UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
DEPARTAMENTO DE CÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
MONA LISA SILVA
PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS:
o fazer do editor
Orientadora Profa. Jacqueline de Araújo Cunha
Natal/RN
2014.2
MONA LISA SILVA
PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS:
o fazer do editor
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Biblioteconomia
do Departamento de Ciência da Informação
do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da
Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, para fins parciais de obtenção do
título de Bacharel em Biblioteconomia.
Orientadora Profa. Jacqueline de Araújo
Cunha.
Natal/RN
2014.2
S586p Silva, Mona Lisa.
PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: o fazer do editor/
Mona Lisa Silva. – Natal, RN, 2014.
f. 61.
Orientador: Jaqueline de Araújo Cunha.
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado) – Universidade
Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais plicadas.
Departamento de Ciência da Informação.
1. Comunicação científica – Trabalho de Conclusão de Curso. 2.
Periódicos Eletrônicos – Trabalho de Conclusão de Curso. 3. Editor
Científico – Trabalho de Conclusão de Curso. I. Cunha, Jaqueline
de Araújo. II. Universidade Federal do Rio Grande do
Norte. III.
Título.
RN/UF/DECIN
CDU
MONA LISA SILVA
PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS:
o fazer do editor
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Biblioteconomia
sob a orientação da Professora MSc. Jacqueline de Araújo Cunha como
requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Biblioteconomia, do
Centro de Ciências Sociais Aplicadas, da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte.
Aprovada em: ____/____/_____
BANCA EXAMINADORA
__________________________________________________________
Profª. Jacqueline de Araújo Cunha- UFRN
(Orientadora)
___________________________________________________________
Profª. Andrea Vasconcelos Carvalho - UFRN
(Membro)
___________________________________________________________
Profª. Renata Passos Filgueira de Carvalho - UFRN
(Membro)
Agradeço a Deus pelo dom da vida e por tudo
que me tem permitido ser e fazer, por isso, [...]
seja bendito o nome de Deus para todo o sempre,
porque são dele a sabedoria e a força.
BIBLIA SAGRADA, Daniel 2:20
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus pela graça divina, que é o dom da vida, e por conduzir
meus passos até o final desta graduação. Por guardar minha vida e não me
permitir seguir por caminhos tortuosos que me desviassem do meu objetivo.
Aos meus pais, em especial a minha querida mãe (in memoriam) que me
deixou quando eu ainda era criança. Mas, pelo pouco tempo em que esteve
comigo, os seus ensinamentos e conselhos contribuíram para a minha
formação como pessoa. Obrigada mãe!
Ao meu sobrinho Elielson, que todo o tempo me apoiou quando sempre
precisei.
A Liana, bibliotecária aposentada, que conheci e me falou sobre o curso
de Biblioteconomia. A partir daí comecei a pesquisar sobre o curso e como não
tinha uma definição da escolha, escolhi Biblioteconomia. Deu certo!
Agradecimento especial a Socorro Dantas e família que desde a minha
chegada em Natal, quando eu ainda era adolescente, sempre me apoiou e
incentivou para estudar. Aqui estou eu, concluindo a graduação.
A Ana Maria de Sousa, e sua querida mãe D. Maria, que no primeiro ano
de curso me hospedou em sua casa e me deu apoio nas horas em que
precisei.
A todos os professores do DECIN pelos ensinamentos e orientações
durante a graduação. Em especial a Nádia Vanti, professora que passou mais
tempo com a turma de Biblioteconomia de 2010, foram seis semestres
seguidos de muita alegria. A todos o meu muito obrigado!
A Jacqueline Cunha que me aceitou como orientanda e com muita
paciência me conduziu para a produção deste trabalho. Agradeço o carinho,
dedicação e incentivo. Muito Obrigada!
Aos meus colegas da turma de Biblioteconomia 2010, pelas muitas
alegrias compartilhadas, brincadeiras, troca de experiências, companheirismo
nos estudos, pelas amizades que fiz. Em especial aos amigos Micarla do
Nascimento, Gabriela Oliveira, Raissa Andrade, Emerson Cruz, Gleicyane
Barbosa, Zinete Santos e Marianna Lemos.
As minhas amigas, companheiras de residência universitária, Emanuela
Priscila, Natalia Oliveira, Gabrielle de Carvalho, Maria Isabel, Ariannne Paixão,
Raissa Keila. Quantos cafés... Quantas risadas... A convivência de alguns anos
nos conduziu a construção de uma amizade sólida e que levarei por toda a
minha vida.
Aos editores que disponibilizaram do seu tempo para contribuir com a
pesquisa.
A Gilmar Santana, atual editor da Cronos, e Berenice Melo.
As bibliotecárias da Seção de Repositório Digital da BCZM, em especial
a Aniolly Maia que também participou desta pesquisa concedendo entrevista.
Aos queridos amigos que fiz no estágio no TRT21, Thalita Vianna, Maria
Rozana, Jailson Marques, às bibliotecárias Cristina Nagahama e Luana
Oliveira, ao arquivista Emerson Carlos, meu obrigada!
Muito aprendi com
vocês e estou feliz por tê-los como amigos, espero que esta amizade
permaneça por muitos e muitos anos.
Por fim, agradeço a todos que estiveram presente durante todo este
percurso.
Muito obrigada a todos!!!!
RESUMO
Apresenta os novos recursos tecnológicos como facilitadores à
disseminação da informação científica entre pesquisadores na divulgação dos
resultados das pesquisas. Aborda o processo de editoração das publicações
científicas, suas transformações ao longo do tempo, desde o primeiro periódico
impresso até o surgimento do periódico eletrônico. Evidencia as atividades de
editoração, as quais foram sendo simplificadas através das inovações
tecnológicas com uso de softwares, tanto no processo tradicional quanto no
moderno, e o trabalho do editor científico. Objetivou-se compreender o fazer
do editor e identificar as dificuldades no desempenho dessa função. Como
metodologia realizou-se pesquisa bibliográfica para construção do aporte
teórico, bem como foram empreendidas entrevistas com editores de periódicos
e de umas das bibliotecárias responsáveis pela Seção de Repositórios Digitais
da BCZM. Elegeu-se como universo da pesquisa as revistas hospedadas no
Portal de Periódicos da UFRN. Concluiu-se que os editores encontram
dificuldades em seu fazer cotidiano, tendo em vista que, não dispõe de tempo
para se dedicar totalmente às revistas, bem como não possui formação
profissional específica para este fazer. Identificou-se também que o profissional
da informação é fundamental no quadro de recursos humanos de qualquer
periódico, trabalhando na estrutura, padronização, normalização, indexação e
na preservação das revistas impressa ou eletrônica e assessoramento do
Editor.
Palavras-chave: Comunicação Científica. Periódicos Eletrônicos. Editor
científico.
ABSTRACT
Presents the new technological resources as facilitators to the
dissemination of scientific information between researchers in the dissemination
of researches results. Discusses the process of publishing scientific publications
its transformations over time, since the first printed journal until the emergence
of the electronic journal. It highlights the publishing activities which were being
simplified through technological innovations with use of software’s, both in the
traditional process and the modern one, and the work of the scientific editor.
This study aimed to understand the making of the publisher and the difficulties
in this role. Therefore as methodology was performed literature searches to
build the theoretical basis and was undertaken interviews with journal editors
and librarians responsible for the Digital Repositories Section of BCZM. Was
elected as research universe journals hosted on UFRN Journals Directory. It
was concluded that the editors have difficulties in their daily activities, because
they does not have time to devote fully to magazines and has no specific
training for this do. It also identified that the information professional is
fundamental in human resources framework of any periodical, working on the
structure, standardization, normalization, indexing and preservation of printed or
electronic magazines and advisory Editor.
Key-words: Scientific Comunication. Eletronics Journals. Editor.
10
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BCZM – Biblioteca Central Zila Mamede
BDTD – Base de Dados de Teses e Dissertações
CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
DECIN – Departamento de Ciência da Informação
EDUFRN – Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
IES – Instituição de Ensino Superior
ISSN – International Standard Serial Number
OAI – Open Archive Initiative
PROEX – Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte
PROPESQ – Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte
PPG – Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte
SCIELO – Scientific Electronic Library Online
SEER – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
11
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ............................................................................................. 10
2
A CIÊNCIA NUM CONTEXTO HISTÓRICO................................................. 12
2.1
Comunicação científica .............................................................................. 15
3
PERIÓDICO CIENTÍFICO ............................................................................ 18
3.1
Os primeiros periódicos científicos no Brasil .......................................... 23
3.2
Os periódicos científicos eletrônicos e o movimento do
acesso aberto .............................................................................................. 24
4
O EDITOR CIENTÍFICO ............................................................................... 31
5
PERCURSO METODOLÓGICO ................................................................... 37
5.1
Universo da pesquisa ................................................................................. 38
5.2
Definição da amostra e sujeitos da pesquisa .......................................... 43
6
ANALISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................... 45
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 53
REFERÊNCIAS ............................................................................................ 55
APÊNDICE: Roteiro de entrevista ............................................................. 60
10
1 INTRODUÇÃO
Primordialmente a ciência tem seu papel voltado ao desenvolvimento da
sociedade em termos de aplicabilidade. Estas funções e aplicações iniciaram
por meio das necessidades básicas, observações e posteriormente através de
métodos científicos. Os resultados obtidos são inúmeros e vão desde o bemestar até ao estudo científico, garantindo assim, o desenvolvimento da
sociedade, de novas técnicas e a evolução da própria ciência.
Nesta perspectiva, entende-se que a construção da ciência, e, por
conseguinte,
do
conhecimento
científico,
passa
obrigatoriamente
pela
comunicação. Esta por sua vez tem nos registros informacionais, em especial
os livros e as revistas, seus principais veículos.
Desse modo, pretendeu-se investigar como se dá o fazer do editor
científico, já que é o principal responsável por este tipo de publicação,
nomeadamente dos periódicos científicos eletrônicos. Além disso, serviu de
motivação para empreender esta pesquisa, o fato de a autora ter atuado como
bolsista em revista científica e na oportunidade ter identificado que alguns
editores
não
conhecem
todo
o
processo
de
editoração
e
outras
responsabilidades que competem a essa função.
Assim, buscou-se responder as seguintes questões: Qual a função do
editor científico e quais as principais dificuldades para desenvolver esta
atividade?. Para tanto empreendeu-se como metodologia uma pesquisa
bibliográfica a fim de constituir um aporte teórico, a luz do qual foram
observadas as revistas selecionadas para realização do estudo.
O universo investigado foi o Portal de Periódicos Eletrônicos da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do qual foram selecionadas seis
revistas para participarem. Destas, duas não puderam participar devido a
dificuldades dos editores.
O trabalho foi organizado em sete capítulos conforme descrevemos a
seguir.
No capítulo seguinte a esta introdução, capítulo dois, tem-se uma
abordagem sobre a ciência e seu desenvolvimento apresentando seu contexto
histórico. Ainda neste capítulo faz-se uma incursão sobre o conceito de
11
comunicação científica, a qual se configura como importante processo de
compartilhamento da produção do conhecimento aos pares e a sociedade.
Já no capítulo três, é abordado o periódico científico, seu surgimento e
desenvolvimento a partir da utilização das novas tecnologias de informação e
comunicação. É também apresentado como se deu esse processo no contexto
brasileiro, finalizando com o movimento do acesso livre, também conhecido
como open access, do qual o Brasil é país signatário.
No capítulo quatro as considerações são acerca do editor científico, e o
seu fazer, descrevendo as funções, desafios e dificuldades enfrentados diante
da crescente produção científica e do grande número de artigos publicados.
Em seguida, no capítulo cinco, é apresentado o percurso metodológico
para o desenvolvimento desta pesquisa, bem como é feita a caracterização do
universo da pesquisa, da amostra e dos sujeitos envolvidos.
Por fim, nos capítulos seis e sete, são apresentados os resultados e as
considerações finais, respectivamente. Neste sentido, o capítulo seguinte versa
sobre a ciência, conforme mencionado anteriormente.
12
2 A CIÊNCIA NUM CONTEXTO HISTÓRICO
Mais importante que a ciência é o seu resultado, uma resposta provoca uma
centena de perguntas
Jacob Levy Moreno
Neste primeiro capítulo, como forma de introduzir a temática na qual se
insere o fazer do editor científico, será apresentado uma breve exposição
quanto ao conceito de ciência, definida como: domínio do conhecimento com
um objeto pré-determinado e um método próprio1e [...] conhecimento racional,
sistemático, exato, verificável e, por conseguinte falível. (BUNGE, 2014,
tradução nossa)2.
Ao se estudar a história da humanidade percebe-se que o homem
sempre utilizou técnicas bem como construiu ferramentas de trabalho das quais
ele iria, aprimorar outras para as atividades cotidianas. Num primeiro momento
estas estavam relacionadas ao trabalho de agricultores, quais fossem,
atividades de produção, cultivo e armazenamento. A este processo criativo
demandado por necessidades práticas, Chassot, (2004) denominou de ciência
racional, ou seja, a primeira forma de ciência humana adquirida através da
prática.
Vale destacar também que, a atividade de registrar esse conhecimento
já era comum com a utilização de gravuras mostrando as ações, os animais e
plantas desenhadas nas pedras, atualmente denominadas inscrições rupestres
ou arte rupestre.
Em alguns períodos históricos podem-se destacar momentos de grandes
transformações
que
repercutiram
na
construção
das
ciências
e
do
conhecimento humano. Dentre eles destacamos os séculos III a IV a.C com
suas escolas filosóficas, escola de medicina, estudos da astronomia na cidade
de Alexandria.
1
Dicionário da língua portuguesa. Portugal: Porto Editora, 2013.
[...] que puede caracterizarse como conocimiento racional, sistemático, exacto, verificable y
por consiguiente falible.
2
13
Em seguida, a Idade Média é considerada um período sem produção do
conhecimento, dado o controle da Igreja e sua forte influência política e
econômica durante todo este período.
Referente a este momento histórico, conjectura-se que muitos dos
registros clássicos da filosofia e da ciência já eram considerados contrários a
doutrina cristã, sendo assim, a igreja torna-se guardiã do conhecimento do qual
tem-se referencia nos grandes mosteiros medievais, onde localizavam-se
importantes bibliotecas tendo os monges desenvolvendo a
atividade de
copistas. (CHASSOT, 2004, p.122)
O período do Renascimento, que compreende os séculos XV a XVI
aproximadamente, foi marcado por alguns eventos relevantes para a ciência
que foram à invenção da prensa dos tipos móveis; a reforma protestante, tendo
Martinho Lutero como defensor da liberdade de pensamento e figura relevante
para a evolução da ciência; e por fim as grandes navegações.
De acordo com Price (1976) “o que libertou o saber científico do
esquecimento [...] foi a invenção da imprensa e sua rápida disseminação pela
Europa, a partir de 1470.” Este autor enfatiza que:
Por volta de 1500 estava encerrada a era do incunábulo e o
livro impresso se constituía em uma força nova. Efeito de vulto
foi, naturalmente, o de que o mundo do saber, até então
domínio de uma reduzida e privilegiada elite, se tornou
repentinamente acessível ao homem comum. No campo da
religião foi evidentemente esse processo, mais do que qualquer
outra coisa, o que emprestou força a Reforma. Como se
poderia esperar, em terras onde a reforma foi intensa, também
foi intensa a mudança provocada pelo novo saber. (PRICE,
1976, p.96 e 97)
A partir de então a ciência seguiu progredindo com avanços
consideráveis que mudaria o curso da humanidade. A informação disseminada
às pessoas leigas, antes de acesso apenas da elite, ocupa um importante lugar
na história.
Acrescente-se ao curso evolutivo da história da ciência nomes que
tiveram grande participação e que trouxeram grandes contribuições para o
avanço da ciência como Nicolau Copérnico (1473-1543) considerado o
contemporâneo da Renascença; Galileu Galilei (1564-1642), um dos criadores
da ciência moderna; Francis Bacon (1561-1626), visto como o criador do
14
método científico moderno e da ciência experimental; René Descartes (15961650), importante filósofo, influenciador da maneira ocidental de pensar; Isaac
Newton (1642-1727) e outros.
Consequentemente, após a Revolução Científica advém a emancipação
da ciência no século XVIII, o século das luzes ou período do Iluminismo. É
neste contexto que ao homem é permitido pensar por si mesmo, até então
todos os pensamentos e as observações deveriam considerar o que estava nas
Sagradas Escrituras.
Merece destaque também o enciclopedismo, um movimento marcante
deste período no qual, Voltaire, D'Alembert e Denis Diderot são alguns dos
nomes representativos na literatura relacionada a esse movimento filosófico.
Nessa perspectiva, as enciclopédias apresentam-se como instrumentos
de distribuição do saber ou do conhecimento organizado. Deste modo conferia
maior acessibilidade aos leigos, que na visão dos escritores era a forma de
destruir a barreira de acesso ao conhecimento humano. (BARRETO, 2007).
Assim:
O objetivo de uma enciclopédia é o de reunir os conhecimentos
sobre a superfície da Terra, expor o seu sistema geral aos
homens com os quais vivemos, para que nossos
descendentes, tornando-se mais instruídos, tornem-se, ao
mesmo tempo, mais virtuosos e felizes. (DIDEROT, 1750, apud
CHASSOT, 2004, p.168)
Porém, as enciclopédias tiveram dificuldades de circulação e foram
rotuladas de teísta e herética, ou seja, algo contrário ao pensamento religioso
então vigente.
Sob a ótica da ciência da informação, no cenário histórico sobre o
desenvolvimento
da
ciência
e
da
organização
e
disseminação
do
conhecimento, Paul Otlet é um dos grandes nomes que aparece na história no
do final do século XVIII e início do século XIX. Considerado um visionário e
pioneiro nos estudos da ciência da informação, juntamente ao belga Henri La
Fontaine, demonstrou preocupação com o controle da informação que estava
sendo produzida, visando à recuperação da mesma a quem a demandasse.
(MUELLER, 2007).
15
A contribuição desses dois advogados belgas está relacionada à
organização do conhecimento a fim de disseminá-lo. Em 1910 organizaram o I
Congresso Mundial de Associações Internacionais de Documentação em
Bruxelas e daí por diante muitas organizações como o Instituto Internacional de
Bibliografia, Biblioteca internacional e sociedades e associações surgiram com
o propósito de disseminar a informação. (BARRETO, 2007, p.19)
Por fim, chega-se ao século XIX, tendo ocorrido nesse período à
consolidação da ciência e a divulgação científica. Segundo Chassot (2004),
nesse período faz-se referência os nomes de Darwin e Marx na literatura
enquanto pessoas que deram suas contribuições para a ciência.
As inovações tecnológicas são frutos da atividade científica desenvolvida
no século XIX, no qual, pode-se tomar como exemplo a tecnologia da
informação. Esta tem contribuído para o desenvolvimento, surgimento e
avanços de pesquisa em diversas áreas do conhecimento. Vale ressaltar que,
todos esses avanços promoveram mudanças na comunicação científica, em
especial quanto ao seu processo, que vai desde a concepção da ideia do
pesquisador até a transferência e uso da informação.
De acordo com Meadows (1999), a comunicação científica situa-se no
“coração da ciência” sendo de grande importância para todo o fazer do
pesquisador.
Esse
tipo
de
comunicação
possibilita
a
validação
do
conhecimento produzido a partir do momento em que é analisada e aceita
pelos pares.
2.1 Comunicação científica
Para a comunidade científica a comunicação é parte fundamental, pois
ela está diretamente associada ao desenvolvimento da ciência posto que,
compartilha os resultados de pesquisas entre os cientistas. A oralidade foi, por
muito tempo, principal meio de comunicação utilizado pelos filósofos para expor
seus pensamentos e descobertas. Comumente, essa transmissão do
conhecimento era realizada em locais abertos.
O registro escrito das primeiras descobertas científicas funcionava como
recurso de preservação da memória para os próprios pesquisadores. Os
estudiosos faziam inúmeras anotações, mas, entre os estudiosos eles não
16
eram divulgados, tinham pouca ou nenhuma visibilidade. Posteriormente, a
comunicação se deu por meio de cartas e de acordo com Gonzales (2012) a
troca de cartas ou correspondências foi às primeiras formas de socialização
desses documentos, figurando, portanto como sendo os primeiros passos da
comunicação científica.
No século XVII, Galileu Galilei utilizava esse recurso para comunicar
suas descobertas aos cientistas. Neste sentido, a comunicação científica é
compreendida como “processo que envolve a construção, comunicação e uso
do conhecimento para possibilitar a promoção de sua evolução” (WEITZEL,
2006, p.88).
Não obstante, a comunicação científica possui a função específica de
intercâmbio de informações, o que contribui com o progresso da ciência,
procedimento que se inicia desde a concepção da ideia do pesquisador até a
publicação dos resultados através dos diversos canais de comunicação.
Os novos conhecimentos gerados através da comunicação entre os
cientistas indicam a trajetória da evolução da ciência, que, ao longo do tempo
suscitou mudanças na forma comunicar e disseminar a informação científica.
Price (1976, p. 96) reporta-se ao avanço da ciência e afirma que “o que
libertou o saber científico do esquecimento foi à invenção da imprensa e sua
rápida disseminação pela Europa, a partir de 1470”.
Corroborando com essa ideia, Gonzales (2012, p.21) afirma que o
“processo de cumulação da ciência estendia-se no tempo, as informações
deveriam ser divulgadas numa forma durável e prontamente acessível.” Nesse
contexto, o livro tornou-se o veículo ideal onde continham as informações com
propósito, não só de durabilidade e memória, mas também de tornar acessível
à coletividade o saber científico.
No entanto, a disseminação da informação em livros não era imediatista
e simples. Os estudiosos necessitavam absorver um volume considerável de
informações para produzir mais ciência. Ou seja, para poder publicar um livro o
pesquisador deveria ter um domínio acurado do assunto que se propunha a
escrever e publicar. Comumente, estas pessoas possuíam algum vínculo com
as universidades, pois, Price (1976) e Meadows (1999) afirmam que os livros
eram supervisionados pelos próprios autores ou colegas cientistas.
17
Embora o artigo de periódico não tivesse sido inventado ainda, vale
salientar que, qualquer informação de cunho científico só era encontrada nos
livros, salvo as anotações dos estudiosos e cartas trocadas entre eles, mas,
não eram facilmente acessíveis.
Só em meados do Século XVII, com a revolução científica, é que a
academia científica e os periódicos aparecem aprimorando o meio de
comunicação e divulgação do conhecimento. Em parte, as mudanças surgem
devido à demanda informacional, criação de novas disciplinas, crescimento
exponencial da pesquisa científica e o surgimento de novas sociedades e
academias (MEDOWS, 1999).
De acordo com Meadows (1999), o início da divulgação científica deu-se
em 1662, com a criação do Royal Society que se interessou pela comunicação.
As reuniões aconteciam em Londres e houve influência de Francis Bacon o
qual descreveu as atividades de uma instituição de pesquisa em seus livros.
A Royal Society utilizava métodos seguindo sugestões de Francis
Bacon. Os membros viajam e coletavam informações por meios de conversas e
observações. Posteriormente, outros métodos foram utilizados como a eleição
de membros do estrangeiro dos quais enviavam relatório relatando os avanços
de seus países e as correspondências. Henry Oldenburg, secretário da Royal
Society, era encarregado de escrever as cartas.
Consequentemente, o volume de correspondência cresceu e de acordo
com Meadows (1999) o encargo ficou elevado e a saída foi publicar as cartas
mais importantes e distribuí-las. Situação semelhante ocorria em Paris quando
Marin Mersenne e Denis de Sallo desempenhavam o mesmo oficio de coleta
de informação, que Henry Oldenburg.
Em 1665, Denis de Sallo criou um periódico dedicado a publicações de
noticias ocorridas na Europa na República das letras era o Le Jornal des
Sçavans atualizado para Jornal des Savants no começo do século XIX. Pelo
teor da publicação este seria o precursor dos periódicos sobre humanidades e
como
precursor
do
periódico
(MEADOWS, 1999, p. 6).
científico
o
Philosophical
Transactions
18
3 PERIÓDICO CIENTÌFICO
“Do impresso ao eletrônico as revistas persistem com o
propósito de comunicar o conhecimento produzido pelo homem
no tempo e no espaço e atravessa os séculos chamando para
si a responsabilidade de veicular o conhecimento cientifico e
contribuir para a história humana.”
Kátia Carvalho
A comunicação científica, em seus primórdios utilizou o recurso da
oralidade e correspondências como meios de comunicação entre os estudiosos
dos séculos passados. Doravante, no século XV, a informação e o
conhecimento eram transmitidos através dos livros. Posteriormente, no século
XVII, devido ao crescimento das academias na Europa, as revistas científicas
foram criadas e figuram-se parte da evolução da ciência e da comunicação.
De acordo com Meadows (1999) na segunda metade do século XVII as
publicações impressas ou boletins com informações do cotidiano, representam
o conceito de jornal moderno da época e, consequentemente o surgimento das
primeiras revistas científicas. A publicação dos boletins não eram periódica e
sim circunstancial passando a ser regular devido à demanda de informação.
Conforme a ciência seguia em avanço, as informações precisavam ser
disseminadas de forma mais rápida e com precisão, por isso, a necessidade de
utilizar um meio de comunicação com uma cobertura abrangente, melhor que,
a comunicação oral e dos livros, o periódico científico. (MUELLER, 2006, p. 73)
O sistema de comunicação restrito, isto é, entre os cientistas,
conhecidos como colégios invisíveis foram os primeiros passos para instituir os
periódicos científicos. Nessa ocasião as reuniões realizadas pelos cientistas e
as discussões registradas em atas eram posteriormente distribuídas entre os
próprios membros.
Concatenado
às
revistas
científicas,
quanto
a
sua
origem
e
consolidação, tem-se como cenário as cidades de Londres e Paris, no século
XVII, essas cidades protagonizaram as mudanças na forma dos cientistas se
comunicarem. (MEADOWS, 1999)
19
As revistas surgiram com a proposta de comunicação a um público alvo,
destarte, periódico cientifico como veículo de comunicação científica difundiu a
informação de tal modo que o êxito remanesce até os dias atuais.
Destarte, na segunda metade do século XVII, em janeiro de 1665,é
publicado o primeiro periódico Le Journal dês Sçavans por Denis de Sallo, e no
mesmo ano, em março, é criado o Philosophical Transactions com publicação
mensal e com textos aprovados pelo conselho e revisto pelos membros.
(MEADOWS, 1999)
De acordo com Gonçalves, Ramos e Castro (2006) o Journal dês
Sçavans serviu de base, em termos de estrutura, e o Philosophical
Transactions of the Royal Society of London, título completo, serviu de modelo,
em termos de conteúdo, para o surgimento das revistas científicas. Segundo
Mueller (2006) o primeiro divulgava matérias em todas as áreas científicas e o
segundo era publicação de experiências científicas.
Vale salientar que, o periódico despertou interesse da comunidade
científica e se expandiu pela Europa e, segundo Meadows (1999), houve três
motivos para o surgimento dos periódicos. O primeiro era o interesse comercial
das editoras com a possibilidade de lucro com as publicações, pois perceberam
que o pesquisador necessitava publicar seus artigos. O segundo, a ideia de
que um debate coletivo pudesse gerar novos descobrimentos. Por fim, a
terceira foi pela própria necessidade de comunicação, principal objetivo,
somado a proposta de registro e preservação do conhecimento.
De acordo com a Royal Society apud Mueller (2000), as funções
desempenhadas pelos periódicos são: 1. Comunicação formal dos resultados
das pesquisas dos cientistas; 2. A preservação do conhecimento, visto que,
constitui-se de um acervo com garantia de acesso a outros pesquisadores e a
comunidade científica como um todo; 3. O registro da propriedade intelectual
dos autores que publicaram seus artigos, os resultados de suas pesquisas; e 4.
A validação ou reconhecimento dos pares em relação à confiabilidade e
respeito ao artigo e ao autor. (MUELLER, 2000, p. 75)
Sendo assim,
Desde o nascimento da ciência moderna, ao periódico cientifico
foram sendo tributados papéis estratégicos no empreendimento
cientifico, como registro da memória e a chancela da qualidade
20
da ciência, o testemunho da autoria e da propriedade científica
e, fundamentalmente, o papel da difusão do conhecimento.
(GUANAES, GUIMARÃES, 2012, p.58)
Neste sentido, percebe-se que a informação científica disseminada nos
periódicos entre os pesquisadores é preeminente em relação aos meios de
comunicação anteriores, tanto que, se torna um canal definitivo de
comunicação científica com credibilidade suficiente para substituir os livros.
(STUMPF, 1996)
Ainda de acordo com a supracitada autora, dois fatores foram
importantes para a aceitação das revistas pela comunidade científica, os quais
foram: a velocidade na disseminação da informação ser maior que a dos livros,
bem como a redução de custo da produção deste tipo de publicação. A
comunidade científica demandava maior celeridade na exposição dos
resultados de suas pesquisas, o que a cadeia de produção do livro não dava
conta de atender (STUMPF, 1996).
Neste sentido, o periódico ficou considerado como um “canal formal
utilizado no processo de comunicação científica”, tendo, portanto valor
informacional semelhante aos livros, relatórios técnicos, anais de congressos,
etc. (GONÇALVES, RAMOS, CASTRO, 2006, p.166)
Concernente à proposta de um canal formal para divulgação dos
resultados de pesquisas à comunidade científica, desde a criação das
primeiras revistas foram estabelecidos alguns critérios para caracterizar um
periódico científico, tais como: a periodicidade da publicação, o papel do editor,
a existência de um conselho editorial, um processo de seleção de trabalhos,
inclusive com a aprovação dos pares após uma avaliação (GONÇALVES,
RAMOS, CASTRO, 2006, p.167).
21
Figura 2 – Modelo ideal de estrutura administrativa de uma revista científica
1 - Comitê (Conselho) de política Editorial
•Resposável pela definições de missão e políticas do periódico
2 - Editoria (editor, ou editor-geral, ou editor-chefe)
•Editor deverá ser alguém reconhecido pela comunidade com
produtividade.
3 - Editores associados (adjuntos, de Área ou de Seção)
•Colaboradores muito próximo do editor
4 - Corpo Editorial Científico
•Pesquisadores com credibilidade e reconhecimento da comunidade
acadêmica
5 - Consultores ad hoc (pareceristas, revisores,
avaliadores, árbitros)
•Realizam as tarefas de revisão dos artigos a serem publicados
Fonte: Adaptação de Araújo, 2012.
A figura 2 apresenta a estrutura ideal de um periódico científico. Esta
composição proporciona um bom desempenho das atividades de editoração
devido à distribuição adequada das atividades.
Segundo o documento de área Sociologia e Ciências Sociais de 2013 da
avaliação trienal 2010 – 2012 da CAPES, os critérios mínimos exigidos para
ser considerado um periódico científico são necessários: um conselho editorial,
editor responsável, ISSN, avaliação por pares entre outros itens. A respeito da
avaliação da revista, o documento apresenta que, devido ao pequeno número
de periódicos das humanidades terem impacto, se houver impacto será
considerado a avaliação da indexação dos periódicos em bases de dados.
Caso não esteja indexada em pelos menos uma ou mais das bases citadas
neste documento o periódico não poderá ser elevado na classificação (CAPES,
2013, p.15).
Embora houvesse uma estrutura para o periódico, não havia uma
estrutura padronizada para os artigos, iniciativa que só veio com o passar do
tempo através das observações dos próprios pesquisadores que demandaram
mudanças a fim de normatizar os artigos.
22
Em todos os sentidos, a forma de apresentação dos artigos entre as
ciências e as humanidades foi e ainda são distintas, salvo a ideia de sequência
prescrita, ou seja, quanto às normas estabelecidas de apresentação do artigo
na ordenação de apresentação com introdução, desenvolvimento e/ou
metodologia e conclusão (MEADOWS, 1999).
Algumas observações podem ser apresentadas quanto à estrutura dos
artigos, por exemplo: os resumos não apareciam junto ao artigo e sim
publicados em outras revistas o que fez surgir os periódicos de referência, com
a finalidade de publicação apenas de resumos ou sumários, as referências
também não apresentavam um padrão nem apareciam no final dos artigos
como atualmente, elas eram expostas dentro do texto.
Os pesquisadores apresentaram algumas advertências quanto às
problemáticas apresentadas na estrutura dos artigos sugerindo mudanças para
melhor atender a comunidade. Dessa forma, todas as mudanças que
ocorreram na estrutura das revistas, e principalmente dos artigos, foram
promovidas com intuito de tornar a comunicação mais eficiente devido à própria
necessidade de recuperar a informação, cujas condições configuradas
anteriormente não possibilitavam.
As mudanças solicitadas pela comunidade científica são justificadas,
pois, “o crescimento da informação causava dificuldade aos pesquisadores
para acessar, incluindo nessa problemática a falta de padronização. Para
superar os problemas de acesso o uso de resumos e índices foi uma das
soluções.” Meadows (1999, p. 30)
À medida que, avançava a ciência houve o crescimento das publicações.
Em vista disso, houve a necessidade de controle. Assim, a ciência passa a ser
pela produção científica e os pesquisadores pela quantidade de artigos
publicados, ou seja, o quanto ele está produzindo enquanto pesquisador. Com
isso, recai sobre os pesquisadores uma pressão para publicar os resultados de
suas pesquisas.
De acordo com Russel (2001, tradução nossa) beneficiando-se da
pressão sobre os pesquisadores “a indústria de publicações acadêmicas
recebem impulso devido à necessidade dos pesquisadores e acadêmicos de
‘publicar ou perecer,’ o controle desse sistema esta cada vez mais nas mãos
das grandes empresas editoriais”. Todavia, a quantidade de artigos e de
23
periódicos, mesmo de uma área ou disciplina, cresceu a tal ponto que os
pesquisadores não conseguem ler tudo que é publicado.
O crescente volume de informação disponível está relacionado, não
apenas ao avanço da ciência, mas também, ao crescimento da especialização
na pesquisa onde o pesquisador se torna mais especializado em seus
interesses. De acordo com Meadows (1999, p.20-21) surgiu com essa
tendência à diversificação das sociedades no século XIX e XX.
Isto posto, houve a necessidade de estabelecer critérios, utilizados pelos
pesquisadores, como credibilidade e visibilidade dos periódicos. Esses critérios
que não são apenas fatores utilizados para selecionar o que ler e citar, mas
também para publicar os resultados das pesquisas. Muitos estudiosos
selecionam as revistas com maior referência em sua área para publicar os
artigos.
Portanto, o prestigio de um periódico é conhecido pela quantidade de
citações que recebe pelos autores em suas novas produções intelectuais, de
igual modo, quanto mais citada é a revista mais visível se torna entre os pares.
Conforme destaca Packer e Meneghini (2006), “a visibilidade está
determinada pelo reconhecimento persistente do seu publico em identificar o
periódico como meio preferido para publicação, leitura e citação sistemática de
resultados de pesquisa”. (PACKER, MENEGHINI, 2006, p.241). Os autores
ainda afirmam que:
A visibilidade dos periódicos ocorre, portanto em duas
dimensões principais: ser de referencia (de qualidade e
credibilidade) no âmbito de uma disciplina ou área temática e
ser indexado em índices de prestígios nacional e internacional.
(PACKER, MENEGHINI, 2006, p.239)
Nesse contexto, se o periódico adquiriu credibilidade consequentemente
os autores que publicaram nesse periódico também. Até porque, a revista só é
citada porque o artigo publicado nela fora consultado e certamente citado.
Em suma, desde a consolidação da ciência, a disseminação do
conhecimento através dos livros e o surgimento dos periódicos científicos “a
forma como se organiza atualmente a comunicação científica em geral reflete
decisões tomadas no passado” (MEADOWS,1999, p. 11).
24
As considerações a respeito do início da comunicação científica na
Europa; a difusão da informação científica por meios dos primeiros periódicos
sugere abordar sobre o surgimento da divulgação científica no Brasil, o qual
será descrito abaixo.
3.1 Os primeiros periódicos científicos no Brasil
De acordo com Freitas (2006), no contexto brasileiro a comunicação
científica aconteceu tardiamente. O primeiro passo para a divulgação científica
no Brasil só se apresenta a partir do século XIX, em jornais cotidianos com
noticias voltadas ao grande publico, ou seja, dentre as diversas notícias que
circulavam nos jornais havia um espaço dedicado a assunto cientifico.
Entretanto, estas notícias não necessariamente tratavam de produção da
ciência no Brasil, mas sim, dos acontecimentos e publicações sobre a ciência
na Europa.
Dois
eventos
marcaram
o
inicio
da
publicação
no
Brasil
e,
consequentemente, o surgimento dos primeiros periódicos, os quais foram a
chagada da família real e a fundação da Impressão Régia. De acordo com
Freitas, (2006) a tipografia era proibida até 1808 quando, pela necessidade de
imprimir os decretos e atos e outros documentos a tipografia foi instituída.
Nesse contexto, a Impressão Régia foi a maior tipografia existente no país
detendo a maioria das publicações oficiais em épocas de censura a
publicações. Segundo Abreu (2004), D. João oficializa a Imprensa Régia em 13
de maio de 1808 autorizando a impressão dos documentos oficiais da corte e
“quaisquer outras obras”.
Segundo Freitas (2006, p.57), os “jornais literários”, publicados no inicio
do século XIX, podem ser reconhecidos como os primeiros periódicos
científicos brasileiros. Ainda de acordo com a autora supra citada, a definição
de periódicos científicos, como é denominado na atualidade, naquela época
eram intitulados como: “revista literária”, “jornal de cultura”, “jornal das ciências
e artes”, e principalmente o “jornal literário”, estes últimos traziam artigos
técnico-científicos, mas, no geral a estrutura das publicações era mais diversa
do que especializada.
25
Não obstante, no Brasil, já contava com a reformulação do ensino após
a criação da Escola Politécnica do Rio de Janeiro e ao final do século XIX já
havia inúmeras instituições de ensino e pesquisa e a Impressão Régia foi de
extrema importância na comunicação das ciências e como auxiliadora do
ensino superior. (PINHEIRO; VALERIO; SILVA, 2009, p. 266). Vale salientar
que essas instituições, de acordo com Freitas (2006) só foram autorizadas a
existir após a chegada do rei ao país.
De todas as propostas de publicações regulares de noticias que foram
desenvolvidas no Brasil, embora muitos tenham apenas conseguido publicar
um número, a Gazeta do Rio de Janeiro é considerado ser o primeiro periódico
impresso a realizar o papel de divulgar assuntos científicos.
Todas as tentativas de publicações de periódicos científicos no Brasil
foram motivadas pelo progresso da ciência no país. Segundo Freitas (2006),
tinham “‘todos, em comum’ o desejo de divulgar ‘as luzes’, conforme suas
próprias palavras, de difundir os fatos, as observações, as experiências e o
conhecimento útil a todos os ‘homens ilustres’”.
Destarte, o periodismo no Brasil, apesar do tempo frente aos outros
países, possui um reconhecimento diante da comunidade científica a nível
mundial. Portanto, a comunicação científica se estabelece de forma estável e
duradoura depois da década de 1930.
Após as considerações acerca da evolução da ciência no mundo; do
conhecimento disseminado através da invenção da imprensa; das notícias
sobre a ciência e seus avanços até o século XVII, necessário se torna
caracterizar o surgimento das publicações em meio eletrônico, e, tem gerado
muitos discursos a nível mundial principalmente, na área da ciência da
informação sobre o qual discorremos a seguir quanto às novas formas de
publicação científica.
3.2 O periódicos científicos eletrônicos e o movimento do acesso aberto
Em todo cenário histórico já registrado no qual envolve a formalidade da
comunicação da ciência, o início das publicações em periódicos impressos,
agora apresenta mudanças advindas das tecnologias e da internet.
26
As facilidades da tecnologia provocaram alterações ao promover à
produção e disseminação da informação científica em meio eletrônico. Motivo
pelo qual fora argumentado entre os pesquisadores ainda na década de 60.
Conforme Meadows (1999), já nos anos 60 os computadores se tornam
um canal aceito pelos pesquisadores para publicação secundária, visto que,
naquela época, a vantagem era a facilidade de recuperar os documentos na
busca por palavras-chaves. Posteriormente, as informações primárias foram
processadas tornando-se mais vantajosa, mas, o processo era lento devido às
limitações dos computadores, os diferentes tipos de informação e o
comportamento dos pesquisadores. (Meadows, 1999, p.34)
Periódico eletrônico, segundo Mueller (2007, p 82) faz alusão aos
periódicos com acesso por meio de equipamento eletrônico que surgem para
suprir a necessidade dos pesquisadores de obter informação rapidamente
utilizando os recursos tecnológicos disponíveis.
Nesse contexto, o advento da tecnologia, mais precisamente a internet
desencadeou mudanças e reforma no sistema tradicional de comunicação ou
uma revolução na comunidade científica quanto à publicação em revistas
eletrônicas ou periódicos eletrônicos.
Segundo Meadows (2001) o conceito de publicação, definição de autoria
não são claros quando se trata do meio eletrônico, ou seja, há muitas questões
não definidas para a comunidade científica quando se trata de produção e
divulgação em meio eletrônico. No entanto, o quadro apresentado no presente
tempo mostra que muitos pesquisadores estão adaptados ao meio de
comunicação moderno, mas, não desistindo completamente do formato
tradicional.
As dificuldades se estendem quanto à definição de canais de informação
já estabelecidos pela comunidade científica no qual “[...] canais informais e
canais formais são questionados por alguns autores, que alegam já não ser
possível distinguir com clareza as diferenças entre eles”. Tornou-se difícil
definir o que seja comunicação formal e informal, documento primário e
secundário, ou seja, em suma, houve uma fusão das formas de comunicação.
(Mueller, 2007, p.32)
Outros motivos que motivaram mudanças nas formas tradicionais de
publicação estão relacionados ao custo das publicações e acessibilidade.
27
Nesse contexto, antes do advento do periódico eletrônico, o periódico impresso
já estava consolidado pela comunidade científica como fundamental para a
comunicação, com isso, as grandes editoras detinham o poder comercial de
assinaturas com custo extremamente elevado. As grandes instituições, devido
à necessidade de disseminação da informação para a comunidade assinavam
a fim de manter títulos importantes em seus acervos.
Pela necessidade de manter uma coleção de periódicos atualizados em
seus acervos as bibliotecas, segundo Mueller (2007) realizavam um grande
esforço dentro do permitido pelo orçamento destinado para esse fim.
Considerando o fato dos melhores periódicos serem produzidos por editoras
comerciais, que visam apenas lucro, as bibliotecas de todo o mundo
assinavam. Não obstante, o alto preço imposto pelas editoras por volta da
década de 70/80 provocou o fenômeno conhecido como "a crise dos
periódicos" (MUELLER, 2007, p.140).
A principal questão quanto aos modelos tradicionais de comunicação
está relacionada à acessibilidade aos artigos devido ao custo elevado das
assinaturas, pois, embora as pesquisas sejam financiadas com recursos
públicos, a própria comunidade, mesmo tendo publicado seus resultados de
pesquisas na revista, só teria acesso caso as bibliotecas tivessem em seus
acervos a assinatura do periódico.
Para Weitzel (2006) devido às imposições das grandes editoras quanto
ao custo das assinaturas despertou nos pesquisadores o desejo de mudar esse
cenário e “a comunidade científica quer resgatar as práticas científicas
baseadas nos interesses científicos, mas longe dos interesses comerciais”
sendo assim, a comunidade científica entende que as informações devem ser
para acesso de todos a fim de difundir o saber científico. (WEITZEL, 2006,
p.88).
Segundo Kuramoto, et al (2007, p.2) o modelo de negócios de editoras
comerciais de revistas científicas e da crescente conscientização do aumento
de impacto provocado pela disponibilização de documentos científicos livres de
barreiras ao acesso tem motivado reações nos pesquisadores, em nível
mundial, uma discussão em favor do acesso livre à informação científica.
28
Isto posto, as formas de comunicação após sofrerem alteração
acarretada pelas evoluções tecnológicas e pela dificuldade de acesso a
informação científica a Open Archives Initiative (OAI) surge como uma das
alternativas com objetivo de facilitar o acesso à informação.
Conforme Kuramoto (2007, p.151) consequentemente, surge o Open
Acess to Knowledge and Information in Sciences and Humanities no qual,
vários países aderiram ao movimento certificando por meio de declarações
como a Declaration of Berlim, Declaration of Bethesda e o Manifesto Brasileiro
de Apoio ao acesso livre à Informação Científica no Brasil.
A ideia proposta pelo Open archive é promover o acesso livre mantendo
os padrões da comunicação tradicional. Desta feita, as estratégias para
acessar a literatura científica são apresentadas em duas propostas: via verde
que é o autoarquivamento onde o próprio autor faz o procedimento de
submissão do documento, e a via dourada que é a publicação de artigos em
revistas científicas de livre acesso.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT) utilizou os modelos de OA e tem-se a Base de Dados de Teses e
Dissertações (BDTD) e o Sistema de Eletrônico de Editoração de Revistas
(SEER) tendo as Instituições de Ensino Superior (IES) como as principais
mantenedoras (KURAMOTO 2007, p. 152).
Para os países em desenvolvimento, segundo Kuramoto (2007, p.159) a
implantação desse modelo propõe:
- maximização da visibilidade das pesquisas científicas;
- internacionalização da informação científica produzida localmente;
- maior compartilhamento do conhecimento científico;
- redução da exclusão cognitiva;
- redução das desigualdades sociais.
Para Russel (2001) “a publicação eletrônica está sendo adotada como
uma alternativa dos autores que, não podem ou desejam, satisfazer suas
demandas de produção mediante publicações tradicionais”.
Destarte, as publicações em meio eletrônico possuem uma importante
implicação na comunicação científica quanto às facilidades de acesso a
29
informação científica, principalmente para os pesquisadores de países menos
desenvolvidos. A informação disponível na internet coloca os pesquisadores,
tanto os mais quantos os menos privilegiados, em igual posição de acesso se
considerado à barreira de espaço geográfico, hierarquia e financeira.
Associado a estas iniciativas de acesso aberto à informação, surgem
com “a mudança para a comunicação eletrônica importantes vantagens para os
cientistas dos países em desenvolvimento, que podem, pela primeira vez,
interagir informalmente, em condições de igualdade com os cientistas de outros
lugares” (MEADOWS, 1999, p. 114).
Meadows (2001) adverte sobre problemas relacionados aos direitos
autorais, os conceitos aplicados ao impresso, preservação do conhecimento o
qual, são questões ainda sem respostas para a comunidade.
Quanto à sustentabilidade da revista eletrônica, Guanaes e Guimarães
(2012, p.63) afirmam que questões de custo devem ser adicionadas aos itens
recuperação da informação, navegabilidade e interatividade e os parâmetros da
revista impressa, já testados ao longo do tempo próprio do gênero de
publicação.
Pode-se inferir que, mesmo com a subjetividade sobre o futuro das
publicações
online,
o
impacto
do
acesso
livre
traz
satisfação
aos
pesquisadores devido a visibilidade de suas pesquisas pelo amplo alcance de
suas publicações, além de facilitar a interação dos trabalhos colaborativos
entre os pares. Como afirma Kuramoto (2007), o processo de comunicação
baseado no uso das tecnologias é gradualmente crescente e irreversível.
No que concerne à visibilidade, na condição de acessibilidade, as
facilidades apresentadas pelas tecnologias para criação de periódicos e
disponibilizar na internet, surgiram um número crescente de revistas rompendo
barreiras geográficas, custos com assinaturas, no entanto, isso não garante
que o periódico tenha prestigio ou qualidade e seja de referência na sua área
do conhecimento e na comunidade científica.
Vale ressaltar que, é necessário ao periódico, senão fundamental, que
ele já nasça com objetivo de ser referência na comunidade científica. Desta
feita, seja o periódico impresso ou eletrônico:
A visibilidade do periódico é uma decorrência, em primeiro
lugar, da sua condição de ser referência; em segundo lugar, do
30
seu potencial de transformar-se em referência; e em último, da
sua capacidade de manter-se como referência (PACKER,
MENEGHINI, 2006, p. 241)
Para os moldes da comunicação tradicional, o acesso aberto às revistas
eletrônicas tornaram-se novos paradigmas e tem encontrado argumento
suficiente dentro da academia envolvendo pesquisadores na publicação dos
artigos em periódicos de referência e tornar acessível, visível o resultado de
pesquisas científicas.
De acordo com Mueller (2007, p.94), o modelo tradicional impresso pode
permanecer ainda em vigor por algum tempo na função de guarda da memória
da ciência. De fato, algumas instituições, apesar de suas publicações online,
mantém a versão impressa com modificações na estrutura física da revista com
base na diminuição de custo, porém, não são todas as instituições que mantém
a versão tradicional por falta de recurso financeiro, no entanto, mantém pelo
menos, como é o caso de algumas revistas da UFRN, o projeto de
diagramação no formato tradicional para impressão futura.
Em suma, embora não tenha sido explanado especificamente, abaixo na
figura 1 pode-se verificar a evolução dos periódicos desde a sua primeira
publicação em 1665 e as mudanças que ocorreram até a chegada das
publicações em formato eletrônico.
31
Figura 1 – Momentos que marcaram a evolução dos periódicos científicos
1991
1970
0
2006
- Procedimentos
eletrônicos no
processo de
produção
- 1º concepção de
P.E. por Sondak
e Schwatz
1830
- 1º projetos
de Open
Archives
AeXiv.or
1980
1999
CDRoom
ProBE
- Ulrich’sonline
33054 periódicos
científicos
30313 periódicos
eletrônicos
1º Periódico
de referência
1º Periódico
Periódico
em micro
ficha
Roistocher cria o
temo periódico
virtual
1ºs projetos de
P.E.
1665
SciElo
Popularização
do Periódico
eletrônico
1960
Portal de
Periódicos
Capes
1998
2001
1990
1978
Fonte: Adaptação de Erica Moreschi Oliveira, 2006.
32
4 O EDITOR CIENTÍFICO
Na literatura encontram-se resultados de pesquisas sobre a qualidade dos
periódicos, sobre as revistas, sobre os padrões internacionais, softwares e pouco
sobre o próprio editor. A realidade brasileira apresenta a figura do professor
pesquisador como editor de revistas científicas e neste sentido acaba acumulando
as funções de docente, pesquisador, tutor, coordenador de projetos, dentre outras
atividades pertinentes à carreira acadêmica.
De certo, nem todos os professores possuem o conhecimento ou a
experiência necessária para trabalhar na editoração de um periódico cientifico. A
princípio pode pensar ser uma atividade relativamente fácil, mas, o envolvimento
com o fazer do editor pode descortinar um universo complexo de atribuições e
tarefas
que
demandam
desde
habilidades
técnicas
quanto
gerenciais,
imprescindíveis na condução de uma publicação dessa natureza.
Numa definição global, editor é aquele que edita. É o principal personagem
presente no processo de editoração – conjunto de atividades com objetivo de
registrar o conhecimento mediante preparação técnica de originais para publicação.
(TARGINO, GARCIA, 2008).
A definição para editor científico não foge ao conceito nem ao objetivo da
função e para um bom desempenho ao assumir uma revista científica:
O "editor" deve envolver-se, antes de qualquer coisa, com a estrutura
e o funcionamento de uma revista científica. Missão, visão e valores.
Padrão, formato, tamanho, periodicidade. Seções e agenda. Corpo
editorial. Comitê editorial, cujos componentes coordenam dossiês
ligados a diferentes linhas temáticas. Conselho editorial ou de
referees, formado por pesquisadores externos à instituição,
reconhecidos por sua maturidade acadêmica. Regras estipuladas por
órgãos normalizadores. Indexação nacional e internacional.
Qualidade,
visibilidade,
credibilidade,
acessibilidade
e
sustentabilidade da publicação. (KUNSCH, 2004)
De acordo com Kleinert e Wager (2014), “uma das mais importantes
responsabilidades dos editores é manter um alto padrão na literatura acadêmica.”
Nessa proposta, as autoras supracitadas expõem que, para ser um bom editor é
preciso atentar para alguns princípios como a ética, imparcialidade e confiabilidade
33
editorial; Além disso, cabe destacar ainda a relevância das políticas e dos processo
editorial.
Relacionados às políticas é importante para conhecer as normas para a
publicação, padrões de publicação, avaliação, indexação das bases de dados e a
política editorial, licenças relacionadas aos direitos autorais tanto para o periódico
impresso quanto para a publicação em meio eletrônico, etc. No que diz respeito ao
processo editorial, estes são a interação e comunicação com os pareceristas,
autores, as decisões editoriais dentre outras.
De acordo com Blattman (2012, p. 94), ao editor compete ainda:
Seguir recomendações das áreas, padronização da revista, o
recebimento dos originais, a escolha dos avaliadores, o apoio da
equipe técnica e a busca permanente de originais inéditos fazem
desse contexto uma tarefa árdua e permanente no registrar o
desenvolvimento da ciência. (BLATTMAN, 2012, p. 94)
No plano ideal segundo Targino e Garcia, (2008) o editor científico:
Mesmo que sua formação resulte de experiência empírica, que
requer, em média, oito anos, o importante é o domínio da área de
conhecimento para exercer o controle de qualidade. E o ideal é que
possa, de fato, contar com os managing editors3, com conhecimento
na área e que exerçam sua função em tempo integral, auxiliando os
pesquisadores/cientistas/acadêmicos que estão no comando dos
periódicos. (TARGINO, GARCIA, 2008, p. 58)
Ser responsável por uma revista científica se mostra uma tarefa árdua, não
apenas pelo processo editorial em si, mas também para elevar e manter o padrão de
qualidade ou status de um periódico. Tais padrões repercutem em visibilidade e
credibilidade na comunidade científica através da indexação em bases de dados
nacional e internacional.
Entretanto, no fazer do editor tem-se a seguinte questão: esta falta de
preparo ou conhecimento dos professores ao assumirem uma revista poderá
influenciar na qualidade das publicações científicas? Considerando que o editor é o
responsável pelo que publica, sim.
3
Editor gerencial responsável pela editoração em si.
34
Ao ser expedido ao professor à responsabilidade de gerir a revista, a
sobrecarga das atividades na academia poderá acarretar deficiência na gestão.
Nesta perspectiva, Gomes (2010, p. 159) acrescenta que:
Por ter de percorrer e coordenar praticamente todas as etapas das
atividades necessárias, da produção à impressão de uma revista
científica, a escassez de recursos e meios de especialização e a
sobrecarga de responsabilidades podem contribuir para que o
resultado final de seu trabalho apresente deficiências que concorrem
para dificultar o alcance dos níveis de excelência que se deseja para
estas publicações. (GOMES, 2010, p. 159)
Portanto, o editor como responsável direto pelas publicações, necessita de
conhecimentos básicos acerca do processo editorial e habilidade para coordenar
equipes multidisciplinares de profissionais de diferentes áreas, tais como:
bibliotecários, revisores de texto, diagramadores, web designers, dentre outros.
Muitos periódicos científicos, não dispõem de um número suficiente de
profissionais para assessorar o professor. Ademais, a falta de recursos humanos, a
exemplo do que ocorre na UFRN, leva à contratação de estudantes bolsistas que
possuem uma carga horária de 20 horas semanais, podendo ser reduzida caso o
estudante tenha necessidade devido às atividades acadêmicas. Para um bolsista
que não é da área de ciência da informação, o que seria o ideal, não permanece na
bolsa por muito tempo, pois espera surgir oportunidade na sua área.
Se por um lado, as revistas não dispõem de recursos humanos, em relação
aos recursos tecnológicos acontece o oposto, estes contribuíram para facilitar o fluxo
da informação, produção e distribuição. Isso contribuiu no crescente número de
periódicos da área das humanidades a fim de atender às políticas governamentais e
agências de fomento.
Tradicionalmente, frente às outras ciências, na área de humanas era muito
comum atividade a publicação em livros, capítulos de livros e um pequeno número
de publicação em periódicos, no entanto, o aumento das publicações periódicas
representa uma mudança e uma aceleração na produção científica.
Rego (2014) observa que, a quantidade de revistas das humanidades
utilizando os periódicos para divulgação científica é equivalente ao da área da saúde
na rede Scientific Electronic Library Online (SciElo).
35
Segundo Guédon (2010, p.23) as publicações em livros para as ciências
duras e naturais cumprem um papel secundário por não apresentar pesquisa de
ponta, diferente para as humanidades e sociais no qual o professor alcança o ápice
quando publica um livro, tese ou dissertação. Como visto na literatura, os temas
estudados pelas humanidades estão, em sua maioria, voltados ao cenário nacional
ou regional, por isso, são menos internacionalizadas e possuem baixo fator de
impacto frente às outras ciências.
Nesse contexto, o aumento de periódicos e o crescente número de artigos
conduzem os editores a lidar com o produtivismo científico. Assim, a qualidade das
publicações científicas tem estimulado em muitos estudiosos e editores o interesse
nessa questão.
Este crescimento exorbitante é promovido pelos programas de pós-graduação
que, induzidos pelas políticas públicas governamentais, devem ter um periódico
científico; aos autores à pressão do “publique para existir e seja citado para não
desaparecer ou ser esquecido” (REGO, 2014, p.339)
Para Rego (2014) o periódico esta sendo utilizado
Como meio de escoar a produção acadêmica e elevar os índices de
publicação exigidos pelo programa de pós-graduação, tais
programas criam publicações que já nascem com uma serie de
problemas: são endógenas, frágeis, mal geridas e administradas de
maneira pouco profissional. (REGO, 2014, p. 341)
Para Benchimol, Cerqueira e Papi (2014, p.350.) o problema é comum no
Brasil onde “cada escola de nível superior, cada curso de pós-graduação sente-se
no dever de ter seu próprio periódico próprio para escoar a produção local, muitas
vezes sem critérios adequados de avaliação.” E, geralmente, essas revistas são
administradas por um professor do próprio programa de pós-graduação.
Nesse ínterim, o tempo de preparação de uma revista deve ser levado em
consideração. Mesmo com toda facilidade no processamento eletrônico o tempo
médio para preparar um manuscrito leva em torno de 4 a 6 meses. Como já exposto
anteriormente, a função do editor requer dedicação e assessoria de uma equipe de
profissionais, mas, nem sempre isso é possível e, o próprio editor realiza grande
parte das atividades editoriais.
Nesse contexto, os autores procuram as melhores revistas para divulgar os
resultados e isso acaba elevando o número de submissões para os editores
36
administrarem, porém, se uma revista recebe cerca de 300 artigos e publicam
apenas 60 e outro periódico recebe 80 artigos e publica a mesma quantidade da
anterior a qualidade dessas publicações pode ser comprometida.
Diante disso, os editores para cumprir as exigências das agências de fomento
e das políticas governamentais "entre deixar a revista morrer e publicar artigos de
qualidade discutível, o editor acabará escolhendo a segunda opção". Vale ressaltar
que “o processo editorial não é um estágio pro forma da divulgação da pesquisa,
mas uma parte da própria, a parte em que ela é criticada, partilhada, refinada ou até
reconstruída.” (TRZESNIAK, PLATA-CAVIEDES, CÓRDOBA-SALGADO, 2012,
p.62-76)
Todos estes indicadores têm sido observados na literatura ao apresentar as
inquietações dos editores, devido à quantidade de artigos que recebe e dentro dessa
gama de submissões a responsabilidade de publicar o que efetivamente contribuirá
com para crescimento da ciência. Rego (2014) afirma que o alto índice de rejeição
pode indicar o rigor dos pereceres e política editorial ou ser entendido como
dificuldade de encontrar artigos de qualidade.
De acordo com Trzesniak; Plata-Caviedes e Córdoba-Salgado (2012) os
autores que não se empenham em submeter um trabalho com qualidade passando a
responsabilidade para os revisores e editores devem ser evitados. Os autores
afirmam que esta atitude não passa de uma “submissão aventureira”.
Deveras, a divulgação dos artigos na internet suscita o alcance da visibilidade
do periódico, no entanto, os editores são desafiados ante ao produtivismo a
publicação de conteúdo relevante para a ciência, além das atividades que
demandam atenção devido à necessidade de atender as exigências das políticas de
indexação das bases, a fim de, atribuir ao periódico fator de impacto elevado, ou
seja, o objetivo é melhorar a qualidade da revista e elevar a visibilidade em busca de
fator de impacto diferente de ‘0’.
De acordo com o editor da revista Clinics, Mauricio da Rocha, (2012) o “fator
de impacto ‘0’ desmoraliza e que ninguém quer publicar em revista com impacto 0.”
A visibilidade está, em alguns aspectos, relacionado a indexação em bases de
dados, ou seja, internacionalização do periódico, mesmo que este esteja em uma
base nacional, como a SciElo por exemplo.
Outro aspecto que interfere na
visibilidade, consequentemente no fator de impacto, é o fato de o periódico não
37
publicar em inglês. À medida que cresce o número de periódicos as dificuldades
para alcançar um nível elevado também avançam.
De acordo com Rego, (2014) cada vez mais as políticas de indexação de
bases estão ficando mais criteriosas deixando os gestores compromissados em
atender as novas e cada vez mais difíceis pressões. Os desafios são cada vez mais
difíceis e exigem mais dedicação por parte dos editores para atender a demanda.
Indubitavelmente,
induzidos
pelas
políticas
governamentais
para
os
programas de pós-graduação as humanidades se mostram em número considerável
nas publicações em periódicos. Na base de dados SciElo as revistas das
humanidades e sociais apresentam um numero expressivo de periódicos ficando
atrás apenas da área saúde. No portal de Periódicos da UFRN dos 23
títulos de periódicos a maioria também é da área de humanas.
Segundo Rego (2014), são muitos os periódicos da área de humanas e
sociais que solicitam participar da SciElo, no entanto, ela afirma que a maioria são
“frágeis e imaturos” e variam alguns aspectos mas, “muitos parecem ter sido
organizados as pressas, premidos pela urgência, para atender a inúmeras
cobranças dos órgãos governamentais e das agencias de fomento.” Por fim, o
objetivo de disseminar o conhecimento pode ser comprometido, visto à variedade de
periódicos que são criados neste tempo presente, se apenas forem “veículos para
escoar a produção de pesquisadores.” (REGO, 2014, p.332)
Vale ressaltar que, sobre todos os aspectos relacionados ao editor e suas
responsabilidades na gestão do periódico científico, não há emolumento, é um
trabalho voluntário assim como o dos pareceristas. A única recompensa é o
compromisso com a ciência.
38
5 PERCURSO METODOLÓGICO
O presente estudo se caracteriza como uma pesquisa de caráter descritivaexploratória. Segundo Cooper e Schindler (2003, p. 33), “pesquisa exploratória está
baseada na busca de explicações que justifiquem “o porquê” e “como” enquanto que
a pesquisa descritiva procura responder as perguntas “quem”, “o que”, “quando”,
“onde”, e “como”“. Foi também utilizando o método dedutivo que, segundo
Nascimento (2012, p.14) é o mais indicado em situações relacionadas a fatores
qualitativos.
A pesquisa bibliográfica se deu em consulta a inúmeros recursos
informacionais em livros e impressos e materiais informacionais disponíveis na
internet como, artigos, livros, entrevistas em vídeo. O referencial teórico aborda
assuntos apresentados a fim de observar a diversificação de pensamentos com
objetivo de propor uma ampliação das ideias para conhecimento claro, e, que serve
de base e formular perguntas para alcançar os objetivos.
Concernente ao desenvolvimento das atividades relacionadas à área de
editoração de revista científica, devendo estar na função um professor pertencente
ao programa de pós-graduação, observou-se a necessidade de conhecer o fazer do
editor científico das revistas do Portal de Periódico da UFRN.
O motivo que levou a realizar essa pesquisa é o fato de, enquanto estudante,
ter desempenhado a função de bolsista em uma revista científica da instituição e foi
possível identificar que alguns professores ao assumirem a função de editores,
muitas vezes, não conhecem as atividades que irão desenvolver.
Nessa proposta, o estudo pretendeu responder as seguintes questões: Como
se dá a função de editor científico? Quais são as principais dificuldades para
desenvolver esta atividade?
Como objetivo geral pretendeu-se conhecer o fazer do editor dos periódicos
eletrônicos hospedados no Portal de Periódicos da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, e neste sentido, como forma de atingir o objetivo proposto, foram
definidos os seguintes objetivos específicos: conhecer as atividades desenvolvidas
pelos editores na UFRN e Identificar as dificuldades encontradas na preparação da
revista científica.
39
Pretende-se com o resultado da pesquisa em questão, conhecer a atuação
dos professores na área de editoração, produção e divulgação científica. Destarte,
busca-se conhecer as experiências dos editores que já trabalharam na gestão dos
periódicos e poderão descrever os desafios encontrados no processo de editoração
e publicação científica, na forma impressa e eletrônica.
Caso os objetivos sejam atendidos, os resultados alcançados poderão
proporcionar discussões e mudanças a fim de contribuir na melhoria nas atividades
dos editores da UFRN.
5.1 Universo da pesquisa
O universo da pesquisa é caracterizado pelos periódicos que utilizam o
Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (SEER) e estão hospedados no portal
de periódicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Optou-se
pelas revistas do Portal, pois, na Instituição há periódicos científicos que trabalham
de forma independente e possuem uma estrutura própria para editoração e
publicação.
Concernente ao universo, a escolha se justifica por entender que, geralmente
as revistas não dispõem de recursos humanos e tecnológicos.
De acordo com Rodrigues e Fachin (2010)
A iniciativa de criar um portal que reúne todos os periódicos da
instituição possibilita otimizar as ações em duas frentes principais: a)
a capacitação e atualização dos editores, bibliotecários e bolsistas e
demais envolvidos no uso da plataforma adotada; e b) criação e
manutenção da estrutura tecnológica que garante a preservação dos
arquivos, o que torna a instituição responsável pela segurança digital
de todos os periódicos. (RODRIGUES, FACHIN, 2010, p.40)
Nessa proposta, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em
apoio ao movimento do Acesso Livre à informação científica em conjunto com a
Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), Editora da Universidade (EDUFRN), PróReitoria de Extensão (PROEX), Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ), Pró-Reitoria
de Pós-Graduação (PPG) e Departamento de Ciência da Informação (DECIN)
projetaram em 2009 o Portal de Periódicos da UFRN com inicio das atividades em
2010.
40
Conforme (RODRIGUES, FACHIN, 2010, p, 38) “esses portais intervém em
duas questões estratégicas: contribuem para o aumento da visibilidade e do valor
publico das instituições, servindo como indicador tangível de sua qualidade, e
contribuem para o sistema de comunicação científica [...].”
Na BCZM, o Portal de Periódicos da UFRN é de responsabilidade da Seção
Repositório Digital, composta ainda pela Base de Dados de Teses e Dissertações
(BDTD), o Repositório Institucional, Repositório Institucional de Acessibilidade. Está
seção conta com apoio de três bibliotecárias e de alunos bolsistas de diversas áreas
do conhecimento.
De acordo com uma das bibliotecárias representantes do Portal de
Periódicos, o objetivo é oferecer assistência no uso da ferramenta SEER, mas,
devido à demanda dos editores há orientação sobre a avaliação dos periódicos pela
Capes, como indexar os periódicos nos diretórios, ademais, estas orientações ou
treinamentos sobre a ferramenta ou podem ser em grupo ou individualmente.
De acordo com a bibliotecária para quaisquer eventuais dúvidas os editores
podem procurar a Biblioteca. Além disso, quando há treinamentos e capacitações,
além dos 23 editores das revistas que já estão no portal e das que estão na
incubadora serem convidados, a oportunidade de participar dos treinamentos se
estende a toda comunidade científica. A representante afirma que só neste ano de
2014 já houve cinco capacitações.
No cenário brasileiro para publicação de revistas científicas a Capes
recomenda que seja utilizado um sistema de padrão internacional com objetivo de
promover ao periódico a visibilidade da produção científica no país.
Destarte, o
sistema de editoração eletrônica de revista - SEER, recomendado pela Capes,
dispõe de facilidade de modificação onde cada revista poderá utilizar os recursos
para aquisição de um padrão de identidade visual próprio.
Algumas revistas que migraram do impresso para o eletrônico, no caso do
portal de periódicos da UFRN, mantém na versão online a mesma característica
visual que a impressa, outras não, e as que já nasceram em meio eletrônico ainda
apresenta variações de caráter visual.
Embora a confiabilidade e credibilidade de um periódico sejam importantes, a
identidade ou padrão visual adotado pela revista científica pode expressar o
comprometimento que possui com a comunidade científica.
41
Para o público usuário da informação científica a visualização e facilidade de
navegação na página da revista pode inferir o cuidado do editor quanto à
apresentação do periódico. Não apenas a questão visual, mas também, a
preocupação com a estrutura do artigo, quanto à fonte, layout da página, tamanho
da fonte, etc., adequada e que facilite a leitura em qualquer suporte tecnológico.
Segundo Rodrigues e Fachin (2010) o portal apenas presta assessoria em
relação aos recursos tecnológicos, de treinamento e atualização do sistema. Quanto
ao conteúdo de cada periódico, estes, são de inteira responsabilidade do editor e
sua equipe editorial, caso haja uma equipe permanente.
Vale ressaltar que, ao final de cada gestão ao editor subsequente infere-se
que haja um contínuo alinhamento, de ideias entre a equipe de profissionais, a fim
de, evitar a variação de imagem do periódico e conservar a identidade visual da
revista.
O quadro 1 apresenta as revistas presentes no portal de Periódicos da
UFRN. Vale salientar que, há revistas na incubadora em processo para serem
inseridas no portal, porém, não estão contabilizadas neste estudo.
O portal possui 25 revistas, sendo que, a revista BiblioCanto se apresenta
como um informativo produzido pela Seção de Informação e Referência da BCZM e
não apresenta ISSN nem e-ISSN. Por este motivo ela não consta no quadro.
Para a elaboração do quadro pesquisou-se na página do Portal de Periódicos
da UFRN, nas páginas das revistas onde se buscou informações sobre título do
periódico, periodicidade da publicação, International Standard Serial Number e
International Standard Serial Number online (ISSN); buscou-se verificar o cadastro
das revistas no sitio do IBICT; e busca no sitio do Sistema Web Qualis da CAPES a
fim de consultar a classificação de cada periódico.
No quadro1 pode-se verificar pelo (ISSN) que algumas revistas se
apresentam, ainda, em formatos impressos e eletrônicos, outras exclusivamente em
formato eletrônico sinalizado pelo International Standard Serial Number online (*eISSN). Em sua maioria as publicações são semestrais; uma das revistas com
publicação quadrimestral, uma trimestral, outras não informam.
Pode-se observar que, apenas dez, das 23 revistas, estão com suas
publicações atualizadas ou com publicação em 2014.
A classificação das revistas também é um fator a ser observado, pois, a
maioria dos periódicos possui qualis B3 e apenas uma das revistas possui conceito
42
A2. Alguns periódicos possuem duas classificações, uma para o formato impresso e
outro para o eletrônico. Três revistas apresentam classificação única para as duas
versões, duas apresentam classificação dupla, uma para cada versão, impressa e
eletrônica e, a Revista Odisséia apresenta dois registros na sua página web, mas,
apenas o ISSN da versão impressa consta no sitio da Web Qualis. Este também
poderá ser objeto de estudos futuros, pois a avaliação é realizada pelo Conselho de
Avaliação da CAPES.
43
QUADRO 1 – Revistas do Portal de Periódicos da UFRN
REVISTAS DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA UFRN
Responsável
ISSN
*e-ISSN
Periodicidade
Departamento de História
1983-2087
Não informa
Departamento de Artes
Centro de Ciências Humanas
Letras e Artes
Núcleo Câmara Cascudo de
Estudos Norte-Rio-Grandenses
2357-9978
1982-0518
*2316-6185
Journal of surgical and clinical
research
Título do Periódico
Revista de Estudos sobre
Antiguidade e Medievo
ARJ - ArtResearchJournal
Bagoas - Estudos gays: gêneros e
sexualidades
Publicação
atual
Cadastro
no
Webqualis
Ibict
Não
B3
Semestral
v. 9, n. 1
(2014)
v. 1, n. 1, 2014
______
Semestral
v. 7, n.10, 2013
_______
Não possui
B3
*B5
2177-1146
Semestral
v. 3, n. 6, 2012
Sim
B5
Departamento de Cirurgia
2179-7889
Semestral
v. 5, n.1, 2014
Sim
B5
Mneme - Revista de Humanidades
Departamento de História
(CERES)
1518-3394
Semestral
_______
B3
Princípios: Revista de Filosofia
Pós-Graduação em Filosofia
0104-8694
*1983-2109
Semestral
Sim
B1
2176-9036
Semestral
v. 6, n. 2, 2014
Sim
B2
2236-1103
Quadrimestral
v. 4, n. 2, 2014
_______
B3
Imburana
v.14, n. 32,
2013
v.18, n. 30,
2011
Pós-graduação em Ciências
Contábeis
Departamento de Engenharia
Biomédica
Programa de Pós-Graduação em
Direito
Programa de Pós-Graduação em
Ciências Sociais
1982-310X
Semestral
v. 6, n.1, 2013
_______
B5
1518-0689
*1982-5560
Semestral
v. 13, n.1, 2012
Sim
B2
*B5
Revista de Fisioterapia
Respiratória e CardioVascular
Departamento de Fisioterapia
*2238-4677
Semestral
v. 2, n. 1, 2013
_______
B3
Revista Direito E-nergia
Departamento de Direito Público
*2175-6198
Semestral
Programa de Pós-Graduação em
Educação
Pró-Reitoria de Extensão
0102-7735
*1981-1802
*2178-6054
Revista Ambiente Contábil
Revista Brasileira de Inovação
Tecnológica em Saúde
Revista Constituição e Garantia de
Direitos
Revista Cronos
Revista Educação em Questão
Revista Extensão e Sociedade
Trimestral
Semestral
v.8, n.2,
2013
v. 47, n.33,
2013
v. 1, n.7, 2014
Sim
C
_______
A2
Sim
B5
44
Revista Inter-Legere
Revista Odisséia
Revista Porto
Revista PubliCa
Saberes
Sociedade e Território
Vivência: Revista de Antropologia
Revista de Turismo
Contemporâneo
Fonte: Elaborado pela autora, 2014.
Programa de Pós-Graduação em
Ciências Sociais
Programa de Pós-Graduaçáo em
Estudos da Linguagem
Programa de Pós-Graduação em
História
Pró-Reitoria de Pesquisa
Departamento de Filosofia
Programa de Pós-Graduação e
Pesquisa em Geografia
Programa de Pós-Graduação em
Antropologia
Programa de Pós-Graduação em
Turismo
*1982-1662
Semestral
n. 14, 2014
_______
B5
1983-2435
*1883-2435
Semestral
n. 8, 2012
_______
B5
-----------
*2237-8510
Semestral
v. 2, n. 3, 2013
_______
B5
*1981-8297
*1984-3879
1415-5893
*2177-8396
Semestral
Não informa
_______
*2238-6009
Não informa
Ano V
n. 9, 2014
v. 26, n. 2,
2014
v. 1, n. 42,
2013
_______
B2
*2357-8211
Semestral
v. 2, n. 1, 2014
_______
Não possui
Semestral
(ISSN – Periódico impresso, *e-ISSN – Periódico eletrônico)
Sim
B5
B4
B3
*B2
45
5.2 Definição da amostra e sujeitos da pesquisa
A definição da amostra tomou por base o universo da pesquisa onde estão
distribuídos entre revistas com publicação apenas eletrônica, revistas com
publicação eletrônica e impressa. Para as revistas apenas eletrônicas foram
escolhida as que possuíam três anos ou mais de publicações e para as revistas
eletrônicas e impressas as que estão com mais de cinco anos com publicações.
Nesse contexto, as revistas selecionadas apresentam
características
individuais das revistas das quais os editores representam e participaram da
entrevista são:
REVISTAS
CARACTERÍSTICAS
Capa única para todas as edições
Revista A
publicadas, não possui versão impressa é
apenas eletrônica.
Revista B
Não possui capa, apresenta logotipo nos
artigos, possui apenas publicação eletrônica.
Apresentam capa para cada número
Revistas C e D
publicado, produz no formato impresso e
eletrônico.
Revista E
Revista F
Possui capa única para todas as edições e
publica na versão impressa e eletrônica.
Apresenta capa distinta para cada edição,
possui apenas versão eletrônica.
Os sujeitos selecionados foram os professores dos programas de pósgraduação que são os editores responsáveis pelas revistas eletrônicas ou
eletrônicas e impressas, dos programas de pós-graduação da UFRN.
Os critérios de escolha dos sujeitos foram estabelecidos de acordo com o tipo
de publicação da revista, ou seja, dos seis editores foram escolhidos três que
trabalham com publicação exclusivamente eletrônica e três com publicação de
revistas impressa e eletrônica. Embora se tenha selecionado seis editores, dois
deles não puderam participar devido à indisponibilidade de tempo para a entrevista e
problemas de saúde.
46
A coleta de dados se deu por pesquisa de campo realizada através de
entrevistas com os editores. Foi enviado um convite via e-mail com uma cartaconvite anexa para seis editores e após a confirmação de aceite em participar da
pesquisa foi realizado a entrevista no local escolhido pelo próprio editor.
As
entrevistas foram
gravadas para
melhor
análise
dos dados e
desenvolvimento da síntese.
O instrumento de coleta de dados se deu a partir da elaboração do roteiro
estruturado de entrevistas proporcionando ao respondente a liberdade de respostas
livres e o esclarecimento de dúvidas durante a entrevista a fim de alcançar os
objetivos da pesquisa durante a análise dos dados.
Foram elaboradas oito questões nas quais se buscou responder aos objetivos
da pesquisa. A primeira e segunda questão trata do tempo de gestão da revista e a
experiência do professor como editor; a terceira questão foi dividida em cinco
subquestões (a,b,c,d,e) facilitando ao respondente a abordagem individual da
questão, no qual, apresentam especificamente as dificuldades encontradas no fazer
do editor ao ser responsável por periódico cientifico; as questões quatro e cinco
estão relacionadas ao portal de periódicos em termos de assessoria, visto que, tratase do local onde as revistas estão hospedadas; a questão seis aborda a questão da
indexação em bases de dados das áreas das revistas, a questão sete e oito são
relacionadas a profissionais como o bibliotecário e o profissional de TI, o primeiro
sobre a assessoria a revista e o segundo quanto a elaboração e alimentação da
página da revista; a última questão ficou livre para qualquer observação por parte
dos editores conforme está apresentado no Apêndice A.
Por questões éticas relacionados à pesquisa científica, em preservação do
anonimato dos participantes optou-se em identificá-los como editor 1, editor 2, editor
3 e editor 4.
47
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados dos dados estão apresentados em síntese com os principais
pontos abordados pelos editores durante a entrevista. Nessa proposta, foram
elaborados dois quadros sendo que, no quadro 2 descreveu-se as respostas das
questões do roteiro de entrevista (APÊNDICE A), exceto a questão 3 que foi divida
em 5 subquestões relacionadas acerca das principais dificuldades encontradas
pelos editores conforme e estão descritas no quadro 3.
48
Quadro 2 – Síntese das respostas dos editores
RESPOSTAS DOS ENTREVISTADOS
QUESTÕES
Editor 1
Editor 2
Tempo de
gestão
Desde o inicio da
revista em 2009
Experiência
adquirida
- Fica conhecido
entre os pares.
- Satisfação dos
autores quando o
artigo é publicado
e insatisfação
quando um artigo
é rejeitado
Está na gestão há 13
meses
- Tem aprendido
muito sobre as etapas
do processo de
editoração.
- Não imaginava que
era tão trabalhoso.
- Descobre os vários
caminhos para se
pensar a publicação
de uma revista.
Porque utilizar
o portal?
Porque dá maior
visibilidade a
revista e tem o
apoio do pessoal
da Biblioteca
quanto a
manutenção do
sistema
Quanto à
assessoria do
portal
A revista está
indexada em
bases de
dados da área?
Quanto ao
profissional
Bibliotecário
na assessoria
da revista
Há profissional
para trabalhar
na página de
navegação?
Observações
-Viabiliza as coisas
em relação ao recurso
técnico.
-Visibilidade à revista.
Editor 3
Editor 4
Desde a criação da
revista em 2012
Três anos na
gestão
Ficar atento as
orientações da
Capes quanto a
manter a
periodicidade da
revista. Acréscimos
de responsabilidades
ao professor.
O editor
trabalha muito
e é uma
atividade
cansativa.
- Pelo desuso do
papel. - Pela falta de
estrutura própria.
- Falta de recursos
financeiros para a
versão impressa.
Pela
visibilidade e
facilidade no
acesso a
revista.
Sim, auxilia aos
editores
Auxilia muito
Sim
Tem auxiliado.
Sempre que há
alguma dúvida
o pessoal da
BCZM ajuda.
Sim
Não
Não
Sim.
Sim, ajudaria
muito.
O bibliotecário é
essencial para
sistematizar e
dinamizar as
atividades
Extremamente
importante
Sim
Não. Mas considera
importante para a
identidade visual da
revista
Não. Mas considera
importante
Há uma página
da revista no
sitio do centro,
mas é
alimentado
(atualizado)
pela bolsista.
Não
Que as revistas
internacionais
geralmente são
produzidas por
empresas e no Brasil
as revistas ficam sob
a responsabilidade
das universidades
A dedicação à
revista
proporcionou a
elevação do
qualis.
Não. Acredita
que não é
importante.
Não
Fonte: Elaborado pela autora, 2014.
49
Através das observações dos editores, quadro 2, pode-se verificar que o
tempo de gestão são variáveis e não ultrapassa os cinco anos. O mais recente é o
editor 2 que está na gestão por 13 meses. Questionados sobre a experiência na
função de editor a resposta do editor 1 expõe o fato de ficar conhecido entre os
pares e lidar com os autores. Os demais editores afirmaram que, ser editor é uma
atividade trabalhosa sob o ponto de vista da responsabilidade que lhe é atribuída.
As questões 4 e 5 são associadas ao portal, tanto pela opção de utilização
por parte dos editores, quanto a assessoria prestada pelo portal. Em sua maioria as
respostas foram pela visibilidade que o portal oferece ao periódico; o editor 3
apresenta alguns fatores como o desuso do papel e os recursos tecnológicos. Todos
os editores concordam que a BZCM oferece assessoria sempre que precisam.
Em relação à indexação das revistas em bases de dados das áreas do
conhecimento ao qual pertencem, duas estão indexadas e duas não estão. De
acordo com o documento de área da CAPES, as revistas não indexadas ficam
impossibilitadas de mudança de estrato qualis.
Quanto ao profissional bibliotecário na assessoria das revistas todos
concordaram que é importante, principalmente pela necessidade da normalização
dos artigos. A respeito da existência de um profissional de web designer ou
Designer gráfico para trabalhar na página de navegação do periódico e, se
considera importante.
Os editores 1, 2 e 3 não possuem, mas, os editores 1 e 2 consideram
importante ter uma página que facilite a navegação, porém, o editor 1 afirma não
considerar importante. Apenas o editor 4 afirmou que, não há o profissional, mas a
revista possui uma página na internet e é alimentada pela bolsista da revista.
Em
relação às observações os editores 1 e 2 não expressaram nada, no entanto, o
editor 3 expôs as diferenças entre a editoração científica nos exterior em relação ao
Brasil. O editor 4 revelou que a sua dedicação rendeu à revista a elevação da
classificação em avaliação pela Capes.
50
Quadro 3 – Principais dificuldades apresentadas pelos editores
QUESTÃO 3
Dificuldades
quanto à:
Custo da
publicação
Recursos
humanos
Recursos
tecnológicos
RESPOSTAS DOS EDITORES
Editor 1
Nenhum custo. Os
autores são
responsáveis pela
revisão de texto e
leitura de prova.
Tudo é
responsabilidade
do editor.
É suprido pelo
apoio da BCZM
Manter a
Periodicidade
da revista
Não tem problema
Função do
editor
Requer
dedicação. Não é
uma atividade
remunerada e tem
que lidar com a
gratidão e
ingratidão dos
outros
Fonte: Elaborado pela autora, 2014.
Editor 2
Depender de pregão
para contratação de
serviços para revisão
de texto e
diagramação
Tem o apoio da
secretaria do
Programa de Pós e
possui uma bolsista.
Editor 3
Editor 4
- Dificuldade de
contratar os
serviços para
revisão.
- Pela dificuldade
de ter revisores os
próprios editores
fazem as revisões
de texto.
Ter que ficar atento
aos editais. Tem
que comprar os
serviços de revisão
de texto, tradução,
normalização e
diagramação, por
empresas licitadas
pela instituição.
Como não possui
uma equipe, com o
dinheiro do pregão
compra os serviços
de revisão de texto,
revisão de inglês,
normalização e
diagramação para
o projeto da revista
impressa e online
- Apenas os dois
editores e o apoio
de uma bolsista.
- Os editores
fazem o trabalho
de revisão de
texto, diagramação
e normalização
São mínimos por ter o
apoio da BCZM.
- Tem o apoio da
BCZM, mas, sente
carência do
suporte técnico.
- São rápidos em
responder os emails, mas às
vezes demora na
solução dos
problemas.
Não tem problema
no uso do sistema
SEER.
- A falta de uma
equipe. A demora
dos pareceristas em
avaliar os artigos
- A morosidade em
manter a
periodicidade.
Parece que há um
diagramador para o
centro para atender
as revistas, mas tem
que entrar na fila.
Está atualizada,
mas sente
dificuldade em
fechar os números
por conta da
demora dos
pareceristas.
Não vê como um
problema mas é
preciso estar atento
- Na atividade em
si não vê
problemas.
- A falta de tempo
para se dedicar
mais a revista é
um problema
- Tem que ter
conhecimentos
sobre as diretrizes,
o formato dos
artigos e regras de
normalização.
- Tem que ler todos
os artigos para
saber se é de boa
qualidade.
- Em compreender
como tudo funciona. Saber o que compete
ao editor.
- Estar atento aos
tramites
administrativos
51
Conforme mostra o quadro 3, elaborado a partir da questão 3 do roteiro de
entrevista, apresenta a descrição das observações dos entrevistados quanto as
questões específicas sobre as dificuldades em relação aos custos, recursos
humanos, recursos tecnológicos, temporalidade e a função de editor de revista
científica.
Em relação aos custos da publicação do periódico, apenas o editor 1
afirmou não ter problemas visto que, os custos praticamente recaem sobre os
autores, os demais apontaram como principal problema a contratação de serviços de
revisão, normalização e diagramação.
Os recursos humanos são a principal dificuldade dos editores visto que,
trabalham praticamente sozinhos no processo de editoração. A questão dos
recursos humanos está diretamente concernente ao custo, ou seja, é a falta de
pessoal na estrutura da revista e a necessidade de contratação dos serviços. No
entanto, na falta dos profissionais, muitas vezes os próprios editores realizam parte,
senão todas as atividades.
Como observado, o editor 1 trabalha só; o editor 2 conta com o apoio da
secretaria do programa de Pós e uma aluna bolsista de Biblioteconomia; o editor 3
também possui uma estudante bolsista de biblioteconomia e os próprios editores
fazem as revisões; o editor 4 compra os serviços de revisão e diagramação e
também possui uma estudante bolsista de outra área do conhecimento. Pode-se
inferir que, é necessário, para um bom desenvolvimento de um periódico, uma
equipe permanente de profissionais envolvidos no processo de editoração sendo
gerenciados pelo editor como mostra o quadro 4.
Quanto aos recursos tecnológicos os editores afirmam que a maior parte
das dificuldades é suprida pela assessoria da BCZM. Entretanto, cada revista deve
possuir computadores próprios e um operador para o sistema SEER. Mas, sobre
este item os editores não reconhecem como problema, pois, cada revista possui
ambiente próprio.
A temporalidade das revistas é um critério que atribui ao periódico uma visão
positiva ou negativa – no caso de atraso nas publicações – perante a comunidade
científica e interfere na avaliação do periódico. Sobre este item apenas o editor 1
não entende como problema; os editores 2 e 3 abordaram que a demora dos
pareceristas é um indicador que contribui muito no atraso, o editor 4 também não
52
entende como problema, mas, afirma que é necessário estar sempre atento a esta
questão.
Questionados sobre a própria função de editor científico os entrevistados
apontaram ser primordial a dedicação à revista. Afirmaram que é trabalhoso, não há
remuneração, muitas vezes nem reconhecimento pelo trabalho, mas, precisa de
tempo para se dedicar a editoração do periódico.
Conforme as falas de alguns editores sobre essa questão têm-se:
O editor 3 afirmando que:
“Enquanto professores nós temos n outras atribuições. Não só de sala
de aula na graduação, mas no ensino da pós, orientação de TCC,
mestrado, doutorado, além de funções administrativas [...]”.
“[...] Eu sinto essa falta de... ou que eu tivesse mais tempo pra me
dedicar à editoração da revista. De repente poder minimizar algumas
atividades que já desempenho como professor pra poder ter uma
dedicação maior a revista [...]”
“Minha carga de trabalho não reduziu nenhum pouco depois que
assumi, só somou.”
O editor 4 declara:
“Olha, é cansativo. O professor... eu acho que o professor editor
deveria ter uma carga menor em relação à questão de aulas, pra nos
dar mais tempo para realizar este trabalho [...] eu tenho duas turmas de
pós e uma turma de graduação, além de que, tenho alunos de iniciação
científica [...]”
“[...] estou com obrigação de fazer pesquisa, obrigação de publicar,
obrigação de dar aula na pós, ensinar na graduação, orientar iniciação
científica, ir para congressos, promover eventos e dar conta disso aí, e
é um trabalho continuo. Você não para! É muito cansativo.”
“O editor não pode deixar as coisas. Ele tem que estar o tempo todo
dentro do trabalho.”
53
Conforme apresentado na figura 2, a qual apresenta a estrutura
administrativa ideal de um periódico científico, esta não foi identificada nas revistas
que foram objeto desse estudo.
Embora as revistas sejam compostas por dois editores, de acordo com os
entrevistados, grande parte das atividades são eles mesmos que realizam.
Pela perspectiva dos dados analisados neste estudo, pode-se observar uma
inconformidade em relação ao plano ideal de um periódico, se comparado à situação
real vivenciada pelos editores que foram entrevistados. Muito embora os
expedientes das revistas apresentem uma estrutura ideal, esta parece apenas
figurativa, uma vez que os envolvidos não atuam de forma efetiva na gestão da
revista.
Acrescente-se a isso que os serviços que envolvem outros profissionais, tais
como revisor de texto e diagramador em geral são realizadas por profissionais
contratados via pregão4.
Nesse contexto, é dos editores a preocupação e responsabilidade de publicar
artigos de qualidade, não permitir que a temporalidade da revista seja intermitente
para assim elevar o qualis da publicação.
4
Modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns utilizados por instituições da
administração pública.
54
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observou-se a partir dessa pesquisa que, muitos são os assuntos que
impulsionam pesquisas relacionadas ao tema comunicação científica. Estudos que
abordem desde a forma de produção científica, os produtores, os meios de
divulgação, qualidade das publicações, métricas dentre outros.
A partir da amostragem selecionada para estudo, conforme os resultados
apresentados considera-se oportuno a extensão da pesquisa aos demais editores de
revistas científicas da UFRN com objetivo de facultar um estudo mais aprofundado
sobre o tema.
Após analise dos dados da pesquisa compreende-se que os objetivos foram
alcançados no sentido que, os editores expuseram de forma clara a realidade de
cada um de acordo com a revista que é responsável. Seja qual for o formato de
publicação do periódico, se eletrônico ou impresso, as dificuldades se fazem
presentes no cotidiano do editor.
Verifica-se através dos resultados que, além das dificuldades em relação aos
recursos humanos e financeiros, um dos principais problemas deve-se a falta de
tempo do professor para se dedicar ao trabalho de editor.
É constatado pelos
próprios editores que é necessário tempo para dedicar-se mais a revista. Portanto,
por ser um problema institucional, cabe à esta fornecer estrutura para minimizar as
problemáticas dos editores.
Nesta perspectiva, a criação do Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN se
apresenta como uma iniciativa de apoio ao trabalho dos editores, mas que não
torna-se suficiente tendo em vista que não disponibiliza um profissional para apoio
permanente as revistas. O referido serviço dá o suporte aos periódicos em relação a
plataforma tecnológica e oferece um assessoramento ao funcionamento da revista.
Além disso, fomenta a visibilidade e agrega valor pela contribuição na comunicação
científica, responsabilizando-se também pela preservação digital dos periódicos, e
pela segurança dos arquivos.
Porém, o trabalho do Editor vai além das possibilidades oferecidas pelos
sistemas eletrônicos de editoração de revistas, pois dele depende a gestão do
processo de avaliação que, embora os manuscritos sejam avaliados pelos pares, a
decisão final sempre é do editor. É também função do editor conhecer os critérios
que qualificam sua revista e trabalhar para que esta seja disponibilizada de acordo
com os padrões vigentes da comunicação científica no que diz respeito à
55
normalização, temporalidade, indexação, autoria dos artigos, dentre outros aspectos.
Assim, é compreensível a necessidade de dispor de tempo para desempenhar as
atividades editoriais, a fim de produzir um periódico de qualidade.
Neste sentido, é importante salientar a atuação do profissional bibliotecário,
quer seja na gestão do Portal de Periódicos, como é o caso da UFRN, quer seja no
processo de editoração e/ou na assessoria de um periódico. O bibliotecário é o
profissional que, durante sua formação cursa disciplinas como, editoração, serviços
de referências, preservação de documentos impressos e digitais, as quais
contribuem para a construção de competências e habilidades profissionais relativas
às atividades na área de editoração, de livros ou de periódicos.
Percebeu-se neste estudo que o trabalho do editor é bastante complexo e
multidisciplinar. Em geral os docentes constroem o seu know-how a partir do seu
fazer na prática, isto porque o professor não possui na sua formação os
conhecimentos necessários para o trabalho de Editor.
Conclui-se ainda que, o profissional da informação deve ter seu espaço no
quadro de recursos humanos de qualquer periódico, trabalhando na estrutura,
padronização, normalização, indexação e na preservação das revistas impressa ou
eletrônica, além disso, no assessoramento do Editor.
56
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61
APÊNDICE : ROTEIRO DE ENTREVISTA
PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: o fazer do editor
ROTEIRO DE ENTREVISTA
1. Há quanto tempo está na gestão da revista
2. Fale sobre a experiência como editor científico
3. Em relação às dificuldades na gestão da revista relate sobre:
a. Quanto ao custo da publicação do periódico;
b. Em relação ao recurso humano há uma equipe permanente?
c. Recursos tecnológicos
d. Em manter a periodicidade da revista
e. Na própria função de editor
4. Porque utilizar o portal?
5. Você acredita que o portal auxilia o trabalho da revista?
6. A revista está indexada em alguma base de dado de sua área de
conhecimento?
7. Em sua opinião: acredita que um profissional bibliotecário é de importância na
assessoria na revista?
8. A revista conta com um profissional para trabalhar na página de navegação
da revista? Considera importante ou não.
9. De tudo que foi perguntado, há alguma coisa que gostaria de acrescentar e
que não foi abordado?
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