UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA MONA LISA SILVA PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: o fazer do editor Orientadora Profa. Jacqueline de Araújo Cunha Natal/RN 2014.2 MONA LISA SILVA PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: o fazer do editor Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Biblioteconomia do Departamento de Ciência da Informação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para fins parciais de obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia. Orientadora Profa. Jacqueline de Araújo Cunha. Natal/RN 2014.2 S586p Silva, Mona Lisa. PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: o fazer do editor/ Mona Lisa Silva. – Natal, RN, 2014. f. 61. Orientador: Jaqueline de Araújo Cunha. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais plicadas. Departamento de Ciência da Informação. 1. Comunicação científica – Trabalho de Conclusão de Curso. 2. Periódicos Eletrônicos – Trabalho de Conclusão de Curso. 3. Editor Científico – Trabalho de Conclusão de Curso. I. Cunha, Jaqueline de Araújo. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/UF/DECIN CDU MONA LISA SILVA PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: o fazer do editor Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Biblioteconomia sob a orientação da Professora MSc. Jacqueline de Araújo Cunha como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Biblioteconomia, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Aprovada em: ____/____/_____ BANCA EXAMINADORA __________________________________________________________ Profª. Jacqueline de Araújo Cunha- UFRN (Orientadora) ___________________________________________________________ Profª. Andrea Vasconcelos Carvalho - UFRN (Membro) ___________________________________________________________ Profª. Renata Passos Filgueira de Carvalho - UFRN (Membro) Agradeço a Deus pelo dom da vida e por tudo que me tem permitido ser e fazer, por isso, [...] seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força. BIBLIA SAGRADA, Daniel 2:20 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela graça divina, que é o dom da vida, e por conduzir meus passos até o final desta graduação. Por guardar minha vida e não me permitir seguir por caminhos tortuosos que me desviassem do meu objetivo. Aos meus pais, em especial a minha querida mãe (in memoriam) que me deixou quando eu ainda era criança. Mas, pelo pouco tempo em que esteve comigo, os seus ensinamentos e conselhos contribuíram para a minha formação como pessoa. Obrigada mãe! Ao meu sobrinho Elielson, que todo o tempo me apoiou quando sempre precisei. A Liana, bibliotecária aposentada, que conheci e me falou sobre o curso de Biblioteconomia. A partir daí comecei a pesquisar sobre o curso e como não tinha uma definição da escolha, escolhi Biblioteconomia. Deu certo! Agradecimento especial a Socorro Dantas e família que desde a minha chegada em Natal, quando eu ainda era adolescente, sempre me apoiou e incentivou para estudar. Aqui estou eu, concluindo a graduação. A Ana Maria de Sousa, e sua querida mãe D. Maria, que no primeiro ano de curso me hospedou em sua casa e me deu apoio nas horas em que precisei. A todos os professores do DECIN pelos ensinamentos e orientações durante a graduação. Em especial a Nádia Vanti, professora que passou mais tempo com a turma de Biblioteconomia de 2010, foram seis semestres seguidos de muita alegria. A todos o meu muito obrigado! A Jacqueline Cunha que me aceitou como orientanda e com muita paciência me conduziu para a produção deste trabalho. Agradeço o carinho, dedicação e incentivo. Muito Obrigada! Aos meus colegas da turma de Biblioteconomia 2010, pelas muitas alegrias compartilhadas, brincadeiras, troca de experiências, companheirismo nos estudos, pelas amizades que fiz. Em especial aos amigos Micarla do Nascimento, Gabriela Oliveira, Raissa Andrade, Emerson Cruz, Gleicyane Barbosa, Zinete Santos e Marianna Lemos. As minhas amigas, companheiras de residência universitária, Emanuela Priscila, Natalia Oliveira, Gabrielle de Carvalho, Maria Isabel, Ariannne Paixão, Raissa Keila. Quantos cafés... Quantas risadas... A convivência de alguns anos nos conduziu a construção de uma amizade sólida e que levarei por toda a minha vida. Aos editores que disponibilizaram do seu tempo para contribuir com a pesquisa. A Gilmar Santana, atual editor da Cronos, e Berenice Melo. As bibliotecárias da Seção de Repositório Digital da BCZM, em especial a Aniolly Maia que também participou desta pesquisa concedendo entrevista. Aos queridos amigos que fiz no estágio no TRT21, Thalita Vianna, Maria Rozana, Jailson Marques, às bibliotecárias Cristina Nagahama e Luana Oliveira, ao arquivista Emerson Carlos, meu obrigada! Muito aprendi com vocês e estou feliz por tê-los como amigos, espero que esta amizade permaneça por muitos e muitos anos. Por fim, agradeço a todos que estiveram presente durante todo este percurso. Muito obrigada a todos!!!! RESUMO Apresenta os novos recursos tecnológicos como facilitadores à disseminação da informação científica entre pesquisadores na divulgação dos resultados das pesquisas. Aborda o processo de editoração das publicações científicas, suas transformações ao longo do tempo, desde o primeiro periódico impresso até o surgimento do periódico eletrônico. Evidencia as atividades de editoração, as quais foram sendo simplificadas através das inovações tecnológicas com uso de softwares, tanto no processo tradicional quanto no moderno, e o trabalho do editor científico. Objetivou-se compreender o fazer do editor e identificar as dificuldades no desempenho dessa função. Como metodologia realizou-se pesquisa bibliográfica para construção do aporte teórico, bem como foram empreendidas entrevistas com editores de periódicos e de umas das bibliotecárias responsáveis pela Seção de Repositórios Digitais da BCZM. Elegeu-se como universo da pesquisa as revistas hospedadas no Portal de Periódicos da UFRN. Concluiu-se que os editores encontram dificuldades em seu fazer cotidiano, tendo em vista que, não dispõe de tempo para se dedicar totalmente às revistas, bem como não possui formação profissional específica para este fazer. Identificou-se também que o profissional da informação é fundamental no quadro de recursos humanos de qualquer periódico, trabalhando na estrutura, padronização, normalização, indexação e na preservação das revistas impressa ou eletrônica e assessoramento do Editor. Palavras-chave: Comunicação Científica. Periódicos Eletrônicos. Editor científico. ABSTRACT Presents the new technological resources as facilitators to the dissemination of scientific information between researchers in the dissemination of researches results. Discusses the process of publishing scientific publications its transformations over time, since the first printed journal until the emergence of the electronic journal. It highlights the publishing activities which were being simplified through technological innovations with use of software’s, both in the traditional process and the modern one, and the work of the scientific editor. This study aimed to understand the making of the publisher and the difficulties in this role. Therefore as methodology was performed literature searches to build the theoretical basis and was undertaken interviews with journal editors and librarians responsible for the Digital Repositories Section of BCZM. Was elected as research universe journals hosted on UFRN Journals Directory. It was concluded that the editors have difficulties in their daily activities, because they does not have time to devote fully to magazines and has no specific training for this do. It also identified that the information professional is fundamental in human resources framework of any periodical, working on the structure, standardization, normalization, indexing and preservation of printed or electronic magazines and advisory Editor. Key-words: Scientific Comunication. Eletronics Journals. Editor. 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BCZM – Biblioteca Central Zila Mamede BDTD – Base de Dados de Teses e Dissertações CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior DECIN – Departamento de Ciência da Informação EDUFRN – Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IES – Instituição de Ensino Superior ISSN – International Standard Serial Number OAI – Open Archive Initiative PROEX – Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte PROPESQ – Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte PPG – Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte SCIELO – Scientific Electronic Library Online SEER – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 10 2 A CIÊNCIA NUM CONTEXTO HISTÓRICO................................................. 12 2.1 Comunicação científica .............................................................................. 15 3 PERIÓDICO CIENTÍFICO ............................................................................ 18 3.1 Os primeiros periódicos científicos no Brasil .......................................... 23 3.2 Os periódicos científicos eletrônicos e o movimento do acesso aberto .............................................................................................. 24 4 O EDITOR CIENTÍFICO ............................................................................... 31 5 PERCURSO METODOLÓGICO ................................................................... 37 5.1 Universo da pesquisa ................................................................................. 38 5.2 Definição da amostra e sujeitos da pesquisa .......................................... 43 6 ANALISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................... 45 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 53 REFERÊNCIAS ............................................................................................ 55 APÊNDICE: Roteiro de entrevista ............................................................. 60 10 1 INTRODUÇÃO Primordialmente a ciência tem seu papel voltado ao desenvolvimento da sociedade em termos de aplicabilidade. Estas funções e aplicações iniciaram por meio das necessidades básicas, observações e posteriormente através de métodos científicos. Os resultados obtidos são inúmeros e vão desde o bemestar até ao estudo científico, garantindo assim, o desenvolvimento da sociedade, de novas técnicas e a evolução da própria ciência. Nesta perspectiva, entende-se que a construção da ciência, e, por conseguinte, do conhecimento científico, passa obrigatoriamente pela comunicação. Esta por sua vez tem nos registros informacionais, em especial os livros e as revistas, seus principais veículos. Desse modo, pretendeu-se investigar como se dá o fazer do editor científico, já que é o principal responsável por este tipo de publicação, nomeadamente dos periódicos científicos eletrônicos. Além disso, serviu de motivação para empreender esta pesquisa, o fato de a autora ter atuado como bolsista em revista científica e na oportunidade ter identificado que alguns editores não conhecem todo o processo de editoração e outras responsabilidades que competem a essa função. Assim, buscou-se responder as seguintes questões: Qual a função do editor científico e quais as principais dificuldades para desenvolver esta atividade?. Para tanto empreendeu-se como metodologia uma pesquisa bibliográfica a fim de constituir um aporte teórico, a luz do qual foram observadas as revistas selecionadas para realização do estudo. O universo investigado foi o Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do qual foram selecionadas seis revistas para participarem. Destas, duas não puderam participar devido a dificuldades dos editores. O trabalho foi organizado em sete capítulos conforme descrevemos a seguir. No capítulo seguinte a esta introdução, capítulo dois, tem-se uma abordagem sobre a ciência e seu desenvolvimento apresentando seu contexto histórico. Ainda neste capítulo faz-se uma incursão sobre o conceito de 11 comunicação científica, a qual se configura como importante processo de compartilhamento da produção do conhecimento aos pares e a sociedade. Já no capítulo três, é abordado o periódico científico, seu surgimento e desenvolvimento a partir da utilização das novas tecnologias de informação e comunicação. É também apresentado como se deu esse processo no contexto brasileiro, finalizando com o movimento do acesso livre, também conhecido como open access, do qual o Brasil é país signatário. No capítulo quatro as considerações são acerca do editor científico, e o seu fazer, descrevendo as funções, desafios e dificuldades enfrentados diante da crescente produção científica e do grande número de artigos publicados. Em seguida, no capítulo cinco, é apresentado o percurso metodológico para o desenvolvimento desta pesquisa, bem como é feita a caracterização do universo da pesquisa, da amostra e dos sujeitos envolvidos. Por fim, nos capítulos seis e sete, são apresentados os resultados e as considerações finais, respectivamente. Neste sentido, o capítulo seguinte versa sobre a ciência, conforme mencionado anteriormente. 12 2 A CIÊNCIA NUM CONTEXTO HISTÓRICO Mais importante que a ciência é o seu resultado, uma resposta provoca uma centena de perguntas Jacob Levy Moreno Neste primeiro capítulo, como forma de introduzir a temática na qual se insere o fazer do editor científico, será apresentado uma breve exposição quanto ao conceito de ciência, definida como: domínio do conhecimento com um objeto pré-determinado e um método próprio1e [...] conhecimento racional, sistemático, exato, verificável e, por conseguinte falível. (BUNGE, 2014, tradução nossa)2. Ao se estudar a história da humanidade percebe-se que o homem sempre utilizou técnicas bem como construiu ferramentas de trabalho das quais ele iria, aprimorar outras para as atividades cotidianas. Num primeiro momento estas estavam relacionadas ao trabalho de agricultores, quais fossem, atividades de produção, cultivo e armazenamento. A este processo criativo demandado por necessidades práticas, Chassot, (2004) denominou de ciência racional, ou seja, a primeira forma de ciência humana adquirida através da prática. Vale destacar também que, a atividade de registrar esse conhecimento já era comum com a utilização de gravuras mostrando as ações, os animais e plantas desenhadas nas pedras, atualmente denominadas inscrições rupestres ou arte rupestre. Em alguns períodos históricos podem-se destacar momentos de grandes transformações que repercutiram na construção das ciências e do conhecimento humano. Dentre eles destacamos os séculos III a IV a.C com suas escolas filosóficas, escola de medicina, estudos da astronomia na cidade de Alexandria. 1 Dicionário da língua portuguesa. Portugal: Porto Editora, 2013. [...] que puede caracterizarse como conocimiento racional, sistemático, exacto, verificable y por consiguiente falible. 2 13 Em seguida, a Idade Média é considerada um período sem produção do conhecimento, dado o controle da Igreja e sua forte influência política e econômica durante todo este período. Referente a este momento histórico, conjectura-se que muitos dos registros clássicos da filosofia e da ciência já eram considerados contrários a doutrina cristã, sendo assim, a igreja torna-se guardiã do conhecimento do qual tem-se referencia nos grandes mosteiros medievais, onde localizavam-se importantes bibliotecas tendo os monges desenvolvendo a atividade de copistas. (CHASSOT, 2004, p.122) O período do Renascimento, que compreende os séculos XV a XVI aproximadamente, foi marcado por alguns eventos relevantes para a ciência que foram à invenção da prensa dos tipos móveis; a reforma protestante, tendo Martinho Lutero como defensor da liberdade de pensamento e figura relevante para a evolução da ciência; e por fim as grandes navegações. De acordo com Price (1976) “o que libertou o saber científico do esquecimento [...] foi a invenção da imprensa e sua rápida disseminação pela Europa, a partir de 1470.” Este autor enfatiza que: Por volta de 1500 estava encerrada a era do incunábulo e o livro impresso se constituía em uma força nova. Efeito de vulto foi, naturalmente, o de que o mundo do saber, até então domínio de uma reduzida e privilegiada elite, se tornou repentinamente acessível ao homem comum. No campo da religião foi evidentemente esse processo, mais do que qualquer outra coisa, o que emprestou força a Reforma. Como se poderia esperar, em terras onde a reforma foi intensa, também foi intensa a mudança provocada pelo novo saber. (PRICE, 1976, p.96 e 97) A partir de então a ciência seguiu progredindo com avanços consideráveis que mudaria o curso da humanidade. A informação disseminada às pessoas leigas, antes de acesso apenas da elite, ocupa um importante lugar na história. Acrescente-se ao curso evolutivo da história da ciência nomes que tiveram grande participação e que trouxeram grandes contribuições para o avanço da ciência como Nicolau Copérnico (1473-1543) considerado o contemporâneo da Renascença; Galileu Galilei (1564-1642), um dos criadores da ciência moderna; Francis Bacon (1561-1626), visto como o criador do 14 método científico moderno e da ciência experimental; René Descartes (15961650), importante filósofo, influenciador da maneira ocidental de pensar; Isaac Newton (1642-1727) e outros. Consequentemente, após a Revolução Científica advém a emancipação da ciência no século XVIII, o século das luzes ou período do Iluminismo. É neste contexto que ao homem é permitido pensar por si mesmo, até então todos os pensamentos e as observações deveriam considerar o que estava nas Sagradas Escrituras. Merece destaque também o enciclopedismo, um movimento marcante deste período no qual, Voltaire, D'Alembert e Denis Diderot são alguns dos nomes representativos na literatura relacionada a esse movimento filosófico. Nessa perspectiva, as enciclopédias apresentam-se como instrumentos de distribuição do saber ou do conhecimento organizado. Deste modo conferia maior acessibilidade aos leigos, que na visão dos escritores era a forma de destruir a barreira de acesso ao conhecimento humano. (BARRETO, 2007). Assim: O objetivo de uma enciclopédia é o de reunir os conhecimentos sobre a superfície da Terra, expor o seu sistema geral aos homens com os quais vivemos, para que nossos descendentes, tornando-se mais instruídos, tornem-se, ao mesmo tempo, mais virtuosos e felizes. (DIDEROT, 1750, apud CHASSOT, 2004, p.168) Porém, as enciclopédias tiveram dificuldades de circulação e foram rotuladas de teísta e herética, ou seja, algo contrário ao pensamento religioso então vigente. Sob a ótica da ciência da informação, no cenário histórico sobre o desenvolvimento da ciência e da organização e disseminação do conhecimento, Paul Otlet é um dos grandes nomes que aparece na história no do final do século XVIII e início do século XIX. Considerado um visionário e pioneiro nos estudos da ciência da informação, juntamente ao belga Henri La Fontaine, demonstrou preocupação com o controle da informação que estava sendo produzida, visando à recuperação da mesma a quem a demandasse. (MUELLER, 2007). 15 A contribuição desses dois advogados belgas está relacionada à organização do conhecimento a fim de disseminá-lo. Em 1910 organizaram o I Congresso Mundial de Associações Internacionais de Documentação em Bruxelas e daí por diante muitas organizações como o Instituto Internacional de Bibliografia, Biblioteca internacional e sociedades e associações surgiram com o propósito de disseminar a informação. (BARRETO, 2007, p.19) Por fim, chega-se ao século XIX, tendo ocorrido nesse período à consolidação da ciência e a divulgação científica. Segundo Chassot (2004), nesse período faz-se referência os nomes de Darwin e Marx na literatura enquanto pessoas que deram suas contribuições para a ciência. As inovações tecnológicas são frutos da atividade científica desenvolvida no século XIX, no qual, pode-se tomar como exemplo a tecnologia da informação. Esta tem contribuído para o desenvolvimento, surgimento e avanços de pesquisa em diversas áreas do conhecimento. Vale ressaltar que, todos esses avanços promoveram mudanças na comunicação científica, em especial quanto ao seu processo, que vai desde a concepção da ideia do pesquisador até a transferência e uso da informação. De acordo com Meadows (1999), a comunicação científica situa-se no “coração da ciência” sendo de grande importância para todo o fazer do pesquisador. Esse tipo de comunicação possibilita a validação do conhecimento produzido a partir do momento em que é analisada e aceita pelos pares. 2.1 Comunicação científica Para a comunidade científica a comunicação é parte fundamental, pois ela está diretamente associada ao desenvolvimento da ciência posto que, compartilha os resultados de pesquisas entre os cientistas. A oralidade foi, por muito tempo, principal meio de comunicação utilizado pelos filósofos para expor seus pensamentos e descobertas. Comumente, essa transmissão do conhecimento era realizada em locais abertos. O registro escrito das primeiras descobertas científicas funcionava como recurso de preservação da memória para os próprios pesquisadores. Os estudiosos faziam inúmeras anotações, mas, entre os estudiosos eles não 16 eram divulgados, tinham pouca ou nenhuma visibilidade. Posteriormente, a comunicação se deu por meio de cartas e de acordo com Gonzales (2012) a troca de cartas ou correspondências foi às primeiras formas de socialização desses documentos, figurando, portanto como sendo os primeiros passos da comunicação científica. No século XVII, Galileu Galilei utilizava esse recurso para comunicar suas descobertas aos cientistas. Neste sentido, a comunicação científica é compreendida como “processo que envolve a construção, comunicação e uso do conhecimento para possibilitar a promoção de sua evolução” (WEITZEL, 2006, p.88). Não obstante, a comunicação científica possui a função específica de intercâmbio de informações, o que contribui com o progresso da ciência, procedimento que se inicia desde a concepção da ideia do pesquisador até a publicação dos resultados através dos diversos canais de comunicação. Os novos conhecimentos gerados através da comunicação entre os cientistas indicam a trajetória da evolução da ciência, que, ao longo do tempo suscitou mudanças na forma comunicar e disseminar a informação científica. Price (1976, p. 96) reporta-se ao avanço da ciência e afirma que “o que libertou o saber científico do esquecimento foi à invenção da imprensa e sua rápida disseminação pela Europa, a partir de 1470”. Corroborando com essa ideia, Gonzales (2012, p.21) afirma que o “processo de cumulação da ciência estendia-se no tempo, as informações deveriam ser divulgadas numa forma durável e prontamente acessível.” Nesse contexto, o livro tornou-se o veículo ideal onde continham as informações com propósito, não só de durabilidade e memória, mas também de tornar acessível à coletividade o saber científico. No entanto, a disseminação da informação em livros não era imediatista e simples. Os estudiosos necessitavam absorver um volume considerável de informações para produzir mais ciência. Ou seja, para poder publicar um livro o pesquisador deveria ter um domínio acurado do assunto que se propunha a escrever e publicar. Comumente, estas pessoas possuíam algum vínculo com as universidades, pois, Price (1976) e Meadows (1999) afirmam que os livros eram supervisionados pelos próprios autores ou colegas cientistas. 17 Embora o artigo de periódico não tivesse sido inventado ainda, vale salientar que, qualquer informação de cunho científico só era encontrada nos livros, salvo as anotações dos estudiosos e cartas trocadas entre eles, mas, não eram facilmente acessíveis. Só em meados do Século XVII, com a revolução científica, é que a academia científica e os periódicos aparecem aprimorando o meio de comunicação e divulgação do conhecimento. Em parte, as mudanças surgem devido à demanda informacional, criação de novas disciplinas, crescimento exponencial da pesquisa científica e o surgimento de novas sociedades e academias (MEDOWS, 1999). De acordo com Meadows (1999), o início da divulgação científica deu-se em 1662, com a criação do Royal Society que se interessou pela comunicação. As reuniões aconteciam em Londres e houve influência de Francis Bacon o qual descreveu as atividades de uma instituição de pesquisa em seus livros. A Royal Society utilizava métodos seguindo sugestões de Francis Bacon. Os membros viajam e coletavam informações por meios de conversas e observações. Posteriormente, outros métodos foram utilizados como a eleição de membros do estrangeiro dos quais enviavam relatório relatando os avanços de seus países e as correspondências. Henry Oldenburg, secretário da Royal Society, era encarregado de escrever as cartas. Consequentemente, o volume de correspondência cresceu e de acordo com Meadows (1999) o encargo ficou elevado e a saída foi publicar as cartas mais importantes e distribuí-las. Situação semelhante ocorria em Paris quando Marin Mersenne e Denis de Sallo desempenhavam o mesmo oficio de coleta de informação, que Henry Oldenburg. Em 1665, Denis de Sallo criou um periódico dedicado a publicações de noticias ocorridas na Europa na República das letras era o Le Jornal des Sçavans atualizado para Jornal des Savants no começo do século XIX. Pelo teor da publicação este seria o precursor dos periódicos sobre humanidades e como precursor do periódico (MEADOWS, 1999, p. 6). científico o Philosophical Transactions 18 3 PERIÓDICO CIENTÌFICO “Do impresso ao eletrônico as revistas persistem com o propósito de comunicar o conhecimento produzido pelo homem no tempo e no espaço e atravessa os séculos chamando para si a responsabilidade de veicular o conhecimento cientifico e contribuir para a história humana.” Kátia Carvalho A comunicação científica, em seus primórdios utilizou o recurso da oralidade e correspondências como meios de comunicação entre os estudiosos dos séculos passados. Doravante, no século XV, a informação e o conhecimento eram transmitidos através dos livros. Posteriormente, no século XVII, devido ao crescimento das academias na Europa, as revistas científicas foram criadas e figuram-se parte da evolução da ciência e da comunicação. De acordo com Meadows (1999) na segunda metade do século XVII as publicações impressas ou boletins com informações do cotidiano, representam o conceito de jornal moderno da época e, consequentemente o surgimento das primeiras revistas científicas. A publicação dos boletins não eram periódica e sim circunstancial passando a ser regular devido à demanda de informação. Conforme a ciência seguia em avanço, as informações precisavam ser disseminadas de forma mais rápida e com precisão, por isso, a necessidade de utilizar um meio de comunicação com uma cobertura abrangente, melhor que, a comunicação oral e dos livros, o periódico científico. (MUELLER, 2006, p. 73) O sistema de comunicação restrito, isto é, entre os cientistas, conhecidos como colégios invisíveis foram os primeiros passos para instituir os periódicos científicos. Nessa ocasião as reuniões realizadas pelos cientistas e as discussões registradas em atas eram posteriormente distribuídas entre os próprios membros. Concatenado às revistas científicas, quanto a sua origem e consolidação, tem-se como cenário as cidades de Londres e Paris, no século XVII, essas cidades protagonizaram as mudanças na forma dos cientistas se comunicarem. (MEADOWS, 1999) 19 As revistas surgiram com a proposta de comunicação a um público alvo, destarte, periódico cientifico como veículo de comunicação científica difundiu a informação de tal modo que o êxito remanesce até os dias atuais. Destarte, na segunda metade do século XVII, em janeiro de 1665,é publicado o primeiro periódico Le Journal dês Sçavans por Denis de Sallo, e no mesmo ano, em março, é criado o Philosophical Transactions com publicação mensal e com textos aprovados pelo conselho e revisto pelos membros. (MEADOWS, 1999) De acordo com Gonçalves, Ramos e Castro (2006) o Journal dês Sçavans serviu de base, em termos de estrutura, e o Philosophical Transactions of the Royal Society of London, título completo, serviu de modelo, em termos de conteúdo, para o surgimento das revistas científicas. Segundo Mueller (2006) o primeiro divulgava matérias em todas as áreas científicas e o segundo era publicação de experiências científicas. Vale salientar que, o periódico despertou interesse da comunidade científica e se expandiu pela Europa e, segundo Meadows (1999), houve três motivos para o surgimento dos periódicos. O primeiro era o interesse comercial das editoras com a possibilidade de lucro com as publicações, pois perceberam que o pesquisador necessitava publicar seus artigos. O segundo, a ideia de que um debate coletivo pudesse gerar novos descobrimentos. Por fim, a terceira foi pela própria necessidade de comunicação, principal objetivo, somado a proposta de registro e preservação do conhecimento. De acordo com a Royal Society apud Mueller (2000), as funções desempenhadas pelos periódicos são: 1. Comunicação formal dos resultados das pesquisas dos cientistas; 2. A preservação do conhecimento, visto que, constitui-se de um acervo com garantia de acesso a outros pesquisadores e a comunidade científica como um todo; 3. O registro da propriedade intelectual dos autores que publicaram seus artigos, os resultados de suas pesquisas; e 4. A validação ou reconhecimento dos pares em relação à confiabilidade e respeito ao artigo e ao autor. (MUELLER, 2000, p. 75) Sendo assim, Desde o nascimento da ciência moderna, ao periódico cientifico foram sendo tributados papéis estratégicos no empreendimento cientifico, como registro da memória e a chancela da qualidade 20 da ciência, o testemunho da autoria e da propriedade científica e, fundamentalmente, o papel da difusão do conhecimento. (GUANAES, GUIMARÃES, 2012, p.58) Neste sentido, percebe-se que a informação científica disseminada nos periódicos entre os pesquisadores é preeminente em relação aos meios de comunicação anteriores, tanto que, se torna um canal definitivo de comunicação científica com credibilidade suficiente para substituir os livros. (STUMPF, 1996) Ainda de acordo com a supracitada autora, dois fatores foram importantes para a aceitação das revistas pela comunidade científica, os quais foram: a velocidade na disseminação da informação ser maior que a dos livros, bem como a redução de custo da produção deste tipo de publicação. A comunidade científica demandava maior celeridade na exposição dos resultados de suas pesquisas, o que a cadeia de produção do livro não dava conta de atender (STUMPF, 1996). Neste sentido, o periódico ficou considerado como um “canal formal utilizado no processo de comunicação científica”, tendo, portanto valor informacional semelhante aos livros, relatórios técnicos, anais de congressos, etc. (GONÇALVES, RAMOS, CASTRO, 2006, p.166) Concernente à proposta de um canal formal para divulgação dos resultados de pesquisas à comunidade científica, desde a criação das primeiras revistas foram estabelecidos alguns critérios para caracterizar um periódico científico, tais como: a periodicidade da publicação, o papel do editor, a existência de um conselho editorial, um processo de seleção de trabalhos, inclusive com a aprovação dos pares após uma avaliação (GONÇALVES, RAMOS, CASTRO, 2006, p.167). 21 Figura 2 – Modelo ideal de estrutura administrativa de uma revista científica 1 - Comitê (Conselho) de política Editorial •Resposável pela definições de missão e políticas do periódico 2 - Editoria (editor, ou editor-geral, ou editor-chefe) •Editor deverá ser alguém reconhecido pela comunidade com produtividade. 3 - Editores associados (adjuntos, de Área ou de Seção) •Colaboradores muito próximo do editor 4 - Corpo Editorial Científico •Pesquisadores com credibilidade e reconhecimento da comunidade acadêmica 5 - Consultores ad hoc (pareceristas, revisores, avaliadores, árbitros) •Realizam as tarefas de revisão dos artigos a serem publicados Fonte: Adaptação de Araújo, 2012. A figura 2 apresenta a estrutura ideal de um periódico científico. Esta composição proporciona um bom desempenho das atividades de editoração devido à distribuição adequada das atividades. Segundo o documento de área Sociologia e Ciências Sociais de 2013 da avaliação trienal 2010 – 2012 da CAPES, os critérios mínimos exigidos para ser considerado um periódico científico são necessários: um conselho editorial, editor responsável, ISSN, avaliação por pares entre outros itens. A respeito da avaliação da revista, o documento apresenta que, devido ao pequeno número de periódicos das humanidades terem impacto, se houver impacto será considerado a avaliação da indexação dos periódicos em bases de dados. Caso não esteja indexada em pelos menos uma ou mais das bases citadas neste documento o periódico não poderá ser elevado na classificação (CAPES, 2013, p.15). Embora houvesse uma estrutura para o periódico, não havia uma estrutura padronizada para os artigos, iniciativa que só veio com o passar do tempo através das observações dos próprios pesquisadores que demandaram mudanças a fim de normatizar os artigos. 22 Em todos os sentidos, a forma de apresentação dos artigos entre as ciências e as humanidades foi e ainda são distintas, salvo a ideia de sequência prescrita, ou seja, quanto às normas estabelecidas de apresentação do artigo na ordenação de apresentação com introdução, desenvolvimento e/ou metodologia e conclusão (MEADOWS, 1999). Algumas observações podem ser apresentadas quanto à estrutura dos artigos, por exemplo: os resumos não apareciam junto ao artigo e sim publicados em outras revistas o que fez surgir os periódicos de referência, com a finalidade de publicação apenas de resumos ou sumários, as referências também não apresentavam um padrão nem apareciam no final dos artigos como atualmente, elas eram expostas dentro do texto. Os pesquisadores apresentaram algumas advertências quanto às problemáticas apresentadas na estrutura dos artigos sugerindo mudanças para melhor atender a comunidade. Dessa forma, todas as mudanças que ocorreram na estrutura das revistas, e principalmente dos artigos, foram promovidas com intuito de tornar a comunicação mais eficiente devido à própria necessidade de recuperar a informação, cujas condições configuradas anteriormente não possibilitavam. As mudanças solicitadas pela comunidade científica são justificadas, pois, “o crescimento da informação causava dificuldade aos pesquisadores para acessar, incluindo nessa problemática a falta de padronização. Para superar os problemas de acesso o uso de resumos e índices foi uma das soluções.” Meadows (1999, p. 30) À medida que, avançava a ciência houve o crescimento das publicações. Em vista disso, houve a necessidade de controle. Assim, a ciência passa a ser pela produção científica e os pesquisadores pela quantidade de artigos publicados, ou seja, o quanto ele está produzindo enquanto pesquisador. Com isso, recai sobre os pesquisadores uma pressão para publicar os resultados de suas pesquisas. De acordo com Russel (2001, tradução nossa) beneficiando-se da pressão sobre os pesquisadores “a indústria de publicações acadêmicas recebem impulso devido à necessidade dos pesquisadores e acadêmicos de ‘publicar ou perecer,’ o controle desse sistema esta cada vez mais nas mãos das grandes empresas editoriais”. Todavia, a quantidade de artigos e de 23 periódicos, mesmo de uma área ou disciplina, cresceu a tal ponto que os pesquisadores não conseguem ler tudo que é publicado. O crescente volume de informação disponível está relacionado, não apenas ao avanço da ciência, mas também, ao crescimento da especialização na pesquisa onde o pesquisador se torna mais especializado em seus interesses. De acordo com Meadows (1999, p.20-21) surgiu com essa tendência à diversificação das sociedades no século XIX e XX. Isto posto, houve a necessidade de estabelecer critérios, utilizados pelos pesquisadores, como credibilidade e visibilidade dos periódicos. Esses critérios que não são apenas fatores utilizados para selecionar o que ler e citar, mas também para publicar os resultados das pesquisas. Muitos estudiosos selecionam as revistas com maior referência em sua área para publicar os artigos. Portanto, o prestigio de um periódico é conhecido pela quantidade de citações que recebe pelos autores em suas novas produções intelectuais, de igual modo, quanto mais citada é a revista mais visível se torna entre os pares. Conforme destaca Packer e Meneghini (2006), “a visibilidade está determinada pelo reconhecimento persistente do seu publico em identificar o periódico como meio preferido para publicação, leitura e citação sistemática de resultados de pesquisa”. (PACKER, MENEGHINI, 2006, p.241). Os autores ainda afirmam que: A visibilidade dos periódicos ocorre, portanto em duas dimensões principais: ser de referencia (de qualidade e credibilidade) no âmbito de uma disciplina ou área temática e ser indexado em índices de prestígios nacional e internacional. (PACKER, MENEGHINI, 2006, p.239) Nesse contexto, se o periódico adquiriu credibilidade consequentemente os autores que publicaram nesse periódico também. Até porque, a revista só é citada porque o artigo publicado nela fora consultado e certamente citado. Em suma, desde a consolidação da ciência, a disseminação do conhecimento através dos livros e o surgimento dos periódicos científicos “a forma como se organiza atualmente a comunicação científica em geral reflete decisões tomadas no passado” (MEADOWS,1999, p. 11). 24 As considerações a respeito do início da comunicação científica na Europa; a difusão da informação científica por meios dos primeiros periódicos sugere abordar sobre o surgimento da divulgação científica no Brasil, o qual será descrito abaixo. 3.1 Os primeiros periódicos científicos no Brasil De acordo com Freitas (2006), no contexto brasileiro a comunicação científica aconteceu tardiamente. O primeiro passo para a divulgação científica no Brasil só se apresenta a partir do século XIX, em jornais cotidianos com noticias voltadas ao grande publico, ou seja, dentre as diversas notícias que circulavam nos jornais havia um espaço dedicado a assunto cientifico. Entretanto, estas notícias não necessariamente tratavam de produção da ciência no Brasil, mas sim, dos acontecimentos e publicações sobre a ciência na Europa. Dois eventos marcaram o inicio da publicação no Brasil e, consequentemente, o surgimento dos primeiros periódicos, os quais foram a chagada da família real e a fundação da Impressão Régia. De acordo com Freitas, (2006) a tipografia era proibida até 1808 quando, pela necessidade de imprimir os decretos e atos e outros documentos a tipografia foi instituída. Nesse contexto, a Impressão Régia foi a maior tipografia existente no país detendo a maioria das publicações oficiais em épocas de censura a publicações. Segundo Abreu (2004), D. João oficializa a Imprensa Régia em 13 de maio de 1808 autorizando a impressão dos documentos oficiais da corte e “quaisquer outras obras”. Segundo Freitas (2006, p.57), os “jornais literários”, publicados no inicio do século XIX, podem ser reconhecidos como os primeiros periódicos científicos brasileiros. Ainda de acordo com a autora supra citada, a definição de periódicos científicos, como é denominado na atualidade, naquela época eram intitulados como: “revista literária”, “jornal de cultura”, “jornal das ciências e artes”, e principalmente o “jornal literário”, estes últimos traziam artigos técnico-científicos, mas, no geral a estrutura das publicações era mais diversa do que especializada. 25 Não obstante, no Brasil, já contava com a reformulação do ensino após a criação da Escola Politécnica do Rio de Janeiro e ao final do século XIX já havia inúmeras instituições de ensino e pesquisa e a Impressão Régia foi de extrema importância na comunicação das ciências e como auxiliadora do ensino superior. (PINHEIRO; VALERIO; SILVA, 2009, p. 266). Vale salientar que essas instituições, de acordo com Freitas (2006) só foram autorizadas a existir após a chegada do rei ao país. De todas as propostas de publicações regulares de noticias que foram desenvolvidas no Brasil, embora muitos tenham apenas conseguido publicar um número, a Gazeta do Rio de Janeiro é considerado ser o primeiro periódico impresso a realizar o papel de divulgar assuntos científicos. Todas as tentativas de publicações de periódicos científicos no Brasil foram motivadas pelo progresso da ciência no país. Segundo Freitas (2006), tinham “‘todos, em comum’ o desejo de divulgar ‘as luzes’, conforme suas próprias palavras, de difundir os fatos, as observações, as experiências e o conhecimento útil a todos os ‘homens ilustres’”. Destarte, o periodismo no Brasil, apesar do tempo frente aos outros países, possui um reconhecimento diante da comunidade científica a nível mundial. Portanto, a comunicação científica se estabelece de forma estável e duradoura depois da década de 1930. Após as considerações acerca da evolução da ciência no mundo; do conhecimento disseminado através da invenção da imprensa; das notícias sobre a ciência e seus avanços até o século XVII, necessário se torna caracterizar o surgimento das publicações em meio eletrônico, e, tem gerado muitos discursos a nível mundial principalmente, na área da ciência da informação sobre o qual discorremos a seguir quanto às novas formas de publicação científica. 3.2 O periódicos científicos eletrônicos e o movimento do acesso aberto Em todo cenário histórico já registrado no qual envolve a formalidade da comunicação da ciência, o início das publicações em periódicos impressos, agora apresenta mudanças advindas das tecnologias e da internet. 26 As facilidades da tecnologia provocaram alterações ao promover à produção e disseminação da informação científica em meio eletrônico. Motivo pelo qual fora argumentado entre os pesquisadores ainda na década de 60. Conforme Meadows (1999), já nos anos 60 os computadores se tornam um canal aceito pelos pesquisadores para publicação secundária, visto que, naquela época, a vantagem era a facilidade de recuperar os documentos na busca por palavras-chaves. Posteriormente, as informações primárias foram processadas tornando-se mais vantajosa, mas, o processo era lento devido às limitações dos computadores, os diferentes tipos de informação e o comportamento dos pesquisadores. (Meadows, 1999, p.34) Periódico eletrônico, segundo Mueller (2007, p 82) faz alusão aos periódicos com acesso por meio de equipamento eletrônico que surgem para suprir a necessidade dos pesquisadores de obter informação rapidamente utilizando os recursos tecnológicos disponíveis. Nesse contexto, o advento da tecnologia, mais precisamente a internet desencadeou mudanças e reforma no sistema tradicional de comunicação ou uma revolução na comunidade científica quanto à publicação em revistas eletrônicas ou periódicos eletrônicos. Segundo Meadows (2001) o conceito de publicação, definição de autoria não são claros quando se trata do meio eletrônico, ou seja, há muitas questões não definidas para a comunidade científica quando se trata de produção e divulgação em meio eletrônico. No entanto, o quadro apresentado no presente tempo mostra que muitos pesquisadores estão adaptados ao meio de comunicação moderno, mas, não desistindo completamente do formato tradicional. As dificuldades se estendem quanto à definição de canais de informação já estabelecidos pela comunidade científica no qual “[...] canais informais e canais formais são questionados por alguns autores, que alegam já não ser possível distinguir com clareza as diferenças entre eles”. Tornou-se difícil definir o que seja comunicação formal e informal, documento primário e secundário, ou seja, em suma, houve uma fusão das formas de comunicação. (Mueller, 2007, p.32) Outros motivos que motivaram mudanças nas formas tradicionais de publicação estão relacionados ao custo das publicações e acessibilidade. 27 Nesse contexto, antes do advento do periódico eletrônico, o periódico impresso já estava consolidado pela comunidade científica como fundamental para a comunicação, com isso, as grandes editoras detinham o poder comercial de assinaturas com custo extremamente elevado. As grandes instituições, devido à necessidade de disseminação da informação para a comunidade assinavam a fim de manter títulos importantes em seus acervos. Pela necessidade de manter uma coleção de periódicos atualizados em seus acervos as bibliotecas, segundo Mueller (2007) realizavam um grande esforço dentro do permitido pelo orçamento destinado para esse fim. Considerando o fato dos melhores periódicos serem produzidos por editoras comerciais, que visam apenas lucro, as bibliotecas de todo o mundo assinavam. Não obstante, o alto preço imposto pelas editoras por volta da década de 70/80 provocou o fenômeno conhecido como "a crise dos periódicos" (MUELLER, 2007, p.140). A principal questão quanto aos modelos tradicionais de comunicação está relacionada à acessibilidade aos artigos devido ao custo elevado das assinaturas, pois, embora as pesquisas sejam financiadas com recursos públicos, a própria comunidade, mesmo tendo publicado seus resultados de pesquisas na revista, só teria acesso caso as bibliotecas tivessem em seus acervos a assinatura do periódico. Para Weitzel (2006) devido às imposições das grandes editoras quanto ao custo das assinaturas despertou nos pesquisadores o desejo de mudar esse cenário e “a comunidade científica quer resgatar as práticas científicas baseadas nos interesses científicos, mas longe dos interesses comerciais” sendo assim, a comunidade científica entende que as informações devem ser para acesso de todos a fim de difundir o saber científico. (WEITZEL, 2006, p.88). Segundo Kuramoto, et al (2007, p.2) o modelo de negócios de editoras comerciais de revistas científicas e da crescente conscientização do aumento de impacto provocado pela disponibilização de documentos científicos livres de barreiras ao acesso tem motivado reações nos pesquisadores, em nível mundial, uma discussão em favor do acesso livre à informação científica. 28 Isto posto, as formas de comunicação após sofrerem alteração acarretada pelas evoluções tecnológicas e pela dificuldade de acesso a informação científica a Open Archives Initiative (OAI) surge como uma das alternativas com objetivo de facilitar o acesso à informação. Conforme Kuramoto (2007, p.151) consequentemente, surge o Open Acess to Knowledge and Information in Sciences and Humanities no qual, vários países aderiram ao movimento certificando por meio de declarações como a Declaration of Berlim, Declaration of Bethesda e o Manifesto Brasileiro de Apoio ao acesso livre à Informação Científica no Brasil. A ideia proposta pelo Open archive é promover o acesso livre mantendo os padrões da comunicação tradicional. Desta feita, as estratégias para acessar a literatura científica são apresentadas em duas propostas: via verde que é o autoarquivamento onde o próprio autor faz o procedimento de submissão do documento, e a via dourada que é a publicação de artigos em revistas científicas de livre acesso. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) utilizou os modelos de OA e tem-se a Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD) e o Sistema de Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER) tendo as Instituições de Ensino Superior (IES) como as principais mantenedoras (KURAMOTO 2007, p. 152). Para os países em desenvolvimento, segundo Kuramoto (2007, p.159) a implantação desse modelo propõe: - maximização da visibilidade das pesquisas científicas; - internacionalização da informação científica produzida localmente; - maior compartilhamento do conhecimento científico; - redução da exclusão cognitiva; - redução das desigualdades sociais. Para Russel (2001) “a publicação eletrônica está sendo adotada como uma alternativa dos autores que, não podem ou desejam, satisfazer suas demandas de produção mediante publicações tradicionais”. Destarte, as publicações em meio eletrônico possuem uma importante implicação na comunicação científica quanto às facilidades de acesso a 29 informação científica, principalmente para os pesquisadores de países menos desenvolvidos. A informação disponível na internet coloca os pesquisadores, tanto os mais quantos os menos privilegiados, em igual posição de acesso se considerado à barreira de espaço geográfico, hierarquia e financeira. Associado a estas iniciativas de acesso aberto à informação, surgem com “a mudança para a comunicação eletrônica importantes vantagens para os cientistas dos países em desenvolvimento, que podem, pela primeira vez, interagir informalmente, em condições de igualdade com os cientistas de outros lugares” (MEADOWS, 1999, p. 114). Meadows (2001) adverte sobre problemas relacionados aos direitos autorais, os conceitos aplicados ao impresso, preservação do conhecimento o qual, são questões ainda sem respostas para a comunidade. Quanto à sustentabilidade da revista eletrônica, Guanaes e Guimarães (2012, p.63) afirmam que questões de custo devem ser adicionadas aos itens recuperação da informação, navegabilidade e interatividade e os parâmetros da revista impressa, já testados ao longo do tempo próprio do gênero de publicação. Pode-se inferir que, mesmo com a subjetividade sobre o futuro das publicações online, o impacto do acesso livre traz satisfação aos pesquisadores devido a visibilidade de suas pesquisas pelo amplo alcance de suas publicações, além de facilitar a interação dos trabalhos colaborativos entre os pares. Como afirma Kuramoto (2007), o processo de comunicação baseado no uso das tecnologias é gradualmente crescente e irreversível. No que concerne à visibilidade, na condição de acessibilidade, as facilidades apresentadas pelas tecnologias para criação de periódicos e disponibilizar na internet, surgiram um número crescente de revistas rompendo barreiras geográficas, custos com assinaturas, no entanto, isso não garante que o periódico tenha prestigio ou qualidade e seja de referência na sua área do conhecimento e na comunidade científica. Vale ressaltar que, é necessário ao periódico, senão fundamental, que ele já nasça com objetivo de ser referência na comunidade científica. Desta feita, seja o periódico impresso ou eletrônico: A visibilidade do periódico é uma decorrência, em primeiro lugar, da sua condição de ser referência; em segundo lugar, do 30 seu potencial de transformar-se em referência; e em último, da sua capacidade de manter-se como referência (PACKER, MENEGHINI, 2006, p. 241) Para os moldes da comunicação tradicional, o acesso aberto às revistas eletrônicas tornaram-se novos paradigmas e tem encontrado argumento suficiente dentro da academia envolvendo pesquisadores na publicação dos artigos em periódicos de referência e tornar acessível, visível o resultado de pesquisas científicas. De acordo com Mueller (2007, p.94), o modelo tradicional impresso pode permanecer ainda em vigor por algum tempo na função de guarda da memória da ciência. De fato, algumas instituições, apesar de suas publicações online, mantém a versão impressa com modificações na estrutura física da revista com base na diminuição de custo, porém, não são todas as instituições que mantém a versão tradicional por falta de recurso financeiro, no entanto, mantém pelo menos, como é o caso de algumas revistas da UFRN, o projeto de diagramação no formato tradicional para impressão futura. Em suma, embora não tenha sido explanado especificamente, abaixo na figura 1 pode-se verificar a evolução dos periódicos desde a sua primeira publicação em 1665 e as mudanças que ocorreram até a chegada das publicações em formato eletrônico. 31 Figura 1 – Momentos que marcaram a evolução dos periódicos científicos 1991 1970 0 2006 - Procedimentos eletrônicos no processo de produção - 1º concepção de P.E. por Sondak e Schwatz 1830 - 1º projetos de Open Archives AeXiv.or 1980 1999 CDRoom ProBE - Ulrich’sonline 33054 periódicos científicos 30313 periódicos eletrônicos 1º Periódico de referência 1º Periódico Periódico em micro ficha Roistocher cria o temo periódico virtual 1ºs projetos de P.E. 1665 SciElo Popularização do Periódico eletrônico 1960 Portal de Periódicos Capes 1998 2001 1990 1978 Fonte: Adaptação de Erica Moreschi Oliveira, 2006. 32 4 O EDITOR CIENTÍFICO Na literatura encontram-se resultados de pesquisas sobre a qualidade dos periódicos, sobre as revistas, sobre os padrões internacionais, softwares e pouco sobre o próprio editor. A realidade brasileira apresenta a figura do professor pesquisador como editor de revistas científicas e neste sentido acaba acumulando as funções de docente, pesquisador, tutor, coordenador de projetos, dentre outras atividades pertinentes à carreira acadêmica. De certo, nem todos os professores possuem o conhecimento ou a experiência necessária para trabalhar na editoração de um periódico cientifico. A princípio pode pensar ser uma atividade relativamente fácil, mas, o envolvimento com o fazer do editor pode descortinar um universo complexo de atribuições e tarefas que demandam desde habilidades técnicas quanto gerenciais, imprescindíveis na condução de uma publicação dessa natureza. Numa definição global, editor é aquele que edita. É o principal personagem presente no processo de editoração – conjunto de atividades com objetivo de registrar o conhecimento mediante preparação técnica de originais para publicação. (TARGINO, GARCIA, 2008). A definição para editor científico não foge ao conceito nem ao objetivo da função e para um bom desempenho ao assumir uma revista científica: O "editor" deve envolver-se, antes de qualquer coisa, com a estrutura e o funcionamento de uma revista científica. Missão, visão e valores. Padrão, formato, tamanho, periodicidade. Seções e agenda. Corpo editorial. Comitê editorial, cujos componentes coordenam dossiês ligados a diferentes linhas temáticas. Conselho editorial ou de referees, formado por pesquisadores externos à instituição, reconhecidos por sua maturidade acadêmica. Regras estipuladas por órgãos normalizadores. Indexação nacional e internacional. Qualidade, visibilidade, credibilidade, acessibilidade e sustentabilidade da publicação. (KUNSCH, 2004) De acordo com Kleinert e Wager (2014), “uma das mais importantes responsabilidades dos editores é manter um alto padrão na literatura acadêmica.” Nessa proposta, as autoras supracitadas expõem que, para ser um bom editor é preciso atentar para alguns princípios como a ética, imparcialidade e confiabilidade 33 editorial; Além disso, cabe destacar ainda a relevância das políticas e dos processo editorial. Relacionados às políticas é importante para conhecer as normas para a publicação, padrões de publicação, avaliação, indexação das bases de dados e a política editorial, licenças relacionadas aos direitos autorais tanto para o periódico impresso quanto para a publicação em meio eletrônico, etc. No que diz respeito ao processo editorial, estes são a interação e comunicação com os pareceristas, autores, as decisões editoriais dentre outras. De acordo com Blattman (2012, p. 94), ao editor compete ainda: Seguir recomendações das áreas, padronização da revista, o recebimento dos originais, a escolha dos avaliadores, o apoio da equipe técnica e a busca permanente de originais inéditos fazem desse contexto uma tarefa árdua e permanente no registrar o desenvolvimento da ciência. (BLATTMAN, 2012, p. 94) No plano ideal segundo Targino e Garcia, (2008) o editor científico: Mesmo que sua formação resulte de experiência empírica, que requer, em média, oito anos, o importante é o domínio da área de conhecimento para exercer o controle de qualidade. E o ideal é que possa, de fato, contar com os managing editors3, com conhecimento na área e que exerçam sua função em tempo integral, auxiliando os pesquisadores/cientistas/acadêmicos que estão no comando dos periódicos. (TARGINO, GARCIA, 2008, p. 58) Ser responsável por uma revista científica se mostra uma tarefa árdua, não apenas pelo processo editorial em si, mas também para elevar e manter o padrão de qualidade ou status de um periódico. Tais padrões repercutem em visibilidade e credibilidade na comunidade científica através da indexação em bases de dados nacional e internacional. Entretanto, no fazer do editor tem-se a seguinte questão: esta falta de preparo ou conhecimento dos professores ao assumirem uma revista poderá influenciar na qualidade das publicações científicas? Considerando que o editor é o responsável pelo que publica, sim. 3 Editor gerencial responsável pela editoração em si. 34 Ao ser expedido ao professor à responsabilidade de gerir a revista, a sobrecarga das atividades na academia poderá acarretar deficiência na gestão. Nesta perspectiva, Gomes (2010, p. 159) acrescenta que: Por ter de percorrer e coordenar praticamente todas as etapas das atividades necessárias, da produção à impressão de uma revista científica, a escassez de recursos e meios de especialização e a sobrecarga de responsabilidades podem contribuir para que o resultado final de seu trabalho apresente deficiências que concorrem para dificultar o alcance dos níveis de excelência que se deseja para estas publicações. (GOMES, 2010, p. 159) Portanto, o editor como responsável direto pelas publicações, necessita de conhecimentos básicos acerca do processo editorial e habilidade para coordenar equipes multidisciplinares de profissionais de diferentes áreas, tais como: bibliotecários, revisores de texto, diagramadores, web designers, dentre outros. Muitos periódicos científicos, não dispõem de um número suficiente de profissionais para assessorar o professor. Ademais, a falta de recursos humanos, a exemplo do que ocorre na UFRN, leva à contratação de estudantes bolsistas que possuem uma carga horária de 20 horas semanais, podendo ser reduzida caso o estudante tenha necessidade devido às atividades acadêmicas. Para um bolsista que não é da área de ciência da informação, o que seria o ideal, não permanece na bolsa por muito tempo, pois espera surgir oportunidade na sua área. Se por um lado, as revistas não dispõem de recursos humanos, em relação aos recursos tecnológicos acontece o oposto, estes contribuíram para facilitar o fluxo da informação, produção e distribuição. Isso contribuiu no crescente número de periódicos da área das humanidades a fim de atender às políticas governamentais e agências de fomento. Tradicionalmente, frente às outras ciências, na área de humanas era muito comum atividade a publicação em livros, capítulos de livros e um pequeno número de publicação em periódicos, no entanto, o aumento das publicações periódicas representa uma mudança e uma aceleração na produção científica. Rego (2014) observa que, a quantidade de revistas das humanidades utilizando os periódicos para divulgação científica é equivalente ao da área da saúde na rede Scientific Electronic Library Online (SciElo). 35 Segundo Guédon (2010, p.23) as publicações em livros para as ciências duras e naturais cumprem um papel secundário por não apresentar pesquisa de ponta, diferente para as humanidades e sociais no qual o professor alcança o ápice quando publica um livro, tese ou dissertação. Como visto na literatura, os temas estudados pelas humanidades estão, em sua maioria, voltados ao cenário nacional ou regional, por isso, são menos internacionalizadas e possuem baixo fator de impacto frente às outras ciências. Nesse contexto, o aumento de periódicos e o crescente número de artigos conduzem os editores a lidar com o produtivismo científico. Assim, a qualidade das publicações científicas tem estimulado em muitos estudiosos e editores o interesse nessa questão. Este crescimento exorbitante é promovido pelos programas de pós-graduação que, induzidos pelas políticas públicas governamentais, devem ter um periódico científico; aos autores à pressão do “publique para existir e seja citado para não desaparecer ou ser esquecido” (REGO, 2014, p.339) Para Rego (2014) o periódico esta sendo utilizado Como meio de escoar a produção acadêmica e elevar os índices de publicação exigidos pelo programa de pós-graduação, tais programas criam publicações que já nascem com uma serie de problemas: são endógenas, frágeis, mal geridas e administradas de maneira pouco profissional. (REGO, 2014, p. 341) Para Benchimol, Cerqueira e Papi (2014, p.350.) o problema é comum no Brasil onde “cada escola de nível superior, cada curso de pós-graduação sente-se no dever de ter seu próprio periódico próprio para escoar a produção local, muitas vezes sem critérios adequados de avaliação.” E, geralmente, essas revistas são administradas por um professor do próprio programa de pós-graduação. Nesse ínterim, o tempo de preparação de uma revista deve ser levado em consideração. Mesmo com toda facilidade no processamento eletrônico o tempo médio para preparar um manuscrito leva em torno de 4 a 6 meses. Como já exposto anteriormente, a função do editor requer dedicação e assessoria de uma equipe de profissionais, mas, nem sempre isso é possível e, o próprio editor realiza grande parte das atividades editoriais. Nesse contexto, os autores procuram as melhores revistas para divulgar os resultados e isso acaba elevando o número de submissões para os editores 36 administrarem, porém, se uma revista recebe cerca de 300 artigos e publicam apenas 60 e outro periódico recebe 80 artigos e publica a mesma quantidade da anterior a qualidade dessas publicações pode ser comprometida. Diante disso, os editores para cumprir as exigências das agências de fomento e das políticas governamentais "entre deixar a revista morrer e publicar artigos de qualidade discutível, o editor acabará escolhendo a segunda opção". Vale ressaltar que “o processo editorial não é um estágio pro forma da divulgação da pesquisa, mas uma parte da própria, a parte em que ela é criticada, partilhada, refinada ou até reconstruída.” (TRZESNIAK, PLATA-CAVIEDES, CÓRDOBA-SALGADO, 2012, p.62-76) Todos estes indicadores têm sido observados na literatura ao apresentar as inquietações dos editores, devido à quantidade de artigos que recebe e dentro dessa gama de submissões a responsabilidade de publicar o que efetivamente contribuirá com para crescimento da ciência. Rego (2014) afirma que o alto índice de rejeição pode indicar o rigor dos pereceres e política editorial ou ser entendido como dificuldade de encontrar artigos de qualidade. De acordo com Trzesniak; Plata-Caviedes e Córdoba-Salgado (2012) os autores que não se empenham em submeter um trabalho com qualidade passando a responsabilidade para os revisores e editores devem ser evitados. Os autores afirmam que esta atitude não passa de uma “submissão aventureira”. Deveras, a divulgação dos artigos na internet suscita o alcance da visibilidade do periódico, no entanto, os editores são desafiados ante ao produtivismo a publicação de conteúdo relevante para a ciência, além das atividades que demandam atenção devido à necessidade de atender as exigências das políticas de indexação das bases, a fim de, atribuir ao periódico fator de impacto elevado, ou seja, o objetivo é melhorar a qualidade da revista e elevar a visibilidade em busca de fator de impacto diferente de ‘0’. De acordo com o editor da revista Clinics, Mauricio da Rocha, (2012) o “fator de impacto ‘0’ desmoraliza e que ninguém quer publicar em revista com impacto 0.” A visibilidade está, em alguns aspectos, relacionado a indexação em bases de dados, ou seja, internacionalização do periódico, mesmo que este esteja em uma base nacional, como a SciElo por exemplo. Outro aspecto que interfere na visibilidade, consequentemente no fator de impacto, é o fato de o periódico não 37 publicar em inglês. À medida que cresce o número de periódicos as dificuldades para alcançar um nível elevado também avançam. De acordo com Rego, (2014) cada vez mais as políticas de indexação de bases estão ficando mais criteriosas deixando os gestores compromissados em atender as novas e cada vez mais difíceis pressões. Os desafios são cada vez mais difíceis e exigem mais dedicação por parte dos editores para atender a demanda. Indubitavelmente, induzidos pelas políticas governamentais para os programas de pós-graduação as humanidades se mostram em número considerável nas publicações em periódicos. Na base de dados SciElo as revistas das humanidades e sociais apresentam um numero expressivo de periódicos ficando atrás apenas da área saúde. No portal de Periódicos da UFRN dos 23 títulos de periódicos a maioria também é da área de humanas. Segundo Rego (2014), são muitos os periódicos da área de humanas e sociais que solicitam participar da SciElo, no entanto, ela afirma que a maioria são “frágeis e imaturos” e variam alguns aspectos mas, “muitos parecem ter sido organizados as pressas, premidos pela urgência, para atender a inúmeras cobranças dos órgãos governamentais e das agencias de fomento.” Por fim, o objetivo de disseminar o conhecimento pode ser comprometido, visto à variedade de periódicos que são criados neste tempo presente, se apenas forem “veículos para escoar a produção de pesquisadores.” (REGO, 2014, p.332) Vale ressaltar que, sobre todos os aspectos relacionados ao editor e suas responsabilidades na gestão do periódico científico, não há emolumento, é um trabalho voluntário assim como o dos pareceristas. A única recompensa é o compromisso com a ciência. 38 5 PERCURSO METODOLÓGICO O presente estudo se caracteriza como uma pesquisa de caráter descritivaexploratória. Segundo Cooper e Schindler (2003, p. 33), “pesquisa exploratória está baseada na busca de explicações que justifiquem “o porquê” e “como” enquanto que a pesquisa descritiva procura responder as perguntas “quem”, “o que”, “quando”, “onde”, e “como”“. Foi também utilizando o método dedutivo que, segundo Nascimento (2012, p.14) é o mais indicado em situações relacionadas a fatores qualitativos. A pesquisa bibliográfica se deu em consulta a inúmeros recursos informacionais em livros e impressos e materiais informacionais disponíveis na internet como, artigos, livros, entrevistas em vídeo. O referencial teórico aborda assuntos apresentados a fim de observar a diversificação de pensamentos com objetivo de propor uma ampliação das ideias para conhecimento claro, e, que serve de base e formular perguntas para alcançar os objetivos. Concernente ao desenvolvimento das atividades relacionadas à área de editoração de revista científica, devendo estar na função um professor pertencente ao programa de pós-graduação, observou-se a necessidade de conhecer o fazer do editor científico das revistas do Portal de Periódico da UFRN. O motivo que levou a realizar essa pesquisa é o fato de, enquanto estudante, ter desempenhado a função de bolsista em uma revista científica da instituição e foi possível identificar que alguns professores ao assumirem a função de editores, muitas vezes, não conhecem as atividades que irão desenvolver. Nessa proposta, o estudo pretendeu responder as seguintes questões: Como se dá a função de editor científico? Quais são as principais dificuldades para desenvolver esta atividade? Como objetivo geral pretendeu-se conhecer o fazer do editor dos periódicos eletrônicos hospedados no Portal de Periódicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e neste sentido, como forma de atingir o objetivo proposto, foram definidos os seguintes objetivos específicos: conhecer as atividades desenvolvidas pelos editores na UFRN e Identificar as dificuldades encontradas na preparação da revista científica. 39 Pretende-se com o resultado da pesquisa em questão, conhecer a atuação dos professores na área de editoração, produção e divulgação científica. Destarte, busca-se conhecer as experiências dos editores que já trabalharam na gestão dos periódicos e poderão descrever os desafios encontrados no processo de editoração e publicação científica, na forma impressa e eletrônica. Caso os objetivos sejam atendidos, os resultados alcançados poderão proporcionar discussões e mudanças a fim de contribuir na melhoria nas atividades dos editores da UFRN. 5.1 Universo da pesquisa O universo da pesquisa é caracterizado pelos periódicos que utilizam o Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (SEER) e estão hospedados no portal de periódicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Optou-se pelas revistas do Portal, pois, na Instituição há periódicos científicos que trabalham de forma independente e possuem uma estrutura própria para editoração e publicação. Concernente ao universo, a escolha se justifica por entender que, geralmente as revistas não dispõem de recursos humanos e tecnológicos. De acordo com Rodrigues e Fachin (2010) A iniciativa de criar um portal que reúne todos os periódicos da instituição possibilita otimizar as ações em duas frentes principais: a) a capacitação e atualização dos editores, bibliotecários e bolsistas e demais envolvidos no uso da plataforma adotada; e b) criação e manutenção da estrutura tecnológica que garante a preservação dos arquivos, o que torna a instituição responsável pela segurança digital de todos os periódicos. (RODRIGUES, FACHIN, 2010, p.40) Nessa proposta, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em apoio ao movimento do Acesso Livre à informação científica em conjunto com a Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), Editora da Universidade (EDUFRN), PróReitoria de Extensão (PROEX), Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ), Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PPG) e Departamento de Ciência da Informação (DECIN) projetaram em 2009 o Portal de Periódicos da UFRN com inicio das atividades em 2010. 40 Conforme (RODRIGUES, FACHIN, 2010, p, 38) “esses portais intervém em duas questões estratégicas: contribuem para o aumento da visibilidade e do valor publico das instituições, servindo como indicador tangível de sua qualidade, e contribuem para o sistema de comunicação científica [...].” Na BCZM, o Portal de Periódicos da UFRN é de responsabilidade da Seção Repositório Digital, composta ainda pela Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), o Repositório Institucional, Repositório Institucional de Acessibilidade. Está seção conta com apoio de três bibliotecárias e de alunos bolsistas de diversas áreas do conhecimento. De acordo com uma das bibliotecárias representantes do Portal de Periódicos, o objetivo é oferecer assistência no uso da ferramenta SEER, mas, devido à demanda dos editores há orientação sobre a avaliação dos periódicos pela Capes, como indexar os periódicos nos diretórios, ademais, estas orientações ou treinamentos sobre a ferramenta ou podem ser em grupo ou individualmente. De acordo com a bibliotecária para quaisquer eventuais dúvidas os editores podem procurar a Biblioteca. Além disso, quando há treinamentos e capacitações, além dos 23 editores das revistas que já estão no portal e das que estão na incubadora serem convidados, a oportunidade de participar dos treinamentos se estende a toda comunidade científica. A representante afirma que só neste ano de 2014 já houve cinco capacitações. No cenário brasileiro para publicação de revistas científicas a Capes recomenda que seja utilizado um sistema de padrão internacional com objetivo de promover ao periódico a visibilidade da produção científica no país. Destarte, o sistema de editoração eletrônica de revista - SEER, recomendado pela Capes, dispõe de facilidade de modificação onde cada revista poderá utilizar os recursos para aquisição de um padrão de identidade visual próprio. Algumas revistas que migraram do impresso para o eletrônico, no caso do portal de periódicos da UFRN, mantém na versão online a mesma característica visual que a impressa, outras não, e as que já nasceram em meio eletrônico ainda apresenta variações de caráter visual. Embora a confiabilidade e credibilidade de um periódico sejam importantes, a identidade ou padrão visual adotado pela revista científica pode expressar o comprometimento que possui com a comunidade científica. 41 Para o público usuário da informação científica a visualização e facilidade de navegação na página da revista pode inferir o cuidado do editor quanto à apresentação do periódico. Não apenas a questão visual, mas também, a preocupação com a estrutura do artigo, quanto à fonte, layout da página, tamanho da fonte, etc., adequada e que facilite a leitura em qualquer suporte tecnológico. Segundo Rodrigues e Fachin (2010) o portal apenas presta assessoria em relação aos recursos tecnológicos, de treinamento e atualização do sistema. Quanto ao conteúdo de cada periódico, estes, são de inteira responsabilidade do editor e sua equipe editorial, caso haja uma equipe permanente. Vale ressaltar que, ao final de cada gestão ao editor subsequente infere-se que haja um contínuo alinhamento, de ideias entre a equipe de profissionais, a fim de, evitar a variação de imagem do periódico e conservar a identidade visual da revista. O quadro 1 apresenta as revistas presentes no portal de Periódicos da UFRN. Vale salientar que, há revistas na incubadora em processo para serem inseridas no portal, porém, não estão contabilizadas neste estudo. O portal possui 25 revistas, sendo que, a revista BiblioCanto se apresenta como um informativo produzido pela Seção de Informação e Referência da BCZM e não apresenta ISSN nem e-ISSN. Por este motivo ela não consta no quadro. Para a elaboração do quadro pesquisou-se na página do Portal de Periódicos da UFRN, nas páginas das revistas onde se buscou informações sobre título do periódico, periodicidade da publicação, International Standard Serial Number e International Standard Serial Number online (ISSN); buscou-se verificar o cadastro das revistas no sitio do IBICT; e busca no sitio do Sistema Web Qualis da CAPES a fim de consultar a classificação de cada periódico. No quadro1 pode-se verificar pelo (ISSN) que algumas revistas se apresentam, ainda, em formatos impressos e eletrônicos, outras exclusivamente em formato eletrônico sinalizado pelo International Standard Serial Number online (*eISSN). Em sua maioria as publicações são semestrais; uma das revistas com publicação quadrimestral, uma trimestral, outras não informam. Pode-se observar que, apenas dez, das 23 revistas, estão com suas publicações atualizadas ou com publicação em 2014. A classificação das revistas também é um fator a ser observado, pois, a maioria dos periódicos possui qualis B3 e apenas uma das revistas possui conceito 42 A2. Alguns periódicos possuem duas classificações, uma para o formato impresso e outro para o eletrônico. Três revistas apresentam classificação única para as duas versões, duas apresentam classificação dupla, uma para cada versão, impressa e eletrônica e, a Revista Odisséia apresenta dois registros na sua página web, mas, apenas o ISSN da versão impressa consta no sitio da Web Qualis. Este também poderá ser objeto de estudos futuros, pois a avaliação é realizada pelo Conselho de Avaliação da CAPES. 43 QUADRO 1 – Revistas do Portal de Periódicos da UFRN REVISTAS DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA UFRN Responsável ISSN *e-ISSN Periodicidade Departamento de História 1983-2087 Não informa Departamento de Artes Centro de Ciências Humanas Letras e Artes Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses 2357-9978 1982-0518 *2316-6185 Journal of surgical and clinical research Título do Periódico Revista de Estudos sobre Antiguidade e Medievo ARJ - ArtResearchJournal Bagoas - Estudos gays: gêneros e sexualidades Publicação atual Cadastro no Webqualis Ibict Não B3 Semestral v. 9, n. 1 (2014) v. 1, n. 1, 2014 ______ Semestral v. 7, n.10, 2013 _______ Não possui B3 *B5 2177-1146 Semestral v. 3, n. 6, 2012 Sim B5 Departamento de Cirurgia 2179-7889 Semestral v. 5, n.1, 2014 Sim B5 Mneme - Revista de Humanidades Departamento de História (CERES) 1518-3394 Semestral _______ B3 Princípios: Revista de Filosofia Pós-Graduação em Filosofia 0104-8694 *1983-2109 Semestral Sim B1 2176-9036 Semestral v. 6, n. 2, 2014 Sim B2 2236-1103 Quadrimestral v. 4, n. 2, 2014 _______ B3 Imburana v.14, n. 32, 2013 v.18, n. 30, 2011 Pós-graduação em Ciências Contábeis Departamento de Engenharia Biomédica Programa de Pós-Graduação em Direito Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais 1982-310X Semestral v. 6, n.1, 2013 _______ B5 1518-0689 *1982-5560 Semestral v. 13, n.1, 2012 Sim B2 *B5 Revista de Fisioterapia Respiratória e CardioVascular Departamento de Fisioterapia *2238-4677 Semestral v. 2, n. 1, 2013 _______ B3 Revista Direito E-nergia Departamento de Direito Público *2175-6198 Semestral Programa de Pós-Graduação em Educação Pró-Reitoria de Extensão 0102-7735 *1981-1802 *2178-6054 Revista Ambiente Contábil Revista Brasileira de Inovação Tecnológica em Saúde Revista Constituição e Garantia de Direitos Revista Cronos Revista Educação em Questão Revista Extensão e Sociedade Trimestral Semestral v.8, n.2, 2013 v. 47, n.33, 2013 v. 1, n.7, 2014 Sim C _______ A2 Sim B5 44 Revista Inter-Legere Revista Odisséia Revista Porto Revista PubliCa Saberes Sociedade e Território Vivência: Revista de Antropologia Revista de Turismo Contemporâneo Fonte: Elaborado pela autora, 2014. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais Programa de Pós-Graduaçáo em Estudos da Linguagem Programa de Pós-Graduação em História Pró-Reitoria de Pesquisa Departamento de Filosofia Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia Programa de Pós-Graduação em Antropologia Programa de Pós-Graduação em Turismo *1982-1662 Semestral n. 14, 2014 _______ B5 1983-2435 *1883-2435 Semestral n. 8, 2012 _______ B5 ----------- *2237-8510 Semestral v. 2, n. 3, 2013 _______ B5 *1981-8297 *1984-3879 1415-5893 *2177-8396 Semestral Não informa _______ *2238-6009 Não informa Ano V n. 9, 2014 v. 26, n. 2, 2014 v. 1, n. 42, 2013 _______ B2 *2357-8211 Semestral v. 2, n. 1, 2014 _______ Não possui Semestral (ISSN – Periódico impresso, *e-ISSN – Periódico eletrônico) Sim B5 B4 B3 *B2 45 5.2 Definição da amostra e sujeitos da pesquisa A definição da amostra tomou por base o universo da pesquisa onde estão distribuídos entre revistas com publicação apenas eletrônica, revistas com publicação eletrônica e impressa. Para as revistas apenas eletrônicas foram escolhida as que possuíam três anos ou mais de publicações e para as revistas eletrônicas e impressas as que estão com mais de cinco anos com publicações. Nesse contexto, as revistas selecionadas apresentam características individuais das revistas das quais os editores representam e participaram da entrevista são: REVISTAS CARACTERÍSTICAS Capa única para todas as edições Revista A publicadas, não possui versão impressa é apenas eletrônica. Revista B Não possui capa, apresenta logotipo nos artigos, possui apenas publicação eletrônica. Apresentam capa para cada número Revistas C e D publicado, produz no formato impresso e eletrônico. Revista E Revista F Possui capa única para todas as edições e publica na versão impressa e eletrônica. Apresenta capa distinta para cada edição, possui apenas versão eletrônica. Os sujeitos selecionados foram os professores dos programas de pósgraduação que são os editores responsáveis pelas revistas eletrônicas ou eletrônicas e impressas, dos programas de pós-graduação da UFRN. Os critérios de escolha dos sujeitos foram estabelecidos de acordo com o tipo de publicação da revista, ou seja, dos seis editores foram escolhidos três que trabalham com publicação exclusivamente eletrônica e três com publicação de revistas impressa e eletrônica. Embora se tenha selecionado seis editores, dois deles não puderam participar devido à indisponibilidade de tempo para a entrevista e problemas de saúde. 46 A coleta de dados se deu por pesquisa de campo realizada através de entrevistas com os editores. Foi enviado um convite via e-mail com uma cartaconvite anexa para seis editores e após a confirmação de aceite em participar da pesquisa foi realizado a entrevista no local escolhido pelo próprio editor. As entrevistas foram gravadas para melhor análise dos dados e desenvolvimento da síntese. O instrumento de coleta de dados se deu a partir da elaboração do roteiro estruturado de entrevistas proporcionando ao respondente a liberdade de respostas livres e o esclarecimento de dúvidas durante a entrevista a fim de alcançar os objetivos da pesquisa durante a análise dos dados. Foram elaboradas oito questões nas quais se buscou responder aos objetivos da pesquisa. A primeira e segunda questão trata do tempo de gestão da revista e a experiência do professor como editor; a terceira questão foi dividida em cinco subquestões (a,b,c,d,e) facilitando ao respondente a abordagem individual da questão, no qual, apresentam especificamente as dificuldades encontradas no fazer do editor ao ser responsável por periódico cientifico; as questões quatro e cinco estão relacionadas ao portal de periódicos em termos de assessoria, visto que, tratase do local onde as revistas estão hospedadas; a questão seis aborda a questão da indexação em bases de dados das áreas das revistas, a questão sete e oito são relacionadas a profissionais como o bibliotecário e o profissional de TI, o primeiro sobre a assessoria a revista e o segundo quanto a elaboração e alimentação da página da revista; a última questão ficou livre para qualquer observação por parte dos editores conforme está apresentado no Apêndice A. Por questões éticas relacionados à pesquisa científica, em preservação do anonimato dos participantes optou-se em identificá-los como editor 1, editor 2, editor 3 e editor 4. 47 6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados dos dados estão apresentados em síntese com os principais pontos abordados pelos editores durante a entrevista. Nessa proposta, foram elaborados dois quadros sendo que, no quadro 2 descreveu-se as respostas das questões do roteiro de entrevista (APÊNDICE A), exceto a questão 3 que foi divida em 5 subquestões relacionadas acerca das principais dificuldades encontradas pelos editores conforme e estão descritas no quadro 3. 48 Quadro 2 – Síntese das respostas dos editores RESPOSTAS DOS ENTREVISTADOS QUESTÕES Editor 1 Editor 2 Tempo de gestão Desde o inicio da revista em 2009 Experiência adquirida - Fica conhecido entre os pares. - Satisfação dos autores quando o artigo é publicado e insatisfação quando um artigo é rejeitado Está na gestão há 13 meses - Tem aprendido muito sobre as etapas do processo de editoração. - Não imaginava que era tão trabalhoso. - Descobre os vários caminhos para se pensar a publicação de uma revista. Porque utilizar o portal? Porque dá maior visibilidade a revista e tem o apoio do pessoal da Biblioteca quanto a manutenção do sistema Quanto à assessoria do portal A revista está indexada em bases de dados da área? Quanto ao profissional Bibliotecário na assessoria da revista Há profissional para trabalhar na página de navegação? Observações -Viabiliza as coisas em relação ao recurso técnico. -Visibilidade à revista. Editor 3 Editor 4 Desde a criação da revista em 2012 Três anos na gestão Ficar atento as orientações da Capes quanto a manter a periodicidade da revista. Acréscimos de responsabilidades ao professor. O editor trabalha muito e é uma atividade cansativa. - Pelo desuso do papel. - Pela falta de estrutura própria. - Falta de recursos financeiros para a versão impressa. Pela visibilidade e facilidade no acesso a revista. Sim, auxilia aos editores Auxilia muito Sim Tem auxiliado. Sempre que há alguma dúvida o pessoal da BCZM ajuda. Sim Não Não Sim. Sim, ajudaria muito. O bibliotecário é essencial para sistematizar e dinamizar as atividades Extremamente importante Sim Não. Mas considera importante para a identidade visual da revista Não. Mas considera importante Há uma página da revista no sitio do centro, mas é alimentado (atualizado) pela bolsista. Não Que as revistas internacionais geralmente são produzidas por empresas e no Brasil as revistas ficam sob a responsabilidade das universidades A dedicação à revista proporcionou a elevação do qualis. Não. Acredita que não é importante. Não Fonte: Elaborado pela autora, 2014. 49 Através das observações dos editores, quadro 2, pode-se verificar que o tempo de gestão são variáveis e não ultrapassa os cinco anos. O mais recente é o editor 2 que está na gestão por 13 meses. Questionados sobre a experiência na função de editor a resposta do editor 1 expõe o fato de ficar conhecido entre os pares e lidar com os autores. Os demais editores afirmaram que, ser editor é uma atividade trabalhosa sob o ponto de vista da responsabilidade que lhe é atribuída. As questões 4 e 5 são associadas ao portal, tanto pela opção de utilização por parte dos editores, quanto a assessoria prestada pelo portal. Em sua maioria as respostas foram pela visibilidade que o portal oferece ao periódico; o editor 3 apresenta alguns fatores como o desuso do papel e os recursos tecnológicos. Todos os editores concordam que a BZCM oferece assessoria sempre que precisam. Em relação à indexação das revistas em bases de dados das áreas do conhecimento ao qual pertencem, duas estão indexadas e duas não estão. De acordo com o documento de área da CAPES, as revistas não indexadas ficam impossibilitadas de mudança de estrato qualis. Quanto ao profissional bibliotecário na assessoria das revistas todos concordaram que é importante, principalmente pela necessidade da normalização dos artigos. A respeito da existência de um profissional de web designer ou Designer gráfico para trabalhar na página de navegação do periódico e, se considera importante. Os editores 1, 2 e 3 não possuem, mas, os editores 1 e 2 consideram importante ter uma página que facilite a navegação, porém, o editor 1 afirma não considerar importante. Apenas o editor 4 afirmou que, não há o profissional, mas a revista possui uma página na internet e é alimentada pela bolsista da revista. Em relação às observações os editores 1 e 2 não expressaram nada, no entanto, o editor 3 expôs as diferenças entre a editoração científica nos exterior em relação ao Brasil. O editor 4 revelou que a sua dedicação rendeu à revista a elevação da classificação em avaliação pela Capes. 50 Quadro 3 – Principais dificuldades apresentadas pelos editores QUESTÃO 3 Dificuldades quanto à: Custo da publicação Recursos humanos Recursos tecnológicos RESPOSTAS DOS EDITORES Editor 1 Nenhum custo. Os autores são responsáveis pela revisão de texto e leitura de prova. Tudo é responsabilidade do editor. É suprido pelo apoio da BCZM Manter a Periodicidade da revista Não tem problema Função do editor Requer dedicação. Não é uma atividade remunerada e tem que lidar com a gratidão e ingratidão dos outros Fonte: Elaborado pela autora, 2014. Editor 2 Depender de pregão para contratação de serviços para revisão de texto e diagramação Tem o apoio da secretaria do Programa de Pós e possui uma bolsista. Editor 3 Editor 4 - Dificuldade de contratar os serviços para revisão. - Pela dificuldade de ter revisores os próprios editores fazem as revisões de texto. Ter que ficar atento aos editais. Tem que comprar os serviços de revisão de texto, tradução, normalização e diagramação, por empresas licitadas pela instituição. Como não possui uma equipe, com o dinheiro do pregão compra os serviços de revisão de texto, revisão de inglês, normalização e diagramação para o projeto da revista impressa e online - Apenas os dois editores e o apoio de uma bolsista. - Os editores fazem o trabalho de revisão de texto, diagramação e normalização São mínimos por ter o apoio da BCZM. - Tem o apoio da BCZM, mas, sente carência do suporte técnico. - São rápidos em responder os emails, mas às vezes demora na solução dos problemas. Não tem problema no uso do sistema SEER. - A falta de uma equipe. A demora dos pareceristas em avaliar os artigos - A morosidade em manter a periodicidade. Parece que há um diagramador para o centro para atender as revistas, mas tem que entrar na fila. Está atualizada, mas sente dificuldade em fechar os números por conta da demora dos pareceristas. Não vê como um problema mas é preciso estar atento - Na atividade em si não vê problemas. - A falta de tempo para se dedicar mais a revista é um problema - Tem que ter conhecimentos sobre as diretrizes, o formato dos artigos e regras de normalização. - Tem que ler todos os artigos para saber se é de boa qualidade. - Em compreender como tudo funciona. Saber o que compete ao editor. - Estar atento aos tramites administrativos 51 Conforme mostra o quadro 3, elaborado a partir da questão 3 do roteiro de entrevista, apresenta a descrição das observações dos entrevistados quanto as questões específicas sobre as dificuldades em relação aos custos, recursos humanos, recursos tecnológicos, temporalidade e a função de editor de revista científica. Em relação aos custos da publicação do periódico, apenas o editor 1 afirmou não ter problemas visto que, os custos praticamente recaem sobre os autores, os demais apontaram como principal problema a contratação de serviços de revisão, normalização e diagramação. Os recursos humanos são a principal dificuldade dos editores visto que, trabalham praticamente sozinhos no processo de editoração. A questão dos recursos humanos está diretamente concernente ao custo, ou seja, é a falta de pessoal na estrutura da revista e a necessidade de contratação dos serviços. No entanto, na falta dos profissionais, muitas vezes os próprios editores realizam parte, senão todas as atividades. Como observado, o editor 1 trabalha só; o editor 2 conta com o apoio da secretaria do programa de Pós e uma aluna bolsista de Biblioteconomia; o editor 3 também possui uma estudante bolsista de biblioteconomia e os próprios editores fazem as revisões; o editor 4 compra os serviços de revisão e diagramação e também possui uma estudante bolsista de outra área do conhecimento. Pode-se inferir que, é necessário, para um bom desenvolvimento de um periódico, uma equipe permanente de profissionais envolvidos no processo de editoração sendo gerenciados pelo editor como mostra o quadro 4. Quanto aos recursos tecnológicos os editores afirmam que a maior parte das dificuldades é suprida pela assessoria da BCZM. Entretanto, cada revista deve possuir computadores próprios e um operador para o sistema SEER. Mas, sobre este item os editores não reconhecem como problema, pois, cada revista possui ambiente próprio. A temporalidade das revistas é um critério que atribui ao periódico uma visão positiva ou negativa – no caso de atraso nas publicações – perante a comunidade científica e interfere na avaliação do periódico. Sobre este item apenas o editor 1 não entende como problema; os editores 2 e 3 abordaram que a demora dos pareceristas é um indicador que contribui muito no atraso, o editor 4 também não 52 entende como problema, mas, afirma que é necessário estar sempre atento a esta questão. Questionados sobre a própria função de editor científico os entrevistados apontaram ser primordial a dedicação à revista. Afirmaram que é trabalhoso, não há remuneração, muitas vezes nem reconhecimento pelo trabalho, mas, precisa de tempo para se dedicar a editoração do periódico. Conforme as falas de alguns editores sobre essa questão têm-se: O editor 3 afirmando que: “Enquanto professores nós temos n outras atribuições. Não só de sala de aula na graduação, mas no ensino da pós, orientação de TCC, mestrado, doutorado, além de funções administrativas [...]”. “[...] Eu sinto essa falta de... ou que eu tivesse mais tempo pra me dedicar à editoração da revista. De repente poder minimizar algumas atividades que já desempenho como professor pra poder ter uma dedicação maior a revista [...]” “Minha carga de trabalho não reduziu nenhum pouco depois que assumi, só somou.” O editor 4 declara: “Olha, é cansativo. O professor... eu acho que o professor editor deveria ter uma carga menor em relação à questão de aulas, pra nos dar mais tempo para realizar este trabalho [...] eu tenho duas turmas de pós e uma turma de graduação, além de que, tenho alunos de iniciação científica [...]” “[...] estou com obrigação de fazer pesquisa, obrigação de publicar, obrigação de dar aula na pós, ensinar na graduação, orientar iniciação científica, ir para congressos, promover eventos e dar conta disso aí, e é um trabalho continuo. Você não para! É muito cansativo.” “O editor não pode deixar as coisas. Ele tem que estar o tempo todo dentro do trabalho.” 53 Conforme apresentado na figura 2, a qual apresenta a estrutura administrativa ideal de um periódico científico, esta não foi identificada nas revistas que foram objeto desse estudo. Embora as revistas sejam compostas por dois editores, de acordo com os entrevistados, grande parte das atividades são eles mesmos que realizam. Pela perspectiva dos dados analisados neste estudo, pode-se observar uma inconformidade em relação ao plano ideal de um periódico, se comparado à situação real vivenciada pelos editores que foram entrevistados. Muito embora os expedientes das revistas apresentem uma estrutura ideal, esta parece apenas figurativa, uma vez que os envolvidos não atuam de forma efetiva na gestão da revista. Acrescente-se a isso que os serviços que envolvem outros profissionais, tais como revisor de texto e diagramador em geral são realizadas por profissionais contratados via pregão4. Nesse contexto, é dos editores a preocupação e responsabilidade de publicar artigos de qualidade, não permitir que a temporalidade da revista seja intermitente para assim elevar o qualis da publicação. 4 Modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns utilizados por instituições da administração pública. 54 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Observou-se a partir dessa pesquisa que, muitos são os assuntos que impulsionam pesquisas relacionadas ao tema comunicação científica. Estudos que abordem desde a forma de produção científica, os produtores, os meios de divulgação, qualidade das publicações, métricas dentre outros. A partir da amostragem selecionada para estudo, conforme os resultados apresentados considera-se oportuno a extensão da pesquisa aos demais editores de revistas científicas da UFRN com objetivo de facultar um estudo mais aprofundado sobre o tema. Após analise dos dados da pesquisa compreende-se que os objetivos foram alcançados no sentido que, os editores expuseram de forma clara a realidade de cada um de acordo com a revista que é responsável. Seja qual for o formato de publicação do periódico, se eletrônico ou impresso, as dificuldades se fazem presentes no cotidiano do editor. Verifica-se através dos resultados que, além das dificuldades em relação aos recursos humanos e financeiros, um dos principais problemas deve-se a falta de tempo do professor para se dedicar ao trabalho de editor. É constatado pelos próprios editores que é necessário tempo para dedicar-se mais a revista. Portanto, por ser um problema institucional, cabe à esta fornecer estrutura para minimizar as problemáticas dos editores. Nesta perspectiva, a criação do Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN se apresenta como uma iniciativa de apoio ao trabalho dos editores, mas que não torna-se suficiente tendo em vista que não disponibiliza um profissional para apoio permanente as revistas. O referido serviço dá o suporte aos periódicos em relação a plataforma tecnológica e oferece um assessoramento ao funcionamento da revista. Além disso, fomenta a visibilidade e agrega valor pela contribuição na comunicação científica, responsabilizando-se também pela preservação digital dos periódicos, e pela segurança dos arquivos. Porém, o trabalho do Editor vai além das possibilidades oferecidas pelos sistemas eletrônicos de editoração de revistas, pois dele depende a gestão do processo de avaliação que, embora os manuscritos sejam avaliados pelos pares, a decisão final sempre é do editor. É também função do editor conhecer os critérios que qualificam sua revista e trabalhar para que esta seja disponibilizada de acordo com os padrões vigentes da comunicação científica no que diz respeito à 55 normalização, temporalidade, indexação, autoria dos artigos, dentre outros aspectos. Assim, é compreensível a necessidade de dispor de tempo para desempenhar as atividades editoriais, a fim de produzir um periódico de qualidade. Neste sentido, é importante salientar a atuação do profissional bibliotecário, quer seja na gestão do Portal de Periódicos, como é o caso da UFRN, quer seja no processo de editoração e/ou na assessoria de um periódico. O bibliotecário é o profissional que, durante sua formação cursa disciplinas como, editoração, serviços de referências, preservação de documentos impressos e digitais, as quais contribuem para a construção de competências e habilidades profissionais relativas às atividades na área de editoração, de livros ou de periódicos. Percebeu-se neste estudo que o trabalho do editor é bastante complexo e multidisciplinar. Em geral os docentes constroem o seu know-how a partir do seu fazer na prática, isto porque o professor não possui na sua formação os conhecimentos necessários para o trabalho de Editor. Conclui-se ainda que, o profissional da informação deve ter seu espaço no quadro de recursos humanos de qualquer periódico, trabalhando na estrutura, padronização, normalização, indexação e na preservação das revistas impressa ou eletrônica, além disso, no assessoramento do Editor. 56 REFERÊNCIAS ABREU, Márcia. Impressão Régia do Rio de Janeiro: novas perspectivas. In: SEMINÁRIO BRASILEIRO SOBRE LIVRO E HISTÓRIA EDITORIAL, 1., 2004, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.livroehistoriaeditorial.pro.br/pdf/marciaabreu.pdf> Acesso em: 28 abr. 2008. BAPTISTA, Ana Alice, COSTA, Sely Maria de Souza, KURAMOTO, Helio, RODRIGUES, Eloy. 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Em sua opinião: acredita que um profissional bibliotecário é de importância na assessoria na revista? 8. A revista conta com um profissional para trabalhar na página de navegação da revista? Considera importante ou não. 9. De tudo que foi perguntado, há alguma coisa que gostaria de acrescentar e que não foi abordado?