, traduz-se na intervenção de forma direta do
Estado ou de outros agentes da política social, como os grupos organizados: partidos
políticos, sindicatos, etc.
Em 1990, com a Lei de Bases da Saúde – Lei 49/90 de 24 de agosto, assiste-se a uma
preocupação estatal em organizar as medidas de proteção da saúde. Esta Lei vai reafirmar a
proteção da saúde, como direito universal e básico, ficando encarrego o Estado de assegurar
e promover o acesso aos cuidados de saúde a todos os cidadãos. Estabeleceu também novos
princípios organizacionais e institucionais, “ (…) que correspondem ao Programa XII Governo,
que tem como aponte a descentralização e flexibilização do sistema de saúde de acordo com a criação de
Áreas Funcionais de Saúde dotadas de uma maior autonomia e responsabilidade, com intuito de
garantir uma permanente adaptação às necessidades de âmbito local e regional” (cit. in:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1468.pdf acedido a 16/04/2011).
Politicas Sociais no HJLC
Numa forma mais pormenorizada e no contexto do Hospital José Luciano de Castro
em Anadia as Políticas Sociais vigentes dizem respeito à: Comissão de Ética para a Saúde;
Comissão de controlo de Infeção Hospitalar; Comissão de Farmácia e Terapêutica; Comissão
de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho; Coordenadora de Emergência; Comissão da
Qualidade; Comissão Medica; Comissão Técnica de Avaliação e Desempenho de
Enfermagem; Comissão Técnica de Avaliação do Desenvolvimento dos Técnicos de
Diagnostico e Terapêutica, Voluntariado, Gabinete do Utente/Cidadão e Núcleo de
Formação e Unidade de Cuidados Continuados Integrados (Unidade de Convalescença).
O Serviço Social no HJLC participa ativamente nas seguintes:
Comissão de Ética para a Saúde
Segundo o art.º 17 do Regulamento Interno, esta Comissão rege-se pelo Decreto-Lei
97/95 de 10 de maio, ao qual é constituída por um Medico, dois Enfermeiros, Uma
Assistente Social, uma Psicóloga e um Capelão. Estes membros são designados por um
período de três anos. Têm funções ao nível da questão de ética assim como da saúde.
Voluntariado
O voluntariado é entendido como um conjunto de ações de interesse tanto social
como comunitário, realizadas de uma forma desinteressada por pessoas no âmbito de um
projeto, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e
da comunidade no geral, ao qual são desenvolvidas sem fins lucrativos, por entidades
públicas ou privadas (Diário da Republica, Lei nº 71/98, artigo 2º, 3 de novembro).
Os voluntários numa forma geral estiveram sempre presentes na sociedade. As suas
ações eram sobretudo de cariz caritativo, exercido de forma esporádica e isolada, ditada por
vezes pelos contextos familiares, de amizade entre outros.
O voluntariado é assim visto neste Hospital como uma mais-valia pois contribui de
uma forma para Humanização dos cuidados de saúde e a sua atuação situa-se na
complementaridade do trabalho profissional que existe nesta instituição. A responsabilidade
da orientação do voluntariado é da Assistente Social.
Gabinete do Utente/Cidadão
Segundo o Artigo nº 37 do Regulamento Interno do Hospital José Luciano de Castro
em Anadia, “o Gabinete do Utente/Cidadão é dirigido por um profissional com adequada
formação e experiência”, ficando ao encargo da Assistente Social, neste Hospital.
Compete ao Gabinete de Utente/Cidadão: “a receção, análise e encaminhamento das
sugestões, queixas e reclamações apresentadas pelos utentes e pelo público em geral, nos
termos definidos no Despacho nº 26/86, de 30 de junho, da Ministra da Saúde, publicada no
Diário da República, 2ª serie, de 24 de junho de 1986 e da Resolução do Conselho de
Ministros n.º 189/96, de 28 de novembro”.
O Gabinete de Utente/Cidadão implementa também o projeto Sim-Cidadão.
Núcleo de Formação
O Núcleo de Formação tem como principal objetivo a formação anual dos
funcionários do Hospital José Luciano de Castro. Seguem-se por uma calendarização anual
de atividades que lhes é proposta por este mesmo Núcleo. A Assistente Social é membro
integrante no Núcleo de Formação.
Unidade de Convalescença
A Unidade de Convalescença está integrada na RNCCI (D.L. nº 101/2006, de 6 de
junho - Cria a RNCCI- Anexo 4), como Unidade de Internamento com objetivo geral de
atuar sobre o estado de saúde dos cidadãos com perda de autonomia e atuar sobre a
capacidade funcional.
Ao Assistente Social cabe a intervenção social. É-lhes exigido que se vocacionem para
o atendimento dos utentes, familiares e comunidade que beneficiam dos serviços da RNCCI,
capacitando-se para o fazer no enquadramento organizacional e institucional. A missão será
sobretudo enfatizar a relevância dos fatores psicossociais, determinantes no tratamento, na
reabilitação, na readaptação e na reintegração dos doentes/dependentes nos ambientes
sociais, ajudando-os no desenvolvimento de todas as suas potencialidades.
O Serviço Social na RNCCI integra a equipa multidisciplinar, permitindo a troca de
experiências e conhecimentos diversos que se complementam e se revelam fundamentais
para averiguar os elementos implicados na situação de dependências do utente, os
condicionalismos que podem advir da mesma e os meios que permitam minorar desses
mesmos condicionalismos. As situações são muito complexas sendo necessário efetuar um
trabalho de equipa integrado e coordenado, que possibilite a compreensão do doente e as
suas dimensões (biológicas, psicológicas e sociais) como um todo.
Anexos 12- Certificados de presença
em Seminários
Anexos 13- Plano de atividades para
o Plenário do CLASA
Anexos 14- Decreto-Lei no 101/2006
de 6 de junho
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- Espaço do Assistente Social