AU TO RA L 1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU O PE LA LE I DE DI R EI TO AVM FACULDADE INTEGRADA EG ID AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELO ORIENTADOR Por: Nanci Gameiro de Souza Gomes DO CU M EN TO PR OT EDUCACIONAL NO DESENVOLVIMENTO DE SUA FUNÇÃO Orientador: Profº.Maria Esther Araújo Co-orientadora:Giselle Böger Brand Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELO ORIENTADOR EDUCACIONAL NO DESENVOLVIMENTO DE SUA FUNÇÃO Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial especialista em para obtenção Orientação grau de Educacional e Pedagógica Por: Nanci Gameiro de Souza Gomes do 3 AGRADECIMENTOS “Tudo o que fazemos com amor tem sabor de eternidade”. Gandhi A Deus, por tudo que me tem permitido realizar e por ter colocado em meu caminho todas estas pessoas maravilhosas que contribuíram para tornar possível a execução deste trabalho. As minhas grandes amigas Ana Maria e Maria da Glória, o meu especial agradecimento pela efetiva contribuição em todas as etapas deste trabalho. Ao meu esposo Silvio por todo incentivo dado durante o curso e que soube compreender a minha constante ausência. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles que se preocupam com as questões da educação e buscam alternativas viáveis para melhorá-la. 5 RESUMO O papel do Orientador Educacional vem refletindo a sua grande importância no processo educativo, neste novo contexto socioeconômico e cultural que ocorre na sociedade brasileira, mas esta não é uma tarefa fácil para este profissional da educação que muitas das vezes sofre com a falta de planejamento, critérios para exercer as suas atividades funcionais. Este estudo monográfico visa conhecer e analisar o cotidiano do professor na sua função de Orientador Educacional, gerando uma reflexão sobre a influência do meio cultural na formação dos professores e no desenvolvimento do seu trabalho no cotidiano escolar, destacando algumas leis que regem essa profissão, como a Lei 5564 de 1968 que amplia as atribuições do Orientador Educacional. Sendo assim, é de grande importância sinalizarmos a trajetória histórica do Orientador Educacional até atualidade, mostrando a relevância do trabalho coletivo nas escolas para concretização de um ambiente favorável e efetivo com o seu papel social. Logo, a gestão escolar deve assumir as suas responsabilidades diante de sua equipe de trabalho, promovendo interatividade nas relações do Orientador e os demais atores sociais para que se cumpram as metas e objetivos propostos. Portanto, conclui-se neste trabalho que o Orientador Educacional deva persistir em sua função, e ser o mediador entre todos os sujeitos envolvidos no processo educativo. 6 METODOLOGIA A proposta metodológica que fundamenta esta monografia será unicamente uma Pesquisa Bibliográfica, que tem por finalidade apresentar veracidade aos fatos abordados neste trabalho com base em materiais já publicados em diversas obras sobre Orientação Educacional que foram estudadas, e as informações relevantes, consideradas. De acordo com Cervo e Bervian, (2004) metodologia científica é o estudo dos métodos de conhecer, de buscar o conhecimento. É uma forma de pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, seja para explicá-lo ou estudá-lo. O método científico é entendido como um conjunto de processos orientados por uma habilidade crítica e criadora voltada para a descoberta da verdade e para a construção da ciência hoje. A pesquisa constitui seu principal instrumento ou meio de acesso. Desta forma, essa pesquisa busca conhecer e analisar o cotidiano do professor na sua função de Orientador Educacional, utilizando referências teóricas publicadas em livros, sites e revistas acadêmicas. Os principais autores e teóricos utilizados para a realização deste trabalho foram: Leyda Tubino Abelin, Lia Renata Ageline Giacaglia, Heloisa Lück, José do Prado Martins, Ilka Neves e Olgair Siqueira entre outros. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - A atuação do Orientador Educacional 10 1.1– Breve Histórico 12 1.2 – A identidade do Orientador Educacional 15 CAPÍTULO II - A influência do meio Cultural sobre a atuação do Orientador Educacional 19 2.1 – O Orientador Educacional diante das Perspectivas atuais da escola 23 CAPÍTULO III – As dificuldades do Orientador Educacional no exercício da sua função 27 3.1 – O trabalho coletivo no cotidiano escolar 3.2 – A formação pedagógica do professor 3.3 – Orientador Educacional e a Gestão Escolar 27 31 34 CONCLUSÃO 38 BIBLIOGRAFIA 39 8 INTRODUÇÃO O presente estudo tem por objetivo apresentar as dificuldades encontradas pelo Orientador Educacional no desenvolvimento de sua função, procurando ressaltar que numa época frequentemente designada como era da globalização, marcada por grandes transformações e avanços tecnológicos, percebe-se certo sentimento de frustração quanto à atuação do Orientador Educacional no exercício de sua função no ambiente escolar e principalmente em algumas escolas do Ensino Fundamental do Estado do Rio de Janeiro. Segundo Porto(2009) tradicionalmente, o orientador educacional é percebido e percebe-se como um profissional que tem como função precípua atuar com os educandos. Neste sentido, a orientação educacional é definida por Schmidt e Pereira (1969): Um método pelo qual o orientador educacional ajuda o aluno, na escola, a tomar consciência de seus valores e dificuldades, concretizando, principalmente através do estudo, sua realização em todas as suas estruturas e em todos os planos de vida. (SCHMIDT e PEREIRA, apud NÉRICI, 1973:67) É importante ressaltar que serão abordadas questões sobre a teoria e a prática deste profissional, a sua interação com gestores e professores e a influência que o meio cultural exerce no cotidiano escolar. O que acontece geralmente é uma indefinição de funções do Orientador Educacional, ocorrendo assim desvios de função e falta de um bom relacionamento com os gestores. Outro fator que dificulta o trabalho deste profissional é a formação pedagógica inadequada de alguns professores. É interessante lembrar que o Orientador Educacional pode e deve ser considerado, na atualidade, um elemento de grande valor. É indispensável a sua contribuição na formação de professores e alunos, levando-os a aprofundar seus conhecimentos, reivindicar seus direitos e lutar por uma sociedade mais justa onde cada indivíduo conquiste a sua liberdade. 9 Diante disso, algumas questões serão relevantes neste trabalho monográfico como analisar as dificuldades encontradas pelo Orientador Educacional no desenvolvimento do seu trabalho coletivo em relação ao ambiente escolar. Também é importante reconhecer as barreiras encontradas pelo Orientador Educacional no exercício de sua função, e refletirmos sobre a influência do meio cultural na formação dos professores no desenvolvimento do seu trabalho no cotidiano escolar. Sendo assim, é de grande importância sinalizarmos a trajetória do Orientador Educacional na atualidade. Para compreendermos as questões que norteiam este trabalho monográfico será desenvolvido em três capítulos sendo que o primeiro capítulo abordará a atuação do Orientador Educacional e um breve histórico da educação do Brasil. No segundo capítulo será abordada a influência do meio cultural sobre a atuação do Orientador Educacional diante das perspectivas atuais da escola e para finalizar o terceiro capítulo irá apresentar as dificuldades do Orientador Educacional no exercício da sua função destacando o trabalho coletivo no cotidiano escolar, a formação pedagógica do professor e orientação educacional e a gestão escolar. 10 CAPÍTULO I A ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL. Segundo Grinspun (2006) o conceito de Orientação Educacional abrange diferentes significados que acompanham sua trajetória histórica, especialmente na realidade brasileira. Essa diferença nas abordagens conceituais está relacionada tanto à própria questão epistemológica da Orientação, como ao tratamento que lhe é emprestado ao ser analisada sob os enfoques que a dimensionam, como, por exemplo, a Orientação Vocacional. É interessante observar também que há contradições na própria explicitação dos significados. Por exemplo, Isabel Junqueira Schmidt, em seu livro Orientação Educacional, de 1942, diz que no Brasil esse termo equivale ao “guidance” do inglês, mas que para “evitar mal-entendidos, adotamos a denominação orientação nos estudos, correspondendo à orientação educacional, em inglês, quando empregada no seu verdadeiro sentido”. Em outras palavras, a concepção inicial de Orientação, no Brasil, era de cunho psicológico, terapêutico e corretivo, conforme verificamos na legislação e nas atribuições dos orientadores, enfatizadas pelo “counseling”, mas o significado que lhe emprestavam na implantação da Orientação Educacional, conforme Junqueira Schmidt, era o pedagógico e escolar. Fica em aberto: o “verdadeiro sentido” da Orientação seria o pedagógico ou psicológico? As relações entre o orientador educacional e o psicólogo devem ser esclarecidas, pois o orientador educacional não deve exercer funções que não lhe compete. A orientação educacional atualmente é concebida como um processo muito mais abrangente, por apresentar uma dimensão pedagógica, permitindo um caráter mediador entre os atores relevantes da escola. De acordo com Lück (2004) cabe-nos resgatar nosso entendimento de que a Orientação Educacional tem certas funções (ações) clássicas a serem desempenhadas no contexto pedagógico em que esteja inserida, funções essas cujo o sentido não é estático, mas sim , transforma-se continuamente, em razão da interação múltipla de variados fatores, que ocorre no processo 11 dinâmico da prática social pedagógica. Vale dizer que o sentido das funções e o seu dimensionamento são construídos dinamicamente, no contexto da ação, devendo alargar-se continuamente. As funções da Orientação Educacional podem ser englobadas em dois grupos, que se caracterizam como sendo duas dimensões de um mesmo processo, em que uma não existe sem a outra e a ampliação de uma implica a ampliação da outra. Os dois grupos são: ● das funções de organização, ● das funções de implementação ( Lück,1979b). Da interação recíproca entre as funções de organização e de implementação vão-se desenvolvendo, concomitantemente, o processo e a concepção de Orientação Educacional, criando-se, dessa forma, uma nova realidade e uma nova ótica. A Figura 1 apresenta a relação entre essas duas dimensões. Relação Interativa entre as funções de organização e implementação Organização Implementação Fonte: Lück (2004) Diante dessa relação interativa entre as funções de organização e implementação, a trajetória histórica do conceito de Orientação Educacional abrange desde o enfoque psicológico até o pedagógico na realidade brasileira. À medida que a Orientação Educacional vai se desenvolvendo vão sendo inseridas diversas funções que são construídas na relação de interatividade entre as funções. 12 O Orientador Educacional deverá se preparar para assumir funções de interatividade entre professores, pais, e os diversos atores sociais com os quais o educando interagem, mantendo uma relação que atendam as necessidades do educando. 1.1 – Breve Histórico Segundo Garcia (2002) a orientação educacional começa no Brasil vinculada, ainda que canhestramente, à questão do trabalho. Quando, em 1924, em São Paulo, o engenheiro suíço Roberto Mange cria um serviço de seleção e de orientação profissional para aluno do curso de mecânica, e quando, em 1931, também em São Paulo, Lourenço Filho, na condição de diretor do Departamento de Educação, torna oficial o Serviço Público de Orientação Educacional e Profissional, fica clara a intenção de ambas as iniciativas em responsabilizar o orientador educacional pela preparação para o trabalho. Ao orientador caberia selecionar, orientar e encaminhar aqueles que pretendiam ingressar em cursos universitários e aqueles que precisavam se profissionalizar imediatamente. A Lei Orgânica do Ensino Industrial de 1942 refere-se ao orientador educacional facilitando as escolhas profissionais, esclarecendo e aconselhando. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 refere-se à Orientação Educacional e Vocacional como ajuda ao aluno em suas escolhas. A Lei 5.564 de 1968, embora amplie as atribuições do orientador educacional, confirma a sua responsabilidade em relação à orientação vocacional. E quando o decreto 72.846 de 1973 especifica as responsabilidades do orientador educacional, é dada grande ênfase à orientação vocacional, à sondagem de aptidões e interesses, ao papel Orientador Educacional articulando a escola e o mundo fora da escola (família e comunidade e mundo de trabalho). Isto porque a Lei 5.692/71 definira o 13 orientador educacional como responsável pela articulação escola-famíliacomunidade e pela preparação para o trabalho. Ainda Garcia (2002, p.15) no final da década, começam as criticas a política de profissionalização da lei 5.692/71, ao chamado milagre brasileiro, a teoria do bolo. Os educadores começam a se posicionar em relação ao debate. A orientação educacional olha, ouve, lê, mas não participa. Era uma história de cooptação pelo Estado e de subserviência a teorias importadas que não podiam ser rompidas sem luta. Além disso, a lei 5.692/71 garantia a obrigatoriedade da orientação educacional. “Porque contestá-la”? Ficava complicado contestar a lei em seu espírito e reclamar o seu cumprimento no artigo 10. Segundo Grispun (2006) a busca de um trabalho integrado com os demais membros da comunidade escolar é identificada na atividade dos orientadores. Em 1976, o MEC elaborou um documento, “Orientação Educacional e Linhas de Ação” (baseado em outro documento de 1973), que abordava os dois planos de atuação da Orientação Educacional: o plano de ação integrada – Orientação Educacional e Pedagógica atuando junto com a direção, professores, alunos e demais técnicos, planejando, executando e avaliando sistematicamente a ação educativa – e o plano de ação direta, em que o orientador deveria atingir o aluno, sobretudo através do trabalho de grupo. Foi um período fértil estimulador das dinâmicas de grupo. A década de 80 apresentou os eventos mais significativos para os orientadores educacionais, uma profissão surgida em 1968 e cujos eventos promovidos vieram demonstrando um movimento de afirmação e negação de seus pressupostos básicos. Enquanto a classe teve necessidade de afirmar-se teoricamente para que sua prática fosse legitimada, começou a buscar identidade própria, rompendo com as benesses do MEC/CADES, em especial nos eventos da classe. Por seu movimento histórico, político e econômico, a década de 80 apresenta grandes mudanças, avanços, recuos e contradições. Os 14 orientadores, principalmente através dos seus órgãos de classe, começam a buscar respostas para suas indagações, a partir dos questionamentos sociais. Na década de 80, os orientadores fazem uma reflexão maior sob seu papel social. Estendem, como fato natural, seu compromisso com as classes trabalhadoras. O orientador tem que se posicionar em relação a seu trabalho e suas atribuições, dentro e fora da escola. O que se nota, na realidade, é que houve uma mudança no discurso, mas na prática não se conseguiu acompanhar tal “transformação”. O início da década de 90 apresenta uma nova situação para os orientadores educacionais: a extinção da Federação Nacional de Orientadores Educacionais ( FENOE ) em 1990, entidade criada em 1966, em Porto Alegre, no II Encontro Nacional de Orientadores Educacionais. A maioria dos orientadores presentes ao Congresso Extraordinário de Orientadores Educacionais entendeu que deveria ser formado um sindicato único, em que direitos e lutas fossem definidos e incorporados na mesma entidade que reunisse os trabalhadores da Educação: a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação). Mais uma vez o discurso distancia-se da prática: enquanto o primeiro, no Congresso Extraordinário, mostrava as vantagens da unificação dos “sindicatos”, o que levaria o fortalecimento da categoria no tocante a reinvindicações trabalhistas, houve, na prática, um enfraquecimento das associações de classes e uma fragilização, mais uma vez da identidade do orientador educacional. Para Grinspun (2006) atualmente a Orientação, caracteriza-se por um trabalho mais abrangente, no sentido de sua dimensão pedagógica. Possui caráter mediador junto aos demais educadores, atuando com todos os protagonistas da escola no resgate de uma ação mais efetiva e de uma educação de qualidade nas escolas. O orientador está comprometido com a formação da cidadania dos alunos, considerando, em especial, o caráter da subjetividade. 15 Desta forma, percebe-se que a função do Orientador Educacional, não tem uma infraestrutura compartilhada com os demais profissionais da educação, mesmo regulamentada por leis e decretos ainda falta muito para estes profissionais exercerem, desenvolverem e compartilharem as suas atividades e competências. 1.2 – A identidade do Orientador Educacional “Simplesmente não posso pensar pelos outros, para os outros, nem sem os outros”. (Paulo Freire) Segundo Porto (2009) o processo educativo se viabiliza por meio de três áreas de atuação principais, que são: a administração escolar, a supervisão escolar e a orientação educacional. Todas as atividades desenvolvidas na escola estão atreladas a estas três áreas, podendo-se perceber que o sucesso do processo educativo dar-se-á por meio da posição de influência e liderança exercidas por estas áreas. Inspirada no texto do artigo 2º do Título da nova LDB – A Educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.(LDB, art. 2º) - é que procurei refletir e resgatar a importância do papel do orientador educacional em suas dimensões ética e estética. A escola enquanto um sistema social se compõe de um conjunto de funções inter-relacionadas e Interinfluentes, onde a ação em uma das áreas se refletirá nas demais (LÜCK, 1999). O papel da Orientação Educacional se faz importante nesse sentido à medida que esta consiga atender às necessidades da comunidade. 16 Para entendermos melhor o papel da Orientação Educacional, é importante refletirmos sobre a sua formação, suas origens e possibilidades prospectivas. A Lei nº 5.564, de 21/12/1968, regulamentada pelo Decreto nº 72.846, de 26/09/1973 nos Artigos 8º e 9º, define mais especificamente, em âmbito nacional, as atribuições do orientador educacional, dada a importância de seu conhecimento. Esses dois artigos são a seguir: ● Art.8º : São atribuições privativas do Orientador Educacional: a) planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional em nível de: 1- Escola; e 2- Comunidade; b) planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional dos órgãos do Serviço Público Federal, Estadual, Municipal e Autárquico; das sociedades de Economia Mista, Empresas Estatais, Paraestaduais e Privadas; c) coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-a no processo educativo global; d) coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando; e) coordenar o processo de informação educacional e profissional com vistas à orientação vocacional; f) sistematizar o processo de intercâmbio das informações necessárias ao conhecimento global do educando; 17 g) sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistência especial; h) coordenar o acompanhamento pós-escolar; i) ministrar disciplinas de Teoria e Prática da Orientação Educacional, satisfeitas as exigências da legislação específica do ensino; j) supervisionar estágios na área da Orientação Educacional; k) emitir pareceres sobre matéria concernente à Orientação Educacional; ● Art.9º: Compete, ainda, ao Orientador Educacional as seguintes atribuições: a) participar no processo de identificação das características básicas da comunidade; b) participar no processo de caracterização da clientela escolar; c) participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola; d) participar na composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos; e) participar do processo de avaliação e recuperação dos alunos; f) participar do processo de encaminhamento dos alunos estagiários; g) participar no processo de integração escola-família-comunidade; h) realizar estudos e pesquisas na área da Orientação Educacional. 18 Notamos que esta foi regulamentada em 1973 e, de lá para cá, muitas coisas se modificaram. Na nova Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96, art.64, diz: A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para educação básica será feita em cursos de graduação em pedagogia ou nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. (LDB, art.64) Anterior a essa lei a classe passava por momentos de incertezas de ser ou não citada, com a nova regulamentação da lei e da confirmação da relevância da classe, é preciso repensar a formação que será dada nos cursos de especialistas em Educação. 19 CAPÍTULO II INFLUÊNCIA DO MEIO CULTURAL SOBRE A ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL “O homem somente se realiza plenamente como ser humano pela cultura e na cultura” (EDGAR MORIN, apud GRINSPUN, 2006:63) Segundo Grinspun (2006) o termo cultura é empregado em sentidos muito diferentes, até contraditórios. Fala-se em cultura como sendo a posse de certos conhecimentos. O fato de ter o não ter cultura torna-se positivo ou negativo para o contexto em que ela é posicionada. Por outro lado, a cultura pode existir em si e por si mesma e pode ser comparada a outras. Por exemplo, dos dados da cultura brasileira, francesa e alemã etc. O significado de cultura está centrado em alguns pontos: na determinação de pessoas cultas ou incultas, na representatividade de prestígio e respeito pelo fato de o homem ter cultura ou ser culto, na identificação como uma coletividade que possui uma atividade cultural que pode ser comparada a outras; pode querer dizer também que em uma mesma coletividade pode haver dois tipos de cultura: a de massa e a de elite. Outro sentido assume a cultura quando nos reportamos a uma observação relativa a um determinado grupo, meio ou sociedade. Podemos falar então de cultura brasileira como algo pertencente aos brasileiros, dos brasileiros. Essa cultura não se limita ao campo do conhecimento e das artes, mas procura fazer a relação entre o que constituem características dos brasileiros face às grandes categorias, como religião, família, Igreja, sociedade e outras mais. Assim sendo, os objetivos básicos da cultura é oferecer condições para igualdade de oportunidades para uma maior participação ativa na sociedade, favorecendo um desenvolvimento de uma identidade cultural aberta e flexível, 20 dentro de uma sociedade a fim de formar novas gerações de cidadãos críticos que tomem decisões para o desenvolvimento das práticas sociais e culturais. Kroeber apud Grinspun (2006 p.66), um antropólogo americano diz que o homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquiridos pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e invenções. Para este autor não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes, é necessário também colocar ao alcance deles o material adequado para que exerçam sua criatividade de maneira revolucionária. A contribuição de Kroeber para ampliação do conceito de cultura pode ser relacionada nos seguintes pontos. 1. a cultura, mas do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica suas realizações; 2. o homem age de acordo com seus padrões culturais ; 3. a cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos; 4. o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu habitat; 5. adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que da ação através de atitudes geneticamente determinadas; 6. como já era do conhecimento da humanidade desde o iluminismo, é esse o processo que determina seu comportamento e sua capacidade artística ou profissional; 7. a cultura é um processo cumulativo, resultante de toda experiência histórica das gerações anteriores; esse processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo; 8. os gênios são indivíduos altamente inteligentes que tem a oportunidade de utilizar o conhecimento existente a seu dispor, construído pelos 21 participantes vivos e mortos do sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. “A cultura é constituída pelo conjunto de saberes, fazeres, regras, normas, proibições, estratégias, crenças, ideias, valores, mitos que se transmite de geração em geração, se reproduz em cada indivíduo, controla a existência da sociedade e mantem a complexidade psicológica e social”. (Edgar Morin, 2000:56 apud Grinspun, 2006) Para Marins (2010) o Orientador Educacional é o agente que coordena as diversas atividades relacionadas com a Orientação Educacional na escola. Deve estar perfeitamente entrosado com a Direção, com o corpo docente, com as famílias dos alunos e com a comunidade, a fim de que o plano de Orientação Educacional seja levado adiante. Para cumprir corretamente sua missão, terá de possuir os seguintes requisitos: - qualidades como educador: vocação, dedicação e autoridade profissional; - qualidades morais: veracidade, justiça, firmeza, serenidade; - qualidades intelectuais: capacidade reflexiva, cultura geral, desenvolvida, criatividade, ideias claras; - qualidades psicológicas: controle emocional, empatia, persistência, dinamismo, adaptabilidade; - qualidades físicas: boa saúde, boa aparência. Percebe-se que a Orientação Educacional é um serviço de importância vital no processo educativo e que deve ser coordenada por pessoa altamente gabaritada. É evidente que precisa ter todo o apoio possível do diretor, o que, na prática, infelizmente não ocorre, pois este, quase sempre, tem posturas dúbias quanto á Orientação Educacional, tais como: a) Considera a Orientação Educacional um serviço cooperativo ou competitivo com a Direção? b) Espera que o Serviço de Orientação Educacional vá solucionar os problemas disciplinares da escola? 22 c)Espera do Serviço de Orientação Educacional uma cooperação para melhoria das atividades educacionais da escola? d) Sabe que o papel do Serviço de Orientação Educacional consiste em promover a integração dos educandos em todos os planos da vida? Segundo Grinspun (2005) a Orientação Educacional é parte de um todo, faz parte da escola que com ela interage permanentemente, assim a própria sociedade, como demonstra a Figura 2. Sociedade Educação Escola Orientador EducacionalEducacional Orientador Fonte: Grinspun(2005. p.70) Enfim, compreender a cultura é compreender a sociedade onde ela se efetiva. No caso da cultura brasileira, observa-se, pelos estudiosos da área, uma estreita relação do tema com a identidade nacional. 23 O trabalho coletivo do Orientador Educacional irá se desenvolver de acordo com o meio cultural em que a escola está inserida e também de acordo com os atores envolvidos no processo ensino-aprendizagem. 2.1 – O Orientador Educacional diante das perspectivas atuais da escola As sociedades domesticam os indivíduos por meio dos mitos e ideias que, por sua vez, domesticam as sociedades e os indivíduos, mas os indivíduos poderiam, reciprocamente, domesticar a sociedade que o controla... As ideias existem pelo homem e para eles. Somente poderemos utilizá-las apropriadamente se soubermos também servi-los. (MORIN, 2000:29) Segundo Porto (2009), diante dos desafios propostos pela pósmodernidade, caberá a nós repensar as inúmeras perspectivas de ação, do orientador educacional, compondo um quadro que nos leve à necessidade de traçar um novo perfil para esse profissional do ensino, voltado para novas perspectivas de atuação, buscando trabalhar com uma proposta embasada no real, em contraponto com a realidade proclamada. Vivemos um momento em que a tônica da política educacional brasileira recai sobre o ensino fundamental, no sentido de poder garantir acesso, permanência e qualidade à educação, fatores esses indispensáveis à democratização do ensino. Tal perspectiva impõe à escola o desafio de possibilitar a todos os educandos a apropriação do saber produzido e acumulado pela sociedade e o compromisso com a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem, transformando-a. A escola, ao assumir o compromisso com a formação da cidadania, amplia a sua responsabilidade e ultrapassa os limites da transmissão de conhecimentos, devendo constituir-se em um espaço de formação no qual, por meio de ações planejadas, possa 24 contribuir para a apropriação critica do conhecimento e o desenvolvimento do educando em todas as suas potencialidades. Ajudar a desvelar os mitos e trabalhar com as ideias que constituem e são constituídas no convívio social, buscando entender suas relações, propiciará aos indivíduos um maior entendimento de sua realidade, aprendendo a utilizá-la de forma apropriada em beneficio da sociedade, a partir da participação coletiva, consciente. Dar voz ao mundo do aluno ... não significa calar-se. É do confronto da realidade vivencial que o aluno traz, com a realidade mais ampla que o professor, representa que a escola cumprirá o seu papel, ampliando a experiência imediata do aluno, ampliando e aprofundando os conhecimentos que o aluno já possuía. (MAIA, 1990:59) De acordo com Grinspun (2006), a Orientação Educacional desenvolvida na Escola interfere, no seu projeto, enquanto dele participa sendo o seu principal papel o da mediação, que deve ser percebido como a articulação/explicitação o desenvolvimento necessário entre o real e desejado, entre o contexto e a cultura escolar, entre o concreto e o simbólico, entre a realidade e as representações sociais que fazem os protagonistas da prática escolar. Toda esta gama de aspectos que se entrecruzam no papel da orientação, na verdade são os dados, as pistas para que possamos auxiliar, promover os meios, disponibilizar as condições para uma qualificação na construção da subjetividade. Inúmeros são os desafios que a escola hoje tem que enfrentar, pois, inúmeros são os desafios da própria sociedade, em ritmo crescente de mudança em todos os seus segmentos. Na sociedade contemporânea, as rápidas transformações devidas a uma série de fatores incidiram sobremaneira nas Instituições e, portanto, na escola, ampliaram ainda mais os seus desafios numa busca não só da democratização de seus meios para superar as questões da exclusão social, mas também, para efetivar a melhor qualidade do processo ensino aprendizagem no interior da mesma. A natureza filosófica da 25 escola junta-se a natureza técnica administrativa que com toda sua dinâmica e relações produzem a sua cultura escolar, a sua história. O desafio maior é educar crianças, jovens num mundo em crise, com mudanças substanciais, hoje ampliadas por uma nova sociedade que é a virtual, onde entrecruzam como redes, teias, valores diferenciados, exigências múltiplas. Precisamos priorizar o enfrentamento desses desafios, mas precisamos procurar entender porque e como esses desafios se apresentam. Em face desse quadro é comum encontrarmos perguntas que se fazem na escola em relação à Orientação Educacional: Grandes questões da Orientação - Por que? Para que? A quem? Como e quando se orienta? - A Orientação Educacional deve ser oferecida para todos os alunos ou apenas para aqueles que apresentam mais dificuldades/desajustes na escola? - Como romper barreiras (com o aluno, para o aluno) dentro e fora da escola? - Quem deve fazer Orientação Educacional na escola? - Como trabalhar os aspectos pedagógicos quando se apresentam muitos aspectos psicológicos que deveriam ser atendidos? - Como fazer numa escola em que há poucos orientadores para o número de alunos? - É possível uma orientação Educacional com pouco contato com os alunos? - O professor pode fazer Orientação Educacional – afinal ele também não se relaciona com o aluno? - Qual a “fórmula” de sucesso para uma Orientação Educacional bemsucedida na escola? Quais os “ingredientes” dessa fórmula? - Afinal, por que ainda se fala em Orientação Educacional na Escola? Para Grinspun (2006) é evidente que as questões não se esgotam nas apresentações; o que queremos analisar é qual o papel da Orientação Educacional, numa escola que é parte integrante de uma sociedade, que tem seu papel a desempenhar neste momento histórico. As respostas ao porque, para que e como ficam no caminho de uma justificativa da Orientação; ultrapasso esse caminho e vou em busca da 26 identificação/análise do papel da Orientação numa escola comprometida com seu projeto político pedagógico onde além do processo ensino-aprendizagem ou, a partir do processo ensino-aprendizagem esteja comprometida com a formação do sujeito, com a formação da cidadania. Diante dessas perspectivas atuais, percebe-se que a realidade do cotidiano escolar depara-se com altos índices de evasão e repetência que dificultam uma educação de qualidade. Assim sendo ressalta-se que no universo escolar nem todos tem conhecimento e acesso a cultura na qual a escola está inserida para construir um trabalho pedagógico que atenda a todos os sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. O Orientador Educacional tem o desafio de articular e mediar a bagagem cultural dos diversos sujeitos neste universo onde a utilização de recursos técnicos e informacionais tem por finalidade gerar uma sociedade participativa. 27 CAPÍTULO III AS DIFICULDADES DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NO EXERCÍCIO DA SUA FUNÇÃO. “A relação pedagógica não pode ser limitada às relações especificamente ‘escolares’ ... existe em toda a sociedade no seu complexo, para cada indivíduo na sua relação com outros indivíduos...”. (ANTONIO GRAMSCI, apud MACCAREILLO,2005:31) Segundo Porto (2009) uma das grandes dificuldades da educação encontra-se na distância existente entre as ideias inovadora e ação pedagógica em si, efetivada pelo professor, uma vez que o espaço próprio para a efetivação das mudanças – a sala de aula – continua pleno de ações conservadoras, muitas vezes instintivas ou com protestos diante das perspectivas frustradas e das dificuldades encontradas pelo professor. A falta de assistência ao professor quanto ao seu desempenho em sala de aula, tanto no aspecto técnico quanto no pessoal, é visto como uma das causas no entrave no processo educativo. Assim sendo, o orientador educacional deve ter uma formação continuada, buscando sempre um aprimoramento de suas funções, para que ele possa orientar não somente os alunos, mas também os professores que precisam desempenhar melhor as suas atividades em sala de aula. 3.1 - O trabalho coletivo no cotidiano escolar O cotidiano escolar representa, segundo (Galvão 2004:28 apud Lück,2010) “o conjunto de práticas, relações e situações que ocorrem efetivamente no dia a dia de uma instituição educacional, episódios rotineiros e triviais que, ignorando por vezes os planejamentos, constituem a substancia na qual se inserem crianças ou jovens em processo de formação”. 28 “...é na vida cotidiana que atuam os profissionais e que se dão as interações entre os diversos atores que participam direta ou indiretamente do processo de educação”. Segundo Lück (2010) o conceito de cotidiano escolar lembra o caráter contraditório, ambíguo e ambivalente que existe na escola. Ele revela a dinâmica da escola como organismo vivo marcado por tensões entre acomodação e transformação, conformismo e resistência, interesses individuais e interesses coletivos, conservação e inovação, senso comum e proposições teóricas, espontaneísmo e organização, dentre outros aspectos. A gestão do cotidiano pressupõe, portanto, a atuação no sentido de diminuir o espaço das contradições e promover as articulações necessárias para favorecer a superação de diferenças, sem perder a riqueza da diversidade. Ainda Lück (2010), mostra que as atividades do dia a dia promovem a produção e a reprodução do indivíduo social. A condição da educação depende, portanto, sobremaneira do cotidiano praticado na escola: daquilo que realmente se faz na escola, traduzindo o ideário de seus executores. O cotidiano tem uma lógica própria em cada escola, e essa lógica é pontuada pelos sujeitos sociais que dão vida e fazem a prática cotidiana. Esses sujeitos e sua história são únicos, daí por que também é única a cotidianidade de cada escola. Nela vamos observar a intensidade da energia aplicada ao trabalho na escola, o direcionamento de seus esforços e a clareza de seus objetivos, dentre outros aspectos. Em vista disso, para se conhecer o clima e a cultura organizacional da escola é preciso debruçar-se sobre como esses sujeitos se percebem e percebem sua atuação na escola, em sua atuação cotidiana; o que determina essa percepção; quais as maiores influências (externas e internas) na determinação dessa percepção, que, por certo, recebe grande influência das práticas regulares que ocorrem no interior do estabelecimento de ensino. Quais são essas regularidades, o que as sustenta e mantém quem as determina, como se expressam são algumas das questões que devem ser observadas. 29 Para Maccariello (2005), a escola, ao interagir com os demais atores sociais, que também fazem a história e se educam nesta construção, tem a possibilidade de contribuir, coletivamente, para produção de um conhecimento transformador que além da aquisição dos conhecimentos historicamente construídos, propicie uma compreensão crítica das condições sociais, bem como dos aspectos ideológicos presentes no currículo escolar. Numa construção deste tipo o professor torna-se o mediador do conhecimento permitindo ao aluno buscar o conhecimento, sendo sujeito do seu próprio desenvolvimento intelectual. Um conhecimento, ao mesmo tempo humanizado e humanizante, que explicite os reais determinantes econômicos e sociais de uma realidade social desigual e excludente, compreendendo-a com suas contradições e buscando uma formação humana que, partindo da visão de unilateralidade desta formação se direcione para a omnilateralidade. Segundo Manacorda, o desenvolvimento da omnilateralidade realizar-se-á, através do crescimento da personalidade pelo trabalho, na medida em que “ uma totalidade de homens totalmente desenvolvido se tenha apropriado de forças produtivas totalmente desenvolvidas/.../no sentido da explicitação absoluta das faculdades criativas do homem”. (Manacorda, 1991:105). Andrioli (2010), segundo a construção do trabalho coletivo nas escolas públicas de 1º e 2º graus exige que os educadores tenham clareza dos atores que inviabilizam, atualmente, esta forma de trabalho: ● A nossa sociedade valoriza e reforça o individualismo nas pessoas, como elemento básico para manutenção e expansão do sistema capitalista vigente. A questão do individualismo, portanto presente também nas escolas, mas não só, é uma característica da estrutura da sociedade brasileira. ● Os cursos de formação de professores ( habilitação para o Magistério, Pedagogia e Licenciaturas) não vivenciam uma proposta pedagógica fruto de um trabalho coletivo dos docentes que atuam nestes cursos. Ironicamente, os futuros educadores escolares aprendem que nos próprios cursos de formação 30 como trabalhar de maneira desarticulada e fragmentada, sem uma percepção e um compromisso com a visão de totalidade do currículo escolar. Em outras palavras, a ausência de um trabalho pedagógico interdisciplinar nos próprios cursos de formação contribui para desarticulação do trabalho na Unidade Escolar. ●Não existe um trabalho coletivo articulado e coerente nos próprios órgãos que compõem a estrutura da Secretaria de Estado da Educação. É frequente a perplexidade da Unidade Escolar diante de solicitações contraditórias e/ ou superpostas vindas das Divisões Regionais de Ensino – DRES, Delegacias de Ensino – DES, e demais órgãos centrais. ●Faltam professores nas escolas, havendo casos em que os alunos percorrem o semestre ou até o ano letivo sem docentes em várias disciplinas. Isto é um sintoma, um alarme de que algo de grave ocorre no magistério público. ●Além da falta de professores nas unidades escolares, da improvisação, das situações de emergência para tapar a lacuna da ausência de professores, a rotatividade do corpo docente, da direção e dos funcionários é uma realidade que dificulta a organização pedagógico-administrativa da Escola. ●O calendário escolar não prevê momentos para a articulação dos educadores de Escola. Os professores têm poucos espaços para refletir, discutir e debater a própria prática, com o objetivo de aperfeiçoá-la. ●Não existe, portanto, uma tradição de trabalho coletivo nas escolas estaduais em geral. ●Faltam lideranças que coordenem um trabalho coletivo, centrado em torno da formação de um tipo de cidadão. ●Falta aos professores à vivência de uma proposta de trabalho curricular interdisciplinar, na qual a interdisciplinaridade deixe de ser um conceito abstrato, transformando-se numa proposta pedagógica coletiva, concreta e progressista. 31 ●Uma grande frustração toma conta atualmente do magistério de forma geral; ela vem de longa data e tudo indica que vivemos o ponto máximo desse sentimento: poucos querem ser professores, muitos docentes querem abandonar o magistério. É importante ressaltar que nem todos os entraves existentes foram abordados. Existem muitos outros relacionados diretamente com as condições de vida e de trabalho às quais estão submetidos os educadores brasileiros. Dentre esses entraves, a questão salarial merece um destaque especial, na medida em que as condições salariais atuais do magistério ferem a dignidade daqueles que tentam fazer da Educação um exercício de cidadania e profissionalismo. De acordo com Lück, Maccariello e Andriolli a realização do trabalho coletivo no cotidiano escolar envolve a participação integrada dos sujeitos de todos os segmentos das unidades de trabalho envolvidos de forma que alcance os objetivos educacionais concebidos e assumidos de modo a constituir um empenho coletivo em torno da sua realização. O cotidiano escolar requer uma atenção especial, de maneira a se poder ajudar a escola no seu dia a dia, e a tornar o seu ambiente favorável para desempenhar com efetividade o seu papel social. É relevante ver a escola com toda a sua história e em seu contexto, a partir de suas ações diárias, superando a tendência de ver a escola a partir de suas próprias idealizações. 3.2 – A formação pedagógica do professor De acordo com Cardoso (2006), educar o Homem, conduzir para fora, como indica a etimologia da palavra, um potencial que justifique uma existência, é toda uma tarefa pedagógica a ser desempenhada por verdadeiros educadores e não por simples profissionais do magistério, um burocrata entre outros, num plano de classificação de cargos instituídos por uma Secretaria ou por um Ministério como órgão da administração pública. Não é atoa que muitos 32 se tenha indagado quem vem educando o educador brasileiro e como ele vem sendo educado. Não é a toa que o curso de pedagogia vem sendo posto em questão, sendo de consenso que a formação do educador deve ter prevalência em relação ao especialista, cuja existência é até contestada por alguns. Não é a toa que se vem fazendo contundente críticas em todo o Brasil, à maneira fragmentada, tecnicista, alienada com que se vem formando o professor, para não falar da desvalorização dos antigos cursos normais, que se transformaram em mais um curso profissionalizante de baixos custos, e, portanto, de baixa produtividade e ínfimo prestígio social, na escala referente a ocupações profissionais do mercado do trabalho. Como alguém pode dar o que não tem? Como formar o caráter ou ajudar a fazê-lo se “a normalista” e até a jovem estudante de pedagogia ingresso no curso ainda em plena crise de adolescência, muitas das vezes como simples trampolim para carreiras de maior atratividade social, mais para qual não conseguiram a almejada vaga no vestibular correspondente? Não queremos fazer do professor o bode expiatório da crise que se segue debatendo a educação nacional, pois, antes de tudo, ele próprio é vitima que, parece, só muito recentemente vem valorizando a educação além um pouco da retórica dos discursos oficiais na esperança de alguma concreta para vencer um diagnóstico melancólico que se torne tão mais preocupante por se repetir há mais de 50 anos, de que temos noticias. Apenas alguns indicadores: a retenção na 1ª série no ensino fundamental, a evasão, a falta de professores habilitados, no interior do País, a obediência a programas oficiais, ou a livrostexto, além dos quais a capacidade de alguns professores não consegue ultrapassar os descompassados entre certas posturas sofisticadas e uma realidade que, num confronto é violentada por sua própria existência. “(...) o educador não poderá exercer suas atividades isento de explicitas opções teóricas: uma opção filosófica-politica pela opressão ou pela libertação, uma opção por uma teoria do conhecimento norteadora da prática educacional (...),uma opção coerente com as anteriores pelos fundamentos específicos de sua prática, e, finalmente, uma opção explícita na escolha dos meios de processar a práxis educativa, que não poderá estar em desacordo com as opções anteriores. Tendo 33 efetivado uma opção explícita do ponto de vista filosófico as outras opções decorrem dela lógica e obrigatoriamente” (CANDAU, 1986, p.25-26) Deste modo, o professor enquanto mediador no processo de produção do conhecimento é peça fundamental, ou seja, uma ponte entre as novas gerações e o mundo do conhecimento. A sua prática docente é reflexo da formação pedagógica, infelizmente, o professor brasileiro, de um modo geral, com a perda da sua dignidade tem tido consequências negativas ao nível de sua formação e prática profissional, essa desvalorização deve-se em grande parte às manobras políticas. Segundo Perrenoud (2002) Edgar Morin propõe sete saberes fundamentais que escola teria a missão de ensinar: 1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão 2. Os princípios de um conhecimento pertinente. 3. A condição humana. 4. A identidade terrestre. 5. O confronto com as incertezas. 6. A compreensão 7. A ética do gênero humano Parece-nos que os professores capazes de ensinar esses saberes devem, além de aderir aos valores e à filosofia subjacentes, dispor da relação com o saber, da cultura, da pedagogia e da didática sem os quais esse belo programa continuaria sendo apenas letra morta. Perrenoud (2002) infelizmente há um abismo entre o idealismo de Morin, do qual compartilho, e o estado de nosso planeta e as relações de força, tanto em escala mundial quanto no âmbito de cada país. Por isso, ainda que frisemos o vínculo entre a política e as finalidades da educação, por um lado, e o papel e as competências dos professores, por outro, não nos parece útil ampliar a lista das características de uma escola ideal até chegar a um noman’s land, onde a liberdade de expressão equivalha a ausência de poder. 34 O que será colocado em prática depende da luta política e dos recursos econômicos. Mesmo no caso de nos dirigirmos a uma sociedade planetária dominada por algumas grandes potências, as finalidades da educação continuam sendo uma questão nacional. O pensamento e as ideias podem atravessar fronteiras, mas os brasileiros é que definirão as finalidades da escola no Brasil e, consequentemente, formarão seus professores. 3.3 - Orientador Educacional e a Gestão Escolar Segundo Lück (2004), o orientador educacional é comumente solicitado nas escolas, a realizar múltiplas tarefas que não dizem respeito, diretamente, à Orientação Educacional. Atendimento a situações de emergência, controle de disciplina, distribuição de merenda e de materiais escolares, substituição a professores faltosos, organização de festas, constituem, muitas vezes, o dia a dia de um orientador educacional que, assim atuando, revela a falta de um plano pedagógico para direcionar a sua atuação. Atuando dessa forma o orientador educacional age ao sabor dos ventos, sem compromisso político com a transformação da escola e, portanto, sem determinação clara explicita de sua responsabilidade. Por outro lado, essa prática direcionada pelo atendimento improvisado as necessidades imediatas, pode significar o acobertamento da acomodação de outros profissionais da escola que delegam exclusivamente para o orientador educacional parte de suas responsabilidades. Diante disso, os resultados serão negativos quando o gestor não souber desempenhar o seu papel sobre todos os segmentos e pessoas da escola. Torna-se necessário que o gestor possa apresentar a toda equipe de trabalho as tarefas que cada um deve desempenhar, permitindo uma ação efetiva dos papéis que cada um tem e suas responsabilidades. Cabe ao gestor criar condições para que o trabalho do orientador educacional atinja os seus objetivos propostos. 35 “A realidade pode ser mudada só porque e só na medida em que nós mesmos a produzimos, e na medida em que saibamos que é produzida por nós”. (KOSIK,1976:18,apud LÜCK,2010) Segundo LücK (2010), uma forma de conceituar gestão é vê-la como um processo de mobilização da competência e da energia de pessoas coletivamente organizadas para que, por sua participação ativa e competente, promovam a realização, o mais plenamente possível, dos objetos de sua unidade de trabalho, no caso, os objetivos educacionais. O entendimento do conceito de gestão, portanto, por assentar-se sobre a maximização dos processos sociais como força e ímpeto para a promoção de mudanças, já que pressupõe, em si, a ideia de participação, isto é, do trabalho associado e cooperativo de pessoas na análise de situações, na tomada de decisão sobre seu encaminhamento e na ação sobre elas, em conjunto, a partir de objetivos organizacionais entendidos e abraçados por todos. O conceito de gestão, portanto, parte do pressuposto de que o êxito de uma organização social depende da mobilização da ação construtiva conjunta de seus componentes, pelo trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um “todo” orientado por uma vontade coletiva. Esta, aliás, é condição fundamental para que a educação se processe de forma efetiva no interior da escola, tendo em vista a complexidade e a importância de seus objetivos e processos. Para Grinspun (2006) um dado significativo à compreensão da escola é o exercício de poder de determinadas pessoas, ou até o “poder” que ela adquire como Instituição na sociedade; são as relações que o poder gera dentro da escola, as formas de saber que o próprio poder vai criando nas diversas instâncias onde se manifesta (algumas vezes como justificativa da própria existência; outra como garantia de sobrevivência), que farão com que ela desenvolva uma linha autoritária, coercitiva, lassaiz-faire ou democrática. Desse modo, torna-se obvio que o “poder” numa visão de gestão empresarial não deve ser adotada e sim uma gestão de uma liderança participativa e integrada, onde o diálogo seja a ferramenta principal para a 36 tomada de decisões promovendo uma gestão com qualidade nas atividades escolares. Segundo Vasconcellos (2006) muitas vezes, quando os dirigentes se referem aos professores, caem na linha classificatória e não na transformadora: passam a julgar a pessoa do professor (“acomodado, resistente, incompetente”) no lugar de analisá-los como sujeitos históricos que são contraditórios como quaisquer outros. Isto revela o quanto a lógica tradicional de avaliar está impregnada: ao invés de ser elemento de acompanhamento e ajuda, passa a ser de prêmio ou punição, distorcendo seu sentido. Desta forma, leva os professores às clássicas “palavras alusivas” (assumir o discurso que, supõe-se, o dirigente espera ouvir). É importante a equipe trabalhar suas expectativas e preconceitos, destacando um aspecto fundamental na atividade dos dirigentes: a busca da coerência entre aquilo que pregam e aquilo que se fazem, conforme Quadro 1, a seguir: Quadro1 - Coerência entre o que prega e o que se faz O que se prega O que se espera que se faça Importância da Educação Propiciar condições adequadas de trabalho Participação Partilha do poder; decisão coletiva; não ter surpresas com ” pacotes” Ensino mais individualizado Não sobrecarregar as classes com os alunos Conhecimento novo se dá a partir do Levar em conta o conhecimento prévio prévio do professor Aprendizagem depende de Procurar despertar a necessidade de mobilização mudança no professor Professor respeitar o aluno em sala Dirigente respeitar o professor Professor não fazer avaliação Dirigente não fazer avaliação classificatória excludente do aluno classificatória excludente do professor Fonte: Vasconcellos (2010) 37 Para Martins (2010), a escola não é uma linha de montagem em que os objetivos são traduzidos no resultado final, mas uma instituição em que os objetivos dependem da atuação específica de cada um dos componentes que atuam no processo educacional. Isso reforça a atuação do diretor como líder, que sugere, e não ordena, como chefe, respeitando a capacidade e a iniciativa dos especialistas de educação, do pessoal docente e do pessoal administrativo. Analisando a relação gestor, equipe pedagógica e administrativa, um dos fatores fundamentais para que não haja fragmentação na construção do trabalho pedagógico é a coerência, pois ela é o elo mediador entre os sujeitos envolvidos para que possam atingir os objetivos propostos em relação alunoaprendizagem, respeitando a bagagem cultural e construindo trabalho coletivo no cotidiano escolar, sem exclusões. 38 CONCLUSÃO O trabalho do Orientador Educacional é essencial no cotidiano escolar, pois são inúmeras as contribuições do Orientador Educacional na escola facilitando os meios, as condições necessárias de forma adequada a conduzir o educando a se conscientizar e lutar por uma realidade humanizada, com novos valores, concepções, relação de produção e de convivência com o meio cultural e social em que está inserido. Portanto, o Orientador Educacional pela sua grande importância deve ser o centro do processo irradiador e motivador das atividades desenvolvidas junto aos professores, alunos, família e comunidade e não um serviço a mais dentro da escola. Em suma, o Orientador Educacional no desenvolvimento do trabalho pedagógico deve criar um espaço de exercício da cidadania, um espaço político de descobertas, de discussão e solução de problemas fundamentais no ensino-aprendizagem. Entretanto, apesar dos inúmeros entraves encontrados no exercício de sua função muitas vezes impostos pela gestão, ele nunca deverá desistir de seus propósitos e procurar ser sempre o mediador entre todos os sujeitos envolvidos no processo educativo. Por fim, chegamos a conclusão que é preciso que gestores, orientadores pedagógicos e professores possam se juntar ao Orientador Educacional para a construção de uma escola justa e um ensino mais democrático, ampliando os questionamentos sobre o modelo socioeconômico altamente seletivo, injusto que dificulta a dinamização efetiva do trabalho pedagógico do Orientador Educacional. 39 Bibliografia CANDAU, Vera Maria. A Didática em Questão. Petrópolis: Vozes, 1986. CARDOSO,H. Educação e Supervisão: o trabalho coletivo na escola. 11 ed. São Paulo, Cortez, 2006. CERVO, A. L.; BERVIAN, P.A. Metodologia científica. 5 ed. São Paulo, Pearson Prentice Hall, 2004. GARCIA, R.L. Orientação Educacional: o trabalho na escola. 4ª ed. São Paulo: Loyola, 2002. GIACAGLIA, L. R. A. Orientação Educacional na Prática: princípios, técnicas, instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Pioneira, 2000 GRINSPUN, M. P. S. Z. 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