AU
TO
RA
L
1
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
O
PE
LA
LE
I
DE
DI
R
EI
TO
AVM FACULDADE INTEGRADA
EG
ID
AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELO ORIENTADOR
Por: Nanci Gameiro de Souza Gomes
DO
CU
M
EN
TO
PR
OT
EDUCACIONAL NO DESENVOLVIMENTO DE SUA FUNÇÃO
Orientador: Profº.Maria Esther Araújo
Co-orientadora:Giselle Böger Brand
Rio de Janeiro
2012
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELO ORIENTADOR
EDUCACIONAL NO DESENVOLVIMENTO DE SUA FUNÇÃO
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do
Mestre – Universidade Candido Mendes como
requisito
parcial
especialista
em
para
obtenção
Orientação
grau
de
Educacional
e
Pedagógica
Por: Nanci Gameiro de Souza Gomes
do
3
AGRADECIMENTOS
“Tudo o que fazemos com amor
tem sabor de eternidade”.
Gandhi
A Deus, por tudo que me tem permitido realizar e por ter
colocado em meu caminho todas estas pessoas maravilhosas que
contribuíram para tornar possível a execução deste trabalho.
As minhas grandes amigas Ana Maria e Maria da Glória, o meu
especial agradecimento pela efetiva contribuição em todas as
etapas deste trabalho.
Ao meu esposo Silvio por todo incentivo dado durante o curso e
que soube compreender a minha constante ausência.
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a todos aqueles que se preocupam
com as questões da educação e buscam alternativas
viáveis para melhorá-la.
5
RESUMO
O papel do Orientador Educacional vem refletindo a sua grande importância no
processo educativo, neste novo contexto socioeconômico e cultural que ocorre
na sociedade brasileira, mas esta não é uma tarefa fácil para este profissional
da educação que muitas das vezes sofre com a falta de planejamento, critérios
para exercer as suas atividades funcionais. Este estudo monográfico visa
conhecer e analisar o cotidiano do professor na sua função de Orientador
Educacional, gerando uma reflexão sobre a influência do meio cultural na
formação dos professores e no desenvolvimento do seu trabalho no cotidiano
escolar, destacando algumas leis que regem essa profissão, como a Lei 5564
de 1968 que amplia as atribuições do Orientador Educacional. Sendo assim, é
de grande importância sinalizarmos a trajetória histórica do Orientador
Educacional até atualidade, mostrando a relevância do trabalho coletivo nas
escolas para concretização de um ambiente favorável e efetivo com o seu
papel social. Logo, a gestão escolar deve assumir as suas responsabilidades
diante de sua equipe de trabalho, promovendo interatividade nas relações do
Orientador e os demais atores sociais para que se cumpram as metas e
objetivos propostos. Portanto, conclui-se neste trabalho que o Orientador
Educacional deva persistir em sua função, e ser o mediador entre todos os
sujeitos envolvidos no processo educativo.
6
METODOLOGIA
A proposta metodológica que fundamenta esta monografia será
unicamente uma Pesquisa Bibliográfica, que tem por finalidade apresentar
veracidade aos fatos abordados neste trabalho com base em materiais já
publicados em diversas obras sobre Orientação Educacional que foram
estudadas, e as informações relevantes, consideradas.
De acordo com Cervo e Bervian, (2004) metodologia científica é o
estudo dos métodos de conhecer, de buscar o conhecimento. É uma forma de
pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, seja para
explicá-lo ou estudá-lo. O método científico é entendido como um conjunto de
processos orientados por uma habilidade crítica e criadora voltada para a
descoberta da verdade e para a construção da ciência hoje. A pesquisa
constitui seu principal instrumento ou meio de acesso.
Desta forma, essa pesquisa busca conhecer e analisar o cotidiano do
professor na sua função de Orientador Educacional, utilizando referências
teóricas publicadas em livros, sites e revistas acadêmicas.
Os principais autores e teóricos utilizados para a realização deste
trabalho foram: Leyda Tubino Abelin, Lia Renata Ageline Giacaglia, Heloisa
Lück, José do Prado Martins, Ilka Neves e Olgair Siqueira entre outros.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I - A atuação do Orientador Educacional
10
1.1– Breve Histórico
12
1.2 – A identidade do Orientador Educacional
15
CAPÍTULO II - A influência do meio Cultural sobre a atuação do
Orientador Educacional
19
2.1 – O Orientador Educacional diante das Perspectivas atuais da escola
23
CAPÍTULO III – As dificuldades do Orientador Educacional no exercício da
sua função
27
3.1 – O trabalho coletivo no cotidiano escolar
3.2 – A formação pedagógica do professor
3.3 – Orientador Educacional e a Gestão Escolar
27
31
34
CONCLUSÃO
38
BIBLIOGRAFIA
39
8
INTRODUÇÃO
O presente estudo tem por objetivo apresentar as dificuldades
encontradas pelo Orientador Educacional no desenvolvimento de sua função,
procurando ressaltar que numa época frequentemente designada como era da
globalização, marcada por grandes transformações e avanços tecnológicos,
percebe-se certo sentimento de frustração quanto à atuação do Orientador
Educacional no exercício de sua função no ambiente escolar e principalmente
em algumas escolas do Ensino Fundamental do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo Porto(2009) tradicionalmente, o orientador educacional é
percebido e percebe-se como um profissional que tem como função precípua
atuar com os educandos.
Neste sentido, a orientação educacional é definida por Schmidt e Pereira
(1969):
Um método pelo qual o orientador educacional ajuda o aluno,
na escola, a tomar consciência de seus valores e dificuldades,
concretizando, principalmente através do estudo, sua
realização em todas as suas estruturas e em todos os planos
de vida.
(SCHMIDT e PEREIRA, apud NÉRICI, 1973:67)
É importante ressaltar que serão abordadas questões sobre a teoria e a
prática deste profissional, a sua interação com gestores e professores e a
influência que o meio cultural exerce no cotidiano escolar. O que acontece
geralmente é uma indefinição de funções do Orientador Educacional,
ocorrendo assim desvios de função e falta de um bom relacionamento com os
gestores. Outro fator que dificulta o trabalho deste profissional é a formação
pedagógica inadequada de alguns professores.
É interessante lembrar que o Orientador Educacional pode e deve ser
considerado, na atualidade, um elemento de grande valor. É indispensável a
sua contribuição na formação de professores e alunos, levando-os a
aprofundar seus conhecimentos, reivindicar seus direitos e lutar por uma
sociedade mais justa onde cada indivíduo conquiste a sua liberdade.
9
Diante disso, algumas questões serão relevantes neste trabalho
monográfico como analisar as dificuldades encontradas pelo Orientador
Educacional no desenvolvimento do seu trabalho coletivo em relação ao
ambiente escolar. Também é importante reconhecer as barreiras encontradas
pelo Orientador Educacional no exercício de sua função, e refletirmos sobre a
influência do meio cultural na formação dos professores no desenvolvimento do
seu trabalho no cotidiano escolar. Sendo assim, é de grande importância
sinalizarmos a trajetória do Orientador Educacional na atualidade.
Para compreendermos as questões que norteiam este trabalho
monográfico será desenvolvido em três capítulos sendo que o primeiro capítulo
abordará a atuação do Orientador Educacional e um breve histórico da
educação do Brasil. No segundo capítulo será abordada a influência do meio
cultural sobre a atuação do Orientador Educacional diante das perspectivas
atuais da escola e para finalizar o terceiro capítulo irá apresentar as
dificuldades do Orientador Educacional no exercício da sua função destacando
o trabalho coletivo no cotidiano escolar, a formação pedagógica do professor e
orientação educacional e a gestão escolar.
10
CAPÍTULO I
A ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL.
Segundo Grinspun (2006) o conceito de Orientação Educacional
abrange diferentes significados que acompanham sua trajetória histórica,
especialmente na realidade brasileira. Essa diferença nas abordagens
conceituais está relacionada tanto à própria questão epistemológica da
Orientação, como ao tratamento que lhe é emprestado ao ser analisada sob os
enfoques que a dimensionam, como, por exemplo, a Orientação Vocacional. É
interessante observar também que há contradições na própria explicitação dos
significados. Por exemplo, Isabel Junqueira Schmidt, em seu livro Orientação
Educacional, de 1942, diz que no Brasil esse termo equivale ao “guidance” do
inglês, mas que para “evitar mal-entendidos, adotamos a denominação
orientação nos estudos, correspondendo à orientação educacional, em inglês,
quando empregada no seu verdadeiro sentido”. Em outras palavras, a
concepção inicial de Orientação, no Brasil, era de cunho psicológico,
terapêutico e corretivo, conforme verificamos na legislação e nas atribuições
dos orientadores, enfatizadas pelo “counseling”, mas o significado que lhe
emprestavam na implantação da Orientação Educacional, conforme Junqueira
Schmidt, era o pedagógico e escolar. Fica em aberto: o “verdadeiro sentido” da
Orientação seria o pedagógico ou psicológico?
As relações entre o orientador educacional e o psicólogo devem ser
esclarecidas, pois o orientador educacional não deve exercer funções que não
lhe compete. A orientação educacional atualmente é concebida como um
processo muito mais abrangente, por apresentar uma dimensão pedagógica,
permitindo um caráter mediador entre os atores relevantes da escola.
De acordo com Lück (2004) cabe-nos resgatar nosso entendimento de
que a Orientação Educacional tem certas funções (ações) clássicas a serem
desempenhadas no contexto pedagógico em que esteja inserida, funções
essas cujo o sentido não é estático, mas sim , transforma-se continuamente,
em razão da interação múltipla de variados fatores, que ocorre no processo
11
dinâmico da prática social pedagógica. Vale dizer que o sentido das funções e
o seu dimensionamento são construídos dinamicamente, no contexto da ação,
devendo alargar-se continuamente.
As funções da Orientação Educacional podem ser englobadas em dois
grupos, que se caracterizam como sendo duas dimensões de um mesmo
processo, em que uma não existe sem a outra e a ampliação de uma implica a
ampliação da outra. Os dois grupos são:
● das funções de organização,
● das funções de implementação ( Lück,1979b).
Da interação recíproca entre as funções de organização e de
implementação vão-se desenvolvendo, concomitantemente, o processo e a
concepção de Orientação Educacional, criando-se, dessa forma, uma nova
realidade e uma nova ótica. A Figura 1 apresenta a relação entre essas duas
dimensões.
Relação Interativa entre as funções de organização e implementação
Organização
Implementação
Fonte: Lück (2004)
Diante dessa relação interativa entre as funções de organização e
implementação, a trajetória histórica do conceito de Orientação Educacional
abrange desde o enfoque psicológico até o pedagógico na realidade brasileira.
À medida que a Orientação Educacional vai se desenvolvendo vão sendo
inseridas diversas funções que são construídas na relação de interatividade
entre as funções.
12
O Orientador Educacional deverá se preparar para assumir funções de
interatividade entre professores, pais, e os diversos atores sociais com os quais
o educando interagem, mantendo uma relação que atendam as necessidades
do educando.
1.1 – Breve Histórico
Segundo Garcia (2002) a orientação educacional começa no Brasil
vinculada, ainda que canhestramente, à
questão do trabalho. Quando, em
1924, em São Paulo, o engenheiro suíço Roberto Mange cria um serviço de
seleção e de orientação profissional para aluno do curso de mecânica, e
quando, em 1931, também em São Paulo, Lourenço Filho, na condição de
diretor do Departamento de Educação, torna oficial o Serviço Público de
Orientação Educacional e Profissional, fica clara a intenção de ambas as
iniciativas em responsabilizar o orientador educacional pela preparação para o
trabalho. Ao orientador caberia selecionar, orientar e encaminhar aqueles que
pretendiam ingressar em cursos universitários e aqueles que precisavam se
profissionalizar imediatamente.
A Lei Orgânica do Ensino Industrial de 1942 refere-se ao orientador
educacional
facilitando
as
escolhas
profissionais,
esclarecendo
e
aconselhando.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 refere-se à
Orientação Educacional e Vocacional como ajuda ao aluno em suas escolhas.
A Lei 5.564 de 1968, embora amplie as atribuições do orientador
educacional, confirma a sua responsabilidade em relação à orientação
vocacional.
E
quando
o
decreto
72.846
de
1973
especifica
as
responsabilidades do orientador educacional, é dada grande ênfase à
orientação vocacional, à sondagem de aptidões e interesses, ao papel
Orientador Educacional articulando a escola e o mundo fora da escola (família
e comunidade e mundo de trabalho). Isto porque a Lei 5.692/71 definira o
13
orientador educacional como responsável pela articulação escola-famíliacomunidade e pela preparação para o trabalho.
Ainda Garcia (2002, p.15) no final da década, começam as criticas a
política de profissionalização da lei 5.692/71, ao chamado milagre brasileiro, a
teoria do bolo. Os educadores começam a se posicionar em relação ao debate.
A orientação educacional olha, ouve, lê, mas não participa. Era uma história de
cooptação pelo Estado e de subserviência a teorias importadas que não
podiam ser rompidas sem luta. Além disso, a lei 5.692/71 garantia a
obrigatoriedade da orientação educacional. “Porque contestá-la”? Ficava
complicado contestar a lei em seu espírito e reclamar o seu cumprimento no
artigo 10.
Segundo Grispun (2006) a busca de um trabalho integrado com os
demais membros da comunidade escolar é identificada na atividade dos
orientadores. Em 1976, o MEC elaborou um documento, “Orientação
Educacional e Linhas de Ação” (baseado em outro documento de 1973), que
abordava os dois planos de atuação da Orientação Educacional: o plano de
ação integrada – Orientação Educacional e Pedagógica atuando junto com a
direção, professores, alunos e demais técnicos, planejando, executando e
avaliando sistematicamente a ação educativa – e o plano de ação direta, em
que o orientador deveria atingir o aluno, sobretudo através do trabalho de
grupo. Foi um período fértil estimulador das dinâmicas de grupo.
A década de 80 apresentou os eventos mais significativos para os
orientadores educacionais, uma profissão surgida em 1968 e cujos eventos
promovidos vieram demonstrando um movimento de afirmação e negação de
seus pressupostos básicos. Enquanto a classe teve necessidade de afirmar-se
teoricamente para que sua prática fosse legitimada, começou a buscar
identidade própria, rompendo com as benesses do MEC/CADES, em especial
nos eventos da classe.
Por seu movimento histórico, político e econômico, a década de 80
apresenta
grandes
mudanças,
avanços,
recuos
e
contradições.
Os
14
orientadores, principalmente através dos seus órgãos de classe, começam a
buscar respostas para suas indagações, a partir dos questionamentos sociais.
Na década de 80, os orientadores fazem uma reflexão maior sob seu papel
social. Estendem, como fato natural, seu compromisso com as classes
trabalhadoras. O orientador tem que se posicionar em relação a seu trabalho e
suas atribuições, dentro e fora da escola. O que se nota, na realidade, é que
houve uma mudança no discurso, mas na prática não se conseguiu
acompanhar tal “transformação”.
O início da década de 90 apresenta uma nova situação para os
orientadores educacionais: a extinção da Federação Nacional de Orientadores
Educacionais ( FENOE ) em 1990, entidade criada em 1966, em Porto Alegre,
no II Encontro Nacional de Orientadores Educacionais. A maioria dos
orientadores
presentes
ao
Congresso
Extraordinário
de
Orientadores
Educacionais entendeu que deveria ser formado um sindicato único, em que
direitos e lutas fossem definidos e incorporados na mesma entidade que
reunisse os trabalhadores da Educação: a CNTE (Confederação Nacional dos
Trabalhadores da Educação).
Mais uma vez o discurso distancia-se da prática: enquanto o primeiro, no
Congresso
Extraordinário,
mostrava
as
vantagens
da
unificação
dos
“sindicatos”, o que levaria o fortalecimento da categoria no tocante a
reinvindicações trabalhistas, houve, na prática, um enfraquecimento das
associações de classes e uma fragilização, mais uma vez da identidade do
orientador educacional.
Para Grinspun (2006) atualmente a Orientação, caracteriza-se por um
trabalho mais abrangente, no sentido de sua dimensão pedagógica. Possui
caráter mediador junto aos demais educadores, atuando com todos os
protagonistas da escola no resgate de uma ação mais efetiva e de uma
educação de qualidade nas escolas. O orientador está comprometido com a
formação da cidadania dos alunos, considerando, em especial, o caráter da
subjetividade.
15
Desta forma, percebe-se que a função do Orientador Educacional, não
tem uma infraestrutura compartilhada com os demais profissionais da
educação, mesmo regulamentada por leis e decretos ainda falta muito para
estes profissionais exercerem, desenvolverem e compartilharem as suas
atividades e competências.
1.2 – A identidade do Orientador Educacional
“Simplesmente não posso pensar pelos outros, para os outros,
nem sem os outros”.
(Paulo Freire)
Segundo Porto (2009) o processo educativo se viabiliza por meio de três
áreas de atuação principais, que são: a administração escolar, a supervisão
escolar e a orientação educacional. Todas as atividades desenvolvidas na
escola estão atreladas a estas três áreas, podendo-se perceber que o sucesso
do processo educativo dar-se-á por meio da posição de influência e liderança
exercidas por estas áreas.
Inspirada no texto do artigo 2º do Título da nova LDB –
A Educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana
tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.(LDB, art. 2º)
- é que procurei refletir e resgatar a importância do papel do orientador
educacional em suas dimensões ética e estética.
A escola enquanto um sistema social se compõe de um conjunto de
funções inter-relacionadas e Interinfluentes, onde a ação em uma das áreas se
refletirá nas demais (LÜCK, 1999). O papel da Orientação Educacional se faz
importante nesse sentido à medida que esta consiga atender às necessidades
da comunidade.
16
Para entendermos melhor o papel da Orientação Educacional, é
importante refletirmos sobre a sua formação, suas origens e possibilidades
prospectivas.
A Lei nº 5.564, de 21/12/1968, regulamentada pelo Decreto nº 72.846,
de 26/09/1973 nos Artigos 8º e 9º, define mais especificamente, em âmbito
nacional, as atribuições do orientador educacional, dada a importância de seu
conhecimento. Esses dois artigos são a seguir:
● Art.8º : São atribuições privativas do Orientador Educacional:
a) planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de
Orientação Educacional em nível de:
1- Escola; e
2- Comunidade;
b) planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de
Orientação Educacional dos órgãos do Serviço Público Federal, Estadual,
Municipal e Autárquico; das sociedades de Economia Mista, Empresas
Estatais, Paraestaduais e Privadas;
c) coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-a no
processo educativo global;
d) coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e
habilidades do educando;
e) coordenar o processo de informação educacional e profissional com
vistas à orientação vocacional;
f) sistematizar o processo de intercâmbio das informações necessárias
ao conhecimento global do educando;
17
g)
sistematizar
o
processo
de
acompanhamento
dos
alunos,
encaminhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistência
especial;
h) coordenar o acompanhamento pós-escolar;
i) ministrar disciplinas de Teoria e Prática da Orientação Educacional,
satisfeitas as exigências da legislação específica do ensino;
j) supervisionar estágios na área da Orientação Educacional;
k) emitir pareceres sobre matéria concernente à Orientação Educacional;
● Art.9º:
Compete, ainda, ao Orientador Educacional as seguintes
atribuições:
a) participar no processo de identificação das características básicas da
comunidade;
b) participar no processo de caracterização da clientela escolar;
c) participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola;
d) participar na composição, caracterização e acompanhamento de
turmas e grupos;
e) participar do processo de avaliação e recuperação dos alunos;
f) participar do processo de encaminhamento dos alunos estagiários;
g) participar no processo de integração escola-família-comunidade;
h) realizar estudos e pesquisas na área da Orientação Educacional.
18
Notamos que esta foi regulamentada em 1973 e, de lá para cá, muitas coisas
se modificaram. Na nova Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96, art.64, diz:
A formação de profissionais de educação para administração,
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional
para educação básica será feita em cursos de graduação em
pedagogia ou nível de pós-graduação, a critério da instituição
de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional.
(LDB, art.64)
Anterior a essa lei a classe passava por momentos de incertezas de ser ou não
citada, com a nova regulamentação da lei e da confirmação da relevância da
classe, é preciso repensar a formação que será dada nos cursos de
especialistas em Educação.
19
CAPÍTULO II
INFLUÊNCIA DO MEIO CULTURAL SOBRE A ATUAÇÃO DO
ORIENTADOR EDUCACIONAL
“O homem somente se realiza plenamente como ser humano
pela cultura e na cultura”
(EDGAR MORIN, apud GRINSPUN, 2006:63)
Segundo Grinspun (2006) o termo cultura é empregado em sentidos
muito diferentes, até contraditórios. Fala-se em cultura como sendo a posse de
certos conhecimentos. O fato de ter o não ter cultura torna-se positivo ou
negativo para o contexto em que ela é posicionada. Por outro lado, a cultura
pode existir em si e por si mesma e pode ser comparada a outras. Por
exemplo, dos dados da cultura brasileira, francesa e alemã etc.
O significado de cultura está centrado em alguns pontos: na
determinação de pessoas cultas ou incultas, na representatividade de prestígio
e respeito pelo fato de o homem ter cultura ou ser culto, na identificação como
uma coletividade que possui uma atividade cultural que pode ser comparada a
outras; pode querer dizer também que em uma mesma coletividade pode haver
dois tipos de cultura: a de massa e a de elite.
Outro sentido assume a cultura quando nos reportamos a uma
observação relativa a um determinado grupo, meio ou sociedade. Podemos
falar então de cultura brasileira como algo pertencente aos brasileiros, dos
brasileiros. Essa cultura não se limita ao campo do conhecimento e das artes,
mas procura fazer a relação entre o que constituem características dos
brasileiros face às grandes categorias, como religião, família, Igreja, sociedade
e outras mais.
Assim sendo, os objetivos básicos da cultura é oferecer condições para
igualdade de oportunidades para uma maior participação ativa na sociedade,
favorecendo um desenvolvimento de uma identidade cultural aberta e flexível,
20
dentro de uma sociedade a fim de formar novas gerações de cidadãos críticos
que tomem decisões para o desenvolvimento das práticas sociais e culturais.
Kroeber apud Grinspun (2006 p.66), um antropólogo americano diz que
o homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é herdeiro
de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência
adquiridos pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação
adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e
invenções.
Para este autor não basta a natureza criar indivíduos altamente
inteligentes, é necessário também colocar ao alcance deles o material
adequado para que exerçam sua criatividade de maneira revolucionária. A
contribuição de Kroeber para ampliação do conceito de cultura pode ser
relacionada nos seguintes pontos.
1. a cultura, mas do que a herança genética, determina o comportamento do
homem e justifica suas realizações;
2. o homem age de acordo com seus padrões culturais ;
3. a cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos;
4. o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e
transformar toda a terra em seu habitat;
5. adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do
aprendizado do que da ação através de atitudes geneticamente
determinadas;
6. como já era do conhecimento da humanidade desde o iluminismo, é esse
o processo que determina seu comportamento e sua capacidade artística
ou profissional;
7. a cultura é um processo cumulativo, resultante de toda experiência
histórica das gerações anteriores; esse processo limita ou estimula a ação
criativa do indivíduo;
8. os gênios são indivíduos altamente inteligentes que tem a oportunidade de
utilizar o conhecimento existente a seu dispor, construído pelos
21
participantes vivos e mortos do sistema cultural, e criar um novo objeto ou
uma nova técnica.
“A cultura é constituída pelo conjunto de saberes, fazeres,
regras, normas, proibições, estratégias, crenças, ideias,
valores, mitos que se transmite de geração em geração, se
reproduz em cada indivíduo, controla a existência da sociedade
e mantem a complexidade psicológica e social”.
(Edgar Morin, 2000:56 apud Grinspun, 2006)
Para Marins (2010) o Orientador Educacional é o agente que coordena as
diversas atividades relacionadas com a Orientação Educacional na escola.
Deve estar perfeitamente entrosado com a Direção, com o corpo docente, com
as famílias dos alunos e com a comunidade, a fim de que o plano de
Orientação Educacional seja levado adiante. Para cumprir corretamente sua
missão, terá de possuir os seguintes requisitos:
-
qualidades
como
educador:
vocação,
dedicação
e
autoridade
profissional;
- qualidades morais: veracidade, justiça, firmeza, serenidade;
- qualidades intelectuais: capacidade reflexiva, cultura geral, desenvolvida,
criatividade, ideias claras;
- qualidades psicológicas: controle emocional, empatia, persistência,
dinamismo, adaptabilidade;
- qualidades físicas: boa saúde, boa aparência.
Percebe-se que a Orientação Educacional é um serviço de importância
vital no processo educativo e que deve ser coordenada por pessoa altamente
gabaritada. É evidente que precisa ter todo o apoio possível do diretor, o que,
na prática, infelizmente não ocorre, pois este, quase sempre, tem posturas
dúbias quanto á Orientação Educacional, tais como:
a) Considera a Orientação Educacional um serviço cooperativo ou
competitivo com a Direção?
b) Espera que o Serviço de Orientação Educacional vá solucionar os
problemas disciplinares da escola?
22
c)Espera do Serviço de Orientação Educacional uma cooperação para
melhoria das atividades educacionais da escola?
d) Sabe que o papel do Serviço de Orientação Educacional consiste em
promover a integração dos educandos em todos os planos da vida?
Segundo Grinspun (2005) a Orientação Educacional é parte de um todo,
faz parte da escola que com ela interage permanentemente, assim a própria
sociedade, como demonstra a Figura 2.
Sociedade
Educação
Escola
Orientador
EducacionalEducacional
Orientador
Fonte: Grinspun(2005. p.70)
Enfim, compreender a cultura é compreender a sociedade onde ela se
efetiva. No caso da cultura brasileira, observa-se, pelos estudiosos da área,
uma estreita relação do tema com a identidade nacional.
23
O trabalho coletivo do Orientador Educacional irá se desenvolver de
acordo com o meio cultural em que a escola está inserida e também de acordo
com os atores envolvidos no processo ensino-aprendizagem.
2.1 – O Orientador Educacional diante das perspectivas atuais da escola
As sociedades domesticam os indivíduos por meio dos mitos e
ideias que, por sua vez, domesticam as sociedades e os
indivíduos, mas os indivíduos poderiam, reciprocamente,
domesticar a sociedade que o controla... As ideias existem pelo
homem e para eles. Somente poderemos utilizá-las
apropriadamente se soubermos também servi-los.
(MORIN, 2000:29)
Segundo Porto (2009), diante dos desafios propostos pela pósmodernidade, caberá a nós repensar as inúmeras perspectivas de ação, do
orientador educacional, compondo um quadro que nos leve à necessidade de
traçar um novo perfil para esse profissional do ensino, voltado para novas
perspectivas de atuação, buscando trabalhar com uma proposta embasada no
real, em contraponto com a realidade proclamada.
Vivemos um momento em que a tônica da política educacional brasileira
recai sobre o ensino fundamental, no sentido de poder garantir acesso,
permanência e qualidade à educação, fatores esses indispensáveis à
democratização do ensino.
Tal perspectiva impõe à escola o desafio de possibilitar a todos os
educandos a apropriação do saber produzido e acumulado pela sociedade e o
compromisso com a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos,
capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na
sociedade em que vivem, transformando-a. A escola, ao assumir o
compromisso com a formação da cidadania, amplia a sua responsabilidade e
ultrapassa os limites da transmissão de conhecimentos, devendo constituir-se
em um espaço de formação no qual, por meio de ações planejadas, possa
24
contribuir para a apropriação critica do conhecimento e o desenvolvimento do
educando em todas as suas potencialidades.
Ajudar a desvelar os mitos e trabalhar com as ideias que constituem e
são constituídas no convívio social, buscando entender suas relações,
propiciará aos indivíduos um maior entendimento de sua realidade, aprendendo
a utilizá-la de forma apropriada em beneficio da sociedade, a partir da
participação coletiva, consciente.
Dar voz ao mundo do aluno ... não significa calar-se. É do
confronto da realidade vivencial que o aluno traz, com a
realidade mais ampla que o professor, representa que a escola
cumprirá o seu papel, ampliando a experiência imediata do
aluno, ampliando e aprofundando os conhecimentos que o
aluno já possuía.
(MAIA, 1990:59)
De acordo com Grinspun (2006), a Orientação Educacional desenvolvida
na Escola interfere, no seu projeto, enquanto dele participa sendo o seu
principal
papel
o
da
mediação,
que
deve
ser
percebido
como
a
articulação/explicitação o desenvolvimento necessário entre o real e desejado,
entre o contexto e a cultura escolar, entre o concreto e o simbólico, entre a
realidade e as representações sociais que fazem os protagonistas da prática
escolar. Toda esta gama de aspectos que se entrecruzam no papel da
orientação, na verdade são os dados, as pistas para que possamos auxiliar,
promover os meios, disponibilizar as condições para uma qualificação na
construção da subjetividade.
Inúmeros são os desafios que a escola hoje tem que enfrentar, pois,
inúmeros são os desafios da própria sociedade, em ritmo crescente de
mudança em todos os seus segmentos. Na sociedade contemporânea, as
rápidas transformações devidas a uma série de fatores incidiram sobremaneira
nas Instituições e, portanto, na escola, ampliaram ainda mais os seus desafios
numa busca não só da democratização de seus meios para superar as
questões da exclusão social, mas também, para efetivar a melhor qualidade do
processo ensino aprendizagem no interior da mesma. A natureza filosófica da
25
escola junta-se a natureza técnica administrativa que com toda sua dinâmica e
relações produzem a sua cultura escolar, a sua história. O desafio maior é
educar crianças, jovens num mundo em crise, com mudanças substanciais,
hoje ampliadas por uma nova sociedade que é a virtual, onde entrecruzam
como redes, teias, valores diferenciados, exigências múltiplas. Precisamos
priorizar o enfrentamento desses desafios, mas precisamos procurar entender
porque e como esses desafios se apresentam. Em face desse quadro é comum
encontrarmos perguntas que se fazem na escola em relação à Orientação
Educacional: Grandes questões da Orientação
- Por que? Para que? A quem? Como e quando se orienta?
- A Orientação Educacional deve ser oferecida para todos os alunos ou
apenas para aqueles que apresentam mais dificuldades/desajustes na escola?
- Como romper barreiras (com o aluno, para o aluno) dentro e fora da
escola?
- Quem deve fazer Orientação Educacional na escola?
- Como trabalhar os aspectos pedagógicos quando se apresentam
muitos aspectos psicológicos que deveriam ser atendidos?
- Como fazer numa escola em que há poucos orientadores para o
número de alunos?
- É possível uma orientação Educacional com pouco contato com os
alunos?
- O professor pode fazer Orientação Educacional – afinal ele também
não se relaciona com o aluno?
- Qual a “fórmula” de sucesso para uma Orientação Educacional bemsucedida na escola? Quais os “ingredientes” dessa fórmula?
- Afinal, por que ainda se fala em Orientação Educacional na Escola?
Para Grinspun (2006) é evidente que as questões não se esgotam nas
apresentações; o que queremos analisar é qual o papel da Orientação
Educacional, numa escola que é parte integrante de uma sociedade, que tem
seu papel a desempenhar neste momento histórico.
As respostas ao porque, para que e como ficam no caminho de uma
justificativa da Orientação; ultrapasso esse caminho e vou em busca da
26
identificação/análise do papel da Orientação numa escola comprometida com
seu projeto político pedagógico onde além do processo ensino-aprendizagem
ou, a partir do processo ensino-aprendizagem esteja comprometida com a
formação do sujeito, com a formação da cidadania.
Diante dessas perspectivas atuais, percebe-se que a realidade do
cotidiano escolar depara-se com altos índices de evasão e repetência que
dificultam uma educação de qualidade. Assim sendo ressalta-se que no
universo escolar nem todos tem conhecimento e acesso a cultura na qual a
escola está inserida para construir um trabalho pedagógico que atenda a todos
os sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. O Orientador
Educacional tem o desafio de articular e mediar a bagagem cultural dos
diversos sujeitos neste universo onde a utilização de recursos técnicos e
informacionais tem por finalidade gerar uma sociedade participativa.
27
CAPÍTULO III
AS DIFICULDADES DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NO
EXERCÍCIO DA SUA FUNÇÃO.
“A relação pedagógica não pode ser limitada às relações
especificamente ‘escolares’ ... existe em toda a sociedade no
seu complexo, para cada indivíduo na sua relação com outros
indivíduos...”.
(ANTONIO GRAMSCI, apud MACCAREILLO,2005:31)
Segundo Porto (2009) uma das grandes dificuldades da educação
encontra-se na distância existente entre as ideias inovadora e ação pedagógica
em si, efetivada pelo professor, uma vez que o espaço próprio para a
efetivação das mudanças – a sala de aula – continua pleno de ações
conservadoras, muitas vezes instintivas ou com protestos diante das
perspectivas frustradas e das dificuldades encontradas pelo professor.
A falta de assistência ao professor quanto ao seu desempenho em sala
de aula, tanto no aspecto técnico quanto no pessoal, é visto como uma das
causas no entrave no processo educativo.
Assim sendo, o orientador educacional deve ter uma formação
continuada, buscando sempre um aprimoramento de suas funções, para que
ele possa orientar não somente os alunos, mas também os professores que
precisam desempenhar melhor as suas atividades em sala de aula.
3.1 - O trabalho coletivo no cotidiano escolar
O cotidiano escolar representa, segundo (Galvão 2004:28 apud
Lück,2010)
“o conjunto de práticas, relações e situações que ocorrem
efetivamente no dia a dia de uma instituição educacional,
episódios rotineiros e triviais que, ignorando por vezes os
planejamentos, constituem a substancia na qual se inserem
crianças ou jovens em processo de formação”.
28
“...é na vida cotidiana que atuam os profissionais e que se dão
as interações entre os diversos atores que participam direta ou
indiretamente do processo de educação”.
Segundo Lück (2010) o conceito de cotidiano escolar lembra o caráter
contraditório, ambíguo e ambivalente que existe na escola. Ele revela a
dinâmica da escola como organismo vivo marcado por tensões entre
acomodação
e
transformação,
conformismo
e
resistência,
interesses
individuais e interesses coletivos, conservação e inovação, senso comum e
proposições teóricas, espontaneísmo e organização, dentre outros aspectos. A
gestão do cotidiano pressupõe, portanto, a atuação no sentido de diminuir o
espaço das contradições e promover as articulações necessárias para
favorecer a superação de diferenças, sem perder a riqueza da diversidade.
Ainda Lück (2010), mostra que as atividades do dia a dia promovem a
produção e a reprodução do indivíduo social. A condição da educação
depende, portanto, sobremaneira do cotidiano praticado na escola: daquilo que
realmente se faz na escola, traduzindo o ideário de seus executores. O
cotidiano tem uma lógica própria em cada escola, e essa lógica é pontuada
pelos sujeitos sociais que dão vida e fazem a prática cotidiana. Esses sujeitos e
sua história são únicos, daí por que também é única a cotidianidade de cada
escola. Nela vamos observar a intensidade da energia aplicada ao trabalho na
escola, o direcionamento de seus esforços e a clareza de seus objetivos,
dentre outros aspectos.
Em vista disso, para se conhecer o clima e a cultura organizacional da
escola é preciso debruçar-se sobre como esses sujeitos se percebem e
percebem sua atuação na escola, em sua atuação cotidiana; o que determina
essa percepção; quais as maiores influências (externas e internas) na
determinação dessa percepção, que, por certo, recebe grande influência das
práticas regulares que ocorrem no interior do estabelecimento de ensino. Quais
são essas regularidades, o que as sustenta e mantém quem as determina,
como se expressam são algumas das questões que devem ser observadas.
29
Para Maccariello (2005), a escola, ao interagir com os demais atores
sociais, que também fazem a história e se educam nesta construção, tem a
possibilidade de contribuir, coletivamente, para produção de um conhecimento
transformador que além da aquisição dos conhecimentos historicamente
construídos, propicie uma compreensão crítica das condições sociais, bem
como dos aspectos ideológicos presentes no currículo escolar. Numa
construção deste tipo o professor torna-se o mediador do conhecimento
permitindo ao aluno buscar o conhecimento, sendo sujeito do seu próprio
desenvolvimento intelectual.
Um conhecimento, ao mesmo tempo humanizado e humanizante, que
explicite os reais determinantes econômicos e sociais de uma realidade social
desigual e excludente, compreendendo-a com suas contradições e buscando
uma formação humana que, partindo da visão de unilateralidade desta
formação se direcione para a omnilateralidade. Segundo Manacorda, o
desenvolvimento da omnilateralidade realizar-se-á, através do crescimento da
personalidade pelo trabalho, na medida em que “ uma totalidade de homens
totalmente desenvolvido se tenha apropriado de forças produtivas totalmente
desenvolvidas/.../no sentido da explicitação absoluta das faculdades criativas do
homem”. (Manacorda, 1991:105).
Andrioli (2010), segundo a construção do trabalho coletivo nas escolas
públicas de 1º e 2º graus exige que os educadores tenham clareza dos atores
que inviabilizam, atualmente, esta forma de trabalho:
● A nossa sociedade valoriza e reforça o individualismo nas pessoas, como
elemento básico para manutenção e expansão do sistema capitalista vigente. A
questão do individualismo, portanto presente também nas escolas, mas não só,
é uma característica da estrutura da sociedade brasileira.
● Os cursos de formação de professores ( habilitação para o Magistério,
Pedagogia e Licenciaturas) não vivenciam uma proposta pedagógica fruto de
um trabalho coletivo dos docentes que atuam nestes cursos. Ironicamente, os
futuros educadores escolares aprendem que nos próprios cursos de formação
30
como trabalhar de maneira desarticulada e fragmentada, sem uma percepção e
um compromisso com a visão de totalidade do currículo escolar. Em outras
palavras, a ausência de um trabalho pedagógico interdisciplinar nos próprios
cursos de formação contribui para desarticulação do trabalho na Unidade
Escolar.
●Não existe um trabalho coletivo articulado e coerente nos próprios órgãos que
compõem a estrutura da Secretaria de Estado da Educação. É frequente a
perplexidade da Unidade Escolar diante de solicitações contraditórias e/ ou
superpostas vindas das Divisões Regionais de Ensino – DRES, Delegacias de
Ensino – DES, e demais órgãos centrais.
●Faltam professores nas escolas, havendo casos em que os alunos percorrem
o semestre ou até o ano letivo sem docentes em várias disciplinas. Isto é um
sintoma, um alarme de que algo de grave ocorre no magistério público.
●Além da falta de professores nas unidades escolares, da improvisação, das
situações de emergência para tapar a lacuna da ausência de professores, a
rotatividade do corpo docente, da direção e dos funcionários é uma realidade
que dificulta a organização pedagógico-administrativa da Escola.
●O calendário escolar não prevê momentos para a articulação dos educadores
de Escola. Os professores têm poucos espaços para refletir, discutir e debater
a própria prática, com o objetivo de aperfeiçoá-la.
●Não existe, portanto, uma tradição de trabalho coletivo nas escolas estaduais
em geral.
●Faltam lideranças que coordenem um trabalho coletivo, centrado em torno da
formação de um tipo de cidadão.
●Falta aos professores à vivência de uma proposta de trabalho curricular
interdisciplinar, na qual a interdisciplinaridade deixe de ser um conceito
abstrato, transformando-se numa proposta pedagógica coletiva, concreta e
progressista.
31
●Uma grande frustração toma conta atualmente do magistério de forma geral;
ela vem de longa data e tudo indica que vivemos o ponto máximo desse
sentimento: poucos querem ser professores, muitos docentes querem
abandonar o magistério.
É importante ressaltar que nem todos os entraves existentes foram
abordados. Existem muitos outros relacionados diretamente com as condições
de vida e de trabalho às quais estão submetidos os educadores brasileiros.
Dentre esses entraves, a questão salarial merece um destaque especial, na
medida em que as condições salariais atuais do magistério ferem a dignidade
daqueles que tentam fazer da Educação um exercício de cidadania e
profissionalismo.
De acordo com Lück, Maccariello e Andriolli a realização do trabalho
coletivo no cotidiano escolar envolve a participação integrada dos sujeitos de
todos os segmentos das unidades de trabalho envolvidos de forma que alcance
os objetivos educacionais concebidos e assumidos de modo a constituir um
empenho coletivo em torno da sua realização.
O cotidiano escolar requer uma atenção especial, de maneira a se poder
ajudar a escola no seu dia a dia, e a tornar o seu ambiente favorável para
desempenhar com efetividade o seu papel social. É relevante ver a escola com
toda a sua história e em seu contexto, a partir de suas ações diárias,
superando a tendência de ver a escola a partir de suas próprias idealizações.
3.2 – A formação pedagógica do professor
De acordo com Cardoso (2006), educar o Homem, conduzir para fora,
como indica a etimologia da palavra, um potencial que justifique uma
existência, é toda uma tarefa pedagógica a ser desempenhada por verdadeiros
educadores e não por simples profissionais do magistério, um burocrata entre
outros, num plano de classificação de cargos instituídos por uma Secretaria ou
por um Ministério como órgão da administração pública. Não é atoa que muitos
32
se tenha indagado quem vem educando o educador brasileiro e como ele vem
sendo educado. Não é a toa que o curso de pedagogia vem sendo posto em
questão, sendo de consenso que a formação do educador deve ter prevalência
em relação ao especialista, cuja existência é até contestada por alguns. Não é
a toa que se vem fazendo contundente críticas em todo o Brasil, à maneira
fragmentada, tecnicista, alienada com que se vem formando o professor, para
não falar da desvalorização dos antigos cursos normais, que se transformaram
em mais um curso profissionalizante de baixos custos, e, portanto, de baixa
produtividade e ínfimo prestígio social, na escala referente a ocupações
profissionais do mercado do trabalho. Como alguém pode dar o que não tem?
Como formar o caráter ou ajudar a fazê-lo se “a normalista” e até a jovem
estudante de pedagogia ingresso no curso ainda em plena crise de
adolescência, muitas das vezes como simples trampolim para carreiras de
maior atratividade social, mais para qual não conseguiram a almejada vaga no
vestibular correspondente?
Não queremos fazer do professor o bode expiatório da crise que se
segue debatendo a educação nacional, pois, antes de tudo, ele próprio é vitima
que, parece, só muito recentemente vem valorizando a educação além um
pouco da retórica dos discursos oficiais na esperança de alguma concreta para
vencer um diagnóstico melancólico que se torne tão mais preocupante por se
repetir há mais de 50 anos, de que temos noticias. Apenas alguns indicadores:
a retenção na 1ª série no ensino fundamental, a evasão, a falta de professores
habilitados, no interior do País, a obediência a programas oficiais, ou a livrostexto, além dos quais a capacidade de alguns professores não consegue
ultrapassar os descompassados entre certas posturas sofisticadas e uma
realidade que, num confronto é violentada por sua própria existência.
“(...) o educador não poderá exercer suas atividades isento de
explicitas opções teóricas: uma opção filosófica-politica pela
opressão ou pela libertação, uma opção por uma teoria do
conhecimento norteadora da prática educacional (...),uma
opção coerente com as anteriores pelos fundamentos
específicos de sua prática, e, finalmente, uma opção explícita
na escolha dos meios de processar a práxis educativa, que não
poderá estar em desacordo com as opções anteriores. Tendo
33
efetivado uma opção explícita do ponto de vista filosófico as
outras opções decorrem dela lógica e obrigatoriamente”
(CANDAU, 1986, p.25-26)
Deste modo, o professor enquanto mediador no processo de produção
do conhecimento é peça fundamental, ou seja, uma ponte entre as novas
gerações e o mundo do conhecimento. A sua prática docente é reflexo da
formação pedagógica, infelizmente, o professor brasileiro, de um modo geral,
com a perda da sua dignidade tem tido consequências negativas ao nível de
sua formação e prática profissional, essa desvalorização deve-se em grande
parte às manobras políticas.
Segundo
Perrenoud
(2002)
Edgar
Morin
propõe
sete
saberes
fundamentais que escola teria a missão de ensinar:
1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão
2. Os princípios de um conhecimento pertinente.
3. A condição humana.
4. A identidade terrestre.
5. O confronto com as incertezas.
6. A compreensão
7. A ética do gênero humano
Parece-nos que os professores capazes de ensinar esses saberes
devem, além de aderir aos valores e à filosofia subjacentes, dispor da relação
com o saber, da cultura, da pedagogia e da didática sem os quais esse belo
programa continuaria sendo apenas letra morta.
Perrenoud (2002) infelizmente há um abismo entre o idealismo de Morin,
do qual compartilho, e o estado de nosso planeta e as relações de força, tanto
em escala mundial quanto no âmbito de cada país.
Por isso, ainda que
frisemos o vínculo entre a política e as finalidades da educação, por um lado, e
o papel e as competências dos professores, por outro, não nos parece útil
ampliar a lista das características de uma escola ideal até chegar a um
noman’s land, onde a liberdade de expressão equivalha a ausência de poder.
34
O que será colocado em prática depende da luta política e dos recursos
econômicos. Mesmo no caso de nos dirigirmos a uma sociedade planetária
dominada por algumas grandes potências, as finalidades da educação
continuam sendo uma questão nacional. O pensamento e as ideias podem
atravessar fronteiras, mas os brasileiros é que definirão as finalidades da
escola no Brasil e, consequentemente, formarão seus professores.
3.3 - Orientador Educacional e a Gestão Escolar
Segundo Lück (2004), o orientador educacional é comumente solicitado
nas escolas, a realizar múltiplas tarefas que não dizem respeito, diretamente, à
Orientação Educacional.
Atendimento a situações de emergência, controle de disciplina,
distribuição de merenda e de materiais escolares, substituição a professores
faltosos, organização de festas, constituem, muitas vezes, o dia a dia de um
orientador educacional que, assim atuando, revela a falta de um plano
pedagógico para direcionar a sua atuação. Atuando dessa forma o orientador
educacional age ao sabor dos ventos, sem compromisso político com a
transformação da escola e, portanto, sem determinação clara explicita de sua
responsabilidade. Por outro lado, essa prática direcionada pelo atendimento
improvisado as necessidades imediatas, pode significar o acobertamento da
acomodação de outros profissionais da escola que delegam exclusivamente
para o orientador educacional parte de suas responsabilidades.
Diante disso, os resultados serão negativos quando o gestor não souber
desempenhar o seu papel sobre todos os segmentos e pessoas da escola.
Torna-se necessário que o gestor possa apresentar a toda equipe de trabalho
as tarefas que cada um deve desempenhar, permitindo uma ação efetiva dos
papéis que cada um tem e suas responsabilidades. Cabe ao gestor criar
condições para que o trabalho do orientador educacional atinja os seus
objetivos propostos.
35
“A realidade pode ser mudada só porque e só na medida em
que nós mesmos a produzimos, e na medida em que saibamos
que é produzida por nós”.
(KOSIK,1976:18,apud LÜCK,2010)
Segundo LücK (2010), uma forma de conceituar gestão é vê-la como um
processo de mobilização da competência e da energia de pessoas
coletivamente organizadas para que, por sua participação ativa e competente,
promovam a realização, o mais plenamente possível, dos objetos de sua
unidade de trabalho, no caso, os objetivos educacionais. O entendimento do
conceito de gestão, portanto, por assentar-se sobre a maximização dos
processos sociais como força e ímpeto para a promoção de mudanças, já que
pressupõe, em si, a ideia de participação, isto é, do trabalho associado e
cooperativo de pessoas na análise de situações, na tomada de decisão sobre
seu encaminhamento e na ação sobre elas, em conjunto, a partir de objetivos
organizacionais entendidos e abraçados por todos. O conceito de gestão,
portanto, parte do pressuposto de que o êxito de uma organização social
depende da mobilização da ação construtiva conjunta de seus componentes,
pelo trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um “todo” orientado
por uma vontade coletiva. Esta, aliás, é condição fundamental para que a
educação se processe de forma efetiva no interior da escola, tendo em vista a
complexidade e a importância de seus objetivos e processos.
Para Grinspun (2006) um dado significativo à compreensão da escola é
o exercício de poder de determinadas pessoas, ou até o “poder” que ela
adquire como Instituição na sociedade; são as relações que o poder gera
dentro da escola, as formas de saber que o próprio poder vai criando nas
diversas instâncias onde se manifesta (algumas vezes como justificativa da
própria existência; outra como garantia de sobrevivência), que farão com que
ela desenvolva uma linha autoritária, coercitiva, lassaiz-faire ou democrática.
Desse modo, torna-se obvio que o “poder” numa visão de gestão
empresarial não deve ser adotada e sim uma gestão de uma liderança
participativa e integrada, onde o diálogo seja a ferramenta principal para a
36
tomada de decisões promovendo uma gestão com qualidade nas atividades
escolares.
Segundo Vasconcellos (2006) muitas vezes, quando os dirigentes se
referem aos professores, caem na linha classificatória e não na transformadora:
passam
a
julgar
a
pessoa
do
professor
(“acomodado,
resistente,
incompetente”) no lugar de analisá-los como sujeitos históricos que são
contraditórios como quaisquer outros. Isto revela o quanto a lógica tradicional
de avaliar está impregnada: ao invés de ser elemento de acompanhamento e
ajuda, passa a ser de prêmio ou punição, distorcendo seu sentido. Desta
forma, leva os professores às clássicas “palavras alusivas” (assumir o discurso
que,
supõe-se, o dirigente espera ouvir). É importante a equipe trabalhar
suas expectativas e preconceitos, destacando um aspecto fundamental na
atividade dos dirigentes: a busca da coerência entre aquilo que pregam e
aquilo que se fazem, conforme Quadro 1, a seguir:
Quadro1 - Coerência entre o que prega e o que se faz
O que se prega
O que se espera que se faça
Importância da Educação
Propiciar condições adequadas de
trabalho
Participação
Partilha do poder; decisão coletiva;
não ter surpresas com ” pacotes”
Ensino mais individualizado
Não sobrecarregar as classes com os
alunos
Conhecimento novo se dá a partir do
Levar em conta o conhecimento
prévio
prévio do professor
Aprendizagem depende de
Procurar despertar a necessidade de
mobilização
mudança no professor
Professor respeitar o aluno em sala
Dirigente respeitar o professor
Professor não fazer avaliação
Dirigente não fazer avaliação
classificatória excludente do aluno
classificatória excludente do professor
Fonte: Vasconcellos (2010)
37
Para Martins (2010), a escola não é uma linha de montagem em que os
objetivos são traduzidos no resultado final, mas uma instituição em que os
objetivos dependem da atuação específica de cada um dos componentes que
atuam no processo educacional. Isso reforça a atuação do diretor como líder,
que sugere, e não ordena, como chefe, respeitando a capacidade e a iniciativa
dos
especialistas
de
educação,
do
pessoal
docente
e
do
pessoal
administrativo.
Analisando a relação gestor, equipe pedagógica e administrativa, um
dos fatores fundamentais para que não haja fragmentação na construção do
trabalho pedagógico é a coerência, pois ela é o elo mediador entre os sujeitos
envolvidos para que possam atingir os objetivos propostos em relação alunoaprendizagem, respeitando a bagagem cultural e construindo trabalho coletivo
no cotidiano escolar, sem exclusões.
38
CONCLUSÃO
O trabalho do Orientador Educacional é essencial no cotidiano escolar,
pois são inúmeras as contribuições do Orientador Educacional na escola
facilitando os meios, as condições necessárias de forma adequada a conduzir
o educando a se conscientizar e lutar por uma realidade humanizada, com
novos valores, concepções, relação de produção e de convivência com o meio
cultural e social em que está inserido.
Portanto, o Orientador Educacional pela sua grande importância deve
ser o centro do processo irradiador e motivador das atividades desenvolvidas
junto aos professores, alunos, família e comunidade e não um serviço a mais
dentro da escola.
Em suma, o Orientador Educacional no desenvolvimento do trabalho
pedagógico deve criar um espaço de exercício da cidadania, um espaço
político de descobertas, de discussão e solução de problemas fundamentais no
ensino-aprendizagem.
Entretanto, apesar dos inúmeros entraves encontrados no exercício de
sua função muitas vezes impostos pela gestão, ele nunca deverá desistir de
seus propósitos e procurar ser sempre o mediador entre todos os sujeitos
envolvidos no processo educativo.
Por fim, chegamos a conclusão que é preciso que
gestores,
orientadores pedagógicos e professores possam se juntar ao Orientador
Educacional para a construção de uma escola justa e um ensino mais
democrático, ampliando os questionamentos sobre o modelo socioeconômico
altamente seletivo, injusto que dificulta a dinamização efetiva do trabalho
pedagógico do Orientador Educacional.
39
Bibliografia
CANDAU, Vera Maria. A Didática em Questão. Petrópolis: Vozes, 1986.
CARDOSO,H. Educação e Supervisão: o trabalho coletivo na escola. 11 ed.
São Paulo, Cortez, 2006.
CERVO, A. L.; BERVIAN, P.A. Metodologia científica. 5 ed. São Paulo,
Pearson Prentice Hall, 2004.
GARCIA, R.L. Orientação Educacional: o trabalho na escola. 4ª ed. São Paulo:
Loyola, 2002.
GIACAGLIA, L. R. A. Orientação Educacional na Prática: princípios, técnicas,
instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Pioneira, 2000
GRINSPUN, M. P. S. Z. A Orientação Educacional: conflitos de paradigma e
alternativas para a escola. 3ª ed.São Paulo: Cortez, 2006
GRINSPUN, M. P. S. Z.(org.) Supervisão e orientação educacional:
perspectivas de integração na escola. 2ª ed. São Paulo, 2005.
GRINSPUN, M. P. S. Z. A Prática dos Orientadores Educacionais. 5ª ed. São
Paulo: Cortez, 2003
GUIMARAES, A.A. (orgs). O Coordenador Pedagógico e a Formação Docente.
4ª ed. São Paulo. Loyola, 2003
LÜCK, H. Planejamento em Orientação Educacional. Petrópolis: Vozes, 2004.
LÜCK,
H.
Ação
Integrada:
Administração,
Supervisão
e
Orientação
Educacional. Petrópolis: Vozes, 2004.
LÜCK, H. A Gestão Participativa na Escola. 6ª ed. Rio de Janeiro: Vozes.,
2010.
MARTINS, J.P. Gestão Educacional: uma abordagem crítica do processo
administrativo em educação. 4ª ed. Rio de Janeiro: Wak Ed.,2010
PERRENOUD, P.. THURLER.M. G. As Competências para Ensinar no Século
XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre:
Artmed., 2002.
PORTO, O. Orientação Educacional: teoria, prática e ação. Rio de Janeiro:
Wak. ed., 2009.
VASCONCELLOS, C.S. Coordenação do Trabalho pedagógico: do projeto
político pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 6ª ed. São Paulo: Libertad,
ed., 2006.
40
Download

Nanci Gameiro de Souza Gomes