ISSN 2179-6238 Revista de em Saúde Journal of Health Research Volume 13, n. 2, maio-agost/2012 Endereço para correspondência: Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) Rua Barão de Itapary, 227 - Centro. 4º andar da Unidade Presidente Dutra (HUUPD) - CEP.: 65020-070 São Luís-MA. Brasil. Telefone para contato: (98) 2109-1242 | 2109-1092 E-mail: [email protected] Disponível também em: < http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/revistahuufma > Revista de Pesquisa em Saúde Journal of Health Research Quadrimestral ISSN 2179-6238 São Luís - MA - Brasil volume 13 número 2 páginas 1-76 maio/agosto 2012 © 1995 Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research é uma publicação quadrimestral do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) que se propõe à divulgação de trabalhos científicos produzidos por pesquisadores com o objetivo de promover e disseminar a produção de conhecimentos e a socialização de experiências acadêmicas na área de saúde, assim como possibilitar o intercâmbio científico com programas de Pós-Graduação e Instituições de pesquisas nacionais e internacionais. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO Conselho Editorial / Editorial Board Natalino Salgado Filho Reitor Aldina Maria Prado Barral - UFBA/FIOCRUZ Antonio Augusto Moura da Silva - UFMA Armando da Rocha Nogueira - UFRJ Afksendiyos Kalangos - UHG-Suiça Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza - UNESP Domingo Marcolino Braile - FAMERP Elba Gomide Mochel - UFMA Fábio Biscegli Jatene - FMUSP Fernanda Ferreira Lopes - UFMA Gustavo Adolfo Sierra Romero - UNB Jackson Maurício Lopes Costa - CPqGM/FIOCRUZ Luciane Maria de Oliveira Brito - UFMA Márcia Mattos Gonçalves Pimentel - UERJ Marcus Gomes Bastos - UFJF Maria do Céu Aguiar Barbieri de Figueiredo - ESEP-Portugal Maria Rita de Cássia Costa Monteiro - UFPA Pablo Maria Alberto Pomerantzeff - USP Rodolfo A. Neirotti - USA Semiramis Jamil Hadad do Monte - UFPI Walter José Gomes - UNIFESP Vinicius José da Silva Nina Diretor Geral Rita da Graça Carvalhal Frazão Corrêa Diretora Adjunta de Ensino, Pesquisa e Extensão Marília Cristine Valente Viana Diretora Adjunta de Administração e Finanças Joyce Santos Lages Diretora Adjunta de Planejamento Antônio Raposo Filho Diretor Adjunto de Serviços Assistenciais Editores Associados / Associate Editors Arlene de Jesus Mendes Caldas - UFMA Nair Portela Silva Coutinho - UFMA Natalino Salgado Filho - UFMA Vinicius José da Silva Nina - UFMA Editora Chefe / Chief Editor Arlene de Jesus Mendes Caldas Revisão de Inglês / Proofreading of english texts Max Diego Cruz Santos Secretária / Secretary Rita da Graça Carvalhal Frazão Corrêa Editoração Eletrônica / Desktop Publishing Francisco Ferreira e Silva Felipe Todos os manuscritos publicados são de propriedade da revista, não sendo permitido a reprodução, mesmo que parcial em outro periódico, seja por meios eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Tanto os conceitos emitidos nos manuscritos como a revisão da língua portuguesa, são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a opinião do Conselho Editorial. As versões impressa e online estão indexadas no sistema Latindex (Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal). Revista de Pesquisa em Saúde, periódico biomédico de divulgação cientíca do Hospital Universitário da UFMA, v.1, n.3, 1995.-São Luís, 1995. v. 13, n. 2, 2012 Quadrimestral. (ISSN – 2179-6238) versão impressa (ISSN – 2236-6288) versão online 1. Ciências da Saúde – periódicos. I. Universidade Federal do Maranhão II. Hospital Universitário. CDU: 61(05) Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research é afiliada à Associação Brasileira de Editores Científicos Apoio ISSN-2179-6238 Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research Volume 13 Número 2 maio/agosto 2012 Sumário / Summary EDITORIAL 9 Importância da periodicidade da Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research no cenário científico Arlene de Jesus Mendes Caldas ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE 11 Consulta ginecológica na adolescência: aspectos relacionados e motivações determinantes para sua realização Assessment of adolescent gynecological: aspects and reasons for determining your achievement Érika Krogh, Luciane Maria Oliveira Brito, Diego Salvador Muniz da Silva, Evaldo César Macau Furtado Ferreira e Raimundo Antônio da Silva 17 Perfil dos idosos com síndrome metabólica Profile of elderly peoplewithmetabolic syndrome Clarissa Galvão da Silva, Jéssica Brito Rodrigues, José de Ribamar Medeiros Júnior, Nair Portela Silva Coutinho, Maria Lúcia Holanda Lopes e Ana Hélia de Lima Sardinha 21 Fatores associados ao desmame por ocasião da alta em prematuros de muito baixo peso Factors associated with weaning at the time of hospital discharge of very low birth weight premature infants Fernando Lamy Filho, Marianne de Carvalho Rodrigues, Alcioneyaria da Silva Correia e Hanna Arony Wanderley Pereira de Araújo 26 Efeito da drospirenona como terapia hormonal de baixa dose nos níveis pressóricos de mulheres climatéricas hipertensas Effect of drospirenone as low dose hormone therapy in pressure levels in climacteric women with hypertension Sinara Marques dos Santos, Maria Bethânia da Costa Chein, Diego Salvador Muniz da Silva, Paulo Roberto Silva Cruz, José de Albuquerque Figueiredo Neto e Luciane Maria Oliveira Brito 32 Mortalidade neonatal em localidade do nordeste do Brasil Neonatal mortality in region of northwest of Brazil Valdinar Sousa Ribeiro, Flávia Baluz Bezerra de Farias, Alcione Miranda dos Santos, Antonio Augusto Moura da Silva, Liberata Campos Coimbra, Arlene de Jesus Mendes Caldas e Heloisa Bettiol 38 Indicadores operacionais da atenção básica em São Luís, Maranhão Operational indicators of primary care in São Luís, Maranhão Liberata Campos Coimbra, Odineilce Sampaio Pereira, Maria Lúcia Holanda Lopes, Lena Maria Barros Fonseca, Monyk Neves de Alencar e Maria Ieda Gomes Vanderlei 42 Housewives' knowledge about dengue in an endemic area of the State of Maranhão, Brazil Conhecimento das donas de casa sobre dengue em uma área endêmica do Estado do Maranhão, Brasil Valéria Cristina Soares Pinheiro, Irene Alves Silva Neres, Juliana Maria Trindade Bezerra, Joelma Soares da Silva, Jivanildo Pinheiro Miranda, Luciane Maria de Oliveira Brito e Wanderli Pedro Tadei 48 Perfil antropométrico de hipertensos cadastrados pelo hiperdia em uma unidade de saúde da região Nordeste do Brasil Anthropometric profile of hypertensive patents in a regional health unit in the Northeast of Brazil Nayra do Socorro Caldas Carvalho de Almeida Teixeira, Valdinar Sousa Ribeiro, Alcione Miranda dos Santos, Nayra Anielly Lima Cabral e Ana Karina Teixeira da Cunha França ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE 54 Paternidade em tempos de mudança: uma breve revisão da literatura Fatherhood in times of change: a brief review of the literature Edna Lúcia Coutinho da Silva, Zeni Carvalho Lamy, Lívia Janine Leda Fonseca Rocha e Jéssica Rodrigues de Lima 60 Importância da odontologia sustentável na interface saúde/ambiente Importance of sustainable dentistry in health/environment interface Janaína de Fátima dos Santos de Freitas-Anceles, Vanessa Camila da Silva, Frederico Silva de Freitas Fernandes e Andréa Lúcia Almeida de Carvalho NOTAS REDATORIAIS / NOTES TO AUTHORS Editorial Importância da periodicidade da Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research no cenário científico Nesta edição, os dez artigos publicados refletem o trabalho de inúmeros pesquisadores, professores, alunos de graduação e pós-graduação, e profissionais, na incessante contribuição para a construção de bases científicas nas diferentes áreas de conhecimento. Não há privilégio de áreas ou temas que possam relevar ou destacar. Todos e cada um, em sua especificidade temática ou metodológica, são resultados de questionamentos emanados da inquietação profissional dos que procuram luz para sua prática de cuidar, de ensinar, de inovar, em contínua busca de evidências que consolidem uma ciência de tantas interfaces e um motivo único: o de propiciar melhores condições e qualidade de vida ao ser humano na promoção ou recuperação de sua saúde. O primeiro artigo intitulado “Consulta ginecológica na adolescência: aspectos relacionados e motivações determinantes para sua realização”, concluiu que a procura pela consulta ginecológica por iniciativa da adolescente ainda é muito baixa, sendo a mãe o fator determinante para essa busca. O segundo, intitulado “Perfil dos idosos com síndrome metabólica”, tem como objetivo analisar o perfil socioeconômico dos idosos portadores de síndrome metabólica, encontrando como resultados uma renda familiar entre 2 a 3 salários mínimos e o nível educacional mais referido foi o ensino fundamental incompleto. O artigo sobre os fatores associados ao desmame por ocasião da alta em prematuros de muito baixo peso, apresenta como objetivo avaliar fatores que influenciam a ausência do aleitamento materno exclusivo por ocasião da alta de recém-nascidos de muito baixo peso da UTI neonatal do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010; o artigo “Efeito da drospirenona como terapia hormonal de baixa dose nos níveis pressóricos de mulheres climatéricas hipertensas”, com o objetivo de analisar os efeitos da drospirenona na pressão arterial (PA) e marcadores de doença cardiovascular em mulheres climatéricas hipertensas, encontrou que o uso da TH combinada com a drospirenona apresentou redução significativa nos níveis pressóricos, reforçando as propriedades antagonistas da aldosterona que podem contrabalançar a possível retenção hídrica relacionada ao estrogênio. Os artigos “Mortalidade neonatal em localidade do Nordeste do Brasil”¸ “Indicadores operacionais da atenção básica em São Luís, Maranhão”, “Housewives' knowledge about dengue in an endemic area of the state of Maranhão, Brazil”, e o “Perfil antropométrico de hipertensos cadastrados pelo hiperdia em uma unidade de saúde da região Nordeste do Brasil”, abordam problemas de saúde pública. O primeiro descreve e analisa os indicadores relacionados à mortalidade neonatal em cidades do Maranhão em 2005; o segundo analisa a situação dos indicadores operacionais da Atenção Básica através do Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB, em São Luís - MA no ano de 2009; e o terceiro verifica o conhecimento e o nível de informações das donas-de-casa sobre a prevenção e controle da dengue; e o quarto determina o perfil antropométrico de hipertensos e sua associação entre o excesso de peso e fatores clínico - laboratoriais, socioeconômico, demográficos, e estilo de vida. O artigo, “Paternidade em tempos de mudança: uma breve revisão da literatura” procura refletir as mudanças na paternidade e a produção teórica realizada a partir de um levantamento bibliográfico. O último artigo, também de revisão, aborda a importância da odontologia sustentável na interface saúde/ambiente, tem como objetivo verificar o andamento científico em torno da dicotomia saúde/ambiente caracterizando a odontologia sustentável com seus modos de manejo de resíduos de forma a minimizar os impactos causados ao meio. Com esforço e dedicação de seu Conselho de Editores Associados, Secretaria e colaboradores ad hoc, seus funcionários técnico-administrativos, a Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research do Hospital Universitário da UFMA tem conseguido manter sua inserção na base de dados Latindex, aplicando novas metodologias de divulgação, incrementando sua autonomia operacional e garantindo a divulgação de seus conteúdos em dois idiomas, na modalidade impressa e on-line, cumprindo assim com as metas que convergem para reiterar, cotidianamente, sua colaboração para a visibilidade e divulgação do conhecimento científico. Profª. Drª. Arlene de Jesus Mendes Caldas Editora Chefe Professora Associada do Departamento de Enfermagem da UFMA Artigo Original / Original Article ISSN-2179-6238 CONSULTA GINECOLÓGICA NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS RELACIONADOS E MOTIVAÇÕES DETERMINANTES PARA SUA REALIZAÇÃO ASSESSMENT OF ADOLESCENT GYNECOLOGICAL: ASPECTS AND REASONS FOR DETERMINING YOUR ACHIEVEMENT Érika Krogh1, Luciane Maria Oliveira Brito2, Diego Salvador Muniz da Silva3, Evaldo César Macau Furtado Ferreira3 e Raimundo Antônio da Silva4 Resumo Introdução: A consulta ginecológica na adolescência é geralmente cercada de ansiedade e desconhecimento para a adolescente. A falta de informação e o medo das novas descobertas fazem com que a adolescente protele a primeira consulta. Objetivo: Identificar aspectos relacionados e motivações determinantes para a consulta ginecológica na adolescência. Método: Foram aplicados 45 questionários semiestruturados em adolescentes do sexo feminino, de 10 a 19 anos, escolhidas aleatoriamente, dentre as frequentadoras do Adolescentro na Vila Embratel. Os dados foram tabulados e analisados pelo Epi-Info® 3.4.3, sendo expressos sob a forma de tabelas. Resultados: A idade média das adolescentes foi 14,5 anos, sendo a primeira consulta ginecológica realizada aos 12,9 anos. A menarca ocorreu entre 10 a 12 anos para a maioria das adolescentes. Aproximadamente 78% das entrevistadas não tinham iniciado a vida sexual e 55,6% conheciam a área em que atuava o ginecologista, sendo que somente 37,8% já comparecido a uma consulta ginecológica. A iniciativa de procurar atendimento ginecológico partiu das mães em 82,4% dos casos. O motivo de busca pelo ginecologista mais citado foi rotina ginecológica. Quanto as DSTs e os métodos anticoncepcionais, as adolescentes que já foram a consulta, referiram ter conhecimento em 100% e 70,6% respectivamente. Conclusão: A procura pela consulta ginecológica por iniciativa da adolescente ainda é muito baixa, sendo a mãe a principal responsável pela procura. Quanto maior o nível de escolaridade, a renda familiar e o conhecimento das DSTs, maior é a procura pelo atendimento ginecológico. Palavras-chave: Adolescente. Consulta ginecológica. Ginecologista. Abstract Introduction: A gynecological appointment in adolescence is usually surrounded by anxiety and ignorance for an adolescent. The lack of information and fear of new discoveries make that the adolescent delayed this first consultation. Objective: To identify aspects and motivations for a gynecological appointment in adolescence. Methods: We applied 45 semi-structured questionnaires in female adolescents, 10 to 19 years, randomly selected from among the denizens of the Adolescentro in Vila Embratel. Data were tabulated and analysed by Epi-Info® 3.4.3, and expressed in the form of tables. Results: The average age of adolescents was 14.5 years. The average age that patients seek medical care was 12.9 years. The menarche occurred between 10 to 12 years for most teenagers. Approximately 78% of the interviewees did not start sex life and 55.6% knew the area in which the gynecologist served, whereas only 37.8% had attended a gynecological consultation. The initiative of seeking medical care comes from the mothers in 82.4% of cases. The most quoted reason for the search by the gynecologist was gynecological routine. As the DST's and contraceptive methods, the adolescents who had a consultation, said to meet them at 100% and 70.6% respectively. Conclusion: It was concluded in this work that the demand for consultation on the initiative of a teenager is still very low, being the mother the determining factor for this search. The higher the education level, the family income and the knowledge of STDs, the greater will the demand for a gynecological appointment. Key-words: Adolescent. Gynecological consultation. Gynecologist. Introdução A adolescência, segundo a OMS, constitui um processo fundamentalmente biológico, durante o qual se aceleraria o desenvolvimento cognitivo e a estruturação da personalidade1. Apesar de esta definição fornecer um status fundamentalmente biológico à adolescência, sabe-se que essa fase da vida abrange aspectos como a identidade, a integração social e o papel a desempenhar como fatores mais importantes, levando-se em conta o meio social e cultural nos quais o adolescente vive2. Existem diversos marcos legais que definem a adolescência, porém os critérios adotados neste trabalho foram os da Organização Mundial da Saúde que a define como o período entre 10 e 19 anos de idade, sendo esta definição adotada no Brasil pelo Programa de Saúde do Adolescente do Ministério da Saúde3. A sexualidade da adolescente sempre foi trabalhada de forma muito restrita ao tema da gravidez na adolescência, e muito se ignorou outros aspectos da esfera sexual dessa população. Atualmente, considera-se que esse debate deve ir além de uma mera preocupação com gestação precoce, e deve incluir o estudo criterioso das alterações anatômicas, fisiológicas e psicológicas, assim como suas repercussões sociais4. As adolescentes estão fazendo sexo mais cedo5. Na Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS 2006), a comparação entre os resultados de 1996 e 2006 revela uma redução significativa 1. Mestrado em Saúde Materno Infantil. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Médica Ginecologista. Doutorado em Medicina. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno Infantil - UFMA. Graduando do Curso de Medicina. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. 4. Doutor em Saúde Pública. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno Infantil - UFMA. Contato: Luciane Maria Oliveira Brito. E-mail: [email protected] 2. 3. Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012 11 CONSULTA GINECOLÓGICA NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS RELACIONADOS E MOTIVAÇÕES DETERMINANTES PARA SUA REALIZAÇÃO na idade média de início da vida sexual, de 18,6 para 17,9 anos6. Além disso, observa-se que gestantes grávidas ocupam uma percentagem maior quando se analisa o número de partos realizados, sendo que a taxa em 2006 era de 23%, contrapondo-se aos 17% em 19967. Dessa forma, há uma preocupação crescente no campo da ginecologia no intuito de fornecer uma maior atenção a esse grupo etário. As adolescentes abordadas nessa ocasião têm maior capacidade de moldar suas escolhas em relação à sua saúde e ao futuro, com uma ação mais voltada à prevenção8. A consulta ginecológica na adolescência é de fundamental importância para a garantia da saúde sexual e reprodutiva desta população e para a prevenção de agravos, não só da gravidez precoce e indesejada, mas também do abuso sexual e das doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, é uma consulta permeada de polêmicas relacionadas aos aspectos éticos e legais, haja vista que se esbarra em situações como privacidade, confidencialidade, sigilo e autonomia das adolescentes9. Na prática médica, para lidar com pacientes adolescentes o profissional necessita sempre ponderar para definir os limites da confidencialidade frente aos riscos aos quais são expostos os jovens nesta faixa etária. Com este cuidado e a atenção direcionada ao desenvolvimento de uma relação pautada na confiança e empatia, pode estabelecer uma relação médicopaciente voltada a assegurar a saúde e a qualidade de vida dos adolescentes que assiste10. Diante do exposto e da relevância do tema, este trabalho teve o objetivo de conhecer os motivos que levaram as adolescentes ao encontro com o ginecologista, além de identificar os conhecimentos dessas adolescentes sobre ginecologia, doenças sexualmente transmissíveis e métodos anticoncepcionais. Métodos Trata-se de um estudo descritivo quantitativo. A população estudada constituiu-se de adolescentes do sexo feminino, com idade entre 10 a 19 anos completos, segundo os critérios da OMS3. Foram selecionadas aleatoriamente 45 adolescentes frequentadoras do Adolescentro, projeto de extensão da Universidade Federal do Maranhão - UFMA, em São Luís (MA), no bairro Vila Embratel, voltado à atenção biopsicossocial e educacional de adolescentes que residem nessa região. Inicialmente realizou-se o projeto piloto com aplicação de questionários para as adolescentes contendo questões subjetivas acerca do conhecimento sobre ginecologia, aspectos relacionados e motivações para a consulta ginecológica. A partir destas entrevistas, foi formulado um questionário com perguntas objetivas, que posteriormente foi aplicado na forma de entrevista às adolescentes enquadradas nos critérios da pesquisa. Os dados foram tabulados pelo software EpiInfo® versão 3.4.3 e análise estatística descritiva com distribuição absoluta e percentual das variáveis investigadas. Além disso, aplicou-se o teste estatístico exato de Fisher para avaliar as diferenças estatisticamente significantes (<0,05) entre as características das adolescentes que já compareceram à consulta ginecológi- 12 ca e daquelas que ainda não haviam comparecido. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão - CEP-HUUFMA, parecer consubstanciado Nº 006/06. Resultados O estudo foi realizado com 45 adolescentes frequentadoras do Adolescentro com idade média de 14,5 anos, e primeira consulta ginecológica realizada aos 12,9 anos. A caracterização sócio-econômica revelou predomínio de adolescentes entre 16 e 18 anos (35,6%), cor branca (57,8%), que cursavam o ensino fundamental (51,1%) e que possuíam renda familiar de um salário mínimo (35,6%) (Tabela 1). Tabela 1 - Características socioeconômicas das adolescentes. São Luís, 2008. n Variáveis % Idade (anos) 10 a 12 12 26,7 13 a 15 14 31,1 16 a 18 16 35,6 Maior que 18 03 6,6 Branca 26 57,8 Preta 04 8,9 Parda 12 26,6 Não declarada 03 6,7 Ensino fundamental 23 51,1 Ensino médio 22 48,9 < 1 SM* 05 11,1 1 SM* 16 35,6 2 ou mais SM* 14 31,1 Não sabe referir 10 22,2 Total 45 100,0 Cor Escolaridade Renda familiar *SM: salário mínimo Entre as adolescentes, 40% relataram a menarca entre 10 e 12 anos e 77,8% das adolescentes não tiveram coitarca. A maioria (55,6%) afirmou saber a atuação do médico ginecologista, mas nunca tiveram uma consulta ginecológica (62,2%) (Tabela 2). Observou-se que entre as adolescentes que já haviam comparecido ao ginecologista, 58,8 tinham entre 10 e 14 anos na 1ª consulta. O principal motivo da consulta foi acompanhamento de rotina (29,5%), seguido de queixas de cólicas menstruais (17,6%) e os relacionados ao fluxo menstrual (17,6%). A iniciativa da consulta ginecológica partiu da mãe em 82,4% dos casos e na maioria das consultas algum parente e/ou amiga a acompanhou (88,2%). Dentre as entrevistadas, Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012 KroghE, BritoLMO, SilvaDSM, FerreiraECMF, SilvaRA Tabela 2 - Distribuição das adolescentes segundo dados clínicos. São Luís, 2008. Variáveis n % Idade da menarca 10 a 12 anos 18 > 12 anos 16 35,6 Não se aplica 11 24,4 Sim 10 22,2 Não 35 77,8 40,0 Coitarca Atuação do Ginecologista Conhece 25 55,6 Não conhece 19 42,2 Não declarado 01 2,2 Tabela 4 - Distribuição das variáveis associadas à busca da consulta ginecológica pelas adolescentes. São Luís, 2008. Consulta ao ginecologista Sim 17 37,8 Não 28 62,2 Total 45 100,0 Tabela 3 - Distribuição das adolescentes avaliadas pelo ginecologista segundo informações acerca da consulta. São Luís, 2008. Variáveis 76,5% afirmaram a preferência pelo atendimento por profissional do sexo feminino. Quanto à realização do exame físico na primeira consulta 64,5% confirmaram que foram examinadas. Todavia, apenas 17,6% adolescentes foram informadas sobre DSTs e 23,5% receberam informações acerca de anticoncepção (Tabela 3). Dentre as pacientes que já compareceram ao ginecologista, 70,6% tiveram menarca entre 10 e 12 anos; enquanto naquelas que não foram à consulta ginecológica, 42,8% tiveram menarca após os 12 anos (p=0,02). Quanto ao início da vida sexual (coitarca), tanto no grupo das meninas que já foram ao ginecologista, e naquelas que não foram, a maioria (76,5% e 78,6%, respectivamente) ainda não havia tido a primeira relação sexual (Tabela 04). n % Idade na consulta Menor que 10 anos 02 11,8 10 a 14 anos 10 58,8 Maior que 14 anos 05 29,4 Anticoncepção 01 05,9 Cólicas menstruais 03 17,6 Fluxo genital 03 17,6 Irregularidade menstrual 02 11,8 Rotina 05 29,5 Não sabe referir 03 17,6 Pessoal 03 17,6 Mãe 14 82,4 Sim 15 88,2 Não 02 11,8 Médico 03 17,6 Médica 13 76,5 Não declarado 01 05,9 Sim 11 64,5 Não 06 35,5 Sim 03 17,6 Não 13 76,5 Não declarado 01 05,9 Sim 04 23,5 Não 10 58,8 Não declarado 03 17,6 Total 17 100,0 Motivo Iniciativa Acompanhada Profissional Examinada na consulta Variáveis Idade (anos) 10 a 12 13 a 15 16 a 18 Maior que 18 Menarca (anos) 10 a 12 >12 Não se aplica Coitarca Sim Não Renda Familiar < 1 SM** 1 SM** 2 ou mais SM** Não sabe referir Escolaridade Ensino Fundamental Ensino Médio Conhece DSTs Sim Não Consulta ao Ginecologista Sim Não p-valor* n % n % 04 03 08 02 23,6 17,6 47,1 11,7 08 11 08 01 28,6 39,2 28,6 03,6 12 04 01 70,6 23,5 05,9 06 12 10 21,4 42,8 35,8 04 13 23,5 76,5 06 22 21,4 78,6 03 03 10 01 17,6 17,6 58,8 05,8 02 13 04 09 7,1 46,5 14,3 32,1 05 12 29,4 70,6 18 10 64,3 35,7 0,033 17 - 100 - 21 07 75,0 25,0 0,034 12 05 17 70,6 29,4 100 21 07 28 75,0 25,0 100,0 0,743 0,281 0,020 1,00 0,003 Conhece métodos anticoncepcionais Sim Não Total *p-valor para teste Exato de Fisher (=0,05). **SM: salário mínimo Orientação sobre DSTs Orientação sobre anticoncepção Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012 Quanto à renda familiar, 58,8% das pacientes que já foram ao ginecologista possuíam renda maior que 2 ou mais salários mínimos, enquanto 46,5% das que nunca foram, possuem renda familiar de um salário mínimo (p=0,003). Sobre o conhecimento de DSTs, todas as pacientes que haviam tido consulta ginecológica referiram ter conhecimento, enquanto 25% daquelas que não foram ao ginecologista não tinham conhecimento sobre essas doenças (p=0,033). Essa mesma porcentagem 13 CONSULTA GINECOLÓGICA NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS RELACIONADOS E MOTIVAÇÕES DETERMINANTES PARA SUA REALIZAÇÃO (25%) corresponde às adolescentes que nunca foram consultadas com o ginecologista e que não conhecem sobre métodos contraceptivos (Tabela 4). Quando interrogadas acerca das DSTs, as mais citadas entre as adolescentes que já consultaram com o ginecologista foram a AIDS (100%), Gonorréia (41,2%) e a Sífilis (41,2%). Em relação às adolescentes que nunca foram ao ginecologista, a AIDS também foi a mais citada (75%), seguida da Sífilis (17,8%) e Gonorréia (14,3%). Quanto aos métodos anticoncepcionais conhecidos, o anticoncepcional oral (70,5%) e o preservativo (64,7%) foram os mais citados por adolescentes que já frequentaram o ginecologista; enquanto no grupo das adolescentes que nunca foram ao ginecologista, o preservativo (71,4%) e o anticoncepcional oral (39,3%) foram os mais citados (Tabela 5). Tabela 5 - Distribuição das adolescentes avaliadas ou não pelo ginecologista acerca das DSTs e métodos anticoncepcionais. São Luis, 2008. Variáveis DSTs citadas AIDS Gonorréia Sífilis HPV Cancro Herpes Métodos anticoncepcionais citados Anticoncepcional oral Preservativo Anticoncepcional injetável Pílula de emergência Tabelinha DIU Consulta ao Ginecologista Não Sim n % n % 17 07 07 03 02 02 100 41,2 41,2 17,7 11,8 11,8 21 04 05 01 - 75,0 14,3 17,8 03,6 - 12 11 06 01 03 70,5 64,7 35,3 05,8 17,6 11 20 07 01 02 - 39,3 71,4 25,0 03,6 07,2 - Discussão Os resultados mostraram que a idade média das adolescentes foi 14,5 anos e que a maioria delas teve sua menarca por volta dos 13 anos. Sedenho e Freitas11 consideram este um expressivo indicador de crescimento e maturação feminina humana, em virtude do seu conteúdo biológico, social e psíquico. Historicamente, a idade média da menarca vem apresentando uma tendência à queda, diminuindo cerca de 4 meses a cada década. Atualmente, encontra-se na faixa de 12,5 a 13 anos, em segmentos populacionais economicamente desenvolvidos12. Neste trabalho, as adolescentes buscaram a primeira consulta entre 10 e 14 anos, com idade média de 12,9 anos. Já a idade da menarca ocorreu na maioria das meninas entre 10 e 12 anos, significando um dado estatisticamente relevante quando se analisou o comparecimento à consulta ginecológica. A idade da menarca foi um dado significante para motivar a busca à consulta ginecológica (p=0,020). Em estudo sobre as percepções acerca da con- 14 sulta ginecológica, as mulheres entrevistadas entenderam a importância desse momento e é consenso que a primeira consulta deve ocorrer quando a mulher ainda é uma adolescente. Muitas mulheres acreditam que a primeira consulta deve estar vinculada à primeira menstruação, já que este é um momento onde o corpo da mulher passa por grandes transformações. O início da vida sexual também foi apontado como um momento adequado para que a primeira consulta ginecológica aconteça, já que a informação, neste momento, é de extrema importância. A consulta ginecológica, nesta ocasião, foi apontada como um importante instrumento para que uma gravidez precoce não aconteça13. Dentre os motivos que levaram as adolescentes a procurarem o especialista, a consulta de rotina, cólicas menstruais e fluxo genital foram os mais frequentes neste estudo. Em um estudo realizado na cidade de Belo Horizonte (MG)13, percebeu-se que os principais motivos que levaram as adolescentes à primeira consulta com o ginecologista foram a suspeita de gravidez, a ocorrência da menarca e a busca por métodos anticoncepcionais, sendo os dois últimos mais prevalentes entre as adolescentes de melhores condições sócio-econômicas. Em outro estudo realizado em Indaiatuba (SP)14, os principais motivos foram consulta de rotina (54%), coleta de citologia oncótica (27%), informações sobre contracepção (15%) e DSTs (5%). No presente trabalho, houve uma preferência por profissional do sexo feminino. Em uma revisão de literatura recente, os autores concluíram que entre as dificuldades para a realização da consulta ginecológica, o constrangimento surgiu muito associado às questões de gênero, demonstrando que em muitas situações a consulta com o especialista masculino é fator impeditivo para a consulta15. A investigação acerca da coitarca neste trabalho revelou que a maioria das adolescentes não havia iniciado vida sexual, contrapondo-se com outros estudos16,17. Na comparação entre grupos que foram e não foram ao ginecologista, tal variável não se mostrou como fator relevante para a busca da consulta ginecológica. Em estudo realizado na Paraíba, 46,5% das entrevistadas iniciaram a vida sexual entre 10 a 14 anos. Essa faixa etária é bem inferior ao observado em gerações passadas, fato que pode ser explicado pelas mudanças de hábitos culturais e sociais, com maior exploração da sexualidade pela mídia, e associada a uma redução na idade da menarca16. É possível a ocorrência de algum viés de informação em relação o comportamento sexual, uma vez que o questionamento sobre vida sexual é um assunto de natureza íntima e pode causar constrangimento e desconfiança quanto ao sigilo das informações coletadas18. O nível de escolaridade das adolescentes teve valor significativo em relação à busca da consulta ginecológica (p= 0,033). As adolescentes que estavam no ensino médio buscaram mais a consulta ginecológica, demonstrando que um maior nível de instrução repercute sobre o interesse pessoal sobre a saúde e a prevenção de doenças. Diferenças quanto aos motivos da consulta entre mulheres de alta e baixa escolaridade foram verificadas em estudo realizado em Belo Horizonte (MG), onde a alta escolaridade representou o principal motivo para a Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012 KroghE, BritoLMO, SilvaDSM, FerreiraECMF, SilvaRA busca de conhecimentos sobre anticoncepção, enquanto nas de baixa escolaridade, o motivo mais prevalente esteve relacionado à gravidez estabelecida19. No que diz respeito à condição socioeconômica como fator de influência no conhecimento e prevenção das DSTs, 60% dos adolescentes de uma escola pública de Goiânia (GO), referiu que a condição socioeconômica é fator importante para o conhecimento e prevenção das DSTs, enquanto 37% acharam que não influencia20. Quando as adolescentes foram indagadas sobre o conhecimento a respeito das DSTs, a mais citada foi a AIDS, seguida de gonorréia e sífilis. Doenças como HPV, Herpes e Cancro mole foram pouco citadas demonstrando pouco conhecimento das adolescentes em relação a patologias de fácil transmissão sexual. Brêtas et al.,21 ao estudarem o conhecimento de adolescentes sobre prevenção, transmissão, sinais e sintomas de DST/AIDS, verificaram que todos possuem conhecimento sobre AIDS, seguido de gonorréia, sífilis e herpes, com um relação maior que 50% de conhecimento. Esses achados reforçam a importância da orientação sexual e a saúde reprodutiva, sendo notável o impacto da informação veiculada nas escolas e meios de comunicação. O conhecimento dos métodos anticoncepcionais, não apresentou diferença significativa entre as adolescentes que foram e as que nunca foram ao ginecologista. Quando questionados quais os métodos conhecidos por elas, o grupo das adolescentes que já haviam ido ao ginecologista citou a pílula anticoncepcional em sua maioria (70,5%). No grupo das adolescentes que nunca foram ao ginecologista, a camisinha foi o método citado em 71,4% das respostas. A contracepção de emergência foi citada somente por uma adolescente. Um estudo realizado com adolescentes grávidas a respeito do conhecimento de métodos contraceptivos mostrou que o preservativo masculino foi o mais lembrado por 95% das entrevistadas, seguido da pílula anticoncepcional (87,5%), em especial este último para evitar um nova gestação22. Assim, percebe-se que os meios mais utilizados para evitar a gravidez são justamente os mais disponíveis na rede pública de saúde e que possuem um esclarecimento maior por parte da população. Em revisão de literatura sobre anticoncepção na adolescência, os dois métodos mais citados nos 16 artigos estudados foram a pílula e o preservativo masculino. A não utilização de métodos contraceptivos está relacionada à relação sexual não esperada, custo, satisfação, possível ocorrência de efeitos colaterais e atitudes do parceiro, bem como uso de álcool e drogas está fortemente associado ao sexo inseguro23. Portanto, a procura pela consulta ginecológica por iniciativa da adolescente ainda é muito baixa, sendo a mãe o fator determinante para essa busca. Os principais motivos da consulta foram rotina ginecológica, cólicas menstruais e fluxo genital. Observou-se quanto maior o nível de escolaridade, renda familiar e conhecimento das DSTs, maior é a procura pelo atendimento ginecológico. Logo, faz-se necessário que políticas públicas destinadas para a orientação sexual, saúde reprodutiva e medicina preventiva do adolescente sejam implantadas e/ou complementadas a fim de garantir a saúde biopsicossocial, sexual e reprodutiva desta população. Referências 1. Silva CR, Lopes RE. Adolescência e juventude: entre conceitos e políticas públicas. 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Os idosos são o grupo da população com maior prevalência de eventos cardiovasculares, logo, identificar a prevalência de Síndrome Metabólica (SM), entre eles adquire grande importância para medidas de controle de risco. Objetivo: Analisar o perfil socioeconômico dos idosos portadores de síndrome metabólica. Métodos: Estudo exploratório descritivo com abordagem quantitativa realizado em um Hospital Universitário de São Luís (MA). A amostra foi composta de 87 idosos. Resultados: Predominou o sexo feminino (59,8%), a renda familiar variou entre 2 e 3 salários mínimos (46%), estado civil prevaleceu o de casados (50,6%) e o nível educacional mais referido foi o ensino fundamental incompleto (59,8%). Conclusão: O estudo permitiu caracterizar os portadores de síndrome metabólica atendidos no ambulatório do Hospital Universitário quanto a idade, sexo, estado civil, nível educacional e ocupação, confirmando muitos dos estudos realizados, evidenciando algumas características peculiares e indicando a necessidade de mais estudos nos aspectos que preocupam os profissionais da saúde como o nível educacional e a baixa renda. Palavras-chaves: Qualidade de vida. Saúde do idoso. Síndrome X Metabólica. Abstract Introduction: Aging is gradual and inevitable that occurs with advancing age, regardless of lifestyle, environmental factors and the disease itself, which causes changes morphophysiological providing a higher incidence of pathological processes. The elderly are the population group with the highest prevalence of cardiovascular events thus identify the prevalence of Metabolic Syndrome (MS), among them is of great importance to risk control measures. Objective: To analyze the socioeconomic profile of olderly people suffering from metabolic syndrome. Methods: A descriptive exploratory quantitative approach performed at the University Hospital of São Luis (MA). The samples consisted of 87 elderly people. Results: The predominant among females (59.8%), household income ranged between 2 and 3 times the minimum wage (46%), marital prevailed married (50.6%) and higher educational level was above the elementary school (59.8%). Conclusion: The study allowed us to characterize the patients with metabolic syndrome treated at the outpatient clinic of the University Hospital in age, sex, marital status, educational level and occupation, confirming many of the studies, showing some peculiar characteristics and indicating the need for further studies on aspects of concern health professionals such as educational level and low income. Keywords: Quality of life. Health of the elderly. Metabolic Syndrome X. Introdução O século XXI se inicia com características peculiares das transformações demográficas e epidemiológicas do século passado. Tais transformações foram significativas nos âmbitos sociodemográficos e da saúde em todo o mundo considerando o número de idosos na população, de caráter não uniforme, cujas diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento ainda permanecem presentes, devido aos fatores históricos, culturais, sociais e econômicos, caracterizando o envelhecimento populacional1,2. O envelhecimento é um processo progressivo e inevitável que ocorre com o avanço da idade, independentemente do estilo de vida, dos fatores ambientais e da própria doença, o que acarreta alterações morfofisi- ológicas, propiciando maior incidência de processos patológicos3. Atualmente, as principais causas de mortalidade no mundo estão relacionadas às doenças cardiovasculares. A Síndrome Metabólica (SM) caracterizada por hiperglicemia, dislipidemia, pressão arterial limítrofe e obesidade é hoje um dos maiores desafios para a saúde pública em todo o mundo, por estar associado como um importante risco para doença cardiovascular e diabetes tipo 24-7. A Síndrome Metabólica é uma condição que piora com o avanço da idade e aumento da obesidade, frequentemente culmina no diabetes tipo 2, que carrega especificamente alto risco para ocorrências de doenças cardiovasculares e outras complicações8. Os idosos são o grupo da população com maior 1. Graduanda do Curso de Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Enfermeira. Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica - PROVAB. Enfermeiro. Pós-Graduação em Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. 4. Enfermeira. Docente do Curso de Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Contato: Ana Hélia de Lima Sardinha. E-mail: [email protected] 2. 3. Rev Pesq Saúde, 13(2): 17-20, maio-agost, 2012 17 PERFIL DOS IDOSOS COM SÍNDROME METABÓLICA prevalência de eventos cardiovasculares, sendo assim, identificar a prevalência da Síndrome Metabólica entre eles adquire grande importância para medidas de controle de risco. Além disso, existe um maior risco para déficits cognitivos entre os portadores desta síndrome, em especial quando a glicemia é um dos componentes. Também ocorre um risco duas vezes maior para a depressão entre mulheres com SM, conforme o critério do National Cholesterol Education Program (NCEP) revisado9,10. Os novos hábitos alimentares, como o consumo de enlatados, 'comidas prontas' (fastfood), e os alimentos industrializados, adotados pela sociedade contemporânea, têm interferido na saúde do idoso como comprovam diversos estudos, que demonstram que existe uma correlação entre a alimentação e o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis nos idosos. Enquanto as doenças infecciosas e parasitárias ocupavam lugar de destaque anteriormente, agora estão sendo substituídas pelas doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e osteoporose11. A adoção precoce por toda a população de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde como uma alimentação saudável, prática de exercícios físicos, cessação de fumo e álcool, controle da pressão arterial, e perda de peso, podem reduzir os fatores de risco metabólicos e melhorar a qualidade de vida. A identificação precoce de características da SM oferece a oportunidade de intervenções no estilo e qualidade de vida, prevenção e tratamento8. O envelhecimento da população é uma aspiração de qualquer sociedade atual; mas tal desejo, por si só, não é o bastante. É importante almejar qualidade de vida para aqueles que já envelheceram ou estão no processo de envelhecer, implicando em tarefas complexas de manutenção da autonomia e independência. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo analisar o perfil socioeconômico dos idosos portadores de síndrome metabólica em São Luís (MA). Métodos Estudo exploratório descritivo, com abordagem quantitativa que faz parte de um projeto de pesquisa intitulado “Qualidade de vida em idosos com síndrome metabólica”, realizado em um serviço de atenção ao portador de síndrome metabólica no Hospital Universitário HUUFMA, São Luís (MA). Neste estudo foram incluídos idosos de ambos os sexos, na faixa etária de 60 anos ou mais de idade, que apresentaram três dos seguintes critérios clínicos: obesidade, resistência a insulina, hipertensão arterial e dislipidemia, assistidos no ambulatório de endocrinologia do HUUFMA. Para a coleta de dados utilizou-se um questionário contendo dados socioeconômicos. As entrevistas foram realizadas no ambulatório, durante de os meses de março a setembro de 2011, enquanto os pacientes aguardavam o atendimento. Os dados foram cadastrados no programa software EPI-Info® 3.5.2, e realizado a análise descritiva em frequência e percentual sendo os resultados apresentados em tabelas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em 18 Pesquisa do Hospital Universitário – CEP-HUUFMA com parecer nº 012/11de 11.02.2011. Todos os convidados aceitaram em participar assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados Estudou-se 87 idosos de ambos os sexos, sendo 59,8% (52) do sexo feminino e 40,2% (35) do sexo masculino, com idade média de 65,47. A idade mínima foi de 60 anos e a máxima de 92, sendo que a faixa etária que apresentou maior frequência foi de 60 a 69 anos completo representando 48,3% (42) dos entrevistados. Quando indagados quanto à renda familiar mensal, a maioria (46%) informou ganhar entre 2 e 3 salários mínimos. Apenas uma pessoa (1,1%) referiu ter renda menor que um salário mínimo e 2 idosos (2,3%) referiram ganhar mais de 10 salários mínimos mensais. Quanto à ocupação, detectou-se que em ambos os sexos a maior frequência foi de aposentados (as), correspondendo a 79,3% (n=69). No que se refere ao estado civil, verificou-se que a maioria das pessoas vive com companheiros (56,3%) Tabela 1 - Características socio-demográficas de Idosos portadores de Síndrome Metabólica. Hospital Universitário, São Luís - MA, Brasil, 2011. Variáveis Sexo Masculino Feminino Idade (em anos completos) 60 – 69 70 – 79 80 – 89 Renda Familiar Menos que 1 Um salário Entre 2 e 3 Entre 4 e 5 Entre 6 e 7 Entre 8 e 9 Mais que 10 Ocupação Aposentados (as) Pensionistas Desempregados Outros Estado Civil Solteiro (a) Casado (a) Vivendo como casado (a) Separado (a) Divorciado (a) Viúvo (a) Nível Educacional Analfabeto Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo Total n % 35 52 40,2 59,8 42 38 07 48,3 42,5 8,0 01 30 40 09 04 01 02 1,1 34,5 46,0 10,3 4,6 1,1 2,3 69 05 02 11 79,3 5,7 2,3 11,2 11 44 05 02 01 24 12,6 50,6 5,7 2,3 1,1 27,6 13 52 06 05 08 03 87 14,9 59,8 6,9 5,7 9,2 3,4 100,0 Rev Pesq Saúde, 13(2): 17-20, maio-agost, 2012 Silva CG, Rodrigues JB, Medeiros-Júnior JR, CoutinhoNPS, LopesMLH, SardinhaAHL sendo que 44 (50,6%) são casados e 5 (5,7%) vivem união consensual. Em relação ao nível educacional, a maior frequência tinha ensino fundamental incompleto (59,8%) seguida pelos analfabetos (14,9%), 8 entrevistados (9,2%) referiam ensino médio completo, seguido de 6 indivíduos (6,9%) que referiram ensino fundamental completo (Tabela 1). Discussão Os idosos portadores da Síndrome Metabólica eram a maioria do sexo feminino, com idade variável entre 60 e 92 anos completo, sendo que a faixa etária com a maior frequência foi de 70 a 79 anos. Em estudo de acordo com o International Diabetes Federation, realizado por Rigo12 com um grupo de 378 idosos verificou a prevalência de síndrome metabólica maior em mulheres com 63,5% contra 43,3% entre os homens. Em um serviço de geriatria na Turquia, a prevalência da SM entre os 1.255 indivíduos estudados, com 65 anos ou mais, foi de 24% com o critério do NCEP ATPIII13. Outro estudo realizado na cidade de Bogotá, que envolveu pacientes selecionados de uma clínica de tratamento de hipertensos, com 40 anos ou mais, utilizando o critério do NCEP ATPIII, a prevalência foi de 19% entre os homens e 30% entre as mulheres14. Estudo de corte de base populacional, realizado na Itália com idosos com mais de 65 anos que vivem na comunidade, foi encontrada uma prevalência de SM de 33% entre homens e 20% em mulheres, usando o critério do NCEP ATPIII15. Entre australianos com mais de 70 anos, provenientes da comunidade de etnia européia, a prevalência da SM pelo critério da IDF foi de 36% entre homens e 46% entre as mulheres. Entre os italianos de Florença com mais de 60 anos, foi observada uma maior prevalência de SM no critério da IDF (52,8%) em relação ao do NCEP revisado (33,1%)16. Vale ressaltar que esse significativo diferencial na composição por sexo, recebe influência, entre outros fatores, da condição de gênero, pois as mulheres, além de estarem mais predispostas às situações ora referidas, elas, ao longo do seu curso de vida, dada a questões culturais, são mais expressivas com relação às doenças, e procuram mais frequentemente os serviços de saúde do que os homens. Além disso, embora as mulheres tenham maior sobrevida do que os homens experimentam por um período mais prolongado de vida, doenças crônicas e incapacidades do que eles, o que altera significativamente o seu afeto e as fazem mais dependentes de cuidado17,18. O estudo realizado por Chaimowicz19 comprovou que o número de mulheres idosas e viúvas eram maiores do que a dos homens e que as aposentadorias e pensões eram sua principal fonte de renda. Conforme o exposto, a realidade econômica dos idosos investigados é precária, embora esteja em consonância com a realidade do Brasil e do Nordeste20. A situação é preocupante, uma vez que desvantagens no desenvolvimento social e precárias condições econômicas constituem, de um modo geral, maior risco de adoecer e morrer precocemente, por qualquer causa, em todas as idades, em ambos os sexos21. Analisando a ocupação dos idosos, pode-se afirmar que os dados encontrados são condizentes com normas sociais vigentes no Brasil e em outros contextos geográficos as quais conduzem os idosos à aposentadoria e a pouca acessibilidade ao mercado de trabalho formal, pois neste contexto etário, suas habilidades e experiências são consideradas de menor valia social, especialmente quando comparadas com aquelas evidenciadas pelos mais jovens, havendo, assim, uma nítida associação entre aposentadoria e invalidez22. O baixo nível de escolaridade é um importante preditor de depressão no idoso, bem como de outros transtornos afetivos, a exemplo da ansiedade. Contrariamente, idosos de melhor escolaridade possuem melhor acesso a cuidados médicos, a atividades implicadas no estímulo das funções cognitivas e mentais, além de terem maior nível de participação social e, consequentemente, melhor qualidade de vida21. O estudo permitiu caracterizar os portadores de síndrome metabólica evidenciando algumas características peculiares e indicando a necessidade de mais estudos nos aspectos que preocupam os profissionais da saúde como o nível educacional e a baixa renda, pois há uma necessidade maior de mudanças e/ou melhorias na abordagem a esses pacientes como a forma e o tipo de linguagem mais acessível garantindo um entendimento correto das informações transmitidas. Referências 1. Nasri F. Envelhecimento populacional no Brasil. São Paulo: Einstein. 2008; 6: 4-6. 2. Veras R. Fórum envelhecimento populacional e as informações de saúde do PNAD: demandas e desafios contemporâneos. Rio de Janeiro: Cad Saúde Publ, 2009; 23(10): 2463-66. 3. 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Rev Pesq Saúde, 13(2): 17-20, maio-agost, 2012 ISSN-2179-6238 Artigo Original / Original Article FATORES ASSOCIADOS AO DESMAME POR OCASIÃO DA ALTA EM PREMATUROS DE MUITO BAIXO PESO FACTORS ASSOCIATED WITH WEANING AT THE TIME OF HOSPITAL DISCHARGE OF VERY LOW BIRTH WEIGHT PREMATURE INFANTS Fernando Lamy Filho1, Marianne de Carvalho Rodrigues2, Alcioneyaria da Silva Correia3 , Hanna-Arony Wanderley Pereira de Araújo4 Resumo Introdução: A presença do aleitamento materno exclusivo no momento da alta hospitalar condiciona a continuação e duração do mesmo, sendo fundamental para o desenvolvimento da criança após a alta. Objetivo: Avaliar fatores que influenciam a ausência do aleitamento materno exclusivo por ocasião da alta de recém-nascidos de muito baixo peso da UTI neonatal do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. Métodos: Estudo transversal realizado com todos os recém-nascidos com menos de 1500g de peso no período estudado. A amostra foi composta por 214 indivíduos. Foi realizada análise univariada e na segunda fase, utilizou-se análise multivarida do tipo hierarquizada. Foram consideradas associadas à variável-resposta àquelas que apresentaram p-valor <0,05. Resultados: Ao final da análise multivariada, somente o tempo de duração da nutrição parenteral e a idade materna >35 anos mantiveram-se associadas a não realização do aleitamento materno por ocasião da alta médica. Conclusão: A nutrição enteral foi iniciada precocemente, o que mostra manejo nutricional adequado quanto ao tempo de início. A ausência de aleitamento materno exclusivo permaneceu relacionada somente às variáveis que apontam para a influência da gravidade dos recém-nascidos (tempo de NPT) e de características demográficas das mães (idade materna). Palavras-chave: Aleitamento materno exclusivo. Alta do Paciente. Fatores de risco. Abstract Introduction: Exclusive breastfeeding at discharge from hospital encourages the continuation and duration of it, being very imortante for the development of the child after discharge. Objective: To evaluate the factors that influence the lack of exclusive breastfeeding at discharge from the neonatal intensive care unit of the University Hospital of the Federal University of Maranhão in the period of January 2009 to December 2010 for infants with very low birth weight. Methods: Cross-sectional study with all newborns with less than 1500 g in weight during the study period. The sample consisted of 214 subjects. Univariate analysis was performed and in the second stage was used multivariate analysis of the hierarchical type. We considered the response variable associated with those that had a p-value <0.05. Results: At the end of the multivariate analysis, only the duration of parenteral nutrition and maternal age> 35 years were associated with not performing of breastfeeding on discharge from care. Conclusion: Enteral nutrition was started early, which shows an apropriate nutritional manipulation in relation to the start time of it. The lack of exclusive breastfeeding remained related only to the variables that point to the influence of gravity of newborns (time of total parentaral nutrition) and demographic characteristics of mothers (maternal age). Keywords: Breastfeeding. Patient Discharge. Risk Factors. Introdução O aleitamento materno durante a internação de bebês prematuros é incentivado e praticado na maioria dos serviços1. A presença do aleitamento materno exclusivo no momento da alta hospitalar condiciona a continuação e duração do mesmo, o qual é fundamental para o bom desenvolvimento da criança após a alta2. Porém, nesse momento, muitas díades ainda se encontram em dificuldade para estabelecer a amamentação exclusiva. O aleitamento materno é recomendado à criança, de forma exclusiva, até os seis meses de vida, uma vez que esse leite contém propriedades e nutrientes necessários ao desenvolvimento adequado principalmente para bebês prematuros. Além disso, o aleitamento é um processo biológico e emocional, que possibilita maior contato e vínculo entre mãe e filho3-5. Recém-nascidos pré-termo frequentemente necessitam de internação em UTIN, sendo inevitável a separação destes de suas mães, o que pode constituir uma barreira psicológica e prática ao estabelecimento e manutenção do aleitamento materno. Sua realização em bebês prematuros é mais difícil devido a um inadequado controle da sucção, deglutição e respiração. Somente por volta das 32 a 35 semanas de idade gestacional os recém-nascidos pré-termo (RNPT) conseguem coordenar estas atividades6. Estudos realizados em diferentes populações de recém-nascidos no Brasil mostram uma grande variação na frequência de aleitamento materno exclusivo durante a internação e na alta. Em um estudo realizado em Joinville, Santa Catarina, foram avaliados recémnascidos pré-termos de qualquer peso (n=244) sendo encontrada uma prevalência de 84,4% na alta hospitalar7. Na cidade de Campinas, São Paulo, um estudo apresentou frequência de 88,9%, de aleitamento materno (exclusivo ou não), na alta hospitalar em recém-nascidos qualquer idade gestacional8. 1. Universidade Federal do Maranhão. Departamento de Saúde Pública. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. Universidade Federal do Maranhão. Faculdade de Nutrição. São Luís, MA, Brasil. Universidade Federal do Maranhão. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. São Luís, MA, Brasil. 4. Universidade Federal do Maranhão. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. São Luís, MA, Brasil. Contato: Fernando Lamy Filho. E-mail: [email protected] 2. 3. Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012 21 FATORES ASSOCIADOS AO DESMAME POR OCASIÃO DA ALTA EM PREMATUROS DE MUITO BAIXO PESO Um estudo populacional com recém-nascidos observou 80% de Aleitamento Materno Exclusivo (AME), na alta e identificou os seguintes fatores maternos de risco para o desmame: início tardio do pré-natal (>20 semanas), fumo, idade (adolescentes), anestesia geral e parto cesáreo, residência em área social menos favorecida e parto prematuro9. Na Dinamarca, um estudo especificamente com prematuros extremos (<32 semanas), constatou 60% de AME na alta. Nesse grupo, mães de gemelares, de prematuros extremos, de classes sociais menos favorecidos e fumantes necessitaram atenção especial de políticas de aleitamento10. Outros levantamentos mostram percentuais mais baixos, como, por exemplo, na alta de Recém-nascidos de Extremo Baixo Peso (RNEBP), 30,6% recebiam leite materno exclusivamente11,12. A presença AME e o entendimento dos fatores que influenciam na ausência desta prática por ocasião da alta de serviços de neonatologia, principalmente em uma população de recém-nascidos pré-termo de muito baixo peso, constituem o objetivo principal do presente estudo. a segunda fase aquelas que apresentaram p-valor <0,20. Para a segunda fase, utilizou-se análise do tipo hierarquizada que propõe a classificação das variáveis segundo sua influência no desfecho, classificando-as em proximais, intermediárias e distais de acordo com o organograma abaixo. Foram consideradas associadas à variável respostas àquelas que apresentaram p-valor <0,05. Os dados foram analisados no programa EpiInfo® versão 3.5.3, de domínio público. O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa - CEP/HUUFMA, protocolo Nº 004382/2011-00. Métodos Estudo transversal realizado com todos os bebês com menos de 1500g de peso de nascimento, internados na UTI neonatal do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) no período de 2 anos (janeiro de 2009 a dezembro de 2010). Não foram incluídos aqueles que foram a óbito antes da alta hospitalar ou que não possuíam informação sobre o óbito no banco de dados. Os dados foram obtidos do banco de dados da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais (RBPN), da qual o Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) faz parte. Os mesmos foram coletados através do preenchimento de formulários padrão da RBPN, referentes aos dados de identificação do bebê, dados maternos e do parto e informações sobre a evolução da internação, preenchidos pelos profissionais da unidade como procedimento de rotina. Com um total de 214 indivíduos na amostra, um intervalo de confiança de 95%, poder de 80% e uma diferença na frequência do desfecho entre os expostos e não expostos de 20%, um risco relativo de 1,5 pode ser detectado. As variáveis estudadas foram tipo de parto, sexo do recém-nascido, pré-natal, diabetes e hipertensão maternas, idade materna e idade gestacional, peso de nascimento, percentual de perda de peso, dias de recuperação do peso de nascimento, apgar do 5º minuto, sepse precoce, sepse tardia, tempo de ventilação mecânica, tempo de oxigênio terapia, displasia bronco pulmonar, tempo de nutrição parenteral, idade (dias) ao início da alimentação por via enteral, tempo de permanência na internação, peso da alta, enterocolite necrosante e perfuração intestinal. A variável resposta foi o tipo de alimentação por ocasião da alta hospitalar. As variáveis quantitativas foram transformadas em dicotômicas por não apresentarem distribuição normal, sendo estabelecidos pontos de corte para cada uma delas. Em um primeiro momento, foi realizada análise univariada onde foi testada a associação de todas as variáveis em relação ao desfecho. Foram mantidas para 22 Figura 1 - Organograma da relação hierárquica entre variáveis e sua relação com o desfecho. Resultados O total de pacientes cujos dados estavam disponíveis no período estudado era de 323. Oitenta e oito (27,2%) recémnascidos foram a óbito, não participando da análise final. Em 27 (11,4%) não havia informação sobre óbito, sendo esses considerados como perda. Ao final foram analisados 208 indivíduos. As variáveis estudadas apresentaram diferentes percentuais de perda na faixa entre 0,48% e 8,65% (Tabela 1). Tabela 1 - Características perinatais e nutricionais de recémnascidos menores de 1.500g. Hospital Universitário - UFMA. 2009-2010. n % - - 1217,49 214,47 - - 31s e 6d 2s e 4d 103 101 27 23 49,5 48,6 12,7 11,4 - - Idade (dias) ao início da nutrição enteral - - 2,75 2,12 Duração da nutrição parenteral - - 8,43 5,44 Percentual médio de Perda de peso - - 11,24 6,44 Recuperação do peso de nascimento (dias) - - 10,85 7,90 Variáveis perinatais Peso de nascimento (g) Idade gestacional (semanas e dias) Parto Normal Sexo Masculino Idade Materna >35 anos Pré-natal Variáveis nutricionais Peso na alta (g) AME na alta Média DP 1871,61 583,11 104 54,2 Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012 Lamy-FilhoF, RodriguesMC, CorreiaAS, AraújoH-AWP Tabela 2 - Análise não ajustada das características de recémnascidos com peso de nascimento <1.500g, em relação à alta sem aleitamento exclusivo. Hospital Universitário - UFMA, 2009-2010. Variáveis Idade materna ≤ 20 anos 21 a 34 anos >35 anos Idade gestacional <34 semanas ≥ 34 semanas Peso de nascimento <1000g ≥ 1000g Apgar 5º minuto ≤6 >6 Perda de peso (%) >15% ≤ 15% Idade (dias) ao início da nutrição por via enteral >2 dias ≤2 dias Crianças sem AME na alta Sim Não Análise não ajustada n (%) n (%) OR* IC 95% p-valor 68 (49,6) 69 (50,4) 1,55 0,80-3,02 0,193* 19 (38,8) 30 (61,2) 24 (66,7) 12 (33,3) 2,84 1,32-6,09 0,007* 64 (41,3) 91 (58,7) 9 (64,3) 5 (35,7) 2,22 0,71-6,92 0,167* 76 (44,7) 94 (55,3) 30 (63,8) 17 (36,2) 2,67 1,35-5,30 0,004* 56(39,7) 85 (60,3) 39 (51,3) 37 (48,7) 1,51 0,84-2,71 0,167* 46 (41,1) 66 (58,9) 56 (57,7) 41 (42,3) 2,83 1,53-5,21 <0,001* 27 (32,5) 56 (67,5) 30 (68,2) 14 (31,8) 3,13 1,52-6,44 0,002* 56 (40,6) 82 (59,4) Tempo de oxigênio terapia >7 dias ≤7dias 47 (60,3) 31 (39,7) 2,52 1,38-4,61 0,003* 39 (37,5) 65 (62,5) DBP (oxigênio 28 dias) Sim Não Permanência na internação ≥20 dias <20 dias Peso na alta <1800 g ≥1800 g Enterocolite necrosante Sim Não OR IC (95%) 0,9777 1,0 2,6071 0,48-1,97 *p-valor 0,053 0,98-6,89 Tabela 4 - Análise ajustada** das variáveis intermediárias + distais associadas. Hospital Universitário - UFMA, 2009-2010. Variáveis Apgar 5º minuto Idade (dias) ao início da nutrição - Por via enteral Idade gestacional Idade materna > 35 anos DBP (oxigênio 28 dias) Perda de Peso (%) Permanência na Internação Peso na alta Peso de nascimento Duração da nutrição parenteral Tempo de oxigênio terapia Tempo de Ventilação Mecânica OR 1,76 IC 95% 0,39-7,89 p-valor 0,455 0,84 0,37-1,93 0,694 0,83 3,03 2,70 1,28 1,41 0,54 0,77 0,32-2,11 0,92-10,02 0,61-11,83 0,47-1,47 0,47-4,25 0,24-1,24 0,25-2,33 0,700 0,068 0,187 0,625 0,537 0,149 0,645 2,34 1,05-5,21 0,037 1,46 0,55-3,85 0,440 1,13 0,31-4,09 0,851 DBP = Displasia Bronco Pulmonar. OR = Odds Ratio. IC = Intervalo de confiança. **Regressão Logística. Tempo de ventilação mecânica >7 dias ≤ 7 dias Variáveis Idade materna <20 anos 21 a 34 anos > 35 anos OR = Odds Ratio. IC = Intervalo de Confiança. **Regressão Logística. 18 (42,9) 24 (57,1) 0,97 0,48-1,97 0,950 56 (43,4) 73 (56,6) 1 14 (66,7) 7 (33,3) 2,60 0,98-6,89 0,053* Duração da nutrição parenteral >1 semana ≤1 semana Tabela 3 - Modelo de Análise ajustada** das variáveis distais. Hospital Universitário - UFMA, 2009-2010. 21 (77,8) 6 (22,2) 5,06 1,93-13,22 0,001* 65 (40,9) 94 (59,1) 79 (51,3) 75 (48,7) 3,39 1,50-7,64 0,003* 9 (23,7) 29 (76,3) 21 (31,3) 46 (68,7) 0,38 0,20-0,72 0,003* 67 (54,0) 57 (46,0) 5 (71,4) 2 (28,6) 3,10 0,58-16,44 0,182* 82 (44,6) 102 (55,4) DBP = Displasia Bronco-Pulmonar. OR = Oddsratio. IC = Intervalo de confiança. *Variáveis com p-valor <0,2. Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012 Tabela 5 - Análise ajustada** das variáveis proximais + intermediárias e distais associadas. Hospital Universitário - UFMA, 2009-2010. Variáveis Enterocolite necrosante Sim Não Idade materna <20 anos 21 a 34 anos >35 anos Duração da Nutrição Parenteral >7 dias ≤7 dias OR* IC ↑ 95% p-valor 2,55 1,0 0,46-14,14 - 0,283 - 0,99 1,0 3,14 0,47-2,10 1,13-8,69 0,995 0,028 2,90 1,0 1,54-5,46 - <0,001 - OR = Oddsratio. IC = Intervalo de confiança. **Regressão Logística. Na análise não ajustada entre as características de mães e RN e o tipo de alimentação na alta, foram mostradas todas as variáveis que apresentaram significância (<0,20) (Tabela 2). Apresentaram maior significância na análise univariada, o tempo de duração da nutrição parenteral, de ventilação mecânica, de oxigênioterapia, permanência na internação, percentual de perda de peso, peso de nascimento, a ocorrência de displasia broncopulmonar e a idade materna maior que 35 anos. Para a análise ajustada, utilizou-se o modelo hierarquizado onde as variáveis foram classificadas como distais, intermediárias ou proximais (Tabelas 3, 4 e 5). Ao final da análise multivariada, mantiveram-se associadas somente o tempo de duração da nutrição parenteral (p<0,001) e a idade materna >35 anos (p=0,028). 23 FATORES ASSOCIADOS AO DESMAME POR OCASIÃO DA ALTA EM PREMATUROS DE MUITO BAIXO PESO Discussão Verificou-se, que nos três níveis hierárquicos analisados apenas a idade da mãe (>35 anos) e um tempo de NPT maior que 7 dias se associaram, no modelo final, à alta sem aleitamento materno exclusivo. Em um estudo realizado com recém-nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas, internados em unidades neonatais do nordeste, 69,4% recémnascidos receberam alta com aleitamento materno exclusivo13 valor superior ao deste estudo, que incluiu apenas RN com peso ao nascer inferiores a 1500g. A discordância pode se dever à quantidade de crianças com idades gestacionais inferiores a 37 semanas mas com peso acima de 1500g, no primeiro estudo. Na análise univariada, a idade materna >35 anos e o tempo de nutrição parenteral associaram-se como risco para a alta sem AME. Além destas variáveis, também se associaram como risco: o peso de nascimento menor que 1.000g, perda de peso maior que 15% do peso de nascimento, tempo de ventilação mecânica maior que sete dias, tempo de oxigenioterapia maior que sete dias, displasia bronco pulmonar, duração da internação maior que 20 dias e peso de alta menor que 1800g. Essas associações se modificaram nas análises ajustadas, permanecendo apenas as duas primeiras variáveis citadas. Esses fatores apontam na direção de bebês mais prematuros e de menor peso, sendo os mesmos aqueles que apresentam, sabidamente, maior risco para problemas alimentares13-15. No estudo realizado por Vieira et al.,8 em 2004, 61,9% dos recém-nascidos de baixo peso (<2500g), avaliados após a alta, e antes dos quatro meses de vida não foram amamentados de forma exclusiva. Em 2007, no estudo realizado por Rugolo et al.,16 com 70 bebês de extremo baixo peso de nascimento, após a alta hospitalar, onde 41 tinham displasia bronco pulmonar, somente dois bebês receberam aleitamento materno exclusivo. Nascimento17, encontrou, em análise univariada, associação da ausência de AME na alta com algumas variáveis que corroboram os achados do presente trabalho tais como o peso de nascimento inferior a 1.500g e o tempo de internação maior que 28 dias e outras variáveis como o uso de oxigênio aos 28 dias de vida e de ventilação mecânica também se associaram com a alta sem AME. No modelo inicial, que incluía variáveis consideradas distais ao desfecho, a idade materna >35 anos mostrou-se como fator de risco para a alta sem aleitamento materno exclusivo. Esse dado é corroborado pelo estudo de Mancini18, realizado em 2004, ao avaliar recém-nascidos egressos de unidade neonatal em Belo Horizonte. No estudo de Nascimento17, entre todas as faixas etárias maternas, a única que se relacionou à alta sem AME foi a faixa de mães acima de 35 anos, confirmando novamente os achados encontrados neste estudo. Esse achado pode sugerir que possivelmente mães mais velhas já possuam outros filhos e que a necessidade de dar atenção a eles implica em maior dificuldade em iniciarem e/ou manterem um processo de AME. No modelo de variáveis consideradas intermediárias ao desfecho, a idade materna (originária do modelo distal) se manteve associada de forma limítrofe (p=0,06). O tempo de nutrição parenteral maior que sete dias também mostrou associação com a ausência 24 de AME na alta. Estudo realizado por Mancini18, encontrou associação entre o uso da NPT e a alta sem aleitamento materno exclusivo. Nesse caso a associação não se refere ao tempo de uso, mas ao fato de fazer uso ou não dessa tecnologia19, 20. Nascimento e Issler21, também encontraram relação entre o uso de nutrição parenteral com o mesmo desfecho. Na unidade neonatal do HUUFMA, o significado de manter por mais tempo a nutrição parenteral geralmente se refere a uma maior dificuldade em iniciar ou manter nutrição enteral efetiva, apontando, possivelmente, para uma população de maior risco. Nenhuma variável pertencente àquelas consideradas proximais ao desfecho estudado mostrou-se associada ao mesmo. É possível que o banco de dados utilizado, montado a partir de dados da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, não incluísse variáveis suficientemente específicas em relação à alta sem AME que permitisse achados mais esclarecedores. A variável Enterocolite Necrosante (NEC) que supostamente estaria diretamente relacionada ao desfecho não mostrou associação. Possivelmente esse fato estaria relacionado à definição de NEC utilizada para o preenchimento do formulário que estaria incluindo todas as classificações da doença, inclusive quadros apenas suspeitos. As limitações encontradas durante a realização dessa pesquisa se referem principalmente ao caráter transversal da mesma e ao fato de as variáveis terem sido previamente coletadas. Isso dificulta determinadas respostas em relação a questionamentos específicos, principalmente quanto aos métodos utilizados no início do processo de nutrição, dados sobre composição familiar das mães e número de consultas de prénatal. Outra dificuldade foi a falta de preenchimento adequado de algumas variáveis importantes como o escore de avaliação de gravidade (só preenchido no ano 2010) e informações sobre malformações congênitas. Houve também dificuldades em encontrar, na literatura, estudos para comparação com este trabalho que usassem populações semelhantes. Apesar do número de bebês utilizado na análise não permitir análises mais precisas, é importante ressaltar que ele se refere a todos os recém-nascidos com peso de nascimento abaixo de 1.500g nascidos no período estudado, configurando uma população e não somente uma amostra. Considerando que todos os serviços de neonatologia de alto risco busca garantir boas condições aos recém-nascidos no momento da alta o aleitamento materno exclusivo torna-se de importância central. Diversas variáveis apresentaram associação com a ausência de aleitamento materno exclusivo na alta, na análise univariada. Porém, somente o maior tempo de duração da NPT (>7 dias) e a idade materna elevada (>35 anos), permaneceram relacionados com a ausência de AME na análise final, demonstrando a importância de variáveis indicadoras de gravidade e de variáveis indicadoras da situação social das mães. Agradecimentos Agradecemos a Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais e ao Serviço de Neonatologia do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão HUUFMA, pelo fornecimento de dados para a realização deste trabalho. Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012 Lamy-FilhoF, RodriguesMC, CorreiaAS, AraújoH-AWP Referências 1. Tavares AS, Queiroz MVO, Jorge MSB. Atenção e cuidado à família do recém-nascido em unidade neonatal: perspectivas da equipe de saúde. Cienc Cuid Saúde, 2006; 5(2): 193-203. 12. Serra SOA, Scochi CGS. Dificuldades maternas no processo de aleitamento materno de prematuros em uma UTI neonatal. Rev Latino-Am Enferm, 2004; 12(4): 597-605. 2. World Health Organization. Infant and young child feeding: model chapter for textbook for medical students and allied health professionals; 2009 [acesso 2011 out. 30]. Disponível em: <http://www.who.int/nutrition/publica tions/infantfeeding/9789241597494/en/> 13. Cavalcante MC. 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Objetivo: Analisar os efeitos da drospirenona na pressão arterial (PA) e marcadores de doença cardiovascular em mulheres climatéricas hipertensas. Métodos: Ensaio clínico com 30 mulheres climatéricas, entre 40 e 60 anos, hipertensas grau I, com sinais clínicos de climatério. As pacientes foram divididas igualmente em dois grupos: Grupo I - tratadas com 1mg de estradiol e 2mg de drospirenona; Grupo II - sem terapia hormonal. No início do estudo e após três meses de seguimento foram dosados homocisteína e proteína c-reativa (PCR) ultrassensível, além da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial, para análise dos efeitos da Terapia Hormonal de Reposição. Utilizou-se a Análise da Covariância sendo atribuído nível de significância α<0,05. Resultados: Após três meses de seguimento, houve redução da PA nos dois grupos, sendo mais acentuada no Grupo I, PA Sistólica (p=0,002) e Diastólica (p=0,004). Os níveis séricos da homocisteína sofreram um decréscimo em ambos os grupos, sendo maior (8,2%) no Grupo I (p=0,082). Os níveis séricos da PCR também apresentaram redução nos dois grupos, sendo a redução do Grupo I (7,1%) mais proeminente (p=0,077). Conclusão: O uso da TH combinada com a drospirenona apresentou redução significativa nos níveis pressóricos, reforçando as propriedades antagonistas da aldosterona que podem contrabalançar a possível retenção hídrica relacionada ao estrogênio. Palavras-chave: Hipertensão. Terapia Hormonal. Marcadores Biológicos. Abstract Introduction: Drospirenone is a derivative progestin with properties aldosterone antagonists whose antihypertensive effect was demonstrated in clinical studies. In combination with estradiol, drospirenone is used as an option to low dose hormone replacement therapy to alleviate climacteric symptoms. Objective: To analyze the effects of drospirenone on blood pressure (BP) and markers of cardiovascular disease in climacteric women with hypertension. Methods: A clinical trial study included 30 perimenopausal women between 40 and 60 years old, stage 1 hypertension, with clinical signs of menopause. The patients were divided in two groups: Group I - patients treated with 1mg estradiol and drospirenone 2mg, Group II - patients without hormone therapy. At baseline and after three months of follow-up, measurements were made of homocysteine and C-reactive protein ultrasensitive, and the Ambulatory Blood Pressure Monitoring, to analysis of the effects of hormone therapy. We used the analysis of co-variance was assigned a level of significance set at α<0,05. Results: After three months of follow up, there was a reduction in BP in both groups, being more pronounced in Group I, Systolic BP (p=0,002) and Diastolic BP (p=0,004). Serum levels of homocysteine have experienced a decrease in both groups, being higher (8,2%) in Group I (p=0,082). Serum levels of C-reactive protein ultrasensitive also decreased in both groups, the reduction in Group I (7,1%) more prominent (p=0,077). Conclusion: The HT combined with drospirenone showed significant reduction in blood pressure, reinforcing properties that aldosterone antagonists may counteract the possible estrogen-related fluid retention. Keywords. Hypertension. Hormonal Therapy. Biological Markers. Introdução Segundo estimativas, 30% a 40% das mulheres sofrerão as consequências da diminuição progressiva dos estrogênios: disfunções menstruais, sintomas vasomotores, distúrbios psicológicos, alterações cognitivas, mudanças tróficas, perda óssea, doenças cardiovasculares, necessitando de terapia hormonal1. Este hipoestrogenismo é resultante da falência gonadal por exaustão da população folicular que acomete mulheres climatéricas2. A Terapia Hormonal de Reposição surge com o objetivo de melhorar as condições de saúde e qualidade de vida da mulher3. Consiste na reposição de estrogênios, progestagênios e, eventualmente, androgênios; sendo indicada para alívio de fogachos, sudorese, atrofia urogenital, ressecamento vaginal, preservar a massa óssea, melhorar os distúrbios do sono e estimular a libido4. Tal quadro clínico deve-se, sobretudo ao hipoestrogenismo presente na mulher climatérica, o período pós-menopausa associa-se ao aumento progressivo do 1. Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Doutora em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno-Infantil da Universidade Federal do Maranhão - UFMA. 3. Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo - USP. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno-Infantil da Universidade Federal do Maranhão - UFMA. 4. Doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde MaternoInfantil da Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Contato: Luciane Maria Oliveira Brito. E-mail: [email protected] 2. 26 Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012 SantosSM, CheinMBC, SilvaDSM, CruzPRS, Figueiredo-Neto JA, BritoLMO risco de doenças cardiovasculares5. Acreditava-se inicialmente que a TH seria capaz de reduzir o risco dessas doenças; contudo, a grande maioria dos estudos clínicos não evidenciou o efeito fisiopatológico imaginado, não confirmando o efeito protetor cardiovascular, cujas razões para tais resultados são ainda desconhecidas6,8. Entretanto, em alguns estudos observou-se que a terapia hormonal convencional aumentou os níveis dos marcadores de doença cardiovascular: homocisteína e da proteína C reativa (PCR) ultrassensível, além de agentes do processo aterogênico e trombótico8. O sistema renina-angiotensina-aldosterona é um mediador progressivo e bem conhecido da doença renal e cardiovascular. Dentre seus componentes, a aldosterona possui maior destaque, pois exerce uma variedade de efeitos adversos através de diversos mecanismos9-11. Observou-se que o uso da espironolactona, antagonista do receptor da aldosterona, melhora os índices de morbimortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca. Esse antagonismo gerou interesse no desenvolvimento de drogas que pudessem aumentar ou potencializar essa ação, como as drogas inibidoras da enzima conversora de angiotensina e antagonistas do receptor II de angiotensina (ATA-II)12. A drospirenona (DRSP) é um derivado progestínico da 17-alfa-espironolactona, um análogo da espironolactona, que possui ação antagonista da aldosterona aproximadamente sete vezes maior que seu similar. Em associação com o 17-beta-estradiol (E2), a drospirenona é utilizada como TH de baixa dose em formulações de 1mg a 3mg. Sua eficácia é conhecida no alívio de sintomas vasomotores, sem alteração da espessura endometrial e com um possível efeito positivo na função lipídica13,14. A associação entre a DRSP/E2 tem demonstrado um efeito anti-hipertensor significativo, e também um efeito aditivo quando combinada com a terapia anti-hipertensiva existente15. Ao contrário de outros progestágenos, a DRSP possui um perfil bioquímico semelhante à progesterona endógena, especialmente em relação a propriedades antimineralocorticóides e antiandrogênicas16. Acredita-se que a sua potência antiandrogênica e antimineralocorticóide seja superior ao análogo espironolactona. Dessa forma, a DRSP além de inibir a estimulação estrogênica do Sistema renina-angiotensinaaldosterona (SRAA), mantém as propriedades vasoativas e anti-aldosterona dos progestágenos que declinam com a menopausa17,18. A Terapia Hormonal (TH), ideal em mulheres hipertensas leves na pós-menopausa seria, portanto, aquela que promovesse o alívio sintomático, sem gerar aumento do risco de complicações cardiovasculares; além de contribuir para decréscimo dos níveis pressóricos ou de fatores que auxiliem na redução dos efeitos colaterais indesejáveis produzidos por algumas drogas anti-hiperten-sivas (por exemplo, espoliação de potássio produzida por drogas diuréticas). Assim, novos esquemas terapêuticos de Terapia da Reposição Hormonal (TRH), são desejáveis, e a utilização da drospirenona como progestágeno apresenta expressivo potencial dentre os esquemas de TH de baixa dose2. Diante da importância do tema, este estudo teve como objetivo analisar o efeito da drospirenona como TH de baixa dose na pressão arterial e nos marcadores Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012 de doença cardiovascular, homocisteína e PCR ultrassensível, em mulheres climatéricas hipertensas. Métodos Trata-se de ensaio clínico prospectivo envolvendo 30 mulheres atendidas por demanda espontânea no Ambulatório de Ginecologia do Hospital Universitário Materno Infantil da Universidade Federal do Maranhão. Os critérios de inclusão foram: faixa etária entre 40 a 60 anos, hipertensão leve (Estágio I), amenorréia (há 12 meses ou mais) antes do tratamento, sinais clínicos de climatério (neurovegetativos, neuropsíquicos ou genitais). Os critérios de exclusão foram: outras causas de amenorréia (hiperprolactinemia, hipogonadismo hipogonadotrófico, tireoidopatias), uso de TH nos 12 meses anteriores à pesquisa, hipertensão arterial secundária, alterações das provas de função hepática e∕ou renal, histórico de fenômenos tromboembólicos, infarto do miocárdio, angina instável, insuficiência cardíaca congestiva, acidente vascular cerebral isquêmico ou acidente isquêmico transitório, diabetes mellitus tipo I, dependência química nos dois anos prévios ao estudo, alterações pré-malignas nos exames colpocitológicos e mamografia, e intolerância a qualquer componente dos medicamentos. A medida da pressão arterial (PA) foi realizada em ambulatório, seguindo recomendações da VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Considerou-se hipertensão leve ou estágio 1 valores ≥140 mmHg e ≤159mmHg para a pressão arterial sistólica (PAS) e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg e ≤ 99 mmHg19. Assim, nas 30 mulheres selecionadas foi proposta a realização de TH. Aquelas que optaram por fazê-la foram reunidas no Grupo I (com hormônio), contendo 15 mulheres submetidas à TH de baixa dose com 1mg de estradiol e 2mg de drospirenona; as que optaram por não fazer uso da TH compuseram o Grupo II (sem hormônio), contendo igualmente 15 pacientes. Todas as 30 pacientes foram submetidas simultaneamente ao tratamento anti-hipertensivo com inibidores do receptor tipo II da angiotensina 50mg. As pacientes que faziam uso de outro tratamento antihipertensivo foram orientadas a usarem o antihipertensivo 50mg/dia como monoterapia por um período de no mínimo sete dias antes de iniciado o seguimento, chamado período de adaptação. Dessa maneira, foi aplicada uma ficha-protocolo em todas pacientes, que logo após foram submetidas a exame físico-ginecológico, solicitação de exames complementares, agendamento do exame de Monitoração Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), dosagem de PCR ultrassensível e homocisteína. Após a realização dos exames, foram fornecidos os medicamentos e realizada orientação quanto ao seu uso e retorno em três meses para reavaliação clínica, reavaliação da pressão arterial com MAPA, nova dosagem de PCR ultrassensível e homocisteína. Os dados foram tabulados e analisados no programa Epi-Info® versão 3.4.1. Os dados quantitativos foram expressos por média e Desvio Padrão (DP) e análise da covariância. As comparações foram consideradas estatisticamente significativas com α < 0,05. Todas as pacientes foram informadas a respeito 27 EFEITO DA DROSPIRENONA COMO TERAPIA HORMONAL DE BAIXA DOSE NOS NÍVEIS PRESSÓRICOS DE MULHERES CLIMATÉRICAS HIPERTENSAS da pesquisa e após aceitarem assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão com Parecer Nº 396/10. Resultados Nas mulheres submetidas à TH de baixa dose e tratamento anti-hipertensivo (Grupo I) a idade média foi de 50,6 anos ± 0,5 anos; já dentre as mulheres que fizeram uso somente do tratamento anti-hipertensivo (Grupo II) a idade média foi 51,3 anos ± 0,4 anos. Nas mulheres que realizaram TH (Grupo I), observou-se uma diminuição de peso médio de 0,7kg (p = 0,031) em relação ao início do estudo; enquanto que as mulheres que não fizeram uso (Grupo II), a redução de peso médio foi mais discreta, 0,3kg (p = 0,041). Após três meses de seguimento observou-se no Grupo I uma redução da PAS média de 123 ± 1,5 mmHg para 118,8 ±1,2 mmHg (p = 0,002) e da PAD média de 75,5 ± 1,2 mmHg para 72,7 ± 1,0 mmHg (p = 0,004). No Grupo II, houve uma redução da PAS média de 125,1 ± 1,6 mmHg para 122,8 ± 1,1 mmHg (p = 0,003) e da PAD média de 74,9 ± 1,2 mmHg para 73,4 ± 1,1 mmHg (p = 0,005)( Tabela 1). Tabela 1 - Análise da Pressão Arterial (PA) em mulheres climatéricas e hipertensas que fizeram uso de hormônio e mulheres que não fizeram. São Luís - MA, 2011. Inicio (mmHg) Após 3 meses Redução (mmHg) (mmHg) p-valor PA Sistólica Grupo I Grupo II 123±1,5 125,1±1,6 118,8±1,2 122,8±1,1 -4,2 -2,3 0,002 0,003 75,5±1,2 74,9±1,2 72,7±1,0 73,4±1,1 -2,8 -1,5 0,004 0,005 PA Diastólica Grupo I Grupo II Os níveis séricos da homocisteína sofreram um decréscimo no valor inicial médio de 9,7 μmol/L para 8,9 μmol/L (p = 0,082), representando uma redução de 8,2% no Grupo I. No Grupo II, essa redução foi de 8,5 μmol/L para 8,1 μmol/L (p = 0,071), representando uma redução de 4,7%. Os níveis séricos da proteína C reativa ultrassensível apresentaram discreta redução nos dois grupos deste estudo. No Grupo I, o valor médio inicial passou Tabela 2 - Comportamento dos marcadores cardiovasculares em mulheres climatéricas e hipertensas que fizeram uso de hormônio e mulheres que não fizeram. São Luís - MA, 2011. Inicio Após 3 meses Homocisteína 9,7 μmol/L 8,9 μmol/L Grupo I 8,5 μmol/L 8,1 μmol/L Grupo II Redução p-valor (%) 8,2 4,7 0,082 0,071 7,1 3,6 0,077 0,062 Proteína C reativa Grupo I Grupo II 28 0,42 mg/dL 0,39 mg/dL 0,28 mg/dL 0,27 mg/dL de 0,42 mg/dL para 0,39 mg/dL (p = 0,077), representando um decréscimo de 7,1%; enquanto no Grupo II o valor médio inicial passou de 0,28 mg/dL para 0,27 mg/dL (p = 0,062), um decréscimo de 3,6% (Tabela 2). Conclusão A PA e prevalência de hipertensão arterial tendem a se elevar com a progressão da idade, mais pronunciadamente nos anos próximos à menopausa20. Entretanto, vale considerar que o efeito da menopausa sobre a PA é difícil de ser avaliado, visto que ambas sofrem influência de diversos fatores tais como índice de massa corpórea (IMC) e tabagismo. No presente estudo, o uso da DRPS apresentouse como eficiente terapêutica para tratamento de sintomas climatéricos e HAS, concordando com os achados encontrados por Gambacciani et al.,13 que acompanharam mulheres na pós-menopausa não tratadas com TH ou esteróides sexuais nos 12 meses anteriores ao estudo e foram randomizados para o tratamento com 17β-estradiol (1mg/dia) mais drospirenona (2mg/dia) ou ao cálcio (controles). A significativa redução da PA média nas mulheres tratadas com DRPS foi mais expressiva na PAS, quanto à PAD, ao final do estudo. Esses achados são compatíveis com aqueles relatados por Archer et al.,21 que evidenciaram redução significativa na PA nas mulheres tratadas com a associação de drospirenona/ estradiol. A redução foi mais acentuada na PAS, semelhante ao achado deste estudo. Houve concordância também com o estudo de White et al.,22 que identificaram uma redução significativa da PAS e da PAD em mulheres climatéricas que faziam uso de TH com DRPS (3mg) e estradiol (1mg), avaliadas durante 12 semanas pela MAPA e pela monitorização ambulatorial. A utilização de drospirenona-estradiol em estudo randomizado, controlado com 36 mulheres hipertensas leves utilizando hidroclorotiazida, levou a uma redução significativa das PAS e PAD (redução de 7,2 e 4,5mmHg, respectivamente) nestas mulheres avaliadas com o MAPA, em relação ao grupo placebo23. Em estudo randomizado duplo-cego com 750 mulheres hipertensas climatéricas foi demonstrado uma ação anti-hipertensiva significativa na associação de 2 a 3mg de DRPS e 1 mg de estradiol24. A associação de 1mg de drospirenona e 1mg de estradiol, ou o uso isolado de estradiol, neste estudo não evidenciou esta redução significativas da pressão arterial. Em estudo multicêntrico realizado com 213 mulheres pós-menopáusicas hipertensas leves tratadas com DRPS 3mg e estradiol 1mg durante 12 semanas, foi observado uma redução da PAS duas vezes maior nas mulheres randomizadas em comparação ao placebo (P <0,000)22. Preston et al.,25 concluíram que o uso concomitante de DRPS e 17-beta estradiol como terapia de baixa dose, em associação com enalapril (inibidor da ECA), resulta em efeito redutor sobre a PA, maior que o que ocorre com o uso isolado do enalapril. Resultados semelhantes foram obtidos em estudo multicêntrico com mulheres diabéticas na pós-menopausa entre 44 e 70 anos de idade, no qual se verificou diminuição nos níveis das PAS e PAD, sem alteração nos níveis de Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012 SantosSM, CheinMBC, SilvaDSM, CruzPRS, Figueiredo-Neto JA, BritoLMO potássio no grupo tratado com drospirenona26. Por outro lado, o estudo realizado durante cinco anos por Vestergaard et al.,27 com 1006 mulheres pósmenopáusicas entre 45 e 58 anos, em TH, mostrou não ocorrer nenhum efeito considerável, seja aditivo ou redutor, na PA dessas mulheres. O estudo realizado por Yildizhan et al.,28 avaliou 160 mulheres durante 12 meses e evidenciou que mulheres tratadas com DRPS - estradiol obtiveram baixa incidência de eventos adversos e efeitos mais favoráveis no IMC e PA, com valores inferiores ao tratado com gestodena estradiol. A redução de peso corporal analisada nas mulheres tratadas com DRPS a deste estudo, concorda com o trabalho de Elger et al.,17 cujas apresentações de DRPS estradiol utilizadas como contraceptivos preveniu o aumento de peso ponderal e o aumento da PA (tendência para redução da PA). No estudo de Archer et al.,21 conduzido em mulheres pós-menopausadas por 13 ciclos de 28 dias, observou-se que o grupo tratado com DRPS estradiol apresentou manutenção e até mesmo redução de peso em relação aos valores iniciais do estudo, quando comparados ao grupo controle (estradiol isolado). Em estudo realizado por Brown, Ling e Wang,29 onde 326 mulheres foram acompanhadas durante um ano, e verificaram que o aumento da retenção hídrica e do apetite que normalmente ocorre no período prémenstrual é reduzido com o uso de DRPS estradiol. Além da melhoria da sintomatologia pré-menstrual, observaram-se efeitos positivos na pele e redução do peso corporal. Esses resultados podem ser atribuídos ao efeito anti-mineralocorticóide da DRPS, contrapondo-se à tendência de ganho de peso dos estrógenos, o que facilita a adesão ao tratamento, pois o ganho de peso é uma preocupação para muitas mulheres em uso da TH. A análise da associação entre homocisteína e doença cardiovascular, temática de diversos estudos, indica que o incremento da concentração sérica de homocisteína está relacionado ao risco de aterosclerose, infarto do miocárdio, infarto cerebral, trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar, contudo ainda é controverso30-32. Logo, a redução nos níveis de homocisteína durante o seguimento das pacientes nos dois grupos sugere um efeito protetor para doenças cardiovasculares em tais pacientes. A homocisteína pode gerar dano vascular através da promoção da ativação plaquetária, stress oxidativo, disfunção endotelial, hipercoagulabilidade e stress do retículo endoplasmático33. Assim, acredita-se que a associação da TH com estrógenos diminua a concentração de homocisteína34, o que corrobora os resultados. Em estudo dinamarquês, 209 mulheres saudáveis na pós-menopausa foram randomizadas para receber TH (n=103) ou nenhuma substituição (n=106). Mulheres que receberam TH tiveram níveis de homocisteína total significativamente mais baixos que as mulheres no grupo controle; a homocisteína média total foi 8,6 µmol/L e 9,7 µmol/L, respectivamente (P=0,02)35. Neste estudo, apesar do níveis de homocisteína para o Grupo II, apresentarem-se inferiores ao Grupo I, tal resultado é reflexo da amostra e não da terapêutica utilizada. Quando comparado o nível de homocisteína após três meses de uso da TRH, obser- Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012 va-se redução superior no Grupo I (8,2%, contra 4,7% no Grupo II ). Van Baal et al.,36 avaliando mulheres na pósmenopausa utilizando terapia combinada de estradiolprogesterona e monoterapia com estradiol durante 4 e 12 semanas, observaram um decréscimo nos níveis de homocisteína de 9,4% na terapia combinada, de 5,1% na monoterapia e um aumento de 2,4% nas pacientes do grupo placebo. As reduções foram detectadas após 4 semanas de tratamento com estradiol-progesterona. Espera-se que resultado semelhante também ocorra em terapias que utilizem análogos da DRPS, como presenciado neste estudo. Todavia, em trabalho conduzido por Guimarães et al.,37 no qual 24 mulheres foram avaliadas após 3 meses de TH com estradiol 2mg e ciproterona 1mg, não foram observadas alterações nos níveis plasmáticos da homocisteína. Em estudo realizado com 46 mulheres durante 6 meses, utilizou-se terapêutica combinada de estradiolprogesterona e monoterapia com estradiol foi observado aumento significativo da PCR sérica no grupo tratado apenas com estradiol, enquanto que no grupo tratado com progestágeno os níveis mantiveram-se estáveis. Os níveis de homocisteína diminuíram em ambos os grupos. Assim, estes resultados parecem traduzir que a redução nos níveis séricos de homocisteína através da TH com DRPS apresenta benefícios cardiovasculares e que o aumento da PCR pode ser parcialmente prevenido pelo acréscimo de um progestágeno38. A proteína C reativa é uma proteína de fase aguda, sintetizada pelo fígado em resposta às citocinas, que reflete inflamação sistêmica ativa. A inflamação tem um papel importante no início, progressão e desestabilização das placas ateromatosas. Marcadores plasmáticos de inflamação crônica têm sido consistentemente associados ao risco de doença arterial coronariana, sendo a PCR ultrassensível o marcador mais estudado39. Os níveis séricos da PCR ultrassensível apresentaram redução em ambos os grupos. Esses dados contrastam com o aumento de PCR descrito em ensaios clínicos feitos por Cooper et al.,40 com doses plenas por via oral e estudos longitudinais feitos por Zhang et al.,41 no qual usuárias de TH apresentaram maiores níveis de marcadores pró-inflamatórios, quando comparadas às não usuárias. Há controvérsias do efeito da TH sobre os níveis de PCR, e estudos demonstram aumento nos níveis de PCR mesmo com baixa dose por via oral. Contudo, o TH de baixa dose não tem sido relacionado com aumento dos níveis de PCR42,43. Koh et al.,43 e Störk, von Schacky, e Angerer44 observaram a estabilização dos níveis de PCR com a TH de baixa dose por via oral, tanto no uso de 0,3mg de estrogênios equinos conjugados, quanto no uso de 1mg de 17-beta estradiol, respectivamente. Estudos experimentais têm sido desenvolvidos para avaliar a influência da associação DRPS drospirenona-estradiol sobre marcadores pró-inflamatórios em mulheres climatéricas45. Em uma análise caso-controle dos estudos sobre hormônios, pesquisadores determinaram os níveis lipídicos e de PCR ultrassensível iniciais em 271 mulheres cardiopatas e em 707 mulheres sem cardiopatia. Um valor eleva do PCR ultrassensível foi associado com um risco elevado de eventos coronarianos em mulheres que fazem uso isolado de estrogênio, mas 29 EFEITO DA DROSPIRENONA COMO TERAPIA HORMONAL DE BAIXA DOSE NOS NÍVEIS PRESSÓRICOS DE MULHERES CLIMATÉRICAS HIPERTENSAS não naquelas em que o uso de estrogênio está associado à progesterona. Por ser um derivado progestínico, esse resultado também poderia ser aplicado à terapia com drospirenona46. Em estudo clínico randomizado com 40 mulheres na pós-menopausa, os efeitos do tratamento oral de baixa dose nas pacientes submetidas à terapêutica com estradiol 300μcg nasal e DRPS 2mg foram favoráveis nos níveis de PCR ultrassensível. As concentrações circulantes de PCR diminuíram nos primeiros 2 meses e mantiveram-se estáveis ao final de 4 meses de tratamento hormonal, resultados concordantes com este estudo45. Portanto, o tratamento hormonal com a drospirenona representa nova opção terapêutica, pois além dos benefícios no controle dos sintomas climatéricos, reforça ainda as propriedades antagonistas da aldosterona que podem contrabalançar a possível retenção hídrica. As características desse tipo de tratamento demonstram benefícios para o sistema cardiovascular e redução de riscos para as mulheres em TRH. O esquema drospirenona + estradiol, por apresentar eficácia semelhante às terapias hormonais tradicionais, com o benefício adicional de menor retenção de líquido, pode ser considerada uma importante alternativa principalmente em mulheres com predisposição ao ganho de peso e à elevação da pressão arterial. A importância dos marcadores biológicos, a inclusão da dosagem de PCR e homocisteína na avaliação de mulheres climatéricas hipertensas são cada vez mais importantes para a identificação precoce do risco cardiovascular. Referências 1. Fonseca AMd, Bagnoli VR, Arie WMY. A Dúvida do ginecologista: prescrever ou não hormônios na mulher no climatério? Rev Assoc Med Bras, 2009; 55(5): 507. 2. Brito LGO, Brito LMO, Figueiredo Neto JA, Chein MBC, Ribeiro IGS, Ferriani RA, et al. A drospirenona e a pressão arterial - uma associação positiva ou não dentro da terapia hormonal? Reprod clim, 2007; 22(3): 98-103. 3. 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Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012 31 Artigo Original / Original Article ISSN-2179-6238 MORTALIDADE NEONATAL EM LOCALIDADE DO NORDESTE DO BRASIL NEONATAL MORTALITY IN REGION OF NORTHWEST OF BRAZIL Valdinar Sousa Ribeiro1, Flávia Baluz Bezerra de Farias2, Alcione Miranda dos Santos3, Antonio Augusto Moura da Silva3, Liberata Campos Coimbra4, Arlene de Jesus Mendes Caldas4, Heloisa Bettiol5 Resumo Introdução: O Maranhão apresenta alta taxa de mortalidade neonatal. Há necessidade de produção de informações confiáveis para orientar gestores de saúde no planejamento, controle e avaliação dos programas e serviços de saúde. Objetivo: Descrever e analisar indicadores relacionados à mortalidade neonatal em cidades do Maranhão em 2005. Métodos: Estudo descritivo em amostra de 106 óbitos onde se avaliou indicadores socioeconômicos, biológicos e de assistência à saúde. A causa básica foi corrigida e classificada segundo critérios de evitabilidade. Estimou-se a cobertura dos registros de óbitos através da razão entre óbitos informados pelo SIM (Sistema de Informação de Mortalidade) e estimados a partir de dados oficiais e multiplicado por 100, cuja diferença definiu o sub-registro. Resultados: O sub-registro para óbitos variou entre 26% e 72%. As causas de óbitos mais frequentes relacionaram-se a gestação de curta duração e baixo peso ao nascer (41,5%), asfixia (19,8%), septicemia (18%) e pré-eclampsia (10,3%). A maioria dos óbitos seria evitável por adequada atenção à mulher na gestação (41,5%), ao parto (19,8%) ou ao recém-nascido (18%). Conclusão: Óbitos evitáveis, sub-registro e situação socioeconômica podem ter influenciado o perfil da mortalidade neonatal. Palavras-chave: Mortalidade neonatal (saúde pública). Registros de mortalidade. Coeficiente de mortalidade. Assistência pré-natal. Abstract Introduction: Maranhão has high neonatal mortality rate. It's necessary to produce reliable information to guide healthcare managers in planning, control and evaluation of health programs and services. Objective: To describe and analyze indicators of neonatal mortality in cities of Maranhão in 2005. Methods: Descriptive study in a sample of 106 deaths in which we evaluated socioeconomic, biological and healthcare indicators. The root cause has been corrected and classified according tocriteria of avoidability. We estimated the coverage of the death records through the ratio of deaths reported by the SIM and estimated from official data, multiplied by 100, which difference defined the underreporting. Results: The sub-registry for deaths ranged from 26% to 72%. The most frequent causes of death were related to short-termgestation and low birth weight (41.5%), suffocation (19.8%), sepsis (18%) and preeclampsia (10.3%). Most deaths would be preventable by adequate care for women during pregnancy (41.5%), delivery (19.8%) or newborn (18%). Conclusions: Deaths preventable, underreporting and socioeconomic status may have influenced the profile of neonatal mortality. Keywords: Neonatal Mortality. Mortality Registries. Mortality Rate. Prenatal Care. Introdução O Brasil está inserido entre os sessenta países selecionados pela Organização das Nações Unidas (ONU) como prioritários para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que contemplam ações que visam aumentar a sobrevivência infantil, cuja meta é reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade de menores de cinco anos1. A Mortalidade Neonatal (MN) no país responde por quase 40% de todas as mortes de menores de 5 anos e por cerca de 60% de menores de 1 ano, sendo que 50% dos óbitos ocorrem nas primeiras 24 horas de vida. Estimativas apontam decréscimo de 45% da Mortalidade Infantil (MI) no Brasil entre 1990 (46,9 por mil) e 2006 (24,9 por mil), associadas a avanços em questões como segurança alimentar e nutricional, saneamento básico, vacinação e modelo de atenção à saúde2. Observam-se, contudo, desigualdades regionais, uma vez que o Nordeste apresenta MI quase 50% maior que a média nacional. Os Estados de Alagoas (51,9 por mil), Maranhão (40,7 por mil) e Pernambuco (39,8 por mil) apresentam as mais altas taxas no país, sendo que a ocorrência desses óbitos segue padrões determinados por renda familiar, etnia, escolaridade, entre outros, pois se observa que as crianças pobres têm mais que o dobro de chance de morrer, comparada com as mais ricas; as negras têm 40% a mais de chance de óbito2. No Maranhão fatores estruturais como saneamento, estrutura fundiária distribuição de renda e acesso aos serviços de saúde também têm retardado a queda deste indicador3, expondo acentuadas desigualdades intra-regionais, pois o coeficiente de MI estimado para a capital, está bem abaixo da média do Estado3,4. A elevada prevalência de óbitos neonatais potencialmente evitáveis, como aqueles devido à prematuridade, asfixia e infecções, entre outras, evidencia deficiências na atenção ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido4. 1. Docente do Departamento de Medicina III. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - UFMA. Docente do Departamento de Saúde Pública. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA. 4. Docente do Departamento de Enfermagem. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA. 5. Docente do Departamento de Puericultura e Pediatria. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo - USP. Contato: Valdinar Sousa Ribeiro. E-mail: [email protected] 2. 3. 32 Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012 Ribeiro VS, Farias FBB, SantosAM, SilvaAAM, CoimbraLC, CaldasAJM, Bettiol H Outra importante questão a considerar é aquela relacionada à deficiência de cobertura e qualidade dos registros de óbitos e de nascimentos5. Estima-se que o sub-registro de óbitos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) seja de 25% no país, enquanto que no Nordeste metade dos óbitos neonatais não é identificada no SIM6. Observou-se que o percentual de adequação das informações sobre “natalidade”, “mortalidade” e “mal definidos” nos municípios brasileiros variou de 5% no Nordeste a 63% no Sul, sendo que somente 15% dos municípios de pequeno porte da região Nordeste têm informações adequadas quanto à definição da causa básica de morte7. No Maranhão o número de óbitos de crianças de até um ano informados representa 51,5% dos casos estimados no ano de 20066. Este estudo pretende estimar o sub-registro e descrever características de óbitos neonatais segundo indicadores socioeconômicos, biológicos, de assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido em algumas cidades do Maranhão em 2005, assim como classificar os óbitos segundo critérios de evitabilidade. Método Trata-se de estudo descritivo em que a população de referência foi definida segundo os eventos registrados no SIM em 2005, representando um número total de 188 óbitos neonatais. Deste universo foram localizadas por meio de busca ativa 106 famílias, distribuídos nos seguintes municípios: Caxias (40 óbitos), São José de Ribamar (12 óbitos), Bacabal (16 óbitos), Barra do Corda (MA) (28 óbitos), Presidente Dutra (MA) (7 óbitos) e Pedreiras (MA) (3 óbitos). A escolha dos municípios teve como critério o fato dos mesmos apresentarem altas taxas de mortalidade neonatal, serem de porte distinto (pequeno, médio e grande) e se localizarem em diferentes regiões do Maranhão. Os óbitos foram identificados em pesquisa nos arquivos do SIM e Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), visitas aos hospitais de ocorrência e consulta aos prontuários médicos. Em seguida, identificaram-se os domicílios para entrevistas com as mães dos falecidos, com coleta de dados sobre as circunstâncias que envolveram o evento. Utilizou-se como instrumento um questionário adaptado da pesquisa “Investigação Interamericana de Mortalidade na Infância” e do Manual de Prevenção do Óbito Infantil do Ministério da Saúde, preenchido em entrevista com as mães das crianças falecidas e com base nas informações dos prontuários e dos médicos, contendo informações detalhadas sobre todas as circunstâncias ocorridas do adoecimento até o óbito – “autópsia verbal”. As entrevistas esclareceram alguns aspectos sociais dos pais como idade, escolaridade, ocupação, estado civil, renda; história reprodutiva e obstétrica materna como número de gestações, abortos, partos normais e partos cesarianas; dados do atendimento pré-natal, parto e recém-nascido como realização do pré-natal e fatores de risco gestacional, intercorrências clínicas ocorridas no parto, local do nascimento, local do óbito, prematuridade (idade gestacional menor que 37 semanas), baixo peso ao nascer (peso menor que 2500g) e intercorrências clínicas com o recém-nascido. Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012 A ocupação foi definida de acordo com a classificação nacional de atividades econômicas proposta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)8 adaptada ao estudo nas seguintes classes: desocupados, serviço doméstico, agricultura, pesca, indústrias extrativas e de transformação, comércio, transporte, educação, saúde, serviços sociais e outras atividades. Investigou-se nos prontuários causa da internação, história e exame clínico, exames laboratoriais realizados, evolução hospitalar, tratamento utilizado e causa provável do óbito. Em cada município foram treinadas duas pessoas para coleta de dados, sendo um profissional de nível superior (medicina ou enfermagem) e um profissional de nível médio, além de estudantes de enfermagem. A tabulação e a seleção da causa básica do óbito foi feita por dois pediatras do grupo de pesquisa, baseadas nas informações acima, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificação da mortalidade infantil, de forma independente em todos os óbitos para checagem da concordância inter-observador. A causa básica do óbito foi tabulada de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, 10a revisão (CID-10). A causa básica, corrigida pela pesquisa documental e entrevistas, foi classificada de acordo com critérios que possibilitam esclarecer padrões de evitabilidade dos óbitos. Utilizou-se a lista de causas de morte evitáveis por intervenções no âmbito do Sistema Único de Saúde do Brasil, que considera: causas evitáveis reduzíveis por ações de imunoprevenção; por adequada atenção à mulher na gestação e parto e ao recém-nascido; por ações adequadas de diagnóstico e tratamento; por ações adequadas de promoção à saúde, vinculadas a ações adequadas de atenção à saúde9. Para o cálculo do Coeficiente de Mortalidade Iinfantil (CMI) foram utilizados os seguintes dados ano de 2005: nascimentos informados pelo Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC), nascimentos estimados pelo IBGE, óbitos infantis informados pela SIM, óbitos estimados pelo IBGE. Em seguida, foram identificados os óbitos neonatais informados pelo SIM e estimados de acordo com dados do IBGE. Para estimar o sub-registro de óbitos, inicialmente foi calculado o sub-registro do SINASC com base na população estimado pelo IBGE para menores de 1 ano. Partiu-se das estimativas indiretas do coeficiente de mortalidade infantil feita por Simões para os anos de 1989, 1990, 1994 e 1998 para definição da estimativa dos óbitos esperados para cada município10. O CMI para o ano de 2005 foi estimado por regressão linear a partir dos coeficientes acima, aplicando-se redutor de 30%, considerando que a queda da mortalidade infantil acelerou-se recentemente (redutor calculado com base na queda observada no CMI do Estado estimado por regressão linear a partir de CMI de 1997 a 2004, calculado pelo método indireto)11. Considerando os óbitos neonatais informados pelo SIM e estimados a partir de dados do IBGE para cada cidade estudada, foi calculada a razão entre tais óbitos e multiplicada por 100 para identificação da cobertura de registro. Conforme os valores de cobertura obteve-se a diferença destes percentuais para definição do sub-registro de óbitos6. Assumiu-se que o sub- 33 MORTALIDADE NEONATAL EM LOCALIDADE DO NORDESTE DO BRASIL registro de óbitos neonatais é igual ao de óbitos infantis. Para o processamento de dados foi utilizado o programa Epi-Info® o CDC®, de Atlanta, EUA, versão 6.04b. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, proc. nº 332/2004 do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão – HUUFMA, e a aplicação do questionário foi realizada após autorização das mães mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados Estudaram-se 106 óbitos, correspondendo a 56,4% dos óbitos registrados no SIM para o conjunto das cidades em 2005. O sub-registro para óbitos neonatais variou entre 26% em Caxias e 72% em Pedreiras. O CMI observado no SIM variou entre 10,8 por mil em Pedreiras e 30,0 por mil em Barra do Corda (MA) (Tabela 1). Tabela 1 - Nascidos vivos, cobertura de nascimentos, óbitos infantis e neonatais, cobertura e sub-registro de óbitos e coeficiente de mortalidade infantil. Maranhão, 2007. Nascimentos infantis Municípios Estima- CoberSINASC dos (1) tura (2) Óbitos infantis CMI Óbitos neonatais SubInforEstim- CoberEstima- Subregis- mados ados (4) tura (5) dos (8) registro tro (6) (7) SIM Estimados (3) SIM 2234 2264 99 56 96 26 58 45 55 25,1 42,5 41 Barra do 1833 1897 97 Corda 55 85 37 51 73 27 30,0 44,6 33 Caxias 87 166 74 100 74 26 27,8 50,1 45 Pedreiras 926 879 105 10 42 7 25 28 72 10,8 47,5 77 Presiden865 857 100 te Dutra 22 39 12 23 51 49 25,4 45,6 44 São José 2128 2996 71 de Ribamar 46 81 32 48 66 34 21,6 26,9 20 - - Bacabal Total 3134 3319 94 11120 12212 - 276 509 188 305 - - - Nota: (1) População de menores de 1 ano estimada de acordo com dados do IBGE; (2) Cobertura de registro de nascimentos definida conforme o calculo de razão entre os nascidos vivos informados pelo SIM e estimados de acordo com dados do IBGE; (3) Óbitos infantis estimados de acordo com dados do IBGE; (4) Óbitos neonatais estimados de acordo com dados do IBGE; (5) Cobertura de registro de óbitos definida conforme o calculo de razão entre os óbitos neonatais informados pelo SIM e estimados de acordo com dados do IBGE; (6) Sub-registro correspondendo à diferença dos valores encontrados para cobertura de registro de óbitos; (7) Coeficiente de mortalidade infantil por mil nascidos vivos, segundo dados informados pelo SIM e SINASC; (8) Coeficiente de mortalidade infantil por mil nascidos vivos, segundo dados estimados de acordo com dados do IBGE. Observou-se no estudo que 2/3 das mães tinha idade entre 19 e 35 anos, e que 1/5 tinha idade igual ou menor que 18 anos. A frequência de gestações foi alta, sendo 58,5% acima de duas gestações e aproximadamente 22% das mães tinham história de natimorto prévio. Cerca de 20% eram solteiras, enquanto que 44,4% viviam em união estável. Mais da metade das mães tinha apenas o ensino fundamental e somente 2,8% com ensino superior. Cerca de 50% das famílias possuíam renda familiar menor que um salário mínimo, sendo que em 15,1% o chefe da família estava desempregado e em 13,2% a mãe era a chefe da família. Na maioria dos casos a mãe era do lar (47,2%) e em 20,7% era empregada doméstica. Em relação ao pai, 37,8% estavam sem emprego e entre os empregados as ocupações mais freqüentes (29,2%) eram relacionadas à agricultura, pesca e indústria extrativista e de transformação (Tabela 2). 34 Tabela 2 - Fatores socioeconômicos, demográficos e reprodutivos em casos de óbitos neonatais. Maranhão, 2007. Variável n Idade da mãe em anos (Méd=22,7; DP=±5,3) ≤ 18 22 19-35 79 >35 1 Ignorado 4 Número de gestações (Méd=2,6; DP=±2,1) 1 34 2-3 40 ≥4 22 Ignorado 10 Natimortos (Méd=0,3; DP=±0,7) Nenhum 73 1 20 ≥2 3 Ignorados 10 Estado civil Solteira 22 Casada 25 União estável 47 Ignorado 12 Escolaridade da mãe Analfabeta ou alfabetizada 5 Ensino fundamental 60 Ensino médio 34 Ensino superior 3 Ignorado 4 Ocupação da mãe Do lar 50 Serviços domésticos 22 Agricultura, pesca, indústrias extrativa e de 11 transformação Comércio e transporte 6 Educação, Saúde e Serviços Sociais 5 Outras atividades 12 Ocupação do pai Desocupados 40 Agricultura, pesca, indústrias extrativa e de 31 transformação Comércio e transporte 14 Educação, Saúde e Serviços Sociais 2 Outras atividades 19 Renda familiar < 1 salário mínimo Sim 54 Não 43 Ignorado 9 Chefe da família Pai 59 Mãe 14 Outros 25 Ignorado 8 Chefe da família desempregado Sim 16 Não 82 Ignorado 8 Total 106 % 20,8 74,5 0,9 3,7 32,1 37,7 20,8 9,4 68,9 18,9 2,8 9,4 20,7 23,6 44,4 11,3 4,7 56,6 32,1 2,8 3,8 47,2 20,7 10,4 5,7 4,7 11,3 37,8 29,2 13,2 1,9 17,9 50,9 40,6 8,5 55,7 13,2 23,6 7,5 15,1 77,4 7,5 100,0 Quanto aos fatores relacionados à mãe, à criança, ao pré-natal e ao parto, as maiores freqüências foram ocorrência do óbito no 1° dia de vida (57,6%), Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012 Ribeiro VS, Farias FBB, SantosAM, SilvaAAM, CoimbraLC, CaldasAJM, Bettiol H Tabela 3 - Características do recém-nascido, da assistência ao pré-natal e ao parto e hábitos de vida em casos de óbitos neonatais. Maranhão, 2007. Variável Sexo do neonato Masculino Feminino Idade gestacional ao nascer < 37 semanas ≥ 37 semanas Ignorado Peso ao nascer (Méd=1967; DP=±875,9) <1250 g 1250 a 2500 g >2500 g Ignorado Idade em dias na ocasião do óbito (Méd=3,1; DP=±4,8) ≤1 2a6 ≥7 Realização do pré-natal Sim Não Ignorado Início do pré-natal por trimestre Primeiro Segundo Terceiro Local do pré-natal Centro de Saúde Programa Saúde da Família Consultório médico Fatores de risco na gestação Hipertensão e edema Sangramento vaginal Anemia Desnutrição Diabetes Ignorado Local de nascimento Hospital Residência Ignorado Profissional que atendeu a criança no nascimento Médico Enfermeiro Outros Ignorado Tipo de parto Vaginal Cesárea Ignorado Total n % Causas básicas originais 61 45 n 57,5 42,5 74 23 9 69,8 21,7 8,5 17 54 30 5 16,0 51,0 28,3 4,7 61 30 15 57,6 28,3 14,1 85 8 13 80,2 7,5 12,3 56 28 1 65,9 32,9 1,2 45 26 14 52,9 30,6 16,5 32 15 9 6 1 43 30,2 14,1 8,5 5,7 0,9 40,6 Transtornos relacionados com gestação de curta duração e baixo peso ao nascer Insuficiência respiratória do RN Angustia respiratória do RN Outras afecções originadas no período perinatal Septicemia bacteriana não especificada Asfixia ao nascer, não especificada Asfixia ao nascer, não especificada Insuficiência respiratória do RN Transtornos relacionados com gestação de curta duração e baixo peso ao nascer Disritmia cardíaca Angustia respiratória do RN Septicemia bacteriana não especificada Malformação não especificada do coração Septicemia bacteriana não especificada Transtornos relacionados com gestação de curta duração e baixo peso ao nascer Malformação não especificada do coração Asfixia grave ao nascer 96 2 8 90,6 1,9 7,5 78 14 5 9 73,6 13,2 4,7 8,5 73 26 7 106 68,9 24,5 6,6 100,0 sendo 85,9% até o 7° dia; sexo masculino (57,5%), idade gestacional inferior a 37 semanas (69,8%), baixo peso (67%), sendo que 16% com peso abaixo de 1250g. O atendimento pré-natal ocorreu em 80,2% dos casos, com 2/3 iniciando as consultas no primeiro trimestre, sendo mais da metade realizado em Centros de Saúde. As situações de risco mais freqüentes foram hiperten- Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012 Tabela 4 - Causa básica do óbito neonatal registrada na declaração de óbito original e corrigida após entrevista com familiares e pesquisa em prontuários em cidades do Maranhão em 2005. Transtornos relacionados com gestação de curta duração e baixo peso ao nascer Septicemia bacteriana não especificada Angustia respiratória do RN Outras afecções originadas no período perinatal Hipóxia intra-uterina não especificada Malformações congênitas não especificadas Malformação não especificada do coração Hidrocefalia congênita não especificada Espinha bífida Transtornos relacionados com gestação de curta duração e baixo peso ao nascer Insuficiência respiratória do RN Total 28 8 % Causas básicas corrigidas Transtornos relacionados com gestação 27,4 de curta duração e baixo peso ao nascer (P07) n % 44 41,5 7,5 4 3,8 2 1,9 1 0,9 1 0,9 4 3,8 8 7,5 4 3,8 2 1 1,9 0,9 1 0,9 1 0,9 12 11,3 5 4,7 1 0,9 4 3,8 3 2,8 1 0,9 Asfixia ao nascer, não especificada (P21) 21 19,8 Septicemia bacteriana não especificada (P36.9) 19 18,0 Pré-eclampsia não especificada (O14.9) 11 10,3 1 0,9 1 0,9 1 0,9 5 Malformações congênitas, deformidades e 4,7 anomalias cromossômicas (Q00-Q99) 1 0,9 1 0,9 1 0,9 1 0,9 1 0,9 Descolamento prematuro de placenta (P02.1) 106 100,0 Total 9 8,5 2 1,9 106 100,0 35 MORTALIDADE NEONATAL EM LOCALIDADE DO NORDESTE DO BRASIL Tabela 5 - Óbitos neonatais segundo critérios de evitabilidade por intervenções no âmbito do SUS. Maranhão, 2007. Critérios de evitabilidade SUS Causas evitáveis reduzíveis por ações de imunoprevenção Causas evitáveis reduzíveis por adequada atenção à mulher na gestação e parto e ao recém-nascido n % - - 90 84,9 Reduzíveis por adequada atenção à mulher na gestação 40 37,7 Reduzíveis por adequada atenção à mulher no parto 30 28,3 Reduzíveis por adequada atenção ao recémnascido 20 18,9 Causas evitáveis reduzíveis por ações adequadas de diagnóstico e tratamento 09 8,5 Causas evitáveis reduzíveis por ações adequadas de promoção à saúde, vinculadas a ações adequadas de atenção à saúde Causas de morte mal definidas Demais causas (não claramente evitáveis) Total - - 07 6,6 106 100,0 são e edema (30,2%). Os partos foram hospitalares em aproximadamente 91% dos casos, sendo cesarianas em 24,5%. O recém-nascido foi atendido predominantemente em 74% por médicos (Tabela 3). Em relação à causa básica dos óbitos constantes nas declarações, 52,8% foram reclassificadas. Os transtornos relacionados com gestação de curta duração e baixo peso ao nascer (41,5%), asfixia ao nascer não especificada (19,8%), septicemia bacteriana não especificada (18%) e pré-eclampsia não especificada (10,3%) foram as mais freqüentes após a investigação (Tabela 4). A classificação dos óbitos segundo critérios de evitabilidade por intervenções do Sistema Único de Saúde revelou que 79,3% dos óbitos seriam evitáveis, quer por adequada atenção à mulher na gestação (41,5%), ao parto (19,8%) ou ao recém-nascido (18,0%). As demais causas (não claramente evitáveis), que incluem as malformações congênitas, representaram 20,7% (Tabela 5). Discussão No estudo observou-se elevado sub-registro de informações e concentração de óbitos no período neonatal precoce, assim como presença de algumas variáveis: nível socioeconômico, onde se destaca as baixas renda e escolaridade, o tipo de ocupação da mãe e do pai; fatores biológicos, como a gravidez na adolescência, intercorrências obstétricas, recém-nascidos prematuros e com baixo peso; e questões ligadas ao acesso e qualidade dos serviços de saúde. Entre as contribuições proporcionadas por esta pesquisa, ressalta-se o resgate de informações omissas nos prontuários, a estimativa do sub-registro de óbitos neonatais, a produção de informações úteis para melhorar a qualidade da assistência médica e do registro de óbitos e a utilização da recém criada lista de causas de mortes evitáveis por intervenções do Sistema Único de Saúde do Brasil. Entre as limitações deste estudo, ressalta-se a não identificação de todos os óbitos ocorridos, por impossibilidade de acesso a zonas rurais, por impreci- 36 são do endereço nos registros vitais e pela freqüente migração para outros municípios. A omissão de registros nos prontuários médicos, importantes para a qualidade do atendimento e para a memória dos serviços, fez com que a maioria das informações se originasse das mães. A ausência de grupo controle limita algumas avaliações. A maior ocorrência de sub-registro foi nas cidades menos desenvolvidas. Este fato vem sendo observado desde o final dos anos 90, quando aproximadamente 60% da população do Maranhão apresentavam grande deficiência na cobertura das informações de mortalidade12, situação semelhante à descrita para a Região Nordeste, pois em 2002 somente 15% dos municípios de pequeno porte desta região apresentavam informações adequadas quanto à definição da causa básica de morte7. O sub-registro de óbitos diz respeito à ocorrência de sepultamentos sem a exigência da certidão, ocorrendo predominantemente no meio rural, em cemitérios clandestinos, geralmente associado à pobreza13, que costuma ser mais expressiva nas pequenas cidades, ou quando o óbito ocorre antes do registro de nascimento14. Outra explicação pode ser a cobertura insuficiente da assistência médica, que dificulta a emissão da declaração de óbito pelas instituições de saúde. O alto sub-registro pode ainda ser reflexo de diferenças na percepção da viabilidade fetal, considerando nascidos vivos como natimortos, como era comumente observado na capital do estado na década passada3. Além do sub-registro, a melhora da qualidade das informações das estatísticas vitais é fator indispensável no processo de redução da mortalidade infantil15, pois expõe a realidade, identifica regiões que devem ser alvo de intervenções16 e legitimam as políticas de saúde14. Além da imprecisão da causa básica do óbito, observou-se inadequação do registro do peso de nascimento, dificultando o conhecimento da realidade das taxas de mortalidade por faixa de peso. A grande maioria dos óbitos ocorreu no período neonatal precoce, em especial no primeiro dia de vida, assim como visto em outros estudos4, contudo, esta concentração de óbitos é 2,4 vezes maior que o observado na região Sul, sendo que a região Nordeste apresenta mortalidade infantil 50% superior em relação à média nacional2. A elevada frequência de gravidez na adolescência possivelmente contribui para ocorrência de prematuridade, baixo peso e restrição do crescimento intrauterino17, indicando que os programas de controle de gravidez não programada na adolescência, apesar da sua eficácia18, podem não estar sendo implementados adequadamente. A baixa renda e escolaridade observadas em mais da metade das mães são fatores que dificultam que estas identifiquem situações de perigo para saúde materno-infantil, tais como estado nutricional deficiente e antecedente de aborto ou natimorto19. Esta situação, acrescida da não identificação pela equipe de saúde de gravidez de risco, impede que fetos sejam resgatados vivos do útero materno e adequadamente tratados. A elevada frequência de óbitos potencialmente evitáveis, como aqueles relacionados aos transtornos da gestação de curta duração e baixo peso, à asfixia e à Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012 Ribeiro VS, Farias FBB, SantosAM, SilvaAAM, CoimbraLC, CaldasAJM, Bettiol H pré-eclampsia indicam falha na atenção ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido3. De fato, observou-se a presença de situações de risco no pré-natal, como edema e hipertensão, anemia e desnutrição. A experiência de países desenvolvidos mostra que tanto a redução das taxas de mortalidade quanto a prevenção de sequelas nos recém-nascidos depende do pronto reconhecimento dos seus riscos e do acesso oportuno a serviços de saúde regionalizados e qualificados em todos os níveis de assistência20. A elevada frequência da adesão materna ao prénatal observada, apesar do início tardio em um terço dos casos, está em contraposição ao descrito para mães de baixa escolaridade21. Em um contexto de elevada frequência de óbitos evitáveis, coloca em dúvida a qualidade com que o pré-natal é realizado22. Em países em desenvolvimento, a redução da mortalidade neonatal tem sido atribuída ao melhor acesso aos serviços de saúde, ao aumento da saúde materna e do desenvolvimento fetal e ao incremento de práticas obstétricas que resultam em maior precisão na determinação da idade gestacional, assim como no uso de surfactante na síndrome de angústia respiratória do recém-nascido23, situações que, apesar de não especificamente investigadas, podem estar distantes da população estudada. Conclui-se que a ocorrência de óbitos potencialmente evitáveis, a precária situação socioeconômica e o elevado sub-registro de óbitos podem influenciar a magnitude e o perfil das taxas de mortalidade e sugerem deficiências de estrutura, processo e iniquidade na assistência ao recém-nascido. Referências 12. Szwarcwald CL, Leal MC, Andrade CLT, Souza Júnior PRB. Estimação da mortalidade infantil no Brasil: o que dizem as informações sobre óbitos e nascimentos do Ministério da Saúde? Cad Saude Publica, 2002; 18(6): 1725-1736. 13. Mello-Jorge MHP. Sub-registro dos eventos vitais. Rev Saude Publica. 1983; 17(2):148-151. 14. Lumbiganon P, Panamonta M, Laopaiboon M, Pothinam S, Patithat N. Why are Thai official perinatal and infant mortality rates so low? Int J Epidemiol, 1990; 19(4): 997-1000. 15. Gould JB, Chavez G, Marks AR, Liu H. Incomplete birth certificates: a risk marker for infant mortality. Am J Public Health, 2002; 92(1): 79-81. 16. Whitman S, Silva A, Shah A, Ansell D. Diversity and disparity: GIS and small-area analysis in six Chicago neighborhoods. J Med Syst, 2004; 28(4): 397-411. 17. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese dos Indicadores Sociais [internet]. 2007 [acesso 2009 set. 8]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br Silva AAM, Ribeiro VS, Borba Junior AF, Coimbra LC, Silva RA. Avaliação da qualidade dos dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos em 1997-1998. Rev Saude Publica, 2001; 35(6): 508-514. 18. 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Health and the Millennium Development Goals. Geneva: WHO, 2005. 2. Fundo das Nações Unidas para a Infância. Situação Mundial da Infância, 2008. Brasília: Caderno Brasil/UNICEF, 2008 3. Ribeiro VS, Silva AAM, Barbieri MA, Bettiol H, Aragão VMF, Coimbra LC, et al. Mortalidade infantil: comparação entre duas coortes de nascimentos do Sudeste e Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica, 2004; 38(6): 773-779. 4. Ferrari LSL, Brito ASJ, Carvalho ABR, Gonzáles MRC. Mortalidade neonatal no Município de Londrina, Paraná, Brasil, nos anos 1994, 1999 e 2002. Cad Saúde Pública, 2006; 22(5): 1063-1071. 5. Romero DE, Cunha, CB. Avaliação da qualidade das variáveis sócio-econômicas e demográficas dos óbitos de crianças menores de um ano registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Brasil (1996/2001). Cad Saude Publica, 2006; 22(3): 673-681. 6. 7. 8. 9. 10. 11. Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012 37 Artigo Original / Original Article ISSN-2179-6238 INDICADORES OPERACIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA EM SÃO LUÍS, MARANHÃO OPERATIONAL INDICATORS OF PRIMARY CARE IN SÃO LUIS, MARANHÃO Liberata Campos Coimbra1, Odineilce Sampaio Pereira2, Maria Lúcia Holanda Lopes3, Lena Maria Barros Fonseca4, Monyk Neves de Alencar5 e Maria Ieda Gomes Vanderlei6 Resumo Introdução: Os indicadores apresentam informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões, bem como do desempenho do sistema de saúde. Objetivo: Analisar a situação dos indicadores operacionais da Atenção Básica através do Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB, em São Luís, Maranhão no ano de 2009. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa. Os instrumentos utilizados foram o consolidado das famílias cadastradas e a série histórica das informações de saúde da área geral da equipe da Estratégia Saúde da Família. Resultados: Das 40.059 famílias cadastradas, 90% utilizavam o método da filtração para tratamento da água, 77,3% do abastecimento de água era realizado pela rede pública, 91,8% moravam em casa de tijolo e 80,7% tinham o lixo coletado pela rede pública. Para o destino dos dejetos, 66,3% utilizavam a fossa e apenas 22,9% tinham acesso ao sistema de esgoto. O percentual de nascidos vivos com baixo peso ao nascer foi de 7,1%. Dentre as crianças de 0 a 3 meses e 29 dias, 81,1% estavam em aleitamento materno exclusivo. Quanto às gestantes cadastradas, 99% estavam sendo acompanhadas, 96,3% tiveram vacinação em dia e 87,8% iniciaram o pré-natal no 1° trimestre. Os indicadores de acompanhamento das doenças crônicas informaram que 97,7% dos diabéticos e 98,1% dos hipertensos cadastrados estavam sendo acompanhados. Conclusão: Os indicadores operacionais da atenção básica permitem a observação da capacidade do serviço em dar cobertura à população, podendo relacionar o cadastramento e o acompanhamento dos usuários. Palavras-chave: Atenção Básica. Indicadores Operacionais. Sistema de Informação. Abstract Introduction: The indicators have relevant information about certain attributes and dimensions, as well as the performance of the health system. Objective: To analyze the situation of operational indicators of Primary Health Care through Primary Health Care Information System in São Luís, Maranhão in 2009. Methods: This was a descriptive study, a quantitative approach. The instruments used were the consolidated of the registered families and of the historical series of health information in the general area of the team of the Family Health Strategy. Results: 90% of the 40059 families enrolled used the method of filtration for water treatment, 77.3% of the water supply was held by the public service, 91.8% lived in the brick home and 80.7% had garbage collected by the public service. For the destination of dejections, 66.3% used the pit and only 22.9% had access to the sewer system. The percentage of live born with low birth weight was 7.1%. Among children from 0 to 3 months and 29 days, 81.1% were exclusively breast fed. As for pregnant women enrolled, 99% were being followed up, 96.3% had vaccination days and 87.8% began prenatal care in the 1st trimester. The monitoring indicators of chronic diseases reported that 97.7% of diabetics and 98.1% of the patients enrolled were being followed. Conclusion: Primary Health Care operating indicators allow the observation of the capacity of the Department, providing coverage to the population, and may relate to the registration and monitoring of users. Keywords: Primary Care. Operating Indicators. Information System. Introdução A Atenção Primária à Saúde (APS) caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades1. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) utiliza o termo Atenção Básica (AB) para designar a atenção primária e apresenta-se como reflexo da necessidade de diferenciação entre a proposta da saúde da família e a dos “cuidados primários de saúde”, interpretados como política de focalização e atenção primitiva à saúde2. Nesta perspectiva a AB tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua organização de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS)3. A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi criada pelo MS em 1994. No entanto, é a partir de 1998 que o programa se consolida como estratégia estruturante de um modelo de atenção à saúde que priorize ações pautadas nos princípios da territorialização, da intersetorialidade, da descentralização, da corresponsabilização e da equidade, priorizando grupos populacionais com maior risco de adoecer ou morrer4,5. Tendo como eixo central o fortalecimento da Atenção Básica, a ESF foi pensada como mecanismo de rompimento do comportamento passivo das Unidades Básicas de Saúde (UBS), entendendo o indivíduo como 1. Doutora em Políticas Públicas. Docente do Departamento de Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Graduanda do Curso de Enfermagem - UFMA. 3. Mestre em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem - UFMA. 4. Doutora em Biotecnologia. Docente do Departamento de Enfermagem - UFMA. 5. Mestre em Saúde Coletiva - UFMA. 6. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Departamento de Saúde Pública - UFMA. Contato: Liberata Campos Coimbra. E-mail: [email protected] 2. 38 Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012 CoimbraLC, PereiraOS, LopesMLH, FonsecaLMB, AlencarMN, VanderleiMIG singular e como parte integrante de um contexto mais amplo que é a família e a comunidade6,7. Visando à operacionalização da Atenção Básica, definem-se como áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional programas prioritários de atuação: a eliminação da hanseníase, o controle da tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição infantil, a saúde da criança, a saúde da mulher, a saúde do idoso e a promoção da saúde3. A atuação da ESF pode ser avaliada através dos indicadores operacionais da AB, a partir da disponibilidade de informação apoiada em dados validos e confiáveis e condição essencial para a análise objetiva da situação sanitária, assim como para a tomada de decisões baseadas em evidências e para a programação de ações de saúde8. A qualidade de um indicador depende de diversos componentes utilizados na sua construção, tais como: frequência de casos, tamanho da população em risco e também da qualidade do sistema de informação utilizado9. Indicadores são medidas síntese que apresentam informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. Vistos em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. A construção de um indicador é um processo complexo e sua complexidade pode variar desde a simples contagem direta de casos de determinada doença, até o cálculo de proporções, razões, taxas ou índices mais sofisticados, como a esperança de vida ao nascer10. O Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB constitui-se em um dos principais instrumentos nacionais de monitoramento e avaliação dos indicadores operacionais da AB. Os dados consolidados pelas secretarias municipais, diretorias regionais e secretaria estadual são resultado do trabalho das equipes da ESF11. Avaliar a qualidade dos serviços, destacando a importância da utilização dos indicadores neste processo, constitui-se uma prioridade no atual momento de expansão e consolidação da ESF. Portanto, este estudo tem como objetivo analisar os indicadores operacionais da atenção básica no município de São Luís (MA). Métodos Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa que analisou os indicadores operacionais da atenção básica utilizando dados secundários, obtidos nos relatórios de consolidação de dados e série histórica. Esse estudo faz parte de um projeto de pesquisa intitulado “Avaliação de qualidade dos serviços da atenção básica do sistema único de saúde no município de São Luis, Maranhão”. A pesquisa foi realizada de agosto de 2011 a agosto de 2012, no município de São Luís - MA, e a coleta de dados foi realizada a partir do banco de dados do SIAB do ano de 2009, disponível na Secretaria Estadual de Saúde. Os instrumentos de análise foram os relatórios de consolidados das famílias, usados para avaliar as características cadastrais das áreas, os aspectos socioeconômicos e a série histórica SSA2 que contém infor- Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012 mações sobre famílias cadastradas e acompanhadas. As variáveis estudadas foram: tipo de tratamento de água no domicílio, tipo de abastecimento de água, tipo de casa, tipo de destino do lixo, destino das fezes e urina e se possui energia elétrica. Foi realizada também a análise de indicadores operacionais relacionados à saúde da criança (peso ao nascer, aleitamento materno, vacinação e desnutrição), gestantes (acompanhamento, vacinação, número de consultas prénatal) e portadores de condições crônicas (diabetes, hipertensão e tuberculose). A Pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Maranhão sob o protocolo de número 2311500 8870/2009-76, respeitando-se os princípios éticos e legais da Resolução Nº 196/96 e suas complementares. Foi realizada uma análise descritiva dos dados referentes aos indicadores estudados, que se apresentam em forma de tabelas de distribuição de frequência simples e porcentagens. Resultados Dentre as 40.059 famílias cadastradas, 36.512 realizavam algum tipo de tratamento da água no domicílio. Este tratamento consistia para 89,9% das famílias em utilização do método da filtração, 0,8% realizava fervura, 0,4% utilizava o método da cloração. Para 77,3% das famílias cadastradas o abastecidas de água se dava pela rede pública. Em relação ao tipo de casa, 91,8% moram em casa de alvenaria (tijolo); 2,1% moram em casa de taipa (pau-a-pique), com reboco (revestimento); 5,9% moravam em casa de taipa sem Tabela 1 - Indicadores socioeconômicos das famílias cadastradas na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012. Indicadores Tratamento da água no domicílio Por filtração Por fervura Por cloração Sem tratamento Abastecimento de água Em rede pública Em poço ou nascente Outros Tipo de casa Tijolo / Adobe Taipa revestida Taipa não revestida Madeira Material aproveitado Outros Destino do lixo Coleta pública Queimado/enterrado Céu aberto Destino de fezes e urina Sistema de esgoto Fossa Céu aberto Energia elétrica N n % 40.059 36.015 40.059 340 40.059 157 40.059 3.547 89,9 0,8 0,4 8,8 40.059 30.984 40.059 6.538 40.059 2.537 77,3 16,3 6,3 40.059 36.771 40.059 840 40.059 2.374 40.059 39 40.059 22 40.059 13 91,8 2,1 5,9 0,1 0,05 0,03 40.059 32.348 40.059 3.411 40.059 4.300 80,7 8,5 10,7 40.059 9.187 40.059 26.577 40.059 4.295 40.059 39.111 22,9 66,3 10,7 97,6 Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009. 39 INDICADORES OPERACIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA EM SÃO LUÍS, MARANHÃO Tabela 2 - Indicadores operacionais da Atenção Básica relacionados ao acompanhamento das crianças atendidas na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012. Indicadores Nascidos vivos pesados ao nascer Nascidos vivos com peso menor que 2,5Kg Crianças de 0 a 3 meses e 29 dias só mamando no peito Crianças de 0 a 3 meses e 29 dias em aleitamento misto Crianças de 0 a 11 meses e 29 dias com vacinas em dia Crianças de 0 a 11 meses e 29 dias pesadas Crianças de 0 a 11 meses e 29 dias desnutridas Crianças de 12 a 23 meses e 29 dias com vacinas em dia Crianças de 12 a 23 meses e 29 dias pesadas Crianças de 12 a 23 meses e 29 dias desnutridas N 799 n 796 % 99,6 799 57 7,2 318 258 81,1 318 58 18,2 1.364 1.277 93,6 1.364 1.193 87,5 1.364 07 0,6 1.631 1.547 94,8 1.631 1.397 85,6 1.631 11 0,8 de crianças de (0 - 11meses e 29 dias) foi de 1.364, 93,7% estavam com as vacinas em dia. 87,4% das crianças foram pesadas e 0,6% estavam desnutridas. O número de crianças de (12 - 23 meses e 29 dias) foi de 1.631, destas 94,8% estavam com vacinas em dia. Nesta faixa etária 85,6% foram pesadas e 0,8% estavam desnutridas (Tabela 2). Os indicadores das gestantes revelaram que haviam 408 cadastradas, dentre estas 22,1% eram menores de 20 anos, 98,8% foram acompanhadas durante a gravidez, 96,3% tiveram vacinação em dia e 75,9% iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre (Tabela 3). Os indicadores de acompanhamento das doenças crônicas mostram que haviam 1.500 diabéticos cadastrados, com um percentual de acompanhados de 97,7%. O número de hipertensos cadastrados foi de 4.260 e o percentual de hipertensos acompanhados foi de 98,1%. O número de pessoas com tuberculose cadastradas e acompanhadas foi de 100%. O número de pessoas com hanseníase cadastradas foi de 59 e o percentual acompanhadas foi de 98,3% (Tabela 4). Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009. Discussão Tabela 3 - Indicadores operacionais da Atenção Básica relacionados ao acompanhamento das gestantes atendidas na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012. Indicadores Gestantes cadastradas menores de 20 anos Gestantes cadastradas e acompanhadas Gestantes cadastradas com vacina em dia Gestantes cadastradas com início do pré - natal no primeiro trimestre N 408 n 90 % 22,1 408 403 98,8 403 388 96,3 403 306 75,9 Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009. Tabela 4 - Indicadores operacionais da Atenção Básica relacionados ao acompanhamento das doenças crônicas atendidas na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012. n Indicadores N Pessoas de 20 anos e mais com 1.500 1.465 diabetes cadastradas e acompanhadas Pessoas de 20 anos e mais com hipertensão cadastradas e 4.260 4.181 acompanhadas % 97,7 98,1 Pessoas de 20 anos e mais com tuberculose cadastradas e acompanhadas 12 12 100,0 Pessoas de 20 anos e mais com hanseníase cadastradas e acompanhadas 59 58 98,3 Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009. reboco. Quanto ao destino do lixo, 80,7% famílias referiram ter coleta pública. Em se tratando de destino dos dejetos (fezes e urina), 66,3% utilizavam a fossa e apenas 22,9% tinham acesso ao sistema de esgoto. Quanto à energia elétrica, 97,6% das famílias tinham energia elétrica em domicílio (Tabela 1). O número de nascidos vivos no ano de 2009 foi de 799, destes 99,6% foram pesados ao nascer, 7,2% tinham peso menor que 2,5 kg. O número de crianças de (0 - 3 meses e 29 dias), foi de 318, destes 81,1% estavam em aleitamento materno exclusivo. O número 40 O método predominante para o tratamento da água no domicílio utilizado pelas famílias foi a filtração. O abastecimento de água pela rede pública está disponível para 77,3% das famílias. Estes dados são semelhantes ao estudo realizado por França12 no Estado do Rio de Janeiro (RJ), onde na região Noroeste 79% das famílias utilizavam o mesmo método de filtração e 70% da população da região Centro Sul Fluminense era abastecida pela rede pública de abastecimento de água. Em relação ao destino de fezes e urina, o município apresenta um percentual de cobertura baixo para o número de famílias com sistema de esgoto. De acordo com o relatório mundial de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2007 existiam cerca de 1,1 bilhões de pessoas sem acesso à água segura e 2,6 bilhões sem saneamento adequado. Isso contribui diariamente para a morte de 4.500 crianças no mundo devido a doenças relacionadas com a falta de saneamento perfeitamente evitáveis, como a diarréia13. São Luís (MA), apresentou em 2009 um percentual de recém-nascidos com baixo peso ao nascer de 7,2%, esse resultado é compatível com a média da região nordeste (7,56%) e um pouco inferior a média nacional (8,27%)14. Neste estudo observa-se que a maioria das crianças menores de um ano apresentavam as vacinas em dia, entretanto esse resultado está um pouco abaixo do recomendado pelo Programa Nacional de Imunização - PNI que é de 95%14. Com relação às gestantes cadastradas, a maioria tinha idade maior que 20 anos, foram acompanhadas durante a gravidez, apresentaram situação vacinal atualizada e iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre. Segundo o MS3 no Brasil, vem ocorrendo um aumento no número de consultas de pré-natal por mulher que realiza o parto no SUS, partindo de 1,2 consultas por parto em 1995 para 5,45 consultas por parto em 2005. Com o funcionamento correto da ESF e a atuação satisfatória da equipe, os agravos crônicos podem ser controlados o que evitaria o surgimento de outras Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012 CoimbraLC, PereiraOS, LopesMLH, FonsecaLMB, AlencarMN, VanderleiMIG patologias decorrentes de tais agravos, minimizando problemas. Este estudo mostra que os indicadores operacionais permitem a observação da capacidade do serviço em dar cobertura à população, podendo relacionar o cadastramento e o acompanhamento dos usuários. Foi possível observar que no ano de 2009, a maioria das famílias cadastradas realizava tratamento de água no domicílio através de algum método, eram abastecidas pela rede pública, moravam em casa de tijolo, tinham o lixo coletado pela rede pública e tinham energia elétrica. Porém o destino das fezes e urina da maioria das famílias ainda eram as fossas e não a rede de esgoto. Os indicadores operacionais da atenção básica acompanhados pela ESF permitem ao gestor local uma análise mais detalhada da população coberta, bem como a priorização de ações condicionantes do processo saúde doença. Referências 1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, 2012. 2. Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Atenção Primária e Promoção da Saúde. Brasília: CONASS, 2007. 3. 4. 5. 6. 7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política nacional de atenção básica. Brasília, 2006. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº. 2.394 de 19 de dezembro de 2003. Relação dos Indicadores do Pacto da Atenção Básica 2004, para município segundo número de habitantes e Estado. Brasília, 2003. 38 p. Trad LAB, Bastos ACS. O impacto sócio-cultural do Programa de Saúde da Família (PSF): uma proposta de avaliação. Cad Saúde Pública, 1998; 14(2): 429-435. Chiesa AM, Fracolli LA. O trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde nas Grandes Cidades: análise do seu potencial na perspectiva da Promoção da Saúde. Rev Bras Saúde Família, 2004; 5(7): 42-49. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Pacto de Indicadores da Atenção Básica: instrumento de negociação qualificador do processo de gestão do SUS Brasília, Rev Bras Saúde Materno Infantil, 2003; 3(2): 221-224. Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012 8. Brasil. Rede Interagencial de Informações para a Saúde. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2008. 9. Organização Pan-americana da Saúde. Iniciativa: a saúde pública nas Américas: Medição do Desempenho das Funções Essenciais de Saúde Pública (Fesp). Brasília, 2001. 10. Organização Pan-americana da Saúde. Renovación de la Atención Primaria de Salud en las Américas. Brasil: Organização Panamericana de Saúde, 2005. 11. Bahia. Secretaria da Saúde do Estado. SIAB: rotinas e procedimentos para municípios e regionais. Bahia, 2006. 12. França, T. Sistema de Informação da Atenção Básica: um estudo exploratório. 2001. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública). Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2001. 109 p. 13. Organização Mundial da Saúde. The world health report 2007: a safer future: global public health security in the 21st century. Genebra, Suécia, 2007. 14. Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Maranhão: Caderno de Informações para a Gestão Estadual do SUS/Conselho Nacional de Secretários de Saúde. – Brasília: CONASS, 2011. 41 ISSN-2179-6238 Artigo Original / Original Article HOUSEWIVES' KNOWLEDGE ABOUT DENGUE IN AN ENDEMIC AREA OF THE STATE OF MARANHÃO, BRAZIL CONHECIMENTO DAS DONAS DE CASA SOBRE DENGUE EM UMA ÁREA ENDÊMICA DO ESTADO DO MARANHÃO, BRASIL Valéria Cristina Soares Pinheiro1,2, Irene Alves Silva Neres2, Juliana Maria Trindade Bezerra2,3, Joelma Soares-da-Silva1,4, Jivanildo Pinheiro Miranda5, Luciane Maria de Oliveira Brito2 e Wanderli Pedro Tadei4 Abstract Introduction: Dengue remains one of the major diseases of public health importance in tropical and subtropical countries. Is the target of concern in parts of government and society in general, since the most vulnerable link in the control is combating main vector Aedes aegypti. Objectives: To determine the level of knowledge and information of housewives about the prevention and control of dengue. Methods: The study is a sample survey (200 interviews) carried out in August through October 2007, in four neighborhoods of the western portion of the municipality of Caxias, State of Maranhão, Brazil, a locality with records of high densities of Aedes aegypti larvae and numbers of cases of dengue fever. A closed questionnaire was used to evaluate the level of knowledge of local housewives about the disease, its vector, and its prevention. Results: The women surveyed had a satisfactory level of information regarding dengue, i. e., more than 80% were able to correctly describe the transmission of the disease, and to recognize the importance of containers filled with stagnant water for proliferation of A. aegypti. However, 97% reported having water-storage containers in their homes. These data emphasize the dissociation between knowledge and practice regarding dengue. Therefore, educational campaigns are necessary to effect further changes in population behavior; because the residents do not follow the necessary practices to prevent the vector from proliferating, and maintain mosquito breeding sites in their homes. Conclusion: This survey provides supporting information to help in the development of new educational efforts to improve the participation of housewives in dengue control. Keywords: Aedes aegypti. dengue. women. Resumo Introdução: A dengue continua sendo uma das principais doenças de importância em Saúde Pública nos países tropicais e subtropicais. Constitui-se alvo de preocupação por parte do poder público e da sociedade em geral, uma vez que o elo mais vulnerável para o controle é o combate ao principal vetor, o Aedes aegypti. Objetivo: Verificar o conhecimento e o nível de informações das donas-de-casa sobre a prevenção e controle da dengue. Método: Trata-se de um inquérito amostral (200 entrevistas), realizado entre agosto e outubro de 2007, em Caxias (MA), em quatro bairros da zona oeste, localidade com registro de alta densidade de imaturos e do mosquito Aedes aegypti. Avaliou-se por meio da aplicação de questionário fechado, o conhecimento das donas-de-casa sobre a dengue, seu vetor e prevenção. Resultados: Mostraram que as entrevistadas possuem um nível satisfatório de informação sobre a dengue, ou seja, mais de 80% dos entrevistados souberam relatar de forma correta a transmissão da doença, bem como reconheceram a importância dos recipientes contendo água parada para a proliferação do A. aegypti. Contudo, 97,0% dos entrevistados relataram possuir recipientes de armazenamento de água no interior de suas residências. Esses dados evidenciam a dissociação entre o conhecimento e práticas sobre a doença. As campanhas educativas são necessárias como medidas para fortalecer as mudanças de comportamento da população, pois apesar do conhecimento sobre a dengue, os moradores não praticam as ações necessárias para evitar a proliferação do vetor, mantendo criadouros nas residências. Conclusão: A pesquisa pode servir como subsídio para orientar novas ações educativas voltadas para maior participação das donas-de-casa nas ações de controle da dengue. Palavras-chave: Aedes aegypti. Dengue. Mulheres. Introduction Dengue fever remains a disease of public-health importance in tropical and subtropical countries. In Brazil, dengue is a matter of concern for the government and civil society in general, because of its high incidence throughout the country. Control measures emphasize combat of the main vector, the mosquito A. aegypti, since neither vaccines nor a specific treatment for this disease exist at present1. Consequently, interventions mainly focus on the reduction of A. aegypti populations by means of chemical control, and on community-education campaigns. However, the strategies used to combat the vector have not yielded the expected results. Populations of A. aegypti remain high, and successive dengue epidemics continue to occur in many parts of Brazil2. Information campaigns using television networks, newspapers, posters, radio programs, and community lectures seeking the cooperation of the population for the elimination of mosquito outbreaks have shown limited effectiveness. Many studies in Latin America and Thailand show a similar trend: the population was well informed about dengue and the means of prevention3-6, but the control of mosquitobreeding sites in homes remained unsatisfactory7. The community assumes that combating A. aegypti is an exclusive responsibility of the public agen- 1. Universidade Estadual do Maranhão/Centro de Estudos Superiores de Caxias – CESC/UEMA. Laboratório de Entomologia Médica. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. Centro de Pesquisa René Rachou. 4. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. Laboratório de Malária e Dengue. 5. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Centro de Ciências Agrárias e Ambientais. Contato: Valéria Cristina Soares Pinheiro. E-mail: [email protected] 2. 3. 42 Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012 PinheiroVCS, NeresIAS, BezerraJMT, SilvaJS, MirandaJP, BritoLMO, TadeiWP cies, while health professionals recognize the need to mobilize the community to plan joint actions, in order to achieve effective control8. Therefore, the greater the combined effort of the community and governmental agencies, the greater is the possibility of making the population aware of the importance of vector-control measures, and of increasing the chances of reducing the number of dengue cases. Only with the participation of the population, through preventive practices that are closely related to patterns of living and housing in urban areas, will it be possible to achieve satisfactory control of the disease5. Therefore, more-effective actions are needed to change community habits, in order to motivate effective practices that contribute to reducing the incidence of the vector in the domestic environment4. Regardless of social class, most housekeeping is normally the responsibility of women. Accordingly, it is essential to direct public-health educational campaigns toward housewives, inspiring them to combat A. aegypti and its breeding sites. Hence, it is important for women to take part in actions regarding health issues, in particular the control of endemic dengue9. The state of Maranhão faces a situation of low socio-economic conditions. The municipalities in the hinterlands of the state are in the worst case, with serious deficiencies in basic sanitation, favoring vector proliferation. The low educational level of most of the population also hampers efforts to prevent dengue10. Therefore, a study was conducted in neighborhoods where dengue is endemic, in the municipality of Caxias, one of the five largest cities in Maranhão. The study aimed to assess housewives' knowledge and information level regarding the transmission, prevention and control of dengue, in order to contribute to the planning of disease-control initiatives in the state. Methods Study area The municipality of Caxias is located in the eastern part of Maranhão (4°51'32”S; 43°21'2”W), with a mean altitude of 67 m above sea level and an area of 5,313.2 km2. The climate is typically tropical, with a mean annual temperature of 28.39ºC and mean annual precipitation of 1,454.6 mm, and two distinct seasons: a rainy period from January to June, and a drier one from July to December11. According to the Brazilian Institute of Geography and Statistics – IBGE, the population of Caxias in 2002 was 144,387, with a demographic density of 25 inhab km2 and an annual growth rate of 1.06%12. For this epidemiological survey, four neighborhoods in the western portion of the municipality were selected at random. These neighborhoods, Fazendinha, Salobro, Pirajá and Caldeirões, had the highest indices of A. aegypti immatures and records of dengue cases, according to information from the Endemic Disease Control Program of Caxias, Maranhão (Programa de Controle de Endemias de Caxias, Maranhão). The neighborhoods in the western part of the municipality have a low socioeconomic level. Most houses are constructed of bricks, but the streets are unpaved. Sanitation conditions are poor, mainly with respect to the public water supply, which is quite irregular. Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012 For the epidemiological survey, four neighborhoods in the region were selected at random. The neighborhoods have odorous open sewers, affording sites for mosquito proliferation. The majority of these neighborhoods contain abandoned building sites where trash is discarded. Garbage also accumulates in the backyards of dwellings. Sampling The study was carried out in a total of 200 randomly selected buildings, in four of the neighborhoods. The sample size was defined based on the sample calculation, considering the universe of 2381 residences and taking into account a tolerable sampling error of 10%13. Data collection Data were collected by means of a survey, which was tested previously in nine other neighborhoods of the municipality, in order to confirm the accuracy of the questionnaire and the quality of the information obtained. A dwelling was considered to be the sampling unit, and the person (at least 18 years of age) in charge of it was interviewed. If a selected dwelling was closed, it was replaced by the dwelling next door. Monitoring was carried out for 5% of the dwellings surveyed, in order to check the information obtained. After all required corrections and adjustments were completed, the final version of the questionnaire was used for the survey. The questionnaire consisted of 10 questions addressing dengue, the A. aegypti mosquito, ways to prevent mosquito proliferation, and ways to obtain information about the disease. Some questions had several possible answers, but only one of them was correct, i.e.: How to exclude the dengue mosquito? – By eliminating containers that may serve as breeding sites for the vector. What is Temephos used for? – To eliminate immature forms of A. aegypti. How is dengue transmitted? – By the bite of A. aegypti females infected with one of the serotypes of the disease. What does the dengue mosquito look like? – Dark body covered with white spots. Where does the dengue mosquito breed? – In water. On the other hand, some questions had no “correct” answers, such as: How did you obtain information about dengue?. Which campaign against dengue is easiest for you to understand?. How well do you understand the campaigns against dengue?. Which factor mostly prevents you from understanding campaigns against dengue?. 43 HOUSEWIVES' KNOWLEDGE ABOUT DENGUE IN AN ENDEMIC AREA OF THE STATE OF MARANHÃO, BRAZIL Do you think that the campaigns against dengue should be focused specifically toward housewives?. Table 1 - Frequency of responses to questions about the dengue mosquito, municipality of Caxias, State of Maranhão, Brazil, 2007. Does the endemic-disease control agent visit your home?. Questions How frequently does the endemic-disease control agent visit your home?. Is the water supply sometimes interrupted in your neighborhood?, and What kind of container that can serve as a mosquito breeding site is most common in your home?. The study was approved by the Research Ethics Committee of Presidente Dutra University Hospital (“Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Presidente Dutra da Universidade Federal do Maranhão”), protocol number 33104-1277/2007. Each housewife interviewed signed the free and informed consent form. Data analysis Data analyses were performed using the software Systat® version 10.214. Contingency tables were used to evaluate the association between each dependent variable (responses about knowledge regarding dengue, the vector, and preventive measures) and the independent variable (neighborhood). Pearson's Chisquare association test (χ2) was performed to evaluate the significance of the relationship between variables. For all analyses, a probability of 0.05 was used as the critical significance level. Results Of the 200 housewives surveyed, 56% were more than 40 years old (χ2 = 0.487; df = 3; p = 0.922) 2 and 54% had completed elementary school (χ = 1.127; df = 3; p = 0.771). Regarding family incomes, 52% said they earned up to one Brazilian minimum wage (R$ 545.00, which corresponds to US$343.37) (χ2 = 4.327; df = 3; p = 0.228). Table 1 presents the results for the housewives' knowledge about A. aegypti. When asked about ways to exclude the dengue mosquito, 57.5% of the interviewees (χ2 = 1.698; df = 3; p = 0.637) answered the question correctly. With respect to the use of Temephos in water-storage containers, 83.0% of the interviewees said that it is a preventive measure against A. aegypti larvae (χ2 = 2.977; df = 3; p = 0.395). Responses about dengue transmission differed significantly among the neighborhoods. Most, 85.5% (χ2 = 10.446; df = 3; p = 0.015) of the housewives correctly answered that dengue is transmitted by the bite of A. aegypti females infected with one of the serotypes of the disease. On the other hand, concerning the characteristics of the vector, only 38.5% (χ2 = 6.821; df = 3; p = 0.078) of the interviewees stated that the mosquito has 44 Correct Incorrect Responses Responses % n % χ2 df p How to prevent mosquito 115 infestations 57. 5 85 42.5 1.698 3 0.637 Utility of Temephos 166 83.0 34 17.0 2.977 3 0.395 Dengue transmission 171 85.5 29 14.5 10.446 3 0.015 77 38. 5 123 61.5 6.821 3 0.078 179 89.5 21 10.5 4.416 3 0.220 n Mosquito characteristics Mosquito breeding sites Table 2 - Frequency of housewives' answers about dengue campaigns, according to the neighborhood, municipality of Caxias, State of Maranhão, Brazil, 2007. Responses Questions n % n % χ2 df p Ways of obtaining information Means of communi 138 69.0 Others 62 31.0 4.956 3 0.175 cation Campaign easiest to understand Health agent Level of clarity of Good campaigns What mostly impedes the understanding of campaigns 97 48.5 Others103 51.5 10.630 3 0.014 112 56.0 Others 88 44.0 1.461 3 0.691 ExplaOther nations 70 35.0 rea- 130 65.0 4.484 3 0.214 about the sons vector Campaigns focused toward Yes housewives 143 71.5 No 57 28.5 43.455 3 < 0.001 Table 3 - Frequency of housewives' responses about the visits of endemic-disease control agents, water supply, and presence of containers within the buildings, municipality of Caxias, State of Maranhão, Brazil, 2007. Responses Questions Visits of endemicdisease control agent n Yes % 174 87.0 n No % χ2 df p 26 13.0 15.031 3 0.002 Frequency of visits of Monthly 157 78.5 Others 43 21.5 27.107 3 < 0.001 endemic-disease control agents Interruptions in water supply Most numerous containers in building Yes 111 55.5 No 89 44.5 59.500 3 < 0.001 Storage 194 97.0 Others 6 3.0 3.436 3 0.329 a dark body with spots. To the question “Where does the dengue mosquito breed?” the correct place (water) was given by 89.5% (χ2 = 4.416; df = 3; p = 0.220) of the housewives. With respect to the means of obtaining information, the media (television, radio and newspapers) were cited as the main source of knowledge by 69.0% of the interviewees (χ2 = 4.956; gl = 3; p = 0.175). However, opinions about the best source of clarification were divided: 48.5% (χ2 = 10.630; df = 3; p = 0.014) of the Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012 PinheiroVCS, NeresIAS, BezerraJMT, SilvaJS, MirandaJP, BritoLMO, TadeiWP housewives stated that the endemic-disease control agents are the best source of information about the disease and its vector, while 51.5% named one of the other sources (media, educational campaigns, speeches, posters and pamphlets). The responses showed that campaigns against dengue are effective in conveying information, according to the opinion of 56.0% (χ2 = 10.630; df = 3; p = 0.014) of the housewives interviewed. Of this number, a total of 35.0% (χ2 = 4.484; df = 3; p = 0.214) also indicated that the lack of explanation concerning the vector is the major impediment to better understanding of the campaigns. A significant number of responses, 71.5% (χ2 =43.455; df = 3; p < 0.001) indicated that campaigns against dengue should be focused specifically toward housewives (Table 2). When questioned about visits by endemicdisease control agents, 87.0% of the women confirmed that they occur (χ2 = 15.031; df = 3; p = 0.002). Regarding the frequency of these visits, 78.5% 9 (χ2 = 27.107; df = 3; p < 0.001) stated that visits are made monthly. With respect to interruptions in the water supply, the majority of the housewives, 55.5% (χ2 = 59.500; df = 3; p < 0.001) confirmed the problem. To the question “What kind of container that can serve as a mosquito breeding site is most common in your home?” 97.0% of the interviewees (χ2 = 3.436; df = 3; p = 0.329) mentioned storage containers (tanks, buckets, vats and barrels), observing that this was the most frequent breeding site in all the neighborhoods studied (Table 3). Discussion Dengue control has proved to be a complicated exercise. Although it was first recorded in Brazil in the 1980s, new cases of the disease occur each year throughout the country. The major reason for this failure is the multidisciplinary character of control measures, including vector control, diagnosis of affected persons, and also the difficult task of making the population aware of the need for them to participate in combating the vector. This last aspect has been identified as a key element in disease-control programs. Since the vector breeds in water-filled containers in residences, participation by residents is the only way to have a greater impact on reducing the vector population. Consequently, housewives are the most important link between the transmitted information and the practice of dengue control9. In this study in Caxias, the survey showed that housewives in these four neighborhoods still have only limited knowledge about dengue and, mainly, about its vector A. aegypti. Many housewives were unaware of certain basic aspects of the disease. For example, when asked about the proper way to prevent the vector A. aegypti from breeding, less than the half of the women answered this question correctly. In view of this gap, and considering that this is basic information for vector control, it is essential to improve the level of knowledge about the disease. The low level of knowledge about dengue in Caxias was also observed, in a study carried out with public-school students15. These authors reported a low Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012 percentage of correct answers to the question “How is dengue transmitted?”, indicating that the general population still has minimal knowledge about dengue. A positive result observed here was that the housewives recognized the importance of containers filled with stagnant water for A. aegypti reproduction; i.e., they reported that these containers may serve as mosquito-breeding sites. These results are reflective of the ease with which information on dengue can be acquired, through the media, educational campaigns, speeches, posters and other means. These campaigns are used to emphasize issues regarding breeding sites, conveying information such as “Do not leave a container filled with stagnant water”, where the significance of domestic containers for mosquito dispersal is stressed7,16,17. Notably, the housewives in Pirajá gave different answers than those in the other neighborhoods to the question “How is dengue transmitted?” other authors, on work done in neighborhoods located in the same area this article, also found differences among neighborhoods in Caxias, which reflect the type of housing and other basic sanitation conditions15. In areas where these conditions were better, the residents showed more knowledge of dengue. The socioeconomic variables related to the occurrence of dengue are discussed in many studies10,18. However, each municipality, and even each neighborhood, has its own situation and daily problems, which must be studied locally in order to plan the appropriate mosquito-control strategies. The housewives showed little knowledge of the morphological characteristics of the dengue vector. This information was reported to be one of the main difficulties in the campaign, as well as the foremost barrier to education about the disease. Therefore, it is necessary to provide better descriptions of the vector, in future campaigns, as well as by the endemic-disease control agents, who are the main transmitters of information to the general public. In a qualitative approach, it is found that people often conceive ideas that are at variance with scientific fact. The author mentioned the example of A. aegypti, since public-health agents may transmit to people an idea of a mosquito that is quite different from the actuality17. Otherstudies mentioned one possible solution to this problem: the activity of public-health workers could be complemented by the use of displays where residents could observe the complete life cycle of the vector, using eggs, larvae, pupae and adult forms of A. aegypti3. The results of this study reveal the need to train endemic-disease control agents, in order to better clarify morphological features of vectors or to improve their explanations about the insects. With respect to obtaining information regarding dengue, the media (television, radio, newspapers) were mentioned as the main source of knowledge, similarly to the results of other investigators15. Usually the television and radio, which reach most of the population, could play an essential role in health campaigns, through the possibility of supporting programs with an interactive approach. Television and radio programs could continuously disseminate more complete information and create a space for discussion among listeners. However, the media prioritize 45 HOUSEWIVES' KNOWLEDGE ABOUT DENGUE IN AN ENDEMIC AREA OF THE STATE OF MARANHÃO, BRAZIL dengue only during epidemics, and the disease is forgotten when the number of cases decreases19. The work of endemic-disease control agents was widely recognized by the housewives, who considered that the information that they convey is the best way to learn about dengue. Previous studies have shown the importance of endemic-disease control agents as transmitters of information, and good acceptance of their work by a large part of the public15. These agents are a fundamental link between the general public and the public-health service, as both are part of the community routine. However, these professionals often limit their activities to merely inspecting breeding sites. This is probably a result of lack of time, or also the need to accomplish their main responsibility of eliminating breeding sites in dwellings19,20. The maintenance of dengue as an endemic disease involves social and infrastructure factors, reflecting the conditions of residents' lives. The irregular public water supply is an issue that directly affects the control of the dengue mosquito21. Most of the housewives interviewed for this study reported interruptions in their water supply. In households with less purchasing power and where the water supply is intermittent, the use of containers, i. e. water tanks, barrels, buckets, pots, and others, provides suitable environmental conditions for a larger number of potential breeding sites for A. aegypti22. Several studies have shown the contribution of storage containers to the dispersal of A. aegypti18. A markedly high proportion of women agreed that campaigns should be more focused on them, as they have the greatest responsibility for housecleaning in nuclear families23. The current picture of the occurrence of dengue in Brazil requires, among other aspects, initiatives to motivate and involve housewives, who are the primary persons caring for dwellings, where all stages of the life cycle of A. aegypti occur. The effectiveness of dengue control relies on many complex factors, including improvement in basic sanitation conditions, especially the water supply in poor areas. It is also necessary to improve educational and health-awareness programs in order to keep people motivated to combat A. aegypti24, and to work with various segments of the population, including women and children. In order to achieve this result, new forms of language in educational activities, greater involvement of the general public in the elimination of breeding sites, and effective changes in domestic habits demand creativity and flexibility from the professionals responsible for control programs sponsored by the various public-health entities15. Therefore, this study can serve as a basis for the improvement of mosquitocontrol actions in the municipality; it showed that women are aware of their role in vector control, and may act as voluntary agents in dengue-control programs that involve housewives and demonstrate the importance of their actions in their own homes and in the community, and the impact of these actions in effectively reducing dengue cases. Acknowledgments To the Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) for the scholarship granted to Neres IAS and FAPEMA for supporting the projects. To the Laboratório de Entomologia Médica do Centro de Estudos Superiores de Caxias/Universidade Estadual do Maranhão - UEMA, for providing the necessary infrastructure for this research. Referências 8. Toledo-Romani ME, Baly-Gyl A, Ceballos-Ursula E, Boealert M, Van der Stuyft P. 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Objetivo: Determinar o perfil antropométrico de hipertensos e sua associação entre o excesso de peso e fatores clínico – laboratoriais, socioeconômico, demográficos e estilo de vida. Métodos: Estudo transversal com 307 hipertensos cadastrados no HiperDia, em 2008. Foram avaliados os dados antropométricos segundo critérios da Organização Mundial de Saúde para mulheres e homens. Utilizou-se o teste de Mann Whitney para comparação de variáveis quantitativas, Qui-quadrado e Exato de Fisher para qualitativas. Resultados: O sexo feminino foi predominante (75,63%) e as prevalências de excesso de peso, CC e RCQ elevadas foram respectivamente 64,8%, 83,4% e 75,9%. Sexo feminino apresentou maior percentual de IMC (79,4% vs 20,6%; p=<0,034), CC (84,8% vs 15,2%; p<0,001) e RCQ (89,3% vs 10,7%; p<0,001) elevados. A prevalência de sobrepeso foi maior naqueles com menos de 60 anos (72,7% vs 58,0%; p=0,007). Pessoas com IMC ≥ 25 apresentaram níveis mais elevados de pressão arterial diastólica (PAD) (90mmHg vs 85,0mmHg; p<0,001) e triglicerídeos (131,5mg/Dl vs 111,0mg/Dl; p=0,049). Indivíduos com maior CC apresentaram medianas superiores de PAD (90,0mmHg vs 80,0mmHg; p=0,008), colesterol total (210,0 mg/Dl vs 184,0mg/Dl; p=0,002) e triglicerídeos (129,0mg/Dl vs 108,0mg/Dl; p<0,002). A obesidade central, através da RCQ, associou-se com níveis mais elevados de colesterol total (210,5mg/dl vs 186,0mg/dl; p=0,002) e triglicerídeos (130,5mg/dl vs 108,5mg/dl; p=0,002). Conclusão: Observou-se elevado percentual de excesso de peso e obesidade central, principalmente em mulheres, apresentando associação com níveis mais elevados da PAD e alterações de lipídios séricos. Palavras-chave: Estado nutricional. Índice de Massa Corporal. Circunferência da cintura. Hipertensão. Obesidade. Abstract Introduction: Obesity is an independent risk factor for the Systemic Arterial Hypertension (SAH). Objective: To determine the anthropometric profile of hypertensive people and their association between excess weight and clinical factors - laboratorial, socioeconomic, demographic, lifestyle. Methods: A transversal study of 307 hypertensive patients registered with HiperDia, in 2008. Anthropometric data was analyzed following the criteria of the World Health Organization for men and women. The Mann Whitney test was used to compare the quantitative variables; Chi-squared and Fisher Exact for qualitative. Results: The female sex predominated (77.3%), overweight (65.6%), WC (64.1%) e WHR (79.7%). The female sex presented a higher percentage of BMI (71.7% vs 44.8%; p=0,007), WC (77.8% vs 17.2%; p<0.001) e WHR (97.0% vs 31.0%; p<0.001) elevated. The prevalence of overweight was higher among those with less than 60 years (72.7% vs 58.0%, p = 0.007). People with a BMI ≥ 25 had higher diastolic blood pressure (DBP) (90 mmHg vs. 85.0 mmHg, p <0.001) and triglycerides (131.5 mg/Dl vs 111.0 mg/Dl, p = 0.049). Those with higher median CC had higher DBP (90.0 mmHg vs. 80.0 mmHg, p = 0.008), total cholesterol (210.0 mg/Dl vs 184.0 mg/Dl, p = 0.002) and triglycerides (129.0 mg/dl vs 108.0 mg/Dl, p <0.002). Central obesity by WC was associated with higher levels of total cholesterol (210.5 mg/dl vs. 186.0 mg/dl, p = 0.002) and triglycerides (130.5 mg/dl vs. 108.5 mg/dl; p = 0.002). Conclusion: an elevated percentage of excess weight and obesity was observed, mainly in the women, showing an association with elevated levels of DAP and alterations in seric lipids. Keywords: Nutritional status. Body Mass Index. Waist circumference. Hypertension. Obesity. Introdução As doenças cardiovasculares (DCV) causaram no Brasil, em 2008, 30% dos óbitos, contra 15% devido ao câncer e 12,4% por causas externas. A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), afeta mais de 30 milhões de brasileiros, sendo o fator mais importante para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares (DCV), com destaque para o acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto do miocárdio que são as duas maiores causas isoladas de mortes no país1. Estima-se entre 22,3% e 43,9% a prevalência da HAS na população urbana adulta brasileira2,3. Em São Luis (MA), demonstrou-se prevalência de 27,4% em grupo específico4. Estima-se que entre 20% a 30% dos casos de hipertensão tenha como causa a obesidade1 que tem se transformado em uma epidemia global5, 6. Os mecanismos que explicam o aumento da pressão arterial (PA) em decorrência do excesso de peso são complexos e envolvem múltiplas alterações4. Estudos recentes apontam a importância da obesidade centralna sua etiopatogenia, pois a presença de gordura abdominal eleva a pressão intra-abdominal e intrarrenal, ocorrendo redução do fluxo sanguíneo na medula renal, aumento da reabsorção de sódio e resistência à insulina7-9. Desse modo, tanto o aumento da gordura corporal total como seu acúmulo intra-abdominal são, entre outros, fatores de risco para o desenvolvimento de HAS10, habitualmente estudados através dos índices antropométricos, da glicemia e dos lipídios séricos11,12. 1. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA. Docente do Centro Universitário do Maranhão - CEUMA. Doutor em Pediatria. Docente do Departamento de Medicina III - UFMA. Doutora em Estatística. Docente do Departamento de Saúde Pública - UFMA. 4. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Departamento de Nutrição - UFMA. Contato: Valdinar Sousa Ribeiro. E-mail: [email protected] 2. 3. 48 Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012 TeixeiraNSCCA, RibeiroVS, SantosAM, CabralNAL, FrançaAKTC No entanto, os índices antropométricos mostram entre si resultados distintos, quando estudados com finalidade de demonstrar suas associações com a hipertensão arterial, pois ora evidenciam-se superioridade do IMC, ora da circunferência abdominal13. O acompanhamento de indivíduos portadores de Hipertensão e Diabetes no país é feito pelo Ministério da Saúde através do HiperDia (Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos)14 em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde. Este Sistema garante o recebimento dos medicamentos prescritos ao mesmo tempo em que mostra o perfil epidemiológico desta população. Contudo, dos 17 milhões de hipertensos estimados no país, apenas 5.076.631 constam no cadastro do HiperDia15-17. O presente estudo avaliou população de hipertensos tratados em unidade básica de saúde e teve como objetivos descrever o perfil antropométrico e sua associação com indicadores demográficos, socioeconômicos, estilo de vida, pressão arterial e perfil metabólico. Métodos Estudo transversal desenvolvido com dados de pacientes provenientes da pesquisa intitulada “Prevenção da doença renal crônica entre hipertensos e/ou diabéticos em unidades básicas de saúde do município de São Luís, MA”, que foi realizado no Centro de Saúde da Vila Embratel em São Luís (MA), no período de janeiro a junho de 2008, teve como processo de seleção a obtenção de uma listagem com o nome dos hipertensos cadastrados no programa HiperDia da unidade pesquisada. Em seguida, foi realizada amostragem aleatória simples por sorteio, sem reposição. Os pacientes foram localizados pelos Agentes Comunitários de Saúde (AGS) da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e, ao comparecerem à Unidade de Saúde, foram esclarecidos sobre o estudo. Para garantir amostra representativa seria necessário, no mínimo, 286 pacientes, considerando a casuística de 657 hipertensos cadastrados e prevalência esperada de excesso de peso de 70,0%14,18, margem de erro de 4% e nível de confiança igual a 95%. Para a realização deste trabalho, foram selecionados dados de 307 pacientes portadores de HAS, com idade igual ou superior a 20 anos, cadastrados no Programa HiperDia. Os critérios de não inclusão foram gestantes e pacientes portadores de qualquer outra doença crônica consumptiva (Câncer e AIDS) ou estar em terapia renal substitutiva. A coleta de dados da pesquisa original foi realizada por meio de formulário estruturado aplicado por equipe composta por estudantes dos cursos de Nutrição, Medicina, Enfermagem e Farmácia, sob a supervisão permanente de professores do Curso de Nutrição e Medicina. Para garantir a padronização das informações, previamente, houve treinamento da equipe e realização de estudo piloto. Para a realização deste trabalho, foram avaliados dados socioeconômicos, demográficos, estilo de vida, nutricionais e clínico-laboratoriais. A idade foi categorizada em < 60 anos e ≥ 60 anos, o critério de classificação econômica em classes de acordo com a ABEP19, e a escolaridade avaliada em anos de frequência Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012 à escola e categorizada em ≤ 8 anos e > 8 anos. Foi considerado fumante e etilista todo paciente que, no período da entrevista, referiu fazer uso de cigarro e bebida alcoólica, não importando a frequência. A avaliação antropométrica foi realizada com informações referentes ao peso (em quilogramas) em balança portátil digital (Plena®), altura (em metros) em estadiômetro (Alturexata®) e circunferência da cintura (CC) e do quadril (CQ) com fita métrica não extensível. A CC (em centímetros) foi obtida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, no momento da expiração, e a CQ (em centímetros) na região de maior perímetro entre a cintura e a coxa. A distribuição da gordura corporal foi analisada a partir da medida da CC e da relação cintura quadril (RCQ), calculada por meio da razão entre a CC e CQ. Foram adotados os pontos de corte para risco elevado da CC de 80 cm e 94 cm; e de risco elevado da RCQ de 0,85 e 1,00 para mulheres e homens, respectivamente, conforme classificação da OMS20. A adequação do peso para a altura foi determinada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), obtido a partir da razão entre o peso corporal e o quadrado da altura, categorizado em sem excesso de peso (< 25,0 kg/m²) e com excesso de peso corporal (≥ 25,0 kg/m²). Para avaliação clínica-laboratorial foram utilizados resultados de exames séricos de colesterol total, High Density Lipoproteins (HDL) e Low Density Lipoproteins (LDL), triglicerídeos, glicemia em jejum. Os métodos analíticos utilizados foram Roschlan e cols para o HDL, Friedwald para o LDL e o enzimático para o colesterol total, triglicerídeos e glicemia de jejum. A pressão arterial dos pacientes foi verificada com uso de esfigmomanômetro digital (Omron® modelo 705), por método indireto, com manguitos de tamanhos apropriados, seguindo as recomendações da VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão21. Foram realizadas duas medições, a primeira no meio da entrevista e a segunda ao final e utilizada a média. Pressão controlada foi considerada quando a PA sistólica foi menor que 140 mmHg e a PA diastólica menor que 90 mmHg para pacientes hipertensos sem diabetes associado e PA sistólica menor que 130 mmHg e PA diastólica menor que 80 mmHg para hipertensos com diabetes associado21. Os dados foram apresentados por meio de mediana com valor mínimo e máximo para as variáveis quantitativas e por frequências e porcentagens para as qualitativas. Para comparação das variáveis quantitativas com os grupos sem e com alteração dos indicadores nutricionais, foi utilizado o teste Mann Whitney e para as variáveis qualitativas foram utilizados o Teste Quiquadrado ou Exato de Fisher. A normalidade das variáveis quantitativas foi analisada pelo teste Shapiro Wilk. O nível de significância adotado foi de 5%. Os dados foram analisados no programa estatístico STATA® 10.0. A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, sob o protocolo nº 1977/2007. As pessoas que participaram do estudo expressaram seu consentimento através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados Os hipertensos apresentaram idade média de 49 PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE HIPERTENSOS CADASTRADOS PELO HIPERDIA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL 59,7 ± 11,3 anos, predomínio do sexo feminino (75,6%), de idosos (53,1%), da cor branca (55,2%), com escolaridade inferior a 8 anos (83,0%) e pertencentes às classes D e E (80,1%). A mediana do tempo de HAS foi de 5 anos (1-58 anos) e 49,8% apresentaram PA controlada. Constatou-se que 5,9% dos pacientes eram tabagistas e 17,2% consumiam bebida alcoólica (Tabela 1). Tabela 1 - Características socioeconômicas, demográficas e estilo de vida de hipertensos tratados em uma unidade básica de saúde, São Luís-MA, 2008. Variáveis Avaliou-se a associação entre estado nutricional e as características demográficas, socioeconômicas e estilo de vida. Quando avaliado por sexo, as mulheres apresentaram maior freqüência de excesso de peso pelo IMC (79,4% vs 20,6%; p=0,034) e de obesidade central mensurada por meio da CC (84,8% vs 15,2%; p<0,001) e da RCQ (89,3% vs 10,7%; p<0,001), quando comparadas com os homens. As demais variáveis não apresentaram associações estatísticas significantes (Tabela 3). Tabela 3 - Associação entre estado nutricional, variáveis demográfica, socioeconômicas e estilo de vida de hipertensos tratados em uma unidade básica de saúde, segundo estado nutricional, São Luís - MA, 2008. n % Masculino 75 24,4 Feminino 232 75,6 < 60 anos 143 46,9 ≥ 60 anos 162 53,1 Branca 169 55,2 Idade Não branca 137 44,8 < 60 anos 104 72,7 122 85,3 111 77,6 ≥ 60anos 94 58,0 133 82,1 122 75,3 61 19,9 246 80,1 Sexo IMC (kg/m²) CC RCQ ≥25,0 Obesidade central Obesidade central Faixa etária* Variáveis n Etnia* Classificação socioeconômica Classes B2 e C Classes D e E Escolaridade* p n % 0,007 Sexo p n % 0,449 0,034 <0,001 <0,001 41 20,6 39 15,2 25 10,7 158 79,4 217 84,8 208 89,3 253 83,0 Feminino > 8 anos 52 17,0 Classificação econômica 0,662 0,959 0,921 Sim 18 5,9 Não 288 94,1 Sim 52 17,2 Escolaridade Não 250 82,8 ≤ 8 anos 164 82,8 212 83,5 194 84,0 > 8 anos 34 17,2 42 16,5 37 16,0 Consumo de bebidas alcoólicas* *n inferior a 307. Classificação socioeconômica (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa). Classes B2 e C 41 20,6 51 19,9 46 19,7 Classes D e E 158 79,4 205 80,1 187 80,3 0,938 Tabagismo A avaliação do estado nutricional revelou maior prevalência de indivíduos com excesso de peso corporal, ou seja, IMC igual ou superior a 25 kg/m² (64,8%). Do mesmo modo, a distribuição de gordura abdominal mostrou maior freqüência de CC (83,4%) e RCQ (75,9%) alteradas (Tabela 2). 0,594 0,397 0,487 0,402 0,867 Sim 10 5,0 14 5,5 14 6,0 Não 188 95,0 242 94,5 219 94,0 0,275 Etilismo p 0,635 Masculino ≤ 8 anos Tabagismo atual* % 0,803 0,566 Sim 37 19,0 44 17,5 38 16,5 Não 158 81,0 208 82,5 192 83,5 IMC = Índice de massa corporal. CC = Circunferência da cintura. RCQ = Relação cintura quadril. IC = Intervalo de confiança. Tabela 2 - Características antropométricas de hipertensos tratados em uma unidade básica de saúde, São Luís-MA, 2008. Variáveis n % IC <25,0 108 35,2 0,26-0,45 ≥25,0 199 64,8 0,38-0,58 51 16,6 0,07-0,29 256 83,4 0,78-0,88 74 24,1 0,15-0,36 233 75,9 0,67-0,81 IMC (kg/m²) CC Sem obesidade central Obesidade central RCQ Sem obesidade central Obesidade central IMC = Índice de Massa Corporal. CC = Circunferência da Cintura. RCQ = Relação Cintura Quadril. IC = Intervalo de Confiança de 95%. 50 Observou-se associação do estado nutricional com as variáveis clínico-laboratoriais. Houve associação estatística do IMC igual ou superior a 25 kg/m² com maiores níveis de PAD (90,0 mmHg vs 85,0 mmHg; p<0,001) e de TG (131,5 mg/dl vs 111,0 mg/dl; p=0,049). A CC e RCQ alteradas apresentaram associação com níveis séricos mais elevados de CT (210,0 mmHg vs 184,0 mmHg; p=0,002 e 210,5 mmHg vs 186,0 mmHg; p=0,002, respectivamente), LDL (131,0 mmHg vs 116,8 mmHg; p=0,032 e 132,5 mmHg vs 117,2 mmHg; p=0,013, respectivamente) e TG (129,0 mmHg vs 108,0 mmHg; p=0,002 e 130,5 mmHg vs 108,5 mmHg; p=0,002, respectivamente). A CC também apresentou associação com a PAD mais elevada (90,0 mmHg vs 80,0 mmHg; p=008) (Tabela 4). Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012 TeixeiraNSCCA, RibeiroVS, SantosAM, CabralNAL, FrançaAKTC Tabela 4 - Associação entre estado nutricional e características clínico-laboratoriais de hipertensos tratados em uma unidade básica de saúde, segundo estado nutricional, São Luís-MA, 2008. IMC (kg/m²) Mediana (min-máx) Variáveis PAS (mmHg) < 25,0 (n=108) ≥ 25,0 (n=199) p CC Mediana (min-máx) Sem obesidade Obesidade central (n=51) central (n=256) p RCQ Mediana (min-máx) Sem obesidade Obesidade central (n=74) central (n=233) p 140,0 145,0 142,5 140,0 140,0 140,0 0,376 0,933 0,952 (110,0-230,0) (110,0-240,0) (110,0-230,0) (111,0-240,0) (110,0-230,0) (110,0-240,0) PAD (mmHg) 85,0 (60,0-110,0) 90,0 80,0 <0,001 (60,0-150,0) (70,0-110,0) 90,0 (60,0-150,0) 0,008 90,0 (70,0-110,0) 90,0 (60,0-150,0) 0,082 GJ (mg/dL) 78,5 (53,0-415,0) 84,5 (57,0-403,0) 82,0 (55,0-415,0) 0,551 80,0 (53,0-415,0) 82,0 (55,0-403) 0,473 CT (mg/dL) 208,5 (92,0-350,0) 210,0 0,002 (107,0-350,0) 186,0 (92,0-364,0) LDL (mg/dL) 127,7 (45,6-250,0) 130,2 (50,8-265,6) 0,979 116,8 (56,4-265,6) 131,0 (45,6-260,4) 0,032 117,2 (56,4-265,6) 132,5 (45,6-254,4) 0,013 HDL (mg/dL) 45,0 (26,0-82,0) 44,0 (22,0-86,0) 0,438 44,0 (26,0-76,0) 44,0 (22,0-86,0) 0,744 45,0 (25,0-77,0) 44,0 (22,0-86,0) 0,859 TG (mg/dL) 111,0 (43,0-385,0) 131,5 (48,0-490,0) 0,049 108,0 (43,0-262,0) 129,0 (47,0-490,0) 0,002 108,5 (43,0-430,0) 130,5 (48,0-490,0) 0,002 0,122 80,0 (53,0-366,0) 205,0 0,653 (119,0-364,0) 184,0 (92,0-364,0) 210,5 0,002 (107,0-350,0) IMC = Índice de massa corporal. CC = Circunferência da cintura. RCQ = Relação cintura quadril. PAS = Pressão arterial sistólica. PAD = Pressão arterial diastólica. GJ = Glicemia de jejum. CT = Colesterol total. LDL = Colesterol ruim. HDL = Colesterol bom. TG = Triglicerídeos. Discussão Este estudo avaliou hipertensos com idade igual ou superior a 20 anos, cadastrados no programa HiperDia. A frequência de excesso de peso corporal correspondeu a 64,8% (IMC) e da obesidade central 83,4% e 75,9%, segundo CC e RCQ, respectivamente. O excesso de peso esteve associado a níveis mais elevados da PAD e TG, enquanto que a obesidade central apresentou associação com níveis mais elevados de PAD, CT, LDL e TG. A maior frequência de hipertensos com idade igual ou superior a 60 anos é habitualmente descrita22,23 e atribuída em parte ao processo de envelhecimento da população brasileira 20, particularmente propensa a problemas relacionados com as alterações fisiológicas e sociais, ocorrência de doença crônica, uso de várias medicações, problemas na alimentação (comprometendo a mastigação e deglutição), depressão e alterações da mobilidade com dependência funcional24. A elevada proporção de mulheres neste estudo está de acordo com o observado na literatura 22,25-27 e pode ser o reflexo do maior número de pessoas do sexo feminino cadastrado no Programa HiperDia14,28. Tal situação é atribuída ao maior cuidado da mulher com a saúde20, à maior longevidade27e à maior prevalência de hipertensão no sexo feminino após os 60 anos29,30. Contudo, como a cobertura deste programa alcança apenas 30% da população estimada de hipertensos no país15,16, as características aqui estudadas podem não refletir o que de fato nela existe. Um dos importantes aspectos deste estudo foi detectar forte associação estatística da obesidade central (CC e RCQ) com o sexo feminino31. As mulheres são particularmente expostas quando multíparas32. Apesar de não investigado, observou-se que a quase totalidade das mulheres eram avós. Do mesmo modo, aquelas de classes socioeconômicas mais baixas, como aqui investigadas, são mais expostas e este evento33. Já o excesso de peso associou-se com indivíduos de idade inferior a 60 anos e sexo feminino, tal como já descrito na literatura26,33. Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012 A maior adiposidade observada entre os indivíduos mais jovens do sexo feminino está de acordo com dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, que revelou aumento mais acentuado da obesidade nas mulheres com idade até 60, anos atingindo 20%, enquanto que nos homens até os 40 anos foi 11%, sendo que a partir dessa idade a prevalência de obesidade começa a reduzir em ambos os sexos20. Outro aspecto a ser considerado seria o viés de sobrevida, principalmente em uma população de hipertensos. É possível que homens idosos hipertensos e com excesso de peso estejam sub-representados neste estudo, uma vez que apresentam menor sobrevida34. Certamente, por desempenharem atividades laborais mais intensas e frequentes que as mulheres os homens desta classe social possam apresentar menor prevalência de obesidade. A população estudada pertencia predominantemente às classes socioeconômicas mais baixas e com baixa escolaridade, características comuns entre os cadastrados no programa Hiperdia35. O que não elimina a possibilidade de erro de classificação apesar deste viés não ter sido constatado. A literatura relata que níveis socioeconômicos mais baixos se associam a maior prevalência de HAS e a fatores de risco para elevação da PA21. Entretanto, tal associação não foi aqui observada, provavelmente devido à maior homogeneidade da população, refletida na amostra, pois em São Luís (MA), existe maior proporção de pessoas pertencentes às classes D e E, quando comparada com as demais capitais do Nordeste19. Com relação aos hábitos de vida, observou-se baixa frequência de tabagismo, diferente de outros estudos14,22,35, contudo, está de acordo com estudos que mostram ser este hábito três vezes menor (entre gestantes) quando comparado com cidade do sudeste do país (Ribeirão Preto-SP), achado este não explicado por diferenças socioeconômicas36, o que pode ser atribuído ao efeito local das ações de combate ao tabagismo, importante não apenas no âmbito científico como também político, social e econômico37. De outro modo, o viés de sobrevida e a causalidade reversa seriam 51 PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE HIPERTENSOS CADASTRADOS PELO HIPERDIA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL outras possíveis explicações. De modo semelhante, foi baixo o percentual de pacientes que referiram ser etilistas, quando comparado com outros estudos35,38. Tal achado pode ser decorrente do hábito de ingerir bebidas alcoólicas ser mais comum entre homens11,grupo minoritário na amostra. Outra possível explicação seria a definição de etilismo aqui adotada, que considerou apenas o consumo referido, sem detalhar quantidade e frequência do consumo. Igualmente, o viés de sobrevida e a causalidade reversa podem estar presentes neste resultado. O excesso de peso, além de significante, associou-se com níveis mais elevados de PAD e de TG, tal como observado em outros estudos22,39 sendo inclusive descrita relação de causa e efeito entre aumento da massa corporal e elevação da pressão arterial40,41. No estudo de Framingham41 foi estimado que um aumento de 5% da massa corporal acarretaria elevação de 2030% no risco de hipertensão arterial (PA ≥ 140/90. A importância das consequências do excesso de peso é enfatizada em estudos que mostram a relação entre aumento da massa corporal com elevação da pressão arterial7,39,41, alterações metabólicas e aumento do risco cardiovascular7. Desta forma, a redução de peso se constitui em importante medida anti-hipertensiva40, 42-44. Além disso, há evidências de que a perda de peso, ainda que discreta, também melhore outras alterações metabólicas e reduza a mortalidade 45,46. Alguns estudos, no entanto, limitam a importância do IMC como medida de obesidade, por não considerar a variação na distribuição da gordura corporal2. Sendo assim, observou-se também que aumento da RCQ associou-se com níveis mais elevados de CT, LDL e TG. Já a CC, além destes, associou-se com níveis mais elevados de PAD, tal como descrito em outros estudos11,22,30,38,39. Tal achado é significativo, pois mostra a exposição desta população a importantes, mas preveníveis, fatores de risco cardiovasculares9. Por outro lado, os fatores socioeconômicos não apresentaram associações, provavelmente devido ao fato da amostra constituir-se somente de usuários do serviço público. Entre as limitações deste estudo, destacam-se a restrição da análise a pacientes cadastrados no programa HiperDia em São Luís (viés de seleção), a não avaliação de terapia medicamentosa (apesar de que todos pacientes cadastrados recebem medicamentos) e a possibilidade da ocorrência do viés de sobrevida. Por outro lado, destacam-se como pontos fortes do estudo: amostra representativa, obtenção das medidas antropométricas e da pressão arterial por mensuração direta e não por autorreferência; pesquisa oriunda de região carente de estudos e a utilização de procedimentos analíticos na avaliação do poder explicativo das variáveis estudadas. Conclui-se que a redução do excesso de peso e em particular da obesidade central devem ser alvos primordiais no controle da hipertensão, especialmente entre mulheres, mais expostas à obesidade. A redução de eventos cardiovasculares que podem ser evitados necessita da ampliação do acesso aos serviços públicos de saúde, em especial do aumento da cobertura do programa HiperDia, da oferta de terapias que contemplem a multifatorialidade dos riscos associados à hipertensão, com ênfase no envelhecimento saudável e ativo, tais como orientação alimentar, atividade física, lazer e atividades lúdicas. Referências 1. World Health Organization - WHO. Global health risks: mortality and burden of disease attributable to selected major risks. Geneva: WHO, 2009. 2. Gomes MAM, Nobre F, Amadeo C, et al. IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol, 2004; 82(suppl 4): 3-14. 3. 4. 5. Matos AC, Ladeia AM. Assessment of cardiovascular risk factors in rural community in the Brazilian state of Bahia. Arq Bras Cardiol, 2003; 81(3): 297-302. Barbosa JB, et al. Prevalência da Hipertensão Arterial em Adultos e Fatores Associados em São Luís. Arq Bras Cardiol. 2008; 91(4): 260-66. 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Objetivo: Refletir as mudanças na paternidade e a produção teórica realizada a partir de um levantamento bibliográfico. Métodos: Pesquisa bibliográfica a partir dos termos: paternidade, envolvimento paterno e ausência paterna, vinculando os temas ao contexto familiar e serviços de saúde. Resultados: Apesar dos estudos voltados para a temática da paternidade, ainda são necessários maiores esforços para incluir o pai no contexto familiar e na assistência à saúde, em uma visão que não seja a tradicional como provedor. Conclusão: Recomenda-se que o olhar sobre a paternidade seja ampliado, possibilitando assim, que ações sociais e assistenciais estejam voltadas para a aproximação e maior inclusão do pai neste contexto. Palavras-chave: Paternidade. Ausência paterna. Contexto familiar. Assistência à saúde. Abstract Introduction: Discuss about fatherhood becomes important to understand the role of the father in the family and the reasons that lead him to be absent; motives for the father not be included in the reproductive health. Objective: To reflect the changes in fatherhood and the theoretical work performed using a literature survey. Methods: Literature survey using the terms: fatherhood, paternal involvement and paternal absence, linking the themes to the family context and health services. Results: Although there are studies focused on the theme of fatherhood, still greater efforts are needed to include the father in the family and in health care, in a view other than the traditional provider. Conclusion: It is recommended that the look on paternity is expanded, thus enabling social and assistance actions oriented to the approximation and greater inclusion of the father in this context. Keywords: Fatherhood. Paternal absence. Family context. Health care. Introdução Pensar a paternidade em épocas distintas salienta a importância dessa figura e os diferentes movimentos de construção dessa função. O pai pode ser, sobretudo, um provedor, um companheiro que auxilia nas tarefas domésticas, colaborador na criação dos filhos, entre outros. Além da função que tem, a figura paterna é elemento essencial para o desenvolvimento satisfatório dos filhos assim como um suporte à mulher no exercício da maternidade. A ideia da paternidade tem diferentes sentidos em sociedades e culturas diversas e sofreu importantes mudanças ao longo dos tempos. Pode-se afirmar que se aprende a ser pai para além da família e das relações de parentesco, nos múltiplos contextos em que há interação, e que as ações, valores e sentimentos, aí presentes, são sempre mediados por questões culturais1. A paternidade é um aspecto significativo para a experiência da masculinidade, tendo em vista que, geralmente, tal experiência é atrelada no imaginário social à noção de virilidade. Ela pode ser vivida como um momento importante, na medida em que implica novos arranjos no cotidiano masculino, de modo a inseri-lo na cultura e no pleno reconhecimento social2. Diversos estudos têm apresentado o papel do pai como significativo no desenvolvimento dos filhos3, estendendo-se além do incentivo ao envolvimento paterno nos cuidados assistenciais junto à mãe e ao bebê. O desempenho da paternidade é cada vez mais entendido como decisivo na qualidade do vínculo mãebebê, e no exercício da maternidade4-6. Refletir sobre as mudanças históricas e culturais que permearam a função paterna torna-se necessário para uma compreensão das dificuldades com que este pai se depara atualmente. Por muito tempo a importância do pai no desenvolvimento psicológico da criança foi desconsiderada em prol do relacionamento mãe/filho. Até meados da década de 70, as funções do pai focavam no provimento e sustento econômico da família, sendo pouco esperada sua participação no desenvolvimento dos filhos7. A partir dos anos 70, começou-se a reconhecer o pai durante a gravidez e que não apenas a mãe ficava grávida, embora essas mudanças continuem lentas. A pouca presença paterna, especialmente durante a gestação, de acordo com Thompson e Crase8, estava relacionado à ênfase nas questões da gestante e da saúde do bebê, o que tornava o pai praticamente invisível nesse período. Já na década de 80, estudos começaram a mostrar que o pai era importante para o filho desde seu nascimento, uma vez que o bebê percebe o pai já nos primeiros dias de vida e que a formação do vínculo com o bebê era estabelecida principalmente a partir do nascimento, 1. Mestre em Saúde Materno-Infantil. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Docente. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Acadêmica do Curso de Medicina. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Contato: Edna Lúcia Coutinho da Silva. E-mail: [email protected] 2. 3. 54 Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012 SilvaELC, LamyZC, Rocha LJLF, LimaJR com a convivência e desenvolvimento do filho9,10. Assim, mesmo com o surgimento de conceitos mais específicos às funções do pai, alguns autores apontam que o papel paterno encontra-se em um processo de redefinição, em que coexiste a função tradicional do pai como provedor, com as demandas de um pai mais presente, que tenha maior envolvimento e participação nos cuidados com o filho11,12. Durante a gravidez, tradicionalmente a atenção direciona-se quase exclusivamente para a mulher, para suas mudanças biológicas e psicológicas. Ao homem direciona-se um papel menos importante, suas emoções e pensamentos não são valorizados igualmente frente à nova realidade13. Até algum tempo atrás ele tinha que demonstrar atributos considerados tipicamente masculinos, agora ele é convidado a ser mais sensível, colaborador e cuidador em relação à esposa e aos filhos14. A figura paterna deve ser mais presente e participativa, buscando, inclusive, o reconhecimento da importância do seu papel. Costa et al.,14 enfatizam que a participação do homem desde o início da gestação é crucial para a preparação do exercício da paternidade, dando, inclusive, uma significativa contribuição ao equilíbrio afetivo do casal. A figura do pai na esfera atual encontra-se repleta de significações. A mulher, desde a fase gestacional, necessita de apoio social e familiar e embora o papel decisivo que tem a figura da mãe-da-mãe no processo de construção da maternidade e do vínculo com o bebê, a figura do pai vem aparecendo cada vez mais15. Silva et al.,16 apontam que a mulher, nesse momento singular, tem no companheiro um suporte dos mais importantes. Destacam ainda que haja poucos estudos que incluam a participação paterna na saúde materno-infantil, e que o propósito da inclusão do homem nesse processo não deve visar apenas a saúde da mãe e do bebê, mas também a saúde masculina, o homem assumindo e vivendo a experiência das funções de pai e companheiro. Além disso, considera-se que a paternidade, além de ser uma construção sócio-cultural, é um processo em que o homem precisa se envolver com toda a sua história de vida, suas experiências pessoais, sua condição psíquica, ou seja, para um homem estar presente como pai, pesa a relação com seu próprio pai, com sua mãe, e a história dele enquanto filho. Reconhecendo a importância do pai e a sua participação, desde o momento da gestação, principalmente nos serviços de saúde, onde muitas vezes nem é convidado a entrar na consulta, ficando na sala de espera, mas também na família, onde lhe está limitado outro lugar que não o do provedor, buscou-se compreender as mudanças nesse processo por meio de levantamento bibliográfico. Aqui algumas questões podem ser apontadas, e que serviram de norte: Qual a produção científica existente sobre a temática em questão? Qual o papel paterno na estruturação e funcionamento familiar? Caso o pai esteja ausente da família e dos serviços de saúde, quais as razões para isso? Métodos Trata-se de estudo orientado pela pesquisa bibliográfica. O material de análise incluiu teses, dissertações e artigos relacionados à temática da paternidade publicados nos últimos cinco anos. A busca se deu nas seguintes bases de dados: BIREME, Medline e Scielo, com os seguin- Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012 tes termos: paternidade, envolvimento paterno, ausência paterna. O segundo passo foi selecionar apenas os estudos que estivessem vinculados à paternidade e suas repercussões no contexto familiar assim como no âmbito da assistência à saúde. Resultados e Discussão Um dos principais termos que nortearam a busca do material foi ausência paterna. Ausência nos remete a afastamento, falta da presença, inexistência, carência, falta de participação. Essa ausência, traduzida para a paternidade, reflete inúmeros significados que podem ser percebidos em fenômenos diferentes, e tem havido dificuldade em defini-la adequadamente17. Nesse sentido, pode ser retratada como ausência quando o pai, mesmo sendo provedor e oferecendo suporte emocional à mãe, assim como exercendo o modelo de poder e autoridade perante os filhos, não se envolva diretamente nos cuidados e na atenção necessários ao desenvolvimento do filho, mostrando-se ausente do ponto de vista afetivo18. Nesse caso, a ausência paterna seria decorrente da distância emocional ou falta de afetividade, que pode acontecer mesmo naquelas situações em que o pai está fisicamente presente. Em muitos estudos, a ausência pode ser considerada a falta de convivência física (contato) entre pais e filhos em virtude da separação conjugal/divórcio, morte ou trabalho e em muitas situações englobam as duas formas de ausência, uma vez que a distância física predispõe ao afastamento emocional do pai19. Reflexões acerca da presença e participação paterna no pré-natal, parto, pós-parto e, por conseguinte, do seu papel no contexto familiar, têm levado a discussões de qual seria o real significado da figura do pai e quais mudanças poderiam estar ocorrendo diante da diversidade de arranjos familiares20. Com a figura paterna ganhando importância e sendo uma função significativa no desenvolvimento dos filhos, a rápida ascensão do número de separações/divórcios e o afastamento do pai do contexto familiar levaram a uma nova vertente de pesquisas que passou a investigar as consequências da ausência paterna2. As pesquisas apontam como ideal o fato de a criança conviver com ambos os genitores, pois cada um contribui positivamente para algum aspecto do seu desenvolvimento, e porque a ausência do genitor, ou uma relação pouco harmoniosa com ele, leva a comprometimentos psicológicos, sociais ou cognitivos21. Entretanto, foi somente a partir dos estudos sobre a mulher, impulsionado pelo feminismo, que pesquisadores buscaram compreender melhor a masculinidade, que passou a ser vista sob outro prisma, como construção social3. A perda da legitimidade do patriarcado é uma das mudanças mais importantes que caracterizam o final do século XX, tendo como um de seus sinalizadores o aumento de famílias monoparentais chefiadas por mulheres e o ofuscamento da figura paterna na constituição familiar22. O patriarcado, como uma política sexual presente nos atos mais privados e pessoais, ancora-se não só na dominação coletiva dos homens sobre as mulheres, mas na separação entre mundo masculino e feminino, levando ao afastamento do mundo materno, considerado inferior em relação ao paterno23. 55 PATERNIDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA Neste sentido, o lar e a maternidade, com as tarefas domésticas e o cuidado infantil, não são esferas masculinas23, mas poderiam tornar-se campos possíveis para o exercício da paternidade. Entretanto, apesar da mudança no cenário doméstico, denominando-o família pós-patriarcal, com uma visão mais igualitária quanto à divisão sexual do trabalho, a grande maioria das famílias ainda se organiza sobre as bases tradicionais pautadas na complementaridade das funções17. A palavra cuidado tem sido empregada em uma diversidade de situações e com sentidos distintos. Fundamentando-se nos estudos feministas, argumenta-se que a personalidade da mulher é, desde cedo, construída com base nas noções de relacionamento, ligação e cuidado, o que a levaria a se sentir responsável pela manutenção das relações sociais e pela prestação de serviços aos outros, características centrais no modelo de feminilidade. Os homens, por sua vez, são estimulados a se defenderem e atacarem, sendo socializados desde cedo, para responderem às expectativas sociais, de modo proativo, em que o risco não é algo a ser evitado e prevenido, mas enfrentado e superado5. O cuidado na relação com os filhos, dentro do debate do feminismo, do gênero e dos estudos sobre os homens e as masculinidades, ressalta que é importante situar a própria estrutura familiar num contexto histórico e social, pensando nas diversas formas em que as relações de gênero se dão e como a paternidade foi exercida em diferentes momentos. Neste contexto, se os homens foram repreendidos severamente, até mesmo com punições físicas, por terem tentado expressar carinho e cuidado na sua infância, é possível imaginar como, para alguns deles, o ato de cuidar e demonstrar carinho pode ser difícil5. A reflexão sobre o papel do pai no cuidado remete a alguns questionamentos quanto ao comportamento relacionado ao incentivo às meninas a brincarem de boneca (o que pode ser entendido como um suposto “treinamento” para uma futura maternidade) e ao menino isso não é permitido? Por que a primeira impressão que surge para a grande maioria das pessoas quando um menino quer brincar de boneca é o medo de ele vir a ser homossexual? Por que essa brincadeira nunca pode ser interpretada como um menino brincando de pai?24. Se a maternidade é um fato e a paternidade uma possibilidade, neste contexto a criança precisa da presença paterna para seu desenvolvimento. Basta salientar que aproximadamente no quarto mês de vida, o filho descobre o pai como a primeira pessoa fora do ventre da mãe, tornando-se o elemento que vai atuar como mecanismo capaz de fazê-lo desprender-se da mãe18. Assim, na delicada relação desse triângulo, é importante como esse pai estará presente a partir dessa mãe, posto que é ela que muitas vezes está mais diretamente com a criança. Grisard Filho25 ressalta que haverá inúmeras consequências para o filho se a mãe não souber separar as controvérsias do casal e a questão da paternidade. Quando ambos cooperam entre si e não expõem os filhos aos seus conflitos, minimizam a probabilidade de desenvolverem problemas emocionais, escolares e sociais. Outro resultado importante é a presença/ ausência paterna nos serviços de saúde, a função paterna inserida, ou não, nas práticas assistenciais. Apesar de algumas mudanças já percebidas, a 56 exclusão do pai no contexto da saúde reprodutiva permanece acontecendo nos Programas de Saúde26. Refletir e discutir sobre as políticas de inclusão da figura paterna no âmbito da assistência à saúde torna-se essencial para uma atenção mais globalizada e humanizada, considerando a saúde como um bem-estar geral e global, onde todos os componentes da família são convidados a participar de forma ativa27. Tomando as modificações por que tem passado a figura paterna, destaca-se a presença deste nos períodos pré e perinatal junto à sua companheira, possibilitando, inclusive, que o pai receba do bebê elementos que fortaleçam e construam o exercício da paternidade28. É pela vivência, superação dos conflitos e expressão das experiências afetivas mais profundas que o homem deve se tornar e vivenciar o ser pai18. O termo engrossment significa absorção, preocupação e interesse, além de ser um potencial do pai em relação ao bebê. Representa uma resposta positiva e significativa dos pais frente aos recém-nascidos, e diz respeito ao laço que se estabelece entre ambos26. Neste sentido, a gestação configura-se como um período de preparação tanto para a mãe quanto para o pai. Quanto mais fortes forem os laços afetivos fixados entre pai e filho na gravidez, melhor será o desenvolvimento da paternidade e do vínculo pai-filho na vida extra-uterina. O estabelecimento desses laços nos primeiros estágios da vida é um elemento de grande significação para viver a instituição da paternidade29. Na gravidez, homem e mulher deixam de serem apenas filhos para se tornarem pais, onde ambos vivenciam essa transição com expectativas, anseios, temores e fantasias. O homem também sofre o impacto da mudança de papéis com sentimentos de medo mesclados com a responsabilidade com o bebê que será gerado. Além disso, tem que conviver com alterações no comportamento da companheira, desencadeando uma fase de conflitos. Assim, sentir-se pai é um fato que pode ocorrer somente após o nascimento e, em alguns casos, mesmo após a chegada do bebê, o sentimento de paternidade ainda não é tão perceptível, assim como o peso da responsabilidade que esse evento pressupõe18. Novas vivências referentes à paternidade podem levar ao distanciamento durante a gravidez, com possibilidade de isto se manter após o parto, devido à ambivalência presente nesse período. As questões emocionais, individuais da história de cada um, além das culturais, religiosas e familiares permearão a construção da paternidade como experiência desejada ou não, estabelecendo muitas vezes como será a relação entre homem-mulher e o novo componente familiar, o bebê18. Assim, a participação do homem na gravidez o faz sentir-se parte do processo e se reflete na qualidade de vida do casal. Pode-se afirmar que os pais mais engajados emocionalmente na gestação estariam mais predispostos a reagir adequadamente às necessidades de apoio e compreensão de suas companheiras. Estudos sobre percepção precoce da paternidade relatam envolvimento emocional e comportamental desde os primeiros estágios da gestação29-31. Já na paternidade adolescente o sentimento tardio é muito comum. O processo de tornar-se pai é lentamente construído a partir da vivência relacional pai-filho10. Em consonância com esse pensamento, a Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012 SilvaELC, LamyZC, Rocha LJLF, LimaJR intenção de ser pai é diferente da intenção de ser mãe: o ser pai vem com a maturidade a partir de um projeto de constituir uma família e não do sonho de ter um filho, sonho acalantado em toda uma vida, como ocorre com as mulheres20,32. Diante disso, para que o homem sinta-se pai antes do nascimento do filho é necessário, além da proximidade física com a gestante, o envolvimento afetivo e a aceitação da gravidez, além da necessidade de ter sido construída como projeto no passado, mesmo que esse projeto fosse para outro momento18. O fato de o homem muitas vezes não sentir-se parte do processo durante a gravidez tem toda uma explicação histórica, envolta em mitos e símbolos culturais, onde o homem não podia participar desse processo face ao sofrimento e condições em que a mulher se apresentava. Essa visão vem tentando ser modificada e direcionada a uma participação mais efetiva do pai nesse processo33. No entanto, há muitas controvérsias nessa questão, tendo em vista que a concepção de paternidade ainda tem raízes históricas que a desvinculam da gravidez, sendo a mãe considerada a geradora da vida. Por sua vez, a ausência paterna pode ser justificada pelo respeito à privacidade feminina, sendo o gestar e o parir intrínsecos à responsabilidade da mulher. O pai não sabe como se situar, cabendo-lhe o papel de observador passivo19. Assim, os homens tentam viver a experiência de ser pai, rompendo estereótipos do passado e se aproximando dos aspectos afetivos dessa relação, aliando o papel de provedor à demonstração de afeto e cuidado34. Nessa perspectiva, muitos estudos têm sido difundidos no intuito de apresentar a relevância e significado do papel paterno na assistência9,24. Na assistência à saúde, há necessidade de compreensão, aceitação e preparação para a inserção da figura do pai como um dos sujeitos diretamente envolvidos desde o processo gestacional28. Em 2008, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, que traz as diretrizes que fomentam políticas públicas voltadas à população em questão, sobre as práticas contraceptivas às mulheres, assegurando aos homens o direito à participação no planejamento reprodutivo. Desta forma, destaca-se a paternidade como um direito do homem de acompanhar o processo, compreendendo o acompanhamento da gravidez, do parto, do pós-parto e da educação da criança. Esta proposta teórica, muitas vezes, infelizmente, não se reflete na prática atual do Sistema de Saúde17. Os pais ainda esbarram em inúmeras dificuldades para acessar o Sistema de Saúde, desde barreiras institucionais, como a inexistência de atividades direcionadas a eles, até questões culturais, como a reprodução ainda ser considerada exclusivamente feminina. As empresas ainda dificultam a saída dos homens para acompanhar suas parceiras à consulta pré-natal. Somem-se a isso questões familiares: devido à maioria das companheiras não trabalhar, fica ainda a cargo do homem o papel de provedor; ou ainda o fato de residirem com familiares que não incentivam a participação masculina nesse cenário35. É importante ressaltar ainda que, muitas vezes, maternidade e gravidez são vistas como termos sinônimos. Se a maternidade tem mais a ver com a qualidade Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012 de ser mãe, um laço que liga a mãe aos filhos, a gravidez refere-se ao período em que a mãe carrega no útero um novo ser. Isto não significa dizer que toda grávida desempenhará o papel de mãe. Uma atribuição equivocada de significados pode acabar legitimando a figura materna como insubstituível nos cuidados e formação dos filhos e o pai visto apenas como um coadjuvante, muitas vezes esquecido23. Com relação às políticas públicas, é notório que os homens não costumam ser foco de atenção nos serviços de saúde, perpetuando a representação da reprodução como responsabilidade feminina10. Persistindo a exclusão dos pais nos serviços obstétricos e pediátricos, a motivação e desejo deles de se envolverem com os bebês são frustrados pela negligência e mesmo rejeição à sua presença, num descompasso entre as ações de saúde e o incremento da paternidade23,34. Apesar de todas as mudanças na esfera da saúde que colaboram para a inclusão da figura masculina, este ainda depara-se com dificuldades para participar ativamente do processo, seja por vergonha ou por proibição do Serviço de Saúde, fato observado no cotidiano da assistência4. No estudo de Gonçalves et al.20, embora muitas adolescentes tenham referido que os companheiros as acompanhavam nas consultas de pré-natal, muitos deles não entravam no consultório. A paternidade não é uma essência inerente aos homens em forma concreta. Para que os homens sejam efetivamente inseridos na paternidade é necessária uma série de operações complexas por meio das quais eles se encontram vinculados aos dispositivos de produção nos diferentes e múltiplos modelos de paternidade10. Uma pesquisa sobre a participação do pai adolescente nos programas públicos de atendimento prénatal em Florianópolis (SC) revelou que os poucos homens que ali se encontravam, no momento da entrevista, permaneciam na sala de espera aguardando a parceira, sendo que apenas um deles não manifestou interesse em acompanhá-la na consulta. Todos os outros manifestaram interesse em estarem mais próximos, acompanhando a gestação do filho, e que na maioria das vezes, os homens não são convidados para participar do processo e menos ainda inseridos nos programas. O estudo revelou ainda os pais que aguardavam na sala de espera, sequer foram convidados para adentrar a sala de consulta13. No caso do pai adolescente há ainda tabus maiores, tendo em vista que sofre uma reação negativa do meio que o rodeia: os serviços de saúde não o incluem nos programas de educação perinatal e os adultos transformam a censura pelo início precoce das relações sexuais em condenação20. Krob et al.,18 apontam que há necessidade de maior contribuição da literatura sobre a temática da paternidade, enfatizando que, assim como a mãe, o pai também deve ser um sujeito percebido e valorizado. É preciso considerar a transição para a paternidade propriamente dita, além de destacar fatores que podem facilitar ou dificultar o exercício dessa função, que deve ser vista desde o período gestacional. Ainda falta um incentivo maior acerca dos programas de assistência voltados para o funcionamento familiar como um todo, isto é, incluindo a figura paterna nesse processo12. Diante de tantas discussões, ainda é necessário 57 PATERNIDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA recorrer às propostas já existentes e que precisam de fato se consolidar na realidade. O Ministério da Saúde instituiu o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento36 através da Portaria 569 de 01 de junho de 2000, visando melhorar a qualidade da assistência e diminuir a morbimortalidade materna e perinatal; no entanto, observa-se que no cotidiano assistencial o homem ainda continua à margem desse processo. O referido Programa visa o direito à humanização da assistência obstétrica e neonatal como condição para o adequado acompanhamento do parto e puerpério. A humanização destaca seu texto, compreende, entre outros, dois aspectos fundamentais36: O primeiro diz respeito à convicção de que é dever das unidades de saúde receber com dignidade a mulher, seus familiares e o recémnascido. Isto requer atitude ética e solidária por parte dos profissionais de saúde, organização da instituição de modo a criar um ambiente acolhedor e adotar condutas hospitalares que rompam com o tradicional isolamento imposto à mulher. O segundo refere-se à adoção de medidas e procedimentos sabidamente benéficos para o acompanhamento do parto e do nascimento, evitando práticas intervencionistas desnecessárias que, embora tradicionalmente realizadas, não beneficiam a mulher nem o recémnascido e que, com frequência, acarreta maiores riscos para ambos (p. 5-6). Além disso, o Ministério da Saúde através da Lei Federal 11.108, de 7 de abril de 2005 (lei do acompanhante)36, assegura à mulher a livre escolha de um acompanhante tanto no pré-parto quanto no puerpério, mas este dispositivo também tem sido negligenciado na maioria das situações assistenciais. Os homens que tiverem a oportunidade de estar envolvidos emocionalmente, vivenciando em conjunto o pré-natal, parto e puerpério com a mulher, terão maiores chances de serem pais mais comprometidos com a saúde e, por conseguinte, com a qualidade de vida da família36. Neste sentido, reitera-se que apesar de estudos já abordarem o tema, o processo de inclusão do pai na assistência pré-natal e puerperal ainda se encontra em construção. Cabe a todos os sujeitos envolvidos nesse processo somarem esforços na tentativa de reverter a situação em que se encontra atualmente este aspecto da assistência à saúde reprodutiva. Considerações Discutir sobre o papel paterno não é uma novidade, mas sua inclusão ainda esbarra em muitos obstáculos. Os estudos analisados apontam que a percepção de um pai mais participativo e atuante no contexto familiar ainda é questão a ser ampliada, pois normalmente se associa a figura materna aos cuidados com as tarefas domésticas e com os filhos, deixando ao pai o papel exclusivamente de provedor. Apesar das inúmeras mudanças que têm ocorrido ao longo dos tempos, como a inclusão da mulher no mercado de trabalho, marca-se a necessidade de maior engajamento da figura paterna, contribuindo para uma maior funcionalidade do casal e da família como um todo, possibilitando aos filhos um crescimento e desenvolvimento mais saudável e seguro. Além disso, os estudos apontaram que a inserção do pai na saúde reprodutiva ainda é um assunto incipiente, com pouca solidez em sua concretização, devendo ser valorizada a presença da figura paterna desde a consulta pré-natal, estendendo-se ao parto e, por conseguinte, nos cuidados com os filhos. Essa aproximação tende a facilitar, não só o relacionamento entre os membros da família, mas da família com a equipe dos serviços. Assim, é importante que outros estudos possam ser organizados na tentativa de ampliar os olhares para a temática em questão, permitindo uma maior vigência das políticas públicas voltadas para a esfera social no tocante às famílias e à assistência. Referências 1. Staudt ACP, Wagner A. Paternidade em tempos de mudança. Psicol Teor Prát, 2008; 10(1): 174-85. 7. Montgomery M. O novo pai. 12. Ed. rev. São Paulo: Ediouro; 2005. 2. Henningen I, Guareschi NMF. A paternidade na contemporaneidade: um estudo de mídia sob a perspectiva dos estudos culturais. Psicol Soc, 2002; 14(1): 44-68. 8. Thompson SD, Crase SJ. Fathers of infants Born to adolescent mothers: a comparison with non-parenting male peers and adolescent mothers. Child Youth Serv Rev, 2004; 26: 489-505. 3. Tarnowski KS, Próspero, ENS, Elsen I. 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A prática odontológica abrange uma gama de atividades e de interfaces que interagem não somente com o processo saúde-doença bucal, como também com os aspectos e impactos ambientais. Objetivo: Verificar o andamento científico em torno da dicotomia saúde/ambiente caracterizando a odontologia sustentável com seus modos de manejo de resíduos de forma a minimizar os impactos causados ao meio. Conclusão: Apesar dos resíduos produzidos pela classe odontológica terem potencial para causar grandes impactos ambientais, há pouca preocupação por parte do governo, das Instituições de Ensino Superior e dos profissionais com o manejo desses resíduos. É importante que haja mais estudos e conscientização dos profissionais sobre as formas de minimizar tais impactos, o que possibilitará a inclusão da classe odontológica no constante interesse com a sustentabilidade, em vista à formação de uma consciência coletiva sobre a preservação do ambiente. Palavras-chave: Meio Ambiente e Saúde Pública. Desenvolvimento Sustentável. Resíduos de Serviços de Saúde. Abstract Introduction: The dichotomy between humans and nature has been increasingly focused by the scientific community in the midst of global ecological risks. For the sustainability of their work, the Organizations need to include attention to the quality of the environment and health management using an environmental approach. It is also important to know the environmental aspects and impacts that the sector activities may cause to the environment. The dental practice includes a range of activities and interfaces that interact not only with the health-disease process, but also with the environmental aspects and impacts. Objective: Thus, the purpose of this review was to assess the scientific progress around the dichotomy health/environment, characterizing the sustainable dentistry with its types of waste management in order to minimize the impacts to the environment. Conclusion: Although the waste produced by the dental profession has the potential to cause major environmental impacts, there is little concern of the Government, Institutions of Higher Education and dentistry professionals about the management of these wastes. More researches and professional awareness about ways to minimize such impacts are important. All these actions will make possible to include the dental profession in the constant of world interest to sustainability in order to form a collective awareness about the preservation of the environment. Keywords: Environment and Public Health. Sustainable Development. Medical Waste. Introdução Nos últimos anos, a abordagem de questões da interface saúde e ecologia tem-se tornado uma temática importante para pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, ao possibilitar a análise e a intervenção para preservar a vida no planeta. Percebe-se cada vez mais a necessidade de consolidar um corpo de conhecimentos científicos que permita evidenciar as implicações inerentes a este contexto1, incluindo a análise dos determinantes do processo com ênfase na sustentabilidade socioambiental2. Segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das Nações Unidas, desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades atuais sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades. Nos últimos anos, tem havido um crescente interesse da sociedade em questionar o desempenho ecológico das organizações, o que é oportuno, principalmente, pelo dever imposto ao poder público e à coletividade de defender e preservar o meio ambiente para as gerações atuais e futuras, como bem acentua o artigo 225 da Constituição Federal (1988)3. Isso é reiterado por Corrêa et al.,4 que afirmam que para a sustentabilidade de seus trabalhos, as organizações necessitam incluir atenção à qualidade do meio ambiente. Segundo Rossato et al.,5 gestão ambiental é a administração das atividades a fim de utilizar da melhor maneira os recursos naturais, preservando a biodiversidade e amenizando os impactos ambientais. Por outro lado, para implantação de uma gestão com enfoque ambiental, baseada na educação e sensibiliza- 1. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. Professora Ajunta do Departamento de Odontologia II da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. Professor Substituto do Departamento de Odontologia I da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. 2. Professora Associada do Departamento de Odontologia I da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. Contato: Andréa Lúcia Almeida de Carvalho. E-mail: [email protected] 2. 2. 60 Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 Freitas-Anceles JFS, Silva VC, Freitas-Fernandes FS, Carvalho ALA ção ambiental, é necessário ter conhecimento do impacto ambiental que as atividades do setor podem ocasionar ao meio ambiente6. A prática odontológica abrange uma gama de atividades e de interfaces que interagem não somente com o processo saúde-doença bucal, como também com os aspectos e impactos ambientais. Infelizmente, os Resíduos Sólidos de Saúde (RSS) odontológicos incluindo metais pesados e lixo biomédico, representam potenciais desafios para o meio ambiente, o que leva a uma preocupação cada vez maior com o gerenciamento desses resíduos, já que, atualmente, há uma maior preocupação com a preservação da biodiversidade. Todos esses fatores tornam a odontologia uma seara fértil no enfoque da saúde ambiental, dando origem à Odontologia Sustentável. O surgimento desse ramo da odontologia possibilitou a inserção da classe na perspectiva de preservação ambiental, o que é de suma importância, visto que, as atividades desenvolvidas pelos cirurgiões dentistas geram grande quantidade de resíduos, os quais, em sua maioria, podem ser reaproveitados ou tratados antes de sua eliminação para o meio ambiente. Diante do exposto, essa revisão da literatura teve como objetivo verificar a produção científica em torno da dicotomia saúde/ambiente caracterizando a odontologia sustentável com seus modos de manejo de resíduos de forma a minimizar os impactos causados ao meio. Interação saúde/ambiente Os problemas ambientais e de saúde estão intimamente relacionados, já que afetam sociedades e o ser humano em várias dimensões7. Porto8 menciona que é necessária a busca de um diálogo entre profissionais das áreas ambientais e da saúde e outros atores sociais, por meio de práticas interdisciplinares e intersetoriais, como forma para a construção de um novo modelo de desenvolvimento. O fortalecimento desta relação saúde-ambiente traz uma nova perspectiva, que busca englobar o modelo industrial e associar a ideia de que o progresso deve estar alinhado com a questão ambiental9. Porém, há pouco engajamento no campo técnico e prático da saúde para reverter ou evitar o processo de degradação ambiental1. Para Morel10, tão importante quanto estabelecer prioridades de pesquisa em saúde é a garantia de que este conhecimento gerado resulte em intervenções efetivas ao nível de políticas públicas e privadas. O processo de gestão do meio ambiente compreende diretrizes e atividades, tanto administrativas quanto operacionais, que envolvem fatores como planejamento, direção e controle, sempre procurando produzir efeitos positivos no meio ambiente, protegendo-o das ações humanas. É preciso criar Sistemas de Gestão Ambiental, que são estruturas que seguem padrões para gerenciar as atividades referentes ao meio ambiente, de forma sistematizada e possibilitando gerar informações11. A produção científica relacionada à saúdeambiente tem grande relevância no Brasil. O país ocupa o terceiro lugar do ranking, ficando atrás, apenas, dos Estados Unidos e da Rússia. Dentre estes estu- Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 dos, 26% se referem à abordagem epidemiológica e de ecologia de vetores. Estudos sobre políticas públicas de desenvolvimento sustentável, globalização e qualidade de vida totalizam 25%. Porém, a exposição a poluentes ambientais representa, somente, 5% dos estudos, enfatizando a exposição ao mercúrio, amianto, resíduos sólidos e praguicidas1. Estes últimos, devem se tornar cada vez mais específicos, visando a colaboração de classes profissionais, setores industriais e governos em favor do meio ambiente. Educação, conscientização e sensibilização ambiental Conforme a Lei 9.795, de 27 de abril de 199912, a Educação Ambiental é entendida como o conjunto de processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (Artigo 1º), sendo um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal (Artigo 2º). Atualmente a sociedade vive uma crise de fundo espiritual, de valores. Não se muda as tendências apenas reciclando latinhas e assustando as pessoas com ecoterrorismo. Elas precisam ser sensibilizadas e não aterrorizadas. O processo de Educação Ambiental deve identificar problemas e soluções, mas deve solidificar os aspectos positivos do ambiente preservado para que a valorização e o envolvimento ocorram. A Educação Ambiental deve chegar ao indivíduo e ao seu coração. Não há outra linguagem mais eficaz. Com isso, englobam-se os conceitos de conscientização e sensibilização. A conscientização é o processo de percepção individual da realidade ambiental que impele a um julgamento de valor sobre os atos de cada um; e sensibilização, o processo associado ao de conscientização que leva a experimentar sentimentos com relação à necessidade da proteção ambiental13. Uma das grandes questões em relação à educação ambiental, conscientização e sensibilização é a obtenção de algo que a própria educação não conseguiu: estabelecer uma linguagem única, um entendimento consensual da realidade e, em última análise, uma conduta social mais favorável para a sobrevivência do planeta e a promoção da saúde coletiva14. Não se acredita que o simples fornecimento de informações acerca do meio ambiente e da saúde seja suficiente. A informação, sem o apoio e a crença de que o esforço vem sendo desenvolvido de forma conjunta pelo governo e pela sociedade, torna-se pouco influente no sentido de favorecer a ação. É necessário o favorecimento da dimensão social transformadora e questionadora, visando o desenvolvimento individual e coletivo, na solidariedade e ajuda mútua, destacando a participação e o controle social como fundamentais para implementar e consolidar as ações. Corroborando tais argumentos, Tauchen e Brandli15 afirmam que a gestão ambiental e o desenvolvimento de uma consciência ecológica em diferentes camadas e setores da sociedade mundial acabam por 61 IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA SUSTENTÁVEL NA INTERFACE SAÚDE/AMBIENTE envolver o setor da educação, a exemplo das Instituições de Ensino Superior (IES), seja na qualificação de seus egressos, futuros tomadores de decisão, formação de profissionais preocupados com as questões ambientais, seja como exemplo e formação de uma sociedade mais justa econômica, social e ambientalmente5. No entanto, ainda são poucas as práticas observadas nas IES, as quais têm o papel de qualificar e conscientizar os futuros formadores de opinião. Rossato et al.,5 perceberam que ainda é muito incipiente a preocupação com as questões ambientais por parte das Instituições Federais de Ensino, uma vez que apenas 19,4% (18 Instituições) das 93 Instituições pesquisadas no Brasil apresentaram órgãos, coordenadorias, secretarias ou departamentos destinados à problemática ambiental. O papel de destaque assumido pelas IES no processo de desenvolvimento tecnológico, na preparação de estudantes e fornecimento de informações e conhecimento, pode e deve ser utilizado também para construir o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e justa. Para que isso aconteça, entretanto, torna-se indispensável que essas organizações comecem a incorporar os princípios e práticas da sustentabilidade, seja para iniciar um processo de conscientização em todos os seus níveis, atingindo professores, funcionários e alunos, seja para tomar decisões fundamentais sobre planejamento, treinamento, operações ou atividades comuns em suas áreas físicas. A educação é a chave do desenvolvimento sustentável e autossuficiente15. Com isso, torna-se necessário expressar sucintamente o comprometimento com o meio ambiente, através da educação, como sendo a contínua intencionalidade e prática em considerar a proteção ambiental nas decisões gerenciais e operacionais cotidianas13. A preservação/recuperação do ambiente é algo que atinge a todos e por isso, a busca pelo comprometimento deve ser iminente. Verificando-se tal comportamento inserido na abordagem dos Resíduos Sólidos de Saúde (RSS), observa-se uma falha no processo de formação de futuros profissionais. Este é um aspecto importante para justificar o que tem acontecido em relação a esses resíduos, tanto nos estabelecimentos de saúde, como no meio ambiente. Daí a relevância da educação ambiental16. É necessário considerar que um projeto educativo seja mais do que treinamento e conhecimento de fatos. Deve-se buscar a conscientização e sensibilização num esforço conjunto de desenvolvimento de condutas que visem favorecer a saúde e o ambiente14. Aspectos legais acerca de Resíduos Sólidos de Saúde (RSS) Aprovou-se em 02/08/2010 a Lei 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual regula a Política de RSS. i) a resolução RDC nº 306/200417 que determina que os RSS sejam separados, acondicionados e coletados de acordo com sua classificação (APotencialmente infectantes, B- Químicos, CRadioativos, D- Comuns, E- Perfurocortantes). ii) a resolução nº 358/2005 do Conselho Nacional 62 do Meio Ambiente (CONAMA)18 que dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos RSS e, portanto, aplica-se a todos os serviços relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal. iii) a norma brasileira NBR ISO 14001/2004 (ABNT)6 atribui a responsabilidade do gerenciamento de RSS ao estabelecimento de saúde, desde a geração até a disposição final, bem como a necessidade de se elaborar e implantar o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde – PGRSS (Art. 4º). Os resíduos de saúde são classificados como: tipo A, resíduos com a possível presença de agentes biológicos, que por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção; tipo B, resíduos contendo substâncias químicas, que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade; resíduos do tipo C, constituídos por produtos resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos (elementos radioativos) em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia NuclearCNEN e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista; resíduos tipo D, resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radioativo à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares; e, tipo E, formado por materiais perfurocortantes ou escarificantes17. Odontologia sustentável De acordo com a ANVISA17, das 154 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados por dia no Brasil, 2% representam os resíduos gerados nos serviços de saúde, incluindo a odontologia. Destes, 20% são resíduos tóxicos e contaminantes que necessitam de tratamento prévio à disposição final, tendo em vista o risco que representam à saúde pública, ocupacional e ambiental. Para a realização de uma Odontologia Sustentável deve-se começar por procedimentos que devem se integrar à preocupação ambiental, tendo em vista que resíduos como amálgama, chumbo, revelador, fixador, lixo contaminado e comum e outras atividades com reciclagem, consumo de água e energia, se não gerenciados adequadamente, representam riscos eminentes ao meio ambiente. Um Programa de Gerenciamento de Resíduos de Saúde pode ser capaz de minimizar ou até mesmo impedir os efeitos adversos causados pelos RSS, do ponto de vista sanitário, ambiental e ocupacional. A grande maioria dos RSS da prática odontológica podem ser reciclados ou tratados antes de sua eliminação19-21. A Lei 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de RSS salienta a importância da adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias ambientalmente saudáveis como forma de minimizar impactos ambientais. Tal contexto, na realidade do serviço odontológico, pode ser pela implementação de uma EcoOdontologia através de uma maior divulgação das normas de descarte e formas de manejo visando a Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 Freitas-Anceles JFS, Silva VC, Freitas-Fernandes FS, Carvalho ALA minimização dos impactos ambientais. Segundo um estudo da Associação Americana Eco Dentistry, o impacto ambiental anual da odontologia, nos Estados Unidos, revela-se em 680 milhões de barreiras de plástico descartáveis; 1,7 bilhão de pacotes de esterilização; 28 milhões de litros de fixador; 4.800.000 folhas de chumbo; 3,7 toneladas de resíduos de amálgama; 9 bilhões de galões de água (sistemas de vácuo de água) ou 360 litros de água / dia / consultório22. Ramalho et al.,11avaliaram a sustentabilidade de serviços odontológicos em uma clínica odontológica em Florianópolis (SC), e observaram uma avaliação global de sustentabilidade de 59,6%, que é considerada regular. Com relação ao índice de sustentabilidade avaliado nesse estudo, observou-se uma situação de desempenho ecológico médio, o que atende à legislação com relação à valorização ambiental e prevenção da poluição. Entretanto, essa não é uma realidade das clínicas odontológicas brasileiras, como observaram Freitas et al.,22 em um estudo realizado em São Luís (MA). De acordo com esse estudo 79,7% dos dentistas na cidade de São Luís não realizam atividade sustentável em seu consultório, o que representa um índice bastante elevado. Resíduos odontológicos Segundo Hiltz (2007)23, atividades sustentáveis em um consultório odontológico podem gerar 90% menos resíduos atuando-se em quatro frentes: redução, reciclagem, tratamento de resíduos, além de mobilização para uma mudança de paradigmas da comunidade odontológica, consolidando o binômio odontologia/meio ambiente nessa classe. Dentre os resíduos odontológicos, permissíveis de controle ambiental, estão incluídos – amálgama, chumbo, revelador, fixador, embalagens em geral e materiais não-contaminados. Amálgama O amálgama odontológico contém 50% de seu peso em mercúrio, o qual é bioacumulativo e conhecido por seus efeitos tóxicos em plantas, animais e humanos21. Um dos efeitos do mercúrio no meio ambiente, por exemplo, é a chuva ácida, que pode contaminar mananciais de água e alimentos11. Nos seres humanos, a contaminação pelo mercúrio pode ocasionar distúrbios cardíacos, respiratórios, neurológicos, imunológicos e articulares, além de adenopatias linfáticas, anorexia e perda de peso24. Apesar dos riscos do mercúrio à saúde e ao meio ambiente, cerca de 30% do amálgama preparado nos consultórios odontológicos é descartado diretamente no meio ambiente, sem tratamento prévio. A fim de reduzir a dispensa desse material tóxico no meio, pode-se fazer de uso de armadilhas instaladas na cadeira ou realizar a instalação de filtros na bomba à vácuo, os quais possibilitam a recuperação do material granulado, além da opção do equipamento separador de amálgama. A Agência de Proteção Ambiental da Califórnia (EPA), estima que a utilização das armadilhas nas cadeiras e filtros na bomba à vácuo capturam aproximadamente 70% do mercúrio gerado durante um procedimento de restauração de amálgama24, 25. Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 Os separadores de amálgama direcionam-se à captura de partículas de amálgama restantes que escapam das armadilhas e filtros. A Certificação da Organização Internacional para Normalização (ISO) 11143 exige que os separadores de amálgama sejam capazes de reduzir a concentração de amálgama em 95%. A maioria dos certificados ISO de separadores no mercado reduzem os níveis em até 99%. Os órgãos reguladores de qualidade de água afirmam que os separadores de amálgama são a melhor tecnologia disponível, atualmente, para controle das descargas de mercúrio de um consultório odontológico26. Além das formas mecânicas de recuperação do amálgama, Condrin (2004)26 ainda explicita que, em Los Angeles - EUA, existe um programa de licença de Melhores Práticas de Gerenciamento – BMP, o qual exige relatórios periódicos e planejamento por escrito, além de orientar formas de manejo com este resíduo, como: Não enxaguar armadilhas, filtros ou recipientes contendo amálgama, na pia; Reciclar ou administrar como resíduos perigosos, amálgama, mercúrio elementar, cápsulas de amálgama quebradas ou inutilizadas, dentes extraídos contendo amálgama, ou resíduos de armadilhas e filtros contendo amálgama; Manter resíduos de amálgama em um recipiente hermético e contendo água; Separar excesso de amálgama dental que sobra durante uma restauração e colocar em um recipiente apropriado; Usar armadilhas para capturar amálgama dental no consultório; Trocar ou limpar armadilhas, no consultório com frequência. Lavar o sistema de vácuo antes de trocar a armadilha no consultório; Trocar filtros de bomba à vácuo e telas mensalmente ou conforme indicado pelo fabricante; Verificar a armadilha em sua pia para a presença de qualquer resíduo contendo amálgama; Eliminar todo o uso de mercúrio elementar à granel e usar apenas amálgama pré encapsulado para restaurações; Limitar a quantidade de amálgama preparado para uma restauração e manter uma variedade de tamanhos de cápsulas de amálgama para garantir que a quase totalidade do amálgama preparado seja usado; Treinar funcionários que manuseiam ou podem lidar com material contendo mercúrio sobre seu uso e descarte; Considerar o uso de tecnologias de remoção de amálgama, tais como sistemas de sedimentação ou separadores de amálgama. Para Condrin26, um consultório odontológico bem administrado aderindo a estas Melhores Práticas de Gerenciamento, recomendadas pela Califórnia Dental Association (CDA), é possível reduzir o descarte de amálgama no sistema de esgoto municipal em até 78%. 63 IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA SUSTENTÁVEL NA INTERFACE SAÚDE/AMBIENTE Chumbo Com o advento dos aparelhos de raio-x digitais, o chumbo utilizado nas películas radiográficas tende a ser extinto dos consultórios odontológicos, entretanto a substituição dos aparelhos tradicionais de raio-x pelos digitais ainda vai levar alguns anos, tendo em vista o alto custo desses aparelhos. Nos Estados Unidos, 66 a 75% dos consultórios ainda usam aparelhos de raios-x tradicionais. Essas práticas requerem disposição de 4,8 milhões de folhas de chumbo por ano22. As folhas de chumbo presentes nas embalagens de filmes radiográficos, também, podem ser recicladas, pois o chumbo é um metal pesado. Tal material pode ser reciclado em sucatas22. Revelador e Fixador Radiografias são exames de extrema importância para a Odontologia, por auxiliar na obtenção do diagnóstico e na realização de diversos tratamentos. O filme radiográfico é formado por folhas de acetato e celulose revestidas por duas camadas de emulsão de gelatina contendo haletos de prata. A obtenção da imagem se dá através da excitação dos cloretos de prata pela radiação ionizante. O processamento do filme ocorre através de etapas de revelação, onde o íon Ag+ é reduzido, formando uma imagem latente; fixação, onde os cloretos de prata que não foram afetados pela exposição são removidos, além de etapas de lavagem e secagem27. As substâncias utilizadas para revelação e fixação de imagens são bastante tóxicas, o que exige tratamento antes do descarte desses produtos. O revelador por ser uma solução muito básica e o fixador por conter prata, que é um metal pesado. A prata, por sua vez, pode ser recuperada, uma vez que este metal é um elemento com risco de escassez e que possui elevado valor de mercado28. Esses efluentes apresentam elevado valor de Demanda Química de Oxigênio (DQO), sendo que a do fixador é sempre mais alta que a do revelador29, 30 e pH fora do intervalo permissível pela legislação. Esses valores, estando fora da neutralidade, podem afetar a vida aquática de mares e rios no qual forem lançados, causando a morte da fauna e flora local27. Para o tratamento do revelador, há que se neutralizar a sua basicidade, a qual pode ser feita com uma mistura de água e ácido acético (vinagre) na proporção: 1 L de revelador x 10 L de água x 100 mL de vinagre; e confirmação com fita de pH que deve ficar entre 7 e 9; ou por processo eletrolítico, assim como o fixador para a recuperação da prata29, 30. Bortoletto et al.,28 observaram que no laboratório de raio-x da Clínica Odontológica do Hospital Universitário de Maringá (HUM) são processadas 36 radiografias por dia, sendo a vazão média de água de enxágue de radiografias de 324,0 L por dia. De acordo com esse autor, em um período de 15 dias, a Demanda Química de Oxigênio (DQO) do revelador e fixador utilizado nesse intervalo de tempoé de, respectivamente, 68250 e 97900 mg O2/L. No revelador, o pH foi de 10,9, ou seja, não se apresentando de acordo com a Resolução n° 357/05 do CONAMA18 (pH de 5 a 9). No fixador a prata apresentou um valor altíssimo, em 64 torno de 1024 mg/L, ultrapassando exageradamente o limite estabelecido pelo CONAMA18 (0,1 mg/L). Segundo a American Dental Association, a concentração de prata em solução de fixador usado pode alcançar de 8 a 12 g/L de fixador31. Bussadori et al.,21 encontraram que 61,1% de seus entrevistados jogam revelador e fixador na pia e rede de esgoto e somente 27,5% utilizam reservatórios e os destinam a outro fim que não, a rede de esgoto. Um estudo realizado em São Luís (MA)22 observou que tanto o revelador, quanto o fixador e o chumbo são descartados de forma incorreta, seja por negligência, por falta de conhecimento sobre o destino adequado dos mesmos, ou ainda pela falta de diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais, gestores de recursos hídricos e de saneamento competentes. Nesse estudo, 82,4% dos entrevistados, afirmaram lançar revelador e fixador diretamente na rede de esgoto desprezando o seu potencial tóxico e cumulativo de metal pesado no meio ambiente. O recurso ideal para evitar danos ambientais é a substituição dos aparelhos radiográficos comuns por aparelhos digitais, os quais eliminam todo o processo químico da revelação23. Porém, como esses aparelhos ainda apresentam valor elevado, torna-se difícil a substituição dos equipamentos antigos22. Com isso, deve-se buscar a recuperação da prata do fixador usado e da água de enxágue, reduzindo custos do processo e permitindo a reutilização desta água no processo. Deve-se ainda, tratar a solução reveladora e a solução fixadora e dar-lhes uma adequada destinação final, minimizando o impacto gerado por estes efluentes28. Resíduos sólidos não contaminados e outras práticas sustentáveis Em um consultório odontológico há diversos itens que merecem atenção de controle ambiental como água e energia, resíduos sólidos nãocontaminados que incluem embalagens de materiais, copos descartáveis usados pela equipe odontológica, itens de esterilização, dentre outros. Em relação aos resíduos sólidos não contaminados, Bussadori et al.,21 encontraram que 23,6% dos profissionais tinham a preocupação de encaminhar para reciclagem algum tipo de resíduo gerado na clínica. Dentre os dentistas em São Luís (MA), apenas 13,3% relataram enviar embalagens de material odontológico para reciclagem22. A EcoDentistry, sugere algumas atitudes sustentáveis como, economizar energia e água, garantir reciclagem de material não contaminado; usar itens de esterilização reutilizáveis e barreiras protetoras para paciente livres de plástico; atuar com fornecedores que apresentem alternativas para o tratamento dos resíduos e realizar compras da clínica que incluam produtos recicláveis; usar desinfetantes e produtos de limpeza atóxicos e biodegradáveis; eliminar o uso de soluções tóxicas para esterilização a frio, como as que contém glutaraldeído. Considerações finais A dicotomia entre o ser humano e a natureza está, cada vez mais, sendo abordada pela comunidade Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 Freitas-Anceles JFS, Silva VC, Freitas-Fernandes FS, Carvalho ALA científica em meio aos riscos ecológicos globais, porém estudos relacionados a poluentes ambientais advindos da área da saúde, ainda são poucos, necessitando-se, portanto, de mais interesse nessa área. Pela característica das ações em saúde ambiental, as parcerias com diversos segmentos sociais que atuam com as áreas de odontologia, com universidades, associações, conselhos e empresas privadas devem ser objeto de busca constante por parte do poder público, juntamente com a comunidade científica, para a obtenção de melhores resultados. Em vista disso e considerando que a quantidade de resíduos produzida pela classe odontológica pode ter um impacto ambiental significativo e visando uma eco-eficiência da atividade odontológica, deve-se investigar mais formas de minimizar tais impactos para incluir a classe odontológica na constante de interesse mundial para com a sustentabilidade, em vista à formação de uma consciência coletiva sobre a preservação do ambiente. Referências 1. Camponogara S, Kirchhof AL, Ramos FR. A systematic review about the scientific production with focus on the relation between health and environment. Cien Saude Colet, 2008; 13(2): 427-439. 14. Andrade Júnior H, Souza MA, Brochier JI. Representação Social da Educação Ambiental e da Educação em Saúde em Universitários. Psicol Reflex Crit, 2004; 17(1): 43-50. 2. Jacobi P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cad Pesqui, 2003; 1(118): 189-205. 15. Tauchen J, Brandli LL. A gestão ambiental em instituições de ensino superior: modelo para implantação em campus universitário. Gest & Prod, 2006; 13(3): 503-15. 3. Brasil, Senado Federal. (1988) Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas. 16. Corrêa LB, Lunardi VL, De Conto SM, Galiazzi MC. O saber resíduos sólidos de serviços de saúde na formação acadêmica: uma contribuição da educação ambiental. Interface - Comunic Saúde Educ, 2005; 19(18): 571-84. 17. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº. 306, de 07 de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Diário Oficial [da União da República Federativa do Brasil]; 2004; Brasília, DF, Brasil. 18. CONAMA. Resolução n.º 358, de 29 de abril de 2005. Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/r es35805.pdf>. Acessado em: 03/05/2012. 19. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Serviços Odontológicos: Prevenção e Controle de Riscos. Brasília: Ed. Anvisa, 2006. 156 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). 20. Pinheiro TN, Consolaro A. Os riscos do mercúrio do amálgama dentário. Rev ABO, 2005; 13(5): 309-12. 4. 5. Correa LB, Lunardi VL, De Conto SM. The process of education in health: practical knowledge on solid wastes from healthcare services. Rev Bras Enferm, 2007; 60(1): 21-25. Rossato J. Gestão ambiental como fator de sustentabilidade para Instituições Federais de Ensino Superior. In: Anais do XI Encontro Nacional e I Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente; 2009; Fortaleza, CE, Brasil. 6. Associação Brasileira De Normas Técnicas. NBR ISO 14001. Sistemas de Gestão Ambiental – Especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro. ABNT, 2004. 7. Freitas CM. Problemas ambientais, saúde coletiva e ciências sociais. Cien Saude Colet, 2003; 8(1): 137-50. 8. Porto MFS. Saúde, ambiente e desenvolvimento: reflexões sobre a experiência da COPASAD - Conferência Pan-Americana de Saúde e Ambiente no Contexto do Desenvolvimento Sustentável. Cien Saude Colet, 1998; 3(2): 33-46. 9. Barreto ML. Ambiente e saúde. Cien Saude Colet, 1998; 3(2): 21-2. 21. 10. Morel CM. A pesquisa em saúde e os objetivos do milênio: desafios e oportunidades globais, soluções e políticas nacionais. Cien Saude Colet, 2004; 9(2): 261-70. Bussadori SK, Guedes CC, Motta LJ, de Godoy CHL, Guedes-Pinto AC. Lixo odontológico: o que você está fazendo pelo planeta? APCD Jornal. 2009 Nov; p. 39. 22. Freitas JFS. Odontologia Sustentável: O papel da classe odontológica na problemática ambiental com ênfase na cidade de São Luís - MA. [Monografia]. São Luís MA: Universidade Federal do Maranhão; 2010. 23. Hiltz M. The environmental impact of dentistry. J Can Dent Assoc, 2007; 73(1): 59-62. 11. Ramalho LS, Uhlmann VO, Pfitscher ED, Rabelo EC. Avaliação da sustentabilidade dos aspectos e impactos ambientais de serviços odontológicos: um estudo de caso. Enf Ref Cont, 2010; 29(1): 62-78. 12. Brasil. Lei Federal nº 9.795/99, de 27 de abril de 1999, capítulo I. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. 24. Chin G, Chong J, Kluczewska A, Lau A, Gorjy S, Tennant M. The environmental effects of dental amalgam. Aust Dent J, 2000; 45(4): 246-9. 13. Epelbaum M. Sistemas de Gestão Ambiental ISO 14000: Mudando a postura reativa. In: Anais do IV Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente; 1997; São Paulo, SP, Brasil. 25. Jones DW. Putting dental mercury pollution into perspective. Br Dent J, 2004; 197(4): 175-7. 26. Condrin AK. The use of CDA best management prac- Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 65 IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA SUSTENTÁVEL NA INTERFACE SAÚDE/AMBIENTE (HUM). In: Anais do VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica; 2005; Campinas, SP, Brasil. tices and amalgam separators to improve the management of dental wastewater. J Calif Dent Assoc, 2004; 32(7): 583-92. 27. 28. 66 Bohner LOL, Bohner TOL, Mafaldo IAC, Peres PEC, Da Rosa MB. Difusão de material informativo sobre o descarte de resíduos radiológicos entre acadêmicos de odontologia e cirurgiões-dentistas da região sul do Brasil. Rev Eletr Curso Espec Educ Amb UFSM, 2011; 3(3): 476-81. Bortoletto EC, Tavares CRG, Barros MASD, Carli CM. Caracterização da geração e da qualidade do efluente líquido gerado no laboratório de raio-X da clínica odontológica do hospital universitário de Maringá 29. Grigoletto JC, Santos CB, Albertini LB, Takayanagui AMM. Situação do gerenciamento de efluentes de processamento radiográfico em serviços de saúde. Radiol Bras, 2011; 44(5): 301-7. 30. Kaster FPB, Baldissera EFZ, Lund RG. Aspectos radiológicos relacionados com a sustentabilidade no serviço odontológico. Rev Bras Pesq Saúde, 2011; 13(4): 54-9. 31. Affairs ACOS. Managing silver and lead waste in dental offices. J Am Dent Assoc, 2003; 134(8): 1095-6. Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012 NOTAS REDATORIAIS / NOTES TO AUTHORS A Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research, órgão oficial do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão - UFMA é publicada quadrimestralmente, com o objetivo de promover e disseminar a produção de conhecimentos e a socialização de experiências acadêmicas na área de saúde, assim como possibilitar o intercâmbio científico com programas de Pós-Graduação e Instituições de pesquisas nacionais e internacionais. The Journal of Health Research is an official organ of the University Hospital of the Federal University of Maranhão UFMA. Our Journal publishes every four months and has as an aim to promote and disseminate the development of knowledge and the socialization of academic experiences concerning to health, as well as the possibility of creating the scientific exchange among postgraduate programs and national and international research institutions. Recomendamos aos autores a leitura atenta das instruções abaixo antes de submeterem seus artigos à Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research: We strongly advise all authors to read the instructions below carefully before submitting manuscripts to the Journal of Health Research. a. Os trabalhos deverão vir acompanhados de carta de apresentação assinada por seu(s) autor(es), autorizando publicação do artigo e transferindo os direitos autorais à Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research. a. The manuscripts must be accompanied by a cover letter that must be signed by each author(s) authorizing the article to be published and transferring the copyright to the Journal of Health Research. b. Na seleção de artigos para publicação, avaliar-se-á o mérito científico do trabalho, sua adequação às normas e à política editorial adotada pela revista. Nos trabalhos de pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser informado o nº do parecer de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição onde o mesmo foi aprovado. b. In the selection of articles for publication, the scientific merit of the research, adaptation to the standards and editorial policy adopted by the Journal will be evaluated. When reporting experiments on human subjects, the protocol number of the Institution’s Research Ethics Committee where the research was approved must be informed. c. Os manuscritos, submetidos com vistas à publicação na Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research, são avaliados inicialmente pela secretaria quanto à adequação das normas. Em seguida, serão encaminhados no mínimo para 02 (dois) revisores (membro do Conselho Editorial ou consultor ad hoc) para avaliação e emissão de parecer fundamentado, os quais serão utilizados pelos editores para decidir sobre a aceitação, ou não, do mesmo. Em caso de divergência de opinião entre os avaliadores, o manuscrito será enviado a um terceiro relator para fundamentar a decisão final. Será assegurado o anonimato do(s) autor (es) nesse processo. O Conselho Editorial se reserva o direito de recusar o texto recebido e/ou sugerir modificações na estrutura e conteúdo a fim de adequar aos padrões da revista. Os autores dos manuscritos não aceitos para publicação serão notificados por carta e/ou e-mail. Somente após aprovação final, os trabalhos serão encaminhados para publicação. c. The manuscripts submitted for publication in the Journal of Health Research are firstly assessed by the editorial office for adaptation to the standards. Afterwards, the manuscripts will be addressed to a minimum of two reviewers (Member of the Editorial Board or ad hoc consultant) that will evaluate and issue a reasoned opinion to be used by the editor for deciding whether the article is accepted or not. In case of opinion divergence between the reviewers, the manuscript will be sent to a third reviewer for reasoning the final decision. The author(s) anonymity will be guaranteed in this process. The editorial board reserves the rights of refusing the received text and/or suggesting changes in the style and content in order to follow the journal standards. The authors of manuscripts not accepted for publication will be informed through letter and/or email. Only after acceptance the articles will be published. d. A Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research não remunera o(s) autor(es) que tenham seus artigos nela editados, porém lhes enviará 02 (dois) exemplares da edição onde seu(s) texto(s) for(em) publicado(s). d. The Journal of Health Research does not pay theauthor(s) of article(s) edited by it, however, the journal will send two issues where his/her/their text(s) was/were published. e. Não serão publicados artigos que atentem contra a ética profissional, que contenham termos ou idéias preconceituosas ou que exprimam pontos de vista incompatíveis com a filosofia de trabalho do Conselho Editorial e da política da revista. f. Os conceitos, opiniões e demais informações contidos nos textos, e publicados na Revista de Pesquisa em Saúde/ Journal of Health Research, são de inteira responsabilidade do(s) autor (es). 1. Categorias das seções Para fins de publicação, a Revista de Pesquisa em Saúde/ Journal of Health Research, publica nas seguintes seções: editorial, artigos originais, artigos de revisão e atualização, relatos de caso, relatos de experiência, comunicações breves e relatórios técnicos elaborados por profissionais da área da saúde e afins, redigidos em português ou inglês. Em cada número, se aceitará a submissão de, no máximo, dois manuscritos por autor. 1.1 Editorial: de responsabilidade do corpo editorial da revista, que poderá convidar autoridade para redigi-lo. 1.2 Artigos originais: devem relatar pesquisas originais que não tenham sido publicadas ou consideradas para publicação em outros periódicos. Produção resultante de pesquisa de natureza empírica, experimental, documental ou conceitual e. The articles that do not follow the professional ethics, as well as those that show prejudice ideas or express incompatible viewpoints with the journal’s policy and editorial board philosophy towards work, will not be published. f. The concepts, opinions and other information within the texts, and published in the Journal of Heath Research are of entire responsibility of author(s). 1.Categories of sections For publication purposes, the Journal of Health Research publishes in the following sections: original, review and update articles, case and experience reports, editorial, short communications and technical reports. The manuscripts must be written in portuguese or english and elaborated by professionals of health or related areas. In each issue number the Journal will accept up to two manuscripts for submission by each author. 1.1 Editorial: the Journal editorial body is responsible by this type of submission. The Journal may invite an expert to prepare it. 1.2 Original article: should report original research that has not been previously published or considered for publication in other journals. It is a manuscript that was resulted of empirical, experimental, documental or conceptual research and which may add values to the science field and practice of 67 com resultados que agreguem valores ao campo científico e prático das diversas áreas da saúde. Deve conter na estrutura: resumo, abstract, introdução, métodos, resultados, discussão e referências (máximo de 6.000 palavras e cinco ilustrações). 1.3 Artigos de Revisão e Atualização: destinados a apresentação de conhecimentos disponíveis baseados numa avaliação crítica, científica, sistemática e pertinente de um determinado tema (resumo estruturado de até 250 palavras, máximo de 5.000 palavras, cinco ilustrações), e não apenas revisão de literatura, e até três autores. Mesma formatação do artigo original. 1.4 Relatos de Casos: devem ser relatos breves de casos relevantes para divulgação científica com extensão máxima de 1.500 palavras, com máximo de 3 ilustrações (tabelas e figuras), até quinze referências. Colocar no corpo do manuscrito os tópicos: introdução, relato de caso, discussão e referências. Permitido-se máximo três autores. many health areas. It should contain in its structure: resumo, abstract, introduction, methods, results, discussion, conclusion and references (up to 6,000 words and five illustrations). 1.3 Review and update articles: have as an aim the presentation of available knowledge based on critical, scientific, systematic and relevant assessment of a particular subject (abstract of up to 250 words, maximum of 5,000 words, five illustrations), they should not only be a literature review and should be conducted of up to three authors. Same format of the original article. 1.4 Case reports: relevant brief reports that should be important to scientific publishing, with maximum of 1,500 words and three illustrations (tables and figures), up to ten references. Devide your manuscript into sections: introduction, case report, discussion and references. It is allowed up to three authors. 1.5 Comunicações Breves: devem ser relatos sobre novos resultados, interessante dentro da área de abrangência da revista. Observação clínica original, ou descrição de inovações técnicas, apresentadas de maneira breve, não excedendo a 1.700 palavras. Não colocar no corpo do manuscrito os tópicos: introdução, métodos, resultados, discussão e conclusões. Máximo três ilustrações e até quinze referências. 1.5 Short communications: should be reports about new results and interesting for the knowledge area of the journal. Original clinical observation or description of technical innovations which should be presented briefly without exceeding 1,700 words. Do not include in the body of the manuscript the items: introduction, methods, results, discussion and conclusions. Maximum of three illustrations and up to fifteen references. 1.6 Relato de Experiência: descrição de experiências acadêmicas, assistenciais e de extensão. A relevância de um relato de experiência está na pertinência e importância dos problemas que nele se expõem, assim como o nível de generalização na aplicação de procedimentos ou de resultados da intervenção em outras situações similares, ou seja, serve como uma colaboração à práxis metodológica. Formato de artigos originais. 1.6 Experience Report: description of academic, assistance, and extension experiences. The relevance of an experience report is the relation and importance of problems that are shown by it, as well as the level of generalization in the procedures application and results of interventions in other similar situations, in other words, it serves as collaboration to the methodological praxis. Format of original articles. 1.7 Relatórios Técnicos: devem ser precisos e relatar os resultados e recomendações de uma reunião de experts. Será considerado no formato de um editorial. 2. Forma e Estilo 1.7 Technical Reports: should be accurate and report results and recommendations of an assembly of experts. It will be considered in an editorial format. 2 Format and Style 2.1 Os artigos devem ser concisos e redigidos em português ou Inglês. As abreviações devem ser limitadas aos termos mencionados repetitivamente, desde que não alterem o entendimento do texto, e devem ser definidas a partir da sua primeira utilização. Cada parte do artigo deve ser impressa em páginas separadas na seguinte ordem: 1) Página de Títulos; 2) Resumo e Palavras-chave; 3) Abstract e Keywords; 4) Texto; 5) Referências; 6) E-mail, para a correspondência; 7) Ilustrações e legendas; 8) Tabelas; 9) Outras informações. 2.1 The articles should be concise and written in Portuguese or English. Abbreviations should be limited to the terms mentioned repeatedly. The spelled-out abbreviation followed by the abbreviation in parenthesis should be used on first mention. The abbreviation should be used unless it will not alter the text comprehension. Each part of the article should be printed on separate pages in the following order: 1) Titles Page, 2) Resumo and Descritores, 3) Abstract and Keywords; 4) Text, 5) References, 6) e-mail for correspondence, 7) Illustrations and captions, 8) Tables, 9) Other information. 2.2 Os manuscritos dever ter as referências elaboradas de acordo com as orientações do International Committee of Medical Journal Editors Vancouver Group (www.icmje.org), e do International Committee of Medical Journal Editors Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals: sample references (http://www.nlm.nih.gov/bsd/ uniform_requirements.html. 2.2 The references of manuscripts should follow the norms established by the International Committee of Medical Journal Editors Vancouver Group (www.icmje.org) and the International Committee of Medical Journal Editors Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals: sample references (http://www.nlm.nih.gov/bsd/ uniform_requirements.html). 2.3 O manuscrito deve ser preparado usando software padrão de processamento de texto e deve ser impresso (fonte arial, tamanho 12) com espaço duplo em todo o texto, legendas para as figuras e referências, margens com pelo menos três cm. Abreviações devem ser usadas com moderação. 2.3 The manuscript should be prepared using standard word processing software and should be printed (arial, font size 12) double-spaced throughout the text, figures captions, and references, with margins of at least 3cm. Abbreviations should be used sparingly. 3. Organização dos manuscritos 3.1 Página de Título: página não numerada, contendo o título do artigo em português (digitada em caixa alta e em negrito com no máximo 15 palavras), inglês (somente em caixa alta). Nome completo dos autores digitados em espaço duplo na margem direita da página indicando em nota de rodapé a titulação do (s) autor (es) e instituição (es) de vinculo (s) e endereço para correspondência: nome do autor responsável e e-mail. 68 3. Manuscripts structure 3.1 Title Page: not numbered, containing the title of the article in Portuguese (typed in capital letters and boldface with a maximum of 15 words), English (only with capital letters), authors’ full name typed in double-spaced on the right margin of the page, and a footnote indicating the title of author (s) and institution(s) to which they are affiliated and his/her/their correspondence address (es): name of the corresponding author and email. 3.2 Resumo: deve conter no máximo 250 palavras, em caso de Artigo Original e Atualização, e 100 para Relatos de Casos, Comunicações Breves e Relato de Experiência. Devem ser estruturados, contendo introdução, objetivo(s), métodos, resultado(s) e conclusão (es). 3.3 As palavras-chaves: e seus respectivos Key Words devem ser descritores existentes no DeCS-Bireme (http:// decs.bvs.br). 3.4 Introdução: deve indicar o objetivo do trabalho e a hipótese formulada. Informações que situem o problema na literatura e suscitem o interesse do leitor podem ser mencionadas. Devem-se evitar extensas revisões bibliográficas, histórico, bases anatômicas e excesso de nomes de autores. 3.5 Ética: toda pesquisa que envolve seres humanos e animais deve ter aprovação prévia da Comissão de Ética em Pesquisa, de acordo com as recomendações da Declaração de Helsinki e as Normas Internacionais de Proteção aos Animais e a resolução nº 196/96 do Ministério da Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos. O artigo deve ser encaminhado juntamente com o parecer do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). 3.2 Abstract: should not exceed two hundred words for original or update article, and a hundred for Case reports, Short communications and Experience report. It should be structured with the objective, material and methods, results and the conclusions. Note: when the article is written in English the abstract must come before the resumo. 3.3 Keywords: should be used descriptors from the DeCSBIREME (http://decs.bvs.br). 3.4 Introduction: should provide the objective of the study and a formatted hypothesis. Information which indentifies the problem in the literature and draws the reader's interest may be mentioned. Detailed literature reviews, natural history, anatomical basis and excessive number of authors should be avoided. 3.5 Ethics: any research involving experiments on humans and animals must have a prior approval from the Research Ethics Committee, according to the Helsinki Declaration, International Animal Protection and Resolution n°196/96 of the Ministry of Health about research involving humans. The article should be addressed along with the opinion of the Committee of Ethics in Research (CEP). 3.6 Métodos: o texto deve ser preciso, mas breve, evitando-se extensas descrições de procedimentos usuais. É necessário identificar precisamente todas as drogas, aparelhos, fios, substâncias químicas, métodos de dosagem, etc., mas não se deve utilizar nomes comerciais, nomes ou iniciais de pacientes, nem seus números de registro no Hospital. A descrição do método deve possibilitar a reprodução dos mesmos por outros autores. Técnicas-padrões precisam apenas ser citadas. 3.6 Methods: the text should be accurate although brief, avoiding extensive descriptions of usual procedures. It is necessary to precisely identify all drugs, devices, wires, chemicals, methods of measurement and so on. Do not use trade names, patient initials or names, or their hospital registration numbers. The method description should enable its reproduction by others. Standard techniques need only be cited. 3.7 Resultados: devem ser apresentados em sequência lógica no texto, e exclusivamente neste item, de maneira concisa, fazendo, quando necessário, referências apropriadas a tabelas que sintetizem achados experimentais ou figuras que ilustrem pontos importantes. O relato da informação deve ser conciso e impessoal. Não fazer comentários nesta sessão, reservandoos para o capitulo Discussão. 3.7 Results: should be presented in logical sequence in the text. Only in this item, when necessary, and in a concise manner, appropriate references should be done to tables that summarize experimental findings or figures that illustrate important points. The information report must be concise and impersonal. Do not make comments on this section. All comments must be reserved for the Discussion chapter. 3.8 Discussão: deve incluir os principais achados, a validade e o significado do trabalho, correlacionando-o com outras publicações sobre o assunto. Deve ser clara e sucinta evitandose extensa revisão da literatura, bem como hipóteses e generalizações sem suporte nos dados obtidos no trabalho. Neste item devem ser incluída(s) a(s) conclusão(es) do trabalho. 3.8 Discussion: should include main findings, the validity and meaning of the work, correlating it with other publications about the subject. It should be clear and concise by avoiding detailed literature review as well as hypothesis and generalizations without support from data obtained in the study. In this item should be included the conclusions. 3.9 Referências: devem ser numeradas consecutivamente, na medida em que aparecem no texto. Listar todos os autores quando houver até seis. Para sete ou mais, listar os seis primeiros, seguido por “et al”. Digitar a lista de referência com espaçamento duplo em folha separada. Citações no texto devem ser feitas pelo respectivo número das referências, acima da palavra correspondente, separado por vírgula (Ex.: inteligência 2, 3, 4,.). As referências citadas deverão ser listadas ao final do artigo, em ordem numérica, seguindo as normas gerais dos Requisitos Uniformes para Manuscritos Apresentados a Periódicos Biomédicos (http://www.hlm.nih. gov/citingmedicine/). Os títulos dos periódicos devem ser abreviados de acordo com o estilo usado no “Index medicus” (Consulte: http://ncbi.nlm.nih.gov/sites/entrez?db=journal& TabCmd=limits). 3.9 References: should be numbered consecutively according to the order in which they are mentioned in the text. All authors should be mentioned when up to six. When there are more than six authors, you should list all the six authors followed by “et al”. The list of references should be typed doublespaced and on a separate page. Citations in the text should be made by the respective number of references, above the corresponding word and separated by comma (e.g.: Knowledge 2, 3, 4,). All cited references should be listed at the end of the article in numerical order, following the general rules of the Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals (http://www.nlm.nih.gov/citingmedicine /). The titles of journals should be abbreviated according to the style used in "Index medicus" (http://ncbi.nlm.nih.gov/ sites/entrez?= journal&db=TabCmd=limits). - Todas as referências devem ser apresentadas de modo correto e completo. A veracidade das informações contidas na lista de referências é de responsabilidade do(s) autor(es). - All references must be presented in a correct and complete manner. The veracity of the information contained in the list of references is of author(s)’s responsibility. - No caso de usar algum software de gerenciamento de referências bibliográficas (Ex. EndNote®), o(s) autor(es) deverá(ão) converter as referências para texto. - When using a reference management software (e. g. EndNote®), the author(s) must convert the references to text. 4. Fontes de financiamento 4. Funding sources 69 4.1 Os autores devem declarar todas as fontes de financiamento ou suporte, institucional ou privado, para a realização do estudo. 4.2 Fornecedores de materiais ou equipamentos, gratuitos ou com descontos também devem ser descritos como fontes de financiamento, incluindo a origem (cidade, estado e país). 4.3 No caso de estudos realizados sem recursos financeiros institucionais e/ou privados, os autores devem declarar que a pesquisa não recebeu financiamento para a sua realização. 5. Conflito de interesses 5.1 Os autores devem informar qualquer potencial conflito de interesse, incluindo interesses políticos e/ou financeiros associados a patentes ou propriedade, provisão de materiais e/ou insumos e equipamentos utilizados no estudo pelos fabricantes. 6.Colaboradores 6.1 Devem ser especificadas quais foram as contribuições individuais de cada autor na elaboração do artigo. 6.2 Lembramos que os critérios de autoria devem basearse nas deliberações do Internacional Commitee of Medical Journal Editors, que determina o seguinte: o reconhecimento da autoria deve estar baseado em contribuição substancial relacionada aos seguintes aspectos: 1.Concepção e projeto ou análise e interpretação dos dados; 2. Redação do artigo ou revisão crítica relevante do conteúdo intelectual; 3. Aprovação final da versão a ser publicada. Essas três condições devem ser integralmente atendidas. 7.Agradecimentos 7.1 Possíveis menções em agradecimentos incluem instituições que de alguma forma possibilitaram a realização da pesquisa e/ou pessoas que colaboraram com o estudo, mas que não preencheram os critérios para serem co-autores. 4.1 The authors must declare all sources of funding or support, institutional or private, used to perform the study. 4.2 Suppliers of materials or equipments free or with discount, must also be described as sources of funding, including the origin (city, state and country). 4.3 Authors with studies without institutional or private financial resources must state that the research did not receive funding for its implementation. 5. Conflict of interest 5.1 Authors are requested to disclose any potential conflict of interest, including political and/or financial interests associated with patents or property, materials and / or supplies provision and equipments used in the study by manufacturers. 6. Collaborators 6.1 It should be specified the individual contributions of each author in the preparation of the article. 6.2 We remind you that the criteria for authorship should be based on the deliberations of the International Committee of Medical Journal Editors that states the following: recognition of authorship should be based on substantial contributions to: 1. Conception and design or analysis and interpretation of data, 2. Article preparation or critical review of intellectual content; 3. Final approval of the version to be published. These three conditions must be fully met. 7. Acknowledgments 7.1 Possible acknowledgments include institutions that somehow provided help for the research and / or people who collaborated with the study, but that did not meet the criteria for co-authors. 8. Sending the submission 8. Envio e submissão Os artigos deverão ser entregues em cópia impressa e um CD na Diretoria Adjunta de Ensino, Pesquisa e Extensão, localizada no 4º andar da Unidade Presidente Dutra (HUUPD) - Rua Barão de Itapary, 227 - Centro. CEP.: 65020-070, São Luís-MA. Brasil. Telefone para contato: (98) 2109-1242, ou encaminhados por meio do e-mail: [email protected]. Articles should be delivered as an impressed copy and on a CD in the Adjunct Directory of Teaching, Research and Extention, located on the 4th floor of the President Dutra Unit (HUUPD) - Rua Barão de Itapary, 227 - Centro. CEP.: 65020070, São Luís, MA. Brazil. Phone: +55 (98) 2109-1242, or it may be sent via e-mail: [email protected]. 9. Examples of reference styles: 9. Exemplos de formas de referências: 9.1 Em Revista: Autor. Título do artigo. Título da Revista (itálico). Ano; volume (número): páginas. Jordan PH, Thonrby J. Twenty years after parietall cell vagotomy antrectomy for treatment of duodenal ulcer. Ann Surg, 1994; 220(3): 283-296. 9.2 Em Livro: Autor. Título (itálico). Edição. Local de Publicação: Editora; ano da publicação. Bogossian L. Choque séptico: recentes avanços de fisiopatologia e do tratamento. 2 ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 1992. 9.1 Journal: Author. Article title. Journal title (italics). year; volume (number): pages. Jordan PH, Thonrby J. Twenty years after vagotomy antrectomy parietall cell for treatment of duodenal ulcer. Ann Surg, 1994; 220 (3): 283-296. 9.2 Book: Author. Title (italics). Edition. Place of Publication: Publisher; year of publication. Bogossian L. Choque séptico: recentes avanços de fisiopatologia e do tratamento. 2 ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 1992. 9.3 Em Capitulo de Livro: Autor do capítulo. Título do capítulo (Itálico). In: Autor do livro. Título do livro. Edição. Local de publicação: Editora; ano de publicação; páginas. Barroso FL, Souza JAG. Perfurações pépticas gástricas e duodenais. In Barroso FL, Vieira OM, editores. Abdome agudo não traumático: Novas propostas. 2. Ed. Rio de Janeiro: Robe; 1995. p. 201- 220. 9.3 Chapter in Book: Author of the chapter. Chapter title (italics). In: Author of the book. Title of book. Edition. Place of publication: Publisher; year of publication; pages. Barroso FL, Souza JAG. Perfurações pépticas gástricas e duodenais. In Barroso FL, Vieira OM, editors. Abdome agudo não traumático: Novas propostas. 2. ed. Rio de Janeiro: Robe; 1995. p. 201-220. 9.4 Em Monografia/Dissertação/Tese. Autor. Título (Itálico) [Dissertação]. Local (Estado): Universidade; Ano; Páginas. Chinelli A. Colecistectomia laparoscópica: estudo de 35 casos. 9.4 Monograph/Dissertation / Thesis. Author. Title (italic) [Dissertation]. Place (State): University; Year; pages. Chinelli A. Colecistectomia laparoscópica: estudo de 35 casos. [Dissertação]. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense; 1992. 71 p. [Dissertation]. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense; 1992. 71 p. 70 9.5 Em Material eletrônico: 9.5 Electronic Material: I. Artigo: Autor. Título do artigo. Título do periódico [Tipo de material] Ano Mês [capturado ano mês dia]; volume (número); [número de telas] Disponível em: endereço eletrônico. Morse SS. Factors in the emergence of Infectious Diseases. Emerg I infect diseases [serial online] 1995 Jan/mar [capturado 1996 jun 5]; 2 (2): [24 telas] Disponível em: http://www.cdc.gov/ ncidod/EID/eid.htm. I. Article: Author. Article title. Journal Title [Type of material] year month [cited year month day]; volume (number); [number of screens] Available from: electronic address. Morse SS. Factors in the emergence of Infectious Diseases. I Emerg infect diseases [serial online] 1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5]; 2 (2): [24 screens] Available at: http://www.cdc.gov/ncidod/ EID/eid.htm. II. Arquivo de Computador: Título [tipo de arquivo]. Versão. Local (Estado) Editora; ano. Descrição Física da mídia. Hemodynamics III: The ups and downs of hemodynamics [computer program]. Version 2.2 Orlando (FL): Computerezid Educational Systems; 1993. II. Computer File: Title [File Type]. Version. Place (State) Publisher; year. Descrição Física da mídia. Hemodynamics III: The ups and downs of hemodynamics [computer program]. Version 2.2 Orlando (FL): Computerezid Educational Systems; 1993. III. Monografia em formato eletrônico: Título [tipo de material], Responsável. Editor. Edição. Versão. Local: Editora; ano: CDI, Clinical dermatology illustrated [monograph on CD-ROM]. Reeves JTR, Mailbach H. CMEA Multimedia Group, producers. 2nd ed. Version 2.0. San Diego: CMEA; 1965. Notas: Todas as notas do título, dos autores ou do texto devem ser indicadas por algarismos arábicos, e ser impressas em páginas separadas, espaço simples. III. Monograph in electronic format: Title [type of material], Responsible. Editor. Edition. Version. Place: Publisher; year: CDI, Clinical dermatology illustrated [monograph on CD-ROM]. Reeves JTR, Mailbach H. CMEA Multimedia Group, producers. 2nd ed. Version 2.0. San Diego: CMEA; 1965. IV. CD-Rom, DVD: Autor(es). Título [tipo do material]. Cidade de publicação: produtora; ano. Anderson SC, Poulsen KB. Anderson's electronic atlas of hematology [CD-ROM]. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2002. 9.6 Em Anais de Congresso: Autor(es) do trabalho. Título do trabalho (itálico). Título do evento; data do evento; local e cidade do evento; editora; ano de publicação. Christensen S, Oppacher F. An analysis of Koza's computational effort statistic for genetic programming. In: Foster JA, Lutton E, Miller J, Ryan C, Tettamanzi AG, editores. Genetic programming. EuroGP 2002: Proceedings of the 5th European Conference on Genetic Programming; 2002 Apr 3-5; Kinsdale, Ireland. Berlin: Springer; 2002. p. 182-91. 9.7 Em Artigo de Jornal: Autor do artigo. Título do artigo (itálico). Nome do jornal. Data; Seção: página (coluna). Tynan T. Medical improvements lower homicide rate: study sees drop in assault rate. The Washington Post. 2002 Aug 12; Sect. A: 2 (col. 4). 10 Tabelas Devem ser numeradas com algarismos arábicos encabeçadas por suas legendas e explicações dos símbolos no rodapé e digitadas separadamente, uma por página. Cite as tabelas no texto em ordem numérica incluindo apenas dados necessários à compreensão de pontos importantes do texto. Os dados apresentados em tabelas não devem ser repetidos em gráficos. A montagem das tabelas deve seguir as Normas de Apresentação Tabular, estabelecidas pelo Conselho Nacional de Estatísticas (Rev Bras Est, 24: 42-60, 1963. As tabelas deverão ser elaboradas no programa Microsoft® Word®). 11 Ilustrações São fotografias (boa resolução mínimo de 300 dpi, no formato TIFF), mapas e ilustrações (devem ser vetorizadas ou seja desenhada utilizando os sotwares CorelDraw® ou Ilustrator® em alta resolução, e suas dimensões não devem ter mais que 21,5x28,0cm) gráficos, desenhos, etc., que não devem ser escaneadas e de preferência em preto e branco, medindo 127mm x 178mm. As ilustrações, em branco e preto serão reproduzidas sem ônus para o(s) autor(es), mas lembramos que devido o seu alto custo para a Revista, devem ser limitadas a 5 (cinco) entre tabelas e figuras para artigos originais e 3 (três) para relatos de casos, e utilizadas quando estritamente necessárias. Todas as figuras devem ser referidas no texto, sendo numeradas consecutivamente por algarismo arábico. IV. CD-Rom, DVD: Author (s). Title [type of material]. City of publication: producer; year. Anderson SC, Poulsen KB. Anderson's electronic atlas of hematology [CD-ROM]. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2002. 9.6 Proceedings of Congresses: Author (s) of the work. Title of the work (italics). Title of event; event date; venue and city of event; publisher; year of publication. Christensen S, Oppacher F. An analysis of Koza's computational effort statistic for genetic programming. In: Foster JA, Lutton E, Miller J, Ryan C, Tettamanzi AG, editors. Genetic programming. EuroGP 2002: Proceedings of the 5th European Conference on Genetic Programming; 2002 Apr 3-5; Kinsdale, Ireland. Berlin: Springer; 2002. p. 182-91. 9.7 Journal article: Author of the article. Article title (italics). Name of the newspaper. Date; Section: Page (column). Tynan T. Medical improvements lower homicide rate: study sections drop in assault rate. The Washington Post. 2002 Aug 12; Sect. A: 2 (col. 4). 10 Tables They should be numbered with Arabic numerals, explained by captions, with explanations of symbols in the footnote and prepared separately, one per page. Cite the tables in the text in numerical order including only data needed to understand important points. The data presented in tables should not be repeated in graphs. The preparation of tables should follow the Tabular Presentation Guidelines established by the National Statistics Council (Rev. Bras. Est., 24: 42-60, 1963. The tables should be prepared in Microsoft Word software). 11 Illustrations They are photographs (good minimum resolution of 300 dpi, in TIFF format), maps and illustrations (vector illustrations, in other words, to be drawn using Illustrator® or CorelDraw® sotwares at high resolution, in black and white, and the dimensions must be no more than 21.5 x28. 0cm), graphics, drawings, and so on. They should not be scanned and should be preferably in black and white, measuring 127mm x 178mm. The illustrations in black and white will be reproduced at no charge for the author (s). Remember that because of the high cost for the Journal it should be provided up to five (5) illustrations between tables and figures for original articles and 3 (three) for case reports, using only when strictly necessary. All figures must be mentioned in the text, numbered consecutively in Arabic numerals. Each figure must be accompanied by a caption that makes it clear without reference to the text. The illustrations must be identified on the back using a la- 71 Cada figura deve ser acompanhada de uma legenda que a torne inteligível sem referencia ao texto. Deve ser identificada no verso, por meio de uma etiqueta, com o nome do autor e numeração para orientação. Os desenhos e gráficos podem ser feitos em papel vegetal com tinta nanquim, sendo as letras desenhadas com normógrafo ou sob forma de letra “set” montadas, ou ainda, utilizando impressora jato de tinta ou laser, com boa qualidade, e nunca manuscritas. Obs: Todas as notas do título, dos autores ou do texto devem ser indicadas por algarismos arábicos, e ser impressa em páginas separadas. 72 bel, with the author's name, and numbered for better identification. The drawings and graphs may be made on tracing paper with nankeen ink, with the letters being drawn with a stencil or letter template set, or still, using inkjet or laser printer, with good quality, and not handwritten. Please Note: All notes of the title, author or text should be indicated by Arabic numerals, and printed on separate pages. © 1995 Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research v.13 n.2 maio-agost/2012 ISSN 2179-6238 EDITORIAL 9 Importância da periodicidade da Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research no cenário científico Arlene de Jesus Mendes Caldas ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE 11 Consulta ginecológica na adolescência: aspectos relacionados e motivações determinantes para sua realização Assessment of adolescent gynecological: aspects and reasons for determining your achievement Érika Krogh, Luciane Maria Oliveira Brito, Diego Salvador Muniz da Silva, Evaldo César Macau Furtado Ferreira e Raimundo Antônio da Silva 17 Perfil dos idosos com síndrome metabólica Profile of elderly peoplewithmetabolic syndrome Clarissa Galvão da Silva, Jéssica Brito Rodrigues, José de Ribamar Medeiros Júnior, Nair Portela Silva Coutinho, Maria Lúcia Holanda Lopes e Ana Hélia de Lima Sardinha 21 Fatores associados ao desmame por ocasião da alta em prematuros de muito baixo peso Factors associated with weaning at the time of hospital discharge of very low birth weight premature infants Fernando Lamy Filho, Marianne de Carvalho Rodrigues, Alcioneyaria da Silva Correia e Hanna Arony Wanderley Pereira de Araújo 26 Efeito da drospirenona como terapia hormonal de baixa dose nos níveis pressóricos de mulheres climatéricas hipertensas Effect of drospirenone as low dose hormone therapy in pressure levels in climacteric women with hypertension Sinara Marques dos Santos, Maria Bethânia da Costa Chein, Diego Salvador Muniz da Silva, Paulo Roberto Silva Cruz, José de Albuquerque Figueiredo Neto e Luciane Maria Oliveira Brito 32 Mortalidade neonatal em localidade do nordeste do Brasil Neonatal mortality in region of northwest of Brazil Valdinar Sousa Ribeiro, Flávia Baluz Bezerra de Farias, Alcione Miranda dos Santos, Antonio Augusto Moura da Silva, Liberata Campos Coimbra, Arlene de Jesus Mendes Caldas e Heloisa Bettiol 38 Indicadores operacionais da atenção básica em São Luís, Maranhão Operational indicators of primary care in São Luís, Maranhão Liberata Campos Coimbra, Odineilce Sampaio Pereira, Maria Lúcia Holanda Lopes, Lena Maria Barros Fonseca, Monyk Neves de Alencar e Maria Ieda Gomes Vanderlei 42 Housewives' knowledge about dengue in an endemic area of the State of Maranhão, Brazil Conhecimento das donas de casa sobre dengue em uma área endêmica do Estado do Maranhão, Brasil Valéria Cristina Soares Pinheiro, Irene Alves Silva Neres, Juliana Maria Trindade Bezerra, Joelma Soares da Silva, Jivanildo Pinheiro Miranda, Luciane Maria de Oliveira Brito e Wanderli Pedro Tadei 48 Perfil antropométrico de hipertensos cadastrados pelo hiperdia em uma unidade de saúde da região Nordeste do Brasil Anthropometric profile of hypertensive patents in a regional health unit in the Northeast of Brazil Nayra do Socorro Caldas Carvalho de Almeida Teixeira, Valdinar Sousa Ribeiro, Alcione Miranda dos Santos, Nayra Anielly Lima Cabral e Ana Karina Teixeira da Cunha França ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE 54 Paternidade em tempos de mudança: uma breve revisão da literatura Fatherhood in times of change: a brief review of the literature Edna Lúcia Coutinho da Silva, Zeni Carvalho Lamy, Lívia Janine Leda Fonseca Rocha e Jéssica Rodrigues de Lima 60 Importância da odontologia sustentável na interface saúde/ambiente Importance of sustainable dentistry in health/environment interface Janaína de Fátima dos Santos de Freitas-Anceles, Vanessa Camila da Silva, Frederico Silva de Freitas Fernandes e Andréa Lúcia Almeida de Carvalho NOTAS REDATORIAIS / NOTES TO AUTHORS