UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
THIAGO LEITE AMARO DA SILVA
O FLUXO DA INFORMAÇÃO HIPERTEXTUAL NAS REDES SOCIAIS:
Facebook e Twitter.
RECIFE
2011
THIAGO LEITE AMARO DA SILVA
O FLUXO DA INFORMAÇÃO HIPERTEXTUAL NAS REDES SOCIAIS:
Facebook e Twitter.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Departamento de Ciência
da Informação da Universidade Federal
de Pernambuco, como requisito para
obtenção do título de Bacharel em
Biblioteconomia.
Orientador:
Profº.
Mascarenhas e Silva
RECIFE
2011
Drº.
Fábio
S586f
Silva, Thiago Leite Amaro da.
O fluxo da informação hipertextual nas redes sociais: Facebook e Twitter/
Thiago Leite Amaro da Silva. - Recife: Impresso pelo autor, 2011.
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Ciência
da Informação da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito para
obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia.
Orientador: Profº Dr. Fábio Mascarenhas e Silva.
1.
Hipertexto 2. Fluxo da informação 3. Web 2.0 4. Internet 5. Rede social
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIBLIOTECONOMIA
THIAGO LEITE AMARO DA SILVA
O FLUXO DA INFORMAÇÃO HIPERTEXTUAL NAS REDES SOCIAIS: Facebook e
Twitter.
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado pela banca examinadora do curso
de Graduação em Biblioteconomia constituída pelos seguintes membros:
Profº Drº Fábio Mascarenhas e Silva (Orientador)
Profº Murilo Artur Araújo da Silveira
Ana Cláudia Gouveia Araújo
Aprovado em:
Dedico este trabalho à vida e ao seu criador, à minha mãe
Que fez a permissão desta jornada com o seu “sim”,
A mim e a vida que me permitiu grandes acontecimentos.
AGRADECIMENTOS
Agradeço acima de todos e de tudo a Deus, meu autor que me concebeu inteligência e
sabedoria, coragem e persistência para que tudo fosse concretizado. A Jesus Cristo por me
amar quando menos mereço. À Maria, minha mãe do céu, pelo amor que ampara e que só
sabe quem realmente o sente, obrigado por segurar minha mão e meu corpo antes de qualquer
queda.
Ao meu pai José Amaro (in memorian) por todos os momentos vividos que passamos,
e pelo desejo de me ver chegar onde estou, pode olhar com orgulho este momento, te carrego
guardado eternamente.
À minha mãe Lúcia Leite, flor mais preciosa do meu jardim, intercessora, acolhedora,
e com este amor inegável que me permitiu chegar até aqui. Obrigado pela perseverança e
direção, sem ti meus trilhos iriam à outra direção. Amo-te incondicionalmente, esta conquista
é nossa.
Ao professor Fábio Mascarenhas por ser um guia quando eu estava perdido no tema
abordado, sabendo colocar calma, ordem, prática e paciência em um só lugar. Um exemplo a
se seguir.
Aos amigos de faculdade, em especial Mariana Bandeira (Miss suvaco), pela parceria
acadêmica, profissional e pessoal, valeu por cada momento e estamos apenas começando
juntamente com nossos amigos da “turma do mal” Sílvia Alcântara (Miss busto), Kleiton
Predo, Janypaula Albuquerque, Darcy Gomes (Vovó mafiosa) e Cínthia Holanda (Coração)
nossas cachacinhas e morgações em Boa Viagem era ótimas. Aos outros amigos de faculdade
que conseguir conquistar, sendo verdadeiramente eu nas brincadeiras, nos abraços e carinhos,
nas emoções, e nas risadas interminantes. Sem querer e já usando uma frase dita por outros
colegas: “Amo uns mais que outros”, porém cada um tem o seu cantinho e suas lembranças,
nestes mais de quatro anos de CAC.
Aos funcionários e todos os professores do DCI, e minha admiração especial a alguns
antigos e outros recém chegados, como Anna Elizabeth de quem fui monitor, Vildeane Borba,
Edilene Silva, Lourival Pinto, Diego Salcedo, Simone Rosa e Murilo Silveira.
Ao amigo Ênio Júnior (vulgo Duh) que torceu e foi importante em etapas da minha
vida. À minha madrinha e tia Dalva e sua família, a quem tenho muito amor e apreciação
inestimável, que, além de sobrinho, posso ter essa amizade tamanha. Obrigado pelos cuidados
e amor.
Às minhas ex-chefes bibliotecárias e locais de estágio, dentre os quais pude aprender e
praticar vendo realmente como é a vida de um profissional bibliotecário, são elas: Fátima
Robespierre – SOPECE, a primeira a gente nunca esquece, Verônica Farache – Biblioteca
Pública de Casa Amarela, pela confiança repassada na execução das atividades, Ana Lia de
Souza Evangelista – ABA, pela parceria na dinâmica, criatividade e credibilidade nas minhas
ações, obrigado pela amizade, à Roseanne Canejo por dividir nossas histórias, pela liberdade
nas atividades da biblioteca e por dar um jeitinho nas coisas pra mim, como também a
Sandryne Barreto, Doralice Rodrigues (Do mármore) e Ivanete Soares (A miserávi) pela
companhia nos dois anos de TJPE, Ao corpo de bibliotecários da UNICAP, que me acolheram
de braços abertos, e aos amigos da ESMAPE, em especial à Kerlly Moreno, pela liberdade,
confiança e amizade a mim doada. Preciso de pessoas especiais como você, espero que
tenhamos muitos assuntos pra indexarmos nesta vida, grato pelo carinho.
Enfim, aos amigos da minha vida, Cecinha Campello, Júlia Fontes, Fred Oliveira,
Marília de Andrade, Juliana Xavier, Renan Medeiros dentre tantos outros que graças a Deus
posso contar, peço mil perdões por não poder citar todos, mas um bom homem sabe das boas
pessoas que estão ao seu redor e lembram-se delas também no momento de vitória.
Agradeço a todos! Deus nos abençoe!
“But all I can do is Try”
“Mas tudo que eu posso fazer, é tentar”
(Trecho da música Try – Nelly Furtado)
RESUMO
A mudança decorrente do avanço da tecnologia fez surgir a era da web 2.0, onde os
hipertextos encontram-se geralmente presentes nos documentos da internet. As redes sociais
ganharam espaço permitindo que informações transitem a todo instante. A utilização do
hipertexto como colaborador do fluxo da informação em meio às redes sociais é o foco de
estudo deste trabalho que tem como objetivo realizar uma análise no Facebook e no Twitter
justificando a importância da utilização do hipertexto como colaborador em disseminar
informações. Através de referencial teórico pautado no assunto e uma pesquisa exploratória, a
análise foi realizada demonstrando que o hipertexto através do estudo de algumas de suas
características colabora positivamente quanto ao fluxo das informações geradas nas redes
sociais, sendo o hipertexto no Twitter mais utilizável.
Palavras-chave: Hipertexto. Redes sociais. Fluxos de informação.
ABSTRACT
The change due to the advancement of technology has given rise to the era of Web 2.0, where
the hypertext is generally found in the documents of the Internet. Social networks have gained
space allowing transit information at all times. The use of hypertext as a contributor of
information flow through social networks is the focus of the present study that aims to
perform an analysis on Facebook and Twitter justifying the importance of the use of hypertext
as a contributor to disseminate information. Through theoretical matter and ruled in an
exploratory research, the analysis was performed demonstrating that hypertext through the
study of some of its characteristics and contributes positively to the flow of information
generated in social networks, and hypertext Twitter more usable.
Keywords: Hypertext. Web 2.0. Social networks. Flow of information.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Modelo do ciclo social da informação ...............................................21
Figura 2 - exemplo de hipertexto ........................................................................34
Figura 3 - Manchete em destaque e sublinhado ..................................................37
Figura 4 – Exemplo de lexia ...............................................................................38
Figura 5 - Sobre rede social ................................................................................40
Figura 6 - Logotipo do Facebook ......................................................................43
Figura 7 - Logotipo do Twitter ...........................................................................44
Figura 8 - Postagem no Facebook .......................................................................49
Figura 9 - Compartilhamento de informação no Facebook ................................50
Figura 10 – Exemplo de intertextualidade e precisão no Facebook ...................51
Figura 11 – Resultado do exemplo de intertextualidade no Facebook ...............51
Figura 12 – Exemplo de interatividade no Faceboook .......................................53
Figura 13 – Resultado da interatividade no Facebook ........................................53
Figura 14 - Tweet com hiperlink ........................................................................55
Figura 15 – Mural do Twitter .............................................................................56
Figura 16 – Hipertexto do Twitter ......................................................................57
Figura 17 – Exemplo de intertextualidade no Twitter ........................................58
Figura 18 – Link aberto após clicar no hiperlink do tweet .................................58
Figura 19 – Página de hiperlink após ser aberto por outro hiperlink ..................59
Figura 20 – Precisão ...........................................................................................59
Figura 21 – Exemplo de precisão .......................................................................60
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 Resultado da análise das características do hipertexto no Facebook.
Quadro 2 Resultado da análise das características do hipertexto no Twitter.
LISTA DE SIGLAS
WWW – World Wide Web
HTTP – Hypertext Transfer Protocol
HTML – HyperText Markup Language
ARPA – Advanced Research and Projects Agency
EUA – Estados Unidos da América
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 15
2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 17
2.1 A Ciência da Informação......................................................................................... 17
2.2 A Informação ........................................................................................................... 19
2.3 O Fluxo da Informação ........................................................................................... 20
3 INTERNET, CIBERESPAÇO E WEB 2.0 .............................................................. 23
3.1 E O Ciberespaço, Onde Fica? ................................................................................. 26
3.2 A Web 2.0 ................................................................................................................. 28
4 O HIPERTEXTO E O FLUXO DA INFORMAÇÃO ............................................ 31
5 REDES SOCIAIS ....................................................................................................... 39
5.1 Mídias Sociais .......................................................................................................... 41
5.1.1 Facebook ................................................................................................................ 42
5.1.2 O Twitter ................................................................................................................ 43
6 O FLUXO DA INFORMAÇÃO E O HIPERTEXTO NAS REDES SOCIAIS ... 45
6.1 Processos metodológicos .......................................................................................... 45
6.2 O hipertexto no Facebook ....................................................................................... 48
6.2.1 Análise das características do hipertexto no Facebook ........................................ 50
6.3 O hipertexto no Twitter ............................................................................................ 55
6.3.1 Análise das características do hipertexto no Twitter ............................................ 57
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 63
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 65
15
1 INTRODUÇÃO
Com a evolução tecnológica, indivíduos e organizações em geral, sejam públicas
ou privadas, vêm aderindo cada vez mais aos recursos que a tecnologia tem a oferecer, e
no meio web não são diferentes. As redes sociais que vão surgindo, apenas não
facilitam a comunicação pessoal entre os indivíduos, como contribuem para a
divulgação, marketing e propaganda de empresas, que utilizam por sua vez os recursos
que estas mesmas dispõem para efetuar um meio de divulgar em massa e gratuito,
oferecendo, por exemplo, promoções no Twitter e no Facebook.
O Facebook foi criado para propiciar a interação entre indivíduos de uma
universidade americana, porém tomou proporções globais. O Twitter é um microblog
que permite postagens rápidas e de fácil leitura e utilização, sendo muito importante na
troca de informações. O fluxo da informação nestas redes sociais ocorre de maneira
prática tornando assim o hipertexto um meio colaborativo.
Através dos critérios descritos na metodologia e já focando no que será avaliado,
o Facebook e o Twitter foram escolhidos para que a análise sobre hipertexto pudesse ser
concluída, uma vez que em ambos o hipertexto se faz presente em abundância. O
objetivo desta análise é focar como ocorre o fluxo da informação nestas redes através do
hipertexto.
A análise do fluxo da informação em relação ao tempo e qualidade da
informação na web, faz ser imprescindível o estudo para se chegar à conclusão da
condição que as informações são repassadas nas redes, preocupando-se com o seu
devido uso, focando o ciclo do modelo social da informação.
Desta forma, este trabalho se justifica em demonstrar a importância do uso do
hipertexto em redes sociais e de sua utilização, contribuindo com o fluxo da informação,
sendo o cerne principal deste trabalho, que terá abordagem na utilização do hipertexto
no Twitter e no Facebook. Assim, será demonstrado um pouco da utilização prática e o
histórico das redes, da prática do compartilhamento da informação e viabilização e
disseminação da informação nestes ambientes.
Os capítulos deste trabalho abordarão uma visão da Ciência da Informação e da
informação com os seus fluxos, perpassando por uma explanação sobre internet e o
ciberespaço até a web 2.0, também denominada de web colaborativa. No capítulo do
16
hipertexto e de redes sociais, já serão abordados os principais critérios que delinearam o
foco de análise do trabalho bem como as conclusões de toda a análise.
A pesquisa parte da pergunta sobre o uso do hipertexto e sua utilização nas redes
sociais analisadas, e se o hipertexto contribui para que o fluxo da informação aconteça.
Ou seja, no Facebook e no Twitter através do hipertexto pode-se realizar um bom
compartilhamento de informações?
17
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Para que haja uma melhor compreensão da pesquisa abordada, o referencial
teórico traz o conceito de fluxo de informação, de internet com a web 2.0 e de
hipertexto, com a contribuição de autores relevantes destes conhecimentos.
2.1 A Ciência da Informação
Ao longo dos tempos, os bens materiais começaram a concorrer com algo não
palpável, mas que atualmente vem adquirindo um valor consideravelmente elevado, a
informação. A informação bruta, crua e que muitas vezes não é absorvida com eficácia
por muitos, precisa ser lapidada e organizada. Célebre função do profissional da
informação, que além de obter toda a técnica, precisa procurar conduzir a informação
por um caminho para que ela tenha seu devido uso.
A grande área da Ciência da Informação abrange campos distintos e ao mesmo
tempo semelhantes entre si, como a Biblioteconomia considerada por alguns autores
como a grande gênese de tudo, e as mais recentes Museologia, Arquivologia e Gestão
da Informação. Como uma ciência social, e de caráter interdisciplinar (multidisciplinar),
a Ciência da Informação surgiu e expandiu-se no período pós-guerra, como explica Le
Coadic (2004), ao dizer que ocorreram acontecimentos de cunho mundial como a
criação da bomba atômica, inovações em medicamentos dentre outros. Saquel apud
Pimentel (2000, p.50) define Ciência da Informação como:
Una ciência multidisciplinaria, que estudia la transmissión del conocimiento,
su naturaleza y propriedades, los suportes en los cuales se contienem estos
conocimientos y las técnicas aptas para su procesamiento, almacenamiento,
recuperación y difusión.1
Em relação à multidisciplinaridade, Pimentel (2000, p. 59) salienta que Taylor
conseguiu delimitar melhor o conceito de Ciência da Informação explicitando a mesma
ser interdisciplinar quando diz que ela é uma
1
Tradução nossa: Uma ciência multidisciplinar, que estuda a transmissão do conhecimento sua natureza e
propriedades, nos quais se contém estes conhecimentos e as técnicas aptas para seu processamento,
armazenamento, recuperação e difusão.
18
Ciência que investiga las propriedades y el comportamiento de la
información, las fuerzas que gobiernan su flujo y los medios para procesarla
para su acesso y uso óptimo. (...) El campo se deriva o se relaciona con
matemática, lingüística, psicología, tecnologia de la computación,
investigación de operaciones, artes gráficas, comunicación, bibliotecología,
administración y algunos otros campos.2
Tal ciência caracteriza-se por três grandes propriedades que a define
magnificamente, sendo: a “construção da informação”, a “comunicação da informação”
e o “uso da informação”, expressões já utilizadas por Le Coadic (2004). Todas estas
aplicadas a fim de controlar o grande volume de informação que o mundo foi gerando, e
das previsíveis tecnologias que iam avançando a cada ano. Comunidades informacionais
foram tomando seu espaço e promovendo mudanças nas necessidades dos indivíduos, e
tais mudanças influenciaram na busca por informações precisas e confiáveis.
Social, por visar suprir a necessidade do ser que busca acesso, compreensão e
obtenção de algo. Interdisciplinar, por requerer o auxílio e complementação de
conteúdos de outras áreas, tais como a informática, a psicologia, a linguística, etc. já
citadas anteriormente em função das fronteiras traçadas com outros novos
conhecimentos, que se equiparam da necessidade de se envolverem a fim de ampliar o
campo do saber.
Porém, esta interdisciplinaridade justamente veio suprir a quantidade de
informação criada, associando-se às novas tecnologias de informação. Retornando ao
ciclo social, pode-se entender por construção de informação toda a atividade inicial,
toda a idéia que se deseja registrar, sendo uma aplicação de conhecimento.
Isto se confirma quando Le Coadic (2004) corrobora dizendo que “a informação
é o sangue da ciência. Sem informação, a ciência não pode se desenvolver e viver. Sem
informação a pesquisa seria inútil e não existiria o conhecimento”. Esse tal
conhecimento já discutido, é produzido a partir de qualquer indivíduo que colabore
intelectualmente com alguma produção, seja pesquisa, invenção tecnológica ou algum
tipo de produção científica, que venha somar a outros conhecimentos já estudados.
2
Tradução nossa: Ciência que investiga as propriedades eo comportamento da informação, as forças que
governam o fluxo e processamento de meios para dar acesso rápido e uma utilização optimizada. (...) O
campo é derivado ou relacionado com a matemática, lingüística, psicologia, informática, pesquisa
operacional, artes gráficas, comunicação, biblioteca, administração e alguns outros campos.
19
Dá-se o nome de atores da construção científica aos que formam esta
comunidade especialista. E é deste pressuposto de contribuição científica que na ciência
da informação destacam-se “os principais estudiosos que contribuíram para o
surgimento desta nova ciência, como Samuel Clement Bradford (1878-1948), Suzanne
Briet (1894-1989), Paul Otlet (1868-1944), S. R. Ranganathan (1892-1972) e Jesse H.
Shera (1903-1982)”. (BARRETO, 2009 apud ALMEIDA, 2010).
2.2 A Informação
A informação e o conhecimento se diferem quando partimos do pressuposto de
que a informação cabe quanto ao nível de recepção que vêm de outro conhecimento já
discutido e que estava em seu domínio. O conhecimento é basicamente a informação
que será gerada a partir da informação recebida, ou seja, é uma transformação da
informação, deixando este por sua vez sentenciar se a informação recebida lhe agregou
algum valor, portanto, se causou algum conhecimento.
Tomaél (2005), afirma que segundo os autores McGarry, 1999; Davenport;
Prusak, (1998) os autores reconhecem a dificuldade em conceituar informação e
conhecimento, destacando que a epistemologia concentra esforços na tentativa de
estabelecer o significado de informar e conhecer.
As informações nas redes sociais passeiam pelo ciclo social da informação já
conhecido na área de Ciência da Informação.
Informação é sempre um fluxo e para o sujeito ela funciona como troca com
o mundo exterior, o que lhe confere seu caráter social. Assimilada,
interiorizada e processada por um sujeito específico, ela é a base para sua
integração no mundo, propiciando ajustes contínuos entre o mundo interior e
o mundo exterior. (TÁLAMO, 2004, p. 1).
Há, a necessidade e a busca pela informação, e, posteriormente acontecem o uso
e o compartilhamento, possivelmente desta informação processada via web.
Examinando a partir da origem da informação, percebe-se que muitas das informações
20
geradas nas redes sociais originam-se a partir de outras postagens3 que outrem criou e
esta mesma mensagem está sendo reutilizada por outro usuário. Muitas vezes, esta
mensagem é escrita de forma diferente, sem citar sua origem.
2.3 O Fluxo da Informação
Um produto estocado e guardado em uma prateleira, caso não seja comprado
acaba sendo desinteressante para uma empresa. Assim acontece com a informação,
quando não consegue alcançar seu objetivo final no ciclo informacional, que é seu
devido uso; torna-se somente um dado e não propicia a construção de novos
conhecimentos. O fluxo de informação é o grande responsável para que a informação
corra nas “veias digitais” e impressas, e possa assim manter um fluxo constante, que vai
do emissor ao receptor e vice-versa. Conceituada dentro de três campos de
conhecimento, o fluxo da informação ganha diferentes conotações, porém com o mesmo
objetivo.
Na semiótica, envolve-se na construção do discurso, onde a palavra é analisada
através no auxílio do fluxo informacional. Dentro da área de teoria da informação, o
fluxo de informação cabe quanto à quantidade de informação que é processada. O
campo da teoria da comunicação abrange a qualidade de informação gerada, e em como
ela é repassada, que se enquadra nos moldes do que será abordado mais especificamente
neste trabalho, visando analisar o fluxo de informação e não o fluxo do conhecimento,
este que vai além do uso da informação, como também em como ela é abordada na
mente de quem utiliza esta informação. Um fluxo pode ser representado por uma seta,
tendo um alvo e um objetivo a ser alcançado. No caso do fluxo de informação, a seta é
apontada para o usuário4, sendo este o indivíduo que irá utilizar-se da informação.
Barreto (2001) exprime que o fluxo da informação permeia dois critérios: o da
tecnologia da informação e o da Ciência da Informação, e ainda diz que enquanto o
3
4
Mensagem ou pequeno texto criado a partir de um usuário e inserido na sua página pessoal na internet.
Termo geralmente utilizado no campo da Ciência da Informação (Biblioteconomia) para designar o
indivíduo que utiliza a biblioteca, centro de informação em busca de suprir sua necessidade
informacional. Também chamado de clientes.
21
primeiro almeja possibilitar o maior e melhor acesso a informação disponível, o
segundo pretende qualificar este acesso em termos da assimilação da informação. Ora,
esta diferenciação cabe perfeitamente para explicar o ensino e o uso da informação nas
distintas áreas com seus respectivos posicionamentos.
Le Coadic (2004) aplica o fluxo da informação referente à explosão da
informação e a implosão do tempo, quando a junção destes dois implica elevados fluxos
de informação em relação a significativas quantidades de informações produzidas em
um espaço de tempo. Dessa forma, explica-se a busca incessante pelo conhecimento,
quando diz que o mercado da informação consegue “compreender o interesse crescente
pelo ‘conhecimento conforme a demanda’ (just in time knowledge)”. Porém, não
adianta obter-se de exorbitante quantidade de informação se não for possível fazer uso
destas, ou seja, volta-se a comentar sobre o uso da informação. Alves (2009, p. 96)
comenta que “a atual overdose de informação tem resultado em enorme dificuldade de
transformar dados em informação e informação em conhecimento”.
É através da comunicação que se pode observar a construção e o uso de
informações, representando e utilizando o modelo social do ciclo da informação,
demonstrado por Le Coadic através da idéia do modelo clássico do esquema econômico,
onde temos respectivamente: produção – distribuição - consumo, aplica-se na ciência da
informação os processos de: construção – comunicação – e uso da informação como
explicitado na figura 1.
Figura 1. Modelo do ciclo social da informação
Fonte: < http://www.dgz.org.br/fev07/Art_01.htm>
22
A informação torna-se plurilateral, abandonando a antiquada idéia limitada do
informador ao informado, deixando que a comunicação seja um intermediário na
melhoria da informação difundida, permitindo análise e escolha.
Ainda no relato sobre informação e conhecimento, vê-se que na grande área da
Ciência da Informação seu âmago é gerir conhecimento ao indivíduo, fazendo com que
ocorra o fluxo destas informações e utilizando a informação como meio disto tudo.
Informação esta que é pesquisada, mas que tende a se transformar em algo individual e
pessoal. Qualidade que se torna característica no ambiente do fluxo. Sem os processos
de comunicação, o fluxo não ocorreria e não conseguiria atingir objetivos nos níveis
desejados. Ciente disso, Tálamo assimila a relação de informação com o fluxo da
mesma quando afirma que:
Informação é sempre fluxo e para o sujeito ela funciona como troca com o
mundo exterior, o que lhe confere seu caráter social. Assimilada,
interiorizada e processada por um sujeito específico, ela é a base para sua
integração no mundo, propiciando ajustes contínuos entre o mundo interior e
o mundo exterior. (TÁLAMO, 2004, p.1)
Esse valor agregado de informação provém de conhecimentos anteriores, já
geridos e incorporados ao indivíduo, e que na literatura já foram abordados por
Davenport e Prusak (1998) quando criou os quatro Cs, algo similar aos quatro Ps da
área de Marketing.
Os quatro Cs resumem-se em: comparação (comparando informações),
conseqüências (em relação às decisões na ação), conexões (quando há relações dos
acontecimentos) e conversação (sobre a opinião das pessoas em relação a essa
informação). Tudo isto tem relação direta com o conhecimento.
O fluxo da informação cresceu desde a chegada da informação em vias
eletrônicas na web, possibilitando a rapidez na troca de mensagens, via internet e
modificando a delimitação do tempo e do espaço das informações. Assim, tanto os
emissores quanto os receptores foram se aprimorando nas relações.
23
3 INTERNET, CIBERESPAÇO E WEB 2.0
A favor do uso da informação e prática da comunicação, a evolução tecnológica
mundial fez por surgir a Internet, - algo como uma conexão, ou interconexão entre redes
de computadores - termo atualmente bastante discutido e utilizado. Com o objetivo de
ampliar a comunicação entre os locais de pesquisas tecnológicas do Departamento de
Defesa Nacional, os Estados Unidos da América (EUA) desenvolveu através da agência
de pesquisa avançada e projetos – ARPA (Advanced Research and Projects Agency)
uma rede ao qual nomearam de ARPANET. Tudo isto em contra-ataque ao Sputnik,
satélite artificial lançado em órbita pela União Soviética em outubro de 1957.
Holanda (2010) ao tecer conhecimentos sobre a internet e sua evolução histórica
comentava que perpassando a utilização e a contribuição que obteve no meio militar, a
internet passou na década de 70 a ter seus objetivos ligados ao mundo acadêmico,
unindo-se a universidades e centros de estudos, oferecendo o intercâmbio de
conhecimento entre pesquisadores e firmando-se com forte característica na
comunidade acadêmica. Conceituar a internet é demonstrar novas formas de utilização e
manejo da informação, organizando-a e a disponibilizando. Estas informações que antes
eram distribuídas através dos meios convencionais para a época como a carta, o
telefone, a televisão e o rádio, passaram a ter uma nova aliada nessa empreitada.
Muitas vezes chamada de “a rede das redes”, a internet é uma infra-estrutura
dentre as conexões de rede que interligam milhões de computadores, em um nível
global entre si, permitindo a conexão entre eles desde que ambos estejam conectados a
internet. Guimarães (2005, p.159) diz que “devido à internet, a sociedade vem se
transformando de forma dinâmica e, aparentemente, sem precedentes na nossa história”.
Esta gama de conexões é chamada também de WWW – World Wide Web, ou
grande teia mundial, onde ficam “penduradas” as informações compartilhadas e que são
acessadas pela internet através do protocolo HTTP5. Surgida em 1991, a Web tem um
poder de desenvolvimento dir-se-ia até exagerado, vendo do ponto de vista da grande
quantidade de informação produzida e consumida, e da idéia de até onde ela pode ser
abrangida. Porém, foi com a web que foi-nos suportados diversos serviços, tais como os
5
Hipertext Transfer Protocol – Protocolo de transferência de arquivos HTML, uma das linguagens
utilizadas pela internet que serve para realizar a transmissão de dados.
24
emails também chamados de correio eletrônico, o compartilhamento de arquivos em
áudio, textos, vídeos e imagens, os chats utilizados para a comunicação instantânea,
compras on-line dentre outros. Com o passar do tempo, a internet passou justamente a
perder a linearidade, e começou a se descentralizar, ocorrendo veemente o fluxo das
informações que são utilizadas na grande rede.
Segundo Vidotti (2001, p. 44) apud Oliveira (2005):
Podemos pensar na internet como uma grande biblioteca, ou como um
ambiente hipermídia coletivo, no qual usuários são agentes ativos do
processo de armazenamento, indexação, recuperação e disseminação de
documentos eletrônicos hipertextuais, um ambiente auto-organizado em
permanente mutação.
Foi Tim Berners-Lee quem idealizou a atual web, quando criou o HTTP,
permitindo a utilização efetiva do Hipertexto, termo que será abordado com mais afinco
no capíulo 4. E essa web tão falada, continua a expandir-se a cada momento,
adicionando idéias, informações e gerando conhecimento nas diversas partes do mundo.
Abrangente, a web alcança atualmente toda a população mundial, e permite que, de
locais extremos, indivíduos possam transmitir e receber notícias ficando “antenados”
com o outro lado do planeta.
Este crescimento da web, sinônima, porém distinta da Internet, influencia
diretamente em outros meios sociais, como a educação e a economia. Sua contribuição
na educação origina-se antes do mundo acadêmico universitário, pois as crianças já
dispõem de websites6 voltados totalmente para o aprendizado, sejam interativos ou não,
o conteúdo permite um aprendizado diferente do habitual, graficamente interessante e
atrativo e que obtém um resultado eficiente. Na economia, a web desenvolve um papel
concretamente amplo, que vai além das compras online, que crescem a cada dia, e que
vêm galgando muitos adeptos pela praticidade e qualidade, chegando ao benefício de
acesso, onde a publicidade atua prontamente e se faz presente no financiamento quanto
à quantia por acesso a determinados sites. Como diz Wertheim (2001, p.165) “O
crescimento inflacionário na Web é tão extremado que especialistas temem jamais ser
capazes de acompanhá-lo em sua totalidade”.
6
Termo utilizado para designar os sites, também chamados de sítios, onde abrigam todo conteúdo que se
deseja informar.
25
Porém, a grande marca que a web conseguiu adquirir, foi a socialização dos
indivíduos, o compartilhamento destes entre si, fazendo-os tornarem-se segundo
Wertheim 2001 “cidadão de internet”, quando diz também que “pessoas com quem é
difícil entrar em contato pessoas estão muitas vezes prontamente disponíveis online.” É
dessa web do mundo de fantasia, onde se pode “ter” e “ser” um avatar7, que se pode
mostrar o que ocorreu no fim-de-semana através de vídeo e fotos, onde a troca é o
principal foco, e a informação corre aonde se quer se abordar.
Guimarães (2005) relembra que há alguns anos algum indivíduo só era capaz de
inserir alguma informação na internet se soubesse realizar programações em HTML –
Hypertext Markup Language, porém, o surgimento dos blogs8 possibilitou a
acessibilidade de postagens de textos sem maiores problemas, e isto foi evoluindo para
os fotologs, audiologs, videologs, que atualmente estão agrupados em um único
hospedeiro permitindo a inserção concomitantemente de todos estes recursos.
A literatura diz que a Web cresce um milhão de páginas por dia. A grande
maioria destas homepages9 abrigam informações pessoais dos indivíduos, são criadas
individualmente e estes ainda a alimentam diariamente – nem sempre – exprimindo
seus próprios pensamentos e conhecimentos pessoais. Lévy (1996, p. 46), já dizia
que “a informática contemporânea – soft e hardware – desconstrói o computador para
dar lugar a um espaço de comunicação navegável e transparente centrado nos fluxos de
informação.
Em relação à Internet no Brasil, a mesma se deu por conta da multiplicação de
usuários na América Latina, uma vez que o Brasil é o país mais populoso e devido à
privatização do uso da internet, que:
Em muitos casos, o acesso a internet só foi tecnicamente possível devido à
privatização. O número de linhas telefônicas aumentou verticalmente e ficou
mais barato telefonar ou surfar. Ao mesmo tempo, as economias se
estabilizaram o poder aquisitivo aumentou e a abertura econômica da maioria
dos países para o exterior conduziu à redução sensível dos excessivos preços
de hardware e software. Diante desse pano de fundo, o instituto de pesquisas
7
Termo utilizado para demonstrar um indivíduo que é outra pessoa na internet, por animação gráfica,
com gostos e estilos diferentes – ou não – mas que é ele próprio quem realiza todos os comandos.
8
Diários eletrônicos que permitem a inserção de idéias e opiniões dos usuários, geralmente organizados
por data e horário de postagem.
9
Termo também utilizado para sites (websites).
26
mercadológicas IDC prognosticou, até o ano 2001, uma duplicação dos
gastos da região em computadores e programas, quem em 1998, eram cerca
de 10 bilhões de dólares. (GERMAN, 2005, p. 56).
Processo lento, que inferiu numa restrição de seus usuários iniciais, quando a
partir de 1995, latinos e europeus compreenderam a ampliação do uso da internet por
Bill Clinton que fomentou a “information superhighway” – termo utilizado nos anos
70, sobre a super-via da informação).
No Brasil, a internet se divide em dois setores. No primeiro, fortemente
comercializado, podem ser encontradas as empresas com finalidade lucrativa,
inclusive livrarias e lojas de artigos de música, bem como um grande número
de lojas de venda pelo correio (Versandhäuser). No segundo setor, há ofertas
gratuitas
dos
órgãos
governamentais
(www.planalto.gov.br
/
www.congressonacional.com.br) e da administração pública, das
universidades, associações empresariais, movimentos de cidadania,
associações, pessoas individuais e outras empresas. Os conteúdos estão
redigidos preponderantemente em português, mas há também muitas páginas
da rede nas línguas inglesa e espanhola. (GERMAN, 2000, p. 57).
Contudo, a internet é uma das maiores fontes de informação consultada nos dias
atuais, apesar da comunicação em rede ter surgido há um pouco mais de 30 anos atrás, a
internet comercial está democratizando o acesso e muito do que se tem hoje em termos
de acessibilidade.
3.1 E O Ciberespaço, Onde Fica?
Ciberespaço é um termo ao qual fomos obrigados a reconhecer que existisse, e,
mesmo que não fosse dada a devida atenção, ele iria continuar ali existindo. Cunhado
por William Gibson em 1984, o ciberespaço é uma estrutura virtual transnacional de
comunicação interativa, onde Oliveira (2005) complementa quando diz que o
ciberespaço tem “comunicação de dupla via em tempo real, multimídia ou não, que
permite a realização de trocas (personalizadas) com alteridades virtuais (humanos ou
agentes inteligentes). Exprimindo outro pensamento, fazendo a imaginação da
comunicação e da filosofia através de Heráclito, cita-se o fluxo do devir.
27
Este espaço digital não é manufaturado, muito menos tem partículas físicas e
matéria propriamente dita – visto que para adentrá-lo, necessita-se de tecnologia física,
os hardwares- mas é feito de bits, ou bytes. Sendo uma “evolução” da web, ou talvez
um sinônimo, o ciberespaço caminha lado a lado com o hipertexto, onde os mesmos se
retroalimentam e se auto-organizam mutuamente e continuamente. Mas, muitos se
perguntam o porquê de ciberespaço. Ora, simplesmente é um mundo não terrestre, onde
estamos presentes nele, porém não o tocamos nem sentimos, mas podemos vê-lo e ouvílo, onde encontramos amigos também presentes e dele podemos suprir diversas
necessidades para nosso mudo terrestre. Neste domínio digital, Wertheim (2001) capta
uma verdade ao dizer que:
Quando “vou ao” ciberespaço, meu corpo permanece em repouso na minha
cadeira, mas “eu” – ou pelo algum aspecto de mim – sou transportado para
uma outra arena, que possui sua própria lógica e geografia, e tenho profunda
consciência disso enquanto estou lá.
Através da literatura da ciência da informação, mais precisamente no que tange o
uso da informação processada a partir de dados, pede-se que a mesma produza algum
conhecimento no indivíduo. Em relação ao ciberespaço, é interessante a explanação de
Wertheim (2001) quanto ao “espaço informacional” no ciberespaço.
O ciberespaço tornou-se, porém, muito mais que um mero espaço de dados,
pois, como observamos grande parte do que ali se passa não está voltado para
a informação. Como muitos comentadores frisaram, o ciberespaço é usado
fundamentalmente não para coleta de informação, mas para a interação social
e comunicação – e também, cada vez mais, para o entretenimento interativo,
o que inclui a criação de uma profusão de mundos de fantasia on-line em que
as pessoas assumem elaborados alter egos. (WERTHEIM, 2001, p.170).
Através de ciberespaço, podem-se conhecer novas culturas, novos caminhos,
através de pessoas e lugares. Este espaço, sem fronteiras, abre possibilidades para os
sonhos de muitos – uma aldeia global. “O ciberespaço possibilita novas formas de ver o
mundo, por meio dos contatos com novos grupos sociais, econômicos e políticos, em
que a proximidade está nas idéias, e não mais na sua localização geográfica”. (GRILLO,
2005, p. 19).
28
É de algo denominado “inteligência coletiva” – na internet – que se tem
comentado muito nos últimos tempos, e que poderá vir a ser mais um motivo da real
utilização do ciberespaço, como o autor Pierre Lévy que já afirma que o crescimento
que vem ocorrendo no ciberespaço se deve a três fatores, sejam eles: a interconexão, a
construção de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. E conceitua:
A inteligência coletiva constitui mais um campo de problemas do que uma
solução. Todos reconhecem que o melhor uso do que podemos fazer do
cibersespaço é colocar em sinergia os saberes, as imaginações, as energias
espirituais daqueles que estão conectados a ele. Mas em que perspectiva? De
acordo com qual modelo? Trata-se de construir colméias ou formigueiros
humanos? [...] A inteligência coletiva é um modo de coordenação eficaz na
qual cada um pode considerar-se como um centro? Ou, então, desejamos
subordinar os indivíduos a um organismo que os ultrapassa? [...] Cada um
dentre nós se torna uma espécie de neurônio de um mega-cérebro planetário
ou então desejamos constituir uma multiplicidade de comunidades virtuais
nas quais cérebros nômades se associam para produzir e compartilhar
sentido? (LÉVY, 1999, p. 131)
Sentido que é sinônimo de conhecimento, e que ainda adiante, será explicitado
como este – conhecimento – poderá ser utilizado dentro de redes através do uso direto
dos indivíduos e de seus mega-cérebros, compartilhando informações mútuas.
Então, é no ciberespaço que também vive o conhecimento, e apesar das grandes
transformações tecnológicas, Oliveira (2005) ainda afirma que a essência das ciências
que sustentam a profissão do bibliotecário, a Biblioteconomia e a Ciência da informação
e o seu objeto de trabalho – o ciclo informacional, não foi mudado.
3.2 A Web 2.0
Chamada por alguns autores de “o novo paradigma”, a Web 2.0 surgiu em 2004
cunhada por Tim O’Reilly, fazendo jus a uma Conferência realizada nos Estados
Unidos da América e tornou-se um vocábulo apropriado para descrever uma nova era da
internet, a partir dos anos 90.
Este termo vincula-se à nova maneira de como “navegar” na internet foi sendo
modificado. As palavras “dinamismo’ e “interatividade” não foram às mesmas após esse
29
boom inovador. De acordo com Alves (2009, p. 97) “os internautas ganharam o poder
de criar e modificar conteúdo na web, produzindo novos ambientes hipertextuais.”
Radfaher (2007) já fazia críticas à nova palavra que surgia, chamando-a de uma
Buzzword10e afirmando que na sua essência, distinguir as webs era muito arbitrário,
visto as demandas já existentes de informação e de características que fizeram a
evolução do conhecimento, fazendo também surgir este ambiente com grandes recursos.
Web 2.0 is a buzzword introduced in 2003/2004 which is commonly used to
encompass various novel phenomena on the world wide web. Although
largely a marketing term, some the key attributes associated with web 2.0
include the growth of social networks, bi-directional communication, various
“glue” technologies, and significant diversity in content types.11
(CORMODE, 2008, p.1)
Digamos que a web 2.0 é uma nova série do que seria apenas ser receptivo no
mundo web, fazendo com que o indivíduo atuasse de forma mais atrativa, e por que não
dizer colaborativa nessa gama de notícias e atualidade surgidas segundo a segundo
ininterruptamente. A web 2.0 passou a ser chamada de “a web colaborativa”, onde o
compartilhamento de informações é o produto, e o vendedor é o próprio usuário, que
coloca na prateleira e deixa exposta a sua criação, deixando livre para que as
comunidades conectadas possam ser o receptor e também disseminador deste mesmo
conteúdo. É um círculo colaborativo. Assim, Radfaher (2007) ainda diz que viver no
mundo 1.0 é mais fácil perante todo este aspecto citado aqui acima.
Cormode (2008, p. 1), explica com proeza o novo termo no momento em que diz
que a “web 2.0 captures a combination of innovations on the web in recent years. A
precise definition is elusive and many sites are hard to categorize with the binary label
10
Palavra designada a toda palavra que surge em meio ao caos alucinante que domina a sociedade em
criar uma nova expressão modista.
11
Tradução nossa: Web 2.0 é um chavão introduzido em 2003/2004 que é comumente usado para
abranger novos fenômenos diversos sobre a world wide web. Embora em grande parte e em termos de
marketing, alguns atributos associados a web 2.0 incluem o crescimento das redes sociais, a diversidade, a
comunicação bidirecional, vários “grudes”tecnológicos e significados nos tipos de conteúdo.
30
“web 1.0” or “web 2.0”12. Este novo conceito de web está praticamente voltado para o
ser humano, fazendo com que a tecnologia fique em segundo plano, uma vez que o
homem domina praticamente o seu conteúdo.
Mas antigamente o homem também não realizava todos os comandos? A
diferença, é que entre ordenar que um comando aconteça e deixá-lo livre para operar, e
no momento da operação, continuar opinando é que faz a diferença. As ferramentas
utilizadas na web 2.0 permitem que o indivíduo possa se tornar totalmente ativo e não
apenas receptivo. Um claro exemplo disto são as redes sociais de compartilhamento,
como o uso extensivo do hipertexto. Esta web é uma plataforma que sustenta várias
novas formas de tecnologias, ou seja, serviços online inovadores e populares.
Zago (2008, p. 5) comenta que “em um contexto de web 2.0 há a possibilidade
de participação do cidadão na produção e distribuição do conteúdo” e que “os espaços
de participação propiciados pela web 2.0 permitem que práticas colaborativas de
produção de conteúdo surjam em diferentes pontos do ciberespaço”.
O Facebook, o Twitter, o MySpace e algumas outras ferramentas colaborativas
de informação, fazem parte deste novo mundo e maximizam um dos conceitos
abordados ao longo do trabalho que é a disseminação da informação através do
envolvimento dos indivíduos, podendo utilizar o termo “friendlink”.
Acrescentar conteúdo e poder reformulá-lo é possível nesta segunda fase da
web. O grande estouro da bolha da internet permitiu que a tecnologia fosse valorizada
com maior rapidez, e que as empresas investissem em ações, que posteriormente muitas
viraram pó e decaíram, enquanto outras puderam erguer-se perante o novo mandato
tecnológico. É o dinamismo que não se tinha com a web 1.0, a velocidade que não havia
e uma modificação do fazer. Assim, o uso do hipertexto obteve a ser mais tendencioso
na era da nova web com todos os recursos digitais subseqüentes.
12
Tradução nossa: a web 2.0 capta uma combinação de inovações na web nos últimos anos. A definição
precisa é indescritível e muitos sites são difíceis de categorizar com o rótulo de binário "web 1.0" ou "web
2.0"
31
4 O HIPERTEXTO E O FLUXO DA INFORMAÇÃO
O hipertexto deve ser visto como uma nova oportunidade de leitura em que o
leitor é o condutor da informação a partir do momento em que decide regredir ou
adiantar o caminho de sua leitura virtual. Como dito anteriormente, a internet é vasta em
seus conteúdos e na maioria das vezes o caminho para se chegar à informação desejada
precisa ser condensado, como já dizia Ranganathan, poupando o tempo do leitor e ainda
aplicando outra lei fazendo com que a cada leitor tenha a sua informação.
Hipertexto é uma narrativa de múltiplas possibilidades, por meio das quais os
próprios leitores constroem a sua história com base em informações
referenciais. Os leitores utilizam o hipertexto para traçar os caminhos e o
desenvolvimento das ações. Acrescentando, agregando, modificando o texto
original e tornando-o um novo texto. (LEÃO, 1999, p.27).
Há alguns séculos, a leitura não chegava a todas as camadas sociais, não era
abrangível a todos, e esta dificuldade tinha alguns motivos. Dentre os quais, o volume
físico dos livros que eram gigantescos e que eram mantidos guardados com segurança
nas grandes bibliotecas, da salva-guarda dos mesmos por ser difícil o processo de
reprodução destes. Porém, o principal motivo era realmente o não interesse para que
muitos tivessem acesso às informações.
Assim, a característica do hipertexto nas informações dos livros já existia como
afirma Grillo (2006, p. 23) quando diz que “esses livros já tinham características
hipertextuais, já que a eles eram acrescentados comentários e interpretações importantes
dos seus diversos leitores, tais como: ilustrações, notas de rodapé e notas remissivas a
outros textos”.
Lemos (1996) lembra que todo texto escrito é um hipertexto e é citado por Grillo
(2006, p.23) quando diz que “o leitor se engaja num processo também hipermidiático,
pois a leitura é feita de interlocuções à memória do leitor, às referências do texto, aos
índices e ao índex que remetem o leitor para fora da linearidade do texto”.
Silva (2003, p. 43) vem ressaltar que “o livro deixou de ser uma obra de um
único autor e passou a incorporar as relações de conhecimentos entre os autores”. Com
32
base nas seguintes definições, se pode observar de diferentes formas explicitadas a
função e o que se resume o hipertexto.
Hipertexto: a tecnologia de leitura e escrita não-seqüenciais. O termo
hipertexto refere-se a uma técnica, uma estrutura de dados e uma interface de
usuário. [...] Um hipertexto (ou hiperdocumento) é uma coleção de textos,
imagens e sons - nós – ligados por atalhos eletrônicos para formar um
sistema de um nó para outro, seguindo atalhos estabelecidos ou criando
outros novos. (BERK; DEVLIN, 1991, p.543 apud KOCH, 2007, p.24)
Como também:
Um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras,
páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos seqüências sonoras,
documentos complexos que podem ser eles mesmos hipertextos. Os itens de
informação não são ligados linearmente, com uma corda com nós, mas cada
um deles, ou a maioria deles, estende suas conexões em estrela, de modo
reticular (LEVY, 1993, p.33 apud KOCH, 2007, p.24)
Assim, o hipertexto foi tornando-se um novo meio para que as informações
pudessem ser registradas e armazenadas, criando-se uma nova forma de fluxo da
informação, já muito citado no capítulo sobre fluxo da informação. O hipertexto deixa o
texto desterritorializado, sem fronteiras, tornando-o dinâmico. O leitor, por sua vez,
passa a ter um trabalho contínuo em organizar e selecionar os textos da grande rede.
Dentro da literatura não existe consenso quanto às características de hipertexto.
Pierre Lévy (1993) define seis princípios que caracterizam o hipertexto em relação à
comunicação, como: princípio de metamorfose, princípio de heterogeneidade, princípio
de multiplicidade e de encaixe das escalas, princípio de topologia e o princípio de
mobilidade dos centros.
Marcuschi (2009) em relação à produção textual exprime outras nove
características, sendo elas: não-linearidade, volatilidade, topografia, fragmentariedade,
acessibilidade imediata, multisemiose, interatividade e iteratividade.
33
Porém, na definição de hipertexto na Wikipedia (2011) são apresentadas nove
principais características dentre as quais são: intertextualidade, velocidade, precisão,
dinamismo, interatividade, acessibilidade, estrutura em rede, transitoriedade e
organização multilinear.
Muitas destas características diferem como também existem outras que se
repetem e já outras são apenas sinônimas, não havendo anuência dentre todas as
características abordadas, mas que no cap.6 serão conceituadas as priorizadas para a
análise.
Como
resultado
direto
das
novas
tecnologias,
o
hipertexto
mudou
completamente o conceito do conhecimento, que atualmente estabelece modos
diferentes de interação, interligando informações intuitivamente, fazendo associações e
despertando novas possibilidades.
Naves e Kuramoto (2006), ressaltam ainda a ligação do hipertexto com os
processos de indexação quando fixam que a semântica dos nós no hipertexto acaba
sendo expressa pelos vínculos das palavras-chave ou alguma outra maneira formal que
se pode descrever o conteúdo destes nós, ou o mesmo por inteiro.
Segundo Silva (2003, p. 50) “os nós são pontos no documento que podem
associar unidades significativas”. Ainda afirma que os nós não são objetos de abstração,
porém nos faz lembrar, por exemplo, em quando se lê um texto e que este faz lembrar
outro, e outro.
Este nó global de informações que é o hipertexto pode ser de autores diferentes,
como geralmente o são, que vai assim formando um novo texto à medida que o leitor
vai agregando informações partidas de cada um deles, podendo ser exemplificado como
a figura 2:
34
Figura 2 - exemplo de hipertexto.
Fonte: <HTTP://www.ilhn.com/datos/images/hypertext1.gif>
Bairon (1995) apud Grillo (2006, p.25) diz que:
Hipertexto é um conjunto de informações textuais, combinadas com imagens
(animadas ou fixas) e sons, organizadas de forma a permitir uma leitura (ou
navegação) não-linear, baseada em indexações e associações de idéias e
conceitos, sob a forma de links. Os links agem como portas virtuais que
abrem caminho para outras informações.
Informações desnecessárias contribuem para a não-compreensão do leitor com o
que se está lendo. Virtualmente, um indivíduo inicia sua leitura em um determinado
sítio na internet, mas geralmente termina em outro, pois, vão surgindo oportunidades de
navegação que lhe são interessantes e logo após alguns cliques o indivíduo encontra-se
muito distante do ponto de partida. Este procedimento ocorre em virtude dos links que
lhe são apresentados e que lhe remetem a outro conteúdo (geralmente do mesmo tema)
ou de outro, caso seja explicativo e que permite uma navegação entrelaçada e muitas
vezes rica e proveitosa.
35
Hipertexto é um médium de informação que existe apenas online, num
computador. É uma estrutura composta de blocos de texto conectados por
nexos (links) eletrônicos que oferecem diferentes caminhos para os usuários.
O hipertexto providencia um meio de arranjar a informação de maneira nãolinear, tendo o computador como automatizador das ligações de uma peça d
informação com outra. (SNYDER, 1997, p.126 apud KOCH, 2007, p.24).
Estes links citados são os hipertextos, ou hiperlinks agem como portas virtuais
que abrem caminhos para se chegar a estas novas informações. A não-linearidade é o
responsável para que ocorra o real sentido do hipertexto, primaziando o “hiper” como
algo que vai além do texto.
Ramal (2005) apud Grillo (2006, p.26) afirma que:
Dentro do hipertexto existem vários links que permitem acessar o caminho
para outras janelas, conectando algumas expressões com novos textos,
fazendo com que esses se distanciem da linearidade da página e se pareçam
mais com uma rede.
Aquino (2007) comenta que a navegação não-linear não surgiu com a internet, e
afirma que o pensamento associativo por ser uma característica do ser humano, um
simples devaneio causa uma confusão mental de significados em meio à extensa rede.
Ao ler um livro, assistir a um filme, escutar uma música, travar relações de
comunicação, estamos constantemente formando um hipertexto mental, na
medida em que pulamos de um assunto a outro estabelecendo relações entre
os mesmos. (AQUINO, 2007, p. 2)
Ainda em explanação sobre a dimensão do hipertexto, pode-se extrair da
afirmação de Ascensão (2002, p.191) que o hipertexto – intrinsecamente – pode ser sites
(links) que fazem referências a outros sites, no momento em que “elas tecem a teia (net)
que forma a internet”. Ressalta ainda um novo nome ligado ao hipertexto, denominado
de hipernexo, ligando aos termos em inglês hiperlinks ou hiperliens. São apenas nomes
diferentes para algo técnico de mesma função.
36
Mais adiante, em seu livro “Direito da internet e sociedade da informação”, o
autor volta a citar a importância do hipertexto com mais afinco, e fala com propriedade
quando diz que “estamos no domínio das hiperconexões, que por sua vez são uma
modalidade do hipertexto: ou ainda, para generalizar às imagens e sons, uma
modalidade de hipermédia. (ASCENSÃO, 2002, p.218). O uso do hipertexto na internet
permite que o internauta faça remissões ás suas escolhas, e incorpore seu conhecimento
tácito, realizando conexões.
Por um hiperlink ou hipernexo, o internauta pode ser transportado, do site
(site) onde se encontra, a um site diferente (ou a página diferente do mesmo
site). Nos casos normais, as referências a outros lugares aparecem na página
em realce e a cor diferente (azul em princípio). Premindo (clicando), passa-se
para a página correspondente. (ASCENSÃO, 2002, p. 219).
Não há dúvidas que uma leitura com hipertextos torna-se mais rica e agradável.
Levy (1996, p. 41) positiva com clareza, a idéia interpretativa quando diz que “a
hipercontextualização é o processo inverso da leitura, no sentido em que produz, a partir
de um texto inicial, uma reserva textual e instrumentos de composição graças aos quais
um navegador poderá projetar uma quantidade de outros textos”.
O exemplo a seguir, demonstra uma figuração de um link que corrobora com o
pensamento de Grillo (2006, p.28) ao dizer que:
Os links permitem que o leitor tenha acesso a espaços virtuais utilizados para
que ele possa interagir com o autor do texto virtual, com comentários,
opiniões, críticas, perguntas e sugestões, o que caracteriza o hipertexto como
texto essencialmente interativo, em que o leitor também é o seu escrevente.
37
Figura 3 - Manchete em destaque e sublinhado.
Fonte: <http://g1.globo.com/pernambuco/>
Ao clicar na manchete em destaque, o leitor internauta será remetido à manchete
na íntegra, então teremos uma intertextualidade virtual, sendo assim um somatório de
textos que gera uma inter-relação textual indefinida.
Cabe aqui falar em labirinto hipertextual, onde existem variadas páginas
desorganizadas e que formam seqüências lógicas e tematizadas. Leão (2002) já afirmou
que além destes caminhos poderem ter semelhanças entre temas e assuntos diferentes,
há
na
verdade
uma
teia
de
relações
preestabelecidas
e
que
cabe
ao
navegador/leitor/usuário ter papel ativo na interpretação de tudo, construindo sentidos.
Nessa caminhada entre textos, gerando novos textos, surge também as lexias, que são
desdobramentos do espaço textual e que são nada menos que os nós, os links já citados
anteriormente. Como afirma Grillo (2005), a viagem do leitor se faz pelas lexias ou nós
que formam a malha textual que é o hipertexto.
38
Figura 4 – exemplo de lexia.
Fonte: royoby.com/hyper_essay/images/5.gif
O relacionamento entre uma lexia e outra só é possível através da utilização
dos links. Então, repetindo para gravar melhor, links são vínculos eletrônicos
que ligam elementos e permitem ao usuário viajar de site em site segundo as
trilhas do seu pensamento. (JOHNSON; STEVEN, 1997 apud GRILLO,
2005, p. 49).
Em suma, o hipertexto qualifica a prioridade em disseminar a informação, só
que de uma forma atraente, diferente e ousada, mesmo que suas técnicas possam ter
vindo dos mais primórdios tempos, ainda assim continua a ser uma prática vigente com
a vinda da tecnologia, alavancando estruturas na organização do conhecimento, já assim
desorganizando a forma em como se ler um texto, geralmente virtual.
39
5 REDES SOCIAIS
Redes sociais são estruturas que envolvem pessoas e organizações que se
conectam para que possa haver uma relação e partilha de informação mutuamente,
porém, cada tipo de rede com suas características definidas. Há mais de um século, as
redes eram utilizadas para ser possível designar a complexidade de membros e suas
relações dentro de um sistema social. Parecido com o hipertexto em si, as redes são
compostas por três elementos básicos, que são os atores também denominados de nós,
os vínculos e o fluxo de informação.
Estes atores sociais são caracterizados por sua vez pelos seus atributos, sejam
eles por classe social, gênero, idades, sexo, etc. A relação que os mesmos podem ter
depende quase que exclusivamente da importância e dos laços que estes podem possuir
em comum, afastando ou separando-os a uma distância medida qualitativa ou
quantitativamente
Para tal, existem alguns tipo diferentes de redes como as redes de
relacionamento, que são o Orkut, Facebook, Twitter, etc., e que servem para criar perfis
de seus usuários deixando que os mesmos sejam seus próprios avatares no meio web.
As redes profissionais como o Linkedln, agrupam usuários com objetivos profissionais,
seja para trocar idéias e/ou buscar possíveis oportunidades. Também é possível citar que
existem redes comunitárias (que atuam em bairros), redes políticas (a fim de discutir
opiniões partidárias), mas que cada uma tem o seu objetivo e alguns pontos em comum.
Este trabalho será focado em redes sociais de relacionamento e seus fluxos
informacionais, denominando-se apenas como redes sociais, por possibilitar um
ambiente social nesta integralização dos indivíduos. Uma rede social como as citadas
aqui anteriormente, propicia uma plataforma online onde seus usuários podem interagir
e usufruir de todos os recursos que cada uma destas dispõe.
Não é a toa que foram as redes sociais que motivaram ainda mais o uso da
internet por classes que não davam real importância ao mundo web, Vieira (2009, p. 13)
completa a idéia quando diz: “Afirmo que as redes sociais são as “culpadas” do
crescimento de número de usuários, tendo em vista que a internet só passou a fazer parte
efetiva da vida dos brasileiros após o surgimento do Orkut e do Messenger”.
40
Sites de redes sociais permitem contribuir para o fluxo de informação para
compartilhar trabalhos, pensamentos, dúvidas e conhecimentos com outras maneiras
que podem agregar ou filtrar a informação. Como um participante no fluxo de
informação, o indivíduo pode contribuir, assim como consumir.
São tantas opções de redes sociais, que muitos acabam por não conseguir
participar ativamente de todas elas, alguns criam contas apenas em algumas e outros já
estão fazendo parte de todas, mas não as usam com eficiência.
A figura faz uma alusão a algumas redes e o usuário, onde é possível notar o
homem e seu avatar.
Figura 5. Sobre rede social
Fonte: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social >
Qualquer pessoa pode adentrar e ser usuário de alguma rede social através de
cadastro, onde geralmente é gratuito e requer apenas alguns dados de quem for se
cadastrar. Capra (2008) já expressa que “os limites das redes não são limites de
separação, mas limites de identidade. [...] Não é um limite físico, mas um limite de
expectativas, de confiança e lealdade, o qual é permanentemente mantido e renegociado
pela rede de comunicações".
Nesta atuação de integração social, Alves (2011, p.94) defende a importância
das redes sociais como meio para tal, quando corrobora em dizer que:
41
A cognição depende de interação social, pois, a troca de experiências,
informações e conhecimentos faz parte da construção dos significados e é
intermediada pela linguagem. Neste processo, ressalta-se o papel da escrita,
que tem função de armazenar, preservar e comunicar as informações no
tempo e espaço.
Esta teia social gera um emaranhado de informações em ambientes diversos e
uma mistura de pessoas produzindo aspectos que podem ser avaliados quanto cada um
de seus conteúdos hipertextuais inseridos.
5.1 Mídias Sociais
Aqui neste sub-tópico será apresentado um rápido panorama explicitando o que
pode vir a ser mídia social. Comm (2009) explica que pode ser o conteúdo criado pelo
público, ou seja, algo que pode ser produzido da forma e maneiras diferentes que o
usuário deseje – a informação. O autor ainda cita que o facebook é um exemplo
grandioso de mídia social, onde ele não cria, mas permite que seus usuários produzam
informação em seus artigos, parecendo ser uma campanha editorial, mas não sendo.
Ainda complementa que esta é a parte social, onde publicar é participar. E diz
que “esta é a real beleza da mídia social, e sendo ou não o objetivo – dependendo do site
–, a mídia social sempre poderá ter como resultado, firmes conexões entre os
participantes”. (COMM, 2009, p. 3).
Focando na informação repassada através de outrem em rede social e deixando
de lado o aspecto do marketing e de negócios, foco muito utilizado as redes sociais,
vemos que os sites de mídias sociais atraem um número muito grande de pessoas, e
segundo Comm (2009) a maioria delas possuem um alto grau de instrução, são bem
remuneradas e especialistas em seu campo de atuação.
Existem diferentes tipos de mídia social, porém, o foco de estudo deste trabalho
será baseado apenas nas redes de relacionamento e o fluxo de suas informações. Comm
(2009, p. 8) comenta que “embora os sites de rede de relacionamento com suas dezenas
de milhões de membros possam ser os mais conhecidos, existe na verdade toda sorte de
42
diferentes meios de criar e partilhar conteúdo em mídia social.” Os blogs e os fotoblogs
são um exemplo disto.
5.1.1 Facebook
Quatro de fevereiro de 2004, Califórnia. Foi justamente a partir daí que Mark
Zuckerbergh juntamente com Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e Chris Huges
conseguiu mostrar ao mundo quem quer se mostrar socialmente, criando uma das redes
sociais mais populares da atualidade, com um exorbitante poder sobre as pessoas e
sobre o que elas são, ou parecem ser. Ex-estudantes da Universidade Harvard, criaram o
facebook para ser algo restrito aos alunos da universidade como forma de comunicação,
porém, foi se expandido até o Instituto de Tecnologia de Massachusets, a Universidade
de Boston, dentre outros centros educacionais norte-americanos.
O Facebook é uma rede social que visa à criação de um perfil onde os indivíduos
agregam suas informações pessoais e profissionais. O intuito é que sejam inseridas suas
verdadeiras informações, tais como nome, idade, sexo, preferências musicais, sobre
leitura, dentre outros atributos que possam descrever sobre a identidade pessoal do
indivíduo.
O mural do Facebook permite a visualização das mensagens que os usuários
postam. Aplicativos, fotos, jogos, criação de eventos e alguns outros atributos são
recursos que o Facebook possui e que permite que o usuário faça interação com sua
rede. Porém, o hipertexto está muito presente nas atividades que os usuários postam.
Geralmente quando uma notícia está em evidência no país ou no mundo, surgem vídeos,
links com matérias de sites de notícias ou até mesmo fotos do acontecido no mural dos
usuários do Facebook. Seus amigos interligados vêem no mural do perfil a notícia
compartilhada e podem também compartilhá-la com outras pessoas, fazendo com que a
informação passe de mural para mural.
43
Figura 6 - Logotipo do Facebook.
Fonte: Wikipedia (2001)
5.1.2 O Twitter
Serviço criado em março de 2006, pelos programadores Evan Williams, Jack
Dorsey e Biz Stone. A partir de um software para administração de projetos, esta
empreitada tornou-se um blogger através de um recurso gratuito. Algumas empresas
compraram a idéia, como o Google e a Odeo, de Williams. O nome Twitter vê de tweet
(pio), que relembra o som produzido por pássaros. Então, Twitter pode ser livremente
traduzido para o português como “piador”.
Alves (2011, p. 99) diz que:
O microblog foi lançado oficialmente em outubro de 2006, ganhou o prêmio
Web Award no festival de música e cinema South by Southwest em março de
2007. O Twitter tornou-se uma empresa independente em abril de 2007, sob
o comando de Dorsey.
A simplicidade do twitter o torna mais fácil de ser utilizado. O seu emblema é
conseguir informar através de 140 caracteres, fazendo com que a informação seja uma
manchete sucinta do que se quer transmitir. Quando os “tweets” – nome dado a
postagem realizada no twitter – são de conteúdo pessoal, onde o usuário posta algo
muitas vezes irrelevante e sem valor intelectual para alguns, geralmente não se aplica o
uso do hipertexto, recurso utilizado quando se quer transmitir uma informação que sirva
para conhecimento em geral, fazendo com que quem veja a informação possa
44
aprofundar-se no assunto navegando no clique e adentrando em uma nova página da
web.
O Twitter possui os chamados “trending topics” que nada mais são do que os
assuntos
mais
comentados
no
Twitter,
porém,
suportados
e
denominados
sinonimamente de hashtags e simbolizados pelo símbolo # - jogo da velha – antes da
palavra que se quer destacar na mensagem. Comumente, se utiliza este recurso para se
discutir sobre um assunto polêmico ou em evidência, e que possa reunir todos os tweets
que possuem o mesmo assunto citado pelos usuários em suas contas. Em relação ao
Twitter, existe uma variedade e quantidade de outros sites relacionados a ele e que
fazem ligações com esta rede social, como colaboradores de recursos diversos como o
de fotos (Twitpic) dentre outros.
Figura 7 - Logotipo do Twitter.
Fonte: Wikipedia (2011)
45
6 O FLUXO DA INFORMAÇÃO E O HIPERTEXTO NAS REDES SOCIAIS
Neste espaço, será focado o processo metodológico bem como a análise
propriamente dita sobre os estudos realizados do hipertexto e do fluxo da informação no
contexto das redes sociais. Conjuntamente, serão apresentadas as cinco características
que servem como critérios da análise e que terão seus conceitos explicitados para
determinar a conclusão da pesquisa.
6.1 Processos metodológicos
Esta pesquisa se caracteriza por procedimentos metodológicos de abordagem
qualitativa e possui natureza exploratória, cujo principal objetivo da pesquisa que é a
análise da utilização do hipertexto como um recurso auxiliar do fluxo da informação no
contexto das redes sociais que serão aqui abordadas. É considerado método de natureza
exploratória a pesquisa que envolve experiências práticas com o problema a ser
pesquisado, podendo analisar exemplos que desenvolvam a compreensão no todo,
através da técnica da observação. Gil (2009, p. 41) conclui que:
Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o
problema, com vista a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Podese dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de
idéias ou a descoberta de intuições.
Possui ainda como seguinte característica de definição o motivo de ainda
existirem poucos estudos anteriores e pesquisas a seu respeito. Gil (1999, p. 43) diz que
“este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco
explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas”. Oliveira (2005, p.
36) completa que “esse tipo de estudo constitui-se em um primeiro passo para a
realização de uma pesquisa mais aprofundada. Portanto, uma pesquisa exploratória
requer um estudo posterior”. Assim, este estudo visa analisar a utilização do hipertexto
nas redes sociais, mas especificamente no Facebook e no Twitter.
46
Foram escolhidos o Facebook e o Twitter como objetos de análise nesta
pesquisa, por serem umas das mais utilizadas mundialmente dentre as redes sociais e
por apresentarem interfaces de utilização similares no que tange à inserção de
informações, embora cada uma tenha suas ferramentas e recursos diferenciados.
Segundo dados inseridos no Wikipedia (2011) e no próprio site do Facebook
(2011), a rede possui mais de 750 milhões de usuários ativos, sendo estes dados
contabilizados até agosto de 2011 em pesquisa realizada pelo mecanismo de busca do
Google que mostra que o Facebook está no topo dos sites mais acessados através do site
Ad Planner Top 1000 Sites (2011). O site Thectudo (2011) faz uma breve descrição
sobre a rede social afirmando que o Faceboook, por possuir mais de 750 milhões de
usuários ativos, é considerado a maior rede social do mundo na atualidade e que é de se
esperar que também seja o mais acessado do mundo.
O Twitter, por sua vez, fica no 15º lugar deste ranking realizado pelo mesmo
mecanismo de busca do Google no site Ad Planner Top 1000 Sites (2011), porém foi
escolhido para esta análise como já dito anteriormente, por possuir um sistema de
postagem semelhante ao Facebook – apesar da quantidade de caracteres – e por se
caracterizar como microblogging tendo utilização no Brasil e sendo uma das maiores
fontes de conteúdo da atualidade, por conta de sua agilidade e facilidade de uso.
Baseando-se nas características do hipertexto citadas na seção quatro, serão
escolhidas, conceituadas e avaliadas cinco do total, como também suas aplicações
referentes às redes sociais estudadas a partir do uso do hipertexto. Estas cinco foram
escolhidas dentre outras características do hipertexto, por possuírem peculiaridades
competentes ao estudo do hipertexto nas redes sociais.
Pelo fato de algumas dessas características do hipertexto não possuírem
definições próprias nesta abordagem dentro da literatura revisada, estas serão
conceituadas neste trabalho com o intuito de estabelecer tais conceitos para fins de
pesquisa. As características escolhidas são:
•
Intertextualidade;
•
Precisão;
•
Interatividade;
47
•
Transitoriedade;
•
Multisemiose.
A Intertextualidade é quando um texto se faz estar inserido em outro texto.
Através de referências, cria-se uma variedade de interações possíveis. Araújo (2009, p.
15) considera que “a análise da intertextualidade no hipertexto tem se apoiado apenas
no fato de se ter textos indexados na hipertextualidade, ou seja, apóia-se unicamente no
dispositivo
técnico-informático
denominado
hiperlink”.
A
literatura
sobre
intertextualidade a considera algo inerente ao hipertexto, fazendo com que virtualmente
explicitando que textos são simultaneamente acessíveis ao toque do mouse. Este
conceito reflete a idéia de não-linearidade.
A Precisão é uma característica que poupa o tempo do leitor virtual, uma vez
que através do link incluso no texto remete a informação específica, sem ter de levar ao
leitor a procurar o que deseja. Na sua definição, precisão é a exatidão na execução. Com
a precisão, é possível destacar a credibilidade das informações hipertextuais,
exercitando com mais agilidade a leitura dentro do texto.
A Interatividade se dá ao processo da relação homem-máquina citado por
Grillo (2006), onde prevalece a interface gráfica, no sentido de usabilidade e que se
divide em interatividade reativa e mútua, sendo aqui analisada a segunda que
“possibilita uma comunicação com trocas reais de forma criativa e aberta” Grillo (2006,
p. 42). E o hipertexto compreende este meio, quando o mesmo é de fácil identificação
no texto, por meio de se apresentar como hiperlink. O termo “interatividade” em geral
ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação, Lévy
(1999, p. 79). Marcuschi (2009) relata que a interatividade é propiciada pela
multisemiose e pela acessibilidade, com a função de estabelecer relação do leitor com
outros autores e com a máquina.
A Transitoriedade refere-se à efemeridade de algumas informações, que podem
não estar mais disponíveis no ambiente web. O usuário, ao fazer uso do recurso
hipertextual do link, pode não ser remetido à informação a qual deseja, fazendo com que
o caminho da informação não seja concluído. O entendimento da transitoriedade das
informações e do conhecimento, nesse ambiente, nos leva a perceber dois aspectos
48
complementares: aquilo que transita, ou seja, está em movimento constante entre
agentes e, por outro lado, refere-se também ao que não é perene, estável, que não se
consolida. Pode-se fazer uma relação da característica precisão e transitoriedade,
ressaltando que algo pode ser preciso porém intransitório, e outro preciso e transitório.
A Multisemiose
É a possibilidade de interconectar simultaneamente a linguagem verbal, da
linguagem não-verbal (gestual, visual, musical, cinematográfica, etc.) fazendo a
integração às informações de diferentes mídias não se limitando a escrita textual.
6.2 O hipertexto no Facebook
O Facebook trabalha, segundo o pensamento de Reid (1991), tanto de forma
síncrona ou assíncrona. A publicação de postagens pelos usuários cria uma expectativa
de resposta imediata ao que foi publicado (síncrona) ao mesmo tempo em que permite
ao autor e outros sujeitos tenham acesso a ela em outro momento (assíncrona).
Esta rede tem como foco visual o mural de postagens dos amigos adicionados do
usuário, que, ao inserir login e senha na rede social, ficam acessíveis a estas
informações. Enquanto conectado à rede social, o sujeito simula uma interação temporal
e atemporal com os “links” inseridos no seu mural, ou no mural de algum amigo quando
acreditam que tal informação será relevante para o mesmo. Este link pode ser um vídeo,
pode ser um arquivo de música de um determinado site, pode ser um texto de um blog,
entre outras opções.
No Facebook, os links postados após serem clicados, geralmente abrem uma
nova aba ou uma nova janela do navegador com a página que foi indicada. Porém, o
Facebook permite mostrar uma miniatura da página que será aberta, com imagem e uma
pequena descrição da própria pagina “linkada”.
Estes links inseridos no Facebook permitem que o compartilhamento da
informação seja viabilizado, no processo de compartilhamento, onde os usuários trocam
informações através do hipertexto, disseminando algo que acredita que seja interessante
49
para todos os que virem o que está sendo postado. Assim afirma Sugahara (2011, p. 6)
ao explicitar que:
Os atores integram-se aos fluxos de informação quando reconhecem a
existência de opções da informação que estão circulando na rede,
selecionando as mais adequadas segundo o contexto e a realidade em que se
encontram.
Por exemplo, o vídeo de divulgação do Movimento Gota D’água através de um
determinado link do YouTube foi postado por alguém, ou seja, um “ator inicial” em seu
mural. Daí então, quem se identificou com a idéia, repassou o vídeo adiante,
compartilhando o mesmo em seu mural permitindo assim que as pessoas interligadas a
sua rede pudessem assisti-lo. E o vídeo trilha um caminho dentro dos perfis. Assim
como mostrado na figura 8, que mostra o vídeo postado de um usuário por outro
usuário, totalizando nove compartilhamentos.
Figura 8 - Postagem no Facebook
Fonte: Facebook (conta pessoal)
Na figura 9, percebe-se que há outro compartilhamento, originário de outro
perfil, grafado em destaque.
50
Figura 9 - Compartilhamento de informação no Facebook
Fonte: Facebook (conta pessoal)
Percebe-se que onde está grafado, um outrem já compartilhou o que foi
compartilhado pela segunda pessoa, ou seja, a informação veiculada caminha e
determina o fluxo da informação originária.
6.2.1 Análise das características do hipertexto no Facebook
a) Intertextualidade
No quesito intertextualidade, foi avaliado que o Facebook apresenta ponto
positivo quanto ao conteúdo dos seus hiperlinks. No momento em que os usuários
julgam interessantes as postagens e, estes por sua vez, repassam por meio do
compartilhamento, fazem a disseminação na rede através do hipertexto. Esta
intertextualidade flui, conduzindo uma informação à outra. O breve exemplo explicita
uma postagem de uma notícia no Facebook e a página que contém a devida informação.
Assim o hipertexto atende com êxito em relação ao Facebook nesta característica.
51
O grafo em destaque contém o link na figura 10.
Figura 10 – Exemplo de intertextualidade e precisão no Facebook
Fonte: Facebook (conta pessoal)
Vê-se na figura 11, a imagem do site após o clique no link demonstrado.
Figura 11 – Resultado do exemplo de intertextualidade no Facebook
Fonte: Facebook (conta pessoal)
52
b) Precisão
Em relação à precisão, não se pode confiar em todos os links hipertextuais,
muito menos sendo de um perfil individual de um usuário, onde pode ocorrer um
equívoco quanto à relação que se faz da informação que se quer repassar, mais o link
inserido.
O exemplo demonstrado nas figuras 10 e 11 revelam que há precisão no que foi
divulgado, pois a notícia refere-se a um fato relativo a prefeitura da cidade de Olinda, e
de fato, o link remete ao site da mencionada prefeitura, contendo a informação precisa
do evento. Porém, nem sempre pode ocorrer desta forma, pois é possível que o link não
faça relação com a mensagem, não atendendo com êxito a expectativa desta
característica do hipertexto no Facebook. Tomando como exemplo, pode-se citar um
link que após aberto demonstrasse a homepage de outra prefeitura que não a citada.
c) Interatividade
Com relação à interatividade, percebeu-se que o hipertexto assegura a interação
do usuário no Facebook valendo-se da interface da rede social, que permite a troca de
informações entre redes de amigos. Dá-se a idéia de interconexão interativa, o motivo
de o hipertexto ser de fácil acessibilidade, assim, informações hipertextuais no
Facebook concedem ao leitor-navegador uma comunicação mútua, criativa e aberta.
As figuras 12 e 13 mostram que existe a comunicação graças ao
compartilhamento e a ferramenta de comentários do Facebook do usuário 1, e ao clicar
na imagem, novas interações na foto do mural do usuário 2 que é a origem da
informação. Assim, a interatividade é uma característica do hipertexto que atende com
êxito em relação ao Facebook.
.
53
Figura 12 – Exemplo de interatividade no Faceboook
Fonte: Facebook (conta pessoal)
Figura 13 – Resultado da interatividade no Facebook
Fonte: Facebook (conta pessoal)
54
d) Transitoriedade
A transitoriedade no Facebook está relacionada muitas vezes com a precisão.
Mas isto não é determinante para se avaliar que o hipertexto seja intransitório, pois, o
link pode ser preciso e não transitório, como também pode ser transitório. Portanto, esta
característica no Facebook é avaliada como um aspecto negativo pelo fato de não haver
uma exatidão quanto se os hiperlinks das postagens ainda estão disponíveis online. Isto
se deve a efemeridade que muitos conteúdos da web possuem.
e) Multisemiose
Em questão da multisemiose, o Facebook é bem avaliado por permitir, com
excelência, que a partir dos seus hiperlinks, possam-se compartilhar músicas, vídeos,
imagens e os textos propriamente ditos. Assim, os compartilhamentos são em sua
maioria multisemióticos, mesclando a gama de opções que se podem disseminar
informações.
Portanto,
infere-se
com
relação
ao
Facebook
que
os
aspectos
da
intertextualidade, a interatividade e a multisemiose como características do hipertexto,
atendem perfeitamente a observação que o mesmo contribui para o fluxo da informação
no Facebook. Já a precisão e a transitoriedade, não permitem atender completamente
que estas características possam contribuir de forma proveitosa.
O seguinte quadro demonstra, em caráter visual de análise, o resultado da
utilização do hipertexto no Facebook, mostrando se as características atendem aos
objetivos em relação às atribuições do hipertexto.
Quadro 1: Resultado da análise das características do hipertexto no Facebook
ATENDE
NÃO ATENDE
SUGESTÃO DE
MELHORIA
INTERTEXTUALIDADE
Atende por apresentar
boa intertextualidade
em recurso
hipertextual
Inserir links que
contenham em seu
conteúdo textos
interessantes
55
Não atende por
apresentar pouca
precisão em recurso
hipertextual
PRECISÃO
INTERATIVIDADE
Atende por apresentar
boa interatividade em
recurso hipertextual
MULTISEMIOSE
Sempre mostrar no
mural do Facebook a
miniatura dos links
inclusos
Não atende por
apresentar pouca
transitoriedade em
recurso hipertextual
TRANSITORIEDADE
Atenção na inserção
de links é primordial
para se ter links
precisos e eficazes
Atende por apresentar
boa multisemiose em
recurso hipertextual
Atenção quanto da
inserção de links já
não mais disponíveis
na Internet
Diversificar cada vez
mais o conteúdo dos
hiperlinks,com
vídeos, imagens, etc.
6.3 O hipertexto no Twitter
O Twitter age como propiciador de compartilhamento rápido de informações,
fazendo uso do hipertexto pra complementar a manchete do tweet postado, mesmo que
seus hipertextos “linkados” possam conter extensos textos e de difícil compreensão. O
indivíduo fazendo uso do hipertexto no twitter pode selecionar as informações que mais
lhe agradam. Após ter lido os tweets e caso algum seja de seu interesse, o indivíduo
pode se aprofundar mais sobre o assunto visto, bastando que o tweet contenha um link
seja direcionando-o à informação na íntegra.
A forma que o hipertexto no twitter é apresentado é em formato reduzido.
Diferentemente do Facebook, o twitter não transforma o link em miniatura na tela,
deixando assim o link exposto no formato bruto de um link, como na figura 7.
Figura 14. Tweet com hiperlink.
Fonte: Twitter (conta pessoal)
56
A ferramenta de postagem do twitter por suportar apenas os 140 caracteres,
impede que alguns links possam ser inseridos e postados.
Quando o hipertexto possui um link muito extenso, é possível reduzir seus
caracteres através de ferramentas online que servem para encurtar o tamanho da URL
(Uniform Resource Locator), em bom português - Localizador Padrão de Recursos -, ou
seja, URL pode ser entendido com a essência de um link, ou em outras palavras, o
endereço de um site, hospedeiro, etc. em uma rede, seja internet ou intranet que possui
uma estrutura já definida.
Ferramentas como o “twixar.com” e o “migre.com” conseguem manter o
conteúdo do link inalterado, porém diminuindo a quantidade de caracteres existentes,
como mostra o esquema abaixo. Vê-se que em quatro tweets, respectivamente, há a
presença do hipertexto.
Figura 15 – Mural do Twitter
Fonte: Twitter (conta pessoal)
A figura 16 apresenta a página que surge quando foi aberto o hipertexto do
primeiro tweet, referente ao site G1, sobre petróleo.
57
Figura 16 – Hipertexto do Twitter
Fonte: Site G1 através do Twitter.
6.3.1 Análise das características do hipertexto no Twitter
a) Intertextualidade
A intertextualidade no Twitter acontece de maneira positiva. Pois os usuários
necessitam da utilização do hipertexto, devido não ser permitida a explanação da idéia
de todo o contexto em relação aos poucos caracteres, daí o hipertexto torna-se muito
útil. Por este motivo, os links são explicativos e complementares, e seguem a mesma
idéia da manchete, ou notícia do tweet. O hipertexto no Twitter colabora com a idéia do
próprio microblog e se dá pela facilidade e rapidez em sua utilização, atendendo as
expectativas da pesquisa. Nas figuras 17, 18 e 19 explicitam uma intertextualidade,
onde além de clicar no link do tweet, ainda é possível clicar em outro link da página que
foi aberta, levando o leitor de um texto a outro.
58
Figura 17 – Exemplo de intertextualidade no Twitter
Fonte: Twitter (conta pessoal)
Figura 18 – Link aberto após clicar no hiperlink do tweet.
Fonte: Twitter (conta pessoal)
59
Figura 19 – Página de hiperlink após ser aberto por outro hiperlink.
Fonte: Twitter (conta pessoal)
b) Precisão
A precisão dos hipertextos é positivamente utilizável, pois, geralmente os links
postados nos tweets são condizentes com o assunto informado. Também foi analisado
isto porque em diversas vezes, pelo fato de haverem muitos perfis organizacionais a
serem seguidos no mundo do Twitter, a precisão se faz muito presente nas postagens
destes que ficam atentos no link que for inserir. A função retweet também auxilia neste
fator, uma vez que a informação é inalterada, sendo apenas repassada como a original.
As figuras 20 e 21 ilustram um bom exemplo de precisão no Twitter atendendo assim o
que se quer com a análise.
60
Figura 20 – Precisão
Fonte: Twitter (conta pessoal)
Figura 21 – Exemplo de precisão
Fonte: Twitter (conta pessoal)
61
c) Interatividade
A interatividade no Twitter permite ao usuário um bom aproveitamento da rede
social, além da sua fácil interface gráfica. Este fato é avaliado positiviamente pelo fato
da facilidade do Twitter proporcionar o bom uso e a fácil compreensão das suas
manchetes, deixando o usuário à vontade para decidir qual hiperlink será aberto
dependendo da sua necessidade de informação.
d) Transitoriedade
Assim como no Facebook, as transitoriedades das informações em sites deixam
os links suscetíveis a não estarem mais disponíveis on-line, porém, no Twitter, as
organizações que mantém perfil ativo na rede procuram postar links oriundos do site
próprio em tempo real. Pode ocorrer o contrário, mas em menor proporção que no
Facebook. Isto concretiza a veracidade da informação, uma vez que o link postado
remete ao homepage do perfil atribuído no Twitter. Portanto, a transitoriedade flui
melhor sem deixar margem para que ocorra a intransitoriedade.
e) Multisemiose
Os hiperlinks no Twitter, após abertos, permitem que sejam demonstrados além
de textos, links para vídeos, downloads de livros em pdf, imagens zipadas dentre outros
atributos que possam ser compartilhados na web. Basta saber quem ou o quê seguir na
rede social. Mostra que o hipertexto no Twitter não é apenas de texto (escrito) para
outro texto. Ponto positivo para esta característica, atendendo ao quesito desta análise.
Conclui-se que, as cinco características do hipertexto estudadas atendem
corretamente com a utilização deste em meio ao Twitter.
O seguinte quadro demonstra, em caráter visual de análise, o resultado da
utilização do hipertexto no Twitter, mostrando se as características atendem aos
objetivos em relação às atribuições do hipertexto.
62
Quadro 2: Resultado da análise das características do hipertexto no Twitter.
ATENDE
NÃO ATENDE
SUGESTÃO DE
MELHORIA
INTERTEXTUALIDADE
Atende por apresentar
boa intertextualidade
em recurso
hipertextual
Continuar unindo o
conteúdo do Tweet
ao
conteúdo
do
hiperlink utilizado
PRECISÃO
Atende por apresentar
boa precisão em
recurso hipertextual
Que a precisão se
estenda dos perfis
organizacionais até
os pessoais
INTERATIVIDADE
Atende por apresentar
boa interatividade em
recurso hipertextual
Manter a interação
no conteúdo dos
hiperlinks,
assim
como
sua
boa
interface gráfica
TRANSITORIEDADE
Atende por apresentar
boa transitoriedade
em recurso
hipertextual
Os usuários dos
perfis devem ficar
mais
atentos
na
inclusão dos links a
fim de não haver
alguma
intransitoriedade
MULTISEMIOSE
Atende por apresentar
boa multisemiose em
recurso hipertextual
Continuar
disseminando
hiperlinks
com
conteúdo de vídeos e
imagens
63
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da demanda de informações que a web 2.0 trouxe com as novas
tecnologias de informação em meio a internet, a quantidade de informações aumentou
gradativamente e com isto, o fluxo destas informações passou a ocorrer de forma mais
rápida e itinerante. As redes sociais produzem muitas informações a partir das postagens
dos seus usuários, portanto, o uso do hipertexto nestas redes se fez cada vez mais
atuante.
O hipertexto consegue contribuir de forma positiva nas redes, atuando como
cooperador no quesito interatividade e precisão das informações, reafirmando o
conceito de intertextualidade que é o caminho para que o fluxo da informação possa
transitar com êxito.
Foi possível concluir que dentre as cinco características do hipertexto analisadas,
o resultado desta maioria foi positiva e que o Twitter possui uma melhor utilização do
hipertexto, seja pelo fato de sua fácil utilização ou pelo fato de que o mesmo por possuir
apenas 140 caracteres para transmissão de informação necessita do recurso do
hipertexto.
Os objetivos deste trabalho em demonstrar como se dá o hipertexto nesta
abordagem, permitiu avaliar a sua importância nestas redes, conseguindo assim
evidenciar que a sua utilização é relevante em ambas e que o compartilhamento de
informações no Facebook e no Twitter puderam ser realizados de forma efetiva,
evidenciados em comentários na análise e através de exemplos com imagens.
Entretanto, não foi possível demonstrar através de imagens, algumas
características utilizadas a fim de melhor firmar um conceito ilustrativo pelo fato das
postagens nas redes serem transitórias, não permitindo estar disponível a todo o
momento que alguns exemplos pudessem ser retirados e integrados ao trabalho.
O presente trabalho pode contribuir para que estes conceitos das características
de hipertexto aqui abordados dentro das redes sociais pudessem ser estudados. Assim, é
possível sugerir como fundamento de novos estudos, que ocorram futuras contribuições
no tangente à utilização destes conceitos com outras redes sociais, e que novas
características possam ser estudadas e conceituadas, para que possa ser feito
64
comparações e novas indagações. Para a área da Ciência da Informação, este trabalho
contribui para que o estudo do hipertexto possa ser mais lembrado quanto às pesquisas
dos cientistas que permeiam o mundo web, com a preocupação quanto à informação que
transita neste mundo virtual.
65
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