TEXTO
PARA
DISCUSSÃO
O IMPACTO DA AUTOMAÇÃO
EMPREGO - ALGUMAS
N9 21
SOBRE O N!VEL DO
CONSIDERAÇÕES
SOBRE ESSE DEBATE
Cândido
Dezembro
de
1984
Guerra Ferreira
anp2C
~~
c.-~_át
---
lXIIo-iI""'" ao
EstaMhcacao
fOI
mpessa
cem a coIaboracão da ANPEC
e o aJJ()O fnancero do PNPE
331.6:6(81)
Ferreira, Cãndido Guerra
F 383i
O impacto da automação sobre o nível do emprego 1984
algumas considerações sobre esse debate. - Belo Horizonte: CEDEPLAR, 1984. 20p. - (Texto para Discus-
são,
21)
1. Emprego - Tecnologia - Brasil. 2. Indústria Si
derúrgica - Emprego - Tecnologia. 3. Indústria Side
rúrgica - Emprego - Tecnologia Minas Gerais. I. Bor
ges, RacheI Fernandez. 11. Série. 111. Titulo
CDU 331.6:6(81)
CENTRO
DE DESENVOLVIMENTO
E PLANEJAMENTO
REGIONAL
C E D E P L A R
O IMPACTO
EMPREGO
DA AUTOMAÇÃO
- ALGUMAS
SOBRE
CONSIDERAÇÕES
O NíVEL DO
SOBRE
ESSE DEBATE
Cândido
Dezembro
de 1984
Guerra Ferreixa
APRESENTAÇÃO
é fruto de estudos que vem sendo desenvol
Este trabalho
vidos no âmbito do CEDEPLAR
do processo
de trabalho
e mudança
O texto examina
tomação e seu impacto
cemos algumas
introdução
e difusão
nalmente,
pesquisa
-da au
de ordem geral acerca dos efeitos
na produção
em seguida para uma breve
repercussões
da realidade
são apresentadas
Minas Gerais.
- de grande atualidade
de meios automáticos
passando
realizada
organizaçao
sobre o nível do emprego. Primeiramente,t~
das prováveis
ção no contexto
da
tecnológica.
a questão
considerações
sobre o emprego,
respeito
sobre a problemática
do desenvolvimento
atual da economia
algumas
recentemente
observações
da
industrial
reflexão
a
da automa
brasileira
e, fi-
feitas com base em
sobre a indústria
siderúrgica
em
SUMARIO
página
APRESENTAÇÃO
A UTOMA.ÇÃO E CRI SE
.•...•...•.•...•.....•.....•.•...•.....•
AUTOMA.ÇÃO E EMPREGO:
BREVE REFLEXÃO
OBSERVAÇÕES
SOBRE O CASO BRASILEIRO
de uma Aciaria
•••.•••.•••••••.•••••••.•••••••••••••.•••••••••••••••
.•...•.•...........
DE CASO NA SIDERURGIA
de um alto-forno
2. Automatização
•
•.•'.........................
A PARTIR DE ESTUDOS
1. Instalação
N OT AS
O DEBATE
1
automatizado
.•..
...•.......•
L.D ••.•.•.•.•.•••......
3
7
9
9
12
16
o
IMPACTO DA AUTOMAÇÃO
- ALGUMAS
SOBRE O NíVEL DO EMPREGO
CONSIDERAÇÕES
SOBRE ESSE DEBATE
Cândido
Guerra Ferreira*
RacheI Fernandez
Borges*
A questão da automação e de sua repercussão sobre o nível do emprego passou recentemente a ser discutida com maior insistência,
robôs
no Brasil,
a partir das notícias
(a tão comentada
em particular,
"robotização")
na indústria
to não é, evidentemente,
sa questão;
pretende-se
de ordem geral
base nos elementos
do processo
automobilística.
brasileira
de
e,
O propósi to deste te~
traçar um quadro exaustivoarespeitodes
tão somente
na produção
levantados
tecer algumas
de automação
industrial
e difusão do uso
tentar-se-á
sobre as prováveis
no contexto
procurando
considerações
sobre o emprego. I Com
inicialmente,
uma breve reflexão
mia brasileira,
da realidade
em segu!
repercussões.
atual da econ£
dessa forma trazer alguma contribuição
para o debate que se vem travando
mesmo intuito,
apresentar-se-á
tir de estudos
de caso realizados
AUTOMAÇÃO
na indústria
acerca do impacto da introdução
de meios automáticos
da introduzir
sobre a introdução
a respeito.
Finalmente,
algumas observações
na indústria
com o
feitas a par-
siderúrgica.
E CRISE
. Vale de início lembrar que a questão
do desenvolvimen-
to da automação industrial - e, mais exatamente, das formas ava£
çadas de automação - está intimamente ligada à evolução da tecno
logia da microeletrônica
tro lado, a chamada
e de suas aplicações
"Revolução
Microeletrônica"
derada por alguns autores contemporâneos
vetores
de uma nova revolução
produtivas.
vem sendo consi-
como um dos
tecnológica
sando e que deverá forjar uma base técnica
renovada
ção capitalista.
Ainda de acordo com essa visão,
nica em processo
de formação
necessários
*
para vencer os obstáculos
- Do CEDEPLAR/UFMG.
principais
que estaria
dotará o sistema
Por ou
se proces-
para a prod~
a nova base té£
dos meios materiais
que presentemente
se inter
2
põem à retornada da expansão
da acumulação.
Ou seja, concretamen-
te, ao promover
urna forte elevação
ção tecnológica
abriria o caminho para a superação da crise atual,
desencadeando
da produtividade,
essa revol~
urna nova fase de cres.cimepto, para o capitalismo. 2
No rol das tecnologias (ou "grupos" de inovações técn!
cas) de ponta que poderão constituir o núcleo central dessa nova
base técnica,
em geral são incluídas:
tre estas, a engenharia
genética);
b) as inovações
vas formas de produção de energia
clear, etc); c) a microeletrônica.
Dentre essas inovações
das ao desenvolvimento
melhores
resultados
cidade de polarizar
sao aquelas liga-
produtivas
o maior potencial
tecnológicas
(notadamente,
é a microletrôni
no que concerne
oferece uma no
e à automação.
Existem,
cinco fatores que fazem da microeletrônica
..
3
chave da nossa epoca".
tam: o amplo espectro
Os fatores apontados
de aplicações
direta ou indiretamente
mo tempo,
dessa tecnologia,
e "capital-saving"
Cabe ainda levantar,
a um tipo de visão estreitamente
suficiente
mesmo que de passagem, umaobjeção
mecanicista
na atualidade;
tecnológico
rio que o processo
econômi-
em larga escala como em peque-
desse
processo.
corno essa que o
ela não representa
que deve ser questionado;
de introdução
A
não pode determi-
para tanto. Essa ótica incorre, na verdade,
to determinismo
-
e a sua flexibilida-
de uma base têcnica revolucionada
atravessa
afetando
o seu caráter, ao me~
nar, de per si, a saída de uma crise estrutural
capitalismo
ressal-
pública e privada e serviços) ;4 o ac~
de, adaptando-se tanto à produção
nas e médias séries.
constituição
pelo autor
de difusão dessas inovações;
"labor-saving"
no
a tecnologia
- todos os setores da atividade
ca (produção, administração
lerado processo
à capa-
das atividades econômicas. S~
"O advento da microeletrônica
às mudanças
ligadas as no
que vêm apresentando os
nessa perspectiva,
urna dinamização
gundo G. Friedrichs:
mínimo,
tecnológicas,
em suas aplicações
ca que parece oferecer
(den-
(energia solar, fusão termonu-
da microeletrônica
em termos de rentabilidade);
va dimensão
a) as biotecnologias
condição
em um ceE
é necessá-
e difusão desse conjunto
de teE
nologias de ponta seja acompanhado de transformações estruturais
de natureza sócio-econômica, de modo a engendrar as condições de
rentabilização das novas técnicas.
3
pitalismo
Uma análise
em perspectiva
confirmaria
a procedência
um exemplo
eloquente
nesse
histórica
dessa observação.
sentido,
- transcorrido
durante
a primeira
e consolidação
das condições
da evolução
o
amplo
metade
estruturais
As transformações
rante esse período
na constituição
produção
(nesse contexto
dução),
novas normas
cedimentos
mulação,
histórico
- de formação
dos regimes
ção sobre uma base intensiva.
resultaram
Constitui
processo
do século
do c~
de acumula-
que ocorreram
du
de novas normas
de
é que se situa a nova base técnica de pr£
de consumo
no que concerne
(o consumo
de massa),
a gestão monetária
bem como mudanças
expressivas
novos pro-
e financeira
nos padrões
daac~
de concorrên-
,
't ercapl't a 1'Cla
ln
lS t'lca. 5
No entanto,
que consistiria
em subestimar
ta como resposta
não podem
(...) através
e nos modos
um dos elementos
o
vas futuras
que importa
AUrOMAçÃO
E EMPREGO:
no sentido
do progresso
em conseqüência,
para a crise.
Em
profundas nos modos
constituem
de
é que as perspect!
um
desenvolvimento
seu impacto
sobre
as
debate:
os
e sociais.
O DEBATE
técnico
remete
de empregos
em decorrência
feiçoamento)
de máquinas
na produção.
como se sabe, à época da Revolução
da Economia
a um velho
sobre o nível de emprego i
e destruição
clássicos
ou a redução
da automação dos processos produtivos, di~
O tema automação/emprego
efeitos
de po~
à crise atual".6
de resposta
claramente
econômicas
soluções
reter dessa discussão
e aprofundando,
estruturas
trazer
de transformações
importantes
apontam
da microeletrônica
de vida, as novas tecnologias
cada vez mais acelerado
seminando
o papel das novas tecnologias
a revolução
do tempo de trabalho
de produção
no erro oposto,
à crise atual.
"Isoladas,
contrapartida,
nem por isso se deve cair
política
da utilização
Essa problemática
Industrial
a criação
(e do apeE
remonta,
e à obra de autores
(Ricardo e Marx, em primeiro
pla-
no) •
Como naquela
so modo,
duas grandes
tomação,
ao provocar
acarreta
redução
época,
teses
pode-se
detectar
a respeito.
uma elevação
gros-
Para alguns autores, a a~
substancial
do nível do emprego:
atualmente,
da
produtividade,
4
"Mas no conjunto,
parece
necessário
esperar da revolução
el.etrônica (e notadamente dos micro-processadores)
antes uma for
.
_
7 te supressao de empregos do que uma retomada do crescimento
ll
•
"No período
tá destruindo
ciando
atual, efetivamente
inúmeros
a criação
empregos
de outros
tintas e em quantidade
8
o progresso
anteriormente
estáveis
de características
insuficiente
técnico
e propi-
frequentemente
para absorver
es
di~
a população at;!:
va".
Já para outros, a automação
sobre o emprego,
cadeamento
e isso basicamente
cumulativos
de emprego.
a termo,
prego. A análise
dutividade
populares
entre
sobre o conjunto daec£
em um saldo líquido
automação
que emergem
dos fatos corrobora
exercem,
de en-
posit;!:
9
"Assim, as relações
se opor às crenças
em função dos efeitos
por ela suscitados
nomia, o que traduzir-se-ia,
vO em termos
engendra efeitos estimulantes
a longo prazo,
e emprego
Farecem
neste período
de sub-e~
nossa tese. Os ganhos depr£
um efeito
estimulante
sobre o
10
emprego" .
~ relevante
assinalar
inicialmente
cro", isto é, ao nível de cada unidade
mente pela automação,
numa supressão
de postos
_ pelos estudos
de caso) .11 Contudo,
setorial
macrossocial,
im~diatos,
vos automáticos
afetada
direta-
deverá
implicar
esse nível de análise,
deve ser
não somente
emb£
examinado
os efeitos
toda a gama de efeitos
pela introdução
no
e difusão
diretos
indiretos
e
e
e secundá
do uso de disposit~
de produçã~.
Especificamente,
efeitos
mento que produz
esse estudo
induzidos,
1) à indústria
com a nova tecnologia,
global
notadamente
pelas mercadorias
em decorrência
para os preços);
investigar
o seg-
automatizados;
da demanda
(a possibilidade
deverá
no que concerne:
de bens de capital,
equipamentos
2) à elevação
dutividade
"mi-
(como fica ilustrado - abaixo
o fenômeno
de modo a captar
rios desencadeados
ços relativos
ao nível
e, de forma mais ampla, no plano macroeconômico
mas também
os possíveis
produtiva
da produtividade
de trabalho
é insuficiente:
ra necessário,
âmbito
o aumento
que,
produzidas
de urna queda dos seus pre-
de transferência
dos ganhos depr£
5
3) ao aparecimento
ção de bens e serviços
e/ou expansão
de atividades
- ligadas à automação
verá incorporar também o setor terciário,
tos induzidos podem ser gerados).
(e aqui a análise d~
onde importantes
Além disso, alguns autores observam
deve se limitar apenas a uma dimensão
lar o espaço produtivo
cussões da automação
lho. Concretamente,
nacional,
efei-
que esse estudo não
nacional,
contemplando
no plano da divisão
- produ
ele deve extrap£
inclusive
internacional
as repeE
do traba-
é preciso ter em conta a possibilidade
cimento das exportações
- e portanto
aumento de competitividade
do emprego
do cre~
- em função de um
dos setores automatizados
no contexto
do mercado mundial.
Por outro lado, um atraso na adoção dessasmu
danças tecnológicas
nível de emprego:
poderia ter conseqüências
negativas
sobre o
nologia
"Se certos países exploram mais rapidamente a nova te£
do que outros, seus mercados internacionais (incluindo sua
parcela
no mercado doméstico
so) ampliar-se-ão
dos paises tecnológicamente
em detrimentos
dos demais países .... Emboranão
se possa dizer com certeza que uma bem sucedida
lógica resulte em pleno emprego,
adaptação
a tese "otimista"
das "teorias da compensação"
incremento
da produtividade
balho no interior
- que encontramos
do emprego
a supressão
Contudo,
podemos,
devem, a médio elo~
imediata de postos de tr~
é bom
significa
que essa tese da "transferência
de empregos"
lutamente
equivocada.
tomatismo
desses
O que se pretende
esclarecer,
ma, conferindo a este urna certa "viscosidade".
. t es: 14
tores, destacaremos os segu1n
a adaptação
seja abs£
alertando
de alguns fatores que inibem a flexibilidade
dos é problemática,
não
refutar é o pretendidoau
compensatórios",13
a) a correspondência
ating!
de imediato, levantar alguns
reparos a essa tese. Esse questionamento,
"mecanismos
a um
nas chama-
da unidade ou mesmo do ramo de produção
do pela automação.
existência
leva
que
- os efeitos positivos do
sobre a economia
go prazo, mais que compensar
tecno-
pode-se afirmar seguramente
o atraso na mudança tecnológica face aos competidores
desemprego mais considerável" 12
Segundo
em atr~
entre empregos
da estrutura
para ~
do siste
Dentre esses fa-
suprimidos
e cria-
de qualificações
da
força de trabalho existente aos novos tipos de ocupação criados
pela automação está longe de se verificar sem uma certa" fricção" .
6
Isto significa
que a efetiva
realização
de-obra depende de urna considerável
trabalho e forçosamente
lificação
prego
da transferência
maleabilidade
exigirá vultosos
(em retreinarnento da mão-de-obra,
b) a hipótese
monopolistas
das oportunidades
de queda dos preços relativos
internacional
cular, deve ser considerado
de bens de capital
de de produção
em conta na análise,
internacional, esua fo~
do trabalho.1S hm parti-
o grau de internalização
(o DI), especialmente
automatizados
essa questão é de relevância
Em síntese, vemos que, dada a diversidade
de dos fatores envolvidos, torna-se
liar e prognosticar
no caso bra-
e complexid~
dificil de se ava
o impacto real da automação
sobre o nível g~
de avaliação
pacto não são, via de regra, satisfatórias.
quantitativa
- acerca da possibilidade
a respeito
comum de todos os estudos
é impossível
formular prognósticos
de se chegar a conclusões
sobre o emprego:
científicos
macro-econômicos
é o seguinte:
quantitati-
vos'-conclusivos em relação à influência da microeletrônica
a oferta de oportunidades de trabalho disponíveis".16
Entretanto,
apenas à guisa de ilustração,
cionar um exemplo que ganha um interesse
se refere a um país que é considerado
ma do capitalismo
to da automação
sobre
podemos men-
especial na medida em que
por muitos
como o paradig-
do futuro - o novo "modelo" de economia
lista. País onde o grande dinamismo
ex-
- formulado em a!
dos efeitos da automação
"O resultado
desse im
Essa dificuldade
plica, em certa medida, o julgamento pessimista
definitivas
(co-
extremamente
ral do emprego. As tentativas
guns trabalhos
da produção
no que tange à capacid~
interna de bens de equipamento
rno veremos em seguida,
sileiro) .
as
esse efeito;
a posição que o país ocupa na competição
na divisão
dos produ-
de grande número de mer
c) há que se levar necessariamente
ma de inserção
de em
nem sempre é realista;
ou oligopolistas
cados podem reduzir e mesmo obstruir
de
por exemplo);
tos dos ramos atingidos pela automação
estruturas
do mercado
gastos para adaptar a qu~
à evolução
da força de trabalho
de mao-
verificado
capit~
no desenvolvimen-
vem sendo - pelo menos é o que se afirma com fre
quência - assimilado de maneira perfeitamente harmoniosa por par
te da organização econômica e social. Os resultados de umapesqu~
sa realizada
no Japão envolvendo
tria daquele país, revelaram
106 casos de automação
que: "as supressões
na indú~
de empregos
pr2.
7
dutivos
registrados
variam
entre
40% e 70% segundo
as diferentes
aplicações
(montagem, usinagem, soldagem, controle de qualidade,
17
.
etc.)".
Mas, eVldentemente,
apesar da amplitude da amostra,tr~
ta-se
de uma percepção
que esse
levantamento
secundários
BREVE
desses
REFLEXÃO
apenas parcial
não capta os possíveis
O CASO BRASILE
No que concerne
tomatizados
é recente
do processo
na indústria
desse relatório,
se fenômeno.
os estudos
o processo
Escassas
A primeira
brasileira:
missão
bilidades
sociais
-
dessas
à opinião
ria reforçar
em relação
a e~
na
indústria
reve-
como também em re-
Daí a sugestão
da subco
pesquisas nesta área, já que
nestas
matérias
e qualificação
abrirão
poss~
dos impactos
19
pacto do desenvolvimento
de" conduzir
diz respe!
no país sobre os impactos
socio-econômicos.
de que se empreenda
da automaçao".
no Brasil
da sub-comissão
não só sobre a indústria
de uma maior quantificação
Apesar
A segunda,
da automação
existente
dos conhecimentos
ao estágio
são as informaçõeserarossão
sobre a difusão
setores
o aprofundamento
se refere
que se tem atualmente
conhecimento
da automação
no sentido
e
convém antes de mais
da manufatura
limitada".18
e deficientes
realizados
lação a outros
indiretos
"Como já realçamos no início
do país e suas conseqllências: "O trabalho
sociais
em
do uso de equipamentosau
de automação
conhecimento
lou o incipiente
medida
IRa
de difusão
e ainda com difusão
to ao precário
efeitos
ao caso brasileiro,
duas observações.
ainda incipiente
na
casos de automação.
SOBRE
nada registrar
do fenômeno,
limitações,
uma breve
da automação
na indústria brasileira, p~
de que, provavelmente,
a tendência
no sentido
reflexão sobre o i!!!
esse movimento
do aumento
vi-
do desemprego, te~
dência essa que já se faz sentir de forma bastante vigorosa no m~
mento em função da conjuntura
Algumas
so brasileiro,
radores
constatações
os possíveis
de emprego)
porque
grande
mente,
aqueles
parte
crise econômica dopaís.
dão respaldo
efeitos
a essa opinião. Noc~
positivos
de encadeamento(g~
consideravelmente
dos equipamentos
que incorporam
devem ser obtidos
les equipamentos
seriam
de profunda
automatizados
as tecnologias
via importação.
cuja produção
arrefecidos.
mais
Isto
(e, principa!
sofisticadas)
Além do mais, mesmo dentreaqu~
interna
já
foi
viabilizada,
uma
8
grande
parcela
é produzida
ou peças e componentes
Com efeito,
mediante
uma pesquisa
país foram importados:
industrial
dominante
na produção
e/
que hoje existam
brasileiro
sobre a
(~)
no Bra
instalados no
cerca
de 680
(importadas atédeze~
aqui até junho de 1980) ..• Destas,
130 foram fabricadas
b) por outro
numérico
esses equipamentos
"Estimamos
bro de 1979 e produzidas
reali zada recentemente
com controle
a) em sua maior parte,
MFCN em uso no parque
de tecnologias
importados.
difusão de máquinas-ferramenta
20
si1
verificou que:
ximadamente
utilização
apr£
no Brasil";21
lado, a presença do capital estrangeiro era
local desses
equipamentos:
"A. oferta inteE:
na total de MFCN, em 1980, era feita por 8 firmas, das quais 6 são
de propriedade
de capital
c) além disso,
constatou-se
mesmo em relação às MFCN montadas no país,
que suas partes
importados:
as partes
alemão";22
"De qualquer
e componentes
mo nos melhores
e componentes
modo, o que nos interessa registrar éque
mais sofisticados
caso, pois a indústria
sil ainda está em seus estágios
_ "
çao
•
mais sofisticados eram
são ainda importados me~
(micro) eletrônica
iniciais
de formação
no Bra-
e consolida
23
t bom ressaltar que a questão nao se restringe
çao direta
do equipamento
se considerar
também
concepção/produção
desenvolvimento,
ge~ar empregos
dessa tecnologia
engenharia,
altamente
trais do sistema
concentradas
no sentido
de automação
do problema
sérias
ligadas
à
(pesquisa básica,
pesquisa
e
atividades
capazes
qualificados.
desse quadro,
çao de mecanismos
bastante
etc.),
Háque
de atividades
estas
Como se sabe, essas
em determinadas
de
ativi
economiascen
capitalista.
Diante
agravamento
e seus componentes.
toda a constelação
dades estão igualmente
bre o processo
automatizado
à prod~
evidencia-se
de se exercer
na indústria
do desemprego,
no presente.24
a necessidade
dacria
um controle efetivoso
brasileira,
que já adquire
evitando
o
proporções
9
OBSERVAÇÕES
A PARTIR DE ESTUDOS DE CASO NA SIDERURGIA
Em urna usina siderúrgica
ses principais
do processo
de
dução do minério de ferro
(ou fabricação
mecânica
produção
de um processo
a possibilidade
nuo"
(transformação
separadas.
de produção
que consiste narea
físico-químicas
e mecânicas, no qual
de intervenção
mano, e de grande relevância
na capacidade
e a Laminação
espacialmente
lização de cadeias de reaçoes
é limitada
o Refino do ferro-gusa
e forma do aço). Essas etapas são interde-
embora se apresentem
Trata-se
do aço, quais sejam: a ~
(Altos-Fornos),
do aço nas Aciarias)
da estrutura
pendentes
integrada, encontramos três fa
direta do trabalho hu-
os investimentos
em capital
fixo e
instalada.
Corno nas "indústrias de processo contí("process") ,25a introdução da automação26 na siderurgia bus-
ca atender à necessidade
rolar do processo
seqüências
de se obter maior controle
produtivo,
bem corno de integrar
produ tivas temporais
sível da capacidade
instalada.
Utiliza-se, para tanto, comandosa~.
locais
se combinam
com sistemas mais ou menos mecanizados.
(em partes do processo) oucentralizados,
A partir de investigaç6es
realizadas
em Minas Gerais,27 observou-se
mas partes do processo
lado de sofisticados
produtivo
de processo,
onde o controle
ções ainda cabem aos operários
- configurando
que
em usinas sider~r
que apenas algu-
foram automatizadas.
computadores
versos pontos da produção
xo produtivo
ao máximo suas
assegurando a maior utilização pos
tomatizados
gicas localizadas
sobre odesen
Assim,
ao
são encontradosd!
e execução
das opera-
- pontos de descontinuidade
desse modo um processo
dofl~
de trabalho se
mi-contínuo.
-
A seguir, serao examinados
balho, decorrentes
da recente introdução
dos em duas usinas diferentes
cesso de produção
1 - Instalação
de um Alto-Forno
O Alto-Forno
da automação,
Altos-Fornos
verificado pro-
e Aciarias.
Automatizado
e operaçao
no setor de Altos-Fornos
é um equipamento
ferro-gusa
sobre o tra-
e em duas etapas distintas
siderúrgico:
1.1 - Processo
çao é produzir
alguns efeitos
tubularve~tical,
a partir do minério de ferro.
cuja fU!!.
10
A carga do Alto-Forno
qual deve ser desoxidado
o agente redutor
tão - utilizado
o processo),
para fundir e aquecer
de trocas
a carga),
térmicas
e químicas
soprado pelos
bustão
lor - sao responsáveis
- aparelhos
realizadas
controle),
braçais,
executados
de possíveis
ferro-gusa
três:
realizada porum
dessa operação
veículo
a carga é introdué feito pelo oper~
são necessários
ain
na area de carregamento
(fora da cabine
de
por um ajudante
termo-químico
efetuado
- limpeza,
correção
no fluxo de matérias-primas,
(pressão, temperatura,
o processo
manual
etc;
- Trata-se docontrole
dama~
vazão do óleo) e dos"cowpers"
pelos operadores
les fica na cabine de aparelhagem
(para observarem
de
(a partir de sua cabine).
anormalidades
(ar pré-aquecido)
t
(boca) do forno, quando
b) o controle
cha do forno
-
carga
a carga desde o fosso - onde éabas
zida dentro do forno. O comando
da trabalhos
Atra
(C0 ).
2
da usina são basicamente,
("monta carga") que transporta
dor de carregamento
ca-
de ar pré-aquecido.
para a produção
de carregamento
tecido - até a "goela"
de
de ferro, transforrnando-o em
convencionais
a) operação
para acom
armazenadores
(formada por Fe, Si, Mn, AI, P, etc) e gases
nos Altos-Fornos
ção
(8000 alOOOa:) -
é formado o agente redutor que se com
do minério
As operações
as-
a uma série de rea
- o qual é necessário
pelo fornecimento
do carvão,
em
do forno, estão as "ventaneiras"
"turbos-sopradores"
do carvão. Os "cowpers"
metálica
(uti-
o movimento
para dentro do forno o ar pré-aquecido
bina com os óxidos
combus-
da carga. A carga desce, progre~
Na parte inferior
vés da combustão
de
e fundentes
durante
sivarnente, até o leito de fusão, submetendo-se
que conduzem
(o
(que contém
do ferro-gusa baseia-se fundamentalmente
dos gases e descendente
ções químicas.
carvao
de ferro
o calcário).
A fabricação
cendente
durante
de minério
"CO" e gera calor - quando em estado
liza-se principalmente
um processo
é composta
de regenerador
-um de
e dois outros na área de produ-
visualmente
e realizarem
os
con-
troles locais necessários) ;
c) a vazão do ferro-gusa.
ras), em média,
Três vezes por turno
o gusa produz ido em cada AI to-Forno é vazado,
ja, o "bocal" do forno é furado, manualmente
forneiros
para a saída dogusa
cas de "corrida"
(construídas
1.2 - O Alto-Forno
O novo Alto-Forno
pesquisadas,
(de 8 ho
funciona
líquido.
ou se
(com talhadeira), pelos
Este corre por canais e bi-
na própria
área junto
aos fornos).
automatizado
instalado
em 1981, em uma
segundo o processo
descrito
das usinas
acima, trazen-
11
do, como novidade,
um maior nível de automação
outros Altos-Fornos
em operação
-
em relação aos
nesta usina - nas seguintes
par-
tes do processo:
- a operação
tecipadamente
tomática,
de carregamento
pelo operador
requerendo
balho realizado
poucas intervenções
- a aparelhagem
complexa,
de cabine e se processa
na área de produção,
sobre o processo
utilizada
em curso
enviando
do forno "é programada
deste, e eliminando o tr~
para captação
de informações
marcha do forno) é mais
um número maior de informações
localizados
detalhadas
de reversao
dos "cowpers"
uso dos três aparelhos
existentes)
é automatizada.
Foram constatadas
lho, introduzidas
as seguintes
das operações
trole termo-químico,
de apenas um operador
cessárias
do
modificações
no traba-
automatizado,
em compar~,
nos fornos mais antigos:
a) com a automação,
e controle
(alternância
no trabalho
pelo novo Alto-Forno
çao com o trabalho
pa-
na cabine de comando;
- a operaçao
1.3 - Modificações
de forma au-
fora da cabine;
(carregamento,
ra os painéis eletrônicos
an-
foi possível
de carregamento
centralizar
o comando
dos AI tos-Fornos
e o con
em uma só cabine central de comando,
de on-
e um ajudante
executam
todas as tarefas ne
a esta parte do processo;
b) o maior grau de centralização
mente com a aparelhagem
mais sofisticada
das operações,
junta-
para a captação deinfof
mações sobre a marcha do carregamento
e do forno,
redução dos pontos de descontinuidade
do fluxo produtivo, como por
exemplo:
as informações
pamentos
e processos
obtidas por verificações
obteve-se
ção das necessidades
de intervenção
to (4 postos de trabalho
do fluxo produtivo
do trabalho
de carregamen-
por turno) e seu ajudante
de regenerador
(1 posto) da área
de regenerador
e redu-
vivo;
os cargos de operador
(manteve-se o posto de operador
para a va
na área junto aos fornos. Comor~
maior continuidade
c) foram extintos
como o do operador
visuais dosequ!
e, a abertura manual de registros
zão de óleo, ar, etc, realizada
sultado,
possibilitou a
(4postos) ,bem
de produção
da cabine, queac~
mulou as atividades de controle termo-químico e de carregamento
do forno) e foi criado o cargo de ajudante de regenerador (1 po~
to) .28Houve, portanto,
um saldo líquido negativo,
de 8 postos de trabalho
ruptamente,
com a supressão
em cada turno - a usina funciona
em três turnos de 8 horas cada um - ou,
postos de trabalho,
se considerarmos
ininter
ao todo, 32
as 4turrnas existentes de op~
rários, para o revezamento;
d) a aparelhagem
eletrônica
mitir à cabine de comando,
eliminou
a necessidade
mais sofisticada paratran~
informações
sobre o processo emcurso,
de alguns conhecimentos
processo,
por parte do operador
nulometria
das matérias-primas
empíricos
(controle visual direto: da gracarregadas,
da composição
cial da carga no balão para melhor distribuição
do sistema de refrigeração
operários
concernente
do
na produção
ao novo Alto-Forno
cia os demais Altos-Fornos
2 - Automatização
direta de
instalado,
utilizados
em uma usina siderúrgica,
destas
produzida/núrnerode
tendo-se
76%,
corno referên-
na usina em pauta.
dos clientes,
compatível
sa, fazem do processo
com que é necessário
a especificações
e obviamente
com os interesses
de trabalho
quanto ao sucesso ou fracasso
2.1 - Processo
de maior importância
pois é aí que se fabrica o aço propri~
da tipo de aço, obedecendo
atingindo urnnível depr~
de rentabilidade
na Aciaria,
elemento
daempr~
decisivo
de urna usina siderúrgica.
e operaçao
do carbono e de outros elementos
como o silício, o manganês,
terial é necessário
fabricarca
diversas de acordo com
O aço é obtido pelo refino do ferro-gusa,
oxidação
alterações,
aproximadamente
de produção
mente dito. O rigor e a precisão
as exigências
no forno,
de urna Aciaria L.D.
A aciaria é a unidade
dutividade
conjunto
um aumento da relação quantidade
envolvidos
desta
sequen-
do forno, etc).
Enfim, corno resultado
constatou-se
sobre o
enxofre,
ou seja, por
contidos no ferro-gusa,
fósforo, etc. O refinado
para torná-lo mais resistente
e maleável.
ma
O
aço contém no máximo 2% de carbono (o ferro-gusa contém cerca de
4%) e urna série de elementos de liga que vão conferir-lhepropri~
dades específicas.
o
processo
L.D.
(que começou a ser difundido
da década de 1950) tem como característica
principal
no início
o mecanis-
13
mo de sopragem
direta do oxigênio
ga do convertedor
para refiná-lo.
(equipamento
Quanto
carregado
peratura
dentro do qual
às operaçoes,em
primeiro
se fabrica o aço)
lugar, o converte dor é
com ferro-gusa (proveniente dos Altos-Fornos) a urnatem
de 1.200oC, em média, e sucata (pedaços de aço rejeita-
dos durante
a produção).
zida no convertedor
mite a queima
duração
(através de urna lança) na car-
A seguir, a lança de oxigênio
e inicia-se
do carbono
e outras
de, aproximadamente,
mente pelo operador,
a sopragem
de oxigênio
impurezas
18 minutos,
é introdu
(que per-
do gusa). Esta tem urna
sendo
controlada
visual
de acordo c?m o aspecto e luminosidade
ma que sai do convertedor
(a intensidade
da ch~
da chama diminui
na me-
dida em que cai o teor de carbono do material). A temperatura
IIfim-de-soproll é de cerca de 1.600oC. O operador define o momento de parar a sopragem
rial para corrigir
características
e quais adições devem ser feitas ao mate-
a temperatura
conforme
A amostra
o programado.
de aço, que é retirada
viada para o laboratório
se visual do operador.
malmente,
ou para dar ao aço determinadas
e analisada,
Entretanto,
nao se presta a corrigir
do elaborada.
Portanto,
conforme
do convertedor,
é en-
a fim de confirmar
a análi
este exame é demorado
e, nor-
aquela
IIcorridall2~ue está sen
decisão do operador -se não for
necessário ressoprar a carga ou resfriá-la - procede-se à operação de vazamento do aço na panela, pelo furo de IIcorridalldo con
vertedor.
Cada IIcorridallde aço é elaborada
em cerca de 30 minu-
tos.
Observe-se
operador
que o cargo estratégico
de convertedor:
2.2 - A aciaria
to duas aciarias
fundamentalmente,
aqui focalizada,
encontram-se
L.D.: urna com nível reduzido
e urna automatizada
de
automatizada
ria I) e que funciona basicamente
mente,
e o de
é ele quem comanda, de sua cabine, todo
o processo de fabricação do aço, a partir,
sua experiência prática nessa atividade.
Na usina,
numa aciaria
conforme
emfuncionamen-
de automação
o descrito
(Aci~
anterior-
(Aciaria 11).
Nesta última, foi instalado um computador de processo
para controlar a IIcorrida" do aço. Este computador calcula o tipo de carga a ser carregada
no convertedor
(de acordo com o tipo
14
de aço que deverá
ser produzido,
segundo
quantidade
de adições
ser feitas
ao aço para a obtenção
mica do produto,
de ferro-ligas
e, comanda
A lança de oxigênio,
lança" - capaz de detectar
co-químicas
produção
que ocorrem
dentro
carbono,
sobre a temperatura
fósforo,
efetuadas
no processo
e o momento
2.3 - Modificações
Por ocasião
zada estava
aqueles
físi-
Estas
seu
teor
inde
para o compu
o computador
determi-
- as correções que devem
ser
de parar a "corrida".
no trabalho
de nossa pesquisa,
a Aciaria
ainda em início de operação.
do, observar
- a "sub-
de refino).
continuamente,
com o programa
quí-
em "tempo real" de
do aço em fabricação,
etc, são enviadas,
de acordo
eletrônico
do convertedor,
do processo
a
do oxigênio.
sobre as reações
tador. De posse de todos esses parâmetros,
na - sempre
composição
de sopragem
um aparelho
prévia),
elementos que devem
de determinada
as informações
(ou seja, no decorrer
formações
e outros
a operação
é acoplado
programação
efeitos
Foi-nos
mais imediatos
L.D. automati
possível,
cont~
das novas instalações
sobre o trabalho;
a) o processo
nal apresenta
vários pontos
demos destacar:
vertedor,
de trabalho
dir a temperatura
rada de amostras
manual
VOe
à
automáticos
capacidade
do processo,
existente,
temporal
foi retirada
em relação
de iniciativa
b) houve
no converte dor param~
de oxigênio,
esses pontos
e, a retima
passaram aser
continuidade
do
de economias
de tempo - e,
das seqüências
produtivas,
do estado
de
dependência,
ao "saber-fazer"
e cooperação
uma mudança
de descont!
e não mais pelo trabalhov~
por um lado, maior grau de
que a integração
anteriormente
pelo operador de co~
do convertedor) .
- que se traduz por obtenção
nesta parte
entre os quais p£
ou seja, essas operações
por mecanismo~
por outro,
L.D. convencio-
(através da introdução
L.D. automatizada,
foram eliminados,
O que significa,
processo
do pirômetro
de aço para a análise
Na Aciaria
realizadas
realizados
do aço após a sopragem
nual de uma "concha" dentro
nuidade
de descontinuidade,
os exames visuais
a introdução
numa Aciaria
operário
e
dos trabalhadores;
substancial
do conteúdo
do traba-
lho do operador
de convertedor,
até então, o posto estratégico de~
tro da aciaria.
Toda a produção
do aço dependia
de seuconhecime~
foi - através
de dados recolhi-
to empírico.
O seu "saber-fazer"
15
dos, analisados
e sintetizados
pelos engenheiros que acompanharam
seu traba-lho durante um certo periodo de
transferido
para o equipamento
tempo
automático.
sou a ter a função de controle-vigilância
-
expropriado
Agora, o operador
les relativos
à manutenção
116 postos de trabalho entre aque-
- segundo depoimento
de acerto das "corridas"
de um engenheiro
de 35% para
do total, o que se traduz por ganhos de produtividade,
em que o tempo médio de cada "corrida" diminuiu,
po é gasto em correçoes
friamento,
da fabricação
60%
na medida
pois menos tem-
do aço (ressopragem,
res-
etc.);
e) a Aciaria
I, segundo relatório
em 1982, 915.093 t. de aço, empregando
produção
do processo
e à produção;
d) foi aumentada
do setor - a proporção
pa~
ativa da marcha autom~
tica do sistema de máquinas. Neste caso, a automação
- d esse t~po
.
de operar~o;
'.
30
gerou uma requa lif'~caçao
c) foram suprimidos
e
e de manutenção.
riodo, foi de 1.620.911
A produção
t., ocupando
da empresa, produziu
271 pessoas no serviço de
da Aciaria
11, no mesmo pe-
155 pessoas. A relação quag
tidade produzida/trabalhador,
na Aciaria
automatizada
tanto, cerca de 210% superior
à verificada
na Aciaria
foi, porI.
16
NOTAS
1 - Foge ao escopo deste texto a abordagem dos efei tos diretos das
aplicações da tecnologia microeletrônica
sobre o emprego nos
demais setores da atividade econômica.
2 - Que corresponderia
- segundo C. Freeman - à quinta fase ascendente do ciclo de Kondratiev.
C. Freeman: "Innovation and Long Cycles of Economic Development", mimeo, Texto apresentado no Seminário Internacional So
bre Inovação e Desenvolvimento
no Setor Industrial - UNICAMP:3 - G. Friedrichs: "Microeletronics
- A New Dimension of Technolo
gical change and Automation". Vide síntese em Problemas do
prego e do Trabalho vo1. I, n9 1: "Mutação Te cno lógica, Empr~
go e Crise ", Insti tuto Euvaldo Lodi, abril/1983 - p. 81.
Em
4 - Esse aspecto é também destacado por outro autor: "Ademais, vá
rios observadores consideram que o desenvolvimento
da microe
letrônica, e microprocessadores
em particular, é, mais poten
cialmente revolucionário no seu impacto do que qualquer exem
pIo passado de nova tecnologia. A base principal para tal opI
nião é a de que a tecnologia microeletrônica
exerce influên=
cias através de toda a cadeia de processos industriais bemco
mo no setor de serviços".
-
J. Sleigh et alii: The Manpower
Implications
tronic technology. Vide sintese em Problemas
Trabalho, vol. 1, n9 1, op. cit., p. 90.
of Micro-elecdo Emprego e do
S - A e~se respeito ver M. Aglietta: Régulation etCrise du Capi~
tal1sme, Paris, ed. Calmann - Levy, 1976. Verainda outros tra
balhos na linha da chamada "teoria da regulação":
R. Boyer: "La Crise Actuelle - une miseau
ve historique" in Critiques de l'Economie
Paris, ed. Maspero, 1978.
R. Boyer: "Les Transformations
se" in Critigues de l'Economie
Maspero, 1981.
point en perspecti
Politique
n9 7-8-;
du Rapport Salarial dans la Cri
Polítigue n9 15-16, Paris, ed:-
B.. Coriat:
"Re1ations Industriel1es, Rapport Salarial et Régu
lation: l'inf1exion neo-1ibéra1e" in Problêmes
Economigues-;
n9 1816, Paris, 1983.
6 - M. Richonnier: "Les Nouve11es Technologies: une réponse i la
crise?" in Prob1imes ~conomiques n9 1819, Paris, 13/04/1983,
p. 19.
Uma opinião diversa - baseada em uma avaliação do potencial
dessas mutações tecnológicas - é manifestada por B. Réal:
11
estas novas tecnologias não parecem engendrar um I modo de
consumo' profundamente novo: poucas inovações importantes de
produtos para o consumidor, sem um possante relançamento
do
crescimento por intermédio do consumo privado. Essas tecno10
gias reforçarão a tendência a um crescimento fraco, ou até mes
mo negativo, nos países industrializados do Ocidente", (p.305).
"Em síntese, não parece que se possa esperar das novas tecno
10gias uma verdadeira saída para a crise dos paísesindustri~
17
lizados ocidentais. Elas contribuirão, certamente, pararefor
çar o nível do desemprego nos próximos dez anos, sem relançar
de modo nítido o crescimento",
(p. 306).
B. Real: "Mutations Technologiques et Crise" in Les Mutations
Technologiques
- Actes du colloque ADEFI, Paris, ed. Econômi
ca, 1981.
7 - B. Real:
"Mutations Technologiques
et Crise" , op. ci t., p. 305.
8 - M. Gaspard: "Mutations Technologiques
Crise". Vide síntese em Problemas do
vol. 1, n9 1, op. cito - p. 30.
et Emploi à Travers la
Emprego e do Trabalho
9 - Nessa direção, J.D. Whitley e R.A. Wilson, tentaram quantifi
car - no caso da Grã-Bretanha - os efeitos diretos e indire=
tos do desenvolvimento
futuro da microeletr6nica
sobre o nível do emprego, chegando a um resultado líquido positivo para o período de 1985 a 1990. Segundo a estimativa desses autores, os efeitos compensatórios
deverão
superar em termos
quantitativos o impacto direto negativo oriundo
da elevação
da produtividade.
Vide J:D. Whitley e R.A. Wilson:
"Quantifying the Employment Effects of Micro-Eletronics"
in Futures
vol. 14(6), dez./1982.
10 - A. Fourçans e J .C. Tarondeau:
"Automatisation
et
mythes et réali tés" in Les Mutations Technologiques,
p. 201.
Emploi:
op. ci t.;
11- No entanto, já a esse nível de investigação da unidade produ
tiva, é necessário qualificar a questão - convém que se façã
uma observação de ordem metodológica:
lINesse campo, convém, com efeito, distinguir as supressões brg
tas em termos de postos de trabalho das suprel;sões líguid~
sendo estas últimas as únicas que se pode considerar
que se
traduzem verdadeiramente
em termos de emprego. ~ certo que os
ganhos de produtividade permitidos pela informatização condu
zem sempre a economias de mão-de-obra. Isto, no entanto, nã~
se traduz necessariamente
em supressão de empregos. Assim, um
certo número de elementos atuam muito mais no sentido de uma
reestruturação
do emprego no seio das organizações, do que no
_. sentido de uma verdadeira diminuição do número de empregos oc~
padosll.
O. Pastré: lIInformatisation et Emploi: de faux débats autour
d' un vrai
prob1eme" in Revue d I ~conomie
Industrielle
n9 16
- 29 trimestre de 1981.
12- J. Sleigh et alii: The Manpower Implications
nic Technology, op. cit., p. 92.
of Micro-eletrg
13 - Observa M. Richonnier que as "teorias da compensação" do emprego têm um caráter a-temporal e a-espacial. Cf. M. Richonnier:
"Les Nouve lles Techno1ogies: une réponse
à la crise?", op.
tit., p. 22.
14- Para essa crítica nos baseamos
em:
G. Caire: "Automation: Technologie,
lesll inLes MutationsTechnologigues,
Travail, Relations Sociaop. cito Vide também:
18
J .P. Jeandon e R. Zarader: "Automation et Emploi: pour um vrai
débat autour de vrais problemesll in Problemes Economiques n9
1822, Paris, 04/05/1983.
15 - A propósito, alguns autores chamam a atenção para o fato de que
a automação provoca significativas modificações nas vantagens
comparativas entre as nações e regiões. Assinalam
que essas
mudanças
tendem a reforçar a posição relativa dos países do
centro em detrimento do Terceiro Mundo:
- liAnova tecnologia envolvendo o uso parcial ou total de mi
croeletrônica é particularmente
apropriada aos países do Nor
te e pouco apropriada às demais regiões. O Norte tende, por~
tanto, a aumentar sua vantagem comparativa na produção e apli
cação da nova tecnologia e os países do grupo NIC e o resto
do Sul enfrentam uma deterioração de sua vantagem comparati-
va" .
G.K. Boon: IISome Thoughts
Vide síntese em Problemas
1, op. ci t., p. 65.
on Changing ComparativeAdvantages'~
do Emprego e do Trabalho vol. 1, n9
- "Ademais, a introdução da microeletrônica
reduz aspossibilidades de instalação de fábricas nos países emdesenvolvimen
to. À medida em que as indústrias tradicionais são atingidas
por mudanças em seus produtos e processos, elas saem progres
sivamente fora do alcance dos países em desenvolvimentoll.
J. Rada: The impact of Micro-Eletronics.
Vide síntese em Pro
blemas do. Emprego e do Trabalho voI. -r; n9 1, op. ci t., p. 97:
16 - H. Krupp: IIAperçu des effets techniques, économiques et soci
aux de la micro-eletronique 11, Insti tut Fraunhofer, Kar1sruhe.Citado em: o. Pastré: IIInformatisation et Emploi: de faux dé
bats autour d'un vrai problemell, op. cit., - p. 56.
Em seu artigo, o Pastré, ao cabo de uma discussão de caráter
metodológico,
chega a uma conclusão menos pessimista
quanto
à factibilidade de estudos consistentes - e prognósticos rea
listas - sobre a relação automação/emprego:
" ... nós queremos mostrar aqui que é ainda possível
levar a
bom termo uma verdadeira análise econômica do impacto da informatização sobre o emprego, evidentemente,
desde que sejam
evi tados um certo número de falsos debates 11 (p. 45).
17- Pesquisa citada em F. Geze: "Automatisation,
Productivité et
Emploi: quelques réflexions sur le cas japonaisll in Les Mut-ª
tions Technologiques," op. cit., p. 225.
18- Relatório da Sub-comissão III: Aspectos Sociais, Econômicos e
Trabalhistas da Automaçao na Manufatura - Comissao de Estudos
da Automaçao na Manufatura - S.E.I., maio/1983, p. 8. Cabe e~
clarecer, porém, que essa constatação é pertinente, sobretudo no que tange às formas avançadas de automação (robôs, autômatos programáveis, máquinas-ferramenta
com controle numérico, etc.) aplicáveis principalmente
nas indústrias de produção em série ou sob encomenda. No tocante às indústrias de
processo contínuo (petroquimica, cimento, siderurgia, etc.),
a difusão de dispositivos automáticos de controle (local ou
centralizado)
do processo é, evidentemente,
mais ampla e mais
antiga.
19
19-
Relatório
da Sub-Comissão
20-
Para urna exposição
quisa, vide:
111 - S.E.I, op. cit., p. 39.
de alguns
dos resultados
da referida
J.R. Tauile: A Difusão de Máquinas-ferramenta
mérico no Brasil, UFRJ, mimeo, 1982.
pes-
com Controle Nu
.
J.R. Tauile: "A Difusão de MFCN no Brasil e Algumas Implicações para o Desenvolvimento
Econômico" in Ciência,
Tecnologia e Desenvolvimento
n9 2 - UNESCO/CNPq.
C. Machline, H. Rattner e O. Udry: "Máquinas-Ferramenta deCon
trole Numérico: efeitos administrativos
de sua introdução na
indústria nacional", in Revista de Administração de Empresas
n9 22(2) Rio de Janeiro, abr/jun. 1982.
21- J.R. Tauile:
"A Difusão de MFCN no Brasil e Algumas Implicaçoes para o Desenvolvimento
Éconômico", op. cit., p. 169.
22 - J. R. Tauile: "A Difusão de Máquinas Ferramenta
Numérico no Brasil, op. cit., p. 18.
com
Controle
23 - Idem, p. 19.
24- Acrescente-se
que, logicamente, será impossível conceber ai~
plementação de tais mecanismos de controle - de forma eficaz sem a participação efetiva dos trabalhadores, asmaiores víti
mas do desemprego tecnológico suscitado pela automação.
25 - As características
das indústrias de "process",
bem corno do
processo de trabalho que lhes é peculiar - o processo de tra
balho do tipo "processo contInuo"
- são desenvolvidas
por
Benjamin Coriat, em: Ouvriers et Automates: Trois ~tudes sur
la Notion d'Industrie de Processus - CRESST, Paris, 1980.
26- O princípio automático não consiste apenas na substituição do
homem pela máquina - isto já é realizado pela mecanização. A
automação distingue-se, de imediato, pela aplicação daeletrô
nica no sistema de produção, assegurando total ou parcialmen
te as funções de fabricação e de gestão dos fluxos produti=
vos, tornando-os mais contínuos e reduzindo os requerimentos
de intervenção do trabalho humano direto no processo produti
vo (para essa discussão, ver GINSBOURGER, F.: Introduction ã
un Débat sur l'Automatisation
Industrielle, mimeo).
Segundo B. Coriat, pode-se determinar o nível de automação e
de mecanização a partir de quatro princípios,
a que obedece
um conjunto de meios de trabalho, e de sua combinação:
a - princIpio de operação: é o princIpio que permite distinguir as máquinas urnas das outras (torno, furadeira, etc.)
b - princípio
de informação
- este tem dois aspectos:
b.l - o primeiro se refere à capacidade
de determinado
meio de trabalho ser alimentado em normas técnicas
que especificam a operação a ~er efetuada. ~uma m~
quina simples, essa alimentaçao em normas tecnicas
é feita diretamente pelo operário,
que necessita,
para isso, de uma certa qualificação. Numa máquina
informatizada, essa alimentação em normas técnicas
é feita através de urna fita perfurada, que é prep~
rada previamente
pelos técnicos, corno é o caso das
máquinas-ferramenta
com controle numérico;
20
b.2 - o segundo concerne à capacidade que tem esse meio de
trabalho de fornecer informações sobre o processo
em andamento. Esta propriedade é indispensável nas
indústrias de processo continuo, em razão da neces
sidade de se ter algum controle sobre as reações fI
.
~.
slco-qulmlcas em curso
c - principio de regulação: trata-se da última fase da automação. Esse principio pode ser definido pela capacidade
que tem o meio de trabalho ou sistema de máquinas, não so
mente de fornecer as informações, mas também de interpre
tar essas informações e de decidir sobre as correções que
devem ser efetuadas. Nos equipamentos mais aperfeiçoados
atinge-se a capacidade de efetuar estas correções, resta
belecendo a marcha da produção conforme o programa
pre=
viamente definido.
d - principio de deslocamento ou de circulação
trabalho durante o processo produtivo.
dos objetos de
A mecanização concerne à ativação dos principios A e D. A au
tomação, por etapas sucessivas, inclui a superposição dos prúi
cipios b.l e b.2, ela pode ser considerada completa desde que
compreenda também o principio de regulação.
Cf. B. Coriat: Ouvriers et Automates:
trois
études
notion d'industrie de processus - op. cit., p. 90.
27-
sur
la
Estas observações se baseiam em alguns resultados da pesquisa: "Processo de Trabalho e Transferência de Tecnologia na In
dústria Siderúrgica de Minas Gerais 11 - realizada por uma equI
pe de pesquisadores do CEDEPLAR/UFMG.
28 - Não foram obtidas, durante a pesquisa, evidências sobre acria
ção de mais postos de trabalho além destes já registrados. No
que se refere ao pessoal incumbido das tarefas de manutenção
eletro-eletrânica,
houve apenas a necessidade de aperfeiçoar
seus conhecimentos especificos a respeito da aparelhagem no-
va.
29 - Urna 11 corrida
carregamento
11
corresponde a um conj un to destas operações,
do convertedor ao vazamento do aço.
do
30 - Não é objeto deste texto, a análise dos efeitos da automação
sobre a qualificação da força de trabalhoi a intenção aqui é
tão somente registrar esta significativa alteração no conteú
do do trabalho do operador de convertedor, cuja atividade, an
tes decisiva para o sucesso da fabricação do aço, teve sua im
portância dimiriuidacom as modificações tecnológicas. Mas tal
vez caiba, rapidamente, aduzir que, de um modo geral, a auto
mação conduz a uma reestruturação das qualificaçoes e dà di~
visão do trabalho dentro das fábricas, o que implica em reor
ganização da produção e em redistribuição de forças de traba
lho em seu interior. Há que se considerar ainda a possibili~
dade real de que a automação elimine tarefas penosas, realizadas em locais insalubres (existentes em grande quantidade
na siderurgia) .