QUILOMBOS DO BAIXO SUL – UMA ALTERNATIVA SÓCIO ECONÔMICA DE TURISMO AFRO BRASILEIRO E COMUNITÁRIO COSTA, Gabriela Carvalho1, SILVA, Gabriela Souza2, FERREIRA, José Carlos Dias3 2. 1. IFBaiano – Campus Uruçuca/ Estudante do 2º ano do Curso Tec. De Guia em Turismo/ [email protected] IFBaiano – Campus Uruçuca/ Estudante do 1º ano do Curso Tec. De Guia em Turismo/[email protected] 3 , IFBaiano – Campus Uruçuca / Departamento de Ensino / Núcleo Integrado / Orientador / [email protected] Palavras-Chave: Afro descendente, Quilombos, Turismo comunitário. INTRODUÇÃO: Segundo Ferreira (2015), a história da população negra brasileira em seus meandros perpassa pelas relações imperialista e capitalista de uma Portugal do século XVI em declínio e de uma Europa consumista. Soma-se as estas questões as demandas de um Brasil colônia de base agrícola e escravista dos séculos XVI a XVIII, que enfrentou centenas de revoltas dos escravizados lutando por uma vida melhor e mais digna. Tais elementos convergiram à conquista da liberdade e à formação sociocultural do povo brasileiro. Muitos dos resultados desta saga passaram pela formação de aglomerações rurais conhecidas como quilombos, amplamente combatidas pela coroa portuguesa, pelos governadores das capitanias e por fazendeiros. A maioria destes quilombos foram duramente combatidos e exterminados. Contudo, muitas destas localidades atravessaram o tempo e se constituíram verdadeiros símbolos de resistência e manutenção da história, dos valores e tradições destes povos. No território do Baixo Sul encontram-se cerca de um pouco mais de três dezenas de comunidades de remanescentes quilombolas, cercadas pela Mata Atlântica e em proximidade com cidades litorâneas, a região se destaca pelo turismo de sol e praia, ecoturismo entre outras modalidades que caracterizam seus principais atrativos, configurando-se como grande fonte de trabalho e renda. Ferreira (2015) destaca que tais comunidades são detentoras de um patrimônio histórico, cultural e natural da região, caracterizando-se como um forte atrativo para turistas, instituições de ensino e pesquisa, entre outras. Numa via contrária ao turismo de massa, que concentra a renda e promove a segregação socioeconômica (KÖRÖSSY, 2008), os quilombos podem ofertar um modelo de turismo com um viés cultural e ecológico, além de reafirmar seus valores e sua identidade. Objetivando uma abertura turística através de um processo democrático, que valorize experiências entre a comunidade e o visitante, vislumbramos a perspectiva do turismo comunitário, oportunizando o desenvolvimento local através da comercialização de suas produções, sejam elas artesanais ou culturais. Desta forma, justificamos esta investigação que se propõe identificar potencialidades turísticas dos quilombos do Baixo Sul e a elaboração de um circuito de atividades que possam ser exploradas economicamente pelas mesmas, sobre a perspectiva do turismo comunitário. MÉTODOS: A presente investigação terá suas bases na pesquisa qualitativa. Para SILVA (2005, p. 20) nesta perspectiva “(...) há uma relação dinâmica entre o real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito”, logo com um viés descritivo objetivamos localizar possíveis atividades turísticas de cada comunidade quilombola na região do Baixo Sul, bem como, suas manifestações culturais. Serão feitas entrevistas, rodas de conversa, análise bibliográfica, mapeamento das localidades, das práticas culturais e de seus atrativos turísticos, filmagem das manifestações e depoimentos das lideranças e griôs. RESULTADOS ESPERADOS: Conforme Körössy (2008) o turismo predatório de massa traz consequências danosas para o meio ambiente e para comunidades locais, que vão desde a degradação dos espaços naturais à exploração do homem pelo capital. Esperamos documentar um conjunto de manifestações tradicionais e culturais, bem como, atrativos turísticos naturais que possam compor um circuito turístico quilombola, gestado pelas comunidades numa perspectiva de turismo comunitário, que viabilize uma transformação socioeconômica na geração de emprego e renda, ao tempo que, reafirme seus valores, suas práticas tradicionais e sua identidade afro descendente. CONSIDERAÇÕES: A presente pesquisa se caracteriza como uma possibilidade de trazer a tona duas temáticas para discussão: a da inclusão sócio econômica dos povos quilombolas e a alternativa do turismo comunitário como instrumento de empoderamento social, desta forma entendemos ser ela pertinente à reflexão daqueles que trabalham com turismo mas também daqueles que fazem do turismo uma atividade altamente rentável, o cliente. Desta forma, consideramos que esta investigação é o início de um longo trabalho de muitos parceiros e de resultados surpreendentes. REFERÊNCIAS: FERREIRA, José Carlos Dias. Joias do Asé: Um estudo na perspectiva da etnomatemática. 2015. 142 p. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática). UESC: Ilhéus, 2015. KÖRÖSSY, Nathália. Do turismo predatório ao turismo sustentável: uma revisão sobre a origem e a consolidação do discurso da sustentabilidade na atividade turística. Caderno Virtual de Turismo. V.8, Nº 2, p. 56-68, 2008, ISSN 1677-6976. SILVA, Edna Lúcia. Metodologia e elaboração de dissertação. Florianópolis: UEFSC, 2005. OLIVEIRA, Anelize M. de e MARINHO, Marcelo. Comunidade Quilombola de Furnas do Dionísio: Aspectos relacionais entre cultura turismo e desenvolvimento local. In BARTOLO, Roberto (org) at all. Turismo de Base Comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de Janeiro: Letra e Imagem, 2009.