UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE CARGOS NAS ORGANIZAÇÕES Cláudia Gimenes da Silva Martins Orientador Prof. Celso Sánchez Rio de Janeiro 2003 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE CARGOS NAS ORGANIZAÇÕES Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Docência do Ensino Superior. Por: . Cláudia Gimenes da Silva Martins 3 AGRADECIMENTOS Durante todo este tempo de buscas e realizações pude contar com os meus queridos familiares. Agradeço a minha mãe Lourdes que nunca me deixou desistir e esteve ao meu lado em todos os momentos da minha vida. A minha irmã Viviane, que é uma fisioterapeuta dedicada, me ajudou seguir o seu exemplo de perseverança e dedicação ao estudo. Ao meu marido Vladimir que todos os dias teve palavras e gestos de incentivo para que eu concluísse este curso. A minha avó Odete que mesmo não estando mais aqui proporcionou conforto e carinho todos os dias. 4 DEDICATÓRIA Dedicou este trabalho ao meu querido pai Francisco, que não se encontra mais ao meu lado, mas que tenho certeza que aonde quer que esteja esta orgulhoso por esta conquista. 5 RESUMO O processo de descrição e análise de cargos está intimamente com ligada a área de Cargos e Salários e o processo de “aplicar pessoas”, ou seja, voltados para o desenho das atividades das pessoas. As técnicas de descrição e análise de cargos tem como objetivo levantar informações sobre o conteúdo ocupacional nos cargos e seus requisitos, de forma a fornecer subsídios para que se faça uma avaliação dos mesmos e se estabeleça uma importância relativa entre eles. Como é impossível considerar cada um dos numerosos cargos, por si só, de uma determinada empresa deve-se agrupa-los em um conjunto mais ou menos homogêneo, de tal forma que o tratamento a ser dispensado ao ocupante de cargo de um grupamento possa ser estendido aos ocupantes de todos os demais cargos do mesmo conjunto. Esses cargos, de mesma natureza, irão ser reunidos numa mesma classe para justificar, por exemplo, que o mesmo titulo seja usado para denomina-los, que os mesmos requisitos de educação, capacidades e outras sejam exigidos de seus ocupantes, que os mesmo testes de seleção possam ser aplicados. O principal problema da área de Recursos Humanos é o de conscientizar a alta administração da importância da descrição de Cargos e Salários nas organizações. Um Plano de Cargos e Salários bem definido dentro de uma organização faz com que seus colaboradores possam planejar sua carreira. Eles tem a consciência de onde estão e onde poderão chegar, ou seja, estabelece uma política eficaz que permita a ascensão profissional de acordo com suas aptidões e desempenhos. Já para a organização é um instrumento que facilita para os gestores da empresa a administração de seus recursos na contratação, movimentações horizontais (méritos) e verticais (promoções) de seus colaboradores e retenção dos talentos da empresa. 6 METODOLOGIA Este trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisas e vivência na área de Recursos Humanos em algumas empresa multinacionais, como Xerox do Brasil, EDS do Brasil e Microsiga Software S/A onde foram analisados a estrutura de cargos e salários. Foi de grande importância minha experiência nestas empresas multinacionais. A vivência adquirida na graduação, palestras, seminários e congressos e na própria rotina de trabalho onde atuo como Coordenadores de Recursos Humanos . O interesse pelo tema surgiu a partir da vivência e prática profissional. Incumbida de planejar e administrar ações que visam uma melhor desempenho e qualificação dos profissionais, me vi diante de um contexto muito mais complexo que dificultava os resultados que era solicitado. O desenvolvimento de um plano de cargo e salários eficaz para atender as necessidades e expectativas de todos os colaboradores. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I – DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE CARGOS 10 CONCLUSÃO 33 ANEXO I 36 ANEXO II 40 ANEXO III 43 BIBLIOGRAFIA CITADA 45 BIBLIGRAFIA CONSULTADA 46 ÍNDICE 48 FOLHA DE AVALIAÇÃO 49 8 INTRODUÇÃO A Descrição de Análise de Cargos é algo extremamente necessário nas organizações e faz parte da política de uma empresa, pois é através dela que se obtém as necessidades de cada pessoa que se encontra inserida dentro da mesma. Com o objetivo de aprofundar e esclarecer a relação Análise e Descrição de Cargo, esta monografia me levou a pensar e me aprofundar neste tema que ainda esta crescendo e alcançando seu espaço dentro das organizações. Qual a importância e implicações de um estrutura de Cargos e Salários para o desenvolvimento das organizações? Ao começar a buscar material para falar da Descrição e Análise de Cargos dentro das organizações, senti a necessidade de apontar primeiramente para as condições que vive hoje a sociedade nesta chegada do novo milênio, a pressão, abandono e desvalorização de cada indivíduo. Com todo este processo de mudanças, as empresas precisam, cada vez mais, valorizar o ser humano. Embora esta atitude muitas vezes não passe de teoria, é isso que a grande maioria de especialistas organizacionais estão apontando como o diferencial para o desenvolvimento e crescimento das organizações que caminham para o próximo milênio. E é neste momento de grandes mudanças, que o homem precisa voltar a ocupar uma posição nas organizações. É na complexidade das funções de cada cargo, que explicitam as exigências de uma sociedade desenvolvida. É no desempenho dessas funções, que podemos encontrar o desenvolvimento científico-tecnológico das empresas. As funções dos cargos respondem pela existência de uma estrutura empresarial na mesma dimensão em que as funções das empresas respondem pela existência de uma estrutura social. 9 A existência de processos de avaliação de cargos e de avaliação de desempenho, sua mensuração em termos de fatores, seus critérios, seus parâmetros, não são uma exigência meramente administrativa; são a busca de um aprimoramento das empresas como única resposta aos anseios correntes do grupo social em que a organização está inserida. Com a emergência da sociedade da informação, um novo paradigma tem se desenhado, e nele a inovação: qualidade de serviço e a velocidade são cada vez mais elementos diferenciais para conseguir conquistar o consumidor. Os estudos da psicologia no âmbito das organizações mostraram que hoje, esta nova forma de saber e ser vem caminhando de encontro às buscas das organizações e cabe a estes profissionais contribuir para a solução e prevenção de problemas ligados à saúde mental que ocorrem dentro dos ambientes onde o homem está inserido e com isso estabelecer novas políticas e práticas sociais nas organizações. Para o psicólogo organizacional, cabe uma importante responsabilidade na recondução dos valores do homem e da vida dentro das organizações: implantar nas empresas do próximo milênio a reinvenção do homem, a renovação da sociedade e a efetiva concretização da democracia. A chegada do terceiro milênio leva o ser humano a iniciar a reavaliação de suas atitudes profissionais e pessoais. Para a psicologia cabe analisar, entender, otimizar na organização a eficiência dimensionando a sobrevivência, o crescimento e a capacidade de enfrentar a transformação, face a rapidez com que as novas tecnologias se agregam às instituições empresariais. Sob este ângulo, o objetivo da psicologia se direcionam para os mecanismos de flexibilidade e adaptabilidade, ao desenvolvimento de talentos e capacidades dos membros da organização à velozes e necessárias mudanças na conduta das empresas. 10 Capítulo I DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE CARGOS 11 Descrição e Análise de Cargos Segundo Chiavenato (1998) os processos de provisão de Recursos Humanos estão relacionados com o suprimento de pessoas para a organização. “São os processos responsáveis pelos insumos humanos e envolvem todas as atividades relacionadas com pesquisa de mercado, recrutamento e seleção de pessoas, bem como sua integração às tarefas organizacionais” ( p. 167). Chiavenato (1998) utiliza, em grande parte de seus livros, o temo Mercado de Recursos Humanos (MRH) que, diferente do mercado de trabalho, se refere ao conjunto de candidatos a emprego. O MRH pode se apresentar em situações de oferta (abundância de candidatos) ou de procura (escassez de candidatos). Mercado de RH Oferta Abundância de Candidatos Procura Escassez de Candidatos 12 Figura 1 Mercado RH Mercado de RH Mercado de Trabalho Candidatos Disponíveis Vagas Disponíveis Cargos Preenchidos (Chiavenato, 1998) O mercado de trabalho tem se apresentado bastante escasso devido ao crescimento econômico, a natureza dos postos de trabalho, a produtividade e a inserção no mercado internacional, e isso por influenciar as práticas do recurso humano, pois quando o mercado de trabalho está em situação de oferta as organizações se vêem diante de um recuso escasso e difícil: as pessoas são insuficientes para preencher em aberto e ainda existe excesso de vagas e oportunidades de emprego para os candidatos; e quando este mesmo mercado de trabalho está em situação de procura, as 13 organizações se vêem frente a um recurso fácil e abundante: as pessoas que disputam emprego no mercado. O mercado de trabalho é constituído pelas ofertas de trabalho oferecidas pelas empresas, em certa época e em determinado lugar. O mercado de recursos humanos é constituído dos candidatos reais e potenciais àquela oportunidade. 1.1. Alguns Conceitos Organizacionais Schein (in Chiavenato, 1981, p. 142), salienta que “ uma organização é a coordenação racional das atividades de algumas pessoas que procuram chegar a algum objetivo comum e explícito, através da divisão do trabalho e da função de hierarquia de autoridade e responsabilidade”. As organizações produzem serviço ou produto utilizando energia humana e/ou máquina para transformar matérias-primas nestes produtos ou serviços e elas são constituídas por pessoas, independente da estrutura. As organizações delineiam sua estrutura formal, definem órgãos e cargos, e preestabelecem com maior ou menor volume de regras burocráticas, os requisitos necessários e as atribuições a serem impostas a seus membros. É importante mostrar que a organização não constitui toda a vida das pessoas, pois a sociedade não se resume apenas a ela. Os indivíduos participam de outras organizações, nas quais desempenham outros papéis sociais, com outros ambientes e são moldados também por eles. Segundo Malinowski (in Chiavenato, 1981), a organização é mais do que um agrupamento de pessoas ou de pequenos grupos. Philip Selznick (in Chiavenato, 1981), entende que a simples criação da estrutura formal não determinará a criação e a sobrevivência de uma organização. É indispensável que a organização tenha sido originada pelas necessidades da coletividade. Assim como as pessoas, as organizações tem um caráter próprio que as distingue das demais, isto é, elas desenvolvem uma identidade própria. Esse caráter se desenvolve da mesma maneira pela 14 qual evolui o caráter dos indivíduos. Quanto maior o número de interações pessoais e de grupos, mais acentuado o caráter da organização. Segundo Faria Nogueira (1976) as organizações desenvolvem-se em virtude de: - Mudanças tecnológicas; - Leis econômicas; - Procura de padrões mais elevados de vida. As organizações caracterizam-se por (in Faria Nogueira, p.98): - divisão do trabalho, do poder e das responsabilidades de comunicação, divisão essa que não é obra de causalidade nem obedece a um esquema tradicional, senão que tem sido deliberadamente planejada, para favorecer a realização de fins específicos; - presença de um ou mais centros de poder que controlam os esforços concentrados da organização e os dirige até seus fins; estes centros de poder revisam continuamente a atuação da organização e remodelam sua estrutura, onde se tornar necessário, para aumentar sua eficiência; - substituição de pessoal, isto é, que as pessoas que não satisfazem possam ser dispensadas e suas tarefas atribuídas a outras. A organização pode também mudar seu pessoal através da transferência e promoção Segundo Pfiffner e Sherwood, na sua obra Organização Administrativa, organização é um tipo de associação em que os indivíduos – em número tal que contatos pessoais se tornam difíceis de ocorrer – se dedicam a tarefas complexas e estão entre si relacionadas por um consciente e sistemático mutuamente aceitos. estabelecido e consecução de objetivos 15 Segundo Vasconcellos e Hemsley, (Estrutura das Organizações, p. 3) a estrutura de uma organização pode ser definida como o resultado de um processo através do qual a autoridade é distribuída, as atividades desde os níveis mais baixos até a alta administração são específicas e um sistema de comunicação é delineado permitindo que as pessoas realizem as atividades e exerçam a autoridade que lhes compete para que atinja os objetivos organizacionais. A estrutura de uma organização deve estar em contínua sintonia com a natureza da atividade e seu ambiente. As atividades repetitivas e ambientes estáveis favorecem as chamadas estruturas tradicionais que possuem como característica: alto nível de formalização, unidade de comando, especialização elevada, comunicação vertical e utilização de formas tradicionais de departamentalização, ou seja, agrupamento de indivíduos em unidades. Com o aumento da complexidade do ambiente observado nas últimas décadas, tornou-se necessária, em certos setores, a existência de organizações inovativas que pudessem responder de forma eficaz a essas mudanças. As características estruturais dessas organizações são inversas a aquelas apresentadas pelas organizações tradicionais: baixo nível de formalização, utilização de formas avançadas de departamentalização, multiplicidade de comando, diversificação elevada e comunicação horizontal e diagonal. 1.2. Conceitos Básicos de Cargo Cada pessoa exerce funções dentro de uma empresa está desempenhando um determinado cargo. Há uma grande diferença em relação aos cargos, para a organização e para as pessoas que exercem estes cargos: para a organização, cargo é a base da aplicação das pessoas nas tarefas organizacionais e para as pessoas, o cargo constitui uma fonte de expectativas e de motivação. 16 “O cargo é uma composição de todas as atividades desempenhadas por uma pessoa - o ocupante – que pode ser englobado em um todo unificado e que figura em certa posição formal do organograma da empresa”. (Chiavenato, 1998, p.160). No organograma pode-se observar os cargos superiors, que define subordinação destes cargos, e os inferiores que indicam seus subordinados, como observamos na figura 2. Áreas de Atuação Figura 2 Área de Atuação Cargo Responsabilidade Autoridade (Gestão de Pessoas, Chiavenato, 1998) 17 O conceito de cargo baseia-se nas noções de tarefa, atribuição e de função (Chiavenato, 1998). - Tarefa: são as atividades individualizadas e executadas por um ocupante do cargo. Geralmente refere-se a cargos simples e repetitivos, como os cargos operacionais e auxiliares. - Atribuições: são atividades também individualizadas e executadas por um ocupante do cargo. Geralmente refere-se a cargos que envolvam atividades mais diferenciadas, como os cargos administrativos, técnicos, etc. - Função: conjunto de tarefas ou atribuições que é exercido de maneira sistemática e reiterada por um ocupante de cargos. - Cargo: posição hierárquica desse conjunto de tarefas ou atribuições dentro da entidade formal, geralmente definida dentro do organograma. Cada cargo constitui uma designação de trabalho, com um específico conjunto de deveres, responsabilidades e condições que o torna distinto dos outros cargos. Quando um cargo é posicionado no programa da empresa, isso significa seu nível hierárquico, em qual área está localizado, a quem supervisiona e quais os cargos com quem mantém relações laterais. 1.3- Desenho de Cargos Chiavenato (1998) afirma que desenho dos cargos é o modo pelo qual os administradores projetam os cargos individuais e os combinam em unidades, departamentos e organizações. Duas diferentes escolas administrativas contribuíram fortemente para o projeto e o desenho dos cargos: a administração científica (teoria clássica) e o humanismo industrial (relações humanas). Miles (in Chiavenato, 1998) vislumbra três modelos bem distintos de desempenho de cargo: clássico, de relações humanas e de recursos humanos. 1. No modelo clássico de administração utilizado pelos engenheiros pioneiros da teoria administrativa (Taylor, Gantt. Gilbreth, etc.), a primeira 18 tentativa sistemática de descobrir os princípios de colocação ótima do indivíduo no cargo foi desenvolvida inicialmente por Frederick W. Taylor. Sua abordagem da administração científica, salientava que, através de métodos científicos, se poderia projetar cargos e treinar pessoas para obter um máximo de resultado. Todavia, enquanto as idéias de Taylor incluíam um ideal amplo de esforços cooperativo entre a administração e operariado, no sentido de aumentar a produtividade, seus seguidores foram bem mais restritos, concentrando-se quase que exclusivamente em dois principais aspectos da contribuição de Taylor: a determinação da melhor maneira de estruturar o cargo (the best way) e o uso de pagamento de incentivos salariais para assegurar a adesão aos métodos de trabalhos prescritos. A melhor maneira era obtida através de estudos de tempo e movimentos. Procurava-se uma separação entre pensamento (gerência) e atividade (operários): os cargos eram projetados segundo o modelo de fazer e não de pensar, em termos de um ambiente estável e previsível. O treinamento no cargo, segundo o modelo clássico, era restrito às habilidades específicas necessárias para operar um estreito segmento da tecnologia utilizada. Um princípio básico no projeto do cargo é que este deve conter um número limitado de tarefas relacionadas, cada qual requerendo habilidades similares e períodos comparáveis de aprendizagem. O ocupante do cargo deve ser capaz de aprender rapidamente e seguir os métodos prescritos. Nestes métodos, estão incluídas as regras simples de decisão a serem aplicadas a alternativas rotineiras com que o ocupante pode defrontar-se. Em caso de ocorrência não especificadas, o ocupante deve procurar seu superior. A relação de trabalho primária de casa membro da organização didática: cada ocupante relaciona-se exclusivamente com seu superior. Os contatos com colegas relacionados com trabalho são formalizados e controlados: a programação e o fluxo seqüencial do trabalho são da responsabilidade do superior. O membro da organização – dentro deste modelo – não está particularmente interessado nem é capaz de exercer auto direção e autocontrole. Espera-se exclusivamente que ele se interesse pelo que faz à 19 medida que tem uma remuneração, que, aliás, deve sempre estar de acordo com seu desempenho. Scott e Mitchell (in Chiavenato, 1998) concluem que a pesquisa da administração científica visava projetar: A – encontrar a melhor maneira para as pessoas se moverem, localizarem e lidarem fisicamente com uma tarefa; B – segmentar os cargos em tarefas repetitivas e facilmente treináveis; C – arranjar instrumentos e equipamentos de maneira que minimizem o esforço e a perda de tempo; D – construir o ambiente da fábrica de maneira que o ruído, a ventilação em outras facilidades de suporte não reduzam a eficiência; E – projetar instrumentos especiais para cargos específicos, como transportadores, seguidores e outras máquinas para reduzir ações desnecessárias; F – eliminar todas as atividades que produzem fadiga e que não estão relacionadas com a tarefa executada. Para estes dois autores a idéia subjacente nesta abordagem é clara: o trabalhador e seu cargo são tratados como máquinas. Os estudos de tempos e movimentos aumentaram marcadamente o conhecimento de como as pessoas lidam com máquinas. Esta abordagem trouxe profundas implicações, porque os cargos são medidos com o tempo e submetidos ao método, tornando-se simples e repetitivo. Os benefícios originalmente esperados com a racionalização do trabalho não chegaram a realizar-se integralmente. 2. No modelo de relações humanas, o desenho do cargo não é diferente do modelo clássico. A diferença reside nas implicações humanas: o modelo humanista tende a focalizar mais o contexto do cargo e as condições sob as quais é desempenhado. O ocupante recebe atenção e consideração quanto às suas necessidades e não pe tratado como máquina. O modelo humanista permite maior interação entre as pessoas. Todavia, a consulta e a 20 participação não devem interferir no cumprimento da tarefa, nem afetar o fluxo e a seqüência do trabalho. O modelo permite o desenvolvimento de relações entre colegas e provisão para alguma oportunidade de crescimento individual. O superior é solicitado a desenvolver um grupo de trabalho coeso e de suporte, promover uma atmosfera amigável e cooperativa independentemente da coordenação do trabalho e minimizar fricções entre personalidades dos subordinados que poderiam prejudicar o desempenho do departamento. O superior é encorajado a incrementar as atividades no cargo, como rotação de indivíduos entre cargos similares e oportunidades ocasionais de interagir com outras unidade ou departamento. Algumas atividades são consideradas como meios de reduzir o aborrecimento e incrementar sentimentos de importância, como o lazer e as condições físicas de trabalho e de conforto. 3. No modelo de recursos humanos, o tratamento é mais complexo, porque o administrador deve alcançar altos níveis de desempenho através da aplicação dos talentos criativos e da capacidade de auto direção e autocontrole dos membros de seu departamento, enquanto proporciona oportunidades de satisfação de suas necessidades individuais. Este modelo presume que é através da utilização das capacidades de auto direção e autocontrole, quanto aos objetivos planejados conjuntamente entre superior e subordinado, que os membros obtêm satisfação. O administrador deve criar mecanismos através dos quais as contribuições dos indivíduos poderão melhorar o desempenho do departamento e não simplesmente consultar seus subordinados para satisfazer às suas necessidades de participação, de consideração e de importância. Essas necessidades passam de fins par meios. A satisfação das necessidades individuais é um subproduto desejável, mas não o objetivo principal das atividades gerenciais. Tradicionalmente, os requisitos tecnológicos constituíam os elementos fundamentais para projetar e desenhar um cargo. Taylor e os seguidores da Administração Científica desenvolveram esforços no sentido de aumentar a eficiência do operário americano racionalizando as tarefas. Não se cogitava adequar o sistema às necessidades humanas. Com as recentes influências dos autores behavioristas, passou-se a enfatizar os aspectos humanos no 21 desenho dos cargos, no sentido de criar um trabalho significativo e que proporcionasse satisfação com o propósito de elevar a produtividade, não somente através do clima motivacional. 1.4 – Descrição e Análise de Cargos As necessidades básicas de recursos humanos para a organização – seja quantidade, seja em qualidade – são estabelecidas através de um esquema e descrições e especificações de cargos. As descrições de cargos relacionam as tarefas, os deveres e as responsabilidades do cargo, enquanto as especificações de cargo se preocupam com os requisitos necessários ao ocupante. Assim, os cargos são preenchidos de acordo com essas descrições e especificações. O ocupante do cargo deve ter características pessoais compatíveis com as especificações do cargo, enquanto o papel a desempenhar será o conteúdo do cargo registrado na descrição. Geralmente, a descrição relata impessoalmente o conteúdo do cargo, enquanto as especificações do cargo fornecem uma percepção da organização a respeito das qualificações humanas desejáveis para o trabalho, expressas em termos de educação, experiência, iniciativa, etc. Tendo em mente a descrição e as especificações do cargo, o órgão de instrumento de recrutamento e seleção tende a concentrar-se no preenchimento dos cargos vagos, enquanto o órgão de treinamento procura habilitar o ocupante no desempenho das tarefas, dos deveres e das responsabilidades do cargo, e assim por diante, envolvendo praticamente todas as atividades relacionadas com a Administração de Recursos Humanos dentro da organização. Em outros termos, a descrição dos cargos funciona como um levantamento prévio de dados a respeito da situação a ser focalizada, alimentando todos os demais processos de informações indispensáveis para seu planejamento, sua organização, sua coordenação e seu controle. 22 A descrição e análise de cargos funciona como um mapeamento daquilo que se faz dentro da organização. Um programa de descrição e análise de cargos produz subsídios para o recrutamento e seleção de pessoas, para a identificação das necessidades de treinamento, elaboração de programas de treinamento, para o planejamento da força de trabalho, avaliação de cargos e critérios de salário, avaliação do desempenho, etc. quase todas as atividades de RH estão baseadas em informações proporcionadas pela descrição e análise de cargos. Chiavenato (1998) determina os objetivos da descrição e análise de cargos: 1. Subsídio ao recrutamento: definição do mercado de RH no qual se deverá recrutar e dados para a elaboração de anúncios ou técnicas de recrutamento. 2. Subsídio à seleção de pessoas: perfil e características do ocupante do cargo, requisitos exigidos, definição de bateria de provas e testes de seleção, etc. 3. Material para o treinamento: conteúdo dos programas de treinamento, conhecimentos e habilidades exigidos ao ocupante. 4. Base para avaliação e classificação de cargos: fatores de especificações para serem utilizados como fatores de avaliação de cargos, definição de faixas salariais, escolha de cargos referenciais para pesquisa de salários,... 5. Avaliação de desempenho: definição de critérios e padrões de desempenho para avaliar os ocupantes, metas e resultados a serem alcançados, etc. 6. Base para programas de higiene e segurança: informações sobre condições de insalubridade e periculosidade comuns a determinados cargos. 7. Guia para o gerente: informações sobre o conteúdo dos cargos e desempenho dos ocupantes. 23 1.4.1. DESCRIÇÃO DE CARGOS A Descrição de Cargo é um relatório escrito que delineia os deveres e as condições relacionadas com o cargo. Fornece informações sobre o que o ocupante do cargo faz, como faz, quando faz e por que faz. Um cargo, como diz Chruen e Sherman, “pode ser descrito como uma unidade da organização que consiste em um grupo de deveres e responsabilidades de um caro pertencem ao empregado que desempenha o cargo, e proporcionam os meios pelos quais os empregados contribuem para o alcance dos objetivos de uma organização”. A Descrição de Cargos é o processo que consiste em determinar os elementos ou fatos que compõem a natureza de um cargo e que o tornam distinto de todos os outros cargos existentes na organização. É o detalhamento das atribuições ou tarefas do cargo (o que o ocupante faz), dos métodos empregados para a execução dessas atribuições ou tarefas (como faz) e os objetivos do cargo (para que faz). É basicamente um levantamento escrito dos principais fatos significativos acerca da execução do cargo e dos deveres e responsabilidades envolvidas. Segundo Chiavenato ( 1998), a descrição de cargo é: - uma definição escrita do que o ocupante do cargo faz, como ele faz, e por que ele faz. - Um documento escrito que identifica, descreve e define um cargo em termos de deveres, responsabilidades, condições de trabalho e especificações. - Uma definição escrita do que o ocupante do cargo faz, como ele faz e em que condições o cargo é desempenhado. Esse conceito é utilizado para definir as especificações do cargo, a qual relaciona os conhecimentos, habilidades e capacidades necessárias ao desempenho satisfatório do cargo. Descrever um cargo significa relacionar o que o ocupante faz, como ele faz, quais condições ele faz e por que ele faz. A descrição do cargo é um retrato simplificado do conteúdo e das principais responsabilidades de cargo. 24 O formato comum de uma descrição de cago inclui o título do cargo, o sumário das atividades a serem desempenhadas e as principais responsabilidades do cargo. Muitas vezes, inclui também as relações de comunicação do cargo com outros cargos, como mostra a figura 2. Figura 3 Exemplo de descrição de cargo DESCRIÇÃO DO CARGO Departamento de Administração de Recursos Humanos Setor de Administração de Cargos e Salários Título o Cargo: Departamento: Diretoria: Sumário do Cargo: Relações: Qualificações: Responsabilidades: (Recursos Humanos, Chiavenato, 1998) A descrição do cargo relaciona de maneira breve as tarefas, deveres e responsabilidades do cargo. Ela é narrativa e expositora e se preocupa com os aspectos intrínsecos do cargo, isto é, com seu conteúdo. Feita a descrição, vem a análise de cargos. Esta aborda os aspectos intrínsecos do cargo, isto é, quais os requisitos o ocupante deve possuir para desempenhar o cargo. 1.4.2. – Análise de Cargos A Análise de Cargos é o processo de obter, analisar e registrar informações relacionadas com os cargos. Essas informações são registradas inicialmente nas descrições de 25 cargos. Para fazer a análise, cada cargo é dividido e estudado com base nas partes ou elementos componentes, que são chamados fatores de especificações. “Análise de Cargos é uma ferramenta fundamental da administração de pessoal, é um processo de investigação das atividades do trabalho e das demandas sobre os trabalhadores, qualquer que seja o tipo ou nível de emprego” (Chiavenato, 1998, p. 177). Roff e Warson (in Chiavenato, 1998), acrescentam que “o processo de analisar um cargo é essencialmente o de determinar características ou dimensões”. Na análise de cargos, o interesse está focalizado exclusivamente no cargo e não no ocupante. Segundo Chiavenato (1998), a análise de cargos é: - uma informação a respeito do que o ocupante do cargo faz e os conhecimentos, habilidades e capacidades que ele precisa ter para desempenhar o cargo adequadamente. - Um processo sistemático de coletar informação para tomar decisões a respeito de cargos. A análise de cargos identifica as tarefas, deveres e responsabilidades de um cargo particular. - O procedimento que determina os requisitos, deveres e responsabilidades de um cargo e o tipo de pessoa que deverá ocupalo. A estrutura de Análise de Cargos A Análise de Cargos pode incluir as informações contidas na Figura 3. 26 Figura 4 Aspectos que as informações incluem Identificação de termos e posição do cargo Deveres executados Responsabilidades envolvidas ASPECTOS INTRÍNSECOS Condições de Trabalho AO CARGO Requisitos pessoais que o ocupante deve ter para: ASPECTOS Cobrir os deveres e as responsabilidades Trabalhar sob as condições de trabalho típicas do cargo EXTRÍNSECOS AO CARGO (Chiavenato, 1999) Geralmente a análise de cargos concentra-se em quatro área de requisitos quase sempre aplicadas a qualquer tipo ou nível de cargo: 1. Requisitos mentais; 2. Requisitos Físicos; 3. Responsabilidades envolvidas; 4. Condições de trabalho Cada uma dessas áreas é dividida, geralmente, em vários fatores específicos denominados de especificações. Os fatores de especificações funcionam como pontos de referência para se poder analisar uma grande quantidade de cargos de maneira objetiva. Constituem verdadeiros instrumentos de mensuração genérica para um tipo hipotético de situação. Variando a natureza dos cargos a serem analisados, variarão igualmente não apenas fatores de especificações considerados, mas também sua amplitude de variação e suas características de comportamento. 27 As especificações do cargo A descrição de cargos pode ser definida com uma apresentação escrita dos principais deveres e responsabilidades que um cargo acarreta e a especificação de cargos (ou especificação do homem) como uma lista de critérios em termos de capacidade e inclinações pessoais necessárias ao bom desempenho do cargo. As especificações do cargo constituem uma descrição detalhada dos requisitos mentais e físicos necessários ao ocupante para poder desempenhar adequadamente o cargo, além das responsabilidades envolvidas e das condições de trabalho que constituem o habitat do cargo (requisitos mentais, físicos, responsabilidades e condições de trabalho). Figura 5 Fatores de Especificação 1.Instrução essencial A . Requisitos Mentais 2. Experiência anterior essencial 3. Adaptabilidade ao cargo 4. Iniciativa necessária 5. Aptidões necessárias 1. Esforço físico necessário B. Requisitos Físicos Fatores de 2. Concentração Visual 3. Destreza ou habilidade 4. Compleição física necessária Especificação 1. Supervisão de Pessoal C. Responsabilidade por 2. Material, Ferramenta, ... 3.Dinheiro,títulos ou documentos 4. Contatos internos e externos 5. Informações confidenciais 1. Ambiente de trabalho D. Condições de Trabalho (Recursos Humanos, Chiavenato, 1998) 2. Riscos Requisitos mentais: instrução essencial, experiência 28 anterior essencial, adaptação ao cargo, iniciativa necessária e aptidões necessárias. Requisitos físico: esforços físicos necessários, concentração visual, destreza ou habilidade e compleição física necessária. Responsabilidade: supervisão de pessoal, material, ferramentas ou equipamento, dinheiro, títulos ou documentos, contatos internos ou externos e informações confidenciais. Condições de trabalho: ambiente de trabalho e riscos. Método de colheita de dados sobre os cargos Método da entrevista As entrevistas podem ser feitas individualmente, com cada funcionário da empresa; entrevistas em grupos de funcionários que ocupam o mesmo cargo; e entrevista somente com o supervisor dos cargos a serem analisados. A entrevista é um dos métodos mais utilizados para buscar deveres e responsabilidades de cada cargo. A seguir estão descriminados alguns questionamentos feitos durante as entrevistas: 1. O cargo desempenhado. 2. As principais atividades desenvolvidas. 3. A freqüência destas atividades. 4. Os métodos e procedimentos utilizados. 5. Os objetivos e resultados do trabalho 6. Principais deveres e responsabilidades 7. Escolaridade, experiência e habilidade que o cargo requer. 8. Requisitos físicos e mentais para entrar no cargo. Estas entrevistas podem ser ministradas através de uma conversa com o funcionário ou ainda através de uma listagem de questões a serem preenchidas pelo entrevistador no ato da entrevista. 29 Método questionário Os dados relativos aos cargos podem ser colhidos através de um questionário que será entregue ou para os funcionários ou para os superiores para serem preenchidos O questionário tem como vantagem proporcionar um meio eficiente e rápido de coletar informações de um grande número de funcionários, mas o seu planejamento e montagem requerem tempo e testes preliminares. Método da observação Outro método que é utilizado para colher as atividades dos ocupantes dos cargos é a observação. Este método é aplicável em cargos simples, rotineiros e repetitivos. Neste método alguns observadores levam como guia um questionário que é preenchido no decorrer da observação com o objetivo de facilitar e assegurar a cobertura de todas as informações necessárias. As etapas do processo de análise de cargos Figura 6 Passos o Processo de análise de cargos PASSO 1 PASSO 2 PASSO 3 PASSO 4 Examinar a estrutura da organização total e cada cargo Definir quais as informações requerida pela análise de cargos Selecionar os cargos a serem analisados Coligir dados necessário s para as análises de cargos Utilizar as informações dos passos de 1 a 5 para: Planejamento de RH Desenho de cargos Recrutamento e Seleção Treinamento Avaliação Desempenho Remuneração e benefícios Avaliação de resultados (Gestão de Pessoas, Chiavenato, 1998) PASSO 5 Preparar as descrições de cargos PASSO 6 Preparar as descrições de cargos 30 1.5. Diferenças entre Descrição e Análise de Cargos Embora intimamente relacionadas em suas finalidades e no processamento de obtenção de dados, a Descrição de Cargos e a Análise de Cargos são perfeitamente distintas entre si. Enquanto a Descrição se preocupa com o conteúdo do cargo (o que o ocupante faz, quando faz, como faz e por que faz), a Análise pretende estudar e determinar todos os requisitos qualificativos, as responsabilidades envolvidas e as condições exigidas pelo cargo, para seu desempenho adequado. É através dessa análise que os cargos serão posteriormente avaliados para efeito de remuneração, e devidamente classificados para efeito de comparação. A descrição e análise de cargos é responsabilidade de linha e função de staff. Em outras palavras, a responsabilidade dos especialistas em Recursos Humanos. A pessoa que colige dados e informações a respeito dos cargos a serem descritos e analisados pode ser o gerente, o próprio ocupante do cargo ou um especialista de RH, que geralmente recebe o nome de analista de cargos. 1.6. Descrição do Cargo Piloto de Trem A descrição e a especificação deste cargo se deu por sua importância na empresa Sal e Sol. O cargo de Piloto de Trem teve sua descrição e especificação feitas baseadas nas atividades exercidas pelos profissionais durante o seu período de trabalho. Este é um cargo, em termos operacionais, essencial em uma empresa metroviária, pois faz acontecer o funcionamento dos trens possibilitando o transporte de milhares de pessoas diariamente. As atividades de um piloto de metrô se resumem basicamente a conduzir trens tipo metrô e articulado, em operação comercial, testes e manobras, observando rotas e horários estabelecidos, bem como verificar o 31 estado do equipamento dos trens, da sinalização, da via permanente e o sistema de energia. A instrução que o candidato deverá te para esta vaga é o 2º grau completo, devido a necessidade de discernimento e contato com o público e boa fluência verbal para se comunicar. Como o treinamento é feito dentro da empresa, não é exigida experiência, até porque só existe este cargo nestes tipos de empresas, dificultando assim a seleção de candidatos com este tipo de experiência profissional. O perfil profissional abrange esforços físico que proporciona a manutenção do veículo, a habilidade manual para pilotar, abrir e fechar portas do trem, acuidade visual devido aos sinais existentes nas estações, acuidade auditiva para possibilitar a escuta dos comandos dados pelo controlador de operações e, ainda, concentração para evitar acidentes. Sendo este um cargo de grande responsabilidade, visto que milhões de pessoas passam diariamente por ali, o piloto de trem se responsabiliza não apenas por levar pessoas de um lugar para o outro, mas também por ter em suas milhões de vidas que nele confiam. A seguir será apresentada a descrição do cargo Piloto de Metrô para melhor visualização e contato com este cargo que tão pouco aparecem nos exemplos de Descrição e Análise de cargos. 32 Figura 7 Exemplo de descrição de cargos Código: 0001 Titulo Principal: Piloto de Trem Outros títulos: Piloto de Trem Subordinação: Supervisor de Trem Subordinados: ------- Descrição Geral: Conduzir trens tipo meto e articulado, em operação comercial, testes e manobras, bem como verificar o estado do equipamento os trens, da sinalização, da via permanente e o sistema de energia. Principais Atividades: Conduzir trem em operação comercial. Informar aos clientes através do sistema de sonorização, a estação e o lado de desembarque. Observar o estado das composições e dos equipamentos durante a preparação, despreparação, limpeza, informando aos superiores e ao Centro de Controle de Tráfego a constatação de qualquer irregularidade nos mesmos Operar os aparelhos de mudança de vias, quando em comando manual para formação de rotas nas linhas e no centro de manutenção, assim como as caixas de comando de rotas. Solucionar os incidentes causados pelas avarias no material rodante, atuando nos dispositivos operacionais do trem visando minimizar as repercussões no tráfego Acompanhar equipes de manutenção durante os testes dinâmicos de desempenho ou recebimento. Registar, em relatórios, os danos e itens faltantes ou avariados dos diversos equipamentos operacionais, bem como suas atividades diárias. Experiência: Não exige Instrução: 2º grau completo Perfil Funcional: Esforço físico, habilidade manual, acuidade visual, acuidade auditiva e concentração 33 CONCLUSÃO Esta monografia apresenta o resultado das discussões desenvolvidas em empresas, na área de Remuneração – Cargos e Salários, e ainda das pesquisas feitas sobre o tema Sua abordagem não tem a pretensão de esgotar o assunto, uma vez que foram conseguidas através de uma realidade que vive em constante transformação, alem do que alguns aspectos da Descrição e Análise de Cargos sofrem alterações em função das atividades existentes de cada cargo que compõe a empresa. Muito mais que a determinação do fator rentabilidade de uma empresa é a avaliação da amplitude de seu objetivo social, pois qualquer que seja a proposta, é no papel social que se mede a grandeza de um empreendimento e é ainda nas oportunidades que oferecem ao mercado de trabalho que se dimensiona a proposta dos seus objetivos. A empresa é a expressão corrente do mercado de trabalho. Reflete seus anseios, suas metas, seus objetivos, agregados a uma serie atemporal, cujo limite é a amplitude do desenvolvimento social. Assim, na medida em que a sociedade é desenvolvida, mais abrangente é o papel social das empresas, pois são elas que sustentam a base da sociedade. Hoje, mais do que nunca, a discussão sobre o futuro dos negócios vem sendo abordada de forma bastante enfática. O objetivo é o de se obter respostas indicativas no sentido de se manter e ampliar a participação em mercados, adequando estes investimentos na razão direta de seu retorno. Não há um só segmento de atividade econômica que não se sinta afetado pelas influências de competição internacional, que no Brasil associam-se às tendências de estabilização e desindexação econômica. Neste contexto, o ambiente que envolve as organizações alterou-se, tornando-se extremamente permeável em função dos desafios da qualidade e competição, que concorrem com o desabamento das fronteiras comerciais, 34 com os processos de fusão, cisão, privatizações e, em especial, com a instalação de novas empresas no país. Os reflexos desse cenário agridem o mercado de trabalho, redesenhando arquiteturas funcionais, determinando o redimensionamento de perfis de atuação profissional, provocando uma verdadeira revolução de crenças e valores relacionados às políticas, práticas e técnicas convencionais de identificação, atração, obtenção, retenção, remuneração e desenvolvimento das estruturas profissionais das empresas. Qualquer pensamento das organizações, em representar-se organizacionalmente, é necessário primeiramente que se reestruture seu Plano de Cargos e Salários. Tal proposição prende-se ao fato de haver uma nítida correlação entre atividade-função-orgão-cargo e salário, o que poderá implicar em profundas mudanças no enfoque sobre o que é o cargo. Este processo de transição, apesar de traumático para a maioria das empresas, contribui para resgatar a efetiva importância da gestão qualitativa, equilibrada e competitiva das diferentes estruturas salariais da empresa, visto que desafia e estimula empresas e profissionais a uma busca por um reposicionamento no sentido de alcançar padrões ótimos de competitividade e auto-realização, sustentados na ética, na ampliação de competências técnicas e pessoais e no comprometimento com o alcance de resultados planejados. Este cenário obriga as empresas competitivas a buscar novos, simplificados e eficazes instrumentos de gestão, informação e controle, que n mínimo assegurem o seu equilíbrio adaptativo ao mercado, visando assim potencializar o seu poder competitivo. Enquanto não dispomos das condições necessárias para prognosticar o ritmo em que se efetivarão as mudanças e a velocidade de ajustamento do mercado empresarial a essas mudanças, tudo o que se disser a respeito de uma equalização e estabilização inercial dos salários, desconectada de uma avaliação segura da real condição de equilíbrio competitivo de cada empresa, servirá apenas para embaralhar as cartas de um jogo marcado, cujo vencedor continuará sendo a empresa que possuir, principalmente num 35 cenário de economia estabilizada, o controle confiável do nível de sintoma de suas políticas e praticas de remuneração. 36 ANEXO I SÍNDROME DE BABEL As reduções de quadros e as redefinições na Estratégia de Gestão das empresas, além de equipes menores, criam um outro fator que reduz a produtividade: a ansiedade. A maior parte do corpo gerencial é formada por técnicos que chegam a posição de liderança pela sua competência técnica. O técnico, na medida do sucesso de seu trabalho, vai ganhando confiança e sente que sua vida profissional esta expandindo. Ele dorme bem e não leva serviço para casa. No final de semana... ele realmente tem um final de semana. Ele está feliz e louco para subir na vida. Até que chega o grande dia da sua promoção. Chega a oportunidade ele é promovido a chefe de um equipe. Sua família esta orgulhosa e ele se sente reconhecido. Mas o técnico, que era competente para fazer algo específico (e dentro de sua área de formação técnica), agora precisa fazer com que outro ser humano faça melhor o seu trabalho e aí começam seus problemas. Para não desapontar, ele acumula seu trabalho e o do outro, se esforça para (en)cobrir as falhas da equipe. Os instrumentos e caminhos que um dia foram válidos para ele já não atendem as suas necessidades. O cenário mudou radicalmente. As funções gerenciais e de liderança se estendem muito alem da formação técnica, necessitando, em grande parte, do desenvolvimento das 37 relações interpessoais, da capacidade de motivação e uma atitude de liderança. Daí a diferença entre gerentes e líderes: o gerente faz o outro fazer. O líder faz o outro ter vontade de fazer. Na verdade, isso implica uma profunda e importante mudança de paradigma quanto à forma de trabalhar de um técnico. É muito mais uma mudança de cultura de trabalho do que uma resistência à diretoria e ao novo modelo de gestão. A capacidade produtiva é a raiz do crescimento. Fecha-se o ciclo. A velocidade com que se processam as mudanças é a cracterística mais marcante neste final de século, gerando, nas organizações e nos indivíduos, ansiedades e indagações, e estas mudanças acabam por gerar adaptações a este novo mundo tecnológico, da era da informática, sem se quer deixar o homem experimentar o desejo de buscar e aprender por suas próprias condições de vida. A humanidade, oprimida e necessitada, é um indivíduo da sobrevivência, da necessidade de adaptar a este novo, e a esta nova visão de mundo. O Brasil esta mudando, as organizações estão mudando e mexendo nas formas de trabalho. As culturas organizacionais mais flexíveis permitem um ajuste mais precoce. As quebras no crescimento sempre aparecem na historia e nela também encontramos diagnósticos e soluções muito interessantes. A primeira descrição histórica sobre a administração de um empreendimento de grande porte já apresentava os efeitos colaterais do crescimento continuado. Encontramos na saga do povo judeu algumas lições na arte de administrar e desenvolver a empresa. Hoje, o povo judeu é um dos mais prósperos e bem sucedidos na terra mas, em seus primórdios (por volta do 4000 a.c.), quando apenas começavam sua jornada, eram frágeis e desorganizados. Era um tempo de guerras cruéis, em que saber antecipadamente da chegada do inimigo poderia fazer a diferença entre a vitória ou escravidão (ou até mesmo entre a vida e a morte). 38 Para sobreviver, precisavam criar algo que diminuísse o tempo de resposta à chegada dos inimigos. Por isso, resolveram construir um grande torre, a Torre de Babel. A torre era mais poderosa ferramenta de defesa da época. O equivalente aos satélites de espionagem militar de hoje. Assim começa a historia de Torre de Babel. Diz a Bíblia que o próprio Deus viu que os homens construíam uma grandiosa torre e exclamou: (Gen. 11,6): “Eis que o povo é um e todos tem uma só língua;,,, agora não haverá restrição para tudo o que eles inventarem fazer.” Nessa afirmação fica evidente que, desde a Antiguidade, sabia-se que para o grupo que tem uma mesma “língua” ( uma mesma visão, coesão) nada é impossível. Aquele povo fraco e desorganizado foi crescendo como equipe e levantaram uma grande muralha a partir de tijolos de barro e pedras. Quanto mais alta ela fosse, mais precocemente o vigia poderia anunciar a chegada do inimigo e dar o sinal para rechaçar um eventual ataque. A torre foi subindo rápido. Mas o sucesso foi tão grande que fez também crescer o orgulho individual. Cada pessoa começou a sentir-se importante pela sua contribuição individual e não pelo trabalho em equipe. Cada um entendia que a sua contribuição era a indispensável e assim perdeu-se a visão de trabalho de grupo, da realidade de uma equipe. Apareceram as “línguas” diferentes para falar a mesma coisa, mas as pessoas não queriam escutar o que os outros tinham a dizer. Lutavam ardentemente para impor seu diferencial, sua linguagem individual. Logo ficou evidente que a “única alternativa” era separar os grupos. Assim, cada um seguiu sua pequena liderança individual, marcada por uma língua diferente, mas a torre ficou incompleta. Enquanto eles tinham “uma só língua, e eram um povo unido, seguiam bem sucedidos”. O poder estava na relação como equipe e na confiança básica que os nutria. Ao perder a humildade (húmus= do chão, perder o contato com o 39 chão) também perderam o contato entre si e começaram a falar “línguas diferentes”. A partir daí, cada um foi seguir um caminho de pequenas lideranças individuais, bem mais vuneráveis e solitários do que viviam em grupo. Perdeu-se a visão. Perdeu-se a missão A síndrome de Babel ocorre a partir do crescimento, de uma historia de sucesso. Segundo o pensamento oriental, as crises se materializam no auge do sucesso: a noite começa ao meio dia. Alguns autores, como Alvin Tofler, analisaram grandes corporações e identificaram que as crises se manifestavam a partir de sucessos e não de fracassos. Quando o sucesso momentâneo obscurece o FOCO, a organização pode perder a Visão. (Roberto Aylmer, 2000). 40 ANEXO II CARAVELAS AO MAR “ Era uma vez, em um reino distante, um vassalo comum, que sempre fora reforçado pelos bons serviços prestados. Era uma vez, em um reino distante, um rei que nunca precisou fazer nada, porque os vales verdejantes, os coletores, o exército e o clero sempre funcionaram regularmente. Nesse reino, o rei não era soberano, mas o vassalo era servil. Certo dia, por causa de problemas sociais, políticos, tecnológicos, ecológicos e de subsistência, o rei ficou tão apavorado que ordenou ao vassalo que entrasse em um navio e conquistasse novos reinos. - Senhor, eu sou um homem do povo! - Não, você vive aqui no palácio. - Mas Senhor, existem generais, existam padres que podem ajudar a colonizar, eu prefiro servir. - Não se apavore, os povos desse reino que você vai conquistar saberão te obedecer, eu não precisarei fazer nada para que você me servisse. Não é? - É...mas... mas você não tem ambição? O que você prefere, que eu vá conquistar novos reinos? - Levantem as bandeiras, os mastros e uma cruz. Alarguem fronteiras, descubram um novo continente, iniciem uma nova civilização. Enquanto as descobertas estavam no mundo físico, o mundo era dos fortes e a expectativa de entrar para exército ou para o seminário 41 garantia a sensação de dever cumprido e de sucesso obtido pela inserção nos círculos do poder. Com a mudança dos tempos, o emprego nas grandes empresas passou a ser possibilidade de estabilidade e o alvo da missão cumprida. A busca da previsibilidade como forma de dominar o destino. Como se fosse um fardo ter que decidir pela vida e ter que lidar com cada momento de decisão. Dessa forma, mesmo que fazendo o discurso da vítima, havia conforto. Vassalo medroso jogado na guerra, sem nunca ter entendido sua existência. Assim não ocorre a mudança e a transição sequer inicia, pois os mitos não foram substituídos. Hoje em dia não se discute o continente distante. Via diversos nomes e bandeiras sabe-se que o reino está ameaçado. Fala-se de um novo mundo, mas na existe colonizador. Cada um de nós deve iniciar o processo de colonização a partir de si mesmo. Não foi o indivíduo que saiu de casa para conquistar novos reinos. O individuo foi informado que deve conquistar. Para conquistar precisaremos combater os inimigos usurpadores. Quem são eles que nos confundem e exercem o papel duplo de libertar e punir, sendo impossível classifica-lo em uma categoria, de aliado ou inimigo. A transição é difícil, pois o antigo rei nada faz para preparar seus antigos súditos em pessoas autônomas, mas também não em papel dele. Se o homem não for capaz de ficar na solidão do conquistador e em contato profundo consigo, para entender a nova situação, ele não conseguirá se libertar das antigas instituições nem de visualizar o novo. Faz sentido as constantes buscas de uma novo espiritualidade, não de uma religião. Faz sentido os avanços da ciência e da física quântica. Sem duvida as pessoas procuram um mestre que lhes diga o caminho, e esse caminho só poderá ser para dentro de si, caso contrário resultará em um novo modismo que em vez de iluminar nosso caminho, alimentará nossos medos e as doenças. 42 Cada um precisa substituir os mitos, estabelecer novos ritos, encontrar novos símbolos, e isso não faz em cima do conhecimento e dos processos aprendidos e dominados. Precisa-se lidar com o inédito, mas existem vícios que remetem sempre os mesmos erros. Então o problema é bem maior. Não se trata somente de descobrir e seguir a nossa essência (inteligência, criatividade, energia ou espiritualidade) e confiar na capacidade de lidar com o novo (Inteligência Emocional). A dificuldade é mais básica, tratarmos de vícios e para tanto devemos lidar com a dependência física (a desconhecida Inteligência Orgânica). Sem isso a mudança não ocorre e voltamos sempre ao mesmo ponto, pois mudam-se os discursos, mas permanecem os vícios. Só é possível se liberta pelo amor a si próprio e pelo aumento de consciência. Mais uma vez o trabalho é individual, mas as empresas (como substitutas dos conventos) podem ajudar os gerentes (como alternativa aos generais) podem direcionar as conquistas. 43 ANEXO III EVENTOS CULTURAIS 44 45 BIBLIOGRAFIA CITADA -CHIAVENATO, Idalberto. Administração de Recursos Humanos – Editora Atlas S.A., 1981, 2ª edição, Volumes 1, 2 e 3 - CHIAVENATO, Idalberto. Administração dos Novos Tempos – Editora Campus, Rio de Janeiro, 1999 - CHIAVENATO, Idalberto. Administração: Teoria, Processo e Prática – Editora Makron Books, São Paulo, 2000, 3ª edição - CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas – Editora Atlas S.A., 1998, 5ª edição - CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos – Editora Atlas S.A., 1998, 5ª edição. - CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração – Editora McGraw-Hill, 3ª edição, Volume 1 - JR, WILLIAM B. WERTHER; DAVIS, KEITH. Administração de Pessoal e Recursos Humanos – Editora McGraw-Hill 46 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA -CHIAVENATO, Idalberto. Administração de Recursos Humanos – Editora Atlas S.A., 1981, 2ª edição, Volumes 1, 2 e 3 - CHIAVENATO, Idalberto. Administração dos Novos Tempos – Editora Campus, Rio de Janeiro, 1999 - CHIAVENATO, Idalberto. Administração: Teoria, Processo e Prática – Editora Makron Books, São Paulo, 2000, 3ª edição - CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas – Editora Atlas S.A., 1998, 5ª edição - CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos – Editora Atlas S.A., 1998, 5ª edição. - CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração – Editora McGraw-Hill, 3ª edição, Volume 1 - CURY, Antonio. Organização e Métodos: perspectiva comportamental e abordagem contigencial – Editora Atlas, 5ª edição. - FERREIRA, A. Antonio; REIS, A.C. Fonseca; PEREIRA, M. Isabel. Gestão empresarial: de Taylor aos nossos dias – Editora Pioneira, São Paulo, 2000 - JR, WILLIAM B. WERTHER; DAVIS, KEITH. Administração de Pessoal e Recursos Humanos – Editora McGraw-Hill - MAIA, F., BUSSONS, J. Avaliação de cargos e de desempenho: uma nova metodologia – Coleção de administração e gerência, 1974 47 - REVISTA RH EM SÍNTISE – Julho/Agosto de 1998, Ano IV, Página 14 - WOOD JR., T. Remuneração por Habilidades e por Competências – Editora Atlas S. A., 1997 - WOOD JR., T. Remuneração Estratégica – Editora Atlas S.A., 1996 - WOOD JR., T. Remuneração por Habilidade e por Competência – Editora S.A., 1995 48 ÍNDICE Folha de Rosto 2 Agradecimento 3 Dedicatória 4 Resumo 5 Metodologia 6 Sumário 7 Introdução 8 Capítulo I Descrição e Análise de Cargos 11 1.1 – Alguns Conceitos Organizacionais 13 1.2 – Conceitos Básicos do Cargo 15 1.3 – Desenho de Cargos 17 1.4 – Descrição e Análise de Cargos 21 1.4.1 – Descrição de Cargos 23 1.4.2 – Análise de Cargos 24 1.5 – Diferença entre Descrição e Análise de Cargos 30 1.6 – Descrição do Cargo Piloto de Trem 30 Conclusão 33 Anexo I – Síndrome de Babel 36 Anexo II – Caravelas ao Mar 40 Anexo III – Eventos Culturais 43 Bibliografia Citada 45 Bibliografia Consultada 46 Índice 48 Folha de Avaliação 49 49 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Universidade Candido Mendes Título da Monografia: A importância da Análise de Cargos e Salários nas Organizações Autor: Cláudia Gimenes da Silva Martins Data da entrega: Avaliado por: Conceito: Avaliado por: Conceito: Avaliado por: Conceito: Conceito Final: