SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA – SPEI
ABC BONN IN COMPANY – CONSULTORIA, PROJETOS E SERVIÇOS
EDUCACIONAIS LTDA
PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO AMBIENTAL
ELEUZA GODOI JASINSKI
A RECICLAGEM DO LIXO COMO FONTE DE RENDA
CURITIBA
2010
ELEUZA GODÓI JASINSKI
A RECICLAGEM DO LIXO COMO FONTE DE RENDA
CURITIBA
2010
ELEUZA GODOI JASINSKI
A RECICLAGEM DO LIXO COMO FONTE DE RENDA
Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de
Pós-Graduação lato sensu em “GESTÃO
AMBIENTAL”, promovido pelo Centro de Pósgraduação da Sociedade Paranaense de Ensino e
Informática – SPEI – e realizado pela ABC BONN
IN COMPANY LTDA, como requisito parcial para a
obtenção do título de Especialista em Gestão
Ambiental.
Orientador: Prof.ª Ana Teresa
CURITIBA
2010
4
SOCIEDADE P ARANAENSE DE ENSINO E INFORM ÁTICA-SPEI
ABC BONN IN COMPANY LTDA
TERMO DE APROVAÇÃO
A RECICLAGEM DO LIXO COMO FONTE DE RENDA
AUTOR
ELEUZA GODOI JASINSKI
NOTA OU CONCEITO:_________
CURITIBA
2010
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For Evaluation Only.
A RECICLAGEM DO LIXO COMO FONTE DE RENDA
Eleuza Pereira Godoi Jasinski
1
RESUMO – Este artigo apresenta um panorama sobre o problema do lixo, as
diferentes possibilidades de reutilização e a geração de renda. Historia as
preocupações da sociedade mundial de o que fazer com o lixo produzido
principalmente após a revolução industrial, e que vem contaminando o meio
ambiente. Conceitua o que é lixo e reciclagem e por ultimo descreve as experiências
e soluções encontradas pelos governos e sociedade civil. Muitas das atividades
desenvolvidas para a reciclagem ou, reutilização dos resíduos sólidos, ainda
organizam e geram renda principalmente para a população de baixa renda. Concluise que todas as pessoas devem ter atitudes para melhorar e preservar a qualidade
do meio ambiente, desde a separação do lixo em sua residência até no cuidado na
compra de bens de consumo.
Palavras Chave: Lixo reciclável, fonte de renda, qualidade de vida.
ABSTRACT – This article presents an overview of the garbage problem, the different
possibilited to reuse and income generation. History societal concerns of the world to
do with the waste produced mainly after the industrial revolution, which has been
polluting the environment. Conceptualizes what is waste and recycling and finally
describes the experiences and solutions adopted by governments and civil society.
Many of the activities developed for recycling or reuse of solid waste, still organize
and generate income especially for low-income population. It follows that all persons
shall have attitudes to improve and preserve the quality of the environment, since the
separation of garbage in their homes to care when buying consumer goods
Keys words: Recyclables, source of income, quality of life
1
Operadora de entrada de dados do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de CuritibaIPPUC
[email protected]
6
1 INTRODUÇÃO
Cada dia mais, estamos observando a criação de uma sociedade consumista.
A explosão industrial a nível mundial e a mudança nos hábitos da população, são as
causas principais para este aumento desenfreado de lixos, espalhados por todo o
planeta.
A expressão sociedade de consumo designa uma característica do mundo
desenvolvido em que a oferta excede a procura.
As estratégias de marketing são sedutoras, oferecendo facilidades na linha de
crédito, ofertas irrecusáveis de compras, que geram o consumo desenfreado, onde
grande parte dos produtos tem suas embalagens descartáveis. O resultado de tudo
isto, já é sentido hoje em todo o planeta, com catástrofes constantes, nos mais
diferentes continentes.
O Brasil está incluído como um dos maiores recicladores do mundo. Índices
que crescem de forma considerável, comparados aos índices de países como
Estados Unidos, Japão, Franca, Inglaterra, Itália e Alemanha, devido a uma classe
de trabalhadores de baixa renda, que sobrevivem da atividade de coleta de resíduos
e recicláveis, os catadores de lixo. (SANTOS et al, 2004).
A coleta seletiva minimiza o desperdício de matéria prima e a reciclagem
torna este processo a forma mais racional de gerir os resíduos sólidos urbanos.
Um estudo feito há pouco tempo em Curitiba considerando (1,80 milhão de
habitantes), constatou que é produzido aproximadamente 2,4 mil toneladas de lixo
(reciclável + doméstico) por dia. Desse total 1,8 mil toneladas vão para o aterro
sanitário da Caximba. Somente o restante é coleta seletiva, recolhido pelos
caminhões da Prefeitura Municipal, destinado ao programa Lixo que não é Lixo. Em
Curitiba, lixo reciclável chega a 600 toneladas por dia. (GUIA do Investidor, 2010).
Surge a necessidade de repensar atitudes com relação ao lixo produzido, pois
se não existir uma forma de reutilizar estes montantes de lixo que saem das casas
para as lixeiras, não haverá mais onde abrigar estes resíduos, visto que os aterros
sanitários já não suprem a demanda.
O reaproveitamento do lixo passou a ser uma importante alternativa para a
diminuição da degradação do meio ambiente. O gerenciamento eficiente da coleta e
destino dos resíduos, representa uma grande economia de matéria prima e de
7
energia, fornecidas pela natureza, e contribui de forma efetiva como fonte de renda
do que é gerado com a reciclagem.
O Objetivo deste artigo é difundir junto a população o conceito de reutilização
divulgando a importância da reciclagem de materiais, contribuindo assim, com a
preservação do meio ambiente , melhoria a qualidade de vida e ainda pode criar
uma fonte de renda alternativa para muitas famílias.
A pesquisa foi baseada numa pesquisa exploratória, de caráter etnográfico,
ou seja, a partir de busca de informações documentais e bibliográficas, entrevistas,
observações in loco, análise de documentos referente a reciclagem do lixo e das
condições socioeconômica dos artesões, correlacionando as informações com a
preservação ambiental.
A principal etapa de desenvolvimento deste estudo foi a possibilidade de visita
em campo em uma associação de catadores instalada em Curitiba.
No mês de julho/2010 foi realizada, visita na cooperativa (Acampa),
Associação de Catadores Parceiros do Meio Ambiente, para conhecer a forma como
é feito a distribuição de tarefas entre eles, incluindo desde a recepção dos resíduos,
o manuseio, a prensagem do material, até o destino final.
Visitou-se também a Associação de bairros do Guabirotuba, onde são
realizados cursos de artesanatos recicláveis.
Nesta Associação foi possível obter informações e conhecimentos sobre o
processo de recebimento do material reciclado, até a produção artesanal com este
material.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 HISTÓRICO
Já se falava em um mundo sustentável desde os anos 70. Com o movimento
dos hippies, surgia a preocupação com a preservação do meio ambiente incluindo
neste contexto a forma de se vestirem, procurando sempre por tecidos naturais. No
decorrer dos anos, veio a interferência das fibras sintéticas. Mas foi a partir dos anos
90 que a tendência de moda focou em fibras naturais e desde então vêem se
fortalecendo junto com a consciência do ser humano de que o mundo precisa de
ajuda. Empresas que utilizam o reuso de tecidos na produção, gera uma economia
8
15% em relação ao processo convencional. Em muitas vezes, essa economia é
repassada para o consumidor final. (MESSAROS, 2006)
Até mesmo as grifes famosas como Yves Saint Laurent, aderiu a
sustentabilidade, lançou em junho sua primeira coleção sustentável, outros grandes
conglomerados como PPR e LVMH (donos de algumas das principais casas de
moda, conhecidas mundialmente), associaram a credibilidade de suas marcas ao
ecologicamente correto. Encontrar um caminho criativo para lidar com a falta de
recursos pode ser o primeiro passo. A sustentabilidade depende do consumo
consciente. Ciente desta realidade, a moda faz uma pausa para refletir, buscar
coisas guardadas, reciclar idéias e materiais. Em tempo de recessão, o luxo é o
novo antigo. (TORRES, 2009).
Durante, a ECO-92 realizada em 1992, no Rio de Janeiro, que teve como
documento final oficial a Agenda 21, no qual o Brasil e mais 179 países, assumiram
o compromisso de proteção ao meio ambiente, formando a mais ousada tentativa
em escala planetária, em um novo padrão de desenvolvimento, conciliando proteção
ambiental, justiça social e eficiência econômica (FRANÇA, 2005) .
Como signatário da Agenda 21, o governo brasileiro tem desenvolvido ações
para a sua implementação, dentre os programas destacam-se o de inclusão social
(com o acesso de toda a população à educação, saúde e distribuição de renda), a
sustentabilidade urbana e rural, a preservação dos recursos naturais e minerais e a
ética política para o planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável. Mas, o
mais importante ponto dessas ações prioritárias, é o planejamento de sistemas de
produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício. A Agenda 21, é
um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações
do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas
em que a ação humana impacta o meio ambiente. (LEMOS, 2006)
O tema meio ambiente no contexto da globalização, considerando a
importância dada ao assunto nos dias atuais, com o chamado desenvolvimento
sustentável, noção associada à idéia de incorporar a questão ambiental à economia.
Observa-se nos dias atuais, que ao mesmo tempo em que há aceleração nos
fluxos de informações e mercadorias, característicos da globalização, um maior
espaço é dado ao meio ambiente.
9
Tendo como foco o desenvolvimento sustentável, os diversos setores da
sociedade brasileira e o governo nas suas diferentes esferas federal, estadual ou
municipal, vem implementando ações para que cada vez mais o meio ambiente seja
preservado
para
gerações
futuras
e
contribuam
na
geração
de
renda.
Como exemplo, das diferentes ações executadas no país pelo poder público
pode-se citar a cidade de Tibagi, no norte do Paraná, região onde a economia é
apoiada na atividade agrícola, a Prefeitura, desenvolve o projeto de compostagem e
reciclagem que consiste:
(...) de num sistema de tratamento para aproveitamento dos resíduos sólidos,
trabalharam para a conscientização da população a respeito da importância da
reciclagem e compostagem. Criaram uma associação de materiais recicláveis de
Tibagi. Este programa trouxe como resultado a conquista do Selo Ehco Cidade
Limpa, Concedido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). (CONGRESSO Mostra
Iniciativas do Estado Em Prol dos Objetivos do Milênio, 2009)
O Outro exemplo vem do Rio Grande do Sul, da cidade de Venâncio Aires,
O que era antes entulho virou obra de arte, Garrafa plástica, retalhos de tecidos e
jornais, foram alguns itens utilizados para criarem as peças. O curso foi promovido
pela Secretaria de Educação em parceria com os Sindicatos Rural e Metalúrgico,
ministrado pelo serviço nacional de aprendizagem rural (Senar/RS).
c, com o objetivo de transformarem em mais uma alternativa de renda para a família.
(ANDRADE, 2010, p. 1).
Por outro lado as indústrias também têm contribuído, para a preservação do
meio ambiente, segundo a ONG WWF-Brasil (2008), no que diz respeito a mudança
de atitudes na indústria brasileira, a que mais se destaca é a indústria papeleira a
qual aderiu a prática do desenvolvimento sustentável, para a ONG “significa sua
permanência no mercado, a oportunidade de introduzir novos produtos no mercado,
e um passaporte para a modernidade e para a economia globalizada”
Os lixos urbanos acumulados causam enorme prejuízo à população e ao meio
ambiente, se tornando um problema para toda sociedade, e que está se agravando
cada dia mais, devido ao crescimento populacional e a rápida urbanização (SILVA et
al., 2007) .
A demanda crescente de bens de consumo aumenta cada vez mais o volume
junção de lixos urbanos, este é um dos principais agravantes do mundo chamado
moderno.
10
Figura 1 - Coleta do lixo
3 CURITIBA E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Curitiba é conhecida como cidade modelo em planejamento urbano, em 1943
é elaborado o primeiro plano intitulado como Plano Agache o nome do próprio
criador, o renomado urbanista e arquiteto francês Alfredo Agache, foi adotado com
este plano um sistema radial de vias ao redor do centro. Apesar de não ter sido
implantado no seu todo, ficaram as marcas deste tempo
em Curitiba , com as
grandes avenidas, como Visconde de Guarapuava, sete de setembro e Marechal
Floriano Peixoto. O Plano Agache orientou as autoridades municipais até 1958,
quando foi criado o Departamento de Urbanismo da Prefeitura de Curitiba.
(MENDONÇA, 1991).
Na década de 1960, com um grupo de arquitetos-urbanístas da Universidade
Federal do Paraná, o qual discutiu novas diretrizes de planejamento para a cidade,
desta discussão, surge a idéia de um planejamento global e integrado, com isto foi
elaborado o plano Diretor de Curitiba pela firma Serete. Esta firma era de S. Paulo e
vinha duas vezes por semana para Curitiba para se reunir com uma equipe de
arquitetos nossos da cidade, e desenvolver os trabalhos. Com este grupo de
pessoas o Prefeito criou a Appuc – Assessoria de Pesquisa e Planejamento Urbano
de Curitiba, transformada mais tarde, em 1965 no Instituto de Pesquisa e
Planejamento Urbano de Curitiba - IPPUC. (MENDONÇA, 1991).
11
O Plano Diretor com suas diretrizes gerais, foi entregue para o IPPUC a partir
daí desenvolvê-lo em todos os detalhes. Desde 1966 a cidade molda gradualmente
sua estrutura que foi concebida com o Plano Diretor, tendo como diretriz dois tripés
conceituais um de integração física – entre o Uso do solo, Sistema Viário e
Transporte Coletivo, o segundo tripé conceitua a dinâmica econômica, organização
social e meio ambiente. (IPPUC. 2004).
O cruzamento das soluções urbanísticas com agendas de animação
sociocultural e de ambiente, foi mais uma recomendação do plano em se criar uma
linguagem urbana própria da cidade. É na década de 1970, que as ações de
planejamento urbano causam grandes transformações na cidade, como a criação da
Cidade Industrial, o fechamento da Rua XV e a criação de áreas verdes, o parque
São Lourenço, o primeiro de muitos criados nas décadas de 70 e 80, já demonstra a
preocupação com a qualidade do meio ambiente. (IPPUC, 2004).
Para melhor atender as necessidades do meio ambiente, nos anos 80 foi
criada a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, com a preocupação de recuperar e
preservar o suporte natural, o sistema hídrico e a limpeza pública, decorrente da
intensa ocupação urbana. (IPPUC, 2004).
Curitiba foi intitulada a Capital Ecológica devido a sua política ambiental, a
qual se preocupa com a qualidade do meio ambiente, adotando ações sempre
comprometidas com o desenvolvimento sustentável.
Curitiba possui um dos melhores índices de áreas verdes do país, num total
de 51 m² por habitante totalizando aproximadamente 77 milhões de m² de áreas
verdes. Distribuídos entre 35 parques, bosques e praças, além da arborização de
ruas e avenidas. Com este resultado é possível perceber a importância dos cuidados
com o meio ambiente. Os programas voltados para o meio ambiente como, a coleta
dos lixos recicláveis, a compra do lixo, entre outros, o sistema de deposição dos
resíduos já amenizam um pouco a situação no aterro da Caximba. (GUIA do
Investidor, 2010).
Os programas desenvolvidos pela Prefeitura, têm o envolvimento da
população que participa e em alguns ainda recebe benefícios, entre eles pode-se
citar:
12
O programa Lixo que não é lixo: é um programa de coleta seletiva e
reciclagem do lixo doméstico, com o engajamento da população na
separação do lixo orgânico do reciclável nas próprias residências.
O Câmbio Verde: Consiste na troca de material reciclável por
alimentos hortifrutigranjeiros. Atende principalmente comunidades
carentes, favorecendo a limpeza do ambiente urbano.
A Compra do Lixo: Consiste na troca de lixo domiciliar por cestas de
alimentos, que podem ser simples, com duas variedades de alimentos
ou composta, com cinco variedades de alimentos. Os participantes
recebem orientações sobre a forma correta de separação dos
resíduos e disposição adequada dos mesmos. (GUIA do Investidor,
2010, p. 116).
Ainda, com a preocupação de preparar a nova geração para as questões
ambientais, a Educação Ambiental foi incluída no currículo das escolas municipais
em 1989, como uma forma interdisciplinar, sendo ajustada às situações específicas
dentro de cada área de conhecimento. (GUIA do Investidor, 2010).
4 O LIXO, A RECICLAGEM E A GERAÇÃO DE RENDA
Figura 2 – Símbolo Mundial da Reciclagem
As inovações tecnológicas oferecidas a partir da Revolução Industrial foram
responsáveis por inúmeras mudanças no modo de agir da sociedade, que podem
ser avaliadas tanto por suas características negativas, quanto positivas. Alguns dos
avanços tecnológicos trazidos por essa experiência trouxeram maior conforto à
nossa vida. Por outro lado, a questão ambiental, principalmente no que se refere ao
aquecimento global e a produção de lixo (matéria–prima secundária), trazem à tona
13
a necessidade de repensarmos o nosso modo de vida e a nossa relação com a
natureza. Dessa forma, não podemos fixar o modo de vida urbano e integrado à
demanda do mundo industrial como uma maneira, um traço imutável da nossa vida
quotidiana. (A EXPANSÃO Industrial, 2010).
No final do século XX , outra grande transformação ocorrida foi a globalização
sendo um processo de interdependência entre governos, empresas e movimentos
sociais. O termo descreve uma situação propiciada pela internet, com a troca
instantânea de informações, a realização on-line de operações financeiras e do
fechamento de negócios, a facilidade em promover relocalizações de fábricas e,
sobretudo, a integração mundial do mercado financeiro, que opera unificado nos
quatro cantos do globo. (GUIA do Estudante, 2011)
O rápido crescimento das indústrias, o processo de urbanização e o
crescimento demográfico, contribuíram de forma efetiva para os problemas do meio
ambiente. Estas questões trouxeram a tona discussões sobre a devastação
ambiental, aquecimento global entre outros e suas conseqüências para a
humanidade. (SOUZA, 2010)
Diante destes fatos a Organização das Nações Unidas – ONU, criou em 1972,
o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que é a agência
da ONU responsável por catalisar a ação internacional e nacional para a proteção do
meio ambiente no contexto do desenvolvimento sustentável. Seu mandato é prover
liderança e encorajar parcerias no cuidado ao meio ambiente, inspirando,
informando e capacitando nações e povos a aumentar sua qualidade de vida sem
comprometer a das futuras gerações. (A ONU e o meio ambiente, 2010).
Esse evento abriu os olhos do mundo em relação ao meio ambiente e trouxe
a tona os impactos do modelo desenvolvimentista presente então na época. É
considerado um marco nas discussões sobre o meio ambiente (essa conferência
introduziu na agenda política internacional as preocupações com o meio ambiente),
e foi a primeira conferência de um ciclo delas realizada pela ONU. (PESTANA, et al,
[200?])
Com a rápida expansão industrial, o mundo percebeu que estava produzindo
um grande volume de resíduos sólidos que não serviam para o produto feito naquela
determinada indústria, e eram enviados para aterros sanitários. Além dos resíduos
sólidos, conforme o perfil da indústria ela também usa determinados químicos no
14
fabrico de seus produtos, os quais poluem as águas, o lençol freático e ainda
provocam o aquecimento global. (PESTANA, et al, [200?])
A cultura do desperdício ainda é bastante presente em nossa população. A
situação econômica do Brasil melhorou de 10 anos para cá, resultando em aumento
da demanda/procura tanto de bens de consumo (alimentos, bebidas, combustíveis
etc.) quanto de bens duráveis (eletrodomésticos, carros, móveis etc.). A produção
teve que acompanhar este crescimento e para isso foi preciso aumentar a extração
de matéria-prima e o consumo de energia. A quantidade diária de lixo urbano
coletado no Brasil é de 228.413 toneladas, o que representa 1,25 Kg diários por
cada um dos cerca de 182.420.808 habitantes. O que fazer para reduzir esse
volume?
Entre as muitas questões debatidas nas diversas conferências do meio
ambiente foi o que fazer com o lixo, ou, resíduo sólido produzido no meio industrial
ou doméstico.
Entende-se por lixo, “os resíduos sólidos produzidos e descartados, individual
ou coletivamente, pela ação humana, animal ou por fenômenos naturais, nocivos à
saúde, ao meio ambiente e ao bem-estar da população”. (GEAMA, 2010). O
Glossário Ambiental ainda traz os diferentes tipos de lixo:
Lixo atômico. (1) Nome que se dá aos resíduos industriais de
origem radioativa ou química que oferecem riscos ao meio
ambiente. Também é chamado de lixo tóxico. (2) Resíduos
radioativos e químicos de difícil estocagem e/ou inativação
que constituem um dos maiores problemas das sociedades
industrializadas.
Lixo orgânico. Restos de vegetais, animais e outros materiais
que podem ser usados como adubo quando decompostos.
Lixo radiativo. Refugo com presença de material radiativo
(resíduo).
Lixo reciclável. Materiais como vidro, plástico, papel, etc., que
podem ser reaproveitados para fabricação de novos produtos.
Lixo tóxico. Que contém materiais nocivos à saúde de seres
vivos. (GLOSSÁRIO Ambiental, 2010)
Outro conceito a ser compreendido é o de reciclagem que segundo o
dicionário Caldas Aulete (2010) reciclar é: “Reaproveitar (algo) para a produção de
novos produtos ou recuperá-lo para uma nova utilização”.
O Reaproveitamento de alguma coisa já usada. Ex: papel, plástico, metal,
madeira, etc..
A reciclagem é uma importante ação para o equilíbrio do meio
15
ambiente, pois com ela, a cada vez mais não temos que retirar coisas da natureza.
O que já foi usado uma vez, poderá ser usada outra, ao invés de retirar novamente
aquele produto da natureza e dos seres vivos. Assim, com um bom investimento na
reciclagem, todos lucrariam, pois a natureza estaria menos devastada. (ECODesenvolvimento, 2010)
A conscientização quanto ao problema do lixo e projetos de reciclagem estão
sendo implantados em empresas e cidades do país. Uma das estratégias mais
completas e mais utilizadas na conscientização dos problemas causados pelo lixo é
a dos 3 erres (Redução/Reciclagem/Reutilização) é apresentada como a estratégia
mais completa para minimizar os problemas que o lixo causa. A reciclagem é um
conjunto de técnicas que tem por finalidade aproveitar os detritos e reutilizá-los no
ciclo de produção de que saíram. É o resultado de uma série de atividades, pela
qual materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são desviados, coletados,
separados e processados para serem usados como matéria prima na manufatura de
novos produtos. (BARROSO FILHO, 2007).
A reciclagem representa, atualmente, um dos processos de valorização de
resíduos mais utilizados, tendo inicio pela coleta seletiva, ou seja, pela separação de
embalagens por tipo de material que serão posteriormente colocadas nos pontos de
coleta. Depois de recolhidos, os resíduos são transportados para as centrais de
triagem onde passam por um processo de seleção mais rigoroso. Depois de
compactadas, elas são transportadas para as unidades de reciclagem. (BARROSO
FILHO, 2007).
A reciclagem comporta vantagens, nos mais diversos níveis tanto no
econômico, ambiental e social, uma vez que permite uma economia de fontes de
energia não renováveis como o petróleo, e possibilita a racionalização dos recursos
naturais, assim como a reposição dos não reaproveitáveis. Reduz-se a acumulação
de lixo cujo destino passa pelos aterros sanitários, permitindo que a durabilidade
destes aumente, evitando o desperdício de recursos na construção de novos
espaços. (BARROSO FILHO, 2007)
A gestão do lixo, é de responsabilidade de toda a sociedade, de um lado o
setor empresarial e industrial, que devem dar o tratamento correto aos resíduos
produzidos, sejam eles de qualquer natureza . Como por exemplo, tratamento da
água utilizada, diminuição de gazes entre outros que causem impacto na natureza.
16
E o poder público tem a responsabilidade de promover a coleta, o transporte e a
destinação inteligente dos resíduos sólidos, significa geri-los sustentavelmente,
podendo, de acordo com André TRIGUEIRO (2005), trazer benefícios, tais como:
Geração de emprego e renda (Estima-se que existam hoje 500
mil catadores no Brasil. São pessoas com idade acima dos 30 anos,
baixa escolaridade e muitas dificuldades de encontrar vagas no
mercado de trabalho formal);
Benefícios fiscais para a reciclagem (Os prefeitos poderiam
isentar ou reduzir a alíquota dos impostos municipais que incidem
sobre os produtos recicláveis, pois estes são bitributados, ou seja,
recolhem imposto duas vezes);
Decoração de ruas (Em ocasiões especiais, vários artistas que
trabalham em cooperativas, transformam os recicláveis em obras de
arte);
A energia do lixo (a decomposição da matéria orgânica no lixo
– basicamente, restos de comida – se transformam em gás metano,
combustível que em várias cidades* do mundo é aproveitado como
fonte de energia);
Reciclagem de entulho (O entulho triturado é matéria-prima
para a fabricação de tijolos e placas de calçamento. Pode ser usado
ainda como base e sub-base de asfalto. Graças à reciclagem do
entulho, a prefeitura de Belo horizonte economizou 360 mil reais em
2004. Com esse dinheiro seria possível construir 40 casas
populares). (TRIGUEIRO, 2005, p. 56)
A cidade de Curitiba, foi pioneira quanto a reciclagem do lixo, quando
implantou o programa de coleta seletiva de lixo doméstico, para tanto fez campanha
de conscientização junto a população para que cada habitante separasse o lixo
produzido em sua residência e em dias alternados passa o caminhão para recolher o
que passou a ser chamado de “lixo que não é lixo”. O material recolhido vai para
uma usina onde os materiais são separados por tipo, papeis, plásticos, metal, etc.
para posteriormente serem encaminhados para as usinas de reciclagem. (PMC,
1992)
Além de recolher o lixo produzido nas residências, o poder público incentivou
a sociedade a se organizar em cooperativas, organizações não governamentais ONGS, associações de moradores, onde um grande número de famílias sobrevive
da separação do lixo produzido na cidade. Quando em 2008, implantou o Projeto
Eco-Cidadão, tem como objetivo o reconhecimento e a valorização dos catadores de
Curitiba e, é importante elo na cadeia de reciclagem, oferecendo todo o suporte para
sua atividade. (PMC, 2010)
17
Este projeto é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente em parceria com
a Fundação de Ação Social, além de preservar o meio ambiente, trouxe condições
de trabalho digna aos catadores os quais aumentaram sua produção e renda.
Atua em Curitiba com sete parques e atende mais de 300 catadores.
Estes parques tem toda a estrura físca e administrativa e gerencial, o
projeto oferece espaços para classificação e comercialização do
material coletado. Cada unidade do Ecocidadão é equipada com
prensa, balança, empilhadeira e bancadas de separação de materiais.
O local, conta ainda com cozinha, refeitório e banheiros.
O material coletado pelos cooperados é levado até o parque de
reciclagem, onde é feito o processo de reciclagem e pesagem. Os
participantes são identificados com crachás e uniformes do projeto,
com colete, calça e boné na cor verde com a logomarca do brasão de
Curitiba. Os catadores também utilizam equipamentos de proteção
pessoal de segurança dentro e fora do parque. (PMC, 2010, p. 1)
Para melhor apreender como se desenvolve esse o processo, foi visitada uma
cooperativa e uma associação, onde são desenvolvidos trabalhos de coleta
separação e reciclagem de lixo urbano.
A Associação de Catadores Parceiros do Meio Ambiente - ACAMPA,
localizada no bairro CIC, conforme depoimento do Sr. Ricardo Tavares (2010),
funciona orientada sob os princípios da cooperativa, faz parte é um projeto piloto, a
qual durante 4 anos terá parceria com Prefeitura de Curitiba, que fornece suporte em
todas as áreas para o seu bom desempenho, parte da matéria prima é fornecida
pelos caminhões que realizam a coleta seletiva do programa lixo que não é lixo.
O grupo de cooperados é formado por 55 pessoas. A dinâmica do trabalho é
através de reuniões mensais para o rodízio de tarefas, sempre dando a liberdade de
escolha. As tarefas são distribuídas ou escolhidas, conforme o perfil de cada
cooperado. (TAVARES, 2010).
Tem pessoas que produzem mais no trabalho externo, pois além de
receberem o lixo coletado pelos caminhões da prefeitura, também é realizada a
coleta nas ruas, condomínios, prédios etc.. Outros cooperados são mais rendosos
no serviço interno, na parte de triagem destes materiais ou na operação das
máquinas. (TAVARES, 2010).
O processo de triagem é feito para a separação de cada material que será
prensado, formando fardos para depois serem vendidos á usinas e depósitos de
reciclagem.
18
Ao fim do mês, é feito a contabilidade, com as entradas e despesas, e o lucro
é divido entre os cinqüenta e cinco cooperados.
Figura 3 – Cooperada da Acampa
Fonte: Site da PMC
Este projeto tem como objetivo orientar os cooperados para o trabalho e num
breve espaço de tempo ter uma fonte de renda, e possam ter autonomia em suas
vidas.
A senhora Ivete, uma das cooperadas trabalha na cooperativa e fez o
seguinte depoimento:
"Minha filha tem problema de epilepsia. Ela só ficava em casa. Isso
estava me deixando deprimida. Depois que começamos a trabalhar
no EcoCidadão, nossas vidas mudaram. A Luciana se sente
valorizada e eu voltei a estudar", diz Ivete, que também é
A secretária da Associação Acampa.
"Com a renda do trabalho, eu estou posso comprar as minhas
coisas e também ajudar em casa. Além disso, tenho planos de voltar
a estudar para terminar o segundo grau e futuramente fazer
faculdade. Tenho o sonho de ser dentista", afirma Luciana.
Ivete também tem a consciência de que o seu trabalho está ajudando
o meio ambiente. Como cada parque conta com uma média de 6
doadores de materiais, como condomínios residenciais no entorno
que destinam o material reciclável diretamente para o programa,
evita-se que muito material fosse para o Aterro da Caximba. "Sei
também que estou ajudando o meio ambiente com a separação.
Quero continuar trabalhando aqui e crescer junto com a
cooperativa".(PMC, 2010, p.1).
19
Outra organização visitada foi a Associação de Moradores do Bairro
Guabirotuba, o trabalho desenvolvido por esta associação não é somente com o lixo
reciclado e não está restrita ao bairro Guabirotuba, estende seu trabalho social por
mais alguns
bairros e vilas no entorno, como o Jardim das Américas, Jardim
Savana, Uberaba, são os mais assistidos.
Segundo o Sr. Altair Sayad (2010), as quarta-feiras, é o dia para o artesanato.
As oficinas são orientadas por profissionais voluntários, para que a partir do material
reciclado, criem peças utilitárias ou de decoração. O material reciclado utilizado nas
oficinas é doado por empresas da região ou recolhidos pelos próprios membros da
associação de moradores. As peças confeccionadas são vendidas por um valor bem
acessível, o dinheiro arrecadado é dividido entre o criador e a associação para as
despesas da associação.
Outro exemplo de geração de renda a partir da reciclagem do lixo vem do
Estado de Roraima, onde,
o Sindicato dos Artesãos de Roraima, também encampou a
preocupação com o meio ambiente. Em 2006, A Assembléia
Legislativa realizou a exposição Transformando Lixo em Luxo –
artesanato gerando emprego e renda, organizada pelo Sindicato dos
Artesãos de Roraima.
Os associados, confeccionam objetos feitos de sementes de açaí,
bacaba e patoá, raízes das árvores se transformam em arte, entre
outros objetos que sofrem transformações significativas pelas mãos
de artesãos, passando do lixo ao luxo.
Criado há mais de 30 anos, o sindicato conta com mais de 100
sócios, subdivididos em grupos que trabalham com comidas típicas;
plantas ornamentais, frutíferas e medicinais; e com artesanato em
souvenir, que são as peças que os turistas mais procuram.
A presidente do sindicato, Malu Campos, diz que, a cada ano, os
artesãos vão se aperfeiçoando ainda mais e hoje já produzem peças
que são comercializadas diariamente para todo o país e até para o
exterior. “O material utilizado é da própria natureza. Trabalhamos
com a máxima de que, na natureza, nada se perde e tudo se
transforma”. (COSTA, 2006, p.2)
O Brasil é formado por uma grande diversidade cultural o que propicia que
cada região aproveite seus recursos naturais da melhor forma sem com isso
desrespeitá-la. Nesses últimos anos, muitas ONGS vêm estimulando o artesanato a
partir de materiais existentes nas regiões. Desde casca de coco verde que demora
muitos anos para ocorrer a decomposição até palha de buriti, para confeccionar
20
prendedores de cabelo. Este artesanato vem sendo chamado de artesanato sócioambiental.
5 CONCLUSÃO
Hoje, depois de muitas campanhas de conscientização, não só na cidade de
Curitiba, mas da sociedade em geral, estão envolvidas muitas atividades com a
reutilização de resíduos sólidos.
Atualmente é possível reduzir grandes quantidades de matéria usada, sendo
que as indústrias e consumidores podem e devem desempenhar um papel primordial
na redução através da utilização de materiais e tecnologias menos poluentes. As
indústrias devem optar pelo fabrico de embalagens mais leves, com um menor gasto
de energia e recursos naturais, conservando a qualidade.
Reutilizar para utilizar o produto mais do que uma vez, antes de um produto
ser descartado, é necessário pensar se não existe uma reutilização possível do
mesmo. As embalagens devem ser concebidas com o intuito de serem
reaproveitadas.
Quando da aquisição de um produto, é necessário pensar em optar por
produtos que sejam total ou parcialmente reutilizáveis, como as recargas que
permitem a reutilização da embalagem e as pilhas recarregáveis. Produtos que
aparentemente não têm mais utilidade podem ser reparados ou ter utilidade para
outros, podendo ser doados a instituições de solidariedade social.
Pensando em sustentabilidade, entre produtos semelhantes, prefira: embalagens
menores, garrafas retornáveis, produtos marcados como recicláveis, pilhas e
baterias recarregáveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos com prazo maior de
garantia, lâmpadas fluorescentes, copos plásticos com possível reuso.
A repetição nos mesmos erros quanto a administração e gerenciamento dos lixos,
por falta muitas vezes de políticas públicas ou desconhecimento da sociedade
quanto aos problemas de gestão de cooperativas de lixo ou dos próprios catadores
além da ausência na participação das instituições públicas e privadas quanto a
importância da reciclagem como fonte de geração de trabalho e renda, é o que
nos leva a pensar na necessidade do envolvimento de todos, no compromisso de
diminuir os inúmeros transtornos causados ao planeta em que vivemos, no qual
fazemos parte e temos uma história de vida. Se não agirmos logo, não sobrará nada
para repassarmos as futuras gerações. (grifo nosso).(OLIVEIRA, 2009, p.2)
21
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A RECICLAGEM DO LIXO COMO FONTE DE RENDA