ISSN 2179-6238
Revista de
em
Saúde
Journal of Health Research
Volume 13, n. 2, maio-agost/2012
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Revista de Pesquisa
em Saúde
Journal of Health Research
Quadrimestral
ISSN 2179-6238
São Luís - MA - Brasil
volume 13
número 2
páginas 1-76
maio/agosto 2012
© 1995 Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research
Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research é uma publicação quadrimestral do Hospital Universitário da
Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) que se propõe à divulgação de trabalhos científicos produzidos por pesquisadores com o objetivo de promover e disseminar a produção de conhecimentos e a socialização de experiências acadêmicas na
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Revista de Pesquisa em Saúde, periódico biomédico de divulgação cientíca do Hospital
Universitário da UFMA, v.1, n.3, 1995.-São Luís, 1995.
v. 13, n. 2, 2012
Quadrimestral.
(ISSN – 2179-6238) versão impressa
(ISSN – 2236-6288) versão online
1. Ciências da Saúde – periódicos. I. Universidade Federal do Maranhão II. Hospital
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ISSN-2179-6238
Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research
Volume 13
Número 2
maio/agosto
2012
Sumário / Summary
EDITORIAL
9
Importância da periodicidade da Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research no cenário
científico
Arlene de Jesus Mendes Caldas
ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE
11
Consulta ginecológica na adolescência: aspectos relacionados e motivações determinantes para sua
realização
Assessment of adolescent gynecological: aspects and reasons for determining your achievement
Érika Krogh, Luciane Maria Oliveira Brito, Diego Salvador Muniz da Silva, Evaldo César Macau Furtado Ferreira e Raimundo
Antônio da Silva
17
Perfil dos idosos com síndrome metabólica
Profile of elderly peoplewithmetabolic syndrome
Clarissa Galvão da Silva, Jéssica Brito Rodrigues, José de Ribamar Medeiros Júnior, Nair Portela Silva Coutinho, Maria Lúcia
Holanda Lopes e Ana Hélia de Lima Sardinha
21
Fatores associados ao desmame por ocasião da alta em prematuros de muito baixo peso
Factors associated with weaning at the time of hospital discharge of very low birth weight premature infants
Fernando Lamy Filho, Marianne de Carvalho Rodrigues, Alcioneyaria da Silva Correia e Hanna Arony Wanderley Pereira de
Araújo
26
Efeito da drospirenona como terapia hormonal de baixa dose nos níveis pressóricos de mulheres climatéricas
hipertensas
Effect of drospirenone as low dose hormone therapy in pressure levels in climacteric women with hypertension
Sinara Marques dos Santos, Maria Bethânia da Costa Chein, Diego Salvador Muniz da Silva, Paulo Roberto Silva Cruz, José de
Albuquerque Figueiredo Neto e Luciane Maria Oliveira Brito
32
Mortalidade neonatal em localidade do nordeste do Brasil
Neonatal mortality in region of northwest of Brazil
Valdinar Sousa Ribeiro, Flávia Baluz Bezerra de Farias, Alcione Miranda dos Santos, Antonio Augusto Moura da Silva,
Liberata Campos Coimbra, Arlene de Jesus Mendes Caldas e Heloisa Bettiol
38
Indicadores operacionais da atenção básica em São Luís, Maranhão
Operational indicators of primary care in São Luís, Maranhão
Liberata Campos Coimbra, Odineilce Sampaio Pereira, Maria Lúcia Holanda Lopes, Lena Maria Barros Fonseca, Monyk
Neves de Alencar e Maria Ieda Gomes Vanderlei
42
Housewives' knowledge about dengue in an endemic area of the State of Maranhão, Brazil
Conhecimento das donas de casa sobre dengue em uma área endêmica do Estado do Maranhão, Brasil
Valéria Cristina Soares Pinheiro, Irene Alves Silva Neres, Juliana Maria Trindade Bezerra, Joelma Soares da Silva, Jivanildo
Pinheiro Miranda, Luciane Maria de Oliveira Brito e Wanderli Pedro Tadei
48
Perfil antropométrico de hipertensos cadastrados pelo hiperdia em uma unidade de saúde da região
Nordeste do Brasil
Anthropometric profile of hypertensive patents in a regional health unit in the Northeast of Brazil
Nayra do Socorro Caldas Carvalho de Almeida Teixeira, Valdinar Sousa Ribeiro, Alcione Miranda dos Santos, Nayra Anielly
Lima Cabral e Ana Karina Teixeira da Cunha França
ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE
54
Paternidade em tempos de mudança: uma breve revisão da literatura
Fatherhood in times of change: a brief review of the literature
Edna Lúcia Coutinho da Silva, Zeni Carvalho Lamy, Lívia Janine Leda Fonseca Rocha e Jéssica Rodrigues de Lima
60
Importância da odontologia sustentável na interface saúde/ambiente
Importance of sustainable dentistry in health/environment interface
Janaína de Fátima dos Santos de Freitas-Anceles, Vanessa Camila da Silva, Frederico Silva de Freitas Fernandes e
Andréa Lúcia Almeida de Carvalho
NOTAS REDATORIAIS / NOTES TO AUTHORS
Editorial
Importância da periodicidade da Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research
no cenário científico
Nesta edição, os dez artigos publicados refletem o trabalho de inúmeros pesquisadores, professores, alunos de graduação e pós-graduação, e profissionais, na incessante contribuição para a construção de bases científicas nas diferentes áreas de conhecimento. Não há privilégio de áreas ou temas que possam relevar ou destacar.
Todos e cada um, em sua especificidade temática ou metodológica, são resultados de questionamentos emanados
da inquietação profissional dos que procuram luz para sua prática de cuidar, de ensinar, de inovar, em contínua
busca de evidências que consolidem uma ciência de tantas interfaces e um motivo único: o de propiciar melhores
condições e qualidade de vida ao ser humano na promoção ou recuperação de sua saúde.
O primeiro artigo intitulado “Consulta ginecológica na adolescência: aspectos relacionados e motivações determinantes para sua realização”, concluiu que a procura pela consulta ginecológica por iniciativa da adolescente
ainda é muito baixa, sendo a mãe o fator determinante para essa busca. O segundo, intitulado “Perfil dos idosos
com síndrome metabólica”, tem como objetivo analisar o perfil socioeconômico dos idosos portadores de síndrome metabólica, encontrando como resultados uma renda familiar entre 2 a 3 salários mínimos e o nível educacional mais referido foi o ensino fundamental incompleto.
O artigo sobre os fatores associados ao desmame por ocasião da alta em prematuros de muito baixo peso,
apresenta como objetivo avaliar fatores que influenciam a ausência do aleitamento materno exclusivo por ocasião
da alta de recém-nascidos de muito baixo peso da UTI neonatal do Hospital Universitário da Universidade Federal
do Maranhão no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010; o artigo “Efeito da drospirenona como terapia
hormonal de baixa dose nos níveis pressóricos de mulheres climatéricas hipertensas”, com o objetivo de analisar
os efeitos da drospirenona na pressão arterial (PA) e marcadores de doença cardiovascular em mulheres climatéricas hipertensas, encontrou que o uso da TH combinada com a drospirenona apresentou redução significativa nos
níveis pressóricos, reforçando as propriedades antagonistas da aldosterona que podem contrabalançar a possível
retenção hídrica relacionada ao estrogênio.
Os artigos “Mortalidade neonatal em localidade do Nordeste do Brasil”¸ “Indicadores operacionais da atenção básica em São Luís, Maranhão”, “Housewives' knowledge about dengue in an endemic area of the state of
Maranhão, Brazil”, e o “Perfil antropométrico de hipertensos cadastrados pelo hiperdia em uma unidade de saúde
da região Nordeste do Brasil”, abordam problemas de saúde pública. O primeiro descreve e analisa os indicadores
relacionados à mortalidade neonatal em cidades do Maranhão em 2005; o segundo analisa a situação dos indicadores operacionais da Atenção Básica através do Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB, em São Luís - MA
no ano de 2009; e o terceiro verifica o conhecimento e o nível de informações das donas-de-casa sobre a prevenção
e controle da dengue; e o quarto determina o perfil antropométrico de hipertensos e sua associação entre o excesso de peso e fatores clínico - laboratoriais, socioeconômico, demográficos, e estilo de vida.
O artigo, “Paternidade em tempos de mudança: uma breve revisão da literatura” procura refletir as mudanças na paternidade e a produção teórica realizada a partir de um levantamento bibliográfico. O último artigo, também de revisão, aborda a importância da odontologia sustentável na interface saúde/ambiente, tem como objetivo
verificar o andamento científico em torno da dicotomia saúde/ambiente caracterizando a odontologia sustentável
com seus modos de manejo de resíduos de forma a minimizar os impactos causados ao meio.
Com esforço e dedicação de seu Conselho de Editores Associados, Secretaria e colaboradores ad hoc, seus
funcionários técnico-administrativos, a Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research do Hospital
Universitário da UFMA tem conseguido manter sua inserção na base de dados Latindex, aplicando novas metodologias de divulgação, incrementando sua autonomia operacional e garantindo a divulgação de seus conteúdos em
dois idiomas, na modalidade impressa e on-line, cumprindo assim com as metas que convergem para reiterar, cotidianamente, sua colaboração para a visibilidade e divulgação do conhecimento científico.
Profª. Drª. Arlene de Jesus Mendes Caldas
Editora Chefe
Professora Associada do Departamento de Enfermagem da UFMA
Artigo Original / Original Article
ISSN-2179-6238
CONSULTA GINECOLÓGICA NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS RELACIONADOS E
MOTIVAÇÕES DETERMINANTES PARA SUA REALIZAÇÃO
ASSESSMENT OF ADOLESCENT GYNECOLOGICAL: ASPECTS AND REASONS FOR DETERMINING YOUR
ACHIEVEMENT
Érika Krogh1, Luciane Maria Oliveira Brito2, Diego Salvador Muniz da Silva3, Evaldo César Macau Furtado Ferreira3 e Raimundo Antônio da Silva4
Resumo
Introdução: A consulta ginecológica na adolescência é geralmente cercada de ansiedade e desconhecimento para a adolescente. A falta de informação e o medo das novas descobertas fazem com que a adolescente protele a primeira consulta. Objetivo:
Identificar aspectos relacionados e motivações determinantes para a consulta ginecológica na adolescência. Método: Foram
aplicados 45 questionários semiestruturados em adolescentes do sexo feminino, de 10 a 19 anos, escolhidas aleatoriamente,
dentre as frequentadoras do Adolescentro na Vila Embratel. Os dados foram tabulados e analisados pelo Epi-Info® 3.4.3, sendo
expressos sob a forma de tabelas. Resultados: A idade média das adolescentes foi 14,5 anos, sendo a primeira consulta ginecológica realizada aos 12,9 anos. A menarca ocorreu entre 10 a 12 anos para a maioria das adolescentes. Aproximadamente 78%
das entrevistadas não tinham iniciado a vida sexual e 55,6% conheciam a área em que atuava o ginecologista, sendo que somente 37,8% já comparecido a uma consulta ginecológica. A iniciativa de procurar atendimento ginecológico partiu das mães em
82,4% dos casos. O motivo de busca pelo ginecologista mais citado foi rotina ginecológica. Quanto as DSTs e os métodos anticoncepcionais, as adolescentes que já foram a consulta, referiram ter conhecimento em 100% e 70,6% respectivamente. Conclusão: A procura pela consulta ginecológica por iniciativa da adolescente ainda é muito baixa, sendo a mãe a principal responsável pela procura. Quanto maior o nível de escolaridade, a renda familiar e o conhecimento das DSTs, maior é a procura pelo
atendimento ginecológico.
Palavras-chave: Adolescente. Consulta ginecológica. Ginecologista.
Abstract
Introduction: A gynecological appointment in adolescence is usually surrounded by anxiety and ignorance for an adolescent.
The lack of information and fear of new discoveries make that the adolescent delayed this first consultation. Objective: To identify aspects and motivations for a gynecological appointment in adolescence. Methods: We applied 45 semi-structured questionnaires in female adolescents, 10 to 19 years, randomly selected from among the denizens of the Adolescentro in Vila Embratel.
Data were tabulated and analysed by Epi-Info® 3.4.3, and expressed in the form of tables. Results: The average age of adolescents was 14.5 years. The average age that patients seek medical care was 12.9 years. The menarche occurred between 10 to
12 years for most teenagers. Approximately 78% of the interviewees did not start sex life and 55.6% knew the area in which the
gynecologist served, whereas only 37.8% had attended a gynecological consultation. The initiative of seeking medical care
comes from the mothers in 82.4% of cases. The most quoted reason for the search by the gynecologist was gynecological routine. As the DST's and contraceptive methods, the adolescents who had a consultation, said to meet them at 100% and 70.6%
respectively. Conclusion: It was concluded in this work that the demand for consultation on the initiative of a teenager is still
very low, being the mother the determining factor for this search. The higher the education level, the family income and the
knowledge of STDs, the greater will the demand for a gynecological appointment.
Key-words: Adolescent. Gynecological consultation. Gynecologist.
Introdução
A adolescência, segundo a OMS, constitui um
processo fundamentalmente biológico, durante o qual
se aceleraria o desenvolvimento cognitivo e a estruturação da personalidade1. Apesar de esta definição fornecer um status fundamentalmente biológico à adolescência, sabe-se que essa fase da vida abrange aspectos
como a identidade, a integração social e o papel a
desempenhar como fatores mais importantes, levando-se em conta o meio social e cultural nos quais o
adolescente vive2.
Existem diversos marcos legais que definem a
adolescência, porém os critérios adotados neste trabalho foram os da Organização Mundial da Saúde que a
define como o período entre 10 e 19 anos de idade,
sendo esta definição adotada no Brasil pelo Programa
de Saúde do Adolescente do Ministério da Saúde3.
A sexualidade da adolescente sempre foi trabalhada de forma muito restrita ao tema da gravidez na
adolescência, e muito se ignorou outros aspectos da
esfera sexual dessa população. Atualmente, considera-se que esse debate deve ir além de uma mera preocupação com gestação precoce, e deve incluir o estudo
criterioso das alterações anatômicas, fisiológicas e
psicológicas, assim como suas repercussões sociais4.
As adolescentes estão fazendo sexo mais cedo5.
Na Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança
e da Mulher (PNDS 2006), a comparação entre os resultados de 1996 e 2006 revela uma redução significativa
1.
Mestrado em Saúde Materno Infantil. Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Médica Ginecologista.
Doutorado em Medicina. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno Infantil - UFMA.
Graduando do Curso de Medicina. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
4.
Doutor em Saúde Pública. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno Infantil - UFMA.
Contato: Luciane Maria Oliveira Brito. E-mail: [email protected]
2.
3.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012
11
CONSULTA GINECOLÓGICA NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS RELACIONADOS E MOTIVAÇÕES DETERMINANTES PARA SUA REALIZAÇÃO
na idade média de início da vida sexual, de 18,6 para
17,9 anos6. Além disso, observa-se que gestantes grávidas ocupam uma percentagem maior quando se analisa
o número de partos realizados, sendo que a taxa em
2006 era de 23%, contrapondo-se aos 17% em 19967.
Dessa forma, há uma preocupação crescente no
campo da ginecologia no intuito de fornecer uma
maior atenção a esse grupo etário. As adolescentes
abordadas nessa ocasião têm maior capacidade de
moldar suas escolhas em relação à sua saúde e ao futuro, com uma ação mais voltada à prevenção8.
A consulta ginecológica na adolescência é de
fundamental importância para a garantia da saúde
sexual e reprodutiva desta população e para a prevenção de agravos, não só da gravidez precoce e indesejada, mas também do abuso sexual e das doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, é uma consulta
permeada de polêmicas relacionadas aos aspectos
éticos e legais, haja vista que se esbarra em situações
como privacidade, confidencialidade, sigilo e autonomia das adolescentes9.
Na prática médica, para lidar com pacientes
adolescentes o profissional necessita sempre ponderar para definir os limites da confidencialidade frente
aos riscos aos quais são expostos os jovens nesta faixa
etária. Com este cuidado e a atenção direcionada ao
desenvolvimento de uma relação pautada na confiança
e empatia, pode estabelecer uma relação médicopaciente voltada a assegurar a saúde e a qualidade de
vida dos adolescentes que assiste10.
Diante do exposto e da relevância do tema, este
trabalho teve o objetivo de conhecer os motivos que
levaram as adolescentes ao encontro com o ginecologista, além de identificar os conhecimentos dessas
adolescentes sobre ginecologia, doenças sexualmente
transmissíveis e métodos anticoncepcionais.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo quantitativo. A
população estudada constituiu-se de adolescentes do
sexo feminino, com idade entre 10 a 19 anos completos, segundo os critérios da OMS3. Foram selecionadas
aleatoriamente 45 adolescentes frequentadoras do
Adolescentro, projeto de extensão da Universidade
Federal do Maranhão - UFMA, em São Luís (MA), no bairro Vila Embratel, voltado à atenção biopsicossocial e
educacional de adolescentes que residem nessa região.
Inicialmente realizou-se o projeto piloto com
aplicação de questionários para as adolescentes contendo questões subjetivas acerca do conhecimento
sobre ginecologia, aspectos relacionados e motivações para a consulta ginecológica. A partir destas
entrevistas, foi formulado um questionário com perguntas objetivas, que posteriormente foi aplicado na
forma de entrevista às adolescentes enquadradas nos
critérios da pesquisa.
Os dados foram tabulados pelo software EpiInfo® versão 3.4.3 e análise estatística descritiva com
distribuição absoluta e percentual das variáveis investigadas. Além disso, aplicou-se o teste estatístico exato
de Fisher para avaliar as diferenças estatisticamente
significantes (<0,05) entre as características das adolescentes que já compareceram à consulta ginecológi-
12
ca e daquelas que ainda não haviam comparecido.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade
Federal do Maranhão - CEP-HUUFMA, parecer consubstanciado Nº 006/06.
Resultados
O estudo foi realizado com 45 adolescentes
frequentadoras do Adolescentro com idade média de
14,5 anos, e primeira consulta ginecológica realizada
aos 12,9 anos.
A caracterização sócio-econômica revelou predomínio de adolescentes entre 16 e 18 anos (35,6%),
cor branca (57,8%), que cursavam o ensino fundamental (51,1%) e que possuíam renda familiar de um salário
mínimo (35,6%) (Tabela 1).
Tabela 1 - Características socioeconômicas das adolescentes.
São Luís, 2008.
n
Variáveis
%
Idade (anos)
10 a 12
12
26,7
13 a 15
14
31,1
16 a 18
16
35,6
Maior que 18
03
6,6
Branca
26
57,8
Preta
04
8,9
Parda
12
26,6
Não declarada
03
6,7
Ensino fundamental
23
51,1
Ensino médio
22
48,9
< 1 SM*
05
11,1
1 SM*
16
35,6
2 ou mais SM*
14
31,1
Não sabe referir
10
22,2
Total
45
100,0
Cor
Escolaridade
Renda familiar
*SM: salário mínimo
Entre as adolescentes, 40% relataram a menarca
entre 10 e 12 anos e 77,8% das adolescentes não tiveram coitarca. A maioria (55,6%) afirmou saber a atuação do médico ginecologista, mas nunca tiveram uma
consulta ginecológica (62,2%) (Tabela 2).
Observou-se que entre as adolescentes que já
haviam comparecido ao ginecologista, 58,8 tinham
entre 10 e 14 anos na 1ª consulta. O principal motivo
da consulta foi acompanhamento de rotina (29,5%),
seguido de queixas de cólicas menstruais (17,6%) e os
relacionados ao fluxo menstrual (17,6%). A iniciativa
da consulta ginecológica partiu da mãe em 82,4% dos
casos e na maioria das consultas algum parente e/ou
amiga a acompanhou (88,2%). Dentre as entrevistadas,
Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012
KroghE, BritoLMO, SilvaDSM, FerreiraECMF, SilvaRA
Tabela 2 - Distribuição das adolescentes segundo dados
clínicos. São Luís, 2008.
Variáveis
n
%
Idade da menarca
10 a 12 anos
18
> 12 anos
16
35,6
Não se aplica
11
24,4
Sim
10
22,2
Não
35
77,8
40,0
Coitarca
Atuação do Ginecologista
Conhece
25
55,6
Não conhece
19
42,2
Não declarado
01
2,2
Tabela 4 - Distribuição das variáveis associadas à busca da
consulta ginecológica pelas adolescentes. São Luís, 2008.
Consulta ao ginecologista
Sim
17
37,8
Não
28
62,2
Total
45
100,0
Tabela 3 - Distribuição das adolescentes avaliadas pelo ginecologista segundo informações acerca da consulta. São Luís,
2008.
Variáveis
76,5% afirmaram a preferência pelo atendimento por
profissional do sexo feminino. Quanto à realização do
exame físico na primeira consulta 64,5% confirmaram
que foram examinadas. Todavia, apenas 17,6% adolescentes foram informadas sobre DSTs e 23,5% receberam informações acerca de anticoncepção (Tabela 3).
Dentre as pacientes que já compareceram ao
ginecologista, 70,6% tiveram menarca entre 10 e 12
anos; enquanto naquelas que não foram à consulta
ginecológica, 42,8% tiveram menarca após os 12 anos
(p=0,02). Quanto ao início da vida sexual (coitarca),
tanto no grupo das meninas que já foram ao ginecologista, e naquelas que não foram, a maioria (76,5% e
78,6%, respectivamente) ainda não havia tido a primeira relação sexual (Tabela 04).
n
%
Idade na consulta
Menor que 10 anos
02
11,8
10 a 14 anos
10
58,8
Maior que 14 anos
05
29,4
Anticoncepção
01
05,9
Cólicas menstruais
03
17,6
Fluxo genital
03
17,6
Irregularidade menstrual
02
11,8
Rotina
05
29,5
Não sabe referir
03
17,6
Pessoal
03
17,6
Mãe
14
82,4
Sim
15
88,2
Não
02
11,8
Médico
03
17,6
Médica
13
76,5
Não declarado
01
05,9
Sim
11
64,5
Não
06
35,5
Sim
03
17,6
Não
13
76,5
Não declarado
01
05,9
Sim
04
23,5
Não
10
58,8
Não declarado
03
17,6
Total
17
100,0
Motivo
Iniciativa
Acompanhada
Profissional
Examinada na consulta
Variáveis
Idade (anos)
10 a 12
13 a 15
16 a 18
Maior que 18
Menarca (anos)
10 a 12
>12
Não se aplica
Coitarca
Sim
Não
Renda Familiar
< 1 SM**
1 SM**
2 ou mais SM**
Não sabe referir
Escolaridade
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Conhece DSTs
Sim
Não
Consulta ao Ginecologista
Sim
Não
p-valor*
n
%
n
%
04
03
08
02
23,6
17,6
47,1
11,7
08
11
08
01
28,6
39,2
28,6
03,6
12
04
01
70,6
23,5
05,9
06
12
10
21,4
42,8
35,8
04
13
23,5
76,5
06
22
21,4
78,6
03
03
10
01
17,6
17,6
58,8
05,8
02
13
04
09
7,1
46,5
14,3
32,1
05
12
29,4
70,6
18
10
64,3
35,7
0,033
17
-
100
-
21
07
75,0
25,0
0,034
12
05
17
70,6
29,4
100
21
07
28
75,0
25,0
100,0
0,743
0,281
0,020
1,00
0,003
Conhece métodos
anticoncepcionais
Sim
Não
Total
*p-valor para teste Exato de Fisher (=0,05).
**SM: salário mínimo
Orientação sobre DSTs
Orientação sobre anticoncepção
Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012
Quanto à renda familiar, 58,8% das pacientes que
já foram ao ginecologista possuíam renda maior que 2 ou
mais salários mínimos, enquanto 46,5% das que nunca
foram, possuem renda familiar de um salário mínimo
(p=0,003). Sobre o conhecimento de DSTs, todas as pacientes que haviam tido consulta ginecológica referiram
ter conhecimento, enquanto 25% daquelas que não
foram ao ginecologista não tinham conhecimento sobre
essas doenças (p=0,033). Essa mesma porcentagem
13
CONSULTA GINECOLÓGICA NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS RELACIONADOS E MOTIVAÇÕES DETERMINANTES PARA SUA REALIZAÇÃO
(25%) corresponde às adolescentes que nunca foram
consultadas com o ginecologista e que não conhecem
sobre métodos contraceptivos (Tabela 4).
Quando interrogadas acerca das DSTs, as mais
citadas entre as adolescentes que já consultaram com
o ginecologista foram a AIDS (100%), Gonorréia (41,2%)
e a Sífilis (41,2%). Em relação às adolescentes que
nunca foram ao ginecologista, a AIDS também foi a
mais citada (75%), seguida da Sífilis (17,8%) e Gonorréia (14,3%). Quanto aos métodos anticoncepcionais
conhecidos, o anticoncepcional oral (70,5%) e o preservativo (64,7%) foram os mais citados por adolescentes
que já frequentaram o ginecologista; enquanto no
grupo das adolescentes que nunca foram ao ginecologista, o preservativo (71,4%) e o anticoncepcional oral
(39,3%) foram os mais citados (Tabela 5).
Tabela 5 - Distribuição das adolescentes avaliadas ou não
pelo ginecologista acerca das DSTs e métodos anticoncepcionais. São Luis, 2008.
Variáveis
DSTs citadas
AIDS
Gonorréia
Sífilis
HPV
Cancro
Herpes
Métodos anticoncepcionais
citados
Anticoncepcional oral
Preservativo
Anticoncepcional injetável
Pílula de emergência
Tabelinha
DIU
Consulta ao Ginecologista
Não
Sim
n
%
n
%
17
07
07
03
02
02
100
41,2
41,2
17,7
11,8
11,8
21
04
05
01
-
75,0
14,3
17,8
03,6
-
12
11
06
01
03
70,5
64,7
35,3
05,8
17,6
11
20
07
01
02
-
39,3
71,4
25,0
03,6
07,2
-
Discussão
Os resultados mostraram que a idade média das
adolescentes foi 14,5 anos e que a maioria delas teve
sua menarca por volta dos 13 anos. Sedenho e Freitas11
consideram este um expressivo indicador de crescimento e maturação feminina humana, em virtude do
seu conteúdo biológico, social e psíquico. Historicamente, a idade média da menarca vem apresentando
uma tendência à queda, diminuindo cerca de 4 meses a
cada década. Atualmente, encontra-se na faixa de 12,5
a 13 anos, em segmentos populacionais economicamente desenvolvidos12.
Neste trabalho, as adolescentes buscaram a
primeira consulta entre 10 e 14 anos, com idade média
de 12,9 anos. Já a idade da menarca ocorreu na maioria
das meninas entre 10 e 12 anos, significando um dado
estatisticamente relevante quando se analisou o comparecimento à consulta ginecológica. A idade da
menarca foi um dado significante para motivar a busca
à consulta ginecológica (p=0,020).
Em estudo sobre as percepções acerca da con-
14
sulta ginecológica, as mulheres entrevistadas entenderam a importância desse momento e é consenso que a
primeira consulta deve ocorrer quando a mulher ainda
é uma adolescente. Muitas mulheres acreditam que a
primeira consulta deve estar vinculada à primeira
menstruação, já que este é um momento onde o corpo
da mulher passa por grandes transformações. O início
da vida sexual também foi apontado como um momento adequado para que a primeira consulta ginecológica
aconteça, já que a informação, neste momento, é de
extrema importância. A consulta ginecológica, nesta
ocasião, foi apontada como um importante instrumento para que uma gravidez precoce não aconteça13.
Dentre os motivos que levaram as adolescentes
a procurarem o especialista, a consulta de rotina, cólicas menstruais e fluxo genital foram os mais frequentes neste estudo. Em um estudo realizado na cidade de
Belo Horizonte (MG)13, percebeu-se que os principais
motivos que levaram as adolescentes à primeira consulta com o ginecologista foram a suspeita de gravidez, a ocorrência da menarca e a busca por métodos
anticoncepcionais, sendo os dois últimos mais prevalentes entre as adolescentes de melhores condições
sócio-econômicas. Em outro estudo realizado em Indaiatuba (SP)14, os principais motivos foram consulta de
rotina (54%), coleta de citologia oncótica (27%), informações sobre contracepção (15%) e DSTs (5%).
No presente trabalho, houve uma preferência
por profissional do sexo feminino. Em uma revisão de
literatura recente, os autores concluíram que entre as
dificuldades para a realização da consulta ginecológica, o constrangimento surgiu muito associado às questões de gênero, demonstrando que em muitas situações a consulta com o especialista masculino é fator
impeditivo para a consulta15.
A investigação acerca da coitarca neste trabalho
revelou que a maioria das adolescentes não havia iniciado vida sexual, contrapondo-se com outros estudos16,17. Na comparação entre grupos que foram e não
foram ao ginecologista, tal variável não se mostrou
como fator relevante para a busca da consulta ginecológica. Em estudo realizado na Paraíba, 46,5% das
entrevistadas iniciaram a vida sexual entre 10 a 14
anos. Essa faixa etária é bem inferior ao observado em
gerações passadas, fato que pode ser explicado pelas
mudanças de hábitos culturais e sociais, com maior
exploração da sexualidade pela mídia, e associada a
uma redução na idade da menarca16.
É possível a ocorrência de algum viés de informação em relação o comportamento sexual, uma vez que o
questionamento sobre vida sexual é um assunto de
natureza íntima e pode causar constrangimento e desconfiança quanto ao sigilo das informações coletadas18.
O nível de escolaridade das adolescentes teve
valor significativo em relação à busca da consulta ginecológica (p= 0,033). As adolescentes que estavam no
ensino médio buscaram mais a consulta ginecológica,
demonstrando que um maior nível de instrução repercute sobre o interesse pessoal sobre a saúde e a prevenção de doenças.
Diferenças quanto aos motivos da consulta entre
mulheres de alta e baixa escolaridade foram verificadas
em estudo realizado em Belo Horizonte (MG), onde a
alta escolaridade representou o principal motivo para a
Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012
KroghE, BritoLMO, SilvaDSM, FerreiraECMF, SilvaRA
busca de conhecimentos sobre anticoncepção, enquanto nas de baixa escolaridade, o motivo mais prevalente
esteve relacionado à gravidez estabelecida19.
No que diz respeito à condição socioeconômica
como fator de influência no conhecimento e prevenção
das DSTs, 60% dos adolescentes de uma escola pública
de Goiânia (GO), referiu que a condição socioeconômica é fator importante para o conhecimento e prevenção
das DSTs, enquanto 37% acharam que não influencia20.
Quando as adolescentes foram indagadas sobre
o conhecimento a respeito das DSTs, a mais citada foi a
AIDS, seguida de gonorréia e sífilis. Doenças como
HPV, Herpes e Cancro mole foram pouco citadas
demonstrando pouco conhecimento das adolescentes
em relação a patologias de fácil transmissão sexual.
Brêtas et al.,21 ao estudarem o conhecimento de
adolescentes sobre prevenção, transmissão, sinais e
sintomas de DST/AIDS, verificaram que todos possuem conhecimento sobre AIDS, seguido de gonorréia,
sífilis e herpes, com um relação maior que 50% de
conhecimento. Esses achados reforçam a importância
da orientação sexual e a saúde reprodutiva, sendo
notável o impacto da informação veiculada nas escolas
e meios de comunicação.
O conhecimento dos métodos anticoncepcionais, não apresentou diferença significativa entre as adolescentes que foram e as que nunca foram ao ginecologista. Quando questionados quais os métodos conhecidos por elas, o grupo das adolescentes que já haviam
ido ao ginecologista citou a pílula anticoncepcional em
sua maioria (70,5%). No grupo das adolescentes que
nunca foram ao ginecologista, a camisinha foi o método citado em 71,4% das respostas. A contracepção de
emergência foi citada somente por uma adolescente.
Um estudo realizado com adolescentes grávidas
a respeito do conhecimento de métodos contraceptivos mostrou que o preservativo masculino foi o mais
lembrado por 95% das entrevistadas, seguido da pílula
anticoncepcional (87,5%), em especial este último para
evitar um nova gestação22. Assim, percebe-se que os
meios mais utilizados para evitar a gravidez são justamente os mais disponíveis na rede pública de saúde e
que possuem um esclarecimento maior por parte da
população.
Em revisão de literatura sobre anticoncepção na
adolescência, os dois métodos mais citados nos 16
artigos estudados foram a pílula e o preservativo masculino. A não utilização de métodos contraceptivos
está relacionada à relação sexual não esperada, custo,
satisfação, possível ocorrência de efeitos colaterais e
atitudes do parceiro, bem como uso de álcool e drogas
está fortemente associado ao sexo inseguro23.
Portanto, a procura pela consulta ginecológica
por iniciativa da adolescente ainda é muito baixa,
sendo a mãe o fator determinante para essa busca. Os
principais motivos da consulta foram rotina ginecológica, cólicas menstruais e fluxo genital. Observou-se
quanto maior o nível de escolaridade, renda familiar e
conhecimento das DSTs, maior é a procura pelo atendimento ginecológico. Logo, faz-se necessário que políticas públicas destinadas para a orientação sexual,
saúde reprodutiva e medicina preventiva do adolescente sejam implantadas e/ou complementadas a fim
de garantir a saúde biopsicossocial, sexual e reprodutiva desta população.
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16
Rev Pesq Saúde, 13(2): 11-16, maio-agost, 2012
Artigo Original / Original Article
ISSN-2179-6238
PERFIL DOS IDOSOS COM SÍNDROME METABÓLICA
PROFILE OF ELDERLY PEOPLEWITHMETABOLIC SYNDROME
Clarissa Galvão da Silva¹, Jéssica Brito Rodrigues², José de Ribamar Medeiros Júnior³, Nair Portela Silva Coutinho4, Maria Lúcia Holanda Lopes4, Ana Hélia
de Lima Sardinha4
Resumo
Introdução: O envelhecimento é um processo progressivo e inevitável que ocorre com o avanço da idade, independentemente
do estilo de vida, dos fatores ambientais e da própria doença, o que acarreta alterações morfofisiológicas, propiciando maior
incidência de processos patológicos. Os idosos são o grupo da população com maior prevalência de eventos cardiovasculares,
logo, identificar a prevalência de Síndrome Metabólica (SM), entre eles adquire grande importância para medidas de controle de
risco. Objetivo: Analisar o perfil socioeconômico dos idosos portadores de síndrome metabólica. Métodos: Estudo
exploratório descritivo com abordagem quantitativa realizado em um Hospital Universitário de São Luís (MA). A amostra foi
composta de 87 idosos. Resultados: Predominou o sexo feminino (59,8%), a renda familiar variou entre 2 e 3 salários mínimos
(46%), estado civil prevaleceu o de casados (50,6%) e o nível educacional mais referido foi o ensino fundamental incompleto
(59,8%). Conclusão: O estudo permitiu caracterizar os portadores de síndrome metabólica atendidos no ambulatório do
Hospital Universitário quanto a idade, sexo, estado civil, nível educacional e ocupação, confirmando muitos dos estudos
realizados, evidenciando algumas características peculiares e indicando a necessidade de mais estudos nos aspectos que
preocupam os profissionais da saúde como o nível educacional e a baixa renda.
Palavras-chaves: Qualidade de vida. Saúde do idoso. Síndrome X Metabólica.
Abstract
Introduction: Aging is gradual and inevitable that occurs with advancing age, regardless of lifestyle, environmental factors
and the disease itself, which causes changes morphophysiological providing a higher incidence of pathological processes. The
elderly are the population group with the highest prevalence of cardiovascular events thus identify the prevalence of Metabolic
Syndrome (MS), among them is of great importance to risk control measures. Objective: To analyze the socioeconomic profile of
olderly people suffering from metabolic syndrome. Methods: A descriptive exploratory quantitative approach performed at the
University Hospital of São Luis (MA). The samples consisted of 87 elderly people. Results: The predominant among females
(59.8%), household income ranged between 2 and 3 times the minimum wage (46%), marital prevailed married (50.6%) and
higher educational level was above the elementary school (59.8%). Conclusion: The study allowed us to characterize the
patients with metabolic syndrome treated at the outpatient clinic of the University Hospital in age, sex, marital status,
educational level and occupation, confirming many of the studies, showing some peculiar characteristics and indicating the
need for further studies on aspects of concern health professionals such as educational level and low income.
Keywords: Quality of life. Health of the elderly. Metabolic Syndrome X.
Introdução
O século XXI se inicia com características peculiares das transformações demográficas e epidemiológicas do século passado. Tais transformações foram
significativas nos âmbitos sociodemográficos e da
saúde em todo o mundo considerando o número de
idosos na população, de caráter não uniforme, cujas
diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento ainda permanecem presentes, devido aos
fatores históricos, culturais, sociais e econômicos,
caracterizando o envelhecimento populacional1,2.
O envelhecimento é um processo progressivo e
inevitável que ocorre com o avanço da idade, independentemente do estilo de vida, dos fatores ambientais e
da própria doença, o que acarreta alterações morfofisi-
ológicas, propiciando maior incidência de processos
patológicos3.
Atualmente, as principais causas de mortalidade no mundo estão relacionadas às doenças cardiovasculares. A Síndrome Metabólica (SM) caracterizada por
hiperglicemia, dislipidemia, pressão arterial limítrofe e
obesidade é hoje um dos maiores desafios para a
saúde pública em todo o mundo, por estar associado
como um importante risco para doença cardiovascular
e diabetes tipo 24-7.
A Síndrome Metabólica é uma condição que
piora com o avanço da idade e aumento da obesidade,
frequentemente culmina no diabetes tipo 2, que carrega especificamente alto risco para ocorrências de doenças cardiovasculares e outras complicações8.
Os idosos são o grupo da população com maior
1.
Graduanda do Curso de Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Enfermeira. Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica - PROVAB.
Enfermeiro. Pós-Graduação em Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
4.
Enfermeira. Docente do Curso de Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Contato: Ana Hélia de Lima Sardinha. E-mail: [email protected]
2.
3.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 17-20, maio-agost, 2012
17
PERFIL DOS IDOSOS COM SÍNDROME METABÓLICA
prevalência de eventos cardiovasculares, sendo assim,
identificar a prevalência da Síndrome Metabólica entre
eles adquire grande importância para medidas de controle de risco. Além disso, existe um maior risco para
déficits cognitivos entre os portadores desta síndrome, em especial quando a glicemia é um dos componentes. Também ocorre um risco duas vezes maior
para a depressão entre mulheres com SM, conforme o
critério do National Cholesterol Education Program
(NCEP) revisado9,10.
Os novos hábitos alimentares, como o consumo
de enlatados, 'comidas prontas' (fastfood), e os alimentos industrializados, adotados pela sociedade contemporânea, têm interferido na saúde do idoso como comprovam diversos estudos, que demonstram que existe
uma correlação entre a alimentação e o surgimento de
doenças crônicas não transmissíveis nos idosos.
Enquanto as doenças infecciosas e parasitárias ocupavam lugar de destaque anteriormente, agora estão
sendo substituídas pelas doenças crônicas, como
hipertensão, diabetes e osteoporose11.
A adoção precoce por toda a população de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde como
uma alimentação saudável, prática de exercícios físicos, cessação de fumo e álcool, controle da pressão
arterial, e perda de peso, podem reduzir os fatores de
risco metabólicos e melhorar a qualidade de vida. A
identificação precoce de características da SM oferece
a oportunidade de intervenções no estilo e qualidade
de vida, prevenção e tratamento8.
O envelhecimento da população é uma aspiração de qualquer sociedade atual; mas tal desejo, por si
só, não é o bastante. É importante almejar qualidade
de vida para aqueles que já envelheceram ou estão no
processo de envelhecer, implicando em tarefas complexas de manutenção da autonomia e independência.
Nesse sentido, este estudo teve como objetivo analisar
o perfil socioeconômico dos idosos portadores de
síndrome metabólica em São Luís (MA).
Métodos
Estudo exploratório descritivo, com abordagem
quantitativa que faz parte de um projeto de pesquisa
intitulado “Qualidade de vida em idosos com síndrome
metabólica”, realizado em um serviço de atenção ao portador de síndrome metabólica no Hospital Universitário HUUFMA, São Luís (MA).
Neste estudo foram incluídos idosos de ambos
os sexos, na faixa etária de 60 anos ou mais de idade,
que apresentaram três dos seguintes critérios clínicos:
obesidade, resistência a insulina, hipertensão arterial
e dislipidemia, assistidos no ambulatório de endocrinologia do HUUFMA.
Para a coleta de dados utilizou-se um questionário contendo dados socioeconômicos. As entrevistas
foram realizadas no ambulatório, durante de os meses
de março a setembro de 2011, enquanto os pacientes
aguardavam o atendimento.
Os dados foram cadastrados no programa software EPI-Info® 3.5.2, e realizado a análise descritiva em
frequência e percentual sendo os resultados apresentados em tabelas.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
18
Pesquisa do Hospital Universitário – CEP-HUUFMA com
parecer nº 012/11de 11.02.2011. Todos os convidados aceitaram em participar assinando o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Resultados
Estudou-se 87 idosos de ambos os sexos, sendo
59,8% (52) do sexo feminino e 40,2% (35) do sexo masculino, com idade média de 65,47. A idade mínima foi
de 60 anos e a máxima de 92, sendo que a faixa etária
que apresentou maior frequência foi de 60 a 69 anos
completo representando 48,3% (42) dos entrevistados.
Quando indagados quanto à renda familiar mensal, a maioria (46%) informou ganhar entre 2 e 3 salários mínimos. Apenas uma pessoa (1,1%) referiu ter
renda menor que um salário mínimo e 2 idosos (2,3%)
referiram ganhar mais de 10 salários mínimos mensais. Quanto à ocupação, detectou-se que em ambos os
sexos a maior frequência foi de aposentados (as), correspondendo a 79,3% (n=69).
No que se refere ao estado civil, verificou-se que
a maioria das pessoas vive com companheiros (56,3%)
Tabela 1 - Características socio-demográficas de Idosos
portadores de Síndrome Metabólica. Hospital Universitário,
São Luís - MA, Brasil, 2011.
Variáveis
Sexo
Masculino
Feminino
Idade (em anos completos)
60 – 69
70 – 79
80 – 89
Renda Familiar
Menos que 1
Um salário
Entre 2 e 3
Entre 4 e 5
Entre 6 e 7
Entre 8 e 9
Mais que 10
Ocupação
Aposentados (as)
Pensionistas
Desempregados
Outros
Estado Civil
Solteiro (a)
Casado (a)
Vivendo como casado (a)
Separado (a)
Divorciado (a)
Viúvo (a)
Nível Educacional
Analfabeto
Ensino Fundamental Incompleto
Ensino Fundamental Completo
Ensino Médio Incompleto
Ensino Médio Completo
Ensino Superior Incompleto
Ensino Superior Completo
Total
n
%
35
52
40,2
59,8
42
38
07
48,3
42,5
8,0
01
30
40
09
04
01
02
1,1
34,5
46,0
10,3
4,6
1,1
2,3
69
05
02
11
79,3
5,7
2,3
11,2
11
44
05
02
01
24
12,6
50,6
5,7
2,3
1,1
27,6
13
52
06
05
08
03
87
14,9
59,8
6,9
5,7
9,2
3,4
100,0
Rev Pesq Saúde, 13(2): 17-20, maio-agost, 2012
Silva CG, Rodrigues JB, Medeiros-Júnior JR, CoutinhoNPS, LopesMLH, SardinhaAHL
sendo que 44 (50,6%) são casados e 5 (5,7%) vivem
união consensual. Em relação ao nível educacional, a
maior frequência tinha ensino fundamental incompleto (59,8%) seguida pelos analfabetos (14,9%), 8 entrevistados (9,2%) referiam ensino médio completo,
seguido de 6 indivíduos (6,9%) que referiram ensino
fundamental completo (Tabela 1).
Discussão
Os idosos portadores da Síndrome Metabólica
eram a maioria do sexo feminino, com idade variável
entre 60 e 92 anos completo, sendo que a faixa etária
com a maior frequência foi de 70 a 79 anos.
Em estudo de acordo com o International Diabetes Federation, realizado por Rigo12 com um grupo de
378 idosos verificou a prevalência de síndrome metabólica maior em mulheres com 63,5% contra 43,3% entre
os homens. Em um serviço de geriatria na Turquia, a
prevalência da SM entre os 1.255 indivíduos estudados,
com 65 anos ou mais, foi de 24% com o critério do NCEP
ATPIII13. Outro estudo realizado na cidade de Bogotá,
que envolveu pacientes selecionados de uma clínica de
tratamento de hipertensos, com 40 anos ou mais, utilizando o critério do NCEP ATPIII, a prevalência foi de 19%
entre os homens e 30% entre as mulheres14.
Estudo de corte de base populacional, realizado
na Itália com idosos com mais de 65 anos que vivem na
comunidade, foi encontrada uma prevalência de SM de
33% entre homens e 20% em mulheres, usando o critério do NCEP ATPIII15. Entre australianos com mais de 70
anos, provenientes da comunidade de etnia européia,
a prevalência da SM pelo critério da IDF foi de 36% entre
homens e 46% entre as mulheres. Entre os italianos de
Florença com mais de 60 anos, foi observada uma
maior prevalência de SM no critério da IDF (52,8%) em
relação ao do NCEP revisado (33,1%)16.
Vale ressaltar que esse significativo diferencial
na composição por sexo, recebe influência, entre
outros fatores, da condição de gênero, pois as mulheres, além de estarem mais predispostas às situações
ora referidas, elas, ao longo do seu curso de vida, dada
a questões culturais, são mais expressivas com relação
às doenças, e procuram mais frequentemente os serviços de saúde do que os homens. Além disso, embora
as mulheres tenham maior sobrevida do que os
homens experimentam por um período mais prolongado de vida, doenças crônicas e incapacidades do que
eles, o que altera significativamente o seu afeto e as
fazem mais dependentes de cuidado17,18.
O estudo realizado por Chaimowicz19 comprovou que o número de mulheres idosas e viúvas eram
maiores do que a dos homens e que as aposentadorias
e pensões eram sua principal fonte de renda.
Conforme o exposto, a realidade econômica dos
idosos investigados é precária, embora esteja em consonância com a realidade do Brasil e do Nordeste20. A
situação é preocupante, uma vez que desvantagens no
desenvolvimento social e precárias condições econômicas constituem, de um modo geral, maior risco de
adoecer e morrer precocemente, por qualquer causa,
em todas as idades, em ambos os sexos21.
Analisando a ocupação dos idosos, pode-se afirmar que os dados encontrados são condizentes com
normas sociais vigentes no Brasil e em outros contextos
geográficos as quais conduzem os idosos à aposentadoria e a pouca acessibilidade ao mercado de trabalho
formal, pois neste contexto etário, suas habilidades e
experiências são consideradas de menor valia social,
especialmente quando comparadas com aquelas evidenciadas pelos mais jovens, havendo, assim, uma
nítida associação entre aposentadoria e invalidez22.
O baixo nível de escolaridade é um importante
preditor de depressão no idoso, bem como de outros
transtornos afetivos, a exemplo da ansiedade. Contrariamente, idosos de melhor escolaridade possuem
melhor acesso a cuidados médicos, a atividades implicadas no estímulo das funções cognitivas e mentais,
além de terem maior nível de participação social e,
consequentemente, melhor qualidade de vida21.
O estudo permitiu caracterizar os portadores de
síndrome metabólica evidenciando algumas características peculiares e indicando a necessidade de mais
estudos nos aspectos que preocupam os profissionais
da saúde como o nível educacional e a baixa renda, pois
há uma necessidade maior de mudanças e/ou melhorias na abordagem a esses pacientes como a forma e o
tipo de linguagem mais acessível garantindo um entendimento correto das informações transmitidas.
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ISSN-2179-6238
Artigo Original / Original Article
FATORES ASSOCIADOS AO DESMAME POR OCASIÃO DA ALTA EM PREMATUROS DE
MUITO BAIXO PESO
FACTORS ASSOCIATED WITH WEANING AT THE TIME OF HOSPITAL DISCHARGE OF VERY LOW BIRTH WEIGHT
PREMATURE INFANTS
Fernando Lamy Filho1, Marianne de Carvalho Rodrigues2, Alcioneyaria da Silva Correia3 , Hanna-Arony Wanderley Pereira de Araújo4
Resumo
Introdução: A presença do aleitamento materno exclusivo no momento da alta hospitalar condiciona a continuação e duração
do mesmo, sendo fundamental para o desenvolvimento da criança após a alta. Objetivo: Avaliar fatores que influenciam a
ausência do aleitamento materno exclusivo por ocasião da alta de recém-nascidos de muito baixo peso da UTI neonatal do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. Métodos: Estudo
transversal realizado com todos os recém-nascidos com menos de 1500g de peso no período estudado. A amostra foi composta
por 214 indivíduos. Foi realizada análise univariada e na segunda fase, utilizou-se análise multivarida do tipo hierarquizada.
Foram consideradas associadas à variável-resposta àquelas que apresentaram p-valor <0,05. Resultados: Ao final da análise
multivariada, somente o tempo de duração da nutrição parenteral e a idade materna >35 anos mantiveram-se associadas a não
realização do aleitamento materno por ocasião da alta médica. Conclusão: A nutrição enteral foi iniciada precocemente, o que
mostra manejo nutricional adequado quanto ao tempo de início. A ausência de aleitamento materno exclusivo permaneceu
relacionada somente às variáveis que apontam para a influência da gravidade dos recém-nascidos (tempo de NPT) e de características demográficas das mães (idade materna).
Palavras-chave: Aleitamento materno exclusivo. Alta do Paciente. Fatores de risco.
Abstract
Introduction: Exclusive breastfeeding at discharge from hospital encourages the continuation and duration of it, being very
imortante for the development of the child after discharge. Objective: To evaluate the factors that influence the lack of exclusive breastfeeding at discharge from the neonatal intensive care unit of the University Hospital of the Federal University of
Maranhão in the period of January 2009 to December 2010 for infants with very low birth weight. Methods: Cross-sectional
study with all newborns with less than 1500 g in weight during the study period. The sample consisted of 214 subjects.
Univariate analysis was performed and in the second stage was used multivariate analysis of the hierarchical type. We considered the response variable associated with those that had a p-value <0.05. Results: At the end of the multivariate analysis, only
the duration of parenteral nutrition and maternal age> 35 years were associated with not performing of breastfeeding on discharge from care. Conclusion: Enteral nutrition was started early, which shows an apropriate nutritional manipulation in relation to the start time of it. The lack of exclusive breastfeeding remained related only to the variables that point to the influence of
gravity of newborns (time of total parentaral nutrition) and demographic characteristics of mothers (maternal age).
Keywords: Breastfeeding. Patient Discharge. Risk Factors.
Introdução
O aleitamento materno durante a internação de
bebês prematuros é incentivado e praticado na maioria
dos serviços1. A presença do aleitamento materno exclusivo no momento da alta hospitalar condiciona a continuação e duração do mesmo, o qual é fundamental para
o bom desenvolvimento da criança após a alta2. Porém,
nesse momento, muitas díades ainda se encontram em
dificuldade para estabelecer a amamentação exclusiva.
O aleitamento materno é recomendado à criança, de forma exclusiva, até os seis meses de vida, uma
vez que esse leite contém propriedades e nutrientes
necessários ao desenvolvimento adequado principalmente para bebês prematuros. Além disso, o aleitamento é um processo biológico e emocional, que possibilita maior contato e vínculo entre mãe e filho3-5.
Recém-nascidos pré-termo frequentemente
necessitam de internação em UTIN, sendo inevitável a
separação destes de suas mães, o que pode constituir
uma barreira psicológica e prática ao estabelecimento
e manutenção do aleitamento materno. Sua realização
em bebês prematuros é mais difícil devido a um inadequado controle da sucção, deglutição e respiração.
Somente por volta das 32 a 35 semanas de idade gestacional os recém-nascidos pré-termo (RNPT) conseguem coordenar estas atividades6.
Estudos realizados em diferentes populações de
recém-nascidos no Brasil mostram uma grande variação na frequência de aleitamento materno exclusivo
durante a internação e na alta. Em um estudo realizado
em Joinville, Santa Catarina, foram avaliados recémnascidos pré-termos de qualquer peso (n=244) sendo
encontrada uma prevalência de 84,4% na alta hospitalar7. Na cidade de Campinas, São Paulo, um estudo
apresentou frequência de 88,9%, de aleitamento
materno (exclusivo ou não), na alta hospitalar em
recém-nascidos qualquer idade gestacional8.
1.
Universidade Federal do Maranhão. Departamento de Saúde Pública. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil.
Universidade Federal do Maranhão. Faculdade de Nutrição. São Luís, MA, Brasil.
Universidade Federal do Maranhão. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. São Luís, MA, Brasil.
4.
Universidade Federal do Maranhão. Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. São Luís, MA, Brasil.
Contato: Fernando Lamy Filho. E-mail: [email protected]
2.
3.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012
21
FATORES ASSOCIADOS AO DESMAME POR OCASIÃO DA ALTA EM PREMATUROS DE MUITO BAIXO PESO
Um estudo populacional com recém-nascidos
observou 80% de Aleitamento Materno Exclusivo
(AME), na alta e identificou os seguintes fatores maternos de risco para o desmame: início tardio do pré-natal
(>20 semanas), fumo, idade (adolescentes), anestesia
geral e parto cesáreo, residência em área social menos
favorecida e parto prematuro9. Na Dinamarca, um estudo especificamente com prematuros extremos (<32
semanas), constatou 60% de AME na alta. Nesse grupo,
mães de gemelares, de prematuros extremos, de classes sociais menos favorecidos e fumantes necessitaram atenção especial de políticas de aleitamento10.
Outros levantamentos mostram percentuais mais baixos, como, por exemplo, na alta de Recém-nascidos de
Extremo Baixo Peso (RNEBP), 30,6% recebiam leite
materno exclusivamente11,12.
A presença AME e o entendimento dos fatores que
influenciam na ausência desta prática por ocasião da alta
de serviços de neonatologia, principalmente em uma
população de recém-nascidos pré-termo de muito baixo
peso, constituem o objetivo principal do presente estudo.
a segunda fase aquelas que apresentaram p-valor <0,20.
Para a segunda fase, utilizou-se análise do tipo
hierarquizada que propõe a classificação das variáveis
segundo sua influência no desfecho, classificando-as em
proximais, intermediárias e distais de acordo com o
organograma abaixo. Foram consideradas associadas à
variável respostas àquelas que apresentaram p-valor
<0,05. Os dados foram analisados no programa EpiInfo® versão 3.5.3, de domínio público.
O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa - CEP/HUUFMA, protocolo Nº 004382/2011-00.
Métodos
Estudo transversal realizado com todos os
bebês com menos de 1500g de peso de nascimento,
internados na UTI neonatal do Hospital Universitário
da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) no
período de 2 anos (janeiro de 2009 a dezembro de
2010). Não foram incluídos aqueles que foram a óbito
antes da alta hospitalar ou que não possuíam informação sobre o óbito no banco de dados.
Os dados foram obtidos do banco de dados da
Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais (RBPN), da qual
o Hospital Universitário da Universidade Federal do
Maranhão (HUUFMA) faz parte. Os mesmos foram coletados através do preenchimento de formulários padrão
da RBPN, referentes aos dados de identificação do
bebê, dados maternos e do parto e informações sobre a
evolução da internação, preenchidos pelos profissionais da unidade como procedimento de rotina.
Com um total de 214 indivíduos na amostra, um
intervalo de confiança de 95%, poder de 80% e uma
diferença na frequência do desfecho entre os expostos
e não expostos de 20%, um risco relativo de 1,5 pode
ser detectado.
As variáveis estudadas foram tipo de parto, sexo
do recém-nascido, pré-natal, diabetes e hipertensão
maternas, idade materna e idade gestacional, peso de
nascimento, percentual de perda de peso, dias de recuperação do peso de nascimento, apgar do 5º minuto,
sepse precoce, sepse tardia, tempo de ventilação mecânica, tempo de oxigênio terapia, displasia bronco pulmonar, tempo de nutrição parenteral, idade (dias) ao
início da alimentação por via enteral, tempo de permanência na internação, peso da alta, enterocolite necrosante e perfuração intestinal. A variável resposta foi o
tipo de alimentação por ocasião da alta hospitalar. As
variáveis quantitativas foram transformadas em dicotômicas por não apresentarem distribuição normal, sendo
estabelecidos pontos de corte para cada uma delas.
Em um primeiro momento, foi realizada análise
univariada onde foi testada a associação de todas as
variáveis em relação ao desfecho. Foram mantidas para
22
Figura 1 - Organograma da relação hierárquica entre variáveis
e sua relação com o desfecho.
Resultados
O total de pacientes cujos dados estavam disponíveis
no período estudado era de 323. Oitenta e oito (27,2%) recémnascidos foram a óbito, não participando da análise final. Em
27 (11,4%) não havia informação sobre óbito, sendo esses
considerados como perda. Ao final foram analisados 208 indivíduos. As variáveis estudadas apresentaram diferentes percentuais de perda na faixa entre 0,48% e 8,65% (Tabela 1).
Tabela 1 - Características perinatais e nutricionais de recémnascidos menores de 1.500g. Hospital Universitário - UFMA.
2009-2010.
n
%
-
-
1217,49 214,47
-
-
31s e 6d 2s e 4d
103
101
27
23
49,5
48,6
12,7
11,4
-
-
Idade (dias) ao início da
nutrição enteral
-
-
2,75
2,12
Duração da nutrição
parenteral
-
-
8,43
5,44
Percentual médio de Perda
de peso
-
-
11,24
6,44
Recuperação do peso de
nascimento (dias)
-
-
10,85
7,90
Variáveis perinatais
Peso de nascimento (g)
Idade gestacional (semanas e
dias)
Parto Normal
Sexo Masculino
Idade Materna >35 anos
Pré-natal
Variáveis nutricionais
Peso na alta (g)
AME na alta
Média
DP
1871,61 583,11
104 54,2
Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012
Lamy-FilhoF, RodriguesMC, CorreiaAS, AraújoH-AWP
Tabela 2 - Análise não ajustada das características de recémnascidos com peso de nascimento <1.500g, em relação à alta
sem aleitamento exclusivo. Hospital Universitário - UFMA,
2009-2010.
Variáveis
Idade
materna
≤ 20 anos
21 a 34 anos
>35 anos
Idade
gestacional
<34 semanas
≥ 34 semanas
Peso de
nascimento
<1000g
≥ 1000g
Apgar 5º
minuto
≤6
>6
Perda de peso
(%)
>15%
≤ 15%
Idade (dias)
ao início da
nutrição por
via enteral
>2 dias
≤2 dias
Crianças sem AME na alta
Sim
Não
Análise não ajustada
n (%)
n (%)
OR* IC 95% p-valor
68 (49,6) 69 (50,4) 1,55 0,80-3,02 0,193*
19 (38,8) 30 (61,2)
24 (66,7) 12 (33,3) 2,84 1,32-6,09 0,007*
64 (41,3) 91 (58,7)
9 (64,3)
5 (35,7) 2,22 0,71-6,92 0,167*
76 (44,7) 94 (55,3)
30 (63,8) 17 (36,2) 2,67 1,35-5,30 0,004*
56(39,7) 85 (60,3)
39 (51,3) 37 (48,7) 1,51 0,84-2,71 0,167*
46 (41,1) 66 (58,9)
56 (57,7) 41 (42,3) 2,83 1,53-5,21 <0,001*
27 (32,5) 56 (67,5)
30 (68,2) 14 (31,8) 3,13 1,52-6,44 0,002*
56 (40,6) 82 (59,4)
Tempo de
oxigênio
terapia
>7 dias
≤7dias
47 (60,3) 31 (39,7) 2,52 1,38-4,61 0,003*
39 (37,5) 65 (62,5)
DBP (oxigênio
28 dias)
Sim
Não
Permanência
na internação
≥20 dias
<20 dias
Peso na alta
<1800 g
≥1800 g
Enterocolite
necrosante
Sim
Não
OR
IC (95%)
0,9777
1,0
2,6071
0,48-1,97
*p-valor
0,053
0,98-6,89
Tabela 4 - Análise ajustada** das variáveis intermediárias +
distais associadas. Hospital Universitário - UFMA, 2009-2010.
Variáveis
Apgar 5º minuto
Idade (dias) ao início da
nutrição - Por via enteral
Idade gestacional
Idade materna > 35 anos
DBP (oxigênio 28 dias)
Perda de Peso (%)
Permanência na Internação
Peso na alta
Peso de nascimento
Duração da nutrição
parenteral
Tempo de oxigênio terapia
Tempo de Ventilação
Mecânica
OR
1,76
IC 95%
0,39-7,89
p-valor
0,455
0,84
0,37-1,93
0,694
0,83
3,03
2,70
1,28
1,41
0,54
0,77
0,32-2,11
0,92-10,02
0,61-11,83
0,47-1,47
0,47-4,25
0,24-1,24
0,25-2,33
0,700
0,068
0,187
0,625
0,537
0,149
0,645
2,34
1,05-5,21
0,037
1,46
0,55-3,85
0,440
1,13
0,31-4,09
0,851
DBP = Displasia Bronco Pulmonar. OR = Odds Ratio. IC = Intervalo de
confiança. **Regressão Logística.
Tempo de
ventilação
mecânica
>7 dias
≤ 7 dias
Variáveis
Idade materna
<20 anos
21 a 34 anos
> 35 anos
OR = Odds Ratio. IC = Intervalo de Confiança. **Regressão Logística.
18 (42,9) 24 (57,1) 0,97 0,48-1,97 0,950
56 (43,4) 73 (56,6)
1
14 (66,7) 7 (33,3) 2,60 0,98-6,89 0,053*
Duração da
nutrição
parenteral
>1 semana
≤1 semana
Tabela 3 - Modelo de Análise ajustada** das variáveis distais.
Hospital Universitário - UFMA, 2009-2010.
21 (77,8) 6 (22,2) 5,06 1,93-13,22 0,001*
65 (40,9) 94 (59,1)
79 (51,3) 75 (48,7) 3,39 1,50-7,64 0,003*
9 (23,7) 29 (76,3)
21 (31,3) 46 (68,7) 0,38 0,20-0,72 0,003*
67 (54,0) 57 (46,0)
5 (71,4)
2 (28,6) 3,10 0,58-16,44 0,182*
82 (44,6) 102 (55,4)
DBP = Displasia Bronco-Pulmonar. OR = Oddsratio. IC = Intervalo de confiança. *Variáveis com p-valor <0,2.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012
Tabela 5 - Análise ajustada** das variáveis proximais + intermediárias e distais associadas. Hospital Universitário - UFMA,
2009-2010.
Variáveis
Enterocolite necrosante
Sim
Não
Idade materna
<20 anos
21 a 34 anos
>35 anos
Duração da Nutrição
Parenteral
>7 dias
≤7 dias
OR*
IC ↑ 95%
p-valor
2,55
1,0
0,46-14,14
-
0,283
-
0,99
1,0
3,14
0,47-2,10
1,13-8,69
0,995
0,028
2,90
1,0
1,54-5,46
-
<0,001
-
OR = Oddsratio. IC = Intervalo de confiança. **Regressão Logística.
Na análise não ajustada entre as características
de mães e RN e o tipo de alimentação na alta, foram
mostradas todas as variáveis que apresentaram significância (<0,20) (Tabela 2).
Apresentaram maior significância na análise
univariada, o tempo de duração da nutrição parenteral,
de ventilação mecânica, de oxigênioterapia, permanência na internação, percentual de perda de peso,
peso de nascimento, a ocorrência de displasia broncopulmonar e a idade materna maior que 35 anos.
Para a análise ajustada, utilizou-se o modelo hierarquizado onde as variáveis foram classificadas como distais,
intermediárias ou proximais (Tabelas 3, 4 e 5).
Ao final da análise multivariada, mantiveram-se associadas somente o tempo de duração da nutrição parenteral
(p<0,001) e a idade materna >35 anos (p=0,028).
23
FATORES ASSOCIADOS AO DESMAME POR OCASIÃO DA ALTA EM PREMATUROS DE MUITO BAIXO PESO
Discussão
Verificou-se, que nos três níveis hierárquicos
analisados apenas a idade da mãe (>35 anos) e um
tempo de NPT maior que 7 dias se associaram, no modelo final, à alta sem aleitamento materno exclusivo.
Em um estudo realizado com recém-nascidos
com idade gestacional inferior a 37 semanas, internados em unidades neonatais do nordeste, 69,4% recémnascidos receberam alta com aleitamento materno
exclusivo13 valor superior ao deste estudo, que incluiu
apenas RN com peso ao nascer inferiores a 1500g. A
discordância pode se dever à quantidade de crianças
com idades gestacionais inferiores a 37 semanas mas
com peso acima de 1500g, no primeiro estudo.
Na análise univariada, a idade materna >35 anos
e o tempo de nutrição parenteral associaram-se como
risco para a alta sem AME. Além destas variáveis, também se associaram como risco: o peso de nascimento
menor que 1.000g, perda de peso maior que 15% do
peso de nascimento, tempo de ventilação mecânica
maior que sete dias, tempo de oxigenioterapia maior
que sete dias, displasia bronco pulmonar, duração da
internação maior que 20 dias e peso de alta menor que
1800g. Essas associações se modificaram nas análises
ajustadas, permanecendo apenas as duas primeiras
variáveis citadas. Esses fatores apontam na direção de
bebês mais prematuros e de menor peso, sendo os
mesmos aqueles que apresentam, sabidamente, maior
risco para problemas alimentares13-15.
No estudo realizado por Vieira et al.,8 em 2004,
61,9% dos recém-nascidos de baixo peso (<2500g),
avaliados após a alta, e antes dos quatro meses de vida
não foram amamentados de forma exclusiva. Em 2007,
no estudo realizado por Rugolo et al.,16 com 70 bebês
de extremo baixo peso de nascimento, após a alta hospitalar, onde 41 tinham displasia bronco pulmonar,
somente dois bebês receberam aleitamento materno
exclusivo.
Nascimento17, encontrou, em análise univariada,
associação da ausência de AME na alta com algumas
variáveis que corroboram os achados do presente trabalho tais como o peso de nascimento inferior a 1.500g
e o tempo de internação maior que 28 dias e outras
variáveis como o uso de oxigênio aos 28 dias de vida e
de ventilação mecânica também se associaram com a
alta sem AME.
No modelo inicial, que incluía variáveis consideradas distais ao desfecho, a idade materna >35 anos
mostrou-se como fator de risco para a alta sem aleitamento materno exclusivo. Esse dado é corroborado pelo
estudo de Mancini18, realizado em 2004, ao avaliar
recém-nascidos egressos de unidade neonatal em Belo
Horizonte. No estudo de Nascimento17, entre todas as
faixas etárias maternas, a única que se relacionou à alta
sem AME foi a faixa de mães acima de 35 anos, confirmando novamente os achados encontrados neste estudo. Esse achado pode sugerir que possivelmente mães
mais velhas já possuam outros filhos e que a necessidade de dar atenção a eles implica em maior dificuldade
em iniciarem e/ou manterem um processo de AME.
No modelo de variáveis consideradas intermediárias ao desfecho, a idade materna (originária do
modelo distal) se manteve associada de forma limítrofe
(p=0,06). O tempo de nutrição parenteral maior que
sete dias também mostrou associação com a ausência
24
de AME na alta. Estudo realizado por Mancini18, encontrou associação entre o uso da NPT e a alta sem aleitamento materno exclusivo. Nesse caso a associação não
se refere ao tempo de uso, mas ao fato de fazer uso ou
não dessa tecnologia19, 20. Nascimento e Issler21, também encontraram relação entre o uso de nutrição
parenteral com o mesmo desfecho. Na unidade neonatal do HUUFMA, o significado de manter por mais
tempo a nutrição parenteral geralmente se refere a uma
maior dificuldade em iniciar ou manter nutrição enteral
efetiva, apontando, possivelmente, para uma população de maior risco.
Nenhuma variável pertencente àquelas consideradas proximais ao desfecho estudado mostrou-se
associada ao mesmo. É possível que o banco de dados
utilizado, montado a partir de dados da Rede Brasileira
de Pesquisas Neonatais, não incluísse variáveis suficientemente específicas em relação à alta sem AME que
permitisse achados mais esclarecedores. A variável
Enterocolite Necrosante (NEC) que supostamente estaria diretamente relacionada ao desfecho não mostrou
associação. Possivelmente esse fato estaria relacionado à definição de NEC utilizada para o preenchimento
do formulário que estaria incluindo todas as classificações da doença, inclusive quadros apenas suspeitos.
As limitações encontradas durante a realização
dessa pesquisa se referem principalmente ao caráter
transversal da mesma e ao fato de as variáveis terem
sido previamente coletadas. Isso dificulta determinadas respostas em relação a questionamentos específicos, principalmente quanto aos métodos utilizados no
início do processo de nutrição, dados sobre composição familiar das mães e número de consultas de prénatal. Outra dificuldade foi a falta de preenchimento
adequado de algumas variáveis importantes como o
escore de avaliação de gravidade (só preenchido no ano
2010) e informações sobre malformações congênitas.
Houve também dificuldades em encontrar, na literatura, estudos para comparação com este trabalho que
usassem populações semelhantes.
Apesar do número de bebês utilizado na análise
não permitir análises mais precisas, é importante ressaltar que ele se refere a todos os recém-nascidos com
peso de nascimento abaixo de 1.500g nascidos no
período estudado, configurando uma população e não
somente uma amostra.
Considerando que todos os serviços de neonatologia de alto risco busca garantir boas condições aos
recém-nascidos no momento da alta o aleitamento
materno exclusivo torna-se de importância central.
Diversas variáveis apresentaram associação
com a ausência de aleitamento materno exclusivo na
alta, na análise univariada. Porém, somente o maior
tempo de duração da NPT (>7 dias) e a idade materna
elevada (>35 anos), permaneceram relacionados com a
ausência de AME na análise final, demonstrando a
importância de variáveis indicadoras de gravidade e de
variáveis indicadoras da situação social das mães.
Agradecimentos
Agradecemos a Rede Brasileira de Pesquisas
Neonatais e ao Serviço de Neonatologia do Hospital
Universitário da Universidade Federal do Maranhão HUUFMA, pelo fornecimento de dados para a realização
deste trabalho.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 21-25, maio-agost, 2012
Lamy-FilhoF, RodriguesMC, CorreiaAS, AraújoH-AWP
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25
Artigo Original / Original Article
ISSN-2179-6238
EFEITO DA DROSPIRENONA COMO TERAPIA HORMONAL DE BAIXA DOSE NOS
NÍVEIS PRESSÓRICOS DE MULHERES CLIMATÉRICAS HIPERTENSAS
EFFECT OF DROSPIRENONE AS LOW DOSE HORMONE THERAPY IN PRESSURE LEVELS IN CLIMACTERIC WOMEN
WITH HYPERTENSION
Sinara Marques dos Santos1, Maria Bethânia da Costa Chein2, Diego Salvador Muniz da Silva1, Paulo Roberto Silva Cruz1, José de Albuquerque Figueiredo
Neto3, Luciane Maria Oliveira Brito4
Resumo
Introdução: A drospirenona é um derivado progestínico com propriedades antagonistas da aldosterona, cujo efeito antihipertensivo foi demonstrado em estudos clínicos. Em associação com o estradiol, a drospirenona é utilizada como uma opção
de terapia hormonal de baixa dose para alívio da sintomatologia climatérica. Objetivo: Analisar os efeitos da drospirenona na
pressão arterial (PA) e marcadores de doença cardiovascular em mulheres climatéricas hipertensas. Métodos: Ensaio clínico
com 30 mulheres climatéricas, entre 40 e 60 anos, hipertensas grau I, com sinais clínicos de climatério. As pacientes foram
divididas igualmente em dois grupos: Grupo I - tratadas com 1mg de estradiol e 2mg de drospirenona; Grupo II - sem terapia
hormonal. No início do estudo e após três meses de seguimento foram dosados homocisteína e proteína c-reativa (PCR) ultrassensível, além da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial, para análise dos efeitos da Terapia Hormonal de Reposição.
Utilizou-se a Análise da Covariância sendo atribuído nível de significância α<0,05. Resultados: Após três meses de seguimento,
houve redução da PA nos dois grupos, sendo mais acentuada no Grupo I, PA Sistólica (p=0,002) e Diastólica (p=0,004). Os níveis
séricos da homocisteína sofreram um decréscimo em ambos os grupos, sendo maior (8,2%) no Grupo I (p=0,082). Os níveis
séricos da PCR também apresentaram redução nos dois grupos, sendo a redução do Grupo I (7,1%) mais proeminente
(p=0,077). Conclusão: O uso da TH combinada com a drospirenona apresentou redução significativa nos níveis pressóricos,
reforçando as propriedades antagonistas da aldosterona que podem contrabalançar a possível retenção hídrica relacionada ao
estrogênio.
Palavras-chave: Hipertensão. Terapia Hormonal. Marcadores Biológicos.
Abstract
Introduction: Drospirenone is a derivative progestin with properties aldosterone antagonists whose antihypertensive effect
was demonstrated in clinical studies. In combination with estradiol, drospirenone is used as an option to low dose hormone
replacement therapy to alleviate climacteric symptoms. Objective: To analyze the effects of drospirenone on blood pressure
(BP) and markers of cardiovascular disease in climacteric women with hypertension. Methods: A clinical trial study included 30
perimenopausal women between 40 and 60 years old, stage 1 hypertension, with clinical signs of menopause. The patients were
divided in two groups: Group I - patients treated with 1mg estradiol and drospirenone 2mg, Group II - patients without hormone
therapy. At baseline and after three months of follow-up, measurements were made of homocysteine and C-reactive protein
ultrasensitive, and the Ambulatory Blood Pressure Monitoring, to analysis of the effects of hormone therapy. We used the analysis of co-variance was assigned a level of significance set at α<0,05. Results: After three months of follow up, there was a reduction in BP in both groups, being more pronounced in Group I, Systolic BP (p=0,002) and Diastolic BP (p=0,004). Serum levels of
homocysteine have experienced a decrease in both groups, being higher (8,2%) in Group I (p=0,082). Serum levels of C-reactive
protein ultrasensitive also decreased in both groups, the reduction in Group I (7,1%) more prominent (p=0,077). Conclusion:
The HT combined with drospirenone showed significant reduction in blood pressure, reinforcing properties that aldosterone
antagonists may counteract the possible estrogen-related fluid retention.
Keywords. Hypertension. Hormonal Therapy. Biological Markers.
Introdução
Segundo estimativas, 30% a 40% das mulheres
sofrerão as consequências da diminuição progressiva
dos estrogênios: disfunções menstruais, sintomas
vasomotores, distúrbios psicológicos, alterações cognitivas, mudanças tróficas, perda óssea, doenças cardiovasculares, necessitando de terapia hormonal1.
Este hipoestrogenismo é resultante da falência gonadal por exaustão da população folicular que acomete
mulheres climatéricas2.
A Terapia Hormonal de Reposição surge com o
objetivo de melhorar as condições de saúde e qualidade de vida da mulher3. Consiste na reposição de estrogênios, progestagênios e, eventualmente, androgênios; sendo indicada para alívio de fogachos, sudorese,
atrofia urogenital, ressecamento vaginal, preservar a
massa óssea, melhorar os distúrbios do sono e estimular a libido4.
Tal quadro clínico deve-se, sobretudo ao hipoestrogenismo presente na mulher climatérica, o período
pós-menopausa associa-se ao aumento progressivo do
1.
Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Doutora em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno-Infantil
da Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
3.
Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo - USP. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno-Infantil da
Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
4.
Doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde MaternoInfantil da Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Contato: Luciane Maria Oliveira Brito. E-mail: [email protected]
2.
26
Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012
SantosSM, CheinMBC, SilvaDSM, CruzPRS, Figueiredo-Neto JA, BritoLMO
risco de doenças cardiovasculares5. Acreditava-se inicialmente que a TH seria capaz de reduzir o risco dessas
doenças; contudo, a grande maioria dos estudos clínicos não evidenciou o efeito fisiopatológico imaginado,
não confirmando o efeito protetor cardiovascular,
cujas razões para tais resultados são ainda desconhecidas6,8. Entretanto, em alguns estudos observou-se que
a terapia hormonal convencional aumentou os níveis
dos marcadores de doença cardiovascular: homocisteína e da proteína C reativa (PCR) ultrassensível, além de
agentes do processo aterogênico e trombótico8.
O sistema renina-angiotensina-aldosterona é
um mediador progressivo e bem conhecido da doença
renal e cardiovascular. Dentre seus componentes, a
aldosterona possui maior destaque, pois exerce uma
variedade de efeitos adversos através de diversos mecanismos9-11. Observou-se que o uso da espironolactona, antagonista do receptor da aldosterona, melhora
os índices de morbimortalidade em pacientes com
insuficiência cardíaca. Esse antagonismo gerou interesse no desenvolvimento de drogas que pudessem
aumentar ou potencializar essa ação, como as drogas
inibidoras da enzima conversora de angiotensina e
antagonistas do receptor II de angiotensina (ATA-II)12.
A drospirenona (DRSP) é um derivado progestínico da 17-alfa-espironolactona, um análogo da espironolactona, que possui ação antagonista da aldosterona aproximadamente sete vezes maior que seu similar. Em associação com o 17-beta-estradiol (E2), a drospirenona é utilizada como TH de baixa dose em formulações de 1mg a 3mg. Sua eficácia é conhecida no alívio
de sintomas vasomotores, sem alteração da espessura
endometrial e com um possível efeito positivo na função lipídica13,14. A associação entre a DRSP/E2 tem
demonstrado um efeito anti-hipertensor significativo,
e também um efeito aditivo quando combinada com a
terapia anti-hipertensiva existente15.
Ao contrário de outros progestágenos, a DRSP
possui um perfil bioquímico semelhante à progesterona endógena, especialmente em relação a propriedades antimineralocorticóides e antiandrogênicas16.
Acredita-se que a sua potência antiandrogênica e antimineralocorticóide seja superior ao análogo espironolactona. Dessa forma, a DRSP além de inibir a estimulação estrogênica do Sistema renina-angiotensinaaldosterona (SRAA), mantém as propriedades vasoativas e anti-aldosterona dos progestágenos que declinam com a menopausa17,18.
A Terapia Hormonal (TH), ideal em mulheres
hipertensas leves na pós-menopausa seria, portanto,
aquela que promovesse o alívio sintomático, sem gerar
aumento do risco de complicações cardiovasculares;
além de contribuir para decréscimo dos níveis pressóricos ou de fatores que auxiliem na redução dos efeitos
colaterais indesejáveis produzidos por algumas drogas anti-hiperten-sivas (por exemplo, espoliação de
potássio produzida por drogas diuréticas). Assim,
novos esquemas terapêuticos de Terapia da Reposição
Hormonal (TRH), são desejáveis, e a utilização da drospirenona como progestágeno apresenta expressivo
potencial dentre os esquemas de TH de baixa dose2.
Diante da importância do tema, este estudo teve
como objetivo analisar o efeito da drospirenona como
TH de baixa dose na pressão arterial e nos marcadores
Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012
de doença cardiovascular, homocisteína e PCR ultrassensível, em mulheres climatéricas hipertensas.
Métodos
Trata-se de ensaio clínico prospectivo envolvendo 30 mulheres atendidas por demanda espontânea no
Ambulatório de Ginecologia do Hospital Universitário
Materno Infantil da Universidade Federal do Maranhão.
Os critérios de inclusão foram: faixa etária entre
40 a 60 anos, hipertensão leve (Estágio I), amenorréia
(há 12 meses ou mais) antes do tratamento, sinais clínicos de climatério (neurovegetativos, neuropsíquicos
ou genitais). Os critérios de exclusão foram: outras
causas de amenorréia (hiperprolactinemia, hipogonadismo hipogonadotrófico, tireoidopatias), uso de TH
nos 12 meses anteriores à pesquisa, hipertensão arterial secundária, alterações das provas de função hepática
e∕ou renal, histórico de fenômenos tromboembólicos,
infarto do miocárdio, angina instável, insuficiência
cardíaca congestiva, acidente vascular cerebral isquêmico ou acidente isquêmico transitório, diabetes mellitus tipo I, dependência química nos dois anos prévios
ao estudo, alterações pré-malignas nos exames colpocitológicos e mamografia, e intolerância a qualquer
componente dos medicamentos.
A medida da pressão arterial (PA) foi realizada em
ambulatório, seguindo recomendações da VI Diretrizes
Brasileiras de Hipertensão. Considerou-se hipertensão
leve ou estágio 1 valores ≥140 mmHg e ≤159mmHg
para a pressão arterial sistólica (PAS) e/ou pressão
arterial diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg e ≤ 99 mmHg19.
Assim, nas 30 mulheres selecionadas foi proposta a realização de TH. Aquelas que optaram por
fazê-la foram reunidas no Grupo I (com hormônio),
contendo 15 mulheres submetidas à TH de baixa dose
com 1mg de estradiol e 2mg de drospirenona; as que
optaram por não fazer uso da TH compuseram o Grupo
II (sem hormônio), contendo igualmente 15 pacientes.
Todas as 30 pacientes foram submetidas simultaneamente ao tratamento anti-hipertensivo com inibidores do receptor tipo II da angiotensina 50mg. As
pacientes que faziam uso de outro tratamento antihipertensivo foram orientadas a usarem o antihipertensivo 50mg/dia como monoterapia por um
período de no mínimo sete dias antes de iniciado o
seguimento, chamado período de adaptação.
Dessa maneira, foi aplicada uma ficha-protocolo
em todas pacientes, que logo após foram submetidas a
exame físico-ginecológico, solicitação de exames complementares, agendamento do exame de Monitoração
Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), dosagem de
PCR ultrassensível e homocisteína.
Após a realização dos exames, foram fornecidos
os medicamentos e realizada orientação quanto ao seu
uso e retorno em três meses para reavaliação clínica,
reavaliação da pressão arterial com MAPA, nova dosagem de PCR ultrassensível e homocisteína.
Os dados foram tabulados e analisados no programa Epi-Info® versão 3.4.1. Os dados quantitativos foram
expressos por média e Desvio Padrão (DP) e análise da
covariância. As comparações foram consideradas estatisticamente significativas com α < 0,05.
Todas as pacientes foram informadas a respeito
27
EFEITO DA DROSPIRENONA COMO TERAPIA HORMONAL DE BAIXA DOSE NOS NÍVEIS PRESSÓRICOS DE MULHERES CLIMATÉRICAS HIPERTENSAS
da pesquisa e após aceitarem assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido. A pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão com
Parecer Nº 396/10.
Resultados
Nas mulheres submetidas à TH de baixa dose e
tratamento anti-hipertensivo (Grupo I) a idade média
foi de 50,6 anos ± 0,5 anos; já dentre as mulheres que
fizeram uso somente do tratamento anti-hipertensivo
(Grupo II) a idade média foi 51,3 anos ± 0,4 anos.
Nas mulheres que realizaram TH (Grupo I),
observou-se uma diminuição de peso médio de 0,7kg
(p = 0,031) em relação ao início do estudo; enquanto
que as mulheres que não fizeram uso (Grupo II), a redução de peso médio foi mais discreta, 0,3kg (p = 0,041).
Após três meses de seguimento observou-se no
Grupo I uma redução da PAS média de 123 ± 1,5 mmHg
para 118,8 ±1,2 mmHg (p = 0,002) e da PAD média de
75,5 ± 1,2 mmHg para 72,7 ± 1,0 mmHg (p = 0,004).
No Grupo II, houve uma redução da PAS média de
125,1 ± 1,6 mmHg para 122,8 ± 1,1 mmHg (p = 0,003)
e da PAD média de 74,9 ± 1,2 mmHg para 73,4 ± 1,1
mmHg (p = 0,005)( Tabela 1).
Tabela 1 - Análise da Pressão Arterial (PA) em mulheres climatéricas e hipertensas que fizeram uso de hormônio e mulheres que não fizeram. São Luís - MA, 2011.
Inicio
(mmHg)
Após 3 meses Redução
(mmHg)
(mmHg)
p-valor
PA
Sistólica
Grupo I
Grupo II
123±1,5
125,1±1,6
118,8±1,2
122,8±1,1
-4,2
-2,3
0,002
0,003
75,5±1,2
74,9±1,2
72,7±1,0
73,4±1,1
-2,8
-1,5
0,004
0,005
PA
Diastólica
Grupo I
Grupo II
Os níveis séricos da homocisteína sofreram um
decréscimo no valor inicial médio de 9,7 μmol/L para
8,9 μmol/L (p = 0,082), representando uma redução de
8,2% no Grupo I. No Grupo II, essa redução foi de 8,5
μmol/L para 8,1 μmol/L (p = 0,071), representando
uma redução de 4,7%.
Os níveis séricos da proteína C reativa ultrassensível apresentaram discreta redução nos dois grupos
deste estudo. No Grupo I, o valor médio inicial passou
Tabela 2 - Comportamento dos marcadores cardiovasculares
em mulheres climatéricas e hipertensas que fizeram uso de
hormônio e mulheres que não fizeram. São Luís - MA, 2011.
Inicio
Após 3
meses
Homocisteína
9,7 μmol/L 8,9 μmol/L
Grupo I
8,5 μmol/L 8,1 μmol/L
Grupo II
Redução
p-valor
(%)
8,2
4,7
0,082
0,071
7,1
3,6
0,077
0,062
Proteína C
reativa
Grupo I
Grupo II
28
0,42 mg/dL 0,39 mg/dL
0,28 mg/dL 0,27 mg/dL
de 0,42 mg/dL para 0,39 mg/dL (p = 0,077), representando um decréscimo de 7,1%; enquanto no Grupo II o
valor médio inicial passou de 0,28 mg/dL para 0,27
mg/dL (p = 0,062), um decréscimo de 3,6% (Tabela 2).
Conclusão
A PA e prevalência de hipertensão arterial tendem a se elevar com a progressão da idade, mais pronunciadamente nos anos próximos à menopausa20.
Entretanto, vale considerar que o efeito da menopausa
sobre a PA é difícil de ser avaliado, visto que ambas
sofrem influência de diversos fatores tais como índice
de massa corpórea (IMC) e tabagismo.
No presente estudo, o uso da DRPS apresentouse como eficiente terapêutica para tratamento de sintomas climatéricos e HAS, concordando com os achados encontrados por Gambacciani et al.,13 que acompanharam mulheres na pós-menopausa não tratadas com
TH ou esteróides sexuais nos 12 meses anteriores ao
estudo e foram randomizados para o tratamento com
17β-estradiol (1mg/dia) mais drospirenona (2mg/dia)
ou ao cálcio (controles).
A significativa redução da PA média nas mulheres tratadas com DRPS foi mais expressiva na PAS,
quanto à PAD, ao final do estudo. Esses achados são
compatíveis com aqueles relatados por Archer et al.,21
que evidenciaram redução significativa na PA nas
mulheres tratadas com a associação de drospirenona/
estradiol. A redução foi mais acentuada na PAS, semelhante ao achado deste estudo.
Houve concordância também com o estudo de
White et al.,22 que identificaram uma redução significativa da PAS e da PAD em mulheres climatéricas que
faziam uso de TH com DRPS (3mg) e estradiol (1mg),
avaliadas durante 12 semanas pela MAPA e pela monitorização ambulatorial.
A utilização de drospirenona-estradiol em estudo randomizado, controlado com 36 mulheres hipertensas leves utilizando hidroclorotiazida, levou a uma
redução significativa das PAS e PAD (redução de 7,2 e
4,5mmHg, respectivamente) nestas mulheres avaliadas com o MAPA, em relação ao grupo placebo23.
Em estudo randomizado duplo-cego com 750
mulheres hipertensas climatéricas foi demonstrado
uma ação anti-hipertensiva significativa na associação
de 2 a 3mg de DRPS e 1 mg de estradiol24. A associação
de 1mg de drospirenona e 1mg de estradiol, ou o uso
isolado de estradiol, neste estudo não evidenciou esta
redução significativas da pressão arterial.
Em estudo multicêntrico realizado com 213
mulheres pós-menopáusicas hipertensas leves tratadas com DRPS 3mg e estradiol 1mg durante 12 semanas, foi observado uma redução da PAS duas vezes
maior nas mulheres randomizadas em comparação ao
placebo (P <0,000)22.
Preston et al.,25 concluíram que o uso concomitante de DRPS e 17-beta estradiol como terapia de
baixa dose, em associação com enalapril (inibidor da
ECA), resulta em efeito redutor sobre a PA, maior que o
que ocorre com o uso isolado do enalapril. Resultados
semelhantes foram obtidos em estudo multicêntrico
com mulheres diabéticas na pós-menopausa entre 44 e
70 anos de idade, no qual se verificou diminuição nos
níveis das PAS e PAD, sem alteração nos níveis de
Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012
SantosSM, CheinMBC, SilvaDSM, CruzPRS, Figueiredo-Neto JA, BritoLMO
potássio no grupo tratado com drospirenona26.
Por outro lado, o estudo realizado durante cinco
anos por Vestergaard et al.,27 com 1006 mulheres pósmenopáusicas entre 45 e 58 anos, em TH, mostrou não
ocorrer nenhum efeito considerável, seja aditivo ou
redutor, na PA dessas mulheres.
O estudo realizado por Yildizhan et al.,28 avaliou
160 mulheres durante 12 meses e evidenciou que
mulheres tratadas com DRPS - estradiol obtiveram
baixa incidência de eventos adversos e efeitos mais
favoráveis no IMC e PA, com valores inferiores ao tratado com gestodena estradiol.
A redução de peso corporal analisada nas
mulheres tratadas com DRPS a deste estudo, concorda
com o trabalho de Elger et al.,17 cujas apresentações de
DRPS estradiol utilizadas como contraceptivos preveniu o aumento de peso ponderal e o aumento da PA
(tendência para redução da PA).
No estudo de Archer et al.,21 conduzido em
mulheres pós-menopausadas por 13 ciclos de 28 dias,
observou-se que o grupo tratado com DRPS estradiol
apresentou manutenção e até mesmo redução de peso
em relação aos valores iniciais do estudo, quando comparados ao grupo controle (estradiol isolado).
Em estudo realizado por Brown, Ling e Wang,29
onde 326 mulheres foram acompanhadas durante um
ano, e verificaram que o aumento da retenção hídrica e
do apetite que normalmente ocorre no período prémenstrual é reduzido com o uso de DRPS estradiol. Além
da melhoria da sintomatologia pré-menstrual, observaram-se efeitos positivos na pele e redução do peso corporal. Esses resultados podem ser atribuídos ao efeito
anti-mineralocorticóide da DRPS, contrapondo-se à
tendência de ganho de peso dos estrógenos, o que facilita a adesão ao tratamento, pois o ganho de peso é uma
preocupação para muitas mulheres em uso da TH.
A análise da associação entre homocisteína e
doença cardiovascular, temática de diversos estudos,
indica que o incremento da concentração sérica de
homocisteína está relacionado ao risco de aterosclerose, infarto do miocárdio, infarto cerebral, trombose
venosa profunda e tromboembolismo pulmonar, contudo ainda é controverso30-32. Logo, a redução nos níveis de homocisteína durante o seguimento das pacientes nos dois grupos sugere um efeito protetor para
doenças cardiovasculares em tais pacientes.
A homocisteína pode gerar dano vascular através da promoção da ativação plaquetária, stress oxidativo, disfunção endotelial, hipercoagulabilidade e
stress do retículo endoplasmático33. Assim, acredita-se
que a associação da TH com estrógenos diminua a
concentração de homocisteína34, o que corrobora os
resultados.
Em estudo dinamarquês, 209 mulheres saudáveis na pós-menopausa foram randomizadas para
receber TH (n=103) ou nenhuma substituição (n=106).
Mulheres que receberam TH tiveram níveis de homocisteína total significativamente mais baixos que as
mulheres no grupo controle; a homocisteína média
total foi 8,6 µmol/L e 9,7 µmol/L, respectivamente
(P=0,02)35. Neste estudo, apesar do níveis de homocisteína para o Grupo II, apresentarem-se inferiores ao
Grupo I, tal resultado é reflexo da amostra e não da
terapêutica utilizada. Quando comparado o nível de
homocisteína após três meses de uso da TRH, obser-
Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012
va-se redução superior no Grupo I (8,2%, contra 4,7%
no Grupo II ).
Van Baal et al.,36 avaliando mulheres na pósmenopausa utilizando terapia combinada de estradiolprogesterona e monoterapia com estradiol durante 4 e
12 semanas, observaram um decréscimo nos níveis de
homocisteína de 9,4% na terapia combinada, de 5,1% na
monoterapia e um aumento de 2,4% nas pacientes do
grupo placebo. As reduções foram detectadas após 4
semanas de tratamento com estradiol-progesterona.
Espera-se que resultado semelhante também ocorra em
terapias que utilizem análogos da DRPS, como presenciado neste estudo. Todavia, em trabalho conduzido
por Guimarães et al.,37 no qual 24 mulheres foram avaliadas após 3 meses de TH com estradiol 2mg e ciproterona 1mg, não foram observadas alterações nos níveis
plasmáticos da homocisteína.
Em estudo realizado com 46 mulheres durante 6
meses, utilizou-se terapêutica combinada de estradiolprogesterona e monoterapia com estradiol foi observado aumento significativo da PCR sérica no grupo tratado
apenas com estradiol, enquanto que no grupo tratado
com progestágeno os níveis mantiveram-se estáveis. Os
níveis de homocisteína diminuíram em ambos os grupos. Assim, estes resultados parecem traduzir que a
redução nos níveis séricos de homocisteína através da
TH com DRPS apresenta benefícios cardiovasculares e
que o aumento da PCR pode ser parcialmente prevenido
pelo acréscimo de um progestágeno38.
A proteína C reativa é uma proteína de fase aguda, sintetizada pelo fígado em resposta às citocinas,
que reflete inflamação sistêmica ativa. A inflamação tem
um papel importante no início, progressão e desestabilização das placas ateromatosas. Marcadores plasmáticos de inflamação crônica têm sido consistentemente
associados ao risco de doença arterial coronariana,
sendo a PCR ultrassensível o marcador mais estudado39.
Os níveis séricos da PCR ultrassensível apresentaram redução em ambos os grupos. Esses dados contrastam com o aumento de PCR descrito em ensaios
clínicos feitos por Cooper et al.,40 com doses plenas por
via oral e estudos longitudinais feitos por Zhang et al.,41
no qual usuárias de TH apresentaram maiores níveis de
marcadores pró-inflamatórios, quando comparadas às
não usuárias. Há controvérsias do efeito da TH sobre os
níveis de PCR, e estudos demonstram aumento nos
níveis de PCR mesmo com baixa dose por via oral. Contudo, o TH de baixa dose não tem sido relacionado com
aumento dos níveis de PCR42,43.
Koh et al.,43 e Störk, von Schacky, e Angerer44
observaram a estabilização dos níveis de PCR com a TH
de baixa dose por via oral, tanto no uso de 0,3mg de
estrogênios equinos conjugados, quanto no uso de
1mg de 17-beta estradiol, respectivamente. Estudos
experimentais têm sido desenvolvidos para avaliar a
influência da associação DRPS drospirenona-estradiol
sobre marcadores pró-inflamatórios em mulheres climatéricas45.
Em uma análise caso-controle dos estudos
sobre hormônios, pesquisadores determinaram os
níveis lipídicos e de PCR ultrassensível iniciais em 271
mulheres cardiopatas e em 707 mulheres sem cardiopatia. Um valor eleva do PCR ultrassensível foi associado com um risco elevado de eventos coronarianos em
mulheres que fazem uso isolado de estrogênio, mas
29
EFEITO DA DROSPIRENONA COMO TERAPIA HORMONAL DE BAIXA DOSE NOS NÍVEIS PRESSÓRICOS DE MULHERES CLIMATÉRICAS HIPERTENSAS
não naquelas em que o uso de estrogênio está associado à progesterona. Por ser um derivado progestínico,
esse resultado também poderia ser aplicado à terapia
com drospirenona46.
Em estudo clínico randomizado com 40 mulheres
na pós-menopausa, os efeitos do tratamento oral de
baixa dose nas pacientes submetidas à terapêutica com
estradiol 300μcg nasal e DRPS 2mg foram favoráveis nos
níveis de PCR ultrassensível. As concentrações circulantes de PCR diminuíram nos primeiros 2 meses e mantiveram-se estáveis ao final de 4 meses de tratamento hormonal, resultados concordantes com este estudo45.
Portanto, o tratamento hormonal com a drospirenona representa nova opção terapêutica, pois além
dos benefícios no controle dos sintomas climatéricos,
reforça ainda as propriedades antagonistas da aldosterona que podem contrabalançar a possível retenção
hídrica. As características desse tipo de tratamento
demonstram benefícios para o sistema cardiovascular
e redução de riscos para as mulheres em TRH.
O esquema drospirenona + estradiol, por apresentar eficácia semelhante às terapias hormonais tradicionais, com o benefício adicional de menor retenção
de líquido, pode ser considerada uma importante alternativa principalmente em mulheres com predisposição
ao ganho de peso e à elevação da pressão arterial.
A importância dos marcadores biológicos, a
inclusão da dosagem de PCR e homocisteína na avaliação de mulheres climatéricas hipertensas são cada vez
mais importantes para a identificação precoce do risco
cardiovascular.
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Rev Pesq Saúde, 13(2): 26-31, maio-agost, 2012
31
Artigo Original / Original Article
ISSN-2179-6238
MORTALIDADE NEONATAL EM LOCALIDADE DO NORDESTE DO BRASIL
NEONATAL MORTALITY IN REGION OF NORTHWEST OF BRAZIL
Valdinar Sousa Ribeiro1, Flávia Baluz Bezerra de Farias2, Alcione Miranda dos Santos3, Antonio Augusto Moura da Silva3, Liberata Campos Coimbra4, Arlene
de Jesus Mendes Caldas4, Heloisa Bettiol5
Resumo
Introdução: O Maranhão apresenta alta taxa de mortalidade neonatal. Há necessidade de produção de informações confiáveis para
orientar gestores de saúde no planejamento, controle e avaliação dos programas e serviços de saúde. Objetivo: Descrever e analisar
indicadores relacionados à mortalidade neonatal em cidades do Maranhão em 2005. Métodos: Estudo descritivo em amostra de
106 óbitos onde se avaliou indicadores socioeconômicos, biológicos e de assistência à saúde. A causa básica foi corrigida e classificada segundo critérios de evitabilidade. Estimou-se a cobertura dos registros de óbitos através da razão entre óbitos informados
pelo SIM (Sistema de Informação de Mortalidade) e estimados a partir de dados oficiais e multiplicado por 100, cuja diferença definiu
o sub-registro. Resultados: O sub-registro para óbitos variou entre 26% e 72%. As causas de óbitos mais frequentes relacionaram-se
a gestação de curta duração e baixo peso ao nascer (41,5%), asfixia (19,8%), septicemia (18%) e pré-eclampsia (10,3%). A maioria dos
óbitos seria evitável por adequada atenção à mulher na gestação (41,5%), ao parto (19,8%) ou ao recém-nascido (18%). Conclusão:
Óbitos evitáveis, sub-registro e situação socioeconômica podem ter influenciado o perfil da mortalidade neonatal.
Palavras-chave: Mortalidade neonatal (saúde pública). Registros de mortalidade. Coeficiente de mortalidade. Assistência pré-natal.
Abstract
Introduction: Maranhão has high neonatal mortality rate. It's necessary to produce reliable information to guide healthcare managers in planning, control and evaluation of health programs and services. Objective: To describe and analyze indicators of neonatal mortality in cities of Maranhão in 2005. Methods: Descriptive study in a sample of 106 deaths in which we evaluated socioeconomic, biological and healthcare indicators. The root cause has been corrected and classified according tocriteria of avoidability. We
estimated the coverage of the death records through the ratio of deaths reported by the SIM and estimated from official data, multiplied by 100, which difference defined the underreporting. Results: The sub-registry for deaths ranged from 26% to 72%. The most
frequent causes of death were related to short-termgestation and low birth weight (41.5%), suffocation (19.8%), sepsis (18%) and
preeclampsia (10.3%). Most deaths would be preventable by adequate care for women during pregnancy (41.5%), delivery (19.8%) or
newborn (18%). Conclusions: Deaths preventable, underreporting and socioeconomic status may have influenced the profile of
neonatal mortality.
Keywords: Neonatal Mortality. Mortality Registries. Mortality Rate. Prenatal Care.
Introdução
O Brasil está inserido entre os sessenta países
selecionados pela Organização das Nações Unidas
(ONU) como prioritários para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que contemplam ações
que visam aumentar a sobrevivência infantil, cuja meta
é reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a taxa de
mortalidade de menores de cinco anos1.
A Mortalidade Neonatal (MN) no país responde
por quase 40% de todas as mortes de menores de 5
anos e por cerca de 60% de menores de 1 ano, sendo
que 50% dos óbitos ocorrem nas primeiras 24 horas de
vida. Estimativas apontam decréscimo de 45% da Mortalidade Infantil (MI) no Brasil entre 1990 (46,9 por mil)
e 2006 (24,9 por mil), associadas a avanços em questões como segurança alimentar e nutricional, saneamento básico, vacinação e modelo de atenção à saúde2.
Observam-se, contudo, desigualdades regionais,
uma vez que o Nordeste apresenta MI quase 50% maior
que a média nacional. Os Estados de Alagoas (51,9 por
mil), Maranhão (40,7 por mil) e Pernambuco (39,8 por
mil) apresentam as mais altas taxas no país, sendo que a
ocorrência desses óbitos segue padrões determinados
por renda familiar, etnia, escolaridade, entre outros,
pois se observa que as crianças pobres têm mais que o
dobro de chance de morrer, comparada com as mais
ricas; as negras têm 40% a mais de chance de óbito2.
No Maranhão fatores estruturais como saneamento, estrutura fundiária distribuição de renda e acesso aos serviços de saúde também têm retardado a
queda deste indicador3, expondo acentuadas desigualdades intra-regionais, pois o coeficiente de MI estimado
para a capital, está bem abaixo da média do Estado3,4. A
elevada prevalência de óbitos neonatais potencialmente evitáveis, como aqueles devido à prematuridade,
asfixia e infecções, entre outras, evidencia deficiências
na atenção ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido4.
1.
Docente do Departamento de Medicina III. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - UFMA.
Docente do Departamento de Saúde Pública. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA.
4.
Docente do Departamento de Enfermagem. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA.
5.
Docente do Departamento de Puericultura e Pediatria. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo - USP.
Contato: Valdinar Sousa Ribeiro. E-mail: [email protected]
2.
3.
32
Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012
Ribeiro VS, Farias FBB, SantosAM, SilvaAAM, CoimbraLC, CaldasAJM, Bettiol H
Outra importante questão a considerar é aquela
relacionada à deficiência de cobertura e qualidade dos
registros de óbitos e de nascimentos5. Estima-se que o
sub-registro de óbitos do Sistema de Informação sobre
Mortalidade (SIM) seja de 25% no país, enquanto que no
Nordeste metade dos óbitos neonatais não é identificada no SIM6. Observou-se que o percentual de adequação das informações sobre “natalidade”, “mortalidade”
e “mal definidos” nos municípios brasileiros variou de
5% no Nordeste a 63% no Sul, sendo que somente 15%
dos municípios de pequeno porte da região Nordeste
têm informações adequadas quanto à definição da
causa básica de morte7. No Maranhão o número de
óbitos de crianças de até um ano informados representa 51,5% dos casos estimados no ano de 20066.
Este estudo pretende estimar o sub-registro e
descrever características de óbitos neonatais segundo
indicadores socioeconômicos, biológicos, de assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido em algumas cidades do Maranhão em 2005, assim como classificar os óbitos segundo critérios de evitabilidade.
Método
Trata-se de estudo descritivo em que a população de referência foi definida segundo os eventos
registrados no SIM em 2005, representando um número total de 188 óbitos neonatais. Deste universo foram
localizadas por meio de busca ativa 106 famílias, distribuídos nos seguintes municípios: Caxias (40 óbitos), São José de Ribamar (12 óbitos), Bacabal (16 óbitos), Barra do Corda (MA) (28 óbitos), Presidente Dutra
(MA) (7 óbitos) e Pedreiras (MA) (3 óbitos). A escolha
dos municípios teve como critério o fato dos mesmos
apresentarem altas taxas de mortalidade neonatal,
serem de porte distinto (pequeno, médio e grande) e se
localizarem em diferentes regiões do Maranhão.
Os óbitos foram identificados em pesquisa nos
arquivos do SIM e Sistema de Informação da Atenção
Básica (SIAB), visitas aos hospitais de ocorrência e consulta aos prontuários médicos. Em seguida, identificaram-se os domicílios para entrevistas com as mães dos
falecidos, com coleta de dados sobre as circunstâncias
que envolveram o evento.
Utilizou-se como instrumento um questionário
adaptado da pesquisa “Investigação Interamericana de
Mortalidade na Infância” e do Manual de Prevenção do
Óbito Infantil do Ministério da Saúde, preenchido em
entrevista com as mães das crianças falecidas e com
base nas informações dos prontuários e dos médicos,
contendo informações detalhadas sobre todas as circunstâncias ocorridas do adoecimento até o óbito –
“autópsia verbal”.
As entrevistas esclareceram alguns aspectos
sociais dos pais como idade, escolaridade, ocupação,
estado civil, renda; história reprodutiva e obstétrica
materna como número de gestações, abortos, partos
normais e partos cesarianas; dados do atendimento
pré-natal, parto e recém-nascido como realização do
pré-natal e fatores de risco gestacional, intercorrências
clínicas ocorridas no parto, local do nascimento, local
do óbito, prematuridade (idade gestacional menor que
37 semanas), baixo peso ao nascer (peso menor que
2500g) e intercorrências clínicas com o recém-nascido.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012
A ocupação foi definida de acordo com a classificação nacional de atividades econômicas proposta pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)8
adaptada ao estudo nas seguintes classes: desocupados, serviço doméstico, agricultura, pesca, indústrias
extrativas e de transformação, comércio, transporte,
educação, saúde, serviços sociais e outras atividades.
Investigou-se nos prontuários causa da internação, história e exame clínico, exames laboratoriais
realizados, evolução hospitalar, tratamento utilizado e
causa provável do óbito. Em cada município foram
treinadas duas pessoas para coleta de dados, sendo
um profissional de nível superior (medicina ou enfermagem) e um profissional de nível médio, além de
estudantes de enfermagem.
A tabulação e a seleção da causa básica do óbito
foi feita por dois pediatras do grupo de pesquisa, baseadas nas informações acima, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificação da mortalidade infantil, de forma independente em todos os óbitos para checagem da concordância
inter-observador. A causa básica do óbito foi tabulada
de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, 10a revisão (CID-10).
A causa básica, corrigida pela pesquisa documental e entrevistas, foi classificada de acordo com
critérios que possibilitam esclarecer padrões de evitabilidade dos óbitos. Utilizou-se a lista de causas de
morte evitáveis por intervenções no âmbito do Sistema
Único de Saúde do Brasil, que considera: causas evitáveis reduzíveis por ações de imunoprevenção; por
adequada atenção à mulher na gestação e parto e ao
recém-nascido; por ações adequadas de diagnóstico e
tratamento; por ações adequadas de promoção à saúde, vinculadas a ações adequadas de atenção à saúde9.
Para o cálculo do Coeficiente de Mortalidade
Iinfantil (CMI) foram utilizados os seguintes dados ano
de 2005: nascimentos informados pelo Sistema de
Informações de Nascidos Vivos (SINASC), nascimentos
estimados pelo IBGE, óbitos infantis informados pela
SIM, óbitos estimados pelo IBGE. Em seguida, foram
identificados os óbitos neonatais informados pelo SIM
e estimados de acordo com dados do IBGE.
Para estimar o sub-registro de óbitos, inicialmente foi calculado o sub-registro do SINASC com base
na população estimado pelo IBGE para menores de 1
ano. Partiu-se das estimativas indiretas do coeficiente
de mortalidade infantil feita por Simões para os anos
de 1989, 1990, 1994 e 1998 para definição da estimativa dos óbitos esperados para cada município10. O CMI
para o ano de 2005 foi estimado por regressão linear a
partir dos coeficientes acima, aplicando-se redutor de
30%, considerando que a queda da mortalidade infantil
acelerou-se recentemente (redutor calculado com base
na queda observada no CMI do Estado estimado por
regressão linear a partir de CMI de 1997 a 2004, calculado pelo método indireto)11.
Considerando os óbitos neonatais informados
pelo SIM e estimados a partir de dados do IBGE para
cada cidade estudada, foi calculada a razão entre tais
óbitos e multiplicada por 100 para identificação da
cobertura de registro. Conforme os valores de cobertura obteve-se a diferença destes percentuais para definição do sub-registro de óbitos6. Assumiu-se que o sub-
33
MORTALIDADE NEONATAL EM LOCALIDADE DO NORDESTE DO BRASIL
registro de óbitos neonatais é igual ao de óbitos infantis. Para o processamento de dados foi utilizado o programa Epi-Info® o CDC®, de Atlanta, EUA, versão 6.04b.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa, proc. nº 332/2004 do Hospital Universitário
da Universidade Federal do Maranhão – HUUFMA, e a
aplicação do questionário foi realizada após autorização das mães mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Resultados
Estudaram-se 106 óbitos, correspondendo a
56,4% dos óbitos registrados no SIM para o conjunto das
cidades em 2005. O sub-registro para óbitos neonatais
variou entre 26% em Caxias e 72% em Pedreiras. O CMI
observado no SIM variou entre 10,8 por mil em Pedreiras
e 30,0 por mil em Barra do Corda (MA) (Tabela 1).
Tabela 1 - Nascidos vivos, cobertura de nascimentos, óbitos
infantis e neonatais, cobertura e sub-registro de óbitos e
coeficiente de mortalidade infantil. Maranhão, 2007.
Nascimentos infantis
Municípios
Estima- CoberSINASC
dos (1) tura (2)
Óbitos infantis
CMI
Óbitos neonatais
SubInforEstim- CoberEstima- Subregis- mados
ados (4) tura (5)
dos (8) registro
tro (6)
(7)
SIM
Estimados (3)
SIM
2234 2264 99
56
96
26
58
45
55
25,1 42,5
41
Barra do
1833 1897 97
Corda
55
85
37
51
73
27
30,0 44,6
33
Caxias
87
166
74
100
74
26
27,8 50,1
45
Pedreiras 926 879 105
10
42
7
25
28
72
10,8 47,5
77
Presiden865 857 100
te Dutra
22
39
12
23
51
49
25,4 45,6
44
São José
2128 2996 71
de
Ribamar
46
81
32
48
66
34
21,6 26,9
20
-
-
Bacabal
Total
3134 3319 94
11120 12212
-
276 509 188 305
-
-
-
Nota: (1) População de menores de 1 ano estimada de acordo com dados do IBGE;
(2) Cobertura de registro de nascimentos definida conforme o calculo de razão
entre os nascidos vivos informados pelo SIM e estimados de acordo com dados do
IBGE; (3) Óbitos infantis estimados de acordo com dados do IBGE; (4) Óbitos
neonatais estimados de acordo com dados do IBGE; (5) Cobertura de registro de
óbitos definida conforme o calculo de razão entre os óbitos neonatais informados
pelo SIM e estimados de acordo com dados do IBGE; (6) Sub-registro correspondendo à diferença dos valores encontrados para cobertura de registro de óbitos;
(7) Coeficiente de mortalidade infantil por mil nascidos vivos, segundo dados
informados pelo SIM e SINASC; (8) Coeficiente de mortalidade infantil por mil
nascidos vivos, segundo dados estimados de acordo com dados do IBGE.
Observou-se no estudo que 2/3 das mães tinha
idade entre 19 e 35 anos, e que 1/5 tinha idade igual ou
menor que 18 anos. A frequência de gestações foi alta,
sendo 58,5% acima de duas gestações e aproximadamente 22% das mães tinham história de natimorto prévio. Cerca de 20% eram solteiras, enquanto que 44,4%
viviam em união estável. Mais da metade das mães
tinha apenas o ensino fundamental e somente 2,8%
com ensino superior. Cerca de 50% das famílias possuíam renda familiar menor que um salário mínimo,
sendo que em 15,1% o chefe da família estava desempregado e em 13,2% a mãe era a chefe da família. Na
maioria dos casos a mãe era do lar (47,2%) e em 20,7%
era empregada doméstica. Em relação ao pai, 37,8%
estavam sem emprego e entre os empregados as ocupações mais freqüentes (29,2%) eram relacionadas à
agricultura, pesca e indústria extrativista e de transformação (Tabela 2).
34
Tabela 2 - Fatores socioeconômicos, demográficos e reprodutivos em casos de óbitos neonatais. Maranhão, 2007.
Variável
n
Idade da mãe em anos (Méd=22,7; DP=±5,3)
≤ 18
22
19-35
79
>35
1
Ignorado
4
Número de gestações (Méd=2,6; DP=±2,1)
1
34
2-3
40
≥4
22
Ignorado
10
Natimortos (Méd=0,3; DP=±0,7)
Nenhum
73
1
20
≥2
3
Ignorados
10
Estado civil
Solteira
22
Casada
25
União estável
47
Ignorado
12
Escolaridade da mãe
Analfabeta ou alfabetizada
5
Ensino fundamental
60
Ensino médio
34
Ensino superior
3
Ignorado
4
Ocupação da mãe
Do lar
50
Serviços domésticos
22
Agricultura, pesca, indústrias extrativa e de
11
transformação
Comércio e transporte
6
Educação, Saúde e Serviços Sociais
5
Outras atividades
12
Ocupação do pai
Desocupados
40
Agricultura, pesca, indústrias extrativa e de
31
transformação
Comércio e transporte
14
Educação, Saúde e Serviços Sociais
2
Outras atividades
19
Renda familiar < 1 salário mínimo
Sim
54
Não
43
Ignorado
9
Chefe da família
Pai
59
Mãe
14
Outros
25
Ignorado
8
Chefe da família desempregado
Sim
16
Não
82
Ignorado
8
Total
106
%
20,8
74,5
0,9
3,7
32,1
37,7
20,8
9,4
68,9
18,9
2,8
9,4
20,7
23,6
44,4
11,3
4,7
56,6
32,1
2,8
3,8
47,2
20,7
10,4
5,7
4,7
11,3
37,8
29,2
13,2
1,9
17,9
50,9
40,6
8,5
55,7
13,2
23,6
7,5
15,1
77,4
7,5
100,0
Quanto aos fatores relacionados à mãe, à criança, ao pré-natal e ao parto, as maiores freqüências
foram ocorrência do óbito no 1° dia de vida (57,6%),
Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012
Ribeiro VS, Farias FBB, SantosAM, SilvaAAM, CoimbraLC, CaldasAJM, Bettiol H
Tabela 3 - Características do recém-nascido, da assistência ao
pré-natal e ao parto e hábitos de vida em casos de óbitos
neonatais. Maranhão, 2007.
Variável
Sexo do neonato
Masculino
Feminino
Idade gestacional ao nascer
< 37 semanas
≥ 37 semanas
Ignorado
Peso ao nascer (Méd=1967; DP=±875,9)
<1250 g
1250 a 2500 g
>2500 g
Ignorado
Idade em dias na ocasião do óbito
(Méd=3,1; DP=±4,8)
≤1
2a6
≥7
Realização do pré-natal
Sim
Não
Ignorado
Início do pré-natal por trimestre
Primeiro
Segundo
Terceiro
Local do pré-natal
Centro de Saúde
Programa Saúde da Família
Consultório médico
Fatores de risco na gestação
Hipertensão e edema
Sangramento vaginal
Anemia
Desnutrição
Diabetes
Ignorado
Local de nascimento
Hospital
Residência
Ignorado
Profissional que atendeu a criança no
nascimento
Médico
Enfermeiro
Outros
Ignorado
Tipo de parto
Vaginal
Cesárea
Ignorado
Total
n
%
Causas básicas originais
61
45
n
57,5
42,5
74
23
9
69,8
21,7
8,5
17
54
30
5
16,0
51,0
28,3
4,7
61
30
15
57,6
28,3
14,1
85
8
13
80,2
7,5
12,3
56
28
1
65,9
32,9
1,2
45
26
14
52,9
30,6
16,5
32
15
9
6
1
43
30,2
14,1
8,5
5,7
0,9
40,6
Transtornos relacionados
com gestação de curta
duração e baixo peso ao
nascer
Insuficiência respiratória do
RN
Angustia respiratória do RN
Outras afecções originadas
no período perinatal
Septicemia bacteriana não
especificada
Asfixia ao nascer, não
especificada
Asfixia ao nascer, não
especificada
Insuficiência respiratória do
RN
Transtornos relacionados
com gestação de curta
duração e baixo peso ao
nascer
Disritmia cardíaca
Angustia respiratória do RN
Septicemia bacteriana não
especificada
Malformação não
especificada do coração
Septicemia bacteriana não
especificada
Transtornos relacionados
com gestação de curta
duração e baixo peso ao
nascer
Malformação não
especificada do coração
Asfixia grave ao nascer
96
2
8
90,6
1,9
7,5
78
14
5
9
73,6
13,2
4,7
8,5
73
26
7
106
68,9
24,5
6,6
100,0
sendo 85,9% até o 7° dia; sexo masculino (57,5%), idade
gestacional inferior a 37 semanas (69,8%), baixo peso
(67%), sendo que 16% com peso abaixo de 1250g. O
atendimento pré-natal ocorreu em 80,2% dos casos,
com 2/3 iniciando as consultas no primeiro trimestre,
sendo mais da metade realizado em Centros de Saúde.
As situações de risco mais freqüentes foram hiperten-
Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012
Tabela 4 - Causa básica do óbito neonatal registrada na
declaração de óbito original e corrigida após entrevista com
familiares e pesquisa em prontuários em cidades do
Maranhão em 2005.
Transtornos relacionados
com gestação de curta
duração e baixo peso ao
nascer
Septicemia bacteriana não
especificada
Angustia respiratória do RN
Outras afecções originadas
no período perinatal
Hipóxia intra-uterina não
especificada
Malformações congênitas não
especificadas
Malformação não
especificada do coração
Hidrocefalia congênita não
especificada
Espinha bífida
Transtornos relacionados
com gestação de curta
duração e baixo peso ao
nascer
Insuficiência respiratória do
RN
Total
28
8
%
Causas
básicas
corrigidas
Transtornos
relacionados
com gestação
27,4 de curta
duração e
baixo peso ao
nascer (P07)
n
%
44 41,5
7,5
4
3,8
2
1,9
1
0,9
1
0,9
4
3,8
8
7,5
4
3,8
2
1
1,9
0,9
1
0,9
1
0,9
12
11,3
5
4,7
1
0,9
4
3,8
3
2,8
1
0,9
Asfixia ao
nascer, não
especificada
(P21)
21 19,8
Septicemia
bacteriana não
especificada
(P36.9)
19 18,0
Pré-eclampsia
não
especificada
(O14.9)
11 10,3
1
0,9
1
0,9
1
0,9
5
Malformações
congênitas,
deformidades e
4,7
anomalias
cromossômicas
(Q00-Q99)
1
0,9
1
0,9
1
0,9
1
0,9
1
0,9
Descolamento
prematuro de
placenta
(P02.1)
106 100,0 Total
9
8,5
2
1,9
106 100,0
35
MORTALIDADE NEONATAL EM LOCALIDADE DO NORDESTE DO BRASIL
Tabela 5 - Óbitos neonatais segundo critérios de evitabilidade
por intervenções no âmbito do SUS. Maranhão, 2007.
Critérios de evitabilidade SUS
Causas evitáveis reduzíveis por ações de
imunoprevenção
Causas evitáveis reduzíveis por adequada
atenção à mulher na gestação e parto e ao
recém-nascido
n
%
-
-
90
84,9
Reduzíveis por adequada atenção à mulher na
gestação
40
37,7
Reduzíveis por adequada atenção à mulher no
parto
30
28,3
Reduzíveis por adequada atenção ao recémnascido
20
18,9
Causas evitáveis reduzíveis por ações
adequadas de diagnóstico e tratamento
09
8,5
Causas evitáveis reduzíveis por ações
adequadas de promoção à saúde, vinculadas a
ações adequadas de atenção à saúde
Causas de morte mal definidas
Demais causas (não claramente evitáveis)
Total
-
-
07
6,6
106 100,0
são e edema (30,2%). Os partos foram hospitalares em
aproximadamente 91% dos casos, sendo cesarianas em
24,5%. O recém-nascido foi atendido predominantemente em 74% por médicos (Tabela 3).
Em relação à causa básica dos óbitos constantes
nas declarações, 52,8% foram reclassificadas. Os transtornos relacionados com gestação de curta duração e
baixo peso ao nascer (41,5%), asfixia ao nascer não especificada (19,8%), septicemia bacteriana não especificada
(18%) e pré-eclampsia não especificada (10,3%) foram as
mais freqüentes após a investigação (Tabela 4).
A classificação dos óbitos segundo critérios de
evitabilidade por intervenções do Sistema Único de Saúde
revelou que 79,3% dos óbitos seriam evitáveis, quer por
adequada atenção à mulher na gestação (41,5%), ao
parto (19,8%) ou ao recém-nascido (18,0%). As demais
causas (não claramente evitáveis), que incluem as malformações congênitas, representaram 20,7% (Tabela 5).
Discussão
No estudo observou-se elevado sub-registro de
informações e concentração de óbitos no período neonatal precoce, assim como presença de algumas variáveis: nível socioeconômico, onde se destaca as baixas
renda e escolaridade, o tipo de ocupação da mãe e do
pai; fatores biológicos, como a gravidez na adolescência, intercorrências obstétricas, recém-nascidos prematuros e com baixo peso; e questões ligadas ao acesso e qualidade dos serviços de saúde.
Entre as contribuições proporcionadas por esta
pesquisa, ressalta-se o resgate de informações omissas nos prontuários, a estimativa do sub-registro de
óbitos neonatais, a produção de informações úteis para
melhorar a qualidade da assistência médica e do registro de óbitos e a utilização da recém criada lista de causas de mortes evitáveis por intervenções do Sistema
Único de Saúde do Brasil.
Entre as limitações deste estudo, ressalta-se a
não identificação de todos os óbitos ocorridos, por
impossibilidade de acesso a zonas rurais, por impreci-
36
são do endereço nos registros vitais e pela freqüente
migração para outros municípios. A omissão de registros nos prontuários médicos, importantes para a qualidade do atendimento e para a memória dos serviços,
fez com que a maioria das informações se originasse
das mães. A ausência de grupo controle limita algumas
avaliações.
A maior ocorrência de sub-registro foi nas cidades menos desenvolvidas. Este fato vem sendo observado desde o final dos anos 90, quando aproximadamente 60% da população do Maranhão apresentavam
grande deficiência na cobertura das informações de
mortalidade12, situação semelhante à descrita para a
Região Nordeste, pois em 2002 somente 15% dos municípios de pequeno porte desta região apresentavam
informações adequadas quanto à definição da causa
básica de morte7.
O sub-registro de óbitos diz respeito à ocorrência de sepultamentos sem a exigência da certidão, ocorrendo predominantemente no meio rural, em cemitérios clandestinos, geralmente associado à pobreza13,
que costuma ser mais expressiva nas pequenas cidades, ou quando o óbito ocorre antes do registro de nascimento14. Outra explicação pode ser a cobertura insuficiente da assistência médica, que dificulta a emissão
da declaração de óbito pelas instituições de saúde. O
alto sub-registro pode ainda ser reflexo de diferenças
na percepção da viabilidade fetal, considerando nascidos vivos como natimortos, como era comumente
observado na capital do estado na década passada3.
Além do sub-registro, a melhora da qualidade
das informações das estatísticas vitais é fator indispensável no processo de redução da mortalidade infantil15,
pois expõe a realidade, identifica regiões que devem
ser alvo de intervenções16 e legitimam as políticas de
saúde14. Além da imprecisão da causa básica do óbito,
observou-se inadequação do registro do peso de nascimento, dificultando o conhecimento da realidade das
taxas de mortalidade por faixa de peso.
A grande maioria dos óbitos ocorreu no período
neonatal precoce, em especial no primeiro dia de vida,
assim como visto em outros estudos4, contudo, esta
concentração de óbitos é 2,4 vezes maior que o observado na região Sul, sendo que a região Nordeste apresenta mortalidade infantil 50% superior em relação à
média nacional2.
A elevada frequência de gravidez na adolescência possivelmente contribui para ocorrência de prematuridade, baixo peso e restrição do crescimento intrauterino17, indicando que os programas de controle de
gravidez não programada na adolescência, apesar da
sua eficácia18, podem não estar sendo implementados
adequadamente.
A baixa renda e escolaridade observadas em mais
da metade das mães são fatores que dificultam que
estas identifiquem situações de perigo para saúde
materno-infantil, tais como estado nutricional deficiente e antecedente de aborto ou natimorto19. Esta situação,
acrescida da não identificação pela equipe de saúde de
gravidez de risco, impede que fetos sejam resgatados
vivos do útero materno e adequadamente tratados.
A elevada frequência de óbitos potencialmente
evitáveis, como aqueles relacionados aos transtornos
da gestação de curta duração e baixo peso, à asfixia e à
Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012
Ribeiro VS, Farias FBB, SantosAM, SilvaAAM, CoimbraLC, CaldasAJM, Bettiol H
pré-eclampsia indicam falha na atenção ao pré-natal,
ao parto e ao recém-nascido3. De fato, observou-se a
presença de situações de risco no pré-natal, como
edema e hipertensão, anemia e desnutrição. A experiência de países desenvolvidos mostra que tanto a
redução das taxas de mortalidade quanto a prevenção
de sequelas nos recém-nascidos depende do pronto
reconhecimento dos seus riscos e do acesso oportuno a
serviços de saúde regionalizados e qualificados em
todos os níveis de assistência20.
A elevada frequência da adesão materna ao prénatal observada, apesar do início tardio em um terço
dos casos, está em contraposição ao descrito para
mães de baixa escolaridade21. Em um contexto de elevada frequência de óbitos evitáveis, coloca em dúvida a
qualidade com que o pré-natal é realizado22. Em países
em desenvolvimento, a redução da mortalidade neonatal tem sido atribuída ao melhor acesso aos serviços de
saúde, ao aumento da saúde materna e do desenvolvimento fetal e ao incremento de práticas obstétricas que
resultam em maior precisão na determinação da idade
gestacional, assim como no uso de surfactante na síndrome de angústia respiratória do recém-nascido23,
situações que, apesar de não especificamente investigadas, podem estar distantes da população estudada.
Conclui-se que a ocorrência de óbitos potencialmente evitáveis, a precária situação socioeconômica e
o elevado sub-registro de óbitos podem influenciar a
magnitude e o perfil das taxas de mortalidade e sugerem deficiências de estrutura, processo e iniquidade na
assistência ao recém-nascido.
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Rev Pesq Saúde, 13(2): 32-37, maio-agost, 2012
37
Artigo Original / Original Article
ISSN-2179-6238
INDICADORES OPERACIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA EM SÃO LUÍS, MARANHÃO
OPERATIONAL INDICATORS OF PRIMARY CARE IN SÃO LUIS, MARANHÃO
Liberata Campos Coimbra1, Odineilce Sampaio Pereira2, Maria Lúcia Holanda Lopes3, Lena Maria Barros Fonseca4, Monyk Neves de Alencar5 e Maria Ieda
Gomes Vanderlei6
Resumo
Introdução: Os indicadores apresentam informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões, bem como do
desempenho do sistema de saúde. Objetivo: Analisar a situação dos indicadores operacionais da Atenção Básica através do
Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB, em São Luís, Maranhão no ano de 2009. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa. Os instrumentos utilizados foram o consolidado das famílias cadastradas e a série histórica das
informações de saúde da área geral da equipe da Estratégia Saúde da Família. Resultados: Das 40.059 famílias cadastradas, 90%
utilizavam o método da filtração para tratamento da água, 77,3% do abastecimento de água era realizado pela rede pública,
91,8% moravam em casa de tijolo e 80,7% tinham o lixo coletado pela rede pública. Para o destino dos dejetos, 66,3% utilizavam a
fossa e apenas 22,9% tinham acesso ao sistema de esgoto. O percentual de nascidos vivos com baixo peso ao nascer foi de 7,1%.
Dentre as crianças de 0 a 3 meses e 29 dias, 81,1% estavam em aleitamento materno exclusivo. Quanto às gestantes cadastradas,
99% estavam sendo acompanhadas, 96,3% tiveram vacinação em dia e 87,8% iniciaram o pré-natal no 1° trimestre. Os indicadores
de acompanhamento das doenças crônicas informaram que 97,7% dos diabéticos e 98,1% dos hipertensos cadastrados estavam
sendo acompanhados. Conclusão: Os indicadores operacionais da atenção básica permitem a observação da capacidade do
serviço em dar cobertura à população, podendo relacionar o cadastramento e o acompanhamento dos usuários.
Palavras-chave: Atenção Básica. Indicadores Operacionais. Sistema de Informação.
Abstract
Introduction: The indicators have relevant information about certain attributes and dimensions, as well as the performance of
the health system. Objective: To analyze the situation of operational indicators of Primary Health Care through Primary Health
Care Information System in São Luís, Maranhão in 2009. Methods: This was a descriptive study, a quantitative approach. The
instruments used were the consolidated of the registered families and of the historical series of health information in the general
area of the team of the Family Health Strategy. Results: 90% of the 40059 families enrolled used the method of filtration for water
treatment, 77.3% of the water supply was held by the public service, 91.8% lived in the brick home and 80.7% had garbage collected by the public service. For the destination of dejections, 66.3% used the pit and only 22.9% had access to the sewer system.
The percentage of live born with low birth weight was 7.1%. Among children from 0 to 3 months and 29 days, 81.1% were exclusively breast fed. As for pregnant women enrolled, 99% were being followed up, 96.3% had vaccination days and 87.8% began
prenatal care in the 1st trimester. The monitoring indicators of chronic diseases reported that 97.7% of diabetics and 98.1% of
the patients enrolled were being followed. Conclusion: Primary Health Care operating indicators allow the observation of the
capacity of the Department, providing coverage to the population, and may relate to the registration and monitoring of users.
Keywords: Primary Care. Operating Indicators. Information System.
Introdução
A Atenção Primária à Saúde (APS) caracteriza-se
por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção
da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o
tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a
manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver
uma atenção integral que impacte na situação de saúde
e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades1.
No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) utiliza o
termo Atenção Básica (AB) para designar a atenção primária e apresenta-se como reflexo da necessidade de
diferenciação entre a proposta da saúde da família e a
dos “cuidados primários de saúde”, interpretados como
política de focalização e atenção primitiva à saúde2.
Nesta perspectiva a AB tem a Saúde da Família como
estratégia prioritária para sua organização de acordo
com os preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS)3.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi criada
pelo MS em 1994. No entanto, é a partir de 1998 que o
programa se consolida como estratégia estruturante
de um modelo de atenção à saúde que priorize ações
pautadas nos princípios da territorialização, da intersetorialidade, da descentralização, da corresponsabilização e da equidade, priorizando grupos populacionais com maior risco de adoecer ou morrer4,5.
Tendo como eixo central o fortalecimento da
Atenção Básica, a ESF foi pensada como mecanismo de
rompimento do comportamento passivo das Unidades
Básicas de Saúde (UBS), entendendo o indivíduo como
1.
Doutora em Políticas Públicas. Docente do Departamento de Enfermagem. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Graduanda do Curso de Enfermagem - UFMA.
3.
Mestre em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem - UFMA.
4.
Doutora em Biotecnologia. Docente do Departamento de Enfermagem - UFMA.
5.
Mestre em Saúde Coletiva - UFMA.
6.
Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Departamento de Saúde Pública - UFMA.
Contato: Liberata Campos Coimbra. E-mail: [email protected]
2.
38
Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012
CoimbraLC, PereiraOS, LopesMLH, FonsecaLMB, AlencarMN, VanderleiMIG
singular e como parte integrante de um contexto mais
amplo que é a família e a comunidade6,7.
Visando à operacionalização da Atenção Básica,
definem-se como áreas estratégicas para atuação em
todo o território nacional programas prioritários de
atuação: a eliminação da hanseníase, o controle da
tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição
infantil, a saúde da criança, a saúde da mulher, a saúde
do idoso e a promoção da saúde3.
A atuação da ESF pode ser avaliada através dos
indicadores operacionais da AB, a partir da disponibilidade de informação apoiada em dados validos e confiáveis e condição essencial para a análise objetiva da
situação sanitária, assim como para a tomada de decisões baseadas em evidências e para a programação de
ações de saúde8.
A qualidade de um indicador depende de diversos componentes utilizados na sua construção, tais
como: frequência de casos, tamanho da população em
risco e também da qualidade do sistema de informação
utilizado9.
Indicadores são medidas síntese que apresentam informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do
desempenho do sistema de saúde. Vistos em conjunto,
devem refletir a situação sanitária de uma população e
servir para a vigilância das condições de saúde. A construção de um indicador é um processo complexo e sua
complexidade pode variar desde a simples contagem
direta de casos de determinada doença, até o cálculo
de proporções, razões, taxas ou índices mais sofisticados, como a esperança de vida ao nascer10.
O Sistema de Informação da Atenção Básica –
SIAB constitui-se em um dos principais instrumentos
nacionais de monitoramento e avaliação dos indicadores operacionais da AB. Os dados consolidados pelas
secretarias municipais, diretorias regionais e secretaria
estadual são resultado do trabalho das equipes da ESF11.
Avaliar a qualidade dos serviços, destacando a
importância da utilização dos indicadores neste processo, constitui-se uma prioridade no atual momento
de expansão e consolidação da ESF. Portanto, este estudo tem como objetivo analisar os indicadores operacionais da atenção básica no município de São Luís (MA).
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem
quantitativa que analisou os indicadores operacionais
da atenção básica utilizando dados secundários, obtidos nos relatórios de consolidação de dados e série
histórica. Esse estudo faz parte de um projeto de pesquisa intitulado “Avaliação de qualidade dos serviços
da atenção básica do sistema único de saúde no município de São Luis, Maranhão”.
A pesquisa foi realizada de agosto de 2011 a
agosto de 2012, no município de São Luís - MA, e a
coleta de dados foi realizada a partir do banco de
dados do SIAB do ano de 2009, disponível na Secretaria
Estadual de Saúde.
Os instrumentos de análise foram os relatórios
de consolidados das famílias, usados para avaliar as
características cadastrais das áreas, os aspectos socioeconômicos e a série histórica SSA2 que contém infor-
Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012
mações sobre famílias cadastradas e acompanhadas.
As variáveis estudadas foram: tipo de tratamento de água no domicílio, tipo de abastecimento de
água, tipo de casa, tipo de destino do lixo, destino das
fezes e urina e se possui energia elétrica. Foi realizada
também a análise de indicadores operacionais relacionados à saúde da criança (peso ao nascer, aleitamento
materno, vacinação e desnutrição), gestantes (acompanhamento, vacinação, número de consultas prénatal) e portadores de condições crônicas (diabetes,
hipertensão e tuberculose).
A Pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal do Maranhão sob o
protocolo de número 2311500 8870/2009-76, respeitando-se os princípios éticos e legais da Resolução Nº
196/96 e suas complementares.
Foi realizada uma análise descritiva dos dados
referentes aos indicadores estudados, que se apresentam em forma de tabelas de distribuição de frequência
simples e porcentagens.
Resultados
Dentre as 40.059 famílias cadastradas, 36.512
realizavam algum tipo de tratamento da água no domicílio. Este tratamento consistia para 89,9% das famílias
em utilização do método da filtração, 0,8% realizava
fervura, 0,4% utilizava o método da cloração. Para
77,3% das famílias cadastradas o abastecidas de água
se dava pela rede pública. Em relação ao tipo de casa,
91,8% moram em casa de alvenaria (tijolo); 2,1%
moram em casa de taipa (pau-a-pique), com reboco
(revestimento); 5,9% moravam em casa de taipa sem
Tabela 1 - Indicadores socioeconômicos das famílias cadastradas na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012.
Indicadores
Tratamento da água no
domicílio
Por filtração
Por fervura
Por cloração
Sem tratamento
Abastecimento de água
Em rede pública
Em poço ou nascente
Outros
Tipo de casa
Tijolo / Adobe
Taipa revestida
Taipa não revestida
Madeira
Material aproveitado
Outros
Destino do lixo
Coleta pública
Queimado/enterrado
Céu aberto
Destino de fezes e urina
Sistema de esgoto
Fossa
Céu aberto
Energia elétrica
N
n
%
40.059 36.015
40.059
340
40.059
157
40.059
3.547
89,9
0,8
0,4
8,8
40.059 30.984
40.059
6.538
40.059
2.537
77,3
16,3
6,3
40.059 36.771
40.059
840
40.059
2.374
40.059
39
40.059
22
40.059
13
91,8
2,1
5,9
0,1
0,05
0,03
40.059 32.348
40.059
3.411
40.059
4.300
80,7
8,5
10,7
40.059
9.187
40.059 26.577
40.059
4.295
40.059 39.111
22,9
66,3
10,7
97,6
Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009.
39
INDICADORES OPERACIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA EM SÃO LUÍS, MARANHÃO
Tabela 2 - Indicadores operacionais da Atenção Básica relacionados ao acompanhamento das crianças atendidas na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012.
Indicadores
Nascidos vivos pesados ao nascer
Nascidos vivos com peso menor que
2,5Kg
Crianças de 0 a 3 meses e 29 dias só
mamando no peito
Crianças de 0 a 3 meses e 29 dias em
aleitamento misto
Crianças de 0 a 11 meses e 29 dias
com vacinas em dia
Crianças de 0 a 11 meses e 29 dias
pesadas
Crianças de 0 a 11 meses e 29 dias
desnutridas
Crianças de 12 a 23 meses e 29 dias
com vacinas em dia
Crianças de 12 a 23 meses e 29 dias
pesadas
Crianças de 12 a 23 meses e 29 dias
desnutridas
N
799
n
796
%
99,6
799
57
7,2
318
258
81,1
318
58
18,2
1.364 1.277
93,6
1.364 1.193
87,5
1.364
07
0,6
1.631 1.547
94,8
1.631 1.397
85,6
1.631
11
0,8
de crianças de (0 - 11meses e 29 dias) foi de 1.364,
93,7% estavam com as vacinas em dia. 87,4% das crianças foram pesadas e 0,6% estavam desnutridas. O
número de crianças de (12 - 23 meses e 29 dias) foi de
1.631, destas 94,8% estavam com vacinas em dia.
Nesta faixa etária 85,6% foram pesadas e 0,8% estavam
desnutridas (Tabela 2).
Os indicadores das gestantes revelaram que
haviam 408 cadastradas, dentre estas 22,1% eram menores de 20 anos, 98,8% foram acompanhadas durante a
gravidez, 96,3% tiveram vacinação em dia e 75,9% iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre (Tabela 3).
Os indicadores de acompanhamento das doenças crônicas mostram que haviam 1.500 diabéticos
cadastrados, com um percentual de acompanhados de
97,7%. O número de hipertensos cadastrados foi de
4.260 e o percentual de hipertensos acompanhados foi
de 98,1%. O número de pessoas com tuberculose
cadastradas e acompanhadas foi de 100%. O número
de pessoas com hanseníase cadastradas foi de 59 e o
percentual acompanhadas foi de 98,3% (Tabela 4).
Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009.
Discussão
Tabela 3 - Indicadores operacionais da Atenção Básica relacionados ao acompanhamento das gestantes atendidas na
Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012.
Indicadores
Gestantes cadastradas menores de 20 anos
Gestantes cadastradas e
acompanhadas
Gestantes cadastradas com vacina em dia
Gestantes cadastradas com início do
pré - natal no primeiro trimestre
N
408
n
90
%
22,1
408
403
98,8
403
388
96,3
403
306
75,9
Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009.
Tabela 4 - Indicadores operacionais da Atenção Básica relacionados ao acompanhamento das doenças crônicas atendidas
na Estratégia Saúde da Família. São Luís, MA 2012.
n
Indicadores
N
Pessoas de 20 anos e mais com
1.500 1.465
diabetes cadastradas e acompanhadas
Pessoas de 20 anos e mais com
hipertensão cadastradas e
4.260 4.181
acompanhadas
%
97,7
98,1
Pessoas de 20 anos e mais com
tuberculose cadastradas e
acompanhadas
12
12 100,0
Pessoas de 20 anos e mais com
hanseníase cadastradas e
acompanhadas
59
58
98,3
Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica 2009.
reboco. Quanto ao destino do lixo, 80,7% famílias referiram ter coleta pública. Em se tratando de destino dos
dejetos (fezes e urina), 66,3% utilizavam a fossa e apenas 22,9% tinham acesso ao sistema de esgoto. Quanto à energia elétrica, 97,6% das famílias tinham energia
elétrica em domicílio (Tabela 1).
O número de nascidos vivos no ano de 2009 foi
de 799, destes 99,6% foram pesados ao nascer, 7,2%
tinham peso menor que 2,5 kg. O número de crianças
de (0 - 3 meses e 29 dias), foi de 318, destes 81,1%
estavam em aleitamento materno exclusivo. O número
40
O método predominante para o tratamento da
água no domicílio utilizado pelas famílias foi a filtração.
O abastecimento de água pela rede pública está disponível para 77,3% das famílias. Estes dados são semelhantes ao estudo realizado por França12 no Estado do
Rio de Janeiro (RJ), onde na região Noroeste 79% das
famílias utilizavam o mesmo método de filtração e 70%
da população da região Centro Sul Fluminense era abastecida pela rede pública de abastecimento de água.
Em relação ao destino de fezes e urina, o município apresenta um percentual de cobertura baixo para o
número de famílias com sistema de esgoto. De acordo
com o relatório mundial de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2007 existiam cerca
de 1,1 bilhões de pessoas sem acesso à água segura e
2,6 bilhões sem saneamento adequado. Isso contribui
diariamente para a morte de 4.500 crianças no mundo
devido a doenças relacionadas com a falta de saneamento perfeitamente evitáveis, como a diarréia13.
São Luís (MA), apresentou em 2009 um percentual de recém-nascidos com baixo peso ao nascer de
7,2%, esse resultado é compatível com a média da
região nordeste (7,56%) e um pouco inferior a média
nacional (8,27%)14.
Neste estudo observa-se que a maioria das crianças menores de um ano apresentavam as vacinas em
dia, entretanto esse resultado está um pouco abaixo
do recomendado pelo Programa Nacional de Imunização - PNI que é de 95%14.
Com relação às gestantes cadastradas, a maioria
tinha idade maior que 20 anos, foram acompanhadas
durante a gravidez, apresentaram situação vacinal
atualizada e iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre. Segundo o MS3 no Brasil, vem ocorrendo um aumento no número de consultas de pré-natal por mulher que
realiza o parto no SUS, partindo de 1,2 consultas por
parto em 1995 para 5,45 consultas por parto em 2005.
Com o funcionamento correto da ESF e a atuação satisfatória da equipe, os agravos crônicos podem
ser controlados o que evitaria o surgimento de outras
Rev Pesq Saúde, 13(2): 38-41, maio-agost, 2012
CoimbraLC, PereiraOS, LopesMLH, FonsecaLMB, AlencarMN, VanderleiMIG
patologias decorrentes de tais agravos, minimizando
problemas.
Este estudo mostra que os indicadores operacionais permitem a observação da capacidade do serviço
em dar cobertura à população, podendo relacionar o
cadastramento e o acompanhamento dos usuários. Foi
possível observar que no ano de 2009, a maioria das
famílias cadastradas realizava tratamento de água no
domicílio através de algum método, eram abastecidas
pela rede pública, moravam em casa de tijolo, tinham o
lixo coletado pela rede pública e tinham energia elétrica. Porém o destino das fezes e urina da maioria das
famílias ainda eram as fossas e não a rede de esgoto.
Os indicadores operacionais da atenção básica
acompanhados pela ESF permitem ao gestor local
uma análise mais detalhada da população coberta,
bem como a priorização de ações condicionantes do
processo saúde doença.
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41
ISSN-2179-6238
Artigo Original / Original Article
HOUSEWIVES' KNOWLEDGE ABOUT DENGUE IN AN ENDEMIC AREA OF THE STATE
OF MARANHÃO, BRAZIL
CONHECIMENTO DAS DONAS DE CASA SOBRE DENGUE EM UMA ÁREA ENDÊMICA DO ESTADO DO MARANHÃO,
BRASIL
Valéria Cristina Soares Pinheiro1,2, Irene Alves Silva Neres2, Juliana Maria Trindade Bezerra2,3, Joelma Soares-da-Silva1,4, Jivanildo Pinheiro Miranda5,
Luciane Maria de Oliveira Brito2 e Wanderli Pedro Tadei4
Abstract
Introduction: Dengue remains one of the major diseases of public health importance in tropical and subtropical countries. Is
the target of concern in parts of government and society in general, since the most vulnerable link in the control is combating
main vector Aedes aegypti. Objectives: To determine the level of knowledge and information of housewives about the prevention and control of dengue. Methods: The study is a sample survey (200 interviews) carried out in August through October
2007, in four neighborhoods of the western portion of the municipality of Caxias, State of Maranhão, Brazil, a locality with
records of high densities of Aedes aegypti larvae and numbers of cases of dengue fever. A closed questionnaire was used to
evaluate the level of knowledge of local housewives about the disease, its vector, and its prevention. Results: The women surveyed had a satisfactory level of information regarding dengue, i. e., more than 80% were able to correctly describe the transmission of the disease, and to recognize the importance of containers filled with stagnant water for proliferation of A. aegypti. However, 97% reported having water-storage containers in their homes. These data emphasize the dissociation between knowledge
and practice regarding dengue. Therefore, educational campaigns are necessary to effect further changes in population behavior; because the residents do not follow the necessary practices to prevent the vector from proliferating, and maintain mosquito
breeding sites in their homes. Conclusion: This survey provides supporting information to help in the development of new
educational efforts to improve the participation of housewives in dengue control.
Keywords: Aedes aegypti. dengue. women.
Resumo
Introdução: A dengue continua sendo uma das principais doenças de importância em Saúde Pública nos países tropicais e subtropicais. Constitui-se alvo de preocupação por parte do poder público e da sociedade em geral, uma vez que o elo mais vulnerável para o controle é o combate ao principal vetor, o Aedes aegypti. Objetivo: Verificar o conhecimento e o nível de informações
das donas-de-casa sobre a prevenção e controle da dengue. Método: Trata-se de um inquérito amostral (200 entrevistas), realizado entre agosto e outubro de 2007, em Caxias (MA), em quatro bairros da zona oeste, localidade com registro de alta densidade de imaturos e do mosquito Aedes aegypti. Avaliou-se por meio da aplicação de questionário fechado, o conhecimento das
donas-de-casa sobre a dengue, seu vetor e prevenção. Resultados: Mostraram que as entrevistadas possuem um nível satisfatório de informação sobre a dengue, ou seja, mais de 80% dos entrevistados souberam relatar de forma correta a transmissão da
doença, bem como reconheceram a importância dos recipientes contendo água parada para a proliferação do A. aegypti. Contudo, 97,0% dos entrevistados relataram possuir recipientes de armazenamento de água no interior de suas residências. Esses
dados evidenciam a dissociação entre o conhecimento e práticas sobre a doença. As campanhas educativas são necessárias
como medidas para fortalecer as mudanças de comportamento da população, pois apesar do conhecimento sobre a dengue, os
moradores não praticam as ações necessárias para evitar a proliferação do vetor, mantendo criadouros nas residências. Conclusão: A pesquisa pode servir como subsídio para orientar novas ações educativas voltadas para maior participação das
donas-de-casa nas ações de controle da dengue.
Palavras-chave: Aedes aegypti. Dengue. Mulheres.
Introduction
Dengue fever remains a disease of public-health
importance in tropical and subtropical countries. In
Brazil, dengue is a matter of concern for the government and civil society in general, because of its high
incidence throughout the country. Control measures
emphasize combat of the main vector, the mosquito A.
aegypti, since neither vaccines nor a specific treatment
for this disease exist at present1.
Consequently, interventions mainly focus on
the reduction of A. aegypti populations by means of
chemical control, and on community-education campaigns. However, the strategies used to combat the
vector have not yielded the expected results. Populations of A. aegypti remain high, and successive dengue
epidemics continue to occur in many parts of Brazil2.
Information campaigns using television networks, newspapers, posters, radio programs, and
community lectures seeking the cooperation of the
population for the elimination of mosquito outbreaks
have shown limited effectiveness. Many studies in
Latin America and Thailand show a similar trend: the
population was well informed about dengue and the
means of prevention3-6, but the control of mosquitobreeding sites in homes remained unsatisfactory7.
The community assumes that combating A.
aegypti is an exclusive responsibility of the public agen-
1.
Universidade Estadual do Maranhão/Centro de Estudos Superiores de Caxias – CESC/UEMA. Laboratório de Entomologia Médica.
Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. Centro de Pesquisa René Rachou.
4.
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. Laboratório de Malária e Dengue.
5.
Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Centro de Ciências Agrárias e Ambientais.
Contato: Valéria Cristina Soares Pinheiro. E-mail: [email protected]
2.
3.
42
Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012
PinheiroVCS, NeresIAS, BezerraJMT, SilvaJS, MirandaJP, BritoLMO, TadeiWP
cies, while health professionals recognize the need to
mobilize the community to plan joint actions, in order
to achieve effective control8. Therefore, the greater the
combined effort of the community and governmental
agencies, the greater is the possibility of making the
population aware of the importance of vector-control
measures, and of increasing the chances of reducing
the number of dengue cases. Only with the participation of the population, through preventive practices
that are closely related to patterns of living and housing in urban areas, will it be possible to achieve satisfactory control of the disease5.
Therefore, more-effective actions are needed to
change community habits, in order to motivate effective practices that contribute to reducing the incidence
of the vector in the domestic environment4.
Regardless of social class, most housekeeping
is normally the responsibility of women. Accordingly, it
is essential to direct public-health educational campaigns toward housewives, inspiring them to combat
A. aegypti and its breeding sites. Hence, it is important
for women to take part in actions regarding health
issues, in particular the control of endemic dengue9.
The state of Maranhão faces a situation of low
socio-economic conditions. The municipalities in the
hinterlands of the state are in the worst case, with serious deficiencies in basic sanitation, favoring vector
proliferation. The low educational level of most of the
population also hampers efforts to prevent dengue10.
Therefore, a study was conducted in neighborhoods where dengue is endemic, in the municipality of
Caxias, one of the five largest cities in Maranhão. The
study aimed to assess housewives' knowledge and
information level regarding the transmission, prevention and control of dengue, in order to contribute to
the planning of disease-control initiatives in the state.
Methods
Study area
The municipality of Caxias is located in the eastern part of Maranhão (4°51'32”S; 43°21'2”W), with a mean
altitude of 67 m above sea level and an area of 5,313.2
km2. The climate is typically tropical, with a mean annual
temperature of 28.39ºC and mean annual precipitation
of 1,454.6 mm, and two distinct seasons: a rainy period
from January to June, and a drier one from July to
December11. According to the Brazilian Institute of Geography and Statistics – IBGE, the population of Caxias in
2002 was 144,387, with a demographic density of 25
inhab km2 and an annual growth rate of 1.06%12.
For this epidemiological survey, four neighborhoods in the western portion of the municipality were
selected at random. These neighborhoods, Fazendinha,
Salobro, Pirajá and Caldeirões, had the highest indices of
A. aegypti immatures and records of dengue cases,
according to information from the Endemic Disease Control Program of Caxias, Maranhão (Programa de Controle
de Endemias de Caxias, Maranhão).
The neighborhoods in the western part of the
municipality have a low socioeconomic level. Most houses
are constructed of bricks, but the streets are unpaved.
Sanitation conditions are poor, mainly with respect to the
public water supply, which is quite irregular.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012
For the epidemiological survey, four neighborhoods in the region were selected at random. The
neighborhoods have odorous open sewers, affording
sites for mosquito proliferation. The majority of these
neighborhoods contain abandoned building sites
where trash is discarded. Garbage also accumulates in
the backyards of dwellings.
Sampling
The study was carried out in a total of 200 randomly selected buildings, in four of the neighborhoods. The sample size was defined based on the sample calculation, considering the universe of 2381 residences and taking into account a tolerable sampling
error of 10%13.
Data collection
Data were collected by means of a survey, which
was tested previously in nine other neighborhoods of
the municipality, in order to confirm the accuracy of the
questionnaire and the quality of the information
obtained. A dwelling was considered to be the sampling
unit, and the person (at least 18 years of age) in charge
of it was interviewed. If a selected dwelling was closed, it
was replaced by the dwelling next door. Monitoring was
carried out for 5% of the dwellings surveyed, in order to
check the information obtained. After all required corrections and adjustments were completed, the final
version of the questionnaire was used for the survey.
The questionnaire consisted of 10 questions
addressing dengue, the A. aegypti mosquito, ways to
prevent mosquito proliferation, and ways to obtain
information about the disease. Some questions had
several possible answers, but only one of them was
correct, i.e.:
How to exclude the dengue mosquito?
– By eliminating containers that may serve as
breeding sites for the vector.
What is Temephos used for?
– To eliminate immature forms of A. aegypti.
How is dengue transmitted?
– By the bite of A. aegypti females infected with
one of the serotypes of the disease.
What does the dengue mosquito look like?
– Dark body covered with white spots.
Where does the dengue mosquito breed?
– In water.
On the other hand, some questions had no “correct” answers, such as:
How did you obtain information about dengue?.
Which campaign against dengue is easiest for
you to understand?.
How well do you understand the campaigns
against dengue?.
Which factor mostly prevents you from understanding campaigns against dengue?.
43
HOUSEWIVES' KNOWLEDGE ABOUT DENGUE IN AN ENDEMIC AREA OF THE STATE OF MARANHÃO, BRAZIL
Do you think that the campaigns against dengue
should be focused specifically toward housewives?.
Table 1 - Frequency of responses to questions about the
dengue mosquito, municipality of Caxias, State of Maranhão,
Brazil, 2007.
Does the endemic-disease control agent visit your
home?.
Questions
How frequently does the endemic-disease control agent visit your home?.
Is the water supply sometimes interrupted in
your neighborhood?, and
What kind of container that can serve as a mosquito breeding site is most common in your
home?.
The study was approved by the Research Ethics
Committee of Presidente Dutra University Hospital
(“Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital
Universitário Presidente Dutra da Universidade Federal
do Maranhão”), protocol number 33104-1277/2007.
Each housewife interviewed signed the free and
informed consent form.
Data analysis
Data analyses were performed using the software Systat® version 10.214. Contingency tables were
used to evaluate the association between each dependent variable (responses about knowledge regarding
dengue, the vector, and preventive measures) and the
independent variable (neighborhood). Pearson's Chisquare association test (χ2) was performed to evaluate
the significance of the relationship between variables.
For all analyses, a probability of 0.05 was used as the
critical significance level.
Results
Of the 200 housewives surveyed, 56% were
more than 40 years old (χ2 = 0.487; df = 3; p = 0.922)
2
and 54% had completed elementary school (χ = 1.127;
df = 3; p = 0.771). Regarding family incomes, 52% said
they earned up to one Brazilian minimum wage (R$
545.00, which corresponds to US$343.37) (χ2 = 4.327;
df = 3; p = 0.228).
Table 1 presents the results for the housewives'
knowledge about A. aegypti. When asked about ways
to exclude the dengue mosquito, 57.5% of the interviewees (χ2 = 1.698; df = 3; p = 0.637) answered the
question correctly. With respect to the use of
Temephos in water-storage containers, 83.0% of the
interviewees said that it is a preventive measure
against A. aegypti larvae (χ2 = 2.977; df = 3; p = 0.395).
Responses about dengue transmission differed significantly among the neighborhoods. Most, 85.5% (χ2 =
10.446; df = 3; p = 0.015) of the housewives correctly
answered that dengue is transmitted by the bite of A.
aegypti females infected with one of the serotypes of
the disease. On the other hand, concerning the characteristics of the vector, only 38.5% (χ2 = 6.821; df = 3; p =
0.078) of the interviewees stated that the mosquito has
44
Correct
Incorrect
Responses Responses
%
n
%
χ2
df
p
How to prevent mosquito
115
infestations
57. 5
85
42.5
1.698
3
0.637
Utility of Temephos
166
83.0
34
17.0
2.977
3
0.395
Dengue transmission
171
85.5
29
14.5
10.446
3
0.015
77
38. 5
123
61.5
6.821
3
0.078
179
89.5
21
10.5
4.416
3
0.220
n
Mosquito
characteristics
Mosquito breeding
sites
Table 2 - Frequency of housewives' answers about dengue
campaigns, according to the neighborhood, municipality of
Caxias, State of Maranhão, Brazil, 2007.
Responses
Questions
n
%
n
%
χ2
df
p
Ways of
obtaining
information
Means of
communi 138 69.0 Others 62 31.0 4.956 3 0.175
cation
Campaign
easiest to
understand
Health
agent
Level of clarity of
Good
campaigns
What mostly
impedes the
understanding
of campaigns
97 48.5 Others103 51.5 10.630 3 0.014
112 56.0 Others 88 44.0 1.461 3 0.691
ExplaOther
nations
70 35.0 rea- 130 65.0 4.484 3 0.214
about the
sons
vector
Campaigns
focused toward Yes
housewives
143 71.5 No
57 28.5 43.455 3 < 0.001
Table 3 - Frequency of housewives' responses about the visits of
endemic-disease control agents, water supply, and presence of
containers within the buildings, municipality of Caxias, State of
Maranhão, Brazil, 2007.
Responses
Questions
Visits of endemicdisease control
agent
n
Yes
%
174 87.0
n
No
%
χ2
df
p
26 13.0 15.031 3 0.002
Frequency of
visits of
Monthly 157 78.5 Others 43 21.5 27.107 3 < 0.001
endemic-disease
control agents
Interruptions in
water supply
Most numerous
containers in
building
Yes
111 55.5
No
89 44.5 59.500 3 < 0.001
Storage 194 97.0 Others 6
3.0 3.436 3 0.329
a dark body with spots. To the question “Where does
the dengue mosquito breed?” the correct place (water)
was given by 89.5% (χ2 = 4.416; df = 3; p = 0.220) of the
housewives.
With respect to the means of obtaining information, the media (television, radio and newspapers) were
cited as the main source of knowledge by 69.0% of the
interviewees (χ2 = 4.956; gl = 3; p = 0.175). However,
opinions about the best source of clarification were
divided: 48.5% (χ2 = 10.630; df = 3; p = 0.014) of the
Rev Pesq Saúde, 13(2): 42-47, maio-agost, 2012
PinheiroVCS, NeresIAS, BezerraJMT, SilvaJS, MirandaJP, BritoLMO, TadeiWP
housewives stated that the endemic-disease control
agents are the best source of information about the
disease and its vector, while 51.5% named one of the
other sources (media, educational campaigns,
speeches, posters and pamphlets). The responses
showed that campaigns against dengue are effective in
conveying information, according to the opinion of
56.0% (χ2 = 10.630; df = 3; p = 0.014) of the housewives
interviewed. Of this number, a total of 35.0% (χ2 = 4.484;
df = 3; p = 0.214) also indicated that the lack of explanation concerning the vector is the major impediment to
better understanding of the campaigns. A significant
number of responses, 71.5% (χ2 =43.455; df = 3; p <
0.001) indicated that campaigns against dengue should
be focused specifically toward housewives (Table 2).
When questioned about visits by endemicdisease control agents, 87.0% of the women confirmed
that they occur (χ2 = 15.031; df = 3; p = 0.002). Regarding the frequency of these visits, 78.5% 9 (χ2 = 27.107;
df = 3; p < 0.001) stated that visits are made monthly.
With respect to interruptions in the water supply, the
majority of the housewives, 55.5% (χ2 = 59.500; df = 3; p
< 0.001) confirmed the problem. To the question “What
kind of container that can serve as a mosquito breeding
site is most common in your home?” 97.0% of the interviewees (χ2 = 3.436; df = 3; p = 0.329) mentioned storage containers (tanks, buckets, vats and barrels),
observing that this was the most frequent breeding site
in all the neighborhoods studied (Table 3).
Discussion
Dengue control has proved to be a complicated
exercise. Although it was first recorded in Brazil in the
1980s, new cases of the disease occur each year
throughout the country. The major reason for this
failure is the multidisciplinary character of control
measures, including vector control, diagnosis of
affected persons, and also the difficult task of making
the population aware of the need for them to participate in combating the vector. This last aspect has been
identified as a key element in disease-control programs. Since the vector breeds in water-filled containers in residences, participation by residents is the only
way to have a greater impact on reducing the vector
population. Consequently, housewives are the most
important link between the transmitted information
and the practice of dengue control9.
In this study in Caxias, the survey showed that
housewives in these four neighborhoods still have only
limited knowledge about dengue and, mainly, about its
vector A. aegypti. Many housewives were unaware of
certain basic aspects of the disease. For example,
when asked about the proper way to prevent the vector
A. aegypti from breeding, less than the half of the
women answered this question correctly. In view of this
gap, and considering that this is basic information for
vector control, it is essential to improve the level of
knowledge about the disease.
The low level of knowledge about dengue in
Caxias was also observed, in a study carried out with
public-school students15. These authors reported a low
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percentage of correct answers to the question “How is
dengue transmitted?”, indicating that the general population still has minimal knowledge about dengue.
A positive result observed here was that the
housewives recognized the importance of containers
filled with stagnant water for A. aegypti reproduction;
i.e., they reported that these containers may serve as
mosquito-breeding sites.
These results are reflective of the ease with
which information on dengue can be acquired, through
the media, educational campaigns, speeches, posters
and other means. These campaigns are used to emphasize issues regarding breeding sites, conveying information such as “Do not leave a container filled with
stagnant water”, where the significance of domestic
containers for mosquito dispersal is stressed7,16,17.
Notably, the housewives in Pirajá gave different
answers than those in the other neighborhoods to the
question “How is dengue transmitted?” other authors,
on work done in neighborhoods located in the same
area this article, also found differences among neighborhoods in Caxias, which reflect the type of housing
and other basic sanitation conditions15. In areas where
these conditions were better, the residents showed
more knowledge of dengue. The socioeconomic variables related to the occurrence of dengue are discussed
in many studies10,18. However, each municipality, and
even each neighborhood, has its own situation and
daily problems, which must be studied locally in order
to plan the appropriate mosquito-control strategies.
The housewives showed little knowledge of the
morphological characteristics of the dengue vector.
This information was reported to be one of the main
difficulties in the campaign, as well as the foremost
barrier to education about the disease. Therefore, it is
necessary to provide better descriptions of the vector,
in future campaigns, as well as by the endemic-disease
control agents, who are the main transmitters of information to the general public.
In a qualitative approach, it is found that people
often conceive ideas that are at variance with scientific
fact. The author mentioned the example of A. aegypti,
since public-health agents may transmit to people an
idea of a mosquito that is quite different from the
actuality17. Otherstudies mentioned one possible solution to this problem: the activity of public-health workers could be complemented by the use of displays
where residents could observe the complete life cycle
of the vector, using eggs, larvae, pupae and adult
forms of A. aegypti3. The results of this study reveal the
need to train endemic-disease control agents, in order
to better clarify morphological features of vectors or to
improve their explanations about the insects.
With respect to obtaining information regarding
dengue, the media (television, radio, newspapers)
were mentioned as the main source of knowledge,
similarly to the results of other investigators15. Usually
the television and radio, which reach most of the population, could play an essential role in health campaigns, through the possibility of supporting programs with an interactive approach. Television and
radio programs could continuously disseminate more
complete information and create a space for discussion among listeners. However, the media prioritize
45
HOUSEWIVES' KNOWLEDGE ABOUT DENGUE IN AN ENDEMIC AREA OF THE STATE OF MARANHÃO, BRAZIL
dengue only during epidemics, and the disease is forgotten when the number of cases decreases19.
The work of endemic-disease control agents
was widely recognized by the housewives, who considered that the information that they convey is the best
way to learn about dengue. Previous studies have
shown the importance of endemic-disease control
agents as transmitters of information, and good acceptance of their work by a large part of the public15. These
agents are a fundamental link between the general
public and the public-health service, as both are part of
the community routine. However, these professionals
often limit their activities to merely inspecting breeding sites. This is probably a result of lack of time, or
also the need to accomplish their main responsibility
of eliminating breeding sites in dwellings19,20.
The maintenance of dengue as an endemic disease involves social and infrastructure factors, reflecting the conditions of residents' lives. The irregular
public water supply is an issue that directly affects the
control of the dengue mosquito21. Most of the housewives interviewed for this study reported interruptions
in their water supply. In households with less purchasing power and where the water supply is intermittent,
the use of containers, i. e. water tanks, barrels, buckets, pots, and others, provides suitable environmental
conditions for a larger number of potential breeding
sites for A. aegypti22. Several studies have shown the
contribution of storage containers to the dispersal of
A. aegypti18.
A markedly high proportion of women agreed
that campaigns should be more focused on them, as
they have the greatest responsibility for housecleaning
in nuclear families23. The current picture of the occurrence of dengue in Brazil requires, among other
aspects, initiatives to motivate and involve housewives,
who are the primary persons caring for dwellings,
where all stages of the life cycle of A. aegypti occur.
The effectiveness of dengue control relies on
many complex factors, including improvement in basic
sanitation conditions, especially the water supply in
poor areas. It is also necessary to improve educational
and health-awareness programs in order to keep people motivated to combat A. aegypti24, and to work with
various segments of the population, including women
and children. In order to achieve this result, new forms
of language in educational activities, greater involvement of the general public in the elimination of breeding sites, and effective changes in domestic habits
demand creativity and flexibility from the professionals responsible for control programs sponsored by the
various public-health entities15. Therefore, this study
can serve as a basis for the improvement of mosquitocontrol actions in the municipality; it showed that
women are aware of their role in vector control, and
may act as voluntary agents in dengue-control programs that involve housewives and demonstrate the
importance of their actions in their own homes and in
the community, and the impact of these actions in
effectively reducing dengue cases.
Acknowledgments
To the Fundação de Amparo à Pesquisa e
Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico do Maranhão
(FAPEMA) for the scholarship granted to Neres IAS and
FAPEMA for supporting the projects. To the Laboratório
de Entomologia Médica do Centro de Estudos Superiores
de Caxias/Universidade Estadual do Maranhão - UEMA,
for providing the necessary infrastructure for this
research.
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ISSN-2179-6238
Artigo Original / Original Article
PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE HIPERTENSOS CADASTRADOS PELO HIPERDIA EM
UMA UNIDADE DE SAÚDE DA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL
ANTHROPOMETRIC PROFILE OF HYPERTENSIVE PATENTS IN A REGIONAL HEALTH UNIT IN THE NORTHEAST OF
BRAZIL
Nayra do Socorro Caldas Carvalho de Almeida Teixeira1, Valdinar Sousa Ribeiro2, Alcione Miranda dos Santos3, Nayra Anielly Lima Cabral1 e Ana Karina
Teixeira da Cunha França4
Resumo
Introdução: A obesidade é um fator de risco independente para a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Objetivo: Determinar o
perfil antropométrico de hipertensos e sua associação entre o excesso de peso e fatores clínico – laboratoriais, socioeconômico,
demográficos e estilo de vida. Métodos: Estudo transversal com 307 hipertensos cadastrados no HiperDia, em 2008. Foram
avaliados os dados antropométricos segundo critérios da Organização Mundial de Saúde para mulheres e homens. Utilizou-se o
teste de Mann Whitney para comparação de variáveis quantitativas, Qui-quadrado e Exato de Fisher para qualitativas. Resultados: O sexo feminino foi predominante (75,63%) e as prevalências de excesso de peso, CC e RCQ elevadas foram respectivamente 64,8%, 83,4% e 75,9%. Sexo feminino apresentou maior percentual de IMC (79,4% vs 20,6%; p=<0,034), CC (84,8% vs 15,2%;
p<0,001) e RCQ (89,3% vs 10,7%; p<0,001) elevados. A prevalência de sobrepeso foi maior naqueles com menos de 60 anos
(72,7% vs 58,0%; p=0,007). Pessoas com IMC ≥ 25 apresentaram níveis mais elevados de pressão arterial diastólica (PAD)
(90mmHg vs 85,0mmHg; p<0,001) e triglicerídeos (131,5mg/Dl vs 111,0mg/Dl; p=0,049). Indivíduos com maior CC apresentaram medianas superiores de PAD (90,0mmHg vs 80,0mmHg; p=0,008), colesterol total (210,0 mg/Dl vs 184,0mg/Dl;
p=0,002) e triglicerídeos (129,0mg/Dl vs 108,0mg/Dl; p<0,002). A obesidade central, através da RCQ, associou-se com níveis
mais elevados de colesterol total (210,5mg/dl vs 186,0mg/dl; p=0,002) e triglicerídeos (130,5mg/dl vs 108,5mg/dl; p=0,002).
Conclusão: Observou-se elevado percentual de excesso de peso e obesidade central, principalmente em mulheres, apresentando associação com níveis mais elevados da PAD e alterações de lipídios séricos.
Palavras-chave: Estado nutricional. Índice de Massa Corporal. Circunferência da cintura. Hipertensão. Obesidade.
Abstract
Introduction: Obesity is an independent risk factor for the Systemic Arterial Hypertension (SAH). Objective: To determine the
anthropometric profile of hypertensive people and their association between excess weight and clinical factors - laboratorial,
socioeconomic, demographic, lifestyle. Methods: A transversal study of 307 hypertensive patients registered with HiperDia, in
2008. Anthropometric data was analyzed following the criteria of the World Health Organization for men and women. The Mann
Whitney test was used to compare the quantitative variables; Chi-squared and Fisher Exact for qualitative. Results: The female
sex predominated (77.3%), overweight (65.6%), WC (64.1%) e WHR (79.7%). The female sex presented a higher percentage of BMI
(71.7% vs 44.8%; p=0,007), WC (77.8% vs 17.2%; p<0.001) e WHR (97.0% vs 31.0%; p<0.001) elevated. The prevalence of overweight was higher among those with less than 60 years (72.7% vs 58.0%, p = 0.007). People with a BMI ≥ 25 had higher diastolic
blood pressure (DBP) (90 mmHg vs. 85.0 mmHg, p <0.001) and triglycerides (131.5 mg/Dl vs 111.0 mg/Dl, p = 0.049). Those
with higher median CC had higher DBP (90.0 mmHg vs. 80.0 mmHg, p = 0.008), total cholesterol (210.0 mg/Dl vs 184.0 mg/Dl,
p = 0.002) and triglycerides (129.0 mg/dl vs 108.0 mg/Dl, p <0.002). Central obesity by WC was associated with higher levels of
total cholesterol (210.5 mg/dl vs. 186.0 mg/dl, p = 0.002) and triglycerides (130.5 mg/dl vs. 108.5 mg/dl; p = 0.002). Conclusion: an elevated percentage of excess weight and obesity was observed, mainly in the women, showing an association with
elevated levels of DAP and alterations in seric lipids.
Keywords: Nutritional status. Body Mass Index. Waist circumference. Hypertension. Obesity.
Introdução
As doenças cardiovasculares (DCV) causaram no
Brasil, em 2008, 30% dos óbitos, contra 15% devido ao
câncer e 12,4% por causas externas. A Hipertensão
Arterial Sistêmica (HAS), afeta mais de 30 milhões de
brasileiros, sendo o fator mais importante para o
desenvolvimento das doenças cardiovasculares (DCV),
com destaque para o acidente vascular cerebral (AVC)
e o infarto do miocárdio que são as duas maiores causas isoladas de mortes no país1.
Estima-se entre 22,3% e 43,9% a prevalência da
HAS na população urbana adulta brasileira2,3. Em São
Luis (MA), demonstrou-se prevalência de 27,4% em
grupo específico4. Estima-se que entre 20% a 30% dos
casos de hipertensão tenha como causa a obesidade1
que tem se transformado em uma epidemia global5, 6.
Os mecanismos que explicam o aumento da pressão arterial (PA) em decorrência do excesso de peso são
complexos e envolvem múltiplas alterações4. Estudos
recentes apontam a importância da obesidade centralna
sua etiopatogenia, pois a presença de gordura abdominal
eleva a pressão intra-abdominal e intrarrenal, ocorrendo
redução do fluxo sanguíneo na medula renal, aumento
da reabsorção de sódio e resistência à insulina7-9.
Desse modo, tanto o aumento da gordura corporal total como seu acúmulo intra-abdominal são,
entre outros, fatores de risco para o desenvolvimento
de HAS10, habitualmente estudados através dos índices
antropométricos, da glicemia e dos lipídios séricos11,12.
1.
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA. Docente do Centro Universitário do Maranhão - CEUMA.
Doutor em Pediatria. Docente do Departamento de Medicina III - UFMA.
Doutora em Estatística. Docente do Departamento de Saúde Pública - UFMA.
4.
Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Departamento de Nutrição - UFMA.
Contato: Valdinar Sousa Ribeiro. E-mail: [email protected]
2.
3.
48
Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012
TeixeiraNSCCA, RibeiroVS, SantosAM, CabralNAL, FrançaAKTC
No entanto, os índices antropométricos mostram entre
si resultados distintos, quando estudados com finalidade de demonstrar suas associações com a hipertensão arterial, pois ora evidenciam-se superioridade do
IMC, ora da circunferência abdominal13.
O acompanhamento de indivíduos portadores de
Hipertensão e Diabetes no país é feito pelo Ministério da
Saúde através do HiperDia (Sistema de Cadastramento e
Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos)14 em
todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de
Saúde. Este Sistema garante o recebimento dos medicamentos prescritos ao mesmo tempo em que mostra o
perfil epidemiológico desta população. Contudo, dos
17 milhões de hipertensos estimados no país, apenas
5.076.631 constam no cadastro do HiperDia15-17.
O presente estudo avaliou população de hipertensos tratados em unidade básica de saúde e teve como
objetivos descrever o perfil antropométrico e sua associação com indicadores demográficos, socioeconômicos,
estilo de vida, pressão arterial e perfil metabólico.
Métodos
Estudo transversal desenvolvido com dados de
pacientes provenientes da pesquisa intitulada “Prevenção da doença renal crônica entre hipertensos e/ou
diabéticos em unidades básicas de saúde do município
de São Luís, MA”, que foi realizado no Centro de Saúde
da Vila Embratel em São Luís (MA), no período de janeiro a junho de 2008, teve como processo de seleção a
obtenção de uma listagem com o nome dos hipertensos cadastrados no programa HiperDia da unidade
pesquisada. Em seguida, foi realizada amostragem
aleatória simples por sorteio, sem reposição. Os pacientes foram localizados pelos Agentes Comunitários
de Saúde (AGS) da Estratégia de Saúde da Família (ESF)
e, ao comparecerem à Unidade de Saúde, foram esclarecidos sobre o estudo.
Para garantir amostra representativa seria
necessário, no mínimo, 286 pacientes, considerando a
casuística de 657 hipertensos cadastrados e prevalência esperada de excesso de peso de 70,0%14,18, margem
de erro de 4% e nível de confiança igual a 95%. Para a
realização deste trabalho, foram selecionados dados
de 307 pacientes portadores de HAS, com idade igual
ou superior a 20 anos, cadastrados no Programa HiperDia. Os critérios de não inclusão foram gestantes e
pacientes portadores de qualquer outra doença crônica
consumptiva (Câncer e AIDS) ou estar em terapia renal
substitutiva.
A coleta de dados da pesquisa original foi realizada por meio de formulário estruturado aplicado por
equipe composta por estudantes dos cursos de Nutrição, Medicina, Enfermagem e Farmácia, sob a supervisão permanente de professores do Curso de Nutrição e
Medicina. Para garantir a padronização das informações, previamente, houve treinamento da equipe e
realização de estudo piloto.
Para a realização deste trabalho, foram avaliados dados socioeconômicos, demográficos, estilo de
vida, nutricionais e clínico-laboratoriais. A idade foi
categorizada em < 60 anos e ≥ 60 anos, o critério de
classificação econômica em classes de acordo com a
ABEP19, e a escolaridade avaliada em anos de frequência
Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012
à escola e categorizada em ≤ 8 anos e > 8 anos. Foi considerado fumante e etilista todo paciente que, no período da entrevista, referiu fazer uso de cigarro e bebida
alcoólica, não importando a frequência.
A avaliação antropométrica foi realizada com
informações referentes ao peso (em quilogramas) em
balança portátil digital (Plena®), altura (em metros) em
estadiômetro (Alturexata®) e circunferência da cintura
(CC) e do quadril (CQ) com fita métrica não extensível.
A CC (em centímetros) foi obtida no ponto médio entre
a última costela e a crista ilíaca, no momento da expiração, e a CQ (em centímetros) na região de maior perímetro entre a cintura e a coxa. A distribuição da gordura
corporal foi analisada a partir da medida da CC e da
relação cintura quadril (RCQ), calculada por meio da
razão entre a CC e CQ. Foram adotados os pontos de
corte para risco elevado da CC de 80 cm e 94 cm; e de
risco elevado da RCQ de 0,85 e 1,00 para mulheres e
homens, respectivamente, conforme classificação da
OMS20. A adequação do peso para a altura foi determinada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), obtido a
partir da razão entre o peso corporal e o quadrado da
altura, categorizado em sem excesso de peso (< 25,0
kg/m²) e com excesso de peso corporal (≥ 25,0 kg/m²).
Para avaliação clínica-laboratorial foram utilizados resultados de exames séricos de colesterol total,
High Density Lipoproteins (HDL) e Low Density Lipoproteins (LDL), triglicerídeos, glicemia em jejum. Os métodos analíticos utilizados foram Roschlan e cols para o
HDL, Friedwald para o LDL e o enzimático para o colesterol total, triglicerídeos e glicemia de jejum.
A pressão arterial dos pacientes foi verificada
com uso de esfigmomanômetro digital (Omron® modelo
705), por método indireto, com manguitos de tamanhos apropriados, seguindo as recomendações da VI
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão21. Foram realizadas duas medições, a primeira no meio da entrevista e a
segunda ao final e utilizada a média. Pressão controlada
foi considerada quando a PA sistólica foi menor que 140
mmHg e a PA diastólica menor que 90 mmHg para pacientes hipertensos sem diabetes associado e PA sistólica
menor que 130 mmHg e PA diastólica menor que 80
mmHg para hipertensos com diabetes associado21.
Os dados foram apresentados por meio de mediana com valor mínimo e máximo para as variáveis quantitativas e por frequências e porcentagens para as qualitativas. Para comparação das variáveis quantitativas
com os grupos sem e com alteração dos indicadores
nutricionais, foi utilizado o teste Mann Whitney e para as
variáveis qualitativas foram utilizados o Teste Quiquadrado ou Exato de Fisher. A normalidade das variáveis quantitativas foi analisada pelo teste Shapiro Wilk.
O nível de significância adotado foi de 5%. Os dados
foram analisados no programa estatístico STATA® 10.0.
A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética
em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade
Federal do Maranhão, sob o protocolo nº 1977/2007.
As pessoas que participaram do estudo expressaram
seu consentimento através da assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido.
Resultados
Os hipertensos apresentaram idade média de
49
PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE HIPERTENSOS CADASTRADOS PELO HIPERDIA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL
59,7 ± 11,3 anos, predomínio do sexo feminino
(75,6%), de idosos (53,1%), da cor branca (55,2%), com
escolaridade inferior a 8 anos (83,0%) e pertencentes às
classes D e E (80,1%). A mediana do tempo de HAS foi de
5 anos (1-58 anos) e 49,8% apresentaram PA controlada. Constatou-se que 5,9% dos pacientes eram tabagistas e 17,2% consumiam bebida alcoólica (Tabela 1).
Tabela 1 - Características socioeconômicas, demográficas e
estilo de vida de hipertensos tratados em uma unidade básica de
saúde, São Luís-MA, 2008.
Variáveis
Avaliou-se a associação entre estado nutricional
e as características demográficas, socioeconômicas e
estilo de vida. Quando avaliado por sexo, as mulheres
apresentaram maior freqüência de excesso de peso
pelo IMC (79,4% vs 20,6%; p=0,034) e de obesidade
central mensurada por meio da CC (84,8% vs 15,2%;
p<0,001) e da RCQ (89,3% vs 10,7%; p<0,001), quando
comparadas com os homens. As demais variáveis não
apresentaram associações estatísticas significantes
(Tabela 3).
Tabela 3 - Associação entre estado nutricional, variáveis demográfica, socioeconômicas e estilo de vida de hipertensos tratados
em uma unidade básica de saúde, segundo estado nutricional,
São Luís - MA, 2008.
n
%
Masculino
75
24,4
Feminino
232
75,6
< 60 anos
143
46,9
≥ 60 anos
162
53,1
Branca
169
55,2
Idade
Não branca
137
44,8
< 60 anos
104 72,7
122 85,3
111 77,6
≥ 60anos
94 58,0
133 82,1
122 75,3
61
19,9
246
80,1
Sexo
IMC (kg/m²)
CC
RCQ
≥25,0
Obesidade
central
Obesidade
central
Faixa etária*
Variáveis
n
Etnia*
Classificação socioeconômica
Classes B2 e C
Classes D e E
Escolaridade*
p
n
%
0,007
Sexo
p
n
%
0,449
0,034
<0,001
<0,001
41 20,6
39 15,2
25 10,7
158 79,4
217 84,8
208 89,3
253
83,0
Feminino
> 8 anos
52
17,0
Classificação
econômica
0,662
0,959
0,921
Sim
18
5,9
Não
288
94,1
Sim
52
17,2
Escolaridade
Não
250
82,8
≤ 8 anos
164 82,8
212 83,5
194 84,0
> 8 anos
34 17,2
42 16,5
37 16,0
Consumo de bebidas alcoólicas*
*n inferior a 307. Classificação socioeconômica (Associação Brasileira de
Empresas de Pesquisa).
Classes B2 e C 41 20,6
51 19,9
46 19,7
Classes D e E 158 79,4
205 80,1
187 80,3
0,938
Tabagismo
A avaliação do estado nutricional revelou maior
prevalência de indivíduos com excesso de peso corporal, ou seja, IMC igual ou superior a 25 kg/m² (64,8%).
Do mesmo modo, a distribuição de gordura abdominal
mostrou maior freqüência de CC (83,4%) e RCQ (75,9%)
alteradas (Tabela 2).
0,594
0,397
0,487
0,402
0,867
Sim
10 5,0
14 5,5
14 6,0
Não
188 95,0
242 94,5
219 94,0
0,275
Etilismo
p
0,635
Masculino
≤ 8 anos
Tabagismo atual*
%
0,803
0,566
Sim
37 19,0
44 17,5
38 16,5
Não
158 81,0
208 82,5
192 83,5
IMC = Índice de massa corporal. CC = Circunferência da cintura. RCQ =
Relação cintura quadril. IC = Intervalo de confiança.
Tabela 2 - Características antropométricas de hipertensos tratados em uma unidade básica de saúde, São Luís-MA, 2008.
Variáveis
n
%
IC
<25,0
108
35,2
0,26-0,45
≥25,0
199
64,8
0,38-0,58
51
16,6
0,07-0,29
256
83,4
0,78-0,88
74
24,1
0,15-0,36
233
75,9
0,67-0,81
IMC (kg/m²)
CC
Sem obesidade central
Obesidade central
RCQ
Sem obesidade central
Obesidade central
IMC = Índice de Massa Corporal. CC = Circunferência da Cintura. RCQ =
Relação Cintura Quadril. IC = Intervalo de Confiança de 95%.
50
Observou-se associação do estado nutricional
com as variáveis clínico-laboratoriais. Houve associação estatística do IMC igual ou superior a 25 kg/m² com
maiores níveis de PAD (90,0 mmHg vs 85,0 mmHg;
p<0,001) e de TG (131,5 mg/dl vs 111,0 mg/dl;
p=0,049). A CC e RCQ alteradas apresentaram associação com níveis séricos mais elevados de CT (210,0
mmHg vs 184,0 mmHg; p=0,002 e 210,5 mmHg vs
186,0 mmHg; p=0,002, respectivamente), LDL (131,0
mmHg vs 116,8 mmHg; p=0,032 e 132,5 mmHg vs
117,2 mmHg; p=0,013, respectivamente) e TG (129,0
mmHg vs 108,0 mmHg; p=0,002 e 130,5 mmHg vs
108,5 mmHg; p=0,002, respectivamente). A CC também apresentou associação com a PAD mais elevada
(90,0 mmHg vs 80,0 mmHg; p=008) (Tabela 4).
Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012
TeixeiraNSCCA, RibeiroVS, SantosAM, CabralNAL, FrançaAKTC
Tabela 4 - Associação entre estado nutricional e características clínico-laboratoriais de hipertensos tratados em uma unidade básica
de saúde, segundo estado nutricional, São Luís-MA, 2008.
IMC (kg/m²)
Mediana (min-máx)
Variáveis
PAS
(mmHg)
< 25,0
(n=108)
≥ 25,0
(n=199)
p
CC
Mediana (min-máx)
Sem obesidade Obesidade
central (n=51) central (n=256)
p
RCQ
Mediana (min-máx)
Sem obesidade Obesidade
central (n=74) central (n=233)
p
140,0
145,0
142,5
140,0
140,0
140,0
0,376
0,933
0,952
(110,0-230,0) (110,0-240,0)
(110,0-230,0) (111,0-240,0)
(110,0-230,0) (110,0-240,0)
PAD
(mmHg)
85,0
(60,0-110,0)
90,0
80,0
<0,001
(60,0-150,0)
(70,0-110,0)
90,0
(60,0-150,0)
0,008
90,0
(70,0-110,0)
90,0
(60,0-150,0)
0,082
GJ
(mg/dL)
78,5
(53,0-415,0)
84,5
(57,0-403,0)
82,0
(55,0-415,0)
0,551
80,0
(53,0-415,0)
82,0
(55,0-403)
0,473
CT
(mg/dL)
208,5
(92,0-350,0)
210,0
0,002
(107,0-350,0)
186,0
(92,0-364,0)
LDL
(mg/dL)
127,7
(45,6-250,0)
130,2
(50,8-265,6)
0,979
116,8
(56,4-265,6)
131,0
(45,6-260,4)
0,032
117,2
(56,4-265,6)
132,5
(45,6-254,4)
0,013
HDL
(mg/dL)
45,0
(26,0-82,0)
44,0
(22,0-86,0)
0,438
44,0
(26,0-76,0)
44,0
(22,0-86,0)
0,744
45,0
(25,0-77,0)
44,0
(22,0-86,0)
0,859
TG
(mg/dL)
111,0
(43,0-385,0)
131,5
(48,0-490,0)
0,049
108,0
(43,0-262,0)
129,0
(47,0-490,0)
0,002
108,5
(43,0-430,0)
130,5
(48,0-490,0)
0,002
0,122
80,0
(53,0-366,0)
205,0
0,653
(119,0-364,0)
184,0
(92,0-364,0)
210,5
0,002
(107,0-350,0)
IMC = Índice de massa corporal. CC = Circunferência da cintura. RCQ = Relação cintura quadril. PAS = Pressão arterial sistólica. PAD = Pressão arterial
diastólica. GJ = Glicemia de jejum. CT = Colesterol total. LDL = Colesterol ruim. HDL = Colesterol bom. TG = Triglicerídeos.
Discussão
Este estudo avaliou hipertensos com idade igual
ou superior a 20 anos, cadastrados no programa HiperDia. A frequência de excesso de peso corporal correspondeu a 64,8% (IMC) e da obesidade central 83,4% e
75,9%, segundo CC e RCQ, respectivamente. O excesso
de peso esteve associado a níveis mais elevados da PAD e
TG, enquanto que a obesidade central apresentou associação com níveis mais elevados de PAD, CT, LDL e TG.
A maior frequência de hipertensos com idade
igual ou superior a 60 anos é habitualmente descrita22,23
e atribuída em parte ao processo de envelhecimento da
população brasileira 20, particularmente propensa a
problemas relacionados com as alterações fisiológicas
e sociais, ocorrência de doença crônica, uso de várias
medicações, problemas na alimentação (comprometendo a mastigação e deglutição), depressão e alterações da mobilidade com dependência funcional24.
A elevada proporção de mulheres neste estudo
está de acordo com o observado na literatura 22,25-27 e
pode ser o reflexo do maior número de pessoas do sexo
feminino cadastrado no Programa HiperDia14,28. Tal
situação é atribuída ao maior cuidado da mulher com a
saúde20, à maior longevidade27e à maior prevalência de
hipertensão no sexo feminino após os 60 anos29,30. Contudo, como a cobertura deste programa alcança apenas
30% da população estimada de hipertensos no país15,16,
as características aqui estudadas podem não refletir o
que de fato nela existe.
Um dos importantes aspectos deste estudo foi
detectar forte associação estatística da obesidade
central (CC e RCQ) com o sexo feminino31. As mulheres
são particularmente expostas quando multíparas32.
Apesar de não investigado, observou-se que a quase
totalidade das mulheres eram avós. Do mesmo modo,
aquelas de classes socioeconômicas mais baixas,
como aqui investigadas, são mais expostas e este evento33. Já o excesso de peso associou-se com indivíduos
de idade inferior a 60 anos e sexo feminino, tal como já
descrito na literatura26,33.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 48-53, maio-agost, 2012
A maior adiposidade observada entre os indivíduos mais jovens do sexo feminino está de acordo com
dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, que revelou
aumento mais acentuado da obesidade nas mulheres
com idade até 60, anos atingindo 20%, enquanto que
nos homens até os 40 anos foi 11%, sendo que a partir
dessa idade a prevalência de obesidade começa a reduzir em ambos os sexos20. Outro aspecto a ser considerado seria o viés de sobrevida, principalmente em uma
população de hipertensos. É possível que homens
idosos hipertensos e com excesso de peso estejam
sub-representados neste estudo, uma vez que apresentam menor sobrevida34. Certamente, por desempenharem atividades laborais mais intensas e frequentes
que as mulheres os homens desta classe social possam
apresentar menor prevalência de obesidade.
A população estudada pertencia predominantemente às classes socioeconômicas mais baixas e com
baixa escolaridade, características comuns entre os
cadastrados no programa Hiperdia35. O que não elimina a possibilidade de erro de classificação apesar deste
viés não ter sido constatado. A literatura relata que
níveis socioeconômicos mais baixos se associam a
maior prevalência de HAS e a fatores de risco para elevação da PA21. Entretanto, tal associação não foi aqui
observada, provavelmente devido à maior homogeneidade da população, refletida na amostra, pois em São
Luís (MA), existe maior proporção de pessoas pertencentes às classes D e E, quando comparada com as
demais capitais do Nordeste19.
Com relação aos hábitos de vida, observou-se
baixa frequência de tabagismo, diferente de outros
estudos14,22,35, contudo, está de acordo com estudos
que mostram ser este hábito três vezes menor (entre
gestantes) quando comparado com cidade do sudeste
do país (Ribeirão Preto-SP), achado este não explicado
por diferenças socioeconômicas36, o que pode ser atribuído ao efeito local das ações de combate ao tabagismo, importante não apenas no âmbito científico como
também político, social e econômico37. De outro modo,
o viés de sobrevida e a causalidade reversa seriam
51
PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE HIPERTENSOS CADASTRADOS PELO HIPERDIA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL
outras possíveis explicações.
De modo semelhante, foi baixo o percentual de
pacientes que referiram ser etilistas, quando comparado com outros estudos35,38. Tal achado pode ser decorrente do hábito de ingerir bebidas alcoólicas ser mais
comum entre homens11,grupo minoritário na amostra.
Outra possível explicação seria a definição de etilismo
aqui adotada, que considerou apenas o consumo referido, sem detalhar quantidade e frequência do consumo. Igualmente, o viés de sobrevida e a causalidade
reversa podem estar presentes neste resultado.
O excesso de peso, além de significante, associou-se com níveis mais elevados de PAD e de TG, tal
como observado em outros estudos22,39 sendo inclusive
descrita relação de causa e efeito entre aumento da
massa corporal e elevação da pressão arterial40,41. No
estudo de Framingham41 foi estimado que um aumento
de 5% da massa corporal acarretaria elevação de 2030% no risco de hipertensão arterial (PA ≥ 140/90.
A importância das consequências do excesso de
peso é enfatizada em estudos que mostram a relação
entre aumento da massa corporal com elevação da pressão arterial7,39,41, alterações metabólicas e aumento do
risco cardiovascular7. Desta forma, a redução de peso se
constitui em importante medida anti-hipertensiva40, 42-44.
Além disso, há evidências de que a perda de peso, ainda
que discreta, também melhore outras alterações metabólicas e reduza a mortalidade 45,46.
Alguns estudos, no entanto, limitam a importância do IMC como medida de obesidade, por não considerar a variação na distribuição da gordura corporal2.
Sendo assim, observou-se também que aumento da
RCQ associou-se com níveis mais elevados de CT, LDL e
TG. Já a CC, além destes, associou-se com níveis mais
elevados de PAD, tal como descrito em outros estudos11,22,30,38,39. Tal achado é significativo, pois mostra a
exposição desta população a importantes, mas preveníveis, fatores de risco cardiovasculares9. Por outro
lado, os fatores socioeconômicos não apresentaram
associações, provavelmente devido ao fato da amostra
constituir-se somente de usuários do serviço público.
Entre as limitações deste estudo, destacam-se a
restrição da análise a pacientes cadastrados no programa HiperDia em São Luís (viés de seleção), a não avaliação de terapia medicamentosa (apesar de que todos
pacientes cadastrados recebem medicamentos) e a
possibilidade da ocorrência do viés de sobrevida.
Por outro lado, destacam-se como pontos fortes
do estudo: amostra representativa, obtenção das medidas antropométricas e da pressão arterial por mensuração direta e não por autorreferência; pesquisa oriunda de região carente de estudos e a utilização de procedimentos analíticos na avaliação do poder explicativo
das variáveis estudadas.
Conclui-se que a redução do excesso de peso e
em particular da obesidade central devem ser alvos
primordiais no controle da hipertensão, especialmente
entre mulheres, mais expostas à obesidade. A redução
de eventos cardiovasculares que podem ser evitados
necessita da ampliação do acesso aos serviços públicos de saúde, em especial do aumento da cobertura do
programa HiperDia, da oferta de terapias que contemplem a multifatorialidade dos riscos associados à
hipertensão, com ênfase no envelhecimento saudável
e ativo, tais como orientação alimentar, atividade física, lazer e atividades lúdicas.
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53
Artigo de Revisão / Review Article
ISSN-2179-6238
PATERNIDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA
FATHERHOOD IN TIMES OF CHANGE: A BRIEF REVIEW OF THE LITERATURE
Edna Lúcia Coutinho da Silva1, Zeni Carvalho Lamy2, Lívia Janine Leda Fonseca Rocha2, Jéssica Rodrigues de Lima3
Resumo
Introdução: Discutir sobre a paternidade torna-se relevante para compreender o papel do pai no contexto familiar, e as razões
que o levam a se ausentar e os motivos para o pai não estar incluído na saúde reprodutiva. Objetivo: Refletir as mudanças na
paternidade e a produção teórica realizada a partir de um levantamento bibliográfico. Métodos: Pesquisa bibliográfica a partir
dos termos: paternidade, envolvimento paterno e ausência paterna, vinculando os temas ao contexto familiar e serviços de
saúde. Resultados: Apesar dos estudos voltados para a temática da paternidade, ainda são necessários maiores esforços para
incluir o pai no contexto familiar e na assistência à saúde, em uma visão que não seja a tradicional como provedor. Conclusão:
Recomenda-se que o olhar sobre a paternidade seja ampliado, possibilitando assim, que ações sociais e assistenciais estejam
voltadas para a aproximação e maior inclusão do pai neste contexto.
Palavras-chave: Paternidade. Ausência paterna. Contexto familiar. Assistência à saúde.
Abstract
Introduction: Discuss about fatherhood becomes important to understand the role of the father in the family and the reasons
that lead him to be absent; motives for the father not be included in the reproductive health. Objective: To reflect the changes in
fatherhood and the theoretical work performed using a literature survey. Methods: Literature survey using the terms: fatherhood, paternal involvement and paternal absence, linking the themes to the family context and health services. Results:
Although there are studies focused on the theme of fatherhood, still greater efforts are needed to include the father in the family
and in health care, in a view other than the traditional provider. Conclusion: It is recommended that the look on paternity is
expanded, thus enabling social and assistance actions oriented to the approximation and greater inclusion of the father in this
context.
Keywords: Fatherhood. Paternal absence. Family context. Health care.
Introdução
Pensar a paternidade em épocas distintas salienta a importância dessa figura e os diferentes movimentos de construção dessa função. O pai pode ser, sobretudo, um provedor, um companheiro que auxilia nas
tarefas domésticas, colaborador na criação dos filhos,
entre outros. Além da função que tem, a figura paterna
é elemento essencial para o desenvolvimento satisfatório dos filhos assim como um suporte à mulher no exercício da maternidade.
A ideia da paternidade tem diferentes sentidos
em sociedades e culturas diversas e sofreu importantes
mudanças ao longo dos tempos. Pode-se afirmar que se
aprende a ser pai para além da família e das relações de
parentesco, nos múltiplos contextos em que há interação, e que as ações, valores e sentimentos, aí presentes, são sempre mediados por questões culturais1.
A paternidade é um aspecto significativo para a
experiência da masculinidade, tendo em vista que,
geralmente, tal experiência é atrelada no imaginário
social à noção de virilidade. Ela pode ser vivida como
um momento importante, na medida em que implica
novos arranjos no cotidiano masculino, de modo a
inseri-lo na cultura e no pleno reconhecimento social2.
Diversos estudos têm apresentado o papel do
pai como significativo no desenvolvimento dos filhos3,
estendendo-se além do incentivo ao envolvimento
paterno nos cuidados assistenciais junto à mãe e ao
bebê. O desempenho da paternidade é cada vez mais
entendido como decisivo na qualidade do vínculo mãebebê, e no exercício da maternidade4-6.
Refletir sobre as mudanças históricas e culturais
que permearam a função paterna torna-se necessário
para uma compreensão das dificuldades com que este
pai se depara atualmente.
Por muito tempo a importância do pai no desenvolvimento psicológico da criança foi desconsiderada
em prol do relacionamento mãe/filho. Até meados da
década de 70, as funções do pai focavam no provimento
e sustento econômico da família, sendo pouco esperada sua participação no desenvolvimento dos filhos7. A
partir dos anos 70, começou-se a reconhecer o pai
durante a gravidez e que não apenas a mãe ficava grávida, embora essas mudanças continuem lentas. A pouca
presença paterna, especialmente durante a gestação,
de acordo com Thompson e Crase8, estava relacionado
à ênfase nas questões da gestante e da saúde do bebê, o
que tornava o pai praticamente invisível nesse período.
Já na década de 80, estudos começaram a mostrar que o pai era importante para o filho desde seu nascimento, uma vez que o bebê percebe o pai já nos primeiros dias de vida e que a formação do vínculo com o bebê
era estabelecida principalmente a partir do nascimento,
1.
Mestre em Saúde Materno-Infantil. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Docente. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Acadêmica do Curso de Medicina. Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
Contato: Edna Lúcia Coutinho da Silva. E-mail: [email protected]
2.
3.
54
Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012
SilvaELC, LamyZC, Rocha LJLF, LimaJR
com a convivência e desenvolvimento do filho9,10.
Assim, mesmo com o surgimento de conceitos
mais específicos às funções do pai, alguns autores
apontam que o papel paterno encontra-se em um processo de redefinição, em que coexiste a função tradicional do pai como provedor, com as demandas de um
pai mais presente, que tenha maior envolvimento e
participação nos cuidados com o filho11,12.
Durante a gravidez, tradicionalmente a atenção
direciona-se quase exclusivamente para a mulher, para
suas mudanças biológicas e psicológicas. Ao homem
direciona-se um papel menos importante, suas emoções e pensamentos não são valorizados igualmente
frente à nova realidade13. Até algum tempo atrás ele
tinha que demonstrar atributos considerados tipicamente masculinos, agora ele é convidado a ser mais
sensível, colaborador e cuidador em relação à esposa e
aos filhos14. A figura paterna deve ser mais presente e
participativa, buscando, inclusive, o reconhecimento
da importância do seu papel.
Costa et al.,14 enfatizam que a participação do
homem desde o início da gestação é crucial para a preparação do exercício da paternidade, dando, inclusive,
uma significativa contribuição ao equilíbrio afetivo do
casal. A figura do pai na esfera atual encontra-se repleta
de significações.
A mulher, desde a fase gestacional, necessita de
apoio social e familiar e embora o papel decisivo que tem
a figura da mãe-da-mãe no processo de construção da
maternidade e do vínculo com o bebê, a figura do pai
vem aparecendo cada vez mais15. Silva et al.,16 apontam
que a mulher, nesse momento singular, tem no companheiro um suporte dos mais importantes. Destacam
ainda que haja poucos estudos que incluam a participação paterna na saúde materno-infantil, e que o
propósito da inclusão do homem nesse processo não
deve visar apenas a saúde da mãe e do bebê, mas também a saúde masculina, o homem assumindo e vivendo a
experiência das funções de pai e companheiro.
Além disso, considera-se que a paternidade,
além de ser uma construção sócio-cultural, é um processo em que o homem precisa se envolver com toda a
sua história de vida, suas experiências pessoais, sua
condição psíquica, ou seja, para um homem estar presente como pai, pesa a relação com seu próprio pai,
com sua mãe, e a história dele enquanto filho.
Reconhecendo a importância do pai e a sua participação, desde o momento da gestação, principalmente nos
serviços de saúde, onde muitas vezes nem é convidado a
entrar na consulta, ficando na sala de espera, mas também
na família, onde lhe está limitado outro lugar que não o do
provedor, buscou-se compreender as mudanças nesse
processo por meio de levantamento bibliográfico. Aqui
algumas questões podem ser apontadas, e que serviram
de norte: Qual a produção científica existente sobre a temática em questão? Qual o papel paterno na estruturação e
funcionamento familiar? Caso o pai esteja ausente da família e dos serviços de saúde, quais as razões para isso?
Métodos
Trata-se de estudo orientado pela pesquisa bibliográfica. O material de análise incluiu teses, dissertações e
artigos relacionados à temática da paternidade publicados nos últimos cinco anos. A busca se deu nas seguintes
bases de dados: BIREME, Medline e Scielo, com os seguin-
Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012
tes termos: paternidade, envolvimento paterno, ausência
paterna. O segundo passo foi selecionar apenas os estudos que estivessem vinculados à paternidade e suas
repercussões no contexto familiar assim como no âmbito
da assistência à saúde.
Resultados e Discussão
Um dos principais termos que nortearam a
busca do material foi ausência paterna. Ausência nos
remete a afastamento, falta da presença, inexistência,
carência, falta de participação. Essa ausência, traduzida para a paternidade, reflete inúmeros significados
que podem ser percebidos em fenômenos diferentes, e
tem havido dificuldade em defini-la adequadamente17.
Nesse sentido, pode ser retratada como ausência quando o pai, mesmo sendo provedor e oferecendo
suporte emocional à mãe, assim como exercendo o
modelo de poder e autoridade perante os filhos, não se
envolva diretamente nos cuidados e na atenção necessários ao desenvolvimento do filho, mostrando-se
ausente do ponto de vista afetivo18. Nesse caso, a ausência paterna seria decorrente da distância emocional ou
falta de afetividade, que pode acontecer mesmo naquelas situações em que o pai está fisicamente presente.
Em muitos estudos, a ausência pode ser considerada a falta de convivência física (contato) entre pais
e filhos em virtude da separação conjugal/divórcio,
morte ou trabalho e em muitas situações englobam as
duas formas de ausência, uma vez que a distância física predispõe ao afastamento emocional do pai19.
Reflexões acerca da presença e participação
paterna no pré-natal, parto, pós-parto e, por conseguinte, do seu papel no contexto familiar, têm levado a
discussões de qual seria o real significado da figura do
pai e quais mudanças poderiam estar ocorrendo diante
da diversidade de arranjos familiares20.
Com a figura paterna ganhando importância e
sendo uma função significativa no desenvolvimento
dos filhos, a rápida ascensão do número de separações/divórcios e o afastamento do pai do contexto
familiar levaram a uma nova vertente de pesquisas que
passou a investigar as consequências da ausência
paterna2. As pesquisas apontam como ideal o fato de a
criança conviver com ambos os genitores, pois cada
um contribui positivamente para algum aspecto do seu
desenvolvimento, e porque a ausência do genitor, ou
uma relação pouco harmoniosa com ele, leva a comprometimentos psicológicos, sociais ou cognitivos21.
Entretanto, foi somente a partir dos estudos
sobre a mulher, impulsionado pelo feminismo, que
pesquisadores buscaram compreender melhor a masculinidade, que passou a ser vista sob outro prisma,
como construção social3.
A perda da legitimidade do patriarcado é uma das
mudanças mais importantes que caracterizam o final do
século XX, tendo como um de seus sinalizadores o
aumento de famílias monoparentais chefiadas por
mulheres e o ofuscamento da figura paterna na constituição familiar22. O patriarcado, como uma política sexual presente nos atos mais privados e pessoais, ancora-se
não só na dominação coletiva dos homens sobre as
mulheres, mas na separação entre mundo masculino e
feminino, levando ao afastamento do mundo materno,
considerado inferior em relação ao paterno23.
55
PATERNIDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA
Neste sentido, o lar e a maternidade, com as
tarefas domésticas e o cuidado infantil, não são esferas
masculinas23, mas poderiam tornar-se campos possíveis para o exercício da paternidade. Entretanto, apesar
da mudança no cenário doméstico, denominando-o
família pós-patriarcal, com uma visão mais igualitária
quanto à divisão sexual do trabalho, a grande maioria
das famílias ainda se organiza sobre as bases tradicionais pautadas na complementaridade das funções17.
A palavra cuidado tem sido empregada em uma
diversidade de situações e com sentidos distintos.
Fundamentando-se nos estudos feministas, argumenta-se que a personalidade da mulher é, desde cedo,
construída com base nas noções de relacionamento,
ligação e cuidado, o que a levaria a se sentir responsável pela manutenção das relações sociais e pela prestação de serviços aos outros, características centrais no
modelo de feminilidade. Os homens, por sua vez, são
estimulados a se defenderem e atacarem, sendo socializados desde cedo, para responderem às expectativas
sociais, de modo proativo, em que o risco não é algo a
ser evitado e prevenido, mas enfrentado e superado5.
O cuidado na relação com os filhos, dentro do
debate do feminismo, do gênero e dos estudos sobre
os homens e as masculinidades, ressalta que é importante situar a própria estrutura familiar num contexto
histórico e social, pensando nas diversas formas em
que as relações de gênero se dão e como a paternidade
foi exercida em diferentes momentos. Neste contexto,
se os homens foram repreendidos severamente, até
mesmo com punições físicas, por terem tentado
expressar carinho e cuidado na sua infância, é possível
imaginar como, para alguns deles, o ato de cuidar e
demonstrar carinho pode ser difícil5.
A reflexão sobre o papel do pai no cuidado remete a alguns questionamentos quanto ao comportamento relacionado ao incentivo às meninas a brincarem de
boneca (o que pode ser entendido como um suposto
“treinamento” para uma futura maternidade) e ao menino isso não é permitido? Por que a primeira impressão
que surge para a grande maioria das pessoas quando
um menino quer brincar de boneca é o medo de ele vir a
ser homossexual? Por que essa brincadeira nunca pode
ser interpretada como um menino brincando de pai?24.
Se a maternidade é um fato e a paternidade uma
possibilidade, neste contexto a criança precisa da presença paterna para seu desenvolvimento. Basta salientar
que aproximadamente no quarto mês de vida, o filho
descobre o pai como a primeira pessoa fora do ventre da
mãe, tornando-se o elemento que vai atuar como mecanismo capaz de fazê-lo desprender-se da mãe18.
Assim, na delicada relação desse triângulo, é
importante como esse pai estará presente a partir
dessa mãe, posto que é ela que muitas vezes está mais
diretamente com a criança. Grisard Filho25 ressalta que
haverá inúmeras consequências para o filho se a mãe
não souber separar as controvérsias do casal e a questão da paternidade. Quando ambos cooperam entre si
e não expõem os filhos aos seus conflitos, minimizam
a probabilidade de desenvolverem problemas emocionais, escolares e sociais.
Outro resultado importante é a presença/
ausência paterna nos serviços de saúde, a função
paterna inserida, ou não, nas práticas assistenciais.
Apesar de algumas mudanças já percebidas, a
56
exclusão do pai no contexto da saúde reprodutiva
permanece acontecendo nos Programas de Saúde26.
Refletir e discutir sobre as políticas de inclusão da figura paterna no âmbito da assistência à saúde torna-se
essencial para uma atenção mais globalizada e humanizada, considerando a saúde como um bem-estar
geral e global, onde todos os componentes da família
são convidados a participar de forma ativa27.
Tomando as modificações por que tem passado
a figura paterna, destaca-se a presença deste nos
períodos pré e perinatal junto à sua companheira, possibilitando, inclusive, que o pai receba do bebê elementos que fortaleçam e construam o exercício da
paternidade28. É pela vivência, superação dos conflitos
e expressão das experiências afetivas mais profundas
que o homem deve se tornar e vivenciar o ser pai18.
O termo engrossment significa absorção, preocupação e interesse, além de ser um potencial do pai
em relação ao bebê. Representa uma resposta positiva
e significativa dos pais frente aos recém-nascidos, e
diz respeito ao laço que se estabelece entre ambos26.
Neste sentido, a gestação configura-se como um
período de preparação tanto para a mãe quanto para o
pai. Quanto mais fortes forem os laços afetivos fixados
entre pai e filho na gravidez, melhor será o desenvolvimento da paternidade e do vínculo pai-filho na vida
extra-uterina. O estabelecimento desses laços nos
primeiros estágios da vida é um elemento de grande
significação para viver a instituição da paternidade29.
Na gravidez, homem e mulher deixam de serem
apenas filhos para se tornarem pais, onde ambos
vivenciam essa transição com expectativas, anseios,
temores e fantasias. O homem também sofre o impacto da mudança de papéis com sentimentos de medo
mesclados com a responsabilidade com o bebê que
será gerado. Além disso, tem que conviver com alterações no comportamento da companheira, desencadeando uma fase de conflitos. Assim, sentir-se pai é um
fato que pode ocorrer somente após o nascimento e,
em alguns casos, mesmo após a chegada do bebê, o
sentimento de paternidade ainda não é tão perceptível,
assim como o peso da responsabilidade que esse evento pressupõe18.
Novas vivências referentes à paternidade podem
levar ao distanciamento durante a gravidez, com possibilidade de isto se manter após o parto, devido à ambivalência presente nesse período. As questões emocionais, individuais da história de cada um, além das culturais, religiosas e familiares permearão a construção da
paternidade como experiência desejada ou não, estabelecendo muitas vezes como será a relação entre
homem-mulher e o novo componente familiar, o bebê18.
Assim, a participação do homem na gravidez o
faz sentir-se parte do processo e se reflete na qualidade de vida do casal. Pode-se afirmar que os pais mais
engajados emocionalmente na gestação estariam mais
predispostos a reagir adequadamente às necessidades
de apoio e compreensão de suas companheiras. Estudos sobre percepção precoce da paternidade relatam
envolvimento emocional e comportamental desde os
primeiros estágios da gestação29-31.
Já na paternidade adolescente o sentimento
tardio é muito comum. O processo de tornar-se pai é
lentamente construído a partir da vivência relacional
pai-filho10. Em consonância com esse pensamento, a
Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012
SilvaELC, LamyZC, Rocha LJLF, LimaJR
intenção de ser pai é diferente da intenção de ser mãe:
o ser pai vem com a maturidade a partir de um projeto
de constituir uma família e não do sonho de ter um
filho, sonho acalantado em toda uma vida, como ocorre com as mulheres20,32.
Diante disso, para que o homem sinta-se pai
antes do nascimento do filho é necessário, além da proximidade física com a gestante, o envolvimento afetivo
e a aceitação da gravidez, além da necessidade de ter
sido construída como projeto no passado, mesmo que
esse projeto fosse para outro momento18. O fato de o
homem muitas vezes não sentir-se parte do processo
durante a gravidez tem toda uma explicação histórica,
envolta em mitos e símbolos culturais, onde o homem
não podia participar desse processo face ao sofrimento
e condições em que a mulher se apresentava. Essa visão
vem tentando ser modificada e direcionada a uma participação mais efetiva do pai nesse processo33.
No entanto, há muitas controvérsias nessa questão, tendo em vista que a concepção de paternidade
ainda tem raízes históricas que a desvinculam da gravidez, sendo a mãe considerada a geradora da vida. Por
sua vez, a ausência paterna pode ser justificada pelo
respeito à privacidade feminina, sendo o gestar e o
parir intrínsecos à responsabilidade da mulher. O pai
não sabe como se situar, cabendo-lhe o papel de observador passivo19.
Assim, os homens tentam viver a experiência de
ser pai, rompendo estereótipos do passado e se aproximando dos aspectos afetivos dessa relação, aliando
o papel de provedor à demonstração de afeto e cuidado34. Nessa perspectiva, muitos estudos têm sido
difundidos no intuito de apresentar a relevância e significado do papel paterno na assistência9,24.
Na assistência à saúde, há necessidade de compreensão, aceitação e preparação para a inserção da
figura do pai como um dos sujeitos diretamente envolvidos desde o processo gestacional28.
Em 2008, o Ministério da Saúde lançou o Plano
Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, que
traz as diretrizes que fomentam políticas públicas
voltadas à população em questão, sobre as práticas
contraceptivas às mulheres, assegurando aos homens
o direito à participação no planejamento reprodutivo.
Desta forma, destaca-se a paternidade como um direito do homem de acompanhar o processo, compreendendo o acompanhamento da gravidez, do parto, do
pós-parto e da educação da criança. Esta proposta
teórica, muitas vezes, infelizmente, não se reflete na
prática atual do Sistema de Saúde17.
Os pais ainda esbarram em inúmeras dificuldades para acessar o Sistema de Saúde, desde barreiras
institucionais, como a inexistência de atividades direcionadas a eles, até questões culturais, como a reprodução ainda ser considerada exclusivamente feminina.
As empresas ainda dificultam a saída dos homens para
acompanhar suas parceiras à consulta pré-natal.
Somem-se a isso questões familiares: devido à maioria
das companheiras não trabalhar, fica ainda a cargo do
homem o papel de provedor; ou ainda o fato de residirem com familiares que não incentivam a participação
masculina nesse cenário35.
É importante ressaltar ainda que, muitas vezes,
maternidade e gravidez são vistas como termos sinônimos. Se a maternidade tem mais a ver com a qualidade
Rev Pesq Saúde, 13(2): 54-59, maio-agost, 2012
de ser mãe, um laço que liga a mãe aos filhos, a gravidez refere-se ao período em que a mãe carrega no
útero um novo ser. Isto não significa dizer que toda
grávida desempenhará o papel de mãe. Uma atribuição
equivocada de significados pode acabar legitimando a
figura materna como insubstituível nos cuidados e
formação dos filhos e o pai visto apenas como um coadjuvante, muitas vezes esquecido23.
Com relação às políticas públicas, é notório que
os homens não costumam ser foco de atenção nos serviços de saúde, perpetuando a representação da reprodução como responsabilidade feminina10. Persistindo a
exclusão dos pais nos serviços obstétricos e pediátricos, a motivação e desejo deles de se envolverem com
os bebês são frustrados pela negligência e mesmo
rejeição à sua presença, num descompasso entre as
ações de saúde e o incremento da paternidade23,34.
Apesar de todas as mudanças na esfera da
saúde que colaboram para a inclusão da figura masculina, este ainda depara-se com dificuldades para participar ativamente do processo, seja por vergonha ou
por proibição do Serviço de Saúde, fato observado no
cotidiano da assistência4. No estudo de Gonçalves et
al.20, embora muitas adolescentes tenham referido que
os companheiros as acompanhavam nas consultas de
pré-natal, muitos deles não entravam no consultório.
A paternidade não é uma essência inerente aos
homens em forma concreta. Para que os homens sejam
efetivamente inseridos na paternidade é necessária uma
série de operações complexas por meio das quais eles
se encontram vinculados aos dispositivos de produção
nos diferentes e múltiplos modelos de paternidade10.
Uma pesquisa sobre a participação do pai adolescente nos programas públicos de atendimento prénatal em Florianópolis (SC) revelou que os poucos
homens que ali se encontravam, no momento da entrevista, permaneciam na sala de espera aguardando a
parceira, sendo que apenas um deles não manifestou
interesse em acompanhá-la na consulta. Todos os
outros manifestaram interesse em estarem mais próximos, acompanhando a gestação do filho, e que na
maioria das vezes, os homens não são convidados para
participar do processo e menos ainda inseridos nos
programas. O estudo revelou ainda os pais que aguardavam na sala de espera, sequer foram convidados
para adentrar a sala de consulta13.
No caso do pai adolescente há ainda tabus maiores, tendo em vista que sofre uma reação negativa do
meio que o rodeia: os serviços de saúde não o incluem
nos programas de educação perinatal e os adultos
transformam a censura pelo início precoce das relações sexuais em condenação20.
Krob et al.,18 apontam que há necessidade de
maior contribuição da literatura sobre a temática da
paternidade, enfatizando que, assim como a mãe, o
pai também deve ser um sujeito percebido e valorizado. É preciso considerar a transição para a paternidade
propriamente dita, além de destacar fatores que
podem facilitar ou dificultar o exercício dessa função,
que deve ser vista desde o período gestacional. Ainda
falta um incentivo maior acerca dos programas de
assistência voltados para o funcionamento familiar
como um todo, isto é, incluindo a figura paterna nesse
processo12.
Diante de tantas discussões, ainda é necessário
57
PATERNIDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA
recorrer às propostas já existentes e que precisam de
fato se consolidar na realidade. O Ministério da Saúde
instituiu o Programa de Humanização no Pré-Natal e
Nascimento36 através da Portaria 569 de 01 de junho de
2000, visando melhorar a qualidade da assistência e
diminuir a morbimortalidade materna e perinatal; no
entanto, observa-se que no cotidiano assistencial o
homem ainda continua à margem desse processo.
O referido Programa visa o direito à humanização da assistência obstétrica e neonatal como condição para o adequado acompanhamento do parto e
puerpério. A humanização destaca seu texto, compreende, entre outros, dois aspectos fundamentais36:
O primeiro diz respeito à convicção de que é
dever das unidades de saúde receber com dignidade a mulher, seus familiares e o recémnascido. Isto requer atitude ética e solidária por
parte dos profissionais de saúde, organização
da instituição de modo a criar um ambiente
acolhedor e adotar condutas hospitalares que
rompam com o tradicional isolamento imposto à
mulher. O segundo refere-se à adoção de medidas e procedimentos sabidamente benéficos
para o acompanhamento do parto e do nascimento, evitando práticas intervencionistas desnecessárias que, embora tradicionalmente realizadas, não beneficiam a mulher nem o recémnascido e que, com frequência, acarreta maiores riscos para ambos (p. 5-6).
Além disso, o Ministério da Saúde através da Lei
Federal 11.108, de 7 de abril de 2005 (lei do acompanhante)36, assegura à mulher a livre escolha de um
acompanhante tanto no pré-parto quanto no puerpério, mas este dispositivo também tem sido negligenciado na maioria das situações assistenciais.
Os homens que tiverem a oportunidade de estar
envolvidos emocionalmente, vivenciando em conjunto
o pré-natal, parto e puerpério com a mulher, terão
maiores chances de serem pais mais comprometidos
com a saúde e, por conseguinte, com a qualidade de
vida da família36.
Neste sentido, reitera-se que apesar de estudos
já abordarem o tema, o processo de inclusão do pai na
assistência pré-natal e puerperal ainda se encontra em
construção. Cabe a todos os sujeitos envolvidos nesse
processo somarem esforços na tentativa de reverter a
situação em que se encontra atualmente este aspecto
da assistência à saúde reprodutiva.
Considerações
Discutir sobre o papel paterno não é uma novidade, mas sua inclusão ainda esbarra em muitos obstáculos. Os estudos analisados apontam que a percepção de um pai mais participativo e atuante no contexto
familiar ainda é questão a ser ampliada, pois normalmente se associa a figura materna aos cuidados com as
tarefas domésticas e com os filhos, deixando ao pai o
papel exclusivamente de provedor.
Apesar das inúmeras mudanças que têm ocorrido ao longo dos tempos, como a inclusão da mulher no
mercado de trabalho, marca-se a necessidade de maior
engajamento da figura paterna, contribuindo para
uma maior funcionalidade do casal e da família como
um todo, possibilitando aos filhos um crescimento e
desenvolvimento mais saudável e seguro.
Além disso, os estudos apontaram que a inserção do pai na saúde reprodutiva ainda é um assunto
incipiente, com pouca solidez em sua concretização,
devendo ser valorizada a presença da figura paterna
desde a consulta pré-natal, estendendo-se ao parto e,
por conseguinte, nos cuidados com os filhos. Essa
aproximação tende a facilitar, não só o relacionamento
entre os membros da família, mas da família com a
equipe dos serviços.
Assim, é importante que outros estudos possam
ser organizados na tentativa de ampliar os olhares
para a temática em questão, permitindo uma maior
vigência das políticas públicas voltadas para a esfera
social no tocante às famílias e à assistência.
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59
ISSN-2179-6238
Artigo Original / Original Article
IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA SUSTENTÁVEL NA INTERFACE SAÚDE/AMBIENTE
IMPORTANCE OF SUSTAINABLE DENTISTRY IN HEALTH/ENVIRONMENT INTERFACE
Janaína de Fátima dos Santos de Freitas-Anceles1, Vanessa Camila da Silva2, Frederico Silva de Freitas-Fernandes3, Andréa Lúcia Almeida de
Carvalho4
Resumo
Introdução: A dicotomia entre o ser humano e a natureza está, cada vez mais, sendo abordada pela comunidade científica em
meio aos riscos ecológicos globais. Para a sustentabilidade de seus trabalhos, as organizações necessitam incluir atenção à
qualidade do meio ambiente e para uma gestão em saúde com enfoque ambiental para conhecer os aspectos e impactos ambientais que as atividades do setor podem ocasionar ao meio ambiente. A prática odontológica abrange uma gama de atividades e
de interfaces que interagem não somente com o processo saúde-doença bucal, como também com os aspectos e impactos
ambientais. Objetivo: Verificar o andamento científico em torno da dicotomia saúde/ambiente caracterizando a odontologia
sustentável com seus modos de manejo de resíduos de forma a minimizar os impactos causados ao meio. Conclusão: Apesar
dos resíduos produzidos pela classe odontológica terem potencial para causar grandes impactos ambientais, há pouca preocupação por parte do governo, das Instituições de Ensino Superior e dos profissionais com o manejo desses resíduos. É importante que haja mais estudos e conscientização dos profissionais sobre as formas de minimizar tais impactos, o que possibilitará a
inclusão da classe odontológica no constante interesse com a sustentabilidade, em vista à formação de uma consciência coletiva sobre a preservação do ambiente.
Palavras-chave: Meio Ambiente e Saúde Pública. Desenvolvimento Sustentável. Resíduos de Serviços de Saúde.
Abstract
Introduction: The dichotomy between humans and nature has been increasingly focused by the scientific community in the
midst of global ecological risks. For the sustainability of their work, the Organizations need to include attention to the quality of
the environment and health management using an environmental approach. It is also important to know the environmental
aspects and impacts that the sector activities may cause to the environment. The dental practice includes a range of activities
and interfaces that interact not only with the health-disease process, but also with the environmental aspects and impacts.
Objective: Thus, the purpose of this review was to assess the scientific progress around the dichotomy health/environment,
characterizing the sustainable dentistry with its types of waste management in order to minimize the impacts to the environment. Conclusion: Although the waste produced by the dental profession has the potential to cause major environmental
impacts, there is little concern of the Government, Institutions of Higher Education and dentistry professionals about the management of these wastes. More researches and professional awareness about ways to minimize such impacts are important. All
these actions will make possible to include the dental profession in the constant of world interest to sustainability in order to
form a collective awareness about the preservation of the environment.
Keywords: Environment and Public Health. Sustainable Development. Medical Waste.
Introdução
Nos últimos anos, a abordagem de questões da
interface saúde e ecologia tem-se tornado uma temática importante para pesquisadores de diversas áreas do
conhecimento, ao possibilitar a análise e a intervenção
para preservar a vida no planeta. Percebe-se cada vez
mais a necessidade de consolidar um corpo de conhecimentos científicos que permita evidenciar as implicações inerentes a este contexto1, incluindo a análise dos
determinantes do processo com ênfase na sustentabilidade socioambiental2.
Segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das
Nações Unidas, desenvolvimento sustentável é aquele
que atende às necessidades atuais sem comprometer a
possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as
suas próprias necessidades. Nos últimos anos, tem
havido um crescente interesse da sociedade em questionar o desempenho ecológico das organizações, o que
é oportuno, principalmente, pelo dever imposto ao
poder público e à coletividade de defender e preservar
o meio ambiente para as gerações atuais e futuras,
como bem acentua o artigo 225 da Constituição Federal (1988)3. Isso é reiterado por Corrêa et al.,4 que afirmam que para a sustentabilidade de seus trabalhos, as
organizações necessitam incluir atenção à qualidade
do meio ambiente.
Segundo Rossato et al.,5 gestão ambiental é a
administração das atividades a fim de utilizar da
melhor maneira os recursos naturais, preservando a
biodiversidade e amenizando os impactos ambientais.
Por outro lado, para implantação de uma gestão com
enfoque ambiental, baseada na educação e sensibiliza-
1.
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Professora Ajunta do Departamento de Odontologia II da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Professor Substituto do Departamento de Odontologia I da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
2.
Professora Associada do Departamento de Odontologia I da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Contato: Andréa Lúcia Almeida de Carvalho. E-mail: [email protected]
2.
2.
60
Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012
Freitas-Anceles JFS, Silva VC, Freitas-Fernandes FS, Carvalho ALA
ção ambiental, é necessário ter conhecimento do
impacto ambiental que as atividades do setor podem
ocasionar ao meio ambiente6.
A prática odontológica abrange uma gama de
atividades e de interfaces que interagem não somente
com o processo saúde-doença bucal, como também
com os aspectos e impactos ambientais. Infelizmente,
os Resíduos Sólidos de Saúde (RSS) odontológicos incluindo metais pesados e lixo biomédico, representam potenciais desafios para o meio ambiente, o que
leva a uma preocupação cada vez maior com o gerenciamento desses resíduos, já que, atualmente, há uma
maior preocupação com a preservação da biodiversidade. Todos esses fatores tornam a odontologia uma
seara fértil no enfoque da saúde ambiental, dando
origem à Odontologia Sustentável. O surgimento
desse ramo da odontologia possibilitou a inserção da
classe na perspectiva de preservação ambiental, o que
é de suma importância, visto que, as atividades desenvolvidas pelos cirurgiões dentistas geram grande quantidade de resíduos, os quais, em sua maioria, podem
ser reaproveitados ou tratados antes de sua eliminação
para o meio ambiente.
Diante do exposto, essa revisão da literatura
teve como objetivo verificar a produção científica em
torno da dicotomia saúde/ambiente caracterizando a
odontologia sustentável com seus modos de manejo
de resíduos de forma a minimizar os impactos causados ao meio.
Interação saúde/ambiente
Os problemas ambientais e de saúde estão intimamente relacionados, já que afetam sociedades e o
ser humano em várias dimensões7. Porto8 menciona
que é necessária a busca de um diálogo entre profissionais das áreas ambientais e da saúde e outros atores
sociais, por meio de práticas interdisciplinares e intersetoriais, como forma para a construção de um novo
modelo de desenvolvimento.
O fortalecimento desta relação saúde-ambiente
traz uma nova perspectiva, que busca englobar o modelo industrial e associar a ideia de que o progresso deve
estar alinhado com a questão ambiental9. Porém, há
pouco engajamento no campo técnico e prático da
saúde para reverter ou evitar o processo de degradação ambiental1. Para Morel10, tão importante quanto
estabelecer prioridades de pesquisa em saúde é a
garantia de que este conhecimento gerado resulte em
intervenções efetivas ao nível de políticas públicas e
privadas.
O processo de gestão do meio ambiente compreende diretrizes e atividades, tanto administrativas
quanto operacionais, que envolvem fatores como planejamento, direção e controle, sempre procurando
produzir efeitos positivos no meio ambiente, protegendo-o das ações humanas. É preciso criar Sistemas
de Gestão Ambiental, que são estruturas que seguem
padrões para gerenciar as atividades referentes ao
meio ambiente, de forma sistematizada e possibilitando gerar informações11.
A produção científica relacionada à saúdeambiente tem grande relevância no Brasil. O país
ocupa o terceiro lugar do ranking, ficando atrás, apenas, dos Estados Unidos e da Rússia. Dentre estes estu-
Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012
dos, 26% se referem à abordagem epidemiológica e de
ecologia de vetores. Estudos sobre políticas públicas
de desenvolvimento sustentável, globalização e qualidade de vida totalizam 25%. Porém, a exposição a poluentes ambientais representa, somente, 5% dos estudos, enfatizando a exposição ao mercúrio, amianto,
resíduos sólidos e praguicidas1. Estes últimos, devem
se tornar cada vez mais específicos, visando a colaboração de classes profissionais, setores industriais e
governos em favor do meio ambiente.
Educação, conscientização e sensibilização
ambiental
Conforme a Lei 9.795, de 27 de abril de 199912,
a Educação Ambiental é entendida como o conjunto de
processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do
povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (Artigo 1º), sendo um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar
presente, de forma articulada, em todos os níveis e
modalidades do processo educativo, em caráter formal
e não-formal (Artigo 2º).
Atualmente a sociedade vive uma crise de fundo
espiritual, de valores. Não se muda as tendências apenas reciclando latinhas e assustando as pessoas com
ecoterrorismo. Elas precisam ser sensibilizadas e não
aterrorizadas. O processo de Educação Ambiental deve
identificar problemas e soluções, mas deve solidificar
os aspectos positivos do ambiente preservado para
que a valorização e o envolvimento ocorram. A Educação Ambiental deve chegar ao indivíduo e ao seu coração. Não há outra linguagem mais eficaz. Com isso,
englobam-se os conceitos de conscientização e sensibilização. A conscientização é o processo de percepção individual da realidade ambiental que impele a um
julgamento de valor sobre os atos de cada um; e sensibilização, o processo associado ao de conscientização
que leva a experimentar sentimentos com relação à
necessidade da proteção ambiental13.
Uma das grandes questões em relação à educação ambiental, conscientização e sensibilização é a
obtenção de algo que a própria educação não conseguiu: estabelecer uma linguagem única, um entendimento consensual da realidade e, em última análise,
uma conduta social mais favorável para a sobrevivência do planeta e a promoção da saúde coletiva14. Não se
acredita que o simples fornecimento de informações
acerca do meio ambiente e da saúde seja suficiente. A
informação, sem o apoio e a crença de que o esforço
vem sendo desenvolvido de forma conjunta pelo
governo e pela sociedade, torna-se pouco influente no
sentido de favorecer a ação. É necessário o favorecimento da dimensão social transformadora e questionadora, visando o desenvolvimento individual e coletivo, na solidariedade e ajuda mútua, destacando a participação e o controle social como fundamentais para
implementar e consolidar as ações.
Corroborando tais argumentos, Tauchen e
Brandli15 afirmam que a gestão ambiental e o desenvolvimento de uma consciência ecológica em diferentes
camadas e setores da sociedade mundial acabam por
61
IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA SUSTENTÁVEL NA INTERFACE SAÚDE/AMBIENTE
envolver o setor da educação, a exemplo das Instituições de Ensino Superior (IES), seja na qualificação de
seus egressos, futuros tomadores de decisão, formação de profissionais preocupados com as questões
ambientais, seja como exemplo e formação de uma
sociedade mais justa econômica, social e ambientalmente5. No entanto, ainda são poucas as práticas
observadas nas IES, as quais têm o papel de qualificar e
conscientizar os futuros formadores de opinião. Rossato et al.,5 perceberam que ainda é muito incipiente a
preocupação com as questões ambientais por parte
das Instituições Federais de Ensino, uma vez que apenas 19,4% (18 Instituições) das 93 Instituições pesquisadas no Brasil apresentaram órgãos, coordenadorias,
secretarias ou departamentos destinados à problemática ambiental. O papel de destaque assumido pelas
IES no processo de desenvolvimento tecnológico, na
preparação de estudantes e fornecimento de informações e conhecimento, pode e deve ser utilizado também para construir o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e justa. Para que isso aconteça, entretanto, torna-se indispensável que essas organizações
comecem a incorporar os princípios e práticas da sustentabilidade, seja para iniciar um processo de conscientização em todos os seus níveis, atingindo professores, funcionários e alunos, seja para tomar decisões
fundamentais sobre planejamento, treinamento, operações ou atividades comuns em suas áreas físicas. A
educação é a chave do desenvolvimento sustentável e
autossuficiente15.
Com isso, torna-se necessário expressar sucintamente o comprometimento com o meio ambiente,
através da educação, como sendo a contínua intencionalidade e prática em considerar a proteção ambiental
nas decisões gerenciais e operacionais cotidianas13.
A preservação/recuperação do ambiente é algo
que atinge a todos e por isso, a busca pelo comprometimento deve ser iminente. Verificando-se tal comportamento inserido na abordagem dos Resíduos Sólidos
de Saúde (RSS), observa-se uma falha no processo de
formação de futuros profissionais. Este é um aspecto
importante para justificar o que tem acontecido em
relação a esses resíduos, tanto nos estabelecimentos
de saúde, como no meio ambiente. Daí a relevância da
educação ambiental16. É necessário considerar que um
projeto educativo seja mais do que treinamento e
conhecimento de fatos. Deve-se buscar a conscientização e sensibilização num esforço conjunto de desenvolvimento de condutas que visem favorecer a saúde e
o ambiente14.
Aspectos legais acerca de Resíduos Sólidos de
Saúde (RSS)
Aprovou-se em 02/08/2010 a Lei 12.305/10
que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a
qual regula a Política de RSS.
i) a resolução RDC nº 306/200417 que determina
que os RSS sejam separados, acondicionados e
coletados de acordo com sua classificação (APotencialmente infectantes, B- Químicos, CRadioativos, D- Comuns, E- Perfurocortantes).
ii) a resolução nº 358/2005 do Conselho Nacional
62
do Meio Ambiente (CONAMA)18 que dispõe sobre
o tratamento e a disposição final dos RSS e, portanto, aplica-se a todos os serviços relacionados
com o atendimento à saúde humana ou animal.
iii) a norma brasileira NBR ISO 14001/2004
(ABNT)6 atribui a responsabilidade do gerenciamento de RSS ao estabelecimento de saúde,
desde a geração até a disposição final, bem
como a necessidade de se elaborar e implantar o
Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde – PGRSS (Art. 4º).
Os resíduos de saúde são classificados como:
tipo A, resíduos com a possível presença de agentes
biológicos, que por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de
infecção; tipo B, resíduos contendo substâncias químicas, que podem apresentar risco à saúde pública ou ao
meio ambiente, dependendo de suas características de
inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade; resíduos do tipo C, constituídos por produtos
resultantes de atividades humanas que contenham
radionuclídeos (elementos radioativos) em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados
nas normas da Comissão Nacional de Energia NuclearCNEN e para os quais a reutilização é imprópria ou não
prevista; resíduos tipo D, resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radioativo à saúde ou
ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares; e, tipo E, formado por materiais
perfurocortantes ou escarificantes17.
Odontologia sustentável
De acordo com a ANVISA17, das 154 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados por dia no
Brasil, 2% representam os resíduos gerados nos serviços de saúde, incluindo a odontologia. Destes, 20% são
resíduos tóxicos e contaminantes que necessitam de
tratamento prévio à disposição final, tendo em vista o
risco que representam à saúde pública, ocupacional e
ambiental.
Para a realização de uma Odontologia Sustentável deve-se começar por procedimentos que devem se
integrar à preocupação ambiental, tendo em vista que
resíduos como amálgama, chumbo, revelador, fixador,
lixo contaminado e comum e outras atividades com
reciclagem, consumo de água e energia, se não gerenciados adequadamente, representam riscos eminentes
ao meio ambiente.
Um Programa de Gerenciamento de Resíduos de
Saúde pode ser capaz de minimizar ou até mesmo impedir os efeitos adversos causados pelos RSS, do ponto de
vista sanitário, ambiental e ocupacional. A grande maioria dos RSS da prática odontológica podem ser reciclados ou tratados antes de sua eliminação19-21.
A Lei 12.305/10 que instituiu a Política Nacional
de RSS salienta a importância da adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias ambientalmente saudáveis como forma de minimizar impactos
ambientais. Tal contexto, na realidade do serviço odontológico, pode ser pela implementação de uma EcoOdontologia através de uma maior divulgação das
normas de descarte e formas de manejo visando a
Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012
Freitas-Anceles JFS, Silva VC, Freitas-Fernandes FS, Carvalho ALA
minimização dos impactos ambientais.
Segundo um estudo da Associação Americana
Eco Dentistry, o impacto ambiental anual da odontologia, nos Estados Unidos, revela-se em 680 milhões de
barreiras de plástico descartáveis; 1,7 bilhão de pacotes
de esterilização; 28 milhões de litros de fixador;
4.800.000 folhas de chumbo; 3,7 toneladas de resíduos
de amálgama; 9 bilhões de galões de água (sistemas de
vácuo de água) ou 360 litros de água / dia / consultório22.
Ramalho et al.,11avaliaram a sustentabilidade de
serviços odontológicos em uma clínica odontológica
em Florianópolis (SC), e observaram uma avaliação
global de sustentabilidade de 59,6%, que é considerada
regular. Com relação ao índice de sustentabilidade
avaliado nesse estudo, observou-se uma situação de
desempenho ecológico médio, o que atende à legislação com relação à valorização ambiental e prevenção da
poluição. Entretanto, essa não é uma realidade das
clínicas odontológicas brasileiras, como observaram
Freitas et al.,22 em um estudo realizado em São Luís
(MA). De acordo com esse estudo 79,7% dos dentistas
na cidade de São Luís não realizam atividade sustentável em seu consultório, o que representa um índice
bastante elevado.
Resíduos odontológicos
Segundo Hiltz (2007)23, atividades sustentáveis
em um consultório odontológico podem gerar 90%
menos resíduos atuando-se em quatro frentes: redução, reciclagem, tratamento de resíduos, além de mobilização para uma mudança de paradigmas da comunidade odontológica, consolidando o binômio odontologia/meio ambiente nessa classe.
Dentre os resíduos odontológicos, permissíveis
de controle ambiental, estão incluídos – amálgama,
chumbo, revelador, fixador, embalagens em geral e
materiais não-contaminados.
Amálgama
O amálgama odontológico contém 50% de seu
peso em mercúrio, o qual é bioacumulativo e conhecido por seus efeitos tóxicos em plantas, animais e humanos21. Um dos efeitos do mercúrio no meio ambiente,
por exemplo, é a chuva ácida, que pode contaminar
mananciais de água e alimentos11. Nos seres humanos,
a contaminação pelo mercúrio pode ocasionar distúrbios cardíacos, respiratórios, neurológicos, imunológicos e articulares, além de adenopatias linfáticas,
anorexia e perda de peso24.
Apesar dos riscos do mercúrio à saúde e ao meio
ambiente, cerca de 30% do amálgama preparado nos
consultórios odontológicos é descartado diretamente
no meio ambiente, sem tratamento prévio. A fim de
reduzir a dispensa desse material tóxico no meio,
pode-se fazer de uso de armadilhas instaladas na cadeira ou realizar a instalação de filtros na bomba à vácuo,
os quais possibilitam a recuperação do material granulado, além da opção do equipamento separador de
amálgama. A Agência de Proteção Ambiental da Califórnia (EPA), estima que a utilização das armadilhas
nas cadeiras e filtros na bomba à vácuo capturam aproximadamente 70% do mercúrio gerado durante um
procedimento de restauração de amálgama24, 25.
Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012
Os separadores de amálgama direcionam-se à
captura de partículas de amálgama restantes que escapam das armadilhas e filtros. A Certificação da Organização Internacional para Normalização (ISO) 11143
exige que os separadores de amálgama sejam capazes
de reduzir a concentração de amálgama em 95%. A
maioria dos certificados ISO de separadores no mercado reduzem os níveis em até 99%. Os órgãos reguladores de qualidade de água afirmam que os separadores
de amálgama são a melhor tecnologia disponível, atualmente, para controle das descargas de mercúrio de
um consultório odontológico26.
Além das formas mecânicas de recuperação do
amálgama, Condrin (2004)26 ainda explicita que, em Los
Angeles - EUA, existe um programa de licença de Melhores Práticas de Gerenciamento – BMP, o qual exige relatórios periódicos e planejamento por escrito, além de
orientar formas de manejo com este resíduo, como:
Não enxaguar armadilhas, filtros ou recipientes
contendo amálgama, na pia;
Reciclar ou administrar como resíduos perigosos, amálgama, mercúrio elementar, cápsulas
de amálgama quebradas ou inutilizadas, dentes
extraídos contendo amálgama, ou resíduos de
armadilhas e filtros contendo amálgama;
Manter resíduos de amálgama em um recipiente
hermético e contendo água;
Separar excesso de amálgama dental que sobra
durante uma restauração e colocar em um recipiente apropriado;
Usar armadilhas para capturar amálgama dental
no consultório;
Trocar ou limpar armadilhas, no consultório
com frequência. Lavar o sistema de vácuo antes
de trocar a armadilha no consultório;
Trocar filtros de bomba à vácuo e telas mensalmente ou conforme indicado pelo fabricante;
Verificar a armadilha em sua pia para a presença
de qualquer resíduo contendo amálgama;
Eliminar todo o uso de mercúrio elementar à
granel e usar apenas amálgama pré encapsulado para restaurações;
Limitar a quantidade de amálgama preparado
para uma restauração e manter uma variedade
de tamanhos de cápsulas de amálgama para
garantir que a quase totalidade do amálgama
preparado seja usado;
Treinar funcionários que manuseiam ou podem
lidar com material contendo mercúrio sobre seu
uso e descarte;
Considerar o uso de tecnologias de remoção de
amálgama, tais como sistemas de sedimentação
ou separadores de amálgama.
Para Condrin26, um consultório odontológico
bem administrado aderindo a estas Melhores Práticas
de Gerenciamento, recomendadas pela Califórnia Dental Association (CDA), é possível reduzir o descarte de
amálgama no sistema de esgoto municipal em até 78%.
63
IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA SUSTENTÁVEL NA INTERFACE SAÚDE/AMBIENTE
Chumbo
Com o advento dos aparelhos de raio-x digitais,
o chumbo utilizado nas películas radiográficas tende a
ser extinto dos consultórios odontológicos, entretanto
a substituição dos aparelhos tradicionais de raio-x
pelos digitais ainda vai levar alguns anos, tendo em
vista o alto custo desses aparelhos. Nos Estados Unidos, 66 a 75% dos consultórios ainda usam aparelhos
de raios-x tradicionais. Essas práticas requerem disposição de 4,8 milhões de folhas de chumbo por ano22.
As folhas de chumbo presentes nas embalagens
de filmes radiográficos, também, podem ser recicladas, pois o chumbo é um metal pesado. Tal material
pode ser reciclado em sucatas22.
Revelador e Fixador
Radiografias são exames de extrema importância para a Odontologia, por auxiliar na obtenção do
diagnóstico e na realização de diversos tratamentos. O
filme radiográfico é formado por folhas de acetato e
celulose revestidas por duas camadas de emulsão de
gelatina contendo haletos de prata. A obtenção da
imagem se dá através da excitação dos cloretos de
prata pela radiação ionizante. O processamento do
filme ocorre através de etapas de revelação, onde o íon
Ag+ é reduzido, formando uma imagem latente; fixação, onde os cloretos de prata que não foram afetados
pela exposição são removidos, além de etapas de lavagem e secagem27.
As substâncias utilizadas para revelação e fixação de imagens são bastante tóxicas, o que exige tratamento antes do descarte desses produtos. O revelador
por ser uma solução muito básica e o fixador por conter prata, que é um metal pesado. A prata, por sua vez,
pode ser recuperada, uma vez que este metal é um
elemento com risco de escassez e que possui elevado
valor de mercado28. Esses efluentes apresentam elevado valor de Demanda Química de Oxigênio (DQO),
sendo que a do fixador é sempre mais alta que a do
revelador29, 30 e pH fora do intervalo permissível pela
legislação. Esses valores, estando fora da neutralidade, podem afetar a vida aquática de mares e rios no
qual forem lançados, causando a morte da fauna e
flora local27.
Para o tratamento do revelador, há que se neutralizar a sua basicidade, a qual pode ser feita com uma
mistura de água e ácido acético (vinagre) na proporção: 1 L de revelador x 10 L de água x 100 mL de vinagre; e confirmação com fita de pH que deve ficar entre
7 e 9; ou por processo eletrolítico, assim como o fixador para a recuperação da prata29, 30.
Bortoletto et al.,28 observaram que no laboratório de raio-x da Clínica Odontológica do Hospital Universitário de Maringá (HUM) são processadas 36 radiografias por dia, sendo a vazão média de água de enxágue de radiografias de 324,0 L por dia. De acordo com
esse autor, em um período de 15 dias, a Demanda Química de Oxigênio (DQO) do revelador e fixador utilizado nesse intervalo de tempoé de, respectivamente,
68250 e 97900 mg O2/L. No revelador, o pH foi de
10,9, ou seja, não se apresentando de acordo com a
Resolução n° 357/05 do CONAMA18 (pH de 5 a 9). No
fixador a prata apresentou um valor altíssimo, em
64
torno de 1024 mg/L, ultrapassando exageradamente o
limite estabelecido pelo CONAMA18 (0,1 mg/L). Segundo a American Dental Association, a concentração de
prata em solução de fixador usado pode alcançar de 8
a 12 g/L de fixador31.
Bussadori et al.,21 encontraram que 61,1% de
seus entrevistados jogam revelador e fixador na pia e
rede de esgoto e somente 27,5% utilizam reservatórios
e os destinam a outro fim que não, a rede de esgoto.
Um estudo realizado em São Luís (MA)22 observou que
tanto o revelador, quanto o fixador e o chumbo são
descartados de forma incorreta, seja por negligência,
por falta de conhecimento sobre o destino adequado
dos mesmos, ou ainda pela falta de diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais, gestores de recursos
hídricos e de saneamento competentes. Nesse estudo,
82,4% dos entrevistados, afirmaram lançar revelador e
fixador diretamente na rede de esgoto desprezando o
seu potencial tóxico e cumulativo de metal pesado no
meio ambiente. O recurso ideal para evitar danos ambientais é a substituição dos aparelhos radiográficos
comuns por aparelhos digitais, os quais eliminam todo
o processo químico da revelação23. Porém, como esses
aparelhos ainda apresentam valor elevado, torna-se
difícil a substituição dos equipamentos antigos22.
Com isso, deve-se buscar a recuperação da
prata do fixador usado e da água de enxágue, reduzindo custos do processo e permitindo a reutilização
desta água no processo. Deve-se ainda, tratar a solução reveladora e a solução fixadora e dar-lhes uma
adequada destinação final, minimizando o impacto
gerado por estes efluentes28.
Resíduos sólidos não contaminados e outras práticas sustentáveis
Em um consultório odontológico há diversos
itens que merecem atenção de controle ambiental
como água e energia, resíduos sólidos nãocontaminados que incluem embalagens de materiais,
copos descartáveis usados pela equipe odontológica,
itens de esterilização, dentre outros.
Em relação aos resíduos sólidos não contaminados, Bussadori et al.,21 encontraram que 23,6% dos
profissionais tinham a preocupação de encaminhar
para reciclagem algum tipo de resíduo gerado na clínica. Dentre os dentistas em São Luís (MA), apenas 13,3%
relataram enviar embalagens de material odontológico
para reciclagem22.
A EcoDentistry, sugere algumas atitudes sustentáveis como, economizar energia e água, garantir reciclagem de material não contaminado; usar itens de
esterilização reutilizáveis e barreiras protetoras para
paciente livres de plástico; atuar com fornecedores
que apresentem alternativas para o tratamento dos
resíduos e realizar compras da clínica que incluam
produtos recicláveis; usar desinfetantes e produtos de
limpeza atóxicos e biodegradáveis; eliminar o uso de
soluções tóxicas para esterilização a frio, como as que
contém glutaraldeído.
Considerações finais
A dicotomia entre o ser humano e a natureza
está, cada vez mais, sendo abordada pela comunidade
Rev Pesq Saúde, 13(2): 60-66, maio-agost, 2012
Freitas-Anceles JFS, Silva VC, Freitas-Fernandes FS, Carvalho ALA
científica em meio aos riscos ecológicos globais,
porém estudos relacionados a poluentes ambientais
advindos da área da saúde, ainda são poucos, necessitando-se, portanto, de mais interesse nessa área.
Pela característica das ações em saúde ambiental, as parcerias com diversos segmentos sociais que
atuam com as áreas de odontologia, com universidades, associações, conselhos e empresas privadas
devem ser objeto de busca constante por parte do
poder público, juntamente com a comunidade científica, para a obtenção de melhores resultados.
Em vista disso e considerando que a quantidade
de resíduos produzida pela classe odontológica pode
ter um impacto ambiental significativo e visando uma
eco-eficiência da atividade odontológica, deve-se
investigar mais formas de minimizar tais impactos
para incluir a classe odontológica na constante de
interesse mundial para com a sustentabilidade, em
vista à formação de uma consciência coletiva sobre a
preservação do ambiente.
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NOTAS REDATORIAIS / NOTES TO AUTHORS
A Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research,
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Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research.
a. The manuscripts must be accompanied by a cover letter
that must be signed by each author(s) authorizing the article
to be published and transferring the copyright to the Journal
of Health Research.
b. Na seleção de artigos para publicação, avaliar-se-á o mérito
científico do trabalho, sua adequação às normas e à política
editorial adotada pela revista. Nos trabalhos de pesquisa
envolvendo seres humanos deverá ser informado o nº do
parecer de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da
instituição onde o mesmo foi aprovado.
b. In the selection of articles for publication, the scientific
merit of the research, adaptation to the standards and
editorial policy adopted by the Journal will be evaluated.
When reporting experiments on human subjects, the protocol
number of the Institution’s Research Ethics Committee where
the research was approved must be informed.
c. Os manuscritos, submetidos com vistas à publicação na
Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research, são
avaliados inicialmente pela secretaria quanto à adequação das
normas. Em seguida, serão encaminhados no mínimo para 02
(dois) revisores (membro do Conselho Editorial ou consultor
ad hoc) para avaliação e emissão de parecer fundamentado,
os quais serão utilizados pelos editores para decidir sobre
a aceitação, ou não, do mesmo. Em caso de divergência de
opinião entre os avaliadores, o manuscrito será enviado a
um terceiro relator para fundamentar a decisão final. Será
assegurado o anonimato do(s) autor (es) nesse processo.
O Conselho Editorial se reserva o direito de recusar o texto
recebido e/ou sugerir modificações na estrutura e conteúdo
a fim de adequar aos padrões da revista. Os autores dos
manuscritos não aceitos para publicação serão notificados por
carta e/ou e-mail. Somente após aprovação final, os trabalhos
serão encaminhados para publicação.
c. The manuscripts submitted for publication in the Journal of
Health Research are firstly assessed by the editorial office for
adaptation to the standards. Afterwards, the manuscripts will
be addressed to a minimum of two reviewers (Member of the
Editorial Board or ad hoc consultant) that will evaluate and
issue a reasoned opinion to be used by the editor for deciding
whether the article is accepted or not. In case of opinion
divergence between the reviewers, the manuscript will be sent
to a third reviewer for reasoning the final decision. The
author(s) anonymity will be guaranteed in this process. The
editorial board reserves the rights of refusing the received text
and/or suggesting changes in the style and content in order to
follow the journal standards. The authors of manuscripts not
accepted for publication will be informed through letter
and/or email. Only after acceptance the articles will be
published.
d. A Revista de Pesquisa em Saúde/Journal of Health Research
não remunera o(s) autor(es) que tenham seus artigos nela
editados, porém lhes enviará 02 (dois) exemplares da edição
onde seu(s) texto(s) for(em) publicado(s).
d. The Journal of Health Research does not pay theauthor(s)
of article(s) edited by it, however, the journal will send two
issues where his/her/their text(s) was/were published.
e. Não serão publicados artigos que atentem contra a ética
profissional, que contenham termos ou idéias preconceituosas
ou que exprimam pontos de vista incompatíveis com a filosofia
de trabalho do Conselho Editorial e da política da revista.
f. Os conceitos, opiniões e demais informações contidos
nos textos, e publicados na Revista de Pesquisa em Saúde/
Journal of Health Research, são de inteira responsabilidade
do(s) autor (es).
1. Categorias das seções
Para fins de publicação, a Revista de Pesquisa em Saúde/
Journal of Health Research, publica nas seguintes seções:
editorial, artigos originais, artigos de revisão e atualização,
relatos de caso, relatos de experiência, comunicações breves
e relatórios técnicos elaborados por profissionais da área
da saúde e afins, redigidos em português ou inglês. Em
cada número, se aceitará a submissão de, no máximo, dois
manuscritos por autor.
1.1 Editorial: de responsabilidade do corpo editorial da revista,
que poderá convidar autoridade para redigi-lo.
1.2 Artigos originais: devem relatar pesquisas originais que
não tenham sido publicadas ou consideradas para publicação
em outros periódicos. Produção resultante de pesquisa de
natureza empírica, experimental, documental ou conceitual
e. The articles that do not follow the professional ethics, as
well as those that show prejudice ideas or express
incompatible viewpoints with the journal’s policy and editorial
board philosophy towards work, will not be published.
f. The concepts, opinions and other information within the
texts, and published in the Journal of Heath Research are of
entire responsibility of author(s).
1.Categories of sections
For publication purposes, the Journal of Health Research
publishes in the following sections: original, review and
update articles, case and experience reports, editorial, short
communications and technical reports. The manuscripts must
be written in portuguese or english and elaborated by
professionals of health or related areas. In each issue number
the Journal will accept up to two manuscripts for submission
by each author.
1.1 Editorial: the Journal editorial body is responsible by
this type of submission. The Journal may invite an expert to
prepare it.
1.2 Original article: should report original research that has
not been previously published or considered for publication
in other journals. It is a manuscript that was resulted of
empirical, experimental, documental or conceptual research
and which may add values to the science field and practice of
67
com resultados que agreguem valores ao campo científico e
prático das diversas áreas da saúde. Deve conter na estrutura:
resumo, abstract, introdução, métodos, resultados, discussão
e referências (máximo de 6.000 palavras e cinco ilustrações).
1.3 Artigos de Revisão e Atualização: destinados a
apresentação de conhecimentos disponíveis baseados numa
avaliação crítica, científica, sistemática e pertinente de um
determinado tema (resumo estruturado de até 250 palavras,
máximo de 5.000 palavras, cinco ilustrações), e não apenas
revisão de literatura, e até três autores. Mesma formatação do
artigo original.
1.4 Relatos de Casos: devem ser relatos breves de casos
relevantes para divulgação científica com extensão máxima
de 1.500 palavras, com máximo de 3 ilustrações (tabelas
e figuras), até quinze referências. Colocar no corpo do
manuscrito os tópicos: introdução, relato de caso, discussão
e referências. Permitido-se máximo três autores.
many health areas. It should contain in its structure: resumo,
abstract, introduction, methods, results, discussion, conclusion
and references (up to 6,000 words and five illustrations).
1.3 Review and update articles: have as an aim the presentation of available knowledge based on critical, scientific, systematic and relevant assessment of a particular subject (abstract of up to 250 words, maximum of 5,000 words, five illustrations), they should not only be a literature review and
should be conducted of up to three authors. Same format of
the original article.
1.4 Case reports: relevant brief reports that should be
important to scientific publishing, with maximum of 1,500
words and three illustrations (tables and figures), up to ten
references. Devide your manuscript into sections: introduction,
case report, discussion and references. It is allowed up to
three authors.
1.5 Comunicações Breves: devem ser relatos sobre novos
resultados, interessante dentro da área de abrangência da
revista. Observação clínica original, ou descrição de inovações
técnicas, apresentadas de maneira breve, não excedendo a
1.700 palavras. Não colocar no corpo do manuscrito os tópicos:
introdução, métodos, resultados, discussão e conclusões.
Máximo três ilustrações e até quinze referências.
1.5 Short communications: should be reports about new results and interesting for the knowledge area of the journal.
Original clinical observation or description of technical innovations which should be presented briefly without exceeding
1,700 words. Do not include in the body of the manuscript the
items: introduction, methods, results, discussion and conclusions. Maximum of three illustrations and up to fifteen references.
1.6 Relato de Experiência: descrição de experiências
acadêmicas, assistenciais e de extensão. A relevância de
um relato de experiência está na pertinência e importância
dos problemas que nele se expõem, assim como o nível de
generalização na aplicação de procedimentos ou de resultados
da intervenção em outras situações similares, ou seja, serve
como uma colaboração à práxis metodológica. Formato de
artigos originais.
1.6 Experience Report: description of academic, assistance,
and extension experiences. The relevance of an experience
report is the relation and importance of problems that are
shown by it, as well as the level of generalization in the
procedures application and results of interventions in other
similar situations, in other words, it serves as collaboration to
the methodological praxis. Format of original articles.
1.7 Relatórios Técnicos: devem ser precisos e relatar os
resultados e recomendações de uma reunião de experts. Será
considerado no formato de um editorial.
2. Forma e Estilo
1.7 Technical Reports: should be accurate and report results
and recommendations of an assembly of experts. It will be
considered in an editorial format.
2 Format and Style
2.1 Os artigos devem ser concisos e redigidos em português
ou Inglês. As abreviações devem ser limitadas aos termos
mencionados repetitivamente, desde que não alterem o
entendimento do texto, e devem ser definidas a partir da sua
primeira utilização. Cada parte do artigo deve ser impressa em
páginas separadas na seguinte ordem: 1) Página de Títulos; 2)
Resumo e Palavras-chave; 3) Abstract e Keywords; 4) Texto; 5)
Referências; 6) E-mail, para a correspondência; 7) Ilustrações
e legendas; 8) Tabelas; 9) Outras informações.
2.1 The articles should be concise and written in Portuguese
or English. Abbreviations should be limited to the terms
mentioned repeatedly. The spelled-out abbreviation followed
by the abbreviation in parenthesis should be used on first
mention. The abbreviation should be used unless it will not
alter the text comprehension. Each part of the article should
be printed on separate pages in the following order: 1) Titles
Page, 2) Resumo and Descritores, 3) Abstract and Keywords;
4) Text, 5) References, 6) e-mail for correspondence, 7)
Illustrations and captions, 8) Tables, 9) Other information.
2.2 Os manuscritos dever ter as referências elaboradas de
acordo com as orientações do International Committee of
Medical Journal Editors Vancouver Group (www.icmje.org), e
do International Committee of Medical Journal Editors Uniform
Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical
Journals: sample references (http://www.nlm.nih.gov/bsd/
uniform_requirements.html.
2.2 The references of manuscripts should follow the norms
established by the International Committee of Medical
Journal Editors Vancouver Group (www.icmje.org) and the
International Committee of Medical Journal Editors Uniform
Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical
Journals: sample references (http://www.nlm.nih.gov/bsd/
uniform_requirements.html).
2.3 O manuscrito deve ser preparado usando software padrão
de processamento de texto e deve ser impresso (fonte arial,
tamanho 12) com espaço duplo em todo o texto, legendas
para as figuras e referências, margens com pelo menos três
cm. Abreviações devem ser usadas com moderação.
2.3 The manuscript should be prepared using standard word
processing software and should be printed (arial, font size
12) double-spaced throughout the text, figures captions, and
references, with margins of at least 3cm. Abbreviations should
be used sparingly.
3. Organização dos manuscritos
3.1 Página de Título: página não numerada, contendo o título do
artigo em português (digitada em caixa alta e em negrito com no
máximo 15 palavras), inglês (somente em caixa alta). Nome
completo dos autores digitados em espaço duplo na margem
direita da página indicando em nota de rodapé a titulação do (s)
autor (es) e instituição (es) de vinculo (s) e endereço para
correspondência: nome do autor responsável e e-mail.
68
3. Manuscripts structure
3.1 Title Page: not numbered, containing the title of the article
in Portuguese (typed in capital letters and boldface with a
maximum of 15 words), English (only with capital letters),
authors’ full name typed in double-spaced on the right margin
of the page, and a footnote indicating the title of author (s)
and institution(s) to which they are affiliated and his/her/their
correspondence address (es): name of the corresponding
author and email.
3.2 Resumo: deve conter no máximo 250 palavras, em caso
de Artigo Original e Atualização, e 100 para Relatos de Casos,
Comunicações Breves e Relato de Experiência. Devem ser
estruturados, contendo introdução, objetivo(s), métodos,
resultado(s) e conclusão (es).
3.3 As palavras-chaves: e seus respectivos Key Words
devem ser descritores existentes no DeCS-Bireme (http://
decs.bvs.br).
3.4 Introdução: deve indicar o objetivo do trabalho e a hipótese
formulada. Informações que situem o problema na literatura
e suscitem o interesse do leitor podem ser mencionadas.
Devem-se evitar extensas revisões bibliográficas, histórico,
bases anatômicas e excesso de nomes de autores.
3.5 Ética: toda pesquisa que envolve seres humanos e
animais deve ter aprovação prévia da Comissão de Ética em
Pesquisa, de acordo com as recomendações da Declaração
de Helsinki e as Normas Internacionais de Proteção aos
Animais e a resolução nº 196/96 do Ministério da Saúde
sobre pesquisa envolvendo seres humanos. O artigo deve
ser encaminhado juntamente com o parecer do Comitê de
Ética em Pesquisa (CEP).
3.2 Abstract: should not exceed two hundred words for
original or update article, and a hundred for Case reports,
Short communications and Experience report. It should be
structured with the objective, material and methods, results
and the conclusions. Note: when the article is written in
English the abstract must come before the resumo.
3.3 Keywords: should be used descriptors from the DeCSBIREME (http://decs.bvs.br).
3.4 Introduction: should provide the objective of the study
and a formatted hypothesis. Information which indentifies
the problem in the literature and draws the reader's interest
may be mentioned. Detailed literature reviews, natural history,
anatomical basis and excessive number of authors should
be avoided.
3.5 Ethics: any research involving experiments on humans
and animals must have a prior approval from the Research
Ethics Committee, according to the Helsinki Declaration,
International Animal Protection and Resolution
n°196/96
of the Ministry of Health about research involving humans.
The article should be addressed along with the opinion of the
Committee of Ethics in Research (CEP).
3.6 Métodos: o texto deve ser preciso, mas breve, evitando-se
extensas descrições de procedimentos usuais. É necessário
identificar precisamente todas as drogas, aparelhos, fios,
substâncias químicas, métodos de dosagem, etc., mas
não se deve utilizar nomes comerciais, nomes ou iniciais
de pacientes, nem seus números de registro no Hospital.
A descrição do método deve possibilitar a reprodução dos
mesmos por outros autores. Técnicas-padrões precisam
apenas ser citadas.
3.6 Methods: the text should be accurate although brief,
avoiding extensive descriptions of usual procedures. It is
necessary to precisely identify all drugs, devices, wires,
chemicals, methods of measurement and so on. Do not use
trade names, patient initials or names, or their hospital
registration numbers. The method description should enable
its reproduction by others. Standard techniques need only
be cited.
3.7 Resultados: devem ser apresentados em sequência lógica
no texto, e exclusivamente neste item, de maneira concisa,
fazendo, quando necessário, referências apropriadas a tabelas
que sintetizem achados experimentais ou figuras que ilustrem
pontos importantes. O relato da informação deve ser conciso
e impessoal. Não fazer comentários nesta sessão, reservandoos para o capitulo Discussão.
3.7 Results: should be presented in logical sequence in the
text. Only in this item, when necessary, and in a concise
manner, appropriate references should be done to tables that
summarize experimental findings or figures that illustrate
important points. The information report must be concise
and impersonal. Do not make comments on this section. All
comments must be reserved for the Discussion chapter.
3.8 Discussão: deve incluir os principais achados, a validade
e o significado do trabalho, correlacionando-o com outras
publicações sobre o assunto. Deve ser clara e sucinta evitandose extensa revisão da literatura, bem como hipóteses e
generalizações sem suporte nos dados obtidos no trabalho.
Neste item devem ser incluída(s) a(s) conclusão(es) do trabalho.
3.8 Discussion: should include main findings, the validity and
meaning of the work, correlating it with other publications
about the subject. It should be clear and concise by avoiding
detailed literature review as well as hypothesis and
generalizations without support from data obtained in the
study. In this item should be included the conclusions.
3.9 Referências: devem ser numeradas consecutivamente, na
medida em que aparecem no texto. Listar todos os autores
quando houver até seis. Para sete ou mais, listar os seis
primeiros, seguido por “et al”. Digitar a lista de referência
com espaçamento duplo em folha separada. Citações no texto
devem ser feitas pelo respectivo número das referências,
acima da palavra correspondente, separado por vírgula (Ex.:
inteligência 2, 3, 4,.). As referências citadas deverão ser
listadas ao final do artigo, em ordem numérica, seguindo as
normas gerais dos Requisitos Uniformes para Manuscritos
Apresentados a Periódicos Biomédicos (http://www.hlm.nih.
gov/citingmedicine/). Os títulos dos periódicos devem ser
abreviados de acordo com o estilo usado no “Index medicus”
(Consulte:
http://ncbi.nlm.nih.gov/sites/entrez?db=journal&
TabCmd=limits).
3.9 References: should be numbered consecutively according
to the order in which they are mentioned in the text. All authors should be mentioned when up to six. When there are
more than six authors, you should list all the six authors followed by “et al”. The list of references should be typed doublespaced and on a separate page. Citations in the text should be
made by the respective number of references, above the corresponding word and separated by comma (e.g.: Knowledge 2,
3, 4,). All cited references should be listed at the end of the article in numerical order, following the general rules of the
Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to
Biomedical Journals (http://www.nlm.nih.gov/citingmedicine /).
The titles of journals should be abbreviated according to the
style used in "Index medicus" (http://ncbi.nlm.nih.gov/
sites/entrez?= journal&db=TabCmd=limits).
- Todas as referências devem ser apresentadas de modo
correto e completo. A veracidade das informações contidas na
lista de referências é de responsabilidade do(s) autor(es).
- All references must be presented in a correct and complete
manner. The veracity of the information contained in the list
of references is of author(s)’s responsibility.
- No caso de usar algum software de gerenciamento
de referências bibliográficas (Ex. EndNote®), o(s) autor(es)
deverá(ão) converter as referências para texto.
- When using a reference management software (e. g.
EndNote®), the author(s) must convert the references to text.
4. Fontes de financiamento
4. Funding sources
69
4.1 Os autores devem declarar todas as fontes de financiamento ou suporte, institucional ou privado, para a realização
do estudo.
4.2 Fornecedores de materiais ou equipamentos, gratuitos
ou com descontos também devem ser descritos como fontes
de financiamento, incluindo a origem (cidade, estado e país).
4.3 No caso de estudos realizados sem recursos financeiros
institucionais e/ou privados, os autores devem declarar que a
pesquisa não recebeu financiamento para a sua realização.
5. Conflito de interesses
5.1 Os autores devem informar qualquer potencial conflito
de interesse, incluindo interesses políticos e/ou financeiros
associados a patentes ou propriedade, provisão de materiais
e/ou insumos e equipamentos utilizados no estudo pelos
fabricantes.
6.Colaboradores
6.1 Devem ser especificadas quais foram as contribuições
individuais de cada autor na elaboração do artigo.
6.2 Lembramos que os critérios de autoria devem basearse nas deliberações do Internacional Commitee of Medical
Journal Editors, que determina o seguinte: o reconhecimento
da autoria deve estar baseado em contribuição substancial
relacionada aos seguintes aspectos: 1.Concepção e projeto
ou análise e interpretação dos dados; 2. Redação do artigo ou
revisão crítica relevante do conteúdo intelectual; 3. Aprovação
final da versão a ser publicada. Essas três condições devem
ser integralmente atendidas.
7.Agradecimentos
7.1 Possíveis menções em agradecimentos incluem instituições
que de alguma forma possibilitaram a realização da pesquisa
e/ou pessoas que colaboraram com o estudo, mas que não
preencheram os critérios para serem co-autores.
4.1 The authors must declare all sources of funding or support, institutional or private, used to perform the study.
4.2 Suppliers of materials or equipments free or with discount,
must also be described as sources of funding, including the
origin (city, state and country).
4.3 Authors with studies without institutional or private
financial resources must state that the research did not receive funding for its implementation.
5. Conflict of interest
5.1 Authors are requested to disclose any potential conflict
of interest, including political and/or financial interests
associated with patents or property, materials and / or
supplies provision and equipments used in the study by manufacturers.
6. Collaborators
6.1 It should be specified the individual contributions of each
author in the preparation of the article.
6.2 We remind you that the criteria for authorship should be
based on the deliberations of the International Committee of
Medical Journal Editors that states the following: recognition
of authorship should be based on substantial contributions
to: 1. Conception and design or analysis and interpretation
of data, 2. Article preparation or critical review of intellectual
content; 3. Final approval of the version to be published. These
three conditions must be fully met.
7. Acknowledgments
7.1 Possible acknowledgments include institutions that
somehow provided help for the research and / or people who
collaborated with the study, but that did not meet the criteria
for co-authors.
8. Sending the submission
8. Envio e submissão
Os artigos deverão ser entregues em cópia impressa e um CD
na Diretoria Adjunta de Ensino, Pesquisa e Extensão, localizada
no 4º andar da Unidade Presidente Dutra (HUUPD) - Rua Barão
de Itapary, 227 - Centro. CEP.: 65020-070, São Luís-MA. Brasil.
Telefone para contato: (98) 2109-1242, ou encaminhados por
meio do e-mail: [email protected].
Articles should be delivered as an impressed copy and on a
CD in the Adjunct Directory of Teaching, Research and
Extention, located on the 4th floor of the President Dutra Unit
(HUUPD) - Rua Barão de Itapary, 227 - Centro. CEP.: 65020070, São Luís, MA. Brazil. Phone: +55 (98) 2109-1242, or it
may be sent via e-mail: [email protected].
9. Examples of reference styles:
9. Exemplos de formas de referências:
9.1 Em Revista: Autor. Título do artigo. Título da Revista
(itálico). Ano; volume (número): páginas. Jordan PH, Thonrby
J. Twenty years after parietall cell vagotomy antrectomy for
treatment of duodenal ulcer. Ann Surg, 1994; 220(3): 283-296.
9.2 Em Livro: Autor. Título (itálico). Edição. Local de Publicação:
Editora; ano da publicação. Bogossian L. Choque séptico: recentes avanços de fisiopatologia e do tratamento. 2 ed. Rio de
Janeiro: Atheneu; 1992.
9.1 Journal: Author. Article title. Journal title (italics). year;
volume (number): pages. Jordan PH, Thonrby J. Twenty years
after vagotomy antrectomy parietall cell for treatment of
duodenal ulcer. Ann Surg, 1994; 220 (3): 283-296.
9.2 Book: Author. Title (italics). Edition. Place of Publication:
Publisher; year of publication. Bogossian L. Choque séptico:
recentes avanços de fisiopatologia e do tratamento. 2 ed. Rio
de Janeiro: Atheneu; 1992.
9.3 Em Capitulo de Livro: Autor do capítulo. Título do capítulo
(Itálico). In: Autor do livro. Título do livro. Edição. Local de
publicação: Editora; ano de publicação; páginas. Barroso
FL, Souza JAG. Perfurações pépticas gástricas e duodenais.
In Barroso FL, Vieira OM, editores. Abdome agudo não
traumático: Novas propostas. 2. Ed. Rio de Janeiro: Robe;
1995. p. 201- 220.
9.3 Chapter in Book: Author of the chapter. Chapter title
(italics). In: Author of the book. Title of book. Edition. Place
of publication: Publisher; year of publication; pages. Barroso
FL, Souza JAG. Perfurações pépticas gástricas e duodenais. In
Barroso FL, Vieira OM, editors. Abdome agudo não
traumático: Novas propostas. 2. ed. Rio de Janeiro: Robe;
1995. p. 201-220.
9.4 Em Monografia/Dissertação/Tese. Autor. Título (Itálico)
[Dissertação]. Local (Estado): Universidade; Ano; Páginas.
Chinelli A. Colecistectomia laparoscópica: estudo de 35 casos.
9.4 Monograph/Dissertation / Thesis. Author. Title (italic)
[Dissertation]. Place (State): University; Year; pages. Chinelli A.
Colecistectomia laparoscópica: estudo de 35 casos.
[Dissertação]. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense;
1992. 71 p.
[Dissertation]. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense;
1992. 71 p.
70
9.5 Em Material eletrônico:
9.5 Electronic Material:
I. Artigo: Autor. Título do artigo. Título do periódico [Tipo de
material] Ano Mês [capturado ano mês dia]; volume (número);
[número de telas] Disponível em: endereço eletrônico. Morse
SS. Factors in the emergence of Infectious Diseases. Emerg I
infect diseases [serial online] 1995 Jan/mar [capturado 1996
jun 5]; 2 (2): [24 telas] Disponível em: http://www.cdc.gov/
ncidod/EID/eid.htm.
I. Article: Author. Article title. Journal Title [Type of material]
year month [cited year month day]; volume (number); [number
of screens] Available from: electronic address. Morse SS.
Factors in the emergence of Infectious Diseases. I Emerg infect
diseases [serial online] 1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5]; 2
(2): [24 screens] Available at: http://www.cdc.gov/ncidod/
EID/eid.htm.
II. Arquivo de Computador: Título [tipo de arquivo]. Versão.
Local (Estado) Editora; ano. Descrição Física da mídia.
Hemodynamics III: The ups and downs of hemodynamics
[computer program]. Version 2.2 Orlando (FL): Computerezid
Educational Systems; 1993.
II. Computer File: Title [File Type]. Version. Place (State)
Publisher; year. Descrição Física da mídia. Hemodynamics
III: The ups and downs of hemodynamics [computer
program]. Version 2.2 Orlando (FL): Computerezid
Educational Systems; 1993.
III. Monografia em formato eletrônico: Título [tipo de material],
Responsável. Editor. Edição. Versão. Local: Editora; ano: CDI,
Clinical dermatology illustrated [monograph on CD-ROM].
Reeves JTR, Mailbach H. CMEA Multimedia Group, producers.
2nd ed. Version 2.0. San Diego: CMEA; 1965. Notas: Todas
as notas do título, dos autores ou do texto devem ser
indicadas por algarismos arábicos, e ser impressas em páginas
separadas, espaço simples.
III. Monograph in electronic format: Title [type of material],
Responsible. Editor. Edition. Version. Place: Publisher; year:
CDI, Clinical dermatology illustrated [monograph on CD-ROM].
Reeves JTR, Mailbach H. CMEA Multimedia Group, producers.
2nd ed. Version 2.0. San Diego: CMEA; 1965.
IV. CD-Rom, DVD: Autor(es). Título [tipo do material].
Cidade de publicação: produtora; ano. Anderson SC, Poulsen
KB. Anderson's electronic atlas of hematology [CD-ROM].
Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2002.
9.6 Em Anais de Congresso: Autor(es) do trabalho. Título
do trabalho (itálico). Título do evento; data do evento; local
e cidade do evento; editora; ano de publicação. Christensen
S, Oppacher F. An analysis of Koza's computational effort
statistic for genetic programming. In: Foster JA, Lutton E, Miller
J, Ryan C, Tettamanzi AG, editores. Genetic programming.
EuroGP 2002: Proceedings of the 5th European Conference
on Genetic Programming; 2002 Apr 3-5; Kinsdale, Ireland.
Berlin: Springer; 2002. p. 182-91.
9.7 Em Artigo de Jornal: Autor do artigo. Título do
artigo (itálico). Nome do jornal. Data; Seção: página (coluna).
Tynan T. Medical improvements lower homicide rate: study
sees drop in assault rate. The Washington Post. 2002 Aug
12; Sect. A: 2 (col. 4).
10 Tabelas
Devem ser numeradas com algarismos arábicos encabeçadas
por suas legendas e explicações dos símbolos no rodapé e
digitadas separadamente, uma por página. Cite as tabelas no
texto em ordem numérica incluindo apenas dados necessários
à compreensão de pontos importantes do texto. Os dados
apresentados em tabelas não devem ser repetidos em
gráficos. A montagem das tabelas deve seguir as Normas de
Apresentação Tabular, estabelecidas pelo Conselho Nacional
de Estatísticas (Rev Bras Est, 24: 42-60, 1963. As tabelas
deverão ser elaboradas no programa Microsoft® Word®).
11 Ilustrações
São fotografias (boa resolução mínimo de 300 dpi, no formato
TIFF), mapas e ilustrações (devem ser vetorizadas ou seja
desenhada utilizando os sotwares CorelDraw® ou Ilustrator®
em alta resolução, e suas dimensões não devem ter mais
que 21,5x28,0cm) gráficos, desenhos, etc., que não devem
ser escaneadas e de preferência em preto e branco, medindo
127mm x 178mm. As ilustrações, em branco e preto serão
reproduzidas sem ônus para o(s) autor(es), mas lembramos
que devido o seu alto custo para a Revista, devem ser limitadas
a 5 (cinco) entre tabelas e figuras para artigos originais e
3 (três) para relatos de casos, e utilizadas quando estritamente
necessárias. Todas as figuras devem ser referidas no texto,
sendo numeradas consecutivamente por algarismo arábico.
IV. CD-Rom, DVD: Author (s). Title [type of material]. City
of publication: producer; year. Anderson SC, Poulsen
KB. Anderson's electronic atlas of hematology [CD-ROM].
Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2002.
9.6 Proceedings of Congresses: Author (s) of the work. Title of
the work (italics). Title of event; event date; venue and city of
event; publisher; year of publication. Christensen S, Oppacher
F. An analysis of Koza's computational effort statistic for
genetic programming. In: Foster JA, Lutton E, Miller J, Ryan
C, Tettamanzi AG, editors. Genetic programming. EuroGP
2002: Proceedings of the 5th European Conference on Genetic
Programming; 2002 Apr 3-5; Kinsdale, Ireland. Berlin:
Springer; 2002. p. 182-91.
9.7 Journal article: Author of the article. Article title (italics).
Name of the newspaper. Date; Section: Page (column). Tynan
T. Medical improvements lower homicide rate: study sections
drop in assault rate. The Washington Post. 2002 Aug 12;
Sect. A: 2 (col. 4).
10 Tables
They should be numbered with Arabic numerals, explained
by captions, with explanations of symbols in the footnote and
prepared separately, one per page. Cite the tables in the text
in numerical order including only data needed to understand
important points. The data presented in tables should not be
repeated in graphs. The preparation of tables should follow
the Tabular Presentation Guidelines established by the
National Statistics Council (Rev. Bras. Est., 24: 42-60, 1963.
The tables should be prepared in Microsoft Word software).
11 Illustrations
They are photographs (good minimum resolution of 300 dpi,
in TIFF format), maps and illustrations (vector illustrations,
in other words, to be drawn using Illustrator® or CorelDraw®
sotwares at high resolution, in black and white, and the
dimensions must be no more than 21.5 x28. 0cm), graphics,
drawings, and so on. They should not be scanned and should
be preferably in black and white, measuring 127mm x
178mm. The illustrations in black and white will be reproduced at no charge for the author (s). Remember that because
of the high cost for the Journal it should be provided up to five
(5) illustrations between tables and figures for original articles
and 3 (three) for case reports, using only when strictly necessary. All figures must be mentioned in the text, numbered consecutively in Arabic numerals. Each figure must be accompanied by a caption that makes it clear without reference to the
text. The illustrations must be identified on the back using a la-
71
Cada figura deve ser acompanhada de uma legenda que a
torne inteligível sem referencia ao texto. Deve ser identificada
no verso, por meio de uma etiqueta, com o nome do autor e
numeração para orientação. Os desenhos e gráficos podem
ser feitos em papel vegetal com tinta nanquim, sendo as
letras desenhadas com normógrafo ou sob forma de letra
“set” montadas, ou ainda, utilizando impressora jato de tinta
ou laser, com boa qualidade, e nunca manuscritas.
Obs: Todas as notas do título, dos autores ou do texto devem
ser indicadas por algarismos arábicos, e ser impressa em
páginas separadas.
72
bel, with the author's name, and numbered for better identification. The drawings and graphs may be made on tracing paper with nankeen ink, with the letters being drawn with a stencil or letter template set, or still, using inkjet or laser printer,
with good quality, and not handwritten.
Please Note: All notes of the title, author or text should be
indicated by Arabic numerals, and printed on separate pages.
© 1995 Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research
v.13 n.2 maio-agost/2012
ISSN 2179-6238
EDITORIAL
9
Importância da periodicidade da Revista de Pesquisa em Saúde / Journal of Health Research no cenário
científico
Arlene de Jesus Mendes Caldas
ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE
11
Consulta ginecológica na adolescência: aspectos relacionados e motivações determinantes para sua
realização
Assessment of adolescent gynecological: aspects and reasons for determining your achievement
Érika Krogh, Luciane Maria Oliveira Brito, Diego Salvador Muniz da Silva, Evaldo César Macau Furtado Ferreira e Raimundo
Antônio da Silva
17
Perfil dos idosos com síndrome metabólica
Profile of elderly peoplewithmetabolic syndrome
Clarissa Galvão da Silva, Jéssica Brito Rodrigues, José de Ribamar Medeiros Júnior, Nair Portela Silva Coutinho, Maria Lúcia
Holanda Lopes e Ana Hélia de Lima Sardinha
21
Fatores associados ao desmame por ocasião da alta em prematuros de muito baixo peso
Factors associated with weaning at the time of hospital discharge of very low birth weight premature infants
Fernando Lamy Filho, Marianne de Carvalho Rodrigues, Alcioneyaria da Silva Correia e Hanna Arony Wanderley Pereira de
Araújo
26
Efeito da drospirenona como terapia hormonal de baixa dose nos níveis pressóricos de mulheres climatéricas
hipertensas
Effect of drospirenone as low dose hormone therapy in pressure levels in climacteric women with hypertension
Sinara Marques dos Santos, Maria Bethânia da Costa Chein, Diego Salvador Muniz da Silva, Paulo Roberto Silva Cruz, José de
Albuquerque Figueiredo Neto e Luciane Maria Oliveira Brito
32
Mortalidade neonatal em localidade do nordeste do Brasil
Neonatal mortality in region of northwest of Brazil
Valdinar Sousa Ribeiro, Flávia Baluz Bezerra de Farias, Alcione Miranda dos Santos, Antonio Augusto Moura da Silva,
Liberata Campos Coimbra, Arlene de Jesus Mendes Caldas e Heloisa Bettiol
38
Indicadores operacionais da atenção básica em São Luís, Maranhão
Operational indicators of primary care in São Luís, Maranhão
Liberata Campos Coimbra, Odineilce Sampaio Pereira, Maria Lúcia Holanda Lopes, Lena Maria Barros Fonseca, Monyk
Neves de Alencar e Maria Ieda Gomes Vanderlei
42
Housewives' knowledge about dengue in an endemic area of the State of Maranhão, Brazil
Conhecimento das donas de casa sobre dengue em uma área endêmica do Estado do Maranhão, Brasil
Valéria Cristina Soares Pinheiro, Irene Alves Silva Neres, Juliana Maria Trindade Bezerra, Joelma Soares da Silva, Jivanildo
Pinheiro Miranda, Luciane Maria de Oliveira Brito e Wanderli Pedro Tadei
48
Perfil antropométrico de hipertensos cadastrados pelo hiperdia em uma unidade de saúde da região
Nordeste do Brasil
Anthropometric profile of hypertensive patents in a regional health unit in the Northeast of Brazil
Nayra do Socorro Caldas Carvalho de Almeida Teixeira, Valdinar Sousa Ribeiro, Alcione Miranda dos Santos, Nayra Anielly
Lima Cabral e Ana Karina Teixeira da Cunha França
ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE
54
Paternidade em tempos de mudança: uma breve revisão da literatura
Fatherhood in times of change: a brief review of the literature
Edna Lúcia Coutinho da Silva, Zeni Carvalho Lamy, Lívia Janine Leda Fonseca Rocha e Jéssica Rodrigues de Lima
60
Importância da odontologia sustentável na interface saúde/ambiente
Importance of sustainable dentistry in health/environment interface
Janaína de Fátima dos Santos de Freitas-Anceles, Vanessa Camila da Silva, Frederico Silva de Freitas Fernandes e
Andréa Lúcia Almeida de Carvalho
NOTAS REDATORIAIS / NOTES TO AUTHORS
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